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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[In the last years several Western corporations from the financial sector, including banks, insurance companies, and rating agencies, begun to offer on the market financial products in conformity with the prescriptions of Islamic Shari’a. At the beginning, the targets were only the Arab and the Islamic markets mainly in the Middle East. More recently, this trend also extended to the Western market, targeting both the liquidity of Arab investors and the Muslim populations of Europe and North America with «ethical» products. Thus, the main objective of this paper is discussing, in a broad way, what is at stake with the expansion of the Islamic finance to the Western societies. The analysis will connect this business trend with other general developments, particularly with Islamism (political Islam), and the Western relativism and multiculturalism. The final purpose is to make an assessment of the possible consequences for the democratic and secular societies of the West.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p><b>A finança islâmica nas sociedades ocidentais</b></p>       <p>&nbsp;</p>        <p><b>José Pedro Teixeira Fernandes</b></p>       <p> Doutorado em Ciência Política e Relações Internacionais      pela Universidade do Minho. É professor do ISCET e do ISLAGaia      e auditor de Defesa Nacional (CDN 2003). Autor do livro <i>Islamismo e Multiculturalismo.      As Ideologias Após o Fim da História</i>.</p>      <p>&nbsp;</p>      <p><b>RESUMO</b></p>      <p>Nos últimos anos, diversas empresas ocidentais ligadas à actividade bancária e ao sector segurador passaram a oferecer no mercado produtos financeiros de acordo com as prescrições da <i>sharia </i>islâmica. Inicialmente, o mercado-alvo eram apenas os países árabes e islâmicos sobretudo do Médio Oriente. Recentemente, a tendência estendeu-se também aos mercados ocidentais tendo como finalidade atrair a liquidez de investidores árabes e configurar produtos «éticos» para os muçulmanos residentes na Europa e América do Norte. Face a esta expansão, o objectivo principal deste artigo é discutir as questões levantadas pela finança islâmica de uma maneira abrangente. A análise será feita ligando esta tendência empresarial aos desenvolvimentos mais gerais do islamismo (islão político) e ao relativismo-multiculturalista ocidental, procurando avaliar as consequências que daí podem resultar para as sociedades democráticas e seculares do Ocidente. </p>         <p><b>Palavras-chave</b>:<i> </i>Islamismo, finanças, Europa, América do Norte</p>      <p>&nbsp;</p>        <p><b>The Islamic finance in the Western societies </b></p>        ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>ABSTRACT</b></p>       <p>In      the last years several Western corporations from the financial sector, including      banks, insurance companies, and rating agencies, begun to offer on the market      financial products in conformity with the prescriptions of Islamic <i>Shari&#8217;a</i>. At the beginning, the targets were only the      Arab and the Islamic markets mainly in the Middle East. More recently, this      trend also extended to the Western market, targeting both the liquidity of      Arab investors and the Muslim populations of Europe and North America with      «ethical» products. Thus, the main objective of this paper is discussing,      in a broad way, what is at stake with the expansion of the Islamic finance      to the Western societies. The analysis will connect this business trend with      other general developments, particularly with Islamism (political Islam),      and the Western relativism and multiculturalism. The final purpose is to make      an assessment of the possible consequences for the democratic and secular      societies of the West. </p>         <p><b>Keywords</b>: Islamism, finance, Europe, North America. </p>     <p>&nbsp;</p>                  <p>Na comissão [parlamentar], a deputada Chantal Brunel (UMP) tinha explicado        &#8211; a propósito do artigo 6.º, sexto B modificando o código civil, a fim de        «permitir a emissão em Paris de produtos compatíveis com os princípios éticos        muçulmanos», que «esta disposição visa introduzir os princípios da <i>shari&#8217;a </i>no direito da fidúcia        tornando-o compatível». A relatora acrescentava que há «determinantes culturais        que é necessário ter em conta» para «corrigir» o nosso sistema bancário.        Para o deputado (PS) Henri Emmanuelli,        estes propósitos prejudicam profundamente a divisa republicana e a lei de        1905 de separação da Igreja e do Estado e acrescentou: «Nós pensamos ao        contrário, que não é necessário introduzir os princípios da <i>shari&#8217;a        </i>nem a ética do Alcorão, nem mesmo o direito canónico, a Tora, o Talmude,        quer seja da Babilónia ou de Jerusalém»<a name="top1"></a><sup><a href="#1">1</a></sup>.&nbsp;</p>         <p>A 7 de Fevereiro de 2008, Rowan        Williams, arcebispo de Cantuária e líder religioso da Igreja Anglicana,        após uma palestra proferida no Royal Courts of Justice sobre a lei civil e religiosa<a name="top2"></a><sup><a href="#2">2</a></sup>,        declarou, em entrevista à BBC, que lhe parecia «inevitável» a introdução        da <i>shari&#8217;a </i>islâmica no Reino Unido até porque,        sublinhou, «como matéria de facto» algumas disposições eram «já reconhecidas»        pela sociedade e «estavam sob a lei»<sup><a name="top3"></a><a href="#3">3</a>        </sup>britânica. Considerou ainda que atribuir-lhe um estatuto oficial ajudaria        à coesão social, pois existiam muçulmanos que não se reportavam ao sistema        legal<a name="top4"></a><a href="#4"><sup>4</sup></a><sup> </sup>do país.        Estas declarações públicas desencadearam uma enorme polémica, com repercussões        dentro e fora<sup><a name="top5"></a><a href="#5">5</a> </sup>da sociedade        britânica. Ao nível oficial, foram objecto de um rápido distanciamento crítico        do Governo. Pronunciando-se sobre a questão, o porta-voz do executivo trabalhista        de Gordon Brown declarou que «a nossa        posição geral é que a <i>sharia </i>não        pode ser usada como justificação para abrir brechas na lei do Reino Unido,        nem os princípios da <i>sharia </i>devem        ser incluídos num tribunal civil para resolver disputas contratuais»<sup><a name="top6"></a><a href="#6">6</a></sup>.        As declarações do arcebispo foram ainda objecto de críticas dentro da própria        Igreja Anglicana<a name="top7"></a><sup><a href="#7">7</a> </sup>e repudiadas        pela maioria da imprensa<sup><a name="top8"></a><a href="#8">8</a></sup>,        tendo várias vozes pedido a sua renúncia ao cargo. Todavia, houve igualmente        apreciações mais compreensivas, dentro e fora da Igreja Anglicana. Alguns        defenderam que o discurso de teor erudito do arcebispo de Cantuária tinha        sido mal interpretado e as suas afirmações retiradas do contexto em que        tinham sido proferidas. Outros compararam a sua palestra e declarações sobre        a <i>sharia </i>a uma polémica anterior        com o islão, desencadeada pelo Papa Bento XVI, quando, em 2006, na sua também        erudita palestra na Universidade de Ratisbona<a name="top9"></a><sup><a href="#9">9</a></sup>,        abordou, de forma crítica, a doutrina da <i>jihad</i>.        Apesar de ter também recebido várias críticas dos meios muçulmanos liberais<sup><a name="top10"></a><a href="#10">10</a>        </sup>teve, sem grande surpresa, apoios explícitos de outras organizações        muçulmanas como o Muslim Council        of Britain<a name="top11"></a><sup><a href="#11">11</a></sup>,        próximo do movimento islamista radical Irmãos Muçulmanos do Egipto (paradoxalmente,        ou talvez não pelas razões que veremos em seguida, reconhecido pelo Governo        trabalhista britânico como sendo uma organização representativa dos muçulmanos        britânicos<sup><a name="top12"></a><a href="#12">12</a></sup>). De forma        já mais surpreendente, os apoios surgiram também do interior de instituições        jurídicas fundamentais da sociedade britânica. Num discurso efectuado alguns        meses mais tarde no Centro Muçulmano de Londres Oriental<sup><a name="top13"></a><a href="#13">13</a></sup>,        Lord Phillips de Worth Matravers, o magistrado chefe        da justiça na altura, expressou posição similar favorável ao reconhecimento        oficial da <i>sharia </i>no quadro do sistema        legal. Apesar de tudo, à medida que a controvérsia se dissipou ficou a ideia        de terem sido declarações infelizes e inconsequentes, do arcebispo de Cantuária        e de Lord Phillips,        tendo estas últimas tido pouca repercussão na opinião pública. Poucos ligaram        o assunto a outros desenvolvimentos mais gerais, nomeadamente à tendência        de expansão da finança islâmica para as sociedades ocidentais. A verdade        é que mais ou menos por esse período de tempo, o executivo britânico de        Gordon Brown, que tão veementemente        repudiara as declarações eclesiásticas sobre o reconhecimento oficial da        <i>sharia </i>em matéria de família estava,        em paralelo, a desenvolver esforços para tornar Londres a capital da finança        islâmica. Simultaneamente, planeava emitir um empréstimo obrigacionista        de acordo com as prescrições da <i>sharia        </i>em matéria comercial (<i>sukuk</i>). Ao mesmo        tempo, instituições bancárias e seguradoras britânicas e internacionais        procuravam oferecer produtos configurados segundo as prescrições islâmicas        aos muçulmanos residentes no Reino Unido. Similares desenvolvimentos começam        a surgir em vários países europeus, nomeadamente em França, onde a ministra        da Economia, Christine Lagarde, apoiou os esforços        de vários grupos bancários e financeiros franceses para disputar a primazia        britânica na corrida à finança islâmica na Europa, o que, neste país, implicava        também uma alteração em matéria de laicidade, nomeadamente com uma emenda        ao código civil. Todavia, o que quase nunca foi discutido foram as possíveis        implicações, a médio e longo prazo, para as sociedades ocidentais, do reconhecimento,        ainda que implícito, da <i>sharia </i>em        matéria comercial e o precedente que isso implica, pois estas medidas foram        quase sempre tomadas fora do olhar e do escrutínio da opinião pública. Assim,        o objectivo principal deste artigo é efectuar essa análise e discussão ligando        a finança islâmica com as tendências mais gerais do islamismo<sup><a name="top14"></a><a href="#14">14</a>        </sup>(islão político). Para além disso, será feito um esforço de avaliação        do seu previsível impacto nas instituições das sociedades democráticas,        pluralistas e seculares e ocidentais, o qual usará sobretudo como exemplos        os casos britânico e francês.</p>      <p>&nbsp;</p>      <p><b>OS PRINCÍPIOS DA FINANÇA E DA ECONOMIA ISLÂMICA (CAPITALISMO <i>SHARI&#8217;A</i>) </b></p>          <p>Embora os textos religiosos do islão contenham preceitos        sobre como efectuar transacções comerciais e financeiras e sobre actividades        lícitas (<i>halal</i>) e ilícitas (<i>haram</i>) e exista, no islão clássico, uma jurisprudência        (<i>fiqh</i>) sobre questões de finança islâmica,        a verdade é que conforme explica Timur Kuran<a name="top15"></a><sup><a href="#15">15</a></sup>,        a teorização da finança e economia islâmicas e a criação de instituições        financeiras conformes à <i>sharia </i>é        essencialmente um fenómeno moderno, datado de meados ou até de finais século        XX. Em termos de realizações institucionais, o seu marco fundacional foi        a criação, em 1975, do Banco Islâmico de Desenvolvimento, em Jeddah, na Arábia Saudita. Este surgiu com o objectivo de        apoiar os países muçulmanos no seu desenvolvimento económico, fornecendo        capitais e concedendo empréstimos em conformidade com a <i>shari&#8217;a</i><sup><a name="top16"></a><a href="#16">16</a></sup>.        Quanto às suas bases teóricas, encontram-se de alguma maneira ligadas ao        islão político (islamismo) e surgiram sobretudo nos trabalhos de ideólogos        do islamismo radical<a name="top17"></a><sup><a href="#17">17</a> </sup>sunita,        como o paquistanês Abul Ala Mawdudi        (<i>O Problema Económico do Homem e a sua Solução Islâmica</i>, 1947) e        o egípcio Sayyid Qutb (<i>Justiça Social no Islão</i>, 1949). No caso do islamismo        radical xiita, a teorização principal deve-se        ao iraquiano Muhammad Baqir al-Sadr (<i>A Nossa Economia</i>, 1961). Todavia, os ensinamentos        destes ideólogos do islamismo radical diferem em vários aspectos relevantes        sobre o que deve ser a configuração concreta da finança e economia islâmicas.        No caso de Abul Ala Mawdudi,        este «via favoravelmente o processo de mercado mas insistia que o comportamento        fosse limitado pelas normas que se encontram nas fontes clássicas do islão».        Por sua vez, Sayyid Qutb        e Baqir al-Sadr eram, em geral, mais        desconfiados dos mecanismos de mercado tendo posições «mais favoráveis à        intervenção e ao controlo da economia pelo Estado». Quanto à razão de ser        da economia islâmica, esta foi enunciada por Abul        Ala Mawdudi como sendo prioritariamente «um veículo para afirmar        a primazia do Islão e, secundariamente, como um instrumento para uma mudança        económica radical. Tal como Abul Ala Mawdudi, muitos outros defensores da economia islâmica subordinaram-na        a objectivos mais alargados»<a name="top18"></a><sup><a href="#18">18</a></sup>.        Por exemplo, o <i>ayatollah </i>Khomeini negou que a revolução islâmica no Irão fosse realizada        por questões económicas:</p>      <p>«Khomeini, claro, falou contra a pobreza e a exploração e suportou certas reformas económicas, incluindo a ostensiva eliminação do juro. Mas este sempre subordinou os objectivos económicos à finalidade geral de restaurar a centralidade do Islão na vida privada e pública, mesmo até em objectivos particulares como a eliminação do consumo de álcool e assegurar a modéstia feminina.» </p>          ]]></body>
<body><![CDATA[<p>As realizações com mais impacto da economia islâmica<a name="top19"></a><sup><a href="#19">19</a>        </sup>encontram-se provavelmente na área financeira (banca islâmica que        não pratica a <i>riba</i>/juro e faz operações        de <i>mudaraba </i>e <i>musharaka</i>) e na área da redistribuição (administração        do <i>zakat </i>pelo Estado). Vejamos,        nos seus traços essenciais, como funcionam estas operações económicas e        financeiras: </p>      <p>·&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A banca islâmica pretende ser uma banca em harmonia com os preceitos da <i>sharia </i>(Alcorão, <i>hadith e fiqh</i>), não praticando por isso o juro (<i>riba</i>, que pode também ser entendido como usura), não efectuando transacções especulativas (<i>gharar</i>), nem lidando com negócios envolvendo produtos proibidos (<i>haram</i>), como bebidas alcoólicas, carne de porco ou jogo. Caracteriza-se por recorrer alternativamente a duas técnicas de lucro e de partilha de perdas, utilizadas desde os primeiros tempos do islão <i>mudaraba </i>e <i>musharaka </i>discutidas já pelos teólogos-juristas clássicos. </p>      <p>·&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A <i>mudaraba </i>é uma operação onde «um investidor ou grupo de investidores entrega o capital a um empresário que o aplica na produção ou no comércio e depois devolve ao investidor o capital emprestado mais uma parte dos lucros obtidos». </p>      <p>·&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A <i>musharaka </i>é uma    operação em que «o empresário junta algum dinheiro do seu próprio capital àquele    que é fornecido pelos investidores, expondo-se também a si próprio ao risco    de perda de capital»<sup><a name="top20"></a><a href="#20">20</a></sup>.</p>      <p>·&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O <i>zakat </i>é uma espécie    de imposto religioso mencionado explicitamente no Alcorão (surata do Arrependimento,    9: 103), sendo visto como «um dos cinco pilares do islão, juntamente com a crença    na unidade de Deus, as orações obrigatórias, o jejum durante o Ramadão e a peregrinação    a Meca, para aqueles que tiverem condições de a efectuar»<sup><a name="top21"></a><a href="#21">21</a></sup>.</p>      <p>Especificamente em relação ao <i>zakat</i>, as principais novidades introduzidas    pela economia islâmica foram a administração estadual do <i>zakat </i>(posta    em prática em países como, por exemplo, o Paquistão, a Malásia, a Arábia Saudita),    o alargamento da sua base de obrigatoriedade, por exemplo às empresas (com o    fundamento que estas são pessoas jurídicas) e a mexida nas taxas que tradicionalmente    variavam entre os 2,5 por cento e os 20 por cento aplicadas a produtos agrícolas,    minerais, materiais preciosos, etc., ou seja, às fontes de riqueza de uma sociedade    tradicional<sup><a name="top22"></a><a href="#22">22</a></sup>.</p>      <p>Como se pode verificar, se não considerarmos as referidas ambições ideológico-político-religiosas    de supremacia do islão inerentes aos seus teorizadores (Mawdudi, Qutb, al-Sadr    e Khomeini), a especificidade da finança islâmica reside essencialmente na proibição    existente na religião muçulmana da prática do juro/usura (<i>riba</i>) &#8211;    «Alá tornou lícito o comércio e ilícito o juro» (surata A Vaca, 2: 275)<a name="top23"></a><sup><a href="#23">23</a>    </sup>. Todavia, esta aversão à prática do juro/usura não é propriamente uma    especificidade cultural-religiosa do islão. Também no quadro tradicional do    cristianismo se podia encontrar similar estigma religioso. Robert Solomon, num    estudo sobre a ética empresarial ocidental, mostra como as raízes deste estigma    (que se estendia igualmente ao resto do mundo dos negócios), se podem encontrar    na Antiguidade, na visão helénica pré-cristã do mundo, estando ainda reflectido    nos textos bíblicos do Novo Testamento.</p>      <p>O ataque de Aristóteles à prática repugnante e improdutiva da «usura» manteve    a sua força praticamente até ao século xvii. Apenas os marginais, nas franjas    da sociedade, e não os cidadãos respeitáveis, se dedicavam a tais actividades.    (O Shylock de Shakespeare no <i>Mercador de Veneza </i>era um marginal e um    usurário.) Esta é, a traços largos, a história da ética empresarial o ataque    indiscriminado ao comércio e às suas práticas. Jesus expulsou os vendilhões    do templo, e os moralistas cristãos de São Paulo a São Tomás de Aquino e Martinho    Lutero seguiram o seu exemplo, condenando rotundamente a maior parte daquilo    a que hoje prestamos homenagem como «o mundo dos negócios»<a name="top24"></a><sup><a href="#24">24</a></sup>.</p>      <p>A aversão à prática do juro e às actividades de negócios de tipo capitalista,    vistas negativamente como actividades «usurárias», teve um marco decisivo de    viragem nos séculos XVI-XVII. A partir daí, o estigma do juro e o anátema sobre    o «mundo dos negócios» foram progressivamente ultrapassados pelos processos    paralelos de evolução da teologia cristã, que se foi adaptando às condições    da modernidade, do triunfo do «espírito do capitalismo»<a name="top25"></a><sup><a href="#25">25</a>    </sup>e de secularização das sociedades ocidentais. Assim, se no passado, até    aos séculos XVI-XVII, as concepções teológicas de ambas as religiões, sobre    a questão específica do juro/usura, não eram substancialmente diferentes, hoje    a situação é totalmente diferente. Basta recordar que, primeiro no âmbito dos    desenvolvimentos da Reforma protestante, sobretudo do calvinismo (séculos XVI    e XVII), e depois no âmbito do catolicismo a proibição do juro foi eliminada.    Na Igreja Católica a mudança decisiva começou a ocorrer sobretudo ao longo do    século XVIII, tendo culminado já no início do século XIX, entre 1822 e 1836,    com a declaração pela Santa Sé de que todas as formas de juro permitidas pela    lei do Estado podiam ser usadas por qualquer católico<sup><a name="top26"></a><a href="#26">26</a></sup>.  </p>      <p>No caso da finança islâmica, o que ressalta mais à vista é o facto de a sua teorização efectuada a partir de meados do século XX e que se deve sobretudo, como já referido, a ideólogos do islamismo radical como Mawdudi, Qutb, al-Sadr e Khomeini ser um processo notório de recusa da modernidade ocidental, o qual pretende recriar o velho preconceito religioso antijuro, agora com tonalidades islâmicas. Em termos comparativos, há uma curiosa e desconcertante diferença na maneira como a aversão muçulmana ao juro (recriada no presente) e cristã (um passado ultrapassado por um progresso social e teológico), parece estar a ser encarada nas sociedades ocidentais. Como veremos em seguida, a configuração e controlo religioso de produtos financeiros «islamicamente correctos» implica, entre outras coisas, que as instituições bancárias e financeiras disponham nos seus quadros, ou, pelo menos, como consultores externos, de clérigos muçulmanos (tipicamente um mufti ou um xeique no caso do islão sunita e um <i>ayatollah </i>no caso do islão xiita), os quais certificam e exercem um controlo dessa conformidade com a <i>sharia</i>. A benevolência a favor de uma acomodação empresarial e política com princípios teológicos medievais que se pretendem afirmar como contemporâneos é merecedora de reflexão. Analisemos em seguida esta atitude empresarial e política, de forma a descortinarmos as suas motivações.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>      <p><b>A REDENÇÃO DO CAPITALISMO OCIDENTAL PELA FINANÇA ISLÂMICA </b></p>      <p>Nos últimos anos, diversas empresas europeias e norte-americanas ligadas à    actividade bancária e ao sector segurador passaram a configurar produtos financeiros    de acordo com as prescrições da <i>sharia </i>islâmica tendo como mercado-alvo    inicialmente os países árabes e islâmicos e, mais recentemente, também os muçulmanos    residentes na Europa e nos Estados Unidos. Entre os bancos e seguradoras que    têm entrado nesta área encontram-se alguns dos nomes mais conhecidos internacionalmente    pela dimensão global das suas operações (nalguns casos também por ligações à    crise desencadeada no Verão de 2008 nos Estados Unidos e pelos escândalos financeiros    em que estiveram envolvidos). Entre essas empresas destacam-se o Barclays<sup><a name="top27" id="top27"></a><a href="#27">27</a></sup>,    a AIG (American International Group) seguradora que, na sequência da crise financeira    de 2008, teve de ser salva da insolvência<a name="top28" id="top28"></a><sup><a href="#28">28</a>    </sup>pelo governo federal dos Estados Unidos, o UBS<sup><a name="top29" id="top29"></a><a href="#29">29</a>    </sup>(originalmente fundado pela Union Bank of Switzerland que, entretanto,    se fundiu com o Swiss Bank Corporation), a SwissRe<sup><a name="top30"></a><a href="#30">30</a></sup>,    a Allianz<a name="top31"></a><sup><a href="#31">31</a></sup>, o Citi<sup><a name="top32"></a><a href="#32">32</a>    </sup>(Citigroup), o Deutsche Bank<a name="top33"></a><sup><a href="#33">33</a></sup>,    o Morgan Stanley<a name="top34"></a><sup><a href="#34">34</a></sup>, o HSBC<sup><a name="top35"></a><a href="#35">35</a>    </sup>(originalmente Hongkong and Shanghai Banking Corporation) e o Lloyds TSB    Bank<a name="top36"></a><sup><a href="#36">36</a></sup>. Quanto ao Citibank    e ao Goldman Sachs este último envolvido na recente controvérsia sobre operações    de cosmética contabilista da dívida pública da Grécia, que abalaram a zona euro<a name="top37"></a><sup><a href="#37">37</a></sup>,    mostraram já intenção de investir no Irão que, em inícios de 2009, levantou    a proibição de abertura de filiais de bancos estrangeiros no seu território<sup><a name="top38"></a><a href="#38">38</a></sup>.    Estes avanços na área da banca e finanças islâmicas têm sido acompanhados por    agências de <i>rating </i>como a Moodys, a qual avaliou o potencial deste mercado    em 800 biliões de dólares)<a name="top39"></a><sup><a href="#39">39</a> </sup>e    secundados pelas principais praças financeiras ocidentais e pelos seus índices    de mercado: em Nova York foram criados os Dow Jones Islamic Market Indexes<a name="top40"></a><sup><a href="#40">40</a></sup>;    por sua vez, na <i>City </i>londrina surgiu o FTSE <i>Sharia </i>Global Equity    Index Series<sup><a name="top41"></a><a href="#41">41</a></sup>.</p>      <p>Para credibilização do seu negócio aos olhos dos muçulmanos pios, ou dos que    pretendem transmitir tal aparência, as instituições financeiras ocidentais contrataram    teólogos-juristas muçulmanos para certificarem a conformidade dos seus produtos    face às prescrições da <i>sharia </i>(Alcorão, <i>hadith e fiqh</i>). Conforme    já referimos, a finança islâmica implica a sua inclusão no órgão de administração    dessas instituições, ou então, mais vulgarmente, a criação de um conselho consultivo    especialmente para esse efeito. Existem vários nomes «sonantes» neste círculo    bastante estrito: um dos mais conhecidos é o xeique Yusuf Talal DeLorenzo<sup><a name="top42"></a><a href="#42">42</a>    </sup>estabelecido em Washington DC, a capital federal dos Estados Unidos e    sede das instituições de Bretton-Woods, Fundo Monetário Internacional e Banco    Mundial. Outro teólogo-jurista muçulmano incontornável, também para estas questões    financeiras, é o xeique Yusuf al-Qaradawi, de origem egípcia e estabelecido    no Qatar onde dirige o sítio na internet «Islamonline»<sup><a name="top43"></a><a href="#43">43</a>    </sup>e que vê na economia islâmica um substituto para o capitalismo ocidental<sup><a name="top44"></a><a href="#44">44</a>    </sup>cristão/secular. Quanto ao mufti Muhammad Taqi Usmani<sup><a name="top45"></a><a href="#45">45</a></sup>,    ex-juiz do Supremo Tribunal Federal <i>Sharia </i>do Paquistão, envolto em controvérsia    pela pouco empresarial afirmação de que os «muçulmanos devem viver em paz até    que sejam suficientemente fortes para lançar a <i>jihad</i>»<a name="top46"></a><sup><a href="#46">46</a></sup>,    também integra este grupo restrito de estrelas da finança islâmica ao serviço    de instituições ocidentais<a name="top47"></a><sup><a href="#47">47</a> </sup>ou    de países árabes e islâmicos.</p>      <p>Aparentemente indiferentes a estas polémicas, alguns governos europeus mostram    um interesse directo nas possibilidades da banca e finanças islâmicas. Em França,    o país da Europa Ocidental com o maior número de muçulmanos religiosos ou sociológicos,    a ministra da economia, Christine Lagarde, tem procurado, sobretudo desde o    desencadear da crise económica e financeira de 2008, atrair investimento e capitais    dos emirados árabes através de uma política de estímulos fiscais. Mas para a    entrada das instituições bancárias no negócio da finança islâmica no mercado    francês, nomeadamente para a emissão de obrigações «islamicamente correctas»<sup><a name="top48"></a><a href="#48">48</a></sup>,    os estímulos fiscais mostraram-se insuficientes sendo necessário ultrapassar    a barreira do actual quadro legislativo moldado pela lei <i>laïcité </i>de 1905    (que estabelece uma separação estrita das igrejas do Estado), alterando nomeadamente    o dispositivo do código civil nesta matéria. Todavia, em França, esta mudança    da legislação por imperativos religioso-empresariais e de oportunidade (ou oportunismo)    capitalistas, mostra-se um assunto mais complicado do que noutros países europeus    onde a ideologia e as políticas multiculturais tradicionalmente prevalecem é    o caso, por exemplo, do Reino Unido, surgindo uma oposição significativa à sua    modificação<a name="top49"></a><sup><a href="#49">49</a></sup>. Isto para grande    consternação de certos meios financeiros e empresariais franceses que sentem    estar em situação de desvantagem competitiva na actual corrida ocidental ao    capitalismo <i>sharia</i>.</p>      <p>Sem os entraves da <i>laicïté </i>e do quadro legislativo francês, o Governo    britânico anunciou, em inícios de 2008, a intenção de lançar um empréstimo especial    obrigacionista (<i>sukuk</i>), configurado de acordo com as regras da <i>sharia    </i>(tendo, já em inícios do ano anterior, tomado outras medidas para facilitar<a name="top50"></a><sup><a href="#50">50</a>    </sup>a finança islâmica). Para Alistair Darling, o chanceler do Tesouro do    Governo trabalhista de Gordon Brown, a medida justificou-se não só como uma    forma de aceder à grande liquidez de capitais dos países árabes-islâmicos do    Médio Oriente, como também para estabelecer pontes com a comunidade O dinamismo    e o crescimento da finança muçulmana britânica<a name="top51"></a><sup><a href="#51">51</a></sup>.    Similar entusiasmo parece ser partilhado nas influentes publicações financeiras    e económicas britânicas, <i>Financial Times<a name="top52"></a></i><sup><a href="#52">52</a>    </sup>e revista <i>The Economist, </i>quanto às potencialidades de mercado da    emergente banca e finanças islâmicas e às suas virtudes éticas e de inclusão    social. Para esta última publicação, o dinamismo e o crescimento da finança    e economia <i>sharia </i>contrasta com a estagnação do capitalismo e dos mercados    ocidentais, atraindo crescentemente grandes empresas financeiras, escritórios    de advogados de negócios e governos.</p>      <p>Os grandes escritórios de advogados e bancos ocidentais, sempre rápidos a farejarem    novos negócios, estão a aumentar as suas equipas de finança islâmica. Os governos    também estão atentos a este processo. Em Julho, a Indonésia, o país muçulmano    mais populoso, anunciou que iria lançar o primeiro empréstimo obrigacionista    soberano <i>sukuk</i>. O Governo britânico, que cobiça ser centro líder da finança    islâmica, está também à beira de emitir um empréstimo soberano de curto prazo    <i>sukuk</i>. A França iniciou a sua própria ofensiva de charme dirigida aos    investidores islâmicos. Face aos mercados doentes ocidentais tal vigor impressiona.    A liquidez baseada no petróleo alavancou os fundos soberanos do Médio Oriente    dando também novo alento à procura da finança islâmica. Comparada com a ética    de algumas instituições financeiras americanas do s<i>ubprime</i>, a finança    islâmica parece tão virtuosa como vigorosa<a name="top53"></a><sup><a href="#53">53</a></sup>.</p>      <p>Mas não é só nos meios empresariais e na imprensa financeira que se encontra    esta narrativa laudatória e de redenção moral do capitalismo pelos produtos    <i>sharia. </i>A atracção parece também estar a estender-se a prestigiadas universidades    norte-americanas e europeias. Por exemplo, no âmbito da escola de Direito da    Universidade de Harvard foi criado o Islamic Finance Project<sup><a name="top54"></a><a href="#54">54</a>    </sup>, sendo também organizado um fórum anual dedicado às finanças islâmicas.    Por sua vez, a sua reputada escola de Gestão, a Harvard Business School, preocupa-se,    cada vez mais, com a forma de efectuar negócios num contexto cultural islâmico<sup><a name="top55"></a><a href="#55">55</a></sup>.    Quanto à Universidade de Oxford, vai organizar em Junho de 2010, na Saïd Business    School<sup><a name="top56"></a><a href="#56">56</a></sup>, o primeiro Global    Islamic Branding and Marketing Forum<a name="top57"></a><sup><a href="#57">57</a></sup>.  </p>      <p>&nbsp;</p>      <p><b>OPORTUNIDADE DE NEGÓCIO E/OU OPORTUNIDADE DE ISLAMIZAÇÃO?</b></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Conforme acabamos de descrever, uma parte do mundo financeiro e empresarial europeu e norte-americano, bem como alguns governos ocidentais &#8211; ao que tudo indica sob influência ou pressão de lóbis financeiros empresariais com interesses nesta área &#8211;, procuram apresentar a economia e a finança islâmicas como uma oportunidade de negócio interessante, particularmente neste período de crise. Paralelamente, são desvalorizadas as questões levantadas pela sua base religiosa (e ideológica) e pela necessidade de conformidade das instituições e produtos com a <i>sharia </i>islâmica, apresentando esses aspectos como detalhes secundários ligados à promoção da «diversidade cultural», ou então ligados à necessidade de alinhamento do negócio com a «ética» de outra cultura. Todavia, esta forma de apresentar a finança islâmica como algo similar a qualquer outra oportunidade de negócio ou segmento de mercado &#8211;  e que se poderia justificar com argumentos de racionalidade económica e alguma dose de ética à mistura &#8211; , tende a ignorar, ou, pelo menos, a subestimar, as potenciais implicações sociais e político-jurídicas, vistas como inócuas externalidades para as sociedades ocidentais. No entanto, estas podem ir bastante além do estrito horizonte económico e empresarial. Na literatura teórica académica e na discussão política foram já formuladas algumas objecções e críticas de vulto à aposta no capitalismo <i>sharia </i>que instituições financeiras e governos ocidentais estão já a efectuar, ou pretendem efectuar, a curto ou médio prazo. As objecções e críticas são de vária ordem e podem ser sistematizadas da seguinte maneira para efeitos analíticos:</p>      <p>·&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; a finança islâmica não tem efeitos visíveis na eficiência, redução da pobreza e crescimento sustentado, sendo pouco transparente e levantando até problemas de compatibilidade com as usuais regras de mercado das instituições financeiras;</p>      <p>·&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; a finança islâmica põe em causa valores sociais e políticos primordiais das sociedades ocidentais, nomeadamente os princípios estruturantes de um Estado secular/laico;</p>      <p>·&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; a finança islâmica abre a porta ao islão político (islamismo) e à sua estratégia de islamização levantando, por isso, questões estratégicas e de segurança.</p>      <p>Analisemos então com mais profundidade esta questão, de forma a podermos igualmente    avaliar a solidez das críticas formuladas. Como referimos, a abordagem mais    frequente do mundo financeiro e empresarial consiste em configurar o que está    em causa numa lógica puramente empresarial, falando em «mercados emergentes»,    numa nova «oportunidade de negócio», num «segmento de mercado a satisfazer»    ou na captação de «investidores e mercados com liquidez». Como vimos também,    paralelamente a estes argumentos de racionalidade económica e empresarial que,    em si mesmos, procuram induzir nos seus receptores uma imagem positiva, são    usados outros de tipo multiculturalista apelando, simultaneamente, a elevados    valores morais, ou seja, sugerindo que a adopção do capitalismo <i>sharia </i>é    uma forma de demonstração da responsabilidade social da empresa capitalista.    Assim, a finança islâmica poderia também justificar-se pelo carácter ético dos    seus produtos &#8211; explícita ou implicitamente comparado com o carácter não    ético dos produtos financeiros ocidentais que levaram à crise de 2008&#8230;    -, aliado ao argumento atractivo de favorecer a inclusão social e integração    dos muçulmanos nas sociedades europeias e norte-americanas. Este último argumento    está perfeitamente exemplificado na entrevista dada por Jean-Paul Laramée<sup><a name="top58"></a><a href="#58">58</a></sup>,    director da Secure Finance (organização que é também membro fundador do Institut    Français de Finance Islamique<sup><a name="top59"></a><a href="#59">59</a></sup>),    à revista <i>L&#8217;Express</i>, em resposta a uma questão que lhe foi colocada    sobre as críticas feitas à finança islâmica, como pondo em causa o modelo laico    estruturante do sistema político-jurídico francês:</p>      <p>«a laicidade não deve impedir de trabalhar com sistemas económicos que extraem    os seus princípios fundadores de uma religião. Pelo contrário, como sublinhava    recentemente a ministra Christine Lagarde, o sistema financeiro internacional    faria bem em integrar, para se reformar e para construir um melhor sistema bancário    mundial, certos princípios da finança islâmica. A sinergia entre estes dois    sistemas deve igualmente permitir abandonar todo o comunitarismo. [&#8230;]    A finança islâmica seria uma manifestação formidável de integração dos muçulmanos    na nossa sociedade.»<a name="top60"></a><sup><a href="#60">60</a> </sup></p>      <p>O argumento do seu carácter ético procura evocar, na mente secular ocidental,    algo parecido a uma forma de comércio justo ou de economia alternativa e inclusiva,    sobretudo quando confrontado com a notória falta de ética de várias empresas    ocidentais envolvidas, directa ou indirectamente, no desencadear da crise financeira    de 2008 (o banco Lehman Brothers<a name="top61"></a><sup><a href="#61">61</a>    </sup>é um exemplo óbvio e bem conhecido). A questão é que a realidade económica    e empresarial não parece confirmar esta apreciação tão generosa. De facto, como    se pode facilmente verificar pela crise grave que afectou e afecta o Dubai<sup><a name="top62"></a><a href="#62">62</a>    </sup>&#8211;  um dos mercados emergentes da banca e finança islâmicas &#8211;    onde importantes operações de financiamento de infra-estruturas e projectos    imobiliários ficaram a cargo de instituições financeiras actuando segundo princípios    islâmicos, este mercado esteve longe de ficar imune<a name="top63"></a><sup><a href="#63">63</a>    </sup>à crise económica e financeira global. Por outro lado, como assinala Mahmoud    El-Gamal<sup><a name="top64"></a><a href="#64">64</a></sup>, professor de Economia    e Finanças Islâmicas da Universidade Rice, os produtos financeiros moldados    pela <i>sharia </i>islâmica tendem a ter, em média, um preço bastante superior    aos convencionais. Se de facto assim é, estamos menos no domínio da ética e    mais de uma cosmética para tornar os produtos atractivos aos olhos dos crentes    mais pios. Por outras palavras, acaba por existir o equivalente a uma taxa de    juro, ainda que a esta não se chame juro e que o comprador, feitas bem as contas,    até tenha de pagar um valor mais elevado&#8230;</p>      <p>Para além da ética, ou da cosmética, e agora sob o prisma das questões estratégicas    e de segurança, há outros aspectos relevantes que merecem ser ponderados ligados    à expansão da finança islâmica para as sociedades ocidentais. Sylvain Besançon<sup><a name="top65"></a><a href="#65">65</a></sup>,    primeiro num artigo no jornal suíço <i>Le Temps</i>, e depois, de forma mais    exaustiva, em livro, relatou a existência de um plano &#8211; designado como    o «Projecto» &#8211;, o qual teria sido concebido por personalidades não identificadas    no mesmo, mas ligadas ao movimento islamita radical (sunita). Nesse «Projecto»    estaria delineada uma ambiciosa estratégia destinada a «estabelecer o reino    de Deus» sobre toda a terra. Aspecto a notar, o documento em questão &#8211;    traduzido do original árabe e reproduzido no livro &#8211; foi, segundo é relatado,    apreendido na residência do banqueiro islamista Youssef Nada, durante as investigações    feitas à filial europeia de Lugano, na Suíça, do banco islâmico Al-Taqwa (literalmente    «Temor a Alá», o qual, entretanto, mudou o nome para Nada Management Organization).    Note-se também que essas investigações foram desencadeadas a pedido das autoridades    norte-americanas, no âmbito do processo ligado aos atentados terroristas<a name="top66"></a><sup><a href="#66">66</a>    </sup>de 11 de Setembro de 2001. Apesar das interrogações legítimas que se podem    levantar sobre a sua real autoria não deixa de ser curioso olhar para as várias    facetas da estratégia nele planeadas, as quais não são acções de tipo militar,    nem sequer acções que possam ser qualificadas como terroristas. Se o referido    livro e o documento têm algum interesse para esta análise (a real autoria do    «Projecto» para este efeito é irrelevante), é, precisamente, pela chamada de    atenção de outras facetas normalmente não discutidas. De facto, a leitura do    livro e do documento mostra a plausibilidade de uma inteligente e paciente estratégia    de islamização das sociedades ocidentais, usando meios à primeira vista inócuos    e acções não percebidas como tendo quaisquer objectivos de «conquista», nem    tendo por detrás uma concepção estratégica coerente e articulada. Para além    disso, evidencia a existência de meios financeiros<sup><a name="top67"></a><a href="#67">67</a>    </sup>de vulto mobilizados para acções de islamização, ligados, directa ou indirectamente,    à liquidez gerada pelo petróleo do Médio Oriente e ao zelo ideológico e proselitista    de países, organizações e personalidades do mundo árabe islâmico, que olham    para a Europa e o Ocidente como um <i>target </i>prioritário da sua acção. Sugere    ainda que essas acções de suporte financeiro usam a finança islâmica como canal    privilegiado &#8211; o caso do banco Al-Taqwa é apenas o exemplo mais conhecido    &#8211; , para terem a necessária aparência de actuação num quadro de legalidade    e respeitabilidade, condição para a sua estratégia ser bem-sucedida e não gerar    desconfiança. Sendo assim, estamos perante uma forma hábil de islamizar o social    e o político, que actua dentro dos limites da legalidade, ou explorando as suas    zonas cinzentas, através da penetração em diferentes instituições, sociais,    económicas, políticas, educativas, etc., e operando uma lenta mas contínua desestruturação    e «subversão», a partir do seu interior.</p>      <p>Reflectindo sobre o que foi exposto podemos retirar uma ilação interessante.    Ao contrário do que é a percepção comum, o principal problema estratégico no    médio e longo prazo com que se confrontam as sociedades ocidentais não será,    muito provavelmente, o jihadismo militante que, nos casos mais radicais, recorre    a actos de terror para impor a sua ideologia (contra não muçulmanos e contra    muçulmanos que não se revêem nas suas concepções). O principal problema consiste    no islamismo que é percebido (erradamente) como «moderado» &#8211; uma qualificação    conceptualmente bastante pobre &#8211;, mas que é o rótulo mais frequentemente    usado por jornalistas, políticos e académicos ocidentais, pelo simples facto    de esse tipo de islamismo não recorrer à violência ao terror e até condenar    actos de organizações como a Al-Qaida e similares. A pobreza desta conceptualização    ocidental não capta, de modo algum, a estratégia hábil e eficaz de islamização    (não violenta), a qual poderíamos designar como uma estratégia de pequenos passos    em direcção a grandes objectivos. Para ser bem-sucedida não pode ser percebida,    aos olhos ocidentais, como uma forma progressiva e articulada de islamização.    Precisa de ser vista como provindo de um islamismo «moderado» e consistindo    apenas em meras reivindicações isoladas de uma cultura (o islão), similares    a outras, efectuadas no quadro das políticas multiculturais de reconhecimento    &#8211; este é um aspecto crucial da questão que analisaremos em seguida. Por    estas razões, a previsão pessimista de Rebecca Bynum que antevê consequências    sociais, jurídicas e políticas bastante negativas associadas aos avanços da    finança islâmica nas sociedades ocidentais, pode muito bem revelar-se correcta.    Como esta faz notar, o «simples esforço feito pelos ocidentais de fornecerem    o que é apresentado como &#8220;islamicamente correcto&#8221;» e contratarem    «clérigos muçulmanos e &#8221;consultores&#8221; em lei e finanças islâmicas    para darem a sua aprovação», aumenta a convicção aos muçulmanos de que «podem    viver em qualquer parte do mundo sob um conjunto separado, que nas suas mentes    é superior, de regras económicas»<sup><a name="top68"></a><a href="#68">68</a></sup>.    Por outras palavras, o que está em causa é que se as regras da <i>sharia, </i>em    matéria comercial, forem oficialmente reconhecidas nas sociedades ocidentais    para a finança islâmica, abre-se um precedente incontornável na sua legitimação.    Abrindo-se este precedente, o seu reconhecimento noutras áreas do direito privado,    como em matéria de família e sucessória, será praticamente uma inevitabilidade,    pois os argumentos que serviram numa área podem ser usados noutra. Mas o assunto    nunca poderá ficar encerrado por aqui pois, para o crente muçulmano ortodoxo,    <i>sharia </i>é a lei divina sendo um todo indivisível. Assim, porque não também    o seu reconhecimento oficial noutras áreas, como, por exemplo, em matéria penal?</p>      <p>&nbsp;</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>A MIOPIA RELATIVISTA-MULTICULTURALISTA OCIDENTAL </b></p>      <p>Suponhamos por último, para efeitos de análise teórica, que todo o processo    acabado de descrever ocorria estritamente dentro da tradicional cultura europeia    ocidental. Este resultava de uma hipotética reivindicação cultural e religiosa    do cristianismo, o qual rejeitava a secularização imposta nos últimos séculos    argumentando que esta foi efectuada de forma antidemocrática e exigia, ainda,    reparação e «reconhecimento» ao poder político. Utilizando similares argumentos    aos que suportam a aceitação da finança islâmica, seríamos então levados a concordar    com a «autenticidade» da teologia cristã sobre o juro anterior à «opressão secularista»    moderna, ou seja, ao século XVIII (ou anterior ao século XVII para os protestantes)&#8230;,    a promover a criação de instituições bancárias e financeiras e produtos em estrita    conformidade com o direito canónico e a Bíblia e a recriar um «capitalismo canónico».    Teríamos também de concordar com a integração nos órgãos de gestão ou consultivos    de bancos, seguradoras, sociedadades de locação financeira, etc., de cardeais,    bispos ou padres com formação teológica e especialização em «finanças cristãs»,    eventualmente com os ramos de subespecialização católica, protestante e ortodoxa,    a pensar nos mercados mais exigentes e nos clientes mais pios (podemos também    imaginar como o aumento das vocações e a procura de cursos de teologia cristã    subiria&#8230;). Poderíamos igualmente argumentar com a oportunidade de expansão    do mercado da formação académica e profissional na área e desenvolver uma formação    específica ao nível de MBA, em prestigiadas escolas de negócios e faculdades    de Economia, para responder a esta «inovadora» tendência. Poderíamos ainda qualificar    esta nova banca e finança de base religiosa como sendo naturalmente mais «ética»,    «solidária» e promotora da «diversidade», por contraponto à ganância, usura    e exploração materialista e capitalista da banca secular. Naturalmente que uma    vez aceite este princípio cada grupo, cultura ou religião defende a sua banca    e finanças, vistas como uma expressão da sua identidade &#8211; e «flexibilizando»    o sistema político-jurídico desta forma &#8211;, este se deveria alargar a judeus,    hindus, sihks, bahaístas, budistas, xintoístas, confucionistas, etc., sob pena    de estarmos a discriminar grupos minoritários. A simples hipótese de uma evolução    virtual como a que acabamos de descrever, onde cada cultura ou grupo reclamaria,    e obteria, a sua própria finança &#8211; na lógica multiculturalista, mais do    que o indivíduo, são a cultura e o grupo quem dispõe de direitos &#8211;, mostra    o absurdo onde pode levar a actual obsessão identitária. Mas, como assinala    Alan Gérad-Slama, a própria noção de identidade que suporta este género de reivindicações    pode ser vista como imbuída de uma lógica «totalitária», no sentido em que «encerra    o sujeito numa pertença, numa religião, numa diferença que o totalizam» e ao    qual este «deve responder a cada instante»<sup><a name="top69"></a><a href="#69">69</a></sup>.    A questão é que a obsessão identitária associada à tendência de culto do «outro»<sup><a name="top70"></a><a href="#70">70</a>    </sup>não são propriamente formas de pensar afastadas do <i>mainstream</i>.    Pelo contrário, como assinala Pierre-André Taguieff, constituem, em grande parte,    o <i>zeitgeist </i>contemporâneo ocidental, o qual, numa descrição particularmente    mordaz, foi assim desconstruído:</p>      <p>«Este culto contemporâneo do &#8220;outro&#8221; (ou do &#8220;Outro&#8221;)    ou do &#8220;estrangeiro&#8221; representa uma espécie de religião civil internacional    que parece desenvolver-se por si. Este &#8220;outrismo&#8221;, pelo contrário,    deveria espantar-nos: porquê uma tal preferência pela alteridade em todas as    suas figuras? Porquê este amor obrigatório do &#8220;Outro&#8221; sob pena de    ser julgado &#8220;abjecto&#8221;? Por que razão a xenofilia é uma atitude moral,    se ela não é mais do que o anverso de um profundo ódio de si próprio? A &#8220;nostrofobia&#8221;,    ou seja, o sociocentrismo negativo postulando que &#8220;os outros&#8221; são    melhores do que &#8221;nós&#8221; não tem nada a invejar ao etnocentrismo (ou    sociocentrismo positivo: &#8220;nós&#8221; somos os mais humanos entre os humanos),    nem mesmo à xenofobia. A &#8220;bela alma&#8221; do século que se abre, pelo    menos em terras europeias, declara publicamente o seu amor ao &#8220;Outro&#8221;[&#8230;].»<a name="top71"></a><sup><a href="#71">71</a>    </sup></p>      <p>O «outrismo» criticado por Pierre-André Taguieff revela-se na sua plenitude    na questão do juro e/ou usura (<i>riba</i>), como anteriormente tivemos oportunidade    de referir. De facto, como já fizemos notar, um dos aspectos mais curiosos da    actual atitude ocidental face ao capitalismo <i>sharia </i>é a maneira geralmente    permissiva como é encarado o estigma religioso islâmico face à prática do juro.    Se, nas sociedades europeias e ocidentais, similar atitude cristã é normalmente    vista como uma coisa do passado, sinónimo de uma mentalidade medieval, incompatível    com uma economia moderna e com o progresso &#8211; e, não invulgarmente, como    motivo adicional de crítica da Igreja Católica (ou outras igrejas cristãs),    acusada de ser uma força conservadora, reaccionária e obscurantista &#8211;,    no caso do islão o julgamento de valor altera-se. Preconceitos religiosos com    raízes religiosas medievais mas recriados modernamente pelos islamitas com intuitos    políticos, são olhados, frequentemente até pelos mesmos críticos, de uma forma    diferente. Sobretudo, encarados de uma maneira muito mais complacente e simpática,    sendo qualificados como uma expressão de «autenticidade cultural», um tipo de    economia e finança «ética» ou uma «alternativa» à globalização capitalista do    género «comércio justo»<sup><a name="top72"></a><a href="#72">72</a></sup>.    Paradoxalmente, tudo isto ocorre quando, dentro do próprio islão, existem sinais    de se começar a encarar a prática do juro bancário de uma forma mais liberal    e menos proibitiva<a name="top73"></a><sup><a href="#73">73</a></sup>, os quais,    naturalmente, só podem ser desencorajados pela atitude relativista-multiculturalista    ocidental. Assim, o enviesamento desta forma de pensar torna-se então desconcertante    e pernicioso: similar atitude antijuro não é boa ou má segundo uma concepção    universalista de ser humano, ou de valores éticos partilhados e de um genuíno    progresso social que sejam comuns e extensíveis à generalidade da humanidade,    mas é avaliada segundo uma concepção variável, que tem por limite a cultura,    o grupo, ou a religião, naquilo que se costuma designar por incomensurabilidade    das culturas. Esta dualidade de critérios e de julgamentos de valor foi duramente    criticada por Ernest Gellner. Este chamou a atenção para os riscos da forma    de pensar relativista-multiculturalista ao evidenciar como o «absolutismo dos    outros» acaba por receber «um tratamento favorável», abrindo-se desta maneira    a porta não só a ideias socialmente retrógradas como a ideologias políticas    totalitárias. Como Gellner explicou, no Ocidente temos</p>      <p>«um movimento que nega a própria possibilidade de uma legitimação e autoridade    extrínseca. De comum acordo, insiste particularmente nesta negação quando a    afirmação contrária dessa legitimação extrínseca provém do interior das suas    fileiras, de não relativistas no seio da sua própria sociedade. Por outro lado,    o pudor relativista e a expiação da culpa ex-colonial não permitem que o assunto    seja devidamente enfatizado junto dos membros pertencentes a outras culturas.    O absolutismo dos outros recebe um tratamento favorável e é objecto de uma grande    simpatia que está muito próxima do apoio oficial»<sup><a name="top74"></a><a href="#74">74</a></sup>.  </p>      <p>Ironizando sobre tudo isto, Gellner descreveu assim a lógica que lhe está subjacente: quanto mais compreensivo o «relativista-hermeneuta» (qualificação na qual Gellner, se fosse vivo, talvez incluísse hoje também o arcebispo de Cantuária e Lord Phillips&#8230;) se mostrar com os preconceitos de outras culturas, nos aspectos que parecem mais chocantes sob o prisma da cultura europeia e ocidental &#8211; a pré-moderna <i>sharia </i>parece ser um bom exemplo &#8211;, maior é o feito interpretativo. Atente-se na crítica cáustica e perpassada de sarcasmo que este faz à actual atitude intelectual pós-moderna:</p>      <p>«A relação entre as duas personagens deste drama é interessante. Os relativistas-hermeneutas    estão, de facto, ansiosos por espalhar a sua tolerância e compreensão de culturas    estranhas, universais e ecuménicas. Quanto mais estranhas, chocantes e perturbadoras    forem para os filisteus, para todos aqueles considerados como os mais provincianos    da sua sociedade, melhor. Muito, muito melhor, pois quanto mais chocante é o    outro, mais esta compreensão evidencia a superioridade do hermeneuta iluminado    no seio da sua própria sociedade. Quanto mais difícil é a compreensão, quanto    mais repulsivo for o objecto destinado à bênção hermenêutica, maior é o feito,    a iluminação e o conhecimento do pós-modernista interpretativo.»<sup><a name="top75"></a><a href="#75">75</a>    </sup></p>      <p>A conclusão resulta bastante óbvia. O relativismo-multiculturalista <i>fashion    </i>na academia, nos <i>media</i>, no discurso político é intrinsecamente incoerente,    contraditório e confuso nos seus julgamentos de valor. Pior do que isso, é politicamente    perigoso pelo bloqueio intelectual a que tende a conduzir, algo que se torna    demasiado evidente quando se tem de lidar com questões como as que estamos a    analisar. Na realidade, não é mais do que uma ponta visível da actual hegemonia    relativista-multiculturalista, de perfil académico e ideológico, a qual, paradoxalmente,    se tornou uma aliada de uma outra hegemonia, a de um capitalismo extremado que    procura externalizar os custos das suas acções para a sociedade. Por tudo isto,    a criação de uma finança e economia de base religiosa dentro das sociedades    europeias e ocidentais não deixa de levantar sérias reservas. A questão que    os seus proponentes querem iludir é a de saber se não se está a abrir a porta    a um processo de lenta desestruturação das sociedades democráticas, pluralistas    e seculares, em nome de uma suposta «inclusão», promoção da «diversidade cultural»    e de valores «éticos» ou «segmento de mercado a satisfazer» e da captação de    «investidores com liquidez». A mistura de argumentos oriundos de um capitalismo    extremado e de um relativismo-multiculturalista radical não deixa de ser irónica.    Sobretudo se tivermos em conta que as raízes ideológicas de cada um se situam    em extremos opostos do espectro político, pelo que estariam, teoricamente, destinados    a um duro confronto ideológico. Na realidade, pelo menos no caso da finança    islâmica, estas duas hegemonias ideológicas &#8211; entrincheiradas, uma na    economia, a outra na cultura &#8211;, parecem estar a convergir, de forma bastante    pragmática e calculista, contra as sociedades abertas ocidentais, moldadas por    valores liberais, seculares e democráticos. O resultado pode ser, sob uma aparência    de falso progresso, um verdadeiro retrocesso cultural. Vale a pena relembrar    aqui a reflexão de encerramento de um livro publicado por Christopher Caldwell    no ano passado: «Quando uma cultura insegura, maleável e relativista encontra    uma cultura que é ancorada, confiante e reforçada por doutrinas comuns, é geralmente    esta que muda para seguir a última.»<sup><a name="top76"></a><a href="#76">76</a>    </sup>A ilação é clara: se horizonte de sociedade ideal for uma sociedade comunitarista    de tipo pré-moderno e com algumas tonalidades medievais, a adopção da finança    islâmica leva-nos para o bom caminho. Se não for, podemo-nos questionar se não    está a ser criada a engrenagem que nos conduzirá, algures no futuro, a um regresso,    ainda que sob outras formas, a algo similar ao Estado de natureza hobbesiano    da Europa pré-moderna. </p>      <p>&nbsp;</p>      <p><b>NOTAS</b>:</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><sup><a name="1"></a><a href="#top1">1</a> </sup>cf. QUILLARDET, Jean-Michel    <i>et al. </i>&#8211; <i>La Finance Islamique menace la laïcité française</i>,    <a href="http://www.lemonde.fr/opinions/article/2009/11/20/la-finance-islamique-menace-la-laicite-francaise_1269797_3232.html" target="_blank">http://www.lemonde.fr/opinions/article/2009/11/20/la-finance-islamique-menace-la-laicite-francaise_1269797_3232.html</a>    (<i>Le Monde</i>, 20 de Novembro de 2009). </p>      <p><sup><a href="#top2">2</a></sup> <a name="2"></a>THE ARCHBISHOP OF CANTERBURY    &#8211; <i>Civil and Religious law in england: a Religious Perspective</i>.    <a href="http://www.archbishopofcanterbury.org/1575" target="_blank">http://www.archbishopofcanterbury.org/1575</a>    (7 de Fevereiro de 2008). </p>      <p><sup><a href="#top3">3</a></sup> <a name="3"></a>THE ARCHBISHOP OF CANTERBURY    &#8211; <i>BBC interview &#8211; Radio 4 World at One</i>, <a href="http://www.archbishopofyork.org/1573" target="_blank">http://www.archbishopofyork.org/1573</a>    (7 de Fevereiro de 2008). </p>      <p><sup><a name="4"></a><a href="#top4">4</a> </sup>cf. AHMED, Murad, e GIBB,    Frances &#8211; <i>From Leyton to dewsbury, sharia Courts are already settling    disputes </i><a href="http://www.timesonline.co.uk/tol/comment/faith/article3330657" target="_blank">http://www.timesonline.co.uk/tol/comment/faith/article3330657</a>.ece    (<i>times</i>, 8 de Fevereiro de 2008); <i>85 sharia Courts in UK, says Report</i>,    <a href="http://www.guardian.co.uk/uk/feedarticle/8581818" target="_blank">http://www.guardian.co.uk/uk/feedarticle/8581818</a>    (<i>The Guardian</i>, 29 de Junho de 2009). </p>      <p><sup><a name="5"></a><a href="#top5">5</a> </sup>Cf., entre outros, BRODER,    Henryk M. &#8211; <i>Shariah is for everyone! </i><a href="http://www.spiegel.de/international/europe/0,1518,534772,00.html" target="_blank">http://www.spiegel.de/international/europe/0,1518,534772,00.html</a>    (<i>Der spiegel</i>, 12 de Fevereiro de 2008). </p>      <p><sup><a name="6"></a><a href="#top6">6</a> </sup>BUTT, Riazatt &#8211; <i>Uproar    as archbishop says Sharia law inevitable in UK</i>, <a href="http://www.guardian.co.uk/politics/2008/feb/08/uk.religion" target="_blank">http://www.guardian.co.uk/politics/2008/feb/08/uk.religion</a>    (<i>Guardian</i>, 8 de Fevereiro de 2008).</p>      <p><sup><a name="7"></a><a href="#top7">7</a> </sup><i>Sharia law Row: archbishop    is in shock as he Faces demands to Quit and Criticism from lord Carey, </i><a href="http://www.dailymail.co.uk/news/article-512876/sharia-law-row-Archbishop-shock-faces-demands-quit-criticism-lord-carey.html" target="_blank">http://www.dailymail.co.uk/news/article-512876/sharia-law-row-Archbishop-shock-faces-demands-quit-criticism-lord-carey.html</a>&#8211;    ixzz0kevYdipr (<i>Daily Mail</i>, 7 de Fevereiro de 2008); GRIGGS, Ian &#8211;    <i>Adopting sharia within British law Would be «disastrous», Lord Carey tells    his successor as archbishop, </i><a href="http://www.independent.co.uk/news/uk/home-news/adopting-sharia-within-british-law-would-be-disastrous-lord-carey-tells-his-successor-as-archbishop-780510.html" target="_blank">http://www.independent.co.uk/news/uk/home-news/adopting-sharia-within-british-law-would-be-disastrous-lord-carey-tells-his-successor-as-archbishop-780510.html</a>    (<i>Independent</i>, 10 de Fevereiro de 2008). </p>      <p><sup><a href="#top8">8</a></sup> <a name="8"></a>SMITH, Joan &#8211; <i>British    Women are already suffering from islamic law</i>, <a href="http://www.independent.co.uk/opinion/commentators/joan-smith/joan-smith-british-women-are-already-suffering-from-islamic-law-780407.html" target="_blank">http://www.independent.co.uk/opinion/commentators/joan-smith/joan-smith-british-women-are-already-suffering-from-islamic-law-780407.html</a>    (<i>Independent</i>, 8 de Fevereiro de 2008); GLEDHILL, Ruth, e SUGDEN, Joanna    &#8211; <i>Archbishop of Canterbury «Should Resign» over sharia Row</i>, <a href="http://www.timesonline.co.uk/tol/news/uk/article3335026.ece" target="_blank">http://www.timesonline.co.uk/tol/news/uk/article3335026.ece</a>    (<i>Times</i>, 8 de Fevereiro de 2008); PHILLIPS, Melanie &#8211; <i>Dhimmi    </i>&#8211; <i>or Just dim? </i><a href="http://www.spectator.co.uk/melaniephillips/495671/dhimmi-or-just-dim.thtml" target="_blank">http://www.spectator.co.uk/melaniephillips/495671/dhimmi-or-just-dim.thtml</a>    (<i>Spectactor</i>, 9 de Fevereiro de 2008); HITCHENS, Christopher &#8211; <i>To    Hell With the archbishop of Canterbury. Rowan Williams&#8217; dangerous Claptrap    about «Plural Jurisdiction»</i>, <a href="http://www.slate.com/id/2184186/" target="_blank">http://www.slate.com/id/2184186/</a>    (<i>Slate</i>, 11 de Fevereiro de 2008), HARI, Johann &#8211; <i>Rowan Williams    Has shown us one thing &#8211; Why Multiculturalism Must be abandoned</i>, <a href="http://www.independent.co.uk/opinion/commentators/johann-hari/johann-hari-rowan-williams-has-shown-us-one-thing-ndash-why-multiculturalism-must-be-abandoned-780710.html" target="_blank">http://www.independent.co.uk/opinion/commentators/johann-hari/johann-hari-rowan-williams-has-shown-us-one-thing-ndash-why-multiculturalism-must-be-abandoned-780710.html</a>    (<i>Independent</i>, 11 de Fevereiro de 2008). </p>      <p><sup><a name="9"></a><a href="#top9">9</a> </sup>BENTO XVI &#8211; <i>Faith,    Reason and the university. Memories and Reflections</i>, Aula magna of the University    of Regensburg, meeting with the representatives of science <a href="http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/speeches/2006/september/documents/hf_ben-xvi_spe_20060912_university-regensburg_en.html" target="_blank">http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/speeches/2006/september/documents/hf_ben-xvi_spe_20060912_university-regensburg_en.html</a>    (12 de Setembro de 2006). </p>      <p><sup><a href="#top10">10</a> </sup><a name="10"></a>cf. GADHER, Dipesh, TAHER,    Abul, e MORGAN, Christopher &#8211; <i>Rowan Williams Faces backlash over sharia</i>,    <a href="http://www.timesonline.co.uk/tol/comment/faith/article3342059.ece" target="_blank">http://www.timesonline.co.uk/tol/comment/faith/article3342059.ece</a>    (<i>Times</i>, 10 de Fevereiro de 2008). </p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><sup><a href="#top11">11</a> </sup><i><a name="11"></a>Muslim Council of Britain    supports Archbishop&#8217;s Comments on incorporation of islamic law</i>, <a href="http://globalmbreport.org/?p=572" target="_blank">http://globalmbreport.org/?p=572</a>    (<i>The global Muslim brotherhood daily Report</i>, 16 de Fevereiro de 2008).  </p>      <p><sup><a href="#top12">12</a> </sup><a name="12"></a>cf. BRIGHT, Martin &#8211;    <i>When Progressives treat with Reactionaries. The British state&#8217;s flirtation    with radical Islamism</i>. Londres: Policy Exchange 2006. O texto desta publicação    está acessível em <a href="http://www.policyexchange.org.uk/images/publications/pdfs/When_prog.pdf" target="_blank">http://www.policyexchange.org.uk/images/publications/pdfs/When_prog.pdf</a>  </p>      <p><sup><a href="#top13">13</a> </sup><a name="13"></a>LORD CHIEF JUSTICE OF ENGLAND    AND WALES &#8211; <i>Equality before the law</i>, <a href="http://www.judiciary.gov.uk/docs/speeches/lcj_%20equality_before_the_law_030708.pdf" target="_blank">http://www.judiciary.gov.uk/doc    s /speeches/lcj_ equality_before_the_law_030708.pdf</a> (<i>East London Muslim    Centre</i>, 3 de Julho de 2008). </p>      <p><sup><a href="#top14">14</a> </sup><a name="14"></a>Sobre o islamismo como    ideologia, cf. FERNANDES, José Pedro Teixeira &#8211; <i>Islamismo e Multiculturalismo.    As Ideologias Após o Fim da História</i>, Coimbra, Almedina.</p>      <!-- ref --><p><sup><a href="#top15">15</a> </sup><a name="15"></a>KURAN, Timur &#8211; <i>Islam    and Mammon: The Economic Predicaments of Islamism</i>, Princeton-New Jersey,    Princeton University Press, 2004, p. 2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000077&pid=S1645-9199201000020000900001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p><sup><a href="#top16">16</a></sup><a name="16"></a> Banco Islâmico de Desenvolvimento,    <i>About Islamic Development Bank (IBD)</i>, <a href="http://www.isdb.org:80/irj/portal/anonymous?NavigationTarget=navurl://24de0d5f10da906da85e96ac356b7af0" target="_blank">http://www.isdb.org:80/irj/portal/anonymous?NavigationTarget=navurl://24de0d5f10da906da85e96ac356b7af0</a></p>      <p><sup><a href="#top17">17</a> </sup><a name="17"></a>cf. FERNANDES, José Pedro    Teixeira &#8211; <i>Genealogia do Islamismo Radical: de Ibn Taymiyya a Sayyid    Qutb </i>(Comunicação no V Congresso da APCP, painel Dinâmicas e Tensões do    Islão Europeu, Universidade de Aveiro, 5 de Março de 2010), <a href="http://www.jptfernandes.com/docs/Genealogia_do_Islamismo_Radical.pdf" target="_blank">http://www.jptfernandes.com/docs/Genealogia_do_Islamismo_Radical.pdf</a></p>      <p><sup><a href="#top18">18</a> </sup><a name="18"></a>KURAN, Timur &#8211;<i>    Islam and Mammon: the economic Predicaments of islamism</i>, pp. 5-6. </p>      <p><sup><a href="#top19">19</a></sup><a name="19"></a> Sobre os desenvolvimentos    recentes de um «islão de mercado» em diversos países árabes e islâmicos cf.    também HAENNI, Patrick&#8211; <i>L'Islam de Marché: L'Autre Révolution Conservatrice</i>,    Paris, Seuil, 2005. </p>      <p><sup><a href="#top20">20</a> </sup><a name="20"></a>KURAN, Timur &#8211;<i>    Islam and Mammon: the economic Predicaments of Islamism</i>, pp. 8-9. </p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><sup><a href="#top21">21</a> </sup><i><a name="21"></a>ibidem</i>, p. 19. </p>      <p><sup><a href="#top22">22</a> </sup><i><a name="22"></a>ibidem</i>, pp. 21-22.  </p>      <p><sup><a href="#top23">23</a> </sup><a name="23"></a>Divine Quran, <a href="http://www.divinequran.com/fr/quran.php?name=2-la-vache" target="_blank">http://www.divinequran.com/fr/quran.php?name=2-la-vache</a></p>      <p><sup><a href="#top24">24</a> </sup><a name="24"></a>Cf. SOLOMON, Robert &#8211;    <i>Business ethics</i>. in SINGER, Peter (ed.) &#8211; <i>A Companion to ethics</i>.    Oxford: Blackwell, 1991, pp. 354-365 (tradução portuguesa, 2004, <i>a Ética    empresarial</i>, <a href="http://criticanarede.com/html/fil_eticaempresarial.html" target="_blank">http://criticanarede.com/html/fil_eticaempresarial.html</a>,    p. 2). </p>      <p><sup><a href="#top25">25</a> </sup><a name="25"></a>Cf. WEBER, Max &#8211;    <i>a Ética Protestante e o espírito do Capitalismo</i>. 2ª edição. São Paulo:    Ed. Thomson Pioneira. </p>      <p><sup><a href="#top26">26</a> </sup><a name="26"></a>Cf. HOMER, Sidney, e SYLLA,    Richard &#8211; <i>A History of interest Rates</i>. 4.ª edição. Nova Jersey:    John Wiley &amp; Sons, 2005, pp. 77 e segs. </p>      <p><sup><a href="#top27">27</a> </sup><a name="27"></a>cf. Barclays Capital /    Islamic Finance, <a href="http://www.islamicfinance.de/?q=taxonomy/term/1083" target="_blank">http://www.islamicfinance.de/?q=taxonomy/term/1083</a>  </p>      <p><sup><a href="#top28">28</a> </sup><a name="28"></a>cf. SCHILLING, Chelsea    &#8211; <i>Bailed-out AIG offers Islamic insurance to U.S</i>., <a href="http://www.wnd.com/index.php?pageId=82726" target="_blank">http://www.wnd.com/index.php?pageId=82726</a>    (WorldNetDaily, 5 de Dezembro de 2008).</p>      <p><sup><a href="#top29">29</a> </sup><a name="29"></a>cf. UBS Islamic Finance,    <a href="http://www.ibb.ubs.com/mc/islamicfinance/index.shtml" target="_blank">http://www.ibb.ubs.com/mc/islamicfinance/index.shtml</a></p>      <p><sup><a href="#top30">30</a> </sup><a name="30"></a>cf. Swi<i>ss Re acquires    Retakaful licence, sets up Retakaful operation in Kuala Lumpur</i>, <a href="http://www.swissre.com/pws/media%20centre/news/news_releases_2009/swiss_re_acquires_retakaful_licence.html" target="_blank">http://www.swissre.com/pws/media%20centre/news/news_releases_2009/swiss_re_acquires_retakaful_licence.html</a>    (News releases, 8 de Outubro de 2009).</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><sup><a href="#top31">31</a> </sup><a name="31"></a>cf. Allianz Takaful, <a href="http://www.allianz.com.bh/why_do.html" target="_blank">http://www.allianz.com.bh/why_do.html</a></p>      <p><sup><a href="#top32">32</a> </sup><a name="32"></a>cf. Citi Islamic Bank,    <a href="http://www.citibank.com/uae/gcib/cf_islamic_bkg.htm" target="_blank">http://www.citibank.com/uae/gcib/cf_islamic_bkg.htm</a></p>      <p><sup><a href="#top33">33</a> </sup><a name="33"></a>cf. Rebecca Bundhun, <i>Deutsche    Bank launches new Shari'ah platform</i>, <a href="http://www.arabianbusiness.com/543208-deutsche-bank-launches-new-shariah-platform" target="_blank">http://www.arabianbusiness.com/543208-deutsche-bank-launches-new-shariah-platform</a>    (Arabianbusiness.com, 11 de Janeiro de 2009).</p>      <p><sup><a href="#top34">34</a> </sup><a name="34"></a>cf. <i>MSCI Barra to Introduce    Global Family of Islamic Indices,</i> <a href="http://www.morganstanley.com/about/press/articles/4797.html" target="_blank">http://www.morganstanley.com/about/press/articles/4797.html</a></p>      <p><sup><a href="#top35">35</a> </sup><a name="35"></a>cf. HBSC Amanah,&nbsp;    <a href="http://www.hsbcamanah.com" target="_blank">http://www.hsbcamanah.com</a></p>      <p><sup><a href="#top36">36</a> </sup><a name="36"></a>cf. Lloyds TSB Islamic    Financial services, <a href="http://www.lloydstsb.com/current_accounts/islamic_account.asp" target="_blank">http://www.lloydstsb.com/current_accounts/islamic_account.asp</a></p>      <p><sup><a href="#top37">37</a> </sup><a name="37"></a>cf. Louise Story, Landon    Thomas Jr. e&nbsp; Nelson D. Schwartz, <i>Wall St. Helped to Mask Debt Fueling    Europe&#8217;s Crisis</i>, <a href="http://www.nytimes.com/2010/02/14/business/global/14debt.html" target="_blank">http://www.nytimes.com/2010/02/14/business/global/14debt.html</a>    (New York Times, 13 de Fevereiro de 2010).</p>      <p><sup><a href="#top38">38</a></sup><a name="38"></a> IslamicFinance.de &#8211;    <i>Iran allows foreign bank branches: Citibank and Goldman Sachs among the first    applicants</i>, <a href="http://www.islamicfinance.de/?q=node/497" target="_blank">http://www.islamicfinance.de/?q=node/497</a>  </p>      <p><sup><a href="#top39">39</a> </sup><a name="39"></a>cf. MORAIS, Richard C.    &#8211; <i>Don't Call It Interest</i>, <a href="http://www.forbes.com/forbes/2007/0723/122.html" target="_blank">http://www.forbes.com/forbes/2007/0723/122.html</a>    (Forbes, 23 de Julho de 2007).</p>      <p><sup><a href="#top40">40</a> </sup><a name="40"></a>cf. Dow Jones Indexes,    <a href="http://www.djindexes.com/islamic/index.cfm?go=overview" target="_blank">http://www.djindexes.com/islamic/index.cfm?go=overview</a></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><sup><a href="#top41">41</a> </sup><a name="41"></a>cf. Financial Times Stock    Exchange (FTSE) <a href="http://www.ftse.com/Indices/FTSE_Shariah_Global_Equity_Index_Series/index.jsp" target="_blank">http://www.ftse.com/Indices/FTSE_Shariah_Global_Equity_Index_Series/index.jsp</a></p>      <p><sup><a href="#top42">42</a> </sup><a name="42"></a>cf. a biografia do Xeique    Yusuf Talal DeLorenzo em <a href="http://muslim-investor.com/mi/bio-delorenzo.phtml" target="_blank">http://muslim-investor.com/mi/bio-delorenzo.phtml</a></p>      <p><sup><a href="#top43">43</a> </sup><a name="43"></a>cf. Islamonline, <a href="http://www.islamonline.net/english/index.shtml" target="_blank">http://www.islamonline.net/english/index.shtml</a></p>      <p><sup><a href="#top44">44</a><a name="44"></a> </sup>cf. Yusuf al-Qaradawi,    <i>Islamic Finance System &#8216;Can Replace Capitalism&#8217;</i>, <a href="http://www.cnsnews.com/Public/content/article.aspx?RsrcID=37332" target="_blank">http://www.cnsnews.com/Public/content/article.aspx?RsrcID=37332</a>    (CNSNews, 13 de Outubro de 2008).</p>     <p><sup><a href="#top45">45</a> </sup><a name="45"></a>cf. a biografia do Mufti    Taqi Usmani em <a href="http://www.muftitaqiusmani.com/ProfilePage.aspx" target="_blank">http://www.muftitaqiusmani.com/ProfilePage.aspx</a></p>      <p><sup><a href="#top46">46</a> </sup><a name="46"></a>cf. NORFOLK, Andrew &#8211;    <i>Our Followers «Must live in Peace until strong enough to Wage Jihad»</i>.    <a href="http://www.timesonline.co.uk/tol/comment/faith/article2409833.ece" target="_blank">http://www.timesonline.co.uk/tol/comment/faith/article2409833.ece</a>    (<i>Times</i>, 8 de Setembro de 2007). </p>      <p><sup><a href="#top47">47</a></sup><a name="47"></a> HSBC Launches Global Islamic    Equity Fund, <a href="http://www.prnewswire.co.uk/cgi/news/release?id=15781" target="_blank">http://www.prnewswire.co.uk/cgi/news/release?id=15781</a></p>      <p><sup><a href="#top48">48</a> </sup><a name="48"></a>cf. Cécilia Gabizon, <i>La    finance islamique arrive en France</i>, <a href="http://www.lefigaro.fr/actualite-france/2009/10/09/01016-20091009ARTFIG00007-la-finance-islamique-arrive-en-france-.php" target="_blank">http://www.lefigaro.fr/actualite-france/2009/10/09/01016-20091009ARTFIG00007-la-finance-islamique-arrive-en-france-.php</a>    (Figaro, 8 de Outubro de 2009).</p>      <p><sup><a href="#top49">49</a> </sup><a name="49"></a>cf. o já referido texto    assinado por Jean-Michel Quillardet et. al. do Observatoire International de    la Laïcité contre les Dérives Communautaires intitulado<i> La finance islamique    menace la laïcité française</i>, <a href="http://www.lemonde.fr/opinions/article/2009/11/20/la-finance-islamique-menace-la-laicite-francaise_1269797_3232.html" target="_blank">http://www.lemonde.fr/opinions/article/2009/11/20/la-finance-islamique-menace-la-laicite-francaise_1269797_3232.html</a>    (Le Monde, 20 de Novembro de 2009).</p>      <p><sup><a href="#top50">50</a> </sup><i><a name="50"></a>UK government makes    Islamic finance easier</i> (Halal Journal, 31 de Janeiro de 2007).</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><sup><a href="#top51">51</a></sup><a name="51"></a> cf. <i>New Sharia Row over    Chancellor&#8217;s plans for «islamic bonds». </i><a href="http://www.thisislondon.co.uk/news/article-23438588-new-sharia-row-over-chancellors-plans-for-islamic-bonds.do" target="_blank">http://www.thisislondon.co.uk/news/article-23438588-new-sharia-row-over-chancellors-plans-for-islamic-bonds.do</a>    (<i>Evening Standard</i>, 17 de Fevereiro de 2008). </p>      <p><sup><a href="#top52">52</a> </sup><a name="52"></a>cf. RINTOUL, Fiona &#8211;    <i>Islamic investment shows strong momentum</i>, <a href="http://us.ft.com/ftgateway/superpage.ft?news_id=fto040420071150291028&amp;page=2" target="_blank">http://us.ft.com/ftgateway/superpage.ft?news_id=fto040420071150291028&amp;page=2</a>    (Financial Times US, 4 de Abril de 2007).</p>      <p><sup><a href="#top53">53</a> </sup><i><a name="53"></a>Savings and Souls. </i><a href="http://www.economist.com/world/middle-east/displaystory.cfm?STORY_ID=12052687" target="_blank">http://www.economist.com/world/middle-east/displaystory.cfm?STORY_ID=12052687</a>    The Economist, 4 de Setembro de 2008.</p>      <p><sup><a href="#top54">54</a></sup><a name="54"></a> cf. Harvard University    Islamic Finance Project, <a href="http://ifptest.law.harvard.edu/ifphtml/" target="_blank">http://ifptest.law.harvard.edu/ifphtml/</a></p>      <p><sup><a href="#top55">55</a> </sup><a name="55"></a>LAGACE, Martha &#8211;    <i>How to do business in Islamic Countries</i>. <a href="http://hbswk.hbs.edu/item/2745.html" target="_blank">http://hbswk.hbs.edu/item/2745.html</a>    (HBS Global, 2002). </p>      <p><sup><a href="#top56">56</a></sup><a name="56"></a> A Saïd Business School    foi fundada na Universidade de Oxford em 2001, com um donativo de 20 milhões    de libras do negociante de armas sírio Wafic Rida Said. Cf. Ver o artigo de    Jonathan Glancey, <i>When worlds collide</i>, <a href="http://www.guardian.co.uk/education/2001/dec/10/highereducation.mbas" target="_blank">http://www.guardian.co.uk/education/2001/dec/10/highereducation.mbas</a>    (Guardian, 10 de Dezembro de 2001).</p>      <p><sup><a href="#top57">57</a> </sup><a name="57"></a>Oxford University Saïd    Business School, <i>Forthcoming events</i>, <a href="http://www.sbs.ox.ac.uk/newsandevents/conferences/OGIBMF/Documents/MarketingForumJuly10_03.pdf" target="_blank">http://www.sbs.ox.ac.uk/newsandevents/conferences/OGIBMF/Documents/MarketingForumJuly10_03.pdf</a></p>      <p><sup><a href="#top58">58</a> </sup><a name="58"></a>Jean-Paul Laramée é também    autor da publicação colectiva, <i>La finance islamique à la française: Un moteur    pour l'économie, une alternative éthique</i>, Paris, Bruno Leprince, 2008.</p>      <p><sup><a href="#top59">59</a></sup><a name="59"></a> cf. Institut Français de    Finance Islamique, <a href="http://www.institutfrancaisdefinanceislamique.fr/fr/" target="_blank">http://www.institutfrancaisdefinanceislamique.fr/fr/</a></p>      <p><sup><a href="#top60">60</a></sup><a name="60"></a> cf. <i>Finance islamique:    «Une manifestation formidable de l'intégration»,</i> <a href="http://www.lexpress.fr/actualite/societe/religion/finance-islamique-une-manifestation-formidable-de-l-integration_752896.html" target="_blank">http://www.lexpress.fr/actualite/societe/religion/finance-islamique-une-manifestation-formidable-de-l-integration_752896.html    </a>(L' Express, 9 de Abril de 2009).</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><sup><a href="#top61">61</a> </sup><a name="61"></a>cf. HERMAN, Michael &#8211;    <i>Lehman analyst told to suppress negative research</i>, <a href="http://business.timesonline.co.uk/tol/business/law/article6723512.ece" target="_blank">http://business.timesonline.co.uk/tol/business/law/article6723512.ece</a>    (Times, 22 de Julho de 2009).</p>      <p><sup><a href="#top62">62</a> </sup><a name="62"></a>cf. PINTO, Martin de Sá    &#8211; <i>Islamic finance needs clearer rules</i>, <a href="http://www.reuters.com/article/idUSTRE61F49M20100216" target="_blank">http://www.reuters.com/article/idUSTRE61F49M20100216</a>    (Reuters, 16 de Fevereiro de 2010).</p>      <p><sup><a href="#top63">63</a> </sup><a name="63"></a>cf. ALAMI, Mona &#8211;    <i>Dubai Debts Prompt Review of Islamic Finance</i>, <a href="http://www.globalissues.org/news/2010/01/12/4174" target="_blank">http://www.globalissues.org/news/2010/01/12/4174</a>    (Global Issues, 12 de Janeiro de 2010).</p>      <p><sup><a href="#top64">64</a> </sup><a name="64"></a>cf. O texto que Mahmoud    el-Gamal colocou no seu blogue a propósito desta questão intitulado «Justification    and the four-step vicious circle of &#8220;islamic finance&#8221;». <a href="http://elgamal.blogspot.com/2010/01/justification-and-four-step-vicious.html" target="_blank">http://elgamal.blogspot.com/2010/01/justification-and-four-step-vicious.html</a>    (23 de Janeiro de 2010). </p>      <p><sup><a name="65"></a><a href="#top65">65</a> </sup>BESSON, Sylvain &#8211;    <i>L'islamisme à la conquête du monde</i>, <a href="http://www.letemps.ch/Page/Uuid/7789ca86-aed9-11dd-bf59-ad3d6140ad87/Lislamisme_%C3%A0_la_conqu%C3%AAte_du_monde" target="_blank">http://www.letemps.ch/Page/Uuid/7789ca86-aed9-11dd-bf59-ad3d6140ad87/Lislamisme_%C3%A0_la_conqu%C3%AAte_du_monde</a>    (Le Temps, 6 de Outubro de 2005). Ver também do mesmo autor o livro <i>La conquête    de l'Occident. Le projet secret des islamistes</i>, Paris:<i> </i>Seuil, 2005.</p>      <p><sup><a name="66"></a><a href="#top66">66</a> </sup>KOMISAR, Lucy &#8211; <i>Shareholders    in the Bank of Terror?,</i> <a href="http://www.salon.com/technology/feature/2002/03/15/al_taqwa/print.html" target="_blank">http://www.salon.com/technology/feature/2002/03/15/al_taqwa/print.html</a>    (Salon.com, 15 de Março de 2002).</p>      <p><sup><a name="67"></a><a href="#top67">67</a> </sup>cf. O documento 2 («A estratégia    financeira dos irmãos muçulmanos»), incluído em anexo ao já referido livro de    BESANÇON, Sylvain &#8211; <i>La conquête de l'Occident. Le projet secret des    islamistes,</i> p. 207. </p>      <p><sup><a name="68"></a><a href="#top68">68</a> </sup>cf. BYNUM, Rebecca &#8211;    «Voodoo economics». In <i>New English Review</i>, Março de 2008, <a href="http://www.newenglishreview.org/custpage.cfm/frm/16605/sec_id/16605" target="_blank">http://www.newenglishreview.org/custpage.cfm/frm/16605/sec_id/16605</a></p>      <p><sup><a name="69"></a><a href="#top69">69</a> </sup>Alain Gérard-Slama citado    em FOUREST, Caroline &#8211; <i>La dernière utopie. Menaces sur l'universalisme</i>,    Paris&nbsp;: Grasset, 2009, p. 121. </p>      <p><sup><a name="70"></a><a href="#top70">70</a> </sup>Sobre o bizarro <i>zeitgeist    </i>contemporâneo de culto do «outro» associado à atitude «masoquista» de se    denegrir a si próprio, ver o elucidativo ensaio de BRUCKNER, Pascal &#8211;    <i>La tyrannie de la pénitence. essai sur le masochisme occidental</i>. paris    : grasset, 2006. </p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><sup><a name="71"></a><a href="#top71">71</a> </sup>TAGUIEFF, Pierre-André    &#8211; <i>Les contreréactionnaires. Le progressisme entre illusion et imposture</i>.    Paris: Denöel, 2007, pp. 582-583. </p>      <p><sup><a name="72"></a><a href="#top72">72</a> </sup>Estas últimas qualificações    denotam a persistência do bafiento espectro anticapitalista e antilucro da esquerda    radical, ainda mal refeita do colapso da utopia marxista da sociedade sem classes    e de uma economia de direcção central cientificamente planificada. </p>      <p><sup><a name="73"></a><a href="#top73">73</a> </sup>cf. EL-GAMAL, Mahmoud &#8211;    <i>Al-Azhar Fatwa Debate And The Issue of Wakalah/Agency</i>, <a href="http://tyo.ca/islambank.community/modules.php?op=modload&amp;name=News&amp;file=article%20&amp;sid=1060&amp;mode=thread&amp;order=0&amp;thold=0&amp;POSTNUKESID=72c619956b5173f7e500eb7%20056b56e60" target="_blank">http://tyo.ca/islambank.community/modules.php?op=modload&amp;name=News&amp;file=article    &amp;sid=1060&amp;mode=thread&amp;order=0&amp;thold=0&amp;POSTNUKESID=72c619956b5173f7e500eb7    056b56e60</a> (14 de Novembro de 2002). Ver ainda, <i>Islamic institute blesses    interest</i>, <a href="http://news.bbc.co.uk/2/hi/business/2488525.stm" target="_blank">http://news.bbc.co.uk/2/hi/business/2488525.stm</a>    (BBC, 18 de Novembro de 2002).</p>      <p><sup><a name="74"></a><a href="#top74">74</a></sup> GELLNER, Ernest &#8211;    <i>Pós-Modernismo, Razão e Religião</i>. Lisboa: Edições Piaget, 2004, p. 106.  </p>      <p><sup><a name="75"></a><a href="#top75">75</a></sup> GELLNER, Ernest &#8211;    <i>Pós-Modernismo, Razão e Religião</i>, p. 107. </p>      <p><sup><a name="76"></a><a href="#top76">76</a> </sup>CALDWELL, Christopher &#8211;    <i>Reflexions on the Revolution in Europe. Can Europe be the same with different    People in it?. </i>Londres: Allen lane, 2009, p. 286.</p>           ]]></body><back>
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<source><![CDATA[Islam and Mammon: The Economic Predicaments of Islamism]]></source>
<year>2004</year>
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<publisher-name><![CDATA[Princeton University Press]]></publisher-name>
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