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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Um tribunal híbrido para a pirataria na Somália: A construção de capacidade jurisdicional num Estado em colapso]]></article-title>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[A Hybrid Court against Piracy in Somalia: Building jurisdictional capacity in a collapsed State]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[Piracy in Somalia is a symptom of a wider problem ashore. Creating conditions for effective governance and promoting the rule of law are crucial for a sustainable solution. The establishment of a hybrid court incorporated in the jurisdictional Somali system would be an important contribution for the prosecution of suspected pirates and thus to the fight against piracy. Moreover, the court would also contribute to the effective governance in Somalia by promoting the rule of law and the existence of effective judicial institutions. This strategy could be relevant to other situations when a collapsed State serves as a hub to transnational organized crime.]]></p></abstract>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[Tribunal Híbrido]]></kwd>
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<kwd lng="en"><![CDATA[Hybrid Court]]></kwd>
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</front><body><![CDATA[ 
	    <p><font face="verdana" size="2"><b>Um tribunal h&iacute;brido
	para a pirataria na Som&aacute;lia. A constru&ccedil;&atilde;o de capacidade jurisdicional num Estado em colapso</b></font></p>

    <p>&nbsp;</p>
	    <p><font face="verdana" size="2"><b>Mateus Kowalski</b></font></p>
	    <p><font face="verdana" size="2">Mestre em Ci&ecirc;ncias Jur&iacute;dico&#45;Internacionais e doutorando em Pol&iacute;tica Internacional e Resolu&ccedil;&atilde;o de Conflitos na Universidade de Coimbra. Actualmente, &eacute; consultor jur&iacute;dico no dom&iacute;nio do direito internacional p&uacute;blico no Minist&eacute;rio dos Neg&oacute;cios Estrangeiros. &Eacute; autor de publica&ccedil;&otilde;es sobre teoria do direito internacional, direitos humanos, o sistema das Na&ccedil;&otilde;es Unidas e assuntos relacionados com seguran&ccedil;a.</font></p>
	    <p>&nbsp;</p>
	    <p><font face="verdana" size="2">RESUMO</FONT></p>
	    <p><font face="verdana" size="2">A pirataria na Som&aacute;lia &eacute; um sintoma de um problema maior em terra. A cria&ccedil;&atilde;o de condi&ccedil;&otilde;es para uma governa&ccedil;&atilde;o eficaz e a promo&ccedil;&atilde;o do Estado de direito s&atilde;o elementos essenciais para uma solu&ccedil;&atilde;o sustent&aacute;vel. A cria&ccedil;&atilde;o de um tribunal h&iacute;brido incorporado no sistema jurisdicional da Som&aacute;lia constituiria um contributo importante para o julgamento de suspeitos de pirataria e, logo, para a luta contra o fen&oacute;meno da pirataria, assim como para uma governa&ccedil;&atilde;o efectiva na Som&aacute;lia. Esta estrat&eacute;gia poder&aacute; ser aplicada a outras situa&ccedil;&otilde;es em que o Estado em colapso sirva de base para fen&oacute;menos de criminalidade organizada transnacional.</font></p>
        <p><font face="verdana" size="2"><b>Palavras&#45;chave:</b> Estado em colapso, pirataria, Som&aacute;lia, Tribunal H&iacute;brido</font></p>
        <p>&nbsp;</p>
        ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="verdana" size="2"><b>A Hybrid Court against Piracy in Somalia. Building jurisdictional capacity in a collapsed State</b></font></p>
        <p><font face="verdana" size="2">ABSTRACT</font></p>
        <p><font face="verdana" size="2">Piracy in Somalia is a symptom of a wider problem ashore. Creating conditions for effective governance and promoting the rule of law are crucial for a sustainable solution. The establishment of a hybrid court incorporated in the jurisdictional Somali system would be an important contribution for the prosecution of suspected pirates and thus to the fight against piracy. Moreover, the court would also contribute to the effective governance in Somalia by promoting the rule of law and the existence of effective judicial institutions. This strategy could be relevant to other situations when a collapsed State serves as a hub to transnational organized crime.</font></p>
        <p><font face="verdana" size="2"><b>Keywords:</b> Collapsed State, piracy, Somalia, Hybrid Court</font></p>
    <p>&nbsp;</p>
	    <p><font face="verdana" size="2">Desde 2007, tem&#45;se assistido ao aumento dos actos
	  de pirataria no oceano &Iacute;ndico com origem no territ&oacute;rio da Som&aacute;lia. Segundo os dados disponibilizados pela Organiza&ccedil;&atilde;o Mar&iacute;tima Internacional, desde 2008 e at&eacute; Novembro de 2010, o n&uacute;mero de actos de pirataria e de roubo no mar contra navios, tentados ou consumados, ascendeu a 516<a name="top1"></a><a href="#1"><sup>1</sup></a>.</font></p>
	    <p><font face="verdana" size="2">Neste per&iacute;odo em an&aacute;lise, para um total de 956 actos de pirataria ocorridos em todas as regi&otilde;es do globo, 54 por cento ocorreram naquela zona. &Agrave; data, a For&ccedil;a Naval da Uni&atilde;o Europeia Som&aacute;lia (EUNAVFOR) estima que 25 navios e 577 pessoas se encontram detidos por piratas<a name="top2"></a><a href="#2"><sup>2</sup></a>. Ora, estes actos de pirataria com origem na Som&aacute;lia est&atilde;o a motivar grande preocupa&ccedil;&atilde;o na comunidade internacional, designadamente porque afectam uma regi&atilde;o de intenso tr&aacute;fego mar&iacute;timo.</font></p>

	    <p><font face="verdana" size="2">Os actos de pirataria com origem na Som&aacute;lia devem&#45;se, essencialmente, a duas vari&aacute;veis. Desde logo, e tal como noutras regi&otilde;es do planeta, a raz&otilde;es de oportunidade: o golfo de Adem &eacute; um ponto importante de passagem de navios mercantes e de passageiros que navegam na rota do Suez<a name="top3"></a><a href="#3"><sup>3</sup></a>. Depois, a Som&aacute;lia vive um conflito de baixa intensidade, no sentido em que &eacute; caracterizado por confrontos armados de pequena escala e de dura&ccedil;&atilde;o limitada, entre for&ccedil;as irregulares pouco disciplinadas utilizando armas convencionais de infantaria<a name="top4" id="top4"></a><a href="#4"><sup>4</sup></a>. Desde 1991, &eacute; um Estado que, enquanto tal, entrou em colapso com a consequente desestrutura&ccedil;&atilde;o do tecido social<a name="top5"></a><a href="#5"><sup>5</sup></a>. Apesar de n&atilde;o existirem indicadores sociais precisos sobre a Som&aacute;lia, ainda assim, com base na informa&ccedil;&atilde;o dispon&iacute;vel, &eacute; poss&iacute;vel afirmar que a pirataria &eacute; um sintoma de fen&oacute;menos desestruturantes que se vivem na Som&aacute;lia, tais como a instabilidade social, a migra&ccedil;&atilde;o ou a fome<a name="top6"></a><a href="#6"><sup>6</sup></a>.</font></p>

    <p><font face="verdana" size="2">Face a este contexto, o problema que se coloca &eacute; o de enunciar uma estrat&eacute;gia de combate &agrave; pirataria que, necessariamente ter&aacute; que incidir sobre a segunda vari&aacute;vel, a que se relaciona com o colapso e a desestrutura&ccedil;&atilde;o que caracterizam o Estado. Est&aacute;, pois, fora de causa a supress&atilde;o da rota do Suez via golfo de Adem ou a viabilidade (e&nbsp;at&eacute; utilidade) de apenas uma resposta securit&aacute;ria naval de tal maneira extensa e forte que seja capaz de prevenir actos de pirataria naquela zona do oceano &Iacute;ndico.</font></p>

	    <p><font face="verdana" size="2">O presente artigo argumenta, assim, que, no contexto da necess&aacute;ria estrat&eacute;gia estruturada e multifacetada para influenciar a segunda vari&aacute;vel, a dimens&atilde;o jur&iacute;dica afigura&#45;se da maior import&acirc;ncia, num Estado destitu&iacute;do de um efectivo ordenamento jur&iacute;dico, criando uma situa&ccedil;&atilde;o de <i>no law zone</i>. A aplica&ccedil;&atilde;o de normas jur&iacute;dicas que regulem o fen&oacute;meno e o desenvolvimento de institui&ccedil;&otilde;es e meios que permitam a sua efic&aacute;cia fazem do direito um elemento estrutural da maior import&acirc;ncia para lidar com a quest&atilde;o da pirataria sendo, igualmente, um pilar para a solidifica&ccedil;&atilde;o da soberania da Som&aacute;lia enquanto Estado.</font></p>

	    ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="verdana" size="2">Neste quadro, a quest&atilde;o que o artigo pretende abordar &eacute; a de saber que contributo o direito pode ter na resolu&ccedil;&atilde;o de problemas de criminalidade organizada quando um Estado n&atilde;o disp&otilde;e de estruturas jurisdicionais essenciais em efectivo funcionamento. Tendo por refer&ecirc;ncia o caso da pirataria com origem na Som&aacute;lia, e advogando que qualquer solu&ccedil;&atilde;o espec&iacute;fica deve fazer parte de uma estrat&eacute;gia multidimensional, o&nbsp;foco de an&aacute;lise incidir&aacute; sobre a constru&ccedil;&atilde;o do Estado de direito e em particular sobre a cria&ccedil;&atilde;o de capacidade jurisdicional sustent&aacute;vel que permita &agrave; Som&aacute;lia tomar a seu cargo a resolu&ccedil;&atilde;o do problema a este n&iacute;vel. Importa reconhecer que, mesmo no espa&ccedil;o de ac&ccedil;&atilde;o do direito, s&atilde;o v&aacute;rias as dimens&otilde;es de interven&ccedil;&atilde;o necess&aacute;rias: a preven&ccedil;&atilde;o criminal, a repress&atilde;o por for&ccedil;as de seguran&ccedil;a, o julgamento ou a pris&atilde;o. O presente artigo abordar&aacute; em especial o aspecto estrutural relativo ao desenvolvimento da capacidade jurisdicional. Ser&aacute; analisada a cria&ccedil;&atilde;o, a m&eacute;dio&#45;longo prazo, de um tribunal h&iacute;brido para a pirataria integrado no sistema jurisdicional somali como mecanismo de contributo para o combate &agrave; impunidade e para o refor&ccedil;o do Estado de direito na Som&aacute;lia.</font></p>

	    <p><font face="verdana" size="2">As reflex&otilde;es sobre o caso em an&aacute;lise s&atilde;o necessariamente datadas, uma vez que a pirataria com origem na Som&aacute;lia &eacute; um fen&oacute;meno contempor&acirc;neo que tem sido objecto de grande aten&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica e acad&eacute;mica, e relativamente ao qual o debate tem evolu&iacute;do rapidamente. Assim, de uma fase inicial em 2009 em que a cria&ccedil;&atilde;o de um tribunal h&iacute;brido somali para a pirataria, de que Portugal tem desde sempre sido um proponente activo, era uma solu&ccedil;&atilde;o com pouco acolhimento internacional, actualmente a necessidade urgente de desenvolver a capacidade jurisdicional somali &eacute; encarada como um aspecto incontorn&aacute;vel da luta contra a pirataria, embora ainda rodeada por v&aacute;rias interroga&ccedil;&otilde;es de pol&iacute;tica e algum cepticismo sobre quest&otilde;es de aplica&ccedil;&atilde;o pr&aacute;tica. O presente artigo pretende, pois, n&atilde;o apenas dar nota e sequ&ecirc;ncia a um debate intenso sobre o assunto, como tamb&eacute;m, e principalmente, contribuir para esse debate. Por outro lado, de uma perspectiva mais geral, as presentes reflex&otilde;es relativamente ao fen&oacute;meno da pirataria com origem na Som&aacute;lia poder&atilde;o igualmente ser um contributo para a adop&ccedil;&atilde;o de estrat&eacute;gias jur&iacute;dicas em situa&ccedil;&otilde;es de criminalidade organizada end&eacute;mica, com conex&otilde;es regionais e globais, em estados em colapso<a name="top7"></a><a href="#7"><sup>7</sup></a> sem capacidade jurisdicional para as&nbsp;enfrentar.</font></p>

    <p><font face="verdana" size="2">Assim, o presente artigo abordar&aacute;, primeiro, a necessidade da afirma&ccedil;&atilde;o de um paradigma de actua&ccedil;&atilde;o multifacetada na luta contra a pirataria, com especial enfoque na segunda vari&aacute;vel identificada. Depois, referir&#45;se&#45;&aacute; &agrave; cria&ccedil;&atilde;o de um tribunal h&iacute;brido para o julgamento de suspeitos de pirataria com base na Som&aacute;lia, como proposta de um elemento concreto de dimens&atilde;o jur&iacute;dica que, assim se defende, deve fazer parte de uma estrat&eacute;gia contra a pirataria numa l&oacute;gica de reconstru&ccedil;&atilde;o e <i>capacity building</i> no Estado somali, mas tamb&eacute;m como modelo flex&iacute;vel para outras situa&ccedil;&otilde;es de criminalidade organizada de impacto internacional em estados em colapso.</font></p>

	    <p>&nbsp;</p>
	    <p><font face="verdana" size="2"><b>A IMPLOS&Atilde;O DO ESTADO E O COMBATE INTERNACIONAL CONTRA A PIRATARIA</b></font></p>
	    <p><font face="verdana" size="2">A exist&ecirc;ncia de problemas de governabilidade em estados sempre foi um fen&oacute;meno identificado e estudado. J&aacute; o problema da frequ&ecirc;ncia e intensidade dos estados em colapso &eacute; uma novidade do p&oacute;s&#45;Guerra Fria<a name="top8"></a><a href="#8"><sup>8</sup></a>. A debilidade de alguns estados e a implos&atilde;o das suas estruturas governativas t&ecirc;m vindo a ser abordadas pela doutrina essencialmente no contexto da interven&ccedil;&atilde;o humanit&aacute;ria<a name="top9"></a><sup><a href="#9">9</a></sup>, do <i>statebuilding</i><a name="top10"></a><a href="#10"><sup>10</sup></a> e das teorias p&oacute;s&#45;colonialistas<a name="top11"></a><a href="#11"><sup>11</sup></a>. Por outro lado, t&ecirc;m igualmente merecido aten&ccedil;&atilde;o certas consequ&ecirc;ncias resultantes do fen&oacute;meno, tais como o impacto na soberania daqueles estados, bem como quest&otilde;es relacionadas com direitos humanos ou com o direito internacional humanit&aacute;rio<a name="top12"></a><a href="#12"><sup>12</sup></a>. Contudo uma outra quest&atilde;o que deve ser tida em conta &eacute; a de que estados incapazes de exercerem a sua soberania serem potenciais bases de actividade para grupos de criminalidade organizada transnacional, ligados ao tr&aacute;fico de seres humanos, ao tr&aacute;fico de armas, ao narcotr&aacute;fico ou &agrave; pirataria, bem como de organiza&ccedil;&otilde;es terroristas<a name="top13"></a><a href="#13"><sup>13</sup></a>.</font></p>

	    <p><font face="verdana" size="2">A Som&aacute;lia tem mesmo sido apresentada como paradigma do Estado em colapso<a name="top14"></a><a href="#14"><sup>14</sup></a>. A&nbsp;Som&aacute;lia figura em primeiro lugar no <i>The Failed State Index 2010</i><a name="top15"></a><a href="#15"><sup>15</sup></a>. Mesmo se o conceito de &laquo;Estado falhado&raquo; possa ser controverso<a name="top16"></a><a href="#16"><sup>16</sup></a>, e n&atilde;o querendo aqui empreender uma discuss&atilde;o sobre o assunto, a verdade &eacute; que aquele &iacute;ndice &eacute; um bom indicador do problema estrutural que caracteriza actualmente a Som&aacute;lia.</font></p>

	    <p><font face="verdana" size="2">A pirataria com origem na Som&aacute;lia &eacute; um caso de criminalidade organizada com contornos cada vez mais complexos. A ac&ccedil;&atilde;o das redes de pirataria assume um crescente grau de sofistica&ccedil;&atilde;o, sendo que a economia da Som&aacute;lia d&aacute; sinais de se estar a transformar numa economia centrada na actividade da pirataria<a name="top17"></a><a href="#17"><sup>17</sup></a> amea&ccedil;ando, assim, cristalizar o problema e torn&aacute;&#45;lo estrutural. A maior parte dos grupos que se dedicam &agrave; pirataria t&ecirc;m a sua origem nas comunidades piscat&oacute;rias da costa somali, designadamente no Nordeste e Centro da Som&aacute;lia. Ao longo dos &uacute;ltimos vinte anos de conflito e de aus&ecirc;ncia de um governo central efectivo, os recursos ecol&oacute;gicos e a economia daquelas regi&otilde;es foram seriamente afectados pela cont&iacute;nua e descontrolada pesca il&iacute;cita por frotas pesqueiras estrangeiras e pela descarga de produtos t&oacute;xicos nas &aacute;guas territoriais da Som&aacute;lia<a name="top18"></a><a href="#18"><sup>18</sup></a>. Esta situa&ccedil;&atilde;o levou a que muitas comunidades orientadas para o mar procurassem a pirataria como actividade econ&oacute;mica alternativa, embora il&iacute;cita, adoptando mesmo um discurso de vingan&ccedil;a e legitima&ccedil;&atilde;o dos seus actos como sendo consequ&ecirc;ncia da explora&ccedil;&atilde;o estrangeira que arruinou os seus recursos.</font></p>

	    <p><font face="verdana" size="2">O recrudescimento da pirataria, assim enquadrada, culminou, no final de 2008, com a interven&ccedil;&atilde;o internacional autorizada e incentivada pelo Conselho de Seguran&ccedil;a das Na&ccedil;&otilde;es Unidas, atrav&eacute;s de resolu&ccedil;&otilde;es adoptadas ao abrigo do cap&iacute;tulo VII da Carta das Na&ccedil;&otilde;es Unidas, designadamente atrav&eacute;s do destacamento de for&ccedil;as militares navais e aeronavais para a regi&atilde;o<a name="top19"></a><a href="#19"><sup>19</sup></a>. A inten&ccedil;&atilde;o imediata era a de proteger os navios do Programa Alimentar contra a Fome que prestavam aux&iacute;lio humanit&aacute;rio &agrave; Som&aacute;lia, e de conferir seguran&ccedil;a aos navios mercantes e de passageiros que navegam na rota do Suez. Para o Conselho de Seguran&ccedil;a continua a ser o conflito na Som&aacute;lia a &laquo;amea&ccedil;a &agrave; paz e &agrave; seguran&ccedil;a internacionais&raquo; e n&atilde;o os actos de pirataria em si<a name="top20"></a><a href="#20"><sup>20</sup></a>. Contudo, a resposta militar robusta adoptada insere&#45;se num leque de instrumentos previstos no cap&iacute;tulo VII da Carta das Na&ccedil;&otilde;es Unidas que inclui, entre outras, o emprego de ou o recurso &agrave; ac&ccedil;&atilde;o militar colectiva, o grau m&aacute;ximo de actua&ccedil;&atilde;o que pode ser decidido pelo Conselho de Seguran&ccedil;a para refor&ccedil;ar as suas recomenda&ccedil;&otilde;es e decis&otilde;es. A robustez da ac&ccedil;&atilde;o contra a pirataria decidida pelo Conselho de Seguran&ccedil;a manifestou&#45;se, igualmente, no &acirc;mbito de aplica&ccedil;&atilde;o no espa&ccedil;o que conferiu ao conte&uacute;do material das resolu&ccedil;&otilde;es que fundamentam a ac&ccedil;&atilde;o contra a pirataria. Apesar de a Conven&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas sobre o Direito do Mar, de 1982 (UNCLOS), definir pirataria como um acto que geograficamente est&aacute; circunscrito &agrave; condi&ccedil;&atilde;o de o navio se encontrar em alto&#45;mar ou noutro lugar n&atilde;o pertencente &agrave; jurisdi&ccedil;&atilde;o de qualquer Estado<a name="top21"></a><a href="#21"><sup>21</sup></a>, o Conselho de Seguran&ccedil;a autorizou as for&ccedil;as militares empenhadas na ac&ccedil;&atilde;o contra a pirataria a intervir no territ&oacute;rio da Som&aacute;lia, nas suas &aacute;guas territoriais, bem como no espa&ccedil;o terrestre e a&eacute;reo sobre sua soberania<a name="top22"></a><a href="#22"><sup>22</sup></a>.</font></p>

	    <p><font face="verdana" size="2">De notar, igualmente, que este tipo de resposta militar global n&atilde;o ocorreu noutras zonas de alta incid&ecirc;ncia de ataques de pirataria, tais como o estreito de Malaca ou no mar do Sul da China<a name="top23"></a><a href="#23"><sup>23</sup></a>. Por outro lado, ainda, embora o Conselho de Seguran&ccedil;a reconhe&ccedil;a no pre&acirc;mbulo da Resolu&ccedil;&atilde;o 1846 que a &laquo;paz e a estabilidade na Som&aacute;lia, o refor&ccedil;o das institui&ccedil;&otilde;es do Estado, o desenvolvimento econ&oacute;mico e social, bem como o respeito pelos direitos humanos e o Estado de Direito&raquo;<a name="top24"></a><a href="#24"><sup>24</sup></a> s&atilde;o elementos de ac&ccedil;&atilde;o necess&aacute;rios para a erradica&ccedil;&atilde;o da pirataria na Som&aacute;lia, a verdade &eacute; que o mandato tem por objecto, exclusivamente, a ac&ccedil;&atilde;o para a repress&atilde;o da viol&ecirc;ncia f&iacute;sica no mar. N&atilde;o estabelece qualquer ac&ccedil;&atilde;o mais abrangente para fazer face aos problemas estruturais da Som&aacute;lia<a name="top25"></a><a href="#25"><sup>25</sup></a>. A ac&ccedil;&atilde;o inicial contra a pirataria configurou, pois, um processo de securitiza&ccedil;&atilde;o bem&#45;
	&#45;sucedido, na medida em que o discurso de securitiza&ccedil;&atilde;o foi constru&iacute;do de forma vinculada a uma estrat&eacute;gia de conten&ccedil;&atilde;o que teve, pelo menos no in&iacute;cio, como eixo central essencialmente o intervencionismo militar<a name="top26"></a><a href="#26"><sup>26</sup></a>.</font></p>

	    ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="verdana" size="2">De um ponto de vista anal&iacute;tico conv&eacute;m distinguir entre o conflito de baixa intensidade que assola a Som&aacute;lia e a actividade da pirataria com base na Som&aacute;lia. Enquanto o primeiro se trata de um verdadeiro conflito armado entre fac&ccedil;&otilde;es pol&iacute;ticas opostas, a segunda &eacute; um fen&oacute;meno de criminalidade organizada. Assim sendo, embora evoluam num mesmo contexto, trata&#45;se de dois tipos de viol&ecirc;ncia distintos que, logo, exigem estrat&eacute;gias espec&iacute;ficas, embora complementares. O facto de o Governo Federal Transit&oacute;rio da Som&aacute;lia (TFG), com os quais estados e organiza&ccedil;&otilde;es internacionais est&atilde;o a cooperar na luta contra a pirataria, estar envolvido num conflito armado com ramifica&ccedil;&otilde;es regionais, n&atilde;o &eacute; por si um crit&eacute;rio suficiente para qualificar as opera&ccedil;&otilde;es contra a pirataria como parte desse conflito<a name="top27"></a><a href="#27"><sup>27</sup></a>.</font></p>

	    <p><font face="verdana" size="2">Contudo, as rela&ccedil;&otilde;es complexas de factores que est&atilde;o na raiz da pirataria com base na Som&aacute;lia apontam para a necessidade de uma resposta multifacetada para o problema em que o elemento seguran&ccedil;a &eacute; relevante, embora n&atilde;o dominante. O prop&oacute;sito &uacute;ltimo &eacute; o de recuperar a Som&aacute;lia enquanto Estado capaz de exercer as fun&ccedil;&otilde;es de soberania em todo o territ&oacute;rio, nomeadamente no que respeita ao monop&oacute;lio dos meios de coer&ccedil;&atilde;o leg&iacute;tima, &agrave; capacidade de manuten&ccedil;&atilde;o da ordem p&uacute;blica e &agrave; garantia da seguran&ccedil;a interna, e posteriormente criar condi&ccedil;&otilde;es para o desenvolvimento das formas de subsist&ecirc;ncia da sua popula&ccedil;&atilde;o, garantindo o seu bem&#45;estar socioecon&oacute;mico.</font></p>

	    <p>&nbsp;</p>
	    <p><font face="verdana" size="2"><b>A DIMENS&Atilde;O JUR&Iacute;DICA DA ESTRAT&Eacute;GIA CONTRA A PIRATARIA COM BASE NA SOM&Aacute;LIA</b></font></p>
	    <p><font face="verdana" size="2">A NECESSIDADE DE UMA RESPOSTA ESTRUTURADA E MULTIFACETADA</font></p>

	    <p><font face="verdana" size="2">O secret&aacute;rio&#45;geral das Na&ccedil;&otilde;es Unidas referiu num seu relat&oacute;rio sobre a situa&ccedil;&atilde;o na Som&aacute;lia que &laquo;a pirataria &eacute; um sintoma de um problema mais vasto que se verifica em terra na Som&aacute;lia sendo que a &uacute;nica solu&ccedil;&atilde;o sustent&aacute;vel ser&aacute; a governa&ccedil;&atilde;o efectiva, o&nbsp;estabelecimento do Estado de direito e das institui&ccedil;&otilde;es de seguran&ccedil;a&raquo;<a name="top28"></a><a href="#28"><sup>28</sup></a>.</font></p>

	    <p><font face="verdana" size="2">Este discurso tem um enorme valor de constru&ccedil;&atilde;o estrat&eacute;gica da ac&ccedil;&atilde;o contra a pirataria. Mais do que uma fun&ccedil;&atilde;o meramente administrativa, o secret&aacute;rio&#45;geral tem uma fun&ccedil;&atilde;o de lideran&ccedil;a, de desencadear discuss&atilde;o, de mediar vontades e de velar pelos interesses dos &laquo;povos das Na&ccedil;&otilde;es Unidas&raquo; que deve ser respeitada<a name="top29"></a><a href="#29"><sup>29</sup></a>.</font></p>

	    <p><font face="verdana" size="2">Uma agenda de pol&iacute;tica criminal normal para a pirataria ser&aacute;, assim, aquela em que o problema deixa de ser tratado por medidas de excep&ccedil;&atilde;o, <i>i.e.</i>, enquadrada num contexto de uma amea&ccedil;a &agrave; paz e seguran&ccedil;a internacionais, e reassume o estatuto de crime de delito comum. A pirataria &eacute; essencialmente motivada por ganhos econ&oacute;micos privados, n&atilde;o existindo fac&ccedil;&otilde;es pol&iacute;ticas em conflito, o que torna inadequada uma mera resposta pol&iacute;tico&#45;militar ao problema. Deste modo, uma agenda normal deve levar em conta que a pirataria ser&aacute; sempre uma alternativa econ&oacute;mica vi&aacute;vel nas comunidades costeiras submetidas &agrave; marginaliza&ccedil;&atilde;o, &agrave; escassez de recursos e &agrave; pobreza cr&oacute;nica e, por essa raz&atilde;o, deve ser tratada como qualquer outra manifesta&ccedil;&atilde;o de criminalidade, e n&atilde;o como um problema militar. Tal implica a necessidade de respostas jur&iacute;dicas, policiais, sociais e econ&oacute;micas integradas numa agenda pol&iacute;tica mais pac&iacute;fica e comprometida com a actual realidade interna da Som&aacute;lia.</font></p>

	    <p><font face="verdana" size="2">Em termos gerais, podem ser identificados tr&ecirc;s tipos de estrat&eacute;gias para o combate &agrave; pirataria com base na Som&aacute;lia: uma estrat&eacute;gia de conten&ccedil;&atilde;o, que coloca &ecirc;nfase no emprego de meios militares navais e aeronavais ao largo da costa, para prevenir e reprimir a pr&aacute;tica do crime de pirataria, em colabora&ccedil;&atilde;o com outros actores regionais; uma estrat&eacute;gia de cria&ccedil;&atilde;o de capacidades pol&iacute;ticas, econ&oacute;micas e sociais em terra e de reconstru&ccedil;&atilde;o do Estado central somali; uma estrat&eacute;gia que envolva e apoie as comunidades e institui&ccedil;&otilde;es locais. Enquanto a t&oacute;nica tem sido colocada na primeira estrat&eacute;gia, a terceira estrat&eacute;gia de apoio local tem sido negligenciada. De notar, ali&aacute;s, que tem sido defendido que a interven&ccedil;&atilde;o internacional que acontece na Som&aacute;lia desde 1992 n&atilde;o tem tido sucesso na constru&ccedil;&atilde;o de uma paz sustent&aacute;vel por falta de envolvimento e assun&ccedil;&atilde;o das solu&ccedil;&otilde;es pelas comunidades locais<sup><a name="top30"></a><a href="#30">30</a></sup>.</font></p>

	    <p><font face="verdana" size="2">Na verdade, qualquer estrat&eacute;gia ter&aacute; de ser multifacetada e estruturada em diversos n&iacute;veis temporais, com aten&ccedil;&atilde;o especial &agrave;s causas da pirataria<sup><a name="top31"></a><a href="#31">31</a></sup>, tendo por objectivo recuperar de forma sustentada a Som&aacute;lia enquanto Estado capaz de exercer as fun&ccedil;&otilde;es de soberania em todo o territ&oacute;rio, e de criar condi&ccedil;&otilde;es para o desenvolvimento de meios de subsist&ecirc;ncia da sua popula&ccedil;&atilde;o, garantindo o seu bem&#45;estar socioecon&oacute;mico. Para tanto, ser&aacute; necess&aacute;ria uma estrat&eacute;gia abrangente, que consolide aquelas tr&ecirc;s linhas de actua&ccedil;&atilde;o, com n&iacute;veis temporais de ac&ccedil;&atilde;o diferentes, e com &ecirc;nfase especial no apoio &agrave;s comunidades e institui&ccedil;&otilde;es locais.</font></p>

	    ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="verdana" size="2">A este prop&oacute;sito, convir&aacute;, igualmente, ter em considera&ccedil;&atilde;o as rela&ccedil;&otilde;es intersubjectivas entre os pr&oacute;prios &laquo;piratas&raquo; no contexto da comunidade em que se inserem. A actividade da pirataria na Som&aacute;lia funciona em rede e est&aacute; estruturada em tr&ecirc;s n&iacute;veis: os financiadores que investem em actividades de pirataria, sem nelas participarem directamente, tendo direito a uma parte do resgate; os &laquo;comandantes&raquo;, contratados pelos financiadores, normalmente chefes de um cl&atilde; ou de um grupo de um cl&atilde;, que organiza o acto de pirataria, angariando e dirigindo homens armados ou fornecendo material para a pr&aacute;tica de pirataria; os executantes dos assaltos a navios e pessoal de apoio. Importa ter consci&ecirc;ncia, por exemplo, de que os &laquo;piratas operacionais&raquo; t&ecirc;m um rendimento mais baixo do que seria de supor, por os l&iacute;deres das organiza&ccedil;&otilde;es criminosas reterem para si a maior parte dos rendimentos dos actos de pirataria<a name="top32"></a><a href="#32"><sup>32</sup></a>. Existem, igualmente, relatos que referem a divis&atilde;o dos rendimentos do resgate da seguinte forma: 20 por cento para os investidores; 20 por cento para custos operacionais; 30 por cento para subornos; e 30 por cento dividido de forma igual entre os piratas<a name="top33"></a><a href="#33"><sup>33</sup></a>. A estrat&eacute;gia de combate &agrave; pirataria com base na Som&aacute;lia deve, pois, incluir objectivos de longo prazo, norteados por princ&iacute;pios como a sustentabilidade, a relev&acirc;ncia, o <i>local ownership</i>, a&nbsp;coordena&ccedil;&atilde;o internacional, a ac&ccedil;&atilde;o sem danos, a efici&ecirc;ncia nos gastos e o efeito de cont&aacute;gio positivo &agrave; medida que as solu&ccedil;&otilde;es v&atilde;o sendo implementadas<a name="top34"></a><a href="#34"><sup>34</sup></a>.</font></p>

	    <p>&nbsp;</p>
	    <p><font face="verdana" size="2">O COMBATE &Agrave; IMPUNIDADE E O FORTALECIMENTO DO ESTADO DE DIREITO</font></p>
	    <p><font face="verdana" size="2">No contexto da estrat&eacute;gia estruturada e multifacetada de combate &agrave; pirataria com origem na Som&aacute;lia, afigura&#45;se aqui fundamental a an&aacute;lise de duas dimens&otilde;es deste t&oacute;pico &#150; por um lado, a luta contra a impunidade, e, por outro o fortalecimento do Estado de direito na Som&aacute;lia &#150;, ambas importantes para conferir &agrave; Som&aacute;lia a solidez de um Estado soberano e a autonomia para lidar com o problema da pirataria em especial.</font></p>

	    <p><font face="verdana" size="2">O combate &agrave; impunidade tem informado o discurso dos diversos actores internacionais envolvidos na resolu&ccedil;&atilde;o do problema da pirataria com origem na Som&aacute;lia. O combate &agrave; impunidade dirige&#45;se directamente &agrave; pr&aacute;tica dos crimes de pirataria e de roubo no mar, no sentido da sua preven&ccedil;&atilde;o e da sua repress&atilde;o. A ac&ccedil;&atilde;o securit&aacute;ria veio, pois,&nbsp;igualmente chamar a aten&ccedil;&atilde;o para a dificuldade em encontrar uma base jur&iacute;dica que fundamente a deten&ccedil;&atilde;o e a repress&atilde;o dos suspeitos de pirataria capturados pelos navios das marinhas de guerra destacados para a regi&atilde;o. Efectivamente, um dos problemas mais complexos da luta contra a pirataria ao largo da costa da Som&aacute;lia est&aacute; relacionado com a inexist&ecirc;ncia de mecanismos jur&iacute;dicos que permitam a deten&ccedil;&atilde;o e julgamento expeditos dos suspeitos de pirataria. Estima&#45;se que 90 por cento dos detidos pelas for&ccedil;as navais destacadas para a regi&atilde;o s&atilde;o libertados sem serem submetidos a julgamento<a name="top35"></a><a href="#35"><sup>35</sup></a>. Desde cedo que a hip&oacute;tese de entrega dos piratas para julgamento &agrave; Som&aacute;lia foi posta de parte, uma vez que o pa&iacute;s n&atilde;o tem um governo central efectivo nem disp&otilde;e de institui&ccedil;&otilde;es jurisdicionais adequadas. Na perspectiva de uma solu&ccedil;&atilde;o duradoura e sustent&aacute;vel haver&aacute; que reconstruir o sistema jurisdicional da Som&aacute;lia. Tal significa dotar o pa&iacute;s dos meios policiais, jurisdicionais e legislativos adequados para fazer valer a sua autoridade soberana e legitimada a todo o territ&oacute;rio, garantindo a seguran&ccedil;a do Estado e os direitos dos seus cidad&atilde;os. Esta seria uma tarefa de implementa&ccedil;&atilde;o a m&eacute;dio&#45;longo prazo.</font></p>

	    <p><font face="verdana" size="2">Por outro lado, o fortalecimento do Estado de direito na Som&aacute;lia tem um duplo benef&iacute;cio. Desde logo, a capacidade de legislar e de aplicar a lei a todo o territ&oacute;rio &eacute; uma das manifesta&ccedil;&otilde;es cl&aacute;ssicas da soberania estadual. O fortalecimento do Estado de direito na Som&aacute;lia afirma&#45;se, pois, como um elemento essencial para reestrutura&ccedil;&atilde;o da pr&oacute;pria Som&aacute;lia enquanto Estado. A exist&ecirc;ncia de um Estado forte permitir&aacute; fazer face &agrave;s debilidades estruturais que propiciam a criminalidade organizada, como a pirataria. Depois, a cria&ccedil;&atilde;o de um sistema de justi&ccedil;a eficaz caracter&iacute;stico de um efectivo Estado de direito significa a exist&ecirc;ncia de leis adequadas, tribunais, sistema prisional e meios de preven&ccedil;&atilde;o e de repress&atilde;o da criminalidade. Tal permitir&aacute; combater o fen&oacute;meno da pirataria de acordo com estrat&eacute;gias policiais e jurisdicionais adequadas para o combate &agrave; criminalidade organizada.</font></p>

	    <p><font face="verdana" size="2">A actual situa&ccedil;&atilde;o na Som&aacute;lia apresenta diversos obst&aacute;culos &agrave; concretiza&ccedil;&atilde;o destes objectivos. A Som&aacute;lia encontra&#45;se dividida <i>de facto</i> entre v&aacute;rias entidades de governo, com autoridade sobre diferentes partes do territ&oacute;rio somali &#150; o TFG, o Estado Puntl&acirc;ndia da Som&aacute;lia e a Rep&uacute;blica da Somalil&acirc;ndia &#150; sem que exista uma centraliza&ccedil;&atilde;o da fun&ccedil;&atilde;o governativa. Depois, subsistem for&ccedil;as militarizadas n&atilde;o governamentais, como o Ahlu Sunnah Wal Jama&rsquo;a, o Harakat al&#45;Shabaad al&#45;Mujahideen ou o Hisbul Islam. Do ponto de vista pol&iacute;tico, o per&iacute;odo de transi&ccedil;&atilde;o terminar&aacute; com o fim do mandato do TFG em Agosto de 2011. Apesar do apoio que tem recebido, o TFG n&atilde;o conseguiu os progressos necess&aacute;rios ao n&iacute;vel de consolida&ccedil;&atilde;o da governa&ccedil;&atilde;o<a name="top36"></a><a href="#36"><sup>36</sup></a>. O ambiente &eacute; de permanente tens&atilde;o, colocando em causa, nomeadamente, o processo constituinte em curso para a elabora&ccedil;&atilde;o de uma nova Constitui&ccedil;&atilde;o. Ao n&iacute;vel da seguran&ccedil;a, a situa&ccedil;&atilde;o no Sul e na Som&aacute;lia Central &eacute; fr&aacute;gil e de desenvolvimento imprevis&iacute;vel, se bem que com alguns&nbsp;sinais recentes positivos na Somalil&acirc;ndia<a name="top37"></a><a href="#37"><sup>37</sup></a> e em Mogad&iacute;scio<a name="top38"></a><a href="#38"><sup>38</sup></a>. Por outro lado, a crise humanit&aacute;ria persiste, agravada pelas dificuldades que o aux&iacute;lio humanit&aacute;rio enfrenta<a name="top39"></a><a href="#39"><sup>39</sup></a>.</font></p>

    <p><font face="verdana" size="2">Existem, contudo, progressos que traduzem a vontade por parte de certos sectores somalis de desenvolver a coopera&ccedil;&atilde;o entre as v&aacute;rias entidades de governo para o desenvolvimento conjunto socioecon&oacute;mico e no sector da seguran&ccedil;a<a name="top40"></a><a href="#40"><sup>40</sup></a>. Em concreto, e no que respeita &agrave; pirataria, em Janeiro de 2010 as autoridades do TFG, de Puntl&acirc;ndia e de Somalil&acirc;ndia estabeleceram um comit&eacute; para coordenar as respectivas ac&ccedil;&otilde;es no &acirc;mbito da luta contra a pirataria<a name="top41"></a><a href="#41"><sup>41</sup></a>. Esta coopera&ccedil;&atilde;o, in&eacute;dita em certa medida, tem igualmente express&atilde;o ao n&iacute;vel da representa&ccedil;&atilde;o internacional em reuni&otilde;es dedicadas &agrave; luta contra a pirataria. Por outro lado ainda, ao n&iacute;vel internacional tem&#45;se assistido ao desenvolvimento de solu&ccedil;&otilde;es t&eacute;cnicas e de um discurso pol&iacute;tico que as sustenta que pretendem dotar a Som&aacute;lia com a capacidade para fazer face ao problema da pirataria, enquanto fen&oacute;meno de criminalidade organizada, nomeadamente no que respeita &agrave; sua capacidade de julgar suspeitos de pirataria. Sobre este aspecto merecem realce dois documentos estrat&eacute;gicos produzidos pelas Na&ccedil;&otilde;es Unidas. O primeiro trata&#45;se do relat&oacute;rio do secret&aacute;rio&#45;geral das Na&ccedil;&otilde;es Unidas, solicitado pelo Conselho de Seguran&ccedil;a<a name="top42"></a><a href="#42"><sup>42</sup></a>, pelo qual s&atilde;o identificadas sete op&ccedil;&otilde;es para o julgamento e pris&atilde;o de suspeitos de pirataria, tendo em considera&ccedil;&atilde;o o trabalho desenvolvido pelo Grupo de Contacto contra a Pirataria ao Largo da Costa da Som&aacute;lia<a name="top43"></a><a href="#43"><sup>43</sup></a>. Entre estas op&ccedil;&otilde;es, s&atilde;o afloradas as hip&oacute;teses de cria&ccedil;&atilde;o de um tribunal deslocalizado e de sec&ccedil;&otilde;es jurisdicionais especiais para a pirataria. O&nbsp;outro documento, apresentado a 25 de Janeiro de 2011 ao Conselho de Seguran&ccedil;a pelo Conselheiro Especial do secret&aacute;rio&#45;geral para os assuntos jur&iacute;dicos relativos &agrave; pirataria ao largo da costa da Som&aacute;lia, submete um conjunto de 25 propostas concretas destinadas a criar condi&ccedil;&otilde;es para o julgamento e a pris&atilde;o de suspeitos de pirataria<a name="top44"></a><a href="#44"><sup>44</sup></a>. O&nbsp;relat&oacute;rio, que adopta uma abordagem multidimensional para a preven&ccedil;&atilde;o e repress&atilde;o da pirataria, inclui a proposta de cria&ccedil;&atilde;o urgente de dois tribunais especializados para a pirataria em Puntl&acirc;ndia e na Somalil&acirc;ndia, bem como de um tribunal somali temporariamente situado fora do territ&oacute;rio da Som&aacute;lia. A deslocaliza&ccedil;&atilde;o deste terceiro tribunal procura assim contornar as actuais dificuldades em o estabelecer em Mogad&iacute;scio. Este pacote de medidas foi genericamente bem recebido, embora persista algum cepticismo relativamente &agrave; implementa&ccedil;&atilde;o do tribunal deslocalizado<a name="top45"></a><a href="#45"><sup>45</sup></a>. &Agrave; data destes escritos, o&nbsp;Conselho de Seguran&ccedil;a ainda n&atilde;o tomou qualquer ac&ccedil;&atilde;o para a implementa&ccedil;&atilde;o do relat&oacute;rio.</font></p>

	    <p>&nbsp;</p>
	    <p><font face="verdana" size="2"><b>UM TRIBUNAL H&Iacute;BRIDO PARA A PIRATARIA NA SOM&Aacute;LIA</b></font></p>
    ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="verdana" size="2">O PAPEL DO SISTEMA JURISDICIONAL NO COMBATE &Agrave; PIRATARIA</font></p>

	    <p><font face="verdana" size="2">Uma das principais preocupa&ccedil;&otilde;es em mat&eacute;ria de luta contra a pirataria com base na Som&aacute;lia tem sido a quest&atilde;o da puni&ccedil;&atilde;o efectiva dos autores de delitos relacionados com a pirataria. A cria&ccedil;&atilde;o de um mecanismo internacional para julgamento de actos de pirataria &eacute; uma solu&ccedil;&atilde;o que tem vindo a ser discutida com interesse e que se enquadra na estrat&eacute;gia multifacetada e dessecuritizada da luta contra a pirataria com base na Som&aacute;lia.</font></p>

	    <p><font face="verdana" size="2">O refor&ccedil;o da capacidade nacional de institui&ccedil;&otilde;es jur&iacute;dicas e mar&iacute;timas na Som&aacute;lia afigura&#45;se vital para esse fim. O secret&aacute;rio&#45;
	&#45;geral das Na&ccedil;&otilde;es Unidas tem exortado a comunidade internacional a fornecer assist&ecirc;ncia t&eacute;cnica no dom&iacute;nio judicial na regi&atilde;o, incluindo a Som&aacute;lia. &Eacute; sabido que a Som&aacute;lia enfrenta s&eacute;rias dificuldades para julgar os suspeitos de pirataria. Actualmente, a Som&aacute;lia n&atilde;o tem a capacidade de realizar julgamentos de suspeitos detidos por, e transferidos de, um navio de uma marinha de guerra estrangeira. O refor&ccedil;o da capacidade da Som&aacute;lia ao n&iacute;vel da compet&ecirc;ncia para julgar suspeitos de pirataria &eacute; uma pe&ccedil;a &oacute;bvia do <i>puzzle</i> que deve ser encaixada na estrat&eacute;gia geral de combate &agrave; pirataria. A cria&ccedil;&atilde;o de um tribunal h&iacute;brido incorporado no sistema jurisdicional da Som&aacute;lia n&atilde;o &eacute; apenas uma contribui&ccedil;&atilde;o importante para o julgamento de suspeitos de pirataria, mas tamb&eacute;m para a luta contra a pirataria num contexto mais amplo, uma vez que contribui para a governa&ccedil;&atilde;o eficaz na Som&aacute;lia, promovendo o Estado de direito e o estabelecimento de institui&ccedil;&otilde;es judiciais eficazes.</font></p>

    <p><font face="verdana" size="2">A cria&ccedil;&atilde;o de tribunais <i>ad hoc</i> com elementos internacionais, h&iacute;bridos ou n&atilde;o, para o julgamento de crimes que os estados onde foram perpetrados n&atilde;o t&ecirc;m capacidade para, por si s&oacute;, julgar &eacute; uma pr&aacute;tica estabelecida desde os anos 1990. S&atilde;o exemplo, o Tribunal Penal Internacional para a ex&#45;Jugosl&aacute;via<a name="top46"></a><a href="#46"><sup>46</sup></a>, o Tribunal Penal Internacional para o Ruanda<a name="top47"></a><a href="#47"><sup>47</sup></a>, o Tribunal Especial para a Serra Leoa<a name="top48"></a><a href="#48"><sup>48</sup></a> ou as C&acirc;maras Extraordin&aacute;rias nos Tribunais do Camboja<a name="top49"></a><a href="#49"><sup>49</sup></a>. Contudo, todos estes tribunais t&ecirc;m compet&ecirc;ncia para o julgamento de crimes graves de relev&acirc;ncia internacional, tais como o genoc&iacute;dio, crimes de guerra ou crimes contra a humanidade. Ora, pelo contr&aacute;rio, o crime de pirataria &eacute; um crime de delito comum. Mesmo o Tribunal Especial para o L&iacute;bano<a name="top50"></a><a href="#50"><sup>50</sup></a>, que julga crimes de delito comum, tem a sua jurisdi&ccedil;&atilde;o circunscrita a factos concretos e historicamente datados: julgar todos os alegados respons&aacute;veis pelo ataque de 14 de Fevereiro de 2005, em Beirute, do qual resultou a morte do antigo primeiro&#45;ministro liban&ecirc;s Rafiq Hariri e de vinte e duas outras pessoas.</font></p>

    <p><font face="verdana" size="2">Uma justi&ccedil;a de proximidade ser&aacute; mais eficaz na luta contra o problema da pirataria. A&nbsp;exist&ecirc;ncia de uma &laquo;rede jurisdicional regional&raquo; para o julgamento de suspeitos de pirataria &eacute; fundamental para lidar com o problema. A necessidade desta rede &eacute; potenciada pela falta de vontade pol&iacute;tica, ou por dificuldades legais sentidas por v&aacute;rios estados com for&ccedil;as navais empenhadas na zona em deterem e/ou julgarem nos seus tribunais os piratas que capturam. Neste sentido, alguns estados e tamb&eacute;m a Uni&atilde;o Europeia negociaram acordos e memorandos de entendimento com estados da regi&atilde;o para a transfer&ecirc;ncia e posterior julgamento de suspeitos de pirataria capturados. O&nbsp;Canad&aacute;, a China, a Dinamarca, o Reino Unido, os Estados Unidos e a Uni&atilde;o Europeia conclu&iacute;ram acordos de transfer&ecirc;ncia com o Qu&eacute;nia. O Reino Unido e a Uni&atilde;o Europeia estabeleceram o mesmo tipo de sistema de transfer&ecirc;ncia para julgamento com as Seichelles.</font></p>

	    <p><font face="verdana" size="2">Efectivamente, o Qu&eacute;nia, as Seichelles e outros estados da regi&atilde;o, bem como a Uni&atilde;o Africana, em coopera&ccedil;&atilde;o com outros estados e organiza&ccedil;&otilde;es internacionais, est&atilde;o a empreender um esfor&ccedil;o significativo para enfrentar a crescente procura jurisdicional. No entanto, atendendo &agrave; magnitude do problema, estes parceiros debatem&#45;se tamb&eacute;m eles com dificuldades ao n&iacute;vel da produ&ccedil;&atilde;o de prova, do julgamento e da pris&atilde;o dos muitos suspeitos que lhes s&atilde;o transferidos. A manuten&ccedil;&atilde;o e o desenvolvimento desta &laquo;rede jurisdicional regional&raquo; carecem de medidas adicionais sustent&aacute;veis e duradouras.</font></p>

	    <p><font face="verdana" size="2">A constitui&ccedil;&atilde;o de um tribunal h&iacute;brido para o julgamento de suspeitos de pirataria constituiria um precedente na ac&ccedil;&atilde;o jurisdicional internacional: face &agrave; incapacidade do Estado somali de julgar crimes de delito comum, como &eacute; a pirataria, seria estabelecido um tribunal com elementos internacionais que permitisse &agrave; Som&aacute;lia o exerc&iacute;cio de uma sua compet&ecirc;ncia soberana essencial &#150; a de julgar suspeitos da pr&aacute;tica de crimes com conex&atilde;o &agrave; sua jurisdi&ccedil;&atilde;o natural. A cria&ccedil;&atilde;o de um tribunal h&iacute;brido seria uma solu&ccedil;&atilde;o com in&uacute;meras vantagens, tais como: contribuiria para o processo de capacita&ccedil;&atilde;o necess&aacute;ria na Som&aacute;lia; envolveria directamente os somalis e as suas institui&ccedil;&otilde;es; permitiria o julgamento de suspeitos de pirataria no Estado onde t&ecirc;m a sua base; teria em conta o conceito de que a principal responsabilidade para o julgamento de piratas pertence aos estados costeiros.</font></p>

	    <p>&nbsp;</p>
	    <p><font face="verdana" size="2">UMA SEC&Ccedil;&Atilde;O CRIMINAL SOMALI PARA O JULGAMENTO DA PIRATARIA</font></p>
    <p><font face="verdana" size="2">Um tribunal h&iacute;brido &eacute; uma categoria jurisdicional que pode abranger v&aacute;rios modelos de tribunal. Mas tem uma caracter&iacute;stica comum: &eacute; composto por elementos nacionais e internacionais. Pelas raz&otilde;es expostas acima, o estabelecimento de um tribunal h&iacute;brido no &acirc;mbito do sistema judicial da Som&aacute;lia parece responder &agrave;s necessidades identificadas de combate &agrave; impunidade e de capacita&ccedil;&atilde;o judicial na Som&aacute;lia. Quanto &agrave; sua natureza, a Sec&ccedil;&atilde;o Criminal Somali para a Pirataria poderia ser uma sec&ccedil;&atilde;o especial do Tribunal Supremo de Transi&ccedil;&atilde;o da Som&aacute;lia<a name="top51"></a><a href="#51"><sup>51</sup></a> incorporado, portanto, no sistema jurisdicional da Som&aacute;lia, mas com elementos internacionais. Teria a natureza de uma jurisdi&ccedil;&atilde;o penal<a name="top52"></a><a href="#52"><sup>52</sup></a>.</font></p>

    ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="verdana" size="2">Quanto &agrave; sua base jur&iacute;dica, a Sec&ccedil;&atilde;o Criminal poderia ser estabelecida atrav&eacute;s de uma lei da Som&aacute;lia ap&oacute;s a conclus&atilde;o de um acordo de coopera&ccedil;&atilde;o a ser celebrado entre as Na&ccedil;&otilde;es Unidas e a Rep&uacute;blica da Som&aacute;lia. O &laquo;acordo entre as Na&ccedil;&otilde;es Unidas e a Rep&uacute;blica da Som&aacute;lia sobre o julgamento de pirataria e de outros crimes relacionados por uma Sec&ccedil;&atilde;o Criminal Somali&raquo; regularia a coopera&ccedil;&atilde;o entre as Na&ccedil;&otilde;es Unidas e a Som&aacute;lia. O acordo disporia sobre: &aacute;reas de coopera&ccedil;&atilde;o e assist&ecirc;ncia; a estrutura da Sec&ccedil;&atilde;o Criminal; a composi&ccedil;&atilde;o da Sec&ccedil;&atilde;o Criminal, incluindo, o pessoal internacional a ser nomeado; o estatuto do pessoal internacional; o estatuto do pessoal somali; princ&iacute;pios internacionais relativos a um processo equitativo; a protec&ccedil;&atilde;o de v&iacute;timas e testemunhas; as despesas com o funcionamento da Sec&ccedil;&atilde;o Criminal; a dura&ccedil;&atilde;o da assist&ecirc;ncia internacional. Por outro lado, a &laquo;lei da Som&aacute;lia sobre a cria&ccedil;&atilde;o de uma Sec&ccedil;&atilde;o Criminal Somali para o julgamento da pirataria e de outros crimes conexos&raquo;, que teria que estar em conformidade com o acordo celebrado entre a Som&aacute;lia e as Na&ccedil;&otilde;es Unidas, preveria: o crime de pirataria e respectiva san&ccedil;&atilde;o; a sua compet&ecirc;ncia jurisdicional; a estrutura da Sec&ccedil;&atilde;o Criminal; a sua composi&ccedil;&atilde;o; a sua localiza&ccedil;&atilde;o; os procedimentos da fase de pr&eacute;&#45;julgamento, de julgamento e de recurso; os procedimentos relativos &agrave; produ&ccedil;&atilde;o de prova; a sua dura&ccedil;&atilde;o; as l&iacute;nguas de trabalho<a name="top53"></a><a href="#53"><sup>53</sup></a>. Ambos os instrumentos jur&iacute;dicos poderiam ser conclu&iacute;dos em curto prazo se as partes envolvidas no processo manifestassem empenho na sua implementa&ccedil;&atilde;o e se fosse providenciada a assist&ecirc;ncia jur&iacute;dica adequada.</font></p>

    <p><font face="verdana" size="2">No que respeito &agrave; criminaliza&ccedil;&atilde;o da pirataria, a UNCLOS, define o acto de pirataria, sem o criminalizar<a name="top54"></a><a href="#54"><sup>54</sup></a>. Os estados podem criminalizar a pirataria, mas n&atilde;o existe nenhuma obriga&ccedil;&atilde;o internacional de o fazerem. Por outro lado, o roubo no mar &eacute; um crime sem relev&acirc;ncia internacional. No caso da cria&ccedil;&atilde;o de uma Sec&ccedil;&atilde;o Criminal, seria a referida lei somali a tipificar o crime de pirataria. A defini&ccedil;&atilde;o dada pela UNCLOS pode ser a base para a defini&ccedil;&atilde;o dos elementos do crime. Os elementos do crime de pirataria poderiam, igualmente, incluir elementos previstos no artigo 3.&ordm; da Conven&ccedil;&atilde;o para a Supress&atilde;o de Actos Il&iacute;citos contra a Seguran&ccedil;a da Navega&ccedil;&atilde;o Mar&iacute;tima de 1988, a t&iacute;tulo indicativo. Al&eacute;m disso, a lei somali estabeleceria as respectivas penas. Uma vez que a pirataria &eacute; um acto perpetrado no alto&#45;mar ou em qualquer outro lugar fora da jurisdi&ccedil;&atilde;o de qualquer Estado, a lei somali deve prever crimes cometidos no seu territ&oacute;rio ou em &aacute;guas sob sua jurisdi&ccedil;&atilde;o, tais como o roubo no mar.</font></p>

    <p><font face="verdana" size="2">A compet&ecirc;ncia jurisdicional da Sec&ccedil;&atilde;o Criminal para a Pirataria deve ser estabelecida pela lei somali. A compet&ecirc;ncia deve incluir a pirataria e outros crimes relacionados que tenham conex&atilde;o com a Som&aacute;lia. Como elementos de conex&atilde;o seriam de considerar: a&nbsp;nacionalidade, o local de resid&ecirc;ncia ou o local dos actos preparat&oacute;rios. Al&eacute;m disso, a Sec&ccedil;&atilde;o Criminal teria tamb&eacute;m compet&ecirc;ncia jurisdicional em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; pirataria e a outros crimes conexos quando tal decorresse de uma conven&ccedil;&atilde;o internacional. O financiamento, o aux&iacute;lio, a cumplicidade, a tentativa ou os actos preparat&oacute;rios deveriam estar inclu&iacute;dos.</font></p>

	    <p><font face="verdana" size="2">A Sec&ccedil;&atilde;o Criminal para a Pirataria seria uma jurisdi&ccedil;&atilde;o complementar. No entanto, n&atilde;o deve ser estabelecida uma hierarquia de jurisdi&ccedil;&otilde;es ou de interesses nacionais relevantes. Quando um navio de uma marinha de guerra det&eacute;m um suspeito de pirataria procederia da seguinte forma: se o Estado de bandeira tem compet&ecirc;ncia jurisdicional e est&aacute; disposto a julgar os suspeitos de pirataria, o navio da marinha de guerra pode deter e entregar os suspeitos &agrave;s suas autoridades nacionais competentes para julgamento. Se, pelo contr&aacute;rio, o Estado de bandeira n&atilde;o tem compet&ecirc;ncia jurisdicional ou n&atilde;o est&aacute; disposto a julgar os suspeitos de pirataria, o navio da marinha de guerra deve entregar os suspeitos (sem ordem de prioridade): a outro Estado interessado que tenha compet&ecirc;ncia e est&aacute; disposto a julgar os suspeitos de pirataria; a outros estados da regi&atilde;o; nos termos de uma conven&ccedil;&atilde;o internacional; ou &agrave; C&acirc;mara Especial Somali, tendo compet&ecirc;ncia jurisdicional.</font></p>

	    <p><font face="verdana" size="2">Quanto &agrave; composi&ccedil;&atilde;o do tribunal, o n&uacute;mero e a propor&ccedil;&atilde;o entre pessoal somali e internacional s&oacute; podem ser determinados ap&oacute;s uma avalia&ccedil;&atilde;o da capacidade jurisdicional da Som&aacute;lia (no que concerne &agrave; legisla&ccedil;&atilde;o, instala&ccedil;&otilde;es e pessoal). No momento presente, a Som&aacute;lia n&atilde;o tem capacidade suficiente para realizar julgamentos de suspeitos de pirataria que relativamente &agrave; maioria dos casos recairiam na sua jurisdi&ccedil;&atilde;o. Em todo o caso, a participa&ccedil;&atilde;o de elementos somalis dever&aacute; ser t&atilde;o extensa quanto poss&iacute;vel. Refira&#45;se que muito do pessoal qualificado necess&aacute;rio pode ser encontrado quer nas universidades somalis, quer na di&aacute;spora somali.</font></p>

	    <p><font face="verdana" size="2">A Sec&ccedil;&atilde;o Criminal seria composta pelas c&acirc;maras, pelo Gabinete do Procurador e pelo Gabinete de Administra&ccedil;&atilde;o (incluindo o Gabinete de Defesa). Assim, as C&acirc;maras seriam divididas em tr&ecirc;s ju&iacute;zos de pr&eacute;&#45;julgamento, tr&ecirc;s C&acirc;maras de Julgamento, compostas por tr&ecirc;s ju&iacute;zes cada, e uma C&acirc;mara de Recurso, com cinco ju&iacute;zes. Os ju&iacute;zes ser&atilde;o nomeados por decis&atilde;o conjunta do secret&aacute;rio&#45;geral das Na&ccedil;&otilde;es Unidas e do TFG sob recomenda&ccedil;&atilde;o de um painel de selec&ccedil;&atilde;o, composto por um juiz de um tribunal internacional no activo ou aposentado, o presidente do Tribunal Supremo de Transi&ccedil;&atilde;o da Som&aacute;lia, um representante do secret&aacute;rio&#45;geral e um representante do TFG. O juiz presidente da C&acirc;mara de Recurso seria igualmente o presidente da Sec&ccedil;&atilde;o Criminal. O&nbsp;presidente da C&acirc;mara de Recurso seria eleito pelos ju&iacute;zes do Tribunal de Recurso.</font></p>

	    <p><font face="verdana" size="2">O Gabinete do Procurador seria chefiado pelo procurador. O procurador seria, por sua vez, coadjuvado por um procurador adjunto. Seriam ambos nomeados por decis&atilde;o conjunta do secret&aacute;rio&#45;geral das Na&ccedil;&otilde;es Unidas e do TFG, sob recomenda&ccedil;&atilde;o do painel de selec&ccedil;&atilde;o acima mencionado. O restante pessoal do Gabinete do Procurador seria nomeado pelo procurador.</font></p>

	    <p><font face="verdana" size="2">O Gabinete da Administra&ccedil;&atilde;o seria chefiado pelo director. O director seria coadjuvado por um director adjunto. Ambos seriam nomeados por decis&atilde;o conjunta pelo secret&aacute;rio&#45;geral das Na&ccedil;&otilde;es Unidas e pelo TFG. O restante pessoal do Gabinete do Procurador seria nomeado pelo director. As responsabilidades do Gabinete da Administra&ccedil;&atilde;o seriam quase inteiramente de natureza administrativa, envolvendo uma s&eacute;rie de fun&ccedil;&otilde;es espec&iacute;ficas, designadamente nas &aacute;reas de recursos humanos, finan&ccedil;as, l&iacute;nguas, gest&atilde;o da Sec&ccedil;&atilde;o Criminal, seguran&ccedil;a, imprensa e rela&ccedil;&otilde;es p&uacute;blicas, divulga&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica e quest&otilde;es relacionadas com a deten&ccedil;&atilde;o.</font></p>

	    <p><font face="verdana" size="2">O Gabinete de Defesa seria um departamento no &acirc;mbito do Gabinete da Administra&ccedil;&atilde;o. O Gabinete de Defesa seria liderado pelo chefe do Gabinete de Defesa. Este seria nomeado por despacho conjunto do director e do presidente da Sec&ccedil;&atilde;o Criminal, sob recomenda&ccedil;&atilde;o do painel de selec&ccedil;&atilde;o acima referido. Os outros funcion&aacute;rios do Gabinete de Defesa seriam nomeados pelo director, sob recomenda&ccedil;&atilde;o do chefe do Gabinete de Defesa. A principal responsabilidade do Gabinete de Defesa seria a de promover os direitos dos suspeitos, dos acusados e seus advogados de defesa, nas fases de pr&eacute;&#45;julgamento, de julgamento, de recurso e de deten&ccedil;&atilde;o. Outras responsabilidades suas incluiriam: manter uma lista de advogados eleg&iacute;veis para serem defensores oficiosos dos suspeitos ou acusados que n&atilde;o tenham meios financeiros para pagar a advogados pr&oacute;prios; identificar advogados que possam ser facilmente designados para a apresenta&ccedil;&atilde;o inicial de suspeitos ou para fazer face a qualquer assunto urgente.</font></p>

	    <p><font face="verdana" size="2">Uma quest&atilde;o que n&atilde;o deve ser confundida com a sua natureza de tribunal h&iacute;brido &eacute; a quest&atilde;o da localiza&ccedil;&atilde;o da Sec&ccedil;&atilde;o Criminal para a Pirataria. O funcionamento do tribunal h&iacute;brido exigir&aacute; equipamentos adequados e condi&ccedil;&otilde;es de seguran&ccedil;a apropriadas. Em primeiro lugar, deve ser devidamente avaliado se a Som&aacute;lia cumpre essas condi&ccedil;&otilde;es. O Escrit&oacute;rio das Na&ccedil;&otilde;es Unidas sobre Drogas e Crime e o Gabinete Pol&iacute;tico das Na&ccedil;&otilde;es Unidas para a Som&aacute;lia poderiam desempenhar um papel primordial nesta tarefa. Em segundo lugar, caso se conclua que a Som&aacute;lia n&atilde;o re&uacute;ne neste momento os requisitos necess&aacute;rios, outro Estado na regi&atilde;o poderia servir de sede para a Sec&ccedil;&atilde;o Criminal Somali, enquanto tribunal recolocado. Para esse efeito, a Som&aacute;lia teria de celebrar um acordo com o pa&iacute;s de acolhimento. Em terceiro lugar, se fosse adoptada a op&ccedil;&atilde;o de recolocar a Sec&ccedil;&atilde;o Criminal, deveria ser estabelecido um roteiro para a transi&ccedil;&atilde;o, temporizada, da Sec&ccedil;&atilde;o Criminal para a Som&aacute;lia.</font></p>

	    ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="verdana" size="2">A Sec&ccedil;&atilde;o Criminal para a Pirataria teria um papel transit&oacute;rio, funcionando at&eacute; que o sistema judicial da Som&aacute;lia tenha condi&ccedil;&otilde;es de cumprir a sua responsabilidade para o julgamento de crimes de pirataria. N&atilde;o dever&aacute; ser estabelecida <i>a priori</i> uma data para o termo da Sec&ccedil;&atilde;o Criminal. O tribunal h&iacute;brido terminaria a sua tarefa quando o sistema judicial da Som&aacute;lia pudesse lidar de forma aut&oacute;noma com o julgamento e deten&ccedil;&atilde;o de criminosos, incluindo piratas. Poderia ser implementado um mecanismo de avalia&ccedil;&atilde;o e acompanhamento para avaliar (tamb&eacute;m) a data do termo do funcionamento da Sec&ccedil;&atilde;o Criminal. Quanto &agrave; aplica&ccedil;&atilde;o <i>ratione tempore</i>, &eacute; sabido que n&atilde;o existe um crime internacional de pirataria. Assim, a Sec&ccedil;&atilde;o Criminal s&oacute; teria jurisdi&ccedil;&atilde;o sobre crimes cometidos ap&oacute;s a entrada em vigor da lei que cria este tribunal h&iacute;brido e que criminaliza a pirataria para o efeito.</font></p>

    <p><font face="verdana" size="2">Finalmente, no que se refere ao financiamento, o acordo a ser celebrado entre as Na&ccedil;&otilde;es Unidas e a Som&aacute;lia dever&aacute; contemplar as quest&otilde;es das despesas com o funcionamento da Sec&ccedil;&atilde;o Criminal, nomeadamente no que diz respeito &agrave; divis&atilde;o de despesas entre as Na&ccedil;&otilde;es Unidas, a comunidade internacional e a Som&aacute;lia. Note&#45;se que a cria&ccedil;&atilde;o do tribunal h&iacute;brido proposto &eacute; provavelmente a solu&ccedil;&atilde;o jurisdicional com a melhor rela&ccedil;&atilde;o custo/benef&iacute;cio. Uma compara&ccedil;&atilde;o com os tribunais penais internacionais existentes pode dar origem a conclus&otilde;es err&oacute;neas. Desde logo porque aqueles tribunais t&ecirc;m compet&ecirc;ncia para julgar crimes de especial gravidade e dimens&atilde;o, nomeadamente quanto ao n&uacute;mero de v&iacute;timas. Os custos com as investiga&ccedil;&otilde;es ou a morosidade inerente ao tipo de casos em causa tornam o seu funcionamento mais dispendioso. Ademais, os entraves pol&iacute;ticos s&atilde;o muito mais constrangedores no caso dos tribunais penais internacionais. Tal n&atilde;o apenas encarece o procedimento criminal, como tamb&eacute;m dificulta o estabelecimento dos tribunais, cujo in&iacute;cio do funcionamento pode demorar v&aacute;rios anos. Estas condicionantes n&atilde;o se verificam no julgamento de um crime de delito comum como a pirataria. Numa outra perspectiva, parece evidente que a comunidade internacional n&atilde;o pode resolver o problema da pirataria sem gastar dinheiro. Assim, sabendo que o estabelecimento de um mecanismo internacional para o julgamento da pirataria seria um instrumento fundamental para enfrentar este desafio, a &ecirc;nfase deve ser colocada nas quest&otilde;es
	do estabelecimento de prioridades e da efici&ecirc;ncia da despesa. As fontes de financiamento poderiam ser encontradas no or&ccedil;amento regular das Na&ccedil;&otilde;es Unidas, no or&ccedil;amento da&nbsp;Som&aacute;lia, no Fundo Fiduci&aacute;rio Constitu&iacute;do pelo Grupo de Contacto sobre a Pirataria&nbsp;ao Largo da Costa da Som&aacute;lia, bem como em contribui&ccedil;&otilde;es volunt&aacute;rias de estados, de&nbsp;organiza&ccedil;&otilde;es internacionais ou de armadores (neste caso, sem atribui&ccedil;&atilde;o espec&iacute;fica).</font></p>

	    <p>&nbsp;</p>
	    <p><font face="verdana" size="2"><b>REFLEX&Otilde;ES CONCLUSIVAS</b></font></p>
    <p><font face="verdana" size="2">Ao longo da hist&oacute;ria, o &laquo;pirata&raquo; sempre foi considerado como o &laquo;inimigo de todos&raquo;, que justificava excep&ccedil;&otilde;es &agrave;s restri&ccedil;&otilde;es ent&atilde;o geralmente impostas pelas leis da guerra<a name="top55"></a><a href="#55"><sup>55</sup></a>. Era o &laquo;inimigo injusto&raquo;, como definido por Kant, com o qual n&atilde;o era poss&iacute;vel a paz e contra o qual todas a na&ccedil;&otilde;es se deveriam unir.</font></p>

    <p><font face="verdana" size="2">Em 2008, ao recrudescimento do fen&oacute;meno da pirataria com base na Som&aacute;lia a comunidade internacional respondeu com uma resposta militar robusta. O fen&oacute;meno n&atilde;o foi inicialmente acompanhado de um discurso que alertasse para a necessidade de se resolver os problemas estruturais da Som&aacute;lia que permitissem uma reac&ccedil;&atilde;o, ao n&iacute;vel local e regional, a esta onda de criminalidade organizada e, mais do que tudo, para a prem&ecirc;ncia da cria&ccedil;&atilde;o de condi&ccedil;&otilde;es socioecon&oacute;micas para a subsist&ecirc;ncia das popula&ccedil;&otilde;es que se dedicam &agrave; pirataria por falta de alternativas econ&oacute;micas l&iacute;citas. Contudo, as&nbsp;rela&ccedil;&otilde;es complexas de factores que est&atilde;o na raiz da pirataria com base na Som&aacute;lia apontam para a necessidade de uma resposta multifacetada para o problema, em que o elemento seguran&ccedil;a &eacute; relevante, embora n&atilde;o dominante. O prop&oacute;sito &uacute;ltimo &eacute; o de recuperar a&nbsp;Som&aacute;lia enquanto Estado capaz de exercer as fun&ccedil;&otilde;es de soberania a todo o territ&oacute;rio, e de criar condi&ccedil;&otilde;es para o desenvolvimento das condi&ccedil;&otilde;es de subsist&ecirc;ncia da sua popula&ccedil;&atilde;o, garantindo o seu bem&#45;estar socioecon&oacute;mico. O combate &agrave; impunidade e o estabelecimento do Estado de direito s&atilde;o duas dimens&otilde;es fundamentais para este prop&oacute;sito estruturador. A cria&ccedil;&atilde;o de um tribunal h&iacute;brido incorporado no sistema jurisdicional da Som&aacute;lia n&atilde;o seria apenas uma contribui&ccedil;&atilde;o importante para o julgamento de&nbsp;suspeitos de pirataria, mas tamb&eacute;m para a luta contra a pirataria num contexto mais amplo, uma vez que contribui para a governa&ccedil;&atilde;o eficaz na Som&aacute;lia, promovendo a cria&ccedil;&atilde;o do Estado de direito e a exist&ecirc;ncia de institui&ccedil;&otilde;es judiciais eficazes.</font></p>

	    <p><font face="verdana" size="2">A implementa&ccedil;&atilde;o de um modelo como o ora proposto seria a primeira experi&ecirc;ncia deste tipo ao n&iacute;vel internacional. Significaria, tamb&eacute;m, a cria&ccedil;&atilde;o de uma nova ferramenta de <i>peacebuilding</i> para a capacita&ccedil;&atilde;o jurisdicional de estados em colapso. Ferramenta essa, que teria de ser necessariamente flex&iacute;vel para se adaptar &agrave; realidade local e &agrave; vontade dos locais. Deste modo, indo um pouco mais al&eacute;m nesta reflex&atilde;o, a experi&ecirc;ncia proposta para a Som&aacute;lia no que respeita &agrave; supera&ccedil;&atilde;o do fen&oacute;meno da pirataria enquanto crime organizado transnacional poder&aacute; ser estendida a outras situa&ccedil;&otilde;es em que o Estado tenha estruturas governativas em colapso e, por essa raz&atilde;o, seja base para a pr&aacute;tica de&nbsp;criminalidade organizada transnacional de delito comum, designadamente tr&aacute;fico de seres humanos, tr&aacute;fico de armas ou produ&ccedil;&atilde;o de droga e narcotr&aacute;fico. Esta linha estrat&eacute;gica proposta apoiada em solu&ccedil;&otilde;es jurisdicionais pode constituir uma solu&ccedil;&atilde;o a considerar no combate contra formas de criminalidade organizada trans&#45;
	nacional com&nbsp;origem em estados em colapso. Contudo, em qualquer caso, importa ter presente que, idealmente, qualquer interven&ccedil;&atilde;o externa dever&aacute; limitar&#45;se o mais poss&iacute;vel a fomentar e apoiar uma forte din&acirc;mica interna pol&iacute;tico&#45;social<a name="top56"></a><a href="#56"><sup>56</sup></a> liderada pelos actores locais<a name="top57"></a><a href="#57"><sup>57</sup></a>. </font></p>

    <p>&nbsp;</p>

    <p><font face="verdana" size="2"><b>NOTAS</b></font></p>

    <p><font face="verdana" size="2"><a name="1"></a><a href="#top1"><sup>1</sup></a> IMO: INTERNATIONAL MARITIME ORGANIZATION &#150; <i>Reports on Acts of Piracy and Armed Robbery against Ships &#150; Annual Report: 2009</i>. IMO: Maritime Safety Committee Document MSC.4/Circ.152 of 29 March 2010; IMO: International Maritime Organization &#150; <i>Reports on Acts of Piracy and Armed Robbery against Ships &#150; First Quarterly Report</i>. IMO Maritime Safety Committee Document MSC.4/Circ.153 of 9 June 2010; IMO: International Maritime Organization &#150; <i>Reports on Acts of Piracy and Armed Robbery against Ships &#150; Second Quarterly Report</i>. IMO Maritime Safety Committee Document MSC.4/Circ.162 of 1 November 2010; IMO: International Maritime Organization &#150; <i>Reports on Acts of Piracy and Armed Robbery against Ships &#150; Third Quarterly Report</i>. IMO Maritime Safety Committee Document MSC.4/Circ.163 of 1 November 2010; IMO: International Maritime Organization &#150; <i>Reports on Acts of Piracy and Armed Robbery against Ships &#150; Acts Reported During October 2010</i>. IMO Maritime Safety Committee Document MSC.4/Circ.161 of 4 November 2010; IMO: International Maritime Organization &#150; <i>Reports on Acts of Piracy and Armed Robbery against Ships &#150; Acts Reported During November 2010</i>. IMO Maritime Safety Committee Document MSC.4/Circ.164 of 3 December 2010.</font></p>

    ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="verdana" size="2"><sup><a name="2"></a><a href="#top2">2</a></sup> EUNAVFOR: EUROPEAN UNION NAVAL FORCE SOMALIA &#150; <i>Stateboard of Currently Pirated Vessels and where the Pirating took Place: 14.03.2011</i>. &#91;Consultado em: 14 de Mar&ccedil;o de 2011&#93;. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.eunavfor.eu/downloads" target="_blank">www.eunavfor.eu/downloads</a></font></p>

    <p><font face="verdana" size="2"><sup><a name="3"></a><a href="#top3">3</a></sup> Anualmente, cerca de 22 mil navios cruzam a regi&atilde;o do golfo de Adem, transportando cerca de oito por cento da carga do com&eacute;rcio mundial, incluindo mais de 12 por cento do volume total de petr&oacute;leo transportado por mar (Fonte: imo).</font></p>

    <p><font face="verdana" size="2"><sup><a name="4"></a><a href="#top4">4</a></sup> MGS: MONITORING GROUP ON SOMALIA &#150; &laquo;Report of the Monitoring Group on Somalia&raquo;. United Nations Security Council Document S/2008/769 of 10 December 2008, 6.</font></p>

    <p><font face="verdana" size="2"><sup><a name="5"></a><a href="#top5">5</a></sup> Para uma an&aacute;lise das raz&otilde;es que levaram ao colapso do Estado na Som&aacute;lia cf. HUSSEIN, Adam &#150; &laquo;Somalia: a terrible beauty being born?&raquo;. In <i>Collapsed States: The Disintegration and Restoration of Legitimate Authority</i>. Boulder: Lynne Rienner Publishers, 1995, pp. 69&#45;89.</font></p>

    <p><font face="verdana" size="2"><sup><a name="6"></a><a href="#top6">6</a></sup> WRI: WORLD RESOURCES INSTITUTE (2009) &#150; &laquo;Piracy and Governance in the Gulf of Aden&raquo;. &#91;Consultado em: 2 de Mar&ccedil;o de 2010&#93;. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://earthtrends.wri.org/updates/node/358" target="_blank">http://earthtrends.wri.org/updates/node/358</a></font></p>

    <!-- ref --><p><font face="verdana" size="2"><sup><a name="7"></a><a href="#top7">7</a></sup> O conceito &laquo;Estado em colapso&raquo; &eacute; utilizado neste artigo num sentido gen&eacute;rico, procurando propositadamente evitar a express&atilde;o pol&eacute;mica &laquo;Estado falhado&raquo;, a qual n&atilde;o se pretende aqui debater. Para efeitos do presente artigo, a express&atilde;o &laquo;Estado em colapso&raquo; compreende, de uma perspectiva jur&iacute;dica e pol&iacute;tica, tr&ecirc;s caracter&iacute;sticas: a implos&atilde;o das estruturas de poder e autoridade, bem como a desintegra&ccedil;&atilde;o e desestrutura&ccedil;&atilde;o do Estado; a fal&ecirc;ncia total ou quase total das estruturas que garantam a ordem p&uacute;blica e a aplica&ccedil;&atilde;o do direito; a aus&ecirc;ncia de &oacute;rg&atilde;os capazes de representar o Estado no seu todo ao n&iacute;vel internacional (T&Uuml;RER, Daniel &#150; &laquo;The "Failed State" and international law&raquo;. In <i>International Review of the Red Cross</i>. Genebra. N.&ordm; 836, 1999, pp. 731&#45;761).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000088&pid=S1645-9199201100030001100001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --> Sobre o conceito ver ainda: CALL, Charles &#150; &laquo;Beyond the "Failed State": toward conceptual alternatives&raquo;. In <i>European Journal of International Relations</i>. Londres. Vol.&nbsp;20, N.&ordm;&nbsp;10, 2010, pp. 1&#45;14;    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000089&pid=S1645-9199201100030001100002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --> JONES, Branwen &#150; &laquo;The global political economy of social crisis: towards a critique of the "failed state" ideology&raquo;. In <i>Review of International Political Economy</i>. Abingdon. Vol.&nbsp;15, N.&ordm;&nbsp;2, 2008, pp. 180&#45;205;    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000090&pid=S1645-9199201100030001100003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --> ROTBERG, Robert &#150; &laquo;Failed states, collapsed states, weak states: causes and indicators&raquo;. In <i>State Failure and State Weakness in a Time of Terror</i>. Washington: Brooking Institution Press, 2003, pp. 1&#45;25.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000091&pid=S1645-9199201100030001100004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>

    ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font face="verdana" size="2"><sup><a name="8"></a><a href="#top8">8</a></sup> ZARTMAN, Ira &#150; &laquo;Introduction: posing the problem of state collapse&raquo;. In <i>Collapsed States: The Disintegration and Restoration of Legitimate Authority</i>. Boulder: Lynne Rienner Publishers, 1995, pp. 1&#45;11.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000093&pid=S1645-9199201100030001100005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>

    <!-- ref --><p><font face="verdana" size="2"><sup><a name="9"></a><a href="#top9">9</a></sup> Sobre o tema ver, entre outros, WEISS, Thomas &#150; <i>Humanitarian Intervention: Ideas in Action</i>. Cambridge: Polity Press, 2007;    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000095&pid=S1645-9199201100030001100006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --> BELLAMY, Alex, e DAVIES, Sara &#150; <i>Global Politics and the Responsibility to Protect: From Words to Deeds</i>. Abingdon: Routledge, 2011.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000096&pid=S1645-9199201100030001100007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>

    <!-- ref --><p><font face="verdana" size="2"><sup><a name="10"></a><a href="#top10">10</a></sup> Sobre o tema ver, entre outros, PARIS, Roland, e SISK, Timothy (eds.) &#150; <i>The Dilemmas of Statebuilding: Confronting the Contradictions of Postwar Peace Operations</i>. Abingdon: Routledge, 2008.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000098&pid=S1645-9199201100030001100008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>

    <!-- ref --><p><font face="verdana" size="2"><sup><a name="11"></a><a href="#top11">11</a></sup> Sobre o tema ver, entre outros, YOUNG, Robert &#150; <i>Postcolonialism: an Historical Introduction</i>. Oxford: Blackwell Publishers, 2001.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000100&pid=S1645-9199201100030001100009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>

    <!-- ref --><p><font face="verdana" size="2"><sup><a name="12"></a><a href="#top12">12</a></sup> KOSKENM&Auml;KI, Riikka &#150; &laquo;Legal implications resulting from state failure in light of the case of somalia&raquo;. In <i>Nordic Journal of International Law</i>. The Hague. N.&ordm;&nbsp;73, 2004, pp. 1&#45;36.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000102&pid=S1645-9199201100030001100010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>

    <!-- ref --><p><font face="verdana" size="2"><sup><a name="13"></a><a href="#top13">13</a></sup> Walter Clarke e Robert Gosende sublinhavam, em 2003, a possibilidade de a Som&aacute;lia se tornar um ref&uacute;gio para os terroristas no p&oacute;s&#45;11 de Setembro (CLARKE, Walter, e GOSENDE, Robert &#150; &laquo;Somalia: can a collapsed State reconstitute itself?&raquo;. In <i>State Failure and State Weakness in a Time of Terror</i>. Washington: Brooking Institution Press, 2003, pp. 129&#45;158).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000104&pid=S1645-9199201100030001100011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --> Em 2004, Kenneth Menkhaus defendia, em contr&aacute;rio, que a falta de uma autoridade central que pudesse servir de anfitri&atilde; a grupos terroristas e as pr&oacute;prias din&acirc;micas internas de poder tornavam a Som&aacute;lia um local improv&aacute;vel para servir de base a este tipo de grupos no p&oacute;s&#45;11 de Setembro: MENKHAUS, Kenneth &#150; <i>Somalia: State Collapse and the Threat of Terrorism</i>. Oxford: Oxford University Press for International Institute for Strategic Studies, 2004.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000105&pid=S1645-9199201100030001100012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --> Em todo o caso, o autor afasta&#45;se, mais tarde, desta sua posi&ccedil;&atilde;o (MENKHAUS, Kenneth &#150; &laquo;Stabilisation and humanitarian access in a collapsed State: the Somali case&raquo;. In <i>Disasters</i>. Bognor Regis. Vol.&nbsp;34, N.&ordm; sup. 3, 2010, pp. 320&#45;341).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000106&pid=S1645-9199201100030001100013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>

    <p><font face="verdana" size="2"><sup><a name="14"></a><a href="#top14">14</a></sup> KOSKENM&Auml;KI, Riikka &#150; &laquo;Legal implications resulting from state failure in light of the case of somalia&raquo;.</font></p>

    <p><font face="verdana" size="2"><sup><a name="15"></a><a href="#top15">15</a></sup> FUND FOR PEACE &#150; <i>The Failed State Index 2010</i>. &#91;Consultado em: 14 de Mar&ccedil;o de 2011&#93;. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.foreignpolicy.com/articles/2010/06/21/2010_failed_states_index_interactive_map_and_rankings" target="_blank">www.foreignpolicy.com/articles/2010/06/21/2010_failed_states_index_interactive_map_and_rankings</a></font></p>

    <p><font face="verdana" size="2"><sup><a name="16"></a><a href="#top16">16</a></sup> Sobre o assunto ver a nota 7 <i>supra</i>.</font></p>

    <p><font face="verdana" size="2"><sup><a name="17"></a><a href="#top17">17</a></sup> United Nations Security Council Document S/2011/30 of 25 January 2011.</font></p>

    <p><font face="verdana" size="2"><sup><a name="18"></a><a href="#top18">18</a></sup> MGS: MONITORING GROUP ON SOMALIA &#150; &laquo;Report of the Monitoring Group on Somalia&raquo;. United Nations Security Council Document S/2008/769 of 10 December 2008.</font></p>

    ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="verdana" size="2"><sup><a name="19"></a><a href="#top19">19</a></sup> United Nations Security Council Resolution S/RES/1816 of 2 June 2008.</font></p>

    <!-- ref --><p><font face="verdana" size="2"><sup><a name="20"></a><a href="#top20">20</a></sup> GUILFOYLE, Douglas &#150; <i>Shipping Interdiction and the Law of the Sea</i>. Cambridge: Cambridge University Press, 2009;    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000114&pid=S1645-9199201100030001100014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --> OLIVEIRA, Gilberto &#150; <i>Pirataria na Som&aacute;lia e Paz Internacional </i>&#91;Consultado em: 2 de Mar&ccedil;o de 2010&#93;. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://cabodostrabalhos.ces.uc.pt/n3/documentos/4_Gilberto_Oliveira.pdf" target="_blank">http://cabodostrabalhos.ces.uc.pt/n3/documentos/4_Gilberto_Oliveira.pdf</a></font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000115&pid=S1645-9199201100030001100015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p><font face="verdana" size="2"><sup><a name="21"></a><a href="#top21">21</a></sup> Cf. artigo 101.&ordm; da UNCLOS.</font></p>

    <p><font face="verdana" size="2"><sup><a name="22"></a><a href="#top22">22</a></sup> United Nations Security Council Resolutions S/RES/1816 of 2 June 2008, S/RES/
	/1851 of 16 December 2008.</font></p>

    <!-- ref --><p><font face="verdana" size="2"><sup><a name="23"></a><a href="#top23">23</a></sup> Sobre o assunto ver, entre outros: RENWICK, Neil, e ABBOTT, Jason &#150; &laquo;Piratical violence and maritime security in Southeast Asia&raquo;. In <i>Security Dialogue</i>. Londres. Vol. 30, N.&ordm; 2, 1999, pp. 183&#45;196;    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000118&pid=S1645-9199201100030001100016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --> BATEMAN <i>et al</i>. &#150; <i>Safety and Security in the Malacca and Singapore Straits: An Agenda for Action</i>. &#91;Consultado em: 2 de Mar&ccedil;o de 2009&#93;. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.isn.ethz.ch/isn/Digital&#45;Library/Publications/Detail/?ots591=0C54E3B3&#45;1E9C&#45;BE1E&#45;2C24&#45;A6A8C7060233&amp;lng=en&amp;id=26417" target="_blank">www.isn.ethz.ch/isn/Digital-Library/Publications/Detail/?ots591=0C54E3B3-1E9C-BE1E-2C24-A6A8C7060233&lng=en&id=26417</a></font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000119&pid=S1645-9199201100030001100017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p><font face="verdana" size="2"><sup><a name="24"></a><a href="#top24">24</a></sup> United Nations Security Council Resolution S/RES/1846 of 2 December 2008, &sect;10 do pre&acirc;mbulo.</font></p>

    <!-- ref --><p><font face="verdana" size="2"><sup><a name="25"></a><a href="#top25">25</a></sup> OLIVEIRA, Gilberto &#150; Pirataria na Som&aacute;lia e Paz Internacional.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000121&pid=S1645-9199201100030001100018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>

    ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font face="verdana" size="2"><sup><a name="26"></a><a href="#top26">26</a></sup> Sobre a &laquo;teoria da securitiza&ccedil;&atilde;o&raquo; cf.: BUZAN, Barry et al. &#150; <i>Security: A New Framework for Analysis</i>. Boulder: Lynne Rienner Publishers, 1998;    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000123&pid=S1645-9199201100030001100019&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --> W&AElig;VER, Ole &#150; &laquo;Securitization and desecuritization&raquo;. In <i>On Security</i>. Nova York: Columbia University Press, 1995, pp.&nbsp;46&#45;86;    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000124&pid=S1645-9199201100030001100020&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --> W&AElig;VER, Ole &#150; <i>Securitization: Taking Stock of a Research Program in security studies</i>. &#91;Consultado em: 1 de Mar&ccedil;o de 2010&#93;. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.docstoc.com/docs/906178/securiti zation&#45;diagram" target="_blank">www.docstoc.com/docs/906178/securiti zation-diagram</a></font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000125&pid=S1645-9199201100030001100021&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="verdana" size="2"><sup><a name="27"></a><a href="#top27">27</a></sup> GEISS, Robin &#150; &laquo;Armed violence in fragile states&raquo;. In <i>International Review of the Red Cross</i>. Cambridge. Vol.&nbsp;91, N.&ordm;&nbsp;873, 2009, pp. 127&#45;142.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000126&pid=S1645-9199201100030001100022&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>

    <p><font face="verdana" size="2"><sup><a name="28"></a><a href="#top28">28</a></sup> United Nations Security Council Document S/2009/590 of 13 November 2009, &sect;95.</font></p>

    <!-- ref --><p><font face="verdana" size="2"><sup><a name="29"></a><a href="#top29">29</a></sup> KOWALSKI, Mateus &#150; &laquo;ONU: a reforma para a paz&raquo;. In <i>Revista da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa</i>. Lisboa. Vol.&nbsp;46, N.&ordm; 1, 2005, pp. 121&#45;167.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000129&pid=S1645-9199201100030001100023&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>

    <!-- ref --><p><font face="verdana" size="2"><sup><a name="30"></a><a href="#top30">30</a></sup> GIZELIS, Theodora&#45;Ismene, e KOSEK, Kristin (2005) &#150; &laquo;Why humanitarian interventions succeed or fail: the role of local participation&raquo;. In <i>Cooperation and Conflict</i>. London. Vol. 40, N.&ordm; 4, 2005, pp.&nbsp;363&#45;383.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000131&pid=S1645-9199201100030001100024&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>

    ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font face="verdana" size="2"><sup><a name="31"></a><a href="#top31">31</a></sup> HO, Joshua &#150; &laquo;Piracy around the Horn of Africa&raquo;. In <i>Korean Journal of Defense Analysis</i>. Abingdon. Vol. 21, N.&ordm; 4, 2009, pp.&nbsp;501&#45;518.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000133&pid=S1645-9199201100030001100025&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>

    <!-- ref --><p><font face="verdana" size="2"><sup><a name="32"></a><a href="#top32">32</a></sup> WADHAMS, Nicholas &#150; &laquo;Down and out in Nairobi: Somali pirates in retirement&raquo;. In <i>Time</i>. Nova York. Vol. 175, N.&ordm; 15, 2010, p. 6.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000135&pid=S1645-9199201100030001100026&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --> PARSELELO, Kantai &#150; <i>The Hunt for Pirate Treasure</i>. &#91;Consultado em: 14 de Mar&ccedil;o de 2011&#93;. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.theafricareport.com/archives2/frontlines/3300033&#45;somalia&#45;the&#45;hunt&#45;for&#45;pirate&#45;treasure.html" target="_blank">www.theafricareport.com/archives2/frontlines/3300033-somalia-the-hunt-for-pirate-treasure.html</a></font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000136&pid=S1645-9199201100030001100027&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="verdana" size="2"><sup><a name="33"></a><a href="#top33">33</a></sup> GILPIN, Raymond &#150; <i>Counting the Costs of Somali Piracy</i>. &#91;Consultado em: 14 de Mar&ccedil;o de 2011&#93;. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.usip.org/files/resources/1_0.pdf" target="_blank">http://www.usip.org/files/resources/1_0.pdf</a>, nota 18.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000137&pid=S1645-9199201100030001100028&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>

    <!-- ref --><p><font face="verdana" size="2"><sup><a name="34"></a><a href="#top34">34</a></sup> HANSEN, Stig &#150; <i>Piracy in the Greater Gulf of Aden: Myths, Misconception and Remedies</i>. &#91;Consultado em: 24 de Fevereiro de 2010&#93;. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.nibr.no/uploads/publications/26b0226ad4177819779c2805e91c670d.pdf" target="_blank">www.nibr.no/uploads/publications/26b0226ad4177819779c2805e91c670d.pdf</a></font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000139&pid=S1645-9199201100030001100029&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p><font face="verdana" size="2"><sup><a name="35"></a><a href="#top35">35</a></sup> United Nations Security Council Document S/2011/30 of 25 January 2011.</font></p>

    <p><font face="verdana" size="2"><sup><a name="36"></a><a href="#top36">36</a></sup> ICG: INTERNATIONAL CRISIS GROUP &#150; <i>Somalia: The Transitional Government on Life Support</i>. &#91;Consultado em: 12 de Mar&ccedil;o de 2011&#93;. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.crisisgroup.org/~/media/Files/africa/horn-of-africa/somalia/170%20Somalia%20The%20Transitional%20Government%20on%20Life%20Support.ashx" target="_blank">http://www.crisisgroup.org/~/media/Files/africa/horn-of-africa/somalia/170%20Somalia%20The%20Transitional%20Government%20on%20Life%20Support.ashx</a>.</font></p>

    <p><font face="verdana" size="2"><sup><a name="37"></a><a href="#top37">37</a></sup> United Nations Security Council Document S/2010/675 of 30 December 2010.</font></p>

    ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="verdana" size="2"><sup><a name="38"></a><a href="#top38">38</a></sup> ICG: INTERNATIONAL CRISIS GROUP &#150; <i>Somalia: The Transitional Government on Life Support</i>. &#91;Consultado em: 12 de Mar&ccedil;o de 2011&#93;. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.crisisgroup.org/~/media/Files/africa/horn-of-africa/somalia/170%20Somalia%20The%20Transitional%20Government%20on%20Life%20Support.ashx" target="_blank">http://www.crisisgroup.org/~/media/Files/africa/horn-of-africa/somalia/170%20Somalia%20The%20Transitional%20Government%20on%20Life%20Support.ashx</a></font></p>

    <!-- ref --><p><font face="verdana" size="2"><sup><a name="39"></a><a href="#top39">39</a></sup> BRADBURY, Mark &#150; <i>State&#45;Building, Counterterrorism, and Licensing Humanitarianism in Somalia</i>. &#91;Consultado em: 14 de Mar&ccedil;o de 2011&#93;. Dispon&iacute;vel em: <a href="https://wikis.uit.tufts.edu/confluence/download/attachments/38356065/Bradbury&#45;Somalia.pdf?version=1&amp;modificationDate=1286983770000" target="_blank">https://wikis.uit.tufts.edu/confluence/download/attachments/38356065/Bradbury-Somalia.pdf?version=1&modificationDate=1286983770000</a>;    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000144&pid=S1645-9199201100030001100030&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --> MENKHAUS, Kenneth &#150; &laquo;Stabilisation and humanitarian access in a collapsed State: the Somali case&raquo;. In <i>Disasters</i>. Bognor Regis.Vol. 34, N.&ordm; sup.&nbsp;3, 2010, pp. 320&#45;341.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000145&pid=S1645-9199201100030001100031&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>

    <p><font face="verdana" size="2"><sup><a name="40"></a><a href="#top40">40</a></sup> IGAD: INTERGOVERNMENTAL AUTHORITY ON DEVELOPMENT &#150; <i>Somaliland and Puntland&rsquo;s Cooperation to be Strengthened</i>. &#91;Consultado em: 14 de Mar&ccedil;o de 2011&#93;. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://igad.int/index.php?option=com_content&amp;view=article&amp;id=271:somaliland&#45;and&#45;puntlands&#45;cooperation&#45;to&#45;be&#45;strenghened&amp;catid=66:somalia&amp;Itemid=179" target="_blank">http://igad.int/index.php?option=com_content&view=article&id=271:somaliland-and-puntlands-cooperation-to-be-strenghened&catid=66:somalia&Itemid=179</a></font></p>

    <p><font face="verdana" size="2"><sup><a name="41"></a><a href="#top41">41</a></sup> United Nations Security Council Document S/2010/556 of 27 October 2010.</font></p>

    <p><font face="verdana" size="2"><sup><a name="42"></a><a href="#top42">42</a></sup> United Nations Security Council Resolution S/RES/1918 of 27 April 2010.</font></p>

    <p><font face="verdana" size="2"><sup><a name="43"></a><a href="#top43">43</a></sup> United Nations Security Council Document S/2010/394 of 26 July 2010.</font></p>

    <p><font face="verdana" size="2"><sup><a name="44"></a><a href="#top44">44</a></sup> United Nations Security Council Document S/2011/30 of 25 January 2011.</font></p>

    <p><font face="verdana" size="2"><sup><a name="45"></a><a href="#top45">45</a></sup> Ver a transcri&ccedil;&atilde;o das interven&ccedil;&otilde;es, por exemplo, dos Estados Unidos e do Reino Unido no Conselho de Seguran&ccedil;a por ocasi&atilde;o do debate do relat&oacute;rio &#150; United Nations Security Council Document S/PV.6473 of 25 January 2011.</font></p>

    ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="verdana" size="2"><sup><a name="46"></a><a href="#top46">46</a></sup> Estabelecido pela Resolu&ccedil;&atilde;o do Conselho de Seguran&ccedil;a das Na&ccedil;&otilde;es Unidas S/RES/827, de 25 de Maio de 1993.</font></p>

    <p><font face="verdana" size="2"><sup><a name="47"></a><a href="#top47">47</a></sup> Estabelecido pela Resolu&ccedil;&atilde;o do Conselho de Seguran&ccedil;a das Na&ccedil;&otilde;es Unidas S/RES/955, de 8 de Novembro de 1994.</font></p>

    <p><font face="verdana" size="2"><sup><a name="48"></a><a href="#top48">48</a></sup> Estabelecido pelo Acordo entre as Na&ccedil;&otilde;es Unidas e o Governo da Serra Leoa para o Estabelecimento de um Tribunal Especial para a Serra Leoa, assinado a 16 de Janeiro de 2002.</font></p>

    <p><font face="verdana" size="2"><sup><a name="49"></a><a href="#top49">49</a></sup> Estabelecido pelo Acordo entre as Na&ccedil;&otilde;es Unidas e o Real Governo do Camboja relativo ao Julgamento nos termos da Lei Cambojana dos Crimes Cometidos durante o Per&iacute;odo da Kampuchea Democr&aacute;tica, assinado a 6 de Junho de 2003.</font></p>

    <p><font face="verdana" size="2"><sup><a name="50"></a><a href="#top50">50</a></sup> Estabelecido pela Resolu&ccedil;&atilde;o do Conselho de Seguran&ccedil;a das Na&ccedil;&otilde;es Unidas S/RES/1757, de 30 de Maio de 2007.</font></p>

    <p><font face="verdana" size="2"><sup><a name="51"></a><a href="#top51">51</a></sup> Cumpre referir que o artigo 61.&ordm;, n.&ordm;&nbsp;5, da Carta Transit&oacute;ria Federal da Rep&uacute;blica da Som&aacute;lia estabelece que o Parlamento aprovar&aacute; a legisla&ccedil;&atilde;o respeitante &agrave; estrutura e composi&ccedil;&atilde;o do Supremo Tribunal.</font></p>

    <p><font face="verdana" size="2"><sup><a name="52"></a><a href="#top52">52</a></sup> Esta solu&ccedil;&atilde;o est&aacute; conforme &agrave; Carta Transit&oacute;ria Federal da Rep&uacute;blica da Som&aacute;lia uma vez que n&atilde;o implica a cria&ccedil;&atilde;o de um tribunal extraordin&aacute;rio ou especial aut&oacute;nomo, mas antes a cria&ccedil;&atilde;o de uma Sec&ccedil;&atilde;o Especial num tribunal j&aacute; existente (cf. artigo 57.&ordm; da Carta Transit&oacute;ria Federal).</font></p>

    <p><font face="verdana" size="2"><sup><a name="53"></a><a href="#top53">53</a></sup> O artigo 7.&ordm; da Carta Transit&oacute;ria Federal da Rep&uacute;blica da Som&aacute;lia estabelece que o somali (<i>Maay e Maxaatiri</i>) e o ar&aacute;bico s&atilde;o as l&iacute;nguas oficiais da Som&aacute;lia. O ingl&ecirc;s e o italiano s&atilde;o segundas l&iacute;nguas do TFG.</font></p>

    <p><font face="verdana" size="2"><sup><a name="54"></a><a href="#top54">54</a></sup> Cf. artigo 101.&ordm; da UNCLOS.</font></p>

    <!-- ref --><p><font face="verdana" size="2"><sup><a name="55"></a><a href="#top55">55</a></sup> HELLER&#45;ROAZEN, Daniel &#150; <i>The Enemy of All: Piracy and the Law of Nations</i>. Nova York: Zone Books, 2009.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000162&pid=S1645-9199201100030001100032&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>

    <!-- ref --><p><font face="verdana" size="2"><sup><a name="56"></a><a href="#top56">56</a></sup> JEONG, Ho&#45;Won &#150; <i>Peacebuilding in Postconflict Societies: Strategy and Process. Boulder</i>: Lynne Rienner, 2005.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000164&pid=S1645-9199201100030001100033&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>

    <!-- ref --><p><font face="verdana" size="2"><sup><a name="57"></a><a href="#top57">57</a></sup> BRAHIMI, Lakhdar &#150; <i>State Building in Crisis and Post&#45;Conflict Countries</i>. &#91;Consultado em: 4 de Junho de 2009&#93;. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://unpan1.un.org/intradoc/groups/public/documents/UN/UNPAN026305.pdf" target="_blank">http://unpan1.un.org/intradoc/groups/public/documents/UN/UNPAN026305.pdf</a></font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000166&pid=S1645-9199201100030001100034&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> ]]></body><back>
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