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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[This article focuses the relation between the state and democracy in Kosovo, analysing three of its dimensions: the international recognition, the govern capacity and the national cohesion. After the unilaterally declaration of independence in February 2008, Kosovo searches to concretize two main goals: to obtain the State total international recognition and to pursue its transition process towards the democracy and market economy, approaching the European Union.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p><b>Kosovo: os desafios &agrave; democratiza&ccedil;&atilde;o</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Teresa Cierco Gomes</b></p>     <p>Professora auxiliar convidada na Faculdade de Ci&ecirc;ncias Sociais e Humanas da Universidade da Beira Interior, onde &eacute; directora do 2.&ordm; ciclo em Rela&ccedil;&otilde;es Internacionais e vice-directora do 1.&ordm; ciclo em Ci&ecirc;ncia Pol&iacute;tica e Rela&ccedil;&otilde;es Internacionais. Doutora em Ci&ecirc;ncia Pol&iacute;tica e Rela&ccedil;&otilde;es Internacionais, &eacute; autora de v&aacute;rios artigos em revistas nacionais e internacionais sobre o tema dos processos de democratiza&ccedil;&atilde;o nos Balc&atilde;s Ocidentais.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>RESUMO</p>     <p>Este artigo foca a rela&ccedil;&atilde;o entre o Estado e a democracia no Kosovo analisando tr&ecirc;s das suas dimens&otilde;es: o reconhecimento internacional, a capacidade governativa e a coes&atilde;o nacional. Tendo declarado unilateralmente a independ&ecirc;ncia em Fevereiro de 2008, o Kosovo tem procurado a concretiza&ccedil;&atilde;o de dois grandes objectivos: obter o total reconhecimento internacional do Estado e continuar o seu processo de transi&ccedil;&atilde;o rumo &agrave; democracia e &agrave; economia de mercado, aproximando-se da Uni&atilde;o Europeia. </p>     <p><b>Palavras-chave:</b> Democratiza&ccedil;&atilde;o, Balc&atilde;s Ocidentais, Kosovo, Uni&atilde;o Europeia</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Kosovo: the challenges to democratization </b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>ABSTRACT</p>     <p>This article focuses the relation between the state and democracy in Kosovo, analysing three of its dimensions: the international recognition, the govern capacity and the national cohesion. After the unilaterally declaration of independence in February 2008, Kosovo searches to concretize two main goals: to obtain the State total international recognition and to pursue its transition process towards the democracy and market economy, approaching the European Union.</p>     <p><b>Keywords:</b> Democratization, West Balkans, Kosovo, European Union</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>Todos os pa&iacute;ses dos Balc&atilde;s Ocidentais est&atilde;o em processo de democratiza&ccedil;&atilde;o. Contudo, neste conjunto variado de pa&iacute;ses, nem todos t&ecirc;m progredido da mesma forma. Alguns estados est&atilde;o em fase de transi&ccedil;&atilde;o (como &eacute; o caso do Kosovo) e outros j&aacute; est&atilde;o em fase de consolida&ccedil;&atilde;o da democracia (como &eacute; o caso da Cro&aacute;cia e da ex-Rep&uacute;blica da Jugosl&aacute;via da Maced&oacute;nia), outros, ainda, est&atilde;o num regime h&iacute;brido entre estas duas fases (caso da B&oacute;snia-Herzegovina).</p>     <p>O processo de transi&ccedil;&atilde;o para a democracia e economia de mercado &eacute; dif&iacute;cil e complicado. Mas, para este grupo de estados dos Balc&atilde;s Ocidentais, que ambicionam aderir &agrave; Uni&atilde;o Europeia (UE), a situa&ccedil;&atilde;o &eacute; ainda mais dif&iacute;cil dada a situa&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica, econ&oacute;mica e social que os caracteriza.</p>     <p>O Kosovo est&aacute; num processo de transi&ccedil;&atilde;o desde que ficou sob regime de protectorado das Na&ccedil;&otilde;es Unidas, em 1999. A partir desta altura, apesar de se manter sob soberania s&eacute;rvia, todo o territ&oacute;rio passou a ser administrado pelas Na&ccedil;&otilde;es Unidas. Paulatinamente, a miss&atilde;o da ONU no terreno, a United Nations Interim Administration Mission in Kosovo (UNMIK), foi transferindo compet&ecirc;ncias e delegando maiores responsabilidades das reformas nas Institui&ccedil;&otilde;es Provis&oacute;rias de Autogoverno do Kosovo (PISG). Foi neste contexto, simultaneamente de forte presen&ccedil;a internacional e de iniciativa nacional que o Kosovo foi dando os primeiros passos rumo &agrave; democracia. </p>     <p>Ap&oacute;s a declara&ccedil;&atilde;o unilateral de independ&ecirc;ncia, em Fevereiro de 2008, o processo de transi&ccedil;&atilde;o democr&aacute;tica no Kosovo tem evolu&iacute;do com o forte apoio dos Estados Unidos e da maior parte dos estados da UE. Contudo, na rela&ccedil;&atilde;o entre o Estado e a democracia, &eacute; poss&iacute;vel identificar tr&ecirc;s dimens&otilde;es, cada uma das quais coloca s&eacute;rios desafios ao processo de transi&ccedil;&atilde;o no Kosovo, tornando dif&iacute;cil a sua concretiza&ccedil;&atilde;o com sucesso e comprometendo, consequentemente, a aproxima&ccedil;&atilde;o e ades&atilde;o do Estado &agrave; UE num futuro pr&oacute;ximo.</p>     <p>Este argumento desenvolve-se em tr&ecirc;s partes. A primeira analisa os conceitos de democracia e de democratiza&ccedil;&atilde;o. A segunda refere o processo de transi&ccedil;&atilde;o democr&aacute;tica no Kosovo, que se iniciou em 1999. Para al&eacute;m de uma breve refer&ecirc;ncia aos antecedentes hist&oacute;ricos, analisa-se a forma como o processo foi evoluindo, simultaneamente, num contexto de forte presen&ccedil;a internacional e de fragmenta&ccedil;&atilde;o nacional. A terceira e &uacute;ltima parte foca tr&ecirc;s dimens&otilde;es da rela&ccedil;&atilde;o entre Estado e democracia, abordando os respectivos desafios que cada uma delas coloca ao processo de democratiza&ccedil;&atilde;o no Kosovo, a saber: o reconhecimento internacional, a capacidade governativa e a coes&atilde;o nacional.</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>DEMOCRACIA E DEMOCRATIZA&Ccedil;&Atilde;O</b></p>     <p>O conceito de democracia tem vindo a ser largamente discutido nas &uacute;ltimas d&eacute;cadas. De acordo com Leonardo Morlino, para compreender a democracia &eacute; importante distinguir cinco diferentes defini&ccedil;&otilde;es de um regime pol&iacute;tico democr&aacute;tico: geral, processual, gen&eacute;tico, m&iacute;nimo e normativo<a name="top1"></a><sup><a href="#1">1</a></sup>. </p>     <p>Uma defini&ccedil;&atilde;o emp&iacute;rica geral foi dada por Dahl: todos os regimes pol&iacute;ticos, que garantem a real participa&ccedil;&atilde;o da popula&ccedil;&atilde;o adulta e a possibilidade de oposi&ccedil;&atilde;o, podem ser considerados democracias<a name="top2"></a><sup><a href="#2">2</a></sup>. Por sua vez, a defini&ccedil;&atilde;o processual de democracia faz refer&ecirc;ncia &agrave;s normas formais e &agrave;s institui&ccedil;&otilde;es de um regime democr&aacute;tico, em particular &agrave;s normas processuais que regulam: o voto em sufr&aacute;gio universal; elei&ccedil;&otilde;es livres, justas, competitivas e peri&oacute;dicas; um parlamento com tomada de decis&atilde;o e controlo de poder eleito de acordo com as normas referidas; um primeiro-ministro e um governo respons&aacute;vel perante um parlamento; e estruturas interm&eacute;dias como partidos pol&iacute;ticos e organiza&ccedil;&otilde;es. Uma defini&ccedil;&atilde;o gen&eacute;tica de democracia foca a forma como esse regime foi criado: as normas ou procedimentos que resultaram de um compromisso para uma resolu&ccedil;&atilde;o pac&iacute;fica entre actores sociais politicamente relevantes ou outros actores institucionais da arena pol&iacute;tica. Sob a perspectiva da defini&ccedil;&atilde;o m&iacute;nima de democracia, todos os regimes pol&iacute;ticos com <i>a)</i> sufr&aacute;gio universal, <i>b)</i> elei&ccedil;&otilde;es livres, justas, competitivas e peri&oacute;dicas, <i>c)</i> mais de um partido pol&iacute;tico, <i>d)</i> diferentes fontes de informa&ccedil;&atilde;o, podem ser considerados democr&aacute;ticos.</p>     <p>Por fim, de acordo com Morlino, uma democracia ideal pode ser definida como o regime que cria as melhores oportunidades institucionais para realizar a liberdade e igualdade. Dahl e Beethan sugerem alguns princ&iacute;pios para assegurar a liberdade e igualdade: inclus&atilde;o pol&iacute;tica de todos os adultos e responsabiliza&ccedil;&atilde;o de quem governa<a name="top3"></a><sup><a href="#3">3</a></sup>. Dahl sugere ainda a necessidade de oito garantias institucionais: liberdade de associa&ccedil;&atilde;o e organiza&ccedil;&atilde;o, liberdade e pensamento e de express&atilde;o, direito de voto, direito dos l&iacute;deres pol&iacute;ticos em competir por apoio eleitoral, v&aacute;rias fontes de informa&ccedil;&atilde;o, possibilidade de ser eleito, elei&ccedil;&otilde;es livres e justas, institui&ccedil;&otilde;es que fa&ccedil;am com que as pol&iacute;ticas governamentais dependam do voto<a name="top4"></a><sup><a href="#4">4</a></sup>. O Estado de direito tem de ser acrescentado a todos estes instrumentos. Compreende n&atilde;o s&oacute; o respeito pelas leis, mas tamb&eacute;m uma administra&ccedil;&atilde;o eficiente, a exist&ecirc;ncia de tribunais independentes, um sistema judicial capaz de resolver conflitos p&uacute;blicos e privados, a aus&ecirc;ncia de corrup&ccedil;&atilde;o e criminalidade, a presen&ccedil;a de um sistema pluralista de informa&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>Segundo Morlino, democratiza&ccedil;&atilde;o significa transi&ccedil;&atilde;o de um regime pol&iacute;tico n&atilde;o democr&aacute;tico, em particular autorit&aacute;rio, para um regime democr&aacute;tico, seguindo um processo de instaura&ccedil;&atilde;o, consolida&ccedil;&atilde;o, crise ou crescente qualidade democr&aacute;tica. &Eacute; importante definir cada um destes processos, tendo em conta que a democratiza&ccedil;&atilde;o &eacute; um processo aberto e resulta da interac&ccedil;&atilde;o de factores internos e externos. </p>     <p>A transi&ccedil;&atilde;o &eacute; o per&iacute;odo interm&eacute;dio, no qual o regime perde alguns dos aspectos fundamentais de regime autorit&aacute;rio, sem ter adquirido todas as novas caracter&iacute;sticas do regime que ser&aacute; estabelecido. Em particular, a transi&ccedil;&atilde;o tem in&iacute;cio quando os direitos civis e pol&iacute;ticos b&aacute;sicos come&ccedil;am a ser reconhecidos, e pode ser conclu&iacute;do quando se torna claro que a democracia ser&aacute; estabelecida. O processo de instaura&ccedil;&atilde;o democr&aacute;tica envolve um reconhecimento dos direitos civis e pol&iacute;ticos; a completa civiliza&ccedil;&atilde;o da sociedade; a emerg&ecirc;ncia de mais partidos pol&iacute;ticos e de um sistema partid&aacute;rio, e outras organiza&ccedil;&otilde;es colectivas; a adop&ccedil;&atilde;o das principais institui&ccedil;&otilde;es democr&aacute;ticas e procedimentos como a lei eleitoral ou o estabelecimento de uma rela&ccedil;&atilde;o entre o legislativo e o executivo.</p>     <p>&Eacute; importante sublinhar que a consolida&ccedil;&atilde;o democr&aacute;tica &eacute; um dos resultados poss&iacute;veis da instaura&ccedil;&atilde;o da democracia. A consolida&ccedil;&atilde;o come&ccedil;a quando as novas institui&ccedil;&otilde;es e normas s&atilde;o criadas e entram em funcionamento. Por exemplo, a instaura&ccedil;&atilde;o pode terminar com a aprova&ccedil;&atilde;o da Constitui&ccedil;&atilde;o e o aparecimento de um sistema partid&aacute;rio depois das elei&ccedil;&otilde;es; e a consolida&ccedil;&atilde;o pode come&ccedil;ar logo de seguida. A consolida&ccedil;&atilde;o democr&aacute;tica pode ser definida como o processo de defini&ccedil;&atilde;o, fixa&ccedil;&atilde;o e adapta&ccedil;&atilde;o das diferentes estruturas e normas do regime democr&aacute;tico.</p>     <p>A crise democr&aacute;tica surge quando h&aacute; limites &agrave; express&atilde;o de direitos civis e pol&iacute;ticos. Por sua vez, uma democracia com qualidade ou uma &laquo;boa&raquo; democracia implica uma &laquo;estrutura institucional est&aacute;vel que implementa a liberdade e igualdade entre os seus cidad&atilde;os atrav&eacute;s do correcto e leg&iacute;timo funcionamento das suas institui&ccedil;&otilde;es e mecanismos&raquo;<a name="top5"></a><sup><a href="#5">5</a></sup>. </p>     <p>Estas fases do processo de democratiza&ccedil;&atilde;o n&atilde;o evoluem automaticamente e nem todos os regimes em transi&ccedil;&atilde;o terminam com democracias consolidadas. Alguns processos, nomeadamente, nos Balc&atilde;s Ocidentais, podem terminar numa &laquo;zona cinzenta&raquo; entre a democracia e alguma forma de ditadura.</p>     <p>No Kosovo, o processo de transi&ccedil;&atilde;o rumo &agrave; democracia tem vindo a ser implementado com grande dificuldade e com uma total depend&ecirc;ncia de actores externos, particularmente da UE. Na rela&ccedil;&atilde;o entre o Estado e a democracia, identificamos tr&ecirc;s diferentes dimens&otilde;es que colocam algumas d&uacute;vidas quanto &agrave; concretiza&ccedil;&atilde;o, com sucesso, do processo de democratiza&ccedil;&atilde;o no Kosovo. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>O PROCESSO DE TRANSI&Ccedil;&Atilde;O NO KOSOVO</b></p>     <p>ANTECEDENTES HIST&Oacute;RICOS</p>     <p>O Kosovo foi, durante v&aacute;rias d&eacute;cadas, uma prov&iacute;ncia aut&oacute;noma da Rep&uacute;blica da S&eacute;rvia no seio da ex-Jugosl&aacute;via<a name="top6"></a><sup><a href="#6">6</a></sup>. Apesar de nunca ter tido estatuto de rep&uacute;blica, o Kosovo era uma prov&iacute;ncia dotada de grande autonomia. Com a revoga&ccedil;&atilde;o desta em 1989, e com as sucessivas declara&ccedil;&otilde;es de independ&ecirc;ncia da Eslov&eacute;nia, Cro&aacute;cia, Maced&oacute;nia e B&oacute;snia, a popula&ccedil;&atilde;o do Kosovo foi sendo alvo de pol&iacute;ticas restritivas e discriminat&oacute;rias por parte das autoridades s&eacute;rvias. Numa situa&ccedil;&atilde;o de grande pobreza, os albaneses, liderados por Ibrahim Rugova, desenvolveram ao longo da d&eacute;cada de 1990 uma sociedade paralela, criando hospitais, escolas e uma administra&ccedil;&atilde;o civil pr&oacute;pria. Paralelamente a esta resist&ecirc;ncia passiva, surgiu um movimento separatista radical, o Ex&eacute;rcito de Liberta&ccedil;&atilde;o do Kosovo (KLA), em 1995, que empreendeu um conjunto de ataques a interesses s&eacute;rvios na prov&iacute;ncia, o que provocou uma violenta resposta por parte das autoridades s&eacute;rvias. Nesta altura, foram cometidas atrocidades e assistiu-se &agrave; viola&ccedil;&atilde;o de direitos humanos de forma sistem&aacute;tica nas diferentes ac&ccedil;&otilde;es militares e policiais da S&eacute;rvia na prov&iacute;ncia.</p>     <p>A comunidade internacional decidiu intervir, tendo sido constitu&iacute;do o grupo de contacto (Estados Unidos, Reino Unido, Fran&ccedil;a, It&aacute;lia e R&uacute;ssia). No entanto, as negocia&ccedil;&otilde;es pol&iacute;ticas promovidas juntamente com as duas comunidades (s&eacute;rvios e albaneses) sobre a situa&ccedil;&atilde;o do Kosovo falharam, n&atilde;o tendo sido poss&iacute;vel chegar a consenso.</p>     <p>Com a cont&iacute;nua repress&atilde;o da S&eacute;rvia no Kosovo, a NATO lan&ccedil;ou uma campanha de ataque a&eacute;reo obrigando o Governo s&eacute;rvio a retirar do territ&oacute;rio. Esta situa&ccedil;&atilde;o veio agravar ainda mais o problema humanit&aacute;rio<a name="top7"></a><sup><a href="#7">7</a></sup>. Na sua sequ&ecirc;ncia, o Conselho de Seguran&ccedil;a emitiu a Resolu&ccedil;&atilde;o 1244 (1999), que colocou o Kosovo sob administra&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas, UNMIK, e estabeleceu um enquadramento geral para resolver, no futuro, o estatuto pol&iacute;tico e legal do Kosovo<a name="top8"></a><sup><a href="#8">8</a></sup>. Esta resolu&ccedil;&atilde;o definiu o compromisso para com a soberania e integridade territorial da S&eacute;rvia, mas permitiu, ao mesmo tempo, a cria&ccedil;&atilde;o de institui&ccedil;&otilde;es provis&oacute;rias de autogoverna&ccedil;&atilde;o. Esta autonomia e autodetermina&ccedil;&atilde;o, baseada na divis&atilde;o de responsabilidades entre a UNMIK e as autoridades do Kosovo, permitiu que, nove anos depois, o Kosovo estivesse em condi&ccedil;&otilde;es de proclamar a independ&ecirc;ncia.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>A CONSTRU&Ccedil;&Atilde;O DA DEMOCRACIA</p>     <p>O processo de transi&ccedil;&atilde;o no Kosovo tem in&iacute;cio em 1999, quando o territ&oacute;rio fica com o estatuto de protectorado das Na&ccedil;&otilde;es Unidas. A estabilidade do territ&oacute;rio passou a ser assegurada pela KFOR (NATO-led Kosovo Force), for&ccedil;a de manuten&ccedil;&atilde;o da paz da NATO, composta por 16 mil efectivos de 32 pa&iacute;ses<sup><a name="top9"></a><a href="#9">9</a></sup>. </p>     <p>Desde 1999, o Kosovo manteve-se num certo limbo pol&iacute;tico, oficialmente parte do ent&atilde;o Estado da S&eacute;rvia e do Montenegro, mas, na realidade, com grande independ&ecirc;ncia de qualquer influ&ecirc;ncia directa de Belgrado e administrado primeiramente pela miss&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas. Apesar de os l&iacute;deres nacionais solicitarem a independ&ecirc;ncia, a comunidade internacional foi relutante em conced&ecirc;-la e a governa&ccedil;&atilde;o do Kosovo foi sendo partilhada entre as entidades nacionais e internacionais. Mesmo numa situa&ccedil;&atilde;o de inexist&ecirc;ncia do Estado e de aus&ecirc;ncia da independ&ecirc;ncia pol&iacute;tica, e com uma forte presen&ccedil;a internacional a n&iacute;vel nacional, o desenvolvimento pol&iacute;tico do Kosovo foi marcado pela incerteza sobre o seu estatuto e a possibilidade de um autogoverno democr&aacute;tico.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Durante nove anos, o Kosovo foi desenvolvendo as Institui&ccedil;&otilde;es Provis&oacute;rias de Autogoverno e uma administra&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica de acordo com os princ&iacute;pios democr&aacute;ticos, se bem que num contexto significativo de presen&ccedil;a da comunidade internacional. Toda a evolu&ccedil;&atilde;o empreendida, desde a cria&ccedil;&atilde;o das institui&ccedil;&otilde;es, ao surgimento dos partidos pol&iacute;ticos e ao conjunto de processos eleitorais realizados no territ&oacute;rio entre 1999 e 2008 (ao todo quatro), tem assim de ser analisada como um processo de interac&ccedil;&atilde;o entre actores nacionais e internacionais. </p>     <p>Em todo este processo, a presen&ccedil;a e a ac&ccedil;&atilde;o da UNMIK no Kosovo foi crucial, uma vez que permitiu a cria&ccedil;&atilde;o de institui&ccedil;&otilde;es provis&oacute;rias de autogoverno<sup><a name="top10"></a><a href="#10">10</a></sup>. A gradual delega&ccedil;&atilde;o de poderes e de responsabilidades da UNMIK nas institui&ccedil;&otilde;es nacionais deu &agrave; miss&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas um papel instrumental na constru&ccedil;&atilde;o do regime democr&aacute;tico no Kosovo. A miss&atilde;o dividiu-se em quatro pilares, cada um liderado por uma organiza&ccedil;&atilde;o internacional, mas com um representante especial do secret&aacute;rio-geral para coordenar as diferentes organiza&ccedil;&otilde;es envolvidas. Com o alto-comiss&aacute;rio das Na&ccedil;&otilde;es Unidas para os Refugiados encarregue dos assuntos humanit&aacute;rios e a Uni&atilde;o Europeia a liderar o esfor&ccedil;o de reconstru&ccedil;&atilde;o econ&oacute;mica, as Na&ccedil;&otilde;es Unidas ficaram encarregues da administra&ccedil;&atilde;o civil. Por sua vez, a Organiza&ccedil;&atilde;o para a Seguran&ccedil;a e Coopera&ccedil;&atilde;o na Europa (OSCE) coordenou o pilar da constru&ccedil;&atilde;o das institui&ccedil;&otilde;es. Esta estrutura deu &agrave;s Na&ccedil;&otilde;es Unidas e &agrave; OSCE um papel fundamental na transi&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica do Kosovo<a name="top11"></a><sup><a href="#11">11</a></sup>.</p>     <p>A n&iacute;vel interno, os partidos pol&iacute;ticos tiveram tamb&eacute;m um papel importante no desenvolvimento pol&iacute;tico do Kosovo. Ap&oacute;s o conflito de 1999, o n&iacute;vel de antagonismo continuou elevado entre os albaneses e os s&eacute;rvios kosovares. A minoria s&eacute;rvia recusou frequentemente participar na vida pol&iacute;tica de Pristina, relegando autoridade apenas nas institui&ccedil;&otilde;es paralelas criadas entretanto por Belgrado no territ&oacute;rio. Com esta atitude de n&atilde;o participa&ccedil;&atilde;o, a comunidade s&eacute;rvia procurava ajudar &agrave; concretiza&ccedil;&atilde;o do objectivo da S&eacute;rvia de levar o Kosovo a integrar-se novamente sob a sua soberania<a name="top12"></a><sup><a href="#12">12</a></sup>. </p>     <p>O espa&ccedil;o pol&iacute;tico alban&ecirc;s foi tamb&eacute;m marcado por diverg&ecirc;ncias interpartidos, sobretudo quando a influ&ecirc;ncia do LDK nos anos 1990 se dispersou, dando origem a dois partidos sucessores. O maior, o Partido Democr&aacute;tico do Kosovo (PDK), liderado pelo actual primeiro-ministro Hashim Tha&ccedil;i, foi formado logo a seguir ao conflito. No per&iacute;odo que marcou um certo vazio pol&iacute;tico, entre o ataque da NATO e a entrada da UNMIK, o PDK conseguiu estabelecer autoridade a n&iacute;vel local e proclamou um governo provis&oacute;rio, tendo como primeiro-ministro Tha&ccedil;i. Em Maio de 2000, um segundo partido foi criado quando um antigo comandante do KLA, Ramush Haradinaj, estabeleceu a Alian&ccedil;a para o Futuro do Kosovo (AAK). Apesar de alguma coopera&ccedil;&atilde;o durante o per&iacute;odo da administra&ccedil;&atilde;o internacional, a rela&ccedil;&atilde;o entre os dois partidos sempre foi tensa, dadas as diferentes estrat&eacute;gias de resist&ecirc;ncia &agrave; autoridade s&eacute;rvia<a name="top13"></a><sup><a href="#13">13</a></sup>.</p>     <p>O contexto interno do Kosovo a partir de 1999 foi assim marcado pela presen&ccedil;a de uma forte miss&atilde;o internacional, com um mandato expl&iacute;cito, que a envolveu e comprometeu na cria&ccedil;&atilde;o e desenvolvimento das institui&ccedil;&otilde;es democr&aacute;ticas de autogoverno no Kosovo, juntamente com uma fragmentada e, muitas vezes, antag&oacute;nica elite pol&iacute;tica nacional. Foi atrav&eacute;s deste ambiente, ora de coopera&ccedil;&atilde;o, ora de conflito de interesses e prioridades a n&iacute;vel nacional, e de imposi&ccedil;&atilde;o internacional, que as ac&ccedil;&otilde;es dos dois partidos foram promovendo a cria&ccedil;&atilde;o e o desenvolvimento das institui&ccedil;&otilde;es e a elei&ccedil;&atilde;o de uma assembleia e governo nacionais.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>DESAFIOS &Agrave; DEMOCRATIZA&Ccedil;&Atilde;O</b></p>     <p>Na bibliografia que aborda a rela&ccedil;&atilde;o entre o Estado e a democracia &eacute; poss&iacute;vel identificar tr&ecirc;s dimens&otilde;es do Estado, cada uma das quais coloca diferentes desafios &agrave; democratiza&ccedil;&atilde;o. Cada uma destas tr&ecirc;s dimens&otilde;es &eacute; distinta e tem implica&ccedil;&otilde;es espec&iacute;ficas na natureza e perspectivas da democratiza&ccedil;&atilde;o. Em certas circunst&acirc;ncias, quando h&aacute; altera&ccedil;&atilde;o de regime pol&iacute;tico dentro de um Estado homog&eacute;neo e estabilizado, onde o governo central det&eacute;m a autoridade pol&iacute;tica, todo e qualquer assunto relacionado com o Estado pode n&atilde;o ter um papel significativo na pol&iacute;tica de transi&ccedil;&atilde;o. No caso do Kosovo, contudo, onde a capacidade do governo central est&aacute; limitada e n&atilde;o h&aacute; consenso nacional, alguns dos factores relacionados com o Estado apresentam s&eacute;rios obst&aacute;culos &agrave; transi&ccedil;&atilde;o e &agrave; consolida&ccedil;&atilde;o da democracia. </p>     <p>Os cap&iacute;tulos seguintes exploram estas tr&ecirc;s dimens&otilde;es fazendo refer&ecirc;ncia aos desafios que cada uma coloca actualmente ao processo de democratiza&ccedil;&atilde;o do Kosovo. </p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>O RECONHECIMENTO INTERNACIONAL</p>     <p>A primeira dimens&atilde;o diz respeito ao reconhecimento do Estado e est&aacute; relacionada com um requisito: que a entidade pol&iacute;tica seja um Estado reconhecido na comunidade internacional antes de se poder afirmar como democracia. Linz e Stepan, por exemplo, argumentam que um Estado soberano &eacute; um &laquo;pr&eacute;-requisito para a democracia&raquo;, e que os desafios de alcan&ccedil;ar uma democracia n&atilde;o podem ser conseguidos sem que a entidade territorial seja reconhecida como Estado soberano<a name="top14"></a><sup><a href="#14">14</a></sup>, &laquo;[a] democracia &eacute; uma forma de governar um Estado moderno. Logo, sem o Estado, n&atilde;o &eacute; poss&iacute;vel uma democracia&raquo;<a name="top15"></a><sup><a href="#15">15</a></sup>. </p>     <p>Embora raramente aceite explicitamente, esta perspectiva &eacute; refor&ccedil;ada pela aten&ccedil;&atilde;o dada aos processos de democratiza&ccedil;&atilde;o apenas em estados reconhecidos internacionalmente. Contudo, em certas circunst&acirc;ncias, a an&aacute;lise da democratiza&ccedil;&atilde;o pode e deve aplicar-se tamb&eacute;m a estados como o Kosovo que, embora ainda n&atilde;o seja reconhecido pela totalidade dos estados no sistema internacional, &eacute; j&aacute; um Estado independente, que conta com o apoio dos Estados Unidos e da maior parte dos estados da Uni&atilde;o Europeia (22 dos 27). Tal como Laurence Whitehead argumenta, &eacute; poss&iacute;vel analisar o processo de democratiza&ccedil;&atilde;o na aus&ecirc;ncia do total reconhecimento<a name="top16"></a><sup><a href="#16">16</a></sup>. </p>     <p>O reconhecimento no direito internacional p&uacute;blico &eacute; um acto pol&iacute;tico unilateral, com consequ&ecirc;ncias legais nacionais e internacionais, no qual um pa&iacute;s reconhece um acto ou estatuto de outro Estado ou governo. O reconhecimento da independ&ecirc;ncia de um Estado permite estabelecer acordos internacionais, condi&ccedil;&atilde;o fundamental para o estabelecimento da soberania. </p>     <p>Em situa&ccedil;&otilde;es dif&iacute;ceis como a do Kosovo, o assunto da legalidade passa, frequentemente, de uma quest&atilde;o de legalidade da secess&atilde;o para uma quest&atilde;o de legalidade do reconhecimento da secess&atilde;o. No memorando da UE sobre a Resolu&ccedil;&atilde;o 1244 afirma-se que &laquo;geralmente, quando uma entidade emerge como Estado no sentido do direito internacional, pode ser adoptada uma decis&atilde;o pol&iacute;tica de o reconhecer&raquo;. Isto reflecte a compreens&atilde;o de que o reconhecimento, por si s&oacute;, n&atilde;o &eacute; um requisito do Estado<sup><a name="top17"></a><a href="#17">17</a></sup>. Pelo contr&aacute;rio, o reconhecimento apenas aceita uma ocorr&ecirc;ncia factual. Logo, o reconhecimento &eacute; &laquo;declarat&oacute;rio&raquo; por oposi&ccedil;&atilde;o a &laquo;constitutivo&raquo;. </p>     <p>No reconhecimento de uma entidade como Estado pela comunidade internacional h&aacute; duas concep&ccedil;&otilde;es que se op&otilde;em. De acordo com a teoria constitutiva, o Estado s&oacute; pode ser sujeito de direito internacional quando &eacute; reconhecido como soberano pelos outros estados<sup><a name="top18"></a><a href="#18">18</a></sup>. Por oposi&ccedil;&atilde;o, a teoria declarativa defende que o reconhecimento do Estado tem apenas um alcance declarativo porque o seu &uacute;nico objecto &eacute; o de verificar a exist&ecirc;ncia do novo Estado, sem lhe conferir qualquer qualidade jur&iacute;dica. O reconhecimento condiciona em certa medida os efeitos internacionais da soberania do novo Estado, mas n&atilde;o cria a soberania nem o Estado. O Estado deve cumprir os crit&eacute;rios estruturais (um povo, um territ&oacute;rio e um governo), independentemente do seu reconhecimento por parte dos outros estados. Esta &eacute; a posi&ccedil;&atilde;o do Instituto de Direito Internacional: &laquo;o reconhecimento tem um efeito declarativo. A exist&ecirc;ncia de um novo Estado, com todos os efeitos jur&iacute;dicos relacionados com a sua exist&ecirc;ncia n&atilde;o &eacute; afectada pela recusa de reconhecimento por um ou v&aacute;rios Estados&raquo; (Resolu&ccedil;&atilde;o de 1936, sess&atilde;o de Bruxelas)<sup><a name="top19"></a><a href="#19">19</a></sup>. Assim, a recusa de reconhecimento n&atilde;o impede um Estado de existir. Inversamente, a concess&atilde;o do reconhecimento n&atilde;o &eacute; suficiente para criar um Estado: se os elementos constitutivos n&atilde;o se verificarem, a entidade reconhecida n&atilde;o &eacute; por isso um Estado.</p>     <p>O enquadramento dado pelo direito internacional permite argumentos a favor e contra a secess&atilde;o. No entanto, no interesse da estabilidade sist&eacute;mica, o direito internacional &eacute; contra a secess&atilde;o. Um dos argumentos que pode ser elaborado &eacute; o de que os estados n&atilde;o devem reconhecer um novo Estado se esse reconhecimento perpetua uma falha no direito internacional. Este &eacute; o argumento defendido pela R&uacute;ssia e pela S&eacute;rvia. Enquanto a S&eacute;rvia n&atilde;o consentir numa altera&ccedil;&atilde;o no seu territ&oacute;rio e respectivas fronteiras, n&atilde;o pode haver reconhecimento legal do Kosovo. Ambos os estados, S&eacute;rvia e R&uacute;ssia, argumentam que a Resolu&ccedil;&atilde;o 1244 n&atilde;o permite a secess&atilde;o do Kosovo sem o acordo da S&eacute;rvia. Em particular, referem-se ao pre&acirc;mbulo da resolu&ccedil;&atilde;o que reafirma o compromisso de todos os estados-membros para com &laquo;a soberania e integridade territorial da Rep&uacute;blica Federal da Jugosl&aacute;via&raquo;<a name="top20"></a><sup><a href="#20">20</a></sup>. </p>     <p>Contudo, a altera&ccedil;&atilde;o das fronteiras de um Estado soberano, neste caso da S&eacute;rvia, n&atilde;o torna por si s&oacute; a independ&ecirc;ncia do Kosovo ilegal porque a comunidade internacional aceita a legalidade da secess&atilde;o em determinadas circunst&acirc;ncias. Apesar dos assuntos de secess&atilde;o raramente receberem adjudica&ccedil;&atilde;o formal, a pr&aacute;tica do Estado e as opini&otilde;es dos tribunais apontam alguns &laquo;casos extremos&raquo; ou &laquo;circunst&acirc;ncias cuidadosamente definidas&raquo; sob as quais o privil&eacute;gio da secess&atilde;o existe. Qualquer tentativa de evocar secess&atilde;o legal deve, pelo menos, mostrar que os secessionistas s&atilde;o um &laquo;povo&raquo; (sentido etnogr&aacute;fico); o Estado do qual eles se est&atilde;o a separar violou seriamente os seus direitos humanos; e n&atilde;o h&aacute; outra solu&ccedil;&atilde;o para o problema, quer sob a legisla&ccedil;&atilde;o interna, quer sob o direito internacional.</p>     <p>O primeiro aspecto, a exist&ecirc;ncia ou n&atilde;o de povo, n&atilde;o levanta qualquer d&uacute;vida. Os albaneses kosovares t&ecirc;m fortes tra&ccedil;os que os unem e os caracterizam enquanto na&ccedil;&atilde;o. Relativamente ao segundo ponto, o argumento &eacute; v&aacute;lido na medida em que os s&eacute;rvios foram de facto respons&aacute;veis por s&eacute;rias viola&ccedil;&otilde;es de direitos humanos contra os albaneses kosovares e, tal como refere a Resolu&ccedil;&atilde;o 1244, estava-se perante uma &laquo;situa&ccedil;&atilde;o humanit&aacute;ria grave&raquo; e uma &laquo;amea&ccedil;a &agrave; paz e seguran&ccedil;a internacional&raquo;. Foram estes acontecimentos que levaram &agrave; interven&ccedil;&atilde;o da NATO em 1999. Quanto ao terceiro aspecto, a situa&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica anterior &agrave; declara&ccedil;&atilde;o de independ&ecirc;ncia n&atilde;o parece oferecer qualquer alternativa real &agrave; secess&atilde;o. At&eacute; Dezembro de 2007, as duas partes n&atilde;o resolveram as suas diferen&ccedil;as, e as negocia&ccedil;&otilde;es, sobre o estatuto final do Kosovo n&atilde;o tiveram qualquer resultado. Sendo improv&aacute;vel que qualquer tentativa militar conseguisse manter o Kosovo na S&eacute;rvia, parece tamb&eacute;m que qualquer outra op&ccedil;&atilde;o realista para al&eacute;m da separa&ccedil;&atilde;o falhasse.</p>     <p>Como j&aacute; foi referido, o Kosovo n&atilde;o tem ainda o reconhecimento da totalidade dos estados do sistema internacional. Contudo, isso n&atilde;o contraria o facto de que j&aacute; &eacute; independente desde 2008, nem impede que o seu processo de transi&ccedil;&atilde;o continue a desenvolver-se. Comparado com outros movimentos secessionistas noutras partes do mundo, como Taiwan ou a Rep&uacute;blica de Nagorno-Karabakh, o Kosovo disp&otilde;e de algo que nenhum outro tem: o forte apoio da Uni&atilde;o Europeia e dos Estados Unidos. Adicionalmente, a decis&atilde;o do Tribunal Internacional de Justi&ccedil;a (TIJ) em Julho de 2010, considerando que a declara&ccedil;&atilde;o de independ&ecirc;ncia &laquo;n&atilde;o viola o direito internacional&raquo;, veio dar uma nova for&ccedil;a a este processo de afirma&ccedil;&atilde;o do Kosovo enquanto Estado de direito no sistema internacional. Apesar de ter apenas um car&aacute;cter consultivo e n&atilde;o vinculativo, esta decis&atilde;o resulta de uma an&aacute;lise efectuada por especialistas de direito internacional a n&iacute;vel mundial, sendo, por isso, uma clara vit&oacute;ria &agrave;s pretens&otilde;es kosovares. &Eacute; prov&aacute;vel que, em virtude desta posi&ccedil;&atilde;o do TIJ, outros estados venham a reconhecer o Kosovo. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>No entanto, a oposi&ccedil;&atilde;o de estados como a R&uacute;ssia, a China e a &Iacute;ndia, para al&eacute;m da pr&oacute;pria S&eacute;rvia, entre outros, continua a trazer alguma instabilidade e incerteza ao panorama internacional. Tamb&eacute;m no seio da Uni&atilde;o Europeia as diverg&ecirc;ncias continuam. Durante as audi&ccedil;&otilde;es no TIJ, a representante espanhola, Concepci&oacute;n Escobar Hern&aacute;ndez, argumentou que &laquo;a declara&ccedil;&atilde;o unilateral de independ&ecirc;ncia do Kosovo n&atilde;o est&aacute; de acordo com o direito internacional porque viola o princ&iacute;pio da integridade territorial e soberania da S&eacute;rvia&raquo; e que a Resolu&ccedil;&atilde;o 1244 &laquo;est&aacute; ainda em vigor… o processo pol&iacute;tico para encontrar uma solu&ccedil;&atilde;o ainda decorre at&eacute; o Conselho de Seguran&ccedil;a tomar uma decis&atilde;o&raquo;<sup><a name="top21"></a><a href="#21">21</a></sup>. Por seu lado, a R&uacute;ssia considerou que o parecer do TIJ foi sobre a legalidade da declara&ccedil;&atilde;o e n&atilde;o sobre a quest&atilde;o mais abrangente do direito do Kosovo se separar da S&eacute;rvia unilateralmente.</p>     <p>O assunto do reconhecimento &eacute;, por isso, um dos desafios que o Estado kosovar enfrenta num futuro pr&oacute;ximo, n&atilde;o s&oacute; porque tem ambi&ccedil;&otilde;es de entrar para a Uni&atilde;o Europeia, e, para isso, precisa do consenso de todos os estados-membros, como tamb&eacute;m entrar para a Assembleia das Na&ccedil;&otilde;es Unidas, precisando, para isso, de ter a aprova&ccedil;&atilde;o do Conselho de Seguran&ccedil;a. </p>     <p>&nbsp;</p>     <p>A CAPACIDADE GOVERNATIVA</p>     <p>A segunda dimens&atilde;o da rela&ccedil;&atilde;o entre Estado e democracia diz respeito &agrave; capacidade do Estado. Em particular, at&eacute; que ponto o Estado tem recursos e presen&ccedil;a no territ&oacute;rio para manter a sua autoridade e proteger a sua popula&ccedil;&atilde;o. Neste contexto, a import&acirc;ncia do Estado est&aacute; relacionada com a capacidade em estabelecer o Estado de direito no seu territ&oacute;rio. De acordo com O’Donnell, h&aacute; tr&ecirc;s elementos do Estado que s&atilde;o necess&aacute;rios para apoiar a democracia: um sistema legal que defenda os direitos e liberdades definidos num regime democr&aacute;tico, um conjunto de institui&ccedil;&otilde;es que aplique esses direitos no territ&oacute;rio, e discursos ideol&oacute;gicos e/ou pr&aacute;ticas que assegurem que a capacidade do Estado &eacute; utilizada para refor&ccedil;ar os valores democr&aacute;ticos<a name="top22"></a><sup><a href="#22">22</a></sup>. Os n&iacute;veis de jurisdi&ccedil;&atilde;o, a presen&ccedil;a e a autoridade do Estado definem o contexto pol&iacute;tico que pode ser de constrangimento ou, pelo contr&aacute;rio, de oportunidade e incentivo &agrave; democratiza&ccedil;&atilde;o<sup><a name="top23"></a><a href="#23">23</a></sup>. </p>     <p>A capacidade do Estado &eacute; fundamental para o exerc&iacute;cio da democracia. Se as institui&ccedil;&otilde;es centrais do Estado n&atilde;o conseguirem exercer autoridade em todo o territ&oacute;rio no qual t&ecirc;m jurisdi&ccedil;&atilde;o, n&atilde;o &eacute; poss&iacute;vel ter governo efectivo. As regras da democracia liberal exigem que os direitos pol&iacute;ticos e o Estado de direito possam ser gozados, e que as autoridades do Estado providenciem os fundamentos legais para que isso aconte&ccedil;a, criando os mecanismos que ajudam &agrave; sua implementa&ccedil;&atilde;o<sup><a name="top24"></a><a href="#24">24</a></sup>. A democracia (e por sua vez, a paz) pode ser amea&ccedil;ada quando as estruturas centrais do Estado s&atilde;o fracas ou quando as institui&ccedil;&otilde;es locais e os actores agem de acordo com as prioridades locais ou n&atilde;o respeitam as regras e normas definidas pelo governo central<a name="top25"></a><sup><a href="#25">25</a></sup>. </p>     <p>No Kosovo, estes problemas s&atilde;o significativos. As institui&ccedil;&otilde;es pol&iacute;ticas s&atilde;o ainda fr&aacute;geis, o que levanta algumas quest&otilde;es sobre a capacidade em implementar e fazer respeitar pol&iacute;ticas, leis e direitos em todo o territ&oacute;rio do Estado. Em v&aacute;rias &aacute;reas, as estruturas institucionais do governo e da administra&ccedil;&atilde;o t&ecirc;m sido incapazes de estender a sua autoridade a todo o territ&oacute;rio e em assegurar que todos os membros da popula&ccedil;&atilde;o sejam tratados de forma igual e tenham igual acesso ao sistema pol&iacute;tico e legal institu&iacute;do. </p>     <p>Apesar de o Kosovo ter um governo eleito de forma livre (se bem que, com aus&ecirc;ncia de participa&ccedil;&atilde;o da minoria s&eacute;rvia), este n&atilde;o controla a totalidade do territ&oacute;rio. Na parte habitada pela minoria s&eacute;rvia, especificamente, na parte mais a norte, a sul no munic&iacute;pio de Strpce e nos pequenos enclaves espalhados pelo territ&oacute;rio, as autoridades kosovares n&atilde;o exercem qualquer soberania. Todas estas parcelas do territ&oacute;rio est&atilde;o sob supervis&atilde;o da miss&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas (UNMIK). A popula&ccedil;&atilde;o s&eacute;rvia, se bem que uma minoria, recusa participar nos actos eleitorais e, desta forma, reconhecer o Governo kosovar, continuando a sua rela&ccedil;&atilde;o de nacionalidade para com a S&eacute;rvia. Nestas &aacute;reas habitadas maioritariamente por s&eacute;rvios, h&aacute; uma s&eacute;rie de estruturas pol&iacute;ticas paralelas que foram criadas e s&atilde;o controladas pelo Governo s&eacute;rvio. Estas estruturas incluem servi&ccedil;os de seguran&ccedil;a, tribunais, educa&ccedil;&atilde;o e sa&uacute;de. Para complicar ainda mais, as municipalidades s&eacute;rvias do Kosovo tomaram a iniciativa de formarem, em Junho de 2008, a &laquo;Assembleia da Uni&atilde;o dos Munic&iacute;pios da Prov&iacute;ncia Aut&oacute;noma do Kosovo e Metohija&raquo;, numa clara posi&ccedil;&atilde;o de recusa da independ&ecirc;ncia, mantendo-se, desta forma sob a soberania de Belgrado. </p>     <p>A n&iacute;vel central, a autoridade do Governo &eacute; tamb&eacute;m fragilizada com a falta de recursos e de m&atilde;o-de-obra qualificada<a name="top26"></a><sup><a href="#26">26</a></sup>. Falta capacidade para desenvolver pol&iacute;ticas e elaborar legisla&ccedil;&atilde;o em conformidade com as orienta&ccedil;&otilde;es da UE. </p>     <p>Quanto &agrave; administra&ccedil;&atilde;o local, h&aacute; uma s&eacute;rie de problemas. As nomea&ccedil;&otilde;es e o emprego na administra&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica est&atilde;o muitas vezes dependentes dos partidos, o que dificulta a imparcialidade e independ&ecirc;ncia do servi&ccedil;o p&uacute;blico, e levanta quest&otilde;es de desempenho e de &eacute;tica. O emprego est&aacute; assim conectado com a lealdade ao partido e n&atilde;o &agrave; efici&ecirc;ncia<a name="top27"></a><sup><a href="#27">27</a></sup>. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Para al&eacute;m dos problemas com o governo central e a administra&ccedil;&atilde;o local, o sistema judicial do Kosovo enfrenta tamb&eacute;m problemas de capacidade e de imparcialidade. Apesar de alguns desenvolvimentos neste sector ao n&iacute;vel do enquadramento legal, gra&ccedil;as &agrave; forte orienta&ccedil;&atilde;o e press&atilde;o internacional, persistem ainda alguns problemas. A capacidade em resolver efectiva e imparcialmente os processos, sobretudo na &aacute;rea dos direitos de propriedade, &eacute; preocupante<a name="top28"></a><sup><a href="#28">28</a></sup>. As quest&otilde;es de propriedade e, particularmente, de ocupa&ccedil;&atilde;o ilegal de casas de s&eacute;rvios por albaneses kosovares continua a ser fonte de fortes tens&otilde;es no Kosovo. Esta situa&ccedil;&atilde;o impede que a popula&ccedil;&atilde;o s&eacute;rvia se torne membro efectivo do novo Estado. A incapacidade de processar estes e outros casos representa uma s&eacute;ria barreira ao desenvolvimento democr&aacute;tico do Kosovo. </p>     <p>Outro problema est&aacute; relacionado com a capacidade do sistema judicial em assegurar a imparcialidade dos ju&iacute;zes quando se trata de casos com uma dimens&atilde;o &eacute;tnica. A maioria dos ju&iacute;zes pertence &agrave; comunidade albanesa, o que levou a administra&ccedil;&atilde;o internacional a introduzir ju&iacute;zes internacionais<a name="top29"></a><sup><a href="#29">29</a></sup>. No entanto, mant&ecirc;m-se as preocupa&ccedil;&otilde;es sobre a imparcialidade da justi&ccedil;a no Kosovo.</p>     <p>A aus&ecirc;ncia de Estado de direito e o ineficiente sistema judicial, sujeito a interfer&ecirc;ncias pol&iacute;ticas, juntamente com o crime organizado e a corrup&ccedil;&atilde;o s&atilde;o algumas das caracter&iacute;sticas apontadas pela Comiss&atilde;o, como sendo as mais dif&iacute;ceis de resolver<a name="top30"></a><sup><a href="#30">30</a></sup>. Num inqu&eacute;rito realizado em 2009, cerca de 82 por cento da popula&ccedil;&atilde;o do Kosovo acreditava na exist&ecirc;ncia de corrup&ccedil;&atilde;o ao mais alto n&iacute;vel. O &Iacute;ndice da Percep&ccedil;&atilde;o da Corrup&ccedil;&atilde;o de 2008, da Transparency International, identificou o Kosovo como uma das quatro economias mais corruptas do mundo juntamente com a da Alb&acirc;nia, dos Camar&otilde;es e do Camboja<sup><a name="top31"></a><a href="#31">31</a></sup>. </p>     <p>Um &uacute;ltimo factor que demonstra a falta de capacidade do Estado est&aacute; relacionado com quest&otilde;es de seguran&ccedil;a, concretamente, com a viol&ecirc;ncia e intimida&ccedil;&atilde;o da minoria s&eacute;rvia<a name="top32"></a><sup><a href="#32">32</a></sup>. Este factor revela falhas n&atilde;o s&oacute; nas estruturas nacionais de seguran&ccedil;a (Corpo de Pol&iacute;cia do Kosovo), como tamb&eacute;m nas institui&ccedil;&otilde;es de seguran&ccedil;a internacionais, constituindo um desafio ao processo de democratiza&ccedil;&atilde;o no Kosovo. </p>     <p>&Eacute; certo que a estabilidade pol&iacute;tica se tem mantido, mas n&atilde;o por m&eacute;rito pr&oacute;prio. A relativa estabilidade que existe hoje no Kosovo deve-se &agrave; forte presen&ccedil;a da comunidade internacional no terreno. De acordo com a constitui&ccedil;&atilde;o, que entrou em vigor em Junho de 2008, o Presidente e a Assembleia do Kosovo t&ecirc;m autoridade governamental no Kosovo. No entanto, este documento, essencial na organiza&ccedil;&atilde;o interna do pr&oacute;prio Estado, baseia-se na &laquo;Proposta Compreensiva para o Acordo sobre o Estatuto do Kosovo&raquo;, cuja implementa&ccedil;&atilde;o &eacute; supervisionada pelo Representante Civil Internacional (ICO). Este tem autoridade para verificar se a legisla&ccedil;&atilde;o e as decis&otilde;es adoptadas pelo Governo kosovar, em mat&eacute;ria de direitos humanos e de protec&ccedil;&atilde;o de minorias, est&atilde;o em conformidade com o Plano Athisaari<sup><a name="top33"></a><a href="#33">33</a></sup>. Se bem que a Constitui&ccedil;&atilde;o do Kosovo esteja de acordo com os princ&iacute;pios europeus que requerem a estabilidade das institui&ccedil;&otilde;es garantindo assim a democracia, o Estado de direito, o respeito pelos direitos humanos e pela protec&ccedil;&atilde;o das minorias, na pr&aacute;tica a situa&ccedil;&atilde;o continua a n&atilde;o ser satisfat&oacute;ria a v&aacute;rios n&iacute;veis<a name="top34"></a><sup><a href="#34">34</a></sup>. Desde logo, a aus&ecirc;ncia de Estado de direito, fundamental para garantir o respeito e a implementa&ccedil;&atilde;o das leis, para al&eacute;m da viola&ccedil;&atilde;o dos direitos humanos, particularmente das minorias s&eacute;rvia e roma, t&ecirc;m provocado um profundo descontentamento e instabilidade social<a name="top35"></a><sup><a href="#35">35</a></sup>. </p>     <p>Nesta dimens&atilde;o, quando se fala da capacidade governativa referimo-nos &agrave; quest&atilde;o da soberania. A soberania, atributo fundamental do Estado, consiste no poder supremo sobre o territ&oacute;rio e os seus habitantes<sup><a name="top36"></a><a href="#36">36</a></sup>. Segundo Verdross, um Estado soberano &eacute; &laquo;uma comunidade que se governa plenamente a si pr&oacute;pria&raquo;<a name="top37"></a><sup><a href="#37">37</a></sup>. A supremacia e a independ&ecirc;ncia de um Estado soberano manifestam-se, respectivamente, nas rela&ccedil;&otilde;es do poder pol&iacute;tico com o elemento humano do Estado (povo) e com os outros estados do sistema internacional (soberania interna e externa). A soberania interna consiste na compet&ecirc;ncia exclusiva do Estado para determinar as suas institui&ccedil;&otilde;es, assegurar o seu funcionamento, criar direito e garantir o seu respeito por todos os que vivem no seu territ&oacute;rio. Por sua vez, a soberania externa &eacute; a faculdade de cada Estado dirigir o agregado nas rela&ccedil;&otilde;es com os outros estados, sem que, no exerc&iacute;cio de tal faculdade, esteja sujeito a outro poder<a name="top38"></a><sup><a href="#38">38</a></sup>. </p>     <p>No caso do Kosovo, algumas quest&otilde;es se levantam em termos de soberania interna e externa. Internamente, a forte presen&ccedil;a da comunidade internacional assegura algumas das fun&ccedil;&otilde;es b&aacute;sicas do Estado ao n&iacute;vel da seguran&ccedil;a e da estabilidade pol&iacute;tica, econ&oacute;mica e social. </p>     <p>&nbsp;</p>     <p>Como se pode ver no <b>gr&aacute;fico 1</b>, a comunidade internacional, com particular destaque para a UE (com a presen&ccedil;a de quatro institui&ccedil;&otilde;es no terreno), vai administrando de facto o territ&oacute;rio. A UNMIK, apesar de ter reduzido a sua presen&ccedil;a para cerca de dez por cento, continua a ter importantes fun&ccedil;&otilde;es de monitoriza&ccedil;&atilde;o, facilitando, sempre que poss&iacute;vel, o envolvimento internacional do Kosovo em acordos internacionais e na sua representa&ccedil;&atilde;o externa<a name="top39"></a><sup><a href="#39">39</a></sup>. Procura tamb&eacute;m promover o di&aacute;logo entre Pristina e Belgrado sobre algumas preocupa&ccedil;&otilde;es de ambas as comunidades ao n&iacute;vel da pol&iacute;cia, tribunais, alf&acirc;ndega, transportes e infra-estruturas, fronteiras e patrim&oacute;nio s&eacute;rvio. Para al&eacute;m destas fun&ccedil;&otilde;es, continua tamb&eacute;m a ser respons&aacute;vel pela coopera&ccedil;&atilde;o judicial internacional com estados que ainda n&atilde;o reconheceram o Kosovo.</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Gr&aacute;fico 1</b> &gt; A comunidade internacional no Kosovo</p>     <p><img src="/img/revistas/ri/n32/n32a08g1.jpg"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>Por sua vez, a KFOR &eacute; respons&aacute;vel pela seguran&ccedil;a no territ&oacute;rio, sobretudo na parte norte do Kosovo (habitada maioritariamente pela minoria s&eacute;rvia), e ainda sob soberania de facto da S&eacute;rvia. Ajuda tamb&eacute;m a promover a estabilidade no relacionamento entre as duas comunidades.</p>     <p>Quanto &agrave; presen&ccedil;a da UE, h&aacute; quatro institui&ccedil;&otilde;es no terreno. O European Union Special Representative (EUSR), institu&iacute;do pelo Conselho Europeu, aconselha e apoia o Governo do Kosovo no processo pol&iacute;tico de futura integra&ccedil;&atilde;o na Europa. &Eacute; respons&aacute;vel pela coordena&ccedil;&atilde;o da presen&ccedil;a da UE e contribui para o desenvolvimento e consolida&ccedil;&atilde;o do respeito pelos direitos humanos e liberdades fundamentais no territ&oacute;rio. A European Union Rule of Law in Kosovo (EULEX) &eacute; a maior miss&atilde;o civil lan&ccedil;ada sob os ausp&iacute;cios da Pol&iacute;tica Europeia de Seguran&ccedil;a e Defesa<a name="top40"></a><sup><a href="#40">40</a></sup>. Procura assistir e apoiar as autoridades kosovares na implementa&ccedil;&atilde;o do Estado de direito, especificamente nas &aacute;reas de pol&iacute;cia, justi&ccedil;a e alf&acirc;ndega. Apesar de n&atilde;o ter objectivos de governo, a miss&atilde;o monitoriza e aconselha as autoridades kosovares em v&aacute;rios dom&iacute;nios, retendo alguns poderes executivos. O facto de a EULEX estar enquadrada no &acirc;mbito da Resolu&ccedil;&atilde;o 1244, levanta a quest&atilde;o de saber sob que lei (Pristina, UNMIK ou Belgrado) a EULEX actua no Norte do Kosovo, n&atilde;o existindo consenso nesta mat&eacute;ria. O European Commission Liaison Office (ECLO) ajuda &agrave; prossecu&ccedil;&atilde;o das reformas atrav&eacute;s de pol&iacute;ticas regulares e di&aacute;logo t&eacute;cnico. Procura obter apoio para o refor&ccedil;o das institui&ccedil;&otilde;es, o desenvolvimento da economia e o cumprimento dos princ&iacute;pios europeus por parte do Governo kosovar. No fundo, apoia o processo de estabiliza&ccedil;&atilde;o e de associa&ccedil;&atilde;o, criado pela UE e no qual o Kosovo participa. Por &uacute;ltimo, o International Civilian Representative (ICR), cujo respons&aacute;vel &eacute; tamb&eacute;m o EUSR no Kosovo, tem como fun&ccedil;&atilde;o supervisionar o cumprimento do acordo sobre o estatuto do Kosovo concebido por Martti Ahtisaari. O facto de o ICR ser mandatado pelo International Steering Group (ISG), gera por si s&oacute; alguns problemas. Enquanto a UE tem uma posi&ccedil;&atilde;o neutral face &agrave; independ&ecirc;ncia do Kosovo (devido &agrave; recusa de cinco estados-membros em reconhecer o Estado kosovar: Espanha, Rom&eacute;nia, Eslov&aacute;quia, Gr&eacute;cia e Chipre), o ISG compreende apenas os estados europeus que reconheceram a independ&ecirc;ncia do Kosovo.</p>     <p>Apesar da influ&ecirc;ncia que todas estas organiza&ccedil;&otilde;es (ONU, NATO e UE) t&ecirc;m na vida pol&iacute;tica, econ&oacute;mica e social do Kosovo, este ainda n&atilde;o &eacute; Estado-membro de nenhuma delas, n&atilde;o participando, por isso, nas suas decis&otilde;es. </p>     <p>Resta assim concluir que a capacidade governativa do Kosovo &eacute; limitada em &aacute;reas t&atilde;o importantes como a seguran&ccedil;a ou a representa&ccedil;&atilde;o externa do Estado. O processo de democratiza&ccedil;&atilde;o no Kosovo enfrenta desafios em termos de governo efectivo na totalidade do territ&oacute;rio e de capacidade em assegurar adequada protec&ccedil;&atilde;o dos direitos e seguran&ccedil;a de todos os seus cidad&atilde;os, independentemente da etnia a que perten&ccedil;am. </p>     <p>E, se &eacute; certo que a presen&ccedil;a internacional no Kosovo contribui de certa forma para resolver algumas das fragilidades do Estado, tem tamb&eacute;m o efeito nefasto de reduzir a capacidade governativa das autoridades nacionais.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>A COES&Atilde;O NACIONAL</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A terceira dimens&atilde;o est&aacute; relacionada com a coes&atilde;o do Estado, e tem sido tratada por Linz e Stepan. Os problemas do Estado surgem quando h&aacute; falta de harmonia entre a <i>polity</i> e a <i>demos</i>. No caso do Kosovo, isto levanta algumas quest&otilde;es, n&atilde;o s&oacute; ao n&iacute;vel das fronteiras/limites do territ&oacute;rio, como tamb&eacute;m da ades&atilde;o da popula&ccedil;&atilde;o &agrave; comunidade pol&iacute;tica institu&iacute;da. Especificamente, Linz e Stepan argumentam que quanto maior for a percentagem de popula&ccedil;&atilde;o no territ&oacute;rio que n&atilde;o queira pertencer ao Estado, mais dif&iacute;cil ser&aacute; consolidar a democracia. Se a popula&ccedil;&atilde;o num determinado territ&oacute;rio estiver dividida, linguista, religiosa e culturalmente, o desafio em alcan&ccedil;ar um acordo sobre os fundamentos da democracia, especialmente os direitos dos cidad&atilde;os, torna-se ainda mais dif&iacute;cil<sup><a name="top41"></a><a href="#41">41</a></sup>. Estas hip&oacute;teses v&atilde;o no seguimento do que Dankwart Rustow defende ao afirmar que a unidade nacional, no que respeita &agrave;s fronteiras territoriais e comunit&aacute;rias, &eacute; a &uacute;nica condi&ccedil;&atilde;o necess&aacute;ria para uma transi&ccedil;&atilde;o com sucesso para a democracia<sup><a name="top42"></a><a href="#42">42</a></sup>. </p>     <p>No Kosovo, a comunidade albanesa est&aacute; em maioria (cerca de 88 por cento) e cumpre os requisitos do conceito de povo. Este conceito &eacute; utilizado normalmente como factor primordial para a defini&ccedil;&atilde;o de na&ccedil;&atilde;o: conjunto de indiv&iacute;duos ligados por uma determinada l&iacute;ngua, religi&atilde;o, usos, tradi&ccedil;&otilde;es, passado hist&oacute;rico<a name="top43"></a><sup><a href="#43">43</a></sup>. </p>     <p>Contudo, como em qualquer outro territ&oacute;rio na zona dos Balc&atilde;s, o Kosovo &eacute; um Estado multi&eacute;tnico, constitu&iacute;do por s&eacute;rvios (seis por cento), b&oacute;snios e goranis (tr&ecirc;s por cento), roma e ashkali (dois por cento) e turcos (um por cento)<sup><a name="top44"></a><a href="#44">44</a></sup>. A concentra&ccedil;&atilde;o da comunidade internacional e dos actores e institui&ccedil;&otilde;es nacionais no conflito entre os albaneses e os s&eacute;rvios kosovares, tornou ainda mais dif&iacute;ceis as circunst&acirc;ncias e a integra&ccedil;&atilde;o das outras minorias, a maior parte das quais vive ainda em campos de refugiados<sup><a name="top45"></a><a href="#45">45</a></sup>. A declara&ccedil;&atilde;o de independ&ecirc;ncia veio piorar ainda mais esta situa&ccedil;&atilde;o<sup><a name="top46"></a><a href="#46">46</a></sup>. De acordo com um relat&oacute;rio do Grupo dos Direitos das Minorias o &laquo;vacum na efectiva protec&ccedil;&atilde;o internacional de minorias&raquo; e &laquo;a falta de vontade pol&iacute;tica entre os albaneses, para al&eacute;m do pouco investimento em mecanismos de protec&ccedil;&atilde;o, provocou uma eros&atilde;o nos direitos das minorias no per&iacute;odo p&oacute;s-independ&ecirc;ncia&raquo;<a name="top47"></a><sup><a href="#47">47</a></sup>.</p>     <p>O processo de democratiza&ccedil;&atilde;o no Kosovo tem assim que enfrentar alguns desafios significativos no que respeita &agrave; coes&atilde;o nacional. Tal como Linz e Stepan sublinham, a falta de consenso sobre a ades&atilde;o a um Estado apresenta um desafio ao desenvolvimento democr&aacute;tico<a name="top48"></a><sup><a href="#48">48</a></sup>. No Kosovo, assim como noutros contextos p&oacute;s-conflito, a aus&ecirc;ncia de consenso &eacute; profunda relativamente a assuntos de coes&atilde;o de Estado, e tem na sua base as vis&otilde;es irreconcili&aacute;veis e antag&oacute;nicas das duas comunidades no que diz respeito ao governo do territ&oacute;rio. Para os s&eacute;rvios kosovares, o Kosovo &eacute; uma prov&iacute;ncia da S&eacute;rvia, tendo como capital Belgrado. Por sua vez, para os albaneses kosovares, o Kosovo &eacute; um Estado independente com fronteiras perfeitamente definidas. Estas posi&ccedil;&otilde;es irreconcili&aacute;veis t&ecirc;m s&eacute;rias consequ&ecirc;ncias no desenvolvimento pol&iacute;tico do Kosovo e no seu processo de transi&ccedil;&atilde;o para a democracia.</p>     <p>Em termos sociais, as duas comunidades vivem separadas e com pouca liga&ccedil;&atilde;o entre si. Como j&aacute; foi referido, a maior parte da minoria s&eacute;rvia vive na parte norte do territ&oacute;rio (com uma grande concentra&ccedil;&atilde;o na cidade de Mitrovica), e em pequenos enclaves isolados e dispersos pelo Sul e Leste do Kosovo. A tens&atilde;o entre as duas comunidades &eacute; permanente e elevada. Registam-se frequentes casos de viol&ecirc;ncia contra os s&eacute;rvios kosovares, sendo a sua liberdade de movimento muito restrita. Esta restri&ccedil;&atilde;o tem, por sua vez, s&eacute;rias implica&ccedil;&otilde;es no que respeita ao acesso da minoria s&eacute;rvia aos servi&ccedil;os p&uacute;blicos no Kosovo, para al&eacute;m de dificultar o regresso da popula&ccedil;&atilde;o s&eacute;rvia ao territ&oacute;rio. Esta fragilidade da rela&ccedil;&atilde;o inter&eacute;tnica refor&ccedil;a o papel das institui&ccedil;&otilde;es paralelas s&eacute;rvias que, num c&iacute;rculo vicioso, reduzem as oportunidades de uma interac&ccedil;&atilde;o e comunica&ccedil;&atilde;o inter&eacute;tnica<a name="top49"></a><sup><a href="#49">49</a></sup>.</p>     <p>Esta divis&atilde;o entre as duas comunidades &eacute; tamb&eacute;m vis&iacute;vel na confronta&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica entre os seus respectivos partidos e na relut&acirc;ncia da popula&ccedil;&atilde;o s&eacute;rvia em participar nas institui&ccedil;&otilde;es pol&iacute;ticas kosovares. Cada comunidade &eacute; representada por partidos separados, n&atilde;o existindo partidos multi&eacute;tnicos que congreguem as duas comunidades. Estes partidos encaram o desenvolvimento pol&iacute;tico no Kosovo como parte da din&acirc;mica soma zero, em que cada parte interpreta os desenvolvimentos da outra como avan&ccedil;os ou recuos nos seus objectivos exclusivos no que respeita ao estatuto pol&iacute;tico do territ&oacute;rio. O resultado &eacute; a resist&ecirc;ncia por parte de um dos lados a quase todos os desenvolvimentos pol&iacute;ticos e evolu&ccedil;&atilde;o do processo de transi&ccedil;&atilde;o no Kosovo.</p>     <p>A falta de coes&atilde;o nacional &eacute; ainda real&ccedil;ada pela recusa por parte dos partidos s&eacute;rvios em envolverem-se na vida pol&iacute;tica do Kosovo. Durante os anos de protectorado, os s&eacute;rvios foram adiando o envolvimento nas institui&ccedil;&otilde;es que foram sendo criadas, e apenas aderiam quando os interesses de Belgrado eram acautelados. Apesar de participarem nas elei&ccedil;&otilde;es para a Assembleia em 2001, houve uma fraca participa&ccedil;&atilde;o nas elei&ccedil;&otilde;es municipais de 2002 e um total boicote das elei&ccedil;&otilde;es para a Assembleia em 2004. Estes boicotes foram apoiados e encorajados por Belgrado, e reflectiram as divis&otilde;es existentes no Kosovo. Sem o envolvimento dos s&eacute;rvios nas institui&ccedil;&otilde;es pol&iacute;ticas do Kosovo, ser&aacute; dif&iacute;cil alcan&ccedil;ar a consolida&ccedil;&atilde;o da democracia.</p>     <p>A falta de coes&atilde;o tem claramente implica&ccedil;&otilde;es para a transi&ccedil;&atilde;o democr&aacute;tica no Kosovo. Tal como Linz e Stepan afirmam: &laquo;se um grupo significativo de pessoas n&atilde;o aceita um Estado como leg&iacute;timo, porque n&atilde;o querem ser parte do Estado, apesar de democraticamente constitu&iacute;do, isto coloca um problema s&eacute;rio para a transi&ccedil;&atilde;o democr&aacute;tica e ainda mais s&eacute;rio para a consolida&ccedil;&atilde;o democr&aacute;tica.&raquo;<sup><a name="top50"></a><a href="#50">50</a></sup> No Kosovo, a segrega&ccedil;&atilde;o social (quer volunt&aacute;ria quer involunt&aacute;ria), as estruturas paralelas, os boicotes pol&iacute;ticos e o sistema pol&iacute;tico partid&aacute;rio mono&eacute;tnico ilustram a exist&ecirc;ncia de um problema de legitimidade para um sector da popula&ccedil;&atilde;o (mesmo que seja uma minoria). Num regime democr&aacute;tico, a resolu&ccedil;&atilde;o destes problemas s&oacute; &eacute; poss&iacute;vel com a participa&ccedil;&atilde;o da minoria s&eacute;rvia, logo, este &eacute; mais um dos desafios ao processo de democratiza&ccedil;&atilde;o no Kosovo.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>CONCLUS&Atilde;O</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>O processo de transi&ccedil;&atilde;o democr&aacute;tica no Kosovo teve in&iacute;cio em 1999. Apesar de n&atilde;o ter o total reconhecimento internacional, as estruturas nacionais foram-se desenvolvendo e estiveram envolvidas num sistema pol&iacute;tico partilhado entre as institui&ccedil;&otilde;es provis&oacute;rias de autogoverna&ccedil;&atilde;o e a comunidade internacional, concretamente, as Na&ccedil;&otilde;es Unidas, a Organiza&ccedil;&atilde;o do Tratado do Atl&acirc;ntico Norte, a Organiza&ccedil;&atilde;o para a Seguran&ccedil;a e Coopera&ccedil;&atilde;o na Europa e a Uni&atilde;o Europeia.</p>     <p>Mesmo com o forte apoio da comunidade internacional, o sucesso dos esfor&ccedil;os de transi&ccedil;&atilde;o no Kosovo n&atilde;o est&atilde;o garantidos. Neste novo Estado, s&atilde;o v&aacute;rios os desafios que se colocam ao processo de transi&ccedil;&atilde;o. Neste artigo, identific&aacute;mos tr&ecirc;s dimens&otilde;es na rela&ccedil;&atilde;o entre Estado e democracia, que colocam desafios ao processo de democratiza&ccedil;&atilde;o no Kosovo, comprometendo a sua concretiza&ccedil;&atilde;o com sucesso, desde logo, a incerteza do processo de reconhecimento internacional, a capacidade governativa do pr&oacute;prio Estado e a falta de coes&atilde;o nacional entre a popula&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>A natureza da presen&ccedil;a internacional significa que estes desafios n&atilde;o s&atilde;o apenas um assunto interno, e que os actores internacionais continuam a desempenhar um papel cr&iacute;tico em todo o processo de transi&ccedil;&atilde;o do Kosovo. Podemos assim afirmar que a democratiza&ccedil;&atilde;o do Kosovo est&aacute; intrinsecamente ligada a considera&ccedil;&otilde;es internacionais no que diz respeito n&atilde;o s&oacute; ao estatuto e ao desenvolvimento pol&iacute;tico do Estado, como tamb&eacute;m &agrave; estabilidade na regi&atilde;o.</p>     <p>A grande quest&atilde;o que se coloca &eacute; se o progresso conseguido sob os ausp&iacute;cios da presen&ccedil;a internacional &eacute; ou n&atilde;o sustent&aacute;vel, caso as organiza&ccedil;&otilde;es internacionais decidam sair. O teste final para a transi&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica no Kosovo ser&aacute;, sem d&uacute;vida, quando, e se, a comunidade internacional sair do territ&oacute;rio. S&oacute; nessa altura &eacute; que as autoridades nacionais do Kosovo ganham uma real independ&ecirc;ncia e soberania pol&iacute;tica. E o sucesso do processo de democratiza&ccedil;&atilde;o depender&aacute; das orienta&ccedil;&otilde;es e estrat&eacute;gias adoptadas para enfrentar os desafios que agora est&atilde;o sob limitada capacidade nacional. </p>     <p>24 de Novembro de 2010</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>NOTAS</b></p>     <!-- ref --><p><sup><a name="1"></a><a href="#top1">1</a></sup> MORLINO, Leonardo – <i>Democrazie e Democratizzazioni</i>. Bolonha: il Mulino, 2003, pp. 18-31.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000110&pid=S1645-9199201100040000800001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p><sup><a name="2"></a><a href="#top2">2</a></sup> DAHL, Robert – &laquo;Response to Philip Green on “What is political equality?&raquo;. In <i>Dissent</i>, Ver&atilde;o de 1979, pp. 263-268.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000112&pid=S1645-9199201100040000800002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p><sup><a name="3"></a><a href="#top3">3</a></sup> DAHL, Robert – <i>On Democracy</i>. Londres: Yale University Press, 1998;    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000114&pid=S1645-9199201100040000800003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --> Beethan, D. – <i>Democracy and Human Rights</i>. Cambridge: Polity, 1999.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000115&pid=S1645-9199201100040000800004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p><sup><a name="4"></a><a href="#top4">4</a></sup> DAHL, Robert – <i>The Dilemmas of Pluralist Democracy</i>. New Haven: Yale University, 1982, pp. 10-11.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000117&pid=S1645-9199201100040000800005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p><sup><a name="5"></a><a href="#top5">5</a></sup> MORLINO, Leonardo – <i>What is a &laquo;Good&raquo; Democracy? Theory and Empirical Analysis</i>. In  Conference at University of California, Berkeley, 2002. [Consultado em: 3 de Agosto de 2010]. Dispon&iacute;vel em:  <a href="http://ies.berkeley.edu/research/files/CP02/CP02-What_is_Good_Democracy.pdf" target="_blank">http://ies.berkeley.edu/research/files/CP02/CP02-What_is_Good_Democracy.pdf</a> &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000119&pid=S1645-9199201100040000800006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p><sup><a name="6"></a><a href="#top6">6</a></sup> Centro do imp&eacute;rio s&eacute;rvio at&eacute; 1389, o Kosovo &eacute; considerado o ber&ccedil;o da cultura e identidade s&eacute;rvia. Habitado maioritariamente por albaneses (90 por cento da popula&ccedil;&atilde;o total), que se consideram descendentes dos illyrians (povo aut&oacute;ctone que vivia na prov&iacute;ncia antes da chegada dos s&eacute;rvios), o Kosovo tem sido palco de conflito &eacute;tnico entre s&eacute;rvios e albaneses, existindo fortes liga&ccedil;&otilde;es hist&oacute;ricas e emocionais por parte de ambos os povos ao territ&oacute;rio.</p>     <!-- ref --><p><sup><a name="7"></a><a href="#top7">7</a></sup> SIMMA, B. – &laquo;NATO, the un and the use of force: legal aspects&raquo;. In <i>European Journal of International Law</i>. Vol. 10, N.&ordm; 2, 1999, pp. 1-22.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000121&pid=S1645-9199201100040000800007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><sup><a name="8"></a><a href="#top8">8</a></sup> YANNIS, Alexandros – &laquo;The un as Government in Kosovo&raquo;. In <i>Global Governance</i>. Vol. 10, N.&ordm; 1, 2004, pp. 67-81.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000123&pid=S1645-9199201100040000800008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p><sup><a name="9"></a><a href="#top9">9</a></sup> Cf. KERMORVANT, C. Yves – &laquo;KFOR’s main concern local government reform – challenges for  Kosovo&raquo;. In <i>Focus Kosovo</i>, Setembro-Outubro de 2004.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000125&pid=S1645-9199201100040000800009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --> A paz e a seguran&ccedil;a no territ&oacute;rio sempre foram fr&aacute;geis nestes &uacute;ltimos anos. Em 2004,  registaram-se casos de viol&ecirc;ncia entre a popula&ccedil;&atilde;o s&eacute;rvia e albanesa (VRIEZE, Franklin de – &laquo;Kosovo after the March 2004 Crisis&raquo;. In  <i>Helsinki Monitor</i>. Vol. 15, N.&ordm; 3, 2004, pp. 147-159).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000126&pid=S1645-9199201100040000800010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> Desde 1999, cerca de 30 monumentos (mosteiros e igrejas) s&eacute;rvios foram destru&iacute;dos e  a popula&ccedil;&atilde;o s&eacute;rvia foi sendo expulsa de algumas regi&otilde;es, migrando para o Norte do Kosovo e para a S&eacute;rvia (FREDDOM HOUSE – <i>Kosovo – Nations  in Transit</i>. [Consultado em: 23 de Janeiro de 2010]. Dispon&iacute;vel em:  <a href="http://www.freedomhouse.org/inc/content/pubs/fiw/inc_country_detail.cfm?year=2009&amp;country=7757&amp;pf" target="_blank">http://www.freedomhouse.org/inc/content/pubs/fiw/inc_country_detail.cfm?year=2009&country=7757&pf</a>).  Neste processo, nem a UNMIK, nem a KFOR, conseguiram evitar a hostilidade e viol&ecirc;ncia entre ambas as comunidades, tendo sido fortemente criticadas  pela popula&ccedil;&atilde;o (MITIC, Aleksandar – <i>UN Envoy calls for policy reversal in Kosovo, International Relations and Security Network</i>.  [Consultado em: 14 de Outubro de 2009]. Dispon&iacute;vel em:  <a href="http://www.globalpolicy.org/security-council/index-of-countries-on-the-security-council-agenda/israel-palestine-and-the-occupied-territories/38700.html" target="_blank">http://www.globalpolicy.org/security-council/index-of-countries-on-the-security-council-agenda/israel-palestine-and-the-occupied-territories/38700.html</a>).</p>     <p><sup><a name="10"></a><a href="#top10">10</a></sup> Resolu&ccedil;&atilde;o 1244, S/RES/1244, ONU, 10 de Julho de 1999.</p>     <p><sup><a name="11"></a><a href="#top11">11</a></sup> Para mais informa&ccedil;&atilde;o sobre a estrutura da miss&atilde;o, cf. &laquo;Report of the Secretary General Pursuant to Paragraph 10 of Security Council Resolution 1244&raquo;, ONU, S/1999/672, 12 de Junho de 1999.</p>     <!-- ref --><p><sup><a name="12"></a><a href="#top12">12</a></sup> INTERNATIONAL CRISIS GROUP – &laquo;Kosovo: toward final status&raquo;. In <i>Europe Report</i>. N.&ordm; 161, 24 de Janeiro de 2004.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000130&pid=S1645-9199201100040000800011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p><sup><a name="13"></a><a href="#top13">13</a></sup> INTERNATIONAL CRISIS GROUP – &laquo;Kosovo after Haradinaj&raquo;. In <i>Europe Report</i>. N.&ordm; 163, 26 de Maio de 2004.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000132&pid=S1645-9199201100040000800012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p><sup><a name="14"></a><a href="#top14">14</a></sup> LINZ, Juan, e STEPAN, Alfred – <i>Problems of Democratic Transition and Consolidation: Southern Europe, South America and Post-Communism Europe</i>. Baltimore: John Hopkins University Press, 1996, p. 18.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000134&pid=S1645-9199201100040000800013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p><sup><a name="15"></a><a href="#top15">15</a></sup> <i>Ibidem</i>, p. 17.</p>     <!-- ref --><p><sup><a name="16"></a><a href="#top16">16</a></sup> WHITEHEAD, Laurence – &laquo;Freezing the flow: theorizing about democratization in a world in flux&raquo;. In <i>Taiwan Journal of Democracy</i>. Vol. 1, N.&ordm; 1, 2005, pp. 4 e 6.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000137&pid=S1645-9199201100040000800014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p><sup><a name="17"></a><a href="#top17">17</a></sup> Esta &eacute; tamb&eacute;m a opini&atilde;o do Comit&eacute; de Arbitragem Badinter.</p>     <p><sup><a name="18"></a><a href="#top18">18</a></sup> Esta concep&ccedil;&atilde;o foi proposta por autores voluntaristas cl&aacute;ssicos (Triepel, Jellinek, Cavaglieri) que consideraram que a exist&ecirc;ncia de um novo Estado deve ser aceite pelos outros estados do sistema internacional. Muitos rejeitam a teoria constitutiva porque, entre outras raz&otilde;es, promove a subjectividade na no&ccedil;&atilde;o de Estado. A teoria constitutiva &eacute; apenas uma constru&ccedil;&atilde;o te&oacute;rica uma vez que nunca foi codificada por um tratado ou reconhecida no direito internacional.</p>     <!-- ref --><p><sup><a name="19"></a><a href="#top19">19</a></sup> No mesmo sentido, o artigo 3.&ordm; da Declara&ccedil;&atilde;o de Montevideu, de 27 de Dezembro de 1933 (VII Confer&ecirc;ncia Panamericana), sobre os direitos e deveres dos estados, disp&otilde;e: &laquo;a exist&ecirc;ncia pol&iacute;tica do Estado &eacute; independente do seu reconhecimento pelos outros Estados&raquo;. Tamb&eacute;m a jurisprud&ecirc;ncia aponta em direc&ccedil;&atilde;o &agrave; tese declarativa, afirmando que o Estado existe por si pr&oacute;prio e o reconhecimento n&atilde;o &eacute; mais do que declara&ccedil;&atilde;o da sua exist&ecirc;ncia reconhecida pelos estados de que emana (DINH, Nguyen, DAILLIER, Patrick, e PELLET, Alain – <i>Direito Internacional P&uacute;blico</i>. Lisboa: Funda&ccedil;&atilde;o Calouste Gulbenkian, 1999, p. 498).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000141&pid=S1645-9199201100040000800015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><sup><a name="20"></a><a href="#top20">20</a></sup> BORGEN, Christopher – &laquo;Kosovo’s Declaration of Independence: self-determination, secession  and recognition&raquo;. In <i>American Society of International Law</i>, 2008. [Consultado em: 14 de Dezembro de 2009]. Dispon&iacute;vel em:  <a href="http://www.asil.org/insights080229.cfm" target="_blank">http://www.asil.org/insights080229.cfm</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000143&pid=S1645-9199201100040000800016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><sup><a name="21"></a><a href="#top21">21</a></sup> BANCROFT, Ian – &laquo;EU divisions over Kosovo get deeper&raquo;. In <i>The Guardian</i>.  [Consultado em: 5 de Mar&ccedil;o de 2010]. Dispon&iacute;vel em:  <a href="http://www.guardian.co.uk/commentisfree/2010/feb/17/kosovo-quint-europe-divisions?INTCMP=SRCH" target="_blank">http://www.guardian.co.uk/commentisfree/2010/feb/17/kosovo-quint-europe-divisions?INTCMP=SRCH</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000144&pid=S1645-9199201100040000800017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><sup><a name="22"></a><a href="#top22">22</a></sup> O’DONNELL, Guillermo – <i>Counterpoints: Selected Essays on Authoritarianism and Democratization</i>. Notre Dame: University of Notre Dame Press, 1999, pp. 135-137.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000145&pid=S1645-9199201100040000800018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p><sup><a name="23"></a><a href="#top23">23</a></sup> GONZALEZ, F., e KING, D. –&laquo;The state and democratization: the United States in comparative perspective&raquo;. In <i>British Journal of Political Science</i>. Vol. 34, N.&ordm; 2, 2004, p. 193.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000147&pid=S1645-9199201100040000800019&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p><sup><a name="24"></a><a href="#top24">24</a></sup> <i>Ibidem</i>, p. 196.</p>     <!-- ref --><p><sup><a name="25"></a><a href="#top25">25</a></sup> MANNING, Carrie – &laquo;Local level challenges to post-conflict peace building&raquo;. In <i>International Peacekeeping</i>. Vol. 10, N.&ordm; 3, 2003, pp. 25-43.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000150&pid=S1645-9199201100040000800020&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p><sup><a name="26"></a><a href="#top26">26</a></sup> COMISS&Atilde;O EUROPEIA – <i>Comission Staff Working Document. Kosovo under UNSCR Progress Report</i>. SEC (2009) 1340, Bruxelas, 14 de Outubro de 2009, p. 9.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000152&pid=S1645-9199201100040000800021&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p><sup><a name="27"></a><a href="#top27">27</a></sup> DŽIHIC, Vedran, e Kramer, Helmut – &laquo;Kosovo after independence&raquo;. In <i>International Policy Analysis</i>, Friedricht Ebert Stiftung, Julho de 2009, p. 12.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000154&pid=S1645-9199201100040000800022&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p><sup><a name="28"></a><a href="#top28">28</a></sup> COMISS&Atilde;O EUROPEIA – <i>Comission Staff Working Document. Kosovo under UNSCR Progress Report</i>, pp. 9-10.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000156&pid=S1645-9199201100040000800023&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p><sup><a name="29"></a><a href="#top29">29</a></sup> <i>Ibidem</i>, p. 17.</p>     <!-- ref --><p><sup><a name="30"></a><a href="#top30">30</a></sup> COMISS&Atilde;O DAS COMUNIDADES EUROPEIAS – <i>Kosovo – Fulfilling its European Perspective</i>.  Bruxelas, COM (2009) 5343, 14 de Outubro de 2009, p. 5.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000159&pid=S1645-9199201100040000800024&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p><sup><a name="31"></a><a href="#top31">31</a></sup> FREDDOM HOUSE – <i>Freedom in the World – Kosovo [Serbia]</i>. [Consultado em: 23 de Janeiro  de 2010]. Dispon&iacute;vel em:  <a href="http://www.freedomhouse.org/inc/content/pubs/fiw/inc_country_detail.cfm?year=2009&amp;country=7757&amp;pf" target="_blank">http://www.freedomhouse.org/inc/content/pubs/fiw/inc_country_detail.cfm?year=2009&country=7757&pf</a></p>     <p><sup><a name="32"></a><a href="#top32">32</a></sup> <i>Ibidem</i>, p. 3.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><sup><a name="33"></a><a href="#top33">33</a></sup> O Plano de Martti Ahtisaari (ex-primeiro-ministro finland&ecirc;s – mediador designado pela  troika Estados Unidos, R&uacute;ssia e Uni&atilde;o Europeia), surge em Fevereiro de 2007. Propunha a independ&ecirc;ncia do Kosovo, mas sob supervis&atilde;o internacional.  No entanto, perante a recusa da S&eacute;rvia, n&atilde;o foi poss&iacute;vel chegar a consenso. No fim de 2007, a troika emitiu uma declara&ccedil;&atilde;o onde afirmava que as  partes tinham sido &laquo;incapazes de alcan&ccedil;ar um acordo sobre o estatuto final do Kosovo&raquo;, n&atilde;o estando dispostas &laquo;a ceder na sua posi&ccedil;&atilde;o sobre a   fundamental de soberania do Kosovo&raquo; (BORGEN, Christopher – &laquo;Kosovo’s Declaration of Independence: self-determination, secession and recognition&raquo;.   In <i>American Society of International Law</i>, 2008. [Consultado em: 14 de Dezembro de 2009]. Dispon&iacute;vel em:   <a href="http://www.asil.org/insights080229.cfm" target="_blank">http://www.asil.org/insights080229.cfm</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000163&pid=S1645-9199201100040000800025&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><sup><a name="34"></a><a href="#top34">34</a></sup> COMISS&Atilde;O EUROPEIA – <i>Kosovo Under UNSCR 1244/99 2009 Progress Report</i>. Bruxelas, 14 de Outubro de 2009. SEC (2009) 1340, p. 6.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000164&pid=S1645-9199201100040000800026&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p><sup><a name="35"></a><a href="#top35">35</a></sup> COMISS&Atilde;O EUROPEIA – <i>Conclusions on Kosovo (under unscr 1244/99) (extract from the Communication from the Commission to the Council and the European Parliament</i> &laquo;Enlargement Strategy and Main Challenges 2009-2010&raquo;, COM(2009)533 final), 2009, p. 3.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000166&pid=S1645-9199201100040000800027&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p><sup><a name="36"></a><a href="#top36">36</a></sup> CUNHA, J. da Silva – <i>Direito Internacional P&uacute;blico</i>. Coimbra: Almedina, 1987, p. 29.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000168&pid=S1645-9199201100040000800028&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p><sup><a name="37"></a><a href="#top37">37</a></sup> VERDROSS, Alfred – <i>V&ouml;lkerrecht. Derecho Internacional P&uacute;blico</i>. 4.&ordf; edi&ccedil;&atilde;o castelhana. Madrid, 1963, pp. 10-11.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000170&pid=S1645-9199201100040000800029&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p><sup><a name="38"></a><a href="#top38">38</a></sup> CUNHA, J. da Silva – <i>Direito Internacional P&uacute;blico</i>, p. 29.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000172&pid=S1645-9199201100040000800030&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p><sup><a name="39"></a><a href="#top39">39</a></sup> COMISS&Atilde;O EUROPEIA – <i>Kosovo Under UNSCR 1244/99 2009 Progress Report</i>, 2009, pp. 5 e 20.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000174&pid=S1645-9199201100040000800031&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> A miss&atilde;o da UNMIK &eacute; signat&aacute;ria, em nome do Kosovo, de uma s&eacute;rie de acordos internacionais e de iniciativas regionais (Tratado Comunit&aacute;rio de Energia, Acordo Europeu Comum da &Aacute;rea de Avia&ccedil;&atilde;o, Observat&oacute;rio de Transporte Sudoeste Europeu, Acordo de Livre Com&eacute;rcio da Europa Central, Conselho de Coopera&ccedil;&atilde;o Regional). De acordo com a constitui&ccedil;&atilde;o, as autoridades kosovares asseguram a representa&ccedil;&atilde;o regional e internacional do Kosovo. No entanto, n&atilde;o s&atilde;o aceites como sucessores da UNMIK pelos estados que se recusam a reconhecer o Estado kosovar.</p>     <p><sup><a name="40"></a><a href="#top40">40</a></sup> A EULEX tem um or&ccedil;amento de 265 milh&otilde;es de euros at&eacute; 14 de Junho de 2010, para o qual  contribui a maior parte dos estados-membros, juntamente com a Noruega, Su&iacute;&ccedil;a, Turquia, Cro&aacute;cia, Estados Unidos e Canada. [Consultado em: 23 de  Dezembro de 2009]. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.eulex-kosovo.eu/?id=7" target="_blank">http://www.eulex-kosovo.eu/?id=7</a></p>     <!-- ref --><p><sup><a name="41"></a><a href="#top41">41</a></sup> LINZ, Juan, e STEPAN, Alfred – <i>Problems of Democratic Transition and Consolidation: Southern Europe, South America and Post-Communism Europe</i>, p. 29.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000177&pid=S1645-9199201100040000800032&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p><sup><a name="42"></a><a href="#top42">42</a></sup> RUSTOW, Dankwart – &laquo;Transitions to democracy: toward a dynamic model&raquo;. In <i>Comparative Politics</i>. Vol. 2, N.&ordm; 3, 1970, p. 350.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000179&pid=S1645-9199201100040000800033&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p><sup><a name="43"></a><a href="#top43">43</a></sup> SOARES, Albino de Azevedo – <i>Li&ccedil;&otilde;es de Direito Internacional P&uacute;blico</i>. Coimbra: Coimbra Editora, 1988, p. 275.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000181&pid=S1645-9199201100040000800034&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><sup><a name="44"></a><a href="#top44">44</a></sup> BASHOTA, S., e KOKOLLARI, B. – &laquo;Kosova libraries: history and development&raquo;. [Consultado  em: 3 de Agosto de 2010]. Dispon&iacute;vel em:  <a href="http://www.ifla.org/files/hq/papers/ifla76/136-bashota-en.pdf" target="_blank">http://www.ifla.org/files/hq/papers/ifla76/136-bashota-en.pdf</a></p>     <!-- ref --><p><sup><a name="45"></a><a href="#top45">45</a></sup> DŽIHIC, Vedran, e KRAMER, Helmut – &laquo;Kosovo after independence&raquo;, p. 9.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000184&pid=S1645-9199201100040000800035&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p><sup><a name="46"></a><a href="#top46">46</a></sup> <i>Ibidem</i>, p. 9.</p>     <p><sup><a name="47"></a><a href="#top47">47</a></sup> <i>Ibidem</i>.</p>     <!-- ref --><p><sup><a name="48"></a><a href="#top48">48</a></sup> LINZ, Juan, e STEPAN, Alfred – <i>Problems of Democratic Transition and Consolidation: Southern Europe, South America and Post-Communism Europe.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000188&pid=S1645-9199201100040000800036&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></i></p>     <p><sup><a name="49"></a><a href="#top49">49</a></sup> Segundo Lambert Zannier, o Kosovo &laquo;remained stable, but the potential for volatility  remained because little progress had been made in reconciling the ethnic Albanian and Serb communities there&raquo;. &laquo;The absence of a significant  process of reconciliation between the communities continued to be a challenge, which, coupled with economic difficulties, continued to present  the risk of social unrest&raquo;. CONSELHO DE SEGURAN&Ccedil;A – <i>UNMIK – Kosovo Remains Stable, but Slow Progress on Reconciliation Could Lead to Volatility,  Special Representative Tells Security Council</i>. 6314<sup>th</sup> Meeting (PM), 17 de Maio de 2010. [Consultado em: 20 de Mar&ccedil;o de 2010].  Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.un.org/News/Press/docs/2010/sc9928.doc.htm" target="_blank">http://www.un.org/News/Press/docs/2010/sc9928.doc.htm</a></p>     <!-- ref --><p><sup><a name="50"></a><a href="#top50">50</a></sup> LINZ, Juan, e STEPAN, Alfred – <i>Problems of Democratic Transition and Consolidation: Southern Europe, South America and Post-Communism Europe</i>, p. 27.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000191&pid=S1645-9199201100040000800037&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
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