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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Os partidos socialistas e as transições democráticas europeias: A transição portuguesa como lição para a Revolução Europeia de 1989]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[In this article we analyze the pro-democratizing strategy of the Socialist International, an organization of the Western European socialist and social democrats, during the Portuguese transition to democracy and the impact this has had on subsequent action of SI in scenarios of political transition. We pay special attention to the role of the Social Democratic Party of Germany (SPD), which, by the material resources available to it and its international political influence, occupied a leading position in the international social democratic movement - a role that was strengthened with the election of Willy Brandt as President of IS in 1976.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><b>25 ANOS DA QUEDA DO MURO DE BERLIM</b></p>      <p>&nbsp;</p>      <p><b>Os partidos socialistas e as transi&ccedil;&otilde;es democr&aacute;ticas europeias. A transi&ccedil;&atilde;o portuguesa como li&ccedil;&atilde;o para a Revolu&ccedil;&atilde;o Europeia de 1989<sup><a href="#1">1</a></sup><a name="top1"></a></b></p>      <p><b>The socialist parties and the European democratic transitions: the Portuguese transition as a lesson to the 1989 European Revolution</b></p>      <p>&nbsp;</p>      <p><b>Ana M&oacute;nica Fonseca</b></p>      <p>Bolseira de p&oacute;s-doutoramento (FCT) no Centro de Estudos Internacionais do ISCTE-IUL (CEI-IUL) e investigadora do IPRI-UNL. Professora Auxiliar Convidada do Departamento de Hist&oacute;ria do ISCTE-IUL. Doutorada em Hist&oacute;ria das Rela&ccedil;&otilde;es Internacionais no Per&iacute;odo Contempor&acirc;neo no ISCTE &ndash; IUL. As suas &aacute;reas de investiga&ccedil;&atilde;o incidem sobre as transi&ccedil;&otilde;es para a democracia na Europa do Sul, as rela&ccedil;&otilde;es luso-alem&atilde;s durante a Guerra Fria e a social-democracia europeia e a promo&ccedil;&atilde;o da democracia.</p>      <p>&nbsp;</p>      <p><b>RESUMO</b></p>      <p>Neste artigo procuramos analisar a estrat&eacute;gia pr&oacute;-democratizadora da Internacional Socialista, organiza&ccedil;&atilde;o que congregava os partidos socialistas e social-democratas europeus ocidentais, durante a transi&ccedil;&atilde;o portuguesa para a democracia e o impacto que esta teve na actua&ccedil;&atilde;o posterior da IS em cen&aacute;rios de transi&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica. Daremos uma particular aten&ccedil;&atilde;o ao papel do Partido Social-Democrata alem&atilde;o (SPD), que, pelos recursos materiais de que dispunha e pela sua influ&ecirc;ncia pol&iacute;tica internacional, ocupou uma posi&ccedil;&atilde;o liderante no movimento social-democrata internacional &ndash; papel liderante esse que saiu refor&ccedil;ado com a elei&ccedil;&atilde;o de Willy Brandt como Presidente da IS em de 1976.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Palavras-chave: </b>Internacional Socialista, actores n&atilde;o-governamentais, Willy Brandt, M&aacute;rio Soares</p>      <p>&nbsp;</p>      <p><b>ABSTRACT</b></p>      <p>In this article we analyze the pro-democratizing strategy of the Socialist International, an organization of the Western European socialist and social democrats, during the Portuguese transition to democracy and the impact this has had on subsequent action of SI in scenarios of political transition. We pay special attention to the role of the Social Democratic Party of Germany (SPD), which, by the material resources available to it and its international political influence, occupied a leading position in the international social democratic movement - a role that was strengthened with the election of Willy Brandt as President of IS in 1976.</p>      <p><b>Keywords: </b>Socialist International, Non-governmental actors, Willy Brandt, M&aacute;rio Soares.</p>      <p>&nbsp;</p>      <p>A actua&ccedil;&atilde;o internacional em processos de mudan&ccedil;a de regime pol&iacute;tico &eacute; algo que tem vindo a merecer a aten&ccedil;&atilde;o de v&aacute;rios acad&eacute;micos, principalmente no campo da Ci&ecirc;ncia Pol&iacute;tica e das Rela&ccedil;&otilde;es Internacionais. &Eacute; sobejamente conhecida a express&atilde;o de Samuel Huntington que apresenta a transi&ccedil;&atilde;o portuguesa para a democracia, iniciada com o golpe de 25 de Abril de 1974, como o primeiro passo daquela que se tornou a &laquo;terceira vaga de democratiza&ccedil;&atilde;o&raquo; que se estenderia primeiro &agrave; Europa do Sul, depois &agrave; Am&eacute;rica Latina e finalmente &agrave; Europa Central e de Leste com os acontecimentos de finais da d&eacute;cada de 1980<sup><a href="#2">2</a></sup><a name="top2"></a>.</p>      <p>O alcance e o impacto da dimens&atilde;o internacional em cada uma destas regi&otilde;es foi diferente, como naturalmente foram diferentes os caminhos rumo &agrave; democratiza&ccedil;&atilde;o<sup><a href="#3">3</a></sup><a name="top3"></a>. Ainda assim, torna-se claro, pelo desenvolvimento dos trabalhos acerca deste assunto, que a an&aacute;lise desta dimens&atilde;o externa dever&aacute; ter em conta a multiplicidade de actores que se envolveram nestas transi&ccedil;&otilde;es pol&iacute;ticas, indo muito para al&eacute;m das interven&ccedil;&otilde;es dos Estados. Partidos pol&iacute;ticos, grupos religiosos, fam&iacute;lias pol&iacute;ticas internacionais, grupos de interesses est&atilde;o entre os m&uacute;ltiplos actores que ter&atilde;o tido um impacto significativo num contexto de mudan&ccedil;a de regime, nomeadamente pelo estabelecimento de redes de apoio mais ou menos informal para fomentar e apoiar a mudan&ccedil;a de regime<sup><a href="#4">4</a></sup><a name="top4"></a>. Neste sentido, a actua&ccedil;&atilde;o dos partidos socialistas e sociais-democratas europeus durante a transi&ccedil;&atilde;o portuguesa para a democracia tornou-se uma esp&eacute;cie de li&ccedil;&atilde;o que seria, de algum modo, reproduzida nos casos subsequentes de cen&aacute;rios de democratiza&ccedil;&atilde;o &ndash; muitas vezes com o car&aacute;cter paradoxal de procurar evitar uma repeti&ccedil;&atilde;o do que se passou em Portugal no per&iacute;odo revolucion&aacute;rio de meados da d&eacute;cada de 1970.</p>      <p>Neste artigo procuramos analisar a estrat&eacute;gia pr&oacute;-democratizadora da Internacional Socialista, organiza&ccedil;&atilde;o que congregava os partidos socialistas e sociais-democratas europeus ocidentais<sup><a href="#5">5</a></sup><a name="top5"></a>, durante a transi&ccedil;&atilde;o portuguesa para a democracia e o impacto que esta teve na actua&ccedil;&atilde;o posterior da IS em cen&aacute;rios de transi&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica. Daremos uma particular aten&ccedil;&atilde;o ao papel do Partido Social-Democrata alem&atilde;o (SPD), que, pelos recursos materiais de que dispunha e pela sua influ&ecirc;ncia pol&iacute;tica internacional, ocupou uma posi&ccedil;&atilde;o liderante no movimento social-democrata internacional &ndash; papel liderante esse que saiu refor&ccedil;ado com a elei&ccedil;&atilde;o de Willy Brandt como Presidente da IS em 1976.</p>      <p>&nbsp;</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>A INTERNACIONAL SOCIALISTA E A MUDAN&Ccedil;A DE REGIME NA EUROPA NOS ANOS 1970</b></p>      <p>O papel dos actores n&atilde;o-estatais e a as suas actividades transnacionais tornaram-se um objecto recente da hist&oacute;ria internacional, como o demonstram os trabalhos de Wolfram Kaiser e Anne Marie Le Gloannec<sup><a href="#6">6</a></sup><a name="top6"></a>. As caracter&iacute;sticas espec&iacute;ficas destes actores, nomeadamente a sua capacidade de ultrapassar a dimens&atilde;o governamental e interagir transnacionalmente sem os confrangimentos dos actores estatais, tornam-nos particularmente interessantes quando analisamos mudan&ccedil;as de regime pol&iacute;tico e actividades de promo&ccedil;&atilde;o de democracia<sup><a href="#7">7</a></sup><a name="top7"></a>.</p>      <p>A Internacional Socialista foi um dos principais actores n&atilde;o-estatais do bloco ocidental na segunda metade da Guerra Fria, reunindo os mais influentes partidos socialistas e sociais-democratas europeus. Fundada em 1951, o seu princ&iacute;pio orientador tinha como objectivo &laquo;expressar a solidariedade com todos os povos que viviam sob a ditadura, quer fosse fascista ou comunista, nos seus esfor&ccedil;os para conquistar a liberdade&raquo;<sup><a href="#8">8</a></sup><a name="top8"></a>. Isto claramente ilustra que a IS receava e combatia tanto o comunismo como o fascismo, &laquo;algo que seria determinante no seu papel perante as transi&ccedil;&otilde;es da Peninsula Ib&eacute;rica, em particular no caso de Portugal&raquo;<sup><a href="#9">9</a></sup><a name="top9"></a>.</p>      <p>Nos anos 1970, a Internacional Socialista viveu um per&iacute;odo de crescente influ&ecirc;ncia pol&iacute;tica internacional, sobretudo por a grande maioria dos seus partidos-membros ocupar as lideran&ccedil;as dos respectivos governos. Willy Brandt tinha sido eleito Chanceler Federal em Outubro de 1969, o mesmo ano em que Olof Palme tinha sido o escolhido dos suecos para o cargo de Primeiro-Ministro. Bruno Kreisky alcan&ccedil;ou a Chancelaria austr&iacute;aca em 1970, Joop den Uyl, do Partido Trabalhista holand&ecirc;s, foi eleito Primeiro-Ministro em 1973 e, em 1974, o Partido Trabalhista brit&acirc;nico retomou a lideran&ccedil;a do governo com Harold Wilson. O facto de os chefes de governo das principais capitais europeias democratiza&ccedil;&atilde;o de Portugal e Espanha. Serem simultaneamente os dirigentes dos partidos socialistas e sociais-democratas trouxe uma imensa visibilidade &agrave; Internacional Socialista. Como veremos no caso das transi&ccedil;&otilde;es ib&eacute;ricas, este acesso privilegiado aos meios de actua&ccedil;&atilde;o governamental e n&atilde;o-governamental tornou-se um instrumento bastante flex&iacute;vel &ndash; nomeadamente no caso particular da actua&ccedil;&atilde;o da Alemanha Ocidental e do SPD<sup><a href="#10">10</a></sup><a name="top10"></a>.</p>      <p>A acrescentar a isto, &eacute; necess&aacute;rio tamb&eacute;m dizer que o pr&oacute;prio contexto internacional contribuiu para a influ&ecirc;ncia enorme que os partidos socialistas e sociais-democratas europeus tiveram nas transi&ccedil;&otilde;es ib&eacute;ricas de meados da d&eacute;cada de 1970. Na verdade, a evolu&ccedil;&atilde;o da Guerra Fria para um ambiente de desanuviamento conhecido como a <i>d&eacute;tente</i>, na d&eacute;cada de 1960 e 1970, criou uma janela de oportunidade para outros actores internacionais, quer governamentais quer n&atilde;o-governamentais, para desenvolverem v&aacute;rias iniciativas aut&oacute;nomas na pol&iacute;tica internacional<sup><a href="#11">11</a></sup><a name="top11"></a>. Como o Trabalhista brit&acirc;nico James Callaghan reconhecia em Janeiro de 1973, &laquo;existe agora uma oportunidade [para os socialistas democr&aacute;ticos] escaparem das trocas est&eacute;reis da Guerra Fria&raquo;<sup><a href="#12">12</a></sup><a name="top12"></a>. Mais uma vez, ser&atilde;o os alem&atilde;es ocidentais quem se revelar&aacute; particularmente apto a aproveitar esta oportunidade, aumentando exponencialmente a sua influ&ecirc;ncia nos assuntos internacionais. Os passos iniciais foram dados com a chegada ao poder do Partido Social-Democrata alem&atilde;o (SPD) como principal partido da coliga&ccedil;&atilde;o governamental com o Partido Liberal Alem&atilde;o (Freie Demokratische Partei &ndash; FDP), a partir de Outubro de 1969. A partir daqui, quer pelo desenvolvimento de uma pol&iacute;tica aut&oacute;noma de aproxima&ccedil;&atilde;o ao bloco de Leste, a <i>Ostpolitik, </i>quer pelo refor&ccedil;o das suas liga&ccedil;&otilde;es &agrave; Europa Ocidental, atrav&eacute;s da aposta no alargamento da CEE &agrave; Gr&atilde;-Bretanha, conclu&iacute;do em 1973<sup><a href="#13">13</a></sup><a name="top13"></a>. Neste aspecto, a lideran&ccedil;a de Willy Brandt &eacute; determinante, n&atilde;o s&oacute; durante os anos em que foi Chanceler federal, como ap&oacute;s a sua demiss&atilde;o da chefia de governo, em Maio de 1974. A presen&ccedil;a de Willy Brandt &agrave; frente do SPD foi determinante, por sua vez, para a crescente visibilidade das actividades internacionais da IS. Os recursos dispon&iacute;veis, nomeadamente a capacidade financeira do SPD e a Funda&ccedil;&atilde;o Friedrich Ebert (Friedrich Ebert Stiftung &ndash; FES), revelaram-se fundamentais para o desenvolvimento de uma estrat&eacute;gia de acompanhamento e compromisso com a democratiza&ccedil;&atilde;o de Portugal e Espanha que se tornariam no <i>modus operandi </i>da institui&ccedil;&atilde;o em futuros cen&aacute;rios de altera&ccedil;&atilde;o de regime pol&iacute;tico<sup><a href="#14">14</a></sup><a name="top14"></a>. Nesse sentido, h&aacute; uma indiscut&iacute;vel lideran&ccedil;a da Alemanha Ocidental na Internacional Socialista. A partir de 1976, essa lideran&ccedil;a torna-se um elemento <i>de facto</i>, uma vez que Willy Brandt &eacute; escolhido como Presidente da Internacional<sup><a href="#15">15</a></sup><a name="top15"></a>. Tendo em mente este papel preponderante da social-democracia da Alemanha Ocidental na lideran&ccedil;a, pol&iacute;tica e material, da Internacional Socialista, far&aacute; todo o sentido explorar em mais detalhe o acompanhamento que fez da transi&ccedil;&atilde;o portuguesa. Na realidade, a experi&ecirc;ncia portuguesa ter&aacute; sido uma das principais inspira&ccedil;&otilde;es para a futura actua&ccedil;&atilde;o internacional da is nos processos de democratiza&ccedil;&atilde;o que se seguiram &ndash; acima de tudo procurando evitar que se repetissem os momentos mais radicalizados vividos em Portugal em meados da d&eacute;cada de 1970.</p>      <p>&nbsp;</p>      <p><b>OS PARTIDOS SOCIALISTAS EUROPEUS E A TRANSI&Ccedil;&Atilde;O PORTUGUESA PARA A DEMOCRACIA</b></p>      <p>Em 25 de Abril de 1974, M&aacute;rio Soares, l&iacute;der do Partido Socialista Portugu&ecirc;s e principal opositor das for&ccedil;as n&atilde;o-comunistas ao regime do Estado Novo, tinha agendado um encontro com o l&iacute;der do Partido Social-Democrata Alem&atilde;o (SPD) e Chanceler Federal, Willy Brandt. Tratava-se de um acontecimento hist&oacute;rico: o l&iacute;der de um pequeno partido pol&iacute;tico portugu&ecirc;s, clandestino e ilegal no seu pr&oacute;prio pa&iacute;s, seria recebido oficialmente pelo Secret&aacute;rio-Geral de um dos mais influentes partidos sociais-democratas europeus, que era simultaneamente chefe de governo do principal pa&iacute;s da Europa Ocidental<sup><a href="#16">16</a></sup><a name="top16"></a>.</p>      <p>O caminho percorrido por M&aacute;rio Soares no ex&iacute;lio, desde 1970, tinha-o levado v&aacute;rias vezes a Bona. Soares sabia que era necess&aacute;rio o apoio dos partidos-irm&atilde;os da Europa ocidental para fortalecer o seu grupo socialista e granjear o apoio dos seus pa&iacute;ses para influenciar a evolu&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica do regime portugu&ecirc;s. Atrav&eacute;s de v&aacute;rias iniciativas, a Ac&ccedil;&atilde;o Socialista Portuguesa (ASP) foi ganhando uma voz junto dos influentes partidos socialistas e sociais-democratas da Europa Ocidental: de um modo geral, como referimos atr&aacute;s, quase todos chegariam ao poder na primeira metade da d&eacute;cada de 1970. Em 1972, a ASP foi admitida na Internacional Socialista (IS) e, em Abril do ano seguinte, foi fundado o Partido Socialista Portugu&ecirc;s (PS) numa academia da Funda&ccedil;&atilde;o Friedrich Ebert em Bad M&uuml;nstereifel, na Alemanha Federal<sup><a href="#17">17</a></sup><a name="top17"></a>. Esta crescente aproxima&ccedil;&atilde;o entre a social-democracia alem&atilde;, em particular atrav&eacute;s da Funda&ccedil;&atilde;o Ebert, e a ASP/PS revela uma gradual preocupa&ccedil;&atilde;o com a situa&ccedil;&atilde;o em Portugal e a necessidade, sentida por parte dos sociais-democratas, em ter pontos de contacto estabelecidos com as for&ccedil;as de oposi&ccedil;&atilde;o que lhes eram ideologicamente pr&oacute;ximas. O mesmo aconteceu nas restantes capitais europeias, passando o PS a ter bases de apoio para levar a cabo as suas ac&ccedil;&otilde;es de cr&iacute;tica ao governo portugu&ecirc;s. O exemplo mais flagrante foi a iniciativa conjunta do PS e do Partido Trabalhista brit&acirc;nico, j&aacute; em Julho de 1973, aquando da visita do Presidente de Conselho portugu&ecirc;s a Londres a convite do governo conservador, em que foram organizadas variad&iacute;ssimas manifesta&ccedil;&otilde;es contra o regime e a sua pol&iacute;tica colonial<sup><a href="#18">18</a></sup><a name="top18"></a>.</p>      <p>Assim, a atitude dos partidos sociais-democratas europeus perante o regime portugu&ecirc;s tinha j&aacute; mudado nas v&eacute;speras da revolu&ccedil;&atilde;o de Abril de 1974, se bem que as not&iacute;cias do golpe dos Capit&atilde;es n&atilde;o deixaram de provocar alguma surpresa. Por&eacute;m, uma vez que a Junta de Salva&ccedil;&atilde;o Nacional (JSN), o &oacute;rg&atilde;o que representava o poder pol&iacute;tico a partir de 25 de Abril de 1974, se apressou em confirmar a manuten&ccedil;&atilde;o dos compromissos internacionais de Portugal, ou seja, a sua lealdade &agrave; nato (e a continua&ccedil;&atilde;o da presen&ccedil;a americana nos A&ccedil;ores) e ao bloco ocidental, houve tamb&eacute;m uma atitude de &ldquo;expectativa benevolente&rdquo; relativamente &agrave; evolu&ccedil;&atilde;o dos acontecimentos em Portugal<sup><a href="#19">19</a></sup><a name="top19"></a>.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Do ponto de vista da Internacional Socialista, foi imediatamente emitido um comunicado em que o seu Presidente, Bruno Pitterman e o seu Secret&aacute;rio-Geral, Hans Janitschek &ndash; a c&uacute;pula da organiza&ccedil;&atilde;o &ndash; saudavam &laquo;entusiasticamente&raquo; a iniciativa das For&ccedil;as Armadas portuguesas, n&atilde;o deixando de expressar &laquo;o seu completo apoio e solidariedade com o Partido Socialista Portugu&ecirc;s&raquo;<sup><a href="#20">20</a></sup><a name="top20"></a>. A primeira reac&ccedil;&atilde;o pr&aacute;tica da IS foi a de apelar aos partidos-membros para que apoiassem material e financeiramente o PS. A lista das necessidades enviada pelo Partido Socialista era longa e inclu&iacute;a itens t&atilde;o d&iacute;spares como autom&oacute;veis, fotocopiadoras, papel, secret&aacute;rias e cadeiras, para al&eacute;m da necessidade de &laquo;apoio financeiro para permitir o pagamento de sal&aacute;rios dos funcion&aacute;rios&raquo; de que o partido precisava para fazer face &agrave; nova realidade pol&iacute;tica portuguesa<sup><a href="#21">21</a></sup><a name="top21"></a>. Este &eacute; o exemplo mais claro do papel desempenhado pela Internacional Socialista durante a transi&ccedil;&atilde;o portuguesa: serviu de intermedi&aacute;ria e mobilizou os partidos socialistas e sociais-democratas europeus para o apoio ao Partido Socialista. Apesar de os aux&iacute;lios dados ao PS, em termos materiais e de apoio p&uacute;blico, terem sido principalmente feitos ao n&iacute;vel bilateral, ou seja, de partido para partido, a Internacional Socialista funcionou como uma estrutura adicional para enquadrar esta assist&ecirc;ncia internacional e para refor&ccedil;ar os contactos internacionais de Mario Soares e do PS.</p>      <p>A expectativa benevolente inicial, por&eacute;m, dissipou-se ao longo do Ver&atilde;o de 1974. Provocado pela discuss&atilde;o em torno da resolu&ccedil;&atilde;o da quest&atilde;o colonial, o fosso entre o Movimento das For&ccedil;as Armadas (MFA) e o Presidente da Rep&uacute;blica, General Ant&oacute;nio de Sp&iacute;nola<sup><a href="#22">22</a></sup><a name="top22"></a>, aprofundou-se, levando finalmente &agrave; demiss&atilde;o do General em finais de Setembro de 1974. &Agrave; medida que a situa&ccedil;&atilde;o portuguesa se foi radicalizando, crescia tamb&eacute;m o receio ocidental de que Portugal resvalasse para um regime comunista ou que regredisse para uma nova ditadura de direita, o que seria igualmente negativo do ponto de vista da RFA e da Europa Ocidental.</p>      <p>Nos primeiros meses ap&oacute;s a Revolu&ccedil;&atilde;o dos Cravos surgiram em Portugal uma multitude de novos partidos pol&iacute;ticos que, compreensivelmente, n&atilde;o estavam devidamente organizados. Apenas o Partido Comunista Portugu&ecirc;s (PCP) tinha uma estrutura nacional com quadros pr&oacute;prios, que vinha j&aacute; do tempo da ditadura. O PCP, liderado por &Aacute;lvaro Cunhal, era claramente pr&oacute;-Uni&atilde;o Sovi&eacute;tica. A sua ascens&atilde;o na cena pol&iacute;tica portuguesa levantou nos aliados ocidentais de Portugal uma enorme preocupa&ccedil;&atilde;o, receando que Portugal, um pa&iacute;s no seio do bloco ocidental, se transformasse num basti&atilde;o comunista, uma esp&eacute;cie de Cuba no <i>backyard </i>europeu. Para evitar a crescente influ&ecirc;ncia do PCP e da URSS em Lisboa, os pa&iacute;ses ocidentais, em particular a Alemanha Federal, procuraram intensificar a sua presen&ccedil;a em Portugal, quer fosse atrav&eacute;s da constante troca de visitas oficiais, quer ao n&iacute;vel do interc&acirc;mbio de peritos pol&iacute;ticos, com destaque para a cont&iacute;nua presen&ccedil;a de representantes do SPD e da FES em Lisboa.</p>      <p>Esta preponder&acirc;ncia alem&atilde; em Portugal tornou-se ainda mais premente a partir de 1975, pois o fosso entre Comunistas e Socialistas, claramente os dois principais partidos portugueses, agudizava-se em torno da quest&atilde;o sindical. Em cima da mesa estava a discuss&atilde;o entre a &laquo;unidade sindical&raquo;, advogada pelo PCP, que queria que os sindicatos estivessem todos reunidos sob uma &uacute;nica central sindical, a Intersindical, controlada pelo Partido Comunista, e a chamada &laquo;unicidade sindical&raquo;, express&atilde;o criada pelo socialista Salgado Zenha, que defendia que os sindicatos, de todas as inclina&ccedil;&otilde;es pol&iacute;ticas, deveriam ser separados dos partidos pol&iacute;ticos<sup><a href="#23">23</a></sup><a name="top23"></a>. Outro exemplo da radicaliza&ccedil;&atilde;o da situa&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica foi o violento cerco feito ao Congresso do Centro Democr&aacute;tico e Social (CDS), partido conservador de inclina&ccedil;&atilde;o democrata-crist&atilde;. Nessa ocasi&atilde;o, o CDS conseguira reunir, no Porto, &laquo;a fina flor da democracia-crist&atilde; europeia&raquo;<sup><a href="#24">24</a></sup><a name="top24"></a>, encontrando-se, entre os delegados internacionais, o Presidente da Uni&atilde;o Europeia da Democracia-Crist&atilde; (UEDC), o alem&atilde;o Heinrich von Hassel, e representantes da B&eacute;lgica, Fran&ccedil;a, It&aacute;lia e Gr&atilde;-Bretanha. O cerco ao congresso demorou mais de um dia e foi extremamente violento. A den&uacute;ncia do que estava a acontecer pelos representantes internacionais, que contactaram quer as respectivas embaixadas, quer a imprensa, revelava a fragilidade do processo pol&iacute;tico portugu&ecirc;s<sup><a href="#25">25</a></sup><a name="top25"></a>. Por&eacute;m, foram os acontecimentos de 11 de Mar&ccedil;o de 1975, juntamente com os resultados das elei&ccedil;&otilde;es de 25 de Abril de 1975, que marcaram indelevelmente o rumo do Processo Revolucion&aacute;rio em Curso (PREC), como ficou conhecido o per&iacute;odo de 11 de Mar&ccedil;o a 25 de Novembro de 1975.</p>      <p>A tentativa de golpe de 11 de Mar&ccedil;o teve como principal consequ&ecirc;ncia o fortalecimento dos sectores mais &agrave; esquerda no espectro pol&iacute;tico portugu&ecirc;s, assim como das for&ccedil;as mais revolucion&aacute;rias do Movimento das For&ccedil;as Armadas. Em resposta ao golpe falhado da direita spinolista, foi criado o Conselho da Revolu&ccedil;&atilde;o, dominado pelas &laquo;fac&ccedil;&otilde;es pretorianas radicais e que tinha controlo operacional sobre as For&ccedil;as Armadas&raquo;<sup><a href="#26">26</a></sup><a name="top26"></a>. Em todos os sectores da vida pol&iacute;tica portuguesa a situa&ccedil;&atilde;o radicalizou-se e parecia estar iminente uma tomada de poder pelas for&ccedil;as comunistas. Foi iniciado o processo de nacionaliza&ccedil;&atilde;o dos principais sectores da economia portuguesa (banca, seguros, empresas, etc.) e iniciaram-se tamb&eacute;m as ocupa&ccedil;&otilde;es de propriedades agr&iacute;colas, especialmente no sul do pa&iacute;s. O MFA tinha sido institucionalizado atrav&eacute;s da Assembleia do mfa e, a 11 de Abril, a maioria dos partidos assinou um Acordo Constitucional, conhecido como o Pacto MFA-Partidos, em como reconheciam o Movimento das For&ccedil;as Armadas como o &laquo;motor da revolu&ccedil;&atilde;o&raquo;<sup><a href="#27">27</a></sup><a name="top27"></a>. Visto de fora, parecia que o rumo da revolu&ccedil;&atilde;o portuguesa estava definitivamente tra&ccedil;ado &agrave; esquerda e que a transforma&ccedil;&atilde;o de Portugal num sat&eacute;lite sovi&eacute;tico estava iminente.</p>      <p>Contudo, os resultados das elei&ccedil;&otilde;es para a Assembleia Constituinte provocaram uma reviravolta nos acontecimentos. Naquelas que foram as primeiras elei&ccedil;&otilde;es livres e democr&aacute;ticas em cinquenta anos, os partidos moderados, o PS e o Partido Popular Democr&aacute;tico (PPD)<sup><a href="#28">28</a></sup><a name="top28"></a>, foram os claros vencedores, tendo o PS obtido 38 por cento dos votos e o PPD cerca de 27 por cento. O Partido Comunista n&atilde;o conseguiu mais do que 12 por cento. Por&eacute;m, devido ao Pacto MFA-Partidos, estes resultados tiveram pouco efeito pr&aacute;tico imediato. A sua principal consequ&ecirc;ncia foi precisamente o &laquo;enorme impacto moral&raquo; sobre as for&ccedil;as pol&iacute;ticas moderadas, que ganhavam assim a garantia do &laquo;compromisso da sociedade portuguesa&raquo; para com a Democracia. Estes partidos, em particular o ps e o ppd, ganhavam assim &laquo;legitimidade eleitoral&raquo;, oposta &agrave; legitimidade revolucion&aacute;ria do mfa. A acrescentar a isto, as elei&ccedil;&otilde;es de 25 de Abril de 1974 revelavam tamb&eacute;m que os Comunistas e os seus aliados estavam &laquo;longe de ser a principal for&ccedil;a pol&iacute;tica em Portugal&raquo;. Perante estes resultados, as autoridades alem&atilde;s consideravam que havia agora &laquo;uma inquestion&aacute;vel oportunidade para o estabelecimento de uma democracia livre e pluralista em Portugal&raquo;<sup><a href="#29">29</a></sup><a name="top29"></a>.</p>      <p>Estes eventos algo contradit&oacute;rios levaram a que as implica&ccedil;&otilde;es internacionais da transi&ccedil;&atilde;o portuguesa se exponenciassem ainda mais. Durante o Ver&atilde;o de 1975, reflectiram-se em Portugal dois n&iacute;veis de conflito: a divis&atilde;o entre o bloco ocidental e de leste e, dentro do bloco ocidental, a divis&atilde;o entre Europa e Estados Unidos. Na verdade, &eacute; facilmente compreens&iacute;vel que, dentro de um clima de Guerra Fria, os dois blocos competissem para obter a vantagem da situa&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica em Lisboa. &Eacute; hoje sabido que, quer o Partido Comunista da Uni&atilde;o Sovi&eacute;tica, quer os Estados-sat&eacute;lite do bloco de leste apoiaram fortemente o Partido Comunista Portugu&ecirc;s<sup><a href="#30">30</a></sup><a name="top30"></a>. A reac&ccedil;&atilde;o ocidental passou por procurar segurar Portugal dentro do seu bloco tradicional. Contudo, esta reac&ccedil;&atilde;o esteve longe de ser un&acirc;nime e verificou-se uma diferencia&ccedil;&atilde;o da postura da Europa, por um lado, e dos Estados Unidos, por outro. Na verdade, Washington estava, no per&iacute;odo 1974-75, a viver tempos conturbados. O esc&acirc;ndalo de Watergate e a derrota sofrida no Vietname tinham colocado a administra&ccedil;&atilde;o de Richard Nixon sob um grande criticismo interno e internacional. Ao mesmo tempo, o secret&aacute;rio de Estado Henry Kissinger tinha algumas dificuldades em compreender o que se estava a passar em Lisboa<sup><a href="#31">31</a></sup><a name="top31"></a>. Kissinger disse inclusivamente a Helmut Schmidt que preferia que se estabelecesse em Portugal um verdadeiro regime comunista (com o qual saberia lidar) do que &laquo;um misto entre o sistema jugoslavo e argelino&raquo;, e que julgava que a avalia&ccedil;&atilde;o do problema feita pelos europeus estava &laquo;errada&raquo;<sup><a href="#32">32</a></sup><a name="top32"></a>. Assim, tamb&eacute;m nesta dimens&atilde;o o papel da Alemanha foi determinante. Liderando os pa&iacute;ses europeus, foi insistindo junto de Washington no sentido de que esta apoiasse claramente os moderados, sobretudo o partido de M&aacute;rio Soares. A partir de meados do Ver&atilde;o de 1975, d&aacute;-se uma mudan&ccedil;a na atitude da administra&ccedil;&atilde;o relativamente ao que se estava a acontecer em Portugal e passa a haver uma converg&ecirc;ncia entre os dois lados do Atl&acirc;ntico no apoio &agrave; democratiza&ccedil;&atilde;o portuguesa<sup><a href="#33">33</a></sup><a name="top33"></a>.</p>      <p>A partir de Abril de 1975, ficou tra&ccedil;ado o caminho do processo revolucion&aacute;rio portugu&ecirc;s. As for&ccedil;as moderadas, tornando-se claro que tinham o apoio da maioria da popula&ccedil;&atilde;o portuguesa, ganharam novos argumentos para obterem o t&atilde;o necess&aacute;rio apoio internacional para fazerem frente &agrave; tentativa de tomada de poder por parte dos comunistas, que dominavam j&aacute; grande parte do sector militar. E o comportamento dos pa&iacute;ses europeus ocidentais ficou marcado por uma &laquo;abordagem bidireccional&raquo;. Por um lado, ao n&iacute;vel dos partidos pol&iacute;ticos &ndash; em particular os partidos socialistas ou sociais-democratas da Internacional Socialista &ndash;, era acenada a possibilidade de assist&ecirc;ncia e de uma futura ades&atilde;o de Portugal &agrave; CEE, como est&iacute;mulo para a estabiliza&ccedil;&atilde;o da situa&ccedil;&atilde;o portuguesa, ao mesmo tempo que se desenvolviam esfor&ccedil;os de apoio e desenvolvimento aos partidos portugueses, especialmente ao PS. Por outro, ao n&iacute;vel oficial, a Comiss&atilde;o e os Estados-membros (a maior parte deles governados pelos mesmos partidos sociais-democratas) amea&ccedil;avam que nada disso aconteceria se em Portugal n&atilde;o vingasse um regime democr&aacute;tico e pluralista<sup><a href="#34">34</a></sup><a name="top34"></a>. A iniciativa mais clara desta estrat&eacute;gia da &laquo;cenoura e do pau&raquo; e da diferen&ccedil;a entre a ac&ccedil;&atilde;o dos Estados-membros e os respectivos partidos pol&iacute;ticos, mesmo que estivessem no poder desses pa&iacute;ses, aconteceu por ocasi&atilde;o da Cimeira de Hels&iacute;nquia no princ&iacute;pio de Agosto de 1975, onde foi assinado o Acto Final da Confer&ecirc;ncia de Seguran&ccedil;a e Coopera&ccedil;&atilde;o Europeia (CSCE)<sup><a href="#35">35</a></sup><a name="top35"></a>. Durante os encontros bilaterais com o Presidente da Rep&uacute;blica Portuguesa, o General Costa Gomes, os diferentes chefes de governo dos pa&iacute;ses da cee (Gr&atilde;-Bretanha, Holanda, Rep&uacute;blica Federal da Alemanha, entre outros) salientaram que estavam prontos para apoiar Portugal, pol&iacute;tica e economicamente, mas n&atilde;o estavam dispostos &laquo;a ajudar e a apoiar a prepara&ccedil;&atilde;o de uma ditadura militar em Portugal&raquo;, nas palavras do Chanceler Federal, Helmut Schmidt<sup><a href="#36">36</a></sup><a name="top36"></a>.</p>      <p>Imediatamente a seguir &agrave; Cimeira de Hels&iacute;nquia, foi convocada uma reuni&atilde;o dos principais l&iacute;deres partid&aacute;rios da Internacional Socialista, onde foi criado o <i>Comit&eacute; de Apoio e Solidariedade para com a Democracia e o Socialismo em Portugal</i>, uma ideia de Willy Brandt. O Comit&eacute; era constitu&iacute;do pelos l&iacute;deres dos partidos socialistas ou sociais-democratas da rfa (Brandt), Gr&atilde;-Bretanha (Harold Wilson), &Aacute;ustria (Bruno Kreisky), Fran&ccedil;a (Fran&ccedil;ois Mitterrand), Su&eacute;cia (Olof Palme) e Holanda (Joop den Uyl) que acreditavam que a situa&ccedil;&atilde;o em Portugal requeria uma &laquo;ac&ccedil;&atilde;o concertada&raquo;, de modo a &laquo;evitar que o pa&iacute;s fosse tomado pelos Comunistas&raquo;<sup><a href="#37">37</a></sup><a name="top37"></a>. O Comit&eacute; acreditava igualmente que a onda de &laquo;simpatia e boa-f&eacute;&raquo; que o 25 de Abril tinha criado relativamente a Portugal n&atilde;o deveria ser desperdi&ccedil;ada pelo &laquo;desrespeito absoluto da vontade da popula&ccedil;&atilde;o portuguesa&raquo;, conforme esta se havia manifestado nas elei&ccedil;&otilde;es de Abril de 1975. Os principais objectivos do Comit&eacute; eram o apoio ao estabelecimento de um regime democr&aacute;tico, a liberdade de imprensa, a constitui&ccedil;&atilde;o de uma associa&ccedil;&atilde;o sindical livre e democr&aacute;tica e a luta contra o isolamento internacional de Portugal<sup><a href="#38">38</a></sup><a name="top38"></a>.</p>      <p>Estes princ&iacute;pios reflectiram-se na actua&ccedil;&atilde;o dos partidos sociais-democratas europeus: o apoio &agrave; organiza&ccedil;&atilde;o do Partido Socialista e o constante interc&acirc;mbio de visitantes, com particular aten&ccedil;&atilde;o aos elementos das For&ccedil;as Armadas Portuguesas. A cria&ccedil;&atilde;o do Comit&eacute; serviu tamb&eacute;m para demonstrar que os europeus eram un&acirc;nimes relativamente &agrave; necessidade de apoiar as for&ccedil;as moderadas portuguesas. Essa mensagem destinava-se a exercer press&atilde;o quer sobre a Uni&atilde;o Sovi&eacute;tica, quer sobre os pr&oacute;prios Estados Unidos, que tinham adoptado sempre uma posi&ccedil;&atilde;o de desconfian&ccedil;a relativamente &agrave;s reais capacidades da democracia vingar em Portugal<sup><a href="#39">39</a></sup><a name="top39"></a>, para al&eacute;m de refor&ccedil;ar internamente a posi&ccedil;&atilde;o do PS, assegurando que teria o apoio da Europa Ocidental. Na verdade, a situa&ccedil;&atilde;o portuguesa estabilizou em finais de 1975, n&atilde;o sem antes se dar um confronto final entre as for&ccedil;as moderadas e de esquerda. Depois do 25 de Novembro de 1975, altura em que foi anulada uma tentativa de golpe de Estado pela extrema-esquerda, o regime pol&iacute;tico portugu&ecirc;s p&ocirc;de finalmente avan&ccedil;ar rumo ao estabelecimento de uma democracia pluralista de tipo ocidental. Para tal desfecho foi determinante a rela&ccedil;&atilde;o de for&ccedil;as interna, mas n&atilde;o podemos deixar de acentuar a import&acirc;ncia do contexto internacional<sup><a href="#40">40</a></sup><a name="top40"></a>.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Um dos momentos mais importantes e vis&iacute;veis do apoio internacional das for&ccedil;as socialistas e social-democratas da Europa &agrave; democratiza&ccedil;&atilde;o portuguesa deu-se na Primavera de 1976, quando se reuniu no norte de Portugal o Comit&eacute; de Apoio a Portugal da Internacional Socialista<sup><a href="#41">41</a></sup><a name="top41"></a>. Sob o t&iacute;tulo &laquo;A Europa Connosco!&raquo;, esta reuni&atilde;o focou-se maioritariamente na situa&ccedil;&atilde;o econ&oacute;mica de Portugal e, aproveitando o clima de pr&eacute;-campanha eleitoral para as elei&ccedil;&otilde;es legislativas de Abril de 1976, no apoio ao PS.<sup><a href="#42">42</a></sup><a name="top42"></a> No seu discurso enquanto Presidente do Comit&eacute; de Apoio a Portugal, Willy Brandt enunciou os objectivos por detr&aacute;s da sua cria&ccedil;&atilde;o: o reconhecimento p&uacute;blico do apoio e solidariedade da social-democracia europeia relativamente &agrave; democratiza&ccedil;&atilde;o em Portugal. Olhando para tr&aacute;s, Brandt confirmou que, atrav&eacute;s do Comit&eacute;, tinha sido poss&iacute;vel &laquo;pressionar os governos europeus e record&aacute;-los dos seus compromissos para com Portugal&raquo;. No entanto, as actividades do Comit&eacute; tinham tamb&eacute;m sido importantes no contexto mais amplo da Guerra Fria, demonstrando que &laquo;n&oacute;s na Europa tomamos conta dos destinos dos nossos amigos socialistas e sociais-democratas e n&atilde;o permitimos que uma ditadura substitua outra&raquo;, numa clara refer&ecirc;ncia &agrave;s amea&ccedil;as comunistas sobre o desfecho da transi&ccedil;&atilde;o portuguesa. Ali&aacute;s, Brandt reconheceu que este era o principal objectivo do Comit&eacute;<sup><a href="#43">43</a></sup><a name="top43"></a>.</p>      <p>No seu discurso durante a reuni&atilde;o do Comit&eacute;, Soares focou-se acima de tudo no futuro das rela&ccedil;&otilde;es de Portugal com a Europa e anunciou aqui o desejo de formalizar a aproxima&ccedil;&atilde;o &agrave; Comunidade, &laquo;admitindo a pr&oacute;pria op&ccedil;&atilde;o de Portugal vir a ser membro de pleno direito da Comunidade Europeia&raquo;. Para tal decis&atilde;o pesava n&atilde;o s&oacute; a vontade do povo portugu&ecirc;s, mas tamb&eacute;m a avalia&ccedil;&atilde;o das vantagens de tal passo, quer para Portugal quer para a pr&oacute;pria Comunidade. Por outro lado, Soares fez no seu discurso uma refer&ecirc;ncia muito importante e que estava na mente de todos os participantes na reuni&atilde;o do Porto: o Conselho da Europa tinha j&aacute; aprovado o pedido de ades&atilde;o da Gr&eacute;cia, recusando claramente o modelo da &laquo;pr&eacute;-ades&atilde;o&raquo;, defendido pela Comiss&atilde;o Europeia, que poderia representar um adiamento sem fim &agrave; ades&atilde;o propriamente dita. Isto abriu um precedente que Soares considerava vantajoso para Portugal. Mas havia ainda outro elemento que fazia acelerar a declara&ccedil;&atilde;o de interesse portugu&ecirc;s na poss&iacute;vel ades&atilde;o &agrave; CEE: a Espanha estava j&aacute; a viver no per&iacute;odo o p&oacute;s-Franco<sup><a href="#44">44</a></sup><a name="top44"></a>e tinha iniciado igualmente &laquo;uma ofensiva diplom&aacute;tica com vista &agrave; entrada na Comunidade Europeia&raquo;. Assim, apelando directamente &agrave;s promessas de ajuda feitas anteriormente, era chegado o momento de os &laquo;amigos Europeus&raquo; concretizarem essas promessas e contribu&iacute;rem para a consolida&ccedil;&atilde;o da democracia portuguesa<sup><a href="#45">45</a></sup><a name="top45"></a>. A resposta dos l&iacute;deres europeus, dada atrav&eacute;s do presidente do Comit&eacute;, Willy Brandt, foi positiva: &laquo;o Comit&eacute; planeia actos de solidariedade em diferentes n&iacute;veis das institui&ccedil;&otilde;es europeias (CEE, Conselho da Europa e EFTA) e tamb&eacute;m bilateralmente, entre governos e entre partidos&raquo;. As &uacute;ltimas palavras da declara&ccedil;&atilde;o final do encontro eram claras: &laquo;Portugal pertence &agrave; Europa &ndash; a Europa deve reconhecer as suas responsabilidades perante Portugal&raquo;<sup><a href="#46">46</a></sup><a name="top46"></a>.</p>      <p>&nbsp;</p>      <p><b>CONSIDERA&Ccedil;&Otilde;ES FINAIS</b></p>      <p>Um dos momentos fundamentais para o estabelecimento e desenvolvimento de uma estrat&eacute;gia internacional dos partidos socialistas e sociais-democratas europeus ocidentais foi, sem d&uacute;vida, a transi&ccedil;&atilde;o portuguesa para a democracia, experienciada na segunda metade da d&eacute;cada de 1970. Tal como vimos atr&aacute;s, o golpe de 25 de Abril de 1974 e os meses t&atilde;o politicamente inst&aacute;veis que se seguiram revelaram-se determinantes para que os principais l&iacute;deres europeus agregados na Internacional Socialista percebessem a import&acirc;ncia de dispor de uma rede de contactos ampla que lhes permitisse acompanhar de perto, continuamente, o desenrolar dos acontecimentos.</p>      <p>Dentro destes partidos, n&atilde;o h&aacute; d&uacute;vida de que o mais importante, pelos recursos financeiros e pol&iacute;ticos de que dispunha, era o Partido Social-Democrata alem&atilde;o. N&atilde;o s&oacute; o seu l&iacute;der, Willy Brandt, tinha uma enorme influ&ecirc;ncia internacional, que se revelou determinante, como tinha acesso directo, quer a Washington quer a Moscovo. A acrescentar a isto, a social-democracia alem&atilde; dispunha de um instrumento fundamental para a actua&ccedil;&atilde;o em cen&aacute;rios de mudan&ccedil;a de sistema pol&iacute;tico: a Funda&ccedil;&atilde;o Friedrich Ebert, uma institui&ccedil;&atilde;o com uma enorme flexibilidade de actua&ccedil;&atilde;o do ponto de vista informal que permitiu a exist&ecirc;ncia de um ponto de contacto constante em Portugal, mesmo nos momentos de maior radicaliza&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica. Esta presen&ccedil;a constante junto das principais personalidades socialistas portuguesas fez com que existisse sempre uma via de comunica&ccedil;&atilde;o aberta entre Lisboa e Bona, &uacute;til para trocas de ideias e para pedidos de ajuda.</p>      <p>Ter&aacute; sido esta a principal li&ccedil;&atilde;o da experi&ecirc;ncia com a transi&ccedil;&atilde;o portuguesa. Demonstrando aos partidos socialistas europeus de que era fundamental a exist&ecirc;ncia de redes de contactos com for&ccedil;as ideologicamente pr&oacute;ximas, de modo a que existisse sempre uma fonte de informa&ccedil;&atilde;o fidedigna independentemente do grau de instabilidade pol&iacute;tica vivido num contexto de mudan&ccedil;a pol&iacute;tica. Esta li&ccedil;&atilde;o sentiu-se logo durante a transi&ccedil;&atilde;o para a democracia vivida em Espanha, iniciada ap&oacute;s a morte do ditador Francisco Franco em Novembro de 1975, mas que foi intensificada apenas alguns meses mais tarde<sup><a href="#47">47</a></sup><a name="top47"></a>.</p>      <p>Igualmente, a ofensiva da Internacional Socialista, levada a cabo j&aacute; sob a Presid&ecirc;ncia de Willy Brandt, junto de v&aacute;rios partidos da Am&eacute;rica Latina, ao longo da d&eacute;cada de 1980, com o objectivo de os aproximar do socialismo democr&aacute;tico de tipo europeu, constitui uma tentativa de estabelecer naquela regi&atilde;o uma zona de influ&ecirc;ncia n&atilde;o s&oacute; dos partidos sociais-democratas e socialistas europeus, mas tamb&eacute;m dos pr&oacute;prios governos da Europa Ocidental. Apesar de nem sempre os contactos estabelecidos se converterem em apostas seguras, a verdade &eacute; que permitiram o estreitamento das rela&ccedil;&otilde;es entre os dois lados do Atl&acirc;ntico e o refor&ccedil;o das oposi&ccedil;&otilde;es &agrave;s ditaduras vigentes<sup><a href="#48">48</a></sup><a name="top48"></a>.</p>      <p>Relativamente &agrave;s revolu&ccedil;&otilde;es europeias de final da d&eacute;cada de 1980, o papel da Internacional Socialista e dos partidos europeus acabou por ser menos vis&iacute;vel. N&atilde;o s&oacute; estavam longe do auge do poder vivido durante a d&eacute;cada de 1970 e in&iacute;cio da d&eacute;cada de 1980, como o pr&oacute;prio cen&aacute;rio p&oacute;s-comunista aproximava os regimes da Europa Central e de Leste para uma tend&ecirc;ncia pol&iacute;tica dominante mais distante da social-democracia ou mesmo do socialismo democr&aacute;tico europeu. Ainda assim, e mais uma vez, as funda&ccedil;&otilde;es pol&iacute;ticas alem&atilde;s desempenharam um papel fundamental, com um importante destaque para a Funda&ccedil;&atilde;o Ebert.</p>      <p>&nbsp;</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Data de rece&ccedil;&atilde;o: 14 de agosto de 2014</p>      <p>Data de aprova&ccedil;&atilde;o: 12 de setembro de 2014</p>      <p>&nbsp;</p>      <p><b>NOTAS</b></p>      <p><Sup><a name="1"></a><a href="#top1">1</a></Sup> A pedido da autora o artigo n&atilde;o adopta as normas do Novo Acordo Ortogr&aacute;fico.</p>      <p><Sup><a name="2"></a><a href="#top2">2</a></Sup> HUNTINGTON, Samuel &ndash; <i>The Third Wave: Democratization in the Late Twentieth Century</i>. Londres: University of Oklahoma Press, 1991, pp. 12-26.</p>      <p><Sup><a name="3"></a><a href="#top3">3</a></Sup> Da transi&ccedil;&atilde;o por ruptura vivida em Portugal at&eacute; &agrave; transi&ccedil;&atilde;o pactada de Espanha. A t&iacute;tulo de exemplo, ver o trabalho seminal de O&rsquo;DONNELL, Guillermo, <i>et al</i>. &ndash; <i>Transitions From Authoritarian Rule. 4 Volumes</i>. Baltimore: Johns Hopkins Press, 1986.</p>      <p><Sup><a name="4"></a><a href="#top4">4</a></Sup> PRIDHAM, Geoffrey &ndash; &laquo;The Politics of European Community, Transnational networks and democratic transition in Southern Europe&raquo;, <i>In</i> PRIDHAM, Geoffrey (ed.) &ndash; <i>Encouraging Democracy. The international context of regime transition in Southern Europe</i>, Leicester, Leicester University Press, 1991, pp. 212-245.</p>      <p><sup><a name="5"></a><a href="#top5">5</a></sup> Naturalmente que &agrave; data da revolu&ccedil;&atilde;o portuguesa, a IS inclu&iacute;a j&aacute; alguns grupos extra-europeus, mas &eacute; inquestion&aacute;vel que a grande maioria dos seus membros e os mais influentes eram os partidos da Europa Ocidental.</p>      <p><Sup><a name="6"></a><a href="#top6">6</a></Sup>KAISER, Wolfram (ed.) &ndash; <i>Transnational Networks in Regional Integration. Governing Europe, 1945-1983</i>, Londres: Palgrave MacMillan, 2010; GLOANNEC, Anne-Marie le (Ed.) &ndash; <i>Non-State Actors in International Relations. </i><i>The Case of Germany</i>, Manchester: Manchester University Press, 2007.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><Sup><a name="7"></a><a href="#top7">7</a></Sup> RISSE-KAPPEN, Thomas (ed.) &ndash; <i>Bringing Transnational Relations back in. Non-state actor s, domestic str uctur es an d International Institutions</i>, Cambridge: Cambridge Univ. Press, 1995.</p>      <p><Sup><a name="8"></a><a href="#top8">8</a></Sup> INTERNACIONAL SOCIALISTA &ndash; Declaration of the Socialist International adopted at its first congress held in Frankfurt-am-Main on 30 June-3 July 1951 [Consultado em 7 de Novembro de 2013]. D&iacute;sponivel em: <a href="http://www.socialistintenational.org/viewArticle.cfm?ArticleID=39" target="blank">http://www.socialistintenational.org/viewArticle.cfm?ArticleID=39</a>.</p>      <p><Sup><a name="9"></a><a href="#top9">9</a></Sup>ANAYA, Pilar Ortu&ntilde;o &ndash; <i>European Socialists and Spain. The Transition to Democracy, 1959-1977</i>. Londres: Palgrave, 2002, p. 19.</p>      <p><Sup><a name="10"></a><a href="#top10">10</a></Sup> FONSECA, Ana M&oacute;nica &ndash; &laquo;<i>&Eacute; Preciso Regar os Cravos!&raquo; A Social-democracia alem&atilde; e a transi&ccedil;&atilde;o para a democracia em Portugal (1974-1976)</i>, Disserta&ccedil;&atilde;o de Doutoramento em Hist&oacute;ria Moderna e Contempor&acirc;nea, ISCTE-Instituto Universit&aacute;rio de Lisboa, 2011.</p>      <p><Sup><a name="11"></a><a href="#top11">11</a></Sup> WESTAD, Odd Arne e VILLAUME, Paul (Eds.) &ndash; <i>Perforating the Iron Curtain. European D&eacute;tente, Transatlantic Relations and the Cold War, 1965-1985</i>, Copenhaga: Museum Tusculanum Press, 2010; EVANGELISTA, Matthew &ndash; &laquo;Transnational organizations and the Cold War&raquo; <i>in </i>LEFFLER, Melvyn P. e WESTAD, Odd Arne &ndash; <i>The Cambridge History of The Cold War, </i>Volume 3, Cambridge: Cambridge Univ. Press, 2010, pp. 400-421.</p>      <p><Sup><a name="12"></a><a href="#top12">12</a></Sup> Party Leaders&rsquo; Conference, Paris, January 13-14, 1973, Confidential Summary &ndash; Institute for Social History (IISH), Amsterd&atilde;o, Arquivo da Internacional Socialista (SI), 347.</p>      <p><Sup><a name="13"></a><a href="#top13">13</a></Sup>LAPPENK&Uuml;PPER, Ulrich &ndash; <i>Die Aussenpolitik der Bundesrepublik Deutschland, 1949 bis 1990</i>, Munique, Oldenburg Verlag, 2008.</p>      <p><Sup><a name="14"></a><a href="#top14">14</a></Sup>M&Uuml;HLEN, Patrick von zur &ndash; <i>Die internationale Arbeit der Friedrich-Ebert-Stif-tung. Von den Anf&auml;ngen bis zum Ende des Ost-West&mdash;Konflikts</i>, Bonn: Dietz Verlag, 2007.</p>      <p><Sup><a name="15"></a><a href="#top15">15</a></Sup> ROTHER, Bernd e SCHMIDT, Wolfgang &ndash; &laquo;Einleitung&raquo; in BRANDT, Willy &ndash; <i>Berliner Ausgabe. Vol. 8, &Uuml;ber Europa Hinaus</i>. <i>Dritte Welt und Sozialistische Internationale</i>, Bona: Dietz Verlag, 2006, pp. 15-109.</p>      <p><Sup><a name="16"></a><a href="#top16">16</a></Sup> AVILEZ, Maria &ndash; <i>Soares. Ditadura e Revolu&ccedil;&atilde;o</i>. Lisboa: C&iacute;rculo de Leitores, 1996, pp. 263-265.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><Sup><a name="17"></a><a href="#top17">17</a></Sup> MARTINS, Susana &ndash; <i>Os Socialistas na Oposi&ccedil;&atilde;o ao Estado Novo</i>. Lisboa: Casa das Letras, 2005.</p>      <p><Sup><a name="18"></a><a href="#top18">18</a></Sup> Estas manifesta&ccedil;&otilde;es tornaram-se ainda mais oportunas tendo em considera&ccedil;&atilde;o que foi precisamente durante a estadia de Marcello Caetano em Londres que foi denunciado o massacre de Wiryamu, em Mo&ccedil;ambique, pelo jornal <i>The Times</i>. Ver OLIVEIRA, Pedro e MCQUEEN, Norrie &ndash; &laquo;&rsquo;Grocer meets Butcher&rsquo;: Marcelo Caetano&rsquo;s London Visit of 1973 and the Last days of Portugal&rsquo;s Estado Novo&raquo;. <i>In Cold War History</i>, Vol. 10, n.&ordm; 1, 2010, pp. 29-50.</p>      <p><Sup><a name="19"></a><a href="#top19">19</a></Sup> CASTRO, Francisco &ndash; &laquo;A CEE e o PREC&raquo;. <i>In Pen&eacute;lope</i>, n.&ordm; 18, 2002, pp. 123-157.</p>      <p><Sup><a name="20"></a><a href="#top20">20</a></Sup> Note for Reuters, 26.04.1974 &ndash; IISH, SI, 779.</p>      <p><Sup><a name="21"></a><a href="#top21">21</a></Sup>Bureau decisions regarding Portugal and Chile, 08.06.1974 &ndash; IISH, SI, 779.</p>      <p><Sup><a name="22"></a><a href="#top22">22</a></Sup>  General Ant&oacute;nio de Sp&iacute;nola era uma das figuras mais respeitadas nas For&ccedil;as Armadas Portuguesas. Foi Comandante Militar da Guin&eacute; entre 1968 e 1973. No in&iacute;cio de 1974 &eacute; nomeado Vice-Chefe do Estado-Maior das For&ccedil;as Armadas, cargo do qual &eacute; demitido pela publica&ccedil;&atilde;o de <i>Portugal e o Futuro</i>, onde critica a pol&iacute;tica ultramarina de Caetano. A sua vis&atilde;o para o futuro das col&oacute;nias portuguesas passava pela realiza&ccedil;&atilde;o de referendos e a forma&ccedil;&atilde;o de uma comunidade federativa. Ver (Rodrigues 2010).</p>      <p><Sup><a name="23"></a><a href="#top23">23</a></Sup>  GASPAR, Carlos e LUCENA, Manuel &ndash; &laquo;Metamorforses Corporativas? Associa&ccedil;&otilde;es de Interesses econ&oacute;micos e institucionaliza&ccedil;&atilde;o da democracia em Portugal (I)&raquo;. <i>In An&aacute;lise Social</i>, XXVI, n.&ordm; 114, 1991, pp. 847-903.</p>      <p><Sup><a name="24"></a><a href="#top24">24</a></Sup> Express&atilde;o usada por M&aacute;rio Soares na sua entrevista a Maria Jo&atilde;o Avillez. AVILEZ, Maria Jo&atilde;o &ndash; <i>Soares. Ditadura e Revolu&ccedil;&atilde;o</i>. Lisboa: C&iacute;rculo de Leitores, 1996.</p>      <p><Sup><a name="25"></a><a href="#top25">25</a></Sup> AMARAL, Diogo Freitas &ndash; <i>O Antigo Regime e a Revolu&ccedil;ao. Mem&oacute;rias Pol&iacute;ticas (1941-1975)</i>, Lisboa: Bertrand Editores, 1995, pp. 287-305.</p>      <p><Sup><a name="26"></a><a href="#top26">26</a></Sup> GASPAR, Carlos &ndash; &laquo;The international Dimensions of the Portuguese Transition&raquo;, <i>In The Transition to Democracy in Spain, Portugal and Greece. Thirty Years After, </i>Atenas: Konstantinos G. Karamanlis Foundation, 2005, pp. 121-142.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><Sup><a name="27"></a><a href="#top27">27</a></Sup> REZOLA, Maria In&aacute;cia &ndash; <i>Os Militares na Revolu&ccedil;&atilde;o de Abril. O Conselho da Revolu&ccedil;&atilde;o e a Transi&ccedil;&atilde;o para a Democracia em Portugal (1974-1976)</i>, Lisboa: Campo da Comunica&ccedil;&atilde;o, 2006.</p>      <p><Sup><a name="28"></a><a href="#top28">28</a></Sup> O PPD foi fundado em 6 de Maio de 1974 e entre os seus quadros estavam os antigos deputados da chamada ala liberal da Assembleia Nacional. Homens como Francisco S&aacute; Carneiro, Francisco Pinto Balsem&atilde;o ou Joaquim Magalh&atilde;es Mota tinham-se tornado conhecidos pela sua actua&ccedil;&atilde;o durante o Marcelismo, em que representaram uma tentativa de renova&ccedil;&atilde;o interna do Estado Novo. FRAIN, Marie-Ther&eacute;se &ndash; <i>O PPD/PSD na Consolida&ccedil;&atilde;o do Regime Democr&aacute;tico</i>, Lisboa: Editorial Not&iacute;cias, 1998.</p>      <p><Sup><a name="29"></a><a href="#top29">29</a></Sup>  Nota sobre a situa&ccedil;&atilde;o em Portugal, 30.04.1974 &ndash; Politisches Archiv von Ausw&auml;rtigen Amt (PAAA), 110241.</p>      <p><Sup><a name="30"></a><a href="#top30">30</a></Sup>  WAGNER, Tilo &ndash; &laquo;Portugal e a RDA durante a &lsquo;Revolu&ccedil;&atilde;o dos Cravos&rsquo;&raquo;. <i>In Rela&ccedil;&otilde;es Internacionais,</i> n.&ordm; 11, 2006, pp. 79-89.</p>      <p><Sup><a name="31"></a><a href="#top31">31</a></Sup>  DEL PERO, Mario &ndash; &laquo;The Limits of D&eacute;tente. The United States and the Crisis of the Portuguese Regime&raquo;, <i>In</i> LOTH, Wilfried e SOUTOU, Georges-Henri &ndash; <i>The Making of D&eacute;tente. Eastern and Western Europe in Cold War, 1965-1975</i>, Londres: Routledge, 2008, pp. 221-240.</p>      <p><Sup><a name="32"></a><a href="#top32">32</a></Sup> Memorando de conversa&ccedil;&atilde;o entre Henry Kissinger e o Chanceler Helmut Schmidt, 21 de Maio de 1975 &ndash; National Archives and Record Administration (NARA), RG 59, Records of the Office of the Counselor (Helmut Sonnenfeldt Papers), 1955-1977, Box 5.</p>      <p><Sup><a name="33"></a><a href="#top33">33</a></Sup>S&Aacute;, Tiago Moreira de &ndash; <i>Os Estados Unidos da Am&eacute;rica e a Democracia Portuguesa (1974-1976), </i>Lisboa: Instituto Diplom&aacute;tico, 2009 e GASPAR, Carlos &ndash; &laquo;The international Dimensions of the Portuguese Transition&raquo;, pp. 121-142.</p>      <p><Sup><a name="34"></a><a href="#top34">34</a></Sup> SABLOSKY, Juliet &ndash; &laquo;A Actividade Partid&aacute;ria transnacional e as rela&ccedil;&otilde;es de Portugal com a Comunidade Europeia&raquo;, <i>In An&aacute;lise Social</i>, Vol. 31, n.&ordm; 138, 1996, pp. 1007-1020.</p>      <p><Sup><a name="35"></a><a href="#top35">35</a></Sup>  Para uma an&aacute;lise acerca da import&acirc;ncia da Cimeira de Hels&iacute;nquia no con-tex to inter nacional da r ev olu&ccedil;&atilde;o portuguesa, ver GASPAR, Carlos &ndash; &laquo;The international Dimensions of the Portuguese Transition&raquo;.</p>      <p><Sup><a name="36"></a><a href="#top36">36</a></Sup>  Memorando de Conversa&ccedil;&atilde;o entre o Chanceler Helmut Schmidt e o Presidente portugu&ecirc;s, Costa Gomes, 01.08.1975 &ndash; Archiv der sozial Demokratie (AdsD), Helmut Schmidt Archiv (HSA), 1/HSA006605. A vers&atilde;o portuguesa das conversas bilaterais de Costa Gomes em Hels&iacute;nquia est&aacute; dispon&iacute;vel em Arquivo Hist&oacute;rico-Diplom&aacute;-tico (AHD-MNE), PEA, 1/75.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><Sup><a name="37"></a><a href="#top37">37</a></Sup> Telegrama 15265 da embaixada Americana em Bona para o State Department, 17.09.1975 &ndash;NARA, Washington. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://aad.archives.gov/aad/series-description.jsp?s=4073&amp;cat=all&amp;bc=sl" target="blank">http://aad.archives.gov/aad/series-description.jsp?s=4073&amp;cat=all&amp;bc=sl</a>.</p>      <p><Sup><a name="38"></a><a href="#top38">38</a></Sup>  Comunicado &agrave; imprensa, 08.09.1975 &ndash; AdsD, WBA, A 11.4, 127.</p>      <p><Sup><a name="39"></a><a href="#top39">39</a></Sup> S&Aacute;, Tiago Moreira de &ndash; <i>Os Estados Unidos da Am&eacute;rica e a Democracia Portuguesa (1974-1976)</i>.</p>      <p><Sup><a name="40"></a><a href="#top40">40</a></Sup>GASPAR, Carlos &ndash; &laquo;The international Dimensions of the Portuguese Transition&raquo;, pp. 121-142.</p>      <p><Sup><a name="41"></a><a href="#top41">41</a></Sup>Fonseca, Ana Monica &ndash; &laquo;<i>&Eacute; Preciso Regar os Cravos!&raquo; A Social-democracia alem&atilde; e a transi&ccedil;&atilde;o para a democracia em Portugal (1974-1976)</i>, Disserta&ccedil;&atilde;o de Doutoramento em Hist&oacute;ria Moderna e Contempor&acirc;nea, ISCTE-Instituto Universit&aacute;rio de Lisboa, 2011.</p>      <p><Sup><a name="42"></a><a href="#top42">42</a></Sup> O PS tinha j&aacute; decidido que, caso fosse o partido mais votado, mesmo sem obter a maioria, iria constituir governo sem coliga&ccedil;&otilde;es.</p>      <p><Sup><a name="43"></a><a href="#top43">43</a></Sup> Comunicado de Imprensa da Reuni&atilde;o do &laquo;Comit&eacute; de Apoio e Solidariedade para com a Democracia e o Socialismo em Portugal&raquo;, 14.03.1976 &ndash; AdsD, HSA, 1/HSA A006219.</p>      <p><Sup><a name="44"></a><a href="#top44">44</a></Sup>Francisco Franco, ditador espanhol desde 1939, tinha morrido em 20 de Novembro de 1975.</p>      <p><Sup><a name="45"></a><a href="#top45">45</a></Sup>Discurso de M&aacute;rio Soares, Secret&aacute;rio-geral do PS, na reuni&atilde;o do &laquo;Comit&eacute; de Apoio e Solidariedade para com a Democracia e o Socialismo em Portugal&raquo; da Internacional Socialista, 14.03.1976, em SOARES, M&aacute;rio &ndash; <i>A Europa Connosco</i>, Lisboa: Perspectivas &amp; Realidades, 1976.</p>      <p><Sup><a name="46"></a><a href="#top46">46</a></Sup>  Comunicado de Imprensa da Reuni&atilde;o do &laquo;Comit&eacute; de Apoio e Solidariedade para com a Democracia e o Socialismo em Portugal&raquo;, 14.03.1976 &ndash; AdsD, HSA, 1/ HSAA006219.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><Sup><a name="47"></a><a href="#top47">47</a></Sup> SANCHEZ, Ant&oacute;nio Mu&ntilde;oz &ndash; <i>El Amigo Alem&aacute;n. El SPD y el PSOE de la dictadura a la democracia</i>. Barcelona: RBA, 2012.</p>      <p><Sup><a name="48"></a><a href="#top48">48</a></Sup> PEDROSA, Fernando &ndash; &laquo;Nuevas Perspectivas en los Estudios sobre la democratizaci&oacute;n. El papel de los actores internacionales. La Internacional Socialista en America Latina (1974-1992)&raquo;, <i>In Studia Historica. </i><i>Hist&oacute;ria Contemporanea</i>, n.&ordm; 28, 2010, pp. 71-95.</p>      ]]></body><back>
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