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</front><body><![CDATA[ 
	    <p><font face="verdana" size="2"><b>Nota introdut&oacute;ria</b></font></p>

    <p>&nbsp;</p>
    <p><font face="verdana" size="2"><b>Alexandra Magn&oacute;lia Dias</b></font></p>
    <p><font face="verdana" size="2">Investigadora auxiliar no Centro de Estudos Africanos do Instituto Universit&aacute;rio de Lisboa onde &eacute; investigadora respons&aacute;vel pelo projecto &laquo;Monitoriza&ccedil;&atilde;o de Conflitos no Corno de &Aacute;frica&raquo; financiado pela Funda&ccedil;&atilde;o para a Ci&ecirc;ncia e a Tecnologia. Doutorada em Rela&ccedil;&otilde;es Internacionais pela London School of Economics and Political Science com uma tese sobre <i>Uma Guerra Inter&#45;Estatal no p&oacute;s&#45;Guerra Fria: Eritreia&#45;Eti&oacute;pia 1998&#45;2000</i>, que recebeu uma men&ccedil;&atilde;o honrosa pelo j&uacute;ri da 2.&ordf; edi&ccedil;&atilde;o do Pr&eacute;mio da Associa&ccedil;&atilde;o Portuguesa de Ci&ecirc;ncia Pol&iacute;tica.</font></p>
    <p>&nbsp;</p>
    <p><font face="verdana" size="2">A 3 de Junho de 2011 a Comiss&atilde;o da Uni&atilde;o Africana (UA) constituiu o Grupo de Ac&ccedil;&atilde;o Interdepartamental com a incumb&ecirc;ncia de desenvolver a &laquo;Estrat&eacute;gia Africana Mar&iacute;tima Integrada &#150; 2050&raquo;<a name="top1"></a><a href="#1"><sup>1</sup></a>. A aprova&ccedil;&atilde;o da EAMI&#45;2050 est&aacute; planeada para 2012 e visa colmatar a lacuna relativamente &agrave; vis&atilde;o a longo prazo da UA para os desafios, oportunidades e amea&ccedil;as que se colocam aos seus estados&#45;membros no dom&iacute;nio mar&iacute;timo.</font></p>
    <p><font face="verdana" size="2">Diversos autores convergem na caracteriza&ccedil;&atilde;o da abordagem da predecessora Organiza&ccedil;&atilde;o da Unidade Africana (OUA) e da UA como eminentemente territorial e fixada nos espa&ccedil;os terrestres<a name="top2"></a><a href="#2"><sup>2</sup></a>.</font></p>

    <p><font face="verdana" size="2">Fran&ccedil;ois Vrey, em particular, defende que a organiza&ccedil;&atilde;o continental se caracteriza por uma &laquo;cegueira&raquo; mar&iacute;tima<a name="top3"></a><a href="#3"><sup>3</sup></a>. Se, por um lado, a aus&ecirc;ncia de uma estrat&eacute;gia conjunta e de pol&iacute;ticas dos estados&#45;membros da UA para os espa&ccedil;os mar&iacute;timos de plena soberania e sob sua jurisdi&ccedil;&atilde;o deva ser compreendida &agrave; luz da natureza dos padr&otilde;es de conflito em &Aacute;frica, predominantemente marcados por guerras civis, frequentemente, com ramifica&ccedil;&otilde;es regionais para os estados vizinhos, por outro, o exerc&iacute;cio e projec&ccedil;&atilde;o da soberania dos estados costeiros e insulares ao longo da extens&atilde;o dos espa&ccedil;os mar&iacute;timos sob sua jurisdi&ccedil;&atilde;o requer meios para al&eacute;m dos recursos da maioria dos estados em quest&atilde;o.</font></p>

    <p><font face="verdana" size="2">Os espa&ccedil;os mar&iacute;timos, tal como alguns dos espa&ccedil;os terrestres fronteiri&ccedil;os, em &Aacute;frica Subsariana, tendem a caracterizar&#45;se pela ingovernabilidade<a name="top4"></a><a href="#4"><sup>4</sup></a>. A limitada presen&ccedil;a das institui&ccedil;&otilde;es e dos agentes dos estados nestes espa&ccedil;os traduz a aus&ecirc;ncia de mecanismos que permitam mediar as press&otilde;es entre as arenas interna/internacional e regional/transnacional tornando os espa&ccedil;os mar&iacute;timos mais perme&aacute;veis a actividades de actores n&atilde;o estatais. A aus&ecirc;ncia e/ou limitada capacidade de exerc&iacute;cio de soberania por parte da maioria dos estados sobre os espa&ccedil;os mar&iacute;timos torna&#45;os, por um lado, perif&eacute;ricos, e, por outro, centros nevr&aacute;lgicos ou de encruzilhada entre as din&acirc;micas internas, internacionais e transnacionais, onde convergem diversos actores regionais e extra&#45;regionais.</font></p>

    ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="verdana" size="2">O dossi&ecirc; que integra o presente n&uacute;mero da revista <i>Rela&ccedil;&otilde;es Internacionais</i>, resultado da confer&ecirc;ncia realizada em Maio de 2010 organizada pelo Centro de Estudos Africanos do ISCTE, centra&#45;se na problematiza&ccedil;&atilde;o do fen&oacute;meno da pirataria mar&iacute;tima na Som&aacute;lia e na Nig&eacute;ria tendo em conta as suas diversas manifesta&ccedil;&otilde;es e a pluralidade de perspectivas e estrat&eacute;gias de actores locais e internacionais. Os artigos oferecem uma pluralidade de perspectivas relativamente &agrave; intensifica&ccedil;&atilde;o do fen&oacute;meno ao largo da Som&aacute;lia e no golfo de Adem, nomeadamente os artigos de Mateus Kowalski, de Gilberto Carvalho de Oliveira e o artigo sob co&#45;autoria de Pierre&#45;Michel Joana e Lu&iacute;s Eduardo Saraiva. O artigo de Marc&#45;Antoine P&eacute;rouse de Montclos tem por estudo de caso os ataques de pirataria na Nig&eacute;ria e problematiza, simultaneamente, o conjunto de causas comummente associado ao fen&oacute;meno, assim como a rela&ccedil;&atilde;o estabelecida entre pirataria, estados falhados e pobreza. Destaca tamb&eacute;m outras co&#45;rela&ccedil;&otilde;es que s&atilde;o tomadas como ponto de partida em muitas das an&aacute;lises do fen&oacute;meno sem que os pressupostos te&oacute;ricos que sustentam as ditas conclus&otilde;es sejam analisados &agrave; luz de dados emp&iacute;ricos produzidos por estudos de casos.</font></p>

    <p><font face="verdana" size="2">Nesse sentido comecemos por problematizar a defini&ccedil;&atilde;o do fen&oacute;meno da pirataria mar&iacute;tima, entendido, na presente conjuntura da agenda internacional, como uma das principais amea&ccedil;as no dom&iacute;nio mar&iacute;timo. Tratando&#45;se de um fen&oacute;meno contempor&acirc;neo, o objectivo principal do presente dossi&ecirc; ficar&aacute; cumprido se as reflex&otilde;es apresentadas pelos autores permitirem ao leitor reequacionar a problem&aacute;tica para al&eacute;m de assun&ccedil;&otilde;es imediatistas ou pressupostos te&oacute;ricos err&oacute;neos.</font></p>

	    <p><font face="verdana" size="2">A intensifica&ccedil;&atilde;o da pirataria em &Aacute;frica, que ocupa um lugar central na agenda internacional, &eacute;, de acordo com alguns autores, um fen&oacute;meno recente<a name="top5"></a><a href="#5"><sup>5</sup></a>. As condi&ccedil;&otilde;es geogr&aacute;ficas do Atl&acirc;ntico e do &Iacute;ndico ao largo dos estados costeiros e insulares da &Aacute;frica Subsariana, em contraste com o Sudeste Asi&aacute;tico, n&atilde;o propiciaram a emerg&ecirc;ncia do fen&oacute;meno em per&iacute;odos anteriores. De acordo com esta linha de an&aacute;lise, acresce o facto de a supremacia europeia naval at&eacute; ao fim do per&iacute;odo colonial ter constitu&iacute;do um factor de dissuas&atilde;o<a name="top6"></a><a href="#6"><sup>6</sup></a>. Em contradi&ccedil;&atilde;o com este enquadramento hist&oacute;rico do fen&oacute;meno da pirataria em &Aacute;frica enquanto algo recente, Marc&#45;Antoine P&eacute;rouse de Montclos avan&ccedil;a a tese contr&aacute;ria. Com efeito, o seu artigo intitula&#45;se, precisamente, &laquo;A pirataria mar&iacute;tima na Nig&eacute;ria: um fen&oacute;meno antigo em vias de moderniza&ccedil;&atilde;o&raquo;. O autor sublinha que os exploradores mencionam a pirataria mar&iacute;tima ao largo de &Aacute;frica antes do in&iacute;cio do per&iacute;odo colonial. Com efeito, P&eacute;rouse de Montclos argumenta que os italianos embarcaram na ocupa&ccedil;&atilde;o da Som&aacute;lia sob o pretexto de garantirem desta forma o restabelecimento da liberdade de navega&ccedil;&atilde;o dos mares a partir da Som&aacute;lia. No caso da Nig&eacute;ria, de acordo com o mesmo autor, os decretos coloniais do s&eacute;culo XIX j&aacute; aludiam aos grupos que espalhavam terror nas vias fluviais no interior do delta do N&iacute;ger. Relativamente ao per&iacute;odo colonial os dados s&atilde;o inexistentes. Finalmente, o autor critica a insufici&ecirc;ncia e os limites na produ&ccedil;&atilde;o de dados emp&iacute;ricos sob monop&oacute;lio do Bureau Mar&iacute;timo Internacional. As an&aacute;lises s&atilde;o baseadas nos dados recolhidos de forma imediata pelos armadores ou outro pessoal envolvido na navega&ccedil;&atilde;o mar&iacute;tima.</font></p>

    <p><font face="verdana" size="2">Com efeito, de acordo com Marchal, j&aacute; em 1990 se verificavam ataques de pirataria na Som&aacute;lia, nomeadamente a partir de Puntl&acirc;ndia. Acresce o facto de no contexto quer, da Unosom I/II quer da Unitaf, os actores extra&#45;regionais terem recolhido narrativas junto de somalis relativas ao dep&oacute;sito de lixo t&oacute;xico nas &aacute;guas sob sua jurisdi&ccedil;&atilde;o, de sobrepescagem industrial por navios europeus e asi&aacute;ticos, para al&eacute;m de outras actividades il&iacute;citas<a name="top7"></a><a href="#7"><sup>7</sup></a> conduzidas nos espa&ccedil;os mar&iacute;timos de plena soberania e sob sua jurisdi&ccedil;&atilde;o. Esta ideia vai na linha da argumenta&ccedil;&atilde;o apresentada por Pierre&#45;Michel Joana e Lu&iacute;s Eduardo Saraiva no artigo intitulado &laquo;A pirataria desarma&#45;se em terra &#150; o caso da Som&aacute;lia&raquo;, que destaca que o fen&oacute;meno da pirataria mar&iacute;tima concentrou diversos actores extra&#45;regionais na regi&atilde;o. No entanto, os autores defendem a tese de que o principal problema reside nos espa&ccedil;os terrestres, e a solu&ccedil;&atilde;o passa pelo refor&ccedil;o da Miss&atilde;o da Uni&atilde;o Africana para a Som&aacute;lia (Muasom) e na reconstru&ccedil;&atilde;o do Estado, defendendo a necessidade de formar for&ccedil;as de seguran&ccedil;a e uma guarda costeira composta por agentes somalis<a name="top8"></a><a href="#8"><sup>8</sup></a>. Em contraste, Marchal relembra a complexidade da pol&iacute;tica interna da Som&aacute;lia e da tend&ecirc;ncia para o padr&atilde;o vol&aacute;til de forma&ccedil;&atilde;o de alian&ccedil;as e para a tend&ecirc;ncia de mudan&ccedil;as constantes de apoios aos protagonistas do conflito, alertando para o facto de uma estrat&eacute;gia de forma&ccedil;&atilde;o de uma guarda costeira contribuir eventualmente para a forma&ccedil;&atilde;o de mais piratas no futuro<a name="top9"></a><a href="#9"><sup>9</sup></a>.</font></p>

    <p><font face="verdana" size="2">Por outro lado, se a exist&ecirc;ncia de estados caracterizados por uma aus&ecirc;ncia dos elementos emp&iacute;ricos associados ao ideal weberiano e por um exerc&iacute;cio de soberania negativa<a name="top10"></a><a href="#10"><sup>10</sup></a> &eacute; apontada como uma das causas que propiciaram a emerg&ecirc;ncia do fen&oacute;meno de pirataria, este pressuposto te&oacute;rico n&atilde;o &eacute; sustentado empiricamente. Com efeito, o aumento de actividades de pirataria organizada em duas regi&otilde;es centrais ligada aos espa&ccedil;os mar&iacute;timos da Som&aacute;lia e da Nig&eacute;ria releva da imbrica&ccedil;&atilde;o de din&acirc;micas s&oacute;cio&#45;pol&iacute;ticas locais e influ&ecirc;ncias transnacionais e globais. P&eacute;rouse de Montclos identifica correctamente a fal&aacute;cia da tese que associa a exist&ecirc;ncia de estados falhados &agrave; emerg&ecirc;ncia da pirataria mar&iacute;tima em &Aacute;frica. O cerne da quest&atilde;o reside n&atilde;o no falhan&ccedil;o do Estado mas na sua criminaliza&ccedil;&atilde;o.</font></p>

    <p><font face="verdana" size="2">O enquadramento deste fen&oacute;meno no contexto das oportunidades e dos reversos oferecidos pelo posicionamento de &Aacute;frica <i>vis&#45;&agrave;&#45;vis</i> a economia pol&iacute;tica global e a sua inser&ccedil;&atilde;o na economia mundial permite explorar dimens&otilde;es do fen&oacute;meno na sua rela&ccedil;&atilde;o com o processo de forma&ccedil;&atilde;o e com as traject&oacute;rias particulares dos estados em quest&atilde;o.</font></p>

    <p><font face="verdana" size="2">Mateus Kowalski, apesar de tomar como ponto de partida o falhan&ccedil;o do Estado na Som&aacute;lia como principal causa da intensifica&ccedil;&atilde;o da pirataria, revela as dimens&otilde;es do fen&oacute;meno que sustentam a sua adequada defini&ccedil;&atilde;o enquanto crime organizado transnacional. O seu artigo tem como enfoque privilegiado a concep&ccedil;&atilde;o e implementa&ccedil;&atilde;o de mecanismos e de instrumentos jur&iacute;dicos para conter esta manifesta&ccedil;&atilde;o de crime organizado transnacional.</font></p>

	    <p><font face="verdana" size="2">Pierre&#45;Michel Joana e Lu&iacute;s Eduardo Saraiva tamb&eacute;m assentam a sua an&aacute;lise na premissa te&oacute;rica do falhan&ccedil;o do Estado na Som&aacute;lia enquanto principal causa da pirataria mar&iacute;tima. Os autores reflectem acerca da intensifica&ccedil;&atilde;o dos ataques e da expans&atilde;o da &aacute;rea de actua&ccedil;&atilde;o dos piratas em rela&ccedil;&atilde;o ao destacamento de uma pluralidade de opera&ccedil;&otilde;es navais para a &aacute;rea. Concluem que os sucessos das referidas opera&ccedil;&otilde;es t&ecirc;m sido limitados e a sua actua&ccedil;&atilde;o tem contribu&iacute;do para tornar as actividades ligadas &agrave; pirataria mar&iacute;tima um neg&oacute;cio lucrativo e um importante sector da economia somali<a name="top11"></a><a href="#11"><sup>11</sup></a>.</font></p>

    <p><font face="verdana" size="2">Com efeito, a pr&oacute;pria inser&ccedil;&atilde;o da &Aacute;frica Subsariana na economia capitalista globalizada tornou&#45;a perme&aacute;vel ao crime organizado transnacional, considerado enquanto o reverso da medalha da globaliza&ccedil;&atilde;o e marca do recuo do Estado<a name="top12"></a><a href="#12"><sup>12</sup></a>, sendo que alguns autores defendem que a luta contra o crime organizado transnacional constitui a preocupa&ccedil;&atilde;o predominante de seguran&ccedil;a para o s&eacute;culo XXI<a name="top13" id="top13"></a><a href="#13"><sup>13</sup></a>.</font></p>

    <p><font face="verdana" size="2">Os contributos de estudiosos da &Aacute;frica Subsariana, em contraste, revelam que a prolifera&ccedil;&atilde;o de pr&aacute;ticas transnacionais de criminalidade ao inv&eacute;s de traduzirem um desmembramento ou falhan&ccedil;o do Estado em &Aacute;frica apontam para novas traject&oacute;rias de forma&ccedil;&atilde;o e transforma&ccedil;&atilde;o do Estado contribuindo para uma hibrida&ccedil;&atilde;o transnacional do Estado e do crime<a name="top14"></a><a href="#14"><sup>14</sup></a> que redunda em &uacute;ltima inst&acirc;ncia na criminaliza&ccedil;&atilde;o do Estado em &Aacute;frica<a name="top15" id="top15"></a><a href="#15"><sup>15</sup></a>. As pr&aacute;ticas transnacionais de criminalidade denotam um novo tipo de acumula&ccedil;&atilde;o, por vezes pelo pr&oacute;prio Estado e pelas redes ou grupos n&atilde;o estatais (mas n&atilde;o contra o Estado)<a name="top16"></a><a href="#16"><sup>16</sup></a>. Na realidade, &eacute; mais plaus&iacute;vel considerar a hip&oacute;tese de que dentro do pr&oacute;prio Estado subsistem elementos que enveredam numa traject&oacute;ria de entendimento com grupos criminais e elementos que enveredam pela traject&oacute;ria inversa da regula&ccedil;&atilde;o ou combate aos actores envolvidos em actividades de criminalidade organizada transnacional.</font></p>

    ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="verdana" size="2">Paralelamente, &eacute; importante referir tamb&eacute;m que a intensifica&ccedil;&atilde;o da pirataria mar&iacute;tima desencadeou uma pluralidade de respostas por parte de actores extra&#45;regionais, nomeadamente a opera&ccedil;&atilde;o Ocean Shield da NATO, a CTF&#45;51 que compreende uma coliga&ccedil;&atilde;o de 25 pa&iacute;ses sob comando americano sediada no Bar&eacute;m e conta com contribui&ccedil;&otilde;es individuais de pa&iacute;ses que destacaram meios navais pr&oacute;prios sob comando nacional, a&nbsp;saber: China, Jap&atilde;o, &Iacute;ndia, Ir&atilde;o, R&uacute;ssia e Ar&aacute;bia Saudita e a For&ccedil;a Naval da Uni&atilde;o Europeia Som&aacute;lia (Eunavfor). Apesar dos esfor&ccedil;os destes pa&iacute;ses, os lucros associados &agrave; pirataria mar&iacute;tima, combinados com os constrangimentos jur&iacute;dicos relativamente aos piratas capturados no decurso de ataques, n&atilde;o t&ecirc;m diminu&iacute;do a incid&ecirc;ncia do fen&oacute;meno e contribu&iacute;ram para a expans&atilde;o exponencial da &aacute;rea de actua&ccedil;&atilde;o dos mesmos.</font></p>

	    <p><font face="verdana" size="2">Embora persistam dificuldades diversas, a intensifica&ccedil;&atilde;o da pirataria tem desencadeado respostas inovadoras, experimentais e n&atilde;o raramente conduzindo a medidas controversas. Mais recentemente, a pr&oacute;pria organiza&ccedil;&atilde;o mar&iacute;tima internacional emitiu princ&iacute;pios de orienta&ccedil;&atilde;o para a actua&ccedil;&atilde;o de companhias privadas militares a bordo de navios que atravessam &aacute;guas consideradas de alto risco<a name="top17"></a><a href="#17"><sup>17</sup></a>.</font></p>

    <p><font face="verdana" size="2">Gilberto Carvalho de Oliveira, no seu artigo intitulado &laquo;Interven&ccedil;&atilde;o contra a pirataria nas costas da Som&aacute;lia: <i>naval peacekeeping?</i>&raquo;, reflecte acerca de uma caracter&iacute;stica das opera&ccedil;&otilde;es de apoio &agrave; paz das Na&ccedil;&otilde;es Unidas, a saber, a sua concep&ccedil;&atilde;o eminentemente terrestre. Neste sentido, o seu artigo &eacute; fulcral para o entendimento da lacuna das opera&ccedil;&otilde;es navais em curso: a aus&ecirc;ncia de articula&ccedil;&atilde;o com a opera&ccedil;&atilde;o de apoio &agrave; paz em curso no espa&ccedil;o terrestre.</font></p>

    <p><font face="verdana" size="2">O tratamento da dimens&atilde;o jur&iacute;dica do &laquo;combate &agrave; pirataria mar&iacute;tima&raquo; enquadra&#45;se na problem&aacute;tica mais ampla de regula&ccedil;&atilde;o dos espa&ccedil;os mar&iacute;timos. Mateus Kowalski prop&otilde;e a forma&ccedil;&atilde;o de um tribunal h&iacute;brido para a Som&aacute;lia composto por elementos nacionais e internacionais. A linha de reflex&atilde;o defendida pelo autor &eacute; interessante na medida em que o memorando de entendimento entre o Qu&eacute;nia e a Uni&atilde;o Europeia que conduziu &agrave; cria&ccedil;&atilde;o de um tribunal em Momba&ccedil;a para efectuar os julgamentos de &laquo;suspeitos&raquo; de crimes de pirataria somalis tem sido pautado por obst&aacute;culos decorrentes do pr&oacute;prio sistema jur&iacute;dico no pa&iacute;s de acolhimento. A import&acirc;ncia da dimens&atilde;o jur&iacute;dica no combate &agrave; pirataria conduziu &agrave; nomea&ccedil;&atilde;o, pelo secret&aacute;rio&#45;geral das Na&ccedil;&otilde;es Unidas, de Jack Lang, enquanto seu assessor&#45;conselheiro especial para as quest&otilde;es jur&iacute;dicas da pirataria ao largo da Som&aacute;lia.</font></p>

	    <p><font face="verdana" size="2">Em suma, a pluralidade dos &acirc;ngulos de an&aacute;lise privilegiados pelos autores, assim como as diverg&ecirc;ncias das teses avan&ccedil;adas pelos mesmos, apenas revelam a complexidade do fen&oacute;meno e os desafios que se colocam aos actores empenhados na conten&ccedil;&atilde;o dos seus efeitos, a curto&#45;m&eacute;dio prazo, e/ou na sua erradica&ccedil;&atilde;o a longo prazo. A intensifica&ccedil;&atilde;o do fen&oacute;meno da pirataria mar&iacute;tima tem&#45;se revelado um tubo de ensaio privilegiado para uma multiplicidade de actores estatais e n&atilde;o estatais, se a sua erradica&ccedil;&atilde;o se revela complexa e inserida apenas em estrat&eacute;gias de longo prazo, teve o m&eacute;rito de recentrar a aten&ccedil;&atilde;o de actores extra&#45;regionais na Som&aacute;lia e de actores regionais na dimens&atilde;o mar&iacute;tima da seguran&ccedil;a em &Aacute;frica. </font></p>

    <p>&nbsp;</p>

    <p><font face="verdana" size="2"><b>NOTAS</b></font></p>

    <p><font face="verdana" size="2"><sup><a name="1"></a><a href="#top1">1</a></sup> Press Release N. 064/2011, &laquo;Task force to lead development and implementation of 2050 Africa&rsquo;s Integrated Maritime Strategy (2050 AIM&#45;Strategy) formed&raquo;, Adis Abeba, African Union, 3 de Junho de 2011.</font></p>

    <p><font face="verdana" size="2"><sup><a name="2"></a><a href="#top2">2</a></sup> &laquo;Maritime development in Africa: an independent specialists&rsquo; framework&raquo;. Joanesburgo, Adis Abeba e Washington: The Brenthurst Foundation, African Union Commission, The African Center for Strategic Studies, Junho de 2010. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.thebrenthurstfoundation.org/Files/Brenthurst_Commisioned_Reports/BD1003_Maritime&#45;Development&#45;in&#45;Africa.pdf" target="_blank">http://www.thebrenthurstfoundation.org/Files/Brenthurst_Commisioned_Reports/BD1003_Maritime-Development-in-Africa.pdf</a>.</font></p>

    <!-- ref --><p><font face="verdana" size="2"><sup><a name="3"></a><a href="#top3">3</a></sup> VREY, Fran&ccedil;ois &#150; &laquo;Bad order at sea: from the gulf of Aden to the gulf of Guinea&raquo;. In <i>African Security Review</i>. Vol. 18, N.&ordm; 3, 2009. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.iss.co.za/uploads/18NO3VREY.PDF" target="_blank">http://www.iss.co.za/uploads/18NO3VREY.PDF</a>.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000032&pid=S1645-9199201100030000700001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>

    <!-- ref --><p><font face="verdana" size="2"><sup><a name="4"></a><a href="#top4">4</a></sup> WAMBUA, Paul Musili &#150; &laquo;Enhancing regional maritime cooperation in Africa: the planned end state&raquo;. In <i>African Security Review</i>. Vol. 18, N.&ordm; 3, 2009. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.iss.co.za/uploads/18NO3WAMBUA.PDF" target="_blank">http://www.iss.co.za/uploads/18NO3WAMBUA.PDF</a></font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000034&pid=S1645-9199201100030000700002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="verdana" size="2"><sup><a name="5"></a><a href="#top5">5</a></sup> AMIRELL, Stefan Eklof &#150; &laquo;La piraterie maritime en Afrique contemporaine. Ressorts locaux et internationaux des activit&eacute;s de piraterie au Nigeria et en Somalie&raquo;. In <i>Politique Africaine</i>. N.&ordm; 116, Dezembro de 2009, pp. 97&#45;119.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000035&pid=S1645-9199201100030000700003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>

    <p><font face="verdana" size="2"><sup><a name="6"></a><a href="#top6">6</a></sup> <i>Ibidem</i>.</font></p>

    <p><font face="verdana" size="2"><sup><a name="7"></a><a href="#top7">7</a></sup> MARCHAL, Roland &#150; &laquo;Flibustiers ou corsaires? Des enjeux de l&rsquo;op&eacute;ration maritime internationale contre la piraterie &agrave; proximit&eacute; des c&ocirc;tes somaliennes&raquo;. In <i>Politique Africaine</i>. N.&ordm; 116, Dezembro de 2009, pp. 85&#45;96.</font></p>

    <!-- ref --><p><font face="verdana" size="2"><sup><a name="8"></a><a href="#top8">8</a></sup> Esta &eacute; a tese defendida tamb&eacute;m por um estudioso da Som&aacute;lia, Stig Jarle Hansen (cf. HANSEN, S., KINSEY, C., FRANKLIN, G. &#150; &laquo;Privatising maritime security in Somalia: the rationale and its effects on Governance&raquo;. In <i>Cambridge Review of International Relations</i>. Vol. 22, N.&ordm; 1, Mar&ccedil;o de 2009.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000039&pid=S1645-9199201100030000700005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>

    <p><font face="verdana" size="2"><sup><a name="9"></a><a href="#top9">9</a></sup> MARCHAL, Roland &#150; &laquo;Flibustiers ou corsaires? Des enjeux de l&rsquo;op&eacute;ration maritime internationale contre la piraterie &agrave; proximit&eacute; des c&ocirc;tes somaliennes&raquo;, p. 92.</font></p>

    <!-- ref --><p><font face="verdana" size="2"><sup><a name="10"></a><a href="#top10">10</a></sup> JACKSON, Robert &#150; <i>Quasi&#45;States: Sovereignty, International Relations and the Third World</i>. Cambridge: Cambridge University Press, 1990.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000042&pid=S1645-9199201100030000700006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>

    <!-- ref --><p><font face="verdana" size="2"><sup><a name="11"></a><a href="#top11">11</a></sup> Outros autores convergem na conclus&atilde;o de a pirataria mar&iacute;tima se ter revelado um dos sectores mais lucrativos da economia informal somali. Cf. MARCHAL, Roland &#150; &laquo;Flibustiers ou corsaires? Des enjeux de l&rsquo;op&eacute;ration maritime internationale contre la piraterie &agrave; proximit&eacute; des c&ocirc;tes somaliennes&raquo;; PHAM, J. Peter &#150; &laquo;Putting Somali piracy in context&raquo;. In HESSE, Brian (ed.) &#150; <i>Somalia: State Collapse, Terrorism and Piracy</i>. Londres: Routledge, 2011, pp. 77&#45;91.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000044&pid=S1645-9199201100030000700008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>

    <!-- ref --><p><font face="verdana" size="2"><sup><a name="12"></a><a href="#top12">12</a></sup> GALEOTTI, Mark &#150; &laquo;Underworld and upperworld: transnational organized crime and global society&raquo;. In DAPHNE&#769;, Josselin, e WALLACE, William (eds.) &#150; <i>Non&#45;State Actors in World Politics</i>. Basingstoke: Palgrave, 2001, p. 209.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000046&pid=S1645-9199201100030000700009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>

    <p><font face="verdana" size="2"><sup><a name="13"></a><a href="#top13">13</a></sup> <i>Ibidem</i>, p. 216.</font></p>

    <p><font face="verdana" size="2"><sup><a name="14"></a><a href="#top14">14</a></sup> BAYART, Jean&#45;Fran&ccedil;ois &#150; &laquo;Crime transnational et la formation de l&rsquo;&Eacute;tat&raquo;. In <i>Politique Africaine</i>. N.&ordm; 93, Mar&ccedil;o de 2004, pp.&nbsp;93&#45;104.</font></p>

    <!-- ref --><p><font face="verdana" size="2"><sup><a name="15"></a><a href="#top15">15</a></sup> BAYART, Jean&#45;Fran&ccedil;ois, HIBOU, B&eacute;atrice, e ELLIS, Stephen &#150; &laquo;The criminalization of the State in Africa&raquo;. Oxford: The International African Institute, James Currey and Indiana University Press, 1999.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000050&pid=S1645-9199201100030000700011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>

    <!-- ref --><p><font face="verdana" size="2"><sup><a name="16"></a><a href="#top16">16</a></sup> BOTTE, Roger &#150; &laquo;Vers un &Eacute;tat ill&eacute;gal&#45;l&eacute;gal?&raquo;. In <i>Politique Africaine</i>. N.&ordm; 93, Mar&ccedil;o de 2004, pp. 7&#45;20.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000052&pid=S1645-9199201100030000700012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>

    <p><font face="verdana" size="2"><sup><a name="17"></a><a href="#top17">17</a></sup> Interim Guidance on Use of Privately Armed Security Personnel on Board Ships&raquo;, Maritime Safety Meeting, IMO, 20 de Maio de 2011. Para uma vis&atilde;o mais abrangente da expans&atilde;o das companhias militares privadas no dom&iacute;nio mar&iacute;timo cf. CULLEN, Patrick &#150; &laquo;Private security takes to the sea&raquo;, ISN Security Watch. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.isn.ethz.ch/isn/Current&#45;Affairs/Security&#45;Watch/Detail/?id=54064&amp;lng=en" target="_blank">http://www.isn.ethz.ch/isn/Current-Affairs/Security-Watch/Detail/?id=54064&lng=en</a>. CULLEN, Patrick, e BERUBE, Claude (eds.) &#150; <i>Private Maritime Security in the 21st Century: Market Responses to Piracy, Terrorism and Waterborne Security Risks</i>. Londres: Routledge (no prelo).</font></p>

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