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</front><body><![CDATA[ <p><b>Um século ainda pequeno </b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>José Medeiros Ferreira</b></p>     <p> Doutorado em História Política e Institucional Contemporânea pela Universidade    Nova de Lisboa, onde é Professor Associado aposentado. Antigo ministro dos Negócios    Estrangeiros, foi membro do Parlamento Europeu e deputado à Assembleia da República.    Tem diversa obra publicada na área da história e da política externa portuguesa.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>Tendo em conta o «mandato» recebido para este artigo – proceder a uma revisão    das prioridades nacionais na política externa –, irei dividi-lo em duas partes:    na primeira, procederei a uma outra reconstituição da história das relações    internacionais de Portugal; na segunda, proporei algumas medidas de política    externa para acompanhar o crescimento do século XXI, este século ainda tão pequenino    – para glosar o que disse Karl Kraus sobre o seu século nas vésperas da I Guerra    Mundial.</p>     <p>Começo aliás pelo século XX, mas de outra maneira.</p>     <p>O estado português entrou no século XX com o problema da dívida externa por    resolver. No entanto, eram as questões coloniais aquelas que mais inflamavam    os discursos sobre a posição internacional de Portugal. Mas, embora não apareçam    nos manuais, foram as sucessivas negociações financeiras que marcaram as relações    internacionais do País, até, pelo menos, 1931. Ora a república Portuguesa chega    ao seu centenário com a magna questão do financiamento exterior da sua economia    por resolver. E só lhe pode fazer frente com uma política externa própria e    activa, mas com uma política externa. Sem esta, não haverá investimento externo    nesta faixa da Península Ibérica, nem poder de atracção das economias emergentes    como as de Angola ou do Brasil, nem ambiente de segurança para a evolução própria    da república Portuguesa. O Estado ainda é o nosso melhor negociador internacional.    E neste século XXI, grande parte da política externa dependerá da capacidade    negocial dos principais agentes económicos, culturais e políticos.</p>     <p>Caso o estudo das negociações financeiras internacionais do estado português    nos séculos XIX e XX estivesse feito, entender-se-ia facilmente que grande parte    da política externa no século XX teve uma natureza material e financeira, e    isso por um motivo muito preciso: a taxa de poupança interna sempre foi insuficiente    para dar resposta aos desafios do desenvolvimento económico da sociedade portuguesa.    Desde o convénio com os credores externos de 1902, até aos suprimentos do Banco    de Inglaterra entre 1916 e 1918, passando pela disputa das reparações de guerra    na conferência de Paz em 1919 e, desde o diferendo de uma década com a Alemanha    para o pagamento das indemnizações até à questão do aval a um empréstimo externo    pelo comité financeiro da Sociedade das Nações (SDN) em 1927, assim como a prolongada    drenagem colonial, a história da política externa portuguesa é, em grande parte,    a história da captação do capital no exterior para as necessidades da economia    interna. Como muitas dessas relações internacionais passavam pelo Ministério    das Finanças, pouco relevo se tem dado a essa dimensão da política externa nacional.</p>     <p>E, no entanto, bem se pode arquitectar uma outra história das relações internacionais    de Portugal, e até da interna, através do percurso das negociações financeiras,    desde o tempo de Costa Cabral e do fontismo até às recentes operações que culminaram    com os montantes e os juros actuais da «dívida soberana». A actualidade tem    sempre a sua história.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Os protagonistas do regime democrático deviam estar mais prevenidos para esses    aspectos financeiros das relações internacionais da república Portuguesa do    que os historiadores da diplomacia política.</p>     <p>Desde logo porque a consolidação financeira do regime democrático começou,    do ponto de vista internacional, com a chamada «operação do grande empréstimo»,    no valor de mil e quinhentos milhões de dólares a fornecer por um consórcio    de países liderados pelos Estados Unidos, em 1977, que assim recuperavam um    antigo projecto de ajuda financeira a Lisboa no contexto de uma política de    descolonização e de viragem para uma economia integrada «with the open trading    and payments system of europe and the industrial countries generally», como    se escreveu num <i>memorandum </i>de origem oficial norte-americana, datado    de 28 de Janeiro de 1977 e entregue ao Governo português. </p>     <p>O documento, apresentado pelo embaixador norte-americano em Lisboa ao Governo    de Mário Soares, propunha um plano de acção por fases e sugeria o estabelecimento    de um consórcio internacional, constituído pela Alemanha, França, Japão, Reino    Unido, Itália, Bélgica, Holanda, Canadá, Suécia, Suíça, Dinamarca, Noruega,    Áustria, Irlanda e Venezuela, já que Portugal tinha «an acute foreign exchange    cash shortage and will likely continue to suffer for another two or three years    from balance of payments deficits that cannot be covered by private transfers    or usual international credits alone». Essa percepção de que a escassez de meios    de pagamento sobre o exterior não podia ser resolvida apenas pelos clássicos    métodos do crédito internacional honra o Governo norte-americano da altura,    e devia servir de exemplo aos decisores da união europeia (UE) para responderem    às actuais dificuldades colocadas pelos mercados às «dívidas soberanas» de alguns    dos seus estados-membros.</p>     <p>Aquela operação afunilou-se num acordo <i>stand-by </i>com o Fundo Monetário    internacional (FMI), depois de uma reunião em Paris, em Junho de 1977, em que    os negociadores financeiros esqueceram a dimensão excepcional e política da    iniciativa governamental norte-americana. E foi assim que, por duas vezes, a    República Portuguesa recorreu ao FMI antes da sua entrada na Comunidade Europeia,    em 1978 e 1983, sem que fosse preciso chegar ao cimo do calvário para se salvar    – para glosar um antigo perito em finanças públicas.</p>     <p>Paralelamente, negociou-se o tratado de adesão à CEE, um longo processo em    que as questões económicas e financeiras estiveram no centro da mesa durante    oito anos. Nunca se fez tanta «diplomacia económica» como durante o processo    negocial para o tratado de adesão da república Portuguesa à CEE.</p>     <p>Ora, a entrada da república Portuguesa na Comunidade Europeia obedeceu a vários    pressupostos. Um deles indicava a drenagem de meios financeiros para Portugal    – incluindo investimentos, transferências de capital, fundos estruturais – a    fim de dar resposta aos problemas de modernização, desenvolvimento e abertura    ao exterior da economia. </p>     <p>A entrada na «pequena Europa» dos nove tinha assim subjacente essa possibilidade    de drenar meios financeiros do exterior para o desenvolvimento económico e social    do País, além de facilitar a vinda de grandes investimentos privados. Tudo isso    ocorreu com naturalidade até ao grande alargamento da UE aos países do Leste.    Se o alargamento aos países da antiga EFTA não buliu com o essencial dos pressupostos    do pedido de adesão de Portugal à CEE, já a entrada de roldão dos países que    saíram da órbita soviética alterou por completo o centro de gravidade da UE.</p>     <p>Acresce que os governantes portugueses não conseguiram evitar que o escudo    tivesse entrado sobrevalorizado no sistema monetário europeu em 1992.</p>     <p>Deste modo, a economia portuguesa não só perdeu o volante da política monetária    ao entrar no sistema monetário europeu e, mais tarde, na zona euro, como teve    de enfrentar a conversão de um escudo sobrevalorizado que lhe fez perder competitividade    externa. Mas com essa decisão, voltava-se, de certa maneira, à ligação da moeda    nacional ao padrão-ouro que vigorou até 1892 e entre 1911 e 1931. Simplesmente,    o «ágio» dessa ligação será medido pelas subidas das taxas de juro no acesso    aos empréstimos externos. E assim como, no fim do século XIX, se esbarrava no    aumento do «ágio de ouro», hoje verifica-se um «ágio das taxas de juro», perante    o aumento da dívida externa, a falta de cobertura das importações pelas exportações    e uma balança de pagamentos escassa. Daí a necessidade imperiosa de fluxos financeiros    do exterior, de preferência na forma de investimentos internacionais.</p>     <p>Porém, a criação da zona monetária do euro foi acompanhada de outra negociação    paralela que culminaria na aceitação do Pacto de Estabilidade e Crescimento    em 1998. Ora, esse pacto estabeleceria novos condicionalismos, metas e calendários    aos estados-membros, em termos de percentagens de défices orçamentais e de dívida    pública. Tratava-se ainda, no entanto, de uma negociação entre estados e organismos    públicos europeus como a Comissão e o Banco central europeu (BCE).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Era um colete-de-forças com calendários que se revelaram irrealistas para o    equilíbrio das finanças da maior parte dos estados-membros como o demonstram    os sucessivos adiamentos: 2000, 2003, 2007, 2013…</p>     <p>Por seu lado, o Pacto de Estabilidade deu origem a uma comédia de enganos entre    Bruxelas e os governos nacionais, com a apresentação de orçamentos falaciosos    – nas estimativas, na desorçamentação, nas receitas extraordinárias –, tendo    como pano de fundo aquela defesa do euro forte. Essa comédia durou dez anos,    mas agora a situação ainda é pior – por outras razões.</p>     <p>Essa filosofia era compreensível nos primeiros tempos da existência da zona    euro mas revelou-se menos positiva no contexto da crise financeira internacional.    O euro não cumpre o seu papel federador e está a concentrar a riqueza no coração    do corpo europeu, não conseguindo bombear os fluxos de prosperidade para os    outros órgãos mais periféricos.</p>     <p>Repito: tratava-se de um espartilho mas era ainda um acordo e uma negociação    entre poderes públicos europeus. As organizações não governamentais (ONG) do    sistema financeiro mundial ainda estavam na sombra. Refiro-me às agências de    <i>rating </i>que principiaram por distribuir notas máximas até ao meio da crise    e recentemente especializaram-se em chumbar os estados com «dívidas soberanas»,    dada a falta de liquidez na banca internacional… esta falência dos poderes públicos    internacionais, e especialmente europeus, perante essas agências privadas, é    uma das piores novidades trazidas pela crise.</p>     <p>Vamos então à parte da proposta de medidas urgentes e de redefinição de prioridades.    a República Portuguesa, após vinte e cinco anos de participação na UE e vinte    anos depois do fim da Guerra Fria, tem efectivamente de repensar as suas prioridades    externas, como nos propõe a revista <i>Relações Internacionais</i>.</p>     <p>É um facto que continua a fazer sentido estar no núcleo central das políticas    comuns europeias. Mas é mais fácil integrar acções de política comum como a    comercial ou de cooperações reforçadas como a do Espaço Schengen, ou de segurança    e defesa comuns como o envio de militares para certas missões no estrangeiro    do que promover o crescimento económico. E este é um grande paradoxo das consequências    da actual política europeia continental.</p>     <p>A zona monetária do euro está a fragmentar-se no acesso ao crédito dos países    membros, e existe hoje uma verdadeira clivagem em termos de taxas de juro a    pagar pelos estados com «dívidas soberanas». Não que a crise financeira internacional,    com o seu corolário da estagnação do crédito interbancário, tenha sido causada    pelo recurso à dívida pública por parte dos estados, mas porque estes, após    terem socorrido a banca privada dos respectivos países, passaram a ser encarados    como concorrentes nas operações de refinanciamento do sistema bancário. </p>     <p>Esta difícil realidade só aumenta a necessidade de o País se dotar de novo    de uma política externa activa que seja muito mais do que diplomacia. O maior    perigo que espreita a república Portuguesa é mesmo a sua alienação de vontade    na política internacional, no exacto momento em que os mecanismos próprios do    sistema financeiro mundial e do funcionamento actual da UE não garantem o crescimento    do bem-estar da população portuguesa. Não é demais insistir neste ponto. Ajudado    pelo facto de Portugal ter sido eleito membro do conselho de segurança para    o biénio 2011-2013, o Governo português deveria rapidamente pôr em execução    um plano de iniciativas internacionais que englobasse medidas europeias próprias    e interesses estratégicos gerais.</p>     <p>Quanto às medidas europeias propriamente ditas, seria de propor o reactivamento    das perspectivas financeiras até 2013 numa base imediata de cobertura quase    total pelos fundos comunitários de apenas alguns projectos escolhidos, como    os ligados aos transportes e à sociedade do conhecimento, aproveitando os recursos    próprios disponíveis e retidos em Bruxelas por falta de execução dos estados-membros    com problemas de co-financiamento. Deste modo compensava-se uma excessiva disparidade    nos índices de crescimento e desemprego entre o centro e a periferia na UE que    faz recordar a fase final do império austro-húngaro antes da I Guerra Mundial.</p>     <p>Neste âmbito faz todo o sentido negociar a nível europeu o projecto do TGV.    É verdade que o projecto nasceu torto nas cimeiras luso-espanholas desde governos    imemoriais. É verdade que as versões em tê, ou a ligação ao Porto e a Vigo ficaram    pelo caminho. E sobretudo é verdade que nunca se enquadrou o TGV em Portugal    numa perspectiva da dinâmica europeia mas apenas peninsular.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Ora, o projecto do TGV deveria ter sido desde o início um projecto inserido    na dinâmica europeia da alta velocidade, que envolvesse, além da Espanha, pelo    menos a França, pois seria o mais racional em termos do traçado das linhas,    investimentos, comparticipação dos fundos comunitários, coordenação de prazos.    Ainda hoje nada se sabe sobre os caminhos extrapeninsulares do TGV: se através    do inacabado eixo Barcelona-Montpellier, se pela hipotética travessia central    dos Pirenéus que interessa a Saragoça. Também nada se discute sobre os desenvolvimentos    da alta velocidade em termos internacionais e novos tipos de comboios, como    os agora apresentados na feira do trem em Berlim, e que têm reflexos nos custos    das linhas a construir.</p>     <p>Impõe-se propor aos governos espanhol e francês e à Comissão Europeia a reformulação    do projecto, a coordenação dos trajectos, a harmonização dos calendários de    construção e um robusto financiamento comunitário tritransfronteiriço neste    domínio do transporte continental.</p>     <p>Ainda em grande parte focado nas questões próprias e europeias, mas já respaldado    no lugar que ocupa no conselho de segurança das nações unidas até 2013, o Governo    português deveria tomar a iniciativa, ou juntar-se a quem a tenha, para resolver    certos problemas. </p>     <p>Assim, em termos do momentoso problema das dívidas soberanas, o estado português    deveria sondar as potências e certos organismos como o FMI, o BCE e os Bancos    Centrais para se organizar uma conferência internacional em que se debatessem    algumas questões tais como um plano de reescalonamento do pagamento do serviço    da dívida e dos períodos de amortização dos empréstimos, num contexto de moratória    geral que arrefecesse a tendência para a especulação com as dívidas soberanas.</p>     <p>A República Portuguesa também pode tomar a dianteira numa política de pequenos    passos na reforma do sistema das Nações Unidas – o método não deve ficar reservado    para a construção europeia – para além da magna questão do alargamento do Conselho    de Segurança que nos ultrapassa um tanto, e da qual tenho uma breve experiência    pessoal que não me dá direito ao optimismo.</p>     <p>Conceber certos mecanismos tendentes a permitir alguma governança da globalização    como a supervisão financeira já não é um escândalo, atacar a pobreza, contribuir    para as missões humanitárias, quer do ponto de vista civil, quer do ponto de    vista militar, são políticas consensuais e quase tradicionais que se devem reforçar.</p>     <p>Mas dinamizar certos organismos especializados da ONU, sobretudo a Organização    Internacional do Trabalho (OIT), é um serviço que Portugal prestará a todos    e a si próprio. Sem a OIT não haverá comércio justo, sem a OIT o chamado «modelo    social europeu» ficará na defensiva perante o <i>dumping </i>social de outras    zonas do globo. A revitalização da OIT, a atribuição a esse organismo de um    papel semelhante ao da Organização Mundial do Comércio (OMC) será um passo decisivo    no caminho para uma maior governança da globalização.</p>     <p>Ainda no âmbito da ONU, da NATO, da UE, ou até da sua própria, Portugal deve    manter a capacidade de participar nas missões militares no estrangeiro, apesar    dos custos de manutenção de um aparelho de defesa moderno e actualizado. Desde    1992 que defendo que muita da nossa política externa passa por esse «critério    militar».</p>     <p>Também o reforço e a reorientação do papel da CPLP é necessário em vários domínios.    Vou referir especialmente o da política internacional da língua portuguesa.    A língua portuguesa só se defende a prazo na Península Ibérica se tiver ganho    a sua ofensiva nas organizações internacionais. Caso contrário, está destinada    a recuar, pelo menos na Europa.</p>     <p>Paralelamente a estas acções de carácter mundial, mas que ajudariam a república    Portuguesa a sair da banalização internacional, a grande estratégia apontaria    para uma real diversificação das parcerias externas de Portugal.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>As grandes parcerias externas da República seriam preferencialmente com Angola,    Brasil e Estados Unidos, mas este é um caminho que se deve trilhar consoante    a disponibilidade e as oportunidades. A lista não só não está completa, como    pode ser alterada. O que importa aqui acentuar e exemplificar é esse plano bilateral    da política externa para o futuro que também se pode estender às relações com    estados-membros da UE, a começar pela Espanha. </p>     <p>Quando nos referimos aos Estados Unidos, englobamos quase tudo: segurança,    defesa, intercâmbio científico e tecnológico, na prática um entendimento sobre    o mundo.</p>     <p>Quando exemplificamos com Angola e o Brasil, ocorrem a realização de grandes    negócios, as relações comerciais, económicas e financeiras e ainda uma política    da língua portuguesa que une todos no plano da CPLP. E ainda a reforma do sistema    das Nações Unidas num sentido mais favorável às pretensões dessas potências    regionais.</p>     <p>Mas que ninguém se engane. A política internacional da língua portuguesa tem    duas funções bem distintas: ela é de natureza ofensiva a nível mundial, mas    com reflexos defensivos a nível da Península Ibérica.</p>     <p>Acabo por onde comecei: sem política e representação externas, sem independência    nos volantes da política fiscal, sem estímulos aos investimentos públicos, o    capital estrangeiro não se sentirá atraído para se fixar na faixa ocidental    da Península Ibérica. Quanto muito procurará Portugal para negócios de ocasião,    muitos deles na fronteira do comércio lícito, um <i>cluster </i>que acompanha    a história do comércio externo português desde os tempos do tráfego de escravos    ou da venda de volfrâmio…</p>      ]]></body>
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