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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Pode a África do Sul celebrar vinte anos de democracia? O impacto das eleições de 2014 no regime democrático]]></article-title>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Can South Africans celebrate 20 years of democracy? South Africa’s election and the resultant impact on the country’s democratic future and international stance]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[The May 2014 national elections in South Africa delivered another ‘victory’ to the ruling African National Congress (ANC). Considering South Africa’s «unfinished liberation», the compromised negotiation at CODESA which is now raising the ire of many African activists and intellectuals, and the growing tension over the ANC’s disrespect for voters through its continued practise of cadre deployments; the elections when analysed from a voter apathy perspetive indicates a shift in the political landscape. For many young South Africans, the question that is now being asked is «What is this ‘democracy’ that South Africa is supposed to have achieved?» considering that the only real benefit that has accrued to the majority of South Africans post-1994 is political freedom.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><b>POT&Ecirc;NCIAS EMERGENTES E DEMOCRACIA</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Pode a &Aacute;frica do Sul celebrar vinte anos de democracia? O impacto das elei&ccedil;&otilde;es de 2014 </b><b>no regime democr&aacute;tico</b></p>      <p><b>Can South Africans celebrate 20 years of democracy? South Africa&rsquo;s election and the resultant impact on the country&rsquo;s democratic future and international stance</b></p>      <p>&nbsp;</p>      <p><b>Quraysha Ismail Sooliman</b></p>      <p>Assistente no Departamento de Ci&ecirc;ncias Pol&iacute;ticas da Universidade de Pret&oacute;ria e Investigadora no <i>GovInn</i>. Mestre em Direitos Humanos.</p>      <p>&nbsp;</p>      <p><b>RESUMO</b></p>      <p>Realizadas num ambiente predominantemente calmo, as elei&ccedil;&otilde;es nacionais de maio de 2014 na &Aacute;frica do Sul deram outra &laquo;vit&oacute;ria&raquo; ao partido no poder, o Congresso Nacional Africano (anc). Considerando a &laquo;liberta&ccedil;&atilde;o incompleta&raquo; da &Aacute;frica do Sul, o compromisso das negocia&ccedil;&otilde;es da Codesa que est&aacute; a gerar a revolta em muitos ativistas e intelectuais africanos, e a tens&atilde;o crescente resultado do desrespeito do ANC pelos eleitores, estas elei&ccedil;&otilde;es, quando analisadas a partir da perspetiva da apatia dos eleitores, indicam uma poss&iacute;vel viragem no panorama pol&iacute;tico. Considerando que o &uacute;nico benef&iacute;cio real que se generalizou na maioria dos sul-africanos no p&oacute;s-1994 foi a liberdade pol&iacute;tica, para muitos jovens sul-africanos a quest&atilde;o que agora se coloca &eacute; &laquo;Que democracia &eacute; esta que a &Aacute;frica do Sul parece estar a alcan&ccedil;ar?&raquo;.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Palavras-chave</b><i>: </i>&Aacute;frica do Sul, pot&ecirc;ncias emergentes democracia, elei&ccedil;&otilde;es 2014.</p>      <p>&nbsp;</p>      <p><b>ABSTRACT</b></p>      <p>The May 2014 national elections in South Africa delivered another &lsquo;victory&rsquo; to the ruling African National Congress (ANC). Considering South Africa&rsquo;s &laquo;unfinished liberation&raquo;, the compromised negotiation at CODESA which is now raising the ire of many African activists and intellectuals, and the growing tension over the ANC&rsquo;s disrespect for voters through its continued practise of cadre deployments; the elections when analysed from a voter apathy perspetive indicates a shift in the political landscape. For many young South Africans, the question that is now being asked is &laquo;What is this &lsquo;democracy&rsquo; that South Africa is supposed to have achieved?&raquo; considering that the only real benefit that has accrued to the majority of South Africans post-1994 is political freedom.</p>      <p><b>Keywords</b>: South Africa, Emerging Powers, Democracy, Elections 2014</p>      <p>&nbsp;</p>      <p>Realizadas num ambiente predominantemente calmo, as elei&ccedil;&otilde;es nacionais de maio de 2014 na &Aacute;frica do Sul deram outra &laquo;vit&oacute;ria&raquo; ao partido no poder, o Congresso Nacional Africano (anc). Considerando a &laquo;liberta&ccedil;&atilde;o incompleta&raquo; da &Aacute;frica do Sul, o crescente desrespeito do ANC pelos eleitores e a manuten&ccedil;&atilde;o de uma pol&iacute;tica de favorecimento aos membros do aparelho partid&aacute;rio, estas elei&ccedil;&otilde;es, quando analisadas a partir da perspetiva da apatia dos eleitores, indicam uma poss&iacute;vel viragem no panorama pol&iacute;tico. Dos mais de 31 milh&otilde;es de eleitores inscritos, 59,34 por cento votaram enquanto os restantes 40,66 por cento se mantiveram afastados das urnas. Neste contexto, os resultados apontam para um fortalecimento da oposi&ccedil;&atilde;o, com a Alian&ccedil;a Democr&aacute;tica (da) a aumentar os seus resultados de 16 por cento para 22 por cento e os rec&eacute;m-chegados Combatentes da Liberdade Econ&oacute;mica (Economic Freedom Fighters, eff) a assegurarem 6,4 por cento de votos<sup><a href="#1">1</a></sup><a name="top1"></a>.</p>      <p>Segundo a vers&atilde;o oficial, as elei&ccedil;&otilde;es registaram uma &laquo;taxa mais elevada de participa&ccedil;&atilde;o&raquo;, com o ANC a assegurar a aprova&ccedil;&atilde;o da <i>maioria </i>dos votantes. No entanto, uma outra hist&oacute;ria precisa de ser contada: a dos &laquo;quase 13 milh&otilde;es (registados ou n&atilde;o) que decidiram n&atilde;o participar nas elei&ccedil;&otilde;es de 2014 e que foram esquecidos, enquanto que os 11,5 milh&otilde;es que votaram no ANC se tornaram &ldquo;a popula&ccedil;&atilde;o&rdquo;&raquo;<sup><a href="#2">2</a></sup><a name="top2"></a>. De um ponto de vista anal&iacute;tico, a maior apatia dos eleitores combinada com um maior apoio &agrave; oposi&ccedil;&atilde;o indicia uma lenta eros&atilde;o da legitimidade do ANC enquanto &uacute;nico partido de op&ccedil;&atilde;o dos sul-africanos que vivenciaram o <i>apartheid</i>.</p>      <p>Adicionalmente, o apoio &agrave; da e aos eff confirma a atual divis&atilde;o na sociedade sul-africana<sup><a href="#3">3</a></sup><a name="top3"></a>. Considerando estes desenvolvimentos, bem como a crescente agita&ccedil;&atilde;o na sociedade civil por parte de sul-africanos que questionam o acordo negociado de 1994, o resultado das elei&ccedil;&otilde;es reflete uma nova trajet&oacute;ria na linguagem pol&iacute;tica que surgiu para dar resposta a estes desafios. De acordo com Richard Poplak, &laquo;o facto de sermos cidad&atilde;os unidos pela express&atilde;o democr&aacute;tica n&atilde;o parece ter grande significado. Para os homens na linha de fogo, os &uacute;nicos boletins de voto que importam s&atilde;o os que n&atilde;o foram contados&raquo;<sup><a href="#4">4</a></sup><a name="top4"></a>. As vozes por detr&aacute;s destes boletins n&atilde;o contados ir&atilde;o certamente transformar o panorama pol&iacute;tico a partir de 2014.</p>      <p>&Eacute; ent&atilde;o neste cen&aacute;rio de boletins n&atilde;o colocados e n&atilde;o contados, de divis&atilde;o e desilus&atilde;o, que as elei&ccedil;&otilde;es de 2014 t&ecirc;m de ser analisadas. Muitos estudiosos e comentadores celebram e enaltecem regularmente a transi&ccedil;&atilde;o sul-africana do <i>apartheid </i>para a democracia. Ao mesmo tempo, o acordo constitucional do per&iacute;odo 1990-1996 &eacute; habitualmente saudado como o triunfo da &laquo;na&ccedil;&atilde;o arco-&iacute;ris&raquo;. No entanto, existe uma crescente corrente de esquerda que questiona tanto este acordo como o pr&oacute;prio conceito de &laquo;na&ccedil;&atilde;o arco-&iacute;ris&raquo;. Para estes acad&eacute;micos africanos, este conceito &eacute; demonstrativo da fal&aacute;cia que continua a perpetuar o mito da &laquo;celebra&ccedil;&atilde;o&raquo; dos vinte anos de democracia. Os acad&eacute;micos cr&iacute;ticos desta terminologia e da forma como &eacute; utilizada para apoiar as narrativas hegem&oacute;nicas s&atilde;o extremamente rigorosos acerca dos significados contidos na met&aacute;fora de uma na&ccedil;&atilde;o arco-&iacute;ris. Existe uma &laquo;fantasia de inclus&atilde;o na na&ccedil;&atilde;o arco-&iacute;ris&raquo;<sup><a href="#5">5</a></sup><a name="top5"></a> que visa promover a ideia de uma transi&ccedil;&atilde;o harmoniosa e de uma reconcilia&ccedil;&atilde;o na &Aacute;frica do Sul, e que conduziu &agrave; transfer&ecirc;ncia democr&aacute;tica do poder pol&iacute;tico do regime do <i>apartheid </i>para o ANC.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Na verdade, esta met&aacute;fora apenas reflete a situa&ccedil;&atilde;o <i>real </i>da &Aacute;frica do Sul se entendermos a s&aacute;tira por detr&aacute;s da descri&ccedil;&atilde;o. Cientificamente falando, o arco-&iacute;ris na sua ess&ecirc;ncia exclui a cor &laquo;negra&raquo; e &eacute; formado a partir da refra&ccedil;&atilde;o da luz branca. Consequentemente, a luz branca &eacute; indispens&aacute;vel &agrave; ocorr&ecirc;ncia do fen&oacute;meno. Esta met&aacute;fora &eacute; demonstrativa da linguagem colonial imperial que procurou explicar o dom&iacute;nio branco sobre os povos negros. A superioridade dos povos brancos europeus e da sua religi&atilde;o foi durante muito tempo apontada como uma raz&atilde;o &laquo;leg&iacute;tima&raquo; e como justifica&ccedil;&atilde;o da escravatura e do colonialismo. Para que as pessoas de cor se tornassem &laquo;civilizadas&raquo; precisavam de ser &laquo;salvas&raquo; pelos seus senhores brancos<sup><a href="#6">6</a></sup><a name="top6"></a>. Desta forma, os sul-africanos negros deveriam submeter-se aos seus &laquo;senhores brancos civilizados&raquo; (como se tornou evidente na &laquo;rendi&ccedil;&atilde;o&raquo; do poder econ&oacute;mico e na repatria&ccedil;&atilde;o territorial) que os iriam &laquo;ajudar&raquo; a governar e a &laquo;ser livres&raquo;. Governa&ccedil;&atilde;o e liberdade, por outras palavras, n&atilde;o podem ser alcan&ccedil;adas pelo homem negro sem o consentimento e a orienta&ccedil;&atilde;o do colonizador &ndash; o homem branco.</p>      <p>A transi&ccedil;&atilde;o p&oacute;s-1994 deve ser entendida no seu contexto hist&oacute;rico, em que o processo de transi&ccedil;&atilde;o pode ter sido democr&aacute;tico mas o resultado do processo que levou &agrave; negocia&ccedil;&atilde;o do acordo esteve longe de o ser. Alguns poder&atilde;o estar a celebrar os vinte anos da democracia no pa&iacute;s, mas a maioria dos sul-africanos negros que ainda est&atilde;o exclu&iacute;dos do poder econ&oacute;mico e que ainda assistem de perto aos efeitos das estruturas do <i>apartheid </i>no seu dia a dia devido a um legado de injusti&ccedil;a hist&oacute;rica, social e econ&oacute;mica &ndash; esses t&ecirc;m muito pouco para celebrar. &Agrave; luz do acima exposto, a an&aacute;lise das elei&ccedil;&otilde;es de 2014 na &Aacute;frica do Sul deve ser feita tendo em conta o contexto e o impacto da &laquo;transi&ccedil;&atilde;o da &Aacute;frica do Sul para a democracia&raquo;, que por seu lado est&aacute; associada ao acordo negociado de dezembro de 1991 na Conven&ccedil;&atilde;o para uma &Aacute;frica do Sul Democr&aacute;tica (Codesa). O compromisso assumido na Codesa resultou em injusti&ccedil;as que ainda hoje se fazem sentir no panorama eleitoral da &Aacute;frica do Sul.</p>      <p>&nbsp;</p>      <p><b>DO APARTHEID &Agrave; [DES]IGUALDADE?</b></p>      <p>De acordo com Ramose, dois temas dominantes desempenharam um papel nas negocia&ccedil;&otilde;es da nova &Aacute;frica do Sul: a descoloniza&ccedil;&atilde;o e a democratiza&ccedil;&atilde;o<sup><a href="#7">7</a></sup><a name="top7"></a>. O paradigma da descoloniza&ccedil;&atilde;o representa a &laquo;restaura&ccedil;&atilde;o do direito ao territ&oacute;rio e da soberania sobre ele&raquo;: a soberania devolveria a terra aos seus leg&iacute;timos donos, permitindo a sucess&atilde;o do Estado e a implementa&ccedil;&atilde;o da doutrina de Nyere<sup><a href="#8">8</a></sup><a name="top8"></a>. Neste sentido, o povo colonizado sul-africano teria o direito de reclamar compensa&ccedil;&otilde;es, j&aacute; que o paradigma n&atilde;o contempla ou aborda a no&ccedil;&atilde;o de &laquo;prescri&ccedil;&atilde;o extintiva&raquo;<sup><a href="#9">9</a></sup><a name="top9"></a>. A prescri&ccedil;&atilde;o extintiva refere-se &agrave; doutrina legal pela qual um direito ou reivindica&ccedil;&atilde;o se extingue por lapso temporal<sup><a href="#10">10</a></sup><a name="top10"></a>. De acordo com o paradigma da democratiza&ccedil;&atilde;o, a democracia na &Aacute;frica do Sul seria alcan&ccedil;ada simplesmente atrav&eacute;s da inclus&atilde;o dos povos ind&iacute;genas na nova constitui&ccedil;&atilde;o. Como resultado disso, n&atilde;o faria sentido pensar em reivindica&ccedil;&otilde;es de compensa&ccedil;&atilde;o, repara&ccedil;&atilde;o ou &laquo;direito ao territ&oacute;rio e &agrave; soberania&raquo; por causa do princ&iacute;pio da prescri&ccedil;&atilde;o extintiva<sup><a href="#11">11</a></sup><a name="top11"></a>. Neste sentido, o acordo negociado consolidou a vit&oacute;ria do paradigma da democratiza&ccedil;&atilde;o, que enraizou os privil&eacute;gios brancos e protegeu os benef&iacute;cios adquiridos pelos colonizadores atrav&eacute;s do seu controlo opressivo dos recursos africanos e da domina&ccedil;&atilde;o e subjuga&ccedil;&atilde;o dos povos africanos. Tal compromisso excluiu qualquer acordo substancial a respeito da quest&atilde;o das terras e contrariou o processo democr&aacute;tico que tinha sido iniciado, tornando-o, em &uacute;ltima inst&acirc;ncia, num acordo entre elites. Como resultado, muitos sul-africanos come&ccedil;aram a questionar-se sobre a natureza da democracia sul-africana p&oacute;s-1994, o que se faz sentir diariamente no ressurgimento de can-&ccedil;&otilde;es de luta, nos protestos a n&iacute;vel local e nos pequenos clubes de leitura onde intelectuais africanos consolidam os seus conhecimentos e recuperam as ideias de ativistas da liberta&ccedil;&atilde;o africana como Anton Lembede, Robert Sobukwe, Franz Fanon e Steve Biko.</p>      <p>Tal como as intera&ccedil;&otilde;es humanas, os preceitos legais e a esfera pol&iacute;tica da primeira fase de transi&ccedil;&atilde;o p&oacute;s-1994 parecem estar aprisionados num funcionamento mec&acirc;nico. Consequentemente, ainda vigora a ideia de separa&ccedil;&atilde;o entre as pessoas e os espa&ccedil;os que habitam, entre humanos e natureza e entre a lei e a esfera social, o que refor&ccedil;a a no&ccedil;&atilde;o de <i>apartheid </i>&ndash; ou separa&ccedil;&atilde;o &ndash; em todos os aspetos do dia a dia. Este conceito de separa&ccedil;&atilde;o funciona como um obst&aacute;culo a uma transforma&ccedil;&atilde;o real e uma democratiza&ccedil;&atilde;o substantiva. A persist&ecirc;ncia da separa&ccedil;&atilde;o no panorama p&oacute;s-1994 tamb&eacute;m &eacute; vis&iacute;vel na economia espacial sul-africana, com as metr&oacute;poles a continuarem divididas e segregadas vinte anos ap&oacute;s a dita transi&ccedil;&atilde;o democr&aacute;tica, aprofundando as desigualdades intraurbanas<sup><a href="#12">12</a></sup><a name="top12"></a>. O espa&ccedil;o &eacute; assim perspetivado de forma segregada. Lefebvre descreve este fen&oacute;meno referindo-se aos guetos e bairros que foram deliberadamente constru&iacute;dos para grupos marginalizados, e focalizando nos processos de mercado que contribuem para as &laquo;divis&otilde;es sociais e polariza&ccedil;&atilde;o espacial dentro das cidades&raquo;<sup><a href="#13">13</a></sup><a name="top13"></a>. Estes guetos e bairros n&atilde;o foram melhorados de forma substancial desde 1994 e muitas das infraestruturas de desenvolvimento adotadas est&atilde;o voltadas para a melhoria de &aacute;reas que j&aacute; servem os privilegiados.</p>      <p>A base desta divis&atilde;o foi a cl&aacute;usula constitucional que protegeu a propriedade privada<sup><a href="#14">14</a></sup><a name="top14"></a>, consolidando privil&eacute;gios e aprofundando desigualdades. Neste contexto, registou-se um aumento e ressurgimento de movimentos sociais na &Aacute;frica do Sul que pretendem trazer &agrave; discuss&atilde;o temas e exig&ecirc;ncias que n&atilde;o constam do &laquo;discurso pol&iacute;tico hegem&oacute;nico&raquo;<sup><a href="#15">15</a></sup><a name="top15"></a>. Madlingozi define movimentos sociais como &laquo;conjuntos de atores marginalizados que desenvolvem uma identidade coletiva; que defendem objetivos orientados para a mudan&ccedil;a; que possuem algum grau de organiza&ccedil;&atilde;o; e que participam em a&ccedil;&otilde;es coletivas extrainstitucionais sustentadas, ainda que pontuais&raquo;. Estes movimentos come&ccedil;aram a levar a cabo protestos espont&acirc;neos desorganizados que culminaram com a &laquo;rebeli&atilde;o dos pobres&raquo;. Estima-se que sejam mais de 10 mil por ano os protestos na &Aacute;frica do Sul<sup><a href="#16">16</a></sup><a name="top16"></a>.</p>      <p>O despertar do ativismo dos movimentos sociais &eacute; atribu&iacute;do &agrave; falta de <i>democracia real </i>ao n&iacute;vel governamental, devido &agrave; influ&ecirc;ncia de partidos pol&iacute;ticos como o ANC que procuram controlar e dominar as nomea&ccedil;&otilde;es para os comit&eacute;s eleitos que s&atilde;o respons&aacute;veis pelas estruturas de governa&ccedil;&atilde;o local e pelas iniciativas pol&iacute;ticas<sup><a href="#17">17</a></sup><a name="top17"></a>. Neste sentido, os movimentos sociais p&oacute;s-<i>apartheid </i>enfrentam enormes dificuldades em aceder a um governo indiferente e inacess&iacute;vel, empenhado em &laquo;estrat&eacute;gias dominantes de exclus&atilde;o e marginaliza&ccedil;&atilde;o&raquo;<sup><a href="#18">18</a></sup><a name="top18"></a>. Como resposta a esta marginaliza&ccedil;&atilde;o e exclus&atilde;o, o movimento Abahlali baseMjondolo, constitu&iacute;do por habitantes de bairros de lata, pediu aos seus membros que depositassem um &laquo;voto t&aacute;tico&raquo; na da para exprimir a sua insatisfa&ccedil;&atilde;o com o ANC<sup><a href="#19">19</a></sup><a name="top19"></a>. A campanha &laquo;Vota N&atilde;o&raquo;, iniciada pelo antigo ministro da Seguran&ccedil;a Ronnie Kasrils, pediu aos sul-africanos que ou votassem em partidos pequenos ou anulassem os seus boletins de voto para recordar ao ANC que este perdera a legitimidade moral e que os eleitores esperavam que regressasse aos seus princ&iacute;pios fundadores e aos valores da liberta&ccedil;&atilde;o<sup><a href="#20">20</a></sup><a name="top20"></a>. Estas a&ccedil;&otilde;es refletem uma preocupa&ccedil;&atilde;o crescente com o estado do governo e da governa&ccedil;&atilde;o na &Aacute;frica do Sul por parte dos sul-africanos que foram exclu&iacute;dos do processo democr&aacute;tico e que est&atilde;o agora a encontrar formas de desafiar o equil&iacute;brio existente. Apesar de o ANC ter assegurado uma vit&oacute;ria de 62 por cento nas urnas, o facto de cerca de 13 milh&otilde;es de eleitores v&aacute;lidos n&atilde;o terem votado e de o ANC ter visto uma redu&ccedil;&atilde;o dr&aacute;stica da sua base de apoio em Gauteng &ndash; de 69 por cento em 2009 para 53 por cento em 2014 &ndash; indica que a esquerda est&aacute; em tumulto<sup><a href="#21">21</a></sup><a name="top21"></a>.</p>      <p>&nbsp;</p>      <p><b>O DESAFIO AOS DISCURSOS POL&Iacute;TICOS HEGEM&Oacute;NICOS</b></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A resposta do governo do ANC a estes desafios foi inicialmente caracterizada pela arrog&acirc;ncia. No entanto, face &agrave; amea&ccedil;a dos eff, que encontraram um lugar entre os eleitores &agrave; esquerda do ANC, quest&otilde;es relativas a transforma&ccedil;&atilde;o radical, descoloniza&ccedil;&atilde;o e liberta&ccedil;&atilde;o que surgiram nos debates pol&iacute;ticos atrav&eacute;s dos <i>slogans </i>e das campanhas dos eff s&atilde;o agora repetidas pelos porta-vozes do ANC. Particularmente importante desde maio de 2014 &eacute; a linguagem utilizada, que come&ccedil;ou a refletir uma maior preocupa&ccedil;&atilde;o com as pol&iacute;ticas de esquerda. O ANC est&aacute; a articular temas que sabe serem do interesse destes eleitores. Se considerados no contexto de uma crescente marginaliza&ccedil;&atilde;o do ANC pelos jovens africanos e por aqueles que se desiludiram com a relut&acirc;ncia do ANC em os &laquo;ouvir&raquo;, estes temas s&atilde;o significativos e relacionam-se com a exig&ecirc;ncia de uma soberania africana. Nas &uacute;ltimas semanas, tanto o Presidente Zuma como o ministro do Ensino Superior Blade Nzimande trouxeram &agrave; discuss&atilde;o a necessidade de transformar a educa&ccedil;&atilde;o superior, focando-a na produ&ccedil;&atilde;o de licenciados conscientes da sua hist&oacute;ria, do seu pa&iacute;s e do impacto que este conhecimento pode ter tanto no presente como no futuro<sup><a href="#22">22</a></sup><a name="top22"></a>. As refer&ecirc;ncias &agrave; hist&oacute;ria e os apelos a todos os sul-africanos para que recusem o saneamento das realidades hist&oacute;ricas de injusti&ccedil;a, opress&atilde;o e subjuga&ccedil;&atilde;o s&atilde;o cruciais para uma compreens&atilde;o de como os verdadeiros valores democr&aacute;ticos podem ser alcan&ccedil;ados na &Aacute;frica do Sul. Em <i>The History Manifesto </i>de Jo Guldi e David Armitage, o papel dos acad&eacute;micos na cultura p&uacute;blica foi destacado<sup><a href="#23">23</a></sup><a name="top23"></a>. Este papel foi reiterado por Nzimande, que falou sobre a responsabilidade das universidades no &laquo;equil&iacute;brio entre autonomia institucional e responsabilidade p&uacute;blica&raquo;<sup><a href="#24">24</a></sup><a name="top24"></a>.</p>      <p>Guldi e Armitage fazem ainda refer&ecirc;ncia a um &laquo;momento de crise crescente caracterizado pela escassez de pensamento a longo prazo&raquo;<sup><a href="#25">25</a></sup><a name="top25"></a>. Isto refere-se ao uso pol&iacute;tico frequente de refer&ecirc;ncias &laquo;de curto-prazo&raquo; &agrave; civiliza&ccedil;&atilde;o e &agrave; hist&oacute;ria, que n&atilde;o contemplam aquela dimens&atilde;o das crises que &eacute; poss&iacute;vel alcan&ccedil;ar atrav&eacute;s de um estudo mais aprofundado da hist&oacute;ria &ndash; &laquo;a hist&oacute;ria de longa ou mesmo muito longa dura&ccedil;&atilde;o&raquo;<sup><a href="#26">26</a></sup><a name="top26"></a>. Por conseguinte, &eacute; importante pen-sar no passado para perspetivar o futuro. Para aqueles que na &Aacute;frica do Sul beneficiaram da situa&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica do passado, este relembrar invoca receios, uma vez que em &uacute;ltima inst&acirc;ncia remete para um reajustamento econ&oacute;mico e social. Este medo traduz-se em coment&aacute;rios sobre a &laquo;elite <i>negra </i>predat&oacute;ria&raquo;, que &eacute; acusada de revelar &laquo;tend&ecirc;ncias profundamente sinistras&raquo; e de defender &laquo;um clima de ressentimento crescente face a um dos recursos mais preciosos do pa&iacute;s &ndash; as nossas melhores universidades&raquo;<sup><a href="#27">27</a></sup><a name="top27"></a>. Estes sentimentos ganham for&ccedil;a, exaltando a ret&oacute;rica de um ataque africano aos valores liberais e levantando quest&otilde;es sobre o repatriamento territorial e a necessidade de fazer face aos n&iacute;veis cr&iacute;ticos de pobreza, exacerbados pela &laquo;concentra&ccedil;&atilde;o de monop&oacute;lios privados&raquo; e pela subjuga&ccedil;&atilde;o da economia sul-africana &agrave; &laquo;cadeia global de valor imperialista&raquo;<sup><a href="#28">28</a></sup><a name="top28"></a>.</p>      <p>Numa linguagem simples, os meios de comunica&ccedil;&atilde;o social e a classe capitalista interpretam estas reivindica&ccedil;&otilde;es como uma desgra&ccedil;a para a &Aacute;frica do Sul. Estes medos traduzem-se em amea&ccedil;as de fuga de investimentos e de capital estrangeiro. Pouca cobertura tem sido dada ao facto de o setor mineiro na &Aacute;frica do Sul ter permanecido praticamente inalterado, uma vez que a extra&ccedil;&atilde;o de recursos minerais ainda se baseia em pr&aacute;ticas laborais do tempo do <i>apartheid</i>. Ao mesmo tempo, o setor mineiro teve o pior desempenho em termos de igualdade laboral. O massacre de Marikana e as exig&ecirc;ncias dos mineiros fizeram sobressair estes temas. Uma vez que a propriedade p&uacute;blica dos recursos &eacute; norma nos estados n&atilde;o influenciados pelo modelo anglo-sax&oacute;nico, a discuss&atilde;o sobre a nacionaliza&ccedil;&atilde;o dos recursos nacionais da &Aacute;frica do Sul n&atilde;o deveria suscitar frenesim. No entanto, dado que na sua maioria os recursos sul-africanos s&atilde;o controlados pelos antigos colonizadores &ndash; predominantemente anglo-sax&oacute;nicos<sup><a href="#29">29</a></sup><a name="top29"></a> &ndash; os protestos podem ser entendidos &agrave; luz de uma tentativa desesperada de manuten&ccedil;&atilde;o do <i>statu quo </i>da era <i>apartheid</i>. O debate sobre a nacionaliza&ccedil;&atilde;o surge regularmente, e com os eff a seguirem esta mesma agenda &eacute; poss&iacute;vel que a maioria governamental liderada pelo ANC seja, no futuro, mais rigorosa na regula&ccedil;&atilde;o das concess&otilde;es de licen&ccedil;as de extra&ccedil;&atilde;o de min&eacute;rio. De acordo com o ministro do Recursos Minerais Ngoako Ramatlhodi, os sul-africanos t&ecirc;m a &laquo;miss&atilde;o e responsabilidade coletivas&raquo; de reconhecer as injusti&ccedil;as do passado, tendo sido por isso necess&aacute;rio implementar medidas que visam corrigir essas injusti&ccedil;as. Entre essas medidas est&aacute; o reconhecimento de que a explora&ccedil;&atilde;o de min&eacute;rio na &Aacute;frica do Sul deve beneficiar a maioria dos sul-africanos<sup><a href="#30">30</a></sup><a name="top30"></a>.</p>      <p>Esta refer&ecirc;ncia &agrave; necessidade de os cidad&atilde;os estarem cientes da hist&oacute;ria da &Aacute;frica do Sul &ndash; uma lembran&ccedil;a ou retorno &agrave; indigeneidade e mundivid&ecirc;ncia africanas, uma reevoca&ccedil;&atilde;o do esp&iacute;rito do Ubuntu enquanto princ&iacute;pio central na aprendizagem e no entendimento de todos os sul-africanos &ndash; pode ser considerado um desafio aos liberais e &agrave;queles que se agarram aos benef&iacute;cios adquiridos durante o <i>apartheid</i>. Tanto Zuma como Nzimande foram fortemente criticados pelos liberais e pela da, que os acusaram de colocar em risco a liberdade acad&eacute;mica nas universidades<sup><a href="#31">31</a></sup><a name="top31"></a>. A linguagem pol&iacute;tica p&oacute;s-maio de 2014 &eacute; indicadora de uma mudan&ccedil;a no panorama democr&aacute;tico sul-africano.</p>      <p>Al&eacute;m disso, o coment&aacute;rio de Zuma de que as universidades devem ser plurais na sua educa&ccedil;&atilde;o, ideias e agenda de transforma&ccedil;&atilde;o e n&atilde;o &laquo;conformistas e defensoras da manuten&ccedil;&atilde;o do <i>status quo</i>&raquo; &ndash; em que liberdade acad&eacute;mica significava &laquo;liberta&ccedil;&atilde;o do jugo ideol&oacute;gico de qualquer classe social. As universidades n&atilde;o podem ser institui&ccedil;&otilde;es que existem meramente para legitimar as vis&otilde;es de &laquo;um grupo sobre outro&raquo; &ndash; parecia amea&ccedil;ar aqueles que sempre beneficiaram da produ&ccedil;&atilde;o de narrativas e discursos que favoreciam as vis&otilde;es supremacista e hegem&oacute;nica, ao mesmo tempo que perpetuavam a no&ccedil;&atilde;o de inferioridade africana a n&iacute;vel epistemol&oacute;gico, cultural ou de cren&ccedil;as<sup><a href="#32">32</a></sup><a name="top32"></a>. O facto de Zuma se ter referido ao monop&oacute;lio na educa&ccedil;&atilde;o por parte de grupos espec&iacute;ficos que mantiveram um controlo ideol&oacute;gico sobre o conhecimento e a informa&ccedil;&atilde;o &eacute; fundamental para a compreens&atilde;o dos desenvolvimentos que se t&ecirc;m verificado desde maio de 2014. No contexto sul-africano, o papel das universidades n&atilde;o pode ser subestimado no momento de analisar a cultura pol&iacute;tica e o comportamento dos eleitores. Durante os anos do <i>apartheid</i>, as universidades, especialmente as do meio afrikaans, colaboraram intensamente com o regime &ndash; que por sua vez influenciou o funcionamento das universidades e a cultura acad&eacute;mica &ndash; e produziram investiga&ccedil;&atilde;o que procurava de diversas formas manter o <i>statu quo </i>do <i>apartheid</i>. A este n&iacute;vel, as universidades atuaram ao servi&ccedil;o do Governo<sup><a href="#33">33</a></sup><a name="top33"></a>. Sem uma transforma&ccedil;&atilde;o radical que inclua a descoloniza&ccedil;&atilde;o e liberta&ccedil;&atilde;o das universidades sul-africanas, num enquadramento semelhante ao do adotado pela Alemanha que encetou no p&oacute;s-guerra uma &laquo;pol&iacute;tica de desnazifica&ccedil;&atilde;o&raquo; das suas institui&ccedil;&otilde;es de ensino superior, a &Aacute;frica do Sul vai continuar a promover a identidade neocolonial que a torna um defensor dos valores euroc&ecirc;ntricos em vez de um promotor do esp&iacute;rito africano ind&iacute;gena, do seu intelecto, valores, identidade, cultura e filosofia<sup><a href="#34">34</a></sup><a name="top34"></a>.</p>      <p>Portanto, apesar da conclus&atilde;o da primeira fase da transi&ccedil;&atilde;o da &Aacute;frica do Sul, que se focou nos planos jur&iacute;dico e pol&iacute;tico, as leis e direitos humanos que deveriam promover de forma vigorosa a mudan&ccedil;a social e fazer face &agrave;s injusti&ccedil;as resultantes do <i>apartheid</i> t&ecirc;m na verdade revelado uma insuficiente capacidade de produzir mudan&ccedil;as reais. Durante o <i>apartheid</i>, a lei era conivente com a perpetua&ccedil;&atilde;o violenta da ordem social, pol&iacute;tica e econ&oacute;mica<sup><a href="#35">35</a></sup><a name="top35"></a>. Este conflito transparece na divis&atilde;o material que ainda hoje existe entre o privil&eacute;gio dos brancos e as desvantagens causadas pelo <i>apartheid</i>. Os sul-africanos brancos que disfrutaram de s&eacute;culos de privil&eacute;gio, apesar de estarem dispostos a abdicar do poder pol&iacute;tico, continuam a manifestar receio face a concess&otilde;es no que diz respeito &agrave; sua propriedade e &agrave; riqueza acumulada. Este medo &eacute; evidente no enorme distanciamento que ainda existe entre privil&eacute;gios materiais e desvantagem. Os indiv&iacute;duos que beneficiaram de privil&eacute;gios, ainda que encorajados pela mudan&ccedil;a pol&iacute;tica, procuraram limitar o &laquo;custo transacional&raquo; da transforma&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica e social para n&iacute;veis que exigissem poucos sacrif&iacute;cios, procurando dessa forma estabilidade e continuidade<sup><a href="#36">36</a></sup><a name="top36"></a>. Deste ponto de vista, a maioria dos votos &eacute; dada &agrave; da, ainda apelativa para as minorias raciais. No entanto, esta mesma da tem conseguido elevar o seu teto racial, e nas elei&ccedil;&otilde;es de 2014 aproximadamente um quarto dos seus votos veio de eleitores negros. Por&eacute;m, Southall reconhece que o perfil socioecon&oacute;mico destes votantes continua a ser um mist&eacute;rio<sup><a href="#37">37</a></sup><a name="top37"></a>.</p>      <p>Em contraste, os sul-africanos negros que tiveram de lidar com remo&ccedil;&otilde;es for&ccedil;adas, restri&ccedil;&otilde;es de movimento e constrangimentos &agrave; atividade econ&oacute;mica que reduziram a maioria &agrave; priva&ccedil;&atilde;o de alojamento e &agrave; pobreza t&ecirc;m-se mostrado preocupados com a &laquo;descontinuidade e mudan&ccedil;a&raquo;<sup><a href="#38">38</a></sup><a name="top38"></a>. Estes temas foram retomados pelos eff no seu manifesto eleitoral e na sua intera&ccedil;&atilde;o di&aacute;ria com a elite dominante, tanto atrav&eacute;s de debates parlamentares como atrav&eacute;s de interven&ccedil;&otilde;es externas que desafiam os discursos neocolonialistas e capitalistas e as pol&iacute;ticas governativas da maioria encabe&ccedil;ada pelo ANC. Para os rec&eacute;m-chegados e seus eleitores, a justi&ccedil;a social e econ&oacute;mica &eacute; a chave para qualquer &laquo;reivindica&ccedil;&atilde;o e realiza&ccedil;&atilde;o&raquo; democr&aacute;ticas. O apelo dos eff &agrave; juventude negra, aos desempregados e aos intelectuais e ativistas negros assegurou-lhes 6,4 por cento dos votos. Isto traduziu-se em 25 deputados, no &laquo;estatuto de oposi&ccedil;&atilde;o oficial no Limpopo e no Noroeste, e um total de 30 representantes nas legislaturas provinciais&raquo;<sup><a href="#39">39</a></sup><a name="top39"></a>. Considerando que os eff tiveram menos de oito meses de campanha, v&aacute;rios constrangimentos or&ccedil;amentais e um bloqueio concertado por parte dos meios de comunica&ccedil;&atilde;o social, especialmente da esta&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica &ndash; a sabc &ndash; que intencionalmente n&atilde;o cobriu as reuni&otilde;es dos eff, as declara&ccedil;&otilde;es do seu manifesto e a sua campanha, o sucesso dos eff nas urnas &eacute; indicativo da nova realidade no terreno.</p>      <p>A amea&ccedil;a eleitoral dos eff for&ccedil;ou o ANC a responder a complicadas quest&otilde;es sociais como a &aacute;gua e a assist&ecirc;ncia m&eacute;dica. Na sua resposta ao Debate de Vota&ccedil;&atilde;o do Or&ccedil;amento Presidencial, Zuma afirmou que o Governo iria iniciar a requalifica&ccedil;&atilde;o do Hospital Siloam em Vhembe, como resposta &agrave; reclama&ccedil;&atilde;o dos eff de que a maioria liderada pelo ANC tinha faltado &agrave; sua promessa de melhorar a presta&ccedil;&atilde;o de servi&ccedil;os &agrave;s popula&ccedil;&otilde;es carenciadas destas comunidades. Neste comunicado, Zuma tamb&eacute;m se referiu ao Livro Verde sobre a Reforma Fundi&aacute;ria e ao Novo Sistema de Propriedade Fundi&aacute;ria, que visa regular a posse de terras por parte de cidad&atilde;os estrangeiros<sup><a href="#40">40</a></sup><a name="top40"></a>. No entanto, os eff rejeitaram a Lei de Altera&ccedil;&otilde;es relativa &agrave; Restitui&ccedil;&atilde;o de Direitos Territoriais, promulgada a 30 de junho de 2014. De acordo com os eff, a coloniza&ccedil;&atilde;o e o <i>apartheid </i>foram crimes contra a humanidade e compactuar com o princ&iacute;pio do &laquo;vendedor volun-t&aacute;rio/comprador volunt&aacute;rio&raquo; beneficia os que perpetraram estes crimes, recompensando-os financeiramente por terras que foram roubadas de forma violenta<sup><a href="#41">41</a></sup><a name="top41"></a>.</p>      <p>Tendo em conta a luta entre estes valores rivais, a necessidade de reconhecer a igualdade de todos os seres humanos e </p>     <p>    ]]></body>
<body><![CDATA[<blockquote>&laquo;o entendimento africano Ubuntu de justi&ccedil;a enquanto equil&iacute;brio e harmonia&raquo;, uma democracia substantiva no contexto sul-africano &laquo;requer a restaura&ccedil;&atilde;o da justi&ccedil;a atrav&eacute;s da invers&atilde;o das consequ&ecirc;ncias desumanizantes da conquista colonial e atrav&eacute;s da elimina&ccedil;&atilde;o do racismo&raquo;<sup><a href="#42">42</a></sup><a name="top42"></a>.</p></blockquote>      <p>Deste ponto de vista, s&oacute; quando este objetivo for atingido poder&aacute; o processo democr&aacute;tico iniciar-se.</p>      <p>&nbsp;</p>      <p><b>A POL&Iacute;TICA EXTERNA DA &Aacute;FRICA DO SUL DEPOIS DE MAIO DE 2014 </b></p>      <p>A pol&iacute;tica externa da &Aacute;frica do Sul &eacute; coerente e norteada por cinco princ&iacute;pios. Estes incluem: democracia e respeito pelos direitos humanos; &Aacute;frica e o impulso africanista; uma abordagem pac&iacute;fica &agrave; resolu&ccedil;&atilde;o de conflitos; multilateralismo; e, finalmente, um entendimento hol&iacute;stico do conceito de seguran&ccedil;a<sup><a href="#43">43</a></sup><a name="top43"></a>. Estes princ&iacute;pios surgem como a continua&ccedil;&atilde;o da vis&atilde;o de pol&iacute;tica externa iniciada por Mbeki, que procurou afirmar a &Aacute;frica do Sul enquanto voz no continente africano<sup><a href="#44">44</a></sup><a name="top44"></a>. Mbeki tinha fortes opini&otilde;es anti-imperialistas e estava empenhado numa agenda africana<sup><a href="#45">45</a></sup><a name="top45"></a>. Para apoiar a vis&atilde;o de Mbeki, o Quadro Estrat&eacute;gico de M&eacute;dio Prazo de agosto de 2009 reafirmou o empenho da &Aacute;frica do Sul no desenvolvimento africano e no fortalecimento da coopera&ccedil;&atilde;o entre os estados africanos<sup><a href="#46">46</a></sup><a name="top46"></a>. Como resultado, a defini&ccedil;&atilde;o do interesse nacional da &Aacute;frica do Sul foi articulada em 2009 pelo Departamento de Rela&ccedil;&otilde;es Internacionais e Coopera&ccedil;&atilde;o (dirco) num documento sobre a pol&iacute;tica externa que inclu&iacute;a interesses fundamentais &laquo;que s&atilde;o inalien&aacute;veis, e cujo cumprimento e prote&ccedil;&atilde;o s&atilde;o absolutamente vitais&raquo;<sup><a href="#47">47</a></sup><a name="top47"></a>.</p>      <p>Considerando estes princ&iacute;pios da sua pol&iacute;tica externa e o facto de Maite Nkoana-Mashabe ter sido mantido como ministro do dirco depois das elei&ccedil;&otilde;es de maio de 2014, pode afirmar-se que a &Aacute;frica do Sul vai manter a coer&ecirc;ncia na sua abordagem pol&iacute;tica externa. O pa&iacute;s tem-se mostrado resistente &agrave; &laquo;mudan&ccedil;a de regime&raquo; debaixo de uma apar&ecirc;ncia de implementa&ccedil;&atilde;o de democracia, o que &eacute; vis&iacute;vel na sua rea&ccedil;&atilde;o discreta aos eventos que se desenrolam na Ucr&acirc;nia. No entanto, a alian&ccedil;a da &Aacute;frica do Sul com os brics resultou na ado&ccedil;&atilde;o de posi&ccedil;&otilde;es amb&iacute;guas face a estes pa&iacute;ses. O estatuto de pot&ecirc;ncia suave detido pela &Aacute;frica do Sul teria tido mais impacto se esta tivesse incentivado os &laquo;parceiros a respeitar os processos e princ&iacute;pios internacionais&raquo;<sup><a href="#48">48</a></sup><a name="top48"></a>. Neste contexto, os atrasos na emiss&atilde;o de visto ao Dalai Lama para que este pudesse participar na Cimeira dos Laureados Nobel na Cidade do Cabo resultou numa retirada do pedido do Dalai Lama e no cancelamento da cimeira devido &agrave; desist&ecirc;ncia dos outros participantes, que assim protestaram contra a atitude da &Aacute;frica do Sul. Esta foi criticada pela oposi&ccedil;&atilde;o da da, que acusou o Governo de dar prioridade &agrave;s exig&ecirc;ncias da China em detrimento do respeito pelos direitos humanos<sup><a href="#49">49</a></sup><a name="top49"></a>.</p>      <p>Em <i>Ubuntu Diplomacy in Action (2013)</i>, publicado pelo dirco, Anil Sooklal, embaixador sul-africano e diretor-geral-adjunto para a &Aacute;sia e M&eacute;dio Oriente, escreve que a pol&iacute;tica externa do s&eacute;culo xxi est&aacute; em processo de evolu&ccedil;&atilde;o e est&aacute; a ser usada pelos estados para alcan&ccedil;ar os seus interesses. Os interesses nacionais s&atilde;o diversos e podem ser alcan&ccedil;ados por v&aacute;rias vias, incluindo f&oacute;runs multilaterais e plurilaterais e tamb&eacute;m contratos bilaterais. Para os estados, mobilizar simultaneamente estas diferentes op&ccedil;&otilde;es n&atilde;o &eacute; uma contradi&ccedil;&atilde;o; os acad&eacute;micos descrevem-nas como &laquo;diplomacia de clube&raquo; e &laquo;minilaterais&raquo;. A l&oacute;gica da participa&ccedil;&atilde;o em tais f&oacute;runs &eacute; a de fortalecer coliga&ccedil;&otilde;es e desenvolver parcerias e colabora&ccedil;&otilde;es estrat&eacute;gicas.</p>      <p>De igual modo, os governos podem e devem diversificar as suas pol&iacute;ticas externas de acordo com as circunst&acirc;ncias<sup><a href="#50">50</a></sup><a name="top50"></a>. Para o ministro do dirc Maite Nkoana-Mashabane, &laquo;a ordem mundial emergente resultar&aacute; da forma como as pot&ecirc;ncias globais do Sul ir&atilde;o afirmar o seu papel rec&eacute;m-assumido, e de como se ir&atilde;o equilibrar com as pot&ecirc;ncias tradicionais&raquo;<sup><a href="#51">51</a></sup><a name="top51"></a>. Por conseguinte, os acordos internacionais n&atilde;o s&atilde;o necessariamente alcan&ccedil;ados apenas por estados com sistemas pol&iacute;ticos similares; os sistemas econ&oacute;micos e as caracter&iacute;sticas culturais tamb&eacute;m facilitam tais acordos<sup><a href="#52">52</a></sup><a name="top52"></a>.</p>      <p>Considerando os imperativos morais da &Aacute;frica do Sul, um dos principais interesses nacionais tem sido a luta contra o racismo e contra o preconceito racial, tanto a n&iacute;vel dom&eacute;stico como internacionalmente. O ent&atilde;o ministro-adjunto do dirco Ebrahim Ebrahim afirmou numa comunica&ccedil;&atilde;o &agrave; C&acirc;mara do Senado da Universidade de Kwazulu Natal (ukzn) Westville, em 19 de mar&ccedil;o de 2014, que:</p>      <p>    ]]></body>
<body><![CDATA[<blockquote>&laquo;A luta contra o racismo e outras formas de discrimina&ccedil;&atilde;o est&aacute; longe de terminar e o empenho da &Aacute;frica do Sul em combater o racismo e promover os direitos humanos continuar&aacute; forte&hellip; [E] que a melhor forma de honrar o legado de Madiba &eacute; honrar os resultados da Cimeira de Durban e da sua confer&ecirc;ncia de revis&atilde;o&raquo;<sup><a href="#53">53</a></sup><a name="top53"></a>.</p></blockquote>      <p>Ebrahim afirmou ainda que a Declara&ccedil;&atilde;o e Plano de Atividades de Durban (ddpa) tinha sido desenvolvida para reafirmar os &laquo;princ&iacute;pios de igualdade e n&atilde;o-discrimina&ccedil;&atilde;o enquanto direitos humanos fundamentais, com o objetivo de transformar as v&iacute;timas de discrimina&ccedil;&atilde;o em portadores de direitos e os estados em cumpridores de deveres&raquo;<sup><a href="#54">54</a></sup><a name="top54"></a>. Isto &eacute; particularmente importante para Ebrahim porque os Estados Unidos e os seus aliados t&ecirc;m tentado constantemente diluir a declara&ccedil;&atilde;o para tentar proteger Israel e as suas pol&iacute;ticas discriminat&oacute;rias. Ebrahim tamb&eacute;m confirmou que a &Aacute;frica do Sul teve muitos diferendos com os Estados Unidos e que a &Aacute;frica do Sul era independente nas suas escolhas em mat&eacute;ria de pol&iacute;tica externa<sup><a href="#55">55</a></sup><a name="top55"></a>.</p>      <p>Tendo isto em conta, v&aacute;rias organiza&ccedil;&otilde;es e relat&oacute;rios declararam que muitas das pol&iacute;ticas de Israel contra os palestinianos s&atilde;o racistas e t&ecirc;m o intuito de manter a domina&ccedil;&atilde;o e subjuga&ccedil;&atilde;o do povo palestiniano<sup><a href="#56">56</a></sup><a name="top56"></a>. Considerando simultaneamente os coment&aacute;rios de Ebrahim e uma declara&ccedil;&atilde;o assinada pelos membros do Governo sul-africano que se refere a Israel como um Estado de <i>apartheid</i>, a pol&iacute;tica externa da &Aacute;frica do Sul relativamente a Israel e &agrave; quest&atilde;o da Palestina engloba as dimens&otilde;es de ra&ccedil;a e preconceito racial. Neste sentido, a maioria governamental liderada pelo ANC sempre defendeu a causa palestiniana, criticando severamente a ocupa&ccedil;&atilde;o beligerante da Palestina por parte de Israel. Em setembro de 2014, o secret&aacute;rio-geral do ANC Gwede Mantashe exortou os membros do ANC nos minist&eacute;rios, no Parlamento e outros funcion&aacute;rios governamentais a juntarem-se a um boicote acad&eacute;mico, cultural, educativo e de turismo a Israel em solidariedade com o povo da Palestina<sup><a href="#57">57</a></sup><a name="top57"></a>.</p>      <p>A &Aacute;frica do Sul tem sido coerente na ideia de que as solu&ccedil;&otilde;es militares n&atilde;o garantem a paz. Em linha com a vis&atilde;o da Uni&atilde;o Africana, tem adotado uma abordagem dura face ao respeito pela integridade territorial e pela soberania, e neste sentido op&ocirc;s-se &agrave; interfer&ecirc;ncia do Ocidente na S&iacute;ria e criticou a nato por exceder as suas fun&ccedil;&otilde;es na L&iacute;bia, o que resultou no caos que se verifica atualmente. O Comit&eacute; Executivo Nacional do ANC apoiou a iniciativa do Governo de mediar os processos de paz no Lesoto, Sud&atilde;o do Sul e Sri Lanka recorrendo a enviados especiais<sup><a href="#58">58</a></sup><a name="top58"></a>. Estas iniciativas refletem o atual compromisso sul-africano para com a resolu&ccedil;&atilde;o de conflitos pela via diplom&aacute;tica, pelo di&aacute;logo e pelos mecanismos de constru&ccedil;&atilde;o da paz, em detrimento do recurso a meios militares. O compromisso da &Aacute;frica do Sul para com a solidariedade internacional foi reafirmado em setembro de 2014 com o mais recente pacote de acordos entre a &Aacute;frica do Sul e Cuba, destinados a incrementar o com&eacute;rcio e a assist&ecirc;ncia econ&oacute;mica entre os dois pa&iacute;ses. A pol&iacute;tica externa da &Aacute;frica do Sul tem sido marcada pela hist&oacute;ria do ANC enquanto movimento de liberta&ccedil;&atilde;o que previa a constru&ccedil;&atilde;o de um movimento solid&aacute;rio din&acirc;mico de for&ccedil;as progressistas em pa&iacute;ses como o Vietname, Cuba, Chile, Espanha e os territ&oacute;rios palestinianos que ainda hoje beneficiam de apoio.</p>      <p>Em &uacute;ltima inst&acirc;ncia, deve ressalvar-se que a &Aacute;frica do Sul est&aacute; alerta para a exist&ecirc;ncia de uma dualidade de crit&eacute;rios na aplica&ccedil;&atilde;o e promo&ccedil;&atilde;o dos direitos humanos por parte dos estados ocidentais dominantes, que esperam que a &Aacute;frica do Sul se submeta &agrave;s resolu&ccedil;&otilde;es que eles pr&oacute;prios definem. A pol&iacute;tica externa da &Aacute;frica do Sul &eacute; intuitiva, expressiva, flex&iacute;vel e evolutiva e est&aacute; ciente dos desafios que enfrenta face &agrave; organiza&ccedil;&atilde;o hist&oacute;rica do poder no sistema internacional. Por&eacute;m, ao mesmo tempo, &eacute; suficientemente progressista para saber que n&atilde;o &eacute; do interesse de &Aacute;frica nem dos africanos deixar que tal domina&ccedil;&atilde;o permane&ccedil;a inc&oacute;lume.</p>      <p>&nbsp;</p>      <p><b>CONCLUS&Atilde;O</b></p>      <p>A &Aacute;frica do Sul atual est&aacute; plenamente consciente de que os motivos dos estados e das ag&ecirc;ncias internacionais v&atilde;o desde decis&otilde;es baseadas em princ&iacute;pios at&eacute; medidas unicamente instrumentais. Para determinar a sua pol&iacute;tica externa, a &Aacute;frica do Sul indicou que tamb&eacute;m vai usar estas variantes dependendo da situa&ccedil;&atilde;o, do contexto e do Estado envolvido. Isto n&atilde;o significa o abandono total do seu compromisso para com os direitos humanos; por&eacute;m, aceitar o conceito pr&oacute;-ocidental de promo&ccedil;&atilde;o dos direitos humanos e da democracia como &uacute;nica via &eacute;, no entendimento da &Aacute;frica do Sul, um pressuposto falacioso.</p>      <p>No contexto interno, a ideia de &laquo;celebrar vinte anos de democracia&raquo; &eacute; seguramente controversa, e as vozes daqueles que carregam estas d&uacute;vidas raramente s&atilde;o tidas em conta. Estes descontentamentos e agita&ccedil;&otilde;es manifestam-se num aumento de protestos por parte de movimentos sociais que &eacute; evidente na &Aacute;frica do Sul atual, bem como nos n&iacute;veis significativos de apatia eleitoral que marcaram as elei&ccedil;&otilde;es de 2014. A entrada dos eff no panorama pol&iacute;tico e o seu apelo aos votantes de esquerda, que constitu&iacute;am o reduto tradicional e os eleitores de base do ANC, &eacute; um foco de preocupa&ccedil;&atilde;o para este partido. Se os eff conseguirem aproveitar a oportunidade, refinar a sua ret&oacute;rica, superar os esfor&ccedil;os da direita que visam &laquo;infantilizar&raquo; as suas propostas, e se fizerem campanhas consistentes nas zonas rurais da &Aacute;frica do Sul onde muitos jovens desempregados negros se mostram descontentes com o materialismo crasso do ANC e com os esc&acirc;ndalos de corrup&ccedil;&atilde;o, os eff podem desafiar de forma significativa o ANC nas elei&ccedil;&otilde;es locais de 2016 e erodir progressivamente as bases de apoio deste. Isto ir&aacute; contribuir certamente para um novo cen&aacute;rio do poder pol&iacute;tico e da contesta&ccedil;&atilde;o na &Aacute;frica do Sul, um pa&iacute;s que ainda tem de encontrar a sua liberdade e estabelecer a sua democracia &ndash; a democracia que d&aacute; valor igual a todos e que cria oportunidades iguais de acesso ao desenvolvimento como forma de liberdade. Quando a &Aacute;frica do Sul se conseguir desenredar do compromisso negociado na codesa, que permitiu ao ANC consolidar o poder pol&iacute;tico ao mesmo tempo que deixava o poder econ&oacute;mico intocado, ent&atilde;o, e s&oacute; ent&atilde;o, poder&aacute; o processo democr&aacute;tico come&ccedil;ar para a maioria dos africanos que veem democracia e justi&ccedil;a como insepar&aacute;veis.</p>     <p>&nbsp;</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><i>Data de rece&ccedil;&atilde;o: 7 de outubro de 2014 | Data de aprova&ccedil;&atilde;o: 3 de dezembro de 2014</i></p>     <p>&nbsp;</p>      <p><b>NOTAS</b></p>      <p><Sup><a name="1"></a><a href="#top1">1</a></Sup> MELBER, Henning. - &laquo;South Africa&rsquo;s Elections 2014: More than more of the same?&raquo;, In <i>Roape Briefing junho </i>2014.</p>      <p><Sup><a name="2"></a><a href="#top2">2</a></Sup> McKINLEY, Dale T. - &laquo;The Real Story of South Africa&rsquo;s National Elections&raquo;, In <i>South African Civil Society Information Service (SACSIS)</i>, 11 de maio de 2014. [Consultado a: 6 de outubro de 2014] Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.sacsis.org.za/site/article/2001" target="blank">http://www.sacsis.org.za/site/article/2001</a></p>      <p><Sup><a name="3"></a><a href="#top3">3</a></Sup> MELBER, Henning &ndash; &laquo;South Africa&rsquo;s Elections 2014: And the Winner is?&raquo;, In <i>GIGA Focus</i>, Vol. 4, 2014.</p>      <p><Sup><a name="4"></a><a href="#top4">4</a></Sup> POPLAK, R. - &laquo;Hannibal Elector: From Alexandra to Zuma, via Malema &ndash; violence, silence &amp; nothing Wrong with Nkandla&raquo;, 11 maio 2014. In <i>The Daily Maverick</i> [ consultado a: 5 outubro 2014] Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.dailymaverick.co.za/article/2014-05-11-hannibal-elector-fromalexandra-to-zuma-via-malema-violencesilence-nothing-wrong-with-nkandla/#.U5Lb3isMXw" target="blank">http://www.dailymaverick.co.za/article/2014-05-11-hannibal-elector-fromalexandra-to-zuma-via-malema-violencesilence-nothing-wrong-with-nkandla/#.U5Lb3isMXw</a></p>      <p><Sup><a name="5"></a><a href="#top5">5</a></Sup> MAPOKGOLE, Reshoketswe B. - &laquo;There Is No Black in the Rainbow (Nation): A Bikoist and Fanonian Approach to Understanding &quot;Xenophobic&quot; Violence in South Africa&raquo;. In <i>Senior Theses, Trinity College, Hartford, CT 2014</i>. [Consultado a: 5 de setembro de 2014] Dispon&iacute;vel em: <a href="http://digitalrepository.trincoll.edu/theses/425" target="blank">http://digitalrepository.trincoll.edu/theses/425</a></p>      <p><Sup><a name="6"></a><a href="#top6">6</a></Sup> MUTUA, Makau &ndash; &laquo;Savages, victims and saviors: The metaphor of human rights&raquo;. In <i>Harvard International Law Journal</i>, Vol. 42, N.&ordm; 1, 2001.</p>      <p><Sup><a name="7"></a><a href="#top7">7</a></Sup> RAMOSE, Mogobe B. - &laquo;An African perspetive on justice and race&raquo;. In <i>Polylog, Forum for Intercultural Philosophy</i>, n.&ordm; 3, 2001. [Consultado a: 5 de setembro de 2014] Dispon&iacute;vel em: <a href="http://them.polylog.org/3/frm-en.htm" target="blank">http://them.polylog.org/3/frm-en.htm</a></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><Sup><a name="8"></a><a href="#top8">8</a></Sup> ibidem</p>      <p><Sup><a name="9"></a><a href="#top9">9</a></Sup> ibidem</p>      <p><Sup><a name="10"></a><a href="#top10">10</a></Sup> &laquo;Extinctive prescription in a constructive context&raquo;. In <i>International Law Office</i>, 12 de julho de 2012. [Consultado a: 5 de setembro de 2014] Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.internationallawoffice.com/newsletters/detail.aspx?g=7e9c185c-a02a-4eb4-b152-695c0a32f8d5" target="blank">http://www.internationallawoffice.com/newsletters/detail.aspx?g=7e9c185c-a02a-4eb4-b152-695c0a32f8d5</a></p>      <p><Sup><a name="11"></a><a href="#top11">11</a></Sup> RAMOSE, Mogobe B. - &laquo;An African perspetive on justice and race&raquo;.</p>      <p><Sup><a name="12"></a><a href="#top12">12</a></Sup> PIETERSE, Edgar - &laquo;Post-apartheid geographies&raquo;, In <i>African Centre for Cities,</i> 1 de outubro de 2013. [Consultado a: 4 de junho de 2014]. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.africancentreforcities.net/wp-content/uploads/2013/10/post-partheid_geographies_pieterse_15dec09.pdf" target="blank">http://www.africancentreforcities.net/wp-content/uploads/2013/10/post-partheid_geographies_pieterse_15dec09.pdf</a></p>      <!-- ref --><p><Sup><a name="13"></a><a href="#top13">13</a></Sup> BUTLER, C. - &laquo;Henri Lefebvre: Spatial politics, everyday life and the right to the city&raquo;, Nova Iorque: Routledge, 2012, p. 144.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000078&pid=S1645-9199201400040000600004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <p><Sup><a name="14"></a><a href="#top14">14</a></Sup> PIETERSE, Edgar - &laquo;Post-apartheid geographies&raquo;.</p>      <p><Sup><a name="15"></a><a href="#top15">15</a></Sup> MADLINGOZI, Tshepo &ndash; &laquo;Social Movements and the Constitutional Court of South Africa&raquo;, 2013</p>      <p><Sup><a name="16"></a><a href="#top16">16</a></Sup> <i>Ibidem</i>.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><Sup><a name="17"></a><a href="#top17">17</a></Sup><i>Ibidem</i>.</p>      <p><Sup><a name="18"></a><a href="#top18">18</a></Sup> <i>Ibidem</i>.</p>      <p><Sup><a name="19"></a><a href="#top19">19</a></Sup> MELBER, Henning - &laquo;South Africa&rsquo;s Elections 2014: And the Winner is?&raquo;, 2014.</p>      <p><Sup><a name="20"></a><a href="#top20">20</a></Sup> KASRILS, Ronnie - &laquo;South Africa: Ronnie Kasrils calls for &ldquo;no vote&rdquo; for African National Congress&raquo;, In LINKS International Journal of Socialist Renewal, 21 de abril de 2014 [Consultado a: 6 de outubro de 2014] Dispon&iacute;vel em: <a href="http://links.org.au/node/3814" target="blank">http://links.org.au/node/3814</a></p>      <p><Sup><a name="21"></a><a href="#top21">21</a></Sup> NKALA, Sizo &ndash; &laquo;Same old, same old as ANC posts yet another landslide: Whither left-wing politics in South Africa&raquo;, 23 de setembro de 2014. [Consultado a: 5 de Outubro de 2014] Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.polity.org.za/article/same-old-same-old-as-anc-posts-yet-another-landslide-whither-left-wing-politics-in-south-africa-2014-09-23" target="blank">http://www.polity.org.za/article/same-old-same-old-as-anc-posts-yet-another-landslide-whither-left-wing-politics-in-south-africa2014-09-23</a></p>      <p><Sup><a name="22"></a><a href="#top22">22</a></Sup> ZUMA, Jacob &ndash; &laquo;Address by President Jacob Zuma on the occasion of the celebration of the first year anniversary of the Progressive Professionals Forum, Gallagher Estate, Midrand&raquo;. [consultado a: 6 de outubro de 2014]. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.gov.za/speeches/view.php?sid=48187" target="blank">http://www.gov.za/speeches/view.php?sid=48187</a></p>      <!-- ref --><p><Sup><a name="23"></a><a href="#top23">23</a></Sup> GULDI, Jo e ARMITAGE, David - &laquo;The History Manifesto&raquo;, Cambridge: University Printing House, 2014.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000089&pid=S1645-9199201400040000600005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <p><Sup><a name="24"></a><a href="#top24">24</a></Sup> SETUMO, Stone &ndash; &laquo;Zuma calls for &lsquo;patriotic&rsquo; universities&raquo;, In <i>Business Day Live</i>, 2014. [Consultado a: 6 de outubro de 2014] Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.bdlive.co.za/national/education/2014/09/05/zuma-calls-for-patriotic-universities" target="blank">http://www.bdlive.co.za/national/education/2014/09/05/zuma-calls-for-patriotic-universities</a></p>      <p><Sup><a name="25"></a><a href="#top25">25</a></Sup> GULDI, Jo e ARMITAGE, David - &laquo;The History Manifesto&raquo;, p. 1.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><Sup><a name="26"></a><a href="#top26">26</a></Sup> GULDI, Jo e ARMITAGE, David - &laquo;The History Manifesto&raquo;, p. 16.</p>      <p><Sup><a name="27"></a><a href="#top27">27</a></Sup> BOZZOLI, Brenda &ndash; &laquo;Nzimande and Zuma statements on Universities threaten academic freedom&raquo;, In <i>DA press releases 2014</i>. [Consultado a 6 outubro 2014]. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.da.org.za/2014/09/nzimande-zuma-statements-universities-threaten-academic-freedom/" target="blank">http://www.da.org.za/2014/09/nzimande-zuma-statements-universities-threaten-academic-freedom/</a></p>      <p><Sup><a name="28"></a><a href="#top28">28</a></Sup> NZIMANDE, Blade &ndash; &laquo;Coordinated agenda to foment destabilisation in SA - Blade Nzimande&gt;&gt; In Politics web documents 2014. [Consultado a: 6 outubro 2104]. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.politicsweb.co.za/politicsweb/view/politicsweb/en/page71656?oid=738919&amp;sn=Detail&amp;pid=71616" target="blank">http://www.politicsweb.co.za/politicsweb/view/politicsweb/en/page71656?oid=738919&amp;sn=Detail&amp;pid=71616</a></p>      <p><Sup><a name="29"></a><a href="#top29">29</a></Sup> FAROUK, Fazila &ndash; &laquo;The Nationalisation Debate: South Africa&#39;s Mineral Resources Equivalent to One Million Rand per Citizen&gt;&gt; In SACSIS. [Consultado a: 6 outubro 2014] Dispon&iacute;vel em: <a href="http://sacsis.org.za/site/article/1924" target="blank">http://sacsis.org.za/site/article/1924</a></p>      <p><Sup><a name="30"></a><a href="#top30">30</a></Sup> &laquo;Mining must benefit majority: Ramatlhodi&gt;&gt; In Fin24.com 2014 [Consultado a 6 outubro 2014]. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.fin24.com/Economy/Mining-must-benefit-majority-Ramatlhodi-20140813" target="blank">http://www.fin24.com/Economy/Mining-must-benefit-majority-Ramatlhodi20140813</a></p>      <p><Sup><a name="31"></a><a href="#top31">31</a></Sup> BOZZOLI, Brenda &ndash; &laquo;Nzimande and Zuma statements on Universities threaten academic freedom&raquo;.</p>      <p><Sup><a name="32"></a><a href="#top32">32</a></Sup> SETUMO, Stone &ndash; &laquo;Zuma calls for &lsquo;patriotic&rsquo; universities&raquo;.</p>      <p><Sup><a name="33"></a><a href="#top33">33</a></Sup> HIGHER EDUCATION TRANSFORMATION NETWORK &ndash; &laquo;LETTER OF DEMAND: NWU / HETN &gt;&gt;. In Letter of demand NWU/HETN. [Consultado a: 6 outubro 2014] Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.hetn.org.za/documents/NWU_Response_13_August_2014.pdf" target="blank">http://www.hetn.org.za/documents/NWU_Response_13_August_2014.pdf</a></p>      <p><Sup><a name="34"></a><a href="#top34">34</a></Sup> SETUMO, Stone &ndash; &laquo;Zuma calls for &lsquo;patriotic&rsquo; universities&raquo;.</p>      <p><Sup><a name="35"></a><a href="#top35">35</a></Sup> DOUZINAS, Costas &amp; GEARY, Adam &ndash; &laquo;Critical Jurisprudence: The Political Philosophy of Justice&raquo;, 2005, p. 259.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><Sup><a name="36"></a><a href="#top36">36</a></Sup> VAN der WALT, AJ &ndash; &laquo;Legal history, legal culture and transformation in a constitutional democracy&raquo;, In <i>Fundamina</i>, Vol. 12, N.&ordm; 1, 2006.</p>      <p><Sup><a name="37"></a><a href="#top37">37</a></Sup> SOUTHALL, Roger &ndash; &laquo;The South African Election of 2014: Retrospect and Prospect&raquo;, In <i>Strategic Review</i>, Vol. 2, N.&ordm; 14, 2014</p>      <p><Sup><a name="38"></a><a href="#top38">38</a></Sup> BOZZOLI, Brenda &ndash; &laquo;Nzimande and Zuma statements on Universities threaten academic freedom&raquo;.</p>      <p><Sup><a name="39"></a><a href="#top39">39</a></Sup>SOUTHALL, Roger &ndash; &laquo;The South African Election of 2014: Retrospect and Prospect&raquo;.</p>      <p><Sup><a name="40"></a><a href="#top40">40</a></Sup> ZUMA, Jacob &ndash; &laquo;No land should be owned by foreigners - Jacob Zuma&gt;&gt; In Politics web top stories [consultado a: 6 outubro 2014] Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.politicsweb.co.za/politicsweb/view/politicsweb/en/page72308?oid=653349&amp;sn=Marketingweb+detail&amp;pid=90389&amp;utm_source=Politicsweb+Daily+Headlines&amp;utm_campaign=3da43dc001-DHN_July_25_2014&amp;utm_medium=email&amp;utm_term=0_a86f25db99-3da43dc001-130087741" target="blank">http://www.politicsweb.co.za/politicsweb/view/politicsweb/en/page72308?oid=653349&amp;sn=Marketingweb+detail&amp;pid=90389&amp;utm_source=Politicsweb+Daily+Headlines&amp;utm_campaign=3da43dc001-DHN_July_25_2014&amp;utm_medium=email&amp;utm_term=0_a86f25db99-3da43dc001-130087741</a></p>      <p><Sup><a name="41"></a><a href="#top41">41</a></Sup> NDLOZI, Mbuyiseni. B. &ndash; &laquo;We reject the reopening of land claims &ndash; EFF&raquo;, In <i>Politics</i>. [Consultado a: 6 de outubro de 2014] Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.politicsweb.co.za/politicsweb/view/politicsweb/en/page72308?oid=642721&amp;sn=Marketingweb+detail&amp;pid=90389&amp;utm_source=Politicsweb+Daily+Headlines&amp;utm_campaign=65a1f955fc-6_30_2014&amp;utm_medium=email&amp;utm_term=0_a86f25db99-65a1f955fc-130087741" target="blank">http://www.politicsweb.co.za/politicsweb/view/politicsweb/en/page72308?oid=642721&amp;sn=Marketingweb+detail&amp;pid=90389&amp;utm_source=Politicsweb+Daily+Headlines&amp;utm_campaign=65a1f955fc-6_30_2014&amp;utm_medium=email&amp;utm_term=0_a86f25db99-65a1f955fc-130087741</a></p>      <p><Sup><a name="42"></a><a href="#top42">42</a></Sup> RAMOSE, Mogobe B. - &laquo;An African perspetive on justice and race&raquo;.</p>      <p><Sup><a name="43"></a><a href="#top43">43</a></Sup> NATHAN, Laurie &ndash; &laquo;Consistency and Inconsistencies in South African foreign policy&raquo;, In <i>International Affairs</i>, Vol. 81, N.&ordm; 2, 2005.</p>      <p><Sup><a name="44"></a><a href="#top44">44</a></Sup> GRAHAM, Suzan &ndash; &laquo;Gold Star or bottom of the class: is South Africa a good international citizen?&raquo;, In <i>South African Journal of International Affairs</i>, Vol. 15, N.&ordm; 1, 2008.</p>      <p><Sup><a name="45"></a><a href="#top45">45</a></Sup> NATHAN, Laurie &ndash; &laquo;Consistency and Inconsistencies in South African foreign policy&raquo;.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><Sup><a name="46"></a><a href="#top46">46</a></Sup> Medium Term Strategic Framework: A framework to guide government&rsquo;s programme in the electoral mandate period (2009-2014)</p>      <p><Sup><a name="47"></a><a href="#top47">47</a></Sup> LANDSBERG, C. &ndash; &laquo;The foreign policy of the Zuma government: pursuing the &lsquo;national interest&rsquo;?&raquo;, In <i>South African Journal of International</i>, Vol. 17, N.&ordm; 3, 2010.</p>      <p><Sup><a name="48"></a><a href="#top48">48</a></Sup> SIDIROPOLOUS, Elizabeth &ndash; &laquo;SA response to conflict must be astute&raquo;, In <i>South African Institute of International Affairs</i>, 2 de outubro de 2014 [Consultado a: 6 de outubro de 2014] Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.saiia.org.za/opinion-analysis/sa-response-to-conflict-must-be-astute" target="blank">http://www.saiia.org.za/opinion-analysis/sa-response-to-conflict-must-be-astute</a></p>      <p><Sup><a name="49"></a><a href="#top49">49</a></Sup> COHEN, Mike &ndash; &laquo;Dalai Lama Visa Row Derails Cape Town Nobel Laureate Summit&raquo;, 2 de outubro de 2014, In <i>Bloomberg.com</i> [consultado a: 5 outubro 2014] Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.bloomberg.com/news/2014-10-02/nobel-summit-scrapped-after-south-africa-denies-dalai-lama-entry.html" target="blank">http://www.bloomberg.com/news/2014-10-02/nobel-summit-scrapped-after-south-africa-denies-dalai-lama-entry.html</a></p>      <p><Sup><a name="50"></a><a href="#top50">50</a></Sup> In UBUNTU Magazinem Department of International Relations and Cooperation. [Consultado a 10 de mar&ccedil;o de 2013] Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.dfa.gov.za/docs/2013/ubuntu_magazine_issue02.pdf" target="blank">http://www.dfa.gov.za/docs/2013/ubuntu_magazine_issue02.pdf</a></p>      <p><Sup><a name="51"></a><a href="#top51">51</a></Sup> Ibidem</p>      <p><Sup><a name="52"></a><a href="#top52">52</a></Sup> ALVAREZ, J.E. &ndash; &laquo;Do liberal states behave better? A critique of Slaughter&rsquo;s liberal theory&gt;&gt; In <i>EJIL</i>, Vol. 12, 2001.</p>      <p><Sup><a name="53"></a><a href="#top53">53</a></Sup> &laquo;Address by Deputy Minister Ebrahim Ebrahim entitled &lsquo;20 Years of South Africa and Multilateralism: Returning to the fold,&rsquo; University of KwaZulu Natal, 19 mar&ccedil;o 2014&rdquo;&raquo;, In <i>DIRCO</i> [consultado a: 28 de mar&ccedil;o de 2014] Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.dfa.gov.za/docs/speeches/2014/ebra0319.html" target="blank">http://www.dfa.gov.za/docs/speeches/2014/ebra0319.html</a></p>      <p><Sup><a name="54"></a><a href="#top54">54</a></Sup> <i>Ibidem</i>.</p>      <p><Sup><a name="55"></a><a href="#top55">55</a></Sup> NXUMALO, Mphathi &ndash; &laquo;Deputy minister slams UN as antiquated body&raquo;, In <i>Polity</i> [consultado a: 25 mar&ccedil;o 2014]. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.iol.co.za/dailynews/news/deputy-minister-slams-un-as-antiquated-body-1.1664276#.UzAG-_na6m4" target="blank">http://www.iol.co.za/dailynews/news/deputy-minister-slams-un-as-antiquated-body1.1664276#.UzAG-_na6m4</a>&nbsp;</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><Sup><a name="56"></a><a href="#top56">56</a></Sup> Ver as Conclus&otilde;es do Comit&eacute; para a Elimina&ccedil;&atilde;o da Discrimina&ccedil;&atilde;o Racial em rela&ccedil;&atilde;o a Israel em <a href="http://www2.ohchr.org/english/bodies/cerd/docs/CERD.C.ISR.CO.14-16.pdf" target="blank">http://www2.ohchr.org/english/bodies/cerd/docs/CERD.C.ISR.CO.14-16.pdf</a> e o relat&oacute;rio de John Dugard, Relator Especial sobre a situa&ccedil;&atilde;o dos direitos humanos nos territ&oacute;rios palestinianos ocupados desde 1967, em: <a href="http://daccess-dds-ny.un.org/doc/UNDOC/GEN/G07/105/44/PDF/G0710544.pdf?OpenElement" target="blank">http://daccess-dds-ny.un.org/doc/UNDOC/GEN/G07/105/44/PDF/G0710544.pdf?OpenElement</a></p>      <p><Sup><a name="57"></a><a href="#top57">57</a></Sup>&laquo;ANC joins call for complete boycott of Israel, including travel bans, in solidarity with Palestine&raquo;, In <i>BDS</i>. [Consultado a: 5 de Outubro de 2014]. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.bdsmovement.net/2014/anc-joins-call-for-complete-boycott-of-israel-including-travel-bans-in-solidarity-with-palestine-12709#sthash.ERKrbMGO.dpuf" target="blank">http://www.bdsmovement.net/2014/anc-joins-call-for-complete-boycott-of-israel-including-travel-bans-in-solidarity-with-palestine12709#sthash.ERKrbMGO.dpuf</a></p>      <p><Sup><a name="58"></a><a href="#top58">58</a></Sup> <i>Ibidem.</i></p>        ]]></body><back>
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<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
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<surname><![CDATA[McKINLEY]]></surname>
<given-names><![CDATA[Dale T.]]></given-names>
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<article-title xml:lang="en"><![CDATA[The Real Story of South Africa’s National Elections]]></article-title>
<source><![CDATA[South African Civil Society Information Service (SACSIS)]]></source>
<year>11 d</year>
<month>e </month>
<day>ma</day>
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