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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[Migratory movements show us clearly how hearth is shrinking concerning distances among people. In the last decade, all the regions well placed in terms of well-being indicators and opportunities become areas of immigration. The opportunities created by economic globalization, the improvements on communication and transport, the dissemination of information about well-being regional differentiated levels, will inevitably lead to an increase in international migration volumes. The coming decades will be a mix of challenge and opportunity. For most receiving countries, in particular for aged Europe ones, with increasingly high percentages of non-European residents, the impact of such migration flows is difficult to predict in the medium and long run. Consequences will be significant at various levels.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p><b>Dinâmicas migratórias e riscos de segurança: A velha Europa </b><sup><a name="top1"></a><a href="#1">1</a>    </sup></p>        <p>&nbsp;</p>       <p><b>Teresa Ferreira Rodrigues</b></p>       <p>Doutorada em História Contemporânea e agregada      em Relações Internacionais pela FCSH&#150;UNL. Professora de Relações Internacionais      na FCSH&#150;UNL e docente convidada do Instituto de Estatística e Gestão      de Informação (responsável pelas áreas da Demografia e Prospectiva). Investigadora      do CEPESE, onde coordena o grupo de População e Prospectiva. Auditora do Curso      de Defesa Nacional 2009.</p>      <p>&nbsp;</p>        <p><b>RESUMO</b></p>       <p>Os movimentos migratórios representam uma das      manifestações mais evidentes do estreitamento do planeta. Na última década      as regiões com melhores indicadores de bem-estar e oportunidades tornaram-se,      na sua quase totalidade, espaços de imigração. Mas as oportunidades geradas      pela globalização económica, os avanços das comunicações e dos transportes,      a difusão de informações sobre níveis regionalmente diferenciados de qualidade      de vida e bem-estar irão inevitavelmente fazer aumentar os volumes de migrantes.      As próximas décadas serão de desafio e oportunidade. Para a generalidade dos      países receptores, e em particular para a Europa envelhecida, com percentagens      cada vez mais elevadas de residentes não europeus, o impacto dos fluxos migratórios      torna-se difícil de prever, a médio e longo prazo. As consequências serão      imensas e colocam-se a vários níveis. </p>         <p><b>Palavras-Chave</b>: Migrações, segurança, cenários prospectivos, diversidade    regional. </p>     <p>&nbsp;</p>      <p><b>Migratory dynamics and security risks. The old Europe </b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>ABSTRACT</b></p>      <p>Migratory movements show us clearly how hearth is shrinking concerning distances among people. In the last decade, all the regions well placed in terms of well-being indicators and opportunities become areas of immigration. The opportunities created by economic globalization, the improvements on communication and transport, the dissemination of information about well-being regional differentiated levels, will inevitably lead to an increase in international migration volumes. The coming decades will be a mix of challenge and opportunity. For most receiving countries, in particular for aged Europe ones, with increasingly high percentages of non-European residents, the impact of such migration flows is difficult to predict in the medium and long run. Consequences will be significant at various levels. </p>      <p><b>Keywords</b>: Migration, security, forecast analysis, regional diversity.  </p>      <p>&nbsp;</p>      <p>Os movimentos migratórios representam uma das manifestações mais evidentes    do estreitamento do planeta. As regiões com melhores indicadores de bem-estar    e oportunidades tornaram-se, na sua quase totalidade, espaços de imigração.    As oportunidades geradas pela globalização económica, os avanços das comunicações    e dos transportes e a difusão de informações sobre níveis regionalmente diferenciados    de qualidade de vida e bem-estar irão fazer aumentar o volume de migrantes.    As próximas décadas serão de desafio e oportunidade. Ao deslocar pessoas e homogeneizar    culturas, comportamentos, padrões de vida, acesso a determinado tipo de bens,    a globalização elimina as diferenças entre culturas espacialmente definidas,    que constituíam as denominadas culturas nacionais. Em simultâneo com este processo,    e em parte por sua causa, a globalização de informação também potencia novas    percepções de insegurança, nomeadamente as veiculadas pelos <i>media</i>. Mas    de que estaremos a falar de facto?</p>      <p>Lidamos desde logo com novas noções de segurança. À tradicional função do Estado    enquanto garante da defesa do território e independência política junta-se o    dever de assegurar independência económica, identidade cultural e estabilidade    social<a name="top2"></a><sup><a href="#2">2</a></sup>. Os conceitos de segurança,    liberdade e justiça tendem hoje a ser reestruturados em função do cidadão e    de um novo paradigma de segurança, assente em novas hierarquias geográficas    e noções de territorialidade, onde se destaca o conceito de «segurança humana».    Mas lidamos também com novas populações, cuja imprevisibilidade de comportamento    complexifica a compreensão real dos mesmos e respectivo exercício de previsão<a name="top3"></a><sup><a href="#3">3</a></sup>.    As migrações são o aspecto mais imprevisível do comportamento humano, por serem    mais sensíveis às alterações de curto prazo das variáveis económicas, sociais    e políticas e porque interagem mais directamente com os fenómenos que as influenciam.</p>      <p>Para a generalidade dos países receptores, e, em particular, para a Europa    envelhecida com percentagens cada vez mais elevadas de residentes estrangeiros<sup><a name="top4"></a><a href="#4">4</a></sup>,    o impacto dos fluxos migratórios torna-se difícil de prever a médio e longo    prazo. Será a imigração uma das respostas aos desafios que a Europa enfrenta?    Que papéis podem os imigrantes protagonizar no desenho futuro da Europa? Como    se firmam as suas relações nas sociedades de acolhimento? Existem riscos de    segurança nestes processos de mobilidade, hoje e no futuro próximo, ou seja,    «migrantes de risco»? Como defini-los? </p>      <p>&nbsp;</p>     <p><b>Figura 1</b> &gt; Conceitos e l&oacute;gicas migrat&oacute;rias - O espa&ccedil;o    migrat&oacute;rio</p>     <p><img src="/img/revistas/ri/n26/n26a10f1.jpg" width="571" height="256"> </p>     
]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>      <p><b>Figura 2 &gt; </b>Tipologia do imigrante</p>     <p><img src="/img/revistas/ri/n26/n26a10f2.jpg" width="571" height="312"></p>      
<p>&nbsp;</p>      <p><b>ESPAÇOS E POPULAÇÕES. UM MUNDO DESIGUAL<a name="top5"></a></b><sup><a href="#5">5</a>    </sup></p>      <p>O mundo do século XXI herdou do anterior a necessidade de compreender e regular    os desafios e oportunidades gerados pelo processo de globalização, mas também    a urgência de enfrentar os riscos a ela associados. Adoptam-se novos significados    e conteúdos para os conceitos de Estado, segurança, identidade política ou migrações    e criam-se novos conceitos, como os de sociedade em rede ou de informação, cidades    globais, economia em arquipélago<sup><a name="top6"></a><a href="#6">6</a></sup>.    Transforma-se a noção de espaço e o modo como as populações humanas, também    elas novas populações, o percepcionam e utilizam. A realidade mundial em construção    não esbate as diferenças entre povos, antes parece acentuar a distância entre    ricos e pobres, associada a processos de exclusão, passíveis de tradução espacial    e entendidos como passíveis de poder constituir focos de insegurança<sup><a name="top7"></a><a href="#7">7</a></sup>.</p>      <p>Entre 1900 e 2000 a população mundial quadruplicou e somos hoje 6,8 mil milhões<a name="top8"></a><sup><a href="#8">8</a></sup>.    Embora na recta final da centúria se observe uma ténue redução das dinâmicas    de crescimento demográfico, ele é ainda pautado por grandes assimetrias geográficas,    que se manterão<a name="top9"></a><sup><a href="#9">9</a></sup>. Até final do    século o acréscimo do número de homens, estimado em cerca de três mil milhões,    será a consequência incontornável do factor de inércia demográfica. Mais de    70 por cento desta nova população terá origem asiática e africana<sup><a name="top10"></a><a href="#10">10</a></sup>.    Variações demográficas de 30 a 70 por cento farão aumentar a pressão nos recursos    naturais, serviços e infra-estruturas, adaptando-se a uma população predominantemente    urbana, mais idosa e mais instruída<sup><a name="top11"></a><a href="#11">11</a></sup>.    Este será mais um desafio global do milénio, embora a questão não seja tanto    o número de homens, mas o seu estilo de vida<a name="top12"></a><sup><a href="#12">12</a></sup>.</p>      <p>O século XXI será o século do envelhecimento demográfico, tornado global, mas    este facto só será preocupante para as sociedades incapazes de recriar novos    equilíbrios intergeracionais<sup></sup>. As regiões mais desenvolvidas económica    e socialmente, entre as quais o continente europeu, ficarão dependentes das    migrações. Nos países atractivos, elas conseguirão evitar até 2025 tendências    recessivas do número de residentes, mas estimam-se descidas<sup><a name="top13"></a><a href="#13">13</a></sup>    de 10 pontos percentuais em vários países da Europa Central e de Leste, designadamente    na Rússia e na Ucrânia. Em todo o continente europeu o <i>ratio </i>entre activos    e inactivos atingirá valores mínimos porque, pese embora a ligeira subida prevista    dos níveis de fecundidade, é impossível inverter a tendência de envelhecimento    nas primeiras idades. Por seu turno, o aumento da esperança média de vida acentua    a pressão crescente do total de inactivos (pensionistas), num contexto em que    será inviável aumentar a carga fiscal. O volume de migração líquida necessário    para equilibrar esse processo é inexequível, pelo que, apesar dos saldos positivos,    também os activos serão cada vez em menor número<a name="top14"></a><sup><a href="#14">14</a></sup>.    O impacto real do processo de envelhecimento em termos de mercado de trabalho    e produtividade, bem como o grau futuro de dependência face às migrações económicas    de algumas regiões do mundo, sobretudo dos países europeus, tem sido objecto    de avaliação<sup><a name="top15"></a><a href="#15">15</a></sup>. E nem sempre    os cenários são pessimistas ou de incerteza, ao destacarem as potencialidades    decorrentes do grau de qualificação dos imigrantes, que acompanha a transformação    do tecido produtivo das sociedades atractivas, no contexto de globalização económica<sup><a name="top16"></a><a href="#16">16</a></sup>.</p>      <p>&nbsp;</p>      <p><b><a href="/img/revistas/ri/n26/n26a10m1.jpg" target="_blank">Mapa 1</a> &gt;</b> Imigrantes e emigrantes    no mundo, por regiões </p>       
]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>      <p>A União Europeia (UE) deverá passar de 495 para 521 milhões de habitantes entre    2008 e 2035, altura em que começará a diminuir progressivamente, atingindo 506    milhões no ano de 2060<a name="top17"></a><sup><a href="#17">17</a></sup>. Então    a percentagem de pessoas acima dos 65 anos será de 30 por cento (17,1 por cento    em 2008), 12,1 por cento dos quais com 80 ou mais anos (4,4 por cento em 2008)<a name="top18"></a><sup><a href="#18">18</a></sup>.    Os imigrantes irão ser chamados a protagonizar um papel de destaque no desenho    do futuro da Europa, porque representam uma oportunidade. São, no entanto, também    um desafio e os riscos associados aos novos perfis de população estrangeira    devem ser pensados. Qual o posicionamento da Europa envelhecida?</p>      <p>Em 2008, existiam 214 milhões de migrantes internacionais (3,1 por cento da    população mundial)<sup><a name="top19"></a><a href="#19">19</a></sup>, total    que incluía 20 a 30 milhões de indivíduos em situação irregular (10 a 15 por    cento)<sup><a name="top20"></a><a href="#20">20</a></sup>, um terço dos quais    na Europa. Assim, considerando a escala, o perfil e a complexidade destes valores,    torna-se urgente o desenvolvimento de estratégias que potenciem os efeitos positivos    da migração legal e minimizem os seus eventuais efeitos negativos, o que só    poderá ser feito com base numa óptica integrada de cooperação. Com efeito, o    processo de globalização em curso teve efeitos ambivalentes em termos de segurança    e na forma como os estados-nação se posicionam, ao serem forçados a coexistir    com novos actores, dinâmicas regionais e inseguranças. O conceito de segurança    vai para além de uma perspectiva estatocêntrica e estrita do uso da força, e    compreende não só o Estado, mas também as pessoas, abrangendo questões tão diversas    como as ambientais ou de saúde pública. Trata-se do primado da segurança humana,    baseado nos princípios do Estado de direito, da boa governança e dos Direitos    do Homem. Só assim se pode promover o desenvolvimento sustentável, a melhoria    da qualidade de vida e a estabilidade e percepção de segurança individual<sup><a name="top21"></a><a href="#21">21</a></sup>.</p>      <p>A percentagem de população estrangeira nos países europeus varia entre cinco    e 39 pontos percentuais<a name="top22"></a><sup><a href="#22">22</a> </sup>e    a Europa continuará a atrair naturais da África e da Ásia, zonas mais jovens,    com fortes dinâmicas de crescimento e menos desenvolvidas, independentemente    do sentido das políticas de migração<sup><a name="top23"></a><a href="#23">23</a></sup>.    Com efeito, a velha Europa vive uma situação complexa e única, mesmo para a    Europa atractiva, porque é impossível compensar com entradas de cidadãos de    países terceiros a redução da população activa e dos <i>ratios </i>entre jovens    e idosos. A imigração pode mitigar os efeitos da quebra populacional, mas não    resolve os problemas associados ao envelhecimento e não substitui a necessidade    de reformas económicas<sup><a name="top24"></a><a href="#24">24</a></sup>.</p>      <p>&nbsp;</p>      <p><b>SEGURANÇA GLOBAL E POLÍTICAS DE IMIGRAÇÃO EUROPEIA </b></p>      <p>A avaliação do impacto migratório apresenta dificuldades de partida, como a    inépcia para contabilizar o volume e estatuto dos fluxos ou a sua distribuição    geográfica no tecido social dos países de acolhimento, os quais dificultam a    tomada de medidas e a decisão<a name="top25"></a><sup><a href="#25">25</a></sup>.    É possível contabilizar com alguma fiabilidade os imigrantes legais, permanentes    e temporários de longa duração<a name="top26"></a><sup><a href="#26">26</a></sup>,    tal como os requerentes de asilo, embora estes sejam mais difíceis de classificar.    Porém a questão torna-se complexa, quando se trata de estimar as entradas e    permanências não autorizadas<sup><a name="top27"></a><a href="#27">27</a></sup>,    facto agravado por serem as migrações ilegais, irregulares e não autorizadas    as que registaram nos últimos anos maiores aumentos, atingindo valores máximos    na Rússia e nos países do Sul.</p>      <p>Na Europa de finais do século XX a redução dos fluxos emigratórios coexiste com o aumento da imigração, da mobilidade interna e do número de refugiados e deslocados. A UE lidera o fluxo de entradas, compostas por três grandes grupos: a migração intracomunitária, realizada ao abrigo de diferentes tratados e acordos de Schengen; a dos refugiados e deslocados, ao abrigo da Convenção Internacional para os Refugiados; e a de trabalhadores de países terceiros. Estas categorias têm origens e perfis distintos, implicando diferentes estratégias a nível legislativo e de políticas públicas, de âmbito social, de integração e de segurança interna. As políticas europeias de imigração têm até recentemente centrado as suas actuações no sector da justiça e segurança (designadamente no controlo e regulação dos fluxos), ao invés de enquadrarem as novas populações numa óptica de desenvolvimento sustentável. A gestão dos fluxos, remetida para decisões dos governos nacionais, só recentemente trata a questão da integração dos seus não nacionais e raramente considera a importância da sua relação com a restante sociedade civil, naquilo que é também a procura de um novo perfil de cidadão europeu.</p>      <p>O impacto dos fluxos migratórios é sentido em vários sectores da sociedade<a name="top28"></a><sup><a href="#28">28</a></sup>,    mas a mudança de perfil do universo migratório e a dependência da Europa face    às migrações obriga a alterar a atitude reservada do discurso político sobre    essa matéria. Há que direccionar o discurso centrado no tema da entrada e regulação    de fluxos, para as mais-valias da imigração no combate ao declínio e envelhecimento    populacionais. Para fazer face aos objectivos de desenvolvimento e poderio económico    estabelecidos pela Estratégia de Lisboa, a imigração apresenta-se como parte    da solução, ao preencher franjas de actividade económica pouco desejadas pelos    naturais. Acresce que os migrantes potenciam uma melhor distribuição geográfica    do capital humano, mesmo o mais qualificado e não provocam pressões adicionais    no sistema de protecção social, quando inseridas no mercado de trabalho, podendo    contribuir para a sua sustentabilidade a médio prazo<sup><a name="top29"></a><a href="#29">29</a></sup>.    A reconfiguração demográfica da Europa traduz-se também no aumento das minorias    étnicas e religiosas de origem maioritariamente extra-europeu. Este aspecto    é importante, porque nas próximas décadas elas manterão dinâmicas demográficas    e níveis de integração geograficamente desigual em função da proximidade dos    seus valores culturais, o que potencia novos graus de risco<a name="top30"></a><sup><a href="#30">30</a></sup>.</p>      <p>&nbsp;</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Gráfico 1 &gt;</b> UE27 -1 de Janeiro de 2061. Estimativas de população    residente </p>     <p><img src="/img/revistas/ri/n26/n26a10g1.jpg" width="577" height="344"></p>      
<p>&nbsp;</p>      <p><b>Gráfico 2 &gt;</b> UE27 -1 de Janeiro de 2061. Factores de crescimento</p>     <p><img src="/img/revistas/ri/n26/n26a10g2.jpg" width="575" height="452"> </p>      
<p>&nbsp;</p>      <p>Na nova ordem mundial, sustentada por uma rede de relações internacionais complexa,    pela interdependência económica e ecológica e perante as ameaças das armas de    destruição maciça, o Estado-Nação tem sido forçado a reequacionar o seu papel,    tendo assumido em certas áreas estratégias comuns intergovernamentais, sobretudo    na segunda metade do século XX<a name="top31"></a><sup><a href="#31">31</a>    </sup>. Não obstante, a segurança nacional continua a ser vista como uma atribuição    fundamental do Estado moderno, a quem, na tradição vestefaliana, continua a    ser conferido o monopólio do uso da força e o estabelecimento e manutenção da    ordem e paz social. Compete-lhe em todas as circunstâncias assegurar a integridade    do território, proteger a população, preservar os interesses nacionais contra    ameaças e agressões<sup><a name="top32"></a><a href="#32">32</a></sup>. A globalização    alterou este quadro político-constitucional, por obrigar à transposição das    fronteiras do Estado-Nação e fragilizar as ligações robustas entre espaço e    identidade nacional<a name="top33"></a><a href="#33"><sup>33</sup></a><sup>    </sup>. A Europa deixou de ser o centro do mundo para liderar um amplo movimento    de integração regional, já que nela existem mais identidades nacionais que estados<sup><a name="top34"></a><a href="#34">34</a>    </sup>. A circulação de pessoas e bens cria novas realidades e fenómenos sociais,    políticos e económicos, que levantam a questão da identidade nacional, agora    múltipla, e alteram a distinção entre segurança externa e interna.</p>      <p>O conceito de segurança compreende espaços, actores e instituições com graus    variáveis de autonomia e poder, que mantêm relações nem sempre fáceis com o    Estado embora se reconheça às forças de segurança a competência para zelar pelas    necessidades da sociedade civil, protegendo-a do crime e da desordem interna    e externa<a name="top35"></a><a href="#35"><sup>35</sup></a>. Resta saber até    que ponto deixou de fazer sentido a construção de uma política de segurança    fundada num centro a partir do qual as forças da autoridade, ordem e identidade    combatem a anarquia, o caos e a diferença, abrigando os que pertencem a esse    contexto e fechando fronteiras aos que não pertencem ao quadro normativo preestabelecido.    A reconceptualização da segurança obriga ao reconhecimento da presença de estranhos    como elemento definidor das actuais sociedades, que não se identificam com os    discursos identitários dominantes e que, por esse facto, podem ser vistas como    factor de instabilidade, porque não se enquadram no conceito de segurança clássico.</p>      <p>Ao deslocar o objecto de estudo da segurança do Estado para a sociedade, a    segurança relaciona-se com situações em que as sociedades descobrem uma ameaça    em termos identitários. Quando determinado tema ou grupo põe em perigo a continuação    da construção da identidade, ele tende a ser <i>securitizado</i>. Numa fase    inicial é-o pelas elites, tornadas agentes de <i>securitização</i>, que definem    as ameaças do grupo e convencem a comunidade da sua validade, o que lhes confere    legitimidade e concede os meios extraordinários para debelar a ameaça<sup><a name="top36"></a><a href="#36">36</a></sup>.    A médio prazo, a separação entre controlo e território obriga o Estado a ser    plural e a iniciar um processo de <i>des-securitização</i>, que permita a pluralidade    identitária de um dado território sob um mesmo quadro normativo. Este aparente    paradoxo é o garante da estabilidade.</p>      <p>E é neste contexto que surge o conceito de risco, aplicado a situações de insegurança    indesejada, de probabilidade variável<a name="top37"></a><a href="#37"><sup>37</sup></a>.    O risco será tanto maior quanto maior a vulnerabilidade face à sua ocorrência.    Assim, perante a sua inevitabilidade, será preferível tomar medidas de protecção    e redução de vulnerabilidade e não medidas de redução de produção de risco,    o qual é incontornável. Os riscos são factores de instabilidade de abrangência    alargada, que estão associados a aspectos de desconhecimento, incerteza e probabilidade,    numa inter-relação entre sector económico, político, social e de segurança e    defesa<a name="top38"></a><sup><a href="#38">38</a></sup>. O recurso a novas    tecnologias de vigilância e o reforço do controlo fronteiriço são dois exemplos    de atitudes de medo, tal como o são a categorização de grupos ou perfis de risco,    na tentativa de antecipar comportamentos indesejados. A aposta consiste em transformar    factores encarados pelas sociedades de acolhimento como de perigo e instabilidade    em factores de segurança e desenvolvimento<sup><a name="top39"></a><a href="#39">39</a></sup>.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Na nova concepção alargada de segurança, as migrações podem ser vistas como    um risco para a soberania do Estado, da sociedade como um todo e dos vários    grupos que a compõem, incluindo as minorias étnicas, porque provocam uma alteração    da composição identitária até então vigente<sup><a name="top40"></a><a href="#40">40</a></sup>.    A abordagem multissectorial das questões de segurança no âmbito das relações    internacionais, proposta por Buzan, Waever e Wilde<a name="top41"></a><sup><a href="#41">41</a></sup>,    remete-nos para as formas de segurança política e social. A primeira engloba    todas as ameaças à soberania do Estado, a segunda prende-se com a preservação    da identidade e com a insegurança gerada sempre que a sobrevivência da comunidade    parece estar em risco, mesmo que tal não seja verdade. Este é o enquadramento    teórico em que se movem as relações Estado-migrantes-sociedade, objecto privilegiado    de abordagem de políticos, forças policiais, serviços secretos, ONG e <i>media</i>,    definidos como <i>managers of unease </i>e construtores dos conteúdos do binómio    imigração insegurança. A percepção de insegurança aumenta com o carácter difuso    e intangível do conceito e com a dimensão dos volumes migratórios, que pode    fazer com que partes da sociedade de acolhimento associem o migrante a terrorismo,    crime organizado e tráfico de seres humanos. O primeiro passa a ser visto em    determinados contextos como potencial ameaça ao Estado e à sociedade, muitas    vezes identificado como «mau cidadão», aquele que «não faz parte de nós», cuja    entrada sem controlo e em larga escala provocará alterações difíceis de prever<a name="top42"></a><sup><a href="#42">42</a></sup>.    A importância da percepção pública e da informação é assumida nos estudos realizados    pelas Nações Unidas, designadamente sobre muçulmanos e indivíduos de origem    árabe<a name="top43"></a><sup><a href="#43">43</a></sup>. As diferenças entre    ameaças reais e construídas são classificáveis em três categorias: </p>      <p>&nbsp;</p>      <p><b>Figura 3 </b>&gt; Tipologia das ameaças</p>     <p><img src="/img/revistas/ri/n26/n26a10f3.jpg" width="575" height="329"></p>      
<p>&nbsp;</p>      <p>Acresce ao impacto potencialmente negativo destes grupos, a instabilidade social    gerada pela existência de minorias étnicas fortes no seio das fronteiras políticas,    com dinâmicas inter-regionais variáveis<sup><a name="top44"></a><a href="#44">44</a></sup>.    O impacto da imigração é moldado em simultâneo pelas suas características e    pelas da sociedade de acolhimento<sup><a name="top45"></a><a href="#45">45</a></sup>.    Veja-se um exemplo: as relações preexistentes (raciais ou étnicas) entre residentes    nacionais e estrangeiros afectam o funcionamento do mercado laboral e moldam    as atitudes intergrupais; alteram a estrutura do mercado laboral; modificam    as recomposições étnicas da sociedade receptora, já que o imigrante procura    na sociedade de acolhimento não só um lugar físico (casa, emprego, acesso a    educação, saúde), mas também um espaço sociocultural<a name="top46"></a><sup><a href="#46">46</a></sup>.    As lógicas migratórias no contexto da globalização são pouco sensíveis às políticas    dos estados<a name="top47"></a><sup><a href="#47">47</a></sup>. Não existe um    espaço europeu de valores e atitudes comuns face à imigração e às questões de    cidadania. Para Diamanti<sup><a name="top48"></a><a href="#48">48</a> </sup>dois    aspectos explicam parte significativa do porquê das diferenças entre cidadãos    europeus e imigrantes, sendo a idade, o nível de instrução e as opções políticas    vistos como <i>predictors </i>dessa diferença:</p>      <p>·&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; uns consideram o migrante como um risco social e uma ameaça à cultura, contestam a concessão de direitos de cidadania e entregam ao Estado as funções de regulação nesta matéria;</p>      <p>·&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; outros optam por lhe garantir o usufruto de plenos direitos sociais e políticos, remetendo para a sociedade e as instituições o papel regulador da integração. </p>      <p>O peso relativo destas duas tendências numa mesma sociedade é ainda influenciado    pela história de cada Estado e por outros factores, como a afinidade étnica    ou religiosa ou a simples capacidade de absorção do mercado de trabalho<a name="top49"></a><sup><a href="#49">49</a></sup>.    A análise da relação entre imigração e segurança permite entender as várias    situações em que os primeiros podem ser percepcionados como ameaça potencial.    Da mesma forma justifica o pendor securitário da gestão do desconhecido, em    que apenas pontualmente se transformam e pode ser influenciada pelo grau de    integração dos «estrangeiros». Neste sentido, as políticas de integração constituem    um desafio nas próximas décadas e do seu sucesso poderão depender as formas    do binómio que tende a estabelecer-se entre segurança interna ou internacional,    migrações e mobilidade.</p>      <p>O século XXI será o século das migrações, tornada uma das principais fontes de preocupação, sobretudo devido ao aumento dos clandestinos. Desde a Declaração de Barcelona, em 1995, até ao Acto Europeu sobre Imigração e Asilo, assinado em Outubro de 2008, várias iniciativas foram tomadas com vista a delinear uma política de imigração comunitária baseada em grandes linhas de força, de que cumpre sublinhar o reforço:</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>·&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; da cooperação em matéria de migração legal e nas áreas da integração social, justiça e segurança, partilhando iniciativas comuns no sector da migração legal e ilegal;</p>      <p>·&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; do controlo dos fluxos migratórios ilegais, garantindo o seu regresso aos países de origem, numa perspectiva compreensiva, holística e integrada, que contribua para o desenvolvimento interno das regiões de saída;</p>      <p>·&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; do controlo fronteiriço;</p>      <p>·&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; da construção de uma Europa de asilo;</p>      <p>·&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; do consenso sobre o papel positivo de uma boa gestão, que possa contribuir para optimizar os benefícios económicos e sociais das migrações e reforce o entendimento mútuo entre culturas e civilizações;</p>      <p>·&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; do desejo de promover um tratamento condigno aos imigrantes, lutando contra a discriminação religiosa, o racismo e a xenofobia e promovendo o diálogo entre culturas;</p>      <p>·&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; da luta contra o terrorismo    e a criminalidade<a name="top50"></a><sup><a href="#50">50</a></sup>. </p>      <p>A adopção pelo CE do Pacto Europeu de Imigração e Asilo reflecte o desejo de    uma política comum, embora mais coesa no que respeita a asilo<sup><a name="top51"></a><a href="#51">51</a></sup>,    dado que a política migratória se baseia na afirmação dos princípios genéricos    comuns atrás enunciados, mas reconhece a diversidade de situações e as diferentes    perspectivas dos estados-membros<sup><a name="top52"></a><a href="#52">52</a></sup>.    Entre todos esses princípios destaca-se a integração holística do imigrante    e respectiva família, expresso na Agenda Comum para a Integração de 2005, no    Manual Europeu sobre Integração de 2007 e responsável pela eleição de 2008 como    Ano Europeu do Diálogo Intercultural<sup><a name="top53"></a><a href="#53">53</a></sup>.    O esforço de integração passa pela inserção no mercado de trabalho, a facilitação    de competências linguísticas e educacionais, o acesso a habitação, a serviços    de saúde e assistência social, o envolvimento e participação activa na vida    cívica, a aquisição de nacionalidade. O processo envolve direitos e deveres    para ambas as partes, sem descurar as suas identidades específicas.</p>      <p>A partir do 11 de Setembro as questões migratórias passaram da <i>low </i>para    a <i>high politics </i>e também por esse facto a formulação de uma política    comunitária coesa de migração, prevista no Tratado de Lisboa, tem sido difícil    de obter como prática efectiva. Existe uma contradição entre a natureza transnacional    dos fluxos migratórios e a natureza nacional com que se continuam a formular    as políticas públicas de imigração e com que a sociedade civil percepciona esses    mesmos fluxos. A relação entre migrações e insegurança pode ainda ser justificada    por factores de natureza interna, relacionados com o discurso populista, xenófobo    e racista, que continua a ser minoritário em «termos de opinião pública», embora    aumente de tom. As migrações internacionais não representam para a UE uma ameaça    de segurança não tradicional<a name="top54"></a><sup><a href="#54">54</a></sup>,    mas sim um desafio ligado a três sectores específicos: imigração ilegal, tráfico    de seres humanos, criminalidade e terrorismo. Os atentados de 2001 deram azo    a discursos que associavam imigração a terrorismo e foram pretexto para reforçar    o controlo de fronteiras, detenção, deportação e expulsão de ilegais ou indesejados.</p>      <p>Ao falar de desenvolvimento em segurança e do papel da UE em termos de política    externa, João Cravinho<sup><a name="top55"></a><a href="#55">55</a> </sup>lembrava    a necessidade de conciliar o respeito rígido pelo poder do Estado com as dinâmicas    de promoção de segurança humana e o quanto esse facto dificulta a procura de    um equilíbrio entre soberania estatal e segurança dos cidadãos<a name="top56"></a><sup><a href="#56">56</a></sup>.    Poderíamos transpor esses desígnios, enunciados numa óptica de intervenção externa,    para a questão da actuação sustentada face às migrações e discutir se esta deve    ser considerada uma questão, atendendo à «percepção de insegurança» implícita    no termo. Que componentes de segurança podem ser ameaçadas pelas migrações?    O esforço futuro deverá ser direccionado para uma acção política concertada,    que minimize as percepções de risco associado ao binómio migrações-segurança.    A <i>securitização </i>não resolve o desafio, apenas o torna de mais complexa    resolução. Vivemos uma era de incerteza e numa fase de reavaliação quanto à    evolução futura das migrações e aos riscos a elas eventualmente associados.    As consequências serão imensas e colocam-se a vários níveis<a name="top57"></a><sup><a href="#57">57</a></sup>.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>      <p><b>DESAFIOS, POLÍTICAS DE IMIGRAÇÃO E SEGURANÇA </b></p>      <p>As políticas de imigração europeia estruturam-se em torno de quatro eixos principais: </p>      <p>·&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; o controlo dos fluxos, nomeadamente no que diz respeito a condições de entrada e permanência, estandardizando, reformulando ou apenas clarificando a actual legislação, no sentido de um progressivo endurecimento; </p>      <p>·&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; o acentuar da luta contra a imigração clandestina, através do reforço das fronteiras territoriais e da aposta em acções concertadas de fiscalização dos locais de trabalho pelas autoridades competentes; </p>      <p>·&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; a consolidação de políticas de integração das comunidades imigrantes, garantindo aos já instalados condições favoráveis de estabilidade e recuperando os excluídos das redes regulares de imigração; </p>      <p>·&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; o desenvolvimento de políticas de cooperação internacional, no sentido de uniformizar os procedimentos no universo dos países receptores e promover a fixação de migrantes nos países emissores. </p>      <p>Como vimos atrás, em termos teóricos, os migrantes podem ser vistos como potenciais    agentes e/ou factores de instabilidade a nível militar, político, económico,    social ou ambiental, afectando directa e indirectamente a segurança do Estado.</p>     <p>&nbsp;</p>      <p><b>Figura 4 &gt;</b> Os migrantes e os sectores de segurança</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><img src="/img/revistas/ri/n26/n26a10f4.jpg" width="577" height="618"></p>      
<p>&nbsp;</p>     <p>Que desafios futuros se colocam aos decisores políticos no âmbito da regulação    das populações imigrantes? Quais as relações entre migrações e segurança? Que    perspectivas em termos de segurança interna e externa?</p>      <p>Os fluxos migratórios positivos, a par do fenómeno do envelhecimento, são indicadores    de mudança social, inevitáveis e passíveis de influenciar comportamentos e percepções    de segurança<sup><a name="top58"></a><a href="#58">58</a></sup>. Mas devemos    olhar as migrações como uma parte integrante dos processos de transformação    global e não tanto como um problema a resolver. Desde logo porque, numa perspectiva    de sustentabilidade socioeconómica, a Europa precisa garantir a renovação demográfica    para enfrentar os objectivos de desenvolvimento e poder económico estabelecidos    na Estratégia de Lisboa, sendo a imigração um factor não negligenciável para    esse efeito. A comunidade migrante é fonte de diversidade, flexibilidade e inovação,    garante o desempenho de actividades económicas pouco desejadas pelos naturais,    obvia os custos com formação avançada em áreas especializadas, e constitui parte    da solução para a insustentabilidade dos regimes de protecção social.</p>      <p>Sabemos que os estados-membros comunitários centralizam as políticas de imigração nos assuntos internos e justiça, na óptica do controlo e regulação de fluxos, mais que numa perspectiva holística de desenvolvimento sustentável. No entanto, a gestão dos fluxos e perfis migratórios, tal como o tema da inclusão, são objecto de medidas com carácter nacional, da qual esses estados não pretendem abdicar, porque envolve elementos de soberania sensíveis. Mesmo entre as sociedades mais integradoras continuam a existir diferenças apoiadas numa história institucional e sociopolítica diversa. O desafio passa, em nosso entender, por:</p>      <p>·&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; tornar o espaço europeu um espaço de cidadãos;</p>      <p>·&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; fomentar políticas de proximidade em termos de integração local comunitária;</p>      <p>·&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; garantir um melhor acesso à informação sobre o fenómeno migratório;</p>      <p>·&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; reduzir os factores de afastamento entre países emissores, de trânsito e receptores, bem como uma política de imigração ilegal (política de vistos, controlo de fronteiras externas, relacionamento com países terceiros e acordos de readmissão). </p>      <p>Os responsáveis pela segurança colectiva têm de articular o novo paradigma da realidade mundial, onde coexiste a globalização e a concomitante circulação de pessoas, bens e informação, as quais potenciam numa sociedade de risco a percepção de insegurança individual e colectiva.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A segurança não é um dado adquirido, tem de ser construída diariamente&#133; e o futuro implica uma nova «cultura de imigração». Esta terá de garantir a gestão sustentável entre fluxos migratórios variáveis, comunidades residentes progressivamente mais complexas e distintas, necessidades do país em termos de desenvolvimento económico a escalas diversas (nacional, comunitária e global) e direitos e garantias (segurança humana).</p>      <p>Falamos de intervenções em tempos diferentes, o que introduz factores de enorme complexidade. Por um lado, a dinâmica própria das sociedades e economias nacionais, que decorre num tempo curto, em que se exigem respostas consistentes para a resolução ou mitigação de problemas reais imediatos (por exemplo, quotas, controlo de redes criminosas); por outro, a implementação de medidas preventivas redutoras dos riscos directa ou indirectamente associados aos fluxos migratórios, onde se destacam os processos de integração e de consolidação das comunidades existentes, mas que é um tempo de média duração, cujos resultados se inscrevem numa lógica de futuro.</p>      <p>&nbsp;</p>      <p><b>Notas:</b></p>      <p><sup><a name="1"></a><a href="#top1">1</a> </sup>Este texto é inspirado nas    páginas 1 a 12 do trabalho de investigação individual (TIF) realizado e defendido    publicamente pela autora no Instituto de Defesa Nacional &#8211; MDN, no âmbito    do curso de Auditor de Defesa Nacional 2009, intitulado «Portugal. Dinâmicas    Migratórias e Riscos de Segurança». </p>      <p><sup><a name="2"></a><a href="#top2">2</a> </sup>KISSINGER, Anna &#8211; «International    migration as a non-traditional security threat and the UE responses to this    phenomenon». In <i>Central European Forum for Migration Research</i>. Working    paper N.º 2, Varsóvia, 2004, p. 13. </p>      <p><sup><a href="#top3">3</a> </sup><a name="3"></a>As previsões demográficas    desenvolvem-se a partir de modelos baseados na regularidade das tendências do    passado e utilizam tendências passadas para prever o futuro próximo. Mas apesar    da melhoria verificada em termos de dados e técnicas prospectivas, os resultados    dos modelos actualmente realizados estão a aumentar as suas margens de erro,    porque a compreensão real dos comportamentos humanos é cada vez mais complexa.  </p>      <p><sup><a name="4"></a><a href="#top4">4</a> </sup>Representam hoje nove por    cento na Europa, um por cento na Ásia e América latina, dois por cento na África    e 14 por cento na América do Norte (NAÇÕES UNIDAS &#150; <i>World Migrant Stock.    The 2008 Revision</i>. Nova York, 2009). </p>      <p><sup><a href="#top5">5</a></sup> <a name="5"></a>RODRIGUES, Teresa &#8211;    «Espaços e populações do século XXI». in <i>Janus 2010. Portugal no Mundo. Meio    século de independências africanas</i>. Lisboa: UAL/Público, 2010, pp. 56-57.  </p>      <p><sup><a href="#top6">6</a> </sup><a name="6"></a>DURAND, M. F. <i>et al.</i>    &#8211; <i>Atlas de la Mondialisation. Comprendre l&#146;espace mondial contemporain</i>.    SciencesPo. Paris, 2008; BADIE, Bertrand &#150; <i>La fin des territoires. Essai    sur le désordre international et sur l&#146;utilité sociale du respect</i>.    Paris: Fayard, 1995; BAYLIS, John, e SMITH, Steve &#8211; <i>The Globalization    of World Politics</i>. 3.ª edição. Oxford: Oxford University press, 2005; LOMBORG,    Bjorn (ed.) &#8211; <i>Global Crisis, Global Solutions</i>. Cambridge: Cambridge    University Press, 2004; LOMBORG, Bjorn (ed.) &#8211; <i>Solutions for the World&#8217;s    Biggest Problems: Costs and Benefits</i>. Cambridge: Cambridge University Press,    2007. </p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><sup><a name="7"></a><a href="#top7">7</a> </sup>Pensemos na abordagem do conceito    de «segurança» na perspectiva da teoria das relações internacionais, designadamente    a tendência multiculturalista humanitária de Ken Booth, Richard W. Jones, Bill    Mcsweeney, João Reis Nunes e J. Pedro T. Fernandes, entre outros. (LEAL, Catarina    &#8211; <i>Riscos de instabilidade no Magrebe e segurança energética em Portugal</i>.    Dissertação de doutoramento em Relações Internacionais. FCSH-UNL, Lisboa, 2009,    pp. 7-16). </p>      <p><sup><a name="8"></a><a href="#top8">8</a></sup><b><sup> </sup></b>PRB &#8211;    <i>World Population Data Sheet. Demographic Data and Estimates for the Countries    and the Regions of the World</i>. Washington: Population Reference Bureau, 2009,    p. 6. </p>      <p><sup><a href="#top9">9</a></sup><b><sup> </sup></b><a name="9"></a>De acordo    com as projecções efectuadas: UNPF (<a href="http://www.unfpa.org/public/News/pid/2218" target="_blank">http://www.unfpa.org/public/News/pid/2218</a>),    EUROSTAT (<a href="http://epp.eurostat.ec.europa.eu/portal/page/portal/population/data/database" target="_blank">http://epp.eurostat.ec.europa.eu/portal/page/portal/population/data/database</a>)    e PRB (<a href="http://www.prb.org" target="_blank">http://www.prb.org</a>).</p>      <p><sup><a href="#top10">10</a></sup><a name="10"></a> Os gigantes asiáticos tenderão    a estabilizar; África voltará a duplicar o seu volume de residentes. </p>      <p><sup><a href="#top11">11</a> </sup><a name="11"></a>Dois terços dos 50 países    com maior previsão de aumento pertencem à África subsariana (mais 250 milhões),    os restantes ao médio Oriente e à Ásia do sul (NATIONAL INTELLIGENCE COUNCIL    &#8211; <i>Global Trends 2025. A Transformed World</i>, Washington, 2008, p.    19. [Consultado em: 18 de Junho de 2009]. Disponível em: <a href="http://www.dni.gov/nic/pdf_2025/2025_global_trends_final_report.pdf" target="_blank">http://www.dni.gov/nic/pdf_2025/2025_global_trends_final_report.pdf</a>).  </p>      <!-- ref --><p><sup><a href="#top12">12</a> </sup><a name="12"></a>PISON, Giles &#8211; <i>Atlas    de la Population Mondiale. Faut-il craindre la croissance démographique et le    vieillissement?.</i> Paris: Jacquard, 2009; RODRIGUES, Teresa &#8211; «A dinâmica    das populações humanas e os modelos de mortalidade». In <i>Fórum sociológico</i>,    Lisboa. Nºs 11-12, 2004, pp. 11-29. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000108&pid=S1645-9199201000020001000001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p><sup><a href="#top13">13</a> </sup><a name="13"></a>Designadamente, ao assegurar    a sobrevivência alimentar e o acesso a cuidados de saúde (RODRIGUES, Teresa    <i>et al.</i> &#8211; <i>Regionalidade demográfica e diversidade social</i>.    Porto: edições Afrontamento, 2009). </p>      <p><sup><a href="#top14">14</a> </sup><a name="14"></a>Estima-se uma redução após    2017-2020 (NATIONAL INTELLIGENCE COUNCIL &#8211; <i>Global Trends 2025. a Transformed    World</i>. Washington, 2008, pp. 22-23. [Consultado em: 18 de Junho de 2009].    Disponível em: <a href="http://www.dni.gov/nic/pdf_2025/2025_global_trends_final_report.pdf" target="_blank">http://www.dni.gov/nic/pdf_2025/2025_global_trends_final_report.pdf</a>).  </p>      <p><sup><a href="#top15">15</a> </sup><a name="15"></a>Mau grado a dificuldade    em garantir uma recolha e tratamento fiáveis sobre os volumes envolvidos (PARSONS    <i>et al. </i>&#150; <i>Quantifying the international bilateral Movements of    Migrants</i>. development research centre on migration, Globalisation &amp;    Poverty. Working paper T13. SUSSEX, 2005. [consultado em: 5 de Junho de 2009].    Disponível em: <a href="http://www.migrationdrc.org/publications/working_papers/Wp-t13.pdf" target="_blank">http://www.migrationdrc.org/publications/working_papers/Wp-t13.pdf</a>.)</p>      <p><sup><a href="#top16">16</a> </sup><a name="16"></a>SACZUK, K. &#8211; «Development    and critique of the concept of replacement migration». In <i>CEFMR, Working    Paper</i>. Varsóvia. N.º 4, 2003, faz o estado da arte sobre o tema. para o    caso europeu cf. BIJAK, John <i>et al.</i> &#8211; «Population and labour force    projections for 27 European countries, 2002-2052: impact of international migration    on population ageing». In <i>European Journal of Population</i>. N.º 23, 2007,    pp. 1-31.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><sup><a href="#top17">17</a></sup><a name="17"></a> Entre 2008 e 2060 os maiores    aumentos demográficos terão lugar em Chipre (+66 por cento), Irlanda (+53 por    cento), Luxemburgo (+52 por cento) e Reino Unido (+25 por cento); os maiores    declínios na Bulgária (-28 por cento), Letónia (-26 por cento), Lituânia (-24    por cento) e Roménia (-21 por cento). A partir de 2015, o número de óbitos deverá    suplantar o de nascimentos, tornando-se total a dependência face às migrações.    Em meados dos anos 2030, o saldo migratório positivo já não conseguirá compensar    a variação negativa natural e a população começará a reduzir-se. Em 2060, os    estados-membros mais populosos da União Europeia serão Inglaterra (77 milhões),    França (72 milhões), Alemanha (71 milhões), Itália (59 milhões) e Espanha (52    milhões). (NAZARETH, Manuel &#8211; <i>Crescer e envelhecer. Constrangimentos    e Oportunidades do Envelhecimento Demográfico. </i>Lisboa: Editorial Presença,    2009, pp. 148-160). </p>      <p><sup><a href="#top18">18</a> </sup><a name="18"></a>cf. EUROSTAT (<i>Ageing    Characterises the demographic Perspectives of the European Societies</i>, Statistics    in Focus. Population and Social Conditions, 2008. [Consultado em: 18 de Junho    de 2009]. Disponível em: <a href="http://epp.eurostat.ec.europa.eu/cache/itY_OffpUb/Ks-sf-08-072/eN/Ks-sf-08-072-eN.pdf" target="_blank">http://epp.eurostat.ec.europa.eu/cache/itY_OffpUb/Ks-sf-08-072/eN/Ks-sf-08-072-eN.pdf</a>)</p>      <p><sup><a href="#top19">19</a> </sup><a name="19"></a>IOM &#8211; <i>World Migration    2008: Managing Labour Mobility in the evolving global economy</i>. Genebra,    2008. [Consultado em: 18 de Junho de 2009]. Disponível em: <a href="http://publications.iom.int/bookstore/index.php?main_page=product_info&amp;cpath=7&amp;products_id=62" target="_blank">http://publications.iom.int/bookstore/index.php?main_page=product_info&amp;cpath=7&amp;products_id=62</a></p>      <p><sup><a href="#top20">20</a> </sup><a name="20"></a>NAÇÕES UNIDAS &#8211; <i>World    Migrant stock. the 2006 Revision </i>Nova York, 2006. [consultado em: 18 de    Julho de 2009]. Disponível em: <a href="http://esa.un.org/migration/" target="_blank">http://esa.un.org/migration/</a>  </p>      <p><sup><a href="#top21">21</a> </sup><a name="21"></a>TEIXEIRA, Nuno Severiano    &#8211; <i>Intervenção na Reunião Informal de Ministros do Desenvolvimento</i>,    Funchal, 2007. [Consultado em: 5 de Agosto de 2009]. Disponível em: <a href="http://www.mdn.gov.pt/Nr/rdonlyres/307b09c9-511b-4694-89d1-A6860617b337/0/mdN200907_rimdesenv_funchal_final.pdf" target="_blank">http://www.mdn.gov.pt/Nr/rdonlyres/307b09c9-511b-4694-89d1-A6860617b337/0/mdN200907_rimdesenv_funchal_final.pdf</a>.  </p>      <p><sup><a href="#top22">22</a> </sup><a name="22"></a>Residem na União europeia    cerca de 474 milhões de cidadãos e migrantes legais, dos quais 42 milhões de    outros estados-membros. dos restantes, 58,2 por cento são europeus, 17,1 por    cento africanos e 11,8 por cento asiáticos. (OCDE &#8211; <i>International Migration    Outlook 2008</i>. Paris: Sopemi, 2008. [consultado em: 5 de Junho de 2009].    disponível em: <a href="http://www.oecd.org/dataoecd/56/63/41256133.pdf" target="_blank">http://www.oecd.org/dataoecd/56/63/41256133.pdf</a>).  </p>      <p><sup><a href="#top23">23</a> </sup><a name="23"></a>Só a parte ocidental recebe    anualmente um milhão de imigrantes e nela residem hoje mais de 35 milhões, muitos    dos quais oriundos de países maioritariamente muçulmanos (Norte de África, médio    Oriente, Ásia do sul) (COLLETT, Elizabeth &#8211; <i>Conversations across cultures:    making integration work in a changing europe. Migration and integration</i>.    Background paper for European Year of intercultural dialogue, 2008. [consultado    em: 20 de Junho de 2009]. disponível em: <a href="http://www.interculturaldialogue2008.eu/fileadmin/downloads/documents/230brussels%20debates/080214_EPC_concept%20paper_KLS.pdf" target="_blank">http://www.interculturaldialogue2008.eu/fileadmin/downloads/documents/230brussels%20debates/080214_EPC_concept%20paper_KLS.pdf</a>  </p>      <p><sup><a href="#top24">24</a> </sup><a name="24"></a>Segundo o estudo prospectivo    <i>Replacement Migrations: Is it a Solution to Declining and Aging Population?,</i>    realizado pelo Departamento da População das Nações Unidas (<a href="http://www.un.org/esa/population,2001utl" target="_blank">http://www.un.org/esa/population,2001utl</a>)    em alguns casos seriam necessários saldos três vezes superiores aos do final    do século XX para que fosse possível encarar com algum optimismo o futuro crescimento    da população. </p>      <p><sup><a href="#top25">25</a> </sup><a name="25"></a>A competição entre recém-chegados    e grupos locais mais frágeis é passível de gerar descidas nos salários e o aumento    das taxas de desemprego e trabalho precário, factos potenciadores de tensões    sociais. Daí a importância dos efeitos invisíveis da imigração. </p>      <p><sup><a href="#top26">26</a> </sup><a name="26"></a>Em Julho de 2007 a União    Europeia adoptou uma série de medidas para garantir a comparabilidade da informação    estatística e a uniformização de critérios (cf. THIERRY, Xavier &#8211; «Le    défi statistique européen». In <i>Futuribles. Analyse et prospective</i>. Paris.    n.º 243, Julho-Agosto de 2008, p. 61). Assumem o estatuto de legais: <i>a</i>)    os indivíduos entrados ao abrigo do reagrupamento familiar e as migrações laborais,    qualificadas ou não; <i>b</i>) os estudantes, sem contar os de cursos com três    ou menos meses de duração; <i>c</i>) os trabalhadores temporários com todo o    tipo de qualificação (excepto os trabalhadores de curta duração ou sazonais);    <i>d</i>) indivíduos em comissão de duração igual ou superior a um ano, com    direito de permanência legal; <i>e</i>) investidores ou empresários. </p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><sup><a href="#top27">27</a> </sup><a name="27"></a>Entre eles: <i>a</i>) os    que entram sem documentos, muitos dos quais vítimas de tráfico; <i>b</i>) os    portadores de documentação falsa, onde se incluem os requerentes fraudulentos    de asilo; <i>c</i>) os que permanecem no país para além do prazo do visto; <i>d</i>)    os que infringem os termos e condições dos vistos, nomeadamente aceitando empregos.    (PAPADEMETRIOU, Demetrios G. &#8211; «Gerir melhor as migrações internacionais:    princípios para maximizar os benefícios das migrações». In <i>A Europa e os    seus Imigrantes no Século XXI</i>, coord. de Demetrios G. Papademetriou. Lisboa:    FLAD, 2008, pp. xx-xxiii). </p>      <p><sup><a href="#top28">28</a> </sup><a name="28"></a>KAHANEC, Martin <i>et al.</i>    &#8211; <i>Migration in an Enlarged EU: A Challenging Solution?.</i> Economic    Papers 363. Bruxelas: Comissão Europeia, 2009. [Consultado em: 20 de Junho de    2009]. Disponível em: <a href="http://ec.europa.eu/economy_finance/publications/publication_summary14305_en.htm" target="_blank">http://ec.europa.eu/economy_finance/publications/publication_summary14305_en.htm</a>).  </p>      <p><sup><a href="#top29">29</a> </sup><a name="29"></a>Vários estudos destacam    a importância da imigração como factor diferenciador do futuro desenvolvimento    das regiões europeias, com vantagem máxima para uma lógica integrada de rede    metropolitana (ESPON &#150; <i>Scenarios of the Territorial Future of Europe</i>,    ESPon 2006 Programme). Bruxelas: Comissão Europeia, 2008. [Consultado em: 18    de Junho de 2009]. Disponível em: <a href="http://www.interreg3c.net/sixcms/media.php5/2007-07-26+InTERREG+IVC+oP+final.pdf" target="_blank">http://www.interreg3c.net/sixcms/media.php5/2007-07-26+InTERREG+IVC+oP+final.pdf</a></p>      <p><sup><a href="#top30">30</a><a name="30"></a> </sup>As políticas de imigração    adoptadas e alguma radicalização de posições entre população autóctone e muçulmanos    conservadores fomentam a tensão quanto à sua presença em algumas sociedades    ocidentais (NATIONAL INTELLIGENCE COUNCIL &#8211; <i>Global Trends 2025. A Transformed    World</i>. Washington, 2008, pp. 23-24. [Consultado em: 18 de Junho de 2009].    Disponível em: <a href="http://www.dni.gov/nic/PDF_2025/2025_Global_Trends_Final_Report.pdf" target="_blank">http://www.dni.gov/nic/PDF_2025/2025_Global_Trends_Final_Report.pdf</a>)</p>      <p><sup><a href="#top31">31</a><a name="31"></a> </sup>BAYLIS, John, e SMITH,    Steve &#8211; <i>The Globalization of World Politics</i>. 3.ª edição. Oxford:    Oxford University Press, 2005, pp. 238-240. </p>      <p><sup><a href="#top32">32</a> </sup><a name="32"></a>Em geral, e desde a Revolução    Francesa em particular, a imagem da segurança como objectivo do Estado e, na    prática, como bem colectivo, associou a segurança do indivíduo à própria segurança    do Estado. </p>      <p><sup><a name="33"></a><a href="#top33">33</a></sup> Entendida como cultura    única e espacialmente definida.</p>      <p><sup><a href="#top34">34</a> </sup><a name="34"></a>Há que definir os limites    entre interesse nacional, regional e local e ameaças possíveis (HUNTINGTON,    Samuel &#8211; <i>Who Are We? America&#8217;s Great Debate</i>. Londres: The    Free Press, 2005).</p>      <p><sup><a href="#top35">35</a> </sup><a name="35"></a>Sociedade civil que inclui    ONG, sindicatos, organizações profissionais de comércio, movimentos sociais    com objectivos distintos e por vezes antagónicos (CHUTER, David &#8211; «Security    Sector Reform: ambitions and reality». In <i>Partnership</i> &#8211; <i>The    United Nations, the European Union and the Regional Dimensions of Peace Operations:    Examples of Cooperation within the framework of Chapter VIII of the UN Charter</i>.    Paris: International Forum for the Challenges of Peace Operations 2008 &amp;    CERI Science Po, 2008).</p>      <p><sup><a href="#top36">36</a> </sup><a name="36"></a>STIVACHTIS, Yannis A. &#8211;    «International migration and the politics of identity and security». In <i>Journal    of Humanities &amp; Social Sciences</i>. Vol. 2, n.º 1, 2008, pp. 6-7. [Consultado    em: 13 de Julho de 2009]. Disponível em: <a href="http://www.scientificjournals.org/journals2008/articles/1387.pdf" target="_blank">http://www.scientificjournals.org/journals2008/articles/1387.pdf</a></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><sup><a href="#top37">37</a> </sup><a name="37"></a>HANSSON, Sven Ove &#150;    «Risk». In <i>Stanford Encyclopedia of Philosophy</i>. Stanford, 2007. [Consultado    em: 15 de Junho de 2009]. Disponível em: <a href="http://plato.stanford.edu/entries/risk/" target="_blank">http://plato.stanford.edu/entries/risk/</a></p>      <p><sup><a href="#top38">38</a> </sup><a name="38"></a>BAUMAN, Z. &#8211; <i>Globalization:    The Human Consequences</i>. Nova York: Columbia University Press, 1998, p. 136;    ENGEL, P. &#150; <i>Network Security &#150; What Does Risk Mean to Me? Techniques    for Measuring the Importance of both Real and Potential Vulnerabilities, CDW.com,    2008.</i> [Consultado em: 13 de Julho de 2009]. Disponível em: <a href="http://www.berbee.com/public/learning/Article_Risk.aspx" target="_blank">http://www.berbee.com/public/learning/Article_Risk.aspx</a></p>      <p><sup><a href="#top39">39</a> </sup><a name="39"></a>CASTELLS, Manuel &#8211;    <i>A Era da Informação: Economia, Sociedade e Cultura &#150; Sociedade em Rede</i>.    Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 2005. </p>      <p><sup><a href="#top40">40</a> </sup><a name="40"></a>BIGO, Didier &#8211; <i>Security    and Immigration: toward a Critique of the Governmentality of Unease</i>, <i>Alternatives:    Global, Local, Political</i>, 27, 2002, pp. 1 e segs. [Consultado em: 10 de    Junho de 2009]. Disponível em: <a href="http://findarticles.com/p/articles/mi_hb3225/is_1_27/ai_n28906099/pg_1?tag=artBody;col1" target="_blank">http://findarticles.com/p/articles/mi_hb3225/is_1_27/ai_n28906099/pg_1?tag=artBody;col1</a>;    STIVACHTIS, Yannis A. &#150; «International migration and the politics of identity    and security».</p>      <p><sup><a href="#top41">41</a> </sup><a name="41"></a>Só a partir desse momento    estão reunidas as condições para que determinado tema se torne objecto de <i>securitização    </i>(cf. BUZAN, B. <i>et al.</i> &#8211; <i>Security: A New Framework for Analysis</i>.    Londres: Lynne Rienner Publishers, 1998).</p>      <p><sup><a href="#top42">42</a> </sup><a name="42"></a>BIGO, Didier &#8211; <i>Security    and Immigration: Toward a Critique of the Governmentality of Unease</i>, <i>Alternatives:    Global, Local, Political</i>. Para o autor, a globalização das tecnologias de    segurança e controlo são as grandes causadoras desta nova percepção.</p>      <p><sup><a href="#top43">43</a></sup> <a name="43"></a>NAÇÕES UNIDAS &#8211; «Social    dimensions of international migration». In <i>3rd Coordination Meeting on International    Migration</i>. Nova York, 2004. </p>      <p><sup><a name="44"></a><a href="#top44">44</a> </sup>Como sucede com os migrantes    do Médio oriente ou da África (Buzan, B. et al. &#8211; <i>Security: A New Framework    for Analysis</i>. Londres: Lynne Rienner Publishers, 1998, p. 122; WAEVER, Ole    <i>et al </i>&#8211; <i>Identity, Migration and the New Security Agenda in Europe</i>.    Nova York: Saint Martin&#8217;s Press, 1993, pp. 45-48). </p>      <p><sup><a href="#top45">45</a> </sup><a name="45"></a>São quatro as grandes dimensões    que influenciam a recepção dos imigrantes: as relações raciais ou étnicas preexistentes    na sociedade; as diferenças nos mercados laborais e instituições relacionadas;    o impacto das políticas e programas governamentais: políticas de imigração,    políticas de integração, políticas para a regulação de instituições sociais;    as mudanças nas fronteiras internacionais, como processo da globalização. </p>      <p><sup><a href="#top46">46</a> </sup><a name="46"></a>REITZ, Jeffrey G. et al.    - <i>Race, Religion, and the Social Integration of New Immigrant Minorities    in Canada</i>, <i>International Migration Review</i>. Sidney (March 4), 2008.    [Consultado em: 5 de Junho de 2009]. Disponível em: <a href="http://www.utoronto.ca/ethnicstudies/RaceReligionFinal.pdf" target="_blank">http://www.utoronto.ca/ethnicstudies/RaceReligionFinal.pdf</a></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><sup><a href="#top47">47</a> </sup><a name="47"></a>Só 22 por cento dos estados    procuram reduzir o volume de entradas e só 25 por cento o procuram fazer em    relação às saídas, excepção feita à fuga de cérebros (NAÇÕES UNIDAS &#8211;    <i>Globalization and Interdependence: International Migration and Development</i>,    2006). </p>      <p><sup><a href="#top48">48</a> </sup><a name="48"></a>DIAMANTI, Ilvo &#8211;    «Immigration et citoyenneté en Europe». In <i>Critique Internationale</i>. Paris.    n.º 8, Julho de 2000, pp. 73-95. </p>      <p><sup><a href="#top49">49</a> </sup><a name="49"></a>STIVACHTIS, Yannis A. &#8211;    «International migration and the politics of identity and security». </p>      <p><sup><a href="#top50">50</a> </sup><a name="50"></a>Para uma descrição detalhada    de cada uma destas linhas ver Ciardelli (CIARDELLI, P. <i>et al. </i>&#8211;    <i>Immigration: Laws, Policies, Social/Economic and Cultural Aspects, Integration,    Internal Security, Social Conflicts</i>, WGroup 1 &#8211; Report: International    Seminar on Safety for Mediterranean &#8211; C4/2009, Centro Alti Studi per la    Difesa, Roma) e Parecer do Comité das Regiões, &#147;&#8221;Uma perspectiva    global da migração: o desenvolvimento de uma política europeia de imigração    laboral e a sua inserção na relação com os países terceiros&#8221;. In <i>Jornal    Oficial da União Europeia</i>, C257/04, 6 de Outubro de 2008. </p>      <p><sup><a href="#top51">51</a> </sup><a name="51"></a>A adopção de quatro grandes    instrumentos legislativos lançou as bases do Sistema Comum Europeu de Asilo,    o qual garante a existência de procedimentos idênticos em todos os estados,    segundo princípios de justiça, eficiência e transparência. </p>      <p><sup><a href="#top52">52</a> </sup><a name="52"></a>Shengen cria um «Estado    de cidadãos europeus», mas limita a capacidade de residir permanentemente em    alguns deles. O imigrante só adquire plenos direitos após cinco anos de residência    continuada, confirmada pelas autoridades locais, direitos que cessam se o mesmo    se ausentar por dois anos seguidos (MERLANT &#8211; «Le Marché de Travail Immigré».    In <i>L&#8217;Atlas des Migrations. Les Routes de l&#8217;Humanité</i>, 2008-2009,    p. 11). </p>      <p><sup><a href="#top53">53</a> </sup><a name="53"></a>Cf. EUAFR &#8211; <i>EU-MIDIS    at a glance, Introduction to the FRA&#146;s EU-wide discrimination survey, 2009    </i>European Union Agency for Fundamental Rights. [Consultado em: 18 de Junho    de 2009). Disponível em: <a href="http://fra.europa.eu/fraWebsite/attachments/Eu-MIDIS_GLAnCE_En.pdf" target="_blank">http://fra.europa.eu/fraWebsite/attachments/Eu-MIDIS_GLAnCE_En.pdf</a></p>      <p><sup><a href="#top54">54</a> </sup><a name="54"></a>STIVACHTIS, Yannis A. &#150;    «International migration and the politics of identity and security».</p>      <p><sup><a href="#top55">55</a> </sup><a name="55"></a>CRAVINHO, João &#8211;    «Desenvolvimento em segurança». In <i>Nunca de Antes: Anuário do Instituto de    Defesa Nacional</i>. Curso de Defesa Nacional 2009, IDN, Lisboa, 2009. [Consultado    em: 30 de Junho de 2009]. Disponível em: <a href="http://www.idn.gov.pt/CuRSoSidn/auditores/documentos/TextosApoio/Seguranca_Desenvolvimento_Africa_ProfDoutorjoaoCravinho.pdf" target="_blank">http://www.idn.gov.pt/CuRSoSidn/auditores/documentos/TextosApoio/Seguranca_Desenvolvimento_Africa_ProfDoutorjoaoCravinho.pdf</a></p>      <p><sup><a href="#top56">56</a> </sup><a name="56"></a>João Cravinho destaca a    responsabilidade de proteger, de prevenir e de estabelecer um diálogo construtivo    com outras instituições afins, agilizando a criação de modelos de actuação concertada    («Desenvolvimento em segurança»).</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><sup><a href="#top57">57</a> </sup><a name="57"></a>KISSINGER, Anna &#8211;    «International migration as a non-traditional security threat and the UE responses    to this phenomenon». In <i>Central European Forum for Migration Research</i>.    Varsóvia. Working Paper n.º 2, 2004, pp. 1-3. </p>      <p><sup><a href="#top58">58</a> </sup><a name="58"></a>MAI &#8211; <i>Relatório    Anual de Segurança Interna. Ano de 2008</i>. Lisboa, 2009, pp. 59-60. (Consultado    a: 10 de Maio de 2009). Disponível em: <a href="http://www.portugal.gov.pt/pt/Documentos/Governo/MAI/RASI_08.pdf" target="_blank">http://www.portugal.gov.pt/pt/Documentos/Governo/MAI/RASI_08.pdf</a></p>         ]]></body><back>
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<surname><![CDATA[RODRIGUES]]></surname>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[A dinâmica das populações humanas e os modelos de mortalidade]]></article-title>
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