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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[A Primeira Guerra Mundial em Angola. O ataque preemptivo a Naulila]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[The objective of this paper is to emphasize strategic and operational features of the German military strike on Naulila against the Portuguese forces in December 18th, 1914. The historiography produced on Portugal participation in the First World War classifies the German Strike as a punitive one, suggesting it was very limited in its purpose. However, according the strategic setting German forces were facing in the German South western Africa, the strike on Naulila must be considered as preemptive. They thought Lieutenant Colonel Roçadas expedition aimed to open the northern front through Angola because Portugal decided to join the allies. Due its focus on south against the South Africans, their military inferiority, and lacking communications, the Germans could not accept the risk of facing two simultaneous fronts.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><b>PORTUGAL E AS NAÇÕES UNIDAS</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>A Primeira Guerra Mundial em Angola. O ataque preemptivo a Naulila</b></p>     <p><b>The First World War in Angola. The preemptive strike on Naulila</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Lu&iacute;s Barroso<sup><a href="#1">1</a></sup><a name="top1"></a></b></p>     <p>Investigador do Centro de Estudos Internacionais (CEI &ndash; ISCTE) e do Centro de Investiga&ccedil;&atilde;o de Seguranca e Defesa do IESM.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>RESUMO</b></p>     <p>O objetivo deste artigo &eacute; enfatizar aspectos estrat&eacute;gico militares relativos ao combate de Naulila, entre for&ccedil;as militares portuguesas e alem&atilde;s, ocorrido em 18 de dezembro de 1914. A vasta historiografia produzida no seguimento da participa&ccedil;&atilde;o de Portugal na Primeira Guerra Mundial considera a a&ccedil;&atilde;o alem&atilde; como um ataque punitivo. Por&eacute;m, as condi&ccedil;&otilde;es estrat&eacute;gico militares no Sudoeste Africano e em Angola levam nos a considerar que se tratou de uma a&ccedil;&atilde;o preemptiva para desorganizar o que os alem&atilde;es entendiam ser a prepara&ccedil;&atilde;o de um ataque a partir de Angola. O movimento das for&ccedil;as portuguesas para a fronteira sul de Angola e o facto de os alem&atilde;es poderem ser atacados por linhas exteriores podem ter sido indicadores decisivos para o ataque alem&atilde;o em 18 de dezembro de 1914.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Palavras-chave:</b><i> </i>Naulila, Portugal, Alemanha, Primeira Guerra Mundial.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>ABSTRACT</b></p>     <p>The objective of this paper is to emphasize strategic and operational features of the German military strike on Naulila against the Portuguese forces in December 18th, 1914. The historiography produced on Portugal participation in the First World War classifies the German Strike as a punitive one, suggesting it was very limited in its purpose. However, according the strategic setting German forces were facing in the German South western Africa, the strike on Naulila must be considered as preemptive. They thought Lieutenant Colonel Ro&ccedil;adas expedition aimed to open the northern front through Angola because Portugal decided to join the allies. Due its focus on south against the South Africans, their military inferiority, and lacking communications, the Germans could not accept the risk of facing two simultaneous fronts.</p>     <p><b>Keywords</b><i>: </i>Naulila, Portugal, Germany, First World War.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>O objetivo deste texto &eacute; enfatizar aspectos estrat&eacute;gico-militares e operacionais relativos ao combate de Naulila, ocorrido em 18 de dezembro de 1914, entre as for&ccedil;as expedicion&aacute;rias portuguesas comandadas pelo tenente-coronel Alves Ro&ccedil;adas e for&ccedil;as coloniais alem&atilde;s comandadas pelo major Franke, o qual, como refere Nuno Severiano Teixeira, se inscreve na gesta dos portugueses na Grande Guerra<sup><a href="#2">2</a></sup><a name="top2"></a>. Para Ant&oacute;nio Telo o resultado do confronto foi um aut&ecirc;ntico desastre, traduzido no recuo do dispositivo e na necessidade de enviar uma nova expedi&ccedil;&atilde;o, desta vez comandada pelo general Pereira D&rsquo;E&ccedil;a<sup><a href="#3">3</a></sup><a name="top3"></a>. Desde finais do s&eacute;culo XIX at&eacute; 1915, Angola foi teatro de guerra portugu&ecirc;s onde foram empenhados mais meios humanos e materiais, o que revela bem da sua import&acirc;ncia<sup><a href="#4">4</a></sup><a name="top4"></a>. Mesmo assim, no in&iacute;cio das hostilidades na Europa, a op&ccedil;&atilde;o de enviar expedi&ccedil;&otilde;es militares traduzia-se num enorme risco estrat&eacute;gico, porque desviava meios essenciais ao levantamento da Divis&atilde;o Auxiliar a empenhar no teatro de guerra europeu, uma vez que o Governo portugu&ecirc;s considerava que era a&iacute; que as col&oacute;nias seriam defendidas.</p>     <p>Ao n&iacute;vel pol&iacute;tico, e segundo alguma historiografia de refer&ecirc;ncia, Naulila acabou por ser o resultado esperado de uma situa&ccedil;&atilde;o que conjugou tr&ecirc;s dimens&otilde;es distintas: o relacionamento entre a Alemanha e a Gr&atilde;-Bretanha e as suas pretens&otilde;es sobre os territ&oacute;rios portugueses; a situa&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica interna em Portugal; e as recorrentes incurs&otilde;es (militares, econ&oacute;micas e pol&iacute;ticas) alem&atilde;s no Sul de Angola<sup><a href="#5">5</a></sup><a name="top5"></a>. Apesar de ambos os contendores terem empenhado for&ccedil;as de baixo escal&atilde;o (batalh&atilde;o refor&ccedil;ado com cavalaria e artilharia) em compara&ccedil;&atilde;o com os efetivos envolvidos no teatro de guerra europeu, consideramos que o combate de Naulila n&atilde;o deve ser analisado como um simples recontro de n&iacute;vel t&aacute;tico. Ele deve ser entendido como parte de uma estrat&eacute;gia que era muito clara para cada um dos contendores, embora se possa criticar a sua adequabilidade, pelo menos no que respeita a Portugal.</p>     <p>Empenhar for&ccedil;as em &Aacute;frica era a oportunidade para demonstrar aos aliados e &agrave; opini&atilde;o p&uacute;blica interna a capacidade do Governo em empenhar meios militares para salvaguardar a integridade das col&oacute;nias. A manuten&ccedil;&atilde;o da integridade do imp&eacute;rio colonial era a grande preocupa&ccedil;&atilde;o nacional e talvez o &uacute;nico objetivo que na &eacute;poca<sub>, </sub>reunia o consenso na sociedade civil e pol&iacute;tica, decorrente da sensa&ccedil;&atilde;o de amea&ccedil;a que pairava sobre Angola e Mo&ccedil;ambique em duas linhas: a vontade alem&atilde; em estender os seus territ&oacute;rios; e a transig&ecirc;ncia brit&acirc;nica em rela&ccedil;&atilde;o aos anseios alem&atilde;es. Esta perce&ccedil;&atilde;o ficara claramente demonstrada pelo conhecimento das conversa&ccedil;&otilde;es germano-brit&acirc;nicas em 1898 e em 1912-1913. Por essas raz&otilde;es n&atilde;o &eacute; de estranhar a vontade do Governo portugu&ecirc;s em enviar for&ccedil;as para as col&oacute;nias mesmo em condi&ccedil;&otilde;es materiais e t&eacute;cnicas muito prec&aacute;rias.</p>     <p>E ao n&iacute;vel estrat&eacute;gico-militar? Que significado teve o combate de Naulila? O que &eacute; que estava em jogo no Sul de Angola? Que import&acirc;ncia tinha Naulila para os alem&atilde;es do Sudoeste Africano?</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Em termos militares, o combate de Naulila aparece referenciado em alguma historiografia como um &laquo;ataque punitivo&raquo; contra as for&ccedil;as de Ro&ccedil;adas depois do incidente que envolveu uma patrulha portuguesa e uma patrulha alem&atilde; e que acabou inesperadamente com a morte da maior parte dos alem&atilde;es. Gerald L&rsquo;Ange refere-se a Naulila como um ataque punitivo para vingar a morte do governador Schultz-Jena e dos militares que o acompanhavam. Por&eacute;m, a utiliza&ccedil;&atilde;o do termo n&atilde;o parece adequada &agrave; an&aacute;lise que faz: considera que os alem&atilde;es receavam que a expedi&ccedil;&atilde;o de Ro&ccedil;adas tinha como objetivo bloquear o fluxo de abastecimentos a partir de Angola, que o incidente marcava o in&iacute;cio da beliger&acirc;ncia de Portugal ao lado dos brit&acirc;nicos e que a vit&oacute;ria germ&acirc;nica permitiu que se concentrassem na frente sul<sup><a href="#6">6</a></sup><a name="top6"></a>. Max Baericke, num livro em que analisa o combate de Naulila, refere-o como uma expedi&ccedil;&atilde;o punitiva, &laquo;Die Strafexpedition Franke&raquo;. Considera o ataque de 18 de dezembro como uma resposta ao incidente de Naulila de outubro, decidido logo a seguir entre o governador da col&oacute;nia e o comandante militar, que Franke viria a substituir depois da sua morte por acidente. O texto &eacute; essencialmente descritivo, referindo que a opera&ccedil;&atilde;o obteve um sucesso inesperado devido &agrave; retirada dos portugueses por receio de Ro&ccedil;adas de ser envolvido e ser incapaz de defender o planalto da Hu&iacute;la. Apesar do elevado n&uacute;mero de baixas alem&atilde;s, as tropas estavam motivadas porque lhes foi transmitido que iam vingar os seus camaradas mortos<sup><a href="#7">7</a></sup><a name="top7"></a>. O autor considera que os alem&atilde;es nunca tiveram como objetivo a conquista de terreno nem atacar as popula&ccedil;&otilde;es locais<sup><a href="#8">8</a></sup><a name="top8"></a>. Augusto Casimiro refere que o governador e o comandante das for&ccedil;as alem&atilde;s no Sudoeste Africano se decidiram por uma &laquo;expedi&ccedil;&atilde;o punitiva&raquo; sobre Naulila logo a seguir &agrave; not&iacute;cia do incidente<sup><a href="#9">9</a></sup><a name="top9"></a>. Marco Arrifes refere tamb&eacute;m a a&ccedil;&atilde;o alem&atilde; como uma a&ccedil;&atilde;o punitiva com escasso significado militar<sup><a href="#10">10</a></sup><a name="top10"></a>.</p>     <p>John Cann estuda a batalha de Naulila no &acirc;mbito das opera&ccedil;&otilde;es alem&atilde;s no Sul de Angola contra os portugueses ao n&iacute;vel t&aacute;tico, operacional e estrat&eacute;gico. Cann faz uma incurs&atilde;o hist&oacute;rica na import&acirc;ncia de Angola na luta entre brit&acirc;nicos e alem&atilde;es para enquadrar a op&ccedil;&atilde;o portuguesa em enviar a expedi&ccedil;&atilde;o de Ro&ccedil;adas. Conclui que Naulila foi uma <i>strafexpedition </i>no &acirc;mbito da defesa ativa alem&atilde; no Sudoeste Africano para deixar de ter preocupa&ccedil;&otilde;es no flanco norte<sup><a href="#11">11</a></sup><a name="top11"></a>. O ponto fraco deste texto est&aacute; relacionado com a falta de recurso a documentos de arquivo.</p>     <p>Jakob Zollmann, numa an&aacute;lise ao acontecimento no &acirc;mbito da evolu&ccedil;&atilde;o do direito internacional relacionada com a pol&iacute;tica colonial, centra-se nas exig&ecirc;ncias de repara&ccedil;&atilde;o de Portugal &agrave; Alemanha por considerar que as repres&aacute;lias em Naulila foram exageradas tendo em conta o incidente. Zollmann refere-se aos ataques a Dangoena e a Naulila como a&ccedil;&otilde;es decididas em Windhoek para exercer repres&aacute;lias e &laquo;prevenir&raquo; um ataque portugu&ecirc;s julgado como muito prov&aacute;vel depois de considerar que Portugal se havia decidido por lutar ao lado dos aliados. Contrariamente a Cann, Zollmann faz extensiva utiliza&ccedil;&atilde;o de documenta&ccedil;&atilde;o de arquivos alem&atilde;es, apesar de n&atilde;o ter inten&ccedil;&atilde;o de fazer uma an&aacute;lise &agrave; estrat&eacute;gia dos contendores<sup><a href="#12">12</a></sup><a name="top12"></a>.</p>     <p>Historicus Africanus, o pseud&oacute;nimo de um historiador alem&atilde;o do Sudoeste Africano, deixou um importante manuscrito sobre a Primeira Guerra Mundial na col&oacute;nia alem&atilde;. Refere que o ataque a Naulila em dezembro de 1914 deveria ser r&aacute;pido e violento para destruir o m&aacute;ximo de for&ccedil;as portuguesas poss&iacute;vel. O ataque servia tamb&eacute;m para demonstrar aos africanos que os alem&atilde;es detinham o melhor ex&eacute;rcito na regi&atilde;o. Baseado em documenta&ccedil;&atilde;o de arquivo, o autor refere uma reuni&atilde;o entre Franke e o tenente-coronel Von Heydebreck, comandante das for&ccedil;as alem&atilde;s, em que consideravam essencial atacar as tropas portuguesas porque mais tarde ou mais cedo iriam atacar o Sudoeste Africano. Volker Lohse, que escreveu o pref&aacute;cio desta obra, considera que a expedi&ccedil;&atilde;o de Franke teve intuito de defender a honra dos alem&atilde;es mortos e tamb&eacute;m prevenir que fosse aberta uma nova frente no Norte da col&oacute;nia<sup><a href="#13">13</a></sup><a name="top13"></a>. Moreira dos Santos, militar que participou no combate em Naulila, d&aacute;-nos uma outra importante pista para ancorar o nosso argumento ao referir o testemunho do m&eacute;dico alem&atilde;o da for&ccedil;a de Franke. Publicado num jornal de Windhoek, o Dr. Walter Suhiez refere que devido ao fogo inesperado de que estavam a ser alvo, os alem&atilde;es tinham que atuar com rapidez porque o insucesso do ataque a Naulila representava a ru&iacute;na e a destrui&ccedil;&atilde;o de todo o seu pequeno ex&eacute;rcito<sup><a href="#14">14</a></sup><a name="top14"></a>.</p>     <p>Assim sendo, o risco corrido com o ataque a Naulila n&atilde;o se enquadra no tipo de uma opera&ccedil;&atilde;o executada meramente para vingar a morte de outros militares. Por conseguinte, consideramos que a a&ccedil;&atilde;o alem&atilde; deve ser vista como um ataque preemptivo para desorganizar qualquer tentativa portuguesa de apoiar os ingleses a partir do Sul de Angola. Temos consci&ecirc;ncia de que o termo &eacute; anacr&oacute;nico para este importante acontecimento hist&oacute;rico, mas tamb&eacute;m n&atilde;o desvirtua a sua ess&ecirc;ncia. O nosso argumento baseia-se em dois importantes pontos de refer&ecirc;ncia: 1) a defini&ccedil;&atilde;o de ataque preemptivo, que se refere &agrave; utiliza&ccedil;&atilde;o de for&ccedil;a militar contra um ataque inimigo que est&aacute; em prepara&ccedil;&atilde;o ou iminente<sup><a href="#15">15</a></sup><a name="top15"></a>; 2) e no entendimento do governador-geral do Sudoeste Africano de que Portugal se tinha decidido pela beliger&acirc;ncia ao lado dos brit&acirc;nicos, tendo enviado uma expedi&ccedil;&atilde;o para o Sul de Angola para obrigar os alem&atilde;es a combater em duas frentes.</p>     <p>O in&iacute;cio da guerra na Europa criou uma inquietude generalizada junto dos alem&atilde;es do Sudoeste Africano, porque se sentiam inseguros pela presen&ccedil;a brit&acirc;nica na &Aacute;frica Austral e controlo do Atl&acirc;ntico, e pelo facto de Portugal, apesar de neutral, ser um aliado brit&acirc;nico. Era necess&aacute;rio saber se os portugueses se colocariam ao lado dos brit&acirc;nicos ou se mantinham a neutralidade, uma vez que, para al&eacute;m de poderem ser completamente isolados, necessitavam da manuten&ccedil;&atilde;o das suas linhas de comunica&ccedil;&otilde;es com Angola, de onde recebiam importantes quantidades de abastecimentos<sup><a href="#16">16</a></sup><a name="top16"></a>. A expans&atilde;o da guerra a &Aacute;frica tinha sido decidida pela Gr&atilde;-Bretanha, colocando de lado o seu compromisso datado da Confer&ecirc;ncia de Berlim de 1885, que estabelecia que os territ&oacute;rios ao sul do Congo n&atilde;o deveriam ser campos de batalha das pot&ecirc;ncias coloniais europeias<sup><a href="#17">17</a></sup><a name="top17"></a>. A decis&atilde;o brit&acirc;nica deixava os colonos alem&atilde;es numa situa&ccedil;&atilde;o delicada devido &agrave;s assimetrias de poder em rela&ccedil;&atilde;o aos brit&acirc;nicos, ditada por quest&otilde;es geogr&aacute;ficas e de efetivos militares em &Aacute;frica. Por&eacute;m, os alem&atilde;es consideravam que o futuro das suas col&oacute;nias se decidiria no campo de batalha europeu, onde esperavam uma r&aacute;pida vit&oacute;ria sobre a Fran&ccedil;a. Em &Aacute;frica, s&oacute; havia que evitar que os brit&acirc;nicos alcan&ccedil;assem a vit&oacute;ria antes da decis&atilde;o na Europa.</p>     <p>Assim, n&atilde;o &eacute; de estranhar que no Sudoeste Africano alem&atilde;o a estrat&eacute;gia militar tivesse como objetivo ganhar o m&aacute;ximo de tempo poss&iacute;vel, um aspecto que assumia ainda maior import&acirc;ncia desde que Louis Botha, o primeiro-ministro da Uni&atilde;o da &Aacute;frica do Sul, decidiu apoiar os brit&acirc;nicos. O seu conceito gen&eacute;rico orientava-se no esfor&ccedil;o de defesa a sul para poder ganhar o m&aacute;ximo de tempo poss&iacute;vel, explorando a dimens&atilde;o e aridez do deserto e em assegurar como &uacute;ltimo reduto defensivo a zona norte do territ&oacute;rio<sup><a href="#18">18</a></sup><a name="top18"></a>. Por essa raz&atilde;o, garantir que o flanco norte estava livre de amea&ccedil;as s&eacute;rias era uma importante miss&atilde;o para o sucesso dessa estrat&eacute;gia.</p>     <p>Os efetivos envolvidos diretamente no combate em Naulila, cerca de 1500 portugueses e cerca de 600 por parte dos alem&atilde;es, s&atilde;o pouco relevantes em compara&ccedil;&atilde;o com os padr&otilde;es do teatro de guerra europeu, podendo induzir-nos em erro ao considerar que o combate em Naulila foi um acontecimento meramente t&aacute;tico. Contudo, h&aacute; evid&ecirc;ncias de que isso n&atilde;o correspondeu &agrave; import&acirc;ncia que ambos lhe conferiram por duas raz&otilde;es principais. Em primeiro lugar, os contingentes eram comandados por dois oficiais de grande prest&iacute;gio, alcan&ccedil;ado em opera&ccedil;&otilde;es anteriores, e conhecedores do teatro africano. Em segundo lugar, os meios envolvidos representavam um enorme esfor&ccedil;o para ambos. Para os portugueses, com uma d&eacute;bil situa&ccedil;&atilde;o econ&oacute;mica e financeira, manter Angola livre das incurs&otilde;es alem&atilde;s e da sua influ&ecirc;ncia sobre as popula&ccedil;&otilde;es era uma prioridade estrat&eacute;gica na manuten&ccedil;&atilde;o da soberania na col&oacute;nia. Para os alem&atilde;es do Sudoeste Africano, que na altura estavam empenhados numa guerra contra os sul-africanos e brit&acirc;nicos na fronteira sul, a opera&ccedil;&atilde;o sobre Naulila representava um elevado risco do ponto de vista estrat&eacute;gico-militar, ao desviar importantes recursos da sua linha defensiva principal. Em 1914, a &Aacute;frica do Sul tinha um efetivo que rondava os 40 mil militares, enquanto o total de tropas coloniais alem&atilde;s, as Schutztr&uuml;ppen, em todas as col&oacute;nias n&atilde;o ultrapassava os sete mil. No Sudoeste Africano alem&atilde;o, em agosto de 1914, n&atilde;o ultrapassavam os dois mil efetivos divididos e organizados em nove companhias<sup><a href="#19">19</a></sup><a name="top19"></a>. Tendo em considera&ccedil;&atilde;o que os alem&atilde;es tinham obtido informa&ccedil;&otilde;es de que Portugal estava a mobilizar meios para Angola, nomeadamente atrav&eacute;s dos jornais portugueses, n&atilde;o poderiam correr o risco de perder o seu reduto defensivo nem ter de combater em duas frentes.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>O COMBATE EM &Aacute;FRICA</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Desde meados do s&eacute;culo XIX que a participa&ccedil;&atilde;o de for&ccedil;as europeias em guerras em &Aacute;frica era um fen&oacute;meno recorrente. Eram levadas a cabo contra nativos e as suas a&ccedil;&otilde;es eram essencialmente limitadas em termos geogr&aacute;ficos e temporais, tendo como finalidade prim&aacute;ria a imposi&ccedil;&atilde;o da autoridade colonial. Contudo, o in&iacute;cio da escalada em &Aacute;frica logo no ver&atilde;o de 1914, opondo os alem&atilde;es &agrave; Gr&atilde;-Bretanha no Togoland, viria rapidamente a mudar esse padr&atilde;o. As for&ccedil;as militares que as pot&ecirc;ncias coloniais utilizaram em &Aacute;frica durante a Primeira Guerra Mundial eram compostas por unidades mistas de africanos e europeus, colonos ou mobilizados das metr&oacute;poles. Pela especificidade das suas miss&otilde;es, que iam muito para al&eacute;m do seu emprego linear e tradicional dos padr&otilde;es do in&iacute;cio do s&eacute;culo XX, aquelas tinham de se adaptar em termos de estrutura, de composi&ccedil;&atilde;o, de armamento e <i>modus operandi</i>. As unidades tendiam a ser de baixo escal&atilde;o, com armamento essencialmente ligeiro e com t&aacute;ticas que tinham de fomentar a iniciativa dos comandantes subalternos, uma vez que podiam dispersar-se e cumprir miss&otilde;es independentes.</p>     <p>Apesar de se poder considerar o teatro africano como secund&aacute;rio no desfecho da guerra, o n&uacute;mero de efetivos envolvidos em opera&ccedil;&otilde;es pelas principais pot&ecirc;ncias coloniais (Gr&atilde;-Bretanha, Alemanha, Fran&ccedil;a e Portugal) foi muito elevado. Cerca de dois milh&otilde;es de africanos foram mobilizados para combater ou para exercer outras fun&ccedil;&otilde;es, essencialmente de carregadores, tendo cerca de 200 mil perecido em a&ccedil;&atilde;o ou por doen&ccedil;a<sup><a href="#20">20</a></sup><a name="top20"></a>.</p>     <p>Tomando como refer&ecirc;ncia o teatro europeu, o n&uacute;mero de mortos em combate em &Aacute;frica foi relativamente baixo. Por&eacute;m, as perdas derivadas da doen&ccedil;a e da m&aacute; nutri&ccedil;&atilde;o podem contabilizar-se em dezenas de milhares<sup><a href="#21">21</a></sup><a name="top21"></a>. O caso portugu&ecirc;s &eacute; paradigm&aacute;tico, uma vez que envolveu for&ccedil;as em ambos os teatros. Assim, apesar de as v&aacute;rias fontes n&atilde;o serem precisas, em Angola o n&uacute;mero de mortos pode ser contabilizado em 648 por doen&ccedil;a e 237 em combate, o que, num total de 3009 efetivos empenhados na expedi&ccedil;&atilde;o comandada por Alves Ro&ccedil;adas, corresponde a 29 por cento. No caso de Mo&ccedil;ambique (1914-1917), os n&uacute;meros s&atilde;o de 2633 mortos em combate e de 2214 por doen&ccedil;a, o que num total empenhado de cerca de 11 961 efetivos corresponde a 40 por cento do total, sendo por essa raz&atilde;o n&uacute;meros muito significativos<sup><a href="#22">22</a></sup><a name="top22"></a>. Se compararmos com os dados relativos &agrave; Flandres, os n&uacute;meros s&atilde;o ainda mais impressionantes, uma vez que o n&uacute;mero de mortos em combate, doen&ccedil;a e por acidente atingiu os 2086, num total mobilizado de 55 165, o que perfaz cerca de quatro por cento<sup><a href="#23">23</a></sup><a name="top23"></a>. Para o n&uacute;mero de baixas em Angola e em Mo&ccedil;ambique em muito contribu&iacute;ram as condi&ccedil;&otilde;es em que as opera&ccedil;&otilde;es eram levadas a cabo, como a falta de higiene, doen&ccedil;as end&eacute;micas, falta de &aacute;gua e a deficiente alimenta&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>Com a falta de estradas, a quase nula densidade populacional em largas parcelas dos territ&oacute;rios e sendo a guerra em &Aacute;frica um empreendimento de unidades de baixo escal&atilde;o, o desafio principal que se colocava aos comandantes n&atilde;o era derrotar o inimigo, mas localiz&aacute;-lo. Muito do sucesso das opera&ccedil;&otilde;es dependia da capacidade das unidades e elementos dedicados ao reconhecimento e &agrave; seguran&ccedil;a, bem como da capacidade em estabelecer liga&ccedil;&atilde;o entre os elementos dispersos pelo campo de batalha.</p>     <p>Um outro aspecto decisivo a ter em conta era o esfor&ccedil;o log&iacute;stico necess&aacute;rio, mesmo para unidades de escal&atilde;o companhia com cerca de 150 homens. Se considerarmos como refer&ecirc;ncia uma ra&ccedil;&atilde;o di&aacute;ria de 1,5 quilos e o peso m&aacute;ximo de transporte de 30 quilos por homem, uma miss&atilde;o com dez dias de marcha obrigava a ter tantos carregadores como soldados combatentes. Uma marcha de tr&ecirc;s semanas equivalia ao consumo do total do peso transportado por cada carregador. Assim, o comandante encontrava-se perante o dilema entre optar por alimenta&ccedil;&atilde;o ou por outros abastecimentos essenciais ao combate, como por exemplo muni&ccedil;&otilde;es. Um batalh&atilde;o de infantaria em deslocamento para o combate podia ter uma profundidade da coluna superior &agrave; de uma divis&atilde;o em forma&ccedil;&atilde;o t&iacute;pica de ataque no teatro de opera&ccedil;&otilde;es no Centro da Europa. As infraestruturas rodovi&aacute;rias, ferrovi&aacute;rias e portu&aacute;rias eram &iacute;nfimas para a extens&atilde;o dos territ&oacute;rios. O transporte por via-f&eacute;rrea tinha chegado ao <i>hinterland </i>africano apenas no final do s&eacute;culo XIX e as estradas eram desadequadas para o movimento de qualquer tipo de viaturas. Por essa raz&atilde;o, era necess&aacute;rio estabelecer uma liga&ccedil;&atilde;o efetiva entre as bases log&iacute;sticas e a frente de combate baseada em carregadores e em <i>&eacute;tapes</i>. Para aumentar a complexidade no apoio log&iacute;stico, contribu&iacute;a tamb&eacute;m o facto de as for&ccedil;as coloniais estarem normalmente equipadas com armamento antiquado e n&atilde;o padronizado, com v&aacute;rios tipos de armas e calibres, uma vez que n&atilde;o era prov&aacute;vel o empenhamento entre pot&ecirc;ncias coloniais e aquelas eram suficientemente dissuasoras contra os nativos.</p>     <p>Assim, pelas raz&otilde;es expressas acima, o combate em &Aacute;frica era essencialmente um empreendimento da infantaria apoiada por unidades de metralhadoras, que eram a arma pesada mais disseminada pela frente de combate e era excecionalmente adequada a escaramu&ccedil;as entre for&ccedil;as de reconhecimento e seguran&ccedil;a e unidades de baixo escal&atilde;o. Apesar de muito proveitosas em espa&ccedil;o aberto ou com vegeta&ccedil;&atilde;o dispersa, praticamente n&atilde;o havia pe&ccedil;as de artilharia para al&eacute;m da artilharia ligeira utilizada na montanha. O seu deslocamento e sustenta&ccedil;&atilde;o log&iacute;stica tornavam quase imposs&iacute;vel a sua utiliza&ccedil;&atilde;o em tempo oportuno.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>O CONTEXTO ESTRAT&Eacute;GICO</b></p>     <p>Desde finais do s&eacute;culo XIX que pairavam amea&ccedil;as reais sobre as duas col&oacute;nias portuguesas mais importantes em &Aacute;frica (Angola e Mo&ccedil;ambique) devido &agrave;s negocia&ccedil;&otilde;es anglo-germ&acirc;nicas que supunham a sua expans&atilde;o &agrave; sua custa. Este objetivo estava &agrave; partida facilitado porque n&atilde;o reconheciam a Portugal a capacidade para manter uma presen&ccedil;a efetiva nem potencial para os defender. Assim, no in&iacute;cio da Primeira Guerra Mundial, sob o ponto de vista das autoridades portuguesas, a problem&aacute;tica relacionada com a manuten&ccedil;&atilde;o do Imp&eacute;rio em &Aacute;frica deve ser entendida em duas dimens&otilde;es distintas.</p>     <p>Numa primeira dimens&atilde;o, deve-se ter em conta a desconfian&ccedil;a natural que os portugueses nutriam pela Gr&atilde;-Bretanha devido aos acordos anglo-germ&acirc;nicos de 1913 para divis&atilde;o das col&oacute;nias portuguesas, como moeda de troca de Londres para evitar a expans&atilde;o da marinha de guerra germ&acirc;nica. Na realidade, os per&iacute;odos de tens&atilde;o decorrentes da rivalidade naval anglo-germ&acirc;nica dos anos anteriores davam lugar a uma melhoria de rela&ccedil;&otilde;es devido &agrave; possibilidade de partilha dos territ&oacute;rios portugueses. Era assumido que a desintegra&ccedil;&atilde;o dos territ&oacute;rios portugueses na &Aacute;frica Austral era uma quest&atilde;o de tempo e a Gr&atilde;-Bretanha seria a herdeira natural<sup><a href="#24">24</a></sup><a name="top24"></a>.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Numa segunda dimens&atilde;o, a amea&ccedil;a aos territ&oacute;rios apresentava-se pela concretiza&ccedil;&atilde;o da beliger&acirc;ncia com as for&ccedil;as alem&atilde;s em Angola e em Mo&ccedil;ambique.</p>     <p>No in&iacute;cio de 1914 a Europa parecia repousar num per&iacute;odo de calma e tranquilidade que em nada faria supor o in&iacute;cio de uma guerra de propor&ccedil;&otilde;es mundiais. Os alem&atilde;es tentaram at&eacute; um compromisso com as outras pot&ecirc;ncias coloniais para que uma guerra eventual na Europa n&atilde;o implicasse o envolvimento de for&ccedil;as do continente africano<sup><a href="#25">25</a></sup><a name="top25"></a>.</p>     <p>Por&eacute;m, o ataque brit&acirc;nico ao Togoland, que acabou com a destrui&ccedil;&atilde;o do posto r&aacute;dio alem&atilde;o, evidenciou que a guerra iria ter o seu teatro africano, com sequelas nos Camar&otilde;es, &Aacute;frica Oriental e &Aacute;frica Ocidental, em que os territ&oacute;rios portugueses poderiam facilmente ser envolvidos. Quando as not&iacute;cias da crise de julho de 1914 chegaram &agrave;s popula&ccedil;&otilde;es brancas em &Aacute;frica, n&atilde;o foram celebradas de forma efusiva em apoio dos respetivos governos na Europa. Os colonos africanos consideravam que o seu papel era essencial no controlo dos territ&oacute;rios, das popula&ccedil;&otilde;es negras e a sua explora&ccedil;&atilde;o econ&oacute;mica, ficando o seu futuro em perigo no continente com a possibilidade de uma guerra que opusesse os brancos em &Aacute;frica<sup><a href="#26">26</a></sup><a name="top26"></a>.</p>     <p>Para al&eacute;m das quest&otilde;es pol&iacute;ticas internas e da grave crise financeira, o caso portugu&ecirc;s era no entanto mais complexo devido &agrave; rivalidade entre brit&acirc;nicos e alem&atilde;es e ao papel que Angola e Mo&ccedil;ambique podiam desempenhar nas suas rela&ccedil;&otilde;es. A diplomacia portuguesa lidava com uma evidente contradi&ccedil;&atilde;o em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; Gr&atilde;&#8209;Bretanha, que por um lado se manifestava como o garante da soberania portuguesa sobre as col&oacute;nias, e, por outro, j&aacute; se tinha mostrado disposta a sacrificar a alian&ccedil;a secular com Portugal para amenizar a tens&atilde;o com Berlim a troco da divis&atilde;o das col&oacute;nias portuguesas<sup><a href="#27">27</a></sup><a name="top27"></a>. Em Angola entrecruzavam-se as din&acirc;micas decorrentes da desconfian&ccedil;a em rela&ccedil;&atilde;o aos brit&acirc;nicos e da rivalidade anglo-germ&acirc;nica com a necessidade de o Governo portugu&ecirc;s demonstrar a sua autoridade junto &agrave; col&oacute;nia alem&atilde; do Sudoeste Africano, que tinha fronteiras mal definidas com Angola e que era local prop&iacute;cio para constantes incurs&otilde;es germ&acirc;nicas, de &acirc;mbito pol&iacute;tico, econ&oacute;mico e militar.</p>     <p>Em meados de setembro de 1914, algumas for&ccedil;as sul-africanas invadem o Sudoeste Africano em apoio &agrave; Gr&atilde;-Bretanha. A partir desse momento, a fronteira sul passou a ser a principal preocupa&ccedil;&atilde;o em Windhoek.</p>     <p>Os brit&acirc;nicos pretendiam o envolvimento militar sul-africano no Sudoeste Africano para se apoderarem dos portos e das esta&ccedil;&otilde;es r&aacute;dio existentes no territ&oacute;rio, consolidando uma rela&ccedil;&atilde;o mais pr&oacute;xima com o Imp&eacute;rio Brit&acirc;nico. O Governo sul-africano, liderado pelo general Louis Botha, assumiu o &oacute;nus da campanha militar contra os alem&atilde;es para demonstrar a sua capacidade e autonomia em rela&ccedil;&atilde;o a Londres, deixando tamb&eacute;m um claro sinal que o seu pa&iacute;s podia aspirar &agrave; incorpora&ccedil;&atilde;o de todos os territ&oacute;rios sob dom&iacute;nio brit&acirc;nico na &Aacute;frica Austral: Bechuanal&acirc;ndia, Rod&eacute;sia do Sul e Niassal&acirc;ndia<sup><a href="#28">28</a></sup><a name="top28"></a>. Em agosto de 1914, a decis&atilde;o de Botha em apoiar a coroa brit&acirc;nica viria a dar origem a uma rebeli&atilde;o de afric&acirc;nderes, que acabou por ser controlada pelas for&ccedil;as pol&iacute;ticas e militares leais ao Governo, mas que durou at&eacute; janeiro de 1915<sup><a href="#29">29</a></sup><a name="top29"></a>. A revolta dos b&oacute;eres, liderada por Maritz, tinha como objetivo derrubar o Governo de Botha, tendo conseguido agregar um consider&aacute;vel n&uacute;mero de revoltosos que tinham lutado contra os brit&acirc;nicos na guerra de 1899-1902. O golpe estava planeado para ser levado a cabo no dia 14 de setembro de 1914, tendo Maritz chegado a solicitar o apoio de Von Heydebreck (comandante das Schutztr&uuml;ppen). O golpe falhou por falta de um plano coerente e de unidade de comando<sup><a href="#30">30</a></sup><a name="top30"></a>.</p>     <p>A revolta fez com que os sul-africanos interrompessem as opera&ccedil;&otilde;es de grande envergadura entre setembro e dezembro de 1914. Por&eacute;m, em julho de 1915 os alem&atilde;es rendem-se completamente isolados pelas for&ccedil;as da Uni&atilde;o da &Aacute;frica do Sul. A derrota alem&atilde; no Sudoeste Africano alterou significativamente o contexto estrat&eacute;gico na regi&atilde;o. A Gr&atilde;-Bretanha refor&ccedil;ou o controlo das rotas mar&iacute;timas no Atl&acirc;ntico Sul e refor&ccedil;ou a sua liga&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica com a Uni&atilde;o depois do turbilh&atilde;o pol&iacute;tico resultado da guerra com os b&oacute;eres. A Uni&atilde;o da &Aacute;frica do Sul alargava a sua fronteira ao Sul de Angola e substitu&iacute;a a col&oacute;nia alem&atilde;<sup><a href="#31">31</a></sup><a name="top31"></a>.</p>     <p>Foi no per&iacute;odo entre o in&iacute;cio das revoltas afric&acirc;nderes de agosto de 1914 e o rein&iacute;cio das ofensivas da Uni&atilde;o da &Aacute;frica do Sul sobre o Sudoeste Africano, que as tropas portuguesas, lideradas pelo tenente-coronel Alves Ro&ccedil;adas, iriam enfrentar as for&ccedil;as alem&atilde;s e ocupar um lugar central na gesta da participa&ccedil;&atilde;o de Portugal na Primeira Guerra Mundial.</p>     <p>Dado o contexto estrat&eacute;gico em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s pretens&otilde;es anglo-germ&acirc;nicas de finais do s&eacute;culo xix e do acordo de 1913, a maior amea&ccedil;a ao Sul de Angola advinha da fraca implanta&ccedil;&atilde;o administrativa e militar. No in&iacute;cio do s&eacute;culo XX, apenas cerca de 20 por cento do territ&oacute;rio angolano estava controlado pelas autoridades portuguesas, o que tinha sido conseguido &agrave; custa de sangrentas campanhas de pacifica&ccedil;&atilde;o. A &uacute;ltima, antes do in&iacute;cio da Primeira Guerra Mundial, tinha sido liderada por Alves Ro&ccedil;adas em 1907 na regi&atilde;o do Cuamato. Por essa raz&atilde;o, n&atilde;o &eacute; de estranhar que no Sul de Angola, devido &agrave; fraca implanta&ccedil;&atilde;o militar e administrativa, houvesse uma sensa&ccedil;&atilde;o de inseguran&ccedil;a junto das popula&ccedil;&otilde;es brancas, n&atilde;o s&oacute; em rela&ccedil;&atilde;o aos nativos, mas tamb&eacute;m em rela&ccedil;&atilde;o aos alem&atilde;es do Sudoeste Africano que percorriam a regi&atilde;o sem grande interfer&ecirc;ncia das autoridades portuguesas.</p>     <p>Para acesso do Norte da col&oacute;nia ao mar, aos alem&atilde;es convinha uma liga&ccedil;&atilde;o ao porto de Mo&ccedil;&acirc;medes, que era o menos distante e n&atilde;o estava controlado pelos brit&acirc;nicos. Desde o final do s&eacute;culo XIX que a ba&iacute;a dos Tigres em Angola tinha sido considerada como porto essencial para liga&ccedil;&atilde;o a uma linha transafricana para ligar o Sudoeste Africano ao Transvaal e a Louren&ccedil;o Marques, de modo a facilitar o com&eacute;rcio alem&atilde;o entre o Atl&acirc;ntico e o &Iacute;ndico<sup><a href="#32">32</a></sup><a name="top32"></a>.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A fraca implanta&ccedil;&atilde;o administrativa, militar e a extens&atilde;o da fronteira sul de Angola faziam com que o territ&oacute;rio estivesse &agrave; merc&ecirc; de incurs&otilde;es militares, econ&oacute;micas e pol&iacute;ticas. No in&iacute;cio de 1900, o ent&atilde;o capit&atilde;o Victor Franke, que mais tarde comandaria as for&ccedil;as alem&atilde;s na opera&ccedil;&atilde;o contra a guarni&ccedil;&atilde;o de Naulila, liderou uma a&ccedil;&atilde;o de reconhecimento at&eacute; &agrave; regi&atilde;o do Humbe. Em 1901, uma outra miss&atilde;o de reconhecimento foi levada a cabo at&eacute; &agrave; regi&atilde;o do Cuamato<sup><a href="#33">33</a></sup><a name="top33"></a>. Em 1902, um <i>raid </i>alem&atilde;o com uma for&ccedil;a de 40 homens ultrapassou o rio Cunene at&eacute; ao porto da Jamba, regi&atilde;o ainda livre de ocupa&ccedil;&atilde;o portuguesa. Tamb&eacute;m as miss&otilde;es e os comerciantes alem&atilde;es estendiam a sua rede de interesses na regi&atilde;o sul de Angola. A popula&ccedil;&atilde;o cuanhama (regi&atilde;o do Cuamato), que resistia aos esfor&ccedil;os de pacifica&ccedil;&atilde;o e ocupa&ccedil;&atilde;o dos portugueses, tinha uma rela&ccedil;&atilde;o muito pr&oacute;xima com os alem&atilde;es, por quem era munida de armamento e incentivada a n&atilde;o aceitar a administra&ccedil;&atilde;o portuguesa.</p>     <p>A cria&ccedil;&atilde;o da companhia Angola Bund confirmava o interesse econ&oacute;mico e pol&iacute;tico alem&atilde;o na col&oacute;nia portuguesa. Em 1913 foi estabelecido o consulado-geral da Alemanha em Luanda e foi selado um acordo comercial para abrir os portos angolanos aos alem&atilde;es. Foi criada uma comiss&atilde;o cient&iacute;fica conjunta luso-alem&atilde; para estudos no Sul de Angola, que permitia a livre circula&ccedil;&atilde;o dos seus membros, embora acompanhados pela delega&ccedil;&atilde;o portuguesa<sup><a href="#34">34</a></sup><a name="top34"></a>. O vice-c&ocirc;nsul da Alemanha era considerado uma esp&eacute;cie de ponta de lan&ccedil;a do interesse alem&atilde;o na regi&atilde;o, dada a sua atividade pol&iacute;tica, comercial e militar na regi&atilde;o sul de Angola a pretexto do reabastecimento da col&oacute;nia junto da fronteira. Desde o in&iacute;cio de 1914 que era comum o movimento de comerciantes e outros cidad&atilde;os origin&aacute;rios do Sudoeste Africano, que os portugueses consideravam como os elementos mais avan&ccedil;ados de uma a&ccedil;&atilde;o militar no Sul de Angola<sup><a href="#35">35</a></sup><a name="top35"></a>. H&aacute; tamb&eacute;m que considerar que em 1914 a col&oacute;nia alem&atilde; n&atilde;o dispunha de abastecimentos suficientes para alimentar as suas tropas e popula&ccedil;&otilde;es brancas devido &agrave; fraca produtividade da col&oacute;nia e &agrave; seca extrema que a afetava. Por conseguinte, dependia das linhas de comunica&ccedil;&otilde;es abertas com Angola, especialmente do porto de Mo&ccedil;&acirc;medes, com quem negociava o abastecimento de alimentos e forragens<sup><a href="#36">36</a></sup><a name="top36"></a>.</p>     <p>A hostilidade anglo-germ&acirc;nica no ver&atilde;o de 1914 fez Lisboa temer pela soberania dos seus territ&oacute;rios em &Aacute;frica. Em 8 de setembro, Norton de Matos decretou o estado de s&iacute;tio com a inten&ccedil;&atilde;o de proibir as constantes viola&ccedil;&otilde;es de fronteira no Sul de Angola por alem&atilde;es civis e militares. Como o Governo-Geral de Angola n&atilde;o tinha meios militares e policiais para garantir a seguran&ccedil;a da fronteira, a intensifica&ccedil;&atilde;o de movimentos alem&atilde;es na regi&atilde;o era um claro sinal de problemas futuros. Em 17 de setembro foi o governador Seitz a faz&ecirc;-lo, por considerar que estava rodeado de inimigos, desconfiando que Portugal declararia brevemente guerra &agrave; Alemanha para poder apoiar a Gr&atilde;-Bretanha em &Aacute;frica<sup><a href="#37">37</a></sup><a name="top37"></a>. Poderia n&atilde;o ser prov&aacute;vel um ataque alem&atilde;o de larga escala, mas a falta de meios militares na regi&atilde;o dava tamb&eacute;m oportunidade para que as popula&ccedil;&otilde;es locais sentissem que Portugal n&atilde;o tinha capacidade para as controlar, deitando por terra o resultado das campanhas de pacifica&ccedil;&atilde;o levadas a cabo pelas for&ccedil;as de Alves Ro&ccedil;adas.</p>     <p>O pedido de Sir Edward Grey, ministro dos Neg&oacute;cios Estrangeiros brit&acirc;nico, para que Portugal permanecesse neutral, deixava ao Governo portugu&ecirc;s muitas d&uacute;vidas quanto &agrave; dignidade internacional da Rep&uacute;blica. Apesar de ter a sua garantia de que as col&oacute;nias seriam protegidas pelos brit&acirc;nicos, em agosto de 1914 o Governo portugu&ecirc;s (democr&aacute;tico) decidiu-se pelo envio de uma for&ccedil;a militar para Angola. Tal como os alem&atilde;es, o Governo portugu&ecirc;s considerava que o futuro das col&oacute;nias se decidiria na Flandres. N&atilde;o obstante, era necess&aacute;rio demonstrar capacidade de mobilizar for&ccedil;as, de garantir a autoridade nas col&oacute;nias e provar que poderia ser muito &uacute;til aos aliados. Al&eacute;m do mais, a defesa das col&oacute;nias africanas e a defesa do territ&oacute;rio nacional eram os fatores principais de consenso, pol&iacute;tico e p&uacute;blico, quanto &agrave; participa&ccedil;&atilde;o de Portugal na guerra<sup><a href="#38">38</a></sup><a name="top38"></a>.</p>     <p>Assim, foi decretado o envio de uma for&ccedil;a expedicion&aacute;ria para Angola e Mo&ccedil;ambique. A ordem do ex&eacute;rcito n.&ordm; 19, de 18 de agosto, estabelecia que as miss&otilde;es a desempenhar pelas for&ccedil;as seriam atribu&iacute;das pelos governadores-gerais, uma vez que aquelas eram colocadas &agrave; disposi&ccedil;&atilde;o do Minist&eacute;rio das Col&oacute;nias para guarnecimento de postos fronteiri&ccedil;os e para controlo das popula&ccedil;&otilde;es<sup><a href="#39">39</a></sup><a name="top39"></a>. As instru&ccedil;&otilde;es para o comandante da expedi&ccedil;&atilde;o, emitidas pelo ministro das Col&oacute;nias, tinham como objetivo refor&ccedil;ar o dispositivo militar para fazer face a poss&iacute;veis invas&otilde;es alem&atilde;s, submeter o gentio, poder estar em condi&ccedil;&otilde;es de cooperar com as for&ccedil;as aliadas nas col&oacute;nias, e evitar o inc&oacute;modo pol&iacute;tico de assistir a uma confronta&ccedil;&atilde;o entre alem&atilde;es e brit&acirc;nicos em Angola e Mo&ccedil;ambique sem que Portugal a&iacute; dispusesse de qualquer dispositivo. Al&eacute;m do mais, era tamb&eacute;m deixado claro nas instru&ccedil;&otilde;es que o comandante da expedi&ccedil;&atilde;o deveria envidar todos os esfor&ccedil;os para evitar causar qualquer incidente de car&aacute;cter internacional<sup><a href="#40">40</a></sup><a name="top40"></a>.</p>     <p>Em 11 de setembro de 1914, menos de um m&ecirc;s depois da ordem para se constituir, a for&ccedil;a expedicion&aacute;ria, cujo comando foi atribu&iacute;do ao tenente-coronel Alves Ro&ccedil;adas e que este acumulava com a fun&ccedil;&atilde;o de governador do distrito da Hu&iacute;la, marchava da Rotunda ao cais de embarque, efusivamente saudada pelo enorme n&uacute;mero de pessoas que acorreram ao local. Este era um sinal de que a popula&ccedil;&atilde;o estava ao lado da decis&atilde;o do Governo e do comandante da for&ccedil;a, considerado um her&oacute;i depois do sucesso da campanha dos Cuamatos.</p>     <p>O tempo de prepara&ccedil;&atilde;o da expedi&ccedil;&atilde;o tinha sido excecionalmente curto, mas o Projeto das Opera&ccedil;&otilde;es de Ro&ccedil;adas colocava como miss&atilde;o mais prov&aacute;vel a necessidade de assegurar a ordem p&uacute;blica, ou seja, impor a autoridade administrativa e militar na regi&atilde;o do Cuamato. A possibilidade de ter de garantir a integridade do territ&oacute;rio contra os alem&atilde;es estava baseada em dois cen&aacute;rios poss&iacute;veis. No primeiro, que Ro&ccedil;adas considerou como pouco prov&aacute;vel porque as suas for&ccedil;as estavam empenhadas contra os ingleses, os alem&atilde;es podiam atacar com o intuito de invadir Angola. Na segunda hip&oacute;tese, Ro&ccedil;adas considerava que podia dar-se o caso de a press&atilde;o exercida pelos ingleses a sul obrigar os alem&atilde;es a ter de retirar por Angola, tendo como objetivo prov&aacute;vel a sa&iacute;da pelo porto de Mo&ccedil;&acirc;medes<sup><a href="#41">41</a></sup><a name="top41"></a>. A sua considera&ccedil;&atilde;o em rela&ccedil;&atilde;o ao cen&aacute;rio mais prov&aacute;vel e experi&ecirc;ncia anterior no Cuamato deram-lhe certamente a maior confian&ccedil;a no &ecirc;xito da expedi&ccedil;&atilde;o. Enfrentar for&ccedil;as alem&atilde;s que combatiam em duas frentes facilitaria a defesa da fronteira ao longo do rio Cunene e poderia ser uma enorme ajuda aos brit&acirc;nicos.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>O INCIDENTE DE 18 DE OUTUBRO </b></p>     <p>A for&ccedil;a expedicion&aacute;ria enviada para Angola tinha uma composi&ccedil;&atilde;o e efetivos mais adequada a uma campanha de pacifica&ccedil;&atilde;o do que para lidar com for&ccedil;as militares coloniais regulares alem&atilde;s, as famosas Schutztr&uuml;ppen. Estas eram formadas por colonos brancos, que podiam optar por prestar o servi&ccedil;o em &Aacute;frica em vez da Europa, eram liderados por oficiais tecnicamente bem preparados, e eram refor&ccedil;adas por askaris, tropas nativas bem pagas e com um elevado n&iacute;vel de profici&ecirc;ncia militar quando comparadas com outras tropas ind&iacute;genas<sup><a href="#42">42</a></sup><a name="top42"></a>. Treinadas para atuar em unidades independentes de escal&atilde;o companhia, mais adequadas ao terreno e combate em &Aacute;frica, as Schutztr&uuml;ppen representavam um poderoso advers&aacute;rio para as for&ccedil;as portuguesas.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A somar ao advers&aacute;rio alem&atilde;o, os povos na regi&atilde;o do Cuamato, que nunca tinham sido completamente submetidos pelas autoridades portuguesas, tinham uma enorme influ&ecirc;ncia alem&atilde;. Muitos deles trabalhavam em minas da Damaral&acirc;ndia e lidavam com as miss&otilde;es protestantes alem&atilde;s. Podiam organizar-se em pequenas unidades com cerca de 100 efetivos, conseguindo mobilizar com alguma facilidade cerca de 30 mil efetivos e dispor de armas para cerca de 15 mil. Em combate, podiam desempenhar importantes miss&otilde;es, tendo como t&aacute;tica preferida o envolvimento e o cerco<sup><a href="#43">43</a></sup><a name="top43"></a>, que eram formas de manobra adequadas a enfrentar advers&aacute;rios com for&ccedil;as dispersas ou com grandes intervalos nos seus dispositivos. Por essa raz&atilde;o, tamb&eacute;m n&atilde;o &eacute; de estranhar que a implanta&ccedil;&atilde;o do dispositivo militar na regi&atilde;o fosse baseada em fortes com capacidade de defesa em todas as dire&ccedil;&otilde;es e com espald&otilde;es para armas ligeiras, como era o caso do forte de Naulila.</p>     <p>Como j&aacute; referimos, o in&iacute;cio da a&ccedil;&atilde;o militar em Naulila foi a consequ&ecirc;ncia de um incidente entre uma patrulha alem&atilde; e uma patrulha portuguesa em 18 de outubro de 1914, que redundou na morte de quase todos os alem&atilde;es. Depois de um conjunto de incidentes de fronteira de que tinha resultado o aprisionamento de v&aacute;rios carros de v&iacute;veres alem&atilde;es, em 18 de outubro uma patrulha portuguesa, chefiada pelo alferes Sereno, intercetou um grupo alem&atilde;o liderado por Schultz-Jena, administrador do distrito de Outjo, em territ&oacute;rio angolano.</p>     <p>De acordo com Casimiro, Schultz-Jena disse a Sereno que estava em persegui&ccedil;&atilde;o de um desertor e que pretendia obter autoriza&ccedil;&atilde;o das autoridades portuguesas para entrar em territ&oacute;rio angolano. O alferes Sereno cumpria as determina&ccedil;&otilde;es do governador-geral relativas ao estado de s&iacute;tio decretado nos distritos do Sul de Angola. Apesar de alguma animosidade inicial, a patrulha portuguesa jantou no acampamento alem&atilde;o e no dia seguinte, apesar de algumas desconfian&ccedil;as de parte a parte, ambas seguem para Naulila para se encontrarem com o capit&atilde;o-mor do Cuamato. &Eacute; em Naulila que se precipita a pretexto de mal-entendidos e das desconfian&ccedil;as m&uacute;tuas que redundam na morte de Schultz-Jena e da maior parte dos outros alem&atilde;es. Se por um lado os alem&atilde;es j&aacute; tinham atacado o posto de Mazi&uacute;a no Norte de Mo&ccedil;ambique, por outro, o facto de Shultz-Jena ter em sua posse um exemplar do jornal <i>O S&eacute;culo</i>, que noticiava a expedi&ccedil;&atilde;o de Ro&ccedil;adas, indiciava que os alem&atilde;es desconfiavam da neutralidade portuguesa<sup><a href="#44">44</a></sup><a name="top44"></a>.</p>     <p>De acordo com documenta&ccedil;&atilde;o consultada nos arquivos de Friburgo, na Alemanha, Schultz-Jena liderava um grupo que tinha por miss&atilde;o contactar os comerciantes que abasteciam o seu distrito com v&iacute;veres e para saber qual era o efeito da chegada das for&ccedil;as de Ro&ccedil;adas ao Cunene<sup><a href="#45">45</a></sup><a name="top45"></a>. Apesar de autorizadas as trocas comerciais entre colonos angolanos e alem&atilde;es do Sudoeste Africano, os alem&atilde;es n&atilde;o sabiam exatamente qual era o posicionamento de Portugal em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; guerra. Desconfiavam que Lisboa assumiria uma posi&ccedil;&atilde;o ao lado dos brit&acirc;nicos, o que criava um problema em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s suas linhas de comunica&ccedil;&otilde;es com o exterior, que estavam dependentes de Angola uma vez que a marinha real brit&acirc;nica controlava o Atl&acirc;ntico, e a Gr&atilde;-Bretanha tinha for&ccedil;as nos seus dom&iacute;nios na &Aacute;frica Austral (&Aacute;frica do Sul, Bechuanal&acirc;ndia e Rod&eacute;sia do Sul). As autoridades alem&atilde;s no Sudoeste Africano decidiram a a&ccedil;&atilde;o militar sobre as tropas portuguesas em Naulila logo no dia 25 de outubro, por considerarem que o incidente de outubro foi uma armadilha montada pelos portugueses, que se tinham decidido em lutar ao lado dos brit&acirc;nicos e que abririam a frente norte<sup><a href="#46">46</a></sup><a name="top46"></a>.</p>     <p>Todavia, os alem&atilde;es tentaram ainda uma aproxima&ccedil;&atilde;o pac&iacute;fica, uma vez que sabiam que os seus meios eram demasiado limitados e n&atilde;o pretendiam arriscar desviar for&ccedil;as da frente sul. Assim, depois de receber a not&iacute;cia da morte de Schultz-Jena, o governador do Sudoeste Africano, Theodor Seitz, tentou contactar Norton de Matos, mas n&atilde;o obteve resposta. A 24 de outubro, Seitz recebe um telegrama com a informa&ccedil;&atilde;o de que uma nova for&ccedil;a de cerca de dois mil homens tinha desembarcado em Mo&ccedil;&acirc;medes e que se dirigia &agrave; fronteira alem&atilde;. Como n&atilde;o tinha liga&ccedil;&atilde;o por tel&eacute;grafo com a Alemanha nem conseguia liga&ccedil;&atilde;o com o c&ocirc;nsul em Luanda, Seitz considerou que Portugal estava em guerra com a Alemanha. Matos chegou mesmo a recusar a proposta do c&ocirc;nsul alem&atilde;o em utilizar o tel&eacute;grafo de um navio a vapor estacionado no porto de Luanda para contactar Seitz. Por conseguinte, Seitz reuniu-se com o comandante das Schutztr&uuml;ppen, o tenente-coronel Joachim von Heydebreck, e ficou decidido levar a cabo uma opera&ccedil;&atilde;o militar para prevenir um ataque portugu&ecirc;s e para vingar a morte dos alem&atilde;es que tinham sido alvo de uma armadilha. Por essa raz&atilde;o &eacute; ordenada uma a&ccedil;&atilde;o retaliat&oacute;ria sobre alguns postos ao longo do rio Cunene, um dos quais Cuangar<sup><a href="#47">47</a></sup><a name="top47"></a>. Para os alem&atilde;es tratava-se de uma quest&atilde;o de honra e de prevenir qualquer veleidade portuguesa sobre o Norte do Sudoeste Africano. Tratava-se de aplicar o princ&iacute;pio de que o ataque &eacute; a melhor defesa, apesar de Von Heydebreck apenas considerar a opera&ccedil;&atilde;o se as for&ccedil;as n&atilde;o fossem necess&aacute;rias na frente sul, onde concentravam o seu esfor&ccedil;o defensivo<sup><a href="#48">48</a></sup><a name="top48"></a>.</p>     <p>A morte dos militares alem&atilde;es representava o in&iacute;cio das hostilidades entre os dois pa&iacute;ses em Angola. Al&eacute;m do mais, acontecia num momento em que as for&ccedil;as portuguesas se movimentavam para sul, o que indiciava tamb&eacute;m uma postura ofensiva de Portugal. A rea&ccedil;&atilde;o alem&atilde; n&atilde;o se fez esperar, e em 31 de outubro a guarni&ccedil;&atilde;o do Cuangar foi atacada e massacrada, bem como outros postos ao longo do rio Cunene (Bunja, Sambio, Dirico e Mucusso). Nesse momento, Ro&ccedil;adas, ocupado com as quest&otilde;es pol&iacute;ticas do distrito da Hu&iacute;la, estava a ultimar os preparativos da for&ccedil;a e a refor&ccedil;ar o corpo de auxiliares no Lubango, capital daquele distrito, atrav&eacute;s do recrutamento de nativos locais<sup><a href="#49">49</a></sup><a name="top49"></a>. A for&ccedil;a expedicion&aacute;ria tinha como elemento de manobra principal um batalh&atilde;o de infantaria do Regimento de Infantaria 14 (Viseu). A for&ccedil;a era composta tamb&eacute;m por subunidades de artilharia de montanha, de engenharia e de servi&ccedil;os, com cerca de 1400 homens, aos que se iam juntar as for&ccedil;as na col&oacute;nia colocadas sob o comando de Alves Ro&ccedil;adas<sup><a href="#50">50</a></sup><a name="top50"></a>. Para a sua miss&atilde;o previs&iacute;vel, que era ocupar a regi&atilde;o do Cuamato e estabelecer a seguran&ccedil;a a uma linha de comunica&ccedil;&atilde;o que ligava Quihita &ndash; Gambos &ndash; Cahama &ndash; Forte Ro&ccedil;adas &ndash; Forte Cuamato, a for&ccedil;a dispunha de potencial de combate suficiente, uma vez que Ro&ccedil;adas estava na regi&atilde;o para lidar com problemas derivados de subleva&ccedil;&otilde;es dos nativos e prevenir incurs&otilde;es alem&atilde;s de pequena escala<sup><a href="#51">51</a></sup><a name="top51"></a>.</p>     <p>Contudo, o ataque ao posto de Cuangar apressou o movimento das for&ccedil;as portuguesas para a fronteira sul e a uma altera&ccedil;&atilde;o ao plano de Ro&ccedil;adas, que se v&ecirc; agora obrigado a estabelecer uma linha de defensiva ao longo do Cunene, com ponto forte em Naulila, para evitar uma invas&atilde;o do distrito da Hu&iacute;la e assim controlar os principais itiner&aacute;rios para Mo&ccedil;&acirc;medes, que era o principal porto na regi&atilde;o<sup><a href="#52">52</a></sup><a name="top52"></a>. Apesar do incidente e das repres&aacute;lias sobre Dangoena, Ro&ccedil;adas deu ordens expressas para que n&atilde;o fosse ultrapassada a fronteira com o Sudoeste Africano, amea&ccedil;ando punir quem o fizesse. Na realidade, Ro&ccedil;adas tinha ordens claras de Lisboa para n&atilde;o criar nenhum incidente que levasse ao agudizar das rela&ccedil;&otilde;es com a Alemanha uma vez que Portugal mantinha ainda a sua neutralidade<sup><a href="#53">53</a></sup><a name="top53"></a>.</p>     <p>Depois de v&aacute;rios dias de contactos entre elementos de seguran&ccedil;a portugueses e alem&atilde;es durante os meses de novembro e dezembro, a 18 de dezembro as for&ccedil;as alem&atilde;s atacaram Naulila. Depois de quatro horas de intenso combate, Ro&ccedil;adas deu ordem para retirar e abandonar a posi&ccedil;&atilde;o. Os alem&atilde;es n&atilde;o exploraram o sucesso, pelo que a sua miss&atilde;o n&atilde;o seria a destrui&ccedil;&atilde;o das for&ccedil;as portuguesas, mas a sua expuls&atilde;o da regi&atilde;o, contribuindo para que os ind&iacute;genas se libertassem da administra&ccedil;&atilde;o portuguesa durante algum tempo. O resultado traduziu-se na morte de tr&ecirc;s oficiais, 54 pra&ccedil;as europeus, 12 pra&ccedil;as africanos e mais 76 feridos, para al&eacute;m de terem sido feitos prisioneiros tr&ecirc;s oficiais e 62 pra&ccedil;as. Em termos pol&iacute;ticos e estrat&eacute;gicos, o resultado foi um enorme golpe para Portugal: para al&eacute;m dos aspectos psicol&oacute;gicos, a derrota da for&ccedil;a expedicion&aacute;ria deixou a regi&atilde;o sem presen&ccedil;a militar e obrigou &agrave; mobiliza&ccedil;&atilde;o de uma nova expedi&ccedil;&atilde;o com cerca de 2400 efetivos, agora comandada pelo general Pereira D&rsquo;E&ccedil;a, que era o ministro da Guerra quando Alves Ro&ccedil;adas foi nomeado comandante da for&ccedil;a expedicion&aacute;ria. Para al&eacute;m da falta de recursos, qualidade e prepara&ccedil;&atilde;o das tropas, e disponibilidades log&iacute;sticas, essencialmente alimentos e &aacute;gua devido &agrave; seca que se fazia sentir na regi&atilde;o, a miss&atilde;o de Alves Ro&ccedil;adas ficou ainda mais dificultada pela surpresa do ataque alem&atilde;o. A manobra log&iacute;stica para a campanha, que tinha sido desenhada em Lisboa, adivinhava-se como um obst&aacute;culo quase intranspon&iacute;vel. A falta de capacidade da linha de caminho de ferro de Mo&ccedil;&acirc;medes dificultou a chegada do material pesado em tempo &uacute;til para a regi&atilde;o da Hu&iacute;la; e era necess&aacute;rio movimentar os meios e os homens para sul at&eacute; Forte Cuamato, que distava cerca de 400 quil&oacute;metros da esta&ccedil;&atilde;o de chegada (Vila Arriaga), sem estradas adequadas, com fome, sede e sem animais suficientes para o transporte<sup><a href="#54">54</a></sup><a name="top54"></a>.</p>     <p>Como a defini&ccedil;&atilde;o do objetivo e a forma&ccedil;&atilde;o da for&ccedil;a expedicion&aacute;ria evidenciam, era tomado como altamente prov&aacute;vel que a pacifica&ccedil;&atilde;o dos povos da regi&atilde;o do Cuamato, que n&atilde;o tinham sido ainda controlados, seria uma tarefa relativamente simples e f&aacute;cil, dada a experi&ecirc;ncia de Ro&ccedil;adas na campanha anterior. Por&eacute;m, depois do &laquo;incidente de Naulila&raquo; e da retalia&ccedil;&atilde;o dos alem&atilde;es no Cuangar, Ro&ccedil;adas afigurava como prov&aacute;vel que o pr&oacute;ximo passo alem&atilde;o fosse uma a&ccedil;&atilde;o militar em dire&ccedil;&atilde;o a Porto Alexandre ou a Mo&ccedil;&acirc;medes devido &agrave; sua necessidade de manter abertas linhas de comunica&ccedil;&atilde;o com Angola por causa da press&atilde;o sul-africana a sul. De facto, no momento em que a for&ccedil;a expedicion&aacute;ria desembarca em Mo&ccedil;&acirc;medes e se desloca para o planalto da Hu&iacute;la (outubro de 1914), o grosso das for&ccedil;as alem&atilde;s no Sudoeste Africano estava orientada em opera&ccedil;&otilde;es contra a Uni&atilde;o Sul-Africana e Inglaterra, raz&atilde;o pela qual aos portugueses parecia remota a possibilidade de uma opera&ccedil;&atilde;o militar de envergadura contra Angola. Por essa raz&atilde;o, as a&ccedil;&otilde;es militares alem&atilde;s mais previs&iacute;veis eram entendidas pelos militares portugueses como as necess&aacute;rias para obter informa&ccedil;&otilde;es sobre as inten&ccedil;&otilde;es das tropas portuguesas e instigar &agrave; revolta das popula&ccedil;&otilde;es locais. Todavia, depois do ataque a Cuangar e da intensifica&ccedil;&atilde;o dos contactos entre as patrulhas de ambos os lados, um ataque a Mo&ccedil;&acirc;medes e Porto Alexandre para controlar os itiner&aacute;rios e linha de caminho de ferro tornara-se a principal preocupa&ccedil;&atilde;o do governador-geral de Angola e do governador do distrito de Mo&ccedil;&acirc;medes<sup><a href="#55">55</a></sup><a name="top55"></a>.</p>     <p>Todavia, em termos estrat&eacute;gico-militares, os alem&atilde;es poderiam ter considerado uma a&ccedil;&atilde;o sobre Naulila de forma bem diferente. Em setembro de 1914, uma a&ccedil;&atilde;o ofensiva alem&atilde; em Sandfontein, uma pequena cidade na fronteira com a Uni&atilde;o da &Aacute;frica do Sul, levada a cabo com uma for&ccedil;a 1200 homens, logrou desbaratar uma for&ccedil;a sul-africana de cerca de tr&ecirc;s mil homens, conseguindo capturar a sua guarda avan&ccedil;ada e a maioria do seu comando<sup><a href="#56">56</a></sup><a name="top56"></a>. Esta a&ccedil;&atilde;o, tendo em conta a situa&ccedil;&atilde;o interna motivada pela revolta dos b&oacute;eres, pretendia desorganizar e retirar capacidade ofensiva aos sul-africanos, uma a&ccedil;&atilde;o de elevada import&acirc;ncia estrat&eacute;gico-militar uma vez que o potencial aliado era pelo menos cinco vezes superior. Assim, se considerarmos a posi&ccedil;&atilde;o central dos alem&atilde;es em rela&ccedil;&atilde;o aos seus advers&aacute;rios, interessava levar a cabo a&ccedil;&otilde;es ofensivas desorganizantes, para desgastar e ganhar o m&aacute;ximo de tempo poss&iacute;vel.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>O ATAQUE ALEM&Atilde;O </b></p>     <p>Depois da not&iacute;cia do ataque alem&atilde;o a Cuangar, Ro&ccedil;adas decidiu enviar um destacamento de escal&atilde;o companhia de infantaria (refor&ccedil;ada com uma bateria de artilharia Erhardt e uma bateria de metralhadoras), comandado pelo major Salgado (comandante do batalh&atilde;o de infantaria de Viseu). A miss&atilde;o era manter a sua posi&ccedil;&atilde;o para controlar as passagens no vau do Calueque e vau dos Elefantes (vau do Nangulo), atrav&eacute;s de postos de observa&ccedil;&atilde;o e patrulhas de liga&ccedil;&atilde;o no rio Cunene, e obter informa&ccedil;&otilde;es sobre as for&ccedil;as alem&atilde;s. A maior parte dos relat&oacute;rios elaborados nos postos de observa&ccedil;&atilde;o confirmavam o incremento da presen&ccedil;a de militares alem&atilde;es na regi&atilde;o<sup><a href="#57">57</a></sup><a name="top57"></a>.</p>     <p>A situa&ccedil;&atilde;o evidenciava que uma a&ccedil;&atilde;o ofensiva alem&atilde; parecia estar em marcha, restando saber quando e onde seria levada a cabo. O sistema defensivo das for&ccedil;as portuguesas estava disseminado numa frente de cerca de 30 quil&oacute;metros para cobrir as passagens no rio Cunene e impedir que os alem&atilde;es conseguissem controlar a estrada para Dangoena e a regi&atilde;o do Humbe. A &acirc;ncora desse sistema defensivo era o forte de Naulila que albergava um efetivo aproximado de 600 militares (incluindo cerca de 200 tropas africanas) que era comandado por Alves Ro&ccedil;adas. No Calueque, onde se encontrava o major Salgado, o efetivo rondava os 350 homens. O capit&atilde;o Arag&atilde;o, comandante do 1.&ordm; Esquadr&atilde;o de Cavalaria, estava posicionado junto &agrave; passagem do vau dos Elefantes, podendo servir como for&ccedil;a de balanceamento entre posi&ccedil;&otilde;es devido &agrave; mobilidade da tropa a cavalo. Portanto, face &agrave; miss&atilde;o esperada, o sistema defensivo parecia equilibrado, exceto a dist&acirc;ncia que separava as for&ccedil;as e a dificuldade em transmitir informa&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>Em 25 de novembro, Ro&ccedil;adas recebeu um telegrama do Minist&eacute;rio das Col&oacute;nias a relembrar-lhe que Portugal era um pa&iacute;s neutro, o que contrariava o que se passava no terreno<sup><a href="#58">58</a></sup><a name="top58"></a>. Ora, esta ocorr&ecirc;ncia ter&aacute; deixado Ro&ccedil;adas com muitas d&uacute;vidas quanto aos objetivos de Lisboa, aumentando a confus&atilde;o quanto ao que poderia esperar depois do confronto, se viesse a ter lugar. Isto &eacute;, a situa&ccedil;&atilde;o no terreno era de clara confronta&ccedil;&atilde;o militar, mas Ro&ccedil;adas n&atilde;o podia tomar a iniciativa por condicionamento pol&iacute;tico.</p>     <p>Em 29 de novembro, as informa&ccedil;&otilde;es confirmavam a presen&ccedil;a de for&ccedil;as alem&atilde;s no lado oposto a Ruacana, essencialmente tropas montadas e unidades de metralhadoras. Ro&ccedil;adas acreditava que os alem&atilde;es iriam atacar exercendo o esfor&ccedil;o a oeste, pelo vau dos Elefantes e por Schwartz-boy Drift, raz&atilde;o pela qual tinha ordenado a Salgado a manuten&ccedil;&atilde;o de postos de observa&ccedil;&atilde;o na zona e mantido o potencial de combate, que inclu&iacute;a o 1.&ordm; esquadr&atilde;o do tenente Arag&atilde;o, para bloquear qualquer penetra&ccedil;&atilde;o da&iacute; para o Humbe. Ro&ccedil;adas acreditava que o ataque secund&aacute;rio seria por Naulila uma vez que as estradas e os vaus o indicariam como demasiado &oacute;bvio.</p>     <p>Em 8 de dezembro as for&ccedil;as portuguesas estavam prontas a receber as tropas alem&atilde;s, que eram comandadas pelo major Franke, tamb&eacute;m ele um prestigiado oficial das anteriores campanhas no Sudoeste Africano, com um efetivo que rondava os 500 militares (europeus e africanos) apoiados por seis armas de artilharia e duas metralhadoras. Tal como acontecia com a for&ccedil;a expedicion&aacute;ria portuguesa, a for&ccedil;a alem&atilde; tinha tamb&eacute;m sido constitu&iacute;da <i>ad hoc</i>para essa miss&atilde;o em 18 de outubro<sup><a href="#59">59</a></sup><a name="top59"></a>. &Agrave; medida que o tempo passava, somavam-se os recontros entre patrulhas de ambos os lados. Em 13 de dezembro, os portugueses fazem um prisioneiro que o tenente Arag&atilde;o interroga. As not&iacute;cias recolhidas indiciam que a for&ccedil;a alem&atilde; tinha cerca de 700 efetivos e que a sua miss&atilde;o era vingar os mortos do incidente de Naulila<sup><a href="#60">60</a></sup><a name="top60"></a>. Em primeira inst&acirc;ncia, o objetivo principal de Franke n&atilde;o poderia ser simplesmente uma vingan&ccedil;a, uma vez que era um objetivo demasiado limitado num momento em que os alem&atilde;es combatiam a &Aacute;frica do Sul e n&atilde;o podiam arriscar a perda de efetivos militares.</p>     <p>Um objetivo mais l&oacute;gico a considerar &eacute; que a a&ccedil;&atilde;o ofensiva fosse um instrumento para dissuadir os portugueses a apoiar uma futura opera&ccedil;&atilde;o brit&acirc;nica de grande envergadura a partir de Naulila<sup><a href="#61">61</a></sup><a name="top61"></a>. Alguns elementos podem ter sido tomados em considera&ccedil;&atilde;o por Franke: o forte de Naulila estava a sul do rio Cunene, era facilmente defens&aacute;vel, permitia facilidade de movimentos em dire&ccedil;&atilde;o a sul e era ponto de chegada da &laquo;linha de &eacute;tapes&raquo; (itiner&aacute;rio de reabastecimento desde a Hu&iacute;la); a regi&atilde;o onde se situava o forte tinha fraca ades&atilde;o &agrave; presen&ccedil;a portuguesa, raz&atilde;o pela qual uma derrota militar obrigaria os portugueses a terem de levar a cabo outra campanha na regi&atilde;o, como de facto aconteceu em 1915 com o general Pereira D&rsquo;E&ccedil;a. Isto consumia recursos e tempo, entretanto necess&aacute;rio para orientar o esfor&ccedil;o de defesa alem&atilde;o para sul e para os portos do Atl&acirc;ntico, por onde era tamb&eacute;m poss&iacute;vel um desembarque aliado.</p>     <p>As for&ccedil;as portuguesas em Naulila defendiam um per&iacute;metro com esfor&ccedil;o orientado a sul e com outras posi&ccedil;&otilde;es defensivas ao longo do rio Cunene para controlar os vaus. No dia 18 de dezembro, pelas cinco da madrugada e com o sol pelas costas, os alem&atilde;es atacam ao longo de toda a frente, dificultando aos portugueses a determina&ccedil;&atilde;o do eixo de ataque principal. Este seria em dire&ccedil;&atilde;o &agrave; posi&ccedil;&atilde;o de Naulila, que foi flanqueada e suprimida na sua ala leste, que era guarnecida por tropa ind&iacute;gena que n&atilde;o estava treinada nem preparada para lidar com fogos de supress&atilde;o de artilharia e de metralhadoras, recolhendo-se nas trincheiras sem conseguirem responder eficazmente ao fogo, acabando por abandonar a posi&ccedil;&atilde;o<sup><a href="#62">62</a></sup><a name="top62"></a>. Quatro horas depois do in&iacute;cio do ataque, as for&ccedil;as portuguesas, sem terem conseguido garantir o apoio m&uacute;tuo entre as posi&ccedil;&otilde;es ao longo do rio Cunene, s&atilde;o obrigadas a retirar para norte. Ro&ccedil;adas tentou ainda contra-atacar, mas, sem tropa moralizada e treinada, foi repelido. Restou-lhe a forma&ccedil;&atilde;o de uma guarda de retaguarda para evitar a persegui&ccedil;&atilde;o que, ali&aacute;s, n&atilde;o foi consumada, apesar de a coluna se ter retirado de forma ca&oacute;tica e ser atacada por nativos. Segundo as mem&oacute;rias do major Salgado, depois da retirada generalizada das for&ccedil;as portuguesas de Naulila ao Humbe, os povos da regi&atilde;o puderam considerar-se de novo livres e vingados das anteriores humilha&ccedil;&otilde;es, tendo resultado na retra&ccedil;&atilde;o completa do dispositivo portugu&ecirc;s na regi&atilde;o. Devido &agrave; insurrei&ccedil;&atilde;o generalizada, deixava de ser poss&iacute;vel saber se os alem&atilde;es tinham invadido ou n&atilde;o o territ&oacute;rio do Cuamato<sup><a href="#63">63</a></sup><a name="top63"></a>.</p>     <p>Apesar de os portugueses terem retirado com receio de uma persegui&ccedil;&atilde;o e envolvimento das for&ccedil;as alem&atilde;s, a vit&oacute;ria de Franke esteve sempre em perigo at&eacute; ao abandono das posi&ccedil;&otilde;es portuguesas em Naulila. O efetivo alem&atilde;o n&atilde;o era superior ao que Ro&ccedil;adas tinha empenhado em Naulila, tendo apenas cerca 50 a 60 militares no assalto ao forte, uma vez que as restantes tropas tinham ficado em contacto com os drag&otilde;es e em prote&ccedil;&atilde;o &agrave; base de fogos de artilharia<sup><a href="#64">64</a></sup><a name="top64"></a>. Assim, sabendo que o efetivo dos portugueses no Sul de Angola rondava os 2500 homens, e que os sul-africanos tinham retomado as a&ccedil;&otilde;es ofensivas na frente sul, a a&ccedil;&atilde;o sobre Naulila carregava um enorme risco e que n&atilde;o se coaduna com uma a&ccedil;&atilde;o com o simples objetivo de punir a &laquo;armadilha&raquo; de Naulila de 18 de outubro.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>No dia 19 de dezembro, as tropas de Franke iniciaram a sua retirada, tendo abandonado completamente a posi&ccedil;&atilde;o nesse pr&oacute;prio dia. Franke n&atilde;o explorou o sucesso sobre os portugueses porque n&atilde;o dispunha dos meios suficientes para o fazer nem podia correr mais riscos. Sabia que em breve os sul-africanos podiam desembarcar em Walvis Bay, onde era necess&aacute;rio refor&ccedil;ar o dispositivo defensivo, e assumir o comando das Schutztr&uuml;ppen em Windhoek<sup><a href="#65">65</a></sup><a name="top65"></a>.</p>     <p>Como se depreende, o potencial alem&atilde;o era insuficiente para levar de vencida um sistema defensivo com potencial superior. Por&eacute;m, a dispers&atilde;o das for&ccedil;as portuguesas, a composi&ccedil;&atilde;o das guarni&ccedil;&otilde;es, a falta de treino dos militares portugueses e a precipita&ccedil;&atilde;o de Ro&ccedil;adas em ordenar a retirada, facilitaram a miss&atilde;o do major Franke. A retirada das for&ccedil;as portuguesas teve como consequ&ecirc;ncia direta a inseguran&ccedil;a e o medo junto dos colonos portugueses na regi&atilde;o, uma vez que deu in&iacute;cio a uma sequ&ecirc;ncia de roubos, assassinatos e inc&ecirc;ndios nas instala&ccedil;&otilde;es e culturas por parte de nativos<sup><a href="#66">66</a></sup><a name="top66"></a>. Estava consumada a vit&oacute;ria dos alem&atilde;es em Naulila e, pelo menos durante alguns meses, o flanco norte deixava de ser preocupa&ccedil;&atilde;o, que agora se podiam concentrar na defesa contra a Uni&atilde;o da &Aacute;frica do Sul. Mas o destino dos alem&atilde;es no Sudoeste Africano estava tra&ccedil;ado, uma vez que a superioridade sul-africana e brit&acirc;nica era imposs&iacute;vel de conter. Em julho de 1915, os alem&atilde;es, sendo incapazes de lidar com a magnitude das opera&ccedil;&otilde;es sul-africanas, renderam-se sem saber se a opera&ccedil;&atilde;o sobre Naulila tinha produzido os resultados que pretendiam.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>CONCLUS&Otilde;ES</b></p>     <p>Como se pretendeu evidenciar, o combate representa uma opera&ccedil;&atilde;o t&iacute;pica num teatro africano, envolvendo unidades de baixo escal&atilde;o, com muitas dificuldades log&iacute;sticas e com a&ccedil;&otilde;es de curta dura&ccedil;&atilde;o. A for&ccedil;a expedicion&aacute;ria, formada num curto espa&ccedil;o de tempo, n&atilde;o estava preparada para o combate contra as Schutztr&uuml;ppen, nem para lidar com os rigores do teatro africano. Resta&#8209;nos saber qual era o verdadeiro objetivo alem&atilde;o, mas consideramos que &eacute; pouco l&oacute;gico que tivesse sido uma medida punitiva pelo &laquo;incidente de Naulila&raquo; por quatro raz&otilde;es principais. Em primeiro lugar, o movimento das for&ccedil;as portuguesas era suficientemente amea&ccedil;ador para quem combatia a sul contra brit&acirc;nicos e sul-africanos. Portugal mantinha uma alian&ccedil;a secular com a Gr&atilde;&#8209;Bretanha, o incidente de Naulila tinha sido interpretado como uma armadilha e as not&iacute;cias de desembarques de tropas portuguesas em Mo&ccedil;&acirc;medes criaram nos alem&atilde;es a ideia de que Portugal assumiria uma posi&ccedil;&atilde;o belicosa a partir de Angola. Em segundo lugar, para os alem&atilde;es era demasiado arriscado levar a cabo uma opera&ccedil;&atilde;o militar envolvendo um efetivo consider&aacute;vel, dada a sua despropor&ccedil;&atilde;o em rela&ccedil;&atilde;o aos aliados, apenas como vingan&ccedil;a pelo incidente. Em terceiro lugar, no momento da opera&ccedil;&atilde;o em Naulila, sul-africanos e brit&acirc;nicos estavam preocupados com a rebeli&atilde;o de b&oacute;eres, o que permitia aos alem&atilde;es concentrarem-se em outras partes do territ&oacute;rio. Em quarto lugar, depois de estarem rodeados por for&ccedil;as hostis, os alem&atilde;es n&atilde;o podiam arriscar ficar sem as linhas de comunica&ccedil;&otilde;es a norte nem arriscar que os portugueses pudessem atacar e ocupar o seu reduto defensivo a norte. N&atilde;o se pode esquecer que a estrat&eacute;gia alem&atilde; estava baseada em a&ccedil;&otilde;es disruptivas tirando proveito da profundidade e da aridez do seu territ&oacute;rio para ganhar o tempo necess&aacute;rio at&eacute; que a guerra ficasse decidida na Europa. Depois destas considera&ccedil;&otilde;es, a opera&ccedil;&atilde;o em Naulila poderia ter como objetivo principal proteger temporariamente o flanco norte. Os alem&atilde;es sabiam que se derrotassem ou expulsassem os portugueses do Cuamato as popula&ccedil;&otilde;es contribuiriam tamb&eacute;m para a insurrei&ccedil;&atilde;o generalizada na regi&atilde;o, o que implicava novas expedi&ccedil;&otilde;es e mais tempo.</p>     <p>O resultado t&aacute;tico do combate evidencia uma clara superioridade alem&atilde;, apesar de os meios e os efetivos n&atilde;o serem superiores. Por&eacute;m, a qualidade e a prepara&ccedil;&atilde;o das suas tropas deve ser tomada como um fator para esse sucesso, ao que se deve somar alguns erros do lado dos portugueses, como o caso de ter deixado uma ala completa do per&iacute;metro defensivo ocupado por nativos.</p>     <p>Ambas as for&ccedil;as eram comandadas por oficiais de grande prest&iacute;gio, raz&atilde;o pela qual se deve entender que o que estava em jogo poderia ser mais do que uma simples escaramu&ccedil;a ou combate de n&iacute;vel t&aacute;tico e local, apesar de estas serem as caracter&iacute;sticas das opera&ccedil;&otilde;es em &Aacute;frica.</p>     <p>A retirada das for&ccedil;as de Ro&ccedil;adas implicou o in&iacute;cio de uma nova fase na regi&atilde;o do Cuamato, deitando por terra o esfor&ccedil;o desenvolvido nas d&eacute;cadas anteriores para &laquo;pacificar&raquo; a regi&atilde;o. Apesar de ter entrado em combate com os alem&atilde;es, Portugal s&oacute; entraria oficialmente em guerra com a Alemanha em 9 de mar&ccedil;o de 1916, quando j&aacute; n&atilde;o existia a col&oacute;nia alem&atilde; do Sudoeste Africano. Para qualquer dos contendores, o objetivo estrat&eacute;gico n&atilde;o foi conseguido, apesar de termos de considerar que em rela&ccedil;&atilde;o aos alem&atilde;es a explora&ccedil;&atilde;o estrat&eacute;gica do sucesso t&aacute;tico de Naulila n&atilde;o depender somente da derrota dos portugueses.</p>     <p>A rapidez com que a for&ccedil;a expedicion&aacute;ria portuguesa foi formada e preparada indicia muita imaturidade estrat&eacute;gica. Apesar de a miss&atilde;o pretendida n&atilde;o ter como mais prov&aacute;vel um ataque alem&atilde;o, o objetivo secund&aacute;rio atribu&iacute;do a Ro&ccedil;adas era a oposi&ccedil;&atilde;o ao avan&ccedil;o de quaisquer for&ccedil;as isoladas ou que pretendessem invadir os territ&oacute;rios da col&oacute;nia. Por essa raz&atilde;o, havia que contar com essa possibilidade, havendo aqui alguma falta de iniciativa de Ro&ccedil;adas que pode ter advindo da confus&atilde;o com que encarou as restri&ccedil;&otilde;es em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; n&atilde;o beliger&acirc;ncia de Portugal.</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>BIBLIOGRAFIA</b></p>     <p>AFRICANUS, Historicus &ndash; <i>Der 1. </i><i>Weltkrieg in Deutsch-Sudwestafrika 1914/15: Naulila</i>. 2&ordm; Band. Vorwort von Volker Lohse. Windhoek: Glantz &amp; Gloria Verlag, 2012.</p>     <p>ALMEIDA, Bello de &ndash; <i>Meio S&eacute;culo de Lutas no Ultramar: Subs&iacute;dios para a Hist&oacute;ria das Campanhas do Ex&eacute;rcito Portugu&ecirc;s de Terra e Mar</i>. Lisboa: Sociedade de Geografia de Lisboa, 1937.</p>     <p>ARRIFES, Marco Fortunato &ndash; <i>A Primeira Guerra Mundial na &Aacute;frica Portuguesa: Angola e Mo&ccedil;ambique</i>. Lisboa: Edi&ccedil;&otilde;es Cosmos, 2004.</p>     <p>BAERICKE, Max E. &ndash;<i> Naulila: Erinnerungen eines Zeitgenossen</i>. Swakopmund: Gesellschaft fur Wissenschaftliche Entwicklung und Museum, 1981.</p>     <p>CALDEIRA, Arlindo Manuel (ed.) &ndash; <i>O Sul de Angola no In&iacute;cio do S&eacute;culo XX. Cadernos de Guerra do Coronel Alberto Salgado</i>. Lisboa: Centro de Estudos dos Povos e Culturas de Express&atilde;o Portuguesa da Universidade Cat&oacute;lica Portuguesa, 2001.</p>     <p>CANN, John P. &ndash; &laquo;Angola and the Great War&raquo;. In <i>Small Wars &amp; Insurgencies</i>. Vol. 12, N.&ordm; 1, pp. 144-165.</p>     <p>CASIMIRO, Augusto &ndash; <i>1914 Naulila</i>. Lisboa: Seara Nova, 1922.</p>     <p>CONNAUGHTON, Richard &ndash; &laquo;The First World War in Africa (1914-18)&raquo;. In <i>Small Wars and Insurgencies</i>. 12 (1), pp. 110-113.</p>     <p>COSTA, Gomes da &ndash; <i>A Guerra nas Col&oacute;nias</i>. Lisboa: Artur Brand&atilde;o, 1922.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>D&rsquo;E&Ccedil;A, Ant&oacute;nio J&uacute;lio da Costa Pereira &ndash; <i>Campanha do Sul de Angola em 1914</i>. Lisboa: Ag&ecirc;ncia Geral das Col&oacute;nias, 1919.</p>     <p>FARWELL, Byron &ndash; <i>The Great War in Africa</i>. Nova York: W. W. Norton &amp; Co., 1986.</p>     <p>FERNANDES, Marisa &ndash; &laquo;Mahan, Corbett e o poder naval alem&atilde;o nos desafios do mar no s&eacute;culo xxi&raquo;. <i>In</i> AaVv &ndash; <i>O Reencontro com o Mar no S&eacute;culo XXI</i>. Almada: Escola Naval, 2013.</p>     <p>FRAGA, Lu&iacute;s Alves de &ndash; &laquo;O Servi&ccedil;o de Sa&uacute;de no Corpo Expedicion&aacute;rio Portugu&ecirc;s em Fran&ccedil;a 1916-1918&raquo;. <i>In </i>COMISS&Atilde;O PORTUGUESA DE HIST&Oacute;RIA MILITAR &ndash; <i>Actas X VI Col&oacute;quio de Hist&oacute;ria Militar: O Servi&ccedil;o de Sa&uacute;de Militar na Comemora&ccedil;&atilde;o do IV Centen&aacute;rio dos Irm&atilde;os Hospitaleiros de S. Jo&atilde;o de Deus em Portugal</i>. Lisboa: Comiss&atilde;o Portuguesa de Hist&oacute;ria Militar, 2006, vol. ii.</p>     <p>GUEVARA, Gisela &ndash; <i>As Rela&ccedil;&otilde;es entre Portugal e a Alemanha em torno da &Aacute;frica. Finais do S&eacute;culo XIX e In&iacute;cios do S&eacute;culo XX. </i> Lisboa: Instituto Diplom&aacute;tico/Minist&eacute;rio dos Neg&oacute;cios Estrangeiros, 2006.</p>     <p>GRAY, Colin S. &ndash; <i>The Implications of Preemptive and Preventive War Doctrines: A Reconsideration</i>. Leavenwort: Strategic Studies Institute of the US Army War College, 2007.</p>     <p>KEEGAN, John &ndash; <i>The First World War</i>. Vintage Canada Edition, 2000.</p>     <p>L&rsquo;ANGE, Gerald &ndash; <i>Urgent Imperial Service: South African Forces in German South West Africa , 1914-1915</i>. Rivonia: Ashanti Publishing, 1991.</p>     <p>MARTELO, David &ndash; <i>As M&aacute;goas do Imp&eacute;rio</i>. Mem Martins: Publica&ccedil;&otilde;es Europa-Am&eacute;rica, 1998.</p>     <p>PELISSIER, Ren&eacute; &ndash; <i>Campaignes Militaires au Sud-Angola (1885-1915)</i>. Paris: Cahiers d&rsquo;&Eacute;tudes Africaines, 1969.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>QUESADA, Alejandro de &ndash; <i>Imperial German Colonial and Overseas Troops 1885-1918</i>. Oxford: Osprey Publishing, 2013.</p>     <p>ROCHA, Vieira da &ndash; <i>As Opera&ccedil;&otilde;es Militares em Angola: A Ac&ccedil;&atilde;o da Cavalaria Portuguesa no Sul de Angola em 1914-1915</i>. Lisboa: Imprensa Beleza, 1936.</p>     <p>RO&Ccedil;ADAS, J. A. Alves &ndash; <i>Relat&oacute;rio sobre a Opera&ccedil;&atilde;o no Sul de Angola em 1914</i>. Lisboa: Imprensa Nacional-Casa da Moeda, 1919.</p>     <p>SANTOS, Ernesto Moreira dos &ndash; <i>A Cobi&ccedil;a de Angola: Combate de Naulila, Seus Her&oacute;is e Seus Inimigos, Mem&oacute;rias</i>. Braga: Livraria Cruz, 1957.</p>     <p>SOUTHERN, Paul &ndash; &laquo;German border incursions into Portuguese Angola prior to the First World War&raquo;. In <i>Portuguese Journal of Social Science</i>. Vol. 6, N.&ordm; 1, pp. 3-14.</p>     <p>STRACHAN, Hew &ndash; <i>The First World War in Africa</i>. Oxford: Oxford University Press, 2004.</p>     <p>TEIXEIRA, Nuno Severiano &ndash; <i>O Poder e a Guerra, 1914-1918. Objectivos Nacionais e Estrat&eacute;gias Pol&iacute;ticas na Entrada de Portugal na Grande Guerra</i>. Lisboa: Editorial Estampa, 1996.</p>     <p>TELO, Ant&oacute;nio Jos&eacute; &ndash; <i>Os A&ccedil;ores e o Controlo do Atl&acirc;ntico (1898-1948)</i>. Porto: Edi&ccedil;&otilde;es Asa, 1993.</p>     <p>WARWICK, Rodney C. &ndash; &laquo;The Battle of Sandfontein: the role and legacy of Major-General Sir Henry Timson Lukin&raquo;. In <i>Sciencia Militaria, South African Journal of Military Sudies</i>. 34 (2), pp. 65-92.</p>     <p>ZOLLMANN, Jakob &ndash; &laquo;L&rsquo;affaire Naulilaa entre Portugal et Allemagne, 1914-1933. R&eacute;flexions sur l&rsquo;histoire politique d&rsquo;une sentence arbitrale internationale&raquo;. In <i>Journal of the History of International Law</i>. 15 (2), pp. 201-234.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>FONTES</b></p>     <p>Arquivo Hist&oacute;rico Militar do Estado-Maior do Ex&eacute;rcito</p>     <p>Bundesarchiv-Milit&auml;rarchiv (Freiburg, Alemanha)</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><i>Data de rece&ccedil;&atilde;o: 24 de novembro de 2014 | Data de aprova&ccedil;&atilde;o: 11 de maio de 2015</i></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>NOTAS</b></p>     <p><Sup><a name="1"></a><a href="#top1">1</a></Sup> Este texto foi escrito no &acirc;mbito do Projecto de Investiga&ccedil;&atilde;o &laquo;Tipologia da Conflitualidade e Beliger&acirc;ncia Portuguesa na Grande Guerra&raquo;, da Comiss&atilde;o Portuguesa da Grande Guerra (1914-1918). Quero fazer um agradecimento especial aos meus amigos Philipp Hartmann, Carlos Afonso e Miguel Freire por todo o apoio prestado.</p>     <p><Sup><a name="2"></a><a href="#top2">2</a></Sup> TEIXEIRA, Nuno Severiano &ndash; <i>O Poder e a Guerra, 1914-1918. Objectivos Nacionais e Estrat&eacute;gias Pol&iacute;ticas na Entrada de Portugal na Grande Guerra</i>. Lisboa: Editorial Estampa, 1996.</p>     <p><Sup><a name="3"></a><a href="#top3">3</a></Sup> TELO, Ant&oacute;nio Jos&eacute; &ndash; <i>Os A&ccedil;ores e o Controlo do Atl&acirc;ntico (1898-1948)</i>. Porto: Edi&ccedil;&otilde;es Asa, 1993.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><Sup><a name="4"></a><a href="#top4">4</a></Sup> PELISSIER, Ren&eacute; &ndash; <i>Campaignes Militaires au Sud-Angola (1885-1915)</i>. Paris: Cahiers d&rsquo;&Eacute;tudes Africaines, 1969, pp. 141-142.</p>     <p><Sup><a name="5"></a><a href="#top5">5</a></Sup> SOUTHERN, Paul &ndash; &laquo;German border incursions into Portuguese Angola prior to the First World War&raquo;. In <i>Portuguese Journal of Social Science</i>. Vol. 6, N.&ordm; 1, pp. 3-14; CANN, John P. &ndash; &laquo;Angola and the Great War&rdquo;. In <i>Small Wars &amp; Insurgencies</i>. Vol. 12, N.&ordm; 1, pp. 144-165; ARRIFES, Marco Fortunato &ndash; <i>A Primeira Guerra Mundial na &Aacute;frica Portuguesa: Angola e Mo&ccedil;ambique</i>. Lisboa: Edi&ccedil;&otilde;es Cosmos, 2004.</p>     <p><Sup><a name="6"></a><a href="#top6">6</a></Sup> L&rsquo;ANGE, Gerald &ndash; <i>Urgent Imperial Service: South African Forces in German South West Africa, 1914-1915</i>. Rivonia: Ashanti Publishing, 1991, pp. 170, 174.</p>     <p><Sup><a name="7"></a><a href="#top7">7</a></Sup> Provavelmente, a palavra &laquo;vingan&ccedil;a&raquo; foi extensivamente utilizada pelos alem&atilde;es para motivar as suas for&ccedil;as dadas as condi&ccedil;&otilde;es extremamente dif&iacute;ceis na regi&atilde;o devido &agrave; seca e &agrave; falta de abastecimentos. O capit&atilde;o Jos&eacute; Mendes dos Reis, comandante da 2.&ordf; Bateria do 1.&ordm; Grupo de Metralhadoras, refere que um prisioneiro alem&atilde;o lhe disse que os alem&atilde;es tinham atacado para vingar os seus camaradas mortos pela patrulha do alferes Sereno (Arquivo Hist&oacute;rico Militar do Estado-Maior do Ex&eacute;rcito (doravante AHMEME), 2.&ordf; Div., 2.&ordf; Sec., caixa 21 (23 de Dezembro de 1914) &ndash; Relat&oacute;rio do Comandante da 2.&ordf; Bateria do 1.&ordm; Grupo de Metralhadoras e do destacamento de Naulila.</p>     <p><Sup><a name="8"></a><a href="#top8">8</a></Sup> BAERICKE, Max E. &ndash;<i> Naulila: Erinnerungen eines Zeitgenossen</i>. Swakopmund: Gesellschaft fur Wissenschaftliche Entwicklung und Museum, 1981, pp. 61-82.</p>     <p><Sup><a name="9"></a><a href="#top9">9</a></Sup> CASIMIRO, Augusto &ndash; <i>1914 Naulila</i>. Lisboa: Seara Nova, 1922, p. 108.</p>     <p><Sup><a name="10"></a><a href="#top10">10</a></Sup> ARRIFES, Marco Fortunato &ndash; <i>A Primeira Guerra Mundial na &Aacute;frica Por tuguesa: Angola e Mo&ccedil;ambique</i>, p. 159.</p>     <p><Sup><a name="11"></a><a href="#top11">11</a></Sup> CANN, John P. &ndash; &laquo;Angola and the Great War&raquo;, p. 162.</p>     <p><Sup><a name="12"></a><a href="#top12">12</a></Sup> ZOLLMANN, Jakob &ndash; &laquo;L&rsquo;affaire Naulilaa entre Portugal et Allemagne, 1914-1933. R&eacute;flexions sur l&rsquo;histoire politique d&rsquo;une sentence arbitrale internationale&raquo;. In <i>Journal of the History of International Law</i>. 15 (2013), pp. 212, 203.</p>     <p><Sup><a name="13"></a><a href="#top13">13</a></Sup> AFRICANUS, Historicus &ndash; <i>Der 1. Weltkrieg in Deutsch-Sudwestafrika 1914/15: Naulila</i>. 2&ordm; Band. Vorwort von Volker Lohse. Windhoek: Glantz &amp; Gloria Verlag, 2012, pp. 31-33, 13-14.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><Sup><a name="14"></a><a href="#top14">14</a></Sup> SANTOS, Ernesto Moreira dos &ndash; <i>A Cobi&ccedil;a de Angola: Combate de Naulila, Seus Her&oacute;is e Seus Inimigos, Mem&oacute;rias</i>. Braga: Livraria Cruz, 1957, p. 73.</p>     <p><Sup><a name="15"></a><a href="#top15">15</a></Sup> GRAY, Colin S. &ndash; <i>The Implications of Preemptive and Preventive War Doctrines: A Reconsideration</i>. Leavenworth: Strategic Studies Institute of the US Army War College, 2007, pp. 8-10.</p>     <p><Sup><a name="16"></a><a href="#top16">16</a></Sup> Bundesarchiv-Milit&auml;rarchiv, rh 61-42: Krieg Sudwestafrika, p. 18.</p>     <p><Sup><a name="17"></a><a href="#top17">17</a></Sup>L&rsquo;ANGE, Gerald &ndash; <i>Urgent Imperial Service: South African Forces in German South West Africa, 1914-1915</i>, p. 163.</p>     <p><Sup><a name="18"></a><a href="#top18">18</a></Sup> <i>Ibidem</i>, pp. 158-160; p. 163.</p>     <p><Sup><a name="19"></a><a href="#top19">19</a></Sup> QUESADA, Alejandro de &ndash; <i>Imperial German Colonial and Overseas Troops 18851918</i>. Oxford: Osprey Publishing, 2013, pp. 5, 16; Bundesarchiv-Milit&auml;rarchiv, RH 61-42.</p>     <p><Sup><a name="20"></a><a href="#top20">20</a></Sup> STRACHAN, Hew &ndash; <i>The First World War in Africa</i>. Oxford: Oxford University Press, 2004, p. 3.</p>     <p><Sup><a name="21"></a><a href="#top21">21</a></Sup> CONNAUGHTON, Richard &ndash; &laquo;The First World War in Africa (1914-18)&raquo;. In <i>Small Wars and Insurgencies</i>. 12 (1), p. 113.</p>     <p><Sup><a name="22"></a><a href="#top22">22</a></Sup> Estes n&uacute;meros variam conforme as fontes, mas expressam o resultado da combina&ccedil;&atilde;o dos dados obtidos por Marco Arrifes (ARRIFES, Marco Fortunato &ndash; <i>A Primeira Guerra Mundial na &Aacute;frica Portuguesa: Angola e Mo&ccedil;ambique</i>, p. 235) e por ALMEIDA, Bello de &ndash; <i>Meio S&eacute;culo de Lutas no Ultramar: Subs&iacute;dios para a Hist&oacute;ria das Campanhas do Ex&eacute;rcito Portugu&ecirc;s de Terra e Mar</i>. Lisboa: Sociedade de Geografia de Lisboa, 1937, pp. 90, 236-237.</p>     <p><Sup><a name="23"></a><a href="#top23">23</a></Sup> FRAGA, Lu&iacute;s Alves de &ndash; &laquo;O Servi&ccedil;o de Sa&uacute;de no Corpo Expedicion&aacute;rio Portugu&ecirc;s em Fran&ccedil;a 1916-1918&raquo;. <i>In </i>COMISS&Atilde;O PORTUGUESA DE HIST&Oacute;RIA MILITAR &ndash; <i>Actas XVI Col&oacute;quio de Hist&oacute;ria Militar: O Servi&ccedil;o de Sa&uacute;de Militar na Comemora&ccedil;&atilde;o do IV Centen&aacute;rio dos Irm&atilde;os Hospitaleiros de S. Jo&atilde;o de Deus em Portugal</i>. Lisboa: Comiss&atilde;o Portuguesa de Hist&oacute;ria Militar, 2006, vol. II, p. 947,</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><Sup><a name="24"></a><a href="#top24">24</a></Sup> TELO, Ant&oacute;nio Jos&eacute; &ndash; <i>Os A&ccedil;ores e o Controlo do Atl&acirc;ntico (1898-1948)</i>, pp. 87-88.</p>     <p><Sup><a name="25"></a><a href="#top25">25</a></Sup> FARWELL, Byron &ndash; <i>The Great War in Africa</i>. Nova York: W. W. Norton &amp; Co., 1986, p. 24.</p>     <p><Sup><a name="26"></a><a href="#top26">26</a></Sup> STRACHAN, Hew &ndash; <i>The First World War in Africa</i>, p. 2.</p>     <p><Sup><a name="27"></a><a href="#top27">27</a></Sup> MARTELO, David &ndash; <i>As M&aacute;goas do Imp&eacute;rio</i>. Mem Martins: Publica&ccedil;&otilde;es Europa-Am&eacute;rica, 1998, p. 228.</p>     <p><Sup><a name="28"></a><a href="#top28">28</a></Sup> STRACHAN, Hew &ndash; <i>The First World War in Africa</i>, pp. 63-64.</p>     <p><Sup><a name="29"></a><a href="#top29">29</a></Sup> KEEGAN, John &ndash; <i>The First World War</i>. Vintage Canada Edition, 2000, p. 208.</p>     <p><Sup><a name="30"></a><a href="#top30">30</a></Sup> Bundesarchiv-Milit&auml;rarchiv, RH 61-42; STRACHAN, Hew &ndash; <i>The First World War in Africa</i>, p. 70.</p>     <p><Sup><a name="31"></a><a href="#top31">31</a></Sup> ARRIFES, Marco Fortunato &ndash; <i>A Primeira Guerra Mundial na &Aacute;frica Por tuguesa: Angola e Mo&ccedil;ambique</i>, pp. 257-278.</p>     <p><Sup><a name="32"></a><a href="#top32">32</a></Sup> GUEVARA, Gisela &ndash; <i>As Rela&ccedil;&otilde;es entre Portugal e a Alemanha em Torno da &Aacute;frica. Finais do S&eacute;culo XIX e In&iacute;cios do S&eacute;culo XX. </i>Lisboa: Instituto Diplom&aacute;tico/Minist&eacute;rio dos Neg&oacute;cios Estrangeiros, 2006, p. 49; FERNANDES, Marisa &ndash; &laquo;Mahan, Corbett e o poder naval alem&atilde;o nos desafios do mar no s&eacute;culo xxi&raquo;. <i>In</i> AaVv &ndash; <i>O Reencontro com o Mar no S&eacute;culo XXI</i>. Almada: Escola Naval, 2013, p. 440.</p>     <p><Sup><a name="33"></a><a href="#top33">33</a></Sup> PELISSIER, Ren&eacute; &ndash; <i>Campaignes Militaires au Sud-Angola (1885-1915)</i>, p. 47.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><Sup><a name="34"></a><a href="#top34">34</a></Sup> A decis&atilde;o foi tomada pelo Governo portugu&ecirc;s sem consultar o governador-geral Norton de Matos. Este, temendo que isso fosse um subterf&uacute;gio para uma penetra&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica e militar em Angola, protesta junto do Governo.</p>     <p><Sup><a name="35"></a><a href="#top35">35</a></Sup> CASIMIRO, Augusto &ndash; <i>1914 Naulila</i>, pp. 60-63.</p>     <p><Sup><a name="36"></a><a href="#top36">36</a></Sup> STRACHAN, Hew &ndash; <i>The First World War in Africa</i>, pp. 77-78.</p>     <p><Sup><a name="37"></a><a href="#top37">37</a></Sup> Cf. AFRICANUS, Historicus &ndash; <i>Der 1. Weltkrieg in Deutsch-Sudwestafrika 1914/15: Naulila</i>, p. 11.</p>     <p><Sup><a name="38"></a><a href="#top38">38</a></Sup> TEIXEIRA, Nuno Severiano &ndash; <i>O Poder e a Guerra, 1914-1918. Objectivos Nacionais e Estrat&eacute;gias Pol&iacute;ticas na Entrada de Portugal na Grande Guerra</i>, pp. 112 e segs.</p>     <p><Sup><a name="39"></a><a href="#top39">39</a></Sup> RO&Ccedil;ADAS, J. A. Alves &ndash; <i>Relat&oacute;rio sobre a Opera&ccedil;&atilde;o no Sul de Angola em 1914</i>. Lisboa: Imprensa Nacional-Casa da Moeda, 1919, pp. 88-89.</p>     <p><Sup><a name="40"></a><a href="#top40">40</a></Sup> AHMEME, 2.&ordf; Div., 2.&ordf; Sec., caixa 21 (10 de Setembro de 1914) &ndash; Instru&ccedil;&otilde;es e Plano do Ro&ccedil;adas: <i>Instru&ccedil;&otilde;es para o Comandante da Expedi&ccedil;&atilde;o de Angola. </i></p>     <p><Sup><a name="41"></a><a href="#top41">41</a></Sup> AHMEME, 2.&ordf; Div., 2.&ordf; Sec., caixa 21 (7 de Setembro de 1914) &ndash; Instru&ccedil;&otilde;es e Plano do Ro&ccedil;adas: <i>Expedi&ccedil;&atilde;o a Angola, Projeto de Opera&ccedil;&otilde;es</i>.</p>     <p><Sup><a name="42"></a><a href="#top42">42</a></Sup> CONNAUGHTON, Richard &ndash; &laquo;The First World War in Africa (1914-18)&raquo;, pp. 111-112; QUESADA, Alejandro de &ndash; <i>Imperial German Colonial and Overseas Troops 1885-</i>1918, pp. 4-5.</p>     <p><Sup><a name="43"></a><a href="#top43">43</a></Sup> ROCHA, Vieira da &ndash; <i>As Opera&ccedil;&otilde;es Militares em Angola: A Ac&ccedil;&atilde;o da Cavalaria Portuguesa no Sul de Angola em 1914-1915</i>. Lisbo a: Imp r e ns a Belez a, 19 3 6, pp. 22-23.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><Sup><a name="44"></a><a href="#top44">44</a></Sup> AFRICANUS, Historicus &ndash; <i>Der 1. Weltkrieg in Deutsch-Sudwestafrika 1914/15: Naulila</i>, pp. 31-32; CASIMIRO, Augusto &ndash; <i>1914 Naulila</i>, pp. 72-73.</p>     <p><Sup><a name="45"></a><a href="#top45">45</a></Sup> Bundesarchiv-Milit&auml;rarchiv, RH 61-42, p. 41.</p>     <p><Sup><a name="46"></a><a href="#top46">46</a></Sup> <i>Ibidem,</i> p. 42; AFRICANUS, Historicus &ndash; <i>Der 1. </i><i>Weltkrieg in Deutsch-Sudwestafrika 1914/15: Naulila</i>, pp. 31-32.</p>     <p><Sup><a name="47"></a><a href="#top47">47</a></Sup> <i>Ibidem</i>, p. 42; ZollMann, Jakob &ndash; &laquo;L&rsquo;affaire Naulilaa entre Portugal et Allemagne, 1914-193 3. R&eacute;flexions sur l&rsquo;histoire politique d&rsquo;une sentence arbitrale internationale&raquo;. p. 212.</p>     <p><Sup><a name="48"></a><a href="#top48">48</a></Sup> AFRICANUS, Historicus &ndash; <i>Der 1. Weltkrieg in Deutsch-Sudwestafrika 1914/15: Naulila</i>, pp. 16-17, 35.</p>     <p><Sup><a name="49"></a><a href="#top49">49</a></Sup> RO&Ccedil;ADAS, J. A. Alves &ndash; <i>Relat&oacute;rio sobre a Opera&ccedil;&atilde;o no Sul de Angola em 1914</i>, pp. 132-134.</p>     <p><Sup><a name="50"></a><a href="#top50">50</a></Sup> ALMEIDA, Bello de &ndash; <i>Meio S&eacute;culo de Lutas no Ultramar: Subs&iacute;dios para a Hist&oacute;ria das Campanhas do Ex&eacute;rcito Portugu&ecirc;s de Terra e Mar</i>, pp. 89-90; RO&Ccedil;ADAS, J. A. Alves &ndash; <i>Relat&oacute;rio sobre a Opera&ccedil;&atilde;o no Sul de Angola em 1914</i>, p. 243.</p>     <p><Sup><a name="51"></a><a href="#top51">51</a></Sup> COSTA, Gomes da &ndash; <i>A Guerra nas Col&oacute;nias</i>. Lisboa: Artur Brand&atilde;o, 1922, pp. 51-52.</p>     <p><Sup><a name="52"></a><a href="#top52">52</a></Sup> AHMEME, 2.&ordf; Div., 2.&ordf; Sec., caixa 21 (3 de Novembro de 1914) &ndash; Instru&ccedil;&otilde;es e Plano do Ro&ccedil;adas: <i>Telegrama expedido por Alves Ro&ccedil;adas para o Governador do Distrito de Mo&ccedil;&acirc;medes</i>.</p>     <p><Sup><a name="53"></a><a href="#top53">53</a></Sup> <i>Ibidem</i>, caixa 22 (27 de novembro de 1914) &ndash; Ordem de Servi&ccedil;o n.&ordm; 13 do Quar-tel-General das For&ccedil;as em Opera&ccedil;&otilde;es no Sul de Angola, entre 09/09/1914 e 27/04/1915. A quest&atilde;o do fim da neutralidade portuguesa era um tema delicado que o Governo pretendia coordenar com a Gr&atilde;-Bretanha. Mesmo depois do ataque alem&atilde;o a Naulila, as ordens do ministro dos Neg&oacute;cios Estrangeiros para Sid&oacute;nio Pais, ministro de Portugal em Berlim, eram de protestar com firmeza mas sem viol&ecirc;ncia, mesmo que os factos de seu conhecimento equivalessem a uma declara&ccedil;&atilde;o de guerra por parte da Alemanha (MINIST&Eacute;RIO DOS NEG&Oacute;CIOS ESTRANGEIROS &ndash; <i>Portugal na Primeira Guerra Mundial (1914-1918): As Negocia&ccedil;&otilde;es Diplom&aacute;ticas at&eacute; &agrave; Declara&ccedil;&atilde;o de Guerra</i> (<i>Tomo I)</i>.Lisboa: MNE, 1995, p. 171).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><Sup><a name="54"></a><a href="#top54">54</a></Sup> CASIMIRO, Augusto &ndash; <i>1914 Naulila</i>, p. 98.</p>     <p><Sup><a name="55"></a><a href="#top55">55</a></Sup> Disso davam conta os telegramas trocados entre Ro&ccedil;adas e o governador do distrito de Mo&ccedil;&acirc;medes, Alfredo Felner durante os meses de novembro e de dezembro de 1914 (AHMEME, 2.&ordf; Div., 2.&ordf; Sec, caixa 23 &ndash; Instru&ccedil;&otilde;es e Plano do Ro&ccedil;adas).</p>     <p><Sup><a name="56"></a><a href="#top56">56</a></Sup> WARWICK, Rodney C. &ndash; &laquo;The Battle of Sandfontein: the role and legacy of Major-General Sir Henry Timson Lukin&raquo;. In <i>Sciencia Militaria, South African Journal of Military Sudies</i>. 34 (2), pp. 73-76; STRACHAN, Hew &ndash; <i>The First World War in Africa</i>, pp. 69-71.</p>     <p><Sup><a name="57"></a><a href="#top57">57</a></Sup> Para detalhes sobre a miss&atilde;o e o dia a dia do destacamento comandado pelo major Salgado ver CALDEIRA, Arlindo Manuel (ed.) &ndash; <i>O Sul de Angola no In&iacute;cio do S&eacute;culo XX. Cadernos de Guerra do Coronel Alberto Salgado</i>. Lisboa: Centro de Estudos dos Povos e Culturas de Express&atilde;o Portuguesa da Universidade Cat&oacute;lica Portuguesa, 2001, pp. 133-135.</p>     <p><Sup><a name="58"></a><a href="#top58">58</a></Sup> CASIMIRO, Augusto &ndash; <i>1914 Naulila</i>, pp. 103-104.</p>     <p><Sup><a name="59"></a><a href="#top59">59</a></Sup> <i>Ibidem</i>, pp. 109-110.</p>     <p><Sup><a name="60"></a><a href="#top60">60</a></Sup> <i>Ibidem</i>, pp. 117-118.</p>     <p><Sup><a name="61"></a><a href="#top61">61</a></Sup> <i>Ibidem</i>, p. 136.</p>     <p><Sup><a name="62"></a><a href="#top62">62</a></Sup> COSTA, Gomes da &ndash; <i>A Guerra nas Col&oacute;nias</i>, pp. 58-62.</p>     <p><Sup><a name="63"></a><a href="#top63">63</a></Sup> CALDEIRA, Arlindo Manuel (ed.) &ndash; <i>O Sul de Angola no In&iacute;cio do S&eacute;culo XX. Cadernos de Guerra do Coronel Alberto Salgado</i>, pp. 26-27, 46.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><Sup><a name="64"></a><a href="#top64">64</a></Sup> BAERICKE, Max E. &ndash;<i> Naulila: Erinnerungen eines Zeitgenossen</i>, pp. 74-81; Santos, Ernesto Moreira dos &ndash; <i>A Cobi&ccedil;a de Angola: Combate de Naulila, Seus Her&oacute;is e Seus Inimigos, Mem&oacute;rias</i>, p. 73.</p>     <p><Sup><a name="65"></a><a href="#top65">65</a></Sup> Bundesarchiv-Milit&auml;rarchiv, RH 61-42, p. 44.</p>     <p><Sup><a name="66"></a><a href="#top66">66</a></Sup> D&rsquo;E&Ccedil;A, Ant&oacute;nio J&uacute;lio da Costa Pereira &ndash; <i>Campanha do Sul de Angola em 1914</i>. Lisboa: Ag&ecirc;ncia Geral das Col&oacute;nias, 1919, p. 4.</p>      ]]></body><back>
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