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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Direitos sociais na Constituição. Uma análise da constitucionalização dos direitos sociais em Portugal, 1975-76]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[Despite all constitutions lock in rights and most include social provisions, none come close to the Portuguese Constitution of 1976 in the length and detail of its list of social, economic and cultural rights. Prevailing theories of institutional origins have generated hypotheses to account for the constitutionalization of second-generation rights. But they fall short of providing a full understanding of constitutionalization. In this article, we test them against the Portuguese case, which, whenever appropriate, is compared with Spain. In doing this, we aim at two things: first, to identify shortcomings in the most familiar frameworks, theories, and hypotheses concerning the causal mechanisms leading to the inclusion of social and economic rights in constitutions; second, to propose alternative explanations where existing ones prove inadequate or insufficient.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><b>40 ANOS DA CONSTITUIÇÃO PORTUGUESA: DINÂMICAS INTERNAS E EXTERNAS</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><B>Direitos sociais na Constitui&ccedil;&atilde;o. Uma an&aacute;lise da constitucionaliza&ccedil;&atilde;o dos direitos sociais em Portugal, 1975-76</B></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><B>Filipe Carreira da Silva* e M&oacute;nica Brito Vieira**</B></p>     <p><B>* </B>Investigador auxiliar do Instituto de Ci&ecirc;ncias Sociais da Universidade de Lisboa e <i>fellow</i> do Selwyn College da Universidade de Cambridge. &Eacute;, desde 2012-2013, professor convidado no Departamento de Sociologia da Universidade de Cambridge.</p>     <p><B>** </B>Leciona no departamento de Ci&ecirc;ncia Pol&iacute;tica da Universidade de York. A sua &aacute;rea de especializa&ccedil;&atilde;o &eacute; a teoria pol&iacute;tica, sendo autora de v&aacute;rias monografias, artigos cient&iacute;ficos e cap&iacute;tulos em publica&ccedil;&otilde;es nacionais e internacionais. Entre os seus livros mais recentes contam-se <i>Representation</i> (Polity Press, 2008), escrito em coautoria com David Runciman (Universidade de Cambridge), <i>The Elements of Representation in Hobbes</i> (Brill, 2009) e <i>O Momento Constituinte</i> (Almedina, 2010), escrito em coautoria com Filipe Carreira da Silva, com quem tem publicado v&aacute;rios artigos internacionais, em revistas de refer&ecirc;ncia, sobre direitos sociais, designadamente as raz&otilde;es e efeitos da sua constitucionaliza&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><B>RESUMO</B></p>     <p>Embora todas as constitui&ccedil;&otilde;es incluam direitos, e muitas delas incluam direitos sociais, nenhuma se aproxima da Constitui&ccedil;&atilde;o portuguesa de 1976 no que toca &agrave; extens&atilde;o e detalhe do seu cat&aacute;logo de direitos sociais, econ&oacute;micos e culturais. As principais teorias sobre as origens de institui&ccedil;&otilde;es geraram hip&oacute;teses explicativas da constitucionaliza&ccedil;&atilde;o desta segunda gera&ccedil;&atilde;o de direitos. Neste artigo, estas teorias e respetivas hip&oacute;teses ser&atilde;o testadas por rela&ccedil;&atilde;o ao caso portugu&ecirc;s o qual ser&aacute;, sempre que se revelar necess&aacute;rio, comparado com o espanhol. Por um lado, pretendemos identificar as limita&ccedil;&otilde;es das explica&ccedil;&otilde;es dominantes, incluindo as teorias e hip&oacute;teses sobre os mecanismos causais respons&aacute;veis pela inclus&atilde;o de direitos sociais nas constitui&ccedil;&otilde;es. Por outro lado, tentaremos conceber explica&ccedil;&otilde;es alternativas sempre que as existentes se revelem inadequadas ou insuficientes.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><B>Palavras-chave</B><i>: </i>Direitos sociais, Constitui&ccedil;&atilde;o, 25 de Abril, Portugal.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><B>ABSTRACT</B></p>     <p>Despite all constitutions lock in rights and most include social provisions, none come close to the Portuguese Constitution of 1976 in the length and detail of its list of social, economic and cultural rights. Prevailing theories of institutional origins have generated hypotheses to account for the constitutionalization of second-generation rights. But they fall short of providing a full understanding of constitutionalization. In this article, we test them against the Portuguese case, which, whenever appropriate, is compared with Spain. In doing this, we aim at two things: first, to identify shortcomings in the most familiar frameworks, theories, and hypotheses concerning the causal mechanisms leading to the inclusion of social and economic rights in constitutions; second, to propose alternative explanations where existing ones prove inadequate or insufficient.</p>     <p><B>Keywords</B><i>: </i>Constitution, social rights, revolution, Portugal</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><B>INTRODU&Ccedil;&Atilde;O</B><sup><a href="#1">1</a></sup><a name="top1"></a></p>     <p>Dos vinte e oito pa&iacute;ses membros da Uni&atilde;o Europeia (UE), Portugal destaca&nbsp;se pelo seu elevado grau de compromisso constitucional para com os direitos sociais e econ&oacute;micos. Incluindo 29 artigos, ocupando 10 p&aacute;ginas, o cat&aacute;logo de direitos sociais da Constitui&ccedil;&atilde;o da Rep&uacute;blica Portuguesa de 1976 &eacute; &uacute;nico quer na sua extens&atilde;o, quer no seu detalhe. O contraste com os restantes pa&iacute;ses europeus &eacute; marcante. As constitui&ccedil;&otilde;es de v&aacute;rios pa&iacute;ses, como &eacute; o caso da &Aacute;ustria, do Reino Unido ou da Alemanha, n&atilde;o consagram quaisquer direitos sociais. Embora a maioria das outras constitui&ccedil;&otilde;es os consagre, a verdade &eacute; que estas variam enormemente quanto ao grau de precis&atilde;o com que estes direitos s&atilde;o definidos, na forma como estipulam que devem ser implementados, e nas categorias de indiv&iacute;duos que estes direitos visam proteger ou beneficiar. &Agrave; luz de todos estes crit&eacute;rios, a nossa Constitui&ccedil;&atilde;o &eacute; a mais exaustiva<sup><a href="#2">2</a></sup><a name="top2"></a>. O seu car&aacute;cter excecional torna&nbsp;se ainda mais evidente quando o comparamos internacionalmente. Num estudo recente em que se comparam 68 pa&iacute;ses quanto ao grau de compromisso constitucional, Portugal surge destacado em primeiro lugar<sup><a href="#3">3</a></sup><a name="top3"></a>.</p>     <p>Apesar do car&aacute;cter singular do caso do nosso pa&iacute;s, n&atilde;o existem quaisquer estudos sobre as circunst&acirc;ncias, mecanismos e agentes respons&aacute;veis pela constitucionaliza&ccedil;&atilde;o de direitos sociais em Portugal<sup><a href="#4">4</a></sup><a name="top4"></a>. Na sua maioria, os cientistas pol&iacute;ticos t&ecirc;m procurado estudar as origens dos arranjos constitucionais atrav&eacute;s de metodologias t&atilde;o diversas quanto a compara&ccedil;&atilde;o de um elevado n&uacute;mero de pa&iacute;ses, a compara&ccedil;&atilde;o de alguns pa&iacute;ses (embora em maior profundidade do que no caso anterior), e estudos de caso de pendor hist&oacute;rico ou etnogr&aacute;fico<sup><a href="#5">5</a></sup><a name="top5"></a>. No entanto, at&eacute; neste &uacute;ltimo caso, a aten&ccedil;&atilde;o tem&nbsp;se centrado em pa&iacute;ses como social, a &Iacute;ndia, a &Aacute;frica do Sul, Israel, Hungria, Canad&aacute; e a Nova Zel&acirc;ndia, fazendo com que as principais teorias e hip&oacute;teses sobre a constitucionaliza&ccedil;&atilde;o dos direitos sociais tenham sido testadas sobretudo por rela&ccedil;&atilde;o a estes casos<sup><a href="#6">6</a></sup><a name="top6"></a>.</p>     <p>Este artigo prop&otilde;e-se reexaminar o valor heur&iacute;stico destas explica&ccedil;&otilde;es atrav&eacute;s de uma an&aacute;lise detalhada dos agentes, mecanismos e motiva&ccedil;&otilde;es por detr&aacute;s da constitucionaliza&ccedil;&atilde;o dos direitos sociais num caso que se destaca do ponto de vista metodol&oacute;gico como sendo discrepante, ou seja, particularmente dif&iacute;cil de explicar &ndash; Portugal. Testamos ainda a robustez das explica&ccedil;&otilde;es dispon&iacute;veis contrastando o caso do nosso pa&iacute;s com o da vizinha Espanha.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A constitucionaliza&ccedil;&atilde;o dos direitos sociais &eacute; muitas vezes apresentada como estando relacionada com as condi&ccedil;&otilde;es socioecon&oacute;micas do Pa&iacute;s<sup><a href="#7">7</a></sup><a name="top7"></a>, ou, mais especificamente, com a press&atilde;o exercida por clientelas influentes sobre o processo de negocia&ccedil;&atilde;o constitucional<sup><a href="#8">8</a></sup><a name="top8"></a>. Por vezes, a sua constitucionaliza&ccedil;&atilde;o &eacute; associada a fatores mais gerais, como certas tradi&ccedil;&otilde;es jur&iacute;dicas, ou o chamado <i>Zeitgeist </i>do p&oacute;s-guerra, caracterizado pelo ascenso dos direitos humanos e pela difus&atilde;o de conce&ccedil;&otilde;es mais igualit&aacute;rias de democracia<sup><a href="#9">9</a></sup><a name="top9"></a>.</p>     <p>Mas a teoria mais influente sobre as origens dos direitos sociais consagrados constitucionalmente concebe-os como o produto de um pr&eacute;-compromisso aparentemente paradoxal, que n&atilde;o s&oacute; elimina algumas op&ccedil;&otilde;es pol&iacute;ticas futuras como ainda lhes consagra de antem&atilde;o uma fatia consider&aacute;vel da despesa p&uacute;blica vindoura<sup><a href="#10">10</a></sup><a name="top10"></a>. A resolu&ccedil;&atilde;o deste paradoxo &eacute; suposto residir na natureza autointeressada deste &laquo;atar de m&atilde;os&raquo;. O racional &eacute; simples: a luta partid&aacute;ria em torno destas solu&ccedil;&otilde;es institucionais visa produzir consequ&ecirc;ncias que beneficiam esses mesmos partidos pol&iacute;ticos, entendidos como agindo de forma racionalmente estrat&eacute;gica. Os partidos pol&iacute;ticos que consagram constitucionalmente direitos sociais fazem-no, &agrave; luz desta explica&ccedil;&atilde;o, com o fito de aumentarem as suas possibilidades de alcan&ccedil;ar ou manter o poder, quer atrav&eacute;s da cria&ccedil;&atilde;o de (ou simplesmente respondendo a) clientelas do Estado-Provid&ecirc;ncia, quer atrav&eacute;s da transfer&ecirc;ncia da responsabilidade por decis&otilde;es potencialmente impopulares para o poder judicial<sup><a href="#11">11</a></sup><a name="top11"></a>. Outros sugerem que o pr&eacute;-comprometimento constitucional com direitos sociais n&atilde;o &eacute; tanto uma quest&atilde;o estrat&eacute;gica, mas uma forma que os partidos arranjaram de se proteger de maiorias parlamentares futuras. Esta perspetiva contrasta com a tese funcionalista igualmente comum de que os direitos sociais s&atilde;o a express&atilde;o de um sentimento de desconfian&ccedil;a num poder executivo controlado por especialistas ou t&eacute;cnicos, bem como da inten&ccedil;&atilde;o de limitar o poder discricion&aacute;rio dos sucessivos governos a eleger no futuro<sup><a href="#12">12</a></sup><a name="top12"></a>. Finalmente, h&aacute; quem julgue que a inclus&atilde;o dos direitos sociais nas constitui&ccedil;&otilde;es reflete a converg&ecirc;ncia ideol&oacute;gica dos diferentes partidos em torno de uma certa conce&ccedil;&atilde;o do Estado-Provid&ecirc;ncia, ou, em alternativa, da explora&ccedil;&atilde;o por parte destes mesmos partidos do simbolismo estrat&eacute;gico dos direitos sociais<sup><a href="#13">13</a></sup><a name="top13"></a>.</p>     <p>Estas hip&oacute;teses sustentam o nosso estudo sobre as origens da constitucionaliza&ccedil;&atilde;o dos direitos sociais em Portugal entre 1975 e 1976. A sele&ccedil;&atilde;o deste caso &eacute; justificada pelo princ&iacute;pio metodol&oacute;gico dos &laquo;casos discrepantes&raquo;, segundo o qual se as explica&ccedil;&otilde;es dispon&iacute;veis se revelam insuficientes para dar conta de um dado resultado hist&oacute;rico, ent&atilde;o aumenta a probabilidade de existirem outras explica&ccedil;&otilde;es capazes de o fazer. Usualmente, nos casos discrepantes, os valores da vari&aacute;vel dependente (no nosso caso, direitos sociais e econ&oacute;micos consagrados constitucionalmente) s&atilde;o especialmente elevados, algo que n&atilde;o &eacute; poss&iacute;vel explicar &agrave; luz das teorias e hip&oacute;teses dispon&iacute;veis<sup><a href="#14">14</a></sup><a name="top14"></a>. Neste artigo, procuramos responder a este desafio adotando uma abordagem que reconstr&oacute;i os sucessivos passos ou etapas do processo (<i>process-tracing approach</i>), de forma a identificar as complexas rela&ccedil;&otilde;es de causalidade que ligam a causa (ou causas) hipot&eacute;tica ao resultado da vari&aacute;vel dependente<sup><a href="#15">15</a></sup><a name="top15"></a>. Esta metodologia implica a recolha e an&aacute;lise de uma ampla pan&oacute;plia de fontes prim&aacute;rias, desde manifestos partid&aacute;rios a projetos constitucionais at&eacute; aos debates p&uacute;blicos sobre direitos sociais na Assembleia Constituinte, bem como a realiza&ccedil;&atilde;o de entrevistas com alguns dos principais agentes no processo constituinte.</p>     <p>As hip&oacute;teses acima indicadas estruturam este artigo, cujo principal prop&oacute;sito &eacute; o de avaliar a sua robustez quando confrontadas com o caso portugu&ecirc;s, para al&eacute;m de sugerir novas hip&oacute;teses que expliquem a constitucionaliza&ccedil;&atilde;o de direitos sociais em casos discrepantes como o nosso<sup><a href="#16">16</a></sup><a name="top16"></a>. Come&ccedil;amos com uma breve descri&ccedil;&atilde;o das circunst&acirc;ncias hist&oacute;ricas em que se desenrolou o processo constituinte em Portugal (sec&ccedil;&atilde;o 2). De seguida, analisamos as condi&ccedil;&otilde;es estruturais desta constitucionaliza&ccedil;&atilde;o, quer socioecon&oacute;micas (sec&ccedil;&atilde;o 3), quer jur&iacute;dicas (sec&ccedil;&atilde;o 4), usando a compara&ccedil;&atilde;o com a Espanha para identificar processos e vari&aacute;veis contextuais at&eacute; agora ignorados que ajudam a explicar por que raz&atilde;o estas condi&ccedil;&otilde;es levaram a resultados t&atilde;o diferentes nos dois pa&iacute;ses. Na sec&ccedil;&atilde;o 5, testamos a hip&oacute;tese de que a &laquo;pol&iacute;tica partid&aacute;ria&raquo; explica a inclus&atilde;o de um vasto leque de direitos sociais na Constitui&ccedil;&atilde;o, chamando a aten&ccedil;&atilde;o para algumas das &laquo;fal&aacute;cias funcionalistas&raquo; em que tal hip&oacute;tese nos pode fazer cair. Avaliamos em seguida a explica&ccedil;&atilde;o da &laquo;converg&ecirc;ncia ideol&oacute;gica&raquo; para a constitucionaliza&ccedil;&atilde;o dos direitos atrav&eacute;s do escrut&iacute;nio da natureza do acordo constituinte (sec&ccedil;&atilde;o 6). Finalmente, apresentamos as nossas conclus&otilde;es (sec&ccedil;&atilde;o 7).</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><B>A CONSTITUI&Ccedil;&Atilde;O DE 1976 E AS SUAS ORIGENS</B></p>     <p>O processo constituinte portugu&ecirc;s &eacute; aqui analisado n&atilde;o tanto pelo seu inerente interesse hist&oacute;rico quanto pela sua relev&acirc;ncia enquanto estudo de caso particularmente &uacute;til para testar e expandir as hip&oacute;teses atualmente utilizadas para explicar as origens da constitucionaliza&ccedil;&atilde;o dos direitos sociais e econ&oacute;micos. Antes de prosseguirmos com a an&aacute;lise destas hip&oacute;teses, por&eacute;m, importa enfatizar os principais elementos deste processo e os principais fatores que o condicionaram. Desde logo, temos que considerar a queda abrupta do regime pol&iacute;tico anterior, o v&aacute;cuo de poder que esta queda suscitou, e a generaliza&ccedil;&atilde;o e intensifica&ccedil;&atilde;o da luta pol&iacute;tica que se seguiu.</p>     <p>No dia 25 de abril de 1974, um pronunciamento militar, liderado por militares de baixa patente ideologicamente conotados com a esquerda, derrubou o regime autorit&aacute;rio de direita conhecido por &laquo;Estado Novo&raquo;. Tendo granjeado um significativo e espont&acirc;neo apoio popular, a Revolu&ccedil;&atilde;o dos Cravos marcou o in&iacute;cio de uma transi&ccedil;&atilde;o conturbada para a democracia sob tutela dos militares, eles pr&oacute;prios divididos entre uma fa&ccedil;&atilde;o maiorit&aacute;ria de esquerda revolucion&aacute;ria e fa&ccedil;&otilde;es mais moderadas. O programa pol&iacute;tico do Movimento das For&ccedil;as Armadas (MFA), a designa&ccedil;&atilde;o que viria a ser adotada pelo grupo de militares revoltosos, previa a cria&ccedil;&atilde;o de uma Junta de Salva&ccedil;&atilde;o Nacional (JNS), dirigida por militares. A JNS, para al&eacute;m de assumir a iniciativa de formar o primeiro governo provis&oacute;rio, comprometeu&nbsp;se igualmente em organizar elei&ccedil;&otilde;es livres e competitivas para uma Assembleia Constituinte no prazo de um ano. Contudo, com o crescendo de conflitualidade social e pol&iacute;tica em que o Pa&iacute;s se viu envolvido e com as fa&ccedil;&otilde;es de extrema&nbsp;esquerda a assumir a lideran&ccedil;a do processo revolucion&aacute;rio, o destino do processo constituinte era cada vez mais imprevis&iacute;vel. Em 11 de mar&ccedil;o de 1975, um contragolpe liderado pelo general Sp&iacute;nola falhou, provocando a institucionaliza&ccedil;&atilde;o dos militares num &laquo;Conselho da Revolu&ccedil;&atilde;o&raquo; soberano, o que refor&ccedil;ou ainda mais o seu prop&oacute;sito de estabelecer uma &laquo;democracia socialista&raquo; atrav&eacute;s n&atilde;o de elei&ccedil;&otilde;es mas por interm&eacute;dio de uma revolu&ccedil;&atilde;o popular. Foi um per&iacute;odo de grande incerteza para os partidos pol&iacute;ticos interessados num acordo constituinte, mas as elei&ccedil;&otilde;es para a Assembleia Constituinte acabaram por ter lugar como previsto, no dia 25 de abril de 1975. A participa&ccedil;&atilde;o eleitoral foi esmagadora (91 por cento), e a vit&oacute;ria concludente das for&ccedil;as pol&iacute;ticas mais moderadas &ndash; Partido Socialista (PS), 37,9 por cento e o Partido Popular Democr&aacute;tico (PPD), 26,4 por cento &ndash; acentuou ainda mais a derrota eleitoral do Partido Comunista Portugu&ecirc;s (PCP) (12,5 por cento). A elei&ccedil;&atilde;o tornou ainda mais evidente o conflito entre dois tipos de legitimidade pol&iacute;tica: por um lado, a legitimidade eleitoral dos partidos pol&iacute;ticos rec&eacute;m-criados; por outro, a legitimidade revolucion&aacute;ria reclamada pela fa&ccedil;&atilde;o radical do aparelho militar e pelo PCP. A Assembleia Constituinte iniciou os seus trabalhos, que viriam a durar um ano, no auge do predom&iacute;nio das for&ccedil;as radicais de esquerda. Em rigor, os trabalhos da Assembleia n&atilde;o foram totalmente livres. Foram condicionados por um &laquo;pacto&raquo; imposto a todos os partidos pelo Conselho da Revolu&ccedil;&atilde;o, dias antes da elei&ccedil;&atilde;o de 25 de abril de 1975. Para al&eacute;m de prever a necessidade de quase homologa&ccedil;&atilde;o pelos militares do texto constitucional aprovado pelos constituintes, este pacto exigia igualmente a consagra&ccedil;&atilde;o constitucional das &laquo;conquistas&raquo; pol&iacute;ticas, sociais e econ&oacute;micas do processo revolucion&aacute;rio.</p>     <p>A comiss&atilde;o respons&aacute;vel pelos direitos sociais reuniu entre agosto e outubro de 1975, tendo os debates no plen&aacute;rio sobre este tema tido lugar no chamado &laquo;ver&atilde;o quente&raquo;. Com o Pa&iacute;s &agrave; beira de uma guerra civil entre radicais e moderados, o ver&atilde;o de 1975 foi um per&iacute;odo em que a luta pol&iacute;tica&nbsp;ideol&oacute;gica se intensificou, as ruas das principais cidades foram palco de manifesta&ccedil;&otilde;es por parte de movimentos sociais e pol&iacute;ticos, e a extrema-esquerda militar e pol&iacute;tica deu o seu aval a uma onda sem precedentes de saneamentos, greves e ocupa&ccedil;&otilde;es de casas particulares, propriedades agr&iacute;colas e unidades industriais. N&atilde;o &eacute; pois de surpreender que, &agrave; medida que a clivagem entre &laquo;revolu&ccedil;&atilde;o&raquo; e &laquo;constitui&ccedil;&atilde;o&raquo; se aprofundava, os deputados &agrave; Assembleia Constituinte temessem cada vez mais pela sua dissolu&ccedil;&atilde;o. N&atilde;o obstante o &laquo;cerco&raquo; &agrave; Constituinte, os trabalhos prosseguiram<sup><a href="#17">17</a></sup><a name="top17"></a>. Em 25 de novembro, um golpe militar da esquerda radical foi neutralizado por um contragolpe das for&ccedil;as militares moderadas, tendo a balan&ccedil;a do poder virado irrevogavelmente a favor destas &uacute;ltimas. A Constitui&ccedil;&atilde;o seria aprovada em abril de 1976, por seis dos sete partidos com assento na Assembleia Constituinte, tendo a sec&ccedil;&atilde;o dos direitos sociais sido aprovada anteriormente, em outubro, por unanimidade. Qu&atilde;o bem as teorias e explica&ccedil;&otilde;es sobre a constitucionaliza&ccedil;&atilde;o dos direitos sociais conseguem dar conta deste resultado hist&oacute;rico &eacute; a quest&atilde;o que abordamos de seguida.</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><B>CONDI&Ccedil;&Otilde;ES SOCIOECON&Oacute;MICAS </B></p>     <p>As condi&ccedil;&otilde;es socioecon&oacute;micas e as tradi&ccedil;&otilde;es jur&iacute;dicas de um pa&iacute;s s&atilde;o frequentemente apresentadas como explica&ccedil;&otilde;es para a inclus&atilde;o de direitos sociais na respetiva constitui&ccedil;&atilde;o. Tais fatores t&ecirc;m um car&aacute;cter estrutural, e &eacute; assumido que exercem um impacto significativo sobre a conduta dos agentes pol&iacute;ticos ao definirem os par&acirc;metros no &acirc;mbito em que esta se desenrola. Os analistas pol&iacute;ticos tentam, em regra, determinar a natureza, o &acirc;mbito e a for&ccedil;a relativa destes fatores de modo a produzirem explica&ccedil;&otilde;es que lhes permitam estabelecer uma rela&ccedil;&atilde;o causal entre eles e os resultados que desejam ver explicados. Por exemplo, se for poss&iacute;vel agrupar resultados individuais em categorias que correspondam ao impacto previs&iacute;vel destes fatores externos, conclui-se que estamos perante uma rela&ccedil;&atilde;o causal entre uns e outros. Aplicando esta l&oacute;gica ao caso dos direitos sociais, a hip&oacute;tese &eacute; a de que quanto piores forem as condi&ccedil;&otilde;es socioecon&oacute;micas de um pa&iacute;s, tal como medido pelo respetivo PIB <i>per capita</i><sup><a href="#18">18</a></sup><a name="top18"></a>, mais prov&aacute;vel ser&aacute; a sua consagra&ccedil;&atilde;o constitucional.</p>     <p>Por&eacute;m, este tipo de abordagem sofre de um problema geral. Os m&eacute;todos estat&iacute;sticos usados para estimar o efeito l&iacute;quido m&eacute;dio de fatores tais como as condi&ccedil;&otilde;es socioecon&oacute;micas n&atilde;o conseguem identificar as raz&otilde;es porque, nem t&atilde;o-pouco os processos atrav&eacute;s dos quais, estes fatores produzem os efeitos que produzem. Na aus&ecirc;ncia de uma rela&ccedil;&atilde;o significativa entre fatores e efeitos, &eacute; virtualmente imposs&iacute;vel saber se a associa&ccedil;&atilde;o identificada estatisticamente revela uma verdadeira causalidade, ou se depende de uma outra vari&aacute;vel por identificar para produzir o efeito verificado. De modo a esclarecer se os fatores estruturais atuam como meras condi&ccedil;&otilde;es ou como causas, &eacute; necess&aacute;rio analisar os resultados &agrave; luz dos mecanismos que os geraram<sup><a href="#19">19</a></sup><a name="top19"></a>.</p>     <p>De modo a responder a esta quest&atilde;o, vamos de seguida examinar e comparar dois processos constituintes contempor&acirc;neos em que, apesar de influenciados por condi&ccedil;&otilde;es macroecon&oacute;micas semelhantes, os agentes pol&iacute;ticos chegaram a dois resultados muito diferentes no que toca &agrave; constitucionaliza&ccedil;&atilde;o de direitos sociais: a Constitui&ccedil;&atilde;o portuguesa de 1976 e a Constitui&ccedil;&atilde;o espanhola de 1978, ambas ainda em vigor. Ao selecionarmos estes dois pa&iacute;ses, adotamos o princ&iacute;pio metodol&oacute;gico dos &laquo;casos mais semelhantes&raquo;<sup><a href="#20">20</a></sup><a name="top20"></a>: <i>i.e.</i>, ao compararmos casos que possuem condi&ccedil;&otilde;es socioecon&oacute;micas semelhantes mas variam no tocante &agrave; vari&aacute;vel dependente &ndash; nomeadamente, o grau de compromisso constitucional para com os direitos sociais &ndash; queremos manter constantes as vari&aacute;veis menos importantes e isolar as vari&aacute;veis independentes mais significativas.</p>     <p>Ambos os pa&iacute;ses ib&eacute;ricos viveram sob ditaduras de direita desde os anos 1930, transitaram para a democracia em meados dos anos 1970, e organizaram processos constituintes com menos de dois anos de diferen&ccedil;a. Em Portugal, a Assembleia Constituinte funcionou entre julho de 1975 e abril de 1976, enquanto que, em Espanha, as Cortes (as duas c&acirc;maras parlamentares) redigiram a atual Constitui&ccedil;&atilde;o espanhola entre agosto de 1977 e dezembro de 1978. &Agrave; &eacute;poca, as condi&ccedil;&otilde;es socioecon&oacute;micas nos dois pa&iacute;ses eram bastante parecidas. Ambos tinham beneficiado de per&iacute;odos de crescimento econ&oacute;mico robusto nas d&eacute;cadas que precederam as suas transi&ccedil;&otilde;es para a democracia, ainda que este desempenho econ&oacute;mico fosse em parte uma &laquo;ilus&atilde;o estat&iacute;stica&raquo;<sup><a href="#21">21</a></sup><a name="top21"></a>. Em 1973, a Pen&iacute;nsula Ib&eacute;rica era ainda a regi&atilde;o mais pobre da Europa Ocidental e uma das mais desiguais. A subida abrupta dos pre&ccedil;os do petr&oacute;leo a partir de outubro desse ano, e a crise econ&oacute;mica que se seguiu, infligiu um golpe fatal nas economias ib&eacute;ricas, contribuindo significativamente para a queda das respetivas ditaduras<sup><a href="#22">22</a></sup><a name="top22"></a>. Na medida em que as condi&ccedil;&otilde;es socioecon&oacute;micas eram desfavor&aacute;veis, e pioraram em v&eacute;speras das transi&ccedil;&otilde;es democr&aacute;ticas, seria de esperar um elevado grau de compromisso constitucional com direitos sociais em ambos os pa&iacute;ses.</p>     <p>No entanto, apesar de semelhantes no que diz respeito &agrave;s suas condi&ccedil;&otilde;es socioecon&oacute;micas, Portugal e Espanha acabariam por adotar solu&ccedil;&otilde;es muito diferentes em termos do grau de compromisso constitucional com direitos sociais. Se a Constitui&ccedil;&atilde;o portuguesa consagra um elevado n&uacute;mero de direitos, e os concebe como direitos individuais fundamentais subjetivos, j&aacute; a Constitui&ccedil;&atilde;o espanhola nem sequer possui uma sec&ccedil;&atilde;o sobre <i>direitos </i>sociais. Em vez de uma linguagem de direitos como benef&iacute;cios ou garantias individuais, encontramos uma linguagem vaga sobre <i>princ&iacute;pios</i>. Estes s&atilde;o princ&iacute;pios reguladores, que &laquo;orientam as pol&iacute;ticas econ&oacute;micas e sociais&raquo; (cap&iacute;tulo 3, parte i), cujo estatuto jur&iacute;dico &eacute; meramente declarativo. No que concerne &agrave;s exig&ecirc;ncias que os direitos sociais constitucionalmente consagrados imp&otilde;em aos governos futuros, o contraste entre as duas constitui&ccedil;&otilde;es &eacute;, uma vez mais, evidente. Na Constitui&ccedil;&atilde;o espanhola, os direitos sociais s&atilde;o definidos de forma gen&eacute;rica e algo imprecisa, conferindo ao poder executivo uma grande margem de discricionariedade quanto &agrave; sua implementa&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>Por seu turno, a Constitui&ccedil;&atilde;o portuguesa descreve minuciosamente cada direito social, prevendo a cria&ccedil;&atilde;o de institui&ccedil;&otilde;es pol&iacute;ticas de modo a garantir a sua efetiva implementa&ccedil;&atilde;o no futuro, nomeadamente um servi&ccedil;o nacional de sa&uacute;de, um sistema de seguran&ccedil;a social e um sistema nacional de educa&ccedil;&atilde;o. Para al&eacute;m disso, define os princ&iacute;pios fundamentais que dever&atilde;o regular estas institui&ccedil;&otilde;es (por exemplo, universalidade, generalidade, gratuitidade), bem como a sua organiza&ccedil;&atilde;o interna (descentraliza&ccedil;&atilde;o, representatividade, participa&ccedil;&atilde;o). A Constitui&ccedil;&atilde;o portuguesa n&atilde;o s&oacute; especifica a forma como os direitos sociais devem ser institucionalizados em termos de pol&iacute;ticas sociais, como especifica igualmente um mecanismo de fiscaliza&ccedil;&atilde;o da constitucionalidade para os direitos sociais &ndash; a inconstitucionalidade por omiss&atilde;o (artigo 279). J&aacute; a Constitui&ccedil;&atilde;o espanhola adota uma f&oacute;rmula bem mais difusa: &laquo;O reconhecimento, respeito e a prote&ccedil;&atilde;o dos princ&iacute;pios reconhecidos no Cap&iacute;tulo 3 dever&atilde;o guiar a legisla&ccedil;&atilde;o, a pr&aacute;tica jur&iacute;dica e as a&ccedil;&otilde;es das autoridades p&uacute;blicas&raquo; (artigo 53, cap&iacute;tulo 4, parte i). As condi&ccedil;&otilde;es socioecon&oacute;micas <i>per se </i>n&atilde;o s&atilde;o suficientes para dar conta destas diferen&ccedil;as. Como vimos, &agrave; &eacute;poca da transi&ccedil;&atilde;o para a democracia a situa&ccedil;&atilde;o econ&oacute;mica era muito semelhante em ambos os pa&iacute;ses. Para se perceber por que raz&atilde;o os processos e resultados constitucionais divergiram temos que considerar outras poss&iacute;veis explica&ccedil;&otilde;es para entender porque foram as condi&ccedil;&otilde;es socioecon&oacute;micas ativadas como raz&otilde;es num caso e n&atilde;o no outro. A nossa tese &eacute; que inova&ccedil;&otilde;es jur&iacute;dicas sup&otilde;em a exist&ecirc;ncia de inovadores jur&iacute;dicos, isto &eacute;, de indiv&iacute;duos que apresentam argumentos em favor de, e fa&ccedil;am escolhas quanto ao &acirc;mbito e extens&atilde;o da transforma&ccedil;&atilde;o constitucional a levar a cabo. O processo de transforma&ccedil;&atilde;o de condi&ccedil;&otilde;es em causas deve, por conseguinte, ser entendido fundamentalmente como um processo pol&iacute;tico contextualmente contingente, e cuja natureza distinta em Portugal e Espanha foi fortemente determinada pela natureza das respetivas transi&ccedil;&otilde;es para a democracia &ndash; revolucion&aacute;ria no primeiro caso, negociada no segundo.</p>     <p>Em bom rigor, no caso do nosso pa&iacute;s, a revolta militar deu origem a um processo que pode ser melhor caracterizado como uma <i>rutura </i>do que como uma transi&ccedil;&atilde;o. Do programa pol&iacute;tico dos militares, que ganhou estatuto constitucional ap&oacute;s o golpe<sup><a href="#23">23</a></sup><a name="top23"></a>, ao texto final da Constitui&ccedil;&atilde;o, &eacute; bem vis&iacute;vel o prop&oacute;sito de consagrar no&ccedil;&otilde;es de justi&ccedil;a social. As fr&aacute;geis condi&ccedil;&otilde;es socioecon&oacute;micas dos portugueses, e a necessidade de as melhorar por via da a&ccedil;&atilde;o social do Estado, s&atilde;o prioridades explicitamente estabelecidas quer pelos militares, quer pelos deputados &agrave; Constituinte<sup><a href="#24">24</a></sup><a name="top24"></a>. Dados os poderes tutelares dos militares, e o seu apoio a movimentos sociais que denunciavam essas condi&ccedil;&otilde;es fora da Assembleia, poder&iacute;amos ser levados a crer que os deputados estariam meramente a ceder a uma press&atilde;o externa quando tematizaram as condi&ccedil;&otilde;es socioecon&oacute;micas como raz&otilde;es para incluir um vasto e ideologicamente progressista cat&aacute;logo de direitos sociais. Mas se as esperan&ccedil;as revolucion&aacute;rias por uma mudan&ccedil;a social decisiva limitaram de forma indel&eacute;vel o leque de escolhas constitucionais dispon&iacute;veis, seria um erro inferir daqui que o ide&aacute;rio da Revolu&ccedil;&atilde;o era completamente contr&aacute;rio &agrave; vis&atilde;o dos partidos pol&iacute;ticos. Os projetos constitucionais partid&aacute;rios revelaram um compromisso muito significativo com os programas de provid&ecirc;ncia social. Os partidos estavam bem conscientes de que a legitimidade do acordo constitucional a celebrar dependia, em larga medida, da sua capacidade em romper com um passado de &laquo;mis&eacute;ria imerecida&raquo; (para usar uma express&atilde;o em voga na altura), e lan&ccedil;ar as bases para uma democracia que n&atilde;o fosse somente procedimental, mas respondesse tamb&eacute;m &agrave;s necessidades materiais da popula&ccedil;&atilde;o. O primeiro sinal desta rutura foi proteger as expectativas da popula&ccedil;&atilde;o atrav&eacute;s da consagra&ccedil;&atilde;o constitucional de um vasto cat&aacute;logo de direitos sociais enquanto aut&ecirc;nticos direitos de cidadania, que obrigavam futuros governos, n&atilde;o estando dependentes da sua boa vontade.</p>     <p>Os deputados &agrave; Constituinte tra&ccedil;aram linhas divis&oacute;rias bem n&iacute;tidas entre o regime assistencialista do Estado Novo e o da nova democracia<sup><a href="#25">25</a></sup><a name="top25"></a>. Em primeiro lugar, encontramos a conce&ccedil;&atilde;o da seguran&ccedil;a social, cuidados de sa&uacute;de e educa&ccedil;&atilde;o como direitos fundamentais dos cidad&atilde;os, que obrigam o Estado &agrave; sua concretiza&ccedil;&atilde;o. Por exemplo, a natureza universal e obrigat&oacute;ria do novo sistema de seguran&ccedil;a social foi apresentada por contraste &agrave; sua natureza opcional durante a ditadura. Para al&eacute;m de serem mais generosos, os benef&iacute;cios sociais deviam igualmente servir um prop&oacute;sito emancipat&oacute;rio. Os direitos sociais deveriam deixar de ser concebidos simplesmente como uma forma de satisfazer as necessidades dos portugueses, com o objetivo de os controlar, para se tornarem num instrumento de uma pol&iacute;tica progressista: nas palavras de um constituinte, como uma &laquo;forma do Estado redistribuir a riqueza para aqueles que mais dela precisam&raquo;<sup><a href="#26">26</a></sup><a name="top26"></a>. Da direita &agrave; esquerda, todos os constituintes concordavam que o Estado Novo havia falhado estrondosamente na sua tarefa de garantir justi&ccedil;a social. A nova Constitui&ccedil;&atilde;o tinha como objetivo garantir que isso n&atilde;o se voltaria a repetir. O Estado-Provid&ecirc;ncia democr&aacute;tico deveria ser generoso e emancipat&oacute;rio, estimulando e beneficiando da iniciativa dos seus benefici&aacute;rios.</p>     <p>Em Espanha, pelo contr&aacute;rio, a transi&ccedil;&atilde;o para a democracia foi evolucion&aacute;ria, e o processo constituinte contou com a participa&ccedil;&atilde;o de importantes segmentos do regime franquista. Embora seja um facto que as condi&ccedil;&otilde;es socioecon&oacute;micas foram um tema pol&iacute;tico saliente na elei&ccedil;&atilde;o de 1977 para as Cortes, a verdade &eacute; que perderam relev&acirc;ncia na subsequente negocia&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica sobre a nova Constitui&ccedil;&atilde;o. Outros temas mais pol&eacute;micos, separando a direita conservadora religiosa da esquerda secular republicana, ocuparam a agenda dos constituintes. Aqui se incluem quest&otilde;es como as do div&oacute;rcio, do aborto, da pena de morte, da lei eleitoral, da autonomia regional e do papel da Igreja Cat&oacute;lica na educa&ccedil;&atilde;o, nenhuma das quais se revelou f&aacute;cil de dirimir<sup><a href="#27">27</a></sup><a name="top27"></a>. As Cortes espanholas viram-se envolvidas num combate pol&iacute;tico sem quartel sobre se a nova Constitui&ccedil;&atilde;o deveria romper com o passado autorit&aacute;rio, um combate que acarretaria negocia&ccedil;&otilde;es prolongadas e &agrave; porta fechada sobre clivagens pol&iacute;ticas fundamentais. O resultado foi que os direitos sociais nunca ganharam a visibilidade que haviam ganho em Portugal: a aus&ecirc;ncia de um compromisso firme em torno da sua concretiza&ccedil;&atilde;o traduz talvez o uso estrat&eacute;gico da ambiguidade por parte dos constituintes espanh&oacute;is.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><B>TRADI&Ccedil;&Otilde;ES JUR&Iacute;DICAS </B></p>     <p>A par das condi&ccedil;&otilde;es socioecon&oacute;micas, as tradi&ccedil;&otilde;es jur&iacute;dicas s&atilde;o frequentemente usadas para explicar a inclus&atilde;o de direitos sociais em constitui&ccedil;&otilde;es. A chamada hip&oacute;tese das &laquo;origens jur&iacute;dicas&raquo; de Rafael La Porta e dos seus colegas centra-se nos efeitos econ&oacute;micos das institui&ccedil;&otilde;es jur&iacute;dicas<sup><a href="#28">28</a></sup><a name="top28"></a>atrav&eacute;s da categoriza&ccedil;&atilde;o dos pa&iacute;ses de acordo com a sua tradi&ccedil;&atilde;o jur&iacute;dica: por exemplo, prev&ecirc;-se que pa&iacute;ses cujos sistemas legais tenham origem na <i>common law </i>enfatizem a liberdade contratual e a prote&ccedil;&atilde;o da propriedade privada, enquanto que os pa&iacute;ses cuja tradi&ccedil;&atilde;o jur&iacute;dica remonte ao direito romano tendam a favorecer um papel redistributivo mais ativo por parte do Estado. De modo a tornar esta hip&oacute;tese empiricamente verific&aacute;vel, La Porta sugere a utiliza&ccedil;&atilde;o de vari&aacute;veis <i>dummy </i>tais como as tradi&ccedil;&otilde;es jur&iacute;dicas &laquo;inglesa&raquo;, &laquo;francesa&raquo;, &laquo;alem&atilde;&raquo;, &laquo;escandinava&raquo; e &laquo;socialista&raquo; para explicar as &laquo;origens jur&iacute;dicas&raquo;<sup><a href="#29">29</a></sup><a name="top29"></a>. A aplica&ccedil;&atilde;o desta hip&oacute;tese &agrave; constitucionaliza&ccedil;&atilde;o dos direitos sociais &eacute; clara: prev&ecirc;-se que seja menos prov&aacute;vel aos pa&iacute;ses da <i>common law </i>que se comprometam constitucionalmente com os direitos sociais do que os pa&iacute;ses da tradi&ccedil;&atilde;o do direito romano. Esta correla&ccedil;&atilde;o, por&eacute;m, nada nos diz, virtualmente, sobre a varia&ccedil;&atilde;o no tempo, o &acirc;mbito e a natureza da constitucionaliza&ccedil;&atilde;o dos direitos sociais em pa&iacute;ses de uma <i>mesma </i>tradi&ccedil;&atilde;o jur&iacute;dica.</p>     <p>Quer Portugal quer Espanha, por exemplo, t&ecirc;m uma origem jur&iacute;dica &laquo;francesa&raquo;, que remonta ao C&oacute;digo Napole&oacute;nico de 1804, e &agrave; subsequente invas&atilde;o francesa da Pen&iacute;nsula Ib&eacute;rica. Para al&eacute;m disso, desde essa altura que se registou uma significativa migra&ccedil;&atilde;o de ideias constitucionais entre os dois pa&iacute;ses<sup><a href="#30">30</a></sup><a name="top30"></a>. Por&eacute;m, n&atilde;o se regista qualquer influ&ecirc;ncia significativa entre a sec&ccedil;&atilde;o sobre direitos sociais da Constitui&ccedil;&atilde;o portuguesa de 1976 e a Constitui&ccedil;&atilde;o espanhola de 1978. A &uacute;nica exce&ccedil;&atilde;o a isto foi o Partido Comunista Espanhol (PCE) que se inspirou na Constitui&ccedil;&atilde;o portuguesa na sua proposta, de resto mal-sucedida, de um cat&aacute;logo numeroso de direitos sociais, que previa a inclus&atilde;o de mecanismos constitucionais para a sua concretiza&ccedil;&atilde;o<sup><a href="#31">31</a></sup><a name="top31"></a>. O facto de que foi apenas o PCE, o partido pol&iacute;tico espanhol mais &agrave; esquerda, que procurou inspira&ccedil;&atilde;o na Constitui&ccedil;&atilde;o portuguesa reflete os diferentes posicionamentos ideol&oacute;gicos dos respetivos sistemas partid&aacute;rios. Emergindo da &uacute;ltima revolu&ccedil;&atilde;o cl&aacute;ssica de esquerda, o sistema partid&aacute;rio portugu&ecirc;s nasceu confinado &agrave; zona mais &agrave; esquerda do espectro ideol&oacute;gico, enquanto que o espanhol refletia a natureza &laquo;pactada&raquo; da transi&ccedil;&atilde;o, sendo mais ideologicamente abrangente e com as principais for&ccedil;as pol&iacute;ticas a competir pelo centro ideol&oacute;gico.</p>     <p>As fontes jur&iacute;dicas mais imediatas da Constitui&ccedil;&atilde;o portuguesa refletem este alinhamento ideol&oacute;gico. Algumas delas eram politicamente sens&iacute;veis, expressando as clivagens pol&iacute;ticas entre as diferentes for&ccedil;as pol&iacute;ticas, j&aacute; outras mostraram&nbsp;se mais consensuais refletindo a influ&ecirc;ncia neutralizadora dos especialistas jur&iacute;dicos sobre o processo constituinte<sup><a href="#32">32</a></sup><a name="top32"></a>. Destaca-se entre estas &uacute;ltimas o Pacto Internacional sobre Direitos Econ&oacute;micos, Sociais e Culturais (PIDESC) de 1966, de que Portugal foi um dos primeiros signat&aacute;rios<sup><a href="#33">33</a></sup><a name="top33"></a>. Este pacto acrescentava, ele pr&oacute;prio, uma perspetiva socialista sobre direitos &agrave; tradicional &ecirc;nfase liberal sobre os direitos civis e pol&iacute;ticos. Os partidos pol&iacute;ticos em Portugal, com a sua orienta&ccedil;&atilde;o de esquerda e/ou de inspira&ccedil;&atilde;o na doutrina social da Igreja, preconizaram a indivisibilidade, ou pelo menos a necess&aacute;ria interdepend&ecirc;ncia, entre os chamados direitos de primeira e segunda gera&ccedil;&atilde;o. A formula&ccedil;&atilde;o espec&iacute;fica dos direitos sociais divergiu, por&eacute;m, daquela constante no PIDESC pela sua natureza mais prescritiva, numa tentativa de romper com a pr&aacute;tica salazarista de mitigar as consequ&ecirc;ncias pr&aacute;ticas das disposi&ccedil;&otilde;es constitucionais, e no seu uso ainda mais expl&iacute;cito de uma terminologia socialista. Isto n&atilde;o &eacute; surpreendente: o programa pol&iacute;tico do MFA foi uma das fontes da Constitui&ccedil;&atilde;o, e as constitui&ccedil;&otilde;es de pa&iacute;ses do Leste Europeu, como a jugoslava, figuravam no programa eleitoral do PS como um modelo para a &laquo;via original para o socialismo&raquo; do nosso pa&iacute;s. Outras constitui&ccedil;&otilde;es de pa&iacute;ses do Bloco de Leste funcionaram menos como fontes jur&iacute;dicas e mais como focos de luta pol&iacute;tica. Foi o caso, por exemplo, da Constitui&ccedil;&atilde;o sovi&eacute;tica de 1936, tamb&eacute;m conhecida como a &laquo;Constitui&ccedil;&atilde;o de Estaline&raquo;. O seu artigo 118 fazia depender o direito ao trabalho do controlo coletivo dos meios de produ&ccedil;&atilde;o e de uma economia de planeamento central. Este artigo foi parcialmente incorporado no primeiro artigo da sec&ccedil;&atilde;o da Constitui&ccedil;&atilde;o portuguesa sobre direitos sociais, numa concess&atilde;o for&ccedil;ada dos partidos mais moderados &agrave; esquerda revolucion&aacute;ria. Em particular, o Centro Democr&aacute;tico Social (CDS) e o PPD usaram o debate em Plen&aacute;rio para fazer ouvir o seu descontentamento com o facto de se estar a tornar direitos sociais dependentes da coletiviza&ccedil;&atilde;o e do planeamento central da economia. A discuss&atilde;o sobre este artigo foi acalorada, mas o artigo sobreviveu inc&oacute;lume tornando-se no artigo 50 da nova Constitui&ccedil;&atilde;o. Seria, no entanto, eliminado logo na primeira revis&atilde;o constitucional em 1982, que marcaria o fim da tutela militar e o in&iacute;cio da normaliza&ccedil;&atilde;o democr&aacute;tica.</p>     <p>Estas diferentes, e por vezes contradit&oacute;rias, fontes deram origem a algumas inova&ccedil;&otilde;es jur&iacute;dicas. Foi o caso da consagra&ccedil;&atilde;o expl&iacute;cita dos direitos sociais n&atilde;o s&oacute; como universais mas tamb&eacute;m como orientados para a emancipa&ccedil;&atilde;o dos trabalhadores e a prote&ccedil;&atilde;o de alguns dos grupos mais vulner&aacute;veis na sociedade, definidos de forma mais ambiciosa do que no Pacto Internacional de 1976, e antes de futuros tratados internacionais, tais como as crian&ccedil;as, a juventude, os idosos e as pessoas com defici&ecirc;ncia (artigos 69 a 72)<sup><a href="#34">34</a></sup><a name="top34"></a>. Os deputados &agrave; Constituinte referiram-se explicitamente a estas inova&ccedil;&otilde;es nos debates em Plen&aacute;rio. Muitos dos seus argumentos, por&eacute;m, n&atilde;o tinham uma base doutrin&aacute;ria articulada. Pelo contr&aacute;rio, assumiram a forma de testemunhos altamente emocionais, com os oradores a colocarem-se no papel dos grupos mais vulner&aacute;veis, cujas experi&ecirc;ncias por vezes haviam partilhado<sup><a href="#35">35</a></sup><a name="top35"></a>. Jos&eacute; Niza (PS), por exemplo, falou com a sensibilidade experiencial de um m&eacute;dico, quando se referia aos &laquo;gritos de mis&eacute;ria que s&atilde;o os asilos, ditos &ldquo;hospitais psiqui&aacute;tricos&rdquo;, vergonha de um pa&iacute;s em que os loucos, afinal, governavam&raquo;. E assim o fez tamb&eacute;m Martelo de Oliveira (PPD), quando se congratulou, como algu&eacute;m que foi &oacute;rf&atilde;o e encontrou acolhimento numa institui&ccedil;&atilde;o de solidariedade social, pelo &laquo;reconhecimento activo da sociedade portuguesa por todos aqueles que, depois de terem dado todo o seu esfor&ccedil;o &agrave; sociedade, foram marginalizados e atirados para o cesto do lixo&raquo;. Pessoas em cuja situa&ccedil;&atilde;o, e de cujo ponto de vista, Martelo de Oliveira se sentia legitimado a falar, por ter vivido uma situa&ccedil;&atilde;o an&aacute;loga de exclus&atilde;o na inf&acirc;ncia e para a qual agora procurava encontrar solu&ccedil;&otilde;es, na qualidade de deputado &agrave; Constituinte. Elevados da menoridade da sua cidadania de segunda classe pelo novo regime democr&aacute;tico, os mais desfavorecidos e vulner&aacute;veis eram finalmente cidad&atilde;os de pleno direito tal como os demais, e a eles ligados por um profundo la&ccedil;o de reconhecimento m&uacute;tuo. Os &laquo;Portugueses&raquo; que figuram no texto origin&aacute;rio do Pre&acirc;mbulo da Constitui&ccedil;&atilde;o, mais do que uma descri&ccedil;&atilde;o de uma realidade social, devem ser antes entendidos como a reivindica&ccedil;&atilde;o de um povo reunificado ainda por criar, mas que a Constitui&ccedil;&atilde;o j&aacute; previa e protegia.</p>     <p>Este tipo de representa&ccedil;&atilde;o por empatia revelou-se essencial para desdramatizar o conflito ideol&oacute;gico e para gerar plataformas de entendimento sobre formula&ccedil;&otilde;es espec&iacute;ficas de certos direitos sociais. Por&eacute;m, muitas das atuais explica&ccedil;&otilde;es sobre a origem dos direitos sociais ignoram este facto ou reduzem-no a uma mera figura de ret&oacute;rica sem import&acirc;ncia. Isto sucede porque as palavras raramente s&atilde;o consideradas como uma forma de fazer coisas e nas explica&ccedil;&otilde;es dominantes de escolha racional as motiva&ccedil;&otilde;es dos agentes s&atilde;o aprioristicamente consideradas como estrat&eacute;gicas: a esta luz, n&atilde;o &eacute; dif&iacute;cil perceber por que raz&atilde;o as principais explica&ccedil;&otilde;es veem a representa&ccedil;&atilde;o por empatia, e as narrativas que ela gera, como uma mera forma de ret&oacute;rica plebiscit&aacute;ria. O que a nossa an&aacute;lise emp&iacute;rica revela, no entanto, &eacute; que o comportamento pol&iacute;tico no momento constituinte &eacute; muitas vezes uma mistura complexa de cren&ccedil;as sobre a legitimidade de diferentes solu&ccedil;&otilde;es, compromissos, lealdades, emo&ccedil;&otilde;es, solidariedades, incluindo uma dimens&atilde;o estrat&eacute;gica orientada para a obten&ccedil;&atilde;o de certos objetivos. A associa&ccedil;&atilde;o aprior&iacute;stica de uma conce&ccedil;&atilde;o de a&ccedil;&atilde;o social orientada para fins com um enquadramento de maximiza&ccedil;&atilde;o da utilidade corre o risco de ignorar um conjunto de fatores motivacionais que s&atilde;o cruciais para se dar conta do comportamento pol&iacute;tico durante revolu&ccedil;&otilde;es constitucionais, especialmente quando estas coincidem com revolu&ccedil;&otilde;es sociais. Considera&ccedil;&otilde;es emp&aacute;ticas, entendidas como coisas que nos s&atilde;o caras e que nos levam a posicionarmo-nos em sua defesa, t&ecirc;m uma for&ccedil;a motivacional especialmente pronunciada nestas situa&ccedil;&otilde;es, quer motivando formas de a&ccedil;&atilde;o coletiva, quer figurando como justifica&ccedil;&otilde;es da a&ccedil;&atilde;o ou das normas que a regulam.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><B>A HIP&Oacute;TESE DO &laquo;MERCADO ELEITORAL&raquo; </B></p>     <p>Dito isto, a teoria da escolha racional domina muita da investiga&ccedil;&atilde;o na &aacute;rea do direito constitucional comparado, e a sua conce&ccedil;&atilde;o de a&ccedil;&atilde;o contrasta com a no&ccedil;&atilde;o mais abrangente apresentada acima<sup><a href="#36">36</a></sup><a name="top36"></a>. A sua hip&oacute;tese mais influente para explicar a constitucionaliza&ccedil;&atilde;o dos direitos sociais sup&otilde;e que os agentes sociais s&atilde;o maximizadores de prefer&ecirc;ncias e enfatiza a natureza competitiva da pol&iacute;tica partid&aacute;ria. Os agentes pol&iacute;ticos, a esta luz, s&atilde;o entendidos como atores estrat&eacute;gicos interessados em criar institui&ccedil;&otilde;es que otimizem as suas prefer&ecirc;ncias. Avaliam as suas op&ccedil;&otilde;es &agrave; luz dos respetivos custos e benef&iacute;cios, e seguem o curso de a&ccedil;&atilde;o que entendem melhor maximizar a diferen&ccedil;a entre ambos, tendo em conta os constrangimentos da situa&ccedil;&atilde;o. Prev&ecirc;-se, portanto, que o compromisso constitucional com os direitos sociais seja tanto maior quanto maximize as prefer&ecirc;ncias do agente pol&iacute;tico em controlo do processo constituinte.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>No caso portugu&ecirc;s, os militares do MFA, combinando o monop&oacute;lio dos meios de viol&ecirc;ncia com uma incontest&aacute;vel legitimidade revolucion&aacute;ria, foram um agente central neste processo. Dias antes da elei&ccedil;&atilde;o para a Assembleia Constituinte, os militares for&ccedil;aram os partidos a assinar um pacto sobre o conte&uacute;do ideol&oacute;gico da Constitui&ccedil;&atilde;o. Este pacto previa igualmente que caberia aos militares a supervis&atilde;o dos trabalhos constituintes e que deveriam ser auscultados ap&oacute;s a aprova&ccedil;&atilde;o do texto da Constitui&ccedil;&atilde;o pelos partidos, numa esp&eacute;cie de quase homologa&ccedil;&atilde;o. Dada a proximidade ideol&oacute;gica entre a fa&ccedil;&atilde;o dominante dos militares e os comunistas, e o controlo destes dos sindicatos, meios de comunica&ccedil;&atilde;o social e do Governo Provis&oacute;rio, a esquerda revolucion&aacute;ria pol&iacute;tico-militar era, sem d&uacute;vida, um agente dominante. Mas, para sua surpresa, os at&eacute; ent&atilde;o fr&aacute;geis partidos pol&iacute;ticos mais moderados sa&iacute;ram da elei&ccedil;&atilde;o como uma for&ccedil;a pol&iacute;tica que j&aacute; n&atilde;o podia ser ignorada. O resultado eleitoral alterou a balan&ccedil;a de poder e a din&acirc;mica pol&iacute;tica da transi&ccedil;&atilde;o. O PS, que emergiu vitorioso com 116 dos 250 assentos em disputa, tomou as r&eacute;deas da luta contra os comunistas fora da Assembleia e assumiu-se como a principal for&ccedil;a pol&iacute;tica no seu interior. Mas como eram necess&aacute;rios pelo menos 126 votos para ver aprovada a Constitui&ccedil;&atilde;o, a Assembleia Constituinte nunca funcionou como uma assembleia de um s&oacute; partido<sup><a href="#37">37</a></sup><a name="top37"></a>.</p>     <p>Tendo ficado claro quais eram os dois principais concorrentes &agrave; posi&ccedil;&atilde;o de ator pol&iacute;tico dominante, os militares e o PS, podemos agora testar a chamada hip&oacute;tese do &laquo;mercado eleitoral&raquo;<sup><a href="#38">38</a></sup><a name="top38"></a>. Esta prev&ecirc; que quando um ator pol&iacute;tico que domina o processo constituinte calcula perder o controlo sobre o poder legislativo no futuro, o compromisso constitucional surge como uma estrat&eacute;gia racional para proteger as suas prefer&ecirc;ncias<sup><a href="#39">39</a></sup><a name="top39"></a>. Esta explica&ccedil;&atilde;o parece dar conta do que se passou em Portugal. Com efeito, n&atilde;o existia uma fonte indisputada de poder pol&iacute;tico p&oacute;s-revolucion&aacute;rio, e, em particular, os militares do MFA podiam antecipar a sua futura sa&iacute;da das institui&ccedil;&otilde;es pol&iacute;ticas bem como derrotas eleitorais em futuras elei&ccedil;&otilde;es legislativas do partido ideologicamente mais pr&oacute;ximo, o Partido Comunista.</p>     <p>O MFA</p>     <p>O programa pol&iacute;tico do MFA, embora n&atilde;o falasse em direitos sociais enquanto tal, comprometia&nbsp;se explicitamente em prosseguir uma &laquo;nova pol&iacute;tica social&raquo; em &laquo;defesa dos interesses das classes trabalhadoras&raquo; e a urgente &laquo;melhoria da qualidade de vida dos Portugueses&raquo;<sup><a href="#40">40</a></sup><a name="top40"></a>. Estas orienta&ccedil;&otilde;es constrangeram os projetos constitucionais dos partidos. Por&eacute;m, se em temas como o das institui&ccedil;&otilde;es pol&iacute;ticas ou o modelo econ&oacute;mico, as prefer&ecirc;ncias do mfa iam contra as dos partidos mais moderados, o mesmo n&atilde;o se passou no caso dos direitos sociais, onde as vis&otilde;es constitucionais de uns e outros estavam em maior sintonia. Esta circunst&acirc;ncia acarreta importantes consequ&ecirc;ncias para o valor explicativo da hip&oacute;tese do mercado eleitoral. Se o entrincheiramento constitucional dos direitos sociais assegurava, quer aos prospetivos <i>perdedores </i>eleitorais, quer aos prospetivos <i>vencedores</i> eleitorais, que as suas prefer&ecirc;ncias em termos de pol&iacute;ticas sociais seriam salvaguardadas, essa &eacute; uma raz&atilde;o da robustez da sec&ccedil;&atilde;o sobre direitos sociais da nossa Constitui&ccedil;&atilde;o. A hip&oacute;tese do mercado eleitoral, cuja formula&ccedil;&atilde;o mais comum sup&otilde;e a natureza oposicional desta esp&eacute;cie de &laquo;seguro&raquo; (<i>i.e.</i>, que o agente constituinte dominante protege as suas prefer&ecirc;ncias <i>contra </i>as de outros agentes for&ccedil;ando a sua constitucionaliza&ccedil;&atilde;o), n&atilde;o consegue explicar a din&acirc;mica do entrincheiramento constitucional.</p>     <p>OS PARTIDOS POL&Iacute;TICOS</p>     <p>Se o MFA n&atilde;o era propriamente um agente eleitoral, j&aacute; o outro agente pol&iacute;tico dominante, o PS, era. Ao aplicarmos a hip&oacute;tese do mercado eleitoral ao PS, deparamo-nos com a seguinte quest&atilde;o: podemos atribuir a paternidade do excecionalmente vigoroso entrincheiramento dos direitos sociais pela nossa Constitui&ccedil;&atilde;o aos socialistas, interpretando-o como uma forma que estes encontraram de proteger estrategicamente as suas prefer&ecirc;ncias em mat&eacute;ria de pol&iacute;tica social em resposta aos interesses dos grupos e clientelas dos quais dependia o seu sucesso eleitoral? Pensamos que n&atilde;o, e isto por quatro raz&otilde;es diferentes.</p>     <p>Em primeiro lugar, parece-nos incorreto afirmar que o PS, ao lutar pela constitucionaliza&ccedil;&atilde;o dos direitos sociais, estaria a proteger as suas prefer&ecirc;ncias em mat&eacute;ria de pol&iacute;ticas sociais <i>contra </i>as prefer&ecirc;ncias diferentes dos demais partidos. &Eacute; certo que o momento constituinte foi um momento de grande polariza&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tico-partid&aacute;ria, com todos os partidos fortemente investidos em construir alian&ccedil;as e granjear legitimidade fora da Assembleia. Todavia, o objetivo de consagrar constitucionalmente as institui&ccedil;&otilde;es de um Estado-Provid&ecirc;ncia ativo era comum a todos eles. Tal resulta claro da an&aacute;lise dos respetivos projetos constitucionais. Em todos, os direitos sociais n&atilde;o s&oacute; se encontram presentes, como s&atilde;o sensivelmente os mesmos. Todos os projetos descreviam estes direitos com uma precis&atilde;o muito semelhante, e detalhavam as institui&ccedil;&otilde;es e pol&iacute;ticas necess&aacute;rias &agrave; sua concretiza&ccedil;&atilde;o. Se, em casos como o do compromisso com a coletiviza&ccedil;&atilde;o dos meios de produ&ccedil;&atilde;o rumo a uma sociedade sem classes, a converg&ecirc;ncia ideol&oacute;gica entre os projetos constitucionais dos partidos se explica pela press&atilde;o (externa) do MFA, j&aacute; no que toca aos direitos sociais cremos que a &ecirc;nfase dos militares sobre a necessidade de uma nova pol&iacute;tica social encontrou eco no sistema de cren&ccedil;as e nas prefer&ecirc;ncias pol&iacute;ticas dos respons&aacute;veis partid&aacute;rios, ainda que por diferentes raz&otilde;es, e nem sempre com a mesma intensidade. A prova disto &eacute; retrospetiva. Falamos do facto de que sempre que o consenso a que se chegou tinha sido for&ccedil;ado ou imposto, esse mesmo entendimento foi imediatamente questionado assim que os militares perderam o seu poder negocial, nomeadamente aquando da primeira revis&atilde;o constitucional em 1982. Pelo contr&aacute;rio, a sec&ccedil;&atilde;o de direitos sociais sobreviveu inc&oacute;lume a esta e a todas as subsequentes mudan&ccedil;as na balan&ccedil;a de poder at&eacute; aos dias de hoje. Se a persist&ecirc;ncia hist&oacute;rica, uma &laquo;lei morta&raquo;, ou o simbolismo estrat&eacute;gico contribuem para explicar esta resili&ecirc;ncia, &eacute; nossa convic&ccedil;&atilde;o que a explica&ccedil;&atilde;o mais convincente reside no genu&iacute;no e generalizado apoio partid&aacute;rio &agrave; desejabilidade e legitimidade de se constitucionalizar direitos sociais.</p>     <p>Em segundo lugar, temos d&uacute;vidas de que a principal raz&atilde;o do apoio do ps aos direitos sociais tenha sido um sofisticado c&aacute;lculo eleitoral. Esta d&uacute;vida justifica&nbsp;se porque os socialistas n&atilde;o estariam confrontados com uma grande incerteza quanto &agrave; sua capacidade de sucesso eleitoral no futuro, e portanto n&atilde;o sentiriam necessidade de tentar conquistar o eleitorado com promessas populares, como &eacute; o caso da promessa constitucional de expandir os benef&iacute;cios e prote&ccedil;&otilde;es sociais. A incerteza eleitoral era um facto. Mas era igualmente do conhecimento de todos que o ps n&atilde;o tinha qualquer oposi&ccedil;&atilde;o com quem tivesse que negociar se pretendesse constitucionalizar direitos sociais, algo que ficou claro aquando dos debates em Plen&aacute;rio na Constituinte. Isto teve o efeito de colocar a &laquo;pol&iacute;tica partid&aacute;ria&raquo; em suspenso: isto &eacute;, n&atilde;o havia espa&ccedil;o pol&iacute;tico dispon&iacute;vel aos socialistas para criarem uma clivagem eleitoral saliente em torno do tema dos direitos sociais nas elei&ccedil;&otilde;es legislativas de abril de 1976, que, ali&aacute;s, acabariam por vencer com maioria relativa, tornando-se os protagonistas na luta anticomunista pela normaliza&ccedil;&atilde;o democr&aacute;tica.</p>     <p>Em terceiro lugar, poder&iacute;amos ser levados a pensar que por detr&aacute;s da decis&atilde;o do PS em entrincheirar direitos sociais na Constitui&ccedil;&atilde;o encontra-se a influ&ecirc;ncia exercida por clientelas eleitorais ou grupos de interesse. Na base desta vis&atilde;o da pol&iacute;tica legislativa encontramos um modelo particular de representa&ccedil;&atilde;o. Fundado sobre a premissa da exogeneidade das prefer&ecirc;ncias, assume um formato l&iacute;der-agente, e pressup&otilde;e um modelo de influ&ecirc;ncia linear di&aacute;dico que vai das prefer&ecirc;ncias das clientelas e/ou dos grupos de interesse at&eacute; &agrave;s prefer&ecirc;ncias do legislador<sup><a href="#41">41</a></sup><a name="top41"></a>. A adequabilidade deste modelo de representa&ccedil;&atilde;o, por&eacute;m, tem vindo a ser questionada h&aacute; j&aacute; algum tempo<sup><a href="#42">42</a></sup><a name="top42"></a>. &Eacute; nosso entendimento que a sua adequa&ccedil;&atilde;o a epis&oacute;dios de pol&iacute;tica constituinte &eacute; ainda mais duvidosa, sobretudo naqueles casos em que as transi&ccedil;&otilde;es pol&iacute;ticas do autoritarismo &agrave; democracia coincidiram com a reintrodu&ccedil;&atilde;o da competi&ccedil;&atilde;o partid&aacute;ria entre partidos pol&iacute;ticos rec&eacute;m-formados<sup><a href="#43">43</a></sup><a name="top43"></a>.</p>     <p>O nosso argumento &eacute; simples. Os eleitorados e as prefer&ecirc;ncias n&atilde;o emergem diretamente de divis&otilde;es sociais, nem t&atilde;o-pouco se formam fora da pol&iacute;tica partid&aacute;ria. Pelo contr&aacute;rio, s&oacute; existem na medida em que algum movimento social e/ou um agente pol&iacute;tico os interpreta, representa ou personifica. Por outras palavras, prefer&ecirc;ncias e eleitorados s&atilde;o end&oacute;genos ao processo pol&iacute;tico, e n&atilde;o podem constituir a base emp&iacute;rica da responsividade partid&aacute;ria porque lhe falta a independ&ecirc;ncia causal que lhes &eacute; usualmente imputada<sup><a href="#44">44</a></sup><a name="top44"></a>. Se isto &eacute; verdade em geral, ainda o &eacute; mais quando um sistema partid&aacute;rio e a sua base eleitoral est&atilde;o a ser criados do nada, tal como sucedeu em Portugal ap&oacute;s o 25 de Abril. Nenhum dos novos partidos, com a poss&iacute;vel exce&ccedil;&atilde;o do PCP devido &agrave; experi&ecirc;ncia da clandestinidade, tinha ra&iacute;zes sociais consolidadas e eleitorados fi&eacute;is. N&atilde;o lhes restava outra solu&ccedil;&atilde;o, pois, sen&atilde;o a de tentarem dar-se a conhecer aos portugueses e convenc&ecirc;-los a dar-lhes o seu voto, num ambiente de forte competi&ccedil;&atilde;o uns com os outros. Apesar da sua filia&ccedil;&atilde;o na Internacional Socialista, a matriz ideol&oacute;gica do PS era ampla e inclu&iacute;a elementos distintamente marxistas e de correntes do socialismo ut&oacute;pico. Na v&eacute;spera da elei&ccedil;&atilde;o, os socialistas estavam inseguros quanto &agrave; sua real base eleitoral de apoio. As suas pol&iacute;ticas p&uacute;blicas e discurso eram claramente esquerdistas, mas o seu anticomunismo permitia-lhes granjear algum apoio &agrave; direita. Mas convencer os eleitores de um lado, sem perder a confian&ccedil;a dos do outro, exigia ao PS um equil&iacute;brio fr&aacute;gil de expectativas. O seu processo de representa&ccedil;&atilde;o, a exemplo do dos demais partidos, possu&iacute;a uma qualidade distintamente generativa e antecipat&oacute;ria: todos eles competiam por moldar as prefer&ecirc;ncias dos futuros eleitores atrav&eacute;s de reivindica&ccedil;&otilde;es representativas nas quais estes se pudessem vir a rever. Neste processo, os partidos pouco sentiram a influ&ecirc;ncia do eleitorado, de movimentos sociais controlados pela extrema-esquerda, ou sequer de grupos de interesses como as clientelas do Estado-Provid&ecirc;ncia. O regime assistencialista do Estado Novo tinha sido t&atilde;o incipiente que tais clientelas, a existirem, estavam no melhor dos casos numa fase embrion&aacute;ria do seu desenvolvimento. Para al&eacute;m disso, o objetivo confesso de todos os partidos era o de fazer substituir o sistema assistencialista corporativo, que moldava quaisquer putativas clientelas &agrave; luz das respetivas profiss&otilde;es, por um sistema universalista que as eliminava e, insistiam os partidos moderados, deveria coexistir com o direito &agrave; propriedade privada. Deste ponto de vista, a hip&oacute;tese de que o PS, o partido que dominou o processo constituinte, estaria a responder estrategicamente a press&otilde;es de um eleitorado preexistente ou a prefer&ecirc;ncias de grupos de interesse organizado quando decidiu constitucionalizar direitos sociais n&atilde;o resiste ao escrut&iacute;nio dos factos.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Sugerir, de uma perspetiva funcionalista, que os socialistas estavam numa posi&ccedil;&atilde;o que lhes permitia determinar <i>ex ante</i> que o compromisso constitucional com direitos sociais em 1975 os iria beneficiar a alcan&ccedil;ar e manter o poder atrav&eacute;s de elei&ccedil;&otilde;es competitivas, nomeadamente atrav&eacute;s da cria&ccedil;&atilde;o de clientelas do Estado-Provid&ecirc;ncia a criar, &eacute; ainda menos plaus&iacute;vel. Isto porque tal hip&oacute;tese pressup&otilde;e que o PS iria controlar todos os governos respons&aacute;veis pela cria&ccedil;&atilde;o do Estado-Provid&ecirc;ncia, pela implementa&ccedil;&atilde;o das respetivas pol&iacute;ticas p&uacute;blicas e programas sociais, e pela distribui&ccedil;&atilde;o dos benef&iacute;cios sociais, nas d&eacute;cadas subsequentes. Em 1975-1976, por&eacute;m, os partidos n&atilde;o conseguiram &ndash; nem podiam &ndash; prever a evolu&ccedil;&atilde;o do seu desempenho eleitoral a m&eacute;dio e longo prazo. Isto significou que n&atilde;o podiam estar certos se seriam eles, ou os seus rivais, a ocupar a posi&ccedil;&atilde;o de reclamar a iniciativa de alargar o leque de benef&iacute;cios sociais. A situa&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica era muito incerta, algo s&oacute; agravado pelo papel imprevis&iacute;vel do Presidente da Rep&uacute;blica e as consequ&ecirc;ncias do sistema eleitoral proporcional adotado, sobretudo para os socialistas que n&atilde;o se podiam coligar com nenhuma das for&ccedil;as &agrave; sua esquerda nem tinham nenhum aliado &laquo;natural&raquo; &agrave; direita. Este sentimento de incerteza provou ser acertado: entre 1976 e 1983, existiram nada menos do que oito governos, alguns de iniciativa presidencial, todos eles de curta dura&ccedil;&atilde;o, minorit&aacute;rios, e integrando diferentes for&ccedil;as pol&iacute;ticas. Daqui se conclui ter sido virtualmente imposs&iacute;vel para qualquer partido, PS inclu&iacute;do, fundar a sua estrat&eacute;gia constituinte sobre quaisquer proje&ccedil;&otilde;es eleitorais a m&eacute;dio ou longo prazo.</p>     <p>Isto n&atilde;o significa, no entanto, que o &laquo;atar de m&atilde;os&raquo; imposto pelo compromisso constituinte n&atilde;o resultou, a longo prazo, em benef&iacute;cios para os partidos envolvidos. Mas pensar&nbsp;se que os partidos agiram da forma como o fizeram por terem sido capazes de prever tais resultados &eacute; implaus&iacute;vel. Apenas com o decorrer do tempo se tornou claro que Portugal estava a evoluir no sentido de um sistema bipartid&aacute;rio, com os dois principais partidos, PS e PPD, a sucederem-se no poder. S&oacute; muito mais tarde &eacute; que o PCP e o PS come&ccedil;aram a reclamar a paternidade e o papel de guardi&otilde;es da &laquo;Constitui&ccedil;&atilde;o social&raquo; e do mercado laboral protegido que aquela assegurava. &Agrave; medida que o Estado-Provid&ecirc;ncia se expandiu, os funcion&aacute;rios p&uacute;blicos e outras clientelas tornaram-se importantes segmentos da base eleitoral de apoio dos socialistas, o &uacute;nico partido de governo entre os dois, e a for&ccedil;a simb&oacute;lica da linguagem dos direitos constitucionais foi crescentemente aproveitada para marcarem terreno face aos restantes partidos. At&eacute; hoje, o entrincheiramento constitucional de direitos sociais dos anos 1970 continua a ter um impacto significativo sobre a din&acirc;mica da competi&ccedil;&atilde;o partid&aacute;ria, com o debate pol&iacute;tico a ter frequentemente lugar em termos do posicionamento relativo de cada partido face a esta quest&atilde;o. Dada a influ&ecirc;ncia das clientelas, diretas e indiretas (via fam&iacute;lia), do Estado-Provid&ecirc;ncia, a mera sugest&atilde;o de que um partido possa estar a equacionar retirar ou diminuir a prote&ccedil;&atilde;o constitucional a um qualquer direito social pode ser muito punitiva do ponto de vista eleitoral.</p>     <p>Em quarto lugar, uma outra raz&atilde;o pela qual a hip&oacute;tese do mercado eleitoral n&atilde;o se revela particularmente adequada para dar conta do processo de constitucionaliza&ccedil;&atilde;o de direitos sociais no nosso pa&iacute;s tem a ver com a sua conce&ccedil;&atilde;o do pol&iacute;tico como um dom&iacute;nio caracterizado por uma racionalidade estrat&eacute;gica normativamente pobre. Tal conce&ccedil;&atilde;o n&atilde;o nos permite perceber a din&acirc;mica constituinte tal como reconstru&iacute;da a partir de fontes prim&aacute;rias, nomeadamente atrav&eacute;s de entrevistas com deputados &agrave; Constituinte. A intera&ccedil;&atilde;o entre os deputados &agrave; Constituinte foi bastante condicionada quer pela natureza, quer pelo &laquo;estatuto&raquo; da Assembleia. A Assembleia Constituinte portuguesa foi um &oacute;rg&atilde;o quase soberano, diretamente eleito por 91 por cento da popula&ccedil;&atilde;o, que n&atilde;o voltaria a ser consultada a prop&oacute;sito da ratifica&ccedil;&atilde;o da Constitui&ccedil;&atilde;o. Uma vez finda a sua miss&atilde;o constituinte, estava prevista a sua dissolu&ccedil;&atilde;o, tendo muitos dos seus deputados mais proeminentes optado por abandonar a vida p&uacute;blica. O car&aacute;cter extraordin&aacute;rio da Assembleia contribuiu significativamente para o seu isolamento face &agrave; pol&iacute;tica partid&aacute;ria e ao processo de decis&atilde;o pol&iacute;tica normal.</p>     <p>O contraste com Espanha &eacute; instrutivo. Porque a &laquo;continuidade jur&iacute;dica&raquo; prevaleceu no pa&iacute;s vizinho, a &laquo;Constituinte&raquo; espanhola era uma legislatura bicamaral, eleita com base numa &laquo;Lei para a Reforma Pol&iacute;tica&raquo; promulgada pelas &uacute;ltimas Cortes franquistas, e que previa uma legislatura normal de dura&ccedil;&atilde;o superior &agrave; dos trabalhos constituintes. Ou seja, em Espanha, ao contr&aacute;rio de Portugal, os deputados &agrave; Constituinte eram tamb&eacute;m parlamentares normais, com interesses &oacute;bvios na pol&iacute;tica p&oacute;s&nbsp;constituinte, sendo dif&iacute;cil de separar os trabalhos constituintes da pol&iacute;tica partid&aacute;ria e de isolar aquela das press&otilde;es de grupos de interesse organizado, mormente da Igreja Cat&oacute;lica. Com efeito, a negocia&ccedil;&atilde;o constituinte em Espanha foi t&atilde;o acesa e conturbada que acabou num impasse, tendo sido necess&aacute;rio adotar-se um novo procedimento de tomada de decis&atilde;o. A reda&ccedil;&atilde;o do texto constitucional foi delegada num pequeno grupo de representantes dos dois principais partidos, os quais viram-se obrigados a negociar noite adentro &agrave; porta fechada num restaurante madrileno de modo a conseguir chegar a um compromisso.</p>     <p>Diferentes na sua natureza, as assembleias constituintes dos dois pa&iacute;ses tinham tamb&eacute;m um estatuto diferente. Enquanto em Espanha as Cortes estavam sob o escrut&iacute;nio p&uacute;blico da imprensa e ocupavam o epicentro da luta pol&iacute;tica, em Portugal a Constituinte era vista como secund&aacute;ria relativamente ao processo revolucion&aacute;rio em curso. Como o l&iacute;der socialista da altura, M&aacute;rio Soares, afirmou, existia a convic&ccedil;&atilde;o generalizada de que o &laquo;essencial do combate pol&iacute;tico&raquo; deveria ser feito &laquo;nas ruas, f&aacute;bricas e nas conspira&ccedil;&otilde;es pol&iacute;tico-militares em que essa &eacute;poca foi pr&oacute;diga&raquo;<sup><a href="#45">45</a></sup><a name="top45"></a>. Esta marginaliza&ccedil;&atilde;o da Assembleia, a par da amea&ccedil;a ocasional da sua dissolu&ccedil;&atilde;o, resultou no seu relativo isolamento face &agrave; polariza&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tico-partid&aacute;ria e ao estabelecer de linhas de comunica&ccedil;&atilde;o e de sociabilidade entre membros de diferentes partidos. A diferen&ccedil;a marcada entre como os constituintes agiam em Plen&aacute;rio e &agrave; porta fechada &eacute; bem prova disto. Os partidos moderados usaram os momentos de publicidade como uma plataforma para expressar o seu descontentamento com os governos provis&oacute;rios de extrema-esquerda, bem como para mandar mensagens aos pr&oacute;prios militares do MFA. Os debates em Plen&aacute;rio, em particular, foram vistos como uma oportunidade para se demarcarem daqueles aspectos do acordo constituinte com que viriam a ter que concordar, mas com os quais estavam em desacordo ideol&oacute;gico, bem como para se demarcarem entre eles pr&oacute;prios perante os eleitorados cuja confian&ccedil;a desejavam conquistar. Longe dos holofotes, nas comiss&otilde;es, a ret&oacute;rica plebiscit&aacute;ria dava lugar a uma postura mais cooperativa e dialogante. A influ&ecirc;ncia de especialistas em direito constitucional facilitou ter&nbsp;se chegado a solu&ccedil;&otilde;es de compromisso, tendo os &laquo;projetos&raquo; e propostas de alguns destes especialistas acabado por se impor a alternativas com uma marca partid&aacute;ria mais evidente<sup><a href="#46">46</a></sup><a name="top46"></a>.</p>     <p>O isolamento relativo das comiss&otilde;es respons&aacute;veis por redigir as diferentes sec&ccedil;&otilde;es da Constitui&ccedil;&atilde;o face &agrave; pol&iacute;tica partid&aacute;ria foi refor&ccedil;ado pela sua liberdade face a interfer&ecirc;ncias das lideran&ccedil;as partid&aacute;rias. Muito embora isto n&atilde;o se tenha necessariamente aplicado aos partidos de extrema-esquerda, dado o centralismo democr&aacute;tico com que se organizavam internamente, a verdade &eacute; que os constituintes representantes dos partidos moderados beneficiaram de mandatos com maior autonomia. Os seus membros mais reputados e intervenientes agiram como fi&eacute;is deposit&aacute;rios e n&atilde;o tanto como meros delegados da lideran&ccedil;a partid&aacute;ria. Embora existissem mecanismos de coordena&ccedil;&atilde;o partid&aacute;ria em funcionamento em cada grupo parlamentar, estes mecanismos eram flex&iacute;veis e permitiam uma consider&aacute;vel liberdade de a&ccedil;&atilde;o, negocia&ccedil;&atilde;o, delibera&ccedil;&atilde;o e compromisso entre as comiss&otilde;es. A reda&ccedil;&atilde;o do texto da Constitui&ccedil;&atilde;o pode ser, por conseguinte, algo criativa, especialmente nos casos em que as diretrizes do MFA eram menos claras.</p>     <p>Para al&eacute;m de beneficiar do isolamento relativo da Assembleia face &agrave; revolu&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica e social a decorrer nas ruas e campos de Portugal, o acordo constituinte sobre direitos sociais beneficiou igualmente de terem ficado entre dois assuntos mais pol&eacute;micos, sobre os quais se concentraram as aten&ccedil;&otilde;es &ndash; e a tens&atilde;o. Em primeiro lugar, havia a quest&atilde;o da posi&ccedil;&atilde;o relativa dos direitos sociais face aos direitos civis e pol&iacute;ticos, com os partidos moderados a insistir, contra a esquerda revolucion&aacute;ria, na prioridade l&oacute;gica, normativa e hist&oacute;rica dos &uacute;ltimos face aos primeiros. Em segundo lugar, era necess&aacute;rio esclarecer a rela&ccedil;&atilde;o entre os direitos sociais e o sistema econ&oacute;mico: os comunistas, por exemplo, defendiam que os direitos sociais deviam depender da coletiviza&ccedil;&atilde;o e do planeamento central da economia, querendo, por conseguinte, que as sec&ccedil;&otilde;es sobre a organiza&ccedil;&atilde;o econ&oacute;mica e dos direitos sociais precedessem a sec&ccedil;&atilde;o dos direitos civis no texto da Constitui&ccedil;&atilde;o. Foi, portanto, em torno da prioridade relativa, tal como se viu na discuss&atilde;o dos diferentes regimes de prote&ccedil;&atilde;o jur&iacute;dica dos direitos de primeira e segunda gera&ccedil;&atilde;o, e n&atilde;o tanto da exist&ecirc;ncia de uma sec&ccedil;&atilde;o de direitos sociais<i> per se</i>, que se concentrou a disputa pol&iacute;tica. O resultado foi que o cat&aacute;logo de direitos sociais incluiu um pouco de tudo, uma am&aacute;lgama de expectativas ut&oacute;picas de um Pa&iacute;s pobre, a atravessar uma revolu&ccedil;&atilde;o social e pol&iacute;tica. O valor simb&oacute;lico dos direitos sociais para uma Constitui&ccedil;&atilde;o em busca da legitimidade era por todos reconhecido, e era tudo menos negligenci&aacute;vel: pelo contr&aacute;rio, eram a prova provada que o significado social da revolu&ccedil;&atilde;o n&atilde;o se perderia, mas antes seria realizado &agrave; medida que o Pa&iacute;s caminhasse para a normaliza&ccedil;&atilde;o democr&aacute;tica.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><B>IDEOLOGIA </B></p>     <p>Embora a literatura sobre a constitucionaliza&ccedil;&atilde;o dos direitos tenda a centrar-se na disputa partid&aacute;ria em torno de escolhas ou decis&otilde;es estruturantes, a verdade &eacute; que esta disputa tamb&eacute;m pode ser motivada por considera&ccedil;&otilde;es puramente ideol&oacute;gicas. Assim, surge a hip&oacute;tese de que se os agentes que controlaram o processo constituinte partilhavam uma certa ideologia, &eacute; expect&aacute;vel que esses agentes usem a Constitui&ccedil;&atilde;o para entrincheirar pol&iacute;ticas p&uacute;blicas baseadas nessa mesma ideologia. Ter&aacute; sido isto que se passou em Portugal?</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A sec&ccedil;&atilde;o sobre direitos sociais seria aprovada por unanimidade. Por&eacute;m, isto por si s&oacute; diz&nbsp;nos muito pouco sobre a natureza do consenso alcan&ccedil;ado, o qual, argumentamos em seguida, deve ser entendido como tendo ficado a meio caminho entre um mero <i>modus vivendi </i>e um consenso ideol&oacute;gico no sentido pleno do termo<sup><a href="#47">47</a></sup><a name="top47"></a>.</p>     <p>Em vez de tentarem maximizar os benef&iacute;cios constitucionais de forma proporcional &agrave; for&ccedil;a dos respetivos mandatos eleitorais, os partidos moderados, liderados pelo PS, estavam interessados em minimizar a possibilidade que ocorresse o cen&aacute;rio que todos queriam evitar, a saber, que o PCP abandonasse o processo constituinte e apostasse tudo na via revolucion&aacute;ria. O objetivo de alcan&ccedil;ar um acordo constitucional aceit&aacute;vel &ndash; n&atilde;o necessariamente o que todos mais desejariam, mas um com que todos os partidos pudessem conviver no futuro &ndash; num prazo razo&aacute;vel era, portanto, a primeira das suas prioridades. O prolongamento indefinido dos trabalhos constituintes podia acarretar o risco de conduzir o Pa&iacute;s &agrave; guerra civil. &Eacute; por esta raz&atilde;o que o projeto da Comiss&atilde;o de Direitos Sociais procurou fazer refletir o equil&iacute;brio de for&ccedil;as entre os diferentes partidos, conjugando artigos de diferentes projetos partid&aacute;rios mais ou menos em fun&ccedil;&atilde;o do seu peso eleitoral. Nalguns casos, isto representou uma importante concess&atilde;o do PS &agrave;s posi&ccedil;&otilde;es &agrave; sua esquerda ou &agrave; sua direita.</p>     <p>Se a amea&ccedil;a de radicaliza&ccedil;&atilde;o sugere a possibilidade de que o consenso alcan&ccedil;ado n&atilde;o ter&aacute; passado de um mero acordo estrat&eacute;gico (<i>modus vivendi</i>), parece-nos errado reduzir o comprometimento dos partidos com os direitos sociais a uma estrat&eacute;gica puramente instrumental. Pelo contr&aacute;rio, e apesar de diferen&ccedil;as assinal&aacute;veis, o apoio dos partidos aos direitos sociais resultava diretamente dos seus ide&aacute;rios program&aacute;ticos. Nascido de uma revolu&ccedil;&atilde;o de esquerda, o sistema partid&aacute;rio portugu&ecirc;s nasceu, ele pr&oacute;prio, com um pendor esquerdista. O PS, apesar de se distanciar da ortodoxia marxista do PCP, perfilhava ideias de &iacute;ndole marxista ou socialista, subscrevendo igualmente o ide&aacute;rio da social-democracia europeia em torno de direitos sociais generosos e de um Estado-Provid&ecirc;ncia intervencionista. O segundo maior partido, o PPD, era um partido do centro social&nbsp;democrata, congregando social&nbsp;democratas, liberais e alguns cat&oacute;licos progressistas, enquanto que o CDS era um partido mais conservador. Em ambos estes partidos, por&eacute;m, a influ&ecirc;ncia da doutrina da Igreja era vis&iacute;vel, favorecendo a regula&ccedil;&atilde;o social do mercado e pol&iacute;ticas ativas de combate &agrave; pobreza e exclus&atilde;o social. Foi a partir destas diferentes, e por vezes confluentes, fam&iacute;lias ideol&oacute;gicas que cada partido encontrou raz&otilde;es para apoiar a constitucionaliza&ccedil;&atilde;o de direitos sociais como uma forma de romper com as injusti&ccedil;as sociais do passado e fundar a coopera&ccedil;&atilde;o social em novos, e mais justos, termos.</p>     <p>Dito isto, seria ing&eacute;nuo pensar-se que n&atilde;o subsistiram profundas diverg&ecirc;ncias ideol&oacute;gicas, nomeadamente sobre o significado hist&oacute;rico dos direitos sociais e sobre as formas mais desej&aacute;veis de os implementar. Se, para os comunistas, os direitos sociais eram direitos que haviam sido conquistados pelas classes trabalhadoras &agrave; burguesia, j&aacute; os social&nbsp;democratas substitu&iacute;am o materialismo hist&oacute;rico dos comunistas por uma interpreta&ccedil;&atilde;o idealista dos direitos sociais como o parceiro historicamente necess&aacute;rio dos direitos civis e pol&iacute;ticos. Diferentes entendimentos sobre a g&eacute;nese dos direitos sociais conduziam a diferentes entendimentos sobre o seu significado: direitos humanos para os partidos mais &agrave; direita; direitos de cidadania para os socialistas; direitos dos trabalhadores para os comunistas. Isto, como n&atilde;o podia deixar de ser, tinha implica&ccedil;&otilde;es significativas quanto &agrave; sua implementa&ccedil;&atilde;o. O PCP queria que os principais benefici&aacute;rios do Estado-Provid&ecirc;ncia fossem os trabalhadores e as suas fam&iacute;lias, e que o seu financiamento ficasse tamb&eacute;m a cargo das outras classes sociais. Os socialistas concebiam os direitos sociais de forma universalista, mas deveriam ser colocados ao servi&ccedil;o de uma pol&iacute;tica fortemente redistributiva. Os social-democratas concebiam os direitos sociais como instrumentos de reforma social, em benef&iacute;cio dos trabalhadores e dos mais pobres, no &acirc;mbito de uma economia de mercado n&atilde;o planificada, e relembraram os restantes partidos que a categoria &laquo;trabalhadores&raquo; devia incluir tamb&eacute;m os pequenos propriet&aacute;rios e empres&aacute;rios.</p>     <p>O desacordo ideol&oacute;gico entre os partidos estendia-se igualmente &agrave;s institui&ccedil;&otilde;es respons&aacute;veis por concretizar os direitos sociais. Enquanto para comunistas e socialistas a responsabilidade em mat&eacute;ria social cabia em exclusivo ao Estado, como agente coletivo da emancipa&ccedil;&atilde;o popular, j&aacute; os social-democratas e crist&atilde;os-democratas insistiam que a provid&ecirc;ncia social &eacute;, antes de mais, uma responsabilidade social. Deste modo, a sua concretiza&ccedil;&atilde;o deveria ser assegurada pelo Estado e sociedade civil, com &ecirc;nfase no papel da Igreja (que n&atilde;o figura na Constitui&ccedil;&atilde;o), numa parceria sobre a qual radicaria a liberdade da pessoa humana face ao Estado. &Agrave; luz destas e de outras discord&acirc;ncias, poderia pensar-se que os partidos s&oacute; conseguiriam chegar a acordo se tivessem recorrido quer a um grande grau de abstra&ccedil;&atilde;o na defini&ccedil;&atilde;o dos direitos sociais, quer a formula&ccedil;&otilde;es propositadamente amb&iacute;guas, tal como viria a suceder pouco tempo depois em Espanha. Todavia, em Portugal, os direitos sociais e os seus mecanismos de implementa&ccedil;&atilde;o foram constitucionalizados com um detalhe impressionante. Isto porque quando os partidos se viram perante uma situa&ccedil;&atilde;o de dissenso, conseguiram ultrapass&aacute;-la seguindo fundamentalmente duas vias. Por um lado, seguiram uma &laquo;estrat&eacute;gia de evitamento&raquo;: as formula&ccedil;&otilde;es ideologicamente mais controversas e as elabora&ccedil;&otilde;es desnecessariamente pol&eacute;micas sobre o racional por detr&aacute;s dos direitos, se expressas ami&uacute;de nos debates, foram cuidadosamente expurgadas do texto da Constitui&ccedil;&atilde;o. Por outro lado, os partidos decidiram manter a tens&atilde;o ideol&oacute;gica dentro da Constitui&ccedil;&atilde;o. Um exemplo desta segunda via &eacute; a incorpora&ccedil;&atilde;o <i>ad hoc </i>na sec&ccedil;&atilde;o dos direitos sociais de artigos contradit&oacute;rios com ela, ou entre eles: por exemplo, um artigo que tornava os direitos sociais dependentes da coletiviza&ccedil;&atilde;o dos meios de produ&ccedil;&atilde;o (artigo 50), junto a outro que reafirmava o direito &agrave; propriedade privada (artigo 62).</p>     <p>Esta estrat&eacute;gia de incorporar, mas sem necessariamente integrar, perspetivas ideol&oacute;gicas contradit&oacute;rias, embora todas elas favor&aacute;veis aos direitos sociais, explica muito do car&aacute;cter &laquo;barroco&raquo; da nossa Constitui&ccedil;&atilde;o<sup><a href="#48">48</a></sup><a name="top48"></a>.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><B>CONCLUS&Atilde;O</B></p>     <p>Levar as origens dos direitos sociais a s&eacute;rio implica avaliar de forma rigorosa e empiricamente sustentada as escolhas te&oacute;ricas, metodol&oacute;gicas e interpretativas que enformam o seu estudo, bem como as hip&oacute;teses que estas escolhas motivam. O caso discrepante estudado neste artigo por interm&eacute;dio de uma abordagem que procurou reconstruir o seu processo de g&eacute;nese e desenvolvimento permitiu-nos testar as limita&ccedil;&otilde;es e apontar para poss&iacute;veis explica&ccedil;&otilde;es alternativas.</p>     <p>Do ponto de vista te&oacute;rico, mostr&aacute;mos as limita&ccedil;&otilde;es da aplicabilidade de modelos anal&iacute;ticos constru&iacute;dos para o estudo da &laquo;pol&iacute;tica normal&raquo; na an&aacute;lise da &laquo;pol&iacute;tica extraordin&aacute;ria&raquo; que caracteriza os momentos constituintes, sobretudo quando estes coincidem com transi&ccedil;&otilde;es pol&iacute;ticas revolucion&aacute;rias. A nossa etnografia constitucional permitiu-nos identificar v&aacute;rios fatores constringentes que tornam os modelos de &laquo;pol&iacute;tica normal&raquo; significativamente menos relevantes para o. estudo da constitucionaliza&ccedil;&atilde;o de direitos sociais, o que poder&aacute;, de resto, n&atilde;o se limitar ao caso portugu&ecirc;s. Entre estes fatores destaca-se a tutela militar e o constrangimento ideol&oacute;gico por ela exercido sobre a pol&iacute;tica partid&aacute;ria e a competi&ccedil;&atilde;o eleitoral; a preval&ecirc;ncia do evitamento do pior cen&aacute;rio em detrimento da maximiza&ccedil;&atilde;o de prefer&ecirc;ncias;o grau de incerteza com que se confrontavam os agentes pol&iacute;ticos; a aus&ecirc;ncia de eleitorados consolidados e/ou clientelas, com as subsequentes dificuldades de previs&atilde;o estrat&eacute;gica; e o predom&iacute;nio de uma pol&iacute;tica de confronto ideol&oacute;gico em detrimento de uma pol&iacute;tica partid&aacute;ria de escolha institucional.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&Eacute;, pois, necess&aacute;rio expandir a conce&ccedil;&atilde;o do pol&iacute;tico subjacente &agrave;s explica&ccedil;&otilde;es do entrincheiramento dos direitos sociais para al&eacute;m do dom&iacute;nio da pol&iacute;tica partid&aacute;ria institucional de modo a incluir tamb&eacute;m for&ccedil;as pol&iacute;ticas extrainstitucionais, como &eacute; caso dos movimentos sociais. A sua influ&ecirc;ncia sobre o direito constitucional ao oferecer, e ao agir de acordo, com vis&otilde;es constitucionais alternativas &eacute; muitas vezes importante e sugere a necessidade de se olhar para o processo constituinte de forma mais dial&oacute;gica. O modelo usual da ci&ecirc;ncia pol&iacute;tica da intera&ccedil;&atilde;o sobre as for&ccedil;as pol&iacute;ticas envolvidas nestes processos constituintes, de cariz estrat&eacute;gico, tende a desvalorizar estas for&ccedil;as societais bem como a natureza espec&iacute;fica e a din&acirc;mica do processo de mudan&ccedil;a constitucional e da pr&oacute;pria Assembleia Constituinte. Por&eacute;m, como a nossa an&aacute;lise do caso portugu&ecirc;s demonstra, pode ser imposs&iacute;vel explicar por que raz&atilde;o os direitos sociais foram consagrados na nossa Constitui&ccedil;&atilde;o da forma como o foram se os ignorarmos.</p>     <p>As etapas do processo constituinte e os diferentes atores envolvidos em cada uma delas (incluindo, por exemplo, a formula&ccedil;&atilde;o dos projetos constitucionais, a sua pr&eacute;-negocia&ccedil;&atilde;o, e a eventual ratifica&ccedil;&atilde;o popular da nova Constitui&ccedil;&atilde;o); a natureza da Assembleia (<i>i.e.</i>, revolucion&aacute;ria ou eleita; eleita direta ou indiretamente; soberana, quase soberana, ou n&atilde;o soberana; Assembleia Constituinte, um parlamento normal ou uma comiss&atilde;o de especialistas); a sua organiza&ccedil;&atilde;o e composi&ccedil;&atilde;o (por exemplo, o r&aacute;cio de juristas); os seus processos internos e as din&acirc;micas comportamentais; e o seu n&iacute;vel de isolamento da pol&iacute;tica partid&aacute;ria normal, s&atilde;o, todas elas, dimens&otilde;es importantes a ter em conta quando se procura explicar a g&eacute;nese da constitucionaliza&ccedil;&atilde;o dos direitos sociais.</p>     <p>Do ponto de vista metodol&oacute;gico, o nosso estudo identifica os perigos de se interpretar este processo com base numa conce&ccedil;&atilde;o da a&ccedil;&atilde;o humana que a restringe a um c&aacute;lculo custo-benef&iacute;cio, reduzindo todo o processo de constitucionaliza&ccedil;&atilde;o ao interesse pr&oacute;prio. A variante hermen&ecirc;utica ou interpretativa de an&aacute;lise hist&oacute;rica por n&oacute;s adotada permitiu-nos, ao inv&eacute;s, fazer luz sobre um amplo leque de motiva&ccedil;&otilde;es para al&eacute;m do interesse pr&oacute;prio, sem, no entanto, o descurar. Quest&otilde;es de temporalidade e de a&ccedil;&atilde;o localizada revelaram-se cruciais para a an&aacute;lise das nossas fontes prim&aacute;rias &ndash; como &eacute; que os agentes pol&iacute;ticos se viam a si pr&oacute;prios?, como &eacute; que pensavam o seu papel hist&oacute;rico?, como &eacute; que definiram o passado e o futuro da sociedade que estavam a criar? &ndash; e demonstraram ser essenciais para se determinar se as origens dos direitos sociais em Portugal foram sobretudo benevolentes e progressivas, ou fundamentalmente estrat&eacute;gicas e conservadoras.</p>     <p>A quest&atilde;o dos horizontes temporais dos agentes envolvidos no processo constituinte revelou-se igualmente essencial para um outro aspecto da nossa an&aacute;lise. A maior parte das assembleias constituintes opera na sequ&ecirc;ncia de uma mudan&ccedil;a pol&iacute;tica abrupta ou revolucion&aacute;ria. Nestas circunst&acirc;ncias, os agentes pol&iacute;ticos n&atilde;o podem contar com a ajuda de contextos institucionais est&aacute;veis e previs&iacute;veis para enquadrar as suas op&ccedil;&otilde;es e ajudar a estruturar as suas a&ccedil;&otilde;es. Em v&aacute;rios pontos do nosso estudo, vimos qu&atilde;o f&aacute;cil teria sido interpretar erroneamente as causas da constitucionaliza&ccedil;&atilde;o dos direitos sociais em resultado de se atribuir uma capacidade irrealista de previs&atilde;o de m&eacute;dio e longo prazo aos agentes que lideraram o processo constituinte. Ter-se-ia ca&iacute;do na fal&aacute;cia funcionalista de se depreender do facto de que as institui&ccedil;&otilde;es fazem hoje algo em seu favor a explica&ccedil;&atilde;o da sua origem.</p>     <p>&Eacute; certo que &agrave; medida que o Estado-Provid&ecirc;ncia se desenvolveu em Portugal este se tornou funcional &ndash; ainda que em diferente medida &ndash; para os dois principais partidos, que procuraram garantir o apoio eleitoral das clientelas do Estado-Provid&ecirc;ncia e o controlo sobre a composi&ccedil;&atilde;o do Tribunal Constitucional, respons&aacute;vel pela fiscaliza&ccedil;&atilde;o da implementa&ccedil;&atilde;o dos direitos sociais. Seria, por&eacute;m, ilus&oacute;rio concluir&nbsp;se deste resultado hist&oacute;rico que os direitos constitucionalizados devem ter sido o produto de um c&aacute;lculo instrumental de ganhos eleitorais ou uma estrat&eacute;gia defensiva de uma coliga&ccedil;&atilde;o conservadora por parte de elites hegem&oacute;nicas, mas amea&ccedil;adas.</p>     <p>A bra&ccedil;os com um consider&aacute;vel constrangimento or&ccedil;amental para as pr&oacute;ximas d&eacute;cadas, as elites do nosso pa&iacute;s veem&nbsp;se confrontadas com um dilema: tentar manter a sua legitimidade pol&iacute;tica ao mesmo tempo que desfazem algumas das expectativas constitucionalmente protegidas de um povo para quem democracia e direitos sociais s&atilde;o cooriginais e insepar&aacute;veis. Hoje, quatro d&eacute;cadas ap&oacute;s a Revolu&ccedil;&atilde;o dos Cravos, a pol&iacute;tica constitucional depende mais do que nunca de se levar os direitos a s&eacute;rio.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><B>BIBLIOGRAFIA</B></p>     <p>BANTING, Keith, e SIMEON, Richard (coord.) &ndash; <i>Redesigning the State: The Politics of Constitutional Change in Industrial Nations</i>. Toronto: University of Toronto Press, 1985.</p>     <p>BARAK-EREZ, Daphne, e GROSS, Aeyal M. (coord.) &ndash; <i>Exploring Social Rights: Between Theor y and Practice</i>. Londres: Har t Publishing, 2007.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>BASSAT, Avi Ben, e DAHAN, Momi &ndash; &laquo;Social rights in the constitution and in practice&raquo;. In <i>Journal of Comparative Economics</i>. Vol. 36, N.&ordm; 1, 2008, pp. 103-119.</p>     <p>CHOUDRY, Sujit (coord.) &ndash; <i>The Migration of Constitutional Ideas</i>. Cambridge: Cambridge University Press, 2007.</p>     <p>CHRISTIANSEN, Eric C. &ndash; &laquo;Adjudicating non-justiciable rights: socio-economic rights and the South African Constitutional Court&raquo;. In <i>Columbia Human Rights Law Review</i>. Vol. 38, N.&ordm; 2, 2007, pp. 321-386.</p>     <p>COELHO, M. B. (coord.) &ndash; <i>Portugal. O Sistema Pol&iacute;tico e Constitucional 1974-1987</i>.</p>     <p>DE WITTE, Bruno (coord.) &ndash; <i>Social Rights in Europe</i>. Londres: Oxford, 2005.</p>     <p>DISCH, Lisa &ndash; &laquo;Toward a mobilization conception of democratic representation&raquo;. In <i>American Political Science Review</i>. Vol. 105, N.&ordm; 1, 2011, pp. 100-114.</p>     <p>DWORKIN, Ronald &ndash; <i>Freedom&rsquo;s Law: The Moral Reading of the American Constitution</i>. Harvard: Harvard University Press, 1996. </p>     <p>EISENSTADT, Samuel N. &ndash; <i>The Great revolutions and The Civilizations of Modernity</i>. Leiden-Boston: Brill, 2006.</p>     <p>ELKINS, Zachary &ndash; &laquo;Diffusion and the constitutionalization of Europe&raquo;. In <i>Comparative Political Studies</i>. Vol. 46, N.&ordm;8-9, 2010, pp. 969-999.</p>     <p>ELKINS, Zachary, GINSBURG, Tom, e MELTON, J. &ndash; <i>The Endurance of National Constitutions. </i>Cambridge: Cambridge University Press 2009.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>ELSTER, Jon &ndash;<i> Solomonic Judgements: Studies in the Limitation of Rationality</i>. Cambridge: Cambridge University Press, 1989.</p>     <p>GARGARELLA, Roberto &ndash; &laquo;Grafting social rights onto hostile constitutions&raquo;. In <i>Texas Law Review</i>. Vol. 89, N.&ordm; 7, 2011, pp. 1537-1538.</p>     <p>GINSBURG, Tom, ELKINS, Zachary, e BLOUNT, Justin &ndash; &laquo;Does the process of constitution-making matter?&raquo;. In <i>Annual Review of Law and Social Science</i>. Vol. 5, 2009, pp. 201-223.</p>     <p>GOLDSTONE, Jack &ndash; <i>Revolution and Rebellion in the Early Modern World</i>. Berkeley: University of California Press, 1991.</p>     <p>HIRSCHL, Ran &ndash; &laquo;&ldquo;Negative&rdquo; rights vs. &ldquo;positive&rdquo; entitlements: a comparative study of judicial interpretations of rights in an emerging neo-liberal economic order&raquo;. In <i>Human Rights Quarterly</i>. Vol. 22. N.&ordm; 4, 2000, pp. 1060-1098.</p>     <p>HIRSCHL, Ran &ndash; &laquo;The political origins of judicial empowerment through constitutionalization: lessons from Israel&rsquo;s constitutional revolution&raquo;. In <i>Comparative Politics</i>. Vol. 32, 2001, pp. 315-336.</p>     <p>HIRSCHL, Ran &ndash; <i>Towards Jusristocracy: The Origins and Consequences of the New Constitutionalism. </i>Cambridge, Mass.: Harvard University Press, 2004.</p>     <p>HUBER, Evelyne, e STEPHENS, John D. &ndash; <i>Development and Crisis of the Welfare State. Parties and Policies in Global Markets</i>. Chicago: Chicago University Press, 2001.</p>     <p>HUBER, Evelyne, RAGIN, Charles, e STEPHENS, John D. &ndash; &laquo;Social democracy, Christian democracy, constitutional structure, and the Welfare State&raquo;. In <i>American Journal of Sociology</i>. Vol. 93, N.&ordm; 3, 1993, pp. 711-749.</p>     <p>KNIGHT, Jack &ndash; <i>Institutions and Social Conflict</i>. Cambridge: Cambridge University Press, 1992.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>KOUTNATZIS, Stylianos-Ioannis &ndash; &laquo;Social rights as a constitutional compromise: lessons from comparative experience&raquo;. In <i>Columbia Journal of Transnational Law</i>. Vol. 44, N.&ordm; 1, 2005, pp. 74-133.</p>     <p>LA PORTA, Rafael <i>et al.</i> &ndash; &laquo;The quality of government&raquo;. In <i>Journal of Law, Economics and Organizations</i>. Vol. 15, N.&ordm; 2, 1999, pp. 222-279.</p>     <p>LA PORTA, Rafael, LOPEZ-DE-SILANES, Florencio, e SHLEIFER, Andrei &ndash; &laquo;The economic consequences of legal origins&raquo;. In <i>Journal of Economic Literature</i>. Vol. 46, N.&ordm; 2, 2008, pp. 285-332.</p>     <p>Lei 3/74, 14 de maio.</p>     <p>LUCENA, Manuel de &ndash; &laquo;Transforma&ccedil;&otilde;es do Estado portugu&ecirc;s nas suas rela&ccedil;&otilde;es com a sociedade civil&raquo;. In <i>An&aacute;lise Social</i>. xviii (2-3-4), N.&ordm; 72-73-74, 1982, pp. 897-926.</p>     <p>MAGALH&Atilde;ES, Pedro &ndash; <i>The Limits to Judicialization: Legislative Politics and Constitutional Review in the Iberian Democracies</i>. Disserta&ccedil;&atilde;o de doutoramento, Ohio State University, 2003.</p>     <p>Magalh&atilde;es, Pedro C. &ndash; &laquo;Explaining the constitutionalisation of social rights: Portuguese hypotheses and a crossnational test&raquo;. Draft paper (2011).</p>     <p>MAHONEY, James &ndash; &laquo;Revisiting general theory in historical sociology&raquo;. In <i>Social Forces</i>. Vol. 83, 2004, pp. 459-464.</p>     <p>MAHONEY, John, e RUESCHEMEYER, Dieter (coord.) &ndash; <i>Comparative Historical Analysis in the Social Sciences</i>. Nova York: Cambridge University Press, 2003.</p>     <p>MANSBRIDGE, Jane &ndash; &laquo;A &ldquo;selection model&rdquo; of political representation&raquo;. In <i>Journal of Political Philosophy</i>. Vol. 17, N.&ordm; 4, 2009, pp. 369-39.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>MANZA, Jeff, e COOK, Fay Lomax &ndash; &laquo;A democratic polity? Three views of policy responsiveness to public opinion in the United States&raquo;. In <i>American Politics Research</i>. Vol. 30, N.&ordm; 6, 2002, pp. 630-657.</p>     <p>MARCH, James J., e OLSEN, Johan P. &ndash; <i>Rediscovering Institutions: The Organizational Basis of Politics</i>. Nova York: The Free Press, 1989.</p>     <p>MAXWELL, Kenneth &ndash; &laquo;The thorns of the Portuguese Revolution&raquo;. In <i>Foreign Affairs</i>. Vol. 54, 1976, pp. 250-254.</p>     <p>MOE, Terry &ndash; &laquo;Political institutions: the neglected side of the story&raquo;. In <i>Journal of Law, Economics &amp; Organizations</i>. Vol. 6, N.&ordm; 1, 1990, pp. 206-253.</p>     <p>MU&Ntilde;OZ, Rafael Dur&aacute;n &ndash; &laquo;A crise econ&oacute;mica e as transi&ccedil;&otilde;es para a democracia: Espanha e Portugal em perspectiva comparada&raquo;. In <i>An&aacute;lise Social</i>. xxx (141), 1997, pp. 369-401.</p>     <p>PEREIRA, Victor &ndash; &laquo;Emigra&ccedil;&atilde;o e desenvolvimento da previd&ecirc;ncia social em Portugal&raquo;. In <i>An&aacute;lise Social</i>. XLIV (3), N.&ordm; 192, 2009, pp. 471-510.</p>     <p>PIETERSE, Marius &ndash; &laquo;Possibilities and pitfalls in the domestic enforcement of social rights: contemplating the South African Experience&raquo;. In <i>Human Rights Quarterly</i>. Vol. 26, N.&ordm; 4, 2004, pp. 892-905.</p>     <p>PLOTKE, David &ndash; &laquo;Representation is democracy&raquo;. In <i>Constellations</i>. Vol. 4, N.&ordm; 1, 1997, pp. 19-34.</p>     <p><i>Programa Pol&iacute;tico do MFA</i>, abril de 1974.</p>     <p>PRZEWORSKI, Adam <i>et al. </i>&ndash; <i>Democracy, Accountability, and Representation</i>. Cambridge: Cambridge University Press, 1999.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>POUSADA, Rafael Vallejo &ndash; &laquo;Estado y economia en la Espa&ntilde;a democr&aacute;tica, 19751999&raquo;. In <i>Historia y Pol&iacute;tica</i>, Vol. 9, 2003, pp. 159-184.</p>     <p>RAMSEYER, J. Mark &ndash; &laquo;The puzzling (in) dependence of Courts&raquo;. In <i>Journal of Legislative Studies</i>. 23, 1994.</p>     <p>RUNCIMAN, David, e VIEIRA, M&oacute;nica Brito &ndash; <i>Representation</i>. Londres: Polity Press, 2008.</p>     <p>SOARES, M&aacute;rio &ndash;<i> Soares I: Ditadura e Revolu&ccedil;&atilde;o</i>. Lisboa: C&iacute;rculo de Leitores, 1996.</p>     <p>SWEET, Alec Stone &ndash; <i>Governing With Judges. Constitutional Politics in Europe</i>. Oxford: Oxford University Press, 2000.</p>     <p>SWEET, Alec Stone, e SHAPIRO, M. (coords.) &ndash; <i>On Law, Politics, and Judicialization</i>, Oxford: Oxford University Press, 2002.</p>     <p>Vieira, M&oacute;nica Brito, e Silva, Filipe Carreira da &ndash; <i>O Momento Constituinte. Os</i><i> Direitos Sociais na Constitui&ccedil;&atilde;o</i>. Coimbra: Almedina, 2013.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><i>Data de rece&ccedil;&atilde;o: 8 de janeiro de 2016 | Data de aprova&ccedil;&atilde;o: 25 de fevereiro de 2016</i></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><B>NOTAS</B></p>     <p><Sup><a name="1"></a><a href="#top1">1</a></Sup>Este artigo recupera, com altera&ccedil;&otilde;es significativas, o texto originalmente publicado como: &laquo;Getting rights right. Explaining social rights constitutionalization in revolutionary Portugal&raquo;. In <i>I*CON. International Journal of Constitutional Law</i>. Vol. 11, N.&ordm; 4, 2013, pp. 898-922.</p>     <p><Sup><a name="2"></a><a href="#top2">2</a></Sup>FABRE, C&eacute;cile &ndash; &laquo;Social rights in European constitutions&raquo;. <i>In </i>DEB&Uacute;RCA , Gr&aacute;inne, e DE WITTE, Bruno (coord.) &ndash; <i>Social Rights in Europe</i>. Londres: Oxford, 2005, pp. 15-29.</p>     <p><Sup><a name="3"></a><a href="#top3">3</a></Sup>BASSAT, Avi Ben, e DAHAN, Momi &ndash; &laquo;Social rights in the constitution and in practice&raquo;. In <i>Journal of Comparative Economics</i>. Vol. 36, N.&ordm; 1, 2008, pp. 103-119.</p>     <p><Sup><a name="4"></a><a href="#top4">4</a></Sup>Uma exce&ccedil;&atilde;o &eacute; MAGALH&Atilde;ES, Pedro C. &ndash; &laquo;Explaining the constitutionalisation of social rights: Portuguese hypotheses and a crossnational test&raquo;. Draft paper (2011).</p>     <p><Sup><a name="5"></a><a href="#top5">5</a></Sup>GINSBURG, Tom, ELKINS, Zachary, e BLOUNT, Justin &ndash; &laquo;Does the process of constitution-making matter?&raquo;. In <i>Annual Review of Law and Social Science</i>. Vol. 5, 2009, pp. 201-223.</p>     <p><Sup><a name="6"></a><a href="#top6">6</a></Sup>Sobre a &Iacute;ndia, ver, por exemplo, KOTHARI, Jayna &ndash; &laquo;Social rights litigation in India: developments of the last decade&raquo;. <i>In </i>BARAK-EREZ, Daphne, e GROSS, Aeyal M. (coord.) &ndash; <i>Exploring Social Rights: Between Theory and Practice</i>. Londres: Hart Publishing, 2007, pp. 171-192; sobre a &Aacute;frica do Sul, ver, por exemplo, CHRISTIANSEN, Eric C. &ndash; &laquo;Adjudicating non--justiciable rights: socio-economic rights and the South African Constitutional Court&raquo;. In <i>Columbia Human Rights Law Review</i>. Vol. 38, N.&ordm; 2, 2007, pp. 321-386; PIETERSE, Marius &ndash; &laquo;Possibilities and pitfalls in the domestic enforcement of social rights: contemplating the South African Experience&raquo;. In <i>Human Rights Quarterly</i>. Vol. 26, N.&ordm; 4, 2004, pp. 892-905; sobre Israel, ver, por exemplo, HIRSCHL, Ran &ndash; &laquo;The political origins of judicial empowerment through constitutionalization: lessons from Israel&rsquo;s constitutional revolution&raquo;. In <i>Comparative Politics</i>. Vol. 32, 2001, pp. 315-336; sobre o Canad&aacute;, Israel e a Nova Zel&acirc;ndia, veja-se HIRSCHL, Ran &ndash; &laquo;&ldquo;Negative&rdquo; rights vs. &ldquo;positive&rdquo; entitlements: a comparative study of judicial interpretations of rights in an emerging neo-liberal economic order&raquo;. In <i>Human Rights Quarterly</i>. Vol. 22, N.&ordm; 4, 2000, pp. 1060-1098.</p>     <p><Sup><a name="7"></a><a href="#top7">7</a></Sup>Ver, por exemplo, GARGARELLA, Roberto &ndash; &laquo;Grafting social rights onto hostile constitutions&raquo;. In <i>Texas Law Review</i>. Vol. 89, N.&ordm; 7, 2011, pp. 1537-1538.</p>     <p><Sup><a name="8"></a><a href="#top8">8</a></Sup>Ver, por exemplo, HUBER, Evelyne, e STEPHENS, John D. &ndash; <i>Development and Crisis of the Welfare State. Parties and Policies in Global Markets</i>. Chicago: Chicago University Press, 2001.</p>     <p><Sup><a name="9"></a><a href="#top9">9</a></Sup>Ver, por exemplo, DWORKIN, Ronald &ndash; <i>Freedom&rsquo;s Law: The Moral Reading of the American Constitution</i>. Harvard: Harvard University Press, 1996.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><Sup><a name="10"></a><a href="#top10">10</a></Sup>Veja-se, por exemplo, ELSTER, Jon &ndash; <i>Solomonic Judgements: Studies in the Limitation of Rationality</i>. Cambridge: Cambridge University Press, 1989.</p>     <p><Sup><a name="11"></a><a href="#top11">11</a></Sup>Veja-se, por exemplo, MOE, Terry &ndash; &laquo;Political institutions: the neglected side of the story&raquo;. In <i>Journal of Law, Economics &amp; Organizations</i>. Vol. 6, N.&ordm; 1, 1990, pp. 206-253; KNIGHT, Jack &ndash; <i>Institutions and Social Conflict</i>. Cambridge: Cambridge University Press, 1992; HIRSCHL, Ran &ndash; <i>Towards Juristocracy: The Origins and Consequences of the New Constitutionalism. </i>Cambridge, Mass.: Harvard: Harvard University Press, 2004.</p>     <p><Sup><a name="12"></a><a href="#top12">12</a></Sup>Ver, por exemplo, SWEET, Alec Stone &ndash; &laquo;Path dependence, precedent and judicial power&raquo;. <i>In </i>SWEET, Alec Stone, e SHAPIRO, Martin. (coords.) &ndash; <i>On Law, Politics, and Judicialization</i>. Oxford: Oxford University Press, 2002, pp. 112-135; SHAPIRO, Martin &ndash; &laquo;Towards a theory of <i>stare decisis</i>&raquo;. In <i>Ibidem</i>, pp. 90-102.</p>     <p><Sup><a name="13"></a><a href="#top13">13</a></Sup>Ver, por exemplo, HUBER, Evelyne, RAGIN, Charles, e STEPHENS, John D. &ndash; &laquo;Social democracy, Christian democracy, constitutional structure, and the Welfare State&raquo;. In <i>American Journal of Sociology</i>. Vol. 93, N.&ordm; 3, 1993, pp. 711-749; MARCH, James J., e OLSEN, Johan P. &ndash; <i>Rediscovering Institutions: The Organizational Basis of Politics</i>. Nova York: The Free Press, 1989; HIRSCHL, Ran &ndash; <i>Towards Jusristocracy</i>.</p>     <p><Sup><a name="14"></a><a href="#top14">14</a></Sup>HIRSCHL, Ran &ndash; &laquo;On the blurred methodological matrix of comparative constitutional law&raquo;. <i>In </i>CHOUDRY, Sujit (coord.) &ndash; <i>The Migration of Constitutional Ideas</i>. Cambridge: Cambridge University Press, 2007, pp. 39-66.</p>     <p><Sup><a name="15"></a><a href="#top15">15</a></Sup>MAHONEY, James &ndash; &laquo;Revisiting general theory in historical sociology&raquo;. In <i>Social Forces</i>. Vol. 83, 2004, pp. 459-464.</p>     <p><Sup><a name="16"></a><a href="#top16">16</a></Sup>HALL, Peter A. &ndash; &laquo;Aligning ontology and methodology in comparative politics&raquo;. <i>In </i>MAHONEY, John, e RUESCHEMEYER, Dieter (coord.) &ndash; <i>Comparative Historical Analysis in the Social Sciences</i>. Nova York: Cambridge University Press, 2003, pp. 373-404.</p>     <p><Sup><a name="17"></a><a href="#top17">17</a></Sup>Em novembro de 1975, a Assembleia esteve literalmente sequestrada durante vinte e quatro horas por trabalhadores da constru&ccedil;&atilde;o civil, alegadamente com liga&ccedil;&otilde;es ao PCP.</p>     <p><Sup><a name="18"></a><a href="#top18">18</a></Sup>Ver, por exemplo, BASSAT, Avi Ben, e DAHAN, Momi &ndash; &laquo;Social rights in the constitution and in practice&raquo;, que usam o PIB <i>per capita </i>como vari&aacute;vel de controlo; MAGALH&Atilde;ES, Pedro C. &ndash; &laquo;Explaining the constitutionalisation of social rights&raquo;, que usa igualmente o PIB <i>per capita </i>como vari&aacute;vel de controlo na an&aacute;lise do caso portugu&ecirc;s.</p>     <p><Sup><a name="19"></a><a href="#top19">19</a></Sup>EISENSTADT, Samuel N. &ndash; <i>The Great revolutions and The Civilizations of Modernity</i>. Leiden-Boston: Brill, 2006; GOLDSTONE, Jack &ndash; <i>Revolution and Rebellion in the Early Modern World</i>. Berkeley: University of California Press, 1991.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><Sup><a name="20"></a><a href="#top20">20</a></Sup>Ver, por exemplo, HIRSCHL, Ran &ndash; &laquo;On the blurred methodological matrix of comparative constitutional law&raquo;, pp. 40-51.</p>     <p><Sup><a name="21"></a><a href="#top21">21</a></Sup>MAXWELL, Kenneth &ndash; &laquo;The thorns of the Portuguese Revolution&raquo;. In <i>Foreign Affairs</i>. Vol. 54, 1976, pp. 250-254.</p>     <p><Sup><a name="22"></a><a href="#top22">22</a></Sup>MU&Ntilde;OZ, Rafael Dur&aacute;n &ndash; &laquo;A crise econ&oacute;mica e as transi&ccedil;&otilde;es para a democracia: Espanha e Portugal em perspectiva comparada&raquo;. In <i>An&aacute;lise Social</i>. xxx (141), 1997, pp. 369-401.</p>     <p><Sup><a name="23"></a><a href="#top23">23</a></Sup>Lei 3/74, 14 de maio.</p>     <p><Sup><a name="24"></a><a href="#top24">24</a></Sup>Ver VIEIRA, M&oacute;nica Brito, e SILVA, Filipe Carreira da &ndash; <i>O Momento Constituinte. Os Direitos Sociais na Constitui&ccedil;&atilde;o</i>. Coimbra: Almedina, 2013, pp. 126-31. A vers&atilde;o completa dos debates na Assembleia Constituinte de 1975-1976 est&aacute; dispon&iacute;vel no s&iacute;tio do Parlamento portugu&ecirc;s: <a href="http://debates.parlamento.pt/catalog.aspx?cid=r3.dac" target="_blank">http://debates.parlamento.pt/catalog.aspx?cid=r3.dac</a></p>     <p><Sup><a name="25"></a><a href="#top25">25</a></Sup>LUCENA, Manuel de &ndash; &laquo;Transforma&ccedil;&otilde;es do Estado portugu&ecirc;s nas suas rela&ccedil;&otilde;es com a sociedade civil&raquo;. In <i>An&aacute;lise Social</i>. x viii (2-3-4), N.&ordm; 72-73-74, 1982, pp. 897-926; PEREIRA, Victor &ndash; &laquo;Emigra&ccedil;&atilde;o e desenvolvimento da previd&ecirc;ncia social em Portugal&raquo;. In <i>An&aacute;lise Social</i>. xliv (3), N.&ordm; 192, 2009, pp. 471-510.</p>     <p><Sup><a name="26"></a><a href="#top26">26</a></Sup>Martelo de Oliveira, ppd.</p>     <p><Sup><a name="27"></a><a href="#top27">27</a></Sup>GUNTHER, Richard &ndash; &laquo;Constitutional change in contemporary Spain&raquo;. <i>In </i>BANTING, Keith, e SIMEON, Richard (coord.) &ndash; <i>Redesigning the State: The Politics of Constitutional Change in Industrial Nations</i>. Toronto: University of Toronto Press 1985, pp. 51-54.</p>     <p><Sup><a name="28"></a><a href="#top28">28</a></Sup>LA PORTA, Rafael <i>et al.</i> &ndash; &laquo;The quality of government&raquo;. In <i>Journal of Law, Economics and Organizations</i>. Vol. 15, N.&ordm; 2, 1999, pp. 222-279.</p>     <p><Sup><a name="29"></a><a href="#top29">29</a></Sup>LA PORTA, Rafael, LOPEZ-DE-SILANES, Florencio, e SHLEIFER, Andrei &ndash; &laquo;The economic consequences of legal origins&raquo;. In <i>Journal of Economic Literature</i>. Vol. 46, N.&ordm; 2, 2008, pp. 285-332.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><Sup><a name="30"></a><a href="#top30">30</a></Sup>ELKINS, Zachary &ndash; &laquo;Diffusion and the constitutionalization of Europe&raquo;. In <i>Comparative Political Studies</i>. Vol. 46, N.&ordm; 8-9, 2010, pp. 969-999.</p>     <p><Sup><a name="31"></a><a href="#top31">31</a></Sup>POUSADA, Rafael Vallejo &ndash; &laquo;Estado y economia en la Espa&ntilde;a democr&aacute;tica, 1975-1999&raquo;. In <i>Historia y Pol&iacute;tica</i>. Vol. 9, 2003, pp. 159-184.</p>     <p><Sup><a name="32"></a><a href="#top32">32</a></Sup>Embora se desconhe&ccedil;a os n&uacute;meros correspondentes para a Assembleia Constituinte, cerca de 24 por cento dos deputados eleitos &agrave; Assembleia da Rep&uacute;blica em 1976 tinham forma&ccedil;&atilde;o em Direito.</p>     <p><Sup><a name="33"></a><a href="#top33">33</a></Sup>O pacto entrou em vigor em janeiro de 1976, tendo sido subscrito por Portugal em outubro desse mesmo ano.</p>     <p><Sup><a name="34"></a><a href="#top34">34</a></Sup>A Constitui&ccedil;&atilde;o indiana de 1948 inclui garantias e prote&ccedil;&otilde;es especiais para alguns destes grupos, mas, pelo que apur&aacute;mos nas entrevistas realizadas bem como da an&aacute;lise dos debates, n&atilde;o parece ter sido uma fonte da nossa Constitui&ccedil;&atilde;o.</p>     <p><Sup><a name="35"></a><a href="#top35">35</a></Sup>Ver VIEIRA, M&oacute;nica Brito, e CARREIRA DA SILVA, Filipe &ndash; <i>O Momento Constituinte</i>, pp. 73-81.</p>     <p><Sup><a name="36"></a><a href="#top36">36</a></Sup>Ver, por exemplo, SWEET, Alec Stone &ndash; <i>Governing With Judges. Constitutional Politics in Europe</i>. Oxford: Oxford University Press, 2000.</p>     <p><Sup><a name="37"></a><a href="#top37">37</a></Sup>O PPD elegeu 81 deputados, o PCP 30, o CDS 16, o MDP/CDE, um partido-sat&eacute;lite do PCP, elegeu cinco deputados, e dois outros partidos de extrema-esquerda elegeram um deputado cada.</p>     <p><Sup><a name="38"></a><a href="#top38">38</a></Sup>RAMSEYER, J. Mark &ndash; &laquo;The puzzling (in)dependence of Courts&raquo;. In <i>Journal of Legislative Studies</i>. 23, 1994.</p>     <p><Sup><a name="39"></a><a href="#top39">39</a></Sup>MAGALH&Atilde;ES, Pedro &ndash; <i>The Limits to Judicialization: Legislative Politics and Constitutional Review in the Iberian Democracies</i>. Disserta&ccedil;&atilde;o de doutoramento, Ohio State University, 2003.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><Sup><a name="40"></a><a href="#top40">40</a></Sup><i>Programa Pol&iacute;tico do MFA</i>, abril de 1974.</p>     <p><Sup><a name="41"></a><a href="#top41">41</a></Sup>PRZEWORSKI, Adam <i>et al.</i> &ndash; <i>Democracy, Accountability, and Representation</i>. Cambridge: Cambridge University Press, 1999.</p>     <p><Sup><a name="42"></a><a href="#top42">42</a></Sup>RUNCIMAN, David, e VIEIRA, M&oacute;nica Brito &ndash; <i>Representation</i>. Londres: Polity Press, 2008; MANSBRIDGE, Jane &ndash; &laquo;A &ldquo;selection model&rdquo; of political representation&raquo;. In <i>Journal of Political Philosophy</i>. Vol. 17, N.&ordm; 4, 2009, pp. 369-398; DISCH, Lisa &ndash; &laquo;Toward a mobilization conception of democratic representation&raquo;. In <i>American Political Science Review</i>. Vol. 105, N.&ordm; 1, 2011, pp. 100-114. Ver tamb&eacute;m PLOTKE, David &ndash; &laquo;Representation is democracy&raquo;. In <i>Constellations</i>. Vol. 4, N.&ordm; 1, 1997, pp. 19-34.</p>     <p><Sup><a name="43"></a><a href="#top43">43</a></Sup>ELKINS, Zachary, GINSBURG, Tom, e MELTON, J. &ndash; <i>The Endurance of National Constitutions.</i> Cambridge: Cambridge University Press, 2009.</p>     <p><Sup><a name="44"></a><a href="#top44">44</a></Sup>MANZA, Jeff, e COOK, Fay Lomax &ndash; &laquo;A democratic polity? Three views of policy responsiveness to public opinion in the United States&raquo;. In <i>American Politics Research</i>. Vol. 30, N.&ordm; 6, 2002, pp. 630-657.</p>     <p><Sup><a name="45"></a><a href="#top45">45</a></Sup>SOARES, M&aacute;rio &ndash;<i> Soares I: Ditadura e Revolu&ccedil;&atilde;o</i>. Lisboa: C&iacute;rculo de Leitores, 1996.</p>     <p><Sup><a name="46"></a><a href="#top46">46</a></Sup>Foi o caso do projeto sobre a organiza&ccedil;&atilde;o do poder pol&iacute;tico, um tema especialmente delicado, apresentado por Jorge Miranda, um eminente constituinte e constitucionalista do PPD.</p>     <p><Sup><a name="47"></a><a href="#top47">47</a></Sup>Ver, por exemplo, KOUTNATZIS, Stylia-nos-Ioannis &ndash; &laquo;Social rights as a constitutional compromise: lessons from comparative experience&raquo;. In <i>Columbia Journal of Transnational Law</i>. Vol. 44, N.&ordm; 1, 2005, pp. 74-133.</p>     <p><Sup><a name="48"></a><a href="#top48">48</a></Sup>MIRANDA, Jorge &ndash; &laquo;A Constitui&ccedil;&atilde;o de 1976 no &Acirc;mbito do Constitucionalismo Portugu&ecirc;s&raquo;. <i>In</i> Coelho, M. B. (coord.) &ndash; <i>Portugal. O Sistema Pol&iacute;tico e Constitucional 1974-1987</i>, 1989, p. 630.</p>      ]]></body><back>
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