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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[A emergência da Índia e a ordem liberal americana: Notas sobre desafios futuros]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[The direct or indirect use of the democratic peace thesis with power transition theory and the preeminent rise of China among emergent powers led to a systematic disregard of the role of rising democracies in the upcoming international order. This article studies India’s case and concludes that rising democracies also challenge the current normative basis of states’ relations, in a different way than autocracies. New Delhi’s foreign policy in recent years suggests that the theoretical tools are not fully adequate to address these cases.]]></p></abstract>
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<kwd lng="en"><![CDATA[Democratic Peace Thesis]]></kwd>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><b>POT&Ecirc;NCIAS EMERGENTES E DEMOCRACIA</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>A emerg&ecirc;ncia da &Iacute;ndia e a ordem liberal americana. Notas sobre desafios futuros</b></p>      <p><b>The emergence of India and the American liberal order: notes on future challenges</b></p>      <p>&nbsp;</p>      <p><b>Diana Soller</b></p>      <p>Doutoranda no Departamento de Estudos Internacionais da Universidade de Miami. Assistente de Investiga&ccedil;&atilde;o no Centro de Excel&ecirc;ncia da Uni&atilde;o Europeia da Universidade de Miami. Investigadora no IPRI-UNL.</p>      <p>&nbsp;</p>      <p><b>RESUMO</b></p>      <p>A aplica&ccedil;&atilde;o da Teoria da Paz Democr&aacute;tica &agrave; literatura da transi&ccedil;&atilde;o de poder bem como o posicionamento da China como a mais poderosa pot&ecirc;ncia emergente tem levado a relegar para segundo plano o estudo de democracias emergentes e o seu papel na futura ordem internacional. Este artigo estuda o caso da &Iacute;ndia que sugere que as democracias tamb&eacute;m colocam desafios &agrave; ordem liberal, ainda que de natureza diferente dos das autocracias. As posi&ccedil;&otilde;es recentes de Nova Deli relativamente a um conjunto de temas centrais para a ordem internacional leva ao questionamento de pressupostos te&oacute;ricos e &agrave; procura de vari&aacute;veis alternativas que justifiquem a pol&iacute;tica externa indiana.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Palavras-chave:</b><i> </i>Estados Unidos, &Iacute;ndia, transi&ccedil;&atilde;o de poder, Teoria da Paz Democr&aacute;tica.</p>      <p>&nbsp;</p>      <p><b>ABSTRACT</b></p>      <p>The direct or indirect use of the democratic peace thesis with power transition theory and the preeminent rise of China among emergent powers led to a systematic disregard of the role of rising democracies in the upcoming international order. This article studies India&rsquo;s case and concludes that rising democracies also challenge the current normative basis of states&rsquo; relations, in a different way than autocracies. New Delhi&rsquo;s foreign policy in recent years suggests that the theoretical tools are not fully adequate to address these cases.</p>      <p><b>Keywords:</b> United States, India, power transition, Democratic Peace Thesis</p>      <p>&nbsp;</p>      <p><b>INTRODU&Ccedil;&Atilde;O: QUEM TEM MEDO DE UM MUNDO MULTIPOLAR?</b></p>      <p>Amitav Acharya, um proeminente construtivista cr&iacute;tico da American University, publicou recentemente um livro-panfleto na senda de Kishore Mabhubani<sup><a href="#1">1</a></sup><a name="top1"></a> onde faz dois argumentos centrais. O primeiro &eacute; que, independentemente de quest&otilde;es quantific&aacute;veis de decl&iacute;nio e ascens&atilde;o, a narrativa da indispensabilidade da hegemonia americana tem os dias contados<sup><a href="#2">2</a></sup><a name="top2"></a>. N&atilde;o ser&aacute; f&aacute;cil para os Estados Unidos continuarem a defender a ideia de que o mundo beneficia da sua primazia (da &laquo;na&ccedil;&atilde;o indispens&aacute;vel&raquo;) depois da Guerra do Iraque, que p&ocirc;s em causa a legitimidade da lideran&ccedil;a e da crise econ&oacute;mica internacional, que teve in&iacute;cio nos Estados Unidos, contaminou o mundo, e p&ocirc;s seriamente em causa a validade do modelo econ&oacute;mico internacional liberal<sup><a href="#3">3</a></sup><a name="top3"></a>. Para os pa&iacute;ses que comp&otilde;em os brics, um grupo que cada vez mais se apresenta como uma coliga&ccedil;&atilde;o que pretende criar alternativas para a ordem internacional econ&oacute;mica, os acontecimentos de 2008, diz Acharya, provaram que o modelo americano est&aacute; esgotado. O segundo argumento &eacute; que o mundo ocidental desenvolveu a ideia falsa de que a unipolaridade &eacute; condi&ccedil;&atilde;o necess&aacute;ria para a estabilidade internacional<sup><a href="#4">4</a></sup><a name="top4"></a>. O Ocidente tem defendido a validade da teoria da estabilidade hegem&oacute;nica<sup><a href="#5">5</a></sup><a name="top5"></a> que cont&eacute;m a ideia essencial de que o mundo beneficia da exist&ecirc;ncia de uma pot&ecirc;ncia organizadora<sup><a href="#6">6</a></sup><a name="top6"></a> sem a qual a paz internacional e a coopera&ccedil;&atilde;o entre os estados &eacute; muito mais dif&iacute;cil de obter. E que a lideran&ccedil;a americana tem tido um papel preponderante quer pelo seu car&aacute;cter benigno, quer pela sua inclusividade e flexibilidade<sup><a href="#7">7</a></sup><a name="top7"></a>.</p>      <p>Do ponto de vista de Acharya, esta tese tem dois problemas fundamentais que a p&otilde;em em quest&atilde;o. Por um lado, o sistema unipolar sofre da aus&ecirc;ncia de <i>checks and balances</i>.</p>      <p>Assim, o Estado hegem&oacute;nico tem um poder discricion&aacute;rio que, mal usado, p&otilde;e em risco a paz do sistema. Por outro, n&atilde;o h&aacute; modelos para um mundo multipolar no s&eacute;culo xxi. A &uacute;ltima vez que o sistema internacional foi multipolar (e inst&aacute;vel), no s&eacute;culo xix, os protagonistas eram outros (os beligerantes estados europeus), os pressupostos ideol&oacute;gicos eram diferentes, e as tecnologias que hoje facilitam o entendimento entre os estados (institucionais e cient&iacute;ficas) ainda n&atilde;o tinham sido desenvolvidas. Assim, n&atilde;o se pode esperar que o passado multipolar seja um guia fidedigno para o futuro multipolar. Acharya n&atilde;o diz, mas leva o leitor a subentender, que os estados emergentes s&atilde;o inerentemente pac&iacute;ficos e, acima de tudo, respons&aacute;veis e respeitadores do direito internacional na sua vertente mais soberanista<sup><a href="#8">8</a></sup><a name="top8"></a>. Saber&atilde;o, portanto, partilhar o poder do sistema internacional de forma pac&iacute;fica e tender&atilde;o a organizar-se para estabelecer novas regras na ordem internacional (ou restabelecer regras antigas) que, por se oporem &agrave;s da ordem americana, tender&atilde;o a ser mais pluralistas e menos solidaristas<sup><a href="#9">9</a></sup><a name="top9"></a>. Mais, um sistema multipolar permitir&aacute; que os estados se vigiem uns aos outros, garantindo assim um menor risco de conflitos armados.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Apesar do tom persecut&oacute;rio de Acharya neste livro n&atilde;o ser partilhado por muitos, as duas ideias centrais do seu livro &ndash; de que (1) a ordem internacional pol&iacute;tica e econ&oacute;mica americana est&aacute; esgotada e que (2) um sistema unipolar &eacute; inerentemente mais perigoso que um sistema multipolar &ndash; s&atilde;o subscritas por cada vez mais decisores pol&iacute;ticos e acad&eacute;micos dos estados democr&aacute;ticos emergentes, nomeadamente da &Iacute;ndia e do Brasil<sup><a href="#10">10</a></sup><a name="top10"></a>. Decisores, diplomatas e acad&eacute;micos v&atilde;o afirmando que n&atilde;o existe nenhum problema fundamental nas rela&ccedil;&otilde;es diplom&aacute;ticas entre os seus pa&iacute;ses e Washington, mas v&atilde;o simultaneamente procedendo a estrat&eacute;gias de <i>soft balancing</i><sup><a href="#11">11</a></sup><a name="top11"></a>que, na pr&aacute;tica, enfraquecem a posi&ccedil;&atilde;o norte-americana e a ordem internacional liberal constru&iacute;da pelos Estados Unidos e os seus aliados nos anos 1940 e refor&ccedil;ada pela vit&oacute;ria na Guerra Fria. No entanto, as preocupa&ccedil;&otilde;es dos declinistas americanos t&ecirc;m-se concentrado em Pequim, votando a &Iacute;ndia e o Brasil a um quase esquecimento. Joseph Nye diz mesmo que a &Iacute;ndia &eacute; &laquo;um poder prematuro&raquo;<sup><a href="#12">12</a></sup><a name="top12"></a>. Apesar de Nova Deli e Bras&iacute;lia darem cada vez mais sinais de descontentamento relativamente &agrave;s decis&otilde;es norte-americanas, o que tem levado, simultaneamente, ao uso das institui&ccedil;&otilde;es internacionais para denunciar o comportamento internacional norte-americano, e ao alinhamento ocasional com a China com o objetivo de conter a evolu&ccedil;&atilde;o de regimes internacionais menos favor&aacute;veis aos interesses do Sul global<sup><a href="#13">13</a></sup><a name="top13"></a>, muito pouco se tem investigado sobre a especificidade do seu comportamento que, at&eacute; certo ponto, contraria as previs&otilde;es te&oacute;ricas.</p>      <p>Tr&ecirc;s raz&otilde;es explicam a aus&ecirc;ncia destas an&aacute;lises. Primeiro, o tema da emerg&ecirc;ncia chinesa sobrep&otilde;e-se a todos os outros. Tanto porque Pequim &eacute; mais poderosa do que as restantes pot&ecirc;ncias emergentes como porque as suas posi&ccedil;&otilde;es normativas est&atilde;o t&atilde;o distantes das americanas, a China tem sido considerada o rival natural dos Estados Unidos em cen&aacute;rio de transi&ccedil;&atilde;o de poder<sup><a href="#14">14</a></sup><a name="top14"></a>. Segundo, porque frequentemente se estuda a ascens&atilde;o de pot&ecirc;ncias n&atilde;o ocidentais em conjunto &ndash; como se os casos n&atilde;o tivessem especificidades suficientes para que as trajet&oacute;rias dos pa&iacute;ses e as suas posi&ccedil;&otilde;es na pol&iacute;tica internacional sejam tamb&eacute;m elas muito diferentes. Terceiro, quando se estuda a &Iacute;ndia e o Brasil separadamente dos outros brics, as quest&otilde;es de transi&ccedil;&atilde;o de poder entre democracias e alinhamento em contexto de transi&ccedil;&atilde;o t&ecirc;m sido abordadas &agrave; luz da Teoria da Paz Democr&aacute;tica. Autores das diversas escolas de rela&ccedil;&otilde;es internacionais consideram que as democracias tendem a (1) criar contextos de transi&ccedil;&atilde;o pac&iacute;ficos por estarem de acordo com os valores vigentes da ordem internacional<sup><a href="#15">15</a></sup><a name="top15"></a>e/ou (2) alinhar-se entre si para conter a emerg&ecirc;ncia de pot&ecirc;ncias autocr&aacute;ticas, naturalmente revisionistas dos valores internacionais partilhados pelos estados democr&aacute;ticos<sup><a href="#16">16</a></sup><a name="top16"></a>. Assim, prev&ecirc;-se que o Brasil, e especialmente, a &Iacute;ndia, com uma hist&oacute;ria de rivalidade com a China, tendam a alinhar-se com os Estados Unidos para conter Pequim.</p>      <p>Mas a verdade &eacute; que a &Iacute;ndia e o Brasil se t&ecirc;m oposto sistematicamente a Washington em quest&otilde;es estrat&eacute;gicas e normativas com profundas implica&ccedil;&otilde;es na ordem internacional liberal<sup><a href="#17">17</a></sup><a name="top17"></a>. Mais, esta oposi&ccedil;&atilde;o tem tido maior impacto internacional devido a tr&ecirc;s fatores: (1) o retraimento estrat&eacute;gico norte-americano criou um vazio de poder que as pot&ecirc;ncias emergentes t&ecirc;m sabido ocupar; (2) as atuais amea&ccedil;as transnacionais requerem solu&ccedil;&otilde;es conjuntas, aumentando o poder negocial dos estados emergentes; e (3) a estrat&eacute;gia destas pot&ecirc;ncias tem sido a de usar as estruturas institucionais criadas pela ordem liberal norte-americana para questionarem a legitimidade de a&ccedil;&atilde;o do Ocidente. Caso esta tend&ecirc;ncia se mantenha, os alinhamentos das pot&ecirc;ncias emergentes democr&aacute;ticas poder&atilde;o n&atilde;o ter um car&aacute;cter revisionista cl&aacute;ssico, mas ter&atilde;o um impacto negativo na ordem internacional liberal. Mesmo que se mantenha um registo revisionista <i>soft</i>, esta pol&iacute;tica tender&aacute; a contribuir para o enfraquecimento das estruturas da ordem vigente.</p>      <p>Este artigo argumenta que os pressupostos te&oacute;ricos que t&ecirc;m levado &agrave; conclus&atilde;o de que as democracias emergentes tender&atilde;o a refor&ccedil;ar a ordem liberal americana est&atilde;o, em parte, ultrapassados. Ter o mesmo tipo de regime n&atilde;o &eacute; condi&ccedil;&atilde;o suficiente para alinhamento em contexto de transi&ccedil;&atilde;o de poder. Poder&aacute; at&eacute; ter um efeito contraproducente, uma vez que se criam expectativas que n&atilde;o s&atilde;o cumpridas. Este tem sido o caso das rela&ccedil;&otilde;es Estados Unidos-&Iacute;ndia<sup><a href="#18">18</a></sup><a name="top18"></a>. O argumento ser&aacute; desenvolvido em tr&ecirc;s partes: a primeira escrutina a Teoria da Paz Democr&aacute;tica e os seus pressupostos, que teoricamente se deveriam aplicar &agrave;s rela&ccedil;&otilde;es indo-americanas. A segunda procura encontrar explica&ccedil;&otilde;es alternativas atrav&eacute;s das cr&iacute;ticas &agrave; Teoria da Paz Democr&aacute;tica, que ser&atilde;o testadas na terceira parte, em que argumentos emp&iacute;ricos ser&atilde;o expostos. O artigo conclui sugerindo que estes problemas n&atilde;o se aplicam apenas ao estudo de caso, e que, com as devidas especificidades, poder&atilde;o ser encontrados noutras pot&ecirc;ncias democr&aacute;ticas emergentes cujo processo de desenvolvimento econ&oacute;mico (e pol&iacute;tico) tem decorrido &agrave; margem da ordem internacional democr&aacute;tica fundada pelos Estados Unidos nos anos 1940.</p>      <p>&nbsp;</p>      <p><b>DESAFIANDO A VALIDADE DA TEORIA DA PAZ DEMOCR&Aacute;TICA: PRESSUPOSTOS TE&Oacute;RICOS</b></p>      <p>Quando enunciou os princ&iacute;pios da Teoria da Paz Democr&aacute;tica (tpd), o realista Jack Levy fez duas advert&ecirc;ncias: a primeira &eacute; que a tese que estava a enunciar n&atilde;o se limitava ao princ&iacute;pio mais prontamente observ&aacute;vel e empiricamente comprovado de que as democracias raramente fazem guerra entre si, mas continha uma s&eacute;rie de outros elementos que n&atilde;o faziam das democracias estados inerentemente pac&iacute;ficos. Por outras palavras, Levy distinguiu entre um espa&ccedil;o de paz criado pelos estados democr&aacute;ticos e as rela&ccedil;&otilde;es conflituosas entre democracias e estados com outros tipos de regime. Segundo, Levy sugeriu que o processo que desencadeava todos os princ&iacute;pios da paz democr&aacute;tica tinha origens na pol&iacute;tica interna dos estados<sup><a href="#19">19</a></sup><a name="top19"></a>. Contudo, a investiga&ccedil;&atilde;o do autor n&atilde;o foi conclusiva relativamente a que mecanismos internos explicavam o comportamento at&iacute;pico dos estados democr&aacute;ticos no sistema internacional.</p>      <p>Ao todo, a tpd &eacute; composta por cinco princ&iacute;pios: (1) as democracias resolvem os seus conflitos de forma pac&iacute;fica, evitando a guerra; (2) os estados democr&aacute;ticos nunca se encontraram em lados opostos de conflitos armados; (3) as democracias s&atilde;o menos propensas a iniciar conflitos armados, mas quando entram em guerra tendem a transformar conflitos de interesses em &laquo;cruzadas morais&raquo;<sup><a href="#20">20</a></sup><a name="top20"></a>. Assim, (4) as democracias envolvem-se em &laquo;intervencionismo liberal&raquo; &ndash; a &laquo;promo&ccedil;&atilde;o da sua pr&oacute;pria vis&atilde;o moral da ordem internacional&raquo; e (5) por isso mesmo tendem a n&atilde;o formar alian&ccedil;as com &laquo;estados ideologicamente hostis&raquo; que tenderiam a ser rejeitadas pelas suas opini&otilde;es p&uacute;blicas.</p>      <p>A quest&atilde;o da identifica&ccedil;&atilde;o das causas da TPD (<i>i.e. </i>os mecanismos que desencadeiam o fen&oacute;meno descrito) foi estudada por diversos autores que encontraram explica&ccedil;&otilde;es complementares. Michael Doyle, recorreu &agrave; teoria pol&iacute;tica da Immanuel Kant para explicar porque &eacute; que as democracias &laquo;poder&atilde;o ter escapado do mais perigoso desafio tradicional das mudan&ccedil;as sist&eacute;micas &ndash; a transi&ccedil;&atilde;o entre l&iacute;deres hegem&oacute;nicos&raquo;<sup><a href="#21">21</a></sup><a name="top21"></a>.</p>      <p>Os <i>Artigos Definitivos da Paz Perp&eacute;tua</i>, na leitura de Doyle, cont&ecirc;m quatro elementos essenciais: (1) estados com o regime interno &laquo;republicano&raquo; (<i>i.e. </i>um regime constitucional); tendem a formar uma &laquo;liga para a paz&raquo; (a que estes regimes aderem livremente e que tender&aacute; a alargar-se a cada novo regime democr&aacute;tico), que garante o (3) &laquo;respeito m&uacute;tuo&raquo; entre os estados (condi&ccedil;&atilde;o fundadora do direito internacional) e que se transforma na (4) origem de uma &laquo;ordem cosmopolita&raquo; com base no &laquo;direito &agrave; hospitalidade&raquo;. Este &uacute;ltimo direito confere ao indiv&iacute;duo o papel de unidade mais relevante na ordem internacional democr&aacute;tica (<i>i.e. </i>na hierarquia de justi&ccedil;a o indiv&iacute;duo sobrep&otilde;e-se ao Estado), independentemente da sua origem nacional<sup><a href="#22">22</a></sup><a name="top22"></a>.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Assim, o processo causal da Paz Democr&aacute;tica desenvolve-se na seguinte l&oacute;gica: os governos republicanos desenvolvem regimes internos constitucionais nos quais a liberdade individual &eacute; o valor mais importante. No sistema internacional os estados comportam-se de acordo com os seus valores internos, reconhecendo e aliando-se a estados com regimes semelhantes por raz&otilde;es de confian&ccedil;a e respeito m&uacute;tuo. O oposto acontece na rela&ccedil;&atilde;o internacional das rep&uacute;blicas com estados n&atilde;o-democr&aacute;ticos: a desconfian&ccedil;a &eacute; justificada pelo facto de as autocracias tenderem a violar o &laquo;direito natural&raquo;, a &laquo;legitimidade moral&raquo; e estarem em &laquo;permanente estado de agress&atilde;o&raquo;, uma vez que as elites frequentemente desvalorizam o interesse p&uacute;blico e n&atilde;o s&atilde;o for&ccedil;adas a atenderem &agrave;s suas opini&otilde;es p&uacute;blicas<sup><a href="#23">23</a></sup><a name="top23"></a>. Consequentemente, as democracias desenvolveram uma &laquo;estrat&eacute;gia de liberta&ccedil;&atilde;o&raquo; que se traduz na prote&ccedil;&atilde;o m&uacute;tua dos aliados liberais (&laquo;ocidentais&raquo;, na designa&ccedil;&atilde;o datada de Doyle) que em casos extremos pode levar &agrave; interven&ccedil;&atilde;o militar contra excessos de estados autocr&aacute;ticos<sup><a href="#24">24</a></sup><a name="top24"></a>. Este processo causal foi refor&ccedil;ado pela lideran&ccedil;a hegem&oacute;nica norte-americana, cuja estrat&eacute;gia internacional passa, desde os anos 1940, pela cria&ccedil;&atilde;o de uma estabilidade democr&aacute;tica (atrav&eacute;s das institui&ccedil;&otilde;es internacionais) e pela promo&ccedil;&atilde;o da democracia<sup><a href="#25">25</a></sup><a name="top25"></a>.</p>      <p>J&aacute; Bruce Russett reafirma que &laquo;quanto mais democracias houver no mundo, menos advers&aacute;rios as democracias ter&atilde;o de enfrentar e mais vasta ser&aacute; a zona de paz&raquo;. Foi este princ&iacute;pio que norteou o desenvolvimento da comunidade de seguran&ccedil;a ocidental na Guerra Fria, cujo &laquo;princ&iacute;pio unificador&raquo; era a democracia<sup><a href="#26">26</a></sup><a name="top26"></a>. Tomando este exemplo mais emp&iacute;rico, o autor identifica tr&ecirc;s condi&ccedil;&otilde;es necess&aacute;rias para a ocorr&ecirc;ncia da tpd: os estados t&ecirc;m que se <i>reconhecer </i>como estados democr&aacute;ticos, o que implica a perce&ccedil;&atilde;o de &laquo;culturas normativas&raquo; e &laquo;estruturas comportamentais&raquo; id&ecirc;nticas. S&atilde;o estas tr&ecirc;s condi&ccedil;&otilde;es que permitem uma &laquo;cultura democr&aacute;tica transnacional&raquo; com base na ideia de <i>enlightened self interest</i><sup><a href="#27">27</a></sup><a name="top27"></a>.</p>      <p>Russet, que em conjunto com Zeev Moaz desenvolveu um exaustivo estudo quantitativo para provar algumas das premissas de Levy<sup><a href="#28">28</a></sup><a name="top28"></a>, tem vindo a ser criticado por definir &laquo;democracia&raquo; de uma forma muito lata. Os estados estudados t&ecirc;m quatro caracter&iacute;sticas comuns: elei&ccedil;&otilde;es peri&oacute;dicas e livres, respeito pelos direitos e liberdades civis, liberdades econ&oacute;micas, e estabilidade e longevidade do regime<sup><a href="#29">29</a></sup><a name="top29"></a>. Tamb&eacute;m alguns dos conceitos de Russett s&atilde;o vagos: o elemento normativo n&atilde;o tem premissas concretas, deixando por explicar o que quer dizer concretamente &laquo;cultura democr&aacute;tica&raquo; &ndash; um elemento essencial para fazer exclus&otilde;es e inclus&otilde;es te&oacute;ricas.</p>      <p>John Owen tenta corrigir esta quest&atilde;o introduzindo uma nova vari&aacute;vel independente. No seu estudo <i>Liberal Peace, Liberal War </i>o autor afirma que o que causa a Paz Democr&aacute;tica &eacute; o liberalismo. Owen mant&eacute;m a vari&aacute;vel interveniente de Russett (perce&ccedil;&otilde;es) e define liberalismo como a ideologia que modela as institui&ccedil;&otilde;es dos estados democr&aacute;ticos, que s&atilde;o essencialmente duas: &laquo;liberdade de discuss&atilde;o&raquo; e &laquo;elei&ccedil;&otilde;es livres e concorridas dos agentes que t&ecirc;m o poder de fazer a guerra&raquo;. Estes dois elementos constituem a &laquo;identidade institucional&raquo; que &eacute;, por natureza, duradoura &ndash; ainda que n&atilde;o imut&aacute;vel. E &eacute; esta identidade que outros estados ir&atilde;o percecionar e sobre a qual ir&atilde;o decidir se est&atilde;o perante um aliado natural<sup><a href="#30">30</a></sup><a name="top30"></a>. O efeito da tpd &ndash; resumida nas cinco observa&ccedil;&otilde;es de Levy, que Owen n&atilde;o contesta &ndash; depende, ent&atilde;o, da seguinte l&oacute;gica de causalidade: estados liberais percecionam os outros como estados liberais ou estados n&atilde;o liberais, e tomam as suas decis&otilde;es pol&iacute;ticas com base nesse julgamento.</p>      <p>Uma ressalva &ndash; acrescenta Owen: os conceitos de liberalismo e democracia (ou de democracia-liberal, uma vez que o autor nunca faz uma distin&ccedil;&atilde;o precisa) v&atilde;o evoluindo temporal e espacialmente. Assim, todos os casos t&ecirc;m que passar pelo escrut&iacute;nio do seu pr&oacute;prio contexto. Sem estudos de caso precisos, como os que faz no seu livro, a tpd ser&aacute; uma mera abstra&ccedil;&atilde;o e apenas uma probabilidade, uma vez que as estat&iacute;sticas n&atilde;o captam as perce&ccedil;&otilde;es. E se por um lado, o caso da &Iacute;ndia se ajusta a qualquer das defini&ccedil;&otilde;es apresentadas pelos principais autores que estudaram o assunto, a reserva deixada por Owen obriga a um estudo mais aprofundado dos elementos contextuais dos Estados Unidos e do maior estado do subcontinente asi&aacute;tico. Mas antes, importa rever as cr&iacute;ticas &agrave; tpd, para procurar os elementos que poder&atilde;o determinar uma aproxima&ccedil;&atilde;o ou um afastamento da &laquo;mais antiga democracia do mundo&raquo; e da &laquo;maior democracia do mundo&raquo;.</p>      <p>&nbsp;</p>      <p><b>DESAFIANDO A VALIDADE DA TEORIA DA PAZ DEMOCR&Aacute;TICA: CR&Iacute;TICAS TE&Oacute;RICAS E EXPECTATIVAS NORTE-AMERICANAS</b></p>      <p>Ainda que a Teoria da Paz Democr&aacute;tica seja aceite por um largo espetro acad&eacute;mico, n&atilde;o tem estado isenta de cr&iacute;ticas<sup><a href="#31">31</a></sup><a name="top31"></a>. Pelo menos tr&ecirc;s tipos de problemas t&ecirc;m sido recorrentemente apontados e nunca ficaram definitivamente resolvidos<sup><a href="#32">32</a></sup><a name="top32"></a>.</p>      <p>O primeiro &eacute; a aus&ecirc;ncia de coes&atilde;o entre defini&ccedil;&otilde;es e bases de dados<sup><a href="#33">33</a></sup><a name="top33"></a>. A sec&ccedil;&atilde;o acima j&aacute; demonstrou que as defini&ccedil;&otilde;es s&atilde;o vagas, ao que se acrescenta o facto de as amostras estat&iacute;sticas serem reduzidas, uma vez que a democracia &eacute; um fen&oacute;meno recente<sup><a href="#34">34</a></sup><a name="top34"></a>. O segundo &eacute; o problema da vari&aacute;vel omitida: at&eacute; recentemente, os estados democr&aacute;ticos partilhavam uma s&eacute;rie de atributos para al&eacute;m do tipo de regime comum. Todos se encontravam em posi&ccedil;&otilde;es econ&oacute;micas est&aacute;veis e obtidas atrav&eacute;s do modelo da economia de mercado<sup><a href="#35">35</a></sup><a name="top35"></a>, e gozavam de uma certa &laquo;uniformidade cultural&raquo; e, na maioria dos casos, partilhavam &laquo;um conjunto particular de circunst&acirc;ncias hist&oacute;rica&raquo;<sup><a href="#36">36</a></sup><a name="top36"></a>. Segundo os cr&iacute;ticos da tpd estas semelhan&ccedil;as podem ter tido um papel preponderante no resultado atribu&iacute;do ao regime pol&iacute;tico comum.</p>      <p>Uma terceira cr&iacute;tica est&aacute; relacionada com a advert&ecirc;ncia de John Owen. O problema da Paz Democr&aacute;tica ser&aacute; o facto de ser uma tese apresentada como se a &laquo;democracia fosse um conceito a-hist&oacute;rico&raquo;<sup><a href="#37">37</a></sup><a name="top37"></a>. Por outras palavras, &eacute; entendido que as democracias n&atilde;o fazem a guerra entre si independentemente de crit&eacute;rios de espa&ccedil;o e tempo. No entanto, n&atilde;o s&oacute; se pode identificar uma evolu&ccedil;&atilde;o no conceito de democracia<sup><a href="#38">38</a></sup><a name="top38"></a>, como a democracia tem caracter&iacute;sticas diferentes no mesmo tempo e em espa&ccedil;os distintos, quer na sua vertente institucional dom&eacute;stica, quer na proje&ccedil;&atilde;o dos valores internos na ordem internacional. Por exemplo, quando o Reino Unido era o Estado mais poderoso do sistema internacional, n&atilde;o fez qualquer tentativa de transformar a ordem westfaliana, herdada do s&eacute;culo xvii e aceite pela maioria dos estados europeus.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Atualmente, como no passado, a vis&atilde;o do que significa ser uma democracia para efeitos de rela&ccedil;&otilde;es pac&iacute;ficas &eacute; determinada pelos estados mais poderosos, os que criaram e mant&eacute;m a ordem internacional. Por conseguinte, &laquo;os Estados Unidos s&atilde;o a norma relativamente &agrave; qual outras ordens pol&iacute;ticas s&atilde;o comparadas&raquo;<sup><a href="#39">39</a></sup><a name="top39"></a>. Quando um estado democr&aacute;tico se afasta dos valores normativos democr&aacute;ticos implementados no sistema internacional pelos Estados Unidos e os seus aliados, a tpd perde parte da sua validade. Assim, se &eacute; muito pouco prov&aacute;vel que os Estados Unidos e a &Iacute;ndia usem a for&ccedil;a um contra o outro, &eacute; poss&iacute;vel que as outras premissas enunciadas por Levy estejam postas em causa. Assim, quest&otilde;es <i>internas </i>das tradi&ccedil;&otilde;es de pol&iacute;tica externa dos Estados Unidos e da &Iacute;ndia, bem como as <i>rela&ccedil;&otilde;es hist&oacute;ricas </i>dos dois pa&iacute;ses, e a forma como cada um <i>conceptualiza justi&ccedil;a e ordem </i>no sistema internacional parecem ser vari&aacute;veis mais precisas para estudar as quest&otilde;es de alinhamento ou afastamento entre os dois pa&iacute;ses.</p>      <p>&Agrave; luz deste contexto te&oacute;rico, restam duas perguntas fundamentais: em que consiste o modelo de organiza&ccedil;&atilde;o internacional norte-americano, e em que &eacute; que ele &eacute; contestado pelos regimes democr&aacute;ticos emergentes, nomeadamente a &Iacute;ndia?</p>      <p>Antes de mais, existe uma quest&atilde;o basilar da ordem americana, in&eacute;dita no sistema internacional contempor&acirc;neo: a universalidade. No seu recente livro, Henry Kissinger explica este fen&oacute;meno da seguinte forma: &laquo;a pol&iacute;tica externa americana tem refletido a convic&ccedil;&atilde;o de que os seus princ&iacute;pios internos s&atilde;o evidentemente universais e que a sua aplica&ccedil;&atilde;o &eacute; sempre salutar; que o verdadeiro desafio do envolvimento americano al&eacute;m-fronteiras n&atilde;o consiste na pol&iacute;tica externa no sentido tradicional, mas num projeto de expans&atilde;o de valores que [os Estados Unidos] acreditam que todos os outros povos aspiram a replicar&raquo;<sup><a href="#40">40</a></sup><a name="top40"></a>.</p>      <p>Este sentido de universalidade de valores explica dois elementos fundamentais da pol&iacute;tica externa norte-americana: por um lado, os Estados Unidos aceitam a condi&ccedil;&atilde;o de soberania dos estados (uma heran&ccedil;a da ordem de Westfalia) atuando eles pr&oacute;prios muitas vezes sob o signo da autonomia e da independ&ecirc;ncia da pol&iacute;tica externa com a inten&ccedil;&atilde;o de proteger a paz kantiana da ordem internacional<sup><a href="#41">41</a></sup><a name="top41"></a>, mas n&atilde;o atribuem o mesmo grau de legitimidade a todas as unidades, desvirtuando o conceito de &laquo;igualdade internacional&raquo; (no sentido que as regras s&atilde;o igualmente aplicadas a todos os estados) &ndash; a pedra basilar do direito internacional<sup><a href="#42">42</a></sup><a name="top42"></a>. Os pa&iacute;ses que n&atilde;o t&ecirc;m regimes democr&aacute;ticos s&atilde;o menos leg&iacute;timos e, por conseguinte, mais vulner&aacute;veis &agrave; intromiss&atilde;o de agentes da ordem internacional, do que os estados democr&aacute;ticos.</p>      <p>Por outro, a universalidade explica os esfor&ccedil;os desenvolvidos pelas v&aacute;rias administra&ccedil;&otilde;es americanas desde a presid&ecirc;ncia de Woodrow Wilson para inverter as regras do equil&iacute;brio de poder e substitu&iacute;-las por outras de car&aacute;cter mais normativo, refletindo os valores da democracia liberal americana<sup><a href="#43">43</a></sup><a name="top43"></a>. O Presidente norte-americano que presidiu &agrave; Confer&ecirc;ncia de Versalhes com 14 pontos que pretendiam iniciar uma nova forma de ordem internacional, trazia tamb&eacute;m uma &laquo;teoria liberal da hist&oacute;ria&raquo;<sup><a href="#44">44</a></sup><a name="top44"></a>(ou uma teoria da moderniza&ccedil;&atilde;o<sup><a href="#45">45</a></sup><a name="top45"></a>) enraizada na tradi&ccedil;&atilde;o americana que v&ecirc; os valores da paz, democracia e prosperidade econ&oacute;mica como indivis&iacute;veis e progressivos<sup><a href="#46">46</a></sup><a name="top46"></a>e a vis&atilde;o kantiana de que as democracias n&atilde;o fazem a guerra entre si.</p>      <p>De acordo com a vis&atilde;o wilsoniana, &laquo;a paz duradoura requeria governos de consentimento popular&raquo;<sup><a href="#47">47</a></sup><a name="top47"></a>porque os povos livres tenderiam a escolher a democracia como tipo de regime. Para facilitar este progresso, era necess&aacute;rio criar institui&ccedil;&otilde;es que punissem os estados infratores (a ordem baseada no equil&iacute;brio de poder n&atilde;o fora, nesse aspeto, efetiva) e que garantissem a &laquo;seguran&ccedil;a coletiva&raquo;. A estrutura internacional inventada por Wilson, a Liga das Na&ccedil;&otilde;es, deveria ter o papel de regular as rela&ccedil;&otilde;es entre os estados, sob o signo dos princ&iacute;pios da interpreta&ccedil;&atilde;o americana dos princ&iacute;pios kantianos.</p>      <p>&Eacute; sabido que Wilson n&atilde;o foi capaz de implementar a sua vis&atilde;o para uma nova ordem internacional, mas a sua conce&ccedil;&atilde;o manteve-se, manifestando-se de v&aacute;rias formas ao longo da hist&oacute;ria da pol&iacute;tica externa americana, especialmente desde que os Estados Unidos se tornaram a pot&ecirc;ncia organizadora, primeiro da esfera ocidental nos anos 1940 e depois &agrave; escala global cinquenta anos mais tarde. As mais importantes materializa&ccedil;&otilde;es dos ideais wilsonianos s&atilde;o tr&ecirc;s: (1) a cria&ccedil;&atilde;o de um conjunto de institui&ccedil;&otilde;es internacionais conducentes ao desenvolvimento da democracia e da economia de mercado; (2) a cria&ccedil;&atilde;o de estruturas de seguran&ccedil;a coletiva (em organiza&ccedil;&otilde;es internacionais como a nato e alian&ccedil;as bilaterais) que defendam os estados democr&aacute;ticos dos estados hostis: (3) e o uso de diversos instrumentos, diplom&aacute;ticos, pol&iacute;ticos, econ&oacute;micos e at&eacute; militares para a promo&ccedil;&atilde;o da democracia &ndash; como a reposi&ccedil;&atilde;o de um Estado natural de que determinados estados est&atilde;o exclu&iacute;dos.</p>      <p>Desde 1990, a express&atilde;o da faceta liberal da pol&iacute;tica externa americana e a proje&ccedil;&atilde;o dos valores no sistema internacional aumentou significativamente por duas raz&otilde;es: a vit&oacute;ria ocidental na Guerra Fria deu um novo impulso &agrave;s ideias liberais, incentivando a pr&aacute;tica do liberalismo internacionalista, e o sistema internacional unipolar que se seguiu permitiu aos Estados Unidos um refor&ccedil;o da vertente da sua pol&iacute;tica externa liberal. As organiza&ccedil;&otilde;es internacionais universalistas foram refor&ccedil;adas com novos or&ccedil;amentos e poderes<sup><a href="#48">48</a></sup><a name="top48"></a>; foram criadas novas normas internacionais com vista a defender o indiv&iacute;duo (sendo a responsabilidade de proteger a mais ousada e contestada)<sup><a href="#49">49</a></sup><a name="top49"></a>, criaram-se ou refor&ccedil;aram-se regimes internacionais, alargou-se a comunidade de seguran&ccedil;a entre as democracias. Tamb&eacute;m aumentou exponencialmente o n&uacute;mero de interven&ccedil;&otilde;es militares por raz&otilde;es humanit&aacute;rias.</p>      <p>J&aacute; nos anos 2000, o entusiasmo pela agenda liberal esmoreceu, n&atilde;o menos por ela ter sido evocada como justifica&ccedil;&atilde;o para a Guerra do Iraque. No entanto, a ideia do modelo norte-americano de democracia e ordem liberal cristalizou-se num concreto n&uacute;mero de princ&iacute;pios expresso num modelo visto pelas elites americanas como inclusivo, acess&iacute;vel a todos os estados que quisessem aderir &agrave; mais restrita ordem democr&aacute;tica liberal<sup><a href="#50">50</a></sup><a name="top50"></a>. E se a hegemonia americana foi avaliada como um &ecirc;xito especialmente entre as democracias ocidentais, a lideran&ccedil;a dos Estados Unidos come&ccedil;a a ser contestada pelas democracias emergentes, pelo elemento que mais a caracteriza: o universalismo.</p>      <p>&nbsp;</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>DESAFIANDO A VALIDADE DA TEORIA DA PAZ DEMOCR&Aacute;TICA: O CASO DA &Iacute;NDIA </b></p>      <p>Apesar das precau&ccedil;&otilde;es acad&eacute;micas que sublinham que a &Iacute;ndia ainda tem grandes desafios a enfrentar no que diz respeito &agrave; capacidade do Estado e ao desenvolvimento econ&oacute;mico<sup><a href="#51">51</a></sup><a name="top51"></a>, cada vez &eacute; mais frequente a considera&ccedil;&atilde;o de que Nova Deli ter&aacute; um papel importante no sistema internacional do futuro pr&oacute;ximo. J&aacute; correntemente, a &laquo;&Iacute;ndia &eacute; o <i>swing state </i>global por excel&ecirc;ncia&raquo;<sup><a href="#52">52</a></sup><a name="top52"></a>, uma vez que ocupa uma posi&ccedil;&atilde;o econ&oacute;mica que lhe permite ter uma palavra a dizer nas quest&otilde;es globais, enquanto passa por um s&eacute;rio debate interno sobre qual dever&aacute; ser o seu papel internacional.</p>      <p>Ainda que muito esteja por definir neste papel internacional e que haja cada vez mais autores a destacar diferen&ccedil;as entre tradi&ccedil;&otilde;es da pol&iacute;tica externa indiana<sup><a href="#53">53</a></sup><a name="top53"></a>, alguns conceitos parecem reunir um certo consenso. Destacam-se seis: (1) a &Iacute;ndia tem como &laquo;destino&raquo; tornar-se uma grande pot&ecirc;ncia<sup><a href="#54">54</a></sup><a name="top54"></a>; (2) a ordem internacional &eacute; desigual e por isso n&atilde;o inteiramente justa; (3) o valor central da pol&iacute;tica externa indiana &eacute; a autonomia estrat&eacute;gica<sup><a href="#55">55</a></sup><a name="top55"></a> &ndash; &laquo;independ&ecirc;ncia&raquo; e &laquo;liberdade de a&ccedil;&atilde;o e decis&atilde;o&raquo;, no vocabul&aacute;rio indiano<sup><a href="#56">56</a></sup><a name="top56"></a>, o que leva Nova Deli a ter (4) prefer&ecirc;ncia pelos valores soberanistas no que respeita &agrave; ordem internacional. A &Iacute;ndia atribui um &laquo;conte&uacute;do moral&raquo; importante ao sistema soberanista como o &uacute;nico que &laquo;proporciona um contexto para o pluralismo e um quadro de prote&ccedil;&atilde;o para a diversidade&raquo; e a &laquo;autodetermina&ccedil;&atilde;o&raquo;<sup><a href="#57">57</a></sup><a name="top57"></a>.</p>      <p>Assim, (5) na &oacute;tica indiana, os valores centrais do sistema internacional deveriam ser a &laquo;igualdade entre estados&raquo; (na l&oacute;gica Vattel<sup><a href="#58">58</a></sup><a name="top58"></a>), a reciprocidade (os estados devem ser tratados e percecionados segundo o seu comportamento internacional e n&atilde;o a partir de outros par&acirc;metros como o poder) e o &laquo;pluralismo&raquo; (cada Estado deve ser respeitado de igual maneira &agrave; luz do direito internacional, independentemente do tipo de regime, sistema religioso e outros crit&eacute;rios s&oacute;cio-culturais). (6) Estes valores dariam &agrave; &Iacute;ndia a possibilidade de desempenhar na sua voca&ccedil;&atilde;o internacionalista o papel de mediador, mais concretamente &laquo;ponte entre mundos diferentes&raquo;<sup><a href="#59">59</a></sup><a name="top59"></a>, papel em que historicamente se sente confort&aacute;vel, e que justificaria a sua posi&ccedil;&atilde;o de pot&ecirc;ncia &laquo;avessa ao risco&raquo; e ao uso de for&ccedil;a militar<sup><a href="#60">60</a></sup><a name="top60"></a>. Estes valores est&atilde;o muito longe dos verificados nos estados liberais que foram estudados pela tpd.</p>      <p>A revis&atilde;o da literatura na sec&ccedil;&atilde;o anterior permitiu encontrar importantes elementos que podem explicar as diferen&ccedil;as entre os Estados Unidos democr&aacute;ticos e a &Iacute;ndia democr&aacute;tica: (1) os fatores de car&aacute;cter interno, (2) as rela&ccedil;&otilde;es dos estados emergentes com a grande pot&ecirc;ncia e as perce&ccedil;&otilde;es que da&iacute; adv&ecirc;m, e (3) as conceptualiza&ccedil;&otilde;es de justi&ccedil;a relativamente &agrave;s normas do sistema internacional.</p>      <p>No primeiro caso &ndash; a origem interna do afastamento ou alinhamento entre estados avan&ccedil;ada por Jack Levy &ndash; dois elementos explicam a postura indiana. O primeiro &eacute; o anticolonialismo, relacionado com a hist&oacute;ria do nacionalismo indiano. Como refere Ganguly, existe uma &laquo;avers&atilde;o profundamente enraizada relativamente ao colonialismo e imperialismo&raquo; que s&atilde;o associados a quest&otilde;es de promo&ccedil;&atilde;o de democracia. &laquo;Mesmo 60 anos depois do fim do colonialismo brit&acirc;nico, as mem&oacute;rias da l&oacute;gica colonial e p&oacute;s-colonial empregue nas interven&ccedil;&otilde;es militares no estrangeiro permanecem vivas&raquo; e a &Iacute;ndia rejeita associar-se-lhes<sup><a href="#61">61</a></sup><a name="top61"></a>.</p>      <p>O segundo, o pluralismo, est&aacute; relacionado com a experi&ecirc;ncia interna da diversidade indiana: a &Iacute;ndia integrou no seu territ&oacute;rio 562 principados, uma popula&ccedil;&atilde;o de quase um bili&atilde;o de pessoas falantes de mais de vinte l&iacute;nguas e origens hist&oacute;rico-culturais diferentes, bem como uma multiplicidade de religi&otilde;es, num &laquo;Estado unit&aacute;rio&raquo; e &laquo;dentro de um sistema democr&aacute;tico bem-sucedido e dotado de uma Constitui&ccedil;&atilde;o secular&raquo;<sup><a href="#62">62</a></sup><a name="top62"></a>. A &Iacute;ndia, tal como os Estados Unidos, prefere que os seus valores internos tenham resson&acirc;ncia no sistema internacional. E o anticolonialismo e o pluralismo t&ecirc;m mais cabimento num sistema semelhante ao criado em Westfalia em 1648 &ndash; onde o universalismo religioso foi deliberadamente destitu&iacute;do e substitu&iacute;do por uma estrutura mais inclusiva e pluralista<sup><a href="#63">63</a></sup><a name="top63"></a>.</p>      <p>Relativamente ao segundo elemento &ndash; a origem relacional do afastamento ou alinhamento entre estados, cristalizada nas perce&ccedil;&otilde;es, importantes para Russett e Owen &ndash; a &Iacute;ndia tem duas ideias centrais relativamente aos Estados Unidos. A primeira &eacute; que, relativamente a Nova Deli, o fator <i>democracia </i>nunca foi relevante nas decis&otilde;es de Washington. De todas essas decis&otilde;es que ter&atilde;o, na &oacute;tica indiana, prejudicado Nova Deli, nas tr&ecirc;s mais importantes &ndash; o acordo com o Paquist&atilde;o em 1954, a pol&iacute;tica de aproxima&ccedil;&atilde;o da China no in&iacute;cio dos anos 1970, e as san&ccedil;&otilde;es impostas &agrave; &Iacute;ndia em 1998 devido aos testes nucleares &ndash; o comportamento americano favoreceu os estados autocr&aacute;ticos rivais da &Iacute;ndia<sup><a href="#64">64</a></sup><a name="top64"></a>. Stephen Cohen vai mais longe, garantindo que h&aacute; &laquo;uma institucionaliza&ccedil;&atilde;o da desconfian&ccedil;a indiana por Washington&raquo;, porque &laquo;a Am&eacute;rica armou o Paquist&atilde;o nos anos 1950 e 1960; op&ocirc;s-se ao apoio justo que a &Iacute;ndia prestou ao movimento bengueli em 1971, e aliou-se com a China nos anos 1970 e 1980&raquo;<sup><a href="#65">65</a></sup><a name="top65"></a>. A desconfian&ccedil;a que adv&eacute;m deste per&iacute;odo era reciprocada por Washington, que via o movimento dos N&atilde;o-Alinhados como um desafio aos Estados Unidos, confirmado pela assinatura do tratado de 1971, que oficializou as rela&ccedil;&otilde;es de coopera&ccedil;&atilde;o estreita entre a &Iacute;ndia e a Uni&atilde;o Sovi&eacute;tica. No entanto, presentemente, as quest&otilde;es pol&iacute;ticas levantadas pela Guerra Fria parecem ter maior impacto na mem&oacute;ria coletiva indiana que na americana.</p>      <p>A segunda ideia &eacute; que, para a &Iacute;ndia, um dos mais importantes valores internacionais nas rela&ccedil;&otilde;es bilaterais &eacute; a reciprocidade<sup><a href="#66">66</a></sup><a name="top66"></a>. O conceito incluiu dois elementos inter-relacionados. Por um lado, a rejei&ccedil;&atilde;o de uma hierarquia internacional, no sentido em que a &Iacute;ndia considera que os estados devem ser julgados pelo seu comportamento internacional e n&atilde;o pelas suas capacidades militares latentes ou efetivas. Por outro, cria uma forma inovadora &ndash; e de dif&iacute;cil apreens&atilde;o por outros estados com menor sentido hist&oacute;rico &ndash; de escolher que estados fazem parte da rede de confian&ccedil;a indiana. Da perspetiva de Deli, os Estados Unidos nunca trataram a &Iacute;ndia como um Estado igual e apesar do seu comportamento pac&iacute;fico na regi&atilde;o asi&aacute;tica.</p>      <p>Dois fatores mais recentes suavizaram o elemento relacional entre os Estados Unidos e a &Iacute;ndia: Washington tem vindo a reconhecer a import&acirc;ncia estrat&eacute;gica de Nova Deli quer como pot&ecirc;ncia nuclear, quer como estado central no equil&iacute;brio de for&ccedil;as regional. Esta aproxima&ccedil;&atilde;o teve in&iacute;cio com a visita oficial de Bill Clinton &agrave; &Iacute;ndia em 1999, foi refor&ccedil;ada pela solidariedade entre os dois pa&iacute;ses no p&oacute;s-11 de setembro<sup><a href="#67">67</a></sup><a name="top67"></a>, e teve o seu ponto mais alto na assinatura do acordo nuclear entre Washington e Nova Deli em 2006 (acordo esse que passou por intensos debates entre os membros do governo do Partido do Congresso<sup><a href="#68">68</a></sup><a name="top68"></a>). Por outro, existe uma nova gera&ccedil;&atilde;o de acad&eacute;micos que tem optado por estudar a pol&iacute;tica externa indiana usando instrumentos te&oacute;ricos liberais e realistas (menos enraizados em tradi&ccedil;&otilde;es hist&oacute;ricas indianas), que defendem uma rela&ccedil;&atilde;o mais pr&oacute;xima com os Estados Unidos &ndash; ainda que, a maioria das vezes, por raz&otilde;es meramente estrat&eacute;gicas. Poder&aacute; ser o in&iacute;cio de uma nova elite com caracter&iacute;sticas diferentes da contempor&acirc;nea<sup><a href="#69">69</a></sup><a name="top69"></a>.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>No entanto, por agora, a maioria da elite indiana &ndash; especialmente decisores e diplomatas &ndash; ainda se identifica quer com os princ&iacute;pios acima descritos, quer com a narrativa nehruviana &ndash; que estabelece o terceiro elemento &ndash; as conce&ccedil;&otilde;es de justi&ccedil;a da ordem internacional do Estado em decl&iacute;nio (ainda o modelo de compara&ccedil;&atilde;o) e o Estado emergente, para os quais Ido Oren chamou a aten&ccedil;&atilde;o. Neste contexto, os seis princ&iacute;pios consensuais entre as elites indianas &ndash; a &Iacute;ndia como grande pot&ecirc;ncia com papel de mediador internacional, a autonomia estrat&eacute;gica como pedra basilar da pol&iacute;tica externa indiana, e os valores soberanistas (conducentes &agrave; igualdade entre estados, &agrave; reciprocidade e ao pluralismo), e a ideia de existir uma certa injusti&ccedil;a internacional relativamente &agrave; &Iacute;ndia est&atilde;o enraizados na hist&oacute;ria indiana. Foram, com a devida contextualiza&ccedil;&atilde;o, formulados por Jahawarlal Nehru e pelos seus conselheiros ainda antes de a &Iacute;ndia se tornar independente<sup><a href="#70">70</a></sup><a name="top70"></a> revestem-se da maior import&acirc;ncia por terem resistido &agrave;s mudan&ccedil;as internas e sist&eacute;micas porque Nova Deli passou &ndash; sendo as mais importantes o tratado de amizade com a Uni&atilde;o Sovi&eacute;tica em 1977, que desvirtuou a doutrina do N&atilde;o-Alinhamento e a abertura indiana &agrave; globaliza&ccedil;&atilde;o no in&iacute;cio dos anos 1990, que desacreditou o modelo de desenvolvimento baseado na centraliza&ccedil;&atilde;o da economia<sup><a href="#71">71</a></sup><a name="top71"></a>.</p>      <p>Estes princ&iacute;pios, aliados &agrave; ideia de que a ordem internacional vigente n&atilde;o &eacute; justa para os pa&iacute;ses do Sul e a simult&acirc;nea perce&ccedil;&atilde;o que a &Iacute;ndia tem a oportunidade de ascender ao estatuto de grande pot&ecirc;ncia, tem levado &agrave; atualiza&ccedil;&atilde;o da &laquo;metanarrativa&raquo; indiana, inspirada no nehruvianismo. Por um lado, diversos historiadores t&ecirc;m-se encarregue de desfazer o mito de que Jawaharlal Nerhu centrou a sua pol&iacute;tica externa em princ&iacute;pios meramente idealistas. N&atilde;o se t&ecirc;m poupado esfor&ccedil;os para resgatar a faceta mais pragm&aacute;tica do l&iacute;der hist&oacute;rico indiano<sup><a href="#72">72</a></sup><a name="top72"></a>, tornando a sua heran&ccedil;a mais adequada aos problemas do s&eacute;culo xxi e &agrave;s exig&ecirc;ncias de uma pol&iacute;tica externa mais &laquo;pragm&aacute;tica&raquo;, mais relacionada com a concretiza&ccedil;&atilde;o do &laquo;<i>enlightened self-interest</i>&raquo; indiano<sup><a href="#73">73</a></sup><a name="top73"></a>.</p>      <p>Por outro, a heran&ccedil;a de Nehru tem sido adaptada &agrave;s condi&ccedil;&otilde;es sist&eacute;micas atuais<sup><a href="#74">74</a></sup><a name="top74"></a>. Certos valores t&ecirc;m sido menos valorizados (o pan-asianismo, o idealismo), outros adaptados a temas recentes. Por exemplo, o n&atilde;o-alinhamento tem passado por reinterpreta&ccedil;&otilde;es e &eacute;, hoje essencialmente visto como uma estrat&eacute;gia de transforma&ccedil;&atilde;o da ordem global, e como &laquo;contribui&ccedil;&atilde;o para o refor&ccedil;o dos fora internacionais&raquo;, do enfraquecimento &laquo;do uso da for&ccedil;a na pol&iacute;tica internacional&raquo;, e como fator que contribui para &laquo;reduzir a desigualdade global&raquo;<sup><a href="#75">75</a></sup><a name="top75"></a>. J&aacute; a figura de Nehru &eacute; por vezes evocada por ter contribu&iacute;do para um sistema internacional mais &eacute;tico, por ter ganho espa&ccedil;o internacional pela justi&ccedil;a dos seus argumentos (espa&ccedil;o esse superior &agrave;s suas capacidades militares indianas) e de ter elevado a pol&iacute;tica externa indiana a um estatuto internacional que pode ser recuperado agora.</p>      <p>A narrativa est&aacute; presente no debate atual na seguinte l&oacute;gica: um sistema multipolar com regras soberanistas seria mais justo, porque diluiria as &laquo;desigualdades da ordem internacional&raquo;<sup><a href="#76">76</a></sup><a name="top76"></a>. As pot&ecirc;ncias emergentes saberiam conviver num sistema internacional multipolar organizado &agrave; volta dos valores da <i>panch sheel </i>(os cinco princ&iacute;pios da coexist&ecirc;ncia pac&iacute;fica)<sup><a href="#77">77</a></sup><a name="top77"></a>tornando o sistema internacional mais harmonioso. Este sistema tamb&eacute;m beneficiaria os interesses nacionais indianos porque seria mais condicente com um perfil indiano, &laquo;internacionalista&raquo;<sup><a href="#78">78</a></sup><a name="top78"></a>, e criaria espa&ccedil;o para uma maior liberdade de exercer uma pol&iacute;tica externa sem constrangimentos ou depend&ecirc;ncias de outros atores<sup><a href="#79">79</a></sup><a name="top79"></a>. Tamb&eacute;m permitiria &agrave; &Iacute;ndia manter a sua pol&iacute;tica externa multivetorial &ndash; de rela&ccedil;&otilde;es cordiais com todas as pot&ecirc;ncias sem dar prefer&ecirc;ncia a nenhuma.</p>      <p>O encontro conceptual de uma ordem internacional mais pluralista (inspirada na ordem Europeia pr&eacute;-I Guerra Mundial) com a narrativa nehruviana adaptada ao s&eacute;culo xxi (sem idealismos exacerbados mas de teor internacionalista &eacute;tico com base nos valores da justi&ccedil;a, reciprocidade e pluralismo) tem o triplo efeito de aproximar estrategicamente Nova Deli de outras pot&ecirc;ncias emergentes, e de pressionar o sistema internacional num sentido mais multipolar, e de recolher o apoio da opini&atilde;o p&uacute;blica indiana. E tem a consequ&ecirc;ncia de, em muitas ocasi&otilde;es, colocar Nova Deli numa posi&ccedil;&atilde;o distante da de Washington e da ordem liberal norte-americana.</p>      <p>&nbsp;</p>      <p><b>NOTAS FINAIS</b></p>      <p>Num artigo escrito em 2012, Pu Xiaoyo, afirmou que &laquo;nas pr&oacute;ximas d&eacute;cadas, o Ocidente tem de acomodar os poderes emergentes enquanto salvaguarda a ordem liberal ocidental&raquo;<sup><a href="#80">80</a></sup><a name="top80"></a>. Ao contr&aacute;rio de Amitav Acharya, que acredita que a ordem liberal internacional est&aacute; ultrapassada, Pu expressa o dilema que tem prevalecido, especialmente nos Estados Unidos: a ordem americana tem tido um impacto positivo para o sistema internacional, e seria ben&eacute;fico preserv&aacute;-la em per&iacute;odo de transi&ccedil;&atilde;o de poder. Esta quest&atilde;o reflete-se, regra geral, no estudo das rela&ccedil;&otilde;es Estados Unidos-China, mas, como este artigo demonstrou, os desafios n&atilde;o se encontram exclusivamente nesta rela&ccedil;&atilde;o bilateral. As democracias emergentes n&atilde;o se t&ecirc;m posicionado como revisionistas no sentido cl&aacute;ssico do conceito, mas t&ecirc;m vindo a colocar desafios importantes &agrave; ordem liberal. Este artigo centrou-se em alguns desses desafios, sendo que o primeiro passar&aacute; por analisar as democracias emergentes, nomeadamente a &Iacute;ndia, atrav&eacute;s de pressupostos te&oacute;ricos que v&atilde;o al&eacute;m das antigas lentes da tpd. O fator democracia pode facilitar as rela&ccedil;&otilde;es entre estados com tipos de regime comum, mas no caso da rela&ccedil;&atilde;o Estados Unidos-&Iacute;ndia n&atilde;o parece ser o elemento determinante no que concerne a determinar raz&otilde;es de afastamento ao alinhamento no contexto da transi&ccedil;&atilde;o de poder.</p>      <p>Assim, este artigo chega a duas conclus&otilde;es centrais. Por um lado, a tpd, tal como tem sido enunciada do ponto de vista te&oacute;rico e posta em pr&aacute;tica pelos decisores das democracias ocidentais, est&aacute; posta em causa pela emerg&ecirc;ncia de novas pot&ecirc;ncias de regime democr&aacute;tico. Se por um lado n&atilde;o h&aacute; raz&otilde;es para acreditar que as democracias passar&atilde;o a fazer a guerra entre si, outros pressupostos enunciados por Levy e desenvolvidos pelos seus seguidores n&atilde;o se verificam no caso da &Iacute;ndia. Como afirma um grupo de proeminentes pensadores indianos,</p>      <p>    ]]></body>
<body><![CDATA[<blockquote>&laquo;estamos comprometidos com as pr&aacute;ticas democr&aacute;ticas e estamos convencidos que democracias robustas garantiriam a seguran&ccedil;a da nossa vizinhan&ccedil;a. Mas mesmo assim, a &Iacute;ndia n&atilde;o promove a democracia nem a v&ecirc; como um conceito ideol&oacute;gico que serve como eixo polarizador na pol&iacute;tica internacional&raquo;<sup><a href="#81">81</a></sup><a name="top81"></a>.</p></blockquote>      <p>Esta determina&ccedil;&atilde;o n&atilde;o se aplica apenas &agrave; promo&ccedil;&atilde;o internacional da democracia; est&aacute; presente noutras &aacute;reas das rela&ccedil;&otilde;es internacionais, em temas fundamentais para a ordem internacional como o regime econ&oacute;mico e financeiro, o regime da prote&ccedil;&atilde;o dos direitos humanos, e o regime das altera&ccedil;&otilde;es clim&aacute;ticas, entre outros exemplos. Resumindo, o tipo de regime comum n&atilde;o &eacute;, no s&eacute;culo xxi, condi&ccedil;&atilde;o suficiente para prever alinhamento em contexto de transi&ccedil;&atilde;o de poder. Os decisores indianos parecem querer manter a sua independ&ecirc;ncia na tomada de decis&atilde;o, criar uma pol&iacute;tica externa ao servi&ccedil;o do desenvolvimento interno do Estado<sup><a href="#82">82</a></sup><a name="top82"></a>, e que assuma &laquo;mais responsabilidades na gest&atilde;o dos problemas internacionais quando necess&aacute;rio&raquo;. Para isso,</p>      <p>    <blockquote>&laquo;[a &Iacute;ndia] deve tentar influenciar e configurar negocia&ccedil;&otilde;es globais no que respeita ao com&eacute;rcio, altera&ccedil;&otilde;es clim&aacute;ticas e reforma do sistema financeiro global e da arquitetura de seguran&ccedil;a internacional, refor&ccedil;ando a [sua] voz e construindo coliga&ccedil;&otilde;es flex&iacute;veis consoante cada quest&atilde;o&raquo;<sup><a href="#83">83</a></sup><a name="top83"></a>.</p></blockquote>      <p>Estas escolhas tanto hist&oacute;ricas como renovadas deliberadamente ao longo das &uacute;ltimas d&eacute;cadas, colocam a &Iacute;ndia numa posi&ccedil;&atilde;o de princ&iacute;pio muito diferente da dos Estados Unidos e da ordem liberal.</p>      <p>A segunda conclus&atilde;o do artigo &eacute; que os tr&ecirc;s fatores que explicam as diverg&ecirc;ncias entre a &Iacute;ndia e os Estados Unidos s&atilde;o de car&aacute;cter identit&aacute;rio e pol&iacute;tico. Estes elementos encontram-se ao n&iacute;vel interno (relacionado com a autoimagem de cada Estado e do seu papel no sistema internacional), relacional e do dom&iacute;nio da perce&ccedil;&atilde;o (a&ccedil;&atilde;o e rea&ccedil;&atilde;o a expectativas criadas quer pelos Estados Unidos, quer pela &Iacute;ndia), bem como nas diferen&ccedil;as entre conce&ccedil;&otilde;es internacionais de justi&ccedil;a.</p>      <p>Deve acrescentar-se, no entanto, que estas disputas se t&ecirc;m manifestado essencialmente ao n&iacute;vel normativo, relacionado com o conte&uacute;do da ordem internacional &ndash; ainda que tenham reflexos pol&iacute;ticos evidentes, especialmente ao n&iacute;vel das institui&ccedil;&otilde;es internacionais. O que n&atilde;o impede que os Estados Unidos e a &Iacute;ndia tenham tentado e conseguido encontrar posi&ccedil;&otilde;es setoriais comuns em &aacute;reas como a seguran&ccedil;a (ainda que com ambival&ecirc;ncias) especialmente na zona do oceano &Iacute;ndico, o terrorismo, e a prolifera&ccedil;&atilde;o nuclear. Os Estados Unidos tamb&eacute;m poder&atilde;o ser parceiros nas coliga&ccedil;&otilde;es flex&iacute;veis e tempor&aacute;rias, mas n&atilde;o em alian&ccedil;as permanentes ou em quadros de seguran&ccedil;a coletiva &ndash; como tem sido a prefer&ecirc;ncia dos Estados Unidos, nas rela&ccedil;&otilde;es com democracias.</p>      <p>Nem quer dizer que os estados n&atilde;o tenham procurado estreitar as suas rela&ccedil;&otilde;es, como demonstra a visita de Barack Obama &agrave; &Iacute;ndia, em finais de janeiro de 2015, pelas comemora&ccedil;&otilde;es do Dia da Independ&ecirc;ncia. No entanto, este artigo sugere que Nova Deli ter&aacute; prefer&ecirc;ncia por manter rela&ccedil;&otilde;es bilaterais com os Estados Unidos, em parte por n&atilde;o subscrever inteiramente os valores internacionais americanos, o que poder&aacute; contribuir para o enfraquecimento da ordem internacional em contexto de transi&ccedil;&atilde;o de poder.</p>     <p>&nbsp;</p>      <p><i>Data de rece&ccedil;&atilde;o: 15 de outubro de 2014. Data de aprova&ccedil;&atilde;o: 29 de dezembro de 2014</i></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>      <p><b>NOTAS</b></p>      <p><Sup><a name="1"></a><a href="#top1">1</a></Sup> Ver Mahbubani, Kishore &ndash; <i>Can Asians Think?</i>.Londres: Marshall Cavendish International, 3.&ordf; edi&ccedil;&atilde;o, 2004; e Mahbubani, Kishore &ndash; <i>The New Asian Hemisphere: The Irresistible Shift of Global Power to the East</i>. Nova York: Public Affairs, 2008.</p>      <p><Sup><a name="2"></a><a href="#top2">2</a></Sup> Acharya, Amitav &ndash; <i>The End of American Order</i>. Cambridge: Polity Press, 2014, p. 2.</p>      <p><Sup><a name="3"></a><a href="#top3">3</a></Sup> &Eacute; importante referir que Acharya n&atilde;o representa o <i>mainstream</i> da academia norte-americana. A esmagadora maioria dos autores argumentam que a ordem internacional liberal continua a ter validade independentemente da Guerra de 2003 &ndash; vista como um incidente associado a um momento muito espec&iacute;fico da hist&oacute;ria dos Estados Unidos, e que os Estados Unidos provaram que, ultrapassando a crise internacional e voltando aos seus n&iacute;veis de crescimento econ&oacute;mico habituais em relativamente pouco tempo, o seu modelo econ&oacute;mico est&aacute; longe de estar ultrapassado. No entanto, as posi&ccedil;&otilde;es de Acharya refletem em grande medida a posi&ccedil;&atilde;o das elites dos pa&iacute;ses emergentes, nomeadamente da &Iacute;ndia.</p>      <p><Sup><a name="4"></a><a href="#top4">4</a></Sup> Acharya, Amitav &ndash; <i>The End of American Order</i>, p. 18.</p>      <p><Sup><a name="5"></a><a href="#top5">5</a></Sup> Keohane, Robert O. &ndash; <i>After Hegemony: Cooperation and Discord in the World Economy.</i> Princeton: Princeton University Press, 1984.</p>      <p><Sup><a name="6"></a><a href="#top6">6</a></Sup> Ikenberry, G. John &ndash; <i>Liberal Leviathan: The Origins, Crisis and Transformation of the American World Order</i>. Princeton: Princeton University Press, 2011, p. 2.</p>      <p><Sup><a name="7"></a><a href="#top7">7</a></Sup> <i>Ibidem, </i>p. 20; Kagan, Robert &ndash; <i>The World America Made</i>. Nova York: Alfred A. Knopf, 2012, p. 26.</p>      <p><Sup><a name="8"></a><a href="#top8">8</a></Sup> Krasner, Stephen D. &ndash; <i>Sovereignty: Organized Hypocrisy</i>. Princeton: Princeton University Press, 1999, p. 4.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><Sup><a name="9"></a><a href="#top9">9</a></Sup> Hurrell, Andrew &ndash; <i>On Global Order: Power, Values, and the Constitution of International Order</i>. Oxford: Oxford University Press 2007, p. 5</p>      <p><Sup><a name="10"></a><a href="#top10">10</a></Sup> A lista &eacute; extensa. Apenas alguns exemplos: Tellis, Ashley, e Mirski, Sean &ndash; <i>Crux of Asia: China, India and the Emerging Global Order</i>. Washington DC: Carnegie Endowment for International Peace, 2013, pp. 5 e 10; Amorim, Celso &ndash; &laquo;Brazilian foreign policy under President Lula (2003-2012): an overview&raquo;. In <i>Revista Brasileira de Pol</i>&iacute;<i>tica Internacional</i>. N.&ordm; 53, 2012, pp. 214-240; Burges, Sean &ndash; &laquo;Brazil: a bridge between old and new powers?&raquo;. In <i>International Affair s</i>. Vol. 83, N.&ordm; 3, 213, pp. 577-594; Hurrell, Andrew, e Sengupta, Sandeep &ndash; &laquo;Emerging powers, North and South relations and global cli-mate politics&raquo;. In <i>International Affairs</i>. Vol. 88, N.&ordm; 3, 2012, pp. 463-484; Narlicar, Amrita &ndash; &laquo;Introduction: negotiating the rise of great powers&raquo;. In <i>International Affairs</i> Vol. 83, N.&ordm; 3, 2013, pp. 561-567.</p>      <p><Sup><a name="11"></a><a href="#top11">11</a></Sup> Brands, Hal &ndash; <i>Dilemmas of Brazilian Grand Strategy</i>. Washington DC: ssi, 2010.</p>      <p><Sup><a name="12"></a><a href="#top12">12</a></Sup> Nye, Joseph &ndash; <i>The Future of Power</i>. Nova York: PublicAffairs, 2011, p. 173.</p>      <p><Sup><a name="13"></a><a href="#top13">13</a></Sup> Laidi, Zaki &ndash; &laquo;The brics against the West?&raquo;. In <i>CERI Strategy Papers</i>. N.&ordm; 11, novembro de 2011. Dispon&iacute;vel em <a href="file:///C:/Users/d.dossantos/Downloads/SSRN-id2315108.pdf" target="blank">file:///C:/Users/d.dossantos/Downloads/SSRN-id2315108.pdf</a>, p. 9.</p>      <p><Sup><a name="14"></a><a href="#top14">14</a></Sup> Shweller, Randal, e Pu, Xiaoyu &ndash; &laquo;After unipolarity: China&rsquo;s visions of inter-national order in the era of u.s. decline&raquo;. In <i>International Security</i>. Vol. 36, N.&ordm; 1, 2011, p. 43.</p>      <p><Sup><a name="15"></a><a href="#top15">15</a></Sup> Kupchan, Charles A. &ndash; &laquo;Introduction: explaining peaceful power transition&raquo;. In <i>Power Transition: The Peaceful Change in International Order</i>. Nova York: United Nations University Press, p. 8; Organski, A. F. K. &ndash; <i>World Politics</i>. Nova York: Alfred A. Knopf, 1958, p. 363; Gilpin, Robert &ndash; <i>War and Change in World Politics</i>. Cambridge: Cambridge University Press, 1981, p. 15.</p>      <p><Sup><a name="16"></a><a href="#top16">16</a></Sup> Ver Doyle, Michael W. &ndash; <i>Liberal Peace Selected Essays</i>. Londres: Routledge, 2012.</p>      <p><Sup><a name="17"></a><a href="#top17">17</a></Sup> Os exemplos s&atilde;o abundantes: tem-se verificado desafios relativamente a quest&otilde;es de seguran&ccedil;a internacional (Declara&ccedil;&atilde;o de Teer&atilde;o), ordem econ&oacute;mica (a Rodada de Doha da omc), direitos humanos (a vota&ccedil;&atilde;o da Resolu&ccedil;&atilde;o 1073 do Conselho de Seguran&ccedil;a a autorizar o uso da for&ccedil;a na L&iacute;bia), e do regime internacional de altera&ccedil;&otilde;es clim&aacute;ticas (Cimeira de Copenhaga). Estas refer&ecirc;ncias excluem as decis&otilde;es pol&iacute;ticas dos brics, que desde 2008 se tornaram crescentemente acertivas. No entanto, este artigo pretende estudar as pol&iacute;ticas das pot&ecirc;ncias emergentes democr&aacute;ticas, e o grupo n&atilde;o reflete esta realidade. Cf., por exemplo, Pu, Xiaoyu &ndash; &laquo;Socialisation as a two-way process: emerging powers and the diffusion of international norms&raquo;. In <i>The Chinese Journal of International Politics</i>. 2012, pp. 1-27.</p>      <p><Sup><a name="18"></a><a href="#top18">18</a></Sup> Hurrell, Andrew &ndash; &laquo;Hegemony, liberalism and global order: what space for would-be great powers?&raquo;. In <i>International Affairs</i>. Vol. 82, N.&ordm; 1. 2006, p. 13; Cohen, Stephen P. &ndash; <i>India: Emerging Power</i>. Washington DC: Brookings Institution Press, 2001, p. 287.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><Sup><a name="19"></a><a href="#top19">19</a></Sup> Levy, Jack S. &ndash; &laquo;Domestic politics of war&raquo;. In <i>Journal of Interdisciplinary History</i>. Vol. 18, N.&ordm; 4. 1998, p. 662.</p>      <p><Sup><a name="20"></a><a href="#top20">20</a></Sup> <i>Ibidem</i>, pp. 659-660.</p>      <p><Sup><a name="21"></a><a href="#top21">21</a></Sup> Doyle, Michael W. &ndash; <i>Liberal Peace Selected Essays</i>, p. 30.</p>      <p><Sup><a name="22"></a><a href="#top22">22</a></Sup> <i>Ibidem</i>, pp. 26, 27, 28, 29.</p>      <p><Sup><a name="23"></a><a href="#top23">23</a></Sup> <i>Ibidem</i>, p. 38.</p>      <p><Sup><a name="24"></a><a href="#top24">24</a></Sup> <i>Ibidem</i>, p. 41.</p>      <p><Sup><a name="25"></a><a href="#top25">25</a></Sup> <i>Ibidem</i>, p. 25; Ikenberry, G. John &ndash; <i>After Victor y: Institutions. Strategic Restraint, and the Rebuilt of Order After Major Wars</i>. Princeton: Princeton University Press, 2001, p. 163.</p>      <p><Sup><a name="26"></a><a href="#top26">26</a></Sup> Russett, Bruce &ndash; <i>Gasping the Democratic Peace: Principles for a Post Cold War World</i>. Princeton: Princeton University Press, 1993, p. 4.</p>      <p><Sup><a name="27"></a><a href="#top27">27</a></Sup> Russett, Bruce &ndash; <i>Gasping the Democratic Peace: Principles for a Post Cold War World</i>, pp. 31 e 32.</p>      <p><Sup><a name="28"></a><a href="#top28">28</a></Sup> Ver Moaz, Zeev, e Russett, Bruce &ndash; &laquo;Normative and structural causes of democratic peace&raquo;. In <i>The American Political Science Review</i>. Vol. 87, N.&ordm; 3. 1993, pp. 624-638.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><Sup><a name="29"></a><a href="#top29">29</a></Sup> Russett, Bruce &ndash; <i>Gasping the Democratic Peace: Principles for a Post Cold War World</i>, pp. 15-16.</p>      <p><Sup><a name="30"></a><a href="#top30">30</a></Sup> Owen, John M. &ndash; <i>Liberal Peace, Liberal War: American Politics and International Society</i>. Ithaca: Cornell University Press, 1997.</p>      <p><Sup><a name="31"></a><a href="#top31">31</a></Sup> Pugh, Jeff &ndash; <i>Democratic Peace Theory: A Review and Evaluation</i>. CEMPROC Working Paper Series. Cumming: Center for Mediation, Peace, and Resolution of Conflict International, 2005, p. 12.</p>      <p><Sup><a name="32"></a><a href="#top32">32</a></Sup> Lynn-Jones, Sean M. &ndash; &laquo;Preface&raquo;. In <i>Debating the Democratic Peace</i>. Cambridge: The MIT Press, 1996, p. xviii.</p>      <p><Sup><a name="33"></a><a href="#top33">33</a></Sup> Spiro, David E. &ndash; &laquo;The insignificance of liberal peace&raquo;. In <i>Debating the Democratic Peace</i>, 1996, 202-238, p. 203.</p>      <p><Sup><a name="34"></a><a href="#top34">34</a></Sup> Layne, Christopher &ndash; &laquo;Kant or cant: the myth of democratic peace&raquo;. In <i>Debating the Democratic Peace</i>, pp. 157-201, p. 159.</p>      <p><Sup><a name="35"></a><a href="#top35">35</a></Sup> Scheweller, Randall &ndash; &laquo;Democracy promotion: realist reflections&raquo;. In <i>American Democracy Promotion: Impulses, Strategies , and Impact s</i>. Oxford: Oxford University Press, 2000, pp. 41-61, p. 53.</p>      <p><Sup><a name="36"></a><a href="#top36">36</a></Sup> Cohen, Raymond &ndash; &laquo;Pacific unions: a reappraisal of the theory that &ldquo;Democracies do not go to war with each other&rdquo;&raquo;. In <i>Review of International Studies</i>. Vol. 20, N.&ordm; 3. 1994, p. 208.</p>      <p><Sup><a name="37"></a><a href="#top37">37</a></Sup> Oren, Ido &ndash; &laquo;The subjectivity of democratic peace: changing u.s. perceptions of imperial Germany&raquo;. In <i>Debating the Democratic Peace</i>, pp. 263-300, p. 267.</p>      <p><Sup><a name="38"></a><a href="#top38">38</a></Sup> Owen, John M. &ndash; <i>Liberal Peace, Liberal War: American Politics and International Society</i>, p. 6.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><Sup><a name="39"></a><a href="#top39">39</a></Sup> Oren, Ido &ndash; &laquo;The subjectivity of democratic peace: changing u.s. perceptions of imperial Germany&raquo;, p. 267.</p>      <p><Sup><a name="40"></a><a href="#top40">40</a></Sup> Kissinger, Henry &ndash; <i>World Order</i>. Nova York: Penguin Press, 2014, pp. 32-33.</p>      <p><Sup><a name="41"></a><a href="#top41">41</a></Sup> Cooper, Robert &ndash; <i>The Breaking of Nations: Order and Chaos on the Twenty First Centur y</i>. Nova York: Atlantic Monthly Press, 2003, p. 45.</p>      <p><Sup><a name="42"></a><a href="#top42">42</a></Sup> Krasner, Stephan &ndash; <i>Sovereignty: Organized Hypocrisy</i>. Princeton: Princeton University Press, 1999, p. 14.</p>      <p><Sup><a name="43"></a><a href="#top43">43</a></Sup> Ikenberry, G. John &ndash; &laquo;Introduction: Woodrow Wilson, the Bush Administration and the future of liberalism&raquo;. In <i>The Crisis of American Foreign Policy: Wilsonianism in the Twenty First Century</i>. Princeton: Princeton University Press, 2008, pp. 1-24, p. 10.</p>      <p><Sup><a name="44"></a><a href="#top44">44</a></Sup> Mandlebaum, Michael &ndash; <i>The Ideas that Conquered the World: Peace Democracy, and Free Markets in the Twenty-First Century</i>. Nova York: Public Affairs, 2002, p. 11.</p>      <p><Sup><a name="45"></a><a href="#top45">45</a></Sup> Kupchan, Charles &ndash; <i>No One&rsquo;s World: The West, the Rising Rest and the Coming Global Turn</i>. Oxford: Oxford University Press, 2012, p. 5.</p>      <p><Sup><a name="46"></a><a href="#top46">46</a></Sup> Huntington, Samuel P. &ndash; <i>Political Order in Changing Societies</i>. New Haven: Yale University Press, 1968, p. 5.</p>      <p><Sup><a name="47"></a><a href="#top47">47</a></Sup> Manela, Erez &ndash; <i>The Wilsonian Moment: Self-Determination and the International Origins of Anticolonial Nationalism</i>. Oxford: Oxford University Press, 2007, p. 24.</p>      <p><Sup><a name="48"></a><a href="#top48">48</a></Sup> Paris, Roland &ndash; <i>At War&rsquo;s End: Building Peace after Civil Conflict</i>. Cambridge: Cambridge University Press, 2004, p. 8.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><Sup><a name="49"></a><a href="#top49">49</a></Sup> Ver Stuenkel, Oliver &ndash; &laquo;Rising powers and the future of democracy promotion: the case of Brazil and India&raquo;. In <i>Third World Quarterly</i>. Vol. 34, N.&ordm; 2. 2013, pp. 339-355.</p>      <p><Sup><a name="50"></a><a href="#top50">50</a></Sup> Ikenberry, G. John &ndash; <i>Liberal Leviathan: The Origins, Crisis and Transformation of the American World Order</i>, p. 20.</p>      <p><Sup><a name="51"></a><a href="#top51">51</a></Sup> Kohli, Atul &ndash; <i>Poverty Amid Plenty in the New India</i>. Cambridge: Cambridge University Press, 2012, p. 65.</p>      <p><Sup><a name="52"></a><a href="#top52">52</a></Sup> Kliman, Daniel M., e Fontaine, Richard &ndash; <i>Global Swing State: Brazil, India, Indonesia, Turkey and the Future of International Order</i>. Washington DC: The German Marshall Fund of the United States, 2012.</p>      <p><Sup><a name="53"></a><a href="#top53">53</a></Sup> Ver, por exemplo, Ba jpai, Kanti &ndash; &laquo;Indian conceptions of order and justice: Nehruvian, Gandhian, Hindutva, and Neo-Liberal&raquo;. In <i>Order and Justice in International Relations</i>. Oxford: Oxford University Press, 2003, pp. 237-262; e Ollapally, Deepa M., e Rajagopalan, Rajesh &ndash; &laquo;India: foreign policy perspetives of an ambiguous power&raquo;. In <i>Worldviews of Aspitin g Po wer s: Do m es tic For eig n Po lic y Debates in China, India, Iran, Japan and Russia</i>. Oxford: Oxford University Press, 2012.</p>      <p><Sup><a name="54"></a><a href="#top54">54</a></Sup> Khilnani, Sunil <i>et al.</i> &ndash; <i>Nonalignment 2.0: A Foreign &amp; Strategic Policy for India in the 21<sup>st</sup> Century</i>. Gurgaon: Penguin Books, 2014, pp. xxix, 3.</p>      <p><Sup><a name="55"></a><a href="#top55">55</a></Sup> Pardesi, Manjeet S. &ndash; &laquo;Understanding the rise of India: review essay&raquo;. In <i>India Review</i>. Vol. 6, N.&ordm; 3. 2007, p. 210.</p>      <p><Sup><a name="56"></a><a href="#top56">56</a></Sup> Tharoor, Shashi &ndash; <i>Pax Indica: India and the World in the 21<sup>st</sup> Century. </i>Nova Deli: Alan Lane, 2012, p. 9.</p>      <p><Sup><a name="57"></a><a href="#top57">57</a></Sup> Hurrell, Andrew &ndash; &laquo;Order an justice at international relations: what&rsquo;s at stake?&raquo;. In <i>Order and Justice in International Relations</i>. Oxford: Oxford University Press, 2003, pp. 24-49, p. 29.</p>      <p><Sup><a name="58"></a><a href="#top58">58</a></Sup> Krasner, Stephan &ndash; <i>Sovereignty: Organized Hypocrisy</i>, p. 14.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><Sup><a name="59"></a><a href="#top59">59</a></Sup> Khilnani, Sunil <i>et al.</i> &ndash; <i>Nonalignment 2.0: A Foreign &amp; Strategic Policy for India in the 21<sup>st</sup> Century</i>, p. 78.</p>      <p><Sup><a name="60"></a><a href="#top60">60</a></Sup> Pardesi, Manjeet S. &ndash; &laquo;Understanding the rise of India: review essay&raquo;, p. 226.</p>      <p><Sup><a name="61"></a><a href="#top61">61</a></Sup> Ganguly, Sumit &ndash; &laquo;India in the Liberal order&raquo;. Transatlantic academy analysis, German Marshall Fund of the United States, novembro de 2013. Dispon&iacute;vel em <a href="http://www.transatlanticacademy.org/sites/default/files/publications/Ganguly_IndiaLiberalOrder_Nov13_0.pdf" target="blank">http://www.transatlanticacademy.org/sites/default/files/publications/Ganguly_IndiaLiberalOrder_Nov13_0.pdf</a></p>      <p><Sup><a name="62"></a><a href="#top62">62</a></Sup> Pardesi, Manjeet S. &ndash; &laquo;Understanding the rise of India: review essay&raquo;, p. 211.</p>      <p><Sup><a name="63"></a><a href="#top63">63</a></Sup> Kissinger, Henry &ndash; <i>World Order</i>, p. 3.</p>      <p><Sup><a name="64"></a><a href="#top64">64</a></Sup> Kapur, S. Paul &ndash; &laquo;India and the United States from World War II to the present: a relationship transformed&raquo;. In <i>India&rsquo;s Foreign Policy: Retrospect and Prospect</i>. Nova Deli: Oxford University Press, 2010, pp. 258-259.</p>      <p><Sup><a name="65"></a><a href="#top65">65</a></Sup> Cohen, Stephen P. &ndash; <i>India: Emerging Power</i>, p. 42. Ver tamb&eacute;m Khilnani, Sumil &ndash; <i>The Idea of India</i>. Nova York: Farrar, Straus, Giroux, 1998, p. xiv.</p>      <p><Sup><a name="66"></a><a href="#top66">66</a></Sup> A quest&atilde;o da reciprocidade muito raramente &eacute; analisada do ponto de vista conceptual. No entanto, h&aacute; v&aacute;rios exemplos hist&oacute;ricos em que se verifica este sentimento. Ver, por exemplo, Khilnani &ndash; <i>The Idea of India</i>, p. xii, e Chaudhuri, Rudra &ndash; <i>Forged in Crisis: India and the United States since 1947. </i>Noida: HarperCollins Publishers India, 2014, p. 128.</p>      <p><Sup><a name="67"></a><a href="#top67">67</a></Sup> Mohan, Raja &ndash; <i>Crossing the Rubicon: The Shaping of India&rsquo;s New Foreign Policy</i>. Nova York: Palgrave MacMillan 2004, p. xxii.</p>      <p><Sup><a name="68"></a><a href="#top68">68</a></Sup> Baru, Sanjaia &ndash; <i>The Accidental Prime Minister: The Making and Unmaking of Manmohan Singh</i>. Nova Deli: Penguin, 2014.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><Sup><a name="69"></a><a href="#top69">69</a></Sup> Ollapally, Deepa M., e Rajagopalan, Rajesh &ndash; &laquo;India: foreign policy perspetives of an ambiguous power&raquo;, p. 101; Cohen, Stephen P. &ndash; <i>India: Emerging Power</i>, p. 49.</p>      <p><Sup><a name="70"></a><a href="#top70">70</a></Sup> Tharoor, Shashi &ndash; <i>Nehru: The Invention of India</i>. Nova Deli: Penguin Books, 2003.</p>      <p><Sup><a name="71"></a><a href="#top71">71</a></Sup> Raghavan, Srinath &ndash; &laquo;Indira Gandhi: India and the world in transition&raquo;. In <i>Makers of Modern Asia</i>. Boston: Harvard University Press, 2014, pp. 215-242, p. 240.</p>      <p><Sup><a name="72"></a><a href="#top72">72</a></Sup> Ver, por exemplo, Raghavan, Srinath &ndash; <i>War and Peace in Modern India: A Strategic History of the Nehru Years</i>. Ranikhet: Permanent Black, 2012. Este tamb&eacute;m &eacute; o argumento subjacente ao supracitado Chaudhuri, Rudra &ndash; <i>Forged in Crisis: India and the United States since 1947. </i></p>      <p><Sup><a name="73"></a><a href="#top73">73</a></Sup> Ganguly, Sumit &ndash; &laquo;The genesis of Non-Alignment&raquo;. In <i>India&rsquo;s Foreign Policy: Retrospect and Prospect</i>. Nova Deli: Oxford University Press, 2010, p. 110, p. 4.</p>      <p><Sup><a name="74"></a><a href="#top74">74</a></Sup> Tharoor, Shashi &ndash; <i>Pax Indica: India and the World in the 21<sup>st</sup> Century, </i>p. 15.</p>      <p><Sup><a name="75"></a><a href="#top75">75</a></Sup> Ganguli, Sumit, e Mukherji, Rahul &ndash; <i>India since 1980</i>. Nova York: Cambridge University Press, 2011, p. 19.</p>      <p><Sup><a name="76"></a><a href="#top76">76</a></Sup> Tharoor, Shashi &ndash; <i>Pax Indica: India and the World in the 21<sup>st</sup> Century, </i>p. 19.</p>      <p><Sup><a name="77"></a><a href="#top77">77</a></Sup> <i>Panch Sheel</i> &eacute; o nome indiano para os cinco princ&iacute;pios da coexist&ecirc;ncia pac&iacute;fica enunciado na Confer&ecirc;ncia de Bandung em 1955: o respeito pela soberania, a n&atilde;o-agress&atilde;o, a n&atilde;o-interfer&ecirc;ncia nos assuntos internos dos estados, a igualdade e coexist&ecirc;ncia pac&iacute;fica. Ver Tharoor, Shashi &ndash; <i>Nehru: The Invention of India</i>. Nova Deli: Penguin Books, 2003, p. 158</p>      <p><Sup><a name="78"></a><a href="#top78">78</a></Sup> Kalyanaraman, S. &ndash; &laquo;Nehru&rsquo;s advocacy of internationalism and Indian foreign policy&raquo;. In <i>India&rsquo;s Grand Strategy: History, Theory, Cases</i>. Nova Deli: Routledge, 2014, pp. 151-175, p. 159.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><Sup><a name="79"></a><a href="#top79">79</a></Sup> Ollapally, Deepa M., e Rajagopalan, Rajesh &ndash; &laquo;India: foreign policy perspetives of an ambiguous power&raquo;, p. 79.</p>      <p><Sup><a name="80"></a><a href="#top80">80</a></Sup> Pu, Xiaoyu &ndash; &laquo;Socialisation as a two-way process: emerging powers and the difusion of international norms&raquo;, p. 3.</p>      <p><Sup><a name="81"></a><a href="#top81">81</a></Sup> Khilnani, Sunil <i>et al.</i> &ndash; <i>Nonalignment 2.0: A Foreign &amp; Strategic Policy for India in the 21<sup>st</sup> Century</i>, p. 77.</p>      <p><Sup><a name="82"></a><a href="#top82">82</a></Sup> Mohan <i>et al.</i> &ndash; <i>Rebalance and Reform: An Agenda for the New Government. </i>Nova Deli: Observer Research Foundation, 2014, p. 44.</p>      <p><Sup><a name="83"></a><a href="#top83">83</a></Sup> <i>Ibidem</i>, p. 46.</p>         ]]></body><back>
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