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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[A Constituição portuguesa e a separação de poderes em matéria de política externa]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[The article aims to capture, albeit briefly, the statute of the Portuguese sovereign institutions in the context of the external action of the state. Such an assessment requires an inquiry into the legal and constitutional dimension but entails at the same time, an understanding of the evolution that forty years of political practice have allowed. Special mention should also be made to the specific challenge that the principle of separation of powers is facing today, by virtue of their own dynamics induced by integration into the European Union.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><b>40 ANOS DA CONSTITUIÇÃO PORTUGUESA: DINÂMICAS INTERNAS E EXTERNAS</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><B>A Constitui&ccedil;&atilde;o portuguesa e a separa&ccedil;&atilde;o de poderes em mat&eacute;ria de pol&iacute;tica externa</B></p>     <p><B>The Portuguese Constitution and the separation of powers concerning foreign policy</B></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><B>Jos&eacute; Matos Correia</B></p>     <p>Licenciado em Direito (Ci&ecirc;ncias Jur&iacute;dico-Pol&iacute;ticas) pela Universidade Lus&iacute;ada de Lisboa. Tem em prepara&ccedil;&atilde;o o seu doutoramento, com uma investiga&ccedil;&atilde;o que incide sobre &laquo;As Rela&ccedil;&otilde;es Externas na Ordem Constitucional Portuguesa&raquo;. Professor auxiliar convidado das faculdades de Direito e de Ci&ecirc;ncias Humanas da Universidade Lus&iacute;ada de Lisboa, onde leciona as disciplinas de Direito Constitucional, Direito Internacional P&uacute;blico e Organiza&ccedil;&otilde;es Internacionais. &Eacute; advogado especialista em direito constitucional, exercendo a sua atividade na CMS/Rui Pena &amp; Arnaut.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><B>RESUMO</B></p>     <p>O artigo visa apreender, ainda que de forma breve, os contornos do estatuto de que em Portugal gozam, no quadro da a&ccedil;&atilde;o externa do Estado (e tamb&eacute;m das rela&ccedil;&otilde;es externas da defesa), os diversos &oacute;rg&atilde;os de soberania. Tal avalia&ccedil;&atilde;o pressup&otilde;e uma indaga&ccedil;&atilde;o no plano da est&aacute;tica jur&iacute;dico-constitucional mas requer, ao mesmo tempo, a compreens&atilde;o da evolu&ccedil;&atilde;o que quarenta anos de pr&aacute;tica pol&iacute;tica t&ecirc;m permitido. Refer&ecirc;ncia especial merece, ainda, o desafio espec&iacute;fico que o princ&iacute;pio da separa&ccedil;&atilde;o de poderes enfrenta hoje, por for&ccedil;a das din&acirc;micas pr&oacute;prias induzidas pela integra&ccedil;&atilde;o na Uni&atilde;o Europeia.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><B>Palavras-chave: </B>Constitui&ccedil;&atilde;o, separa&ccedil;&atilde;o de poderes, pol&iacute;tica externa, Uni&atilde;o Europeia.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><B>ABSTRACT</B></p>     <p>The article aims to capture, albeit briefly, the statute of the Portuguese sovereign institutions in the context of the external action of the state. Such an assessment requires an inquiry into the legal and constitutional dimension but entails at the same time, an understanding of the evolution that forty years of political practice have allowed. Special mention should also be made to the specific challenge that the principle of separation of powers is facing today, by virtue of their own dynamics induced by integration into the European Union.</p>     <p><B>Keywords</B><i>:</i> Constitution, separations of powers, foreign policy, European Union.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><B>INTRODU&Ccedil;&Atilde;O<sup><a href="#1">1</a></sup><a name="top1"></a></B></p>     <p>O problema da reparti&ccedil;&atilde;o de compet&ecirc;ncias entre os &oacute;rg&atilde;os de soberania, que com frequ&ecirc;ncia se coloca a prop&oacute;sito da an&aacute;lise da configura&ccedil;&atilde;o do sistema semipresidencialista<sup><a href="#2">2</a></sup><a name="top2"></a>, assume especial acuidade naquilo que &agrave; a&ccedil;&atilde;o externa do Estado respeita<sup><a href="#3">3</a></sup><a name="top3"></a>. Com efeito, se no que toca &agrave; dimens&atilde;o interna os textos constitucionais s&atilde;o, de um modo geral, mais expressos, o tratamento que neles &eacute; dado &agrave; condu&ccedil;&atilde;o da a&ccedil;&atilde;o externa &eacute; habitualmente menos elaborado, muitas vezes remetendo para conceitos vagos, abrangentes ou mesmo indeterminados. Uma op&ccedil;&atilde;o que tende a gerar, em quaisquer situa&ccedil;&otilde;es, indesejadas e indesej&aacute;veis d&uacute;vidas interpretativas, mas que d&aacute; lugar a dificuldades acrescidas no caso dos sistemas de governo constru&iacute;dos na base de equil&iacute;brios mais delicados ou mais inst&aacute;veis, como &eacute; precisamente o caso do semipresidencialismo.</p>     <p>N&atilde;o surpreende, por isso, que os elementos determinantes para a compreens&atilde;o, em concreto, de cada semipresidencialismo, se delimitem em larga medida atrav&eacute;s dos comportamentos dos agentes pol&iacute;tico-constitucionais &ndash; os quais dependem, por sua vez, do &laquo;estilo&raquo; de cada um e das condi&ccedil;&otilde;es concretas de exerc&iacute;cio dos poderes que lhe s&atilde;o cometidos &ndash; e n&atilde;o apenas em fun&ccedil;&atilde;o da terminologia usada ao n&iacute;vel dos normativos constitucionais e legais.</p>     <p>N&atilde;o queremos, com isto, significar que o desiderato daqueles agentes seja o de construir, por for&ccedil;a de uma interpreta&ccedil;&atilde;o extensiva &ndash; ou, porventura, at&eacute; para l&aacute; dela &ndash;, uma evolu&ccedil;&atilde;o &laquo;nominalista&raquo;, neste dom&iacute;nio, do texto constitucional<sup><a href="#4">4</a></sup><a name="top4"></a>. O que entendemos, isso sim, &eacute; que, ainda que desenvolvendo comportamentos dentro do &acirc;mbito da &laquo;normatividade&raquo;, estes acabam por conduzir a resultados que objetivamente os favorecem e que, nessa medida, v&atilde;o para al&eacute;m daquela que &eacute; a inten&ccedil;&atilde;o expressa no texto constitucional.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Neste particular, o exemplo franc&ecirc;s apresenta-se especialmente revelador. De facto, o acr&eacute;scimo de poderes presidenciais em mat&eacute;ria, por exemplo, de defesa nacional, que deu origem &agrave;quilo que Samy Cohen sugestivamente designa por &laquo;monarquia nuclear&raquo;<sup><a href="#5">5</a></sup><a name="top5"></a>, sustenta-se sobretudo em desenvolvimentos de direito ordin&aacute;rio e em concretiza&ccedil;&otilde;es de ordem pr&aacute;tica. E, no entanto, a Constitui&ccedil;&atilde;o de 1958 resolve tudo em &laquo;duas palavras&raquo;<sup><a href="#6">6</a></sup><a name="top6"></a>, ao estabelecer no artigo 15.&ordm; que o Presidente da Rep&uacute;blica &eacute; o chefe dos ex&eacute;rcitos. Ora, tamb&eacute;m a nossa Constitui&ccedil;&atilde;o afirma, de modo at&eacute; mais compreensivo, que o Presidente da Rep&uacute;blica &eacute; o &laquo;Comandante Supremo das For&ccedil;as Armadas&raquo; (artigo 120.&ordm;), mas dificilmente a diferen&ccedil;a de estatuto entre os dois chefes de Estado podia, nesta mat&eacute;ria, ser mais evidente.</p>     <p>&Eacute;, assim, no quadro de preocupa&ccedil;&otilde;es deste teor que importa compreender o tema da a&ccedil;&atilde;o externa do Estado portugu&ecirc;s. E a verdade &eacute; que, tratando-se de uma &aacute;rea de import&acirc;ncia decisiva, lidando com quest&otilde;es consideradas de especial melindre, por natureza envoltas numa reserva fundada na necessidade de n&atilde;o fragilizar a posi&ccedil;&atilde;o de um Estado perante terceiros, rodeada por um v&eacute;u de misticismo pr&oacute;prio de assuntos que parecem escapar &agrave; compreens&atilde;o do cidad&atilde;o comum, a a&ccedil;&atilde;o externa colocou-se, <i>aburbe condita</i>, &agrave; margem da l&oacute;gica habitual da a&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica interna, conduzindo inclusive, nos estados de direito democr&aacute;ticos, &agrave; flexibiliza&ccedil;&atilde;o da interpreta&ccedil;&atilde;o do princ&iacute;pio constitucional da separa&ccedil;&atilde;o de poderes<sup><a href="#7">7</a></sup><a name="top7"></a>.</p>     <p>Este cen&aacute;rio ajuda, ali&aacute;s, a compreender o tradicional reconhecimento de uma especial autonomia &agrave;s entidades pol&iacute;ticas respons&aacute;veis pela sua defini&ccedil;&atilde;o e condu&ccedil;&atilde;o e &agrave; consequente fuga &ndash; tolerada, se n&atilde;o mesmo aceite &ndash; aos indispens&aacute;veis mecanismos de controlo t&iacute;picos de uma democracia: por um lado, a fiscaliza&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica a cabo do Parlamento, que n&atilde;o seria desej&aacute;vel porquanto questionaria o indispens&aacute;vel secretismo aqui exigido; por outro, o controlo jurisdicional que com frequ&ecirc;ncia &eacute; eludido, por via da &iacute;ndole pol&iacute;tica da generalidade dos atos em que a a&ccedil;&atilde;o externa se traduz e que dificulta sobremaneira a sua sindicabilidade.</p>     <p>Noutras paragens jur&iacute;dico-pol&iacute;ticas, como os Estados Unidos, o cen&aacute;rio surge-nos significativamente distinto: &eacute; que, independentemente da centralidade do poder &laquo;real&raquo; do Presidente, a reparti&ccedil;&atilde;o de poderes concretiza-se e a sujei&ccedil;&atilde;o a mecanismos apropriados de controlo constitui a regra, bastando para isso lembrar o papel decisivo das comiss&otilde;es de Rela&ccedil;&otilde;es Externas e das comiss&otilde;es de For&ccedil;as Armadas do Congresso (em particular do Senado)<sup><a href="#8">8</a></sup><a name="top8"></a>. Diferentemente, na generalidade dos sistemas pol&iacute;ticos (incluindo no nosso), a preemin&ecirc;ncia do Executivo vai de par com as constantes exce&ccedil;&otilde;es ao escrut&iacute;nio do seu comportamento. Liberdade e discri&ccedil;&atilde;o: eis, pois, as palavras de ordem vigentes.</p>     <p>Consolidou-se, destarte, nestas paragens constitucionais, uma esp&eacute;cie de dom&iacute;nio reservado do poder executivo &ndash; consoante as situa&ccedil;&otilde;es, ao n&iacute;vel do Chefe de Estado ou ao n&iacute;vel governamental (aqui com destaque particular para a preemin&ecirc;ncia do primeiro-ministro) &ndash; que torna cada vez mais dif&iacute;cil a sua sujei&ccedil;&atilde;o a um &laquo;normal&raquo; controlo jur&iacute;dico-pol&iacute;tico (quando n&atilde;o chega mesmo a inviabiliz&aacute;-lo materialmente). Uma situa&ccedil;&atilde;o propiciada, renove-se, pela pr&oacute;pria natureza que a pol&iacute;tica externa apresenta, mas que tende a acentuar-se em pa&iacute;ses que, como Portugal, conheceram longos per&iacute;odos de regime autocr&aacute;tico e t&ecirc;m, consequentemente, uma pr&aacute;tica e, at&eacute;, uma cultura democr&aacute;tica historicamente menos enraizadas.</p>     <p>Apreender, ainda que de forma breve, os contornos do estatuto de que em Portugal gozam, neste quadro, os diversos intervenientes, pressup&otilde;e que se empreenda uma indaga&ccedil;&atilde;o no plano da est&aacute;tica jur&iacute;dico-constitucional. Mas requer que, em simult&acirc;neo, se compreenda o(s) sentido(s) de evolu&ccedil;&atilde;o que quarenta anos de pr&aacute;tica pol&iacute;tica t&ecirc;m permitido consolidar. Ser&aacute; essa a orienta&ccedil;&atilde;o, dual, da an&aacute;lise que a seguir se empreender&aacute;.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><B>O PLANO DA EST&Aacute;TICA JUR&Iacute;DICO-CONSTITUCIONAL (E JUR&Iacute;DICO-LEGAL)</B></p>     <p>No que &agrave; dimens&atilde;o externa respeita, a Lei Fundamental portuguesa atribui ao Presidente da Rep&uacute;blica as fun&ccedil;&otilde;es de representa&ccedil;&atilde;o da Rep&uacute;blica, de garante da independ&ecirc;ncia nacional e de comandante supremo das For&ccedil;as Armadas (artigo 120.&ordm;). E concretiza (al&iacute;neas <i>a</i>), <i>b</i>) e <i>c</i>) do artigo 135.&ordm;), conferindo&nbsp;lhe poderes concretos, ainda que de natureza partilhada: a nomea&ccedil;&atilde;o, sob proposta do Governo, dos embaixadores e enviados plenipotenci&aacute;rios<sup><a href="#9">9</a></sup><a name="top9"></a>e a acredita&ccedil;&atilde;o<sup><a href="#10">10</a></sup><a name="top10"></a> dos representantes diplom&aacute;ticos estrangeiros; a ratifica&ccedil;&atilde;o de tratados internacionais, depois de devidamente aprovados; o decretamento da guerra em caso de agress&atilde;o efetiva ou iminente e a feitura da paz, sob proposta do Governo, ouvido o Conselho de Estado e mediante autoriza&ccedil;&atilde;o da Assembleia da Rep&uacute;blica<sup><a href="#11">11</a></sup><a name="top11"></a>.</p>     <p>Por seu turno, no dom&iacute;nio da defesa nacional, o exerc&iacute;cio de fun&ccedil;&otilde;es como comandante supremo das For&ccedil;as Armadas (al&iacute;nea a) do artigo 134.&ordm;) tem como consequ&ecirc;ncias, <i>inter alia</i>, a presid&ecirc;ncia do Conselho Superior de Defesa Nacional (al&iacute;nea <i>o</i>) do artigo 133.&ordm;), bem como a nomea&ccedil;&atilde;o e exonera&ccedil;&atilde;o, sob proposta do Governo, do chefe do Estado-Maior General das For&ccedil;as Armadas, do vice-chefe do Estado-Maior General das For&ccedil;as Armadas (existindo) e dos chefes do Estado-Maior dos tr&ecirc;s ramos (nos dois &uacute;ltimos casos, ouvido o chefe do Estado&nbsp;Maior General das For&ccedil;as Armadas) &ndash; al&iacute;nea <i>p</i>) do artigo 133.&ordm;.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&Eacute; debatido, entre n&oacute;s, o tema da eventual inconstitucionalidade da atribui&ccedil;&atilde;o, ao Presidente da Rep&uacute;blica, de compet&ecirc;ncias que n&atilde;o estejam expressamente previstas no cat&aacute;logo tra&ccedil;ado pela Lei Fundamental<sup><a href="#12">12</a></sup><a name="top12"></a>. Ainda assim, n&atilde;o tem merecido contesta&ccedil;&atilde;o a aloca&ccedil;&atilde;o de poderes que lhe &eacute; feita em sede de Lei de Defesa Nacional (Lei Org&acirc;nica n.&ordm; 1&nbsp;B/2009, de 7 de julho, alterada pela Lei Org&acirc;nica n.&ordm; 5/2014, de 29 de agosto &ndash; adiante identificada como LDN) a qual, <i>v.g.</i>, lhe confere o poder de assumir, em conjunto com o Governo, a dire&ccedil;&atilde;o superior da guerra (al&iacute;nea <i>c</i>) do n.&ordm; 2 do artigo 9.&ordm;), algo que, a nosso ver, n&atilde;o pode ser lido em sentido literal, mas antes analisado com particular cuidado<sup><a href="#13">13</a></sup><a name="top13"></a>.</p>     <p>De referir, ainda, que o Presidente da Rep&uacute;blica tem o direito de ser informado pelo primeiro-ministro (sobre o qual impende o correlativo dever) acerca dos assuntos respeitantes &agrave; condu&ccedil;&atilde;o da pol&iacute;tica do Pa&iacute;s, seja na sua dimens&atilde;o interna, seja na dimens&atilde;o externa (al&iacute;nea <i>c</i>) do n.&ordm; 1 do artigo 201.&ordm;)<sup><a href="#14">14</a></sup><a name="top14"></a>.</p>     <p>Nota ainda para a poss&iacute;vel interven&ccedil;&atilde;o, na &aacute;rea externa, se bem que no desempenho de fun&ccedil;&otilde;es enquanto &oacute;rg&atilde;os consultivos do Presidente da Rep&uacute;blica, do Conselho de Estado e do Conselho Superior de Defesa Nacional.</p>     <p>No que toca ao Conselho de Estado, para al&eacute;m da sua obrigat&oacute;ria audi&ccedil;&atilde;o em mat&eacute;ria de declara&ccedil;&atilde;o de guerra e de feitura de paz (al&iacute;nea <i>c</i>) do artigo 145.&ordm;), cabe-lhe aconselhar genericamente o Presidente da Rep&uacute;blica no exerc&iacute;cio das suas fun&ccedil;&otilde;es, a pedido deste (al&iacute;nea <i>e</i>) do artigo 145.&ordm;)<sup><a href="#15">15</a></sup><a name="top15"></a>. Da&iacute; que tenha sido, por vezes, chamado a pronunciar-se sobre quest&otilde;es relacionadas com a dimens&atilde;o externa, como sucedeu, em 2003, com a quest&atilde;o do Iraque<sup><a href="#16">16</a></sup><a name="top16"></a>.</p>     <p>O Conselho Superior de Defesa Nacional, &oacute;rg&atilde;o de consulta no &acirc;mbito espec&iacute;fico da defesa nacional e das For&ccedil;as Armadas (artigo 274.&ordm; da Constitui&ccedil;&atilde;o e n.&ordm; 1 do artigo 16.&ordm; da LDN), tem poderes de pron&uacute;ncia<sup><a href="#17">17</a></sup><a name="top17"></a>, <i>v.g.</i>, em mat&eacute;ria de tratados internacionais sobre quest&otilde;es de defesa (al&iacute;nea <i>e</i>) do n.&ordm; 1 do artigo 17.&ordm; da LDN) ou no que toca ao envio daquilo que tem vindo a ser designado por &laquo;for&ccedil;as nacionais destacadas&raquo; (al&iacute;nea <i>g</i>) do mesmo normativo). Esta &uacute;ltima constitui, de resto, mat&eacute;ria relativamente &agrave; qual &eacute; frequente aquela pron&uacute;ncia, uma vez que pelas suas reuni&otilde;es passa, quer a aprecia&ccedil;&atilde;o do plano anual de envio de contingentes militares (seja no &acirc;mbito da ONU, da nato ou da UE/PESC), quer as suas frequentes altera&ccedil;&otilde;es.</p>     <p>No que toca &agrave; Assembleia da Rep&uacute;blica e no plano do controlo pol&iacute;tico, os poderes que lhe s&atilde;o alocados pela Lei Fundamental podem dividir&nbsp;se em quatro categorias:</p> <ul>       <li>         <p>fiscaliza&ccedil;&atilde;o geral da atividade do Governo e da Administra&ccedil;&atilde;o (al&iacute;nea <i>a</i>) do artigo 162.&ordm;);</p>   </li>       <li>         <p>autoriza&ccedil;&atilde;o para a declara&ccedil;&atilde;o da guerra e para a feitura da paz (al&iacute;nea <i>l</i>) do artigo 161.&ordm;);</p>   </li>       ]]></body>
<body><![CDATA[<li>         <p>interven&ccedil;&atilde;o nas quest&otilde;es relacionadas com a Uni&atilde;o Europeia (UE), seja para efeitos de pron&uacute;ncia, nos termos da lei, sobre as mat&eacute;rias pendentes de decis&atilde;o em &oacute;rg&atilde;os daquela que incidam na esfera da sua compet&ecirc;ncia legislativa (al&iacute;nea <i>n</i>) do artigo 161.&ordm;), seja para efeitos de acompanhamento e aprecia&ccedil;&atilde;o, tamb&eacute;m nos termos da lei, da participa&ccedil;&atilde;o nacional no processo de constru&ccedil;&atilde;o europeia (al&iacute;nea<i> f</i>) do artigo 163.&ordm;);</p>   </li>       <li>         <p>acompanhamento, igualmente nos termos da lei, do envolvimento de contingentes militares e de for&ccedil;as de seguran&ccedil;a no estrangeiro (al&iacute;nea <i>i</i>) do artigo 163.&ordm;).</p>   </li>     </ul>     <p>Dando cumprimento &agrave;quelas imposi&ccedil;&otilde;es constitucionais, a Lei n.&ordm; 43/2006, de 25 de agosto (modificada pela Lei n.&ordm; 21/2012, de 17 de maio), regula hoje o acompanhamento, aprecia&ccedil;&atilde;o e pron&uacute;ncia, por parte do Parlamento, no &acirc;mbito do processo de constru&ccedil;&atilde;o europeia. E a Lei n.&ordm; 46/2003, de 22 de agosto, delimita os termos do acompanhamento, pela Assembleia da Rep&uacute;blica, do envolvimento de contingentes militares e de for&ccedil;as de seguran&ccedil;a portugueses no estrangeiro<sup><a href="#18">18</a></sup><a name="top18"></a>. Em ambos os casos, por&eacute;m, embora detalhando-se as formas diversas de interven&ccedil;&atilde;o da Assembleia da Rep&uacute;blica nos dois dom&iacute;nios e assim se refor&ccedil;ando os seus poderes de escrut&iacute;nio (sobretudo no que &agrave; dimens&atilde;o europeia respeita, tema a que adiante se regressar&aacute;), n&atilde;o s&atilde;o conferidas a esta efetivas compet&ecirc;ncias decis&oacute;rias que possam condicionar, de forma expressa, a margem de atua&ccedil;&atilde;o do Governo.</p>     <p>Nota merece, ainda, o refor&ccedil;o dos poderes jur&iacute;dicos do Parlamento em mat&eacute;ria de Conceito Estrat&eacute;gico de Defesa Nacional, decorrente da revis&atilde;o da LDN ocorrida em 2014. Assim, enquanto anteriormente cabia &agrave; Assembleia da Rep&uacute;blica, apenas, realizar um debate sobre as grandes op&ccedil;&otilde;es desse conceito, pr&eacute;vio &agrave; aprova&ccedil;&atilde;o pelo Governo do pr&oacute;prio Conceito Estrat&eacute;gico, doravante passa a competir-lhe a aprova&ccedil;&atilde;o dessas grandes op&ccedil;&otilde;es (nova reda&ccedil;&atilde;o do n.&ordm; 2 do artigo 7.&ordm;).</p>     <p>J&aacute; no dom&iacute;nio normativo, a interven&ccedil;&atilde;o mais relevante do Parlamento situa-se no plano da aprova&ccedil;&atilde;o de conven&ccedil;&otilde;es internacionais, pois que muito limitadas s&atilde;o as circunst&acirc;ncias que conduzir&atilde;o &agrave; edi&ccedil;&atilde;o de leis relacionadas com a a&ccedil;&atilde;o externa do Estado<sup><a href="#19">19</a></sup><a name="top19"></a>. A&iacute;, cabe-lhe, nos termos da al&iacute;nea <i>i</i>) do artigo 161.&ordm; da Constitui&ccedil;&atilde;o, a aprova&ccedil;&atilde;o de todos os tratados internacionais<sup><a href="#20">20</a></sup><a name="top20"></a>, independentemente, portanto, da mat&eacute;ria a que respeitem, bem como de acordos internacionais, mas n&atilde;o de todos: apenas daqueles que versam mat&eacute;ria da sua compet&ecirc;ncia legislativa reservada ou dos que o Governo entenda submeter &agrave; sua aprova&ccedil;&atilde;o<sup><a href="#21">21</a></sup><a name="top21"></a>.</p>     <p>N&atilde;o cabe, por&eacute;m, d&uacute;vida que, de acordo com o nosso quadro constitucional, o lugar central em mat&eacute;ria de a&ccedil;&atilde;o externa &eacute; ocupado pelo Governo. Trata-se, ali&aacute;s, de consequ&ecirc;ncia l&oacute;gica do facto de a op&ccedil;&atilde;o da nossa Lei Fundamental ter sido a consagra&ccedil;&atilde;o de um Presidente da Rep&uacute;blica que n&atilde;o exerce qualquer tipo de fun&ccedil;&otilde;es executivas, isto &eacute;, para recorrer a uma imagem que prov&eacute;m da monarquia constitucional e que, entretanto, se consagrou, um Presidente que &laquo;preside&raquo;, mas que n&atilde;o governa.</p>     <p>A norma-chave para compreender o &laquo;lugar constitucional&raquo; do Governo &eacute;, sem d&uacute;vida, o artigo 182.&ordm;, que o define, numa l&oacute;gica bifuncional, como o &oacute;rg&atilde;o de condu&ccedil;&atilde;o da pol&iacute;tica geral do Pa&iacute;s e como &oacute;rg&atilde;o superior da Administra&ccedil;&atilde;o P&uacute;blica. Ora, como sugere Jorge Miranda, &laquo;a condu&ccedil;&atilde;o da pol&iacute;tica geral do Pa&iacute;s compreende quer a pol&iacute;tica interna, quer a pol&iacute;tica externa, uma e outra, pelo seu entrosamento cada vez mais forte e n&iacute;tido na &eacute;poca atual, indissoci&aacute;veis e necessariamente congruentes. <i>Governar </i>n&atilde;o se compadece com fracionamentos ou compartimenta&ccedil;&otilde;es&raquo;<sup><a href="#22">22</a></sup><a name="top22"></a>. E da&iacute;, por exemplo, que a dimens&atilde;o externa da a&ccedil;&atilde;o do Estado seja, <i>prima facie</i>, da responsabilidade do Executivo, trate-se da pol&iacute;tica externa <i>strictu sensu</i>, trate-se das rela&ccedil;&otilde;es externas da defesa.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Este &eacute;, de resto, um sentido interpretativo confirmado por v&aacute;rias disposi&ccedil;&otilde;es de &acirc;mbito legal. Na primeira dimens&atilde;o, para isso aponta o artigo 1.&ordm; da Lei Org&acirc;nica do Minist&eacute;rio dos Neg&oacute;cios Estrangeiros, que o qualifica como o departamento governamental respons&aacute;vel por formular, coordenar e executar a pol&iacute;tica externa portuguesa. No que &agrave; segunda dimens&atilde;o toca, parecem especialmente relevantes alguns dispositivos da LDN, como o n.&ordm; 2 do artigo 10.&ordm; (e a al&iacute;nea <i>d</i>) do n.&ordm; 2 do artigo 13.&ordm;), que prev&ecirc; que o emprego das For&ccedil;as Armadas, e de outras for&ccedil;as, quando integradas em opera&ccedil;&otilde;es militares no exterior do territ&oacute;rio nacional &eacute;, apenas, precedido de comunica&ccedil;&atilde;o fundamentada dirigida pelo primeiro-ministro ao Presidente da Rep&uacute;blica, ou da al&iacute;nea <i>q</i>) do artigo 11.&ordm;, que estabelece competir &agrave; Assembleia da Rep&uacute;blica, t&atilde;o-s&oacute;, a aprecia&ccedil;&atilde;o da decis&atilde;o governamental de envolvimento de contingentes ou for&ccedil;as militares nacionais no estrangeiro (a qual lhe deve ser previamente comunicada), bem como o acompanhamento dessa mesma participa&ccedil;&atilde;o. Posta a quest&atilde;o noutros termos: do lado do Governo, decis&atilde;o; do lado do Presidente da Rep&uacute;blica e da Assembleia da Rep&uacute;blica, informa&ccedil;&atilde;o e acompanhamento.</p>     <p>Para al&eacute;m daquele que lhe confere a responsabilidade pela condu&ccedil;&atilde;o da pol&iacute;tica geral do Pa&iacute;s, s&atilde;o contudo escassos os normativos constitucionais que diretamente se referem &agrave; dimens&atilde;o externa da atua&ccedil;&atilde;o do Governo. Ainda assim, merecem destaque a al&iacute;nea <i>b</i>) do n.&ordm; 1 do artigo 197.&ordm;, que lhe comete o poder de negociar e ajustar conven&ccedil;&otilde;es internacionais, e a al&iacute;nea <i>c</i>) seguinte, que lhe outorga compet&ecirc;ncia para aprovar acordos internacionais que n&atilde;o sejam da compet&ecirc;ncia do Parlamento ou que a este entenda n&atilde;o submeter.</p>     <p>No plano dos &oacute;rg&atilde;os de soberania, h&aacute; ainda que referir as compet&ecirc;ncias dos tribunais. Como &eacute; &oacute;bvio, n&atilde;o porque assumam poderes de interven&ccedil;&atilde;o no plano externo, mas na medida em que as suas decis&otilde;es se podem a&iacute; projetar. E isto em dois patamares: no dom&iacute;nio da fiscaliza&ccedil;&atilde;o da constitucionalidade, uma vez que a Constitui&ccedil;&atilde;o portuguesa prev&ecirc; a possibilidade de controlo preventivo, com poss&iacute;veis repercuss&otilde;es negativas no processo de vincula&ccedil;&atilde;o internacional do Estado, caso a pron&uacute;ncia seja no sentido da inconstitucionalidade (n.&ordm; 1 do artigo 278.&ordm; e artigo 279.&ordm;); no que toca &agrave; fiscaliza&ccedil;&atilde;o sucessiva abstrata, que pode conduzir &agrave; declara&ccedil;&atilde;o de inconstitucionalidade com for&ccedil;a obrigat&oacute;ria geral (artigo 281.&ordm; e 282.&ordm;) ou &agrave; fiscaliza&ccedil;&atilde;o concreta, uma vez que os tribunais gozam do poder-dever de recusar a aplica&ccedil;&atilde;o de normas inconstitucionais (artigo 204.&ordm;), algo que &eacute; apto a gerar, em ambas as situa&ccedil;&otilde;es, problemas de responsabilidade internacional ou de desrespeito pelo direito europeu.</p>     <p>As interven&ccedil;&otilde;es mais vis&iacute;veis nesse dom&iacute;nio prendem-se, contudo, com um tipo espec&iacute;fico de fiscaliza&ccedil;&atilde;o preventiva da constitucionalidade e da legalidade: a das propostas de referendo (n.&ordm; 8 do artigo 115.&ordm;). De facto, a natureza obrigat&oacute;ria desse controlo conduziu j&aacute; &agrave; inviabiliza&ccedil;&atilde;o de propostas de realiza&ccedil;&atilde;o de referendos nacionais que tinham sido objeto de aprova&ccedil;&atilde;o parlamentar: referimo-nos &agrave;s consultas incidentes, em 1998, sobre o Tratado de Amesterd&atilde;o<sup><a href="#23">23</a></sup><a name="top23"></a> e, em 2004, sobre o Tratado Constitucional<sup><a href="#24">24</a></sup><a name="top24"></a>. Tais decis&otilde;es negativas estiveram, de resto, na origem da revis&atilde;o constitucional levada a cabo em 2005, cujo &acirc;mbito se limitou &agrave; introdu&ccedil;&atilde;o do novo artigo 295.&ordm; que, em exce&ccedil;&atilde;o a quanto se disp&otilde;e no n.&ordm; 3 do artigo 115.&ordm;, veio permitir a realiza&ccedil;&atilde;o de referendo sobre a aprova&ccedil;&atilde;o <i>qua tale </i>de tratados, embora apenas no &acirc;mbito da constru&ccedil;&atilde;o e aprofundamento da UE.</p>     <p>Refer&ecirc;ncia derradeira a uma quest&atilde;o que decorre da natureza unit&aacute;ria regional do Estado portugu&ecirc;s: trata-se das compet&ecirc;ncias constitucionalmente cometidas &agrave;s regi&otilde;es aut&oacute;nomas dos A&ccedil;ores e da Madeira em mat&eacute;ria de a&ccedil;&atilde;o externa. Assim, de acordo com o artigo 227.&ordm;, s&atilde;o-lhes conferidos poderes para<sup><a href="#25">25</a></sup><a name="top25"></a>: participar nas negocia&ccedil;&otilde;es de conven&ccedil;&otilde;es internacionais em mat&eacute;rias que lhes digam diretamente respeito<sup><a href="#26">26</a></sup><a name="top26"></a>; estabelecer, de acordo com as orienta&ccedil;&otilde;es definidas pelos &oacute;rg&atilde;os de soberania com compet&ecirc;ncia em mat&eacute;ria de pol&iacute;tica externa, coopera&ccedil;&atilde;o com outras entidades regionais estrangeiras e participar em organiza&ccedil;&otilde;es que visem fomentar o di&aacute;logo e a coopera&ccedil;&atilde;o inter-regional; pronunciar-se (seja a pedido, seja por iniciativa pr&oacute;pria), sobre quest&otilde;es da compet&ecirc;ncia dos &oacute;rg&atilde;os de soberania que lhes digam respeito, bem como na defini&ccedil;&atilde;o das posi&ccedil;&otilde;es do Estado portugu&ecirc;s no &acirc;mbito da constru&ccedil;&atilde;o europeia, em mat&eacute;rias do seu interesse espec&iacute;fico; participar na constru&ccedil;&atilde;o europeia, mediante representa&ccedil;&atilde;o nas respetivas institui&ccedil;&otilde;es regionais e nas delega&ccedil;&otilde;es envolvidas em processos de decis&atilde;o no &acirc;mbito da UE, sempre que em causa estejam mat&eacute;rias que lhes digam respeito.</p>     <p>N&atilde;o se trata, como facilmente se apreende, de poderes substantivos de decis&atilde;o. Mas a sua atribui&ccedil;&atilde;o n&atilde;o deixa de representar uma real possibilidade de influ&ecirc;ncia em processos externos, al&eacute;m de que, no caso espec&iacute;fico das negocia&ccedil;&otilde;es de conven&ccedil;&otilde;es internacionais, caso os direitos de participa&ccedil;&atilde;o n&atilde;o sejam respeitados, pode mesmo gerar-se um problema de inconstitucionalidade.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><B>A DIN&Acirc;MICA JUR&Iacute;DICO-POL&Iacute;TICA: CERTEZA, EQU&Iacute;VOCOS E INTERROGA&Ccedil;&Otilde;ES</B></p>     <p>Independentemente de, aqui ou ali, poderem ocorrer naturais disson&acirc;ncias no que diz respeito a aspectos concretos da nossa pol&iacute;tica externa ou das rela&ccedil;&otilde;es externas de defesa, n&atilde;o se registam hoje significativos conflitos, nestes dom&iacute;nios, entre os diferentes &oacute;rg&atilde;os de soberania. Mas nem sempre assim foi na hist&oacute;ria constitucional recente. Com efeito, sobretudo no per&iacute;odo de coabita&ccedil;&atilde;o entre o Presidente Ramalho Eanes e o Governo da Alian&ccedil;a Democr&aacute;tica, pode mesmo dizer-se que um dos principais pontos de atrito se centrou no dom&iacute;nio da pol&iacute;tica externa, ao ponto de se chegar a falar numa esp&eacute;cie de diplomacia paralela presidencial. E os exemplos foram m&uacute;ltiplos, entre os quais se podem citar a quest&atilde;o da invas&atilde;o sovi&eacute;tica do Afeganist&atilde;o, as querelas em torno da nomea&ccedil;&atilde;o e demiss&atilde;o de embaixadores, a visita a Portugal de alguns chefes de Estado estrangeiros (com particular destaque para a do Presidente James Carter) ou a realiza&ccedil;&atilde;o de algumas visitas presidenciais (nomeadamente &agrave; It&aacute;lia e &agrave; Noruega)<sup><a href="#27">27</a></sup><a name="top27"></a>.</p>     <p>Em tempos mais recentes, algumas diverg&ecirc;ncias foram publicamente transparecendo, como sucedeu no consulado do Presidente M&aacute;rio Soares, em particular com a quest&atilde;o do processo de paz em Angola, queixando-se o Chefe de Estado de ter sido completamente colocado &agrave; margem do mesmo. E, no mandato do Presidente Jorge Sampaio, as dissens&otilde;es em torno da invas&atilde;o do Iraque em 2003 existiram e s&atilde;o do conhecimento p&uacute;blico, ao ponto de o Presidente ter manifestado a sua oposi&ccedil;&atilde;o ao envio de for&ccedil;as militares portuguesas, o que levou o primeiro-ministro Dur&atilde;o Barroso, numa l&oacute;gica de compromisso, a optar pela presen&ccedil;a de um contingente da GNR.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Trata-se, sem d&uacute;vida, de epis&oacute;dios relevantes, naquilo que poder&iacute;amos considerar como um processo de delimita&ccedil;&atilde;o rec&iacute;proca das fronteiras das compet&ecirc;ncias constitucionais e que se presenciou, tamb&eacute;m, no dom&iacute;nio da pol&iacute;tica interna. Mas, insista-se, a sua ocorr&ecirc;ncia n&atilde;o p&otilde;e em causa uma tend&ecirc;ncia geral &ndash; e cada vez mais seguida &ndash; que &eacute; a de os &oacute;rg&atilde;os de soberania se concertarem na defesa do interesse nacional externo.</p>     <p>No plano da interpreta&ccedil;&atilde;o jur&iacute;dico&nbsp;constitucional continua, por&eacute;m, a n&atilde;o existir unanimidade acerca deste tema, nomeadamente na defini&ccedil;&atilde;o dos termos da rela&ccedil;&atilde;o entre o Presidente da Rep&uacute;blica e o Governo. E por isso nos deparamos, por vezes, com leituras extensivas do acervo de poderes presidenciais<sup><a href="#28">28</a></sup><a name="top28"></a>que, do nosso ponto de vista, se alicer&ccedil;am no recurso &ndash; ainda que n&atilde;o assumido &ndash; &agrave; teoria dos poderes impl&iacute;citos<sup><a href="#29">29</a></sup><a name="top29"></a>. Trata-se de uma linha argumentativa que leva ao extremo a subjectiviza&ccedil;&atilde;o interpretativa da Lei Fundamental, ao pretender deduzir do conceito de representa&ccedil;&atilde;o da Rep&uacute;blica &ndash; constante do artigo 120.&ordm; da Constitui&ccedil;&atilde;o &ndash; um conjunto de novos poderes e compet&ecirc;ncias que n&atilde;o s&atilde;o compat&iacute;veis com a arquitetura constitucional de separa&ccedil;&atilde;o de poderes. E que, de resto, tem por desiderato alargar o campo de interven&ccedil;&atilde;o presidencial, evidentemente em detrimento dos demais &oacute;rg&atilde;os de soberania &ndash; <i>maxime </i>o Governo &ndash;, por essa via colocando em crise o pr&oacute;prio equil&iacute;brio subjacente &agrave;s op&ccedil;&otilde;es inseridas na nossa Lei Fundamental.</p>     <p>H&aacute; que diz&ecirc;-lo, com clareza: se semelhante linha anal&iacute;tica n&atilde;o encontra sustenta&ccedil;&atilde;o na pr&oacute;pria conforma&ccedil;&atilde;o que a Lei Fundamental d&aacute; ao sistema de governo, ela suscita ainda maiores reservas quando analisada &agrave; luz da evolu&ccedil;&atilde;o hist&oacute;rica dos poderes presidenciais, nomeadamente face &agrave; rutura que o documento de 1976 quis introduzir na orienta&ccedil;&atilde;o institu&iacute;da pela Constitui&ccedil;&atilde;o de 1933 &ndash; mais especificamente pelo seu artigo 81.&ordm; n.&ordm; 7 &ndash; que estabelecia competir ao Presidente da Rep&uacute;blica a representa&ccedil;&atilde;o do Estado, a dire&ccedil;&atilde;o da pol&iacute;tica externa (que a atual Lei Fundamental entregou ao Governo, nos termos do citado artigo 182.&ordm;) e o ajuste e negocia&ccedil;&atilde;o de conven&ccedil;&otilde;es internacionais (tamb&eacute;m transferido para o Governo, nos termos da j&aacute; referida al&iacute;nea <i>b</i>) do n.&ordm; 1 do artigo 197.&ordm;). E da&iacute; que se deva concluir, como o faz Cristina Queiroz, que &laquo;o Presidente da Rep&uacute;blica n&atilde;o det&eacute;m, entre n&oacute;s, o <i>foreign affairs power</i>&raquo;<sup><a href="#30">30</a></sup><a name="top30"></a>, com todo o rol de evidentes consequ&ecirc;ncias que da&iacute; decorrem, no que diz respeito &agrave; contra&ccedil;&atilde;o das suas possibilidades jur&iacute;dico-constitucionais de interven&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>Assim, independentemente da evolu&ccedil;&atilde;o que as condi&ccedil;&otilde;es pol&iacute;ticas concretas determinaram, e que esteve na base de uma evidente dilui&ccedil;&atilde;o dos poderes presidenciais ao longo de todo o per&iacute;odo do Estado Novo, n&atilde;o pode ser pura e simplesmente ignorada a profunda restri&ccedil;&atilde;o que a Constitui&ccedil;&atilde;o contempla, quando retira ao Presidente da Rep&uacute;blica as fun&ccedil;&otilde;es de dire&ccedil;&atilde;o e de negocia&ccedil;&atilde;o e lhe deixa t&atilde;o-s&oacute; a de representa&ccedil;&atilde;o<sup><a href="#31">31</a></sup><a name="top31"></a>. Dito de outra forma: no plano da a&ccedil;&atilde;o externa do Estado, n&atilde;o &eacute; poss&iacute;vel formatar uma juridicamente sustentada configura&ccedil;&atilde;o dos poderes presidenciais, sem valorar adequadamente todos esses dados. Da&iacute; que importe partir de um pressuposto b&aacute;sico: o de que o artigo 135.&ordm; da Constitui&ccedil;&atilde;o &eacute;, ele pr&oacute;prio, em larga medida &ndash; e embora n&atilde;o a consumindo integralmente &ndash; o desenvolvimento e concretiza&ccedil;&atilde;o da no&ccedil;&atilde;o de representa&ccedil;&atilde;o da Rep&uacute;blica.</p>     <p>Com isso em mente, h&aacute; que rejeitar a identificada tend&ecirc;ncia para uma certa gauliza&ccedil;&atilde;o do sistema de governo, no que &agrave; pol&iacute;tica externa diz respeito. De facto, o nosso semipresidencialismo afasta&nbsp;se do franc&ecirc;s, em larga medida, quando coloca o assento t&oacute;nico das compet&ecirc;ncias presidenciais de conforma&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica na vertente interna, conferindo&nbsp;lhe o poder de demitir o Governo (al&iacute;nea <i>g</i>) do artigo 133.&ordm; e n.&ordm; 2 do artigo 195.&ordm;) &ndash; prerrogativa de que o residente do Eliseu n&atilde;o goza; reconhecendo&nbsp;lhe significativa latitude jur&iacute;dica na escolha do primeiro-ministro (al&iacute;nea <i>f</i>) do artigo 133.&ordm; e n.&ordm; 1 do artigo 187.&ordm;); dotando-o do direito de veto, por vezes com efic&aacute;cia absoluta (n.&ordm; 4 do artigo 136.&ordm;) &ndash; o que tamb&eacute;m n&atilde;o &eacute; reconhecido ao Chefe de Estado gaul&ecirc;s; ou concedendo&nbsp;lhe o direito exclusivo de decidir quanto &agrave; convoca&ccedil;&atilde;o de referendos nacionais e regionais (n.&ordm; 1 do artigo 115.&ordm;).</p>     <p>Em simult&acirc;neo, por&eacute;m, a Lei Fundamental de 1976 desvaloriza conscientemente o papel do Presidente da Rep&uacute;blica em mat&eacute;ria de a&ccedil;&atilde;o externa, acantonando&nbsp;o em poderes muito mais limitados &ndash; que, de resto, e como j&aacute; se disse, revestem normalmente a natureza de poderes partilhados<sup><a href="#32">32</a></sup><a name="top32"></a>&ndash;, ao passo que a V Rep&uacute;blica faz do Presidente a verdadeira sede do poder, tanto em mat&eacute;ria de pol&iacute;tica externa quanto de pol&iacute;tica de defesa.</p>     <p>Mas, se a Constitui&ccedil;&atilde;o portuguesa atribui ao Governo, sem equ&iacute;vocos, a condu&ccedil;&atilde;o tamb&eacute;m da pol&iacute;tica externa, &eacute; evidente, tamb&eacute;m, que isso n&atilde;o significa que a este caiba definir, de forma isolada, as grandes op&ccedil;&otilde;es dessa &aacute;rea de a&ccedil;&atilde;o. Desde logo, porque estas t&ecirc;m de constar, obrigatoriamente, do seu programa (artigo 188.&ordm;), a ser objeto de imperativa aprecia&ccedil;&atilde;o &ndash; e necess&aacute;ria n&atilde;o rejei&ccedil;&atilde;o &ndash; pela Assembleia da Rep&uacute;blica<sup><a href="#33">33</a></sup><a name="top33"></a>.</p>     <p>Depois, porque se encontra permanentemente sujeito &agrave; fiscaliza&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica desta. E n&atilde;o esquecendo, ainda, como foi antes sublinhado, que o texto fundamental imp&otilde;e ao primeiro&nbsp;ministro o dever de manter o Presidente da Rep&uacute;blica informado acerca dos assuntos respeitantes &agrave; condu&ccedil;&atilde;o da pol&iacute;tica externa.</p>     <p>Em suma: cada &oacute;rg&atilde;o de soberania tem constitucionalmente as suas fun&ccedil;&otilde;es e, por isso mesmo, os planos n&atilde;o podem ser confundidos &ndash; quem dirige a pol&iacute;tica externa &eacute; o Governo, que assume, pela sua condu&ccedil;&atilde;o, plena responsabilidade pol&iacute;tica. Assim, e fora dos casos em que a Constitui&ccedil;&atilde;o expressamente atribua uma compet&ecirc;ncia de atua&ccedil;&atilde;o a um outro &oacute;rg&atilde;o de soberania, deve entender-se &ndash; numa l&oacute;gica de subsidiariedade &ndash; que o detentor de um determinado poder relevando da &aacute;rea de a&ccedil;&atilde;o externa &eacute; o Governo. E, nessa linha, parece igualmente impor&nbsp;se a ideia de que a interven&ccedil;&atilde;o presidencial ou do Parlamento s&oacute; dever&aacute; ocorrer caso se encontre diretamente titulada no texto constitucional e esteja em concord&acirc;ncia com a filosofia geral da arquitetura do nosso sistema de governo.</p>     <p>A esta luz, afiguram-se-nos como especialmente infundadas sugest&otilde;es como as apontadas por Gomes Canotilho e Vital Moreira, para quem caberia ao Presidente da Rep&uacute;blica o direito de estar presente em todas as cerim&oacute;nias que envolvam a representa&ccedil;&atilde;o formal do Estado ou, ainda, a sua participa&ccedil;&atilde;o, eventualmente acompanhado pelo primeiro-ministro e/ou pelo ministro dos Neg&oacute;cios Estrangeiros, em todas as inst&acirc;ncias internacionais em que estejam em causa os grandes interesses nacionais<sup><a href="#34">34</a></sup><a name="top34"></a>.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&Eacute; que, no nosso entendimento, surge como por demais evidente que a lideran&ccedil;a presidencial das delega&ccedil;&otilde;es do Estado portugu&ecirc;s, por exemplo, nas reuni&otilde;es do Conselho Europeu &ndash; &agrave; semelhan&ccedil;a daquilo que acontece com a Fran&ccedil;a &ndash; n&atilde;o pode ser sustentada no conceito de representa&ccedil;&atilde;o da Rep&uacute;blica, que o artigo 120.&ordm; da Constitui&ccedil;&atilde;o afirma. E isso na medida em que a&iacute; est&aacute; em causa, at&eacute; pela &iacute;ndole dos poderes que aquele &oacute;rg&atilde;o europeu exerce, o desenvolvimento de uma a&ccedil;&atilde;o que releva de tarefas governativas, constitucionalmente n&atilde;o partilhadas, entre n&oacute;s, pelo Presidente da Rep&uacute;blica<sup><a href="#35">35</a></sup><a name="top35"></a>.</p>     <p>Na mesma linha, n&atilde;o deixa igualmente de causar perplexidade o facto de os mesmos autores alicer&ccedil;arem a sua posi&ccedil;&atilde;o favor&aacute;vel ao alargamento do estatuto do Presidente da Rep&uacute;blica no facto de a este estarem alocados espec&iacute;ficos e concretos poderes de interven&ccedil;&atilde;o na &aacute;rea externa, por exemplo, para nomear os embaixadores e os enviados extraordin&aacute;rios, o que n&atilde;o sucederia em nenhum outro dom&iacute;nio (artigo 133.&ordm; e artigo 135.&ordm;)<sup><a href="#36">36</a></sup><a name="top36"></a>. &Eacute; que, entre outras situa&ccedil;&otilde;es, o Presidente da Rep&uacute;blica nomeia o primeiro&nbsp;ministro (al&iacute;nea <i>f</i>) do artigo 133.&ordm;) e os demais membros do Governo (al&iacute;nea <i>h</i>) do mesmo normativo) e n&atilde;o interv&eacute;m diretamente na atividade governativa; nomeia o presidente do Tribunal de Contas (al&iacute;nea <i>m</i>) do artigo 133.&ordm;) e n&atilde;o participa na verifica&ccedil;&atilde;o da legalidade das contas p&uacute;blicas; nomeia o procurador-geral da Rep&uacute;blica (mesma norma) e n&atilde;o interfere no exerc&iacute;cio da a&ccedil;&atilde;o penal. Por que raz&atilde;o, ent&atilde;o, seria leg&iacute;timo concluir que a titularidade do poder &ndash; que partilha com o Governo &ndash; de nomear embaixadores e proceder &agrave; respetiva acredita&ccedil;&atilde;o, deve ser encarada como traduzindo a exist&ecirc;ncia de poderes especiais de a&ccedil;&atilde;o no dom&iacute;nio da pol&iacute;tica externa?</p>     <p>A este prop&oacute;sito, seja-nos permitido deixar aqui uma breve indaga&ccedil;&atilde;o acerca de algumas vicissitudes registadas pelo percurso do atual texto constitucional, que se afigura &uacute;til para lan&ccedil;ar mais alguma luz sobre a ilegitimidade da tese que pretende estender os poderes presidenciais. Especial significado assumem, em tal contexto, os trabalhos da revis&atilde;o ordin&aacute;ria que teve lugar em 1989, por se ter a&iacute; assistido &agrave; expressa rejei&ccedil;&atilde;o de todas as propostas que visavam alargar, ou at&eacute; meramente precisar, o conte&uacute;do das compet&ecirc;ncias do Presidente da Rep&uacute;blica no que &agrave; a&ccedil;&atilde;o externa respeita. Foi esse, <i>v.g.</i>, o destino da proposta avan&ccedil;ada pelo Partido Comunista Portugu&ecirc;s, que visava incluir uma nova al&iacute;nea no artigo 135.&ordm; (&agrave; &eacute;poca 138.&ordm;), estabelecendo caber-lhe a representa&ccedil;&atilde;o externa da Rep&uacute;blica, o acompanhamento da negocia&ccedil;&atilde;o e do ajuste de quaisquer acordos internacionais e a pron&uacute;ncia sobre as grandes orienta&ccedil;&otilde;es de Portugal no plano internacional; ou da proposta do Partido Socialista, que pretendia a inclus&atilde;o de uma disposi&ccedil;&atilde;o definindo que lhe competiria representar o Estado na ordem externa<sup><a href="#37">37</a></sup><a name="top37"></a>.</p>     <p>Particularmente relevante se afigura, contudo, a recusa de aceitar, na ocasi&atilde;o, ideias que pretendiam reconhecer ao Presidente da Rep&uacute;blica capacidade para participar na pr&oacute;pria defini&ccedil;&atilde;o da pol&iacute;tica externa<sup><a href="#38">38</a></sup><a name="top38"></a>. E algumas interven&ccedil;&otilde;es ent&atilde;o produzidas s&atilde;o especialmente claras quanto aos motivos que estiveram subjacentes a tal atitude, bem como ao entendimento dos poderes presidenciais maioritariamente sufragado, de acordo com o qual</p>     <p>     <blockquote>a atribui&ccedil;&atilde;o de compet&ecirc;ncias refor&ccedil;adas de interven&ccedil;&atilde;o ao Presidente da Rep&uacute;blica significaria, concomitantemente, uma perda de capacidade de fiscaliza&ccedil;&atilde;o da Assembleia da Rep&uacute;blica, uma vez que, na reparti&ccedil;&atilde;o de atribui&ccedil;&otilde;es entre &oacute;rg&atilde;os de soberania, n&atilde;o compete &agrave; Assembleia da Rep&uacute;blica fiscalizar os actos do Presidente, mas meramente os do Governo&raquo;<sup><a href="#39">39</a></sup><a name="top39"></a>.</blockquote>     <p></p>     <p>At&eacute; porque, sublinhava-se um pouco mais adiante, ao se aludir &agrave; natureza do sistema de governo:</p>     <p>     <blockquote>se admit&iacute;ssemos, porventura, em mat&eacute;ria de pol&iacute;tica externa, como em mat&eacute;ria de defesa nacional, um acr&eacute;scimo de compet&ecirc;ncia do Presidente da Rep&uacute;blica, sempre isso significaria uma diminui&ccedil;&atilde;o inaceit&aacute;vel das atribui&ccedil;&otilde;es de fiscaliza&ccedil;&atilde;o do Parlamento e um manifesto desequil&iacute;brio de poderes&raquo;<sup><a href="#40">40</a></sup><a name="top40"></a>.</blockquote>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p></p>     <p>Curiosamente, ao mesmo tempo que por vezes se insiste, em mat&eacute;ria de a&ccedil;&atilde;o externa, numa leitura dos poderes que a Constitui&ccedil;&atilde;o n&atilde;o apoia, ignora-se a exist&ecirc;ncia de desvios significativos entre aquilo que o direito positivo estatui e o que a pr&aacute;tica sistematicamente indica. Nessa medida, o problema coloca-se assim, muitas vezes, mais no campo da <i>Prudentia </i>e menos no dom&iacute;nio da <i>Scientia</i>, tornando indispens&aacute;vel encontrar solu&ccedil;&otilde;es adequadas a compreender esses desafios colocados pelo agir concreto.</p>     <p>Justifica-se, assim, plenamente, uma observa&ccedil;&atilde;o que, de forma atenta e detalhada, ilustre, <i>v.g.</i>, os aspectos din&acirc;micos da vincula&ccedil;&atilde;o internacional do Estado. De facto, qual &eacute;, a&iacute;, a verdadeira influ&ecirc;ncia do Presidente da Rep&uacute;blica e n&atilde;o, apenas, a que decorre dos poderes formais de interven&ccedil;&atilde;o? Quantas vezes o Presidente da Rep&uacute;blica recusou &ndash; ou imp&ocirc;s condi&ccedil;&otilde;es &ndash; a ratifica&ccedil;&atilde;o de um tratado internacional ou a assinatura do ato interno de aprova&ccedil;&atilde;o de um acordo em forma simplificada? Que poderes substantivos exerce em mat&eacute;ria de formula&ccedil;&atilde;o de reservas? E a Assembleia da Rep&uacute;blica? Vai ela para l&aacute; da ritual aprova&ccedil;&atilde;o dos textos dos tratados e dos acordos? Quantas vezes, por exemplo, o Parlamento obstaculizou a vincula&ccedil;&atilde;o a instrumentos internacionais livremente negociados pelo Governo? E que papel substantivo desempenha, igualmente, na formula&ccedil;&atilde;o de reservas?</p>     <p>Pelo que representa em termos de desvalor do papel do Parlamento, afigura&nbsp;se aqui especialmente emblem&aacute;tico o epis&oacute;dio relativo &agrave; vincula&ccedil;&atilde;o ao Estatuto de Roma, que instituiu o Tribunal Penal Internacional. Com efeito, sem que o Governo alguma vez tenha informado, formal ou mesmo informalmente, o Presidente da Rep&uacute;blica ou a Assembleia da Rep&uacute;blica, o Estado portugu&ecirc;s participou nas negocia&ccedil;&otilde;es, assinou o texto e desencadeou o processo da respetiva vincula&ccedil;&atilde;o, remetendo o documento para o Parlamento<sup><a href="#41">41</a></sup><a name="top41"></a>, apesar de este conter normas materialmente desrespeitadoras da Lei Fundamental, facto que, s&oacute; por si, obviava a essa vincula&ccedil;&atilde;o, a qual s&oacute; foi poss&iacute;vel ap&oacute;s o processo de revis&atilde;o constitucional extraordin&aacute;ria de 2001<sup><a href="#42">42</a></sup><a name="top42"></a>.</p>     <p>Por outro lado, tamb&eacute;m no plano do estrito controlo pol&iacute;tico, &eacute; manifesta a subalterni za&ccedil;&atilde;o do papel do Parlamento em mat&eacute;ria e rela&ccedil;&otilde;es externas. Com isso n&atilde;o se quer dizer, evidentemente, que este n&atilde;o disponha dos habituais meios de fiscaliza&ccedil;&atilde;o e que a eles n&atilde;o recorra. De facto, seja ao n&iacute;vel do plen&aacute;rio, seja ao n&iacute;vel das comiss&otilde;es &ndash; de Neg&oacute;cios Estrangeiros, Coopera&ccedil;&atilde;o e Comunidades Portuguesas, de Defesa Nacional e de Assuntos Europeus, com natural destaque para a primeira &ndash;, o Governo &eacute; submetido ao escrut&iacute;nio que a sua responsabilidade pol&iacute;tica determina. E tamb&eacute;m o recurso a mecanismos como as perguntas e os requerimentos dos deputados &eacute;, aqui, frequente.</p>     <p>A quest&atilde;o &eacute;, por&eacute;m, a da real utilidade dessas interven&ccedil;&otilde;es no condicionamento ou, ao menos, na influ&ecirc;ncia sobre a a&ccedil;&atilde;o do Executivo que, como a pr&aacute;tica demonstra, &eacute; aqui bastante mais reduzida que nas &aacute;reas internas da governa&ccedil;&atilde;o. E, mesmo no plano formal, o modo de funcionamento da Assembleia tem sido claramente diferenciado, uma vez que, em assumida fuga &agrave; regra geral de transpar&ecirc;ncia e de abertura dos trabalhos parlamentares, at&eacute; h&aacute; pouco tempo os trabalhos das comiss&otilde;es de Neg&oacute;cios Estrangeiros e de Defesa Nacional &ndash; e apenas delas &ndash; corriam sempre &agrave; porta fechada. E ainda hoje, embora de forma ocasional, tal ocorre, numa exce&ccedil;&atilde;o que s&oacute; conhece paralelo no funcionamento das comiss&otilde;es parlamentares de inqu&eacute;rito.</p>     <p>&Agrave; luz destas circunst&acirc;ncias particulares, ligadas &agrave; conce&ccedil;&atilde;o especial das mat&eacute;rias internacionais a que anteriormente se fez refer&ecirc;ncia, n&atilde;o surpreende, por isso, que com pouca frequ&ecirc;ncia a agenda parlamentar seja ocupada por temas substantivos de natureza externa &ndash; com exce&ccedil;&atilde;o dos assuntos relacionados com a UE, tema a que adiante se voltar&aacute; &ndash; e que, mais ainda, sejam escassos os exemplos em que o desencadear dos mecanismos de efetiva&ccedil;&atilde;o da responsabilidade pol&iacute;tica do Governo tenha na sua origem mat&eacute;rias dessa natureza. A situa&ccedil;&atilde;o mais relevante em que essa dimens&atilde;o se colocou ter&aacute; provavelmente sido a quest&atilde;o da invas&atilde;o do Iraque e do apoio portugu&ecirc;s &agrave; pol&iacute;tica norte-americana, que conduziu &agrave; apresenta&ccedil;&atilde;o de quatro mo&ccedil;&otilde;es de censura, por parte do Partido Socialista<sup><a href="#43">43</a></sup><a name="top43"></a>, do Partido Comunista Portugu&ecirc;s<sup><a href="#44">44</a></sup><a name="top44"></a>, do Bloco de Esquerda<sup><a href="#45">45</a></sup><a name="top45"></a>e do Partido Ecologista &laquo;Os Verdes&raquo;<sup><a href="#46">46</a></sup><a name="top46"></a>ao Governo de Dur&atilde;o Barroso, todas elas rejeitadas pela maioria parlamentar.</p>     <p>Tudo analisado, &eacute; porventura a prop&oacute;sito das discuss&otilde;es, relativamente frequentes ali&aacute;s, de votos<sup><a href="#47">47</a></sup><a name="top47"></a> ou, em menor n&uacute;mero, de projetos de resolu&ccedil;&atilde;o de recomenda&ccedil;&atilde;o ao Governo, que as quest&otilde;es externas adquirem maior visibilidade ao n&iacute;vel dos trabalhos do Plen&aacute;rio. Mas tais iniciativas visam, habitualmente, a cria&ccedil;&atilde;o de espa&ccedil;os ret&oacute;ricos de cr&iacute;tica pol&iacute;tica e de afirma&ccedil;&atilde;o de posi&ccedil;&otilde;es partid&aacute;rias alternativas, naturais e desej&aacute;veis at&eacute; no plano parlamentar, mas com pouco ou nenhum efeito pr&aacute;tico<sup><a href="#48">48</a></sup><a name="top48"></a>.</p>     <p>Dir-se-&aacute;, contudo, que se est&aacute; a comparar dimens&otilde;es incompar&aacute;veis, pois que uma coisa &eacute; a titularidade de uma determinada compet&ecirc;ncia e outra, bem diversa, s&atilde;o as condi&ccedil;&otilde;es do seu exerc&iacute;cio. Evidentemente que sim. Tal n&atilde;o invalida, contudo, que assim se defina um certo padr&atilde;o de evolu&ccedil;&atilde;o do sistema de governo e do concreto acervo dos poderes dos diversos &oacute;rg&atilde;os de soberania, o qual pode, no limite, conduzir a uma interpreta&ccedil;&atilde;o evolutiva do real conte&uacute;do das respetivas compet&ecirc;ncias &ndash; <i>ex facto oritur jus </i>&ndash; e alterar a posi&ccedil;&atilde;o relativa em que se encontram. Circunst&acirc;ncia em que n&atilde;o pode nunca olvidar-se, por&eacute;m, que no dom&iacute;nio do direito p&uacute;blico rege um princ&iacute;pio de indisponibilidade das compet&ecirc;ncias, e que, como indica Jorge Miranda, nenhuma autoridade do Estado pode &laquo;dispor delas, transmiti&nbsp;las a outra autoridade ou conform&aacute;-las de modo diferente&raquo;<sup><a href="#49">49</a></sup><a name="top49"></a>.</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><B>OS DESAFIOS ESPEC&Iacute;FICOS COLOCADOS PELA UNI&Atilde;O EUROPEIA</B></p>     <p>A sobrevaloriza&ccedil;&atilde;o do papel e da fun&ccedil;&atilde;o do Executivo est&aacute; hoje sobremaneira ligada ao facto de a defesa dos interesses nacionais repousar, em grau elevado, na capacidade de desempenho externo do Estado. Assiste&nbsp;se aqui, h&aacute; que reconhec&ecirc;&nbsp;lo, a uma situa&ccedil;&atilde;o de contornos inovadores &ndash; n&atilde;o na sua ess&ecirc;ncia, mas na dimens&atilde;o que assume, bem como na forma e nos procedimentos que envolve. &Eacute; certo que a pol&iacute;tica externa e a pol&iacute;tica de defesa constitu&iacute;ram sempre o &laquo;n&uacute;cleo duro&raquo; da soberania estadual, entendida esta, na ace&ccedil;&atilde;o origin&aacute;ria e cl&aacute;ssica que lhe deu Jean Bodin, como um poder que, sendo supremo na ordem interna, &eacute;, em simult&acirc;neo, independente na ordem internacional. Mas n&atilde;o &eacute; menos certo que o sentido de evolu&ccedil;&atilde;o das fun&ccedil;&otilde;es do Estado e o desenvolvimento de distintos processos pol&iacute;ticos e econ&oacute;micos internacionais trouxeram, nuns casos mais que noutros, significativas mudan&ccedil;as &agrave;s concretas condi&ccedil;&otilde;es f&aacute;cticas de atua&ccedil;&atilde;o dos &oacute;rg&atilde;os de soberania.</p>     <p>Para este <i>statu quo </i>contribu&iacute;ram, em larga medida, os movimentos de globaliza&ccedil;&atilde;o induzidos, quer pelos novos processos tecnol&oacute;gicos, quer pelas consequ&ecirc;ncias do apaziguamento ideol&oacute;gico que caracterizou a parte final do s&eacute;culo xx e se prolonga, evidentemente, na atual cent&uacute;ria. Notar-se-&aacute;, contudo, que este n&atilde;o &eacute; um fen&oacute;meno inteiramente novo. Em pr&eacute;vios momentos hist&oacute;ricos, percursos compar&aacute;veis estiveram na origem de inova&ccedil;&otilde;es fundamentais no plano do direito, tanto interno quanto internacional. Atente-se, a t&iacute;tulo meramente exemplificativo, na contemporaneidade entre os descobrimentos portugueses, a evolu&ccedil;&atilde;o do processo de centraliza&ccedil;&atilde;o do poder real e a luta pela afirma&ccedil;&atilde;o do princ&iacute;pio da igualdade entre os estados, mais tarde formalmente reconhecido com a Paz de Vestef&aacute;lia. Ou observem-se as consequ&ecirc;ncias da revolu&ccedil;&atilde;o industrial, seja na dissemina&ccedil;&atilde;o de novos movimentos pol&iacute;ticos de tipo democr&aacute;tico, seja na constru&ccedil;&atilde;o das primeiras formas de coopera&ccedil;&atilde;o internacional.</p>     <p>Mau grado o seu indesment&iacute;vel interesse, trata-se de dimens&atilde;o te&oacute;rica que n&atilde;o h&aacute; aqui espa&ccedil;o para explorar. Na verdade, as d&uacute;vidas e interroga&ccedil;&otilde;es que aquela nova realidade suscita relevam ainda, essencialmente, do universo da ci&ecirc;ncia pol&iacute;tica e da ci&ecirc;ncia das rela&ccedil;&otilde;es internacionais. E o objeto das presentes reflex&otilde;es situa-se no plano da ci&ecirc;ncia jur&iacute;dica, <i>prima facie </i>no dom&iacute;nio do direito constitucional.</p>     <p>Tal linha de racioc&iacute;nio n&atilde;o colhe, contudo, quando se equacionam as consequ&ecirc;ncias do processo de integra&ccedil;&atilde;o europeia, uma vez que este apresenta j&aacute; influ&ecirc;ncias plenamente percet&iacute;veis, formal ou informalmente, no que ao direito e &agrave; pr&aacute;tica constitucional portuguesa respeita<sup><a href="#50">50</a></sup><a name="top50"></a>.</p>     <p>Ao diz&ecirc;-lo, n&atilde;o queremos apenas referir-nos &agrave;s mais vis&iacute;veis manifesta&ccedil;&otilde;es dessa tend&ecirc;ncia, como aquela que se prende com a aceita&ccedil;&atilde;o da supremacia pol&iacute;tica do processo europeu face ao quadro constitucional portugu&ecirc;s &ndash; algo que teve tradu&ccedil;&atilde;o concreta na efetiva&ccedil;&atilde;o de revis&otilde;es &laquo;preventivas&raquo; da Constitui&ccedil;&atilde;o, com o objetivo impl&iacute;cito (1982 e, embora menos, 1989) ou expl&iacute;cito (1992), de a subordinar ao direito comunit&aacute;rio, ou at&eacute; (2005) com o fito de resolver, de uma s&oacute; vez, qualquer eventual incompatibilidade entre os tratados europeus e a Lei Fundamental, por via da decis&atilde;o referend&aacute;ria.</p>     <p>Se a relev&acirc;ncia espec&iacute;fica desses momentos n&atilde;o se questiona, muito mais importantes se revelam, contudo, as mudan&ccedil;as induzidas, na concreta conforma&ccedil;&atilde;o do princ&iacute;pio da separa&ccedil;&atilde;o de poderes, pelos mecanismos pr&oacute;prios de decis&atilde;o da UE. E isto na medida em que o aprofundamento desse processo integrat&oacute;rio tem originado, de forma sistem&aacute;tica, uma progressiva &laquo;virtualiza&ccedil;&atilde;o&raquo; do equil&iacute;brio da rela&ccedil;&atilde;o constitucionalmente tecida entre os diferentes &oacute;rg&atilde;os de soberania, afetando especialmente o estatuto e os poderes dos parlamentos nacionais. De resto, foi sem d&uacute;vida a constata&ccedil;&atilde;o dessa realidade que levou a que, no quadro do Tratado de Lisboa, se tenha querido consagrar algumas solu&ccedil;&otilde;es destinadas a inverter ou, ao menos, a minimizar tal situa&ccedil;&atilde;o (<i>v.g.</i>, atrav&eacute;s do Protocolo n.&ordm; 1, relativo ao papel dos parlamentos nacionais na UE e do Protocolo n.&ordm; 2, relativo &agrave; aplica&ccedil;&atilde;o dos princ&iacute;pios da subsidiariedade e da proporcionalidade, ambos figurando atualmente em anexo ao Tratado sobre o Funcionamento da UE).</p>     <p>Deparamo-nos aqui com uma tend&ecirc;ncia que &eacute; geral a que Portugal n&atilde;o podia ficar evidentemente imune, mas que, no nosso caso, assume contornos muito relevantes, j&aacute; que os contornos espec&iacute;ficos da arquitetura pol&iacute;tica europeia &ndash; predomin&acirc;ncia do Conselho (Europeu e de Ministros) e aplicabilidade direta das principais fontes de direito derivado &ndash; est&atilde;o na base de um muito significativo refor&ccedil;o da posi&ccedil;&atilde;o governamental e de uma correspondente degrada&ccedil;&atilde;o progressiva do real papel da Assembleia da Rep&uacute;blica (para j&aacute; n&atilde;o falar do estatuto do Presidente da Rep&uacute;blica).</p>     <p>A consagra&ccedil;&atilde;o das normas constantes da al&iacute;nea <i>n</i>) do artigo 161.&ordm; e da al&iacute;nea <i>f</i>) do artigo 163.&ordm;, ambos da Constitui&ccedil;&atilde;o, ou a aprova&ccedil;&atilde;o da j&aacute; referida Lei n.&ordm; 43/2006, de 25 de agosto<sup><a href="#51">51</a></sup><a name="top51"></a>apontam, &eacute; certo, na dire&ccedil;&atilde;o correta. Mas est&atilde;o longe de consagrar uma linha de orienta&ccedil;&atilde;o apta a contrariar, de forma consistente, tal processo de decaimento dos poderes parlamentares. Vale a pena, por isso, deixar aqui um olhar, ainda que necessariamente breve, sobre os mecanismos que aquele diploma legal institui.</p>     <p>Assim, o exerc&iacute;cio das compet&ecirc;ncias parlamentares baseia-se, antes de mais, num processo regular de consultas com o Governo (n.&ordm; 2 do artigo 1.&ordm;), lan&ccedil;ando sobre este a obriga&ccedil;&atilde;o de fornecer, em tempo &uacute;til, informa&ccedil;&atilde;o sobre os assuntos e posi&ccedil;&otilde;es a defender no plano da UE, bem como sobre as propostas em discuss&atilde;o e as negocia&ccedil;&otilde;es em curso (n.&ordm; 1 do artigo 5.&ordm;).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A Assembleia da Rep&uacute;blica pronuncia&nbsp;se sobre decis&otilde;es incidentes na esfera da sua compet&ecirc;ncia legislativa reservada, que se encontram pendentes de decis&atilde;o em &oacute;rg&atilde;os da ue, bem como sobre outras iniciativas das institui&ccedil;&otilde;es europeias, procedendo &agrave; an&aacute;lise do seu conte&uacute;do e assegurando, quando disso for caso, o respeito pelos princ&iacute;pios da subsidiariedade e da proporcionalidade (artigos 2.&ordm; e 3.&ordm;). Trata&nbsp;se, assim, de uma interven&ccedil;&atilde;o sobretudo pol&iacute;tica, mas sem consequ&ecirc;ncias jur&iacute;dicas diretas, uma vez que se traduz na emiss&atilde;o de pareceres.</p>     <p>Nessa linha, a maior visibilidade pol&iacute;tica do acompanhamento e aprecia&ccedil;&atilde;o da participa&ccedil;&atilde;o nacional na UE decorre, fundamentalmente, da realiza&ccedil;&atilde;o obrigat&oacute;ria de um conjunto de debates com o Executivo, seja no Plen&aacute;rio &ndash; como &eacute; o caso do debate, com a participa&ccedil;&atilde;o do primeiro-ministro, previamente a cada reuni&atilde;o do Conselho Europeu (al&iacute;nea <i>a</i>) do n.&ordm; 1 do artigo 4.&ordm;), ou dos debates, com a participa&ccedil;&atilde;o do Governo, no in&iacute;cio de cada presid&ecirc;ncia (al&iacute;nea <i>b</i>) do mesmo normativo), sobre o Estado da Uni&atilde;o (al&iacute;nea <i>c</i>) do mesmo normativo), ou sobre os instrumentos de governa&ccedil;&atilde;o econ&oacute;mica, designadamente o Programa de Estabilidade e Crescimento (al&iacute;nea <i>d</i>) do mesmo normativo) &ndash;, seja na Comiss&atilde;o de Assuntos Europeus &ndash; a prop&oacute;sito, <i>v.g.</i>, da aprecia&ccedil;&atilde;o do programa de trabalho da Comiss&atilde;o Europeia (al&iacute;nea <i>e</i>) do mesmo normativo) ou posteriormente &agrave; realiza&ccedil;&atilde;o de cada Conselho Europeu (al&iacute;nea <i>f</i>) do mesmo normativo). &Eacute; indiscut&iacute;vel que tais momentos, normais e justificados no &acirc;mbito da presta&ccedil;&atilde;o de contas do Governo face a um &oacute;rg&atilde;o perante o qual politicamente responde, permitem &agrave; Assembleia da Rep&uacute;blica manter, n&atilde;o s&oacute; um olhar atualizado sobre os desenvolvimentos no &acirc;mbito da UE mas, igualmente, sobre as posi&ccedil;&otilde;es a&iacute; defendidas por Portugal. N&atilde;o &eacute; menos certo, contudo, que, tal como a pr&aacute;tica se tem encarregado de comprovar, a possibilidade efetiva de o Parlamento influir, de modo relevante, na defini&ccedil;&atilde;o da nossa pol&iacute;tica face &agrave; Europa &eacute; bastante limitada. At&eacute; porque, diferentemente daquilo que sucede noutros estados-membros, a Assembleia da Rep&uacute;blica, nos termos da lei que ela pr&oacute;pria editou, optou por desconsiderar solu&ccedil;&otilde;es que lhe possibilitariam impor ao Governo orienta&ccedil;&otilde;es que este ficasse obrigado a cumprir no &acirc;mbito dos processos de decis&atilde;o internos da UE, <i>maxime </i>no Conselho<sup><a href="#52">52</a></sup><a name="top52"></a>.</p>     <p>&Agrave; luz de quanto fica dito, n&atilde;o nos parece exagerado afirmar que aquilo que hoje se encontra em causa n&atilde;o &eacute; apenas &ndash; e tal seria, por si s&oacute;, muito significativo &ndash; um reequacionamento da posi&ccedil;&atilde;o relativa dos &oacute;rg&atilde;os do poder pol&iacute;tico, no que diz respeito &agrave; interven&ccedil;&atilde;o no plano da pol&iacute;tica europeia. As consequ&ecirc;ncias que o sistema jur&iacute;dico-constitucional enfrenta s&atilde;o muito mais profundas: em causa pode estar uma verdadeira revis&atilde;o constitucional impl&iacute;cita (ou sub-rept&iacute;cia), geradora de um progressivo esvaziamento da reserva pol&iacute;tica e legislativa parlamentar.</p>     <p>Para refor&ccedil;ar essa ideia, atente-se num exemplo simples: caso um ato legislativo se inclua no universo das mat&eacute;rias previstas nos artigos 164.&ordm; e 165.&ordm;, ter&aacute; obrigatoriamente de provir da Assembleia da Rep&uacute;blica, exceto se, no segundo caso, se recorrer &agrave; figura da autoriza&ccedil;&atilde;o parlamentar, a qual ter&aacute; sempre, contudo, de delimitar os par&acirc;metros, materiais e temporais, a que a posterior interven&ccedil;&atilde;o legiferante do Governo ficar&aacute; submetida (n.&ordm; 2 do artigo 165.&ordm;). Mas, se uma decis&atilde;o sobre mat&eacute;ria id&ecirc;ntica for adotada no plano europeu, a interven&ccedil;&atilde;o parlamentar esfuma-se, porque de tr&ecirc;s, uma: ou a participa&ccedil;&atilde;o nacional n&atilde;o existe, enquanto tal, por se tratar, por exemplo, de uma decis&atilde;o proveniente da Comiss&atilde;o Europeia; ou a decis&atilde;o &eacute; assumida, com ampl&iacute;ssima discricionariedade, pelo Governo, agindo no contexto do Conselho; ou a decis&atilde;o &eacute; adotada pela maioria-regra que os tratados preveem, que &eacute;, como se sabe, a maioria qualificada, e ela ser&aacute; vinculativa apesar do voto contr&aacute;rio nacional que pode at&eacute; resultar, eventualmente, de um entendimento comum entre o Executivo e o Parlamento (e, at&eacute;, com o Presidente da Rep&uacute;blica). E, no final da linha, existe at&eacute; a possibilidade de a Assembleia da Rep&uacute;blica ser chamada a introduzir, na nossa ordem jur&iacute;dica, diretivas de cujo conte&uacute;do discorda ou acerca de cujo teor final nunca foi, sequer, consultada (n.&ordm; 8 do artigo 112.&ordm; da Constitui&ccedil;&atilde;o).</p>     <p>Afigura-se-nos aqui especialmente reveladora a compara&ccedil;&atilde;o com aquilo que ocorre, por regra, no &acirc;mbito do processo de vincula&ccedil;&atilde;o internacional do Estado. A&iacute; est&aacute; reservada &agrave; Assembleia da Rep&uacute;blica, ao menos no plano formal, uma palavra determinante, por via da sujei&ccedil;&atilde;o &agrave; sua aprova&ccedil;&atilde;o de todos os tratados solenes e dos mais significativos acordos em forma simplificada. Mas, no plano das quest&otilde;es europeias, a sua compet&ecirc;ncia &eacute; sistematicamente eludida, por via de uma constante assun&ccedil;&atilde;o de poderes &ndash; real e concreta, ainda que n&atilde;o necessariamente jur&iacute;dico-constitucionalmente tutelada &ndash; por parte do Governo.</p>     <p>Quanto fica dito a prop&oacute;sito dos poderes parlamentares pode ser aplicado, <i>mutatis mutandis</i>, ao que sucede em mat&eacute;ria das compet&ecirc;ncias do Presidente da Rep&uacute;blica, uma vez que este se v&ecirc;, na grande maioria dos casos, privado de qualquer possibilidade de efetiva interven&ccedil;&atilde;o que inviabilize a cria&ccedil;&atilde;o de uma obriga&ccedil;&atilde;o para o Estado portugu&ecirc;s &ndash; n&atilde;o pode recusar a ratifica&ccedil;&atilde;o, porque esta n&atilde;o &eacute; requerida; n&atilde;o pode impor um veto, porque a promulga&ccedil;&atilde;o &eacute; desnecess&aacute;ria; n&atilde;o pode pedir a fiscaliza&ccedil;&atilde;o preventiva, porque a isso obsta a aplicabilidade direta. Ao ponto de autores como Jorge Miranda aludirem, sugestivamente, a uma &laquo;relativa obnubila&ccedil;&atilde;o do Presidente da Rep&uacute;blica&raquo;<sup><a href="#53">53</a></sup><a name="top53"></a>. S&oacute; que, como acima se assinalou, tais modifica&ccedil;&otilde;es jur&iacute;dico&nbsp;pol&iacute;ticas apresentam uma diferen&ccedil;a central face a quanto ocorre com a &laquo;tradicional&raquo; a&ccedil;&atilde;o externa: se, no dom&iacute;nio da pol&iacute;tica europeia, est&atilde;o criados os pressupostos para uma efetiva transla&ccedil;&atilde;o dos poderes constitucionalmente alocados &ndash; trata-se de um problema de titularidade real &ndash;, no &acirc;mbito da pol&iacute;tica externa <i>strictu sensu </i>observa-se, apenas, uma tolerada distor&ccedil;&atilde;o do texto constitucional, com o papel fundamental a ser assumido pelo Governo em virtude da passividade demonstrada pelos outros &oacute;rg&atilde;os de soberania no que toca &agrave; utiliza&ccedil;&atilde;o do acervo de compet&ecirc;ncias de que s&atilde;o detentores &ndash; &eacute;, portanto, uma quest&atilde;o que apenas afeta as condi&ccedil;&otilde;es espec&iacute;ficas de exerc&iacute;cio dos seus poderes.</p>     <p>Isto &eacute;, assistimos a uma verdadeira desconstru&ccedil;&atilde;o das solu&ccedil;&otilde;es constitucionalmente acolhidas em mat&eacute;ria de separa&ccedil;&atilde;o de poderes que &eacute;, contudo, muito dif&iacute;cil &ndash; se &eacute; que mesmo poss&iacute;vel &ndash; de inverter, uma vez que ela decorre, em larga medida, da pr&oacute;pria natureza do processo europeu de decis&atilde;o. E &eacute; altamente prov&aacute;vel que futuros aprofundamentos &ndash; de resto previs&iacute;veis &ndash;, desse processo, tendam a agravar o presente desequil&iacute;brio dos pratos da balan&ccedil;a.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><B>BIBLIOGRAFIA</B></p>     <p>CAMPINOS, Jorge &ndash; <i>O Ministro dos Neg&oacute;cios Estrangeiros (Estudo de Direito Internacional P&uacute;blico e de Direito Constitucional Comparado)</i>. Lisboa: Moraes Editores, 1977.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>CANOTILHO, Jos&eacute; Joaquim Gomes &ndash; <i>Direito Constitucional e Teoria da Constitui&ccedil;&atilde;o</i>. Coimbra: Almedina, 2003.</p>     <p>CANOTILHO, Jos&eacute; Joaquim Gomes, e Moreira, Vital &ndash; <i>Os Poderes do Presidente da Rep&uacute;blica (Especialmente em Mat&eacute;ria de Pol&iacute;tica Externa e de Pol&iacute;tica de Defesa)</i>. Coimbra: Coimbra Editora, 1991.</p>     <p>CANOTILHO, Jos&eacute; Joaquim Gomes, e MOREIRA, Vital &ndash;<i> Constitui&ccedil;&atilde;o da Rep&uacute;blica Portuguesa Anotada</i>. 4.&ordf; edi&ccedil;&atilde;o. Coimbra: Coimbra Editora, 2010.</p>     <p>CASTRO, Paulo Canelas de &ndash; &laquo;Portugal&rsquo;s world outlook in the Constitution of 1976&raquo;. In <i>Boletim da Faculdade de Direito de Coimbra</i>. N.&ordm; 71, 1995, pp. 469-543.</p>     <p>COELHO, M&aacute;rio Batista (org.), <i>Portugal &ndash; O Sistema Pol&iacute;tico e Constitucional (1974-1987)</i>. Lisboa: ICS, 1989.</p>     <p>COHEN, Sammy &ndash; <i>La Monarchie Nucl&eacute;aire: Les Coulisses de la Politique &Eacute;trang&egrave;re sous la Ve R&eacute;publique</i>. Paris: Hachette, 1986.</p>     <p>CORREIA, Jos&eacute; de Matos &ndash; &laquo;A integra&ccedil;&atilde;o europeia e o papel do Minist&eacute;rio dos Neg&oacute;cios Estrangeiros&raquo;. In <i>Na&ccedil;&atilde;o e Defesa</i>. Lisboa. N.&ordm; 115, outono-inverno de 2006.</p>     <p>CORREIA, Jos&eacute; Matos &ndash; &laquo;Direito das rela&ccedil;&otilde;es externas: o &ldquo;parente pobre&rdquo; da Constitui&ccedil;&atilde;o de 1976?&raquo;. In <i>Polis</i>. Ano vi. Lisboa, janeiro-dezembro de 1999.</p>     <p>CORREIA, Jos&eacute; Matos &ndash; &laquo;Notas para a hist&oacute;ria da revis&atilde;o constitucional de 2001&raquo;. In <i>Polis</i>. N.&ordm; 9/12, 2003.</p>     <p>FRAGA, Ana &ndash; <i>Os Parlamentos Nacionais e a Legitimidade da Constru&ccedil;&atilde;o Europeia</i>. Lisboa: Edi&ccedil;&otilde;es Cosmos, 2001.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>FRAIN, Maritheresa &ndash; &laquo;Rela&ccedil;&otilde;es entre o Presidente e o primeiro-ministro: 1985-1995&raquo;. In <i>An&aacute;lise Social</i>. xxx (133), 1995, pp. 653-678.</p>     <p>GICQUEL, Jean, e GICQUEL, Jean-&Eacute;ric &ndash; <i>Droit Constitutionn el et Institutions Politiques</i>. Paris: Paris, Montchrestien, 2009.</p>     <p>GODINHO, Maria Jo&atilde;o &ndash; &laquo;O papel do Parlamento no envolvimento de contingentes militares e de for&ccedil;as de seguran&ccedil;a no estrangeiro&raquo;. In <i>Revista Militar</i>. Lisboa. N.&ordm; 2520, 2012.</p>     <p>GUEDES, Armando Marques &ndash; &laquo;Os <i>Iura Maiestatis </i>relativos &agrave; actua&ccedil;&atilde;o externa do Estado&raquo;. In <i>Polis</i>. Ano I/II, N.&ordm; 4/5, 1995, pp. 59-73.</p>     <p>HAMILTON, Lee, e TOMA, Jordan &ndash; <i>A Creative Tension: The Foreign Policy Roles of the President and the Congress</i>. Washington: Wilson Forum, 2002.</p>     <p>KIIVER, Philipp &ndash; <i>The National Parliaments in the European Union: A Critical View on European Union Constitutional Building</i>. A Haia: Kluwer Law International, 2006.</p>     <p>LIMA, Bernardo Pires de &ndash; <i>A Cimeira das Lajes</i>. Lisboa: Tinta-da-China, 2013.</p>     <p>LOEWENSTEIN, Karl &ndash; <i>Teoria de la Constituci&oacute;n</i>. Barcelona: Ediciones Ariel, 1964.</p>     <p>LOPES, Pedro Santana, e BARROSO, Jos&eacute; Dur&atilde;o &ndash; <i>Sistema de Governo e Sistema Partid&aacute;rio</i>. Lisboa: Livraria Bertrand, 1980.</p>     <p>MIRANDA, Jo&atilde;o &ndash; <i>O Papel da Assembleia da Rep&uacute;blica na Constru&ccedil;&atilde;o Europeia</i>. Coimbra: Coimbra Editora, 2000.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>MIRANDA, Jorge &ndash; &laquo;As compet&ecirc;ncias constitucionais no dom&iacute;nio da pol&iacute;tica externa&raquo;. In <i>Na&ccedil;&atilde;o e Defesa</i>. N.&ordm; 14, abril--junho de 1980, pp. 35-42.</p>     <p>MIRANDA, Jorge &ndash; <i>Direito Constitucional III (Integra&ccedil;&atilde;o Europeia, Direito Eleitoral, Direito Parlamentar)</i>. Lisboa: a AFDL, 2001.</p>     <p>MIRANDA, Jorge &ndash; <i>Manual de Direito Constitucional</i>. Coimbra: Coimbra Editora, 1997.</p>     <p>MIRANDA, Jorge, e MEDEIROS, Rui &ndash; <i>Constitui&ccedil;&atilde;o Portuguesa Anotada</i>. Coimbra: Coimbra Editora, 2006.</p>     <p>MORAIS, Carlos Blanco de, ARA&Uacute;JO, Ant&oacute;nio de, e LEIT&Atilde;O, Alexandra &ndash; <i>O Direito da Defesa Nacional e das For&ccedil;as Armadas</i>. Lisboa: Edi&ccedil;&otilde;es Cosmos/Instituto de Defesa Nacional, 2000, pp. 135-240.</p>     <p>MOTA, Henrique &ndash; &laquo;A direc&ccedil;&atilde;o da pol&iacute;tica externa no constitucionalismo portugu&ecirc;s&raquo;. In <i>Na&ccedil;&atilde;o e Defesa</i>. N.&ordm; 41, janeiro-mar&ccedil;o de 1987, pp. 23-52.</p>     <p>NATHAN, James A., e OLIVER, James K. &ndash; <i>Foreign Policy Making and the American Political System. </i>Baltimore: The Johns Hopkins University Press, 1994.</p>     <p>NOVAIS, Jorge Reis &ndash; <i>Semipresidencialismo (Teoria do Sistema de Governo Semipresidencial)</i>. Coimbra: Almedina, 2007.</p>     <p>PINTO, Ricardo Leite, CORREIA, Jos&eacute; de Matos, SEARA, Fernando Roboredo &ndash; <i>Ci&ecirc;ncia Pol&iacute;tica e Direito Constitucional</i>. Lisboa: Universidade Lus&iacute;ada Editora, 2013.</p>     <p>QUADROS, Fausto de, e GOUVEIA, Jorge Bacelar &ndash; <i>As Rela&ccedil;&otilde;es Externas de Portugal (Aspetos Jur&iacute;dico-Pol&iacute;ticos)</i>. Lisboa: Instituto Diplom&aacute;tico do Minist&eacute;rio dos Neg&oacute;cios Estrangeiros, 2001.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>QUEIROZ, Cristina &ndash; <i>O Sistema de Governo Semipresidencial</i>. Coimbra: Coimbra Editora, 2007.</p>     <p>QUEIROZ, Cristina &ndash; &laquo;A Rep&uacute;blica e o direito internacional&raquo;. In <i>Revista da Faculdade de Direito da Universidade do Porto</i>. A.8 (2011), pp. 9-30.</p>     <p>RAMOS, Rui Moura &ndash; &laquo;Le Droit de la Coop&eacute;ration D&eacute;centralis&eacute;e au Portugal&raquo;. In <i>Le Droit Appliqu&eacute; &agrave; la Coop&eacute;ration Interr&eacute;gionale en Europe</i>. Paris: lgdj, 1993.</p>     <p>RODRIGUES, Lu&iacute;s Barbosa &ndash; <i>O Primeiro-Ministro</i>. Lisboa: Universidade Lus&iacute;ada Editora, 2012.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><i>Data de rece&ccedil;&atilde;o: 11 de janeiro de 2016 | Data de aprova&ccedil;&atilde;o: 25 de fevereiro de 2016</i></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><B>NOTAS</B></p>     <p><Sup><a name="1"></a><a href="#top1">1</a></Sup>Sobre o tema geral deste artigo, pode ver-se QUEIROZ, Cristina &ndash; &laquo;A Rep&uacute;blica e o direito internacional&raquo;. In <i>Revista da Faculdade de Direito da Universidade do Porto</i>. A.8 (2011), pp. 9-30; QUADROS, Fausto de, e Gouveia, Jorge Bacelar &ndash; <i>As Rela&ccedil;&otilde;es Externas de Portugal (Aspetos Jur&iacute;dico-Pol&iacute;ticos)</i>. Lisboa: Instituto Diplom&aacute;tico do Minist&eacute;rio dos Neg&oacute;cios Estrangeiros, 2001; MIRANDA, Jorge &ndash; <i>Direito Constitucional III (Integra&ccedil;&atilde;o Europeia, Direito Eleitoral, Direito Parlamentar)</i>. Lisboa: AAFDL, 2001, pp. 7-33; Ara&uacute;jo, Ant&oacute;nio de &ndash; &laquo;Compet&ecirc;ncias constitucionais relativas &agrave; Defesa Nacional: as suas implica&ccedil;&otilde;es no sistema de governo&raquo;. <i>In</i> MORAIS, Carlos Blanco de, ARA&Uacute;JO, Ant&oacute;nio de, e LEIT&Atilde;O, Alexandra &ndash; <i>O Direito da Defesa Nacional e das For&ccedil;as Armadas</i>. Lisboa: Edi&ccedil;&otilde;es Cosmos/ Instituto de Defesa Nacional, 2000, pp. 135-240; CASTRO, Paulo Canelas de &ndash; &laquo;Portugal&rsquo;s world outlook in the Constitution of 1976&raquo;. In <i>Boletim da Faculdade de Direito de Coimbra</i>. N.&ordm; 71, 1995, pp. 469-543; GUEDES, Armando Marques &ndash; &laquo;Os <i>Iura Maiestatis </i>relativos &agrave; atua&ccedil;&atilde;o externa do Estado&raquo;. In <i>Polis</i>. Ano I/II, N.&ordm; 4/5, 1995, pp. 59-73; CANOTILHO, Jos&eacute; Joaquim Gomes, e MOREIRA, Vital &ndash; <i>Os Poderes do Presidente da Rep&uacute;blica (Especialmente em Mat&eacute;ria de Pol&iacute;tica Externa e de Pol&iacute;tica de Defesa)</i>. Coimbra: Coimbra Editora, 1991, p. 27 e segs.; COSTA, Ant&oacute;nio &ndash; &laquo;A Constitui&ccedil;&atilde;o e as rela&ccedil;&otilde;es externas&raquo;. <i>In</i> COELHO, M&aacute;rio Batista (org.) <i>&ndash; Portugal &ndash; O Sistema Pol&iacute;tico e Constitucional (1974-1987)</i>. Lisboa: ICS, 1989, pp. 675-682; MOTA, Henrique &ndash; &laquo;A direc&ccedil;&atilde;o da pol&iacute;tica externa no constitucionalismo portugu&ecirc;s&raquo;. In <i>Na&ccedil;&atilde;o e Defesa</i>. N.&ordm; 41, janeiro-mar&ccedil;o 1987, pp. 23-52; MIRANDA, Jorge &ndash; &laquo;As compet&ecirc;ncias constitucionais no dom&iacute;nio da pol&iacute;tica externa&raquo;. In <i>Na&ccedil;&atilde;o e Defesa</i>. N.&ordm; 14, abril-junho de 1980, pp. 35-42.</p>     <p><Sup><a name="2"></a><a href="#top2">2</a></Sup>Embora a doutrina nacional seja maioritariamente favor&aacute;vel &agrave; inser&ccedil;&atilde;o do sis-tema de governo portugu&ecirc;s na categoria do semipresidencialismo, &eacute; sabido que autores h&aacute; que preferem qualific&aacute;-lo como misto parlamentar-presidencial (como sucede com CANOTILHO, Jos&eacute; Joaquim Gomes &ndash; <i>Direito Constitucional e Teoria da Constitui&ccedil;&atilde;o</i>. Coimbra: Almedina, 2003, pp. 597 e segs.). Como resulta do pensamento expresso no texto, inclu&iacute;mo-nos no primeiro grupo (cf. PINTO, Ricardo Leite, CORREIA, Jos&eacute; de Matos, e SEARA, Fernando Roboredo &ndash; <i>Ci&ecirc;ncia Pol&iacute;tica e Direito Constitucional</i>. Lisboa: Universidade Lus&iacute;ada Editora, 2013, p. 363 e segs.). Sobre a quest&atilde;o da natureza do sistema de governo portugu&ecirc;s, pode ver-se, entre muitos outros, NOVAIS, Jorge Reis &ndash; <i>Semipresidencialismo (Teoria do Sistema de Governo Semipresidencial)</i>. Coimbra: Almedina, 2007; QUEIROZ, Cristina &ndash; <i>O Sistema de Governo Semipresidencial</i>. Coimbra: Coimbra Editora, 2007.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><Sup><a name="3"></a><a href="#top3">3</a></Sup>Neste &acirc;mbito, n&atilde;o pode esquecer-se que as quest&otilde;es relevando do dom&iacute;nio da pol&iacute;tica de defesa nacional &ndash; a qual sempre teve uma proje&ccedil;&atilde;o internacional espec&iacute;fica, ligada como est&aacute; ao exerc&iacute;cio da soberania &ndash; t&ecirc;m vindo a assumir uma crescente import&acirc;ncia enquanto instrumento dessa mesma a&ccedil;&atilde;o externa. Para o comprovar basta atentar, <i>v.g.</i>, no frequente envolvimento de contingentes militares portugueses em opera&ccedil;&otilde;es internacionais.</p>     <p><Sup><a name="4"></a><a href="#top4">4</a></Sup>Os conceitos de &laquo;nominalidade&raquo; e de &laquo;normatividade&raquo; usados no texto remetem para os de constitui&ccedil;&atilde;o normativa e de constitui&ccedil;&atilde;o nominal da cl&aacute;ssica classifica&ccedil;&atilde;o tripartida das constitui&ccedil;&otilde;es apresentada por Loewenstein (cf. LOEWENSTEIN, Karl &ndash; <i>Teoria de la Constituci&oacute;n</i>. Barcelona: Ediciones Ariel, 1964, p. 216 e segs.).</p>     <p><Sup><a name="5"></a><a href="#top5">5</a></Sup>COHEN, Sammy &ndash; <i>La Monarchie Nucl&eacute;aire: Les Coulisses de la Politique &Eacute;trang&egrave;re sous la Ve R&eacute;publique</i>. Paris: Hachette, 1986.</p>     <p><Sup><a name="6"></a><a href="#top6">6</a></Sup>GICQUEL, Jean, e GICQUEL, Jean-&Eacute;ric &ndash; <i>Droit Constitutionnel et Institutions Politiques</i>. Paris: Paris, Montchrestien, 2009, p. 599.</p>     <p><Sup><a name="7"></a><a href="#top7">7</a></Sup>CORREIA, Jos&eacute; de Matos &ndash; &laquo;A integra&ccedil;&atilde;o europeia e o papel do Minist&eacute;rio dos Neg&oacute;cios Estrangeiros&raquo;. In <i>Na&ccedil;&atilde;o e Defesa</i>. Lisboa. N.&ordm; 115, outono-inverno de 2006, p. 31.</p>     <p><Sup><a name="8"></a><a href="#top8">8</a></Sup>Sobre a quest&atilde;o, pode ver-se HAMILTON, Lee, e TOMA, Jordan &ndash; <i>A Creative Tension: The Foreign Policy Roles of the President and the Congress</i>. Washington: Wilson Forum, 2002, ou NATHAN, James A., e OLIVER, James K. &ndash; <i>Foreign Policy Making and the American Political System. </i>Baltimore: The Johns Hopkins University Press, 1994, em especial p. 72 e segs.</p>     <p><Sup><a name="9"></a><a href="#top9">9</a></Sup>A Lei Org&acirc;nica do Minist&eacute;rio dos Neg&oacute;cios Estrangeiros (Decreto-Lei n.&ordm; 121/2011, de 29 de dezembro) vai mais longe neste dom&iacute;nio, atribuindo tamb&eacute;m ao Presidente o poder de nomear outros chefes de miss&atilde;o diplom&aacute;tica (como, <i>v.g.</i>, os representantes permanentes junto de organiza&ccedil;&otilde;es internacionais) &ndash; n.&ordm; 1 do artigo 12.&ordm;, algo que, diga-se, tem plena justifica&ccedil;&atilde;o. De resto, na mesma linha, tamb&eacute;m a LDN confere ao Presidente da Rep&uacute;blica o direito de nomear, sob proposta do Governo, os representantes militares junto de organiza&ccedil;&otilde;es internacionais de que Portugal fa&ccedil;a parte (al&iacute;nea <i>h</i>) do n.&ordm; 2 do artigo 9.&ordm;).</p>     <p><Sup><a name="10"></a><a href="#top10">10</a></Sup>Trata-se de manifesto lapso, que tarda em ser corrigido, uma vez que, como &eacute; sabido, quem &eacute; acreditado &eacute; o embaixador do pr&oacute;prio pa&iacute;s. No que se refere a representantes diplom&aacute;ticos estrangeiros, o Presidente da Rep&uacute;blica recebe as respetivas cartas credenciais (sobre o assunto, cf. MATOS CORREIA, Jos&eacute; &ndash; &laquo;Direito das rela&ccedil;&otilde;es externas: o &ldquo;parente pobre&rdquo; da Constitui&ccedil;&atilde;o de 1976?&raquo;. In <i>Polis</i>. Lisboa. Ano VI, janeiro-dezembro de 1999, p. 7 e segs.).</p>     <p><Sup><a name="11"></a><a href="#top11">11</a></Sup>At&eacute; 20 de dezembro de 1999, um dom&iacute;nio havia em que os poderes presidenciais em mat&eacute;ria de rela&ccedil;&otilde;es externas assumiam especial relevo, com consequente restri&ccedil;&atilde;o das compet&ecirc;ncias do Governo. Referimo-nos &agrave; situa&ccedil;&atilde;o do territ&oacute;rio de Macau. Com efeito, o ent&atilde;o n.&ordm; 1 do artigo 292.&ordm; da Constitui&ccedil;&atilde;o estabelecia competir ao Presidente da Rep&uacute;blica, relativamente a esse territ&oacute;rio, a pr&aacute;tica dos atos previstos no respetivo Estatuto. E este (aprovado pela Lei n.&ordm; 1/76, de 17 de fevereiro) atribu&iacute;a-lhe, <i>v.g.</i>, o direito de representar o territ&oacute;rio nas rela&ccedil;&otilde;es com outros pa&iacute;ses ou na celebra&ccedil;&atilde;o de tratados e acordos internacionais (n.&ordm; 2 do artigo 3.&ordm;) ou a responsabilidade pelos assuntos respeitantes &agrave; seguran&ccedil;a externa (n.&ordm; 1 do artigo 12.&ordm;) &ndash; sobre o tema, cf. PINTO, Ricardo Leite, CORREIA, Jos&eacute; de Matos, e SEARA, Fernando Roboredo &ndash; <i>Ci&ecirc;ncia Pol&iacute;tica e Direito Constitucional</i>, p. 130 e segs. Autores havia que, adicionalmente, reconheciam ao Presidente da Rep&uacute;blica um estatuto especial no contexto da situa&ccedil;&atilde;o particular de Timor-Leste. Por n&oacute;s, n&atilde;o entend&iacute;amos que assim fosse (<i>Ci&ecirc;ncia Pol&iacute;tica e Direito Constitucional</i>, p. 144).</p>     <p><Sup><a name="12"></a><a href="#top12">12</a></Sup>Discuss&atilde;o que arranca da constata&ccedil;&atilde;o de que, enquanto no caso da Assembleia da Rep&uacute;blica e do Governo, a Constitui&ccedil;&atilde;o inclui uma norma permissiva da amplia&ccedil;&atilde;o legislativa de compet&ecirc;ncias (respetivamente, a al&iacute;nea <i>o</i>) do artigo 161.&ordm; e a al&iacute;nea <i>j</i>) do n.&ordm; 1 do artigo 197.&ordm;), no caso do Presidente da Rep&uacute;blica tal possibilidade n&atilde;o foi acolhida.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><Sup><a name="13"></a><a href="#top13">13</a></Sup>Ver, a este respeito, as considera&ccedil;&otilde;es expendidas por RODRIGUES, Lu&iacute;s Barbosa &ndash; <i>O Primeiro-Ministro</i>. Lisboa: Universidade Lus&iacute;ada Editora, 2012, p. 343.</p>     <p><Sup><a name="14"></a><a href="#top14">14</a></Sup>No &acirc;mbito do dever de informa&ccedil;&atilde;o, deve referir-se que o primeiro-ministro tem, igualmente, a obriga&ccedil;&atilde;o, desta feita densificada a n&iacute;vel legal, de dar conhecimento ao Presidente da Rep&uacute;blica, diretamente ou atrav&eacute;s do respetivo secret&aacute;rio-geral, dos assuntos relacionados com a condu&ccedil;&atilde;o da atividade do Sistema de Informa&ccedil;&otilde;es da Rep&uacute;blica Portuguesa (al&iacute;nea <i>a</i>) do artigo 17.&ordm; da Lei n.&ordm; 30/84, de 5 de setembro, na reda&ccedil;&atilde;o que lhe foi dada pela Lei Org&acirc;nica n.&ordm; 4/2013, de 13 de agosto). Tal dever tem uma concreta dimens&atilde;o externa, uma vez que abrangida est&aacute; a atividade do Servi&ccedil;o de Informa&ccedil;&otilde;es Estrat&eacute;gicas de Defesa (SIED), ao qual cabe, nos termos do artigo 20.&ordm; daquele diploma, produzir informa&ccedil;&otilde;es que contribuam para a salvaguarda da independ&ecirc;ncia nacional, dos interesses nacionais e da seguran&ccedil;a externa do Estado.</p>     <p><Sup><a name="15"></a><a href="#top15">15</a></Sup>Sem esquecer que, nas situa&ccedil;&otilde;es em que se encontre em fun&ccedil;&otilde;es um Presidente da Rep&uacute;blica interino, a pr&aacute;tica de certos atos com dimens&atilde;o externa, como &eacute; o caso da nomea&ccedil;&atilde;o de embaixadores, exige sempre pr&eacute;via audi&ccedil;&atilde;o do Conselho de Estado.</p>     <p><Sup><a name="16"></a><a href="#top16">16</a></Sup>Sobre a quest&atilde;o, cf. LIMA, Bernardo Pires de &ndash; <i>A Cimeira das Lajes</i>. Lisboa: Tinta-da-China, 2013, em especial p. 114 e segs.</p>     <p><Sup><a name="17"></a><a href="#top17">17</a></Sup>No espa&ccedil;o p&uacute;blico, gera-se, com frequ&ecirc;ncia, a ideia de que o CSDN autoriza certo tipo de a&ccedil;&otilde;es, muito particularmente no que toca ao envio de for&ccedil;as nacionais no quadro de interven&ccedil;&otilde;es levadas a cabo por organiza&ccedil;&otilde;es internacionais. Nada de mais enganoso. Os seus pareceres &ndash; porque &eacute; apenas disso que se trata &ndash; s&atilde;o apenas de natureza consultiva, embora n&atilde;o deixem, em muitas mat&eacute;rias, de constituir uma formalidade que ter&aacute; de ser legalmente respeitada e que, no plano pol&iacute;tico, refor&ccedil;a a legitimidade da decis&atilde;o final, atenta a natureza da composi&ccedil;&atilde;o daquele &oacute;rg&atilde;o.</p>     <p><Sup><a name="18"></a><a href="#top18">18</a></Sup>Sobre o tema, pode consultar-se GODINHO, Maria Jo&atilde;o &ndash; &laquo;O papel do Parlamento no envolvimento de contingentes militares e de for&ccedil;as de seguran&ccedil;a no estrangeiro&raquo;. In <i>Revista Militar</i>. Lisboa. N.&ordm; 2520, janeiro de 2012, p. 117 e segs.</p>     <p><Sup><a name="19"></a><a href="#top19">19</a></Sup>Apesar de, nos termos da al&iacute;nea <i>a</i>) do n.&ordm; 3 do artigo 136.&ordm; da Constitui&ccedil;&atilde;o, e por vicissitudes do processo revolucion&aacute;rio que aqui n&atilde;o cabe analisar, os decretos da Assembleia da Rep&uacute;blica que versem sobre rela&ccedil;&otilde;es externas serem dos poucos que requerem, para efeitos de confirma&ccedil;&atilde;o, maioria de dois ter&ccedil;os dos deputados presentes, desde que superior &agrave; maioria absoluta dos deputados em efetividade de fun&ccedil;&otilde;es.</p>     <p><Sup><a name="20"></a><a href="#top20">20</a></Sup>Da&iacute; que a enumera&ccedil;&atilde;o que consta desse normativo e que inclui os tratados de participa&ccedil;&atilde;o de Portugal em organiza&ccedil;&otilde;es internacionais, de amizade, de paz, de defesa, de retifica&ccedil;&atilde;o de fronteiras e os respeitantes a assuntos militares, deva ter-se por meramente exemplificativa, como decorre da utiliza&ccedil;&atilde;o do adv&eacute;rbio &laquo;designadamente&raquo;. De notar que esta compet&ecirc;ncia foi significativamente alargada por via da revis&atilde;o constitucional ocorrida em 1997, porquanto at&eacute; a&iacute; cabia--lhe, apenas, em mat&eacute;ria de tratados, a aprova&ccedil;&atilde;o dos que incidiam sobre mat&eacute;ria inclu&iacute;da na sua compet&ecirc;ncia legislativa reservada.</p>     <p><Sup><a name="21"></a><a href="#top21">21</a></Sup>Esta possibilidade decorre, claramente, de uma op&ccedil;&atilde;o mais pol&iacute;tica do que jur&iacute;dica. E assenta na ideia de que, em certas situa&ccedil;&otilde;es, pode o Governo entender que um acordo internacional, cuja compet&ecirc;ncia de aprova&ccedil;&atilde;o se inclua na sua &oacute;rbita de compet&ecirc;ncias, deve ser submetido &agrave; Assembleia da Rep&uacute;blica para, <i>v.g.</i>, a&iacute; obter um consenso pol&iacute;tico mais alargado, que reforce as condi&ccedil;&otilde;es da sua aplica&ccedil;&atilde;o.</p>     <p><Sup><a name="22"></a><a href="#top22">22</a></Sup>MIRANDA, Jorge, e MEDEIROS, Rui &ndash; <i>Constitui&ccedil;&atilde;o Portuguesa Anotada</i>. Coimbra: Coimbra Editora, 2006, tomo ii, p. 630.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><Sup><a name="23"></a><a href="#top23">23</a></Sup>Ac&oacute;rd&atilde;o n.&ordm; 531/98 do Tribunal Constitucional.</p>     <p><Sup><a name="24"></a><a href="#top24">24</a></Sup>Ac&oacute;rd&atilde;o n.&ordm; 704/2004 do Tribunal Constitucional.</p>     <p><Sup><a name="25"></a><a href="#top25">25</a></Sup>Sobre o tema pode ver-se, entre n&oacute;s, RAMOS, Rui Moura &ndash; &laquo;Le Droit de la Coop&eacute;ration D&eacute;centralis&eacute;e au Portugal&raquo;. In <i>Le Droit Appliqu&eacute; &agrave; la Coop&eacute;ration Interr&eacute;gionale en Europe</i>. Paris: LGDJ, 1993, p. 155 e segs.</p>     <p><Sup><a name="26"></a><a href="#top26">26</a></Sup>A mais conhecida situa&ccedil;&atilde;o sendo aquela que diz respeito ao envolvimento dos A&ccedil;ores nas negocia&ccedil;&otilde;es, com os Estados Unidos, a prop&oacute;sito da Base das Lajes.</p>     <p><Sup><a name="27"></a><a href="#top27">27</a></Sup>Cf. LOPES, Pedro Santana, e BARROSO, Jos&eacute; Dur&atilde;o &ndash; <i>Sistema de Governo e Sistema Partid&aacute;rio</i>. Lisboa: Livraria Bertrand, 1980, pp. 80-81; FRAIN, Maritheresa &ndash; &laquo;Rela&ccedil;&otilde;es entre o Presidente e o primeiro-ministro: 1985-1995&raquo;. In <i>An&aacute;lise Social</i>. xxx (133), 1995, pp. 653-678.</p>     <p><Sup><a name="28"></a><a href="#top28">28</a></Sup>&Eacute; o caso, especificamente, de Gomes Canotilho e Vital Moreira (GOMES CANOTILHO, JOS&Eacute; JOAQUIM, e VITAL MOREIRA &ndash; <i>Os Poderes do Presidente da Rep&uacute;blica</i>, em especial p. 27 e segs.).</p>     <p><Sup><a name="29"></a><a href="#top29">29</a></Sup>Como sugestivamente alerta Jorge Miranda, &laquo;a afirma&ccedil;&atilde;o de poderes impl&iacute;citos de certo &oacute;rg&atilde;o &eacute; muitas vezes feita para aumentar a sua influ&ecirc;ncia ou a sua compet&ecirc;ncia em detrimento de outros &oacute;rg&atilde;os. Tal intuito &eacute;, por&eacute;m, inadmiss&iacute;vel&raquo; (MIRANDA, Jorge &ndash; <i>Manual de Direito Constitucional</i>. Coimbra: Coimbra Editora, 1997, tomo V, p. 58).</p>     <p><Sup><a name="30"></a><a href="#top30">30</a></Sup>QUEIROZ, Cristina, &ndash; <i>O Sistema de Governo Semipresidencial</i>, p. 17.</p>     <p><Sup><a name="31"></a><a href="#top31">31</a></Sup>Cf. CAMPINOS, Jorge &ndash; <i>O Ministro dos Neg&oacute;cios Estrangeiros (Estudo de Direito Internacional P&uacute;blico e de Direito Constitucional Comparado)</i>. Lisboa: Moraes Editores, 1977, p. 40.</p>     <p><Sup><a name="32"></a><a href="#top32">32</a></Sup>A natureza partilhada dos poderes presidenciais em mat&eacute;ria de pol&iacute;tica externa &ndash; e de pol&iacute;tica de defesa &ndash; n&atilde;o lhes retira, evidentemente, relev&acirc;ncia, mas condiciona fortemente a dimens&atilde;o real do seu alcance. Por exemplo, se &eacute; ao Presidente da Rep&uacute;blica que cabe ratificar os tratados internacionais, sendo a sua decis&atilde;o definitiva (e traduza-se ela na ratifica&ccedil;&atilde;o ou na recusa da mesma), &eacute; tamb&eacute;m inquestion&aacute;vel que o Presidente n&atilde;o &eacute; chamado a desempenhar qualquer papel no processo da respetiva negocia&ccedil;&atilde;o e conclus&atilde;o, o que significa que, ainda que entenda que Portugal se deve vincular a uma determinada conven&ccedil;&atilde;o internacional ou deve desencadear o processo de elabora&ccedil;&atilde;o de outra, nada lhe &eacute; poss&iacute;vel fazer perante uma recusa do Executivo. O mesmo se diga, tamb&eacute;m, da declara&ccedil;&atilde;o de guerra e da feitura da paz (poderes que, de resto, s&oacute; excecionalmente ser&atilde;o exercidos), pois se &eacute; verdade que, sem a vontade presidencial, nenhum desses atos pode ver a luz do dia, n&atilde;o &eacute; menos certo que, se o Presidente estiver convencido da necessidade de declarar a guerra ou de fazer a paz, tal n&atilde;o acontecer&aacute; se o Governo o n&atilde;o propuser e se a Assembleia da Rep&uacute;blica o n&atilde;o autorizar. Na nossa perspetiva, em mat&eacute;ria de rela&ccedil;&otilde;es internacionais a dimens&atilde;o em que os poderes presidenciais mais se fazem sentir &eacute;, inegavelmente, a da nomea&ccedil;&atilde;o de embaixadores e chefes de miss&atilde;o diplom&aacute;tica, sendo de resto de conhecimento p&uacute;blico a interven&ccedil;&atilde;o que cabe ao Presidente no chamado &laquo;movimento diplom&aacute;tico&raquo;, que regularmente se realiza. De facto, nesse &acirc;mbito s&atilde;o frequentes os entendimentos entre o Presidente e o Governo, que conduzem a modifica&ccedil;&otilde;es na proposta inicial do Executivo, pois se o Presidente da Rep&uacute;blica pretender que uma determinada pessoa seja colocada em certo posto, ter&aacute; de convencer o Governo (isto &eacute;, o primeiro-ministro) a fazer-lhe tal proposta. Este, por seu lado, est&aacute; consciente que uma proposta que mere&ccedil;a a rejei&ccedil;&atilde;o presidencial n&atilde;o poder&aacute;, pura e simplesmente, concretizar-se. E isso cria, evidentemente, um espa&ccedil;o &ndash; e at&eacute;, uma obriga&ccedil;&atilde;o negocial.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><Sup><a name="33"></a><a href="#top33">33</a></Sup>Como sublinham Gomes Canotilho e Vital Moreira, &laquo;se ao Governo compete a condu&ccedil;&atilde;o da pol&iacute;tica geral do Pa&iacute;s, j&aacute; a sua defini&ccedil;&atilde;o n&atilde;o cabe exclusivamente ao Governo, envolvendo designadamente tamb&eacute;m o Presidente da Rep&uacute;blica e a Assembleia da Rep&uacute;blica&raquo; (CANOTILHO, Jos&eacute; Joaquim Gomes, e MOREIRA, Vital &ndash;<i> Constitui&ccedil;&atilde;o da Rep&uacute;blica Portuguesa Anotada</i>. 4.&ordf; edi&ccedil;&atilde;o. Coimbra: Coimbra Editora, 2010, vol. II, p. 414).</p>     <p><Sup><a name="34"></a><a href="#top34">34</a></Sup>CANOTILHO, Jos&eacute; Joaquim Gomes, e MOREIRA, Vital &ndash; <i>Os Poderes do Presidente da Rep&uacute;blica</i>, p. 85.</p>     <p><Sup><a name="35"></a><a href="#top35">35</a></Sup>Situa&ccedil;&otilde;es h&aacute;, como sucede com a CPLP e com a Cimeira Ibero-Americana, em que a representa&ccedil;&atilde;o nacional ao mais alto n&iacute;vel &eacute; assegurada, em simult&acirc;neo, pelo Presidente da Rep&uacute;blica e pelo primeiro-ministro. Mas da&iacute; n&atilde;o se pode retirar qualquer conclus&atilde;o &uacute;til para a quest&atilde;o <i>subiudicio</i>. Com efeito, essa circunst&acirc;ncia est&aacute; ligada &agrave; pr&oacute;pria composi&ccedil;&atilde;o dos &oacute;rg&atilde;os m&aacute;ximos dessas entidades, tal como definida nos seus documentos institutivos e &eacute; largamente condicionada pela pr&oacute;pria natureza dos sistemas de governo dos demais pa&iacute;ses integrantes, habitualmente de tipo presidencialista, os quais encarariam com perplexidade e, porventura, inc&oacute;modo, a aus&ecirc;ncia do Chefe de Estado de outro pa&iacute;s membro. De resto, o facto de, <i>v.g.</i>, em Espanha a representa&ccedil;&atilde;o ser partilhada pelo Rei e pelo presidente do Governo (no caso da Cimeira Ibero-Americana), &eacute; bem demonstrativo da impossibilidade de da&iacute; se retirarem conclus&otilde;es constitucionalmente &uacute;teis para o caso portugu&ecirc;s.</p>     <p><Sup><a name="36"></a><a href="#top36">36</a></Sup><i>Ibidem</i>, p. 79.</p>     <p><Sup><a name="37"></a><a href="#top37">37</a></Sup>Outras tentativas em sentido id&ecirc;ntico, tamb&eacute;m do Partido Comunista Portugu&ecirc;s, foram rejeitadas no &acirc;mbito das revis&otilde;es constitucionais de 1997 e de 2004.</p>     <p><Sup><a name="38"></a><a href="#top38">38</a></Sup>Que constavam do rol de propostas ent&atilde;o formuladas pelo Partido Renovador Democr&aacute;tico.</p>     <p><Sup><a name="39"></a><a href="#top39">39</a></Sup>Deputado Jorge Lac&atilde;o (ps) (<i>Di&aacute;rio da Assembleia da Rep&uacute;blica</i>. II S&eacute;rie, 30 de setembro de 1988, p. 1231.</p>     <p><Sup><a name="40"></a><a href="#top40">40</a></Sup><i>Ibidem. </i></p>     <p><Sup><a name="41"></a><a href="#top41">41</a></Sup>Proposta de Resolu&ccedil;&atilde;o n.&ordm; 41/VIII.</p>     <p><Sup><a name="42"></a><a href="#top42">42</a></Sup>Sobre a quest&atilde;o ver Correia, Jos&eacute; Matos &ndash; &laquo;Notas para a hist&oacute;ria da revis&atilde;o constitucional de 2001&raquo;. In <i>Polis</i>. N.&ordm; 9/12, 2003, p. 113 e segs.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><Sup><a name="43"></a><a href="#top43">43</a></Sup>Mo&ccedil;&atilde;o de Censura n.&ordm; 1/IX &ndash; Censura o Governo pelo &laquo;Apoio ao desencadear de a&ccedil;&otilde;es militares contra o Iraque de forma unilateral e sem apoio em resolu&ccedil;&atilde;o espec&iacute;fica do Conselho de Seguran&ccedil;a&rdquo;.</p>     <p><Sup><a name="44"></a><a href="#top44">44</a></Sup>Mo&ccedil;&atilde;o de Censura n.&ordm; 2/IX &ndash; Censura o Governo &laquo;Por a Guerra contra o Iraque violar a Carta das Na&ccedil;&otilde;es Unidas e ser realizada &agrave; margem e contra o direito internacional&raquo;.</p>     <p><Sup><a name="45"></a><a href="#top45">45</a></Sup>Mo&ccedil;&atilde;o de Censura n.&ordm; 3/IX &ndash; Censura o Governo pelo &laquo;Apoio &agrave; guerra ilegal dos Estados Unidos da Am&eacute;rica e do Reino Unido contra o Iraque&raquo;.</p>     <p><Sup><a name="46"></a><a href="#top46">46</a></Sup>Mo&ccedil;&atilde;o de Censura n.&ordm; 4/IX &ndash; Censura o Governo pela &laquo;Atitude de apoio &agrave; interven&ccedil;&atilde;o militar dos Estados Unidos da Am&eacute;rica &agrave; margem de qualquer resolu&ccedil;&atilde;o do Conselho de Seguran&ccedil;a das Na&ccedil;&otilde;es Unidas&raquo;.</p>     <p><Sup><a name="47"></a><a href="#top47">47</a></Sup>Que podem assumir as modalidades de congratula&ccedil;&atilde;o, de protesto, de condena&ccedil;&atilde;o, de sauda&ccedil;&atilde;o ou de pesar &ndash; n.&ordm; 1 do artigo 75.&ordm; do Regimento da Assembleia da Rep&uacute;blica.</p>     <p><Sup><a name="48"></a><a href="#top48">48</a></Sup>Um caso paradigm&aacute;tico dessa falta de consequ&ecirc;ncias foi a aprova&ccedil;&atilde;o, em 12 de dezembro de 2014, de um voto recomendando o reconhecimento do Estado da Palestina, que gerou, ali&aacute;s, amplo consenso. O Governo saudou o facto e limitou--se a dizer, na altura, que tal reconhecimento ocorreria no momento que fosse por ele considerado mais oportuno.</p>     <p><Sup><a name="49"></a><a href="#top49">49</a></Sup>MIRANDA, Jorge &ndash; <i>Manual de Direito Constitucional</i>, vol. v, p. 57.</p>     <p><Sup><a name="50"></a><a href="#top50">50</a></Sup>N&atilde;o que, evidentemente, processos similares n&atilde;o ocorram noutros estados--membros. Mas isso excede o prop&oacute;sito do presente contributo reflexivo.</p>     <p><Sup><a name="51"></a><a href="#top51">51</a></Sup>As anteriores regras sobre o acompanhamento parlamentar da integra&ccedil;&atilde;o europeia foram definidas pelos seguintes diplomas: Lei n.&ordm; 28/87, de 29 de junho; Lei n.&ordm; 11/88, de 15 de dezembro; e Lei n.&ordm; 20/94, de 15 de junho. Sobre o assunto, cf. MIRANDA, Jo&atilde;o &ndash; <i>O Papel da Assembleia da Rep&uacute;blica na Constru&ccedil;&atilde;o Europeia</i>. Coimbra: Coimbra Editora, 2000, em especial p. 45 e segs.</p>     <p><Sup><a name="52"></a><a href="#top52">52</a></Sup>Sobre os modelos de participa&ccedil;&atilde;o parlamentar na constru&ccedil;&atilde;o europeia, pode ver-se KIIVER, Philipp &ndash; <i>The National Parliaments in the European Union: A Critical View on European Union Constitutional Building</i>. A Haia: Kluwer Law International, 2006, pp. 43-70; ou, entre n&oacute;s, FRAGA, Ana &ndash; <i>Os Parlamentos Nacionais e a Legitimidade da Constru&ccedil;&atilde;o Europeia</i>. Lisboa: Edi&ccedil;&otilde;es Cosmos, 2001, em especial p. 65 e segs.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><Sup><a name="53"></a><a href="#top53">53</a></Sup>MIRANDA, Jorge &ndash; <i>Direito Constitucional III</i>, p. 35.</p>      ]]></body><back>
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