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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[A história menos conhecida: A Igreja Católica polaca na transição para a democracia]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[This article describes the contribution of the Polish Catholic church for the democratic process in Poland. The article proposes that the church had a crucial role in the formulation of the opposition networks that led to the formation of the Solidarity Trade Union in 1980 and that its social and political capital was essential to lead the pacted transition resulting in the crumbling of communism in Central and Eastern Europe in 1989 and in European reunification. This article analyzes the work of the church during the different phases of this process, from the imposition of communist to the semi-free elections of 1989.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><b>25 ANOS DA QUEDA DO MURO DE BERLIM</b></p>      <p>&nbsp;</p>      <p><b>A hist&oacute;ria menos conhecida &ndash; </b><b>A Igreja Cat&oacute;lica polaca na transi&ccedil;&atilde;o para a democracia</b></p>      <p><b>The less know story: The Catholic Church and the transition to democracy in Poland</b></p>      <p>&nbsp;</p>      <p><b>Madalena Meyer Resende* Marcin Zatyka**</b></p>      <p>* Professora Auxiliar na Universidade Nova de Lisboa e investigadora no IPRI-UNL. &Eacute; doutorada em Ci&ecirc;ncia Pol&iacute;tica pela London School of Economics (2005). Foi assistente no College of Europe-Natolin em Vars&oacute;via, Gulbenkian research fellow no Centre for European Policy Studies (CEPS) em Bruxelas e &eacute; presentemente investigadora convidada da Europa Universitaet Viadrina, em Frankfurt-Oder, Alemanha. Tem numerosas publica&ccedil;&otilde;es nacionais e internacionais, estando a concluir o livro <i>Nationalism and Catholicism: Changing Party Politics in Europe</i> a ser publicado pela Routledge em 2014.</p>      <p>** Doutor em Rela&ccedil;&otilde;es Internacionais pela FCSH-UNL e Mestre em Ci&ecirc;ncias Pol&iacute;ticas pela Universidade de Vars&oacute;via. Correspondente em Portugal da Ag&ecirc;ncia Noticiosa Polaca.</p>      <p>&nbsp;</p>      <p><b>RESUMO</b></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Este artigo descreve o contributo da Igreja polaca para o processo democr&aacute;tico na Pol&oacute;nia. Argumenta-se que a Igreja teve um papel crucial na formula&ccedil;&atilde;o das redes de oposi&ccedil;&atilde;o que levaram &agrave; forma&ccedil;&atilde;o do Sindicato Solidariedade e que o seu capital social e pol&iacute;tico foi essencial para levar a bom termo a transi&ccedil;&atilde;o pactuada que resultou no desmoronar do comunismo na Europa Central e Oriental e na reunifica&ccedil;&atilde;o da Europa. O artigo analisa a atua&ccedil;&atilde;o da Igreja nas diferentes fases deste processo, desde a instaura&ccedil;&atilde;o do comunismo &agrave;s elei&ccedil;&otilde;es semilivres de 1989.</p>      <p><b>Palavras-chave</b><i>: </i>transi&ccedil;&atilde;o, Pol&oacute;nia, 1989, Igreja Cat&oacute;lica</p>      <p>&nbsp;</p>      <p><b>ABSTRACT</b></p>      <p>This article describes the contribution of the Polish Catholic church for the democratic process in Poland. The article proposes that the church had a crucial role in the formulation of the opposition networks that led to the formation of the Solidarity Trade Union in 1980 and that its social and political capital was essential to lead the pacted transition resulting in the crumbling of communism in Central and Eastern Europe in 1989 and in European reunification. This article analyzes the work of the church during the different phases of this process, from the imposition of communist to the semi-free elections of 1989.</p>      <p><b>Keywords</b>: transition, Poland, 1989, Catholic Church</p>      <p>&nbsp;</p>      <p>Se o papel de Jo&atilde;o Paulo II na luta contra o comunismo &eacute; indisputado, o papel da Igreja polaca na transi&ccedil;&atilde;o de 1989 &eacute; menos conhecido, mas n&atilde;o menos importante. A Igreja polaca apoiou a forma&ccedil;&atilde;o do Solidariedade no Ver&atilde;o quente de 1980, mas nunca perdeu a independ&ecirc;ncia, de tal modo que permaneceu uma intermedi&aacute;ria em que o regime confiou no decorrer das negocia&ccedil;&otilde;es com a oposi&ccedil;&atilde;o. O presente artigo descreve e analisa a atua&ccedil;&atilde;o da Igreja nas diferentes fases deste processo, desde a instaura&ccedil;&atilde;o do comunismo &agrave;s elei&ccedil;&otilde;es semilivres de 1989. O artigo argumenta que a Igreja teve um papel crucial na formula&ccedil;&atilde;o das redes de oposi&ccedil;&atilde;o que levaram &agrave; forma&ccedil;&atilde;o do Sindicato Solidariedade e que o seu capital social e pol&iacute;tico foi essencial para levar a bom termo a transi&ccedil;&atilde;o pactuada que resultou no desmoronar do comunismo na Europa Central e Oriental e na reunifica&ccedil;&atilde;o da Europa.</p>      <p>&nbsp;</p>      <p><b>WyszyÅ„ski e WojtyÅ‚a: a Igreja durante o comunismo</b></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Durante o per&iacute;odo comunista a Igreja Cat&oacute;lica Polaca sofreu persegui&ccedil;&otilde;es e tentativas de aniquilamento da sua independ&ecirc;ncia pelo regime, tendo resistido a estas gra&ccedil;as &agrave; estrat&eacute;gia concebida e levada a cabo pelo Cardeal Stefan WyszyÅ„ski. WyszyÅ„ski combinava a capacidade de defender os interesses da Igreja com a habilidade para negociar com o regime, sendo conhecido por saber sempre onde estava &lsquo;a borda do abismo&rsquo;.<sup><a href="#1">1</a></sup><a name="top1"></a> Durante a crise de outubro de 1956, Union in 1980 and that its social and political capital was essential to lead conhecida como o outono Polaco, vendo-se a bra&ccedil;os com um levantamento popular contra o regime, o recentemente reinstaurado Secret&aacute;rio Geral do partido Stanislaw Gomulka prop&ocirc;s ao Cardeal uma alian&ccedil;a patri&oacute;tica para salvar a Pol&oacute;nia da invas&atilde;o sovi&eacute;tica<sup><a href="#2">2</a></sup><a name="top2"></a>. Em troca, a Igreja polaca conseguiu maior liberdade de culto e a legaliza&ccedil;&atilde;o dos Clubes de Intelectuais Cat&oacute;licos (KIK) e das suas publica&ccedil;&otilde;es, a mais importante das quais era o seman&aacute;rio, <i>Tygodnik Powszechny</i>. Logo em 1957, a Igreja lan&ccedil;ou uma contraofensiva no sentido de mobilizar os fi&eacute;is em torno de um ideal nacional e religioso. As Novenas do Mil&eacute;nio duraram nove anos e levaram a todas as cidades As Novenas do Mil&eacute;nio duraram nove anos e levaram a todas as cidades e vilas polacas a imagem da Nossa Senhora de CzÄ™stochowa, num programa destinado a preparar a celebra&ccedil;&atilde;o do Mil&eacute;nio Sagrado do batismo do primeiro rei polaco, Mieszko I, em 966. O santu&aacute;rio da Nossa Senhora Negra de CzÄ™stochowa, o local principal das celebra&ccedil;&otilde;es da Novena foi chave para o vocabul&aacute;rio simb&oacute;lico da Novena, representando a na&ccedil;&atilde;o polaca unida sob a bandeira da Nossa Senhora e resistindo ao regime comunista<sup><a href="#3">3</a></sup><a name="top3"></a>. As Novenas foram usadas pela Igreja para imprimir um car&aacute;cter religioso &agrave;s celebra&ccedil;&otilde;es do Estado polaco e dessa forma desafiar a legitimidade do regime comunista.</p>      <p>A Igreja fez tamb&eacute;m uso da ret&oacute;rica patri&oacute;tica para contrariar os ventos modernizadores do Conc&iacute;lio Vaticano II e a tentativa do Papa Paulo VI e do secret&aacute;rio de estado Agostino Casaroli de ganhar maior controlo sobre a Igreja polaca<sup><a href="#4">4</a></sup><a name="top4"></a>. que &laquo;A Igreja est&aacute; plenamente consciente da sua miss&atilde;o hist&oacute;rica em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; na&ccedil;&atilde;o, pela qual se lutou no passado quando o estado teve que manter sil&ecirc;ncio.&raquo;<sup><a href="#5">5</a></sup><a name="top5"></a></p>      <p>No final dos anos 60 a fac&ccedil;&atilde;o progressista e universalista ganhou um l&iacute;der, o Cardeal de Crac&oacute;via, Karol WojtyÅ‚a, reconhecido pelo seu trabalho no Conc&iacute;lio Vaticano II. WojtyÅ‚a cultivou rela&ccedil;&otilde;es com os Arcebispos Koenig de Viena e Alfred Bengsh de Berlim<sup><a href="#6">6</a></sup><a name="top6"></a>. No convite para as celebra&ccedil;&otilde;es do Mil&eacute;nio Sagrado Polaco, o Episcopado Polaco incluiu a <i>Carta Pastoral dos Bispos Polacos aos seus Irm&atilde;os Alem&atilde;es, </i>redigida por WojtyÅ‚a e que iniciava um di&aacute;logo de reconcilia&ccedil;&atilde;o, encapsulado na famosa frase &laquo;n&oacute;s perdoamos e pedimos perd&atilde;o&raquo;.<sup><a href="#7">7</a></sup><a name="top7"></a> Contudo a resposta t&eacute;pida dos bispos alem&atilde;es a esta carta deu azo a que o regime comunista criticasse a carta dos bispos polacos, lan&ccedil;ando uma campanha sob o mote &laquo;n&oacute;s n&atilde;o perdoamos e n&atilde;o esquecemos&raquo;<sup><a href="#8">8</a></sup><a name="top8"></a>. Esta foi uma posi&ccedil;&atilde;o que foi bem recebida pela sociedade e que caracteriza bem o clima de confronto entre a Igreja e o Estado nesta d&eacute;cada.</p>      <p>&nbsp;</p>      <p><b>A &laquo;IGREJA E A ESQUERDA&raquo;<sup><a href="#9">9</a></sup><a name="top9"></a></b></p>      <p>Durante os anos 70 a nova corrente universalista liderada por WojtyÅ‚a aproximou-se de uma nova gera&ccedil;&atilde;o de dissidentes. Anteriormente a Igreja e a dissid&ecirc;ncia ao regime posicionavam-se em sectores pol&iacute;ticos opostos; a desilus&atilde;o com o regime durante os confrontos estudantis em Vars&oacute;via em Mar&ccedil;o de 1968 aproximou uma nova gera&ccedil;&atilde;o de dissidentes da defesa dos direitos humanos proposta por WojtyÅ‚a e os contra o regime pelo seu ataque &agrave; dignidade humana<sup><a href="#10">10</a></sup><a name="top10"></a>. Apesar de WojtyÅ‚a ter sido inicialmente considerado pelo regime como mais conciliador do que WyszyÅ„ski, ele veio a ser o autor de um novo discurso anticomunista que redesenhou as linhas de batalha contra o comunismo<sup><a href="#11">11</a></sup><a name="top11"></a>. Para WojtyÅ‚a o materialismo Marxista levava a uma conce&ccedil;&atilde;o errada da natureza humana, logo a sua resist&ecirc;ncia ao comunismo assentava numa acusa&ccedil;&atilde;o mais fundamental contra o regime<sup><a href="#12">12</a></sup><a name="top12"></a>.</p>      <p>A repress&atilde;o violenta dos trabalhadores pelo regime comunista durante os protestos de 1976 levaram os dissidentes ex-Marxistas a organizar o Comit&eacute; de Defesa dos Trabalhadores (KOR)<sup><a href="#13">13</a></sup><a name="top13"></a>. Os intelectuais de esquerda constitu&iacute;am o n&uacute;cleo do KOR, mas alguns padres como Jan Zieja e Zbigniew Kamiski foram tamb&eacute;m membros importantes, e o grupo tinha liga&ccedil;&otilde;es importantes com os KIK<sup><a href="#14">14</a></sup><a name="top14"></a>. Nestas redes de opositores entre os membros do KIK e do KOR formaram-se os primeiros n&uacute;cleos da elite pol&iacute;tica democr&aacute;tica.</p>      <p>A elei&ccedil;&atilde;o de Karol WojtyÅ‚a ao papado em 1978 deu a esta alian&ccedil;a anticomunista uma nova din&acirc;mica e uma dimens&atilde;o global<sup><a href="#15">15</a></sup><a name="top15"></a>. Durante a visita apost&oacute;lica &agrave; sua terra natal em 1979, Jo&atilde;o Paulo II apresenta o programa do seu papado: a unifica&ccedil;&atilde;o da Europa. Na primeira homilia do seu pontificado, Jo&atilde;o Paulo II anuncia o desejo de que todos os sistemas pol&iacute;ticos abram as portas a Cristo, sendo esta j&aacute; uma afirma&ccedil;&atilde;o program&aacute;tica de luta pela cristianiza&ccedil;&atilde;o da Europa. Durante a ora&ccedil;&atilde;o ao Esp&iacute;rito Santo na missa quer a unifica&ccedil;&atilde;o da Europa? O Esp&iacute;rito Santo n&atilde;o o ordena? Que atrav&eacute;s deste Papa polaco, o Papa eslavo, a unidade espiritual da Europa Crist&atilde; &eacute; demonstrada, constitu&iacute;da por duas tradi&ccedil;&otilde;es, a Oriental e a Ocidental? N&oacute;s, Polacos, que sempre fomos parte da tradi&ccedil;&atilde;o Ocidental, assim como os nossos irm&atilde;os Lituanos, sempre estim&aacute;mos as tradi&ccedil;&otilde;es do Cristianismo Oriental. Os nossos pa&iacute;ses foram convidados por estas tradi&ccedil;&otilde;es, que deram origem a uma nova Roma &ndash; em Constantinopla.&raquo;<sup><a href="#16">16</a></sup><a name="top16"></a></p>      <p>&nbsp;</p>      <p><b>A IGREJA E O SOLIDARIEDADE</b></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Menos de um ano passou entre a visita papal e a emerg&ecirc;ncia do Solidariedade. Durante a greve de ocupa&ccedil;&atilde;o nos estaleiros navais Lenine em Gdansk, forjou-se uma alian&ccedil;a entre trabalhadores grevistas, a Igreja cat&oacute;lica e os dissidentes, que resultou numa mobiliza&ccedil;&atilde;o sem precedentes da sociedade civil no sindicato Solidariedade<sup><a href="#17">17</a></sup><a name="top17"></a>. Desde a sua legaliza&ccedil;&atilde;o, em setembro de 1980, at&eacute; &agrave; sua suspens&atilde;o em dezembro de 1981, o Solidariedade mobilizou 10 milh&otilde;es de membros e tornou-se o mais s&eacute;rio desafio ao comunismo<sup><a href="#18">18</a></sup><a name="top18"></a>.</p>      <p>Contudo, o Solidariedade n&atilde;o confrontou diretamente o regime: a agenda pol&iacute;tica do movimento n&atilde;o contemplava nem o derrube nem a reforma do partido comunista. A &#39;revolu&ccedil;&atilde;o autolimitada&#39; do Solidariedade tinha como objetivo a cria&ccedil;&atilde;o de uma sociedade civil paralela e compat&iacute;vel com o poder do partido comunista.</p>      <p>Durante este per&iacute;odo, a Igreja Polaca atuou tanto como apoiante como mediadora entre o Solidariedade e o governo comunista. As fa&ccedil;&otilde;es tradicionais e progressistas da Igreja uniram-se no apoio ao Solidariedade. O l&iacute;der cat&oacute;lico Tadeusz Mazowiecki, futuro primeiro-ministro da Pol&oacute;nia democr&aacute;tica, foi dos primeiros a apoiar os trabalhadores em greve atrav&eacute;s da carta dos 64 intelectuais<sup><a href="#19">19</a></sup><a name="top19"></a>. As missas e confiss&otilde;es do Padre Henryk Jankowski no adro do Estaleiro Lenine tornaram-se, juntamente com os crucifixos, bandeiras polacas e p&oacute;steres de Jo&atilde;o Paulo II, elementos intr&iacute;nsecos da est&eacute;tica e do <i>ethos </i>do movimento. O clero teve uma influ&ecirc;ncia forte na atua&ccedil;&atilde;o do Solidariedade, lideran&ccedil;a do Solidariedade, em particular de Lech Warar o sindicato nos momentos em que o radicalismo do movimento arriscava o car&aacute;cter autolimitado da revolu&ccedil;&atilde;o. A Igreja foi tamb&eacute;m parte da Comiss&atilde;o Conjunta entre o governo e o Solidariedade, onde o Cardeal de Crac&oacute;via Franciszek Macharski, o Arcebispo Jerzy Stroba de Poznan, o Bispo BronisÅ‚aw DÄ…browski<sup><a href="#20">20</a></sup><a name="top20"></a>, secret&aacute;rio do Episcopado e o Padre Alojsy Orszulik, porta-voz do Episcopado tentaram mediar a rela&ccedil;&atilde;o entre o movimento e o governo<sup><a href="#21">21</a></sup><a name="top21"></a>.</p>      <p>Para al&eacute;m do seu papel de media&ccedil;&atilde;o, um dos impactos mais significativos da Igreja no Solidariedade durante o per&iacute;odo de 1980-81 foi a influ&ecirc;ncia que teve na cria&ccedil;&atilde;o do <i>ethos </i>do Solidariedade. Membros do clero, tais, como o Padre J&oacute;zef Tischner e, acima de tudo, Jo&atilde;o Paulo II e o seu Evangelho da Liberdade, providenciaram a doutrina no qual o programa ideol&oacute;gico do Solidariedade. se baseou<sup><a href="#22">22</a></sup><a name="top22"></a>. Depois da imposi&ccedil;&atilde;o da lei marcial em dezembro de 1981 e da ilegaliza&ccedil;&atilde;o do Solidariedade, as visitas do papa &agrave; Pol&oacute;nia em 1983 e 1987 continuaram a influenciar a oposi&ccedil;&atilde;o na clandestinidade<sup><a href="#23">23</a></sup><a name="top23"></a>. Para al&eacute;m do apoio moral ao Solidariedade durante estas visitas, os ensinamentos doutrinais do papa sobre a dignidade da pessoa humana e a sua insist&ecirc;ncia de que as rela&ccedil;&otilde;es entre as na&ccedil;&otilde;es deveriam ser baseadas no reconhecimento m&uacute;tuo e na solidariedade entre as na&ccedil;&otilde;es influenciou as futuras elites democr&aacute;ticas em assuntos de pol&iacute;tica interna e externa<sup><a href="#24">24</a></sup><a name="top24"></a>. Como Jo&atilde;o Paulo II escreveria mais tarde: &laquo;Por um lado, as diferen&ccedil;as nacionais devem ser mantidas como base da solidariedade Europeia, por outro lado, a identidade nacional s&oacute; pode ser concretizada atrav&eacute;s da abertura &agrave;s outras na&ccedil;&otilde;es e &agrave; solidariedade com elas.&raquo;<sup><a href="#25">25</a></sup><a name="top25"></a></p>      <p>O Solidariedade traduziu estas exorta&ccedil;&otilde;es numa pol&iacute;tica externa em que a prioridade da unifica&ccedil;&atilde;o Europeia e a reconcilia&ccedil;&atilde;o com os pa&iacute;ses vizinhos com quem a Pol&oacute;nia tinha uma hist&oacute;ria de guerra durante os s&eacute;culos anteriores ocupou o primeiro plano. A partir de meados dos anos oitenta, estes assuntos passaram a ser debatidos numa s&eacute;rie de debates intitulados &laquo;F&oacute;rum na Europa&raquo; e levados a cabo pelos <i>millieus </i>cat&oacute;licos de Vars&oacute;via, mas incluindo o que viria a ser a elite de pol&iacute;tica externa da Pol&oacute;nia democr&aacute;tica<sup><a href="#26">26</a></sup><a name="top26"></a>. Estes debates foram cruciais para criar um consenso sobre a prioridade da integra&ccedil;&atilde;o europeia para a Pol&oacute;nia livre entre as futuras elites democr&aacute;ticas<sup><a href="#27">27</a></sup><a name="top27"></a>, sendo que as redes pr&oacute;-Europeias da elite polaca viriam a tornar-se mais proeminentes na Comiss&atilde;o Executiva Nacional do Solidariedade, quando esta foi reconstitu&iacute;da em 1987<sup><a href="#28">28</a></sup><a name="top28"></a>. Para al&eacute;m desta reorienta&ccedil;&atilde;o das linhas mestras da pol&iacute;tica Europeia Ocidental da Pol&oacute;nia, o Solidariedade tamb&eacute;m alterou a sua pol&iacute;tica externa em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; Ucr&acirc;nia e Litu&acirc;nia, sendo uma das primeiras apoiantes das aspira&ccedil;&otilde;es de independ&ecirc;ncia destes pa&iacute;ses<sup><a href="#29">29</a></sup><a name="top29"></a>.</p>      <p>&nbsp;</p>      <p><b>A TRANSI&Ccedil;&Atilde;O PARA A DEMOCRACIA </b></p>      <p>Durante o per&iacute;odo da clandestinidade, em particular enquanto a maioria da lideran&ccedil;a do movimento estava presa, a Igreja Cat&oacute;lica representou o <i>Solidariedade </i>nas conversa&ccedil;&otilde;es com as autoridades comunistas polacas. Contudo, a cada vez mais enfraquecida economia polaca jogava a favor do <i>Solidariedade</i>. Em novembro de 1984, centenas de milhares de polacos encheram Varsovia durante o funeral do Padre Jerzy Popie uszko, o capelao do <i>Solidariedade</i>,assassinado por agentes secretos. O aumento da contesta&ccedil;&atilde;o social foi crescente a partir de 1986, e o regime dirigido pelo general Wojciech Jaruzelski estava cada vez mais preocupado com a inquieta&ccedil;&atilde;o popular e mostrou-se cauteloso em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; oposi&ccedil;&atilde;o. Em novembro de 1987, a popula&ccedil;&atilde;o respondeu &agrave;s propostas de reformas pol&iacute;ticas e econ&oacute;micas pelo regime com indiferen&ccedil;a, tendo-se registado a maior absten&ccedil;&atilde;o de todas as elei&ccedil;&otilde;es organizadas na Pol&oacute;nia comunista<sup><a href="#30">30</a></sup><a name="top30"></a>.</p>      <p>Quando, em janeiro de 1988, uma onda de greves come&ccedil;ou em Nowa Huta e mais tarde se espalhou por todo o pa&iacute;s, o regime concluiu que n&atilde;o poderia ultrapassar a crise sem o apoio do Solidariedade. No ano anterior, Jo&atilde;o Paulo II tinha visitado a Pol&oacute;nia e mostrado mais uma vez a capacidade de mobiliza&ccedil;&atilde;o da Igreja, e o seu apoio impl&iacute;cito ao Solidariedade deu &agrave; oposi&ccedil;&atilde;o a credibilidade necess&aacute;ria. Sob a &eacute;gide da <i>Perestroika </i>de Mikhail Gorbatchev, o l&iacute;der comunista General Jaruzelski anunciou, durante o plen&aacute;rio do Comit&eacute; Central, a cria&ccedil;&atilde;o de uma c&acirc;mara alta no parlamento a 13 junho de 1988. A inten&ccedil;&atilde;o era introduzir alguns elementos pluralistas na institui&ccedil;&atilde;o e de incluir a oposi&ccedil;&atilde;o no sistema pol&iacute;tico. Contudo, a linha dura do partido recusou-se a negociar diretamente com o Solidariedade, e, por essa raz&atilde;o, a lideran&ccedil;a moderada do Partido decidiu pedir ao Cardeal Glemp que atuasse como intermedi&aacute;rio com a oposi&ccedil;&atilde;o. A 3 de maio de 1988, o secretario do Comite Central Stanis aw Ciosek &ndash; encarregado de negociar com a oposi&ccedil;&atilde;o &ndash; informou o l&iacute;der do KIK de Vars&oacute;via, Andrzej Wielowieyski, que o partido estava pronto para iniciar negocia&ccedil;&otilde;es com o Solidariedade<sup><a href="#31">31</a></sup><a name="top31"></a>.</p>      <p>O Cardeal Glemp nomeou os padres e bispos que mediaram entre o regime e a oposi&ccedil;&atilde;o, tendo estes sido cruciais para o estabelecimento das negocia&ccedil;&otilde;es e do seu sucesso para ultrapassar as diferen&ccedil;as entre o Solidariedade e o regime que decorreram entre fevereiro e abril de 1988: o Padre Bronis aw Dembowski, diretor espiritual do KIK de Varsovia,o Padre Alojzy Orszulik, o secret&aacute;rio do Episcopado e o bispo Tadeusz Goc owski.<sup><a href="#32">32</a></sup><a name="top32"></a></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Ficou assim demonstrado que, apesar do apoio dado por Jo&atilde;o Paulo II e por uma grande parte do clero &agrave; oposi&ccedil;&atilde;o do Solidariedade, o regime considerou a Igreja a sua melhor escolha para servir de intermedi&aacute;rio<sup><a href="#33">33</a></sup><a name="top33"></a>.</p>      <p>&nbsp;</p>      <p><b>A IGREJA, A MESA REDONDA E A REORIENTA&Ccedil;&Atilde;O DA POL&Iacute;TICA EXTERNA DA POL&Oacute;NIA</b></p>      <p>Depois de Mikhail Gorbatchev declarar ao General Wojciech Jaruzelski, durante a visita a Vars&oacute;via no ver&atilde;o de 1988, em como n&atilde;o via obst&aacute;culos &agrave; inclus&atilde;o do Solidariedade na esfera pol&iacute;tica, as negocia&ccedil;&otilde;es para uma transi&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica ganharam velocidade. A Igreja permaneceu um elemento agilizador do processo, ajudando a ultrapassar os impasses que iam surgindo. Por exemplo, em novembro de 1988, quando as conversa&ccedil;&otilde;es foram interrompidas devido ao desacordo entre Walesa e o governo sobre a exig&ecirc;ncia de legaliza&ccedil;&atilde;o do Solidariedade, a media&ccedil;&atilde;o do Padre Orszulik, secret&aacute;rio do Episcopado, e do Arcebispo D browski foi essencial para encontrar uma f&oacute;rmula que permitisse ultrapassar o bloqueio: as duas partes acordaram que a legaliza&ccedil;&atilde;o do Solidariedade seria o resultado das negocia&ccedil;&otilde;es, n&atilde;o o seu ponto de partida<sup><a href="#34">34</a></sup><a name="top34"></a>. Durante o processo negocial iniciado em fevereiro de 1989, o clero polaco permaneceu em primeiro plano. Membros do clero estiveram presentes n&atilde;o s&oacute; na mesa redonda, mas, foram tamb&eacute;m presen&ccedil;a constante nas conversa&ccedil;&otilde;es informais que envolviam um grupo muito restrito de negociadores e onde algumas das decis&otilde;es fundamentais foram tomadas. Alojzy Orszulik esteve em todas as reuni&otilde;es, tendo mais uma vez atuado como garante da boa-f&eacute; das partes e relatando todo o processo<sup><a href="#35">35</a></sup><a name="top35"></a>.</p>      <p>O governo e a oposi&ccedil;&atilde;o assinaram os acordos de mesa redonda a 4 de abril de 1989<sup><a href="#36">36</a></sup><a name="top36"></a>. A principal conclus&atilde;o do processo foi o acordo quanto a um contrato entre o Solidariedade e o Partido em rela&ccedil;&atilde;o ao novo poder pol&iacute;tico: n&atilde;o s&oacute; se formou um parlamento bicamaral institu&iacute;do de poderes pol&iacute;ticos reais e se instituiu um chefe de Estado, como o Solidariedade foi legalizado e p&ocirc;de concorrer nas elei&ccedil;&otilde;es parlamentares de junho de 1989. A Igreja polaca esteve ao lado do Solidariedade durante a campanha eleitoral, tendo as listas do Solidariedade ganhado 99 dos 100 lugares no Senado e todos os lugares aos que tinham direito a candidatar-se na c&acirc;mara baixa, i.e. 35 porcento<sup><a href="#37">37</a></sup><a name="top37"></a>.</p>      <p>O papel da Igreja n&atilde;o terminou com as elei&ccedil;&otilde;es de junho de 1989. Depois da vit&oacute;ria do Solidariedade, os comunistas recearam que o Sindicato n&atilde;o cumprisse o acordo de que 65 porcento dos lugares no parlamento permanecessem sob controlo comunista. Mais uma vez a Igreja foi importante ao assegurar aos comunistas que o Solidariedade n&atilde;o contestava o acordo e ajudou a forjar o compromisso resultando na forma&ccedil;&atilde;o de um governo de coliga&ccedil;&atilde;o liderado por Tadeusz Mazowiecki em setembro de 1989<sup><a href="#38">38</a></sup><a name="top38"></a>.</p>      <p>&nbsp;</p>      <p><b>CONCLUS&Atilde;O </b></p>      <p>Este artigo analisou o papel da Igreja Cat&oacute;lica polaca na resist&ecirc;ncia ao comunismo e o seu papel na transi&ccedil;&atilde;o pactuada, em que o Solidariedade e o Partido Oper&aacute;rio Unificado Polaco negociaram a mudan&ccedil;a de regime. Estas linhas comprovam a an&aacute;lise de Linz e de Stepan que apontam para o facto de a Igreja polaca ter sido um terceiro polo de poder social e pol&iacute;tico, e que, por essa raz&atilde;o, o regime comunista na Pol&oacute;nia nunca atingiu caracter&iacute;sticas totalit&aacute;rias<sup><a href="#39">39</a></sup><a name="top39"></a>. As rela&ccedil;&otilde;es entre a Igreja e o comunismo foram caracterizadas por confronto mas tamb&eacute;m por negocia&ccedil;&atilde;o constante. O surgimento do movimento Solidariedade esteve, por isso, ligado &agrave; exist&ecirc;ncia de redes de oposi&ccedil;&atilde;o em que a Igreja desempenhou um papel de apoio.</p>      <p>Pelo seu apoio ao Solidariedade e pela import&acirc;ncia nas negocia&ccedil;&otilde;es da transi&ccedil;&atilde;o pactuada, nos primeiros anos de democracia a Igreja Cat&oacute;lica polaca gozava de um capital social e pol&iacute;tico extremamente alto. Embora este apoio incondicional se tenha degradado nos anos subsequentes e a unidade que caracterizou a sua atua&ccedil;&atilde;o durante o comunismo se tenha dissipado, o legado de uma pol&iacute;tica externa pr&oacute;-Europeia perdurou nas d&eacute;cadas seguintes, fazendo hoje da Pol&oacute;nia um membro plenamente integrado da Europa reunificada.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>      <p>Data de rece&ccedil;&atilde;o: 15 de julho de 2014</p>      <p>Data de aprova&ccedil;&atilde;o: 29 de agosto de 2014</p>      <p>&nbsp;</p>      <p><b>NOTAS</b></p>      <p><Sup><a name="1"></a><a href="#top1">1</a></Sup> WEIGEL, George &ndash; <i>The end and the beginning: Pope John Paul II &ndash; The victory of freedom, the last years, the legacy</i>. Nova Iorque: Image Books, 2010, p. 210.</p>      <p><Sup><a name="2"></a><a href="#top2">2</a></Sup> A Pol&oacute;nia conseguiu assim evitar o destino da Hungria, onde a rebeli&atilde;o anticomunista foi combatida pelo Ex&eacute;rcito Vermelho e pelas tropas do Pacto de Vars&oacute;via.</p>      <p><Sup><a name="3"></a><a href="#top3">3</a></Sup> OSA, Maryjane &ndash; <i>Solidarity and Contention: Networks of Polish Opposition</i>. Minneapolis: University of Minnesota Press, 2003, p. 62.</p>      <p><Sup><a name="4"></a><a href="#top4">4</a></Sup> CASAROLI, Agostino &ndash; <i>Il Mar tirio della Pazienza: La Santa Sede e i paesi comunisti (1963-89)</i>. Torino: Einaudi, 2000, pp. 301-303.</p>      <p><Sup><a name="5"></a><a href="#top5">5</a></Sup> MONTICONE, Ronald C. &ndash; <i>The Catholic Church in Communist Poland 1945-1985: Forty Years of Church-State Relations</i>. Nova Iorque: East European Monographs, Boulder, 1986, p. 156.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><Sup><a name="6"></a><a href="#top6">6</a></Sup> RAINA, P. K. &ndash; <i>ii&oacute;Å‚ katoliwietle dokument&oacute;w 1945&ndash;1989, t. 3</i>. Poznan: Pelplin, 1996, p. 227.</p>      <p><Sup><a name="7"></a><a href="#top7">7</a></Sup> MONTICONE, Ronald C. &ndash; <i>The Catholic Church in Communist Poland 1945-1985: Forty Years of Church-State Relations</i>. New York: East European Monographs, Boulder, 1986, pp. 39.</p>      <p><Sup><a name="8"></a><a href="#top8">8</a></Sup> LUXMOORE, Jonathan e BABIUCH, Jolanta &ndash; <i>The Vatican and the Red Flag: The Struggle for the Soul of Eastern Europe</i>. New York: Geoffrey Chapman, 2000, p. 139.</p>      <p><Sup><a name="9"></a><a href="#top9">9</a></Sup> Este &eacute; o t&iacute;tulo do livro de Adam Michnik descrevendo o processo de aproxima&ccedil;&atilde;o dos dissidentes de esquerda e da Igreja. Ver MICHNIK, Adam &ndash; <i>The church and the left</i>. Chicago: University of Chicago Press, 1993.</p>      <p><Sup><a name="10"></a><a href="#top10">10</a></Sup> GREGG, Samuel &ndash; <i>Challenging the modern world: Karol Wojtyla/John Paul II and the development of Catholic social teaching</i>. Lanham: Lexington Books, 2002, p. 70; ZMIJEWSKI, Norbert A. &ndash; <i>The Catholic-Marxist ideological dialogue in Poland, 1945-1980</i>. Aldershot, Hants, England: Brookfield, 1991, p. 170.</p>      <p><Sup><a name="11"></a><a href="#top11">11</a></Sup> LUXMOORE, Jonathan e BABIUCH, Jolanta &ndash; <i>The Vatican and the Red Flag: The Str uggle for the So ul of Easter n Europe</i>. New York: Geoffrey Chapman, 2000, p. 197.</p>      <p><sup><a name="12"></a><a href="#top12">12</a></sup> WILLIAMS, George &ndash; <i>The Mind of John Paul II: Origins of His Thoughts and Actions</i>. Nova York: Seabury Press, 1981, p. 267.</p>      <p><Sup><a name="13"></a><a href="#top13">13</a></Sup> BERNHARD, Michael H. &ndash; <i>The origins of democratization in Poland: workers, intellectuals, and oppositional politics, 1976198 0</i>. New York: Columbia University Press, 1993, pp. 88-90.</p>      <!-- ref --><p><Sup><a name="14"></a><a href="#top14">14</a></Sup> BERNHARD, Michael H. <i>The origins of democratization in Poland: workers, intellectuals, and oppositional politics, 1976-1980</i>, 1993, p. 137;    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000071&pid=S1645-9199201400030000400014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> OSA, Maryjane &ndash; <i>Solidarity and Contention: Networks of Polish Opposition</i>. Minneapolis: Universisty of Minnesota Press, 2003, p.181.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><Sup><a name="15"></a><a href="#top15">15</a></Sup> SNYDER, Timothy &ndash; <i>The reconstruction of nations: Poland, Ukraine, Lithuania, Belarus, 1569-1999</i>. New Haven: Yale University Press, 2003, p. 276.</p>      <p><sup><a name="16"></a><a href="#top16">16</a></sup> Jo&atilde;o Paulo II, 1979.</p>      <!-- ref --><p><Sup><a name="17"></a><a href="#top17">17</a></Sup> FRISZKE, Andrzej. Opozycja polityczna w PRL 1945-1980. Londres: Aneks, 1994, p. 591.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000075&pid=S1645-9199201400030000400017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <p><Sup><a name="18"></a><a href="#top18">18</a></Sup> OSA, Maryjane. <i>Solidarity and Contention: Networks of Polish Opposition</i>, 2003, p. 131; ACHERSON, Neal &ndash; <i>The Polish August: The Self-Limiting Revolution</i>. Londres: Penguin, 1981, pp. 135-167.</p>      <p><Sup><a name="19"></a><a href="#top19">19</a></Sup> ACHERSON, Neal. <i>The Polish August: The Self-Limiting Revolution</i>, 1981.</p>      <p><Sup><a name="20"></a><a href="#top20">20</a></Sup> O Bispo Bronii foi o bra&ccedil;o direito do Cardeal Wysz yn&acute;ski durante a crise de 1980-1981.</p>      <p><Sup><a name="21"></a><a href="#top21">21</a></Sup> ACHERSON, Neal. <i>The Polish August: The Self-Limiting Revolution</i>, 1981, p. 222.</p>      <p><Sup><a name="22"></a><a href="#top22">22</a></Sup> <i>Ibidem</i>, p. 267.</p>      <p><Sup><a name="23"></a><a href="#top23">23</a></Sup> WEIGEL, George &ndash; <i>Witness to hope: The biography of Pope John Paul II</i>. New York: Cliff Street Books, 2001, pp. 263-296.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><Sup><a name="24"></a><a href="#top24">24</a></Sup> HANSON, Eric O. &ndash; <i>The Catholic Church in world politics</i>. Princeton, N.J.: Princeton University Press, 1987, p. 52.</p>      <p><Sup><a name="25"></a><a href="#top25">25</a></Sup> POPE JOHN PAUL II &ndash; <i>Post-Synodal Apostolic Exhortation, Ecclesia in Europa, of His Holiness Pope John Paul II to the Bishops Men and Women in the Consecrated Life and All the Lay Faithful on Jesus Christ Alive in His Church the Source of Hope for Europe</i>. Roma: Libreria Editrice Vaticana, 2003.</p>      <!-- ref --><p><Sup><a name="26"></a><a href="#top26">26</a></Sup> SKORZYNSKI, Zygmunt &ndash; <i>Konwersatorium i Fundacja &bdquo;Polska w Europie&laquo; (The Seminar and the Foundation &raquo;Poland in Europe&rdquo;). </i><i>Polska w Europie</i>. 1990, pp.98-100; ZATYKA, Marcin. <i>O papel de Jo&atilde;o Paulo II e da Igreja Cat&oacute;lica polaca na ades&atilde;o da Pol&oacute;nia &agrave; Uni&atilde;o Europeia</i>. PhD Thesis. Lisboa: Nova University of Lisbon, dezembro 2013.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000085&pid=S1645-9199201400030000400022&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <p><Sup><a name="27"></a><a href="#top27">27</a></Sup> CZAPUTOWICZ, Jacek &ndash; &laquo;Polityka zagraniczna w dziaÅ‚aniach opozycji przed roki<i>tyczny</i>, Vol. 4-5, 2009, pp. 57-86.</p>      <p><Sup><a name="28"></a><a href="#top28">28</a></Sup> BOROW SK I, A dam e OFICY N A WYDAWNICZA &ndash; <i>The road to independence: Solidarnosc, 1980-2005</i>. Warszawa: Oficyna Wydawnicza Volumen, 2005, p. 139.</p>      <p><Sup><a name="29"></a><a href="#top29">29</a></Sup> SNYDER, Timothy &ndash; <i>The reconstruction of nations: Poland, Ukraine, Lithuania, Belarus, 1569-1999</i>. New Haven: Yale University Press, 2003, pp. 229-30.</p>      <!-- ref --><p><Sup><a name="30"></a><a href="#top30">30</a></Sup> ZAMOYSKI, Adam. <i>Hist&oacute;ria da Pol&oacute;nia</i>. Lisboa: Edi&ccedil;&otilde;es 70, p. 350.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000090&pid=S1645-9199201400030000400025&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p><Sup><a name="31"></a><a href="#top31">31</a></Sup> RAINA, Peter. Rozmowy z wÅ‚adzami PRL. Arcybii w sÅ‚uz<sup>.</sup>bie Kos&acute;cioÅ‚a i Narodu. Vol. II. Vars&oacute;via: ka Polska, 1995, pp. 232-240.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000092&pid=S1645-9199201400030000400026&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p><Sup><a name="32"></a><a href="#top32">32</a></Sup> RAINA, Peter. Rozmowy z wÅ‚adzami PRL. Arcybii w sÅ‚uz<sup>.</sup>bie Kos&acute;cioÅ‚a i Narodu. Vol. II. Vars&oacute;via: ka Polska, 1995, pp. 232-240.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000094&pid=S1645-9199201400030000400027&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <p><Sup><a name="33"></a><a href="#top33">33</a></Sup> ZIEMER, Klaus &ndash; &laquo;Die Rolle der katholischen Kirche beim politischen Systemwechsel 1988 bis 1990&raquo;, <i>In </i>VEEN, Hans-Joachim, M&Auml;RZ, Peter et SCHLICHTING, Franz-Josef (dir.) &ndash; <i>Polen: Kirche und Revolution: das Christentum in Ostmitteleuropa vor und nach 1989</i>. K&ouml;ln: B&ouml;hlau, 2009, pp. 79-90.</p>      <p><Sup><a name="34"></a><a href="#top34">34</a></Sup> ELSTER, Jon &ndash; <i>The roundtable talks and the breakdown of communism</i>. Chicago: University of Chicago Press, 1996, p. 29.</p>      <p><Sup><a name="35"></a><a href="#top35">35</a></Sup> ORSZULIK, Alojzy &ndash; <i>Czas przeÅ‚omu: Notatki ks. Alojzego Orszulika z rozm&oacute;w z wÅ‚adzami PRL w latach 1981-1989 (A Time of Breakthrough: Father Alojzy Orszulik&rsquo;s Notes from discussions with the authorities of the Polish People&rsquo;s Republic in the years 19811989)</i>. Warszaw: Apostolicum Wydawnic-. two y Pallotyn&oacute;w, 2006, p. 605; ZIEMER, Klaus &ndash; &laquo;Die Rolle der katholischen Kirche beim politischen Systemwechsel 1988 bis 1990&raquo;, 2009, p. 93.</p>      <p><Sup><a name="36"></a><a href="#top36">36</a></Sup> Os acordos da mesa redonda podem ser consultados em: <a href="http://okragly-stol.pl/" target="blank">http://okragly-stol.pl/</a></p>      <p><Sup><a name="37"></a><a href="#top37">37</a></Sup> ROSZKOWSKI, Wojciech. Najnowsza historia Polski. Vars&oacute;via, Ski, 2003, pp. 117.</p>      <p><Sup><a name="38"></a><a href="#top38">38</a></Sup> ZIEMER, Klaus &ndash; &laquo;Die Rolle der katholischen Kirche beim politischen Systemwechsel 1988 bis 1990&raquo;, 2009, p. 96.</p>      <p><Sup><a name="39"></a><a href="#top39">39</a></Sup> LINZ, Juan J. e STEPAN, Alfred C. &ndash; <i>Problems of democratic transition and consolidation: Southern Europe, South America, and post-communist Europe</i>. Baltimore: Johns Hopkins University Press, 1996.</p>     ]]></body>
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