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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Os riscos e oportunidades das bacias do Norte de África e da África Ocidental no abastecimento a Portugal]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[In the XXIst century, energy security is a challenge of great importance given the imbalance in the global distribution of oil and natural gas reserves, the increasing supply constraints of fossil fuels worldwide and due to the turbulence that features some of the producing regions. Portugal is a country with limited indigenous energy resources in particular those which provide the majority of energy needs. Portugal depends on external supply, especially from the countries of North Africa and from West Africa Basin. Currently, these two regions are confronted with an increasing asymmetry and long-term security risks that are becoming worst with the increa sing interconnection between them.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><b>QUE MODELO DE SEGURANÇA ENERGÉTICA</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Os riscos e oportunidades das bacias do Norte de &Aacute;frica e da &Aacute;frica Ocidental no abastecimento a Portugal</b></p>     <p><b>Risks and opportunities for the North Africa and West Africa Basin countries in supplying Portugal</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Catarina Mendes Leal</b></p>     <p>Doutorada em Rela&ccedil;&otilde;es Internacionais, mestre em Gest&atilde;o P&uacute;blica, p&oacute;s-graduada em Estudos Europeus (vertente econ&oacute;mica) e em Estudos Avan&ccedil;ados em Gest&atilde;o P&uacute;blica (INA) e Licenciada em Rela&ccedil;&otilde;es Internacionais. &Eacute; investigadora do IPRI-UNL. &Eacute; Auditora do Curso de Defesa Nacional (IDN) e Auditora do Curso de Pol&iacute;tica Externa Nacional (MNE). Frequentou cursos de prospetiva da Global Business Network: Developing &amp; Using Scenarios; Leading Scenario Projects; Scenario Strategy and Action; bem como, cursos na &aacute;rea da seguran&ccedil;a e defesa: na NATO School Roma (Roma, It&aacute;lia), no George Marshall Center (Garmish, Alemanha) e na NATO School (Oberammergau, Alemanha). &Eacute; Respons&aacute;vel pelo Gabinete de Rela&ccedil;&otilde;es Internacionais da ASAE, ex-Assessora da Dire&ccedil;&atilde;o-Geral de Pol&iacute;tica de Defesa Nacional (Minist&eacute;rio da Defesa) e conferencista convidada no ISCTE, no IESM e no INA. &Eacute; membro fundador do GEEMA. Galardoada com o Pr&eacute;mio da Defesa Nacional 2010 e com a men&ccedil;&atilde;o honrosa do Pr&eacute;mio Almirante Teixeira da Mota 2014. Autora de v&aacute;rios artigos, de cinco livros e participante em projetos de investiga&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>RESUMO</b></p>     <p>No s&eacute;culo XXI a seguran&ccedil;a energ&eacute;tica constitui um desafio da maior import&acirc;ncia dado o desequil&iacute;brio na reparti&ccedil;&atilde;o mundial das reservas de petr&oacute;leo e g&aacute;s natural, das crescentes limita&ccedil;&otilde;es da oferta de combust&iacute;veis f&oacute;sseis a n&iacute;vel mundial e da turbul&ecirc;ncia que caracteriza v&aacute;rias das regi&otilde;es produtoras. Portugal &eacute; um pa&iacute;s com escassos recursos energ&eacute;ticos pr&oacute;prios, nomeadamente, aqueles que asseguram a generalidade das necessidades energ&eacute;ticas, dependendo de aprovisionamento externo, em que se destacam os pa&iacute;ses do Norte de &Aacute;frica e da bacia da &Aacute;frica Ocidental. Atualmente, estas duas regi&otilde;es confrontam-se com um aumento das assimetrias e dos riscos securit&aacute;rios de longa dura&ccedil;&atilde;o, agudizando-se com a crescente interliga&ccedil;&atilde;o entre eles.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Palavras-chave</b><i>: </i>Seguran&ccedil;a energ&eacute;tica, Norte de &Aacute;frica, bacia da &Aacute;frica Ocidental, estrat&eacute;gias.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>ABSTRACT</b></p>     <p>In the XXI<sup>st </sup>century, energy security is a challenge of great importance given the imbalance in the global distribution of oil and natural gas reserves, the increasing supply constraints of fossil fuels worldwide and due to the turbulence that features some of the producing regions. Portugal is a country with limited indigenous energy resources in particular those which provide the majority of energy needs. Portugal depends on external supply, especially from the countries of North Africa and from West Africa Basin. Currently, these two regions are confronted with an increasing asymmetry and long-term security risks that are becoming worst with the increa sing interconnection between them.</p>     <p><b>Keywords:</b><i> </i>Energy security, North Africa, West Africa basin, strategies.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>Nas &uacute;ltimas d&eacute;cadas a seguran&ccedil;a energ&eacute;tica<sup><a href="#1">1</a></sup><a name="top1"></a> tornou-se um problema crescente, que afeta quer os estados do Norte, quer os do Sul. Dada a r&aacute;pida industrializa&ccedil;&atilde;o de algumas regi&otilde;es do mundo e a transforma&ccedil;&atilde;o de economias &laquo;l&iacute;der&raquo;, estas tornaram-se crescentemente dependentes de quantidades volumosas de energias f&oacute;sseis, tornando a seguran&ccedil;a energ&eacute;tica num problema-chave a n&iacute;vel pol&iacute;tico e econ&oacute;mico. A exist&ecirc;ncia de fontes de aprovisionamento fi&aacute;veis &eacute; fundamental para a atividade econ&oacute;mica e deve ser considerada como um pr&eacute;-requisito para a seguran&ccedil;a econ&oacute;mica.</p>     <p>Numa tentativa de garantir a estabilidade dos abastecimentos, os grandes poderes est&atilde;o cada vez mais a militarizar a sua abordagem &agrave; seguran&ccedil;a energ&eacute;tica, com consequ&ecirc;ncias para a seguran&ccedil;a internacional &agrave; medida que a coopera&ccedil;&atilde;o interestatal amea&ccedil;a evoluir para um conflito armado em torno do controlo das reservas energ&eacute;ticas. Paralelamente, a militariza&ccedil;&atilde;o tamb&eacute;m tem um profundo impacto na seguran&ccedil;a humana dos que vivem em estados &laquo;ricos em petr&oacute;leo&raquo; nas regi&otilde;es do &laquo;Sul&raquo;. A riqueza petrol&iacute;fera provoca ainda outros impactos em estados do Sul, como a seguran&ccedil;a do regime, a qual se encontra muitas vezes intimamente ligada &agrave; obten&ccedil;&atilde;o e coleta das rendas petrol&iacute;feras<sup><a href="#2">2</a></sup><a name="top2"></a> . Este processo agudiza quer o desenvolvimento destas regi&otilde;es, bem como a pr&oacute;pria seguran&ccedil;a dos respetivos cidad&atilde;os. Muitas vezes os estados s&atilde;o confrontados com a chamada <i>Dutch disease</i>, fen&oacute;meno atrav&eacute;s do qual o agravamento das rendas oriundas dos recursos naturais aumenta a taxa de c&acirc;mbio, tornando as restantes ind&uacute;strias de exporta&ccedil;&atilde;o n&atilde;o competitivas e conduzindo &agrave; desindustrializa&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>Em suma, a seguran&ccedil;a energ&eacute;tica &eacute;, sem d&uacute;vida, um problema com ramifica&ccedil;&otilde;es nas v&aacute;rias vertentes de seguran&ccedil;a.</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>PRINCIPAIS FATORES DESESTABILIZADORES NAS REGI&Otilde;ES DO NORTE DE &Aacute;FRICA E DA &Aacute;FRICA OCIDENTAL NO PRESENTE</b></p>     <p>A regi&atilde;o do Norte de &Aacute;frica e a bacia da &Aacute;frica Ocidental, apesar de serem duas &aacute;reas distintas, apresentam, hoje em dia, um conjunto de elementos desestabilizadores e de vulnerabilidades locais que afetam ambas as &aacute;reas. Trata-se de amea&ccedil;as transnacionais e assim&eacute;tricas, que se encontram interligadas num <i>mix </i>extremamente complexo de racionalidades e configura&ccedil;&otilde;es, como o fracasso pol&iacute;tico dos estados, lutas de poder internas, militariza&ccedil;&atilde;o crescente, press&atilde;o populacional/demografia, competi&ccedil;&atilde;o em torno dos recursos naturais, clima de inseguran&ccedil;a e tr&aacute;fego de drogas.</p>     <p>Analisando brevemente cada um destes elementos desestabilizadores, no que diz respeito ao fracasso pol&iacute;tico dos estados, est&aacute;-se perante estados p&oacute;s-coloniais que permanecem incapazes de impor totalmente a sua autoridade em todas as partes do seu territ&oacute;rio. Na opini&atilde;o de muitos especialistas, esta &aacute;rea sofre, em termos cr&oacute;nicos, de uma m&aacute; governa&ccedil;&atilde;o que hipoteca o seu futuro. A incapacidade dos estados em exercer os seus poderes de soberania sobre toda a extens&atilde;o dos seus territ&oacute;rios, constitui a principal raz&atilde;o por tr&aacute;s do aumento do risco de desestabiliza&ccedil;&atilde;o e de conflito armado. Um Estado fr&aacute;gil &eacute; um alvo potencial para as for&ccedil;as da anarquia. Segundo o &Iacute;ndice de Estados Fr&aacute;geis, em 2014<sup><a href="#3">3</a></sup><a name="top3"></a>, quatro estados da &Aacute;frica Ocidental est&atilde;o entre os 25 maiores estados fr&aacute;geis, nomeadamente: a Costa do Marfim (14.&ordf; posi&ccedil;&atilde;o), a Nig&eacute;ria (17.&ordf;), o N&iacute;ger (20.&ordf;) e a Lib&eacute;ria (24.&ordf;).</p>     <p>Paralelamente, a geopol&iacute;tica interna de alguns estados da &Aacute;frica Ocidental e do Norte da &Aacute;frica &ndash; por exemplo, o Mali, a Nig&eacute;ria, o N&iacute;ger e a L&iacute;bia &ndash; parece seguir um modelo em que um centro de poder pol&iacute;tico e controle sobre a riqueza do pa&iacute;s op&otilde;e &aacute;reas perif&eacute;ricas marginalizadas que procuram derrubar um <i>statu quo </i>que, em muitos casos, &eacute; o resultado do dom&iacute;nio colonial que inverteu posi&ccedil;&otilde;es tradicionais de for&ccedil;a. Estas lutas internas pelo poder minam e desestabilizam a pol&iacute;tica, impulsionando repetidos golpes de Estado.</p>     <p>Todos os vetores de tens&atilde;o s&atilde;o agravados por grandes fluxos de dinheiro que aumentam a esperan&ccedil;a de ganhos imediatos entre grupos armados organizados; a &aacute;rea do Sahel, de que alguns dos estados da &Aacute;frica Ocidental fazem parte, confronta-se com uma crescente militariza&ccedil;&atilde;o. Isto apesar de a Conven&ccedil;&atilde;o da cedeao (de junho de 2006) ter formalmente proibido a venda de armas de pequeno porte.</p>     <p>Quer as popula&ccedil;&otilde;es da regi&atilde;o do Norte de &Aacute;frica, quer da &Aacute;frica Ocidental, est&atilde;o a crescer a um ritmo extremamente r&aacute;pido, prevendo-se a sua duplica&ccedil;&atilde;o nos pr&oacute;ximos trinta e cinco anos e para a regi&atilde;o, atingindo mais de 1131 milh&otilde;es de habitantes em 2050<sup><a href="#4">4</a></sup><a name="top4"></a>. Este crescimento ir&aacute;, sem d&uacute;vida, afetar quer a seguran&ccedil;a humana, quer a seguran&ccedil;a alimentar na regi&atilde;o. Um crescimento desregulado que ir&aacute; ter um impacto negativo sobre os j&aacute; fr&aacute;geis equil&iacute;brios internos e poder&aacute; desencadear um leque de riscos, tais como o aumento do n&uacute;mero de &laquo;refugiados clim&aacute;ticos&raquo; que se deslocam para as cidades devido ao aquecimento global, a cria&ccedil;&atilde;o de grupos nativos, as tens&otilde;es intraestatais, etc. Outra caracter&iacute;stica a ter em aten&ccedil;&atilde;o prende-se com o facto de se estar perante popula&ccedil;&otilde;es jovens, onde o &iacute;ndice de desemprego &eacute; muito mais elevado. Por exemplo, s&oacute; no golfo da Guin&eacute; cerca de 40 por cento da popula&ccedil;&atilde;o encontra-se no desemprego (desses 40 por cento, 60 por cento atinge os jovens, com menos de 30 anos). Existem insuficientes oportunidades econ&oacute;micas na economia formal, legal para a juventude. Al&eacute;m disso, a inseguran&ccedil;a alimentar que afeta as popula&ccedil;&otilde;es rurais tem incentivado a migra&ccedil;&atilde;o das &aacute;reas rurais para as cidades, levando a um r&aacute;pido crescimento da popula&ccedil;&atilde;o urbana, agudizando as tens&otilde;es sociais e econ&oacute;micas com as popula&ccedil;&otilde;es urbanas.</p>     <p>Quer o Norte de &Aacute;frica, quer a &Aacute;frica Ocidental s&atilde;o ricos em recursos naturais. Al&eacute;m de diamantes e ouro, a regi&atilde;o tem ricas jazidas de petr&oacute;leo e g&aacute;s, ferro, fosfato, cobre, estanho e combust&iacute;vel de ur&acirc;nio, atraindo o interesse de poderes que pretendem ganhar o controlo sobre eles. Os principais <i>players</i> mundiais est&atilde;o a seguir estrat&eacute;gias que lhes v&atilde;o assegurando progressivamente o acesso a essas riquezas (anteriormente inacess&iacute;veis), por meio do Sud&atilde;o para os consumidores na &Aacute;sia, atrav&eacute;s do golfo da Guin&eacute; para os consumidores nos Estados Unidos, e atrav&eacute;s do Sara e no Magrebe para os consumidores na Europa continental. O aumento do n&uacute;mero de sequestros combinadas com v&aacute;rios tipos de tr&aacute;fico e a for&ccedil;a crescente de proselitismo salafista, gerou um clima de inseguran&ccedil;a, desestabilizando alguns estados do Oeste africano. Estes desenvolvimentos v&atilde;o colocando em causa os equil&iacute;brios entre irmandades tradicionais, dada a persist&ecirc;ncia de din&acirc;micas irredentistas e a combina&ccedil;&atilde;o destes elementos em formas extremamente complexas.</p>     <p>O terrorismo nas suas diferentes formas, como tal, constitui a principal amea&ccedil;a assim&eacute;trica que pesa sobre os pa&iacute;ses e sociedades da regi&atilde;o.</p>     <p>Recentemente, uma s&eacute;rie de crises mar&iacute;timas tem chamado a aten&ccedil;&atilde;o para a potencial conex&atilde;o com a atividade terrorista ligada ao tr&aacute;fico de armas na regi&atilde;o, representando uma clara amea&ccedil;a &agrave; seguran&ccedil;a nacional resultante de uma amea&ccedil;a mar&iacute;tima n&atilde;o tradicional. As condi&ccedil;&otilde;es inst&aacute;veis &laquo;em terra&raquo; t&ecirc;m igualmente proporcionado um aumento consider&aacute;vel no n&uacute;mero de incidentes de pirataria mar&iacute;tima durante as duas primeiras d&eacute;cadas do s&eacute;culo XXI. Com piratas a aproveitarem-se das congestionadas rotas mar&iacute;timas nas suas proximidades, a pirataria tornou-se uma atividade particularmente proeminente no golfo da Guin&eacute;<sup><a href="#5">5</a></sup><a name="top5"></a>.</p>     <p>Tendo-se transformado num novo centro para o tr&aacute;fico de drogas, o Sahel &eacute; agora uma das rotas preferenciais para as redes altamente organizadas de drogas intercontinentais, principalmente as desenvolvidas pelos cart&eacute;is colombianos. Para a introdu&ccedil;&atilde;o das drogas na Europa, os traficantes tra&ccedil;aram rotas clandestinas atrav&eacute;s dos pa&iacute;ses da &Aacute;frica Ocidental e do deserto do Sahel, nomeadamente Maurit&acirc;nia, Mali, N&iacute;ger e Chade. As rotas de coca&iacute;na e hero&iacute;na encontram-se no Sara, seguindo novas rotas atrav&eacute;s do Chade, Mali e N&iacute;ger.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Em suma, ambas as regi&otilde;es apresentam um leque de riscos de natureza variada que afetam n&atilde;o s&oacute; as regi&otilde;es onde est&atilde;o inseridas como tamb&eacute;m outros estados da regi&atilde;o. De forma sint&eacute;tica podemos identificar quatro riscos com potencial significado no que respeita &agrave; seguran&ccedil;a de abastecimento energ&eacute;tico com origem na bacia energ&eacute;tica do Norte de &Aacute;frica e tr&ecirc;s que podem afetar a seguran&ccedil;a de abastecimento energ&eacute;tico com origem na bacia da &Aacute;frica Ocidental.</p>     <p>No Norte de &Aacute;frica identificamos: <i>i</i>) a ascens&atilde;o de setores islamistas mais radicais aos governos de algum destes pa&iacute;ses, envolvendo um endurecimento das condi&ccedil;&otilde;es contratuais de fornecimento do petr&oacute;leo e do g&aacute;s natural; <i>ii</i>) o crescimento das a&ccedil;&otilde;es terroristas por parte de grupos afiliados, ou agindo em coordena&ccedil;&atilde;o com a Al-Qaida, que se organizam no exterior dos pa&iacute;ses produtores de petr&oacute;leo e g&aacute;s natural, mas que dirigem as suas a&ccedil;&otilde;es contra eles, incluindo contra instala&ccedil;&otilde;es petrol&iacute;feras e de g&aacute;s; <i>iii</i>) a ocorr&ecirc;ncia de um conflito militar em torno do Sara Ocidental, envolvendo a Arg&eacute;lia e Marrocos; e <i>iv</i>) a ocorr&ecirc;ncia de um conflito generalizado no M&eacute;dio Oriente/Golfo P&eacute;rsico, que arraste decis&otilde;es de solidariedade por parte de estados produtores da bacia energ&eacute;tica do Norte de &Aacute;frica com qualquer das partes envolvidas, a&ccedil;&otilde;es que possam traduzir-se em embargos ou em ultimatos a pa&iacute;ses clientes para for&ccedil;ar alinhamentos com algum dos beligerantes.</p>     <p>Na bacia da &Aacute;frica Ocidental os riscos prendem-se com a altera&ccedil;&atilde;o repentina da legisla&ccedil;&atilde;o de enquadramento do setor, levando &agrave; revis&atilde;o dos contratos, como j&aacute; aconteceu por v&aacute;rias vezes no caso da Nig&eacute;ria; o ataque e destrui&ccedil;&atilde;o de infraestruturas energ&eacute;ticas, como tem acontecido com frequ&ecirc;ncia no delta da Nig&eacute;ria; assim como com a pirataria mar&iacute;tima no golfo da Guin&eacute;.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>PORTUGAL E OS SEUS PRINCIPAIS APROVISIONADORES DO NORTE DE &Aacute;FRICA E DA BACIA DA &Aacute;FRICA OCIDENTAL</b></p>     <p>Em termos de import&acirc;ncia nos mercados petrol&iacute;feros internacionais podemos dividir a regi&atilde;o de &Aacute;frica em duas &aacute;reas: <i>i</i>) os pa&iacute;ses situados no Norte de &Aacute;frica, pioneiros na explora&ccedil;&atilde;o, detentores de importantes reservas e com um elevado n&iacute;vel de produ&ccedil;&atilde;o; <i>ii</i>) &Aacute;frica Subsariana, com uma express&atilde;o ainda secund&aacute;ria nos mercados petrol&iacute;feros mundiais. Apesar deste posicionamento, alguns pa&iacute;ses da &Aacute;frica Subsariana t&ecirc;m vindo a conquistar uma import&acirc;ncia crescente no setor energ&eacute;tico global (casos de Angola e Nig&eacute;ria).</p>     <p>Desde 2010, que se assistiu a outra profunda transforma&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica na &Aacute;frica do Norte e M&eacute;dio Oriente. Depois de d&eacute;cadas de ordem pol&iacute;tica autorit&aacute;ria, relativamente est&aacute;vel, esta macrorregi&atilde;o foi atravessada por uma forte agita&ccedil;&atilde;o popular, a designada &laquo;Primavera &Aacute;rabe&raquo;.</p>     <p>Assistiu-se, assim, &agrave; queda de regimes autocr&aacute;ticos na Tun&iacute;sia, na L&iacute;bia e no Egito, e a confrontos civis prolongados na S&iacute;ria, bem como a reformas pol&iacute;ticas pac&iacute;ficas em Marrocos e na Jord&acirc;nia. Esta inicial &laquo;movimenta&ccedil;&atilde;o de massas&raquo; abriu as portas do poder a forma&ccedil;&otilde;es pol&iacute;ticas alinhadas com a Irmandade Mu&ccedil;ulmana, nalguns desses estados (como a Tun&iacute;sia, Egito e Marrocos).</p>     <p>Mas em pouco tempo ficou claro que estados da regi&atilde;o, como a Ar&aacute;bia Saudita, se opunham a esta ascens&atilde;o, apadrinhada por outro estado do Conselho de Coopera&ccedil;&atilde;o do Golfo &ndash; o Qatar. Ou seja, as revoltas &aacute;rabes fizeram o campo sunita dividir-se no momento em que o Ir&atilde;o refor&ccedil;ava a sua influ&ecirc;ncia geopol&iacute;tica.</p>     <p>Todavia, o fen&oacute;meno de inseguran&ccedil;a no Norte de &Aacute;frica n&atilde;o &eacute; somente resultado da &laquo;Primavera &Aacute;rabe&raquo;, tem tamb&eacute;m ra&iacute;zes num conjunto de fatores estruturais e hist&oacute;ricos. A eclos&atilde;o de revoltas populares na Tun&iacute;sia, na L&iacute;bia e no Egito tem desempenhado um papel na acelera&ccedil;&atilde;o e amplia&ccedil;&atilde;o de um fen&oacute;meno que era menos percet&iacute;vel. Com efeito, a instabilidade do contexto pol&iacute;tico foi prop&iacute;cia ao desenvolvimento de v&aacute;rios movimentos criminosos e terroristas.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Mais especificamente, o aqim e outros grupos radicais t&ecirc;m sido capazes de se aproveitar dessa instabilidade pol&iacute;tica, alargando o seu controle sobre muitas &aacute;reas da L&iacute;bia ao Mali, simultaneamente entrando em territ&oacute;rio tunisino e refor&ccedil;ando posi&ccedil;&otilde;es na Arg&eacute;lia. A fraqueza dos mecanismos de coopera&ccedil;&atilde;o regional no Norte de &Aacute;frica constitui um fator agravante das amea&ccedil;as de seguran&ccedil;a.</p>     <p>Quanto aos estados localizados na bacia energ&eacute;tica da &Aacute;frica Ocidental tamb&eacute;m esta &aacute;rea enfrenta v&aacute;rios fatores de instabilidade pol&iacute;tica, econ&oacute;mica e social que afetam bastante o contexto para o investimento e desenvolvimento das respetivas atividades econ&oacute;micas. Com feito, a pirataria no golfo da Guin&eacute;, a par com a crescente expans&atilde;o do grupo Boko Haram com claras liga&ccedil;&otilde;es ao esi contribuem para a criminaliza&ccedil;&atilde;o crescente das sociedades para a viol&ecirc;ncia organizada e para a prolifera&ccedil;&atilde;o dos conflitos armados de um novo tipo, com as respetivas consequ&ecirc;ncias nos planos humanit&aacute;rio, social, econ&oacute;mico e ambiental.</p>     <p>A falta de transpar&ecirc;ncia na gest&atilde;o dos &laquo;assuntos p&uacute;blicos&raquo;, a corrup&ccedil;&atilde;o e o clientelismo das elites que det&ecirc;m o poder reduziram a capacidade dos estados para assumirem as suas responsabilidades. Os problemas de governa&ccedil;&atilde;o colocam em causa os esfor&ccedil;os de desenvolvimento social, que implicam continuidade pol&iacute;tica e uma vis&atilde;o de longo prazo, contribuindo para atrasar os efeitos do ajustamento estrutural, na medida em que aumentam os receios dos investidores.</p>     <p>Na bacia energ&eacute;tica da &Aacute;frica Ocidental, v&aacute;rios pa&iacute;ses t&ecirc;m vindo a ganhar import&acirc;ncia na arena da geopol&iacute;tica do petr&oacute;leo gra&ccedil;as &agrave;s descobertas de novas reservas e &agrave; expans&atilde;o da produ&ccedil;&atilde;o<sup><a href="#6">6</a></sup><a name="top6"></a>. Dentre estes destacam-se a Nig&eacute;ria, Angola, a Rep&uacute;blica do Congo, a Guin&eacute; Equatorial e o Gab&atilde;o.</p>     <p>Atualmente, &laquo;mais de metade da produ&ccedil;&atilde;o petrol&iacute;fera da &Aacute;frica Ocidental prov&eacute;m de campos petrol&iacute;feros localizados <i>offshore</i>&raquo;. Estas zonas est&atilde;o a evoluir com grande dinamismo gra&ccedil;as aos desenvolvimentos tecnol&oacute;gicos que t&ecirc;m permitido &agrave;s grandes <i>international oil companies</i> (IOC) localizar, dimensionar e explorar recursos situados no fundo do mar a profundidades cada vez maiores<sup><a href="#7">7</a></sup><a name="top7"></a>. Desde h&aacute; d&eacute;cadas que se verifica a presen&ccedil;a das <i>supermajors </i>e das <i>majors</i><sup><a href="#8">8</a></sup><a name="top8"></a> nesta regi&atilde;o: Shell, Mobil, Chevron, Elf, Agip, e Texaco.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>CEN&Aacute;RIO ENERG&Eacute;TICO DE PORTUGAL</b></p>     <p>O cen&aacute;rio energ&eacute;tico nacional atual &eacute; caracterizado por uma forte depend&ecirc;ncia externa (79,4 por cento em 2012), com uma procura energ&eacute;tica com taxas de crescimento significativamente superiores &agrave;s do crescimento do PIB, e com um sistema energ&eacute;tico fortemente dependente de fontes prim&aacute;rias de origem f&oacute;ssil (petr&oacute;leo, g&aacute;s natural e carv&atilde;o). Portugal est&aacute; assim perante uma reduzida diversifica&ccedil;&atilde;o da oferta energ&eacute;tica prim&aacute;ria, aliada &agrave; escassez de recursos pr&oacute;prios, que conduz a uma maior vulnerabilidade do sistema energ&eacute;tico &agrave;s flutua&ccedil;&otilde;es dos pre&ccedil;os internacionais, nomeadamente do pre&ccedil;o do petr&oacute;leo, exigindo esfor&ccedil;os no sentido de aumentar a diversifica&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>&Agrave; semelhan&ccedil;a do que se verifica no panorama energ&eacute;tico mundial, em Portugal o petr&oacute;leo ocupa uma posi&ccedil;&atilde;o central entre as v&aacute;rias fontes energ&eacute;ticas tendo, em 2012, representado 43,3 por cento do consumo total de energia prim&aacute;ria.</p>     <p>Segundo a Dire&ccedil;&atilde;o-Geral de Energia e Geologia (dreg)<sup><a href="#9">9</a></sup><a name="top9"></a>, a introdu&ccedil;&atilde;o do g&aacute;s natural em 1997 contribuiu para diversificar a estrutura da oferta de energia e reduzir a depend&ecirc;ncia exterior em rela&ccedil;&atilde;o ao petr&oacute;leo. Desde ent&atilde;o, tem-se registado uma evolu&ccedil;&atilde;o positiva no <i>mix </i>energ&eacute;tico, representando este combust&iacute;vel, em 2012, 18,4 por cento do total do consumo em energia prim&aacute;ria.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Em 2012, o contributo das energias renov&aacute;veis no consumo total de energia prim&aacute;ria foi de 20,8 por cento contra 21,4 por cento em 2011.</p>     <p>Dado que Portugal n&atilde;o &eacute; produtor nem de crude, nem de g&aacute;s natural, encontra-se muit&iacute;ssimo dependente das importa&ccedil;&otilde;es destes dois hidrocarbonetos para satisfazer as suas necessidades internas<sup><a href="#10">10</a></sup><a name="top10"></a>, enfrentando uma situa&ccedil;&atilde;o preocupante: por um lado, n&atilde;o possui fontes energ&eacute;ticas e, por outro, desperdi&ccedil;a ou utiliza de forma pouco eficiente os recursos energ&eacute;ticos. &laquo;Portugal apresenta um cen&aacute;rio energ&eacute;tico que pode ser apelidado de convencional e pouco flex&iacute;vel: depende de forma cr&iacute;tica do consumo de combust&iacute;veis f&oacute;sseis e o petr&oacute;leo satisfaz mais de metade do consumo&raquo;<sup><a href="#11">11</a></sup><a name="top11"></a>. &nbsp;</p>     <p>O setor energ&eacute;tico nacional concentra-se &agrave; volta de empresas de grande porte e dimens&atilde;o, encontrando-se estas entre as maiores de qualquer pa&iacute;s. Em Portugal verifica-se o mesmo, destacando-se a Galp Energia, a partex Oil and Gas, a EDP e a REN.</p>     <p>Em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; organiza&ccedil;&atilde;o do setor petrol&iacute;fero nacional<sup><a href="#12">12</a></sup><a name="top12"></a>, a maior companhia portuguesa &eacute; a subsidi&aacute;ria da Galp Energia<sup><a href="#13">13</a></sup><a name="top13"></a>&ndash; a Petrogal. Esta &uacute;ltima controla o <i>midstream</i> e o <i>downstream </i>dom&eacute;stico petrol&iacute;fero em Portugal e mant&eacute;m atividades de produ&ccedil;&atilde;o no Brasil e em Angola. No presente, a Galp est&aacute; a passar uma fase em que deixar&aacute; de ser uma petrol&iacute;fera regional que operava na refina&ccedil;&atilde;o e distribui&ccedil;&atilde;o para apostar no <i>upstream</i>, ou seja, na produ&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>Portugal disp&otilde;e de duas refinarias da Petrogal. Uma situada em Sines e outra no Porto, com uma capacidade de destila&ccedil;&atilde;o de 220 mil barris por dia. O mercado a retalho tamb&eacute;m &eacute; dominado pela Petrogal no que diz respeito aos produtos refinados de petr&oacute;leo e &agrave; rede de oleodutos do pa&iacute;s.</p>     <p>Todavia, em rela&ccedil;&atilde;o ao petr&oacute;leo Portugal confronta-se com duas fraquezas. Por um lado, com um elevado e persistente n&iacute;vel de intensidade energ&eacute;tica em fun&ccedil;&atilde;o do grau de desenvolvimento (PIB); por outro, a dimens&atilde;o do mercado acaba por determinar a escala de atividade do operador.</p>     <p>O setor do g&aacute;s natural tem crescido bastante nos &uacute;ltimos anos. At&eacute; 1997, data em que foi introduzido no Pa&iacute;s, o consumo deste hidrocarboneto era praticamente inexistente; todavia, em 2004, o consumo atingiu os 4,3 mil milh&otilde;es de metros c&uacute;bicos. Tal aumento pode ser atribu&iacute;do &agrave; constru&ccedil;&atilde;o da infraestrutura de importa&ccedil;&atilde;o, incluindo a rede de gasoduto que liga Portugal (atrav&eacute;s das duas liga&ccedil;&otilde;es ao gasoduto de Espanha: Tarifa e Tuy) ao Norte de &Aacute;frica e o terminal para a rece&ccedil;&atilde;o de g&aacute;s natural liquefeito (GNL). Em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; organiza&ccedil;&atilde;o do setor &eacute; tamb&eacute;m uma subsidi&aacute;ria da Galp Energia quem domina &ndash; G&aacute;s de Portugal (GdP). A GdP controla diretamente a importa&ccedil;&atilde;o, o transporte e o fornecimento de g&aacute;s; e, indiretamente, a distribui&ccedil;&atilde;o atrav&eacute;s das suas participa&ccedil;&otilde;es em nove empresas de distribui&ccedil;&atilde;o regional. A rede de distribui&ccedil;&atilde;o de g&aacute;s natural tem, neste momento, 12 348 quil&oacute;metros, dos quais 9333 quil&oacute;metros foram constru&iacute;dos em 2007.</p>     <p>Em outubro de 2003, Portugal concluiu o seu primeiro terminal de GNL em Sines. Este terminal foi dirigido pela subsidi&aacute;ria da Galp Energia &ndash; a Galp Atl&acirc;ntico &ndash; tendo sido adquirido em setembro de 2006 pela REN<sup><a href="#14">14</a></sup><a name="top14"></a>, o que permitiu ao Pa&iacute;s uma maior independ&ecirc;ncia no &acirc;mbito do aprovisionamento do g&aacute;s. Todavia, continuamos dependentes da rede de g&aacute;s natural espanhola para o transporte do g&aacute;s natural para Portugal.</p>     <p>No setor do g&aacute;s natural, Portugal dever&aacute; aproveitar no &acirc;mbito da expans&atilde;o/reconvers&atilde;o do sistema eletroprodutor europeu, das vantagens geoestrat&eacute;gicas e geopol&iacute;ticas do Pa&iacute;s, atrav&eacute;s da cria&ccedil;&atilde;o de um forte n&uacute;cleo de cccgn, alimentado pela importa&ccedil;&atilde;o de mat&eacute;ria-prima alternativa aos fornecimentos da R&uacute;ssia e &agrave; Uni&atilde;o Europeia (UE). Face ao que antecede e das duas &aacute;reas em an&aacute;lise, Portugal depende claramente, em termos de aprovisionamento energ&eacute;tico de Angola, da Arg&eacute;lia e da Nig&eacute;ria.</p>     <p>De acordo com os dados disponibilizados pela DGEG<sup><a href="#15">15</a></sup><a name="top15"></a>, em 2013, a importa&ccedil;&atilde;o de petr&oacute;leo bruto teve origem essencialmente nos continentes africano (65,7 por cento) e asi&aacute;tico (31,9 por cento). Na bacia da &Aacute;frica Ocidental t&ecirc;m origem 60,4 por cento, destacando-se claramente Angola (36,5 por cento), seguida pelos Camar&otilde;es (11,5 por cento) e Nig&eacute;ria (6,7 por cento); e, 5,3 por cento do Norte de &Aacute;frica, nomeadamente da Arg&eacute;lia (quatro por cento) e da L&iacute;bia (1,3 por cento).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p> <a name="t1"></a> <img src="/img/revistas/ri/n46/n46a04t1.jpg">     
<p>&nbsp;</p>     <p>Em 2013, Portugal importou de 13 pa&iacute;ses, o que demonstra a reduzida depend&ecirc;ncia de um s&oacute; fornecedor de crude. As refinarias da Galp Energia encontram-se estrategicamente localizadas no litoral do Pa&iacute;s, o que lhes permite receber crudes oriundos de quase todo o mundo, diversificando a sua base de fornecedores.</p>     <p>Em rela&ccedil;&atilde;o ao g&aacute;s natural, em 2013, a Galp Energia prosseguiu com uma pol&iacute;tica de gest&atilde;o ativa das diversas fontes de aprovisionamento, incluindo o mercado <i>spot</i>, tendo adquirido um total de 7,1 bcm de g&aacute;s natural. Destes, 46,5 por cento (3,3 bcm) provieram da Nig&eacute;ria, atrav&eacute;s dos contratos estabelecidos com a Nigeria lng, foram transportados em metaneiros at&eacute; ao terminal de liquefa&ccedil;&atilde;o de Sines. Enquanto 31 por cento (2,2 bcm) vieram da Arg&eacute;lia, atrav&eacute;s dos gasodutos Europe Maghreb Pipeline (empl), Al-Andalus e Extremadura.</p>     <p>Olhando para a tabela anterior, &eacute; poss&iacute;vel avaliar, segundo o <i>country rating</i>, o risco dos pa&iacute;ses abastecedores de crude e de g&aacute;s natural a Portugal, em 2013, oriundos das duas &aacute;reas em estudo, respetivamente.</p>     <p>Dos sete pa&iacute;ses abastecedores de petr&oacute;leo e dos dois de g&aacute;s natural a Portugal, das duas &aacute;reas em estudo, apenas um pa&iacute;s &ndash; a Arg&eacute;lia &ndash; se encontra classificado como A4, ou seja, trata-se de um pa&iacute;s em que as perspetivas pol&iacute;ticas e econ&oacute;micas s&atilde;o fracas e em que o ambiente de neg&oacute;cios &eacute; vol&aacute;til, podendo afetar os pagamentos e trocas das empresas. Quatro est&atilde;o classificados como C, totalizando 58,1 por cento do abastecimento de petr&oacute;leo a Portugal; tratando-se de pa&iacute;ses que apresentam uma evolu&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica e econ&oacute;mica muito incerta e um ambiente de neg&oacute;cio com muitas fraquezas, com inerentes impactos nos comportamentos de trocas e de pagamentos das empresas. Finalmente, a L&iacute;bia est&aacute; considerada como apresentando um elevado risco &ndash; D &ndash; dado apresentar uma situa&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica e econ&oacute;mica de elevado risco e um ambiente de neg&oacute;cios bastante dif&iacute;cil, com probabilidades de impactos significativos no comportamento de trocas e de pagamentos das empresas.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>PRINCIPAIS APROVISIONADORES DO NORTE DE &Aacute;FRICA E DA BACIA DA &Aacute;FRICA OCIDENTAL</b></p>     <p>O principal aprovisionador nacional do Norte de &Aacute;frica &eacute; a Arg&eacute;lia, pois abastece 35 por cento da energia portuguesa (petr&oacute;leo e g&aacute;s natural).</p>     <p>As reservas de hidrocarbonetos descobertas at&eacute; hoje est&atilde;o repartidas em aproximadamente 200 campos de petr&oacute;leo e de g&aacute;s, dos quais 73 est&atilde;o localizados na bacia de Illizi, 57 nas bacias do Sara Central, 34 nas bacias de Gadam&egrave;s-Rhourde Nouss e 31 na bacia de Oued Mya; 67 por cento das reservas iniciais de petr&oacute;leo e de g&aacute;s natural em produ&ccedil;&atilde;o est&atilde;o localizadas nas prov&iacute;ncias de Oued Mya e Hassi Messaoud, onde se situam os dois campos gigantes de Hassi Rmel (g&aacute;s) e de Hassi Messaoud (petr&oacute;leo). No que respeita ao petr&oacute;leo, em finais de 2013<sup><a href="#17">17</a></sup><a name="top17"></a>, a Arg&eacute;lia detinha em reservas provadas de petr&oacute;leo o equivalente a 12,2 mil milh&otilde;es de barris. Com as recentes descobertas de petr&oacute;leo, e com planos para mais explora&ccedil;&otilde;es atrav&eacute;s de perfura&ccedil;&otilde;es, pensa-se que as reservas provadas de petr&oacute;leo poder&atilde;o aumentar nos pr&oacute;ximos anos. A m&eacute;dia de produ&ccedil;&atilde;o de petr&oacute;leo bruto foi de 1575 mil barris/dia ao longo de 2013<sup><a href="#18">18</a></sup><a name="top18"></a>(-2,7 por cento que no ano anterior).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>O setor dos hidrocarbonetos &eacute; o pilar da sua economia, sendo respons&aacute;vel por cerca de 60 por cento das receitas or&ccedil;amentais. O <i>superavit </i>comercial deve cair novamente em 2015, resultado do decl&iacute;nio das receitas de exporta&ccedil;&otilde;es de petr&oacute;leo e g&aacute;s, uma vez que estes representam 95 por cento das receitas de exporta&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>Ap&oacute;s a nacionaliza&ccedil;&atilde;o do g&aacute;s natural e do petr&oacute;leo, em 1971, a empresa estatal sonatrach passou a dominar o mercado. O seu papel hegem&oacute;nico no setor passa n&atilde;o s&oacute; pela formula&ccedil;&atilde;o da pol&iacute;tica argelina, no que respeita ao g&aacute;s e ao petr&oacute;leo, mas tamb&eacute;m pela prospe&ccedil;&atilde;o, produ&ccedil;&atilde;o, distribui&ccedil;&atilde;o e exporta&ccedil;&atilde;o de hidrocarbonetos. Este perfil t&iacute;pico da Arg&eacute;lia, de monoprodu&ccedil;&atilde;o, mono-exporta&ccedil;&atilde;o e mono-investimento, acarreta uma grande dose de incerteza e instabilidade, j&aacute; que depende, como &eacute; &oacute;bvio, das oscila&ccedil;&otilde;es dos pre&ccedil;os de petr&oacute;leo nos mercados internacionais. A sonatrach &eacute; a maior fonte de divisas na Arg&eacute;lia. &Eacute; tamb&eacute;m o maior consumidor de cr&eacute;dito externo para o investimento.</p>     <p>No que respeita ao g&aacute;s natural a produ&ccedil;&atilde;o comercial na Arg&eacute;lia come&ccedil;ou em 1961. Em finais de 2013 tinha 4,5 TMC de reservas provadas de g&aacute;s natural, com um r/p de 57,3 anos<sup><a href="#19">19</a></sup><a name="top19"></a>. O maior campo de g&aacute;s argelino &eacute; Hassi R&rsquo;Mel, descoberto em 1956, com reservas provadas de 2,4 bmc, e que representa cerca de um quarto do total da produ&ccedil;&atilde;o de g&aacute;s seco da Arg&eacute;lia. Em 2013, a Arg&eacute;lia produziu 78,6 bmc de g&aacute;s natural (+3,3 por cento que em 2012), sendo o nono maior produtor a n&iacute;vel mundial e o quarto maior entre os membros da OPEP. A Arg&eacute;lia consumiu 32,3 bmc de g&aacute;s natural nesse ano<sup><a href="#20">20</a></sup><a name="top20"></a>, e exportou via gasoduto 28 bmc de g&aacute;s natural e via mar&iacute;tima 14,9 bmc de GNL<sup><a href="#21">21</a></sup><a name="top21"></a>.</p>     <p>Ainda em rela&ccedil;&atilde;o ao GNL, com o in&iacute;cio da explora&ccedil;&atilde;o em Arzew em 1964, o pa&iacute;s tornou-se no primeiro produtor de GNL. &Eacute; ainda o quarto maior exportador de GNL, atr&aacute;s da Indon&eacute;sia, da Mal&aacute;sia e do Qatar, com 13 por cento do total mundial.</p>     <p>A Arg&eacute;lia tem permitido um aumento do investimento estrangeiro neste setor e os produtores estrangeiros de g&aacute;s t&ecirc;m estabelecido numerosos acordos de parceria com a sonatrach, que domina a produ&ccedil;&atilde;o e a distribui&ccedil;&atilde;o por grosso. A Sonelgaz, tamb&eacute;m estatal, controla a distribui&ccedil;&atilde;o a retalho e existem planos para a permiss&atilde;o de participa&ccedil;&atilde;o estrangeira no setor do retalho do g&aacute;s natural. Alguns dos operadores estrangeiros na Arg&eacute;lia s&atilde;o a bhp Billiton, a bp, a Repsol, a Statoil e a Total.</p>     <p>Da bacia da &Aacute;frica Ocidental Angola e Nig&eacute;ria s&atilde;o, sem d&uacute;vida, os dois aprovisionadores de Portugal mais importantes.</p>     <p>Angola &eacute; o primeiro abastecedor de petr&oacute;leo ao nosso Pa&iacute;s, representando 26,5 por cento (em 2013). Diferentes avalia&ccedil;&otilde;es das reservas provadas de petr&oacute;leo de Angola apontavam, em 2013, para 12 mil milh&otilde;es de barris<sup><a href="#22">22</a></sup><a name="top22"></a>. A maioria dessas reservas localiza-se no <i>offshore </i>e uma parte significativa no <i>deep offshore</i>.</p>     <p>A produ&ccedil;&atilde;o aumentou rapidamente de 2002 at&eacute; 2008, tendo experimentado uma estabiliza&ccedil;&atilde;o nos anos posteriores, coincidindo com a fase mais aguda da crise econ&oacute;mica mundial e com problemas operacionais nalguns campos. A produ&ccedil;&atilde;o &eacute; quase integralmente exportada. Em 2007, Angola tornou-se membro da OPEP. De acordo com o regime de quotas da organiza&ccedil;&atilde;o a produ&ccedil;&atilde;o de Angola deveria situar-se entre os 1,52 milh&otilde;es de barris por dia e os 1,66 milh&otilde;es por dia.</p>     <p>Angola &eacute; j&aacute; atualmente o maior produtor de petr&oacute;leo em &Aacute;frica, tendo ultrapassado a Nig&eacute;ria, em 2009 (devido aos ataques &agrave;s infraestruturas petrol&iacute;feras do delta do N&iacute;ger). O petr&oacute;leo representa 90 por cento das exporta&ccedil;&otilde;es de Angola e cerca de 80 por cento do seu PIB.</p>     <p>No que respeita ao g&aacute;s natural, a produ&ccedil;&atilde;o angolana est&aacute; estritamente ligada &agrave; produ&ccedil;&atilde;o de petr&oacute;leo, estando em curso uma instala&ccedil;&atilde;o de GNL para exporta&ccedil;&atilde;o.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A empresa estatal Sonangol partilha com dezenas de empresas internacionais a explora&ccedil;&atilde;o de blocos concessionados em regime de leil&otilde;es, sendo no entanto operadora de um n&uacute;mero reduzido deles e tendo-se associado &agrave; chinesa.</p>     <p>N&atilde;o obstante as limita&ccedil;&otilde;es impostas pelo regime de quotas da OPEP &ndash; a que aderiu &ndash;, Angola dever&aacute; aumentar a sua capacidade de produ&ccedil;&atilde;o de petr&oacute;leo no curto prazo devido &agrave; entrada em produ&ccedil;&atilde;o de novos projetos no <i>offshore </i>at&eacute; 2014.</p>     <p>Observando quais os operadores dos novos projetos destacam-se, tendo em conta a capacidade prevista dos blocos respetivos: BP(Reino Unido), chevron (Estados Unidos), Total (Fran&ccedil;a), EXXon Mobil (Estados Unidos).</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b><i>NIG&Eacute;RIA</i></b></p>     <p>Em finais de 2013, em termos de reservas provadas de petr&oacute;leo, a Nig&eacute;ria dispunha de 37,1 mil milh&otilde;es de barris, com um r/p de 43,8 anos. A maior parte das reservas est&atilde;o localizadas ao longo do delta do Rio N&iacute;ger, no Sudeste nigeriano e <i>offshore </i>no Bight de Benin, golfo da Guin&eacute; e Bight de Bonny. Em 2013, este pa&iacute;s foi o maior produtor de petr&oacute;leo em &Aacute;frica, o 11.&ordm; em termos mundiais<sup><a href="#23">23</a></sup><a name="top23"></a>, e &eacute; membro da OPEP desde 1971. At&eacute; h&aacute; pouco tempo, o <i>upstream </i>do setor petrol&iacute;fero estava nas m&atilde;os das <i>majors </i>e das <i>supermajors: </i>Shell (atrav&eacute;s da Shell Petroleum Development Company), que explora mais de 100 campos produtores (destacando-se o <i>offshore </i>ultraprofundo de Bonga), de crude e de g&aacute;s natural; EXXon Mobil que, em 2005, produzia um pouco mais de 19 por cento do crude nigeriano (nas &aacute;reas de produ&ccedil;&atilde;o Yoko, Bosi e, ainda, o <i>offshore </i>de Ehra); a Total, respons&aacute;vel por cerca de dez por cento da produ&ccedil;&atilde;o (sobressaindo os campos de Amenam e, num futuro pr&oacute;ximo, em Akpo). Cabe ainda mencionar as presen&ccedil;as da ChevronTexaco e da Eni e a ConocoPhilips; e, em finais de 2004, a entrada da companhia chinesa Sinopec.</p>     <p>Em 2005, S&atilde;o Tom&eacute; e Pr&iacute;ncipe e a Nig&eacute;ria estabeleceram um projeto designado &laquo;Joint Development Zone&raquo; (JDZ) para a explora&ccedil;&atilde;o da reserva de petr&oacute;leo situada na fronteira mar&iacute;tima entre os dois pa&iacute;ses, tendo sido acordada a constitui&ccedil;&atilde;o de uma zona conjunta de explora&ccedil;&atilde;o e a forma&ccedil;&atilde;o de uma comiss&atilde;o para o efeito.</p>     <p>Na realidade, trata-se de uma &aacute;rea de sobreposi&ccedil;&atilde;o de fronteiras mar&iacute;timas, cujo diferendo foi resolvido, em 21 de fevereiro de 2001, mediante um acordo que estabeleceu 60 por cento de capital para a Nig&eacute;ria e 40 por cento para S&atilde;o Tom&eacute; e Pr&iacute;ncipe.</p>     <p>A Nig&eacute;ria passou parte da sua hist&oacute;ria recente por numerosos golpes militares (seis dos quais com sucesso), uma guerra civil (que teve como pre&ccedil;o a perda de um milh&atilde;o de civis), tr&ecirc;s transi&ccedil;&otilde;es para a democracia inconclusivas e viol&ecirc;ncia recorrente entre diversas fa&ccedil;&otilde;es. Apesar de ter angariado mais de US$400 bili&otilde;es em receitas petrol&iacute;feras desde o in&iacute;cio dos anos 1970, a economia tem tido um mau desempenho e a maior parte dos cidad&atilde;os pouco beneficiaram.</p>     <p>O retorno &agrave; democracia na Nig&eacute;ria, em 29 de maio de 1999, foi esperado com o fim da repress&atilde;o e da corrup&ccedil;&atilde;o do regime militar dirigido por Sami Abacha. No entanto, a nova democracia nigeriana tem sido marcada por dificuldades econ&oacute;micas, conflitos &eacute;tnicos, religiosos e regionais. O petr&oacute;leo mergulhou a Nig&eacute;ria na <i>Dutch disease</i>, fen&oacute;meno atrav&eacute;s do qual o agravamento das rendas oriundas dos recursos naturais aumenta a taxa de c&acirc;mbio, tornando as restantes ind&uacute;strias de exporta&ccedil;&atilde;o n&atilde;o competitivas e conduzindo &agrave; desindustrializa&ccedil;&atilde;o.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A economia <i>mono-commodity </i>nigeriana tem sido sustent&aacute;vel, apesar de alguns comportamentos sociais e do grande risco para a unidade nacional. A partir de 2006, intensi-ficaram-se os ataques de militantes de comunidades locais, destacando-se o medn (cada vez mais como uma organiza&ccedil;&atilde;o <i>umbrella </i>para os grupos rebeldes no delta), contra instala&ccedil;&otilde;es petrol&iacute;feras situadas no delta do N&iacute;ger, conduzindo ao encerramento de campos petrol&iacute;feros de produ&ccedil;&atilde;o <i>onshore </i>e <i>offshore</i>. Paralelamente, o <i>bunkering </i>de petr&oacute;leo tem acelerado o conflito e provido os grupos militantes e criminosos com fundos para a aquisi&ccedil;&atilde;o de armas. Torna-se, deste modo, fundamental encontrar uma resolu&ccedil;&atilde;o para os crescentes conflitos no delta do N&iacute;ger, dado que afetam n&atilde;o s&oacute; a Nig&eacute;ria como toda a seguran&ccedil;a regional, continental e mar&iacute;tima.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>PORTUGAL <i>HEDGE OUR BETS</i> &ndash; ESTRAT&Eacute;GIAS E CAMINHOS POSS&Iacute;VEIS</b></p>     <p>Pode-se afirmar que o setor da energia &eacute; estrat&eacute;gico para o aumento da competitividade da economia portuguesa, quer atrav&eacute;s da redu&ccedil;&atilde;o da fatura energ&eacute;tica, quer atrav&eacute;s de medidas para a prote&ccedil;&atilde;o do ambiente (tendo em conta as altera&ccedil;&otilde;es clim&aacute;ticas), quer atrav&eacute;s do contributo para a moderniza&ccedil;&atilde;o tecnol&oacute;gica dos agentes econ&oacute;micos e das empresas.</p>     <p>Em termos de diretrizes gerais que t&ecirc;m orientado a pol&iacute;tica energ&eacute;tica de Portugal, nos &uacute;ltimos anos<sup><a href="#24">24</a></sup><a name="top24"></a>, esta tem sido articulada no sentido de alcan&ccedil;ar v&aacute;rios objetivos estrat&eacute;gicos, nomeadamente: <i>i</i>) garantir fontes de energia final a pre&ccedil;os relativamente competitivos; <i>ii</i>) melhorar a efici&ecirc;ncia energ&eacute;tica do Pa&iacute;s (redu&ccedil;&atilde;o em 25 por cento do consumo at&eacute; 2020), com o Estado como primeiro exemplo (redu&ccedil;&atilde;o de 30 por cento do consumo at&eacute; 2020); <i>iii</i>) direcionar consumos para as fontes de energia que fa&ccedil;am mais sentido para Portugal, quando considerada a balan&ccedil;a de pagamentos; <i>iv</i>) garantir um modelo energ&eacute;tico de racionalidade econ&oacute;mica e incentivos aos agentes de mercado; <i>v</i>) refor&ccedil;ar a diversifica&ccedil;&atilde;o das fontes prim&aacute;rias de energia; <i>vi</i>) assegurar o cumprimento dos objetivos de redu&ccedil;&atilde;o das emiss&otilde;es de gases com efeito de estufa; <i>vii</i>) reduzir a depend&ecirc;ncia petrol&iacute;fera do Pa&iacute;s, objetivo que ser&aacute; alcan&ccedil;ado atrav&eacute;s do refor&ccedil;o da utiliza&ccedil;&atilde;o de biocombust&iacute;veis, da aposta no transporte coletivo de qualidade, e o investimento nos modos ferrovi&aacute;rio e mar&iacute;timo no transporte para a Europa; <i>viii</i>) promover a competitividade, a transpar&ecirc;ncia dos pre&ccedil;os, o bom funcionamento e a efetiva liberaliza&ccedil;&atilde;o de todos os mercados energ&eacute;ticos; <i>ix</i>) apoiar o desenvolvimento e internacionaliza&ccedil;&atilde;o das empresas do setor energ&eacute;tico (com &ecirc;nfase nas tecnologias renov&aacute;veis); <i>x</i>) a m&eacute;dio prazo, conseguir que Portugal tenha a mais baixa intensidade na UE; <i>xi</i>) mercados energ&eacute;ticos liberalizados, altamente competitivos.</p>     <p>No contexto atual, Portugal dever&aacute; ter em conta que o conceito de seguran&ccedil;a, no &acirc;mbito internacional, confronta-se, por um lado, com a restri&ccedil;&atilde;o potencial da oferta da OPEP e, por outro, com uma altera&ccedil;&atilde;o radical dos atores da oferta &ndash; NOC &ndash; tendo-se de encarar a seguran&ccedil;a energ&eacute;tica numa dupla perspetiva: por um lado, econ&oacute;mica, isto &eacute;, reduzir a chantagem econ&oacute;mica dos fornecedores, por exemplo, da Arg&eacute;lia ou da Nig&eacute;ria a Portugal; e, por outro, estrat&eacute;gica, ou seja, de que forma &eacute; que os pa&iacute;ses consumidores se podem proteger contra eventuais turbul&ecirc;ncias em regi&otilde;es produtoras, que podem envolver restri&ccedil;&otilde;es e disrup&ccedil;&otilde;es de abastecimento (por exemplo, a intensifica&ccedil;&atilde;o, dos conflitos no delta do N&iacute;ger). Paralelamente, no quadro europeu, v&aacute;rios pa&iacute;ses da UE dependem do fornecimento de g&aacute;s natural da R&uacute;ssia, aumentando ao mesmo tempo a depend&ecirc;ncia de origens politicamente mais inst&aacute;veis. Com efeito, cerca de 76 por cento do g&aacute;s consumido na Europa hoje &eacute; importado de apenas tr&ecirc;s pa&iacute;ses, sendo que 32 por cento tem origem na R&uacute;ssia<sup><a href="#25">25</a></sup><a name="top25"></a>. As fontes de aprovisionamento diversificar-se-&atilde;o conforme aumenta a import&acirc;ncia do GNL. A importa&ccedil;&atilde;o por gasoduto manter-se-&aacute; predominante, mas as suas limita&ccedil;&otilde;es obrigam a um recurso mais acelerado ao GNL. A capacidade adicional procedente da constru&ccedil;&atilde;o/amplia&ccedil;&atilde;o de gasodutos apenas poder&aacute; cobrir parcialmente as novas necessidades de importa&ccedil;&atilde;o. O GNL poderia satisfazer outras necessidades, mediante um forte aumento da sua capacidade.</p>     <p>Com efeito Portugal tem hoje dois grandes desafios: por um lado, assegurar um crescimento sustentado num quadro geoecon&oacute;mico regional que n&atilde;o asfixie a sua economia; e, por outro, ganhar maior autonomia de relacionamentos externos que permitam refor&ccedil;ar o poder negocial no espa&ccedil;o da UE.</p>     <p>A posi&ccedil;&atilde;o geogr&aacute;fica de Portugal, frequentemente avaliada como perif&eacute;rica, est&aacute; a ser transformada na sua valia pelos seguintes processos<sup><a href="#26">26</a></sup><a name="top26"></a>. Por um lado, o in&iacute;cio das negocia&ccedil;&otilde;es para a forma&ccedil;&atilde;o de uma zona de livre troca transatl&acirc;ntica, envolvendo os Estados Unidos e o Canad&aacute;, e a UE (e estados da efta), abre oportunidades para o aumento das exporta&ccedil;&otilde;es europeias para os Estados Unidos/Canad&aacute; e para a eventual implanta&ccedil;&atilde;o na Europa de empresas do continente norte-americano, interessadas em vender para a Europa, &Aacute;frica e M&eacute;dio Oriente. Parceria que poder&aacute; envolver um refor&ccedil;o do papel dos Estados Unidos na seguran&ccedil;a energ&eacute;tica da Europa, atrav&eacute;s do fornecimento de <i>shale gas</i> &agrave; Europa, podendo Portugal intervir no fornecimento desse g&aacute;s a estados europeus.</p>     <p>Por outro, a transforma&ccedil;&atilde;o do Atl&acirc;ntico Sul num nexo de bacias energ&eacute;ticas de import&acirc;ncia mundial, quer na margem latino-americana, quer na margem africana, estendendo-se &agrave; costa africana do &Iacute;ndico, vai originar um forte crescimento das exporta&ccedil;&otilde;es de petr&oacute;leo e g&aacute;s natural com origem nessas bacias; por sua vez, a maior autonomia energ&eacute;tica dos Estados Unidos, ap&oacute;s a revolu&ccedil;&atilde;o do <i>shale gas </i>e do <i>tight oil</i>, vai libertar uma parte mais substancial dessa nova capacidade de produ&ccedil;&atilde;o de petr&oacute;leo e g&aacute;s natural para o abastecimento da Europa Ocidental (substituindo parcialmente os fluxos atuais vindos do espa&ccedil;o euro-asi&aacute;tico), enquanto as grandes descobertas no Mediterr&acirc;neo Oriental (em Israel, Chipre e possivelmente Gr&eacute;cia) podem vir a modificar a geografia do abastecimento energ&eacute;tico da Europa de Leste. Por fim, o processo de extens&atilde;o das plataformas continentais, ocorrendo neste ambiente de busca de novas fontes de min&eacute;rios (mas tamb&eacute;m de recursos biol&oacute;gicos suscet&iacute;veis de aplica&ccedil;&atilde;o na descoberta de novos f&aacute;rmacos) valoriza pa&iacute;ses com configura&ccedil;&atilde;o arquipel&aacute;gica como Portugal.</p>     <p>Neste contexto, Portugal dever&aacute; ponderar as cinco estrat&eacute;gias que a seguir se apresentam. Primeiro, construir pelo menos mais um terminal de GNL, permitindo ao Pa&iacute;s a possibilidade de diversificar o seu fornecimento. Segundo, tornar-se num potencial <i>hub </i>da Pen&iacute;nsula Ib&eacute;rica, para posterior distribui&ccedil;&atilde;o na Europa, retirando assim partido das condi&ccedil;&otilde;es geogr&aacute;ficas e de infraestruturas que j&aacute; det&eacute;m. Com efeito, hoje em dia Portugal, em conjunto com Espanha, det&ecirc;m sete terminais de GNL, totalizando com a restante Europa 12 terminais. A Europa necessita de novos terminais de GNL.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Terceiro, e paralelamente, Portugal tem uma plataforma geogr&aacute;fica ideal para armazenar g&aacute;s natural, permitindo reduzir a depend&ecirc;ncia energ&eacute;tica nacional e distribui-lo &agrave; Europa (B&eacute;lgica e Holanda j&aacute; distribuem) e participar num plano estrat&eacute;gico integrado atrav&eacute;s do refor&ccedil;o de conex&otilde;es internacionais com Espanha e Fran&ccedil;a e assim chegar facilmente &agrave; Europa Central atrav&eacute;s da armazenagem na costa algarvia<sup><a href="#27">27</a></sup><a name="top27"></a>.</p>     <p>Quarto, atrav&eacute;s da Galp, h&aacute; que continuar a aumentar a presen&ccedil;a direta na produ&ccedil;&atilde;o de g&aacute;s (<i>upstream</i>), similar &agrave; estrat&eacute;gia seguida no petr&oacute;leo<sup><a href="#28">28</a></sup><a name="top28"></a>; aceder a instala&ccedil;&otilde;es de liquefa&ccedil;&atilde;o em pa&iacute;ses exportadores de gn e de regasifica&ccedil;&atilde;o na Pen&iacute;nsula e desenvolvimento de centrais de ciclo combinado para coloca&ccedil;&atilde;o de gn; refor&ccedil;ar a contrata&ccedil;&atilde;o de gn com diversifica&ccedil;&atilde;o de origens; e penetrar no mercado espanhol. Por &uacute;ltimo, apostar na efici&ecirc;ncia energ&eacute;tica e nas energias renov&aacute;veis, o que contribui n&atilde;o s&oacute; para a seguran&ccedil;a energ&eacute;tica nacional, como est&aacute; de acordo com o tri&acirc;ngulo m&aacute;gico da UE.</p>     <p>Para finalizar, a seguran&ccedil;a de aprovisionamentos implica respostas n&atilde;o s&oacute; econ&oacute;micas, como pol&iacute;ticas e as pol&iacute;ticas energ&eacute;ticas dom&eacute;sticas exercem inevitavelmente uma influ&ecirc;ncia externa sobre os abastecimentos energ&eacute;ticos. Em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s pol&iacute;ticas energ&eacute;ticas externas, h&aacute; que conjugar as abordagens multilaterais e as bilaterais. Assim, duas ideias fundamentais: por um lado, a import&acirc;ncia de um refor&ccedil;o da coopera&ccedil;&atilde;o portuguesa e da UE com o Norte de &Aacute;frica e com a bacia da &Aacute;frica Ocidental; e, por outro, a inclus&atilde;o duma diplomacia econ&oacute;mica orientada prioritariamente para a defesa dos interesses estrat&eacute;gicos do Estado no dom&iacute;nio da energia.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>BIBLIOGRAFIA</b></p>     <p><i>BP Statistical Review of World Energy</i>, bp, junho de 2014.</p>     <p>&laquo;Caracteriza&ccedil;&atilde;o Energ&eacute;tica Nacional&raquo;. Dire&ccedil;&atilde;o-Geral de Energia e Geologia. (Consultado em: 8 de mar&ccedil;o de 2015). Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.dgge.pt" target="_blank">http://www.dgge.pt</a></p>     <p>&laquo;Country Risks Analyses&raquo;. coface. (Consultado em: 7 de mar&ccedil;o de 2015). Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.coface.com/Economic-Studies-and-Country-Risks" target="_blank">http://www.coface.com/Economic-Studies-and-Country-Risks</a></p>     <p><i>&laquo;2014 &ndash; World Population Data Sheet</i>&raquo;. Population Reference Bureau. (Consultado em: 20 de mar&ccedil;o de 2015). Dispon&iacute;vel em: <a href="http://http:/www.prb.org" target="_blank">http:/www.prb.org</a></p>     <p><i>Energy in Figures &ndash; Pocket Book 2014</i>. Comiss&atilde;o Europeia<i>&ndash; </i>Luxemburgo: Publications Office of the European Union, 2014.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><i>Fatura Energ&eacute;tica Portuguesa</i>, Dire&ccedil;&atilde;o-Geral de Energia e Geologia, N.&ordm; 30, abril de 2014. (Consultado em: 8 de mar&ccedil;o de 2015). Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.apren.pt/fotos/newsletter/conteudos/dgeg_2014_fatura_energetica_2013_1399994103.pdf" target="_blank">http://www.apren.pt/fotos/newsletter/conteudos/dgeg_2014_fatura_energetica_2013_1399994103.pdf</a></p>     <p>&laquo;Global Access to Oil and Gas&raquo;. In <i>Working Document of the NPC Global Oil &amp; Gas Study</i>. National Petroleum Council, 18 de julho de 2007. (Consultado em: 2 de fevereiro de 2015). Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.npc.org/study_topic_papers/7-stg-globalaccess.pdf" target="_blank">http://www.npc.org/study_topic_papers/7-stg-globalaccess.pdf</a></p>     <p>Leal, Catarina Mendes, e Ribeiro, Jos&eacute; F&eacute;lix &ndash; <i>As &Aacute;sias, a Europa e os Atl&acirc;nticos &ndash; Sob o Signo da Energia- Horizonte 2030</i>.Lisboa: Instituto da Defesa Nacional (no prelo).</p>     <p><i>Programa do XIX Governo Constitucional</i>. Governo de Portugal. (Consultado em: 2 de fevereiro de 2015). Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.portugal.gov.pt/media/130538/programa_gc19.pdf" target="_blank">http://www.portugal.gov.pt/media/130538/programa_gc19.pdf</a>.</p>     <p>Pulido, Jo&atilde;o Garcia, e Fonseca, Pedro &ndash;<i> O Petr&oacute;leo e Portugal &ndash; O Mundo do Petr&oacute;leo e o seu Impacto no Nosso Pa&iacute;s</i>. Lisboa: Tribuna da Hist&oacute;ria, 2004, pp. 291-292.</p>     <p>Raphael, Sam, e Stokes, Doug &ndash; &laquo;Energy security&raquo;. In <i>Contempory Security Studies</i>. Oxford: Oxford University Press, 2013.</p>     <p>Silva, Ant&oacute;nio Costa &ndash; &laquo;Devemos armazenar g&aacute;s no Algarve&raquo;. In <i>Expresso, </i>17 de janeiro de 2009.</p>     <p><i>&laquo;</i>The Fragile States Index&raquo;. The Fund for Peace, 2014. (Consultado em: 2 de fevereiro de 2015). Dispon&iacute;vel em: <a href="http://fsi.fundforpeace.org/rankings-2014" target="_blank">http://fsi.fundforpeace.org/rankings-2014</a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><i>Data de rece&ccedil;&atilde;o: 27 de fevereiro de 2015 | Data de aprova&ccedil;&atilde;o: 27 de abril de 2015</i></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>NOTAS</b></p>     <p><Sup><a name="1"></a><a href="#top1">1</a></Sup> &laquo;Energy security exists when there are energy sources large enough to meet the needs of the political community (the energy demands), which include all military, economic, and social activity. Those sources must be able to deliver such quantities of energy in a reliable and stable manner, and for the foreseeable future. As soon as these conditions are not met, there exists a problem of energy (in)security&raquo; (cf. Raphael, Sam, e Stokes, Doug &ndash; &laquo;Energy security&raquo;. In <i>Contempory Security Studies</i>. Oxford: Oxford University Press, 2013, p. 307.</p>     <p><Sup><a name="2"></a><a href="#top2">2</a></Sup> Um m&eacute;todo de gera&ccedil;&atilde;o de renda que permite que os governos se auto-isolem politicamente dos seus cidad&atilde;os.</p>     <p><Sup><a name="3"></a><a href="#top3">3</a></Sup> Cf. &laquo;<i>The Fragile States Index&raquo;.</i> The Fund for Peace, 2014. (Consultado em: 2 de fevereiro de 2015). Dispon&iacute;vel em: <a href="http://fsi.fundforpeace.org/rankings-2014" target="_blank">http://fsi.fundforpeace.org/rankings-2014</a></p>     <p><b><Sup><a name="4"></a><a href="#top4">4</a></Sup></b> Cf. &laquo;2014 - World Population Data Sheet&raquo;. Population Reference Bureau. (Consultado em: 20 de mar&ccedil;o de 2015). Dispon&iacute;vel em: <a href="http://http:/www.prb.org" target="_blank">http:/www.prb.org</a></p>     <p><Sup><a name="5"></a><a href="#top5">5</a></Sup> A t&iacute;tulo ilustrativo, em 2012 o golfo da Guin&eacute; foi palco de 58 incidentes de pirataria.</p>     <p><Sup><a name="6"></a><a href="#top6">6</a></Sup> Tanto mais que a passagem do pico de produ&ccedil;&atilde;o das reservas mundiais, que segundo v&aacute;rios peritos j&aacute; est&aacute; a ocorrer, determinar&aacute; um aumento de investimentos no <i>upstream</i>, um aumento dos pre&ccedil;os do petr&oacute;leo e uma valoriza&ccedil;&atilde;o da bacia ocidental de &Aacute;frica, dadas as suas jazidas.</p>     <p><Sup><a name="7"></a><a href="#top7">7</a></Sup> &Eacute; curioso destacar que as NOC controlam hoje em dia cerca de 80-85 por cento das reservas mundiais de petr&oacute;leo e de g&aacute;s, o aprovisionamento e influenciam a subida dos pre&ccedil;os. Por&eacute;m, tal como a maioria das empresas estatais elas s&atilde;o propensas a terem pessoal excedent&aacute;rio, subinvestimento, interfer&ecirc;ncia pol&iacute;tica e corrup&ccedil;&atilde;o. Asioc, que apenas controlam o restante, s&atilde;o mais eficientes do que as NOC em um ter&ccedil;o na convers&atilde;o de reservas em produ&ccedil;&atilde;o atual. Cf. &laquo;Global access to oil and gas&raquo;. In <i>Working Document of the NPC Global Oil &amp; Gas Study</i>. National Petroleum Council, 18 de julho de 2007. (Con-sultado em: 2 de fevereiro de 2015). Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.npc.org/study_topic_papers/7-stg-globalaccess.pdf" target="_blank">http://www.npc.org/study_topic_papers/7-stg-globalaccess.pdf</a></p>     <p><Sup><a name="8"></a><a href="#top8">8</a></Sup> Podemos classificar os <i>players</i> do mercado da seguinte forma: <i>i</i>) companhias petrol&iacute;feras nacionais (NOC) &ndash; trata-se de empresas detidas total ou majoritariamente pelo respetivo Estado; <i>ii</i>) companhias de petr&oacute;leo internacionais (IOC) &ndash; trata-se de empresas petrol&iacute;feras internacionais que s&atilde;o maioritariamente privadas. Neste grupo podemos distinguir entre as<i> supermajors</i> e as <i>majors</i>. As primeiras, constituem um &laquo;n&uacute;cleo duro&raquo; constitu&iacute;do pelas grandes companhias integradas verticalmente que operam na produ&ccedil;&atilde;o de petr&oacute;leo bruto, disp&otilde;em da maior rede de capacidade de refina&ccedil;&atilde;o &agrave; escala mundial, detendo as maiores redes de distribui&ccedil;&atilde;o nas economias desenvolvidas. S&atilde;o grandes clientes de petr&oacute;leo bruto dos produtores OPEP: EXXonMobil, Royal Dutch/Shell, BPAmoco, TotalFinaElf, ChevronTexaco e eni. Quanto &agrave;s <i>majors</i>, correspondem a companhias que det&ecirc;m uma dimens&atilde;o elevada, mas que n&atilde;o se aproximam das <i>supermajors</i>, sendo exemplos Conoco-Phillips (Estados Unidos), Occidental (Estados Unidos), Unocal (Estados Unidos); <i>iii</i>) companhias de petr&oacute;leo especializadas &ndash; companhias petrol&iacute;feras que se dedicam apenas a uma parte da cadeia do neg&oacute;cio do petr&oacute;leo.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><Sup><a name="9"></a><a href="#top9">9</a></Sup> &laquo;Caracteriza&ccedil;&atilde;o Energ&eacute;tica Nacional&raquo;. Dire&ccedil;&atilde;o-Geral de Energia e Geologia. (Consultado em: 8 de mar&ccedil;o de 2015). Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.dgge.pt" target="_blank">http://www.dgge.pt</a></p>     <p><Sup><a name="10"></a><a href="#top10">10</a></Sup> Em 2012, cerca de 78,4 por cento da energia prim&aacute;ria consumida foi importada, sendo 75,2 por cento a partir de combust&iacute;veis f&oacute;sseis (petr&oacute;leo, g&aacute;s natural e carv&atilde;o), 20,8 por cento a partir de fontes renov&aacute;veis, e os restantes 3,9 por cento s&atilde;o provenientes dos res&iacute;duos industriais e da eletricidade importada.</p>     <p><Sup><a name="11"></a><a href="#top11">11</a></Sup> Pulido, Jo&atilde;o Garcia, e Fonseca, Pedro &ndash;<i>O Petr&oacute;leo e Portugal &ndash; O Mundo do Petr&oacute;leo e o seu Impacto no Nosso Pa&iacute;s</i>. Lisboa: Tribuna da Hist&oacute;ria, 2004, pp. 291-292.</p>     <p><Sup><a name="12"></a><a href="#top12">12</a></Sup> H&aacute; que ressalvar que em Portugal, na ind&uacute;stria do petr&oacute;leo nacional, apenas n&atilde;o existe a explora&ccedil;&atilde;o, pois a pesquisa de reservas de hidrocarbonetos ainda n&atilde;o permitiu detetar petr&oacute;leo em quantidade que permita a sua extra&ccedil;&atilde;o em condi&ccedil;&otilde;es economicamente vi&aacute;veis.</p>     <p><Sup><a name="13"></a><a href="#top13">13</a></Sup> Detida em parte pelo Estado e por um conjunto de operadores internacionais de petr&oacute;leo e de g&aacute;s.</p>     <p><Sup><a name="14"></a><a href="#top14">14</a></Sup> A REN Atl&acirc;ntico &eacute; propriet&aacute;ria do terminal de GNL, tendo-lhe sido atribu&iacute;da uma concess&atilde;o mediante a qual prossegue as atividades de rece&ccedil;&atilde;o, armazenamento e regaseifica&ccedil;&atilde;o de GNL, e de entrega de g&aacute;s natural &agrave; rntgn. A REN Atl&acirc;ntico desenvolve ainda, ao abrigo da referida concess&atilde;o, a carga e expedi&ccedil;&atilde;o de cami&otilde;es-cisterna e navios metaneiros, assim como a constru&ccedil;&atilde;o e/ou expans&atilde;o, opera&ccedil;&atilde;o e manuten&ccedil;&atilde;o das referidas infraestruturas.</p>     <p><Sup><a name="15"></a><a href="#top15">15</a></Sup> <i>Fatura Energ&eacute;tica Portuguesa.</i> Dire&ccedil;&atilde;o-Geral de Energia e Geologia, N.&ordm; 30, abril de 2014. (Consultado em: 8 de mar&ccedil;o de 2015). Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.apren.pt/fotos/newsletter/conteudos/dgeg_2014_fatura_energetica_2013_1399994103.pdf" target="_blank">http://www.apren.pt/fotos/newsletter/conteudos/dgeg_2014_fatura_energetica_2013_1399994103.pdf</a></p>     <p><Sup><a name="16"></a><a href="#t1">16</a></Sup> O <i>country @rating</i> avalia at&eacute; que ponto os compromissos financeiros das empresas s&atilde;o influenciados pela prospetiva econ&oacute;mica, financeira e pol&iacute;tica do respetivo pa&iacute;s. A classifica&ccedil;&atilde;o tem sete categorias de riscos &ndash; A1 a A4, B, C, D &ndash; aplicadas regularmente a 160 pa&iacute;ses.</p>     <p><Sup><a name="17"></a><a href="#top17">17</a></Sup> Cf. <i>BP Statistical Review of World Energy</i>. BP, junho de 2014, p. 6.</p>     <p><Sup><a name="18"></a><a href="#top18">18</a></Sup> Cf. <i>Ibidem</i>, p. 8.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><Sup><a name="19"></a><a href="#top19">19</a></Sup> Cf. <i>Ibidem</i>, p. 20.</p>     <p><Sup><a name="20"></a><a href="#top20">20</a></Sup> Cf. <i>Ibidem</i>, pp. 28-30.</p>     <p><Sup><a name="21"></a><a href="#top21">21</a></Sup> Em termos de destinos de g&aacute;s natural via gasoduto destacam-se a It&aacute;lia (11,4 bmc), a Espanha (11,4 bmc), e outros pa&iacute;ses (2,2 bmc). Em rela&ccedil;&atilde;o aos principais importadores de GNL, no mesmo ano, temos o Brasil (0,1 bmc), Fran&ccedil;a (5,3 bmc), Espanha (3,2 bmc), Turquia (3,8 bmc), Reino Unido (0,4 bmc); outros pa&iacute;ses da Eur&aacute;sia (0,7 bmc); China (0,1 bmc), &Iacute;ndia (0,1 bmc), Jap&atilde;o (0,6 bmc), Coreia do Sul (0,2 bmc), e outros pa&iacute;ses da &Aacute;sia-Pac&iacute;fico (0,3 bmc). Ou seja, a UE foi o principal importador em 2013 (22,2 bmc).</p>     <p><Sup><a name="22"></a><a href="#top22">22</a></Sup> Cf. <i>BP Statistical Review of World Energy</i>.</p>     <p><Sup><a name="23"></a><a href="#top23">23</a></Sup> Cf. <i>Ibidem</i>.</p>     <p><Sup><a name="24"></a><a href="#top24">24</a></Sup> Cf. <i>Programa do XIX Governo Constitucional</i>. Governo de Portugal. (Consultado em: 2 de fevereiro de 2015). Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.portugal.gov.pt/media/130538/programa_gc19.pdf" target="_blank">http://www.portugal.gov.pt/media/130538/programa_gc19.pdf</a>.</p>     <p><Sup><a name="25"></a><a href="#top25">25</a></Sup> <i>Energy in Figures &ndash; Pocket Book 2014</i>. Luxemburgo: Comiss&atilde;o Europeia, Publi-cations Office of the European Union, 2014.</p>     <p><Sup><a name="26"></a><a href="#top26">26</a></Sup> Cf. Leal, Catarina Mendes, e Ribeiro, Jos&eacute; F&eacute;lix &ndash; <i>As &Aacute;sias, a Europa e os Atl&acirc;nticos &ndash; Sob o Signo da Energia </i>&ndash;<i> Horizonte 2030</i>.Lisboa: Instituto da Defesa Nacional (no prelo).</p>     <p><Sup><a name="27"></a><a href="#top27">27</a></Sup> Cf. Silva, Ant&oacute;nio Costa &ndash; &laquo;Devemos armazenar g&aacute;s no Algarve&raquo;. In <i>Expresso</i>,17 de janeiro de 2009, p. 10.</p>     <p><Sup><a name="28"></a><a href="#top28">28</a></Sup> Com efeito, a Galp tem vindo a ter uma presen&ccedil;a crescente no <i>upstream</i>, por via de integra&ccedil;&atilde;o em cons&oacute;rcios que obtiveram concess&otilde;es de prospe&ccedil;&atilde;o e explora&ccedil;&atilde;o de hidrocarbonetos. Atualmente, o portf&oacute;lio de E&amp;P da GALP Energia inclui cerca de 50 projetos, dispersos por oito pa&iacute;ses, em diferentes fases de explora&ccedil;&atilde;o, desenvolvimento e produ&ccedil;&atilde;o, nomeadamente: &Aacute;rea <i>core:</i> Brasil &ndash; 29; Angola &ndash; 4; Mo&ccedil;ambique Os projetos de maior relev&acirc;ncia est&atilde;o localizados no Brasil, em Mo&ccedil;ambique e em Angola, estando a Galp Energia presente em duas das maiores descobertas de petr&oacute;leo e g&aacute;s natural realizadas na &uacute;ltima d&eacute;cada: no pr&eacute;-sal da bacia de Santos, no Brasil, e na bacia do Rovuma, em Mo&ccedil;ambique, respetivamente. De salientar, que o projeto na bacia do Rovuma na &Aacute;rea 4, conjuntamente com as descobertas no bloco adjacente na &Aacute;rea 1 posicionaram Mo&ccedil;ambique como uma das &aacute;reas de maior interesse para a produ&ccedil;&atilde;o de g&aacute;s natural a n&iacute;vel mundial. A localiza&ccedil;&atilde;o perto da costa de Mo&ccedil;ambique, em pleno Oceano &Iacute;ndico, que lhe confere uma vantagem competitiva na comercializa&ccedil;&atilde;o do g&aacute;s natural, dado o posicionamento em rela&ccedil;&atilde;o a mercados como a &Iacute;ndia, a China, o Jap&atilde;o, a Am&eacute;rica Latina e a Europa. Assim como: &aacute;rea potencial: Portugal &ndash; 7; Nam&iacute;bia &ndash; 3; Marrocos &ndash; 1; Timor-Leste &ndash; 1; e Uruguai &ndash; 1. A Galp assinou com a PDVSA um Memorando de Entendimento para o estudo de projetos conjuntos no setor energ&eacute;tico, incluindo o envolvimento nos projetos Magna Carta e Mariscal Sucre, que abarcam estudos preliminares respeitantes &agrave;s reservas de petr&oacute;leo e g&aacute;s natural, incluindo liquefa&ccedil;&atilde;o, situadas em distintas &aacute;reas do <i>offshore</i> deste pa&iacute;s. A GALP Energia est&aacute; assim presente nas maiores descobertas de petr&oacute;leo e g&aacute;s natural das &uacute;ltimas d&eacute;cadas &ndash; no campo Lula/Iracema na bacia de Santos e na &Aacute;rea 4 na referida bacia do Rovuma. Com base nos projetos existentes a empresa estima atingir na pr&oacute;xima d&eacute;cada uma produ&ccedil;&atilde;o 10 vezes superior &agrave; atual.</p>     ]]></body>
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