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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Elementos para uma política externa do Portugal democrático: O legado de Medeiros Ferreira]]></article-title>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Contributes for the foreign policy of the democratic Portugal: the legacy of Medeiros Ferreira]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[The downfall of Salazarism, on 25 April 1974, confronted Portugal with a set of new challenges. Along with the setting of a new internal order, Portugal's place in the world was also to be determined. This issue gains particular acuity at a time in which the closure of the Portuguese imperial cycle was being implemented. It is our aim to analyze José Medeiros Ferreira's contribution for the definition of the Portuguese democratic foreign policy focusing our attention on his performance as Secretary of State for Foreign Affairs of the VI Provisional Government (1975-1976) and as Foreign Minister of the I Constitutional Government (1976-1977).]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><b>40 ANOS DA CONSTITUIÇÃO PORTUGUESA: DINÂMICAS INTERNAS E EXTERNAS</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><B>Elementos para uma pol&iacute;tica externa do Portugal democr&aacute;tico. O legado de Medeiros Ferreira</B></p>     <p><B>Contributes for the foreign policy of the democratic Portugal &ndash; the legacy of Medeiros Ferreira</B></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><B>Maria In&aacute;cia Rezola</B></p>     <p>Doutorada em Hist&oacute;ria pela Faculdade de Ci&ecirc;ncias Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa (especialidade Hist&oacute;ria Institucional e Pol&iacute;tica Contempor&acirc;nea) e investigadora do Instituto de Hist&oacute;ria Contempor&acirc;nea da mesma faculdade. &Eacute; professora adjunta na Escola Superior de Comunica&ccedil;&atilde;o Social do Instituto Polit&eacute;cnico de Lisboa (ESCS-IPL), onde coordena a sec&ccedil;&atilde;o de Ci&ecirc;ncias Humanas. Tem v&aacute;rios livros e artigos publicados na &aacute;rea da hist&oacute;ria contempor&acirc;nea, nomeadamente sobre o 25 de Abril e o Estado Novo.</p>     <p>&nbsp;</p>      <p><B>RESUMO</B></p>     <p>A queda da ditadura, a 25 de abril de 1974, veio colocar a Portugal m&uacute;ltiplos desafios. A par da defini&ccedil;&atilde;o da nova ordem a instituir, por determinar estava tamb&eacute;m a situa&ccedil;&atilde;o de Portugal no mundo, quest&atilde;o que ganha particular acuidade num momento em que se preparava o encerramento do seu ciclo imperial. &Eacute; nosso objetivo analisar o contributo de Jos&eacute; Medeiros Ferreira para a defini&ccedil;&atilde;o dos elementos da pol&iacute;tica externa do Portugal democr&aacute;tico, centrando a nossa aten&ccedil;&atilde;o nas reflex&otilde;es e iniciativas que desenvolve na qualidade de secret&aacute;rio de Estado dos Neg&oacute;cios Estrangeiros (1975&nbsp;1976) do VI Governo Provis&oacute;rio e ministro dos Neg&oacute;cios Estrangeiros (1976&nbsp;1977) do I Governo Constitucional.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><B>Palavras-chave</B><i>: </i>Pol&iacute;tica externa portuguesa, Europa, &Aacute;frica, Jos&eacute; Medeiros Ferreira.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><B>ABSTRACT</B></p>     <p>The downfall of Salazarism, on 25 April 1974, confronted Portugal with a set of new challenges. Along with the setting of a new internal order, Portugal&rsquo;s place in the world was also to be determined. This issue gains particular acuity at a time in which the closure of the Portuguese imperial cycle was being implemented. It is our aim to analyze Jos&eacute; Medeiros Ferreira&rsquo;s contribution for the definition of the Portuguese democratic foreign policy focusing our attention on his performance as Secretary of State for Foreign Affairs of the VI Provisional Government (1975-1976) and as Foreign Minister of the I Constitutional Government (1976-1977).</p>     <p><B>Keywords</B><i>:</i> Portuguese foreign policy, Europe, Africa, Jos&eacute; Medeiros Ferreira.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><i>&laquo;A nossa integra&ccedil;&atilde;o na Europa assim como a necessidade de uma pol&iacute;tica africana independente e diversa inserem-se seguramente no c&oacute;digo gen&eacute;tico do estado democr&aacute;tico portugu&ecirc;s na sua dimens&atilde;o internacional.&raquo;</i><sup><a href="#1">1</a></sup><a name="top1"></a></p>      <p>A 23 de julho o Presidente da Rep&uacute;blica, general Ramalho Eanes, empossa o I Governo Constitucional que, com base nos resultados das elei&ccedil;&otilde;es de 25 de abril de 1976, &eacute; da responsabilidade do Partido Socialista (PS). Assumindo a chefatura do Executivo, M&aacute;rio Soares faz&nbsp;se rodear de figuras com experi&ecirc;ncia governativa e um papel de relevo no decurso do processo revolucion&aacute;rio, como Almeida Santos<sup><a href="#2">2</a></sup><a name="top2"></a>, Manuel da Costa Braz<sup><a href="#3">3</a></sup><a name="top3"></a> ou Henrique de Barros<sup><a href="#4">4</a></sup><a name="top4"></a>. Uma gera&ccedil;&atilde;o mais jovem marca tamb&eacute;m a sua presen&ccedil;a, nomeadamente, atrav&eacute;s de Rui Vilar<sup><a href="#5">5</a></sup><a name="top5"></a>, Sottomayor Cardia<sup><a href="#6">6</a></sup><a name="top6"></a> ou Jos&eacute; Medeiros Ferreira.</p>     <p>Com apenas 34 anos, Medeiros Ferreira conhecia bem o Minist&eacute;rio dos Neg&oacute;cios Estrangeiro (MNE) onde, desde setembro de 1975, desempenhava fun&ccedil;&otilde;es de secret&aacute;rio de Estado. Ainda que o seu mandato seja curto (julho de 1976&nbsp;outubro de 1977), Medeiros Ferreira construiu um importante legado em termos diplom&aacute;ticos e de pol&iacute;tica externa. &Eacute; objetivo deste artigo analisar essa experi&ecirc;ncia, destacando o seu contributo na defini&ccedil;&atilde;o das linhas de pol&iacute;tica externa dos primeiros governos constitucionais. Uma experi&ecirc;ncia determinante, num momento decisivo da hist&oacute;ria contempor&acirc;nea portuguesa, que se insere num percurso bastante mais amplo, sobre a qual pouco se escreveu.</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><B>POL&Iacute;TICA EXTERNA SOB UMA NOVA ORDEM</B></p>     <p>A Revolu&ccedil;&atilde;o portuguesa ocorre num momento particular da ordem internacional em que se assiste a uma atenua&ccedil;&atilde;o da capacidade das duas superpot&ecirc;ncias e polos do sistema (Estados Unidos e URSS) em exercer a sua hegemonia &agrave; escala mundial e ao fortalecimento da Comunidade Econ&oacute;mica Europeia (CEE). Um momento de transi&ccedil;&atilde;o que, segundo Ant&oacute;nio Telo, faz com que Portugal se transforme num &laquo;laborat&oacute;rio para os principais agentes internacionais explorarem f&oacute;rmulas novas&raquo;<sup><a href="#7">7</a></sup><a name="top7"></a>.</p>     <p>A historiografia da pol&iacute;tica externa portuguesa no per&iacute;odo da transi&ccedil;&atilde;o democr&aacute;tica tem sido desenvolvida por um conjunto apreci&aacute;vel de acad&eacute;micos que, numa abordagem abrangente ou mais circunscrita, produziram um corpo not&aacute;vel de estudos que nos permitem conhecer melhor as suas grandes tend&ecirc;ncias mas tamb&eacute;m aspectos particulares como o das negocia&ccedil;&otilde;es que conduziram &agrave; descoloniza&ccedil;&atilde;o ou &agrave; integra&ccedil;&atilde;o europeia<sup><a href="#8">8</a></sup><a name="top8"></a>. &Eacute; ideia partilhada por todos estes autores que o derrube da ditadura determinou uma redefini&ccedil;&atilde;o profunda da pol&iacute;tica externa portuguesa.</p>     <p>Tal como noutras mat&eacute;rias, tamb&eacute;m neste dom&iacute;nio as orienta&ccedil;&otilde;es do Programa do Movimento das For&ccedil;as Armadas (MFA) se revelam relativamente lac&oacute;nicas, limitando&nbsp;se a determinar que o Governo Provis&oacute;rio norteasse a sua interven&ccedil;&atilde;o &laquo;pelos princ&iacute;pios da independ&ecirc;ncia e da igualdade entre os Estados, da n&atilde;o inger&ecirc;ncia nos assuntos internos dos outros pa&iacute;ses e da defesa da paz, alargando e diversificando rela&ccedil;&otilde;es internacionais com base na amizade e coopera&ccedil;&atilde;o&raquo;<sup><a href="#9">9</a></sup><a name="top9"></a>. Tendo subjacente o respeito pelos compromissos anteriormente assumidos decorrentes dos tratados em vigor, nomeadamente com a nato, estes princ&iacute;pios visavam p&ocirc;r cobro a d&eacute;cadas de isolamento sendo, por isso, not&oacute;rio, o empenho do novo regime no seu reconhecimento internacional mas tamb&eacute;m no alargamento e diversifica&ccedil;&atilde;o das rela&ccedil;&otilde;es diplom&aacute;ticas, um dos poucos temas que re&uacute;ne um amplo consenso nos primeiros momentos da Revolu&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>Reportando&nbsp;se ao imediato p&oacute;s&nbsp;25 de Abril, Jos&eacute; Medeiros Ferreira observa que &laquo;N&atilde;o foram precisos 15 dias para que a quest&atilde;o do reconhecimento internacional da Junta de Salva&ccedil;&atilde;o Nacional fosse ultrapassada&raquo;<sup><a href="#10">10</a></sup><a name="top10"></a>: quando o I Governo Provis&oacute;rio toma posse, &laquo;j&aacute; a generalidade dos pa&iacute;ses com os quais Portugal mantinha rela&ccedil;&otilde;es diplom&aacute;ticas importantes haviam reconhecido o poder pol&iacute;tico emergente do golpe militar de 25 de Abril de 1974&raquo;<sup><a href="#11">11</a></sup><a name="top11"></a>. Este foi um processo r&aacute;pido e f&aacute;cil, sobretudo se tivermos em conta as dificuldades com que a I Rep&uacute;blica se havia defrontado.</p>     <p>Da mesma forma, o alargamento e diversifica&ccedil;&atilde;o das rela&ccedil;&otilde;es externas foi relativamente c&eacute;lere. Investido como ministro dos Neg&oacute;cios Estrangeiros a 16 de maio de 1974 (cargo que manter&aacute;, sucessivamente, nos I, II e III governos provis&oacute;rios), M&aacute;rio Soares compromete&nbsp;se numa intensa atividade diplom&aacute;tica que resulta n&atilde;o apenas no estabelecimento de rela&ccedil;&otilde;es diplom&aacute;ticas com a Uni&atilde;o Sovi&eacute;tica, pa&iacute;ses do Leste europeu e do Terceiro Mundo, como tamb&eacute;m na multiplica&ccedil;&atilde;o de miss&otilde;es diplom&aacute;ticas junto de organismos internacionais e de governos. Trata&nbsp;se de um corte radical em termos de op&ccedil;&otilde;es estrat&eacute;gicas da pol&iacute;tica externa, uma rutura com o &laquo;&ldquo;orgulhosamente&rdquo; s&oacute; salazarento&raquo; que, segundo Medeiros Ferreira, mais do que definir uma &laquo;pol&iacute;tica voluntarista&raquo; era &laquo;a constata&ccedil;&atilde;o, desesperadamente altiva, que o regime anterior n&atilde;o conseguia interessar a comunidade internacional no seu obsoleto projecto&raquo;<sup><a href="#12">12</a></sup><a name="top12"></a>. Iniciava&nbsp;se assim a abertura de Portugal ao mundo &laquo;numa aut&ecirc;ntica pol&iacute;tica ecum&eacute;nica&raquo; que proporcionar&aacute; o reatamento de rela&ccedil;&otilde;es cortadas, o in&iacute;cio de novas miss&otilde;es diplom&aacute;ticas e o fortalecimento de &laquo;la&ccedil;os com os pa&iacute;ses amigos&raquo;<sup><a href="#13">13</a></sup><a name="top13"></a><i>. </i>A facilidade com que esta &laquo;pol&iacute;tica ecum&eacute;nica&raquo; &eacute; desencadeada n&atilde;o pode ser dissociada das expectativas com que o grosso da comunidade internacional acolhe o 25 de Abril. No entanto, o seu sucesso est&aacute; dependente tamb&eacute;m da forma como se vai solucionar a quest&atilde;o da descoloniza&ccedil;&atilde;o, primeiro e determinante desafio que se coloca ao Portugal p&oacute;s&nbsp;ditatorial.</p>     <p>Dominando os meses iniciais da Revolu&ccedil;&atilde;o, o debate em torno da descoloniza&ccedil;&atilde;o proporciona as primeiras ruturas entre diferentes teses e vis&otilde;es sobre as estrat&eacute;gias a adotar. Decisiva a este respeito &eacute; a publica&ccedil;&atilde;o da Lei 7/74, de 27 de julho, que consagra e torna irrevers&iacute;vel a decis&atilde;o de conceder a independ&ecirc;ncia &agrave;s col&oacute;nias. Ainda que o percurso at&eacute; &agrave; conclus&atilde;o do &uacute;ltimo processo descolonizador se venha a revelar longo e atribulado, esta determina&ccedil;&atilde;o p&otilde;e termo ao ciclo hist&oacute;rico do &laquo;orgulhosamente s&oacute;s&raquo; e abre portas &agrave; consagra&ccedil;&atilde;o internacional do novo regime, como o atesta a participa&ccedil;&atilde;o do ministro dos Neg&oacute;cios Estrangeiros portugu&ecirc;s na 29.&ordf; sess&atilde;o da Assembleia Geral da ONU, em setembro de 1974, e, pouco depois, a visita de Francisco da Costa Gomes aos Estados Unidos.</p>     <p>Apesar destes bons aug&uacute;rios, a crise do 28 de Setembro de 1974 confirma a abertura de um novo momento pol&iacute;tico quer em termos de pol&iacute;tica interna quer externa, dom&iacute;nio em que se tornam cada vez mais &oacute;bvios os receios da comunidade internacional relativamente aos rumos da Revolu&ccedil;&atilde;o. Se inicialmente estas inquieta&ccedil;&otilde;es s&atilde;o discretas, decorrendo sobretudo da inclus&atilde;o do Partido Comunista Portugu&ecirc;s (PCP) nos governos provis&oacute;rios e da indefini&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica, rapidamente elas se acentuam com a subida de tom da agita&ccedil;&atilde;o social e as crescentes inc&oacute;gnitas quanto &agrave;s possibilidades de sucesso de uma solu&ccedil;&atilde;o tipo <i>democracia ocidental</i>. As rela&ccedil;&otilde;es entre a pol&iacute;tica interna, a pol&iacute;tica externa e a atividade diplom&aacute;tica estreitam-se t&atilde;o intensamente que, pelo menos at&eacute; aos acontecimentos do 25 de Novembro, se torna dif&iacute;cil dissocia-las.</p>     <p>Tendo como dominante o envolvimento externo na luta pol&iacute;tica que se travava pelo estabelecimento de uma democracia parlamentar pluralista, a pol&iacute;tica externa portuguesa centra-se nesse processo de democratiza&ccedil;&atilde;o, &laquo;fio condutor de todas as rela&ccedil;&otilde;es com o exterior&raquo;<sup><a href="#14">14</a></sup><a name="top14"></a>e elemento condicionador da posi&ccedil;&atilde;o do Pa&iacute;s no mundo. &Eacute; &laquo;sob as lutas ruidosas do processo de democratiza&ccedil;&atilde;o interna&raquo; que, como observa Nuno Severiano Teixeira, se desenvolve &laquo;uma outra luta, silenciosa, sobre os objetivos e as op&ccedil;&otilde;es estrat&eacute;gicas da pol&iacute;tica externa portuguesa&raquo;<sup><a href="#15">15</a></sup><a name="top15"></a>. Uma luta &laquo;surda e muda&raquo;, acentua Medeiros Ferreira, em que a atividade diplom&aacute;tica perde import&acirc;ncia, perante a paralisia do seu corpo profissional e das vias tradicionais da pol&iacute;tica externa e, sobretudo, da multiplica&ccedil;&atilde;o de atores e canais de contacto com o exterior:</p>     <p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<blockquote>&laquo;Na realidade enquanto os textos oficiais e as declara&ccedil;&otilde;es p&uacute;blicas eram un&acirc;nimes na proclama&ccedil;&atilde;o dos princ&iacute;pios bases por onde se haviam de reger as nossas atitudes em pol&iacute;tica externa, for&ccedil;as agiam no sentido de p&ocirc;r em causa a nossa inser&ccedil;&atilde;o europeia, e o respeito pelos acordos internacionais. Assim foi entre o 28 de Setembro e o 11 de Mar&ccedil;o, tendo os ind&iacute;cios ap&oacute;s esta data tornado ainda mais vis&iacute;veis.&raquo;<sup><a href="#16">16</a></sup><a name="top16"></a></blockquote>     <p></p>     <p>A pol&iacute;tica externa portuguesa complexifica-se e assume uma fei&ccedil;&atilde;o polifacetada que a torna dif&iacute;cil de acompanhar. Fortemente condicionada pelo perfil dos seus atores e pelas diplomacias paralelas ent&atilde;o desenvolvidas, o essencial das rela&ccedil;&otilde;es internacionais passa por outras vias que n&atilde;o o MNE. As estrat&eacute;gias e conceitos mudam velozmente, sendo cada vez mais &oacute;bvia a sobreposi&ccedil;&atilde;o entre os assuntos internos e os externos. Se, como referimos, a ren&uacute;ncia presidencial de Ant&oacute;nio de Sp&iacute;nola motivara s&eacute;rias preocupa&ccedil;&otilde;es da comunidade internacional, a situa&ccedil;&atilde;o agrava-se na sequ&ecirc;ncia dos acontecimentos do 11 de Mar&ccedil;o. Ainda que medidas como as nacionaliza&ccedil;&otilde;es e a reforma agr&aacute;ria tenham acalentado esperan&ccedil;as &laquo;de mudan&ccedil;a no sentido geral da luta anticapitalista&raquo; em &laquo;certas zonas da esquerda europeia&raquo;<sup><a href="#17">17</a></sup><a name="top17"></a>, n&atilde;o &eacute; essa a perce&ccedil;&atilde;o da maioria dos estados ocidentais, sobretudo depois de, na primavera de 1975, o PS se empenhar numa ampla campanha internacional denunciando os rumos da Revolu&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>O agravamento das desconfian&ccedil;as relativamente aos desenvolvimentos pol&iacute;ticos em Portugal coincide com o afastamento de M&aacute;rio Soares da dire&ccedil;&atilde;o do MNE quando da constitui&ccedil;&atilde;o do IV Governo Provis&oacute;rio. As ideias enformadoras do pensamento do novo titular da pasta sobre pol&iacute;tica externa eram j&aacute; conhecidas, prenunciando uma substantiva altera&ccedil;&atilde;o de estrat&eacute;gia. Em declara&ccedil;&otilde;es proferidas em finais de fevereiro de 1975, Melo Antunes anunciara um projeto de &laquo;independ&ecirc;ncia nacional&raquo; e &laquo;autonomia progressiva&raquo; que tinha impl&iacute;cita a redefini&ccedil;&atilde;o da posi&ccedil;&atilde;o de Portugal no mundo. De acordo com esta perspetiva, Portugal encontrava-se particularmente bem posicionado &laquo;para ser um elemento estrat&eacute;gico fundamental&raquo; na &laquo;inter-rela&ccedil;&atilde;o entre os pa&iacute;ses desenvolvidos da Europa e os pa&iacute;ses do Terceiro Mundo, especialmente os novos pa&iacute;ses de express&atilde;o portuguesa&raquo;<sup><a href="#18">18</a></sup><a name="top18"></a>.</p>     <p>Ainda que apresente algumas <i>nuances </i>conjunturais, a estrat&eacute;gia de Ernesto Melo Antunes enquanto titular dos Neg&oacute;cios Estrangeiros dos IV e VI governos provis&oacute;rios gravita em redor de tr&ecirc;s eixos fundamentais: independ&ecirc;ncia nacional, rela&ccedil;&otilde;es privilegiadas com o Terceiro Mundo e com a zona mediterr&acirc;nica<sup><a href="#19">19</a></sup><a name="top19"></a>. Na conex&atilde;o que entre eles se estabelece est&aacute; patente um projeto muito pr&oacute;prio de <i>terceira via. </i>Se em termos de pol&iacute;tica interna ela representava um projeto situado entre o socialismo coletivista burocr&aacute;tico e a social&nbsp;democracia de pendor neoliberal, em termos de pol&iacute;tica externa assumia a defesa da independ&ecirc;ncia nacional no mundo bipolar; a luta por uma ordem internacional mais justa; a aposta na diversifica&ccedil;&atilde;o das rela&ccedil;&otilde;es externas (com uma aproxima&ccedil;&atilde;o ao Terceiro Mundo, Europa de Leste e China) respeitando os compromissos anteriormente assumidos nomeadamente no &acirc;mbito da NATO; uma nova vis&atilde;o sobre o lugar de Portugal no mundo, enquanto pa&iacute;s ocidental e mediterr&acirc;nico, plataforma privilegiada para a aproxima&ccedil;&atilde;o entre a Europa e o Terceiro Mundo. Em suma, uma posi&ccedil;&atilde;o comummente designada de <i>terceiro-mundista</i> mas que, em rigor, dela se afastava em aspectos centrais, como o do n&atilde;o-alinhamento.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><B>CONFRONTOS ENTRE DUAS VIAS</B></p>     <p>Pouco depois do seu regresso definitivo do ex&iacute;lio<sup><a href="#20">20</a></sup><a name="top20"></a>, Jos&eacute; Medeiros Ferreira &eacute; convidado para integrar o III Governo Provis&oacute;rio na qualidade de ministro da Educa&ccedil;&atilde;o. A proposta, que surge na sequ&ecirc;ncia do pedido de demiss&atilde;o de Vitorino Magalh&atilde;es Godinho, &eacute; no entanto recusada dado que, como o pr&oacute;prio o recordar&aacute; mais tarde, &laquo;n&atilde;o queria ser membro do Governo antes de ter sido eleito deputado&raquo;. Naquele contexto de &laquo;legitimidades paralelas e n&atilde;o suficientemente fundadas&raquo;, esse era um requisito que se lhe afigurava como fundamental para a sua &laquo;liberdade de ac&ccedil;&atilde;o como homem pol&iacute;tico&raquo;<sup><a href="#21">21</a></sup><a name="top21"></a>. Eleito deputado &agrave; Assembleia Constituinte em abril de 1975, pelo c&iacute;rculo de Lisboa, a possibilidade de assumir responsabilidades governativas volta a equacionar&nbsp;se quando &eacute; sondado para integrar o &laquo;governo Fabi&atilde;o&raquo; (agosto). Finalmente, em setembro desse mesmo ano, obtida a anu&ecirc;ncia do titular da pasta, o l&iacute;der socialista dirige&nbsp;lhe um novo convite para que integrasse a equipa de Melo Antunes no VI Governo Provis&oacute;rio.</p>     <p>Jos&eacute; Medeiros Ferreira chega ao MNE num momento em que, com a queda do &uacute;ltimo governo de Vasco Gon&ccedil;alves e a progressiva conquista de posi&ccedil;&otilde;es dos defensores de um modelo de democracia parlamentar pluripartid&aacute;ria, se opera uma inflex&atilde;o na pol&iacute;tica externa portuguesa, traduzida numa crescente sintonia de posi&ccedil;&otilde;es com a Administra&ccedil;&atilde;o norte&nbsp;americana e a Europa Ocidental. Inaugurada em finais do ver&atilde;o de 1975 e refor&ccedil;ada depois dos acontecimentos do 25 de Novembro, esta tend&ecirc;ncia n&atilde;o pode ser dissociada do ambiente de desanuviamento das rela&ccedil;&otilde;es Leste-Oeste na sequ&ecirc;ncia da Confer&ecirc;ncia de Hels&iacute;nquia.</p>     <p>Progressivamente, a partir de ent&atilde;o, assiste-se &agrave; autonomiza&ccedil;&atilde;o dos assuntos de pol&iacute;tica externa que gradualmente se libertam do peso esmagador das quest&otilde;es de pol&iacute;tica interna. A indefini&ccedil;&atilde;o d&aacute; lugar a uma crescente clarifica&ccedil;&atilde;o e, com esta, a luta em torno das op&ccedil;&otilde;es de pol&iacute;tica externa conhece novos desenvolvimentos. De um lado, a j&aacute; referida <i>terceira via </i>ou <i>via meloantunista </i>de uma liga&ccedil;&atilde;o privilegiada ao Terceiro Mundo e &agrave;s ex&nbsp;col&oacute;nias portuguesas, que conta com amplo apoio nos setores ditos moderados do Conselho da Revolu&ccedil;&atilde;o. De outro, opondo-se-lhe agora com renovada tenacidade, a op&ccedil;&atilde;o por uma mais profunda e r&aacute;pida aproxima&ccedil;&atilde;o &agrave; Europa Comunit&aacute;ria, protagonizada pelo PS, de que M&aacute;rio Soares e Jos&eacute; Medeiros Ferreira ser&atilde;o os arautos centrais. A rela&ccedil;&atilde;o de Medeiros Ferreira com Ernesto Melo Antunes, no per&iacute;odo em que coabitaram no Pal&aacute;cio das Necessidades (outubro de 1975-julho de 1976), pautou-se por uma enorme tens&atilde;o. Nada o fazia prever, dada a longa amizade que os unia desde os tempos da milit&acirc;ncia oposicionista nos A&ccedil;ores. No entanto, o mal-estar instala-se ainda antes da tomada de posse do VI Governo Provis&oacute;rio dado que, ao contr&aacute;rio do que eram as suas expectativas, n&atilde;o existe por parte de Melo Antunes qualquer sinal ou iniciativa de aproxima&ccedil;&atilde;o. Surpreendido, Medeiros Ferreira interpreta esta atitude como um ind&iacute;cio de que as suas esferas de atua&ccedil;&atilde;o eram independentes: &laquo;Eu era secret&aacute;rio de Estado n&atilde;o por nomea&ccedil;&atilde;o do ministro mas por indica&ccedil;&atilde;o institucional do Partido Socialista. A partir da&iacute; agi como for&ccedil;a aut&oacute;noma dentro do minist&eacute;rio. Porque eu tamb&eacute;m sou institucional&raquo;. Para Medeiros Ferreira, &laquo;o facto de n&atilde;o me ter telefonado, levou-me a dizer-lhe: &ldquo;estou aqui em representa&ccedil;&atilde;o do PS&rdquo;&raquo;. Por isso, conclui, &laquo;quando tomo posse sem que ele me tenha falado, olho para ele como um poder paralelo e n&atilde;o como um poder hier&aacute;rquico&raquo;<sup><a href="#22">22</a></sup><a name="top22"></a>.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Ainda que aparentemente super&aacute;vel, este epis&oacute;dio compromete, &agrave; partida, o seu bom relacionamento. A situa&ccedil;&atilde;o complexifica-se quando se come&ccedil;ar a tornar evidente a sua discord&acirc;ncia relativamente a v&aacute;rias das quest&otilde;es que dominavam o Minist&eacute;rio. Em causa, duas perspetivas distintas quanto &agrave;s op&ccedil;&otilde;es da pol&iacute;tica externa portuguesa. Um dos epis&oacute;dios que deixa patente o fosso que progressivamente se vai desenvolvendo entre os dois prende-se com a posi&ccedil;&atilde;o a assumir perante a Resolu&ccedil;&atilde;o 3379, de 10 de novembro de 1975, da Assembleia Geral da ONU, que equiparava o sionismo ao racismo e &agrave; discrimina&ccedil;&atilde;o racial. Portugal vota pela equipara&ccedil;&atilde;o do sionismo ao racismo, posi&ccedil;&atilde;o defendida por Melo Antunes, mas que tem a firme oposi&ccedil;&atilde;o do seu secret&aacute;rio de Estado. Como Medeiros Ferreira ter&aacute; ocasi&atilde;o de esclarecer, em mar&ccedil;o de 1976, ao deslocar-se &agrave; L&iacute;bia integrando uma delega&ccedil;&atilde;o do PS, &laquo;a nossa posi&ccedil;&atilde;o de fundo &eacute; no sentido de uma solu&ccedil;&atilde;o harm&oacute;nica [&hellip;] e da&iacute; que n&atilde;o tenhamos aceite uma mo&ccedil;&atilde;o de conte&uacute;do relativamente obscurecido&raquo;<sup><a href="#23">23</a></sup><a name="top23"></a>.</p>     <p>A quest&atilde;o do reconhecimento da Rep&uacute;blica Popular de Angola (RPA), que domina o debate nacional nos primeiros meses de 1976, constitui um novo ponto de fric&ccedil;&atilde;o que, desta feita, se integra numa luta mais ampla, envolvendo o grosso dos militares empenhados no processo de descoloniza&ccedil;&atilde;o de Angola e a c&uacute;pula diretiva do PS. Segundo Medeiros Ferreira, &laquo;o MPLA n&atilde;o podia ser considerado o governo de facto de Angola&raquo;, sobretudo num momento em que &laquo;estava em curso uma ofensiva militar altamente dependente da interven&ccedil;&atilde;o estrangeira&raquo;. Em seu entender, &laquo;o reconhecimento teria de resultar de conversa&ccedil;&otilde;es bilaterais pr&eacute;vias entre Luanda e o governo portugu&ecirc;s&raquo;<sup><a href="#24">24</a></sup><a name="top24"></a>, ou seja, &eacute; partid&aacute;rio de um reconhecimento retardado a concretizar-se depois da celebra&ccedil;&atilde;o de um novo acordo que substitu&iacute;sse o fracassado Acordo do Alvor<sup><a href="#25">25</a></sup><a name="top25"></a>. Melo Antunes, pelo contr&aacute;rio, defende o reconhecimento imediato.</p>     <p>A tens&atilde;o entre Melo Antunes e Medeiros Ferreira agrava-se quando o nome do secret&aacute;rio de Estado dos Neg&oacute;cios Estrangeiros surge entre os membros da comiss&atilde;o de apoio &agrave; candidatura do general Ramalho Eanes &agrave; Presid&ecirc;ncia da Rep&uacute;blica. Segundo o seman&aacute;rio <i>Expresso</i>, esta decis&atilde;o teve a inicial oposi&ccedil;&atilde;o de Melo Antunes &laquo;que defendia a tese da incompatibilidade entre as fun&ccedil;&otilde;es governamentais e a participa&ccedil;&atilde;o activa na candidatura&raquo;<sup><a href="#26">26</a></sup><a name="top26"></a>.</p>     <p>Os exemplos e epis&oacute;dios sucedem-se. A par das quest&otilde;es formais ou processuais mais imediatas, a dist&acirc;ncia entre o ministro dos Neg&oacute;cios Estrangeiros e o seu secret&aacute;rio de Estado dilata&nbsp;se no que concerne &agrave;s grandes op&ccedil;&otilde;es da pol&iacute;tica externa portuguesa. Contando com um amplo apoio no aparelho pol&iacute;tico-militar e com uma posi&ccedil;&atilde;o institucional vantajosa, Melo Antunes consegue fazer valer as suas posi&ccedil;&otilde;es. No entanto, Medeiros Ferreira n&atilde;o se co&iacute;be de publicamente manifestar o seu desagrado. Em in&iacute;cios de abril de 1976, por exemplo, em entrevista ao <i>Di&aacute;rio de Not&iacute;cias</i>, observa que</p>     <p>     <blockquote>muito embora o PS tenha por direito pr&oacute;prio, como Partido maiorit&aacute;rio, o direito de participar na defini&ccedil;&atilde;o da pol&iacute;tica externa portuguesa, tal n&atilde;o tem vindo a acontecer na propor&ccedil;&atilde;o da sua representatividade, pois, como se sabe a decis&atilde;o final dessa pol&iacute;tica pertence ao ministro dos Neg&oacute;cios Estrangeiros, major Melo Antunes, e ao Presidente da Rep&uacute;blica.&raquo;<sup><a href="#27">27</a></sup><a name="top27"></a></blockquote>     <p></p>     <p>Ac&eacute;rrimo defensor de uma maior aproxima&ccedil;&atilde;o ao Ocidente e &agrave; Europa Comunit&aacute;ria, Medeiros Ferreira n&atilde;o se rev&ecirc; na <i>terceira via </i>de Melo Antunes. O &laquo;Terceiro-mundismo&raquo;, afirma em mar&ccedil;o de 1976, &laquo;nada mais &eacute; do que uma continua&ccedil;&atilde;o da tese de Salazar e Franco Nogueira, segundo a qual, n&oacute;s na Europa, n&atilde;o somos nada. [&hellip;] embora com roupagens ideol&oacute;gicas novas, &eacute; uma tese ultrapassada&raquo;<sup><a href="#28">28</a></sup><a name="top28"></a>. Recuperando esses momentos anos mais tarde, Medeiros Ferreira justifica-se:</p>     <p>     <blockquote>era uma tese a que eu n&atilde;o via futuro. Pelo contr&aacute;rio. Aquilo para mim era a continua&ccedil;&atilde;o da pol&iacute;tica externa salazarista adaptada aos tempos modernos, porque era um n&atilde;o &agrave; Europa, um n&atilde;o ao mundo ocidental. Portugal ficava sozinho com rela&ccedil;&otilde;es privilegiadas com o Terceiro Mundo e, sobretudo, com as ex-col&oacute;nias. Tinha a no&ccedil;&atilde;o de que as pr&oacute;prias ex-col&oacute;nias n&atilde;o queriam rela&ccedil;&otilde;es t&atilde;o intensas ao princ&iacute;pio.&raquo;<sup><a href="#29">29</a></sup><a name="top29"></a></blockquote>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p></p>     <p>A posi&ccedil;&atilde;o de defesa de uma linha atlantista e europe&iacute;sta adotada por Medeiros Ferreira, contra a linha neutralista e africanista ainda dominante no vi Governo Provis&oacute;rio, &eacute; amplamente elogiada por M&aacute;rio Soares. Segundo o ent&atilde;o secret&aacute;rio-geral do PS, Medeiros Ferreira ter&aacute; assumido abertamente as suas diverg&ecirc;ncias, afrontando &laquo;as tenta&ccedil;&otilde;es neutralistas de Melo Antunes no Pal&aacute;cio das Necessidades&raquo; e sendo um &laquo;porta-voz muito firme na defesa das posi&ccedil;&otilde;es&raquo; do PS<sup><a href="#30">30</a></sup><a name="top30"></a>. Consciente de que, tendo-se libertado da quest&atilde;o colonial, chegara a hora de pensar uma nova pol&iacute;tica externa, Medeiros Ferreira posicionava-se j&aacute; para novos desafios.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><B>MINISTRO NA HORA CERTA</B></p>     <p>     <blockquote>Teria, n&atilde;o o nego, gostado de voltar aos Neg&oacute;cios Estrangeiros. Mas a acumula&ccedil;&atilde;o revelava-se pouco vi&aacute;vel&raquo;<sup><a href="#31">31</a></sup><a name="top31"></a>, recorda M&aacute;rio Soares a prop&oacute;sito da constitui&ccedil;&atilde;o do I Governo Constitucional. De acordo com o dirigente socialista, &laquo;naquele tempo, no PS, ningu&eacute;m estava em condi&ccedil;&otilde;es de me dizer n&atilde;o&raquo;. Reconhece, no entanto, ter cedido &agrave;s pretens&otilde;es de Medeiros Ferreira que, recusando continuar na secretaria de Estado dos Neg&oacute;cios Estrangeiros, lhe exige a pasta de ministro. Medeiros Ferreira &laquo;fora de uma grande lealdade&raquo; nos confrontos que travara com Melo Antunes e &laquo;era um convicto defensor da pol&iacute;tica de alinhamento com a Europa e com o Ocidente&raquo; por si postulada, justifica Soares<sup><a href="#32">32</a></sup><a name="top32"></a>.</blockquote>     <p></p>     <p>Jos&eacute; Medeiros Ferreira toma posse como ministro dos Neg&oacute;cios Estrangeiros a 23 de julho de 1976. Inicia fun&ccedil;&otilde;es num momento determinante da hist&oacute;ria recente de Portugal em que, como recordar&aacute; mais tarde, se opera &laquo;o tr&acirc;nsito entre as institui&ccedil;&otilde;es revolucion&aacute;rias e o Estado democr&aacute;tico&raquo;<sup><a href="#33">33</a></sup><a name="top33"></a>, competindo-lhe inaugurar a nova etapa da pol&iacute;tica externa do per&iacute;odo constitucional. Move-o o objetivo de ligar Portugal &agrave; Europa, econ&oacute;mica e estrategicamente, eixo que enformar&aacute; o novo paradigma das rela&ccedil;&otilde;es de Portugal com o mundo.</p>     <p>Se a ades&atilde;o de Portugal &agrave; CEE rapidamente se constitui como a prioridade, ela n&atilde;o pode ser dissociada das dimens&otilde;es atl&acirc;ntica e africana que Medeiros Ferreira pretendia inculcar &agrave; pol&iacute;tica externa portuguesa. Como anunciara pouco antes de integrar o novo executivo, &laquo;Os nossos eixos de pol&iacute;tica externa s&atilde;o em termos continentais, a Europa e a &Aacute;frica, mas em termos de mares, &eacute; o Atl&acirc;ntico&raquo;:</p>     <p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<blockquote>Certos te&oacute;ricos dizem que o Mediterr&acirc;neo &eacute; o eixo da pol&iacute;tica externa portuguesa. Isso &eacute; errado. O eixo da pol&iacute;tica externa portuguesa &eacute; a Europa e o Atl&acirc;ntico. E uma nova zona em cria&ccedil;&atilde;o, a zona Europa-&Aacute;frica onde, ent&atilde;o sim, o Mediterr&acirc;neo nos surge como subeixo, mas nunca, como espa&ccedil;o privilegiado das nossas rela&ccedil;&otilde;es internacionais, porque isso era evidentemente esquecer o &oacute;bvio: Portugal &eacute; um pa&iacute;s atl&acirc;ntico.&raquo;<sup><a href="#34">34</a></sup><a name="top34"></a></blockquote>     <p></p>     <p>Esta conce&ccedil;&atilde;o de Portugal como pa&iacute;s ocidental, europeu e atl&acirc;ntico perpassa o programa do I Governo Constitucional apresentado na Assembleia da Rep&uacute;blica a 2 de agosto de 1976. Ainda que, como &eacute; usual nestas circunst&acirc;ncias, ele resulte de um trabalho coletivo, &eacute; imposs&iacute;vel negar o papel preponderante de Medeiros Ferreira na elabora&ccedil;&atilde;o do cap&iacute;tulo da pol&iacute;tica externa<sup><a href="#35">35</a></sup><a name="top35"></a>. Como o pr&oacute;prio ter&aacute; oportunidade de atestar, existe uma evidente proximidade entre os princ&iacute;pios a&iacute; consignados e as teses que, tr&ecirc;s anos antes, apresentara ao Congresso da Oposi&ccedil;&atilde;o Democr&aacute;tica realizado em Aveiro<sup><a href="#36">36</a></sup><a name="top36"></a>. Mais que uma &laquo;coincid&ecirc;ncia&raquo;, as afinidades entre os dois textos evidenciam o seu contributo fundamental na defini&ccedil;&atilde;o dos objetivos e prioridades do Executivo em mat&eacute;ria de pol&iacute;tica externa.</p>     <p>Num primeiro momento, o programa apresenta o que designa como princ&iacute;pios fundamentais da pol&iacute;tica a implementar. Como ponto de partida a ideia de que n&atilde;o sendo uma &laquo;actividade adjacente no contexto geral da actividade do Estado&raquo;, as rela&ccedil;&otilde;es internacionais devem assumir um &laquo;papel essencial&raquo; na defesa da &laquo;dignidade&raquo; e da &laquo;independ&ecirc;ncia nacional&raquo;, nomeadamente na circunst&acirc;ncia de &laquo;uma assist&ecirc;ncia econ&oacute;mica externa para fazer face a dificuldades econ&oacute;micas&raquo;<sup><a href="#37">37</a></sup><a name="top37"></a>.</p>     <p>Matriz do pensamento de Jos&eacute; Medeiros Ferreira, naquele e noutros contextos, deste papel essencial atribu&iacute;do &agrave; atividade internacional do Estado decorre um conjunto de preceitos que anunciam os eixos centrais na nova pol&iacute;tica externa: (<i>i</i>) o respeito pelos princ&iacute;pios consignados no artigo 7.&deg; da Constitui&ccedil;&atilde;o<sup><a href="#38">38</a></sup><a name="top38"></a>; (<i>ii</i>) a obriga&ccedil;&atilde;o do Estado de &laquo;defender os seus nacionais onde quer que se encontrem&raquo;, miss&atilde;o consignada &agrave; Secretaria de Estado da Emigra&ccedil;&atilde;o<sup><a href="#39">39</a></sup><a name="top39"></a>; (<i>iii</i>) a entrada e participa&ccedil;&atilde;o de Portugal nos organismos internacionais; e, sobretudo, (<i>iv</i>) a &laquo;voca&ccedil;&atilde;o europeia de Portugal&rdquo;&raquo;, apresentada como &laquo;indesment&iacute;vel e, o que mais &eacute;, irrecus&aacute;vel&raquo;.</p>     <p>A defini&ccedil;&atilde;o destes princ&iacute;pios permite a apresenta&ccedil;&atilde;o de medidas concretas a implementar no que diz respeito &agrave;s rela&ccedil;&otilde;es bilaterais mas, sobretudo, &agrave;s multilaterais. Neste &uacute;ltimo dom&iacute;nio define-se como priorit&aacute;ria e urgente: (<i>a</i>) a admiss&atilde;o no Conselho da Europa; (<i>b</i>) a prepara&ccedil;&atilde;o da ades&atilde;o &agrave; CEE; (<i>c</i>) o cumprimento dos compromissos assumidos com a EFTA; (<i>d</i>) a intensifica&ccedil;&atilde;o dos contactos &laquo;quer a n&iacute;vel pol&iacute;tico, quer a n&iacute;vel militar, com vista &agrave; execu&ccedil;&atilde;o dos compromissos&raquo; decorrentes da Alian&ccedil;a Atl&acirc;ntica<sup><a href="#40">40</a></sup><a name="top40"></a>; (<i>e</i>) a participa&ccedil;&atilde;o nas iniciativas de seguran&ccedil;a e coopera&ccedil;&atilde;o na Europa decorrentes da Confer&ecirc;ncia de Hels&iacute;nquia; (<i>f</i>) a colabora&ccedil;&atilde;o ativa com organismos internacionais como a ONU e as suas ag&ecirc;ncias especiais; (<i>g</i>) a defini&ccedil;&atilde;o de uma &laquo;pol&iacute;tica realista para com os pa&iacute;ses ditos do Terceiro Mundo&raquo; traduzida no refor&ccedil;o da &laquo;solidariedade com os pa&iacute;ses da Am&eacute;rica Latina&raquo;, renova&ccedil;&atilde;o das &laquo;hist&oacute;ricas rela&ccedil;&otilde;es com os pa&iacute;ses &aacute;rabes&raquo; e no acompanhamento, &laquo;com simpatia&raquo;, da &laquo;evolu&ccedil;&atilde;o da pol&iacute;tica dos pa&iacute;ses n&atilde;o-alinhados&raquo;.</p>     <p>No que diz respeito ao campo das rela&ccedil;&otilde;es bilaterais, o programa apontava para o fomento de contactos &laquo;com todos os pa&iacute;ses com os quais tenhamos la&ccedil;os especiais&raquo; como a Espanha, a Fran&ccedil;a, a Rep&uacute;blica Federal da Alemanha, os Estados Unidos, o Canad&aacute; e a Venezuela, mas tamb&eacute;m com o Reino Unido. A coopera&ccedil;&atilde;o com os pa&iacute;ses de express&atilde;o portuguesa (Brasil, Guin&eacute;, Mo&ccedil;ambique, Cabo Verde, S&atilde;o Tom&eacute; e Pr&iacute;ncipe e Angola) merece um destaque especial, postulando-se o &laquo;refor&ccedil;o da Comunidade Luso-Brasileira em termos de efici&ecirc;ncia pr&aacute;tica&raquo; e a normaliza&ccedil;&atilde;o dos contactos entre Portugal, Angola e Mo&ccedil;ambique, &laquo;procurando desdramatizar os problemas existentes e trata-los de forma n&atilde;o ideol&oacute;gica, no respeito mais escrupuloso pelas soberanias e pelos interesses respectivos em termos de igualdade&raquo;. Nesse &acirc;mbito anuncia-se tamb&eacute;m a extin&ccedil;&atilde;o do Minist&eacute;rio da Coopera&ccedil;&atilde;o passando &laquo;os assuntos de interesse comum&raquo; a ser tratados, &laquo;como &eacute; normal, no &acirc;mbito do Minist&eacute;rio dos Neg&oacute;cios Estrangeiros&raquo;<sup><a href="#41">41</a></sup><a name="top41"></a>. Em suma, a an&aacute;lise dos princ&iacute;pios e medidas propostos permite-nos concluir tratar&nbsp;se de um programa ambicioso, propondo uma nova defini&ccedil;&atilde;o do papel de Portugal no mundo, uma vez encerrado o ciclo do Imp&eacute;rio. Gravitando em torno do tri&acirc;ngulo Europa, Atl&acirc;ntico, &Aacute;frica, repensado &agrave; luz da op&ccedil;&atilde;o europeia, ele fixa o quadro de refer&ecirc;ncia central da pol&iacute;tica externa do Portugal democr&aacute;tico.</p>     <p>&nbsp;</p>     <P><B>CEE: UMA MISS&Atilde;O ESTRAT&Eacute;GICA DO PORTUGAL DEMOCR&Aacute;TICO</B></P>     <p>H&aacute; muito acalentada por Medeiros Ferreira, que na tese enviada ao Congresso de Aveiro refletira longamente sobre as condi&ccedil;&otilde;es necess&aacute;rias para o &laquo;enlace de Portugal na Europa&raquo;, a op&ccedil;&atilde;o europeia &eacute; provavelmente um dos maiores reptos do Portugal democr&aacute;tico. O desafio &eacute; amplamente acarinhado pelo I Governo Constitucional que, tendo usado como <i>slogan </i>eleitoral o lema &laquo;A Europa Connosco&raquo;, o assume como priorit&aacute;rio. Analisando as possibilidades que se colocavam ao Pa&iacute;s findo o processo de descoloniza&ccedil;&atilde;o e ultrapassadas as op&ccedil;&otilde;es terceiro-mundistas do per&iacute;odo revolucion&aacute;rio, o seu programa &eacute; inequ&iacute;voco a este respeito:</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>     <blockquote>Com o encerramento do ciclo do imp&eacute;rio, com a subsequente redu&ccedil;&atilde;o dos interesses portugueses em &Aacute;frica, com o fluxo migrat&oacute;rio, com a multiplica&ccedil;&atilde;o dos la&ccedil;os econ&oacute;micos com os pa&iacute;ses do nosso continente, com a nossa presen&ccedil;a na EFTA, acentuou&nbsp;se decisivamente a componente europeia no enquadramento da pol&iacute;tica externa portuguesa. A voca&ccedil;&atilde;o europeia de Portugal &eacute; indesment&iacute;vel e, o que mais &eacute;, irrecus&aacute;vel.&raquo;<sup><a href="#42">42</a></sup><a name="top42"></a></blockquote>     <p></p>     <p>Neste contexto, urgia &laquo;encarar de frente&raquo; o problema da ades&atilde;o &laquo;&agrave;s diferentes institui&ccedil;&otilde;es europeias, quer no campo pol&iacute;tico, quer no campo econ&oacute;mico e social&raquo;, por forma a garantir a presen&ccedil;a de Portugal &laquo;no esfor&ccedil;o comum dos pa&iacute;ses democr&aacute;ticos europeus na transforma&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica, econ&oacute;mica, social e cultural do velho continente&raquo;<sup><a href="#43">43</a></sup><a name="top43"></a>.</p>     <p>Superando a perspetiva puramente econ&oacute;mica subjacente aos acordos de associa&ccedil;&atilde;o de 1972, a prioridade do I Governo Constitucional reca&iacute;a na ades&atilde;o &agrave; CEE. Como j&aacute; em finais de mar&ccedil;o de 1976 Jos&eacute; Medeiros Ferreira afirmara, Portugal deveria &laquo;candidatar-se &agrave; integra&ccedil;&atilde;o na Comunidade Europeia digamos, a tempo inteiro com todas as responsabilidades, mas, igualmente com as vantagens que da&iacute; adv&ecirc;m&raquo;<sup><a href="#44">44</a></sup><a name="top44"></a>. Porque a par dos benef&iacute;cios em termos de moderniza&ccedil;&atilde;o e desenvolvimento, em causa estava a consolida&ccedil;&atilde;o da ordem democr&aacute;tica rec&eacute;m&nbsp;institucionalizada.</p>     <p>O processo previa-se longo e complexo, comportando &laquo;necessariamente a realiza&ccedil;&atilde;o de um certo n&uacute;mero de actos sucessivos que necessitam de ser escalonados no tempo&raquo;<sup><a href="#45">45</a></sup><a name="top45"></a>. Apesar da magnitude do empreendimento, o programa do Governo previa a sua conclus&atilde;o no prazo de tr&ecirc;s anos, coincidindo assim com o termo da legislatura. Um projeto ambicioso, cujos dividendos pol&iacute;ticos e eleitorais eram evidentes, em que se empenha afincadamente o novo ministro dos Neg&oacute;cios Estrangeiros.</p>     <p>     <blockquote>Fui sem d&uacute;vida respons&aacute;vel pela rapidez com que o I Governo Constitucional pediu a ades&atilde;o de Portugal &agrave; Comunidade Econ&oacute;mica Europeia&raquo;<sup><a href="#46">46</a></sup><a name="top46"></a>, gostar&aacute; de recordar. Trabalhando em estreita articula&ccedil;&atilde;o com o primeiro&nbsp;ministro M&aacute;rio Soares, Medeiros Ferreira foi o elemento central da venturosa opera&ccedil;&atilde;o diplom&aacute;tica formalmente desencadeada a 20 de setembro de 1976 com a assinatura do Protocolo Adicional ao Acordo de 1972 entre Portugal e a CEE e do Acordo Intercalar e Protocolo Financeiro que entraram em vigor a 1 de dezembro de 1976. Fase preliminar do processo de ades&atilde;o, este ato &eacute; complementado com duas iniciativas que se revestem de grande import&acirc;ncia e simbolismo: o pedido de ades&atilde;o ao Conselho da Europa e a assinatura da Conven&ccedil;&atilde;o Europeia dos Direitos do Homem e dos Pactos dos Direitos C&iacute;vicos e Econ&oacute;micos da ONU. No discurso proferido perante a Assembleia Parlamentar do Conselho da Europa, a 22 de setembro, Medeiros Ferreira afirma ser este &laquo;o primeiro passo na via que ir&aacute; levar-nos a tornar-nos parte integrante de uma comunidade de pa&iacute;ses cada vez mais pr&oacute;spera, livre e forte&raquo;, reafirmando o compromisso do Governo portugu&ecirc;s na consolida&ccedil;&atilde;o da ordem democr&aacute;tica rec&eacute;m-conquistada<sup><a href="#47">47</a></sup><a name="top47"></a>.</blockquote>     <p></p>     <p>Longamente analisado em estudos como os desenvolvidos por Nicolau Leit&atilde;o, Francisco Castro e Alice Cunha<sup><a href="#48">48</a></sup><a name="top48"></a>, o processo teve um importante impulso nos primeiros meses de 1977, na sequ&ecirc;ncia dos contactos estabelecidos por M&aacute;rio Soares e Jos&eacute; Medeiros Ferreira em diferentes capitais europeias. Tendo como objetivo perscrutar o posicionamento dos estados-membros da CEE sobre as inten&ccedil;&otilde;es do Governo portugu&ecirc;s, o p&eacute;riplo inicia-se estrategicamente em Londres e desenvolve-se em duas fases<sup><a href="#49">49</a></sup><a name="top49"></a>. Soares recorda que, &laquo;apesar do clima amig&aacute;vel e solid&aacute;rio com que nos receberam em todas as capitais, &eacute; claro que se manifestaram algumas d&uacute;vidas e at&eacute; resist&ecirc;ncias&raquo;, referindo-se em concreto &agrave;s posi&ccedil;&otilde;es assumidas pela Fran&ccedil;a, Irlanda, It&aacute;lia e Luxemburgo<sup><a href="#50">50</a></sup><a name="top50"></a>.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Apesar das dificuldades, os objetivos do p&eacute;riplo europeu foram plenamente alcan&ccedil;ados &ndash; a fase das sondagens estava ultrapassada. A 28 de mar&ccedil;o de 1977 o I Governo Constitucional entrega em Bruxelas o pedido formal de ades&atilde;o de Portugal &agrave; CEE. Dias depois, em in&iacute;cios de abril de 1977, o Conselho de Ministros dos Nove formaliza a aceita&ccedil;&atilde;o do pedido, deixando patente como a consolida&ccedil;&atilde;o da democracia portuguesa era fundamental para a estabiliza&ccedil;&atilde;o da Europa do Sul. O processo negocial ir&aacute; revelar-se mais complexo do que o desejado, arrastando-se por quase uma d&eacute;cada. De qualquer forma, um passo fundamental fora dado e a op&ccedil;&atilde;o europeia era uma realidade. &laquo;Os velhos do Restelo da nossa ades&atilde;o &agrave; Europa acabam de ser derrotados&raquo;, comentou Medeiros Ferreira nessa ocasi&atilde;o<sup><a href="#51">51</a></sup><a name="top51"></a>.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><B>COOPERA&Ccedil;&Atilde;O COM OS PA&Iacute;SES DE EXPRESS&Atilde;O PORTUGUESA: PRESSUPOSTO PARA A INTEGRA&Ccedil;&Atilde;O EUROPEIA</B></p>     <p>     <blockquote>Este tema da descoloniza&ccedil;&atilde;o marcar&aacute; toda a nossa hist&oacute;ria nos tempos mais pr&oacute;ximos&raquo;<sup><a href="#52">52</a></sup><a name="top52"></a>, vaticinara Medeiros Ferreira em 1970. O tema &eacute; retomado e desenvolvido nas conclus&otilde;es da j&aacute; citada tese ao Congresso de Aveiro onde, a par da urg&ecirc;ncia da descoloniza&ccedil;&atilde;o, emerge a ideia de repensar as rela&ccedil;&otilde;es de Portugal com &Aacute;frica no quadro pol&iacute;tico mais vasto de cria&ccedil;&atilde;o de uma zona Europa-&Aacute;frica. De facto, ainda que a op&ccedil;&atilde;o estrat&eacute;gica a partir de 1976 tenha sido a &laquo;europeia&raquo;, houve uma aposta na normaliza&ccedil;&atilde;o e desenvolvimento das rela&ccedil;&otilde;es com os novos pa&iacute;ses de express&atilde;o portuguesa. Um processo que nem sempre se revelar&aacute; f&aacute;cil, exigindo, como veremos, a conjuga&ccedil;&atilde;o de diferentes esfor&ccedil;os e a supera&ccedil;&atilde;o de v&aacute;rios obst&aacute;culos. Consciente de que seria &laquo;puro idealismo julgar-se autom&aacute;tico o ajustamento dos interesses&raquo; de Portugal e das suas ex-col&oacute;nias<sup><a href="#53">53</a></sup><a name="top53"></a>, Medeiros Ferreira procura analisar o fen&oacute;meno em termos hist&oacute;ricos:</blockquote>     <p></p>     <p>     <blockquote>a esses pa&iacute;ses conv&ecirc;m m&aacute;s rela&ccedil;&otilde;es com Portugal num primeiro per&iacute;odo. Sabe, o Marqu&ecirc;s de Pombal fez o mesmo com a Santa S&eacute;, aproveitou as m&aacute;s rela&ccedil;&otilde;es existentes com a Santa S&eacute; durante nove anos para avan&ccedil;ar na resolu&ccedil;&atilde;o unilateral do contencioso com o Vaticano e at&eacute; na pr&oacute;pria reforma do ensino. [&hellip;] Da mesma maneira, penso que interessa aos dirigentes das ex&nbsp;col&oacute;nias uma certa tens&atilde;o, umas certas dificuldades nas rela&ccedil;&otilde;es com Portugal para avan&ccedil;arem na sua pr&oacute;pria pol&iacute;tica, sem uma press&atilde;o constante da diplomacia portuguesa, inevit&aacute;vel caso quisessem boas rela&ccedil;&otilde;es imediatamente.&raquo;<sup><a href="#54">54</a></sup><a name="top54"></a></blockquote>     <p></p>     <p>Postulando uma posi&ccedil;&atilde;o de firmeza na defesa dos retornados e da comunidade portuguesa que optasse por residir nos novos pa&iacute;ses independentes<sup><a href="#55">55</a></sup><a name="top55"></a>, Medeiros Ferreira encara as rela&ccedil;&otilde;es com as ex-col&oacute;nias como uma pe&ccedil;a central da nova pol&iacute;tica externa portuguesa. Porque, observar&aacute; ao empossar os novos diretores-gerais dos Neg&oacute;cios Pol&iacute;ticos e Econ&oacute;micos e dos Servi&ccedil;os Centrais do MNE, em julho de 1977,</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>     <blockquote>Portugal ter&aacute; de encontrar fora da Europa as for&ccedil;as necess&aacute;rias para se impor neste continente e p&ocirc;r a&iacute; o interesse real na dimens&atilde;o atl&acirc;ntica a norte e a sul. Portugal, por outro lado, ter&aacute; de estar consciente que no eixo Europa&nbsp;&Aacute;frica se joga muito do seu futuro e do seu peso no mundo contempor&acirc;neo. Por isso convir&aacute; que o jogue por si pr&oacute;prio e n&atilde;o por outros.&raquo;<sup><a href="#56">56</a></sup><a name="top56"></a></blockquote>     <p></p>     <p>A mesma ideia estivera presente no seu discurso na 31.&ordf; Assembleia Geral da ONU, em outubro de 1976, onde se refere &agrave; exist&ecirc;ncia de um &laquo;espa&ccedil;o geopol&iacute;tico econ&oacute;mico solid&aacute;rio&raquo; que incluiria a &ldquo;Europa democr&aacute;tica e os pa&iacute;ses africanos&rdquo; e para a constru&ccedil;&atilde;o do qual Portugal poderia dar uma contribui&ccedil;&atilde;o importante&raquo;<sup><a href="#57">57</a></sup><a name="top57"></a>. Neste contexto, &eacute; mais f&aacute;cil entender que a pol&iacute;tica africana e, sobretudo, a coopera&ccedil;&atilde;o com os pa&iacute;ses de express&atilde;o portuguesa, tenha constitu&iacute;do um aspecto importante da sua estrat&eacute;gia diplom&aacute;tica.</p>     <p>Quando Jos&eacute; Medeiros Ferreira assume a dire&ccedil;&atilde;o do Minist&eacute;rio, as rela&ccedil;&otilde;es de Portugal com as suas ex-col&oacute;nias encontravam-se em est&aacute;dios diferentes, determinados n&atilde;o apenas pela forma como decorrera o processo descolonizador mas tamb&eacute;m pela maneira como os novos estados encaram as rela&ccedil;&otilde;es p&oacute;s-coloniais<sup><a href="#58">58</a></sup><a name="top58"></a>. O Programa do I Governo Provis&oacute;rio atestava j&aacute; o bom relacionamento alcan&ccedil;ado com Cabo Verde, Guin&eacute;-Bissau e S&atilde;o Tom&eacute; e Pr&iacute;ncipe, situa&ccedil;&atilde;o que se manter&aacute; e consolidar&aacute; durante o mandato de Medeiros Ferreira atrav&eacute;s da celebra&ccedil;&atilde;o de v&aacute;rios acordos de coopera&ccedil;&atilde;o<sup><a href="#59">59</a></sup><a name="top59"></a>. Apesar da aparente linha de continuidade relativamente &agrave; estrat&eacute;gia seguida at&eacute; esse momento, o novo titular dos Neg&oacute;cios Estrangeiros introduz um elemento original e verdadeiramente progressista nesta equa&ccedil;&atilde;o: o facto de perspetivar essas rela&ccedil;&otilde;es numa base n&atilde;o ideol&oacute;gica.</p>     <p>Contenciosos humanos, econ&oacute;mico-financeiros mas tamb&eacute;m pol&iacute;ticos dificultar&atilde;o a normaliza&ccedil;&atilde;o das rela&ccedil;&otilde;es de Portugal com Angola e Mo&ccedil;ambique. No que diz respeito a este &uacute;ltimo Estado, Medeiros Ferreira herda n&atilde;o apenas o complexo dossi&ecirc; de Cahora-Bassa como tamb&eacute;m um clima de forte desconfian&ccedil;a e recrimina&ccedil;&atilde;o m&uacute;tua fomentado pelas resist&ecirc;ncias &agrave;s nacionaliza&ccedil;&otilde;es; pela pris&atilde;o, sem julgamento, de cerca de duas centenas de portugueses acusados de atividades contrarrevolucion&aacute;rias; e pela amea&ccedil;a de expuls&atilde;o dos colonos que n&atilde;o aceitassem a nacionalidade mo&ccedil;ambicana. Empenhado em travar as situa&ccedil;&otilde;es mais gravosas, em in&iacute;cios de abril de 1977 Medeiros Ferreira anuncia a sua intens&atilde;o de entregar um memorando ao Alto-Comissariado das Na&ccedil;&otilde;es Unidas para os Refugiados, no sentido de lhe chamar a aten&ccedil;&atilde;o para o problema<sup><a href="#60">60</a></sup><a name="top60"></a>. Dias depois, a ordem de expuls&atilde;o &eacute; suspensa<sup><a href="#61">61</a></sup><a name="top61"></a>.</p>     <p>Igualmente dif&iacute;ceis se afiguravam as rela&ccedil;&otilde;es com Angola. Depois da pol&eacute;mica em torno do reconhecimento da RPA (novembro de 1975-fevereiro de 1976), e do amplo trabalho desenvolvido tendo em vista a aproxima&ccedil;&atilde;o entre os dois estados, o processo conhece um retrocesso quando, em maio de 1976, o Governo de Luanda suspende unilateralmente as rela&ccedil;&otilde;es diplom&aacute;ticas com Portugal alegando n&atilde;o haver interesse na continua&ccedil;&atilde;o das rela&ccedil;&otilde;es diplom&aacute;ticas entre os dois estados. Segundo Medeiros Ferreira, a medida representava uma derrota da pol&iacute;tica &laquo;terceiro-mundista e nas rela&ccedil;&otilde;es privilegiadas com as ex-col&oacute;nias&raquo; em que Melo Antunes tanto se empenhara, interpretando-a como uma manobra das autoridades angolanas destinada a nacionalizar os bens dos portugueses: &laquo;por raz&otilde;es diversas Angola entende que quer ter as m&atilde;os livres para fazer a sua pr&oacute;pria pol&iacute;tica de nacionaliza&ccedil;&otilde;es e n&atilde;o est&aacute; para discutir isso, at&eacute; porque n&atilde;o havia nenhum acordo neste dom&iacute;nio&raquo;<sup><a href="#62">62</a></sup><a name="top62"></a>.</p>     <p>Herdando esta complexa situa&ccedil;&atilde;o, o processo de reaproxima&ccedil;&atilde;o a Luanda ser&aacute; uma das apostas de Medeiros Ferreira nos primeiros momentos do seu consulado. Na sequ&ecirc;ncia de contatos pr&eacute;vios entre delega&ccedil;&otilde;es do Movimento Popular de Liberta&ccedil;&atilde;o de Angola (MPLA) e do PS, a 30 de setembro de 1976, encontra&nbsp;se com Jos&eacute; Eduardo dos Santos na ilha do Sal. O comunicado conjunto emitido no final destas conversa&ccedil;&otilde;es anuncia o restabelecimento das rela&ccedil;&otilde;es diplom&aacute;ticas entre os dois estados, assim como o desejo de procurar &laquo;oportunamente e atrav&eacute;s da via diplom&aacute;tica, resolver as principais quest&otilde;es que atingem a comunidade portuguesa em Angola e a comunidade angolana em Portugal&raquo;, prevendo-se a cria&ccedil;&atilde;o de &laquo;comiss&otilde;es mistas especializadas, destinadas a estudar os diferentes aspectos do contencioso existente&raquo;<sup><a href="#63">63</a></sup><a name="top63"></a>. De acordo com Vasco Valente, 1.&ordm; encarregado de neg&oacute;cios em Luanda, depois do restabelecimento das rela&ccedil;&otilde;es diplom&aacute;ticas em 1976, o ministro Medeiros Ferreira teve uma a&ccedil;&atilde;o &laquo;importante, ao lan&ccedil;ar as bases de uma pol&iacute;tica de di&aacute;logo e coopera&ccedil;&atilde;o a longo prazo. Uma medida corajosa, porque sab&iacute;amos que no curto prazo s&oacute; ir&iacute;amos ter dissabores, mas o Governo endossou&nbsp;a, tal como o Presidente Eanes, cujo papel discreto, mas central, foi determinante&raquo;<sup><a href="#64">64</a></sup><a name="top64"></a>. Medeiros Ferreira apostou por rela&ccedil;&otilde;es fortes entre os estados, que estivessem acima das quest&otilde;es partid&aacute;rias.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><B>A &laquo;UNIDADE DE REPRESENTA&Ccedil;&Atilde;O EXTERNA&raquo; E A RUTURA COM SOARES</B></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&Eacute; dif&iacute;cil, no &acirc;mbito deste artigo, apresentar um quadro completo do que foi a estrat&eacute;gia e a&ccedil;&atilde;o precursora de Medeiros Ferreira em dom&iacute;nios como o da pol&iacute;tica de emigra&ccedil;&atilde;o, rela&ccedil;&otilde;es bilaterais ou rela&ccedil;&otilde;es multilaterais, nomeadamente no &acirc;mbito da EFTA, NATO, ONU ou outros organismos internacionais<sup><a href="#65">65</a></sup><a name="top65"></a>. No entanto, o seu legado em termos de moderniza&ccedil;&atilde;o da vis&atilde;o estrat&eacute;gica da pol&iacute;tica externa portuguesa n&atilde;o &eacute; compreens&iacute;vel sem uma breve refer&ecirc;ncia &agrave; forma como concebeu a quest&atilde;o da representa&ccedil;&atilde;o internacional do Estado e, implicitamente, interpretou as cl&aacute;usulas constitucionais relativas ao papel do Presidente da Rep&uacute;blica nesse dom&iacute;nio.</p>     <p>Ainda antes de assumir fun&ccedil;&otilde;es como ministro dos Neg&oacute;cios Estrangeiros, Medeiros Ferreira manifestara a sua apreens&atilde;o relativamente &agrave; forma como a pol&iacute;tica externa se desenvolvia no Portugal revolucion&aacute;rio denunciando uma prejudicial multiplica&ccedil;&atilde;o dos centros de decis&atilde;o:</p>     <p>     <blockquote>V&aacute;rios departamentos se d&atilde;o ao luxo de terem contactos directos e fazerem as suas pr&oacute;prias rela&ccedil;&otilde;es externas, o que n&atilde;o pode acontecer. H&aacute;, ali&aacute;s, alguns embaixadores em Lisboa, que s&atilde;o peritos em se esquecerem do M.N.E. Como n&atilde;o pode acontecer que haja um cerceamento de compet&ecirc;ncias do Minist&eacute;rio dos Neg&oacute;cios Estrangeiros, que ora se v&ecirc; obrigado pelo Minist&eacute;rio da Coopera&ccedil;&atilde;o, ora pela Comunidade Social, ora pelo Minist&eacute;rio das Finan&ccedil;as, ou pelo Minist&eacute;rio da Educa&ccedil;&atilde;o, ou pela Comiss&atilde;o de Descoloniza&ccedil;&atilde;o. &Eacute; um Minist&eacute;rio que necessita evidentemente de um vigoroso ordenamento para continuar a existir como departamento fundamental da vida pol&iacute;tica portuguesa, sem o que n&atilde;o haver&aacute;, como n&atilde;o h&aacute; unidade de ac&ccedil;&atilde;o na pol&iacute;tica externa portuguesa.&raquo;<sup><a href="#66">66</a></sup><a name="top66"></a></blockquote>     <p></p>     <p>Defendendo a reforma de estruturas do Minist&eacute;rio dos Neg&oacute;cios Estrangeiros, o Programa do I Governo Constitucional responde diretamente a estas inquieta&ccedil;&otilde;es, colocando entre as suas prioridades a racionaliza&ccedil;&atilde;o dos departamentos com voca&ccedil;&atilde;o para contactos internacionais.</p>     <p>Algo surpreendentemente, um ano depois, ao empossar os novos diretores-gerais do Minist&eacute;rio (julho de 1977), o discurso do titular da pasta &eacute; novamente dominado pela quest&atilde;o da unidade de representa&ccedil;&atilde;o externa. Destacando a import&acirc;ncia da pol&iacute;tica africana e das recentes iniciativas do Presidente da Rep&uacute;blica neste dom&iacute;nio, tomadas em estreita coordena&ccedil;&atilde;o com o MNE, comenta: &laquo;Infelizmente, t&ecirc;m proliferado neste per&iacute;odo as personalidades que se apresentam elas pr&oacute;prias como os interlocutores privilegiados do estrangeiro e quantas vezes desautorizados pelos factos.&raquo;<sup><a href="#67">67</a></sup><a name="top67"></a></p>     <p>Apologista de uma representa&ccedil;&atilde;o externa do Estado conduzida pelo MNE, com a participa&ccedil;&atilde;o ativa do Presidente da Rep&uacute;blica e do primeiro-ministro<sup><a href="#68">68</a></sup><a name="top68"></a>, Medeiros Ferreira observa com crescente desconfian&ccedil;a a a&ccedil;&atilde;o deste &uacute;ltimo. Em artigo publicado em in&iacute;cios de agosto de 1977, Diniz de Abreu deixava patente o mal-estar que se instalara:</p>     <p>     <blockquote>Ainda recentemente se estabeleceu um diferendo de compet&ecirc;ncia na elabora&ccedil;&atilde;o do diploma que deu forma &agrave; Comiss&atilde;o de Integra&ccedil;&atilde;o Europeia, n&atilde;o sendo por acaso que no articulado se menciona expressamente que o ministro dos Neg&oacute;cios Estrangeiros dever&aacute; fornecer &agrave; comiss&atilde;o &ldquo;as linhas de orienta&ccedil;&atilde;o e as instru&ccedil;&otilde;es necess&aacute;rias ao enquadramento global das negocia&ccedil;&otilde;es com os objectivos concretos da pol&iacute;tica externa&rdquo;.&raquo;<sup><a href="#69">69</a></sup><a name="top69"></a></blockquote>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p></p>     <p>Medeiros Ferreira perde este bra&ccedil;o de ferro uma vez que a comiss&atilde;o, encarregada das negocia&ccedil;&otilde;es com o Mercado Comum, presidida por V&iacute;tor Const&acirc;ncio, viria a depender de Soares e n&atilde;o dele. No entanto, a julgar pelas not&iacute;cias veiculadas por v&aacute;rios &oacute;rg&atilde;os de imprensa neste ver&atilde;o de 1977, este n&atilde;o era um caso isolado de interfer&ecirc;ncia do primeiro&nbsp;ministro na gest&atilde;o da pol&iacute;tica externa.</p>     <p>Segundo o <i>Expresso</i>, era frequente M&aacute;rio Soares assumir &laquo;pessoalmente a orienta&ccedil;&atilde;o da diplomacia portuguesa, utilizando, por vezes, a sua qualidade de vice-presidente da Internacional Socialista&raquo; e recorrendo &laquo;aos contactos directos com os embaixadores, passando ao lado ou &laquo;por cima&raquo; do MNE&raquo;<sup><a href="#70">70</a></sup><a name="top70"></a>. Da mesma forma, observa o <i>Di&aacute;rio de Not&iacute;cias</i>, &laquo;n&atilde;o ter&aacute; sido acidental o sil&ecirc;ncio que se fez &agrave; volta de uma anunciada desloca&ccedil;&atilde;o do secret&aacute;rio de Estado Manuel Alegre a Angola, ainda que numa miss&atilde;o aparentemente ligada &agrave; qualidade de dirigente do Partido Socialista&raquo;<sup><a href="#71">71</a></sup><a name="top71"></a>. Ou ainda o facto de ter existido o cuidado de &laquo;noticiar que a ida de um enviado especial do Presidente da Rep&uacute;blica a Angola n&atilde;o se fizera &agrave; revelia do Minist&eacute;rio, antes com a sua colabora&ccedil;&atilde;o&raquo;<sup><a href="#72">72</a></sup><a name="top72"></a>. A imagem de que se travava um duro bra&ccedil;o de ferro entre o primeiro-ministro e o ministro dos Neg&oacute;cios Estrangeiros, secundado pelo Presidente da Rep&uacute;blica, torna&nbsp;se mais evidente quando Diniz de Abreu evoca as palavras de Medeiros Ferreira a prop&oacute;sito do significado pol&iacute;tico da visita de Ramalho Eanes a Espanha: &laquo;O Governo s&oacute; tem de estar satisfeito pelo facto de o Presidente da Rep&uacute;blica mostrar o seu empenho, numa acentua&ccedil;&atilde;o, pela sua pessoa, das rela&ccedil;&otilde;es internacionais tra&ccedil;adas pelo Governo.&raquo;<sup><a href="#73">73</a></sup><a name="top73"></a></p>     <p>A tens&atilde;o entre S&atilde;o Bento e o Pal&aacute;cio das Necessidades n&atilde;o era recente, tendo-se agravado depois de, na sequ&ecirc;ncia do &laquo;golpe Nito Alves&raquo;, o Presidente da Rep&uacute;blica ter enviado um emiss&aacute;rio a Luanda, com o conhecimento e apoio do ministro dos Neg&oacute;cios Estrangeiros mas a oposi&ccedil;&atilde;o de M&aacute;rio Soares<sup><a href="#74">74</a></sup><a name="top74"></a>. Desconfiado da aparente proximidade e sintonia de posi&ccedil;&otilde;es entre Medeiros Ferreira e Ramalho Eanes, e dos efeitos que ela poderia ter sobre as rela&ccedil;&otilde;es com as ex-col&oacute;nias<sup><a href="#75">75</a></sup><a name="top75"></a>, Soares decide desencadear uma iniciativa aut&oacute;noma, enviando Manuel Alegre a Maputo e Luanda. A &laquo;expedi&ccedil;&atilde;o africana de Alegre&raquo; faz reavivar os rumores &laquo;sobre as pol&iacute;ticas externas paralelas&raquo; e as suspeitas de um mal-estar na diplomacia portuguesa que, segundo o seman&aacute;rio <i>Expresso</i>, atingia j&aacute; o secret&aacute;rio de Estado da Emigra&ccedil;&atilde;o Jo&atilde;o Lima<sup><a href="#76">76</a></sup><a name="top76"></a>.</p>     <p>Analisando a correla&ccedil;&atilde;o de for&ccedil;as em presen&ccedil;a em finais de agosto, o seman&aacute;rio dirigido por Francisco Pinto Balsem&atilde;o coloca Medeiros Ferreira em vantagem uma vez que, dispondo do apoio influente do &laquo;grupo da Su&iacute;&ccedil;a&raquo;, beneficiaria da imagem pouco positiva de Manuel Alegre pelo seu desempenho como secret&aacute;rio de estado da Comunica&ccedil;&atilde;o Social e tend&ecirc;ncia ao &laquo;vedetismo&raquo;<sup><a href="#77">77</a></sup><a name="top77"></a>. Diferente &eacute; a vis&atilde;o de o <i>Tempo </i>que, aventando a possibilidade de um afastamento do ministro dos Neg&oacute;cios Estrangeiros a breve trecho, comenta: &laquo;Ao que parece, a situa&ccedil;&atilde;o de Medeiros Ferreira deve-se a quest&otilde;es de ordem pessoal uma vez que n&atilde;o sofre contesta&ccedil;&atilde;o o rumo activo e eficiente que imprimiu ao Pal&aacute;cio das Necessidades.&raquo;<sup><a href="#78">78</a></sup><a name="top78"></a></p>     <p>Agravando-se perigosamente ao longo do ver&atilde;o de 1977, as rela&ccedil;&otilde;es entre M&aacute;rio Soares e Medeiros Ferreira abeiram-se da rutura a partir de setembro. Os elogios tecidos pelo primeiro-ministro a Manuel Alegre nas comemora&ccedil;&otilde;es do 5 de Outubro precipitam o desenlace. A 7 de outubro Jos&eacute; Medeiros Ferreira entrega a sua carta de demiss&atilde;o que, tr&ecirc;s dias depois, &eacute; aceite.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><B>UM PROJETO PRECOCEMENTE INTERROMPIDO</B></p>     <p>A demiss&atilde;o de Jos&eacute; Medeiros Ferreira ocorre num momento em que s&atilde;o j&aacute; evidentes as dificuldades do I Governo Constitucional perante a profunda crise econ&oacute;mico-financeira e as cr&iacute;ticas da oposi&ccedil;&atilde;o, acabando por sucumbir em finais desse ano, na sequ&ecirc;ncia da rejei&ccedil;&atilde;o de uma mo&ccedil;&atilde;o de confian&ccedil;a apresentada ao Parlamento. Partindo da sua pr&oacute;pria iniciativa, o afastamento do MNE representou um rude golpe para Medeiros Ferreira dado que, como comentar&aacute; mais tarde, se dedicara &laquo;exclusivamente, com a alma, com o cora&ccedil;&atilde;o e com a raz&atilde;o na defesa dos interesses portugueses&raquo;<sup><a href="#79">79</a></sup><a name="top79"></a>. Por isso, num nos m&uacute;ltiplos textos que, ao longo da sua carreira, dedicou &agrave; integra&ccedil;&atilde;o europeia, Jos&eacute; Medeiros Ferreira assume algo despudoradamente as suas responsabilidades no processo de aproxima&ccedil;&atilde;o de Portugal &agrave; Europa Comunit&aacute;ria:</p>     <p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<blockquote>[&hellip;] n&atilde;o posso esconder que, desde o in&iacute;cio da d&eacute;cada de 70, tinha proposto a ades&atilde;o de Portugal &agrave; CEE, ap&oacute;s o derrube da ditadura. E tenho particulares responsabilidades n&atilde;o s&oacute; na redac&ccedil;&atilde;o do Programa do i Governo Constitucional, na parte respeitante ao cap&iacute;tulo da pol&iacute;tica externa, como na organiza&ccedil;&atilde;o e rapidez do pedido de ades&atilde;o em mar&ccedil;o de 1977, na minha qualidade de Ministro dos Neg&oacute;cios Estrangeiros.&raquo;<sup><a href="#80">80</a></sup><a name="top80"></a></blockquote>     <p></p>     <p>Apresentada em artigos publicados na <i>Seara Nova, </i>no <i>Rep&uacute;blica </i>e no <i>Com&eacute;rcio do Funchal </i>ainda antes do 25 de Abril de 1974, e na sua tese ao Congresso de Aveiro de 1973, a integra&ccedil;&atilde;o europeia como op&ccedil;&atilde;o estrat&eacute;gica para Portugal &eacute; uma ideia longamente amadurecida por Jos&eacute; Medeiros Ferreira, cabendo-lhe ainda, como bem sintetiza Diniz de Abreu, &laquo;&ldquo;destravar&rdquo; este projecto europeu, sem desprezar a intimidade com &Aacute;frica&raquo;<sup><a href="#81">81</a></sup><a name="top81"></a>. As linhas centrais do seu pensamento sobre as op&ccedil;&otilde;es estrat&eacute;gicas e diplom&aacute;ticas do Portugal democr&aacute;tico encontram-se plasmadas no Programa do I Governo Constitucional e na sua a&ccedil;&atilde;o enquanto titular da pasta dos Neg&oacute;cios Estrangeiros desse executivo: admiss&atilde;o no Conselho da Europa; pedido de ades&atilde;o &agrave; CEE; continuidade das rela&ccedil;&otilde;es com a EFTA e o Pacto do Atl&acirc;ntico; diversifica&ccedil;&atilde;o das rela&ccedil;&otilde;es externas; intensifica&ccedil;&atilde;o da representa&ccedil;&atilde;o em organismos internacionais, e das rela&ccedil;&otilde;es com o Terceiro Mundo; coopera&ccedil;&atilde;o com os pa&iacute;ses africanos de express&atilde;o portuguesa; estreitamento de rela&ccedil;&otilde;es bilaterais com pa&iacute;ses como o Reino Unido, Espanha, Fran&ccedil;a, Alemanha Federal, Estados Unidos e Brasil. &laquo;Honestamente julgo&raquo;, comentar&aacute; mais tarde, &laquo;que depois dessa concep&ccedil;&atilde;o da nossa pol&iacute;tica externa, tudo o que de v&aacute;lido se seguiu tem sido at&eacute; hoje meros aspectos de execu&ccedil;&atilde;o daquele Programa&raquo;<sup><a href="#82">82</a></sup><a name="top82"></a>.</p>     <p>Ainda que o seu mandato tenha sido breve (julho de 1976-outubro de 1977) caracterizar-se-&aacute; n&atilde;o apenas pela clarifica&ccedil;&atilde;o da pol&iacute;tica externa como, sobretudo, pela defini&ccedil;&atilde;o do posicionamento externo de Portugal como pa&iacute;s ocidental, europeu e atl&acirc;ntico. Um novo paradigma cujas linhas fundamentais perduram at&eacute; &agrave; atualidade, perpetuando o contributo vision&aacute;rio de Jos&eacute; Medeiros Ferreira para o Portugal democr&aacute;tico. Numa an&aacute;lise produzida, ainda durante o ex&iacute;lio em Genebra, sobre a a&ccedil;&atilde;o governativa de Marcelo Caetano, Medeiros Ferreira comentava:</p>     <p>     <blockquote>Marcelo Caetano possui muito mais prud&ecirc;ncia do que aud&aacute;cia, o que &eacute; uma qualidade conservadora, mas um defeito de homem de Estado. Ali&aacute;s governar conservando &eacute; um mero exerc&iacute;cio escolar do poder.&raquo;<sup><a href="#83">83</a></sup><a name="top83"></a></blockquote>     <p></p>     <p>Ao contr&aacute;rio de Caetano, governar conservando n&atilde;o foi o seu mote.</p>     <p>&nbsp;</p>     <P><B>BIBLIOGRAFIA</B></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>AVILLEZ, Maria Jo&atilde;o &ndash; <i>Soares. Democracia. </i>Lisboa: P&uacute;blico, 1996.</p>     <p>CASTRO, Francisco Niny de &ndash; <i>O Pedido de Ades&atilde;o de Portugal &agrave;s Comunidades Europeias. Aspectos Pol&iacute;tico-Diplom&aacute;ticos</i>. Cascais: Principia, 2010.</p>     <p>FERREIRA, Jos&eacute; Medeiros &ndash; &laquo;Rela&ccedil;&otilde;es externas e defesa nacional&raquo;. In <i>Na&ccedil;&atilde;o e Defesa</i>. Lisboa. N.&ordm; 1, 1976, pp. 17-25.</p>     <p>FERREIRA, Jos&eacute; Medeiros &ndash; <i>Do C&oacute;digo Gen&eacute;tico do Estado Democr&aacute;tico. </i>Lisboa: Contexto, 1981.</p>     <p>FERREIRA, Jos&eacute; Medeiros &ndash; &laquo;Descoloniza&ccedil;&atilde;o e pol&iacute;tica externa portuguesa&raquo;. In <i>Semin&aacute;rio 25 de Abril 10 Anos Depois. </i>Lisboa: Associa&ccedil;&atilde;o 25 de Abril/ Funda&ccedil;&atilde;o Calouste Gulbenkian, pp. 391-396.</p>     <p>Ferreira, Jos&eacute; Medeiros &ndash; <i>Portugal em Transe: Notas de Pol&iacute;tica Internacional e Pol&iacute;tica de Defesa. </i>Aveiro: Pandora, 1985.</p>     <p>FERREIRA, Jos&eacute; Medeiros &ndash; <i>A Nova Era Europeia. De Genebra a Amesterd&atilde;o</i>. Lisboa: Not&iacute;cias Editorial, 1999.</p>     <p>FERREIRA, Jos&eacute; Medeiros &ndash; &laquo;Os militares e a evolu&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica interna e externa (1974-1982)&raquo;. In <i>O Pa&iacute;s em Revolu&ccedil;&atilde;o</i>. Lisboa: Not&iacute;cias Editorial, 2001, pp. 11-61.</p>     <p>FERREIRA, Jos&eacute; Medeiros &ndash; <i>Vencer a Crise, Preparar o Futuro </i>&ndash; <i>Um Ano de Governo Constitucional</i>. Lisboa: Secretaria de Estado da Comunica&ccedil;&atilde;o Social &ndash; Direc&ccedil;&atilde;o-Geral da Divulga&ccedil;&atilde;o, 1977.</p>     <p>LEIT&Atilde;O, Nicolau A. &ndash;<i> Estado Novo, Democracia e Europa</i>. Lisboa: Imprensa de Ci&ecirc;ncias Sociais, 2007.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>MACQUEEN, Norrie &ndash; <i>A Descoloniza&ccedil;&atilde;o da &Aacute;frica Portuguesa. A Revolu&ccedil;&atilde;o Metropolitana e a Dissolu&ccedil;&atilde;o do Imp&eacute;rio. </i>Mem Martins: Editorial Inqu&eacute;rito, 1998.</p>     <p>MAGALH&Atilde;ES, Manuel Campos Robalo Leite de &ndash; <i>Bel&eacute;m e S&atilde;o Bento nas Rela&ccedil;&otilde;es Externas P&oacute;s-Coloniais Portuguesas (1976-1982). </i>Disserta&ccedil;&atilde;o de mestrado em Ci&ecirc;ncia Pol&iacute;tica e Rela&ccedil;&otilde;es Internacionais. Lisboa: Fcsh, 2013.</p>     <p>OLIVEIRA, C&eacute;sar &ndash; <i>Portugal. Dos Quatro Cantos do Mundo &agrave; Descoloniza&ccedil;&atilde;o, 1974-76</i>. Lisboa: Cosmos, 1996.</p>     <p>OLIVEIRA, Pedro, e REZOLA, Maria In&aacute;cia (coord.) &ndash; <i>O Longo Curso. Estudos em Homenagem a Jos&eacute; Medeiros Ferreira</i>. Lisboa: Tinta-da-China, 2011.</p>     <p>I GOVERNO CONSTITUCIONAL &ndash; <i>Programa do Governo: Apresenta&ccedil;&atilde;o para Aprecia&ccedil;&atilde;o, Debate, Encerramento do Debate</i>. Secretaria de Estado da Comunica&ccedil;&atilde;o Social, 1976.</p>     <p>REZOLA, Maria In&aacute;cia &ndash; <i>Melo Antunes, Uma Biografia Pol&iacute;tica</i>. Lisboa: &Acirc;ncora, 2012.</p>     <p>RIBEIRO, Manuela Tavares &ndash; <i>Portugal-Europa, 25 Anos de Ades&atilde;o</i>. Coimbra: Almedina, 2012.</p>     <p>S&Aacute;, Tiago Moreira de, e GOMES, Bernardino &ndash; <i>Carlucci vs Kissinger </i>&ndash; <i>Os EUA e a Revolu&ccedil;&atilde;o Portuguesa</i>. Lisboa: Dom Quixote, 2008.</p>     <p>TEIXEIRA, Nuno Severiano &ndash; &laquo;Entre a &Aacute;frica e a Europa: a pol&iacute;tica externa portuguesa 1890-2000&raquo;. In <i>Portugal Contempor&acirc;neo. </i>Lisboa: Dom Quixote, 2005, pp. 87-116.</p>     <p>TEIXEIRA, Nuno Severiano, e Pinto, Ant&oacute;nio Costa (org.) &ndash; <i>Portugal e a Integra&ccedil;&atilde;o Europeia 1945-1986. A Perspetiva dos Atores</i>. Lisboa: Temas e Debates, 2007.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>TELO, Ant&oacute;nio Jos&eacute; &ndash; <i>Hist&oacute;ria Contempor&acirc;nea de Portugal. Do 25 de Abril &agrave; Atualidade. </i>Lisboa. Presen&ccedil;a: 2008, vol. I.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><i>Data de rece&ccedil;&atilde;o: 8 de janeiro de 2016 | Data de aprova&ccedil;&atilde;o: 22 de fevereiro de 2016</i></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><B>NOTAS</B></p>     <p><Sup><a name="1"></a><a href="#top1">1</a></Sup>FERREIRA, Jos&eacute; Medeiros &ndash; <i>Do C&oacute;digo Gen&eacute;tico do Estado Democr&aacute;tico. </i>Lisboa: Contexto, 1981, p. 144.</p>     <p><Sup><a name="2"></a><a href="#top2">2</a></Sup>Ministro da Coordena&ccedil;&atilde;o Interterritorial dos I, II, III e IV governos provis&oacute;rios e ministro da Comunica&ccedil;&atilde;o Social do vi Governo Provis&oacute;rio &eacute; o respons&aacute;vel pelo Minist&eacute;rio da Justi&ccedil;a no i Governo Constitucional.</p>     <p><Sup><a name="3"></a><a href="#top3">3</a></Sup>Reassume a pasta da Administra&ccedil;&atilde;o Interna que j&aacute; ocupara nos II e III governos provis&oacute;rios.</p>     <p><Sup><a name="4"></a><a href="#top4">4</a></Sup>Tendo-se destacado como presidente da Assembleia Constituinte no decurso do per&iacute;odo revolucion&aacute;rio, &eacute; designado ministro de Estado.</p>     <p><Sup><a name="5"></a><a href="#top5">5</a></Sup>Ministro da Economia dos II e III governos provis&oacute;rios assume agora a pasta dos Transportes e Comunica&ccedil;&otilde;es.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><Sup><a name="6"></a><a href="#top6">6</a></Sup>Ativo deputado constituinte &eacute; nomeado ministro da Educa&ccedil;&atilde;o e Investiga&ccedil;&atilde;o Cient&iacute;fica.</p>     <p><Sup><a name="7"></a><a href="#top7">7</a></Sup>TELO, Ant&oacute;nio Jos&eacute; &ndash; <i>Hist&oacute;ria Contempor&acirc;nea de Portugal. Do 25 de Abril &agrave; Atualidade.</i> Lisboa: Presen&ccedil;a, 2008, vol. i, p. 151.</p>     <p><Sup><a name="8"></a><a href="#top8">8</a></Sup>Cf. bibliografia final.</p>     <p><Sup><a name="9"></a><a href="#top9">9</a></Sup>Programa do Movimento das For&ccedil;as Armadas Portuguesas, ponto 7. (Consultado em: 1 de mar&ccedil;o de 2016]. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www1.ci.uc.pt/cd25a/wikka. php?wakka=estrut07" target="_blank">http://www1.ci.uc.pt/cd25a/wikka. php?wakka=estrut07</a></p>     <p><Sup><a name="10"></a><a href="#top10">10</a></Sup>FERREIRA, Jos&eacute; Medeiros &ndash; <i>M&aacute;rio Soares, Ministro dos Neg&oacute;cios Estrangeiros. &Agrave; Procura do Tempo Perdido</i>. Confer&ecirc;ncia proferida no Instituto Diplom&aacute;tico. Lisboa, 19 de fevereiro de 2013 (Consultado em: 1 de mar&ccedil;o de 2016]. Dispon&iacute;vel em: <a href="https://idi.mne.pt/images/docs/conferencias/discursomedeirosferreira.pdf" target="_blank">https://idi.mne.pt/images/docs/conferencias/discursomedeirosferreira.pdf</a>.</p>     <p><Sup><a name="11"></a><a href="#top11">11</a></Sup>FERREIRA, Jos&eacute; Medeiros &ndash; &laquo;Os militares e a evolu&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica interna e externa (1974-1982)&raquo;. In <i>O Pa&iacute;s em Revolu&ccedil;&atilde;o</i>. Lisboa: Not&iacute;cias Editorial, 2001, p. 43.</p>     <p><Sup><a name="12"></a><a href="#top12">12</a></Sup>FERREIRA, Jos&eacute; Medeiros &ndash; &laquo;Rela&ccedil;&otilde;es externas e defesa nacional&raquo;. In <i>Na&ccedil;&atilde;o e Defesa</i>. Lisboa. N.&ordm; 1, 1976, p. 17.</p>     <p><Sup><a name="13"></a><a href="#top13">13</a></Sup>I Governo Constitucional &ndash; <i>Programa do Governo: Apresenta&ccedil;&atilde;o para Aprecia&ccedil;&atilde;o, Debate, Encerramento do Debate</i>. Lisboa: Secretaria de Estado da Comunica&ccedil;&atilde;o Social, 1976, p. 72.</p>     <p><Sup><a name="14"></a><a href="#top14">14</a></Sup>TELO, Ant&oacute;nio Jos&eacute; &ndash; &laquo;A Revolu&ccedil;&atilde;o e a posi&ccedil;&atilde;o de Portugal no mundo&raquo;. In <i>Portugal e a Transi&ccedil;&atilde;o para a Democracia (19741976)</i>. Lisboa: Ed. Colibri/Funda&ccedil;&atilde;o M&aacute;rio Soares/Instituto de Hist&oacute;ria Contempor&acirc;nea da Faculdade de Ci&ecirc;ncias Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, 1999, p. 295.</p>     <p><Sup><a name="15"></a><a href="#top15">15</a></Sup>TEIXEIRA, Nuno Severiano &ndash; &laquo;Entre a &Aacute;frica e a Europa: a pol&iacute;tica externa portuguesa 1890-2000&raquo;. In <i>Portugal Contempor&acirc;neo.</i> Lisboa: Dom Quixote, 2005, p. 113.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><Sup><a name="16"></a><a href="#top16">16</a></Sup>FERREIRA, Jos&eacute; Medeiros &ndash; &laquo;Rela&ccedil;&otilde;es externas e defesa nacional&raquo;, p. 18.</p>     <p><Sup><a name="17"></a><a href="#top17">17</a></Sup>DGARQ, PT-TT-EMA, n.&ordm; 132, pasta 10 &ndash; Ernesto Melo Antunes, &laquo;Repercuss&otilde;es internacionais do 25 de Abril&raquo;.</p>     <p><Sup><a name="18"></a><a href="#top18">18</a></Sup>CRUZEIRO, Maria Manuela &ndash; <i>Melo Antunes: O Sonhador Pragm&aacute;tico</i>. Lisboa: Not&iacute;cias, 2005, p. 100.</p>     <p><Sup><a name="19"></a><a href="#top19">19</a></Sup>DGARQ, PT-TT-EMA, n.&ordm; 34, pasta 2 &ndash; Ernesto Melo Antunes, <i>Discurso na Despedida do Minist&eacute;rio dos Neg&oacute;cios Estrangeiros</i>. Para uma perspetiva mais detalhada sobre o pensamento e interven&ccedil;&atilde;o de Melo Antunes cf. REZOLA, Maria In&aacute;cia &ndash; <i>Melo Antunes, Uma Biografia Pol&iacute;tica</i>. Lisboa: &Acirc;ncora, 2012.</p>     <p><Sup><a name="20"></a><a href="#top20">20</a></Sup>Sobre o percurso de Jos&eacute; Medeiros Ferreira ver OLIVEIRA, Pedro, e REZOLA, Maria In&aacute;cia (coord.) &ndash; <i>O Longo Curso. Estudos em Homenagem a Jos&eacute; Medeiros Ferreira</i>. Lisboa: Tinta-da-China, 2011, pp. 9-19.</p>     <p><Sup><a name="21"></a><a href="#top21">21</a></Sup>FERREIRA, Jos&eacute; Medeiros &ndash; <i>Do C&oacute;digo Gen&eacute;tico do Estado Democr&aacute;tico</i>, p. 94.</p>     <p><Sup><a name="22"></a><a href="#top22">22</a></Sup>Entrevista da autora a Jos&eacute; Medeiros Ferreira. Lisboa, 17 de junho de 2009.</p>     <p><Sup><a name="23"></a><a href="#top23">23</a></Sup><i>O Dia</i>, 9 de mar&ccedil;o de 1976.</p>     <p><Sup><a name="24"></a><a href="#top24">24</a></Sup>FOIA &ndash; &laquo;Lisboa, 1027, February 17, 1976&raquo;, cit. <i>in </i>S&Aacute;, Tiago Moreira de, e Gomes, Bernardino &ndash; <i>Carlucci vs Kissinger </i>&ndash;<i> Os EUA e a Revolu&ccedil;&atilde;o Portuguesa</i>. Lisboa: Dom Quixote, 2008, p. 373.</p>     <p><Sup><a name="25"></a><a href="#top25">25</a></Sup>Entrevista da autora a Jos&eacute; Medeiros Ferreira. Lisboa, 17 de junho de 2009.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><Sup><a name="26"></a><a href="#top26">26</a></Sup><i>Expresso</i>, 29 de junho de 1976.</p>     <p><Sup><a name="27"></a><a href="#top27">27</a></Sup>Cit. in <i>Portugal Socialista</i>, 15 de abril de 1976.</p>     <p><Sup><a name="28"></a><a href="#top28">28</a></Sup> Cit. in <i>Portugal Socialista</i>, 24 de mar&ccedil;o de 1976.</p>     <p><Sup><a name="29"></a><a href="#top29">29</a></Sup>Entrevista da autora a Jos&eacute; Medeiros Ferreira. Lisboa, 17 de junho de 2009.</p>     <p><Sup><a name="30"></a><a href="#top30">30</a></Sup>AVILLEZ, Maria Jo&atilde;o &ndash; <i>Soares. Democracia. </i>Lisboa: P&uacute;blico, 1996, pp. 38-39.</p>     <p><Sup><a name="31"></a><a href="#top31">31</a></Sup><i>Ibidem</i>, p. 38.</p>     <p><Sup><a name="32"></a><a href="#top32">32</a></Sup><i>Ibidem</i>, pp. 38-39.</p>     <p><Sup><a name="33"></a><a href="#top33">33</a></Sup>FERREIRA, Jos&eacute; Medeiros &ndash; <i>Do C&oacute;digo Gen&eacute;tico do Estado Democr&aacute;tico</i>, p. 44.</p>     <p><Sup><a name="34"></a><a href="#top34">34</a></Sup><i>Di&aacute;rio de Not&iacute;cias</i>, 10 de abril de 1976.</p>     <p><Sup><a name="35"></a><a href="#top35">35</a></Sup>Parte iii, G) &laquo;Afirmar uma pol&iacute;tica de independ&ecirc;ncia nacional e de coopera&ccedil;&atilde;o internacional a favor da paz&raquo;, 2.&laquo;Pol&iacute;tica Externa&raquo; &ndash; I Governo Constitucional &ndash; <i>Programa do Governo: Apresenta&ccedil;&atilde;o para Aprecia&ccedil;&atilde;o, Debate, Encerramento do Debate</i>, 1976, pp. 71-75.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><Sup><a name="36"></a><a href="#top36">36</a></Sup>&laquo;Com efeito, enquanto na tese <i>Da Necessidade de Um Plano para a Na&ccedil;&atilde;o </i>se l&ecirc; o seguinte: &ldquo;Na realidade, no preciso momento em que o processo de integra&ccedil;&atilde;o europeia se acelera e nos abrange, com riscos a m&eacute;dio prazo, mas com enormes vantagens a longo, no caso de estarmos preparados, encontra-se o pa&iacute;s a contas com uma guerra colonial longa de mais de dez anos&rdquo;, j&aacute; no programa do i Governo Constitucional, em que participei, adoptou-se esse trecho para: &ldquo;Ora, a descoloniza&ccedil;&atilde;o efectua-se no momento preciso em que a integra&ccedil;&atilde;o europeia se acelera e nos abrange, com certos riscos a curto prazo, mas com evidentes vantagens posteriores&rdquo;&raquo; (Ferreira, Jos&eacute; Medeiros &ndash; <i>A Nova Era Europeia. De Genebra a Amesterd&atilde;o. </i>Lisboa: Not&iacute;cias Editorial, 1999, p. 9).</p>     <p><Sup><a name="37"></a><a href="#top37">37</a></Sup> I GOVERNO CONSTITUCIONAL &ndash; <i>Programa do Governo: Apresenta&ccedil;&atilde;o para Aprecia&ccedil;&atilde;o, Debate, Encerramento do Debate</i>, p. 71.</p>     <p><Sup><a name="38"></a><a href="#top38">38</a></Sup><i>Ibidem</i>, p. 72. Entre esses princ&iacute;pios destacam-se a defesa da independ&ecirc;ncia nacional, o direito dos povos &agrave; autodetermina&ccedil;&atilde;o e &agrave; independ&ecirc;ncia, a aboli&ccedil;&atilde;o de todas as formas de imperialismo, colonialismo e agress&atilde;o.</p>     <p><Sup><a name="39"></a><a href="#top39">39</a></Sup>A ideia ser&aacute; longamente desenvolvida no ponto 4 &ndash; Pol&iacute;tica de emigra&ccedil;&atilde;o &ndash; cf. <i>Ibidem</i>, pp. 74-75.</p>     <p><Sup><a name="40"></a><a href="#top40">40</a></Sup><i>Ibidem</i>, p. 73.</p>     <p><Sup><a name="41"></a><a href="#top41">41</a></Sup><i>Ibidem</i>, p. 74.</p>     <p><Sup><a name="42"></a><a href="#top42">42</a></Sup><i>Ibidem</i>, p. 72.</p>     <p><Sup><a name="43"></a><a href="#top43">43</a></Sup><i>Ibidem</i>.</p>     <p><Sup><a name="44"></a><a href="#top44">44</a></Sup><i>Portugal Socialista</i>, 24 de mar&ccedil;o de 1976.</p>     <p><Sup><a name="45"></a><a href="#top45">45</a></Sup>I GOVERNO CONSTITUCIONAL &ndash; <i>Programa do Governo: Apresenta&ccedil;&atilde;o para Aprecia&ccedil;&atilde;o, Debate, Encerramento do Debate</i>, p. 72.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><Sup><a name="46"></a><a href="#top46">46</a></Sup>FERREIRA, Jos&eacute; Medeiros &ndash; <i>Do C&oacute;digo Gen&eacute;tico do Estado Democr&aacute;tico</i>, p. 185.</p>     <p><Sup><a name="47"></a><a href="#top47">47</a></Sup>FERREIRA, Jos&eacute; Medeiros &ndash; <i>&Eacute;lements pour une politique ext&eacute;rieure du Portugal D&eacute;mocratique</i>. Lisboa: Minist&eacute;rio dos Neg&oacute;cios Estrangeiros, 1978, pp. 50 e 58.</p>     <p><Sup><a name="48"></a><a href="#top48">48</a></Sup>Cf. bibliografia final.</p>     <p><Sup><a name="49"></a><a href="#top49">49</a></Sup>Na primeira etapa visitam Londres (15 de fevereiro), Dublin (16), Copenhaga (16), Roma (18). Na segunda, realizada em in&iacute;cios de mar&ccedil;o, deslocam-se a Paris (7 de mar&ccedil;o), Bona (8), Estrasburgo (Parlamento Europeu e bei, 9), A Haia (9), Luxemburgo (10), Bruxelas (Comiss&atilde;o Europeia e Comit&eacute; Econ&oacute;mico e Social, 11-12 de mar&ccedil;o). Sobre o assunto ver tamb&eacute;m o testemunho de Jos&eacute; Medeiros Ferreira <i>in </i>TEIXEIRA, Nuno Severiano, e PINTO, Ant&oacute;nio Costa (org.) &ndash; <i>Portugal e a Integra&ccedil;&atilde;o Europeia 1945-1986. A Perspetiva dos Atores</i>. Lisboa: Temas e Debates, 2007, p. 135.</p>     <p><Sup><a name="50"></a><a href="#top50">50</a></Sup>AVILLEZ, Maria Jo&atilde;o &ndash; <i>Soares. Democracia</i>, p. 57.</p>     <p><Sup><a name="51"></a><a href="#top51">51</a></Sup><i>Jornal Novo</i>, 6 de abril de 1977.</p>     <p><Sup><a name="52"></a><a href="#top52">52</a></Sup><i>Rep&uacute;blica</i>, 5 de junho de 1974.</p>     <p><Sup><a name="53"></a><a href="#top53">53</a></Sup><i>Ibidem. </i></p>     <p><Sup><a name="54"></a><a href="#top54">54</a></Sup><i>Di&aacute;rio de Not&iacute;cias</i>, 10 de abril de 1976.</p>     <p><Sup><a name="55"></a><a href="#top55">55</a></Sup><i>Ibidem</i>.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><Sup><a name="56"></a><a href="#top56">56</a></Sup>FERREIRA, Jos&eacute; Medeiros &ndash; <i>Do C&oacute;digo Gen&eacute;tico do Estado Democr&aacute;tico</i>, p. 183.</p>     <p><Sup><a name="57"></a><a href="#top57">57</a></Sup><i>Ibidem</i>, p. 149.</p>     <p><Sup><a name="58"></a><a href="#top58">58</a></Sup>Sobre o assunto ver MACQUEEN, Norrie &ndash; <i>A Descoloniza&ccedil;&atilde;o da &Aacute;frica Portuguesa. A Revolu&ccedil;&atilde;o Metropolitana e a Dissolu&ccedil;&atilde;o do Imp&eacute;rio</i>. Mem Martins: Editorial Inqu&eacute;rito, 1998.</p>     <p><Sup><a name="59"></a><a href="#top59">59</a></Sup> Sobre o assunto ver <i>Ibidem</i>; I GOVERNO CONSTITUCIONAL &ndash; <i>Vencer a Crise, Preparar o Futuro. Um Ano de Governo Constitucional</i>;</p>     <p><Sup><a name="60"></a><a href="#top60">60</a></Sup><i>O Primeiro de Janeiro</i>, 8 de abril de 1977.</p>     <p><Sup><a name="61"></a><a href="#top61">61</a></Sup><i>A Capital</i>, 16 de abril de 1977.</p>     <p><Sup><a name="62"></a><a href="#top62">62</a></Sup>Entrevista da autora a Jos&eacute; Medeiros Ferreira. Lisboa, 17 de junho de 2009.</p>     <p><Sup><a name="63"></a><a href="#top63">63</a></Sup><i>Di&aacute;rio Popular</i>, 1 de outubro de 1976.</p>     <p><Sup><a name="64"></a><a href="#top64">64</a></Sup><i>&Uacute;nica</i>, 26 de agosto de 2006, p. 74.</p>     <p><Sup><a name="65"></a><a href="#top65">65</a></Sup>Para uma vis&atilde;o global das iniciativas desenvolvidas ver i Governo Constitucional &ndash; <i>Vencer a Crise, Preparar o Futuro. Um Ano de Governo Constitucional</i>.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><Sup><a name="66"></a><a href="#top66">66</a></Sup><i>Di&aacute;rio de Not&iacute;cias</i>, 10 de abril de 1976.</p>     <p><Sup><a name="67"></a><a href="#top67">67</a></Sup>FERREIRA, Jos&eacute; Medeiros &ndash; <i>Do C&oacute;digo Gen&eacute;tico do Estado Democr&aacute;tico</i>, p. 183.</p>     <p><Sup><a name="68"></a><a href="#top68">68</a></Sup>Cf. Discurso na tomada de posse do secret&aacute;rio-geral do Minist&eacute;rio dos Neg&oacute;cios Estrangeiros &ndash; <i>Ibidem</i>, p. 171 e segs.</p>     <p><Sup><a name="69"></a><a href="#top69">69</a></Sup><i>Di&aacute;rio de Not&iacute;cias</i>, 12 de agosto de 1977.</p>     <p><Sup><a name="70"></a><a href="#top70">70</a></Sup><i>Expresso</i>, 27 de agosto de 1977. </p>     <p><Sup><a name="71"></a><a href="#top71">71</a></Sup><i>Di&aacute;rio de Not&iacute;cias</i>, 12 de agosto de 1977.</p>     <p><Sup><a name="72"></a><a href="#top72">72</a></Sup><i>Ibidem</i>.</p>     <p><Sup><a name="73"></a><a href="#top73">73</a></Sup><i>Ibidem</i>.</p>     <p><Sup><a name="74"></a><a href="#top74">74</a></Sup>Cf. <i>Expresso</i>, 25 de junho de 1977.</p>     <p><Sup><a name="75"></a><a href="#top75">75</a></Sup>Cf. Avillez, Maria Jo&atilde;o &ndash; <i>Soares. Democracia,</i> p. 64.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><Sup><a name="76"></a><a href="#top76">76</a></Sup><i>Expresso</i>, 27 de agosto de 1977.</p>     <p><Sup><a name="77"></a><a href="#top77">77</a></Sup> <i>Ibidem</i>.</p>     <p><Sup><a name="78"></a><a href="#top78">78</a></Sup><i>Tempo</i>, 25 de agosto de 1977.</p>     <p><Sup><a name="79"></a><a href="#top79">79</a></Sup>FERREIRA, Jos&eacute; Medeiros &ndash; <i>Do</i> <i>C&oacute;digo Gen&eacute;tico do Estado Democr&aacute;tico</i>, p. 143.</p>     <p><Sup><a name="80"></a><a href="#top80">80</a></Sup> FERREIRA, Jos&eacute; Medeiros &ndash; <i>A Nova Era Europeia. De Genebra a Amesterd&atilde;o</i>, p. 8.</p>     <p><Sup><a name="81"></a><a href="#top81">81</a></Sup><i>Di&aacute;rio de Not&iacute;cias</i>, 12 de agosto de 1977.</p>     <p><Sup><a name="82"></a><a href="#top82">82</a></Sup>FERREIRA, Jos&eacute; Medeiros &ndash; <i>Do C&oacute;digo Gen&eacute;tico do Estado Democr&aacute;tico</i>, p. 144.</p>     <p><Sup><a name="83"></a><a href="#top83">83</a></Sup><i>Rep&uacute;blica</i>, 4 de junho de 1974.</p>      ]]></body><back>
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