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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Para uma revisão da história dos laços entre o socialismo do Norte e Sul da Europa]]></article-title>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><b>RECENS&Otilde;ES</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Para uma revis&atilde;o da hist&oacute;ria dos la&ccedil;os entre o socialismo do Norte e Sul da Europa</b></p>      <p>&nbsp;</p>      <p><b>Rui Lopes</b></p>      <p>Investigador no Instituto de Hist&oacute;ria Contempor&acirc;nea da FCSH-UNL e autor do livro <i>West Germany and the Portuguese Dictatorship, 1968-1974: Between Cold War and Colonialism</i> (Basingstoke: Palgrave Macmillan, 2014). Deu aulas na London School of Economics and Political Science e na Goldsmiths, University of London. Entre 2011 e 2013, foi editor da revista <i>Cold War History.</i></p>      <p>&nbsp;</p>      <p><b>Antonio Mu&ntilde;oz S&aacute;nchez, <i>El amigo alem&aacute;n &ndash; El SPD y el PSOE de la dictadura a la democracia</i>, Barcelona, RBA, 2012, 500 p&aacute;ginas.</b></p>      <p>&nbsp;</p>      <p>O t&iacute;tulo deste livro esconde a riqueza do seu tema e abordagem. Tal como est&aacute; formulado, identifica corretamente o objeto central do estudo, nomeadamente o apoio dado pelo partido social-democrata da Alemanha Ocidental, SPD<i>,</i> ao partido socialista espanhol, PSOE, durante a ditadura franquista e subsequente processo de democratiza&ccedil;&atilde;o. Mais do que contribuir para um aprofundamento da hist&oacute;ria das rela&ccedil;&otilde;es institucionais destes dois partidos, no entanto, o trabalho de Antonio Mu&ntilde;oz S&aacute;nchez proporciona um olhar multifacetado e, nalguns aspetos, revisionista quer sobre os movimentos social democratas alem&atilde;o e espanhol, quer sobre a evolu&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica de Espanha durante a mudan&ccedil;a de regime. Tem ainda especial relev&acirc;ncia para quem se interesse pelo per&iacute;odo simult&acirc;neo em Portugal, dada a interliga&ccedil;&atilde;o entre os atores e eventos dos dois pa&iacute;ses.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>      <p><b>UMA ABORDAGEM CALEIDOSC&Oacute;PICA E MINUCIOSA</b></p>      <p>O principal m&eacute;rito do livro reside na sua preocupa&ccedil;&atilde;o em contextualizar e multilateralizar as rela&ccedil;&otilde;es do SPD e do PSOE. Embora os atores centrais sejam as elites destes partidos, Mu&ntilde;oz S&aacute;nchez tem em conta toda uma constela&ccedil;&atilde;o de agentes perif&eacute;ricos mas relevantes, tais como os sindicatos, a comunidade emigrante espanhola na Alemanha, a Funda&ccedil;&atilde;o Friedrich Ebert (associada ao SPD, mas com um estatuto semiaut&oacute;nomo) e os sucessivos governos de Bona e Madrid. Este esfor&ccedil;o &eacute; tornado poss&iacute;vel devido a um impressionante trabalho de pesquisa em v&aacute;rios arquivos p&uacute;blicos e privados, bem como uma vasta bibliografia e entrevistas a dois importantes intervenientes alem&atilde;es (Veronika Isenberg, do Departamento de Rela&ccedil;&otilde;es Internacionais do SPD, e G&uuml;nter Grunwald, o ent&atilde;o diretor da Funda&ccedil;&atilde;o Friedrich Ebert). O resultado &eacute; uma narrativa complexa, ainda que apresentada de forma clara, situando constantemente as estrat&eacute;gias dos dois partidos no labirinto pol&iacute;tico da &eacute;poca.</p>      <p>Embora no centro da obra esteja a transi&ccedil;&atilde;o p&oacute;s-franquista, Mu&ntilde;oz S&aacute;nchez recua at&eacute; 1962, ano em que o governo de Madrid solicitou negocia&ccedil;&otilde;es com a Comunidade Econ&oacute;mica Europeia (cee). Este ato encorajou uma mudan&ccedil;a de atitude no spd, partido tradicionalmente hostil perante o franquismo, cuja chegada ao poder era apresentada como fruto vergonhoso da interven&ccedil;&atilde;o nazi na Guerra Civil de Espanha (p. 19). O primeiro cap&iacute;tulo foca-se ent&atilde;o nas diferentes perspetivas face &agrave; ditadura ao longo da d&eacute;cada de 1960. Enquanto o psoe (dirigido no ex&iacute;lio por Rodolfo Llopis) mantinha uma posi&ccedil;&atilde;o combativa, exigindo a den&uacute;ncia e isolamento do regime de Franco pela comunidade internacional, o spd desenvolveu uma doutrina segundo a qual a aproxima&ccedil;&atilde;o de Espanha &agrave;s pot&ecirc;ncias centrais do continente poderia traduzir-se numa progressiva &laquo;europeiza&ccedil;&atilde;o&raquo; da sua economia e sociedade, estimulando aspira&ccedil;&otilde;es democr&aacute;ticas (pp. 23-24)<i>. </i>Estas posi&ccedil;&otilde;es divergentes, bem como a boa impress&atilde;o causada por Enrique Tierno G&aacute;lvan, fundador do rival psi (Partido Socialista del Interior), conduziram a um distanciamento claro entre as elites do spd e o psoe.</p>      <p>O segundo cap&iacute;tulo aborda o in&iacute;cio dos anos 1970, altura em que o psoe atravessou um processo de cis&atilde;o e renova&ccedil;&atilde;o, encarado com ceticismo pelos social-democratas alem&atilde;es, que lideravam ent&atilde;o uma coliga&ccedil;&atilde;o governamental sob a chancelaria de Willy Brandt. O autor detalha a complicada articula&ccedil;&atilde;o por parte da dire&ccedil;&atilde;o do spd face &agrave; <i>realpolitik</i> do seu pr&oacute;prio governo, &agrave; tentativa da Internacional Socialista de conciliar as diversas for&ccedil;as do socialismo espanhol e ao ativismo interno encabe&ccedil;ado pelo pol&iacute;tico Hans Matth&ouml;fer (que entre outras iniciativas ajudou a fundar a fascinante e controversa revista <i>Expr&eacute;s Espa&ntilde;ol &ndash; </i>pp. 87-97).</p>      <p>O livro p&otilde;e assim em causa o lugar-comum segundo o qual a cee e os partidos socialistas europeus auxiliaram o combate do psoe contra a ditadura de Franco (pp. 73-74). Por um lado, conclui-se que &laquo;o enorme caudal de solidariedade da esquerda europeia e alem&atilde; foi desperdi&ccedil;ado pelo socialismo espanhol por causa do sectarismo desta fam&iacute;lia antifranquista&raquo; (pp. 396-397). Por outro lado, revela-se que o spd, o mais poderoso desses partidos, considerou que uma postura branda para com Madrid seria a melhor via para promover a reforma do sistema espanhol &ndash; uma varia&ccedil;&atilde;o da estrat&eacute;gia que o spd viria a aplicar em rela&ccedil;&atilde;o os pa&iacute;ses do Leste europeu, a chamada <i>ostpolitik. </i>Consequentemente, Mu&ntilde;oz S&aacute;nchez v&ecirc; na colabora&ccedil;&atilde;o que se d&aacute; entre estes dois partidos a partir de 1974, n&atilde;o a sequ&ecirc;ncia l&oacute;gica de longas e frut&iacute;feras rela&ccedil;&otilde;es hist&oacute;ricas &ndash; ao contr&aacute;rio do que afirma a historiografia tradicional &ndash;, mas sim o fruto da s&uacute;bita crise pol&iacute;tica no Sul europeu. Este ponto &eacute; ilustrado no terceiro cap&iacute;tulo, que trata da reaproxima&ccedil;&atilde;o entre o spd e o psoe (a fa&ccedil;&atilde;o renovada de Felipe Gonz&aacute;lez) nos &uacute;ltimos meses de lideran&ccedil;a franquista, motivada em grande parte pela preocupa&ccedil;&atilde;o alem&atilde; com uma potencial ascens&atilde;o comunista na sequ&ecirc;ncia da revolu&ccedil;&atilde;o de 25 de abril em Portugal, preocupa&ccedil;&atilde;o essa que foi habilmente explorada por Gonz&aacute;lez.</p>      <p>Para Mu&ntilde;oz S&aacute;nchez, se o apoio externo durante a ditadura &eacute; tipicamente sobrevalorizado, j&aacute; no que se refere ao per&iacute;odo da transi&ccedil;&atilde;o a mem&oacute;ria hist&oacute;rica socialista tende a desvaloriz&aacute;-lo, atribuindo quase exclusivamente &agrave; dire&ccedil;&atilde;o do psoe o not&aacute;vel renascimento do partido (p. 400), mito que este estudo procura corrigir ao elucidar o contributo crucial dos social-demo-cratas alem&atilde;es. Assim, a segunda metade do livro dedica-se ao per&iacute;odo que vai desde a morte de Franco em novembro de 1975 &agrave;s elei&ccedil;&otilde;es gerais de junho de 1977. O quarto cap&iacute;tulo examina o contributo da Funda&ccedil;&atilde;o Friedrich Ebert para a reconstru&ccedil;&atilde;o do psoe, com o objetivo de o tornar uma for&ccedil;a hegem&oacute;nica de esquerda que contivesse o Partido Comunista de Espanha (pce). Aqui, Mu&ntilde;oz S&aacute;nchez descreve n&atilde;o apenas o papel concreto da funda&ccedil;&atilde;o em termos de financiamento e forma&ccedil;&atilde;o de quadros, mas tamb&eacute;m um efeito mais profundo: este apoio, argumenta o autor, promoveu no grupo de Felipe Gonz&aacute;lez a convic&ccedil;&atilde;o de que o psoe estaria bem posicionado para as primeiras elei&ccedil;&otilde;es democr&aacute;ticas, refor&ccedil;ando a sua confian&ccedil;a nas virtudes do processo de reforma em curso e a sua avers&atilde;o a uma rutura frentista ao lado do pce (p. 264). Por fim, o &uacute;ltimo cap&iacute;tulo real&ccedil;a o impacto do partido espanhol na pol&iacute;tica externa da coliga&ccedil;&atilde;o governativa de Bona (ainda encabe&ccedil;ada pelo spd, mas agora dirigida pelo chanceler Helmut Schmidt). O Governo alem&atilde;o intercedeu quer junto da cee quer junto de Madrid para salvaguardar os interesses do psoe e da central sindical socialista ugt, gestos particularmente importantes num clima em que o reformismo madrileno era ainda vacilante &ndash; foi gra&ccedil;as a esta triangula&ccedil;&atilde;o, por exemplo, que se negociou um vantajoso compromisso secreto relativamente &agrave; autoriza&ccedil;&atilde;o de realiza&ccedil;&atilde;o do congresso do psoe em territ&oacute;rio espanhol, em dezembro de 1976 (pp. 339-351).</p>      <p>Em geral, Mu&ntilde;oz S&aacute;nchez encontra um balan&ccedil;o eficaz entre a multid&atilde;o de agentes. Apesar do destaque na pitoresca capa do livro, Willy Brandt &eacute; apenas mais uma pe&ccedil;a no xadrez diplom&aacute;tico, n&atilde;o o principal protagonista (ali&aacute;s, os seus governos recebem relativamente pouca aten&ccedil;&atilde;o). O autor capta os tra&ccedil;os gerais de v&aacute;rias figuras-chave, tais como a intransig&ecirc;ncia de Llopis, o engajamento idealista de Matth&ouml;fer, a capacidade de adapta&ccedil;&atilde;o de Hans-Eberhard Dingels (funcion&aacute;rio respons&aacute;vel pelas rela&ccedil;&otilde;es internacionais do spd) e a posi&ccedil;&atilde;o simultaneamente antifascista e pr&oacute;-espanhola de Brandt, este &uacute;ltimo adequadamente descrito como sendo &laquo;capaz como poucos estadistas do seu tempo de combinar harmoniosamente o mais puro pragmatismo com projetos vision&aacute;rios de paz e democracia planet&aacute;ria&raquo; (p. 66). O espa&ccedil;o dado a cada um dos atores &eacute; justific&aacute;vel, ainda que natural-mente discut&iacute;vel &ndash; as descri&ccedil;&otilde;es detalhadas dos m&uacute;ltiplos relat&oacute;rios e encontros fazem com que longas passagens sejam de interesse bastante espec&iacute;fico. Note-se ainda que, alternando entre as perspetivas dos dois partidos, o autor reconhece o car&aacute;ter assim&eacute;trico da sua rela&ccedil;&atilde;o mas evita retratar o psoe como inteiramente submisso face ao apoio externo. No equilibrado relato de Mu&ntilde;oz S&aacute;nchez, o partido espanhol aparece como agente aut&oacute;nomo e n&atilde;o como mero instrumento da agenda dos alem&atilde;es, ainda que sejam parcialmente validadas as acusa&ccedil;&otilde;es de depend&ecirc;ncia financeira feitas na altura (as quais, ali&aacute;s, levaram os socialistas a manter a colabora&ccedil;&atilde;o o mais discreta poss&iacute;vel &ndash; pp. 256, 259-262).</p>      <p>&nbsp;</p>      <p><b>CONTRIBUTOS PARA AL&Eacute;M DO CASO ESPANHOL</b></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Como vimos, as principais conclus&otilde;es do livro referem-se ao peso do exterior no processo de transi&ccedil;&atilde;o espanhol, pelo que ser&atilde;o particularmente &uacute;teis para historiadores especializados neste tema, bem como para estudiosos de rela&ccedil;&otilde;es internacionais interessados em teorias sist&eacute;micas sobre transi&ccedil;&atilde;o. N&atilde;o obstante, dado o car&aacute;ter inovador das descobertas, pedem talvez uma an&aacute;lise mais ambiciosa. Aproveitando o esfor&ccedil;o de reconstru&ccedil;&atilde;o das a&ccedil;&otilde;es e motiva&ccedil;&otilde;es do lado alem&atilde;o, valeria a pena interrogar o potencial deste caso de estudo para ilustrar as din&acirc;micas do pr&oacute;prio spd. Nesse sentido, as disputas internas propiciadas pela radicaliza&ccedil;&atilde;o da sua juventude partid&aacute;ria mereceriam um olhar mais atento, em particular o congresso de abril de 1973 em Hamburgo, onde as rela&ccedil;&otilde;es de Bona com Madrid foram objeto de vota&ccedil;&atilde;o. Poderiam tamb&eacute;m ter sido alvo de reflex&atilde;o mais profunda as implica&ccedil;&otilde;es da convic&ccedil;&atilde;o das elites do spd de que a social-democracia alem&atilde; possu&iacute;a um modelo export&aacute;vel de modernidade socioecon&oacute;mica. Para al&eacute;m disso, a par do paralelo &ndash; perspicazmente identificado pelo autor &ndash; entre a pol&iacute;tica para com a ditadura espanhola e a <i>ostpolitik</i>, seria tamb&eacute;m de ter em conta o encadeamento entre estas pol&iacute;ticas: no contexto da Guerra Fria, a Rep&uacute;blica Federal da Alemanha dificilmente poderia adotar em rela&ccedil;&atilde;o aos regimes de Leste uma abertura significativamente maior do que aquela reservada para um regime enraizado no bloco ocidental, como era o caso de Espanha (ainda para mais naquele que foi provavelmente o per&iacute;odo &aacute;ureo das rela&ccedil;&otilde;es internacionais do franquismo). Mais tarde, a articula&ccedil;&atilde;o do spd com os seus parceiros na Internacional Socialista e na cee permitiria um olhar privilegiado sobre o anticomunismo (neste caso, antieurocomunismo) da social-democracia europeia em plena <i>d&eacute;tente</i>. Tais pontos, ora impl&iacute;citos, ora mencionados de passagem no texto, se explorados de modo mais desenvolvido e sistem&aacute;tico, poderiam ter robustecido o valor deste estudo.</p>      <p>A par do referido, esta obra tem importantes mais-valias para um p&uacute;blico nacional ou interessado na hist&oacute;ria de Portugal. Antes de mais, tal como em outros contextos, Espanha &eacute; um ponto de compara&ccedil;&atilde;o imprescind&iacute;vel para quem queira p&ocirc;r em perspetiva o caso portugu&ecirc;s. Para al&eacute;m disso, embora o livro acrescente pouco no que toca ao per&iacute;odo tardio do salazarismo e marcelismo<sup><a href="#1">1</a></sup><a name="top1"></a>, aprofunda o conhecimento sobre o papel da Alemanha no movimento socialista portugu&ecirc;s durante a revolu&ccedil;&atilde;o. O contributo nessa mat&eacute;ria n&atilde;o &eacute; t&atilde;o original: ao contr&aacute;rio do que se passa com o psoe, em Portugal a mem&oacute;ria hist&oacute;rica do Partido Socialista continua a enfatizar o legado dos seus apoios internacionais durante este per&iacute;odo (ali&aacute;s, o contraste parece ter sido not&oacute;rio j&aacute; na altura &ndash; pp. 189-190). Ainda assim, ao abordar a ajuda do spd nas campanhas eleitorais de M&aacute;rio Soares em 1975 e 1976, Mu&ntilde;oz S&aacute;nchez complementa e corrobora os poucos estudos significativos realizados sobre esse tema, em particular os trabalhos da historiadora Ana M&oacute;nica Fonseca. Numa outra perspetiva, o livro identifica tamb&eacute;m pontos de interse&ccedil;&atilde;o entre os eventos em Portugal e a sua narrativa principal. Por exemplo, foi durante a visita a Lisboa em outubro de 1974 que Willy Brandt conheceu pessoalmente Felipe Gonz&aacute;lez (pp. 159-160).Acima de tudo, o autor d&aacute; particular destaque ao filtro da experi&ecirc;ncia portuguesa como fator determinante para compreender a posi&ccedil;&atilde;o alem&atilde;. Para al&eacute;m do medo da &laquo;portugaliza&ccedil;&atilde;o&raquo; de Espanha no sentido de erup&ccedil;&atilde;o revolucion&aacute;ria e esquerdista (pp. 150-158, 306), a preocupa&ccedil;&atilde;o sobre a postura hesitante de Madrid levou a elite do spd a comparar a sucess&atilde;o de Franco pelo rei Juan Carlos com a de Salazar por Marcelo Caetano (pp. 312-313). Adensa-se deste modo a crescente historiografia sobre o impacto do 25 de abril na transi&ccedil;&atilde;o espanhola. Por tudo isto, o livro de Antonio Mu&ntilde;oz S&aacute;nchez &eacute; recomend&aacute;vel n&atilde;o apenas a quem estuda a hist&oacute;ria recente de Espanha, do psoe ou do spd, mas tamb&eacute;m a quem procura enquadrar a dimens&atilde;o internacional da Revolu&ccedil;&atilde;o dos Cravos.</p>      <p>&nbsp;</p>      <p><b>NOTAS</b></p>      <p><Sup><a name="1"></a><a href="#top1">1</a></Sup> A esse respeito, leia-se antes, do In <i>Portuguese Studies Review</i>. N.&ordm; 13, mesmo autor, &laquo;La socialdemocracia Vol. 1-2, 2005, pp. 477-503.alemana y el Estado Novo, 1961-1974&raquo;.</p>      ]]></body>
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