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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[A crise na Ucrânia e a Alemanha: o novo paradigma de liderança estratégica europeia?]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[The crisis in Ukraine confirmed Germany as the European political actor which has taken on the strategic leadership in the West's response to Russia. One year after the annexation of Crimea, and against expectations, the firm and convergent stance of Germany and its European partners continues, combining a twofold diplomacy based, first, on economic sanctions, and secondly, on the maintenance of political dialogue politician with Moscow in a conflict for which Germany insists there is no military solution. Investment in these mechanisms, through an interpretation of ‘networked security', reveals that Germany is finally following a strategic perspective in the conduct of its foreign policy, with the aim of recovering a Euroatlantic and transatlantic stable order.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><b>A GUERRA NA UCRÂNIA</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><B>A crise na Ucr&acirc;nia e a Alemanha o novo paradigma de lideran&ccedil;a </B><B>estrat&eacute;gica europeia?</B></p>     <p><B>The crisis</B><B> in Ukraine and Germany: a new paradigm in the European strategic leadership?</B></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><B>Patr&iacute;cia Daehnhardt</B></p>     <p>Professora Auxiliar de Rela&ccedil;&otilde;es Internacionais da Faculdade de Ci&ecirc;ncias Humanas e Sociais da Universidade Lus&iacute;ada de Lisboa e investigadora e membro do Conselho Cient&iacute;fico do IPRI-UNL. Doutorada em Rela&ccedil;&otilde;es Internacionais pela London School of Economics and Political Science. Coordenadora da Dire&ccedil;&atilde;o da Sec&ccedil;&atilde;o de Rela&ccedil;&otilde;es Internacionais da Associa&ccedil;&atilde;o Portuguesa de Ci&ecirc;ncia Pol&iacute;tica. Os seus temas de investiga&ccedil;&atilde;o incluem a pol&iacute;tica externa da Alemanha, a pol&iacute;tica internacional da Uni&atilde;o Europeia (PESC e PCSD) e o papel das pot&ecirc;ncias emergentes na reformula&ccedil;&atilde;o da ordem internacional.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><B>RESUMO</B></p>     <p>A crise na Ucr&acirc;nia confirmou a Alemanha como ator pol&iacute;tico europeu que assumiu a lideran&ccedil;a estrat&eacute;gica na resposta do Ocidente &agrave; R&uacute;ssia. Um ano ap&oacute;s a anexa&ccedil;&atilde;o da Crimeia mant&eacute;m-se, contra as expectativas, a converg&ecirc;ncia firme que combina uma diplomacia assente, por um lado, em san&ccedil;&otilde;es econ&oacute;micas, e, por outro, na manuten&ccedil;&atilde;o do di&aacute;logo pol&iacute;tico com Moscovo num conflito para o qual a Alemanha insiste n&atilde;o existir uma solu&ccedil;&atilde;o militar. O investimento nestes mecanismos, numa interpreta&ccedil;&atilde;o de <i>networked security</i>, revela que a Alemanha est&aacute; finalmente a seguir uma perspetiva estrat&eacute;gica na condu&ccedil;&atilde;o da sua pol&iacute;tica externa, com o objetivo de recuperar uma ordem euro-atl&acirc;ntica e transatl&acirc;ntica est&aacute;vel.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><B>Palavras-chave</B>: Lideran&ccedil;a estrat&eacute;gica, Alemanha, crise na Ucr&acirc;nia, Uni&atilde;o Europeia.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><B>ABSTRACT</B></p>     <p>The crisis in Ukraine confirmed Germany as the European political actor which has taken on the strategic leadership in the West&#39;s response to Russia. One year after the annexation of Crimea, and against expectations, the firm and convergent stance of Germany and its European partners continues, combining a twofold diplomacy based, first, on economic sanctions, and secondly, on the maintenance of political dialogue politician with Moscow in a conflict for which Germany insists there is no military solution. Investment in these mechanisms, through an interpretation of &lsquo;networked security&rsquo;, reveals that Germany is finally following a strategic perspective in the conduct of its foreign policy, with the aim of recovering a Euroatlantic and transatlantic stable order.</p>     <p><B>Keywords</B>: strategic leadership; Germany; Ukrainian crisis; European Union</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>POT&Ecirc;NCIA GEOECON&Oacute;MICA COM HANDICAP ESTRAT&Eacute;GICO</b></p>     <p>A crise na Ucr&acirc;nia, em curso desde novembro de 2013, despoletada pelas diverg&ecirc;ncias entre a R&uacute;ssia e o Ocidente sobre as op&ccedil;&otilde;es da pol&iacute;tica externa ucraniana &ndash; alinhamento com o Ocidente ou com a R&uacute;ssia, na interpreta&ccedil;&atilde;o percecionada por Moscovo, alterou, decisivamente, a an&aacute;lise feita na Alemanha sobre o papel da R&uacute;ssia no espa&ccedil;o euro-atl&acirc;ntico e sobre a forma como Berlim melhor pode responder aos desafios colocados pelas a&ccedil;&otilde;es revisionistas da R&uacute;ssia. Neste processo, a Alemanha determinou a resposta do Ocidente &agrave; R&uacute;ssia e assumiu a lideran&ccedil;a na formula&ccedil;&atilde;o da nova ordem de seguran&ccedil;a europeia. Tanto a chanceler Angela Merkel, como o ministro dos Neg&oacute;cios Estrangeiros, Frank-Walter Steinmeier, veem nas a&ccedil;&otilde;es do Presidente Vladimir Putin uma amea&ccedil;a &agrave; estabilidade europeia. Para Merkel, Putin atua como um pol&iacute;tico do s&eacute;culo xix que pensa na Europa em termos de zonas de influ&ecirc;ncia<sup><a href="#1">1</a></sup><a name="top1"></a>. Para Steinmeier, o conflito na Ucr&acirc;nia &eacute; uma quest&atilde;o de guerra ou paz na Europa, porque a ordem euro-atl&acirc;ntica e transatl&acirc;ntica est&aacute; a ser desafiada<sup><a href="#2">2</a></sup><a name="top2"></a>.</p>     <p>Estas posi&ccedil;&otilde;es s&atilde;o novas porque at&eacute; ao atual governo de grande coliga&ccedil;&atilde;o, desde dezembro de 2013, a pol&iacute;tica externa alem&atilde; orientava-se por considera&ccedil;&otilde;es de <i>networked security</i>, em que estruturas que articulam diferentes dimens&otilde;es de seguran&ccedil;a e defesa se interligam com uma pol&iacute;tica externa baseada em valores e interesses, onde a Uni&atilde;o Europeia (UE), a Alian&ccedil;a Atl&acirc;ntica, os novos centros de poder e a gest&atilde;o da globaliza&ccedil;&atilde;o constitu&iacute;am o cerne da diplomacia e eram articulados com interesses econ&oacute;micos, mas que se caracterizava pela aus&ecirc;ncia de um pensamento estrat&eacute;gico face &agrave; vizinhan&ccedil;a europeia e aos many interesses geoestrat&eacute;gicos relacionados com pa&iacute;ses da Parceria Oriental. Por outras palavras, verificou-se, at&eacute; ent&atilde;o, a aus&ecirc;ncia de um pensamento e debate estrat&eacute;gico na Alemanha sobre quais deviam ser as linhas definidoras a longo prazo da pol&iacute;tica externa alem&atilde; e qual a vis&atilde;o estrat&eacute;gica em que essa atua&ccedil;&atilde;o devia assentar<sup><a href="#3">3</a></sup><a name="top3"></a>.</p>     <p>O antigo ministro dos Neg&oacute;cios Estrangeiros, Guido Westerwelle (2009-2013), do pequeno partido liberal fdp, tinha apresentado um conceito intitulado <i>Gestaltungsm&auml;chtekonzept </i>(conceito de pot&ecirc;ncias que moldam a ordem internacional)<i>, </i>em 2012, segundo o qual a Alemanha deveria desenvolver uma estrat&eacute;gia de coopera&ccedil;&atilde;o com as pot&ecirc;ncias emergentes na forma&ccedil;&atilde;o da nova ordem mundial crescentemente multipolar<sup><a href="#4">4</a></sup><a name="top4"></a>. O conceito n&atilde;o invalidava os pilares tradicionais euro-atl&acirc;nticos e transatl&acirc;nticos, mas era amb&iacute;guo quanto ao posicionamento qualitativo tanto das alian&ccedil;as estabelecidas com os Estados Unidos e a UE, como das novas rela&ccedil;&otilde;es a estabelecer com os brics.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Subjacente a este novo conceito parecia estar a ideia de que a Europa e os Estados Unidos deixariam de constituir o foco de interesse principal para uma pol&iacute;tica externa alem&atilde; primordialmente focada na expans&atilde;o das exporta&ccedil;&otilde;es econ&oacute;micas alem&atilde;s, e numa an&aacute;lise mais geoecon&oacute;mica da diplomacia de Berlim. Segundo Hans Kundnani, a Alemanha afirmava-se enquanto pot&ecirc;ncia geoecon&oacute;mica<sup><a href="#5">5</a></sup><a name="top5"></a>: uma defini&ccedil;&atilde;o do interesse nacional em termos econ&oacute;micos; um papel relevante na defini&ccedil;&atilde;o da pol&iacute;tica externa para grupos empresariais centrados na exporta&ccedil;&atilde;o de produtos alem&atilde;es; uma sobreposi&ccedil;&atilde;o de interesses econ&oacute;micos &agrave; promo&ccedil;&atilde;o de princ&iacute;pios democr&aacute;ticos e &agrave; defesa dos direitos humanos; uma prefer&ecirc;ncia pelo multilateralismo seletivo; e, por &uacute;ltimo, a instrumentaliza&ccedil;&atilde;o do poder econ&oacute;mico na influ&ecirc;ncia exercida sobre outros estados. Desde meados da d&eacute;cada de 2000 consolidou a posi&ccedil;&atilde;o de preponder&acirc;ncia econ&oacute;mica tanto dentro da UE, onde a Alemanha &eacute; o principal credor dos pa&iacute;ses endividados, como no relacionamento bilateral com a Rep&uacute;blica Popular da China, com a qual mant&eacute;m uma forte rela&ccedil;&atilde;o comercial como pot&ecirc;ncia exportadora.</p>     <p>Quando em 2014 Berlim e os seus parceiros se viram confrontados com a mais s&eacute;ria crise no espa&ccedil;o euro-atl&acirc;ntico desde o fim da Guerra Fria, a Alemanha era uma pot&ecirc;ncia geoecon&oacute;mica com <i>handicap </i>estrat&eacute;gico: sustentava o conceito de <i>networked security </i>mas n&atilde;o o articulava com uma an&aacute;lise geoestrat&eacute;gica que lhe permitisse definir uma resposta estrat&eacute;gica e definidora de uma resposta coerente e a longo prazo. Esta fraqueza estrat&eacute;gica era surpreendente se tivermos em conta que a economia alem&atilde;, cujo setor de exporta&ccedil;&atilde;o se adaptou bem aos desafios da globaliza&ccedil;&atilde;o permitindo o cont&iacute;nuo crescimento econ&oacute;mico, necessita de estabilidade internacional para garantir a fluidez do com&eacute;rcio externo e a acessibilidade das rotas comerciais. Isto poderia pressupor essa vis&atilde;o estrat&eacute;gica como forma de contornar decis&otilde;es <i>ad hoc</i>, muitas vezes condicionadas por constrangimentos internos ou externos em vez de definir objetivos assentes numa estrat&eacute;gia que oriente a pol&iacute;tica externa e defina um conceito de lideran&ccedil;a operacional<i>. </i>Com a crise da Ucr&acirc;nia tornou-se insuficiente seguir apenas uma pol&iacute;tica de alargamento das normas democr&aacute;ticas como condicionalidade para um aprofundamento da coopera&ccedil;&atilde;o com Kiev, articulada com interesses econ&oacute;micos e comerciais; era necess&aacute;rio um pensamento estrat&eacute;gico que inclu&iacute;sse a an&aacute;lise dos riscos n&atilde;o apenas econ&oacute;micos mas igualmente geoestrat&eacute;gicos. Neste processo, a Alemanha mudou, por um lado, a sua pol&iacute;tica para a R&uacute;ssia como, por outro, assumiu a lideran&ccedil;a estrat&eacute;gica na resposta europeia &agrave; crise com Moscovo.</p>     <p>Entende-se por lideran&ccedil;a estrat&eacute;gica a capacidade de um Estado para definir os seus interesses a partir de uma an&aacute;lise geoestrat&eacute;gica que articule interesses normativos, econ&oacute;micos e de ordem internacional, com a consequente implementa&ccedil;&atilde;o dos mesmos na pol&iacute;tica externa, em coopera&ccedil;&atilde;o com os seus parceiros, de uma forma multilateral e assumindo a lideran&ccedil;a de uma posi&ccedil;&atilde;o conjunta previamente negociada. No caso da Alemanha, isto significava alargar o &acirc;mbito dos seus interesses, que deixavam de ser interesses primordialmente econ&oacute;micos e passavam a incluir a seguran&ccedil;a e a ordem no continente europeu como definidoras de decis&otilde;es mais geoestrat&eacute;gicas, tomadas num contexto alargado de <i>networked security</i>. Ao poder normativo &ndash; um consider&aacute;vel capital de confian&ccedil;a e legitimidade global &ndash; aliado &agrave; capacidade econ&oacute;mica o Governo alem&atilde;o adicionava agora o pilar que lhe faltava na pol&iacute;tica externa &ndash; uma lideran&ccedil;a estrat&eacute;gica europeia.</p>     <p>A fraqueza estrat&eacute;gica explicava-se tamb&eacute;m pelo facto de a Alemanha continuar a manifestar relut&acirc;ncia quanto ao uso da for&ccedil;a militar, no que se refere, por exemplo, &agrave;s interven&ccedil;&otilde;es militares internacionais das &uacute;ltimas duas d&eacute;cadas, como se verificou nas interven&ccedil;&otilde;es no Iraque, em 2003, e na L&iacute;bia, em 2011. Isto explica-se por raz&otilde;es que se prendem com a mem&oacute;ria hist&oacute;rica e a identidade internacional da Alemanha, e por uma opini&atilde;o p&uacute;blica maioritariamente contr&aacute;ria &agrave; utiliza&ccedil;&atilde;o deste instrumento da pol&iacute;tica externa. Da parte da perce&ccedil;&atilde;o da elite pol&iacute;tica o fator militar j&aacute; n&atilde;o &eacute; contudo o fator determinante de poder &ndash; o sucesso econ&oacute;mico, a capacidade de influenciar decis&otilde;es nas institui&ccedil;&otilde;es internacionais e o reconhecimento dos outros estados s&atilde;o, no mundo globalizado, mais relevantes na perspetiva de uma pot&ecirc;ncia europeia. Mas para articular estes tr&ecirc;s elementos de poder uma pot&ecirc;ncia necessita de ter uma vis&atilde;o estrat&eacute;gica. A crise da Ucr&acirc;nia veio acelerar um processo de mudan&ccedil;a que j&aacute; estava em curso desde in&iacute;cios de 2014 quando os minist&eacute;rios dos Neg&oacute;cios Estrangeiros e da Defesa deram impulsos decisivos que iniciaram o debate sobre a pol&iacute;tica externa alem&atilde;, com a <i>Foreign Policy Review 2014 </i>e o rec&eacute;m-iniciado debate sobre o Livro Branco da Defesa, a concluir em 2016<sup><a href="#6">6</a></sup><a name="top6"></a>.</p>     <p>O artigo pretende demonstrar como a Alemanha tem feito este percurso de afirma&ccedil;&atilde;o enquanto novo l&iacute;der estrat&eacute;gico europeu, articulando a crise da Ucr&acirc;nia como fator externo com altera&ccedil;&otilde;es na condu&ccedil;&atilde;o da pol&iacute;tica externa e da pol&iacute;tica de seguran&ccedil;a e defesa, como fator interno. A primeira parte contextualiza suficientemente o fim da ordem euro-atl&acirc;ntica do p&oacute;s-Guerra Fria. A segunda parte analisa as respostas alem&atilde;s e europeias &agrave; crise na Ucr&acirc;nia. Uma terceira sec&ccedil;&atilde;o avalia o novo paradigma da lideran&ccedil;a estrat&eacute;gica europeia da Alemanha, nas suas dimens&otilde;es externas, na rela&ccedil;&atilde;o bilateral com os Estados Unidos, na NATO e na UE assim como nas dimens&otilde;es internas nas mudan&ccedil;as ocorridas nos minist&eacute;rios dos Neg&oacute;cios Estrangeiros e Defesa. Por &uacute;ltimo, questiona-se se a crise da Ucr&acirc;nia pode ser vista como um <i>test case </i>para uma pol&iacute;tica externa alem&atilde; globalmente estrat&eacute;gica.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>O FIM DA ORDEM EURO-ATL&Acirc;NTICA DO P&Oacute;S-GUERRA FRIA</b></p>     <p>A crise da Ucr&acirc;nia colocou o Ocidente perante o desafio do reordenamento no antigo espa&ccedil;o sovi&eacute;tico. Quando em mar&ccedil;o de 2014 a R&uacute;ssia anexou o territ&oacute;rio ucraniano da Crimeia, em viola&ccedil;&atilde;o das disposi&ccedil;&otilde;es jur&iacute;dicas da Ata Final de Hels&iacute;nquia de 1975, que proibia a altera&ccedil;&atilde;o atrav&eacute;s do uso da for&ccedil;a das fronteiras territoriais na Europa, e do Memorando de Budapeste, de 1994, que previa o respeito pela independ&ecirc;ncia e integridade territorial da Ucr&acirc;nia em troca da ren&uacute;ncia desta &agrave; cont&iacute;nua posse de armamento nuclear, muitos concordaram com a afirma&ccedil;&atilde;o do ministro dos Neg&oacute;cios Estrangeiros alem&atilde;o, Frank-Walter Steinmeier, de que a quest&atilde;o da guerra e da paz regressou inesperadamente ao continente<sup><a href="#7">7</a></sup><a name="top7"></a>. Havia o risco da ocorr&ecirc;ncia de um conflito num pa&iacute;s que fazia fronteira com a R&uacute;ssia assim como a possibilidade de uma divis&atilde;o da Europa e dos parceiros europeus e transatl&acirc;nticos com consequ&ecirc;ncias problem&aacute;ticas para a coes&atilde;o da Europa e a alian&ccedil;a transatl&acirc;ntica.</p>     <p>As a&ccedil;&otilde;es da R&uacute;ssia sinalizaram que o ordenamento europeu de 1989-1991, no territ&oacute;rio da antiga Uni&atilde;o Sovi&eacute;tica assim como na Europa de Leste deixava de ser considerado <i>statu quo</i>. Se as fronteiras ucranianas podiam ser postas em causa unilateralmente por Moscovo n&atilde;o havia garantia que as fronteiras de pa&iacute;ses como a Ge&oacute;rgia ou a Moldova seriam respeitadas<sup><a href="#8">8</a></sup><a name="top8"></a>. Esta destabiliza&ccedil;&atilde;o da ordem euro-atl&acirc;ntica correspondeu ao fim da parceria estrat&eacute;gica NATO-R&uacute;ssia, com a crise na Ucr&acirc;nia a revelar-se a maior amea&ccedil;a &agrave; ordem securit&aacute;ria europeia desde o fim da Guerra Fria. Ao entrar sem pr&eacute;-aviso nos espa&ccedil;os a&eacute;reos e mar&iacute;timos de pa&iacute;ses membros da NATO, a R&uacute;ssia p&ocirc;s em causa as regras e normas da ordem liberal internacional, levantando a possibilidade de novas agress&otilde;es russas ao princ&iacute;pio da integridade territorial dos estados, assim como pondo em cheque a seguran&ccedil;a energ&eacute;tica na Europa<sup><a href="#9">9</a></sup><a name="top9"></a>. Isto colocou a UE e a NATO perante a incerteza de quais seriam os limites da pol&iacute;tica revisionista do Presidente Vladimir Putin ndash; um primeiro cen&aacute;rio da circunscri&ccedil;&atilde;o do conflito ao territ&oacute;rio do Leste da Ucr&acirc;nia, e um segundo cen&aacute;rio de um objetivo russo mais amplo de recupera&ccedil;&atilde;o, pela for&ccedil;a, de outras zonas de influ&ecirc;ncia na Ge&oacute;rgia, ou Moldova, ou nos Balc&atilde;s, onde o futuro da S&eacute;rvia como membro da UE est&aacute; a ser negociado, ou mesmo os pa&iacute;ses b&aacute;lticos, numa l&oacute;gica revisionista que correspondia &agrave; invers&atilde;o da f&oacute;rmula de recuo estrat&eacute;gico da Uni&atilde;o Sovi&eacute;tica no final da Guerra Fria e ao restabelecimento do imp&eacute;rio russo, at&eacute; por raz&otilde;es internas de autopreserva&ccedil;&atilde;o do regime de Vladimir Putin.</p>     <p>As a&ccedil;&otilde;es de Putin culminaram no afastamento volunt&aacute;rio da R&uacute;ssia em integrar a comunidade de seguran&ccedil;a transatl&acirc;ntica; nos vinte e cinco anos decorrentes ap&oacute;s o fim da Guerra Fria foram v&aacute;rias as tentativas de aproxima&ccedil;&atilde;o do Ocidente &agrave; R&uacute;ssia. Em 1994 a NATO criou a Parceria para a Paz, que a R&uacute;ssia integrou no mesmo ano (assim como a Ucr&acirc;nia); antes da ades&atilde;o da Pol&oacute;nia, Hungria e Rep&uacute;blica Checa &agrave; NATO, em 1999, a Alian&ccedil;a Atl&acirc;ntica e a R&uacute;ssia assinaram o NATO-Russia Founding Act, em maio de 1997; em 2002 ambas as partes criaram o Conselho NATO-R&uacute;ssia<sup><a href="#10">10</a></sup><a name="top10"></a>. Da&iacute; que o argumento sistematicamente avan&ccedil;ado por Moscovo, desde 2007, de que os interesses russos n&atilde;o foram tidos em conta na constru&ccedil;&atilde;o da ordem securit&aacute;ria do p&oacute;s-Guerra Fria no espa&ccedil;o euro-atl&acirc;ntico n&atilde;o corresponda realmente &agrave; realidade<sup><a href="#11">11</a></sup><a name="top11"></a>.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A partir de 2000, ap&oacute;s a subida ao poder de Putin, a R&uacute;ssia definia uma l&oacute;gica inversa, de gradual recupera&ccedil;&atilde;o de poder atrav&eacute;s do apoio a regimes simpatizantes e na oposi&ccedil;&atilde;o aos apoios ocidentais &agrave; democratiza&ccedil;&atilde;o nos novos estados soberanos da antiga URSS, como aconteceu na Ge&oacute;rgia, na Ucr&acirc;nia ou no Quirguist&atilde;o. Nesse percurso de revis&atilde;o do seu estatuto de poder, a R&uacute;ssia era pouco construtiva no debate sobre uma maior aproxima&ccedil;&atilde;o &agrave;s institui&ccedil;&otilde;es transatl&acirc;nticas, e gradualmente reinstitu&iacute;ram-se a desconfian&ccedil;a e a incerteza m&uacute;tuas no espa&ccedil;o euro-atl&acirc;ntico, vis&iacute;veis quando Putin criticou a pol&iacute;tica do alargamento institucional da Alian&ccedil;a Atl&acirc;ntica como potencial amea&ccedil;a &agrave; seguran&ccedil;a russa, na Confer&ecirc;ncia de Seguran&ccedil;a em Munique, em fevereiro de 2007, ou quando a R&uacute;ssia n&atilde;o renovou o Acordo de Parceria e Coopera&ccedil;&atilde;o (apc) com a UE em 2008. O Presidente Dmitry Medvedev (2008-2012) chegou a propor uma arquitetura de seguran&ccedil;a europeia, em 2008, que n&atilde;o foi favoravelmente acolhida pela Europa e pelos Estados Unidos por estes considerarem que a Organiza&ccedil;&atilde;o de Coopera&ccedil;&atilde;o e Seguran&ccedil;a na Europa (OSCE), criada atrav&eacute;s da Carta de Paris, em 1990, j&aacute; representava a institui&ccedil;&atilde;o pan-europeia, que congregava quase todos os pa&iacute;ses do espa&ccedil;o euro-atl&acirc;ntico, incluindo os Estados Unidos e o Canad&aacute;, e a pr&oacute;pria R&uacute;ssia, raz&atilde;o pela qual n&atilde;o era necess&aacute;rio substitu&iacute;-la por uma nova estrutura institucional<sup><a href="#12">12</a></sup><a name="top12"></a>. Ao mesmo tempo, o lado russo n&atilde;o esclarecia qual era o papel que os Estados Unidos deveriam assumir no novo enquadramento proposto, argumentando os mais cr&iacute;ticos que o objetivo de Moscovo era o de afastar os norte-americanos do contexto securit&aacute;rio do territ&oacute;rio europeu, reduzindo a influ&ecirc;ncia de Washington, o que se traduziria num aumento da potencial influ&ecirc;ncia a exercer pela R&uacute;ssia, pot&ecirc;ncia nuclear e com direito de veto no Conselho de Seguran&ccedil;a das Na&ccedil;&otilde;es Unidas (CSNU), sobre a Europa.</p>     <p>Assim, durante a primeira d&eacute;cada do s&eacute;culo xxi, o papel da R&uacute;ssia na redefini&ccedil;&atilde;o conjunta de uma ordem euro-atl&acirc;ntica de seguran&ccedil;a foi-se gradualmente desvanecendo<sup><a href="#13">13</a></sup><a name="top13"></a>. Contudo, as rela&ccedil;&otilde;es entre a R&uacute;ssia e o Ocidente baseavam-se na gest&atilde;o de um fr&aacute;gil equil&iacute;brio e nunca foram desprovidas de tens&otilde;es, como revelaram as posi&ccedil;&otilde;es divergentes sobre os sucessivos alargamentos da NATO at&eacute; &agrave;s fronteiras da antiga Uni&atilde;o Sovi&eacute;tica, as revolu&ccedil;&otilde;es coloridas na Ge&oacute;rgia, na Ucr&acirc;nia e no Quirguist&atilde;o, os conflitos congelados na Transn&iacute;stria, Nagorno-Karabakh, Abc&aacute;sia e Oss&eacute;tia do Sul, assim como a oposi&ccedil;&atilde;o russa &agrave; livre escolha da Ucr&acirc;nia, Ge&oacute;rgia, Moldova e Arm&eacute;nia quanto a negocia&ccedil;&otilde;es de associa&ccedil;&atilde;o com a UE, ou ao projeto de defesa antim&iacute;ssil norte-americano, ou traduzia-se pela instrumentaliza&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica dos recursos energ&eacute;ticos russos, como o g&aacute;s, nas negocia&ccedil;&otilde;es com os pa&iacute;ses europeus. Por parte da Alemanha, houve uma pol&iacute;tica cont&iacute;nua de tentar integrar a R&uacute;ssia como parceira na arquitetura euro-atl&acirc;ntica, a partir de iniciativas partid&aacute;rias, funda&ccedil;&otilde;es pol&iacute;ticas ou associa&ccedil;&otilde;es da sociedade civil, para promover o que Berlim definia como a Parceria de Moderniza&ccedil;&atilde;o. Esta preocupa&ccedil;&atilde;o para com as sensibilidades do vizinho russo refletiu-se na cimeira da NATO em Bucareste, em abril de 2008, quando Berlim, em conjunto com Paris, desacelerou o processo de alargamento da NATO &agrave; Ge&oacute;rgia e &agrave; Ucr&acirc;nia. O resultado, contudo, foi que a R&uacute;ssia, a partir da&iacute;, considerou que podia avan&ccedil;ar na Ge&oacute;rgia no sentido de apoiar a suposta autoproclama&ccedil;&atilde;o de independ&ecirc;ncia da Abc&aacute;sia e Oss&eacute;tia do Sul na sequ&ecirc;ncia da &laquo;Guerra dos Cinco Dias&raquo;, em agosto do mesmo ano. Assim, pela sua trajet&oacute;ria de revisionismo da ordem europeia, e de afirma&ccedil;&atilde;o enquanto ator hegem&oacute;nico no que denomina ser o seu estrangeiro pr&oacute;ximo, Moscovo autoexclu&iacute;a-se do papel de parceiro na constru&ccedil;&atilde;o de uma ordem securit&aacute;ria europeia.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>RESPOSTAS ALEM&Atilde;S E EUROPEIAS &Agrave; CRISE NA UCR&Acirc;NIA: CONTEN&Ccedil;&Atilde;O E COOPERA&Ccedil;&Atilde;O</b></p>     <p>A crise da Ucr&acirc;nia e a anexa&ccedil;&atilde;o da Crimeia pela R&uacute;ssia, em mar&ccedil;o de 2014, contudo, acabaram por mudar a diplomacia de Berlim. O Governo e todos os partidos do Bundestag condenaram a anexa&ccedil;&atilde;o e consideraram-na como inaceit&aacute;vel por constituir uma viola&ccedil;&atilde;o do Direito Internacional e dos princ&iacute;pios da Carta das Na&ccedil;&otilde;es Unidas. Na perspetiva de Berlim, Moscovo tinha deixado de ser um parceiro dif&iacute;cil, para passar a ser um advers&aacute;rio, relativamente ao qual era necess&aacute;rio definir uma pol&iacute;tica de conten&ccedil;&atilde;o, que para o Governo de Merkel devia ser definida pela aplica&ccedil;&atilde;o de san&ccedil;&otilde;es econ&oacute;micas &agrave; R&uacute;ssia, em conjunto com os seus parceiros europeus e americano. Merkel resumia a posi&ccedil;&atilde;o alem&atilde; e europeia da seguinte forma:</p>     <p>     <blockquote>&laquo;Em primeiro lugar, estamos a apoiar a Ucr&acirc;nia tanto pol&iacute;tica como economicamente. Em segundo lugar, faremos todos os esfor&ccedil;os para chegar a uma solu&ccedil;&atilde;o diplom&aacute;tica para o conflito, dialogando com a R&uacute;ssia. Em terceiro lugar, impusemos san&ccedil;&otilde;es econ&oacute;micas &agrave; R&uacute;ssia da abrang&ecirc;ncia e dura&ccedil;&atilde;o necess&aacute;rias. O objetivo fundamental desta abordagem &eacute; manter a soberania e integridade territorial da Ucr&acirc;nia, permitindo-lhe, assim, decidir o seu pr&oacute;prio futuro.&raquo;<sup><a href="#14">14</a></sup><a name="top14"></a></blockquote>     <p></p>     <p>Neste contexto de san&ccedil;&otilde;es e di&aacute;logo, o uso da for&ccedil;a militar assim como o envio de armas pesadas &agrave; Ucr&acirc;nia para resolver a crise foi exclu&iacute;do desde o in&iacute;cio por todos os pa&iacute;ses da UE. Em 6 de mar&ccedil;o de 2014 os chefes de Estado e de governo da UE decidiram a aplica&ccedil;&atilde;o faseada de san&ccedil;&otilde;es econ&oacute;micas como forma de pressionar a R&uacute;ssia a alterar a sua pol&iacute;tica para a Ucr&acirc;nia<sup><a href="#15">15</a></sup><a name="top15"></a>. Em 29 de julho de 2014 a UE aprovou um novo pacote de san&ccedil;&otilde;es &agrave; R&uacute;ssia, devido &agrave; continua&ccedil;&atilde;o do apoio dado por Moscovo &agrave;s for&ccedil;as separatistas na Ucr&acirc;nia Oriental, e devido ao alegado envolvimento das for&ccedil;as separatistas pr&oacute;-russas na queda do voo MH17 da Malaysian Airlines, que se despenhou sobre o Leste da Ucr&acirc;nia<sup><a href="#16">16</a></sup><a name="top16"></a>. Este pacote imp&ocirc;s um embargo de armas; o acesso de bancos estatais da R&uacute;ssia ao mercado de capitais da UE foi tornado mais dif&iacute;cil; a proibi&ccedil;&atilde;o de exporta&ccedil;&atilde;o para a R&uacute;ssia de bens de alta tecnologia para a produ&ccedil;&atilde;o de petr&oacute;leo; e a proibi&ccedil;&atilde;o de fornecimento de bens de dupla utiliza&ccedil;&atilde;o a empresas militares na R&uacute;ssia<sup><a href="#17">17</a></sup><a name="top17"></a>. Perante a gravidade da situa&ccedil;&atilde;o, a aplica&ccedil;&atilde;o de san&ccedil;&otilde;es econ&oacute;micas &agrave; R&uacute;ssia revelou uma converg&ecirc;ncia importante tanto no seio da UE como entre os dois lados do Atl&acirc;ntico, com a chanceler Merkel a assumir desde o in&iacute;cio a lideran&ccedil;a na resposta &agrave; crise, tanto na elabora&ccedil;&atilde;o e implementa&ccedil;&atilde;o do pacote de san&ccedil;&otilde;es em tr&ecirc;s fases, como no apoio assertivo &agrave; democratiza&ccedil;&atilde;o e moderniza&ccedil;&atilde;o na Ucr&acirc;nia. A posi&ccedil;&atilde;o de Merkel foi determinante na decis&atilde;o, da UE, de aplicar san&ccedil;&otilde;es &agrave; R&uacute;ssia, e de faz&ecirc;-lo atrav&eacute;s de uma posi&ccedil;&atilde;o europeia unida e em estreita coordena&ccedil;&atilde;o com os Estados Unidos.</p>     <p>As san&ccedil;&otilde;es econ&oacute;micas, que n&atilde;o foram bem recebidas por um conjunto de empres&aacute;rios alem&atilde;es com interesses econ&oacute;micos na R&uacute;ssia, sinalizavam a Moscovo que a Alemanha estava disposta a assumir os custos envolvidos para a resolu&ccedil;&atilde;o da crise. Putin ter&aacute; feito um erro de perce&ccedil;&atilde;o ao alienar a chanceler e ao considerar que o Governo alem&atilde;o, devido &agrave;s fortes rela&ccedil;&otilde;es comerciais entre ambos os pa&iacute;ses, n&atilde;o iria adotar uma atitude punitiva<sup><a href="#18">18</a></sup><a name="top18"></a>. Mesmo assim, o Presidente russo parecia desistir da confian&ccedil;a e da rela&ccedil;&atilde;o privilegiada com Berlim como o interlocutor preferencial no relacionamento com a UE, e, em menor grau, na rela&ccedil;&atilde;o com a NATO e os Estados Unidos, uma rela&ccedil;&atilde;o que servia de ponte de liga&ccedil;&atilde;o nas rela&ccedil;&otilde;es pol&iacute;ticas com o Ocidente, para al&eacute;m dos &oacute;bvios interesses econ&oacute;micos e energ&eacute;ticos<sup><a href="#19">19</a></sup><a name="top19"></a>.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Num discurso na Austr&aacute;lia, no Lowy Institute for International Policy, em 17 de novembro de 2014, dias depois de Merkel ter dialogado, sem sucesso, com Putin durante a cimeira do G-20 em Brisbane, a chanceler alem&atilde; exp&ocirc;s uma an&aacute;lise geoestrat&eacute;gica da crise. Merkel acusou o Presidente russo de quebrar a ordem europeia, caracterizada pela resolu&ccedil;&atilde;o pac&iacute;fica de conflitos, pelo di&aacute;logo e pela ren&uacute;ncia ao uso da for&ccedil;a<sup><a href="#20">20</a></sup><a name="top20"></a>. Segundo a chanceler, &laquo;a crise da Ucr&acirc;nia &eacute; mais do que uma crise regional&raquo; pelo perigo de uma &laquo;grande conflagra&ccedil;&atilde;o&raquo; provocada pelo l&iacute;der russo atuando como um incendi&aacute;rio que podia provocar um &laquo;inc&ecirc;ndio em larga escala&raquo;<sup><a href="#21">21</a></sup><a name="top21"></a>ao desrespeitar a soberania dos pa&iacute;ses vizinhos e voltar a uma pol&iacute;tica do s&eacute;culo xix de divis&atilde;o do mundo em esferas de influ&ecirc;ncia, no que se refere, por exemplo, &agrave; Moldova, &agrave; Ge&oacute;rgia, ou mesmo &agrave; S&eacute;rvia (que est&aacute; a preparar a sua ades&atilde;o &agrave; UE). Nesse discurso, Merkel apelou &agrave; unidade do Ocidente. O maior perigo na Europa e em todo o mundo era &laquo;que n&oacute;s (pud&eacute;ssemos) estar desunidos&raquo;, disse.</p>     <p>Contrariamente ao esperado, as v&aacute;rias san&ccedil;&otilde;es econ&oacute;micas que a UE imp&ocirc;s &agrave; R&uacute;ssia e a sua renova&ccedil;&atilde;o (aplic&aacute;veis pelo menos at&eacute; Moscovo cumprir com o tratado de cessar-fogo de Minsk 2, de 12 de fevereiro de 2015, e cujo levantamento est&aacute; vinculado &agrave; plena implementa&ccedil;&atilde;o do Acordo de Paz de Minsk) basearam-se num consenso entre a UE e os Estados Unidos na crise da Ucr&acirc;nia e nas rela&ccedil;&otilde;es com a R&uacute;ssia de rejei&ccedil;&atilde;o do uso da for&ccedil;a e aplica&ccedil;&atilde;o de san&ccedil;&otilde;es como mecanismo para pressionar Moscovo a recuar nas suas posi&ccedil;&otilde;es. O contexto estrat&eacute;gico mudou, para Moscovo, j&aacute; que as san&ccedil;&otilde;es come&ccedil;avam a fazer efeito, o pre&ccedil;o do petr&oacute;leo descia significativamente e a moeda russa desvalorizava, afetando a situa&ccedil;&atilde;o econ&oacute;mica no interior da R&uacute;ssia, e os decisores russos come&ccedil;avam a sentir o pre&ccedil;o do isolamento internacional, como quando a R&uacute;ssia foi exclu&iacute;da do G8, logo em mar&ccedil;o de 2014.</p>     <p>Ao mesmo tempo, mantinha-se o di&aacute;logo com a R&uacute;ssia, porque o Governo alem&atilde;o, assim como os parceiros europeus, concordavam que n&atilde;o havia uma solu&ccedil;&atilde;o militar para a crise. As propostas iniciais do ministro dos Neg&oacute;cios Estrangeiros, Frank-Walter Steinmeier, para a constitui&ccedil;&atilde;o de um &laquo;grupo de contacto&raquo; ou uma miss&atilde;o de observadores da OSCE para a Ucr&acirc;nia apenas encontraram apoio na assinatura do primeiro acordo de cessar-fogo de Minsk, em setembro de 2014 (conhecido posteriormente como Minsk 1) entre a Alemanha, a Fran&ccedil;a, a R&uacute;ssia e a Ucr&acirc;nia. Minsk 1, que previa um cessar-fogo imediato, n&atilde;o foi, no entanto, cumprido por nenhuma das duas partes em conflito.</p>     <p>Numa segunda tentativa de mediar um cessar-fogo, em in&iacute;cios de 2015 e depois de uma intensa diplomacia de <i>shuttle</i>, que levou a chanceler Merkel a deslocar-se a Washington e Moscovo, em fevereiro de 2015, foi assinado um segundo acordo de cessar-fogo, o Acordo Minsk 2, em 12 de fevereiro. Angela Merkel e o Presidente franc&ecirc;s, Fran&ccedil;ois Hollande, conseguiram forjar um segundo cessar-fogo com o Presidente russo, Vladimir Putin, e o Presidente ucraniano, Petro Poroshenko. Minsk 2, como &eacute; conhecido este acordo que ainda est&aacute; em vigor, prev&ecirc; a retirada de armamentos pesados e troca de prisioneiros, assim como o acesso dos observadores da OSCE para observa&ccedil;&atilde;o do cumprimento das disposi&ccedil;&otilde;es do cessar-fogo e da realiza&ccedil;&atilde;o de elei&ccedil;&otilde;es no Leste da Ucr&acirc;nia, e o envio de ajuda humanit&aacute;ria<sup><a href="#22">22</a></sup><a name="top22"></a>. Mesmo assim, e porque as disposi&ccedil;&otilde;es do tratado de fevereiro n&atilde;o estavam a ser cumpridas, em 19 de mar&ccedil;o de 2015 a UE decidiu prolongar as san&ccedil;&otilde;es econ&oacute;micas. Encontrou-se um compromisso para articular o cumprimento das disposi&ccedil;&otilde;es do acordo de cessar-fogo de Minsk 2 entre a Ucr&acirc;nia, a R&uacute;ssia e os separatistas pr&oacute;-russos com um eventual levantamento das san&ccedil;&otilde;es. Este compromisso evitava que a diferen&ccedil;a de posi&ccedil;&otilde;es, entre alguns pa&iacute;ses da Europa de Leste, que reivindicavam desde j&aacute; o prolongamento das san&ccedil;&otilde;es para 2016, e pa&iacute;ses como a It&aacute;lia, que advogavam a flexibiliza&ccedil;&atilde;o das san&ccedil;&otilde;es relacionadas com o setor banc&aacute;rio russo, a ind&uacute;stria do petr&oacute;leo e os arsenais impedisse o prolongamento das san&ccedil;&otilde;es<sup><a href="#23">23</a></sup><a name="top23"></a>.</p>     <p>Os ministros dos Neg&oacute;cios Estrangeiros da Alemanha, Fran&ccedil;a, R&uacute;ssia e Ucr&acirc;nia &ndash; o chamado &laquo;grupo da Normandia&raquo; &ndash; reuniram-se em Berlim, pela quinta vez, a 13 de abril de 2015, de que resultou, apesar da situa&ccedil;&atilde;o ainda muito complicada, a primeira declara&ccedil;&atilde;o conjunta sobre o conflito no Leste da Ucr&acirc;nia, e que prev&ecirc; o fim imediato dos combates (que se reiniciaram), o refor&ccedil;o da miss&atilde;o de observa&ccedil;&atilde;o da OSCE na regi&atilde;o, completar a troca de prisioneiros, a retirada das armas pesadas, incluindo tanques e ve&iacute;culos blindados, e a constitui&ccedil;&atilde;o de grupos de trabalho para preparar uma solu&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica<sup><a href="#24">24</a></sup><a name="top24"></a>.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>O NOVO PARADIGMA DA LIDERAN&Ccedil;A ESTRAT&Eacute;GICA EUROPEIA</b></p>     <p>Para a pol&iacute;tica externa alem&atilde;, a crise da Ucr&acirc;nia traduz-se num elemento adicional, para al&eacute;m de mudan&ccedil;as internas na elite alem&atilde;, &agrave; emerg&ecirc;ncia do novo paradigma da lideran&ccedil;a estrat&eacute;gica europeia da Alemanha. Isto verifica-se em quatro dom&iacute;nios. Primeiro, o paradigma da lideran&ccedil;a estrat&eacute;gica europeia da Alemanha verifica-se na nova converg&ecirc;ncia de interesses entre a Alemanha e os Estados Unidos no espa&ccedil;o euro-atl&acirc;ntico. Depois de momentos de ressentimento, nos &uacute;ltimos anos, devido &agrave;s guerras no Iraque e na L&iacute;bia e ao esc&acirc;ndalo de escutas nsa, a coopera&ccedil;&atilde;o e coordena&ccedil;&atilde;o de pol&iacute;ticas entre os Estados Unidos e a Alemanha voltou a ser determinante<sup><a href="#25">25</a></sup><a name="top25"></a>.</p>     <p>Com a reemerg&ecirc;ncia das fragilidades securit&aacute;rias no continente europeu, os Estados Unidos, que, em resposta &agrave; consolida&ccedil;&atilde;o da Rep&uacute;blica Popular da China como pot&ecirc;ncia global, se est&atilde;o a reposicionar estrategicamente para o Pac&iacute;fico, reorientaram-se mais uma vez para o continente europeu. O Presidente Barack Obama declarou a aplica&ccedil;&atilde;o de san&ccedil;&otilde;es &agrave; R&uacute;ssia, em converg&ecirc;ncia com os seus parceiros europeus, e deu garantias de seguran&ccedil;a aos pa&iacute;ses b&aacute;lticos e &agrave; Pol&oacute;nia<sup><a href="#26">26</a></sup><a name="top26"></a>. Apesar das diverg&ecirc;ncias quanto ao <i>timing </i>e conte&uacute;do das san&ccedil;&otilde;es, os Estados Unidos deixaram a Europa assumir a condu&ccedil;&atilde;o do processo, como se viu na assinatura dos dois tratados de Minsk, nos quais os Estados Unidos n&atilde;o estiveram oficialmente presentes. Pela primeira vez na hist&oacute;ria das rela&ccedil;&otilde;es transatl&acirc;nticas, os Estados Unidos, com a Administra&ccedil;&atilde;o do Presidente Barack Obama, est&atilde;o a deixar os europeus, principalmente os alem&atilde;es, assumirem a lideran&ccedil;a na resposta &agrave; crise com a R&uacute;ssia, ou por interesse, por considerarem que a Europa j&aacute; n&atilde;o &eacute; o continente de primordial interesse para Washington, ou por fraqueza, devido &agrave;s consequ&ecirc;ncias do envolvimento dos Estados Unidos nas guerras do Iraque e do Afeganist&atilde;o e da crise financeira de 2008 assim como dos consequentes cortes no or&ccedil;amento de defesa norte-americano.</p>     <p>A conflu&ecirc;ncia de dois fatores, o novo estatuto da Alemanha no espa&ccedil;o euro-atl&acirc;ntico e o relativo retraimento estrat&eacute;gico norte-americano da Europa, define assim uma fase transicional, onde o relacionamento entre Berlim e Washington tornou-se ainda mais importante porque aumenta a press&atilde;o sobre Berlim para que assuma um maior papel enquanto ator pol&iacute;tico internacional. Na realidade esta din&acirc;mica n&atilde;o &eacute; nova, se tivermos em conta que j&aacute; o Presidente norte-americano George H. W. Bush, em maio de 1989, num discurso em Mainz, na Alemanha, propusera a Helmut Kohl, ent&atilde;o chanceler da Rep&uacute;blica Federal da Alemanha (RFA), que os Estados Unidos e a RFA cooperassem como <i>partners in leadership</i>, ou seja, que cooperassem estreitamente em mat&eacute;ria de pol&iacute;tica transatl&acirc;ntica e na pol&iacute;tica internacional.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Mesmo que um quarto de s&eacute;culo depois esta coparceria n&atilde;o se tenha verdadeiramente institu&iacute;do, em parte por a elite pol&iacute;tica em Berlim at&eacute; agora n&atilde;o ter atribu&iacute;do muito significado &agrave; rela&ccedil;&atilde;o estrat&eacute;gica entre os dois pa&iacute;ses, &eacute; a Alemanha, com o apoio de Washington, mais do que a Fran&ccedil;a ou a Gr&atilde;-Bretanha, que est&aacute; a assumir o papel de pot&ecirc;ncia liderante na Europa, pela sua capacidade econ&oacute;mica, pelas fragilidades estruturais francesas e pelas incertezas brit&acirc;nicas quanto &agrave; sua perman&ecirc;ncia, atualmente, na UE. Mesmo que a reorienta&ccedil;&atilde;o norte-americana para a Europa seja tempor&aacute;ria, ela &eacute; essencial para assegurar a coordena&ccedil;&atilde;o entre Berlim e Washington e para garantir a estabilidade e unidade do Ocidente<sup><a href="#27">27</a></sup><a name="top27"></a>. &Eacute; do interesse dos Estados Unidos refor&ccedil;ar a rela&ccedil;&atilde;o bilateral com Berlim e coordenar de forma mais estreita as pol&iacute;ticas alem&atilde;s e americanas. Washington f&aacute;-lo ao delegar a lideran&ccedil;a &agrave; Alemanha e ao reconhec&ecirc;-la como principal pot&ecirc;ncia ordenadora no continente europeu, o que permite aos Estados Unidos manter a reorienta&ccedil;&atilde;o estrat&eacute;gica em curso. Por seu turno, a Alemanha demonstrou, no decorrer da crise, que j&aacute; assumiu uma das fun&ccedil;&otilde;es que tradicionalmente era exercida pelos Estados Unidos, quando conseguiu reunir &agrave; sua volta os pa&iacute;ses europeus e garantir que o Ocidente responda com uma posi&ccedil;&atilde;o unida &agrave; R&uacute;ssia. Contudo, esta transforma&ccedil;&atilde;o da estrutura de poder no espa&ccedil;o euro-atl&acirc;ntico &eacute; ainda muito t&eacute;nue, com os Estados Unidos a permanecerem como a principal pot&ecirc;ncia transatl&acirc;ntica e a Alemanha consolidando-se como a pot&ecirc;ncia central europeia.</p>     <p>Um poss&iacute;vel ponto de disc&oacute;rdia entre Berlim e Washington &eacute; a quest&atilde;o do envio de armas letais para a Ucr&acirc;nia em apoio &agrave;s for&ccedil;as governamentais ucranianas. Para fortalecer o regime de Kiev e contrariar o envio de armas aos separatistas pr&oacute;-russos por Moscovo, alguns analistas norte-americanos sugeriram, a partir de finais de 2014, que era necess&aacute;rio fornecer armamento de combate &agrave; Ucr&acirc;nia. Este debate surgiu em Washington, dentro da Administra&ccedil;&atilde;o Obama e no Congresso devido &agrave; fragilidade do Acordo de Minsk 1, e por os defensores do envio de armas considerarem que o lado ucraniano necessitava de poder negociar atrav&eacute;s de uma posi&ccedil;&atilde;o de for&ccedil;a<sup><a href="#28">28</a></sup><a name="top28"></a>. O Presidente Obama, at&eacute; &agrave; data, n&atilde;o sinalizou que os Estados Unidos iriam enviar esse apoio<sup><a href="#29">29</a></sup><a name="top29"></a>.</p>     <p>O Governo alem&atilde;o, em contrapartida, n&atilde;o considera que o fornecimento de armas dissuadisse o regime de Moscovo a deixar de fornecer armamento aos movimentos separatistas que atuam no Leste da Ucr&acirc;nia, a zona disputada entre Kiev e Moscovo, e receia que tal envio levaria a R&uacute;ssia a intensificar o apoio aos separatistas pr&oacute;-russos, por exemplo, no avan&ccedil;o da tomada da cidade de Mariupol, na prov&iacute;ncia de Donetsk, como forma de estabelecer um corredor terrestre at&eacute; &agrave; Crimeia<sup><a href="#30">30</a></sup><a name="top30"></a>. Por outras palavras, enquanto que a an&aacute;lise pol&iacute;tica e econ&oacute;mica favorece uma posi&ccedil;&atilde;o conjunta entre Berlim e os seus parceiros, a an&aacute;lise securit&aacute;ria &ndash; que pode vir a implicar a possibilidade de fornecimento de ajuda militar e, em &uacute;ltima inst&acirc;ncia, um debate sobre o uso da for&ccedil;a militar &ndash; revela as primeiras diverg&ecirc;ncias poss&iacute;veis na resposta ocidental &agrave; pol&iacute;tica russa, podendo vir a p&ocirc;r em causa, no futuro, a converg&ecirc;ncia transatl&acirc;ntica<sup><a href="#31">31</a></sup><a name="top31"></a>.</p>     <p>Um segundo elemento que sugere o novo paradigma da lideran&ccedil;a estrat&eacute;gica europeia da Alemanha verifica-se na altera&ccedil;&atilde;o, reconhecidamente gradual, da posi&ccedil;&atilde;o de Berlim na Alian&ccedil;a Atl&acirc;ntica. A NATO adotou uma posi&ccedil;&atilde;o defensiva em resposta &agrave; anexa&ccedil;&atilde;o da Crimeia, em mar&ccedil;o de 2014, como forma de reassegurar os estados-membros na Europa de Leste, com o envio de dois avi&otilde;es de reconhecimento para monitorizar o espa&ccedil;o a&eacute;reo da Pol&oacute;nia e Rom&eacute;nia; os Estados Unidos enviaram seis avi&otilde;es <i>F-15 </i>para a Litu&acirc;nia para refor&ccedil;ar a <i>air policing mission </i>da NATO nos estados b&aacute;lticos e 12 avi&otilde;es <i>F-16 </i>para a Pol&oacute;nia para monitoriza&ccedil;&atilde;o da fronteira conjunta com a Ucr&acirc;nia<sup><a href="#32">32</a></sup><a name="top32"></a>. Desde o despoletar da crise, a Alemanha apoiou todas as decis&otilde;es de refor&ccedil;o da prote&ccedil;&atilde;o da NATO como resposta ao sentimento de vulnerabilidade dos estados b&aacute;lticos, dos estados n&oacute;rdicos e de pa&iacute;ses da Europa de Leste. Em 30 de mar&ccedil;o de 2015, num discurso na Universidade de Hels&iacute;nquia, Merkel reiterou o compromisso de defesa com os pa&iacute;ses n&oacute;rdicos, do B&aacute;ltico e do Leste europeu<sup><a href="#33">33</a></sup><a name="top33"></a>. Se um desses estados fosse atacado pela R&uacute;ssia, o artigo 5.&ordm; do Tratado de Washington vincularia todos os outros estados-mem-bros a responder em defesa do parceiro agredido. O problema colocar-se-ia, ao Governo alem&atilde;o, como a qualquer outro Estado-membro da NATO no caso de a R&uacute;ssia seguir a mesma t&aacute;tica que segue na Ucr&acirc;nia Oriental, de apoio indireto a for&ccedil;as pr&oacute;-russas que supostamente atuam em defesa das minorias russas num pa&iacute;s membro da NATO.</p>     <p>Na cimeira da NATO, no Pa&iacute;s de Gales, em setembro de 2014, a Alian&ccedil;a reafirmou o princ&iacute;pio da defesa coletiva como o objetivo principal da Alian&ccedil;a Transatl&acirc;ntica, e decidiu refor&ccedil;ar a defesa terrestre, a&eacute;rea e mar&iacute;tima junto das fronteiras externas na Europa Oriental, no maior refor&ccedil;o da defesa coletiva desde o fim da Guerra Fria, como afirmou o secret&aacute;rio-geral da NATO, Jens Stoltenberg<sup><a href="#34">34</a></sup><a name="top34"></a>. Em in&iacute;cios de fevereiro de 2015, a NATO decidiu estabelecer um conjunto de centros de comando na Pol&oacute;nia, na Rom&eacute;nia, na Bulg&aacute;ria e nos tr&ecirc;s estados b&aacute;lticos e mais do que duplicou a for&ccedil;a de rea&ccedil;&atilde;o r&aacute;pida (NATO Response Force) para prote&ccedil;&atilde;o desses pa&iacute;ses, passando de 13 mil para 30 mil soldados, com a cria&ccedil;&atilde;o de uma Very High Readiness Joint Task Force (vjtf), ou Ponta de Lan&ccedil;a, uma for&ccedil;a de cinco mil homens pronta para atuar em quarenta e oito horas, a qual ser&aacute; comandada por v&aacute;rios estados-membros, entre os quais a Alemanha, atrav&eacute;s de um sistema de rotatividade. Na cimeira de setembro, a Alemanha op&ocirc;s-se, no entanto, ao estabelecimento de bases permanentes nesses pa&iacute;ses, por considerar que tal decis&atilde;o seria interpretada como demasiadamente ofensiva pela R&uacute;ssia. Contudo, o receio dos pa&iacute;ses b&aacute;lticos levou recentemente o primeiro-ministro da Est&oacute;nia a sugerir &agrave; ministra da Defesa alem&atilde;, Ursula von der Leyen, em visita aos pa&iacute;ses b&aacute;lticos, em 14-15 de abril de 2015, que a Alemanha lidere uma for&ccedil;a militar composta por tropas de parceiros europeus estacionada a longo prazo na Est&oacute;nia e nos estados b&aacute;lticos<sup><a href="#35">35</a></sup><a name="top35"></a>. Neste sentido, a postura da Alemanha no seio da NATO poder&aacute; mudar no sentido de Berlim assumir um papel mais atuante &ndash; o que significaria uma altera&ccedil;&atilde;o na sua tradicional &laquo;cultura de relut&acirc;ncia&raquo;.</p>     <p>Uma das consequ&ecirc;ncias da crise da Ucr&acirc;nia poder&aacute; ser o fim, na pr&aacute;tica, da pol&iacute;tica do alargamento da NATO. A Alian&ccedil;a poder&aacute; manter a coopera&ccedil;&atilde;o civil-militar (treino e suporte t&eacute;cnico) com a Ge&oacute;rgia, a Moldova e a Ucr&acirc;nia mas uma ades&atilde;o destes pa&iacute;ses deixou de constituir, na atual situa&ccedil;&atilde;o de inseguran&ccedil;a, uma verdadeira op&ccedil;&atilde;o para o Ocidente. Isto reflete, paradoxalmente, o aumento do poder da Alemanha, que, &agrave; exce&ccedil;&atilde;o dos pa&iacute;ses b&aacute;lticos, nunca foi favor&aacute;vel &agrave; integra&ccedil;&atilde;o de pa&iacute;ses da ex-URSS, ao mesmo tempo que diminui as op&ccedil;&otilde;es de resposta do Ocidente face a Moscovo. Na realidade isto n&atilde;o &eacute; novo uma vez que j&aacute; fora decidido na cimeira da NATO em Bucareste, em 2008 &ndash; quando uma poss&iacute;vel ades&atilde;o da Ge&oacute;rgia e da Ucr&acirc;nia &agrave; NATO foi adiada <i>sine die</i>, sob press&atilde;o da Alemanha e da Fran&ccedil;a, que se opuseram a uma r&aacute;pida ades&atilde;o da Ge&oacute;rgia e da Ucr&acirc;nia, numa altura em que a Administra&ccedil;&atilde;o de George W. Bush pretendia p&ocirc;r em pr&aacute;tica os planos de a&ccedil;&atilde;o para a ades&atilde;o (Membership Action Plan, map), um programa de assist&ecirc;ncia e apoio concebido pela NATO para as necessidades individuais dos pa&iacute;ses que pretendam aderir &agrave; Alian&ccedil;a.</p>     <p>O documento final da cimeira limitou-se a declarar que os dois pa&iacute;ses iriam um dia ser membros da NATO<sup><a href="#36">36</a></sup><a name="top36"></a>. Perante a recusa de Putin em aceitar o alargamento da NATO para Leste, a seriedade da resposta dos estados-membros, em caso de poss&iacute;vel futura agress&atilde;o da Ge&oacute;rgia ou da Ucr&acirc;nia, seria testada quanto &agrave; invoca&ccedil;&atilde;o do artigo 5.&ordm;. Os pa&iacute;ses n&oacute;rdicos, n&atilde;o-membros da NATO como a Finl&acirc;ndia e a Su&eacute;cia, intensificaram entretanto a sua coopera&ccedil;&atilde;o com a NATO, e em 9 de abril de 2015 os ministros da Defesa da Dinamarca, Finl&acirc;ndia, Isl&acirc;ndia, Noruega e Su&eacute;cia assinaram uma declara&ccedil;&atilde;o conjunta, onde afirmaram o refor&ccedil;o da coopera&ccedil;&atilde;o militar n&oacute;rdica e de coopera&ccedil;&atilde;o com os pa&iacute;ses b&aacute;lticos, em resposta &agrave; R&uacute;ssia, cujas a&ccedil;&otilde;es, como as repetidas viola&ccedil;&otilde;es do espa&ccedil;o a&eacute;reo e mar&iacute;timo na regi&atilde;o b&aacute;ltica e consequente deteriora&ccedil;&atilde;o da situa&ccedil;&atilde;o securit&aacute;ria regional, representam, segundo a declara&ccedil;&atilde;o, &laquo;o maior desafio &agrave; seguran&ccedil;a europeia&raquo;<sup><a href="#37">37</a></sup><a name="top37"></a>. Esta situa&ccedil;&atilde;o poder&aacute; levar a debates internos na Finl&acirc;ndia e na Su&eacute;cia quanto a uma poss&iacute;vel futura ades&atilde;o destes pa&iacute;ses &agrave; NATO.</p>     <p>Um terceiro elemento que sugere o novo paradigma da lideran&ccedil;a estrat&eacute;gica europeia da Alemanha &eacute; o j&aacute; referido consenso da UE na crise da Ucr&acirc;nia e nas rela&ccedil;&otilde;es com a R&uacute;ssia. A UE tem assumido uma posi&ccedil;&atilde;o decidida e unida na sua rea&ccedil;&atilde;o &agrave; pol&iacute;tica de Moscovo, tanto na elabora&ccedil;&atilde;o e implementa&ccedil;&atilde;o do pacote de san&ccedil;&otilde;es em tr&ecirc;s fases como no apoio assertivo &agrave; democratiza&ccedil;&atilde;o da Ucr&acirc;nia.</p>     <p>Quando a decis&atilde;o quanto &agrave;s primeiras san&ccedil;&otilde;es econ&oacute;micas foi tomada, em mar&ccedil;o de 2014, a maioria dos analistas argumentou que elas testariam a verdadeira unidade entre os estados-membros, numa altura em que a Alemanha continuava a ter fortes interesses econ&oacute;micos e energ&eacute;ticos na R&uacute;ssia, a Fran&ccedil;a estava a negociar o maior contrato europeu de armamento com a R&uacute;ssia e a Gr&atilde;-Bretanha tinha importantes interesses financeiros envolvidos.</p>     <p>Contra estas expectativas a Alemanha assumiu uma posi&ccedil;&atilde;o forte, de lideran&ccedil;a em conjunto com os aliados europeus e com os Estados Unidos, e tem conseguido manter uma posi&ccedil;&atilde;o comum quanto &agrave;s san&ccedil;&otilde;es e que j&aacute; dura h&aacute; um ano. Trata-se de um conjunto de medidas de san&ccedil;&otilde;es econ&oacute;micas &agrave; R&uacute;ssia, ajuda econ&oacute;mica &agrave; Ucr&acirc;nia, pela UE, o FMI e estados individualmente, como acontece com a Alemanha, e da garantia de prote&ccedil;&atilde;o militar dos membros da NATO. N&atilde;o tem sido f&aacute;cil para Berlim manter esta posi&ccedil;&atilde;o comum e a press&atilde;o continuar&aacute; para que consiga preservar a converg&ecirc;ncia de interesses e uma posi&ccedil;&atilde;o conjunta face a uma R&uacute;ssia que quer dividir a uni&atilde;o transatl&acirc;ntica.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&Eacute; evidente que haja leituras diferenciadas entre os estados-membros da UE e mesmo dentro do Executivo alem&atilde;o. Mas n&atilde;o deixa de ser importante que perante a crise tanto a UE, por um lado, como o Governo de coliga&ccedil;&atilde;o alem&atilde;o, por outro, tenham conseguido manter<i>, grosso modo</i>, a uni&atilde;o na posi&ccedil;&atilde;o conjunta face ao regime de Moscovo. Trata-se de um teste decisivo &agrave; vontade de uni&atilde;o entre os parceiros europeus e norte-americano, e &agrave; capacidade de lideran&ccedil;a da Alemanha. Se fracassar, a UE, por um lado, sairia mais uma vez enfraquecida na sua vontade de demonstrar ambi&ccedil;&atilde;o estrat&eacute;gica e de ter uma Pol&iacute;tica Externa e de Seguran&ccedil;a Comum bem como uma Pol&iacute;tica Comum de Seguran&ccedil;a e Defesa efetiva; por outro, o poder e a reputa&ccedil;&atilde;o da Alemanha sairiam duplamente enfraquecidos, primeiro, na condu&ccedil;&atilde;o da diplomacia alem&atilde; individualmente, segundo, no fracasso da nova lideran&ccedil;a estrat&eacute;gica alem&atilde; necess&aacute;ria para uma UE como ator cred&iacute;vel na pol&iacute;tica internacional.</p>     <p>Se a Alemanha continuasse a apostar apenas numa diplomacia econ&oacute;mica assertiva, articulada com hesita&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica e a tradicional relut&acirc;ncia securit&aacute;rio-militar, a UE, por implica&ccedil;&atilde;o, continuaria igualmente a ser um ator internacional com capacidades reduzidas de afirma&ccedil;&atilde;o e influ&ecirc;ncia. A crise da Ucr&acirc;nia e a necessidade de responder &agrave; R&uacute;ssia de uma forma unida ajudam a explicar estas altera&ccedil;&otilde;es que apenas agora come&ccedil;aram, o que se traduz nos ligeiros avan&ccedil;os para a pol&iacute;tica energ&eacute;tica comum, ou na sugest&atilde;o de cria&ccedil;&atilde;o de for&ccedil;as armadas europeias. Esta converg&ecirc;ncia, no entanto, n&atilde;o &eacute; sempre apoiada de uma forma un&acirc;nime. &Eacute; neste momento questionada pelas a&ccedil;&otilde;es do Governo grego liderado por Alexis Tsipras, do partido Syriza, no poder desde janeiro de 2015. Quando Tsipras se deslocou a Moscovo, em 8 e 9 de abril de 2015, para pedir ajuda a Moscovo na resolu&ccedil;&atilde;o da sua crise econ&oacute;mico-financeira, Atenas sinalizou a primeira poss&iacute;vel disc&oacute;rdia na renova&ccedil;&atilde;o do pacote de san&ccedil;&otilde;es da UE &agrave; R&uacute;ssia, a ser votado em julho de 2015. Se bem que isto possa ser visto como uma manobra t&aacute;tica a curto prazo, para aumentar o seu poder negocial nas negocia&ccedil;&otilde;es com a UE e o FMI, &eacute; evidente que Moscovo instrumentaliza estas situa&ccedil;&otilde;es para provocar uma divis&atilde;o entre os pa&iacute;ses europeus<sup><a href="#38">38</a></sup><a name="top38"></a>.</p>     <p>Por &uacute;ltimo, e em quarto lugar, identifica-se uma mudan&ccedil;a do pr&oacute;prio papel da Alemanha, tanto na sua rela&ccedil;&atilde;o com a R&uacute;ssia como na forma de proje&ccedil;&atilde;o e desempenho da sua pol&iacute;tica externa. Tendo em conta a rela&ccedil;&atilde;o estreita que havia entre os dois pa&iacute;ses, e que Berlim n&atilde;o descurava as preocupa&ccedil;&otilde;es securit&aacute;rias da R&uacute;ssia no espa&ccedil;o euro-atl&acirc;ntico n&atilde;o &eacute; de estranhar que seja a Alemanha o pa&iacute;s da UE que respondeu com maior assertividade, ou por incompreens&atilde;o e surpresa ou pela trai&ccedil;&atilde;o que ter&aacute; sentido. Apesar de manter a via diplom&aacute;tica para encontrar solu&ccedil;&otilde;es multilaterais, esta crise evidenciou os limites da <i>Ostpolitik </i>alem&atilde; para a R&uacute;ssia, com Berlim a assumir uma posi&ccedil;&atilde;o muito cr&iacute;tica face &agrave;s a&ccedil;&otilde;es de Putin.</p>     <p>Apesar de prov&aacute;veis discord&acirc;ncias quanto ao conte&uacute;do, <i>timings </i>e implementa&ccedil;&atilde;o dos acordos de cessar-fogo, a posi&ccedil;&atilde;o do Governo alem&atilde;o continua a ser, dezoito meses depois da crise, uma posi&ccedil;&atilde;o un&acirc;nime, que prossegue a dupla op&ccedil;&atilde;o das san&ccedil;&otilde;es e do di&aacute;logo, mas que &eacute; firme na condena&ccedil;&atilde;o das a&ccedil;&otilde;es da R&uacute;ssia nesta crise. Tamb&eacute;m Steinmeier mant&eacute;m uma linha dura face ao Kremlin. A R&uacute;ssia, que foi exclu&iacute;da do G-8 ap&oacute;s a anexa&ccedil;&atilde;o da Crimeia, em mar&ccedil;o de 2014, apenas poder&aacute; regressar ao G-8 ap&oacute;s escrupuloso cumprimento do Acordo de Minsk 2, segundo Steinmeier. Como afirmou a chanceler Merkel num discurso na Universidade de Hels&iacute;nquia, em 30 de mar&ccedil;o de 2015:</p>     <p>     <blockquote>&laquo;No conflito na Ucr&acirc;nia estamos a verificar que os pilares da nossa ordem e paz europeia est&atilde;o a ser postos em causa. A Ucr&acirc;nia tem como qualquer outro Estado o direito de determinar soberanamente qual o caminho por que opta. A R&uacute;ssia, por&eacute;m, com a anexa&ccedil;&atilde;o da Crimeia contraria a lei internacional. Com a sua abordagem nas regi&otilde;es de Donetsk e Lugansk viola flagrantemente a soberania e integridade territorial da Ucr&acirc;nia. Isso tamb&eacute;m est&aacute; em clara contradi&ccedil;&atilde;o com os compromissos que a R&uacute;ssia assumiu no Memorando de Budapeste de 1994. Assim, a R&uacute;ssia quebrou de forma massiva a confian&ccedil;a meticulosamente ganha ao longo dos anos.&raquo;<sup><a href="#39">39</a></sup><a name="top39"></a></blockquote>     <p></p>     <p>Como Merkel, Steinmeier mant&eacute;m aberta a porta do di&aacute;logo, atrav&eacute;s de reuni&otilde;es com os seus hom&oacute;logos franc&ecirc;s, russo e ucraniano sobre a implementa&ccedil;&atilde;o do Acordo de Minsk 2. Num discurso perante o csis, em 12 de mar&ccedil;o de 2015, Steinmeier reconheceu que o Acordo de Minsk 2 era fr&aacute;gil e que era necess&aacute;ria &laquo;paci&ecirc;ncia estrat&eacute;gica&raquo; na sua implementa&ccedil;&atilde;o; enviar armas &agrave; Ucr&acirc;nia seria contraproducente porque levaria Moscovo a fornecer ainda mais armamento aos separatistas, escalando com isto a crise<sup><a href="#40">40</a></sup><a name="top40"></a>. No que se refere &agrave;s negocia&ccedil;&otilde;es em curso sobre os acordos de associa&ccedil;&atilde;o da UE com a Ge&oacute;rgia, Moldova e Ucr&acirc;nia (parte pol&iacute;tica assinada em junho de 2014), Steinmeier sublinhou, num discurso perante o Bundestag, em 26 de mar&ccedil;o de 2015, que:</p>     <p>     <blockquote>&laquo;a dram&aacute;tica crise pol&iacute;tica afeta n&atilde;o s&oacute; a Ucr&acirc;nia h&aacute; mais de um ano, mas a paz na Europa. Especialmente agora que estamos em fase de conclus&atilde;o destes tr&ecirc;s acordos, &eacute; claro: a intensifica&ccedil;&atilde;o da parceria n&atilde;o &eacute; a causa da escalada do conflito, mas a anexa&ccedil;&atilde;o ilegal da Crimeia pela R&uacute;ssia e a cont&iacute;nua desestabiliza&ccedil;&atilde;o em curso do Leste da Ucr&acirc;nia. N&atilde;o foi o caminho da coopera&ccedil;&atilde;o que nos levou a esta crise &ndash; mas o caminho da confronta&ccedil;&atilde;o! E mais confronta&ccedil;&atilde;o n&atilde;o nos tira da crise mas arrasta-nos cada vez mais para o conflito!&raquo;<sup><a href="#41">41</a></sup><a name="top41"></a></blockquote>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p></p>     <p>Mas tamb&eacute;m na pol&iacute;tica interna em Berlim o ano de 2014 foi um ano decisivo de mudan&ccedil;a, o que sustenta o argumento do in&iacute;cio de uma lideran&ccedil;a estrat&eacute;gica europeia por parte da Alemanha. Quando se constituiu o segundo governo de Grande Coliga&ccedil;&atilde;o entre CDU /csu e spd, em dezembro de 2013, permanecia inalterado o paradoxo na pol&iacute;tica externa alem&atilde;, entre, primeiro, uma Alemanha que se tinha consolidado como a pot&ecirc;ncia central europeia, com capacidade pol&iacute;tica e econ&oacute;mico-financeira para liderar a sa&iacute;da da crise na zona euro, e segundo, o desconforto evidente na defini&ccedil;&atilde;o de uma pol&iacute;tica de seguran&ccedil;a assertiva, com base numa concep&ccedil;&atilde;o estrat&eacute;gica da sua pol&iacute;tica externa e de seguran&ccedil;a, &agrave; semelhan&ccedil;a dos seus grandes parceiros europeus. Em 2014 verificou-se uma din&acirc;mica de mudan&ccedil;a impulsionada pelos pr&oacute;prios decisores alem&atilde;es. Para resolver o paradoxo da pot&ecirc;ncia econ&oacute;mica <i>vs </i>ligeireza pol&iacute;tica, e para responder &agrave;s expectativas de alguns dos seus parceiros, como a Pol&oacute;nia, de lideran&ccedil;a na pol&iacute;tica internacional, em janeiro de 2014, o Presidente da Rep&uacute;blica Federal, Joachim Gauck, o ministro dos Neg&oacute;cios Estrangeiros, Frank-Walter Steinmeier, e a ministra da Defesa, Ursula von der Leyen, proferiram discursos na Confer&ecirc;ncia de Seguran&ccedil;a de Munique (MSC), exortando a Alemanha a assumir maiores responsabilidades na pol&iacute;tica internacional, incluindo, quando necess&aacute;rio, a participa&ccedil;&atilde;o militar em opera&ccedil;&otilde;es definidas em conjunto com os seus parceiros<sup><a href="#42">42</a></sup><a name="top42"></a>. O facto de este &laquo;trio&raquo; ter dirigido esta mensagem pol&iacute;tica &agrave; elite e &agrave; opini&atilde;o p&uacute;blica interna assim como aos parceiros internacionais demonstrou que a Alemanha tinha atingido o estatuto de maioridade em pol&iacute;tica externa e que j&aacute; n&atilde;o era apenas percecionada pelos seus aliados como uma pot&ecirc;ncia l&iacute;der, mas que uma parte importante da sua elite assumia politicamente o papel da Alemanha como tal<sup><a href="#43">43</a></sup><a name="top43"></a>.</p>     <p>O ministro dos Neg&oacute;cios Estrangeiros, Frank-Walter Steinmeier, iniciou o projeto &laquo;Review 2014: Aussenpolitik weiter denken&raquo; (Pensar a Pol&iacute;tica Externa Mais Longe) em in&iacute;cios de 2014, promovendo um debate estrat&eacute;gico nacional para dinamizar a transforma&ccedil;&atilde;o da pol&iacute;tica externa alem&atilde; e impulsionar a necess&aacute;ria mudan&ccedil;a da cultura de pol&iacute;tica externa para corresponder &agrave; &laquo;responsabilidade da Alemanha como pot&ecirc;ncia europeia l&iacute;der com interesses globais&raquo;<sup><a href="#44">44</a></sup><a name="top44"></a>. Se esta transforma&ccedil;&atilde;o se iniciou numa altura em que a crise da Ucr&acirc;nia refor&ccedil;ava essa necessidade de mudan&ccedil;a, o impulso principal para Steinmeier ter&aacute; estado na perda de significado do Ausw&auml;rtige Amt durante o per&iacute;odo do seu antecessor, Guido Westerwelle, entre 2009 e 2013, quando a Chancelaria adquiriu crescente protagonismo na crise da zona euro e quando algumas decis&otilde;es da diplomacia alem&atilde;, como a absten&ccedil;&atilde;o na vota&ccedil;&atilde;o no CSNU, em mar&ccedil;o de 2011, sobre a aplica&ccedil;&atilde;o de uma zona de exclus&atilde;o a&eacute;rea na L&iacute;bia, isolaram a Alemanha no contexto da comunidade ocidental<sup><a href="#45">45</a></sup><a name="top45"></a>. Em 25 de fevereiro de 2015, Steinmeier apresentou o relat&oacute;rio final &laquo;Review 2014&raquo;<sup><a href="#46">46</a></sup><a name="top46"></a><i>. </i>Ao mesmo tempo, afirmava o ministro, &laquo;devemos evitar o dilema estrat&eacute;gico de ter de escolher entre a nossa competitividade num mundo globalizado e a integra&ccedil;&atilde;o europeia&raquo;<sup><a href="#47">47</a></sup><a name="top47"></a>. Quanto &agrave; rela&ccedil;&atilde;o com os Estados Unidos, Steinmeier definiu o papel da Alemanha como o de <i>chief facilitating officer</i>, europeu, na condu&ccedil;&atilde;o de uma resposta transatl&acirc;ntica conjunta aos desafios futuros, sejam eles as negocia&ccedil;&otilde;es para a Parceria Transatl&acirc;ntica de Com&eacute;rcio e Investimento (ttip), a resolu&ccedil;&atilde;o da crise na Ucr&acirc;nia ou o combate ao terrorismo internacional.</p>     <p>Por seu turno, a ministra da Defesa Ursula von der Leyen, perante o estado de debilidade tecnol&oacute;gica e falta de equipamento das for&ccedil;as armadas alem&atilde;s impulsionou o processo de redu&ccedil;&atilde;o do equipamento militar e ordenou a moderniza&ccedil;&atilde;o efetiva das for&ccedil;as armadas. Em finais de fevereiro de 2015, definiu a continua&ccedil;&atilde;o de produ&ccedil;&atilde;o e moderniza&ccedil;&atilde;o da for&ccedil;a a&eacute;rea alem&atilde;, e o ministro das Finan&ccedil;as, Wolfgang Sch&auml;uble, decidiu, para o efeito, desbloquear verbas, para que a partir de 2017 a Alemanha comece a gastar mais na Defesa cuja contribui&ccedil;&atilde;o se encontra, atualmente, nos 1,3 por cento do pib alem&atilde;o, ou seja, 0,7 por cento abaixo dos dois por cento do pib acordados entre os pa&iacute;ses-membros da NATO<sup><a href="#48">48</a></sup><a name="top48"></a>. Apesar de ter o oitavo maior or&ccedil;amento de defesa do mundo, e deter 2,6 por cento dos gastos militares globais, a Alemanha &eacute;, depois do Jap&atilde;o, o pa&iacute;s que menos gasta em despesas militares em termos de proporcionalidade em rela&ccedil;&atilde;o ao seu pib<sup><a href="#49">49</a></sup><a name="top49"></a>. Contudo, aumentar o or&ccedil;amento da Defesa e a participa&ccedil;&atilde;o alem&atilde; em miss&otilde;es de pacifica&ccedil;&atilde;o, estabiliza&ccedil;&atilde;o e de combate no exterior permanece um dom&iacute;nio problem&aacute;tico na pol&iacute;tica alem&atilde; que certamente ir&aacute; deparar-se com resist&ecirc;ncia junto da opini&atilde;o p&uacute;blica alem&atilde;. Mas o facto de existir a mesma an&aacute;lise estrat&eacute;gica entre o Minist&eacute;rio dos Neg&oacute;cios Estrangeiros e o Minist&eacute;rio da Defesa, ao contr&aacute;rio do que acontecera no tempo de Guido Westerwelle (2009-2013) e Theodor zu Guttenberg (2009-2011), respetivamente ministros das referidas pastas ministeriais, revela que o presente Governo tem a ambi&ccedil;&atilde;o de levar a cabo uma mudan&ccedil;a estrat&eacute;gica da pol&iacute;tica externa alem&atilde;. Face &agrave; crise na Ucr&acirc;nia, e ao contr&aacute;rio do Governo alem&atilde;o, a opini&atilde;o p&uacute;blica encontra-se dividida. De acordo com uma recente sondagem, 40 por cento dos alem&atilde;es inquiridos consideram a pol&iacute;tica do Governo para a R&uacute;ssia certa. Vinte e seis por cento consideram-na demasiado confrontacional, enquanto 24 por cento a consideram muito complacente<sup><a href="#50">50</a></sup><a name="top50"></a>.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><B>CONSIDERA&Ccedil;&Otilde;ES FINAIS</B></p>     <p>O ano de 2014 foi um ano <i>game-changer </i>para a pol&iacute;tica externa alem&atilde;: a crise na Ucr&acirc;nia confirmou a Alemanha enquanto l&iacute;der estrat&eacute;gico na Europa e no espa&ccedil;o euro-atl&acirc;ntico, na defini&ccedil;&atilde;o de uma resposta europeia &agrave; pol&iacute;tica destabilizadora de Vladimir Putin: a trajet&oacute;ria de contesta&ccedil;&atilde;o de Moscovo da ordem europeia do p&oacute;s-Guerra Fria e do enquadramento normativo euro-atl&acirc;ntico assim como a falta de credenciais democr&aacute;ticas da lideran&ccedil;a russa provocaram uma viragem na abordagem pol&iacute;tica do Governo alem&atilde;o, levando-o a defender a aplica&ccedil;&atilde;o de san&ccedil;&otilde;es econ&oacute;micas &agrave; R&uacute;ssia, em conjunto com os restantes pa&iacute;ses ocidentais, e reconhecendo que, apesar dos esfor&ccedil;os alem&atilde;es de media&ccedil;&atilde;o entre Moscovo e Kiev, com os tratados Minsk 1 e 2 sobre um cessar-fogo entre soldados ucranianos e separatistas pr&oacute;-russos na Ucr&acirc;nia Oriental, as a&ccedil;&otilde;es de Putin conduziram irrevogavelmente ao fim da ordem europeia do p&oacute;s-Guerra Fria.</p>     <p>Assim, a crise na Ucr&acirc;nia e a crise nas rela&ccedil;&otilde;es entre o Ocidente e a R&uacute;ssia s&atilde;o um momento definidor de um novo relacionamento entre todos os atores pol&iacute;ticos do espa&ccedil;o euro-atl&acirc;ntico.</p>     <p>Neste contexto, o artigo argumentou que estamos a assistir ao in&iacute;cio de uma mudan&ccedil;a da pol&iacute;tica externa da Alemanha. No seu percurso de gradual ascens&atilde;o de pot&ecirc;ncia central europeia desde a sua unifica&ccedil;&atilde;o, em 1990, a Alemanha foi-se lentamente dotando de mecanismos que lhe permitem gozar de uma maior assertividade na pol&iacute;tica internacional. Apesar de continuar a manter a relut&acirc;ncia quanto ao uso da for&ccedil;a militar, introduziu, nesta crise na Ucr&acirc;nia, o elemento de lideran&ccedil;a estrat&eacute;gica que atribui &agrave; condu&ccedil;&atilde;o da sua pol&iacute;tica externa uma nova qualidade.</p>     <p>Poder-se-ia sugerir que esta postura &eacute; meramente circunstancial e que uma vez restabelecida a ordem na Europa, a Alemanha regressa ao estatuto de grande pot&ecirc;ncia relutante. Contudo, a an&aacute;lise de diversos discursos de Angela Merkel, Frank-Walter Steinmeier e Ursula von der Leyen, entre outros, as mudan&ccedil;as ministeriais e as expectativas dos parceiros de Berlim, assim como as op&ccedil;&otilde;es de pol&iacute;tica assumidas pelo Executivo alem&atilde;o, sugerem que a mudan&ccedil;a em curso ser&aacute; consolidada e ser&aacute; um <i>game-changer </i>da pol&iacute;tica externa alem&atilde;.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A confirmar-se este argumento, tr&ecirc;s consequ&ecirc;ncias resultam desta mudan&ccedil;a: uma UE com maior probabilidade de ter uma pesc e pcsd mais efetiva; os Estados Unidos que continuam envolvidos na defini&ccedil;&atilde;o da ordem transatl&acirc;ntica, mas que o fazem atrav&eacute;s de uma postura mais distanciada; e a Alemanha a assumir uma lideran&ccedil;a estrat&eacute;gica europeia na pol&iacute;tica internacional.</p>     <p>Estamos perante quatro cen&aacute;rios que representam uma altera&ccedil;&atilde;o do <i>statu quo </i>da ordem de seguran&ccedil;a do p&oacute;s-1991 e por isso um reordenamento do espa&ccedil;o euro-atl&acirc;ntico. O primeiro, em que as atua&ccedil;&otilde;es da R&uacute;ssia se circunscrevem &agrave; Ucr&acirc;nia; o segundo, em que a R&uacute;ssia prossegue no caminho do restabelecimento do territ&oacute;rio da antiga Uni&atilde;o Sovi&eacute;tica, atrav&eacute;s de novas agress&otilde;es territoriais ou atrav&eacute;s da proje&ccedil;&atilde;o de influ&ecirc;ncia mais agressiva; o terceiro cen&aacute;rio, mais otimista mas muito mais long&iacute;nquo, seria o in&iacute;cio de uma coopera&ccedil;&atilde;o institucionalizada entre a UE e a Uni&atilde;o Econ&oacute;mica Euro-asi&aacute;tica (ueea), que proporcionasse aos pa&iacute;ses da Parceria Oriental a livre escolha da perten&ccedil;a a uma ou a outra &ndash; ou mesmo integrar ambas; por &uacute;ltimo, o cen&aacute;rio segundo o qual a R&uacute;ssia se vira para a &Aacute;sia, e entra numa rela&ccedil;&atilde;o de alian&ccedil;a com a Rep&uacute;blica Popular da China, fechando-se assim o cap&iacute;tulo da integra&ccedil;&atilde;o russa numa estrutura de estabilidade europeia do p&oacute;s-Guerra Fria.</p>     <p>Cada um destes cen&aacute;rios, contudo, pressup&otilde;e que a UE reveja a sua Pol&iacute;tica Europeia de Vizinhan&ccedil;a<sup><a href="#51">51</a></sup><a name="top51"></a>. At&eacute; agora, nas revolu&ccedil;&otilde;es coloridas, na Ge&oacute;rgia em 2003, na Ucr&acirc;nia em 2004, no Quirguist&atilde;o em 2005, ou na zona dos &laquo;conflitos congelados&raquo; da Abc&aacute;sia e Oss&eacute;tia do Sul, Nagorno-Karabakh e Transn&iacute;stria a UE foi incapaz de antecipar as crises ou definir uma linha clara de atua&ccedil;&atilde;o face a essas potenciais zonas de conflito; isto j&aacute; n&atilde;o ser&aacute; uma op&ccedil;&atilde;o vi&aacute;vel na pol&iacute;tica europeia do p&oacute;s-crise da Ucr&acirc;nia. Neste processo caber&aacute; &agrave; Alemanha redefinir tamb&eacute;m a sua posi&ccedil;&atilde;o para que, multilateralmente, possa manter o papel de lideran&ccedil;a estrat&eacute;gica europeia que est&aacute; em vias de consolidar.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><i>Data de rece&ccedil;&atilde;o: 14 de fevereiro de 2015 | Data de aprova&ccedil;&atilde;o: 3 de abril de 2015 </i></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><B>NOTAS</B></p>     <p><Sup><a name="1"></a><a href="#top1">1</a></Sup> Merkel, Angela &ndash; Discurso perante o Bundestag sobre a situa&ccedil;&atilde;o na Ucr&acirc;nia, 13 de mar&ccedil;o de 2014. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.bundesregierung.de/Content/DE/Regierungserklaerung/2014/2014-03-13-bt-merkel.html" target="_blank">http://www.bundesregierung.de/Content/DE/Regierungserklaerung/2014/2014-03-13-bt-merkel.html</a>.</p>     <p><Sup><a name="2"></a><a href="#top2">2</a></Sup> Steinmeier, Frank-Walter &ndash; &laquo;Save our TransAtlantic order&raquo;. In <i>The New York Times</i>, 11 de mar&ccedil;o de 2015. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.nytimes.com/2015/03/12/opinion/save-our-trans-atlantic-order.html" target="_blank">http://www.nytimes.com/2015/03/12/opinion/save-our-trans-atlantic-order.html</a>.</p>     <p><Sup><a name="3"></a><a href="#top3">3</a></Sup> Daehnhardt, Patricia &ndash; &laquo;A Alemanha e as interven&ccedil;&otilde;es militares internacionais: a persist&ecirc;ncia da &ldquo;<i>Kultur der Zur&uuml;ckhal-tung</i>&rdquo;&raquo;. In <i>Rela&ccedil;&otilde;es Internacionais</i>. N.&ordm; 40, dezembro de 2013, PP. 133-156.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><Sup><a name="4"></a><a href="#top4">4</a></Sup> &laquo;Globalisierung gestalten &ndash; Partner-schaften ausbauen &ndash; Verantwortung tei-len&raquo;. <i>Ausw&auml;rtiges Amt</i>,7 de fevereiro de 2010. Dispon&iacute;vel em: <a href="https://www.auswaertigesamt.de/cae/servlet/content-blob/608384/publicationFile/169965/Gestaltungsmaechtekonzept.pdf" target="_blank">https://www.auswaertigesamt.de/cae/servlet/content-blob/608384/publicationFile/169965/Gestaltungsmaechtekonzept.pdf</a>.</p>     <p><Sup><a name="5"></a><a href="#top5">5</a></Sup> Kundnani, Hans &ndash; &laquo;Germany as a geoeconomic power&raquo;. In <i>The Washington Quarterly</i>. Vol. 34, N.&ordm; 3, 2011, PP. 31-45.</p>     <p><Sup><a name="6"></a><a href="#top6">6</a></Sup> Von der Leyen, Ursula &ndash; &laquo;Das Wei&szlig;-buch 2016 &ndash; Richtungsbestimmung f&uuml;r die deutsche Sicherheitspolitik und die Bundeswehr&raquo;. In <i>Bundesministerium der Verteidigung</i>,17 de fevereiro de 2015.Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.bmvg.de:80/portal/a/bmv-g/!ut/p/4SB8K8xLLM9MSSzPy8xBz9CP3I5EyrpHK9pNyydL3y1Mzi4qTS5Az9cJDKlFS-95Py81BIQWZKaV5IJJNOLEkvyi_QK8o-tKckAypUVFQBm9zBT9SANDFycDQwMYMKyxDAlxs_A1MDZy8XQK0i_IzXUEA-HkUMUI!/" target="_blank">http://www.bmvg.de:80/portal/a/bmv-g/!ut/p/4SB8K8xLLM9MSSzPy8xBz9CP3I5EyrpHK9pNyydL3y1Mzi4qTS5Az9cJDKlFS-95Py81BIQWZKaV5IJJNOLEkvyi_QK8o-tKckAypUVFQBm9zBT9SANDFycDQwMYMKyxDAlxs_A1MDZy8XQK0i_IzXUEA-HkUMUI!/</a>.</p>     <p><Sup><a name="7"></a><a href="#top7">7</a></Sup> &laquo;Die Gefahr einer Spaltung Europas ist real&raquo;. Entrevista de Frank-Walter Steinmeier ao jornal <i>Neuen Z&uuml;rcher Zeitung</i>,14 de abril de 2014. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.auswaertiges-amt.de/sid_4F3A365F0525FA80D4018EA5BC72D758/DE/Infoservice/Presse/Interviews/2014/140414_NZZ.html" target="_blank">http://www.auswaertiges-amt.de/sid_4F3A365F0525FA80D4018EA5BC72D758/DE/Infoservice/Presse/Interviews/2014/140414_NZZ.html</a>.</p>     <p><Sup><a name="8"></a><a href="#top8">8</a></Sup> O argumento russo da prote&ccedil;&atilde;o das minorias russas no estrangeiro (Est&oacute;nia 25,2 por cento; Let&oacute;nia 26,2 por cento, Cazaquist&atilde;o 23,7 por cento, Ucr&acirc;nia 17,3 por cento, Bielorr&uacute;ssia 8,3 por cento, Moldova seis por cento, Quirgist&atilde;o 6,6 por cento), apesar de relevante, n&atilde;o pode servir para legitimar interven&ccedil;&otilde;es armadas diretas ou indiretas da R&uacute;ssia.</p>     <p><Sup><a name="9"></a><a href="#top9">9</a></Sup> Ver &laquo;Full list of incidents involving Russian military and NATO since March 2014&raquo;. In <i>The Independent</i>,10 de novembro de 2014. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.independent.co.uk/news/world/europe/full-list-of-incidents-involving-russian-military-and-NATO-since-march2014-9851309.html" target="_blank">http://www.independent.co.uk/news/world/europe/full-list-of-incidents-involving-russian-military-and-NATO-since-march2014-9851309.html</a>.</p>     <p><Sup><a name="10"></a><a href="#top10">10</a></Sup> Para acompanhar o historial das rela&ccedil;&otilde;es entre a NATO e a R&uacute;ssia, ver &laquo;NATO&rsquo;s relations with Russia&raquo;. In <i>North Atlantic Treaty Organization</i>, 16 de setembro de 2014. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.NATO.int/cps/en/natohq/topics_50090.htm?" target="_blank">http://www.NATO.int/cps/en/natohq/topics_50090.htm?</a>.</p>     <p><Sup><a name="11"></a><a href="#top11">11</a></Sup> Ver <a href="http://www.NATO.int/cps/tr/natohq/official_texts_25468.htm" target="_blank">http://www.NATO.int/cps/tr/natohq/official_texts_25468.htm</a>; e <a href="http://www.NATO.int/docu/comm/2002/0205-rome/rome-eng.pdf" target="_blank">http://www.NATO.int/docu/comm/2002/0205-rome/rome-eng.pdf</a>.</p>     <p><Sup><a name="12"></a><a href="#top12">12</a></Sup> Lo, Bobo &ndash; &laquo;Medvedev and the new European security architecture&raquo;. In <i>Centre for European Reform</i>,julho de 2009. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.cer.org.uk/sites/default/files/publications/attachments/pdf/2011/pbrief_medvedev_july09-741.pdf" target="_blank">http://www.cer.org.uk/sites/default/files/publications/attachments/pdf/2011/pbrief_medvedev_july09-741.pdf</a>.</p>     <p><Sup><a name="13"></a><a href="#top13">13</a></Sup> Daehnhardt, Patr&iacute;cia &ndash; &laquo;A implos&atilde;o da URSS e a Uni&atilde;o Europeia&raquo;. <i>In</i> Oliveira, Pedro Aires (coord.) &ndash; <i>O Fim da URSS, A Nova R&uacute;ssia e A Crise das Esquerdas</i>.Lisboa: Edi&ccedil;&otilde;es Colibri, PP. 143-165.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><Sup><a name="14"></a><a href="#top14">14</a></Sup> Merkel, Angela &ndash; &laquo;The 2014 Lowy lecture&raquo;, 17 de novembro de 2014. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.lowyinstitute.org/publications/2014-Lowy-Lecture" target="_blank">http://www.lowyinstitute.org/publications/2014-Lowy-Lecture</a>.</p>     <p><Sup><a name="15"></a><a href="#top15">15</a></Sup> Ver &laquo;EU sanctions against Russia over Ukraine crisis&raquo;. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://europa.eu/newsroom/highlights/special-coverage/eu_sanctions/index_en.htm" target="_blank">http://europa.eu/newsroom/highlights/special-coverage/eu_sanctions/index_en.htm</a>.</p>     <p><Sup><a name="16"></a><a href="#top16">16</a></Sup> &laquo;Malaysian Airlines flight MH17: &ldquo;most likely&rdquo; it was shot down from ground&raquo;. In <i>The Guardian</i>,12 de setembro de 2014. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.theguardian.com/world/2014/sep/12/malaysia-airlines-flight-mh17-most-likely-shot-down-from-ground" target="_blank">http://www.theguardian.com/world/2014/sep/12/malaysia-airlines-flight-mh17-most-likely-shot-down-from-ground</a>.</p>     <p><Sup><a name="17"></a><a href="#top17">17</a></Sup> Merkel, Angela &ndash; Declara&ccedil;&atilde;o da chanceler Angela Merkel sobre a aprova&ccedil;&atilde;o, na UE, de um novo pacote de san&ccedil;&otilde;es &agrave; R&uacute;ssia. Bundesregierung, 29 de julho de 2014. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.bundesregierung.de/Content/DE/Pressemitteilungen/BPA/2014/07/2014-07-29-erklaerung-eu-sanktionen.html" target="_blank">http://www.bundesregierung.de/Content/DE/Pressemitteilungen/BPA/2014/07/2014-07-29-erklaerung-eu-sanktionen.html</a>.</p>     <p><Sup><a name="18"></a><a href="#top18">18</a></Sup> &laquo;Merkel wants a stable world and is willing to pay a price&raquo;. In <i>Financial Times</i>, 11 de agosto de 2014. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.ft.com/intl/cms/s/0/d2d60f24-2144-11e4-a958-00144feabdc0.html#axzz3XBh4F35P" target="_blank">http://www.ft.com/intl/cms/s/0/d2d60f24-2144-11e4-a958-00144feabdc0.html#axzz3XBh4F35P</a>.</p>     <p><Sup><a name="19"></a><a href="#top19">19</a></Sup> Daehnhardt, Patr&iacute;cia &ndash; &laquo;A R&uacute;ssia e a Alemanha: uma rela&ccedil;&atilde;o sui generis em mudan&ccedil;a&raquo;. <i>In</i> Daehnhardt, Patr&iacute;cia, e Freire, Maria Raquel (coord.) &ndash; <i>A Pol&iacute;tica Externa Russa no Espa&ccedil;o Euro-Atl&acirc;ntico: Din&acirc;micas de Coopera&ccedil;&atilde;o e Competi&ccedil;&atilde;o num Espa&ccedil;o Alargado</i>. Coimbra: Imprensa da Universidade de Coimbra, PP. 141-175.</p>     <p><Sup><a name="20"></a><a href="#top20">20</a></Sup> Merkel, Angela &ndash; &laquo;The 2014 Lowy lecture&raquo;.</p>     <p><Sup><a name="21"></a><a href="#top21">21</a></Sup> &laquo;Merkel &uuml;bt scharfe Kritik an Putin&raquo;. In <i>Neuen Z&uuml;rcher Zeitung</i>,17 de novembro de 2014. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.nzz.ch/international/merkel-warnt-vor-flaechen-brand-durch-ukraine-krise1.18426411" target="_blank">http://www.nzz.ch/international/merkel-warnt-vor-flaechen-brand-durch-ukraine-krise1.18426411</a>.</p>     <p><Sup><a name="22"></a><a href="#top22">22</a></Sup> &laquo;Package of Measures for the Implementation of the Minsk Agreements&raquo;. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.elysee.fr/assets/Uploads/Package-of-Measures-for-the-Implementation-of-the-Minsk-Agreements.pdf" target="_blank">http://www.elysee.fr/assets/Uploads/Package-of-Measures-for-the-Implementation-of-the-Minsk-Agreements.pdf</a>.</p>     <p><Sup><a name="23"></a><a href="#top23">23</a></Sup> &laquo;EU kn&uuml;pft Aufhebung von Sanktionen an Minsker Abkommen&raquo;. In <i>Spiegel Online</i>,19 de mar&ccedil;o de 2015. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.spiegel.de/politik/ausland/russland-eu-knuepft-aufhebung-der-sanktionen-an-frieden-a1024558.html" target="_blank">http://www.spiegel.de/politik/ausland/russland-eu-knuepft-aufhebung-der-sanktionen-an-frieden-a1024558.html</a>.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><Sup><a name="24"></a><a href="#top24">24</a></Sup> &laquo;Krisentreffen in Berlin: Au&szlig;enminister fordern Stopp der K&auml;mpfe in der Ostukraine&raquo;. In <i>Spiegel Online</i>,14 de abril de 2015. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.spiegel.de/politik/ausland/ukraine-krieg-steinmeier-lawrow-fabius-und-klimkin-fordern-waffenruhe-a1028416.html" target="_blank">http://www.spiegel.de/politik/ausland/ukraine-krieg-steinmeier-lawrow-fabius-und-klimkin-fordern-waffenruhe-a1028416.html</a>.</p>     <p><Sup><a name="25"></a><a href="#top25">25</a></Sup> &laquo;Merkel, Obama reaffirm partnership, vow path of diplomacy in Ukraine&raquo;. In <i>Deutsche Welle</i>, 9 de fevereiro de 2015. <a href="http://www.dw.de/merkel-obama-reaf-firm-partnership-vow-path-of-diplomacy-in-ukraine/a-18246576" target="_blank">http://www.dw.de/merkel-obama-reaf-firm-partnership-vow-path-of-diplomacy-in-ukraine/a-18246576</a>.</p>     <p><Sup><a name="26"></a><a href="#top26">26</a></Sup> <i>National Security Strategy</i>, fevereiro de 2015, p. 25. Dispon&iacute;vel em: <a href="https://www.whitehouse.gov/sites/default/files/docs/2015_national_security_strategy_2.pdf" target="_blank">https://www.whitehouse.gov/sites/default/files/docs/2015_national_security_strategy_2.pdf</a>.</p>     <p><Sup><a name="27"></a><a href="#top27">27</a></Sup> A reorienta&ccedil;&atilde;o estrat&eacute;gica n&atilde;o pretende sugerir que os eua se v&atilde;o desvin-cular da Europa. Contudo, se durante a Guerra Fria os eua tinham 400 mil tropas na Europa, hoje t&ecirc;m 67 mil, 40 mil das quais na Alemanha, as restantes 27 mil encontram-se maioritariamente na It&aacute;lia e na Gr&atilde;-Bretanha. Cooper, Helene, e Erlanger, Steven &ndash; &laquo;Military cuts render NATO less formidable as deterrent to Russia&raquo;. <i>New York Times</i>,26 de mar&ccedil;o de 2014. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.nytimes.com/2014/03/27/world/europe/military-cuts-render-NATO-less-formidable-as-deterrent-to-russia.html" target="_blank">http://www.nytimes.com/2014/03/27/world/europe/military-cuts-render-NATO-less-formidable-as-deterrent-to-russia.html</a>.</p>     <p><Sup><a name="28"></a><a href="#top28">28</a></Sup> Da alder, Ivo, Talbot t, Strobe, Flournoy, Michele, Herbst, John, Lodal, Jan, Stavridis, James, e Wald, Charles &ndash; &laquo;Preserving Ukraine&rsquo;s independence, Resisting Russian aggression: What the US and NATO must do&raquo;. In <i>Atlantic Council, Brookings, Chicago Council on Global Affairs</i>, fevereiro de 2015. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.thechicagocouncil.org/sites/default/files/UkraineReport_February2015_FINAL.pdf" target="_blank">http://www.thechicagocouncil.org/sites/default/files/UkraineReport_February2015_FINAL.pdf</a>.</p>     <p><Sup><a name="29"></a><a href="#top29">29</a></Sup> &laquo;Obama said to resist growing pressure from all sides to arm Ukraine&raquo;. In <i>New York Times</i>, 10 de mar&ccedil;o de 2015. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.nytimes.com/2015/03/11/us/politics/obama-said-to-resist-growing-pressure-from-all-sides-to-arm-ukraine.html" target="_blank">http://www.nytimes.com/2015/03/11/us/politics/obama-said-to-resist-growing-pressure-from-all-sides-to-arm-ukraine.html</a>.</p>     <p><Sup><a name="30"></a><a href="#top30">30</a></Sup> Isto n&atilde;o quer dizer que o Governo alem&atilde;o se op&otilde;e ao envio de armamento para zonas de conflito <i>tout court. </i>No que se refere aos combates, dos curdos, no Norte do Iraque contra o chamado Estado Isl&acirc;mico (ei), em setembro de 2014, o Governo decidiu enviar equipamento militar (lan&ccedil;agranadas, granadas de m&atilde;o e muni&ccedil;&atilde;o) aos curdos, justificando-o como necess&aacute;rio para combater &laquo;a amea&ccedil;a existencial&raquo; muito para l&aacute; das fronteiras do Iraque que representam os combatentes do EI. Cinquenta e oito por cento da opini&atilde;o p&uacute;blica alem&atilde;, contudo, rejeita essa pol&iacute;tica. Ver &laquo;Kampf gegen &bdquo;Islamischen Staat&bdquo;: Bundeswehr fliegt erste Milit&auml;rausr&uuml;stung in den Irak&raquo;. In <i>Spiegel Online</i>,5 de setembro de 2014. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.spiegel.de/politik/ausland/irak-bundeswehr-schickt-militaerausruestung-an-die-kurden-a989984.html" target="_blank">http://www.spiegel.de/politik/ausland/irak-bundeswehr-schickt-militaerausruestung-an-die-kurden-a989984.html</a>.</p>     <p><Sup><a name="31"></a><a href="#top31">31</a></Sup> Speck, Ulrich &ndash; &laquo;German power and the Ukraine conflict&raquo;. In <i>Carnegie Europe</i>,26 de mar&ccedil;o de 2015. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://carnegieeurope.eu/2015/03/26/german-power-and-ukraine-conflict" target="_blank">http://carnegieeurope.eu/2015/03/26/german-power-and-ukraine-conflict</a>.</p>     <p><Sup><a name="32"></a><a href="#top32">32</a></Sup> Cooper, Helene, e Erlanger, Steven &ndash; &laquo;Military cuts render NATO less formidable as deterrent to Russia&raquo;. In <i>New York Times</i>,26 de mar&ccedil;o de 2014. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.nytimes.com/2014/03/27/world/europe/military-cuts-render-NATO-less-formidable-as-deterrent-to-russia.html" target="_blank">http://www.nytimes.com/2014/03/27/world/europe/military-cuts-render-NATO-less-formidable-as-deterrent-to-russia.html</a>.</p>     <p><Sup><a name="33"></a><a href="#top33">33</a></Sup> Merkel, Angela &ndash; Discurso na Universidadede Hels&iacute;nquia, 30 de mar&ccedil;o de 2015. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.bundeskanzlerin.de/Content/DE/Rede/2015/03/2015-03-31-universitaet-helsinki.html" target="_blank">http://www.bundeskanzlerin.de/Content/DE/Rede/2015/03/2015-03-31-universitaet-helsinki.html</a>.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><Sup><a name="34"></a><a href="#top34">34</a></Sup> Croft, Adrian, e Alexander, David &ndash; &laquo;NATO strengthens forces in eastern Europe against Russia risk&raquo;. In <i>Reuters</i>, 5 de fevereiro de 2015. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://uk.reuters.com/article/2015/02/05/uk-ukraine-crisis-NATO-idUKKBN-0L82KG20150205" target="_blank">http://uk.reuters.com/article/2015/02/05/uk-ukraine-crisis-NATO-idUKKBN-0L82KG20150205</a>.</p>     <p><Sup><a name="35"></a><a href="#top35">35</a></Sup> &laquo;Estland w&uuml;nscht sich deutsche Truppen&raquo;. In <i>Frankfurter Allgemeine Zeitung</i>,14 de abril de 2015. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.faz.net/aktuell/politik/ausland/europa/estland-wuenscht-sich-deutsche-truppen13537272.html" target="_blank">http://www.faz.net/aktuell/politik/ausland/europa/estland-wuenscht-sich-deutsche-truppen13537272.html</a>.</p>     <p><Sup><a name="36"></a><a href="#top36">36</a></Sup> &laquo;Bucharest Summit Declaration&raquo;. In <i>North Atlantic Treaty Organization</i>, 3 de abril de 2008. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.NATO.int/cps/en/natolive/official_texts_8443.htm" target="_blank">http://www.NATO.int/cps/en/natolive/official_texts_8443.htm</a>.</p>     <p><Sup><a name="37"></a><a href="#top37">37</a></Sup> &laquo;Nordic nations agree on defense cooperation against Russia&raquo;. In <i>Reuters</i>, 9 de abril de 2015.Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.reuters.com/article/2015/04/09/us-nordics-russia-defence-idUSKBN0N02E820150409" target="_blank">http://www.reuters.com/article/2015/04/09/us-nordics-russia-defence-idUSKBN0N02E820150409</a>; &laquo;Nordic countries extend military alliance in face of Russian aggression&raquo;. In <i>The Guardian</i>, 10 de abril de 2015. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.theguardian.com/world/2015/apr/10/nordic-countries-extend-military-alliance-russian-aggression" target="_blank">http://www.theguardian.com/world/2015/apr/10/nordic-countries-extend-military-alliance-russian-aggression</a>.</p>     <p><Sup><a name="38"></a><a href="#top38">38</a></Sup> Dempsey, Judy &ndash; &laquo;After Moscow, where next for Tsipras?&raquo;. In <i>Carnegie Europe</i>,12 de abril de 2015. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://carnegieeurope.eu/2015/04/12/after-mos-cow-where-next-for-tsipras/i6o7" target="_blank">http://carnegieeurope.eu/2015/04/12/after-mos-cow-where-next-for-tsipras/i6o7</a>.</p>     <p><Sup><a name="39"></a><a href="#top39">39</a></Sup> Merkel, Angela &ndash; Discurso na Uni-versidade de Hels&iacute;nquia, 30 de mar&ccedil;o de 2015.</p>     <p><Sup><a name="40"></a><a href="#top40">40</a></Sup> Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.europea-ninstitute.org/index.php/ei-blog/247-december2014/1993-german-foreign-minister-calls-for-strategic-patience" target="_blank">http://www.europea-ninstitute.org/index.php/ei-blog/247-december2014/1993-german-foreign-minister-calls-for-strategic-patience</a>; <a href="http://www.ecfr.eu/article/commentary_strategic_patience_with_russia_will_pay_off378" target="_blank">http://www.ecfr.eu/article/commentary_strategic_patience_with_russia_will_pay_off378</a>.</p>     <p><Sup><a name="41"></a><a href="#top41">41</a></Sup> Steinmeier, Frank-Walter &ndash; Discurso do ministro dos Neg&oacute;cios Estrangeiros perante o Bundestag, 26 de mar&ccedil;o de 2015. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.auswaertigesamt.de/DE/Infoservice/Presse/Reden/2015/150626-BM_BT_Assozierun-gsabkommen.html" target="_blank">http://www.auswaertigesamt.de/DE/Infoservice/Presse/Reden/2015/150626-BM_BT_Assozierun-gsabkommen.html</a>.</p>     <p><Sup><a name="42"></a><a href="#top42">42</a></Sup> Confer&ecirc;ncia de Seguran&ccedil;a de Munique, fevereiro de 2014. Os discursos est&atilde;o dispon&iacute;veis em: <a href="https://www.securityconference.de/" target="_blank">https://www.securityconference.de/</a>. Ver <a href="http://www.bundespraesident.de/SharedDocs/Reden/DE/Joachim-Gauck/Reden/2014/01/140131-Muenchner-Sicherheitskonferenz.html" target="_blank">http://www.bundespraesident.de/SharedDocs/Reden/DE/Joachim-Gauck/Reden/2014/01/140131-Muenchner-Sicherheitskonferenz.html</a>; <a href="http://www.auswaertiges-amt.de/DE/Infoservice/Presse/Reden/2014/140201-BM_MüSiKo.html" target="_blank">http://www.auswaertiges-amt.de/DE/Infoservice/Presse/Reden/2014/140201-BM_M&uuml;SiKo.html</a>; <a href="https://www.securityconference.de/fileadmin/MSC_/2014/Reden/2014-01-31_Rede_BMin_von_der_Leyen_MSC_2014.pdf" target="_blank">https://www.securityconference.de/fileadmin/MSC_/2014/Reden/2014-01-31_Rede_BMin_von_der_Leyen_MSC_2014.pdf</a>.</p>     <p><Sup><a name="43"></a><a href="#top43">43</a></Sup> Bittner, J., e Nass, M. &ndash; &laquo;Kurs auf die Welt&raquo;. In <i>Die ZEIT</i>, 6 de fevereiro de 2014. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.zeit.de/2014/07/deutsche-aussenpolitik-sicherheitskonferenz/komplettansicht" target="_blank">http://www.zeit.de/2014/07/deutsche-aussenpolitik-sicherheitskonferenz/komplettansicht</a>.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><Sup><a name="44"></a><a href="#top44">44</a></Sup> Steinmeier, Frank-Walter &ndash; &laquo;Krise, Ordnung, Europa&raquo;. In <i>Review 2014. Aussenpolitik weiter denken</i>, p. 43<i>. </i>Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.review2014.de/de/aussensicht/show/article/deutschland-als-euro-paeische-fuehrungsmacht.html" target="_blank">http://www.review2014.de/de/aussensicht/show/article/deutschland-als-euro-paeische-fuehrungsmacht.html</a>.</p>     <p><Sup><a name="45"></a><a href="#top45">45</a></Sup> Miskimmon, Alister &ndash; &laquo;German foreign policy and the Libya crisis&raquo;. In <i>German Politics</i>. 21: 4, 2012, PP. 392-410.</p>     <p><Sup><a name="46"></a><a href="#top46">46</a></Sup> Ver Daehnhardt, Patr&iacute;cia &ndash; &laquo;Alemanha&raquo;. <i>In</i> Freire, Maria Raquel (coord.) &ndash; <i>Pol&iacute;tica Externa. As Rela&ccedil;&otilde;es Internacionais em Mudan&ccedil;a</i>. 2.&ordf; edi&ccedil;&atilde;o, Coimbra: Imprensa da Universidade de Coimbra, 2015 (no prelo).</p>     <p><Sup><a name="47"></a><a href="#top47">47</a></Sup> Steinmeier, Frank-Walter &ndash; &laquo;Zur &ldquo;DNA&rdquo; der deutschen Aussenpolitik&raquo;, 25 de fevereiro de 2015. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.project-syndicate.org/commentary/german-foreign-policy-european-union-by-frank-walter-steinmeier-2015-02" target="_blank">http://www.project-syndicate.org/commentary/german-foreign-policy-european-union-by-frank-walter-steinmeier-2015-02</a>.</p>     <p><Sup><a name="48"></a><a href="#top48">48</a></Sup> &laquo;Trends in world military expenditure. 2014&raquo;. In <i>Stockholm International Peace Research Institute</i> (sipri), abril de 2015. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://books.sipri.org/files/FS/SIPRIFS1504.pdf" target="_blank">http://books.sipri.org/files/FS/SIPRIFS1504.pdf</a>.</p>     <p><Sup><a name="49"></a><a href="#top49">49</a></Sup> <i>Ibidem</i>; &laquo;Die Zahl an einsatzbereiten &ldquo;Leopard 2&rdquo;-Panzern wird erheblich aufgestockt&raquo;. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.spiegel.de/politik/ausland/sipri-osteur-opa-steigert-militaerausgaben-wegen-ukraine-krise-a1028198.html" target="_blank">http://www.spiegel.de/politik/ausland/sipri-osteur-opa-steigert-militaerausgaben-wegen-ukraine-krise-a1028198.html</a>.</p>     <p><Sup><a name="50"></a><a href="#top50">50</a></Sup> Inqu&eacute;rito IPforsa. In <i>Internationale Politik</i>,janeiro-fevereiro de 2015. Dispon&iacute;vel em: <a href="https://zeitschrift-ip.dgap.org/de/article/getFullPDF/26263" target="_blank">https://zeitschrift-ip.dgap.org/de/article/getFullPDF/26263</a>.</p>     <p><Sup><a name="51"></a><a href="#top51">51</a></Sup> Youngs, Richard &ndash; &laquo;Armenia as a show-case for the New European Neighbourhood Policy?&raquo;. In <i>Carnegie Europe</i>, 2 de abril de 2015. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://carnegieeurope.eu/strategiceurope/?fa=59617" target="_blank">http://carnegieeurope.eu/strategiceurope/?fa=59617</a>.</p>      ]]></body><back>
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