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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Vetores geopolíticos do «mar português» face à visão integrada de um «mar europeu»]]></article-title>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[The geopolitical vectors of the &#8220;Portuguese sea&#8221; concerning the integrated vision of an &#8220;European sea&#8221;]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[This article aims at assess the geopolitical vectors that characterize the Portuguese sea, and how Portuguese interests could be damaged by the creation of an &#8220;European sea&#8221;. This implies that it needs to share resources and space. The sea is one of the greatest Portuguese assets and Portugal is trying to extend its continental platform. In this context it should strengths its foreign network and tries to benefit from its Atlantic vocation and establish itself as a leader of the lusophone world.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p><b>Vetores geopol&iacute;ticos do &laquo;mar portugu&ecirc;s&raquo; face &agrave; vis&atilde;o integrada de um &laquo;mar europeu&raquo;</b></p>     <p><b>The geopolitical vectors of the &ldquo;Portuguese sea&rdquo; concerning the integrated vision of an &ldquo;European sea&rdquo;</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Teresa Cierco* e Jorge Tavares da Silva**</b></p>     <p>* Doutorada em Rela&ccedil;&otilde;es Internacionais pela Universidade do Minho (2002). Professora auxiliar do Departamento de Hist&oacute;ria e Estudos Pol&iacute;ticos Internacionais, Faculdade de Letras da Universidade do Porto. Leciona unidades curriculares no &acirc;mbito da Licenciatura de L&iacute;nguas e Rela&ccedil;&otilde;es Internacionais e no Mestrado de Hist&oacute;ria, Rela&ccedil;&otilde;es Internacionais e Coopera&ccedil;&atilde;o. Investigadora do Centro de Estudos da Popula&ccedil;&atilde;o, Economia e Sociedade (CEPESE). Autora de v&aacute;rios livros e artigos cient&iacute;ficos na &aacute;rea das rela&ccedil;&otilde;es internacionais. Coordenadora cient&iacute;fica do livro <i>The European Union neighbourhood. Challenges and Opportunities</i> (Asghate, 2013).</p>     <p>** Doutorado em Rela&ccedil;&otilde;es Internacionais pela Universidade de Coimbra, no ramo da Pol&iacute;tica Internacional e Resolu&ccedil;&atilde;o de Conflitos e licenciado em Com&eacute;rcio Internacional pelo Instituto Superior de Ci&ecirc;ncias de Informa&ccedil;&atilde;o e Administra&ccedil;&atilde;o (ISCIA). Professor convidado de Ci&ecirc;ncia Pol&iacute;tica e Rela&ccedil;&otilde;es Internacionais na Universidade do Minho. Presidente do Observat&oacute;rio de Com&eacute;rcio e Rela&ccedil;&otilde;es Internacionais (OCRI), coordenador do Departamento de Gest&atilde;o e Rela&ccedil;&otilde;es Internacionais e docente do ISCIA. Investigador no Centro de Estudos da Popula&ccedil;&atilde;o, Economia e Sociedade (CEPESE) da Universidade do Porto. Autor de artigos em cap&iacute;tulos de livros e revistas cient&iacute;ficas de rela&ccedil;&otilde;es internacionais. Coordenador cient&iacute;fico do livro <i>BRICS e a Nova Ordem Internacional </i>(Mare Liberum/Caleidosc&oacute;pio, 2015).</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>RESUMO</b></p>     <p>Este artigo procura avaliar os vetores geopol&iacute;ticos que caracterizam o mar portugu&ecirc;s e analisar de que forma a vis&atilde;o integrada de criar um &laquo;mar europeu&raquo;, o qual implica a partilha de recursos e de espa&ccedil;o mar&iacute;timo por todos os atores europeus, pode vir a colidir com os interesses nacionais. Sendo o mar um dos maiores ativos do Pa&iacute;s e numa altura em que se tem como objetivo alargar a plataforma continental, fica expressa a oportunidade de Portugal poder ou dever refor&ccedil;ar a sua rede de liga&ccedil;&otilde;es externas, aproveitar a sua voca&ccedil;&atilde;o atl&acirc;ntica e afirmar-se como l&iacute;der do mundo lus&oacute;fono.</p>     <p><b>Palavras-chave:</b><i> </i>Portugal, mar, Uni&atilde;o Europeia, geopol&iacute;tica.</p> <h2>&nbsp;</h2>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>ABSTRACT</b></p>     <p>This article aims at assess the geopolitical vectors that characterize the Portuguese sea, and how Portuguese interests could be damaged by the creation of an &ldquo;European sea&rdquo;. This implies that it needs to share resources and space. The sea is one of the greatest Portuguese assets and Portugal is trying to extend its continental platform. In this context it should strengths its foreign network and tries to benefit from its Atlantic vocation and establish itself as a leader of the lusophone world.</p>     <p><b>Keywords:</b><i> </i>Portugal, sea, European Union, geopolitics</p> <h2>&nbsp;</h2>     <p><i>&laquo;O mar. &Eacute; necess&aacute;rio tentar imagin&aacute;-lo, v&ecirc;-lo com o olhar de um homem de outrora: como um limite, uma barreira que se estende at&eacute; AO horizonte, como uma imensid&atilde;o obcecante, omnipresente, maravilhosa, enigm&aacute;tica.&raquo;</i></p>     <p>Fernand Braude<sup><a href="#1">1</a></sup><a name="top1"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>Um dos sinais caracterizadores do s&eacute;culo XXI &eacute; o interesse crescente e renovado dos atores internacionais pelos assuntos mar&iacute;timos. N&atilde;o se trata de um fen&oacute;meno acidental, resulta da no&ccedil;&atilde;o, cada vez mais real, da import&acirc;ncia crescente dos grandes espa&ccedil;os l&iacute;quidos, mares ou oceanos, para as popula&ccedil;&otilde;es e para os estados, na perspetiva da seguran&ccedil;a e defesa, da economia e do desenvolvimento cient&iacute;fico. Estas s&atilde;o tr&ecirc;s vertentes de uma &uacute;nica realidade que assenta no que se pode designar como o &laquo;valor do mar&raquo;.</p>     <p>Em Portugal foi-se aprendendo que aquele era simultaneamente fonte de recursos, facilitador do transporte de pessoas e mercadorias e tamb&eacute;m potencial origem de amea&ccedil;as &agrave; seguran&ccedil;a. Por isso, a comunidade internacional h&aacute; muito que estabeleceu o princ&iacute;pio da liberdade do uso inofensivo do mar, que veio a ser o principal fator de desenvolvimento do com&eacute;rcio mar&iacute;timo. O facto de grande parte da popula&ccedil;&atilde;o mundial viver nas zonas costeiras tem originado uma incessante procura das fontes de riqueza que ele propicia, quer se trate de mat&eacute;rias-primas minerais, de biomassa animal ou vegetal, quer de energia, de transporte mar&iacute;timo, etc. Durante milhares de anos o volume do com&eacute;rcio mar&iacute;timo foi crescendo at&eacute; alcan&ccedil;ar mais de 2,6 mil milh&otilde;es de toneladas por ano em 1970. Em quatro d&eacute;cadas, este n&uacute;mero triplicou para oito mil milh&otilde;es de toneladas, enquanto os navios se tornaram maiores, mais r&aacute;pidos e desmesuradamente mais seguros do que nunca. Neste processo, a empresa mar&iacute;tima e a contentoriza&ccedil;&atilde;o apressou a globaliza&ccedil;&atilde;o, mas ela pr&oacute;pria se tornou globalizada. Muitos navios e tripula&ccedil;&otilde;es tornaram-se an&oacute;nimos, despojados das suas nacionalidades por bandeiras de conveni&ecirc;ncia e tornados invis&iacute;veis pela desloca&ccedil;&atilde;o para os baldios industriais nas margens dos portos que servem<sup><a href="#2">2</a></sup><a name="top2"></a>.</p>     <p>Atualmente, cerca de 80 por cento das trocas comerciais, em termos de volume, s&atilde;o realizadas pela via mar&iacute;tima, um valor que est&aacute; a crescer. Fruto das altera&ccedil;&otilde;es de conjuntura do com&eacute;rcio internacional, o mar tem sido cada vez mais utilizado pelos pa&iacute;ses emergentes e menos pelos pa&iacute;ses ocidentais<sup><a href="#3">3</a></sup><a name="top3"></a>.</p>     <p>As potencialidades do mar, tanto do ponto de vista econ&oacute;mico como pol&iacute;tico, h&aacute; muito que s&atilde;o objeto de estudo e fonte de teorias e abordagens. J&aacute; no s&eacute;culo XIX, Alfred Mahan, almirante americano contempor&acirc;neo de Ratzel, Kjellen e Mackinder, foi um ac&eacute;rrimo defensor do mar como meio de proje&ccedil;&atilde;o de poder. Para Mahan, o mar constitu&iacute;a um espa&ccedil;o muito maior do que a terra e tinha sobre esta uma vantagem definitiva por constituir um excecional meio de comunica&ccedil;&atilde;o, indispens&aacute;vel para a permuta de riquezas que geram o poder. O com&eacute;rcio era assim considerado um dos elementos basilares na constru&ccedil;&atilde;o do que se entendia como o poder mar&iacute;timo.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Neste artigo pretende-se avaliar os vetores geopol&iacute;ticos que potenciam o mar portugu&ecirc;s, interpretando o &laquo;poder&raquo; como a integra&ccedil;&atilde;o de todas as capacidades ou meios relacionados com o mar que permitem aos estados que os possuem a sua utiliza&ccedil;&atilde;o. Neste contexto, procedemos &agrave; an&aacute;lise da rela&ccedil;&atilde;o entre a situa&ccedil;&atilde;o mar&iacute;tima portuguesa e a vis&atilde;o integrada de criar um &laquo;mar europeu&raquo;, o qual implica a partilha de recursos e de espa&ccedil;o mar&iacute;timo por todos os atores europeus. Tal poder&aacute; vir a colocar em contradi&ccedil;&atilde;o os interesses nacionais face aos interesses comunit&aacute;rios.</p>     <p>Come&ccedil;amos por expor um enquadramento te&oacute;rico sobre o envolvimento de Portugal com o dom&iacute;nio mar&iacute;timo, mostrando de que forma este &eacute; estruturante nos interesses nacionais. Segue-se uma an&aacute;lise &agrave;s pol&iacute;ticas integradas europeias neste setor, e a ideia subjacente de cria&ccedil;&atilde;o de um &laquo;mar europeu&raquo;. &Eacute; nossa inten&ccedil;&atilde;o final apurar se os interesses geopol&iacute;ticos portugueses entram ou n&atilde;o em contradi&ccedil;&atilde;o com os interesses europeus.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>ENQUADRAMENTO TE&Oacute;RICO</b></p>     <p>O interesse e apet&ecirc;ncia de Portugal pelo mar no continente europeu n&atilde;o &eacute; exclusivo. H&aacute; pa&iacute;ses europeus com id&ecirc;nticas apet&ecirc;ncias, tais como a Espanha, a Irlanda, a Dinamarca e a Noruega. Neste sentido, a observa&ccedil;&atilde;o atenta do que tem sido a gest&atilde;o concreta das atividades mar&iacute;timas nesses pa&iacute;ses &eacute; uma tarefa a merecer an&aacute;lise e estudo<sup><a href="#4">4</a></sup><a name="top4"></a>.</p>     <p>A integra&ccedil;&atilde;o de problem&aacute;ticas, a ado&ccedil;&atilde;o de boas pr&aacute;ticas e de meios ou solu&ccedil;&otilde;es apropriados &eacute;, por isso, de grande relev&acirc;ncia. A verdade &eacute; que, na sequ&ecirc;ncia da import&acirc;ncia hist&oacute;rica deste setor em Portugal, &eacute; consensual que o Pa&iacute;s deve procurar desenvolver uma vis&atilde;o integrada e estrat&eacute;gica das atividades e ind&uacute;strias ligadas ao mar e aos recursos marinhos<sup><a href="#5">5</a></sup><a name="top5"></a>.</p>     <p>Desde logo, o fator geopol&iacute;tico deve pesar na consolida&ccedil;&atilde;o desta nova vis&atilde;o estrat&eacute;gica. A geopol&iacute;tica constitui a base tradicional do estudo, da reflex&atilde;o e do conhecimento sobre a pol&iacute;tica e a estrat&eacute;gia referentes ao mar; &eacute;, compreensivelmente, como afirma Ern&acirc;ni Lopes, &laquo;o dom&iacute;nio onde se geraram e desenvolveram as concep&ccedil;&otilde;es te&oacute;ricas sobre a guerra, a afirma&ccedil;&atilde;o dos Estados, e o dom&iacute;nio das rotas mar&iacute;timas, em contraposi&ccedil;&atilde;o e articula&ccedil;&atilde;o com o conjunto complexo das rela&ccedil;&otilde;es internacionais&raquo;<sup><a href="#6">6</a></sup><a name="top6"></a>.</p>     <p>A posi&ccedil;&atilde;o de Portugal pode, segundo Ern&acirc;ni Lopes, sistematizar-se em quatro ideias fundamentais:</p>     <p>     <blockquote>&laquo;historicamente, a viv&ecirc;ncia inicial do imp&eacute;rio como pot&ecirc;ncia naval de dimens&atilde;o global, na sua dupla dimens&atilde;o (espec&iacute;fica e mundial); posteriormente, como gestor de articula&ccedil;&otilde;es/depend&ecirc;ncias nas alian&ccedil;as com a pot&ecirc;ncia mar&iacute;tima dominante (nomeadamente, Inglaterra e eua); a perda consistente de poderio naval, de significado econ&oacute;mico e (sobretudo, ap&oacute;s o 25 de abril de 1974) de relev&acirc;ncia internacional; a percep&ccedil;&atilde;o (compreens&iacute;vel, mas potencialmente indevida) de uma posi&ccedil;&atilde;o marginal na geopol&iacute;tica mundial&raquo;<sup><a href="#7">7</a></sup><a name="top7"></a>.</blockquote>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p></p>     <p>Para compreender a posi&ccedil;&atilde;o de Portugal &eacute; necess&aacute;rio ter em conta a exist&ecirc;ncia de uma dupla realidade subjacente &agrave; geopol&iacute;tica do Pa&iacute;s: a liga&ccedil;&atilde;o &agrave; Europa, que se consolida com a ades&atilde;o &agrave; ent&atilde;o Comunidade Europeia em 1986, e a sempre presente dimens&atilde;o atl&acirc;ntica, com a liga&ccedil;&atilde;o hist&oacute;rica ao Reino Unido e aos pa&iacute;ses de l&iacute;ngua oficial portuguesa, onde se inclui e se real&ccedil;a, sem d&uacute;vida, o Brasil, n&atilde;o esquecendo tamb&eacute;m a ades&atilde;o &agrave; Alian&ccedil;a Atl&acirc;ntica.</p>     <p>Em termos geogr&aacute;ficos, o territ&oacute;rio terrestre de Portugal est&aacute; confinado &agrave; periferia ocidental da Europa, cobrindo uma &aacute;rea aproximadamente com 89 mil quil&oacute;metros quadrados, e ao espa&ccedil;o insular atl&acirc;ntico, ultraperif&eacute;rico e pouco extenso, correspondente aos arquip&eacute;lagos da Madeira e dos A&ccedil;ores, com cerca de tr&ecirc;s mil quil&oacute;metros quadrados<sup><a href="#8">8</a></sup><a name="top8"></a>. Portugal tem assim uma posi&ccedil;&atilde;o que o tenente-coronel Jo&atilde;o Leal<sup><a href="#9">9</a></sup><a name="top9"></a> define como sendo &laquo;Mar&iacute;tima e Litoral&raquo;, permitindo acesso direto e f&aacute;cil a um mar aberto. Portugal &laquo;ocupa uma posi&ccedil;&atilde;o privilegiada na fachada atl&acirc;ntica da Pen&iacute;nsula Ib&eacute;rica, gra&ccedil;as &agrave;s Regi&otilde;es Aut&oacute;nomas, situadas em pleno Atl&acirc;ntico, e &agrave; faixa cont&iacute;nua de maior significado demogr&aacute;fico e econ&oacute;mico existente no sudoeste europeu...&raquo;<sup><a href="#10">10</a></sup><a name="top10"></a>. Toda esta componente geogr&aacute;fica &laquo;consagra uma posi&ccedil;&atilde;o central em rela&ccedil;&atilde;o ao Atl&acirc;ntico e aos corredores mar&iacute;timos e a&eacute;reos, com &ecirc;nfase no controlo das rotas intercontinentais que ligam a Europa &agrave; &Aacute;frica e &agrave; Am&eacute;rica do Sul, bem como o Atl&acirc;ntico Norte ao Mediterr&acirc;neo&raquo;<sup><a href="#11">11</a></sup><a name="top11"></a>.</p>     <p>Ao mesmo tempo, este espa&ccedil;o geogr&aacute;fico oferece a Portugal um enorme potencial do ponto de vista geopol&iacute;tico. A an&aacute;lise do mar e a sua identifica&ccedil;&atilde;o enquanto fator de poder abrange um conjunto de elementos ou perspetivas que sublinham o car&aacute;cter horizontal da sua amplitude<sup><a href="#12">12</a></sup><a name="top12"></a>. Numa estrat&eacute;gia nacional ou no conceito estrat&eacute;gico nacional, a voca&ccedil;&atilde;o mar&iacute;tima toma a geografia como circunst&acirc;ncia f&iacute;sica a ser aproveitada pela pol&iacute;tica numa perspetiva estrat&eacute;gica. De acordo com Tiago Pitta e Cunha, &laquo;esta especificidade e esta condi&ccedil;&atilde;o geogr&aacute;fica constitui uma diferen&ccedil;a marcante relativamente a outros pa&iacute;ses europeus, porque nos oferece consider&aacute;veis oportunidades e alternativas no nosso relacionamento internacional&raquo;<sup><a href="#13">13</a></sup><a name="top13"></a>.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>O MAR COMO UM DES&Iacute;GNIO NACIONAL</b></p>     <p>Portugal &eacute; um pa&iacute;s com uma dimens&atilde;o relativamente pequena, com poucos recursos naturais e afastado do Centro da Europa. Por&eacute;m, quando considerada a sua dimens&atilde;o mar&iacute;tima, &eacute; um dos &laquo;grandes pa&iacute;ses mar&iacute;timos do mundo, com um acrescido potencial geoestrat&eacute;gico, geopol&iacute;tico e econ&oacute;mico&raquo;<sup><a href="#14">14</a></sup><a name="top14"></a>.</p>     <p>A esta imensa dimens&atilde;o mar&iacute;tima correspondem grandes desafios mas sobretudo oportunidades. Com a proposta de extens&atilde;o da plataforma continental submetida em 2009, abre-se ao Pa&iacute;s um conjunto diversificado de oportunidades.</p>     <p>A dimens&atilde;o mar&iacute;tima do territ&oacute;rio portugu&ecirc;s possibilita uma nova centralidade ao espa&ccedil;o europeu, constituindo um eixo sem paralelo &laquo;na liga&ccedil;&atilde;o entre tr&ecirc;s continentes, nas dire&ccedil;&otilde;es este-oeste e norte-sul, e conferindo-lhe um posicionamento geoestrat&eacute;gico &iacute;mpar e, consequentemente, refor&ccedil;ando em grande medida a sua capacidade de afirma&ccedil;&atilde;o e interven&ccedil;&atilde;o internacional&raquo;<sup><a href="#15">15</a></sup><a name="top15"></a>.</p>     <p>Portugal possui uma geografia e um ordenamento territorial predominantemente litorais, encontrando-se todos os seus centros de decis&atilde;o voltados para o mar. Por outro lado:</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>     <blockquote>&laquo;Lisboa &eacute; a &uacute;nica capital Atl&acirc;ntica do espa&ccedil;o europeu e os arquip&eacute;lagos dos A&ccedil;ores e da Madeira estendem a UE para o interior do espa&ccedil;o Atl&acirc;ntico. Em resultado, Portugal, como um todo, define uma charneira nas liga&ccedil;&otilde;es intercontinentais e com os Estados europeus n&atilde;o costeiros.&raquo;<sup><a href="#16">16</a></sup><a name="top16"></a></blockquote>     <p></p>     <p>O conceito estrat&eacute;gico de defesa nacional, ainda recentemente adotado, compreende, entre os seus elementos fundamentais, a valoriza&ccedil;&atilde;o do posicionamento atl&acirc;ntico e a prote&ccedil;&atilde;o do amplo espa&ccedil;o mar&iacute;timo e dos recursos sob jurisdi&ccedil;&atilde;o nacional. Foi, ali&aacute;s, essa import&acirc;ncia geogr&aacute;fica que &laquo;colocou Portugal entre o reduzido n&uacute;mero de pa&iacute;ses membros fundadores da NATO e &eacute; essa especificidade que nos permite oferecer &agrave; Uni&atilde;o Europeia um relevante contributo para a Pol&iacute;tica Europeia de Seguran&ccedil;a e de Defesa&raquo;<sup><a href="#17">17</a></sup><a name="top17"></a>. Com efeito, os tr&ecirc;s v&eacute;rtices do tri&acirc;ngulo territorial que nos forma constituem, segundo Tiago Pitta Cunha, &laquo;bases log&iacute;sticas importantes para a vigil&acirc;ncia, controlo e seguran&ccedil;a do Atl&acirc;ntico Sudoeste&raquo;<sup><a href="#18">18</a></sup><a name="top18"></a>. Neste contexto, o espa&ccedil;o de interesse nacional e a capacidade para o controlar assumem car&aacute;cter privilegiado e priorit&aacute;rio para o Pa&iacute;s, para a NATO e tamb&eacute;m para a Uni&atilde;o Europeia (UE).</p>     <p>Para al&eacute;m da defesa, o posicionamento geogr&aacute;fico de Portugal permite tamb&eacute;m, e de acordo com Tiago Pitta e Cunha, pensar &laquo;(N)o desenvolvimento de vantagens econ&oacute;micas, as quais, por sua vez, poder&atilde;o assumir contornos de vantagens geoestrat&eacute;gicas e atrav&eacute;s delas obter-se maior relev&acirc;ncia pol&iacute;tica para Portugal&raquo;<sup><a href="#19">19</a></sup><a name="top19"></a>.</p>     <p>Dentro destas, temos os transportes mar&iacute;timos e os portos, onde as</p>     <p>     <blockquote>&laquo;infra-estruturas portu&aacute;rias nacionais, pela sua localiza&ccedil;&atilde;o, e algumas pelas suas caracter&iacute;sticas, poder&atilde;o vir a ser pe&ccedil;as relevantes no sistema de transportes europeu. A maior parte das trocas comerciais da Uni&atilde;o Europeia com o exterior e at&eacute; mesmo das trocas intraeuropeias processa-se por via mar&iacute;tima&raquo;<sup><a href="#20">20</a></sup><a name="top20"></a>.</blockquote>     <p></p>     <p>N&atilde;o nos podemos esquecer tamb&eacute;m que, dada a nossa posi&ccedil;&atilde;o na designada &laquo;comunidade euro-atl&acirc;ntica&raquo;, estamos envolvidos em rela&ccedil;&otilde;es multilaterais importantes, como a Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas, a NATO, a Comunidade de Pa&iacute;ses de L&iacute;ngua Portuguesa (cplp) e a Comunidade dos Estados Ibero-Americanos. Todos estes f&oacute;runs de decis&atilde;o internacional constituem elementos de valoriza&ccedil;&atilde;o da posi&ccedil;&atilde;o portuguesa no sistema internacional.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A acrescentar a estas duas &aacute;reas (defesa e transportes) onde Portugal pode de facto ser valorizado e reconhecido internacionalmente, temos o conjunto privilegiado de rela&ccedil;&otilde;es bilaterais com os pa&iacute;ses de l&iacute;ngua oficial portuguesa e que incidem em variad&iacute;ssimos setores como a coopera&ccedil;&atilde;o ao n&iacute;vel do com&eacute;rcio, da diplomacia, da economia, da cultura, e do conhecimento associado ao mar.</p>     <p>O mar sempre esteve presente no nosso interesse nacional. O novo conceito estrat&eacute;gico de defesa nacional, aprovado em abril de 2013, vem refor&ccedil;ar ainda mais o papel estrat&eacute;gico do mar na defini&ccedil;&atilde;o do nosso interesse nacional. Uma das linhas de a&ccedil;&atilde;o priorit&aacute;rias do novo conceito consiste precisamente em &laquo;contribuir para a consolida&ccedil;&atilde;o da cplp e refor&ccedil;ar as parcerias estrat&eacute;gicas com os Estados de express&atilde;o portuguesa, desenvolvendo as dimens&otilde;es pol&iacute;ticas, econ&oacute;micas e de seguran&ccedil;a e defesa nesse eixo estrat&eacute;gico&raquo;<sup><a href="#21">21</a></sup><a name="top21"></a>.</p>     <p>Esta valoriza&ccedil;&atilde;o geoestrat&eacute;gica do elemento mar&iacute;timo de Portugal, como refere Pitta e Cunha, n&atilde;o se afirma como uma alternativa ao processo de integra&ccedil;&atilde;o europeia, constituindo antes &laquo;uma alavanca de apoio complementar a essa integra&ccedil;&atilde;o, e refor&ccedil;a a nossa relev&acirc;ncia pol&iacute;tica de na&ccedil;&atilde;o independente nesse projecto&raquo;<sup><a href="#22">22</a></sup><a name="top22"></a>.</p>     <p>Numa perspetiva abrangente, o mar e a centralidade no espa&ccedil;o atl&acirc;ntico, juntamente com a participa&ccedil;&atilde;o na UE, na NATO e na cplp e o car&aacute;cter arquipel&aacute;gico do territ&oacute;rio, s&atilde;o identificados no novo conceito estrat&eacute;gico nacional como &laquo;ativos nacionais que importa explorar e maximizar&raquo;<sup><a href="#23">23</a></sup><a name="top23"></a>. Portugal est&aacute; no centro geogr&aacute;fico da comunidade transatl&acirc;ntica e &eacute; um elo natural nas rela&ccedil;&otilde;es entre a Europa Ocidental e a Am&eacute;rica do Norte e com a Am&eacute;rica do Sul e a &Aacute;frica Austral, regi&otilde;es com as quais se pretende aprofundar o nosso relacionamento<sup><a href="#24">24</a></sup><a name="top24"></a>.</p>     <p>O Atl&acirc;ntico constitui uma vasta &aacute;rea geogr&aacute;fica de interesse estrat&eacute;gico relevante. Como se refere no novo conceito estrat&eacute;gico,</p>     <p>     <blockquote>&laquo;para al&eacute;m de ser uma plataforma capital para o fluxo das mat&eacute;rias-primas e da energia, ficar&aacute; ainda mais valorizado por ser um oceano aberto. A import&acirc;ncia crescente das rotas energ&eacute;ticas e comerciais d&aacute; relevo &agrave; necessidade de um esfor&ccedil;o convergente entre os pa&iacute;ses costeiros do Norte e do Sul para garantir a sua seguran&ccedil;a comum&raquo;<sup><a href="#25">25</a></sup><a name="top25"></a>.</blockquote>     <p></p>     <p>Entre os fatores considerados relevantes na caracteriza&ccedil;&atilde;o do nosso espa&ccedil;o de interesse estrat&eacute;gico, est&atilde;o os seguintes: o territ&oacute;rio, o Atl&acirc;ntico, a vizinhan&ccedil;a pr&oacute;xima, o espa&ccedil;o lus&oacute;fono e o das comunidades portuguesas no estrangeiro<sup><a href="#26">26</a></sup><a name="top26"></a>. Segundo Alexandre Rodrigues, &laquo;os factores de ordem geogr&aacute;fica, designadamente a pequena dimens&atilde;o do territ&oacute;rio e o d&eacute;fice de profundidade, sempre apontados como uma limita&ccedil;&atilde;o importante, s&atilde;o caracter&iacute;sticas que n&atilde;o t&ecirc;m hoje o peso geopol&iacute;tico que tiveram no passado&raquo;<sup><a href="#27">27</a></sup><a name="top27"></a>. Portugal tem o privil&eacute;gio de beneficiar de uma configura&ccedil;&atilde;o territorial que lhe proporciona, &agrave; luz dos direitos institu&iacute;dos pela Conven&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas do Direito do Mar, uma enorme &aacute;rea mar&iacute;tima onde tem a exclusividade de explora&ccedil;&atilde;o de recursos. Com o pedido de extens&atilde;o da plataforma continental em 2009, espera-se que esta &aacute;rea venha a ser alargada trazendo novos direitos de soberania sobre o respetivo solo e subsolo.</p>     <p>No que respeita ao Atl&acirc;ntico, este continuar&aacute; a desempenhar um papel central como parte importante da circula&ccedil;&atilde;o mar&iacute;tima do com&eacute;rcio internacional. Neste contexto, Alexandre Rodrigues identifica o porto de Sines, de &aacute;guas profundas, como fundamental, ao permitir a Portugal aproveitar a sua posi&ccedil;&atilde;o central, quer &agrave; entrada do Mediterr&acirc;neo, quer para o Norte da Europa<sup><a href="#28">28</a></sup><a name="top28"></a>. Tendo em conta as novas rotas do &Aacute;rtico e o alargamento do canal do Panam&aacute;, assumem maior import&acirc;ncia os fluxos mar&iacute;timos de com&eacute;rcio no Atl&acirc;ntico Norte, o que destaca a localiza&ccedil;&atilde;o e posi&ccedil;&atilde;o geoestrat&eacute;gica de Portugal.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>No que respeita &agrave; vizinhan&ccedil;a pr&oacute;xima, Alexandre Rodrigues indica &laquo;o Magrebe como uma &aacute;rea que Portugal tem de encarar simultaneamente sob v&aacute;rias vertentes&raquo;, concretamente, na &aacute;rea de coopera&ccedil;&atilde;o econ&oacute;mica, de di&aacute;logo e de seguran&ccedil;a. Sobre o espa&ccedil;o lus&oacute;fono, como a cplp, esta &eacute; considerada &laquo;uma &aacute;rea de grandes desafios&raquo;<sup><a href="#29">29</a></sup><a name="top29"></a>. Dadas as acentuadas assimetrias que existem entre os pa&iacute;ses da cplp, podemos ainda identificar como desafios, a aus&ecirc;ncia de vontade pol&iacute;tica vis&iacute;vel na falta de financiamento da organiza&ccedil;&atilde;o. O relacionamento com os palop &eacute; certamente um fator de valoriza&ccedil;&atilde;o da posi&ccedil;&atilde;o de Portugal no mundo, mas representa tamb&eacute;m para os outros uma plataforma ideal para a sua internacionaliza&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>PORTUGAL E A POL&Iacute;TICA MAR&Iacute;TIMA INTEGRADA DA UNI&Atilde;O EUROPEIA</b></p>     <p>O mar tem um papel muito relevante na constru&ccedil;&atilde;o hist&oacute;rica e identit&aacute;ria da Europa, sendo no espa&ccedil;o concreto da UE o territ&oacute;rio terrestre muito inferior &agrave; dimens&atilde;o mar&iacute;tima. A UE compreende dois oceanos &ndash; o Atl&acirc;ntico e o &Aacute;rtico &ndash; e quatro mares &ndash; o Mediterr&acirc;neo, o B&aacute;ltico, o mar do Norte e o mar Negro, sendo mais de dois ter&ccedil;os das suas fronteiras de natureza mar&iacute;tima<sup><a href="#30">30</a></sup><a name="top30"></a>. As &aacute;guas oce&acirc;nicas europeias foram, ao longo do tempo, o canal da expans&atilde;o civilizacional de povos como os portugueses, da mesma forma que antes tinham sido as Repubbliche Marinare italianas o ponto de partida para outras aventuras mercantis. Nesta altura julgava-se que no centro da terra estava um mar, aquele a que designaram por Mediterraneus, literalmente &laquo;entre as terras&raquo;. Fernand Braudel caracterizou este mar como sendo uma &laquo;encruzilhada (&hellip;), um ponto de conflu&ecirc;ncia de tudo o que ia enriquecendo a sua hist&oacute;ria&raquo;<sup><a href="#31">31</a></sup><a name="top31"></a>.</p>     <p>O que hoje sentimos no espa&ccedil;o integrado da UE &eacute; uma clara recupera&ccedil;&atilde;o do sentimento ou necessidade de partilha do espa&ccedil;o mar&iacute;timo por todos os europeus. Os mares e oceanos s&atilde;o entendidos pelas altas inst&acirc;ncias europeias como uma fonte inestim&aacute;vel de riqueza e fonte de inova&ccedil;&atilde;o, crescimento e emprego. Segundo o Livro Verde de 2006, documento que esteve na base da cria&ccedil;&atilde;o da pol&iacute;tica mar&iacute;tima comum, cerca de 90 por cento do com&eacute;rcio externo da Uni&atilde;o e 40 por cento do com&eacute;rcio intracomunit&aacute;rio s&atilde;o feitos por esta via. No setor mar&iacute;timo -portu&aacute;rio est&atilde;o afetas cerca de 350 mil pessoas, criando uma riqueza de mais de 20 milh&otilde;es de d&oacute;lares (segundo dados de 2006), em que tr&ecirc;s por cento a cinco por cento do produto interno bruto (PIB) europeu s&atilde;o originados pelas ind&uacute;strias e servi&ccedil;os mar&iacute;timos. Espera-se um crescimento cont&iacute;nuo do setor e das &aacute;reas associadas como os seguros, a banca, a energia, o turismo e a constru&ccedil;&atilde;o naval, com o aumento das trocas comerciais e do desenvolvimento do Short Sea Shipping e das autoestradas do mar<sup><a href="#32">32</a></sup><a name="top32"></a>.</p>     <p>Importa tamb&eacute;m apontar a relev&acirc;ncia dos la&ccedil;os econ&oacute;micos transatl&acirc;nticos para Portugal, particularmente a ideia de cria&ccedil;&atilde;o de um espa&ccedil;o de com&eacute;rcio livre entre a Europa e os Estados Unidos. Os dois lados podem explorar novas oportunidades de neg&oacute;cio num &laquo;Norte&raquo; assumidamente em crise, fazendo face ao novo &iacute;mpeto das economias emergentes. No brics &ndash; Brasil, R&uacute;ssia, &Iacute;ndia, China e &Aacute;frica do Sul &ndash;, onde vive metade da popula&ccedil;&atilde;o mundial e cujos mercados crescem em m&eacute;dia a valores acima dos seis por cento, o com&eacute;rcio, em grande medida, mar&iacute;timo, representa 30 por cento do total mundial<sup><a href="#33">33</a></sup><a name="top33"></a>. A UE e os Estados Unidos em conjunto somam 47 por cento do PIB mundial, enquanto o brics representa 21 por cento, mas quase metade pertence aos chineses. O estabelecimento de alian&ccedil;as, processos de integra&ccedil;&atilde;o econ&oacute;mica e coopera&ccedil;&atilde;o podem vir a constituir um fator de superioridade no futuro, em que o Atl&acirc;ntico pode ter um papel fundamental. Por este motivo, o Brasil no Atl&acirc;ntico Sul e a China no Pac&iacute;fico, s&atilde;o dois dos atores que mais t&ecirc;m procurado dominar &aacute;reas mar&iacute;timas. Por sua vez, os norte-americanos e os europeus, ao estabelecerem rela&ccedil;&otilde;es de coopera&ccedil;&atilde;o, parecem querer superar o dom&iacute;nio que a China tem imprimido na economia mundial nos &uacute;ltimos anos.</p>     <p>Desde 2007 que a cria&ccedil;&atilde;o da Pol&iacute;tica Mar&iacute;tima Integrada (pmi) procurou implementar uma nova din&acirc;mica de desenvolvimento sustentado aplicado &agrave; Economia Mar&iacute;tima Europeia, promovendo a prote&ccedil;&atilde;o do ambiente marinho e facilitando a coopera&ccedil;&atilde;o entre todos os setores deste dom&iacute;nio<sup><a href="#34">34</a></sup><a name="top34"></a>. Numa altura em que a Europa atravessa uma crise econ&oacute;mica s&eacute;ria, incluindo n&iacute;veis elevados de desemprego, o mar aparece como uma janela de oportunidade para revitalizar os mercados. Muitas t&ecirc;m sido as iniciativas dirigidas pela UE de forma a promover as atividades ligadas ao mar e a correspondente competitividade das economias nacionais. S&atilde;o temas preferenciais de debate e de an&aacute;lise: o transporte mar&iacute;timo, a energia, a constru&ccedil;&atilde;o naval, a pesca e a aquacultura. Se todos setores s&atilde;o positivos para o caso portugu&ecirc;s, a tentativa crescente de incluir os espa&ccedil;os mar&iacute;timos de soberania ou jurisdi&ccedil;&atilde;o dos estados-membros e os seus recursos no &acirc;mbito de um &laquo;mar europeu&raquo;, poder&aacute; melindrar os interesses nacionais portugueses. Foi o que aconteceu, por exemplo, quando foi concedida compet&ecirc;ncia exclusiva da UE para a gest&atilde;o dos recursos vivos no mar de cada um dos estados-membros. As preocupa&ccedil;&otilde;es agudizaram-se depois de Portugal se ter empenhado na expans&atilde;o da extens&atilde;o da sua plataforma continental, que atualmente coincide com a Zona Econ&oacute;mica Exclusiva (zee), o que poderia acrescentar mais 2,1 milh&otilde;es de quil&oacute;metros quadrados ao territ&oacute;rio nacional. Por outras palavras, significa a extens&atilde;o da jurisdi&ccedil;&atilde;o nacional a uma &aacute;rea cerca de quarenta vezes superior &agrave; &aacute;rea terrestre portuguesa. Por compara&ccedil;&atilde;o, equivale aproximadamente a todo o territ&oacute;rio terrestre da UE, a cerca de um por cento da superf&iacute;cie l&iacute;quida da Terra e a quatro por cento da &aacute;rea do oceano Atl&acirc;ntico<sup><a href="#35">35</a></sup><a name="top35"></a>.</p>     <p>Portugal apresentou &agrave; Comiss&atilde;o de Limites da Plataforma Continental das Na&ccedil;&otilde;es Unidas a referida proposta em 2009, estando a mesma consagrada no articulado da Conven&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas sobre o Direito do Mar (cnudm). O reconhecimento da plataforma continental pela onu, a d&eacute;cima primeira a n&iacute;vel mundial, estava anunciado para 2013, mas entretanto foi transferido para 2015. Enquanto isso, assiste-se a alguns sinais de determina&ccedil;&atilde;o da UE em procurar criar um &laquo;mar europeu&raquo;, tal como admitiu o &nbsp;presidente da Comiss&atilde;o Europeia, Jos&eacute; Manuel Dur&atilde;o Barroso</p>     <p>     <blockquote>&laquo;(D)ev&iacute;amos deixar de fragmentar o processo de tomada de decis&atilde;o numa s&eacute;rie de setores ultracompartimentados. Na nossa opini&atilde;o, todos os assuntos do mar est&atilde;o interligados, pelo que as nossas pol&iacute;ticas setoriais relacionadas com o mar precisam de ser desenvolvidas de uma forma articulada (&hellip;) S&oacute; assim ser&aacute; poss&iacute;vel caminhar para uma gest&atilde;o mais integrada e, consequentemente, mais inteligente dos nossos assuntos do mar.&raquo;<sup><a href="#36">36</a></sup><a name="top36"></a></blockquote>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p></p>     <p>Uma vis&atilde;o geopol&iacute;tica &laquo;continentalizada&raquo; contrasta claramente com uma vis&atilde;o de natureza &laquo;atlanticista&raquo;<sup><a href="#37">37</a></sup><a name="top37"></a>. A este prop&oacute;sito, Adriano Moreira relembra o ano de 1980, e de como todos os pa&iacute;ses da Uni&atilde;o exigiram a partilha entre todos do patrim&oacute;nio de alguns: &laquo;As dificuldades, n&atilde;o apenas de responder, mas de ganhar, ser&atilde;o enormes, e por isso ser&aacute; necess&aacute;rio o reconhecimento atempado, e ainda que depois a quest&atilde;o seja descentralizada para que n&atilde;o aconte&ccedil;a ali o que aconteceu &agrave; agricultura comum.&raquo;<sup><a href="#38">38</a></sup><a name="top38"></a>Uma das motiva&ccedil;&otilde;es da UE para justificar a cria&ccedil;&atilde;o de um &laquo;mar comum&raquo;, para al&eacute;m dos objetivos de origem econ&oacute;mica e ambiental, consiste na necessidade de criar tamb&eacute;m uma Pol&iacute;tica de Defesa e Seguran&ccedil;a Comum, tendo em conta a amea&ccedil;a terrorista, o crime organizado e a imigra&ccedil;&atilde;o ilegal, que utilizam hoje, preferencialmente, a via mar&iacute;tima para desenvolver as suas atividades &ndash; veja-se a refer&ecirc;ncia de Roberto Saviano no livro <i>Gomorra </i>ao porto de N&aacute;poles, uma base de complexas atividades criminosas, envolvendo a m&aacute;fia chinesa e napolitana<sup><a href="#39">39</a></sup><a name="top39"></a>. Neste sentido, em junho de 2014, o Conselho Europeu adotou uma estrat&eacute;gia de seguran&ccedil;a mar&iacute;tima a fim de &laquo;proporcionar um quadro comum &agrave;s autoridades competentes nacionais e europeias que lhes permita assegurar o desenvolvimento coerente das suas pol&iacute;ticas espec&iacute;ficas e dar uma resposta europeia &agrave;s amea&ccedil;as e riscos mar&iacute;timos&raquo;<sup><a href="#40">40</a></sup><a name="top40"></a>. Espera-se que esta venha a refor&ccedil;ar significativamente a liga&ccedil;&atilde;o entre aspetos de seguran&ccedil;a interna e externa da pol&iacute;tica mar&iacute;tima da UE e a coopera&ccedil;&atilde;o civil e militar.</p>     <p>Segundo Alexandre Rodrigues, &laquo;n&atilde;o h&aacute; um entendimento comum sobre seguran&ccedil;a mar&iacute;tima&raquo;, mas sim uma variedade de interpreta&ccedil;&otilde;es que s&atilde;o fun&ccedil;&atilde;o da caracteriza&ccedil;&atilde;o geopol&iacute;tica dos respetivos estados, dos seus interesses, das suas ambi&ccedil;&otilde;es e das suas capacidades<sup><a href="#41">41</a></sup><a name="top41"></a>. &Agrave; semelhan&ccedil;a do que acontece noutros pa&iacute;ses europeus, tamb&eacute;m Portugal deveria complementar a sua Estrat&eacute;gia Nacional para o Mar com uma estrat&eacute;gia pr&oacute;pria de seguran&ccedil;a mar&iacute;tima. Tal como refere Rodrigues, um pa&iacute;s como Portugal que considera o mar como uma prioridade nacional, tem de equacionar a integra&ccedil;&atilde;o das quest&otilde;es de seguran&ccedil;a no mar numa estrat&eacute;gia que abranja todas as dimens&otilde;es do problema<sup><a href="#42">42</a></sup><a name="top42"></a>.</p>     <p>Estes factos podem representar um forte argumento para a intensifica&ccedil;&atilde;o das pol&iacute;ticas mar&iacute;timas integradas da UE ou, em sentido mais lato, a cria&ccedil;&atilde;o de um &laquo;mar europeu&raquo;, mas potencialmente prejudicial aos interesses portugueses. A verdade &eacute; que, tal como aparece salientado na &laquo;Estrat&eacute;gia Nacional para o Mar 2013-2020&raquo;, &laquo;Portugal tem assumido um papel muito ativo no desenvolvimento da Pol&iacute;tica Mar&iacute;tima Integrada da UE, um eixo central para o desenvolvimento e valoriza&ccedil;&atilde;o do mar, assim como da nova Estrat&eacute;gia Mar&iacute;tima da UE para a &aacute;rea do Atl&acirc;ntico&raquo;<sup><a href="#43">43</a></sup><a name="top43"></a>.</p>     <p>No entanto, h&aacute; fatores geoecon&oacute;micos e geopol&iacute;ticos no espa&ccedil;o mar&iacute;timo portugu&ecirc;s (considerando a poss&iacute;vel extens&atilde;o da plataforma mar&iacute;tima portuguesa), que s&atilde;o considerados vitais para o interesse nacional. Podemos dividir os benef&iacute;cios deste espa&ccedil;o entre valores intang&iacute;veis, como uma maior proje&ccedil;&atilde;o de Portugal no espa&ccedil;o internacional, e afirma&ccedil;&atilde;o estrat&eacute;gica; e tang&iacute;veis, como os benef&iacute;cios sociais e econ&oacute;micos, designadamente ao n&iacute;vel da biotecnologia e da sa&uacute;de<sup><a href="#44">44</a></sup><a name="top44"></a>. Desde logo salientamos que Portugal possui a &laquo;centralidade atl&acirc;ntica e &eacute; herdeiro de uma voca&ccedil;&atilde;o globalizadora e universalista&raquo;<sup><a href="#45">45</a></sup><a name="top45"></a>. E se, por um lado, h&aacute; uma necessidade premente de Portugal se afirmar no seu espa&ccedil;o de influ&ecirc;ncia lingu&iacute;stica, isto &eacute;, nos Pa&iacute;ses de L&iacute;ngua Portuguesa, particularmente nos eixos atl&acirc;nticos com o Brasil e Angola, por outro lado, a integra&ccedil;&atilde;o de Portugal no espa&ccedil;o da UE implica um conjunto de obriga&ccedil;&otilde;es e desafios ao n&iacute;vel mar&iacute;timo que ultrapassam em muito as meras quest&otilde;es t&eacute;cnico-jur&iacute;dicas. Mais do que proteger do ponto de vista legal o &laquo;mar portugu&ecirc;s&raquo; &ndash; postura defensiva &ndash;, com as inerentes implica&ccedil;&otilde;es com a proposta de alargamento da plataforma continental, importa tamb&eacute;m assumir uma estrat&eacute;gia de defesa dos interesses nacionais atrav&eacute;s da a&ccedil;&atilde;o &ndash; estrat&eacute;gia ofensiva. Desde logo, a cria&ccedil;&atilde;o de um &laquo;mar comum integrado&raquo; no espa&ccedil;o europeu obriga Portugal a assumir responsabilidades nas pol&iacute;ticas europeias neste dom&iacute;nio. Neste sentido, os desafios concentram-se na capacidade do Pa&iacute;s em defender o mar portugu&ecirc;s, quer na UE, como tamb&eacute;m nas Na&ccedil;&otilde;es Unidas. Sabemos como foi fr&aacute;gil a diplomacia portuguesa neste dom&iacute;nio no espa&ccedil;o europeu relativamente &agrave; quest&atilde;o das pescas, com claras repercuss&otilde;es para a economia nacional.</p>     <p>Para Portugal assumir for&ccedil;a pol&iacute;tica em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; defesa do mar portugu&ecirc;s, tem de fazer corresponder capacidade t&eacute;cnica e financeira, de forma a poder revelar aptid&atilde;o para monitorizar e explorar o seu espa&ccedil;o mar&iacute;timo. Isto na eventualidade de ter que o partilhar com atores melhor preparados, numa esp&eacute;cie de &laquo;darwinismo comunit&aacute;rio&raquo; em que os mais fortes se sobrep&otilde;em aos mais fracos. A incapacidade para o fazer remete o Pa&iacute;s para o papel de observador que dever&aacute; ser evitado. Neste sentido, Lisboa tem de assumir a lideran&ccedil;a ou colideran&ccedil;a dos assuntos mar&iacute;timos europeus, revelar capacidade de resist&ecirc;ncia aos interesses e l&oacute;bis mar&iacute;timos externos centrados em Bruxelas e assumir a defesa dos interesses portugueses no espa&ccedil;o integrado. Se esta atitude n&atilde;o for tomada &ndash; assertividade pol&iacute;tica &ndash; Portugal arrisca-se a ter um papel secund&aacute;rio neste dom&iacute;nio e a entregar a outros a monitoriza&ccedil;&atilde;o, gest&atilde;o e explora&ccedil;&atilde;o do seu pr&oacute;prio territ&oacute;rio. Ao mesmo tempo, urge a cria&ccedil;&atilde;o da ideia do mar portugu&ecirc;s, trabalhada pela forma&ccedil;&atilde;o de jovens a partir do n&iacute;vel b&aacute;sico, para que entre definitivamente na consci&ecirc;ncia coletiva dos portugueses. Em conson&acirc;ncia, h&aacute; uma obrigatoriedade de catapultar os centros de investiga&ccedil;&atilde;o das ci&ecirc;ncias oce&acirc;nicas nacionais ao n&iacute;vel da excel&ecirc;ncia, para que o melhor que se pensa e faz no mundo sobre este dom&iacute;nio seja preparado em Portugal. Ao n&iacute;vel estrat&eacute;gico e global, a via mar&iacute;tima oferece um conjunto de alternativas geopol&iacute;ticas aos decisores estrat&eacute;gicos portugueses, que n&atilde;o devem ser tamb&eacute;m descuradas. A posi&ccedil;&atilde;o estrat&eacute;gica pode ser desenvolvida atrav&eacute;s do conceito de &laquo;pol&iacute;gonos de potencial desenvolvimento&raquo; (<a href="#f1">fig. 1</a>) o que implica uma estrat&eacute;gia de articula&ccedil;&atilde;o de redes com os pa&iacute;ses com que Portugal tem um capital acumulado e facilidade de intera&ccedil;&atilde;o, estabelecendo fortes elos de liga&ccedil;&atilde;o entre os diversos vetores integrantes dos variados pol&iacute;gonos que tenha prioridade em criar<sup><a href="#46">46</a></sup><a name="top46"></a>. Aproveitando as suas liga&ccedil;&otilde;es &agrave; UE e aos eua, Portugal deveria refor&ccedil;ar a sua posi&ccedil;&atilde;o nas rela&ccedil;&otilde;es internacionais, estabelecendo um elo de liga&ccedil;&atilde;o entre as pot&ecirc;ncias do Atl&acirc;ntico Norte &agrave;s pot&ecirc;ncias regionais do Atl&acirc;ntico Sul, passando pelo mundo da lusofonia, marcadamente costeiro, sem esquecer um eixo &agrave; China<sup><a href="#47">47</a></sup><a name="top47"></a>.</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f1"></a> <img src="/img/revistas/ri/n46/n46a09f1.jpg">     
<p>&nbsp;</p>     <p>Est&atilde;o aqui impl&iacute;citas rela&ccedil;&otilde;es comerciais privilegiadas com estes parceiros, que uma afirma&ccedil;&atilde;o forte no espa&ccedil;o mar&iacute;timo contingente poder&aacute; ajudar a refor&ccedil;ar. N&atilde;o devemos esquecer que a China, desde a cria&ccedil;&atilde;o do F&oacute;rum Macau em 2003, est&aacute; tamb&eacute;m fortemente empenhada nas rela&ccedil;&otilde;es com o mundo lus&oacute;fono.</p>     <p>Uma poss&iacute;vel integra&ccedil;&atilde;o do &laquo;mar portugu&ecirc;s&raquo; no &laquo;mar europeu&raquo;, na mesma linha redutora de quotas j&aacute; aplicada noutras pol&iacute;ticas comuns, deixar&aacute; Portugal sem oportunidade estrat&eacute;gica de explorar exclusivamente a via lus&oacute;fona. Em vez disso, entrar&atilde;o no jogo de poder pelo espa&ccedil;o mar&iacute;timo outros parceiros europeus, politicamente mais fortes, bem como atores do &laquo;Sul&raquo;, tais como o Brasil ou a China.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A participa&ccedil;&atilde;o e os compromissos de Portugal no espa&ccedil;o integrado da UE, faz com que a defesa pelo Estado dos interesses nacionais esteja cada vez mais sujeita a uma agenda pela defesa dos &laquo;interesses comuns&raquo;. Estes entram num espa&ccedil;o alargado de discuss&atilde;o e a margem negocial estreita-se fruto do peso pol&iacute;tico de Portugal<sup><a href="#48">48</a></sup><a name="top48"></a>. A defesa dos interesses mar&iacute;timos portugueses est&aacute;, neste prisma, sujeita a este jogo de negocia&ccedil;&otilde;es de natureza diplom&aacute;tica e &agrave; sua maior ou menor capacidade para o fazer com sucesso, de forma a tornar-se uma pot&ecirc;ncia neste dom&iacute;nio, contrariando o velho sofisma pol&iacute;tico do poder dos fortes sobre os fracos.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>CONCLUS&Atilde;O</b></p>     <p>O bem-estar de Portugal est&aacute; inextricavelmente ligado ao mar, um meio de comunica&ccedil;&atilde;o preferencial para o mundo lus&oacute;fono. A constru&ccedil;&atilde;o naval e o transporte mar&iacute;timo, os portos e as pescas continuam a ser atividades mar&iacute;timas fundamentais, e o turismo costeiro e mar&iacute;timo tem proporcionado crescentes oportunidades de neg&oacute;cio. Contudo, nas &uacute;ltimas d&eacute;cadas, Portugal tem vindo a perder terreno em setores fundamentais das atividades mar&iacute;timas. &Eacute; o caso da constru&ccedil;&atilde;o naval onde Portugal j&aacute; foi l&iacute;der, bem como da capacidade de transporte por via mar&iacute;tima.</p>     <p>&Eacute; certo que as pol&iacute;ticas em mat&eacute;ria de transporte mar&iacute;timo, pescas, energia, vigil&acirc;ncia e policiamento dos mares, turismo, ambiente marinho e investiga&ccedil;&atilde;o marinha quando elaboradas separadamente e por setor, levam por vezes a inefici&ecirc;ncias, incoer&ecirc;ncias e conflitos de utiliza&ccedil;&atilde;o. Faz por isso sentido a exist&ecirc;ncia de uma Pol&iacute;tica Mar&iacute;tima Europeia integrada, onde todos os estados-membros possam debater problemas e estrat&eacute;gias comuns numa abordagem hol&iacute;stica e num quadro pol&iacute;tico coerente que permita um desenvolvimento &oacute;timo e sustent&aacute;vel de todas as atividades relacionadas com o mar. Esta pol&iacute;tica ajudar&aacute; a promover a lideran&ccedil;a da Europa em mat&eacute;ria de assuntos mar&iacute;timos internacionais e a aumentar a visibilidade da Europa mar&iacute;tima. Neste contexto, cabe no entanto a Lisboa defender os seus interesses na zona que corresponde &agrave; extens&atilde;o da sua plataforma continental com vista a tirar partido das suas potencialidades econ&oacute;micas, pol&iacute;ticas e culturais. Partindo deste objetivo, e aproveitando a sua centralidade atl&acirc;ntica e experi&ecirc;ncia secular de giesta mar&iacute;tima, Portugal deveria assumir um papel de lideran&ccedil;a no mundo lus&oacute;fono, servindo de plataforma na liga&ccedil;&atilde;o entre as pot&ecirc;ncias do Norte como a UE e os eua ao Brasil, Angola e &agrave; China. Com esta atitude o Pa&iacute;s recuperaria prest&iacute;gio internacional e criaria melhores condi&ccedil;&otilde;es para socorrer as suas debilidades econ&oacute;micas estruturais.</p>     <p>&Eacute; importante n&atilde;o esquecer que o oceano &eacute;: indubitavelmente o mais importante recurso natural de Portugal, mas tamb&eacute;m um &quot;componente decisivo da geografia do pa&iacute;s&quot; e uma relevante &aacute;rea geoestrat&eacute;gica para a seguran&ccedil;a europeia e atl&acirc;ntica&raquo;<sup><a href="#49">49</a></sup><a name="top49"></a>.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>BIBLIOGRAFIA</b></p>     <p>Barroso, Dur&atilde;o &ndash; &laquo;Discurso do Presidente &ndash; Pol&iacute;tica Mar&iacute;tima Europeia&raquo;. Confer&ecirc;ncia Ministerial da Presid&ecirc;ncia Portuguesa, 2007. (Consultado em: 23 de novembro de 2013). Dispon&iacute;vel em <a href="http://europa.eu/rapid/press-release_SPEECH-07-645_pt.pdf" target="_blank">http://europa.eu/rapid/press-release_SPEECH-07-645_pt.pdf</a> </p>     <p>Braudel, Fernand &ndash; <i>O Mediterr&acirc;neo &ndash; O Espa&ccedil;o e a Hist&oacute;ria.</i> Lisboa: Teorema, 1985.&laquo;Conceito Estrat&eacute;gico de Defesa Nacional&raquo;. Governo de Portugal 2013, p. 30. (Consultado em: 21 de novembro de 2013). Dispon&iacute;vel em <a href="http://www.portugal.gov.pt/media/909457/20130405_cedn_publicacao_oficial.pdf" target="_blank">http://www.portugal.gov.pt/media/909457/20130405_cedn_publicacao_oficial.pdf</a></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Correia, Armando Dias &ndash; <i>O Mar no S&eacute;culo XXI &ndash; Contributo para Uma An&aacute;lise Estrat&eacute;gica aos Desafios Mar&iacute;timos Nacionais</i>. Aveiro: fedrave, 2010, pp. 335-340.Dire&ccedil;&atilde;o-Geral de Pol&iacute;tica do Mar (dgpm) &ndash; &laquo;Estrat&eacute;gia Nacional para o Mar 2013-2020&raquo;. Lisboa. 2013. (Consultado em 15 de novembro de 2013). Dispon&iacute;vel em <a href="http://www.dgpm.gov.pt/Documents/ENM.pdf" target="_blank">http://www.dgpm.gov.pt/Documents/ENM.pdf</a></p>     <p>&laquo;Estrat&eacute;gia de Seguran&ccedil;a Mar&iacute;tima&raquo;. Comiss&atilde;o Europeia, 2014. (Consultado em: 2 de fevereiro de 2015). Dispon&iacute;vel em <a href="http://ec.europa.eu/maritimeaffairs/policy/maritime-security/index_pt.htm" target="_blank">http://ec.europa.eu/maritimeaffairs/policy/maritime-security/index_pt.htm</a>. Leal, Jo&atilde;o Lu&iacute;s Rodrigues &ndash; &laquo;An&aacute;lise geopol&iacute;tica e geoestrat&eacute;gica de Portugal&raquo;. In <i>Revista Militar</i>. Lisboa: Europress, N.&ordm; 2463, 2007, p. 17.</p>     <p>Lopes, Ern&acirc;ni &ndash; &laquo;O mar no futuro de Portugal. Uma abordagem estrat&eacute;gica&raquo;. In <i>Na&ccedil;&atilde;o e Defesa.</i> Lisboa: Instituto da Defesa Nacional, N.&ordm; 108, 2004, pp. 11-25.</p>     <p>Lopes, Ern&acirc;ni Rodrigues &ndash; <i>A Lusofonia &ndash; Uma Quest&atilde;o Estrat&eacute;gica Fundamental.</i> Lisboa: Sol, 2011.</p>     <p>Moreira, Adriano &ndash; <i>O Atl&acirc;ntico como Fator de poder.</i> Maria Scientia. Lisboa: Universidade Cat&oacute;lica Portuguesa, 2013, p. 14.</p>     <p>Narciso, Isabel &ndash; &laquo;A Geopol&iacute;tica do Mar Portugu&ecirc;s&raquo;. Comunica&ccedil;&atilde;o no I Congresso Nacional de Seguran&ccedil;a e Defesa, 2010. (Consultado em 22 de novembro de 2013). Dispon&iacute;vel em: <a href="http://icnsd.afceaportugal.pt/conteudo/congresso/ICNSD_1A_texto_pdf_ines_narciso.pdf" target="_blank">http://icnsd.afceaportugal.pt/conteudo/congresso/ICNSD_1A_texto_pdf_ines_narciso.pdf</a></p>     <p>Neves, Jo&atilde;o M. L. Pires, Duarte, Ant&oacute;nio C. R. &ndash; <i>A Maritimidade Portuguesa &ndash; Do Reavivar da Consci&ecirc;ncia &agrave; Oportunidade de Desenvolvimento</i>. Lisboa: Edi&ccedil;&otilde;es Culturais da Marinha, 2013, pp. 23-24.</p>     <p>Oecd/Itf &ndash; <i>Trends in the Transport Setor 1970-2010.</i> Paris: Organisation for Economic Cooperation and Development/International Transport Forum, 2012, p. 17.</p>     <p>Paine, Lincoln &ndash; <i>The Sea and Civilization: A Maritime History of the World</i>. Nova York: Borzoi Books, 2013.</p>     <p>Pitta unha, Tiago &ndash; &laquo;A import&acirc;ncia estrat&eacute;gica do mar para Portugal&raquo;. In<i> Na&ccedil;&atilde;o e Defesa</i>. Lisboa: Instituto da Defesa Nacional, N.&ordm; 108, 2004, p. 47.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><i>Progress of the EU&acute;s Integrated Maritime Policy. </i>Comiss&atilde;o Europeia, 2012. (Consultado em: 23 de novembro de 2013). Dispon&iacute;vel em: <a href="http://ec.europa.eu/maritimeaffairs/documentation/publications/documents/imp-progress-report_en.pdf" target="_blank">http://ec.europa.eu/maritimeaffairs/documentation/publications/documents/imp-progress-report_en.pdf</a></p>     <p>Rodrigues, Alexandre &ndash; &laquo;Portugal, sem estrat&eacute;gia de seguran&ccedil;a mar&iacute;tima?&raquo;. In <i>Jornal de Defesa e Rela&ccedil;&otilde;es Internacionais</i>, 2013. (Consultado em: 12 fevereiro de 2015). Dispon&iacute;vel em <a href="http://database.jornaldefesa.pt/estrategias/JDRI%20079%20241013%20segranca%20maritima.pdf" target="_blank">http://database.jornaldefesa.pt/estrategias/JDRI%20079%20241013%20segranca%20maritima.pdf</a></p>     <p>Rodrigues, Alexandre &ndash; &laquo;Portugal e o espa&ccedil;o estrat&eacute;gico&raquo;. In <i>Jornal de Defesa e Rela&ccedil;&otilde;es Internacionais</i>, 2012. (Consultado em: 22 de novembro de 2013). Dispon&iacute;vel em: <a href="http://database.jornaldefesa.pt/politicas_de_defesa/portugal/JDRI%20009%20221112%20Portugal%20e%20o%20espaço%20estratégico%20de%20interesse.pdf" target="_blank">http://database.jornaldefesa.pt/politicas_de_defesa/portugal/JDRI%20009%20221112%20Portugal%20e%20o%20espa&ccedil;o%20estrat&eacute;gico%20de%20interesse.pdf</a> </p>     <p>Saviano, Roberto &ndash; <i>Gomorra &ndash; Viagem ao Imp&eacute;rio Econ&oacute;mico e ao Sonho de Dom&iacute;nio da Camorra. </i>Alfragide: Caderno, 2008.</p>     <p>Serra, Jos&eacute; &ndash;<i>O Mar e as Pol&iacute;ticas Mar&iacute;timas.</i> Lisboa: Conselho Econ&oacute;mico e Social. (2008). (Consultado em: 15 de novembro de 2013). Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.ces.pt/download/594/MarPolitMarit.pdf" target="_blank">http://www.ces.pt/download/594/MarPolitMarit.pdf</a></p>     <p>Silva, Jorge Tavares da (ed.) &ndash; <i>Bricse a Nova Ordem Internacional</i>. Aveiro: Mare Liberum/Caleidosc&oacute;pio, 2015, p. 43. Teixeira, Maria Fernandes &ndash; <i>Os Oceanos e Mares Europeus como M&oacute;bil da Relev&acirc;ncia da Uni&atilde;o Europeia no Mundo Global do S&eacute;culo XXI: A Capacidade Performativa da Pol&iacute;tica Mar&iacute;tima Europeia</i>. Tese de mestrado de Estudos Europeus. Lisboa: Universidade Cat&oacute;lica, 2009, p. 5. &laquo;Towards a Future Maritime Policy for the Union: A European Vision for the Oceans and Seas&raquo;. Comiss&atilde;o Europeia, 2006. (Consultado em: 23 de novembro de 2013). Dispon&iacute;vel em: <a href="http://europa.eu/documents/comm/green_papers/pdf/com_2006_0275_en_part2.pdf" target="_blank">http://europa.eu/documents/comm/green_papers/pdf/com_2006_0275_en_part2.pdf</a> &laquo;Um Des&iacute;gnio Nacional para o S&eacute;culo XXI&raquo;. Relat&oacute;rio da Comiss&atilde;o Estrat&eacute;gica para os Oceanos, parte II, Lisboa. (Consultado em: 23 de novembro de 2013). Dispon&iacute;vel em <a href="http://www.emam.com.pt/index.php?option=com_content&amp;task=view&amp;id=51&amp;Itemid=115" target="_blank">http://www.emam.com.pt/index.php?option=com_content&amp;task=view&amp;id=51&amp;Itemid=115</a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><i>Data de rece&ccedil;&atilde;o: 3 de outubro de 2014 | Data de aprova&ccedil;&atilde;o: 11 de fevereiro de 2015 </i></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>NOTAS</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><Sup><a name="1"></a><a href="#top1">1</a></Sup> Braudel, Fernand &ndash; <i>O Mediterr&acirc;neo &ndash; O Espa&ccedil;o e a Hist&oacute;ria.</i> Lisboa: Teorema, 1985.</p>     <p><Sup><a name="2"></a><a href="#top2">2</a></Sup> Paine, Lincoln &ndash; <i>The Sea and Civilization: A Maritime History of the World</i>. Nova York: Borzoi Books, 2013.</p>     <p><Sup><a name="3"></a><a href="#top3">3</a></Sup> oecd/itf &ndash; <i>Trends in the Transport Setor 1970-2010.</i> Paris: Organisation for economic Cooperation and Development/International Transport Forum, 2012, p. 17.</p>     <p><Sup><a name="4"></a><a href="#top4">4</a></Sup> Serra, Jos&eacute; &ndash;<i> O Mar e as Pol&iacute;ticas Mar&iacute;timas.</i> Lisboa: Conselho Econ&oacute;mico e Social. (2008). (Consultado em: 15 de novembro de 2013). Dispon&iacute;vel em: <a href="http://http://www.ces.pt/download/594/MarPolitMa-rit.pdf" target="_blank">http://www.ces.pt/download/594/MarPolitMa-rit.pdf</a>.</p>     <p><Sup><a name="5"></a><a href="#top5">5</a></Sup> <i> Ibidem</i>.</p>     <p><Sup><a name="6"></a><a href="#top6">6</a></Sup> Lopes, E. &ndash; &laquo;O mar no futuro de Portugal. Uma abordagem estrat&eacute;gica&raquo;. In <i>Na&ccedil;&atilde;o e Defesa.</i> Lisboa: Instituto da Defesa Nacional. N.&ordm; 108, 2004, pp. 11-25.</p>     <p><Sup><a name="7"></a><a href="#top7">7</a></Sup> <i>Ibidem</i>, p. 15-16.</p>     <p><Sup><a name="8"></a><a href="#top8">8</a></Sup> Dire&ccedil;&atilde;o-Geral de Pol&iacute;tica do Mar (dgpm) &ndash; <i>Estrat&eacute;gia Nacional para o Mar 2013-2020</i>. Lisboa. 2013. (Consultado em: 15 de novembro de 2013). Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.dgpm.gov.pt/Documents/ENM.pdf" target="_blank">http://www.dgpm.gov.pt/Documents/ENM.pdf</a>.</p>     <p><Sup><a name="9"></a><a href="#top9">9</a></Sup> Leal, Jo&atilde;o Lu&iacute;s Rodrigues &ndash; &laquo;An&aacute;lise geopol&iacute;tica e geoestrat&eacute;gica de Portugal&raquo;. In <i>Revista Militar</i>. Lisboa: Europress. N.&ordm; 2463, 2007, p. 17.</p>     <p><Sup><a name="10"></a><a href="#top10">10</a></Sup> Ribeiro in<i> Ibidem</i>.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><Sup><a name="11"></a><a href="#top11">11</a></Sup><i> Ibidem</i>.</p>     <p><Sup><a name="12"></a><a href="#top12">12</a></Sup> Narciso, Isabel &ndash; <i>A Geopol&iacute;tica do Mar Portugu&ecirc;s</i>. Comunica&ccedil;&atilde;o no I Congresso Nacional de Seguran&ccedil;a e Defesa, 2010. (Consultado em: 22 de novembro de 2013). Dispon&iacute;vel em: <a href="http://icnsd.afceaportugal.pt/conteudo/congresso/ICNSD_1A_texto_pdf_ines_narciso.pdf" target="_blank">http://icnsd.afceaportugal.pt/conteudo/congresso/ICNSD_1A_texto_pdf_ines_narciso.pdf</a>.</p>     <p><Sup><a name="13"></a><a href="#top13">13</a></Sup> Pitta Cunha, Tiago &ndash; &laquo;A import&acirc;ncia estrat&eacute;gica do mar para Portugal&raquo;. In <i>Na&ccedil;&atilde;o e Defesa</i>. Lisboa: Instituto da Defesa Nacional. N.&ordm; 108, 2004, p. 47.</p>     <p><Sup><a name="14"></a><a href="#top14">14</a></Sup> Dire&ccedil;&atilde;o-Geral de Pol&iacute;tica do Mar (dgpm) &ndash; <i>Estrat&eacute;gia Nacional para o Mar 2013-2020</i>, p. 15.</p>     <p><Sup><a name="15"></a><a href="#top15">15</a></Sup> <i>Ibidem</i>, p. 26.</p>     <p><Sup><a name="16"></a><a href="#top16">16</a></Sup> <i> Ibidem</i>.</p>     <p><Sup><a name="17"></a><a href="#top17">17</a></Sup> Pitta Cunha, Tiago &ndash; &laquo;A import&acirc;ncia estrat&eacute;gica do mar para Portugal&raquo;, p. 48.</p>     <p><Sup><a name="18"></a><a href="#top18">18</a></Sup> <i>Ibidem</i>, p. 41.</p>     <p><Sup><a name="19"></a><a href="#top19">19</a></Sup> <i> Ibidem</i>.</p>     <p><Sup><a name="20"></a><a href="#top20">20</a></Sup> <i>Ibidem</i>, p. 48.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><Sup><a name="21"></a><a href="#top21">21</a></Sup> Governo de Portugal &ndash; <i>Conceito Estrat&eacute;gico de Defesa Nacional</i>. 2013, p. 30. (Consultado em: 21 de novembro de 2013) Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.portugal.gov.pt/media/909457/20130405_cedn_publi-cacao_oficial.pdf" target="_blank">http://www.portugal.gov.pt/media/909457/20130405_cedn_publi-cacao_oficial.pdf</a>.</p>     <p><Sup><a name="22"></a><a href="#top22">22</a></Sup> Pit ta Cunha, Tiago &ndash; &laquo;A import&acirc;ncia estrat&eacute;gica do mar para Portugal&raquo;, p. 52.</p>     <p><Sup><a name="23"></a><a href="#top23">23</a></Sup> Governo de Portugal &ndash; <i>Conceito Estrat&eacute;gico de Defesa Nacional</i>, p. 26.</p>     <p><Sup><a name="24"></a><a href="#top24">24</a></Sup> <i>Ibidem</i>, p. 21.</p>     <p><Sup><a name="25"></a><a href="#top25">25</a></Sup> <i>Ibidem</i>, p. 14.</p>     <p><Sup><a name="26"></a><a href="#top26">26</a></Sup> Rodrigues, Alexandre &ndash; <i>Portugal e o Espa&ccedil;o Estrat&eacute;gico.</i> In <i>Jornal de Defesa e Rela&ccedil;&otilde;es Internacionais</i>, 2012. (Consultado em: 22 de novembro de 2013). Dispon&iacute;vel em: <a href="http://database.jornaldefesa.pt/politicas_de_defesa/portugal/JDRI%20009%20221112%20Portugal%20e%20o%20espa%C3%A7o%20estrat%C3%A9gico%20de%20interesse.pdf" target="_blank">http://database.jornaldefesa.pt/politicas_de_defesa/portugal/JDRI%20009%20221112%20Portugal%20e%20o%20espa%C3%A7o%20estrat%C3%A9gico%20de%20interesse.pdf</a>.</p>     <p><Sup><a name="27"></a><a href="#top27">27</a></Sup> <i>Ibidem</i>, p. 19.</p>     <p><Sup><a name="28"></a><a href="#top28">28</a></Sup> <i>Ibidem</i>, p. 12.</p>     <p><Sup><a name="29"></a><a href="#top29">29</a></Sup><i> Ibidem</i>.</p>     <p><Sup><a name="30"></a><a href="#top30">30</a></Sup> Teixeira, Maria Fernandes &ndash; <i>Os Oceanos e Mares Europeus como M&oacute;bil da Relev&acirc;ncia da Uni&atilde;o Europeia no Mundo Global do D&eacute;culo XXI: A Capacidade Performativa da Pol&iacute;tica Mar&iacute;tima Europeia</i>. Tese de mestrado de Estudos Europeus. Lisboa: Universidade Cat&oacute;lica, 2009, p. 5.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><Sup><a name="31"></a><a href="#top31">31</a></Sup> Braudel, Fernand &ndash; <i>O Mediterr&acirc;neo &ndash; O Espa&ccedil;o e a Hist&oacute;ria</i>, p. 6.</p>     <p><Sup><a name="32"></a><a href="#top32">32</a></Sup> Comiss&atilde;o Europeia Towards future maritime policy for the Union: a European vision for the oceans and seas&raquo;. 2006. (Consultado em: 23 de novembro de 2013). Dispon&iacute;vel em: <a href="http://europa.eu/documents/comm/green_papers/pdf/com_2006_0275_en_part2.pdf" target="_blank">http://europa.eu/documents/comm/green_papers/pdf/com_2006_0275_en_part2.pdf</a>.</p>     <p><Sup><a name="33"></a><a href="#top33">33</a></Sup> Silva, Jorge Tavares da (ed.) &ndash; <i>BRICS e a Nova Ordem Internacional</i>. Aveiro: Mare Liberum/Caleidosc&oacute;pio, 2015, p. 43.</p>     <p><Sup><a name="34"></a><a href="#top34">34</a></Sup> Comiss&atilde;o Europeia &ndash; <i>Progress of the EU&rsquo;s Integrated Maritime Policy.</i> 2012. (Consultado em: 23 de novembro de 2013). Dispon&iacute;vel em: <a href="http://ec.europa.eu/maritimeaffairs/documentation/publications/documents/imp-progress-report_en.pdf" target="_blank">http://ec.europa.eu/maritimeaffairs/documentation/publications/documents/imp-progress-report_en.pdf</a>.</p>     <p><Sup><a name="35"></a><a href="#top35">35</a></Sup> Governo de Portugal &ndash; <i>Estrat&eacute;gia Nacional para o Mar &ndash; 2013-2020</i>. 2013. (Consultado em: 23 de novembro de 2013). Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.dgpm.gov.pt/Documents/ENM.pdf" target="_blank">http://www.dgpm.gov.pt/Documents/ENM.pdf</a>.</p>     <p><Sup><a name="36"></a><a href="#top36">36</a></Sup> Barroso, Dur&atilde;o &ndash; &laquo;Discurso do Presidente &ndash; Pol&iacute;tica Mar&iacute;tima Europeia&raquo;, Confer&ecirc;ncia Ministerial da Presid&ecirc;ncia Portuguesa, 2007. (Consultado em: 23 de novembro de 2013). Dispon&iacute;vel em: <a href="http://europa.eu/rapid/press-release_SPEECH-07-645_pt.pdf" target="_blank">http://europa.eu/rapid/press-release_SPEECH-07-645_pt.pdf</a>&lrm;.</p>     <p><Sup><a name="37"></a><a href="#top37">37</a></Sup> Ne ves, Jo&atilde;o M. L. Pires, e Duarte, Ant&oacute;nio C. R. &ndash; <i>A Maritimidade Portuguesa&nbsp;</i><i>&ndash; Do Reavivar da Consci&ecirc;ncia &agrave; Oportunidade de Desenvolvimento</i>. Lisboa: Edi&ccedil;&otilde;es Cul-turais da Marinha, 2013, pp. 23-24.</p>     <p><Sup><a name="38"></a><a href="#top38">38</a></Sup> Moreira, Adriano &ndash; <i>O Atl&acirc;ntico como Fator de Poder.</i> Maria Scientia. Lisboa: Universidade Cat&oacute;lica Portuguesa, 2013, p. 14.</p>     <p><Sup><a name="39"></a><a href="#top39">39</a></Sup> Cf. Saviano, Roberto &ndash; <i>Gomorra &ndash; Viagem ao Imp&eacute;rio Econ&oacute;mico e ao Sonho de Dom&iacute;nio da Camorra. </i>Alfragide: Caderno, 2008.</p>     <p><Sup><a name="40"></a><a href="#top40">40</a></Sup> Comiss&atilde;o Europeia (2014) Estrat&eacute;gia de Seguran&ccedil;a Mar&iacute;tima. (Consultado em: 2 de fevereiro de 2015). Dispon&iacute;vel em: <a href="http://ec.europa.eu/maritimeaffairs/policy/maritime-security/index_pt.htm" target="_blank">http://ec.europa.eu/maritimeaffairs/policy/maritime-security/index_pt.htm</a>.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><Sup><a name="41"></a><a href="#top41">41</a></Sup> Rodrigues, Alexandre &ndash; (2013) &laquo;Portugal, sem Estrat&eacute;gia de Seguran&ccedil;a Mar&iacute;tima?&raquo;. In <i>Jornal de Defesa e Rela&ccedil;&otilde;es Internacionais</i>. (Consultado em: 12 de fevereiro de 2015). Dispon&iacute;vel em: <a href="http://database.jornaldefesa.pt/estrategias/JDRI%20079%20241013%20segranca%20maritima.pdf" target="_blank">http://database.jornaldefesa.pt/estrategias/JDRI%20079%20241013%20segranca%20maritima.pdf</a>.</p>     <p><Sup><a name="42"></a><a href="#top42">42</a></Sup><i>Ibidem</i>. </p>     <p><Sup><a name="43"></a><a href="#top43">43</a></Sup> Dire&ccedil;&atilde;o-Geral de Pol&iacute;tica do Mar (dgpm) -estrat&eacute;gia nacional para o mar 2013-2020.</p>     <p><Sup><a name="44"></a><a href="#top44">44</a></Sup> Correia, Armando Dias &ndash; <i>O Mar no S&eacute;culo XXI &ndash; Contributo para Uma An&aacute;lise Estrat&eacute;gica aos Desafios Mar&iacute;timos Nacionais</i>. Aveiro: fedrave, 2010, pp. 335-340.</p>     <p><Sup><a name="45"></a><a href="#top45">45</a></Sup> Lopes, Ern&acirc;ni Rodrigues &ndash; <i>A Lusofonia &ndash; Uma Quest&atilde;o Estrat&eacute;gica Fundamental.</i> Lisboa: Sol, 2011.</p>     <p><Sup><a name="46"></a><a href="#top46">46</a></Sup> Ribeiro, S&oacute;nia - &laquo;Vectores de Compensa&ccedil;&atilde;o no posicionamento estrat&eacute;gico de Portugal&raquo;. Disserta&ccedil;&atilde;o de Mestrado em Estudos Europeus. Lisboa: Universidade Cat&oacute;lica Portuguesa, 1999, pp. 178- -187; Lopes, Ern&acirc;ni Rodrigues &ndash; <i>A Lusofonia &ndash; Uma Quest&atilde;o Estrat&eacute;gica Fundamental</i>, pp. 203-207.</p>     <p><Sup><a name="47"></a><a href="#top47">47</a></Sup> Lopes, Ern&acirc;ni Rodrigues &ndash; <i>A Lusofonia &ndash; Uma Quest&atilde;o Estrat&eacute;gica Fundamental</i>, p. 205.</p>     <p><Sup><a name="48"></a><a href="#top48">48</a></Sup> Neves, Jo&atilde;o M. L. Pires, e Duarte, Ant&oacute;nio C. R. &ndash; <i>A Maritimidade Portuguesa&ndash; Do Reavivar da Consci&ecirc;ncia &agrave; Oportunidade de Desenvolvimento</i>, pp. 20-23.</p>     <p><Sup><a name="49"></a><a href="#top49">49</a></Sup> Comiss&atilde;o Estrat&eacute;gica para os Oceanos &ndash; <i>Um Des&iacute;gnio Nacional para o S&eacute;culo XXI</i>. Relat&oacute;rio da Comiss&atilde;o Estrat&eacute;gica para os Oceanos, parte ii, Lisboa. (Consultado em: 23 de novembro de 2013). Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.emam.com.pt/index.php?option=com_content&amp;task=view&amp;id=51&amp;Itemid=115" target="_blank">http://www.emam.com.pt/index.php?option=com_content&amp;task=view&amp;id=51&amp;Itemid=115</a>.</p>      ]]></body><back>
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