<?xml version="1.0" encoding="ISO-8859-1"?><article xmlns:mml="http://www.w3.org/1998/Math/MathML" xmlns:xlink="http://www.w3.org/1999/xlink" xmlns:xsi="http://www.w3.org/2001/XMLSchema-instance">
<front>
<journal-meta>
<journal-id>1645-9199</journal-id>
<journal-title><![CDATA[Relações Internacionais (R:I)]]></journal-title>
<abbrev-journal-title><![CDATA[Relações Internacionais]]></abbrev-journal-title>
<issn>1645-9199</issn>
<publisher>
<publisher-name><![CDATA[IPRI-UNL]]></publisher-name>
</publisher>
</journal-meta>
<article-meta>
<article-id>S1645-91992014000300011</article-id>
<title-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Caminho sem retorno?]]></article-title>
</title-group>
<contrib-group>
<contrib contrib-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Pires]]></surname>
<given-names><![CDATA[Ana Paula]]></given-names>
</name>
<xref ref-type="aff" rid="A01"/>
</contrib>
</contrib-group>
<aff id="A01">
<institution><![CDATA[,Universidade Nova de Lisboa Faculdade de Ciências Sociais e Humanas Instituto de História Contemporânea]]></institution>
<addr-line><![CDATA[ ]]></addr-line>
</aff>
<pub-date pub-type="pub">
<day>00</day>
<month>09</month>
<year>2014</year>
</pub-date>
<pub-date pub-type="epub">
<day>00</day>
<month>09</month>
<year>2014</year>
</pub-date>
<numero>43</numero>
<fpage>115</fpage>
<lpage>118</lpage>
<copyright-statement/>
<copyright-year/>
<self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S1645-91992014000300011&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_abstract&amp;pid=S1645-91992014000300011&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_pdf&amp;pid=S1645-91992014000300011&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri></article-meta>
</front><body><![CDATA[ <p align="right"><b>RECENS&Otilde;ES</b></p>      <p>&nbsp;</p>      <p><b>Caminho sem retorno?</b></p>      <p>&nbsp;</p>      <p><b>Ana Paula Pires</b></p>      <p>Investigadora e membro da Dire&ccedil;&atilde;o do Instituto de Hist&oacute;ria Contempor&acirc;nea da FCSH-UNL. Doutorada em Hist&oacute;ria, especialidade Hist&oacute;ria Econ&oacute;mica e Social Contempor&acirc;nea pela FCSH-UNL. &Eacute; atualmente editora de 1914-1918-online. International Encyclopedia of the First World War, projeto coordenado pela Freie Universitat, de Berlim. Alguns dos principais textos publicados incluem Portugal e a I Guerra Mundial. A Rep&uacute;blica e a Economia de Guerra (2011), Ant&oacute;nio Jos&eacute; de Almeida. O Tribuno da Rep&uacute;blica (2011) e, com Maria Fernanda Rollo, A Ordem dos Engenheiros &ndash; 75 Anos de Hist&oacute;ria. Inova&ccedil;&atilde;o e desenvolvimento em Portugal: o lugar dos engenheiros (2012).</p>      <p>&nbsp;</p>      <p><b>Christopher Clark</b></p>      <p><b><i>The Sleepwalkers How Europe went to war in 1914</i> Penguin Books, Londres, 2013, 696 p&aacute;ginas</b></p>      <p>&nbsp;</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Desde a sua primeira edi&ccedil;&atilde;o, no segundo semestre de 2012, o livro <i>The Sleepwalkers. How Europe went to war in 1914</i>, do historiador australiano Christopher Clark, vendeu mais de 300 000 c&oacute;pias, publicadas em 17 l&iacute;nguas. S&oacute; na Alemanha foram vendidos 160 000 exemplares da obra. No ano em que se assinala a passagem do primeiro centen&aacute;rio da eclos&atilde;o da Grande Guerra o debate em torno das origens do conflito continua a despertar o interesse dos historiadores um pouco por todo o mundo. O contributo de Christopher Clark para esse debate &eacute; enriquecedor; desde logo porque, segundo a sua tese, o caminho que iria conduzir a Europa &agrave; guerra no ver&atilde;o de 1914 teve in&iacute;cio, onze anos antes, a 11 de junho de 1903, quando 28 oficiais do ex&eacute;rcito s&eacute;rvio invadiram o pal&aacute;cio real, em Belgrado, e assassinaram o rei Alexander e a rainha Draga. O assass&iacute;nio de Alexander colocou assim um ponto final na dinastia pr&oacute;-austr&iacute;aca Obrenovic. Foi a imagem do assass&iacute;nio do monarca s&eacute;rvio, e da sua consorte, e os respetivos impactos no equil&iacute;brio de poderes na regi&atilde;o dos Balc&atilde;s que o autor escolheu para iniciar o volume.</p>      <p>&nbsp;</p>      <p><b>A CENTRALIDADE DOS BALC&Atilde;S</b></p>      <p>Clark descreve a S&eacute;rvia do in&iacute;cio do s&eacute;culo xx como um Estado fracassado, um pa&iacute;s assente numa economia camponesa, a quem faltava &ndash; sem uma aristocracia ou uma classe m&eacute;dia para se apoiar &ndash; a estrutura econ&oacute;mica e social necess&aacute;ria para sustentar tanto o aparelho governamental, como o parlamento. Os s&eacute;rvios ambicionavam a constru&ccedil;&atilde;o de &laquo;uma grande S&eacute;rvia&raquo;, objetivo que passava pela conquista das prov&iacute;ncias eslavas do imp&eacute;rio austro-h&uacute;ngaro e que, para ser alcan&ccedil;ado, necessitava do apoio da R&uacute;ssia. Neste contexto importa equacionar o papel das prov&iacute;ncias da B&oacute;snia e da Herzegovina, administradas pelo imp&eacute;rio austro-h&uacute;ngaro, desde a assinatura do Tratado de Berlim em julho de 1878, e anexadas em outubro de 1908, e a necessidade, crescente, demonstrada pela &Aacute;ustria de impedir uma poss&iacute;vel unifica&ccedil;&atilde;o eslava a sul do imp&eacute;rio.</p>      <p>A &ecirc;nfase que Clark coloca na situa&ccedil;&atilde;o inst&aacute;vel vivida nos Balc&atilde;s na primeira d&eacute;cada do s&eacute;culo XX surge indissociada do papel desempenhado pela R&uacute;ssia na crise de julho de 1914, o autor prossegue, de resto, uma linha de investiga&ccedil;&atilde;o semelhante &agrave; que tinha sido desenvolvida, em 2011, por Sean McMeekin<sup><a href="#1">1</a></sup><a name="top1"></a>. Tal como McMeekin, Clark analisou detalhadamente a pol&iacute;tica e as a&ccedil;&otilde;es expansionistas levadas a cabo pelo regime czarista, em dire&ccedil;&atilde;o a sul, demonstrando, por um lado, que as ambi&ccedil;&otilde;es expansionistas no continente europeu na primeira d&eacute;cada do s&eacute;culo XX estavam longe de se circunscrever &agrave; Alemanha e, por outro, a centralidade ocupada pelos Balc&atilde;s nas rela&ccedil;&otilde;es diplom&aacute;ticas, pol&iacute;ticas e econ&oacute;micas das principais pot&ecirc;ncias europeias. A estrat&eacute;gia russa passava &ndash; e a cria&ccedil;&atilde;o da Liga Balc&acirc;nica<sup><a href="#2">2</a></sup><a name="top2"></a> era disso um bom exemplo &ndash; pela ocupa&ccedil;&atilde;o do vazio de poder que se fazia sentir na regi&atilde;o desde o in&iacute;cio do s&eacute;culo XIX, coincidente com o decl&iacute;nio do imp&eacute;rio turco-otomano, e por uma amea&ccedil;a cada vez mais premente &agrave; estabilidade &laquo;secular&raquo; de um imp&eacute;rio austro-h&uacute;ngaro cercado pelas ambi&ccedil;&otilde;es expansionistas (como a S&eacute;rvia se encarregaria de demonstrar invadindo a Alb&acirc;nia) dos Estados balc&acirc;nicos emergentes. Para a diplomacia russa, o desmembramento do imp&eacute;rio austro-h&uacute;ngaro dar-lhe-ia a posse de territ&oacute;rios que lhe permitiriam &laquo;alimentar as ambi&ccedil;&otilde;es dos seus sat&eacute;lites h&uacute;ngaros&raquo;<sup><a href="#3">3</a></sup><a name="top3"></a>.</p>      <p>Clark defende que a mobiliza&ccedil;&atilde;o da R&uacute;ssia, ap&oacute;s o assass&iacute;nio de Francisco Fernando, foi uma das decis&otilde;es que mais marcou a crise de julho, por ter sido a primeira de uma s&eacute;rie de mobiliza&ccedil;&otilde;es gerais. Recorde-se, ali&aacute;s, que, n&atilde;o raras vezes, nos primeiros anos do s&eacute;culo XX a pr&oacute;pria Gr&atilde;-Bretanha tinha procurado &ndash; primeiro junto da Alemanha e depois do Jap&atilde;o &ndash; aliados contra a R&uacute;ssia.</p>      <p>O autor defende assim a exist&ecirc;ncia de uma liga&ccedil;&atilde;o direta entre o regic&iacute;dio de Belgrado e o assass&iacute;nio do arquiduque Francisco Fernando, em Sarajevo, a 28 de junho de 1914. No centro desta liga&ccedil;&atilde;o encontra-se, segundo a sua tese, o Tenente Dragutin Dimitrijevic &ndash; &laquo;APIS&raquo; &ndash; como era conhecido, um dos principais impulsionadores da conspira&ccedil;&atilde;o de Belgrado e um dos fundadores da organiza&ccedil;&atilde;o ultranacionalista &laquo;M&atilde;o Negra&raquo;, criada em 1911 precisamente com o objetivo de promover a uni&atilde;o dos eslavos do sul (B&oacute;snia-Herzegovina, Cro&aacute;cia e Eslov&eacute;nia), tendo em vista a forma&ccedil;&atilde;o de um novo Estado: a Jugosl&aacute;via<sup><a href="#4">4</a></sup><a name="top4"></a>. &laquo;Apis&raquo; acabaria por ser nomeado chefe dos servi&ccedil;os secretos s&eacute;rvios, em 1913, a sua escolha para o cargo foi, como demonstra o autor, essencial no desenrolar da conspira&ccedil;&atilde;o que conduziu ao assass&iacute;nio do herdeiro do trono austro-h&uacute;ngaro, no final de junho de 1914. Recorde-se ainda que o primeiro-ministro s&eacute;rvio, Nikola Paic, que acabaria por chegar ao poder na sequ&ecirc;ncia do regic&iacute;dio de Belgrado, ainda ocupava o cargo em 1914.</p>      <p>O livro fornece-nos um conjunto de pistas, inovadoras, que ajudam o leitor a indentificar, integradamente, os fatores que determinaram o fim da <i>Belle &Eacute;poque </i>e que marcaram, na express&atilde;o do historiador brit&acirc;nico Eric Hobsbawm, o come&ccedil;o do s&eacute;culo XX<sup><a href="#5">5</a></sup><a name="top5"></a>. O tema central e a pergunta a que Clark procura dar resposta em <i>Sleepwalkers </i>passa assim por explicar como &ndash; e n&atilde;o porque &ndash; &eacute; que a guerra eclodiu na Europa no ver&atilde;o de 1914. Christopher Clark &eacute; professor de hist&oacute;ria contempor&acirc;nea da Europa na Universidade de Cambridge. Nascido em Sidney, dividiu a sua forma&ccedil;&atilde;o acad&eacute;mica entre aquela cidade australiana, Berlim, onde frequentou a Freie Universitat, e Cambridge, onde acabaria por se doutorar. Os dois anos que passou em Berlim, entre 1985 e 1987, acabaram por marcar intensamente o seu percurso acad&eacute;mico; na introdu&ccedil;&atilde;o do seu livro <i>Iron Kingdom</i><sup><a href="#6">6</a></sup><a name="top6"></a><i>, </i>diz ter sido a sua viv&ecirc;ncia na cidade alem&atilde; que lhe permitiu aprofundar o seu conhecimento da hist&oacute;ria da sociedade alem&atilde; contempor&acirc;nea.</p>      <p>Nestes anos iniciais, do ponto de vista acad&eacute;mico o seu percurso &eacute; muito marcado pelo estudo da hist&oacute;ria pol&iacute;tica e cultural da religi&atilde;o, em particular das rela&ccedil;&otilde;es, nem sempre pac&iacute;ficas, entre o Estado e as institui&ccedil;&otilde;es religiosas ao longo dos s&eacute;culos XIX e XX. Clark acabaria mesmo por se especializar em hist&oacute;ria da Pr&uacute;ssia. A sua primeira publica&ccedil;&atilde;o relacionada, diretamente, com a hist&oacute;ria da Primeira Guerra Mundial surgiu em 2000, ano em que publicou uma biografia do kaiser Guilherme II<sup><a href="#7">7</a></sup><a name="top7"></a>. Ao longo da obra, Clark acompanha o percurso dos quarenta e oito anos de reinado do imperador alem&atilde;o, e, com base em fontes originais, questiona qual o seu verdadeiro papel nos acontecimentos que estiveram na origem da Grande Guerra, discutindo os objetivos, reflexos e impactos das suas a&ccedil;&otilde;es no continente europeu no seu todo. Segundo a conclus&atilde;o de Clark, Guilherme II era um homem inteligente mas com pouco discernimento, que agia, frequentemente, por impulso<sup><a href="#8">8</a></sup><a name="top8"></a>. A crise de 1914 surge transversalmente no livro, mas, tal como no recente <i>Sleepwalkers</i>, Clark n&atilde;o caiu na tenta&ccedil;&atilde;o de propor uma explica&ccedil;&atilde;o simples para a origem do conflito.</p>      <p>&nbsp;</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>A EUROPA E O IN&Iacute;CIO DA GRANDE GUERRA</b></p>      <p><i>Sleepwalkers </i>encontra-se dividido em tr&ecirc;s partes: i) &laquo;Roads to Sarajevo&raquo;; ii) &laquo;One continent divided&raquo; e iii) &laquo;Crisis&raquo;. &Eacute; precisamente na primeira parte do livro, sem d&uacute;vida a mais inovadora, que Clark desmonta o sistema de alian&ccedil;as em que a Europa se encontrava dividida desde o final do s&eacute;culo xix e defende que as teorias tradicionais que t&ecirc;m apresentado a polariza&ccedil;&atilde;o do continente como uma verdade inabal&aacute;vel tenderam a menosprezar a exist&ecirc;ncia, antes de agosto de 1914, de v&aacute;rias iniciativas com vista &agrave; aproxima&ccedil;&atilde;o dos pa&iacute;ses da Tr&iacute;plice Entente e da Entente Cordiale. O historiador australiano refere em particular o acordo entre franceses e alem&atilde;es relativamente a Marrocos, realizado em 1909 e, um ano mais tarde, os encontros realizados entre a R&uacute;ssia e a Alemanha, procurando conciliar os interesses dos dois pa&iacute;ses na Turquia e na P&eacute;rsia<sup><a href="#9">9</a></sup><a name="top9"></a>. As iniciativas diplom&aacute;ticas, tendo em vista a estabilidade do sistema internacional, procuravam, assim, demonstrar, aos olhos da opini&atilde;o p&uacute;blica, que a paz entre as grandes pot&ecirc;ncias, apesar de amea&ccedil;ada por v&aacute;rias vezes, sobretudo durante as crises de 1911 e de 1913, era est&aacute;vel<sup><a href="#10">10</a></sup><a name="top10"></a>. Sublinhe-se a prop&oacute;sito as posi&ccedil;&otilde;es antiguerra da <i>City </i>londrina e a postura do governo ingl&ecirc;s, ao considerar, inicialmente, que a &uacute;nica forma de evitar um colapso total no cr&eacute;dito europeu era, num cen&aacute;rio de guerra na Europa, a Gr&atilde;-Bretanha optar pela neutralidade.</p>      <p>Em 1913 o herdeiro do trono austro-h&uacute;ngaro, Francisco Fernando, ter&aacute; mesmo lembrado ao comandante das For&ccedil;as Armadas da A&uacute;stria-Hungria, Conrad von H&ouml;tzendorf, que era dever do governo preservar a paz<sup><a href="#11">11</a></sup><a name="top11"></a>.&nbsp; De uma forma mais gen&eacute;rica Clark apresenta Francisco Fernando como o l&iacute;der de uma fa&ccedil;&atilde;o do governo austr&iacute;aco que h&aacute; mais de uma d&eacute;cada vinha perseguindo a resolu&ccedil;&atilde;o pac&iacute;fica do problema dos Balc&atilde;s<sup><a href="#12">12</a></sup><a name="top12"></a>. Ironicamente o seu assass&iacute;nio, marcaria o deflagrar de uma guerra sem precedentes na Europa e no mundo.</p>      <p>A Europa que Clark nos descreve ao longo de quase setecentas p&aacute;ginas de texto &eacute; um continente governado por pol&iacute;ticos &laquo;son&acirc;mbulos&raquo;, estadistas que, segundo a interpreta&ccedil;&atilde;o do autor, teriam testado <i>in loco</i> o funcionamento de um sistema de alian&ccedil;as defensivas cuja compreens&atilde;o estava muito para al&eacute;m do seu entendimento: &laquo;(...) the protagonists of 1914 were sleepwalkers, watchful but unseeing, haunted by dreams, yet blind to the reality of the horror they were about to bring into the world&raquo;<sup><a href="#13">13</a></sup><a name="top13"></a>. Deste modo, o in&iacute;cio da guerra, nos primeiros dias de agosto de 1914, n&atilde;o foi uma consequ&ecirc;ncia direta dos dois sistemas de alian&ccedil;as em que a Europa se encontrava dividida no in&iacute;cio do s&eacute;culo XX, mas antes a demonstra&ccedil;&atilde;o cabal da sua fraqueza e a constata&ccedil;&atilde;o da incerteza quanto ao papel que cada parceiro poderia vir a ser chamado a desempenhar na respetiva alian&ccedil;a<sup><a href="#14">14</a></sup><a name="top14"></a>. O que o livro de Clark nos relata com mestria &eacute; a forma como cada uma das principais pot&ecirc;ncias europeias construiu a sua narrativa para justificar o seu envolvimento numa confronta&ccedil;&atilde;o que no final de julho de 1914 era j&aacute; praticamente inevit&aacute;vel. Trinta e sete dias depois da morte do herdeiro do trono da austro-hungria cinco das principais pot&ecirc;ncias europeias (Gr&atilde;-Bretanha, Fran&ccedil;a, R&uacute;ssia, &Aacute;ustria-Hungria e Alemanha) estavam j&aacute; em guerra, apenas a It&aacute;lia conseguira permanecer neutral.</p>      <p>A Primeira Guerra Mundial, segundo a interpreta&ccedil;&atilde;o de Christopher Clark, foi uma trag&eacute;dia, n&atilde;o um crime. <i>Sleepwalkers</i> &eacute; um dos melhores trabalhos historiogr&aacute;ficos j&aacute; publicados sobre as origens da Grande Guerra. Uma obra de leitura obrigat&oacute;ria.</p>      <p>&nbsp;</p>      <p><b>NOTAS</b></p>      <p><Sup><a name="1"></a><a href="#top1">1</a></Sup> MCMEEKIN, Sean &ndash; <i>The Russian Origins of the First World War,</i> s/l, Belknap Press, dezembro 2011.</p>      <p><Sup><a name="2"></a><a href="#top2">2</a></Sup> Entre 1912 e agosto de 1913, data de assinatura do Tratado de Bucareste que p&ocirc;s fim &agrave; Segunda Guerra Balc&acirc;nica, a Europa presenciou o desenhar do mapa pol&iacute;tico, e geogr&aacute;fico, dos Balc&atilde;s; a Alb&acirc;nia tornou-se independente e aumentaram, de forma consider&aacute;vel, os territ&oacute;rios controlados pela S&eacute;rvia (Maced&oacute;nia e Kosovo).</p>      <p><Sup><a name="3"></a><a href="#top3">3</a></Sup> CLARK, Christopher &ndash; <i>The Sleepwalkers. How Europe went to war in 1914,</i> Londres: Penguin Books, 2013, p. 114.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><Sup><a name="4"></a><a href="#top4">4</a></Sup> STEVENSON, David &ndash; <i>The outbreak of the First World War. 1914 in Perspetive</i>, Londres: Macmillan, 1997.</p>      <p><sup><a href="#5">5</a></sup><a name="top5"></a> HOBSBAWM, Eric &ndash; <i>A Era dos Extremos. Hist&oacute;ria Breve do s&eacute;culo XX 1914-1991,</i> Lisboa: Editorial Presen&ccedil;a, 2002.</p>      <p><Sup><a name="6"></a><a href="#top6">6</a></Sup> CLARK, Christopher &ndash; <i>Iron Kingdom: the rise and downfall of Prussia 1600-1947,</i> Cambridge: Belknap Press, 2006.</p>      <p><Sup><a name="7"></a><a href="#top7">7</a></Sup> CLARK, Christopher &ndash; <i>Kaiser Wilhelm II,</i> Nova Iorque: Longman, 2000.</p>      <p><Sup><a name="8"></a><a href="#top8">8</a></Sup> <i>Ibidem</i>.</p>      <p><Sup><a name="9"></a><a href="#top9">9</a></Sup> Cf. LAQUEUR, Thomas &ndash; &laquo;Some Damn Foolish Thing&raquo; in <i>London Review of Books</i>, Vol. 35, n.&ordm; 23, 5 de dezembro de 2013, p.11-16.</p>      <p><Sup><a name="10"></a><a href="#top10">10</a></Sup> MULLIGAN, William &ndash; <i>The Origins of the First World War,</i> Cambridge, Cambridge University Press, 2010, p.1-2.&nbsp;</p>      <p><Sup><a name="11"></a><a href="#top11">11</a></Sup> CLARK, Christopher &ndash; <i>The Sleepwalkers. How Europe went to war in 1914,</i> 2013, p.117.</p>      <p><Sup><a name="12"></a><a href="#top12">12</a></Sup> LAQUEUR, Thomas &ndash; &laquo;Some Damn Foolish Thing&raquo;, 2013.</p>      <p><Sup><a name="13"></a><a href="#top13">13</a></Sup> Cf. CLARK, Christopher &ndash; <i>The Sleepwalkers. How Europe went to war in 1914, </i>p.562.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><Sup><a name="14"></a><a href="#top14">14</a></Sup> <i>Ibidem</i>.</p>      ]]></body><back>
<ref-list>
<ref id="B1">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[CLARK]]></surname>
<given-names><![CDATA[Christopher]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[The Sleepwalkers. How Europe went to war in 1914]]></source>
<year>2013</year>
<page-range>114</page-range><publisher-loc><![CDATA[Londres ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Penguin Books]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B2">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[STEVENSON]]></surname>
<given-names><![CDATA[David]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[The outbreak of the First World War. 1914 in Perspetive]]></source>
<year>1997</year>
<publisher-loc><![CDATA[Londres ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Macmillan]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B3">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[HOBSBAWM]]></surname>
<given-names><![CDATA[Eric]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[A Era dos Extremos. História Breve do século XX 1914-1991]]></source>
<year>2002</year>
<publisher-loc><![CDATA[Lisboa ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Editorial Presença]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B4">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[CLARK]]></surname>
<given-names><![CDATA[Christopher]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Iron Kingdom: the rise and downfall of Prussia 1600-1947]]></source>
<year>2006</year>
<publisher-loc><![CDATA[Cambridge ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Belknap Press]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B5">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[CLARK]]></surname>
<given-names><![CDATA[Christopher]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Kaiser Wilhelm II]]></source>
<year>2000</year>
<publisher-loc><![CDATA[Nova Iorque ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Longman]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B6">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[LAQUEUR]]></surname>
<given-names><![CDATA[Thomas]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Some Damn Foolish Thing]]></article-title>
<source><![CDATA[London Review of Books]]></source>
<year>5 de</year>
<month> d</month>
<day>ez</day>
<volume>35</volume>
<numero>23</numero>
<issue>23</issue>
<page-range>11-16</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B7">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[MULLIGAN]]></surname>
<given-names><![CDATA[William]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[The Origins of the First World War]]></source>
<year>2010</year>
<page-range>1-2</page-range><publisher-loc><![CDATA[Cambridge ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Cambridge University Press]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
</ref-list>
</back>
</article>
