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</front><body><![CDATA[ <p><b>Em busca de uma vis&atilde;o total da estrat&eacute;gia</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Ant&oacute;nio Paulo Duarte</b></p>     <p>Doutor em Hist&oacute;ria Institucional e Pol&iacute;tica. &Eacute; assessor do Instituto da Defesa Nacional e professor auxiliar convidado do Departamento de Estudos Pol&iacute;ticos da FCSH – UNL. &Eacute; investigador do Instituto de Hist&oacute;ria Contempor&acirc;nea.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>Ant&oacute;nio Horta Fernandes</p>     <p><b><i>Acolher ou Vencer? A Guerra e a Estrat&eacute;gia na Actualidade</i></b></p>     <p>Lisboa, Esfera do Caos, 2011, 216 p&aacute;ginas</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><img src="/img/revistas/ri/n32/n32a13f1.jpeg"></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>O que &eacute; a estrat&eacute;gia? A ampla utiliza&ccedil;&atilde;o do termo n&atilde;o dotou a estrat&eacute;gia de um sentido e de um significado claro. A estrat&eacute;gia continua, hoje, a ser uma disciplina com um conte&uacute;do problem&aacute;tico e com diferentes conceptualiza&ccedil;&otilde;es, sem baias que a configurem de forma clara, variando o seu significado de pa&iacute;s para pa&iacute;s e de doutrina para doutrina. Esta fluidez conceptual tem impulsionado, de igual forma, a reflex&atilde;o sobre a estrat&eacute;gia, publicando-se com alguma regularidade tratados em que se discute o seu conceito e o seu conte&uacute;do, sem que contudo algum autor consiga, em definitivo, propor uma f&oacute;rmula que satisfa&ccedil;a os outros debatentes<a name="top1" id="top1"></a><sup><a href="#1">1</a></sup>. Em Portugal, a edi&ccedil;&atilde;o recente de textos de Pezarat Correia<a name="top2" id="top2"></a><a href="#2"><sup>2</sup></a>, Martins Barrento<a name="top3" id="top3"></a><a href="#3"><sup>3</sup></a> e Ant&oacute;nio Silva Ribeiro<a name="top4" id="top4"></a><a href="#4"><sup>4</sup></a> sobre a disciplina e os seus fundamentos demonstra o fulgor do debate. </p>     <p>Ant&oacute;nio Horta Fernandes n&atilde;o &eacute; um ne&oacute;fito nestas lides. O seu interesse pelo conceito e pelo conte&uacute;do da estrat&eacute;gia &eacute; antigo. Publicou h&aacute; mais de uma d&eacute;cada o <i>Homo strategicus<a name="top5" id="top5"></a></i><a href="#5"><sup>5</sup></a> em que dissecava os fundamentos da estrat&eacute;gia, obra, injustamente, pouco lida. A publica&ccedil;&atilde;o de <i>Acolher</i> ou <i>Vencer</i> representa um aprofundamento do <i>Homo strategicus</i>, burilando mais fundamentadamente algumas das ideias j&aacute; expostas na primeira obra e abrindo portas a novas perspectivas.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>A GENEALOGIA DA LEITURA DA ESTRAT&Eacute;GIA</b></p>     <p>As bases com as quais fundamenta Ant&oacute;nio Horta Fernandes a edifica&ccedil;&atilde;o da sua vis&atilde;o da estrat&eacute;gia s&atilde;o diferentes das que subjazem &agrave; maioria dos tratadistas da disciplina. Estes movem-se pelos reinos dos tratadistas de estrat&eacute;gia cl&aacute;ssicos e da hist&oacute;ria, no essencial militar e pol&iacute;tica, na senda do que foi e &eacute; a tradicional escola (ou escolas) do pensamento estrat&eacute;gico (e, em determinados casos, aportando elementos da ci&ecirc;ncia econ&oacute;mica). O nosso autor, n&atilde;o descurando a hist&oacute;ria ou alguns tratados de estrat&eacute;gia, nomeadamente o de Abel Cabral Couto<a name="top6" id="top6"></a><a href="#6"><sup>6</sup></a>, de que se considera disc&iacute;pulo, alicer&ccedil;a o seu pensamento na filosofia (e na teologia, que de certo modo &eacute; uma forma de filosofia espec&iacute;fica) e na literatura, disciplinas t&atilde;o injustamente esquecidas no estudo da deste campo do saber. &Eacute; certo que Abel Cabral Couto j&aacute; se movia um pouco no vast&iacute;ssimo oceano da filosofia, n&atilde;o obstante, Ant&oacute;nio Horta Fernandes est&aacute; verdadeiramente imerso nesse p&eacute;lago, do qual assoma, para dar um rumo muito pr&oacute;prio, mas n&atilde;o menos relevante, &agrave; estrat&eacute;gia.</p>     <p>Muito mais interessante, contudo, &eacute; o enorme potencial de compreens&atilde;o e de conhecimento da estrat&eacute;gia que Ant&oacute;nio Horta Fernandes extrai da literatura. O romance &eacute;, na sua ess&ecirc;ncia, desde os seus mais arcanos prim&oacute;rdios, uma busca das linhas vis&iacute;veis ou invis&iacute;veis com que se entretece a realidade, todavia o potencial de compreens&atilde;o deste para o estudo da estrat&eacute;gia tem sido desprezado. A necessidade de edificar uma ci&ecirc;ncia denominada estrat&eacute;gia explica, em parte, a desconsidera&ccedil;&atilde;o por uma forma de leitura da realidade que todos julgam advir, no essencial, da imagina&ccedil;&atilde;o. N&atilde;o obstante, n&atilde;o visa o romance, e a literatura em geral, oferecer ao leitor uma vis&atilde;o dura da realidade, mesmo daquela que se origina na imagina&ccedil;&atilde;o? N&atilde;o &eacute; a imagina&ccedil;&atilde;o parte da realidade?</p>     <p>Ant&oacute;nio Horta Fernandes n&atilde;o convoca qualquer romancista. Para l&aacute; dos cl&aacute;ssicos, muitos dos romancistas convocados t&ecirc;m, de uma forma ou outra, lidado com a viol&ecirc;ncia armada e com a guerra, campo de onde brota a estrat&eacute;gia: &eacute; o caso de Arturo Per&eacute;z-Reverte, antigo rep&oacute;rter de guerra espanhol, de Gert Ledig, veterano alem&atilde;o da II Guerra Mundial, de Joseph Conrad, um profundo conhecedor do abismo humano, ou de Marcel Proust, que n&atilde;o tendo jamais tido qualquer experi&ecirc;ncia b&eacute;lica ou marcial propriamente dita, experimentou a Grande Guerra como cidad&atilde;o franc&ecirc;s. </p>     <p>A amplid&atilde;o das experi&ecirc;ncias, quer filos&oacute;ficas (e teol&oacute;gicas), quer romanescas, convocadas incrusta-se nos mais fundos des&iacute;gnios da estrat&eacute;gia, o de integrar, enquanto espa&ccedil;o conceptual, enquanto <i>theoria</i>, e o de intervir, como <i>praxis</i>, como ac&ccedil;&atilde;o, sobre a totalidade do real, procurando abarcar toda a exist&ecirc;ncia, considerando a envolv&ecirc;ncia assediante de todo o fen&oacute;meno com que esta disciplina lida: a hostilidade intergrupal em todas as suas formas, a viol&ecirc;ncia, fruto da coac&ccedil;&atilde;o e a resist&ecirc;ncia que a esta se op&otilde;e, o fulcro da viol&ecirc;ncia armada e da guerra. </p>     <p>A obra de Ant&oacute;nio Horta Fernandes lavra sobre espa&ccedil;os pouco ou jamais amanhados pelo pensamento estrat&eacute;gico. &Eacute; uma obra de ruptura, num bom sentido que esta palavra tem no campo do saber. A sua estranheza resulta de a sua genealogia desabrochar de &aacute;reas distintas das fontes conceptuais de onde se extrai o cl&aacute;ssico pensamento estrat&eacute;gico. Naturalmente, a tonalidade do pensamento do autor &eacute; profundamente original. Mas se um pensamento cimentado em fontes originais para a estrat&eacute;gia a enriquece e enriquece a compreens&atilde;o que se pode ter da realidade da disputa entre as entidades sociopol&iacute;ticas, excita e estimula igualmente a pol&eacute;mica. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>GUERRA E ESTRAT&Eacute;GIA</b></p>     <p>O autor come&ccedil;a por salientar a irredutabilidade da guerra, figura do mal, e, por isso, imposs&iacute;vel de ordenar e de ponderar, arisca a toda e qualquer forma de raz&atilde;o. A estrat&eacute;gia emerge assim como &laquo;instrumento neguentr&oacute;pico&raquo; do &laquo;des-sentido&raquo; e da ca&oacute;tica da guerra. A estrat&eacute;gia &eacute;, assim, uma figura&ccedil;&atilde;o &eacute;tica, prudencializa&ccedil;&atilde;o e raz&atilde;o morigeradora, reguladora do &laquo;des-sentido&raquo; da guerra, visando a paz e por isso intermedi&aacute;ria entre a guerra e a paz. Nesta linha, observa com inteira raz&atilde;o que cabe &agrave; estrat&eacute;gia considerar todas as modalidades de coa&ccedil;&atilde;o almejando a absor&ccedil;&atilde;o de todas as suas formas, reabsorvendo-as e sugando assim a hostilidade, a animadvers&atilde;o, mitigando os seus efeitos ou armando a paz, um paradoxo caro ao autor. A pondera&ccedil;&atilde;o da estrat&eacute;gia funciona assim como um mitigador que silencia a conflitualidade hostil e delimita a guerra, o mal, dado a guerra ser por excel&ecirc;ncia a figura do inomin&aacute;vel. A estrat&eacute;gia desponta como uma &eacute;tica do conflito, perspectivando-se como abertura ao outro, como potencial de paz, como, em &uacute;ltima linha, lat&ecirc;ncia messi&acirc;nica. </p>     <p>A estrat&eacute;gia como ponderador, fruto da raz&atilde;o, tornando a disciplina uma &eacute;tica do conflito &eacute; um dos pontos-chave da concep&ccedil;&atilde;o total de Ant&oacute;nio Horta Fernandes. A estrat&eacute;gia arma a paz contra a guerra, mas, curiosamente, f&aacute;-lo com os instrumentos da guerra, jogando com a guerra e com a viol&ecirc;ncia, ironia que parece escapar ao autor. A estrat&eacute;gia &eacute; de facto um ponderador, dado que, como afirma J. C. Wylie, ela n&atilde;o &eacute; uma disciplina intelectual<a name="top7" id="top7"></a><a href="#7"><sup>7</sup></a>, um saber, uma forma de pensar, aplicada, mas um pensamento-ac&ccedil;&atilde;o, que, sendo moderna e filha da raz&atilde;o iluminista, n&atilde;o deixa de carregar, e bem, arcanas experi&ecirc;ncias e racioc&iacute;nios conceptuais antigos e arcaicos.</p>     <p>A express&atilde;o &laquo;estrat&eacute;gia&raquo; s&oacute; se difunde na Europa nos fins do s&eacute;culo XVIII, sendo, no essencial, a arte do Estado-Maior, o planeamento da manobra militar e da batalha. Clausewitz d&aacute;-lhe um sentido mais lato, ao configurar-lhe a fun&ccedil;&atilde;o de um estudo conceptual, quase filos&oacute;fico, da guerra e dos m&eacute;todos com que se deve agir num conflito b&eacute;lico. A estrat&eacute;gia brotou da guerra, um primeiro paradoxo, visto de uma figura do mal ressaltar um suposto bem: suposto, dado que a pondera&ccedil;&atilde;o que o autor v&ecirc; na estrat&eacute;gia n&atilde;o ser verific&aacute;vel, de forma linear pelo menos, na hist&oacute;ria contempor&acirc;nea: os s&eacute;culos XIX e XX v&ecirc;em o agravamento consider&aacute;vel da viol&ecirc;ncia b&eacute;lica, que n&atilde;o se reduz s&oacute; aos pesados custos humanos das guerras, derivado do desenvolvimento tecnol&oacute;gico, fermento da Revolu&ccedil;&atilde;o Industrial, mas tamb&eacute;m, e mais acutilante para questionar a tese do autor, &agrave; ac&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica e &agrave;s estrat&eacute;gias planeadas pelos diversos contendores em jogo. </p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>ESTRAT&Eacute;GIA: AC&Ccedil;&Atilde;O E RAZ&Atilde;O</b></p>     <p>O s&eacute;culo XIX &eacute; marcado por uma perspectiva estrat&eacute;gica baseada no mito da batalha decisiva e da vit&oacute;ria, em que a mobiliza&ccedil;&atilde;o humana e material em dimens&otilde;es cada vez mais ingentes &eacute; a chave fundamental do sucesso, com o total desprezo, ou quase, pelo sangue que deveria ser derramado. &Eacute; claro que jamais passou pela cabe&ccedil;a dos estrategos que o resultado de tal planeamento estrat&eacute;gico redundasse numa carnificina como foi a I Guerra Mundial, mas se n&atilde;o conseguiram atingir a <i>wellsiana</i> imagina&ccedil;&atilde;o da &laquo;Guerra dos Mundos&raquo; (<i>War of the Worlds</i>), as consequ&ecirc;ncias do que aconteceu de 1914 em diante tinham sido, em boa medida, aceites por todos aprioristicamente: a guerra do futuro seria um embate entre na&ccedil;&otilde;es e s&oacute; a assun&ccedil;&atilde;o de que a vit&oacute;ria exigia uma ac&ccedil;&atilde;o brutal e decisiva asseguraria o sucesso b&eacute;lico no final. </p>     <p>Pode-se, em prol do autor, conjecturar sobre se a r&aacute;pida e brutal batalha decisiva n&atilde;o representaria uma express&atilde;o &uacute;ltima da pondera&ccedil;&atilde;o estrat&eacute;gica enquanto &eacute;tica do conflito. Pode-se discorrer numa discuss&atilde;o f&uacute;til sobre se n&atilde;o teria sido pior, n&atilde;o houvesse uma disciplina denominada estrat&eacute;gia que moderasse, atrav&eacute;s do uso da raz&atilde;o, os &iacute;mpetos ag&oacute;nicos e b&eacute;licos dos contendores. E porque n&atilde;o trazer em proveito de Ant&oacute;nio Horta Fernandes as estrat&eacute;gias nucleares como demonstra&ccedil;&atilde;o evidente da capacidade de conten&ccedil;&atilde;o da disciplina?</p>     <p>Ant&oacute;nio Horta Fernandes tem consci&ecirc;ncia de que a viol&ecirc;ncia b&eacute;lica se avolumou ao longo dos s&eacute;culos XIX e XX e argumenta ent&atilde;o com duas din&acirc;micas distintas: a do papel da pol&iacute;tica, ou seja, da l&oacute;gica soberana e de toda a viol&ecirc;ncia que ela convoca e que se repercute na Guerra Total, express&atilde;o &uacute;ltima da soberania; a da fragilidade da disciplina estrat&eacute;gica, ainda, basicamente uma t&aacute;ctica, excessivamente contaminada pela racionalidade t&eacute;cnica. A estrat&eacute;gia n&atilde;o estaria &agrave; altura das suas potencialidades e infectada pela l&oacute;gica soberana, visceralmente violenta, n&atilde;o fora capaz de lhe p&ocirc;r um trav&atilde;o, de paliar a guerra, fracassando inapelavelmente. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A estrat&eacute;gia &eacute; de facto uma pondera&ccedil;&atilde;o, dado ser uma disciplina intelectual, uma forma de dissecar, analisar e de agir sobre a realidade, o que lhe d&aacute;, como a toda a racionalidade ponderativa, ou seja, medidora, uma din&acirc;mica morigeradora, circunspecta, da realidade. Em consequ&ecirc;ncia, ela pode ser neguentr&oacute;pica da viol&ecirc;ncia ag&oacute;nica e da guerra, o que lhe pode dar uma tonalidade &eacute;tica e transformar a estrat&eacute;gia numa &eacute;tica do conflito. </p>     <p>N&atilde;o obstante, a subst&acirc;ncia do concreto demonstra como h&aacute; algo que questiona a estrat&eacute;gia e a subverte. A estrat&eacute;gia andou a correr atr&aacute;s da realidade da guerra e da viol&ecirc;ncia b&eacute;lica desde o seu parto, e nunca chegou a tempo; a criatividade da guerra foi sempre muito mais poderosa que a racionalidade da estrat&eacute;gia. E se a guerra &eacute; uma figura do mal, ent&atilde;o o diabo inteligentemente deu aos homens uma disciplina, um saber, que s&oacute; atrasadamente e com custos bem dolorosos a soube momentaneamente resolver. </p>     <p>Na realidade, e fora da ironia, a guerra &eacute; muito mais abarcante e abrangente do que a estrat&eacute;gia, da&iacute; o dom&iacute;nio que, sobre esta, aquela pode ter: a capacidade da guerra para perturbar e perverter a ac&ccedil;&atilde;o da disciplina &eacute; colossal. A guerra &eacute; uma grande m&aacute;quina de pesados dentes trituradores e a capacidade do mec&acirc;nico em a travar deriva da sua intelig&ecirc;ncia em fundir-lhe uma das pe&ccedil;as-chave, tarefa herc&uacute;lea para o pensamento. A guerra &eacute; um barco no meio de uma tempestade, e a estrat&eacute;gia o piloto que tenta domar o seu rumo no meio da engolfante tormenta. A guerra envolve toda a sociedade, vibra por todos os que em ela est&atilde;o emaranhados, suga-os para o seu abismo, para o seu torvelinho enredemoinhante, no meio da mais profunda ang&uacute;stia, do mais pungente medo, com o horizonte enegrecido pela morte, jogando com a vida e com o futuro. Num certo sentido, &eacute; o assoberbamento produzido pela guerra que induz &agrave; clausewitziana ascens&atilde;o aos extremos. Os estrategos s&atilde;o uma pequena componente da sociedade, uma pequena parte da guerra, e est&atilde;o envolvidos, por ela, na ang&uacute;stia de responder &agrave;s m&uacute;ltiplas solicitudes que esta produz dadas as revolventes inquietudes que a contenda engendra. </p>     <p>A estrat&eacute;gia s&oacute; pode responder &agrave; absorvente press&atilde;o do torvelinho ag&oacute;nico se agir: a paralisia &eacute; a nega&ccedil;&atilde;o da estrat&eacute;gia (pensar &eacute;, obviamente, agir, mas a estrat&eacute;gia n&atilde;o pode s&oacute; meditar, tem de aplicar o pensamento, se quer reagir &agrave; envolv&ecirc;ncia abismal da guerra). A estrat&eacute;gia &eacute; ac&ccedil;&atilde;o, movimento, dinamismo: s&oacute; agindo pode barrar o trajecto enredemoinhante da guerra. &Eacute; por isso que a estrat&eacute;gia &eacute; uma <i>praxis</i>, na sua origem, e na sua pr&aacute;tica (algo que o nosso autor, efectivamente, releva). A ac&ccedil;&atilde;o implica, obviamente, medi&ccedil;&atilde;o, pondera&ccedil;&atilde;o, em suma, pensamento, mas estes s&atilde;o submetidos ao imperativo da ac&ccedil;&atilde;o. A <i>theoria</i> &eacute; empurrada, &eacute; impulsionada, pela press&atilde;o da <i>praxis</i>. Em consequ&ecirc;ncia a estrat&eacute;gia, dada a imperiosidade da din&acirc;mica conflitual, do torvelinho ag&oacute;nico, adquiriu uma fei&ccedil;&atilde;o muito mais t&eacute;cnica, muito mais instrumental. A preocupa&ccedil;&atilde;o dos estrategos, desde sempre, n&atilde;o foi a elabora&ccedil;&atilde;o de uma arquitectura te&oacute;rica pura e dura, mas a gera&ccedil;&atilde;o de um modo de ac&ccedil;&atilde;o que assegurasse, em caso de conflito, vantagens para o seu lado, e, em &uacute;ltimo caso, a derrota do seu inimigo. A arquitectura te&oacute;rica corresponde, em boa medida, &agrave; fundamenta&ccedil;&atilde;o da ac&ccedil;&atilde;o, e serve para legitimar, de forma mais sustentada, a op&ccedil;&atilde;o &laquo;operacional&raquo; e nem sempre &eacute; vi&aacute;vel que se possa testar o produto antes de este ser implementado: testa-se em ac&ccedil;&atilde;o directa e puramente dura a op&ccedil;&atilde;o. </p>     <p>Isto n&atilde;o nega a perspectiva de Ant&oacute;nio Horta Fernandes. A estrat&eacute;gia &eacute;, na verdade, raz&atilde;o e pondera&ccedil;&atilde;o, medida e julgamento, mas &eacute; isso submetido ao primado da ac&ccedil;&atilde;o. A press&atilde;o para a ac&ccedil;&atilde;o responde &agrave;s assoberbantes ang&uacute;stias e inquieta&ccedil;&otilde;es da sociedade revolvida pelo conflito, e replica a estas procurando dentro do poss&iacute;vel assegurar para todos a vida e a liberdade: a finalidade &uacute;ltima da ac&ccedil;&atilde;o estrat&eacute;gica &eacute; assegurar a liberdade, o que corresponde &agrave; sua ac&ccedil;&atilde;o: agir &eacute; garantir que dispomos da liberdade para projectar o futuro que desejamos – modo e fim s&atilde;o assim os mesmos e resumem-se &agrave; possibilidade de dispor de liberdade de ac&ccedil;&atilde;o. </p>     <p>A paralisia estrat&eacute;gica engendrada pela destrui&ccedil;&atilde;o m&uacute;tua assegurada e a manobra de ass&eacute;dio de longa dura&ccedil;&atilde;o edificada pelos contendores da Guerra Fria explica, em parte, se n&atilde;o no todo, a capacidade de desenvolver medidas de confian&ccedil;a m&uacute;tua e de apaziguamento da tens&atilde;o durante este longo conflito. A maior pondera&ccedil;&atilde;o detect&aacute;vel durante a Guerra Fria &eacute;, talvez, o fermento da paralisia estrat&eacute;gica produzida pelas armas nucleares: dilatou o tempo criando mecanismos de esfriamento da tens&atilde;o ag&oacute;nica. </p>     <p>A obra de Ant&oacute;nio Horta Fernandes, na qual <i>Acolher ou Vencer</i> &eacute; s&oacute; um fragmento, representa, no pensamento estrat&eacute;gico portugu&ecirc;s, e no pensamento estrat&eacute;gico ocidental, uma linha de maior e mais profunda originalidade, interpelando as diversas concorrentes te&oacute;ricas que o arquitectam. &Eacute; um texto desafiante quer para o pensamento pregui&ccedil;oso que se recusa a sair para fora da redoma do suposto saber institucional, quer para aqueles, e muitos o s&atilde;o, que buscam ampliar o saber relativo &agrave; estrat&eacute;gia e compreender de forma mais profunda as engrenagens do duelo ag&oacute;nico. </p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>NOTAS</b></p>     <!-- ref --><p><a name="1" id="1"></a><a href="#top1"><sup>1</sup></a> Vejam-se, entre outros, GRAY, Colin – <i>Modern Strategy</i>. Oxford: Oxford University Press, 1999;    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000042&pid=S1645-9199201100040001300001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --> FREEDMAN, Lawrence – &laquo;The transformation of strategic affairs&raquo;. In <i>Adelphi Paper</i> 379, Londres, 2006;    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000043&pid=S1645-9199201100040001300002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --> HEUSER, Beatrice – <i>The Transformation of Strategy</i>. Cambridge: Cambridge University Press, 2010;    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000044&pid=S1645-9199201100040001300003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --> COUTAU-BEG&Aacute;RIE, Herv&eacute; – <i>Trait&eacute; de Strat&eacute;gie</i>, Paris: Economica, 1999.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000045&pid=S1645-9199201100040001300004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p><a name="2" id="2"></a><a href="#top2"><sup>2</sup></a> Cf. CORREIA, Pezarat – <i>Manual de Geopol&iacute;tica e Geoestrat&eacute;gia</i>, 2 volumes. Coimbra: Almedina, 2010.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000047&pid=S1645-9199201100040001300005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p><a name="3" id="3"></a><a href="#top3"><sup>3</sup></a> Cf. BARRENTO, Martins – <i>Da Estrat&eacute;gia.</i> Lisboa: Tribuna da Hist&oacute;ria, 2010.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000049&pid=S1645-9199201100040001300006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p><a name="4" id="4"></a><a href="#top4"><sup>4</sup></a> Cf. RIBEIRO, Ant&oacute;nio Silva – <i>Teoria Geral da Estrat&eacute;gia</i>. Coimbra: Almedina, 2010.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000051&pid=S1645-9199201100040001300007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><a name="5" id="5"></a><a href="#top5"><sup>5</sup></a> Cf. FERNANDES, Ant&oacute;nio Horta – <i>O Homo strategicus ou a Ilus&atilde;o de Uma Raz&atilde;o Estrat&eacute;gica?</i>. Lisboa: IDN/Cosmos, 1998.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000053&pid=S1645-9199201100040001300008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p><a name="6" id="6"></a><a href="#top6"><sup>6</sup></a> Cf. COUTO, Abel Cabral – <i>Elementos da Estrat&eacute;gia</i>, 2 volumes. Lisboa: IAEM, s. d.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000055&pid=S1645-9199201100040001300009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p><a name="7" id="7"></a><a href="#top7"><sup>7</sup></a> WYLIE, Joseph C. – <i>Military Strategy: A General Theory of Power Control</i>. Westport: Greenwood Publishers, 1967, p. 13.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000057&pid=S1645-9199201100040001300010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      ]]></body><back>
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