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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[A pirataria desarma-se em terra: o caso da Somália]]></article-title>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Piracy is won in land: The Somali case]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[In this article we argue that the normalization of the Somali situation with the return of the rule of law depends of the conditions created to the development aid and of the rule of law structures’ reconstruction. This struggles will also led to bring security in the Horn of Africa and Indic. For that purpose it will be necessary to provide resources to entities and organizations, such as the African Union, as well as to the Somali political structures which have the political and strategic conditions to achieve it.]]></p></abstract>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[Estados falhados]]></kwd>
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<kwd lng="en"><![CDATA[piracy]]></kwd>
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</front><body><![CDATA[ 
	    <p><font face="verdana" size="2"><b>A pirataria desarma&#45;se
	em terra - o caso da Som&aacute;lia</b></font></p>

    <p>&nbsp;</p>
    <p><font face="verdana" size="2"><b>Lu&iacute;s Eduardo Saraiva e Pierre&#45;Michel Joana</b></font></p>
    <p><font face="verdana" size="2">Lu&iacute;s Eduardo Saraiva Coronel de Cavalaria do Ex&eacute;rcito (na reserva). Assessor e investigador no Instituto de Defesa Nacional. Licenciado em Ci&ecirc;ncias Militares e mestre em Rela&ccedil;&otilde;es Internacionais. Doutorando na Universidade Lus&iacute;ada onde prepara uma tese sobre a rela&ccedil;&atilde;o entre o desenvolvimento na &Aacute;frica e a seguran&ccedil;a da Europa.</font></p>
    <p><font face="verdana" size="2">Pierre&#45;Michel Joana Major&#45;general do Ex&eacute;rcito franc&ecirc;s (na reserva) e especialista em assuntos de seguran&ccedil;a e defesa em &Aacute;frica. Entre 2008 e 2010, foi representante especial do alto&#45;representante/secret&aacute;rio&#45;geral da UE, Javier Solana, para o desenvolvimento das capacidades africanas de manuten&ccedil;&atilde;o de paz, tendo sido tamb&eacute;m nomeado em 2009 como representante pessoal do alto&#45;representante/secret&aacute;rio&#45;geral para a Som&aacute;lia. De Mar&ccedil;o de 2010 a Mar&ccedil;o de 2011 foi conselheiro especial para a paz e seguran&ccedil;a em &Aacute;frica junto do director&#45;geral para as Rela&ccedil;&otilde;es Externas e Assuntos Pol&iacute;tico&#45;Militares da UE.</font></p>
    <p>&nbsp;</p>
    <p><font face="verdana" size="2">RESUMO</font></p>
    <p><font face="verdana" size="2">Este artigo argumenta que a normaliza&ccedil;&atilde;o da situa&ccedil;&atilde;o da Som&aacute;lia, e o estabelecimento do Estado de direito, dependem da cria&ccedil;&atilde;o de condi&ccedil;&otilde;es para ajuda ao desenvolvimento e dos esfor&ccedil;os na reconstru&ccedil;&atilde;o das estruturas necess&aacute;rias ao Estado de Direito. Tais esfor&ccedil;os conduzir&atilde;o simultaneamente para solucionar a inseguran&ccedil;a no Corno de &Aacute;frica e no &Iacute;ndico. Para tal, h&aacute; que proporcionar recursos &agrave;s entidades e organiza&ccedil;&otilde;es, como a Uni&atilde;o Africana, e &agrave;s estruturas pol&iacute;ticas da Som&aacute;lia, que n&atilde;o s&oacute; t&ecirc;m a vontade para o fazer, como t&ecirc;m tamb&eacute;m as melhores condi&ccedil;&otilde;es pol&iacute;ticas e estrat&eacute;gicas para serem bem&#45;sucedidas.</font></p>
    <p><font face="verdana" size="2"><b>Palavras&#45;chave:</b> Estados falhados, Corno de &Aacute;frica, Som&aacute;lia, pirataria</font></p>
    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>
    <p><font face="verdana" size="2"><b>Piracy is won in land. The Somali case.</b></font></p>
    <p><font face="verdana" size="2">ABSTRACT</font></p>
    <p><font face="verdana" size="2">In this article we argue that the nor&#45;
malization of the Somali situation with the return of the rule of law depends of the conditions created to the development aid and of the rule of law structures&rsquo; reconstruction. This struggles will also led to bring security in the Horn of Africa and Indic. For that purpose it will be necessary to provide resources to entities and organizations, such as the African Union, as well as to the Somali political structures which have the political and strategic conditions to achieve it.</font></p>
    <p><font face="verdana" size="2"><b>Keywords:</b> Failed states, Horn of Africa, Somalia, piracy</font></p>
    <p>&nbsp;</p>
    <p><font face="verdana" size="2">Os incidentes com navios assaltados por piratas t&ecirc;m&#45;se
  multiplicado na costa oriental africana, desde o Qu&eacute;nia ao golfo de Adem. A Uni&atilde;o Europeia (UE) lan&ccedil;ou a opera&ccedil;&atilde;o &laquo;Atalanta&raquo; para anular esta amea&ccedil;a e outros actores internacionais tiveram iniciativas semelhantes<sup><a name="top1"></a><a href="#1">1</a></sup>. No entanto, os resultados n&atilde;o t&ecirc;m correspondido &agrave;s expectativas. Existe um sentimento de impunidade junto dos piratas que sabem que n&atilde;o poder&atilde;o ser julgados por tribunais internacionais e, por outro lado, os tribunais somalis n&atilde;o funcionam. Um artif&iacute;cio tem tamb&eacute;m sido posto em pr&aacute;tica. Os piratas interceptados s&atilde;o largados numa qualquer praia da Som&aacute;lia depois de despojados das embarca&ccedil;&otilde;es, armas e meios de comunica&ccedil;&atilde;o utilizados para os assaltos no alto&#45;mar. Mas isto s&oacute; faz espalhar a not&iacute;cia da incapacidade de serem aplicados castigos por tal tipo de ac&ccedil;&otilde;es, tornando a actividade da pirataria mais atractiva<sup><a name="top2"></a><a href="#2">2</a></sup>.</font></p>
    <p><font face="verdana" size="2">Neste artigo argumenta&#45;se que a solu&ccedil;&atilde;o s&oacute; pode passar pelo apoio &agrave; instaura&ccedil;&atilde;o do Estado de direito na Som&aacute;lia e noutros pa&iacute;ses da regi&atilde;o. E para tal ser conseguido, h&aacute; que proporcionar recursos &agrave;s entidades e organiza&ccedil;&otilde;es relevantes, incluindo o Governo Federal de Transi&ccedil;&atilde;o da Som&aacute;lia (Transitional Federal Government &#150; TFG), que n&atilde;o s&oacute; t&ecirc;m a vontade para o fazer, mas tamb&eacute;m est&atilde;o nas melhores condi&ccedil;&otilde;es pol&iacute;ticas e estrat&eacute;gicas para o concretizarem. No entanto, a assist&ecirc;ncia internacional ao Governo tem sido escassa e h&aacute;, por exemplo, um grande atraso na disponibiliza&ccedil;&atilde;o dos fundos prometidos em 2009 na confer&ecirc;ncia de Bruxelas<sup><a name="top3"></a><a href="#3">3</a></sup>.</font></p>

	    <p>&nbsp;</p>
	    <p><font face="verdana" size="2"><b>SOM&Aacute;LIA, UM ESTADO FALHADO NUMA REGI&Atilde;O INSEGURA</b></font></p>
    ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="verdana" size="2">A 3 de Dezembro de 2009, no Hotel Shamo em Mogad&iacute;scio, foi lan&ccedil;ado um ataque terrorista durante uma cerim&oacute;nia de gradua&ccedil;&atilde;o de estudantes de Medicina da Universidade de Benadir, provocando 23 mortos, incluindo tr&ecirc;s ministros do TFG, assim como v&aacute;rios jovens finalistas e jornalistas<a name="top4"></a><a href="#4"><sup>4</sup></a>. Em consultas de emerg&ecirc;ncia levadas a cabo pelo Conselho de Seguran&ccedil;a das Na&ccedil;&otilde;es Unidas (CSNU) o ataque terrorista foi condenado e foi exigido que os criminosos fossem levados perante a Justi&ccedil;a<a name="top5"></a><a href="#5"><sup>5</sup></a>. Mas o pa&iacute;s n&atilde;o disp&otilde;e de mecanismos para fazer cumprir essa resolu&ccedil;&atilde;o. A Som&aacute;lia encontra&#45;se actualmente numa situa&ccedil;&atilde;o de exist&ecirc;ncia de quase n&atilde;o&#45;Estado. Recontros violentos continuam a acontecer em Mogad&iacute;scio, restringindo a capacidade dos actores internacionais para implementar com profundidade programas humanit&aacute;rios cr&iacute;ticos<a name="top6"></a><a href="#6"><sup>6</sup></a>. O TFG praticamente n&atilde;o passa de um governo nominal, tentando exercer a ac&ccedil;&atilde;o governativa com apoio do exterior, mas com uma base pol&iacute;tica interna muito fraca. As incipientes estruturas governamentais n&atilde;o garantem o Estado de direito. N&atilde;o existem For&ccedil;as Armadas ou outras estruturas organizadas com capacidade suficiente para garantir a seguran&ccedil;a e a defesa do extenso territ&oacute;rio. O pa&iacute;s est&aacute;, na pr&aacute;tica, dividido em tr&ecirc;s territ&oacute;rios separados politicamente, a Som&aacute;lia Centro&#45;Sul, a Somalil&acirc;ndia<a name="top7"></a><a href="#7"><sup>7</sup></a> e a Puntl&acirc;ndia.</font></p>

    <p><font face="verdana" size="2">Na verdade, o TFG tem exercido um grande esfor&ccedil;o na consolida&ccedil;&atilde;o e expans&atilde;o da sua base de apoio. Primeiro, intensificou esfor&ccedil;os para aumentar o suporte dos grupos de oposi&ccedil;&atilde;o em Mogad&iacute;scio. Depois, consolidou a coopera&ccedil;&atilde;o com o principal grupo da oposi&ccedil;&atilde;o, o Ahlu Sunna Wal Jama&rsquo;a (ASWJ) contando com o apoio deste grupo que controla importantes regi&otilde;es no Centro da Som&aacute;lia, nomeadamente Hiran, Galgudud e Mudug<a name="top8"></a><a href="#8"><sup>8</sup></a>. Finalmente, iniciou um processo de profunda revis&atilde;o da sua rela&ccedil;&atilde;o com as autoridades aut&oacute;nomas da Puntl&acirc;ndia. Tem havido desenvolvimentos importantes, como seja a deser&ccedil;&atilde;o de Mohamed Faruq e Ali Hassan Gheddi, dois importantes operacionais da Al&#45;Shabaab, principal grupo armado da Puntl&acirc;ndia que se op&otilde;e ao Governo, em conjunto com 550 dos seus guerrilheiros, o que parece indicar crescentes divis&otilde;es no seio da Al&#45;Shabaab<a name="top9"></a><a href="#9"><sup>9</sup></a>. No entanto, continuam a faltar ao TFG recursos regulares e adequados para apoiar e integrar os que abandonam as fileiras da oposi&ccedil;&atilde;o armada. As principais lacunas s&atilde;o os recursos financeiros<a name="top10"></a><a href="#10"><sup>10</sup></a>. Apesar de tudo isto, o Governo tem apresentado como suas mais prementes prioridades melhorar a situa&ccedil;&atilde;o de seguran&ccedil;a, promover a reconcilia&ccedil;&atilde;o entre todas as partes envolvidas nos conflitos internos da Som&aacute;lia e criar melhores condi&ccedil;&otilde;es para a distribui&ccedil;&atilde;o de assist&ecirc;ncia humanit&aacute;ria<a name="top11"></a><a href="#11"><sup>11</sup></a>.</font></p>

    <p><font face="verdana" size="2">Mas a Som&aacute;lia n&atilde;o captaria o interesse da comunica&ccedil;&atilde;o social e da opini&atilde;o p&uacute;blica se n&atilde;o se passassem nas suas &aacute;guas os ataques de pirataria que t&atilde;o profusamente t&ecirc;m sido relatados, especialmente desde h&aacute; cerca de tr&ecirc;s anos. Nos mares costeiros mas tamb&eacute;m ao largo, especialmente a Norte, o fen&oacute;meno da pirataria tem grassado e os esfor&ccedil;os da comunidade internacional t&ecirc;m aumentado em propor&ccedil;&atilde;o para tentar debelar esta amea&ccedil;a &agrave; navega&ccedil;&atilde;o mar&iacute;tima e &agrave; seguran&ccedil;a em geral.</font></p>

	    <p><font face="verdana" size="2">Agravando o problema das &aacute;guas territoriais da Som&aacute;lia, a norte estas fazem fronteira com as do I&eacute;men, no golfo de Adem, onde se situa a zona de maior concentra&ccedil;&atilde;o de actos de pirataria dos &uacute;ltimos anos. No caso deste pa&iacute;s, algumas not&iacute;cias parecem ligar a pirataria local, que visa essencialmente recolher fundos atrav&eacute;s do resgate das tripula&ccedil;&otilde;es e dos navios, com o terrorismo<a name="top12"></a><a href="#12"><sup>12</sup></a>. O I&eacute;men tem sido referido frequentemente como uma das bases da Al&#45;Qaida na regi&atilde;o. As declara&ccedil;&otilde;es do nigeriano Umar Farouk Abdul Mutallab, recentemente detido ap&oacute;s tentar fazer explodir um avi&atilde;o de passageiros de uma companhia comercial norte&#45;americana, de que os operacionais da Al&#45;Qaida no I&eacute;men o tinham treinado, armado e atribu&iacute;do a miss&atilde;o de fazer explodir o avi&atilde;o, o que quase conseguiu, s&atilde;o testemunho das actividades locais dessa organiza&ccedil;&atilde;o terrorista<a name="top13"></a><a href="#13"><sup>13</sup></a>.</font></p>

    <p><font face="verdana" size="2">A situa&ccedil;&atilde;o geogr&aacute;fica &eacute; favor&aacute;vel aos piratas: o I&eacute;men est&aacute; muito pr&oacute;ximo do estreito de Bab El&#45;Mandeb, na embocadura do mar Vermelho, pelo qual transitam cerca de 15,5 milh&otilde;es de barris de petr&oacute;leo todos os dias, segundo dados de 2009, o que representa cerca de um ter&ccedil;o de todo o petr&oacute;leo que circula mundialmente por via mar&iacute;tima<a name="top14"></a><a href="#14"><sup>14</sup></a>. Estes s&atilde;o alvo da cobi&ccedil;a dos piratas, que se acoitam nas duas margens do estreito. No&nbsp;entanto, alguns ind&iacute;cios apontam para a ideia de que resolvendo o problema da&nbsp;Som&aacute;lia se refor&ccedil;ar&aacute; a capacidade de interven&ccedil;&atilde;o tamb&eacute;m nas &aacute;guas do I&eacute;men, anulando&#45;se a capacidade de ataque dos piratas no estreito.</font></p>

    <p>&nbsp;</p>
    <p><font face="verdana" size="2"><b>CAUSAS, PRETEXTOS E FACTOS DAS AC&Ccedil;&Otilde;ES DE PIRATARIA</b></font></p>
    <p><font face="verdana" size="2">O fen&oacute;meno da pirataria tem vindo a crescer ao largo da Som&aacute;lia especialmente nos &uacute;ltimos anos. Mas foi no Ver&atilde;o de 2008 que se alcan&ccedil;ou um pico na frequ&ecirc;ncia dos ataques armados a navios nas vizinhan&ccedil;as da Som&aacute;lia: 300 ref&eacute;ns, 13 navios capturados, numa m&eacute;dia de dois ataques por dia. Analisando esse ano, nota&#45;se a distribui&ccedil;&atilde;o dos ataques por duas &aacute;reas, a costa oriental da Som&aacute;lia e a costa norte, no golfo de Adem. Torna&#45;se evidente que os piratas executam as suas ac&ccedil;&otilde;es cada vez mais a norte. Em&nbsp;2008 foram a&iacute; realizados 61 ataques a navios, dos quais 31 se ficaram pela tentativa e 30 foram concretizados. No decurso destes ataques foram aprisionados 19 navios. Na costa oriental foram executados 10 ataques em 2008, dos quais cinco foram eficazes, resultando em cinco navios capturados<a name="top15"></a><a href="#15"><sup>15</sup></a>.</font></p>

    <p><font face="verdana" size="2">A NAVCO, a for&ccedil;a naval da UE que executa a opera&ccedil;&atilde;o &laquo;Atalanta&raquo; de combate &agrave; pirataria, sublinha que desde o ano de 2006 que os navios s&atilde;o aconselhados a passarem a mais de 200 milhas n&aacute;uticas da costa. No entanto existem dificuldades. Em primeiro lugar, a adop&ccedil;&atilde;o desta medida fez alterar o <i>modus operandi</i> dos piratas, que passaram a usar um navio&#45;base para lan&ccedil;arem ataques a mais de 400 milhas e, em segundo lugar, os piratas passaram a focar a sua aten&ccedil;&atilde;o no golfo de Adem, pois a navega&ccedil;&atilde;o a&iacute; n&atilde;o pode ser feita t&atilde;o longe da costa. No entanto, apesar da presen&ccedil;a de importantes meios navais militares na regi&atilde;o, a situa&ccedil;&atilde;o continua a agravar&#45;se.</font></p>

	    <p><font face="verdana" size="2">A pirataria que se observa ao largo das costas somalis &eacute; um fen&oacute;meno que diz respeito essencialmente a terra, &agrave;s regi&otilde;es donde partem os piratas, ou seja, a Puntl&acirc;ndia (as costas mais ao sul abrigam poucos piratas, mesmo se a oposi&ccedil;&atilde;o armada radical controla o porto de Kismayo<a name="top16"></a><a href="#16"><sup>16</sup></a>). Os piratas justificaram inicialmente as suas ac&ccedil;&otilde;es pelo facto de as &aacute;guas somalis, devido &agrave; aus&ecirc;ncia de controlo por um Estado organizado, se terem tornado local de despejo de detritos t&oacute;xicos por navios estrangeiros e serem o s&iacute;tio favorito de pesca industrial de navios europeus e asi&aacute;ticos. A isso h&aacute; que adicionar o tr&aacute;fico de armas, os produtos de contrabando e o tr&aacute;fico humano (emigra&ccedil;&atilde;o irregular para a Pen&iacute;nsula Ar&aacute;bica de cidad&atilde;os provenientes da Eti&oacute;pia e da Som&aacute;lia). Devido a estas causas, os piratas apresentar&#45;se&#45;iam como a &laquo;guarda costeira&raquo; da Som&aacute;lia.</font></p>

    ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="verdana" size="2">Os despejos de detritos t&oacute;xicos ter&atilde;o cessado devido &agrave; dissuas&atilde;o dos piratas (tratava&#45;se essencialmente de lixo hospitalar, vindo da Europa, relacionado com neg&oacute;cios de redes criminosas europeias). A pesca industrial tamb&eacute;m declinou bastante, mesmo se alguns navios europeus continuam a pescar, por vezes contra pagamento de retribui&ccedil;&otilde;es a organiza&ccedil;&otilde;es locais pr&oacute;ximas dos piratas. &Eacute; necess&aacute;rio sublinhar que a pirataria utiliza estes pretextos para justificar as suas ac&ccedil;&otilde;es, embora o seu &uacute;nico objectivo seja ganhar somas avultadas gra&ccedil;as aos resgates. Estima&#45;se em 80 milh&otilde;es de d&oacute;lares por ano os lucros da pirataria<a name="top17"></a><a href="#17"><sup>17</sup></a>, o que &eacute; consider&aacute;vel se se comparar com as receitas do Governo somali, que n&atilde;o devem exceder tr&ecirc;s ou quatro milh&otilde;es de d&oacute;lares por m&ecirc;s. As consequ&ecirc;ncias acumuladas da guerra civil, da falta de um controlo eficaz do mar pelo Estado, da pesca ilegal e dos benef&iacute;cios da pirataria &eacute; que todas as actividades econ&oacute;micas do litoral somali foram destru&iacute;das ou se tornaram imposs&iacute;veis. Sejam quais forem os riscos que possam comportar &#150; na verdade relativamente fracos &#150;, a pirataria &eacute; a &uacute;nica hip&oacute;tese de sobreviv&ecirc;ncia para muitas pessoas.</font></p>

    <p><font face="verdana" size="2">Esta actividade est&aacute; bem organizada e encontra&#45;se estruturada em fun&ccedil;&otilde;es operacionais. H&aacute; uma componente log&iacute;stica &laquo;a montante&raquo; que compra embarca&ccedil;&otilde;es, motores, sistema de orienta&ccedil;&atilde;o GPS, armas, etc., atrav&eacute;s de redes locais, nos pa&iacute;ses do golfo e da Pen&iacute;nsula Ar&aacute;bica. Relativamente &agrave;s opera&ccedil;&otilde;es, marinheiros e piratas s&atilde;o pagos pelas organiza&ccedil;&otilde;es referidas e remunerados &agrave; percentagem. O comando e o controlo s&atilde;o exercidos por poderosos chefes somalis, que s&atilde;o tamb&eacute;m comerciantes e homens de neg&oacute;cios. A componente de seguran&ccedil;a operacional &eacute; exercida por uma rede de negociantes que fazem de intermedi&aacute;rios com as companhias de seguros e os armadores, para obterem os resgates (em geral, estas transac&ccedil;&otilde;es s&atilde;o feitas longe da Som&aacute;lia). H&aacute; uma estrutura de log&iacute;stica &laquo;a jusante&raquo; que inclui todo o circuito de lavagem das avultadas somas recolhidas, no exterior da Som&aacute;lia. O Qu&eacute;nia &eacute; o primeiro alvo dos investimentos somalis, em particular no imobili&aacute;rio. Como este &eacute; tamb&eacute;m um dos pa&iacute;ses onde existe um elevado n&iacute;vel de corrup&ccedil;&atilde;o e que cont&eacute;m uma forte minoria de etnia somali, h&aacute; tamb&eacute;m aqui um forte risco de desestabiliza&ccedil;&atilde;o.</font></p>

	    <p><font face="verdana" size="2">Face a tudo isto, a resposta que consiste em combater os piratas no mar n&atilde;o &eacute; suficientemente dissuasora, porque os riscos em que podem incorrer s&atilde;o aceites por estes. Esta abordagem poder&aacute; diminuir o n&uacute;mero de casos de pirataria com sucesso, mas isso dever&aacute; ser feito em detrimento do tr&aacute;fego mar&iacute;timo e tal situa&ccedil;&atilde;o n&atilde;o poder&aacute; continuar eternamente. Os piratas encontrariam ent&atilde;o outras actividades mais lucrativas, beneficiando das facilidades da &laquo;zona franca&raquo; que &eacute; a Som&aacute;lia (por exemplo, o contrabando em toda a regi&atilde;o). Felizmente, por enquanto, parece haver poucas rela&ccedil;&otilde;es entre a pirataria e a oposi&ccedil;&atilde;o armada isl&acirc;mica radical, mas os somalis, sendo frequentemente h&aacute;beis homens de neg&oacute;cios e, alguns, por vezes, sem escr&uacute;pulos, dever&atilde;o aperceber&#45;se dentro em breve de que esta situa&ccedil;&atilde;o n&atilde;o deve durar, pelo que se aproveitar&atilde;o das oportunidades de neg&oacute;cios.</font></p>

	    <p><font face="verdana" size="2">&Eacute; preciso, portanto, atacar as verdadeiras causas da pirataria, que s&atilde;o:</font></p>

	    <p><font face="verdana" size="2">&bull; A falta de controlo do Estado, no mar e sobre a faixa litoral. N&atilde;o h&aacute; qualquer administra&ccedil;&atilde;o dos assuntos mar&iacute;timos nem alf&acirc;ndega eficaz. N&atilde;o h&aacute; registo de embarca&ccedil;&otilde;es, nem dos marinheiros ou dos pescadores, nem h&aacute; guarda costeira.</font></p>

	    <p><font face="verdana" size="2">&bull; A destrui&ccedil;&atilde;o das actividades de pesca e das ind&uacute;strias alimentares associadas, como &eacute; o caso das conserveiras.</font></p>

	    <p><font face="verdana" size="2">&bull; A car&ecirc;ncia de actividades econ&oacute;micas rent&aacute;veis para as popula&ccedil;&otilde;es litorais que n&atilde;o se dedicam &agrave; pesca, como a agricultura e pequenas ind&uacute;strias.</font></p>

	    <p><font face="verdana" size="2">&bull; A inseguran&ccedil;a ligada &agrave; supremacia dos grupos de senhores da guerra em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s for&ccedil;as de seguran&ccedil;a.</font></p>

	    <p>&nbsp;</p>
	    <p><font face="verdana" size="2"><b>AS INICIATIVAS DA COMUNIDADE INTERNACIONAL</b></font></p>
    ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="verdana" size="2">Ap&oacute;s as duas interven&ccedil;&otilde;es da comunidade internacional, as for&ccedil;as dos tribunais isl&acirc;micos instalaram&#45;se em Mogad&iacute;scio e a&iacute; impuseram regras dur&iacute;ssimas, sonegando a capital (e o pa&iacute;s, em geral) &agrave; autoridade do Estado representada pelo Governo. O resto do territ&oacute;rio foi mais ou menos dividido por todos os senhores da guerra que conseguiram impor&#45;se, observando&#45;se um estado de total anarquia. A reorganiza&ccedil;&atilde;o que parcialmente se concretizou nas prov&iacute;ncias a norte, constituindo a Puntl&acirc;ndia e a Somalil&acirc;ndia, fizeram sobressair, por contraste, o caos e a inseguran&ccedil;a que se vive nas regi&otilde;es Centro e Sul, incluindo a capital, Mogad&iacute;scio.</font></p>

	    <p><font face="verdana" size="2">A opera&ccedil;&atilde;o da AMISOM, que na altura contava com importantes meios da vizinha Eti&oacute;pia, conseguiu restabelecer alguma calma e abriu as portas &agrave; oportunidade para alguma ac&ccedil;&atilde;o do TFG. No entanto, a comunidade internacional, para al&eacute;m da componente militar da AMISOM, est&aacute; totalmente ausente da Som&aacute;lia, por raz&otilde;es de seguran&ccedil;a. A&nbsp;Som&aacute;lia &eacute;, portanto, uma crise gerida &agrave; dist&acirc;ncia. A ONU e os seus representantes est&atilde;o em Nairobi, no Qu&eacute;nia, assim como as componentes de planeamento, de civis e de policiais da AMISOM que se dividem entre Nairobi e Adis Abeba (Eti&oacute;pia) e as embaixadas. &Eacute; tamb&eacute;m uma crise gerida por intermedi&aacute;rios &#150; a componente militar da AMISOM. Entretanto, a &laquo;comunidade internacional&raquo; n&atilde;o tem estado inactiva no seu apoio &agrave; reconstru&ccedil;&atilde;o das institui&ccedil;&otilde;es somalis, no apoio ao seu povo e na tentativa de se conseguir estruturar sistemas de seguran&ccedil;a e defesa que permitam a exist&ecirc;ncia, de novo, do Estado de direito na Som&aacute;lia. A Resolu&ccedil;&atilde;o 1816, de 2 de Junho de 2008, do CSNU, fazendo apelo &agrave; actua&ccedil;&atilde;o no &acirc;mbito do cap&iacute;tulo VII da Carta das Na&ccedil;&otilde;es Unidas, condenou todos os actos de pirataria (e de roubo armado) contra navios em &aacute;guas territoriais e ao largo das costas da Som&aacute;lia, e apelou aos estados e organiza&ccedil;&otilde;es interessados para que providenciassem assist&ecirc;ncia t&eacute;cnica &agrave; Som&aacute;lia e aos estados costeiros vizinhos, para refor&ccedil;ar a seguran&ccedil;a costeira e mar&iacute;tima.</font></p>

	    <p><font face="verdana" size="2">Aquela resolu&ccedil;&atilde;o acaba por dar relev&acirc;ncia ao problema dos piratas detidos em flagrante delito. Por isso, no seu par&aacute;grafo 11, apela&#45;se a todos os estados envolvidos, seja por a eles pertencerem os criminosos ou as v&iacute;timas, para colaborarem na cria&ccedil;&atilde;o e aprova&ccedil;&atilde;o de legisla&ccedil;&atilde;o, da identifica&ccedil;&atilde;o da jurisdi&ccedil;&atilde;o a aplicar e tamb&eacute;m na investiga&ccedil;&atilde;o e julgamento dos suspeitos e respons&aacute;veis por actos de pirataria.</font></p>

	    <p><font face="verdana" size="2">Para al&eacute;m das iniciativas mais operacionais para combater a pirataria, s&atilde;o de relevar ainda as iniciativas da UE, com os seus planos de desenvolvimento para o pa&iacute;s e para o financiamento da AMISOM. Em Julho de 2009 a UE nomeou um respons&aacute;vel pelo acompanhamento da situa&ccedil;&atilde;o na Som&aacute;lia, um antigo conselheiro do anterior alto&#45;representante da UE Javier Solana para as quest&otilde;es do refor&ccedil;o das capacidades africanas. Assim, tem&#45;se vindo a coordenar a explora&ccedil;&atilde;o de solu&ccedil;&otilde;es para se alcan&ccedil;ar a estabilidade na Som&aacute;lia e na regi&atilde;o, tanto no mar como em terra. Neste &acirc;mbito, para al&eacute;m de se comprometer com o sucesso da opera&ccedil;&atilde;o &laquo;Atalanta&raquo;, a UE procura tamb&eacute;m desenvolver actividades de apoio refor&ccedil;ado &agrave; UA na Som&aacute;lia, de levantamento de capacidades no sector de seguran&ccedil;a, de cria&ccedil;&atilde;o de uma estrat&eacute;gia de longo prazo de assist&ecirc;ncia &agrave; Som&aacute;lia, e de refor&ccedil;o do quadro legal para resolver a quest&atilde;o da pirataria<a name="top18"></a><a href="#18"><sup>18</sup></a>.</font></p>

    <p><font face="verdana" size="2">Tamb&eacute;m a ONU se mant&eacute;m profundamente empenhada em resolver a quest&atilde;o somali, que considera um problema mundial. Presente na cimeira da UA, realizada em Adis Abeba, a 31 de Janeiro de 2010, o secret&aacute;rio&#45;geral das Na&ccedil;&otilde;es Unidas sublinhou na sua interven&ccedil;&atilde;o que os tr&aacute;gicos acontecimentos recentes na Som&aacute;lia (ataque ao Quartel&#45;General da AMISOM, a 17 de Setembro de 2009) tinham demonstrado que o conflito naquele pa&iacute;s tinha um impacto directo na seguran&ccedil;a mundial e que, portanto, as Na&ccedil;&otilde;es Unidas continuariam fortemente empenhadas em prosseguir o trabalho conjunto com a UA para refor&ccedil;ar a AMISOM<a name="top19"></a><a href="#19"><sup>19</sup></a>.</font></p>

    <p><font face="verdana" size="2">Em Bruxelas, a 17 de Novembro de 2009, os ministros dos Neg&oacute;cios Estrangeiros e da Defesa da UE prolongaram por mais um ano a opera&ccedil;&atilde;o &laquo;Atalanta&raquo;. A disponibiliza&ccedil;&atilde;o de navios pela NATO e pela UE, em conjunto com iniciativas implementadas autonomamente por v&aacute;rios pa&iacute;ses como a China, o Jap&atilde;o, o Ir&atilde;o, a Coreia do Sul e a R&uacute;ssia continuam &#150; nas palavras do secret&aacute;rio&#45;geral das Na&ccedil;&otilde;es Unidas &#150; a ter um impacto muito positivo, tornando mais dif&iacute;cil para os piratas operarem nesses mares<a name="top20"></a><a href="#20"><sup>20</sup></a>. No&nbsp;entanto, o fen&oacute;meno de pirataria n&atilde;o se desvaneceu. Pelo contr&aacute;rio, verificaram&#45;se adapta&ccedil;&otilde;es &agrave;s novas condi&ccedil;&otilde;es.</font></p>

	    <p>&nbsp;</p>
	    <p><font face="verdana" size="2"><b>OS ESFOR&Ccedil;OS DA UNI&Atilde;O AFRICANA PARA A PAZ E A ESTABILIDADE NA SOM&Aacute;LIA</b></font></p>
    <p><font face="verdana" size="2">Conforme refere Rodrigo Tavares, um especialista em quest&otilde;es de seguran&ccedil;a africanas, a capacidade organizativa de uma organiza&ccedil;&atilde;o para levar a cabo actividades de paz e seguran&ccedil;a depende das medidas constitucionais que levam &agrave; activa&ccedil;&atilde;o do mandato e os mecanismos institucionais atrav&eacute;s dos quais ela pode funcionar e exercer aquele mandato<a name="top21"></a><a href="#21"><sup>21</sup></a>. Em conson&acirc;ncia com outras organiza&ccedil;&otilde;es sub&#45;regionais, a UA adoptou medidas constitucionais para se empenhar na paz e na seguran&ccedil;a. Assim, tentando aplicar o desenvolvimento das suas capacidades para miss&otilde;es de paz em territ&oacute;rio africano, a UA tomou a iniciativa de levantar uma for&ccedil;a de paz para auxiliar as popula&ccedil;&otilde;es somalis e o seu governo. A AMISOM acabou por ser enviada para a Som&aacute;lia sem estar devidamente preparada. Apesar das lacunas graves, a AMISOM p&ocirc;de desalojar as for&ccedil;as dos tribunais isl&acirc;micos e criar, temporariamente, as condi&ccedil;&otilde;es m&iacute;nimas para o regresso do Governo somali &agrave; capital. A AMISOM acabou por perder a vantagem do &iacute;mpeto inicial, tendo&#45;se verificado o retorno, embora parcial, das for&ccedil;as dos tribunais isl&acirc;micos a Mogad&iacute;scio. Este desfecho foi tamb&eacute;m uma consequ&ecirc;ncia do esgotamento da outra miss&atilde;o de paz da UA, a AMIS II (African Mission in Sudan)<a name="top22"></a><a href="#22"><sup>22</sup></a>. Na&nbsp;sede da UA, em Adis Abeba, os representantes dos pa&iacute;ses africanos dividem&#45;se entre apoiar a AMIS II (que agora se transformou em UNAMID), ou continuar os esfor&ccedil;os para manter e levar a bom termo as duas miss&otilde;es actuais da UA.</font></p>

    <p><font face="verdana" size="2">O que n&atilde;o pode ser posto em d&uacute;vida &eacute; que a AMISOM tem desempenhado um papel significativo e recomend&aacute;vel ao levar a cabo o seu mandato, apesar de s&eacute;rios desafios. Esta miss&atilde;o continua, no entanto, sujeita a uma variedade de press&otilde;es, especialmente no que diz respeito &agrave; gera&ccedil;&atilde;o de for&ccedil;as e ao fornecimento de equipamentos. Actualmente, disp&otilde;e apenas de seis batalh&otilde;es, cerca de 65 por cento da for&ccedil;a identificada como necess&aacute;ria para o objectivo previsto inicialmente, de dois pa&iacute;ses, o Burundi e o Uganda<a name="top23"></a><a href="#23"><sup>23</sup></a>. Para al&eacute;m de refor&ccedil;o de tropa, s&atilde;o necess&aacute;rios mais meios sanit&aacute;rios, de&nbsp;engenharia e de pol&iacute;cia militar, segundo a UA. Por outro lado, uma equipa de planeamento da ONU continua a apoiar o planeamento operacional em Adis Abeba, no&nbsp;Quartel&#45;General da UA, incluindo a prepara&ccedil;&atilde;o da projec&ccedil;&atilde;o de mais tr&ecirc;s batalh&otilde;es de infantaria e de 22 oficiais de estado&#45;maior, oriundos de oito pa&iacute;ses africanos.</font></p>

    ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="verdana" size="2">Nos moldes em que se encontra, a situa&ccedil;&atilde;o de seguran&ccedil;a em Mogad&iacute;scio continuar&aacute; a afectar a distribui&ccedil;&atilde;o de elementos essenciais do pacote de apoio das Na&ccedil;&otilde;es Unidas &agrave;&nbsp;AMISOM. Com o seu reduzido potencial actual e dada a natureza urbana do conflito, a miss&atilde;o &eacute; incapaz de garantir a seguran&ccedil;a de uma &aacute;rea suficientemente ampla para evitar o ataque ao aeroporto e ao porto de Mogad&iacute;scio com fogo de morteiros. Os itiner&aacute;rios de reabastecimento provenientes de Momba&ccedil;a t&ecirc;m sido alvo dos ataques dos insurrectos<a name="top24"></a><a href="#24"><sup>24</sup></a>, especialmente &agrave; aproxima&ccedil;&atilde;o ao porto. &Eacute; portanto essencial que os esfor&ccedil;os, por menores que sejam, se destinem a apoiar a AMISOM, que sozinha ergue a bandeira da &laquo;comunidade internacional&raquo; no pa&iacute;s.</font></p>

    <p>&nbsp;</p>
    <p><font face="verdana" size="2"><b>COMBATER AS CAUSAS E N&Atilde;O OS SINTOMAS</b></font></p>
    <p><font face="verdana" size="2">A solu&ccedil;&atilde;o encontrada pela comunidade internacional para tentar anular a amea&ccedil;a &#150; combater os piratas nos mares &#150;, por muito que isso releve um passado rom&acirc;ntico das marinhas de guerra, n&atilde;o tem surtido efeitos imediatos, como se viu, quanto mais n&atilde;o seja porque n&atilde;o existem medidas legais, claras, concretas e eficazes para deter e punir os piratas.</font></p>

	    <p><font face="verdana" size="2">Os debates em Bruxelas durante o ano de 2008 decorreram &agrave; volta de algumas solu&ccedil;&otilde;es propostas para proteger a navega&ccedil;&atilde;o mar&iacute;tima, ap&oacute;s representantes somalis se terem deslocado ao Comit&eacute; Pol&iacute;tico e de Seguran&ccedil;a (COPS) do Conselho da UE, apelando ao aux&iacute;lio na neutraliza&ccedil;&atilde;o deste fen&oacute;meno criminoso. A solu&ccedil;&atilde;o consensual foi constituir uma for&ccedil;a naval para interditar as actividades criminosas nas &aacute;guas internacionais em frente &agrave; Som&aacute;lia, levando ao lan&ccedil;amento da opera&ccedil;&atilde;o &laquo;Atalanta&raquo;. No entanto, pelas raz&otilde;es apontadas, o que faz &eacute; &laquo;combater os sintomas e n&atilde;o a doen&ccedil;a&raquo;. Os custos desta opera&ccedil;&atilde;o s&atilde;o elevad&iacute;ssimos<a name="top25"></a><a href="#25"><sup>25</sup></a> e talvez seja agora a altura de se fazer um estudo comparativo entre estas actividades e as de um refor&ccedil;o substantivo da presen&ccedil;a internacional em territ&oacute;rio somali, como a miss&atilde;o da UA, sob mandato da onu, orientada para combater e anular as causas da pirataria. Claro que, para isso, &eacute; necess&aacute;rio apoiar as iniciativas da UA no refor&ccedil;o de uma for&ccedil;a de imposi&ccedil;&atilde;o da paz eficaz, dotada dos meios necess&aacute;rios, o que actualmente ainda n&atilde;o acontece com a AMISOM. Embora disponha de um mandato forte, carece de recursos cr&iacute;ticos para atingir o potencial cred&iacute;vel m&iacute;nimo.</font></p>

    <p><font face="verdana" size="2">A UA tem capacidade para mobilizar os efectivos militares necess&aacute;rios. No entanto, faltam&#45;lhe recursos financeiros para pagar a essa tropa, faltam&#45;lhe meios de transporte (estrat&eacute;gico e t&aacute;ctico), meios de sustenta&ccedil;&atilde;o da for&ccedil;a (apoio log&iacute;stico), apoio sanit&aacute;rio e, principalmente, falta vontade pol&iacute;tica para entregar &agrave; UA as capacidades que a tornem capaz de actuar eficazmente. A UE tem contribu&iacute;do muito para a cria&ccedil;&atilde;o de tais oportunidades. Em Novembro de 2009, o Conselho da UE aprovou um Conceito de Gest&atilde;o de Crises (CMG) para o poss&iacute;vel lan&ccedil;amento de uma miss&atilde;o que contribua para o levantamento e treino das for&ccedil;as de seguran&ccedil;a do TFG. Parece que, com o devido refor&ccedil;o dos meios da AMISOM e com a implementa&ccedil;&atilde;o desta miss&atilde;o para reorganiza&ccedil;&atilde;o das for&ccedil;as de seguran&ccedil;a da Som&aacute;lia, se poder&atilde;o criar as condi&ccedil;&otilde;es para desmantelar os grupos criminosos que se lan&ccedil;am, das praias somalis, no encal&ccedil;o das presas que circulam naqueles mares.</font></p>

	    <p><font face="verdana" size="2">O flagelo da criminalidade que infesta a Som&aacute;lia s&oacute; prospera, no entanto, porque as condi&ccedil;&otilde;es de subdesenvolvimento e de car&ecirc;ncia absoluta de recursos por parte do Estado (praticamente inexistente) lhe d&atilde;o essa oportunidade. S&oacute; com a cria&ccedil;&atilde;o de condi&ccedil;&otilde;es para ajuda ao desenvolvimento, ao mesmo tempo que se aplicam esfor&ccedil;os na reconstru&ccedil;&atilde;o das estruturas do Estado de direito, se poder&atilde;o encontrar sinergias para trazer de volta a Som&aacute;lia &agrave; sociedade internacional composta por estados soberanos. Portanto, n&atilde;o se conseguir&aacute; estabelecer o clima necess&aacute;rio de seguran&ccedil;a se n&atilde;o se combaterem devidamente as causas do subdesenvolvimento. Para esse fim a UE, atrav&eacute;s da Comiss&atilde;o e dos estados&#45;membros, j&aacute; atribuiu 215,4 milh&otilde;es de euros para ajuda ao desenvolvimento atrav&eacute;s do Fundo Europeu de Desenvolvimento, para o per&iacute;odo de 2008&#45;2013. O programa corrente da comiss&atilde;o de ajuda ao desenvolvimento para a Som&aacute;lia (incluindo todas as regi&otilde;es da Som&aacute;lia Central&#45;Sul, Puntl&acirc;ndia e Somalil&acirc;ndia) ascende a quase 180 milh&otilde;es de euros e corresponde a 87 projectos<a name="top26"></a><a href="#26"><sup>26</sup></a>. Tamb&eacute;m a ONU tem estado activa, tendo organizado uma reuni&atilde;o de doadores em Nova York, a 9 de Outubro de 2009, para avaliar a possibilidade de se concretizarem as contribui&ccedil;&otilde;es prometidas<a name="top27"></a><a href="#27"><sup>27</sup></a>. Do valor total prometido, 39 por cento j&aacute; tinha sido recebido, estando ainda pendentes 121&nbsp;milh&otilde;es. Desses, os&nbsp;<i>trust funds </i>da ONU para as institui&ccedil;&otilde;es de seguran&ccedil;a somalis tinham recebido aproximadamente 851 mil d&oacute;lares e o <i>trust fund</i> para a AMISOM 25 milh&otilde;es. Adicionalmente, cerca de tr&ecirc;s milh&otilde;es tinham sido distribu&iacute;dos directamente por doadores ao TFG, enquanto a UA tinha recebido 16,6 milh&otilde;es de d&oacute;lares bilateralmente<a name="top28"></a><a href="#28"><sup>28</sup></a>.</font></p>

    <p><font face="verdana" size="2">Por outro lado, a ONU continua a desenvolver planos para uma expans&atilde;o da sua presen&ccedil;a f&iacute;sica em Mogad&iacute;scio e eventual presen&ccedil;a permanente. O Governo de transi&ccedil;&atilde;o acolhe bem esta ideia e considera&#45;a mesmo uma medida essencial para a estabiliza&ccedil;&atilde;o, para apoio ao funcionamento das institui&ccedil;&otilde;es p&uacute;blicas e para melhorar o acesso dos agentes humanit&aacute;rios. Mas o apoio internacional deve exercer o seu grande esfor&ccedil;o inicial no refor&ccedil;o das institui&ccedil;&otilde;es de seguran&ccedil;a da Som&aacute;lia. Isto servir&aacute; para criar as bases do Estado de direito, anulando&#45;se os santu&aacute;rios de piratas. O principal objectivo do desenvolvimento das institui&ccedil;&otilde;es do sector de seguran&ccedil;a &eacute; manter e refor&ccedil;ar a seguran&ccedil;a dentro da capital, para que o Governo se possa tornar completamente operacional.</font></p>

	    <p><font face="verdana" size="2">Ao mesmo tempo que o Governo procura construir a sua capacidade operacional militar para lidar com as amea&ccedil;as de seguran&ccedil;a imediatas, continua tamb&eacute;m a trabalhar a longo prazo para o desenvolvimento das for&ccedil;as de seguran&ccedil;a nacionais, contando com o apoio da AMISOM. No entanto, permanecem desafios s&eacute;rios, nomeadamente, os&nbsp;sal&aacute;rios, o equipamento e a reintegra&ccedil;&atilde;o das tropas governamentais ap&oacute;s regressarem, no&nbsp;final do per&iacute;odo de instru&ccedil;&atilde;o, dos pa&iacute;ses onde foram formadas. Recentemente, 160 militares treinados integraram as for&ccedil;as do Governo, e espera&#45;se que tenham um impacto positivo na seguran&ccedil;a em Mogad&iacute;scio. Entretanto, a Fran&ccedil;a j&aacute; come&ccedil;ou a treinar um segundo contingente de 350 recrutas no Djibuti, enquanto o Sud&atilde;o come&ccedil;ou a instru&ccedil;&atilde;o de 120 elementos de defesa pr&oacute;xima, ou seja, dedicados &agrave; protec&ccedil;&atilde;o de altas individualidades, como o Presidente Sheikh Sharif Ahmed. Os Estados Unidos continuam a providenciar fundos e apoio log&iacute;stico ao Governo, com 750 soldados e 30 oficiais a passarem por um per&iacute;odo de instru&ccedil;&atilde;o intensiva de nove meses em Kampala, no Uganda. A Turquia, o I&eacute;men e a Arg&eacute;lia t&ecirc;m estado envolvidos no transporte a&eacute;reo de tropas de e para locais de instru&ccedil;&atilde;o e no fornecimento de equipamentos.</font></p>

	    <p><font face="verdana" size="2">Para al&eacute;m da miss&atilde;o de Pol&iacute;tica Comum de Seguran&ccedil;a e Defesa (PCSD) para apoiar a instru&ccedil;&atilde;o de for&ccedil;as de seguran&ccedil;a governamentais, a UE apoia um outro projecto, que dever&aacute; come&ccedil;ar logo que estejam reunidas as condi&ccedil;&otilde;es pol&iacute;ticas e de seguran&ccedil;a, de desarmamento, desmobiliza&ccedil;&atilde;o e reintegra&ccedil;&atilde;o (DDR) de todas as for&ccedil;as irregulares, mil&iacute;cias e for&ccedil;as regulares excedent&aacute;rias. Esse processo DDR conta j&aacute; com a nomea&ccedil;&atilde;o de um ministro, desde Setembro de 2009, que ter&aacute; exclusivamente essa pasta, o que constitui um primeiro passo para o estabelecimento de um quadro institucional nacional necess&aacute;rio &agrave; coordena&ccedil;&atilde;o destas actividades.</font></p>

	    ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="verdana" size="2">A solu&ccedil;&atilde;o passa assim por ajudar os somalis a enfrentarem as dificuldades que se lhes deparam, combinando um apoio para refor&ccedil;o do papel do Estado (na seguran&ccedil;a e na administra&ccedil;&atilde;o), uma ajuda humanit&aacute;ria para fazer baixar o desespero das popula&ccedil;&otilde;es, uma ajuda ao desenvolvimento dirigida ao relan&ccedil;amento das actividades honestas e remuneradoras e, finalmente, uma dissuas&atilde;o militar contra os piratas no mar. Por enquanto, o TFG &eacute; incapaz de desempenhar o seu papel. Seria preciso antes de tudo trabalhar com a Somalil&acirc;ndia e a Puntl&acirc;ndia, de uma maneira descentralizada, mas incluindo o TFG nestas iniciativas, para evitar enfraquec&ecirc;&#45;lo por compara&ccedil;&atilde;o a estes dois estados que ainda est&atilde;o dentro da Som&aacute;lia. S&atilde;o de apoiar os esfor&ccedil;os de forma&ccedil;&atilde;o em proveito das administra&ccedil;&otilde;es, incluindo o governo federal e os governos dos estados federados: pol&iacute;cia, for&ccedil;as armadas, justi&ccedil;a, alf&acirc;ndegas, guarda costeira (projectos de miss&otilde;es PCSD em curso para as for&ccedil;as armadas e de seguran&ccedil;a, forma&ccedil;&atilde;o de pol&iacute;cia pelo PNUD com financiamento da Comiss&atilde;o Europeia, iniciativas bilaterais italianas, alem&atilde;s, et&iacute;opes, norte&#45;americanas, suecas, dinamarquesas, etc.).</font></p>

	    <p><font face="verdana" size="2">O apoio de Reforma do Sector de Seguran&ccedil;a (RSS) ao TFG deve&#45;se fixar no objectivo de lhe dar mais liberdade de ac&ccedil;&atilde;o, para demonstrar as suas capacidades e utilidade &agrave; oposi&ccedil;&atilde;o n&atilde;o radical e assim obter apoios. S&oacute; ap&oacute;s a implementa&ccedil;&atilde;o destas medidas se poder&aacute; estabelecer um reposicionamento de administra&ccedil;&atilde;o nas zonas n&atilde;o controladas. Em termos de ac&ccedil;&otilde;es militares, dado os in&uacute;meros desafios e os constrangimentos or&ccedil;amentais dos actores internacionais empenhados, deve privilegiar&#45;se o apoio atrav&eacute;s da forma&ccedil;&atilde;o e educa&ccedil;&atilde;o das for&ccedil;as de seguran&ccedil;a.</font></p>

	    <p><font face="verdana" size="2">Em conclus&atilde;o, o que poder&aacute; ser feito para modificar positivamente a situa&ccedil;&atilde;o e melhorar a efic&aacute;cia do empenhamento da &laquo;comunidade internacional&raquo;? No que diz respeito &agrave; AMISOM, o seu papel deve&#45;se limitar a Mogad&iacute;scio, para apoiar os esfor&ccedil;os do TFG, at&eacute; que este controle toda a cidade. Ser&aacute; necess&aacute;rio continuar a apoiar essa for&ccedil;a para que permane&ccedil;a no territ&oacute;rio, para que melhore a sua pr&oacute;pria protec&ccedil;&atilde;o e tamb&eacute;m para incrementar a sua capacidade de interven&ccedil;&atilde;o na cidade. Ainda lhe faltam tr&ecirc;s batalh&otilde;es suplementares e tem necessidades de apoio em informa&ccedil;&otilde;es militares e na luta contra os insurrectos<a name="top29"></a><a href="#29"><sup>29</sup></a>. &Eacute; tamb&eacute;m necess&aacute;rio ajudar essa for&ccedil;a na sua miss&atilde;o de forma&ccedil;&atilde;o de for&ccedil;as de seguran&ccedil;a somalis (ou seja, no processo de RSS), nomeadamente no apoio &agrave; selec&ccedil;&atilde;o e prepara&ccedil;&atilde;o de recrutas (curso de indu&ccedil;&atilde;o), apoio ou parceria para a forma&ccedil;&atilde;o de militares e de pol&iacute;cias, no exterior da Som&aacute;lia (no Uganda, com a miss&atilde;o PCSD), apoio &agrave; mentaliza&ccedil;&atilde;o e monitoriza&ccedil;&atilde;o (<i>mentoring and monitoring</i>) das for&ccedil;as de seguran&ccedil;a em Mogad&iacute;scio (atrav&eacute;s de um curso de reinser&ccedil;&atilde;o). Apesar de todo este planeamento, embora seja global, dever&aacute; ser feita uma tentativa no Sul da Puntl&acirc;ndia, apoiada num ponto da costa, para se experimentar numa pequena escala o relan&ccedil;amento de um porto (o de Eyl, por exemplo), atrav&eacute;s da combina&ccedil;&atilde;o de medidas de seguran&ccedil;a, posicionamento de pol&iacute;cia, das alf&acirc;ndegas, justi&ccedil;a, assuntos do mar, relan&ccedil;amento de uma actividade industrial, apoio &agrave; pesca, apoio do sector educativo e do de sa&uacute;de, ajuda humanit&aacute;ria, etc., em liga&ccedil;&atilde;o com o estado da Puntl&acirc;ndia e o TFG.</font></p>

    <p><font face="verdana" size="2">Finalmente, para se obter &ecirc;xito, desde j&aacute;, no combate &agrave;s causas desta crise, &eacute; preciso alterar a ordem jur&iacute;dica interna dos estados que t&ecirc;m vontade e necessidade de terminar com este fen&oacute;meno, de modo a que possam ser previstos e sancionados os crimes de pirataria, ou seja, &eacute; necess&aacute;ria uma melhor articula&ccedil;&atilde;o entre o direito internacional e a legisla&ccedil;&atilde;o interna dos estados. Manifestando &laquo;perplexidade pela r&aacute;pida liberta&ccedil;&atilde;o dos dezanove piratas que tinham sido feitos prisioneiros&raquo; pela fragata portuguesa <i>Corte Real</i>, sublinha Eduardo Serra Brand&atilde;o que tal seria &laquo;resultado da desarticula&ccedil;&atilde;o entre o Direito Internacional e as leis penais dos diversos Estados a que pertencem as for&ccedil;as que actuam na regi&atilde;o&raquo;<a name="top30"></a><a href="#30"><sup>30</sup></a>.</font></p>

    <p>&nbsp;</p>
    <p><font face="verdana" size="2"><b>NOTAS FINAIS</b></font></p>
    <p><font face="verdana" size="2">A comunidade internacional tem de decidir se quer ou n&atilde;o um continente africano pacificado, capaz de iniciar o rumo da seguran&ccedil;a e da prosperidade. A &Aacute;frica providencia riqu&iacute;ssimos recursos ao mundo, especialmente &agrave; Europa, mas tamb&eacute;m aos Estados Unidos e &agrave; China. Na verdade, num continente enfraquecido por sucessivas crises, com muitos territ&oacute;rios geridos por dirigentes corruptos, &eacute; mais f&aacute;cil obter recursos vitais por melhores pre&ccedil;os. Ironicamente, as leis de mercado impor&atilde;o assim que sejam mantidas condi&ccedil;&otilde;es de fragilidade. No entanto, casos de inseguran&ccedil;a, como na Som&aacute;lia, t&ecirc;m ramifica&ccedil;&otilde;es a n&iacute;vel global e t&ecirc;m custos elevados, que a &laquo;comunidade internacional&raquo; acaba por ter de pagar. N&atilde;o se sabe exactamente quanto os armadores pagam para que sejam libertados navios e tripula&ccedil;&otilde;es interceptados pelos piratas nos mares da Som&aacute;lia. Ser&atilde;o, no entanto, somas elevad&iacute;ssimas, a juntar a todos os gastos com a opera&ccedil;&atilde;o &laquo;Atalanta&raquo; e com as outras iniciativas em curso. &Eacute; necess&aacute;rio, portanto, rever o direito internacional e a legisla&ccedil;&atilde;o interna dos estados para que n&atilde;o aconte&ccedil;am as lacunas da lei que levam &agrave; liberta&ccedil;&atilde;o dos suspeitos de pirataria logo ap&oacute;s a sua deten&ccedil;&atilde;o em flagrante delito.</font></p>

	    <p><font face="verdana" size="2">A comunidade internacional, e especificamente a Europa, dever&atilde;o repensar a sua atitude para com este fen&oacute;meno criminoso em plena prosperidade e aceitar que com uma &Aacute;frica segura se garantir&aacute; refor&ccedil;o de seguran&ccedil;a para todos. A interdepend&ecirc;ncia entre a Europa e &Aacute;frica, que cada vez mais se intensifica &agrave; luz do fen&oacute;meno da globaliza&ccedil;&atilde;o, transforma a crise da Som&aacute;lia num problema europeu que, se for resolvido, tornar&aacute; os mares mais seguros, por um lado, e, por outro, refor&ccedil;ar&aacute; a parceria estrat&eacute;gica entre a &Aacute;frica e a UE, assinada na Cimeira de Lisboa durante a presid&ecirc;ncia portuguesa da UE, demonstrando a sua m&uacute;tua utilidade.</font></p>

	    <p><font face="verdana" size="2">&Eacute; importante a exist&ecirc;ncia de um esfor&ccedil;o coordenado e focado entre o Governo somali e a comunidade internacional de forma a gerar as condi&ccedil;&otilde;es pol&iacute;ticas e de seguran&ccedil;a necess&aacute;rias para que se completem com sucesso os planos de transi&ccedil;&atilde;o planeados.</font></p>

	    <p><font face="verdana" size="2">A Som&aacute;lia necessita de ser capaz de desempenhar por si s&oacute; as tarefas de seguran&ccedil;a necess&aacute;rias, e as suas institui&ccedil;&otilde;es de seguran&ccedil;a devem ser desenvolvidas para se tornarem entidades cred&iacute;veis e profissionais. Esta &eacute; a quest&atilde;o fundamental de estrat&eacute;gia para a Som&aacute;lia, cujo prop&oacute;sito final ser&aacute; o de restabelecer o Estado de direito.</font></p>

	    ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="verdana" size="2">A falta de oportunidades para uma gera&ccedil;&atilde;o com uma vida melhor e mais digna contribuiu sem d&uacute;vida para a inseguran&ccedil;a que se vive no pa&iacute;s. A comunidade internacional dever&aacute; apoiar empenhadamente a Som&aacute;lia nos seus esfor&ccedil;os para recuperar de duas d&eacute;cadas de destrui&ccedil;&atilde;o, criando oportunidades de emprego e de bem&#45;estar, e permitindo que este pa&iacute;s a integre de pleno direito. Para apoiar o sucesso desta estrat&eacute;gia &eacute; tamb&eacute;m necess&aacute;rio o incremento do esfor&ccedil;o da comunidade internacional para apoiar a AMISOM que, sozinha, leva a cabo uma herc&uacute;lea actividade de gest&atilde;o do conflito na Som&aacute;lia. </font></p>

    <p>&nbsp;</p>

	    <p><font face="verdana" size="2"><b>NOTAS</b></font></p>

    <!-- ref --><p><font face="verdana" size="2"><sup><a name="1"></a><a href="#top1">1</a></sup> Nomeadamente, a opera&ccedil;&atilde;o &laquo;Ocean Shield&raquo; da NATO, a CTF&#45;51 que compreende uma coliga&ccedil;&atilde;o de 25 pa&iacute;ses sob comando americano sediada no Bar&eacute;m e contribui&ccedil;&otilde;es individuais de pa&iacute;ses que destacaram meios navais pr&oacute;prios sob comando nacional, a saber: China, Jap&atilde;o, &Iacute;ndia, Ir&atilde;o, R&uacute;ssia e Ar&aacute;bia Saudita. UNITED NATIONS SECURITY COUNCIL, UNSC Resolution S/RES/1950 (2010): The situation in Somalia. 23 de Novembro de 2010. &#91;Consultado em: Novembro de 2010&#93;. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://daccess&#45;dds&#45;ny.un.org/doc/UNDOC/GEN/N10/649/02/PDF/N1064902.pdf" target="_blank">http://daccess-dds-ny.un.org/doc/UNDOC/GEN/N10/649/02/PDF/N1064902.pdf</a>, p. 2. Cf. tamb&eacute;m &laquo;No stopping them&raquo;. In <i>The Economist</i>, 3 de Fevereiro de 2011. &#91;Consultado em: Fevereiro de 2011&#93;. Disponível em: <a href="http://www.economist.com/node/18061574" target="_blank">http://www.economist.com/node/18061574</a>.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000076&pid=S1645-9199201100030000900001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>

    <p><font face="verdana" size="2"><sup><a name="2"></a><a href="#top2">2</a></sup> HANSEN, Stig Jarle &#150; <i>Piracy in the Greater Gulf of Aden: Myths, Misconception and Remedies.</i> Oslo: NIBR Report 29, 2009. &#91;Consultado em: Agosto de 2010&#93;. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.nibr.no/uploads/publications/26b0226ad4177819779c2805e91c670d.pdf" target="_blank">http://www.nibr.no/uploads/publications/26b0226ad4177819779c2805e91c670d.pdf</a>.</font></p>

    <p><font face="verdana" size="2"><sup><a name="3"></a><a href="#top3">3</a></sup> Na Confer&ecirc;ncia de Doadores de Bruxelas, em Abril de 2009, foram prometidos 213 milh&otilde;es de d&oacute;lares. Cf. &laquo;Somalia wins over $200m in Brussels donors&rsquo; conference&raquo;. In <i>EUObserver</i>, 24 de Abril de 2009. &#91;Consultado em: Agosto de 2010&#93;. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://euobserver.com/9/28001" target="_blank">http://euobserver.com/9/28001</a>.</font></p>

    <!-- ref --><p><font face="verdana" size="2"><sup><a name="4"></a><a href="#top4">4</a></sup> &laquo;Somalis rally against al&#45;Shabab islamists and bombing&raquo;. In <i>BBC News</i>, 7 de Dezembro de 2009. &#91;Consultado em: Agosto de 2010&#93;. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://news.bbc.co.uk/2/hi/8399506.stm" target="_blank">http://news.bbc.co.uk/2/hi/8399506.stm</a>.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000080&pid=S1645-9199201100030000900003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>

    <p><font face="verdana" size="2"><sup><a name="5"></a><a href="#top5">5</a></sup> UNITED NATIONS SECURITY COUNCIL &#150; <i>Report of the Secretary&#45;General on the Situation in Somalia (S/2009/684)</i>, p. 4. &#91;Consultado em: 8 de Janeiro de 2010&#93;. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.unhcr.org/refworld/docid/4b66f4e10.html" target="_blank">http://www.unhcr.org/refworld/docid/4b66f4e10.html</a></font></p>

    ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font face="verdana" size="2"><sup><a name="6"></a><a href="#top6">6</a></sup> MENKHAUS, Ken &#150; &laquo;Stabilisation and humanitarian access in a collapsed state: the Somali case&raquo;. In <i>Disasters</i>. Vol. 34, N.&ordm;&nbsp;3, 2010, pp. 320&#45;341. &#91;Consultado em: Setembro de 2010&#93;. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.riftvalley.net/resources/file/menkhaus%20stabilisation%20j.1467-7717.2010.01204.x.pdf" target="_blank">http://www.riftvalley.net/resources/file/menkhaus%20stabilisation%20j.1467-7717.2010.01204.x.pdf</a></font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000083&pid=S1645-9199201100030000900004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p><font face="verdana" size="2"><sup><a name="7"></a><a href="#top7">7</a></sup> A Somalil&acirc;ndia declarou unilateralmente independ&ecirc;ncia em 1991 mas at&eacute; ao presente carece de reconhecimento internacional.</font></p>

    <p><font face="verdana" size="2"><sup><a name="8"></a><a href="#top8">8</a></sup> UNITED NATIONS SECURITY COUNCIL &#150; <i>Report of the Secretary&#45;General on Somalia (S/2010/675)</i>, p. 2. &#91;Consultado em: Dezembro de 2010&#93;. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.un.org/Docs/sc/sgrep10.htm" target="_blank">http://www.un.org/Docs/sc/sgrep10.htm</a>.</font></p>

    <p><font face="verdana" size="2"><sup><a name="9"></a><a href="#top9">9</a></sup> <i>Ibidem</i>, p. 1.</font></p>

    <p><font face="verdana" size="2"><sup><a name="10"></a><a href="#top10">10</a></sup> Apesar das promessas, a aloca&ccedil;&atilde;o de fundos para o TFG tem sofrido atrasos que contribu&iacute;ram nomeadamente para o aumento de deser&ccedil;&otilde;es das institui&ccedil;&otilde;es de seguran&ccedil;a do TFG. De acordo com o Relat&oacute;rio S/2010/675, os pagamentos em Dezembro de 2010 dos fundos prometidos em Bruxelas perfaziam 150 milh&otilde;es. No caso da UE, desde 2007 at&eacute; Dezembro de 2010, contribuiu com 142 milh&otilde;es para a AMISOM.    <br>
</font><font face="verdana" size="2">UNITED NATIONS SECURITY COUNCIL &#150; <i>Report of the Secretary&#45;General on Somalia (S/2010/675)</i>, p. 7. &#91;Consultado em: Dezembro de 2010&#93;. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.un.org/Docs/sc/sgrep10.htm" target="_blank">http://www.un.org/Docs/sc/sgrep10.htm</a></font></p>
    <p><font face="verdana" size="2"><sup><a name="11"></a><a href="#top11">11</a></sup> <i>Ibidem</i>, p. 4.</font></p>

    <p><font face="verdana" size="2"><sup><a name="12"></a><a href="#top12">12</a></sup> &laquo;Pirate Ransoms could fund terrorists&raquo;, afirmava o di&aacute;rio brit&acirc;nico <i>The Observer</i>, na sua p&aacute;gina <i>online</i>, a 1 de Novembro de 2009. &#91;Consultado em: Mar&ccedil;o de 2011&#93;. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.guardian.co.uk/world/2009/nov/01/pirate&#45;ransoms&#45;could&#45;fund&#45;terrorists" target="_blank">http://www.guardian.co.uk/world/2009/nov/01/pirate-ransoms-could-fund-terrorists</a>. No entanto, na maioria dos relat&oacute;rios consultados sublinha&#45;se que n&atilde;o h&aacute; aparentemente liga&ccedil;&otilde;es entre Al&#45;shabab (o movimento militante islamita com liga&ccedil;&otilde;es &agrave; Al&#45;Qaida) e os piratas, apesar de algumas not&iacute;cias na imprensa. DAGNE, Ted &#150; <i>Somalia: Current Conditions and Prospects for a Lasting Peace. Congressional Research Service</i>, 2010. &#91;Consultado em: Dezembro de 2010&#93;.&nbsp;Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.fas.org/sgp/crs/row/RL33911.pdf" target="_blank">http://www.fas.org/sgp/crs/row/RL33911.pdf</a>. p.14.</font></p>

    <p><font face="verdana" size="2"><sup><a name="13"></a><a href="#top13">13</a></sup> MAREA, Elham &#150; <i>Is Yemen the Next Failed State?</i> &#91;Consultado em: 19 de Fevereiro de 2009&#93;. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.guardina.co.uk/commentisfree/2009/dec/2009/yemen&#45;terror&#45;failed&#45;state/print" target="_blank">http://www.guardina.co.uk/commentisfree/2009/dec/2009/yemen-terror-failed-state/print</a>.</font></p>

    <p><font face="verdana" size="2"><sup><a name="14"></a><a href="#top14">14</a></sup> Dados do relat&oacute;rio de 2011 da Energy Information Administration &#150; &laquo;World Oil Transit Chokepoints&raquo;. &#91;Consultado em: Mar&ccedil;o de 2011&#93;. Dispon&iacute;vel em <a href="http://www.eia.doe.gov/cabs/world_oil_transit_chokepoints/pdf.pdf." target="_blank">http://www.eia.doe.gov/cabs/world_oil_transit_chokepoints/pdf.pdf.</a>, p. 1.</font></p>

    ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="verdana" size="2"><sup><a name="15"></a><a href="#top15">15</a></sup> Dados apresentados pela UE (EU Naval Coordination Cell &#150; EU NAVCO), em Bruxelas, a 15 de Outubro de 2008. &#91;Consultado em: 17 de Fevereiro de 2010&#93;. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.consilium.europa.eu" target="_blank">http://www.consilium.europa.eu</a>.</font></p>

    <p><font face="verdana" size="2"><sup><a name="16"></a><a href="#top16">16</a></sup> De acordo com o peri&oacute;dico da UNHCR, <i>Refworld</i>, citando a Amnistia Internacional, &laquo;Kismayo is under the authority of an armed opposition faction and local clan militia. The Transitional Federal Government of Somalia, under President Sheikh Sharif Sheikh Ahmed, does not exercise authority over the area&raquo;. &#91;Consultado em: Fevereiro de 2011&#93;. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.unhcr.org/refworld/country,,AMNESTY,,SOM,456d621e2,4a110b6d14,0.html" target="_blank">http://www.unhcr.org/refworld/country,,AMNESTY,,SOM,456d621e2,4a110b6d14,0.html</a>.</font></p>

    <!-- ref --><p><font face="verdana" size="2"><sup><a name="17"></a><a href="#top17">17</a></sup> De acordo com o <i>Economist </i>estima&#45;se que os lucros associados ao pagamento de resgates tenham rendido 238 milh&otilde;es de d&oacute;lares em 2010. Cf. &laquo;At sea: Somali piracy&raquo;. In <i>The Economist</i>, 3 de Fevereiro de 2011. &#91;Consultado em: Fevereiro de 2011&#93;. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.economist.com/node/18070160" target="_blank">http://www.economist.com/node/18070160</a>.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000095&pid=S1645-9199201100030000900005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> De acordo com as estimativas das Na&ccedil;&otilde;es Unidas o custo anual associado &agrave; intensifica&ccedil;&atilde;o da pirataria nesta regi&atilde;o perfaz entre cinco a sete bili&otilde;es de d&oacute;lares (&laquo;No stopping them&raquo;. In <i>The Economist</i>, 3 de Fevereiro de 2011. &#91;Consultado em: Fevereiro de 2011&#93;. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.economist.com/node/18061574)" target="_blank">http://www.economist.com/node/18061574)</a>.</font></p>

    <p><font face="verdana" size="2"><sup><a name="18"></a><a href="#top18">18</a></sup> Cf. &laquo;EU Support to African Capabilities&raquo;. &#91;Consultado em: 17 Fevereiro 2010&#93;. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.consilium.europa.eu/showPage.aspx?id=1158&amp;lang=PT" target="_blank">http://www.consilium.europa.eu/showPage.aspx?id=1158&lang=PT</a>.</font></p>

    <p><font face="verdana" size="2"><sup><a name="19"></a><a href="#top19">19</a></sup> UNITED NATIONS SECRETARY GENERAL &#150; <i>The Secretary&#45;General Remarks to the Summit of the African Union &#150; &laquo;An Agenda for Prosperity and Peace&raquo;</i>. &#91;Consultado em: 19 de Fevereiro de 2010&#93;. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.africa&#45;union.org/root/au/index/index.htm" target="_blank">http://www.africa-union.org/root/au/index/index.htm</a>.</font></p>

    <p><font face="verdana" size="2"><sup><a name="20"></a><a href="#top20">20</a></sup> UNITED NATIONS SECURITY COUNCIL &#150; <i>Report of the Secretary&#45;General on the situation in Somalia (S/2009/684)</i>. &#91;Consultado em: 8 de Janeiro de 2010&#93;.&nbsp;Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.unhcr.org/refworld/docid/4b66f4e10.html" target="_blank">http://www.unhcr.org/refworld/docid/4b66f4e10.html</a>, pp. 4&#45;5</font></p>

    <!-- ref --><p><font face="verdana" size="2"><sup><a name="21"></a><a href="#top21">21</a></sup> TAVARES, Rodrigo &#150; <i>Regional Security &#150; The Capacity of International Organizations</i>. Nova York: Routledge, 2009, p. 23. Tradu&ccedil;&atilde;o do autor.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000100&pid=S1645-9199201100030000900006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> No original: &laquo;The organizational capacity of an organization to undertake peace and security depends on the constitutional provisions according it the mandate to become active, and the institutional mechanisms through which it can function and exercise that mandate. Similarly to other African sub&#45;regional organizations (<i>e.g.</i>, SADC, IGAD, ECOWAS), the AU has adopted constitutional provisions to engage in peace and security&raquo;.</font></p>

    <p><font face="verdana" size="2"><sup><a name="22"></a><a href="#top22">22</a></sup> A qual tem tido, no entanto, muitas dificuldades em organizar&#45;se e desenvolver as tarefas da sua miss&atilde;o devido a variados constrangimentos, muitos deles impostos pelo Presidente do Sud&atilde;o, o general Al&#45;Bashir, tal como a exig&ecirc;ncia de &laquo;no white faces&raquo; na miss&atilde;o.</font></p>

    ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="verdana" size="2"><sup><a name="23"></a><a href="#top23">23</a></sup> Em data posterior &agrave; submiss&atilde;o inicial do presente artigo o Conselho de Seguran&ccedil;a das Na&ccedil;&otilde;es Unidas autorizou o refor&ccedil;o da for&ccedil;a da AMISOM de oito mil para 12 mil efectivos. UNITED NATIONS SECURITY COUNCIL &#150; UNSC Resolution S/RES/1964 (2010) The situation in Somalia. 22 de Dezembro de 2010. &#91;Consultado em: Dezembro de 2010&#93;. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.un.org/Docs/sc/unsc_resolutions10.htm" target="_blank">http://www.un.org/Docs/sc/unsc_resolutions10.htm</a>, p. 3.</font></p>

    <p><font face="verdana" size="2"><sup><a name="24"></a><a href="#top24">24</a></sup> UNITED NATIONS SECURITY COUNCIL &#150; <i>Report of the Secretary&#45;General on the Situation in Somalia (S/2009/684)</i> &#91;Consultado em: 8 de Janeiro de 2010&#93;. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.unhcr.org/refworld/docid/4b66f4e10.html" target="_blank">http://www.unhcr.org/refworld/docid/4b66f4e10.html</a>, p. 12.</font></p>

    <p><font face="verdana" size="2"><sup><a name="25"></a><a href="#top25">25</a></sup> De acordo com o comando da opera&ccedil;&atilde;o &laquo;Atalanta&raquo;, &laquo;The common funding for the operation amounted to EUR 8.4 million for 2010 and EUR 7.8 million for 2011. This budget, which is shared between the EU Member States and is established on the basis of their GDP, mainly covers the running costs of the Operational Headquarters (Northwood &#150; UK)&nbsp;and the Force Headquarters (onboard the Flagship, in the theatre of operation). Costs of supplying military assets and personnel are shared by the contributing states and established according to their involvement in the operation, with each state continuing to bear the cost of the resources it deploys.&raquo; &#91;Consultado em: 13 de Mar&ccedil;o de 2011&#93;. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.eunavfor.eu/about&#45;us/mission" target="_blank">http://www.eunavfor.eu/about-us/mission</a>.</font></p>

    <p><font face="verdana" size="2"><sup><a name="26"></a><a href="#top26">26</a></sup> EUROPEAN UNION COUNCIL GENERAL SECRETARIAT &#150; <i>EU Council Secretariat factsheet &#150; EU engagement in Somalia</i>. &#91;Consultado em: 18 de Fevereiro de 2010&#93;. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.consilium.europa.eu" target="_blank">http://www.consilium.europa.eu</a>.</font></p>

    <p><font face="verdana" size="2"><sup><a name="27"></a><a href="#top27">27</a></sup> Department of Political Affairs e Department of Field Support.</font></p>

    <p><font face="verdana" size="2"><sup><a name="28"></a><a href="#top28">28</a></sup> UNITED NATIONS SECURITY COUNCIL &#150; <i>Report of the Secretary&#45;General on the situation in Somalia (S/2009/684)</i>. &#91;Consultado em: 8 de Janeiro de 2010&#93;.&nbsp;Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.unhcr.org/refworld/docid/4b66f4e10.html" target="_blank">http://www.unhcr.org/refworld/docid/4b66f4e10.html</a>, p. 8.</font></p>

    <p><font face="verdana" size="2"><sup><a name="29"></a><a href="#top29">29</a></sup> O financiamento do <i>per diem</i> dos seus elementos e outros apoios v&atilde;o continuar a serem garantidos pela Comiss&atilde;o Europeia.</font></p>

    <!-- ref --><p><font face="verdana" size="2"><sup><a name="30"></a><a href="#top30">30</a></sup> BRAND&Atilde;O, Eduardo Serra &#150; &laquo;Afinal o que &eacute; a pirataria?&raquo;, In <i>Jornal Defesa e Rela&ccedil;&otilde;es Internacionais</i>, 17 de Fevereiro de 2010. Dispon&iacute;vel em&nbsp;: <a href="http://www.jornaldefesa.com.pt/conteudos/view_txt.asp?id=766" target="_blank">http://www.jornaldefesa.com.pt/conteudos/view_txt.asp?id=766</a></font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000110&pid=S1645-9199201100030000900007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> ]]></body><back>
<ref-list>
<ref id="B1">
<nlm-citation citation-type="journal">
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[No stopping them]]></article-title>
<source><![CDATA[The Economist]]></source>
<year>3 de</year>
<month> F</month>
<day>ev</day>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B2">
<nlm-citation citation-type="journal">
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Somalia wins over $200m in Brussels donors’ conference]]></article-title>
<source><![CDATA[EUObserver]]></source>
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