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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><b>O IMPACTO DA ELEIÇÃO PRESIDENCIAL NORTE-AMERICANA</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Nota introdut&oacute;ria: O impacto da elei&ccedil;&atilde;o presidencial norte-americana</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Raquel Vaz-Pinto</b></p>     <p>Investigadora do IPRI-NOVA e professora de Estudos Asi&aacute;ticos da FCSH-NOVA. Foi presidente da Associa&ccedil;&atilde;o Portuguesa de Ci&ecirc;ncia Pol&iacute;tica entre 2012 e 2016. O seu &uacute;ltimo livro, <i>Administra&ccedil;&atilde;o Hillary</i>, escrito com Bernardo Pires de Lima, foi editado pela Tinta-da-China, em 2016.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&laquo;George H. W. Bush to vote for Hillary Clinton. A Kennedy outs a Bush who favors a Clinton&raquo;<sup><a href="#1">1</a></sup><a name="top1"></a></p>     <p>Esta ep&iacute;grafe, que reproduz o t&iacute;tulo de um artigo do <i>Politico</i>, resume bem o que est&aacute; em causa nas pr&oacute;ximas elei&ccedil;&otilde;es presidenciais. O antigo presidente que sucedeu a Ronald Reagan ter&aacute; dito a Kathleen Townsend, filha de Robert Kennedy, que iria votar em Hillary Clinton. Esta &laquo;hist&oacute;ria&raquo;, que cruza as tr&ecirc;s grandes fam&iacute;lias pol&iacute;ticas dos Estados Unidos, &eacute; um excelente bar&oacute;metro do <i>mainstream</i> democrata e republicano. Ao contr&aacute;rio de Donald Trump, &eacute; poss&iacute;vel descortinar o pensamento da candidata democrata Hillary Rodham Clinton, tendo em conta a sua longa carreira &laquo;p&uacute;blica&raquo;. Desde logo, temos o incontorn&aacute;vel artigo na <i>Foreign Policy</i> intitulado &laquo;America&rsquo;s pacific century&raquo;, que escreveu na sua qualidade de secret&aacute;ria de Estado, e tamb&eacute;m dois livros de mem&oacute;rias, entre muitos documentos<sup><a href="#2">2</a></sup><a name="top2"></a>.</p>     <p>Assim, dever&iacute;amos estar a discutir a eventualidade de, pela primeira vez, os Estados Unidos terem uma mulher chefe de Estado. No entanto, quem tem estado sob todos os holofotes &laquo;positivos&raquo; tem sido o candidato do Partido Republicano. O seu trajeto tem desafiado tudo e todos. De certa forma, o &laquo;Grand Old Party&raquo; tem sido objeto de muitas an&aacute;lises nos &uacute;ltimos tempos e, em particular, nos oito anos da Administra&ccedil;&atilde;o Obama. Por exemplo, em 2013, Daniel Drezner escreveu um artigo na <i>Foreign Affairs</i> intitulado &laquo;Rebooting Republican foreign policy&raquo;<sup><a href="#3">3</a></sup><a name="top3"></a> sobre o impacto desastroso dos neoconservadores e do Tea Party na defini&ccedil;&atilde;o de uma pol&iacute;tica externa &laquo;republicana&raquo;. O argumento principal deste artigo centrava-se na necessidade de n&atilde;o deixar o partido &laquo;ref&eacute;m&raquo; destes dois grupos. Mas tr&ecirc;s anos depois n&atilde;o &eacute; apenas a pol&iacute;tica externa que preocupa o <i>mainstream</i> republicano. Para muitos, o que est&aacute; em causa &eacute; a pr&oacute;pria sobreviv&ecirc;ncia do partido enquanto ator &laquo;moderado&raquo;.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Em bom rigor, o Partido Democrata tamb&eacute;m n&atilde;o escapou &agrave; insatisfa&ccedil;&atilde;o de parte do seu eleitorado. Num artigo recente da revista <i>The Atlantic</i>, Jonathan Rauch analisava os aspetos estruturais que levaram &agrave; ascens&atilde;o de Donald Trump e Bernie Sanders: &laquo;desde a falta de intermedi&aacute;rios pol&iacute;ticos, ao enfraquecimento do papel dos partidos &agrave; quest&atilde;o do financiamento&raquo;<sup><a href="#4">4</a></sup><a name="top4"></a>. Mas tamb&eacute;m &eacute; verdade que a candidatura de Hillary Rodham Clinton foi capaz, com muito esfor&ccedil;o, de ultrapassar a fa&ccedil;&atilde;o antiestablishment na corrida &agrave; nomea&ccedil;&atilde;o democrata. Resta saber se esses eleitores de Bernie Sanders ficar&atilde;o em casa ou se ir&atilde;o mesmo &agrave;s urnas.</p>     <p>Mas ambos os candidatos ter&atilde;o de lidar com o legado da Administra&ccedil;&atilde;o Obama e com um dos seus principais desafios: &laquo;Os EUA encontram-se agora numa encruzilhada importante: &eacute; no Pac&iacute;fico que parece estar o futuro, mas &eacute; no Atl&acirc;ntico que se encontram os seus melhores aliados.&raquo;<sup><a href="#5">5</a></sup><a name="top5"></a> Com o objetivo de analisar a passagem de testemunho da Administra&ccedil;&atilde;o Obama, Diana Soller considera que &laquo;a heran&ccedil;a de Obama relativamente &agrave; ordem internacional &eacute; amb&iacute;gua&raquo; e analisa sobretudo duas interpreta&ccedil;&otilde;es: &laquo;o retraimento estrat&eacute;gico e a acomoda&ccedil;&atilde;o&raquo;. Mais ainda, &laquo;o que n&atilde;o se pode ignorar &eacute; que a ordem internacional, porventura um dos mais invis&iacute;veis e cruciais elementos das rela&ccedil;&otilde;es entre estados, est&aacute; amea&ccedil;ada.&raquo; Como melhor corresponder a este momento internacional ser&aacute; o grande desafio do pr&oacute;ximo presidente.</p>     <p>Depois de feita esta contextualiza&ccedil;&atilde;o que ir&aacute; moldar os pr&oacute;ximos anos, Jos&eacute; Gomes Andr&eacute; explica-nos o percurso de cada candidato. No centro desta an&aacute;lise est&atilde;o as &laquo;prim&aacute;rias&raquo; e como as &laquo;especificidades&raquo; deste processo interno condicionam os partidos na escolha do seu candidato. Mais uma vez, a heterogeneidade interna dos Estados Unidos impera nestas elei&ccedil;&otilde;es. Mas h&aacute; outros fatores importantes, como, por exemplo,</p>     <p>     <blockquote>&laquo;a quest&atilde;o do &ldquo;apoio partid&aacute;rio&rdquo; ocupa tamb&eacute;m um lugar importante, sobretudo no Partido Democrata. Embora a larga maioria dos delegados seja obtida atrav&eacute;s do voto popular, o Partido Democrata criou o conceito de &ldquo;superdelegados&rdquo; (&hellip;) os quais participam na escolha do candidato. Trata-se de um mecanismo de filtragem do voto popular, que procura adicionar-lhe a pondera&ccedil;&atilde;o adscrita ao desempenho de cargos p&uacute;blicos&raquo;.</blockquote>     <p></p>     <p>Para al&eacute;m das caracter&iacute;sticas internas, Jos&eacute; Gomes Andr&eacute; descortina as principais op&ccedil;&otilde;es de ambos os candidatos nos planos externo e interno.</p>     <p>Mas &eacute;, sem d&uacute;vida, a proposta &laquo;republicana&raquo; de Donald Trump que causa mais surpresa. Como foi poss&iacute;vel chegar at&eacute; aqui? Teresa Botelho faz uma viagem no tempo para nos explicar a tradi&ccedil;&atilde;o populista nos Estados Unidos tendo em conta as suas ra&iacute;zes e a sua base de apoio. Ficamos a saber, por exemplo, que &laquo;a ret&oacute;rica anti-imigrante de Trump recicla as posi&ccedil;&otilde;es e exig&ecirc;ncias do chamado Partido Americano, popularmente conhecido como o partido dos <i>Know-Nothing</i> (&laquo;N&atilde;o Sabem Nada&raquo;) que emergiu, na d&eacute;cada de &#1637;&#1632; do s&eacute;culo XIX, munido de uma ret&oacute;rica que associava o descontentamento com o fluxo de imigrantes irlandeses e alem&atilde;es com o acentuado preconceito religioso anticat&oacute;lico, agitando o medo da destrui&ccedil;&atilde;o dos valores americanos amea&ccedil;ados por hordas de camponeses ignorantes obedientes ao Papado, incapazes de absorver as regras e o ethos da cidadania republicana americana. Para al&eacute;m desta an&aacute;lise aprofundada do &laquo;movimento populista norte-americano&raquo; Teresa Botelho chama a aten&ccedil;&atilde;o para o impacto da candidatura de Trump no Partido Republicano. Iremos assistir &agrave; &laquo;implos&atilde;o anunciada do Partido Republicano?&raquo; A ser verdade, estamos perante uma mudan&ccedil;a sist&eacute;mica da pol&iacute;tica norte-americana.</p>     <p>Por &uacute;ltimo, Tiago Moreira de S&aacute; ajuda-nos a perceber, tendo em conta a estrat&eacute;gia norte-americana entre o Pac&iacute;fico e o Atl&acirc;ntico, qual &eacute; o lugar da Europa. A sua an&aacute;lise permite-nos compreender em profundidade o que est&aacute; em causa para Portugal e, em particular, relativamente &agrave; quest&atilde;o da Base das Lajes e os poss&iacute;veis caminhos. Tiago Moreira de S&aacute; apresenta-nos a evolu&ccedil;&atilde;o hist&oacute;rica das rela&ccedil;&otilde;es entre Portugal e os Estados Unidos e constata que &laquo;ainda que o tipo da presen&ccedil;a americana nos A&ccedil;ores se deva vir a alterar, o interesse estrat&eacute;gico dos Estados Unidos no arquip&eacute;lago continuar&aacute;, uma vez que &eacute; de car&aacute;ter permanente, para l&aacute; de altera&ccedil;&otilde;es conjunturais ou mesmo estruturais&raquo;.</p>     <p>Em suma, a elei&ccedil;&atilde;o do chefe de Estado da superpot&ecirc;ncia &eacute; sempre um momento pol&iacute;tico da mais alta import&acirc;ncia. Seguimos estas elei&ccedil;&otilde;es quase como se fossem nossas. Nesta elei&ccedil;&atilde;o, os dois candidatos &agrave; Casa Branca n&atilde;o poderiam ser mais diferentes. Mas o seu impacto dom&eacute;stico e internacional ir&aacute; muito para al&eacute;m do dia 8 de novembro.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>NOTAS</b></p>     <p><Sup><a name="1"></a><a href="#top1">1</a></Sup> SAMUELSOHN, Darren &ndash; &laquo;George H. W. Bush to vote for Hillary Clinton. A Kennedy outs a Bush who favors a Clinton&raquo;. In <i>Politico.</i> 19 de setembro de 2016. (Consultado em: 20 de setembro de 2016). Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.politico.com/story/2016/09/exclusive-george-hw-bush-to-vote-for-hillary228395" target="_blank">http://www.politico.com/story/2016/09/exclusive-george-hw-bush-to-vote-for-hillary228395</a>.</p>     <p><Sup><a name="2"></a><a href="#top2">2</a></Sup> CLINTON, Hillary &ndash; &laquo;America&rsquo;s pacific century&raquo;. In <i>Foreign Policy</i>. N.&ordm; 189, novembro de 2011, pp. 56-63. E tamb&eacute;m CLINTON, Hillary &ndash; <i>Hard Choices</i>. Londres / Nova York: Simon &amp; Schuster, 2014; e Living History. Londres: Headline, 2004.</p>     <p><Sup><a name="3"></a><a href="#top3">3</a></Sup> DREZNER, Daniel &ndash; &laquo;Rebooting Republican foreign policy&raquo;. In Foreign Affairs. Vol. 92, N.&ordm; 1, janeiro-fevereiro de 2013, pp. 143-152.</p>     <p><Sup><a name="4"></a><a href="#top4">4</a></Sup> RAUCH, Jonathan - &ndash; &laquo;What&rsquo;s ailing American politics&raquo;. In <i>The Atlantic</i>. Vol. 318, N.&ordm; 1, julho-agosto de 2016, pp. 51-63.</p>     <p><Sup><a name="5"></a><a href="#top5">5</a></Sup> VAZ-PINTO, Raquel, e LIMA, Bernardo Pires de &ndash; <i>Administra&ccedil;&atilde;o Hillary</i>. Lisboa: Tinta-da-China, 2016, p. 14.</p>      ]]></body>
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