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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Os Estados Unidos e Osama bin Laden uma década depois: a derrota da Al-Qaida e o fim da unipolaridade?]]></article-title>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[US and Usama bin Ladin a decade after: The al-Qaida&#8217;s defeat and the end of the unipolarity?]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[A decade after the 9/11 terrorist attacks there are some issues that could be examined in order to understand the transformations occurred. This article explores the origins of Al-Qaida and tries to understand whether Al-Qaida had represented a new form of terrorism or a reason to the international security changes and also explores the real impact of Al-Qaida in the international security. Then it examines the 9/11 impact on the way to think International Relations discipline, and analyses the Al-Qaida in the international system and its future after bin Laden&#8217;s death.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ 
	    <p><font face="verdana" size="2"><b>Os Estados Unidos e Osama bin Laden uma d&eacute;cada depois a derrota da Al&#45;Qaida e o fim da unipolaridade?</b></font></p>

    <p>&nbsp;</p>
    <p><font face="verdana" size="2"><b>Bruno Cardoso Reis</b></font></p>
    <p><font face="verdana" size="2">Licenciado e mestre em Hist&oacute;ria (Faculdade de Letras de Lisboa). Tem o mestrado em Historical Studies pela Universidade de Cambridge (2003). &Eacute; doutor em Seguran&ccedil;a Internacional (War Studies, King&rsquo;s College) desde 2008, e a sua tese sob o t&iacute;tulo Big Armies and Small Wars dever&aacute; ser publicada durante o pr&oacute;ximo ano. Em 2007 publicou Salazar e o Vaticano que recebeu os pr&eacute;mios V&iacute;tor de S&aacute; e Aristides de Sousa Mendes. &Eacute; actualmente investigador no ICS &#150; UL e do IDN e investigador associado do King&rsquo;s College. &Eacute; membro do CEHR &#150; UCP, do IISS e da APCP.</font></p>
    <p>&nbsp;</p>
    <p><font face="verdana" size="2">RESUMO</font></p>
    <p><font face="verdana" size="2">Uma d&eacute;cada ap&oacute;s os ataques terroristas de 11 de Setembro, existem alguns t&oacute;picos que podem ser desenvolvidos para melhor compreendermos as transforma&ccedil;&otilde;es ocorridas. O&nbsp;artigo come&ccedil;a por explorar os contornos da cria&ccedil;&atilde;o da Al&#45;Qaida avaliando se representou uma nova forma de terrorismo, se alterou as din&acirc;micas da seguran&ccedil;a internacional e qual o real impacto da Al&#45;Qaida em termos da seguran&ccedil;a internacional. Depois avalia o impacto do 11 de Setembro na forma de pensar as rela&ccedil;&otilde;es internacionais, concluindo com a an&aacute;lise da Al&#45;Qaida no sistema internacional e o seu futuro ap&oacute;s a morte de bin Laden.</font></p>
    <p><font face="verdana" size="2"><b>Palavras&#45;chave:</b> Estados Unidos, 11 de Setembro, terrorismo, Al&#45;Qaida</font></p>
    <p>&nbsp;</p>
    ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="verdana" size="2"><b>US and Usama bin Ladin a decade after. The al&#45;Qaida&rsquo;s defeat and the end of the unipolarity?</b></FONT></p>
    <p><font face="verdana" size="2">ABSTRACT</FONT></p>
    <p><font face="verdana" size="2">A decade after the 9/11 terrorist
attacks there are some issues that could be examined in order to understand the transformations occurred. This article explores the origins of Al&#45;Qaida and tries to understand whether Al&#45;Qaida had represented a new form of terrorism or a reason to the international security changes and also explores the real impact of Al&#45;Qaida in the international security. Then it examines the 9/11 impact on the way to think International Relations discipline, and analyses the Al&#45;Qaida in the international system and its future after bin Laden&rsquo;s death.</font></p>
    <p><font face="verdana" size="2"><b>Keywords:</b> United States, 9/11, terrorism, Al&#45;Qaida.</font></p>
    <p>&nbsp;</p>
    <p><font face="verdana" size="2">Os ataques do 11 de Setembro de 2001 chocaram o mundo. Percebe&#45;se porqu&ecirc;. Os ataques orquestrados por um grupo de 19 terroristas da Al&#45;Qaida &#150; uma organiza&ccedil;&atilde;o terroristas islamita radical liderada por Osama bin Laden (1932&#45;2011) &#150; usaram avi&otilde;es de passageiros como armas para destru&iacute;rem as Torres G&eacute;meas, o edif&iacute;cio mais alto dos Estados Unidos, a superpot&ecirc;ncia por excel&ecirc;ncia, e atingiram imponentemente o Pent&aacute;gono, o quartel&#45;general das For&ccedil;as Armadas mais poderosas do planeta. Numa &eacute;poca dominada pela seculariza&ccedil;&atilde;o, pelo menos no Ocidente, atacavam em nome de uma guerra santa.</font></p>
    <p><font face="verdana" size="2">Passada uma d&eacute;cada, o que fundamentalmente interessa perceber, parece&#45;nos ser:</font></p>

	    <p>&nbsp;</p>
	    <p><font face="verdana" size="2">&bull; A Al&#45;Qaida representou uma nova forma de terrorismo que alterou as din&acirc;micas da seguran&ccedil;a internacional?</font></p>
    <p><font face="verdana" size="2">&bull; Com que objectivos e porqu&ecirc; surgiu a Al&#45;Qaida dos despojos do triunfo do Ocidente na Guerra Fria?</font></p>

	    ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="verdana" size="2">&bull; Teve um mero grupo terrorista um real impacto em termos da seguran&ccedil;a internacional?</font></p>

	    <p><font face="verdana" size="2">&bull; Teve o 11 de Setembro algum impacte na forma de pensar as rela&ccedil;&otilde;es internacionais?</font></p>

	    <p><font face="verdana" size="2">&bull; Qual foi o impacto da Al&#45;Qaida no sistema internacional e qual ser&aacute; o seu futuro, ap&oacute;s a morte de bin Laden?</font></p>

	    <p>&nbsp;</p>
	    <p><font face="verdana" size="2"><b>UM TERRORISMO DIFERENTE E COM FUTURO?</b></font></p>
    <p><font face="verdana" size="2">Muito se falou e temeu em 2001 uma era futura dominada por um novo superterrorismo face ao qual at&eacute; as superpot&ecirc;ncias seriam impotentes. Este cen&aacute;rio mais pessimista n&atilde;o se verificou. Ou seja, o 11 de Setembro de 2011 n&atilde;o marcou o in&iacute;cio de uma d&eacute;cada de atentados terroristas muito frequentemente causando milhares de mortos num momento.</font></p>

	    <p><font face="verdana" size="2">Podemos ver hoje que um dos problemas da Al&#45;Qaida com o 11 de Setembro foi que n&atilde;o s&oacute; levou a uma resposta violent&iacute;ssima dos Estados Unidos contra si, como estabeleceu um patamar de expectativas dif&iacute;cil de igualar.</font></p>

	    <p><font face="verdana" size="2">O que n&atilde;o anula o facto de que a Al&#45;Qaida elevou de forma terr&iacute;vel a fasquia desta forma de combate essencialmente psicol&oacute;gico. H&aacute;, portanto, um maior risco de novos atentados com esse n&iacute;vel de ambi&ccedil;&atilde;o ou superior &#150; o terrorismo vive do choque causado &#150; ao 11 de Setembro.</font></p>

	    <p><font face="verdana" size="2">Mais ainda, se n&atilde;o houve terrorismo maci&ccedil;o nesta d&eacute;cada, houve uma massa de terrorismo ligado ou alinhado com a Al&#45;Qaida. Deram&#45;se v&aacute;rios ataques significativos contra pa&iacute;ses ocidentais &#150; embora os Estados Unidos nunca mais tenham sido atingidos, uma clara derrota da Al&#45;Qaida, ainda que por pouco em v&aacute;rios casos. Houve ainda muitos ataques, geralmente menos notados, contra aliados do Ocidente e inimigos da Al&#45;Qaida fora do Ocidente, desde Java at&eacute; Bombaim, passando pela Ar&aacute;bia Saudita e chegando at&eacute; Rabat. O que significa que os horizontes das rela&ccedil;&otilde;es internacionais ainda precisam ser mais alargados.</font></p>

	    <p><font face="verdana" size="2">E, apesar de n&atilde;o na forma de ataques com milhares de mortos da cada vez, pode dizer&#45;se que com a <i>Al&#45;Qaida ganhou preemin&ecirc;ncia um estilo de terrorista relativamente novo</i> pela conjuga&ccedil;&atilde;o de duas caracter&iacute;sticas principais:</font></p>

	    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>
	    <p><font face="verdana" size="2">&bull; um <i>modus operandi</i> que procura levar a cabo coordenadamente v&aacute;rios ataques terroristas simult&acirc;neos;</font></p>
	    <p><font face="verdana" size="2">&bull; uma <i>estrutura organizacional</i> transnacional, que recusa expressamente uma identifica&ccedil;&atilde;o nacional<a name="top1"></a><a href="#1"><sup>1</sup></a>.</font></p>

    <p>&nbsp;</p>
    <p><font face="verdana" size="2">Quanto aos ataques simult&acirc;neos h&aacute; indicadores fortes de que esta &eacute; uma marca que a Al&#45;Qaida tem procurado manter. Foi assim com o 11 de Setembro, tinha sido assim antes com os ataques de 7 de Agosto de 1998 contra as embaixadas norte&#45;americanas no Qu&eacute;nia e Tanz&acirc;nia. E foi assim tamb&eacute;m com o 7 de Julho de 2005 em Londres e o 11 de Mar&ccedil;o de 2004 em Madrid. Esta forma de operar torna o terrorismo mais aterrorizador e dificulta uma resposta eficaz.</font></p>
    <p><font face="verdana" size="2">O ataque do Lashkar&#45;i&#45;Taiba, um grupo jihadista pr&oacute;ximo da Al&#45;Qaida e baseado no Paquist&atilde;o, em Bombaim, a 26 de Novembro de 2011, pode ser visto como um sinal de difus&atilde;o deste <i>modus operandi </i>&#150; consistiu em mais de 10 ataques simult&acirc;neos, que dividiram e confundiram as for&ccedil;as de seguran&ccedil;a e espalharam o terror.</font></p>

	    <p><font face="verdana" size="2">Mais recentemente ainda, o &uacute;ltimo grande ataque terrorista &#150; na Noruega, em Julho de 2011 &#150; parece mostrar que at&eacute; um <i>lone wolf</i>, um terrorista solit&aacute;rio, ironicamente hostil ideologicamente com a Al&#45;Qaida, pode imitar este novo modelo de terrorismo. Parece portanto haver uma perigosa tend&ecirc;ncia na multiplica&ccedil;&atilde;o deste <i>modus operandi</i><a name="top2"></a><a href="#2"><sup>2</sup></a>.</font></p>

    <p><font face="verdana" size="2">O 11 de Setembro, do ponto de vista do terrorista como t&aacute;ctica, est&aacute; certamente entre os ataques mais bem&#45;sucedidos da hist&oacute;ria se n&atilde;o mesmo o mais bem&#45;sucedido de sempre (da&iacute; a imita&ccedil;&atilde;o): pelo grau de destrui&ccedil;&atilde;o, nunca antes visto, mais de trinta vezes o n&uacute;mero de v&iacute;timas do maior atentado anterior; e por ter violado a barreira psicol&oacute;gica da invulnerabilidade militar do territ&oacute;rio continental dos Estados Unidos que remontava ao ataque brit&acirc;nico a Washington em 1812.</font></p>

	    <p><font face="verdana" size="2">Tacticamente, portanto, o 11 de Setembro foi um grande sucesso para a Al&#45;Qaida. Mas tamb&eacute;m criou um n&iacute;vel de expectativas dif&iacute;cil de gerir no futuro. E colocou a quest&atilde;o do que fazer estrategicamente com este ataque, que obteve com ele a Al&#45;Qaida? Tema da pr&oacute;xima sec&ccedil;&atilde;o.</font></p>

	    <p>&nbsp;</p>
	    ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="verdana" size="2"><b>PRINC&Iacute;PIOS E FINS DA AL&#45;QAIDA, SUCESSOS E FRACASSOS</b></font></p>
    <p><font face="verdana" size="2">A Al&#45;Qaida &#150; ou A Base &#150; surgiu com essa designa&ccedil;&atilde;o entre 1988 e 1992, em torno da lideran&ccedil;a de Osama bin Laden (1932&#45;2010). Ela nasceu da Guerra Fria. Referimo&#45;nos n&atilde;o s&oacute; &agrave;s bem conhecidas circunst&acirc;ncias da sua origem, mas sobretudo &#150; o que tem sido menos sublinhado &#150; &agrave; forma como uma certa leitura de bin Laden quanto ao fim da Guerra Fria determinou o essencial das suas op&ccedil;&otilde;es que culminaram no 11 de Setembro de 2001.</font></p>

	    <p><font face="verdana" size="2">Ela teve origem como &eacute; sabido nos esfor&ccedil;os crescentes feitos durante aquela que seria a &uacute;ltima d&eacute;cada da Guerra Fria para apoiar a guerrilha contra a URSS no Afeganist&atilde;o. Para os Estados Unidos a ideia era simples e irresist&iacute;vel &#150; desgastar o poderio sovi&eacute;tico, com fundos, armas e homens em boa parte fornecidos por outros. Para a Ar&aacute;bia Saudita era uma forma de mostrar servi&ccedil;o ao Ocidente e ao isl&atilde;o. Para o Paquist&atilde;o era uma forma de fazer outros pagarem a sua agenda de aquisi&ccedil;&atilde;o de profundidade estrat&eacute;gica no Afeganist&atilde;o evitando ser encurralado entre duas amea&ccedil;as combinadas &#150; a &Iacute;ndia e a URSS.</font></p>

	    <p><font face="verdana" size="2">Bin Laden encontrou a sua voca&ccedil;&atilde;o neste contexto. Ele seria um gestor como o seu pai, mas n&atilde;o no ramo da constru&ccedil;&atilde;o, e sim no da demoli&ccedil;&atilde;o de uma superpot&ecirc;ncia, a URSS. Mas quem destr&oacute;i uma superpot&ecirc;ncia pode sempre tentar destruir outra se ela tamb&eacute;m se revelar avessa aos seus prop&oacute;sitos.</font></p>

	    <p><font face="verdana" size="2">O que nos conduz &agrave; quest&atilde;o do final da Guerra Fria e das li&ccedil;&otilde;es que da&iacute; se tiraram para o futuro do sistema internacional. Em suma, quem ganhou e porqu&ecirc;?</font></p>

	    <p>&nbsp;</p>
	    <p><font face="verdana" size="2">&bull; Nos Estados Unidos valorizou&#45;se sobretudo o papel de Reagan no final da Guerra Fria, e a sua pol&iacute;tica externa assertiva e algo unilateral, assim como o poderio militar e tecnol&oacute;gico crescente dos norte&#45;americanos &#150; fez&#45;se uma interpreta&ccedil;&atilde;o mais realista.</font></p>
    <p><font face="verdana" size="2">&bull; Na Europa Ocidental valorizou&#45;se sobretudo as novas normas dos direitos humanos p&oacute;s&#45;Hels&iacute;nquia e a convers&atilde;o de Gorbatchev, o papel dos dissidentes que as promoveram no Leste como Vaclav Havel, e o das novas institui&ccedil;&otilde;es e grande liberdade e prosperidade da integra&ccedil;&atilde;o europeia levando ao grande desejo de entrar na CEE de boa parte da Europa de Leste &#150; fez&#45;se uma interpreta&ccedil;&atilde;o essencialmente liberal e institucionalista.</font></p>

	    <p><font face="verdana" size="2">&bull; Os islamitas radicais ligados a bin Laden consideraram que tinha sido a sagrada guerrilha, a <i>jihad</i>, e o isl&atilde;o que triunfaram no Afeganist&atilde;o e ganho a Guerra Fria. Tinham sido eles &#150; com a protec&ccedil;&atilde;o divina &#150; e n&atilde;o o Ocidente, quem ganhou a Guerra Fria. Tinham sido os <i>mujahaddin</i> &aacute;rabes e afeg&atilde;os que tinham derrotado uma URSS muito poderosa militarmente, utilizando a guerrilha, do terrorismo, do combate assim&eacute;trico. Em suma, bin Laden e os seus seguidores formularam uma interpreta&ccedil;&atilde;o <i>terrorista</i> do final da Guerra Fria.</font></p>

	    <p>&nbsp;</p>
	    ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="verdana" size="2">Poderia pensar&#45;se que a humilhante recusa da oferta feita repetidamente por bin Laden &agrave; dinastia saudita de aplicar esta li&ccedil;&atilde;o contra o agressivo Iraque de Saddam Hussain, e a vit&oacute;ria da alternativa, a Blitzkrieg dos Estados Unidos em 1991, teria feito bin Laden ver a sabedoria da <i>Realpolitik</i> saudita e comprovado definitivamente a hegemonia pol&iacute;tica e militar dos Estados Unidos no p&oacute;s&#45;Guerra Fria<a name="top3"></a><a href="#3"><sup>3</sup></a>.</font></p>
    <p><font face="verdana" size="2">Mas n&atilde;o foi assim com bin Laden &#150; uma personalidade pouco dada a d&uacute;vidas &#150; que, logo a seguir, em 1992&#45;1993, acreditou ver a confirma&ccedil;&atilde;o da validade desta sua vis&atilde;o das rela&ccedil;&otilde;es internacionais p&oacute;s&#45;Guerra Fria. Uma das primeiras ac&ccedil;&otilde;es da incipiente Al&#45;Qaida baseada no Sud&atilde;o &#150; onde o popular bin Laden se exilou, voluntariamente, em 1992 &#150; foi apoiar os grupos armados que na vizinha Som&aacute;lia faziam guerrilha contra a interven&ccedil;&atilde;o militar dos Estados Unidos, tal como ele o tinha feito no Afeganist&atilde;o. A&nbsp;retirada precipitada das tropas norte&#45;americanas, em 1993, alguns meses ap&oacute;s uma emboscada em que morreram 18 soldados norte&#45;americanos, t&ecirc;&#45;lo&#45;&aacute; convencido de que os Estados Unidos eram realmente um tigre de papel.</font></p>

	    <p><font face="verdana" size="2">A estrat&eacute;gia da Al&#45;Qaida assentou, portanto, no pressuposto que se revelou errado &#150; mas que n&atilde;o era delirante &#150; de que os Estados Unidos eram, tanto ou mais do que a URSS, um Golias vulner&aacute;vel &agrave;s t&aacute;cticas do terrorismo e da guerrilha. Bin Laden deu&#45;se ao trabalho de listar nove casos bem&#45;sucedidos de guerrilha isl&acirc;mica contra estados mais poderosos &#150; a come&ccedil;ar pela URSS no Afeganist&atilde;o, passando por Israel e os Estados Unidos no L&iacute;bano, e referindo explicitamente a Som&aacute;lia, para terminar com ataques da pr&oacute;pria Al&#45;Qaida<a name="top4"></a><a href="#4"><sup>4</sup></a>.</font></p>

    <p><font face="verdana" size="2">A derrota dos Estados Unidos pela Al&#45;Qaida por via assim&eacute;trica &#150; terrorismo e guerrilha &#150; iria, segundo bin Laden, fazer com que se afastassem do M&eacute;dio Oriente. Depois, seria f&aacute;cil fazer cair os regimes &aacute;rabes que dependiam do apoio dos Estados Unidos. Tinha sido assim com os regimes comunistas no Leste da Europa, e em 1992 com o regime comunista afeg&atilde;o de Najibullah.</font></p>

	    <p><font face="verdana" size="2">Livre do Ocidente, o isl&atilde;o guiado pela Al&#45;Qaida poderia recuperar a sua unidade e seria um vasto califado e uma nova superpot&ecirc;ncia. Este tem sido o objectivo estrat&eacute;gico m&aacute;ximo declarado da Al&#45;Qaida. E &eacute; claro que falhou neste aspecto.</font></p>

	    <p><font face="verdana" size="2">A Al&#45;Qaida ignorou, nomeadamente, a distin&ccedil;&atilde;o entre interven&ccedil;&otilde;es ocidentais volunt&aacute;rias por raz&otilde;es humanit&aacute;rias que se come&ccedil;am a causar muitas baixas perdem sentido, e interven&ccedil;&otilde;es consideradas vitais e necess&aacute;rias. Ora o M&eacute;dio Oriente &eacute; de import&acirc;ncia vital para o Ocidente. De tal forma, que foi o mais liberal e menos intervencionista dos presidentes dos Estados Unidos das &uacute;ltimas d&eacute;cadas, Jimmy Carter, quem declarou, expressamente, uma doutrina impl&iacute;cita h&aacute; muito, que os Estados Unidos usariam todos os meios necess&aacute;rios para impedir que uma &uacute;nica pot&ecirc;ncia hostil controlasse todo o petr&oacute;leo do M&eacute;dio Oriente<a name="top5"></a><a href="#5"><sup>5</sup></a>. A Al&#45;Qaida aumentou o pre&ccedil;o de o fazer mas n&atilde;o a ponto de o tornar insuport&aacute;vel.</font></p>

    <p><font face="verdana" size="2">E, apesar de derrotada no que os seus discursos apontavam como o seu objectivo estrat&eacute;gico central, a Al&#45;Qaida obteve pelo menos tr&ecirc;s objectivos interm&eacute;dios importantes depois do 11 de Setembro. O primeiro tem a ver com o estabelecimento da Al&#45;Qaida como o principal movimento islamita violento do mundo em termos da aten&ccedil;&atilde;o dos <i>media</i>, ocidentais e n&atilde;o s&oacute;<a name="top6"></a><a href="#6"><sup>6</sup></a>. Este &eacute; um ponto especialmente valorizado por aqueles que consideram que o terrorismo vive menos de uma l&oacute;gica estrat&eacute;gica cl&aacute;ssica, e mais de uma l&oacute;gica social &#150; de sobreviv&ecirc;ncia, coes&atilde;o e afirma&ccedil;&atilde;o de um grupo em que o recurso &agrave; viol&ecirc;ncia passa a ser um identificador essencial<a name="top7"></a><a href="#7"><sup>7</sup></a>. O segundo, com a retirada dos Estados Unidos de todas as suas for&ccedil;as militares da Ar&aacute;bia Saudita, o que permitiu &agrave; Al&#45;Qaida passar a poder reclamar que tinha &laquo;libertado&raquo; a terra mais santa do isl&atilde;o. E&nbsp;por fim, os Estados Unidos invadiram o Afeganist&atilde;o em 2002 e o Iraque em 2003, algo que a Al&#45;Qaida esperava como resultado da provoca&ccedil;&atilde;o do 11 de Setembro &#150; pois assim for&ccedil;aria os norte&#45;americanos a mostrar a sua face de agressores, de imperialistas, a todo o mundo isl&acirc;mico e iriam provocar uma <i>jihad</i> defensiva.</font></p>

    <p><font face="verdana" size="2">Foi, e &eacute;, neste quadro que o impacto e o sucesso de mais longo prazo da Al&#45;Qaida se joga. Se acabar por levar ao colapso do movimento o seu falhan&ccedil;o ser&aacute; total. Mas sobre isso, e sobre a morte de bin Laden falaremos a seguir.</font></p>

	    <p>&nbsp;</p>
	    <p><font face="verdana" size="2"><b>IMPACTO DA AL&#45;QAIDA NA SEGURAN&Ccedil;A INTERNACIONAL</b></font></p>
    ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="verdana" size="2">O facto de a Al&#45;Qaida n&atilde;o ter atingido o seu objectivo principal &eacute; algo frequente nos grupos terroristas, que geralmente s&atilde;o t&atilde;o maximalistas nos objectivos e violentos nos meios, quanto m&iacute;nima &eacute; a sua capacidade para os obter. Isto n&atilde;o significa que a Al&#45;Qaida n&atilde;o tenha transformado significativamente a seguran&ccedil;a internacional, ainda que indirectamente e n&atilde;o necessariamente no sentido que mais lhe convinha.</font></p>

	    <p><font face="verdana" size="2">&Eacute; ineg&aacute;vel que o terrorismo passou a estar claramente entre as amea&ccedil;as priorit&aacute;rias em todos os documentos estrat&eacute;gicos dos principais estados &#150; geralmente revistos pouco depois do 11 de Setembro de 2001.</font></p>

	    <p><font face="verdana" size="2">Tudo indica tamb&eacute;m que a Al&#45;Qaida passou a ser o grupo terrorista mais temido no Ocidente e n&atilde;o s&oacute; &#150; um objectivo impl&iacute;cito de qualquer grupo deste tipo.</font></p>

	    <p><font face="verdana" size="2">Tal teve um impacto profundo, n&atilde;o apenas nos discursos ou nas percep&ccedil;&otilde;es na opini&atilde;o p&uacute;blica, mas tamb&eacute;m nas op&ccedil;&otilde;es e nas institui&ccedil;&otilde;es de seguran&ccedil;a, nomeadamente nos Estados Unidos e no Ocidente:</font></p>

	    <p>&nbsp;</p>
	    <p><font face="verdana" size="2">&bull; For&ccedil;ou as For&ccedil;as Armadas dos Estados Unidos a ultrapassar a &laquo;s&iacute;ndrome do Vietname&raquo; e a adaptar&#45;se e empenhar&#45;se a fundo e dar prioridade a miss&otilde;es n&atilde;o convencionais,
	  e o mesmo sucedeu com outras institui&ccedil;&otilde;es militares ocidentais.</font></p>
    <p><font face="verdana" size="2">&bull; Chocou de frente com a &laquo;s&iacute;ndrome de Watergate&raquo; e o modelo de seguran&ccedil;a dominante no Ocidente democr&aacute;tico a partir dos anos 1970, ao tornar evidente os perigos de manter em compartimentos estanques a seguran&ccedil;a interna ou externa, e estabelecer fortes divis&oacute;rias entre v&aacute;rios servi&ccedil;os de informa&ccedil;&otilde;es, pol&iacute;cias, for&ccedil;as de seguran&ccedil;a.</font></p>

	    <p><font face="verdana" size="2">&bull; Acelerou fortemente a robotiza&ccedil;&atilde;o da guerra. A luta armada contra a Al&#45;Qaida e os seus aliados tem sido cada vez mais feita com o recurso a <i>drones</i> &#150; o Presidente Obama lan&ccedil;ou mais ataques deste tipo no primeiro ano da sua presid&ecirc;ncia do que em todos os anos desde 2001.</font></p>

    <p>&nbsp;</p>
    <p><font face="verdana" size="2">De facto, a Al&#45;Qaida, e os conflitos em que por sua causa mais ou menos directamente os Estados Unidos e os seus aliados se viram envolvidos, obrigaram as respectivas for&ccedil;as armadas a adaptarem&#45;se em termos de estrutura, de equipamento, de treino, de doutrina para combater conflitos assim&eacute;tricos. Sejam estas opera&ccedil;&otilde;es de contraguerrilha, de estabiliza&ccedil;&atilde;o/pacifica&ccedil;&atilde;o ou de opera&ccedil;&otilde;es especiais de contraterrorismo como a que matou bin Laden<a name="top8"></a><a href="#8"><sup>8</sup></a>.</font></p>
    ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="verdana" size="2">Uma ideia dominante na nova doutrina de seguran&ccedil;a p&oacute;s&#45;11 de Setembro tem sido a de uma abordagem abrangente &#150; <i>comprehensive approach</i><a name="top9"></a><a href="#9"><sup>9</sup></a>. Isto significou quebrar, ou pelo menos atenuar significativamente a separa&ccedil;&atilde;o entre as v&aacute;rias for&ccedil;as de seguran&ccedil;a e servi&ccedil;os de informa&ccedil;&otilde;es, uma das formas encontradas para evitar futuros abusos de poder depois do esc&acirc;ndalo das escutas de Watergate envolvendo o Presidente Nixon, com impacto no resto do Ocidente.</font></p>

    <p><font face="verdana" size="2">O 11 de Setembro marcou, portanto, uma mudan&ccedil;a importante, pelo menos ao n&iacute;vel das regras, que se antes impediam, e que agora passaram a obrigar &agrave; partilha de informa&ccedil;&otilde;es entre servi&ccedil;os policiais, servi&ccedil;os de contra&#45;espionagem e contraterrorismo internos e externos. Houve ainda um impulso de refor&ccedil;o da coopera&ccedil;&atilde;o neste campo entre servi&ccedil;os de diversos pa&iacute;ses do Ocidente. E tamb&eacute;m ao n&iacute;vel dos militares houve transforma&ccedil;&otilde;es, passando estes a contribuir mais para opera&ccedil;&otilde;es especiais e capacidade de resposta p&oacute;s&#45;atentados; mas tendo de valorizar mais a componente das informa&ccedil;&otilde;es, contrariando velhos preconceitos.</font></p>

	    <p><font face="verdana" size="2">A quest&atilde;o em aberto &eacute; saber at&eacute; que ponto estas transforma&ccedil;&otilde;es foram profundas e ser&atilde;o duradoiras. Muito depender&aacute; da consolida&ccedil;&atilde;o ou n&atilde;o de uma tend&ecirc;ncia de longo prazo na seguran&ccedil;a internacional para a relativa aus&ecirc;ncia de conflitos convencionais e a maior frequ&ecirc;ncia e import&acirc;ncia de amea&ccedil;as n&atilde;o convencionais<a name="top10"></a><a href="#10"><sup>10</sup></a>.</font></p>

    <p><font face="verdana" size="2">A luta contra a Al&#45;Qaida e outros grupos seus aliados ou imitadores tem sido cada vez mais um conflito de <i>drones/robots</i>, j&aacute; mais vis&iacute;vel no ar, mas que tamb&eacute;m j&aacute; se estende &agrave; terra. Estas m&aacute;quinas de guerra automatizadas come&ccedil;aram por ser em n&uacute;meros muito limitados e com fun&ccedil;&otilde;es de vigil&acirc;ncia. Hoje os <i>drones</i> s&atilde;o muito significativos em n&uacute;mero e variedade de miss&otilde;es, e t&ecirc;m assumido cada vez mais import&acirc;ncia ofensiva<a name="top11"></a><a href="#11"><sup>11</sup></a>.</font></p>

    <p><font face="verdana" size="2">No raide visando bin Laden em Maio de 2011 a decis&atilde;o fundamental de Obama foi saber se deveria ser um <i>robot</i> armado a lidar com o homem mais procurado desde o 11 de Setembro de 2001 ou uma opera&ccedil;&atilde;o de for&ccedil;as especiais, os Seals. Esta era uma discuss&atilde;o impens&aacute;vel h&aacute; dez anos atr&aacute;s.</font></p>

    <p><font face="verdana" size="2">Claro que com isto surge uma s&eacute;rie de problemas novos e fundamentais:</font></p>

	    <p>&nbsp;</p>
	    <p><font face="verdana" size="2">&bull; &Eacute;ticos e estrat&eacute;gicos, sobre se isto n&atilde;o torna a guerra perigosamente virtual e aparentemente indolor a ponto de levar a mais mortos entre a popula&ccedil;&atilde;o civil confundida ou misturada com os alvos, cuja reconquista se pensa ser uma componente essencial da <i>comprehensive approach</i>.</font></p>
    <p><font face="verdana" size="2">&bull; Operacionais, pois a informa&ccedil;&atilde;o nunca &eacute; completa e a decis&atilde;o humana tem sempre uma margem de erro, mas o passo seguinte &#150; de eliminar o erro humano automatizando os <i>drones</i> &#150; seria abrir uma outra caixa de Pandora.</font></p>

    <p><font face="verdana" size="2">&bull; Prolifera&ccedil;&atilde;o, pois esta &eacute; uma tecnologia armada relativamente barata, muito mais barata e acess&iacute;vel do que jactos ou m&iacute;sseis nucleares.</font></p>

	    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>
	    <p><font face="verdana" size="2">Aparentemente o Hezbollah usou <i>drones</i> &laquo;suicidas&raquo; primitivos na sua guerra h&iacute;brida contra Israel. Ser&aacute; preciso esperar muito mais tempo para outros grupos, quem sabe alguma das Al&#45;Qaidas, tamb&eacute;m fazerem uso destes <i>robots</i> armados? Afinal, eles foram suficientemente engenhosos para transformar avi&otilde;es civis em armas letais<a name="top12"></a><a href="#12"><sup>12</sup></a>.</font></p>
    <p><font face="verdana" size="2">Por si s&oacute; nenhuma tecnologia transformou a guerra, para n&atilde;o falar da seguran&ccedil;a internacional. Foi preciso dar&#45;lhe o uso eficaz por uma adapta&ccedil;&atilde;o inteligente de estruturas e doutrinas de emprego a determinados fins estrat&eacute;gicos.</font></p>

	    <p><font face="verdana" size="2">Mas seria disparatado negar o impacto potencialmente enorme desta robotiza&ccedil;&atilde;o da guerra que, n&atilde;o fora a amea&ccedil;a premente da Al&#45;Qaida e companhia, poderia ter continuado dormente por muito mais tempo. Poderemos estar, relativamente &agrave; robotiza&ccedil;&atilde;o da guerra, num per&iacute;odo de transi&ccedil;&atilde;o semelhante ao da guerra a&eacute;rea e da mecaniza&ccedil;&atilde;o exactamente h&aacute; um s&eacute;culo atr&aacute;s.</font></p>

	    <p>&nbsp;</p>
	    <p><font face="verdana" size="2"><b>IMPACTO DA AL&#45;QAIDA NA DISCIPLINA DAS RELA&Ccedil;&Otilde;ES INTERNACIONAIS</b></font></p>
    <p><font face="verdana" size="2">O 11 de Setembro de 2001 tamb&eacute;m abalou alguma coisa da disciplina das rela&ccedil;&otilde;es internacionais, desafiando as grandes escolas das rela&ccedil;&otilde;es internacionais, relativamente:</font></p>

	    <p>&nbsp;</p>
	    <p><font face="verdana" size="2">&bull; &agrave;s normas de avalia&ccedil;&atilde;o da distribui&ccedil;&atilde;o do poder material e militar entre estados considerada essencial pelas correntes mais realistas &#150; ficou evidente que muito do enorme investimento dos Estados Unidos em armamento altamente sofisticado e caro era in&uacute;til numa guerra de guerrilha;</font></p>
    <p><font face="verdana" size="2">&bull; &agrave; no&ccedil;&atilde;o de que, com o fim da Guerra Fria, os estados estavam cada vez mais ligados por normas multilaterais, institui&ccedil;&otilde;es internacionais &#150; ficou evidente que a globaliza&ccedil;&atilde;o n&atilde;o permitia apenas a paz no mundo por via do doce com&eacute;rcio globalizado como esperam as correntes mais liberais, tamb&eacute;m facilitava a ac&ccedil;&atilde;o de terroristas.</font></p>

	    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>
	    <p><font face="verdana" size="2">Por&eacute;m, se o inesperado final da Guerra Fria n&atilde;o fez ningu&eacute;m mudar radicalmente os seus paradigmas te&oacute;ricos, dificilmente um evento como o 11 de Setembro o faria<a name="top13"></a><a href="#13"><sup>13</sup></a>.</font></p>
    <p><font face="verdana" size="2">Apesar de n&atilde;o ter revolucionado o campo das rela&ccedil;&otilde;es internacionais &#150; nem ser evidente que o devesse fazer, pois uma disciplina acad&eacute;mica n&atilde;o tem de ter uma agenda definida apenas pela actualidade &#150;, ainda assim, a d&eacute;cada do p&oacute;s&#45;11 de Setembro trouxe ou acentuou quatro tend&ecirc;ncias importantes e interessantes no campo das rela&ccedil;&otilde;es internacionais. Em primeiro lugar, mais aten&ccedil;&atilde;o a conflitos violentos n&atilde;o convencionais
&#150; guerrilha, terrorismo e outras formas de viol&ecirc;ncia mais ou menos organizada &#150; depois, mais aten&ccedil;&atilde;o ao papel crescente de actores n&atilde;o estatais, na sua complexidade, desde as Organiza&ccedil;&otilde;es N&atilde;o Governamentais (ONG) &laquo;tradicionais&raquo; a organiza&ccedil;&otilde;es criminosas e terroristas; mais aten&ccedil;&atilde;o &agrave; religi&atilde;o, como algo que n&atilde;o &eacute; exterior &agrave;s rela&ccedil;&otilde;es internacionais, mas que deve ser considerado a par de outras dimens&otilde;es seculares de organiza&ccedil;&atilde;o e convic&ccedil;&atilde;o; assim como mais aten&ccedil;&atilde;o aos actores n&atilde;o ocidentais no campo internacional, que foi historicamente formado pelos estados ocidentais e dominado por eles at&eacute; h&aacute; muito pouco, ou mesmo at&eacute; hoje.</font></p>

	    <p><font face="verdana" size="2">Portanto, a Al&#45;Qaida pode n&atilde;o ter alterado fundamentalmente a forma de pensar as rela&ccedil;&otilde;es internacionais, mas levou a um aumento significativo de estudos, ainda que essencialmente emp&iacute;ricos e descritivos, sobre as formas de conflito n&atilde;o convencional, sobre actores n&atilde;o estatais, sobre o papel do isl&atilde;o e de outras regi&otilde;es que n&atilde;o o Ocidente.</font></p>

	    <p><font face="verdana" size="2">N&atilde;o houve uma insurrei&ccedil;&atilde;o nas rela&ccedil;&otilde;es internacionais, mas a insurrei&ccedil;&atilde;o passou a merecer mais presen&ccedil;a nas publica&ccedil;&otilde;es do campo da seguran&ccedil;a internacional dentro das rela&ccedil;&otilde;es internacionais. N&atilde;o houve uma convers&atilde;o nas rela&ccedil;&otilde;es internacionais, mas a religi&atilde;o passou a ser mais uma dimens&atilde;o a ter em conta. N&atilde;o se deixou de focar o Estado, mas percebeu&#45;se que as ONG mereciam aten&ccedil;&atilde;o e, sobretudo, n&atilde;o queriam apenas significar organiza&ccedil;&otilde;es simp&aacute;ticas e pac&iacute;ficas, podiam tamb&eacute;m ser grupos extremistas e violentos. As rela&ccedil;&otilde;es internacionais ainda s&atilde;o uma disciplina muito americana e ocidental, mas t&ecirc;m procurado s&ecirc;&#45;lo um pouco menos.</font></p>

	    <p><font face="verdana" size="2">Mais uma vez, ainda &eacute; cedo para perceber se a transforma&ccedil;&atilde;o ser&aacute; dur&aacute;vel e se ir&aacute; aprofundar e acabar&aacute; por ter algum impacto significativo nos aspectos mais centrais da pr&oacute;pria teoriza&ccedil;&atilde;o da disciplina das rela&ccedil;&otilde;es internacionais.</font></p>

	    <p><font face="verdana" size="2">Seria tentador concluir que, em termos gen&eacute;ricos e te&oacute;ricos, estes eventos tenderam a refor&ccedil;ar as tend&ecirc;ncias construtivista e cr&iacute;tica nas rela&ccedil;&otilde;es internacionais, as quais tendem a valorizar mais a dimens&atilde;o cultural &#150; em que a religi&atilde;o, e as vis&otilde;es n&atilde;o ocidentais do mundo teriam mais cabimento. Por&eacute;m, por outro lado, o realismo viu tamb&eacute;m fortemente confirmada a import&acirc;ncia de algumas das suas prioridades e abordagens tradicionais, como sejam: a centralidade do dilema de seguran&ccedil;a e da seguran&ccedil;a em geral, ou ainda o papel central da <i>Realpolitik</i> e das grandes pot&ecirc;ncias na vida internacional.</font></p>

    <p><font face="verdana" size="2">Deste ponto de vista, o maior perdedor seriam as correntes mais neoliberais e centradas na economia, pelo menos at&eacute; &agrave; pequena depress&atilde;o que nos atingiu a partir de 2008...</font></p>

	    <p>&nbsp;</p>
	    <p><font face="verdana" size="2"><b>CONCLUS&Atilde;O: A EROS&Atilde;O DA UNIPOLARIDADE, A MORTE DE BIN LADEN
	  E O FUTURO DO TERRORISMO</b></font></p>
    ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="verdana" size="2">A ideia de que um pequeno grupo terrorista como a Al&#45;Qaida possa ter um impacto importante nas din&acirc;micas sist&eacute;micas das rela&ccedil;&otilde;es internacionais &eacute; naturalmente incr&iacute;vel. No entanto, ainda que indirectamente, e por via da reac&ccedil;&atilde;o que provocou, em tr&ecirc;s aspectos distintos mas relacionados, parece&#45;nos que de facto isso aconteceu:</font></p>

	    <p>&nbsp;</p>
	    <p><font face="verdana" size="2">&bull; ao levar os Estados Unidos, o actor inegavelmente mais poderoso do sistema, a repensarem radicalmente a sua estrat&eacute;gia nacional, n&atilde;o uma, mas pelo menos duas vezes;</font></p>
    <p><font face="verdana" size="2">&bull; ao levar os Estados Unidos a reagirem usando a for&ccedil;a militar de forma largamente unilateral aos ataques do 11 de Setembro, a Al&#45;Qaida aumentou os receios e as resist&ecirc;ncias ao enorme poderio norte&#45;americano;</font></p>
    <p><font face="verdana" size="2">&bull; ao mostrar as possibilidades indirectas para combater grandes pot&ecirc;ncias.</font></p>
    <p>&nbsp;</p>
	    <p><font face="verdana" size="2">Hoje poucos se lembram, mas George W. Bush, na sua primeira campanha presidencial, tinha&#45;se comprometido com uma pol&iacute;tica externa &laquo;humilde&raquo;, de conten&ccedil;&atilde;o realista das outras grandes pot&ecirc;ncias, e de interven&ccedil;&otilde;es armadas altamente selectivas. Bush criticou, por exemplo, a presen&ccedil;a prolongada de for&ccedil;as militares dos Estados Unidos na ex&#45;
  &#45;Jugosl&aacute;via. Da&iacute; passou, depois do 11 de Setembro, a uma estrat&eacute;gia nacional, de Setembro de 2002, explicitamente advogando a ac&ccedil;&atilde;o unilateral e a adop&ccedil;&atilde;o da guerra preventiva como a &uacute;nica resposta a amea&ccedil;as assim&eacute;tricas &#150; terrorismo e prolifera&ccedil;&atilde;o nuclear<a name="top14" id="top14"></a><a href="#14"><sup>14</sup></a>.</font></p>
    <p><font face="verdana" size="2">Foi o pr&oacute;prio George W. Bush que, por sua vez, iniciou a segunda viragem significativa &#150; em resposta aos problemas colocados pelo crescente <i>soft</i> e <i>hard balancing</i>, pelo aumento do contrabalan&ccedil;ar duro e suave nas ac&ccedil;&otilde;es de muitas pot&ecirc;ncias em reac&ccedil;&atilde;o a essa postura norte&#45;americana. F&ecirc;&#45;lo com a sua estrat&eacute;gia de 2006, que, se n&atilde;o &eacute; de conten&ccedil;&atilde;o, &eacute; pelo menos muito mais contida e valorizadora das alian&ccedil;as, ainda que continuando a fazer do terrorismo uma prioridade<a name="top15"></a><a href="#15"><sup>15</sup></a>.</font></p>

    <p><font face="verdana" size="2">Obama, com a sua estrat&eacute;gia de 2010, procurou ir para al&eacute;m do terrorismo, mas sem abandonar esse combate considerado fundamental. Mas a sua estrat&eacute;gia dupla de <i>retraimento</i> e prefer&ecirc;ncia por op&ccedil;&otilde;es multilaterais mais legitimadas e com esfor&ccedil;os mais compartilhados, e ao mesmo tempo de chamado <i>counterpunching</i> &#150; basicamente um tradicional <i>off&#45;shore balancing</i> da grande pot&ecirc;ncia mar&iacute;tima a aliar&#45;se a pequenas e m&eacute;dias pot&ecirc;ncias perif&eacute;ricas na conten&ccedil;&atilde;o de grandes pot&ecirc;ncias continentais regionais por um aux&iacute;lio diplom&aacute;tico e militar mais ou menos permanente<a name="top16"></a><a href="#16"><sup>16</sup></a>.</font></p>

    <p><font face="verdana" size="2">Embora estejamos cientes que a avalia&ccedil;&atilde;o do aumento significativo de <i>hard</i> e <i>soft balancing</i> dos Estados Unidos n&atilde;o &eacute; un&acirc;nime entre os especialistas de rela&ccedil;&otilde;es internacionais, parece&#45;nos fazer muito sentido, desde que com alguns qualificativos, que os Estados Unidos podem mudar de pol&iacute;tica, e est&atilde;o idealmente situados para assumirem postura menos amea&ccedil;adora de <i>off&#45;shore balancer</i><a name="top17"></a><a href="#17"><sup>17</sup></a>. Por falta de espa&ccedil;o, iremos apenas aludir a alguns exemplos que nos parecem especialmente significativos desta din&acirc;mica de contrabalan&ccedil;ar os Estados Unidos:</font></p>

    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>
    <p><font face="verdana" size="2">&bull; a forma como a diplomacia de Washington e Londres n&atilde;o conseguiu obter praticamente nenhum voto no Conselho de Seguran&ccedil;a das Na&ccedil;&otilde;es Unidas na sua tentativa falhada de alcan&ccedil;ar uma segunda resolu&ccedil;&atilde;o em 2002 autorizando expressamente a invas&atilde;o do Iraque, perante uma ac&ccedil;&atilde;o deliberada &#150; de <i>soft balancing</i> &#150; da Fran&ccedil;a e de outros membros permanentes;</font></p>
    <p><font face="verdana" size="2">&bull; a prolifera&ccedil;&atilde;o nuclear no Ir&atilde;o, embora com ra&iacute;zes antigas, sobretudo depois de 2002&#45;2003, do discurso de George W. Bush sobre o Eixo do Mal e da invas&atilde;o do Iraque, assumiu marcadamente uma fei&ccedil;&atilde;o de <i>hard balancing</i> nuclear e assim&eacute;trico como forma de contrariar uma ac&ccedil;&atilde;o hostil norte&#45;americana;</font></p>

    <p><font face="verdana" size="2">&bull; a forma como a associa&ccedil;&atilde;o entre a China e a R&uacute;ssia e v&aacute;rios pa&iacute;ses da &Aacute;sia Central na Organiza&ccedil;&atilde;o de Coopera&ccedil;&atilde;o de Xangai ganhou estruturas institucionais e realizou os seus primeiros exerc&iacute;cios militares conjuntos em 2002&#45;2003.</font></p>

	    <p>&nbsp;</p>
	    <p><font face="verdana" size="2">Por outro lado, o 11 de Setembro, e o que se seguiu, valorizou o terrorismo e a guerrilha como a forma &#150; a par e potencialmente em liga&ccedil;&atilde;o com a da aquisi&ccedil;&atilde;o de armas nucleares &#150; de combater de modo assimetricamente muito eficaz o imenso poderio militar dos Estados Unidos e do Ocidente e das outras grandes pot&ecirc;ncias, dissuadindo&#45;as mesmo de intervir militarmente em regi&otilde;es onde esta amea&ccedil;a assim&eacute;trica est&aacute; presente. O Ir&atilde;o ou a Coreia do Norte s&atilde;o exemplos do que pode ser alcan&ccedil;ado conjugando estes diferentes meios assim&eacute;tricos &#150; prolifera&ccedil;&atilde;o nuclear, apoio a grupos terroristas, e cria&ccedil;&atilde;o de mil&iacute;cias irregulares para dissuadir uma interven&ccedil;&atilde;o militar dos Estados Unidos.</font></p>
    <p><font face="verdana" size="2">Tudo isto resultou, na &uacute;ltima d&eacute;cada, numa forte eros&atilde;o da unipolaridade norte&#45;americana, que a crise financeira e econ&oacute;mica, de momento restrita ao Ocidente, veio acentuar. O que est&aacute; longe de significar que os Estados Unidos estejam em decad&ecirc;ncia terminal, ou que a Al&#45;Qaida n&atilde;o possa colapsar em breve.</font></p>

	    <p><font face="verdana" size="2">O facto de bin Laden ter sido morto ao fim de dez anos quebrou o mito da sua invencibilidade, mostrou que a Al&#45;Qaida pode ser atingida. Mas com que efeito nas din&acirc;micas internacionais da pr&oacute;xima d&eacute;cada?</font></p>

	    <p><font face="verdana" size="2">Existem mais estudos do terrorismo. Mas, infelizmente, n&atilde;o permitem previs&otilde;es claras sobre o futuro. De facto, os estudos especificamente sobre estrat&eacute;gias de decapita&ccedil;&atilde;o &#150; elimina&ccedil;&atilde;o de lideran&ccedil;as terroristas &#150; como a que tem visado a Al&#45;Qaida e bin Laden, apontam para a elimina&ccedil;&atilde;o do l&iacute;der tanto poder ser decisiva como n&atilde;o, dependendo das circunst&acirc;ncias. Se os grupos terroristas t&ecirc;m uma forte base identit&aacute;ria e uma forte legitima&ccedil;&atilde;o e uma constante fonte de recrutamento com base na ideia de que agem em defesa da pr&oacute;pria comunidade, os efeitos, mesmo de decapita&ccedil;&otilde;es sucessivas e cumulativas &#150; veja&#45;se a ETA ou o Hamas &#150;, s&atilde;o limitados ou contraproducentes. Podem reduzir muito a capacidade operacional, mas n&atilde;o destroem o grupo, e podem at&eacute; radicalizar as suas t&aacute;cticas.</font></p>

	    <p><font face="verdana" size="2">J&aacute; os grupos mais internacionalistas e de base mais puramente ideol&oacute;gica e ofensiva geralmente desapareceram rapidamente por via da decapita&ccedil;&atilde;o da lideran&ccedil;a &#150; como as Brigadas Vermelhas italianas ou o grupo alem&atilde;o significativamente conhecido por Baader&#45;Meinhof.</font></p>

	    ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="verdana" size="2">Mas o terrorismo dificilmente desaparecer&aacute;. O grande obst&aacute;culo a que isso aconte&ccedil;a &eacute; que n&atilde;o &eacute; preciso muito para fazer terrorismo &#150; at&eacute; a t&iacute;tulo individual. Sobretudo hoje, essa possibilidade est&aacute; facilitada, pois basta escolher entre uma de entre muitas ideologias radicais e um dos muitos conselhos pr&aacute;ticos, universalmente dispon&iacute;veis na internet, sobre como fazer uma bomba.</font></p>

	    <p><font face="verdana" size="2">Outra dimens&atilde;o deste problema &eacute; saber se o isl&atilde;o &eacute; por natureza um elemento transnacional mas t&atilde;o forte como marca identit&aacute;ria, que o islamismo radical n&atilde;o seria uma ideologia como as outras, o que explicaria a resili&ecirc;ncia da Al&#45;Qaida, at&eacute; ver. Claro que a Al&#45;Qaida e os seus simpatizantes s&atilde;o uma pequena minoria no vasto mundo &aacute;rabe e isl&acirc;mico em revolu&ccedil;&atilde;o ou em evolu&ccedil;&atilde;o acelerada. Ser&aacute; que ir&aacute; caminhar no sentido da democracia pluralista e da prosperidade, ou ir&aacute; cair em conflitos violentos e novas e mais duras ditaduras, qui&ccedil;&aacute; islamitas? Ser&aacute; que o novo e imprevis&iacute;vel contexto &aacute;rabe
	e isl&acirc;mico ir&aacute; dar abrigo e for&ccedil;a ao terrorismo islamista da Al&#45;Qaida ou de outros,
ou torn&aacute;&#45;lo mais marginal e irrelevante?</font></p>

	    <p><font face="verdana" size="2">Aqui a quest&atilde;o fundamental &eacute; provavelmente uma que ainda n&atilde;o foi aberta mas ser&aacute; nos pr&oacute;ximos anos: o que ir&aacute; acontecer &agrave; Ar&aacute;bia Saudita com o fim da gera&ccedil;&atilde;o de reis filhos do fundador do Estado? Ser&aacute; ela atingida por uma crise violenta de sucess&atilde;o ou revolu&ccedil;&atilde;o? Se sim, qual o papel dos seguidores de bin Laden?</font></p>

	    <p><font face="verdana" size="2">Seguros s&oacute; podemos estar que bin Laden morreu, a Al&#45;Qaida central pode estar moribunda, mas nada indica que o terrorismo morreu com ele. Na luta contra o terrorismo os Estados Unidos e os seus aliados n&atilde;o s&atilde;o invulner&aacute;veis, mas continuam a ter instrumentos poderosos de vigil&acirc;ncia, informa&ccedil;&atilde;o, de ataque, e est&atilde;o portanto longe de ser impotentes e t&ecirc;m obtido frequentes sucessos. A morte de bin Ladin &eacute; uma prova de vida para a Al&#45;Qaida, um teste fundamental da sua capacidade de regenera&ccedil;&atilde;o e de continuar a atacar o Ocidente. Os tempos que se avizinham arriscam&#45;se a continuar a ser bastante interessantes por boas ou m&aacute;s raz&otilde;es. </font></p>

    <p>&nbsp;</p>

    <p><font face="verdana" size="2"><b>NOTAS</b></font></p>

    <p><font face="verdana" size="2"><a name="1"></a><a href="#top1"><sup>1</sup></a> Mesmo as novas <i>franchisings</i> da Al&#45;Qaida tomam uma designa&ccedil;&atilde;o geogr&aacute;fica (Magrebe, Pen&iacute;nsula Ar&aacute;bica, Mesopot&acirc;mia) e n&atilde;o nacional &#150; para eles a &uacute;nica na&ccedil;&atilde;o &eacute; a <i>umma</i>, a &uacute;nica p&aacute;tria &eacute; o isl&atilde;o e os estados existentes s&atilde;o ileg&iacute;timos.</font></p>

    <p><font face="verdana" size="2"><a name="2"></a><a href="#top2"><sup>2</sup></a> Claro que, como geralmente sucede nestas quest&otilde;es, a Al&#45;Qaida n&atilde;o o inventou inteiramente, mas deu nova visibilidade e uma fun&ccedil;&atilde;o aut&oacute;noma. Com a Al&#45;Qaida estes ataques terroristas simult&acirc;neos j&aacute; n&atilde;o surgem como um momento inicial no desencadear ou acelerar de uma luta mais ampla &#150; como sucedeu com os Viet&#45;Minh e o levantamento terrorista na regi&atilde;o de Han&oacute;i em 1946, ou a UPA, o terrorismo de Fevereiro e Mar&ccedil;o de 1961 no Norte de Angola. Estes ataques espectaculares passam a ser eles pr&oacute;prios o elemento central do arsenal da Al&#45;Qaida.</font></p>

    <!-- ref --><p><font face="verdana" size="2"><a name="3"></a><a href="#top3"><sup>3</sup></a> LACEY, Robert &#150; <i>Inside the Kingdom: Kings, Clerics, Modernists, Terrorists and the Struggle for Saudi Arabia</i>. Londres: Arrow Books, 2009, pp. 118&#45;119.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000131&pid=S1645-9199201100030000300001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>

    ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font face="verdana" size="2"><a name="4"></a><a href="#top4"><sup>4</sup></a> KEPPEL, Gilles (ed.) &#150; <i>Bin Ladin in Al&#45;Qaida in its own Words</i>. Cambridge MA: Harvard UP, 2008, pp. 62&#45;63</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000133&pid=S1645-9199201100030000300002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="verdana" size="2"><a name="5"></a><a href="#top5"><sup>5</sup></a> FREEDMAN, Lawrence &#150; <i>A Choice of Enemie: America Confronts the Middle East</i>. Londres: Public Affairs, 2008, p. 103.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000134&pid=S1645-9199201100030000300003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>

    <p><font face="verdana" size="2"><a name="6"></a><a href="#top6"><sup>6</sup></a> A Al&#45;Jazira &eacute; um exemplo disso &#150; a sua crescente import&acirc;ncia foi inicialmente alimentada e alimentou a marca Al&#45;Qaida.</font></p>

    <!-- ref --><p><font face="verdana" size="2"><a name="7"></a><a href="#top7"><sup>7</sup></a> Cf. CRONIN, Audrey &#150; <i>How Terrorism Ends: Understanding the Decline and Demise of Terrorist Campaigns</i>. Princeton: Princeton UP, 2009;    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000137&pid=S1645-9199201100030000300004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --> ABRAHMS, Max &#150; &laquo;What terrorists really want: terrorist motives and counterterrorism strategy&raquo;. In <i>International Security</i>. Vol. 32, N.&ordm; 4, 2008, pp. 78&#45;105;    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000138&pid=S1645-9199201100030000300005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --> ABRAHMS, Max, <i>et al</i>. &#150; &laquo;Correspondence: what makes terrorists tick&raquo;. In <i>International Security</i>. Vol. 33, N.&ordm; 4, 2009, pp. 180&#45;202.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000139&pid=S1645-9199201100030000300006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> Mas como a inclus&atilde;o deste ponto nos objectivos estrat&eacute;gicos interm&eacute;dios indica, do nosso ponto de vista n&atilde;o tem de haver uma radical oposi&ccedil;&atilde;o entre os dois. Mais, o tipo de coes&atilde;o de pequenos grupos de combate que &eacute; t&atilde;o valorizada pelos especialistas de terrorismo, tamb&eacute;m se encontra nos ex&eacute;rcitos convencionais.</font></p>

    <p><font face="verdana" size="2"><a name="8"></a><a href="#top8"><sup>8</sup></a> Cf. US&#45;ARMY &AMP; MARINE CORPS &#150; <i>Counterinsurgency</i>, FM3&#150;24 manual. Washington &amp; Quantico: US Army/Marine Corps, 2006.</font></p>

    <p><font face="verdana" size="2"><a name="9"></a><a href="#top9"><sup>9</sup></a> A sua &uacute;ltima consagra&ccedil;&atilde;o oficial &agrave; escola ocidental &eacute; no novo conceito estrat&eacute;gico da NATO, <i>Active Engagement &#150; Modern Defence</i>, Lisboa: NATO, 2010, &sect; 21.</font></p>

    ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font face="verdana" size="2"><a name="10"></a><a href="#top10"><sup>10</sup></a> BROWN, Michael (ed.) &#150; <i>Grave New World: Security Challenges in the Twenty&#45;First Century</i>. Washington DC: Georgetown UP, 2003, pp. 2&#45;3: refere que apenas 18 por cento dos conflitos entre 1945 e 1995 foram guerras convencionais,    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000143&pid=S1645-9199201100030000300007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --> a informa&ccedil;&atilde;o mais recente refor&ccedil;a ainda mais essa tend&ecirc;ncia, cf. <i>SIPRI Yearbooks</i>, dispon&iacute;veis em: <a href="http://www.sipri.org/contents/publications/yearbooks.html4" target="_blank">www.sipri.org/contents/publications/yearbooks.html4</a>; e MUELLER, John &#150; <i>Remnants of War</i>. Ithaca: Cornell UP, 2007.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000144&pid=S1645-9199201100030000300008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> Seria apressado concluir definitivamente, no entanto, que as guerras convencionais se tornaram totalmente obsoletas, pois tem havido guerras limitadas mesmo entre pot&ecirc;ncias nucleares &#150; em 1969 entre a URSS e a China; em 1999 entre o Paquist&atilde;o e a &Iacute;ndia &#150; e n&atilde;o seria imposs&iacute;vel conceber uma entre a Coreia do Norte e os Estados Unidos, por exemplo, mas dificilmente.</font></p>

    <p><font face="verdana" size="2"><a name="11"></a><a href="#top11"><sup>11</sup></a> SINGER, Peter &#150; <i>Wired for War: The Robotics Revolution and Conflict in the 21st Century</i>. Londres: Penguin, 2009.</font></p>

    <!-- ref --><p><font face="verdana" size="2"><a name="12"></a><a href="#top12"><sup>12</sup></a> SINGER, Peter &#150; <i>Wire for War: The Robotics Revolution and Conflict in the 21st Century</i>. Londres: Penguin, 2009,    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000147&pid=S1645-9199201100030000300009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> pp.&nbsp;261&#45;
&#45;296.</font></p>

    <!-- ref --><p><font face="verdana" size="2"><a name="13"></a><a href="#top13"><sup>13</sup></a> WOHLFORTH, William C. &#150; &laquo;A certain idea of science: how international relations theory avoids reviewing the Cold War&raquo;. In WESTAD, Odd Arne (ed.) &#150; <i>Reviewing the Cold War: Approaches, Interpretations, Theory</i>. Londres: Frank Cass, 2000, pp. 126&#45;145.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000149&pid=S1645-9199201100030000300011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>

    <!-- ref --><p><font face="verdana" size="2"><a name="14"></a><a href="#top14"><sup>14</sup></a> DAALDER, Ivo, e LINDSAY, James &#150; <i>America Unbound: The Bush Revolution in Foreign Policy</i>. Washington DC: Brookings, 2003.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000151&pid=S1645-9199201100030000300012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>

    ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="verdana" size="2"><a name="15"></a><a href="#top15"><sup>15</sup></a> US PRESIDENT &#150; <i>The National Security Strategy of the US</i>. Washington DC: The White House, 2002, &eacute; com evidente simbolismo datada mais precisamente de Setembro de 2002; cf. tamb&eacute;m US PRESIDENT &#150; <i>The National Security Strategy of the US</i>. Washington DC: The White House, 2006, e US PRESIDENT &#150; <i>The National Security Strategy of the US</i>. Washington DC: The White House, 2010.</font></p>

    <!-- ref --><p><font face="verdana" size="2"><a name="16"></a><a href="#top16"><sup>16</sup></a> Este &eacute; tamb&eacute;m um tema controverso, mas seguimos sobretudo DREZNER, Daniel W. &#150; &laquo;Does Obama have a grand strategy?&raquo;. In <i>Foreign Affairs</i>, Julho&#45;
&#45;Agosto de 2011. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.foreignaffairs.com/articles/67919/daniel&#45;w&#45;drezner/does&#45;obama&#45;have&#45;a&#45;grand&#45;strategy" target="_blank">http://www.foreignaffairs.com/articles/67919/daniel-w-drezner/does-obama-have-a-grand-strategy</a>.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000154&pid=S1645-9199201100030000300013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>

    <!-- ref --><p><font face="verdana" size="2"><a name="17"></a><a href="#top17"><sup>17</sup></a> E.g. PAPE, Robert A. &#150; &laquo;Soft balancing against the United States&raquo;. In <i>International Security</i>. Vol. 30, N.&ordm; 1, 2005, pp. 7&#45;45;    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000156&pid=S1645-9199201100030000300014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --> PAUL, T. V. &#150; &laquo;Soft balancing in the age of U. S. primacy&raquo;. In <i>International Security</i>. Vol. 30, N.&ordm; 1, 2005, pp. 46&#45;71;    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000157&pid=S1645-9199201100030000300015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --> BROOKS, Stephen G., e WOHLFORTH, William C. &#150; &laquo;Hard times for soft balancing&raquo;. In <i>International Security</i>. Vol. 30, N.&ordm; 1, 2005, pp. 72&#45;108,    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000158&pid=S1645-9199201100030000300016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --> e o debate que se seguiu ART, Robert et al. &#150; &laquo;Correspondence: striking the balance&raquo;. In <i>International Security</i>. Vol.&nbsp;30, N.&ordm; 3, 2005/06, pp. 177&#45;196.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000159&pid=S1645-9199201100030000300017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>
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