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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[As relações entre a Alemanha e a Rússia: duas políticas externas em transição]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[This article analyses the foreign policies of Germany and the Russian Federation focusing on the post-Cold War transition period up to the present. The article argues that the analysis of this bilateral relationship implies the centrality of historical, political, economic and energy security aspects, which have been underlying the development of this relationship, confirming a historical past of cooperation and even proximity in some fundamental moments in the German-Russian relationship.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p><b>As rela&ccedil;&otilde;es entre a Alemanha e a R&uacute;ssia: duas pol&iacute;ticas externas em transi&ccedil;&atilde;o</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Maria Raquel Freire</b> e <b>Patr&iacute;cia Daehnhardt</b></p>     <p>Professora auxiliar da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra e investigadora do CES. Doutorada em Rela&ccedil;&otilde;es Internacionais pela Universidade de Kent (2002). Autora de <i>Conflict and Security in the Former Soviet Union: the Role of the OSCE</i> (Ashgate, 2003), co-autora, com Roger Kanet, de <i>Key Players and Regional Dynamics in Eurasia: The Return of the ‘Great Game’</i> (Palgrave, 2010) e coordenadora de <i>Pol&iacute;tica Externa: As Rela&ccedil;&otilde;es Internacionais em Mudan&ccedil;a</i> (IUC, 2011).</sup></p>     <p>Doutorada em Rela&ccedil;&otilde;es Internacionais pela London School of Economics. Professora de Rela&ccedil;&otilde;es Internacionais na Faculdade de Ci&ecirc;ncias Humanas e Sociais na Universidade Lus&iacute;ada e investigadora do IPRI – UNL. Autora de numerosos artigos sobre tem&aacute;ticas relativas &agrave; pol&iacute;tica externa alem&atilde; p&oacute;s-1990, Uni&atilde;o Europeia e rela&ccedil;&otilde;es transatl&acirc;nticas. Publicou recentemente &laquo;Germany in the European Union&raquo;, no livro <i>National and European Foreign Policy: Towards Europeanization</i> de Reuben Wong e Christopher Hill (Routledge, 2011).</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>RESUMO</p>     <p>Este artigo analisa as pol&iacute;ticas externas da Alemanha e da Federa&ccedil;&atilde;o Russa com enfoque no per&iacute;odo de transi&ccedil;&atilde;o p&oacute;s-Guerra Fria at&eacute; aos dias de hoje. O artigo argumenta que uma an&aacute;lise desta rela&ccedil;&atilde;o bilateral implica a centralidade de aspectos hist&oacute;ricos, pol&iacute;ticos, econ&oacute;micos e de seguran&ccedil;a energ&eacute;tica, que t&ecirc;m estado subjacentes ao desenvolvimento desta rela&ccedil;&atilde;o, confirmando um passado hist&oacute;rico de coopera&ccedil;&atilde;o e mesmo proximidade em alguns momentos importantes na rela&ccedil;&atilde;o russo-alem&atilde;.</p>     <p><b>Palavras-chave:</b> Alemanha, R&uacute;ssia, Guerra Fria, Europa </p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Germany and Russia relations: two foreign policies in transition</b></p>     <p>ABSTRACT</p>     <p>This article analyses the foreign policies of Germany and the Russian Federation focusing on the post-Cold War transition period up to the present. The article argues that the analysis of this bilateral relationship implies the centrality of historical, political, economic and energy security aspects, which have been underlying the development of this relationship, confirming a historical past of cooperation and even proximity in some fundamental moments in the German-Russian relationship.</p>     <p><b>Keywords:</b> Germany, Russia, Cold War, Europe</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>A Alemanha e a R&uacute;ssia s&atilde;o dois estados centrais na pol&iacute;tica europeia e a sua interac&ccedil;&atilde;o tem marcado a hist&oacute;ria da Europa. Este artigo analisa as pol&iacute;ticas externas da Alemanha e da Federa&ccedil;&atilde;o Russa com enfoque no per&iacute;odo de transi&ccedil;&atilde;o p&oacute;s-Guerra Fria at&eacute; aos dias de hoje. A altera&ccedil;&atilde;o profunda no mapa geogr&aacute;fico e pol&iacute;tico europeu decorrente do final da Guerra Fria &eacute; aqui passada em revista &agrave; luz da modula&ccedil;&atilde;o das pol&iacute;ticas externas destes dois pa&iacute;ses. Na medida em que se tenta identificar pontos anal&iacute;ticos comuns, ressalvar-se-&atilde;o as diferen&ccedil;as &oacute;bvias. Neste sentido, uma an&aacute;lise desta rela&ccedil;&atilde;o bilateral implica a centralidade de aspectos hist&oacute;ricos, pol&iacute;ticos, econ&oacute;micos e de seguran&ccedil;a energ&eacute;tica que t&ecirc;m estado subjacentes ao desenvolvimento desta rela&ccedil;&atilde;o. As rela&ccedil;&otilde;es Alemanha-R&uacute;ssia n&atilde;o s&atilde;o estritamente ditadas por quest&otilde;es econ&oacute;micas, em particular energ&eacute;ticas, apesar do seu cariz central, sendo a sua contextualiza&ccedil;&atilde;o mais complexa. A proximidade geogr&aacute;fica e o peso que a R&uacute;ssia representa &agrave;s portas da Europa s&atilde;o um factor fundamental no equacionamento desta rela&ccedil;&atilde;o. Al&eacute;m do mais, la&ccedil;os hist&oacute;ricos e culturais n&atilde;o devem ser descurados. Se se pretendesse fazer uma an&aacute;lise comparativa entre os registos de hist&oacute;ria positivos e os registos de hist&oacute;ria negativos da rela&ccedil;&atilde;o bilateral, a conclus&atilde;o passaria pela confirma&ccedil;&atilde;o de um passado hist&oacute;rico de coopera&ccedil;&atilde;o e mesmo proximidade em alguns momentos importantes na rela&ccedil;&atilde;o russo-alem&atilde;. Como afirmam Chivvis e Rid, </p>     <blockquote>     <p>&laquo;Catarina, a <i>Grande</i>, era uma nobre alem&atilde;, nascida em Stetin. O seu pai tinha o posto de general prussiano, e o seu casamento com Pedro III era um s&iacute;mbolo da amizade prussiano-russa. Generais alem&atilde;es, incluindo Carl von Clausewitz, lutaram com os ex&eacute;rcitos do czar contra Napole&atilde;o, e quando Nicolau I morreu em 1855, a manchete do jornal alem&atilde;o Kreuzzeitung titulou, “O nosso imperador est&aacute; morto”. O apoio russo antes e depois de 1870 tornou poss&iacute;vel a unifica&ccedil;&atilde;o da Alemanha por Otto von Bismarck, e o chanceler elogiou a R&uacute;ssia como um “natural, hist&oacute;rico e &iacute;ntimo aliado”.&raquo;<a name="top1"></a><sup><a href="#1">1</a></sup> </p> </blockquote>      <p>Neste quadro, o artigo est&aacute; organizado em cinco partes. Ap&oacute;s uma breve introdu&ccedil;&atilde;o aos desenvolvimentos hist&oacute;ricos que marcam o desenvolvimento de rela&ccedil;&otilde;es de proximidade, por vezes em contextos adversos, a primeira parte do texto aborda a exist&ecirc;ncia de narrativas diferentes na forma como Berlim e Moscovo se posicionam em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; execu&ccedil;&atilde;o da pol&iacute;tica externa dos seus pa&iacute;ses. A segunda parte trata da diplomacia bilateral, e analisa a evolu&ccedil;&atilde;o da mesma, principalmente no per&iacute;odo de Gerhard Schr&ouml;der e Vladimir Putin, por um lado, e de Angela Merkel e Dmitri Medvedev, por outro. Esta parte ser&aacute; iniciada com uma pequena abordagem de como a Uni&atilde;o Europeia (UE) tem tentado desenvolver uma rela&ccedil;&atilde;o de parceria com a R&uacute;ssia e qual foi o papel da Alemanha nesse &acirc;mbito multilateral. De seguida, a terceira parte desenvolve as rela&ccedil;&otilde;es de seguran&ccedil;a energ&eacute;tica entre os dois pa&iacute;ses. A quarta parte do artigo debru&ccedil;ar-se-&aacute; sobre a forma como ambos os pa&iacute;ses lidam com o uso da for&ccedil;a militar em interven&ccedil;&otilde;es internacionais. Por &uacute;ltimo, o quadro de seguran&ccedil;a europeia e transatl&acirc;ntica &eacute; contextualizado no relacionamento entre a Alemanha e a R&uacute;ssia, com um enquadramento triangular de inclus&atilde;o do papel dos Estados Unidos no espa&ccedil;o euroatl&acirc;ntico. Neste contexto, o artigo aborda as linhas de interdepend&ecirc;ncia num relacionamento que tem sido pautado por linhas de proximidade e momentos de alguma fric&ccedil;&atilde;o, mas onde as posturas diferenciadas destes dois pa&iacute;ses num quadro tamb&eacute;m ele diferenciado sugerem o peso de ambos na defini&ccedil;&atilde;o da nova Europa. </p>     <p>De facto, as rela&ccedil;&otilde;es Alemanha-R&uacute;ssia foram alterando os seus contornos, mas sobreviveram &agrave; queda das monarquias e perduraram para al&eacute;m das mudan&ccedil;as de regime, depois da revolu&ccedil;&atilde;o bolchevique, em 1917, a instaura&ccedil;&atilde;o da Rep&uacute;blica de Weimar, em 1919, e a proclama&ccedil;&atilde;o da Uni&atilde;o das Rep&uacute;blicas Socialistas Sovi&eacute;ticas (URSS), em 1922. Neste ano assinou-se, em Abril, o Tratado de Rapallo, entre os dois pa&iacute;ses vencidos e derrotados pela I Guerra Mundial, composto por acordos econ&oacute;micos e de coopera&ccedil;&atilde;o militar e iniciaram-se rela&ccedil;&otilde;es diplom&aacute;ticas entre os dois novos regimes<a name="top2"></a><sup><a href="#2">2</a></sup>. Este tratado constituiu surpresa para muitos pa&iacute;ses vizinhos, j&aacute; que foi assinado &agrave; margem da reuni&atilde;o de G&eacute;nova, a primeira grande confer&ecirc;ncia econ&oacute;mica e financeira ap&oacute;s a I Guerra Mundial, que reuniu 34 pa&iacute;ses com o objectivo de reconstruir a economia europeia. &Eacute; por isso que &laquo;Rapallo&raquo; surge como exemplo cr&iacute;tico do entendimento russo-germano que foi feito &agrave; margem de uma negocia&ccedil;&atilde;o internacional multilateral e que teve implica&ccedil;&otilde;es no quadro pol&iacute;tico e de seguran&ccedil;a europeu no per&iacute;odo entre as duas guerras mundias. Estas linhas de coopera&ccedil;&atilde;o russo-alem&atilde; permaneceram, at&eacute; 22 de Junho de 1941, quando as tropas da Alemanha nacional-socialista violaram o Pacto de N&atilde;o-Agress&atilde;o de 23 de Agosto de 1939 e iniciaram a guerra contra a Uni&atilde;o Sovi&eacute;tica. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Apesar da ambiguidade identit&aacute;ria com que muitas vezes se caracteriza a R&uacute;ssia, e que a obriga a definir pol&iacute;ticas europeias e asi&aacute;ticas nem sempre concili&aacute;veis, a R&uacute;ssia tem-se posicionado, desde o s&eacute;culo XVIII, como pot&ecirc;ncia europeia que assume a Europa como central &agrave; defini&ccedil;&atilde;o da sua pol&iacute;tica externa. O s&eacute;culo XIX, o mais pac&iacute;fico na hist&oacute;ria europeia recente no relacionamento entre os estados europeus evidenciou uma R&uacute;ssia geograficamente localizada na extremidade oriental do continente europeu, mas integrada na pentarquia do concerto europeu num percurso que desde ent&atilde;o posicionou o pa&iacute;s numa procura constante de inser&ccedil;&atilde;o na centralidade da pol&iacute;tica europeia. A cria&ccedil;&atilde;o da URSS, um projecto ideol&oacute;gico para a instaura&ccedil;&atilde;o do comunismo de ideologia marxista-leninista, era na sua ess&ecirc;ncia uma ideologia europeia, e as preocupa&ccedil;&otilde;es pol&iacute;ticas principais de Moscovo centraram-se, durante sete d&eacute;cadas, na Europa. A Alemanha, em contrapartida, posicionada geograficamente no cora&ccedil;&atilde;o da Europa, foi, das grandes pot&ecirc;ncias, a &uacute;ltima a constituir-se como Estado, em 1871, e tornou-se, assim, uma &laquo;na&ccedil;&atilde;o tardia&raquo;<a name="top3"></a><sup><a href="#3">3</a></sup>. Desde os finais da II Guerra Mundial tem desenvolvido uma pol&iacute;tica externa de coopera&ccedil;&atilde;o com todos os seus estados vizinhos que levou a Rep&uacute;blica Federal da Alemanha a prosseguir um <i>embedded multilateralism</i> que a ancorou institucionalmente nas duas principais institui&ccedil;&otilde;es ocidentais, a Organiza&ccedil;&atilde;o do Tratado do Atl&acirc;ntico Norte (NATO) e a Comunidade Econ&oacute;mica Europeia (CEE). </p>     <p>Ao mesmo tempo, a RFA e a URSS, por serem dois actores essenciais no desenvolvimento das rela&ccedil;&otilde;es Leste-Oeste, iniciaram, durante a Guerra Fria, uma rela&ccedil;&atilde;o bilateral importante. Isto revelou-se na assinatura de rela&ccedil;&otilde;es diplom&aacute;ticas, em Setembro de 1955, o que, perante a inser&ccedil;&atilde;o da Rep&uacute;blica Democr&aacute;tica da Alemanha (RDA) na &oacute;rbita sovi&eacute;tica, demonstrava a import&acirc;ncia que a Alemanha ocidental assumia para Moscovo<a name="top4"></a><sup><a href="#4">4</a></sup>. Mais tarde, e inserida na <i>Ostpolitik</i> do chanceler Willy Brandt, a assinatura do Tratado de Moscovo, entre a Alemanha Ocidental e a URSS, em 1970, constituiu um contributo fundamental na cria&ccedil;&atilde;o do espa&ccedil;o pol&iacute;tico que permitiu o desanuviamento Leste-Oeste e que eventualmente levou &agrave; iniciativa germano-russa de cria&ccedil;&atilde;o da CSCE em 1975<a name="top5"></a><sup><a href="#5">5</a></sup>. </p>     <p>Durante o processo de negocia&ccedil;&atilde;o da unifica&ccedil;&atilde;o alem&atilde;, no qual a Uni&atilde;o Sovi&eacute;tica detinha uma das chaves de abertura da unifica&ccedil;&atilde;o, o governo de Bona teve de negociar com Moscovo as condi&ccedil;&otilde;es para essa unifica&ccedil;&atilde;o<a name="top6"></a><sup><a href="#6">6</a></sup>. Contudo, a Uni&atilde;o Sovi&eacute;tica actuou como facilitador mais do que como actor principa<a name="top7"></a>l<sup><a href="#7">7</a></sup>. O papel dos Estados Unidos e da NATO no posicionamento estrat&eacute;gico futuro da Alemanha foi um tema central nas negocia&ccedil;&otilde;es. Nestas, a Uni&atilde;o Sovi&eacute;tica aparece algo indecisa, e presa a dificuldades internas, acabando por aceitar em grande medida a posi&ccedil;&atilde;o alem&atilde;, essencialmente em troca de concess&otilde;es econ&oacute;micas, mais do que estrat&eacute;gicas ou pol&iacute;ticas<a name="top8"></a><sup><a href="#8">8</a></sup>.</p>     <p>A resolu&ccedil;&atilde;o pac&iacute;fica do colapso do comunismo sovi&eacute;tico na Europa Central e de Leste e as negocia&ccedil;&otilde;es de um acordo pol&iacute;tico para a RDA eram do interesse da Alemanha Ocidental por raz&otilde;es econ&oacute;micas e de seguran&ccedil;a. Por for&ccedil;a das circunst&acirc;ncias a Alemanha Ocidental tornou-se adepta de integrar os seus interesses no debate internacional, e o ministro dos Neg&oacute;cios Estrangeiros Hans-Dietrich Genscher (1975-1992) foi h&aacute;bil no desenvolvimento do que ficou conhecido por <i>Genscherism</i> – uma pol&iacute;tica de ser tudo para todos n&atilde;o hostilizando nenhuma das partes que compunham o fr&aacute;gil equil&iacute;brio da Guerra Fria. A Alemanha Ocidental comprometeu-se simultaneamente com uma rela&ccedil;&atilde;o pr&oacute;xima com os Estados Unidos atrav&eacute;s da NATO, com uma voz europeia nas rela&ccedil;&otilde;es internacionais atrav&eacute;s das suas rela&ccedil;&otilde;es com a Fran&ccedil;a, e a um firme compromisso com o di&aacute;logo pan-europeu com a URSS atrav&eacute;s da Confer&ecirc;ncia sobre Seguran&ccedil;a e Coopera&ccedil;&atilde;o na Europa (CSCE)<a name="top9"></a><sup><a href="#9">9</a></sup>. Esta tend&ecirc;ncia manteve-se ap&oacute;s 1990 com o compromisso alem&atilde;o com a NATO, a CEE e a Organiza&ccedil;&atilde;o para a Seguran&ccedil;a e Coopera&ccedil;&atilde;o na Europa (OSCE), apesar de agendas divergentes sobre seguran&ccedil;a europeia em Washington, Paris e Moscovo<a name="top10"></a><sup><a href="#10">10</a></sup>. </p>     <p>O relacionamento com a R&uacute;ssia surgiu assim como um importante teste para a &laquo;nova Alemanha&raquo;, uma vez que havia receios de que a Alemanha se pudesse voltar para Leste, ou seja, iniciar um relacionamento especial com Moscovo. Da&iacute; a press&atilde;o francesa para a assinatura do Tratado da Uni&atilde;o Europeia (1991), que ligasse a Alemanha p&oacute;s-unifica&ccedil;&atilde;o a uma estrutura pol&iacute;tica multilateral que permitia &agrave; Fran&ccedil;a um <i>droit de regard</i>. Os Estados Unidos estavam tamb&eacute;m preocupados que o interesse pela NATO pudesse ser reduzido face ao apoio alem&atilde;o &agrave; proposta russa de revitaliza&ccedil;&atilde;o da OSCE em meados da d&eacute;cada de 1990, raz&atilde;o pela qual condicionaram o apoio americano &agrave; unifica&ccedil;&atilde;o alem&atilde; &agrave; integra&ccedil;&atilde;o de toda a Alemanha na NATO<a name="top11"></a><sup><a href="#11">11</a></sup>. </p>     <p>Por isso, o fim da ordem bipolar na Europa teve um significado muito diferente para estes dois estados t&atilde;o centrais &agrave; pol&iacute;tica europeia. Desde logo, &eacute; evidente o diferente posicionamento com que ambos iniciam o per&iacute;odo p&oacute;s-Guerra Fria. No fim da Guerra Fria, na medida em que o processo de negocia&ccedil;&atilde;o internacional, que abriu o caminho para a unifica&ccedil;&atilde;o alem&atilde;, foi fundamental na constru&ccedil;&atilde;o do futuro da ordem de seguran&ccedil;a p&oacute;s-Guerra Fria na Europa, a posi&ccedil;&atilde;o de partida da Alemanha foi forte: o fim da divis&atilde;o dos dois estados permite a unifica&ccedil;&atilde;o do povo alem&atilde;o, a estabilidade das fronteiras com nove pa&iacute;ses aliados e a afirma&ccedil;&atilde;o do lugar central da Alemanha unificada na pol&iacute;tica europeia<a name="top12"></a><sup><a href="#12">12</a></sup>. Isto projectou a Alemanha para uma posi&ccedil;&atilde;o fortalecida onde emerge como protagonista de uma pol&iacute;tica externa mais assertiva num quadro multilateral, desde que no contexto dos alargamentos institucionais da UE e NATO, permitindo-lhe uma margem de manobra alargada. Adicionalmente, um novo sistema internacional pressupunha uma nova Alemanha: esta pretendia manter os la&ccedil;os europeus e transatl&acirc;nticos, mas redefinir o seu estatuto no seio das mesmas estruturas institucionais. A R&uacute;ssia surgia aqui como um desafio &agrave; continuidade institucional, com a Alemanha claramente a n&atilde;o querer hostilizar a R&uacute;ssia. </p>     <p>Em contrapartida, no fim da Guerra Fria, que termina devido &agrave; sobreextens&atilde;o imperial da Uni&atilde;o Sovi&eacute;tica, a posi&ccedil;&atilde;o de partida da R&uacute;ssia &eacute; o oposto da da Alemanha: a R&uacute;ssia p&oacute;s-sovi&eacute;tica surge numa posi&ccedil;&atilde;o enfraquecida, com fronteiras inst&aacute;veis e vulner&aacute;veis e assente numa humilhante perda de estatuto de grande pot&ecirc;ncia. Assim, o per&iacute;odo que medeia entre 4 de Junho de 1989, quando se realizam as primeiras elei&ccedil;&otilde;es livres na Pol&oacute;nia, e 25 de Dezembro de 1991, quando a Uni&atilde;o Sovi&eacute;tica deixa de existir, tem um significado oposto para a Alemanha e a R&uacute;ssia: enquanto que 1989 foi o annus mirabilis para a Alemanha e para todo o Ocidente, com o fim da domina&ccedil;&atilde;o sovi&eacute;tica na Europa Oriental e os povos da Europa Oriental a exercerem o seu direito de autodetermina&ccedil;&atilde;o, 1991 foi o <i>annus horribilis</i> para a Uni&atilde;o Sovi&eacute;tica e as autocracias pol&iacute;ticas na Europa Oriental. Duas d&eacute;cadas mais tarde, enquanto que a Alemanha reorientou a sua diplomacia num enquadramento altamente institucionalizado, atrav&eacute;s da UE e da Alian&ccedil;a Atl&acirc;ntica, que amorteceram os efeitos de uma transforma&ccedil;&atilde;o repentina, a R&uacute;ssia, ap&oacute;s uma d&eacute;cada de incerteza quanto ao rumo internacional a seguir, acompanhado por algum ressentimento contra o Ocidente, opta, a partir de 2000, com Vladimir Putin na presid&ecirc;ncia, por recuperar o estatuto de grande pot&ecirc;ncia, e a sua influ&ecirc;ncia sobre o chamado &laquo;estrangeiro pr&oacute;ximo&raquo;. No entanto, este trajecto revelou uma R&uacute;ssia numa posi&ccedil;&atilde;o internacional por vezes isolada depois do fim do Comecon e do Tratado de Vars&oacute;via, e a procura de novos arranjos mesmo com os seus vizinhos do espa&ccedil;o p&oacute;s-sovi&eacute;tico, e com uma pol&iacute;tica externa caracterizada pela aus&ecirc;ncia de um quadro de inser&ccedil;&atilde;o institucional multilateral onde a sua posi&ccedil;&atilde;o fragilizada poderia ser amortecida. </p>     <p>Com a unifica&ccedil;&atilde;o alem&atilde; e o desmembramento da antiga Uni&atilde;o Sovi&eacute;tica iniciou-se um per&iacute;odo de transi&ccedil;&atilde;o das pol&iacute;ticas externas de ambos os pa&iacute;ses; a R&uacute;ssia, porque herdeira da defunta URSS, teve de construir uma nova legitimidade pol&iacute;tica e consolidar um novo estatuto de poder no sistema internacional; a Alemanha, porque ap&oacute;s quarenta anos de artificialidade pol&iacute;tica assente na exist&ecirc;ncia de dois estados alem&atilde;es, com o novo poder unificado no Centro da Europa, procedeu &agrave; normaliza&ccedil;&atilde;o da sua pol&iacute;tica externa e redefiniu o seu posicionamento no seio do quadro multilateral pol&iacute;tico, econ&oacute;mico e securit&aacute;rio em que se encontrava<a name="top13"></a><sup><a href="#13">13</a></sup>. </p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>DUAS NARRATIVAS DIFERENCIADAS</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Neste processo de transi&ccedil;&atilde;o, importa identificar o enquadramento de duas narrativas, que, apesar de revelarem alguns pontos de aproxima&ccedil;&atilde;o entre a Alemanha e a R&uacute;ssia, traduzem, no entanto, duas perspectivas de pol&iacute;tica externa distintas e que v&atilde;o moldar diferentes discursos e sublinhar posi&ccedil;&otilde;es pol&iacute;ticas igualmente diferenciadas. </p>     <p>Primeiro, a Alemanha, porque inserida no contexto institucional da UE, e devido ao seu passado hist&oacute;rico, &eacute; um Estado que na sua concep&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica engloba uma perspectiva p&oacute;s-soberanista da pol&iacute;tica internacional e do seu papel nela, ao passo que a R&uacute;ssia nunca deixou de defender e agir em conson&acirc;ncia com uma perspectiva soberanista e vestefaliana da sua pol&iacute;tica externa, em defesa dos seus interesses nacionais apenas: &eacute; neste contexto que a R&uacute;ssia prossegue uma pol&iacute;tica de recupera&ccedil;&atilde;o do estatuto de poder com o objectivo de criar uma zona de influ&ecirc;ncia no espa&ccedil;o p&oacute;s-sovi&eacute;tico e afirma-se como uma &laquo;democracia soberana&raquo;<sup><a name="top14"></a><a href="#14">14</a></sup>. </p>     <p>Segundo, e decorrente do primeiro ponto, porque a Alemanha adoptou uma postura europe&iacute;sta, que, mesmo que tendo deixado de ser federalista como fora na interpreta&ccedil;&atilde;o de alguns pol&iacute;ticos alem&atilde;es at&eacute; h&aacute; uma d&eacute;cada, continua a entender que a UE &eacute; essencial para que Berlim possa defender os seus interesses e normalizar a sua pol&iacute;tica externa num quadro altamente institucionalizado; esta postura n&atilde;o mudou, mesmo com a crise das d&iacute;vidas soberanas em alguns estados-membros, j&aacute; que a Alemanha continua a ser um dos estados mais interessados em assegurar a defesa da UE mesmo que refor&ccedil;ando o seu papel dentro da mesma. Quanto &agrave; R&uacute;ssia, ap&oacute;s a d&eacute;cada de 1990 de desorienta&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica, Moscovo rapidamente recuperou uma forte leitura nacionalista da sua pol&iacute;tica externa, e que se coaduna com uma vis&atilde;o tradicionalista e geopol&iacute;tica da posi&ccedil;&atilde;o da R&uacute;ssia no mundo. </p>     <p>Terceiro, quanto aos instrumentos de poder, a Alemanha recorre preferencialmente ao <i>soft power</i>, enquanto a R&uacute;ssia mescla o uso do <i>hard</i> e <i>soft power</i> na prossecu&ccedil;&atilde;o de objectivos pol&iacute;ticos e face a conflitos de interesse que surgem com outros actores. A guerra na Ge&oacute;rgia no Ver&atilde;o de 2008 &eacute; exemplo do primeiro, as pol&iacute;ticas desenvolvidas a n&iacute;vel cultural e a promo&ccedil;&atilde;o de liga&ccedil;&otilde;es pr&oacute;ximas atrav&eacute;s da implementa&ccedil;&atilde;o de projectos conjuntos a n&iacute;vel social e econ&oacute;mico, em particular nos pa&iacute;ses da &Aacute;sia Central<a name="top15"></a><sup><a href="#15">15</a></sup>, espelham o segundo. </p>     <p>Quarto, quanto &agrave; quest&atilde;o do uso da for&ccedil;a militar em interven&ccedil;&otilde;es internacionais, h&aacute; por vezes uma converg&ecirc;ncia paradoxal de posi&ccedil;&otilde;es que levam Berlim e Moscovo a posicionar-se de forma semelhante, ou opondo-se a uma resolu&ccedil;&atilde;o proposta, ou abstendo-se, se bem que por motivos distintos. Para Berlim existem constrangimentos legais e morais que levam a Alemanha a considerar o uso da for&ccedil;a militar apenas em &uacute;ltima inst&acirc;ncia, preferencialmente quando h&aacute; o aval das Na&ccedil;&otilde;es Unidas para mandatar a opera&ccedil;&atilde;o, e sempre de uma forma multilateral com os seus aliados. Por seu turno, Moscovo op&otilde;e-se geralmente a este tipo de interven&ccedil;&otilde;es, mesmo que humanit&aacute;rias, devido &agrave;quilo que entende ser o desrespeito pelo princ&iacute;pio da n&atilde;o interven&ccedil;&atilde;o nos assuntos internos dos estados e por n&atilde;o querer permitir precedentes que poderiam provocar, no futuro, situa&ccedil;&otilde;es inc&oacute;modas dentro da pr&oacute;pria R&uacute;ssia, em zonas separatistas como a Tchetch&eacute;nia ou em regi&otilde;es fronteiri&ccedil;as ou contestadas com outros pa&iacute;ses, como a Ge&oacute;rgia. </p>     <p>Por &uacute;ltimo, quanto &agrave; distribui&ccedil;&atilde;o do poder entre as pot&ecirc;ncias no sistema internacional, enquanto a Alemanha advoga o multilateralismo como instrumento preferencial da pol&iacute;tica externa, atrav&eacute;s do qual a Europa poder&aacute; projectar-se num cen&aacute;rio que tende a favorecer a multipolaridade mais do que a unipolaridade, a R&uacute;ssia advoga abertamente a multipolaridade onde poder&aacute; exercer um papel mais marcante, e retirar aos Estados Unidos a legitimidade singular de serem a &uacute;nica superpot&ecirc;ncia num entendimento multidimensional de poder. Quanto &agrave; postura da R&uacute;ssia em rela&ccedil;&atilde;o ao multilateralismo, registou-se, particularmente ap&oacute;s 2000, uma altera&ccedil;&atilde;o do seu posicionamento, que se assume fortalecido na defesa de uma ordem internacional multipolar, na sequ&ecirc;ncia da chegada ao poder de Vladimir Putin como Presidente russo<sup><a name="top16"></a><a href="#16">16</a></sup>. Apesar de a R&uacute;ssia n&atilde;o ser membro da UE e da NATO e resistir a pr&aacute;ticas de socializa&ccedil;&atilde;o ocidentais, tem parcerias estrat&eacute;gicas com estas organiza&ccedil;&otilde;es mantendo rela&ccedil;&otilde;es pr&oacute;ximas com as mesmas, nomeadamente no &acirc;mbito do Conselho NATO-R&uacute;ssia, no quadro das rela&ccedil;&otilde;es com a UE, e no facto de ser membro do Conselho da Europa. H&aacute; um dilema constante com que a pol&iacute;tica externa russa se depara entre &laquo;integrar&raquo; as estruturas institucionais ocidentais e manter a sua independ&ecirc;ncia e autonomia, o que sugere que em alguns casos a n&atilde;o inser&ccedil;&atilde;o institucional seja entendida como vantajosa e uma op&ccedil;&atilde;o de Moscovo como forma de manter a margem de manobra pol&iacute;tica da sua diplomacia. </p>     <p>A Alemanha e a R&uacute;ssia s&atilde;o dois estados com uma identidade distinta, n&atilde;o apenas pelas raz&otilde;es &oacute;bvias das diferen&ccedil;as que adv&ecirc;m da diferente localiza&ccedil;&atilde;o geogr&aacute;fica e do seu passado hist&oacute;rico, mas porque ambas t&ecirc;m concep&ccedil;&otilde;es muitas vezes opostas quanto ao papel a desempenhar na pol&iacute;tica internacional. A R&uacute;ssia critica e desconfia da chamada ordem p&oacute;s-moderna, p&oacute;s-vestefaliana ou constitucional que a Europa, e nela principalmente a Alemanha, pretendem, n&atilde;o apenas retoricamente, defender. Isso revela-se no desagrado russo quanto ao alargamento da UE para Leste nas &uacute;ltimas duas d&eacute;cadas e mais decisivamente na oposi&ccedil;&atilde;o russa ao alargamento da NATO para junto das suas fronteiras. &Eacute; nesta perspectiva que, para Robert Kagan, estamos perante o regresso da geopol&iacute;tica nas rela&ccedil;&otilde;es entre a R&uacute;ssia e o Ocidente. </p>     <blockquote>      <p>&laquo;A R&uacute;ssia e a UE s&atilde;o vizinhos geograficamente, mas geopoliticamente vivem em s&eacute;culos diferentes. A UE do s&eacute;culo XXI, com a sua nobre ambi&ccedil;&atilde;o de transcender a pol&iacute;tica de poder e construir uma ordem baseada em leis e institui&ccedil;&otilde;es, confronta-se com uma R&uacute;ssia que se comporta como uma pot&ecirc;ncia tradicional do s&eacute;culo XIX. Ambas s&atilde;o moldadas pelas suas hist&oacute;rias. […] A Europa v&ecirc; a resposta para os seus problemas em transcender o Estado-na&ccedil;&atilde;o e o poder. Para os russos, a solu&ccedil;&atilde;o est&aacute; em restaur&aacute;-los. Ent&atilde;o, o que acontece quando uma entidade do s&eacute;culo XXI enfrenta o desafio de uma pot&ecirc;ncia do s&eacute;culo XIX? Os contornos do conflito s&atilde;o j&aacute; vis&iacute;veis – em <i>stand-offs</i> diplom&aacute;ticas sobre o Kosovo, Ucr&acirc;nia, Ge&oacute;rgia e Est&oacute;nia; em conflitos sobre gasodutos e oleodutos; em trocas diplom&aacute;ticas desagrad&aacute;veis entre a R&uacute;ssia e a Gr&atilde;-Bretanha, e no retorno aos exerc&iacute;cios militares russos de um tipo nunca visto desde a Guerra Fria&raquo;<a name="top17"></a><sup><a href="#17">17</a></sup>.</p> </blockquote>      <p>Apesar das diferentes narrativas, h&aacute; dois aspectos a ressalvar. Em primeiro lugar, trata-se de duas pot&ecirc;ncias europeias que percorreram um caminho de recupera&ccedil;&atilde;o de autoconfian&ccedil;a e crescente influ&ecirc;ncia. Existem, contudo, limites &agrave; projec&ccedil;&atilde;o de influ&ecirc;ncia destes dois actores na pol&iacute;tica internacional. No caso da Alemanha, a nova autoconfian&ccedil;a n&atilde;o consegue esconder a postura cautelosa, hesitante e por vezes err&aacute;tica por raz&otilde;es de inibi&ccedil;&atilde;o hist&oacute;rica, inexperi&ecirc;ncia de lideran&ccedil;a leg&iacute;tima e falta de vontade de liderar. Esta &uacute;ltima tem levado Berlim a assumir posi&ccedil;&otilde;es menos multilateralistas do que seria de esperar, como aconteceu na recusa de apoio &agrave; interven&ccedil;&atilde;o americana no Iraque em 2003, na hesita&ccedil;&atilde;o na resposta &agrave;s crises da d&iacute;vida soberana na Europa, na recente &laquo;sa&iacute;da&raquo; da energia nuclear civil, ou na absten&ccedil;&atilde;o no Conselho de Seguran&ccedil;a das Na&ccedil;&otilde;es Unidas (CSNU) sobre a interven&ccedil;&atilde;o da NATO na L&iacute;bia, em 17 de Mar&ccedil;o de 2011<a name="top18" id="top18"></a><sup><a href="#18">18</a></sup>. No caso da R&uacute;ssia, as raz&otilde;es que limitam a afirma&ccedil;&atilde;o da R&uacute;ssia enquanto pot&ecirc;ncia mundial, prendem-se com aspectos essencialmente internos, nomeadamente uma popula&ccedil;&atilde;o de apenas 125 milh&otilde;es com uma taxa de natalidade em decl&iacute;nio, e uma economia pouco moderna e excessivamente centrada na explora&ccedil;&atilde;o de recursos energ&eacute;ticos f&oacute;sseis. J&aacute; no plano internacional, as principais dificuldades prendem-se com a necessidade que a R&uacute;ssia sente de contrabalan&ccedil;ar a influ&ecirc;ncia crescente de actores externos nas &aacute;reas que define como de interesse priorit&aacute;rio, nomeadamente o espa&ccedil;o da Comunidade de Estados Independentes (CEI).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Em segundo lugar, o percurso de normaliza&ccedil;&atilde;o que a Alemanha tem estado a fazer desde 1998 levanta a quest&atilde;o de qual a validade efectiva do enquadramento normativo da sua pol&iacute;tica externa. Para alguns, a Alemanha est&aacute; em vias de desperdi&ccedil;ar um valioso capital normativo adquirido durante a Guerra Fria. Num momento de sobriedade p&oacute;s-11 de Setembro, p&oacute;s-crise transatl&acirc;ntica, p&oacute;s-crise constitucional europeia e em plena crise econ&oacute;mico-financeira na zona euro, a Alemanha tem estado a comportar-se, atipicamente, como um Estado soberano ego&iacute;sta na defesa dos seus interesses. Como argumentou recentemente J&uuml;rgen Habermas, um dos intelectuais liberais alem&atilde;es mais conceituados, com o Governo de Gerhard Schr&ouml;der chegou ao poder, em 1998, &laquo;uma gera&ccedil;&atilde;o desarmada de enquadramento normativo (“<i>eine normativ abger&uuml;stete Generation</i>”) que, perante uma sociedade cada vez mais complexa, toma decis&otilde;es de &acirc;nimo leve em detrimento de efeitos a longo prazo ou projectos como a unifica&ccedil;&atilde;o europeia&raquo;<sup><a name="top19" id="top19"></a><a href="#19">19</a></sup>. A principal cr&iacute;tica que Habermas faz &agrave; elite pol&iacute;tica alem&atilde; &eacute; de, perante o estado de normaliza&ccedil;&atilde;o que se instalou na pol&iacute;tica externa do pa&iacute;s, a elite n&atilde;o se opor &agrave; fal&ecirc;ncia normativa que essa normaliza&ccedil;&atilde;o implica, e de permitir um regresso &agrave; soberania e aos interesses nacionais alem&atilde;es de uma forma que desperdi&ccedil;a a mais-valia normativa atrav&eacute;s da qual a RFA tinha, durante quarenta anos, adquirido legitimidade democr&aacute;tica e uma identidade p&oacute;s-nacional. Por outras palavras, um elemento a considerar quando se fala na transi&ccedil;&atilde;o da pol&iacute;tica externa da Alemanha, &eacute; que a gradual normaliza&ccedil;&atilde;o da sua pol&iacute;tica externa implica uma transforma&ccedil;&atilde;o do pr&oacute;prio poder normativo que a Alemanha adquiriu ap&oacute;s a II Guerra Mundial. Isto abre caminho a uma pol&iacute;tica mais consequencialista, menos p&oacute;s-moderna e, por isso, mais soberanista. Neste aspecto, as pol&iacute;ticas alem&atilde; e russa aproximam-se.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><B>DIPLOMACIA BILATERAL</b></p>     <p>No que se refere ao relacionamento bilateral, as rela&ccedil;&otilde;es germano-russas encontravam-se desde 1991 num registo positivo. A R&uacute;ssia parecia ajustar-se a um curso reformista e de transi&ccedil;&atilde;o democr&aacute;tica, o que dava aos alem&atilde;es um sentimento de que o passado imperial estava ultrapassado, e os russos sentiam apoio alem&atilde;o no seu programa de reforma pol&iacute;tico e econ&oacute;mico. Al&eacute;m do mais, at&eacute; 1992 a Alemanha foi o maior doador de ajuda humanit&aacute;ria &agrave; R&uacute;ssia<a name="top20"></a><sup><a href="#20">20</a></sup>. </p>     <p>Os alem&atilde;es entendem que a R&uacute;ssia deve ser trazida para a comunidade das na&ccedil;&otilde;es democr&aacute;ticas como a Alemanha o foi ap&oacute;s a II Guerra Mundial<sup><a name="top21"></a><a href="#21">21</a></sup>. A R&uacute;ssia reconhece que a resist&ecirc;ncia ao Ocidente pode ser contraproducente, e partilha a posi&ccedil;&atilde;o de alguns estados europeus face &agrave;s pol&iacute;ticas norte-americanas de projec&ccedil;&atilde;o de poder no M&eacute;dio Oriente. A invas&atilde;o do Iraque em 2003, com oposi&ccedil;&atilde;o firme da Fran&ccedil;a, Alemanha e R&uacute;ssia, aproximou ainda mais a Alemanha e a R&uacute;ssia. Mesmo assim, e apesar de Berlim manter a t&oacute;nica na defesa dos direitos humanos e em princ&iacute;pios democr&aacute;ticos quando dialoga com Moscovo, &eacute; incerto se a Alemanha conseguir&aacute; convencer a R&uacute;ssia a avan&ccedil;ar para um conjunto de normas de pol&iacute;tica externa p&oacute;s-soberanas, especialmente face ao forte nacionalismo russo assente em soberania e excepcionalidade<sup><a name="top22"></a><a href="#22">22</a></sup>.</p>     <p>Da perspectiva da R&uacute;ssia, um dos objectivos da sua pol&iacute;tica externa ap&oacute;s 1991 foi encontrar um aliado na comunidade ocidental, que poderia servir de interlocutor dos interesses russos no continente europeu e na rela&ccedil;&atilde;o transatl&acirc;ntica. Pelas raz&otilde;es acima referidas, a Alemanha &eacute; esse Estado no Centro da Europa, uma pot&ecirc;ncia europeia em vias de consolidar este novo estatuto. Tamb&eacute;m da perspectiva alem&atilde;, tornou-se necess&aacute;rio encontrar um <i>modus vivendi</i> com a grande pot&ecirc;ncia vizinha a Leste, uma nova forma de conviv&ecirc;ncia que n&atilde;o hostilizasse a R&uacute;ssia mas que simultaneamente n&atilde;o exigisse &agrave; Alemanha um afrouxar dos compromissos institucionais que tinha na UE e na NATO, e que durante d&eacute;cadas tinham assegurado a estabilidade na Europa e possibilitado o desenvolvimento econ&oacute;mico alem&atilde;o. </p>     <p>Em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; R&uacute;ssia, os chanceleres alem&atilde;es t&ecirc;m seguido abordagens divergentes. O chanceler Helmut Kohl (CDU, 1982-1998) reconheceu a import&acirc;ncia da R&uacute;ssia como um parceiro estrat&eacute;gico para a UE e o Ocidente e desempenhou um papel decisivo na promo&ccedil;&atilde;o do Acordo de Parceria e Coopera&ccedil;&atilde;o (PCA) entre a UE e a R&uacute;ssia, em 1997, assinado por um per&iacute;odo de dez anos. Contudo, as rela&ccedil;&otilde;es entre Berlim e Moscovo desde 1990-1991 passaram tamb&eacute;m pela posi&ccedil;&atilde;o assumida por ambos relativamente aos pa&iacute;ses da Europa Central e Oriental. As pol&iacute;ticas de alargamento da UE e da NATO a estes pa&iacute;ses foram fortemente promovidas pela Alemanha que se tornou assim um participante activo na transforma&ccedil;&atilde;o da arquitectura de seguran&ccedil;a na Europa. O ministro da Defesa alem&atilde;o, Volker R&uuml;he, foi, desde 1993, um dos europeus que mais defendeu o alargamento da NATO &agrave; Pol&oacute;nia, &agrave; Hungria e &agrave; Rep&uacute;blica Checa<a name="top23"></a><sup><a href="#23">23</a></sup>.</p>     <p>O apoio alem&atilde;o manteve-se apesar da cont&iacute;nua oposi&ccedil;&atilde;o por parte da R&uacute;ssia. Para o ent&atilde;o ministro dos Neg&oacute;cios Estrangeiros russo, Evgueni Primakov, o alargamento da NATO &laquo;foi possivelmente o maior erro desde o fim da Guerra Fria&raquo;<sup><a name="top24"></a><a href="#24">24</a></sup>. Na tentativa de acomodar os interesses de todas as partes envolvidas atrav&eacute;s de rela&ccedil;&otilde;es altamente personalizadas, Kohl deu um impulso decisivo na redefini&ccedil;&atilde;o da rela&ccedil;&atilde;o entre a NATO e a R&uacute;ssia, em 1997, aquando da assinatura do Acto NATO-R&uacute;ssia. &Eacute; por isso importante sublinhar o por vezes dif&iacute;cil equil&iacute;brio da pol&iacute;tica alem&atilde; a leste, entre o apoio &agrave; integra&ccedil;&atilde;o dos pa&iacute;ses da Europa de Leste, por um lado, e a relev&acirc;ncia da rela&ccedil;&atilde;o com Moscovo, por outro, e a dificuldade de conciliar ambas. Esta dificuldade de equilibrar uma &laquo;pol&iacute;tica a Leste&raquo; (<i>Ostpolitik</i>) com uma &laquo;pol&iacute;tica para a R&uacute;ssia&raquo; (<i>Russlandpolitik</i>) faz parte das linhas de continuidade da pol&iacute;tica externa alem&atilde; para esta zona. &Eacute; em parte este factor que ajuda a explicar porque &eacute; que os decisores pol&iacute;ticos alem&atilde;es promoveram activamente a ades&atilde;o dos pa&iacute;ses da Europa de Leste &agrave; UE, e porque &eacute; que se mostraram mais reticentes quanto ao alargamento da NATO para junto das fronteiras com os novos pa&iacute;ses da ex-Uni&atilde;o Sovi&eacute;tica. </p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>GERHARD SCHR&Ouml;DER E VLADIMIR PUTIN</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A elei&ccedil;&atilde;o de um novo governo de coliga&ccedil;&atilde;o, entre SPD (Sociais-Democratas) e Verdes, em Setembro de 1998, permitiu uma mudan&ccedil;a geracional e de pol&iacute;tica externa na Alemanha, reduzindo o peso da hist&oacute;ria na procura de concilia&ccedil;&atilde;o entre o Estado alem&atilde;o moderno e a heran&ccedil;a do regime nacional-socialista. O chanceler Gerhard Schr&ouml;der (SPD, 1998-2005) apelou a uma pol&iacute;tica externa mais pragm&aacute;tica para a Europa<sup><a name="top25"></a><a href="#25">25</a></sup> e foi mais assertivo e bilateralista na sua tentativa de forjar uma rela&ccedil;&atilde;o estrat&eacute;gica com Moscovo. Na altura da guerra no Iraque, Schr&ouml;der comentou que &laquo;as quest&otilde;es existenciais da na&ccedil;&atilde;o alem&atilde; decidem-se em Berlim e n&atilde;o em qualquer outro lugar&raquo;<sup><a name="top26"></a><a href="#26">26</a></sup>.</p>     <p>O chanceler Schr&ouml;der criticou o seu antecessor Helmut Kohl pelo investimento em rela&ccedil;&otilde;es imprevis&iacute;veis com a R&uacute;ssia do Presidente Boris Ieltsin, n&atilde;o apoiando o desenvolvimento da sociedade civil com base numa rela&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica. Em Fevereiro de 1999 a Alemanha recusou-se a conferir novos cr&eacute;ditos financeiros a Moscovo. Havia frustra&ccedil;&atilde;o na incapacidade alem&atilde; de influenciar os desenvolvimentos na Tchetch&eacute;nia e preocupa&ccedil;&atilde;o com o facto de a R&uacute;ssia estar a ser crescentemente marginalizada dos assuntos europeus numa altura em que o alargamento a Leste a colocava firmemente na nova vizinhan&ccedil;a da UE. </p>     <p>V&aacute;rias das posi&ccedil;&otilde;es do novo Governo face ao Presidente russo Vladimir Putin foram maioritariamente iniciativas alem&atilde;s unilaterais, promovidas pelo pr&oacute;prio chanceler. Ocasionalmente inclu&iacute;ram a Fran&ccedil;a, mas n&atilde;o se basearam numa vasta iniciativa europeia para fomentar uma rela&ccedil;&atilde;o est&aacute;vel com Moscovo. Pelo contr&aacute;rio, elas foram prosseguidas no meio de fortes divis&otilde;es intra-europeias sobre as rela&ccedil;&otilde;es com os Estados Unidos e a pol&iacute;tica norte-americana para o Iraque.</p>     <p>Devido aos duplos alargamentos da UE e da NATO para a Europa Oriental, a zona geogr&aacute;fica que exige o necess&aacute;rio equil&iacute;brio aos decisores pol&iacute;ticos alem&atilde;es deslocou-se para Leste, localizando-se naquilo que Berlim chama de &laquo;nova vizinhan&ccedil;a europeia&raquo; e que Moscovo, no entanto, denomina de &laquo;estrangeiro pr&oacute;ximo&raquo;, o que sugere um potencial desentendimento entre os dois actores quanto &agrave; influ&ecirc;ncia que ambos pretendem ter na regi&atilde;o. Ap&oacute;s repetidas cr&iacute;ticas de Putin &agrave; NATO, argumentando que a Alian&ccedil;a Atl&acirc;ntica teria prometido, aquando das negocia&ccedil;&otilde;es sobre a unifica&ccedil;&atilde;o alem&atilde;, em 1990, que n&atilde;o se iria expandir institucionalmete para Leste, o Governo de Schr&ouml;der suavizou a posi&ccedil;&atilde;o e mostrou-se repetidamente relutante em criticar abertamente a R&uacute;ssia. Na cimeira bilateral de S&atilde;o Petersburgo, em Abril de 2001, Schr&ouml;der e Putin anunciaram o estabelecimento de um processo de consultas bilaterais com discuss&atilde;o de assuntos fundamentais nas rela&ccedil;&otilde;es bilaterais. A n&iacute;vel pol&iacute;tico, o acordo de tr&acirc;nsito atrav&eacute;s da R&uacute;ssia para o envio de recursos alem&atilde;es para o Afeganist&atilde;o, no &acirc;mbito do esfor&ccedil;o da miss&atilde;o alem&atilde;, marcou a proximidade alcan&ccedil;ada nas rela&ccedil;&otilde;es, e tornou a Alemanha no primeiro pa&iacute;s NATO a conseguir este entendimento<a name="top27"></a><sup><a href="#27">27</a></sup>. </p>     <p>Era conhecida a afinidade entre Schr&ouml;der e Putin tendo Schr&ouml;der apelidado o l&iacute;der russo de &laquo;democrata impec&aacute;vel&raquo;, enquanto que Putin afirmava que se &laquo;entre a R&uacute;ssia e a Am&eacute;rica h&aacute; um oceano, entre a R&uacute;ssia e a Alemanha h&aacute; uma grande hist&oacute;ria&raquo;<sup><a name="top28"></a><a href="#28">28</a></sup>. A posi&ccedil;&atilde;o do chanceler sobre a perspectiva de ades&atilde;o da R&uacute;ssia &agrave; NATO foi de apoio: &laquo;O actual Conselho NATO-R&uacute;ssia n&atilde;o pode ser a &uacute;ltima palavra nas rela&ccedil;&otilde;es entre a NATO e a R&uacute;ssia. Aqueles que pensam em dimens&otilde;es mais hist&oacute;ricas n&atilde;o podem excluir uma ades&atilde;o da R&uacute;ssia &agrave; NATO a longo prazo.&raquo;<a name="top29"></a><sup><a href="#29">29</a></sup> Isto revelava a prefer&ecirc;ncia de Schr&ouml;der pela inclus&atilde;o da R&uacute;ssia no quadro securit&aacute;rio, econ&oacute;mico e de seguran&ccedil;a energ&eacute;tica europeu. Para tal, Berlim promoveu uma triangularidade, com os presidentes Putin e Jacques Chirac, da Fran&ccedil;a, atrav&eacute;s de encontros regulares entre os tr&ecirc;s l&iacute;deres, numa perspectiva claramente europeia, e n&atilde;o transatl&acirc;ntica. Esta &laquo;alian&ccedil;a t&aacute;ctica&raquo; levou &agrave; adop&ccedil;&atilde;o de posi&ccedil;&otilde;es comuns no CSNU sobre a guerra no Iraque em 2003-2004 e fez com que Schr&ouml;der, Chirac e Putin se reunissem regularmente depois, como aconteceu em Agosto de 2004 na resid&ecirc;ncia de Ver&atilde;o de Putin no balne&aacute;rio de Sochi no mar Negro, ou em Julho de 2005 para o 750.&ordm; anivers&aacute;rio de Kaliningrado, numa ocasi&atilde;o em que os l&iacute;deres polaco e lituano n&atilde;o foram convidados. Esta afinidade era vista de forma cr&iacute;tica por partes da elite alem&atilde;, principalmente por considerarem que este rumo pr&oacute;-russo se fazia &agrave; custa de um distanciamento da Alemanha dos Estados Unidos.</p>     <p>De facto, a solidariedade que Schr&ouml;der demonstrou com os Estados Unidos ap&oacute;s o 11 de Setembro n&atilde;o invalidou que a sua posi&ccedil;&atilde;o, ao lado de Chirac, contra a interven&ccedil;&atilde;o norte-americana no Iraque, gerasse fric&ccedil;&atilde;o entre os dois pa&iacute;ses, uma vez que a Alemanha tem como reputa&ccedil;&atilde;o ser um dos aliados mais importantes dos Estados Unidos desde a II Guerra Mundial. A sua posi&ccedil;&atilde;o resultou de m&uacute;ltiplas raz&otilde;es, de entre as quais a oposi&ccedil;&atilde;o popular a esta interven&ccedil;&atilde;o, em particular no seio da sua pr&oacute;pria base pol&iacute;tica de apoio. </p>     <p>Mais pr&oacute;xima da Fran&ccedil;a, antiga rival, o eixo franco-alem&atilde;o tem sido marcante no desenvolvimento da ideia europeia. A crise do Iraque, que levou &agrave; interven&ccedil;&atilde;o armada norte-americana sem o consentimento deste eixo, provocou uma divis&atilde;o interna profunda na Europa, entre os apoiantes e os cr&iacute;ticos desta interven&ccedil;&atilde;o. Apesar de ultrapassada a maioria das dificuldades, comprovada com a aprova&ccedil;&atilde;o de uma resolu&ccedil;&atilde;o relativa ao Iraque no CSNU, as rela&ccedil;&otilde;es com Washington e Londres permaneceram sob alguma tens&atilde;o. </p>     <p>No per&iacute;odo de Schr&ouml;der a pol&iacute;tica externa percorreu um enfraquecimento do v&iacute;nculo transatl&acirc;ntico, na medida em que Berlim pretendia alargar a influ&ecirc;ncia alem&atilde; unilateralmente e prosseguir uma estrat&eacute;gia pan-europeia, onde a R&uacute;ssia se tornaria um parceiro privilegiado. Simultaneamente, a Alemanha reivindicava activamente um lugar permanente do CSNU como forma de ganhar maior legitimidade internacional e adquirir uma &laquo;licen&ccedil;a&raquo; para participar de forma mais assertiva na pol&iacute;tica internacional ao lado das grandes pot&ecirc;ncias.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>ANGELA MERKEL E DMITRI MEDVEDEV</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Com o in&iacute;cio da Grande Coliga&ccedil;&atilde;o (CDU/CSU e SPD), em Setembro de 2005, assistiu-se a um ligeiro recuo t&aacute;ctico desta estrat&eacute;gia. A chanceler Angela Merkel (CDU, Partido Democrata Crist&atilde;o) refor&ccedil;ou a estrat&eacute;gia euro-atl&acirc;ntica e a posi&ccedil;&atilde;o da Alemanha na UE e na NATO, com um alargamento para Leste selectivo e uma parceria cautelosa com a R&uacute;ssia. Isto ampliou a margem de manobra da Alemanha e demonstrou aos aliados que uma pol&iacute;tica transatl&acirc;ntica desarticulada e um <i>flirt</i> unilateral com a R&uacute;ssia n&atilde;o teria de ser o curso inevit&aacute;vel para a Alemanha. A chanceler adoptou uma postura mais dura do que o seu predecessor, criticando a desconsidera&ccedil;&atilde;o da R&uacute;ssia para com os direitos humanos e os valores da democracia e apelando a reformas democr&aacute;ticas. Merkel &eacute; mais cuidadosa que Schr&ouml;der na verbaliza&ccedil;&atilde;o das rela&ccedil;&otilde;es com a R&uacute;ssia, temendo que um discurso demasiado generoso face &agrave; R&uacute;ssia possa gerar tens&otilde;es com os EUA e a Pol&oacute;nia, bem como com outros estados europeus. Al&eacute;m do mais, a Alemanha entende que a Europa precisa da R&uacute;ssia como parceira numa s&eacute;rie de quest&otilde;es centrais, como o Ir&atilde;o, a Coreia do Norte e o M&eacute;dio Oriente. Por isso, a R&uacute;ssia continua a ser um pilar fundamental na pol&iacute;tica externa alem&atilde;, mesmo com mais cr&iacute;ticas &agrave;s suas pol&iacute;ticas internas<sup><a name="top30"></a><a href="#30">30</a></sup>. </p>     <p>Simultaneamente, o endurecimento da posi&ccedil;&atilde;o da R&uacute;ssia face ao Ocidente levou a um esfriamento das rela&ccedil;&otilde;es UE-R&uacute;ssia. A cimeira bilateral em Samara, em Maio de 2007, durante a presid&ecirc;ncia alem&atilde; da UE, ressaltou a rela&ccedil;&atilde;o tensa entre ambos os lados e a dificuldade em renovar o PCA UE-R&uacute;ssia, que expirou em Novembro de 2007 (desde ent&atilde;o renovado automaticamente numa base anual), e que a presid&ecirc;ncia n&atilde;o foi capaz de desbloquear.</p>     <p>Contudo, apesar da chanceler Angela Merkel ser mais clara nas cr&iacute;ticas &agrave; R&uacute;ssia nos revezes pol&iacute;ticos e pol&iacute;ticas energ&eacute;ticas, a parceria estrat&eacute;gica entre os dois pa&iacute;ses permanece forte. Merkel afirmou desde logo que seguiria uma pol&iacute;tica similar no di&aacute;logo energ&eacute;tico e na coopera&ccedil;&atilde;o internacional de combate ao terrorismo. Tamb&eacute;m o ministro dos Neg&oacute;cios Estrangeiros do governo da Grande Coliga&ccedil;&atilde;o, Frank-Walter Steinmeier, que colaborara com Schr&ouml;der, permitiu dar continuidade &agrave;s pol&iacute;ticas para a R&uacute;ssia face ao governo anterio<a name="top31"></a>r<sup><a href="#31">31</a></sup>. Steinmeier defendia a integra&ccedil;&atilde;o cautelosa segundo o princ&iacute;pio de <i>Wandel durch Verflechtung</i> – mudan&ccedil;a atrav&eacute;s de interdepend&ecirc;ncia. Steinmeier sugeriu uma &laquo;parceria de moderniza&ccedil;&atilde;o&raquo;, baseada nos princ&iacute;pios de aproxima&ccedil;&atilde;o franco-alem&atilde; no p&oacute;s-guerra de interdepend&ecirc;ncia progressiva que teve express&atilde;o nas Comunidades Europeias, e que segue tamb&eacute;m o pressuposto da mudan&ccedil;a atrav&eacute;s da proximidade, que serviu de base &agrave; pol&iacute;tica de aproxima&ccedil;&atilde;o das duas Alemanhas na d&eacute;cada de 1970. Esta abordagem defende que o aumento nas rela&ccedil;&otilde;es tornar&aacute; as mesmas mais previs&iacute;veis, incluindo a entrada da R&uacute;ssia na Organiza&ccedil;&atilde;o Mundial do Com&eacute;rcio (OMC), e a aquisi&ccedil;&atilde;o russa de ac&ccedil;&otilde;es no mercado energ&eacute;tico europeu<a name="top32"></a><sup><a href="#32">32</a></sup>. Contudo, esta estrat&eacute;gia pode ter efeitos perversos, como alerta o analista russo Fyodor Lukyanov, &laquo;Os europeus pensam que “integra&ccedil;&atilde;o” significa que a R&uacute;ssia se aproxima gradualmente do modelo Europeu, enquanto na R&uacute;ssia actual, integra&ccedil;&atilde;o significa “aquisi&ccedil;&atilde;o de bens”&raquo;<a name="top33"></a><sup><a href="#33">33</a></sup>.</p>     <p>Durante o governo de grande coliga&ccedil;&atilde;o liderado por Merkel e Steinmeier, assistiu-se a uma vontade de redefini&ccedil;&atilde;o da pol&iacute;tica alem&atilde; e europeia para a R&uacute;ssia. Enquanto o antigo chanceler Schr&ouml;der tentou estabelecer uma rela&ccedil;&atilde;o bilateral forte entre Berlim e Moscovo, por vezes &agrave; custa dos pa&iacute;ses da Europa de Leste, e do quadro comunit&aacute;rio, para o Governo de Merkel tratou-se de refor&ccedil;ar os la&ccedil;os n&atilde;o apenas bilaterais mas inseri-los na l&oacute;gica europeia e fortalecer assim uma parceria efectiva entre a UE e a R&uacute;ssia. Neste entendimento, Merkel e Steinmeier concordavam sobre uma perspectiva pan-europeia onde a futura ordem europeia s&oacute; seria est&aacute;vel e pac&iacute;fica se a R&uacute;ssia fosse uma parte efectiva da mesma<a name="top34"></a><sup><a href="#34">34</a></sup>. </p>     <p>Dado o posicionamento privilegiado que Berlim atribui a Moscovo pode afirmar-se que, nos &uacute;ltimos anos, Moscovo tem utilizado Berlim como plataforma para o lan&ccedil;amento de iniciativas pol&iacute;ticas destinadas tanto aos Estados Unidos e &agrave; NATO como &agrave; UE. Ao mesmo tempo, a Alemanha surge como o principal interlocutor da R&uacute;ssia: sem a Alemanha n&atilde;o haveria uma pol&iacute;tica ocidental para a R&uacute;ssia, e apesar das diverg&ecirc;ncias que continuam a evidenciar-se no seio dos aliados ocidentais face &agrave;s rela&ccedil;&otilde;es entre Moscovo e o &laquo;Ocidente&raquo;, a Alemanha tem adoptado uma postura que a posiciona entre a media&ccedil;&atilde;o e a protec&ccedil;&atilde;o da posi&ccedil;&atilde;o russa. </p>     <p>Foi em Junho de 2008, em Berlim, que Medvedev sugeriu a cria&ccedil;&atilde;o de uma nova arquitectura de seguran&ccedil;a, de Vancouver a Vladivostock, numa altura em que a Alian&ccedil;a Atl&acirc;ntica discutia a continua&ccedil;&atilde;o do alargamento a Leste, i.e., para territ&oacute;rio da ex-URSS. N&atilde;o querendo hostilizar a R&uacute;ssia, durante a Cimeira da Alian&ccedil;a Atl&acirc;ntica em Bucareste, em Abril de 2008, o governo da chanceler Angela Merkel, juntamente com o Presidente Sarkozy, alcan&ccedil;ou o adiamento <i>sine die</i> da ades&atilde;o da Ucr&acirc;nia e da Ge&oacute;rgia &agrave; NATO, opondo-se assim &agrave; pretens&atilde;o da Administra&ccedil;&atilde;o americana de George W. Bush de ver os dois referidos pa&iacute;ses aderirem &agrave; Alian&ccedil;a Atl&acirc;ntica. Contudo, esta postura mais pr&oacute;-russa da Alemanha e da Fran&ccedil;a n&atilde;o obteve necessariamente um <i>quid pro quo</i> da parte de Moscovo: poucos meses depois, e contra advert&ecirc;ncias da UE para que a crise fosse resolvida por via pac&iacute;fica, a Ge&oacute;rgia e a R&uacute;ssia entraram em guerra relativamente &agrave;s regi&otilde;es separatistas da Abc&aacute;sia e da Oss&eacute;tia do Sul na Guerra dos Cinco Dias, em Agosto de 2008.</p>     <p>Em Junho de 2010, de uma reuni&atilde;o bilateral em Meseberg, perto de Berlim, resultou a proposta de Merkel e Medvedev de cria&ccedil;&atilde;o de um Comit&eacute; Pol&iacute;tico e de Seguran&ccedil;a UE-R&uacute;ssia<sup><a name="top35"></a><a href="#35">35</a></sup>. Este memorando, que prop&ocirc;s a resolu&ccedil;&atilde;o de conflitos regionais, como, por exemplo, na Transnistria, foi mal acolhido por alguns pa&iacute;ses da Europa de Leste. Mesmo que, um ano depois, esta iniciativa n&atilde;o tivesse avan&ccedil;ado, &eacute; significativo como o processo se desenvolve, ou seja, a partir de uma iniciativa bilateral, mesmo que o objectivo seja um acordo R&uacute;ssia-UE.</p>     <p>Torna-se assim evidente que a rela&ccedil;&atilde;o entre a Alemanha e a R&uacute;ssia n&atilde;o assenta num relacionamento meramente bilateral. Devido &agrave; import&acirc;ncia que estes dois actores assumem, a sua diplomacia bilateral produz consequ&ecirc;ncias em dois quadros multilaterais, nomeadamente, as rela&ccedil;&otilde;es da R&uacute;ssia com a UE, e com os Estados Unidos. A rela&ccedil;&atilde;o com a UE ser&aacute; tratada nesta sec&ccedil;&atilde;o, enquanto que a rela&ccedil;&atilde;o com os Estados Unidos ser&aacute; inclu&iacute;da na sec&ccedil;&atilde;o sobre a seguran&ccedil;a europeia e transatl&acirc;ntica.</p>     <p>A rela&ccedil;&atilde;o da R&uacute;ssia com a UE &eacute; complexa e caracteriza-se pela inexist&ecirc;ncia de uma &uacute;nica pol&iacute;tica comunit&aacute;ria para a R&uacute;ssia. Muitas vezes os interesses dos estados-membros s&atilde;o simplesmente demasiado divergentes entre eles ou em rela&ccedil;&atilde;o a terceiros para permitir uma estrat&eacute;gia de longo prazo comum para a R&uacute;ssia. As negocia&ccedil;&otilde;es para a renova&ccedil;&atilde;o do Acordo de Parceria e Coopera&ccedil;&atilde;o UE-R&uacute;ssia (APC) t&ecirc;m sido lentas<sup><a name="top36"></a><a href="#36">36</a></sup>. Na sequ&ecirc;ncia do conflito russo-georgiano as rela&ccedil;&otilde;es entre a UE e a R&uacute;ssia foram congeladas. As tens&otilde;es germano-polacas, em 2005, sobre como abordar a R&uacute;ssia, ou o veto polaco sobre a renova&ccedil;&atilde;o do APC em 2007, ilustram este ponto. </p>     <p>A rela&ccedil;&atilde;o da R&uacute;ssia com a UE tem sido marcada pela simultaneidade de contactos bilaterais e multilaterais, ora com estados-membros ora com Bruxelas, o que dificulta muitas vezes o alcance de consenso em temas particularmente dif&iacute;ceis em Bruxelas. Moscovo tem rela&ccedil;&otilde;es privilegiadas com estados como a Alemanha, a Fran&ccedil;a, e mesmo a It&aacute;lia, a Espanha, Portugal e a Gr&eacute;cia. As &aacute;reas de mais intensa colabora&ccedil;&atilde;o s&atilde;o os neg&oacute;cios, a energia, e a regula&ccedil;&atilde;o de vistos<a name="top37"></a><sup><a href="#37">37</a></sup>. Por vezes h&aacute; ajustamentos, como no caso do reajuste p&oacute;s-Schr&ouml;der nas rela&ccedil;&otilde;es germano-russas<sup><a name="top38"></a><a href="#38">38</a></sup>, mas que na realidade n&atilde;o implicam uma altera&ccedil;&atilde;o substancial da ess&ecirc;ncia da rela&ccedil;&atilde;o. As divis&otilde;es no seio da pr&oacute;pria UE s&atilde;o, deste modo, entendidas na R&uacute;ssia como uma oportunidade, que refor&ccedil;a o seu posicionamento face a estados mais cr&iacute;ticos como a Pol&oacute;nia ou o trio do B&aacute;ltico. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A extens&atilde;o oriental da ordem e estabilidade europeia oferecia vantagens a n&iacute;vel de oportunidades de neg&oacute;cio e investimento para a ind&uacute;stria alem&atilde;. A Alemanha manteve-se assim na linha da frente no estabelecimento de uma <i>Ostpolitik</i> da UE, no sentido de abrir as portas a novos estados e da assinatura de acordos com pa&iacute;ses da CEI. </p>     <p>No in&iacute;cio da segunda d&eacute;cada do s&eacute;culo XXI, pode afirmar-se que o clima entre a R&uacute;ssia e a Uni&atilde;o Europeia, e entre a R&uacute;ssia e a Alemanha se tornou mais s&oacute;brio. Por um lado, a Guerra dos Cinco Dias mostrou &agrave; UE que a R&uacute;ssia perdurar&aacute; na sua an&aacute;lise soberanista da pol&iacute;tica internacional e revelou o fraco alcance das capacidades do <i>soft power</i> europeu em convencer a R&uacute;ssia a actuar segundo as regras do jogo europeias. Por outro lado, a crise pol&iacute;tica que antecedeu a assinatura do Tratado de Lisboa, em Dezembro de 2007, assim como a actual crise das d&iacute;vidas soberanas na zona euro evidenciam os limites da perspectiva p&oacute;s-moderna europeia. Neste sentido, a Alemanha &eacute; simultaneamente impulsionadora e receptora desta crescente sobriedade p&oacute;s-moderna que se instaurou na UE.</p>     <p>Isto n&atilde;o tem sido necessariamente negativo para o relacionamento com a R&uacute;ssia, j&aacute; que um maior realismo entre ambas as partes tem permitido um novo entendimento de conviv&ecirc;ncia. Isto reflecte-se principalmente no dom&iacute;nio dos interesses energ&eacute;ticos.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>INTERESSES ENERG&Eacute;TICOS</b></p>     <p>A R&uacute;ssia e a Alemanha s&atilde;o parceiros comerciais h&aacute; muito tempo, embora os n&uacute;meros desta realidade n&atilde;o correspondam ao que seria expect&aacute;vel<sup><a name="top39"></a><a href="#39">39</a></sup>. De facto, a R&uacute;ssia &eacute; respons&aacute;vel por 3,7 por cento do total das importa&ccedil;&otilde;es alem&atilde;s, ocupando o d&eacute;cimo lugar, e n&atilde;o consta entre os doze maiores destinos das exporta&ccedil;&otilde;es alem&atilde;s<a name="top40"></a><sup><a href="#40">40</a></sup>. De qualquer modo, a Alemanha &eacute; o maior parceiro comercial da R&uacute;ssia no quadro da UE<a name="top41"></a><sup><a href="#41">41</a></sup>, sendo que a dimens&atilde;o energ&eacute;tica assume preval&ecirc;ncia.</p>     <p>A R&uacute;ssia &eacute; o terceiro maior produtor de energia no mundo. Det&eacute;m mais de 10 por cento das reservas de petr&oacute;leo mundiais (s&eacute;timo lugar), cerca de 30 por cento das reservas mundiais de g&aacute;s (primeiro lugar) e mais de 18 por cento das reservas de carv&atilde;o. &Eacute; o maior fornecedor de petr&oacute;leo e g&aacute;s natural &agrave; Alemanha e &agrave; Europa (respons&aacute;vel por 34 por cento das importa&ccedil;&otilde;es de petr&oacute;leo alem&atilde;s e de 41 por cento de g&aacute;s). E para a UE exporta 27 por cento das suas necessidades de petr&oacute;leo e 24 por cento de g&aacute;s. A economia russa depende fortemente das exporta&ccedil;&otilde;es de energia (55 por cento do total das suas exporta&ccedil;&otilde;es)<a name="top42"></a><sup><a href="#42">42</a></sup>.</p>     <p>A R&uacute;ssia &eacute; o maior parceiro energ&eacute;tico da Alemanha, e a Alemanha &eacute; o mercado mais importante para o g&aacute;s russo, sendo um dos mais importantes investidores na R&uacute;ssia. Quando, em Julho de 2004, Schr&ouml;der e Putin assinaram um contrato energ&eacute;tico (E.ON e Gazprom) que representava o maior investimento alem&atilde;o desde o gasoduto siberiano de finais dos anos 1970, parecia que a rela&ccedil;&atilde;o bilateral assentava em interesses econ&oacute;micos em geral e mais especificamente numa parceria energ&eacute;tica. O exemplo mais significativo desta rela&ccedil;&atilde;o foi a decis&atilde;o bilateral de construir o Nordstream<a name="top43"></a><sup><a href="#43">43</a></sup>, o gasoduto que liga a R&uacute;ssia &agrave; Alemanha atrav&eacute;s do mar B&aacute;ltico n&atilde;o passando pelos estados do B&aacute;ltico, Pol&oacute;nia ou Ucr&acirc;nia, um projecto que marca a rela&ccedil;&atilde;o de proximidade entre estes parceiros, envolvendo custos de investimento avultados. Esta iniciativa unilateral alem&atilde;, se bem que visava garantir o abastecimento de g&aacute;s russo &agrave; Europa, servindo a Alemanha como porta de entrada energ&eacute;tica da UE, gerou reac&ccedil;&otilde;es de descontentamento, em particular naqueles estados, pela pouca preocupa&ccedil;&atilde;o alem&atilde; sobre os receios dos vizinhos e pela falta de procura de articula&ccedil;&atilde;o de uma pol&iacute;tica comum da UE para a R&uacute;ssia, incluindo uma estrat&eacute;gia energ&eacute;tica comum<a name="top44"></a><sup><a href="#44">44</a></sup>. </p>     <p>Em Agosto de 2007 o fornecimento de petr&oacute;leo &agrave; Alemanha foi suspenso de modo a pressionar a sua actua&ccedil;&atilde;o como intermedi&aacute;rio na renegocia&ccedil;&atilde;o das condi&ccedil;&otilde;es dos acordos de abastecimento para a UE. Contudo, este tipo de actua&ccedil;&atilde;o n&atilde;o est&aacute; conforme ao acordado nas rela&ccedil;&otilde;es UE-R&uacute;ssia, com viola&ccedil;&atilde;o de princ&iacute;pios da Carta Energ&eacute;tica, apesar da sua n&atilde;o ratifica&ccedil;&atilde;o pela R&uacute;ssia. Note-se, no entanto, que no artigo 45.&ordm; est&aacute; estipulado que os estados signat&aacute;rios acordam em implementar provisoriamente as cl&aacute;usulas acordadas at&eacute; &agrave; ratifica&ccedil;&atilde;o e entrada legal em vigor do documento<a name="top45"></a><sup><a href="#45">45</a></sup>. Para Moscovo os princ&iacute;pios de base deste documento n&atilde;o lhe s&atilde;o favor&aacute;veis, nomeadamente, devido &agrave; vulnerabilidade que adviria de os seus sistemas de transporte – oleodutos e gasodutos – ficarem sob controlo internacional. Relativamente ao g&aacute;s, a Alemanha receia que as disputas com a Ucr&acirc;nia continuem a afectar os abastecimentos &agrave; Europa, e que no m&eacute;dio prazo a R&uacute;ssia n&atilde;o tenha capacidade para satisfazer as necessidades europeias. </p>     <p>Tanto Berlim como Moscovo t&ecirc;m consci&ecirc;ncia da import&acirc;ncia da seguran&ccedil;a energ&eacute;tica na Europa e como o futuro das rela&ccedil;&otilde;es entre ambos os pa&iacute;ses, e a UE, ser&aacute; afectado pela quest&atilde;o do abastecimento energ&eacute;tico. Com a sa&iacute;da da Alemanha da energia nuclear civil at&eacute; 2022, decidida rapidamente (e unilateralmente) na Primavera de 2011, ap&oacute;s o acidente nuclear em Fukushima, no Jap&atilde;o, em Mar&ccedil;o de 2011, h&aacute; quem receie que a depend&ecirc;ncia alem&atilde; relativamente ao g&aacute;s russo tender&aacute; a aumentar, com o aumento do consumo, mesmo que a Alemanha queira diversificar as fontes energ&eacute;ticas e as energias renov&aacute;veis. Por outro lado, &eacute; necess&aacute;rio referir que a depend&ecirc;ncia energ&eacute;tica n&atilde;o existe apenas do lado europeu relativamente &agrave; R&uacute;ssia, mas que se trata de uma rela&ccedil;&atilde;o de depend&ecirc;ncia energ&eacute;tica m&uacute;tua. Moscovo tem centrado excessivamente a sua pol&iacute;tica externa na instrumentaliza&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica dos seus recursos naturais e nas suas exporta&ccedil;&otilde;es energ&eacute;ticas para a Europa, e a actual crise financeira na Europa est&aacute; a afectar as exporta&ccedil;&otilde;es russas.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>O USO DA FOR&Ccedil;A MILITAR</b></p>     <p>O recurso ao uso da for&ccedil;a militar em interven&ccedil;&otilde;es internacionais tem para a Alemanha e a R&uacute;ssia significados diferentes. Para a Alemanha, decidir sobre o envio de tropas da Bundeswehr em miss&otilde;es de combate no exterior &eacute; sempre problem&aacute;tico, porque relembra o passado hist&oacute;rico ofensivo da Alemanha nas duas guerras mundiais e porque a l&oacute;gica fundacional da RFA assentou na ren&uacute;ncia ao uso da for&ccedil;a militar. Neste sentido, e apesar de Berlim ter participado, pela primeira vaz, numa miss&atilde;o ofensiva na opera&ccedil;&atilde;o da NATO no Kosovo, na Primavera de 1999, contra a S&eacute;rvia, a quest&atilde;o est&aacute; longe de ser consensual para a elite pol&iacute;tica alem&atilde;, e, para al&eacute;m de provocar acesos debates internos, tem levado Berlim a colocar-se em posi&ccedil;&otilde;es contr&aacute;rias &agrave;s dos seus aliados, como aconteceu com a oposi&ccedil;&atilde;o do Governo alem&atilde;o &agrave; interven&ccedil;&atilde;o liderada pelos Estados Unidos no Iraque em 2003<a name="top46"></a><sup><a href="#46">46</a></sup> e mais recentemente na interven&ccedil;&atilde;o da NATO na L&iacute;bia, em curso desde a Primavera de 2011.</p>     <p>Um novo cap&iacute;tulo na pol&iacute;tica externa alem&atilde; foi iniciado com Schr&ouml;eder (SPD – Partido Social-Democrata), uma vez que nunca antes dele, e no contexto p&oacute;s-II Guerra Mundial, tropas militares alem&atilde;s haviam servido fora do territ&oacute;rio da NATO. Em Mar&ccedil;o de 1999, avi&otilde;es alem&atilde;es partiram de bases italianas para participar nos ataques &agrave; S&eacute;rvia como parte da opera&ccedil;&atilde;o da NATO no Kosovo. Foi a primeira vez, desde os anos 1940, que for&ccedil;as militares alem&atilde;s se envolveram num combate. A ac&ccedil;&atilde;o, contudo, n&atilde;o decorreu sem controv&eacute;rsia. V&aacute;rios membros do Governo de Schr&ouml;eder opuseram-se ao destacamento militar. Foi um factor na resigna&ccedil;&atilde;o de Oskar Lafontaine, o l&iacute;der da ala esquerda do SPD. Numa conven&ccedil;&atilde;o turbulenta dos Verdes, o ministro dos Neg&oacute;cios Estrangeiros Joschka Fischer, que em tempos havia defendido a sa&iacute;da da Alemanha da NATO e o desarmamento unilateral do pa&iacute;s, foi fortemente contestado ap&oacute;s defender vivamente a responsabilidade alem&atilde; em terminar a agress&atilde;o s&eacute;rvia no Kosovo. Mas, memso participando na guerra a&eacute;rea, o Governo de Schr&ouml;der op&ocirc;s-se ao envolvimento de tropas terrestres alem&atilde;s para for&ccedil;ar a retirada s&eacute;rvia. O cessar-fogo acordado evitou o conflito aberto com os Estados Unidos e a Gr&atilde;-Bretanha nesta quest&atilde;o. A Alemanha contribuiu com mais de seis mil tropas para a for&ccedil;a de manuten&ccedil;&atilde;o da paz da NATO na regi&atilde;o. </p>     <p>Apesar do seu envolvimento militar no Kosovo e, desde 2001, no Afeganist&atilde;o, a Alemanha mant&eacute;m relut&acirc;ncia em assumir um papel de lideran&ccedil;a por v&aacute;rias raz&otilde;es. Primeira, os seus l&iacute;deres e a maior parte dos seus cidad&atilde;os sabem que muitos dos seus vizinhos ainda se lembram do III Reich e do que os nazis fizeram &agrave; Europa e ao mundo. Persiste uma desconfian&ccedil;a residual resultante destes acontecimentos. Segunda, esta abordagem pol&iacute;tica de <i>low profile</i> tem tido sucesso. Nunca antes na sua hist&oacute;ria tantos alem&atilde;es tiveram tanta paz, prosperidade e liberdade como desde 1945. Terceira, os alem&atilde;es temem que uma maior lideran&ccedil;a internacional os possa envolver em algum conflito maior no mundo. As mem&oacute;rias de morte e destrui&ccedil;&atilde;o das guerras mundiais ainda est&atilde;o bem vivas, tendo passado de gera&ccedil;&atilde;o em gera&ccedil;&atilde;o. H&aacute; um pacifismo latente, embora subtil, no pa&iacute;s que o inibe de ac&ccedil;&otilde;es de lideran&ccedil;a pol&iacute;tica. Quarta, o pa&iacute;s ficar&aacute; preocupado com a unifica&ccedil;&atilde;o, a moeda &uacute;nica, e o alargamento durante mais alguns anos. Quaisquer iniciativas internacionais seriam prematuras e n&atilde;o teriam apoio da opini&atilde;o p&uacute;blica. Finalmente, a Alemanha espera que as suas responsabilidades internacionais possam ser acomodadas atrav&eacute;s da UE. Pretende que a Uni&atilde;o assuma um papel mais forte, para agir apenas dentro e atrav&eacute;s da Europa unida. </p>     <p>Este relacionamento problem&aacute;tico que a Alemanha tem com a quest&atilde;o do uso da for&ccedil;a produziu por vezes posi&ccedil;&otilde;es pol&iacute;ticas err&aacute;ticas e imprevis&iacute;veis. Isto verificou-se ainda este ano, quando, em Mar&ccedil;o de 2011, a Alemanha, actualmente membro n&atilde;o permanente do Conselho de Seguran&ccedil;a das Na&ccedil;&otilde;es Unidas, adoptou uma postura de absten&ccedil;&atilde;o aquando da vota&ccedil;&atilde;o sobre a Resolu&ccedil;&atilde;o 1973 sobre o in&iacute;cio de uma miss&atilde;o humanit&aacute;ria da NATO na L&iacute;bia. Enquanto que a Fran&ccedil;a, o Reino Unido e os Estados Unidos votaram a favor da resolu&ccedil;&atilde;o, a Alemanha posicionou-se ao lado da R&uacute;ssia, China, &Iacute;ndia e Brasil, na absten&ccedil;&atilde;o sobre o voto de interven&ccedil;&atilde;o da NATO<sup><a name="top47"></a><a href="#47">47</a></sup>.</p>     <p>A R&uacute;ssia, por seu turno, faz uma clara distin&ccedil;&atilde;o entre o uso da for&ccedil;a militar dentro das suas fronteiras territoriais, onde a considera geralmente legitimada, o uso da for&ccedil;a nas zonas fronteiri&ccedil;as, onde igualmente recorre ao instrumento da for&ccedil;a militar e a aplica&ccedil;&atilde;o da for&ccedil;a militar para a resolu&ccedil;&atilde;o de conflitos internacionais, onde a R&uacute;ssia soberanista tende a opor-se, ou quando muito a abster-se de uma pol&iacute;tica que legitime aquilo que Moscovo considera ser uma inger&ecirc;ncia nos assuntos internos de pa&iacute;ses soberanos. Moscovo n&atilde;o v&ecirc; por isso como problem&aacute;tico o recurso &agrave; for&ccedil;a militar para suprimir as reivindica&ccedil;&otilde;es independentistas na Tchetch&eacute;nia, tendo em 1996 e 1999 travado duas guerras contra rebeldes tchetchenos, sem que estas ac&ccedil;&otilde;es, no entanto, tenham pacificado esta regi&atilde;o separatista da R&uacute;ssia. Mais recentemente, a R&uacute;ssia e a Ge&oacute;rgia envolveram-se numa guerra, que durou cinco dias, em Agosto de 2008, quando Moscovo apoiou militarmente as pretens&otilde;es da Abc&aacute;sia e da Oss&eacute;tia do Sul, duas rep&uacute;blicas separatistas da Ge&oacute;rgia, e Tiblissi respondeu atrav&eacute;s do uso da for&ccedil;a.</p>     <p>O governo de grande coliga&ccedil;&atilde;o alem&atilde;o reagiu de forma contida &agrave; posi&ccedil;&atilde;o russa face &agrave;s rep&uacute;blicas separatistas da Oss&eacute;tia do Sul. A postura alem&atilde; perante a invas&atilde;o russa da Ge&oacute;rgia demonstrou alguma resist&ecirc;ncia a uma condena&ccedil;&atilde;o perempt&oacute;ria de Moscovo. A resposta foi lenta e mais evasiva do que Washington gostaria. E, depois da crise, o ministro dos Neg&oacute;cios Estrangeiros alem&atilde;o pressionou no sentido de rapidamente serem restauradas as rela&ccedil;&otilde;es no Conselho NATO-R&uacute;ssia. Na l&oacute;gica da chamada <i>Russlandpolitik<a name="top48"></a></i><sup><a href="#48">48</a></sup> a ideia de isolamento da R&uacute;ssia que poderia advir como consequ&ecirc;ncia desta interven&ccedil;&atilde;o foi amplamente combatida por Berlim. Apesar de este epis&oacute;dio ser considerado por alguns como um &laquo;momento definidor&raquo; do relacionamento entre a R&uacute;ssia e o Ocidente, o Ocidente n&atilde;o foi claro na sua condena&ccedil;&atilde;o de uma das partes, o que levanta a quest&atilde;o da coincid&ecirc;ncia ou n&atilde;o entre os princ&iacute;pios defendidos e as ac&ccedil;&otilde;es tomadas.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>SEGURAN&Ccedil;A EUROPEIA E TRANSATL&Acirc;NTICA</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Desde o final da Guerra Fria, a Alemanha e os Estados Unidos trabalharam juntos para institucionalizar uma nova parceria estrat&eacute;gica entre a R&uacute;ssia e a NATO, que se tornou realidade com a cria&ccedil;&atilde;o do Conselho Permanente NATO-R&uacute;ssia, em Maio de 1997. A Alemanha queria assegurar que a R&uacute;ssia n&atilde;o seria exclu&iacute;da da arquitectura de seguran&ccedil;a europeia, e os Estados Unidos sabiam que, at&eacute; por essa raz&atilde;o, tinham de criar uma rela&ccedil;&atilde;o institucionalizada com a R&uacute;ssia.</p>     <p>A Alemanha tornou-se o maior patrocinador da R&uacute;ssia no Conselho da NATO e na UE. Enfatizando a obriga&ccedil;&atilde;o ocidental para com a R&uacute;ssia, a Alemanha pressionou para que a expans&atilde;o da NATO &agrave; Europa de Leste fosse acompanhada de acordos especiais de parceria entre a Alian&ccedil;a e a R&uacute;ssia. Contudo, o seu envolvimento no Leste n&atilde;o deve ser feito &agrave; custa das exig&ecirc;ncias de integra&ccedil;&atilde;o na Europa Ocidental. </p>     <p>&Eacute; precisamente no que se refere &agrave; seguran&ccedil;a europeia e transatl&acirc;ntica, que a triangularidade entre a Alemanha, a R&uacute;ssia e os Estados Unidos mais se evidencia. Se, por um lado, os Estados Unidos se comprometeram, desde o final da II Guerra Mundial, em tornar-se uma &laquo;pot&ecirc;ncia europeia&raquo; para garantir a paz em grande parte do continente europeu, o papel da R&uacute;ssia nessa estabilidade europeia &eacute; menos claro. Persiste uma desconfian&ccedil;a entre ambos os lados quanto aos envolvimentos m&uacute;tuos nas quest&otilde;es securit&aacute;rias: a R&uacute;ssia desconfia de Washington por considerar, vinte anos ap&oacute;s o fim da Guerra Fria, que os Estados Unidos poder&atilde;o ter inten&ccedil;&otilde;es ofensivas relativamente &agrave; R&uacute;ssia, e que todo o processo de alargamento da NATO foi feito nesse sentido; os Estados Unidos, por seu turno, desconfiam de Moscovo, por considerarem que o envolvimento russo em quest&otilde;es de seguran&ccedil;a europeia &eacute; continuamente feito com o prop&oacute;sito de afastar os Estados Unidos do continente europeu, numa tentativa permanente de <i>decoupling</i> pol&iacute;tico e militar, num enfraquecimento da Alian&ccedil;a Atl&acirc;ntica, e de afirma&ccedil;&atilde;o do poder russo sobre a Europa.</p>     <p>A proposta de Medvedev de cria&ccedil;&atilde;o de uma nova arquitectura de seguran&ccedil;a europeia, em Junho de 2008, n&atilde;o encontrou, por isso mesmo, grande reson&acirc;ncia nos estados-membros da NATO. J&aacute; a ideia original da &laquo;casa comum europeia&raquo;, de Vancouver a Vladivostock, lan&ccedil;ada por Gorbachev em meados da d&eacute;cada de 1980, fora ignorada pelos atlanticistas pela desvaloriza&ccedil;&atilde;o da componente transatl&acirc;ntica que tal proposta implicava. Num dos <i>fora</i> anuais mais relevantes na dimens&atilde;o da seguran&ccedil;a no espa&ccedil;o euro-atl&acirc;ntico, a Confer&ecirc;ncia de Seguran&ccedil;a de Munique, o ent&atilde;o presidente Putin criticou, em Fevereiro de 2007, o que via como uma quebra de promessas do Ocidente quanto ao alargamento da NATO:</p>     <blockquote>      <p>&laquo;Parece-me &oacute;bvio que a expans&atilde;o da NATO n&atilde;o tem qualquer rela&ccedil;&atilde;o com a ac&ccedil;&atilde;o militar da Alian&ccedil;a ou com a garantia de seguran&ccedil;a na Europa. Pelo contr&aacute;rio, ela representa uma s&eacute;ria provoca&ccedil;&atilde;o que reduz o n&iacute;vel de confian&ccedil;a m&uacute;tua. E temos o direito de perguntar: quem &eacute; contra essa expans&atilde;o? E o que aconteceu com as garantias que os nossos parceiros ocidentais fizeram depois da dissolu&ccedil;&atilde;o do Pacto de Vars&oacute;via? Onde est&atilde;o essas declara&ccedil;&otilde;es hoje? Ningu&eacute;m sequer se lembra delas. Mas eu permito-me lembrar a esse p&uacute;blico o que foi dito. Gostaria de citar o discurso do Sr. Secret&aacute;rio-Geral da NATO, em Bruxelas, Woerner, em 17 de Maio de 1990. Ele disse, na altura, que “o facto de estarmos prontos para n&atilde;o colocar um ex&eacute;rcito da NATO fora do territ&oacute;rio alem&atilde;o d&aacute; &agrave; Uni&atilde;o Sovi&eacute;tica uma garantia firme” de seguran&ccedil;a. Onde est&atilde;o essas garantias?&raquo;<a name="top49"></a><sup><a href="#49">49</a></sup></p> </blockquote>      <p>Steinmeier, enquanto ministro dos Neg&oacute;cios Estrangeiros alem&atilde;o, escreveu uma carta aberta ao Presidente norte-americano Barack Obama, em Janeiro de 2009, tr&ecirc;s meses antes da realiza&ccedil;&atilde;o da Cimeira de Estrasburgo e Kehl, apelando a uma nova arquitectura de seguran&ccedil;a europeia, incluindo a R&uacute;ssia: &laquo;Devemos pensar em conjunto sobre novas estruturas para a era global, sem esperar que os resultados possam ser alcan&ccedil;ados de um dia para o outro. A NATO adiou por demasiado tempo […] uma discuss&atilde;o honesta sobre o alargamento e as quest&otilde;es do alargamento. Hoje precisamos de um entendimento fundamental sobre o futuro rumo da Alian&ccedil;a&raquo;, para contribuir para &laquo;uma parceria que cobre todo o continente, incluindo a R&uacute;ssia&raquo;<a name="top50"></a><sup><a href="#50">50</a></sup>.</p>     <p>Quando decorreram as conversa&ccedil;&otilde;es para a adop&ccedil;&atilde;o do novo conceito estrat&eacute;gico da Alian&ccedil;a Atl&acirc;ntica, em 2009-2010, a R&uacute;ssia criticou quatro quest&otilde;es no relat&oacute;rio de peritos que Moscovo via como problem&aacute;ticas. Primeiro, aquilo que o Kremlin argumentava ser a pretens&atilde;o da NATO em querer tornar-se uma alian&ccedil;a global. Em segundo, o conte&uacute;do das novas miss&otilde;es de alian&ccedil;a como a seguran&ccedil;a energ&eacute;tica, o combate ao aquecimento global, e a protec&ccedil;&atilde;o de recursos naturais e que Moscovo afirmava n&atilde;o serem t&iacute;picos de uma alian&ccedil;a militar. Em terceiro lugar, a R&uacute;ssia sublinhou a linguagem aparantemente cr&iacute;tica do relat&oacute;rio quanto &agrave; proposta russa de um Tratado de Seguran&ccedil;a Europeu. E, finalmente, </p>     <blockquote>      <p>&laquo;uma &uacute;ltima &aacute;rea de preocupa&ccedil;&atilde;o diz respeito &agrave; reivindica&ccedil;&atilde;o russa sobre a percep&ccedil;&atilde;o da NATO de que tem o direito de empregar a for&ccedil;a, a seu crit&eacute;rio, sem primeiro obter a aprova&ccedil;&atilde;o do Conselho de Seguran&ccedil;a da onu, onde Moscovo goza de poder de veto. Isto levou o representante permanente da R&uacute;ssia na NATO, Dimitri Rogozin, a acusar a alian&ccedil;a por alegadamente ter a “ambi&ccedil;&atilde;o de substituir a onu”, um processo que ele afirmou j&aacute; havia ocorrido durante a guerra de 1999 no Kosovo, quando a NATO decidiu empregar a for&ccedil;a sem a aprova&ccedil;&atilde;o do Conselho de Seguran&ccedil;a. Al&eacute;m de minar a legitimidade das Na&ccedil;&otilde;es Unidas, Rogozin sugeriu que a NATO est&aacute; envolvida numa “cruzada” contra o mundo em desenvolvimento que ter&aacute; repercuss&otilde;es negativas para os europeus em mat&eacute;ria de seguran&ccedil;a&raquo;<sup><a name="top51"></a><a href="#51">51</a></sup>.</p> </blockquote>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Numa confer&ecirc;ncia em Moscovo, em Fevereiro de 2010, Madeleine Albright, reconhecia que o </p>     <blockquote>      <p>&laquo;Conselho NATO-R&uacute;ssia continua a ser um local importante para consultas de seguran&ccedil;a, mas n&atilde;o fornece nenhuma garantia de que a NATO e a R&uacute;ssia v&atilde;o concordar em todos os assuntos. […] Diferen&ccedil;as significativas existem agora entre os pa&iacute;ses da NATO e a R&uacute;ssia em rela&ccedil;&atilde;o ao Tratado sobre For&ccedil;as Convencionais na Europa. Washington e Moscovo ainda n&atilde;o est&atilde;o em pleno acordo sobre a quest&atilde;o de defesa de m&iacute;sseis bal&iacute;sticos. E a R&uacute;ssia tem as suas pr&oacute;prias ideias sobre como criar um quadro global de seguran&ccedil;a para a Europa&raquo;<a name="top52"></a><sup><a href="#52">52</a></sup>.</p> </blockquote>      <p>O Relat&oacute;rio de Peritos, apresentado em Maio de 2010, e a vers&atilde;o final do Conceito Estrat&eacute;gico reafirmaram o princ&iacute;pio que &laquo;a Alian&ccedil;a n&atilde;o representa uma amea&ccedil;a militar para a R&uacute;ssia, nem considera a R&uacute;ssia uma amea&ccedil;a militar para a Alian&ccedil;a&raquo;<a name="top53"></a><sup><a href="#53">53</a></sup>. </p>     <p>Apesar de persistirem d&uacute;vidas em ambos os lados sobre as inten&ccedil;&otilde;es e as pol&iacute;ticas do outro, o novo Conceito Estrat&eacute;gico da Alian&ccedil;a Atl&acirc;ntica assumiu a formula&ccedil;&atilde;o de que &laquo;independentemente das diferen&ccedil;as em temas espec&iacute;ficos, mantemos a convic&ccedil;&atilde;o de que a seguran&ccedil;a da NATO e da R&uacute;ssia est&aacute; interligada e de que uma parceria forte e construtiva assente em confian&ccedil;a m&uacute;tua, transpar&ecirc;ncia e previsibilidade pode melhor servir a nossa seguran&ccedil;a&raquo;<a name="top54"></a><sup><a href="#54">54</a></sup>. S&atilde;o identificadas como &aacute;reas privilegiadas de coopera&ccedil;&atilde;o, a defesa antim&iacute;ssil, o contraterrorismo, o combate ao narcotr&aacute;fico e pirataria, e a promo&ccedil;&atilde;o de seguran&ccedil;a alargada<a name="top55"></a><sup><a href="#55">55</a></sup>. O documento termina sublinhando que a Alian&ccedil;a no s&eacute;culo XXI est&aacute; &laquo;determinada a defender [os seus valores e objectivos] atrav&eacute;s de unidade, solidariedade, for&ccedil;a e resolu&ccedil;&atilde;o&raquo;<sup><a name="top56"></a><a href="#56">56</a></sup>, assumindo um tom menos duro que a formula&ccedil;&atilde;o contida no Relat&oacute;rio de Peritos: &laquo;a Alian&ccedil;a n&atilde;o considera nenhum pa&iacute;s o seu inimigo, no entanto, ningu&eacute;m deve duvidar da capacidade de determina&ccedil;&atilde;o da NATO se a seguran&ccedil;a de um dos seus estados-membros for amea&ccedil;ada.&raquo;<a name="top57"></a><sup><a href="#57">57</a></sup></p>     <p>A Cimeira de Lisboa da Alian&ccedil;a Atl&acirc;ntica e a aprova&ccedil;&atilde;o do novo Conceito Estrat&eacute;gico na sua formula&ccedil;&atilde;o final constitu&iacute;ram um momento fundamental na consolida&ccedil;&atilde;o da melhoria das rela&ccedil;&otilde;es entre a R&uacute;ssia e a NATO, iniciada em in&iacute;cios de 2009. A nova administra&ccedil;&atilde;o Obama propos a <i>reset policy</i>, indicando disponibilidade americana para repensar a proposta de instala&ccedil;&atilde;o de um radar anti-m&iacute;ssil na Rep&uacute;blica Checa e colocar um sistema anti-m&iacute;ssil em solo polaco<a name="top58"></a><sup><a href="#58">58</a></sup>. Da reuni&atilde;o entre a NATO e a R&uacute;ssia, na Cimeira da NATO, em Novembro de 2010, em Lisboa, surgiu o compromisso para o in&iacute;cio de uma rela&ccedil;&atilde;o de coopera&ccedil;&atilde;o no programa de defesa antim&iacute;ssil. De acordo com fontes russas, o futuro da defesa antim&iacute;ssil passa por tr&ecirc;s pontos-chave: acordo quanto ao retomar de conversa&ccedil;&otilde;es sobre esta mat&eacute;ria no seio do Conselho NATO-R&uacute;ssia; revis&atilde;o conjunta de amea&ccedil;as e desafios nesta mat&eacute;ria; e responsabiliza&ccedil;&atilde;o do Grupo de Trabalho sobre defesa antim&iacute;ssil no Conselho para delinear uma proposta de enquadramento desta coopera&ccedil;&atilde;o. Para a R&uacute;ssia &eacute; fundamental que o novo sistema de defesa antim&iacute;ssil n&atilde;o crie novas barreiras divis&oacute;rias no continente<a name="top59"></a><sup><a href="#59">59</a></sup>. Uma preocupa&ccedil;&atilde;o partilhada pela administra&ccedil;&atilde;o Obama<a name="top60"></a><sup><a href="#60">60</a></sup>. </p>     <p>Mais recentemente, na Primavera de 2011, iniciaram-se conversa&ccedil;&otilde;es a n&iacute;vel trilateral entre a Alemanha, a R&uacute;ssia e a Pol&oacute;nia com vista ao refor&ccedil;o da coopera&ccedil;&atilde;o em temas europeus, nomeadamente nas agendas UE-R&uacute;ssia e NATO-R&uacute;ssia, e estando prevista tamb&eacute;m coopera&ccedil;&atilde;o bilateral e trilateral entre estes estados em v&aacute;rios dom&iacute;nios<a name="top61"></a><sup><a href="#61">61</a></sup>. De facto, este novo formato, j&aacute; comparado &agrave;s conversa&ccedil;&otilde;es entre a Pol&oacute;nia, a Alemanha e a Fran&ccedil;a no &acirc;mbito do tri&acirc;ngulo de Weimar, adiciona um novo elemento na rela&ccedil;&atilde;o bilateral Alemanha-R&uacute;ssia, procurando atrav&eacute;s do envolvimento da Pol&oacute;nia demonstrar a relev&acirc;ncia do envolvimento da R&uacute;ssia nas quest&otilde;es europeias, e refor&ccedil;ando o compromisso alem&atilde;o nesta mat&eacute;ria. Nas conversa&ccedil;&otilde;es em Kaliningrado foram abordados dois temas essenciais, nomeadamente a defesa antim&iacute;ssil e, talvez mais relevante, a quest&atilde;o da cria&ccedil;&atilde;o de um Comit&eacute; UE-R&uacute;ssia de Pol&iacute;tica Externa e Seguran&ccedil;a<a name="top62"></a><sup><a href="#62">62</a></sup>. A R&uacute;ssia demonstrou-se dispon&iacute;vel para discutir a quest&atilde;o da Transnistria neste contexto, o que constitui um ponto de partida interessante para o que podem vir a ser as conversa&ccedil;&otilde;es nesta mat&eacute;ria. Simultaneamente, contudo, esta postura de abertura e di&aacute;logo da R&uacute;ssia, e a sua pol&iacute;tica recente de aproxima&ccedil;&atilde;o &agrave; Pol&oacute;nia (bem como a outros estados a leste) sublinha tamb&eacute;m as diverg&ecirc;ncias intra-europeias e as dificuldades que persistem na defini&ccedil;&atilde;o de uma agenda coerente de pol&iacute;tica externa no quadro da UE. Assim, estes s&atilde;o desenvolvimentos a seguir com aten&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>A ALEMANHA, A R&Uacute;SSIA E OS ESTADOS UNIDOS: POL&Iacute;TICA DE &laquo;EQUIDIST&Acirc;NCIA&raquo;?</b></p>     <p>A unifica&ccedil;&atilde;o alem&atilde;, em Outubro de 1990, permitiu desenhar uma nova Europa, onde a Alemanha se foi posicionando como pilar central do processo de constru&ccedil;&atilde;o europeu com o aumento da capacidade de projec&ccedil;&atilde;o de poder alem&atilde;o. A centralidade da Alemanha na nova Europa foi refor&ccedil;ada por uma abordagem continental e inclusiva, em que a R&uacute;ssia &eacute; assumida como um parceiro relevante nas rela&ccedil;&otilde;es externas, quer num quadro bilateral, quer no quadro das rela&ccedil;&otilde;es da UE com terceiros. Esta orienta&ccedil;&atilde;o de pol&iacute;tica alem&atilde; implicou um peso diferenciado na dimens&atilde;o transatl&acirc;ntica, claramente relevante, mas assumindo um peso relativo de menor relev&acirc;ncia. Evid&ecirc;ncia desta diferencia&ccedil;&atilde;o encontra-se na postura fracturante da Alemanha, e tamb&eacute;m da R&uacute;ssia, face &agrave; interven&ccedil;&atilde;o norte-americana no Iraque em 2003, bem como na postura reservada e, de certo modo, contida, da Alemanha face &agrave; interven&ccedil;&atilde;o russa na Ge&oacute;rgia (Ver&atilde;o de 2008), especialmente quando comparada com a reac&ccedil;&atilde;o de Washington, e, mais recentemente, na postura de absten&ccedil;&atilde;o da Alemanha aquando do voto no Conselho de Seguran&ccedil;a das Na&ccedil;&otilde;es Unidas, sobre a interven&ccedil;&atilde;o militar da Alian&ccedil;a Atl&acirc;ntica na L&iacute;bia, em Mar&ccedil;o de 2011. Por outras palavras, a pol&iacute;tica transatl&acirc;ntica da Alemanha permanece assente numa rela&ccedil;&atilde;o de alian&ccedil;a, mas define-se atrav&eacute;s de acentos alem&atilde;es, principalmente no que se refere &agrave; posi&ccedil;&atilde;o de Berlim face &agrave; R&uacute;ssia e &agrave; Turquia.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A Alemanha manteve uma postura equilibrada entre a vertente continental e a vertente atlantista da sua pol&iacute;tica externa, e apesar da unifica&ccedil;&atilde;o alem&atilde; e do final da Guerra Fria apontarem para uma poss&iacute;vel recentragem da rela&ccedil;&atilde;o com os Estados Unidos, de facto a Alemanha assumiu o seu papel de grande pot&ecirc;ncia na Europa, agora menos perif&eacute;rica e sempre reconhecendo a R&uacute;ssia como um parceiro essencial na sua &aacute;rea de vizinhan&ccedil;a. Os planos de constru&ccedil;&atilde;o do Nordstream, que de alguma forma tornam pa&iacute;ses como as rep&uacute;blicas do B&aacute;ltico e a Pol&oacute;nia mais vulner&aacute;veis face &agrave; R&uacute;ssia; o posicionamento desfavor&aacute;vel &agrave; apresenta&ccedil;&atilde;o do Plano de Ac&ccedil;&atilde;o para a Ades&atilde;o (MAP) da Ucr&acirc;nia e da Ge&oacute;rgia &agrave; NATO (Cimeira de Bucareste de 2008), e a discord&acirc;ncia com o projecto de defesa antim&iacute;ssil s&atilde;o exemplos de &aacute;reas de discord&acirc;ncia entre Berlim e Washington, e onde o alinhamento germano-russo &eacute; claro. No espectro pol&iacute;tico alem&atilde;o o sentimento &eacute; quase un&acirc;nime, apesar de os democratas-crist&atilde;os tenderem a ser mais cr&iacute;ticos em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; R&uacute;ssia do que os sociais-democratas. O sentimento de inseguran&ccedil;a na R&uacute;ssia, fruto destes desenvolvimentos, pode ser contraproducente, permitindo ac&ccedil;&otilde;es err&aacute;ticas por parte das autoridades russas<sup><a name="top63"></a><a href="#63">63</a></sup>. </p>     <p>A pol&iacute;tica de &laquo;equidist&acirc;ncia&raquo; ganha visibilidade na Alemanha, procurando um equil&iacute;brio nas rela&ccedil;&otilde;es da Alemanha com a R&uacute;ssia e com os Estados Unidos, o que n&atilde;o se tem revelado simples. O social-democrata Martin Schulz comenta que &laquo;equidist&acirc;ncia significa mesma dist&acirc;ncia. Preferiria a express&atilde;o mesma proximidade&raquo;<a name="top64"></a><sup><a href="#64">64</a></sup>. A percep&ccedil;&atilde;o sobre a R&uacute;ssia p&oacute;s-sovi&eacute;tica nos Estados Unidos e na Alemanha foi diferenciada: para os primeiros significou uma perda de estatuto, para a segunda um regresso ao estatuto de grande pot&ecirc;ncia pr&eacute;-sovi&eacute;tico<a name="top65"></a><sup><a href="#65">65</a></sup>. </p>     <p>Esta pol&iacute;tica de proximidade tem implica&ccedil;&otilde;es claras nas leituras das pol&iacute;ticas e das ac&ccedil;&otilde;es. A traject&oacute;ria de maior coopera&ccedil;&atilde;o e proximidade bilateral na rela&ccedil;&atilde;o entre a Alemanha e a R&uacute;ssia n&atilde;o deixa de manter subjacente a preocupa&ccedil;&atilde;o alem&atilde; de que esta proximidade n&atilde;o seja lida como uma op&ccedil;&atilde;o que contraria os interesses e posicionamento da Alemanha na Europa; e, por seu turno, a R&uacute;ssia valoriza esta mesma rela&ccedil;&atilde;o, procurando mesmo fortalec&ecirc;-la atrav&eacute;s do envolvimento de outros estados-membros da UE que lhe est&atilde;o geograficamente pr&oacute;ximos, como referido no caso da Pol&oacute;nia, mas retirando daqui um duplo benef&iacute;cio, de algum modo contradit&oacute;rio: uma maior proximidade &agrave; UE e a tentativa de aumentar a sua influ&ecirc;ncia neste quadro multilateral, enquanto refor&ccedil;ando a quest&atilde;o da divis&atilde;o e da falta de coer&ecirc;ncia interna na UE. Esta leitura tem claramente consequ&ecirc;ncias para a pol&iacute;tica europeia, particularmente em termos do desenvolviemtno da pol&iacute;tica de seguran&ccedil;a e defesa, e eventualmente para as rela&ccedil;&otilde;es transatl&acirc;nticas, ao for&ccedil;ar tomadas de posi&ccedil;&atilde;o que podem contrariar interesses estrat&eacute;gicos existentes.</p>     <p>As elei&ccedil;&otilde;es parlamentares em Dezembro de 2011 e, mais decisivamente, as elei&ccedil;&otilde;es presidenciais de Mar&ccedil;o de 2012, poder&atilde;o significar <i>more of the same</i> da posi&ccedil;&atilde;o russa. Assim, e apesar da recente melhoria do clima entre a R&uacute;ssia e o Ocidente, este n&atilde;o dever&aacute; identificar a evolu&ccedil;&atilde;o da pol&iacute;tica russa como assente numa traject&oacute;ria meramente progressiva e unidireccional a caminho da democracia e do Estado de direito. Apesar do progresso no nosso suposto mundo europeu p&oacute;s-moderno e p&oacute;s-soberano, a R&uacute;ssia ainda pensa e age em termos vestefalianos, o que se verifica nas pol&iacute;ticas que tem seguido no seu &laquo;exterior pr&oacute;ximo&raquo;, onde o C&aacute;ucaso constitui um exemplo significativo. Apesar da pol&iacute;tica de reaproxima&ccedil;&atilde;o, as rela&ccedil;&otilde;es entre a Alemanha e a R&uacute;ssia e entre o Ocidente e a R&uacute;ssia permanecer&atilde;o definidas por uma ambival&ecirc;ncia constante, marcada ora por momentos de reaproxima&ccedil;&atilde;o, ora por momentos de fric&ccedil;&atilde;o, que ora travam ora impedem momentos de evolu&ccedil;&atilde;o. A relev&acirc;ncia da rela&ccedil;&atilde;o bilateral persistir&aacute;, at&eacute; porque a forma como a Alemanha opta por relacionar-se com a R&uacute;ssia ter&aacute; sempre implica&ccedil;&otilde;es na forma como os parceiros europeus e os Estados Unidos ir&atilde;o definir as suas rela&ccedil;&otilde;es com a R&uacute;ssia<a name="top66"></a><sup><a href="#66">66</a></sup>. </p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>NOTAS</b></p>     <!-- ref --><p><sup><a name="1"></a><a href="#top1">1</a></sup> CHIVVIS, Christopher, e RID, Thomas – &laquo;The roots of Germany’s Russian policy&raquo;. In <i>Survival</i>. Vol. 51, N.&ordm; 2, 2009, p. 116.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000120&pid=S1645-9199201100040000900001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p><sup><a name="2"></a><a href="#top2">2</a></sup> Cf. PIPES, Richard – <i>Russia under the Bolshevik Regime</i>. Londres: Harper Collins, 1995, pp. 423-435.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000122&pid=S1645-9199201100040000900002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p><sup><a name="3"></a><a href="#top3">3</a></sup> PLESSNER, Helmut – <i>Die versp&auml;tete Nation. &Uuml;ber die politische Verf&uuml;hrbarkeit b&uuml;rgerlichen Geistes</i>, Frankfurt am Main: Suhrkamp, 1974.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000124&pid=S1645-9199201100040000900003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p><sup><a name="4"></a><a href="#top4">4</a></sup> A Uni&atilde;o Sovi&eacute;tica teria preferido que as duas Alemanhas, constitu&iacute;das em 1949, se tivessem unificado e a Alemanha assumido um estatuto de neutralidade militar no Centro da Europa. Foi este o prop&oacute;sito das chamadas &laquo;notas de Estaline&raquo; de 1952, dirigidas ao Governo da RFA, dos Estados Unidos, da Gr&atilde;-Bretanha e da Fran&ccedil;a. Nelas o l&iacute;der sovi&eacute;tico propunha um tratado de paz que inclu&iacute;sse as duas Alemanhas e que invalidasse, dessa forma, a inser&ccedil;&atilde;o da RFA nas estruturas de seguran&ccedil;a e defesa ocidentais, como a Comunidade Europeia de Defesa, cuja cria&ccedil;&atilde;o estava a ser discutida nessa altura. O chanceler Konrad Adenauer recusou, e s&oacute; depois da inser&ccedil;&atilde;o da RFA na NATO, pelos Acordos de Paris de Outubro de 1954, &eacute; que, em visita a Moscovo, em Setembro de 1955, Adenauer assina rela&ccedil;&otilde;es diplom&aacute;ticas com Moscovo. Cf. HANRIEDER, Wolfram F. – <i>Germany, America, Europe. Forty Years of German Foreign Policy</i>. Londres: Yale University Press, 1989, pp. 141-169.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000126&pid=S1645-9199201100040000900004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p><sup><a name="5"></a><a href="#top5">5</a></sup> TIMMINS, Graham – &laquo;German Ostpolitik under the red-green coalition and EU-Russian relations&raquo;. In <i>Journal of Contemporary Central and Eastern Europe</i>. Vol. 14, N.&ordm; 3, 2006, p. 303.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000128&pid=S1645-9199201100040000900005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p><sup><a name="6"></a><a href="#top6">6</a></sup> O tratado que estabelece a resolu&ccedil;&atilde;o definitiva da quest&atilde;o alem&atilde; &eacute; assinado em Moscovo, a 12 de Setembro. Embora seja um Estado plenamente soberano, a Alemanha aceita o limite imposto aos seus efectivos militares e aceita renunciar &agrave;s armas nucleares. Foi reafirmado o compromisso de 1954 de n&atilde;o aquisi&ccedil;&atilde;o de armas nucleares, e a Alemanha Ocidental comprometeu-se a reduzir as for&ccedil;as militares de uma Alemanha unida em 40 por cento; nenhumas for&ccedil;as da NATO seriam estacionadas na Alemanha de Leste; a Alemanha renunciava a todas as reivindica&ccedil;&otilde;es territoriais sobre a Pol&oacute;nia e a R&uacute;ssia sovi&eacute;tica; apoiava a retirada sovi&eacute;tica com apoio monet&aacute;rio; e, finalmente, foi assinado um tratado entre Gorbachev e Kohl numa reuni&atilde;o em Stavropol (16 de Julho de 1990) que formalizou uma coopera&ccedil;&atilde;o futura, contactos regulares e gest&atilde;o de crises conjunta. A Uni&atilde;o Sovi&eacute;tica reconhece o car&aacute;cter inelut&aacute;vel da unifica&ccedil;&atilde;o (Janeiro de 1990) mas, numa primeira fase (12 de Fevereiro), rejeita a perman&ecirc;ncia na NATO de uma Alemanha unida. A 16 de Julho, com a assinatura do acordo do C&aacute;ucaso, a situa&ccedil;&atilde;o altera-se e Gorbachev aceita que a Alemanha continue na NATO, pondo como condi&ccedil;&atilde;o que o n&uacute;mero m&aacute;ximo de efectivos do futuro Ex&eacute;rcito alem&atilde;o seja de 370 mil homens e que o financiamento para a retirada dos soldados sovi&eacute;ticos da ex-RDA seja feito antes do final de 1994. Est&aacute; aberto o caminho para a unifica&ccedil;&atilde;o, que se concretiza a 3 de Outubro de 1990. Os &uacute;ltimos soldados russos saem de Berlim a 31 de Agosto de 1994 e as tropas ocidentais a 8 de Setembro. Surge uma nova grande pot&ecirc;ncia, a Alemanha, com 80 milh&otilde;es de habitantes e uma localiza&ccedil;&atilde;o geoestrat&eacute;gica central, no cora&ccedil;&atilde;o da Europa. </p>     <!-- ref --><p><sup><a name="7"></a><a href="#top7">7</a></sup> STENT, Angela – <i>Russia and Germany Reborn: Unification, Soviet Collapse, and the New Europe</i>. Princeton: Princeton University Press, 1999, p. 75.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000131&pid=S1645-9199201100040000900006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><sup><a name="8"></a><a href="#top8">8</a></sup> FREIRE, Maria Raquel – &laquo;Federa&ccedil;&atilde;o Russa&raquo;. In Freire, Maria Raquel (org.) – <i>Pol&iacute;tica Externa: As Rela&ccedil;&otilde;es Internacionais em Mudan&ccedil;a</i>. Coimbra: Imprensa da Universidade de Coimbra, 2011.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000133&pid=S1645-9199201100040000900007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p><sup><a name="9"></a><a href="#top9">9</a></sup> A CSCE foi renomeada Organiza&ccedil;&atilde;o para a Seguran&ccedil;a e Coopera&ccedil;&atilde;o na Europa (OSCE) com efeito a partir de 1 de Janeiro de 1995.</p>     <!-- ref --><p><sup><a name="10"></a><a href="#top10">10</a></sup> TIMMINS, Graham – &laquo;German Ostpolitik under the red-green coalition and EU-Russian relations&raquo;, p. 304.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000136&pid=S1645-9199201100040000900008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p><sup><a name="11"></a><a href="#top11">11</a></sup> <i>Ibidem</i>, p. 302.</p>     <!-- ref --><p><sup><a name="12" id="12"></a><a href="#top12">12</a></sup> Para uma an&aacute;lise pormenorizada sobre o processo de unifica&ccedil;&atilde;o alem&atilde; cf. DAEHNHARDT, Patricia – &laquo;O fim da Guerra Fria e a unifica&ccedil;&atilde;o alem&atilde;&raquo;. In <i>Rela&ccedil;&otilde;es Internacionais</i>. N.&ordm; 23, 2009, pp. 39-51.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000139&pid=S1645-9199201100040000900009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p><sup><a name="13"></a><a href="#top13">13</a></sup> Sobre a evolu&ccedil;&atilde;o do percurso externo da RFA/Alemanha, cf. DAEHNHARDT, Patricia. In FREIRE, Maria Raquel (org.) – <i>Pol&iacute;tica Externa: As Rela&ccedil;&otilde;es Internacionais em Mudan&ccedil;a</i>.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000141&pid=S1645-9199201100040000900010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><sup><a name="14"></a><a href="#top14">14</a></sup> O conceito de &laquo;democracia soberana&raquo;, defendido por Putin, demonstra bem como a elite  pol&iacute;tica tenta conciliar elementos da ideologia democr&aacute;tica e como &eacute; vivida por v&aacute;rios pa&iacute;ses ocidentais, e o entendimento de uma vers&atilde;o russa  dessa ideologia pol&iacute;tica. Cf. KRASTEV, Ivan – &laquo;“Sovereign democracy”, Russian-style&raquo;. In <i>OpenDemocracy</i>, 16 de Novembro de 2006.  Dispon&iacute;vel em:  <a href="http://www.opendemocracy.net/globalization-institutions_government/sovereign_democracy_4104.jsp" target="_blank">http://www.opendemocracy.net/globalization-institutions_government/sovereign_democracy_4104.jsp</a></p>     <!-- ref --><p><sup><a name="15"></a><a href="#top15">15</a></sup> Para maior detalhe cf. FREIRE, Maria Raquel – &laquo;Russian politics toward Central Asia: supporting, balancing, coercing or imposing?&raquo;. In <i>Asian Perspective</i>. Vol. 33, N.&ordm; 2, 2009, pp. 125-149.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000144&pid=S1645-9199201100040000900011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p><sup><a name="16"></a><a href="#top16">16</a></sup> Conceito de Pol&iacute;tica Externa da Federa&ccedil;&atilde;o Russa, 2000. Aprovado pelo Presidente da Federa&ccedil;&atilde;o  Russa, V. Putin, a 28 de Junho. Dispon&iacute;vel em:  <a href="http://www.fas.org/nuke/guide/russia/doctrine/econcept.htm" target="_blank">http://www.fas.org/nuke/guide/russia/doctrine/econcept.htm</a>, em ingl&ecirc;s.</p>     <!-- ref --><p><sup><a name="17"></a><a href="#top17">17</a></sup> KAGAN, Robert – &laquo;New Europe, old Russia&raquo;. In <i>Washington Post</i>, 6 de Fevereiro de 2008.  Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.washingtonpost.com/wp-dyn/content/article/2008/02/05/AR2008020502879.html" target="_blank">http://www.washingtonpost.com/wp-dyn/content/article/2008/02/05/AR2008020502879.html</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000147&pid=S1645-9199201100040000900012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p><sup><a name="18"></a><a href="#top18">18</a></sup> O Conselho de Seguran&ccedil;a aprovou, atrav&eacute;s da Resolu&ccedil;&atilde;o 1973, em 17 de Mar&ccedil;o de 2011, uma &laquo;zona de exclus&atilde;o a&eacute;rea&raquo; sobre a L&iacute;bia, autorizando &laquo;todas as medidas necess&aacute;rias&raquo; para a protec&ccedil;&atilde;o de civis. Dos 15 membros do CSNU, dez votaram a favor, e cinco, nomeadamente a Alemanha, a Federa&ccedil;&atilde;o Russa, a China, a &Iacute;ndia e o Brasil abstiveram-se.</p>     <!-- ref --><p><sup><a name="19"></a><a href="#top19">19</a></sup> HABERMAS, J&uuml;rgen – &laquo;Wir brauchen Europa! Die neue Hartleibigkeit: Ist uns die gemeinsame  Zukunft schon gleichg&uuml;ltig geworden?&raquo;. In <i>Die Zeit</i>, 20 de Maio de 2010. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.zeit.de/2010/21/Europa-Habermas" target="_blank">http://www.zeit.de/2010/21/Europa-Habermas</a>.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000149&pid=S1645-9199201100040000900013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> Tradu&ccedil;&atilde;o livre.</p>     <!-- ref --><p><sup><a name="20"></a><a href="#top20">20</a></sup> WALLANDER, Celeste A. – <i>Mortal Friends, Best Enemies: German-Russian Cooperation after the Cold War</i>. Nova Yok: Cornell University, 1999, p. 41.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000151&pid=S1645-9199201100040000900014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><sup><a name="21"></a><a href="#top21">21</a></sup> Uma investiga&ccedil;&atilde;o conduzida pelo Institut f&uuml;r Demoskopie em Allensbach concluiu que apenas cinco por cento dos alem&atilde;es v&ecirc; a R&uacute;ssia como &laquo;hostil&raquo;, e apenas dois por cento dos russos v&ecirc;em a Alemanha como hostil. Cf. CHIVVIS, Christopher, e RID, Thomas – &laquo;The roots of Germany’s Russian policy&raquo;. In <i>Survival</i>., p. 118.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000153&pid=S1645-9199201100040000900015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p><sup><a name="22"></a><a href="#top22">22</a></sup> ERB, Scott – <i>German Foreign Policy: Navigating a New Era</i>, Boulder: Lynne Rienner Publishers, 2003, p. 187.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000155&pid=S1645-9199201100040000900016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p><sup><a name="23"></a><a href="#top23">23</a></sup> R&Uuml;HE, Volker – &laquo;Europe and the Alliance: key factors for peace and stability&raquo;. In  <i>NATO Review</i>. Vol. 41, N.&ordm; 3, 1993, pp. 12-15,    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000157&pid=S1645-9199201100040000900017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --> e R&Uuml;HE, Volker – &laquo;Shaping Euro-Atlantic policies: a grand strategy for a new era&raquo;.  In <i>Survival</i>. Vol. 35, N.&ordm; 2, 1993, pp. 129-137.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000158&pid=S1645-9199201100040000900018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --> Ver tamb&eacute;m – &laquo;Ewiger Frieden&raquo;. <i>Der Spiegel</i>, N.&ordm; 40, 3 de Outubro de 1994, pp.  36-37. Dispon&iacute;vel em:  <a href="http://www.spiegel.de/spiegel/print/d-13683212.html" target="_blank">http://www.spiegel.de/spiegel/print/d-13683212.html</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000159&pid=S1645-9199201100040000900019&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><sup><a name="24"></a><a href="#top24">24</a></sup> Evgueni Primakov citado em G&Uuml;NSCHE, Karl-Ludwig – &laquo;Wie sich Russland die Nato-Osterweiterung  vorstellt&raquo;. In <i>Die Welt</i>, 1 de Abril de 1997. Dispon&iacute;vel em:  <a href="http://www.welt.de/print-welt/article635656/Wie_sich_Russland_die_Nato_Osterweiterung_vorstellt.html" target="_blank">http://www.welt.de/print-welt/article635656/Wie_sich_Russland_die_Nato_Osterweiterung_vorstellt.html</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000160&pid=S1645-9199201100040000900020&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><sup><a name="25"></a><a href="#top25">25</a></sup> TIMMINS, Graham – &laquo;German Ostpolitik under the red-green coalition and EU-Russian relations&raquo;, p. 301.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000161&pid=S1645-9199201100040000900021&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><sup><a name="26"></a><a href="#top26">26</a></sup> Discurso de Gerhard Schr&ouml;der perante o Bundestag, 13 de Setembro de 2002. <i>Plenarprotokoll</i> 14/253, 13 de Setembro de 2002.</p>     <!-- ref --><p><sup><a name="27"></a><a href="#top27">27</a></sup> &laquo;Russia opens Afghan transit route for NATO’s Germany&raquo;. In <i>Eurasianet</i>, 20 de Novembro  de 2008. Dispon&iacute;vel em:  <a href="http://www.eurasianet.org/departments/insightb/articles/pp112108.shtml" target="_blank">http://www.eurasianet.org/departments/insightb/articles/pp112108.shtml</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000164&pid=S1645-9199201100040000900022&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><sup><a name="28"></a><a href="#top28">28</a></sup> Citado por TIMMINS, Graham – &laquo;German Ostpolitik Under the Red-Green Coalition and EU-Russian Relations&raquo;, p. 303.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000165&pid=S1645-9199201100040000900023&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p><sup><a name="29"></a><a href="#top29">29</a></sup> Entrevista do chanceler Schr&ouml;der ao <i>Der Stern</i>, 9 de Agosto de 2001.</p>     <!-- ref --><p><sup><a name="30"></a><a href="#top30">30</a></sup> RAHR, Alexander – &laquo;Germany and Russia: a special relationship&raquo;. In <i>The Washington Quarterly</i>. Vol. 30, N.&ordm; 2, p. 142.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000168&pid=S1645-9199201100040000900024&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p><sup><a name="31"></a><a href="#top31">31</a></sup> LEONARD, Mark, e POPESCU, Nicu – &laquo;A power audit of EU-Russia relations&raquo;. In <i>Policy Paper</i>, European Council on Foreign Relations, 2007, p. 32.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000170&pid=S1645-9199201100040000900025&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p><sup><a name="32"></a><a href="#top32">32</a></sup> <i>Ibidem</i>, p. 52.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><sup><a name="33"></a><a href="#top33">33</a></sup> Fyodor Lukyanov citado em LEONARD, Mark, e POPESCU, Nicu – &laquo;A power audit of EU-Russia relations&raquo;, p. 53.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000173&pid=S1645-9199201100040000900026&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p><sup><a name="34"></a><a href="#top34">34</a></sup> Um dos objectivos da presid&ecirc;ncia alem&atilde; da Uni&atilde;o Europeia na primeira metade de 2007 foi o  fortalecimento da parceria estrat&eacute;gica entre a UE e a R&uacute;ssia. O ministro dos Neg&oacute;cios Estrangeiros alem&atilde;o, Frank-Walter Steinmeier, tentou  impulsionar uma nova <i>Ostpolitik</i> defendendo que, para que possa existir uma ordem de paz europeia e estabilidade nas fronteiras da UE, era  necess&aacute;ria a participa&ccedil;&atilde;o da R&uacute;ssia, e um refor&ccedil;o do relacionamento entre a UE e a R&uacute;ssia. Steinmeier, que havia colaborado proximamente com  Schr&ouml;der, esteve envolvido na elabora&ccedil;&atilde;o do documento relativo aos Quatro Espa&ccedil;os Comuns (EU-Russia Common Spaces, European Union External Action.  Dispon&iacute;vel em:  <a href="http://www.eeas.europa.eu/russia/common_spaces/index_en.htm" target="_blank">http://www.eeas.europa.eu/russia/common_spaces/index_en.htm</a>), e que dado o impasse na renegocia&ccedil;&atilde;o do novo acordo que vai substituir o APC, se tornou um documento de refer&ecirc;ncia nas rela&ccedil;&otilde;es UE-R&uacute;ssia. Steinmeier considerava que uma alian&ccedil;a estrat&eacute;gica entre a R&uacute;ssia e a Alemanha era essencial; a tentativa de estabelecimento de liga&ccedil;&otilde;es mais fortes no espa&ccedil;o p&oacute;s-sovi&eacute;tico demonstra as liga&ccedil;&otilde;es que a Alemanha pretende desenvolver com a &aacute;rea numa l&oacute;gica de estabiliza&ccedil;&atilde;o e coopera&ccedil;&atilde;o econ&oacute;mica, essencialmente a n&iacute;vel energ&eacute;tico. Por outro lado, tamb&eacute;m a postura de Merkel se alterou em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; R&uacute;ssia, ap&oacute;s 2009, e o segundo governo que lidera, em coliga&ccedil;&atilde;o com o Partido Liberal Democrata (FDP), mais orientado para os neg&oacute;cios, atribui &agrave; dimens&atilde;o econ&oacute;mica e energ&eacute;tica um lugar especial na rela&ccedil;&atilde;o bilateral.</p>     <p><sup><a name="35"></a><a href="#top35">35</a></sup> Memorando de Meseberg, <i>Meeting of Chancellor &Acirc;ngela Merkel and President Dmitri Medvedev  on 4-5 June 2010 in Meseberg</i>. Dispon&iacute;vel em:  <a href="http://www.russianmission.eu/sites/default/files/user/files/2010-06-05-meseberg-memorandum.pdf" target="_blank">http://www.russianmission.eu/sites/default/files/user/files/2010-06-05-meseberg-memorandum.pdf</a></p>     <p><sup><a name="36"></a><a href="#top36">36</a></sup> <i>Partnership &amp; Co-operation Agreement between the EU and Russia</i>, 1 de Dezembro de  1997. Dispon&iacute;vel em:  <a href="http://ec.europa.eu/external_relations/ceeca/pca/index.htm" target="_blank">http://ec.europa.eu/external_relations/ceeca/pca/index.htm</a></p>     <p><sup><a name="37"></a><a href="#top37">37</a></sup> Em Junho de 2007, entrou em vigor um acordo de facilita&ccedil;&atilde;o de vistos entre a UE e a R&uacute;ssia, reduzindo procedimentos burocr&aacute;ticos, bem como a readmiss&atilde;o de emigrantes ilegais. </p>     <!-- ref --><p><sup><a name="38"></a><a href="#top38">38</a></sup> TRENIN, Dmitry – &laquo;Russia redefines itself and its relations with the west&raquo;. In <i>The Washington Quarterly</i>. Vol. 30, N.&ordm; 2, 2007, p. 98.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000179&pid=S1645-9199201100040000900027&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p><sup><a name="39"></a><a href="#top39">39</a></sup> Esta sec&ccedil;&atilde;o centrar-se-&aacute; nas quest&otilde;es energ&eacute;ticas, n&atilde;o detalhando as rela&ccedil;&otilde;es comerciais entre a R&uacute;ssia e a Alemanha.</p>     <p><sup><a name="40"></a><a href="#top40">40</a></sup> German Federal Ministry of Economics and Technology, Foreign Trade Statistics, dispon&iacute;vel  em:  <a href="http://www.german-business-portal.info/GBP/Navigation/en/Business-Location/foreign-trade-statistics.html" target="_blank">http://www.german-business-portal.info/GBP/Navigation/en/Business-Location/foreign-trade-statistics.html</a></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><sup><a name="41"></a><a href="#top41">41</a></sup> De acordo com os resultados publicados pela <i>Russia Business Directory</i> “1 Q 2007”,  a Alemanha permanece o principal parceiro da Russia na UE (9,7 por cento), seguida dos Pa&iacute;ses Baixos (8,2 por cento) e da It&aacute;lia (6,9 por cento).  &laquo;Russia Business Directory&raquo;. Dispon&iacute;vel em:  <a href="http://www.nrcc.no/rusbedin/database_foreigntrade.html" target="_blank">http://www.nrcc.no/rusbedin/database_foreigntrade.html</a></p>     <p><sup><a name="42"></a><a href="#top42">42</a></sup> RAPIER, Robert – &laquo;Leaked German military study warns of peak oil crisis&raquo;. In  <i>OilPrice.com</i>, 3 de Setembro de 2010. Dispon&iacute;vel em:  <a href="http://oilprice.com/Energy/Crude-Oil/Leaked-German-Military-Study-Warns-of-Peak-Oil-Crisis.html" target="_blank">http://oilprice.com/Energy/Crude-Oil/Leaked-German-Military-Study-Warns-of-Peak-Oil-Crisis.html</a></p>     <p><sup><a name="43"></a><a href="#top43">43</a></sup> O Memorando de Entendimento sobre o Gasoduto da Europa do Norte (Nordstream) foi assinado entre Putin e Schr&ouml;der a 8 de Setembro de 2005.</p>     <p><sup><a name="44" id="44"></a><a href="#top44">44</a></sup> A constru&ccedil;&atilde;o do gasoduto Nordstream foi iniciada em Abril de 2010, ter&aacute; cerca de 1220 quil&oacute;metros e prev&ecirc;-se um ano at&eacute; &agrave; entrada em funcionamento desta primeira etapa. A cr&iacute;tica &agrave; Alemanha subiu de tom quando se soube que Schr&ouml;der viria a fazer parte do Conselho de Administra&ccedil;&atilde;o da Gazprom, ap&oacute;s a sua sa&iacute;da do Governo em Berlim.</p>     <!-- ref --><p><sup><a name="45"></a><a href="#top45">45</a></sup> LEONARD, Mark, e POPESCU, Nicu – &laquo;A power audit of EU-Russia relations&raquo;. In <i>Policy Paper</i>, European Council on Foreign Relations, 2007, p. 31.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000187&pid=S1645-9199201100040000900028&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p><sup><a name="46"></a><a href="#top46">46</a></sup> Os pa&iacute;ses que n&atilde;o permitiram uma segunda resolu&ccedil;&atilde;o autorizando o uso da for&ccedil;a no Iraque, em Fevereiro de 2003 – Alemanha, Fran&ccedil;a, R&uacute;ssia e China –, entenderam o CSNU como um instrumento de bloqueio contra a tentativa de Washington de formar uma alian&ccedil;a diplom&aacute;tica. Cf. POND, Elizabeth – <i>Friendly Fire</i>.<i> The Near-Death of the Transatlantic Alliance</i>. Pittsburgh, 2004,    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000189&pid=S1645-9199201100040000900029&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --> e SCHWARZ, Hans-Peter – <i>Republik ohne Kompass. Anmerkungen zur deutschen Aussenpolitik</i>. Berlim: Propylaen, 2005, pp. 23-35.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000190&pid=S1645-9199201100040000900030&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p><sup><a name="47"></a><a href="#top47">47</a></sup> UNSC Resolution 1973 (2011), 17 de Mar&ccedil;o de 2011. Dispon&iacute;vel em:  <a href="http://daccess-dds-ny.un.org/doc/UNDOC/GEN/N11/268/39/PDF/N1126839.pdf?OpenElement" target="_blank">http://daccess-dds-ny.un.org/doc/UNDOC/GEN/N11/268/39/PDF/N1126839.pdf?OpenElement</a>.  Ver tamb&eacute;m ROUSSEAU, Richard – &laquo;Why Germany abstained on UN Resolution 1973 on Libya&raquo;. In <i>Foreign Policy Journal</i>, 22 de Junho de 2011.  Dispon&iacute;vel em:  <a href="http://www.foreignpolicyjournal.com/2011/06/22/why-germany-abstained-on-un-resolution-1973-on-libya/" target="_blank">http://www.foreignpolicyjournal.com/2011/06/22/why-germany-abstained-on-un-resolution-1973-on-libya/</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000192&pid=S1645-9199201100040000900031&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><sup><a name="48"></a><a href="#top48">48</a></sup> CHIVVIS, Christopher, e RID, Thomas – &laquo;The roots of Germany’s Russian policy&raquo;, p. 106.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000193&pid=S1645-9199201100040000900032&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p><sup><a name="49"></a><a href="#top49">49</a></sup> Putin citado em RODIONOW, Iwan – &laquo;Russland und die NATO: Grenzen der Gemeinsamkeit&raquo;. In <i>Aus Politik und Zeitgeschichte</i>, 16/2009, p. 40.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000195&pid=S1645-9199201100040000900033&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --> Nesta quest&atilde;o ver tamb&eacute;m MANDELBAUM, Michael – &laquo;Russia: ease Moscow’s suspicions&raquo;. In <i>Newsweek</i>, 29 de Novembro de 2008.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000196&pid=S1645-9199201100040000900034&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p><sup><a name="50"></a><a href="#top50">50</a></sup> STEINMEIER, Frank-Walter – &laquo;Im engen Schulterschluss&raquo;. In <i>Der Spiegel</i>, 12 de Janeiro de 2009,    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000198&pid=S1645-9199201100040000900035&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --> citado por RODIONOW, Iwan – &laquo;Russland und die NATO: Grenzen der Gemeinsamkeit&raquo; em &laquo;NATO&raquo;, <i>Aus Politik und Zeitgeschichte</i>, 15-16/2009, p. 39.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000199&pid=S1645-9199201100040000900036&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p><sup><a name="51"></a><a href="#top51">51</a></sup> WEITZ, Richard – &laquo;Global insights: proposed NATO reforms worry Moscow&raquo;. In <i>World  Politics Review</i>, 25 de Maio de 2010. Dispon&iacute;vel em:  <a href="http://www.worldpoliticsreview.com/articles/5598/global-insights-proposed-nato-reforms-worry-moscow" target="_blank">http://www.worldpoliticsreview.com/articles/5598/global-insights-proposed-nato-reforms-worry-moscow</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000201&pid=S1645-9199201100040000900037&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p><sup><a name="52"></a><a href="#top52">52</a></sup> <i>Remarks of Madeleine K. Albright at the Moscow State Institute of International  Relations</i>, Moscovo, R&uacute;ssia, 11 de Fevereiro de 2010. Dispon&iacute;vel em:  <a href="http://www.nato.int/cps/en/SID-7164427D-C063343D/natolive/opinions_61448.htm" target="_blank">http://www.nato.int/cps/en/SID-7164427D-C063343D/natolive/opinions_61448.htm</a></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><sup><a name="53"></a><a href="#top53">53</a></sup> &laquo;Strategic concept for the defence and security of the members of the North Atlantic Treay Organisation&raquo;, Adopted by Heads of State and Government in Lisbon, <i>Active Engagement, Modern Defence</i>, 2010, par&aacute;grafo 33.</p>     <p><sup><a name="54"></a><a href="#top54">54</a></sup> <i>Ibidem</i>, par&aacute;grafo 34.</p>     <p><sup><a name="55"></a><a href="#top55">55</a> </sup><i>Ibidem</i>.</p>     <p><sup><a name="56"></a><a href="#top56">56</a></sup> <i>Ibidem</i>, par&aacute;grafo 38.</p>     <p><sup><a name="57"></a><a href="#top57">57</a></sup> &laquo;NATO 2020: assured security; dynamic engagement&raquo;, Analysis and Recommendations of the  Group of Experts on a New Strategic Concept for NATO, 17 de Maio de 2010, pp. 26-27. Dispon&iacute;vel em:  <a href="http://www.nato.int/strategic-concept/expertsreport.pdf" target="_blank">http://www.nato.int/strategic-concept/expertsreport.pdf</a></p>     <p><sup><a name="58"></a><a href="#top58">58</a></sup> Para o discurso do vice-presidente Joseph Biden sobre a pol&iacute;tica de reset, cf. <i>Remarks  by Vice President Biden at 45<sup>th</sup> Munich Conference on Security Policy</i>, Munique, Alemanha, 7 de Fevereiro de 2009. Dispon&iacute;vel em:  <a href="http://www.whitehouse.gov/the_press_office/RemarksbyVicePresidentBidenat45thMunichConferenceonSecurityPolicy/" target="_blank">http://www.whitehouse.gov/the_press_office/RemarksbyVicePresidentBidenat45thMunichConferenceonSecurityPolicy/</a></p>     <p><sup><a name="59"></a><a href="#top59">59</a></sup> Entrevista com NOLGAREV, Alexander – Primeiro Secret&aacute;rio, Director da &Aacute;rea Pol&iacute;tica, Miss&atilde;o Permanente da Federa&ccedil;&atilde;o Russa na NATO, Bruxelas, 19 de Janeiro de 2011.</p>     <p><sup><a name="60"></a><a href="#top60">60</a></sup> Cf., por exemplo, &laquo;Fact Sheet on U.S. Missile Defense Policy A “Phased, Adaptive Approach”  for Missile Defense in Europe&raquo;, The White House, Office of the Press Secretary, 17 de Setembro de 2009. Dispon&iacute;vel em:  <a href="http://www.whitehouse.gov/the_press_office/FACT-SHEET-US-Missile-Defense-Policy-A-Phased-Adaptive-Approach-for-Missile-Defense-in-Europe/" target="_blank">http://www.whitehouse.gov/the_press_office/FACT-SHEET-US-Missile-Defense-Policy-A-Phased-Adaptive-Approach-for-Missile-Defense-in-Europe/</a>. Ver tamb&eacute;m &laquo;Building on the “reset” – Vice Presidnet’s visit to Moscow&raquo;, The White House, 10 de Mar&ccedil;o de 2011. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.whitehouse.gov/blog/2011/03/10/building-reset-vice-president-s-visit-moscow" target="_blank">http://www.whitehouse.gov/blog/2011/03/10/building-reset-vice-president-s-visit-moscow</a></p>     <p><sup><a name="61"></a><a href="#top61">61</a></sup> Briefing by Russian Foreign Ministry Spokesman Alexander Lukashevich, Russia-Germany-Poland  trilateral foreign ministers’ meeting in Kaliningrad, Ministry of Foreign Affairs of the Russian Federation, 20 de Maio de 2011. Dispon&iacute;vel em:  <a href="http://www.mid.ru/bdomp/brp_4.nsf/171aab5ddf3ec3c2c32575d7004629c8/921756bb24d724dec3257897003d173c!OpenDocument" target="_blank">http://www.mid.ru/bdomp/brp_4.nsf/171aab5ddf3ec3c2c32575d7004629c8/921756bb24d724dec3257897003d173c!OpenDocument</a></p>     <p><sup><a name="62"></a><a href="#top62">62</a></sup> Cf. PAPIC, Marko – &laquo;Dispatch: Europeans discuss ballistic missile defense&raquo;. In Stratfor, 23 de Maio de 2011.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><sup><a name="63"></a><a href="#top63">63</a></sup> CHIVVIS, Christopher, e RID, Thomas – &laquo;The roots of Germany’s Russian policy&raquo;, p. 109.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000213&pid=S1645-9199201100040000900038&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p><sup><a name="64"></a><a href="#top64">64</a></sup> Martin Schulz citado em <i>Ibidem</i>, p. 109.</p>     <!-- ref --><p><sup><a name="65"></a><a href="#top65">65</a></sup> CHIVVIS, Christopher, e RID, Thomas – &laquo;The roots of Germany’s Russian policy&raquo;, p. 110.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000216&pid=S1645-9199201100040000900039&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p><sup><a name="66"></a><a href="#top66">66</a></sup> STELZENM&Uuml;LLER, Constanze – &laquo;Germany’s Russia question&raquo;. In <i>Foreign Affairs</i>. Vol. 88, N.&ordm; 2, Mar&ccedil;o-Abril de 2009.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000218&pid=S1645-9199201100040000900040&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      ]]></body><back>
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