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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[«A crise da paz» - Portugal e a Organização das Nações Unidas: das origens à admissão (1945-1955)]]></article-title>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[«The peace crisis» - Portugal and the United Nations: Since the beginning to admission (1945-1955)]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[This paper aims to understand and explain how some characters and institutions that determined how it was defined and implemented the Portuguese foreign policy between 1941 and 1955, faced overwhelming international circumstances and several challenges arising from the making and, later on, the existence of the United Nations.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><b>PORTUGAL E AS NAÇÕES UNIDAS</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>&laquo;A crise da paz&raquo;<sup><a href="#1">1</a></sup><a name="top1"></a> &ndash; Portugal e a Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas: das origens &agrave; admiss&atilde;o (1945-1955)</b></p>     <p><b>&laquo;The peace crisis&raquo; &ndash; Portugal and the United Nations. Since the beginning to admission (1945-1955)</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Fernando Martins</b></p>     <p>Doutorado em Hist&oacute;ria pela Universidade de &Eacute;vora. Professor de Hist&oacute;ria Contempor&acirc;nea naquela Universidade. Investigador do CIDEHUS-U&Eacute; (UID/HIS/0057/2013). Desenvolve investiga&ccedil;&atilde;o e atividade docente nos dom&iacute;nios da Hist&oacute;ria do Imp&eacute;rio Colonial Portugu&ecirc;s (1926-1975); Hist&oacute;ria da Diplomacia e da Pol&iacute;tica Externa Portuguesa (1910-1976); Hist&oacute;ria Pol&iacute;tica Portuguesa (1910-1976); Hist&oacute;ria das rela&ccedil;&otilde;es entre o poder civil e o poder militar (1917-1976); Hist&oacute;ria Internacional e Biografia Hist&oacute;rica.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>RESUMO</b></p>     <p>Este texto pretende perceber e explicar de que forma algumas personagens e institui&ccedil;&otilde;es que determinavam o modo como era definida e executada a pol&iacute;tica externa portuguesa entre 1941 e 1955, enfrentaram circunst&acirc;ncias internacionais que n&atilde;o controlavam e os v&aacute;rios desafios decorrentes da forma&ccedil;&atilde;o e, mais tarde, da exist&ecirc;ncia da Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Palavras-chave</b>: ONU, Segunda Guerra Mundial, Guerra Fria, Portugal.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>ABSTRACT</b></p>     <p>This paper aims to understand and explain how some characters and institutions that determined how it was defined and implemented the Portuguese foreign policy between 1941 and 1955, faced overwhelming international circumstances and several challenges arising from the making and, later on, the existence of the United Nations.</p>     <p><b>Keywords</b>: UN, Second World War, Cold War, Portugal.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>Durante a Segunda Guerra Mundial, especialmente ap&oacute;s a entrada dos Estados Unidos em dezembro de 1941, as tr&ecirc;s grandes pot&ecirc;ncias aliadas &ndash; Estados Unidos, Imp&eacute;rio Brit&acirc;nico e Uni&atilde;o Sovi&eacute;tica &ndash; foram reunindo e aprofundando esfor&ccedil;os com o intuito de prepararem uma paz duradoira para o dia seguinte ao fim do conflito iniciado com um ataque alem&atilde;o &agrave; Pol&oacute;nia a 1 de setembro de 1939. Ao contr&aacute;rio daquilo que muitas vezes se pensa e diz, a ONU n&atilde;o foi o &uacute;nico nem eventualmente o principal testemunho daqueles esfor&ccedil;os, embora tenha sido um dos mais importantes e certamente o mais duradoiro. E isto porqu&ecirc;? Porque apesar de os &laquo;Tr&ecirc;s Grandes&raquo; terem a no&ccedil;&atilde;o de que garantir a seguran&ccedil;a era essencial para a preserva&ccedil;&atilde;o da paz, havia outras dimens&otilde;es da vida das sociedades, dos estados e do sistema internacional que necessitavam de uma atua&ccedil;&atilde;o coesa, determinada e eficaz para que o mundo pudesse tornar&#8209;se e manter&#8209;se mais seguro. Era o caso da aplica&ccedil;&atilde;o da justi&ccedil;a no caso dos crimes de guerra e contra a humanidade cometidos pelos vencidos (foi o que se pretendeu fazer aplicando um sistema de justi&ccedil;a especial nos julgamentos de Nuremberga); da cria&ccedil;&atilde;o de estruturas que tratassem da assist&ecirc;ncia imediata &agrave;s popula&ccedil;&otilde;es e da ajuda &agrave; reconstru&ccedil;&atilde;o (instituiu-se a UNRRA, substitu&iacute;da parcialmente mais tarde pelo Fundo Monet&aacute;rio Internacional e pelo Banco Mundial); e da constru&ccedil;&atilde;o de um sistema econ&oacute;mico global assente em estruturas monet&aacute;rias s&oacute;lidas e num com&eacute;rcio internacional pr&oacute;spero e crescente (daqui nasceu o chamado sistema de Bretton Woods que regulou, direta ou indiretamente, as rela&ccedil;&otilde;es econ&oacute;micas e financeiras internacionais at&eacute; finais da d&eacute;cada de 1960)<sup><a href="#2">2</a></sup><a name="top2"></a>.</p>     <p>Este texto n&atilde;o pretende, embora essa an&aacute;lise possa e deva ser feita, estudar o modo como o Estado portugu&ecirc;s encarou, por um lado, e participou, por outro, no processo de constru&ccedil;&atilde;o de uma ordem internacional t&atilde;o complexa e multifacetada como foi aquela concebida e aplicada, em parte, ainda no decurso da Segunda Guerra Mundial, mas sobretudo ap&oacute;s o seu desfecho. O que aqui se faz &eacute; tentar perceber e explicar de que forma algumas personagens e institui&ccedil;&otilde;es ligadas ao modo como era definida e executada a pol&iacute;tica externa portuguesa entre 1941 e 1955, enfrentaram v&aacute;rios desafios decorrentes da cria&ccedil;&atilde;o e, mais tarde, da exist&ecirc;ncia da Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas (ONU).</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>DAS ORIGENS &Agrave; CONFER&Ecirc;NCIA DE S&Atilde;O FRANCISCO</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>No decurso da Segunda Guerra Mundial, o Governo portugu&ecirc;s seguiu atentamente os desenvolvimentos pol&iacute;ticos e militares que conduziriam &agrave; cria&ccedil;&atilde;o e consolida&ccedil;&atilde;o de uma nova ordem internacional ap&oacute;s a conclus&atilde;o do conflito. At&eacute; &agrave; primeira queda de Mussolini, a 24 de julho de 1943, as autoridades lusas teriam d&uacute;vidas leg&iacute;timas sobre quem sairia vencedor da confronta&ccedil;&atilde;o, ou se haveria sequer um campo vencedor, nomeadamente nos cen&aacute;rios europeu e atl&acirc;ntico<sup><a href="#3">3</a></sup><a name="top3"></a>. Apesar de, em finais de abril daquele ano, Salazar, num importante discurso<sup><a href="#4">4</a></sup><a name="top4"></a>, ter tecido considera&ccedil;&otilde;es e veiculado preocupa&ccedil;&otilde;es sobre o modo como uma nova ordem internacional iria nascer, n&atilde;o era f&aacute;cil perspetivar uma Europa novamente em paz segundo a vontade imposta pelos vencedores ou resultante de negocia&ccedil;&otilde;es entre beligerantes. Isto apesar de o Executivo portugu&ecirc;s ter sempre pugnado por uma solu&ccedil;&atilde;o diplom&aacute;tica do conflito. Nomeadamente entre alem&atilde;es e italianos, de um lado, e brit&acirc;nicos e, mais tarde, norte&#8209;americanos, do outro. Em resultado dessa sua convic&ccedil;&atilde;o, o presidente do Conselho teorizou e pretendeu p&ocirc;r em pr&aacute;tica, at&eacute; ao ver&atilde;o de 1942, o &laquo;conceito de <i>zonas de paz</i>, que pudessem ser &uacute;teis a todos os beligerantes durante a guerra e ao mundo depois da luta (&hellip;)&raquo;. Naquele conceito inclu&iacute;a Salazar, em primeiro lugar, Portugal e Espanha, &laquo;e como prolongamento&raquo; destes &laquo;<i>toda a Am&eacute;rica Latina</i>&raquo;<sup><a href="#5">5</a></sup><a name="top5"></a>.</p>     <p>Ap&oacute;s a queda de Mussolini uma das perguntas que as autoridades portuguesas mais insistentemente faziam sobre o curso e o desenlace da guerra no velho continente dizia respeito &agrave;quele que seria o limite das capacidades que a Alemanha e os seus aliados europeus possu&iacute;am para resistirem &agrave; m&aacute;quina pol&iacute;tica e militar aliada<sup><a href="#6">6</a></sup><a name="top6"></a>. Ou seja, se at&eacute; ao ver&atilde;o de 1943 uma vit&oacute;ria aliada, com a consequente imposi&ccedil;&atilde;o dos termos da paz pelos governos de Londres, Moscovo e Washington, era considerada em Lisboa (e n&atilde;o apenas em Lisboa) poss&iacute;vel mas n&atilde;o inevit&aacute;vel, a partir daquele momento tal eventualidade tornou&#8209;se, primeiro, numa probabilidade com cada vez maiores possibilidades de se concretizar, para, depois, a partir de meados de 1944, se tornar numa realidade incontorn&aacute;vel<sup><a href="#7">7</a></sup><a name="top7"></a>.</p>     <p>Isto significa que embora durante toda a Segunda Guerra Mundial, e em particular nos seus dois &uacute;ltimos anos e meio, apesar da aten&ccedil;&atilde;o dedicada pelo Governo e pelo Estado portugu&ecirc;s a outros acontecimentos no dom&iacute;nio da pol&iacute;tica externa, n&atilde;o deixaram ainda assim de tentar perceber, e at&eacute; antecipar, em primeiro lugar, os termos em que os vencedores estariam a preparar uma nova ordem pol&iacute;tica para o p&oacute;s&#8209;guerra e, em segundo lugar, qual seria a posi&ccedil;&atilde;o e o papel que nessa nova ordem os vencedores reservariam aos pequenos pa&iacute;ses e, em particular, &agrave;s pot&ecirc;ncias neutrais: isto &eacute;, a Portugal<sup><a href="#8">8</a></sup><a name="top8"></a>. &Eacute; neste contexto que pode ser interpretada uma passagem da &laquo;exposi&ccedil;&atilde;o&raquo; apresentada pelo presidente do Conselho &agrave; Assembleia Nacional sobre a &laquo;concess&atilde;o de facilidades nos A&ccedil;ores&raquo; aos brit&acirc;nicos (anunciada publicamente pelos jornais na tarde do dia 12 e na manh&atilde; do dia 13 de outubro), e ainda acerca da &laquo;situa&ccedil;&atilde;o das possess&otilde;es portuguesas no extremo oriente&raquo;. Antes de concluir a sua &laquo;exposi&ccedil;&atilde;o&raquo; Salazar afirmou, em primeiro lugar, que os portugueses, e presumivelmente todos os neutrais, se deviam &laquo;considerar&raquo; cada vez &laquo;menos livres&raquo; para se pronunciarem acerca da guerra uma vez que &laquo;esta&raquo; era &laquo;neg&oacute;cio dos beligerantes a liquidar como puder ser&raquo;. Mas, e em segundo lugar, destacou que &laquo;a paz (&hellip;) interessa&#8209;nos, como a todos, porque a paz n&atilde;o &eacute; o fim da guerra, &eacute; a organiza&ccedil;&atilde;o da Europa, sen&atilde;o do mundo; &eacute; o novo estatuto das rela&ccedil;&otilde;es entre os povos, com os seus interesses econ&oacute;micos, suas reivindica&ccedil;&otilde;es sociais, suas ideologias pol&iacute;ticas&raquo;. Cr&iacute;tico, alertou para o facto de existir apenas uma palavra capaz de traduzir o &laquo;estado de todos os esp&iacute;ritos &ndash; <i>inquieta&ccedil;&atilde;o</i>, ou pela ignor&acirc;ncia dos princ&iacute;pios que h&atilde;o-de presidir ao mundo novo ou pela descren&ccedil;a na efic&aacute;cia de alguns que j&aacute; t&ecirc;m sido enunciados&raquo;. E ou porque pretendia produzir um certo dramatismo junto de quem o ouvisse ou lesse, ou porque realmente a sua preocupa&ccedil;&atilde;o relativamente ao desconhecido era grande, talvez demasiado grande, conclu&iacute;a:</p>     <p>     <blockquote>&laquo;Temos vencido as outras crises; tamb&eacute;m venceremos, porque temos condi&ccedil;&otilde;es para isso, a crise da paz. Mas precisamos de estar preparados e decididos como se fosse para vencer a guerra.&raquo;<sup><a href="#9">9</a></sup><a name="top9"></a></blockquote>     <p></p>     <p>Por finais de 1943, e assim continuaria por alguns anos, Salazar, grande parte da elite, das classes m&eacute;dias e da plebe que apoiavam o regime, tiveram sinceros e talvez fundados receios de que a &laquo;paz&raquo; seria mais ingrata para Portugal e, sobretudo, para o Estado Novo do que tinha sido, ou estava a ser, a guerra. Ou seja, havia que pesar seriamente a possibilidade de os vencedores poderem tomar a iniciativa de liquidar o regime, atrav&eacute;s de ataques diretos ou indiretos, ou de nada fazerem para impedir que este sucumbisse a ofensivas montadas e lan&ccedil;adas internamente. &Eacute; claro que no final do quarto ano de guerra pouco se sabia em Lisboa sobre a forma como se iriam organizar a Europa e o mundo ap&oacute;s a derrota do Eixo. Mas esta ignor&acirc;ncia n&atilde;o podia atribuir&#8209;se a qualquer in&eacute;pcia da parte das autoridades portuguesas uma vez que os pr&oacute;prios aliados, ou seja os &laquo;Tr&ecirc;s Grandes&raquo;, poucas certezas tinham sobre o modo como iriam arrumar o mundo uma vez terminado o conflito<sup><a href="#10">10</a></sup><a name="top10"></a>. Apesar da import&acirc;ncia de acontecimentos anteriores, nomeadamente a Confer&ecirc;ncia de Teer&atilde;o<sup><a href="#11">11</a></sup><a name="top11"></a>, apenas nas cimeiras de Ialta e Potsdam foram tomadas decis&otilde;es definitivas respeitantes &agrave;s derradeiras etapas do conflito e &agrave; organiza&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica do mundo no p&oacute;s&#8209;guerra, em especial no que respeitava ao destino dos derrotados na Europa, a come&ccedil;ar pela Alemanha<sup><a href="#12">12</a></sup><a name="top12"></a>.</p>     <p>&Eacute; verdade que em meados de agosto de 1941 Churchill e Roosevelt se tinham encontrado e conferenciado em Argentia Bay, ao largo da Terra Nova, decidindo no final da cimeira publicitar a depois c&eacute;lebre Carta do Atl&acirc;ntico. Neste documento avan&ccedil;avam&#8209;se algumas indica&ccedil;&otilde;es sobre os objetivos de guerra de uma pot&ecirc;ncia beligerante (o Imp&eacute;rio Brit&acirc;nico) e de uma pot&ecirc;ncia neutral (os Estados Unidos), mas tamb&eacute;m eram definidas as linhas gerais que deveriam presidir &agrave; arruma&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica, econ&oacute;mica e moral do mundo depois de derrotada a Alemanha e os seus aliados europeus<sup><a href="#13">13</a></sup><a name="top13"></a>. Ap&oacute;s a entrada dos Estados Unidos na guerra em dezembro de 1941, e no decurso de uma prolongada estadia de Churchill em Washington, a 1 de janeiro de 1942, norte&#8209;americanos, brit&acirc;nicos e demais aliados publicaram a Declara&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas que se apresentou como um indicador da forma como os seus subscritores se comprometiam a fazer a guerra e como uma proclama&ccedil;&atilde;o sobre os motivos que os moviam e os objetivos &ndash; na guerra e na paz &ndash; que os guiavam<sup><a href="#14">14</a></sup><a name="top14"></a>.</p>     <p>No entanto, um e outro documento eram muito vagos. Sen&atilde;o enquanto elementos de propaganda pelo menos enquanto indicadores claros sobre a forma como a paz seria <i>de jure </i>e <i>de facto </i>preparada e uma nova ordem pol&iacute;tica internacional estruturada. Mas n&atilde;o foi esta realidade que impediu que a Carta do Atl&acirc;ntico e a Declara&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas fossem comentadas e analisadas tanto na imprensa como na documenta&ccedil;&atilde;o oficial portuguesa. No caso do primeiro documento, a diplomacia portuguesa, nomeadamente o ent&atilde;o ministro de Portugal em Washington, tentou perceber at&eacute; que ponto se poderia estar perante uma declara&ccedil;&atilde;o que, materializando&#8209;se politicamente, viesse a p&ocirc;r em causa uma ordem internacional em que a exist&ecirc;ncia de imp&eacute;rios coloniais era leg&iacute;tima pol&iacute;tica e moralmente e, portanto, incontest&aacute;vel<sup><a href="#15">15</a></sup><a name="top15"></a>. A preocupa&ccedil;&atilde;o manifestada pelo diplomata luso fazia&#8209;se tanto &agrave; luz daquela que era a secular tradi&ccedil;&atilde;o colonial portuguesa e de uma pol&iacute;tica externa e de uma diplomacia que protegiam essa tradi&ccedil;&atilde;o, mas ainda daqueles que eram os objetivos estrat&eacute;gicos da pol&iacute;tica externa definida e perseguida pelo Governo portugu&ecirc;s durante a Segunda Guerra Mundial<sup><a href="#16">16</a></sup><a name="top16"></a>. De Washington, telegrama atr&aacute;s de telegrama e of&iacute;cio atr&aacute;s de of&iacute;cio, eram enviadas informa&ccedil;&otilde;es relacionadas com a forma como uma nova ordem internacional, definida por uns Estados Unidos vencedores, poderia beliscar os interesses portugueses no dom&iacute;nio colonial. &Agrave; tradi&ccedil;&atilde;o anticolonialista norte&#8209;americana (re)fundada pelo Presidente Wilson, sucedia um novo f&ocirc;lego anticolonial inspirado pelo Presidente Franklin Delano Roosevelt, o que dava um sinal claro daquilo que parecia ser o regresso dos Estados Unidos a uma doutrina e a uma pr&aacute;tica pol&iacute;tica muito cr&iacute;tica do colonialismo europeu tanto na &Aacute;sia como em &Aacute;frica. Entre 1941 e 1945, a mem&oacute;ria dos &laquo;Catorze Pontos&raquo; de Wilson e dos &laquo;mandatos&raquo; da Sociedade das Na&ccedil;&otilde;es (SdN), a par daquilo que era o conte&uacute;do de algumas das al&iacute;neas da Carta do Atl&acirc;ntico ou da Declara&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas, ou ainda o crescente protagonismo de Washington na lideran&ccedil;a da guerra e na prepara&ccedil;&atilde;o da paz, afinaram a aten&ccedil;&atilde;o de Lisboa e do seu ministro, e depois embaixador, em Washington, Jo&atilde;o de Bianchi.</p>     <p>Por exemplo, em junho de 1943 foi transmitida para Lisboa, a pedido do Minist&eacute;rio dos Neg&oacute;cios Estrangeiros (MNE), uma an&aacute;lise dos discursos ou opini&otilde;es avulsas proferidas nos Estados Unidos por membros da Administra&ccedil;&atilde;o Roosevelt que evocassem &laquo;a necessidade do fim do imperialismo e a emancipa&ccedil;&atilde;o dos povos&raquo;. Segundo Jo&atilde;o de Bianchi, tais opini&otilde;es deveriam ser entendidas n&atilde;o como equivalendo ao desejo de promover a emancipa&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica mais ou menos imediata de todos os povos &laquo;atrasados&raquo; da &Aacute;frica e da &Aacute;sia, mas dizendo respeito apenas &agrave; &laquo;&Iacute;ndia e a outros estados asi&aacute;ticos semi-independentes de civiliza&ccedil;&atilde;o j&aacute; adiantada&raquo;. A &laquo;tend&ecirc;ncia&raquo;, no momento, ia no sentido de restringir as teses emancipadoras, afirmando&#8209;se que os &laquo;povos atrasados&raquo; n&atilde;o seriam ainda capazes de retirar os devidos &laquo;&ldquo;benef&iacute;cios da liberdade?&rdquo;&raquo;.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Melindrosas eram no entanto as &laquo;ideias&raquo; correntes em torno da &laquo;expans&atilde;o do sistema de mandatos e porta aberta&raquo;, muito embora os &laquo;governantes&raquo; se abstivessem sistematicamente de emitir opini&otilde;es conclusivas sobre o assunto. Encontravam&#8209;se, pelo menos at&eacute; &agrave; primavera de 1943, &laquo;muito silenciosos sobre a mat&eacute;ria&raquo;. Aquelas &laquo;ideias&raquo; eram mais recorrentes quando se falava do poss&iacute;vel destino das &laquo;col&oacute;nias japonesas, italianas e territ&oacute;rios da Austr&aacute;lia&raquo;. Jo&atilde;o de Bianchi tomava ainda como bom o princ&iacute;pio de que os Estados Unidos n&atilde;o pretendiam qualquer engrandecimento territorial como compensa&ccedil;&atilde;o pela sua entrada na guerra, nomeadamente naquilo que dizia respeito &agrave; aquisi&ccedil;&atilde;o de col&oacute;nias. O diplomata portugu&ecirc;s recordava que este tipo de reivindica&ccedil;&atilde;o n&atilde;o estava &laquo;nas suas tradi&ccedil;&otilde;es nem nas suas necessidades visto (os Estados Unidos) n&atilde;o terem problemas de coloca&ccedil;&atilde;o de excessos populacionais nem de mat&eacute;rias&#8209;primas&raquo;, para al&eacute;m de existir uma &laquo;raz&atilde;o psicol&oacute;gica fundamental&raquo;: a de os norte&#8209;americanos, tradicionalmente, sempre se terem afirmado &laquo;preocupados com a liberdade dos povos&raquo;. Os problemas futuros, naquilo que respeitava a uma poss&iacute;vel interfer&ecirc;ncia dos Estados Unidos nas quest&otilde;es coloniais, n&atilde;o estavam por isso nas ambi&ccedil;&otilde;es territoriais que n&atilde;o possu&iacute;am, mas sim na &laquo;contribui&ccedil;&atilde;o que o seu idealismo&raquo; poderia dar para o desenvolvimento de &laquo;pol&iacute;ticas de coopera&ccedil;&atilde;o internacional&raquo; e de expans&atilde;o do com&eacute;rcio. Estas inspiravam&#8209;se em &laquo;ideias de mandatos, portas&#8209;abertas e liberdades comerciais&raquo;, nas quais acreditavam &laquo;com bastante ingenuidade&raquo; e, em parte, na sua &laquo;falta de contacto efetivo com problemas coloniais&raquo;. Finalmente, havia que considerar a possibilidade de as administra&ccedil;&otilde;es norte&#8209;americanas, por press&otilde;es internas v&aacute;rias, virem a intervir nas &laquo;quest&otilde;es coloniais&raquo; atrav&eacute;s de a&ccedil;&otilde;es ditas &laquo;filantr&oacute;picas&raquo;. Ou seja, pretenderem canalizar para territ&oacute;rios e popula&ccedil;&otilde;es sob dom&iacute;nio colonial parte do capital excedent&aacute;rio dispon&iacute;vel e, como consequ&ecirc;ncia e contrapartida, exigirem uma maior interven&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica junto daqueles territ&oacute;rios e povos. Havia por isso que seguir esta quest&atilde;o com &laquo;cuidado e aten&ccedil;&atilde;o&raquo;<sup><a href="#17">17</a></sup><a name="top17"></a>.</p>     <p>Nesta linha de observa&ccedil;&atilde;o e an&aacute;lise, Jo&atilde;o de Bianchi remeteu informa&ccedil;&atilde;o sobre o poss&iacute;vel relacionamento dos Estados Unidos com a &Aacute;frica. F&ecirc;&#8209;lo a prop&oacute;sito de uma confer&ecirc;ncia realizada em Nova York por Henry S. Villard, &laquo;Chefe&#8209;Assistente da Divis&atilde;o do Pr&oacute;ximo Oriente do State Department&raquo;. A &laquo;palestra&raquo; fora importante por ter sido pronunciada por um funcion&aacute;rio superior do Departamento de Estado pertencente a uma &laquo;reparti&ccedil;&atilde;o&raquo; por onde corriam as &laquo;quest&otilde;es africanas&raquo;, mas tamb&eacute;m por traduzir &laquo;as primeiras declara&ccedil;&otilde;es de inspira&ccedil;&atilde;o oficial (...) pronunciadas&raquo; nos Estados Unidos a prop&oacute;sito &laquo;dos problemas da &Aacute;frica no per&iacute;odo do p&oacute;s&#8209;guerra&raquo;. Pronunciando&#8209;se em &laquo;tom moderado&raquo;, o que n&atilde;o podia &laquo;deixar&raquo; de &laquo;tranquilizar&raquo; Lisboa, deixava no ar a import&acirc;ncia de ideias como a &laquo;da &ldquo;porta&#8209;aberta&rdquo;, de uma &ldquo;filantropia internacional&rdquo;&raquo; e da &laquo;necessidade de serem estudados no futuro alguns problemas econ&oacute;micos e estrat&eacute;gicos&raquo;. Tudo somado parecia &oacute;bvio que aquilo que se cogitava no Departamento de Estado &laquo;sobre a quest&atilde;o colonial&raquo; n&atilde;o seria &laquo;inteiramente&raquo; do &laquo;agrado&raquo; ou estaria em &laquo;conformidade com os interesses tradicionais&raquo; de Portugal. No entanto, era evidente que os &laquo;antigos territ&oacute;rios inimigos em &Aacute;frica&raquo; n&atilde;o passariam &laquo;&agrave; posse direta de qualquer pot&ecirc;ncia&raquo;, ainda que fosse &laquo;improv&aacute;vel&raquo; que os Estados Unidos aceitassem &laquo;sozinhos a jurisdi&ccedil;&atilde;o ou o controle de qualquer parte de tais territ&oacute;rios&raquo;. Por isso, careciam de fundamento os rumores, naturalmente postos a correr pelo Eixo, segundo os quais a Administra&ccedil;&atilde;o norte&#8209;americana pensava apropriar&#8209;se de territ&oacute;rios em &Aacute;frica, fosse ainda no decorrer da guerra, fosse depois desta conclu&iacute;da. Quanto ao permanente objetivo anglo&#8209;sax&oacute;nico de concess&atilde;o de autodetermina&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica aos territ&oacute;rios (africanos) dependentes, e embora ele de facto existisse no dom&iacute;nio dos princ&iacute;pios, isso n&atilde;o significava que Washington ouvisse com seriedade &laquo;&ldquo;as ideias que os extremistas&rdquo;&raquo; advogavam no sentido de uma &laquo;imediata liberta&ccedil;&atilde;o de todas as depend&ecirc;ncias do controle externo&raquo;. Isto porque essa op&ccedil;&atilde;o n&atilde;o s&oacute; conduziria ao &laquo;caos e confus&atilde;o&raquo;, mas tamb&eacute;m porque apenas &laquo;uma pequena minoria de povos coloniais&raquo; haviam &laquo;exprimido um desejo para governo pr&oacute;prio&raquo;<sup><a href="#18">18</a></sup><a name="top18"></a>.</p>     <p>Naquilo que dizia respeito &agrave; forma&ccedil;&atilde;o e ao papel a atribuir a uma nova organiza&ccedil;&atilde;o mundial para a paz e seguran&ccedil;a do p&oacute;s&#8209;guerra, a diplomacia portuguesa seguiu em Washington algumas das iniciativas que apontavam nesse sentido, a come&ccedil;ar pela a&ccedil;&atilde;o de Cordell Hull. Desde que em 1942 o secret&aacute;rio de Estado fora &laquo;desviado&raquo; por Roosevelt do tratamento dos assuntos diretamente relacionados com a condu&ccedil;&atilde;o da guerra para tarefas de prepara&ccedil;&atilde;o da ordem pol&iacute;tica que deveria emergir com a paz, Jo&atilde;o de Bianchi acompanhava a sua atividade e escutava as suas palavras. O discurso de Cordell Hull, datado de 12 de setembro de 1943, foi ouvido com aten&ccedil;&atilde;o e transmitido e comentado para Lisboa. Classificado &agrave; partida como sendo apenas &laquo;pouco mais (...) do que uma nova mas fiel reprodu&ccedil;&atilde;o do conjunto de princ&iacute;pios e objectivos gerais&raquo; t&iacute;picos da pol&iacute;tica externa norte&#8209;americana desde a Grande Guerra, era, tamb&eacute;m, o enunciar de &laquo;uma esp&eacute;cie de carta moral em que as v&aacute;rias na&ccedil;&otilde;es do mundo deveriam fundamentar a sua pol&iacute;tica externa&raquo;. A &laquo;exposi&ccedil;&atilde;o&raquo; tinha sido &laquo;feita&raquo; apresentando &laquo;uma lista de seis princ&iacute;pios gerais, completada por outros tr&ecirc;s&raquo;, tendendo a &laquo;englobar os v&aacute;rios aspectos de uma coopera&ccedil;&atilde;o internacional, pac&iacute;fica e ideal, no campo pol&iacute;tico e econ&oacute;mico&raquo;. No entanto, para Jo&atilde;o de Bianchi a passagem mais importante do discurso dizia respeito &agrave;quilo que era a vontade manifestada pela Administra&ccedil;&atilde;o Roosevelt para que durante a guerra, como depois do seu fim, se procurasse que cada &laquo;na&ccedil;&atilde;o&raquo; pudesse &laquo;manter um governo est&aacute;vel&raquo;, devendo por isso encontrar&#8209;se &laquo;livre para decidir por si pr&oacute;pria as formas e detalhes da sua organiza&ccedil;&atilde;o governamental&raquo;. Isto desde que fosse feito de forma a &laquo;&ldquo;n&atilde;o amea&ccedil;ar a paz e seguran&ccedil;a das outras na&ccedil;&otilde;es&rdquo;&raquo;. Afirma&ccedil;&otilde;es desta natureza surgiam como um certificado de seguran&ccedil;a passado publicamente ao Estado Novo e &laquo;um balde &aacute;gua fria para aqueles&raquo; que pareciam acreditar que logo ap&oacute;s o fim da guerra seriam implantados &laquo;regimes de democracia pura em todos os pa&iacute;ses do mundo&raquo;<sup><a href="#19">19</a></sup><a name="top19"></a>.</p>     <p>Quando mais tarde as aten&ccedil;&otilde;es se viraram para a realiza&ccedil;&atilde;o da Confer&ecirc;ncia de S&atilde;o Francisco, e onde a qualidade de pa&iacute;s participante equivalia &agrave; obten&ccedil;&atilde;o do estatuto de Estado fundador daquilo que viria a ser a ONU, o Governo portugu&ecirc;s teve dificuldade em lidar, sobretudo perante a sua opini&atilde;o p&uacute;blica, com o facto de n&atilde;o ter sido convidado para nela tomar assento. Perante os diplomatas brit&acirc;nicos que o visitavam, Salazar n&atilde;o demonstrava qualquer desapontamento pela n&atilde;o participa&ccedil;&atilde;o portuguesa, como se a aus&ecirc;ncia de um convite lhe parecesse indiferente e, sobretudo, inconsequente. Ali&aacute;s, uma observa&ccedil;&atilde;o atenta da forma como Oliveira Salazar analisava os &uacute;ltimos desenvolvimentos da vida pol&iacute;tica internacional fazia mesmo pensar que, caso Portugal viesse a ser convidado a estar presente em S&atilde;o Francisco, a resposta seria uma recusa. Sobretudo, porque a sua participa&ccedil;&atilde;o, tal como se decidira na Confer&ecirc;ncia de Ialta, implicaria uma declara&ccedil;&atilde;o de guerra &agrave; Alemanha em circunst&acirc;ncias que Salazar considerava indignas. Isto &eacute;, num momento em que a sorte das armas estava tra&ccedil;ada. Seria esta, ali&aacute;s, a argumenta&ccedil;&atilde;o que, por exemplo, o <i>Di&aacute;rio da Manh&atilde;</i>, &oacute;rg&atilde;o oficioso do Governo, passaria para o p&uacute;blico<sup><a href="#20">20</a></sup><a name="top20"></a>.</p>     <p>Mas como n&atilde;o podia deixar de ser, a realiza&ccedil;&atilde;o da Confer&ecirc;ncia de S&atilde;o Francisco suscitou aten&ccedil;&atilde;o muito especial no Pal&aacute;cio das Necessidades<sup><a href="#21">21</a></sup><a name="top21"></a>. As informa&ccedil;&otilde;es dispon&iacute;veis eram limitadas, o que se deveu ao facto de os neutrais estarem exclu&iacute;dos de nela participarem, mas ainda, segundo o embaixador portugu&ecirc;s em Washington, pelo n&uacute;mero reduzido de funcion&aacute;rios norte&#8209;americanos que participavam nas reuni&otilde;es preparat&oacute;rias. Quanto ao poss&iacute;vel rumo dos trabalhos na defini&ccedil;&atilde;o daquele que poderia ser o estatuto dos &laquo;territ&oacute;rios coloniais&raquo; &ndash; uma das quest&otilde;es que mais interessava a Portugal &ndash;, parecia n&atilde;o haver qualquer &laquo;discuss&atilde;o&raquo;. Estava apenas previsto um &laquo;estudo (&hellip;) sobre a organiza&ccedil;&atilde;o e estrutura de &ldquo;trusteeships&rdquo; para as &aacute;reas japonesas e antigos territ&oacute;rios sob mandatos&raquo;, falando&#8209;se tamb&eacute;m na possibilidade de as pot&ecirc;ncias coloniais poderem submeter os seus territ&oacute;rios e popula&ccedil;&otilde;es &agrave;quele regime<sup><a href="#22">22</a></sup><a name="top22"></a>.</p>     <p>Semanas mais tarde era comunicado para Lisboa o &laquo;texto da carta&raquo;, entretanto tornado p&uacute;blico, nomeadamente as disposi&ccedil;&otilde;es relativas aos &laquo;povos coloniais e &aacute;reas estrat&eacute;gicas&raquo;. A &laquo;primeira parte&raquo; (equivalendo aos artigos 73.&ordm; e 74.&ordm; da Carta das Na&ccedil;&otilde;es Unidas), continha os preceitos conhecidos sobre as &laquo;responsabilidades&raquo; inerentes &agrave; &laquo;administra&ccedil;&atilde;o de territ&oacute;rios cujos povos ainda n&atilde;o&raquo; tivessem atingido a &laquo;completa governa&ccedil;&atilde;o pr&oacute;pria&raquo;, ou seja, &laquo;para se aplicar tamb&eacute;m &agrave;s col&oacute;nias&raquo;. Nos artigos 73.&ordm; e 74.&ordm; as disposi&ccedil;&otilde;es &laquo;menos an&oacute;dinas&raquo; referiam&#8209;se &laquo;ao desenvolvimento da governa&ccedil;&atilde;o pr&oacute;pria&raquo;, nelas se prevendo dever ter&#8209;se em &laquo;conta as aspira&ccedil;&otilde;es pol&iacute;ticas&raquo; das popula&ccedil;&otilde;es e o &laquo;aux&iacute;lio&raquo; ao &laquo;progressivo desenvolvimento&raquo; das respetivas &laquo;institui&ccedil;&otilde;es pol&iacute;ticas livres&raquo;. Em &laquo;aten&ccedil;&atilde;o&raquo; deviam ser tidas &laquo;as condi&ccedil;&otilde;es especiais de cada territ&oacute;rio&raquo;, dos seus povos e os &laquo;v&aacute;rios estados de adiantamento&raquo; em que se encontravam. Discriminava&#8209;se ainda o &laquo;compromisso&raquo; a assumir por parte das pot&ecirc;ncias administrantes de &laquo;transmitir regularmente ao Secret&aacute;rio-Geral&raquo; informa&ccedil;&otilde;es acerca das &laquo;condi&ccedil;&otilde;es sociais, econ&oacute;micas e educativas dos territ&oacute;rios&raquo; pelos quais se consideravam &laquo;respons&aacute;veis&raquo; e que n&atilde;o se encontrassem em regime de &laquo;trusteeship&raquo;. A segunda parte, que correspondia aos artigos 75.&ordm; a 91.&ordm; da Carta, ocupava&#8209;se do &laquo;sistema internacional&raquo; de tutela e do respetivo &laquo;conselho&raquo;, tratando por isso de uma realidade que n&atilde;o respeitava diretamente a Portugal. Por &uacute;ltimo, era transmitida a informa&ccedil;&atilde;o de que no caso de existirem &aacute;reas estrat&eacute;gicas nos territ&oacute;rios submetidos ao regime de tutela, elas seriam colocadas sob o controlo do Conselho de Seguran&ccedil;a<sup><a href="#23">23</a></sup><a name="top23"></a>.</p>     <p>A desconfian&ccedil;a portuguesa, e em especial de Salazar, relativamente ao modo como os vencedores organizariam o mundo do p&oacute;s&#8209;guerra n&atilde;o nasceu no outono de 1943 aquando da publicita&ccedil;&atilde;o da ced&ecirc;ncia de facilidades militares nos A&ccedil;ores aos brit&acirc;nicos. Era anterior &agrave;quela data e decorria fundamentalmente daquilo que eram os receios sobre as consequ&ecirc;ncias decorrentes de um aumento exponencial do poder norte&#8209;&#8209;americano n&atilde;o s&oacute; na Europa, mas tamb&eacute;m &agrave; escala global, ao substituir definitivamente o Imp&eacute;rio Brit&acirc;nico no papel de principal pot&ecirc;ncia ocidental e mundial. Aquela desconfian&ccedil;a transmitiu&#8209;a Salazar aos seus interlocutores brit&acirc;nicos. Logo em junho de 1941, um diplomata brit&acirc;nico reuniu&#8209;se com um Salazar &laquo;deprimido&raquo;. O chefe do Governo portugu&ecirc;s iniciou a conversa vincando a ideia de que caso os brit&acirc;nicos insistissem em derrotar a Alemanha de forma &laquo;decisiva&raquo;, acabariam por ficar t&atilde;o exaustos que lhes seria imposs&iacute;vel p&ocirc;r a Europa outra vez de p&eacute;. Este facto daria aos Estados Unidos uma grande liberdade de a&ccedil;&atilde;o e, a prazo, um poder com resultados necessariamente desastrosos para o velho continente. O interlocutor de Salazar acrescentava em seguida na sua comunica&ccedil;&atilde;o para o Foreign office (FO): &laquo;As I have previously reported his fear of United States interference in Europe after the war amounts to an obsession.&raquo;<sup><a href="#24">24</a></sup><a name="top24"></a> Procurando tranquilizar o chefe do Governo portugu&ecirc;s, o diplomata ao servi&ccedil;o do Governo de Sua Majestade informou&#8209;o de que as autoridades do seu pa&iacute;s tinham propostas para a reconstru&ccedil;&atilde;o do p&oacute;s&#8209;guerra, pelo que n&atilde;o abdicariam da sua posi&ccedil;&atilde;o na Europa em favor dos Estados Unidos. Apesar destas palavras terem parecido confortar um pouco o presidente do Conselho, isso n&atilde;o equivalia de facto a uma mudan&ccedil;a de opini&atilde;o, o que, ali&aacute;s, o seu interlocutor considerava ser muito dif&iacute;cil conseguir<sup><a href="#25">25</a></sup><a name="top25"></a>. Toda aquela insist&ecirc;ncia depreciativa em rela&ccedil;&atilde;o aos norte&#8209;americanos manifestou&#8209;se novamente em julho:</p>     <p>     <blockquote>&laquo;Opening conversation yesterday evening Dr. Salazar welcomed Eccles back to civilization. He looked on the Americans as a barbaric people illuminated not by God but by electric light. Were we not afraid that the world after the war would be run by United States of America with a strong dash of Communism? This was a horrible prospect for Europe.&raquo;<sup><a href="#26">26</a></sup><a name="top26"></a></blockquote>     <p></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A isto respondeu Eccles<sup><a href="#27">27</a></sup><a name="top27"></a> que seria prefer&iacute;vel &agrave; Europa viver sob a tutela de um povo e de um governo como o americano, do que sob o jugo alem&atilde;o. E para que Salazar compreendesse a diferen&ccedil;a e a vantagem dos Estados Unidos, bastava que comparasse a Constitui&ccedil;&atilde;o americana com o <i>Mein Kampf</i>.</p>     <p>Ainda quanto ao entendimento de Salazar sobre o que poderia ser a organiza&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica do mundo depois da guerra, &eacute; importante conferir o relato de uma sua conversa com o embaixador norte&#8209;americano em Lisboa, R. Henry Norweb. A 13 de fevereiro de 1945 (uma ter&ccedil;a&#8209;feira de Carnaval)<sup><a href="#28">28</a></sup><a name="top28"></a>, aquele diplomata foi recebido para uma conversa que durou duas horas.</p>     <p>     <blockquote>&laquo;The setting was thus one of unusual intimacy and lent itself to an atmosphere of cordiality which went beyond anything experienced by the Ambassador in his previous talks with the Premier. Dr. Salazar was calm, friendly and at ease throughout the conversation, and seemed entirely unworried by internal difficulties he is reported to have been encoun&#8209;tering.&raquo;<sup><a href="#29">29</a></sup><a name="top29"></a></blockquote>     <p></p>     <p>A Cimeira de Ialta foi o primeiro tema tratado pelos dois homens. Salazar mostrou surpresa pelo facto de o Jap&atilde;o n&atilde;o ter sido, aparentemente, assunto ali tratado, sobretudo quando a guerra no Extremo Oriente havia entrado numa fase decisiva<sup><a href="#30">30</a></sup><a name="top30"></a>. Quanto &agrave; cria&ccedil;&atilde;o das zonas de ocupa&ccedil;&atilde;o aliadas na Alemanha, Salazar manifestou o desejo de que o Reino Unido e os Estados Unidos n&atilde;o apenas fossem capazes de constituir uma zona tamp&atilde;o entre a URSS e a Europa Ocidental, mas, sobretudo, que estivessem conscientes acerca da import&acirc;ncia dessa op&ccedil;&atilde;o. Sobre a zona de ocupa&ccedil;&atilde;o francesa, Salazar recordou o facto de a Fran&ccedil;a apenas muito dificilmente poder vir a desempenhar com efic&aacute;cia uma miss&atilde;o de barragem ao avan&ccedil;o sovi&eacute;tico. Isto porque a influ&ecirc;ncia comunista naquele pa&iacute;s era, na sua opini&atilde;o, &laquo;consider&aacute;vel&raquo;. Sustentava, sem quaisquer d&uacute;vidas, que as condi&ccedil;&otilde;es ali existentes &laquo;providenciavam um solo f&eacute;rtil&raquo; para que, mais cedo ou mais tarde, se verificasse uma viragem &agrave; esquerda.</p>     <p>A Confer&ecirc;ncia de Dumbarton Oaks e os seus resultados mereceram de Salazar ao menos um coment&aacute;rio. Apesar de pa&iacute;s neutral, Portugal tinha um grande interesse naquilo que dizia respeito aos projetos ali discutidos e aprovados. Tinha por &laquo;inevit&aacute;vel&raquo; que o &laquo;mundo&raquo; aceitasse as propostas &laquo;ditadas&raquo; pelas &laquo;tr&ecirc;s grandes pot&ecirc;ncias associadas&raquo; &ndash; mesmo que sem qualquer &laquo;direito legal ou judicial&raquo; &ndash;, o que decorria do facto de brit&acirc;nicos, russos e norte&#8209;americanos terem sofrido enormes perdas em homens e bens. N&atilde;o podiam por isso deixar de &laquo;erguer e insistir na aceita&ccedil;&atilde;o&raquo; por todos do projeto em que haviam trabalhado e que culminava na pretens&atilde;o de dar forma a uma organiza&ccedil;&atilde;o capaz de garantir a seguran&ccedil;a no mundo do p&oacute;s&#8209;guerra. Ironicamente, Salazar assinalou ainda que caso a Europa viesse a viver uma situa&ccedil;&atilde;o de grande instabilidade, algu&eacute;m deveria &laquo;tomar responsabilidades&raquo; e &laquo;impor decis&otilde;es&raquo;, n&atilde;o sendo claro se tal papel cabia &agrave; nova organiza&ccedil;&atilde;o concebida pelos &laquo;Tr&ecirc;s Grandes&raquo;, ou apenas a estes. No entanto, para Salazar a &laquo;viabilidade&raquo; de &laquo;qualquer organiza&ccedil;&atilde;o de seguran&ccedil;a internacional a formar dependia (&hellip;) dos m&eacute;todos empregues&raquo;. Assim, quando tr&ecirc;s pot&ecirc;ncias constitu&iacute;am um &laquo;sindicato&raquo;, as demais pot&ecirc;ncias apenas relutantemente podiam aceitar sem dificuldade regras produzidas por terceiros. Mas &agrave; beira do fim da guerra, e imediatamente ap&oacute;s o fim desta, parecia&#8209;lhe &oacute;bvio que a &laquo;responsabilidade devia repousar nas grandes pot&ecirc;ncias&raquo;. Depois logo se veria.</p>     <p>No entanto, e apesar destas aprecia&ccedil;&otilde;es, o chefe do Governo portugu&ecirc;s considerava ser insensato &laquo;antecipar uma era de paz&raquo; para o per&iacute;odo imediatamente ap&oacute;s a conclus&atilde;o do conflito na Europa. Por isso, aconselhava uma planifica&ccedil;&atilde;o que encarasse quaisquer acordos pol&iacute;ticos (&agrave; escala regional ou mundial) como destinados a serem aplicados numa &eacute;poca e num cen&aacute;rio de pacifica&ccedil;&atilde;o e n&atilde;o de paz. Desde logo porque a guerra no Extremo Oriente deveria continuar ainda por algum tempo &ndash; talvez dois anos. Nestas circunst&acirc;ncias, os Estados Unidos e o Reino Unido n&atilde;o deveriam permitir que &laquo;diverg&ecirc;ncias na Europa ou em qualquer outra parte&raquo; interferissem ou amea&ccedil;assem o esfor&ccedil;o militar contra o Jap&atilde;o. Nestas circunst&acirc;ncias, nenhuma f&oacute;rmula &laquo;final&raquo; de organiza&ccedil;&atilde;o internacional de seguran&ccedil;a poderia ser estabelecida. Os planos a &laquo;implementar&raquo; na Europa, de modo a mant&ecirc;&#8209;la &laquo;calma&raquo;, at&eacute; que a guerra terminasse no Extremo Oriente, representavam para Salazar a diferen&ccedil;a entre o &laquo;per&iacute;odo de pacifica&ccedil;&atilde;o e o de paz&raquo;<sup><a href="#31">31</a></sup><a name="top31"></a>. Sete meses mais tarde, com a rendi&ccedil;&atilde;o incondicional do Jap&atilde;o aos Estados Unidos, ap&oacute;s o lan&ccedil;amento de duas bombas nucleares sobre o seu territ&oacute;rio, a guerra terminou inesperadamente parecendo tornar obsoletas as considera&ccedil;&otilde;es de Salazar sobre a forma como a organiza&ccedil;&atilde;o internacional de seguran&ccedil;a iria ser estabelecida e poderia funcionar, ao mesmo tempo que se apresentava como invi&aacute;vel a sua esperan&ccedil;a de que a continua&ccedil;&atilde;o da guerra contra o Jap&atilde;o atrasasse, ou at&eacute; inviabilizasse, a cria&ccedil;&atilde;o e funcionamento da nova organiza&ccedil;&atilde;o de seguran&ccedil;a internacional e, tamb&eacute;m, a defini&ccedil;&atilde;o dos termos em que <i>a paz </i>seria desenhada e aplicada. Tudo porque Salazar n&atilde;o apenas desconfiava do que a&iacute; vinha, como estava convencido que atrasos, hesita&ccedil;&otilde;es e dila&ccedil;&otilde;es no campo vitorioso jogavam a seu favor e dos seus objetivos para a paz.</p>     <p>Durante a Segunda Guerra Mundial, e como j&aacute; foi dito, manter a integridade territorial e pol&iacute;tica absoluta, n&atilde;o s&oacute; em rela&ccedil;&atilde;o ao territ&oacute;rio portugu&ecirc;s europeu e insular, como ainda a todo o imp&eacute;rio ultramarino, era um dos objetivos da pol&iacute;tica externa portuguesa<sup><a href="#32">32</a></sup><a name="top32"></a> &ndash; isto para al&eacute;m da pr&oacute;pria sobreviv&ecirc;ncia do regime de &laquo;ordem e autoridade&raquo;. Tendo Salazar come&ccedil;ado a preparar o embate do p&oacute;s&#8209;guerra em termos de pol&iacute;tica colonial e de pol&iacute;tica externa a partir de finais do ano de 1943, quando lhe come&ccedil;ou a parecer inevit&aacute;vel uma vit&oacute;ria aliada, n&atilde;o admira por isso que no ver&atilde;o de 1944 tenha confidenciado a Marcello Caetano, no momento em que lhe dirigiu o convite para ministro das Col&oacute;nias, que pensava:</p>     <p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<blockquote>&laquo;(&hellip;) ter chegado a altura de mudar de rumo. A centraliza&ccedil;&atilde;o foi indispens&aacute;vel quando era preciso impor reformas (...) e a administra&ccedil;&atilde;o das col&oacute;nias estava num caos. Agora que as coisas est&atilde;o em ordem, &eacute; preciso dar&#8209;lhes maior liberdade de resolver localmente os seus problemas (...). &Eacute; tempo de descentralizar (...). Demais a mais <i>temos de contar com as ideias que depois da guerra h&atilde;o-de vir da Am&eacute;rica do Norte.</i>&raquo;<sup><a href="#33">33</a></sup><a name="top33"></a></blockquote>     <p></p>     <p>Deixando de lado o significado do convite a Marcello Caetano e do alcance desta (in) confid&ecirc;ncia acerca da necessidade de descentralizar, certo &eacute; que o chefe do Governo se preparava, no dom&iacute;nio das pol&iacute;ticas externa e ultramarina para enfrentar os princ&iacute;pios democr&aacute;ticos acenados pelos norte&#8209;americanos. A rea&ccedil;&atilde;o de Oliveira Salazar significa ainda que de forma alguma se acomodava &agrave;s garantias dadas por Londres e por Washington quer quanto &agrave; sobreviv&ecirc;ncia do autoritarismo portugu&ecirc;s &agrave; guerra<sup><a href="#34">34</a></sup><a name="top34"></a>, quer quanto &agrave; manuten&ccedil;&atilde;o da integridade do imp&eacute;rio colonial. N&atilde;o se afastava, ali&aacute;s, destes objetivos, a s&iacute;ntese de uma informa&ccedil;&atilde;o enviada por Bert Fish, diplomata norte&#8209;americano, ao Departamento de Estado. Nela podia ler&#8209;se que caso os brit&acirc;nicos, e portanto as NU, pretendessem atrair Portugal para uma &laquo;neutralidade colaborante&raquo; deveriam assegurar que aos amigos da &laquo;R&uacute;ssia&raquo; em Portugal n&atilde;o seriam dadas quaisquer garantias de apoio numa eventual tentativa de derrube do Estado Novo; deveria ainda ser assegurada &laquo;a soberania nacional portuguesa&raquo;; e, finalmente, teria que ser afian&ccedil;ado que Portugal poderia manter o seu imp&eacute;rio colonial e administr&aacute;&#8209;lo tal como havia acontecido no passado<sup><a href="#35">35</a></sup><a name="top35"></a>.</p>     <p>Estes objetivos pol&iacute;ticos recolhidos em Lisboa e prontamente transmitidos para Washington tinham sido enunciados por Salazar, ao Pa&iacute;s e aos Aliados, no discurso feito a 27 de abril de 1943 para assinalar o 15.&ordm; anivers&aacute;rio da sua posse como ministro das Finan&ccedil;as<sup><a href="#36">36</a></sup><a name="top36"></a>. Nele Salazar projetava &laquo;Portugal no mundo de amanh&atilde;&raquo;, alertando para a vontade manifestada pelos vencedores da guerra para &laquo;reformar o mundo&raquo;, sendo que essa &laquo;reforma&raquo; podia tornar&#8209;se, em termos gen&eacute;ricos, numa realidade do agrado de quase todos, caso se pretendesse</p>     <p>     <blockquote>&laquo;(...) apenas (...) estabelecer algumas regras de vida para a comunidade internacional e fomentar o dom&iacute;nio de ideias pol&iacute;tico&#8209;sociais aptas a melhorar a vida dos homens e a ativar o progresso e bem&#8209;estar dos povos.&raquo;</blockquote>     <p></p>     <p>Mais preocupante aos olhos de Salazar era o facto de terem sido feitas &laquo;declara&ccedil;&otilde;es autorizadas&raquo; segundo as quais essa &laquo;reforma&raquo; podia vir a ser &laquo;aceite de boa vontade ou por meio de coa&ccedil;&atilde;o&raquo;. Era por isso que ela &laquo;respeita(va) e importa(va)&raquo; a Portugal e &agrave; &laquo;Revolu&ccedil;&atilde;o&raquo;. Ou seja, ainda que a &laquo;nova ordem&raquo; a ser criada dependesse do &laquo;desfecho da guerra&raquo;, e uma vez que ela poderia ser ganha pelos Aliados, tratava&#8209;se ent&atilde;o de preparar o Pa&iacute;s para uma paz imposta. Porque apesar &laquo;de n&atilde;o lutar&raquo; Portugal estava, em fun&ccedil;&atilde;o da paz que se avizinhava, &laquo;como os outros na guerra&raquo; e portanto necessariamente concentrado na prepara&ccedil;&atilde;o do futuro<sup><a href="#37">37</a></sup><a name="top37"></a>.</p>     <p>Que an&aacute;lise produzia Oliveira Salazar em finais de abril de 1943 sobre o curso da guerra, os seus poss&iacute;veis desenlaces e o modo como a sociedade internacional se devia organizar uma vez terminado o conflito? Em que medida podia essa sociedade internacional no p&oacute;s&#8209;guerra influenciar os interesses de Portugal e os objetivos da sua pol&iacute;tica externa? O presidente do Conselho e ministro interino dos Neg&oacute;cios Estrangeiros sublinhou desde logo o facto de &laquo;os processos&raquo; e &laquo;algumas solu&ccedil;&otilde;es&raquo; futuras dependerem &laquo;dos vencedores e da posi&ccedil;&atilde;o relativa das suas for&ccedil;as no momento em que o conflito termine&raquo;<sup><a href="#38">38</a></sup><a name="top38"></a>. Assim, e embora nunca falando de forma expl&iacute;cita da vit&oacute;ria aliada, n&atilde;o fosse tal constata&ccedil;&atilde;o ferir algumas suscetibilidades junto da It&aacute;lia, da Alemanha ou da Espanha, mas sobretudo conceder trunfos excessivos aos Aliados num momento de negocia&ccedil;&otilde;es delicadas sobre a ced&ecirc;ncia de &laquo;facilidades&raquo; nos A&ccedil;ores aos brit&acirc;nicos<sup><a href="#39">39</a></sup><a name="top39"></a>, Salazar manifestava o &laquo;receio, porventura injustificado, de tr&ecirc;s tend&ecirc;ncias&raquo; se afirmarem &laquo;na arruma&ccedil;&atilde;o do mundo&raquo;. Eram elas &laquo;a ambi&ccedil;&atilde;o do &oacute;ptimo, ou seja o dom&iacute;nio do irreal nas aspira&ccedil;&otilde;es&raquo;. Em seguida o perigo do &laquo;vinco da guerra nos h&aacute;bitos da colectiviza&ccedil;&atilde;o da vida&raquo;. Finalmente, &laquo;o primado do econ&oacute;mico, isto &eacute;, a inteira subordina&ccedil;&atilde;o das solu&ccedil;&otilde;es &agrave;s exig&ecirc;ncias da economia&raquo;, facto que poderia &laquo;revolucionar o mundo sem (se) encontrar o caminho da paz&raquo;. E ainda que tudo isto partisse de &laquo;duas bases elementares&raquo; e desej&aacute;veis como &laquo;a ordem e a colabora&ccedil;&atilde;o internacional&raquo;, apenas o &laquo;comunismo&raquo; as procuraria contrariar por ser &laquo;elemento de desordem&raquo;. Por esse facto, Portugal deveria tentar manter&#8209;se firme no caminho iniciado com a Revolu&ccedil;&atilde;o de 1926, pelo que Salazar fazia um voto: &laquo;que a <i>ordem </i>se n&atilde;o <i>altere onde existe</i>&raquo;<sup><a href="#40">40</a></sup><a name="top40"></a>.</p>     <p>Por&eacute;m, nas palavras de Salazar, a &laquo;estreita colabora&ccedil;&atilde;o entre os povos&raquo; afigurava&#8209;se como &laquo;condi&ccedil;&atilde;o necess&aacute;ria da paz e do bem&#8209;estar futuro&raquo;. A d&uacute;vida estava em saber quais seriam as &laquo;bases&raquo; em que viria a assentar aquela &laquo;estreita colabora&ccedil;&atilde;o&raquo;!? O sentido da resposta a esta interroga&ccedil;&atilde;o tinha &laquo;grande valor&raquo; para a &laquo;Revolu&ccedil;&atilde;o&raquo; em que o &laquo;nacionalismo&raquo; fora e era um princ&iacute;pio fundamental. O Estado portugu&ecirc;s corria o risco de poder vir a &laquo;encontrar&#8209;se&raquo;, em virtude deste seu nacionalismo, &laquo;fora da linha geral da reorganiza&ccedil;&atilde;o do mundo&raquo;? Era l&oacute;gico chegar a uma conclus&atilde;o como esta? Afinal os arquitetos da nova ordem n&atilde;o podiam deduzir que, nascendo &laquo;as guerras de conflitos entre na&ccedil;&otilde;es&raquo;, esse velho princ&iacute;pio de organiza&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica podia vir a perder a sua legitimidade, a sua raz&atilde;o de existir? Se assim fosse, ent&atilde;o as linhas pol&iacute;ticas e ideol&oacute;gicas que enquadravam a vida portuguesa, e as &uacute;nicas que, segundo Salazar, serviam os interesses do Pa&iacute;s, estavam amea&ccedil;adas e podiam ver&#8209;se condenadas, empurrando Portugal e o regime para o isolamento. Ou, pior, podiam vir a destruir a pr&oacute;pria na&ccedil;&atilde;o. Quer porque aquela se diluiria na sociedade internacional se abandonasse os princ&iacute;pios nacionalistas, quer porque a &laquo;autoridade&raquo;, caracter&iacute;stica essencial do Estado Novo e decorrente dos seus princ&iacute;pios nacionalistas, era condi&ccedil;&atilde;o da governabilidade e exist&ecirc;ncia de Portugal e, portanto, da sua viabilidade enquanto estado-na&ccedil;&atilde;o independente.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Esta preocupa&ccedil;&atilde;o emergia do facto de Salazar considerar existir na nova ordem internacional em gesta&ccedil;&atilde;o uma avers&atilde;o aos conceitos de na&ccedil;&atilde;o e nacionalismo. Esta avers&atilde;o transmitia&#8209;se pela forma como se multiplicavam os rumores de que a seguran&ccedil;a internacional futura dependeria da constitui&ccedil;&atilde;o de uma esp&eacute;cie de governo mundial exercido pelas tr&ecirc;s grandes pot&ecirc;ncias atrav&eacute;s de um organismo suced&acirc;neo da SdN, mas ao qual seriam conferidos mais e maiores poderes. Por isso &laquo;muitos esp&iacute;ritos&raquo; buscavam &laquo;rem&eacute;dio para t&atilde;o grandes cat&aacute;strofes em formas de organiza&ccedil;&atilde;o supernacional, continental ou mundial&raquo;. Ora, ainda que n&atilde;o estivesse no &laquo;esp&iacute;rito&raquo; do chefe de Governo portugu&ecirc;s &laquo;negar a interdepend&ecirc;ncia e solidariedade dos Estados nem a necessidade de uma f&oacute;rmula de organiza&ccedil;&atilde;o ou trabalho internacional&raquo; que resolvesse &laquo;os problemas&raquo;, pretendia ainda assim deixar bem claro que para ele &laquo;o homem do s&eacute;culo XX&raquo; n&atilde;o estava ainda &laquo;habilitado (...) a resolver&raquo; as complica&ccedil;&otilde;es &laquo;do mundo sen&atilde;o atrav&eacute;s das exist&ecirc;ncias nacionais, livres e independentes&raquo;<sup><a href="#41">41</a></sup><a name="top41"></a>. Aquelas ideias eram ali&aacute;s produto de &laquo;imagina&ccedil;&otilde;es exaltadas&raquo;, produzidas por &laquo;pol&iacute;ticos de gabinete apaixonados das f&oacute;rmulas abstractas e despreocupados das muitas realidades que entretecem a vida das na&ccedil;&otilde;es&raquo;. Salazar esperava que os homens &laquo;prudentes&raquo; e realistas, porque ainda os havia, continuassem a confiar na &laquo;base nacional&raquo; como a &laquo;mais s&oacute;lida, f&aacute;cil e isenta de perigos&raquo;. Aquela na qual verdadeiramente podia &laquo;assentar a colabora&ccedil;&atilde;o dos povos conducente ao bem&#8209;estar comum&raquo;. Seria ent&atilde;o bem melhor que n&atilde;o se pensasse em solu&ccedil;&otilde;es que passassem, por exemplo, pela exist&ecirc;ncia de &laquo;duas soberanias num territ&oacute;rio&raquo;.</p>     <p>Entrando depois nas quest&otilde;es levantadas pela Carta do Atl&acirc;ntico, ou seja no problema do &laquo;direito de acesso &agrave;s mat&eacute;rias&#8209;primas&raquo; de &laquo;origem colonial&raquo;, Salazar mostrava&#8209;se disposto a sublinhar que os portugueses, por motivo algum, estavam dispostos a abdicar dos territ&oacute;rios que haviam descoberto, conquistado, administrado e civilizado. A &laquo;regra&raquo; das &laquo;duas soberanias num territ&oacute;rio&raquo; n&atilde;o se aplicava &laquo;aos territ&oacute;rios coloniais&raquo;, &laquo;acerca dos quais&raquo;, ali&aacute;s, &laquo;algumas ideias correntes&raquo; estavam &laquo;longe de ser claras e inofensivas&raquo;<sup><a href="#42">42</a></sup><a name="top42"></a>. Havia &laquo;grandes ilus&otilde;es em se crer que regimes de condom&iacute;nio, mandato, porta&#8209;aberta e semelhantes&raquo; viessem a resolver &laquo;qualquer quest&atilde;o, a n&atilde;o ser que o fim a atingir&raquo; fosse &laquo;apenas complicar os problemas, tirando a uns&raquo; e dando a outros, subtraindo a soberania desses territ&oacute;rios aos seus administradores leg&iacute;timos em virtude da sua debilidade financeira, econ&oacute;mica e pol&iacute;tica no concerto das na&ccedil;&otilde;es. &laquo;E mais nada.&raquo;<sup><a href="#43">43</a></sup><a name="top43"></a></p>     <p>Ou seja, e segundo se pode facilmente depreender pelas palavras de Salazar, o Estado Novo deveria ser capaz de encontrar uma f&oacute;rmula que lhe permitisse enfrentar uma prov&aacute;vel afirma&ccedil;&atilde;o e hegemonia de um conjunto de princ&iacute;pios considerados contr&aacute;rios aos interesses portugueses. A hist&oacute;ria pol&iacute;tica do Estado Novo nos &uacute;ltimos anos da Segunda Guerra Mundial, como depois dela, e tanto no plano interno, como externo, foi, precisamente, a de procurar conciliar o nacionalismo, o colonialismo e o autoritarismo num cen&aacute;rio de mais aparente e parcial do que real dilui&ccedil;&atilde;o dos dois primeiros conceitos e substitui&ccedil;&atilde;o do terceiro (por democracia). Na verdade, o p&oacute;s&#8209;guerra caracterizar&#8209;se&#8209;ia por uma transforma&ccedil;&atilde;o, e n&atilde;o pelo desaparecimento, do nacionalismo na Europa Ocidental, mas tamb&eacute;m por um (re)nascimento, ou robustecimento, do nacionalismo e do colonialismo nas demais regi&otilde;es do globo. O regresso ao colonialismo, e apesar das independ&ecirc;ncias reconhecidas no imediato p&oacute;s&#8209;guerra, foi um facto da hist&oacute;ria da segunda metade da d&eacute;cada de 1940 e da parte da d&eacute;cada de 1950, para depois paulatinamente sucumbir. A partir daqui, os nacionalismos n&atilde;o europeus foram um elemento necess&aacute;rio, ainda que n&atilde;o suficiente, para o desaparecimento dos imp&eacute;rios coloniais europeus no mundo afro&#8209;asi&aacute;tico e em algumas regi&otilde;es do Pac&iacute;fico e das Am&eacute;ricas, ao mesmo tempo que tornou mais dif&iacute;cil a a&ccedil;&atilde;o da ONU como garante da paz e da seguran&ccedil;a globais<sup><a href="#44">44</a></sup><a name="top44"></a>. De facto, esta organiza&ccedil;&atilde;o n&atilde;o foi equacionada nem preparada para um mundo que, entre 1945 e 1975, passou de 51 para 144 estados-membros, ainda que muito poucos pudessem merecer a classifica&ccedil;&atilde;o de estados&#8209;na&ccedil;&atilde;o<sup><a href="#45">45</a></sup><a name="top45"></a>. Houve que esperar pelo discurso proferido por Salazar a 18 de maio de 1945 na Assembleia Nacional<sup><a href="#46">46</a></sup><a name="top46"></a> para identificar aquele que foi o rumo pol&iacute;tico escolhido para o p&oacute;s&#8209;guerra. F&ecirc;&#8209;lo ao referir&#8209;se ao conflito e &agrave; &laquo;neutralidade portuguesa&raquo;; &agrave; &laquo;organiza&ccedil;&atilde;o da paz&raquo; e &agrave;s suas &laquo;repercuss&otilde;es&raquo; na &laquo;pol&iacute;tica externa&raquo; do Governo de Lisboa; e, finalmente, aos &laquo;problemas da pol&iacute;tica interna portuguesa relacionados com o sentido da vit&oacute;ria&raquo;.</p>     <p>Naquilo que respeitava ao problema da &laquo;organiza&ccedil;&atilde;o da paz&raquo; e n&atilde;o estando Portugal a participar &laquo;na delicada tarefa de definir o estatuto regulador da comunidade das na&ccedil;&otilde;es&raquo;, reservava&#8209;se&#8209;lhe simplesmente o estatuto de &laquo;&ldquo;homem da rua&rdquo;&raquo;, sendo que sob esse ponto de vista Portugal podia tentar compreender os desenvolvimentos pol&iacute;ticos que preparavam o p&oacute;s&#8209;guerra. Partindo dos &laquo;textos e declara&ccedil;&otilde;es p&uacute;blicas&raquo; era agora poss&iacute;vel deduzir que o &laquo;princ&iacute;pio nacional&raquo; seria a base da &laquo;organiza&ccedil;&atilde;o&raquo; futura. Ou seja, aceitava a &laquo;exist&ecirc;ncia de na&ccedil;&otilde;es diferenciadas, independentes e livres, organizadas em Estados soberanos e iguais&raquo;. Salazar reconhecia e aceitava que fosse feita uma &laquo;concess&atilde;o &agrave; realidade da vida internacional&raquo; ao ser admitida &laquo;com base numa diferencia&ccedil;&atilde;o de fun&ccedil;&otilde;es, um princ&iacute;pio aristocr&aacute;tico na direc&ccedil;&atilde;o efetiva da sociedade&raquo; internacional. Aplaudia o sacrif&iacute;cio da &laquo;originalidade ao bom senso&raquo;.</p>     <p>Relativamente &laquo;&agrave; entrada de algumas na&ccedil;&otilde;es para o novo organismo internacional&raquo;, n&atilde;o era &laquo;problema&raquo; que devesse apoquentar as &laquo;pessoas&raquo;. O &laquo;inverso&raquo; &eacute; que era problem&aacute;tico. Isto &eacute;, que algumas na&ccedil;&otilde;es viessem a mostrar vontade de n&atilde;o pretender entrar ou, depois de a ela pertencerem, desejassem &laquo;abandon&aacute;&#8209;la&raquo;<sup><a href="#47">47</a></sup><a name="top47"></a>. Isto porque a solidariedade entre as na&ccedil;&otilde;es, base a partir da qual se teria pensado aquilo que seria a ONU, tendia a ser somente um &laquo;facto&raquo; e n&atilde;o uma &laquo;norma de conduta&raquo; generalizada. Ora apenas a exist&ecirc;ncia dessa &laquo;norma de conduta&raquo;, que talvez chegasse um dia, permitiria conduzir a organiza&ccedil;&atilde;o ao sucesso e preservar a perman&ecirc;ncia dos pa&iacute;ses a ela aderentes.</p>     <p>Quanto &agrave;s &laquo;repercuss&otilde;es&raquo; futuras daquela organiza&ccedil;&atilde;o na &laquo;pol&iacute;tica externa&raquo; portuguesa, Salazar garantia que esta n&atilde;o se resumiria ao esfor&ccedil;o de conseguir a ades&atilde;o. Prosseguiria e afirmar&#8209;se&#8209;ia com as &laquo;actividades&raquo; decorrentes das &laquo;boas rela&ccedil;&otilde;es de vizinhan&ccedil;a, de alian&ccedil;as e de afinidades &eacute;tnicas e culturais&raquo;, nomeadamente atrav&eacute;s do aprofundamento das rela&ccedil;&otilde;es pol&iacute;ticas preferenciais com Espanha, Reino Unido e Brasil.</p>     <p>Finalmente, quanto aos &laquo;problemas da pol&iacute;tica interna portuguesa relacionados com o sentido da vit&oacute;ria&raquo;, Salazar assegurava que o Governo estava disposto a continuar a lutar pela manuten&ccedil;&atilde;o do regime vigente, uma vez que as suas institui&ccedil;&otilde;es eram as que melhor se adaptavam ao &laquo;modo de ser&raquo; do Pa&iacute;s, facto que, ali&aacute;s, tornava Portugal prest&aacute;vel &agrave; comunidade internacional. Um regime que garantisse o &laquo;grau de liberdade consent&acirc;neo com a efici&ecirc;ncia das disciplinas interiores do homem e exteriores do meio social&raquo;, e que paralelamente assegurasse o &laquo;progresso interno&raquo; e a sua colabora&ccedil;&atilde;o com outras na&ccedil;&otilde;es, n&atilde;o podia desaparecer apenas porque a guerra havia sido ganha por &laquo;pot&ecirc;ncias aliadas&raquo; que lutavam &laquo;sob a bandeira da democracia&raquo;. Em resumo, nada daquilo que Salazar havia &laquo;presenciado e vivido&raquo; no decurso da guerra alterara a sua &laquo;vis&atilde;o dos factos&raquo; ou a sua &laquo;convic&ccedil;&atilde;o&raquo;. Mantinha&#8209;se fiel &agrave;s suas diretrizes, porque seriam as mais &laquo;&uacute;teis &agrave; Na&ccedil;&atilde;o Portuguesa, &agrave; sua paz e ao seu progresso&raquo;. E era isso que &laquo;acima de tudo&raquo; lhe importava, o conduzia e inspirava<sup><a href="#48">48</a></sup><a name="top48"></a>.</p>     <p>Nestas circunst&acirc;ncias, Salazar n&atilde;o considerava poss&iacute;vel nem desej&aacute;vel retirar&#8209;se para Coimbra. Propunha&#8209;se enfrentar mais uma vez os desafios pol&iacute;ticos que se lhe deparavam. Ali&aacute;s, como tamb&eacute;m afirmou o presidente do Conselho ao encarregado de neg&oacute;cios interino do Governo norte&#8209;americano em Lisboa, se os Estados Unidos e o Reino Unido desejavam a estabilidade em Portugal seria prefer&iacute;vel a manuten&ccedil;&atilde;o dos seus compromissos com o Governo e o regime que o antigo professor de Direito chefiava. Recordou ainda ao seu interlocutor que fora com ele e n&atilde;o com outro interlocutor que os Estados Unidos haviam conseguido levar as suas rela&ccedil;&otilde;es pol&iacute;ticas com Portugal a um t&atilde;o elevado n&iacute;vel, obtendo, nomeadamente, facilidades em Santa Maria. Parecia&#8209;lhe, portanto, que tudo deveria &laquo;continuar nesta direc&ccedil;&atilde;o&raquo;. Porque se a oposi&ccedil;&atilde;o, chegada ao poder, poderia vir tamb&eacute;m a ceder inicialmente os A&ccedil;ores aos Estados Unidos, a verdade era que com a desordem e a &laquo;descontinuidade&raquo; pr&oacute;prias dos regimes democr&aacute;ticos, Washington poder&#8209;se&#8209;ia, mais cedo ou mais tarde, vir a deparar com &laquo;in&uacute;meros obst&aacute;culos, desconhecidos e incertos&raquo;<sup><a href="#49">49</a></sup><a name="top49"></a>.</p>     <p>&Agrave; beira do fim da Segunda Guerra Mundial, e tendo em conta aquele que viria a ser o principal combate a levar a cabo por Portugal no dom&iacute;nio da pol&iacute;tica externa, Salazar apresentava&#8209;se, para dentro e para fora do Pa&iacute;s, como o homem que havia mantido a integridade do Imp&eacute;rio numa conjuntura &laquo;em que imp&eacute;rios mais poderosos se haviam desintegrado&raquo;. Nestas circunst&acirc;ncias, Salazar n&atilde;o podia ser &laquo;acidentalmente posto de parte&raquo;<sup><a href="#50">50</a></sup><a name="top50"></a>. Nem a sua pol&iacute;tica.</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>O PROCESSO DE ADMISS&Atilde;O DE PORTUGAL &Agrave;S NA&Ccedil;&Otilde;ES UNIDAS: 1946 &#8209;1955</b></p>     <p>Se o facto de Portugal n&atilde;o ter sido convidado a participar na Confer&ecirc;ncia de S&atilde;o Francisco foi um rev&eacute;s control&aacute;vel nos danos pol&iacute;ticos provocados internamente, o mesmo n&atilde;o pode ser dito do fracasso que constituiu a recusa da primeira candidatura portuguesa &agrave; ONU logo no ano de 1946<sup><a href="#51">51</a></sup><a name="top51"></a>. Este facto mais do que fazer prever que o relacionamento futuro do Estado Novo com aquele organismo seria muito pouco auspicioso, significava acima de tudo que a integra&ccedil;&atilde;o do Portugal autorit&aacute;rio na nova ordem mundial marcada pela Guerra Fria n&atilde;o seria desprovida de dificuldades. &Eacute; verdade que entre 1946 e 1955, data da admiss&atilde;o portuguesa &agrave; ONU, a diplomacia portuguesa acumulou sobretudo vit&oacute;rias, n&atilde;o tendo sequer sido for&ccedil;ada a romper qualquer esp&eacute;cie de isolamento ou hostilidade generalizada. No entanto, e sobretudo pelo facto de o Governo de Lisboa ter dado um contributo n&atilde;o despiciendo para a vit&oacute;ria aliada na guerra atrav&eacute;s da ced&ecirc;ncia de infraestruturas militares nos A&ccedil;ores a brit&acirc;nicos e norte&#8209;americanos (contributo superior ao de alguns pa&iacute;ses que entraram na guerra no campo aliado e que por isso estiveram em S&atilde;o Francisco e foram membros fundadores da ONU), era de certa forma incompreens&iacute;vel sen&atilde;o a sua aus&ecirc;ncia da reuni&atilde;o em S&atilde;o Francisco, pelo menos o veto sovi&eacute;tico &agrave; entrada de Portugal na ONU<sup><a href="#52">52</a></sup><a name="top52"></a>. Apesar de, no ver&atilde;o de 1946, se estar j&aacute; num per&iacute;odo de recomposi&ccedil;&atilde;o e reconsolida&ccedil;&atilde;o do regime ap&oacute;s as dificuldades sentidas internamente nos &uacute;ltimos anos da guerra e ainda no p&oacute;s&#8209;guerra, uma derrota na frente externa, por menor que pudesse ser, e particularmente num contexto em que n&atilde;o se relacionava com os objetivos pol&iacute;ticos tra&ccedil;ados pelo MNE, n&atilde;o podia obviamente ser bem&#8209;vinda<sup><a href="#53">53</a></sup><a name="top53"></a>. No entanto, e como seria de esperar, a rea&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica natural a essa derrota foi procurar transform&aacute;&#8209;la numa vit&oacute;ria.</p>     <p>O embaixador do Governo espanhol em Lisboa constatou essa atitude ao escrever:</p>     <p>     <blockquote>&laquo;En resumen, lo que mirado superficialmente pudiera parecer un fracaso internacional, en Portugal se presenta casi como un triunfo, puesto que ha promovido una especie de plebiscito entre las naciones aliadas a favor de &eacute;l, acerc&aacute;ndole definitivamente al bloque occidental y present&aacute;ndole como una v&iacute;ctima del grupo eslavo (...).&raquo;<sup><a href="#54">54</a></sup><a name="top54"></a></blockquote>     <p></p>     <p>A &laquo;Nota Oficiosa&raquo; publicada na imprensa na sequ&ecirc;ncia do veto sovi&eacute;tico &agrave; candidatura portuguesa sublinhava este como outros factos. Em primeiro lugar, considerava ser &laquo;discut&iacute;vel a vantagem pr&aacute;tica para qualquer pa&iacute;s&raquo; de uma entrada nas NU, sobretudo naquela fase da &laquo;vida do organismo&raquo;. Era &laquo;igualmente discut&iacute;vel&raquo; se seria aquele o &laquo;momento (...) oportuno&raquo; para Portugal &laquo;apresentar&raquo; o seu &laquo;pedido de admiss&atilde;o&raquo;, numa altura em que n&atilde;o se encontravam definidas nem tinham sido esclarecidas &laquo;todas as regras relativas &agrave; admiss&atilde;o de novos membros&raquo; e n&atilde;o sendo tamb&eacute;m ali &laquo;unanimemente desejada&raquo; a colabora&ccedil;&atilde;o de todas as na&ccedil;&otilde;es. Isto numa conjuntura em que a ONU parecia estar &laquo;mais presa &agrave; ideia da vit&oacute;ria do que &agrave; ideia de paz&raquo;.</p>     <p>Por este facto, &laquo;e apesar dos compromissos de Potsdam&raquo;<sup><a href="#55">55</a></sup><a name="top55"></a> n&atilde;o se podiam &agrave; partida &laquo;alimentar grandes d&uacute;vidas acerca da posi&ccedil;&atilde;o que a R&uacute;ssia tomaria no debate&raquo; onde viria a ser tratado o problema da admiss&atilde;o de novos estados&#8209;membros. Ainda segundo a &laquo;Nota Oficiosa&raquo;, no momento em que fora apresentada a candidatura faltava apenas saber qual a &laquo;orienta&ccedil;&atilde;o&raquo; a adotar no Conselho de Seguran&ccedil;a por aquela pot&ecirc;ncia: apesar da oposi&ccedil;&atilde;o predefinida, a Uni&atilde;o Sovi&eacute;tica usaria ou n&atilde;o o direito de veto, paralisando assim a &laquo;compet&ecirc;ncia que, para a admiss&atilde;o nos termos da Carta&raquo; era &laquo;exclusiva&raquo; da Assembleia?<sup><a href="#56">56</a></sup><a name="top56"></a></p>     <p>O Governo portugu&ecirc;s reconhecia o voluntarismo de que padecera durante todo o processo, nomeadamente ao ter apostado numa apresenta&ccedil;&atilde;o de candidaturas conjunta por parte dos pa&iacute;ses neutros no ver&atilde;o de 1946. E a raz&atilde;o prendia&#8209;se com o facto de em Lisboa se ter aceitado quase acriticamente a &laquo;dilig&ecirc;ncia (...) realizada&raquo; junto do executivo de Portugal pelos governos brit&acirc;nico e norte&#8209;americano. Londres e Washington tinham argumentado a favor da candidatura portuguesa e de outros neutrais com aquilo que seria a</p>     <p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<blockquote>&laquo;necessidade para a pr&oacute;pria organiza&ccedil;&atilde;o de que as mais na&ccedil;&otilde;es, qualificadas pela independ&ecirc;ncia e seriedade de vida, mostrassem por um ato de ades&atilde;o a sua confian&ccedil;a nas Na&ccedil;&otilde;es Unidas para a manuten&ccedil;&atilde;o da paz; e de que assim se fizesse um esfor&ccedil;o para a colabora&ccedil;&atilde;o pac&iacute;fica entre todos os povos da Terra.&raquo;</blockquote>     <p></p>     <p>Orgulhoso da sua atitude temer&aacute;ria, como antes parecera arrependido pelo seu voluntarismo, o Governo portugu&ecirc;s argumentava que o fracasso da sua candidatura ajudava a desfazer os equ&iacute;vocos em que o Reino Unido, os Estados Unidos e outras na&ccedil;&otilde;es pareciam &laquo;laborar&raquo;<sup><a href="#57">57</a></sup><a name="top57"></a>. Estava&#8209;se perante uma esp&eacute;cie de primeiro ato daquela que devia ser, fruto das reflex&otilde;es de Salazar, a atitude do Ocidente em face da R&uacute;ssia<sup><a href="#58">58</a></sup><a name="top58"></a>.</p>     <p>Apesar de procurar atenuar o impacto do chumbo imposto por Moscovo, a verdade era que desde a realiza&ccedil;&atilde;o da Cimeira de Ialta o Governo portugu&ecirc;s mostrara um certo cuidado quanto &agrave;s implica&ccedil;&otilde;es decorrentes da cria&ccedil;&atilde;o de uma nova organiza&ccedil;&atilde;o internacional que substituiria a SdN. Esta preocupa&ccedil;&atilde;o ligava&#8209;se com a eventualidade de os requisitos para a entrada de Portugal se mostrarem demasiado onerosos, j&aacute; que pareciam n&atilde;o estar sintonizados com as caracter&iacute;sticas pol&iacute;ticas e ideol&oacute;gicas do Estado Novo. E ainda que, de forma alguma, o regime estivesse disposto a mudar por causa da ONU, preferia tamb&eacute;m n&atilde;o ter que suportar os custos internos e externos de uma eventual marginaliza&ccedil;&atilde;o na vida pol&iacute;tica internacional por causa de uma aus&ecirc;ncia imposta fosse porque circunst&acirc;ncias fosse.</p>     <p>Numa fase de grande interesse pela ONU e por todos os eventos que se julgasse incorporarem a mudan&ccedil;a em curso na vida da comunidade internacional, Jo&atilde;o de Bianchi, o embaixador de Portugal em Washington, numa incurs&atilde;o pelo Departamento de Estado, declarou ser desejo do seu Governo, t&atilde;o rapidamente quanto poss&iacute;vel, poder participar na vida das NU. Isto significava que era inten&ccedil;&atilde;o das autoridades de Lisboa apresentarem, num espa&ccedil;o de tempo tanto curto quanto poss&iacute;vel, a sua candidatura a estado-membro daquela organiza&ccedil;&atilde;o. Na manh&atilde; de 14 de dezembro de 1945, Bianchi informou ainda o Departamento de Estado ter o Governo portugu&ecirc;s sido convocado para comparecer em Londres no m&ecirc;s de janeiro para a&iacute; participar numa derradeira reuni&atilde;o da SdN e na qual se iria proceder &agrave; &laquo;transfer&ecirc;ncia&raquo; daquela velha organiza&ccedil;&atilde;o para uma outra que passava a ocupar o seu lugar<sup><a href="#59">59</a></sup><a name="top59"></a>. Na sequ&ecirc;ncia desta informa&ccedil;&atilde;o, o embaixador portugu&ecirc;s questionou o seu interlocutor norte&#8209;americano sobre a &laquo;possibilidade de um arranjo&raquo; que permitisse &laquo;&agrave;queles membros&raquo; da SdN ainda n&atilde;o usufruindo de estatuto id&ecirc;ntico na ONU, poderem vir a ser admitidos neste novo organismo, fazendo&#8209;se acompanhar a &laquo;transfer&ecirc;ncia de bens da SdN para a ONU&raquo; por uma simult&acirc;nea &laquo;transfer&ecirc;ncia&raquo; de estados. Por&eacute;m, o funcion&aacute;rio de servi&ccedil;o no Departamento de Estado tratou de recordar a impossibilidade desse expediente, uma vez que, segundo o texto jur&iacute;dico que regulava a vida da ONU, a admiss&atilde;o de novos estados apenas podia ser feita por decis&atilde;o da Assembleia Geral e ap&oacute;s recomenda&ccedil;&atilde;o do Conselho de Seguran&ccedil;a<sup><a href="#60">60</a></sup><a name="top60"></a>.</p>     <p>Mas os pruridos do Departamento de Estado existentes por meados de dezembro iriam em grande parte desfazer&#8209;se logo no in&iacute;cio de janeiro. O antigo subsecret&aacute;rio de Estado Sumner Welles publicou na imprensa norte&#8209;americana um artigo advogando &laquo;a admiss&atilde;o imediata dos neutros (menos Espanha) &agrave;s Na&ccedil;&otilde;es Unidas&raquo;. No coment&aacute;rio feito &agrave; &laquo;atitude de cada um&raquo; deles &laquo;durante a guerra&raquo;, afirmou que a do &laquo;Governo portugu&ecirc;s&raquo; assentava no seu conhecimento de que caso a Alemanha invadisse a Espanha, &laquo;Portugal n&atilde;o escaparia&raquo;. Quanto ao facto de a Alemanha haver comprado produtos estrat&eacute;gicos com o consentimento do Governo de Lisboa, esta atitude decorrera fundamentalmente da convic&ccedil;&atilde;o por parte das autoridades portuguesas de que essa atitude &laquo;diminu&iacute;a os riscos de agress&atilde;o contra&raquo; o seu pa&iacute;s. A verdade por tr&aacute;s da atitude de Portugal durante a Segunda Guerra Mundial teria estado no facto de o &laquo;povo portugu&ecirc;s&raquo; ter &laquo;mantido sempre&raquo; a sua tradicional amizade &laquo;pela Inglaterra e Brasil&raquo; e concedido facilidades para o &laquo;uso dos A&ccedil;ores&raquo; a &laquo;for&ccedil;as navais e a&eacute;reas inglesas e americanas&raquo;. Finalmente, ainda que o regime portugu&ecirc;s mantivesse &laquo;tra&ccedil;os autorit&aacute;rios&raquo;, as &laquo;recentes elei&ccedil;&otilde;es&raquo; demonstravam que Salazar &laquo;tinha em grande medida o apoio popular&raquo;. Voltando depois &agrave; linha geral do seu texto, Welles conclu&iacute;a que a n&atilde;o admiss&atilde;o imediata nas Na&ccedil;&otilde;es Unidas dos quatro neutros (Su&eacute;cia, Su&iacute;&ccedil;a<sup><a href="#61">61</a></sup><a name="top61"></a>, Rep&uacute;blica da Irlanda e Portugal) retardaria n&atilde;o s&oacute; a &laquo;reconstitui&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica da Europa&raquo;, mas tamb&eacute;m a &laquo;federa&ccedil;&atilde;o econ&oacute;mica&raquo; daquele continente, ou seja, o seu mais s&oacute;lido &laquo;fundamento&raquo; de &laquo;estabilidade&raquo;<sup><a href="#62">62</a></sup><a name="top62"></a>.</p>     <p>Mas independentemente daquela que era a vontade portuguesa de aderir &agrave; ONU e a inten&ccedil;&atilde;o anglo&#8209;americana de apoiar uma candidatura de Portugal, importa avaliar a forma como Salazar, quando estavam completamente vencidas as dificuldades do fim da guerra e do p&oacute;s&#8209;guerra, via o papel de Portugal num universo como aquele que era representado pela ONU. Num telegrama para Washington em que resumia o seu &uacute;ltimo discurso, e no qual apreciara a &laquo;posi&ccedil;&atilde;o&raquo; portuguesa &laquo;perante as Na&ccedil;&otilde;es Unidas&raquo;, sublinhava que se a &laquo;letra e esp&iacute;rito da Constitui&ccedil;&atilde;o&raquo; permitiam a &laquo;coopera&ccedil;&atilde;o&raquo; de Portugal com &laquo;organismos tendentes a resolver pacificamente as diverg&ecirc;ncias internacionais&raquo;, &agrave;quela data a &laquo;n&atilde;o&raquo; apresenta&ccedil;&atilde;o do &laquo;pedido de admiss&atilde;o&raquo; portugu&ecirc;s devia-se ao facto de o Governo ter entendido n&atilde;o haver ainda chegado o momento certo (era ainda &laquo;cedo&raquo;), uma vez que a entrada de &laquo;novos membros&raquo; chocava com o &laquo;equil&iacute;brio interno das Na&ccedil;&otilde;es Unidas&raquo;. E se na primeira sess&atilde;o da Assembleia Geral das Na&ccedil;&otilde;es Unidas os estados&#8209;membros tinham&#8209;se ainda comportado como uma associa&ccedil;&atilde;o de vencedores, Salazar considerava necess&aacute;rio, num futuro pr&oacute;ximo, &laquo;alargar o seu &acirc;mbito n&atilde;o s&oacute; aos neutros mas tamb&eacute;m aos vencidos para assim contribuir&raquo; para uma &laquo;verdadeira representa&ccedil;&atilde;o do Mundo&raquo;.</p>     <p>De qualquer modo, tanto dentro como fora das NU, a pol&iacute;tica portuguesa continuaria a seguir ao &laquo;lado dos tradicionais imperativos hist&oacute;ricos e geogr&aacute;ficos&raquo;, mantendo&#8209;se atenta &agrave;s &laquo;indica&ccedil;&otilde;es claras do &uacute;ltimo conflito&raquo; que haviam mostrado uma desloca&ccedil;&atilde;o do &laquo;centro de gravidade&raquo; da pol&iacute;tica europeia &laquo;sen&atilde;o do Mundo, mais para Oeste&raquo;, ficando por este facto o Atl&acirc;ntico e os seus &laquo;estados ribeirinhos&raquo; situados no &laquo;primeiro plano&raquo; da vida internacional. Por&eacute;m, &laquo;reconhecer&raquo; aquele facto n&atilde;o implicava que Portugal deixasse de ser europeu, dava, simplesmente, um &laquo;mais largo sentido ao Ocidente&raquo;. Por outro lado, ao recordar que o Governo portugu&ecirc;s iria &laquo;a Genebra votar a dissolu&ccedil;&atilde;o da Sociedade das Na&ccedil;&otilde;es&raquo; e entregar os respetivos &laquo;valores&raquo; &agrave;s Na&ccedil;&otilde;es Unidas, notava neste procedimento a exist&ecirc;ncia de uma &laquo;certa falta de l&oacute;gica&raquo;, uma vez que Portugal se despojava &laquo;daquilo&raquo; para que contribu&iacute;ra &laquo;em favor de uma organiza&ccedil;&atilde;o a que n&atilde;o&raquo; pertencia<sup><a href="#63">63</a></sup><a name="top63"></a>. No entanto, Salazar chegou a considerar que a ONU, e vista uma futura presen&ccedil;a de Portugal nesta organiza&ccedil;&atilde;o, tal como uma maior coopera&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica e militar com o Reino Unido e os Estados Unidos (neste caso consequ&ecirc;ncia da desloca&ccedil;&atilde;o do &laquo;centro de gravidade&raquo; da pol&iacute;tica europeia &laquo;mais para Oeste&raquo;), poderia ser no seu conjunto um instrumento &uacute;til para uma preserva&ccedil;&atilde;o futura da seguran&ccedil;a e integridade da na&ccedil;&atilde;o portuguesa (metropolitana e ultramarina)<sup><a href="#64">64</a></sup><a name="top64"></a>.</p>     <p>Antes das dilig&ecirc;ncias norte&#8209;americana, brit&acirc;nica e francesa propondo a candidatura de Portugal a pa&iacute;s membro da ONU, foram sendo transmitidas por diversos representantes da diplomacia portuguesa no mundo v&aacute;rias impress&otilde;es sobre a dimens&atilde;o pol&iacute;tica daquele organismo, bem como opini&otilde;es relativas &agrave;s iniciativas ao dispor de Lisboa para vencer eventuais obst&aacute;culos &agrave; sua admiss&atilde;o &agrave;quele organismo. Em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s quest&otilde;es coloniais, os delegados belgas presentes em Londres na primeira sess&atilde;o da Assembleia Geral da ONU registaram a exist&ecirc;ncia de uma &laquo;hostilidade mais grave e geral do que esperavam contra os pa&iacute;ses coloniais&raquo;, sentindo&#8209;se &laquo;completamente abandonados entre os blocos russo e americano&raquo;. Estranhando a atitude dos Estados Unidos e dos pa&iacute;ses latino&#8209;americanos, atribu&iacute;am&#8209;na a raz&otilde;es mais de car&aacute;cter &laquo;psicol&oacute;gico&raquo; do que &laquo;pol&iacute;tico ou econ&oacute;mico&raquo;, uma vez que se tratava de pa&iacute;ses que ainda tinham muito presente a sua condi&ccedil;&atilde;o de antigas col&oacute;nias. Mas o maior e mais imediato receio belga estava na eventualidade de o seu Governo, como os do conjunto das pot&ecirc;ncias coloniais, poder vir a ser obrigado a enviar ao &laquo;Secretariado&raquo; informa&ccedil;&otilde;es estat&iacute;sticas relativas aos respetivos territ&oacute;rios n&atilde;o aut&oacute;nomos, o que no caso belga dizia respeito ao Congo (segundo artigo 73.&ordm;, al&iacute;nea <i>e</i>) da Carta), podendo assim ser confundido pelas Na&ccedil;&otilde;es Unidas, propositadamente, o estatuto daqueles territ&oacute;rios com o dos territ&oacute;rios sob tutela, o que prejudicava e desrespeitava a soberania de Bruxelas sobre aquele seu vast&iacute;ssimo territ&oacute;rio africano<sup><a href="#65">65</a></sup><a name="top65"></a>.</p>     <p>O ministro dos Neg&oacute;cios Estrangeiros belga mostrou&#8209;se ansioso pela admiss&atilde;o de Portugal. Julgava ser esta uma consequ&ecirc;ncia natural da &laquo;atitude&raquo; do Governo de Lisboa &laquo;durante a guerra&raquo;, uma fonte de &laquo;prest&iacute;gio para a Europa&raquo;, e, acima de tudo, garantiria a presen&ccedil;a de mais um pa&iacute;s &laquo;ao lado da boa causa&raquo;. Aconselhava por isso o ministro que Portugal iniciasse uma r&aacute;pida aproxima&ccedil;&atilde;o a Moscovo (atrav&eacute;s do &laquo;reatamento das rela&ccedil;&otilde;es&raquo; diplom&aacute;ticas entre os dois pa&iacute;ses, a pedido de Lisboa), como forma de levar a URSS a n&atilde;o se opor &agrave; sua admiss&atilde;o. Isto porque, &laquo;por dois motivos&raquo;, o Governo sovi&eacute;tico parecia estar determinado a uma oposi&ccedil;&atilde;o permanente &agrave; entrada de Portugal, mesmo se proposta uma troca com &laquo;qualquer sat&eacute;lite seu&raquo;. O primeiro seria o &laquo;seu desmedido orgulho&raquo;; o segundo seria o &laquo;desejo de criar um foco de infec&ccedil;&atilde;o na Pen&iacute;nsula atrav&eacute;s (da instala&ccedil;&atilde;o) de uma representa&ccedil;&atilde;o diplom&aacute;tica e consular&raquo; em Lisboa<sup><a href="#66">66</a></sup><a name="top66"></a>. De qualquer modo, e em 1946, as autoridades portuguesas olhavam com ambival&ecirc;ncia para a ONU. Por um lado, desejavam resolver rapidamente e com &ecirc;xito a quest&atilde;o da admiss&atilde;o de Portugal, livrando dessa forma o Pa&iacute;s e o regime de um ostracismo que n&atilde;o conhecera na qualidade de membro que fundara mas que tamb&eacute;m liquidara a SdN. Al&eacute;m disso, e embora Lisboa acompanhasse com preocupa&ccedil;&atilde;o as cr&iacute;ticas de que a Espanha de Franco fora alvo quer na I Assembleia Geral das Na&ccedil;&otilde;es Unidas inaugurada em Londres a 10 de janeiro de 1946, quer na Confer&ecirc;ncia de Potsdam ocorrida no ver&atilde;o de 1945, a verdade &eacute; que via numa expedita admiss&atilde;o &agrave; ONU a possibilidade de escapar a compara&ccedil;&otilde;es inc&oacute;modas e em alguns casos descabidas sobre as semelhan&ccedil;as entre o franquismo e o salazarismo. Mas por outro lado, a admiss&atilde;o e a participa&ccedil;&atilde;o nos trabalhos da ONU colocavam Portugal e o Estado Novo submetidos a um conjunto de regras e de pr&aacute;ticas que poderiam criar dificuldades e inc&oacute;modos, nomeadamente, e acima de tudo, no dom&iacute;nio colonial.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Portugal apresentou a sua primeira candidatura a 2 de agosto de 1946. Apreciada em reuni&atilde;o do Membership Committee, a 14 de agosto, foi vetada pelos votos contr&aacute;rios da URSS e da Pol&oacute;nia, tendo a Austr&aacute;lia, &laquo;por raz&otilde;es processuais&raquo;, optado pela absten&ccedil;&atilde;o<sup><a href="#67">67</a></sup><a name="top67"></a>. Favoravelmente votaram: M&eacute;xico, China, Fran&ccedil;a, Estados Unidos, Reino Unido, Brasil, Egito e Holanda. Ap&oacute;s estes resultados verificados em reuni&atilde;o do Conselho de Seguran&ccedil;a, a Assembleia Geral votou unanimemente a Resolu&ccedil;&atilde;o 35 (I) pedindo ao Conselho de Seguran&ccedil;a que reconsiderasse os pedidos n&atilde;o atendidos de admiss&atilde;o de Portugal, Mong&oacute;lia, Alb&acirc;nia, Jord&acirc;nia e Irlanda, mas que foram novamente recusados no seu conjunto, e agora definitivamente, para os trabalhos daquele ano, em reuni&atilde;o do Conselho de Seguran&ccedil;a de 29 de agosto. Votou&#8209;se exatamente como no dia 14.</p>     <p>1946 foi o ano que maior n&uacute;mero e mais intensas movimenta&ccedil;&otilde;es produziu para preparar as candidaturas dos pa&iacute;ses que haviam permanecido neutrais durante a guerra (com exce&ccedil;&atilde;o de Espanha). No caso portugu&ecirc;s, a a&ccedil;&atilde;o teve in&iacute;cio em Lisboa com as visitas, separadas, do embaixador norte&#8209;americano e do conselheiro da Embaixada brit&acirc;nica, ao diretor&#8209;geral dos Neg&oacute;cios Pol&iacute;ticos no MNE, Marcello Mathias<sup><a href="#68">68</a></sup><a name="top68"></a>. Informaram&#8209;no ser portadores de instru&ccedil;&otilde;es dos &laquo;seus governos para (...) comunicar&raquo; que apoiariam Portugal numa sua eventual candidatura &agrave; ONU, mas sublinhando que nos termos de uma resolu&ccedil;&atilde;o do Conselho de Seguran&ccedil;a adotada em maio do ano em curso, os &laquo;pedidos de admiss&atilde;o&raquo; deveriam ser &laquo;transmitidos ao Secret&aacute;rio&#8209;Geral at&eacute; ao dia 15&raquo; de julho<sup><a href="#69">69</a></sup><a name="top69"></a> de forma a poderem ser considerados pelo Conselho ainda durante o m&ecirc;s de agosto. Queixando&#8209;se embora do curto espa&ccedil;o de tempo &agrave; disposi&ccedil;&atilde;o do Governo portugu&ecirc;s para poder &laquo;decidir em mat&eacute;ria t&atilde;o delicada&raquo;, Marcello Mathias agradeceu a &laquo;dilig&ecirc;ncia&raquo; dos dois governos, sobretudo por ser prova de uma grande &laquo;amizade&raquo;. Marcello Mathias fez ainda sentir, &laquo;como primeira reac&ccedil;&atilde;o&raquo; (e era uma opini&atilde;o a t&iacute;tulo pessoal manifestada por aquele diplomata portugu&ecirc;s), que o &ecirc;xito pr&aacute;tico da &laquo;dilig&ecirc;ncia era muito limitado&raquo;, uma vez que uma e outra estavam condicionadas pelo texto da Carta das Na&ccedil;&otilde;es Unidas que exigia, para concretiza&ccedil;&atilde;o da admiss&atilde;o, a unanimidade dos &laquo;Cinco Grandes, entre os quais a R&uacute;ssia, com cujo voto dificilmente (se) poderia contar&raquo;. N&atilde;o tendo Portugal rela&ccedil;&otilde;es diplom&aacute;ticas com a URSS, e n&atilde;o estando prevista, por parte do Governo portugu&ecirc;s, qualquer altera&ccedil;&atilde;o significativa relativamente a esta quest&atilde;o, corria por isso a candidatura do Governo de Lisboa o &laquo;s&eacute;rio risco de ser recusada&raquo;<sup><a href="#70">70</a></sup><a name="top70"></a>.</p>     <p>Que motivos poderiam ent&atilde;o levar Portugal a tomar uma atitude que seria naturalmente usada contra o Governo, o regime e o Pa&iacute;s, al&eacute;m de poder representar um &laquo;choque&raquo; para os &laquo;pr&oacute;prios pa&iacute;ses que apadrinhariam&raquo; a candidatura portuguesa? Quando muito ficaria provado que a ONU, pela &laquo;sua constitui&ccedil;&atilde;o e possibilidade de abuso&raquo; do direito de veto por parte dos pa&iacute;ses representados permanentemente no Conselho de Seguran&ccedil;a, n&atilde;o cumpria o &laquo;prop&oacute;sito de tornar poss&iacute;vel a coopera&ccedil;&atilde;o pac&iacute;fica&raquo; entre as na&ccedil;&otilde;es. No entanto, o Governo portugu&ecirc;s n&atilde;o pretendia, naturalmente, que &laquo;tal demonstra&ccedil;&atilde;o fosse feita&raquo; &agrave; sua &laquo;custa&raquo;.</p>     <p>Disto se conclu&iacute;a que, n&atilde;o estando garantido &agrave; partida o &laquo;conhecimento da orienta&ccedil;&atilde;o dos Cinco Grandes&raquo;, se afigurava dif&iacute;cil a Portugal solicitar a sua &laquo;entrada&raquo;<sup><a href="#71">71</a></sup><a name="top71"></a>. Problema, ali&aacute;s, j&aacute; v&aacute;rias vezes exposto pela diplomacia portuguesa e que explicava o desinteresse relativo v&aacute;rias vezes demonstrado para uma apresenta&ccedil;&atilde;o de candidatura por parte de Portugal.</p>     <p>Pelo seu lado, brit&acirc;nicos e norte&#8209;americanos consideravam que perante a possibilidade de um veto isolado da Uni&atilde;o Sovi&eacute;tica &agrave; candidatura portuguesa, o efeito negativo desta atitude seria exclusivamente suportado pelo Governo de Moscovo, que assim ficaria mal &laquo;perante a opini&atilde;o mundial&raquo;. Simplesmente, do lado de Lisboa julgava&#8209;se poder n&atilde;o vir a ser esta a rea&ccedil;&atilde;o da &laquo;opini&atilde;o p&uacute;blica portuguesa&raquo;, uma vez que sendo ela</p>     <p>     <blockquote>&laquo;conhecedora da habitual prud&ecirc;ncia e realismo do Chefe do Governo Portugu&ecirc;s, poderia considerar desaconselh&aacute;vel jogar&#8209;se o prest&iacute;gio do pa&iacute;s sem raz&otilde;es pol&iacute;ticas fortes que impusessem tal passo.&raquo;</blockquote>     <p></p>     <p>Como se conciliaria assim o dever imposto pelo artigo 4.&ordm; da Constitui&ccedil;&atilde;o Portuguesa<sup><a href="#72">72</a></sup><a name="top72"></a>, e o consequente cumprimento da l&oacute;gica constitucional, com a tomada de uma decis&atilde;o &laquo;de resultados incertos ou contraproducentes&raquo;? Al&eacute;m disso o Governo portugu&ecirc;s deveria ainda ponderar uma outra quest&atilde;o: se nas &laquo;circunst&acirc;ncias internacionais&raquo; do momento e com &laquo;as diverg&ecirc;ncias sucessivamente verificadas entre os principais membros das Na&ccedil;&otilde;es Unidas, haveria vantagem para o Pa&iacute;s em tomar posi&ccedil;&atilde;o num organismo que certos comentadores internacionais&raquo; j&aacute; supunham condenado &agrave; dissolu&ccedil;&atilde;o!?<sup><a href="#73">73</a></sup><a name="top73"></a></p>     <p>No dia 1 de agosto, em iniciativa coordenada com a Rep&uacute;blica da Irlanda, o Governo portugu&ecirc;s decidiu apresentar o seu &laquo;pedido de admiss&atilde;o&raquo; nas nu, devendo os seus &laquo;termos (...) ser os mais s&oacute;brios e exclusivamente indispens&aacute;veis&raquo;<sup><a href="#74">74</a></sup><a name="top74"></a>. As dilig&ecirc;ncias devidas foram tomadas na capital norte&#8209;americana no dia seguinte. Ou seja, depois de ponderados os pr&oacute;s e contras da apresenta&ccedil;&atilde;o da candidatura, pesou o argumento segundo o qual uma recusa portuguesa em avan&ccedil;ar colocaria o Governo em maus len&ccedil;&oacute;is, podendo empurr&aacute;&#8209;lo para um isolamento delicado e indesej&aacute;vel. Ou seja, em que situa&ccedil;&atilde;o ficaria Portugal (e o seu governo), se fosse ele o &uacute;nico pa&iacute;s neutro, de todos os contactados, a n&atilde;o apresentar candidatura? Al&eacute;m disso, a n&atilde;o apresenta&ccedil;&atilde;o de candidatura naquele momento, e ainda que n&atilde;o inviabilizando uma outra a ser feita posteriormente, poderia obrigar o Governo de Lisboa a &laquo;concorrer&raquo; mais tarde &laquo;com pa&iacute;ses ex&#8209;inimigos, circunst&acirc;ncia&raquo; que em si tamb&eacute;m merecia ser &laquo;considerada, juntamente com o inconveniente&raquo; de Portugal estar a &laquo;dar&raquo; naquele momento &laquo;&agrave; R&uacute;ssia a impress&atilde;o&raquo; de n&atilde;o desejar &laquo;agir livremente&raquo; por um &laquo;receio antecipado&raquo; em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;quela que pudesse vir a ser a &laquo;atitude&raquo; sovi&eacute;tica.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>No entanto, previamente a estas d&uacute;vidas, um outro ponto fora contabilizado pela diplomacia portuguesa. A eventualidade de a admiss&atilde;o de Portugal nas Na&ccedil;&otilde;es Unidas poder vir a colocar a ced&ecirc;ncia de facilidades militares nos A&ccedil;ores a brit&acirc;nicos e norte-americanos, ao abrigo do disposto no artigo 43.&ordm; da &laquo;Carta da ONU&raquo;. Embora o Departamento de Estado considerasse a aplica&ccedil;&atilde;o daquela disposi&ccedil;&atilde;o &laquo;subordinada &agrave; pr&eacute;via concord&acirc;ncia de todos os interessados, sem a qual n&atilde;o seria poss&iacute;vel a execu&ccedil;&atilde;o dos acordos previstos&raquo;, haveria que reconhecer duas quest&otilde;es:</p>     <p>     <blockquote>&laquo;1&ordm; Qualquer recomenda&ccedil;&atilde;o do Conselho de Seguran&ccedil;a que &ldquo;envolvesse a disposi&ccedil;&atilde;o&rdquo; das bases a&ccedil;orianas &ldquo;para defender a paz no mundo&rdquo;, traria uma &ldquo;enorme for&ccedil;a moral&rdquo; a Portugal, em primeiro lugar, e ao Reino Unido e Estados Unidos, em segundo.</blockquote>     <p></p>     <p>2&ordm; O &ldquo;emprego&rdquo; daquele &ldquo;meio de press&atilde;o&rdquo;, por parte da ONU, &ldquo;poderia porventura&rdquo; influenciar &ldquo;eventuais negocia&ccedil;&otilde;es&rdquo; entre Portugal, os Estados Unidos e o Reino Unido para a &ldquo;utiliza&ccedil;&atilde;o permanente de facilidades nos A&ccedil;ores.&rdquo;&raquo;</p>     <p>Quanto ao primeiro ponto, embora os Estados Unidos desejassem alargar o &acirc;mbito de a&ccedil;&atilde;o da ONU n&atilde;o pretendiam concentrar toda a sua pol&iacute;tica externa naquele organismo enquanto meio de resolu&ccedil;&atilde;o dos problemas internacionais, o que era tamb&eacute;m uma forma de salvaguarda dos seus interesses. Assim, caso uma eventual interfer&ecirc;ncia do Conselho de Seguran&ccedil;a da ONU fosse de encontro aos &laquo;interesses comuns&raquo; de Portugal, Reino Unido e Estados Unidos, nos A&ccedil;ores, Washington n&atilde;o hesitaria em recorrer &agrave; utiliza&ccedil;&atilde;o do direito de veto. Relativamente aos &laquo;inconvenientes&raquo; identificados no segundo ponto, consistiam eles, principalmente, num &laquo;enfraquecimento&raquo; da &laquo;posi&ccedil;&atilde;o&raquo; portuguesa na eventualidade de Lisboa desejar obter, atrav&eacute;s de &laquo;negocia&ccedil;&otilde;es directas&raquo;, garantias junto dos utilizadores em troca do uso de facilidades nos A&ccedil;ores. Por&eacute;m, ouvidas as autoridades norte&#8209;americanas, mostrara&#8209;se haver a inten&ccedil;&atilde;o de promover, para aquele fim, a negocia&ccedil;&atilde;o direta entre governos, uma vez que se considerava n&atilde;o ser poss&iacute;vel &laquo;confiar ilimitadamente no funcionamento das Na&ccedil;&otilde;es Unidas&raquo;<sup><a href="#75">75</a></sup><a name="top75"></a>.</p>     <p>Em 1947 manteve&#8209;se o veto a Portugal. O Conselho de Seguran&ccedil;a considerou novamente a Resolu&ccedil;&atilde;o 35 (I), mas a 18 de agosto a urss e a Pol&oacute;nia repetiram o voto contr&aacute;rio &agrave; admiss&atilde;o portuguesa, tendo no entanto os restantes membros do Conselho de Seguran&ccedil;a apreciado favoravelmente aquele pedido (a Col&ocirc;mbia substitu&iacute;ra o M&eacute;xico e a S&iacute;ria o Egito). Em novembro, a Assembleia Geral prop&ocirc;s que o Conselho de Seguran&ccedil;a reconsiderasse o pedido de Portugal por considerar que aquele se tratava de &laquo;um pa&iacute;s pac&iacute;fico&raquo;<sup><a href="#76">76</a></sup><a name="top76"></a>. Foi ent&atilde;o aprovada a Resolu&ccedil;&atilde;o 113 (II) por 40 votos contra nove (Bielorr&uacute;ssia, Checoslov&aacute;quia, Eti&oacute;pia, China, Filipinas, Pol&oacute;nia, Ucr&acirc;nia, URSS e Jugosl&aacute;via) e tr&ecirc;s absten&ccedil;&otilde;es (Guatemala, Haiti e Paquist&atilde;o). No entanto, a orienta&ccedil;&atilde;o do Conselho de Seguran&ccedil;a n&atilde;o sofreu qualquer modifica&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>No ano seguinte, em setembro, a Uni&atilde;o Sovi&eacute;tica manifestou a sua oposi&ccedil;&atilde;o &agrave; inscri&ccedil;&atilde;o na agenda da 3.&ordf; Assembleia Geral da quest&atilde;o da admiss&atilde;o de novos pa&iacute;ses na ONU<sup><a href="#77">77</a></sup><a name="top77"></a> . Por&eacute;m, o Conselho de Seguran&ccedil;a considerou a Resolu&ccedil;&atilde;o 113 (II), pendente de 1947. A favor da admiss&atilde;o de novos pa&iacute;ses votaram a Argentina, o Canad&aacute;, a China, a Noruega, a S&iacute;ria, o Reino Unido, os Estados Unidos e a Fran&ccedil;a. Contra votaram a Ucr&acirc;nia<sup><a href="#78">78</a></sup><a name="top78"></a> e a URSS. A Assembleia Geral votou ainda uma resolu&ccedil;&atilde;o (197 (III)) semelhante &agrave; que havia sido proposta em 1947 pela Austr&aacute;lia e recomendando a ades&atilde;o de Portugal. Foi aprovada no in&iacute;cio de dezembro por 39 votos contra seis e uma absten&ccedil;&atilde;o. A resolu&ccedil;&atilde;o tinha tamb&eacute;m tido uma vota&ccedil;&atilde;o favor&aacute;vel quando foi levada ao comit&eacute; <i>ad hoc </i>em finais de novembro (ou Comiss&atilde;o Pol&iacute;tica Especial) &ndash; 29 votos pela ades&atilde;o contra seis.</p>     <p>Em 1949 (13 de setembro), mantiveram&#8209;se no Conselho de Seguran&ccedil;a dois votos contr&aacute;rios (URSS e Ucr&acirc;nia). Favoravelmente manifestaram&#8209;se os restantes membros permanentes do Conselho de Seguran&ccedil;a e representantes dos pa&iacute;ses com assento n&atilde;o&#8209;permanente: Argentina, Cuba, Noruega, S&iacute;ria e Canad&aacute;. Neste ano a Assembleia Geral aprovou a Resolu&ccedil;&atilde;o 296 (IV) pedindo ao Conselho de Seguran&ccedil;a que considerasse o pedido portugu&ecirc;s com base num parecer do Tribunal Internacional da Haia. Foi aprovada por 53 votos contra cinco e uma absten&ccedil;&atilde;o. A resolu&ccedil;&atilde;o fora tamb&eacute;m aprovada no comit&eacute; <i>ad hoc </i>por 41 votos contra cinco e quatro absten&ccedil;&otilde;es.</p>     <p>Em 1950, 1951 e 1952, diversos expedientes procuraram desbloquear o impasse em que tinham ca&iacute;do v&aacute;rios pedidos de admiss&atilde;o. Em 1953, ali&aacute;s, o comit&eacute; <i>ad hoc </i>rejeitou a proposta polaca para uma &laquo;reconsidera&ccedil;&atilde;o conjunta da admiss&atilde;o&raquo; da Alb&acirc;nia, Mong&oacute;lia, Bulg&aacute;ria, Rom&eacute;nia, Hungria, Finl&acirc;ndia, It&aacute;lia, Portugal, Irlanda, Jord&acirc;nia, &Aacute;ustria, Ceil&atilde;o, Nepal e L&iacute;bia por 28 votos contra, 20 a favor e 11 absten&ccedil;&otilde;es. Em 1953, instituiu ent&atilde;o a Assembleia Geral o Comit&eacute; de Bons&#8209;Of&iacute;cios destinado a persuadir o Conselho de Seguran&ccedil;a a uma mudan&ccedil;a de atitude face a estas propostas de admiss&atilde;o conjunta. Em 1954, o Comit&eacute; de Bons&#8209;Of&iacute;cios foi reconduzido nas suas fun&ccedil;&otilde;es<sup><a href="#79">79</a></sup><a name="top79"></a>.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>De qualquer modo, entre 1946 e 1954, sucessivas candidaturas apresentadas por Portugal e por outros pa&iacute;ses que se tinham mantido neutrais durante a Segunda Guerra Mundial, como fora o caso da Rep&uacute;blica da Irlanda, foram travadas pelo veto sovi&eacute;tico, facto que teve duas consequ&ecirc;ncias pol&iacute;ticas importantes para o Governo portugu&ecirc;s. Por um lado, possibilitou que o Pa&iacute;s, o regime e o Governo se apresentassem interna e externamente com um estatuto pol&iacute;tico e moral id&ecirc;ntico ao da cat&oacute;lica Irlanda, mas ainda como v&iacute;timas da Uni&atilde;o Sovi&eacute;tica, do comunismo e da Guerra Fria<sup><a href="#80">80</a></sup><a name="top80"></a>. Por outro lado, permitiu que se iniciasse, com algum tempo, um processo de reforma da pol&iacute;tica colonial que alterou profundamente, do ponto de vista jur&iacute;dico&#8209;pol&iacute;tico, a arquitetura do Estado e da na&ccedil;&atilde;o. O Ato Colonial foi integrado na Constitui&ccedil;&atilde;o, ao mesmo tempo que sofreu uma reformula&ccedil;&atilde;o profunda com o intuito de demonstrar pol&iacute;tica e juridicamente que o Imp&eacute;rio Colonial Portugu&ecirc;s, ou as col&oacute;nias portuguesas, eram, afinal, &laquo;prov&iacute;ncias ultramarinas&raquo; e que Portugal n&atilde;o possu&iacute;a Imp&eacute;rio Colonial, mas Ultramar<sup><a href="#81">81</a></sup><a name="top81"></a>. Ou seja, a reforma constitucional, na forma e na subst&acirc;ncia, pretendia subtrair a uma futura fiscaliza&ccedil;&atilde;o da ONU, feita ao abrigo do disposto nos artigos 73.&ordm; e 74.&ordm; da Carta das Na&ccedil;&otilde;es Unidas, os territ&oacute;rios n&atilde;o europeus e as popula&ccedil;&otilde;es n&atilde;o europeias governadas por Portugal. De Estado&#8209;Na&ccedil;&atilde;o que tinha um imp&eacute;rio, Portugal passava a ser, com a revis&atilde;o constitucional de 1951, um Estado&#8209;Na&ccedil;&atilde;o que era um imp&eacute;rio legitimado pela hist&oacute;ria e pelo direito.</p>     <p>Em 1955 foi resolvida na ONU a quest&atilde;o da admiss&atilde;o de um n&uacute;mero alargado de estados, entre os quais se encontrava Portugal<sup><a href="#82">82</a></sup><a name="top82"></a>. Um comit&eacute; pol&iacute;tico <i>ad hoc </i>da Assembleia Geral criado especialmente para resolver um problema que se arrastava, no caso de alguns pa&iacute;ses, desde 1946, produzira resultados. Isto depois de, em 1953, e como foi referido, a Assembleia Geral ter criado um &laquo;comit&eacute; de bons of&iacute;cios&raquo;, constitu&iacute;do pelo Egito, Holanda e Peru, com a finalidade de &laquo;explorar as possibilidades de se obter um entendimento no Conselho de Seguran&ccedil;a que facilitasse a admiss&atilde;o de novos estados-membros de acordo com o artigo 4.&ordm; da Carta&raquo;<sup><a href="#83">83</a></sup><a name="top83"></a>.</p>     <p>Em 1954, a Assembleia Geral &laquo;pediu&raquo; ao &laquo;comit&eacute; de bons of&iacute;cios&raquo; que continuasse as dilig&ecirc;ncias para que havia sido criado. A Assembleia Geral decidiu ainda remeter os pedidos pendentes ao Conselho de Seguran&ccedil;a com o objetivo de serem novamente considerados e de receberem um maior n&uacute;mero de aprecia&ccedil;&otilde;es favor&aacute;veis, sendo novamente solicitado ao Conselho de Seguran&ccedil;a que assumisse como desej&aacute;vel a invoca&ccedil;&atilde;o das disposi&ccedil;&otilde;es do par&aacute;grafo 2 do artigo 28.&ordm; da Carta<sup><a href="#84">84</a></sup><a name="top84"></a>, de modo a que o problema fosse mais rapidamente solucionado<sup><a href="#85">85</a></sup><a name="top85"></a>. No primeiro relat&oacute;rio apresentado pelo &laquo;comit&eacute; de bons of&iacute;cios&raquo; a 19 de setembro de 1955, ainda que estivessem assinaladas as habituais posi&ccedil;&otilde;es dos membros permanentes relativamente &agrave; admiss&atilde;o de novos estados, havia sinais de mudan&ccedil;a em fun&ccedil;&atilde;o da ent&atilde;o considerada como favor&aacute;vel &laquo;evolu&ccedil;&atilde;o recente da atmosfera internacional&raquo;<sup><a href="#86">86</a></sup><a name="top86"></a>. O desanuviamento verificado na pol&iacute;tica internacional ap&oacute;s a morte de Estaline (1953) fornecia alguma margem para tentar enfrentar com maior otimismo o futuro, nomeadamente naquilo que respeitava &agrave; quest&atilde;o da admiss&atilde;o de novos estados na ONU<sup><a href="#87">87</a></sup><a name="top87"></a>.</p>     <p>Recorde&#8209;se que em 1945, ap&oacute;s a Confer&ecirc;ncia de S&atilde;o Francisco, era de 51 o n&uacute;mero de estados&#8209;membros da ONU. Desde essa data, e at&eacute; novembro de 1955, foram contabilizados 31 pedidos de ades&atilde;o. Portugal era um deles. Dos 22 candidatos entretanto n&atilde;o admitidos, 14 estados<sup><a href="#88">88</a></sup><a name="top88"></a> haviam conseguido sete<sup><a href="#89">89</a></sup><a name="top89"></a> ou mais votos favor&aacute;veis nas reuni&otilde;es do Conselho de Seguran&ccedil;a que trataram esta quest&atilde;o &ndash; ou seja, uma clara maioria &ndash;, embora esbarrando sempre com o voto contr&aacute;rio de um dos seus membros permanentes: o da Uni&atilde;o Sovi&eacute;tica. Havia depois os restantes sete candidatos<sup><a href="#90">90</a></sup><a name="top90"></a> que receberam sempre menos de sete votos favor&aacute;veis nas reuni&otilde;es do Conselho de Seguran&ccedil;a que apreciaram as suas candidaturas. Em 1955, havia ainda o pedido pendente da Espanha, nunca considerado por aquele &oacute;rg&atilde;o<sup><a href="#91">91</a></sup><a name="top91"></a>. Acordada a sua admiss&atilde;o<sup><a href="#92">92</a></sup><a name="top92"></a>, Portugal participou, j&aacute; na qualidade de pa&iacute;s&#8209;membro, na fase final da X sess&atilde;o da Assembleia Geral das Na&ccedil;&otilde;es Unidas, entre 15 e 20 de dezembro. O relat&oacute;rio enviado para Lisboa pelo representante portugu&ecirc;s<sup><a href="#93">93</a></sup><a name="top93"></a> revelava uma primeira rea&ccedil;&atilde;o ao funcionamento da ONU, manifestando&#8209;se uma profunda antipatia e razo&aacute;vel incompreens&atilde;o pela natureza pol&iacute;tica da institui&ccedil;&atilde;o e pela pr&aacute;tica exibida por v&aacute;rios pa&iacute;ses e seus representantes.</p>     <p>A 15 de dezembro comentava&#8209;se nos &laquo;corredores&raquo; das Na&ccedil;&otilde;es Unidas em Nova York aquilo que teria sido a derrota norte&#8209;americana pela forma como o <i>package deal </i>tinha sido arrumado, chamando&#8209;se a aten&ccedil;&atilde;o para o facto de a admiss&atilde;o do Jap&atilde;o, por troca com a Mong&oacute;lia, n&atilde;o ter sido sancionada. Por outro lado, e essa circunst&acirc;ncia parecia penalizar a diplomacia americana, o conjunto alargado de admiss&otilde;es aprovado em finais de 1955 tinha resultado de uma iniciativa sovi&eacute;tica. Moscovo pedira uma &laquo;nova e urgente reuni&atilde;o do Conselho de Seguran&ccedil;a para apresenta&ccedil;&atilde;o (de uma) espectacular e decisiva proposta de que resultou a admiss&atilde;o no mesmo dia de dezasseis novos membros&raquo;. Neste contexto, os Estados Unidos tiveram &laquo;resignadamente&raquo; que aprovar o pacote sovi&eacute;tico e deixar cair o Jap&atilde;o ou aceitar a inaceit&aacute;vel entrada da Mong&oacute;lia<sup><a href="#94">94</a></sup><a name="top94"></a>. Caso contr&aacute;rio seriam acusados de bloquear a admiss&atilde;o de 16 novos estados&#8209;membros<sup><a href="#95">95</a></sup><a name="top95"></a>.</p>     <p>De qualquer forma, este alargamento trouxe, segundo palavras do representante portugu&ecirc;s, uma &laquo;atmosfera (...) de optimismo&raquo;, considerando que se dera um importante passo para a &laquo;definitiva consagra&ccedil;&atilde;o do princ&iacute;pio da universalidade sobre quaisquer restri&ccedil;&otilde;es ideol&oacute;gicas ou de expediente&raquo;<sup><a href="#96">96</a></sup><a name="top96"></a>. Depois de sentado, &laquo;provisoriamente&raquo;, entre o Nepal e a Rom&eacute;nia, o delegado portugu&ecirc;s foi felicitado por representantes de v&aacute;rios pa&iacute;ses, destacando&#8209;se Sir Pierson Dixon do Reino Unido &ndash; feliz pela admiss&atilde;o do seu &laquo;oldest ally&raquo; &ndash;, Alphand pela Fran&ccedil;a e v&aacute;rios delegados das Am&eacute;ricas. Inclusivamente, um representante da Uni&atilde;o Indiana, o padre Jer&oacute;nimo de Sousa, cumprimentou calorosamente o chefe da nov&iacute;ssima delega&ccedil;&atilde;o permanente de Portugal. Iniciada a sess&atilde;o, tiveram &laquo;palavras de particular apre&ccedil;o para Portugal os delegados da Col&ocirc;mbia&raquo;, Venezuela, Paquist&atilde;o e Rep&uacute;blica Dominicana. Por seu lado, antecipando o futuro, o representante indiano considerou&#8209;se feliz pela admiss&atilde;o de 16 novos pa&iacute;ses, mas acrescentou:</p>     <p>     <blockquote>&laquo;My country recognizes each one of them and has diplomatic and friendly relations with them all &ndash; with all but one perhaps but we have diplomatic relations with all of them. Thus we welcome them all equally.&raquo;<sup><a href="#97">97</a></sup><a name="top97"></a></blockquote>     <p></p>     <p>Depois foi uma correria de dilig&ecirc;ncias por parte de v&aacute;rios pa&iacute;ses tentando conquistar o voto lusitano, o que parecia tornar Portugal em mais uma &laquo;v&iacute;tima do caciquismo de matriz parlamentar prevalente (<i>sic</i>) na organiza&ccedil;&atilde;o&raquo;. No entanto, o voto portugu&ecirc;s n&atilde;o foi dado a ningu&eacute;m. Faltavam &laquo;instru&ccedil;&otilde;es&raquo;. Nas vota&ccedil;&otilde;es Portugal abstinha&#8209;se ou ausentava&#8209;se da sala.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Por&eacute;m, na elei&ccedil;&atilde;o do novo representante n&atilde;o&#8209;permanente no Conselho de Seguran&ccedil;a o delegado portugu&ecirc;s participou com o seu voto. Os trabalhos da Assembleia Geral tinham, antes da admiss&atilde;o dos novos estados, procurado eleger um dos candidatos (Jugosl&aacute;via ou Filipinas), mas os 29 escrut&iacute;nios realizados at&eacute; 15 de dezembro n&atilde;o tinham dado a nenhum dos pa&iacute;ses os dois ter&ccedil;os de votos da Assembleia Geral necess&aacute;rios &agrave; elei&ccedil;&atilde;o. Este facto decorria de uma tentativa de alguns pa&iacute;ses em alterar as regras de elei&ccedil;&atilde;o dos representantes n&atilde;o&#8209;permanentes. Segundo essa regra era o momento de eleger um pa&iacute;s do Sudeste Europeu. Simplesmente, alguns pa&iacute;ses que consideravam tal acordo ultrapassado defendiam dever ser atribu&iacute;do o lugar a um Estado do Sudeste Asi&aacute;tico &ndash; consequ&ecirc;ncia da &laquo;import&acirc;ncia que essa zona do Mundo passava a ter&raquo;. A manuten&ccedil;&atilde;o do <i>statu quo </i>tinha o apoio da maioria do grupo europeu (Fran&ccedil;a e Reino Unido inclu&iacute;dos), e do &laquo;grupo sovi&eacute;tico&raquo;. Os Estados Unidos &laquo;e grande parte do numericamente forte grupo latino&#8209;americano&raquo; apoiavam uma mudan&ccedil;a de atitude e, portanto, a elei&ccedil;&atilde;o das Filipinas. Houve ent&atilde;o &laquo;necessidade de se recorrer mais uma vez &agrave; pol&iacute;tica de corredor&raquo;.</p>     <p>Na reuni&atilde;o do grupo europeu, o representante portugu&ecirc;s procurou ouvir e esclarecer-se, n&atilde;o manifestando a inten&ccedil;&atilde;o de vir a apoiar &laquo;firmemente as Filipinas&raquo; na vota&ccedil;&atilde;o secreta que teria lugar, enquanto notava que a &laquo;coes&atilde;o do grupo europeu ocidental&raquo; parecia uma &laquo;coisa n&atilde;o perfeitamente clara&raquo;. De qualquer modo, n&atilde;o revelou nem deixou &laquo;entrever o sentido em que&raquo; Portugal ia votar, sobretudo porque &laquo;n&atilde;o havia a excluir a hip&oacute;tese de a Jugosl&aacute;via vir no fim a ganhar o lugar&raquo;. N&atilde;o descortinava tamb&eacute;m qualquer vantagem em &laquo;hostilizar&raquo; o bloco europeu, sobretudo porque estava tomada a decis&atilde;o de apoiar a Jugosl&aacute;via. Assumir um papel &laquo;quixotesco&raquo; n&atilde;o era uma possibilidade. Face &agrave; ausculta&ccedil;&atilde;o feita por Alphand sobre o sentido de voto dos representantes dos pa&iacute;ses presentes, o &laquo;espanhol&raquo; manifestou as &laquo;reservas&raquo; do governo do seu pa&iacute;s &agrave; candidatura jugoslava. O portugu&ecirc;s, considerando &laquo;n&atilde;o haver vantagem em ir t&atilde;o longe&raquo;, afirmou n&atilde;o ter ainda &laquo;recebido instru&ccedil;&otilde;es&raquo;, pelo que &laquo;reservava a posi&ccedil;&atilde;o&raquo; portuguesa sobre o assunto.</p>     <p>V&aacute;rias dilig&ecirc;ncias depois (levadas a cabo por uns quantos delegados e pelo presidente da Assembleia Geral), ao fim de &laquo;trinta e seis escrut&iacute;nios&raquo; e com a absten&ccedil;&atilde;o portuguesa, a Jugosl&aacute;via foi eleita como membro n&atilde;o&#8209;permanente do Conselho de Seguran&ccedil;a. Encerrado este epis&oacute;dio, o representante de Portugal censurava, para al&eacute;m dos princ&iacute;pios e o modo de funcionamento da ONU, cheio de jogadas de bastidores, o comportamento da Espanha.</p>     <p>     <blockquote>&laquo;(...) parece&#8209;me ser de deixar (...) aqui (...) uma reflex&atilde;o breve acerca da atitude do delegado espanhol, o qual, aproveitando&#8209;se da confus&atilde;o, alienou as Filipinas, por que se batera, para arrebanhar um voto em favor do seu pa&iacute;s, que juntou decerto ao seu pr&oacute;prio. Esperava ele novo escrut&iacute;nio em que me disse dever a Espanha obter 12 votos &ndash; certamente para ver se lhe dar&iacute;amos o nosso. Antes que ele fosse mais longe na sondagem, disse&#8209;lhe secamente que n&atilde;o abandonar&iacute;amos as Filipinas. Pouco depois, um dos secret&aacute;rios espanh&oacute;is, decerto sem conhecer as apressadas manobras do seu chefe, lamentava&#8209;se da falta de coes&atilde;o manifestada pelos americanos.&raquo;<sup><a href="#98">98</a></sup><a name="top98"></a></blockquote>     <p></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>CONCLUS&Atilde;O</b></p>     <p>A hist&oacute;ria da rela&ccedil;&atilde;o de Portugal com a Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas, nomeadamente no espa&ccedil;o de tempo relativamente longo (1941&#8209;1955) que mediou entre a gesta&ccedil;&atilde;o desta e a admiss&atilde;o daquele, foi, em primeiro lugar, a hist&oacute;ria do modo como um pequeno pa&iacute;s com o estatuto de pot&ecirc;ncia neutral no decurso da Segunda Guerra Mundial assistiu e se preparou para uma mudan&ccedil;a profunda na forma como a sociedade internacional se organizou e o poder foi distribu&iacute;do entre os seus membros. A quest&atilde;o da admiss&atilde;o portuguesa e do seu protelamento por quase uma d&eacute;cada teve apenas uma import&acirc;ncia relativa. E vale n&atilde;o tanto por aquilo que significou para Portugal, mas por aquilo que indiciava, ou ensinava, sobre o modo como a ONU era, ao menos em parte, um espelho da forma como a sociedade internacional, ou o sistema internacional, foi reformulada e funcionou a partir de 1945&#8209;1946. &Eacute; claro que ap&oacute;s a entrada de Portugal e a visibilidade e o peso que a quest&atilde;o colonial ganhou na pol&iacute;tica externa portuguesa, amplificou o papel, mais simb&oacute;lico do que real, da ONU na tentativa de resolu&ccedil;&atilde;o da quest&atilde;o colonial lusa. Ainda assim, quer depois da admiss&atilde;o de Portugal, quer, sobretudo, no per&iacute;odo aqui analisado, a hist&oacute;ria da pol&iacute;tica externa portuguesa esteve longe de se resumir ou ser dominada pela ONU. E foi assim, resumidamente, porque n&atilde;o coube &agrave;quela institui&ccedil;&atilde;o o papel de regula&ccedil;&atilde;o do sistema internacional e de legitima&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica dos estados que as autoridades portuguesas e os seus arquitetos, sobretudo os &laquo;Tr&ecirc;s Grandes&raquo;, ter&atilde;o, respetivamente, temido e desejado. Ainda durante a guerra, nomeadamente atrav&eacute;s dos acordos celebrados com o Reino Unido e com os Estados Unidos para a concess&atilde;o de &laquo;facilidades&raquo; militares no arquip&eacute;lago dos A&ccedil;ores, foram abertos outros canais de integra&ccedil;&atilde;o de Portugal e do Estado Novo na ordem internacional em forma&ccedil;&atilde;o. Depois de 1945, e apesar de o Estado portugu&ecirc;s ter visto recusada a sua admiss&atilde;o nas Na&ccedil;&otilde;es Unidas, n&atilde;o apenas contou com a solidariedade da generalidade dos estados&#8209;membros perante esta adversidade, como n&atilde;o foi o &uacute;nico pa&iacute;s neutral a ver&#8209;se impedido de come&ccedil;ar a participar nos trabalhos da ONU. Mas al&eacute;m do mais, v&aacute;rias e importantes oportunidades surgiram entre 1946 e 1955 para que Lisboa escapasse ao isolamento, ou ao ostracismo, que uma n&atilde;o perten&ccedil;a &agrave; ONU poderia sugerir. O facto de ter sido convidado e ter aceitado participar na funda&ccedil;&atilde;o da Organiza&ccedil;&atilde;o Europeia de Coopera&ccedil;&atilde;o Econ&oacute;mica (OECE) em abril de 1948 e do Pacto do Atl&acirc;ntico em abril de 1949, ou de, em 1951, ter celebrado com os Estados Unidos um acordo pol&iacute;tico&#8209;militar sobre o uso de meios militares nos A&ccedil;ores pelos norte&#8209;americanos, contribuiu de forma decisiva para que a quest&atilde;o do isolamento internacional nunca se colocasse ao salazarismo. Isto significa, portanto, que apesar das mudan&ccedil;as ocorridas no sistema internacional ap&oacute;s o fim da Segunda Guerra Mundial, al&eacute;m de outras que tiveram lugar quer antes do deflagrar da guerra quer no seu decurso, a pol&iacute;tica externa e a diplomacia de Portugal foram capazes de se adaptar a essas mudan&ccedil;as e de as incorporarem sem, no entanto, haver um sacrif&iacute;cio daquilo que se considerava ser o essencial do interesse nacional<sup><a href="#99">99</a></sup><a name="top99"></a>. Ao contr&aacute;rio daquilo que o Governo portugu&ecirc;s temeu nos alvores da cria&ccedil;&atilde;o da ONU e da defini&ccedil;&atilde;o daquilo que devia ser a ordem internacional ap&oacute;s o fim da Segunda Guerra Mundial, nada de fundamental mudou nas op&ccedil;&otilde;es de pol&iacute;tica externa, pol&iacute;tica interna e pol&iacute;tica colonial. E no entanto, em 1955 cada uma daquelas era muito diferente do que tinha sido dez, quinze ou vinte anos antes.</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>BIBLIOGRAFIA</b></p>     <p>BETTS, Raymond F. &ndash; <i>France and Decolonisation, 1900-1960</i>. S.e. S.l.: Macmillan, 1991.</p>     <p>CAETANO, Marcello &ndash; <i>Minhas Mem&oacute;rias de Salazar</i>. 3.&ordf; edi&ccedil;&atilde;o. Lisboa: Ed. Verbo, 1977.</p>     <p>CAIN, P. J., e HOPKINS, A. G. &ndash; <i>British Imperialism: Crisis and Deconstruction 1914-1990</i>. S.e. Londres/Nova York: Longman, 1993.</p>     <p>CHARMLEY, John &ndash; <i>Churchill&rsquo;s Grand Alliance. The Anglo-American Special Relationship 1940-57</i>. S.e. S.l.: Sceptre, 1995.</p>     <!-- ref --><p>COMISS&Atilde;O DO LIVRO NEGRO SOBRE O REGIME FASCISTA, <i>Correspond&ecirc;ncia de Pedro Teot&oacute;nio Pereira para Oliveira Salazar. </i>Vol. IV. i(1943-<i>1944)</i>. S.e. S.l.: Presid&ecirc;ncia do Conselho de Ministros, 1991, pp. 241-247 (doc. n.&ordm; 32).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000138&pid=S1645-9199201500030000300005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>DALLEK, Robert &ndash; <i>Franklin D. Roosevelt and American Foreign Policy, 1932-1945. With a New Afterword</i>. 2.&ordf; edi&ccedil;&atilde;o. Oxford/Nova York: Oxford University Press, 1995.</p>     <p>DARWIN, John &ndash; <i>Britain and Decolonisation. The Retreat from Empire in the Post-War World</i>. S.e. S.l.: Macmillan, 1988.</p>     <p>FOLLY, Martin &ndash; &laquo;&ldquo;A long, slow and painful road&rdquo;: the Anglo-American alliance and the issue of cooperation with the USSR from Teheran to D-Day&raquo;. In <i>Diplomacy &amp; Statecraft</i>. Vol. 23, N.&ordm; 3, 2012.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>FUNK, Arthur &ndash; <i>1945. De Yalta a Potsdam. Des illusions a la guerre froide</i>. S.e. S.l.: Editions Complexe, s.d.</p>     <p>GALLAGHER, John, e SEAL, Anil (ed.) &ndash; <i>The Decline, Revival and Fall of the British Empire. The Ford Lectures and other Essays</i>. S.e. Cambridge: Cambridge University Press, 2004.</p>     <p>HILDERBRAND, Robert C. &ndash; <i>Dumbarton Oaks: The Origins of the United Nations and the Seeds for Post-War Security</i>. S.e. Chapel Hill, NC: University of North Carolina Press, 1990.</p>     <p>HOMAN, Gerlof D. &ndash; &laquo;The Netherlands, the United States and the Indonesian question, 1948&raquo;. In <i>Journal of Contemporary History</i>. Vol. 25, N.&ordm; 1, janeiro de 1990, pp. 123-141.</p>     <p>HOOPES, Townsend, e BRINKLEY, Douglas &ndash; <i>FDR and the Creation of the UN</i>. New Haven: Yale University Press, 1997.</p>     <p>KIMBALL, Warren F. &ndash; &laquo;&ldquo;The Family Circle&rdquo;: Roosevelt&rsquo;s vision of the post-war world&raquo;. In <i>The Juggler: Franklin Roosevelt as Wartime Statesman</i>. S.e. Princeton: Princeton University Press, 1994.</p>     <p>KIMBALL, Warren F. &ndash; <i>Forged in War. Roosevelt, Churchill, and the Second World War</i>. 1.&ordf; edi&ccedil;&atilde;o. Nova York: William Morrow and Company, Inc., 1997.</p>     <p>KIMBALL, Warren F. &ndash; <i>The Juggler: Franklin Roosevelt as Wartime Statesman</i>. S.e. Princeton: Princeton University Press, 1994.</p>     <p>KISSINGER, Henry &ndash; <i>Diplomacy</i>. S.e., Nova York: Simon &amp; Schuster, 1994.</p>     <p>LAFEBER, Walter &ndash; <i>America, Russia, and the Cold War, 1945-1996</i>. 8.&ordf; edi&ccedil;&atilde;o. Nova York: McGrawHill, 1997.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>LOUIS, W. Roger &ndash; <i>Imperialism at Bay 1941</i>-<i>1945. The United States and the Decolonization of the British Empire</i>. S.e. Oxford (Estados Unidos): Oxford University Press, 1986.</p>     <p>LUARD, Evan &ndash; <i>A History of the United Nations. Vol. I</i>. The Years of Western Domination, 1945-1955. S.e. S.l.: Macmillan Press, 1982.</p>     <p>MARTINS, Fernando (ed.) &ndash; &laquo;Uma revolu&ccedil;&atilde;o tranquila? A pol&iacute;tica externa da Guerra Civil de Espanha ao Pacto do Atl&acirc;ntico&raquo;. In <i>Diplomacia &amp; Guerra: Pol&iacute;tica Externa e Pol&iacute;tica de Defesa em Portugal. Do Final da Monarquia ao Marcelismo</i>. Lisboa: Edi&ccedil;&otilde;es Colibri, 2001.</p>     <p>MARTINS, Fernando &ndash; &laquo;A pol&iacute;tica externa do Estado Novo, o Ultramar e a ONU. Uma doutrina hist&oacute;rico-jur&iacute;dica (1955-68)&raquo;. In <i>Pen&eacute;lope. Fazer e Desfazer Hist&oacute;ria</i>. N.&ordm; 18, 1997.</p>     <p>MASTNY, Vojtech &ndash; &laquo;Soviet war aims at the Moscow and Teheran conferences of 1943&raquo;. In <i>The Journal of Modern History</i>. Vol. 47, N.&ordm; 3, 1975.</p>     <p>MATHIAS, Marcello &ndash; <i>Correspond&ecirc;ncia Marcello Mathias/Salazar. 1947/1968</i>. Pref&aacute;cio de J. Ver&iacute;ssimo Serr&atilde;o; sele&ccedil;&atilde;o, organiza&ccedil;&atilde;o e notas de M.&ordf; Jos&eacute; Vaz Pinto. 2.&ordf; edi&ccedil;&atilde;o. Lisboa, Difel, 1984, p. 78.</p>     <p>MAZOWER, Mark &ndash; <i>No Enchanted Palace. The End of Empire and the Ideological Origins of the United Nations</i>. S.e. Princeton/ Oxford: Princeton University Press, 2009.</p>     <p>MENESES, Filipe Ribeiro de &ndash; <i>Salazar. A Political Biography</i>. 1.&ordf; edi&ccedil;&atilde;o. Nova York: Enigma Books, 2009.</p>     <p>MNE &ndash;<i> Dez Anos de Pol&iacute;tica Externa (1936</i>-<i>1948). A Na&ccedil;&atilde;o Portuguesa e a Segunda Guerra Mundial</i>. Vol. 13. Lisboa, 1986.</p>     <p>NATIONAL ARCHIVES-DEPARTMENT OF STATE. Washington, DC (NA-DS). General Records of the Department of State. Decimal File: 1945-1949. Box n.&ordm; 3328. Doc. 711.53/2-1245. Embaixada dos Estados Unidos em Lisboa, 12 de fevereiro de 1945.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>NA-DS. General Records of the Department of State. Decimal File: 1940-1944. Box n&ordm; 5129. Doc. 853.00/1074. Lega&ccedil;&atilde;o dos Estados Unidos em Lisboa, 28 de abril de 1943.</p>     <p>NA-DS. General Records of the Department of State. Decimal File: 1940-1944. Box n.&ordm; C-212. Doc. 853.00/10-544.</p>     <p>NA-DS. General Records of the Department of State. Decimal File: 1945-1949. Box n.&ordm; 6365. Doc. 853.00/2-1745. Despacho n.&ordm; 1478. Embaixada dos Estados Unidos em Lisboa. 17 de fevereiro de 1945.</p>     <p>NA-DS. General Records of the Department of State. Decimal File: 1945-1949. Box n.&ordm; 6365. Doc. 853.00/2-645. Despacho n.&ordm; 1436. Embaixada dos Estados Unidos em Lisboa. 6 de fevereiro de 1945.</p>     <p>NA-DS. General Records of the Department of State. Decimal File: 1945-1949. Box n.&ordm; 3328. Doc. 711.53/12-1445. Department of State. Memorandum of Conversation. 14 de dezembro de 1945.</p>     <p>NA-DS. General Records of the Department of State. Decimal File: 1945-1949. Box n.&ordm; 6365. Doc. 853.00/2-1745. Embaixada dos Estados Unidos em Lisboa, 17 de fevereiro de 1945.</p>     <p>NOGUEIRA, Franco &ndash; <i>Salazar. </i>Vol. III. As Grandes Crises (1936-<i>1945)</i>. 3.&ordf; edi&ccedil;&atilde;o. S.l.: Liv. Civiliza&ccedil;&atilde;o Ed., s.d.</p>     <p>NOGUEIRA, Franco &ndash; <i>Salazar. V. Resist&ecirc;ncia (1958</i>-<i>1964)</i>. S.e. S.l.: Livraria Civiliza&ccedil;&atilde;o Ed., s.d.</p>     <p>NOGUEIRA, Franco &ndash; <i>Hist&oacute;ria de Portugal. 1933 1974, II Suplemento</i>. S.e. Porto: Livraria Civiliza&ccedil;&atilde;o, 1981.</p>     <p>Of&iacute;cio n.&ordm; 185. Da Lega&ccedil;&atilde;o de Portugal em Washington para o MNE. 1 de setembro de 1943. AHDMNE. Embaixadas e lega&ccedil;&otilde;es. Washington, DC, ma&ccedil;o 116.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Of&iacute;cio n.&ordm; 202. Da Lega&ccedil;&atilde;o de Portugal em Washington para o MNE. 16 de setembro de 1943. AHDMNE. Embaixadas e lega&ccedil;&otilde;es. Washington, dc, ma&ccedil;o 124.</p>     <p>OVERY, Richard &ndash; <i>Why the Allies Won</i>. S.e.: Nova York/Londres: W. W. Norton &amp; Company, 1995.</p>     <p><i>Participa&ccedil;&atilde;o de Portugal nos Trabalhos da 10&ordf; Sess&atilde;o da Assembleia Geral das NU, Nova Iorque</i>. 9 de janeiro de 1956. AHDMNE. MNE-SE, RNP, POI, M182. <i>ONU. </i></p>     <p>PLESH, Dan &ndash; <i>America, Hitler and the UN. How the Allies Won World War II and Forged a Peace</i>. S.e.: Londres/Nova York: I. B. Tauris, 2011.</p>     <p><i>Report of the Committee on the admission of new Members</i>, United Nations, Security Council, Restricted, S/133, 21 August 1946, anexo 2, p. 2. AHDMNE. M121. Na&ccedil;&otilde;es Unidas, 1945-47.</p>     <p>REYNOLDS, David &ndash; <i>Summits: Six Meetings that Shaped the Twentieth Century</i>. S.e. Nova York: Basic Books, 2007.</p>     <p>ROBERTS, Geoffery &ndash; &laquo;Stalin at the Tehran, Yalta, and Potsdam conferences&raquo;. In <i>Journal of Cold War Studies</i>. Vol. 9, N.&ordm; 4, 2007, pp. 6-40.</p>     <p>ROSAS, Fernando &ndash; &laquo;A neutralidade portuguesa durante a II Guerra Mundial no quadro da pol&iacute;tica externa do Estado Novo (1935-1945)&raquo;. <i>In</i> TORRE G&Oacute;MEZ, Hip&oacute;lito de la (coord.) &ndash;<i>Portugal, Espa&ntilde;a y Europa. Cien A&ntilde;os de Desaf&iacute;o</i>. S.e. M&eacute;rida: Univ. Nacional de Educaci&oacute;n a Distancia, Centro Regional de Extremadura, 1991.</p>     <p>SALAZAR, Oliveira &ndash; <i>Discursos e Notas Pol&iacute;ticas</i>. Vol. 4. <i>1943</i>-<i>1950</i>. S.e. Coimbra: Coimbra Editora, 1951.</p>     <p>SILVA, Isabel Alarc&atilde;o e &ndash; &laquo;A admiss&atilde;o de Portugal na ONU&raquo;. In <i>Hist&oacute;ria</i>. Ano XV, N.&ordm; 165, junho de 1993.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Telegrama n.&ordm; 68. Delega&ccedil;&atilde;o de Portugal na ONU em Nova York para MNE em Lisboa. 15 de maio de 1958. AHDMNE. Telegramas recebidos da miss&atilde;o de Portugal na ONU.</p>     <p>Telegrama de Nova Iorque (NU) para Londres (FO) de 16 de junho de 1946 e Telegrama de Londres (FO) para Nova York (NU) de 4 de julho de 1946. TNA, FO371. 60264. File 1775926.</p>     <p>Telegrama n.&ordm; 38 da Lega&ccedil;&atilde;o de Portugal em Bruxelas para o MNE. 5 de mar&ccedil;o de 1946. AHDMNE. Telegramas recebidos de Bruxelas.</p>     <p>Telegrama n.&ordm; 55 da Lega&ccedil;&atilde;o de Portugal em Bruxelas para o MNE. 30 de mar&ccedil;o de 1946. Telegramas recebidos de Bruxelas. Telegrama n.&ordm; 1 da Embaixada de Portugal em Washington para o MNE. 1 de janeiro de 1946. AHDMNE. Telegramas recebidos de Washington, DC.</p>     <p>Telegrama n.&ordm; 301. Da Embaixada de Portugal em Washington para o MNE. 11 de julho de 1946. AHDMNE. Telegramas recebidos de Washington, DC.</p>     <p>Telegrama n.&ordm; 58 do MNE para a Embaixada de Portugal em Washington. 25 de fevereiro de 1946. AHDMNE. Telegramas enviados para Washington, DC.</p>     <p>Telegrama n.&ordm; 213. Do MNE para a Embaixada de Portugal em Washington DC. 8 de julho de 1946. AHDMNE. Telegramas enviados para Washington, DC.</p>     <p>Telegrama n.&ordm; 246. Do MNE para a Embaixada de Portugal em Washington. 1 de agosto de 1946. AHDMNE. Telegramas enviados para Washington, DC.</p>     <p>Telegrama n.&ordm; 399 da Embaixada de Portugal em Washington para o MNE. 6 de abril de 1945. AHDMNE. Telegramas enviados para Washington, DC.</p>     <p>Telegrama n.&ordm; 400. 23 de agosto de 1946. AHDMNE. 2.&ordm; piso, arm. 48, ma&ccedil;o 209. &laquo;Rela&ccedil;&otilde;es Pol&iacute;ticas com o Brasil. 1940 a 1949&raquo;.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Telegrama n.&ordm; 480. Da Embaixada de Portugal em Washington para o MNE. 8 de junho de 1943. AHDMNE. Telegramas recebidos de Washington, DC.</p>     <p>Telegrama n.&ordm; 662 da Embaixada de Portugal em Washington para o MNE. 22 de junho de 1945. AHDMNE. Telegramas recebidos de Washington, DC.</p>     <p>THE NATIONAL ARCHIVES. KEW, Richmond. Surrey (TNA), FO371-49474. File: 2905. Despacho da Embaixada do Reino Unido em Lisboa para o Foreign Office (FO), Londres. 28 de fevereiro de 1945.</p>     <p>TNA, FO371-26794. File: 417439. Despacho da Embaixada do Reino Unido em Lisboa para Londres (FO). 28 de junho de 1941.</p>     <p>TNA, FO371-26795. File: 417570. Despacho da Embaixada do Reino Unido em Lisboa para Londres (FO). 2 de julho de 1941.</p>     <p>TORRE G&Oacute;MEZ, Hip&oacute;lito de la (coord.) &ndash; <i>Portugal, Espa&ntilde;a y Europa. Cien A&ntilde;os de Desaf&iacute;o</i>. S.e. M&eacute;rida: Univ. Nacional de Educaci&oacute;n a Distancia, Centro Regional de Extremadura, 1991.</p>     <p><i>UN. Department of Public Information. Press and Publications Division. </i><i>Press Release GA/1309</i>, 15-11-1955. <i>Question of admission of new members to the United Nations. </i><i>Recapitulation of pending Applications</i>, p. 4. AHDMNE. MNE-SE, RNP, POI, M125. ONU.</p>     <p>VICENTE, Ana &ndash; <i>Portugal Visto pela Espanha. Correspond&ecirc;ncia Diplom&aacute;tica 1939</i>-<i>1960</i>. S.e. S.l.: Ass&iacute;rio &amp; Alvim, 1992.</p>     <p>ZUBOK, Vladislav, e PLESHAKOV, Constantine &ndash;<i> Inside the Kremlin&rsquo;s Cold War. From Stalin to Khrushchev</i>. Cambridge, Massa-chusetts/Londres: Harvard University Press, 1996.</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><i>Data de rece&ccedil;&atilde;o: 13 de maio de 2015 | Data de aprova&ccedil;&atilde;o: 6 de julho de 2015</i></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>NOTAS</b></p>     <p><Sup><a name="1"></a><a href="#top1">1</a></Sup>&laquo;Concess&atilde;o de facilidades nos A&ccedil;ores &ndash; a situa&ccedil;&atilde;o das possess&otilde;es portuguesas no Extremo Oriente&raquo;. <i>In</i> SALAZAR, Oliveira &ndash;<i> Discursos e Notas Pol&iacute;ticas</i>. Vol. 4. <i>1943</i>-<i>1950. <i>S.e. Coimbra: Coimbra Editora, 1951, p. 46.</i></i></p> <i><i>     <p><Sup><a name="2"></a><a href="#top2">2</a></Sup> PLESH, Dan &ndash; <i>America, Hitler and the un. How the Allies Won World War II and Forged a Peace</i>. S.e. Londres/Nova York: I. B. Tauris, 2011.</p>     <p><Sup><a name="3"></a><a href="#top3">3</a></Sup> Isto apesar de a Alemanha ter eventualmente podido ganhar a guerra na Europa em 1941 ou 1942 e de Oliveira Salazar ter procurado perceber o que seria, e como seria, uma ordem pol&iacute;tica europeia ditada por uma Alemanha vitoriosa. Al&eacute;m do mais, o chefe do Governo portugu&ecirc;s procurou adaptar a sua pol&iacute;tica externa e v&aacute;rias op&ccedil;&otilde;es de pol&iacute;tica interna &agrave;s circunst&acirc;ncias decorrentes das sucessivas vit&oacute;rias militares alcan&ccedil;adas pelos ex&eacute;rcitos alem&atilde;es at&eacute; meados de 1942. MENESES, Filipe Ribeiro de &ndash; <i>Salazar. A Political Biography</i>. 1.&ordf; edi&ccedil;&atilde;o. Nova York: Enigma Books, 2009, pp. 233-249.</p> </i>     <p><i><Sup><a name="4"></a><a href="#top4">4</a></Sup> SALAZAR, Oliveira &ndash; &laquo;Os princ&iacute;pios e a obra da Revolu&ccedil;&atilde;o no momento interno e no momento internacional&raquo;. Ini Discursos e Notas Pol&iacute;ticas</i>. Vol. 4. <i>1943</i>-<i>1950</i>, pp. 383-415. Discurso pronunciado a 27 de abril aos microfones da Emissora Nacional.</p> </i>     <p><i><Sup><a name="5"></a><a href="#top5">5</a></Sup> NOGUEIRA, Franco &ndash; <i>Salazar. </i>Vol. III</i>. As Grandes Crises (1936-<i>1945)</i>. 3.&ordf; edi&ccedil;&atilde;o. S.l.: Liv. Civiliza&ccedil;&atilde;o Ed., s.d., p. 402. It&aacute;lico no original. A entrada do Brasil na guerra em agosto de 1942 deitou definitivamente por terra esta ambi&ccedil;&atilde;o de Salazar.</p>     <p><Sup><a name="6"></a><a href="#top6">6</a></Sup> A queda de Mussolini em julho de 1943 teve um grande impacto na vida pol&iacute;tica portuguesa, tanto na sua vertente interna (no seio do regime e nas oposi&ccedil;&otilde;es) como externa. Salazar considerou, durante algumas semanas, que o afastamento do l&iacute;der fascista italiano tornava inevit&aacute;vel o seu pr&oacute;prio derrube e o fim do Estado Novo. Por outro lado, ap&oacute;s o afastamento de Mussolini da condu&ccedil;&atilde;o dos destinos da It&aacute;lia por V&iacute;tor Emanuel III, no dia seguinte &agrave; realiza&ccedil;&atilde;o de uma reuni&atilde;o do Grande Conselho Fascista em que se votou por ampla maioria que o rei reassumisse todos os seus poderes constitucionais, era evidente que a pol&iacute;tica externa portuguesa se fragilizaria. E seria assim pelo facto de poder fazer cada vez menos uso, no seu relacionamento com os Aliados, e em particular nas negocia&ccedil;&otilde;es com os brit&acirc;nicos Para a ced&ecirc;ncia de &laquo;facilidades&raquo; nos A&ccedil;ores, do argumento segundo o qual a exist&ecirc;ncia de uma amea&ccedil;a pol&iacute;tica e militar do Eixo, nomeadamente sobre a Pen&iacute;nsula Ib&eacute;rica, condicionava as decis&otilde;es e limitava aquilo que seria a capacidade e a vontade do Governo de Lisboa colaborar com os Aliados. Eixo e Aliados com poder equivalente fortaleciam a posi&ccedil;&atilde;o externa de Portugal porque aumentava o poder negocial portugu&ecirc;s. Numa situa&ccedil;&atilde;o em que o poder do Eixo e dos Aliados fosse assim&eacute;trico ficava dificultada a manobra pol&iacute;tico-diplom&aacute;tica portuguesa. Foi assim entre junho de 1940 e novembro de 1942 (quando o Eixo era mais forte) e entre julho de 1943 e junho de 1945 (quando os pratos da &laquo;balan&ccedil;a do poder&raquo; come&ccedil;aram a pender claramente para o lado dos Alia dos). Veja-se, por exemplo, MENESES, Filipe Ribeiro de &ndash; <i>Salazar. A Political Biography</i>, caps. iii e iv. Sobre as d&uacute;vidas e receios de Salazar acerca da viabilidade da sua carreira pol&iacute;tica ap&oacute;s a queda de Mussolini, &laquo;Carta de Pedro Theot&oacute;nio Pereira a Oliveira Salazar&raquo;, 28 de julho de 1943. COMISS&Atilde;O DO LIVRO NEGRO SOBRE O REGIME FASCISTA &ndash; <i>Correspond&ecirc;ncia de Pedro Teot&oacute;nio Pereira para Oliveira Salazar. Vol. IV. (1943. 1944)</i>. S.e. S.l.: Presid&ecirc;ncia do Conselho de Ministros, 1991, pp. 241-247 (doc. n.&ordm; 32).</p>     <p><Sup><a name="7"></a><a href="#top7">7</a></Sup> A derrota da Alemanha s&oacute; se tornou inevit&aacute;vel no ver&atilde;o de 1944. &laquo;The success of the D-Day landings sealed Hitler&rsquo;s fate, as the landings in Italy a year before sealed Mussolini&rsquo;s.&raquo;. <i>In</i> OVERY, Richard &ndash; <i>Why the Allies Won</i>. S.e. Nova York/Londres: W. W. Norton &amp; Company, 1995, p. 21. Foi tamb&eacute;m no ver&atilde;o de 1944 que representantes dos governos chin&ecirc;s, sovi&eacute;tico, brit&acirc;nico e norte-americano se reuniram em Dumbarton Oaks, Georgetown, Washington, para discutirem os planos para a constitui&ccedil;&atilde;o de uma organiza&ccedil;&atilde;o que manteria a &laquo;paz permanente&raquo; no mundo do p&oacute;s-guerra. HILDERBRAND, Robert C. &ndash; <i>Dumbarton Oaks: The Origins of the United Nations and the Seeds for Post-War Security</i>. S.e. Chapel Hill, NC: University of North Carolina Press, 1990, p. 1.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><Sup><a name="8"></a><a href="#top8">8</a></Sup> Ano e meio mais tarde, na Confer&ecirc;ncia de Ialta, &eacute; poss&iacute;vel que Salazar n&atilde;o se surpreendesse por saber que o moribundo Presidente Roosevelt concordava com a asser&ccedil;&atilde;o de Estaline segundo a qual embora &laquo;as pequenas pot&ecirc;ncias tivessem direitos que deviam ser protegidos&raquo;, n&atilde;o deviam &laquo;julgar as a&ccedil;&otilde;es das grandes pot&ecirc;ncias&raquo;. Por isso, segundo Roosevelt, a &laquo;paz devia ser redigida pelos Tr&ecirc;s Grandes&raquo;. Ao que &laquo;cinicamente&raquo; Churchill ter&aacute; acrescentado: &laquo;The eagle should permit the small birds to sing and care not wherefore they sang.&raquo; KIMBALL, Warren F. &ndash; &laquo;&ldquo;The Family Circle&rdquo;: Roosevelt&rsquo;s vision of the post-war world&raquo;. In <i>The Juggler: Franklin Roosevelt as Wartime Statesman</i>. S.e. Princeton: Princeton University Press, 1994, p. 98.</p>     <p><Sup><a name="9"></a><a href="#top9">9</a></Sup> &laquo;Concess&atilde;o de facilidades nos A&ccedil;ores &ndash; a situa&ccedil;&atilde;o das possess&otilde;es portuguesas no Extremo Oriente&raquo;, pp. 45-46.</p>     <p><Sup><a name="10"></a><a href="#top10">10</a></Sup> Sobre as hesita&ccedil;&otilde;es, tens&otilde;es e contradi&ccedil;&otilde;es, mas tamb&eacute;m resultados concretos, que rodearam contactos e negocia&ccedil;&otilde;es diplom&aacute;ticas (de &acirc;mbito tanto civil como militar) mantidas entre os &laquo;Tr&ecirc;s Grandes&raquo; sobre a quest&atilde;o da organiza&ccedil;&atilde;o de uma nova ordem internacional, a bibliografia &eacute; vasta e muito centrada na a&ccedil;&atilde;o dos Estados Unidos (o que de qualquer forma tem l&oacute;gica, uma vez que foi a Administra&ccedil;&atilde;o Roosevelt que liderou o processo global de condu&ccedil;&atilde;o da guerra e de prepara&ccedil;&atilde;o da paz, independentemente daquilo que foi a import&acirc;ncia vital da Uni&atilde;o Sovi&eacute;tica na derrota militar do III Reich e a relev&acirc;ncia do Imp&eacute;rio Brit&acirc;nico nas reflex&otilde;es e solu&ccedil;&otilde;es encontradas para definir uma nova ordem pol&iacute;tica internacional). PLESH, Dan &ndash; <i>America, Hitler and the un. How the Allies Won World War II and Forged a Peace</i>; MAZOWER, Mark &ndash; <i>No Enchanted Palace. The End of Empire and the Ideological Origins of the United Nations</i>. S.e. Princeton/Oxford: Princeton University Press, 2009; ROBERTS, Geoffery &ndash; &laquo;Stalin at the Tehran, Yalta, and Potsdam conferences&raquo;. In <i>Journal of Cold War Studies</i>. Vol. 9, N.&ordm; 4, 2007, pp. 6-40; CHARMLEY, John &ndash; <i>Churchill&rsquo;s Grand Alliance. The Anglo-American Special Relationship 1940-57</i>. S.e. S.l.: Sceptre, 1995; HOOPES, Townsend, e BRINKLEY, Douglas &ndash; <i>FDR and the Creation of the UN</i>. New Haven: Yale University Press, 1997; KIM-BALL, Warren F. &ndash; <i>The Juggler: Franklin Roosevelt as Wartime Statesman</i>. S.e. Princeton: Princeton University Press, 1994; HILDERBRAND, Robert C. &ndash; <i>Dumbarton Oaks: The Origins of the United Nations and the Seeds for Post-War Security</i>; LUARD, Evan &ndash; <i>A History of the United Nations. Vol. I</i>. The Years of Western Domination, 1945-1955. S.e. S.l.: Macmillan Press, 1982, pp. 3-90.</p>     <p><Sup><a name="11"></a><a href="#top11">11</a></Sup> Foi em Teer&atilde;o que se encontraram pessoalmente, pela primeira vez, Estaline, Churchill e Roosevelt. A confer&ecirc;ncia decorreu de 28 de novembro a 1 de dezembro de 1943. No dia 1 de dezembro foi assinada a Declara&ccedil;&atilde;o das Tr&ecirc;s Pot&ecirc;ncias que mencionava a &iacute;ndole do organismo que sucederia &agrave; Sociedade das Na&ccedil;&otilde;es (SdN). Sobre a Confer&ecirc;ncia de Teer&atilde;o, DALLEK, Robert &ndash; <i>Franklin D. Roosevelt and American Foreign Policy, 1932-1945. With a New Afterword</i>. 2.&ordf; edi&ccedil;&atilde;o. Oxford/Nova York: Oxford University Press, 1995, pp. 423-441; HOOPES, Townsend, e BRINKLEY, Douglas &ndash; <i>FDR and the Creation of the U.N. </i>S.e. New Haven/Londres: Yale University Press, 1997, pp. 97-109; MASTNY, Vojtech &ndash; &laquo;Soviet war aims at the Moscow and Teheran conferences of 1943&raquo;. In <i>The Journal of Modern History</i>. Vol. 47, N.&ordm; 3, 1975, pp. 481-504; FOLLY, Martin &ndash; &laquo;&ldquo;A long, slow and painful road&rsquo;: the Anglo-American alliance and the issue of cooperation with the USSR from Teheran to D-Day&raquo;. In <i>Diplomacy &amp; Statecraft</i>. Vol. 23, N.&ordm; 3, 2012, pp. 471-492.</p>     <p><Sup><a name="12"></a><a href="#top12">12</a></Sup> Sobre a confer&ecirc;ncia de Ialta veja-se, REYNOLDS, David &ndash; <i>Summits: Six Meetings That Shaped the Twentieth Century</i>. S.e. Nova York: Basic Books, 2007, pp. 103-161. Sobre as confer&ecirc;ncias de Ialta e de Potsdam, FUNK, Arthur &ndash; <i>1945. </i><i>De Yalta a Potsdam. </i><i>Des illusions a la guerre froide</i>. S.e. S.l.: Editions Complexe, s.d. Sobre os &laquo;Tr&ecirc;s Grandes&raquo; e as respetivas e distintas conce&ccedil;&otilde;es da paz.</p>     <p><Sup><a name="13"></a><a href="#top13">13</a></Sup> A Carta do Atl&acirc;ntico pode ser vista como o &laquo;primeiro vislumbre&raquo; daquilo que veio a ser a ONU. HOOPES, Townsend, e BRINKLEY, Douglas &ndash; <i>FDR and the Creation of the U.N.</i>, pp. 26-42. Isso n&atilde;o significa que entre a Cimeira de Argentia Bay e a Confer&ecirc;ncia de S&atilde;o Francisco, a hist&oacute;ria da cria&ccedil;&atilde;o da onu tenha sido previs&iacute;vel e linear.</p>     <p><Sup><a name="14"></a><a href="#top14">14</a></Sup> HOOPES, Townsend, e BRINKLEY, Douglas &ndash; <i>FDR and the Creation of the U.N.</i>, pp. 45-47. A Declara&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas foi apresentada a Roosevelt pelo secret&aacute;rio de Estado Cordel Hull ainda antes da chegada de Winston Churchill &agrave; capital dos Estados Unidos para a realiza&ccedil;&atilde;o de um encontro que decorreu durante cerca de tr&ecirc;s semanas e que ficou conhecido por I Confer&ecirc;ncia de Washington (ou Confer&ecirc;ncia de Arcadia, segundo o seu nome de c&oacute;digo). Iniciou-se a 22 de dezembro de 1941 e terminou a 14 de janeiro de 1942. Naquele documento as &laquo;na&ccedil;&otilde;es anti-Eixo afirmavam os princ&iacute;pios da <i>Carta do Atl&acirc;ntico</i>, e descreviam-se como defensoras da vida, da liberdade e da independ&ecirc;ncia (&hellip;)&raquo;. Comprometiam-se a cooperar e a serem determinados em tempo de guerra, nomeadamente n&atilde;o cessando as hostilidades, exceto se em comum acordo. DALLEK, Robert &ndash; <i>Franklin D. Roosevelt and American Foreign Policy, 1932-1945. With a New Afterword</i>, p. 318. Veja-se ainda KIMBALL, Warren F. &ndash; <i>Forged in War. Roosevelt, Churchill, and the Second World War</i>. 1.&ordf; edi&ccedil;&atilde;o. Nova York: William Morrow and Company, Inc., 1997, pp. 117-153.</p>     <p><Sup><a name="15"></a><a href="#top15">15</a></Sup> No que respeita ao lugar do sistema colonial internacional numa nova ordem pol&iacute;tica definida pela Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas (ONU), e tal como pensada pelos seus arquitetos, existem, no essencial, duas correntes historiogr&aacute;ficas com interpreta&ccedil;&otilde;es divergentes. Uma primeira, ortodoxa e hegem&oacute;nica, sustenta que durante toda a Segunda Guerra Mundial os norte-americanos defenderam, nomeadamente em negocia&ccedil;&otilde;es com os brit&acirc;nicos, que o fim mais ou menos imediato do colonialismo devia encontrar-se entre os elementos priorit&aacute;rios constitutivos de uma nova ordem internacional. Plasmar-se-ia, portanto, no esp&iacute;rito e na letra das regras que definissem os objetivos primordiais da organiza&ccedil;&atilde;o internacional que substituiria a SdN. Veja-se, entre outros, LOUIS, W. Roger &ndash; <i>Imperialism at Bay 1941</i>-<i>1945. </i><i>The United States and the Decolonization of the British Empire</i>. S.e. Oxford (Estados Unidos): Oxford University Press, 1986; e KIMBALL, Warren F. &ndash; &laquo;&ldquo;In Search of Monsters to Destroy&rdquo;: Roosevelt and Colonialism&raquo;. In<i> The Juggler: Franklin Roosevelt as Wartime Statesman</i>, pp. 27-157. A segunda, revisionista e minorit&aacute;ria, nega a preponder&acirc;ncia do ide&aacute;rio anticolonialista e anti-imperialista norte-americano na defini&ccedil;&atilde;o daquilo que devia ser n&atilde;o s&oacute; a nova ordem internacional sa&iacute;da da guerra, mas tamb&eacute;m os objetivos essenciais de uma nova organiza&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica garante da seguran&ccedil;a internacional. Esta interpreta&ccedil;&atilde;o chama a aten&ccedil;&atilde;o para a import&acirc;ncia que experientes funcion&aacute;rios e pol&iacute;ticos brit&acirc;nicos, defensores do modelo imperial emanado de Londres tal como reformulado sobretudo a partir do in&iacute;cio do s&eacute;culo XX, tiveram na formula&ccedil;&atilde;o dos princ&iacute;pios e pr&aacute;ticas jur&iacute;dico-pol&iacute;ticas daquilo que viria a ser a ONU. Questiona ainda o pressuposto segundo o qual o edif&iacute;cio de institui&ccedil;&otilde;es internacionais nascido com a SdN e, mais tarde, consolidado sob a &eacute;gide da ONU, se deva, exclusivamente, ou predominantemente, ao pensamento e &agrave; a&ccedil;&atilde;o do Presidente Woodrow Wilson. Segundo esta interpreta&ccedil;&atilde;o foi o &laquo;pensamento colonial brit&acirc;nico&raquo; que deu grande parte da consist&ecirc;ncia e da coer&ecirc;ncia que a ONU possuiu; tanto no seu processo de gesta&ccedil;&atilde;o como nos primeiros anos da sua exist&ecirc;ncia. MAZOWER, Mark &ndash; <i>No Enchanted Palace. The End of Empire and the Ideological Origins of the United Nations</i>.</p>     <p><Sup><a name="16"></a><a href="#top16">16</a></Sup> ROSAS, Fernando &ndash; &laquo;A neutralidade portuguesa durante a II Guerra Mundial no quadro da pol&iacute;tica externa do Estado Novo (1935-1945)&raquo;. <i>In</i> TORRE G&Oacute;MEZ, Hip&oacute;lito de la (coord.) &ndash;<i>Portugal, Espa&ntilde;a y Europa. Cien A&ntilde;os de Desaf&iacute;o</i>. S.e. M&eacute;rida: Univ. Nacional de Educaci&oacute;n a Distancia, Centro Regional de Extremadura, 1991, pp. 118-120. O autor considera, para o per&iacute;odo de 1935 a 1945, a exist&ecirc;ncia de tr&ecirc;s &laquo;objectivos e pressupostos da pol&iacute;tica externa do Estado Novo&raquo;: &laquo;A defesa da independ&ecirc;ncia nacional face ao &ldquo;perigo espanhol&rdquo;&raquo;; &laquo;A defesa do patrim&oacute;nio colonial (...)&raquo; e &laquo;A defesa da sobreviv&ecirc;ncia do regime&raquo;. Na verdade, e quanto aos objetivos, a pol&iacute;tica externa de Salazar durante a Segunda Guerra Mundial nada tinha de singular por compara&ccedil;&atilde;o, por exemplo, com a que a I Rep&uacute;blica prosseguira entre 1914 e 1918. A &uacute;nica grande diferen&ccedil;a estava nos meios a usar. Salazar estava convencido que era mais prov&aacute;vel cumprir os objetivos optando pela neutralidade. Na Grande Guerra predominou a vis&atilde;o de que os objetivos da pol&iacute;tica externa portuguesa seriam atingidos por via da beliger&acirc;ncia ao lado do Imp&eacute;rio Brit&acirc;nico e seus aliados.</p>     <p><Sup><a name="17"></a><a href="#top17">17</a></Sup>Telegrama n.&ordm; 480. Da Embaixada de Portugal em Washington para o MNE. 8 de junho de 1943. Arquivo Hist&oacute;rico-Diplom&aacute;tico do MNE (AHDMNE). Telegramas recebidos de Washington, D.C.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><Sup><a name="18"></a><a href="#top18">18</a></Sup> Of&iacute;cio n.&ordm; 185. Da Lega&ccedil;&atilde;o de Portugal em Washington para o MNE. 1 de setembro de 1943. AHDMNE. Embaixadas e lega&ccedil;&otilde;es. Washington, DC, ma&ccedil;o 116.</p>     <p><Sup><a name="19"></a><a href="#top19">19</a></Sup> Of&iacute;cio n.&ordm; 202. Da Lega&ccedil;&atilde;o de Portugal em Washington para o MNE. 16 de setembro de 1943. AHDMNE. Embaixadas e lega&ccedil;&otilde;es. Washington, DC, ma&ccedil;o 124.</p>     <p><Sup><a name="20"></a><a href="#top20">20</a></Sup> The National Archives. Kew, Richmond. Surrey (TNA), FO371-49474. File: 2905. Despacho da Embaixada do Reino Unido em Lisboa para o Foreign Office (FO), Londres. 28 de fevereiro de 1945.</p>     <p><Sup><a name="21"></a><a href="#top21">21</a></Sup> Noutros meios evocavam-se tamb&eacute;m os resultados da Confer&ecirc;ncia de S&atilde;o Francisco. No m&ecirc;s de julho, durante a discuss&atilde;o na Assembleia Nacional da revis&atilde;o da Constitui&ccedil;&atilde;o, M&aacute;rio de Figueiredo evocou a letra e o esp&iacute;rito da Carta aprovada na Confer&ecirc;ncia de S&atilde;o Francisco. Considerava ele que a reformula&ccedil;&atilde;o da Constitui&ccedil;&atilde;o talvez devesse contemplar o disposto no artigo 55.&ordm; da Carta das Na&ccedil;&otilde;es Unidas: &laquo;As Na&ccedil;&otilde;es Unidas promover&atilde;o mais altos estal&otilde;es de vida, emprego para todos e condi&ccedil;&otilde;es de progresso e desenvolvimento econ&oacute;mico e social.&raquo; Afirmava depois: &laquo;A f&oacute;rmula cont&eacute;m realmente tudo aquilo que n&oacute;s podemos ver disseminado pela generalidade das Constitui&ccedil;&otilde;es modernas; &eacute; sugestiva: ent&atilde;o porque &eacute; que n&atilde;o se consagra no texto da Constitui&ccedil;&atilde;o? Avan&ccedil;o a afirma&ccedil;&atilde;o: tamb&eacute;m n&atilde;o &eacute; preciso nesta mat&eacute;ria alterar a Constitui&ccedil;&atilde;o Pol&iacute;tica Portuguesa. J&aacute; l&aacute; est&aacute; o mesmo.&raquo; A Constitui&ccedil;&atilde;o, apesar do que passara no mundo nos &uacute;ltimos dez anos, mantinha-se atual. <i>Di&aacute;rio das Sess&otilde;es</i>, n.&ordm; 186, 3 de julho de 1945, 707.</p>     <p><Sup><a name="22"></a><a href="#top22">22</a></Sup> Telegrama n.&ordm; 399 da Embaixada de Portugal em Washington para o MNE. 6 de abril de 1945. AHDMNE. Telegramas enviados para Washington, dc.</p>     <p><Sup><a name="23"></a><a href="#top23">23</a></Sup> Telegrama n.&ordm; 662 da Embaixada de Portugal em Washington para o MNE. 22 de junho de 1945. AHDMNE. Telegramas recebidos de Washington, DC.</p>     <p><Sup><a name="24"></a><a href="#top24">24</a></Sup> &laquo;Conforme comuniquei anteriormente o seu medo de uma interfer&ecirc;ncia dos Estados Unidos na Europa depois da guerra atinge a obsess&atilde;o.&raquo;</p>     <p><Sup><a name="25"></a><a href="#top25">25</a></Sup> TNA, FO371-26794. File: 417439. Despacho da Embaixada do Reino Unido em Lisboa para Londres (FO). 28 de junho de 1941.</p>     <p><Sup><a name="26"></a><a href="#top26">26</a></Sup> &laquo;Conversa de abertura ontem &agrave; noite, Dr. Salazar deu a Eccles as boas-vindas de regresso &agrave; civiliza&ccedil;&atilde;o. Olha para os Americanos como um povo b&aacute;rbaro iluminado n&atilde;o por Deus mas pela luz el&eacute;trica. N&atilde;o estar&iacute;amos n&oacute;s receosos que o mundo depois da guerra fosse governado pelos Estados Unidos com uma enorme impetuosidade do Comunismo? Esta era uma perspetiva horr&iacute;vel para a Europa.&raquo; TNA, FO371-26795. File: 417570. Despacho da Embaixada do Reino Unido em Lisboa para Londres (FO). 2 de julho de 1941.</p>     <p><Sup><a name="27"></a><a href="#top27">27</a></Sup> Sir David Eccles. Funcion&aacute;rio do Ministry of Economic Warfare. Em finais de abril de 1961, quando visitou novamente Portugal a t&iacute;tulo particular, era ministro da Educa&ccedil;&atilde;o do Gabinete brit&acirc;nico de ent&atilde;o, chefiado pelo conservador Harold Macmillan. Naquela data, &laquo;t&iacute;tulo oficioso e particular&raquo; ter&aacute; declarado a Salazar que a &laquo;pol&iacute;tica portuguesa em &Aacute;frica&raquo; tinha a &laquo;simpatia e o aplauso de largos c&iacute;rculos do Partido Conservador brit&acirc;nico&raquo;. NOGUEIRA, Franco &ndash; <i>Salazar. Vol. V. Resist&ecirc;ncia (19581964)</i>. S.e. S.l.: Livraria Civiliza&ccedil;&atilde;o Ed., s.d., p. 232.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><Sup><a name="28"></a><a href="#top28">28</a></Sup> Norweb deixou o seu posto dois dias depois.</p>     <p><Sup><a name="29"></a><a href="#top29">29</a></Sup> &laquo;O encontro foi pois de uma intimidade pouco usual e concedeu a si pr&oacute;prio uma atmosfera de cordialidade muito para al&eacute;m de qualquer outro vivido pelo Embaixador nas suas anteriores conversas com o primeiro-ministro. O Dr. Salazar esteve calmo, amig&aacute;vel e &agrave;-vontade durante a conversa, e parecia inteiramente despreocupado em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s dificuldades internas que dizem que tem vindo a enfrentar.&raquo;</p>     <p><Sup><a name="30"></a><a href="#top30">30</a></Sup> A sua preocupa&ccedil;&atilde;o com a guerra contra o Jap&atilde;o devia-se &agrave; ocupa&ccedil;&atilde;o nip&oacute;nica de Timor, ao facto de o Governo portugu&ecirc;s pretender ser consultado sobre os termos em que se libertaria este territ&oacute;rio, e &agrave; circunst&acirc;ncia de Macau se encontrar desde 1942 &agrave; merc&ecirc; de uma ocupa&ccedil;&atilde;o por tropas do Imp&eacute;rio do Sol Nascente.</p>     <p><Sup><a name="31"></a><a href="#top31">31</a></Sup> National Archives-Department of State, Washington, DC (NA-DS). General Records of the Department of State. Decimal File: 1945-1949. Box n.&ordm; 6365. Doc. 853.00/2-1745. Embaixada dos Estados Unidos em Lisboa, 17 de fevereiro de 1945.</p>     <p><Sup><a name="32"></a><a href="#top32">32</a></Sup> Como escrevia um especialista norte-americano em pol&iacute;tica internacional, a prop&oacute;sito da posi&ccedil;&atilde;o portuguesa no mundo do p&oacute;s-guerra: &laquo;No Atl&acirc;ntico e em &Aacute;frica, Portugal espera a boa vontade Anglo-Americana para a manuten&ccedil;&atilde;o dos seus territ&oacute;rios extracontinentais; no Pac&iacute;fico compreende a sua grande depend&ecirc;ncia dos Estados Unidos.&raquo; NA-DS. General Records of the Department of State. Decimal File: 1945-1949. Box n.&ordm; 3328. Doc. 711.53/2-1245. Embaixada dos Estados Unidos em Lisboa, 12 de fevereiro de 1945.</p>     <p><Sup><a name="33"></a><a href="#top33">33</a></Sup> CAETANO, Marcello &ndash; <i>Minhas Mem&oacute;rias de Salazar</i>. 3.&ordf; edi&ccedil;&atilde;o. Lisboa: Ed. Verbo, 1977, p. 182 (it&aacute;lico meu). Encontro num Domingo, 2 de setembro, em S&atilde;o Bento ao fim da tarde.</p>     <p><Sup><a name="34"></a><a href="#top34">34</a></Sup> &laquo;(...) Salazar logrou obter como contrapartida da neutralidade portuguesa a salvaguarda do seu regime durante e ap&oacute;s a guerra, apoiado nos aliados anglo-americanos. (...) os aliados (...) sempre desmentiram e recusaram expressamente qualquer hip&oacute;tese de fazer perigar o regime salazarista.&raquo; ROSAS, Fernando &ndash; &laquo;A neutralidade portuguesa durante a II Guerra Mundial no quadro da pol&iacute;tica externa do Estado Novo (1935-1945)&raquo;, p. 126.</p>     <p><Sup><a name="35"></a><a href="#top35">35</a></Sup> NA-DS. General Records of the Department of State. Decimal File: 1940-1944. Box n.&ordm; 5129. Doc. 853.00/1074. Lega&ccedil;&atilde;o dos Estados Unidos em Lisboa, 28 de abril de 1943.</p>     <p><Sup><a name="36"></a><a href="#top36">36</a></Sup> SALAZAR, Oliveira &ndash; &laquo;Os princ&iacute;pios e a obra da Revolu&ccedil;&atilde;o no momento interno e no momento internacional&raquo;, pp. 383-415.</p>     <p><Sup><a name="37"></a><a href="#top37">37</a></Sup> <i>Ibidem</i>, p. 407.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><Sup><a name="38"></a><a href="#top38">38</a></Sup> <i>Ibidem</i>, p. 408. Salazar ainda considerava, sen&atilde;o poss&iacute;vel, pelo menos desej&aacute;vel, o n&atilde;o aniquilamento total da Alemanha e, portanto, a utiliza&ccedil;&atilde;o por parte de brit&acirc;nicos e norte-americanos das for&ccedil;as alem&atilde;s para travar o avan&ccedil;o do Ex&eacute;rcito Vermelho pela Europa Central. Desta forma pretendia que se protegesse n&atilde;o s&oacute; aquela vasta &aacute;rea do continente como, indiretamente, a sua parte mais ocidental, tanto de uma amea&ccedil;a comunista como da emerg&ecirc;ncia de uma pot&ecirc;ncia hegem&oacute;nica na Europa. Rosas, Fernando &ndash; &laquo;A neutralidade portuguesa durante a II Guerra Mundial no quadro da pol&iacute;tica externa do Estado Novo (1935-1945)&raquo;, p. 125. Por exemplo, em relat&oacute;rio de 5 de outubro de 1944, proveniente da Embaixada dos Estados Unidos em Lisboa, era comunicado que Salazar n&atilde;o desejava uma vit&oacute;ria das NU sobre a Alemanha, facto apenas explic&aacute;vel pela sua &laquo;Russofobia&raquo;. O chefe do Governo portugu&ecirc;s tinha esperan&ccedil;a que se chegasse a uma &laquo;paz negociada&raquo; sem &laquo;uma derrota completa da Alemanha&raquo;, considerando que uma vit&oacute;ria aliada levaria &agrave; &laquo;bolcheviza&ccedil;&atilde;o da Europa.&raquo; NA-DS. General Records of the Department of State. Decimal File: 1940-1944. Box n.&ordm; C -212. Doc. 853.00/10 -544.</p>     <p><Sup><a name="39"></a><a href="#top39">39</a></Sup> A 18 de agosto de 1943 foi assinado o acordo luso-brit&acirc;nico de concess&atilde;o de facilidades nos A&ccedil;ores. &laquo;Assenta-se em 8 de Outubro para a chegada dos efectivos brit&acirc;nicos&raquo; ao arquip&eacute;lago. O Governo sovi&eacute;tico &eacute; informado por Roosevelt e Churchill que se encontravam reunidos no Quebeque. &laquo;Em suspenso est&atilde;o duas interroga&ccedil;&otilde;es: qual a reac&ccedil;&atilde;o alem&atilde;? Qual a reac&ccedil;&atilde;o dos espanh&oacute;is?&raquo;. NOGUEIRA, Franco &ndash; <i>Hist&oacute;ria de Portugal. 1933</i>-<i>1974, II Suplemento</i>. S.e. Porto: Livraria Civiliza&ccedil;&atilde;o, 1981, p. 212. Detalhes acerca das rea&ccedil;&otilde;es espanhola, alem&atilde; e japonesa &agrave; not&iacute;cia sobre o acordo podem se lidos <i>Ibidem</i>, pp. 212-214. Veja-se ainda Meneses, Filipe Ribeiro de &ndash; <i>Salazar. A Political Biography</i>, pp. 275-288.</p>     <p><Sup><a name="40"></a><a href="#top40">40</a></Sup> SALAZAR, Oliveira &ndash; &laquo;Os princ&iacute;pios e a obra da Revolu&ccedil;&atilde;o no momento interno e no momento internacional&raquo;, pp. 408-409 (it&aacute;lico meu).</p>     <p><Sup><a name="41"></a><a href="#top41">41</a></Sup> <i>Ibidem</i>, pp. 410-411.</p>     <p><Sup><a name="42"></a><a href="#top42">42</a></Sup> <i>Ibidem</i>, p. 411.</p>     <p><Sup><a name="43"></a><a href="#top43">43</a></Sup> <i>Ibidem</i>, p. 412.</p>     <p><Sup><a name="44"></a><a href="#top44">44</a></Sup> Sobre a relut&acirc;ncia brit&acirc;nica em descolonizar ap&oacute;s a Segunda Guerra Mundial, destaco, entre uma vasta bibliografia, GALLAGHER, John &ndash; &laquo;The decline, revival and fall of the British Empire&raquo;. In GALLAGHER, John, e seal, Anil (eds.) &ndash; <i>The Decline, Revival and Fall of the British Empire. The Ford Lectures and other Essays</i>. S.e. Cambridge: Cambridge University Press, 2004, pp. 73-153; DARWIN, John &ndash; <i>Britain and Decolonisation. The Retreat from Empire in the Post-War World</i>. S.e. S.l.: Macmillan, 1988, e, numa an&aacute;lise muito centrada em quest&otilde;es econ&oacute;micas, financeiras e monet&aacute;rias, CAIN, P. J., e HOPKINS, A. G. &ndash; <i>British Imperialism: Crisis and Deconstruction 1914-1990</i>. S.e. Londres/Nova York: Long-man, 1993. Sobre a dolorosa descoloniza&ccedil;&atilde;o do imp&eacute;rio ultramarino franc&ecirc;s, BETTS, Raymond F. &ndash; <i>France and Decolonisation, 1900-1960</i>. S.e. S.l.: Macmillan, 1991. Finalmente, sobre a tenaz resist&ecirc;ncia holandesa &agrave; descoloniza&ccedil;&atilde;o das suas &laquo;&Iacute;ndias Orientais&raquo;, HOMAN, Gerlof D. &ndash; &laquo;The Netherlands, the United States and the Indonesian question, 1948&raquo;. In <i>Journal of Contemporary History</i>. Vol. 25, N.&ordm; 1, janeiro de 1990, pp. 123-141.</p>     <p><Sup><a name="45"></a><a href="#top45">45</a></Sup> (Consultado em: 28 de julho de 2015). Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.un.org/en/members/growth.shtml#text" target="_blank">http://www.un.org/en/members/growth.shtml#text</a>.</p>     <p><Sup><a name="46"></a><a href="#top46">46</a></Sup> SALAZAR, Oliveira &ndash; &laquo;Portugal, a Guerra e a Paz&raquo;. In<i> Discursos e Notas Pol&iacute;ticas</i>. Vol. 4. <i>1943</i>-<i>1950</i>, pp. 101-122. Este discurso de Salazar na Assembleia Nacional foi acompanhado da entrega de uma proposta de lei de revis&atilde;o da Constitui&ccedil;&atilde;o e do Ato Colonial. Foi aprovada pela Assembleia Nacional e pela C&acirc;mara Corporativa. Caracterizava-se, essencialmente, por altera&ccedil;&otilde;es &agrave; Lei Eleitoral e &agrave; composi&ccedil;&atilde;o da Assembleia Nacional, tudo isto de forma a garantir (do ponto de vista do regime), uma maior democraticidade do sistema pol&iacute;tico portugu&ecirc;s. As altera&ccedil;&otilde;es ao Ato Colonial, por seu lado, introduziram uma t&iacute;mida descentraliza&ccedil;&atilde;o de natureza pol&iacute;tico-administrativa (cf. os artigos 27.&ordm;, 28.&ordm; e 40.&ordm;).</p>     <p><Sup><a name="47"></a><a href="#top47">47</a></Sup> Racioc&iacute;nio feito a partir dos factos ocorridos com e na SdN.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><Sup><a name="48"></a><a href="#top48">48</a></Sup> SALAZAR, Oliveira &ndash; &laquo;Portugal, a Guerra e a Paz&raquo;, pp. 101-122.</p>     <p><Sup><a name="49"></a><a href="#top49">49</a></Sup> NA-DS. General Records of the Department of State. Decimal File: 1945-1949. Box n.&ordm; 6365. Doc. 853.00/2-1745. Despacho n.&ordm; 1478. Embaixada dos Estados Unidos em Lisboa. 17 de fevereiro de 1945.</p>     <p><Sup><a name="50"></a><a href="#top50">50</a></Sup> NA-DS. General Records of the Department of State. Decimal File: 1945-1949. Box n.&ordm; 6365. Doc. 853.00/2-645. Despacho n.&ordm; 1436. Embaixada dos Estados Unidos em Lisboa. 6 de fevereiro de 1945.</p>     <p><Sup><a name="51"></a><a href="#top51">51</a></Sup> SILVA, Isabel Alarc&atilde;o e &ndash; &laquo;A admiss&atilde;o de Portugal na ONU&raquo;. In <i>Hist&oacute;ria</i>. Ano XV, N.&ordm; 165, junho de 1993, pp. 12-41.</p>     <p><Sup><a name="52"></a><a href="#top52">52</a></Sup> Por exemplo, a 4 de junho de 1946, Ernest Bevin, trabalhista, ministro dos Neg&oacute;cios Estrangeiros do Governo brit&acirc;nico, proferiu um discurso na C&acirc;mara dos Comuns em que sublinhou a import&acirc;ncia para os Aliados, durante a guerra, das facilidades concedidas pelo Governo portugu&ecirc;s nos A&ccedil;ores. MATHIAS, Marcello &ndash; <i>Correspond&ecirc;ncia Marcello Mathias/Salazar. 1947/1968</i>. Pref&aacute;cio de J. Ver&iacute;ssimo Serr&atilde;o; sele&ccedil;&atilde;o, organiza&ccedil;&atilde;o e notas de M.&ordf; Jos&eacute; Vaz Pinto. 2.&ordf; edi&ccedil;&atilde;o. Lisboa: Difel, 1984, p. 78.</p>     <p><Sup><a name="53"></a><a href="#top53">53</a></Sup> Pedro Theot&oacute;nio Pereira, embaixador de Portugal no Rio de Janeiro em 1946, sublinhou que o &laquo;problema&raquo; da &laquo;nossa entrada ONU&raquo; fora uma vez mais pretexto para que Portugal e o Estado Novo tivessem sido alvo de v&aacute;rios &laquo;ataques&raquo; em alguma imprensa brasileira. &laquo;Da Embaixada de Portugal no Rio de Janeiro para o MNE&raquo;. Telegrama n.&ordm; 400. 23 de agosto de 1946. AHDMNE. 2.&ordm; piso, arm. 48, ma&ccedil;o 209. &laquo;Rela&ccedil;&otilde;es Pol&iacute;ticas com o Brasil. 1940 a 1949&raquo;.</p>     <p><Sup><a name="54"></a><a href="#top54">54</a></Sup> &laquo;Em resumo, o que visto superficialmente poderia parecer um fracasso internacional, em Portugal apresenta-se quase como um triunfo, posto que promoveu uma esp&eacute;cie de plebiscito entre as na&ccedil;&otilde;es aliadas em favor dele, aproximando-o definitivamente do bloco ocidental e apresentando-o como uma v&iacute;tima do grupo eslavo (...).&raquo; VICENTE, Ana &ndash; <i>Portugal Visto pela Espanha. Correspond&ecirc;ncia Diplom&aacute;tica 1939</i>-<i>1960</i>. S.e. S.l.: Ass&iacute;rio &amp; Alvim, 1992, p. 56.</p>     <p><Sup><a name="55"></a><a href="#top55">55</a></Sup> No comunicado &agrave; imprensa assinado por Bevin, Estaline e Truman, tornado p&uacute;bico a 2 de agosto, podia ler-se: &laquo;X. CONCLUS&Atilde;O DOS TRATADOS DE PAZ E ADMISS&Atilde;O NA ORGANIZA&Ccedil;&Atilde;O DAS NA&Ccedil;&Otilde;ES UNIDAS. (...)</p>     <p>No que respeita &agrave; admiss&atilde;o de outros estados na Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas, os tr&ecirc;s governos declaram:</p>     <p>1.&ordm; Que a Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas est&aacute; aberta a todos os Estados pac&iacute;ficos que aceitem as obriga&ccedil;&otilde;es estipuladas na Carta atual e que, na opini&atilde;o da Organiza&ccedil;&atilde;o, tenham a possibilidade e a vontade de preencher as suas obriga&ccedil;&otilde;es; 2.&ordm; Que a admiss&atilde;o destes Estados como membros das Na&ccedil;&otilde;es Unidas ter&aacute; lugar em virtude de uma decis&atilde;o da Assembleia Geral, sob proposta do Conselho de Seguran&ccedil;a.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Os tr&ecirc;s governos sustentar&atilde;o, naquilo que lhes diz respeito, as candidaturas de todos pa&iacute;ses que permaneceram neutros durante a guerra e que preencham as condi&ccedil;&otilde;es acima mencionadas.</p>     <p>Todavia, creem-se obrigados a declarar que, pela sua parte, n&atilde;o apoiar&atilde;o a candidatura do governo espanhol atual, que, estabelecido com a ajuda das Pot&ecirc;ncias do Eixo, n&atilde;o possui, devido &agrave;s suas origens, ao seu car&aacute;ter e &agrave; sua associa&ccedil;&atilde;o estreita com os pa&iacute;ses agressores, as qualifica&ccedil;&otilde;es necess&aacute;rias para justificar a sua admiss&atilde;o entre as Na&ccedil;&otilde;es Unidas.&raquo; Tradu&ccedil;&atilde;o do franc&ecirc;s feita pelo autor a partir de FUNK, Arthur &ndash; <i>1945. </i><i>De Yalta a Potsdam. Des illusions a la guerre froide</i>, pp. 213 a 218.</p>     <p><Sup><a name="56"></a><a href="#top56">56</a></Sup> Em 1946, o processo de admiss&atilde;o de novos estados estava aparentemente inquinado pelo facto de, ao contr&aacute;rio do que previa a Carta das Na&ccedil;&otilde;es Unidas (al&iacute;nea 2 do artigo 4.&ordm;), ter sido o Conselho de Seguran&ccedil;a, e n&atilde;o a Assembleia Geral, a pronunciar-se sobre as candidaturas. Ali&aacute;s, o delegado australiano passou os trabalhos de discuss&atilde;o das candidaturas (de agosto a novembro) a relembrar esta imprecis&atilde;o jur&iacute;dica, isto &eacute;, que ao Conselho de Seguran&ccedil;a apenas cabia recomendar e n&atilde;o decidir. Obviamente, esta era uma interpreta&ccedil;&atilde;o demasiado jur&iacute;dica do artigo 4.&ordm;. O protesto australiano de 1946 encontra-se em <i>Report of the Committee on the admission of new Members</i>, United Nations, Security Council, Restricted, S/133, 21 August 1946, anexo 2, p. 2. AHDMNE. M121. Na&ccedil;&otilde;es Unidas, 1945-47.</p>     <p><Sup><a name="57"></a><a href="#top57">57</a></Sup> &laquo;Portugal e as Na&ccedil;&otilde;es Unidas (ONU). Nota Oficiosa&raquo;. In SALAZAR, Oliveira &ndash; <i>Discursos e Notas Pol&iacute;ticas</i>. Vol. 4. <i>1943</i>-<i>1950</i>, pp. 237-240.</p>     <p><Sup><a name="58"></a><a href="#top58">58</a></Sup> Evoca-se aqui o discurso de Oliveira Salazar proferido a 28 de abril de 1948: &laquo;O Ocidente em face da R&uacute;ssia&raquo;. In SALAZAR, Oliveira &ndash; <i>Discursos e Notas Pol&iacute;ticas</i>. Vol. 4. <i>1943</i>-<i>1950</i>, pp. 325-337.</p>     <p><Sup><a name="59"></a><a href="#top59">59</a></Sup> Exceto para fins de liquida&ccedil;&atilde;o, no dia 18 de abril de 1946 foi votada, em reuni&atilde;o da Assembleia da SdN, a extin&ccedil;&atilde;o desta para o dia seguinte ao do seu encerramento (19 de abril).</p>     <p><Sup><a name="60"></a><a href="#top60">60</a></Sup> NA-DS. General Records of the Department of State. Decimal File: 1945-1949. Box n.&ordm; 3328. Doc. 711.53/12-1445. Department of State. Memorandum of Conversation. 14 de dezembro de 1945.</p>     <p><Sup><a name="61"></a><a href="#top61">61</a></Sup> De modo a n&atilde;o comprometer a sua neutralidade, a Su&iacute;&ccedil;a n&atilde;o pediria a sua admiss&atilde;o na ONU.</p>     <p><Sup><a name="62"></a><a href="#top62">62</a></Sup> Telegrama n.&ordm; 1 da Embaixada de Portugal em Washington para o MNE. 1 de janeiro de 1946. AHDMNE. Telegramas recebidos de Washington, DC. O artigo de Sumner Welles, &laquo;Admission into UNO. Four neutral States now eligible&raquo; foi publicado no <i>Washington Post </i>de 2 de janeiro de 1946. Desde 1944, quando abandonou o Departamento de Estado, Sumner Welles tornara-se num comentador habitual de temas de pol&iacute;tica internacional e externa dos Estados Unidos em r&aacute;dios e jornais norte-americanos.</p>     <p><Sup><a name="63"></a><a href="#top63">63</a></Sup> Telegrama n.&ordm; 58 do MNE para a Embaixada de Portugal em Washington. 25 de fevereiro de 1946. AHDMNE. Telegramas enviados para Washington, DC. Referia-se ao discurso pronunciado a 23 de fevereiro de 1946 na reuni&atilde;o das comiss&otilde;es dirigentes da Uni&atilde;o Nacional numa sala da Biblioteca da Assembleia Nacional. SALAZAR, Oliveira &ndash; &laquo;Ideias falsas e palavras v&atilde;s (reflex&otilde;es sobre o &uacute;ltimo acto eleitoral)&raquo;. In<i> Discursos e Notas Pol&iacute;ticas</i>. Vol. 4. <i>1943</i>-<i>1950</i>, pp. 195-213.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><Sup><a name="64"></a><a href="#top64">64</a></Sup> Apesar das garantias dadas pelos Estados Unidos relativamente &agrave; integridade pol&iacute;tica e territorial de Portugal, na sequ&ecirc;ncia do acordo celebrado entre os dois estados em novembro de 1944 (relativo &agrave; concess&atilde;o de facilidades nos A&ccedil;ores), como ainda o facto de os Estados Unidos poderem ser considerados um &laquo;factor de seguran&ccedil;a para as na&ccedil;&otilde;es pac&iacute;ficas em geral&raquo;, verdade &eacute; que, na opini&atilde;o de Salazar, tal n&atilde;o implicava, da parte de Washington, um &laquo;compromisso para a integridade e independ&ecirc;ncia de qualquer na&ccedil;&atilde;o em particular, ou dos seus dom&iacute;nios&raquo;. Daqui seria de considerar, como alternativa e, mais tarde, como complemento &agrave;s NU, a &laquo;possibilidade de coopera&ccedil;&atilde;o portuguesa na seguran&ccedil;a do Atl&acirc;ntico&raquo;. Conclui-se ent&atilde;o que, pelo menos desde 1946, Salazar via algumas vantagens em poder garantir a qualidade de membro da ONU. Nesta reflex&atilde;o do presidente do Conselho e ministro interino dos Neg&oacute;cios Estrangeiros, parece estar longe a possibilidade de as Na&ccedil;&otilde;es Unidas se tornarem num instrumento de pol&iacute;tica anticolonialista. Cf. &laquo;Apontamento do ministro dos Neg&oacute;cios Estrangeiros para a segunda conversa com o Sr. Paul Culbertson e Major-General Laurence S. Kuter. Lisboa 2 de maio de 1946&raquo;. In MNE &ndash;<i> Dez Anos de Pol&iacute;tica Externa (1936</i>-<i>1948). A Na&ccedil;&atilde;o Portuguesa e a Segunda Guerra Mundial</i>. Lisboa, 1986, vol. 13, p. 385.</p>     <p><Sup><a name="65"></a><a href="#top65">65</a></Sup> Telegrama n.&ordm; 38 da Lega&ccedil;&atilde;o de Portugal em Bruxelas para o MNE. 5 de mar&ccedil;o de 1946. AHDMNE. Telegramas recebidos de Bruxelas. A B&eacute;lgica administrava dois territ&oacute;rios em regime de <i>trusteeship</i>: Ruanda e Burundi. Col&oacute;nias subtra&iacute;das &agrave; Alemanha ap&oacute;s a derrota desta na Grande Guerra.</p>     <p><Sup><a name="66"></a><a href="#top66">66</a></Sup> Telegrama n.&ordm; 55 da Lega&ccedil;&atilde;o de Portugal em Bruxelas para o MNE. 30 de mar&ccedil;o de 1946. Telegramas recebidos de Bruxelas.</p>     <p><Sup><a name="67"></a><a href="#top67">67</a></Sup> Esta absten&ccedil;&atilde;o por parte da Austr&aacute;lia ter&aacute; radicado, n&atilde;o exclusivamente, em &laquo;raz&otilde;es processuais&raquo;, como afirmou o seu representante nas NU. No entanto, a verdadeira raz&atilde;o da absten&ccedil;&atilde;o esteve no facto de o Governo australiano pretender for&ccedil;ar Lisboa a negociar com Canberra um conjunto de assuntos de seu interesse. Nomeadamente, um acordo comercial geral, um outro relativo &agrave;s comunica&ccedil;&otilde;es a&eacute;reas entre a Austr&aacute;lia e Timor, mas, sobretudo, um acordo que estabelecesse as condi&ccedil;&otilde;es necess&aacute;rias para uma futura defesa comum de Timor e da Austr&aacute;lia. A necessidade destas negocia&ccedil;&otilde;es fora ali&aacute;s reconhecida por Salazar em 1943, no decorrer das conversas para a concess&atilde;o de facilidades aos brit&acirc;nicos nos A&ccedil;ores. E embora em junho de 1946 n&atilde;o se considerasse a hip&oacute;tese de essas negocia&ccedil;&otilde;es estarem conclu&iacute;das antes de Portugal ser admitido nas NU, deveria mostrar-se claramente, sob o ponto de vista de Canberra, que o apoio &agrave; entrada de Portugal na ONU estava dependente da boa vontade australiana (e eventualmente brit&acirc;nica) apesar da falha portuguesa. O FO, por&eacute;m, recusou cooperar com os procedimentos australianos, sobretudo por considerar que as falhas verificadas nas negocia&ccedil;&otilde;es eram, fundamentalmente, da responsabilidade do Governo de Canberra. Telegrama de Nova York (NU) para Londres (FO) de 16 de junho de 1946 e Telegrama de Londres (FO) para Nova York (NU) de 4 de julho de 1946. TNA, FO371. 60264. File 1775926.</p>     <p><Sup><a name="68"></a><a href="#top68">68</a></Sup> Tiveram lugar no domingo, dia 7 de julho de 1946.</p>     <p><Sup><a name="69"></a><a href="#top69">69</a></Sup> Mais tarde adiada para 3 de agosto.</p>     <p><Sup><a name="70"></a><a href="#top70">70</a></Sup> Telegrama n.&ordm; 213. Do MNE para a Embaixada de Portugal em Washington DC. 8 de julho de 1946. AHDMNE. Telegramas enviados para Washington, DC.</p>     <p><Sup><a name="71"></a><a href="#top71">71</a></Sup> O representante dos Estados Unidos no Conselho de Seguran&ccedil;a que falara com Gromyko sobre a eventual entrada de Portugal nas NU, n&atilde;o notara no diplomata sovi&eacute;tico qualquer &laquo;hostilidade&raquo; em rela&ccedil;&atilde;o ao facto. Mas tamb&eacute;m declarara que o &laquo;ponto de vista definitivo do seu governo&raquo;, quanto ao &laquo;pedido de admiss&atilde;o de qualquer Estado&raquo;, s&oacute; podia &laquo;ser conhecido no momento da decis&atilde;o&raquo;, ou seja, &laquo;depois do pedido ser apresentado.&raquo; <i>Ibidem</i>.&#39;</p>     <p><Sup><a name="72"></a><a href="#top72">72</a></Sup> &laquo;A Na&ccedil;&atilde;o Portuguesa constitui um Estado independente, cuja soberania s&oacute; reconhece como limites, na ordem interna, a moral e o direito; e, na internacional, os que derivem das conven&ccedil;&otilde;es ou tratados livremente celebrados ou do direito consuetudin&aacute;rio livremente aceite, cumprindo-lhe cooperar com outros Estados na prepara&ccedil;&atilde;o e adop&ccedil;&atilde;o de solu&ccedil;&otilde;es que interessem &agrave; paz entre os povos e ao progresso da humanidade. &sect; &uacute;nico &ndash; Portugal preconiza a arbitragem, como meio de dirimir os lit&iacute;gios internacionais.&raquo;</p>     <p><Sup><a name="73"></a><a href="#top73">73</a></Sup> <i>Ibidem</i>.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><Sup><a name="74"></a><a href="#top74">74</a></Sup> Telegrama n.&ordm; 246. Do MNE para a Embaixada de Portugal em Washington. 1 de agosto de 1946. AHDMNE. Telegramas enviados para Washington, DC.</p>     <p><Sup><a name="75"></a><a href="#top75">75</a></Sup> Telegrama n.&ordm; 301. Da Embaixada de Portugal em Washington para o MNE. 11 de julho de 1946. AHDMNE. Telegramas recebidos de Washington, DC.</p>     <p><Sup><a name="76"></a><a href="#top76">76</a></Sup> A Resolu&ccedil;&atilde;o n.&ordm; 113 (II) foi proposta pela Austr&aacute;lia.</p>     <p><Sup><a name="77"></a><a href="#top77">77</a></Sup> <i>O S&eacute;culo</i>, 23 de setembro de 1948 (p. 1, 6.&ordf; coluna e p. 2, 1.&ordf; coluna).</p>     <p><Sup><a name="78"></a><a href="#top78">78</a></Sup> Que entretanto substitu&iacute;ra a Pol&oacute;nia como membro n&atilde;o-permanente do CS.</p>     <p><Sup><a name="79"></a><a href="#top79">79</a></Sup> Telegrama n.&ordm; 68. Delega&ccedil;&atilde;o de Portugal na ONU em Nova York para MNE em Lisboa. 15 de maio de 1958. AHDMNE. Telegramas recebidos da miss&atilde;o de Portugal na ONU.</p>     <p><Sup><a name="80"></a><a href="#top80">80</a></Sup> Em 1946, alguns pa&iacute;ses igualmente bem vistos pela Uni&atilde;o Sovi&eacute;tica, por um lado, e pelos Estados Unidos, Fran&ccedil;a, China e Gr&atilde;-Bretanha, por outro, foram admitidos: Isl&acirc;ndia, Su&eacute;cia, Tail&acirc;ndia e Afeganist&atilde;o. Em 1947, na mesma base, entraram o I&eacute;men e o Paquist&atilde;o. Em 1948, a Birm&acirc;nia foi admitida. Alb&acirc;nia, Mong&oacute;lia, vetados pelo &laquo;ocidente&raquo; e Portugal, Jord&acirc;nia e Irlanda foram vetados por Moscovo. Um <i>package deal </i>foi proposto logo em 1946, e renovado em anos sucessivos, por pa&iacute;ses ocidentais para resolver o impasse. Em 1946 e em 1947, com o argumento de que as suas obje&ccedil;&otilde;es eram de princ&iacute;pio, os sovi&eacute;ticos recusaram qualquer negocia&ccedil;&atilde;o que resolvesse o impasse e permitisse a admiss&atilde;o de um n&uacute;mero cada vez maior de estados que viam a sua entrada travada. Em 1947 a fila foi engrossada pela &Aacute;ustria, Bulg&aacute;ria, Finl&acirc;ndia, Hungria, It&aacute;lia e Rom&eacute;nia. A partir de 1948 Moscovo passou a defender o <i>package deal</i> e os ocidentais a oporem-se a essa solu&ccedil;&atilde;o. A raz&atilde;o era simples. Pa&iacute;ses europeus pertencentes ao bloco sovi&eacute;tico j&aacute; reuniam todas as condi&ccedil;&otilde;es jur&iacute;dicas para serem admitidos. Tinham celebrado tratados de paz com os Aliados. At&eacute; 1955 houve mais pa&iacute;ses a verem bloqueada a sua entrada do que a romperem os entraves colocados a uma eventual admiss&atilde;o. LUARD, Evan &ndash; <i>A History of the United Nations </i>. <i>Vol I</i>. The Years of Western Domination, 1945-1955, pp. 364-372.</p>     <p><Sup><a name="81"></a><a href="#top81">81</a></Sup> MARTINS, Fernando &ndash; &laquo;A pol&iacute;tica externa do Estado Novo, o Ultramar e a onu. Uma doutrina hist&oacute;rico-jur&iacute;dica (1955-68)&raquo;. In <i>Pen&eacute;lope. Fazer e Desfazer Hist&oacute;ria</i>. N.&ordm; 18, 1997, pp. 189-206.</p>     <p><Sup><a name="82"></a><a href="#top82">82</a></Sup> Portugal tornou-se membro da ONU em dezembro de 1955. Nessa data era j&aacute; membro de v&aacute;rios organismos das Na&ccedil;&otilde;es Unidas: Organiza&ccedil;&atilde;o da Avia&ccedil;&atilde;o Civil Internacional, Organiza&ccedil;&atilde;o Mundial de Sa&uacute;de, Organiza&ccedil;&atilde;o Internacional do Trabalho, Uni&atilde;o Postal Universal, Organiza&ccedil;&atilde;o de Alimenta&ccedil;&atilde;o e Agricultura, Uni&atilde;o Internacional de Telecomunica&ccedil;&otilde;es, e de v&aacute;rios comit&eacute;s das comiss&otilde;es do Conselho Econ&oacute;mico e Social.</p>     <p><Sup><a name="83"></a><a href="#top83">83</a></Sup> <i>UN. Department of Public Information. Press and Publications Division. Press Release GA/1309</i>, 15 -11 -1955. <i>Question of admission of new members to the United Nations. </i><i>Recapitulation of pending Applications</i>, p. 4. AHDMNE. MNE-SE, RNP, POI, M125. ONU.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><Sup><a name="84"></a><a href="#top84">84</a></Sup> Nele se pode ler: &laquo;O Conselho de Seguran&ccedil;a ter&aacute; reuni&otilde;es peri&oacute;dicas, nas quais cada um dos membros poder&aacute;, se assim o desejar, ser representado por um membro do governo ou por outro representante especialmente designado.&raquo;</p>     <p><Sup><a name="85"></a><a href="#top85">85</a></Sup> <i>UN. Department of Public Information. Press and Publications Division. Press Release GA/1309</i>, 15 -11 -1955. <i>Question of admission of new members to the United Nations. </i><i>Recapitulation of pending Applications</i>, p. 4. <i>Ibidem</i>.</p>     <p><Sup><a name="86"></a><a href="#top86">86</a></Sup> <i>Ibidem</i>, p. 5.</p>     <p><Sup><a name="87"></a><a href="#top87">87</a></Sup> Sobre as mudan&ccedil;as na pol&iacute;tica externa sovi&eacute;tica decorrentes da morte de Estaline, ZUBOK, Vladislav, e PLESHAKOV, Constantine &ndash; <i>Inside the Kremlin&rsquo;s Cold War. </i><i>From Stalin to Khrushchev</i>. Cambridge, Massachusetts/Londres: Harvard University Press, 1996, pp. 138-173. Veja-se ainda LAFEBER, Walter &ndash; <i>America, Russia, and the Cold War, 1945-1996</i>. 8.&ordf; edi&ccedil;&atilde;o. Nova York: McGrawHill, 1997, pp. 145-168, e KISSINGER, Henry &ndash; <i>Diplomacy</i>. S.e. Nova York: Simon &amp; Schuster, 1994, pp. 493-521.</p>     <p><Sup><a name="88"></a><a href="#top88">88</a></Sup> Estes catorze estados eram: Jord&acirc;nia, Portugal, Rep&uacute;blica da Irlanda, It&aacute;lia, &Aacute;ustria, Finl&acirc;ndia, Ceil&atilde;o, Rep&uacute;blica da Coreia (do Sul), Nepal, L&iacute;bia, Jap&atilde;o, Vietname (do Sul), Camboja e Laos.</p>     <p><Sup><a name="89"></a><a href="#top89">89</a></Sup> At&eacute; 1965, o Conselho de Seguran&ccedil;a da ONU era composto por onze estados, sendo que a China, a Fran&ccedil;a, os Estados Unidos, o Reino Unido e a URSS eram membros permanentes com direito de veto. A partir de 1966, o n&uacute;mero de membros do Conselho de Seguran&ccedil;a alargou-se a quinze estados, permanecendo as suas anteriores cinco presen&ccedil;as permanentes. Assinale-se que a China continental (ou Rep&uacute;blica Popular da China) n&atilde;o era ainda membro das Na&ccedil;&otilde;es Unidas em 1955. Os representantes da China na ONU provinham da Formosa, territ&oacute;rio insular onde se refugiaram os l&iacute;deres nacionalistas chineses definitivamente derrotados no continente, em 1949, pelos comunistas de Mao Ts&eacute;-Tung.</p>     <p><Sup><a name="90"></a><a href="#top90">90</a></Sup> Alb&acirc;nia, Rep&uacute;blica Popular da Mong&oacute;lia, Hungria, Rom&eacute;nia, Bulg&aacute;ria, Rep&uacute;blica Democr&aacute;tica e Popular da Coreia (do Norte) e Rep&uacute;blica Democr&aacute;tica do Vietname (do Norte).</p>     <p><Sup><a name="91"></a><a href="#top91">91</a></Sup> A Espanha apresentou o seu pedido a 23 de setembro de 1955.</p>     <p><Sup><a name="92"></a><a href="#top92">92</a></Sup> 1955 e 1960 foram os anos em que maior n&uacute;mero de estados foram admitidos (16 e 17 pa&iacute;ses, respetivamente). Para al&eacute;m de Portugal, este &laquo;pacote&raquo; de dezembro de 1955 inclu&iacute;a: Espanha, It&aacute;lia, Irlanda, Jord&acirc;nia, Hungria, Alb&acirc;nia, &Aacute;ustria, Rom&eacute;nia, Bulg&aacute;ria, Finl&acirc;ndia, Ceil&atilde;o, Nepal, L&iacute;bia, Camboja e Laos. Jap&atilde;o, Rep&uacute;blica Popular da Mong&oacute;lia, as duas Coreias e os dois Vietnames n&atilde;o foram admitidos.</p>     <p><Sup><a name="93"></a><a href="#top93">93</a></Sup> <i>Participa&ccedil;&atilde;o de Portugal nos Trabalhos</i> <i>da 10&ordf; Sess&atilde;o da Assembleia Geral das NU, Nova Iorque</i>. 9 de janeiro de 1956. AHDMNE. MNE-SE, RNP, POI, M182. <i>ONU. </i></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><Sup><a name="94"></a><a href="#top94">94</a></Sup> A intransig&ecirc;ncia norte-americana e ocidental face &agrave; admiss&atilde;o da Mong&oacute;lia, devia-se ao facto de este ser considerado um Estado &laquo;fantoche&raquo;, absolutamente enfeudado &agrave; vontade sovi&eacute;tica.</p>     <p><Sup><a name="95"></a><a href="#top95">95</a></Sup> <i>Participa&ccedil;&atilde;o de Portugal nos Trabalhos da 10&ordf; Sess&atilde;o da Assembleia Geral das NU, Nova Iorque</i>, 9 de janeiro de 1956. Loc. cit.</p>     <p><Sup><a name="96"></a><a href="#top96">96</a></Sup> <i>Ibidem</i>.</p>     <p><Sup><a name="97"></a><a href="#top97">97</a></Sup> &laquo;O meu pa&iacute;s reconhece cada um deles (novos pa&iacute;ses membros) e tem rela&ccedil;&otilde;es diplom&aacute;ticas e de amizade com todos &ndash; com todos menos um, talvez, n&atilde;o obstante termos rela&ccedil;&otilde;es diplom&aacute;ticas com todos eles. Assim damos da mesma forma as boas vindas a todos eles.&raquo; Citado em <i>Ibidem</i>, p. 3.</p>     <p><Sup><a name="98"></a><a href="#top98">98</a></Sup> <i>Ibidem</i>, p. 11.</p>     <p><Sup><a name="99"></a><a href="#top99">99</a></Sup> MARTINS, Fernando &ndash; &laquo;Uma revolu&ccedil;&atilde;o tranquila? A pol&iacute;tica externa da Guerra Civil de Espanha ao Pacto do Atl&acirc;ntico&raquo;. <i>In</i> MARTINS, Fernando (ed.) &ndash; <i>Diplomacia &amp; Guerra: Pol&iacute;tica Externa e Pol&iacute;tica de Defesa em Portugal. Do Final da Monarquia ao Marcelismo</i>. Lisboa: Edi&ccedil;&otilde;es Colibri, 2001, pp. 137-162.</p>      ]]></body><back>
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