<?xml version="1.0" encoding="ISO-8859-1"?><article xmlns:mml="http://www.w3.org/1998/Math/MathML" xmlns:xlink="http://www.w3.org/1999/xlink" xmlns:xsi="http://www.w3.org/2001/XMLSchema-instance">
<front>
<journal-meta>
<journal-id>1645-9199</journal-id>
<journal-title><![CDATA[Relações Internacionais (R:I)]]></journal-title>
<abbrev-journal-title><![CDATA[Relações Internacionais]]></abbrev-journal-title>
<issn>1645-9199</issn>
<publisher>
<publisher-name><![CDATA[IPRI-UNL]]></publisher-name>
</publisher>
</journal-meta>
<article-meta>
<article-id>S1645-91992014000400004</article-id>
<title-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Indonésia: uma leitura das eleições de 2014]]></article-title>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Indonesia: an overlook on the 2014 elections]]></article-title>
</title-group>
<contrib-group>
<contrib contrib-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Mendes]]></surname>
<given-names><![CDATA[Nuno Canas]]></given-names>
</name>
<xref ref-type="aff" rid="A01"/>
<xref ref-type="aff" rid="A02"/>
<xref ref-type="aff" rid="A03"/>
<xref ref-type="aff" rid="A04"/>
</contrib>
</contrib-group>
<aff id="A01">
<institution><![CDATA[,Universidade de Lisboa Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas ]]></institution>
<addr-line><![CDATA[ ]]></addr-line>
</aff>
<aff id="A02">
<institution><![CDATA[,Instituto Superior de Ciências Policiais e Segurança Interna  ]]></institution>
<addr-line><![CDATA[ ]]></addr-line>
</aff>
<aff id="A03">
<institution><![CDATA[,Instituto do Oriente  ]]></institution>
<addr-line><![CDATA[ ]]></addr-line>
</aff>
<aff id="A04">
<institution><![CDATA[,Associação Ibero-Americana de Estudos de Sudeste Asiático  ]]></institution>
<addr-line><![CDATA[ ]]></addr-line>
</aff>
<pub-date pub-type="pub">
<day>00</day>
<month>12</month>
<year>2014</year>
</pub-date>
<pub-date pub-type="epub">
<day>00</day>
<month>12</month>
<year>2014</year>
</pub-date>
<numero>44</numero>
<fpage>37</fpage>
<lpage>47</lpage>
<copyright-statement/>
<copyright-year/>
<self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S1645-91992014000400004&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_abstract&amp;pid=S1645-91992014000400004&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_pdf&amp;pid=S1645-91992014000400004&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><abstract abstract-type="short" xml:lang="pt"><p><![CDATA[A complexidade do processo de transição para a democracia na Indonésia cria a oportunidade de uma avaliação cuidada das eleições presidenciais de julho de 2014 e das legislativas de abril do mesmo ano, por forma a identificar sinais de mudança e a verificar permanências. Este artigo procurará, antes de mais, relatar os eventos eleitorais de abril-julho, descrevendo protagonistas e temas de campanha, focando, a traço grosso, fraturas e continuidades, semelhanças e diferenças. O texto refletirá necessariamente uma tensão entre o atavismo e a pulsão para a transformação reformista que, desde 1998, tolda o discurso e a vida política na Indonésia.]]></p></abstract>
<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[The complexity of the democratic transition in Indonesia creates the opportunity of an interpretation of the July 2014 Presidential elections and of the April 2014 Parliamentary elections. The purpose of this analysis is to identify signs of change and continuity. This article will focus on the electoral events of April and July, describing the protagonists and the campaign main issues in order to explain ruptures and continuities, similarities and differences. The text will reflect the tension between atavism and the drive for reforms which, since 1998, influenced the discourse and political life in Indonesia.]]></p></abstract>
<kwd-group>
<kwd lng="pt"><![CDATA[Indonésia]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[eleições]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[democracia]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[política externa]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[Indonesia]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[Elections]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[Democracy]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[Foreign Policy]]></kwd>
</kwd-group>
</article-meta>
</front><body><![CDATA[ <p align="right"><b>POT&Ecirc;NCIAS EMERGENTES E DEMOCRACIA</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Indon&eacute;sia: uma leitura das elei&ccedil;&otilde;es de 2014</b></p>      <p><b>Indonesia: an overlook on the 2014 elections</b></p>      <p>&nbsp;</p>      <p><b>Nuno Canas Mendes</b></p>      <p>Professor auxiliar do Instituto Superior de Ci&ecirc;ncias Sociais e Pol&iacute;ticas da Universidade de Lisboa e no Instituto Superior de Ci&ecirc;ncias Policiais e Seguran&ccedil;a Interna. Vice-presidente do Instituto do Oriente, onde &eacute; investigador coordenador da &aacute;rea de Constru&ccedil;&atilde;o e Fragilidade de Estados. Doutorado em Ci&ecirc;ncias Sociais, na especialidade de Rela&ccedil;&otilde;es Internacionais. Entre 2005 e 2008 foi colaborador do Instituto Diplom&aacute;tico do Minist&eacute;rio\ dos Neg&oacute;cios Estrangeiros. Presidente da Assembleia-Geral da Associa&ccedil;&atilde;o Ibero-Americana de Estudos de Sudeste Asi&aacute;tico (AIA-SEAS). Membro do Conselho Editorial da revista <i>Portuguese Journal of International Affairs</i> e da <i>Janus-E-Journal of International Relations</i>. Autor de v&aacute;rios livros e artigos sobre hist&oacute;ria das rela&ccedil;&otilde;es internacionais, diplomacia, integra&ccedil;&atilde;o regional no sudeste asi&aacute;tico e constru&ccedil;&atilde;o do Estado em Timor-Leste.</p>      <p>&nbsp;</p>      <p><b>RESUMO</b></p>      <p>A complexidade do processo de transi&ccedil;&atilde;o para a democracia na Indon&eacute;sia cria a oportunidade de uma avalia&ccedil;&atilde;o cuidada das elei&ccedil;&otilde;es presidenciais de julho de 2014 e das legislativas de abril do mesmo ano, por forma a identificar sinais de mudan&ccedil;a e a verificar perman&ecirc;ncias. Este artigo procurar&aacute;, antes de mais, relatar os eventos eleitorais de abril-julho, descrevendo protagonistas e temas de campanha, focando, a tra&ccedil;o grosso, fraturas e continuidades, semelhan&ccedil;as e diferen&ccedil;as. O texto refletir&aacute; necessariamente uma tens&atilde;o entre o atavismo e a puls&atilde;o para a transforma&ccedil;&atilde;o reformista que, desde 1998, tolda o discurso e a vida pol&iacute;tica na Indon&eacute;sia.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Palavras-chave</b><i>: </i>Indon&eacute;sia, elei&ccedil;&otilde;es, democracia, pol&iacute;tica externa.</p>      <p>&nbsp;</p>      <p><b>ABSTRACT</b></p>      <p>The complexity of the democratic transition in Indonesia creates the opportunity of an interpretation of the July 2014 Presidential elections and of the April 2014 Parliamentary elections. The purpose of this analysis is to identify signs of change and continuity. This article will focus on the electoral events of April and July, describing the protagonists and the campaign main issues in order to explain ruptures and continuities, similarities and differences. The text will reflect the tension between atavism and the drive for reforms which, since 1998, influenced the discourse and political life in Indonesia.</p>      <p><b>Keywords:</b><i> </i>Indonesia, Elections, Democracy, Foreign Policy</p>      <p>&nbsp;</p>      <p>A complexidade de apreender o processo de transi&ccedil;&atilde;o para a democracia na Indon&eacute;sia cria a oportunidade de uma avalia&ccedil;&atilde;o cuidada das elei&ccedil;&otilde;es presidenciais de julho de 2014 e das legislativas de abril do mesmo ano, por forma a identificar sinais de mudan&ccedil;a e a verificar perman&ecirc;ncias. &Eacute; importante referir que na curta hist&oacute;ria da Indon&eacute;sia da era p&oacute;s-Suharto e da consolida&ccedil;&atilde;o das institui&ccedil;&otilde;es democr&aacute;ticas, estas foram as terceiras elei&ccedil;&otilde;es presidenciais diretas, depois de 2005 e de 2009, e um teste importante &agrave; solidez do sistema<sup><a href="#1">1</a></sup><a name="top1"></a>.</p>      <p>A uma pretendida, ou pelo menos anunciada, mudan&ccedil;a no <i>status quo </i>sobrep&otilde;em-se tra&ccedil;os claros de continuidade da ordem antiga, sendo os avan&ccedil;os e os recuos uma inevitabilidade. Com uma hist&oacute;ria marcada pelos per&iacute;odos da &laquo;democracia guiada&raquo; e da &laquo;ordem nova&raquo; e por uma ideologia de Estado (<i>Pancasila</i>, designadamente no quarto princ&iacute;pio)<sup><a href="#2">2</a></sup><a name="top2"></a>, n&atilde;o se ensair&aacute; uma reflex&atilde;o sobre o conte&uacute;do de um conceito <i>indon&eacute;sio </i>de democracia, nem sequer uma tentativa, necessariamente prematura, de apreender se estas elei&ccedil;&otilde;es tiveram um impacto de relevo no funcionamento das institui&ccedil;&otilde;es e do sistema pol&iacute;tico. Se &eacute; verdade que a liberdade de express&atilde;o e de imprensa foram em certa medida adquiridas ou que a sociedade civil d&aacute; mostras de grande dinamismo, h&aacute; uma pesada heran&ccedil;a kkn (de <i>korupsi</i>, <i>kolusi e nepotisme</i>, ou seja, corrup&ccedil;&atilde;o, conluio e nepotismo) que tende a ensombrar a aproxima&ccedil;&atilde;o reformista a um modelo &laquo;universal ocidental&raquo;, como parece propor Joko Widodo, conhecido por Jokowi, o sucessor de Susilo Bambang Yudhoyono na chefia do Estado.</p>      <p>Este artigo procurar&aacute;, antes de mais, relatar os eventos eleitorais de abril-julho, descrevendo protagonistas e temas de campanha, focando, a tra&ccedil;o grosso, fraturas e continuidades, semelhan&ccedil;as e diferen&ccedil;as. O texto refletir&aacute; necessariamente uma tens&atilde;o entre o atavismo e a puls&atilde;o para a transforma&ccedil;&atilde;o reformista que desde 1998 tolda o discurso e a vida pol&iacute;tica na Indon&eacute;sia. Num primeiro passo, dar-se-&aacute; conta do legado do Presidente Susilo, para percorrer a trajet&oacute;ria recente do pa&iacute;s desde 2004.</p>      <p>&nbsp;</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>A HERAN&Ccedil;A DE SUSILO</b></p>      <p>O fim da era Suharto deu lugar a uma fase &laquo;transit&oacute;ria&raquo;, em que &agrave; <i>reformasi </i>(reforma) se sobrep&ocirc;s uma via populista, por vezes com viol&ecirc;ncia intercalada. Foi assim com Habibie, depois com Wahid e com Megawati. As elites oscilavam entre o caminho da estabilidade econ&oacute;mica e a urg&ecirc;ncia na reforma das institui&ccedil;&otilde;es, pondo em discuss&atilde;o o modelo do Estado e do nacionalismo indon&eacute;sios, inclusivamente o pr&oacute;prio princ&iacute;pio que norteara a funda&ccedil;&atilde;o do pa&iacute;s e que &eacute; a sua divisa: &laquo;unidade na diversidade&raquo;, ao ponto de se terem tra&ccedil;ado, sobretudo em 1998 e em 1999, cen&aacute;rios mais catastrofistas de fragmenta&ccedil;&atilde;o, com o caso do referendo em Timor a suscitar a quest&atilde;o da autonomia regional. Com efeito, a f&oacute;rmula &laquo;uma na&ccedil;&atilde;o, um Estado, uma l&iacute;ngua&raquo; inscrevia-se ent&atilde;o num equil&iacute;brio pol&iacute;tico inst&aacute;vel, ainda tribut&aacute;rio de uma tradi&ccedil;&atilde;o autorit&aacute;ria, em que um trip&eacute; constitu&iacute;do por For&ccedil;as Armadas (abri &ndash; Angkatan Bersenjata Republik Indonesia, reconvertidas em tni &ndash; Tentara Nasional Indonesia, e separadas das for&ccedil;as policiais), burocracia e partidos pol&iacute;ticos, articulados, constitu&iacute;am o aparelho<sup><a href="#3">3</a></sup><a name="top3"></a>. Transcorridos cerca de quinze anos, o estado de coisas, no que ao citado trip&eacute; diz respeito, n&atilde;o mudou t&atilde;o radicalmente, n&atilde;o obstante a &laquo;domestica&ccedil;&atilde;o&raquo; dos militares, mais subordinados ao poder civil ou a maior estabilidade pol&iacute;tica alcan&ccedil;ada a custo por Megawati e confirmada com Susilo.</p>      <p>Da hist&oacute;ria da transi&ccedil;&atilde;o para a democracia na Indon&eacute;sia, esta foi, desde 1998, a quarta passagem de testemunho presidencial ocorrida de forma pac&iacute;fica, ap&oacute;s o cumprimento dos dois mandatos <i>pac&iacute;ficos </i>de Susilo (2004-2014). Com efeito, foi durante o per&iacute;odo de Susilo que terminou a &laquo;guerra civil&raquo; no Aceh, que a economia cresceu numa taxa m&eacute;dia de cinco por cento durante os dez anos, que o rendimento <i>per capita </i>triplicou, e que a lideran&ccedil;a indon&eacute;sia da asean n&atilde;o foi disputada ou ainda que ocorreu a admiss&atilde;o no G20.</p>      <p>Mas se estes sinais fazem adivinhar um percurso otimista, outros h&aacute; que denunciam a persist&ecirc;ncia de problemas estruturais: de entre as cr&iacute;ticas mais vincadas, est&aacute; a de Susilo ter arriscado pouco no lan&ccedil;amento de reformas que n&atilde;o s&oacute; poriam em causa a coliga&ccedil;&atilde;o governativa como tamb&eacute;m teriam um previs&iacute;vel efeito na op&ccedil;&atilde;o pela estabilidade: a corrup&ccedil;&atilde;o de alto n&iacute;vel, o favoritismo e a colus&atilde;o (o citado kkn) continuaram a ser a pr&aacute;tica na condu&ccedil;&atilde;o dos neg&oacute;cios pol&iacute;ticos e econ&oacute;micos, o Partido Democr&aacute;tico de Susilo em particular, incluindo membros do Governo<sup><a href="#4">4</a></sup><a name="top4"></a>.</p>      <p>Outra das &aacute;reas em que foram detetadas regress&otilde;es foi nos direitos das minorias religiosas, pelo Presidente ter tolerado que grupos conservadores mu&ccedil;ulmanos trouxessem para discuss&atilde;o uma nova ortodoxia religiosa menos liberal e moderada (casos de mil&iacute;cias radicais que atacavam a seita Ahmadi, xiitas e grupos n&atilde;o-mu&ccedil;ulmanos). Tamb&eacute;m no que &agrave; economia diz respeito &eacute; de sublinhar que o crescimento econ&oacute;mico, pouco sustentado, assentou essencialmente no setor das mat&eacute;rias-primas de capital intensivo, que mais de 60 por cento dos indon&eacute;sios est&atilde;o envolvidos no setor informal e que 43 por cento vivem com menos de dois d&oacute;lares por dia. No setor das infraestruturas, sobretudo na rede vi&aacute;ria, el&eacute;trica e de portos, em grande medida ultrapassados ou obsoletos, verificou-se um desinvestimento, representando menos de quatro por cento do pib (cerca de metade do que Suharto gastava nos anos 1990). Este tema foi um dos motes da campanha de Jokowi, que o considerou um dos objetivos a cumprir durante o seu mandato, caso fosse eleito. Ainda uma &aacute;rea sens&iacute;vel foi a manuten&ccedil;&atilde;o de subs&iacute;dios &agrave; energia, que representaram 21 por cento da despesa total do Governo, e beneficiavam sobretudo a classe m&eacute;dia. Trata-se pois de um legado em que se detetam omiss&otilde;es importantes. Antes de passar &agrave; pr&oacute;xima sec&ccedil;&atilde;o, vale a pena recordar as palavras &laquo;premonit&oacute;rias&raquo; sobre os novos ventos de mudan&ccedil;a pol&iacute;tica que Rizal Sukma, diretor-executivo do c&eacute;lebre csis de Jacarta escreveu no <i>Jakarta Post</i>, depois da reelei&ccedil;&atilde;o de Susilo:</p>      <p>    <blockquote>&laquo;No entanto, &eacute; prov&aacute;vel que por volta de 2014, o panorama pol&iacute;tico da Indon&eacute;sia se caracterize por uma mudan&ccedil;a geracional. [...] Ainda que Magawati permane&ccedil;a na lideran&ccedil;a do partido depois da elei&ccedil;&atilde;o presidencial de 2014, o pdi-p tamb&eacute;m tem dado passos que facilitam a emerg&ecirc;ncia de novos l&iacute;deres. [...] A verdade &eacute; que na Indon&eacute;sia n&atilde;o faltam novos l&iacute;deres. Estes podem ser encontrados entre as organiza&ccedil;&otilde;es civis, a comunidade empresarial, e entre o p&uacute;blico em geral. [...] No entanto, tr&ecirc;s desafios relacionados com a mudan&ccedil;a geracional t&ecirc;m que ser tidos em conta. Primeiro, a gera&ccedil;&atilde;o mais velha de l&iacute;deres tem de aceitar que n&atilde;o pode estar no poder para sempre. Segundo, &eacute; imperativo que os jovens l&iacute;deres demonstrem que s&atilde;o de facto capazes de governar o pa&iacute;s. Terceiro, tanto os l&iacute;deres mais antigos como os mais novos deveriam trabalhar juntos para assegurar que a transi&ccedil;&atilde;o de poder ocorrer&aacute; de uma forma pac&iacute;fica e democr&aacute;tica&raquo;<sup><a href="#5">5</a></sup><a name="top5"></a>.</p></blockquote>      <p>As tr&ecirc;s premissas de Sukma est&atilde;o ainda por cumprir, nessa tens&atilde;o entre atavismo e renova&ccedil;&atilde;o. Num segundo passo, ensaiar-se-&aacute; tra&ccedil;ar os perfis dos dois candidatos &agrave; Presid&ecirc;ncia, por incarnarem esta tens&atilde;o, e s&oacute; depois ser&aacute; feita a interpreta&ccedil;&atilde;o das elei&ccedil;&otilde;es legislativas de abril de 2014 que, antecedendo as presidenciais, v&atilde;o naturalmente influenciar o desempenho do candidato escolhido.</p>      <p>&nbsp;</p>      <p><b>PERFIS DOS CANDIDATOS E TEMAS DE CAMPANHA</b></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A polariza&ccedil;&atilde;o das candidaturas de Joko Widodo, dito Jokowi, e Prabowo Subianto, muito diferenciadas no estilo de atua&ccedil;&atilde;o de cada um dos atores e menos nos respetivos discursos, espelha de certa forma a persist&ecirc;ncia de uma Indon&eacute;sia marcada por d&eacute;cadas de autoritarismo, militarismo e corrup&ccedil;&atilde;o, pelo enraizamento do kkn, por um lado, e pelo anseio de aproxima&ccedil;&atilde;o aos c&acirc;nones democr&aacute;ticos, com garantias mais fi&aacute;veis de exerc&iacute;cio das liberdades e garantias dos cidad&atilde;os, incluindo uma melhoria do n&iacute;vel de vida, por outro.</p>      <p>O debate revelou, por&eacute;m, que esta polariza&ccedil;&atilde;o identificou de certa forma um e outro candidato como s&iacute;mbolos de uma <i>velha</i> e de uma <i>nova</i> Indon&eacute;sia, sendo portanto menos not&oacute;ria a exist&ecirc;ncia de programas eleitorais substancialmente diferentes, pois a agenda dom&eacute;stica e a t&oacute;nica numa Indon&eacute;sia forte em termos econ&oacute;micos foram os t&oacute;picos dominantes na campanha de um e de outro. Ambos convergem no apelo aos valores nacionalistas, de engrandecimento da Indon&eacute;sia, como prescreve o <i>Pancasila </i>com a ressalva de que Jokowi &eacute; tido como <i>um entre iguais, </i>e neste sentido representa o que se pode sublinhar como uma altera&ccedil;&atilde;o sens&iacute;vel ao predom&iacute;nio da elite <i>javanesa </i>no poder. De certa forma, h&aacute; uma reedi&ccedil;&atilde;o do confronto entre uma vis&atilde;o aristocr&aacute;tica e &eacute;tnica dos <i>priyayi</i><sup><a href="#6">6</a></sup><a name="top6"></a>, que apontava no sentido de um despotismo esclarecido, paternalista e educativo, e uma vis&atilde;o populista, igualit&aacute;ria e parlamentarista que vingou entre 1950 e 1959, at&eacute; sobrevir a <i>democracia guiada </i>de Sukarno<sup><a href="#7">7</a></sup><a name="top7"></a>.</p>      <p>Os dois candidatos tinham, com efeito, perfis bastante distintos, como se ver&aacute; pelo retrato de ambos que se esbo&ccedil;a de seguida.</p>      <p>&nbsp;</p>      <p><b>JOKOWI: UM &laquo;NOVO&raquo; PERFIL DE LIDERAN&Ccedil;A</b></p>      <p>O vencedor das elei&ccedil;&otilde;es presidenciais, Jokowi, &eacute; um empres&aacute;rio de mobili&aacute;rio, que geriu o munic&iacute;pio de Surakarta, uma cidade de dimens&atilde;o m&eacute;dia em Java Central, tendo-se destacado pela qualidade de v&aacute;rias medidas tomadas em exerc&iacute;cio de fun&ccedil;&otilde;es que o guindaram para a vit&oacute;ria nas elei&ccedil;&otilde;es municipais em Jacarta, em 2012. Em mar&ccedil;o de 2014, Megawati Sukarno Putri anunciou o seu nome como candidato &agrave;s elei&ccedil;&otilde;es presidencias pelo pdi-p (Indonesian Democratic Party of Struggle). Admirado pelo seu desempenho enquanto autarca, Jokowi teve pouca experi&ecirc;ncia pol&iacute;tica, o que na fase de candidatura &agrave; Presid&ecirc;ncia parece ter-se revelado um trunfo. Jokowi &eacute; visto como um produto da nova era p&oacute;s-Suharto, pelo percurso que foi fazendo at&eacute; chegar a governador de Jacarta, n&atilde;o tendo outro tipo de &laquo;credenciais&raquo; que n&atilde;o o seu m&eacute;rito pessoal, o que antes de 1998 dificilmente poderia ter sucedido em termos id&ecirc;nticos. A sua abordagem pr&oacute;xima &agrave; popula&ccedil;&atilde;o, o facto de ser um <i>self-made-man </i>e a &ecirc;nfase na reforma burocr&aacute;tica, na melhoria dos servi&ccedil;os e na melhoria do bem-estar econ&oacute;mico e social, granjearam-lhe grande apoio. Alguns analistas detetaram-lhe semelhan&ccedil;as com Sukarno, evocando quest&otilde;es como a unidade nacional e a soberania, a coopera&ccedil;&atilde;o entre todos os grupos sociais, algumas ideias de coletivismo econ&oacute;mico e cr&iacute;ticas ao individualismo liberal<sup><a href="#8">8</a></sup><a name="top8"></a>.</p>      <p>O facto de Jokowi n&atilde;o ter um passado ligado &agrave;s For&ccedil;as Armadas nem ao anterior regime deu-lhe a aura de &laquo;impoluto&raquo; e a sua insist&ecirc;ncia no reformismo no sentido do refor&ccedil;o das institui&ccedil;&otilde;es democr&aacute;ticas, na redu&ccedil;&atilde;o da depend&ecirc;ncia do exterior ou nos &laquo;valores indon&eacute;sios&raquo;, foram fatores decisivos para garantir a n&atilde;o muito folgada margem de vit&oacute;ria nas elei&ccedil;&otilde;es presidenciais. Dir-se-ia que o eleitorado lhe reconheceu uma esp&eacute;cie de &laquo;autoridade moral&raquo; para debater tais assuntos. Estar&aacute; ainda por averiguar o que a <i>revolusi mental</i>, que apela em primeiro lugar ao plano individual mais do que a uma vasta gama de transforma&ccedil;&otilde;es sociais, vai traduzir em mat&eacute;ria de combate &agrave; corrup&ccedil;&atilde;o e de afirma&ccedil;&atilde;o da meritocracia em detrimento do clientelismo. Esta mescla de apelo ao nacionalismo e de combate aos interesses instalados, ali&aacute;s tamb&eacute;m um dos temas fortes do discurso do seu rival, exigir&aacute; um esfor&ccedil;o grande para ser concretizada.</p>      <p>&nbsp;</p>      <p><b>PRABOWO: A VELHA &laquo;NOVA ORDEM&raquo;</b></p>      <p>O derrotado, general reformado Prabowo Subianto, l&iacute;der do Movimento da Grande Indon&eacute;sia (Gerindra), &eacute; uma figura herdada da era de Suharto, seu ex-genro, tendo abandonado as For&ccedil;as Armadas (ent&atilde;o designadas de abri) em 1998, na sequ&ecirc;ncia do seu envolvimento no rapto de estudantes ativistas pol&iacute;ticos. Embora tenha professado o seu respeito pela democracia, pela independ&ecirc;ncia dos meios de comunica&ccedil;&atilde;o e pela import&acirc;ncia de uma sociedade civil ativa, tem na sua biografia e na sua ret&oacute;rica, elementos perturbantes que pareciam apontar para a eventualidade de um regresso ao passado.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&Eacute; o t&iacute;pico produto da Ordem Nova: filho de um ministro da Economia, foi recrutado para as fileiras das abri onde fez uma fulgurante carreira e foi comandante das for&ccedil;as especiais Kopassus<sup><a href="#9">9</a></sup><a name="top9"></a>. Para al&eacute;m dos lugares p&uacute;blicos que ocupou, &eacute; um homem muito rico, com rela&ccedil;&otilde;es familiares pr&oacute;ximas no neg&oacute;cio de exporta&ccedil;&atilde;o de madeiras e outros recursos naturais. Mas para al&eacute;m deste seu passado, foram detetados alguns elementos na sua campanha, designadamente as suas declara&ccedil;&otilde;es acerca de um regresso &agrave; Constitui&ccedil;&atilde;o de 1945, ou seja, da concentra&ccedil;&atilde;o de poderes nas m&atilde;os do Presidente, e removendo, virtualmente, todos os mecanismos democr&aacute;ticos introduzidos sucessivamente pelas revis&otilde;es &agrave; lei fundamental ocorridas desde 1998, incluindo as elei&ccedil;&otilde;es diretas presidenciais e locais.</p>      <p>Acresce que, em sua opini&atilde;o, h&aacute; uma estreita liga&ccedil;&atilde;o entre democracia e corrup&ccedil;&atilde;o e outros males que afetam a sociedade indon&eacute;sia. A sua personalidade truculenta, os tiques autorit&aacute;rios e o seu discurso de tom salv&iacute;fico, foram lidos como um potencial risco para o funcionamento regular das institui&ccedil;&otilde;es, mesmo assim, e significativamente, com uma derrota muito pr&oacute;xima em termos do resultado do opositor.</p>      <p>&nbsp;</p>      <p><b>AS ELEI&Ccedil;&Otilde;ES DE ABRIL DE 2014</b></p>      <p>Ambos os candidatos est&atilde;o associados a coliga&ccedil;&otilde;es de partidos, pois nas elei&ccedil;&otilde;es legislativas de abril de 2014 nem o pdi-p nem o Gerindra alcan&ccedil;aram um n&uacute;mero de votos suficiente que lhes garantisse margem confort&aacute;vel para governar. O pdi-p registou 18,9 por cento dos votos e o Gerindra atingiu os 11,8. Com a forma&ccedil;&atilde;o das coliga&ccedil;&otilde;es, Prabowo conquistou 347 lugares na Dewan Pewarkilan Rakyat (a C&acirc;mara dos Representantes, dpr), contra 213 para Jokowi. Embora Jokowi se tivesse revelado um fen&oacute;meno medi&aacute;tico, n&atilde;o era garantido que tivesse uma vantagem confort&aacute;vel. O ato eleitoral confirmou-o, deixando-o agora limitado no exerc&iacute;cio das suas fun&ccedil;&otilde;es presidenciais. O facto de n&atilde;o ter disposto de muito tempo desde que foi proposto para Presidente em mar&ccedil;o, toldou a otimiza&ccedil;&atilde;o de resultados para as elei&ccedil;&otilde;es legislativas.</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="q1"> <img src="/img/revistas/ri/n44/n44a04q1.jpg">     
<p>&nbsp;</p>      <p>O pdi-p de Jakowi, sendo embora o partido mais votado, n&atilde;o conseguiu atingir os 25 por cento necess&aacute;rios para apresentar o seu pr&oacute;prio candidato presidencial. E foi por este motivo que teve de se coligar com os partidos citados, por forma a que Jokowi pudesse entrar na corrida.</p>      <p>A coliga&ccedil;&atilde;o de Jokowi inclui, para al&eacute;m do pdi-p, o Partido Nacional do Despertar (pkb, formado por comunidades isl&acirc;micas sincr&eacute;ticas, de Java Oriental), o Partido Democr&aacute;tico Nacional (NasDem, resultante de uma organiza&ccedil;&atilde;o da sociedade civil) e o Partido da Consci&ecirc;ncia Popular (Hanura), do general Wiranto. Jokowi n&atilde;o negociou lugares de vice-presidente ou de ministros com os partidos da coliga&ccedil;&atilde;o, argumentando que se poderiam juntar todos aqueles que apoiassem o seu projeto pol&iacute;tico mas sem a promessa de que teriam envolvimento no governo; a escolha para vice-presidente recaiu sobre o anterior vice-presidente Jusuf Kalla. Com forte apoio nos <i>social media</i>, Jokowi conseguiu enfrentar com efic&aacute;cia as tentativas de assassinato de car&aacute;ter promovidas pelo seu rival e as acusa&ccedil;&otilde;es de que era crist&atilde;o, comunista ou chin&ecirc;s. Jokowi penetrou nas zonas rurais e conquistou os eleitores das classes mais desfavorecidas, paradoxalmente por um certo desgaste induzido pela cobertura televisiva das campanhas, em que algumas esta&ccedil;&otilde;es tomaram de forma n&iacute;tida o partido de Prabowo<sup><a href="#10">10</a></sup><a name="top10"></a>. Desenvolveu uma postura de aproxima&ccedil;&atilde;o a outras religi&otilde;es que n&atilde;o o isl&atilde;o e fez o mesmo com a comunidade de origem chinesa.</p>      <p>Prabowo juntou na sua coliga&ccedil;&atilde;o &laquo;Vermelha e Branca&raquo; o Gerindra ao hist&oacute;rico Golkar, partido do governo no tempo de Suharto, ao pd e a tr&ecirc;s partidos isl&acirc;micos, o Partido do Mandato Nacional (pan), o Partido do Desenvolvimento Unido (ppp) e o Partido da Justi&ccedil;a Pr&oacute;spera (pks, apontado pela sua inspira&ccedil;&atilde;o na Irmandade Isl&acirc;mica e pelas liga&ccedil;&otilde;es ao Hamas e &agrave; Jemaah Islamiyah), tendo escolhido para vice-presidente o antigo ministro da Economia de Susilo, Hatta Rajasa<sup><a href="#11">11</a></sup><a name="top11"></a>. De referir que o Golkar recebeu mais votos do que o pr&oacute;prio Gerindra. Vale a pena mencionar que algumas correntes do isl&atilde;o indon&eacute;sio, que haviam militado no movimento anti-Suharto, em 1998, alinharam com Prabowo, designadamente o pan, que tem uma larga base de apoio na organiza&ccedil;&atilde;o isl&acirc;mica Muhammadiyah, e &eacute; liderado pelo referido Hatta Rajasa<sup><a href="#12">12</a></sup><a name="top12"></a>.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Como se referiu, um e outro embutiram aos respetivos discursos uma t&oacute;nica nacionalista, com Prabowo a considerar que o aumento do investimento estrangeiro era uma trai&ccedil;&atilde;o &agrave; p&aacute;tria e Jokowi a insistir numa esp&eacute;cie de autossufici&ecirc;ncia nacional para v&aacute;rios setores, incluindo o alimentar. Prabowo adotou tamb&eacute;m um registo populista de desafio ao sistema existente, querendo despertar uma certa nostalgia do regime autorit&aacute;rio e demarcar-se da classe pol&iacute;tica atual pela insist&ecirc;ncia na den&uacute;ncia da corrup&ccedil;&atilde;o<sup><a href="#13">13</a></sup><a name="top13"></a>. Um discurso antissistema e antielite, o que, atendendo ao seu passado n&atilde;o muito distante, foi, no m&iacute;nimo, paradoxal. Descolar do seu percurso biogr&aacute;fico ter&aacute; sido uma das dificuldades que sentiu, pois confrontou o apelo &agrave; reforma com alguns temas sens&iacute;veis herdados da <i>velha Indon&eacute;sia</i>, como a quest&atilde;o da &laquo;justi&ccedil;a transit&oacute;ria&raquo; e a condena&ccedil;&atilde;o dos militares acusados de viola&ccedil;&atilde;o dos direitos humanos, cujos resultados &laquo;inconclusivos&raquo; ter&atilde;o sido moeda de troca para a sa&iacute;da de cena dos militares da pol&iacute;tica (o c&eacute;lebre <i>dwifungsi</i>)<sup><a href="#14">14</a></sup><a name="top14"></a>.</p>      <p>&nbsp;</p>      <p><b>OS RESULTADOS. O RECURSO AO TRIBUNAL CONSTITUCIONAL</b></p>      <p>As elei&ccedil;&otilde;es presidenciais tiveram lugar a 9 de julho de 2014 e o apuramento dos votos durou cerca de duas semanas. Os resultados alcan&ccedil;ados deixaram os candidatos em valores muito pr&oacute;ximos, com 53,15 por cento e 46,85 por cento dos votos, ou seja, Jokowi recebeu o apoio de 70 633 576 eleitores e o seu rival de 62 262 844 eleitores<sup><a href="#15">15</a></sup><a name="top15"></a>. A diferen&ccedil;a, com uns expressivos seis por cento, espelha a perce&ccedil;&atilde;o do eleitorado de que as propostas de governa&ccedil;&atilde;o n&atilde;o tinham conte&uacute;dos radicalmente diferentes; a esperan&ccedil;a na <i>reformasi </i>e a aura de Jokowi s&oacute; lhe renderam uma margem de escassos seis por cento.</p>      <p>No dia em que a comiss&atilde;o de elei&ccedil;&otilde;es ia apresentar os resultados finais e conhecendo-se j&aacute; a vit&oacute;ria de Jokowi, a coliga&ccedil;&atilde;o de Prabowo contestou os resultados, reputando-os como ilegais, e apresentou queixa ao Tribunal Constitucional, alegando que haviam sido cometidas irregularidades v&aacute;rias. Verificou-se que Prabowo n&atilde;o tinha provas suficientes para alegar a pr&aacute;tica de fraude e a compra de votos.</p>      <p>A 22 de agosto de 2014, a senten&ccedil;a do Tribunal Constitucional confirmou a decis&atilde;o da Comiss&atilde;o Nacional de Elei&ccedil;&otilde;es (kpu), afirmando Jokowi como o novo Presidente da Indon&eacute;sia. A tomada de posse ficou agendada para o dia 20 de outubro de 2014, depois da realiza&ccedil;&atilde;o da Cimeira da asem, em 16 e 17 de outubro. O presidente do Tribunal, Zoelva Hamden, concluiu que as alega&ccedil;&otilde;es da coliga&ccedil;&atilde;o de Prabowo eram vagas e inconsistentes<sup><a href="#16">16</a></sup><a name="top16"></a>.</p>      <p>&nbsp;</p>      <p><b>POL&Iacute;TICA EXTERNA: &laquo;CONSTANTES E LINHAS DE FOR&Ccedil;A&raquo;</b></p>      <p>N&atilde;o tendo sido tema forte da campanha, &eacute; importante dar conta das constantes e linhas de for&ccedil;a do posicionamento da Indon&eacute;sia nas rela&ccedil;&otilde;es internacionais, nas esferas regional e global.</p>      <p>&Eacute; esperado que seja mantido o rumo da pol&iacute;tica externa dos &uacute;ltimos anos, durante os quais se aprofundou a presen&ccedil;a da Indon&eacute;sia nos <i>fora </i>regionais e globais (&eacute; membro do G20 e da Organiza&ccedil;&atilde;o de Coopera&ccedil;&atilde;o Isl&acirc;mica). Nesta postura, a sua lideran&ccedil;a do grupo asean tem tido um enfoque especial nas rela&ccedil;&otilde;es com Pequim a prop&oacute;sito do mar do Sul da China. Dado o tom eminentemente nacionalista da campanha, n&atilde;o foi revelada nenhuma orienta&ccedil;&atilde;o especialmente inovadora. Com efeito, no que toca &agrave;s rela&ccedil;&otilde;es internacionais, conhece-se mal o pensamento de Jokowi acerca das rela&ccedil;&otilde;es com a China, os Estados Unidos, a Austr&aacute;lia ou o posicionamento da Indon&eacute;sia na asean, sobre as disputas no mar do Sul da China e outros temas pol&eacute;micos. Em todo o caso, afirmou a sua confian&ccedil;a na diplomacia e na negocia&ccedil;&atilde;o para alcan&ccedil;ar bons resultados, embora tamb&eacute;m tenha dado sinais de uma certa prefer&ecirc;ncia pelo protecionismo nos setores banc&aacute;rio, dos recursos naturais, da ind&uacute;stria e do ambiente<sup><a href="#17">17</a></sup><a name="top17"></a>.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Com os Estados Unidos, um dos veios da sua pol&iacute;tica externa, estabeleceu-se uma parceria abrangente em 2010 nas &aacute;reas do com&eacute;rcio e investimento, a qual prev&ecirc; a realiza&ccedil;&atilde;o de reuni&otilde;es anuais presididas pelo secret&aacute;rio de Estado norte-americano e pelo ministro dos Neg&oacute;cios Estrangeiros indon&eacute;sio, a &uacute;ltima das quais ocorreu em fevereiro de 2014. Dela resultou a assinatura de um memorando de entendimento sobre tr&aacute;fico de animais selvagens e um aprofundamento da coopera&ccedil;&atilde;o bilateral em mat&eacute;ria de assist&ecirc;ncia aos pa&iacute;ses em desenvolvimento no &acirc;mbito da Coopera&ccedil;&atilde;o Sul-Sul e Triangular.</p>      <p>Com a Uni&atilde;o Europeia, com quem estabeleceu um acordo de parceria e coopera&ccedil;&atilde;o em 2009, tem sido manifestado reiteradamente o interesse no aprofundamento de um nexo estrat&eacute;gico, n&atilde;o obstante, por vezes, o relacionamento pol&iacute;tico esbarrar na gest&atilde;o dos dossi&ecirc;s t&eacute;cnicos, designadamente e a t&iacute;tulo de exemplo, no que respeita a alguns lit&iacute;gios na Organiza&ccedil;&atilde;o Mundial do Com&eacute;rcio (omc) ou ao embargo a&eacute;reo de 2009. O citado acordo permitir&aacute; a abertura de di&aacute;logos setoriais, em mat&eacute;rias como ambiente e altera&ccedil;&otilde;es clim&aacute;ticas, energia, educa&ccedil;&atilde;o, ci&ecirc;ncia e tecnologia, migra&ccedil;&otilde;es e luta contra o terrorismo. Est&aacute; em discuss&atilde;o a proposta de celebra&ccedil;&atilde;o de uma parceria estrat&eacute;gica, de que o referido acordo &eacute; um passo importante, bem como a negocia&ccedil;&atilde;o de um acordo de com&eacute;rcio livre. De sublinhar que a quest&atilde;o n&atilde;o &eacute; pac&iacute;fica entre todos os estados-membros, atendendo a que quatro dos dez parceiros estrat&eacute;gicos da Uni&atilde;o Europeia s&atilde;o asi&aacute;ticos (China, Jap&atilde;o, &Iacute;ndia e Coreia do Sul) e de estar a ser discutida a concess&atilde;o deste estatuto &agrave; asean.</p>      <p>No que se refere &agrave; China, a Indon&eacute;sia, enquanto l&iacute;der da asean, tem tido um papel de relevo nas disputas em torno do mar do Sul da China, e mais recentemente como resultado das pretens&otilde;es de Pequim em rela&ccedil;&atilde;o ao arquip&eacute;lago Natuna. &Eacute; um eixo incontorn&aacute;vel, consubstanciado, mais recentemente, numa parceria estrat&eacute;gica abrangente (2013) resultante de uma declara&ccedil;&atilde;o conjunta sobre uma parceria estrat&eacute;gica datada de 2005. Um e outro atribuem grande import&acirc;ncia a algumas iniciativas ligadas ao mar, de que &eacute; exemplo o lan&ccedil;amento da Nova Rota Mar&iacute;tima da Seda e a inten&ccedil;&atilde;o de Jokowi de tornar o seu pa&iacute;s numa pot&ecirc;ncia mar&iacute;tima<sup><a href="#18">18</a></sup><a name="top18"></a>.</p>      <p>De referir, ainda, no que toca &agrave;s pol&iacute;ticas de seguran&ccedil;a e defesa, que Jokowi e o vice-presidente Kalla anunciaram a sua inten&ccedil;&atilde;o de refor&ccedil;ar o or&ccedil;amento entre 0,8 por cento at&eacute; 1,5 por cento do pib<sup><a href="#19">19</a></sup><a name="top19"></a>. Est&atilde;o em causa os interesses econ&oacute;micos no mar, incluindo a salvaguarda dos recursos naturais da sua zona econ&oacute;mica exclusiva e a prote&ccedil;&atilde;o das suas ilhas exteriores. Neste prop&oacute;sito, tomar&aacute; forma o projeto de transformar o pa&iacute;s numa pot&ecirc;ncia mar&iacute;tima regional, com os necess&aacute;rios ajustes no seio das For&ccedil;as Armadas. A quest&atilde;o da disputa do mar do Sul da China, n&atilde;o envolvendo diretamente a Indon&eacute;sia no que concerne a aspetos de contesta&ccedil;&atilde;o territorial, pode, na disposi&ccedil;&atilde;o atual do governo do Imp&eacute;rio do Meio, ter implica&ccedil;&otilde;es em alguns dos direitos mar&iacute;timos da Indon&eacute;sia<sup><a href="#20">20</a></sup><a name="top20"></a>. Jokowi fez notar a sua previs&iacute;vel prefer&ecirc;ncia pela solu&ccedil;&atilde;o diplom&aacute;tica, Prabowo, considerando que a Indon&eacute;sia &eacute; demasiado grande para a asean, &eacute; de opini&atilde;o que se deve seguir a via negocial. Um e outro, n&atilde;o obstante o &laquo;estilo&raquo; pessoal, a dizerem o mesmo sobre os mesmos assuntos.</p>      <p>&nbsp;</p>      <p><b>CONCLUS&Atilde;O</b></p>      <p>A vit&oacute;ria de Jokowi e a t&oacute;nica do seu discurso apontam para a necessidade de uma aten&ccedil;&atilde;o e de um apoio acrescido do exterior para que as inten&ccedil;&otilde;es anunciadas se possam materializar num programa de a&ccedil;&atilde;o que ultrapasse as in&uacute;meras dificuldades que um pa&iacute;s com a dimens&atilde;o e a diversidade da Indon&eacute;sia apresenta. Atingir uma renova&ccedil;&atilde;o da <i>reformasi</i>, em contraste com o adormecimento do segundo mandato de Susilo, &eacute; um objetivo ambicioso e que pode esbarrar com v&aacute;rios obst&aacute;culos. A renova&ccedil;&atilde;o ter&aacute; de lidar com um or&ccedil;amento de Estado a derrapar, inefic&aacute;cia burocr&aacute;tica, infraestruturas incipientes e novas pol&iacute;ticas de sa&uacute;de (<i>Indonesia sehat</i>) e de educa&ccedil;&atilde;o (<i>Indonesia pintar</i>)<sup><a href="#21">21</a></sup><a name="top21"></a>. Com uma coliga&ccedil;&atilde;o que s&oacute; ocupa cerca de 40 por cento dos assentos no dpr, Jokowi estar&aacute; constantemente a ser posto &agrave; prova para obter apoios e romper o bloqueio da coliga&ccedil;&atilde;o de Prabowo, com os seus quase 60 por cento de assentos. Uma das hip&oacute;teses aventadas &eacute; explorar as divis&otilde;es existentes no Golkar e tentar atra&iacute;-lo para a coliga&ccedil;&atilde;o, o que implicaria negocia&ccedil;&otilde;es, ajustes e ced&ecirc;ncias. N&atilde;o menos importante ser&aacute; a rela&ccedil;&atilde;o do Presidente com a lideran&ccedil;a do seu partido, no seio do qual o seu poder n&atilde;o &eacute; especialmente forte. Facto &eacute; que os membros da oposi&ccedil;&atilde;o dominam as duas c&acirc;maras do dpr e portanto t&ecirc;m margem de manobra para controlar a agenda legislativa. Confirmam-no a elei&ccedil;&atilde;o do Presidente e dos vice-presidentes do &oacute;rg&atilde;o, todos da coliga&ccedil;&atilde;o Vermelha e Branca, e a reprova&ccedil;&atilde;o de iniciativas legislativas do executivo. Em todo o caso, os resultados parecem confirmar uma disposi&ccedil;&atilde;o dos eleitores de prosseguirem a mudan&ccedil;a encetada em 1998. Prabowo tinha fortes laivos de apelo a um regresso ao passado; Jokowi &eacute; j&aacute; o produto de uma nova Indon&eacute;sia. A campanha assumiu, mesmo que nem sempre de modo deliberado, uma competi&ccedil;&atilde;o entre duas vis&otilde;es diferenciadas sobre a governa&ccedil;&atilde;o do pa&iacute;s, mesmo se a convergir no refor&ccedil;o do crescimento do pa&iacute;s e na necessidade de corrigir pr&aacute;ticas reiteradas e tradi&ccedil;&otilde;es enraizadas. Um exemplo desta divis&atilde;o de &aacute;guas nos alinhamentos foi a cria&ccedil;&atilde;o de uma rede de volunt&aacute;rios (<i>relawan</i>), apoiantes de Jokowi, muitos deles antigos ativistas pr&oacute;-democracia que tinham estado envolvidos na deposi&ccedil;&atilde;o de Suharto, ainda que os partidos isl&acirc;micos que tamb&eacute;m participaram no derrube da Ordem Nova, como o pan, tenham alinhado com Prabowo.</p>      <p>Pretendeu-se, neste artigo, demonstrar que n&atilde;o obstante a t&oacute;nica discursiva imbu&iacute;da dos contrastes das personalidades de um e de outro dos candidatos, e entre o apelo &agrave; renova&ccedil;&atilde;o e ao nacionalismo, n&atilde;o h&aacute;, no que toca a quest&otilde;es essenciais como a economia ou as rela&ccedil;&otilde;es externas singularidades substanciais. A mesma press&atilde;o dos <i>cronies </i>e dos militares far-se-&aacute; sentir, o que num contexto de dif&iacute;cil equil&iacute;brio institucional para uma governa&ccedil;&atilde;o est&aacute;vel, com um Presidente de inten&ccedil;&otilde;es renovadoras e uma oposi&ccedil;&atilde;o parlamentar dominante, ser&aacute; um dado incontorn&aacute;vel. Esta realidade toldar&aacute; a a&ccedil;&atilde;o governativa e provocar&aacute; constrangimentos na benignidade e exequibilidade do anunciado programa reformista de refor&ccedil;o da democracia, cuja afirma&ccedil;&atilde;o tem sido t&atilde;o tribut&aacute;ria de uma vibrante sociedade civil, militante, organizada e exigente, que nos permite concluir com uma nota de otimismo sobre um dado que n&atilde;o &eacute; despiciendo.</p>     <p>&nbsp;</p>      <p><i>Data de rece&ccedil;&atilde;o: 17 de outubro de 2014 | Data de aprova&ccedil;&atilde;o: 18 de novembro de 2014</i></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>      <p><b>NOTAS</b></p>      <p><Sup><a name="1"></a><a href="#top1">1</a></Sup> Agrade&ccedil;o &agrave; mestre Andreia Nogueira, minha antiga aluna, e atualmente colaboradora da lusa em Jacarta, a troca de impress&otilde;es e a informa&ccedil;&atilde;o que amavelmente me forneceu.</p>      <p><Sup><a name="2"></a><a href="#top2">2</a></Sup> A doutrina do Pancasila assenta em cinco princ&iacute;pios consagrados, constitucionalmente desde 1945, a saber: cren&ccedil;a num Deus &uacute;nico; humanidade justa e civilizada; unidade da Indon&eacute;sia; democracia orientada com sabedoria no consenso e na representa&ccedil;&atilde;o; justi&ccedil;a social para todo o povo indon&eacute;sio. A este prop&oacute;sito, ver Ricklefs, M.C. &ndash; <i>A History of Modern Indonesia since c. 1200</i>. 4.&ordf; edi&ccedil;&atilde;o. Houndmills, Hampshire: Palgrave Macmillan, 2008.</p>      <p><Sup><a name="3"></a><a href="#top3">3</a></Sup> Mendes, Nuno Canas &ndash; <i>A Multidimensionalidade da Constru&ccedil;&atilde;o Identit&aacute;ria em Timor-Leste</i>. Lisboa: Instituto Superior de Ci&ecirc;ncias Sociais e Pol&iacute;ticas &ndash; Universidade T&eacute;cnica de Lisboa, 2005, p. 460.</p>      <p><Sup><a name="4"></a><a href="#top4">4</a></Sup> MIETZNER, Marcus &ndash; <i>SBY &rsquo;s Mixed Legacy</i>, 2014. [Consultado em: 30 de setembro de 2014]. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://asiapacific.anu.edu.au/newmandala/2014/09/18/sby-mixed-legacy/" target="blank">http://asiapacific.anu.edu.au/newmandala/2014/09/18/sby-mixed-legacy/</a></p>      <p><Sup><a name="5"></a><a href="#top5">5</a></Sup> Sukma, Rizal &ndash; &laquo;New Leaders for 2014 are in the Making&raquo;, In <i>Jakarta Post</i>, 31 May 2010. [Consultado em: 13 de outubro de 2014]. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://csis.or.id/post/new-leaders2014-are-making" target="blank">http://csis.or.id/post/new-leaders2014-are-making</a>.</p>      <p><Sup><a name="6"></a><a href="#top6">6</a></Sup> Os <i>Priyayi</i> eram a elite javanesa, que integrou no s&eacute;culo xix o funcionalismo colonial.</p>      <p><Sup><a name="7"></a><a href="#top7">7</a></Sup> mendes, Nuno Canas &ndash; <i>A Multidimensionalidade da Constru&ccedil;&atilde;o Identit&aacute;ria em Timor-Leste</i>, pp. 457-458.</p>      <p><Sup><a name="8"></a><a href="#top8">8</a></Sup> Heiduk, Felix &ndash; <i>Reformasi reloaded? Implications of Indonesia&rsquo;s 2014 Elections</i>. SWP Comments 38, agosto de 2014 [Consultado em: 28 de setembro de 2014]. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.swp-berlin.org/en/publications/swp-comments-en/swp-aktuelle-details/article/indonesiens_erneuerung.html" target="blank">http://www.swp-berlin.org/en/publications/swp-comments-en/swp-aktuelle-details/article/indonesiens_erneuerung.html</a>.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><Sup><a name="9"></a><a href="#top9">9</a></Sup> Nestas fun&ccedil;&otilde;es, foi quem capturou Nicolau Lobato em Timor-Leste, em 1978.</p>      <p><Sup><a name="10"></a><a href="#top10">10</a></Sup> Aspinall, Edward &ndash; <i>Indonesian Democracy Stonger, but not yet out of the Danger Zone</i>. 3 e julho e 014. ast sia Forum. [Consultado em: 22 de setembro de 2014]. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.eastasiaforum.org/2014/07/13/indonesian-democracy-stronger-but-not-yet-out-of-the-danger-zone/" target="blank">http://www.eastasiaforum.org/2014/07/13/indonesian-democracy-stronger-but-not-yet-out-of-the-danger-zone/</a></p>      <p><Sup><a name="11"></a><a href="#top11">11</a></Sup> Lowy Institute &ndash; <i>Indonesia Elections, Jokowi, and Prabowo</i>, 2014. [Consultado em: 24 de setembro de 2014]. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.lowyinstitute.org/issues/indonesia-elections" target="blank">http://www.lowyinstitute.org/issues/indonesia-elections</a></p>      <p><Sup><a name="12"></a><a href="#top12">12</a></Sup> Aspinall, Edward &ndash; <i>Indonesian Democracy Stonger, but not yet out of the Danger Zone</i>.</p>      <p><Sup><a name="13"></a><a href="#top13">13</a></Sup> Fragmento ilustrativo, num discurso de Prabowo: &laquo;N&atilde;o podemos esperar muito dos nossos l&iacute;deres. Eles sabem falar bem e s&atilde;o t&atilde;o bons nisso que se tornam bons mentirosos. Eu entrei na pol&iacute;tica porque fui for&ccedil;ado. Fui for&ccedil;ado, irm&atilde;os e irm&atilde;s! A pol&iacute;tica&hellip;que Deus nos ajude! De 15 pes-soas que conheci na pol&iacute;tica, 14 s&atilde;o totais mentirosos&hellip;&raquo;. Ver Aspinall, Edward &ndash; <i>Indonesia&rsquo;s Democracy Is in Danger</i>. [Consultado em: 22 de setembro de 2014] Dispon&iacute;vel em: <a href="http://asiapacific.anu.edu.au/newmandala/2014/06/17/indonesias-democracy-is-in-danger/" target="blank">http://asiapacific.anu.edu.au/newmandala/2014/06/17/indonesias-democracy-is-in-danger/</a></p>      <p><Sup><a name="14"></a><a href="#top14">14</a></Sup> <i>Dwifungsi</i> &eacute; uma doutrina introduzida em 1958 que permitia &agrave;s For&ccedil;as Armadas o exerc&iacute;cio de duplas fun&ccedil;&otilde;es, militares e pol&iacute;tico-econ&oacute;micas.</p>      <p><Sup><a name="15"></a><a href="#top15">15</a></Sup> <i>Jakarta Post</i>, 22 de julho de 2014 [Consultado em: 20 de setembro de 2014]. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.thejakarta-post.com/paper" target="blank">http://www.thejakarta-post.com/paper</a></p>      <p><Sup><a name="16"></a><a href="#top16">16</a></Sup> Hariyadi, Mathias (2014) &ndash; &laquo;Constitutional Court dismiss appeal, confirm Widodo President. Analysts and civil society satisfied&raquo;. [Consultado em: 13 de outubro de 2014]. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.asianews.it/news-en/Constitutional-Court-dismiss-appeal-confirm-Widodo-President-Analysts-and-civil-society-satisfied31958.html" target="blank">http://www.asianews.it/news-en/Constitutional-Court-dismiss-appeal-confirm-Widodo-President-Analysts-and-civil-society-satisfied31958.html</a></p>      <p><Sup><a name="17"></a><a href="#top17">17</a></Sup> HEIDUK, Felix &ndash; <i>Reformasi reloaded? Implications of Indonesia&rsquo;s 2014 Elections</i>.</p>      <p><Sup><a name="18"></a><a href="#top18">18</a></Sup> Lalisang, Yeremia (2014) &ndash; <i>The Establishment Post</i>, 1 de agosto de 2014. [Consultado em: 16 de outubro de 2014]. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.establishmentpost.com/jokowi-indonesia-china-relations/" target="blank">http://www.establishmentpost.com/jokowi-indonesia-china-relations/</a></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><Sup><a name="19"></a><a href="#top19">19</a></Sup> Dolven, Ben (2014) &ndash; <i>Indonesia&rsquo;s 2014 Presidential Election</i>. CRS Insights. [Consultado em: 15 de outubro de 2014]. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://fas.org/sgp/crs/row/IN10125.pdf" target="blank">http://fas.org/sgp/crs/row/IN10125.pdf</a></p>      <p><Sup><a name="20"></a><a href="#top20">20</a></Sup> Laporta, Alphonse F. (2014) &ndash; &laquo;Indonesia&rsquo;s presidential election: will democracy survive?&raquo;. <i>PacNet 55</i>. Pacific Forum CSIS, Honolulu, Hawaii, 15 de julho. [Consultado em: 28 de setembro de 2014]. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://csis.org/publication/pacnet-55-indonesias-presidential-election-will-democracy-survive" target="blank">http://csis.org/publication/pacnet-55-indonesias-presidential-election-will-democracy-survive</a></p>      <p><Sup><a name="21"></a><a href="#top21">21</a></Sup> A reforma educativa (<i>Indonesia pintar</i>) consiste no refor&ccedil;o or&ccedil;amental para a escolariza&ccedil;&atilde;o de todas as crian&ccedil;as e no encaminhamento de fundos para as <i>Islamic pesantren</i> (escolas prim&aacute;rias), incluindo a forma&ccedil;&atilde;o e o aumento dos sal&aacute;rios dos professores. No setor da sa&uacute;de (<i>Indonesia sehat</i>), pretende-se universalizar o servi&ccedil;o, modernizando os hospitais e os centros comunit&aacute;rios. O financiamento destes setores ser&aacute; feito atrav&eacute;s dos cortes nos subs&iacute;dios aos combust&iacute;veis e pelo relan&ccedil;amento da economia, que tem dado sinais de desacelera&ccedil;&atilde;o nos &uacute;ltimos cinco anos. Ver Heiduk, Felix &ndash; <i>Reformasi reloaded? Implications of Indonesia&rsquo;s 2014 Elections</i>.</p>         ]]></body><back>
<ref-list>
<ref id="B1">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Ricklefs]]></surname>
<given-names><![CDATA[M.C.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[A History of Modern Indonesia since c. 1200]]></source>
<year>2008</year>
<edition>4</edition>
<publisher-loc><![CDATA[Houndmills^eHampshire Hampshire]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Palgrave Macmillan]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B2">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Canas]]></surname>
<given-names><![CDATA[Nuno]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[A Multidimensionalidade da Construção Identitária em Timor-Leste]]></source>
<year>2005</year>
<page-range>460</page-range><publisher-loc><![CDATA[Lisboa ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas - Universidade Técnica de Lisboa]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B3">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Sukma]]></surname>
<given-names><![CDATA[Rizal]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[New Leaders for 2014 are in the Making]]></article-title>
<source><![CDATA[Jakarta Post]]></source>
<year></year>
</nlm-citation>
</ref>
</ref-list>
</back>
</article>
