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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Portugal no contexto da crise do euro]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[The Portuguese successful superation of the current crisis depends on its decisions but also on the financial stabilization of the euro area and how the European Union continues to address it. The economic, political, and institutional roots of this crisis can be found not only within the most affected countries but also in the construct and in the political management of the euro area as a whole. Despite the Portuguese structural problems and imbalances the contagion effects are obvious from the crisis timeline. Stopping contagion and preserving the stability of the whole area is the Union&#8217;s most pressing objective.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p><b>Portugal no contexto da crise do euro</b><a name="top1" id="top1"></a><a href="#1"><sup>1</sup></a> </p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Pedro Lourtie</b></p>     <p>Diplomata de carreira e economista de forma&ccedil;&atilde;o. Licenciou-se em Economia pelo iseg, e completou o mestrado em Estudos Econ&oacute;micos Europeus no Col&eacute;gio da Europa, em Bruges, onde foi assistente de investiga&ccedil;&atilde;o. Na carreira diplom&aacute;tica desde 1995, serviu na Direc&ccedil;&atilde;o de Servi&ccedil;os das Organiza&ccedil;&otilde;es Pol&iacute;ticas Multilaterais do Minist&eacute;rio dos Neg&oacute;cios Estrangeiros (1995) e foi assessor do secret&aacute;rio de Estado dos Assuntos Europeus (1995-1999). Desempenhou fun&ccedil;&otilde;es na Representa&ccedil;&atilde;o Permanente de Portugal junto da UE (1999-2004) e na Delega&ccedil;&atilde;o da Comiss&atilde;o Europeia em Washington DC (2004-2005). Foi adjunto diplom&aacute;tico do primeiro-ministro (2005-2006), chefe de gabinete do primeiro-ministro (2006-2009) e secret&aacute;rio de Estado dos Assuntos Europeus no XVIII Governo Constitucional (2009-2011). Nessa qualidade, presidiu &agrave; Comiss&atilde;o Nacional dos Direitos Humanos (2010-2011).</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>RESUMO</p>     <p>O  sucesso de Portugal na supera&ccedil;&atilde;o da crise depende n&atilde;o apenas das suas decis&otilde;es, mas tamb&eacute;m da estabiliza&ccedil;&atilde;o financeira da zona euro e da forma como a Uni&atilde;o Europeia continuar a gerir a crise. As origens econ&oacute;micas, pol&iacute;ticas e institucionais da crise podem ser encontradas n&atilde;o s&oacute; nos pa&iacute;ses mais afectados mas tamb&eacute;m na constru&ccedil;&atilde;o e gest&atilde;o pol&iacute;tica da zona euro no seu todo. Apesar dos problemas e desequil&iacute;brios estruturais da economia portuguesa, uma an&aacute;lise temporal da crise demonstra o efeito de cont&aacute;gio. Travar este cont&aacute;gio e preservar a estabilidade da zona euro s&atilde;o os objectivos mais urgentes da Uni&atilde;o.</p>     <p><b>Palavras-chave:</b> Crise econ&oacute;mica, Uni&atilde;o Europeia, Portugal, Gr&eacute;cia</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Understanding Portugal in the context of the euro crisis</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>ABSTRACT</p>     <p>The Portuguese successful superation of the current crisis depends on its decisions but also on the financial stabilization of the euro area and how the European Union continues to address it. The economic, political, and institutional roots of this crisis can be found not only within the most affected countries but also in the construct and in the political management of the euro area as a whole. Despite the Portuguese structural problems and imbalances the contagion effects are obvious from the crisis timeline. Stopping contagion and preserving the stability of the whole area is the Union’s most pressing objective. </p>     <p><b>Keywords:</b> Economic crisis, European Union, Portugal, Greece</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>No dia 7 de Abril de 2011, Portugal tornou-se o terceiro Estado-membro da zona euro a pedir ajuda financeira internacional da Uni&atilde;o Europeia (UE) e do Fundo Monet&aacute;rio Internacional (FMI). Cerca de um ano depois de a UE ter aprovado o primeiro pacote de ajuda financeira &agrave; Gr&eacute;cia, e cinco meses depois de a Irlanda ter pedido ajuda financeira ao abrigo dos mecanismos tempor&aacute;rios que entretanto tinham sido criados pela UE (o Mecanismo Europeu de Estabiliza&ccedil;&atilde;o Financeira, MEEF) e pela zona euro (Fundo Europeu de Estabilidade Financeira, FEEF), Portugal deixou de conseguir resistir &agrave; press&atilde;o dos mercados sobre as condi&ccedil;&otilde;es de financiamento da sua economia.</p>     <p>Durante o ano anterior, as autoridades portuguesas tinham tentado resistir a este desfecho no contexto de uma crise da d&iacute;vida soberana na zona euro e da crescente press&atilde;o dos mercados sobre as economias mais vulner&aacute;veis. Com o objectivo de retirar ila&ccedil;&otilde;es da experi&ecirc;ncia portuguesa, este artigo testemunha o contexto e os eventos que marcaram o per&iacute;odo anterior ao pedido portugu&ecirc;s de ajuda financeira. Ainda que se baseie em informa&ccedil;&atilde;o e relatos que s&atilde;o do dom&iacute;nio p&uacute;blico, este testemunho &eacute; o de quem observou de perto os acontecimentos. A primeira parte considera os factores que marcaram as diferentes percep&ccedil;&otilde;es da crise, e que acabaram por ter uma influ&ecirc;ncia consider&aacute;vel sobre a gest&atilde;o pol&iacute;tica da crise da d&iacute;vida soberana na UE. A segunda parte analisa a situa&ccedil;&atilde;o econ&oacute;mica em Portugal, olhando em particular para os desenvolvimentos anteriores &agrave; crise, durante o per&iacute;odo 2002-2008. A terceira parte apresenta o desenrolar da crise numa perspectiva portuguesa, tendo em conta as decis&otilde;es europeias e as reac&ccedil;&otilde;es dos mercados. Por fim, tentamos retirar conclus&otilde;es da experi&ecirc;ncia portuguesa e examinar as condi&ccedil;&otilde;es econ&oacute;micas e pol&iacute;ticas para a implementa&ccedil;&atilde;o em Portugal do actual programa de ajustamento econ&oacute;mico e financeiro.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>A CRISE NA ZONA EURO E AS CRISES NACIONAIS</b></p>     <p>A gest&atilde;o pol&iacute;tica da crise na UE e na zona euro foi influenciada pela exist&ecirc;ncia de percep&ccedil;&otilde;es divergentes acerca da mesma. Em especial nos pa&iacute;ses da Europa Central e do Norte, nem todos os l&iacute;deres pol&iacute;ticos concordavam que esta era de facto uma crise da zona euro. Frequentemente, a situa&ccedil;&atilde;o era (e ainda &eacute;) vista como uma crise dos estados mais gastadores. Isto &eacute; parcialmente verdade. Os pa&iacute;ses com d&eacute;fices e d&iacute;vidas p&uacute;blicas mais elevadas foram e continuam a ser os mais vulner&aacute;veis &agrave; crise. Por&eacute;m, esta percep&ccedil;&atilde;o obscurece um ponto essencial: o de que a crise &eacute; n&atilde;o s&oacute; econ&oacute;mica mas tamb&eacute;m estrutural e pol&iacute;tica, para al&eacute;m de estar estreitamente relacionada com a forma como o euro foi constru&iacute;do.</p>     <p>Desde o primeiro momento, diversos factores foram preponderantes para a defini&ccedil;&atilde;o das diferentes perspectivas pol&iacute;ticas acerca da crise e para o sublinhar de situa&ccedil;&otilde;es e solu&ccedil;&otilde;es individuais – em detrimento de uma abordagem mais abrangente e mais determinada por parte da zona euro.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>UMA CRISE GREGA</p>     <p>O primeiro factor remonta &agrave;s origens da crise da d&iacute;vida soberana. Aquando da crise financeira de 2008 e da recess&atilde;o econ&oacute;mica de 2009, a UE agira de forma coordenada e com um prop&oacute;sito comum. A opini&atilde;o geral era a de que estas crises come&ccedil;aram nos Estados Unidos e se haviam alastrado &agrave; Europa. O mesmo n&atilde;o pode ser dito acerca da crise da d&iacute;vida soberana de 2010. Esta crise come&ccedil;ou na UE e em particular na Gr&eacute;cia. A situa&ccedil;&atilde;o era, de facto, grave em termos econ&oacute;micos: em Novembro de 2009, o rec&eacute;m-eleito Governo da Gr&eacute;cia descobriu que o d&eacute;fice p&uacute;blico para esse ano iria superar os 12 por cento do PIB – o dobro do valor anunciado pelo anterior executivo. A Gr&eacute;cia, um pa&iacute;s com um n&iacute;vel de d&iacute;vida p&uacute;blica de 105,4 por cento do PIB em 2007 (ou seja, antes da crise), encontrava-se assim a bra&ccedil;os com uma crise or&ccedil;amental muito grave.</p>     <p>&Eacute; verdade que os d&eacute;fices or&ccedil;amentais e as d&iacute;vidas p&uacute;blicas da zona euro tinham aumentado consideravelmente. O mesmo sucedera nos Estados Unidos (de 62 por cento do PIB em 2007 para 93,6 por cento em 2010) e no Jap&atilde;o (de 167 por cento do PIB em 2007 para 199,7 por cento em 2010). Para al&eacute;m disso, o aumento da despesa p&uacute;blica tinha sido uma pol&iacute;tica acordada ao n&iacute;vel da UE para evitar uma depress&atilde;o econ&oacute;mica em 2009 – como bem demonstram as conclus&otilde;es do Conselho Europeu na altura (ver <b>caixa 1</b>, p. 65). A recess&atilde;o econ&oacute;mica, os estabilizadores autom&aacute;ticos, os pacotes de incentivo e o resgate de bancos insolventes nalguns pa&iacute;ses contribu&iacute;ram para aumentar significativamente os d&eacute;fices e d&iacute;vidas p&uacute;blicas. Mesmo os pa&iacute;ses europeus com pol&iacute;ticas or&ccedil;amentais mais conservadoras viram o seu r&aacute;cio d&iacute;vida/PIB aumentar mais de dez pontos percentuais entre 2007 e 2010 (ver <b>tabela 1</b>, p. 64). De facto, em 2010 todos os pa&iacute;ses da zona euro, &agrave; excep&ccedil;&atilde;o do Luxemburgo, estavam sujeitos a um procedimento por d&eacute;fice excessivo<a name="top2" id="top2"></a><a href="#2"><sup>2</sup></a>. Os problemas or&ccedil;amentais da Gr&eacute;cia eram, por&eacute;m, de uma magnitude completamente diferente.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>CAIXA 1</b> &gt; UM ANO DE DECIS&Otilde;ES DO CONSELHO EUROPEU</p>     <p>(DEZEMBRO 2008 – DEZEMBRO 2009)</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><i>11-12 de Dezembro de 2008</i></p>     <p>A Zona Euro e a Uni&atilde;o no seu todo vivem sob a amea&ccedil;a de recess&atilde;o. Nestas circunst&acirc;ncias excepcionais […] a Uni&atilde;o ir&aacute; mobilizar todos os instrumentos ao seu dispor […]. Nesse contexto, as pol&iacute;ticas de protec&ccedil;&atilde;o e inclus&atilde;o social dos Estados-membros t&ecirc;m um papel vital.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&sect;9. O Conselho Europeu acordou um Plano de Relan&ccedil;amento da Economia Europeia […] este baseia-se num esfor&ccedil;o total equivalente a cerca de 1,5 por cento do PIB da Uni&atilde;o Europeia.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><i>18-19 de Junho de 2009</i></p>     <p>&sect;11. &Eacute; imperativo que a UE continue a desenvolver e implementar as medidas necess&aacute;rias para responder a esta crise. Estas devem ter como base as importantes metas alcan&ccedil;adas nos &uacute;ltimos meses na sequ&ecirc;ncia do Plano de Relan&ccedil;amento da Economia Europeia acordado em Dezembro passado, e que ir&aacute; resultar num apoio or&ccedil;amental total de cerca de 5 por cento do PIB em 2009/2010.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><i>29-30 de Outubro de 2009</i></p>     <p>&sect;26. A recupera&ccedil;&atilde;o incipiente requer uma monitoriza&ccedil;&atilde;o cuidadosa e as pol&iacute;ticas de apoio n&atilde;o devem ser retiradas at&eacute; a recupera&ccedil;&atilde;o estar totalmente assegurada.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><i>10-11 de Dezembro de 2009</i></p>     <p>&sect;6. A crise econ&oacute;mica e financeira […] resultou na mais dif&iacute;cil contrac&ccedil;&atilde;o econ&oacute;mica desde a d&eacute;cada de 1930. […] As medidas de apoio t&ecirc;m-se revelado cruciais para restaurar a confian&ccedil;a nos mercados financeiros e para assegurar o seu regular funcionamento, para al&eacute;m de atenuarem o impacto da crise ao n&iacute;vel do crescimento e do emprego. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&sect;8. A consolida&ccedil;&atilde;o or&ccedil;amental dever&aacute; come&ccedil;ar o mais tardar em 2011 e mais cedo nos Estados-membros cujas conjunturas econ&oacute;micas assim o permitam, se as previs&otilde;es da Comiss&atilde;o continuarem a indicar que a recupera&ccedil;&atilde;o est&aacute; a refor&ccedil;ar-se e a tornar-se auto-sustent&aacute;vel.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Tabela 1</b> &gt; D&iacute;vida p&uacute;blica bruta (percentagem do PIB; aumento em 2007–2010 em percentagem do PIB) </p>     <p><img src="/img/revistas/ri/n32/n32a05t1.jpg"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>Para al&eacute;m disso, a admiss&atilde;o por parte do Governo grego de que as estat&iacute;sticas oficiais n&atilde;o eram fi&aacute;veis teve um efeito pol&iacute;tico devastador. Trouxe &agrave; mem&oacute;ria o momento, em 2004, em que ap&oacute;s uma investiga&ccedil;&atilde;o por parte da UE o Governo grego da altura reconheceu que desde 1999 os d&eacute;fices or&ccedil;amentais deste pa&iacute;s nunca tinham estado abaixo dos tr&ecirc;s por cento previstos nos crit&eacute;rios de Maastricht, nem mesmo quando a Gr&eacute;cia aderira ao euro em 2001, e aumentaram as suspeitas dos mercados financeiros internacionais e dos parceiros europeus de que n&atilde;o era poss&iacute;vel confiar nas estat&iacute;sticas gregas. Este facto envenenou o debate no seio da UE e teve um efeito desproporcionado sobre a abordagem pol&iacute;tica &agrave; crise da d&iacute;vida soberana.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>DIFERENTES DESEMPENHOS ECON&Oacute;MICOS NA EUROPA</p>     <p>Esta n&atilde;o foi, contudo, a &uacute;nica raz&atilde;o que levou muitos a insistir durante tanto tempo que os problemas (e as solu&ccedil;&otilde;es) se restringiam aos pa&iacute;ses perif&eacute;ricos da zona euro. A segunda raz&atilde;o teve que ver com um desempenho econ&oacute;mico diferenciado no per&iacute;odo p&oacute;s-recess&atilde;o. Em 2010, muitos pa&iacute;ses da zona euro estavam a reagir bastante bem &agrave; recess&atilde;o. Os pa&iacute;ses do Centro e Norte da zona euro registaram valores de crescimento acima dos dois por cento no segundo trimestre de 2010<a name="top3" id="top3"></a><a href="#3"><sup>3</sup></a> (cinco por cento na Finl&acirc;ndia; 4,7 por cento na Eslov&aacute;quia; 4,4 por cento na Alemanha; 2,8 por cento na B&eacute;lgica; 2,4 por cento na &Aacute;ustria; 2,1 por cento na Holanda). Na periferia<a name="top4" id="top4"></a><a href="#4"><sup>4</sup></a>, o cen&aacute;rio era bastante diferente, com a Gr&eacute;cia (menos quatro por cento) e a Irlanda (-0,7 por cento) em recess&atilde;o profunda e a Espanha (0,2 por cento) com um crescimento muito reduzido. Apenas Portugal apresentava indicadores mais saud&aacute;veis, mas ainda assim inferiores aos registados noutros pa&iacute;ses (1,6 por cento). </p>     <p>Esta situa&ccedil;&atilde;o contribuiu para refor&ccedil;ar a ideia de uma &laquo;ressaca depois da festa&raquo;, que se tornou bastante popular e que parecia adequar-se bem ao comportamento das economias da Gr&eacute;cia, da Irlanda e da Espanha – com um forte crescimento durante uma d&eacute;cada mas, simultaneamente, com uma deteriora&ccedil;&atilde;o acentuada da competitividade internacional e do saldo na balan&ccedil;a de transac&ccedil;&otilde;es correntes. Em Portugal, a hist&oacute;ria era ligeiramente diferente. De facto, o saldo das contas externas mantinha-se muito negativo desde 1996, mas desde 2001 que n&atilde;o se registava um crescimento econ&oacute;mico acentuado. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>UMA ESTRAT&Eacute;GIA DE CIRCUNSCRI&Ccedil;&Atilde;O</p>     <p>Em terceiro lugar, os l&iacute;deres da UE decidiram diferenciar cada caso. Como seria de esperar, esta estrat&eacute;gia n&atilde;o era do agrado do pa&iacute;s que ficava isolado negativamente em cada momento. A Gr&eacute;cia, a Irlanda e Portugal viram as suas situa&ccedil;&otilde;es serem descritas consecutivamente como muito diferentes das dos pa&iacute;ses que eram vistos como &laquo;o senhor que se segue&raquo;. Esta estrat&eacute;gia visava separar os pa&iacute;ses em maiores apuros dos pa&iacute;ses que poderiam, tamb&eacute;m eles, ver-se a bra&ccedil;os com problemas graves, &agrave; medida que a din&acirc;mica da crise e o perigo de cont&aacute;gio se tornavam evidentes e dif&iacute;ceis de controlar. E, de facto, as situa&ccedil;&otilde;es e a gravidade das dificuldades de financiamento eram (e ainda s&atilde;o) consideravelmente diferentes de pa&iacute;s para pa&iacute;s. Por&eacute;m, tornou-se claro que o cont&aacute;gio n&atilde;o podia ser prevenido apenas com esta estrat&eacute;gia. A situa&ccedil;&atilde;o era em muito semelhante &agrave; crise do Mecanismo de Taxas de C&acirc;mbio de 1992. O que come&ccedil;ou por parecer um problema circunscrito &agrave; taxa de c&acirc;mbio da libra esterlina acabou por atingir o franco franc&ecirc;s e tornar-se uma crise central do pr&oacute;prio MTC.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>O PAPEL CENTRAL DO RISCO MORAL</p>     <p>&Agrave; medida que a crise se desenrolava, o ambiente na UE tornou-se tenso. Com a ajuda da imprensa tabl&oacute;ide e de pol&iacute;ticos populistas, a desconfian&ccedil;a aumentou, os preconceitos nacionais viram-se refor&ccedil;ados e a solidariedade no espa&ccedil;o europeu enfraqueceu. Devido ao receio de criar um risco moral ao beneficiar comportamentos fiscais desregrados, o debate pautou-se diversas vezes por uma dualidade moral. Esta situa&ccedil;&atilde;o verificou-se quando os pre&ccedil;os dos pacotes de ajuda financeira foram fixados a n&iacute;veis mais elevados do que, por exemplo, as taxas de juro previstas no mecanismo europeu de apoio &agrave;s balan&ccedil;as de pagamentos, aplicado aos estados-membros da UE fora da zona euro. </p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>2002–2008: A ECONOMIA PORTUGUESA</b></p>     <p>DESSINCRONIZADA EM RELA&Ccedil;&Atilde;O &Agrave; PERIFERIA</p>     <p>Ao contr&aacute;rio da Gr&eacute;cia, da Irlanda ou da Espanha, pa&iacute;ses com um elevado crescimento econ&oacute;mico no per&iacute;odo anterior &agrave; crise, Portugal registou um crescimento reduzido desde 2001. Em 2003, Portugal entrou em recess&atilde;o (-0,9 por cento), tendo sido nesse ano o &uacute;nico pa&iacute;s da zona euro, a par da Alemanha (-0,2 por cento), com um crescimento negativo. No mesmo ano, a economia grega cresceu 5,9 por cento, a irlandesa 4,4 por cento e a espanhola 3,1 por cento<a name="top5" id="top5"></a><a href="#5"><sup>5</sup></a>. O dif&iacute;cil caso portugu&ecirc;s, analisado num artigo de Olivier Blanchard em Novembro de 2006<a name="top6" id="top6"></a><a href="#6"><sup>6</sup></a>, caracterizava-se por um fraco crescimento da produtividade, um crescimento econ&oacute;mico muito reduzido, e d&eacute;fices or&ccedil;amental e da balan&ccedil;a corrente muito elevados.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>As perspectivas de uma ades&atilde;o ao euro na segunda metade da d&eacute;cada de 1990 tinham originado uma quebra acentuada das taxas de juro, com as taxas de juro reais a aproximarem-se do zero no final dessa d&eacute;cada. Esta situa&ccedil;&atilde;o provocou um efeito de riqueza sem precedentes, sentido de forma intensa por todos os agentes econ&oacute;micos, e que levou a um crescimento r&aacute;pido da procura interna e a uma diminui&ccedil;&atilde;o da poupan&ccedil;a privada. Sectores de bens n&atilde;o transaccion&aacute;veis, relativamente protegidos e benefici&aacute;rios de rendas conheceram um crescimento acentuado, levando &agrave; diminui&ccedil;&atilde;o do investimento em sectores de bens transaccion&aacute;veis e contribuindo assim para o fraco crescimento da produtividade. Com a procura interna a suportar o crescimento econ&oacute;mico, o desemprego recuou para menos de cinco por cento, exercendo dessa forma uma press&atilde;o consider&aacute;vel no sentido do aumento dos sal&aacute;rios. A economia tornou-se sobrevalorizada e o d&eacute;fice da balan&ccedil;a corrente aumentou cada vez mais.</p>     <p>Para al&eacute;m das consequ&ecirc;ncias macroecon&oacute;micas de um dif&iacute;cil ajustamento ao novo contexto monet&aacute;rio, a economia portuguesa foi atingida no final da d&eacute;cada de 1990 por dois importantes choques assim&eacute;tricos, que contribu&iacute;ram consideravelmente para o seu d&eacute;fice de competitividade externa.</p>     <p>As previs&otilde;es apontavam para que o alargamento da UE aos pa&iacute;ses da Europa Central e de Leste tivesse efeitos econ&oacute;micos adversos em Portugal. De facto, as repercuss&otilde;es fizeram-se sentir logo na segunda metade da d&eacute;cada de 1990, quando a UE assinou acordos de associa&ccedil;&atilde;o com esses pa&iacute;ses antes da sua ades&atilde;o em 2004. Registou-se ent&atilde;o um importante impacto ao n&iacute;vel do investimento directo estrangeiro e das trocas comerciais que at&eacute; ent&atilde;o tinham beneficiado Portugal desde a sua ades&atilde;o em 1986. Com trabalhadores muito mais qualificados, menores custos de m&atilde;o-de-obra e uma posi&ccedil;&atilde;o geogr&aacute;fica mais central em rela&ccedil;&atilde;o aos principais mercados europeus, estes pa&iacute;ses tinham, a partir do momento da ades&atilde;o, grandes vantagens na atrac&ccedil;&atilde;o de ide e ao n&iacute;vel da competitividade comercial.</p>     <p>Para al&eacute;m disso, o in&iacute;cio do novo s&eacute;culo testemunhou a entrada no mercado global da China, da &Iacute;ndia e de outras economias emergentes de baixo custo, competindo nas &aacute;reas de m&atilde;o-de-obra intensiva que constitu&iacute;am a especializa&ccedil;&atilde;o tradicional da economia portuguesa. O fim do Acordo Multifibras, na sequ&ecirc;ncia das negocia&ccedil;&otilde;es da Ronda do Uruguai, teve um impacto muito significativo na ind&uacute;stria t&ecirc;xtil portuguesa, que constitu&iacute;a o principal sector exportador. O sector t&ecirc;xtil representava, em 1990, 33 por cento do total das exporta&ccedil;&otilde;es portuguesas. Em 2006, este valor reduzira-se para apenas 13 por cento<a name="top7" id="top7"></a><a href="#7"><sup>7</sup></a>. </p>     <p>Os desenvolvimentos no contexto macroecon&oacute;mico e no com&eacute;rcio internacional fizeram com que Portugal n&atilde;o se encontrasse numa posi&ccedil;&atilde;o favor&aacute;vel para beneficiar da r&aacute;pida expans&atilde;o na Europa e no mundo durante os anos 1990 e a primeira d&eacute;cada do novo mil&eacute;nio. A queda abrupta da procura interna privada em 2001-2002 fez parar o motor do crescimento econ&oacute;mico. O pa&iacute;s tinha-se transformado, com investimento p&uacute;blico em estradas e outras infra-estruturas p&uacute;blicas de norte a sul. Os padr&otilde;es de consumo tamb&eacute;m tinham mudado radicalmente, enquanto que os n&iacute;veis de propriedade imobili&aacute;ria tinham aumentado substancialmente nos dez anos anteriores. Com a press&atilde;o do endividamento a pesar sobre as fam&iacute;lias, que tinham sido tradicionalmente habituadas a n&iacute;veis elevados de poupan&ccedil;a, e no momento em que, em 2002, se iniciava um novo ciclo pol&iacute;tico assente na necessidade de travar n&iacute;veis excessivos de consumo e despesa, as expectativas das fam&iacute;lias sofreram um ajuste repentino. Um exemplo da queda do consumo interno &eacute; a evolu&ccedil;&atilde;o do investimento no sector da constru&ccedil;&atilde;o (<b>figura 1</b>). Portugal &eacute; o &uacute;nico pa&iacute;s europeu a registar uma redu&ccedil;&atilde;o anual ininterrupta do investimento em constru&ccedil;&atilde;o desde 2002 at&eacute; hoje.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Figura</b> <b>1</b> &gt; Investimento em constru&ccedil;&atilde;o (altera&ccedil;&atilde;o percentual em rela&ccedil;&atilde;o ao ano anterior)</p>     <p><img src="/img/revistas/ri/n32/n32a05f1.jpg"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>UMA RECUPERA&Ccedil;&Atilde;O LENTA?</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Em 2002, Portugal j&aacute; percorrera o ciclo de crescimento, sobrevaloriza&ccedil;&atilde;o e quebra, muito antes de as outras economias perif&eacute;ricas da zona euro terem completado esse percurso quando a sua r&aacute;pida expans&atilde;o foi subitamente travada durante a recess&atilde;o global de 2008-2009. </p>     <p>Com o consumo interno em conten&ccedil;&atilde;o, Portugal necessitava de ganhar competitividade para regressar ao crescimento. Em grande medida, este objectivo tinha sido atingido nos anos 1970 e 1980 atrav&eacute;s da desvaloriza&ccedil;&atilde;o cambial – mas esta op&ccedil;&atilde;o j&aacute; n&atilde;o estava dispon&iacute;vel. Desta vez, a solu&ccedil;&atilde;o passava pela desinfla&ccedil;&atilde;o salarial e/ou por um crescimento mais acentuado da produtividade. Ambos se registaram at&eacute; certo ponto.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>Redu&ccedil;&atilde;o dos custos salariais</p>     <p>A partir de 2002, o crescimento dos custos salariais diminuiu consideravalmente. A taxa de c&acirc;mbio efectiva real acumulada em custos de trabalho unit&aacute;rios relativos cresceu 3,6 por cento em Portugal de 2003 a 2008. Este valor contrasta com os 11 por cento da zona euro, 11,4 por cento na Gr&eacute;cia, 12 por cento em Espanha e 26,8 por cento na Irlanda<a name="top8" id="top8"></a><a href="#8"><sup>8</sup></a>. Portugal estava ainda longe da desinfla&ccedil;&atilde;o competitiva real de menos quatro por cento aplicada pela Alemanha no mesmo per&iacute;odo, mas ficou abaixo da m&eacute;dia da zona euro.</p>     <p>A medi&ccedil;&atilde;o dos custos de trabalho unit&aacute;rios nominais para o conjunto da economia confirma um perfil muito diferente a partir de 2003. Enquanto que anteriormente os custos com a m&atilde;o-de-obra tinham crescido a uma taxa consideravelmente superior &agrave; da zona euro e &agrave;s m&eacute;dias da UE, a partir de 2003 esta tend&ecirc;ncia inverteu-se de forma clara (<b>figura 2</b>).</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Figura 2</b> &gt; Custos de trabalho unit&aacute;rios nominais; conjunto da economia (desempenho relativamente aos restantes 35 pa&iacute;ses industrializados; pesos duplos de exporta&ccedil;&atilde;o [&iacute;ndice, 2000=100])</p>     <p><img src="/img/revistas/ri/n32/n32a05f2.jpg"></p>     
<p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Crescimento da produtividade mais acentuado</p>     <p>No que diz respeito ao crescimento da produtividade, o cen&aacute;rio tamb&eacute;m come&ccedil;ou a mudar. Na segunda metade da &uacute;ltima d&eacute;cada, a produtividade laboral recuperava terreno em rela&ccedil;&atilde;o aos n&iacute;veis da UE – algo que n&atilde;o sucedera em pelo menos dez anos. O indicador de produtividade laboral por pessoa empregada, em padr&atilde;o de poder de compra, em rela&ccedil;&atilde;o a uma m&eacute;dia de 100 da UE a 27 pa&iacute;ses registou um aumento de 72,6 em 2005 para 77,2 em 2010, enquanto que na d&eacute;cada anterior tinha diminu&iacute;do ligeiramente de 71,6 em 1995 para 69,6 em 2004<a name="top9" id="top9"></a><a href="#9"><sup>9</sup></a>. A mesma tend&ecirc;ncia est&aacute; tamb&eacute;m patente na produtividade laboral em termos do indicador de horas de trabalho, no qual se registou uma subida de 62,7 em 2005 para 65,2 em 2010 (62,3 em 1995 e 60,2 em 2004). A produtividade laboral real por pessoa empregada, um indicador mais fi&aacute;vel para compara&ccedil;&otilde;es internacionais de produtividade<a name="top10" id="top10"></a><a href="#10"><sup>10</sup></a>, tamb&eacute;m confirma esta tend&ecirc;ncia (<b>figura 3</b>, p. 69). Na segunda metade da d&eacute;cada de 2000, e pela primeira vez em mais de uma d&eacute;cada, a produtividade em Portugal estava uma vez mais a crescer acima da m&eacute;dia da UE.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Figura 3</b> &gt; Produtividade laboral real por pessoa empregada (&iacute;ndice, 2005=100)</p>     <p><img src="/img/revistas/ri/n32/n32a05f3.jpg"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>A anemia portuguesa estimula reformas estruturais</p>     <p>Em termos de pol&iacute;ticas concretas, durante o per&iacute;odo de fraco crescimento econ&oacute;mico em Portugal registou-se tamb&eacute;m um aumento no n&uacute;mero e abrang&ecirc;ncia das muito necess&aacute;rias reformas estruturais. Estas reformas eram importantes para um pa&iacute;s que n&atilde;o s&oacute; se deparara com um cen&aacute;rio macroecon&oacute;mico desfavor&aacute;vel mas que tamb&eacute;m tinha defici&ecirc;ncias estruturais substanciais, herdadas do passado, que precisavam de ser resolvidas de forma a transformar o perfil da economia e os instrumentos de competitividade. Dados os resultados recentemente alcan&ccedil;ados em determinadas &aacute;reas, importa aqui referir algumas destas reformas.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>• <i>Educa&ccedil;&atilde;o</i></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>O maior e provavelmente o mais oneroso d&eacute;fice de Portugal tem sido o da educa&ccedil;&atilde;o e das compet&ecirc;ncias. Em termos econ&oacute;micos, este foi o fardo mais pesado de uma ditadura que durou quarenta e oito anos – um fardo que a democracia tem tentado aliviar, ainda que nem sempre com a rapidez desejada. Neste contexto, reformas recentes na educa&ccedil;&atilde;o t&ecirc;m permitido alcan&ccedil;ar resultados vis&iacute;veis e importantes. A percentagem de jovens que abandonaram a escolariza&ccedil;&atilde;o tem vindo a diminuir de forma sustentada e acelerada desde 2002, aproximando-se da m&eacute;dia da UE. Nesse ano, 45 por cento da popula&ccedil;&atilde;o entre os 18 e os 24 anos tinha, no m&aacute;ximo, o terceiro ciclo do ensino b&aacute;sico e n&atilde;o recebia qualquer educa&ccedil;&atilde;o ou forma&ccedil;&atilde;o, enquanto que a m&eacute;dia da UE equivalente era de 17 por cento. Em 2010, os valores eram 28,7 por cento e 14,1 por cento, relativos, respectivamente, a Portugal e &agrave; m&eacute;dia da UE (<b>figura 4</b>). Portugal foi tamb&eacute;m o pa&iacute;s da OCDE que mais progressos realizou nas tr&ecirc;s &aacute;reas dos testes do Programa Internacional de Avalia&ccedil;&atilde;o de Alunos de 2009 (leitura, matem&aacute;tica e ci&ecirc;ncias), com os alunos portugueses a alcan&ccedil;arem pela primeira vez o grupo m&eacute;dio dos pa&iacute;ses da OCDE, juntamente com o Reino Unido, a Dinamarca, a Su&eacute;cia, a Alemanha, a Fran&ccedil;a, a Irlanda e a Hungria<a name="top11" id="top11"></a><a href="#11"><sup>11</sup></a>. Para al&eacute;m disso, a obten&ccedil;&atilde;o de qualifica&ccedil;&otilde;es de n&iacute;vel superior mais do que duplicou, de 11,3 por cento em 2000 para 23,5 por cento em 2010<a name="top12" id="top12"></a><a href="#12"><sup>12</sup></a>.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Figura 4</b> &gt; Abandono escolar (percentagem da popula&ccedil;&atilde;o com idades entre 18 e 24 anos, com escolaridade m&aacute;xima equivalente ao terceiro ciclo do ensino b&aacute;sico e que n&atilde;o se encontram a receber qualquer outra educa&ccedil;&atilde;o ou forma&ccedil;&atilde;o)</p>     <p><img src="/img/revistas/ri/n32/n32a05f4.jpg"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>• <i>Investiga&ccedil;&atilde;o e desenvolvimento</i></p>     <p>Em segundo lugar, e no que diz respeito &agrave; investiga&ccedil;&atilde;o e desenvolvimento, o investimento aumentou de forma acentuada de 0,53 por cento do PIB em 1995 para 1,66 por cento em 2009, com os &uacute;ltimos anos a registarem uma aproxima&ccedil;&atilde;o acelerada aos valores m&eacute;dios da UE a 27 pa&iacute;ses (que evolu&iacute;ram de 1,8 por cento em 1995 a 2,01 por cento em 2009) (<b>figura 5</b>). Estes valores de I&amp;D colocam Portugal &agrave; frente da Espanha (1,38 por cento), It&aacute;lia (1,27 por cento), Gr&eacute;cia (0,58 por cento<a name="top13" id="top13"></a><a href="#13"><sup>13</sup></a>), a totalidade dos mais recentes estados-membros da UE &agrave; excep&ccedil;&atilde;o da Eslov&eacute;nia (1,86 por cento), e quase ao mesmo n&iacute;vel da Irlanda (1,77 por cento). &Eacute; importante mencionar que o sector privado contribuiu em 2007 com mais de metade dos gastos totais em I&amp;D, um salto em rela&ccedil;&atilde;o aos 20 por cento de 1997<a name="top14" id="top14"></a><a href="#14"><sup>14</sup></a>, o que teve um impacto positivo ao n&iacute;vel do perfil de exporta&ccedil;&otilde;es no sentido de uma maior integra&ccedil;&atilde;o do conhecimento, bem como uma melhoria das condi&ccedil;&otilde;es tecnol&oacute;gicas.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Figura 5</b> &gt; Gastos dom&eacute;sticos brutos em I&amp;D (percentagem do PIB) </p>     <p><img src="/img/revistas/ri/n32/n32a05f5.jpg"></p>     
]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>• <i>Depend&ecirc;ncia energ&eacute;tica</i></p>     <p>Em terceiro lugar, a redu&ccedil;&atilde;o da depend&ecirc;ncia energ&eacute;tica tem sido tamb&eacute;m uma &aacute;rea crucial para Portugal. A importa&ccedil;&atilde;o de energia contribui neste momento para quase metade do d&eacute;fice da balan&ccedil;a comercial. A recente aposta nas energias renov&aacute;veis &eacute;, pois, uma contribui&ccedil;&atilde;o importante para a correc&ccedil;&atilde;o dos desequil&iacute;brios externos do Pa&iacute;s. A electricidade gerada a partir de fontes renov&aacute;veis constituiu em 2010 50,2 por cento do total de produ&ccedil;&atilde;o el&eacute;ctrica acrescido de importa&ccedil;&otilde;es l&iacute;quidas, um crescimento em rela&ccedil;&atilde;o aos 33,9 por cento de 2003 (<b>figura 6</b>).</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Figura 6</b> &gt; Electricidade a partir de fontes renov&aacute;veis dom&eacute;sticas (percentagem da produ&ccedil;&atilde;o el&eacute;ctrica total + importa&ccedil;&otilde;es l&iacute;quidas)</p>     <p><img src="/img/revistas/ri/n32/n32a05f6.jpg"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>• <i>Redu&ccedil;&atilde;o da burocracia excessiva</i></p>     <p>Em quarto lugar, a moderniza&ccedil;&atilde;o e reforma da administra&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica, a redu&ccedil;&atilde;o da burocracia excessiva, a melhoria da governa&ccedil;&atilde;o electr&oacute;nica e a simplifica&ccedil;&atilde;o do enquadramento empresarial s&atilde;o &aacute;reas nas quais &eacute; poss&iacute;vel observar melhorias significativas. Portugal subiu da 48.&ordf; para a 7.&ordf; posi&ccedil;&atilde;o na hierarquiza&ccedil;&atilde;o de disponibilidade <i>online</i> de servi&ccedil;os<a name="top15" id="top15"></a><a href="#15"><sup>15</sup></a> e, segundo dados da Comiss&atilde;o Europeia, tornou-se em 2009 o l&iacute;der europeu em termos de disponibilidade e sofistica&ccedil;&atilde;o de servi&ccedil;os p&uacute;blicos <i>online</i><a name="top16" id="top16"></a><a href="#16"><sup>16</sup></a>, um salto em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; 16.&ordf; posi&ccedil;&atilde;o de 2004. No que concerne &agrave; cria&ccedil;&atilde;o de empresas, Portugal ascendeu ao topo da hierarquia, com mais de 60 por cento das empresas a serem actualmente criadas em menos de uma hora<a name="top17" id="top17"></a><a href="#17"><sup>17</sup></a>.</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>• <i>Mercado do trabalho</i></p>     <p>Finalmente, importa referir que Portugal come&ccedil;ou a mudar a sua legisla&ccedil;&atilde;o laboral no sentido do aumento da flexibilidade, revertendo desta forma a tend&ecirc;ncia que se verificara nos trinta anos anteriores. O C&oacute;digo do Trabalho sofreu altera&ccedil;&otilde;es em 2003 e, mais substancialmente, em 2009, com o maior aumento de flexibilidade entre os pa&iacute;ses da OCDE de acordo com os indicadores desta organiza&ccedil;&atilde;o<a name="top18" id="top18"></a><a href="#18"><sup>18</sup></a> (<b>figura 7</b>). As &uacute;ltimas altera&ccedil;&otilde;es entraram em vigor a 17 de Fevereiro de 2009 e inclu&iacute;ram (<i>i</i>) a redu&ccedil;&atilde;o do prazo de in&iacute;cio do per&iacute;odo de aviso pr&eacute;vio, atrav&eacute;s da simplifica&ccedil;&atilde;o dos procedimentos administrativos para os despedimentos individuais e colectivos; (<i>ii</i>) a redu&ccedil;&atilde;o dos per&iacute;odos de aviso pr&eacute;vio para trabalhadores com antiguidade curta (por exemplo, de sessenta para quinze dias para trabalhadores com uma antiguidade de nove meses) e o aumento dos mesmos para trabalhadores com antiguidade longa (por exemplo, de sessenta para setenta e cinco dias para trabalhadores com uma antiguidade de vinte anos); (<i>iii</i>) a redu&ccedil;&atilde;o das indemniza&ccedil;&otilde;es pagas aos trabalhadores e do direito de reintegra&ccedil;&atilde;o nos casos em que o despedimento foi julgado irregular apenas devido ao incumprimento de procedimentos administrativos, assim como a introdu&ccedil;&atilde;o de financiamento governamental para o pagamento de retroactivos superiores a um ano em casos de despedimento injusto, se o tribunal demorou mais de um ano a pronunciar-se sobre o caso; e (<i>iv</i>) a redu&ccedil;&atilde;o do per&iacute;odo m&aacute;ximo dado aos trabalhadores para a apresenta&ccedil;&atilde;o de reclama&ccedil;&otilde;es de despedimento injusto, de um ano para sessenta dias. Estas reformas fizeram com que o indicador portugu&ecirc;s de protec&ccedil;&atilde;o de emprego descesse de 3,4 para 2,7 (numa escala de 0 a 6), um valor que &eacute; ainda superior &agrave; m&eacute;dia da OCDE devido em particular &agrave; rigidez das leis de despedimento individual (<b>figura 8</b>). Em 2011, foi apresentada ao Parlamento uma nova proposta de reforma do C&oacute;digo do Trabalho, que se encontra em discuss&atilde;o.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Figura 7</b> &gt; Altera&ccedil;&otilde;es &agrave; protec&ccedil;&atilde;o do emprego nos pa&iacute;ses da OCDE, 2003–2008<a name="top19" id="top19"></a><a href="#19"><sup>19</sup></a> </p>     <p><img src="/img/revistas/ri/n32/n32a05f7.jpg"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p><b>Figura 8</b> &gt; Rigidez da protec&ccedil;&atilde;o do emprego, 2008<a name="top20" id="top20"></a><a href="#20"><sup>20</sup></a></p>     <p><img src="/img/revistas/ri/n32/n32a05f8.jpg"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>VULNERABILIDADE DAS CONSOLIDA&Ccedil;&Otilde;ES OR&Ccedil;AMENTAIS</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Portugal integrou o primeiro grupo de pa&iacute;ses que criaram em 1999 a moeda &uacute;nica europeia. Embora os d&eacute;fices or&ccedil;amentais obedecessem aos crit&eacute;rios de ades&atilde;o (ainda que por uma margem curta: 2,7 por cento em 1999) e a d&iacute;vida p&uacute;blica tivesse diminu&iacute;do de 59,1 por cento do PIB em 1995 para 48,5 por cento em 2000 (em compara&ccedil;&atilde;o, a d&iacute;vida p&uacute;blica espanhola desceu de 63,3 por cento para 59,3 por cento no mesmo per&iacute;odo), estes n&uacute;meros or&ccedil;amentais apoiavam-se principalmente no r&aacute;pido crescimento econ&oacute;mico que se verificava na altura.</p>     <p>&Agrave; medida que o crescimento abrandou a partir de 2001, Portugal confrontou-se com dificuldades inerentes a um ajustamento or&ccedil;amental tardio ao novo regime monet&aacute;rio. De facto, entre 2002 e 2008, enquanto Portugal tentava consolidar o or&ccedil;amento num quadro de fraco crescimento econ&oacute;mico, a vizinha Espanha apresentava d&eacute;fices p&uacute;blicos muito reduzidos (inferiores a um por cento) ou mesmo excedentes numa situa&ccedil;&atilde;o de forte crescimento econ&oacute;mico<a name="top22" id="top22"></a><a href="#22"><sup>22</sup></a>. </p>     <p>&nbsp;</p>     <p>Modera&ccedil;&atilde;o/consolida&ccedil;&atilde;o or&ccedil;amental</p>     <p>Durante este per&iacute;odo, Portugal passou por duas fases de modera&ccedil;&atilde;o/consolida&ccedil;&atilde;o or&ccedil;amental, ambas num contexto de fraco crescimento econ&oacute;mico: 2002-2004 e 2006-2008. Estas fases coincidiram com os dois momentos, anteriores a 2009, em que o Pa&iacute;s se viu sujeito a procedimentos por d&eacute;fice excessivo ao abrigo do Pacto de Estabilidade e Crescimento do euro. Durante o per&iacute;odo 1996-2001, o consumo p&uacute;blico contribuiu anualmente, em m&eacute;dia, quatro pontos percentuais para o crescimento do PIB, um valor que desceu para 1,5 pontos percentuais durante o per&iacute;odo 2002-2004 e para 0,1 pontos percentuais em 2006-2008<a name="top23" id="top23"></a><a href="#23"><sup>23</sup></a>. Durante o per&iacute;odo 2006-2008, os encargos totais do Estado diminu&iacute;ram de 45,8 por cento do PIB em 2005 para 43,6 por cento em 2008<a name="top24" id="top24"></a><a href="#24"><sup>24</sup></a>. Reformas estruturais de longo prazo na &aacute;rea da despesa p&uacute;blica foram tamb&eacute;m implementadas nesta altura. Importa referir, em particular, duas destas reformas.</p>     <p>A primeira &eacute; a reforma da Seguran&ccedil;a Social. Esta abrangeu tr&ecirc;s pilares: (<i>i</i>) harmonizou a idade de reforma aos 65 anos (anteriormente de 60 anos para os funcion&aacute;rios p&uacute;blicos) e eliminou regimes especiais; (<i>ii</i>) introduziu um factor de sustentabilidade que tem em considera&ccedil;&atilde;o o aumento da esperan&ccedil;a m&eacute;dia de vida na determina&ccedil;&atilde;o do valor das pens&otilde;es, resultando na pr&aacute;tica num aumento anual autom&aacute;tico da idade de reforma para os trabalhadores que queiram ter acesso &agrave; totalidade da pens&atilde;o; e (<i>iii</i>) introduziu novas regras para a actualiza&ccedil;&atilde;o das pens&otilde;es, indexando-as &agrave; infla&ccedil;&atilde;o (apenas para as pens&otilde;es mais baixas) e &agrave; taxa de crescimento real do PIB.</p>     <p>Em 2009, a Comiss&atilde;o Europeia considerou que Portugal foi um dos pa&iacute;ses da UE a implementar reformas substanciais nas pens&otilde;es, com efeitos importantes na sustentabilidade or&ccedil;amental a longo prazo<a name="top25" id="top25"></a><a href="#25"><sup>25</sup></a>. A evolu&ccedil;&atilde;o nos indicadores da despesa relacionada com o envelhecimento demogr&aacute;fico (<b>tabela 2</b>, p. 76) e da sustentabilidade das finan&ccedil;as p&uacute;blicas (figura 9), calculados pela Comiss&atilde;o Europeia em 2009, colocaram Portugal acima da m&eacute;dia da UE. </p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Tabela 2</b> &gt; Aumento a longo prazo da despesa relacionada com o envelhecimento demogr&aacute;fico (percentagem do PIB 2007–2060)</p>     <p><img src="/img/revistas/ri/n32/n32a05t2.jpg"></p>     
]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>Figura 9</b> &gt; Indicador de sustentabilidade S2 calculado pela CE (2009) (cen&aacute;rio de refer&ecirc;ncia, percentagem do PIB)<a name="top26" id="top26"></a><a href="#26"><sup>26</sup></a></p>     <p><img src="/img/revistas/ri/n32/n32a05f9.jpg"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>A administra&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica foi um dos alvos priorit&aacute;rios da reforma. A fun&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica em Portugal aumentou de forma continuada desde os anos 1970 e tornou-se sobredimensionada em rela&ccedil;&atilde;o ao rendimento do Pa&iacute;s e aos n&iacute;veis m&eacute;dios europeus. Em especial atrav&eacute;s de restri&ccedil;&otilde;es mais apertadas &agrave; contrata&ccedil;&atilde;o, a partir de 2005 verificou-se pela primeira vez uma invers&atilde;o desta tend&ecirc;ncia de crescimento. Em 2010, o n&uacute;mero de funcion&aacute;rios p&uacute;blicos tinha diminu&iacute;do para valores do final da d&eacute;cada de 1990, com os n&uacute;meros totais a descerem cerca de dez por cento, de quase 750 mil em 2005 para menos de 670 mil em 2010 (<b>figura 10</b>). Para al&eacute;m disso, a introdu&ccedil;&atilde;o do sistema de quotas na avalia&ccedil;&atilde;o e o fim da progress&atilde;o autom&aacute;tica nas carreiras contribu&iacute;ram para a redu&ccedil;&atilde;o dos gastos com remunera&ccedil;&otilde;es a funcion&aacute;rios p&uacute;blicos, de 13,9 por cento do PIB em 2005 para 12 por cento em 2008. Em 2009 registou-se um aumento para 12,6 por cento, com a tend&ecirc;ncia de decr&eacute;scimo a ser retomada em 2010 (12,2 por cento)<a name="top27" id="top27"></a><a href="#27"><sup>27</sup></a>.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Figura 10</b> &gt; N&uacute;mero de funcion&aacute;rios no sector p&uacute;blico</p>     <p><img src="/img/revistas/ri/n32/n32a05f10.jpg"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p><b>2009: o d&eacute;fice or&ccedil;amental aumenta</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Em 2009, os esfor&ccedil;os de consolida&ccedil;&atilde;o do d&eacute;fice p&uacute;blico pararam. Nesse ano, o d&eacute;fice aumentou para 9,3 por cento do PIB – um salto em rela&ccedil;&atilde;o aos 2,7 por cento de 2008<a name="top28" id="top28"></a><a href="#28"><sup>28</sup></a>. A evolu&ccedil;&atilde;o das projec&ccedil;&otilde;es or&ccedil;amentais de 2009 demonstra que os dados iniciais para a receita eram claramente demasiado optimistas, em especial numa economia em quebra. Esta situa&ccedil;&atilde;o, aliada a uma projec&ccedil;&atilde;o de despesa expansionista, para a qual contribuiu a Iniciativa para o Investimento e o Emprego acordada pela UE, levou a um aumento dr&aacute;stico do d&eacute;fice em 2009 (<b>tabela 3</b>).</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Tabela 3</b> &gt; Evolu&ccedil;&atilde;o das projec&ccedil;&otilde;es or&ccedil;amentais de 2009 </p>     <p><img src="/img/revistas/ri/n32/n32a05t3.jpg"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>UMA ABORDAGEM SUAVE &Agrave; CORREC&Ccedil;&Atilde;O DE DESEQUIL&Iacute;BRIOS</p>     <p>Quando o crescimento econ&oacute;mico parou em 2001, Portugal n&atilde;o tinha outra alternativa sen&atilde;o lidar com os seus problemas estruturais e a sua competitividade externa em decl&iacute;nio, e foi confrontado com a necessidade de ajustar a sua pol&iacute;tica or&ccedil;amental ao novo regime monet&aacute;rio que se iniciara com a introdu&ccedil;&atilde;o do euro. Em anos anteriores, o crescimento do Pa&iacute;s tinha-se apoiado num aumento r&aacute;pido da procura interna; antes disso, Portugal tinha em grande medida apoiado a sua competitividade externa atrav&eacute;s da desvaloriza&ccedil;&atilde;o cambial. Por&eacute;m, a procura interna estava agora exaurida e a desvaloriza&ccedil;&atilde;o cambial deixara de ser uma op&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>2002 marca o in&iacute;cio de um per&iacute;odo de lento ajustamento a esta nova realidade. Como foi referido anteriormente, entre 2002 e 2008 os custos de trabalho aumentaram a taxas mais reduzidas e com m&eacute;dias inferiores &agrave; da UE. A partir de 2005, o crescimento da produtividade esteve acima da m&eacute;dia europeia. A despesa p&uacute;blica, com a excep&ccedil;&atilde;o do ano de 2005, foi substancialmente menos expansionista do que no passado (contracionista apenas em 2006, com uma contribui&ccedil;&atilde;o de -0,6 pontos percentuais para o crescimento do PIB). Foram ainda implementadas reformas estruturais com o objectivo de aumentar a sustentabilidade das finan&ccedil;as p&uacute;blicas e o potencial e produtividade da economia.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>Aumento das exporta&ccedil;&otilde;es</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Os dados relativos &agrave;s exporta&ccedil;&otilde;es na segunda metade da &uacute;ltima d&eacute;cada revelam, de facto, que a economia entrou num per&iacute;odo de recupera&ccedil;&atilde;o da competitividade. No per&iacute;odo 2006-2010, e pela primeira vez em dez anos, as exporta&ccedil;&otilde;es cresceram acima da m&eacute;dia da UE a 15 pa&iacute;ses, recuperando uma tend&ecirc;ncia que se perdera desde a segunda metade dos anos 1990 (<b>figura 11</b>). O r&aacute;cio das exporta&ccedil;&otilde;es em rela&ccedil;&atilde;o ao PIB aumentou de forma continuada, de 27,8 por cento em 2005 para 32,4 por cento em 2008 – a propor&ccedil;&atilde;o mais elevada de sempre na economia portuguesa. Ap&oacute;s uma quebra acentuada em 2009 (28 por cento), em linha com a quebra no com&eacute;rcio mundial, este r&aacute;cio recuperou a tend&ecirc;ncia de crescimento em 2010 (31 por cento). As projec&ccedil;&otilde;es e os dados j&aacute; dispon&iacute;veis para 2011 indicam que as exporta&ccedil;&otilde;es continuam a ganhar peso na economia portuguesa, uma pr&eacute;-condi&ccedil;&atilde;o essencial para atacar os d&eacute;fices externos. Para al&eacute;m disso, e no que permitiu um crescimento ainda mais acentuado das exporta&ccedil;&otilde;es, Portugal diversificou os seus mercados de exporta&ccedil;&atilde;o para as economias emergentes em mais r&aacute;pida expans&atilde;o. O peso da UE nas exporta&ccedil;&otilde;es recuou, de um valor m&aacute;ximo de 84,6 por cento em 1999 para 74,4 por cento em 2008 (<b>figura 12</b>, p. 80).</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Figura 11</b> &gt; Diferencial de crescimento de exporta&ccedil;&otilde;es Portugal-UE 15 (&Delta; em pontos percentuais)</p>     <p><img src="/img/revistas/ri/n32/n32a05f11.jpg"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p><b>Figura 12</b> &gt; Exporta&ccedil;&otilde;es para a UE-27 (percentagem das exporta&ccedil;&otilde;es totais)</p>     <p><img src="/img/revistas/ri/n32/n32a05f12.jpg"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>O desempenho positivo em termos de exporta&ccedil;&otilde;es na segunda metade da d&eacute;cada de 2000 est&aacute; em linha com ganhos na produtividade e com a redu&ccedil;&atilde;o dos custos de trabalho unit&aacute;rios. Por&eacute;m, importa tamb&eacute;m ressalvar uma mudan&ccedil;a estrutural de longo prazo na economia portuguesa. Nos &uacute;ltimos vinte anos, as exporta&ccedil;&otilde;es de m&eacute;dia e alta tecnologia, em percentagem das exporta&ccedil;&otilde;es totais, aumentaram de cerca de 37 por cento em 1990 para quase 65 por cento em 2010<a name="top29" id="top29"></a><a href="#29"><sup>29</sup></a>. Esta mudan&ccedil;a reflecte tamb&eacute;m a realidade de uma popula&ccedil;&atilde;o activa em r&aacute;pida transforma&ccedil;&atilde;o. Enquanto que no in&iacute;cio de 1998 apenas 19,6 por cento da popula&ccedil;&atilde;o activa total tinha completado a educa&ccedil;&atilde;o secund&aacute;ria, os dados para o primeiro trimestre de 2010 revelam um crescimento para 33,9 por cento<a name="top30" id="top30"></a><a href="#30"><sup>30</sup></a>.</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Os d&eacute;fices da balan&ccedil;a corrente</p>     <p>Ainda assim, os d&eacute;fices externos da economia continuaram muito elevados mesmo depois de 2002. Os d&eacute;fices da balan&ccedil;a corrente aumentaram consideravelmente depois de 1995 (<b>figura 13</b>), o que, &agrave; primeira vista, poderia ser justificado pelo aumento de investimento produtivo privado tendo em vista rendimentos elevados numa economia em crescimento acelerado, no contexto da zona euro. No entanto, retrospectivamente, esta situa&ccedil;&atilde;o ficou a dever-se aos efeitos da sobrevaloriza&ccedil;&atilde;o da economia, com aumento do consumo privado e do investimento n&atilde;o produtivo.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Figura 13</b> &gt; D&eacute;fices da balan&ccedil;a corrente (percentagem do PIB)</p>     <p><img src="/img/revistas/ri/n32/n32a05f13.jpg"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>Note-se que a economia demonstrou uma tend&ecirc;ncia de correc&ccedil;&atilde;o dos d&eacute;fices de competitividade, com um crescimento mais acelerado da produtividade, um menor crescimento dos custos de trabalho unit&aacute;rios e, em consequ&ecirc;ncia, um maior dinamismo nas exporta&ccedil;&otilde;es, em particular na segunda metade da d&eacute;cada de 2000. Os d&eacute;fices comerciais de bens e servi&ccedil;os, excluindo os produtos energ&eacute;ticos, foram reduzidos para metade entre 2000 e 2010, o que corresponde a uma melhoria de cerca de quatro pontos percentuais do PIB. Ainda assim, os d&eacute;fices da balan&ccedil;a corrente continuaram extremamente altos, &agrave; medida que os ganhos alcan&ccedil;ados com o aumento das exporta&ccedil;&otilde;es eram atenuados pelo aumento dos pre&ccedil;os energ&eacute;ticos, em particular do petr&oacute;leo (o peso das importa&ccedil;&otilde;es de produtos energ&eacute;ticos no total das importa&ccedil;&otilde;es cresceu de 9,6 por cento em 2002 para 16,8 por cento em 2008), e a balan&ccedil;a de rendimentos deteriorou-se devido &agrave; acumula&ccedil;&atilde;o da d&iacute;vida externa e &agrave;s taxas de juro mais elevadas (<b>figura 14</b>, p. 81).</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Figura 14</b> &gt; Balan&ccedil;as comercial e de rendimentos (percentagem do PIB)</p>     <p><img src="/img/revistas/ri/n32/n32a05f14.jpg"></p>     
]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>A correc&ccedil;&atilde;o dos d&eacute;fices externos poderia ter sido acelerada atrav&eacute;s de uma desvaloriza&ccedil;&atilde;o interna mais forte. Como foi sugerido recentemente pelo FMI no contexto do actual programa de ajuda financeira a Portugal, isto poderia ter sido feito atrav&eacute;s de uma diminui&ccedil;&atilde;o substancial da actual Taxa Social &Uacute;nica sobre os sal&aacute;rios dos trabalhadores, compensando a perda de receitas com um aumento das taxas do IVA. No entanto, as consequ&ecirc;ncias de uma altera&ccedil;&atilde;o na Taxa Social &Uacute;nica com a magnitude necess&aacute;ria para ter um impacto de curto prazo significativo sobre a competitividade e as exporta&ccedil;&otilde;es seriam de dif&iacute;cil compensa&ccedil;&atilde;o em termos or&ccedil;amentais, o que se afigurava problem&aacute;tico numa altura em que Portugal estava sujeito a um procedimento por d&eacute;fice excessivo e tentava reduzir os seus d&eacute;fices or&ccedil;amentais.</p>     <p>O desafio de lutar contra &laquo;d&eacute;fices g&eacute;meos&raquo; (o externo e o or&ccedil;amental) no seio da zona euro significava que uma correc&ccedil;&atilde;o mais acelerada dos d&eacute;fices da balan&ccedil;a corrente exigiria um mais forte ajustamento em baixa da procura interna atrav&eacute;s de uma pol&iacute;tica or&ccedil;amental mais contraccionista (uma vez que uma pol&iacute;tica monet&aacute;ria mais apertada teria sido dif&iacute;cil, dado que a pol&iacute;tica monet&aacute;ria &uacute;nica se encontra ajustada &agrave;s condi&ccedil;&otilde;es da zona euro e, em particular, das suas economias de maior dimens&atilde;o). A evolu&ccedil;&atilde;o recente da posi&ccedil;&atilde;o de investimento internacional de Portugal demonstra que ap&oacute;s 2002 a contrac&ccedil;&atilde;o das necessidades de financiamento externo do sector p&uacute;blico e das institui&ccedil;&otilde;es financeiras tenderam a anular-se uma &agrave; outra (<b>figura 15</b>). Em resultado desta situa&ccedil;&atilde;o, a posi&ccedil;&atilde;o de investimento internacional da economia continuou a deteriorar-se ao longo deste per&iacute;odo. Em 2004-2005, ap&oacute;s a recess&atilde;o econ&oacute;mica de 2003 em Portugal, as institui&ccedil;&otilde;es financeiras desalavancaram, mas o Estado n&atilde;o. Por seu lado, em 2006-2007 foi o sector p&uacute;blico a desalavancar, mas as institui&ccedil;&otilde;es financeiras deterioraram consideravelmente as suas posi&ccedil;&otilde;es de investimento, beneficiando de taxas de juro reduzidas e de uma confian&ccedil;a mais elevada dos agentes econ&oacute;micos. A tend&ecirc;ncia alterou-se de novo mais tarde, com a excep&ccedil;&atilde;o de 2010, altura em que a economia desalavancou na totalidade – uma tend&ecirc;ncia que dever&aacute; continuar nos pr&oacute;ximos anos. Durante o per&iacute;odo de 2002-2008, o &uacute;nico ano em que tanto o Estado como as institui&ccedil;&otilde;es financeiras limitaram as suas necessidades de financiamento externo foi 2003, e o Pa&iacute;s entrou em recess&atilde;o contrac&iacute;clica.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Figura 15</b> &gt; Posi&ccedil;&atilde;o internacional de investimento (percentagem do PIB)<a name="top32" id="top32"></a><a href="#32"><sup>32</sup></a> </p>     <p><img src="/img/revistas/ri/n32/n32a05f15.jpg"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>Durante este per&iacute;odo, uma correc&ccedil;&atilde;o mais acelerada dos d&eacute;fices da balan&ccedil;a corrente s&oacute; poderia ter sido alcan&ccedil;ada atrav&eacute;s de uma pol&iacute;tica or&ccedil;amental significativamente mais contraccionista – o que teria provavelmente resultado numa recess&atilde;o relativamente prolongada. Com as exporta&ccedil;&otilde;es a representarem cerca de 30 por cento do PIB, &eacute; pouco prov&aacute;vel que uma queda abrupta na procura interna fosse compensada a curto prazo por um crescimento das exporta&ccedil;&otilde;es, ainda que significativo. Numa altura em que a Europa e especialmente as principais economias equipar&aacute;veis estavam a crescer a taxas bastante elevadas, estas pol&iacute;ticas teriam sido muito dif&iacute;ceis de sustentar em termos pol&iacute;ticos. A op&ccedil;&atilde;o por uma forte desvaloriza&ccedil;&atilde;o interna da economia atrav&eacute;s de uma redu&ccedil;&atilde;o da Taxa Social &Uacute;nica faria com que as metas or&ccedil;amentais fossem mais dif&iacute;ceis de atingir no curto prazo. Esta &eacute;, no entanto, uma op&ccedil;&atilde;o que poderia ter sido seguida gradualmente, em conjuga&ccedil;&atilde;o com reformas orientadas para o aumento da produtividade e do crescimento, de forma a acelerar o ajustamento da economia<a name="top31" id="top31"></a><a href="#31"><sup>31</sup></a>. A necessidade de se proceder a uma correc&ccedil;&atilde;o dos d&eacute;fices or&ccedil;amentais limitou o leque de op&ccedil;&otilde;es dispon&iacute;veis para combater os d&eacute;fices externos.</p>     <p>Em conclus&atilde;o: atingir as metas de consolida&ccedil;&atilde;o e ao mesmo tempo atacar o d&eacute;fice da balan&ccedil;a corrente teria implicado, a curto prazo, uma pol&iacute;tica or&ccedil;amental fortemente contraccionista, que teria provavelmente resultado numa recess&atilde;o econ&oacute;mica. Em termos de pol&iacute;ticas concretas, Portugal adoptou uma estrat&eacute;gia suave para corrigir os seus desequil&iacute;brios – enquanto tal ainda era poss&iacute;vel. Quando a crise global se fez sentir, esta abordagem revelou-se demasiado tardia e lenta.</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>A CRISE DA D&Iacute;VIDA SOBERANA</b></p>     <p>FINAIS DE 2009: AS OBRIGA&Ccedil;&Otilde;ES PORTUGUESAS EM &Aacute;GUAS CALMAS</p>     <p>O Or&ccedil;amento de 2010 foi apresentado ao Parlamento em Janeiro, aprovado em Mar&ccedil;o e entrou em vigor apenas em Maio, tendo sido atrasado pela realiza&ccedil;&atilde;o de elei&ccedil;&otilde;es. Ao contr&aacute;rio da anterior legislatura, o novo governo (tamb&eacute;m do PS) n&atilde;o detinha uma maioria parlamentar, mas os dois principais partidos da oposi&ccedil;&atilde;o (PSD e CDS-PP) abstiveram-se e garantiram a aprova&ccedil;&atilde;o do Or&ccedil;amento.</p>     <p>Inicialmente, o Or&ccedil;amento previa uma pequena redu&ccedil;&atilde;o do d&eacute;fice de um ponto percentual para 8,3 por cento do PIB. A consolida&ccedil;&atilde;o iria come&ccedil;ar, ainda que lentamente, uma vez que este era ainda um Or&ccedil;amento expansionista, pois a economia tinha sa&iacute;do de uma recess&atilde;o no segundo trimestre de 2009. Por&eacute;m, esta consolida&ccedil;&atilde;o seguia as directivas europeias aprovadas pelo Conselho Europeu de Dezembro de 2009. Fora ent&atilde;o acordado que &laquo;a consolida&ccedil;&atilde;o or&ccedil;amental dever&aacute; come&ccedil;ar o mais tardar em 2011 e mais cedo nos estados-membros cujas conjunturas econ&oacute;micas assim o permitam, se as previs&otilde;es da Comiss&atilde;o continuarem a indicar que a recupera&ccedil;&atilde;o est&aacute; a refor&ccedil;ar-se e a tornar-se auto-sustent&aacute;vel&raquo; (ver caixa 1, p. 65).</p>     <p>No mercado da d&iacute;vida soberana, as taxas de rendimento das obriga&ccedil;&otilde;es de d&iacute;vida p&uacute;blica portuguesa a dez anos<a name="top33" id="top33"></a><a href="#33"><sup>33</sup></a> diminu&iacute;ram na segunda metade de 2009, numa tend&ecirc;ncia semelhante &agrave;s obriga&ccedil;&otilde;es espanholas e italianas, e a diferen&ccedil;a em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s obriga&ccedil;&otilde;es alem&atilde;s era nesse per&iacute;odo de menos de 100 pontos base. As obriga&ccedil;&otilde;es portuguesas n&atilde;o tinham acompanhado a diverg&ecirc;ncia das obriga&ccedil;&otilde;es gregas e irlandesas em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s alem&atilde;s, iniciada no final de 2008.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>IN&Iacute;CIO DE 2010: A GR&Eacute;CIA &Eacute; RESGATADA; AS ATEN&Ccedil;&Otilde;ES VIRAM-SE PARA PORTUGAL </p>     <p>Esta situa&ccedil;&atilde;o iria mudar no in&iacute;cio de 2010, quando a dimens&atilde;o dos problemas da Gr&eacute;cia se tornou evidente. No in&iacute;cio de Fevereiro, os juros das obriga&ccedil;&otilde;es da Gr&eacute;cia a dez anos superaram os sete por cento, enquanto que os juros portugueses atingiram os 4,725 por cento a 4 de Fevereiro. O cont&aacute;gio dos problemas gregos afectou as obriga&ccedil;&otilde;es portuguesas mais do que as dos restantes pa&iacute;ses perif&eacute;ricos, em especial devido ao facto de os n&uacute;meros de 2009, publicados na altura, indicarem um d&eacute;fice de 9,3 por cento do PIB, muito mais alto do que o esperado – e que resultou, em particular, de uma quebra abrupta das receitas no &uacute;ltimo trimestre de 2009 (as receitas totais do Estado de 2009 foram inferiores &agrave;s de 2006 em termos nominais). De certa forma, este foi um momento de viragem para Portugal, que at&eacute; ent&atilde;o estivera mais pr&oacute;ximo da Espanha e da It&aacute;lia e cuja d&iacute;vida n&atilde;o sofrera tanta press&atilde;o por parte dos mercados internacionais como a da Gr&eacute;cia e da Irlanda.</p>     <p>O encontro informal de chefes de Estado e de Governo que se realizou na Biblioteca Solvay a 11 de Fevereiro – o primeiro presidido por Herman van Rompuy – foi dominado pela press&atilde;o financeira sobre a Gr&eacute;cia. Da cimeira resultou a afirma&ccedil;&atilde;o de que os estados-membros da zona euro adoptariam medidas determinadas e coordenadas se tal fosse necess&aacute;rio para salvaguardar a estabilidade financeira da zona euro no seu conjunto. Mas as aten&ccedil;&otilde;es estavam viradas para a Gr&eacute;cia, cujo Governo negava ter pedido qualquer ajuda financeira<a name="top34" id="top34"></a><a href="#34"><sup>34</sup></a>. Esta mensagem era dirigida n&atilde;o s&oacute; aos mercados financeiros mas tamb&eacute;m aos eleitorados da Alemanha e de outros pa&iacute;ses da Europa Central e do Norte, que se opunham a qualquer resgate da Gr&eacute;cia.</p>     <p>A press&atilde;o sobre as obriga&ccedil;&otilde;es portuguesas diminuiu em Fevereiro e Mar&ccedil;o, enquanto que a Gr&eacute;cia viu esta press&atilde;o aumentar de novo no final de Fevereiro, em antecipa&ccedil;&atilde;o ao pacote de austeridade hel&eacute;nico. A 25 de Mar&ccedil;o, &agrave; margem do Conselho Europeu, os chefes de Estado e de Governo da zona euro confirmaram a estrat&eacute;gia de uma forte austeridade na Gr&eacute;cia, com vista a reduzir o d&eacute;fice e combater a press&atilde;o dos mercados, ao mesmo tempo que reconheciam as medidas ambiciosas de consolida&ccedil;&atilde;o implementadas pela Gr&eacute;cia e esperavam que estas se revelassem suficientes para recuperar a confian&ccedil;a dos mercados.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Por&eacute;m, por alturas do Conselho Europeu de 25 de Mar&ccedil;o, tornara-se &oacute;bvio que a Gr&eacute;cia iria necessitar de ajuda financeira internacional. Apesar da resist&ecirc;ncia a qualquer forma de resgate por parte de alguns parceiros europeus, os estados-membros da zona euro anunciaram a sua disponibilidade para contribuir para empr&eacute;stimos bilaterais coordenados, como parte de um pacote que inclu&iacute;a financiamento substancial do FMI.</p>     <p>As condi&ccedil;&otilde;es reflectiam, todavia, o facto de alguns pa&iacute;ses encararem este mecanismo com cepticismo. O mecanismo s&oacute; podia ser utilizado em &uacute;ltima inst&acirc;ncia e apenas no caso de o financiamento dos mercados se revelasse insuficiente. A concess&atilde;o de empr&eacute;stimos bilaterais seria decidida por unanimidade e sujeita a fortes condicionalismos. Para al&eacute;m disso, ficou claro que o financiamento n&atilde;o seria concedido &agrave;s taxas de juro m&eacute;dias da zona euro, mas sim com o pressuposto de que era necess&aacute;rio criar incentivos para o regresso ao financiamento nos mercados o mais rapidamente poss&iacute;vel, atrav&eacute;s de uma fixa&ccedil;&atilde;o de pre&ccedil;os adequada ao risco<a name="top35" id="top35"></a><a href="#35"><sup>35</sup></a>. O receio de risco moral subjazia ao debate sobre a fixa&ccedil;&atilde;o de pre&ccedil;os, com os pa&iacute;ses mais c&eacute;pticos a temerem que se estivesse a recompensar comportamentos or&ccedil;amentais desregrados se as taxas de juro fossem fixadas em valores muito abaixo dos do mercado<a name="top36" id="top36"></a><a href="#36"><sup>36</sup></a>. </p>     <p>Seguiram-se negocia&ccedil;&otilde;es na zona euro, com os ministros das Finan&ccedil;as a acordarem um pacote de 45 mil milh&otilde;es de euros, um ter&ccedil;o dos quais proveniente do FMI, e o restante de empr&eacute;stimos bilaterais de estados-membros da zona euro. Este valor subiu aos 110 mil milh&otilde;es de euros a 2 de Maio, depois de a Gr&eacute;cia requerer a 23 de Abril a activa&ccedil;&atilde;o dos empr&eacute;stimos da zona euro e do FMI. Apesar de se ter chegado a um acordo, o facto de a aprova&ccedil;&atilde;o do mesmo estar dependente dos parlamentos nacionais da maioria dos estados-membros intervenientes – muitos dos quais se revelavam bastante c&eacute;pticos em rela&ccedil;&atilde;o a um resgate &agrave; Gr&eacute;cia (o Governo eslovaco da altura decidiu n&atilde;o participar) – aliado &agrave; crescente contesta&ccedil;&atilde;o da popula&ccedil;&atilde;o grega face aos cortes, fez com que a press&atilde;o dos mercados sobre a Gr&eacute;cia continuasse a aumentar durante o m&ecirc;s de Abril, com as taxas de juro das obriga&ccedil;&otilde;es a dez anos a superarem os 12 por cento a 7 de Maio. O cont&aacute;gio afectou as economias mais vulner&aacute;veis da zona euro – em especial Portugal, Irlanda e Espanha, com as obriga&ccedil;&otilde;es portuguesas a atingirem os 6,285 por cento no fecho dos mercados na sexta-feira, 7 de Maio.</p>     <p>A 7 de Maio, os chefes de Estado e de Governo da UE reuniram-se de emerg&ecirc;ncia em Bruxelas e chegaram a acordo relativamente ao Mecanismo Europeu de Estabiliza&ccedil;&atilde;o Financeira e ao Fundo Europeu de Estabilidade Financeira, dotados de um total de 500 mil milh&otilde;es de euros (60 mil milh&otilde;es e 440 mil milh&otilde;es, respectivamente), com um prazo de validade de tr&ecirc;s anos. As interven&ccedil;&otilde;es do MEEF e do FEEF seriam acompanhadas de fundos do FMI, representando um ter&ccedil;o do valor total de 750 mil milh&otilde;es de euros. A 9 de Maio, domingo, os ministros do Ecofin foram encarregues de acertar os detalhes, tendo-o conseguido num encontro prolongado e tenso que terminou pouco antes da abertura dos mercados asi&aacute;ticos na segunda-feira. O efeito imediato foi positivo: as taxas de juro baixaram consideravelmente para todas as economias perif&eacute;ricas da zona euro, tendo chegado aos 4,5 por cento para as obriga&ccedil;&otilde;es portuguesas a dez anos.</p>     <p>&Agrave; margem do encontro de 7 de Maio, Portugal e Espanha responderam &agrave; press&atilde;o dos mercados com medidas de austeridade. Na confer&ecirc;ncia de imprensa de encerramento, o primeiro-ministro portugu&ecirc;s anunciou novas metas de 7,3 por cento e 4,6 por cento para os d&eacute;fices de 2010 e 2011 respectivamente, o que representava uma revis&atilde;o em baixa de um e 1,5 pontos percentuais em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s metas anteriores. No plano interno, foram adoptadas novas medidas de ajustamento &agrave; nova meta de 2010, atrav&eacute;s da redu&ccedil;&atilde;o da despesa do Estado e dos custos com o pessoal, bem como da antecipa&ccedil;&atilde;o de medidas do lado da receita.</p>     <p>Seguiu-se um per&iacute;odo de aparente acalmia. As taxas de juro da Gr&eacute;cia, que se encontrava sob a protec&ccedil;&atilde;o da ajuda internacional, recome&ccedil;aram rapidamente a subir, regressando em in&iacute;cios de Setembro aos mesmos n&iacute;veis de 7 de Maio. Em Julho, as taxas de Portugal e da Irlanda diminu&iacute;ram.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>PROBLEMAS IRLANDESES, HESITA&Ccedil;&Otilde;ES EUROPEIAS, PORTUGAL SOB PRESS&Atilde;O</p>     <p>Todavia, em Agosto, preocupa&ccedil;&otilde;es com o sector banc&aacute;rio irland&ecirc;s fizeram com que a press&atilde;o regressasse. Em finais de Setembro, a decis&atilde;o por parte do Governo irland&ecirc;s de resgatar o Anglo-Irish Bank provocou uma nova subida das taxas de juro na Irlanda e, por cont&aacute;gio, tamb&eacute;m em Portugal, com o rendimento das obriga&ccedil;&otilde;es de d&iacute;vida p&uacute;blica a dez anos a fechar muito perto dos 6,5 por cento no dia 29 de Setembro. A press&atilde;o sobre Portugal s&oacute; diminuiu a 15 de Outubro, com a apresenta&ccedil;&atilde;o pelo Governo de um or&ccedil;amento de austeridade para 2011.</p>     <p>Poucos dias depois, a 18 de Outubro, antes do Conselho Europeu desse m&ecirc;s, Angela Merkel e Nicolas Sarkozy encontraram-se em Deauville. De acordo com a declara&ccedil;&atilde;o emitida nessa ocasi&atilde;o, o estabelecimento em 2013 de um mecanismo permanente de gest&atilde;o de crises em substitui&ccedil;&atilde;o do MEEF e do FEEF ficaria dependente de uma altera&ccedil;&atilde;o dos tratados da UE que estabelecesse as condi&ccedil;&otilde;es necess&aacute;rias para uma participa&ccedil;&atilde;o adequada por parte dos credores privados<a name="top37" id="top37"></a><a href="#37"><sup>37</sup></a>. A mesma posi&ccedil;&atilde;o seria adoptada alguns dias mais tarde no Conselho Europeu de 28-29 de Outubro, onde ficou decidido que o papel do sector privado seria tido em conta nas caracter&iacute;sticas do futuro mecanismo<a name="top38" id="top38"></a><a href="#38"><sup>38</sup></a>.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>De um ponto de vista te&oacute;rico, a participa&ccedil;&atilde;o do sector privado fazia todo o sentido. Afinal, os contribuintes tinham resgatado bancos e investidores privados em praticamente todos os pa&iacute;ses europeus desde o in&iacute;cio da crise. De certa forma, a crise financeira de 2007-2008 tinha sido provocada pelo risco moral no sector privado – em particular no sector financeiro, com os seus comportamentos de risco irrespons&aacute;veis e o seu &laquo;talento para privatizar ganhos e socializar perdas&raquo;<a name="top39" id="top39"></a><a href="#39"><sup>39</sup></a>. Por&eacute;m, introduzir esta ideia no contexto de um mercado extremamente vol&aacute;til, e sem fornecer pormenores acerca do seu funcionamento, foi como tentar apagar um fogo com gasolina.</p>     <p>De facto, os custos do cr&eacute;dito aumentaram para Portugal e Irlanda depois do encontro de Deauville, e continuaram a aumentar depois do Conselho Europeu de 28 e 29 de Outubro. Nem mesmo o acordo alcan&ccedil;ado, depois de duras negocia&ccedil;&otilde;es, entre o Governo portugu&ecirc;s e o principal partido da oposi&ccedil;&atilde;o (o PSD), no final de sexta-feira, 29 de Outubro, relativo ao or&ccedil;amento de austeridade de 2011, teve qualquer efeito positivo sobre os pre&ccedil;os das obriga&ccedil;&otilde;es. Tornara-se claro nessa altura que as boas not&iacute;cias a n&iacute;vel nacional poderiam sempre ser anuladas por m&aacute;s not&iacute;cias a n&iacute;vel europeu, o que fazia com que o destino dos pa&iacute;ses mais vulner&aacute;veis se tornasse dependente n&atilde;o s&oacute; das suas pr&oacute;prias actua&ccedil;&otilde;es, mas tamb&eacute;m das dos parceiros europeus.</p>     <p>Face &agrave; press&atilde;o continuada dos mercados, e vendo a sua d&iacute;vida p&uacute;blica aumentar &agrave; medida que ia assumindo as enormes d&iacute;vidas de bancos t&oacute;xicos, a 22 de Novembro a Irlanda requereu acesso ao FEEF de forma a apoiar o seu sistema financeiro. O eurogrupo e os ministros do Ecofin acordaram, a 28 de Novembro, um pacote de 85 mil milh&otilde;es de euros, destinado a refor&ccedil;ar a curto prazo e a reestruturar totalmente o sistema banc&aacute;rio irland&ecirc;s.</p>     <p>No dia 28 de Novembro de 2010, &agrave; margem desse encontro, o eurogrupo emitiu uma declara&ccedil;&atilde;o particularmente importante, que visava apaziguar os receios dos mercados relativos &agrave; participa&ccedil;&atilde;o do sector privado no futuro Mecanismo Europeu de Estabilidade (mee), e no qual eram acordadas as principais directivas desse mecanismo. Ficou decidido que o MEE providenciaria uma participa&ccedil;&atilde;o caso a caso dos credores privados, em linha com as pol&iacute;ticas do FMI. Neste contexto, os ministros estabeleceram uma distin&ccedil;&atilde;o clara entre os pa&iacute;ses solventes, em rela&ccedil;&atilde;o aos quais os credores privados seriam encorajados a manter a sua exposi&ccedil;&atilde;o de acordo com as regula&ccedil;&otilde;es internacionais e as pr&aacute;ticas do FMI, e os pa&iacute;ses insolventes, que teriam de negociar individualmente um plano abrangente de reestrutura&ccedil;&atilde;o com os credores privados de forma a restabelecer a sustentabilidade da d&iacute;vida. Ficou decidido que cl&aacute;usulas de ac&ccedil;&atilde;o colectiva (CACs) estandardizadas e id&ecirc;nticas seriam inclu&iacute;das em todas as novas obriga&ccedil;&otilde;es da d&iacute;vida p&uacute;blica da zona euro. Para al&eacute;m disso, ficou claro que qualquer envolvimento do sector privado, incluindo o recurso a cacs, n&atilde;o entraria em vigor antes de meados de 2013<a name="top40" id="top40"></a><a href="#40"><sup>40</sup></a>. </p>     <p>&nbsp;</p>     <p>PORTUGAL: O SENHOR QUE SE SEGUE</p>     <p>Em finais de 2010, e em menos de dez meses, a UE chegara a acordo em rela&ccedil;&atilde;o a mudan&ccedil;as fundamentais na sua governa&ccedil;&atilde;o econ&oacute;mica e atingira o que um ano antes teria sido considerado uma revolu&ccedil;&atilde;o em termos de mecanismos de gest&atilde;o de crises. Tinham sido obtidos acordos pol&iacute;ticos sobre os novos elementos de governa&ccedil;&atilde;o econ&oacute;mica, incluindo novas e mais severas san&ccedil;&otilde;es relativas &agrave; disciplina or&ccedil;amental e &agrave; supervis&atilde;o macroecon&oacute;mica. Um novo quadro de coordena&ccedil;&atilde;o econ&oacute;mica no contexto do semestre europeu estava prestes a ser lan&ccedil;ado no in&iacute;cio de 2011. No que constitu&iacute;a um elemento talvez mais surpreendente, mecanismos de ajuda financeira tinham sido acordados, estabelecidos e estavam a ser utilizados por membros do euro em dificuldades. De igual modo, decidira-se que estes mecanismos tempor&aacute;rios seriam substitu&iacute;dos por um mecanismo permanente em 2013. Indubitavelmente, estas foram decis&otilde;es estruturais de grande import&acirc;ncia.</p>     <p>Ainda assim, o sentimento em Dezembro era o de que a UE n&atilde;o estava a conseguir acompanhar o desenrolar dos acontecimentos e que por vezes acabava mesmo por acentuar os problemas, como se verificara aquando da disputa acerca da participa&ccedil;&atilde;o do sector privado. Na verdade, o consenso pol&iacute;tico tinha sido, e continuava a ser, extremamente dif&iacute;cil de alcan&ccedil;ar. As percep&ccedil;&otilde;es acerca da crise e as situa&ccedil;&otilde;es econ&oacute;micas dos pa&iacute;ses perif&eacute;ricos e dos pa&iacute;ses da Europa Central e do Norte divergiam consideravelmente. Para al&eacute;m disso, os interesses tamb&eacute;m eram diferentes. Alguns membros do euro n&atilde;o s&oacute; continuavam a apresentar indicadores econ&oacute;micos saud&aacute;veis como estavam ainda longe de sentir os efeitos negativos da crise da d&iacute;vida soberana nas suas capacidades de financiamento. Pelo contr&aacute;rio, a Alemanha e alguns pa&iacute;ses do Norte e Centro da Europa registaram at&eacute; taxas de juro mais baixas nas suas d&iacute;vidas, que se assumiram como portos de abrigo para os investidores em fuga das obriga&ccedil;&otilde;es mais arriscadas.</p>     <p>Para al&eacute;m disso, uma parte significativa dos eleitorados desses pa&iacute;ses via a crise quase exclusivamente como o resultado de uma errada gest&atilde;o or&ccedil;amental – uma ideia incentivada por grande parte da imprensa e por partidos pol&iacute;ticos que tentavam beneficiar de sentimentos nacionalistas e populistas. Como &eacute; &oacute;bvio, esta situa&ccedil;&atilde;o fez com que a solidariedade europeia se tornasse mais complicada e contribuiu para uma maior tens&atilde;o no debate pol&iacute;tico.</p>     <p>No caso portugu&ecirc;s, o resgate da Irlanda e a declara&ccedil;&atilde;o do eurogrupo de 28 de Novembro acerca da participa&ccedil;&atilde;o do sector privado trouxe um al&iacute;vio, se bem que de pouca dura, &agrave;s taxas de juro, que desceram de pouco mais de sete por cento para ligeiramente abaixo dos seis por cento. O sentimento n&atilde;o era, por&eacute;m, de conforto. Com a Gr&eacute;cia e a Irlanda sob a al&ccedil;ada de programas de ajuda internacional, as aten&ccedil;&otilde;es estavam agora viradas para Portugal. Portugal era sem d&uacute;vida o membro da zona euro mais vulner&aacute;vel que continuava a financiar-se nos mercados.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Em Novembro de 2010, o Parlamento portugu&ecirc;s aprovou o mais duro or&ccedil;amento de austeridade em cerca de trinta anos, visando atingir um d&eacute;fice de 4,6 por cento em finais de 2011 – o equivalente a uma redu&ccedil;&atilde;o de cinco pontos percentuais do d&eacute;fice estrutural. Do lado da despesa, os sal&aacute;rios do sector p&uacute;blico sofreram uma redu&ccedil;&atilde;o geral de cinco por cento, as novas contrata&ccedil;&otilde;es na administra&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica foram essencialmente bloqueadas e as promo&ccedil;&otilde;es de carreira e progress&otilde;es salariais foram proibidas. Subs&iacute;dios e apoios sociais foram reduzidos e as pens&otilde;es foram congeladas. O Servi&ccedil;o Nacional de Sa&uacute;de e outros programas de investimento p&uacute;blico foram alvos de cortes. Do lado da receita, as medidas inclu&iacute;ram um aumento de dois pontos percentuais na taxa normal do IVA e de um ponto percentual nas contribui&ccedil;&otilde;es dos trabalhadores para a Caixa Geral de Aposenta&ccedil;&otilde;es.</p>     <p>No in&iacute;cio de 2011, os indicadores revelavam que o d&eacute;fice de 2010 estaria pr&oacute;ximo dos 6,8 por cento, um valor inferior &agrave; meta de 7,3 por cento estabelecida em Maio, e tamb&eacute;m que a economia portuguesa tinha crescido em 2010 a uma taxa razo&aacute;vel de 1,3 por cento, embora a velocidade de crescimento tivesse diminu&iacute;do ao longo do ano, com o &uacute;ltimo trimestre a registar j&aacute; um crescimento trimestral negativo.</p>     <p>Contudo, o sentimento nos mercados era claro: Portugal teria de pedir ajuda financeira com brevidade. No in&iacute;cio de 2011, uma s&eacute;rie de not&iacute;cias, normalmente baseadas em fontes an&oacute;nimas na zona euro, contribuiu para este sentimento, ao afirmarem reiteradamente que os estados-membros do n&uacute;cleo duro estavam a pressionar no sentido de uma ajuda financeira e que Portugal n&atilde;o conseguiria resistir muito mais tempo, ou que um plano j&aacute; estava a ser preparado face &agrave; imin&ecirc;ncia de um pedido de ajuda. Um bom exemplo, de in&iacute;cios de Janeiro, foi a not&iacute;cia bastante difundida do <i>Der Spiegel</i>, segundo a qual a Alemanha e a Fran&ccedil;a estariam a tentar persuadir Portugal a n&atilde;o adiar um resgate que se afigurava inevit&aacute;vel<a name="top41" id="top41"></a><a href="#41"><sup>41</sup></a>. Esta not&iacute;cia foi negada pelos tr&ecirc;s governos em causa mas, de qualquer modo, quando quatro dias mais tarde Portugal teve o seu primeiro leil&atilde;o da d&iacute;vida desse ano, a imprensa internacional dirigiu-se para Lisboa &agrave; espera que o inevit&aacute;vel acontecesse – e o inevit&aacute;vel n&atilde;o aconteceu. As obriga&ccedil;&otilde;es a tr&ecirc;s anos foram colocadas ao pre&ccedil;o relativamente elevado de 5,396 por cento, mas abaixo dos pre&ccedil;os dos mercados secund&aacute;rios e com um r&aacute;cio de cobertura de propostas de 2,6.</p>     <p>Tornara-se claro que afastar a press&atilde;o dos mercados seria extremamente dif&iacute;cil. O facto de a opini&atilde;o dominante no seio da UE continuar a ser a de que qualquer ajuda financeira deveria ser vista como uma op&ccedil;&atilde;o de &uacute;ltimo recurso, aliada &agrave; rejei&ccedil;&atilde;o completa por parte de v&aacute;rios governos de qualquer outra solu&ccedil;&atilde;o que tirasse partido do peso econ&oacute;mico da totalidade da zona euro, em especial dos seus membros mais fortes, no sentido de acalmar os receios de mercado, fez com que Portugal se encontrasse na posi&ccedil;&atilde;o de ter de enfrentar sozinho o sentimento dos mercados, podendo apenas contar consigo pr&oacute;prio para inverter a situa&ccedil;&atilde;o. Em Dezembro de 2010, a defesa por parte de Jean-Claude Juncker e Giulio Tremonti das obriga&ccedil;&otilde;es europeias como uma resposta sist&eacute;mica da zona euro &agrave; crise<a name="top42" id="top42"></a><a href="#42"><sup>42</sup></a> foi recebida com extremo cepticismo, mesmo nos c&iacute;rculos mais convictamente europe&iacute;stas.</p>     <p>As vulnerabilidades da economia portuguesa e a sua hist&oacute;ria recente de fraco crescimento e d&eacute;fices externos muito elevados refor&ccedil;aram os sentimentos negativos dos mercados. Que tivesse sido a Irlanda e n&atilde;o Portugal a pedir ajuda financeira – quando os problemas estruturais portugueses eram muito maiores, e apesar dos problemas dos bancos irlandeses – continuava a ser um mist&eacute;rio para muitos meios de comunica&ccedil;&atilde;o anglo-sax&oacute;nicos.</p>     <p>O facto de Portugal ser uma pequena economia no contexto europeu tamb&eacute;m n&atilde;o facilitou a situa&ccedil;&atilde;o. Depois de a Irlanda recorrer &agrave; ajuda internacional, e apesar de Portugal ser considerado &laquo;o senhor que se segue&raquo;, a maior parte das preocupa&ccedil;&otilde;es n&atilde;o pareciam recair sobre Portugal mas sim sobre a Espanha. O que verdadeiramente assustava os l&iacute;deres europeus era a eventualidade de terem de resgatar a Espanha.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>PORTUGAL RESISTE: A AUSTERIDADE NACIONAL E A FLEXIBILIDADE DO FEEF</p>     <p>O sentimento nos centros financeiros, comunicado diariamente por analistas de mercado e jornalistas, era o de que Portugal n&atilde;o conseguiria resistir. Ao contr&aacute;rio da Gr&eacute;cia e da Irlanda, n&atilde;o houve um acontecimento decisivo a minar a confian&ccedil;a dos mercados. O cont&aacute;gio e as vulnerabilidades econ&oacute;micas portuguesas contribu&iacute;ram para as percep&ccedil;&otilde;es negativas dos mercados.</p>     <p>Todavia, Portugal tinha raz&otilde;es para resistir &agrave; press&atilde;o dos mercados. O Governo acreditava que Portugal tinha condi&ccedil;&otilde;es para evitar uma ajuda internacional. A consolida&ccedil;&atilde;o or&ccedil;amental de 2010 e o Or&ccedil;amento de 2011 implicavam cortes muito mais duros, que se reflectiriam inevitavelmente nos resultados or&ccedil;amentais. De facto, a execu&ccedil;&atilde;o or&ccedil;amental demonstrou um d&eacute;fice em quebra substancial j&aacute; no in&iacute;cio do ano, com uma diminui&ccedil;&atilde;o da despesa e um aumento das receitas.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Para al&eacute;m disso, pedir um resgate n&atilde;o seria lucrativo para Portugal dadas as condi&ccedil;&otilde;es existentes na altura. As taxas de juro da ajuda financeira internacional eram altas (cerca de 5,2 por cento para a Gr&eacute;cia e 5,8 por cento para a Irlanda) e, no caso portugu&ecirc;s, n&atilde;o eram muito melhores do que as condi&ccedil;&otilde;es de mercado naquele momento. De igual modo, a taxa de juro impl&iacute;cita da d&iacute;vida soberana permanecia nos 3,5 por cento, mais baixa do que a da B&eacute;lgica (3,6 por cento) ou a da It&aacute;lia (3,8 por cento), por exemplo, o que significava que havia uma margem para aguentar taxas mais altas durante algum tempo. Simula&ccedil;&otilde;es de um cen&aacute;rio de emiss&atilde;o de obriga&ccedil;&otilde;es a sete por cento durante a totalidade de 2011 demonstravam que no final do ano o custo impl&iacute;cito do financiamento estaria ainda abaixo dos cinco por cento<a name="top43" id="top43"></a><a href="#43"><sup>43</sup></a>. Obriga&ccedil;&otilde;es da d&iacute;vida p&uacute;blica a dez anos tinham sido emitidas em Janeiro a uma taxa de juro de 6,716 por cento, e algumas economias emergentes haviam revelado um interesse na d&iacute;vida portuguesa, o que permitiu alguma diversifica&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>Adicionalmente, embora os l&iacute;deres europeus estivessem certamente mais preocupados com a eventualidade de um resgate &agrave; Espanha, tornara-se &oacute;bvio por essa altura que a estrat&eacute;gia de circunscri&ccedil;&atilde;o n&atilde;o estava a surtir efeitos. Colocar a Gr&eacute;cia sob a al&ccedil;ada da ajuda financeira internacional n&atilde;o prevenira o cont&aacute;gio, e o resgate da Irlanda n&atilde;o conseguira acalmar os mercados. Pelo contr&aacute;rio, n&atilde;o s&oacute; as taxas de rendimento nos mercados secund&aacute;rios continuaram a aumentar substancialmente para as obriga&ccedil;&otilde;es gregas e irlandesas, mas tamb&eacute;m os receios dos mercados pareciam direccionar-se para o pa&iacute;s que era visto como o pr&oacute;ximo na linha. Com um cont&aacute;gio t&atilde;o evidente, era pouco prov&aacute;vel que uma ajuda financeira conseguisse circunscrever Portugal em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; Espanha. Poderia, bem pelo contr&aacute;rio, concentrar a press&atilde;o sobre a Espanha e talvez sobre outras economias como a da It&aacute;lia e a da B&eacute;lgica.</p>     <p>No plano interno, a resist&ecirc;ncia ao resgate financeiro era apoiada pela maioria da popula&ccedil;&atilde;o, marcada por mem&oacute;rias das duas anteriores interven&ccedil;&otilde;es do FMI em Portugal, em 1978 e 1983, na sequ&ecirc;ncia de crises na balan&ccedil;a de pagamentos. A opini&atilde;o geral era que o resgate iria afectar negativamente, e durante muito tempo, a credibilidade de Portugal na Europa e no mundo. A curto prazo, o resgate iria reduzir ainda mais a margem de manobra, j&aacute; de si pequena, do governo minorit&aacute;rio.</p>     <p>Estas raz&otilde;es levaram a que continuasse a fazer sentido, em termos econ&oacute;micos e pol&iacute;ticos, que Portugal continuasse com acesso aos mercados internacionais, ao mesmo tempo que se esperava que bons resultados e reformas no plano interno, bem como boas decis&otilde;es no plano europeu, come&ccedil;assem a reverter o clima dos mercados.</p>     <p>De facto, embora fosse dif&iacute;cil evitar um sentimento de frustra&ccedil;&atilde;o pela falta de decis&otilde;es mais determinadas por parte dos l&iacute;deres europeus, as posi&ccedil;&otilde;es dos estados-membros tinham evolu&iacute;do ao longo de 2010, &agrave; medida que os eventos se desenrolavam e a crise se aprofundava. O facto de propostas ambiciosas como a cria&ccedil;&atilde;o de obriga&ccedil;&otilde;es europeias estarem a ser avan&ccedil;adas e apoiadas por alguns l&iacute;deres (ainda que fossem rejeitadas por muitos outros) demonstrava que a Europa estava em movimento, que se procurava o melhor equil&iacute;brio para responder &agrave; crise da d&iacute;vida soberana. &Agrave; margem do Conselho Europeu de 16-17 de Dezembro, os chefes de Estado e de Governo da zona euro declararam que elementos da estrat&eacute;gia da zona euro, incluindo a garantia de ajuda financeira apropriada atrav&eacute;s do FEEF – enquanto o mecanismo permanente n&atilde;o entrava em vigor –, seriam desenvolvidos nos meses seguintes sob a forma de uma resposta abrangente a quaisquer desafios e como parte de uma nova governa&ccedil;&atilde;o econ&oacute;mica<a name="top44" id="top44"></a><a href="#44"><sup>44</sup></a>. O significado desta frase, mesmo na sua vers&atilde;o mais suavizada – depois de insist&ecirc;ncias por parte dos membros da &laquo;linha dura&raquo; durante a cimeira – era o de que a porta n&atilde;o estava fechada &agrave; possibilidade de uma maior flexibilidade da ajuda ao abrigo do FEEF, nomeadamente atrav&eacute;s de interven&ccedil;&otilde;es directas nos mercados da d&iacute;vida.</p>     <p>O Conselho Europeu reuniu-se de novo a 4 de Fevereiro, numa cimeira que visava debru&ccedil;ar-se sobre quest&otilde;es de energia e inova&ccedil;&atilde;o. Em vez disso, o centro das aten&ccedil;&otilde;es foi a ideia franco-alem&atilde; de cria&ccedil;&atilde;o de um &laquo;Pacto de Competitividade&raquo;. Embora os pormenores deste pacto tivessem sido deixados para negocia&ccedil;&otilde;es posteriores entre &laquo;sherpas&raquo;, os l&iacute;deres da zona euro apoiaram a ideia de uma mudan&ccedil;a qualitativa na coordena&ccedil;&atilde;o das pol&iacute;ticas econ&oacute;micas na zona euro, de forma a aumentar a competitividade e permitir um grau mais elevado de converg&ecirc;ncia. O pacto estava direccionado para os membros do euro, embora os n&atilde;o membros tivessem sido convidados a participar<a name="top45" id="top45"></a><a href="#45"><sup>45</sup></a>. A ideia do pacto, apresentada aos jornalistas por Angela Merkel e Nicolas Sarkozy em Bruxelas no dia do Conselho Europeu, visava uma coordena&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica mais aprofundada mas tamb&eacute;m a cria&ccedil;&atilde;o de um plano de ac&ccedil;&atilde;o para os pa&iacute;ses convergirem no sentido do modelo de competitividade alem&atilde;o, plano esse que inclu&iacute;a quatro &aacute;reas principais: os custos de trabalho unit&aacute;rios, atrav&eacute;s da aboli&ccedil;&atilde;o de regimes de indexa&ccedil;&atilde;o de sal&aacute;rios; os sistemas de pens&otilde;es, atrav&eacute;s do aumento da idade da reforma; o aumento da harmoniza&ccedil;&atilde;o fiscal, atrav&eacute;s da cria&ccedil;&atilde;o de uma base comum para os impostos sobre pessoas colectivas; e a disciplina or&ccedil;amental, atrav&eacute;s da introdu&ccedil;&atilde;o de limites constitucionais &agrave; d&iacute;vida nacional.</p>     <p>O que estava impl&iacute;cito nas discuss&otilde;es do Conselho Europeu, mas que se tornaria expl&iacute;cito durante as negocia&ccedil;&otilde;es subsequentes do Pacto de Competitividade (ou Pacto Euro Plus, como seria denominada a sua vers&atilde;o final), era que este faria parte de um pacote mais alargado, que incluiria o fortalecimento da capacidade e flexibilidade do FEEF – a grande decis&atilde;o a ser tomada no Conselho Europeu de finais de Mar&ccedil;o. Isto era visto como particularmente importante por muitos daqueles que clamavam por uma resposta abrangente da zona euro. As interven&ccedil;&otilde;es na Gr&eacute;cia e na Irlanda n&atilde;o tinham conseguido acalmar os mercados e era evidente que o FEEF n&atilde;o tinha capacidade para lidar com um eventual resgate da Espanha, caso esta pedisse ajuda financeira.</p>     <p>O refor&ccedil;o da capacidade de interven&ccedil;&atilde;o do FEEF, atrav&eacute;s de um aumento de capital que assegurasse a capacidade de 440 mil milh&otilde;es de euros anunciada inicialmente, estava na agenda desde Dezembro. A nota&ccedil;&atilde;o triplo-A do FEEF significava que o capital inicial de 440 mil milh&otilde;es de euros acordado em Maio de 2010 equivalia a uma capacidade de empr&eacute;stimo de apenas 255 mil milh&otilde;es de euros, uma vez que apenas seis dos dezassete membros da zona euro tinham nota&ccedil;&atilde;o triplo-A.</p>     <p>Mais importante ainda, aumentar a flexibilidade das modalidades de interven&ccedil;&atilde;o do FEEF, autorizando-o, nomeadamente, a aceder de forma directa, ainda que sob condi&ccedil;&otilde;es, aos mercados de obriga&ccedil;&otilde;es prim&aacute;rios e secund&aacute;rios, e rendendo dessa forma o BCE e o seu programa extraordin&aacute;rio e controverso de compra de obriga&ccedil;&otilde;es, era visto por muitos, incluindo Portugal, como essencial para estabilizar os mercados de obriga&ccedil;&otilde;es soberanas da zona euro. Era para isto, e n&atilde;o para o Pacto do Euro – cujos efeitos se fariam sentir apenas a longo prazo – que a aten&ccedil;&atilde;o dos mercados se virara ap&oacute;s o Conselho Europeu.</p>     <p>Para Portugal, algo mais estava em jogo durante a cimeira de 4 de Fevereiro. Em Janeiro, Portugal tinha conseguido emitir com sucesso obriga&ccedil;&otilde;es e t&iacute;tulos do Tesouro a taxas decrescentes, ainda que altas. Os t&iacute;tulos do Tesouro a um ano tinham sido subscritos a 4,029 por cento no dia 19 de Janeiro e a 3,71 por cento no dia 2 de Fevereiro. Ainda assim, a press&atilde;o e a volatilidade dos mercados continuavam a ser muito intensas nas obriga&ccedil;&otilde;es portuguesas, com as taxas de juro das obriga&ccedil;&otilde;es a dez anos no mercado secund&aacute;rio a permanecerem ligeiramente abaixo dos sete por cento durante o m&ecirc;s. O BCE contribu&iacute;ra para a redu&ccedil;&atilde;o da volatilidade ao prosseguir com o seu programa de compra de obriga&ccedil;&otilde;es no in&iacute;cio de Janeiro, &agrave; medida que as not&iacute;cias de um iminente resgate de Portugal afectavam os mercados, embora tivesse suspendido temporariamente a compra de obriga&ccedil;&otilde;es em meados do m&ecirc;s<a name="top46" id="top46"></a><a href="#46"><sup>46</sup></a>. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A compra de obriga&ccedil;&otilde;es por parte do BCE n&atilde;o era uma medida popular entre os membros da linha dura, mas a actua&ccedil;&atilde;o do BCE era, na verdade, o melhor instrumento da zona euro contra a volatilidade dos mercados. O or&ccedil;amento de austeridade de 2011, negociado pelos dois principais partidos portugueses, permitiu garantir ao BCE que Portugal se encontrava no caminho da consolida&ccedil;&atilde;o or&ccedil;amental. O cen&aacute;rio macroecon&oacute;mico previsto pela proposta de or&ccedil;amento apresentada ao Parlamento em meados de Outubro de 2010 inclu&iacute;a uma projec&ccedil;&atilde;o de crescimento do PIB de 0,2 por cento. Este n&uacute;mero foi visto como demasiado optimista, mas uma projec&ccedil;&atilde;o mais cautelosa de -0,7 por cento constitu&iacute;ra o cen&aacute;rio para a previs&atilde;o de receitas fiscais.</p>     <p>No entanto, as previs&otilde;es das institui&ccedil;&otilde;es internacionais em finais de 2010 e in&iacute;cios de 2011 eram mais pessimistas do que o cen&aacute;rio de -0,7 por cento. Nas suas previs&otilde;es econ&oacute;micas de Outono, publicadas a 29 de Novembro de 2010, a Comiss&atilde;o Europeia previa uma recess&atilde;o econ&oacute;mica de menos um por cento do PIB para Portugal. No seu boletim econ&oacute;mico de Inverno, publicado a 11 de Janeiro de 2011, o Banco de Portugal previu uma quebra de 1,3 por cento do PIB. Os fracos indicadores de crescimento referentes ao quarto trimestre e, em particular, as medidas de austeridade inclu&iacute;das no or&ccedil;amento de 2011 estavam agora a ser processadas pelas institui&ccedil;&otilde;es e reflectiram-se em cen&aacute;rios mais negativos para 2011. As diferen&ccedil;as nas previs&otilde;es revelavam uma discrep&acirc;ncia entre o Governo portugu&ecirc;s e as institui&ccedil;&otilde;es da UE no que respeitava &agrave;s projec&ccedil;&otilde;es or&ccedil;amentais de 2011 visando a meta de 4,6 por cento de d&eacute;fice.</p>     <p>As preocupa&ccedil;&otilde;es com esta discrep&acirc;ncia estiveram na origem de um dos par&aacute;grafos da declara&ccedil;&atilde;o da zona euro de 4 de Fevereiro. Uma parte do pacote global a ser finalizado em Mar&ccedil;o consistia na avalia&ccedil;&atilde;o por parte da Comiss&atilde;o, em liga&ccedil;&atilde;o com o BCE, dos progressos efectuados pelos estados-membros da zona euro na implementa&ccedil;&atilde;o de medidas destinadas a fortalecer as posi&ccedil;&otilde;es or&ccedil;amentais e as perspectivas de crescimento<a name="top47" id="top47"></a><a href="#47"><sup>47</sup></a>. Esta era uma mensagem para que Portugal implementasse rapidamente medidas de conting&ecirc;ncia que tivessem em considera&ccedil;&atilde;o as projec&ccedil;&otilde;es de um crescimento reduzido.</p>     <p>Ap&oacute;s a cimeira de 4 de Fevereiro, a press&atilde;o dos mercados intensificou-se com as not&iacute;cias da resist&ecirc;ncia alem&atilde; ao fortalecimento e flexibiliza&ccedil;&atilde;o do FEEF<a name="top48" id="top48"></a><a href="#48"><sup>48</sup></a>, e o BCE recome&ccedil;ou a comprar d&iacute;vida portuguesa numa tentativa de conter as taxas de juro<a name="top49" id="top49"></a><a href="#49"><sup>49</sup></a>, que entretanto superaram os sete por cento para as obriga&ccedil;&otilde;es a dez anos. Ao mesmo tempo, as autoridades portuguesas reuniram-se em Lisboa com membros da Comiss&atilde;o Europeia e do BCE para discutir o desvio or&ccedil;amental de 2011, bem como as medidas necess&aacute;rias para atingir as metas do d&eacute;fice de 2012 e 2013 de tr&ecirc;s por cento e dois por cento do PIB, respectivamente.</p>     <p>Janeiro tinha sido o m&ecirc;s mais longo da crise portuguesa, e poucos pensavam que o Pa&iacute;s conseguiria resistir. Indicadores preliminares positivos em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; execu&ccedil;&atilde;o do Or&ccedil;amento de 2011, aliados aos sinais de determina&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica por parte de Portugal no sentido de que tudo faria para resistir &agrave; press&atilde;o dos mercados, refor&ccedil;aram os sinais vindos das institui&ccedil;&otilde;es da UE e de importantes parceiros europeus de que o resgate a Portugal poderia talvez ser evitado. Esta mudan&ccedil;a n&atilde;o foi por&eacute;m acompanhada pelos mercados.</p>     <p>Para que esta ligeira altera&ccedil;&atilde;o de sentimentos se traduzisse num apoio mais s&oacute;lido e expl&iacute;cito por parte dos parceiros europeus e, possivelmente, numa invers&atilde;o da tend&ecirc;ncia de volatilidade dos mercados, o Governo portugu&ecirc;s teria de ter em conta as preocupa&ccedil;&otilde;es das institui&ccedil;&otilde;es da UE. Informa&ccedil;&otilde;es preliminares relativas &agrave; execu&ccedil;&atilde;o or&ccedil;amental nos primeiros dois meses apontavam para valores consistentes com as metas definidas. As receitas fiscais hom&oacute;logas tinham aumentado cerca de 10,5 por cento e a despesa total do Estado tinha diminu&iacute;do 3,6 por cento, com as despesas salariais em particular a sofrerem uma redu&ccedil;&atilde;o de 5,2 por cento<a name="top50" id="top50"></a><a href="#50"><sup>50</sup></a>. Contudo, e de acordo com as previs&otilde;es das institui&ccedil;&otilde;es internacionais, era indispens&aacute;vel adoptar uma vis&atilde;o cautelosa devido aos riscos econ&oacute;micos acrescidos resultantes da austeridade e da volatilidade dos mercados. </p>     <p>&nbsp;</p>     <p>Corrigir o desvio</p>     <p>Neste contexto, o Governo portugu&ecirc;s implementou medidas do lado da despesa que correspondiam a um corte adicional de 0,8 por cento do PIB, a serem adoptadas de imediato em 2011 como forma de precau&ccedil;&atilde;o. Para al&eacute;m disso, medidas destinadas a garantir as metas de 2012 e 2013 tinham de ser detalhadas antes da cimeira da zona euro de 11 de Mar&ccedil;o onde o pacote global seria discutido, antecipando o calend&aacute;rio habitual de Abril para a apresenta&ccedil;&atilde;o dos Programas de Estabilidade. Garantias concretas por parte do Governo portugu&ecirc;s relativas &agrave;s metas or&ccedil;amentais e uma avalia&ccedil;&atilde;o positiva por parte das institui&ccedil;&otilde;es da UE acerca da credibilidade das medidas adoptadas em 2011 e planeadas para 2012 e 2013 faziam parte deste pacote.</p>     <p>A 11 de Mar&ccedil;o, horas antes da cimeira em Bruxelas, o Governo portugu&ecirc;s anunciou as linhas de orienta&ccedil;&atilde;o para atingir as metas de consolida&ccedil;&atilde;o or&ccedil;amental de 2011, 2012 e 2013<a name="top51" id="top51"></a><a href="#51"><sup>51</sup></a>. Para 2012 e 2013, o Governo previa uma redu&ccedil;&atilde;o da despesa de 2,4 por cento do PIB (1,6 por cento em 2012 e 0,8 por cento em 2013) e um aumento da receita de 1,3 por cento do PIB (0,9 por cento em 2012 e 0,4 por cento em 2013). Do lado da despesa, estas linhas de orienta&ccedil;&atilde;o inclu&iacute;am um congelamento dos sal&aacute;rios e da maioria das pens&otilde;es, uma redu&ccedil;&atilde;o das pens&otilde;es mais elevadas em linha com os cortes salariais de 2011, para al&eacute;m de poupan&ccedil;as na sa&uacute;de, educa&ccedil;&atilde;o, apoios sociais, empresas p&uacute;blicas e autarquias. Do lado da receita, haveria uma redu&ccedil;&atilde;o dos benef&iacute;cios fiscais, uma revis&atilde;o das taxas reduzidas do IVA, um aumento das taxas sobre o consumo e uma converg&ecirc;ncia total da tributa&ccedil;&atilde;o sobre pens&otilde;es e sal&aacute;rios.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>O Governo tamb&eacute;m se comprometeu a implementar mais reformas estruturais, em particular no sector da justi&ccedil;a, nas regras da concorr&ecirc;ncia e no sector da habita&ccedil;&atilde;o. No que diz respeito ao mercado do trabalho, o Governo propunha altera&ccedil;&otilde;es – que foram acordadas com os parceiros sociais antes do Conselho Europeu de 24 e 25 de Mar&ccedil;o – de forma a permitir a descentraliza&ccedil;&atilde;o de certos aspectos da concerta&ccedil;&atilde;o colectiva ao n&iacute;vel das empresas, e que previam tamb&eacute;m uma redu&ccedil;&atilde;o das indemniza&ccedil;&otilde;es por despedimento em contratos futuros e um aumento da flexibilidade na utiliza&ccedil;&atilde;o de instrumentos de suspens&atilde;o tempor&aacute;ria do contrato de trabalho por factos relativos &agrave; empresa (o chamado <i>lay-off</i>).</p>     <p>Na sequ&ecirc;ncia deste an&uacute;ncio, os presidentes da Comiss&atilde;o Europeia e do BCE emitiram uma declara&ccedil;&atilde;o &agrave; imprensa no dia da cimeira de 11 de Mar&ccedil;o, saudando e apoiando este pacote<a name="top52" id="top52"></a><a href="#52"><sup>52</sup></a>. Os l&iacute;deres da zona euro fizeram o mesmo nas conclus&otilde;es da cimeira, revelando uma mudan&ccedil;a de sentimentos em rela&ccedil;&atilde;o a Portugal em torno da mesa do Conselho Europeu.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>Um FEEF de flexibilidade limitada</p>     <p>A cimeira chegou a acordo relativamente ao Pacto do Euro. Este pacto – ao qual se juntariam, duas semanas mais tarde, no Conselho Europeu de 24-25 de Mar&ccedil;o, a Pol&oacute;nia, a Bulg&aacute;ria, a Dinamarca, a Litu&acirc;nia e a Let&oacute;nia – estabelecia as linhas de orienta&ccedil;&atilde;o para uma converg&ecirc;ncia dos seus membros no que concerne &agrave; competitividade, o emprego, as finan&ccedil;as p&uacute;blicas e a estabilidade financeira. Estas &aacute;reas seriam monitorizadas atrav&eacute;s de indicadores espec&iacute;ficos, no contexto de uma governa&ccedil;&atilde;o econ&oacute;mica refor&ccedil;ada.</p>     <p>Alcan&ccedil;ou-se igualmente um acordo relativo ao refor&ccedil;o dos mecanismos de gest&atilde;o de crises. A capacidade efectiva de financiamento seria aumentada para o MEE (para 500 mil milh&otilde;es de euros) e para o FEEF (para 440 mil milh&otilde;es de euros). Foi dado o primeiro passo para a redu&ccedil;&atilde;o do pre&ccedil;o dos empr&eacute;stimos do MEE e do FEEF, com a Gr&eacute;cia a beneficiar de taxas de juro mais baixas (menos 100 pontos-base) e prazos de vencimento mais alargados (sete anos e meio). Por&eacute;m, o aumento da flexibilidade destes instrumentos n&atilde;o correspondeu &agrave;s expectativas daqueles que desejavam uma mudan&ccedil;a mais profunda na zona euro. Foram feitas refer&ecirc;ncias &agrave; possibilidade de o MEE e o FEEF intervirem no mercado prim&aacute;rio da d&iacute;vida, mas apenas em situa&ccedil;&otilde;es excepcionais e no contexto de um programa de ajuda com fortes condicionalismos. N&atilde;o foi feita qualquer refer&ecirc;ncia a uma interven&ccedil;&atilde;o nos mercados secund&aacute;rios. As medidas de flexibiliza&ccedil;&atilde;o ficaram aqu&eacute;m do que era necess&aacute;rio para dotar a zona euro de um instrumento para combater as perturba&ccedil;&otilde;es no mercado. Esse papel manteve-se, exclusivamente, nas m&atilde;os do BCE.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>PEDIDO DE AJUDA FINANCEIRA</p>     <p>Como parte do Semestre Europeu, o Governo portugu&ecirc;s adoptou a 19 de Mar&ccedil;o o Programa de Estabilidade e Crescimento para 2012-2014 (que ficou conhecido como PEC IV<a name="top53" id="top53"></a><a href="#53"><sup>53</sup></a>), preparado com base nas directivas de austeridade anunciadas dias antes. A 23 de Mar&ccedil;o o Parlamento chumbou o pacote de austeridade (PEC IV). O resultado pol&iacute;tico era inevit&aacute;vel: o Pa&iacute;s ia para elei&ccedil;&otilde;es antecipadas.</p>     <p>Apesar de o ps, o PSD e o CDS-PP – os &uacute;nicos partidos com perspectivas plaus&iacute;veis de fazer parte de um futuro governo – declararem de forma clara o apoio &agrave; consolida&ccedil;&atilde;o or&ccedil;amental e &agrave;s reformas estruturais, os mercados reagiram de forma negativa &agrave; instabilidade pol&iacute;tica e as taxas de juro das obriga&ccedil;&otilde;es portuguesas subiram. Entre 24 de Mar&ccedil;o e 4 de Abril, em pouco mais de uma semana, as ag&ecirc;ncias de nota&ccedil;&atilde;o reduziram a nota&ccedil;&atilde;o portuguesa. A ag&ecirc;ncia Fitch reduziu-a de A+ para BBB- e a Standard &amp; Poor’s de A- para BBB-. Para al&eacute;m de interpretarem as conclus&otilde;es do Conselho Europeu de 24-25 de Mar&ccedil;o no sentido de que &laquo;a reestrutura&ccedil;&atilde;o da d&iacute;vida soberana &eacute; uma pr&eacute;-condi&ccedil;&atilde;o potencial para aceder a empr&eacute;stimos do MEE&raquo;<a name="top54" id="top54"></a><a href="#54"><sup>54</sup></a>, as ag&ecirc;ncias defendiam ainda que, a curto prazo, a instabilidade pol&iacute;tica provocaria dificuldades a Portugal no acesso a um apoio atempado por parte da UE. Com as elei&ccedil;&otilde;es a dois meses de dist&acirc;ncia, um acordo para o eventual programa de ajuda financeira teria de ser negociado pelo governo de gest&atilde;o. Para al&eacute;m disso, os resgates tinham-se tornado um tema quente na campanha eleitoral finlandesa, com o partido nacionalista dos &laquo;Verdadeiros Finlandeses&raquo; a subir nas sondagens, aparentemente devido &agrave; sua oposi&ccedil;&atilde;o radical aos resgates. As taxas de rendimento das obriga&ccedil;&otilde;es a dez anos subiram dos 7,367 por cento a 23 de Mar&ccedil;o para os 8,767 por cento a 5 de Abril.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Contribuindo para este cen&aacute;rio desanimador, a 31 de Mar&ccedil;o e a 24 de Abril, e na sequ&ecirc;ncia de uma nota de orienta&ccedil;&atilde;o do Eurostat relativa &agrave;s estruturas de transfer&ecirc;ncias financeiras e de directivas acerca do per&iacute;metro or&ccedil;amental do sector p&uacute;blico administrativo, o Instituto Nacional de Estat&iacute;stica reviu em alta os n&uacute;meros do d&eacute;fice or&ccedil;amental e da d&iacute;vida p&uacute;blica para os anos anteriores. Ainda que outros pa&iacute;ses europeus tenham sido tamb&eacute;m afectados, no caso portugu&ecirc;s estas correc&ccedil;&otilde;es implicaram n&uacute;meros de d&eacute;fice p&uacute;blico de 10,1 e 9,1 por cento do PIB para 2009 e 2010, respectivamente, em vez dos anteriores 9,3 e 6,8 por cento do PIB. Os n&uacute;meros da d&iacute;vida p&uacute;blica tamb&eacute;m subiram, para 83 por cento em 2009 e 93 por cento em 2010.</p>     <p>Estes novos n&uacute;meros resultaram da inclus&atilde;o no per&iacute;metro or&ccedil;amental das contas do Estado do resgate a bancos (Banco Portugu&ecirc;s de Neg&oacute;cios e Banco Privado Portugu&ecirc;s), de tr&ecirc;s companhias de transportes p&uacute;blicos (REFER, Metropolitano de Lisboa e Metro do Porto), bem como da inclus&atilde;o de tr&ecirc;s parcerias p&uacute;blico-privadas relativas a auto-estradas livres de portagens (SCUT), as quais, ap&oacute;s a introdu&ccedil;&atilde;o de portagens, tinham de ser consideradas como activos p&uacute;blicos e registadas como despesas de investimento.</p>     <p>Face ao colapso das condi&ccedil;&otilde;es de financiamento, n&atilde;o s&oacute; para a Rep&uacute;blica mas tamb&eacute;m para os bancos e empresas, a 7 de Abril o Governo portugu&ecirc;s, confrontado com o inevit&aacute;vel, pediu ajuda financeira internacional &agrave; UE e ao FMI.</p>     <p>As negocia&ccedil;&otilde;es para a ajuda financeira tiveram lugar durante o per&iacute;odo pr&eacute;-eleitoral, e nelas participaram o governo de gest&atilde;o e uma equipa t&eacute;cnica composta pela Comiss&atilde;o Europeia, o BCE e o FMI (a troika), com consultas permanentes aos principais partidos da oposi&ccedil;&atilde;o. O resultado final foi um vasto programa de ajustamento econ&oacute;mico e financeiro<a name="top55" id="top55"></a><a href="#55"><sup>55</sup></a>, assinado pelos tr&ecirc;s principais partidos e que inclu&iacute;a uma forte consolida&ccedil;&atilde;o or&ccedil;amental, reformas estruturais ambiciosas e um refor&ccedil;o do sector financeiro. Este programa foi acompanhado de um pacote financeiro de 78 mil milh&otilde;es de euros, 12 dos quais para uma eventual recapitaliza&ccedil;&atilde;o dos bancos.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Tabela 4</b> &gt; O desenrolar da crise – causas e efeitos</p>     <p><img src="/img/revistas/ri/n32/n32a05t4.jpg"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p><b>CONCLUS&Otilde;ES</b></p>     <p>Em 2002, com a procura interna em abrandamento significativo, Portugal entrou numa fase de fraco crescimento econ&oacute;mico. Tratava-se da terceira fase de um ciclo de crescimento, sobrevaloriza&ccedil;&atilde;o e quebra que come&ccedil;ara em meados da d&eacute;cada de 1990 com a perspectiva da ades&atilde;o ao euro, e que foi provocada por um insuficiente ajustamento das pol&iacute;ticas or&ccedil;amentais ao novo contexto monet&aacute;rio. A situa&ccedil;&atilde;o foi agudizada pelo impacto do alargamento da UE no investimento directo estrangeiro e nas trocas comerciais, bem como pela entrada de grandes economias emergentes nos mercados globais, que veio afectar a competitividade dos mais importantes sectores de exporta&ccedil;&atilde;o portugueses.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Na segunda parte do artigo, que analisa a economia portuguesa entre 2002 e 2008, defendeu-se que, com o abrandamento do crescimento, e &agrave; medida que a situa&ccedil;&atilde;o do Pa&iacute;s divergia de outras economias europeias equipar&aacute;veis, Portugal adoptou uma abordagem suave &agrave; correc&ccedil;&atilde;o de desequil&iacute;brios e &agrave; recupera&ccedil;&atilde;o das condi&ccedil;&otilde;es de crescimento econ&oacute;mico. O Pa&iacute;s entrou numa fase de modera&ccedil;&atilde;o/consolida&ccedil;&atilde;o or&ccedil;amental e de reformas estruturais. As despesas salariais foram controladas, a produtividade cresceu acima da m&eacute;dia da UE e a economia recuperou lentamente competitividade.</p>     <p>Durante o per&iacute;odo 2006-2010 as exporta&ccedil;&otilde;es cresceram acima da m&eacute;dia da UE, algo que n&atilde;o acontecia h&aacute; uma d&eacute;cada. Ainda assim, este per&iacute;odo demonstrou as dificuldades inerentes &agrave; correc&ccedil;&atilde;o de desequil&iacute;brios na balan&ccedil;a corrente, e em especial dos &laquo;d&eacute;fices g&eacute;meos&raquo;, no contexto da moeda &uacute;nica. Apesar do crescimento das exporta&ccedil;&otilde;es (que foi anulado em grande parte pelo aumento dos pre&ccedil;os energ&eacute;ticos e das taxas de juro), a posi&ccedil;&atilde;o internacional de investimento da economia continuou a degradar-se. Os dados mostram que quando o sector privado desalavancou o sector p&uacute;blico compensou com d&eacute;fices or&ccedil;amentais mais acentuados; e quando o sector p&uacute;blico se consolidou, o endividamento no sector privado cresceu. Uma desvaloriza&ccedil;&atilde;o interna mais intensa, em especial atrav&eacute;s de uma redu&ccedil;&atilde;o dos impostos sobre os sal&aacute;rios pagos pelos empregadores (Taxa Social &Uacute;nica), teria contribu&iacute;do para um ajustamento mais r&aacute;pido da economia. No entanto, teria feito com que as metas or&ccedil;amentais se tornassem mais dif&iacute;ceis de alcan&ccedil;ar – uma situa&ccedil;&atilde;o problem&aacute;tica para um pa&iacute;s que se encontrava sujeito a um procedimento por d&eacute;fice excessivo. Esta op&ccedil;&atilde;o poderia ter sido adoptada de forma gradual, refor&ccedil;ando dessa forma o processo de recupera&ccedil;&atilde;o de competitividade que o Pa&iacute;s estava a seguir; por&eacute;m, o seu impacto ao n&iacute;vel do d&eacute;fice externo teria sido mais lento. A conclus&atilde;o &eacute; clara: de forma a corrigir rapidamente os seus desequil&iacute;brios sem comprometer as metas or&ccedil;amentais, Portugal teria necessitado de passar por uma recess&atilde;o relativamente prolongada, resultante de uma pol&iacute;tica or&ccedil;amental bastante mais contraccionista<a name="top56" id="top56"></a><a href="#56"><sup>56</sup></a>. </p>     <p>Portugal adoptou uma abordagem suave &agrave; correc&ccedil;&atilde;o dos seus desequil&iacute;brios enquanto tal alternativa era ainda politicamente poss&iacute;vel. Tal abordagem deixou de ser op&ccedil;&atilde;o quando a crise da d&iacute;vida soberana atingiu a zona euro. Do programa de ajustamento acordado com as institui&ccedil;&otilde;es internacionais resulta uma &laquo;abordagem dura&raquo; face aos desequil&iacute;brios econ&oacute;micos de Portugal no contexto da moeda &uacute;nica (abordagem essa que j&aacute; estava impl&iacute;cita no Or&ccedil;amento de 2011).</p>     <p>Os desenvolvimentos anteriores &agrave; crise mostravam uma economia em transforma&ccedil;&atilde;o, a recuperar lentamente a sua competitividade. Estas tend&ecirc;ncias precisam de ser refor&ccedil;adas de forma clara. Registam-se sinais positivos. A tend&ecirc;ncia positiva ao n&iacute;vel das exporta&ccedil;&otilde;es, que t&ecirc;m crescido a um ritmo sustentado desde o in&iacute;cio de 2010<a name="top57" id="top57"></a><a href="#57"><sup>57</sup></a>, &eacute; um elemento essencial no reequilibrar da economia portuguesa. O inevit&aacute;vel recuo da procura interna, vis&iacute;vel desde o in&iacute;cio de 2011<a name="top58" id="top58"></a><a href="#58"><sup>58</sup></a> e que se espera que acelere ainda mais durante a primeira parte da implementa&ccedil;&atilde;o do programa, necessita, para que o programa tenha sucesso, de ser compensada em parte por um crescimento forte das exporta&ccedil;&otilde;es l&iacute;quidas<a name="top59" id="top59"></a><a href="#59"><sup>59</sup></a>. </p>     <p>O programa de ajustamento econ&oacute;mico e financeiro negociado entre Portugal e a troika &eacute; um roteiro ambicioso para a consolida&ccedil;&atilde;o or&ccedil;amental e as reformas estruturais. O programa prev&ecirc; um d&eacute;fice or&ccedil;amental de 5,9 por cento em 2011, 4,5 por cento em 2012 e tr&ecirc;s por cento em 2013, correspondendo a um ajustamento estrutural global de mais de nove pontos percentuais (4,5 pontos percentuais em 2011; 4,6 pontos percentuais em 2012-2013). Para al&eacute;m disso, o Governo portugu&ecirc;s apontou recentemente para metas do d&eacute;fice de 1,8 por cento e 0,5 por cento para 2014 e 2015, respectivamente (implicando uma redu&ccedil;&atilde;o acrescida de 1,1 ponto percentual no d&eacute;fice estrutural)<a name="top60" id="top60"></a><a href="#60"><sup>60</sup></a>. O cen&aacute;rio macroecon&oacute;mico do programa prev&ecirc; uma contrac&ccedil;&atilde;o econ&oacute;mica de 2,2 por cento em 2011 e 1,8 por cento em 2012, bem como o regresso ao crescimento em 2013. Inevitavelmente, a implementa&ccedil;&atilde;o deste programa &eacute; um enorme desafio.</p>     <p>O Governo que saiu das elei&ccedil;&otilde;es de 5 de Junho de 2011 &eacute; apoiado por uma larga maioria no Parlamento – 132 deputados em 230 (108 do PSD e 24 do CDS-PP) – e comprometeu-se com a implementa&ccedil;&atilde;o do programa na sua totalidade. O ps, que apoiou o anterior governo de minoria, &eacute; agora o principal partido da oposi&ccedil;&atilde;o com 78 deputados e tamb&eacute;m deu o seu aval ao programa de ajustamento e &agrave;s suas metas. Apesar das diferen&ccedil;as pol&iacute;ticas, &eacute; politicamente importante que partidos com 206 dos 230 deputados do Parlamento estejam comprometidos com a implementa&ccedil;&atilde;o e sucesso do programa de ajustamento.</p>     <p>Portugal tem as condi&ccedil;&otilde;es pol&iacute;ticas internas para alcan&ccedil;ar uma implementa&ccedil;&atilde;o atempada do programa e as condi&ccedil;&otilde;es econ&oacute;micas para ter sucesso e sair mais forte e competitivo em termos econ&oacute;micos. Com elei&ccedil;&otilde;es parlamentares previstas apenas para 2015, um governo de maioria est&aacute;vel e a colabora&ccedil;&atilde;o do principal partido da oposi&ccedil;&atilde;o, est&atilde;o reunidas as condi&ccedil;&otilde;es para a implementa&ccedil;&atilde;o com sucesso do programa de ajustamento econ&oacute;mico e financeiro. Isto &eacute; indispens&aacute;vel, uma vez que Portugal vai enfrentar anos de dificuldades econ&oacute;micas e sociais, para al&eacute;m de um dif&iacute;cil ajustamento econ&oacute;mico. O desemprego vai continuar a aumentar e os sal&aacute;rios ir&atilde;o inevitavelmente continuar a ressentir-se na totalidade da economia. As exporta&ccedil;&otilde;es ter&atilde;o de ser um elemento essencial no crescimento econ&oacute;mico e ver&atilde;o o seu peso no PIB aumentar consideravelmente, &agrave; medida que a procura externa assume o lugar da procura interna. No entanto, o equil&iacute;brio entre o crescimento das exporta&ccedil;&otilde;es e a conten&ccedil;&atilde;o interna &eacute; mais dif&iacute;cil de alcan&ccedil;ar em Portugal do que, por exemplo, na Irlanda (ou nos pa&iacute;ses b&aacute;lticos). Um peso relativamente reduzido das exporta&ccedil;&otilde;es no PIB (pouco acima dos 30 por cento em 2010) significa que mesmo um forte crescimento das exporta&ccedil;&otilde;es n&atilde;o ser&aacute; suficiente, nos primeiros dois anos, para compensar a quebra prevista na procura interna. Para al&eacute;m disso, Portugal &eacute; uma pequena economia aberta no contexto da zona euro e da UE. Para que este dif&iacute;cil ajustamento possa ser alcan&ccedil;ado de forma relativamente equilibrada &eacute; essencial que a UE evite uma nova recess&atilde;o em 2012-2013.</p>     <p>Uma das li&ccedil;&otilde;es da actual crise da d&iacute;vida soberana &eacute; que os destinos de Portugal n&atilde;o est&atilde;o dependentes apenas das suas decis&otilde;es. Para Portugal, o sucesso ir&aacute; tamb&eacute;m depender da estabiliza&ccedil;&atilde;o financeira da zona euro que, por seu lado, depende da forma como a UE continuar a gerir a crise. Na primeira parte do artigo defendeu-se que a UE come&ccedil;ou por abordar a crise com base em percep&ccedil;&otilde;es divergentes e parcialmente erradas. Embora compreens&iacute;vel do ponto de vista psicol&oacute;gico e pol&iacute;tico, a &ecirc;nfase posta no risco moral foi claramente exagerada. Este facto &eacute; comprovado quando olhamos para os acontecimentos em Portugal e na Irlanda, onde os governos se demitiram e foram derrotados em elei&ccedil;&otilde;es provocadas directamente pela gest&atilde;o de cen&aacute;rios de austeridade ou resgate. </p>     <p>O dualismo moral afectou a gest&atilde;o da crise. De facto, as origens econ&oacute;micas, pol&iacute;ticas e institucionais da crise podem ser encontradas n&atilde;o s&oacute; nos pa&iacute;ses mais afectados mas tamb&eacute;m na constru&ccedil;&atilde;o e gest&atilde;o pol&iacute;tica da zona euro no seu todo. A narrativa segundo a qual alguns pa&iacute;ses do euro est&atilde;o a ser castigados pelos seus pecados &eacute; claramente prejudicial &agrave; adop&ccedil;&atilde;o de uma abordagem equilibrada. Para al&eacute;m disso, n&atilde;o corresponde &agrave; realidade. Na verdade, o problema esteve n&atilde;o s&oacute; no desrespeito pelas regras (por parte de muitos membros da zona euro) mas tamb&eacute;m na inexist&ecirc;ncia de regras e mecanismos suficientes.</p>     <p>Como &eacute; demonstrado pelo desenrolar da crise e dos v&aacute;rios eventos ao longo do tempo, descritos na terceira parte, que se centra no ano de 2009, a partir do momento em que a crise se desencadeou as decis&otilde;es da UE e da zona euro foram preponderantes na sua evolu&ccedil;&atilde;o. A partir da an&aacute;lise da experi&ecirc;ncia portuguesa em particular, &eacute; razo&aacute;vel perguntar se Portugal teria necessitado de recorrer a um resgate se a UE tivesse conseguido antecipar e implementar atempadamente as decis&otilde;es tomadas a 21 de Julho de 2011 no encontro dos chefes de Estado e de Governo da zona euro. Para Portugal, em especial, a press&atilde;o dos mercados financeiros intensificou-se em 2010 e 2011, em grande medida devido a causas exteriores &agrave; sua situa&ccedil;&atilde;o econ&oacute;mica interna. O Pa&iacute;s tinha sem d&uacute;vida problemas e desequil&iacute;brios estruturais substanciais que o colocaram no centro das aten&ccedil;&otilde;es e que necessitam de ser resolvidos. Por&eacute;m, uma an&aacute;lise temporal da crise demonstra o efeito de cont&aacute;gio. Travar este cont&aacute;gio e preservar a estabilidade da zona euro s&atilde;o os objectivos mais urgentes da Uni&atilde;o, como finalmente come&ccedil;a a ser reconhecido.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Para al&eacute;m disso, as mudan&ccedil;as estruturais na zona euro t&ecirc;m de ser orientadas n&atilde;o s&oacute; para garantir que crises semelhantes se tornem menos prov&aacute;veis – e a evolu&ccedil;&atilde;o muito significativa nas novas regras de governa&ccedil;&atilde;o econ&oacute;mica v&atilde;o de facto nesse sentido – mas tamb&eacute;m para congregar os esfor&ccedil;os da zona euro no sentido de resolver este tipo de crises quando elas ocorrem. A Europa tem conseguido gerir de forma razo&aacute;vel o primeiro objectivo mas n&atilde;o o segundo, e &eacute; o segundo que assume agora um car&aacute;cter de maior urg&ecirc;ncia para a estabiliza&ccedil;&atilde;o da zona euro. Neste sentido, as decis&otilde;es do encontro de 21 de Julho, que de facto configuram um importante passo em frente, necessitam de ser implementadas com rapidez. Construir um sistema para evitar as crises &eacute; uma medida inteligente e indispens&aacute;vel. Contudo, &eacute; ing&eacute;nuo acreditar que um sistema pode fazer com que as crises sejam imposs&iacute;veis. &Eacute; esta ideia, aliada a uma percep&ccedil;&atilde;o clara das vantagens da moeda &uacute;nica para a Europa no seu todo, que deve substituir a dualidade moral que tem muitas vezes dificultado o debate.</p>     <p><b>Tradu&ccedil;&atilde;o: Jo&atilde;o Reis Nunes</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>NOTAS</b></p>     <!-- ref --><p><a name="1" id="1"></a><a href="#top1"><sup>1</sup></a> Este artigo foi traduzido do original em ingl&ecirc;s, inclu&iacute;do em CLINE, William R., e WOLFF, Guntram (eds.) – <i>Resolving the European Debt Crisis</i>. Washington: Peterson Institute for International Economics and Bruegel,    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000277&pid=S1645-9199201100040000500001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> no prelo, cap&iacute;tulo 4. Reprodu&ccedil;&atilde;o autorizada. A vers&atilde;o original deste artigo foi apresentada na confer&ecirc;ncia &laquo;Resolving the European Debt Crisis&raquo;, organizada pelo Peterson Institute for International Economics e pelo Bruegel, em Chantilly, Fran&ccedil;a, 13-14 de Setembro de 2011.</p>     <p><a name="2" id="2"></a><a href="#top2"><sup>2</sup></a> A Est&oacute;nia acedeu &agrave; zona euro a 1 de Janeiro de 2011.</p>     <p><a name="3" id="3"></a><a href="#top3"><sup>3</sup></a> Taxa de crescimento real do PIB; diferen&ccedil;a percentual. Cf. Eurostat.</p>     <p><a name="4" id="4"></a><a href="#top4"><sup>4</sup></a> Utilizo neste artigo a express&atilde;o &laquo;pa&iacute;ses perif&eacute;ricos&raquo; para designar a Gr&eacute;cia, a Irlanda, Portugal e a Espanha. Esta express&atilde;o n&atilde;o s&oacute; corresponde &agrave; posi&ccedil;&atilde;o geogr&aacute;fica destes pa&iacute;ses como constitui uma alternativa mais elegante a outras express&otilde;es (e siglas) utilizadas noutros locais.</p>     <p><a name="5" id="5"></a><a href="#top5"><sup>5</sup></a> Taxa de crescimento real do PIB; diferen&ccedil;a percentual em rela&ccedil;&atilde;o ao ano anterior. Cf. Eurostat.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><a name="6" id="6"></a><a href="#top6"><sup>6</sup></a> BLANCHARD, Olivier – &laquo;Adjusting within the euro. The difficult case of Portugal&raquo;, MIT, Department of Economics, 11 de Novembro de 2006. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://econ-www.mit.edu/files/740" target="_blank">http://econ-www.mit.edu/files/740</a>.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000283&pid=S1645-9199201100040000500002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p><a name="7" id="7"></a><a href="#top7"><sup>7</sup></a> Cf. ATP – Associa&ccedil;&atilde;o T&ecirc;xtil e Vestu&aacute;rio de Portugal.</p>     <p><a name="8" id="8"></a><a href="#top8"><sup>8</sup></a> Cf. Banco de Portugal.</p>     <p><a name="9" id="9"></a><a href="#top9"><sup>9</sup></a> Um intervalo nos dados do Eurostat torna dif&iacute;ceis as compara&ccedil;&otilde;es para o per&iacute;odo 2004-2005.</p>     <p><a name="10" id="10"></a><a href="#top10"><sup>10</sup></a> As compara&ccedil;&otilde;es internacionais de indicadores de produtividade baseados em padr&atilde;o de poder de compra t&ecirc;m as suas limita&ccedil;&otilde;es. </p>     <!-- ref --><p><a name="11" id="11"></a><a href="#top11"><sup>11</sup></a> Cf.<i> PISA 2009 Results: What Students Know and Can Do: Student Performance in Reading, Mathematics and Science</i> (VOL. I), OCDE, 2010.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000289&pid=S1645-9199201100040000500003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p><a name="12" id="12"></a><a href="#top12"><sup>12</sup></a> Cf. Eurostat. </p>     <p><a name="13" id="13"></a><a href="#top13"><sup>13</sup></a> Dados de 2007, &uacute;ltimos dispon&iacute;veis.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a name="14" id="14"></a><a href="#top14"><sup>14</sup></a> Cf. Minist&eacute;rio da Ci&ecirc;ncia, Tecnologia e Ensino Superior.</p>     <p><a name="15" id="15"></a><a href="#top15"><sup>15</sup></a> West, Darrel M. – &laquo;Global E-Government&raquo;. Center for Public Policy, Brown University. 2007. Dispon&iacute;vel em <a href="http://www.insidepolitics.org/egovt07int.pdf" target="_blank">http://www.insidepolitics.org/egovt07int.pdf</a>.</p>     <p><a name="16" id="16"></a><a href="#top16"><sup>16</sup></a> &laquo;Smarter, faster, better e-government&raquo;. Capgemini, Rand Europe, idc, Sogeti e DTi. Dispon&iacute;vel em <a href="http://ec.europa.eu/information_society/eeurope/i2010/docs/benchmarking/egov_benchmark_2009.pdf" target="_blank">http://ec.europa.eu/information_society/eeurope/i2010/docs/benchmarking/egov_benchmark_2009.pdf</a>.</p>     <p><a name="17" id="17"></a><a href="#top17"><sup>17</sup></a> A iniciativa &laquo;Empresa na hora&raquo; levou Portugal a obter o t&iacute;tulo de &laquo;Principal Reformador&raquo; no relat&oacute;rio &laquo;Doing Business&raquo; de 2007 do Banco Mundial.</p>     <p><a name="18" id="18"></a><a href="#top18"><sup>18</sup></a> O indicador da legisla&ccedil;&atilde;o de protec&ccedil;&atilde;o do emprego da OCDE &eacute; um &iacute;ndice qualitativo com valores de 0 a 6. &Eacute; composto com base em 21 rubricas que quantificam os custos e procedimentos necess&aacute;rios para o despedimento individual ou colectivo ou para a contrata&ccedil;&atilde;o de trabalhadores a prazo ou atrav&eacute;s de ag&ecirc;ncias de trabalho tempor&aacute;rio. O indicador sum&aacute;rio &eacute; constitu&iacute;do a partir de tr&ecirc;s subindicadores que quantificam diferentes aspectos da protec&ccedil;&atilde;o do emprego: (<i>i</i>) despedimento de trabalhadores individuais com contratos normais de trabalho; (<i>ii</i>) encargos adicionais para despedimentos colectivos; (<i>iii</i>) regula&ccedil;&atilde;o de contratos tempor&aacute;rios. Cf. VENN, Danielle – &laquo;Legislation, collective bargaining and enforcement: Updating the oecd employment protection indicators&raquo;, 2009. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.oecd.org/els/workingpaper" target="_blank">www.oecd.org/els/workingpaper</a>.</p>     <p><a name="19" id="19"></a><a href="#top19"><sup>19</sup></a> Per&iacute;odo 2003-2009 para Portugal e Fran&ccedil;a.</p>     <p><a name="20" id="20"></a><a href="#top20"><sup>20</sup></a> Dados de 2009 para Portugal e Fran&ccedil;a.</p>     <p><sup>21</sup> VENN, Danielle – &laquo;Legislation, collective bargaining and enforcement: Updating the oecd employment protection  indicators&raquo;.</p>     <p><a name="22" id="22"></a><a href="#top22"><sup>22</sup></a> &Agrave; excep&ccedil;&atilde;o de 2008, quando o d&eacute;fice espanhol chegou aos -4,2 por cento, coincidindo com o rebentar da bolha imobili&aacute;ria.</p>     <p><a name="23" id="23"></a><a href="#top23"><sup>23</sup></a> Cf. Instituto Nacional de Estat&iacute;stica.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a name="24" id="24"></a><a href="#top24"><sup>24</sup></a> Dados do World Economic Outlook Database (FMI) relativos &agrave; d&iacute;vida p&uacute;blica: 45,8 por cento (2005), 44,5 por cento (2006), 43,7 por cento (2007), 43,6 por cento (2008). Dados do Eurostat (depois da revis&atilde;o metodol&oacute;gica de Mar&ccedil;o de 2011): 45,8 por cento (2005), 44,5 por cento (2006), 44,4 por cento (2007), 44,7 por cento (2008). Recorro aqui aos dados anteriores para facilitar a compara&ccedil;&atilde;o com anos anteriores, uma vez que a revis&atilde;o do Eurostat foi aplicada a partir de 2007.</p>     <p><a name="25" id="25"></a><a href="#top25"><sup>25</sup></a> &laquo;Relat&oacute;rio de Sustentabilidade de 2009&raquo;. Comiss&atilde;o Europeia, Setembro de 2009.</p>     <p><a name="26" id="26"></a><a href="#top26"><sup>26</sup></a> O indicador de sustentabilidade S2 da Comiss&atilde;o Europeia mostra o ajustamento do saldo prim&aacute;rio necess&aacute;rio para garantir o equil&iacute;brio or&ccedil;amental intertemporal num horizonte infinito, incluindo os pagamentos adicionais resultantes do envelhecimento da popula&ccedil;&atilde;o. Desta forma, quantifica a lacuna que deve ser preenchida para garantir a sustentabilidade das finan&ccedil;as p&uacute;blicas. Quanto maior for o valor do indicador, maior &eacute; o ajustamento necess&aacute;rio ao saldo prim&aacute;rio para garantir a sustentabilidade.</p>     <p><a name="27" id="27"></a><a href="#top27"><sup>27</sup></a> Cf. Instituto Nacional de Estat&iacute;stica.</p>     <p><a name="28" id="28"></a><a href="#top28"><sup>28</sup></a> De forma a facilitar a compara&ccedil;&atilde;o, estes s&atilde;o dados anteriores &agrave; revis&atilde;o. Os dados finais, conhecidos em Setembro de 2010 e reflectindo em particular as linhas de orienta&ccedil;&atilde;o do Eurostat, s&atilde;o de 3,5 por cento em 2008 e 10,1 por cento em 2009. </p>     <p><a name="29" id="29"></a><a href="#top29"><sup>29</sup></a> Cf. Instituto Nacional de Estat&iacute;stica.</p>     <p><a name="30" id="30"></a><a href="#top30"><sup>30</sup></a> Cf. Instituto Nacional de Estat&iacute;stica.</p>     <p><a name="31" id="31"></a><a href="#top31"><sup>31</sup></a> Poder-se-ia ter optado por uma evolu&ccedil;&atilde;o gradual neste sentido, em vez da redu&ccedil;&atilde;o de um ponto percentual na taxa normal do IVA em meados de 2008.</p>     <p><a name="32" id="32"></a><a href="#top32"><sup>32</sup></a> A posi&ccedil;&atilde;o de investimento internacional positiva (e bastante est&aacute;vel) das autoridades monet&aacute;rias (reservas de ouro) n&atilde;o &eacute; apresentada mas reflecte-se na posi&ccedil;&atilde;o geral. O objectivo &eacute; mostrar que a posi&ccedil;&atilde;o de investimento total est&aacute; maioritariamente dependente da administra&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica e do sector financeiro.</p>     <p><a name="33" id="33"></a><a href="#top33"><sup>33</sup></a> Dados da Bloomberg para as obriga&ccedil;&otilde;es de d&iacute;vida p&uacute;blica a dez anos.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a name="34" id="34"></a><a href="#top34"><sup>34</sup></a> Cf. &laquo;Declara&ccedil;&atilde;o dos Chefes de Estado ou de Governo da Uni&atilde;o Europeia&raquo;, Bruxelas, 11 de Fevereiro de 2010.</p>     <p><a name="35" id="35"></a><a href="#top35"><sup>35</sup></a> Cf. &laquo;Declara&ccedil;&atilde;o dos Chefes de Estado ou de Governo da Zona Euro&raquo;. Bruxelas, 25 de Mar&ccedil;o de 2010. </p>     <p><a name="36" id="36"></a><a href="#top36"><sup>36</sup></a> O Conselho Europeu de 25 de Mar&ccedil;o de 2010 lan&ccedil;ou ainda o debate sobre a nova governa&ccedil;&atilde;o da zona euro, que levaria ao importante acordo alcan&ccedil;ado no Conselho Europeu de 28-29 de Outubro relativo aos mecanismos para refor&ccedil;ar a disciplina or&ccedil;amental, introduzir uma supervis&atilde;o macroecon&oacute;mica efectiva e refor&ccedil;ar a coordena&ccedil;&atilde;o econ&oacute;mica no contexto do &laquo;Semestre Europeu&raquo;.</p>     <p><a name="37" id="37"></a><a href="#top37"><sup>37</sup></a> Cf. &laquo;Declara&ccedil;&atilde;o Franco-Alem&atilde;&raquo;. Deauville, 18 de Outubro de 2010.</p>     <p><a name="38" id="38"></a><a href="#top38"><sup>38</sup></a> Cf. as conclus&otilde;es do Conselho Europeu, Bruxelas, 28-29 de Outubro de 2010.</p>     <!-- ref --><p><a name="39" id="39"></a><a href="#top39"><sup>39</sup></a> WOLF, Martin, – &laquo;Regulators should intervene in bankers’ pay&raquo;. In <i>Financial Times</i>, 15 de Janeiro de 2008.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000318&pid=S1645-9199201100040000500004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p><a name="40" id="40"></a><a href="#top40"><sup>40</sup></a> Cf. &laquo;Declara&ccedil;&atilde;o do Eurogrupo&raquo;. Bruxelas, 28 de Novembro de 2010.</p>     <p><a name="41" id="41"></a><a href="#top41"><sup>41</sup></a> <i>Der Spiegel</i>, 8 de Janeiro de 2011.</p>     <!-- ref --><p><a name="42" id="42"></a><a href="#top42"><sup>42</sup></a> Cf. JUNCKER, Jean-Claude, e TREMONTI, Giulio – &laquo;E-bonds would end the crisis&raquo;. In <i>Financial Times</i>, 5 de Dezembro de 2010.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000322&pid=S1645-9199201100040000500005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p><a name="43" id="43"></a><a href="#top43"><sup>43</sup></a> Cf. Minist&eacute;rio das Finan&ccedil;as.</p>     <p><a name="44" id="44"></a><a href="#top44"><sup>44</sup></a> Cf. &laquo;Declara&ccedil;&atilde;o dos Chefes de Estado e de Governo da Zona Euro e das Institui&ccedil;&otilde;es da UE&raquo;. Bruxelas, 16-17 de Dezembro de 2010.</p>     <p><a name="45" id="45"></a><a href="#top45"><sup>45</sup></a> Cf. &laquo;Declara&ccedil;&atilde;o dos Chefes de Estado e de Governo da Zona Euro e das Institui&ccedil;&otilde;es da UE&raquo;. Bruxelas, 4 de Fevereiro de 2011.</p>     <p><a name="46" id="46"></a><a href="#top46"><sup>46</sup></a> Cf. &laquo;ECB forced to buy Portugal bonds&raquo;. In <i>Financial Times</i>, 10 de Fevereiro de 2011.</p>     <p><a name="47" id="47"></a><a href="#top47"><sup>47</sup></a> Cf. &laquo;Declara&ccedil;&atilde;o dos Chefes de Estado e de Governo da Zona Euro e das institui&ccedil;&otilde;es da UE&raquo;. Bruxelas, 4 de Fevereiro de 2011.</p>     <p><a name="48" id="48"></a><a href="#top48"><sup>48</sup></a> Cf. &laquo;Berlin resists call for extended EFSF role&raquo;. In <i>Financial Times</i>, 28 de Janeiro de 2011.</p>     <p><a name="49" id="49"></a><a href="#top49"><sup>49</sup></a> Cf. &laquo;ECB forced to buy Portugal bonds&raquo;. In <i>Financial Times</i>, 10 de Fevereiro de 2011.</p>     <p><a name="50" id="50"></a><a href="#top50"><sup>50</sup></a> Dados publicados na altura pelo Minist&eacute;rio das Finan&ccedil;as.</p>     <p><a name="51" id="51"></a><a href="#top51"><sup>51</sup></a> Cf. &laquo;Note on policy guidelines and measures that the Portuguese Government will adopt to address main economic challenges&raquo;, Lisboa, 10 de Mar&ccedil;o de 2011. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a name="52" id="52"></a><a href="#top52"><sup>52</sup></a> Cf. Comunicado Conjunto &agrave; Imprensa da Comiss&atilde;o Europeia e do Banco Central Europeu acerca das Medidas anunciadas pelo Governo Portugu&ecirc;s, Bruxelas, 11 de Mar&ccedil;o de 2011.</p>     <p><a name="53" id="53"></a><a href="#top53"><sup>53</sup></a> Ficou conhecido como &laquo;PEC IV&raquo; porque se tratava da terceira revis&atilde;o – e portanto da quarta vers&atilde;o – do Programa de Estabilidade e Crescimento de 2010-2013.</p>     <p><a name="54" id="54"></a><a href="#top54"><sup>54</sup></a> &laquo;Standard &amp; Poor’s Research Update: Republic of Portugal ratings lowered to BBB-/A-3 on ESM lending conditions&raquo;, 29 de Mar&ccedil;o de 2011. </p>     <p><a name="55" id="55"></a><a href="#top55"><sup>55</sup></a> Cf. &laquo;Portugal: Memorandum of understanding on specific economic policy conditionality&raquo;, 17 de Maio de 2011.</p>     <p><a name="56" id="56"></a><a href="#top56"><sup>56</sup></a> Neste contexto, &eacute; interessante recuperar uma passagem do documento fundador da Uni&atilde;o Econ&oacute;mica e Monet&aacute;ria da Europa. Em 1970, o Relat&oacute;rio Werner indicava que: &laquo;Para essa Uni&atilde;o, apenas &eacute; importante a balan&ccedil;a de pagamentos global da Comunidade face ao resto do mundo. Nesta fase, o equil&iacute;brio no interior da Comunidade deve ser realizado da mesma forma que dentro das fronteiras de uma na&ccedil;&atilde;o, atrav&eacute;s da mobilidade dos factores de produ&ccedil;&atilde;o e de transfer&ecirc;ncias financeiras por parte dos sectores p&uacute;blico e privado. […] A pol&iacute;tica or&ccedil;amental assume uma grande import&acirc;ncia para o desenvolvimento geral da economia. O or&ccedil;amento da Comunidade ser&aacute; sem d&uacute;vida mais importante no in&iacute;cio da fase final do que &eacute; hoje, mas a sua import&acirc;ncia econ&oacute;mica continuar&aacute; a ser reduzida em compara&ccedil;&atilde;o com os or&ccedil;amentos nacionais, uma gest&atilde;o harmoniosa dos quais ser&aacute; essencial para a coes&atilde;o da uni&atilde;o. As margens no interior das quais os principais agregados or&ccedil;amentais se devem manter tendo em vista o or&ccedil;amento anual e as projec&ccedil;&otilde;es a v&aacute;rios anos ser&atilde;o decididas a n&iacute;vel comunit&aacute;rio, tendo em considera&ccedil;&atilde;o a situa&ccedil;&atilde;o econ&oacute;mica e as caracter&iacute;sticas estruturais de cada pa&iacute;s. Um elemento fundamental ser&aacute; a determina&ccedil;&atilde;o das varia&ccedil;&otilde;es no volume dos d&eacute;fices, a dimens&atilde;o dos balan&ccedil;os e os m&eacute;todos de financiamento dos d&eacute;fices ou de utiliza&ccedil;&atilde;o dos excedentes. De forma a conseguir influenciar de forma r&aacute;pida e eficaz a tend&ecirc;ncia econ&oacute;mica de curto prazo, ser&aacute; &uacute;til deter instrumentos or&ccedil;amentais e fiscais de n&iacute;vel nacional que possam ser utilizados de acordo com as directivas da Comunidade&raquo;.</p>     <p><a name="57" id="57"></a><a href="#top57"><sup>57</sup></a> Crescimento das exporta&ccedil;&otilde;es. 2010 (T1: 9,2 por cento; T2: 9,6 por cento; T3: 8,5 por cento; T4: 7,8 por cento); 2011(T1: 8,4 por cento; T2: 8,4 por cento). Cf. Instituto Nacional de Estat&iacute;stica.</p>     <p><a name="58" id="58"></a><a href="#top58"><sup>58</sup></a> Crescimento da procura interna: 2010 (T1: 1,3 por cento; T2: 2 por cento; T3: -0,8 por cento; T4: 0,2 por cento); 2011 (T1: -3,1 por cento; T2: -5,2 por cento). Cf. Instituto Nacional de Estat&iacute;stica.</p>     <p><a name="59" id="59"></a><a href="#top59"><sup>59</sup></a> Crescimento das importa&ccedil;&otilde;es: 2010 (T1: 6,2 por cento; T2: 9,6 por cento; T3: 1,2 por cento; T4: 3,7 por cento); 201 (T1: -0,9 por cento; T2: -5,4 por cento). Cf. Instituto Nacional de Estat&iacute;stica.</p>     <p><a name="60" id="60"></a><a href="#top60"><sup>60</sup></a> Documento de Estrat&eacute;gia Or&ccedil;amental 2011-2015, Minist&eacute;rio das Finan&ccedil;as, Lisboa, 31 de Agosto de 2011. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.portugal.gov.pt/pt/GC19/Documentos/MF/Doc_Estrategia_Orcamental.pdf" target="_blank">http://www.portugal.gov.pt/pt/GC19/Documentos/MF/Doc_Estrategia_Orcamental.pdf</a>.</p>      ]]></body><back>
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