<?xml version="1.0" encoding="ISO-8859-1"?><article xmlns:mml="http://www.w3.org/1998/Math/MathML" xmlns:xlink="http://www.w3.org/1999/xlink" xmlns:xsi="http://www.w3.org/2001/XMLSchema-instance">
<front>
<journal-meta>
<journal-id>1645-9199</journal-id>
<journal-title><![CDATA[Relações Internacionais (R:I)]]></journal-title>
<abbrev-journal-title><![CDATA[Relações Internacionais]]></abbrev-journal-title>
<issn>1645-9199</issn>
<publisher>
<publisher-name><![CDATA[IPRI-UNL]]></publisher-name>
</publisher>
</journal-meta>
<article-meta>
<article-id>S1645-91992015000200001</article-id>
<title-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Nota Introdutória: Que modelo de segurança energética?]]></article-title>
</title-group>
<contrib-group>
<contrib contrib-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Rodrigues]]></surname>
<given-names><![CDATA[Teresa Ferreira]]></given-names>
</name>
<xref ref-type="aff" rid="A01"/>
<xref ref-type="aff" rid="A02"/>
<xref ref-type="aff" rid="A03"/>
</contrib>
<contrib contrib-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Silva]]></surname>
<given-names><![CDATA[António Costa]]></given-names>
</name>
<xref ref-type="aff" rid="A04"/>
<xref ref-type="aff" rid="A05"/>
</contrib>
</contrib-group>
<aff id="A01">
<institution><![CDATA[,Universidade Nova de Lisboa Faculdade de Ciências Sociais e Humanas Departamento de Estudos Políticos]]></institution>
<addr-line><![CDATA[ ]]></addr-line>
</aff>
<aff id="A02">
<institution><![CDATA[,NOVA Information Management School  ]]></institution>
<addr-line><![CDATA[ ]]></addr-line>
</aff>
<aff id="A03">
<institution><![CDATA[,Universidade Nova de Lisboa Instituto Português de Relações Internacionais ]]></institution>
<addr-line><![CDATA[ ]]></addr-line>
</aff>
<aff id="A04">
<institution><![CDATA[,Instituto Superior Técnico de Lisboa  ]]></institution>
<addr-line><![CDATA[ ]]></addr-line>
</aff>
<aff id="A05">
<institution><![CDATA[,Grupo Partex Oil and Gas  ]]></institution>
<addr-line><![CDATA[ ]]></addr-line>
</aff>
<pub-date pub-type="pub">
<day>00</day>
<month>06</month>
<year>2015</year>
</pub-date>
<pub-date pub-type="epub">
<day>00</day>
<month>06</month>
<year>2015</year>
</pub-date>
<numero>46</numero>
<fpage>005</fpage>
<lpage>010</lpage>
<copyright-statement/>
<copyright-year/>
<self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S1645-91992015000200001&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_abstract&amp;pid=S1645-91992015000200001&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_pdf&amp;pid=S1645-91992015000200001&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri></article-meta>
</front><body><![CDATA[ <p align="right"><b>QUE MODELO DE SEGURANÇA ENERGÉTICA</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Nota introdut&oacute;ria: Que modelo de seguran&ccedil;a energ&eacute;tica?</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Teresa Ferreira Rodrigues* e Ant&oacute;nio Costa Silva**</b></p>     <p>* Professora no Departamento de Estudos Pol&iacute;ticos da FCSH-NOVA de Lisboa e Professora Convidada da NOVA<i> Information Management School</i>. Auditora de Defesa Nacional, 2008. Professora Associada com Agrega&ccedil;&atilde;o em Rela&ccedil;&otilde;es Internacionais. Membro da Dire&ccedil;&atilde;o do IPRI-UNL onde coordena a &aacute;rea dos Estudos Prospetivos. Membro de v&aacute;rias associa&ccedil;&otilde;es nacionais e internacionais no &acirc;mbito dos estudos demogr&aacute;ficos e das rela&ccedil;&otilde;es internacionais. Respons&aacute;vel e membro de projetos de &acirc;mbito nacional e internacional, financiados nomeadamente pelo Minist&eacute;rio da Defesa Nacional, pela Funda&ccedil;&atilde;o para a Ci&ecirc;ncia e Tecnologia e por fundos Comunit&aacute;rios. Autora de centena e meia de artigos e oito livros publicados nas &aacute;reas das migra&ccedil;&otilde;es, envelhecimento, energia, an&aacute;lise prospetiva e planeamento, globaliza&ccedil;&atilde;o e seguran&ccedil;a.</p>     <p>** Professor no Instituto Superior T&eacute;cnico de Lisboa onde fez a agrega&ccedil;&atilde;o em Planeamento e Gest&atilde;o Integrada de Recursos Energ&eacute;ticos. Licenciado em Engenharia de Minas pelo Instituto Superior T&eacute;cnico de Lisboa e Mestre em Engenharia de Petr&oacute;leos no Imperial College (Universidade de Londres). Doutorado pelo Instituto Superior T&eacute;cnico e pelo Imperial College, com uma tese sobre &laquo;O Desenvolvimento de Modelos Estoc&aacute;sticos aplicados aos Reservat&oacute;rios Petrol&iacute;feros&raquo;. &Eacute; o atual Presidente da Comiss&atilde;o Executiva do Grupo Partex Oil and Gas.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>O mundo do s&eacute;culo XXI assistir&aacute; inevitavelmente &agrave; consolida&ccedil;&atilde;o de um novo modelo energ&eacute;tico, que poder&aacute; vir a ser o paradigma de um modelo de economia sustent&aacute;vel. Com efeito, torna-se indispens&aacute;vel inovar no modo como se produzem, consomem e gerem os recursos energ&eacute;ticos. Daqui decorrem as potencialidades, mas tamb&eacute;m as preocupa&ccedil;&otilde;es, nomeadamente de seguran&ccedil;a. &Eacute; certo que nenhum ator pode almejar &agrave; lideran&ccedil;a absoluta do processo em termos mundiais ou manter-se &agrave; margem face ao desenvolvimento de novos modelos energ&eacute;ticos, pelo que o grande desafio ser&aacute; garantir o maior grau poss&iacute;vel de independ&ecirc;ncia (soberania) energ&eacute;tica, num contexto de interdepend&ecirc;ncia (inevit&aacute;vel)<sup><a href="#1">1</a></sup><a name="top1"></a>.</p>     <p>A seguran&ccedil;a energ&eacute;tica est&aacute; na ordem do dia, em particular na Europa<sup><a href="#2">2</a></sup><a name="top2"></a>. Com a situa&ccedil;&atilde;o tensa que se vive na Europa Oriental e Central, a guerra na Ucr&acirc;nia, a anexa&ccedil;&atilde;o russa da Crimeia, o passado recente de utiliza&ccedil;&atilde;o pela R&uacute;ssia do abastecimento do petr&oacute;leo e g&aacute;s &agrave; Europa como arma geopol&iacute;tica (como aconteceu em 2006, 2007 e 2009), as preocupa&ccedil;&otilde;es s&atilde;o m&uacute;ltiplas.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Estas preocupa&ccedil;&otilde;es s&atilde;o ainda ampliadas devido &agrave; situa&ccedil;&atilde;o no interior da R&uacute;ssia, pa&iacute;s que fornece mais de 40 por cento do petr&oacute;leo e cerca de 25 por cento do g&aacute;s que a Europa consome<sup><a href="#3">3</a></sup><a name="top3"></a>. A Europa tem fragilidades energ&eacute;ticas estruturais conhecidas. Det&eacute;m apenas um por cento das reservas mundiais de petr&oacute;leo convencional e cerca de dois por cento das reservas de g&aacute;s e v&ecirc; a R&uacute;ssia, o seu principal fornecedor, enredada num complexo problema geopol&iacute;tico, com algumas na&ccedil;&otilde;es vizinhas e com a Europa no seu conjunto. Acresce ainda a situa&ccedil;&atilde;o de crise econ&oacute;mica profunda vivida naquele pa&iacute;s, com a queda significativa do valor do rublo, a descida do pre&ccedil;o do petr&oacute;leo, que representa mais de 90 por cento das exporta&ccedil;&otilde;es russas e parte significativa das receitas do Estado, e as dificuldades s&eacute;rias criadas pelas san&ccedil;&otilde;es internacionais em curso. O passado j&aacute; demonstrou que esta conjuga&ccedil;&atilde;o de efeitos &eacute; dram&aacute;tica para a R&uacute;ssia, como sucedeu em 2008 (&uacute;ltima grande queda do pre&ccedil;o do petr&oacute;leo) ou entre 1986 e 1990, quando o decl&iacute;nio acentuado do pre&ccedil;o do petr&oacute;leo contribuiu para exponenciar os problemas estruturais da antiga Uni&atilde;o Sovi&eacute;tica, tendo provocado o seu colapso.</p>     <p>A resposta encetada pela Uni&atilde;o Europeia (UE) para aumentar a sua seguran&ccedil;a energ&eacute;tica, que h&aacute; muito deveria ter acontecido, &eacute; apostar de facto na cria&ccedil;&atilde;o do Mercado &Uacute;nico da Energia ou na Uni&atilde;o Energ&eacute;tica. N&atilde;o sabemos se desta vez a UE ser&aacute; capaz de passar da ret&oacute;rica &agrave; a&ccedil;&atilde;o, uma vez que as tentativas no passado recente fracassaram<sup><a href="#4">4</a></sup><a name="top4"></a>. Na verdade, a Uni&atilde;o Energ&eacute;tica ou o Mercado Comum da Energia t&ecirc;m defrontado obst&aacute;culos diversos, que decorrem das diferen&ccedil;as nas pol&iacute;ticas energ&eacute;ticas nacionais, da aus&ecirc;ncia de uma estrat&eacute;gia comum e de uma vis&atilde;o para o futuro, da liga&ccedil;&atilde;o umbilical que existe entre alguns monop&oacute;lios europeus (em particular alem&atilde;es, franceses e italianos) e a Gazprom e do consequente dom&iacute;nio do mercado energ&eacute;tico europeu pelos grandes monop&oacute;lios. Existem propostas interessantes no novo projeto para a Uni&atilde;o Energ&eacute;tica<sup><a href="#5">5</a></sup><a name="top5"></a>, que pretendem evitar que os governos estabele&ccedil;am pre&ccedil;os-limite abaixo do custo da energia e visam estabelecer planos regionais para lidar com interrup&ccedil;&otilde;es da oferta e aumentar as liga&ccedil;&otilde;es transfronteiri&ccedil;as. Estas liga&ccedil;&otilde;es podem ser importantes para os pa&iacute;ses b&aacute;lticos e para a Pen&iacute;nsula Ib&eacute;rica, que s&atilde;o de facto uma esp&eacute;cie de ilhas energ&eacute;ticas separadas do resto do Continente. No entanto, na Cimeira de Barcelona de 2002, a UE tinha fixado para 2014 a meta de 14 por cento das liga&ccedil;&otilde;es transfronteiri&ccedil;as realizadas na Pen&iacute;nsula Ib&eacute;rica (em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; capacidade total instalada) e o que aconteceu &eacute; que essas liga&ccedil;&otilde;es se cifraram em 2014 em apenas 1,6 por cento, porque a Fran&ccedil;a, para defender a sua ind&uacute;stria nuclear, sempre se op&ocirc;s a esse objetivo. A realidade vai demonstrar nos pr&oacute;ximos anos se algo mudou &laquo;no reino da Dinamarca&raquo;. De qualquer forma, a Uni&atilde;o Energ&eacute;tica ou o Mercado Energ&eacute;tico Comum na Europa &eacute; uma resposta estrat&eacute;gica e estrutural profunda para aumentar a seguran&ccedil;a energ&eacute;tica do Continente e para dar mais competitividade &agrave; sua economia. Um mercado &uacute;nico aumenta a seguran&ccedil;a da oferta e da procura, atrav&eacute;s da diversifica&ccedil;&atilde;o e do <i>smoothing </i>dos picos perturbadores, facilita as sinergias e as economias de escala e trava as manobras dos grandes abastecedores da Europa, em particular da Gazprom, que procuram sempre &laquo;dividir para reinar&raquo;<sup><a href="#6">6</a></sup><a name="top6"></a>.</p>     <p>O conjunto de artigos sobre a seguran&ccedil;a energ&eacute;tica que a seguir s&atilde;o apresentados procuram discutir todos estes desenvolvimentos e avaliar o seu impacto em termos de futuro, para o continente europeu no seu conjunto e em particular para Portugal. Retoma-se a quest&atilde;o da seguran&ccedil;a energ&eacute;tica, o conceito ou conceitos atuais e a discuss&atilde;o de como os novos conte&uacute;dos que se desenham neste conceito est&atilde;o a adaptar-se a uma nova era da energia, que se pretende que seja mais barata e mais abundante. Abordamos tamb&eacute;m o tema das componentes essenciais da seguran&ccedil;a energ&eacute;tica: a estabilidade dos pre&ccedil;os, a seguran&ccedil;a do abastecimento e a sustentabilidade ambiental. &Eacute; discutida a necessidade de uma nova reformula&ccedil;&atilde;o do conceito de seguran&ccedil;a energ&eacute;tica &agrave; luz das amea&ccedil;as mais recentes, como a pirataria ou o ciberterrorismo, e as implica&ccedil;&otilde;es para a seguran&ccedil;a das redes, a influ&ecirc;ncia dos desafios tecnol&oacute;gicos, as mudan&ccedil;as em curso, a press&atilde;o sobre os modelos tradicionais de neg&oacute;cio e a &laquo;guerra digital&raquo;. Realiza-se uma breve an&aacute;lise sobre os desafios ao n&iacute;vel da Europa e de Portugal, numa &oacute;tica atual e prospetiva.</p>     <p>A Europa enfrenta hoje uma situa&ccedil;&atilde;o que pode ser favor&aacute;vel para resolver de vez as quest&otilde;es da sua seguran&ccedil;a energ&eacute;tica e da sua competitividade, na sequ&ecirc;ncia da baixa do pre&ccedil;o do petr&oacute;leo (em fun&ccedil;&atilde;o do excesso de oferta no mercado do <i>shale gas </i>e do <i>shale oil </i>nos Estados Unidos), das baixas taxas de juro (em fun&ccedil;&atilde;o do programa de &laquo;Quantitative Easing&raquo; do Banco Central Europeu com a compra da d&iacute;vida dos pa&iacute;ses europeus) e da deprecia&ccedil;&atilde;o do euro (que nunca esteve t&atilde;o perto da paridade com o d&oacute;lar, o que poder&aacute; constituir um est&iacute;mulo adicional para a competitividade das exporta&ccedil;&otilde;es europeias).</p>     <p>Neste contexto, os pre&ccedil;os da energia s&atilde;o essenciais. Mas apesar da queda do pre&ccedil;o do petr&oacute;leo, &eacute; poss&iacute;vel afirmar que existe um fosso transatl&acirc;ntico nos pre&ccedil;os da energia. O petr&oacute;leo &eacute; cerca de 12 por cento mais barato nos Estados Unidos do que na Europa; o g&aacute;s &eacute; cerca de duas vezes mais barato nos Estados Unidos do que na Europa e a eletricidade nos Estados Unidos &eacute; duas vezes mais barata do que em Fran&ccedil;a e tr&ecirc;s vezes mais barata do que na Alemanha. Isto &eacute;, o facto de os Estados Unidos terem empreendido uma grande revolu&ccedil;&atilde;o tecnol&oacute;gica para desenvolver os seus recursos internos de <i>shale gas </i>e <i>shale oil</i>, quando a Europa rejeitou essa abordagem e, inclusive, o Parlamento franc&ecirc;s aprovou uma lei a proibir uma das t&eacute;cnicas de produ&ccedil;&atilde;o, significa que a Europa tem uma espada de D&acirc;mocles a pender sobre a sua competitividade.</p>     <p>A quest&atilde;o do abastecimento pode resolver-se no caso europeu com a diversifica&ccedil;&atilde;o dos fornecedores, a menor depend&ecirc;ncia da R&uacute;ssia e a cria&ccedil;&atilde;o de um eixo energ&eacute;tico no Atl&acirc;ntico potenciando o papel da Pen&iacute;nsula Ib&eacute;rica, que j&aacute; concentra cerca de 50 por cento da capacidade de rece&ccedil;&atilde;o de g&aacute;s natural liquefeito (GNL) na Europa. Mas tal exige a cria&ccedil;&atilde;o efetiva da Uni&atilde;o Energ&eacute;tica ou do Mercado Comum Europeu da Energia e o refor&ccedil;o das interconex&otilde;es transfronteiri&ccedil;as, em particular da Pen&iacute;nsula Ib&eacute;rica e desta &agrave; restante rede europeia. E n&atilde;o s&oacute; das redes el&eacute;tricas, mas tamb&eacute;m do sistema de <i>pipelines </i>para o escoamento do g&aacute;s. Se tal n&atilde;o suceder, a Europa continuar&aacute; muito dependente da R&uacute;ssia e esta n&atilde;o hesitar&aacute; em utilizar de novo a energia como arma geopol&iacute;tica, a exemplo do que fez no passado. &Eacute; evidente que esta arma pode n&atilde;o ser hoje t&atilde;o poderosa como outrora, em termos dos efeitos multiplicadores que pode gerar, porque nos &uacute;ltimos anos os pa&iacute;ses europeus ampliaram a sua capacidade de armazenamento e podem hoje lidar de forma diferente com estas quest&otilde;es. Mas &eacute; imperioso resolver de facto a quest&atilde;o de forma estrutural<sup><a href="#7">7</a></sup><a name="top7"></a>.</p>     <p>Em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; sustentabilidade ambiental, a Europa tem sido o paladino da redu&ccedil;&atilde;o de emiss&otilde;es de co2. Mas apesar de todos os esfor&ccedil;os, a ret&oacute;rica pol&iacute;tica, se n&atilde;o est&aacute; ancorada em mecanismos de mercado, pode funcionar ao contr&aacute;rio. O que &eacute; extraordin&aacute;rio &eacute; que o continente europeu, que est&aacute; na primeira linha da luta pela redu&ccedil;&atilde;o das emiss&otilde;es de co2 e cujos esfor&ccedil;os t&ecirc;m sido not&aacute;veis, est&aacute; nos &uacute;ltimos anos a aumentar as suas emiss&otilde;es, porque est&aacute; a importar carv&atilde;o barato dos Estados Unidos. Por seu turno, neste pa&iacute;s a economia est&aacute; em processo de gaseifica&ccedil;&atilde;o, isto &eacute;, de penetra&ccedil;&atilde;o acelerada do g&aacute;s na gera&ccedil;&atilde;o el&eacute;trica e t&eacute;rmica (substituindo as centrais a carv&atilde;o), mas tamb&eacute;m no sistema de transportes (em particular nos cami&otilde;es de longo curso, nas frotas de t&aacute;xis das grandes cidades e nos navios). O g&aacute;s &eacute; o mais limpo dos combust&iacute;veis f&oacute;sseis, produz 60 por cento menos emiss&otilde;es de co2 do que o carv&atilde;o e cerca de 30 por cento menos que a gasolina e o gas&oacute;leo, quando utilizado nos ve&iacute;culos de transporte. Desta forma, os Estados Unidos, um pa&iacute;s que n&atilde;o assinou o Protocolo de Quioto, tem visto as suas emiss&otilde;es de co2 diminu&iacute;rem, enquanto a Europa as aumenta. Estas novas tend&ecirc;ncias mostram a import&acirc;ncia do funcionamento da economia e da competitividade das fontes energ&eacute;ticas, com vista a permitir o desenvolvimento de pol&iacute;ticas p&uacute;blicas eficazes<sup><a href="#8">8</a></sup><a name="top8"></a>.</p>     <p>O dossi&ecirc; &laquo;Que modelo de seguran&ccedil;a energ&eacute;tica?&raquo; &eacute; constitu&iacute;do por seis artigos, os quais procuram discutir alguns dos desenvolvimentos recentes sobre a quest&atilde;o energ&eacute;tica e avaliar o seu impacto em termos futuros para o continente europeu no seu conjunto e em particular para Portugal.</p>     <p>O primeiro artigo, da autoria de Ant&oacute;nio Costa Silva e Teresa Ferreira Rodrigues, retoma o conceito de seguran&ccedil;a energ&eacute;tica e a discuss&atilde;o de como os novos conte&uacute;dos que se desenham neste conceito se est&atilde;o a adaptar a uma nova era da energia, que se pretende que seja mais barata e mais abundante. Retoma as componentes essenciais da seguran&ccedil;a energ&eacute;tica (estabilidade dos pre&ccedil;os, seguran&ccedil;a do abastecimento e sustentabilidade ambiental) e discute a necessidade de reformula&ccedil;&atilde;o do conceito &agrave; luz de amea&ccedil;as recentes, como a pirataria ou o ciberterrorismo, as implica&ccedil;&otilde;es para a seguran&ccedil;a das redes, a influ&ecirc;ncia dos desafios tecnol&oacute;gicos, as mudan&ccedil;as em curso, a press&atilde;o sobre os modelos tradicionais de neg&oacute;cio e a &laquo;guerra digital&raquo;. Na parte final apresenta alguns desafios atuais e futuros para a Europa.</p>     <p>No segundo artigo, Jos&eacute; F&eacute;lix Ribeiro efetua uma descri&ccedil;&atilde;o muito breve do ecossistema do petr&oacute;leo e g&aacute;s natural mundial, quer das fun&ccedil;&otilde;es e padr&otilde;es de comportamento de alguns dos seus atores principais, quer do funcionamento do conjunto. Na sua abordagem destaca o papel central dos Estados Unidos na organiza&ccedil;&atilde;o e gest&atilde;o desse ecossistema. O artigo termina com a apresenta&ccedil;&atilde;o de tr&ecirc;s exemplos de interven&ccedil;&atilde;o dos Estados Unidos, no sentido de aumentar a oferta de petr&oacute;leo a n&iacute;vel mundial, fora e dentro da OPEP, por parte da Administra&ccedil;&atilde;o norte-americana e das grandes empresas de petr&oacute;leo e g&aacute;s.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>De seguida o caso portugu&ecirc;s &eacute; tratado por Catarina Mendes Leal. A autora avalia a situa&ccedil;&atilde;o de forte depend&ecirc;ncia nacional e a influ&ecirc;ncia atual e futura do Norte de &Aacute;frica e da &Aacute;frica Ocidental no abastecimento do Pa&iacute;s, sublinhando as vantagens e vulnerabilidades existentes e o potencial para o futuro, num contexto de desenvolvimento de novos meios tecnol&oacute;gicos de comunica&ccedil;&atilde;o, de persist&ecirc;ncia de fraquezas socioecon&oacute;micas, do falhan&ccedil;o da implementa&ccedil;&atilde;o de pilares de governan&ccedil;a e de democracia nos pa&iacute;ses abastecedores a&iacute; situados.</p>     <p>O artigo de Carlos Nunes centra-se precisamente na &uacute;ltima dessas regi&otilde;es. O artigo aborda a relev&acirc;ncia dos hidrocarbonetos do Golfo, salientando os fatores de atratividade e os riscos associados. Destaca as idiossincrasias locais e a recente mudan&ccedil;a de ciclo do <i>upstream </i>destas ind&uacute;strias, que est&atilde;o a afetar as decis&otilde;es de investimento e a reorientar os fluxos de troca destas mat&eacute;rias-primas energ&eacute;ticas. &Eacute; neste contexto que a regi&atilde;o ganha import&acirc;ncia para o aprovisionamento de Portugal, com destaque para as importa&ccedil;&otilde;es nacionais de <i>crude </i>de Angola.</p>     <p>A import&acirc;ncia atual da bacia do C&aacute;spio para a seguran&ccedil;a de aprovisionamento da UE &eacute; analisada por Carla Fernandes. A autora destaca sobretudo as potencialidades da regi&atilde;o, num contexto em que se prev&ecirc; o aumento do consumo de g&aacute;s natural na Europa, o que poder&aacute; agravar a depend&ecirc;ncia energ&eacute;tica face &agrave; R&uacute;ssia. A bacia do C&aacute;spio pode deste modo vir a representar uma das regi&otilde;es-chave para a estrat&eacute;gia de seguran&ccedil;a de aprovisionamento da Europa, particularmente com a constru&ccedil;&atilde;o do corredor de g&aacute;s meridional. S&atilde;o igualmente analisadas as oportunidades de Portugal intervir no abastecimento energ&eacute;tico da Europa.</p>     <p>Finalmente, o artigo de Miguel Moreira da Silva exp&otilde;e o papel do sistema el&eacute;trico na transi&ccedil;&atilde;o energ&eacute;tica e identifica os desafios-chave que os sistemas de energia enfrentar&atilde;o nos pr&oacute;ximos anos. O autor refere os problemas operacionais para a gest&atilde;o de redes el&eacute;tricas, no contexto da constru&ccedil;&atilde;o de um novo modelo energ&eacute;tico, e sugere um modelo poss&iacute;vel para as redes el&eacute;tricas do futuro. O artigo termina com uma identifica&ccedil;&atilde;o das amea&ccedil;as e oportunidades para o sistema el&eacute;trico nacional relacionadas com a transi&ccedil;&atilde;o energ&eacute;tica e conclui como nota positiva que, n&atilde;o obstante a complexidade associada &agrave; constru&ccedil;&atilde;o de uma rede inteligente e segura, as oportunidades superam as amea&ccedil;as.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>BIBLIOGRAFIA</b></p>     <p><i>BP Statistical Review </i><i>of World Energy</i>, bp, junho de 2014. (Consultado em: 21 de mar&ccedil;o de 2015). Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.bp.com/content/dam/bp-country/de_de/PDFs/brochures/BP-statistical-review-of-world-energy-2014-full-report.pdf" target="_blank">http://www.bp.com/content/dam/bp-country/de_de/PDFs/brochures/BP-statistical-review-of-world-energy-2014-full-report.pdf</a></p>     <p><i>Comunica&ccedil;&atilde;o da Comiss&atilde;o ao Conselho e ao Parlamento Europeu. Uma Pol&iacute;tica Energ&eacute;tica para a Europa</i>, Comiss&atilde;o Europeia, 2007. (Consultado em: 10 de mar&ccedil;o de 2015). Dispon&iacute;vel em: <a href="http://eur-lex.europa.eu/legal-content/PT/TXT/?uri=CELEX:52014AE0917" target="_blank">http://eur-lex.europa.eu/legal-content/PT/TXT/?uri=CELEX:52014AE0917</a></p>     <p><i>European Security Strategy</i>. Luxemburgo: Office of UE Publications, 2003Ribeiro, Jos&eacute; F&eacute;lix &ndash; &laquo;Portugal, a Europa e a seguran&ccedil;a do abastecimento energ&eacute;tico&raquo;. In <i>Conceito Estrat&eacute;gico de Defesa Nacional 2013. Contributos e Debate P&uacute;blico</i>. Lisboa: Imprensa Nacional-Casa da Moeda, pp. 238-239.</p>     <p>Rodrigues, Teresa Ferreira, Leal, Catarina Mendes, e Ribeiro, Jos&eacute; F&eacute;lix &ndash; <i>Uma Estrat&eacute;gia de Seguran&ccedil;a Energ&eacute;tica para o S&eacute;culo XXI em Portugal</i>. Lisboa: Instituto da Defesa Nacional, 2012, pp. 13-14.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Silva, Ant&oacute;nio Costa &ndash; &laquo;A seguran&ccedil;a energ&eacute;tica da Europa&raquo;. In <i>Na&ccedil;&atilde;o e Defesa</i>. N.&ordm; 116, 3.&ordf; s&eacute;rie, 2007, pp. 31-72. (Consultado em: 12 de mar&ccedil;o de 2015). Dispon&iacute;vel em:<a href="http://comum.rcaap.pt/bitstream/123456789/1231/1/NeD116_AntonioCostaSilva.pdf" target="_blank">http://comum.rcaap.pt/bitstream/123456789/1231/1/NeD116_AntonioCostaSilva.pdf</a></p>     <p>Silva, Ant&oacute;nio Costa, e Alves, F. Barata &ndash; &laquo;Partex Oil and Gas: a vision of the world world market and the role of gas as the future of oil&raquo;. In <i>ASPO</i>, maio de 2005.</p>     <p><i>The Outlook for Energy: A View to 2030</i>. Exxonmobil, 2010. (Consultado em: 21 de mar&ccedil;o de 2015). Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.assoelettrica.it/wp-content/uploads/2013/01/Exxonmobil-Energy-Outlook-A-view-to-2030.pdf" target="_blank">http://www.assoelettrica.it/wp-content/uploads/2013/01/Exxonmobil-Energy-Outlook-A-view-to-2030.pdf</a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>NOTAS</b></p>     <p><Sup><a name="1"></a><a href="#top1">1</a></Sup> RODRIGUES, Teresa Ferreira, LEAL, Catarina Mendes, e RIBEIRO, Jos&eacute; F&eacute;lix &ndash; <i>Elementos para Uma Estrat&eacute;gia de Seguran&ccedil;a Energ&eacute;tica para o S&eacute;culo XXI em Portugal</i>. Lisboa: Instituto da Defesa Nacional, 2012, pp. 13-14.</p>     <p><Sup><a name="2"></a><a href="#top2">2</a></Sup> SILVA, Ant&oacute;nio Costa &ndash; &laquo;A seguran&ccedil;a energ&eacute;tica da Europa&raquo;. In <i>Na&ccedil;&atilde;o e Defesa</i>. N.&ordm; 116, 3.&ordf; s&eacute;rie, 2007, pp. 31-72. (Consultado em: 12 de mar&ccedil;o de 2015). Dispon&iacute;vel em: <a href="http://comum.rcaap.pt/bitstream/123456789/1231/1/NeD116_AntonioCostaSilva.pdf" target="_blank">http://comum.rcaap.pt/bitstream/123456789/1231/1/NeD116_AntonioCostaSilva.pdf</a></p>     <p><Sup><a name="3"></a><a href="#top3">3</a></Sup> <i>BP Statistical Review of World Energy</i>, bp, junho de 2014. (Consultado em: 21 de mar&ccedil;o de 2015). Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.bp.com/content/dam/bp-country/de_de/PDFs/brochures/BP-statistical-review-of-world-energy-2014-full-report.pdf" target="_blank">http://www.bp.com/content/dam/bp-country/de_de/PDFs/brochures/BP-statistical-review-of-world-energy-2014-full-report.pdf</a></p>     <p><Sup><a name="4"></a><a href="#top4">4</a></Sup> <i>European Security Strategy</i>. Luxemburgo: Office of UE Publications, 2003</p>     <p><Sup><a name="5"></a><a href="#top5">5</a></Sup> <i>The Outlook for Energy: A View to 2030</i>.EXXonmobil, 2010. (Consultado em: 21 de mar&ccedil;o de 2015). Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.assoelettrica.it/wp-content/uploads/2013/01/Exxonmobil-Energy-Outlook-A-view-to-2030.pdf" target="_blank">http://www.assoelettrica.it/wp-content/uploads/2013/01/Exxonmobil-Energy-Outlook-A-view-to-2030.pdf</a></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><Sup><a name="6"></a><a href="#top6">6</a></Sup> <i>Comunica&ccedil;&atilde;o da Comiss&atilde;o ao Conselho e ao Parlamento Europeu. Uma Pol&iacute;tica Energ&eacute;tica para a Europa</i>. Comiss&atilde;o Europeia, 2007. (Consultado em: 10 de mar&ccedil;o de 2015). Dispon&iacute;vel em: <a href="http://eur-lex.europa.eu/legal-content/PT/TXT/?uri=celex:52007DC0001" target="_blank">http://eur-lex.europa.eu/legal-content/PT/TXT/?uri=celex:52007DC0001</a></p>     <p><Sup><a name="7"></a><a href="#top7">7</a></Sup> RIBEIRO, Jos&eacute; F&eacute;lix &ndash; &laquo;Portugal, a Europa e a seguran&ccedil;a do abastecimento energ&eacute;tico&raquo;. In <i>Conceito Estrat&eacute;gico de Defesa Nacional 2013. Contributos e Debate P&uacute;blico</i>. Lisboa: Imprensa Nacional-Casa da Moeda, pp. 238-239.</p>     <p><Sup><a name="8"></a><a href="#top8">8</a></Sup> SILVA, Ant&oacute;nio Costa, e ALVES, F. Barata &ndash; &laquo;Partex Oil and Gas: a vision of the world world market and the role of gas as the future of oil&raquo;. In <i>ASPO</i>, maio de 2005.</p>      ]]></body><back>
<ref-list>
<ref id="B1">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Rodrigues]]></surname>
<given-names><![CDATA[Teresa Ferreira]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Leal]]></surname>
<given-names><![CDATA[Catarina Mendes]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Ribeiro]]></surname>
<given-names><![CDATA[José Félix]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Uma Estratégia de Segurança Energética para o Século XXI em Portugal]]></source>
<year>2012</year>
<page-range>13-14</page-range><publisher-loc><![CDATA[Lisboa ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Instituto da Defesa Nacional]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B2">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Silva]]></surname>
<given-names><![CDATA[António Costa]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[A segurança energética da Europa]]></article-title>
<source><![CDATA[Nação e Defesa]]></source>
<year>2007</year>
<numero>116</numero>
<issue>116</issue>
<page-range>31-72</page-range></nlm-citation>
</ref>
</ref-list>
</back>
</article>
