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</front><body><![CDATA[ <p><b>Integra&ccedil;&atilde;o europeia e partidos pol&iacute;ticos: a li&ccedil;&atilde;o que vem de Vars&oacute;via</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Marco Lisi</b></p>     <p>Investigador de p&oacute;s-doutoramento no Instituto de Ci&ecirc;ncias Sociais da Universidade de Lisboa e professor auxiliar convidado no departamento de Estudos Pol&iacute;ticos da FCSH – UNL.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>Madalena Meyer Resende</p>     <p><b><i>The Unintended Effects of Europe on Central and East European Party Systems: Poland and Beyond</i></b></p>     <p>Tallinna University Press, 2009, 205 p&aacute;ginas</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><img src="/img/revistas/ri/n32/n32a11f1.jpeg"></p>     
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<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>A tem&aacute;tica da integra&ccedil;&atilde;o europeia tem vindo a assumir uma crescente relev&acirc;ncia na opini&atilde;o p&uacute;blica, sobretudo com o aumento das atitudes negativas que se tem registado na &uacute;ltima d&eacute;cada. A entrada dos pa&iacute;ses da Europa Centro-Oriental na Uni&atilde;o Europeia (UE) tem acentuado as manifesta&ccedil;&otilde;es de eurocepticismo quer a n&iacute;vel das elites pol&iacute;ticas quer no que diz respeito &agrave;s atitudes dos cidad&atilde;os. Esta quest&atilde;o, portanto, tem sido uma fonte de crescente preocupa&ccedil;&atilde;o para o futuro do processo de integra&ccedil;&atilde;o europeia.</p>     <p>O livro de Madalena Meyer Resende &eacute; o resultado de uma investiga&ccedil;&atilde;o realizada na London School of Economics e no College of Europe. Conv&eacute;m desde j&aacute; sublinhar que, apesar de a maior parte da an&aacute;lise emp&iacute;rica ter como objecto de estudo o caso da Pol&oacute;nia desde a instaura&ccedil;&atilde;o do regime democr&aacute;tico at&eacute; &agrave; entrada na UE, os instrumentos conceptuais utilizados e os resultados alcan&ccedil;ados t&ecirc;m uma abrang&ecirc;ncia bem maior. Deste ponto de vista, a profundidade da an&aacute;lise que caracteriza este estudo permitiu alcan&ccedil;ar resultados positivos em duas frentes: por um lado, foi poss&iacute;vel examinar de forma exaustiva a evolu&ccedil;&atilde;o e adapta&ccedil;&atilde;o das posi&ccedil;&otilde;es program&aacute;ticas dos partidos, considerando o seu legado hist&oacute;rico e as suas traject&oacute;rias de desenvolvimento; por outro, geraram-se novas hip&oacute;teses aplic&aacute;veis a outros sistemas pol&iacute;ticos.</p>     <p>O livro estrutura-se em seis cap&iacute;tulos. Os primeiros dois introduzem o quadro te&oacute;rico utilizado para analisar o posicionamento dos partidos polacos face &agrave; UE. Nos terceiro e quarto cap&iacute;tulos examinam-se as caracter&iacute;sticas ideol&oacute;gicas e a estrat&eacute;gia dos principais partidos da direita e da esquerda, respectivamente. O cap&iacute;tulo quinto considera a politiza&ccedil;&atilde;o da quest&atilde;o europeia e os acordos entre as elites pol&iacute;ticas. Finalmente, o sexto cap&iacute;tulo conclui a an&aacute;lise aplicando o quadro te&oacute;rico aplicado a outros pa&iacute;ses da Europa Centro-Oriental e Ocidental. As fontes utilizadas nesta investiga&ccedil;&atilde;o baseiam-se em entrevistas em profundidade &agrave;s elites partid&aacute;rias, documentos dos partidos e numa extensa revis&atilde;o da literatura existente.</p>     <p>Resumindo brevemente a estrutura&ccedil;&atilde;o do sistema de partidos polaco a partir de 1989 ocorre evidenciar tr&ecirc;s fases distintas. At&eacute; 1993 o sistema de partidos caracterizou-se pela elevada fragmenta&ccedil;&atilde;o e pela indefini&ccedil;&atilde;o das orienta&ccedil;&otilde;es program&aacute;ticas e estrat&eacute;gicas dos partidos. Com a revis&atilde;o do sistema eleitoral adoptada em ocasi&atilde;o das elei&ccedil;&otilde;es legislativas de 1993, teve in&iacute;cio uma segunda fase em que se come&ccedil;ou a delinear um sistema substancialmente bipolar em torno de duas coliga&ccedil;&otilde;es, com uma redu&ccedil;&atilde;o significativa do n&uacute;mero de partidos. Esta fase prolongou-se at&eacute; 2001, quando se inaugurou um novo per&iacute;odo em que prevaleceu uma din&acirc;mica multipolar, com um governo de centro-esquerda pouco coeso e uma direita fragmentada e altamente inst&aacute;vel.</p>     <p>At&eacute; 2001 as posi&ccedil;&otilde;es antieurope&iacute;stas desempenharam um papel de segundo plano no panorama partid&aacute;rio polaco. A Uni&atilde;o Nacional Crist&atilde; (ZChN) emergiu como o principal opositor ao projecto europeu, mas a participa&ccedil;&atilde;o deste partido como parceiro menor na coliga&ccedil;&atilde;o de centro-direita atenuou o seu eurocepticismo. No entanto, a desintegra&ccedil;&atilde;o da coliga&ccedil;&atilde;o de governo e o aprofundamento das negocia&ccedil;&otilde;es da entrada da Pol&oacute;nia na UE aumentou a relev&acirc;ncia da Europa no debate pol&iacute;tico. &Eacute; nas elei&ccedil;&otilde;es de 2001 que a quest&atilde;o europeia aparece pela primeira vez como tema saliente de competi&ccedil;&atilde;o durante a campanha eleitoral. Esta dimens&atilde;o passou a representar uma arena de conflito entre a esquerda – tradicionalmente mais europe&iacute;sta, apesar das posi&ccedil;&otilde;es cr&iacute;ticas do Partido Agr&aacute;rio (PSL) – e os partidos da direita, dentro dos quais as vozes antieuropeias assumiam um peso crescente.</p>     <p>Sucessivamente, o caso polaco passou a estar no centro da aten&ccedil;&atilde;o com a forma&ccedil;&atilde;o, em 2005, de um governo de centro-direita abertamente euroc&eacute;ptico. Este fen&oacute;meno contribuiu para a eros&atilde;o do consenso em torno do processo de integra&ccedil;&atilde;o, quer a n&iacute;vel das elites pol&iacute;ticas, quer (sobretudo) a n&iacute;vel da opini&atilde;o p&uacute;blica. &Eacute; atrav&eacute;s deste estudo de caso que &eacute; analisada uma quest&atilde;o cl&aacute;ssica para interpretar as causas do posicionamento dos partidos face ao projecto europeu: a import&acirc;ncia da ideologia e da estrat&eacute;gia na defini&ccedil;&atilde;o das orienta&ccedil;&otilde;es program&aacute;ticas dos partidos.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>INTEGRA&Ccedil;&Atilde;O EUROPEIA E IDEOLOGIA: QUE RELA&Ccedil;&Atilde;O?</b></p>     <p>O objectivo principal desta investiga&ccedil;&atilde;o &eacute; explicar o posicionamento dos partidos em rela&ccedil;&atilde;o ao processo de integra&ccedil;&atilde;o europeia. Em geral, o impacto da quest&atilde;o europeia tem sido analisado do ponto de vista dos cidad&atilde;os ou das atitudes e comportamentos das elites pol&iacute;ticas. Enquanto no primeiro caso o foco da an&aacute;lise &eacute; a evolu&ccedil;&atilde;o da opini&atilde;o p&uacute;blica, para os partidos a &ecirc;nfase baseia-se na estrutura de competi&ccedil;&atilde;o e nas din&acirc;micas do sistema de partidos. &Eacute; sobre este &uacute;ltimo aspecto que o estudo de Madalena Meyer Resende se debru&ccedil;a, combinando a an&aacute;lise da forma&ccedil;&atilde;o dos partidos com a evolu&ccedil;&atilde;o do processo de integra&ccedil;&atilde;o. Embora a investiga&ccedil;&atilde;o esteja centrada no posicionamento dos partidos face ao projecto europeu, o livro tem o m&eacute;rito de considerar tamb&eacute;m dados relativos &agrave; evolu&ccedil;&atilde;o da opini&atilde;o p&uacute;blica. &Eacute; a partir desta interac&ccedil;&atilde;o que emerge a controv&eacute;rsia dos factores causais associados &agrave;s orienta&ccedil;&otilde;es dos partidos. Enquanto alguns autores demonstram que este posicionamento depende da ideologia dos partidos, outros sublinham a import&acirc;ncia das considera&ccedil;&otilde;es eleitorais. &Eacute; o caso do eurocepticismo &laquo;estrat&eacute;gico&raquo;, que leva os partidos a adoptarem uma posi&ccedil;&atilde;o negativa em rela&ccedil;&atilde;o ao projecto europeu sobretudo como consequ&ecirc;ncia das atitudes cr&iacute;ticas dos eleitores, na expectativa de obter ganhos eleitorais de curto prazo.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>No primeiro cap&iacute;tulo do livro discute-se a forma&ccedil;&atilde;o dos partidos e a estrutura&ccedil;&atilde;o dos sistemas de partidos a partir dos principais contributos te&oacute;ricos existentes na literatura. Para al&eacute;m da cl&aacute;ssica abordagem das clivagens elaborada por Lipset e Rokkan, considera-se tamb&eacute;m a perspectiva racional baseada no contributo de Downs. Mas o principal instrumento conceptual utilizado no livro acaba por ser o das &laquo;fam&iacute;lias espirituais&raquo; elaborado por Von Beyme, que diferencia os partidos de acordo com os seus tra&ccedil;os ideol&oacute;gicos e o seu percurso hist&oacute;rico. Segundo esta perspectiva, os valores que est&atilde;o na origem destes partidos projectam um legado que determina a continuidade do seu c&oacute;digo gen&eacute;tico. As caracter&iacute;sticas dos sistemas de partidos da Europa Ocidental s&atilde;o assim explicadas a partir da presen&ccedil;a ou aus&ecirc;ncia dos v&aacute;rios grupos de partidos. </p>     <p>A teoria utilizada para analisar o caso polaco baseia-se no <i>ethos</i> dos partidos. Estes actores distinguem-se essencialmente pelo facto de enfatizarem determinados valores e ideias que caracterizam e definem os seus principais tra&ccedil;os ideol&oacute;gicos (pp. 14-16). Em particular, h&aacute; alguns partidos que enfatizam mais a dimens&atilde;o pol&iacute;tica, enquanto outros d&atilde;o uma maior aten&ccedil;&atilde;o &agrave;s quest&otilde;es econ&oacute;micas. Esta distin&ccedil;&atilde;o serve para introduzir as principais hip&oacute;teses do estudo (p. 38). A cada &laquo;fam&iacute;lia&raquo; de partidos (democrata-crist&atilde;os, liberais, conservadores nacionalistas, conservadores econ&oacute;micos, nacionalistas, social-democratas e ecologistas) est&atilde;o associadas determinadas prefer&ecirc;ncias na arena pol&iacute;tica e econ&oacute;mica, sendo que cada partido atribui normalmente prioridade a uma das duas &aacute;reas.</p>     <p>De acordo com o quadro anal&iacute;tico apresentado nos primeiros dois cap&iacute;tulos, quando as duas dimens&otilde;es – pol&iacute;tica e econ&oacute;mica – v&atilde;o no mesmo sentido no que diz respeito &agrave; posi&ccedil;&atilde;o face &agrave; Uni&atilde;o Europeia temos partidos fortemente euroc&eacute;pticos ou &laquo;euro-entusiastas&raquo;. Por outro lado, quando as duas dimens&otilde;es v&atilde;o em sentidos opostos os partidos tendem a adoptar posi&ccedil;&otilde;es mais pragm&aacute;ticas que podem variar segundo a conjuntura particular.</p>     <p>O argumento principal do livro &eacute; que o posicionamento dos partidos face ao processo de integra&ccedil;&atilde;o europeia depende fundamentalmente de dois aspectos: por um lado, os valores e as ideias normativas que orientam a ac&ccedil;&atilde;o dos partidos e, por outro, as orienta&ccedil;&otilde;es em mat&eacute;ria econ&oacute;mica. Neste sentido, os partidos caracterizados por um forte nacionalismo tendem a estar associados a um eurocepticismo intransigente, enquanto os partidos mais abertos ou cosmopolitas t&ecirc;m uma vis&atilde;o mais pragm&aacute;tica em rela&ccedil;&atilde;o ao processo de integra&ccedil;&atilde;o europeia. Finalmente, quando a dimens&atilde;o pol&iacute;tica &eacute; marginal, os partidos tender&atilde;o a adoptar uma posi&ccedil;&atilde;o – positiva ou negativa – mais moderada devido ao car&aacute;cter mais negoci&aacute;vel das orienta&ccedil;&otilde;es econ&oacute;micas.</p>     <p>Um dos contributos desta investiga&ccedil;&atilde;o &eacute; o facto de trazer de volta o papel da ideologia na defini&ccedil;&atilde;o do posicionamento program&aacute;tico dos partidos e das caracter&iacute;sticas dos sistemas de partidos. Na senda de Von Beyme, atribui-se &agrave; ideologia dos partidos um estatuto priorit&aacute;rio e superior em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; estrat&eacute;gia e &agrave;s pol&iacute;ticas implementadas. A ideologia constitui, portanto, um constrangimento para as lideran&ccedil;as e determina as orienta&ccedil;&otilde;es dos partidos no longo prazo, definindo as principais orienta&ccedil;&otilde;es program&aacute;ticas.</p>     <p>Contudo, esta escolha pode parecer problem&aacute;tica por v&aacute;rias raz&otilde;es. Em primeiro lugar, como sublinha Panebianco, ao estabelecer determinados fins – ou prioridades –, negligencia-se o facto de os partidos muitas vezes serem actores com uma multiplicidade de fins, podendo actuar de forma diferente em arenas distintas. Esta op&ccedil;&atilde;o &eacute; particularmente discut&iacute;vel no caso da dimens&atilde;o europeia: as posi&ccedil;&otilde;es dos partidos sobre esta quest&atilde;o podem ser amb&iacute;guas ou podem n&atilde;o ter nenhuma orienta&ccedil;&atilde;o, sobretudo quando para a opini&atilde;o p&uacute;blica a relev&acirc;ncia desta dimens&atilde;o &eacute; extremamente reduzida. Em segundo lugar, para al&eacute;m da &ecirc;nfase que cada partido atribui a determinados valores ou pol&iacute;ticas, ocorre considerar at&eacute; que ponto estas dimens&otilde;es constituem de facto o eixo central da competi&ccedil;&atilde;o partid&aacute;ria. Por outras palavras, um partido pode basear a sua identidade sobre determinadas quest&otilde;es (por exemplo: p&oacute;s-materialistas), mas, em &uacute;ltima inst&acirc;ncia, estas s&atilde;o importantes para o funcionamento do sistema de partidos apenas quando assumem relev&acirc;ncia para estruturar a competi&ccedil;&atilde;o partid&aacute;ria.</p>     <p>Esta &uacute;ltima considera&ccedil;&atilde;o emerge quando observarmos a evolu&ccedil;&atilde;o do posicionamento dos partidos face ao projecto europeu ao longo do processo de consolida&ccedil;&atilde;o democr&aacute;tica. Como outros pa&iacute;ses da &laquo;terceira vaga&raquo;, o caso polaco &eacute; representativo de um aspecto importante que subjaz ao processo de integra&ccedil;&atilde;o europeia, nomeadamente o car&aacute;cter de legitima&ccedil;&atilde;o que o europe&iacute;smo garante para os rec&eacute;m-formados partidos pol&iacute;ticos. Aqui o paralelismo com o processo de ades&atilde;o dos pa&iacute;ses ib&eacute;ricos &eacute; evidente: ao aceitar o processo de integra&ccedil;&atilde;o europeia, os principais partidos de governo reconheciam a import&acirc;ncia do jogo democr&aacute;tico, afirmando-se assim como garantes da consolida&ccedil;&atilde;o do novo sistema pol&iacute;tico. Neste sentido, no per&iacute;odo de forma&ccedil;&atilde;o dos principais partidos, a Europa veio constituir um &laquo;mito&raquo; n&atilde;o apenas para o desenvolvimento econ&oacute;mico, mas tamb&eacute;m como &acirc;ncora necess&aacute;ria para as novas institui&ccedil;&otilde;es, tornando-se assim uma quest&atilde;o consensual. Por outras palavras, a democratiza&ccedil;&atilde;o dos pa&iacute;ses da terceira vaga estava estritamente relacionada com uma vis&atilde;o positiva do processo de integra&ccedil;&atilde;o europeia, sem representar uma dimens&atilde;o de competi&ccedil;&atilde;o relevante.</p>     <p>A fun&ccedil;&atilde;o de legitima&ccedil;&atilde;o do mito europeu veio perder progressivamente import&acirc;ncia sobretudo com a consolida&ccedil;&atilde;o das novas democracias. Quando a dimens&atilde;o pol&iacute;tica da integra&ccedil;&atilde;o passa para segundo plano – e come&ccedil;am a emergir, por outro lado, os custos associados &agrave; integra&ccedil;&atilde;o europeia –, os partidos sentiram-se mais livres para adoptar posi&ccedil;&otilde;es mais cr&iacute;ticas face &agrave; integra&ccedil;&atilde;o europeia. &Eacute; a partir deste momento que emerge com maior frequ&ecirc;ncia um eurocepticismo &laquo;estrat&eacute;gico&raquo; – veja-se, para o caso portugu&ecirc;s, as posi&ccedil;&otilde;es defendidas pelo CDS-PP na d&eacute;cada de 1990 –, que enfatiza as consequ&ecirc;ncias negativas do processo de integra&ccedil;&atilde;o a n&iacute;vel do sistema pol&iacute;tico nacional.</p>     <p>A distin&ccedil;&atilde;o entre a fase de forma&ccedil;&atilde;o dos partidos – e dos sistemas de partidos – e a sua evolu&ccedil;&atilde;o parece-nos essencial para analisar o efeito do processo de integra&ccedil;&atilde;o europeia. Por um lado, trata-se de examinar os factores que d&atilde;o origem a determinados tipos de partidos. Dada a fun&ccedil;&atilde;o de legitima&ccedil;&atilde;o da quest&atilde;o europeia na fase de democratiza&ccedil;&atilde;o, &eacute; altamente improv&aacute;vel que a Europa seja um factor de mobiliza&ccedil;&atilde;o e de estrutura&ccedil;&atilde;o dos conflitos nesta primeira fase. Por outro, &eacute; importante evidenciar as dimens&otilde;es que estruturam a competi&ccedil;&atilde;o e que podem afectar a mudan&ccedil;a dos partidos. Deste ponto de vista, a quest&atilde;o europeia pode assumir uma maior relev&acirc;ncia e influenciar de forma significativa o espa&ccedil;o de competi&ccedil;&atilde;o. Aqui a compara&ccedil;&atilde;o entre as democracias recentes da Europa Ocidental (Portugal, Espanha e Gr&eacute;cia) e os pa&iacute;ses da Europa Centro-Oriental poderia ter sido &uacute;til para tentar explicar quais as raz&otilde;es da import&acirc;ncia da quest&atilde;o europeia no segundo grupo de pa&iacute;ses, ao contr&aacute;rio da relativa marginaliza&ccedil;&atilde;o deste debate no caso dos pa&iacute;ses da Europa do Sul. Finalmente, para analisar a consolida&ccedil;&atilde;o do sistema partid&aacute;rio teria sido importante examinar mais em profundidade as din&acirc;micas eleitorais e as oscila&ccedil;&otilde;es das bases de apoio dos partidos, de forma a evidenciar a import&acirc;ncia do eurocepticismo &laquo;estrat&eacute;gico&raquo; na adapta&ccedil;&atilde;o program&aacute;tica dos partidos.</p>     <p>Uma das principais conclus&otilde;es do estudo &eacute; que o processo de integra&ccedil;&atilde;o europeia tem tido um impacto reduzido sobre os partidos. O ethos dos partidos condiciona a posi&ccedil;&atilde;o assumida pelos principais partidos perante o projecto europeu. Todavia, o processo de integra&ccedil;&atilde;o exerce um efeito indirecto, refor&ccedil;ando as clivagens j&aacute; existentes ou levando a adapta&ccedil;&otilde;es de curto prazo nas orienta&ccedil;&otilde;es program&aacute;ticas. Estas conclus&otilde;es est&atilde;o em linha com outros estudos que apontam para o efeito limitado da integra&ccedil;&atilde;o europeia n&atilde;o apenas sobre as caracter&iacute;sticas organizativas dos partidos, mas tamb&eacute;m sobre as din&acirc;micas dos sistemas de partidos.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Outro contributo importante do livro &eacute; a an&aacute;lise comparada desenvolvida no &uacute;ltimo cap&iacute;tulo. O argumento do efeito da integra&ccedil;&atilde;o europeia sobre os sistemas partid&aacute;rios &eacute; aplicado a outros pa&iacute;ses da Europa Centro-Oriental (Rep&uacute;blica Checa e Eslov&aacute;quia) e da Europa ocidental (Fran&ccedil;a, Gr&atilde;-Bretanha, &Aacute;ustria e Dinamarca). O resultado principal &eacute; que n&atilde;o h&aacute; um efeito homog&eacute;neo da quest&atilde;o europeia nas din&acirc;micas partid&aacute;rias. Enquanto na Pol&oacute;nia e na Eslov&aacute;quia a dimens&atilde;o europeia constituiu um eixo fundamental de competi&ccedil;&atilde;o, nos outros dois pa&iacute;ses da Europa Centro-Oriental o efeito &eacute; praticamente irrelevante. Este fen&oacute;meno &eacute; explicado pela import&acirc;ncia desempenhada pelos partidos nacionalistas nos primeiros dois pa&iacute;ses. Os casos da Europa Ocidental parecem confirmar as principais conclus&otilde;es do estudo. &Eacute; a presen&ccedil;a de partidos com uma forte componente nacionalista, ou onde a defesa dos tra&ccedil;os da comunidade nacional assume particular &ecirc;nfase, que determina a emerg&ecirc;ncia de atitudes mais negativas em rela&ccedil;&atilde;o ao processo de integra&ccedil;&atilde;o europeia, sobretudo a partir dos anos 1990 quando se acentuam as din&acirc;micas de maior integra&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>Para concluir, o livro de Madalena Meyer Resende &eacute; importante n&atilde;o apenas para todos os que se ocupam de partidos, mas tamb&eacute;m para os estudiosos do processo de integra&ccedil;&atilde;o europeia. Al&eacute;m disso, constitui uma obra de grande valor para perceber a forma&ccedil;&atilde;o dos sistemas de partidos na Europa de Leste e o processo de institucionaliza&ccedil;&atilde;o. Finalmente, o estudo lan&ccedil;a v&aacute;rias quest&otilde;es que merecem ser aprofundadas em investiga&ccedil;&otilde;es futuras, sobretudo no que diz respeito &agrave;s democracias recentes da Europa do Sul. </p>      ]]></body>
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