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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Eisenhower, Portugal e o «ano da África» nas Nações Unidas]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[In 1960 Washington was progressively forced to clarify its traditionally ambiguous position towards the colonial problem. This was the case of Portugal, whose colonial policy was under a great pressure at the UN. It was amid the State Department that this ambiguity became more evident. In the end, it was the President Eisenhower who played a decisive role solving the dilemma.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p><b>Eisenhower, Portugal e o «ano da África» nas Nações Unidas</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Daniel Marcos</b></p>     <p>Investigador do IPRI – UNL e do CEHC – IUL. Mestre em História das Relações    Internacionais pelo IUL, onde prepara actualmente uma tese sobre as relações    luso-americanas na década de 1950. É conferencista do Departamento de Estudos    Políticos da FCSH – UNL.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>RESUMO</p>     <p>O ano de 1960 revelou-se de balanço para a Administração Eisenhower perante    a questão colonial africana,&nbsp;em particular no que afectava as relações    com Portugal, cuja política colonial estava sob pressão na ONU. Washington viu-se    forçada a procurar uma clarificação da sua postura tradicionalmente ambígua,    sendo no seio do Departamento de Estado que esta clivagem se verificou, com    o Presidente Eisenhower a desempenhar um papel decisivo na resolução da contenda.</p>     <p><b>Palavras-chave:</b> Portugal, Estados Unidos, descolonização, Nações Unidas</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Eisenhower, Portugal and the un «Africa Year»</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>ABSTRACT</p>     <p>In 1960 Washington was progressively forced to clarify its traditionally ambiguous    position towards the colonial problem. This was the case of Portugal, whose    colonial policy was under a great pressure at the UN. It was amid the State    Department that this ambiguity became more evident. In the end, it was the President    Eisenhower who played a decisive role solving the dilemma.</p>     <p><b>Keywords:</b> Portugal, United States, decolonization, United Nations</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>Um dos momentos altos das relações luso-americanas em 1960 foi a visita do    Presidente norte-americano Dwight D. Eisenhower a Portugal, em Maio desse ano.    Publicamente, a estada deste Chefe de Estado representava a consumação da amizade    que unia os dois países e era vista como uma forma de intensificar as relações    bilaterais. Mas para o Presidente do Conselho português, Oliveira Salazar, a    presença de Eisenhower em Lisboa era uma oportunidade para lhe demonstrar a    «extrema preocupação» com que encarava a evolução política da África. Inquietado    pelo que considerava ser o grande esforço de expansão comunista naquela região    do globo, Salazar via com «alarme» a criação de uma enorme variedade de novas    nações independentes, cujas «massas iletradas» não estavam preparadas para a    autodeterminação. A seu tempo, acreditava o governante português, estas elites    nacionalistas juntar-se-iam ao bloco comunista. Já Eisenhower procurou sensibilizar    o governante português para&nbsp;a necessidade de as potências ocidentais prepararem    os territórios dependentes para uma eventual transição política. Sem nunca usar    a palavra «independência», o Presidente norte-americano chamou a atenção de    Salazar para o facto de, em seu entender, o nacionalismo africano ser o único    ideal capaz de substituir e evitar a penetração do comunismo. Assim, era fundamental    que os Estados Unidos e os seus aliados procurassem «virar» estas elites para    o lado ocidental, «ajudando» as populações desta região a melhorar as suas condições    de vida. No fundo, tratava-se de «convencer» os africanos de que o alinhamento    pelo Ocidente era a maneira mais eficaz de melhorar o seu modo de vida<sup><a name="top1"></a><a href="#1">1</a></sup>.</p>     <p>Na verdade, o ano de 1960 acabou por colocar as relações luso-americanas em    crescente tensão, no que dizia respeito à questão colonial. Da parte dos Estados    Unidos, era claro que a adesão de novos estados africanos à ONU, que se previa    para o Verão de 1960, pressionava Washington a iniciar uma política cada vez    mais activa sobre os seus aliados europeus, no sentido de prepararem a autodeterminação    dos territórios dependentes sem, contudo, pôr em causa as suas tradicionais    boas relações com estes países. Esta pressão fez crescer no seio da Administração    Eisenhower a clivagem entre aqueles que defendiam uma posição mais cooperante    com os novos países afro-asiáticos e aqueles que davam predominância ao pendor    transatlântico na política externa norte-americana. </p>     <p>Neste sentido, 1960 foi um ano em que se aprofundou a encruzilhada a que a    Administração Eisenhower chegou no final do seu segundo mandato, no tocante    à questão colonial: ou mantinha a proximidade aos seus aliados europeus e corria    o risco de perder, progressivamente, o Terceiro Mundo para a União Soviética,    ou se aproximava do bloco afro-asiático e fragilizava o bloco ocidental e a    solidariedade entre os membros da Aliança Atlântica. Este dilema era acentuado    pela clara resistência do Presidente Eisenhower em demonstrar boa vontade em    relação às novas nações africanas. Apesar de compreender que a descolonização    era uma inevitabilidade, Eisenhower tinha dúvidas sobre o sucesso da política    de cultivar as relações com as elites nacionalistas africanas. Pelo contrário,    continuava a reconhecer que as relações com os aliados europeus eram fundamentais    para os interesses norte-americanos<sup><a name="top2"></a><a href="#2">2</a></sup>.  </p>     <p>O presente artigo tem como objectivo demonstrar a divisão interna da Administração    Eisenhower no tocante à questão colonial portuguesa, particularmente no que    diz respeito à posição a adoptar nas Nações Unidas no importante ano de 1960.    Propomo-nos analisar quais as diferentes perspectivas existentes sobre este    assunto no seio do Departamento de Estado, procurando perceber de que forma    a encruzilhada interna da Administração Eisenhower afectou as relações com Portugal.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>A POLÍTICA AFRICANA DA ADMINISTRAÇÃO EISENHOWER E A QUESTÃO COLONIAL PORTUGUESA</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Quando Eisenhower assumiu a Presidência dos Estados Unidos em 1953, adoptou    as linhas fundamentais da política africana herdada da Administração de Harry    Truman. Tendo em conta que os principais constrangimentos dos Estados Unidos    se prendiam com o conflito Leste-Oeste e com a necessidade de consolidar a Aliança    Atlântica, o&nbsp;apoio aos movimentos nacionalistas e a defesa do anticolonialismo    estavam condicionados pela necessidade de não danificar a relação com os aliados    europeus. Era a chamada política intermédia, ou <i>middle course policy</i>,    que procurava conciliar o apoio em relação aos seus parceiros europeus, ao mesmo    tempo que defendia a promoção da autodeterminação dos povos africanos, de forma    a não danificar, totalmente, as relações com os movimentos nacionalistas<a name="top3"></a><sup><a href="#3">3</a></sup>.</p>     <p>No entanto, esta política foi sempre mais condescendente em relação aos impérios    coloniais do que relativamente aos movimentos nacionalistas. Até muito tarde,    as elites norte-americanas acreditaram que, «num mundo habitado por predadores    soviéticos, não existia espaço para romancear acerca da imediata libertação»    dos povos&nbsp;africanos. Desta forma, no instável mundo dos primeiros anos    da Guerra Fria, a estabilidade garantida pelos impérios coloniais servia perfeitamente    os interesses norte-americanos<a name="top4"></a><a href="#4"><sup>4</sup></a>.</p>     <p>Esta percepção mudou, gradualmente, após a realização da Conferência de Bandung,    em 1955, e após a crise do Suez de 1956. Estes dois acontecimentos demonstraram    aos Estados Unidos ser necessário reformular a sua política para com a África    na medida em que a evolução do nacionalismo africano e a crescente resistência    dos países colonialistas estavam a criar condições para o aumento da penetração    soviética no continente africano. No entanto, essa evolução não teria, necessariamente,    que passar por uma imediata concessão da independência das colónias europeias.    Antes, pelo contrário, passava por uma colaboração intensa entre colonizadores    e colonizados, no sentido de criarem estruturas políticas, económicas e sociais    que permitissem, no futuro, a independência dos povos africanos, a salvo da    penetração comunista<a name="top5"></a><a href="#5"><sup>5</sup></a>. Em suma,    tratava-se mais de uma mudança na percepção em relação ao Terceiro Mundo e não    de uma transformação de fundo na política dos Estados Unidos para a África,    feita com base numa ruptura profunda.</p>     <p>Por essa razão se compreende que, em princípios de 1960, o National Security    Council tenha aprovado um relatório sobre a política para a África da Administração,    no qual defendia uma posição tendencialmente favorável aos interesses das potências    coloniais, apesar de afirmar a necessidade de os países europeus iniciarem reformas    que conduzissem os seus territórios não autónomos à autodeterminação<a name="top6"></a><sup><a href="#6">6</a></sup>.</p>     <p>Particularmente em relação aos territórios portugueses, o NSC 6001 afirmava    que, na «medida do possível», os Estados Unidos deviam «persuadir» os portugueses    dos benefícios que teriam em iniciarem políticas mais «esclarecidas» na África.    No entanto, os diplomatas norte-americanos deveriam evitar «pôr em causa» o    direito à soberania de Portugal sobre os seus territórios na África, de forma    a não deteriorar as relações com o Governo de Lisboa. Esta política baseava-se    no facto de nem Angola nem Moçambique terem «importância estratégica, política    e económica directa» para os Estados Unidos. Portanto, não havia necessidade    em reformular completamente a política norte-americana para com Portugal e os    seus territórios coloniais. Era apenas preciso manter uma atenção especial sobre    a zona, já que a consciência política das populações africanas naqueles territórios    estava a crescer, ainda que as políticas repressivas desenvolvidas por Portugal    evitassem a emergência de agitação política e racial<a name="top7"></a><a href="#7"><sup>7</sup></a>.</p>     <p>No entanto, o agravamento da situação no continente africano colocava novos    desafios aos Estados Unidos e a Portugal. Do ponto de vista do Governo de Lisboa,    o início da violência do Congo Belga, em 1959, e a aceleração dos acontecimentos    que conduziram à sua independência em Julho de 1960, reforçaram a necessidade    de Portugal resistir às mudanças políticas no que considerava ser territórios    ultramarinos<a name="top8"></a><a href="#8"><sup>8</sup></a>. Numa das poucas    declarações públicas sobre a questão particular do Congo, em Maio de 1959, Oliveira    Salazar declarou a preocupação de Portugal em relação ao agravamento da situação    na África. Num discurso na sede da União Nacional, o Presidente do Conselho    afirmou que, «literalmente, a África arde». E isto acontecia bem perto das fronteiras    com os territórios portugueses. Ardia porque lhe estavam a deitar «fogo de fora»,    alimentando a «fatalidade de um movimento histórico», que arrastava as populações    africanas para a «rebeldia, a&nbsp;subversão, a forçada dispersão e a independência».    Nesta acção liderada pela União Soviética, Salazar acreditava que os Estados    Unidos não estavam a desempenhar um papel activo para reverter a situação, mostrando-se    incapazes de definir uma posição que evitasse a instabilidade naquela região<a name="top9"></a><a href="#9"><sup>9</sup></a>.    Era por isso claro, para o Presidente do Conselho, que começava a cair um denso    «nevoeiro» sobre o panorama internacional, particularmente na África. Com uma    extensa fronteira comum com Angola, a preparação da independência do Congo Belga    era vista com redobrada preocupação, não restando dúvidas que se aproximavam    «momentos cruciais» para os territórios portugueses na África<a name="top10"></a><a href="#10"><sup>10</sup></a>.  </p>     <p>Também a Embaixada dos Estados Unidos em Lisboa percebia que, à medida que    se aproximava a data da independência do Congo, aumentavam os «sinais de alarme»    dos responsáveis políticos e militares portugueses, sobre a defesa dos seus    territórios coloniais de possíveis incursões nacionalistas. Essa preocupação    levava a que o Governo português se fechasse sobre si próprio, estando «razoavelmente    confiante» na sua capacidade de evitar o rebentamento de instabilidade política    em Angola ou Moçambique<a name="top11"></a><a href="#11"><sup>11</sup></a>.</p>     <p>Em finais de Agosto de 1960, em vésperas de se deslocar a Washington para reuniões    no Departamento de Estado, o embaixador Charles Burke Elbrick acreditava ser    fundamental que a Administração Eisenhower tomasse consciência de que a perda    das colónias portuguesas era uma questão extremamente sensível para Portugal    e, também, para os interesses norte-americanos em Portugal. Elbrick acreditava    que a dissolução do império colonial podia contribuir para aumentar a instabilidade    política na metrópole e, em última análise, até conduzir ao derrube do Governo    pró-ocidental e ao fim do acordo dos Açores. Assim, à luz dos acontecimentos    no Congo, a manutenção da estabilidade nos territórios portugueses deveria «brilhar    por comparação», levando a que o Governo dos Estados Unidos «evitasse acções    e declarações ofensivas para com Portugal», tais como caracterizar a política    colonial portuguesa como «atrasada». Era preciso ter em atenção que, até ao    momento, não havia relatos de incidentes de origem subversiva em Angola, mesmo    depois da emergência da crise do Congo. Isto não queria dizer que, num futuro    próximo, Portugal não pudesse sofrer com a erupção de um conflito nas suas colónias,    já que a proliferação de instabilidade na África fazia crer ser «pouco provável    que Portugal conseguisse escapar ao contágio nacionalista». Mas a mudança devia    chegar de forma «lenta», para permitir que o regime português desenvolvesse    as colónias, ao nível económico e político<a name="top12"></a><a href="#12"><sup>12</sup></a>.</p>     <p>Os desenvolvimentos na África e a crescente preocupação do Governo português    tornavam evidente que se aproximava o momento em que seria necessária uma tomada    de posição mais clara da parte dos Estados Unidos acerca do colonialismo português.    De acordo com o secretário de Estado Christian Herter, as relações de Portugal    com os Estados Unidos por causa da questão africana não tinham soluções fáceis,    especialmente quando se generalizavam os ataques públicos ao colonialismo português    nas Nações Unidas, vindos, sobretudo, dos países do bloco afro-asiático. Isso    também se verificava na opinião pública norte-americana, onde a maioria da população    via a política portuguesa na África como um «anacronismo do século XIX com pouco    espaço para existir em pleno século XX». Tendo em vista a tradicional dedicação    dos Estados Unidos ao conceito de autodeterminação, o secretário de Estado julgava    cada vez mais difícil «evitar políticas, acções ou declarações» que não fossem    ofensivas para Portugal, apesar de haver uma vontade clara da parte dos Estados    Unidos em «tentar abster-se» de criar litígios com o Governo português. Por    esta razão, a Administração norte-americana tinha seguido uma política que evitava    a discussão pública sobre qualquer assunto que envolvesse os territórios africanos    portugueses. Quando pressionados, por exemplo, os Estados Unidos procuravam    realçar que, apesar das críticas à política colonial portuguesa pela sua estratégia    de fazer persistir o atraso económico e político das populações africanas, a    política racial portuguesa era tendencialmente tolerante, se comparada com a    seguida por outras potências<a name="top13"></a><a href="#13"><sup>13</sup></a>.</p>     <p>Embora compreendendo que os objectivos portugueses na África passavam pela    criação de «novos Brasis», era também preciso ter em atenção que, até ao momento,    não se tinham visto «progressos perceptíveis» da parte de Portugal. Portanto,    era difícil perceber como as colónias portuguesas poderiam «escapar a algum    nível de contágio», a&nbsp;não ser que o Governo português iniciasse um programa    acelerado de desenvolvimento em termos políticos e económicos, no sentido de    melhorar o nível de vida das populações africanas. Além do mais, e apesar de    os Estados Unidos estarem dispostos a pressionar os estados africanos a não    <i>incendiarem</i> os territórios portugueses, Herter reconhecia que os Estados    Unidos tinham uma «influência pequena» na maior parte do continente africano    e, desde logo, uma margem de manobra curta para poder auxiliar Portugal<sup><a name="top14"></a><a href="#14">14</a></sup>.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Contudo, a crescente incomodidade das autoridades norte-americanas em relação    à capacidade portuguesa de agilizar o processo de liberalização das condições    políticas e socioeconómicas nas suas colónias não invalidava que, em determinados    momentos, os Estados Unidos desempenhassem um papel decisivo de auxílio aos    interesses externos de Portugal. Um exemplo claro da manutenção do apoio norte-americano    ao seu aliado deu-se quando o Governo português resolveu avançar com a candidatura    a membro não permanente do Conselho de Segurança das Nações Unidas, em 1960.    Contando com um apoio importante de outros países ocidentais, nomeadamente da    França, esta decisão acabou por se revelar, todavia, imprudente<a name="top15"></a><a href="#15"><sup>15</sup></a>.  </p>     <p>Para o Departamento de Estado, apesar da crítica internacional ao colonialismo    português, o apoio a Portugal seria a solução mais vantajosa para os interesses    norte-americanos, por duas razões. Em primeiro lugar porque, desde a sua adesão    em 1955, Portugal nunca se tinha sentado no Conselho de Segurança. Em segundo    lugar, e mais importante, havia que ter em consideração a questão dos Açores,    particularmente quando a diplomacia norte-americana apontava para a necessidade    de iniciar o processo de renegociação do acordo de 1957, durante o ano de 1961<a name="top16"></a><a href="#16"><sup>16</sup></a>.  </p>     <p>Esta questão da candidatura de Portugal ao Conselho de Segurança das Nações    Unidas, no ano em que profundas mudanças políticas e sociais aconteciam na África,    com reflexos na própria ONU, acabava por clarificar os principais factores que    influenciaram as relações entre Lisboa e Washington ao longo da Administração    Eisenhower. Em plena Guerra Fria, a importância do conflito bipolar na Europa    ainda desempenhava um papel determinante, superando claramente a necessidade    crescente de o Ocidente desenvolver uma política mais consentânea com os acontecimentos    que se verificavam na África. Se dúvidas existissem, entre a África ou os Açores,    o arquipélago atlântico português ainda era fundamental para os Estados Unidos    e era esse o principal motor das relações luso-americanas.</p>     <p>Em finais de Julho de 1960, os Estados Unidos informaram Portugal de que estavam    em condições de apoiar a sua candidatura ao Conselho de Segurança<a name="top17"></a><a href="#17"><sup>17</sup></a>.    A tradicional postura do Presidente Eisenhower, favorável à manutenção de boas    relações com os aliados europeus, prevalecia em Washington. No Outono de 1960,    o embaixador dos Estados Unidos em Lisboa deslocou-se a Washington para reuniões    no Departamento de Estado e no Departamento de Defesa. Reflectindo a necessidade    de preparar com alguma antecedência a renegociação do acordo dos Açores, que    terminaria a sua vigência em finais de 1962, a Administração Eisenhower queria    evitar a repetição do processo tumultuoso que tinha sido a renovação levada    a cabo em 1957. Recorde-se que, ao longo deste processo e devido à ocupação    pela União Indiana dos enclaves de Dadrá e Nagar Aveli em 1954, Portugal tinha    suspendido o processo de renovação do acordo das Lajes, de forma a garantir    o apoio público norte-americano<a name="top18"></a><a href="#18"><sup>18</sup></a>.</p>     <p>Durante a sua estada, o embaixador Elbrick solicitou uma audiência ao Presidente    Eisenhower, com o objectivo de «discutir a grave preocupação que o Governo português    tinha em relação à evolução dos acontecimentos na África», em especial quanto    à crescente crítica contra a política colonial portuguesa<a name="top19"></a><a href="#19"><sup>19</sup></a>.    O problema de África estava a tornar-se particularmente gravoso, ainda que nenhuma    «dificuldade imediata fosse expectável». Para o embaixador norte-americano,    era preciso ter em atenção que os portugueses viam a questão colonial como um    todo. Por exemplo, todas as possessões portuguesas, incluindo aquelas que, como    Goa, mais não eram do que «uma fuga dos seus recursos», eram vistas como essenciais,    na medida em que os portugueses receavam que a cedência da independência a alguns    territórios «despoletasse uma reacção em cadeia» que conduzisse ao fim do império    português<a name="top20"></a><a href="#20"><sup>20</sup></a>.</p>     <p>A resposta do Presidente norte-americano foi metafórica, recorrendo ao exemplo    que uma anterior conversa com Winston Churchill tinha, agora, para o caso português.    Há UN. anos atrás, Eisenhower tinha aconselhado os britânicos a estabelecerem    um prazo limite, no final do qual os seus territórios coloniais escolheriam    qual a ligação que queriam manter com Londres. Até lá, as autoridades inglesas    deveriam preparar as suas colónias para o autogoverno. Na opinião do Presidente    norte-americano, esta era a forma mais eficaz de as potências coloniais manterem    os laços com os territórios dependentes, muito melhor do que qualquer recurso    ao uso da força. Eisenhower recordava que esta proposta havia, de princípio,    «abalado» Churchill, mas que, no final, tinha sido a postura adoptada por Londres.    Desta forma, Eisenhower defendia a mesma solução para resolver o problema colonial    português. No entanto, Charles Elbrick procurou chamar a atenção do Presidente    para uma possível reacção negativa da parte do Governo português. Referindo    que Oliveira Salazar estava ao corrente da posição norte-americana, o embaixador    alertava para o facto de o Presidente do Conselho recear sequer mencionar a    palavra independência, por acreditar que, quando essa ideia avançasse, «rapidamente    os africanos esqueceriam as condições e exigiriam a independência imediata».    Ainda que concordando com a perspectiva portuguesa, Eisenhower terminou a conversa    instigando o embaixador a avançar, mesmo que a reacção de Salazar fosse negativa.    Para o Presidente dos Estados Unidos, era dever de Washington auxiliar Portugal    a «fazer da necessidade uma virtude», em relação ao problema colonial<a name="top21"></a><a href="#21"><sup>21</sup></a>.</p>     <p>Desta conversa depreendem-se as condicionantes que envolviam as relações entre    os Estados Unidos e Portugal ao longo da Administração Eisenhower. Por um lado,    os Estados Unidos compreendiam que, à medida que os «ventos de mudança» se estendiam    a todo o continente africano, as potências coloniais eram forçadas a iniciar    reformas políticas, de forma a prepararem os territórios coloniais para a autodeterminação    e futura independência. Por outro lado, era preciso perceber que havia um conjunto    de constrangimentos que levavam esta administração a condescender perante as    características dos regimes e as políticas que moldavam os seus aliados<a name="top22"></a><a href="#22"><sup>22</sup></a>.    No caso particular de Portugal, a sua incapacidade de transformar numa virtude    a necessidade de descolonizar tinha de ser cautelosamente equilibrada com os    restantes interesses norte-americanos, que passavam pela manutenção no poder    de um regime pró-ocidental, aliado na NATO e disponível para autorizar, durante    o tempo de paz, a utilização da Base das Lajes nos Açores. No entanto, a busca    incessante por uma política equilibrada em relação ao caso português acabava    por contribuir para que Washington desse sinais contraditórios em relação à    questão colonial portuguesa. Não sendo a favor desta política, não era capaz    de encontrar uma solução para levar o seu aliado a mudá-la.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>O «ANO DA ÁFRICA» NAS NAÇÕES UNIDAS E O DEBATE NO DEPARTAMENTO DE ESTADO    SOBRE O PROBLEMA COLONIAL PORTUGUÊS</b></p>     <p>Esta contradição acentuou-se com o agravamento da pressão internacional contra    o colonialismo, que teve uma particular visibilidade no Outono de 1960, durante    a XV Assembleia Geral das Nações Unidas em Nova Iorque. Com a admissão dos novos    países saídos da desintegração do império colonial francês, ocorrido nos primeiros    meses de 1960, à qual se juntou a solidariedade dos países do bloco soviético,    as reuniões da ONU transformaram-se num palco privilegiado da contestação internacional    contra o colonialismo europeu. Perante este panorama, a Administração Eisenhower    viu a sua posição nas Nações Unidas tornar-se progressivamente mais difícil,    exigindo uma robusta e eficaz campanha diplomática, a fim de evitar o afastamento    entre os Estados Unidos e o Terceiro Mundo<a name="top23"></a><a href="#23"><sup>23</sup></a>.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>O agravamento da tensão em torno do colonialismo teve consequências claras    para a resistência portuguesa ao movimento descolonizador. Em Dezembro de 1960,    e depois de vários anos em que Portugal tinha conseguido evitar a aprovação    de resoluções que punham em causa a sua política colonial, foi levado ao debate    um conjunto de propostas que visavam directamente a tradicional postura portuguesa    na organização. Desde a adesão de Portugal às Nações Unidas em 1955 que o Governo    português se recusava a ceder informações no âmbito do artigo 73.º da Carta,    com base no argumento de que não possuía colónias mas sim <i>Províncias Ultramarinas</i>,    integradas plenamente no Estado português<a name="top24"></a><a href="#24"><sup>24</sup></a>.</p>     <p>Sendo Portugal um dos principais alvos da crítica do bloco afro-asiático e    soviético, o Departamento de Estado viu-se obrigado a ponderar, cautelosamente,    as vantagens e desvantagens de uma eventual mudança da sua política para com    Portugal, relativamente à questão colonial. Os acontecimentos nas Nações Unidas    tornaram clara a existência de uma crescente clivagem no seio das instituições    envolvidas pelo estabelecimento da política norte-americana para a África. Ao    longo de 1960, foi ficando perceptível que o Bureau de Assuntos Europeus, responsável    pelas questões relacionadas com Portugal, defendia a manutenção das relações    com Portugal, tal como elas existiam até então. Aqui contava com o apoio decisivo,    por um lado, do Presidente Eisenhower, que não via com bons olhos a possibilidade    de cedência norte-americana aos interesses do bloco afro-asiático que pudesse    pôr em causa os interesses dos aliados europeus; e, por outro, com a empenhada    acção da embaixada norte-americana em Lisboa, que evitava a todo o custo ficar    com o ónus da degradação das relações luso-americanas. No entanto, o&nbsp;Bureau    de Assuntos Europeus estava cada vez mais isolado dentro do Departamento de    Estado, já que a maioria dos serviços diplomáticos, em particular a missão norte-americana    nas Nações Unidas e o Bureau dos Assuntos Africanos, apoiavam o estabelecimento    de uma nova abordagem de Washington em relação ao continente africano<a name="top25"></a><a href="#25"><sup>25</sup></a>.</p>     <p>Isto tornou-se visível durante a preparação da XV Assembleia Geral da ONU.    Num memorando do Bureau de Assuntos Africanos, o secretário de Estado era alertado    para o facto de cada vez ser mais óbvio que havia «chegado o tempo de ter uma    discussão franca» com o Governo português em relação ao problema colonial, em    particular sobre a posição portuguesa nas Nações Unidas. De acordo com um dos    principais responsáveis deste serviço, James Frederik Green, era preciso ter    em conta que, ao longo da Assembleia Geral daquele ano, a questão dos territórios    coloniais portugueses seria um dos principais pontos em discussão, não só nos    vários grupos de trabalho encarregados de acompanhar a evolução dos territórios    dependentes como também no plenário geral da organização. Embora não defendesse,    ainda, a implementação de uma mudança radical na tradicional posição de Washington,    era convicção deste diplomata que Portugal, um dos poucos países que se recusavam    a dar informações sobre os seus territórios<a name="top26"></a><a href="#26"><sup>26</sup></a>,    ia tornar-se «alvo de um ataque concertado» do bloco soviético e afro-asiático.    Isto numa altura em que era cada vez mais fácil a aprovação de moções contra    os estados coloniais, devido à adesão de novos estados africanos<a name="top27"></a><a href="#27"><sup>27</sup></a>.  </p>     <p>Para James Green, era inevitável que Portugal ia ser «especialmente condenado»    devido à essência marcadamente colonial dos seus territórios ultramarinos e    pela falta de desenvolvimento político, económico, social e educacional em Angola,    Moçambique e Guiné-Bissau. Com a autodeterminação a ser «rapidamente instituída»    naquele continente, Portugal devia ter em conta, como demonstravam os acontecimentos    ocorridos no Congo, que o perigo residia na impreparação dos territórios para    alcançar a independência. Sendo impossível evitar que Angola e Moçambique fossem    afectados por este movimento, tornava-se essencial que o Governo de Lisboa pudesse,    durante a Assembleia Geral que se avizinhava, indicar os seus «planos para o    futuro desenvolvimento das suas províncias». Só esta atitude poderia «melhorar    bastante» a posição portuguesa nas Nações Unidas, permitindo, também, que os    Estados Unidos pudessem auxiliar o Governo português mais eficazmente, de forma    a evitar o progressivo isolamento deste país<a name="top28"></a><a href="#28"><sup>28</sup></a>.</p>     <p>Em defesa desta abordagem, o Bureau de Assuntos Africanos chamava a atenção    para a necessidade de o Departamento de Estado desenvolver uma progressiva aproximação    aos movimentos de libertação das colónias portuguesas, em particular de Angola.    Em finais de 1960, aquilo que tinha começado por ser um progressivo interesse    norte-americano sobre o nascimento dos movimentos nacionalistas nos territórios    portugueses, transformou-se num contacto directo com o principal membro da União    dos Povos de Angola (UPA), Holden Roberto. Aproveitando o facto de este se encontrar    nos Estados Unidos para assistir às reuniões da ONU, o Departamento de Estado    aceitou receber Roberto, com o objectivo de melhorar o seu conhecimento sobre    os grupos nacionalistas angolanos<a name="top29"></a><a href="#29"><sup>29</sup></a>.    Conversando com William Wight, do Bureau de Assuntos Africanos, Holden Roberto    apresentou a UPA, garantindo ter um apoio generalizado no interior de Angola,    ainda que muitos dos seus correligionários fossem apenas «simpatizantes que    tinham receio de tomar atitudes». Apesar do esforço do líder da upa para que    os Estados Unidos apoiassem a sua causa, Wight informou-o que a política norte-americana,    assente na defesa do princípio da autodeterminação, se recusava a ingerir-se    nos assuntos internos de outros estados, principalmente quando estes eram aliados    no seio da NATO<a name="top30"></a><a href="#30"><sup>30</sup></a>. </p>     <p>A reunião com este nacionalista africano acabou por fomentar o paradoxo da    política africana dos Estados Unidos. Ainda que este tivesse causado boa impressão,    na medida em que as suas ideias pareciam «relativamente conservadoras» e afastadas    da influência soviética, tinha ficado claro que os nacionalistas em Angola e    Moçambique não estavam, ainda, preparados para a independência<a name="top31"></a><a href="#31"><sup>31</sup></a>.    No entanto, nada invalidava que, no futuro, estes contactos pudessem ser estreitados    e que a aparente frieza do diplomata norte-americano se transformasse numa progressiva    aproximação com o objectivo de preparar estas elites para o poder. Porém, o    momento ainda não tinha chegado.</p>     <p>A representação dos Estados Unidos na ONU passou a ser uma das principais defensoras    da política defendida pelo Bureau de Assuntos Africanos. Sobretudo a partir    do Outono de 1960, altura em que começou a ganhar forma um conjunto de resoluções    contra o colonialismo que o bloco afro-asiático, com o apoio da União Soviética,    pretendia fazer aprovar<a name="top32"></a><a href="#32"><sup>32</sup></a>.    De facto, nas sessões de 14 e 15 de Dezembro de 1960, a Assembleia Geral aprovou    três resoluções com um impacto directo na política colonial portuguesa. A Resolução    1514 reafirmava os princípios fundamentais dos Direitos do Homem para condenar    todas as formas de colonialismo e declarar o direito dos povos à autodeterminação.    Mas, acima de tudo, referia que a falta de preparação política, económica, social    e educacional não podia ser um argumento para retardar a transição para a independência    dos territórios dependentes. Já a Resolução 1541 reforçava os princípios básicos    definidos no artigo 73.º da Carta, ao mesmo tempo que estabelecia os casos em    que um território não autónomo poderia associar-se ou ser integrado num estado    soberano. Finalmente, a Resolução 1542 enumerava os territórios dependentes    sob administração portuguesa, apelando ao Governo português a comunicação, o    mais rapidamente possível, das informações exigidas nos termos da Carta<a name="top33"></a><a href="#33"><sup>33</sup></a>.</p>     <p>Com os desenvolvimentos a que se assistiam na Assembleia Geral das Nações Unidas,    o grande debate sobre o futuro da postura norte-americana em relação à política    colonial portuguesa tornou-se mais intenso na segunda metade de 1960. Não se    tratava, apenas, de definir qual a postura futura em relação a Portugal e aos    países africanos. Era necessário tomar decisões concretas quanto às propostas    de resolução que seriam votadas na ONU. Neste sentido, e de acordo com William    Nunley, do Bureau de Assuntos Europeus do Departamento de Estado, a evolução    a que se assistia nas Nações Unidas, sobretudo o «golpe de teatro emotivo» na    luta contra o colonialismo, colocava riscos para a participação dos países ocidentais    na ONU. Esta organização estava a caminhar no sentido de se constituir como    «pouco mais do que a extensão do grupo de Bandung»<a name="top34"></a><a href="#34"><sup>34</sup></a>.    Na verdade, a crescente postura do bloco afro-asiático punha em causa as tentativas    de diversificação da política norte-americana para com Portugal, competindo    directamente com a abordagem proposta pelo Bureau de Assuntos Africanos. </p>     <p>A posição de Nunley era secundada por Charles Elbrick, embaixador dos Estados    Unidos em Lisboa. Na sequência da sua conversa com o Presidente Eisenhower,    Elbrick escreveu um memorando a Foy Kohler, subsecretário de Estado para os    Assuntos Europeus, onde expôs a sua preocupação em relação ao futuro da política    norte-americana para com Portugal. Elbrick queixava-se de que o Bureau de Assuntos    Africanos desejava que, quando regressasse a Lisboa, informasse os portugueses    que a sua posição «era politicamente irrealista», ainda que fizesse sentido    do ponto de vista legal. Assim, o embaixador deveria solicitar que o Governo    de Lisboa iniciasse uma política de preparação dos seus territórios para a autodeterminação,    começando por fornecer informações à ONU no âmbito do artigo 73.º da Carta.    Para o embaixador, esta estratégia era bastante arriscada. Era preciso ter em    consideração que Portugal tinha não só uma relação constitucional com as suas    colónias, mas também uma relação económica. Era evidente que, sem o rendimento    das colónias, principalmente de Angola, os portugueses julgavam que o País não    tinha viabilidade económica. Neste sentido, pôr em causa a sua ligação aos territórios    coloniais era visto como uma «ameaça directa à sua segurança nacional» e, inclusivamente,    à sua «própria existência» enquanto país independente. Paralelamente, era preciso    ter em consideração que a defesa dos territórios coloniais era o «objectivo    principal» para Portugal e que, por exemplo, era claro que os compromissos na    NATO eram, neste sentido, secundários. Assim, quaisquer iniciativas seguindo    as linhas propostas pelos Assuntos Africanos «iriam não só falhar nos seus objectivos,    como iriam pôr em perigo» as relações de proximidade dos Estados Unidos com    Portugal, «incluindo a manutenção de facilidades nos Açores». A questão das    colónias era de tal forma importante para o Governo português que qualquer acção    «imprudente» podia colocar «seriamente em risco as relações globais» dos Estados    Unidos com Portugal, o que, em última análise, podia conduzir ao fim da cooperação    na NATO. No tocante ao problema colonial, era preciso ter em atenção que os    «portugueses se consideravam os melhores juízes dos seus interesses»<a name="top35"></a><a href="#35"><sup>35</sup></a>.</p>     <p>Perante estas indicações, o próprio Foy Kohler acabou por se envolver na disputa,    de forma a defender-se dos ataques que, na sua opinião, o Bureau de Assuntos    Europeus sofria dentro do Departamento. Comentando a proposta de Resolução 1514,    Kohler propôs-se a assumir a «tarefa solitária de tentar introduzir uma nota    de sanidade mental» na discussão que dividia cada vez mais o Departamento de    Estado. O responsável pelos Assuntos Europeus descrevia que quase todos os <i>bureaus</i>    em Foggy Bottom se «inclinavam naturalmente» para que os Estados Unidos aprovassem    esta resolução. No entanto, Kohler, enquanto responsável pelas relações com    a Europa Ocidental, acreditava que os Estados Unidos se deveriam opor, uma vez    que a proposta era «intrinsecamente má», já que condenava o colonialismo europeu    e deixava de fora, por exemplo, o imperialismo soviético, praticado nos estados    da Europa de Leste. Com uma linguagem «extrema em todos os sentidos», era óbvio    que o principal objectivo desta resolução era «dificultar o mais possível a    vida das potências europeias», por estas serem aliadas dos Estados Unidos. Além    do mais, a resolução continha um conjunto de princípios aos quais os Estados    Unidos se tinham sempre oposto, nomeadamente quando defendia a ideia de que    a falta de preparação dos territórios dependentes para a autodeterminação não    deveria ser impeditiva dessa transição política<a name="top36"></a><a href="#36"><sup>36</sup></a>.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Este responsável do Departamento de Estado acreditava que o pior que os Estados    Unidos podiam fazer era votar a favor desta proposta em troca de ganhar alguma    influência junto do bloco afro-asiático, isto porque iniciar uma política de    cedências para com estes países não iria fazer diminuir a pressão sobre os Estados    Unidos e os seus aliados. Assim, era preciso que o bloco ocidental estabelecesse    até onde estava disposto a ir, não dando a imagem de que os países do Terceiro    Mundo podiam «passar o rolo compressor» sobre os estados ocidentais. Pelo contrário,    deviam compreender que as Nações Unidas e os países ocidentais apoiavam as suas    «aspirações» e estavam preparados para patrocinar propostas «razoáveis», com    o objectivo de acabar com todas as formas de colonialismo. Particularmente em    relação à posição norte-americana, Kohler chamava a atenção para o facto de    os Estados Unidos não poderem dar a sensação de condescender na aprovação de    resoluções «absurdas» apenas porque esses «disparates» eram «amplamente apoiados».    Assim, Foy Kohler julgava que o Governo de Washington deveria abster-se, seguindo,    por uma questão de solidariedade com as potências ocidentais, a posição «corajosa»    do Reino Unido<a name="top37"></a><a href="#37"><sup>37</sup></a>.</p>     <p>Perante a divisão crescente dentro do Departamento de Estado, em que nenhuma    das partes em contenda tinha força suficiente para impor o seu ponto de vista,    a Administração Eisenhower acabou por tomar a decisão de se abster em todas    as resoluções sobre o colonialismo, votadas durante a XV Assembleia Geral das    Nações Unidas. Com o Presidente Eisenhower a servir de fiel da balança e a assumir    um papel decisivo na tomada desta decisão, os Estados Unidos não foram capazes    de clarificar a ambiguidade da sua política africana, cada vez mais disputada,    mesmo no seio da Administração. O sentido de voto dos Estados Unidos na ONU    reflectiu, claramente, o dilema tradicional da posição em relação ao colonialismo,    com atitudes que, em última análise, eram mais próximas das potências coloniais    do que do bloco afro-asiático. </p>     <p>Exemplo claro disto foi a abstenção em relação à Resolução 1514. Até bem perto    do dia da votação, tudo fazia crer que os Estados Unidos iam optar por votar    a favor. Mas como a divisão era tão grande em Foggy Bottom, o secretário de    Estado Christian Herter optou por consultar o Presidente sobre qual a posição    a adoptar. Conhecendo as idiossincrasias do Chefe de Estado norte-americano    em relação à questão colonial, a 8 de Dezembro de 1960, Herter enviou o rascunho    da moção a Eisenhower, realçando que compreendia que a linguagem da proposta    podia levar o Presidente norte-americano a abster-se. No entanto, avisava-o    que a abstenção podia trazer consequências graves para os Estados Unidos, nomeadamente    em termos da sua capacidade de moderação das resoluções afro-asiáticas. Herter    acrescentava que, à excepção dos Assuntos Europeus, todos no Departamento de    Estado apoiavam fortemente o voto favorável dos Estados Unidos e ele próprio,    apesar de não concordar com as afirmações constantes na resolução, acreditava    que se devia «fechar os olhos e votar a favor»<a name="top38"></a><a href="#38"><sup>38</sup></a>.</p>     <p>No entanto, e por decisão pessoal, o Presidente Eisenhower acabou por ordenar    a abstenção do representante norte-americano nas Nações Unidas<a name="top39"></a><a href="#39"><sup>39</sup></a>.    A difícil decisão dos Estados Unidos tinha sido tomada à última hora, acedendo    a um pedido particular do primeiro-ministro britânico Harold Macmillan<a name="top40"></a><a href="#40"><sup>40</sup></a>.    Mas esta decisão do Presidente norte-americano acabava por reflectir o seu desejo    de evitar que a ONU se transformasse num verdadeiro <i>monstro</i>, onde Washington    se permitisse ficar condicionada pelas jovens nações africanas, tornando-se    incapaz de se mostrar solidária com os seus tradicionais aliados europeus<a name="top41"></a><a href="#41"><sup>41</sup></a>.    No entanto, esta posição tinha colocado os Estados Unidos contra 89 estados-membros    das Nações Unidas, o que deixou a missão norte-americana na organização «furiosa»,    temendo as consequências negativas para a posição global dos Estados Unidos<a name="top42"></a><a href="#42"><sup>42</sup></a>.</p>     <p>Já em relação à Resolução 1542, os Estados Unidos, após terem pesado cautelosamente    os prós e os contras da sua posição, optaram por se abster, numa decisão tomada    pelo Departamento de Estado. Ainda que Portugal tenha tentado até ao último    momento que os Estados Unidos mudassem o seu sentido de voto para votar contra    a resolução, Herter acabou por defender a posição intermédia, acreditando ser    a menos onerosa para os interesses norte-americanos. Consciente de que os Estados    Unidos tinham que «medir cuidadosamente as suas responsabilidades globais» e    que não podiam «ficar indiferentes às consequências das acções nas Nações Unidas»,    a abstenção era considerada a melhor solução para o problema que a votação desta    resolução colocava. Se, por um lado, era preciso evitar que as nações africanas    apenas olhassem para o lado soviético quando procuravam apoio para fazer aprovar    resoluções que julgavam vitais para os seus interesses, por outro, os Estados    Unidos não podiam «apoiar uma resolução que isolava um determinado país, enumerando    a lista dos seus territórios dependentes», e exigindo apenas a este o cumprimento    dos preceitos do artigo 73.º da Carta<a name="top43"></a><a href="#43"><sup>43</sup></a>.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>PORTUGAL E OS ESTADOS UNIDOS NO FINAL DA ADMINISTRAÇÃO EISENHOWER</b></p>     <p>Do lado português, a aprovação das resoluções nas Nações Unidas foi recebida    com um profundo mal-estar. Dias antes da votação em Nova York, Salazar reafirmara    a posição portuguesa, numa atitude entendida pela embaixada norte-americana    como um sinal claro da sua rigidez, o que traria claras consequências para as    relações entre os dois países. Analisando a campanha anticolonialista que punha    em causa o trabalho desenvolvido por Portugal ao longo de quatrocentos anos,    Oliveira Salazar reafirmava o carácter compósito, «euro-africano e euro-asiático»    de Portugal. Para o Presidente do Conselho, as políticas seguidas pelos governos    de Lisboa, ao longo de vários regimes, tinham permitido construir um sistema    de unidade nacional, baseado na igualdade dos vários povos que compunham a nação    portuguesa. Tratava-se de uma «realidade social e histórica traduzida nas Constituições»    e que, por essa razão, não comportava «alienações, cedências ou abandonos»,    nem sequer a possibilidade da autodeterminação. Quanto à «campanha contra Portugal»    levada a cabo nas Nações Unidas, ela era considerada, no mínimo, «aventurosa»,    já que ressuscitava um carácter «parlamentarista, excessivamente intervencionista    e internacionalizante», que era contrário ao «espírito que presidiu» à criação    da ONU. Na verdade, abria caminho à «intervenção abusiva» de países terceiros    na política interna de cada Estado, o que, de acordo com Salazar, era «ilegítimo»    e «discriminatório». Desta forma, a Portugal apenas restava continuar a «defender    o que muitos vêem ameaçado e alguns julgam mesmo perdido», num processo que,    para o Presidente do Conselho, exigiria «grandes sacrifícios, a mais absoluta    dedicação e, se necessário, também o sangue das nossas veias». No fundo, tratava-se    de resistir contra os «ventos da história»<a name="top44"></a><a href="#44"><sup>44</sup></a>.</p>     <p>Em face da posição oficial do Governo português perante os acontecimentos nas    Nações Unidas, a representação diplomática dos Estados Unidos em Lisboa acreditava    veementemente que Portugal ia, daí em diante, colocar num dos pratos da balança    os acordos e compromissos internacionais, ao mesmo tempo que, no outro prato,    colocaria o eventual apoio que os seus aliados estivessem na disposição de dar    à política colonial portuguesa. Assim, esperava-se que Portugal iniciasse uma    política de <i>quid pro quo</i> em relação aos seus aliados mais «recalcitrantes».    No caso particular dos Estados Unidos, era claro que a renegociação da Base    das Lajes estaria dependente do apoio norte-americano à presença portuguesa    na África<a name="top45"></a><a href="#45"><sup>45</sup></a>.</p>     <p>Ao longo de oito anos de administração, a política externa norte-americana    em relação a Portugal acabou por adoptar uma postura de condescendência, de    forma a não criar riscos para os interesses de Washington em Portugal metropolitano,    tendo a utilização da Base das Lajes nos Açores sempre como pano de fundo. Constrangida    pela Guerra Fria, a Administração Eisenhower deixou alimentar o dilema da sua    política em relação ao problema colonial, numa evolução ambígua que não foi    capaz de evitar a tomada de decisões contraditórias entre aquilo que era a competição    interna do Departamento de Estado e as posições políticas finais. Daí não ser    surpreendente que, à margem de um relatório acerca da evolução política de Angola,    produzido em Janeiro de 1961, e&nbsp;que apoiava a manutenção da política norte-americana    seguida até então, se realçasse a ideia de que eram bastantes remotas as possibilidades    de ali ocorrerem distúrbios políticos e sociais. Contudo, fruto de uma leitura    posterior, estava a seguinte afirmação manuscrita, demonstradora de uma certa    perplexidade: «Mas aconteceu!»<a name="top46"></a><a href="#46"><sup>46</sup></a>    Em conclusão, a manutenção da política de apoio ao colonialismo português deveu-se    sobretudo à idiossincrasia do Presidente norte-americano Dwight Eisenhower.    Caberia à Administração Kennedy aplicar a política pela qual a maioria do Departamento    de Estado ansiava. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>NOTAS</b></p>     <p><a name="1"></a><a href="#top1"><sup>1</sup></a> Memorando de conversa entre    o Presidente Eisenhower e o Presidente do Conselho Oliveira Salazar, 19 de Maio    de 1960. Dwight D. Eisenhower Presidential Library, Abilene, KS – White House    Office, Office of the Staff Secretary, Records, 1952-61, International Trips    and Meetings Series, Cx. 12.</p>     <!-- ref --><p><a name="2"></a><a href="#top2"><sup>2</sup></a> MERIWETHER, James H. – «Africa    and the Eisenhower Administration», in STATLER, Kathryn C., e ANDREW I. Johns    – <i>The Eisenhower Administration, The Third World, and the Globalization of    the Cold War</i>. Nova York: Rowman &amp; Littlefield Publishers, 2006, pp.    191-192.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000066&pid=S1645-9199201100020000100001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><a name="3"></a><a href="#top3"><sup>3</sup></a> MERIWETHER, James H. – «Africa    and the Eisenhower Administration», p. 176.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000067&pid=S1645-9199201100020000100002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><a name="4"></a><a href="#top4"><sup>4</sup></a> BORSTELMANN, Thomas – <i>The    Cold War and the Color Line</i>. Cambridge: Harvard University Press, 2001,    p. 117.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000068&pid=S1645-9199201100020000100003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><a name="5"></a><a href="#top5"><sup>5</sup></a> MERIWETHER, James H. – «Africa    and the Eisenhower Administration».&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000069&pid=S1645-9199201100020000100004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><a name="6"></a><a href="#top6"><sup>6</sup></a> KENT, John – «United States    reactions to empire, colonialism, and the Cold War in Black Africa, 1949-1957».    In <i>The Journal of Imperial and Commonwealth History</i>. Vol. 33, N.º 2,    2005, pp. 195-220.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000070&pid=S1645-9199201100020000100005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p><sup><a name="7"></a><a href="#top7">7</a></sup> Memorando 6001 do National    Security Council, 19 de Janeiro de 1960. Dwight D. Eisenhower Presidential Library,    Abilene, KS – White House Office, Office of the Special Assistant for National    security Affairs: records, 1952-61, NSC Series, Policy Papers subseries, Cx.    28.</p>     <!-- ref --><p><a name="8"></a><a href="#top8"><sup>8</sup></a> ALEXANDRE, Valentim – «A descolonização    portuguesa em perspectiva comparada». In Franco, Manuela (ed.) – <i>Portugal,    os Estados Unidos e a África AustraI</i>. Lisboa: flad, 2006, pp. 31-59.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000072&pid=S1645-9199201100020000100006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><a name="9"></a><a href="#top9"><sup>9</sup></a> «A posição portuguesa em face    da Europa, da América e da África», 23 de Maio de 1959. SALAZAR, A. Oliveira    – <i>Discursos e Notas Políticas</i>. Vol. vi. Coimbra: Coimbra Editora, 1967,    pp. 55-74.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000073&pid=S1645-9199201100020000100007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><a name="10"></a><a href="#top10"><sup>10</sup></a> NOGUEIRA, A. Franco – <i>Salazar.    A Resistência (1958-1964)</i>. Porto: Livraria Civilização Editora, 2000, pp.    113 e 103.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000074&pid=S1645-9199201100020000100008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p><a name="11"></a><a href="#top11"><sup>11</sup></a> Telegrama da Embaixada    dos Estados Unidos em Lisboa, 23 de Junho de 1960. NARA, RG 84, US Legation    Lisbon, Cx.&nbsp;52.</p>     <p><sup><a name="12"></a><a href="#top12">12</a></sup> Telegrama da Embaixada    dos Estados Unidos em Lisboa, 15 de Julho de 1960. NARA, RG 84, US Legation    Lisbon, Cx.&nbsp;52.</p>     <p><a name="13"></a><a href="#top13"><sup>13</sup></a> Despacho do Departamento    de Estado, 7 de Julho de 1960. NARA, RG 84, US Legation Lisbon, Cx. 52.</p>     <p><a name="14"></a><a href="#top14"><sup>14</sup></a> Despacho do Departamento    de Estado, 7 de Julho de 1960. NARA, RG 84, US Legation Lisbon, Cx. 52.</p>     <!-- ref --><p><a name="15"></a><a href="#top15"><sup>15</sup></a> MARCOS, Daniel – <i>Salazar    e de Gaulle: a França e a Questão Colonial Portuguesa (1958-1968)</i>. Lisboa:    Instituto Diplomático, 2007, pp. 49-57.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000079&pid=S1645-9199201100020000100009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p><a name="16"></a><a href="#top16"><sup>16</sup></a> Memorando do Bureau de    Assuntos Europeus, 8 de Março de 1960. NARA, RG 84, US Legation Lisbon, Cx.    51.</p>     <p><sup><a name="17"></a><a href="#top17">17</a></sup> Despacho do secretário    de Estado Christian Herter para a Embaixada dos Estados Unidos em Lisboa, 24    de Julho de 1960. NARA, RG 84, US Legation Lisbon, Cx. 51.</p>     <!-- ref --><p><sup><a name="18"></a><a href="#top18">18</a></sup> Conferir MARCOS, Daniel    – «Uma relação conturbada: os americanos nos Açores e a questão colonial portuguesa    nos anos 50». In OLIVEIRA, Pedro, e REZOLA, Maria Inácia (coord.) – <i>O Longo    Curso. Estudos de Homenagem a José Medeiros Ferreira</i>. Lisboa: Edições Tinta-da-China,    2010, pp. 387-410.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000082&pid=S1645-9199201100020000100010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p><sup><a name="19"></a><a href="#top19">19</a></sup> Memorando para o Presidente    Eisenhower do secretário de Estado Christian Herter, 1 de Novembro de 1960.    Dwight D. Eisenhower Presidential Library, Abilene, KS – White House Office,    Office of the Staff Secretary, Records, 1952-61, International Series, Cx. 13.</p>     <p><sup><a name="20"></a><a href="#top20">20</a></sup> Memorando de Conversa entre    o Presidente Eisenhower e o Embaixador dos Estados Unidos em Lisboa, 9 de Novembro    de 1960. Dwight D. Eisenhower Presidential Library, Abilene, KS – White House    Office, Office of the Staff Secretary, Records, 1952-61, International Series,    Cx.&nbsp;13.</p>     <p><sup><a name="21"></a><a href="#top21">21</a></sup> Memorando de Conversa entre    o Presidente Eisenhower e o Embaixador dos Estados Unidos em Lisboa, 9 de Novembro    de 1960. Dwight D. Eisenhower Presidential Library, Abilene, KS – White House    Office, Office of the Staff Secretary, Records, 1952-61, International Series,    Cx.&nbsp;13.</p>     <!-- ref --><p><sup><a name="22"></a><a href="#top22">22</a></sup> SCHMITZ, David F. – <i>Thank    God They’re on Our Side. The United States and Right Wing Dictatorships, 1921-1965</i>.    Chapel Hill: The University of North Carolina Press, 1999.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000086&pid=S1645-9199201100020000100011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><sup><a name="23"></a><a href="#top23">23</a></sup> SCHNEIDMAN, Witney W. –    <i>Confronto em África. Washington e a Queda do Império Colonial Português</i>.    Lisboa: Tribuna da História, 2005, p. 34.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000087&pid=S1645-9199201100020000100012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><sup><a name="24"></a><a href="#top24">24</a></sup> MAGALHÃES, José Calvet    – <i>Portugal e as Nações Unidas. A Questão Colonial (1955-1974)</i>. Lisboa:    Cadernos do Lumiar/ /Instituto de Estudos Estratégicos Internacionais, 1996.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000088&pid=S1645-9199201100020000100013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><sup><a name="25"></a><a href="#top25">25</a></sup> RODRIGUES, Luís Nuno –    <i>Salazar e Kennedy: A Crise de Uma Aliança</i>. Lisboa: Editorial Notícias,    2002.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000089&pid=S1645-9199201100020000100014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p><sup><a name="26"></a><a href="#top26">26</a></sup> O outro país era a Espanha.</p>     <p><sup><a name="27"></a><a href="#top27">27</a></sup> Draft Position Paper from    the Department of State de 24 de Agosto de 1960. NARA, RG59, Bureau African    Affairs, Country Files, 1955-1963, Cx. 10.</p>     <p><sup><a name="28"></a><a href="#top28">28</a></sup> Draft Position Paper from    the Department of State de 24 de Agosto de 1960. NARA, RG59, Bureau African    Affairs, Country Files, 1955-1963, Cx. 10.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><sup><a name="29"></a><a href="#top29">29</a></sup> Desde 1959 que Holden Roberto    se deslocava com alguma regularidade aos Estados Unidos com o objectivo de ganhar    apoio junto da elite política, académica e diplomática deste país. Conferir    N’GANGA, João Paulo – <i>O Pai do Nacionalismo Angolano. As Memórias de Holden    Roberto</i>. São Paulo: Editora Parma, 2008.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000093&pid=S1645-9199201100020000100015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p><sup><a name="30"></a><a href="#top30">30</a></sup> Memorando de Conversa,    2 de Dezembro de 1960. NARA, RG 84, US Legation Lisbon, Cx. 52.</p>     <p><sup><a name="31"></a><a href="#top31">31</a></sup> <i>Ibidem.</i></p>     <!-- ref --><p><sup><a name="32"></a><a href="#top32">32</a></sup> PRUDEN, Caroline –<i> Conditional    Partners. Eisenhower, the United Nations, and the Search for a Permanent Peace.</i>    Baton Rouge: Louisiana State University Press, 1998.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000096&pid=S1645-9199201100020000100016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><sup><a name="33"></a><a href="#top33">33</a></sup> UN Yearbook 1960, pp. 44-50    e 511-513.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000097&pid=S1645-9199201100020000100017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p><sup><a name="34"></a><a href="#top34">34</a></sup> Memorando de William Nunley    para o Subsecretário de Estado para os Assuntos Europeus, 16 de Novembro de    1960. NARA, RG 84, US Legation Lisbon, Cx. 51.</p>     <p><sup><a name="35"></a><a href="#top35">35</a></sup> Memorando de Burke Elbrick    para Roy Kohler, 1 de Novembro de 1960. NARA, RG 59, European Affairs Lot File    69D23, Cx.&nbsp;9.</p>     <p><sup><a name="36"></a><a href="#top36">36</a></sup> Memorando do Subsecretário    de Estado dos Assuntos Europeus para William T. Nunley, 7 de Dezembro de 1960.    NARA, RG 84, US Legation Lisbon, Cx.&nbsp;51.</p>     <p><sup><a name="37"></a><a href="#top37">37</a></sup> Memorando do Subsecretário    de Estado dos Assuntos Europeus para William T. Nunley, Responsável por questões    de Informação e Serviços Secretos, 7 de Dezembro de 1960. NARA, RG 84, US Legation    Lisbon, Cx. 51.</p>     <p><sup><a name="38"></a><a href="#top38">38</a></sup> Memorando do Secretário    de Estado Christian Herter para o Assessor da Presidência Andrew Goodpaster,    8 de Dezembro de 1960. Dwight D. Eisenhower Presidential Library, Abilene, KS    – Ann Whitman File, Dulles-Herter Series, Cx.&nbsp;13.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><sup><a name="39"></a><a href="#top39">39</a></sup> Telegrama da Casa Branca    para a Embaixada dos Estados Unidos em Londres, 10 de Dezembro de 1960. Dwight    D. Eisenhower Presidential Library, Abilene, KS – Christian Herter Papers, Chronological    File, Cx. 9.</p>     <p><sup><a name="40"></a><a href="#top40">40</a></sup> Carta de Dean Brown para    Burke Elbrick, 15 de Dezembro de 1960. NARA, RG 84, US Legation Lisbon, Cx.    51.</p>     <p><sup><a name="41"></a><a href="#top41">41</a></sup> A expressão de Eisenhower    referia o desejo de evitar que a ONU se transformasse «num verdadeiro Frankenstein».    Conferir o Memorando de Conversa entre o Presidente Eisenhower e o embaixador    dos Estados Unidos em Lisboa, 9 de Novembro de 1960. Dwight D. Eisenhower Presidential    Library, Abilene, KS – White House Office, Office of the Staff Secretary, Records,    1952-61, International Series, Box 13.</p>     <p><sup><a name="42"></a><a href="#top42">42</a></sup> Carta de Dean Brown para    Burke Elbrick, 15 de Dezembro de 1960. NARA, RG 84, US Legation Lisbon, Cx.    51.</p>     <p><sup><a name="43"></a><a href="#top43">43</a></sup> Telegrama do Departamento    de Estado para a Embaixada dos Estados Unidos em Lisboa, 15 de Dezembro de 1960.    NARA, RG 84, US Legation Lisbon, Cx. 51.</p>     <!-- ref --><p><sup><a name="44"></a><a href="#top44">44</a></sup> «Portugal e a campanha    anti-colonialista», 30 de Novembro de 1960. Salazar, A. Oliveira – <i>Discursos    e Notas Políticas.</i> Vol. VI. Coimbra: Coimbra Editora, 1967, pp. 83-112.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000108&pid=S1645-9199201100020000100018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p><sup><a name="45"></a><a href="#top45">45</a></sup> Telegrama da Embaixada    dos Estados Unidos em Lisboa, 15 de Dezembro de 1960. NARA, RG 84, US Legation    Lisbon, Cx. 53.</p>     <p><sup><a name="46"></a><a href="#top46">46</a></sup> «Portuguese policy in Angola    – An appraisal», 4 de Janeiro de 1961. NARA, RG 84, US Legation Lisbon, Cx.    51.</p>      ]]></body><back>
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