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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[Populism is on the agenda. This article gives an overview of the conceptual discussions about the phenomenon as well as its consequences to democratic theory and practice. The article concludes with a discussion of the contemporary radical right, its populist nature, and the impact of the theme of anti-immigration on its rise in Europe.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><b>POPULISMO E MIGRA&Ccedil;&Otilde;ES</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Era uma vez o populismo&hellip;</b></p>     <p><b>Once upon a time the Populism...</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Jos&eacute; Pedro Z&uacute;quete</b></p>     <p>Trabalha no Instituto de Ci&ecirc;ncias Sociais da Universidade de Lisboa. Depois de concluir o seu doutoramento em Pol&iacute;tica pela universidade inglesa de Bath, Z&uacute;quete foi investigador de p&oacute;s-doutoramento em Cambridge, no Centro de Estudos Europeus da Universidade de Harvard. A sua &aacute;rea de pesquisa tem incidido sobre a pol&iacute;tica comparada, e nos &uacute;ltimos anos em especial sobre nacionalismos, radicalismos pol&iacute;ticos e terrorismo. Z&uacute;quete pode ser contactado atrav&eacute;s do e-mail: <a href="mailto:jpzuquete@gmail.com">jpzuquete@gmail.com</a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>RESUMO</b></p>     <p>O populismo est&aacute; na ordem do dia. Este artigo d&aacute; uma vis&atilde;o geral das discuss&otilde;es conceptuais do fen&oacute;meno, e as suas consequ&ecirc;ncias para a teoria e pr&aacute;tica democr&aacute;ticas. O artigo conclui com uma discuss&atilde;o sobre a direita radical contempor&acirc;nea, o seu car&aacute;ter populista, e o impacto do tema da imigra&ccedil;&atilde;o para a sua ascens&atilde;o na Europa.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Palavras-chave</b><i>:&nbsp;</i>Populismo, democracia, Europa, imigra&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>ABSTRACT</b></p>     <p>Populism is on the agenda. This article gives an overview of the conceptual discussions about the phenomenon as well as its consequences to democratic theory and practice. The article concludes with a discussion of the contemporary radical right, its populist nature, and the impact of the theme of anti-immigration on its rise in Europe.</p>     <p><b>Keywords:</b><i>&nbsp;</i>Populism, democracy, Europe, immigration</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>Qualquer crian&ccedil;a sabe que a Cinderela deixou cair o seu elegante sapatinho, mais tarde recuperado pelo pr&iacute;ncipe dos seus sonhos. Foi nos anos 1960 que o fil&oacute;sofo brit&acirc;nico Isaiah Berlin adaptou este cl&aacute;ssico conto de fadas &agrave;s preocupa&ccedil;&otilde;es mais &laquo;adultas&raquo; com o populismo, assinalando mesmo um &laquo;complexo de Cinderela&raquo; no seu estudo. Na vers&atilde;o berliniana, tamb&eacute;m existe um sapatinho (o populismo) mas o final, ao contr&aacute;rio da f&aacute;bula original, continuava em aberto, pois o pr&iacute;ncipe vagueava &agrave; procura do pezinho certo. Moral da hist&oacute;ria: o populismo simplesmente &laquo;n&atilde;o cabia&raquo;, persistia em ser um termo escorregadio e resistente a defini&ccedil;&otilde;es claras<sup><a href="#1">1</a></sup><a name="top1"></a>. No mundo acad&eacute;mico isso significava que a busca pelo pezinho redentor continuaria pelo tempo fora.</p>     <p>E continua na segunda d&eacute;cada do s&eacute;culo&nbsp;xxi. Embora o &laquo;final feliz&raquo; para o conto de Berlin nunca venha a concretizar-se (isso seria admitir como plaus&iacute;vel a implausibilidade do unanimismo acad&eacute;mico), isso n&atilde;o significa que a delimita&ccedil;&atilde;o concetual do populismo n&atilde;o tenha progredido, impulsionada por um n&uacute;mero cada vez maior de estudos sobre o fen&oacute;meno. E de tal modo avan&ccedil;ou que a (ainda) frequente refer&ecirc;ncia ao car&aacute;ter intrinsecamente vago do populismo se fa&ccedil;a mais por conforto e h&aacute;bito mental do que como reflexo anal&iacute;tico do estado atual da literatura. Em termos de defini&ccedil;&atilde;o a principal divis&atilde;o que persiste centra-se na teoriza&ccedil;&atilde;o do populismo como&nbsp;<i>estrat&eacute;gia</i>&nbsp;e mobiliza&ccedil;&atilde;o por parte das elites, como forma de chegar ao poder ou ciment&aacute;-lo, e o seu enquadramento como&nbsp;<i>ide&aacute;rio</i>, em termos de um discurso pol&iacute;tico que encerra uma vis&atilde;o pr&oacute;pria da sociedade. Esta diferen&ccedil;a &eacute; importante na medida em que enquanto a primeira valoriza exponencialmente a lideran&ccedil;a (personalista e paternalista) e o populismo aparece fundamentalmente como um meio para obter os fins desejados, a segunda implica uma vis&atilde;o integrada do fen&oacute;meno, onde a sua emerg&ecirc;ncia depende fundamentalmente tanto da oferta, dos atores e agentes populistas, como da procura, do eleitorado e da popula&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>Entre estas duas tend&ecirc;ncias te&oacute;ricas (porque de tend&ecirc;ncias se trata, e n&atilde;o de esquemas r&iacute;gidos), n&atilde;o ser&aacute; exagero afirmar uma certa tend&ecirc;ncia, sobretudo desde a passagem para o s&eacute;culo&nbsp;xxi, para a categoriza&ccedil;&atilde;o do populismo como uma ideologia. Mas uma ideologia estreita ou parcial. Tornou-se at&eacute; comum nos &uacute;ltimos anos, sobretudo sob a iniciativa do &laquo;populit&oacute;logo&raquo; Cas Mudde, recuperar a express&atilde;o &laquo;ideologia levemente centrada&raquo;, inicialmente elaborada num contexto diferente pelo polit&oacute;logo Michael Freeden, para refletir esse car&aacute;ter minimalista da ideologia populista<sup><a href="#2">2</a></sup><a name="top2"></a>. Em que consiste ent&atilde;o o m&iacute;nimo populista? Traduz-se na concord&acirc;ncia absoluta entre a pol&iacute;tica e a soberania popular e na oposi&ccedil;&atilde;o vertical da sociedade entre dois grupos homog&eacute;neos, fundamentalmente antag&oacute;nicos, e&nbsp;<i>julgados</i>&nbsp;<i>moralmente&nbsp;</i>de maneira radicalmente oposta: o&nbsp;<i>povo</i>, aut&ecirc;ntico e negligenciado, e a&nbsp;<i>elite</i>, nefanda e usurpadora. Esta incompatibilidade &eacute; ancorada num registo bem&nbsp;<i>versus</i>&nbsp;mal, e &eacute; pr&aacute;tica corrente nos estudos sobre populismo o recurso &agrave; palavra &laquo;manique&iacute;smo&raquo; &ndash; derivada da religi&atilde;o persa antiga que dividia o mundo em princ&iacute;pios diametralmente conflituosos de luz e escurid&atilde;o &ndash; para descrever a centralidade do tal dualismo na vis&atilde;o de mundo populista. Esta abordagem discursiva do conceito tem a vantagem de tornar compreens&iacute;vel a maleabilidade do populismo, ou seja, a sua n&atilde;o exclusividade ideol&oacute;gica; devido &agrave; aus&ecirc;ncia de elementos program&aacute;ticos est&aacute;veis e arreigados, t&iacute;picos de ideologias mais densas e completas &ndash; afinal de contas, n&atilde;o existe nenhum &laquo;livro vermelho&raquo; do populismo nem nenhuma esp&eacute;cie de &laquo;fundador&raquo; ic&oacute;nico &ndash; a&nbsp;<i>forma mentis</i>&nbsp;populista pode incorporar-se quer em movimentos de direita como de esquerda, e moldar-se a diferentes propostas econ&oacute;micas e projetos de sociedade. Isso significa que como categoria de an&aacute;lise, o populismo pode mais facilmente &laquo;viajar&raquo;, porque, como salienta o comparativista chileno Crist&oacute;bal Rovira Kaltwasser, a dedu&ccedil;&atilde;o do n&uacute;cleo m&iacute;nimo do populismo serve como referencial para definir, ou n&atilde;o, como populistas, outros l&iacute;deres, movimentos e partidos, ao mesmo tempo que permite separar o populismo de caracter&iacute;sticas que, em determinadas fases e contextos, podem estar-lhe associadas, mas que de facto n&atilde;o lhe pertencem, sejam elas agendas protecionistas, liberais, anticapitalistas ou, por exemplo, anti-imigracionistas<sup><a href="#3">3</a></sup><a name="top3"></a>.</p>     <p>Uma rela&ccedil;&atilde;o de&nbsp;<i>antagonismo&nbsp;</i>percorre toda e qualquer mobiliza&ccedil;&atilde;o populista. A centralidade desta l&oacute;gica, dissecada por Ernesto Laclau nos seus textos &ndash; onde o populismo aparece essencialmente como uma arma de combate de um povo vagamente definido contra as elites no poder &ndash;, alicer&ccedil;a-se, mais do que apenas em ideias ou programas, tamb&eacute;m num substrato cultural. Esta dimens&atilde;o, como explica Pierre Ostiguy, &eacute; crucial, porque o populismo constitui a ativa&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica da cultura popular, um apelo para os que est&atilde;o &laquo;em baixo&raquo; contra os que est&atilde;o &laquo;em cima&raquo;. Este olhar em profundidade para o fen&oacute;meno populista, d&aacute; primazia ao&nbsp;<i>eixo que divide a sociedade entre alto e baixo</i>&nbsp;(que tem a ver com maneiras de ser e agir na pol&iacute;tica, e formas de relacionamento com o povo), e que cont&eacute;m duas dimens&otilde;es, uma sociocultural e outra pol&iacute;tico-cultural. Na primeira componente sociocultural, observa o investigador canadiano, os que est&atilde;o no &laquo;alto&raquo; apresentam um comportamento correto, adequado, de boas maneiras e com um discurso racionalista embora &agrave;s vezes de jarg&atilde;o e inintelig&iacute;vel, enquanto os pol&iacute;ticos em &laquo;baixo&raquo; s&atilde;o mais expressivos, nas palavras e gestos, desinibidos, e propensos a usar cal&atilde;o e linguagem popular. Fomentam a intimidade e n&atilde;o d&atilde;o um ar de dist&acirc;ncia. Ao mesmo tempo, evidenciam nativismo cultural, e uma liga&ccedil;&atilde;o direta ao pa&iacute;s &laquo;profundo&raquo;, e com os &laquo;daqui&raquo;, ao contr&aacute;rio do cosmopolitismo dos que est&atilde;o no &laquo;alto&raquo;. Relativamente &agrave; segunda dimens&atilde;o pol&iacute;tico-cultural, no &laquo;alto&raquo; favorecem-se decis&otilde;es pol&iacute;ticas mediadas por institui&ccedil;&otilde;es, e os apelos pol&iacute;ticos enfatizam modelos de autoridade formais, legalistas e impessoais. J&aacute; no polo &laquo;baixo&raquo; os apelos tendem a real&ccedil;ar um modelo de lideran&ccedil;a forte, personalista, e at&eacute; carism&aacute;tica. Nesta concetualiza&ccedil;&atilde;o, o populismo, como &laquo;express&atilde;o de uma &ldquo;gram&aacute;tica&rdquo; plebeia-nativa, n&atilde;o apenas esta &agrave; vontade com o &ldquo;baixo&rdquo;, mas, de uma maneira antagonista, alardeia-o &ndash; mesmo que n&atilde;o seja &ldquo;apropriado&rdquo; ou &ldquo;politicamente correto&rdquo;&raquo;<sup><a href="#4">4</a></sup><a name="top4"></a>. O populismo aparece assim definido como uma pr&aacute;xis cultural, de articula&ccedil;&atilde;o de identidades socioculturais espec&iacute;ficas, e de intera&ccedil;&atilde;o de identidades sociais e pol&iacute;ticas. No fundo, como um modo diferente de apelar &agrave; cidadania nas democracias contempor&acirc;neas. Um apelo perigoso na vis&atilde;o antipopulista.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>De facto, se os estudos sobre o populismo abundam, o antipopulismo permanece relativamente na sombra. Veiculado por partidos e pol&iacute;ticos convencionais, tradicionais, e largamente da esfera do poder, assim como por largos setores da comunica&ccedil;&atilde;o social de refer&ecirc;ncia, o antipopulismo caracteriza-se pela liga&ccedil;&atilde;o umbilical &agrave; institucionalidade, &agrave; media&ccedil;&atilde;o, e aos usos e rituais estabelecidos da pol&iacute;tica. O car&aacute;ter transgressivo dos atores e movimentos populistas &eacute; sentido como uma amea&ccedil;a &agrave; ordem natural das coisas. Mesmo quando participam no jogo eleitoral os populismos de todas as &iacute;ndoles s&atilde;o vistos como demopatas, que usam a democracia para conseguir subvert&ecirc;-la e, finalmente, destru&iacute;-la. Tamb&eacute;m no mundo acad&eacute;mico o antipopulismo propagou-se. Mas de uma forma geral, e relativamente &agrave; rela&ccedil;&atilde;o entre populismo e democracia, a inclina&ccedil;&atilde;o &eacute; para descrev&ecirc;-la em termos de&nbsp;<i>ambival&ecirc;ncia</i>, no sentido de que o populismo pode ser tanto uma amea&ccedil;a como um corretivo &agrave; democracia. Proclamar a antidemocraticidade dos populismos &ndash; que fazem da soberania popular, e do &laquo;governo do povo&raquo;, a sua raz&atilde;o de ser, e o motivo da sua contesta&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica &ndash; deve ser visto como excessivo. A quest&atilde;o de fundo tem a ver com o&nbsp;<i>tipo</i>&nbsp;de democracia defendida. Para os populismos, a democracia representativa &eacute; esp&uacute;ria, sin&oacute;nimo de malevol&ecirc;ncia e eles fazem muitas vezes a defesa de uma &laquo;nova&raquo; e &laquo;aut&ecirc;ntica&raquo; democracia, muitas vezes imaginada como direta, e sem a interven&ccedil;&atilde;o de elites que a subverteram e corromperam para seu pr&oacute;prio benef&iacute;cio. O objetivo &eacute; cumprir a promessa democr&aacute;tica (e inating&iacute;vel?) de &laquo;poder para todo o povo&raquo;, assemelhando-se a comunidade &laquo;populista&raquo; mais a uma irmandade do que a um aglomerado contratual assente na soberania individual. Neste caso, se o que caracteriza um discurso liberal-democr&aacute;tico &eacute; a prote&ccedil;&atilde;o da autonomia do indiv&iacute;duo em rela&ccedil;&atilde;o ao grupo,&nbsp;<i>quando os populistas assumem o poder</i>, a experi&ecirc;ncia de transforma&ccedil;&atilde;o da democracia representativa, procedimental, em democracia substantiva pode, potencialmente, resvalar para pr&aacute;ticas autorit&aacute;rias<sup><a href="#5">5</a></sup><a name="top5"></a>. Ao mesmo tempo, e em nome da tal ambival&ecirc;ncia, os populismos podem tamb&eacute;m ter um efeito regenerador da democracia, ao incorporarem pessoas que at&eacute; ent&atilde;o n&atilde;o se tinham identificado, ou sentiam-se &agrave; parte, da pol&iacute;tica, e tamb&eacute;m ao darem vaz&atilde;o a demandas que at&eacute; ent&atilde;o n&atilde;o tinham sido atendidas pelos partidos tradicionais, contribuindo assim para aumentar a &laquo;responsividade&raquo; do sistema pol&iacute;tico no seu todo. Dessa forma, o &iacute;mpeto populista pode ajudar a p&ocirc;r em concord&acirc;ncia os temas que as pessoas veem como priorit&aacute;rios, e as pol&iacute;ticas &agrave;s quais a classe pol&iacute;tica d&aacute; prioridade<sup><a href="#6">6</a></sup><a name="top6"></a>.</p>     <p>A evoca&ccedil;&atilde;o de uma crise &eacute; central na comunica&ccedil;&atilde;o populista. Existe sempre uma crise. A n&iacute;vel pol&iacute;tico, ela &eacute; sobretudo uma crise de representa&ccedil;&atilde;o, de sentimentos de desamparo e derrelic&ccedil;&atilde;o popular, enfim de confian&ccedil;a das pessoas no sistema que as governa, e de descren&ccedil;a generalizada &ndash; tudo isto serve de combust&iacute;vel na emerg&ecirc;ncia do populismo. A ascens&atilde;o de movimentos populistas de direita e de esquerda, na Europa e na Am&eacute;rica do Sul nas &uacute;ltimas d&eacute;cadas, para l&aacute; dos fatores conjunturais e contextuais, est&aacute; tamb&eacute;m ligada &agrave; desconfian&ccedil;a relativamente ao desempenho dos pol&iacute;ticos, dos partidos e das institui&ccedil;&otilde;es da democracia representativa. Nesse sentido, a descri&ccedil;&atilde;o do populismo como &laquo;o grito de dor da democracia representativa&raquo; captura bem esse mal-estar democr&aacute;tico. Para John P. McCormick, o populismo &eacute; assim &laquo;a ocorr&ecirc;ncia inevit&aacute;vel em esferas p&uacute;blicas que aderem a princ&iacute;pios democr&aacute;ticos, mas onde, de facto, o povo n&atilde;o governa&raquo;<sup><a href="#7">7</a></sup><a name="top7"></a>. Nestes tempos de&nbsp;<i>secessio plebis&nbsp;</i>&ndash; de desmobiliza&ccedil;&atilde;o popular relativamente a formas tradicionais de fazer pol&iacute;tica mas ao mesmo tempo de novas mobiliza&ccedil;&otilde;es em torno de outras formas de fazer pol&iacute;tica &ndash; predomina o desencanto relativamente &agrave; &laquo;face pragm&aacute;tica&raquo; da democracia (burocr&aacute;tica, dedicada &agrave;s rotinas da pol&iacute;tica e &agrave; gest&atilde;o do dia a dia) e a atra&ccedil;&atilde;o pela sua &laquo;face redentora&raquo; que cont&eacute;m a promessa da renova&ccedil;&atilde;o total do sistema atrav&eacute;s da a&ccedil;&atilde;o fulminante do povo soberano<sup><a href="#8">8</a></sup><a name="top8"></a>.</p>     <p>At&eacute; numa perspetiva de senso comum, parece claro que quanto mais a democracia representativa, na pr&aacute;tica, se afastar do ideal de soberania popular, quanto mais for vista como estando sob controlo de oligarquias (uma ideia chave dos populismos de esquerda e de direita), maior ser&aacute; a tend&ecirc;ncia para que a explora&ccedil;&atilde;o de caminhos alternativos seja vista como desejada. &Eacute; neste panorama que muitos veem no populismo um &laquo;sinal&raquo; para que a democracia fa&ccedil;a jus ao seu nome, porque &laquo;o sinal populista &eacute; claro. &Eacute; um aviso para que os partidos pol&iacute;ticos e os governos revejam as suas abordagens de governa&ccedil;&atilde;o e representa&ccedil;&atilde;o&raquo;. At&eacute; porque in&uacute;meros estudos mostram que o descontentamento popular &eacute; dirigido ao&nbsp;<i>processo&nbsp;</i>democr&aacute;tico (opaco, pouco transparente, e nas m&atilde;os de uma minoria), e o que se reivindica &eacute; sobretudo maior participa&ccedil;&atilde;o popular nesse processo. Ou seja, recorrer &agrave; imagina&ccedil;&atilde;o e criatividade, e encontrar, ou recuperar, novas formas de participa&ccedil;&atilde;o, e de descentraliza&ccedil;&atilde;o do poder, como, por exemplo, a ado&ccedil;&atilde;o de novos mecanismos de decis&atilde;o. Dessa forma, o que tamb&eacute;m est&aacute; em causa &ndash; e &eacute; essa uma das for&ccedil;as motrizes do populismo atual &ndash; &eacute; a necessidade de&nbsp;<i>adapta&ccedil;&atilde;o</i> das institui&ccedil;&otilde;es da democracia, verticais e oitocentistas, &agrave; horizontalidade do s&eacute;culo XXI, e a uma sociedade tecnologicamente interativa e hiperconectada<sup><a href="#9">9</a></sup><a name="top9"></a>. Para completar, este afastamento popular n&atilde;o pode, nem deve, ser desligado destes novos (?) tempos de enfraquecimento das soberanias nacionais, ref&eacute;ns tantas vezes de um poder difuso e de al&eacute;m-fronteiras, seja ele pol&iacute;tico ou financeiro. Hoje em dia, se se quisesse &laquo;tomar de assalto&raquo; o poder, qual o &laquo;pal&aacute;cio&raquo; a conquistar? Esta perce&ccedil;&atilde;o de que o &laquo;verdadeiro&raquo; poder deslocou-se, multiplicou-se e transnacionalizou-se, e de que a pol&iacute;tica dom&eacute;stica verdadeiramente n&atilde;o conta para as grandes decis&otilde;es e des&iacute;gnios, fortalece em pot&ecirc;ncia din&acirc;micas antissist&eacute;micas, e a procura de outros espa&ccedil;os, outros caminhos, de recupera&ccedil;&atilde;o do poder popular perdido. Tamb&eacute;m a&iacute; &ndash; nessa convic&ccedil;&atilde;o de que &laquo;o poder vai nu&raquo; &ndash; a oferta populista aparece como redentora.</p>     <p>Diferentes tempos hist&oacute;ricos caracterizam-se por diferentes populismos. &Eacute; relativamente comum falar-se em &laquo;ondas populistas&raquo; na era contempor&acirc;nea. Desde o &laquo;populismo agr&aacute;rio&raquo; dos finais do s&eacute;culo&nbsp;xix, na R&uacute;ssia e nos Estados Unidos, passando pelo &laquo;populismo socioecon&oacute;mico&raquo; da Am&eacute;rica Latina a partir dos anos 1930, at&eacute; aos anos 1980 na Europa Ocidental, com a emerg&ecirc;ncia do que se designou como &laquo;populismo xen&oacute;fobo&raquo;<sup><a href="#10">10</a></sup><a name="top10"></a>. Claro que esta divis&atilde;o por &laquo;ondas&raquo; peca por ser esquem&aacute;tica, dado que outro tipo de &laquo;ondula&ccedil;&otilde;es&raquo; populistas existiram, como o populismo neoliberal nos anos 1990 na Am&eacute;rica Latina, ou at&eacute; mesmo um difuso &laquo;telepopulismo&raquo; guiado pela crescente mediatiza&ccedil;&atilde;o da vida pol&iacute;tica a partir dos finais do s&eacute;culo XX (e que n&atilde;o ser&aacute; tanto uma onda mas uma mar&eacute; cont&iacute;nua). Por outro lado, e a partir do s&eacute;culo XXI, tem que se incluir a nova vaga populista na Am&eacute;rica Latina &ndash; que irrompeu com a revolu&ccedil;&atilde;o bolivariana de Hugo Ch&aacute;vez, e subsequentemente com os regimes de Evo Morales na Bol&iacute;via e Rafael Correa no Equador &ndash; e que &eacute; radical, visando a refunda&ccedil;&atilde;o das respetivas na&ccedil;&otilde;es. Rematando, e como contraponto &agrave; tend&ecirc;ncia de concentrar as an&aacute;lises nos aspetos institucionais e partid&aacute;rios do populismo, talvez seja de incluir, no novo s&eacute;culo, uma nova onda populista ligada aos movimentos sociais, e &agrave;s suas din&acirc;micas de antissistema, que revelam atributos do populismo, como o discurso radical contra uma minoria usurpadora, o apelo para uma democracia direta, e solu&ccedil;&otilde;es de salvamento de um povo esquecido e aviltado &ndash; &laquo;n&oacute;s somos os 99 por cento&raquo; clamaram os movimentos de ocupa&ccedil;&atilde;o, dos Estados Unidos &agrave; Europa. De tal forma as redes sociais potenciam estas novas mobiliza&ccedil;&otilde;es populares, flu&iacute;das, descentralizadas e horizontais, que h&aacute; quem veja mesmo nelas a emerg&ecirc;ncia de um novo tipo de populismo, um populismo enfeixado no &laquo;admir&aacute;vel mundo novo&raquo; da tecnologia, o populismo&nbsp;<i>open-source</i>&nbsp;ou de &laquo;fonte aberta&raquo;<sup><a href="#11">11</a></sup><a name="top11"></a>. A mensagem de fundo, portanto, &eacute; clara: como as demandas de &laquo;poder para o povo&raquo; aparecem de v&aacute;rias formas, o estudo sobre o populismo deve necessariamente espelhar essa variedade.</p>     <p>Em todas estas fases hist&oacute;ricas desenvolveram-se populismos que foram classificados como de esquerda ou de direita. A grande distin&ccedil;&atilde;o teria ent&atilde;o a ver com a constru&ccedil;&atilde;o discursiva da categoria de &laquo;povo&raquo;. Baseado na experi&ecirc;ncia dos populistas latino-americanos dos per&iacute;odos cl&aacute;ssico e radical, mas tamb&eacute;m de alguns populismos de esquerda europeus, argumenta-se que, &agrave; esquerda, o conceito de povo &eacute; eminentemente pol&iacute;tico e social, e de inclus&atilde;o pol&iacute;tica dos que est&atilde;o, do ponto de vista socioecon&oacute;mico, &agrave; margem. J&aacute; &agrave; direita, e tendo como base os populismos que emergiram no final do s&eacute;culo&nbsp;xx, diz-se que o conceito de povo &eacute; eminentemente &eacute;tnico, o que leva &agrave; exclus&atilde;o dos que n&atilde;o pertencem ao povo &laquo;ind&iacute;gena&raquo;. Dois tipos ideais, em suma, um de um populismo &laquo;progressista&raquo; virado para a &laquo;plebe&raquo;, e outro de um populismo &laquo;reacion&aacute;rio&raquo;, firmado no&nbsp;<i>&eacute;thnos</i><sup><a href="#12">12</a></sup><a name="top12"></a>. Esta divis&atilde;o n&atilde;o &eacute;, nem poderia ser, definitiva, devendo ser vista apenas como um indicador, caracter&iacute;stico ali&aacute;s dos tipos ideais. Afinal de contas, tamb&eacute;m nos populismos de esquerda se exclui uma parte da popula&ccedil;&atilde;o na categoriza&ccedil;&atilde;o de povo (vista como maliciosa, venal, corrupta, ou inimiga hist&oacute;rica), enquanto a vis&atilde;o &eacute;tnica &agrave; direita n&atilde;o &eacute; necessariamente imut&aacute;vel (existem grupos que podem ser integrados no &laquo;povo aut&ecirc;ntico&raquo;), e para al&eacute;m disso os fatores socioecon&oacute;micos tamb&eacute;m fazem parte da sua mobiliza&ccedil;&atilde;o populista contra as elites.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>A C&Oacute;LERA DE ANTEU</b></p>     <p>O espectro de Anteu assombra a Uni&atilde;o Europeia (UE). Foi Umberto Bossi, o fundador da Liga do Norte, que, num congresso do partido em meados dos anos 1990, comparou o seu movimento ao gigante da mitologia grega. Se a sua for&ccedil;a advinha do contacto com a terra, &laquo;a investida explosiva da Liga vem de baixo, porque a for&ccedil;a da Liga vem da soberania popular, da qual &eacute; o int&eacute;rprete mais direto e qualificado&raquo;<sup><a href="#13">13</a></sup><a name="top13"></a>. Esta avoca&ccedil;&atilde;o &ndash; a de uma rela&ccedil;&atilde;o &uacute;nica e exclusiva com os sentimentos e aspira&ccedil;&otilde;es do povo &ndash; podia ser feita por qualquer dos partidos da fam&iacute;lia pol&iacute;tica que o campo acad&eacute;mico designa como de direita radical. Muitas vezes categorizada tamb&eacute;m, desde a sua emerg&ecirc;ncia nos anos 1980, como &laquo;extrema-direita&raquo;, aos poucos a palavra radical vai-se impondo, deixando para o campo do extremismo os movimentos extraparlamentares, proponentes da viol&ecirc;ncia pol&iacute;tica, ou simplesmente antidemocr&aacute;ticos. J&aacute; os partidos radicais participam em elei&ccedil;&otilde;es, n&atilde;o defendem nenhuma tomada violenta do poder, e respeitam as regras do jogo &ndash; n&atilde;o p&otilde;em em causa a legitimidade da democracia embora sejam hostis a algumas dimens&otilde;es do sistema liberal-democr&aacute;tico, e rejeitem o centro pol&iacute;tico e o chamado&nbsp;<i>establishment</i>, constitu&iacute;do por partidos pol&iacute;ticos, elites financeiras, e os media pr&oacute;-sistema. Existem, como n&atilde;o poderia deixar de ser, vozes discordantes. Como a de Pierre-Andr&eacute; Taguieff, para quem a substitui&ccedil;&atilde;o de extremismo por radicalismo n&atilde;o passa de uma impostura, uma &laquo;coquetaria verbal&raquo; porque n&atilde;o resolve o problema de fundo da categoriza&ccedil;&atilde;o, ou seja, o facto de a direita radical n&atilde;o constituir uma radicaliza&ccedil;&atilde;o de posi&ccedil;&otilde;es da direita do sistema (pelo contr&aacute;rio ela constitui em muitos aspetos a ant&iacute;tese da direita liberal)<sup><a href="#14">14</a></sup><a name="top14"></a>. Seja como for, o populismo aparece cada vez mais como uma subcategoria da direita designada como radical. Na l&iacute;ngua franca de hoje pertence mesmo a uma sigla abundantemente presente nos trabalhos acad&eacute;micos:&nbsp;prrp&nbsp;(ou&nbsp;<i>populist radical right parties</i>). Pertence, diga-se, por m&eacute;rito. A premissa da direita radical &ndash; e que justifica a sua exist&ecirc;ncia &ndash; &eacute; a de que a soberania popular foi confiscada pelas elites. Na lista das suas palavras de ordem &eacute; recorrente ouvir express&otilde;es como &laquo;dar a palavra ao povo&raquo;, reclamando-se estes partidos como sendo a &laquo;voz do povo&raquo;, e o seu&nbsp;<i>&uacute;nico&nbsp;</i>representante contra a classe pol&iacute;tica e os partidos do sistema. Quando acusados (porque de uma acusa&ccedil;&atilde;o se trata) de serem populistas, a resposta dos seus l&iacute;deres varia. Podem responder como o patriarca da direita radical europeia, Jean-Marie Le Pen &ndash; &laquo;N&atilde;o &eacute; um insulto, ser o candidato do povo &eacute; de louvar&raquo; &ndash;, ou ent&atilde;o denunciar a estrat&eacute;gia diabolizadora por detr&aacute;s da palavra, como uma forma de inabilitar pol&iacute;ticos e movimentos inc&oacute;modos (desqualificados como simples demagogos isentos de seriedade) por desafiarem interesses ou tabus enraizados<sup><a href="#15">15</a></sup><a name="top15"></a>.</p>     <p>A quest&atilde;o da representa&ccedil;&atilde;o (ou a sua aus&ecirc;ncia) est&aacute; no centro da hosana que os populistas da direita radical europeia cantam ao povo soberano. Ao longo dos anos, as elites pol&iacute;ticas europeias (em conluio com os poderes financeiros e os&nbsp;<i>media</i>) viraram as costas &agrave;s opini&otilde;es e aspira&ccedil;&otilde;es populares, e escancararam as portas das na&ccedil;&otilde;es &agrave; tirania do capitalismo selvagem e dos mercados financeiros, &agrave; tecnocracia sem rosto e antidemocr&aacute;tica da UE, e a um modelo de sociedade multicultural destruidor de identidades hist&oacute;rico-culturais e gerador de conflitos sociais e perigosos comunitarismos. Neste quadro geral, os populistas orgulham-se em &laquo;dizer alto aquilo que o povo pensa em baixo&raquo;, quebrando pela palavra os tabus do regime e o pensamento &uacute;nico veiculado pela &laquo;casta&raquo; dominante, seja relativamente aos alegados benef&iacute;cios da globaliza&ccedil;&atilde;o capitalista e da integra&ccedil;&atilde;o europeia, seja da imigra&ccedil;&atilde;o como uma &laquo;oportunidade&raquo; para as sociedades nativas europeias. Contra esta ideologia vista como desastrosa, e desligada da realidade, os populistas da direita radical respondem, invariavelmente, e desde a sua emerg&ecirc;ncia, com o louvor ao senso comum popular contra uma elite vista como essencialmente traidora. Daqui deriva a defesa de uma &laquo;verdadeira&raquo; democracia, onde o povo &eacute; realmente representado, e que, para come&ccedil;ar, deve incluir mecanismos de democracia direta como referendos ou iniciativas populares, e tamb&eacute;m sistemas eleitorais mais proporcionais (e mais abertos a novos partidos).</p>     <p>Evidentemente, e tendo em conta que estes partidos t&ecirc;m uma conce&ccedil;&atilde;o etnonacionalista &ndash; em que o povo &eacute; constru&iacute;do como uma comunidade homog&eacute;nea, muitas vezes &laquo;pura&raquo;, que urge defender, preservar, e separar de influ&ecirc;ncias al&oacute;genas &ndash;, os temas socioculturais, de cultura e etnicidade, t&ecirc;m primazia na narrativa de contesta&ccedil;&atilde;o aos regimes instalados. A rejei&ccedil;&atilde;o da imigra&ccedil;&atilde;o, sobretudo n&atilde;o europeia, portadora de uma cultura diferente da dos nativos, foi desde cedo uma consequ&ecirc;ncia natural da mobiliza&ccedil;&atilde;o populista da direita radical, impulsionada, sobretudo desde a passagem para o novo s&eacute;culo, pelo crescente enquadramento da quest&atilde;o em termos etnorreligiosos (a islamiza&ccedil;&atilde;o do continente), em termos de seguran&ccedil;a nacional, e at&eacute; &ndash; numa prova de que o discurso da direita radical evolui com as conjunturas hist&oacute;ricas &ndash; de defesa do car&aacute;ter liberal-democr&aacute;tico das sociedades europeias (contra o isl&atilde;o iliberal)<sup><a href="#16">16</a></sup><a name="top16"></a>. Claro que os temas socioecon&oacute;micos tamb&eacute;m acabam por se juntar ao antimigracionismo, nomeadamente atrav&eacute;s da defesa do Estado Social, sendo os imigrantes e as suas fam&iacute;lias, assim como os refugiados, vistos como uma for&ccedil;a essencialmente parasit&aacute;ria. Al&eacute;m disso, hoje em dia, a tend&ecirc;ncia na maior parte destes partidos &eacute; para o protecionismo econ&oacute;mico, como complemento ao tal protecionismo cultural. N&atilde;o se deve, contudo, confundir populismo e nacionalismo, algo que muitas vezes aparece ligado no discurso do antipopulismo. N&atilde;o apenas pelo facto de existirem populismos que n&atilde;o constroem etnicamente o povo, mas tamb&eacute;m porque enquanto no etnonacionalismo (ou nativismo) a distin&ccedil;&atilde;o b&aacute;sica &eacute; entre nativos e estrangeiros, no populismo essa distin&ccedil;&atilde;o ocorre dentro do mesmo grupo nativo, em que o povo &eacute; atrai&ccedil;oado pelas elites. Para que houvesse essa converg&ecirc;ncia as elites teriam de ser, tamb&eacute;m elas, estrangeiras (em vez de apenas &laquo;agentes&raquo; de interesses estrangeiros, como muitas vezes s&atilde;o denunciadas)<sup><a href="#17">17</a></sup><a name="top17"></a>. Finalmente, &eacute; preciso ter em conta que embora as quest&otilde;es socioculturais sejam tamb&eacute;m sobrelevadas nos partidos populistas do Leste europeu, elas focam sobretudo minorias &eacute;tnicas (como os roma, os turcos, ou os h&uacute;ngaros) e n&atilde;o tanto a imigra&ccedil;&atilde;o extraeuropeia (muito mais presente na Europa Ocidental)<sup><a href="#18">18</a></sup><a name="top18"></a>. A experi&ecirc;ncia sovi&eacute;tica tamb&eacute;m ajudou a preservar muitas destas sociedades dos modelos multiculturais difundidos no outro lado da cortina. Dito isto, e em face da rea&ccedil;&atilde;o, por exemplo, na chamada crise dos refugiados, caso esse fluxo imigrat&oacute;rio acontecesse, a posi&ccedil;&atilde;o anti-imigracionista subiria naturalmente ao topo da agenda populista da Europa de Leste.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Por ideologia, desleixo, ou inc&uacute;ria dos partidos ditos n&atilde;o populistas, a direita radical populista apropriou-se, ao longo de d&eacute;cadas, do tema da imigra&ccedil;&atilde;o, tornando-o &laquo;seu&raquo; e enquadrando-o como pe&ccedil;a principal da sua defesa da soberania popular. Em termos de&nbsp;<i>performance</i>&nbsp;eleitoral, isso significa que, como de resto &eacute; demonstrado por estudos emp&iacute;ricos, a preval&ecirc;ncia de atitudes nativistas no eleitorado e a sali&ecirc;ncia de temas como a imigra&ccedil;&atilde;o e o multiculturalismo s&atilde;o um indicador de uma maior vota&ccedil;&atilde;o nesse tipo de partidos<sup><a href="#19">19</a></sup><a name="top19"></a>. Claro que esta narrativa desemboca, inevitavelmente, na quest&atilde;o mais insidiosa de saber quem &eacute; que influencia quem. O antipopulismo, desde cedo, tem alertado para a &laquo;lepeniza&ccedil;&atilde;o&raquo; dos esp&iacute;ritos, que, para al&eacute;m de imputar ao ator populista a responsabilidade pela dissemina&ccedil;&atilde;o e legitima&ccedil;&atilde;o de temas como a &laquo;anti-imigra&ccedil;&atilde;o&raquo;, ou o &laquo;anti-isl&atilde;o&raquo;, &eacute; tamb&eacute;m uma forma de, como denunciou o soci&oacute;logo franc&ecirc;s Jean-Pierre Le Goff, erguer o dedo acusador contra o povo, cujo voto relevaria da manipula&ccedil;&atilde;o, incultura e at&eacute; da imoralidade<sup><a href="#20">20</a></sup><a name="top20"></a>. Talvez uma perspetiva mais equilibrada (e, porque n&atilde;o, sensata) &ndash; e atenta ao facto de que a emerg&ecirc;ncia e desenvolvimento do populismo depende obviamente da procura &ndash; veja a difus&atilde;o da narrativa populista tamb&eacute;m como um espelho de correntes de opini&atilde;o e sentimentos que est&atilde;o espalhados pela sociedade. Neste caso, ao inv&eacute;s de limitar-se a moldar, a insurg&ecirc;ncia populista &eacute; igualmente moldada pela opini&atilde;o p&uacute;blica. Isto &eacute; t&atilde;o mais importante quando se sabe que, ano ap&oacute;s ano, estudos de opini&atilde;o mostram que, mesmo com varia&ccedil;&otilde;es, maiorias consider&aacute;veis nos pa&iacute;ses europeus rejeitam qualquer aumento da imigra&ccedil;&atilde;o, sobretudo n&atilde;o europeia, e subscrevem a ideia que os imigrantes n&atilde;o querem ser integrados, e muito menos assimilados, pela cultura dominante<sup><a href="#21">21</a></sup><a name="top21"></a>. Se a este fator se junta a convic&ccedil;&atilde;o impregnada por parte de uma maioria de europeus, e consistente ao longo dos anos, que &laquo;a sua voz n&atilde;o conta na Uni&atilde;o Europeia&raquo;, n&atilde;o parece de todo surpreendente que movimentos que prometem redimir a soberania popular, e libert&aacute;-la das correntes que a mant&ecirc;m encadeada, possam&nbsp;<i>eventualmente</i>&nbsp;prosperar na Europa<sup><a href="#22">22</a></sup><a name="top22"></a>.</p>     <p>E&nbsp;<i>eventualmente</i>&nbsp;porqu&ecirc;?Porque tamb&eacute;m &eacute; &uacute;til fazer um exerc&iacute;cio de desmitologiza&ccedil;&atilde;o da narrativa, com laivos de alarmismo, da ascens&atilde;o &laquo;irresist&iacute;vel&raquo; dos populismos da direita radical na Europa. Desde os anos 1980, apenas uma pequen&iacute;ssima minoria de governos teve a participa&ccedil;&atilde;o desse tipo de partidos (pouco mais de uma vintena em mais de 300 governos), e mesmo quando atingem o poder (sempre em coliga&ccedil;&atilde;o com for&ccedil;as conservadoras tradicionais) n&atilde;o houve nenhuma mudan&ccedil;a substancial do regime pol&iacute;tico em que est&atilde;o inseridos<sup><a href="#23">23</a></sup><a name="top23"></a>. Esse sobressalto, muito presente nos&nbsp;<i>media</i>, tamb&eacute;m se traduz na imagem do &laquo;regresso&raquo; dos anos 30 do s&eacute;culo&nbsp;xx. No meio do alvoro&ccedil;o, contudo, esquece-se que, hoje em dia, as democracias liberais est&atilde;o numa clara posi&ccedil;&atilde;o de superioridade. Quer a n&iacute;vel legal e judicial (atacando muitas vezes pela raiz qualquer tipo de discurso categorizado como &laquo;extremista&raquo;), quer a n&iacute;vel educacional (inculcando as virtudes do sistema liberal-democr&aacute;tico e dos seus valores na sociedade civil). Ali&aacute;s, em nome da &laquo;prote&ccedil;&atilde;o&raquo; democr&aacute;tica muitas vezes, ao longo dos anos, a pr&aacute;tica seguida pelos partidos pr&oacute;-sistema foi a da imposi&ccedil;&atilde;o dos c&eacute;lebres &laquo;cord&otilde;es sanit&aacute;rios&raquo; &agrave; volta de partidos acusados de defenderem posi&ccedil;&otilde;es vistas como desrespeit&aacute;veis, perigosas, ou moralmente conden&aacute;veis, impedindo-os de acederem ao poder. Embora desde a passagem para o s&eacute;culo&nbsp;xxi&nbsp;tenha havido brechas neste ritual, o que &eacute; um facto &eacute; que a sua exist&ecirc;ncia acaba por ser utilizada pelos populistas para&nbsp;<i>confirmar</i>&nbsp;a sua narrativa de que eles s&atilde;o de facto a &uacute;nica alternativa contra um sistema que, como se v&ecirc;, une-se para os marginalizar. Para al&eacute;m de invalidar os votos dos seus eleitores (na pr&aacute;tica ficam sem voz nas institui&ccedil;&otilde;es democr&aacute;ticas), a pol&iacute;tica dos cord&otilde;es valida o seu antielitismo.</p>     <p>A crise migrat&oacute;ria, ou dos refugiados, que emergiu sobretudo a partir de 2015, veio naturalmente refor&ccedil;ar o campo da direita radical populista, n&atilde;o obstante os apelos, como o de Jean-Claude Juncker, para que os europeus &laquo;resistam&raquo; &agrave; &laquo;rejei&ccedil;&atilde;o populista&raquo; dos migrantes<sup><a href="#24">24</a></sup><a name="top24"></a>. A vis&atilde;o de uma imensa marcha, a perder de vista, de n&atilde;o europeus irrompendo pelas fronteiras da Europa, aumentou a&nbsp;<i>sali&ecirc;ncia</i>&nbsp;do tema da imigra&ccedil;&atilde;o, e da inseguran&ccedil;a identit&aacute;ria e cultural a ela vinculados &ndash; os estudos de opini&atilde;o mostram como o tema da imigra&ccedil;&atilde;o subiu precipitadamente no topo dos &laquo;assuntos mais importantes&raquo; que a UE teria de enfrentar &ndash; e &agrave; partida, e sem necessidade de teoriza&ccedil;&otilde;es complexas, iria sempre favorecer os partidos que fazem da anti-imigra&ccedil;&atilde;o um dos seus principais cavalos de batalha<sup><a href="#25">25</a></sup><a name="top25"></a>. Mesmo assim, &eacute; importante n&atilde;o esquecer que, mesmo na presen&ccedil;a de condi&ccedil;&otilde;es favor&aacute;veis, e em termos de possibilidade de sucesso eleitoral, o partido populista precisa tamb&eacute;m de ser visto como&nbsp;<i>cred&iacute;vel</i>, em termos de lideran&ccedil;a, organiza&ccedil;&atilde;o e compet&ecirc;ncia<sup><a href="#26">26</a></sup><a name="top26"></a>.</p>     <p>Por fim, &eacute; imposs&iacute;vel escapar ao simbolismo. Foi Anteu quem, na&nbsp;<i>Divina Com&eacute;dia</i>, conduziu Dante ao &uacute;ltimo precip&iacute;cio do Inferno. Para os antipopulistas de toda a ordem a analogia n&atilde;o poderia ser mais certeira. Mas talvez para os populistas da direita radical o &laquo;inferno&raquo; seja, pelo contr&aacute;rio, uma alternativa &laquo;paradis&iacute;aca&raquo; de uma democracia antiuniversalista e desirmanada do liberalismo; um novo sistema em que a comunidade tem preced&ecirc;ncia relativamente &agrave; liberdade individual, livre do culto das minorias, e assente numa conce&ccedil;&atilde;o mais fechada do povo soberano, em que a converg&ecirc;ncia entre <i>&eacute;thnos </i>e <i>demos&nbsp;</i>surge como a tal solu&ccedil;&atilde;o &laquo;salv&iacute;fica&raquo; para as patologias sociais das sociedades contempor&acirc;neas.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>BIBLIOGRAFIA</b></p>     <p>ABROMEIT, John, <i>et al.</i> &ndash; <i>Transformations of Populism in Europe and the Americas: History and Recent Tendencies</i>. Londres: Bloomsbury, 2016, pp.&nbsp;XV-XIX.</p>     <p>afp&nbsp;&ndash; &laquo;Juncker urges EU members to resist &ldquo;populist&rdquo; rejection of migrants&raquo;. 5 de agosto de 2015.</p>     <p>BERLIN, Isaiah &ndash; &laquo;To define populism&raquo;. 21 de maio de 1967, p. 6. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://berlin.wolf.ox.ac.uk/lists/bibliography/bib111bLSE.pdf" target="_blank">http://berlin.wolf.ox.ac.uk/lists/bibliography/bib111bLSE.pdf</a>.</p>     <p>CANOVAN, Margaret &ndash; &laquo;Trust the people! Populism and the two faces of democracy&raquo;. In&nbsp;<i>Political Studies</i>. 47, 1999, pp. 2-16. &#8232;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>CHWALISZ, Claudia &ndash; <i>The Populist Signal: Why Politics and Democracy Need to Change</i>. Londres: Policy Network, 2015.</p>     <p>DE&nbsp;LA&nbsp;TORRE, Carlos &ndash; &laquo;Las tensiones no resueltas entre el populismo y la democracia procedimental&raquo;. In <i>Recso: Revista de Ciencias Sociales</i>. Vol. 2, Ano 2, 2011, pp. 63-79.</p>     <p>DE&nbsp;LA&nbsp;TORRE, Carlos &ndash; <i>The Promise and Perils of Populism: Global Perspectives</i>. Lexington: University Press of Kentucky, 2015, pp. 189-228.</p>     <p>Freeden, Michael (org.) &ndash;&nbsp;<i>Reassessing Political Ideologies: The Durability of Dissent</i>. Londres: Routledge, 2001.</p>     <p>FREEDEN, Michael, SARGENT, Lyman Tower, e STEARS, Marc &ndash; <i>The Oxford Handbook of Political Ideologies</i>. Nova York: Oxford University Press, 2013.</p>     <p>LOWNDES, Joe, e WARREN, Dorian &ndash; &laquo;Occupy Wall Street: a twenty-first century populist movement?&raquo;. In&nbsp;<i>Dissent</i>. Outubro de 21. Dispon&iacute;vel em: <a href="https://www.dissentmagazine.org/online_articles/occupy-wall-street-a-twenty-first-century-populist-movement" target="_blank">https://www.dissentmagazine.org/online_articles/occupy-wall-street-a-twenty-first-century-populist-movement</a>.</p>     <p>MCCORMICK, John. P. &ndash; &laquo;Contemporary democracy in crisis and the populist cry of pain&raquo;. 3 de junho de 2015, p. 3. Dispon&iacute;vel em:&nbsp;<a href="https://www.academia.edu/22225287/Contemporary_democracy_in_crisis_and_the_populist_cry_of_pain_Public_Lecture_" target="_blank">https://www.academia.edu/22225287/Contemporary_democracy_in_crisis_and_the_populist_cry_of_pain_Public_<i>Lecture</i>_</a></p>     <p>PEW&nbsp;RESEARCH&nbsp;CENTER&nbsp;&ndash; Report &ndash; 12 de maio de 2014, p. 27.&nbsp;Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.pewglobal.org/2014/05/12/a-fragile-rebound-for-eu-image-on-eve-of-european-parliament-elections/" target="_blank">http://www.pewglobal.org/2014/05/12/a-fragile-rebound-for-eu-image-on-eve-of-european-parliament-elections/</a>.</p>     <p>PIRRO, Andrea L. P. &ndash; <i>The Populist Radical Right in Central and Eastern Europe: Ideology, Impact, and Electoral Performance</i>. Londres: Routledge, 2015.</p>     <p>STANDARD&nbsp;EUROBAROMETER 84 &ndash; <i>Public opinion in the European Union</i> &ndash; outono de 2015.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>TAGGART, Paul <i>et al.</i> &ndash; <i>The Oxford Handbook on Populism</i>. Nova York: Oxford University Press, 2017.</p>     <p>TAGUIEFF, Pierre-Andr&eacute; &ndash; <i>Du diable en politique: R&eacute;flexions sur l&rsquo;antilep&eacute;nisme ordinaire</i>. Paris: CNRS Editions, 2014.</p>     <p>VAN KESSEL, Stijn &ndash; <i>Populist Parties in Europe: Agents of Discontent?</i>. Palgrave Macmillan, 2015.</p>     <p>Z&Uacute;QUETE, Jos&eacute; Pedro &ndash; <i>Missionary Politics in Contemporary Europe</i>. Syracuse, NY: Syracuse University Press, 2007.</p>     <p>Z&Uacute;QUETE, Jos&eacute; Pedro &ndash; &laquo;A Europa, a extrema-direita, e o isl&atilde;o&raquo;. In <i>Locus: Revista de Hist&oacute;ria</i>. Vol. 18, N.&ordm; 1, pp. 209-240, 2012. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.editoraufjf.com.br/revista/index.php/locus/ article/viewFile/1996/1441" target="_blank">http://www.editoraufjf.com.br/revista/index.php/locus/ article/viewFile/1996/1441</a>.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><i>Data de rece&ccedil;&atilde;o: 28 de mar&ccedil;o de 2016 | Data de aprova&ccedil;&atilde;o: 3 de maio de 2016</i></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>NOTAS</b></p>     <p><Sup><a name="1"></a><a href="#top1">1</a></Sup> BERLIN, Isaiah &ndash; &laquo;To define populism&raquo;. 1 de maio de 1967, p. 6. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://berlin.wolf.ox.ac.uk/lists/bibliography/bib111bLSE.pdf" target="_blank">http://berlin.wolf.ox.ac.uk/lists/bibliography/bib111bLSE.pdf</a>.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><Sup><a name="2"></a><a href="#top2">2</a></Sup> FREEDEN, Michael (org.) &ndash; <i>Reassessing Political Ideologies: The Durability of Dissent</i>. Londres: Routledge, 2001, p. 203.</p>     <p><Sup><a name="3"></a><a href="#top3">3</a></Sup> KALTWASSER, Crist&oacute;bal Rovira &ndash; &laquo;Explaining the emergence of populism&raquo;. <i>In</i> DE LA TORRE, Carlos &ndash; <i>The Promise and Perils of Populism: Global Perspectives</i>. Lexington: University Press of Kentucky, 2015, pp. 191-192.</p>     <p><Sup><a name="4"></a><a href="#top4">4</a></Sup> OSTIGUY, Pierre &ndash; &laquo;Flaunting the &ldquo;Low&rdquo; in politics: a cultural-relational approach to Populism&raquo;.&nbsp;<i>In</i>&nbsp;TAGGART, Paul <i>et al.</i> &ndash; <i>The Oxford Handbook on Populism</i>. Nova York: Oxford University Press, 2017.</p>     <p><Sup><a name="5"></a><a href="#top5">5</a></Sup> DE&nbsp;LA&nbsp;TORRE, Carlos &ndash; &laquo;Las tensiones no resueltas entre el populismo y la democracia procedimental&raquo;. In <i>Recso: Revista de Ciencias Sociales</i>. Vol. 2, Ano 2, 2011, pp. 63-79.</p>     <p><Sup><a name="6"></a><a href="#top6">6</a></Sup> ROBERTS, Kenneth, M. &ndash; &laquo;Populism, political mobilizations, and crises of political representation&raquo;. <i>In</i> DE LA TORRE, Carlos &ndash;&nbsp;<i>The Promise and Perils of Populism: Global Perspectives</i>. Lexington: University Press of Kentucky, 2015, pp. 147-150.</p>     <p><Sup><a name="7"></a><a href="#top7">7</a></Sup> MCCORMICK, John. P. &ndash; &laquo;Contemporary democracy in crisis and the populist cry of pain&raquo;. 3 de junho de 2015, p. 3. Dispon&iacute;vel em: <a href="https://www.academia.edu/22225287/Contemporary_democracy_in_crisis_and_the_populist_cry_of_pain_Public_Lecture_" target="_blank">https://www.academia.edu/22225287/Contemporary_democracy_in_crisis_and_the_populist_cry_of_pain_Public_<i>Lecture</i>_</a>.</p>     <p><Sup><a name="8"></a><a href="#top8">8</a></Sup> CANOVAN, Margaret &ndash; &laquo;Trust the people! Populism and the two faces of democracy&raquo;. In <i>Political Studies</i>. 47, 1999, pp. 4-6.</p>     <p>&#8232;<Sup><a name="9"></a><a href="#top9">9</a></Sup> CHWALISZ, Claudia &ndash; <i>The Populist Signal: Why Politics and Democracy Need to Change</i>. Londres: Policy Network, 2015, p. 97.</p>     <p><Sup><a name="10"></a><a href="#top10">10</a></Sup> MUDDE, Cas, e KALTWASSER, Crist&oacute;bal Rovira &ndash; &laquo;Populism&raquo;.&nbsp;<i>In</i>&nbsp;FREEDEN, Michael, SARGENT, Lyman Tower, e STEARS, Marc &ndash; <i>The Oxford Handbook of Political Ideologies</i>. Nova York: Oxford University Press, 2013, pp. 494-498.</p>     <p><Sup><a name="11"></a><a href="#top11">11</a></Sup> LOWNDES, Joe, e WARREN, Dorian &ndash; &laquo;Occupy Wall Street: a twenty-first century populist movement?&raquo;. In <i>Dissent</i>. Outubro de 21. Dispon&iacute;vel em: <a href="https://www.dissentmagazine.org/online_articles/occupy-wall-street-a-twenty-first-century-populist-movement" target="_blank">https://www.dissentmagazine.org/online_articles/occupy-wall-street-a-twenty-first-century-populist-movement</a>.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><Sup><a name="12"></a><a href="#top12">12</a></Sup> ABROMEIT, John, <i>et al</i>. &ndash; &laquo;Introduction&raquo; &ndash;&nbsp;<i>Transformations of Populism in Europe and&nbsp;the Americas: History and Recent Tendencies</i>. Londres: Bloomsbury, 2016, pp. XV-XIX.</p>     <p><Sup><a name="13"></a><a href="#top13">13</a></Sup> Z&Uacute;QUETE, Jos&eacute; Pedro &ndash;&nbsp;<i>Missionary Politics in Contemporary Europe</i>. Syracuse, NY: Syracuse University Press, 2007, p. 157.</p>     <p><Sup><a name="14"></a><a href="#top14">14</a></Sup> TAGUIEFF, Pierre-Andr&eacute; &ndash; <i>Du diable en politique: R&eacute;flexions sur l&rsquo;antilep&eacute;nisme ordinaire</i>. Paris: CNRS Editions, 2014, pp. 189, 271-272.</p>     <p><Sup><a name="15"></a><a href="#top15">15</a></Sup> Z&Uacute;QUETE, Jos&eacute; Pedro &ndash;&nbsp;<i>Missionary Politics in Contemporary Europe</i>, p. 78.</p>     <p><Sup><a name="16"></a><a href="#top16">16</a></Sup> Z&Uacute;QUETE, Jos&eacute; Pedro &ndash; &laquo;A Europa, a extrema-direita, e o isl&atilde;o&raquo;. In <i>Locus: Revista de Hist&oacute;ria</i>. Vol. 18, N.&ordm; 1, pp. 209--240, 2012. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.editoraufjf.com.br/revista/index.php/locus/ article/viewFile/1996/1441" target="_blank">http://www.editoraufjf.com.br/revista/index.php/locus/ article/viewFile/1996/1441</a>.</p>     <p><Sup><a name="17"></a><a href="#top17">17</a></Sup> Este ponto &eacute; bem explicado, por exemplo, em MUDDE, Cas, e KALTWASSER, Crist&oacute;bal Rovira &ndash; &laquo;Populism&raquo;.&nbsp;<i>In</i>&nbsp;FREEDEN, Michael, SARGENT, Lyman Tower, e STEARS, Marc &ndash; <i>The Oxford Handbook of Political Ideologies</i>. Nova York: Oxford University Press, 2013, p. 504.</p>     <p><Sup><a name="18"></a><a href="#top18">18</a></Sup> PIRRO, Andrea L. P. &ndash;&nbsp;<i>The Populist Radical Right in Central and Eastern Europe: Ideology, Impact, and Electoral Performance</i>. Londres: Routledge, 2015, p. 15.</p>     <p><Sup><a name="19"></a><a href="#top19">19</a></Sup> VAN&nbsp;KESSEL, Stijn &ndash;&nbsp;<i>Populist Parties in Europe: Agents of Discontent?</i>.&nbsp;Palgrave Macmillan, 2015, p. 24.</p>     <p><Sup><a name="20"></a><a href="#top20">20</a></Sup> Citado em TAGUIEFF, Pierre-Andr&eacute; &ndash; <i>Du diable en politique: R&eacute;flexions sur l&rsquo;antilep&eacute;nisme ordinaire</i>. Paris: CNRS&nbsp;Editions, 2014, p. 141.</p>     <p><Sup><a name="21"></a><a href="#top21">21</a></Sup> PEW&nbsp;RESEARCH&nbsp;CENTER &ndash; Report &ndash; 12 de maio de 2014, p. 27. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.pewglobal.org/2014/05/12/a-fragile-rebound-for-eu-image-on-eve-of-european-parliament-elections/" target="_blank">http://www.pewglobal.org/2014/05/12/a-fragile-rebound-for-eu-image-on-eve-of-european-parliament-elections/</a>.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><Sup><a name="22"></a><a href="#top22">22</a></Sup> STANDARD&nbsp;EUROBAROMETER&nbsp;84 &ndash; <i>Public opinion in the European Union</i> &ndash; outono de 2015, p. 9.</p>     <p><Sup><a name="23"></a><a href="#top23">23</a></Sup> MUDDE, Cas &ndash; &laquo;Populist radical right parties in Europe today.&raquo;&nbsp;<i>In</i>&nbsp;Abromeit, John,&nbsp;<i>et al.</i>, &ndash; <i>Transformations of Populism in Europe and the Americas: History and Recent Tendencies</i>. Londres: Bloomsbury, 2016, pp. 300-302.</p>     <p><Sup><a name="24"></a><a href="#top24">24</a></Sup> AFP &ndash; &laquo;Juncker urges&nbsp;EU&nbsp;members to resist &ldquo;populist&rdquo; rejection of migrants&raquo;. 5 de agosto de 2015.</p>     <p><Sup><a name="25"></a><a href="#top25">25</a></Sup> STANDARD&nbsp;EUROBAROMETER 84 &ndash; Public opinion in the European Union, p. 13.</p>     <p><Sup><a name="26"></a><a href="#top26">26</a></Sup> VAN KESSEL, Stijn &ndash; <i>Populist Parties in Europe: Agents of Discontent?</i>, p. 32.</p>      ]]></body><back>
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