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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[A política externa brasileira da democracia: O paradoxo da mudança na continuidade?]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[This article analyses the evolution of Brazilian foreign policy identifying the lines of continuity and change, between 1985 and 2000. It argues that the lines of strength of Brazilian foreign policy were formulated before democratization, including the period of the military regime. However, priorities have been reorganized, leading as a consequence to the implementation of different strategies, according to internal and external changes. The foreign policy of democracy is therefore characterized by the changes in continuity.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p><b>A política externa brasileira da democracia</b> – <b>O paradoxo da mudança    na continuidade?<a name="top0"></a><a href="#0">*</a></b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Carmen Fonseca</b></p>     <p>Investigadora no IPRI – UNL e assistente convidada no Departamento de Estudos    Políticos da FCSH – UNL, onde prepara uma tese de doutoramento sobre política    externa brasileira.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>RESUMO</p>     <p>O artigo analisa a evolução da política externa brasileira e identifica as    linhas de continuidade e mudança, entre 1985 e 2010. O nosso argumento é que    as linhas de força da política externa brasileira foram formuladas antes da    democratização, incluindo o período do regime militar; porém as prioridades    têm vindo a ser hierarquizadas de forma diferente levando, consequentemente,    à implementação de diferentes estratégias, em função das transformações internas    e externas. A política externa da democracia é por isso caracterizada pelas    mudanças na continuidade.</p>     <p><b>Palavras-chave:</b> Brasil, política externa brasileira, América do Sul,    Estados Unidos</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Brazilian foreign policy of democracy – the paradox of change in continuity?</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>ABSTRACT</p>     <p>This article analyses the evolution of Brazilian foreign policy identifying    the lines of continuity and change, between 1985 and 2000. It argues that the    lines of strength of Brazilian foreign policy were formulated before democratization,    including the period of the military regime. However, priorities have been reorganized,    leading as a consequence to the implementation of different strategies, according    to internal and external changes. The foreign policy of democracy is therefore    characterized by the changes in continuity. </p>     <p><b>Keywords:</b> Brazil, Brazilian foreign policy, South America, United States    of America</p>     <p>&nbsp;</p>     <blockquote>        <p>«<i>o histórico da política externa brasileira, que é uma amálgama das linhas      de continuidade com as da inovação, numa obra aberta voltada para construir      o futuro, oferece um significativo lastro para a ação bem-sucedida</i>»<sup><a name="top1"></a><a href="#1">1</a></sup></p> </blockquote>     <p>O presente artigo propõe-se analisar a evolução da política externa brasileira    e identificar as linhas de continuidade e mudança, tendo por base as transformações    internas e internacionais que as proporcionam. O período de análise corresponde    aos vinte e cinco anos da democracia, entre 1985 e 2010, que inclui os governos    de José Sarney, Fernando Collor de Mello, Itamar Franco, Fernando Henrique Cardoso    e Lula da Silva. A nossa análise levará em conta o <i>background</i> histórico    da política externa que antecedeu a democracia, e parte do pressuposto que as    linhas de força da política externa da democracia<sup><a name="top2"></a><a href="#2">2</a></sup>    foram formuladas antes e durante os anos do regime militar. Deste modo podemos    dividir a política externa da democracia em três momentos: o período da mudança    democrática, que corresponde, <i>grosso modo</i>, ao Governo de José Sarney,    em que as estratégias externa do Brasil estão muito dependentes das condições    internas; o período de crise de transição, que se acentuou, sobretudo durante    os governos de Collor de Mello e Itamar Franco, resultante das adversidades    internas e da conjuntura económica negativa; e, por fim, um período de «revelação»    internacional com a redefinição da política externa do Brasil, a partir das    reformas de Fernando Henrique Cardoso, e que culmina na política assertiva de    Lula da Silva.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>A MUDANÇA DEMOCRÁTICA (1985-1990)</b></p>     <p>Em meados da década de 1970 Ernesto Geisel começou a impor algumas linhas de    abertura do regime, o que foi amplamente desenvolvido pelo seu sucessor João    Figueiredo, que promoveu nesse mesmo ano uma reforma partidária. Assim, em 1984,    sob o lema «Diretas já», estavam criadas as condições mínimas necessárias para    se realizarem eleições. O Governo reconheceu também que deveria procurar um    consenso relativo com os actores sociais de modo a evitar qualquer ruptura institucional,    o que culminou com a adopção da Constituição em 1988. Tancredo Neves, eleito    Presidente, mas que faleceu antes mesmo de tomar posse, foi substituído pelo    seu vice-presidente José Sarney. Deste modo, a democracia reinstalava-se no    Brasil de forma gradual, não se verificando qualquer processo revolucionário    e, por isso, também ao nível da política externa não se verificou qualquer corte    abrupto com o passado. Mas esta linha de continuidade deriva igualmente da componente    institucional e burocrática encontrada no Itamaraty, permitindo «continuidade    nas escolhas e relativa consistência nas orientações de política»<a name="top3"></a><sup><a href="#3">3</a></sup>,    assim como da despolitização da política externa.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>José Sarney chegou ao poder com um contexto interno que não era de todo favorável,    descrito pelo próprio Presidente como «um Brasil composto por diversos <i>Brasis</i>»<a name="top4"></a><sup><a href="#4">4</a></sup>,    referindo também que o início do seu mandato começara com a explosão simultânea    de três crises: política, económica e social. Assim, a nível interno as primeiras    medidas do Governo prenderam-se com a estabilização do país o que exigia a adopção    de medidas para a redução da dívida externa. A «crise da dívida»<sup><a name="top5"></a><a href="#5">5</a></sup>,    originada no Governo anterior, era resultante do esgotamento do modelo económico    iniciado na década de 1930, que tinha o Estado como actor central e se baseava    na substituição das importações<a name="top6"></a><sup><a href="#6">6</a></sup>.    Sarney preconizava por isso a necessidade de reduzir o papel do Estado na economia.    Para esse efeito, lançou em 1986 o Plano Cruzado, como forma de estabilizar    a economia através da redução dos valores da inflação. Como o próprio Presidente    escreveu, «a resposta do povo ao Plano Cruzado revelou que uma reforma da economia    que elimine a inflação e a especulação era uma grande aspiração popular<sup><a name="top7"></a><a href="#7">7</a></sup>.</p>     <p>Neste período a relação do Brasil com os Estados Unidos<a name="top8"></a><sup><a href="#8">8</a></sup>    esteve dependente e foi influenciada pela situação económica brasileira. Sarney    afirmou que «entrei neste período de dificuldades sem receber um único gesto    de apoio por parte dos Estados Unidos»<a name="top9"></a><sup><a href="#9">9</a></sup>.    Embora reconhecendo os aspectos partilhados pelos dois países advertiu contudo    que «Quando os problemas aparecem a preocupação de Washington é a segurança;    a sua solução militar»<a name="top10"></a><sup><a href="#10">10</a></sup>. O    seu discurso era bastante crítico da atitude dos Estados Unidos, que, em seu    entender, lidavam com o Brasil como sendo um «país de segunda»<a name="top11"></a><sup><a href="#11">11</a></sup>.    A incompatibilidade de posições entre o Brasil e os Estados Unidos foi também    evidente nas questões comerciais e nas tentativas de lançamento das negociações    no Acordo Geral de Tarifas e Comércio (GATT).</p>     <p>Paralelamente, a orientação do Itamaraty não facilitou a aproximação com os    Estados Unidos. Sarney teve dois ministros das Relações Exteriores, ambos com    posições distintas quanto à inserção internacional do Brasil. Olavo Setúbal    preconizava o fim das linhas do «Pragmatismo Responsável»<sup><a name="top12"></a><a href="#12">12</a></sup>    e uma nova aproximação com os Estados Unidos, mas Abreu Sodré desviou-se dessa    orientação começando por reatar as relações diplomáticas com Cuba e reconhecendo,    face à situação económica, a necessidade de diversificar as relações externas.    Por conseguinte, este período foi marcado, essencialmente, por um fortalecimento    da cooperação entre o Brasil e a Argentina, assim como com o Uruguai, tendo    em conta a assinatura da Acta para a Integração e Cooperação Económica, em 1981.    O Brasil e a Argentina assinaram em 1986 o Tratado de Integração, Cooperação    e Desenvolvimento, e associaram-se ainda ao Grupo de Apoio a Contadora, provocando    uma reacção negativa por parte dos Estados Unidos que não apoiavam as tentativas    de integração entre as duas principais potências da América do Sul e impuseram    inclusivamente algumas sanções comerciais ao Brasil. Tal retaliação fez com    que o Brasil procurasse novos parceiros noutras áreas regionais, nomeadamente    a República Popular da China e a URSS, ao mesmo tempo que procurava desenvolver    as suas relações com os países africanos e do Médio Oriente.</p>     <p>O período de José Sarney foi, essencialmente, um período de transição, em que    as dificuldades económicas do país e as condições políticas e sociais internas,    bem como as incompatibilidades com os Estados Unidos, ainda num contexto de    Guerra Fria, ditaram muitas das opções que se fizeram.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>A CRISE DE TRANSIÇÃO (1990-1994)</b></p>     <p>O período da crise de transição corresponde, <i>grosso modo</i>, aos governos    de Collor de Mello e de Itamar Franco, num momento de profundas transformações    na política internacional, com o fim da Guerra Fria, que tiveram consequências    também para o Brasil, nomeadamente com a importância crescente das dinâmicas    de regionalização, que criavam novas condições para a consolidação de grandes    potências regionais e para a autonomia da América do Sul e forçaram o início    de uma revisão profunda das prioridades da política externa brasileira.</p>     <p>Fernando Collor de Mello foi eleito em 1989 derrotando Lula da Silva e Leonel    Brizola. Collor de Mello pretendia definir uma nova política externa para o    Brasil. A sua campanha eleitoral preconizou as ideias de modernização, inserção    competitiva na economia mundial e procura de um lugar no «Primeiro Mundo». Todavia,    em vez disso, o seu mandato ficou caracterizado por momentos de indefinição    e retrocesso.</p>     <p>No Brasil, o fim da Guerra Fria provocou um grande debate entre os que defendiam    a revitalização da relação com os Estados Unidos, reformando a política interna    de acordo com as suas orientações, e os que defendiam uma correcção da postura    global do país de modo a adaptar-se às mudanças internacionais. Collor de Mello    optou pelo primeiro paradigma trazendo «à arena do processo decisório de política    externa uma corrente liberal, minoritária no Itamaraty, mas seu impeachment    reduziu suas influências até os dias atuais»<sup><a name="top13"></a><a href="#13">13</a></sup>.    Collor de Mello utilizou um discurso de mudança e de reforma que, na verdade,    mais não foi do que a implementação do neoliberalismo de acordo com o «Consenso    de Washington», deixando na sombra, por vezes, alguns dos interesses do Brasil.    Neste sentido, e contrariamente ao período anterior, a política externa teve    como ponto de atracção a relação com os Estados Unidos, entendida por alguns    autores como a «ilusão norte-americana de Collor»<a name="top14"></a><sup><a href="#14">14</a></sup>.    Porém, se o jovem Presidente começou por defender a inevitabilidade da aproximação    aos Estados Unidos, também cedo reconheceu as desvantagens desse alinhamento.    O contexto interno do Brasil exigia mais do que a simples conformidade às reformas    decretadas pelos Estados Unidos. A simultânea modernização, mas também retrocesso,    que caracterizou o período de Collor de Mello derivou, precisamente, do alinhamento    com as recomendações do Fundo Monetário Internacional e do Banco Mundial, esboçadas    no «Consenso de Washington», mas que nem se ajustavam ao Brasil nem foram implementadas    da melhor forma.</p>     <p>O historiador Paulo Vizentini, bastante crítico do período de Collor, entende    como uma falácia a estratégia do Presidente no que toca à diminuição do papel    do Estado na regulação da economia, acrescentando mesmo que «o Estado brasileiro    começou a ser desarticulado por um grupo de aventureiros que não possuía um    projecto consistente»<a name="top15"></a><sup><a href="#15">15</a></sup>.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Todavia, logo em 1991 ocorreu «um gradual atenuamento da retórica da cooperação    com os países ricos»<a name="top16"></a><sup><a href="#16">16</a></sup>, Collor    começou a duvidar do apoio dos Estados Unidos – o desconforto relativamente    à situação interna aumentava, resultado da dificuldade em gerir a inflação,    a que se juntavam as acusações de corrupção do Governo. Confrontando-se com    a deterioração da situação interna, em Abril de 1992, Collor de Mello procede    a uma reforma ministerial recrutando Celso Lafer para a pasta das Relações Exteriores.    Lafer entendia que a «a autoridade do Itamaraty»<a name="top17"></a><sup><a href="#17">17</a></sup>    era necessária para uma política externa efectiva. Os seus discursos destacavam    a «adaptação criativa» da política externa e a «visão de futuro». Na curta passagem    pelo Itamaraty, Celso Lafer introduziu novos padrões de referência para o Brasil,    diminuindo a excessiva centralidade dos Estados Unidos, preconizada inicialmente    por Collor de Mello.</p>     <p>No plano regional, destaca-se, mais uma vez, a articulação entre o Brasil e    a Argentina que culminou com a criação do Mercosul, em 1991, entendido acima    de tudo como um mecanismo para acelerar a liberalização da economia do Brasil,    já que a sua importância estratégica só viria a ser reconhecida com Itamar Franco.</p>     <p>A forma como Collor de Mello saiu de cena reflecte a fragilidade das suas acções    durante os dois anos que esteve no poder. Por isso, Itamar Franco assume a presidência    num contexto de crise – não muito diferente daquele deixado por Sarney, em 1990,    no final do seu mandato. Contudo, deparando-se com a necessidade de responder    à crise económica interna, o Presidente Itamar concentra todos os seus esforços    nesse sentido, transpondo as tarefas de política externa, na sua totalidade,    para o Itamaraty, que tinha como ministro das Relações Exteriores Fernando Henrique    Cardoso (FHC).</p>     <p>O curto mandato de Itamar Franco foi, em tudo, distinto do anterior, pois em    vez de fragilizar a condição do país conseguiu definir algumas estratégias para    a política externa e económica, que nem sempre seguiram as directrizes dos Estados    Unidos. Tanto no quadro da política externa como da recuperação económica, FHC    teve um papel fulcral. Ao nível da política externa começou por reorganizar    o Itamaraty, e reconheceu a necessidade de «adicionar uma base sólida à nossa    própria região, se não for por outra razão, pelo menos para aumentar a nossa    capacidade de negociação»<a name="top18"></a><sup><a href="#18">18</a></sup>,    embora isso não significasse uma ruptura das relações com os Estados Unidos.    O desenvolvimento do Mercosul é aprofundado através da assinatura, em 1994,    do Protocolo do Ouro Preto que institucionalizou a sua estrutura intergovernamental    e implementou o consenso como processo de tomada de decisão. O Mercosul era    entendido como fundamental para o comércio da região, mas também como forma    de compensar a dependência em relação aos Estados Unidos.</p>     <p>Em 1992, a mudança de FHC por Celso Amorim na liderança do Itamaraty não significou    uma mudança no rumo da política externa. Contudo, à estratégia de valorização    da região somou-se a definição de uma estratégia de inserção internacional para    afirmar a posição do país, que fora abalada com Collor. No entender de Amorim,    tal inserção internacional poderia ser feita através do Conselho de Segurança    das Nações Unidas<sup><a name="top19"></a><a href="#19">19</a></sup>, ambição    que o Brasil tem há vários anos. Deste modo, começaram então a ser delineadas    e implementadas algumas estratégias de acção externa, ao mesmo tempo que o lançamento    do Plano Real permitiu aliviar os impactos da crise económica.</p>     <p>O Plano Real, implementado, em 1994, pelo ministro da Fazenda, Fernando Henrique    Cardoso, contribuiu, por um lado, para controlar a inflação provocando o aumento    do consumo<a name="top20"></a><sup><a href="#20">20</a></sup> e a recuperação    da economia brasileira, e, por outro, para melhorar a posição do Brasil no contexto    internacional. Noutro domínio criou, ainda, as condições para a vitória de FHC    nas eleições presidenciais de 1994.</p>     <p>Collor de Melo «pôs em xeque os princípios da política externa adotada até    então, mas não foi capaz de consolidar um novo conjunto de princípios»<a name="top21"></a><sup><a href="#21">21</a></sup>.    Deste modo, o período intercalar é uma «crise de transição», em que todas as    novas orientações se começam a esboçar – o Mercosul, a reforma monetária, a    diversificação de relações, a candidatura ao Conselho de Segurança – sem se    forjar contudo um (novo) modelo e persistindo um balouçar entre os <i>autonomistas</i>    (que definem a política externa com vista ao «desenvolvimentismo» económico    e à inserção internacional, tendo na base as ideias de autonomia e universalismo,    e preconizam a reforma da ordem internacional) e os <i>liberais</i> (definidos    também como o grupo dos «institucionalistas-pragmáticos», crítico dos regimes    internacionais, que defende a liberalização económica, a autonomia e a soberania    e dá prioridade à região sul-americana nas estratégias de política externa)<sup><a name="top22"></a><a href="#22">22</a></sup>.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>A REVELAÇÃO INTERNACIONAL DO BRASIL (1995-2010)</b></p>     <p>Em 1995, Fernando Henrique Cardoso<sup><a name="top23"></a><a href="#23">23</a></sup>    toma possa como Presidente do Brasil, depois de ter sido ministro das Relações    Exteriores e da Fazenda na Administração de Itamar Franco. FHC introduziu uma    nova atitude nas estratégias da política externa do Brasil preconizando uma    intervenção mais activa do Brasil na política internacional, demonstrada através    da vontade de «influenciar o desenho da nova ordem […] e a necessidade […] de    reformar o nosso discurso e a nossa ação no exterior»<a name="top24"></a><sup><a href="#24">24</a></sup>.    O discurso do novo ministro das Relações Exteriores, Luiz Felipe Lampreia, expressava    também essa ideia – «nem a maior autonomia, nem o aumento da nossa capacidade    de influência poderão ser alcançados por meio do isolamento ou da pretensa autosuficiência»<sup><a name="top25"></a><a href="#25">25</a></sup>.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Por um lado, a Administração de FHC demonstrou um claro empenho na política    externa e na política económica, e, por outro, habilmente separou estes dois    domínios, reformando as atribuições do Itamaraty e as do Ministério da Fazenda,    e concentrando uma parte importante da política externa nas mãos do Presidente    da República.</p>     <p>Assim, no que se refere à política externa, os dois mandatos de FHC foram marcados    pela «diplomacia presidencial», pela aposta na região sul-americana através    da integração regional e na revalorização do Mercosul (expoente máximo do regionalismo    na América do Sul), pela adopção das regras e dos regimes internacionais, e,    num segundo momento, pela intensificação do multilateralismo. A «diplomacia    presidencial» valorizou a inserção internacional do país, mas não diminuiu a    importância da afirmação regional do Brasil. FHC quis conciliar uma dimensão    global<a name="top26"></a><sup><a href="#26">26</a></sup> com uma outra mais    centrada na América do Sul, espelhada na postura de participação e de integração    do Brasil (integração não só em termos regionais, como também integração do    Brasil no que se refere à normas e aos regimes internacionais). Como referiu    o ministro Lampreia, «a política externa do Presidente FHC busca a autonomia    pela integração, ou seja, ao invés de uma autonomia isolacionista, uma autonomia    articulada com o meio internacional»<sup><a name="top27"></a><a href="#27">27</a></sup>.    Nesse sentido, foi possível registar também uma coincidência entre a definição    da identidade do Brasil e os valores universais, o que Luiz Felipe Lampreia    denominou de «convergência crítica».</p>     <p>A relação com os Estados Unidos manteve-se cordial embora se tenham verificado    algumas incompatibilidades, especialmente no respeitante às políticas comerciais    e aos objectivos de integração, devido ao projecto da Área de Livre Comércio    das Américas (ALCA). Em contrapartida, a realização da Cimeira das Américas,    em Brasília, em 2000, representou um marco importante na política externa brasileira    ao propor o estabelecimento de uma Área de Livre Comércio Sul-Americana (ALCSA),    bem como a Iniciativa para a Integração da Infra-Estrutura Regional Sul-Americana<a name="top28"></a><sup><a href="#28">28</a></sup>    (IIRSA), dando ao discurso diplomático brasileiro um carácter autonomista, que    chocava com a proposta americana de criação da ALCA. O final do mandato de Cardoso    registou, por isso, um enfraquecimento do relacionamento com os Estados Unidos,    que se deve não só à substituição de Bill Clinton por George W. Bush (que tinha    definido uma política de aproximação ao continente latino-americano), mas, sobretudo,    à alteração da estratégia internacional dos Estados Unidos esboçada após os    ataques do 11 de Setembro que passou a privilegiar as questões de segurança    e a dar menos importância ao Sul do continente, pese embora o relacionamento    entre Bush e FHC (e, posteriormente, Lula da Silva)<sup><a name="top29"></a><a href="#29">29</a></sup>.    Ora, o fortalecimento da postura unilateral americana levara FHC a incrementar    a vertente multilateral, diversificando as relações e aproximando-se das potências    de outras regiões<sup><a name="top30"></a><a href="#30">30</a></sup>.</p>     <p>Deste modo, o destaque dado por Lula da Silva às relações Sul-Sul (entendidas    aqui como as relações com os países em desenvolvimento ou as potências regionais),    foi algo que começou a ser desenhado no final do Governo de FHC. Tal foi motivado    pela conjuntura internacional e pelo cepticismo de FHC quanto à associação automática    com as normas do neoliberalismo, que se vieram a mostrar negativas nos países    em desenvolvimento, como o Brasil, ou a Argentina. Na verdade, FHC começou por    recuperar, no início do seu mandato, o modelo neoliberal, que fracassara com    Collor de Mello, embora reclamasse, simultânea e paradoxalmente, a reforma do    sistema internacional. Mas a verdade é que, no final do segundo mandato, e face    aos acontecimentos, FHC reconheceu as fragilidades desse modelo. A conjuntura    internacional, associada à crise financeira e cambial de 1999 desmoronou o projecto    brasileiro, pois «todo o cenário mundial em que o governo baseara a sua inserção    internacional veio abaixo»<a name="top31"></a><sup><a href="#31">31</a></sup>    (em 2001, a Argentina passou por uma grave crise económica que anunciou o colapso    do neoliberalismo e das políticas recomendadas pelo FMI e pelo Banco Mundial    no país e na região). Por conseguinte, no discurso que, em 2001, FHC fez na    abertura da Assembleia Geral das Nações Unidas refere que «nosso lema há-de    ser o da “globalização solidária”, em contraposição à atual globalização assimétrica»<sup><a name="top32"></a><a href="#32">32</a></sup>.</p>     <p>Verificamos, portanto, que os anos de FHC permitiram consolidar a democracia    brasileira e, assim, projectar a imagem do Brasil no exterior – democrático,    adepto das normas e valores universais, com uma conduta pacífica – todavia,    não foi possível conciliar isso com um desenvolvimento sólido, o que levou à    «continuação de uma tendência histórica de encolhimento do peso do Brasil na    economia mundial, contribuiu para enfraquecer seu poder em negociações internacionais    relevantes»<sup><a name="top33"></a><a href="#33">33</a></sup>. É, pois, Lula    da Silva que dará continuidade à ambição do Brasil em aumentar o seu peso no    sistema internacional. As estratégias de Lula contribuíram para ampliar o protagonismo    internacional do Brasil, não obstante o trabalho de casa deixado feito por FHC    e pelos seus ministros.</p>     <p>A política externa desenvolvida por Lula da Silva reflecte não só os constrangimentos    e oportunidades do ambiente internacional e interno, como o aproveitamento das    oportunidades criadas pelo anterior Governo. Mais uma vez verificamos uma adequação    das estratégias e, não tanto, uma mudança do rumo da acção externa do Brasil.    Em contrapartida, verifica-se uma recuperação da instrumentalização da política    externa em prol do desenvolvimento nacional, «no meu Governo, a ação diplomática    do Brasil estará orientada por uma perspectiva humanista e será, antes de tudo,    um instrumento do desenvolvimento nacional»<sup><a name="top34"></a><a href="#34">34</a></sup>,    algo que não havia sido destacado no período Cardoso. </p>     <p>Em 2003, o discurso de tomada de posse do Presidente Lula da Silva acentuava    a ideia de mudança, porém, tal não se concretizou, pelo menos nos eixos que    definem a política externa brasileira. Muitas das parcerias consolidadas por    Lula tiveram a sua génese ainda durante a Administração de Cardoso, «mas Lula    deu uma nova ênfase a este aspecto da agenda internacional do Brasil»<a name="top35"></a><sup><a href="#35">35</a></sup>.    Com Lula verifica-se, essencialmente, uma alteração da intensidade com que são    tratadas algumas questões, quer seja com maior ou menor intensidade, relativamente    aos anos anteriores. Do mesmo modo, os temas e relacionamentos privilegiados    são, na sua maioria, reavivados, e não uma novidade, para o que contribuiu a    conjuntura política e económica, interna e externa. </p>     <p>Se FHC tinha iniciado, no final do seu mandato, uma política externa marcada    pelo multilateralismo, Lula da Silva irá defini-lo como a prioridade da sua    estratégia externa, privilegiando as relações e parcerias Sul-Sul, mas desenvolvendo    também um relacionamento com o Norte, tanto com os Estados Unidos como com a    União Europeia (de que é exemplo a parceria estratégica institucionalizada com    a UE, em 2007). De forma clara, Lula da Silva afirma a autonomia em relação    às grandes potências e, de forma pragmática, concretiza-a através da participação    em organizações internacionais, da definição de uma agenda externa própria e    da prioridade dada à diversificação de parcerias que inclui a cooperação com    os países do Sul. Tal ideia foi expressa também no discurso de tomada de posse    em 2003, ao referir que «a democratização das relações internacionais sem hegemonias    de qualquer espécie é tão importante para o futuro da humanidade quanto a consolidação    e o desenvolvimento da democracia no interior de cada Estado»<sup><a name="top36"></a><a href="#36">36</a></sup>.    Note-se, por exemplo, a recuperação da política africana, desenvolvida por Lula,    aproveitando os espaços deixados em aberto pelas grandes potências.</p>     <p>Gradualmente, Lula da Silva contribuiu para a definição de uma postura assertiva    do Brasil, que muito se parece com o «Pragmatismo Responsável» de Geisel, da    década de 1970 – não interessam os vínculos ideológicos, importa apenas o interesse    do Brasil. E, por isso mesmo, algumas estratégias são marcadas por uma certa    inconstância, que derivam dos interesses temporais do Brasil. Assim, as prioridades    de FHC, bem como aquelas introduzidas por Lula da Silva, fizeram o Brasil passar    do «bem comportado» para um «verdadeiro negociador»<a name="top37"></a><sup><a href="#37">37</a></sup>.    Se o primeiro mandato de Lula, em 2003, começou com a afirmação da importância    da América do Sul e da região, rapidamente as relações extra-regionais se sobrepuseram    a essas, devido às vantagens que apresentavam para a afirmação internacional    do Brasil.</p>     <p>E daqui deriva um dos debates actuais sobre a política externa do Brasil: liderança    regional ou liderança internacional? Na verdade, a novidade na estratégia de    Lula da Silva está, precisamente, na definição da actuação do Brasil na região,    algo que até então era um tabu nas relações com os vizinhos<sup><a name="top38"></a><a href="#38">38</a></sup>.    Com Lula da Silva a actuação do Brasil faz-se através do «exercício de um papel    de auto-interesse esclarecido capaz de arcar com os custos da ação coletiva»<sup><a name="top39"></a><a href="#39">39</a></sup>.    Todavia, a dificuldade em encontrar consenso junto dos seus vizinhos tem levado    o Brasil a actuar simultaneamente no plano internacional através da participação    nos <i>fora</i> multilaterais [quer seja nas organizações internacionais, em    particular a OMC, quer seja no fomento de fóruns multilaterais de diálogo, como    o Fórum Índia, Brasil e África do Sul (IBAS), as cimeiras BRIC, o G20] mas,    também, incrementando o diálogo bilateral com diversos países, assim como aumentando    a sua expressão diplomática no continente africano e asiático. No plano regional,    registou-se a proliferação de mecanismos de integração e diálogo, como a União    de Nações Sul-Americanas (Unasul) e o Conselho de Defesa Sul-Americano (CDS),    a par do diálogo com a Venezuela ou a Bolívia, e a missão no Haiti.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Na actualidade, o Brasil depara-se com o dilema entre a conciliação da sua    atitude e do seu reconhecimento internacionais e a aceitação pelos países da    região desse seu <i>status</i> (permanecem preconceitos históricos, conflitos    de interesse ou concorrência, que impedem os países vizinhos em reconhecer o    <i>status</i> regional do Brasil – casos da Argentina e do Paraguai, da Bolívia    e do Equador ou da Venezuela), ou seja, a definição do país como uma potência    regional e global<sup><a name="top40"></a><a href="#40">40</a></sup>.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>CONCLUSÕES</b></p>     <p>O debate da política externa brasileira da democracia gira em torno das tradicionais    correntes de inserção internacional do país (autonomistas e desenvolvimentistas    <i>vs</i> liberais e institucionalistas; globalismo e multilateralismo <i>vs</i>    bilateralismo), contribuindo para a convergência da diplomacia brasileira numa    conduta baseada na «moderação construtiva»<sup><a name="top41"></a><a href="#41">41</a></sup>.    Nesse sentido, quando parece que a política externa está a seguir um rumo distinto    daquilo que fora definido em décadas anteriores percebemos que o objectivo que    se está a tentar alcançar é o mesmo, apenas se alteram as estratégias para atingir    esse fim<a name="top42"></a><sup><a href="#42">42</a></sup>.</p>     <p>A análise efectuada permite-nos reforçar a ideia do paradoxo de mudanças na    continuidade que caracteriza a política externa brasileira, na medida em que    existe uma forte institucionalização da formulação da política externa representada    no Itamaraty, e que, pela sua despolitização, tem permitido pautar a actuação    do Brasil com base em princípios e objectivos que são históricos. A partir daqui    verifica-se uma convergência política quanto aos princípios da política externa    que conduz a alguns ajustes em função dos constrangimentos e oportunidades,    internos e externos, tanto políticos, económicos ou sociais. Ao mesmo tempo,    havendo uma transversalidade desses princípios, as alterações ideológicas na    liderança do Governo não têm traduzido uma mudança do rumo da política externa,    embora tenham significado a alteração da intensidade com que os diversos temas    da agenda externa são tratados, conforme pretendemos elucidar com a análise    anterior.</p>     <p>Podemos então sustentar que as linhas de força da política externa brasileira    permanecem ao longo do tempo. Porém, as prioridades são, por vezes, hierarquizadas    de forma diferente, em função das transformações internas e externas, conduzindo    à implementação de diferentes estratégias.</p>     <p>Por conseguinte, a institucionalização da democracia não significou a ruptura    com a herança da política externa brasileira, mas permitiu a criação das condições    para gradualmente se desenvolver uma política externa mais activa e assertiva,    através dos ajustamentos efectuados. Face às novas exigências sociais que a    democratização acarreta, tem-se assistido também, nos últimos anos, a uma maior    participação da sociedade no debate da política internacional, pois a sua palavra    passa a contar na legitimação da actuação internacional do Brasil – não só para    beneficiar dos proveitos, mas, acima de tudo, para se consciencializar dos custos    do protagonismo internacional. </p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>NOTAS</b></p>     <!-- ref --><p><sup><a name="0"></a><a href="#top0">*</a></sup> O presente artigo resulta    da comunicação proferida nos XVII Cursos Internacionais de Cascais realizados    entre 21 e 26 de Junho de 2010, no Centro Cultural de Cascais, e organizados    pela Câmara Municipal de Cascais e pelo IPRI – UNL.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000062&pid=S1645-9199201100010000300001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><sup><a name="1"></a><a href="#top1">1</a></sup> LAFER, Celso – «Brasil: dilemas    e desafios da política externa». In <i>Estudos Avançados</i>. Vol. 14, N.º 38,    2000, p. 266.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000063&pid=S1645-9199201100010000300002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p><sup><a name="2"></a><a href="#top2">2</a></sup> Os tradicionais princípios    e linhas de força da política externa brasileira são aqui entendidos como o    respeito pela soberania dos estados e pelo direito internacional, o pacifismo,    o universalismo, assim como a crença no natural «destino de grandeza» do país.</p>     <!-- ref --><p><sup><a name="3"></a><a href="#top3">3</a></sup> LIMA, Maria Regina Soares    de – «Instituições democráticas e política exterior». In <i>Contexto Internacional</i>.    Vol. 22, N.º 2, 2000, p. 289.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000065&pid=S1645-9199201100010000300003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><sup><a name="4"></a><a href="#top4">4</a></sup> SARNEY, José – «Brazil: a    President’s story». In <i>Foreign Affairs</i>. Vol. 65, N.º 1, 1986.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000066&pid=S1645-9199201100010000300004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p><sup><a name="5"></a><a href="#top5">5</a></sup> A «crise da dívida» foi como    ficou conhecido o contexto de dificuldades económicas que assolou grande parte    dos países em desenvolvimento ao que acrescia a impossibilidade para pagarem    a sua dívida externa. Domínio no qual o papel dos Estados Unidos foi bastante    criticado uma vez que, em 1981, o Presidente Ronald Reagan promoveu um aumento    da taxa de juro o que fez crescer ainda mais a dívida dos países do Sul. Tal    situação apresentou-se fatal para o projecto de desenvolvimento do Brasil. A    «crise da dívida» tornou os países, especialmente os latino-americanos, mais    dependentes das pressões do Fundo Monetário Internacional, do Banco Mundial    e também dos Estados Unidos.</p>     <!-- ref --><p><sup><a name="6"></a><a href="#top6">6</a></sup> VIGEVANI, Tullo, e CEPALUNI,    Gabriel – <i>Brazilian Foreign Policy in Changing Times – From Sarney to Lula</i>.    Nova York: Lexington Books, 2009, pp. 11-33.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000068&pid=S1645-9199201100010000300005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><sup><a name="7"></a><a href="#top7">7</a></sup> SARNEY, José – «Brazil: a    President’s story».&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000069&pid=S1645-9199201100010000300006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><sup><a name="8"></a><a href="#top8">8</a></sup> Sobre as relações Brasil-Estados    Unidos ver, por exemplo, HIRST, Monica – <i>Brasil-Estados Unidos: Desencontros    e Afinidades</i>. Rio de Janeiro: Fundação Getúlio Vargas, 2009. A autora define    o relacionamento do Brasil com os Estados Unidos em quatro momentos: a «aliança    não-escrita» (1889-1930); o alinhamento (1930-1974); a autonomia (1974-1989);    e, desde 1989, o período do ajustamento e afirmação (pp. 19-66). Monica Hirst    refere ainda que «inevitavelmente, a partir do 11 de Setembro de 2001, as prioridades    da política externa norte-americana impactaram as relações com o Brasil. […]    Ao mesmo tempo, a irrelevância da América do Sul no desenho estratégico do governo    Bush – com exceção da Colômbia – parecia aprofundar a marginalidade da região    diante das novas urgências de Washington» (p. 152).&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000070&pid=S1645-9199201100010000300007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><sup><a name="9"></a><a href="#top9">9</a></sup> SARNEY, José – «Brazil: a    President’s story».&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000071&pid=S1645-9199201100010000300008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p><sup><a name="10"></a><a href="#top10">10</a></sup> <i>Ibidem</i>.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><sup><a name="11"></a><a href="#top11">11</a></sup> <i>Ibidem</i>.</p>     <p><sup><a name="12"></a><a href="#top12">12</a></sup> A noção de «Pragmatismo    Responsável» refere-se à estratégia de política externa desenvolvida pelo ministro    das Relações Exteriores, Azeredo da Silveira, no governo de Ernesto Geisel,    na década de 1970. Com base na Política Externa Independente da década de 1960,    o «Pragmatismo Responsável» visava conciliar as necessidades económicas com    as estratégias de política externa, diversificar as parcerias, e estabelecer    uma certa autonomia em relação às grandes potências, direccionando-se para os    países árabes e para outras potências regionais asiáticas e africanas.</p>     <!-- ref --><p><sup><a name="13"></a><a href="#top13">13</a></sup> No Itamaraty têm existido    duas correntes de pensamento da política externa, que Miriam Gomes Saraiva define    como os «autonomistas» e os «institucionalistas-pragmáticos» (ou liberais).    Segundo a autora, Collor de Mello questionou as duas correntes e adoptou uma    postura liberal privilegiando as relações com os países ricos em detrimento    do chamado Terceiro Mundo, todavia «a tradição do Itamaraty teve um peso importante    no sentido da continuidade» (p. 3) limitando a acção de Collor de Mello. Cf.    SARAIVA, Miriam Gomes – «A diplomacia brasileira e as visões sobre a inserção    externa do Brasil: institucionalismo pragmático x autonomistas». ARI 46/2010,    Real Instituto Elcano, Março de 2010. [Consultado em 17 de Junho de 2010]. Disponível    em: <a href="http://www.realinstitutoelcano.org/wps/wcm/connect/0bf4ae0041b8c1ee9e81fee151fccd56/ARI46-2010_gomes_saraiva_diplomacia_brasileira_institucionalismo_pragmatico_autonomista.pdf?MOD=AJPERES&CACHEID=0bf4ae0041b8c1ee9e81fee151fccd56" target="_blank">http://www.realinstitutoelcano.org/wps/wcm/connect/0bf4ae0041b8c1ee9e81fee151fccd56/ARI46-2010_gomes_saraiva_diplomacia_brasileira_institucionalismo_pragmatico_autonomista.pdf?MOD=AJPERES&CACHEID=0bf4ae0041b8c1ee9e81fee151fccd56</a>.    Cf., também, SARAIVA, Miriam Gomes – «As estratégias de cooperação Sul-Sul nos    marcos da política externa brasileira de 1993 a 2007». In <i>Revista Brasileira    de Política Internacional</i>. Vol. 50, N.º 2, 2007, pp. 42-59.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000075&pid=S1645-9199201100010000300009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref -->    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000076&pid=S1645-9199201100010000300010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><sup><a name="14"></a><a href="#top14">14</a></sup> VIZENTINI, Paulo – «A política    externa brasileira em transição: do desenvolvimento ao neoliberalismo». In MARTINS,    Estevão C. de Rezende (org.) – <i>Relações Internacionais. Visões do Brasil    e da América Latina</i>. Brasília: IBRI, 2003, p. 61.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000077&pid=S1645-9199201100010000300011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p><sup><a name="15"></a><a href="#top15">15</a></sup> <i>Ibidem</i>, p. 81.</p>     <!-- ref --><p><sup><a name="16"></a><a href="#top16">16</a></sup> VIGEVANI, Tullo, e CEPALUNI,    Gabriel – <i>Brazilian Foreign Policy in Changing Times – From Sarney to Lula</i>,    p. 39.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000079&pid=S1645-9199201100010000300012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p><sup><a name="17"></a><a href="#top17">17</a></sup> <i>Ibidem</i>, p. 42.</p>     <!-- ref --><p><sup><a name="18"></a><a href="#top18">18</a></sup> Fernando Henrique Cardoso,    citado por VIGEVANI, Tullo, e CEPALUNI, Gabriel – <i>Brazilian Foreign Policy    in Changing Times – From Sarney to Lula</i>, p. 47.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000081&pid=S1645-9199201100010000300013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p><sup><a name="19"></a><a href="#top19">19</a></sup> Neste período, o Brasil    foi eleito para o mandato 1998-1999, como membro não permanente no Conselho    de Segurança das Nações Unidas, participou em sete operações de paz e apresentou    a proposta de uma agenda de desenvolvimento.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><sup><a name="20"></a><a href="#top20">20</a></sup> A euforia provocada pelo    consumo, e que contribui para os anos de ouro da economia, ocultava os défices    do comércio externo e da balança de pagamentos, que só se revelariam no segundo    mandato do Presidente Fernando Henrique Cardoso.</p>     <!-- ref --><p><sup><a name="21"></a><a href="#top21">21</a></sup> SARAIVA, Miriam Gomes –    «As estratégias de cooperação Sul-Sul nos marcos da política externa brasileira    de 1993 a 2007», p. 45.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000084&pid=S1645-9199201100010000300014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><sup><a name="22"></a><a href="#top22">22</a></sup> Cf. SARAIVA, Miriam Gomes    – «A diplomacia brasileira e as visões sobre a inserção externa do Brasil: institucionalismo    pragmático x autonomistas».&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000085&pid=S1645-9199201100010000300015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p> <sup><a name="23"></a><a href="#top23">23</a></sup> Fernando Henrique Cardoso    teve como ministros das Relações Exteriores, Luiz Felipe Lampreia (1995-2002)    e Celso Lafer (2002).</p>     <!-- ref --><p><sup><a name="24"></a><a href="#top24">24</a></sup> VIGEVANI, Tullo, e CEPALUNI,    Gabriel – <i>Brazilian Foreign Policy in Changing Times – From Sarney to Lula</i>,    p. 57.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000087&pid=S1645-9199201100010000300016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><sup><a name="25"></a><a href="#top25">25</a></sup> LAMPREIA, Luiz Felipe –    «A política externa do governo FHC: continuidade e renovação». In <i>Revista    Brasileira de Política Internacional</i>. Vol. 42, N.º 2, 1998, p. 9.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000088&pid=S1645-9199201100010000300017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><sup><a name="26"></a><a href="#top26">26</a></sup> Nesse sentido, Vigevani    e Cepaluni referem que «A herança multilateral da política externa brasileira    foi renovada durante a administração de Cardoso através da operacionalização    do conceito de autonomia pela participação, através disso, e de modo a responder    aos objectivos de desenvolvimento do conceito, o país aproximou-se dos pólos    centrais das relações internacionais» (VIGEVANI, Tullo, e CEPALUNI, Gabriel    – <i>Brazilian Foreign Policy in Changing Times – From Sarney to Lula</i>, p.    77).&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000089&pid=S1645-9199201100010000300018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><sup><a name="27"></a><a href="#top27">27</a></sup> LAMPREIA, Luiz Felipe –    «A política externa do governo FHC: continuidade e renovação», p.11&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000090&pid=S1645-9199201100010000300019&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p><sup><a name="28"></a><a href="#top28">28</a></sup> A IIRSA corresponde a uma    iniciativa dos 12 países sul-americanos, tendo sido institucionalizada em 2000.    Pressupõe a realização de acções conjuntas para promover o processo de integração    política, económica e social da América do Sul, estimular a integração e o desenvolvimento    de subregiões isoladas. Informação disponível em: <a href="http://www.mp.gov.br/secretaria.asp?cat=156&amp;sub=302&amp;sec=10" target="_blank">http://www.mp.gov.br/secretaria.asp?cat=156&sub=302&sec=10</a><a href="http://www.mp.gov.br/secretaria.asp?cat=156&amp;sub=302&amp;sec=10"></a></p>     <!-- ref --><p><sup><a name="29"></a><a href="#top29">29</a></sup> Cf. HURRELL, Andrew – «Ensaio    analítico: o Brasil e os Estados Unidos: reflexões comparativas». In HIRST,    Monica – <i>Brasil-Estados Unidos: Desencontros e Afinidades</i>, p. 219.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000092&pid=S1645-9199201100010000300020&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p><sup><a name="30"></a><a href="#top30">30</a></sup> Momento que coincide também    com a apresentação, pela Goldman Sachs, da sigla BRIC, destacando o potencial    de crescimento das economias destes países (Brasil, Rússia, Índia e China).</p>     <!-- ref --><p><sup><a name="31"></a><a href="#top31">31</a></sup> VIZENTINI, Paulo – «A política    externa brasileira em transição: do desenvolvimento ao neoliberalismo», p. 98.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000094&pid=S1645-9199201100010000300021&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p><sup><a name="32"></a><a href="#top32">32</a></sup> Citação apresentada na    notícia da Folha Online, «FHC cobra na reunião da ONU ordem internacional mais    solidária», 10 de Novembro de 2001. [Consultado em 9 de Junho de 2010]. Disponível    em <a href="http://www1.folha.uol.com.br/folha/brasil/ult96u26573.shtml" target="_blank">http://www1.folha.uol.com.br/folha/brasil/ult96u26573.shtml</a><a href="http://www1.folha.uol.com.br/folha/brasil/ult96u26573.shtml"></a>    Discurso integral disponível em: <a href="http://www1.folha.uol.com.br/folha/brasil/ult96u26575.shtml" target="_blank">http://www1.folha.uol.com.br/folha/brasil/ult96u26575.shtml</a><a href="http://www1.folha.uol.com.br/folha/brasil/ult96u26575.shtml"></a></p>     <!-- ref --><p><sup><a name="33"></a><a href="#top33">33</a></sup> VIGEVANI, Tullo, OLIVEIRA,    Marcelo F. de, e CINTRA, Rodrigo – «Política externa no período FHC: a busca    de autonomia pela integração». In <i>Tempo Social</i>, 2003, p. 58.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000096&pid=S1645-9199201100010000300022&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p><sup><a name="34"></a><a href="#top34">34</a></sup> Discurso de tomada de posse    de Lula da Silva, 1 de Janeiro de 2003. [Consultado em 18 de Março de 2010].    Disponível em: <a href="http://www.mre.gov.br/portugues/politica_externa/discursos/discurso_detalhe3.asp?ID_DISCURSO=2029" target="_blank">http://www.mre.gov.br/portugues/politica_externa/discursos/discurso_detalhe3.asp?ID_DISCURSO=2029</a><a href="http://www.mre.gov.br/portugues/politica_externa/discursos/discurso_detalhe3.asp?ID_DISCURSO=2029"></a></p>     <!-- ref --><p><sup><a name="35"></a><a href="#top35">35</a></sup> VIGEVANI, Tullo, e CEPALUNI,    Gabriel – <i>Brazilian Foreign Policy in Changing Times – From Sarney to Lula</i>,    p. 81.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000098&pid=S1645-9199201100010000300023&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p><sup><a name="36"></a><a href="#top36">36</a></sup> Discurso de tomada de posse    de Lula da Silva.</p>     <!-- ref --><p><sup><a name="37"></a><a href="#top37">37</a></sup> Paulo Vizentini, citado    por PECEQUILLO, Cristina – «Brazil’s foreign policy in the 21st century: the    combining axis of horizontal and vertical multilateral cooperation». Comunicação    apresentada na 49.ª Convenção Anual da ISA, São Francisco, Estados Unidos, Março    de 2008, p. 14. [Consultado em 10 de Junho de 2010]. Disponível em: <a href="http://www.allacademic.com/meta/p254209_index.html" target="_blank">http://www.allacademic.com/meta/p254209_index.html</a><a href="http://www.allacademic.com/meta/p254209_index.html"></a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000100&pid=S1645-9199201100010000300024&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><sup><a name="38"></a><a href="#top38">38</a></sup> ALMEIDA, Paulo Roberto    de – «A diplomacia do governo Lula em seu primeiro mandato: um balanço e algumas    perspectivas». In <i>Carta Internacional</i>, Março 2007, p. 4.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000101&pid=S1645-9199201100010000300025&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><sup><a name="39"></a><a href="#top39">39</a></sup> LIMA, Maria Regina Soares    de – «Autonomia, não-indiferença e pragmatismo: vetores conceituais da política    exterior». In <i>Revista Brasileira de Comércio Exterior</i>. N.º 83, 2005.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000102&pid=S1645-9199201100010000300026&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><sup><a name="40"></a><a href="#top40">40</a></sup> Sobre este debate, ver,    entre outros, MALAMUD, Andrés – «Leadership without followers: the contested    case for brazilian power status». In MARTINS, Estevão, e SARAIVA, Miriam – <i>Brasil-União    Europeia-América do Sul, Anos 2010-2020</i>. Rio de Janeiro: Fundação Konrad    Adenauer, 2009. BURGES, Sean – <i>Brazilian Foreign Policy after the Cold War</i>.    Florida: University Press of Florida, 2009. GRATIUS, Susanne – «O Brasil nas    Américas: potência regional pacificadora?». FRIDE, Abril de 2007. [Consultado    em 16 de Abril de 2008]. Disponível em: <a href="http://www.fride.org/publicacion/223/brasil-en-las-americas-una-potencia-regional-pacificadora" target="_blank">http://www.fride.org/publicacion/223/brasil-en-las-americas-una-potencia-regional-pacificadora</a><a href="http://www.fride.org/publicacion/223/brasil-en-las-americas-una-potencia-regional-pacificadora"></a>.    LIMA, Maria Regina Soares de – «Brasil en América Latina. Liderazgo regional    en América del Sur». In <i>Foreign Affairs en Español</i>, Outubro-Dezembro    de 2007. HIRST, Mónica – «Los desafios de la política sudamericana de Brasil».    In <i>Nueva Sociedade</i>. N.º 205, 2006, pp. 139.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000103&pid=S1645-9199201100010000300027&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref -->    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000104&pid=S1645-9199201100010000300028&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref -->    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000105&pid=S1645-9199201100010000300029&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref -->    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000106&pid=S1645-9199201100010000300030&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref -->    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000107&pid=S1645-9199201100010000300031&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><sup><a name="41"></a><a href="#top41">41</a></sup> Revisitando a fórmula de    George Kennan, que afirmou que o Brasil era um «monster country», Celso Lafer    refere que o Brasil «não é um <i>monster country</i> assustador» pois «tem um    estilo de comportamento internacional que se configura» na ideia de «moderação    construtiva». Cf. LAFER, Celso – «Brasil: dilemas e desafios da política externa».    In <i>Estudos Avançados</i>. Vol. 14, N.º 38, 2000, p. 260.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000108&pid=S1645-9199201100010000300032&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><sup><a name="42"></a><a href="#top42">42</a></sup> Sobre este assunto ver,    por exemplo, BRIGAGÃO, Clóvis – «Política externa do Governo Lula: continuidade    e mudanças». In <i>Política Internacional</i>. N.º 29, Novembro de 2005, ou    PECEQUILLO, Cristina – «Brazil’s foreign policy in the 21st century: the combining    axis of horizontal and vertical multilateral cooperation».&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000109&pid=S1645-9199201100010000300033&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref -->    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000110&pid=S1645-9199201100010000300034&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> ]]></body><back>
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