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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Um passo em frente e dois atrás: A natureza fluida do sistema político italiano]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[The aim of this article is to analyze the current characteristics and dynamics of the Italian political system, focussing on the main patterns of continuity and change that emerged after the 2013 legislative elections. The disintegration of the centre-right coalition, the emergence of new political forces, as well as the rise of new leaders have profoundly reshaped the Italian party system. On the other hand, the economic crisis has reinforced negative attitudes towards democratic institutions and the main political actors. These phenomena have led to an extremely fluid political system and an uncertain future, which has been aggravated by a never-ending debate on institutional reforms.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><b>SISTEMAS POLÍTICO-PARTIDÁRIOS: OS CASOS ITALIANO E ESPANHOL</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><B>Um passo em frente e dois atr&aacute;s. A natureza fluida do sistema pol&iacute;tico italiano</B></p>     <p><B>One step forward and two steps back: The changing nature of the Italian political system</B></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><B>Marco Lisi </B></p>     <p>Professor auxiliar no Departamento de Estudos Pol&iacute;ticos da Faculdade de Ci&ecirc;ncias Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. Tem publicado v&aacute;rios artigos sobre partidos e comportamento eleitoral em revistas nacionais e estrangeiras. A sua obra mais recente, coordenada com Myrto Tsakatika, &eacute; a monografia <i>Transformations of the Radical Left</i> (Routledge, 2014).</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><B>RESUMO</B></p>     <p>Este artigo tem por objetivo analisar as caracter&iacute;sticas e din&acirc;micas atuais do sistema pol&iacute;tico italiano, concentrando-se nos principais padr&otilde;es de continuidade e mudan&ccedil;a que emergiram depois das elei&ccedil;&otilde;es legislativas de 2013. A desintegra&ccedil;&atilde;o da coliga&ccedil;&atilde;o de centro-direita, a emerg&ecirc;ncia de novas for&ccedil;as pol&iacute;ticas, assim como a emerg&ecirc;ncia de novos l&iacute;deres reformularam profundamente o sis-tema pol&iacute;tico italiano. Por outro lado, a crise econ&oacute;mica fortaleceu atitudes negativas face &agrave;s institui&ccedil;&otilde;es democr&aacute;ticas e aos principais atores pol&iacute;ticos. Este fen&oacute;meno conduziu a um sistema pol&iacute;tico extremamente fluido e a um futuro incerto que tem sido agravado por um debate intermin&aacute;vel sobre as reformas institucionais.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><B>Palavras-chave:</B> It&aacute;lia, sistemas pol&iacute;ticos, elei&ccedil;&otilde;es, mudan&ccedil;a partid&aacute;ria.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><B>ABSTRACT</B></p>     <p>The aim of this article is to analyze the current characteristics and dynamics of the Italian political system, focussing on the main patterns of continuity and change that emerged after the 2013 legislative elections. The disintegration of the centre-right coalition, the emergence of new political forces, as well as the rise of new leaders have profoundly reshaped the Italian party system. On the other hand, the economic crisis has reinforced negative attitudes towards democratic institutions and the main political actors. These phenomena have led to an extremely fluid political system and an uncertain future, which has been aggravated by a never-ending debate on institutional reforms.</p>     <p><B>Keywords:</B> Italy; Political Systems; Elections; Party Change</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>As mudan&ccedil;as pol&iacute;ticas sentidas na It&aacute;lia durante os anos 1990 foram vistas por muitos observadores como uma transi&ccedil;&atilde;o de um regime democr&aacute;tico caracterizado por muitos elementos &laquo;anormais&raquo; para uma democracia baseada em crit&eacute;rios &laquo;eficientes&raquo; &ndash; tais como, por exemplo, governos est&aacute;veis, modera&ccedil;&atilde;o ideol&oacute;gica, tend&ecirc;ncias centr&iacute;petas, governos identific&aacute;veis (e respons&aacute;veis), altern&acirc;ncia de poder e uma limitada fragmenta&ccedil;&atilde;o partid&aacute;ria (pelo menos a n&iacute;vel eleitoral). Apesar de o for-mato e a din&acirc;mica do sistema partid&aacute;rio terem mudado significativamente desde a fase consensual at&eacute; &agrave; fase maiorit&aacute;ria<sup><a href="#1">1</a></sup><a name="top1"></a>, olhando para os desenvolvimentos recentes &eacute; dif&iacute;cil argumentar que o resultado foi uma situa&ccedil;&atilde;o est&aacute;vel e eficiente. O Governo tecnocr&aacute;tico liderado por Monti (2011-2012), o sucesso do Movimento 5 Estrelas (Movimento Cinque Stelle, m5s) nas elei&ccedil;&otilde;es de 2013, o papel at&iacute;pico do chefe de Estado numa rep&uacute;blica parlamentar &ndash; especialmente durante a crise, mas n&atilde;o s&oacute; &ndash; s&atilde;o algumasdas caracter&iacute;sticas que tornam a situa&ccedil;&atilde;o italiana dif&iacute;cil de comparar com outras democracias ocidentais, sen&atilde;o mesmo uma exce&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>Independentemente de se aceitar ou n&atilde;o o (controverso) mito da &laquo;transi&ccedil;&atilde;o cont&iacute;nua&raquo; iniciada com as elei&ccedil;&otilde;es de 1994<sup><a href="#2">2</a></sup><a name="top2"></a>, &eacute; um facto que durante os anos 1990 a It&aacute;lia foi vista como um laborat&oacute;rio excecional para a an&aacute;lise de mudan&ccedil;as pol&iacute;ticas. &Agrave; semelhan&ccedil;a do que aconteceu em Fran&ccedil;a entre as Quarta e Quinta rep&uacute;blicas, o sistema pol&iacute;tico italiano sofreu mudan&ccedil;as radicais a n&iacute;vel pol&iacute;tico e institucional, uma situa&ccedil;&atilde;o rara em democracias maduras. Entre 1992 e 1994, os velhos partidos que desempenhavam pap&eacute;is centrais na Primeira Rep&uacute;blica desapareceram abruptamente, a volatilidade eleitoral disparou para os 40 por cento, novos partidos surgiram, enquanto que os votantes e a sociedade civil embarcaram numa nova onda de mobiliza&ccedil;&atilde;o, ganhando mais visibilidade e poder face &agrave;s institui&ccedil;&otilde;es tradicionais. Apesar de o velho sistema pol&iacute;tico italiano ter acabado, havia ainda um elevado grau de incerteza no que diz respeito &agrave;s caracter&iacute;sticas deste novo regime nascido das cinzas da Primeira Rep&uacute;blica. Neste per&iacute;odo surgiram tend&ecirc;ncias amb&iacute;guas, o que levou alguns acad&eacute;micos a caracterizar este processo como uma &laquo;transi&ccedil;&atilde;o cont&iacute;nua&raquo;, culminando no surgimento de um tipo de democracia com caracter&iacute;sticas h&iacute;bridas<sup><a href="#3">3</a></sup><a name="top3"></a>. Em parte, este foi o resultado de estas mudan&ccedil;as terem ocorrido sem a implementa&ccedil;&atilde;o de uma &laquo;grande reforma&raquo;, como aconteceu na Fran&ccedil;a com De Gaulle<sup><a href="#4">4</a></sup><a name="top4"></a>. Pelo contr&aacute;rio, foi uma consequ&ecirc;ncia das mudan&ccedil;as incrementais levadas a cabo por diferentes atores pol&iacute;ticos e sociais.</p>     <p>No entanto, n&atilde;o h&aacute; d&uacute;vidas de que o funcionamento do sistema pol&iacute;tico italiano p&oacute;s-1994 foi substancialmente diferente do das d&eacute;cadas anteriores. A mudan&ccedil;a nas regras eleitorais e o surgimento de novos partidos e l&iacute;deres acabaram por afetar a din&acirc;mica competitiva, aumentaram a estabilidade governativa, &laquo;desbloquearam&raquo; o leque de escolhas dos votantes e conduziram a um equil&iacute;brio mais est&aacute;vel entre governo e parlamento, com uma maior preponder&acirc;ncia do primeiro-ministro<sup><a href="#5">5</a></sup><a name="top5"></a>. Al&eacute;m das institui&ccedil;&otilde;es representativas, mudan&ccedil;as importantes tiveram tamb&eacute;m lugar no que concerne &agrave; administra&ccedil;&atilde;o estatal (descentraliza&ccedil;&atilde;o), no aumento do papel do poder judicial e em novas formas de gest&atilde;o econ&oacute;mica.</p>     <p>&Agrave; primeira vista, a crise financeira originou outra vaga na evolu&ccedil;&atilde;o do sistema pol&iacute;tico italiano. Por um lado, Berlusconi &ndash; a figura-chave que determinou o conte&uacute;do e o estilo da pol&iacute;tica italiana desde 1994 &ndash; foi for&ccedil;ado a demitir-se em 2011 perdendo gradualmente o controlo da coliga&ccedil;&atilde;o de centro-direita. Comentadores, peritos, fazedores de opini&atilde;o e similares acreditam ter-se tratado do fim da Segunda Rep&uacute;blica. Por outro lado, as elei&ccedil;&otilde;es de 2013 fizeram surgir um novo ator, o m5s, uma outra for&ccedil;a pol&iacute;tica liderada pelo artista e comediante Beppe Grillo &ndash; que conseguiu obter 25,5 por cento dos votos, colocando um ponto final na bipolariza&ccedil;&atilde;o vivida durante a Segunda Rep&uacute;blica. Em geral, a crise da zona euro parece ter contribu&iacute;do para outra mudan&ccedil;a significativa no sistema pol&iacute;tico, abrindo novas oportunidades para a inova&ccedil;&atilde;o e quebrando o (fraco) equil&iacute;brio das estruturas pol&iacute;ticas e institucionais existentes.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Este artigo examina a evolu&ccedil;&atilde;o do sistema pol&iacute;tico italiano, tomando como foco as mudan&ccedil;as desencadeadas pelas elei&ccedil;&otilde;es legislativas de 2013. Em particular, analisamos se surgiram novas din&acirc;micas competitivas, quais as transforma&ccedil;&otilde;es vividas pelos principais atores pol&iacute;ticos e at&eacute; que ponto a crise promoveu altera&ccedil;&otilde;es significativas a n&iacute;vel institucional ou social. Ap&oacute;s descrever, na pr&oacute;xima sec&ccedil;&atilde;o, as principais caracter&iacute;sticas das din&acirc;micas eleitorais e institucionais, a terceira sec&ccedil;&atilde;o analisa a forma e o funcionamento do sistema partid&aacute;rio, enquanto a sec&ccedil;&atilde;o seguinte reflete sobre as tend&ecirc;ncias ao n&iacute;vel das atitudes dos cidad&atilde;os face ao sistema pol&iacute;tico, bem como &agrave;s suas implica&ccedil;&otilde;es nas arenas institucionais e sociais. A &uacute;ltima sec&ccedil;&atilde;o oferece uma interpreta&ccedil;&atilde;o geral das continuidades e mudan&ccedil;as no sistema pol&iacute;tico italiano, para al&eacute;m de algumas reflex&otilde;es sobre os seus poss&iacute;veis desenvolvimentos.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>DA &laquo;TRANSI&Ccedil;&Atilde;O CONT&Iacute;NUA&raquo; &Agrave; &laquo;TRANSI&Ccedil;&Atilde;O EM IMPASSE&raquo;</b></p>     <p>As elei&ccedil;&otilde;es legislativas de 1994 marcaram o in&iacute;cio de uma nova era na pol&iacute;tica italiana. Estas elei&ccedil;&otilde;es foram ganhas pela coliga&ccedil;&atilde;o de centro-direita liderada por Silvio Berlusconi e in&uacute;meras novas for&ccedil;as competiram pela primeira vez, enquanto que outros partidos &ndash; tal como os comunistas &ndash; sofreram mudan&ccedil;as significativas<sup><a href="#6">6</a></sup><a name="top6"></a>. Apesar da curta dura&ccedil;&atilde;o do Governo de centro-direita (sete meses), foi estabelecido um padr&atilde;o de altern&acirc;ncia atrav&eacute;s da competi&ccedil;&atilde;o entre duas coliga&ccedil;&otilde;es distintas (cf. <a href="#t1">Tabela 1</a>). Ap&oacute;s a vit&oacute;ria em 1996 da coliga&ccedil;&atilde;o de centro-esquerda liderada por Romano Prodi, Berlusconi conseguiu ganhar as elei&ccedil;&otilde;es de 2001, dirigindo o Governo at&eacute; ao final da legislatura. Como v&aacute;rios autores mencionaram<sup><a href="#7">7</a></sup><a name="top7"></a>, estas elei&ccedil;&otilde;es constitu&iacute;ram uma verdadeira viragem face ao anterior sistema pol&iacute;tico, n&atilde;o s&oacute; pela emerg&ecirc;ncia de l&iacute;deres e coliga&ccedil;&otilde;es identific&aacute;veis, mas tamb&eacute;m pelo facto de assegurarem estabilidade governativa. Pela primeira vez, um governo empossado competiu pelo poder com uma oposi&ccedil;&atilde;o clara e definida. A poucos meses de serem convocadas elei&ccedil;&otilde;es legislativas, uma nova lei eleitoral baseada na representa&ccedil;&atilde;o proporcional e em listas partid&aacute;rias fechadas foi introduzida em ambas as c&acirc;maras<sup><a href="#8">8</a></sup><a name="top8"></a>. As elei&ccedil;&otilde;es de 2006, disputadas com base nesta lei, deram uma vit&oacute;ria tangencial &agrave; coliga&ccedil;&atilde;o de centro-esquerda de Romano Prodi. Contudo, a sua maioria no Senado era t&atilde;o fr&aacute;gil que o novo Governo durou apenas dois anos.</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="t1"></a> <img src="/img/revistas/ri/n45/n45a04t1.jpg">     
<p>&nbsp;</p>     <p>No entanto, a bipolariza&ccedil;&atilde;o do sistema partid&aacute;rio foi sendo refor&ccedil;ada e atingiu o seu ponto m&aacute;ximo em 2008<sup><a href="#9">9</a></sup><a name="top9"></a>. O Povo da Liberdade (Popolo della Libert&agrave;, pdl), o partido de Berlusconi, conseguiu obter a mais ampla maioria pol&iacute;tica jamais conseguida na hist&oacute;ria republicana, com uma coliga&ccedil;&atilde;o de governo simplificada com apenas um parceiro, a Liga Norte (Lega Nord, ln). Al&eacute;m disso, a oposi&ccedil;&atilde;o parlamentar era composta por apenas tr&ecirc;s grupos parlamentares: o Partido Democr&aacute;tico (Partito democratico, pd) de centro-esquerda, o Italia dei Valori (idv) &ndash; liderado pelo antigo juiz Antonio Di Pietro &ndash; e o centrista cat&oacute;lico Unione di Centro (udc). No entanto, a ilus&atilde;o de uma tend&ecirc;ncia maiorit&aacute;ria foi rapidamente dissipada pela pr&aacute;tica parlamentar, com a emerg&ecirc;ncia de din&acirc;micas centr&iacute;fugas e conflitos persistentes dentro das duas principais coliga&ccedil;&otilde;es.A maioria parlamentar obtida nas elei&ccedil;&otilde;es de 2008 come&ccedil;ou a desmoronar-se com a deser&ccedil;&atilde;o, em 2010, do cofundador do pdl Gianfranco Fini e de um grupo substancial de parlamentares. O Governo come&ccedil;ou a perder apoio entre os eleitores, como se comprovou pelo fraco desempenho nas elei&ccedil;&otilde;es locais e no referendo de 2011<sup><a href="#10">10</a></sup><a name="top10"></a>. Uma mistura de problemas internos no principal partido do Governo (o pdl), os esc&acirc;ndalos pessoais do primeiro-ministro Silvio Berlusconi, corrup&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica, m&aacute; administra&ccedil;&atilde;o e, por &uacute;ltimo mas n&atilde;o menos importante, o eclodir da crise econ&oacute;mica internacional conduziram &agrave; queda do Governo de coliga&ccedil;&atilde;o centro-direita no final de 2011.</p>     <p>Merece a pena recordar que a demiss&atilde;o de Silvio Berlusconi se deveu n&atilde;o a uma vota&ccedil;&atilde;o negativa ou a uma mo&ccedil;&atilde;o de censura no Parlamento, mas sim a compromissos assumidos pela It&aacute;lia perante os parceiros europeus, e que foram geridos diplomaticamente pelo Presidente da Rep&uacute;blica (Giorgio Napolitano). As institui&ccedil;&otilde;es europeias tiveram um papel crucial no apoio a um consenso parlamentar alargado, tanto na forma&ccedil;&atilde;o de um novo governo tecnocr&aacute;tico liderado pelo antigo comiss&aacute;rio europeu Mario Monti, como na ado&ccedil;&atilde;o de medidas para lidar com os graves problemas econ&oacute;micos. Como se pode ver na <a href="#t2">Tabela 2</a>, a crise italiana come&ccedil;ou em 2008 e piorou seriamente at&eacute; 2009. Depois de dois anos de taxas de crescimento baixas, um novo per&iacute;odo de recess&atilde;o come&ccedil;ou em 2012 estendendo-se a 2013. Durante o mesmo per&iacute;odo, a taxa de desemprego duplicou em rela&ccedil;&atilde;o aos valores de 2007, enquanto a d&iacute;vida p&uacute;blica cresceu acentuadamente ano ap&oacute;s ano at&eacute; atingir o n&iacute;vel recorde de quase 132 por cento do Produto Interno Bruto (pib) no final de 2014.</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="t2"></a> <img src="/img/revistas/ri/n45/n45a04t2.jpg">     
<p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>O Governo tecnocr&aacute;tico desfrutou de uma extensa maioria bipartid&aacute;ria, o que lhe permitiu implementar as mais importantes reformas econ&oacute;micas com uma elevada taxa de sucesso (65 por cento das leis, mais do que os governos anteriores)<sup><a href="#11">11</a></sup><a name="top11"></a>. Este desempenho pode ser explicado n&atilde;o s&oacute; pela fraqueza dos restantes partidos, mas tamb&eacute;m pelos condicionalismos externos, tal como a supervis&atilde;o das institui&ccedil;&otilde;es europeias. O Governo tecnocr&aacute;tico durou at&eacute; dezembro de 2012, ap&oacute;s a aprova&ccedil;&atilde;o do or&ccedil;amento de 2013 e do novo pacote de medidas de austeridade. Berlusconi e o seu partido decidiram retirar a confian&ccedil;a ao Governo, numa tentativa de ganhar vantagem enquanto oposi&ccedil;&atilde;o &agrave;s impopulares pol&iacute;ticas implementadas por Monti. Em consequ&ecirc;ncia disso, as elei&ccedil;&otilde;es realizaram-se em fevereiro de 2013, poucos meses antes do final previsto da legislatura. Estas elei&ccedil;&otilde;es registaram um crescimento significativo das taxas de absten&ccedil;&atilde;o (de 20 por cento para 25 por cento, ver <a href="#t3">Tabela 3</a>), e um aumento dram&aacute;tico do sentimento antipartidos, que abriu espa&ccedil;o ao sucesso avassalador do m5s<sup><a href="#12">12</a></sup><a name="top12"></a>.</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="t3"></a> <img src="/img/revistas/ri/n45/n45a04t3.jpg">     
<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;Durante a campanha eleitoral para as elei&ccedil;&otilde;es de 2013, a posi&ccedil;&atilde;o de lideran&ccedil;a do maior partido da esquerda face aos partidos de centro-direita desgastou-se continuadamente devido ao esc&acirc;ndalo financeiro relacionado com um banco pr&oacute;ximo ao pd (Monte dei Paschi), uma m&aacute; gest&atilde;o de campanha e um mau desempenho do seu l&iacute;der Pierluigi Bersani<sup><a href="#13">13</a></sup><a name="top13"></a>. O m5s beneficiou das falhas dos principais partidos obtendo mais de 25 por cento dos votos na c&acirc;mara baixa, o que lhe permitiu ser o partido mais votado, ainda que o b&oacute;nus por maioria tivesse dado a maioria absoluta ao principal partido da esquerda (pd). O sucesso do m5s baseou-se n&atilde;o s&oacute; no seu l&iacute;der carism&aacute;tico, mas tamb&eacute;m na capacidade de atrair antigos apoiantes do Lega Nord e do Italia dei Valori (idv), duas for&ccedil;as pol&iacute;ticas que constru&iacute;ram o seu sucesso com base em mensagens antissistema. No entanto, isto n&atilde;o significa que o m5s seja apenas uma mera express&atilde;o de sentimentos antipol&iacute;tica, mas antes que a sua base de apoio teve origem na necessidade de encontrar novos modelos organizacionais e formas democr&aacute;ticas mais participativas e deliberativas<sup><a href="#14">14</a></sup><a name="top14"></a>. O sucesso desta nova for&ccedil;a esteve associado &agrave; capacidade de construir um consenso transversal, agregando diferentes grupos, independentemente da sua orienta&ccedil;&atilde;o ideol&oacute;gica ou identidade partid&aacute;ria<sup><a href="#15">15</a></sup><a name="top15"></a>.<sup><a href="#16">16</a></sup><a name="top16"></a></p>     <p>As elei&ccedil;&otilde;es legislativas de 2013 foram incapazes de produzir uma maioria clara devido aos resultados no Senado. Este impasse pol&iacute;tico conduziu &agrave; forma&ccedil;&atilde;o de uma grande coliga&ccedil;&atilde;o, composta pelos advers&aacute;rios pol&iacute;ticos tradicionais da Segunda Rep&uacute;blica &ndash; o Partido Democr&aacute;tico (pd) de centro-esquerda e o Popolo delle Libert&agrave; (pdl) de centro-direita &ndash; e o novo Lista Civica liderado por Mario Monti. O novo primeiro-ministro, Enrico Letta, hesitou em implementar as principais reformas econ&oacute;micas e pol&iacute;ticas &ndash; em particular a reforma constitucional &ndash; apresentadas pelo pd durante a campanha eleitoral. As raz&otilde;es foram duas. Em primeiro lugar, o julgamento e condena&ccedil;&atilde;o do l&iacute;der do pdl Berlusconi; em segundo, a vontade dos partidos de centro-direita de eliminar o imposto sobre a propriedade (imu) e a oposi&ccedil;&atilde;o a um aumento do iva. Ambas as medidas foram consideradas essenciais para atingir as metas impostas pela Uni&atilde;o Europeia (UE). Entretanto, a crise dentro do principal partido de direita, pdl, conduziu a uma rotura interna entre o Forza Italia de Berlusconi e o rec&eacute;m-criado partido Nuovo centrodestra (Novo Centro-Direita, ncd) liderado por Alfano (o herdeiro pol&iacute;tico de Berlusconi), que se tornou o segundo maior partido da coliga&ccedil;&atilde;o. No entanto, a elei&ccedil;&atilde;o de Matteo Renzi (o presidente da c&acirc;mara de Floren&ccedil;a) como novo l&iacute;der do pd nas prim&aacute;rias partid&aacute;rias de dezembro de 2013 veio colocar em causa a sobreviv&ecirc;ncia do Governo<sup><a href="#17">17</a></sup><a name="top17"></a>. Letta decidiu demitir-se em fevereiro de 2014 ap&oacute;s v&aacute;rios ataques do novo l&iacute;der do pd em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s pol&iacute;ticas econ&oacute;micas, e na sequ&ecirc;ncia de v&aacute;rios esc&acirc;ndalos que afetaram importantes membros do Governo<sup><a href="#18">18</a></sup><a name="top18"></a>.</p>     <p>Apesar de ser prematuro dar um veredito acerca do desempenho do Governo de Renzi, uma avalia&ccedil;&atilde;o provis&oacute;ria sugere aspectos positivos e negativos. Um per&iacute;odo de &laquo;lua de mel&raquo; entre o novo primeiro-ministro e a opini&atilde;o p&uacute;blica permitiu a Renzi obter resultados muito positivos nas elei&ccedil;&otilde;es europeias de 2014 (40,8 por cento, o segundo maior grupo pol&iacute;tico no Parlamento Europeu), um dos poucos governos (de esquerda) a aumentar o n&uacute;mero de votos tanto em termos absolutos como relativos. Mais importante ainda, o desempenho do pd permitiu limitar e conter o aumento de apelos populistas. Somando a isto, uma das maiores vit&oacute;rias durante o primeiro ano de governa&ccedil;&atilde;o foi a aprova&ccedil;&atilde;o da reforma do Senado, que visava facilitar o processo de tomada de decis&atilde;o e os procedimentos legislativos<sup><a href="#19">19</a></sup><a name="top19"></a>. Espera-se que esta reforma venha a facilitar a capacidade do Governo em cumprir as promessas eleitorais, ao remover importantes bloqueios e ao refor&ccedil;ar o papel do poder executivo em detrimento do Parlamento. No entanto, o primeiro-ministro teve de enfrentar uma forte oposi&ccedil;&atilde;o &agrave; nova Lei do Trabalho, uma s&eacute;rie de reformas que procurava reduzir os n&iacute;veis de desemprego atrav&eacute;s da liberaliza&ccedil;&atilde;o do mercado de trabalho, reduzindo os custos do trabalho e facilitando os despedimentos individuais. Para al&eacute;m disso, o Governo chocou com a ala mais radical do pd e da principal uni&atilde;o sindical (cgil), n&atilde;o s&oacute; por ter rejeitado negociar o or&ccedil;amento de 2015 com os parceiros sociais, mas tamb&eacute;m devido &agrave; decis&atilde;o de estabelecer novos limites &agrave;s greves de trabalhadores e de congelar os sal&aacute;rios da fun&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica, bem como &agrave; tentativa de aboli&ccedil;&atilde;o do artigo 18 da Constitui&ccedil;&atilde;o (prote&ccedil;&atilde;o contra a demiss&atilde;o sem justa causa). Finalmente, Renzi tentou amenizar as medidas de austeridade mas n&atilde;o conseguiu reduzir a taxa de desemprego nem inverter as tend&ecirc;ncias negativas de crescimento (ver <a href="#t2">Tabela 2</a>). Este baixo desempenho e alguns esc&acirc;ndalos de corrup&ccedil;&atilde;o que afetaram membros do Governo levaram a uma perda significativa de popularidade, que baixou 15 pontos percentuais durante o primeiro ano em fun&ccedil;&otilde;es (de cerca de 60 por cento a 45 por cento em mar&ccedil;o de 2015<sup><a href="#20">20</a></sup><a name="top20"></a>).</p>     <p>Os mais importantes desenvolvimentos pol&iacute;ticos na It&aacute;lia ap&oacute;s a crise, nomeadamente a queda de Berlusconi, a ascens&atilde;o do m5s e a recente lideran&ccedil;a de Renzi, devem ser interpretados no contexto de uma tend&ecirc;ncia global para uma crescente personaliza&ccedil;&atilde;o da pol&iacute;tica. Num &acirc;mbito mais amplo, a Segunda Rep&uacute;blica italiana pode ser considerada um dos melhores exemplos da presidencializa&ccedil;&atilde;o das democracias contempor&acirc;neas<sup><a href="#21">21</a></sup><a name="top21"></a>.</p>     <p>A partir do in&iacute;cio dos anos 1990 v&aacute;rias mudan&ccedil;as significativas tiveram lugar: o fortalecimento do papel do primeiro-ministro; uma crescente centraliza&ccedil;&atilde;o e personaliza&ccedil;&atilde;o das organiza&ccedil;&otilde;es partid&aacute;rias; o aumento da autonomia e visibilidade dos eleitos a n&iacute;vel local baseada na legitima&ccedil;&atilde;o popular atrav&eacute;s de elei&ccedil;&otilde;es diretas; a mediatiza&ccedil;&atilde;o da men-sagem pol&iacute;tica com a consequente mudan&ccedil;a no estilo das campanhas pol&iacute;ticas; e, por &uacute;ltimo, a avalia&ccedil;&atilde;o da popularidade dos l&iacute;deres como fator determinante do comportamento dos eleitores, ao mesmo tempo que as lealdades partid&aacute;rias e ideol&oacute;gicas tradicionais foram sendo gradualmente rejeitadas<sup><a href="#22">22</a></sup><a name="top22"></a>.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><B>A TRANSFORMA&Ccedil;&Atilde;O DOS PARTIDOS E DO SISTEMA PARTID&Aacute;RIO </B></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>O sistema eleitoral misto adotado pela primeira vez em 1994 n&atilde;o foi capaz de alcan&ccedil;ar os principais objetivos da reforma, nomeadamente a redu&ccedil;&atilde;o da fragmenta&ccedil;&atilde;o do sistema partid&aacute;rio. Como mostra a <a href="#t4">Tabela 4</a>, o n&uacute;mero efetivo de partidos eleitorais (nepe) manteve-se relativamente alto, ainda que os incentivos &agrave; forma&ccedil;&atilde;o de alian&ccedil;as pr&eacute;-eleitorais tenham contribu&iacute;do para limitar as tend&ecirc;ncias centr&iacute;fugas. No entanto, o surgimento em 2008 de dois grandes partidos, tanto &agrave; esquerda como &agrave; direita (pd e pdl), gerou tend&ecirc;ncias maiorit&aacute;rias, como sugere a diminui&ccedil;&atilde;o no nepe, que atingiu o seu valor mais baixo (3,8). Esta situa&ccedil;&atilde;o confirma-se mesmo quando olhamos para a concentra&ccedil;&atilde;o de votos nos dois principais partidos: em 1996 os dois principais partidos obtiveram apenas 41,7 por cento, enquanto em 2008 alcan&ccedil;aram mais de 70 por cento dos votos. Em parte, esta mudan&ccedil;a esteve relacionada com a nova lei eleitoral adotada em 2005 (um sistema proporcional com um b&oacute;nus por maioria &agrave; coliga&ccedil;&atilde;o vencedora). Por&eacute;m, conv&eacute;m salientar que estas regras foram interpretadas e exploradas de formas distintas pelos diferentes l&iacute;deres partid&aacute;rios<sup><a href="#23">23</a></sup><a name="top23"></a>. Assim, em 2006, os dois maiores partidos optaram pela cria&ccedil;&atilde;o de cart&eacute;is pr&eacute;-eleitorais e em 2008 escolheram concorrer com &laquo;coliga&ccedil;&otilde;es maiorit&aacute;rias m&iacute;nimas&raquo;<sup><a href="#24">24</a></sup><a name="top24"></a>. O resultado foi uma oferta eleitoral simplificada composta por duas coliga&ccedil;&otilde;es &ndash; o pd com o idv &agrave; esquerda e o pdl com a Liga Norte &agrave; direita &ndash; e dois partidos concorrendo sozinhos (a Esquerda Arco-&iacute;ris, mais radical, e o democrata-crist&atilde;o udc).</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="t4"></a> <img src="/img/revistas/ri/n45/n45a04t4.jpg">     
<p>&nbsp;</p>     <p>A descontinuidade das elei&ccedil;&otilde;es de 2013 pode ser testemunhada, acima de tudo, atrav&eacute;s do aumento do n&uacute;mero de partidos ao n&iacute;vel eleitoral (5,3), apesar de esta mudan&ccedil;a ser menos clara ao n&iacute;vel parlamentar devido ao impacto do sistema eleitoral (nepp = 3,5). Esta diverg&ecirc;ncia espelhou-se numa maior despropor&ccedil;&atilde;o nas elei&ccedil;&otilde;es de 2013, que se deveu principalmente &agrave; elevada competitividade que as caracterizou<sup><a href="#25">25</a></sup><a name="top25"></a>. Para al&eacute;m disso, a possibilidade de identifica&ccedil;&atilde;o de coliga&ccedil;&otilde;es pass&iacute;veis de se alternarem no governo, assim como as tend&ecirc;ncias maiorit&aacute;rias que caracterizaram a din&acirc;mica do sistema partid&aacute;rio desde 1994, desvaneceram-se com o sucesso do m5s.</p>     <p>As elei&ccedil;&otilde;es de 2013 representaram um claro ponto de viragem no desenvolvimento do sistema pol&iacute;tico iniciado em 1994 tamb&eacute;m no que diz respeito &agrave;s flutua&ccedil;&otilde;es de votos. O n&iacute;vel total de volatilidade (42,4) foi o mais alto de todo o per&iacute;odo (tendo atingido 36,7 nas elei&ccedil;&otilde;es de 1994, que estiveram na Segunda Rep&uacute;blica). O n&iacute;vel de volatilidade foi quatro vezes superior ao registado nas elei&ccedil;&otilde;es de 2008, a segunda pontua&ccedil;&atilde;o mais alta em elei&ccedil;&otilde;es na Europa ap&oacute;s a Segunda Guerra Mundial (depois das elei&ccedil;&otilde;es gregas de 2012)<sup><a href="#26">26</a></sup><a name="top26"></a>. A fluidez do sistema partid&aacute;rio foi tamb&eacute;m muito elevada nas elei&ccedil;&otilde;es de 1996 e 2001, acima de tudo pelos reajustes na oferta partid&aacute;ria. Esta instabilidade, contudo, esconde a relativa impermeabilidade dos dois blocos ideol&oacute;gicos. Se considerarmos a volatilidade entre blocos &ndash; ou seja, a mudan&ccedil;a de votos de um bloco ideol&oacute;gico para outro &ndash; podemos observar que a forma&ccedil;&atilde;o de coliga&ccedil;&otilde;es amplas e claras est&aacute; limitada devido &agrave; reduzida propor&ccedil;&atilde;o de votantes que atravessam as fronteiras ideol&oacute;gicas (cf. <a href="#t4">Tabela 4</a>). No entanto, nas elei&ccedil;&otilde;es de 2013 a permeabilidade entre as duas coliga&ccedil;&otilde;es atingiu o seu segundo n&iacute;vel mais alto &ndash; em termos absolutos &ndash; desde as elei&ccedil;&otilde;es de 1994, n&atilde;o s&oacute; pelo apelo transversal do m5s, mas tamb&eacute;m pela emerg&ecirc;ncia de novas for&ccedil;as situadas ao centro do espectro pol&iacute;tico. Consequentemente, a volatilidade nos blocos correspondeu a 80 por cento da volatilidade total.</p>     <p>Em termos gerais, o sistema partid&aacute;rio italiano tem vivido tend&ecirc;ncias diversas e contrastantes, que surgem como um dos tra&ccedil;os da &laquo;transi&ccedil;&atilde;o cont&iacute;nua&raquo;. Entre 1994 e 2006 observa-se uma bipolaridade fragmentada com uma influ&ecirc;ncia exagerada dos pequenos partidos nas coliga&ccedil;&otilde;es. Nas elei&ccedil;&otilde;es de 2008 emergiu uma bipolaridade limitada, com a competi&ccedil;&atilde;o a centrar-se nos dois principais partidos<sup><a href="#27">27</a></sup><a name="top27"></a>. Finalmente, as elei&ccedil;&otilde;es de 2013 deram origem a um sistema partid&aacute;rio multipolar estruturado em torno de tr&ecirc;s atores principais: na ala esquerda o pd, na ala direita o pdl, e o novo partido (antissistema) m5s. Ainda n&atilde;o &eacute; claro se as elei&ccedil;&otilde;es de 2013 inauguraram uma nova fase do sistema partid&aacute;rio italiano. Isto vai depender n&atilde;o s&oacute; da capacidade de resposta e adapta&ccedil;&atilde;o dos principais partidos aos desafios da crise pol&iacute;tica e econ&oacute;mica mas tamb&eacute;m &agrave; institucionaliza&ccedil;&atilde;o do m5s. As elei&ccedil;&otilde;es locais que ocorreram depois do escrut&iacute;nio nacional de 2013 demonstraram as limita&ccedil;&otilde;es do m5s em termos da penetra&ccedil;&atilde;o organizacional e do recrutamento de candidatos. Mais ainda, este novo partido demonstrou uma impressionante falta de coes&atilde;o e uma incapacidade de controlar os representantes eleitos para cargos p&uacute;blicos. No entanto, a incapacidade do Governo de levar a cabo grandes reformas pol&iacute;ticas e econ&oacute;micas pode contribuir para consolidar este novo partido e refor&ccedil;ar as tend&ecirc;ncias centr&iacute;fugas e a instabilidade do sistema pol&iacute;tico.<sup><a href="#28">28</a></sup><a name="top28"></a></p>     <p>Outro importante indicador das mudan&ccedil;as que ocorreram com as elei&ccedil;&otilde;es legislativas de 2013 &eacute; a taxa de inova&ccedil;&atilde;o efetiva do sistema partid&aacute;rio. Este indicador mede o sucesso dos novos partidos que n&atilde;o possuem v&iacute;nculo ideol&oacute;gico com os j&aacute; existentes<sup><a href="#29">29</a></sup><a name="top29"></a>. Este &eacute; tamb&eacute;m um instrumento para examinar a institucionaliza&ccedil;&atilde;o do sistema partid&aacute;rio. No caso italiano, este indicador atingiu os valores m&aacute;ximos nas elei&ccedil;&otilde;es de 1994 e 2013, com valores de 21 e 34,8 por cento respetivamente<sup><a href="#30">30</a></sup><a name="top30"></a>. Por outras palavras, estes dados sugerem que o sistema partid&aacute;rio est&aacute; a sofrer um processo de desinstitucionaliza&ccedil;&atilde;o, semelhante ao que ocorreu no per&iacute;odo de 1992-1994. Isto significa que as elei&ccedil;&otilde;es de 2013 divergiram claramente dos padr&otilde;es estabelecidos durante a Segunda Rep&uacute;blica, devido especificamente ao surgimento de tr&ecirc;s novos partidos (o m5s, o Scelta Civica e o Fare per fermare il declino).</p>     <p>No geral, o sistema partid&aacute;rio italiano tem revelado uma combina&ccedil;&atilde;o explosiva baseada, por um lado, num elevado n&iacute;vel de fragmenta&ccedil;&atilde;o e, por outro, em elevados n&iacute;veis de volatilidade eleitoral. Outro problema a ser resolvido para que possa ser melhorada a representa&ccedil;&atilde;o e assegurada a estabilidade partid&aacute;ria &eacute; a quest&atilde;o dos pol&iacute;ticos que transitam entre partidos. Durante a chamada &laquo;Primeira Rep&uacute;blica&raquo;, a sa&iacute;da de um deputado de um partido para outro constitu&iacute;a um suic&iacute;dio pol&iacute;tico. Mais frequente era a sa&iacute;da de fa&ccedil;&otilde;es inteiras de um partido para outro por motivos estrat&eacute;gicos ou ideol&oacute;gicos. Depois de 1994 surgiu um novo fen&oacute;meno: a mudan&ccedil;a de deputados de um partido para outro. Um indicador desta tend&ecirc;ncia &eacute; o crescimento de grupos parlamentares formados durante a legislatura<sup><a href="#31">31</a></sup><a name="top31"></a>. Para al&eacute;m disso, o n&uacute;mero de deputados que pertencem a grupos parlamentares &laquo;mistos&raquo; &ndash; ou seja, que deixaram o partido pelo qual foram eleitos &ndash;, tamb&eacute;m cresceu significativamente durante o mandato parlamentar. Ainda mais digno de nota &eacute; a propor&ccedil;&atilde;o substancial de deputados que mudaram de coliga&ccedil;&atilde;o (em m&eacute;dia 50 por cento entre 1996 e 2001), movendo-se de um bloco ideol&oacute;gico para o oposto<sup><a href="#32">32</a></sup><a name="top32"></a>. O facto de este padr&atilde;o ter demonstrado uma continuidade pronunciada mesmo ap&oacute;s a aprova&ccedil;&atilde;o do sistema eleitoral de 2005 &ndash; que terminou com os c&iacute;rculos uninominais, um incentivo poderoso para a responsabiliza&ccedil;&atilde;o dos deputados face aos seus eleitorados &ndash; sugere que as organiza&ccedil;&otilde;es partid&aacute;rias j&aacute; n&atilde;o s&atilde;o capazes de organizar e controlar as atividades parlamentares e de funcionar como o centro da fun&ccedil;&atilde;o legislativa.</p>     <p>Apesar destes fatores, o sistema partid&aacute;rio gozou de relativa estabilidade at&eacute; 2013. Como explicar este padr&atilde;o? A resposta reside em grande medida na competi&ccedil;&atilde;o bipolarizada entre as coliga&ccedil;&otilde;es de centro-direita e centro-esquerda. A despolariza&ccedil;&atilde;o das principais for&ccedil;as radicais e os incentivos das leis eleitorais &agrave; forma&ccedil;&atilde;o de coliga&ccedil;&otilde;es para competir pela altern&acirc;ncia governamental asseguraram a estabilidade do sistema partid&aacute;rio durante o per&iacute;odo 1990-2000. O sucesso de um terceiro polo baseado na nova for&ccedil;a liderada por Beppe Grillo p&ocirc;s um ponto final a esta configura&ccedil;&atilde;o bipolar. Apesar de ser ainda prematuro tirar conclus&otilde;es sobre os futuros desenvolvimentos do sistema partid&aacute;rio italiano, as elei&ccedil;&otilde;es de 2013 demonstram claramente caracter&iacute;sticas mais pr&oacute;ximas da primeira fase da democracia do que da segunda.</p>     <p>Al&eacute;m do formato e din&acirc;mica do sistema partid&aacute;rio, uma das maiores mudan&ccedil;as observadas durante a fase maiorit&aacute;ria do sistema pol&iacute;tico italiano est&aacute; relacionada com as transforma&ccedil;&otilde;es nos partidos pol&iacute;ticos. Apesar de ainda ser muito cedo para avaliar o legado de Berlusconi no sistema partid&aacute;rio italiano, &eacute; oportuno enfatizar tr&ecirc;s dimens&otilde;es de mudan&ccedil;a. Em primeiro lugar, o surgimento de &laquo;partidos personalistas&raquo;, que combinam uma rela&ccedil;&atilde;o simbi&oacute;tica entre l&iacute;deres e partido, o controlo de l&iacute;deres fortes sobre as estruturas partid&aacute;rias e a natureza simb&oacute;lica &ndash; mais ou menos carism&aacute;tica &ndash; da lideran&ccedil;a como meio de unificar e controlar os valores, regras e identidade dos partidos<sup><a href="#33">33</a></sup><a name="top33"></a>. Do lado direito do espectro pol&iacute;tico, o Forza Italia e a Liga do Norte sempre foram dependentes dos seus l&iacute;deres, que de facto &laquo;possu&iacute;am&raquo; o partido &ndash; literal-mente no caso da primeira for&ccedil;a pol&iacute;tica. O mesmo aconteceu com o m5s. N&atilde;o se trata apenas de Grillo ser um l&iacute;der carism&aacute;tico, mas tamb&eacute;m do facto de controlar &ndash; em conjunto com o seu bra&ccedil;o-direito e conselheiro Casaleggio &ndash; o partido pela internet, de a sua biografia pessoal estar sempre presente (impl&iacute;cita ou explicitamente) na mensagem transmitida aos eleitores, e de utilizar constantemente uma ret&oacute;rica populista<sup><a href="#34">34</a></sup><a name="top34"></a>. Todos estes partidos, apesar de muito diferentes em v&aacute;rios aspetos, reproduziram uma organiza&ccedil;&atilde;o interna claramente virada para sustentar e preservar, mais do que contrabalan&ccedil;ar, a lideran&ccedil;a dos seus fundadores. A proemin&ecirc;ncia dos l&iacute;deres partid&aacute;rios dentro do partido nunca foi realmente desafiada na maioria dos casos. &Agrave; esquerda, a Italia dei Valori de Di Pietro, bem como o sel (Esquerda, Ecologia e Liberdade) de Vendola, tamb&eacute;m apresentam uma forte componente personalista, e a sua exist&ecirc;ncia est&aacute; muito ligada &agrave; estrat&eacute;gia e popularidade dos seus l&iacute;deres. O pd parecia ser menos imune a este fen&oacute;meno, mas a lideran&ccedil;a de Renzi pode ser considerada em grande medida como uma tentativa bem-sucedida de imitar o estilo de lideran&ccedil;a pessoal de Berlusconi.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>O segundo elemento importante est&aacute; relacionado com as mudan&ccedil;as vividas nas caracter&iacute;sticas da comunica&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica. Como referiu Donovan<sup><a href="#35">35</a></sup><a name="top35"></a>, Berlusconi foi mais eficaz como mobilizador eleitoral do que como chefe de governo. Foi pioneiro nas campanhas eleitorais modernas em It&aacute;lia e na forma como os atores pol&iacute;ticos comunicavam com os eleitores<sup><a href="#36">36</a></sup><a name="top36"></a>. Enquanto nos anos 1990 a comunica&ccedil;&atilde;o partid&aacute;ria estava bastante atr&aacute;s do que acontecia na Europa Ocidental, no in&iacute;cio do s&eacute;culo xxi mobilizava muito dinheiro e era fortemente orientada pelo <i>marketing</i>. No entanto, deve salientar-se a este respeito que os disc&iacute;pulos ultrapassaram o mestre, uma vez que tanto Grillo como Renzi foram capazes de utilizar melhor a web 2.0 e as redes sociais do que o pr&oacute;prio Berlusconi.</p>     <p>A terceira &aacute;rea que Berlusconi afetou diretamente est&aacute; relacionada com a ret&oacute;rica antissistema e antipol&iacute;ticos. Depois do esc&acirc;ndalo &laquo;M&atilde;os Limpas&raquo;, Berlusconi construiu o seu sucesso pol&iacute;tico baseando-se na sua imagem de empreendedor e na ideia de uma regenera&ccedil;&atilde;o da vida pol&iacute;tica baseada nas virtudes empreendedoras, em oposi&ccedil;&atilde;o &agrave; partidocracia identificada com a maioria dos partidos de esquerda.</p>     <p>Dois importantes fen&oacute;menos do contexto posterior &agrave;s elei&ccedil;&otilde;es de 2013 podem ser considerados uma consequ&ecirc;ncia destas mudan&ccedil;as estruturais e um subproduto da era Berlusconi. O primeiro foi a ascens&atilde;o mete&oacute;rica de Renzi como l&iacute;der do maior partido de esquerda (pd) e, desde fevereiro de 2014, como primeiro-ministro. O antigo presidente da c&acirc;mara de Floren&ccedil;a baseou o seu sucesso num estilo plebiscit&aacute;rio de fazer pol&iacute;tica, rejeitando qualquer processo mediado e mostrando-se indispon&iacute;vel para respeitar constrangimentos formais ou informais relativos a outros poderes no momento de tomar decis&otilde;es. Adicionalmente, conv&eacute;m lembrar que a ascens&atilde;o de Renzi &ndash; tamb&eacute;m conhecido como o &laquo;demolidor&raquo; (<i>rottamatore</i>) &ndash; dentro do partido foi baseada numa forte mensagem antissistema e na necessidade de rejuvenescer a elite pol&iacute;tica atrav&eacute;s de uma mudan&ccedil;a geracional<sup><a href="#37">37</a></sup><a name="top37"></a>.</p>     <p>Contudo, talvez o exemplo mais claro do legado de Berlusconi seja o m5s de Grillo. Este novo ator pol&iacute;tico &eacute; uma combina&ccedil;&atilde;o explosiva de tend&ecirc;ncias personalistas e ret&oacute;rica antipol&iacute;tica. Para podermos compreender este fen&oacute;meno temos de olhar para o contexto favor&aacute;vel ao surgimento de novos atores populistas. Sentimentos antipartid&aacute;rios e atitudes antissistema s&atilde;o uma caracter&iacute;stica habitual da pol&iacute;tica italiana, tanto ao n&iacute;vel das elites como das massas<sup><a href="#38">38</a></sup><a name="top38"></a>. As cr&iacute;ticas relativamente aos principais partidos s&atilde;o terreno f&eacute;rtil para o apelo aos n&atilde;o votantes, &agrave;s gera&ccedil;&otilde;es mais novas e aos setores mais vulner&aacute;veis &agrave;s consequ&ecirc;ncias da crise econ&oacute;mica. O m5s &eacute; tamb&eacute;m uma consequ&ecirc;ncia do legado de Berlusconi em termos do estilo de comunica&ccedil;&atilde;o baseado no mito do &laquo;homem fora do sistema&raquo; e de uma mentalidade de amigo/inimigo &ndash; por exemplo, lutando contra as duas castas, a elite pol&iacute;tica dominante e os meios de comunica&ccedil;&atilde;o &ndash; com um forte recurso a um tipo de campanha negativa.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><B>DESLEGITIMA&Ccedil;&Atilde;O, ADAPTA&Ccedil;&Atilde;O INSTITUCIONAL E RESPOSTAS SOCIAIS</B></p>     <p>A an&aacute;lise das atitudes pol&iacute;ticas nos pa&iacute;ses da Europa Ocidental ap&oacute;s o in&iacute;cio da crise econ&oacute;mica mostra um aumento dos sentimentos negativos relativamente &agrave;s principais institui&ccedil;&otilde;es representativas<sup><a href="#39">39</a></sup><a name="top39"></a>. De acordo com v&aacute;rios tipos de dados, desde o in&iacute;cio do s&eacute;culo xxi as democracias ocidentais t&ecirc;m apresentado crescentes n&iacute;veis de desconfian&ccedil;a, embora n&atilde;o haja uma tend&ecirc;ncia uniforme e a intensidade do fen&oacute;meno varie de pa&iacute;s para pa&iacute;s<sup><a href="#40">40</a></sup><a name="top40"></a>. Os cidad&atilde;os da Europa do Sul registam n&iacute;veis particularmente negativos relativamente ao funcionamento da democracia e da Uni&atilde;o Europeia, sugerindo n&atilde;o s&oacute; mal-estar e descontentamento, mas tamb&eacute;m uma crise nos pap&eacute;is desempenhados pelos partidos pol&iacute;ticos nesta regi&atilde;o em particular. O falhan&ccedil;o dos partidos parece ser particularmente forte em It&aacute;lia e est&aacute; associado &agrave;s tradi&ccedil;&otilde;es de &laquo;antipartidarismo&raquo; de longo prazo, bem como &agrave; heran&ccedil;a da crise do sistema partid&aacute;rio vivida nos anos 1990<sup><a href="#41">41</a></sup><a name="top41"></a>.</p>     <p>Considerando inicialmente o n&iacute;vel de confian&ccedil;a nos partidos pol&iacute;ticos, vemos que a It&aacute;lia regista uma diminui&ccedil;&atilde;o na &uacute;ltima d&eacute;cada, especialmente ap&oacute;s as elei&ccedil;&otilde;es de 2006, atingindo o valor mais baixo em maio de 2012 com apenas quatro por cento de avalia&ccedil;&otilde;es positivas (cf. <a href="#f1">figura 1</a>). Passando para a confian&ccedil;a do p&uacute;blico no governo, a It&aacute;lia mostra um decl&iacute;nio entre 2006 e 2008 e uma ligeira recupera&ccedil;&atilde;o ap&oacute;s as elei&ccedil;&otilde;es de 2008, seguindo-se um curto per&iacute;odo de estabilidade (per&iacute;odo de &laquo;lua de mel&raquo;). Durante o quarto governo de Berlusconi (2008-2011) a confian&ccedil;a caiu abruptamente para a taxa mais baixa de sempre (11 por cento). A nomea&ccedil;&atilde;o do governo tecnocr&aacute;tico levou a um aumento das avalia&ccedil;&otilde;es positivas de Monti, que durou at&eacute; ao final de 2012. O mesmo padr&atilde;o pode ser observado no caso da confian&ccedil;a face ao parlamento. Em geral, &eacute; importante salientar o facto de a crise econ&oacute;mica ser um catalisador do decl&iacute;nio da confian&ccedil;a institucional, fortalecendo uma insatisfa&ccedil;&atilde;o global com as principais institui&ccedil;&otilde;es pol&iacute;ticas que datava j&aacute; do in&iacute;cio da d&eacute;cada de 2000. Os eleitores italianos demonstram atualmente mais atitudes negativas face ao sistema pol&iacute;tico do que antes do despoletar da crise da zona euro.</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f1"></a> <img src="/img/revistas/ri/n45/n45a04f1.jpg">     
<p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Se olharmos para a evolu&ccedil;&atilde;o da satisfa&ccedil;&atilde;o com a democracia, os valores gerais flutuam entre 15,6 por cento (em 1997) e 53 por cento (valores registados em 2005-2006). Regista-se uma tend&ecirc;ncia positiva at&eacute; 2006, que alcan&ccedil;a o seu apogeu no final de 2005 e come&ccedil;a a diminuir nos anos seguintes. As elei&ccedil;&otilde;es legislativas de 2008 contribu&iacute;ram para uma subida moderada na satisfa&ccedil;&atilde;o com a democracia, mas desde 2010 a propor&ccedil;&atilde;o de cidad&atilde;os satisfeitos diminuiu gradualmente, atingindo o m&iacute;nimo na primavera de 2014 com apenas 27 por cento dos italianos a demonstrarem uma vis&atilde;o positiva da democracia. Apesar das oscila&ccedil;&otilde;es, podemos afirmar que o surgimento da crise econ&oacute;mica coincidiu com uma queda significativa dos valores globais de satisfa&ccedil;&atilde;o com o regime democr&aacute;tico.</p>     <p>As atitudes pol&iacute;ticas na It&aacute;lia demonstraram um cinismo generalizado em rela&ccedil;&atilde;o ao sistema pol&iacute;tico. No entanto, este mal-estar n&atilde;o deve ser interpretado meramente como um mero produto da crise econ&oacute;mica. Apesar de ser dif&iacute;cil avaliar os principais fatores que contribuem para a oscila&ccedil;&atilde;o destes indicadores, estes sentimentos negativos face &agrave;s institui&ccedil;&otilde;es tendem a ser generalizados e n&atilde;o caracter&iacute;sticos de um grupo de eleitores. De um modo geral, esta &eacute; uma tend&ecirc;ncia global que est&aacute; relacionada com mudan&ccedil;as amplas e sistem&aacute;ticas. Em primeiro lugar, os desafios da globaliza&ccedil;&atilde;o combinados com pol&iacute;ticas neoliberais e a falta de crescimento econ&oacute;mico na zona euro afetaram o desempenho das democracias contempor&acirc;neas, especialmente nos pa&iacute;ses do Sul da Europa ap&oacute;s o in&iacute;cio da crise da d&iacute;vida soberana. Em segundo lugar, conv&eacute;m recordar o papel importante desempenhado pelos meios de comunica&ccedil;&atilde;o social na defini&ccedil;&atilde;o das atitudes p&uacute;blicas, nomeadamente o discurso sobre a incapacidade por parte dos pol&iacute;ticos de fazer face aos problemas dos cidad&atilde;os e a obsess&atilde;o pela vida privada dos pol&iacute;ticos<sup><a href="#42">42</a></sup><a name="top42"></a>. Al&eacute;m disso, como relembra Baldini<sup><a href="#43">43</a></sup><a name="top43"></a>, o surgimento de sentimentos &laquo;antipol&iacute;ticos&raquo; &eacute; uma caracter&iacute;stica recorrente na pol&iacute;tica italiana. Da emerg&ecirc;ncia do partido do &laquo;homem comum&raquo; (<i>Uomo qualunque</i>) ao idv de Di Pietro, existem in&uacute;meros exemplos de formas de protesto antissistema na hist&oacute;ria da It&aacute;lia depois da Segunda Guerra Mundial. Isto significa que a cultura pol&iacute;tica italiana &eacute; terreno f&eacute;rtil para o crescimento das for&ccedil;as que baseiam a pr&oacute;pria mensagem na cr&iacute;tica face aos principais atores pol&iacute;ticos. Contudo, v&aacute;rios estudos sublinham a import&acirc;ncia da influ&ecirc;ncia de fatores de curto prazo nas atitudes perante o regime democr&aacute;tico, nomeadamente o grau de satisfa&ccedil;&atilde;o com o funcionamento da democracia<sup><a href="#44">44</a></sup><a name="top44"></a>. Durante o esc&acirc;ndalo &laquo;M&atilde;os Limpas&raquo;, por exemplo, todos os indicadores de apoio ao regime ca&iacute;ram abruptamente, mas no final dos anos 1990 uma tend&ecirc;ncia positiva emergiu novamente. Consequentemente, o decl&iacute;nio da confian&ccedil;a institucional e da satisfa&ccedil;&atilde;o democr&aacute;tica registado nos &uacute;ltimos anos pode ser um resultado imediato da crise econ&oacute;mica, bem como uma consequ&ecirc;ncia da instabilidade pol&iacute;tica que se seguiu &agrave; queda do Governo de Berlusconi.</p>     <p>Neste cen&aacute;rio de grande desconfian&ccedil;a face aos principais atores e institui&ccedil;&otilde;es representativas, o Presidente da Rep&uacute;blica tem vindo a desempenhar um papel cada vez mais importante na pol&iacute;tica italiana. Embora este papel n&atilde;o seja completamente novo na democracia italiana, os poderes presidenciais aumentaram significativamente durante a fase &laquo;maiorit&aacute;ria&raquo;<sup><a href="#46">46</a></sup><a name="top46"></a>. De acordo com a Constitui&ccedil;&atilde;o, o Presidente da Rep&uacute;blica tem dois tipos de poder: por um lado, o poder de veto, ou seja, a capacidade de controlar o governo e a a&ccedil;&atilde;o das minorias parlamentares; por outro, poderes para aumentar a efici&ecirc;ncia do processo de tomada de decis&atilde;o atrav&eacute;s de prerrogativas diretas e discricion&aacute;rias relativas &agrave; forma&ccedil;&atilde;o do governo, dissolu&ccedil;&atilde;o do parlamento ou pol&iacute;tica externa. A deslegitima&ccedil;&atilde;o que afetou as principais institui&ccedil;&otilde;es parlamentares foi contrabalan&ccedil;ada pelos elevados n&iacute;veis de popularidade dos presidentes, especialmente durante os mandatos de Napolitano (2006-2013 e 2013-2015). Esta legitima&ccedil;&atilde;o popular permitiu ao chefe de Estado assumir um papel sem precedentes na gest&atilde;o do per&iacute;odo p&oacute;s-crise, atrav&eacute;s do uso alargado tanto dos poderes formais como informais<sup><a href="#47">47</a></sup><a name="top47"></a>. O Presidente Napolitano agiu como um verdadeiro decisor, n&atilde;o s&oacute; no que concerne &agrave; capacidade de influenciar a agenda de certos ministros, mas tamb&eacute;m em termos do seu papel na pol&iacute;tica externa. Um dos exemplos mais claros dessa influ&ecirc;ncia &eacute; a escolha de Pier Carlo Padoan como novo ministro da Economia do Governo de Renzi. Nessa altura (fevereiro de 2014), Renzi tinha uma posi&ccedil;&atilde;o forte dentro do partido e perante a opini&atilde;o p&uacute;blica, mas a popularidade do Presidente italiano era ainda maior do que a registada pelo primeiro-ministro (66 por cento e 60 por cento, respetivamente). Isto permitiu a Napolitano assumir um papel decisivo na forma&ccedil;&atilde;o do governo, semelhante &agrave; que tinha tido em governos anteriores. O seu papel foi crucial, em especial no que concerne ao respeito pelos compromissos econ&oacute;mico-financeiros assumidos a n&iacute;vel europeu, e como garantia de que o or&ccedil;amento do Estado cumpre com os crit&eacute;rios europeus.</p>     <p>Acima de tudo, as mudan&ccedil;as estruturais do sistema pol&iacute;tico italiano contribu&iacute;ram para fortalecer o papel simb&oacute;lico e comunicativo do Presidente da Rep&uacute;blica. A fraqueza dos novos partidos, a crescente mediatiza&ccedil;&atilde;o da pol&iacute;tica e o aumento da personaliza&ccedil;&atilde;o (e a &laquo;presidencializa&ccedil;&atilde;o&raquo;) dos governos, o crescimento de sentimentos antipartid&aacute;rios e da desconfian&ccedil;a face &agrave; elite pol&iacute;tica, bem como o dif&iacute;cil caminho para a estabilidade governamental e para a efici&ecirc;ncia parlamentar s&atilde;o fatores que estimularam um papel mais ativo do chefe de Estado<sup><a href="#48">48</a></sup><a name="top48"></a>. Esta tend&ecirc;ncia emergiu de forma espor&aacute;dica desde a d&eacute;cada de 1980 mas intensificou-se significativamente sob a press&atilde;o pol&iacute;tica e econ&oacute;mica da crise da zona euro<sup><a href="#49">49</a></sup><a name="top49"></a>. Deste ponto de vista, o Presidente Napolitano foi capaz de colmatar a dist&acirc;ncia entre os cidad&atilde;os e a elite pol&iacute;tica e ganhar legitimidade popular atrav&eacute;s de poderes informais relacionados com a estrat&eacute;gia de &laquo;ir a p&uacute;blico&raquo;, acabando por refor&ccedil;ar as prerrogativas formais (relativamente) fracas.</p>     <p>Em grande medida, o debate acerca do futuro da pol&iacute;tica italiana deve come&ccedil;ar com uma an&aacute;lise das reformas institucionais. A &laquo;transi&ccedil;&atilde;o em impasse&raquo; &eacute; uma consequ&ecirc;ncia das defici&ecirc;ncias do sistema pol&iacute;tico, resultantes da combina&ccedil;&atilde;o do efeito da simetria bicamaralista e das leis eleitorais. Enquanto que o primeiro-ministro Renzi conseguiu com sucesso gerir o primeiro problema, o segundo continua a apresentar muitas d&uacute;vidas e amea&ccedil;as.</p>     <p>De acordo com Pasquino<sup><a href="#50">50</a></sup><a name="top50"></a>, o crit&eacute;rio mais importante para avaliar a lei eleitoral &eacute; o grau de poder concedido aos votantes na escolha dos seus representantes. A lei eleitoral de 2005 &ndash; a chamada lei &laquo;Porcellum&raquo; &ndash; d&aacute; um poder significativo aos l&iacute;deres partid&aacute;rios, bem como grandes privil&eacute;gios aos deputados, sem no entanto atribuir um papel relevante aos membros partid&aacute;rios. Em dezembro de 2013 o Tribunal Constitucional rejeitou dois aspetos cruciais da lei eleitoral: o b&oacute;nus para a obten&ccedil;&atilde;o de uma maioria &laquo;artificial&raquo; e as listas (demasiado) longas. Na sequ&ecirc;ncia desta decis&atilde;o, o novo l&iacute;der do pd (e primeiro-ministro) decidiu negociar uma nova lei eleitoral com Berlusconi, n&atilde;o s&oacute; com o objetivo de assegurar a estabilidade governativa, mas tamb&eacute;m para evitar o crescimento do m5s. Tr&ecirc;s pontos parecem dificultar a negocia&ccedil;&atilde;o entre Renzi e Berlusconi. O primeiro &eacute; o limite do b&oacute;nus por maioria, que deveria ser fixado em cerca de 37 por cento dos votos. O segundo ponto diz respeito &agrave; possibilidade de introduzir prefer&ecirc;ncias de voto, pelo menos a um n&uacute;mero limitado de candidatos. Finalmente, o controverso terceiro t&oacute;pico &eacute; o limite eleitoral para alcan&ccedil;ar a representa&ccedil;&atilde;o eleitoral. Se as lideran&ccedil;as do pd e do fi perseverarem na defesa do car&aacute;cter maiorit&aacute;rio da lei eleitoral, a nova lei apresentar&aacute; falhas semelhantes &agrave;s j&aacute; analisadas pelo Tribunal Constitucional. Para al&eacute;m disso, ainda que possa assegurar a continuidade das din&acirc;micas maiorit&aacute;rias atrav&eacute;s de uma estrutura competitiva bipolar, pode tamb&eacute;m ter o efeito secund&aacute;rio de fortalecer a natureza antissistema do m5s e prolongar artificialmente a vida pol&iacute;tica de Berlusconi.</p>     <p>Passando ao impacto da deslegitima&ccedil;&atilde;o ao n&iacute;vel das respostas sociais, &eacute; importante responder &agrave; seguinte quest&atilde;o: at&eacute; que ponto a crise sist&eacute;mica levou &agrave; mobiliza&ccedil;&atilde;o da sociedade civil? Se olharmos para as novas formas de protesto, tais como as que surgiram em Espanha, os protestos em It&aacute;lia n&atilde;o s&oacute; come&ccedil;aram mais tarde como apresentaram n&iacute;veis elevados de fragmenta&ccedil;&atilde;o e radicaliza&ccedil;&atilde;o<sup><a href="#51">51</a></sup><a name="top51"></a>. Os dados apontam para que a mobiliza&ccedil;&atilde;o tenha atingido o seu ponto m&aacute;ximo em 2011, durante o auge da crise econ&oacute;mica e do falhan&ccedil;o do Governo de Berlusconi. No per&iacute;odo subsequente, as novas formas de protesto dissiparam-se gradualmente. Por outro lado, as formas de protesto tradicionais ganharam mais relev&acirc;ncia nos &uacute;ltimos anos. Em particular, os sindicatos t&ecirc;m estado especialmente ativos na cr&iacute;tica &agrave;s pol&iacute;ticas dos governos e na articula&ccedil;&atilde;o de protestos contra as medidas de austeridade. Vale a pena salientar que o m5s beneficiou largamente das novas formas de protesto, ligando os problemas locais a assuntos mais gerais como o desemprego, o ambiente ou o pr&oacute;prio funcionamento da democracia<sup><a href="#52">52</a></sup><a name="top52"></a>. O crescimento da popularidade do m5s coincidiu com a sobreposi&ccedil;&atilde;o entre os protestos e os principais t&oacute;picos articulados no seu programa. Este fen&oacute;meno acabou por contribuir para a institucionaliza&ccedil;&atilde;o do protesto social e para neutralizar algumas das exig&ecirc;ncias levantadas pelos movimentos sociais.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><B>CONCLUS&Otilde;ES</B></p>     <p>Este artigo examinou a evolu&ccedil;&atilde;o do sistema pol&iacute;tico italiano antes e depois das elei&ccedil;&otilde;es legislativas de 2013, mostrando como estas est&atilde;o relacionadas com algumas tend&ecirc;ncias importantes a n&iacute;vel institucional e social. A maior dificuldade ao avaliar as continuidades e mudan&ccedil;as na pol&iacute;tica italiana reside na natureza ambivalente das caracter&iacute;sticas das suas institui&ccedil;&otilde;es, bem como em algumas tend&ecirc;ncias contradit&oacute;rias que foram surgindo ao longo das &uacute;ltimas tr&ecirc;s d&eacute;cadas. Por exemplo, os sistemas eleitorais adotados durante a Segunda Rep&uacute;blica funcionaram frequentemente ao contr&aacute;rio do que se esperava, uma vez que as elites pol&iacute;ticas interpretaram estas leis de forma diferente dos eleitores<sup><a href="#53">53</a></sup><a name="top53"></a>. Outro exemplo foi a reforma de descentraliza&ccedil;&atilde;o realizada com a revis&atilde;o constitucional de 2001, que sofreu v&aacute;rios problemas de implementa&ccedil;&atilde;o, especialmente com as tend&ecirc;ncias de recentraliza&ccedil;&atilde;o que surgiram com a crise econ&oacute;mica<sup><a href="#54">54</a></sup><a name="top54"></a>.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A mudan&ccedil;a mais evidente no sistema pol&iacute;tico italiano depois da crise foi certamente o terramoto eleitoral das elei&ccedil;&otilde;es de 2013, que vieram restruturar profundamente o sistema partid&aacute;rio e a oferta pol&iacute;tica. O aparecimento do m5s e o decl&iacute;nio do apoio &agrave;s duas principais coliga&ccedil;&otilde;es conjugaram-se para produzir um profundo realinhamento que levou &agrave; instabilidade pol&iacute;tica. O sistema partid&aacute;rio italiano ainda est&aacute; em mudan&ccedil;a devido aos efeitos (desconhecidos) da nova lei eleitoral &ndash; que ainda tem de ser negociada entre os principais partidos &ndash;, da reforma institucional (aboli&ccedil;&atilde;o do Senado), bem como &agrave; incerteza quanto &agrave; estrat&eacute;gia que as principais for&ccedil;as ir&atilde;o adotar no futuro. Assim sendo, apenas podemos especular sobre a hip&oacute;tese de emergir um padr&atilde;o est&aacute;vel no futuro. Como v&aacute;rios acad&eacute;micos argumentaram<sup><a href="#55">55</a></sup><a name="top55"></a>, a instabilidade institucional &eacute; uma caracter&iacute;stica permanente e end&eacute;mica da Segunda Rep&uacute;blica &ndash; e eventualmente da Terceira &ndash; principalmente porque nenhum dos atores principais foi capaz de impor um desenho institucional coerente. Deste ponto de vista, n&atilde;o houve nada de novo ap&oacute;s a crise econ&oacute;mica.</p>     <p>O papel desempenhado por v&aacute;rios poderes de veto e a fluidez dos atores pol&iacute;ticos torna altamente incerto e imprevis&iacute;vel o futuro do sistema pol&iacute;tico italiano. O resultado final ir&aacute; provavelmente depender de alguns dos novos desafios resultantes da crise da zona euro. O primeiro &eacute; a capacidade de os l&iacute;deres fazerem face aos principais problemas dos cidad&atilde;os e de implementarem pol&iacute;ticas efetivas para solucionar a crise social. O segundo desafio prende-se com a evolu&ccedil;&atilde;o macroecon&oacute;mica da zona euro e com as decis&otilde;es tomadas pelas principais institui&ccedil;&otilde;es europeias. Finalmente, os atores sociais tamb&eacute;m podem intervir na evolu&ccedil;&atilde;o do sistema pol&iacute;tico, consolidando ou alterando tend&ecirc;ncias anteriores. Grandes expectativas se levantaram em torno das novas gera&ccedil;&otilde;es de l&iacute;deres, empenhadas em inovar a forma como &eacute; feita a pol&iacute;tica. O principal risco &eacute; o crescimento dos sentimentos antissistema, caso estes novos l&iacute;deres n&atilde;o consigam regenerar a elite pol&iacute;tica e implementar reformas essenciais.</p>     <p>Uma &uacute;ltima palavra deve ser dita acerca do impacto da crise econ&oacute;mica na evolu&ccedil;&atilde;o do sistema pol&iacute;tico italiano. Uma an&aacute;lise dos desenvolvimentos a m&eacute;dio prazo da democracia italiana sugere que as mudan&ccedil;as pol&iacute;ticas vividas desde o surgimento da crise econ&oacute;mica s&atilde;o de facto fen&oacute;menos complexos que apenas parcialmente se devem a choques externos. Pelo contr&aacute;rio, este foi o resultado de uma &laquo;tempestade perfeita&raquo; que combinou diferentes aspetos, nomeadamente o crescimento da desconfian&ccedil;a do p&uacute;blico face &agrave;s institui&ccedil;&otilde;es pol&iacute;ticas, um desempenho econ&oacute;mico negativo e os esc&acirc;ndalos que afetaram o primeiro-ministro, o Governo e todo o espectro centro-direita. No que diz respeito &agrave; opini&atilde;o p&uacute;blica, os dados mostram que a crise agravou as perce&ccedil;&otilde;es negativas do sistema pol&iacute;tico, em particular no que diz respeito ao funcionamento dos partidos e ao regime democr&aacute;tico. Ainda que, antes da crise, as atitudes pol&iacute;ticas j&aacute; fossem extremamente negativas em rela&ccedil;&atilde;o ao funcionamento do sistema pol&iacute;tico, a degrada&ccedil;&atilde;o da situa&ccedil;&atilde;o econ&oacute;mica veio refor&ccedil;ar esta tend&ecirc;ncia. Contudo, por outro lado a crise veio revitalizar certos aspectos da democracia italiana, em especial se olharmos para a mobiliza&ccedil;&atilde;o da sociedade civil &ndash; vis&iacute;vel, por exemplo, nas elevadas taxas de participa&ccedil;&atilde;o nos referendos de 2011 e nas prim&aacute;rias dos partidos &ndash; e para a crescente abertura e transpar&ecirc;ncia dos partidos pol&iacute;ticos. Tal como Nietzsche afirmou, &laquo;o que n&atilde;o te mata torna-te mais forte&raquo;. Ainda que a It&aacute;lia possa continuar a ser considerada uma democracia &laquo;anormal&raquo;, continua a haver alguma esperan&ccedil;a.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><i>Data de rece&ccedil;&atilde;o: 10 de janeiro de 2015 | Data de aprova&ccedil;&atilde;o: 25 de mar&ccedil;o de 2015 </i></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><B>NOTAS</B></p>     <p><Sup><a name="1"></a><a href="#top1">1</a></Sup> A fase do consenso corresponde &agrave; chamada &laquo;Primeira Rep&uacute;blica&raquo; (1948- -1993), enquanto o per&iacute;odo maiorit&aacute;rio iniciado nas elei&ccedil;&otilde;es de 1994 se identifica como &laquo;Segunda Rep&uacute;blica&raquo;. Apesar de a caracteriza&ccedil;&atilde;o ser controversa, neste artigo adotou-se esta designa&ccedil;&atilde;o.</p>     <p><Sup><a name="2"></a><a href="#top2">2</a></Sup> Bull, Martin &ndash; &laquo;The Italian transition that never was&raquo;. In <i>Modern Italy</i>. Vol. 17, N.&ordm; 1, 2012, PP. 103-118; Pasquino, Gianfranco &ndash; &laquo;The 2013 elections and the Italian political system&raquo;. In <i>Journal of Modern Italian Studies</i>. Vol. 19, N.&ordm; 4, 2014, PP. 424-37.</p>     <p><Sup><a name="3"></a><a href="#top3">3</a></Sup> Morlino, Leonardo &ndash; &laquo;The impossible transition and the unstable new mix: Italy 1992-2011&raquo;. In <i>Comparative European Politics</i>. Vol. 11, N.&ordm; 3, 2013, PP.337-359; Pasquino, Gianfranco &ndash; <i>Finale di partita</i>. Mil&atilde;o: Egea, 2013.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><Sup><a name="4"></a><a href="#top4">4</a></Sup> Cotta, Maurizio, e Verzichelli, Luca &ndash; <i>Political Institutions in Italy</i>. Oxford: Oxford University Press, 2007.</p>     <p><Sup><a name="5"></a><a href="#top5">5</a></Sup> Bellucci, Paolo, e Segatti, Paolo (eds.) &ndash; <i>Votare in Italia: 1968-2008</i>. Bolonha: Il Mulino, 2011; Musella, Fortunato &ndash; <i>Il premier diviso. Tra presidenzialismo e parlamentarismo</i>. Mil&atilde;o: Universit&agrave; Bocconi editore, 2012.</p>     <p><Sup><a name="6"></a><a href="#top6">6</a></Sup> Cotta, Maurizio, e Verzichelli, Luca &ndash; <i>Political Institutions in Italy</i>; Bull, Martin, e Rhodes, Martin &ndash; &laquo;Introduction &ndash; Italy: a contested polity&raquo;. In <i>West European Politics</i>. Vol. 30, N.&ordm; 4, 2007, PP. 657-669.</p>     <p><Sup><a name="7"></a><a href="#top7">7</a></Sup> D&rsquo;Alimonte, Roberto, e Bartolini, Stefano (eds.) &ndash; <i>Maggioritario finalmente? La transizione elettorale 1994-2001</i>. Bolonha: Il Mulino, 2002; Pasquino, Gianfranco &ndash; &laquo;Un&rsquo;elezione non come le altre&raquo;. <i>In</i> Pasquino, Gianfranco (ed.) &ndash; <i>Dall&rsquo;Ulivo al governo Berlusconi</i>. Bolonha: Il Mulino, 2002, PP. 11-21.</p>     <p><Sup><a name="8"></a><a href="#top8">8</a></Sup> Um sistema de representa&ccedil;&atilde;o proporcional com um &laquo;b&oacute;nus por maioria&raquo;, que previa assentos parlamentares adicionais na C&acirc;mara de Deputados para a coliga&ccedil;&atilde;o com a maioria dos votos a n&iacute;vel nacional, e assentos adicionais no Senado para o partido com a maioria dos votos a n&iacute;vel regional.</p>     <p><Sup><a name="9"></a><a href="#top9">9</a></Sup> Newell, James &ndash; <i>The Italian General Election of 2008: Berlusconi Strikes Back</i>. Basingstoke: Palgrave Macmillan, 2008.</p>     <p><Sup><a name="10"></a><a href="#top10">10</a></Sup> Chiaramonte, Alessandro, e D&rsquo;Alimonte, Roberto &ndash; &laquo;The twilight of the Berlusconi era: local elections and national referendums in Italy, May and June 2011&raquo;. In <i>South European Society and Politics</i>. Vol. 17, N.&ordm; 2, 2012, PP. 261-279.</p>     <p><Sup><a name="11"></a><a href="#top11">11</a></Sup> Marangoni, Francesco &ndash; &laquo;From fragile majoritarianism to the &ldquo;technocratic addendum&rdquo;: some data on the legislative activity of the governments of the sixteenth legislature&raquo;. In <i>Contemporary Italian Politics</i>. Vol. 5, N.&ordm; 1, 2013, PP. 71-81.</p>     <p><Sup><a name="12"></a><a href="#top12">12</a></Sup> Itanes &ndash; <i>Voto Amaro</i>. <i>Disincanto e crisi economica nelle elezioni del 2013</i>. Bolonha: Il Mulino, 2013.</p>     <p><Sup><a name="13"></a><a href="#top13">13</a></Sup> Diamanti, Ilvo, Bordignon, Fabio, e Ceccarini, Luigi (eds.) &ndash; <i>Un salto nel voto. </i><i>Ritratto politico dell&rsquo;Italia di oggi</i>. Roma- Bari: Laterza, 2013; Garzia, Diego &ndash; &laquo;The 2013 Italian parliamentary election: changing things so everything stays the same&raquo;. In <i>West European Politics</i>. Vol. 36, N.&ordm; 5, 2013, PP. 1095-1105.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><Sup><a name="14"></a><a href="#top14">14</a></Sup> Bordignon, Fabio, e Ceccherini, Luigi &ndash; &laquo;Five stars and a cricket: Beppe Grillo shakes Italian politics&raquo;. In <i>South European Society and Politics</i>. Vol. 18, N.&ordm; 4, 2013, PP. 427-449.</p>     <p><Sup><a name="15"></a><a href="#top15">15</a></Sup> De acordo com uma n&aacute;lise as mudan&ccedil;as de sentido de voto a n&iacute;vel individual, o m5s atraiu um apoio substancial do idv (51 por cento dos anteriores votan-tes), ln (25 por cento), PD (19 por cento), PDL (18 por cento) e UDC (16 por cento). Ver Bosco, Anna, e Verney, Susannah &ndash; &laquo;Electoral epidemic: the political cost of economic crisis in Southern Europe, 2010-11&raquo;. In <i>South European Society &amp; Politics</i>. Vol. 17, N.&ordm; 2, 2012, PP. 129-154.</p>     <p><Sup><a name="16"></a><a href="#top16">16</a></Sup> Resultados eleitorais da C&acirc;mara de Deputados (Camera dei Deputati).</p>     <p><Sup><a name="17"></a><a href="#top17">17</a></Sup> Bordignon, Fabio &ndash; &laquo;Matteo Renzi: a &ldquo;leftist Berlusconi&rdquo; for the Italian Democratic Party?&raquo;. In <i>South European Society and Politics</i>. Vol. 19, N.&ordm; 1, 2014, PP. 1-23.</p>     <p><Sup><a name="18"></a><a href="#top18">18</a></Sup> Fusaro, Carlo, e Kreppel, Amie &ndash; <i>Politica in Italia. Edizione 2014</i>. Bolonha: Il Mulino, 2014.</p>     <p><Sup><a name="19"></a><a href="#top19">19</a></Sup> Esta reforma reduz o n&uacute;mero de senadores e o poder da segunda c&acirc;mara. Adota ainda uma elei&ccedil;&atilde;o indireta dos senadores, que passam a ser eleitos pelos representantes locais.</p>     <p><Sup><a name="20"></a><a href="#top20">20</a></Sup> Ver <a href="http://www.sondaggipoliticoelet-torali.it/" target="_blank">http://www.sondaggipoliticoelet-torali.it/</a>.</p>     <p><Sup><a name="21"></a><a href="#top21">21</a></Sup> Calise, Mauro &ndash; &laquo;Presidentialization, Italian style&raquo;. <i>In</i> Poguntke, Thomas, e Webb, Paul (eds.) &ndash;<i> The Presidentialization of Politics</i>. Oxford: Oxford University Press, 2005, PP. 88-105.</p>     <p><Sup><a name="22"></a><a href="#top22">22</a></Sup> Calise, Mauro &ndash; <i>Il partito personale. I due corpi del leader</i>. Roma-Bari: Laterza, 2010; Ignazi, Piero, Bardi, Luciano, e Massari, Oreste &ndash; &laquo;Party organisational change in Italy (1991-2006)&raquo;. In <i>Modern Italy</i>. Vol. 15, N.&ordm; 2, 2010, PP. 197-216; Fabbrini, Sergio &ndash; &laquo;The rise and fall of Silvio Berlusconi: personalization of politics and its limits&raquo;. In <i>Comparative European Politics</i>. Vol. 11, N.&ordm; 2, 2012, PP. 153-171; Musella, Fortunato &ndash; <i>Il premier diviso. Tra presidenzialismo e parlamentarismo</i>.</p>     <p><Sup><a name="23"></a><a href="#top23">23</a></Sup> Baldini, Gianfranco &ndash; &laquo;The different trajectories of Italian electoral reforms&raquo;. In <i>West European Politics</i>. Vol. 34, N.&ordm; 3, 2011, PP. 644-663.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><Sup><a name="24"></a><a href="#top24">24</a></Sup> Chiaramonte, Alessandro &ndash; &laquo;Dal bipolarismo frammentato al bipolarismo limitato? Evoluzione del sistema partitico italiano&raquo;.<i>In</i> D&rsquo;Alimonte, Roberto, e Chiaramonte, Alessandro (eds.) &ndash; <i>Proporzionale se vi pare</i>. Bolonha: Il Mulino, 2010, PP. 203-228.</p>     <p><Sup><a name="25"></a><a href="#top25">25</a></Sup> Baldini, Gianfranco &ndash; &laquo;Don&rsquo;t count your chicken before they&rsquo;re hatched: the 2013 Italian parliamentary and presidential elections&raquo;. In <i>South European Society and Politics</i>. Vol. 18, N.&ordm; 4, 2013, PP. 473-497.</p>     <p><Sup><a name="26"></a><a href="#top26">26</a></Sup> Itanes &ndash; <i>Voto amaro. Disincanto e crisi economica nelle elezioni del 2013</i>. Bolonha: Il Mulino, 2013.</p>     <p><Sup><a name="27"></a><a href="#top27">27</a></Sup> D&rsquo;Alimonte, Roberto, e Chiaramonte, Alessandro (eds.) &ndash; <i>Proporzionale se vi pare. Le elezioni politiche del 2008</i>. Bolonha: Il Mulino, 2010.</p>     <p><Sup><a name="28"></a><a href="#top28">28</a></Sup> 1) nepe e nepp foram calculados de acordo com a f&oacute;rmula de Laakso e Taagepera; 2) Para a concentra&ccedil;&atilde;o de votos nos dois principais partidos consider&aacute;mos os dois principais partidos da esquerda (pds-ds-pd) e da direita (fi e pdl).</p>     <p><Sup><a name="29"></a><a href="#top29">29</a></Sup> Chiaramonte, Alessandro, e Emanuele, Vincenzo &ndash; &laquo;Bipolarismo addio? Il sistema partitico tra cambiamento e de-istituzionalizzazione&raquo;. <i>In</i> Chiaramonte, Alessandro, e De Sio, Lorenzo (eds.) &ndash; <i>Terremoto elettorale</i>. <i>Le elezioni politiche del 2013</i>. Bolonha: Il Mulino, 2013, PP. 233-262; Corbetta, P., e Gualmini, E. (eds.) &ndash; <i>Il partito di Grillo</i>. Bolonha: Il Mulino, 2012.</p>     <p><Sup><a name="30"></a><a href="#top30">30</a></Sup> Chiaramonte, Alessandro, e Emanuele, Vincenzo &ndash; &laquo;Bipolarismo addio? Il sistema partitico tracambiamento e de-istituzionalizzazione&raquo;.</p>     <p><Sup><a name="31"></a><a href="#top31">31</a></Sup> Musell a, Fortunato &ndash; &laquo;Partiti micro-personali. Organizzazioni di partito in Italia (1994-2013)&raquo;. <i>Paper</i> apresentado no xvii congresso da Societ&agrave; Italiana di Scenza Politica, Floren&ccedil;a, 2013; Russo, Federico, Tronconi, Filippo, e Verzichelli, Luca &ndash; &laquo;Snipers and switchers. The difficulties of parliamentary representation in the Italian xvii legislature&raquo;. In <i>Polis</i>. Vol. XXVIII, N.&ordm; 1, 2014, PP. 85-106.</p>     <p><Sup><a name="32"></a><a href="#top32">32</a></Sup> Musella, Fortunato &ndash; &laquo;Partiti micro-personali. Organizzazioni di partito in Italia (1994-2013)&raquo;.</p>     <p><Sup><a name="33"></a><a href="#top33">33</a></Sup> Calise, Mauro &ndash; <i>Il partito personale. </i><i>I due corpi del leader</i>; Mcdonnell, Duncan &ndash; &laquo;Populist leaders and coterie charisma&raquo;. In <i>Political Studies</i> doi: 10.1111/1467-9248.12195, 2015.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><Sup><a name="34"></a><a href="#top34">34</a></Sup> Bordignon, Fabio, e Ceccherini, Luigi &ndash; &laquo;Five stars and a cricket: Beppe Grillo shakes Italian politics&raquo;.</p>     <p><Sup><a name="35"></a><a href="#top35">35</a></Sup> Donovan, Mark &ndash; &laquo;Berlusconi&rsquo;s impact and legacy: political parties and the party system&raquo;. In <i>Modern Italy</i>. Vol. 20, N.&ordm; 1, 2015, PP. 11-24.</p>     <p><Sup><a name="36"></a><a href="#top36">36</a></Sup> Vaccari, Cristian &ndash; &laquo;The features, impact and legacy of Berlusconi&rsquo;s campaigning techniques, language and style&raquo;. In <i>Modern Italy</i>. Vol. 20, N.&ordm; 1, 2015, PP. 25-39.</p>     <p><Sup><a name="37"></a><a href="#top37">37</a></Sup> Bordignon, Fabio &ndash; &laquo;Matteo Renzi: a &ldquo;leftist Berlusconi&rdquo; for the Italian Democratic Party?&raquo;.</p>     <p><Sup><a name="38"></a><a href="#top38">38</a></Sup> Tarchi, Marco &ndash; <i>L&rsquo;Italia populista. Dal qualunquismo ai girotondi</i>. Bolonha: Il Mulino, 2003; Chiapponi, Flavio &ndash; <i>Il populismo nella prospettiva della scienza politica</i>.G&eacute;nova: Mauro Cormagi Editore, 2012.</p>     <p><Sup><a name="39"></a><a href="#top39">39</a></Sup> Armingeon, Klaus, e Guthmann, Kai &ndash; &laquo;Democracy in crisis? The declining support for national democracy in European countries, 2007-2011&raquo;. In <i>European Journal of Political Research</i>. Vol. 53, N.&ordm; 3, 2014, PP. 423-442; Torcal, Mariano &ndash; &laquo;The decline of political trust in Spain and Portugal: economic performance or political responsiveness?&raquo;. In <i>American Behavioral Scientist</i>. Vol. 58, N.&ordm; 12, 2014, PP. 1542-1567.</p>     <p><Sup><a name="40"></a><a href="#top40">40</a></Sup> Norris, Pippa &ndash; <i>Democratic Deficit</i>. Cambridge: Cambridge University Press, 2011; Torcal, Mariano &ndash; &laquo;The decline of political trust in Spain and Portugal: economic performance or political responsiveness?&raquo;.</p>     <p><Sup><a name="41"></a><a href="#top41">41</a></Sup> Bardi, Luciano &ndash; &laquo;Anti-party sentiment and party system change in Italy&raquo;. In <i>European Journal of Political Research</i>. Vol. 29, N.&ordm; 3, 1996, PP. 345-363; Morlino, Leonardo, e Tarchi, Marco &ndash; &laquo;The dissatisfied society: the roots of political change in Italy&raquo;. In <i>European Journal of Political Research</i>. Vol. 30, N.&ordm; 1, 1996, PP. 41-63; Mete, Vittorio &ndash; &laquo;Four types of anti-politics: insights from the Italian case&raquo;. In <i>Modern Italy</i>. Vol. 15, N.&ordm; 1, PP. 71-81.</p>     <p><Sup><a name="42"></a><a href="#top42">42</a></Sup> Campus, Donatella &ndash; <i>Antipolitics in Power: Populist Language as a Tool for Government</i>. Nova York: Hampton Press, 2010.</p>     <p><Sup><a name="43"></a><a href="#top43">43</a></Sup> Baldini, Gianfranco &ndash; &laquo;Don&rsquo;t count your chicken before they&rsquo;re hatched: the 2013 Italian parliamentary and presidential elections&raquo;, PP. 489-490.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><Sup><a name="44"></a><a href="#top44">44</a></Sup> Memoli, Vincenzo &ndash; &laquo;La responsiveness&raquo;. <i>In</i> Morlino, Leonardo, Piana, Daniela, e Raniolo, Francesco (eds.) &ndash; <i>La qualit&agrave; della democrazia in Italia</i>. Bolonha: Il Mulino, 2013, PP. 433-449.</p>     <p><a href="#f1"><Sup>45</sup></a> Percentagem de pessoas que tende a confiar no governo, parlamento ou partidos pol&iacute;ticos. Quanto &agrave; satisfa&ccedil;&atilde;o com a democracia, consider&aacute;mos a propor&ccedil;&atilde;o daqueles que se consideram muito ou razoavelmente satisfeitos.</p>     <p><Sup><a name="46"></a><a href="#top46">46</a></Sup> Grimaldi, Selena &ndash; <i>I presidenti nelle forme di governo. Tra Costituzione, partiti e carisma</i>. Roma: Carocci, 2012; Grimaldi, Selena &ndash; &laquo;The President during the so called Second Republic: from veto player to first in command?&raquo;. In <i>Contemporary Italian Politics</i>. Vol. 7, N.&ordm; 1, 2015, PP. 76-92.</p>     <p><Sup><a name="47"></a><a href="#top47">47</a></Sup> Tebaldi, Mauro &ndash; &laquo;From notary to ruler: the role of the President of the Republic during the Italian crisis (2010-14)&raquo;. In <i>South European Society and Politics</i>. Vol. 19, N.&ordm; 4, 2014, PP. 561-581.</p>     <p><Sup><a name="48"></a><a href="#top48">48</a></Sup> Amoretti, Francesco, e Giannone, Diego &ndash; &laquo;The power of words: the changing role of the Italian head of state during the Second Republic&raquo;. In <i>Modern Italy</i>. Vol. 19, N.&ordm; 4, 2014, PP. 439-455.</p>     <p><Sup><a name="49"></a><a href="#top49">49</a></Sup> Tebaldi, Mauro &ndash; &laquo;From notary to ruler: the role of the President of the Republic during the Italian crisis (2010-14)&raquo;.</p>     <p><Sup><a name="50"></a><a href="#top50">50</a></Sup> Pasquino, Gianfranco &ndash; <i>Finale di partita</i>.</p>     <p><Sup><a name="51"></a><a href="#top51">51</a></Sup> Zamponi, Luca &ndash; &laquo;Why don&rsquo;t Italians occupy?&rsquo; Hypotheses on a failed mobilisation&raquo;. In <i>Social Movement Studies</i>. Vol. 11, N.&ordm; 3-4, 2012, PP. 416-426; Della Porta, Donatella, e Andretta, Massimiliano &ndash; &laquo;Protesting for justice and democracy: Italian Indignados?&raquo;. In <i>Contemporary Italian Politics</i>. Vol. 5, N.&ordm; 1, 2013, PP. 23-37; Mosca, Lorenzo &ndash; &laquo;Un anno di movimenti in Italia&raquo;. <i>In</i> Di Virgilio, Aldo, e Radaelli, Claudio (eds.) &ndash; <i>Politica in Italia. Edizione 2013</i>. Bolonha: Il Mulino, 2013.</p>     <p><Sup><a name="52"></a><a href="#top52">52</a></Sup> Corbetta, P., e Gualmini, Elisabetta (eds.) &ndash; <i>Il partito di Grillo</i>; Bordignon, Fabio, e Ceccarini, Luigi &ndash; &laquo;Protest and project, leader and party. Normalisation of the five star movement&raquo;. In <i>Contemporary Italian Politics</i>, doi: 10.1080/23248823.2014.881015, 2014.</p>     <p><Sup><a name="53"></a><a href="#top53">53</a></Sup> Baldini, Gianfranco &ndash; &laquo;The different trajectories of Italian electoral reforms&raquo;.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><Sup><a name="54"></a><a href="#top54">54</a></Sup> Bolgherini, Silvia &ndash; &laquo;Can austerity lead to recentralisation? Italian local government during the economic crisis&raquo;. In <i>South European Society &amp; Politics</i>. Vol. 19, N.&ordm; 3, 2014, PP. 193-214.</p>     <p><Sup><a name="55"></a><a href="#top55">55</a></Sup> Cotta, Maurizio, e Verzichelli, Luca &ndash; <i>Political Institutions in Italy</i>.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>TRADU&Ccedil;&Atilde;O: JO&Atilde;O REIS NUNES</p>      ]]></body><back>
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