<?xml version="1.0" encoding="ISO-8859-1"?><article xmlns:mml="http://www.w3.org/1998/Math/MathML" xmlns:xlink="http://www.w3.org/1999/xlink" xmlns:xsi="http://www.w3.org/2001/XMLSchema-instance">
<front>
<journal-meta>
<journal-id>1645-9199</journal-id>
<journal-title><![CDATA[Relações Internacionais (R:I)]]></journal-title>
<abbrev-journal-title><![CDATA[Relações Internacionais]]></abbrev-journal-title>
<issn>1645-9199</issn>
<publisher>
<publisher-name><![CDATA[IPRI-UNL]]></publisher-name>
</publisher>
</journal-meta>
<article-meta>
<article-id>S1645-91992015000300002</article-id>
<title-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Portugal e a ONU: a primeira aproximação]]></article-title>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Portugal and the UN: the first approach]]></article-title>
</title-group>
<contrib-group>
<contrib contrib-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Castaño]]></surname>
<given-names><![CDATA[David]]></given-names>
</name>
<xref ref-type="aff" rid="A01"/>
</contrib>
</contrib-group>
<aff id="A01">
<institution><![CDATA[,Universidade Nova de Lisboa Instituto Português de Relações Internacionais ]]></institution>
<addr-line><![CDATA[ ]]></addr-line>
</aff>
<pub-date pub-type="pub">
<day>00</day>
<month>09</month>
<year>2015</year>
</pub-date>
<pub-date pub-type="epub">
<day>00</day>
<month>09</month>
<year>2015</year>
</pub-date>
<numero>47</numero>
<fpage>9</fpage>
<lpage>38</lpage>
<copyright-statement/>
<copyright-year/>
<self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S1645-91992015000300002&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_abstract&amp;pid=S1645-91992015000300002&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_pdf&amp;pid=S1645-91992015000300002&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><abstract abstract-type="short" xml:lang="pt"><p><![CDATA[Neste artigo procuramos descrever o processo em torno do primeiro pedido de adesão de Portugal à ONU. Esta tentativa de adesão deve ser lida como mais um exemplo da estratégia de adaptação do regime ao novo sistema internacional do pós-guerra, estratégia que se iniciou ainda antes de a guerra terminar, em 1943, com o embargo à venda de volfrâmio e a cedência de bases nos Açores aos anglo-americanos, passou pela adesão à OECE e pela celebração de um acordo para a exploração e exportação de urânio, e que culminou com a adesão de Portugal à NATO em 1949.]]></p></abstract>
<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[In this article we describe the first application for admission of Portugal to the UN. This attempt of accession must therefore be read as another example of the adaptation of the regime to the new post-war international system. Strategy that began in 1943, even before the war ended, with the embargo on the sale of tungsten and the ceding of bases in the Azores to the Anglo-Americans, went through accession on the oeec and an agreement for the exploration and exploitation of Portuguese uranium, and culminated with the adhesion of Portugal to nato in 1949.]]></p></abstract>
<kwd-group>
<kwd lng="pt"><![CDATA[Pós&#8209;guerra]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[Portugal]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[ONU]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[Guerra Fria]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[Post-war]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[Portugal]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[United Nations Organization]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[Cold War]]></kwd>
</kwd-group>
</article-meta>
</front><body><![CDATA[ <p align="right"><b>PORTUGAL E AS NAÇÕES UNIDAS</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Portugal e a ONU: a primeira aproxima&ccedil;&atilde;o</b></p>     <p><b>Portugal and the UN: the first approach</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>David Casta&ntilde;o<a href="#0">*</a><a name="top0"></a></b></p>     <p>Investigador no IPRI &ndash; UNL onde desenvolve um projeto de p&oacute;s-doutoramento sobre o processo de consolida&ccedil;&atilde;o da democracia portuguesa (1976-1982). Doutor em Hist&oacute;ria Contempor&acirc;nea. Tem-se dedicado ao estudo da hist&oacute;ria contempor&acirc;nea portuguesa e da hist&oacute;ria das rela&ccedil;&otilde;es internacionais, centrando-se no per&iacute;odo do Estado Novo, da transi&ccedil;&atilde;o e da consolida&ccedil;&atilde;o democr&aacute;tica.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>RESUMO</b></p>     <p>Neste artigo procuramos descrever o processo em torno do primeiro pedido de ades&atilde;o de Portugal &agrave; ONU. Esta tentativa de ades&atilde;o deve ser lida como mais um exemplo da estrat&eacute;gia de adapta&ccedil;&atilde;o do regime ao novo sistema internacional do p&oacute;s-guerra, estrat&eacute;gia que se iniciou ainda antes de a guerra terminar, em 1943, com o embargo &agrave; venda de volfr&acirc;mio e a ced&ecirc;ncia de bases nos A&ccedil;ores aos anglo-americanos, passou pela ades&atilde;o &agrave; OECE e pela celebra&ccedil;&atilde;o de um acordo para a explora&ccedil;&atilde;o e exporta&ccedil;&atilde;o de ur&acirc;nio, e que culminou com a ades&atilde;o de Portugal &agrave; NATO em 1949.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Palavras-chave</b>: P&oacute;s&#8209;guerra, Portugal, ONU, Guerra Fria.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>ABSTRACT</b></p>     <p>In this article we describe the first application for admission of Portugal to the UN. This attempt of accession must therefore be read as another example of the adaptation of the regime to the new post-war international system. Strategy that began in 1943, even before the war ended, with the embargo on the sale of tungsten and the ceding of bases in the Azores to the Anglo-Americans, went through accession on the oeec and an agreement for the exploration and exploitation of Portuguese uranium, and culminated with the adhesion of Portugal to nato in 1949.</p>     <p><b>Keywords</b>: Post-war, Portugal, United Nations Organization, Cold War.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>A hist&oacute;ria da ades&atilde;o de Portugal &agrave; Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas (ONU) em 1955 &eacute; hoje bem conhecida. Bem conhecidas s&atilde;o tamb&eacute;m as implica&ccedil;&otilde;es desta ades&atilde;o no desenrolar da quest&atilde;o colonial, problema desde cedo levantado por aquela institui&ccedil;&atilde;o internacional<sup><a href="#1">1</a></sup><a name="top1"></a>. Menos referido &eacute; o processo que envolve o primeiro pedido de ades&atilde;o, apresentado por Portugal em Agosto de 1946, e que viria a ser rejeitado pelo veto da URSS e o voto negativo da Pol&oacute;nia. Apesar de j&aacute; ter sido analisado, este processo foi essencialmente interpretado como sendo resultado de uma &laquo;profunda hesita&ccedil;&atilde;o&raquo; e de escasso &laquo;empenhamento&raquo;, sublinhando-se &laquo;a desconfian&ccedil;a de Salazar relativamente aos princ&iacute;pios da <i>Carta das Na&ccedil;&otilde;es Unidas</i>&raquo;<sup><a href="#2">2</a></sup><a name="top2"></a>. Sendo claro que essa desconfian&ccedil;a existia e que ela n&atilde;o se restringia &agrave; Carta das Na&ccedil;&otilde;es Unidas, mas a todas as altera&ccedil;&otilde;es ao <i>status quo </i>existente, o que em nosso entender este processo revela &eacute;, pelo contr&aacute;rio, uma atitude pr&oacute;-activa do regime, que cedo se mostra interessado em aderir &agrave; nova organiza&ccedil;&atilde;o internacional em gesta&ccedil;&atilde;o. Esta tentativa de ades&atilde;o deve assim ser lida como mais um exemplo da estrat&eacute;gia de adapta&ccedil;&atilde;o do regime ao novo sistema internacional do p&oacute;s&#8209;guerra.</p>     <p>Como apontaram v&aacute;rios autores, essa estrat&eacute;gia teve in&iacute;cio ainda durante a guerra e reflectiu-se nas v&aacute;rias fases por que passou a neutralidade portuguesa. Depois de uma primeira fase em que o Governo portugu&ecirc;s levou a cabo uma neutralidade &laquo;rigorosa&raquo;, nas palavras de Ant&oacute;nio Telo, ou uma neutralidade &laquo;geom&eacute;trica&raquo;, na express&atilde;o cunhada por Fernando Rosas<sup><a href="#3">3</a></sup><a name="top3"></a>, explicada em grande parte pelo receio de uma beliger&acirc;ncia espanhola ao lado das pot&ecirc;ncias do Eixo, a partir de 1943, afastada a hip&oacute;tese de uma invas&atilde;o alem&atilde; da Pen&iacute;nsula e perspectivando-se uma vit&oacute;ria aliada, a neutralidade portuguesa passa a ser &laquo;colaborante&raquo;. S&atilde;o tr&ecirc;s os acontecimentos que marcam esta altera&ccedil;&atilde;o estrat&eacute;gica: em Agosto de 1943, respondendo a um pedido feito ao abrigo da alian&ccedil;a luso-brit&acirc;nica, o Governo portugu&ecirc;s aceita ceder bases a&ccedil;orianas ao Governo ingl&ecirc;s; em Junho de 1944, ap&oacute;s um duro e longo processo negocial, Portugal decreta finalmente um embargo &agrave; exporta&ccedil;&atilde;o de volfr&acirc;mio; em Novembro de 1944 &eacute; celebrado um acordo entre os governos de Portugal e dos Estados Unidos que concede a estes autoriza&ccedil;&atilde;o para a constru&ccedil;&atilde;o e utiliza&ccedil;&atilde;o de uma base a&eacute;rea e naval na ilha de Santa Maria, nos A&ccedil;ores<sup><a href="#4">4</a></sup><a name="top4"></a>. No imediato p&oacute;s&#8209;guerra, esta estrat&eacute;gia de adapta&ccedil;&atilde;o manteve&#8209;se, e dela resultou a ades&atilde;o &agrave; OECE, a celebra&ccedil;&atilde;o de um acordo para a explora&ccedil;&atilde;o e exporta&ccedil;&atilde;o de ur&acirc;nio, e a ades&atilde;o, como membro fundador, &agrave; NATO<sup><a href="#5">5</a></sup><a name="top5"></a>.</p>     <p>Esta evolu&ccedil;&atilde;o n&atilde;o deve, no entanto, ser interpretada como uma altera&ccedil;&atilde;o da trave mestra da pol&iacute;tica externa de Salazar, ou seja, a defesa e manuten&ccedil;&atilde;o do imp&eacute;rio. Se at&eacute; esta altura, esse desiderato era essencialmente garantido pela alian&ccedil;a com a Inglaterra, principal pot&ecirc;ncia do Atl&acirc;ntico, no imediato p&oacute;s&#8209;guerra foram necess&aacute;rios alguns ajustamentos. Por um lado, verifica&#8209;se uma gradual e renitente aproxima&ccedil;&atilde;o aos Estados Unidos, por outro, alguns altos respons&aacute;veis, como o embaixador portugu&ecirc;s em Londres, entendiam que a defesa do imp&eacute;rio poderia ser melhor defendida a partir do interior da nova organiza&ccedil;&atilde;o internacional.</p>     <p>Importa pois tentar perceber como &eacute; que os dirigentes do regime autorit&aacute;rio e a diplomacia portuguesa olhavam para as organiza&ccedil;&otilde;es internacionais que ent&atilde;o se estavam a formar e, em particular, como &eacute; que viam o desenvolvimento da nova organiza&ccedil;&atilde;o que vinha substituir a malograda Sociedade das Na&ccedil;&otilde;es (SdN) da qual Portugal tinha feito parte. &Eacute; que, apesar do estatuto de neutro colaborante, alcan&ccedil;ado em 1943, o Pa&iacute;s n&atilde;o tinha voz nas esferas internacionais que tratavam da reorganiza&ccedil;&atilde;o mundial do p&oacute;s&#8209;guerra, uma vez que nestas participavam apenas os pa&iacute;ses que tinham combatido o Eixo.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Comecemos ent&atilde;o por descrever sucintamente os preparativos que culminaram com a constitui&ccedil;&atilde;o da ONU.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>A CONSTITUI&Ccedil;&Atilde;O DAS NA&Ccedil;&Otilde;ES UNIDAS</b></p>     <p>Em Agosto de 1941, ainda os Estados Unidos n&atilde;o tinham entrado na guerra e o seu fim estava long&iacute;nquo, o primeiro&#8209;ministro ingl&ecirc;s, Winston Churchill, e o Presidente dos Estados Unidos, Franklin Roosevelt, encontram&#8209;se ao largo da Terra Nova, onde proclamaram a Carta do Atl&acirc;ntico, documento que continha alguns princ&iacute;pios de entendimento e que procurava lan&ccedil;ar as bases de um sistema permanente, capaz de assegurar a seguran&ccedil;a internacional. A Carta apelava, entre outros aspectos, ao respeito pelas fronteiras de cada Estado e ao estabelecimento de governos democraticamente eleitos nas regi&otilde;es emancipadas da soberania alem&atilde;, declarava o princ&iacute;pio de colabora&ccedil;&atilde;o entre os estados com vista &agrave; coopera&ccedil;&atilde;o econ&oacute;mica e social, apresentava um projecto para alcan&ccedil;ar uma pol&iacute;tica de desarmamento geral e defendia o princ&iacute;pio da autodetermina&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>Meses mais tarde, a 1 de Janeiro de 1942, foi proclamada pelas pot&ecirc;ncias aliadas a Declara&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas que obrigava os estados que a assinavam a aceitar e a reconhecer os princ&iacute;pios presentes na Carta do Atl&acirc;ntico. No entanto, os Estados Unidos, tendo consci&ecirc;ncia da import&acirc;ncia da URSS e temendo o seu afastamento, procuraram envolver os sovi&eacute;ticos nos esfor&ccedil;os que vinham encetando com os brit&acirc;nicos no sentido de alcan&ccedil;ar a seguran&ccedil;a colectiva, transmitindo as suas inten&ccedil;&otilde;es directamente a Molotov, quando o ministro sovi&eacute;tico visitou Washington em Maio desse ano. Em Outubro de 1943, Estados Unidos, Inglaterra e Uni&atilde;o Sovi&eacute;tica subscreveram a Declara&ccedil;&atilde;o de Moscovo onde defendiam a necessidade de cria&ccedil;&atilde;o de uma organiza&ccedil;&atilde;o internacional, ideia que pouco depois viria tamb&eacute;m a ser defendida pela China.</p>     <p>No decorrer da Confer&ecirc;ncia de Teer&atilde;o, realizada no final de Novembro de 1943, Roosevelt exp&ocirc;s a Estaline os seus planos para a cria&ccedil;&atilde;o de uma nova organiza&ccedil;&atilde;o mundial que seria constitu&iacute;da por uma assembleia de na&ccedil;&otilde;es, um conselho executivo e na qual os quatro grandes, Estados Unidos, Gr&atilde;&#8209;Bretanha, R&uacute;ssia e China, teriam um papel fundamental (conceito dos <i>four policemen</i>).</p>     <p>No ano seguinte, em Maio, realizou&#8209;se uma confer&ecirc;ncia em Dumbarton Oaks, na qual os delegados dos governos americano, ingl&ecirc;s e sovi&eacute;tico iniciaram os trabalhos que iriam dar origem &agrave; ONU. As discuss&otilde;es em torno da aplica&ccedil;&atilde;o do poder de veto e sobre o modo como a organiza&ccedil;&atilde;o imporia as medidas tidas como necess&aacute;rias para a manuten&ccedil;&atilde;o da paz e seguran&ccedil;a internacional ocuparam grande parte deste encontro. No final de 1944, foi dado por conclu&iacute;do o projecto da carta que iria reger a nova organiza&ccedil;&atilde;o, ficando apenas por resolver as quest&otilde;es do procedimento do voto no Conselho de Seguran&ccedil;a, os crit&eacute;rios para a admiss&atilde;o de novos estados e o futuro do sistema de mandatos.</p>     <p>Na Confer&ecirc;ncia de Ialta, realizada em Fevereiro de 1945, na qual participaram os l&iacute;deres dos tr&ecirc;s grandes pa&iacute;ses vencedores, reafirmaram&#8209;se os valores apontados pela Carta do Atl&acirc;ntico e analisaram&#8209;se as quest&otilde;es pendentes e mais melindrosas. Em rela&ccedil;&atilde;o ao procedimento do voto no Conselho de Seguran&ccedil;a, ficou decidido que, para quest&otilde;es processuais, bastaria uma maioria simples de sete em 11 votos e que, em quest&otilde;es mais relevantes, era dado aos cinco membros permanentes, Estados Unidos, Gr&atilde;&#8209;Bretanha, URSS, China e Fran&ccedil;a (que tinha obtido este estatuto por press&atilde;o brit&acirc;nica) direito de veto.</p>     <p>Esta foi a f&oacute;rmula encontrada para conciliar a pretendida voca&ccedil;&atilde;o universal da Organiza&ccedil;&atilde;o com a ideia de que sem a presen&ccedil;a das grandes pot&ecirc;ncias e sem o acordo entre elas, n&atilde;o seriam obtidos resultados reais, como sucedera em diversas ocasi&otilde;es na SdN. Entre outros aspectos que procuravam compatibilizar os princ&iacute;pios da soberania nacional com o idealismo internacional, destacam&#8209;se algumas diferen&ccedil;as na ONU em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; sua antecessora, que contra as expectativas do seu principal impulsionador, o Presidente Woodrow Wilson, n&atilde;o se tinha constitu&iacute;do como uma &laquo;garantia definitiva de paz&raquo;<sup><a href="#6">6</a></sup><a name="top6"></a>. Desta forma, na nova organiza&ccedil;&atilde;o n&atilde;o era exigida unanimidade na Assembleia, e, al&eacute;m do direito de veto no Conselho de Seguran&ccedil;a, os pa&iacute;ses membros podiam, ao contr&aacute;rio do acontecia na SdN, participar nas vota&ccedil;&otilde;es em que eram parte interessada. Se, por um lado, o direito de veto dava aos cinco membros permanentes a possibilidade de paralisarem as decis&otilde;es, por outro, constitu&iacute;a um incentivo a n&atilde;o abandonarem o organismo como tinha sucedido diversas vezes na SdN.</p>     <p>Outro dos elementos distintivos da nova organiza&ccedil;&atilde;o internacional em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; sua antecessora, prende&#8209;se com o seu processo constitutivo. Se a SdN &eacute; um dos frutos do tratado de paz (o 14.&ordm; e &uacute;ltimo ponto defendido pelo Presidente Wilson), a ideia de que o processo de constitui&ccedil;&atilde;o de um novo organismo internacional deveria ser separado dos tratados de paz, levou o Presidente Roosevelt a defender que as pot&ecirc;ncias aliadas come&ccedil;assem a desenhar os planos para o p&oacute;s&#8209;guerra e a debater a arquitectura desse organismo, atempadamente<sup><a href="#7">7</a></sup><a name="top7"></a>. Nesse sentido, a Carta do Atl&acirc;ntico &eacute;, de acordo com alguns autores, o primeiro sinal do empenho de Roosevelt e de Churchill na cria&ccedil;&atilde;o de uma nova organiza&ccedil;&atilde;o internacional<sup><a href="#8">8</a></sup><a name="top8"></a>.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>No que tocava &agrave; admiss&atilde;o dos membros, decidiu&#8209;se que a Assembleia Geral seria aberta a todos os pa&iacute;ses que tivessem declarado guerra &agrave; Alemanha ou o viessem a fazer at&eacute; 1 de Mar&ccedil;o de 1945 e que tivessem assinado a Declara&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas, ficando acordado que das 16 rep&uacute;blicas que constitu&iacute;am a URSS e que Moscovo pretendia que fossem admitidas como membros de pleno direito, seriam apenas admitidas a Ucr&acirc;nia e a Bielorr&uacute;ssia<sup><a href="#9">9</a></sup><a name="top9"></a>. Somente para a quest&atilde;o dos mandatos n&atilde;o foi encontrada nenhuma solu&ccedil;&atilde;o dada a intransig&ecirc;ncia de Churchill que temia implica&ccedil;&otilde;es no imp&eacute;rio brit&acirc;nico. Finalmente, em Junho de 1945, todos os pa&iacute;ses subscritores da Declara&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas foram convidados a participar numa reuni&atilde;o em S&atilde;o Francisco na qual foi adoptado o texto definitivo da Carta das Na&ccedil;&otilde;es Unidas e se constituiu formalmente a Organiza&ccedil;&atilde;o. No &uacute;ltimo grande encontro entre os grandes, que se realizou em Potsdam de 17 de Julho a 2 de Agosto de 1945, j&aacute; depois da reuni&atilde;o de S&atilde;o Francisco, as pot&ecirc;ncias vencedoras, procurando tornar as Na&ccedil;&otilde;es Unidas numa organiza&ccedil;&atilde;o de voca&ccedil;&atilde;o universal, decidiram tomar uma posi&ccedil;&atilde;o favor&aacute;vel relativamente a um futuro acesso dos pa&iacute;ses neutrais para a Organiza&ccedil;&atilde;o, tendo, no entanto, ficado estabelecido, por imposi&ccedil;&atilde;o sovi&eacute;tica, que uma eventual candidatura da Espanha n&atilde;o seria sequer analisada. Portugal, juntamente com a Su&eacute;cia, a Irlanda e a Su&iacute;&ccedil;a, via&#8209;se assim numa posi&ccedil;&atilde;o que lhe permitia vislumbrar uma candidatura com &ecirc;xito &agrave;s Na&ccedil;&otilde;es Unidas<sup><a href="#10">10</a></sup><a name="top10"></a>.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>SALAZAR E A ONU</b></p>     <p>Feitas estas breves refer&ecirc;ncias ao processo de constitui&ccedil;&atilde;o da organiza&ccedil;&atilde;o que sucedeu &agrave; SdN e &agrave;s posi&ccedil;&otilde;es dos Aliados relativamente &agrave; entrada dos pa&iacute;ses neutrais, vejamos qual a posi&ccedil;&atilde;o do Governo portugu&ecirc;s perante todos estes acontecimentos e, em especial, qual o seu posicionamento em rela&ccedil;&atilde;o a uma eventual candidatura &agrave;s Na&ccedil;&otilde;es Unidas.</p>     <p>Dez dias depois da rendi&ccedil;&atilde;o da Alemanha e dez dias antes do d&eacute;cimo oitavo anivers&aacute;rio do 28 de Maio, Salazar fez um discurso na Assembleia Nacional, intitulado &laquo;Portugal, a guerra e a paz&raquo;, que nos permite obter alguns elementos sobre a vis&atilde;o que o chefe do Governo tinha sobre o posicionamento de Portugal na nova situa&ccedil;&atilde;o internacional. Depois de se referir &agrave; evolu&ccedil;&atilde;o da neutralidade portuguesa durante o conflito, Salazar afirmou que &laquo;finda a guerra, acabou tamb&eacute;m a neutralidade, e Portugal &eacute; como outro qualquer, um pa&iacute;s membro da comunidade internacional&raquo;. No entanto, como logo de seguida notou, Portugal, dada a sua anterior neutralidade, n&atilde;o estava entre os pa&iacute;ses que nesse momento se dedicavam &laquo;&agrave; delicada tarefa de definir o estatuto regulador da comunidade das na&ccedil;&otilde;es&raquo;. Nestas circunst&acirc;ncias, Portugal era o &laquo;homem da rua&raquo;, que tinha &laquo;uma ideia, porventura infundada, mas sincera&raquo;<sup><a href="#11">11</a></sup><a name="top11"></a>. Esta express&atilde;o permite&#8209;nos afirmar que Salazar n&atilde;o via com maus olhos que Portugal deixasse de ser o &laquo;homem da rua&raquo; e que fosse admitido nos sal&otilde;es onde se discutia a nova ordem mundial, impress&atilde;o logo de seguida confirmada quando Salazar aplaude as orienta&ccedil;&otilde;es da nova organiza&ccedil;&atilde;o ao afirmar:</p>     <p>     <blockquote>&laquo;parece que j&aacute; se pode, sem grande erro deduzir do conjunto dos textos e declara&ccedil;&otilde;es p&uacute;blicas um pequeno n&uacute;mero de grandes princ&iacute;pios de orienta&ccedil;&atilde;o. Assim admite&#8209;se como base da organiza&ccedil;&atilde;o o princ&iacute;pio nacional, ou seja a exist&ecirc;ncia de na&ccedil;&otilde;es diferenciadas, independentes e livres, organizadas em Estados soberanos e iguais. Ao mesmo tempo faz&#8209;se uma concess&atilde;o &agrave; realidade da vida internacional em admitir, com base numa diferencia&ccedil;&atilde;o de fun&ccedil;&otilde;es, um princ&iacute;pio aristocr&aacute;tico na direc&ccedil;&atilde;o efectiva da sociedade. E para que desta forma se n&atilde;o resvale na constitui&ccedil;&atilde;o de hegemonias exclusivas ou coligadas, n&atilde;o s&oacute; a actividade das grandes pot&ecirc;ncias &eacute; temperada pela de outras menores, mas entender&#8209;se&#8209;&aacute; que a sociedade tem de inspirar&#8209;se nas suas decis&otilde;es pelo princ&iacute;pio da justi&ccedil;a devida a cada um.&raquo;</blockquote>     <p></p>     <p>Ao concluir este ponto, Salazar remata: &laquo;tenho no meu modesto passado tanta afirma&ccedil;&atilde;o concordante com estes pontos que nem para ser agora original me atrevo a discordar&raquo;<sup><a href="#12">12</a></sup><a name="top12"></a>. Este realismo apontado por Salazar que se traduzia, entre outros aspectos, no car&aacute;cter aristocr&aacute;tico do Conselho de Seguran&ccedil;a, na exclus&atilde;o da supranacionalidade e na adop&ccedil;&atilde;o do princ&iacute;pio nacional e da igualdade entre os estados na constitui&ccedil;&atilde;o da nova organiza&ccedil;&atilde;o que se pretendia universal, eram, como notou Carlos Gaspar, factores suficientes para o presidente do Conselho encontrar nas Na&ccedil;&otilde;es Unidas &laquo;s&oacute;lidas virtudes&raquo;<sup><a href="#13">13</a></sup><a name="top13"></a>.</p>     <p>Feitas estas aprecia&ccedil;&otilde;es sobre a nova organiza&ccedil;&atilde;o, Salazar d&aacute; o passo seguinte ao referir a posi&ccedil;&atilde;o do Governo portugu&ecirc;s perante este novo organismo:</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>     <blockquote>&laquo;assente e respeitada a igualdade jur&iacute;dica dos Estados e a plena independ&ecirc;ncia na direc&ccedil;&atilde;o da sua vida interna, a outros, n&atilde;o a n&oacute;s, pode parecer inaceit&aacute;vel uma hierarquia de interesses, de valores, de sacrif&iacute;cios ou de fun&ccedil;&otilde;es e consequentemente de responsabilidades. Se a vida internacional tem de ser coordenada e superiormente dirigida, tem n&atilde;o s&oacute; de admitir&#8209;se com lealdade &oacute;rg&atilde;os capazes de deliberar com rapidez e efici&ecirc;ncia, mas que nas delibera&ccedil;&otilde;es sejam parte os que mais podem ser afectados por elas. Quem, como n&oacute;s, proclama e aceita que o Estado &eacute; limitado pela moral e pelo direito achar&aacute; que a sociedade internacional deve igualmente considerar&#8209;se limitada pelos imperativos de uma justi&ccedil;a superior&raquo;<sup><a href="#14">14</a></sup><a name="top14"></a>.</blockquote>     <p></p>     <p>Mesmo descontando a ret&oacute;rica salazarista, fica claro o interesse de Salazar na ades&atilde;o de Portugal &agrave;s Na&ccedil;&otilde;es Unidas. No entanto, o presidente do Conselho n&atilde;o punha de lado uma eventual recusa ao pedido de ades&atilde;o:</p>     <p>     <blockquote>&laquo;a nova sociedade das na&ccedil;&otilde;es ter&aacute; de ser ao mesmo tempo universal e volunt&aacute;ria, at&eacute; que a consci&ecirc;ncia do mundo imponha a sua obrigatoriedade. E esta vir&aacute; um dia. Entretanto muito mal avisados andariam os que procurassem contrariar de qualquer modo a ades&atilde;o dos diversos pa&iacute;ses ou se entretivessem a incluir no pacto condi&ccedil;&otilde;es ou exig&ecirc;ncias inaceit&aacute;veis (...) As necessidades de reconstru&ccedil;&atilde;o da Europa, os problemas pol&iacute;ticos e sociais nascidos da guerra s&atilde;o de tal envergadura e urg&ecirc;ncia que a nenhum povo, e muito menos aos que foram poupados, ser&aacute; l&iacute;cito abster&#8209;se de prestar a sua contribui&ccedil;&atilde;o com esp&iacute;rito de larga generosidade.&raquo;<sup><a href="#15">15</a></sup><a name="top15"></a></blockquote>     <p></p>     <p>Estava ent&atilde;o claramente definida a posi&ccedil;&atilde;o do Governo no que dizia respeito &agrave; ONU. Nesta altura, sentia&#8209;se necessidade de ver o Pa&iacute;s numa organiza&ccedil;&atilde;o multilateral que nas d&eacute;cadas seguintes tantas dores de cabe&ccedil;a causaria ao regime.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>PREPARANDO A CANDIDATURA</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Em Agosto de 1945, depois de conhecidas as resolu&ccedil;&otilde;es da Confer&ecirc;ncia de Potsdam, o duque de Palmela, embaixador de Portugal em Londres, escreveu uma carta a Salazar, que ent&atilde;o acumulava a pasta dos Neg&oacute;cios Estrangeiros com a Presid&ecirc;ncia do Conselho, comunicando&#8209;lhe que todos os pa&iacute;ses, excepto a Espanha de Franco, poderiam fazer parte da nova organiza&ccedil;&atilde;o mundial, cabendo aos estados interessados a tomada de iniciativa. &Agrave; partida, Palmela mostrou&#8209;se um pouco reticente em rela&ccedil;&atilde;o ao facto de Portugal, tal como qualquer outro Estado, ter de fazer o pedido, a n&atilde;o ser que a Inglaterra demonstrasse expressamente que tinha interesse na ades&atilde;o de Portugal &agrave; ONU, mas depois revelou outra opini&atilde;o ao questionar&#8209;se sobre qual seria a posi&ccedil;&atilde;o da Su&iacute;&ccedil;a e da Su&eacute;cia perante as novidades de Potsdam, deixando no ar a quest&atilde;o:</p>     <p>     <blockquote>&laquo;conv&eacute;m a Portugal isolar&#8209;se ou acompanhar estes dois pa&iacute;ses que est&atilde;o na mesma situa&ccedil;&atilde;o que n&oacute;s. H&aacute; um ponto que s&oacute; a n&oacute;s diz respeito &ndash; sermos um pa&iacute;s colonial com um grande imp&eacute;rio. D&aacute;&#8209;me a impress&atilde;o que nos conv&eacute;m sempre estar dentro das organiza&ccedil;&otilde;es internacionais para podermos emitir a nossa opini&atilde;o e discutir a de outros pa&iacute;ses&raquo;<sup><a href="#16">16</a></sup><a name="top16"></a>.</blockquote>     <p></p>     <p>As novidades de Potsdam sobre a ades&atilde;o dos neutros foram acompanhadas com interesse pela diplomacia portuguesa. Um m&ecirc;s depois da confer&ecirc;ncia, o Minist&eacute;rio dos Neg&oacute;cios Estrangeiros (MNE) elaborou um documento intitulado &laquo;Condi&ccedil;&otilde;es para a entrada de Portugal na organiza&ccedil;&atilde;o denominada das &ldquo;Na&ccedil;&otilde;es Unidas&rdquo;&raquo; no qual era analisado o processo de ades&atilde;o de novos membros. O documento come&ccedil;ava por referir quais os pressupostos necess&aacute;rios para que um pa&iacute;s fosse considerado membro fundador das Na&ccedil;&otilde;es Unidas (participa&ccedil;&atilde;o na Confer&ecirc;ncia das Na&ccedil;&otilde;es Unidas realizada em S&atilde;o Francisco em Junho de 1945 e subscri&ccedil;&atilde;o da Carta das Na&ccedil;&otilde;es Unidas aprovada nessa reuni&atilde;o; ser um dos subscritores da Declara&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas de 1 de Janeiro de 1942). Como Portugal n&atilde;o se encontrava nessa situa&ccedil;&atilde;o, importava saber como poderiam os outros estados entrar para a nova organiza&ccedil;&atilde;o. O artigo 4 da Carta afirmava:</p>     <p>     <blockquote>&laquo;I &ndash; Todos os outros Estados pac&iacute;ficos podem livremente entrar para membros das Na&ccedil;&otilde;es Unidas, desde que aceitem as obriga&ccedil;&otilde;es contidas na presente Carta e que, no conceito do pr&oacute;prio Organismo, sejam considerados com capacidade para e com vontade de cumprir estas obriga&ccedil;&otilde;es. 2 &ndash; A admiss&atilde;o de qualquer desses Estados como membros das Na&ccedil;&otilde;es Unidas ser&aacute; efectuada por decis&atilde;o da Assembleia&#8209;geral ap&oacute;s recomenda&ccedil;&atilde;o do Conselho de Seguran&ccedil;a&raquo;<sup><a href="#17">17</a></sup><a name="top17"></a>.</blockquote>     <p></p>     <p>Feitas estas refer&ecirc;ncias &agrave; Carta, os autores do documento passavam a analisar a quest&atilde;o de uma eventual ades&atilde;o de Portugal.</p>     <p>No fundo, como era referido, as condi&ccedil;&otilde;es para o ingresso de um Estado n&atilde;o&#8209;fundador na nova organiza&ccedil;&atilde;o passavam por este ser considerado um pa&iacute;s pac&iacute;fico pelos pa&iacute;ses j&aacute; membros, aceitar e demonstrar aceitar o estatuto que criara a ONU, obter uma recomenda&ccedil;&atilde;o ou proposta do Conselho de Seguran&ccedil;a e, finalmente, ver a proposta de ades&atilde;o aceite na Assembleia Geral.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Perante estes factos o estudo do minist&eacute;rio afirmava que, em rela&ccedil;&atilde;o ao primeiro ponto, &laquo;parece n&atilde;o oferecer d&uacute;vidas que Portugal &eacute; um pa&iacute;s pac&iacute;fico&raquo;, sendo no entanto feita a seguinte interroga&ccedil;&atilde;o: &laquo;qual ser&aacute; a forma como, no conceito dos actuais membros pode ser provado esse pacifismo? A pr&oacute;pria hist&oacute;ria contempor&acirc;nea e at&eacute; antiga, deve ser prova suficiente e nem por absurdo nos parece poss&iacute;vel ser posta em d&uacute;vida o facto de Portugal ser &ldquo;<i>a peace-loving State</i>&rdquo;&raquo;<sup><a href="#18">18</a></sup><a name="top18"></a>.</p>     <p>Em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; capacidade e vontade de cumprir as obriga&ccedil;&otilde;es da Carta defendia&#8209;se n&atilde;o existir &laquo;no texto da Carta o menor esclarecimento quanto &agrave; forma que deve revestir a aceita&ccedil;&atilde;o por qualquer pa&iacute;s dos preceitos nela contidos...&raquo;, questionando&#8209;se se n&atilde;o seria a apresenta&ccedil;&atilde;o da candidatura a melhor maneira de provar a vontade de aceitar as regras da Organiza&ccedil;&atilde;o?</p>     <p>No que toca aos procedimentos, fazia&#8209;se notar que para que o Conselho de Seguran&ccedil;a apresentasse a candidatura de um pa&iacute;s &agrave; Assembleia Geral era &oacute;bvio que essa proposta teria de ser previamente aprovada pelo pr&oacute;prio Conselho de Seguran&ccedil;a. Tendo em considera&ccedil;&atilde;o este facto, referia&#8209;se que as propostas sujeitas a vota&ccedil;&atilde;o no Conselho eram de dois tipos: um sobre &laquo;mat&eacute;rias de processo&raquo; e outro sobre &laquo;mat&eacute;ria de facto ou de direito&raquo;, sendo que as primeiras exigiam apenas para serem aprovadas uma vota&ccedil;&atilde;o de sete sobre os 11 membros que comp&otilde;em o Conselho e as segundas uma vota&ccedil;&atilde;o favor&aacute;vel de sete membros mas que, entre esses sete membros, se encontrassem os votos das cinco grandes pot&ecirc;ncias, ou seja, dos membros permanentes. Referia&#8209;se, ainda, que n&atilde;o era poss&iacute;vel considerar a entrada de um novo membro como &laquo;mat&eacute;ria de processo&raquo; e, mesmo que essa hip&oacute;tese fosse colocada, ela n&atilde;o teria hip&oacute;tese de vingar, citando&#8209;se uma nota&#8209;declara&ccedil;&atilde;o das quatro pot&ecirc;ncias que fizeram os convites para a Confer&ecirc;ncia de S&atilde;o Francisco onde se afirmava:</p>     <p>     <blockquote>&laquo;I &ndash; Na opini&atilde;o das delega&ccedil;&otilde;es dos governos que promoveram esta confer&ecirc;ncia, o projecto de Carta cont&eacute;m, em si pr&oacute;prio, indicada a aplica&ccedil;&atilde;o do sistema de voto nas diferentes fun&ccedil;&otilde;es do Conselho; 2 &ndash; Nestas condi&ccedil;&otilde;es n&atilde;o deve ser prov&aacute;vel que se levante no futuro qualquer assunto de grande import&acirc;ncia a respeito do qual seja necess&aacute;rio tomar uma decis&atilde;o sobre se se dever&aacute; aplicar o sistema de vota&ccedil;&atilde;o processual.&raquo;</blockquote>     <p></p>     <p>Se, no entanto, tal vier a acontecer, &laquo;a decis&atilde;o, no que respeita &agrave; quest&atilde;o pr&eacute;via sobre se &eacute; ou n&atilde;o mat&eacute;ria de processo, dever&aacute; ser tomada por um voto de sete membros do Conselho de Seguran&ccedil;a, incluindo o voto afirmativo dos membros permanentes&raquo;<sup><a href="#19">19</a></sup><a name="top19"></a>, ou seja, n&atilde;o era poss&iacute;vel escapar &agrave; aprova&ccedil;&atilde;o de todos os grandes. No mesmo sentido era referido que numa entrevista, o ent&atilde;o secret&aacute;rio de Estado norte&#8209;americano, Stettinius, havia inclu&iacute;do a admiss&atilde;o de novos membros nos casos em que era necess&aacute;ria a unanimidade das grandes pot&ecirc;ncias.</p>     <p>Finalmente, em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; vota&ccedil;&atilde;o na Assembleia Geral, a admiss&atilde;o de novos membros era uma das mat&eacute;rias em que era necess&aacute;ria a obten&ccedil;&atilde;o de uma maioria de dois ter&ccedil;os. No entanto, o estudo do MNE referia que n&atilde;o era de esperar que uma proposta aprovada pelos cinco grandes n&atilde;o conseguisse obter pelo menos os dois ter&ccedil;os necess&aacute;rios na Assembleia Geral.</p>     <p>Perante estas circunst&acirc;ncias, tornava&#8209;se evidente que o &uacute;nico grande obst&aacute;culo &agrave; ades&atilde;o de Portugal &agrave;s Na&ccedil;&otilde;es Unidas era a possibilidade de a Uni&atilde;o Sovi&eacute;tica usar o seu direito de veto no Conselho de Seguran&ccedil;a. Os autores do documento estavam perfeitamente cientes de tal facto e afirmavam na parte final do texto:</p>     <p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<blockquote>&laquo;n&atilde;o tendo Portugal rela&ccedil;&otilde;es diplom&aacute;ticas com uma das grandes pot&ecirc;ncias que fazem parte da nova organiza&ccedil;&atilde;o como membros permanentes, parece&#8209;nos evidente que a entrada do nosso pa&iacute;s nesse organismo s&oacute; se poderia encarar se fosse previamente garantida a n&atilde;o oposi&ccedil;&atilde;o dessa pot&ecirc;ncia que tem, sem a menor d&uacute;vida, o direito de impedir a admiss&atilde;o de novos membros&raquo;.</blockquote>     <p></p>     <p>Era ainda referido</p>     <p>     <blockquote>&laquo;que esta situa&ccedil;&atilde;o n&atilde;o nasceu apenas nesta organiza&ccedil;&atilde;o internacional, pois a entrada de qualquer novo membro na antiga Sociedade das Na&ccedil;&otilde;es estava sujeita ao direito de veto, n&atilde;o apenas das cinco grandes pot&ecirc;ncias mas de qualquer dos membros do Conselho, visto que as suas decis&otilde;es exigiam, neste caso, a unanimidade&raquo;,</blockquote>     <p></p>     <p>sendo recordada a posi&ccedil;&atilde;o tomada pelo Governo portugu&ecirc;s quando a R&uacute;ssia solicitou a sua ades&atilde;o &agrave; SdN que poderia influenciar negativamente uma eventual candidatura portuguesa: &laquo;N&atilde;o ser&aacute; certamente esquecida a oposi&ccedil;&atilde;o de Portugal &agrave; entrada da R&uacute;ssia na referida sociedade&hellip;&raquo;<Sup><a href="#20">20</a></sup><a name="top20"></a></p>     <p>O Governo tinha assim pleno conhecimento de que, sem o aval da Uni&atilde;o Sovi&eacute;tica, Portugal n&atilde;o conseguiria aderir &agrave;s Na&ccedil;&otilde;es Unidas. O tempo foi passando sem que tivesse existido qualquer avan&ccedil;o do lado do Governo portugu&ecirc;s nem nenhum sinal do lado das pot&ecirc;ncias vencedoras, at&eacute; que, quando no final de 1945 os Aliados iniciam os &uacute;ltimos preparativos para a liquida&ccedil;&atilde;o da SdN, se vislumbrou uma hipot&eacute;tica oportunidade para Portugal aderir &agrave; Organiza&ccedil;&atilde;o ultrapassando o problema do veto russo.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>A MALOGRADA INTEGRA&Ccedil;&Atilde;O AUTOM&Aacute;TICA</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Em Novembro de 1945, o embaixador portugu&ecirc;s em Londres teve uma conversa com o representante do Brasil junto das Na&ccedil;&otilde;es Unidas, Freitas Vale, na qual o diplomata brasileiro referiu a possibilidade de serem evitados os tr&acirc;mites normais estipulados na carta de S&atilde;o Francisco, de maneira a ser conseguida a ades&atilde;o imediata dos pa&iacute;ses neutros. A ideia era a de fazer com que os neutros que ainda faziam parte da SdN e que tinham sido convidados a participar na reuni&atilde;o que no in&iacute;cio de Janeiro iria votar em Londres a dissolu&ccedil;&atilde;o da SdN, fossem integrados nas Na&ccedil;&otilde;es Unidas quando fosse votada a transfer&ecirc;ncia dos valores da SdN para a ONU, realizando&#8209;se nesse acto a integra&ccedil;&atilde;o autom&aacute;tica dos pa&iacute;ses neutrais membros da SdN. Tal artif&iacute;cio teria a vantagem de evitar o processo estipulado na Carta que obrigava a que a candidatura de cada Estado fosse examinada separadamente, o que se poderia traduzir na ades&atilde;o de uns e na n&atilde;o integra&ccedil;&atilde;o de outros, que ficariam numa posi&ccedil;&atilde;o de inferioridade no concerto das na&ccedil;&otilde;es. Esta solu&ccedil;&atilde;o tinha ainda a grande vantagem, como refere Salazar num telegrama enviado para Londres<sup><a href="#21">21</a></sup><a name="top21"></a>, de evitar o veto da Uni&atilde;o Sovi&eacute;tica. No mesmo telegrama era referido que o chefe da reparti&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica do MNE transmitira esta sugest&atilde;o de Freitas Vale a Baruch, embaixador dos Estados Unidos em Lisboa, e que este se tinha mostrado interessado na solu&ccedil;&atilde;o apresentada. Salazar terminava o telegrama afirmando que esta solu&ccedil;&atilde;o teria vantagens para os Estados Unidos e para a Gr&atilde;-Bretanha, que assim teriam uma maior base de apoio nas Na&ccedil;&otilde;es Unidas &laquo;sem se verem a bra&ccedil;os com dificuldades que de outro modo possivelmente surgir&atilde;o. Outro caminho s&oacute; servir&aacute; a R&uacute;ssia que pode negociar caso por caso o seu voto apesar delibera&ccedil;&atilde;o de princ&iacute;pio aceite Potsdam&raquo;. Salazar pretendia que Palmela sondasse em Londres esta possibilidade, deixando no entanto claro que, caso esta sugest&atilde;o n&atilde;o tivesse viabilidade, Portugal votaria &agrave; mesma a dissolu&ccedil;&atilde;o da SdN e a transfer&ecirc;ncia de valores para a ONU sem que isso dependesse de qualquer arranjo. O telegrama terminava com Salazar a defender que nesse caso se deveria &laquo;aguardar circunst&acirc;ncias oportunas para nossa entrada&raquo;<sup><a href="#22">22</a></sup><a name="top22"></a>. Esta frase, escrita no final de 1945, deixa muito poucas d&uacute;vidas sobre as inten&ccedil;&otilde;es do presidente do Conselho relativamente &agrave; ades&atilde;o de Portugal &agrave; ONU.</p>     <p>Esta hip&oacute;tese n&atilde;o teve, no entanto, qualquer seguimento. Dias depois, Palmela enviou um telegrama para as Necessidades relatando uma conversa com o subsecret&aacute;rio de Estado dos Neg&oacute;cios Estrangeiros da Gr&atilde;&#8209;Bretanha, Alexander Cadogan, durante a qual o respons&aacute;vel brit&acirc;nico deu nota da inviabilidade da entrada dos tr&ecirc;s neutros (Portugal, Su&iacute;&ccedil;a e Su&eacute;cia) automaticamente na nova organiza&ccedil;&atilde;o. O embaixador portugu&ecirc;s, de acordo com as instru&ccedil;&otilde;es enviadas por Salazar<sup><a href="#23">23</a></sup><a name="top23"></a>, comunicou ent&atilde;o a Cadogan que, apesar disso, Portugal votaria &agrave; mesma a dissolu&ccedil;&atilde;o da SdN, n&atilde;o negociando o seu voto. Perante esta declara&ccedil;&atilde;o, o subsecret&aacute;rio agradeceu a atitude de Portugal, tendo afirmado que &laquo;haveria assim mais um argumento a juntar a muitos outros que militam a favor da entrada de Portugal nas Na&ccedil;&otilde;es Unidas&raquo;<sup><a href="#24">24</a></sup><a name="top24"></a>, acrescentando ser essa a atitude correcta, uma vez que Portugal mostrava desejo em fazer parte da nova organiza&ccedil;&atilde;o. Diplomaticamente, Palmela defendeu que n&atilde;o se tratava propriamente de um desejo mas de um contributo de Portugal para as boas rela&ccedil;&otilde;es internacionais e para o futuro entendimento entre as na&ccedil;&otilde;es, e esclareceu: &laquo;evidentemente n&atilde;o podia endossar sujeitar&#8209;nos sofrer desaires quando o nosso nome fosse proposto&raquo;. Cadogan afirma ent&atilde;o que concordava inteiramente com o ponto de vista portugu&ecirc;s, observando que se teria de preparar terreno, prepara&ccedil;&atilde;o na qual os ingleses estavam dispostos a participar depois da dissolu&ccedil;&atilde;o da SdN<sup><a href="#25">25</a></sup><a name="top25"></a>.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>OS NEUTROS CONCERTAM POSI&Ccedil;&Otilde;ES</b></p>     <p>Apesar desta primeira tentativa n&atilde;o ter ido avante, o Governo portugu&ecirc;s continuou a mostrar&#8209;se interessado na ades&atilde;o do pa&iacute;s &agrave; ONU, como revela a troca de telegramas entre Lisboa e Londres em Janeiro de 1946. No in&iacute;cio desse m&ecirc;s, um jornalista do <i>Yorkshire Post </i>que estava a fazer um artigo sobre a posi&ccedil;&atilde;o dos pa&iacute;ses neutros em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; ONU procurou saber qual a posi&ccedil;&atilde;o de Portugal nesse contexto. A embaixada em Londres contactou o MNE para que este lhe fornecesse as informa&ccedil;&otilde;es que deveriam ser transmitidas ao jornalista. Uma vez que a resposta &eacute; elaborada por Salazar e pela clareza com que este exprime o interesse do Pa&iacute;s em fazer parte da organiza&ccedil;&atilde;o, transcrevemo&#8209;la:</p>     <p>     <blockquote>&laquo;elementos mais importantes para resposta parecem ser seguintes: Portugal considera t&atilde;o essencial princ&iacute;pio pac&iacute;fico nas rela&ccedil;&otilde;es internacionais que pr&oacute;pria Constitui&ccedil;&atilde;o Pol&iacute;tica estabelece como preceito constitucional que &ldquo;Portugal preconiza a arbitragem como meio de dirimir lit&iacute;gios internacionais&rdquo; (par&aacute;grafo &uacute;nico do artigo 4&ordm; Constitui&ccedil;&atilde;o&hellip;). Por sua vez no citado artigo 4&ordm; afirmado elevado princ&iacute;pio de que &ldquo;soberania na ordem s&oacute; reconhece como limites a moral e o direito&rdquo; declara que na ordem internacional cumpre ao Estado &ldquo;cooperar com outros Estados na prepara&ccedil;&atilde;o e adop&ccedil;&atilde;o de solu&ccedil;&otilde;es que interessem &agrave; paz entre os povos e ao progresso da humanidade&rdquo;. Assim atrav&eacute;s destes princ&iacute;pios da nossa Constitui&ccedil;&atilde;o aprovada pela na&ccedil;&atilde;o em plebiscito nacional a 19 de Mar&ccedil;o de 1933 Portugal manifesta maneira inequ&iacute;voca e expressa seus prop&oacute;sitos coopera&ccedil;&atilde;o internacional e obriga&ccedil;&atilde;o recurso arbitragem; e quantos fins pr&oacute;prios fins do Estado na ac&ccedil;&atilde;o interna inscrevemos formalmente sua limita&ccedil;&atilde;o pela moral e pelo direito (ao contr&aacute;rio das teorias estatais dos pa&iacute;ses totalit&aacute;rios). No campo pr&aacute;tico Portugal foi e continua sendo ainda membro da SdN tendo sempre prestado sua colabora&ccedil;&atilde;o &agrave;quele organismo quer mediante pagamento suas contribui&ccedil;&otilde;es financeiras (estamos em dia com sociedade) quer quanto actividades da mesma em todos seus sectores. (se v. exa. vir oportunidade ou conveni&ecirc;ncia pode referir em conversa nossa ac&ccedil;&atilde;o quando dif&iacute;cil momento aplica&ccedil;&atilde;o san&ccedil;&otilde;es It&aacute;lia em que comiss&atilde;o respectiva foi presidida pelo delegado portugu&ecirc;s). Portugal v&ecirc; portanto com toda simpatia todas as manifesta&ccedil;&otilde;es internacionais para fins colabora&ccedil;&atilde;o pac&iacute;fica entre Estados e defesa princ&iacute;pios tendentes salvaguardar paz mundial...&raquo;<sup><a href="#26">26</a></sup><a name="top26"></a>.</blockquote>     <p></p>     <p>Na opini&atilde;o do presidente do Conselho, o Pa&iacute;s est&aacute; apto para colaborar nas organiza&ccedil;&otilde;es internacionais que procurem manter a paz, ao ponto de o expressar na pr&oacute;pria Constitui&ccedil;&atilde;o. Paralelamente, pertence &agrave; organiza&ccedil;&atilde;o que ir&aacute; ser substitu&iacute;da pelas Na&ccedil;&otilde;es Unidas e n&atilde;o se compara aos estados totalit&aacute;rios uma vez que a ac&ccedil;&atilde;o interna do Estado &eacute; regulada pela moral e pelo direito! Que maneira mais clara haveria para o Governo portugu&ecirc;s demonstrar o seu interesse em aderir &agrave; ONU? Salazar n&atilde;o s&oacute; defende a entrada de Portugal na ONU como mostra esperan&ccedil;as em que esta venha a desempenhar um papel importante no p&oacute;s&#8209;guerra. Faltava apenas um sinal para que Portugal desse o passo &agrave; muito estudado.</p>     <p>Tamb&eacute;m uma an&aacute;lise a uma s&eacute;rie de telegramas expedidos de Lisboa e recebidos de v&aacute;rias cidades com representa&ccedil;&atilde;o diplom&aacute;tica portuguesa (Berna, Haia, Bruxelas, Londres, Washington, Dublin e Genebra)<sup><a href="#27">27</a></sup><a name="top27"></a> permite&#8209;nos concluir que, de Novembro de 1945 at&eacute; Junho de 1946, a diplomacia portuguesa deu claros sinais do interesse de Portugal em aderir &agrave; ONU. Durante este per&iacute;odo procuraram&#8209;se apoios para uma eventual candidatura e concertaram&#8209;se posi&ccedil;&otilde;es com outros pa&iacute;ses na mesma situa&ccedil;&atilde;o. Esta concerta&ccedil;&atilde;o era particularmente importante na medida em que os outros estados que se encontravam na mesma situa&ccedil;&atilde;o de Portugal (Su&eacute;cia, Su&iacute;&ccedil;a e Irlanda) tinham as mesmas d&uacute;vidas e partilhavam os mesmos receios sobre uma eventual recusa a um pedido de ades&atilde;o. A Su&iacute;&ccedil;a n&atilde;o se mant&eacute;m muito tempo neste grupo uma vez que, para ser admitida na ONU, teria de abdicar do seu estatuto de neutralidade, estatuto do qual os su&iacute;&ccedil;os n&atilde;o estavam dispostos a abdicar<sup><a href="#28">28</a></sup><a name="top28"></a>, mas a Su&eacute;cia e a Irlanda mostram&#8209;se empenhadas na apresenta&ccedil;&atilde;o de candidaturas. Uma alavanca importante no sentido da admiss&atilde;o dos neutros deu&#8209;se no in&iacute;cio de Janeiro de 1946, quando &eacute; publicado no <i>Washington Post </i>um artigo de Sumner Welles intitulado &laquo;Admission Into ONU. Four Neutral States Now Eligible&raquo; no qual o autor defende a entrada imediata dos neutros com excep&ccedil;&atilde;o da Espanha para a ONU, uma vez que, em seu entender, se estes pa&iacute;ses n&atilde;o fossem imediatamente admitidos na nova organiza&ccedil;&atilde;o, a reconstitui&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica da Europa seria retardada e a &laquo;federa&ccedil;&atilde;o econ&oacute;mica da Europa, o mais s&oacute;lido instrumento da estabilidade europeia (...) indevidamente atrasada&raquo;<sup><a href="#29">29</a></sup><a name="top29"></a>.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Acontece que a Carta estabelecia que cabia aos pa&iacute;ses interessados em participar na organiza&ccedil;&atilde;o a tomada de iniciativa, mas estes n&atilde;o queriam avan&ccedil;ar sem terem confian&ccedil;a de que a sua candidatura n&atilde;o seria recusada, criando&#8209;se um impasse que s&oacute; seria ultrapassado em Julho. Dois telegramas do MNE revelam este impasse. Na sess&atilde;o dos Comuns de 28 de Janeiro de 1945 o ministro de Estado adjunto brit&acirc;nico, Noel Baker, respondendo a uma quest&atilde;o sobre a entrada dos neutros lembrou que &laquo;a regra 104 das regras do processo adoptadas pela Assembleia&#8209;geral e a regra 25 das regras adoptadas provisoriamente pelo Conselho determinam que qualquer Estado que deseje tornar&#8209;se membro das Na&ccedil;&otilde;es Unidas apresentar&aacute; um requerimento ao Secret&aacute;rio Geral&raquo;, n&atilde;o tendo ainda sido &laquo;recebidos tais requerimentos da Su&eacute;cia, Su&iacute;&ccedil;a ou Portugal&raquo;<sup><a href="#30">30</a></sup><a name="top30"></a>. Tr&ecirc;s dias mais tarde era recebido nas Necessidades um telegrama de Dublin que esclarecia a posi&ccedil;&atilde;o do Governo irland&ecirc;s. O secret&aacute;rio&#8209;geral do Minist&eacute;rio dos Neg&oacute;cios Estrangeiros da Irlanda informara o encarregado de neg&oacute;cios portugu&ecirc;s que a Irlanda n&atilde;o aderiria sem ser convidada e que seria desairosa a hip&oacute;tese de recusa caso o Governo irland&ecirc;s tomasse a iniciativa<sup><a href="#31">31</a></sup><a name="top31"></a>.</p>     <p>Tamb&eacute;m a Su&eacute;cia se mostrava receosa em rela&ccedil;&atilde;o a um poss&iacute;vel veto russo, como revela um telegrama enviado pela Lega&ccedil;&atilde;o portuguesa em Haia no qual se afirma que o Governo sueco realizara j&aacute; algumas sondagens para a entrada na ONU, tendo chegado &agrave; conclus&atilde;o que era previs&iacute;vel um veto russo, uma vez que, como afirmou o encarregado de Neg&oacute;cios da Su&eacute;cia em Haia ao ministro de Portugal nessa mesma cidade, os &laquo;russos n&atilde;o podem ver sem preocupa&ccedil;&atilde;o qualquer poss&iacute;vel aumento do voto Ocidental e &eacute; veros&iacute;mil que queiram alargar sua vota&ccedil;&atilde;o e seus sat&eacute;lites&raquo;<sup><a href="#32">32</a></sup><a name="top32"></a>. No m&ecirc;s seguinte, outro telegrama de Haia, reafirmava o interesse da Su&eacute;cia em aderir &agrave;s Na&ccedil;&otilde;es Unidas, mas que a candidatura ainda n&atilde;o tinha avan&ccedil;ado<sup><a href="#33">33</a></sup><a name="top33"></a>.</p>     <p>Daqui podemos concluir que Portugal, tal como a Su&eacute;cia e a Irlanda n&atilde;o escondiam nos meios diplom&aacute;ticos ocidentais o seu interesse em aderir &agrave; ONU e que estes tr&ecirc;s pa&iacute;ses partilhavam o mesmo receio: o veto russo. Estes tr&ecirc;s neutrais tinham a no&ccedil;&atilde;o clara de que as suas candidaturas s&oacute; seriam bem-sucedidas se fosse ultrapassado o problema do veto e que esse problema s&oacute; poderia ser resolvido de duas maneiras: ou atrav&eacute;s de um acordo mais vasto entre os grandes, como aquele que viria a ser alcan&ccedil;ado em 1955, ou atrav&eacute;s de um acordo directo e bilateral entre o pa&iacute;s interessado em aderir e a Uni&atilde;o Sovi&eacute;tica.</p>     <p>Acontece que, em finais de Mar&ccedil;o de 1946, chega ao MNE uma informa&ccedil;&atilde;o que parece inviabilizar a primeira alternativa. O conhecido socialista belga, Paul&#8209;Henri Spaak, antigo primeiro&#8209;ministro e presidente da primeira Assembleia Geral das Na&ccedil;&otilde;es Unidas, em conversa com o ministro de Portugal em Bruxelas, revelou que apenas a segunda alternativa permitiria a ades&atilde;o. Spaak julgava ser condi&ccedil;&atilde;o essencial para a admiss&atilde;o de Portugal nas Na&ccedil;&otilde;es Unidas um pedido de Portugal para o reatamento das rela&ccedil;&otilde;es diplom&aacute;ticas com a R&uacute;ssia. Sem isto, a Uni&atilde;o Sovi&eacute;tica opor&#8209;se&#8209;ia sempre, recusando mesmo uma combina&ccedil;&atilde;o a troco da entrada de um dos seus sat&eacute;lites. Em seu entender o desmedido orgulho sovi&eacute;tico e o &laquo;desejo de criar um foco de infec&ccedil;&atilde;o na Pen&iacute;nsula&raquo;<Sup><a href="#34">34</a></sup><a name="top34"></a> atrav&eacute;s da representa&ccedil;&atilde;o diplom&aacute;tica e consular, inviabilizam um mero acordo de troca entre os blocos que ent&atilde;o se come&ccedil;avam a formar.</p>     <p>Esta hip&oacute;tese chocava frontalmente com a posi&ccedil;&atilde;o do Governo portugu&ecirc;s que, logo em Novembro de 1945, tinha sido esclarecida num telegrama enviado por Salazar para a embaixada em Londres, no qual o presidente do Conselho e ministro dos Neg&oacute;cios Estrangeiros afirmava: &laquo;n&atilde;o nos sujeitaremos nem a negociar entrada com R&uacute;ssia mediante concess&atilde;o de aceitar por exemplo representa&ccedil;&atilde;o diplom&aacute;tica nem a sofrer desaire na admiss&atilde;o pelo que situa&ccedil;&atilde;o tem de estar suficientemente esclarecida antes qualquer passo&raquo;<sup><a href="#35">35</a></sup><a name="top35"></a>.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>O FIM DO IMPASSE</b></p>     <p>Estava&#8209;se, portanto, perante um impasse at&eacute; que, numa atitude concertada, no dia 6 de Julho de 1946, os representantes diplom&aacute;ticos da Gr&atilde;&#8209;Bretanha e dos Estados Unidos pediram para ser recebidos no Pal&aacute;cio das Necessidades pelo director&#8209;geral dos Neg&oacute;cios Pol&iacute;ticos, Marcelo Mathias, informando que tinham instru&ccedil;&otilde;es dos seus governos para apoiarem a candidatura de Portugal &agrave;s Na&ccedil;&otilde;es Unidas<sup><a href="#36">36</a></sup><a name="top36"></a>. Id&ecirc;nticas <i>d&eacute;marches </i>tinham sido feitas pelos anglo&#8209;americanos na Su&eacute;cia e na Irlanda<sup><a href="#37">37</a></sup><a name="top37"></a>. O avan&ccedil;o dos brit&acirc;nicos e norte&#8209;americanos seguiu&#8209;se &agrave; resolu&ccedil;&atilde;o adoptada em Maio de 1946 pelo Conselho de Seguran&ccedil;a, que definia que os pedidos para a admiss&atilde;o de novos membros deveriam ser transmitidos at&eacute; 15 de Julho de modo a que fossem analisados durante o m&ecirc;s de Agosto, tendo os diplomatas declarado que os seus governos &laquo;apoiariam calorosamente nossa admiss&atilde;o&raquo;<sup><a href="#38">38</a></sup><a name="top38"></a>. Era, finalmente, altura de p&ocirc;r em pr&aacute;tica aquilo que h&aacute; muito vinha sendo defendido pelo Foreign Office, que j&aacute; em Mar&ccedil;o de 1945 tinha afirmado ser muito desej&aacute;vel a r&aacute;pida entrada de Portugal e do seu vasto imp&eacute;rio<sup><a href="#39">39</a></sup><a name="top39"></a>.</p>     <p>O primeiro representante a ser recebido foi o conselheiro da Embaixada brit&acirc;nica em Lisboa, Charles Stirling. Perante a demonstra&ccedil;&atilde;o de apoio, Marcelo Mathias respondeu que o Governo portugu&ecirc;s muito apreciaria esta iniciativa e seria sens&iacute;vel &agrave; amizade que tal dilig&ecirc;ncia provava e pedia que, desde j&aacute;, fossem transmitidas para Londres os agradecimentos do Governo portugu&ecirc;s. O diplomata fazia, no entanto, notar que a quest&atilde;o era complexa e teria de ser cuidadosamente analisada pelo Governo portugu&ecirc;s. A t&iacute;tulo pessoal e como primeira reac&ccedil;&atilde;o, Mathias referiu alguns pontos que poderiam condicionar a atitude de Portugal: em primeiro lugar, sublinhou que</p>     <p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<blockquote>&laquo;o alcance pr&aacute;tico daquela dilig&ecirc;ncia era muito limitado pois estava condicionado pelas normas da Carta das Na&ccedil;&otilde;es Unidas que exige unanimidade cinco grandes entre os quais R&uacute;ssia com cujo voto dificilmente poderia contar&#8209;se. N&atilde;o tendo rela&ccedil;&otilde;es diplom&aacute;ticas com a R&uacute;ssia nem supondo que circunst&acirc;ncias pol&iacute;ticas se modifiquem por forma a poder encarar&#8209;se qualquer mudan&ccedil;a de atitude por nossa parte em tal mat&eacute;ria, a candidatura de Portugal correria s&eacute;rios riscos ser recusada&raquo;;</blockquote>     <p></p>     <p>por outro lado, n&atilde;o se viam motivos que justificassem que o Governo portugu&ecirc;s corresse tal risco &laquo;que (na hip&oacute;tese de uma recusa) n&atilde;o poderia deixar de ser explorada contra Portugal e representar um cheque j&aacute; n&atilde;o s&oacute; para nosso governo como para pr&oacute;prios pa&iacute;ses que apadrinham nossa candidatura isto &eacute; Norte&#8209;Am&eacute;rica e Inglaterra&raquo;. Embora perante uma eventual recusa ficasse provado que as Na&ccedil;&otilde;es Unidas, pela sua constitui&ccedil;&atilde;o e dada a possibilidade de abuso do veto pelos cinco grandes, n&atilde;o correspondiam aos prop&oacute;sitos de tornar poss&iacute;vel a coopera&ccedil;&atilde;o pac&iacute;fica entre todas as na&ccedil;&otilde;es, Portugal n&atilde;o via qualquer vantagem em que tal demonstra&ccedil;&atilde;o fosse feita &agrave; sua pr&oacute;pria custa. Perante isto, sem que houvesse um pr&eacute;vio conhecimento acerca da orienta&ccedil;&atilde;o de voto das cinco grandes pot&ecirc;ncias afigurava&#8209;se dif&iacute;cil, no entender de Marcelo Mathias, que Portugal solicitasse a sua ades&atilde;o.</p>     <p>Em face deste &uacute;ltimo argumento, Stirling, defendeu que, caso se verificasse uma recusa na admiss&atilde;o de Portugal motivada pelo veto russo, essa recairia muito mais em desfavor da R&uacute;ssia perante a opini&atilde;o mundial do que de Portugal, uma vez que Portugal contava com o apoio de americanos e ingleses. Marcelo Mathias concordou com esta opini&atilde;o, mas fez notar que, em Portugal, a opini&atilde;o p&uacute;blica poderia n&atilde;o ter essa percep&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>Depois de expostos estes pontos, Mathias defendeu que, do ponto de vista constitucional, nada opunha que Portugal solicitasse a sua ades&atilde;o a esta organiza&ccedil;&atilde;o internacional que procurava manter a paz, mas terminou declarando que mesmo que fosse ultrapassada a quest&atilde;o da admiss&atilde;o, importava considerar o fundo da quest&atilde;o, ou seja, se naquelas circunst&acirc;ncias e perante as diverg&ecirc;ncias sucessivamente verificadas entre os principais membros das Na&ccedil;&otilde;es Unidas, haveria vantagem para o Pa&iacute;s aderir a uma organiza&ccedil;&atilde;o que j&aacute; em certos meios era tida como condenada ao fracasso.</p>     <p>De seguida, Marcelo Mathias recebeu o embaixador norte&#8209;americano, Herman Baruch, expondo&#8209;lhe os argumentos apresentados minutos antes ao representante brit&acirc;nico. O diplomata norte&#8209;americano, para al&eacute;m de demonstrar o apoio do seu pa&iacute;s a uma eventual candidatura de Portugal &agrave; ONU, foi mais longe explicando que era do interesse do seu governo alargar o quadro de membros das Na&ccedil;&otilde;es Unidas &laquo;por forma a entrarem Estados qualificados&raquo;, dizendo tamb&eacute;m que esses estados deveriam ingressar na organiza&ccedil;&atilde;o ainda antes do final do ano. Portugal poderia, portanto, contar com o apoio dos Estados Unidos, tendo o embaixador revelado ainda a Marcelo Mathias que o representante americano no Conselho de Seguran&ccedil;a falara com o representante sovi&eacute;tico, Gromyko, sobre a eventual entrada de Portugal, n&atilde;o tendo o diplomata russo mostrado qualquer hostilidade em rela&ccedil;&atilde;o ao nosso pa&iacute;s. Gromyko apenas declarou que o ponto de vista definitivo do seu pa&iacute;s quanto a um pedido de admiss&atilde;o de qualquer Estado s&oacute; seria conhecido no momento da decis&atilde;o do caso, isto &eacute;, depois de o pedido ter sido apresentado. Baruch afirmou ent&atilde;o que os Estados Unidos n&atilde;o poderiam assegurar qual seria o resultado da vota&ccedil;&atilde;o mas, mais uma vez, garantiu o &laquo;caloroso&raquo; apoio do seu governo em virtude da tradicional amizade entre os dois pa&iacute;ses e da importante contribui&ccedil;&atilde;o dada por Portugal ao esfor&ccedil;o de guerra aliado. Mathias voltou a expor os argumentos que anteriormente usara com o conselheiro ingl&ecirc;s e terminou o encontro prometendo uma resposta do Governo portugu&ecirc;s<sup><a href="#40">40</a></sup><a name="top40"></a>.</p>     <p>No seguimento desta <i>d&eacute;marche</i>, as Necessidades solicitaram pareceres aos embaixadores colocados nos principais postos diplom&aacute;ticos. Tr&ecirc;s dias depois chegou de Londres a opini&atilde;o do embaixador sobre a iniciativa anglo&#8209;americana. Palmela come&ccedil;ava por notar que a dilig&ecirc;ncia implicava uma resposta r&aacute;pida da parte portuguesa, dados os prazos apresentados, o que, perante a import&acirc;ncia da quest&atilde;o, era em si mesmo um problema. Depois debru&ccedil;ava&#8209;se sobre a quest&atilde;o propriamente dita, dividindo&#8209;a em dois pontos que considerava fundamentais. O primeiro ponto prendia&#8209;se com as vantagens pol&iacute;ticas e outras que, no entender do embaixador, resultariam para Portugal com a sua entrada nas Na&ccedil;&otilde;es Unidas. No segundo ponto apontava os riscos que o Pa&iacute;s corria caso resolvesse apresentar o pedido de admiss&atilde;o e este viesse a ser recusado.</p>     <p>Em rela&ccedil;&atilde;o ao primeiro, o embaixador afirmava que, al&eacute;m de preceitos constitucionais que militavam a favor e davam consequ&ecirc;ncia l&oacute;gica &agrave; apresenta&ccedil;&atilde;o da candidatura, era tamb&eacute;m necess&aacute;rio ter em linha de conta que era de &laquo;primordial import&acirc;ncia&raquo; a &laquo;obriga&ccedil;&atilde;o moral&raquo; de Portugal em contribuir, na medida das suas for&ccedil;as, para uma organiza&ccedil;&atilde;o de seguran&ccedil;a colectiva que, independentemente de poder ser considerada boa ou m&aacute;, era a &uacute;nica que existia e, portanto, era a &uacute;nica que dava alguma esperan&ccedil;a ao futuro bom entendimento entre as na&ccedil;&otilde;es, &laquo;base sem a qual se n&atilde;o pode conceber um mundo em paz e prosperidade&raquo;<sup><a href="#41">41</a></sup><a name="top41"></a>. Palmela notava que quase todos os pa&iacute;ses faziam parte dessa organiza&ccedil;&atilde;o e que, se Portugal se candidatasse e fosse admitido, seria afastada a hip&oacute;tese de o Pa&iacute;s ser exclu&iacute;do da cena internacional, ao mesmo tempo que permitia a Portugal fazer ouvir os problemas que mais o afectam. O embaixador afirmava ainda que, para os pa&iacute;ses que disp&otilde;em principalmente da raz&atilde;o para defender as suas leg&iacute;timas aspira&ccedil;&otilde;es e interesses (ou seja, para os pa&iacute;ses que n&atilde;o t&ecirc;m for&ccedil;a econ&oacute;mica, pol&iacute;tica e militar, como era o caso de Portugal), estas n&atilde;o eram considera&ccedil;&otilde;es que devessem ser desprezadas. Em rela&ccedil;&atilde;o a este ponto, Palmela considerava ainda a hip&oacute;tese de a sugest&atilde;o apresentada pelos ingleses e americanos ser em parte determinada pelo desejo dos americanos em encontrar uma f&oacute;rmula que, dentro de um quadro pol&iacute;tico, lhes permitisse obter certas facilidades nos A&ccedil;ores, facilidades que poderiam assim ser concedidas no quadro das Na&ccedil;&otilde;es Unidas. Perante estes factos conclu&iacute;a que, em princ&iacute;pio, Portugal deveria requerer a admiss&atilde;o &agrave;s Na&ccedil;&otilde;es Unidas.</p>     <p>Em rela&ccedil;&atilde;o ao segundo ponto, que se prendia com os riscos do pedido vir a ser recusado, Palmela mostrava&#8209;se algo receoso. Em primeiro lugar, apontava o escasso tempo dispon&iacute;vel que, se fosse maior, permitiria algumas sondagens pr&eacute;vias sobre a decis&atilde;o no Conselho; em segundo lugar, porque as circunst&acirc;ncias pol&iacute;ticas internacionais no momento n&atilde;o eram as melhores (avan&ccedil;o sovi&eacute;tico no Leste europeu e quest&atilde;o grega). Chegando ao cerne da quest&atilde;o, ou seja, o veto russo, Palmela defendia que a rejei&ccedil;&atilde;o do requerimento de Portugal deveria afectar mais a R&uacute;ssia do que Portugal, tal como tinham argumentado os representantes dos Estados Unidos e da Gr&atilde;&#8209;Bretanha. Palmela questionava tamb&eacute;m se os anglo&#8209;americanos pensavam que a candidatura de Portugal seria apresentada sozinha ou conjuntamente com outras. &Eacute; que o mesmo resultado poderia ter repercuss&otilde;es diferentes caso se verificasse a mera exclus&atilde;o de um pa&iacute;s ou a exclus&atilde;o de um com a admiss&atilde;o de outros. Finalmente, o representante diplom&aacute;tico de Portugal em Londres, explorou a hip&oacute;tese de se conseguir a entrada de Portugal a troco, por exemplo, da entrada da Alb&acirc;nia. Depois de umas considera&ccedil;&otilde;es finais, conclui:</p>     <p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<blockquote>&laquo;creio firmada nossa resolu&ccedil;&atilde;o teremos correr riscos por ventura implicando consequ&ecirc;ncias desagrad&aacute;veis. Mas, por outro lado, consci&ecirc;ncia nosso dever, nosso pr&oacute;prio interesse, prest&iacute;gio ambos os pa&iacute;ses patrocinam nossa candidatura e &iacute;ndole francamente amistosa dilig&ecirc;ncia levam&#8209;me pensar que n&atilde;o devemos perder oportunidade que se oferece&raquo;<sup><a href="#42">42</a></sup><a name="top42"></a>.</blockquote>     <p></p>     <p>Esta posi&ccedil;&atilde;o de Palmela parece aproximar&#8209;se bastante da de Salazar. Como j&aacute; tivemos oportunidade de verificar, Salazar via com bons olhos a participa&ccedil;&atilde;o de Portugal nesta nova organiza&ccedil;&atilde;o, mostrando&#8209;se apenas receoso relativamente a um poss&iacute;vel veto russo que poderia colocar o Pa&iacute;s numa situa&ccedil;&atilde;o desprestigiante.</p>     <p>Depois de debatida nas Necessidades, a quest&atilde;o foi levada a Conselho de Ministros, que aprovou a apresenta&ccedil;&atilde;o da candidatura. Medidos os pr&oacute;s e os contras, o regime decidiu avan&ccedil;ar, mesmo com a perspectiva de um eventual veto russo que apenas poderia ser negociado se Portugal tomasse a iniciativa de reatar rela&ccedil;&otilde;es diplom&aacute;ticas com a R&uacute;ssia, hip&oacute;tese que n&atilde;o se colocava. O receio de isolamento internacional e de n&atilde;o corresponder &agrave; tomada de iniciativa anglo&#8209;americana pesaram mais do que o receio do veto russo.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>A APRESENTA&Ccedil;&Atilde;O DO PEDIDO E A VOTA&Ccedil;&Atilde;O DO CONSELHO DE SEGURAN&Ccedil;A</b></p>     <p>No dia 1 de Agosto de 1946 foram enviadas instru&ccedil;&otilde;es para Washington no sentido de que fosse apresentado at&eacute; dia 3 do mesmo m&ecirc;s o pedido de admiss&atilde;o de Portugal &agrave;s Na&ccedil;&otilde;es Unidas. O embaixador em Londres foi informado de que a Isl&acirc;ndia<Sup><a href="#43">43</a></sup><a name="top43"></a> j&aacute; o fizera e que a Irlanda, numa ac&ccedil;&atilde;o concertada com o Governo portugu&ecirc;s, apresentaria a sua candidatura no mesmo dia que Portugal<sup><a href="#44">44</a></sup><a name="top44"></a>. No dia seguinte, o embaixador portugu&ecirc;s em Washington, Jo&atilde;o de Bianchi, entregou ao secret&aacute;rio&#8209;geral das Na&ccedil;&otilde;es Unidas a carta contendo o pedido formal de ades&atilde;o de Portugal &agrave; Organiza&ccedil;&atilde;o<sup><a href="#45">45</a></sup><a name="top45"></a>. A partir deste momento, a margem de manobra das autoridades portuguesas passou a ser muito escassa. As cartas estavam lan&ccedil;adas e apenas restava esperar que fosse conseguida a ades&atilde;o.</p>     <p>Oito dias antes da vota&ccedil;&atilde;o no Conselho de Seguran&ccedil;a<sup><a href="#46">46</a></sup><a name="top46"></a>, o Comit&eacute; Membership publicou um relat&oacute;rio sobre as posi&ccedil;&otilde;es dos membros no Conselho que faz antever o pior cen&aacute;rio. Os delegados da Gr&atilde;&#8209;Bretanha, Estados Unidos, Fran&ccedil;a, China, Holanda e M&eacute;xico, declaram apoiar a ades&atilde;o de Portugal, mas a URSS e a Pol&oacute;nia levantam s&eacute;rios entraves.</p>     <p>A Gr&atilde;&#8209;Bretanha sustentava o seu apoio na tradicional alian&ccedil;a e na amizade existente entre os dois pa&iacute;ses, referindo tamb&eacute;m o apoio portugu&ecirc;s durante a guerra com a ced&ecirc;ncia das bases nos A&ccedil;ores e mencionava o asilo oferecido pelas autoridades portuguesas a milhares de refugiados v&iacute;timas do nazismo. O delegado brit&acirc;nico lembrava ainda que nos Acordos de Potsdam, o seu pa&iacute;s, os Estados Unidos e a URSS concordaram em apoiar os pedidos de ades&atilde;o &agrave; ONU dos pa&iacute;ses neutros.</p>     <p>O delegado norte&#8209;americano associa&#8209;se &agrave;s palavras proferidas pelo seu colega brit&acirc;nico, sublinhando uma vez mais a contribui&ccedil;&atilde;o de Portugal para o esfor&ccedil;o de guerra aliado com a ced&ecirc;ncia das bases nos A&ccedil;ores. A Fran&ccedil;a, tamb&eacute;m apoiando a ades&atilde;o de Portugal, lembrou a assist&ecirc;ncia dada em Portugal a muitos refugiados franceses que conseguiram escapar e que foram ajudados a ingressar no Ex&eacute;rcito Livre Franc&ecirc;s por Portugal. Os delegados da China, do Brasil e da Holanda revelaram igualmente o seu desejo de verem Portugal fazer parte da Organiza&ccedil;&atilde;o, lembrando os dois &uacute;ltimos o apoio dado por Portugal &agrave;s Na&ccedil;&otilde;es Unidas durante a guerra e a vontade e capacidade de Portugal em cumprir as obriga&ccedil;&otilde;es da Carta. O delegado mexicano referiu as boas rela&ccedil;&otilde;es existentes entre o seu pa&iacute;s e Portugal e manifestou entusiasmo pela ades&atilde;o portuguesa.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A Pol&oacute;nia e a URSS revelaram&#8209;se contr&aacute;rias &agrave; ades&atilde;o de Portugal. O delegado polaco afirmou que o seu governo tinha d&uacute;vidas quanto &agrave; admiss&atilde;o de Portugal, dadas as suas rela&ccedil;&otilde;es chegadas com a Espanha de Franco e com o anterior governo alem&atilde;o, e recomendava um claro exame ao pedido feito por Portugal em virtude da ideologia do pa&iacute;s estar t&atilde;o pr&oacute;xima do fascismo que havia sido combatido pelas Na&ccedil;&otilde;es Unidas por mais de cinco anos. Por sua vez, o delegado sovi&eacute;tico declara n&atilde;o poder apoiar o pedido de Portugal uma vez que n&atilde;o existiam rela&ccedil;&otilde;es diplom&aacute;ticas entre os dois pa&iacute;ses.</p>     <p>Em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; posi&ccedil;&atilde;o do delegado do Egipto n&atilde;o h&aacute; registos, tendo a reuni&atilde;o terminado com uma quest&atilde;o do delegado da Austr&aacute;lia sobre a posi&ccedil;&atilde;o da URSS. &Eacute; que, em seu entender, o facto de n&atilde;o haver rela&ccedil;&otilde;es diplom&aacute;ticas entre Portugal e a Uni&atilde;o Sovi&eacute;tica n&atilde;o era suficiente para que o pedido de ades&atilde;o n&atilde;o fosse aceite. As d&uacute;vidas permaneceram uma vez que o delegado sovi&eacute;tico reafirmou a sua posi&ccedil;&atilde;o. No final, o Comit&eacute; concluiu que existiam bases suficientes para que o pedido portugu&ecirc;s fosse examinado pelo Conselho de Seguran&ccedil;a, a quem cabia tomar a decis&atilde;o<sup><a href="#47">47</a></sup><a name="top47"></a>.</p>     <p>No dia seguinte, um telegrama enviado para Lisboa pela Lega&ccedil;&atilde;o em Dublin revela como, tamb&eacute;m nesse pa&iacute;s, as not&iacute;cias foram recebidas com preocupa&ccedil;&atilde;o. Na Irlanda pensava&#8209;se que a posi&ccedil;&atilde;o sovi&eacute;tica poderia n&atilde;o ser definitiva, admitindo&#8209;se que a URSS estava a fazer press&atilde;o para que a Alb&acirc;nia fosse admitida. No telegrama referia&#8209;se ainda que a quest&atilde;o da admiss&atilde;o dos neutros &agrave;s Na&ccedil;&otilde;es Unidas estava condicionada pelas discuss&otilde;es que estavam a ter lugar na Confer&ecirc;ncia de Paz de Paris<sup><a href="#48">48</a></sup><a name="top48"></a>.</p>     <p>O Conselho de Seguran&ccedil;a iniciou a discuss&atilde;o sobre os pedidos de admiss&atilde;o apresentados pela Alb&acirc;nia, Mong&oacute;lia, Afeganist&atilde;o, Transjord&acirc;nia, Irlanda, Portugal, Isl&acirc;ndia e Su&eacute;cia no dia 28 de Agosto de 1946. Logo nesse dia, o delegado norte&#8209;americano prop&ocirc;s que fossem aceites em bloco todos os candidatos, apesar das d&uacute;vidas e reservas que o seu governo tinha apresentado anteriormente em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; ades&atilde;o de alguns desses pa&iacute;ses. Esta manifesta&ccedil;&atilde;o de boa vontade norte&#8209;americana n&atilde;o encontrou, no entanto, eco no lado sovi&eacute;tico que mostrou a sua oposi&ccedil;&atilde;o &agrave; proposta e insistiu para que os pedidos fossem considerados individualmente. Os Estados Unidos retiraram ent&atilde;o a sua proposta, mas o seu representante no Conselho revelou que o seu pa&iacute;s recusaria a entrada da Alb&acirc;nia e da Mong&oacute;lia, que eram os primeiros da lista, se previamente n&atilde;o se chegasse a um acordo quanto &agrave; admiss&atilde;o dos restantes estados. O diplomata norte&#8209;americano protestou ainda contra a arbitr&aacute;ria e injusta oposi&ccedil;&atilde;o de certos pa&iacute;ses em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; entrada de na&ccedil;&otilde;es como a Irlanda e Portugal, cujas qualifica&ccedil;&otilde;es n&atilde;o haviam suscitado s&eacute;ria contesta&ccedil;&atilde;o, dizendo que o mundo n&atilde;o compreendia que as &laquo;Na&ccedil;&otilde;es Unidas aceitassem duvidosos e rejeitassem qualificados&raquo;<sup><a href="#49">49</a></sup><a name="top49"></a>. A Inglaterra, a Fran&ccedil;a, a China, o Brasil e o M&eacute;xico pronunciaram-se a favor da proposta americana, tendo a discuss&atilde;o prosseguido no dia seguinte, continuando a Uni&atilde;o Sovi&eacute;tica a opor&#8209;se &agrave; admiss&atilde;o de Portugal e Irlanda, dada a inexist&ecirc;ncia de rela&ccedil;&otilde;es diplom&aacute;ticas. Perante este argumento, a Austr&aacute;lia, os Estados Unidos e a Holanda voltaram a afirmar que, em face das disposi&ccedil;&otilde;es da Carta das Na&ccedil;&otilde;es Unidas, a atitude sovi&eacute;tica n&atilde;o era leg&iacute;tima, tendo os russos respondido que eles mesmos se julgavam competentes para interpretar a Carta. Perante este impasse, o delegado mexicano apresentou uma nova proposta no sentido da admiss&atilde;o colectiva, solu&ccedil;&atilde;o que mais uma vez n&atilde;o foi aceite pela URSS.</p>     <p>N&atilde;o se tendo alcan&ccedil;ado nenhum acordo chegou a hora da vota&ccedil;&atilde;o. Os pedidos foram analisados por ordem de chegada. A Alb&acirc;nia e a Mong&oacute;lia viram a sua candidatura ser rejeitada pelos votos contr&aacute;rios da Holanda, Gr&atilde;&#8209;Bretanha e Estados Unidos, votando favoravelmente a China, a Fran&ccedil;a, o M&eacute;xico, a Pol&oacute;nia e a R&uacute;ssia e abstendo&#8209;se o Egipto e a Austr&aacute;lia. O Afeganist&atilde;o mereceu os votos favor&aacute;veis de todos os pa&iacute;ses com assento no Conselho de Seguran&ccedil;a, com a excep&ccedil;&atilde;o da Austr&aacute;lia que se absteve. A Transjord&acirc;nia n&atilde;o viu a sua candidatura ser aceite dado o voto contr&aacute;rio da URSS e da Pol&oacute;nia, a Austr&aacute;lia absteve-se e todos os outros estados votaram favoravelmente. A Irlanda viu recusado o seu pedido em virtude do veto russo, os restantes estados apoiaram o pedido e mais uma vez a Austr&aacute;lia absteve&#8209;se.</p>     <p>De seguida foi votado o pedido portugu&ecirc;s. Votaram favoravelmente a China, o Egipto, a Fran&ccedil;a, o M&eacute;xico, a Holanda, a Gr&atilde;&#8209;Bretanha, os Estados Unidos e o Brasil. A Pol&oacute;nia e a URSS votaram contra e a Austr&aacute;lia absteve&#8209;se.</p>     <p>Finalmente, Isl&acirc;ndia e Su&eacute;cia conseguiram os votos favor&aacute;veis de todos os pa&iacute;ses com a excep&ccedil;&atilde;o da Austr&aacute;lia que, como nas anteriores, se absteve tamb&eacute;m nestas duas &uacute;ltimas vota&ccedil;&otilde;es<sup><a href="#50">50</a></sup><a name="top50"></a>.</p>     <p>Dos tr&ecirc;s estados neutros europeus, apenas a Su&eacute;cia n&atilde;o viu a sua candidatura ser rejeitada pela URSS dada a exist&ecirc;ncia de rela&ccedil;&otilde;es diplom&aacute;ticas entre os dois pa&iacute;ses. Portugal e a Rep&uacute;blica da Irlanda, com o argumento da inexist&ecirc;ncia dessas rela&ccedil;&otilde;es, n&atilde;o foram admitidos na Organiza&ccedil;&atilde;o dado o veto russo<sup><a href="#51">51</a></sup><a name="top51"></a>.</p>     <p>Vejamos ent&atilde;o como &eacute; que o Governo portugu&ecirc;s procurou atenuar os efeitos negativos que a rejei&ccedil;&atilde;o do pedido de ades&atilde;o &agrave;s Na&ccedil;&otilde;es Unidas obviamente acarretava. &Eacute; que se por um lado, para alguma imprensa ocidental internacional, o veto russo ao pedido de Portugal e da Irlanda foi considerado inaceit&aacute;vel<sup><a href="#52">52</a></sup><a name="top52"></a>, a verdade &eacute; que essa rejei&ccedil;&atilde;o representou para os dois pa&iacute;ses uma incontest&aacute;vel derrota diplom&aacute;tica.</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>A REAC&Ccedil;&Atilde;O AO VETO SOVI&Eacute;TICO</b></p>     <p>No dia 5 de Setembro a Presid&ecirc;ncia do Conselho publicou uma nota oficiosa que procurava esclarecer a rejei&ccedil;&atilde;o ao pedido portugu&ecirc;s e paralelamente salvaguardar o Governo de eventuais cr&iacute;ticas que lhe viessem a ser feitas.</p>     <p>A nota, da autoria de Oliveira Salazar, come&ccedil;a por afirmar ser discut&iacute;vel, naquele momento, a vantagem pr&aacute;tica para qualquer pa&iacute;s de entrar para as Na&ccedil;&otilde;es Unidas, sendo igualmente discut&iacute;vel se esse mesmo momento tinha sido o oportuno para Portugal apresentar o seu pedido de admiss&atilde;o. &Eacute; que, em seu entender, n&atilde;o tinham sido &laquo;esclarecidas todas as regras relativas &agrave; admiss&atilde;o de novos membros e a colabora&ccedil;&atilde;o das na&ccedil;&otilde;es&raquo; n&atilde;o era &laquo;unanimemente desejada no seio da associa&ccedil;&atilde;o, mais presa ainda &agrave; ideia de vit&oacute;ria do que &agrave; da paz&raquo;<sup><a href="#53">53</a></sup><a name="top53"></a>. Perante isto, e apesar dos compromissos assumidos pelos tr&ecirc;s grandes vencedores em Potsdam, n&atilde;o era poss&iacute;vel alimentar grandes d&uacute;vidas sobre a posi&ccedil;&atilde;o que a R&uacute;ssia iria tomar na reuni&atilde;o do Conselho de Seguran&ccedil;a. O que n&atilde;o se sabia, afirmava Salazar, era qual seria a orienta&ccedil;&atilde;o do Conselho perante o uso do veto numa formalidade preliminar, que poderia paralisar uma compet&ecirc;ncia que cabia &agrave; Assembleia Geral e n&atilde;o ao Conselho de Seguran&ccedil;a. Apesar de ter presente estas quest&otilde;es, o Governo portugu&ecirc;s avan&ccedil;ou, tal como os outros pa&iacute;ses neutros, por achar, como achavam os governos dos Estados Unidos e da Gr&atilde;&#8209;Bretanha que fizeram uma dilig&ecirc;ncia nesse sentido, que a ONU necessitava de mais na&ccedil;&otilde;es, &laquo;qualificadas pela independ&ecirc;ncia e seriedade de vida&raquo; que &laquo;mostrassem por acto de ades&atilde;o a sua confian&ccedil;a nas Na&ccedil;&otilde;es Unidas para a manuten&ccedil;&atilde;o da paz; e de que assim se fizesse um esfor&ccedil;o para a colabora&ccedil;&atilde;o pac&iacute;fica entre todos os povos da terra&raquo;<sup><a href="#54">54</a></sup><a name="top54"></a>. Tendo consci&ecirc;ncia de que corria o s&eacute;rio risco de n&atilde;o ser admitido, Portugal deu &laquo;o seu apoio desinteressado a esta ideia&raquo; e, segundo o presidente do Conselho, o Governo &laquo;n&atilde;o est&aacute; arrependido de ter solicitado a admiss&atilde;o nem pesaroso de n&atilde;o ter sido admitido. Pelo contr&aacute;rio, orgulha&#8209;se de ter contribu&iacute;do para desfazer equ&iacute;vocos&raquo; em que os Estados Unidos, a Gr&atilde;&#8209;Bretanha e outros pa&iacute;ses pareciam estar a trabalhar.</p>     <p>A nota terminava com parte de uma resposta dada por Salazar a alguns jornalistas que acompanhavam uma esquadra americana ent&atilde;o estacionada no Tejo, que lhe fizeram uma pergunta sobre os fundamentos jur&iacute;dicos do pedido de admiss&atilde;o de Portugal na ONU que reproduz argumentos j&aacute; utilizados:</p>     <p>     <blockquote>&laquo;O fundamento jur&iacute;dico do pedido do governo portugu&ecirc;s &eacute; o preceito da Constitui&ccedil;&atilde;o segundo a qual compete ao Estado portugu&ecirc;s cooperar com outros Estados na prepara&ccedil;&atilde;o e adop&ccedil;&atilde;o de solu&ccedil;&otilde;es que interessem &agrave; paz entre os povos e ao progresso da Humanidade; e ainda este outro: Portugal preconiza a arbitragem como meio de dirimir lit&iacute;gios internacionais. Al&eacute;m disso Portugal &eacute; um Estado cuja Constitui&ccedil;&atilde;o reconhece a moral e o direito como limites ao exerc&iacute;cio da pr&oacute;pria soberania. Em virtude de tais preceitos o Governo portugu&ecirc;s n&atilde;o precisou mesmo de consultar a Assembleia Nacional antes de propor a sua candidatura. Ao faz&ecirc;&#8209;lo deu execu&ccedil;&atilde;o a princ&iacute;pios essenciais da estrutura jur&iacute;dica e moral da na&ccedil;&atilde;o. Assim, do nosso lado, temos o dever de procurar ingressar em todas as organiza&ccedil;&otilde;es que tendam a manter a paz e a desenvolver a coopera&ccedil;&atilde;o internacional. Se esta atitude n&atilde;o vier a ter correspond&ecirc;ncia por parte das Na&ccedil;&otilde;es Unidas &eacute; porque este organismo se encontra ainda numa fase da sua vida em que o direito de entrada das Na&ccedil;&otilde;es pac&iacute;ficas n&atilde;o &eacute; claramente reconhecido. Estou, por&eacute;m, seguro de que mais e mais se afirmar&aacute; o sentido da universalidade daquele organismo e tal quest&atilde;o n&atilde;o ter&aacute;, portanto, j&aacute; de ser posta&raquo;<sup><a href="#55">55</a></sup><a name="top55"></a>.</blockquote>     <p></p>     <p>Portugal era, assim, descrito como o cordeiro d&oacute;cil que fora levado ao altar pela m&atilde;o de duas inocentes criaturas, que o colocaram ingenuamente nas m&atilde;os do imolador. Apesar de ter sido sacrificado, o cordeiro estava feliz, uma vez que mostrara aos mais desatentos as verdadeiras inten&ccedil;&otilde;es daquele que ainda era visto por muitos como um ser bom e genu&iacute;no. Neste sentido veja&#8209;se, por exemplo, a descri&ccedil;&atilde;o dos acontecimentos feita por Franco Nogueira:</p>     <p>     <blockquote>&laquo;fora a pedido da Inglaterra e dos Estados Unidos que havia sido solicitada a admiss&atilde;o de Portugal; aquelas duas na&ccedil;&otilde;es pareciam confiadas no seu poder e na colabora&ccedil;&atilde;o russa; mas, perante o veto sovi&eacute;tico, o governo portugu&ecirc;s, &ldquo;n&atilde;o est&aacute; arrependido de ter solicitado a admiss&atilde;o nem pesaroso de n&atilde;o entrar&rdquo;; e, &ldquo;pelo contr&aacute;rio, orgulha&#8209;se de ter contribu&iacute;do para desfazer equ&iacute;vocos em que aquelas duas na&ccedil;&otilde;es e muitas com elas, parecem laborar&rdquo;&raquo;<sup><a href="#56">56</a></sup><a name="top56"></a>.</blockquote>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p></p>     <p>Como j&aacute; tivemos ocasi&atilde;o de verificar, os acontecimentos n&atilde;o decorreram deste modo. Desde muito cedo Salazar vinha demonstrando o seu interesse em que Portugal viesse a integrar a nova organiza&ccedil;&atilde;o internacional que iria substituir a SdN. O discurso &laquo;Portugal, a guerra e a paz&raquo; proferido em Maio de 1945 &eacute; disso exemplo. Outro exemplo revelador do interesse do Estado Novo na ades&atilde;o de Portugal &agrave;s Na&ccedil;&otilde;es Unidas, s&atilde;o as manobras diplom&aacute;ticas realizadas em Novembro de 1945, no sentido de que Portugal e os outros estados neutros que faziam parte da SdN e que desejavam aderir &agrave; ONU o fizessem contornando o prov&aacute;vel veto sovi&eacute;tico, atrav&eacute;s de uma incorpora&ccedil;&atilde;o autom&aacute;tica aquando da liquida&ccedil;&atilde;o da SdN e da transfer&ecirc;ncia dos seus valores para as Na&ccedil;&otilde;es Unidas.</p>     <p>Tais factos levam-nos a rejeitar a ideia de que Portugal fez o seu pedido de ades&atilde;o &agrave;s Na&ccedil;&otilde;es Unidas por press&atilde;o dos Estados Unidos e da Gr&atilde;-Bretanha. Estava&#8209;se perante um impasse e esses pa&iacute;ses resolveram dar um empurr&atilde;o &agrave;s candidaturas de alguns estados, entre os quais, um grupo de estados neutros da Europa, do qual Portugal fazia parte, e que se sabia estarem interessados em aderir &agrave; nova organiza&ccedil;&atilde;o internacional. Dos quatro neutros apenas entrou um, a Su&eacute;cia. A Su&iacute;&ccedil;a n&atilde;o chegou a apresentar a sua candidatura em virtude da sua neutralidade, e os dois restantes, Portugal e Irlanda, viram a sua candidatura ser vetada com o argumento de inexist&ecirc;ncia de rela&ccedil;&otilde;es diplom&aacute;ticas com a Uni&atilde;o Sovi&eacute;tica. Perante esta recusa, o Governo portugu&ecirc;s procurou encontrar atenuantes para este desaire diplom&aacute;tico afirmando: 1) que j&aacute; era de esperar o veto russo, e que portanto n&atilde;o havia sido apanhado desprevenido; 2) questionando a legalidade do veto, argumentando que cabia &agrave; Assembleia Geral e n&atilde;o ao Conselho de Seguran&ccedil;a a decis&atilde;o sobre a admiss&atilde;o de novos membros; 3) colocando a responsabilidade do pedido de ades&atilde;o nos dois pa&iacute;ses que apadrinharam o pedido portugu&ecirc;s. Em rela&ccedil;&atilde;o ao primeiro ponto podemos concluir que, de facto, o veto sovi&eacute;tico era tido como bastante prov&aacute;vel. No entanto, o Governo decidiu avan&ccedil;ar porque tinha algumas esperan&ccedil;as de que fosse poss&iacute;vel um acordo entre os Estados Unidos e a URSS no sentido de que entrassem pa&iacute;ses de ambos os campos pol&iacute;tico&#8209;ideol&oacute;gicos. Essas esperan&ccedil;as n&atilde;o eram infundadas, como podemos observar pela proposta feita pelos Estados Unidos no in&iacute;cio da reuni&atilde;o do Conselho de Seguran&ccedil;a, no sentido de que todos os candidatos fossem admitidos.</p>     <p>Em rela&ccedil;&atilde;o ao segundo ponto, o documento elaborado pelo MNE sobre as condi&ccedil;&otilde;es para a entrada de Portugal nas Na&ccedil;&otilde;es Unidas, tinha j&aacute; deixado bem claro que a admiss&atilde;o de novos membros era assunto que competia ao Conselho de Seguran&ccedil;a, mais concretamente aos cinco grandes. Num outro documento, uma informa&ccedil;&atilde;o&#8209;parecer do MNE de Junho de 1946, enviado para a Presid&ecirc;ncia do Conselho, pode ler&#8209;se:</p>     <p>     <blockquote>&laquo;I. Diz o artigo 4 da Carta: &ldquo;podem tornar&#8209;se membros das Na&ccedil;&otilde;es Unidas todos os Estados pac&iacute;ficos (peace&#8209;loving states, no texto em l&iacute;ngua inglesa) que aceitem as obriga&ccedil;&otilde;es desta Carta e que, na opini&atilde;o da Organiza&ccedil;&atilde;o, sejam capazes de as cumprir e estejam dispostos a faz&ecirc;&#8209;lo. A admiss&atilde;o como membros das Na&ccedil;&otilde;es Unidas dum Estado que esteja naquelas condi&ccedil;&otilde;es &eacute; efectuada por decis&atilde;o da Assembleia&#8209;geral depois de recomenda&ccedil;&atilde;o do Conselho de Seguran&ccedil;a&rdquo;&raquo;<sup><a href="#57">57</a></sup><a name="top57"></a>.</blockquote>     <p></p>     <p>O que poderia ter sido questionado pelo Governo portugu&ecirc;s, mas n&atilde;o o foi, prendia&#8209;se com o facto de o veto sovi&eacute;tico ter sido baseado num crit&eacute;rio que n&atilde;o constava da Carta. Em rela&ccedil;&atilde;o ao terceiro ponto, tamb&eacute;m j&aacute; tivemos oportunidade de observar que a responsabilidade do pedido se deveu ao Governo portugu&ecirc;s e n&atilde;o a uma insist&ecirc;ncia e press&atilde;o anglo&#8209;americana feita contra a vontade portuguesa. Quanto muito o <i>timing </i>da apresenta&ccedil;&atilde;o do pedido de ades&atilde;o de Portugal deveu&#8209;se &agrave; iniciativa conjunta desses pa&iacute;ses, mas n&atilde;o mais que isso. Se d&uacute;vidas houvesse, uma carta de Charles Stirling, conselheiro da Embaixada brit&acirc;nica em Lisboa, enviada ao director-geral dos Neg&oacute;cios Pol&iacute;ticos do MNE no dia da publica&ccedil;&atilde;o da nota oficiosa, &eacute; bastante esclarecedora em rela&ccedil;&atilde;o a este ponto, pelo que a transcrevemos:</p>     <p>     <blockquote>&laquo;Meu caro dr. Mathias, ontem pediu&#8209;me para eu obter do governo de Sua Majestade algumas informa&ccedil;&otilde;es sobre a presente situa&ccedil;&atilde;o relativamente &agrave; candidatura de Portugal &agrave; Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas, tendo em vista a publica&ccedil;&atilde;o de uma declara&ccedil;&atilde;o do governo portugu&ecirc;s sobre o assunto. Vejo que tal declara&ccedil;&atilde;o apareceu nos jornais da manh&atilde; de hoje e pergunto a mim mesmo se isso quer dizer que receberam, por outra fonte, a informa&ccedil;&atilde;o que me tinha sido solicitada. Fiquei um pouco surpreendido com a publica&ccedil;&atilde;o da declara&ccedil;&atilde;o dadas as refer&ecirc;ncias que cont&eacute;m em rela&ccedil;&atilde;o ao meu governo e pensei que seria melhor escrever&#8209;lhe antes de telegrafar para o Foreign Office&raquo;<sup><a href="#58">58</a></sup><a name="top58"></a>.</blockquote>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p></p>     <p>A Embaixada brit&acirc;nica mostra&#8209;se, deste modo, incomodada com as refer&ecirc;ncias ao seu pa&iacute;s, contidas na nota oficiosa sobre a recusa do pedido de ades&atilde;o de Portugal &agrave; ONU, que davam a ideia, errada, de que o pedido de ades&atilde;o de Portugal se fizera por press&atilde;o brit&acirc;nica e americana.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>LISBOA, SEDE DAS NA&Ccedil;&Otilde;ES UNIDAS</b></p>     <p>Se d&uacute;vidas ainda existissem sobre o interesse de Salazar na admiss&atilde;o de Portugal nas Na&ccedil;&otilde;es Unidas, elas desfazem&#8209;se com a descri&ccedil;&atilde;o de algumas manobras diplom&aacute;ticas levadas a cabo pelo presidente do Conselho em finais de 1945 que tinham em vista a escolha de Lisboa como sede da Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas!</p>     <p>Num telegrama enviado pela Embaixada de Portugal em Londres, em Outubro de 1945, era referido um debate ocorrido na comiss&atilde;o preparat&oacute;ria das Na&ccedil;&otilde;es Unidas sobre o local da futura sede, durante o qual o delegado brasileiro Freitas Vale, sondou a hip&oacute;tese de Lisboa. Os outros delegados n&atilde;o mostraram interesse, mas o delegado brit&acirc;nico, Noel Baker, acolheu a ideia favoravelmente<sup><a href="#59">59</a></sup><a name="top59"></a>. No seguimento deste encontro, um of&iacute;cio da Embaixada de Portugal em Londres relatava que na reuni&atilde;o final do comit&eacute; executivo das Na&ccedil;&otilde;es Unidas, realizada em Londres, fora aprovada uma resolu&ccedil;&atilde;o que recomendava que a sede das Na&ccedil;&otilde;es Unidas fosse nos Estados Unidos, mas sublinhava que essa resolu&ccedil;&atilde;o n&atilde;o teria obtido o apoio da Inglaterra, Fran&ccedil;a e Holanda. Perante esta situa&ccedil;&atilde;o a diplomacia portuguesa procurou a sua sorte, tentando saber se Lisboa seria uma boa escolha caso se abandonasse a ideia de a sede da ONU ficar nos Estados Unidos<sup><a href="#60">60</a></sup><a name="top60"></a>. Oliveira Salazar elaborou ent&atilde;o um telegrama que foi enviado para v&aacute;rias representa&ccedil;&otilde;es diplom&aacute;ticas portuguesas, e que dava instru&ccedil;&otilde;es para que os diplomatas portugueses sondassem nos respectivos pa&iacute;ses a hip&oacute;tese de Lisboa vir a acolher a sede das Na&ccedil;&otilde;es Unidas. No telegrama enviado pelas Necessidades defendia&#8209;se que &laquo;apesar recomenda&ccedil;&atilde;o comit&eacute; executivo localiza&ccedil;&atilde;o Am&eacute;rica do Norte maioria dos pa&iacute;ses ver&atilde;o nessa solu&ccedil;&atilde;o al&eacute;m do alto custo de vida, incomodidade comunica&ccedil;&otilde;es e consequente perda de tempo e dinheiro&raquo;. Por outro lado, o papel pol&iacute;tico da Europa, a sua popula&ccedil;&atilde;o, riqueza, cultura, civiliza&ccedil;&atilde;o e import&acirc;ncia na condu&ccedil;&atilde;o dos neg&oacute;cios pol&iacute;ticos mundiais, eram, na opini&atilde;o de Salazar, factores que colocavam a Europa numa posi&ccedil;&atilde;o superior &agrave; da Am&eacute;rica. O ministro lembrava que era a Europa que dirigia os neg&oacute;cios de toda a &Aacute;frica e de grande parte da &Aacute;sia e Oce&acirc;nia, defendendo que a recomenda&ccedil;&atilde;o do comit&eacute; das Na&ccedil;&otilde;es Unidas mais parecia &laquo;destinada a lisonjear&raquo; naquelas circunst&acirc;ncias a sensibilidade norte&#8209;americana, do que a encontrar a solu&ccedil;&atilde;o mais conveniente. De seguida mostrava&#8209;se preocupado com o facto de, caso se viesse a verificar que a sede da ONU ficaria nos Estados Unidos, isso representaria a constata&ccedil;&atilde;o da diminui&ccedil;&atilde;o definitiva do prest&iacute;gio pol&iacute;tico da Europa. Por isso, e uma vez que n&atilde;o era de aceitar a ideia de uma sociedade sem sede ou com sede rotativa (hip&oacute;tese que j&aacute; tinha sido questionada), Salazar defendia que &laquo;s&oacute; a Europa pode ser razoavelmente escolhida para ela&raquo;. N&atilde;o havendo d&uacute;vidas de que a Gr&atilde;&#8209;Bretanha, a Fran&ccedil;a e a Holanda partilham a opini&atilde;o de que a sede deveria ficar na Europa e tendo o Governo portugu&ecirc;s a consci&ecirc;ncia da import&acirc;ncia crescente da Am&eacute;rica nos neg&oacute;cios mundiais, conclu&iacute;a&#8209;se no telegrama que a sede da nova organiza&ccedil;&atilde;o deveria ficar num ponto da Europa pr&oacute;ximo da Am&eacute;rica, mas que ao mesmo tempo n&atilde;o fosse uma grande pot&ecirc;ncia (o que exclu&iacute;a a Fran&ccedil;a e a Gr&atilde;&#8209;Bretanha). Dentro desta l&oacute;gica, Lisboa reunia todas as condi&ccedil;&otilde;es para esse fim: estava no centro das comunica&ccedil;&otilde;es a&eacute;reas e mar&iacute;timas internacionais entre a Europa, a Am&eacute;rica do Sul e do Norte e a &Aacute;frica; e por outro lado era um centro urbano facilmente acess&iacute;vel para as restantes capitais europeias. &laquo;Nesta ordem de ideias parece que Lisboa re&uacute;ne todas as condi&ccedil;&otilde;es para aquele fim&raquo;, pode ler&#8209;se no documento que terminava com uma refer&ecirc;ncia a um pequeno sen&atilde;o:</p>     <p>     <blockquote>&laquo;n&atilde;o podemos evidentemente apresentar nossa candidatura tanto mais que ainda n&atilde;o pertencemos Na&ccedil;&otilde;es Unidas e quando a n&oacute;s se pode eventualmente levantar objec&ccedil;&atilde;o russa. Mas tendo j&aacute; vista sugerida nossa capital para aquele fim afigura&#8209;se da m&aacute;xima conveni&ecirc;ncia n&atilde;o mostrarmos desinteresse do assunto e aproveitar todas oportunidades para chamar aten&ccedil;&atilde;o raz&otilde;es acima que concluem pela prefer&ecirc;ncia Europa e nesta Portugal. Ao menos problema poder&aacute; come&ccedil;ar ser debatido outra luz do que s&oacute; podem advir vantagens&raquo;<sup><a href="#61">61</a></sup><a name="top61"></a>.</blockquote>     <p></p>     <p>No seguimento deste telegrama come&ccedil;aram a chegar a Lisboa informa&ccedil;&otilde;es de v&aacute;rias representa&ccedil;&otilde;es diplom&aacute;ticas sobre as sondagens a&iacute; feitas relativamente ao local da futura sede da ONU. De Haia chegou um telegrama que informava que o Governo holand&ecirc;s preferia Bruxelas por v&aacute;rios motivos: o facto de a B&eacute;lgica n&atilde;o ser uma grande pot&ecirc;ncia; facilidade de comunica&ccedil;&otilde;es; quest&atilde;o da l&iacute;ngua, etc. Perante estes argumentos do ministro Van Rnyen, o representante portugu&ecirc;s, Ant&oacute;nio Leite de Faria, preferiu n&atilde;o insistir nas vantagens da escolha de Lisboa e a conversa mudou de rumo<sup><a href="#62">62</a></sup><a name="top62"></a>. De Paris, Augusto de Castro enviou um telegrama onde relatava que, durante um banquete realizado na Embaixada da China, conversando com dois ministros de Estado franceses e com o embaixador dos Estados Unidos, conduziu a conversa, conforme as instru&ccedil;&otilde;es enviadas de Lisboa, sobre a escolha da cidade para a futura sede das Na&ccedil;&otilde;es Unidas. O representante portugu&ecirc;s lan&ccedil;ou a sugest&atilde;o de Lisboa e, segundo relatou, a ideia teve um acolhimento un&acirc;nime. O ministro Vicente Auriol afirmou que pertencendo Portugal &agrave;s Na&ccedil;&otilde;es Unidas, e caso se decidisse que a sede deveria ficar na Europa, Lisboa era a mais vi&aacute;vel de todas as solu&ccedil;&otilde;es, tendo os restantes concordado com a afirma&ccedil;&atilde;o<sup><a href="#63">63</a></sup><a name="top63"></a>.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Outros pa&iacute;ses europeus demonstraram interesse em acolher a sede das Na&ccedil;&otilde;es Unidas. No entanto, a maioria dos membros participantes na primeira Assembleia Geral, na qual tiveram bastante peso os pa&iacute;ses da Am&eacute;rica Latina, optou pela localiza&ccedil;&atilde;o nos Estados Unidos<sup><a href="#64">64</a></sup><a name="top64"></a>. Contudo, &eacute; interessante verificar como se posicionou o Governo de Lisboa neste dom&iacute;nio. Os argumentos s&atilde;o os conhecidos: receio da decad&ecirc;ncia da Europa; um certo anti-americanismo; e a vis&atilde;o de uma Europa centro do mundo com interesses espalhados por todo o globo. No entanto, podemos retirar uma conclus&atilde;o: o Portugal de Salazar, no imediato p&oacute;s&#8209;guerra, estava realmente interessado na ades&atilde;o de Portugal &agrave; ONU. Ainda n&atilde;o havia a no&ccedil;&atilde;o clara de que as ideias de autodetermina&ccedil;&atilde;o, inicialmente apenas destinadas aos pa&iacute;ses libertados da Alemanha nazi, correriam velozes para outros continentes. Eram tempos conturbados e poucos tinham em mente as mudan&ccedil;as que alterariam o sistema internacional. Portugal estava, contudo, interessado em acompanhar por dentro essas altera&ccedil;&otilde;es e uma quest&atilde;o emerge: ser&aacute; que se Portugal tivesse conseguido aderir &agrave; ONU logo em 1946, um maior conhecimento e envolvimento nas quest&otilde;es internacionais poderia ter tido alguma influ&ecirc;ncia da pol&iacute;tica externa portuguesa?</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>CONCLUS&Atilde;O</b></p>     <p>O pedido de ades&atilde;o de Portugal apresentado &agrave; ONU em 1946 n&atilde;o foi, como defendeu o regime, uma mera resposta a uma dilig&ecirc;ncia dos Estados Unidos e da Gr&atilde;&#8209;Bretanha que pretenderiam integrar mais na&ccedil;&otilde;es &laquo;qualificadas&raquo; na Organiza&ccedil;&atilde;o. Por outro lado, tamb&eacute;m n&atilde;o se tratou de uma iniciativa hesitante levada a cabo pelo Estado Novo. As hesita&ccedil;&otilde;es existiram, de facto, mas elas pouco tinham a ver com receios de que essa admiss&atilde;o pudesse constituir um &laquo;factor de imposi&ccedil;&atilde;o diplom&aacute;tica de uma liberaliza&ccedil;&atilde;o do regime&raquo;<sup><a href="#65">65</a></sup><a name="top65"></a>. Elas eram bastante mais prosaicas e encaminhavam&#8209;se todas na mesma direc&ccedil;&atilde;o: a forte possibilidade do veto russo. Os registos diplom&aacute;ticos s&atilde;o claros a este respeito. Por outro lado, importa lembrar que as Na&ccedil;&otilde;es Unidas n&atilde;o eram, nem s&atilde;o, um selecto clube demoliberal. N&atilde;o era por temer cr&iacute;ticas ao exerc&iacute;cio dos direitos e liberdades c&iacute;vicas que se deviam as hesita&ccedil;&otilde;es do regime. Esses argumentos n&atilde;o poderiam ser, nem foram, apresentados pela URSS ou pela Pol&oacute;nia.</p>     <p>N&atilde;o obstante a forte probabilidade do veto sovi&eacute;tico, o regime deu esse passo porque se sentiu realmente amea&ccedil;ado em 1945, tendo utilizado v&aacute;rios instrumentos para garantir a sua sobreviv&ecirc;ncia no imediato p&oacute;s&#8209;guerra<sup><a href="#66">66</a></sup><a name="top66"></a>. Apesar desta derrota diplom&aacute;tica, o per&iacute;odo mais cr&iacute;tico foi ultrapassado e o Estado Novo conseguiu distanciar&#8209;se com sucesso do franquismo<sup><a href="#67">67</a></sup><a name="top67"></a>. Este afastamento ficaria comprometido se Portugal fosse o &uacute;nico pa&iacute;s neutral, com a excep&ccedil;&atilde;o da Su&iacute;&ccedil;a, a n&atilde;o apresentar o pedido de ades&atilde;o. Tr&ecirc;s anos depois, a ades&atilde;o &agrave; NATO, esse sim um clube restrito de defesa das democracias ocidentais, ajudou a garantir mais umas d&eacute;cadas de vida ao regime.</p>     <p>O veto sovi&eacute;tico &agrave;s candidaturas de Portugal e da Irlanda constitui assim um importante sinal na mudan&ccedil;a das rela&ccedil;&otilde;es entre os antigos aliados. Sete meses depois de Estaline ter defendido que o mundo estava irremediavelmente dividido em dois sistemas pol&iacute;ticos e econ&oacute;micos distintos, a vota&ccedil;&atilde;o das candidaturas dos pa&iacute;ses neutros vinha revelar o afastamento interaliado e refor&ccedil;ava a ideia de uma divis&atilde;o do globo em dois blocos. Acontece que neste novo quadro Portugal, tal como a Irlanda, n&atilde;o eram neutrais. &Eacute; esta posi&ccedil;&atilde;o que explica o veto sovi&eacute;tico. Jussi Hanhimaki defende que o elevado n&uacute;mero de candidaturas rejeitadas pela URSS nos primeiros anos de vida da ONU explica-se pela l&oacute;gica de Guerra Fria que emerge logo a partir de 1946<sup><a href="#68">68</a></sup><a name="top68"></a>. De facto, entre 1946 e 1950 apenas nove estados viram aprovados os seus pedidos de ades&atilde;o &agrave;s Na&ccedil;&otilde;es Unidas. A Guerra da Coreia teve tamb&eacute;m um impacto directo nas novas ades&otilde;es e entre 1950 e 1955 nenhum pedido de admiss&atilde;o foi aceite. Somente nesse ano, uma negocia&ccedil;&atilde;o entre a Uni&atilde;o Sovi&eacute;tica e os Estados Unidos, permitiu a ades&atilde;o em bloco de 16 pa&iacute;ses. Portugal e a Irlanda faziam parte deste grupo que integrava tamb&eacute;m pa&iacute;ses do Bloco de Leste como a Bulg&aacute;ria e a Hungria. O resultado da vota&ccedil;&atilde;o de 1946 deve assim ser lido n&atilde;o com base nos princ&iacute;pios da Carta das Na&ccedil;&otilde;es Unidas ou das posi&ccedil;&otilde;es concertadas entre as grandes pot&ecirc;ncias na Confer&ecirc;ncia de Potsdam, mas do progressivo afastamento entre os Aliados. Foi esta realidade que Salazar procurou sublinhar ao mostrar&#8209;se orgulhoso por Portugal ter contribu&iacute;do para &laquo;desfazer equ&iacute;vocos&raquo;.</p>     <p>Acontece que em 1946 a divis&atilde;o do mundo em dois blocos ainda estava distante, parecendo vi&aacute;vel a constitui&ccedil;&atilde;o de um terceiro poder, situado entre os Estados Unidos e a URSS. Salazar, tal como Churchill e mesmo os trabalhistas brit&acirc;nicos<sup><a href="#69">69</a></sup><a name="top69"></a>, acreditava que uma reconstitui&ccedil;&atilde;o da Europa, liderada pela Inglaterra e alicer&ccedil;ada nos recursos do continente africano, era poss&iacute;vel e desej&aacute;vel. Neste cen&aacute;rio, Portugal e os seus territ&oacute;rios coloniais poderiam vir a desempenhar um papel importante no futuro.</p>     <p>Foi nesta conjuntura que Ernest Bevin promoveu a realiza&ccedil;&atilde;o de uma confer&ecirc;ncia de pa&iacute;ses com col&oacute;nias em &Aacute;frica, em Outubro de 1948, que tinha como principal objectivo debater a explora&ccedil;&atilde;o econ&oacute;mica do continente africano e a cria&ccedil;&atilde;o de redes de trans&#8209;portes que facilitassem o escoamento das mat&eacute;rias&#8209;primas africanas. No entanto, esta vis&atilde;o tinha algumas cambiantes. O historiador John Kent refere a exist&ecirc;ncia de um debate no seio do Governo brit&acirc;nico entre imperalistas e internacionalistas, sendo que ambos defendiam a continuidade do imp&eacute;rio a m&eacute;dio&#8209;longo prazo. O que os distinguia era que os segundos, entre os quais se destacava o primeiro&#8209;ministro Clement Attlee, entendiam que a melhor forma de defender o imp&eacute;rio passava pelas Na&ccedil;&otilde;es Unidas<sup><a href="#70">70</a></sup><a name="top70"></a>. Desta forma, tanto em Portugal como em Inglaterra, as Na&ccedil;&otilde;es Unidas n&atilde;o eram vistas como uma amea&ccedil;a ao imperialismo europeu em &Aacute;frica.</p>     <p>Sucede que o agravamento da situa&ccedil;&atilde;o na Europa durante o ano de 1948, com o golpe na Checoslov&aacute;quia em Fevereiro, a press&atilde;o sovi&eacute;tica sobre a Noruega em Mar&ccedil;o e o bloqueio de Berlim a partir de Junho, demonstrou a incapacidade da Europa Ocidental para fazer frente &agrave; Uni&atilde;o Sovi&eacute;tica sem um forte apoio dos Estados Unidos, deitando por terra o sonho de um terceiro poder<sup><a href="#71">71</a></sup><a name="top71"></a>. Em poucos anos ficaria claro que o continente africano n&atilde;o iria ficar imune aos ventos da autodetermina&ccedil;&atilde;o, e as Na&ccedil;&otilde;es Unidas, que progressivamente foram acolhendo antigas col&oacute;nias europeias, desempenhariam um papel central neste processo.</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>BIBLIOGRAFIA</b></p>     <p>AOS/CO/NE-21, pt. 6.</p>     <p>Admiss&atilde;o &agrave; Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas, Informa&ccedil;&atilde;o-parecer, Minist&eacute;rio dos Neg&oacute;cios Estrangeiros, Julho de 1946. AOS/CO/NE -21.</p>     <p>BAEHR, Peter, e GORDENKER, Leon &ndash; <i>The United Nations: Reality and Ideal</i>. Nova York: Palgrave Macmillan, 2005.</p>     <p>BAYLIS, John &ndash; <i>The Diplomacy of Pragmatism: Britain and the Formation of NATO, 1942-1949</i>. Kent: The Kent State University Press, 1993.</p>     <p>Carta ao Secret&aacute;rio-Geral das Na&ccedil;&otilde;es Unidas. 2 de Agosto de 1946. AHDMNE, 2.&ordm; piso, arm. 60, ma&ccedil;o 383, p. 39, 321.</p>     <p>Carta de Charles Stirling a Marcelo Mathias. 5 de Setembro de 1946. AHDMNE, 2.&ordm; piso, arm. 60, ma&ccedil;o 383, p. 39, 321.</p>     <p>Carta de Palmela a Salazar. 8 de Agosto de 1945. AOS/CD-11.</p>     <p>&laquo;Condi&ccedil;&otilde;es para a entrada de Portugal na organiza&ccedil;&atilde;o denominada das &ldquo;Na&ccedil;&otilde;es Unidas&rdquo;&raquo;. 13 de Setembro de 1945. AHDMNE, 2.&ordm; piso, arm.50, ma&ccedil;o 46.</p>     <p>CASTA&Ntilde;O, David &ndash; &laquo;1945 &ndash; As elei&ccedil;&otilde;es &ldquo;para ingl&ecirc;s ver&rdquo;&raquo;. <i>In </i>REZOLA, Maria In&aacute;cia, e oliveira, Pedro &ndash; <i>O Longo Curso. Estudos em Homenagem a Jos&eacute; Medeiros Ferreira</i>. Lisboa: Tinta-da-China, 2010, pp. 243-260.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>CASTA&Ntilde;O, David &ndash; &laquo;O Aliado Fiel: as negocia&ccedil;&otilde;es para o acordo de explora&ccedil;&atilde;o e exportação de urânio de 1949». In Ler História. Lisboa. N.º 60, 2011, pp. 81-98. </p>     <p>EMMERJI, Louis, JOLLY, Richard, e WEISS, Thomas &ndash; <i>Ahed the Curve? UN Ideias and Global Challenges</i>. Bloomington: Indiana University Press, 2001.</p>     <p>FENBY, Jonathan &ndash; <i>Alian&ccedil;a. A Verdadeira Hist&oacute;ria de como Roosevelt, Estaline e Churchill Venceram Uma Guerra e Iniciaram Outra</i>. Lisboa: Quidnovi, 2008.</p>     <p>GASPAR, Carlos &ndash; &laquo;Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas (ONU)&raquo;. <i>In </i>Barreto, Ant&oacute;nio, e M&Oacute;NICA, Maria Filomena (coord.) &ndash;<i>Dicion&aacute;rio de Hist&oacute;ria de Portugal</i>. Porto: Livraria Figueirinhas, 2000, Suplemento, vol. 8. pp. 672-678.</p>     <p>HANHIMAKI, Jussi &ndash; <i>The United Nations. A Very Short Introdution</i>. Nova York: Oxford University Press, 2008.</p>     <p>HYAM, Ronald &ndash; <i>Britain&rsquo;s Decline Empire. The Road to Decolonization 1918-1968</i>. Cambridge: Cambridge University Press, 2006.</p>     <p>KENT, John &ndash; &laquo;Bristish policy and the Cold War&raquo;. <i>In </i>LEFFLER, Melvyn P., e PAINTER, David S. &ndash; <i>Origins of the Cold War</i>. Nova York: Routledge, 1994, pp. 155-166.</p>     <p>LUARD, Evan &ndash; <i>A History of the United Nations. </i>Vol. I.<i> The Years of Western Domination, 1945-1955</i>. Londres: Macmillan, 1989.</p>     <p>MARTINS, Fernando &ndash; <i>Portugal e a Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas, Uma Hist&oacute;ria da Pol&iacute;tica Externa e Ultramarina Portuguesa </i>tinha sido apresentada como uma vit&oacute;ria uma vez que os aliados ocidentais tinham demonstrado o seu apoio ao regime portugu&ecirc;s. VICENTE, Ana &ndash; <i>Portugal Visto pela Espanha. Correspond&ecirc;ncia Diplom&aacute;tica 1939-1960</i>. Lisboa: Ass&iacute;rio &amp; Alvim, 1992, pp. 55-56.</p>     <p>MOORE, John Moore, JR, e PUBANTZ, Jerry &ndash; &laquo;League of Nations&raquo;. In <i>Encyclopedia of The United Nations</i>. Nova York: Facts on File, 2008.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>NOGUEIRA, Franco &ndash; <i>Salazar. </i>Vol. IV. <i>O Ataque (1945-1958)</i>. Coimbra: Atl&acirc;ntida Editora, 1980.</p>     <p>Of&iacute;cio n.&ordm; 474, 2 de Novembro de 1945. AHDMNE, 2.&ordm; piso, arm. 60, ma&ccedil;o 379 &ndash; ONU.</p>     <p>PEREIRA, Carlos Santos &ndash; &ldquo;Portugal e as Na&ccedil;&otilde;es Unidas&raquo;. <i>In </i>Branco, Carlos Martins, e GARCIA, Francisco Proen&ccedil;a &ndash; <i>Os Portugueses nas Na&ccedil;&otilde;es Unidas</i>. Lisboa: Pref&aacute;cio, 2005, pp. 143-162.</p>     <p>Relat&oacute;rio do Comit&eacute; Membership. 21 de Agosto de 1946. AHDMNE. 2.&ordm; piso, arm. 60, ma&ccedil;o 383, p. 39,321.</p>     <p>RODRIGUES, Lu&iacute;s Nuno &ndash; &laquo;O acordo luso-americano dos A&ccedil;ores de 1944&raquo;. In <i>Portugal e o Atl&acirc;ntico, 60 Anos dos Acordos dos A&ccedil;ores</i>. Lisboa: CEHCP &ndash; ISCTE, Lisboa, 2005, pp. 75-100.</p>     <p>ROLLO, Maria Fernanda &ndash; <i>Portugal e o Plano Marshall</i>. Lisboa: Editorial Estampa, 1994.</p>     <p>ROSAS, Fernando, &ndash; &laquo;Sob os ventos da guerra: a primeira crise s&eacute;ria do regime (1940-1949)&raquo;. <i>In </i>MATTOSO, Jos&eacute; (dir.) &ndash; <i>Hist&oacute;ria de Portugal</i>. Lisboa: Editorial Estampa, 1994, vol. VII.</p>     <p>SALAZAR, Ant&oacute;nio de Oliveira &ndash; &laquo;Portugal, a guerra e a paz&raquo;. In <i>Discursos e Notas Pol&iacute;ticas.</i> Vol. IV. <i>1943-1950</i>. Coimbra: Coimbra Editora, 1951.</p>     <p>SALAZAR, Ant&oacute;nio de Oliveira &ndash; &laquo;Portugal e as Na&ccedil;&otilde;es Unidas (ONU)&raquo;. In <i>Discursos e Notas Pol&iacute;ticas</i>. Vol . I V. <i>1943-1950</i>, pp. 237-240.</p>     <p>SILVA, A. E. Duarte &ndash; &laquo;O lit&iacute;gio entre Portugal e a ONU (1960-1974)&raquo;. In <i>An&aacute;lise Social</i>. Lisboa. Vol. XXX, N.&ordm; 130, 1995, pp. 5-50.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>SILVA, Isabel Alarc&atilde;o e &ndash; &laquo;A admiss&atilde;o de Portugal na ONU&raquo;. In <i>Hist&oacute;ria</i>. Lisboa. Ano XV, N.&ordm; 165, 1993.</p>     <p>Telegrama expedido para Londres n.&ordm; 657. 19 de Outubro de 1945. AHDMNE.</p>     <p>Telegrama expedido para Londres n.&ordm; 762. 11 de Novembro de 1945. AHDMNE.</p>     <p>Telegrama expedido para Londres n.&ordm; 739. 1 de Dezembro de 1945. AHDMNE.</p>     <p>Telegrama expedido para Londres n.&ordm; 9. 7 de Janeiro de 1946. AHDMNE.</p>     <p>Telegrama expedido para Londres n.&ordm; 94. 23 de Fevereiro de 1946. AHDMNE.</p>     <p>Telegrama expedido para Londres n.&ordm; 370. 7 de Julho de 1946. AHDMNE.</p>     <p>Telegrama expedido para Londres n.&ordm; 395. 29 de Julho de 1946. AHDMNE.</p>     <p>Telegrama expedido para Londres n.&ordm; 404. 1 de Agosto de 1946. AHDMNE.</p>     <p>Telegrama recebido de Berna n.&ordm; 29, 13 de Novembro de 1945. AOS/CO/NE-21, pt.6.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Telegrama recebido de Bruxelas n.&ordm; 55. 30 de Mar&ccedil;o de 1946. AOS/CO/NE-21, pt. 6.</p>     <p>Telegrama recebido de Dublin n.&ordm; 95. 22 de Agosto de 1946. AHDMNE.</p>     <p>Telegrama recebido de Haia n.&ordm; 114. 7 de Dezembro de 1945. AHDMNE, 2.&ordm; piso, arm. 60, ma&ccedil;o 379 &ndash; ONU.</p>     <p>Telegrama recebido de Haia n.&ordm; 49. 5 de Mar&ccedil;o de 1946. AOS/CO/NE-21, pt. 6.</p>     <p>Telegrama recebido de Haia n.&ordm; 39. 22 de Fevereiro de 1946. AOS/CO/NE 21, pt. 6.</p>     <p>Telegrama recebido de Londres n.&ordm; 652. 11 de Outubro de 1945. AHDMNE.</p>     <p>Telegrama recebido de Londres n.&ordm; 799. 14 de Dezembro de 1945. AHDMNE.</p>     <p>Telegrama recebido de Londres n.&ordm; 472. 10 de Julho de 1946. AHDMNE.</p>     <p>Telegrama recebido de Paris n.&ordm; 402. 8 de Dezembro de 1945. AHDMNE, 2.&ordm; piso, arm. 60, ma&ccedil;o 379 &ndash; ONU.</p>     <p>Telegrama recebido do Rio de Janeiro n.&ordm; 314. AHDMNE.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Telegrama recebido de Washington n.&ordm; 1. 2 de Janeiro de 1946. AOS/CO/NE-21, pt. 6.</p>     <p>Telegrama recebido de Washington, n.&ordm; 301. 11 de Julho de 1946. AHDMNE</p>     <p>Telegrama recebido de Washington n.&ordm; 393. 29 de Agosto de 1946. AHDMNE, 2.&ordm; piso, arm. 50, ma&ccedil;o 383, p. 39,321.</p>     <p>TELO, Ant&oacute;nio Jos&eacute; &ndash; &laquo;A pol&iacute;tica externa do salazarismo&raquo;. <i>In </i>MEDINA, Jo&atilde;o (dir.) &ndash; <i>Hist&oacute;ria de Portugal</i>. Amadora: Clube Internacional do Livro, 1995, vol. V.</p>     <p>TELO, Ant&oacute;nio Jos&eacute; &ndash; <i>Portugal e a nato, o Reencontro da Tradi&ccedil;&atilde;o Atl&acirc;ntica</i>. Lisboa: Edi&ccedil;&otilde;es Cosmos, 1996.</p>     <p>VICENTE, Ana &ndash; <i>Portugal Visto pela Espanha. Correspond&ecirc;ncia Diplom&aacute;tica 1939-1960</i>. Lisboa: Ass&iacute;rio &amp; Alvim, 1992.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><i>Data de recep&ccedil;&atilde;o: 27 de Fevereiro de 2014 | Data de aprova&ccedil;&atilde;o: 23 de Abril de 2014</i></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>NOTAS</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a href="#top0">*</a><a name="0"></a> A pedido do autor o texto n&atilde;o adopta as normas do Novo Acordo Ortogr&aacute;fico.</p>     <p><Sup><a name="1"></a><a href="#top1">1</a></Sup> Sobre as rela&ccedil;&otilde;es entre Portugal e a ONU ver MARTINS, Fernando &ndash; <i>Portugal e a Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas, Uma Hist&oacute;ria da Pol&iacute;tica Externa e Ultramarina Portuguesa (Agosto 1941-Setembro 1968)</i>. Lisboa: FCSH &ndash; UNL, 1995; GASPAR, Carlos &ndash; &laquo;Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas (ONU)&raquo;. <i>In </i>BARRETO, Ant&oacute;nio, e M&Oacute;NICA, Maria Filomena (coord.) &ndash; <i>Dicion&aacute;rio de Hist&oacute;ria de Portugal</i>. Porto: Livraria Figueirinhas, 2000, Suplemento, Vol. 8, pp. 672-678. Mais concretamente sobre a quest&atilde;o colonial ver SILVA, A. E. Duarte &ndash; &laquo;O lit&iacute;gio entre Portugal e a ONU (1960-1974)&raquo;. In <i>An&aacute;lise Social</i>. Lisboa. Vol. XXX, N.&ordm; 130, 1995, pp. 5-50.</p>     <p><Sup><a name="2"></a><a href="#top2">2</a></Sup> SILVA, Isabel Alarc&atilde;o e &ndash; &laquo;A admiss&atilde;o de Portugal na ONU&raquo;. In <i>Hist&oacute;ria</i>. Lisboa. Ano XV, N.&ordm; 165, 1993, pp. 13 e 16. Esta interpreta&ccedil;&atilde;o foi posteriormente reproduzida em PEREIRA, Carlos Santos &ndash; &laquo;Portugal e as Na&ccedil;&otilde;es Unidas&raquo;. <i>In </i>BRANCO, Carlos Martins, e GARCIA, Francisco Proen&ccedil;a &ndash; <i>Os Portugueses nas Na&ccedil;&otilde;es Unidas</i>. Lisboa: Pref&aacute;cio, 2005, pp. 143-162.</p>     <p><Sup><a name="3"></a><a href="#top3">3</a></Sup> TELO, Ant&oacute;nio Jos&eacute; &ndash; &laquo;A pol&iacute;tica externa do salazarismo&raquo;. <i>In </i>MEDINA, Jo&atilde;o (dir.) &ndash; <i>Hist&oacute;ria de Portugal</i>. Amadora: Clube Internacional do Livro, 1995, vol. V, p. 283; Rosas, Fernando &ndash; &laquo;Sob os ventos da guerra: a primeira crise s&eacute;ria do regime (1940-1949)&raquo;. <i>In </i>MATTOSO, Jos&eacute; (dir.) &ndash; <i>Hist&oacute;ria de Portugal</i>. Lisboa: Editorial Estampa, 1994, vol. VII, p. 306.</p>     <p><Sup><a name="4"></a><a href="#top4">4</a></Sup> RODRIGUES, Lu&iacute;s Nuno &ndash; &laquo;O acordo luso-americano dos A&ccedil;ores de 1944&raquo;. In <i>Portugal e o Atl&acirc;ntico, 60 Anos dos Acordos dos A&ccedil;ores</i>. Lisboa: CEHCP &ndash; ISCTE, 2005, pp. 75-100.</p>     <p><Sup><a name="5"></a><a href="#top5">5</a></Sup> ROLLO, Maria Fernanda &ndash; <i>Portugal e o Plano Marshall</i>. Lisboa: Editorial Estampa, 1994, pp. 115 e seguintes; CASTA&Ntilde;O, David &ndash; &laquo;O Aliado Fiel: as negocia&ccedil;&otilde;es para o acordo de explora&ccedil;&atilde;o e exporta&ccedil;&atilde;o de ur&acirc;nio de 1949&raquo;. In <i>Ler Hist&oacute;ria</i>. Lisboa. N.&ordm; 60, 2011, pp. 81-98; TELO, Ant&oacute;nio Jos&eacute; &ndash; <i>Portugal e a nato, o Reencontro da Tradi&ccedil;&atilde;o Atl&acirc;ntica</i>. Lisboa: Edi&ccedil;&otilde;es Cosmos, 1996, pp. 62 e seguintes.</p>     <p><Sup><a name="6"></a><a href="#top6">6</a></Sup> HANHIMAKI, Jussi &ndash; <i>The United Nations. A Very Short Introdution</i>. Nova York: Oxford University Press, 2008, p. 9.</p>     <p><Sup><a name="7"></a><a href="#top7">7</a></Sup> A n&atilde;o ades&atilde;o dos Estados Unidos &agrave; SdN deveu-se precisamente ao facto de a constitui&ccedil;&atilde;o da SdN fazer parte integrante dos Tratados de Versalhes. EMMERJI, Louis, JOLLY, Richard, e WEISS, Thomas &ndash; <i>Ahed the Curve? UN Ideias and Global Challenges</i>. Bloomington: Indiana University Press, 2001, pp. 19-20; MOORE, John Moore, JR, e PUBANTZ, Jerry &ndash; &laquo;League of Nations&raquo;. In <i>Encyclopedia of The United Nations</i>. Nova York: Facts on File, 2008, p. 284.</p>     <p><Sup><a name="8"></a><a href="#top8">8</a></Sup> BAEHR, Peter, e GORDENKER, Leon &ndash; <i>The United Nations: Reality and Ideal</i>. Nova York: Palgrave Macmillan, 2005, p. 14.</p>     <p><Sup><a name="9"></a><a href="#top9">9</a></Sup> Quando confrontado com a posi&ccedil;&atilde;o sovi&eacute;tica, o Presidente dos Estado Unidos afirmou que se fossem atribu&iacute;do direitos de voto &agrave;s 16 rep&uacute;blicas socialistas, teriam de ser dados os mesmos direitos aos 48 estados norte-americanos. <i>Ibidem</i>, p. 16.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><Sup><a name="10"></a><a href="#top10">10</a></Sup> Seguimos essencialmente LUARD, Evan &ndash; <i>A History of the United Nations. </i>Vol. I: The Years of Western Domination, 1945-1955. Londres: Macmillan, 1989. Para uma descri&ccedil;&atilde;o baseada no relacionamento estabelecido entre os l&iacute;deres aliados ver FENBY, Jonathan &ndash; <i>Alian&ccedil;a. A Verdadeira Hist&oacute;ria de como Roosevelt, Estaline e Churchill Venceram Uma Guerra e Iniciaram Outra</i>. Lisboa: Quidnovi, 2008.</p>     <p><Sup><a name="11"></a><a href="#top11">11</a></Sup> SALAZAR, Ant&oacute;nio de Oliveira &ndash; &laquo;Portugal, a guerra e a paz&raquo;. In <i>Discursos e Notas Pol&iacute;ticas.</i> Vol. IV.<i> 1943-1950</i>. Coimbra: Coimbra Editora, 1951, pp. 106-107. Discurso proferido na sess&atilde;o da Assembleia Nacional de 18 de Maio de 1945.</p>     <p><Sup><a name="12"></a><a href="#top12">12</a></Sup> <i>Ibidem</i>, pp. 107-108.</p>     <p><Sup><a name="13"></a><a href="#top13">13</a></Sup> GASPAR, Carlos &ndash; &laquo;Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas (ONU)&raquo;, pp. 672-678.</p>     <p><Sup><a name="14"></a><a href="#top14">14</a></Sup> SALAZAR, Ant&oacute;nio de Oliveira &ndash; &laquo;Portugal, a guerra e a paz&raquo;, p. 109.</p>     <p><Sup><a name="15"></a><a href="#top15">15</a></Sup> <i>Ibidem</i>, pp. 111-112.</p>     <p><Sup><a name="16"></a><a href="#top16">16</a></Sup> Carta de Palmela a Salazar, 8 de Agosto de 1945. AOS/CD-11.</p>     <p><Sup><a name="17"></a><a href="#top17">17</a></Sup>&laquo;Condi&ccedil;&otilde;es para a entrada de Portugal na organiza&ccedil;&atilde;o denominada das &ldquo;Na&ccedil;&otilde;es Unidas&rdquo;&raquo;. 13 de Setembro de 1945. AHDMNE, 2.&ordm; piso, arm.50, ma&ccedil;o 46.</p>     <p><Sup><a name="18"></a><a href="#top18">18</a></Sup> <i>Ibidem</i>.</p>     <p><Sup><a name="19"></a><a href="#top19">19</a></Sup> <i>Ibidem</i>.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><Sup><a name="20"></a><a href="#top20">20</a></Sup> <i>Ibidem</i>.</p>     <p><Sup><a name="21"></a><a href="#top21">21</a></Sup> Telegrama expedido para Londres n.&ordm; 762. 11 de Novembro de 1945. AHDMNE.</p>     <p><Sup><a name="22"></a><a href="#top22">22</a></Sup> <i>Ibidem</i>. Mais tarde Salazar diria: &laquo;declarei iremos Genebra votar dissolu&ccedil;&atilde;o sdn e entregar valores Na&ccedil;&otilde;es Unidas apesar certa falta l&oacute;gica despojarmo-nos daquilo para que contribu&iacute;mos em favor organiza&ccedil;&atilde;o a que n&atilde;o pertencemos&raquo;. Telegrama expedido para Londres n.&ordm; 94, 23 de Fevereiro de 1946. AHDMNE.</p>     <p><Sup><a name="23"></a><a href="#top23">23</a></Sup> Telegrama expedido para Londres n.&ordm; 657, 19 de Outubro de 1945, no qual Oliveira Salazar, perante a confirma&ccedil;&atilde;o de que &eacute; necess&aacute;rio o voto un&acirc;nime dos cinco grandes, afirma: &laquo;a) votaremos dissolu&ccedil;&atilde;o Sociedade das Na&ccedil;&otilde;es e transfer&ecirc;ncia para Na&ccedil;&otilde;es Unidas mas n&atilde;o parece possamos negociar nosso voto b) n&atilde;o temos objec&ccedil;&atilde;o entrada Na&ccedil;&otilde;es Unidas logo que poss&iacute;vel dentro estatutos organiza&ccedil;&atilde;o...&raquo;. AHDMNE.</p>     <p><Sup><a name="24"></a><a href="#top24">24</a></Sup> Telegrama recebido de Londres n.&ordm; 799, 14 de Dezembro de 1945. AHDMNE.</p>     <p><Sup><a name="25"></a><a href="#top25">25</a></Sup> <i>Ibidem</i>.</p>     <p><Sup><a name="26"></a><a href="#top26">26</a></Sup> Telegrama expedido para Londres n.&ordm; 9. 7 de Janeiro de 1946. AHDMNE.</p>     <p><Sup><a name="27"></a><a href="#top27">27</a></Sup> AOS/CO/NE-21, pt.6.</p>     <p><Sup><a name="28"></a><a href="#top28">28</a></Sup> Telegrama recebido de Berna n.&ordm; 29. 13 de Novembro de 1945. AOS/CO/NE-21, pt.6.</p>     <p><Sup><a name="29"></a><a href="#top29">29</a></Sup> Telegrama recebido de Washington n.&ordm; 1. 2 de Janeiro de 1946. AOS/CO/NE -21, pt.6.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><Sup><a name="30"></a><a href="#top30">30</a></Sup> AOS/CO/NE -21, pt.6.</p>     <p><Sup><a name="31"></a><a href="#top31">31</a></Sup> <i>Ibidem</i>.</p>     <p><Sup><a name="32"></a><a href="#top32">32</a></Sup> Telegrama recebido de Haia n.&ordm; 39. 22 de Fevereiro de 1946. AOS/CO/NE -21, pt. 6.</p>     <p><Sup><a name="33"></a><a href="#top33">33</a></Sup> Telegrama recebido de Haia n.&ordm; 49. 5 de Mar&ccedil;o de 1946. AOS/CO/NE -21, pt. 6.</p>     <p><Sup><a name="34"></a><a href="#top34">34</a></Sup> Telegrama recebido de Bruxelas n.&ordm; 55. 30 de Mar&ccedil;o de 1946. AOS/CO/NE -21, pt. 6.</p>     <p><Sup><a name="35"></a><a href="#top35">35</a></Sup> Telegrama expedido para Londres n.&ordm; 657. 19 de Outubro de 1945. AHDMNE.</p>     <p><Sup><a name="36"></a><a href="#top36">36</a></Sup> Telegrama expedido para Londres n.&ordm; 370. 7 de Julho de 1946. AHDMNE.</p>     <p><Sup><a name="37"></a><a href="#top37">37</a></Sup> Telegrama expedido para Londres n.&ordm; 395. 29 de Julho de 1946. AHDMNE.</p>     <p><Sup><a name="38"></a><a href="#top38">38</a></Sup> Telegrama expedido para Londres n.&ordm; 370. 7 de Julho de 1946. AHDMNE. Id&ecirc;nticos telegramas foram expedidos para Washington e Rio de Janeiro.</p>     <p><Sup><a name="39"></a><a href="#top39">39</a></Sup> An&aacute;lise do Foreign Office ao telegrama n.&ordm; 33 da Embaixada brit&acirc;nica em Lisboa, de 28 de Fevereiro de 1945 que relata as repercuss&otilde;es da exclus&atilde;o de Portugal da Confer&ecirc;ncia de S&atilde;o Francisco. FO 371/49474.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><Sup><a name="40"></a><a href="#top40">40</a></Sup> Telegrama expedido para Londres n.&ordm; 370. 7 de Julho de 1946. AHDMNE.</p>     <p><Sup><a name="41"></a><a href="#top41">41</a></Sup> Telegrama recebido de Londres n.&ordm; 472. 10 de Julho de 1946. AHDMNE.</p>     <p><Sup><a name="42"></a><a href="#top42">42</a></Sup> <i>Ibidem</i>. Posi&ccedil;&otilde;es semelhantes foram transmitidas pelos embaixadores de Portugal em Washington e no Rio de Janeiro. Telegrama recebido de Washington n.&ordm; 301. 11 de Julho de 1946. AHDMNE; Telegrama recebido do Rio de Janeiro n.&ordm; 314. AHDMNE.</p>     <p><Sup><a name="43"></a><a href="#top43">43</a></Sup> A ilha esteve na posse da Dinamarca at&eacute; ao momento em que com a ocupa&ccedil;&atilde;o alem&atilde; desse pa&iacute;s a Gr&atilde;-Bretanha a tomou. Ainda antes da entrada dos Estados Unidos na guerra, em Julho de 1941, as for&ccedil;as armadas americanas renderam as for&ccedil;as brit&acirc;nicas que assim passaram a controlar a ilha. Em Maio de 1944 realizou-se um plebiscito que aprovou a separa&ccedil;&atilde;o da Dinamarca e a independ&ecirc;ncia do pa&iacute;s. Por este motivo, o pa&iacute;s n&atilde;o integrava aquele que era considerado o grupo de pa&iacute;ses neutrais que pretendiam aderir &agrave; ONU.</p>     <p><Sup><a name="44"></a><a href="#top44">44</a></Sup> Telegrama expedido para Londres n.&ordm; 404. 1 de Agosto de 1946. AHDMNE.</p>     <p><Sup><a name="45"></a><a href="#top45">45</a></Sup> Carta ao secret&aacute;rio-geral das Na&ccedil;&otilde;es Unidas. 2 de Agosto de 1946: &laquo;I have the honour to inform that the Portuguese Government, having decide to participate in the United Nations and agreeing to carry out the obligations imposed by the Charter, have instructed me to submit Portugal&rsquo;s application for membership, under the provisions of the Chapter 2, Article 4, of the Charter...&raquo;. AHDMNE, 2.&ordm; piso, arm. 60, ma&ccedil;o 383, p. 39,321.</p>     <p><Sup><a name="46"></a><a href="#top46">46</a></Sup> Faziam parte do Conselho de Seguran&ccedil;a nesta data os seguintes 11 estados: membros permanentes com direito de veto &ndash; Gr&atilde;-Bretanha, Estados Unidos, Fran&ccedil;a, China e URSS; membros n&atilde;o-permanentes &ndash; Brasil, M&eacute;xico, Austr&aacute;lia, Egipto, Holanda e Pol&oacute;nia.</p>     <p><Sup><a name="47"></a><a href="#top47">47</a></Sup> Relat&oacute;rio do Comit&eacute; Membership. 21 de Agosto de 1946. AHDMNE, 2.&ordm; piso, arm. 60, ma&ccedil;o 383, p. 39,321.</p>     <p><Sup><a name="48"></a><a href="#top48">48</a></Sup> Telegrama recebido de Dublin n.&ordm; 95. 22 de Agosto de 1946. AHDMNE. Justa-mente, desde finais de Julho de 1946 os pa&iacute;ses que combateram Hitler encontravam-se reunidos em Paris para discutirem o futuro dos pa&iacute;ses libertados, tendo a URSS deixado bem claro o seu interesse na Europa Central e de Leste. Esta confer&ecirc;ncia terminou apenas em Outubro e s&oacute; foi assinada em Fevereiro do ano seguinte, n&atilde;o tendo sido poss&iacute;vel alcan&ccedil;ar um compromisso antes da vota&ccedil;&atilde;o no Conselho de Seguran&ccedil;a para a ades&atilde;o de novos pa&iacute;ses &agrave; ONU.</p>     <p><Sup><a name="49"></a><a href="#top49">49</a></Sup> Telegrama recebido de Washington n.&ordm; 393. 29 de Agosto de 1946. AHDMNE, 2.&ordm; piso, arm. 50, ma&ccedil;o 383, p. 39,321.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><Sup><a name="50"></a><a href="#top50">50</a></Sup> Fernando Martins defende na sua tese que a absten&ccedil;&atilde;o da Austr&aacute;lia ao pedido portugu&ecirc;s se prendia n&atilde;o exclusivamente com raz&otilde;es processuais, mas com quest&otilde;es relativas a negocia&ccedil;&otilde;es entre Camberra e Lisboa sobre Timor (MARTINS, Fernando &ndash; <i>Portugal e a Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas, Uma Hist&oacute;ria da Pol&iacute;tica Externa e Ultramarina Portuguesa (Agosto 1941-Setembro 1968)</i>, p. 90). N&atilde;o nos parece, no entanto, defens&aacute;vel que assim tenha sido uma vez que a Austr&aacute;lia absteve-se em todas as vota&ccedil;&otilde;es e n&atilde;o apenas na relativa &agrave; ades&atilde;o de Portugal.</p>     <p><Sup><a name="51"></a><a href="#top51">51</a></Sup> Nos dois anos seguintes a Assembleia Geral aprovou resolu&ccedil;&otilde;es favor&aacute;veis &agrave; r&aacute;pida admiss&atilde;o de Portugal e de outros estados, apelando para que o Conselho de Seguran&ccedil;a tivesse em considera&ccedil;&atilde;o esta posi&ccedil;&atilde;o. A oposi&ccedil;&atilde;o sovi&eacute;tica manteve-se, tendo o representante da URSS deixado claro que a situa&ccedil;&atilde;o s&oacute; se alteraria com a entrada de outros estados comunistas. Cf. LUARD, Evan &ndash; <i>A History of the United Nations. Vol. I: The Years of Western Domination, 1945-1955</i>, pp. 365-367.</p>     <p><Sup><a name="52"></a><a href="#top52">52</a></Sup> Por exemplo o <i>Washington Post</i> e o <i>New York Herald Tribune</i>, fazem considera&ccedil;&otilde;es &agrave; vota&ccedil;&atilde;o nas Na&ccedil;&otilde;es Unidas, atribuindo ao &laquo;inconsiderado e excessivo&raquo; uso do veto pela Uni&atilde;o Sovi&eacute;tica a raz&atilde;o pela qual Portugal e a Irlanda n&atilde;o foram admitidos. O <i>Washington Post </i>chega a afirmar que a exclus&atilde;o destes dois pa&iacute;ses &laquo;constitui um obst&aacute;culo evidente &agrave; realiza&ccedil;&atilde;o dos princ&iacute;pios da Carta das Na&ccedil;&otilde;es Unidas e representa uma perda para a comunidade das na&ccedil;&otilde;es&raquo;. Of&iacute;cio n.&ordm; 216 da Embaixada de Portugal em Washington. 31 de Agosto de 1946. AHDMNE, 2.&ordm; piso, arm. 50, ma&ccedil;o 383, p. 39,321.</p>     <p><Sup><a name="53"></a><a href="#top53">53</a></Sup> Salazar, Ant&oacute;nio de Oliveira &ndash; &laquo;Portugal e as Na&ccedil;&otilde;es Unidas (ONU)&raquo;. In <i>Discursos e Notas Pol&iacute;ticas</i>. Vol. IV. <i>1943-1950</i>, pp. 237-240.</p>     <p><Sup><a name="54"></a><a href="#top54">54</a></Sup> <i>Ibidem</i>.</p>     <p><Sup><a name="55"></a><a href="#top55">55</a></Sup> <i>Ibidem</i>.</p>     <p><Sup><a name="56"></a><a href="#top56">56</a></Sup> NOGUEIRA, Franco &ndash; <i>Salazar. </i>Vol. IV<i>. O Ataque (1945-1958)</i>. Coimbra: Atl&acirc;ntida Editora, 1980, pp. 54-55.</p>     <p><Sup><a name="57"></a><a href="#top57">57</a></Sup> Admiss&atilde;o &agrave; Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas, Informa&ccedil;&atilde;o-parecer, Minist&eacute;rio dos Neg&oacute;cios Estrangeiros, Julho de 1946. AOS/CO/NE-21. O parecer &eacute; ainda mais pormenorizado descrevendo todos os passos que devem ser tomados segundo a resolu&ccedil;&atilde;o relativa &agrave; admiss&atilde;o de novos membros que foi adoptada unanimemente pelo Conselho de Seguran&ccedil;a a 17 de Junho.</p>     <p><Sup><a name="58"></a><a href="#top58">58</a></Sup> Carta de Charles Stirling a Marcelo Mathias. 5 de Setembro de 1946. AHDMNE, 2.&ordm; piso, arm. 60, ma&ccedil;o 383, p. 39,321.</p>     <p><Sup><a name="59"></a><a href="#top59">59</a></Sup> Telegrama recebido de Londres n.&ordm; 652. 11 de Outubro de 1945. AHDMNE.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><Sup><a name="60"></a><a href="#top60">60</a></Sup> Of&iacute;cio n.&ordm; 474, 2 de Novembro de 1945. AHDMNE, 2.&ordm; piso, arm. 60, ma&ccedil;o 379 &ndash; ONU.</p>     <p><Sup><a name="61"></a><a href="#top61">61</a></Sup> Telegrama expedido para Londres n.&ordm; 739. 1 de Dezembro de 1945. AHDMNE. Id&ecirc;nticos telegramas foram enviados para Paris, Bruxelas e Haia.</p>     <p><Sup><a name="62"></a><a href="#top62">62</a></Sup> Telegrama recebido de Haia n.&ordm; 114. 7 de Dezembro de 1945. AHDMNE, 2.&ordm; piso, arm. 60, ma&ccedil;o 379 &ndash; ONU.</p>     <p><Sup><a name="63"></a><a href="#top63">63</a></Sup> Telegrama recebido de Paris n.&ordm; 402. 8 de Dezembro de 1945. AHDMNE, 2.&ordm; piso, arm. 60, ma&ccedil;o 379 &ndash; ONU.</p>     <p><Sup><a name="64"></a><a href="#top64">64</a></Sup> LUARD, Evan &ndash; <i>A History of the United Nations. Vol. I: The Years of Western Domination, 1945-</i>1955, pp. 79-85.</p>     <p><Sup><a name="65"></a><a href="#top65">65</a></Sup> SILVA, Isabel Alarc&atilde;o e &ndash; &laquo;A admiss&atilde;o de Portugal na ONU&raquo;,p. 34.</p>     <p><Sup><a name="66"></a><a href="#top66">66</a></Sup> As elei&ccedil;&otilde;es de 1945 s&atilde;o disso exemplo paradigm&aacute;tico. A estrat&eacute;gia de adapta&ccedil;&atilde;o levou o regime a promover altera&ccedil;&otilde;es constitucionais, modificar a lei eleitoral e a antecipar as elei&ccedil;&otilde;es para a Assembleia Nacional. Segundo diversas fontes, Oliveira Salazar estaria preparado para permitir a elei&ccedil;&atilde;o de uma minoria de deputados da oposi&ccedil;&atilde;o. Ao conseguir impor a desist&ecirc;ncia dos candidatos da oposi&ccedil;&atilde;o, o PCP, al&eacute;m de ter passado a dominar uma estrutura que tinha nascido fora da sua &oacute;rbita, o MUD, inviabilizou que se fizesse um teste a essa eventual abertura. Sobre as elei&ccedil;&otilde;es de 1945 ver CASTA&Ntilde;O, David &ndash; &laquo;1945 &ndash; As elei&ccedil;&otilde;es &ldquo;para ingl&ecirc;s ver&rdquo;&raquo;. <i>In </i>rezola, Maria In&aacute;cia, e OLIVEIRA, Pedro &ndash; <i>O Longo Curso. Estudos em Homenagem a Jos&eacute; Medeiros Ferreira</i>. Lisboa: Tinta-da-China, 2010, pp. 243-260.</p>     <p><Sup><a name="67"></a><a href="#top67">67</a></Sup> O processo do pedido de admiss&atilde;o e a posi&ccedil;&atilde;o adoptada pelo regime depois de conhecido o veto sovi&eacute;tico foi acompanhado com interesse pela Embaixada de Espanha em Lisboa que n&atilde;o deixou de informar Madrid que a derrota diplom&aacute;tica exporta&ccedil;&atilde;o de ur&acirc;nio de 1949&raquo;. In <i>Ler Hist&oacute;ria</i>. Lisboa. N.&ordm; 60, 2011, pp. 81-98.</p>     <p><Sup><a name="68"></a><a href="#top68">68</a></Sup> HANHIMAKI, Jussi &ndash; <i>The United Nations. A Very Short Introdution</i>. Nova York: Oxford University Press, 2008, p. 19.</p>     <p><Sup><a name="69"></a><a href="#top69">69</a></Sup> HYAM, Ronald &ndash; <i>Britain&rsquo;s Decline Empire. The Road to Decolonization 19181968</i>. Cambridge: Cambridge University Press, 2006, pp. 94-100.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><Sup><a name="70"></a><a href="#top70">70</a></Sup> KENT, John &ndash; &laquo;Bristish policy and the Cold War&raquo;. <i>In </i>LEFFLER, Melvyn P., e PAINTER, David S. &ndash; <i>Origins of the Cold War</i>. Nova York: Routledge, 1994, p. 162.</p>     <p><Sup><a name="71"></a><a href="#top71">71</a></Sup> Apenas em Mar&ccedil;o de 1949 o Foreign Office abandonou a ideia de constitui&ccedil;&atilde;o de um terceiro poder, passando a defender como priorit&aacute;rio o estabelecimento de uma &laquo;rela&ccedil;&atilde;o especial&raquo; com os norte-americanos. BAYLIS, John &ndash; <i>The Diplomacy of Pragmatism: Britain and the Formation of NATO, 1942-1949</i>. Kent: The Kent State University Press, 1993, p. 120. <i>(Agosto 1941-Setembro 1968)</i>. Lisboa: FCSH &ndash; UNL, 1995.</p>      ]]></body><back>
<ref-list>
<ref id="B1">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[BAEHR]]></surname>
<given-names><![CDATA[Peter]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[GORDENKER]]></surname>
<given-names><![CDATA[Leon]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[The United Nations: Reality and Ideal]]></source>
<year>2005</year>
<publisher-loc><![CDATA[Nova York ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Palgrave Macmillan]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B2">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[BAYLIS]]></surname>
<given-names><![CDATA[John]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[The Diplomacy of Pragmatism: Britain and the Formation of NATO, 1942-1949]]></source>
<year>1993</year>
<publisher-loc><![CDATA[Kent ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[The Kent State University Press]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B3">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[CASTAÑO]]></surname>
<given-names><![CDATA[David]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[1945 - As eleições &#8220;para inglês ver&#8221;]]></article-title>
<person-group person-group-type="editor">
<name>
<surname><![CDATA[REZOLA]]></surname>
<given-names><![CDATA[Maria Inácia]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[oliveira]]></surname>
<given-names><![CDATA[Pedro]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[O Longo Curso. Estudos em Homenagem a José Medeiros Ferreira]]></source>
<year>2010</year>
<page-range>243-260</page-range><publisher-loc><![CDATA[Lisboa ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Tinta-da-China]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B4">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[CASTAÑO]]></surname>
<given-names><![CDATA[David]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[O Aliado Fiel: as negociações para o acordo de exploração e exportação de urânio de 1949]]></article-title>
<source><![CDATA[Ler História]]></source>
<year></year>
<numero>60</numero>
<issue>60</issue>
<page-range>81-98</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B5">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[EMMERJI]]></surname>
<given-names><![CDATA[Louis]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[JOLLY]]></surname>
<given-names><![CDATA[Richard]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[WEISS]]></surname>
<given-names><![CDATA[Thomas]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Ahed the Curve? UN Ideias and Global Challenges]]></source>
<year>2001</year>
<publisher-loc><![CDATA[Bloomington ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Indiana University Press]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B6">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[FENBY]]></surname>
<given-names><![CDATA[Jonathan]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Aliança. A Verdadeira História de como Roosevelt, Estaline e Churchill Venceram Uma Guerra e Iniciaram Outra]]></source>
<year>2008</year>
<publisher-loc><![CDATA[Lisboa ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Quidnovi]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B7">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[GASPAR]]></surname>
<given-names><![CDATA[Carlos]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Organização das Nações Unidas (ONU)]]></article-title>
<person-group person-group-type="editor">
<name>
<surname><![CDATA[Barreto]]></surname>
<given-names><![CDATA[António]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[MÓNICA]]></surname>
<given-names><![CDATA[Maria Filomena]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Dicionário de História de Portugal]]></source>
<year>2000</year>
<page-range>672-678</page-range><publisher-loc><![CDATA[Porto ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Livraria Figueirinhas]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B8">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[HANHIMAKI]]></surname>
<given-names><![CDATA[Jussi]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[The United Nations. A Very Short Introdution]]></source>
<year>2008</year>
<publisher-loc><![CDATA[Nova York ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Oxford University Press]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B9">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[HYAM]]></surname>
<given-names><![CDATA[Ronald]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Britain's Decline Empire. The Road to Decolonization 1918-1968]]></source>
<year>2006</year>
<publisher-loc><![CDATA[Cambridge ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Cambridge University Press]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B10">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[KENT]]></surname>
<given-names><![CDATA[John]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Bristish policy and the Cold War]]></article-title>
<person-group person-group-type="editor">
<name>
<surname><![CDATA[LEFFLER]]></surname>
<given-names><![CDATA[Melvyn P.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[PAINTER]]></surname>
<given-names><![CDATA[David S.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Origins of the Cold War]]></source>
<year>1994</year>
<page-range>155-166</page-range><publisher-loc><![CDATA[Nova York ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Routledge]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B11">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[LUARD]]></surname>
<given-names><![CDATA[Evan]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[A History of the United Nations]]></source>
<year>1989</year>
<volume>I</volume>
<publisher-loc><![CDATA[Londres ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Macmillan]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B12">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[VICENTE]]></surname>
<given-names><![CDATA[Ana]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Portugal Visto pela Espanha. Correspondência Diplomática 1939-1960]]></source>
<year>1992</year>
<page-range>55-56</page-range><publisher-loc><![CDATA[Lisboa ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Assírio & Alvim]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B13">
<nlm-citation citation-type="">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[MOORE]]></surname>
<given-names><![CDATA[John Moore, JR]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[PUBANTZ]]></surname>
<given-names><![CDATA[Jerry]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[League of Nations]]></article-title>
<source><![CDATA[Encyclopedia of The United Nations]]></source>
<year>2008</year>
<publisher-loc><![CDATA[Nova York ]]></publisher-loc>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B14">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[NOGUEIRA]]></surname>
<given-names><![CDATA[Franco]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Salazar. Vol. IV. O Ataque (1945-1958)]]></source>
<year>1980</year>
<publisher-loc><![CDATA[Coimbra ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Atlântida Editora]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B15">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[PEREIRA]]></surname>
<given-names><![CDATA[Carlos Santos]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Portugal e as Nações Unidas]]></article-title>
<person-group person-group-type="editor">
<name>
<surname><![CDATA[Branco]]></surname>
<given-names><![CDATA[Carlos Martins]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[GARCIA]]></surname>
<given-names><![CDATA[Francisco Proença]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Os Portugueses nas Nações Unidas]]></source>
<year>2005</year>
<page-range>143-162</page-range><publisher-loc><![CDATA[Lisboa ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Prefácio]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B16">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[RODRIGUES]]></surname>
<given-names><![CDATA[Luís Nuno]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[O acordo luso-americano dos Açores de 1944]]></article-title>
<source><![CDATA[Portugal e o Atlântico, 60 Anos dos Acordos dos Açores]]></source>
<year>2005</year>
<page-range>75-100</page-range><publisher-loc><![CDATA[Lisboa ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[CEHCP - ISCTE]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B17">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[ROLLO]]></surname>
<given-names><![CDATA[Maria Fernanda]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Portugal e o Plano Marshall]]></source>
<year>1994</year>
<publisher-loc><![CDATA[Lisboa ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Editorial Estampa]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B18">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[ROSAS]]></surname>
<given-names><![CDATA[Fernando]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Sob os ventos da guerra: a primeira crise séria do regime (1940-1949)]]></article-title>
<person-group person-group-type="editor">
<name>
<surname><![CDATA[MATTOSO]]></surname>
<given-names><![CDATA[José]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[História de Portugal]]></source>
<year>1994</year>
<volume>VII</volume>
<publisher-loc><![CDATA[Lisboa ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Editorial Estampa]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B19">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[SALAZAR]]></surname>
<given-names><![CDATA[António de Oliveira]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Portugal, a guerra e a paz]]></article-title>
<source><![CDATA[Discursos e Notas Políticas. Vol. IV. 1943-1950]]></source>
<year>1951</year>
<publisher-loc><![CDATA[Coimbra ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Coimbra Editora]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B20">
<nlm-citation citation-type="">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[SALAZAR]]></surname>
<given-names><![CDATA[António de Oliveira]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Portugal e as Nações Unidas (ONU)]]></article-title>
<source><![CDATA[Discursos e Notas Políticas. Vol . I V. 1943-1950]]></source>
<year></year>
<page-range>237-240</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B21">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[SILVA]]></surname>
<given-names><![CDATA[A. E. Duarte]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[O litígio entre Portugal e a ONU (1960-1974)]]></article-title>
<source><![CDATA[Análise Social]]></source>
<year>1995</year>
<volume>XXX</volume>
<numero>130</numero>
<issue>130</issue>
<page-range>5-50</page-range><publisher-loc><![CDATA[Lisboa ]]></publisher-loc>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B22">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[SILVA]]></surname>
<given-names><![CDATA[Isabel Alarcão e]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[A admissão de Portugal na ONU]]></article-title>
<source><![CDATA[História]]></source>
<year>1993</year>
<numero>165</numero>
<issue>165</issue>
<publisher-loc><![CDATA[Lisboa ]]></publisher-loc>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B23">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[TELO]]></surname>
<given-names><![CDATA[António José]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[A política externa do salazarismo]]></article-title>
<person-group person-group-type="editor">
<name>
<surname><![CDATA[MEDINA]]></surname>
<given-names><![CDATA[João]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[História de Portugal]]></source>
<year>1995</year>
<volume>V</volume>
<publisher-loc><![CDATA[Amadora ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Clube Internacional do Livro]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B24">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[TELO]]></surname>
<given-names><![CDATA[António José]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Portugal e a nato, o Reencontro da Tradição Atlântica]]></source>
<year>1996</year>
<publisher-loc><![CDATA[Lisboa ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Edições Cosmos]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B25">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[VICENTE]]></surname>
<given-names><![CDATA[Ana]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Portugal Visto pela Espanha. Correspondência Diplomática 1939-1960]]></source>
<year>1992</year>
<publisher-loc><![CDATA[Lisboa ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Assírio & Alvim]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
</ref-list>
</back>
</article>
