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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Retraimento ou acomodação? A herança de Barack Obama para as potências emergentes e a ordem internacional]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[The epistemic community of IR has been affirming almost unanimously that the United States under Barack Obama had adopted a strategy of retreatment as answer to its decline and the rise other great powers. This article questions those positions by arguing that strategic restraint is easily confused with another strategy, accommodation, as they are very similar in the means, but very different in the ends. Restraint is all about rising back, while accommodation is about acceptance of the rise of other powers and to find ways to negotiate a new design for the international order that makes all actors satisfied - avoid power transition conflict. This paper will conclude that it is too soon to advance an answer to this issue, but tries to underline differences and outcomes for the two possible scenarios.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><b>O IMPACTO DA ELEIÇÃO PRESIDENCIAL NORTE-AMERICANA</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Retraimento ou acomoda&ccedil;&atilde;o? A heran&ccedil;a de Barack Obama para as pot&ecirc;ncias emergentes e a ordem internacional</b></p>     <p><b>Strategic retrenchment or accommodation? Barack Obama&rsquo;s legacy for emerging powers and international order</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Diana Soller</b></p>     <p>Doutoranda em Estudos Internacionais na Universidade de Miami (Fubright Scholar) e investigadora associada do IPRI-NOVA, onde est&aacute; a desenvolver um projeto sobre modelos de ordem internacional.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>RESUMO</b></p>     <p>A comunidade epist&eacute;mica das rela&ccedil;&otilde;es internacionais tem vindo a afirmar, quase de uma forma un&acirc;nime, que Barack Obama escolheu a estrat&eacute;gia de retraimento para fazer face ao decl&iacute;nio norte-americano. Este artigo questiona esta leitura, argumentando que a heran&ccedil;a de Obama relativamente &agrave; ordem internacional &eacute; amb&iacute;gua. Tanto pode ser uma estrat&eacute;gia de retraimento como de acomoda&ccedil;&atilde;o. Ambas s&atilde;o muito semelhantes nos meios, mas muito diferentes nas finalidades, uma vez que a primeira procura um ressurgimento americano no sistema internacional (preferencialmente como &uacute;nica grande pot&ecirc;ncia) e a segunda implica que a Administra&ccedil;&atilde;o aceitou o decl&iacute;nio como inevit&aacute;vel e prepara-se para negociar com as pot&ecirc;ncias emergentes uma forma de partilha de poder que lhe seja vantajosa. Concluiremos que &eacute; muito cedo para saber como &eacute; que o posicionamento americano vai evoluir, mas deixamos uma an&aacute;lise das diferentes estrat&eacute;gias e desej&aacute;veis consequ&ecirc;ncias.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Palavras-chave</b>: Retraimento, acomoda&ccedil;&atilde;o, Barack Obama, pot&ecirc;ncias emergentes, estrat&eacute;gia.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>ABSTRACT</b></p>     <p>The epistemic community of IR has been affirming almost unanimously that the United States under Barack Obama had adopted a strategy of retreatment as answer to its decline and the rise other great powers. This article questions those positions by arguing that strategic restraint is easily confused with another strategy, accommodation, as they are very similar in the means, but very different in the ends. Restraint is all about rising back, while accommodation is about acceptance of the rise of other powers and to find ways to negotiate a new design for the international order that makes all actors satisfied &ndash; avoid power transition conflict. This paper will conclude that it is too soon to advance an answer to this issue, but tries to underline differences and outcomes for the two possible scenarios.</p>     <p><b>Keywords</b>: Retrenchment, accommodation, Barack Obama, raisings powers, strategy.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><i>&laquo;Barack Obama foi o primeiro presidente desde o fim da Guerra Fria que teve de se preocupar com o facto de a Am&eacute;rica poder ser ultrapassada por um (estado) rival.&raquo;</i><i><sup><a href="#1">1</a></sup><a name="top1"></a></i></p>     <p><b>INTRODU&Ccedil;&Atilde;O</b></p>     <p>Nos anos 1980, nos Estados Unidos, a teoria das rela&ccedil;&otilde;es internacionais encheu-se de declinistas. A perce&ccedil;&atilde;o (sabemos agora que errada) de que a Am&eacute;rica estava em decl&iacute;nio perante o seu perigoso rival, a Uni&atilde;o Sovi&eacute;tica, deu origem a um conjunto de trabalhos sobre transi&ccedil;&atilde;o de poder e decl&iacute;nio<sup><a href="#2">2</a></sup><a name="top2"></a> e, talvez mais importante, ao programa do estado da paz democr&aacute;tica<sup><a href="#3">3</a></sup><a name="top3"></a>. Afirmava-se, com base em m&eacute;todos quantitativos e qualitativos, que as democracias se manteriam unidas, com ou sem hegemonia para as sustentar, porque os estados democr&aacute;ticos eram pot&ecirc;ncias satisfeitas com o seu conjunto de valores, e estavam dispostos a defender a sua forma de vida<sup><a href="#4">4</a></sup><a name="top4"></a>. Apoiar-se-iam no momento em que os Estados Unidos j&aacute; n&atilde;o pudessem liderar, uma vez que tinham constitu&iacute;do uma comunidade democr&aacute;tica disposta a defender-se militar, econ&oacute;mica e normativamente dos desafios futuros<sup><a href="#5">5</a></sup><a name="top5"></a>.</p>     <p>O decl&iacute;nio n&atilde;o se verificou, antes pelo contr&aacute;rio, mas estes textos tornaram-se refer&ecirc;ncia para estudos de transi&ccedil;&atilde;o de poder. Afinal, os Estados Unidos eram uma pot&ecirc;ncia hegem&oacute;nica liberal<sup><a href="#6">6</a></sup><a name="top6"></a>, e isso dava-lhes vantagem contra rivais mais propensos a trai&ccedil;&otilde;es pol&iacute;ticas e menos inclinados para alian&ccedil;as permanentes. Seguiu-se, como se sabe, com o fim da Guerra Fria, um pico do poder americano, que come&ccedil;ou a declinar paulatinamente a partir de 2003, com a interven&ccedil;&atilde;o no Iraque<sup><a href="#7">7</a></sup><a name="top7"></a>.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Em 2008, quando o decl&iacute;nio americano se tornou inevitavelmente percet&iacute;vel com o colapso financeiro do sistema banc&aacute;rio, os candidatos presidenciais (Barack Obama e John McCain), bem como diversos acad&eacute;micos (John Ikenberry, Anne-Marie Slaughter, Robert Keohane, Ivo Daalder, James Goldegeier, entre outros), tentaram reinventar as teses dos anos 1980: fizerem planos e propostas para uma liga de democracias, ocidentais e n&atilde;o ocidentais, dispostas a ser o centro de uma ordem internacional (na vers&atilde;o mais soft) ou a fazerem frente aos advers&aacute;rios n&atilde;o democr&aacute;ticos (na vers&atilde;o mais expansionista)<sup><a href="#8">8</a></sup><a name="top8"></a>. Silenciosamente, o projeto foi caindo por falta de entusiasmo em v&aacute;rias partes do globo. Os pr&oacute;prios decisores americanos temiam que a China achasse que o projeto era de car&aacute;ter ofensivo, o que teria consequ&ecirc;ncias t&atilde;o previs&iacute;veis quanto nefastas; a Europa temia a perda de centralidade na hierarquia das alian&ccedil;as americanas e estava demasiado ocupada com a sua pr&oacute;pria decad&ecirc;ncia financeira; e as democracias n&atilde;o ocidentais (com a eventual exce&ccedil;&atilde;o de Israel), n&atilde;o se mostravam particularmente interessadas em fazer parte do clube das alian&ccedil;as permanentes dos Estados Unidos<sup><a href="#9">9</a></sup><a name="top9"></a>. Perdeu-se o <i>momentum</i>.</p>     <p>Depois das elei&ccedil;&otilde;es, veio a cautela de Obama. E hoje, pelos primeiros testemunhos sobre a sua presid&ecirc;ncia, sabe-se que foi para a Casa Branca carregando tr&ecirc;s princ&iacute;pios: uma vontade de envolver os aliados no <i>burden sharing</i> da lideran&ccedil;a; pouca toler&acirc;ncia para interven&ccedil;&otilde;es que &laquo;operassem mudan&ccedil;as sociais&raquo; nos pa&iacute;ses em quest&atilde;o; e uma vis&atilde;o do mundo mais regionalizada do que multilateralizada<sup><a href="#10">10</a></sup><a name="top10"></a>. Mais a mais, Obama arcou com uma pesada heran&ccedil;a: como denota a ep&iacute;grafe, o tabuleiro de xadrez que teve de gerir era mais complexo, o financiamento para lidar com quest&otilde;es de seguran&ccedil;a e defesa muito mais apertado, e havia a necessidade urgente de restaurar a lideran&ccedil;a moral americana, h&aacute; alguns anos em maus len&ccedil;&oacute;is<sup><a href="#11">11</a></sup><a name="top11"></a>.</p>     <p>Todas estas componentes (a predisposi&ccedil;&atilde;o de Obama e o cen&aacute;rio nacional e internacional, incluindo a crise financeira, as guerras do Iraque, Afeganist&atilde;o, L&iacute;bia e S&iacute;ria, bem como a &laquo;primavera &aacute;rabe&raquo;) tornaram-se constrangimentos que n&atilde;o existiam nas administra&ccedil;&otilde;es anteriores e que, de certa forma, lhe reduziram a margem de manobra. Isto sem contar com o facto de que a fraqueza americana, agora percet&iacute;vel pelo mundo fora, criou espa&ccedil;o para a afirma&ccedil;&atilde;o de pot&ecirc;ncias emergentes. Aqueles estados que at&eacute; a&iacute; se consideravam, segundo a literatura, m&eacute;dias pot&ecirc;ncias, passaram a considerar-se (e a ser consideradas) pot&ecirc;ncias com poder e vontade de transformar o mundo. E a agir em conformidade<sup><a href="#12">12</a></sup><a name="top12"></a>.</p>     <p>Rapidamente, Obama come&ccedil;ou a ser visto como o Presidente do retraimento estrat&eacute;gico<sup><a href="#13">13</a></sup><a name="top13"></a>. Como Nixon antes de si, Obama estava a cortar la&ccedil;os internacionais desconfort&aacute;veis e dispendiosos, para poder, mais tarde, ele ou o seu sucessor, relan&ccedil;ar os Estados Unidos como grande pot&ecirc;ncia, talvez at&eacute; a &uacute;nica (outra vez). Tendo em conta que o sucesso de Nixon foi evidente, Obama deveria voltar a usar a mesma estrat&eacute;gia. Desde ent&atilde;o t&ecirc;m-se escrito diversos artigos e alguns livros sobre o m&eacute;rito (e os riscos) desta estrat&eacute;gia, muitas vezes apresentando-a como a &uacute;nica vi&aacute;vel para um decl&iacute;nio condigno e/ou para deter esperan&ccedil;a no futuro<sup><a href="#14">14</a></sup><a name="top14"></a>. Mais, o retraimento estrat&eacute;gico tem sido apontado &ndash; e aqui pode fazer-se um paralelismo com os anos 1980 e a sua insist&ecirc;ncia na interdepend&ecirc;ncia econ&oacute;mica e na paz democr&aacute;tica &ndash; como a &uacute;nica poss&iacute;vel estrat&eacute;gia para garantir a manuten&ccedil;&atilde;o de uma hierarquia, ainda que mais moderada, mas necess&aacute;ria para que o mundo possa continuar a ser govern&aacute;vel.</p>     <p>Se existem pol&iacute;ticas da Administra&ccedil;&atilde;o Obama que podem ser identificadas com uma estrat&eacute;gia de retraimento estrat&eacute;gico, essas mesmas pol&iacute;ticas podem ser equacionadas com uma outra estrat&eacute;gia &ndash; a da acomoda&ccedil;&atilde;o. Ali&aacute;s, as duas s&atilde;o t&atilde;o semelhantes nos meios, que na fase hist&oacute;rica em que nos encontramos s&atilde;o indestrin&ccedil;&aacute;veis. Ter&aacute; Obama referido que o mundo j&aacute; &eacute; multipolar na &laquo;The National Security Strategy of the United States of America&raquo; e no seu &uacute;ltimo &laquo;Discurso sobre o Estado da Uni&atilde;o&raquo; para acalmar os &acirc;nimos dos estados emergentes (o que corresponderia ao retraimento) ou porque acredita realmente que &eacute; preciso dar in&iacute;cio a um processo para acomodar os estados emergentes?</p>     <p>A resposta n&atilde;o &eacute; f&aacute;cil. Primeiro, porque Barack Obama tem sido um presidente amb&iacute;guo em quest&otilde;es de pol&iacute;tica internacional. Como diz Stephen Walt, numa breve avalia&ccedil;&atilde;o da Presid&ecirc;ncia Obama, tendo por base uma s&eacute;rie de entrevistas concedidas &agrave; <i>Atlantic</i>,</p>     <p>     <blockquote>&laquo;O Presidente acredita que h&aacute; quatro grandes alternativas estrat&eacute;gicas para os Estados Unidos: o realismo, o intervencionismo liberal, o internacionalismo e o isolacionismo. A &uacute;ltima alternativa foi completamente rejeitada em detrimento da cren&ccedil;a de que fazer pol&iacute;tica externa relaciona-se com a escolha &agrave; la carte entre as primeiras tr&ecirc;s alternativas. Assim, apesar de algumas cr&iacute;ticas azedas ao intervencionismo da cartilha de Washington, Obama acredita (bem como a maioria do establishment da pol&iacute;tica externa) que os Estados Unidos s&atilde;o uma pot&ecirc;ncia &ldquo;excecional&rdquo; e que a lideran&ccedil;a americana ainda &eacute; &ldquo;indispens&aacute;vel&rdquo;. No fundo, Obama queria o melhor de dois mundos: assumir que o poder norte-americano tem limita&ccedil;&otilde;es e que h&aacute; problemas que podem ser ignorados, ao mesmo tempo que se encontra dispon&iacute;vel para intervir quando interesses vitais est&atilde;o em risco ou o poder dos EUA pode produzir efeitos positivos&raquo;<sup><a href="#15">15</a></sup><a name="top15"></a>.</blockquote>     <p></p>     <p>Ainda que Walt esteja a referir-se a um balan&ccedil;o geral, esta cita&ccedil;&atilde;o &eacute; inteiramente justa para quest&otilde;es de pol&iacute;tica externa. O natural &eacute; que o Presidente Obama n&atilde;o tenha tomado nenhuma decis&atilde;o sobre que estrat&eacute;gia seguir, e a tenha deixado para o pr&oacute;ximo presidente. Da&iacute; que valha a pena escrever este artigo neste momento. N&atilde;o se pretende dar resposta &agrave; pergunta de se os Estados Unidos est&atilde;o a seguir uma estrat&eacute;gia de retraimento ou acomoda&ccedil;&atilde;o. Mas pretende-se real&ccedil;ar as diferen&ccedil;as entre uma e outra, os m&eacute;ritos e dem&eacute;ritos de cada uma, para que possamos reconhecer os passos do pr&oacute;ximo presidente americano relativamente a quest&otilde;es de ordem internacional.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Para isso, este artigo divide-se em tr&ecirc;s partes. A primeira refere-se ao estado da arte: faz um resumo dos &uacute;ltimos vinte e cinco anos e de como os Estados Unidos ficaram limitados a uma destas duas estrat&eacute;gias. Resume tamb&eacute;m aquilo que se conhece das pretens&otilde;es das pot&ecirc;ncias emergentes que s&atilde;o significativamente diferentes umas das outras, apesar de muitas vezes se mostrarem alinhadas sob a lideran&ccedil;a chinesa. A segunda, olha para a rec&eacute;m-criada teoria do &laquo;retraimento estrat&eacute;gico&raquo;<sup><a href="#16">16</a></sup><a name="top16"></a>. Como nos mostra Stephen Sestanovich, est&aacute; longe de ser uma estrat&eacute;gia nova. Foi usada por Eisenhower e Nixon, antes de Obama. Mas apenas agora se come&ccedil;a a teorizar sobre este assunto, da&iacute; a import&acirc;ncia de o abordar academicamente. O retraimento estrat&eacute;gico consiste numa retirada tempor&aacute;ria dos assuntos internacionais n&atilde;o vitais, acompanhada de um refor&ccedil;o da ordem interna e uma consolida&ccedil;&atilde;o de alian&ccedil;as que permitam um ressurgimento internacional com revigorada assertividade. A terceira parte do artigo investiga a possibilidade de os Estados Unidos poderem optar por uma estrat&eacute;gia de acomoda&ccedil;&atilde;o. Trata-se de uma das mais antigas estrat&eacute;gias internacionais (ainda que seja vista com desconfian&ccedil;a devido ao famoso <i>Twenty Years Crisis</i> de E. H. Caar)<sup><a href="#17">17</a></sup><a name="top17"></a> que consiste na negocia&ccedil;&atilde;o faseada entre a pot&ecirc;ncia do <i>statu quo</i> e as pot&ecirc;ncias emergentes, com vista &agrave; cria&ccedil;&atilde;o de uma ordem internacional que esteja de acordo com as prefer&ecirc;ncias de todos os intervenientes. Como a estrat&eacute;gia do retraimento, a acomoda&ccedil;&atilde;o n&atilde;o oferece garantias, mais a mais porque n&atilde;o s&oacute; nunca constou do leque de op&ccedil;&otilde;es dos Estados Unidos, como se pode ver no supracitado excerto de Stephen Walt, como o desenvolvimento de uma ordem internacional liberal, dificilmente aceite por todos mas que os Estados Unidos consideram a &uacute;nica leg&iacute;tima, pode ser um impedimento profundo ao desenvolvimento de outras ideias. A acomoda&ccedil;&atilde;o &eacute;, pois, uma estrat&eacute;gia em que o poder em decl&iacute;nio aceita a sua condi&ccedil;&atilde;o de perda de poder e procura negociar com as pot&ecirc;ncias emergentes um <i>modus vivendi</i> que n&atilde;o destrua completamente a sua posi&ccedil;&atilde;o de pot&ecirc;ncia e, ao mesmo tempo, deixe as outras pot&ecirc;ncias satisfeitas, evitando assim os conflitos caracter&iacute;sticos das transi&ccedil;&otilde;es de poder.</p>     <p>As estrat&eacute;gias de retraimento e acomoda&ccedil;&atilde;o t&ecirc;m sinais exteriores semelhantes, exigem um exaustivo trabalho diplom&aacute;tico, mas t&ecirc;m resultados totalmente diferentes (no caso de resultarem). Assim, e tendo em conta que quem tomar&aacute; as decis&otilde;es fundamentais relativamente &agrave; ordem internacional &eacute; o senhor ou senhora que entrar&aacute; na Sala Oval a partir de janeiro de 2018, as conclus&otilde;es v&atilde;o centrar-se no cruzamento das ideias te&oacute;ricas e na predisposi&ccedil;&atilde;o dos candidatos presidenciais que est&atilde;o em campanha para as elei&ccedil;&otilde;es de novembro.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>O DECL&Iacute;NIO AMERICANO E OS DESAFIOS DOS ESTADOS EMERGENTES</b></p>     <p>O 11 de Setembro transformou os Estados Unidos. Antes de o mundo se confrontar com a exist&ecirc;ncia de uma organiza&ccedil;&atilde;o terrorista com o objetivo ideol&oacute;gico de destruir as sociedades ocidentais e o plano megal&oacute;mano de implementar um novo califado, os Estados Unidos eram, sem sombra para d&uacute;vida e segundo todos os indicadores<sup><a href="#18">18</a></sup><a name="top18"></a>, a &uacute;nica grande pot&ecirc;ncia internacional que n&atilde;o s&oacute; se mantinha a uma dist&acirc;ncia consider&aacute;vel dos seus eventuais competidores, como prosseguia com uma estrat&eacute;gia de democratiza&ccedil;&atilde;o da ordem internacional. Alavancadas pelas palavras de Francis Fukuyama e da sua utopia liberal<sup><a href="#19">19</a></sup><a name="top19"></a>, as administra&ccedil;&otilde;es de George H. W. Bush e Bill Clinton tinham-se empenhado em transformar o mundo num sistema mais democr&aacute;tico, igualit&aacute;rio e pac&iacute;fico. Usaram os mais diversos meios, desde a transforma&ccedil;&atilde;o das organiza&ccedil;&otilde;es internacionais at&eacute; ao uso da for&ccedil;a para travarem guerras pela paz, imporem a democracia pelo exemplo e pela constru&ccedil;&atilde;o de novos estados, e apoiando, sem hesita&ccedil;&otilde;es, todo o tipo de revolu&ccedil;&otilde;es coloridas e grupos internos democr&aacute;ticos em estados menos livres<sup><a href="#20">20</a></sup><a name="top20"></a>. &Agrave; parte da China e da R&uacute;ssia, teimosamente iliberais, nenhum Estado parecia contestar a legitimidade de tais eventos, ou por ach&aacute;-los justos e adequados (Europa)<sup><a href="#21">21</a></sup><a name="top21"></a> ou por n&atilde;o ter poder suficiente para os contestar de forma a n&atilde;o parecer um p&aacute;ria internacional<sup><a href="#22">22</a></sup><a name="top22"></a>.</p>     <p>Depois veio George W. Bush, com um programa internacional conservador e com tend&ecirc;ncias mais isolacionistas<sup><a href="#23">23</a></sup><a name="top23"></a>, e o mundo perguntou-se o que seria uma Am&eacute;rica menos intervencionista. A pergunta n&atilde;o durou muito tempo. Nove meses depois de ter tomado posse Bush v&ecirc;-se confrontado com um ataque terrorista sem precedentes e transforma o seu programa de pol&iacute;tica externa contida numa agenda expansionista, que inclui a guerra preventiva<sup><a href="#24">24</a></sup><a name="top24"></a>, que nunca tinha figurado &ndash; pelo menos explicitamente &ndash; nas estrat&eacute;gias consideradas leg&iacute;timas pelo establishment americano. A utopia liberal ganhou m&uacute;sculos, empurrada por um presidente sem modelos para lidar com o &laquo;inimigo invis&iacute;vel&raquo; e por um gabinete de guerra composto por nacionalistas assertivos e neoconservadores<sup><a href="#25">25</a></sup><a name="top25"></a>, decididos a enfrentar esta amea&ccedil;a sem Estado nem modelos de defesa como uma amea&ccedil;a tradicional.</p>     <p>Invadiu-se o Afeganist&atilde;o, comprovadamente o <i>safe heaven</i> dos terroristas, com a b&ecirc;n&ccedil;&atilde;o da ONU, e depois o Iraque, sob pretexto da legitimidade que os ataques conferiam a interven&ccedil;&otilde;es militares preventivas, e alegando a exist&ecirc;ncia de armas de destrui&ccedil;&atilde;o maci&ccedil;a (que podiam cair em m&atilde;os terroristas) que nunca foram encontradas. A interven&ccedil;&atilde;o no Iraque n&atilde;o teve consequ&ecirc;ncias imediatas, com a vit&oacute;ria r&aacute;pida e decisiva das for&ccedil;as americanas no terreno. Mas abriu um ciclo de questionamento da lideran&ccedil;a moral norte-americana e cedo se percebeu que os Estados Unidos n&atilde;o estavam preparados para o p&oacute;s-guerra, anulando a possibilidade da imposi&ccedil;&atilde;o do objetivo a longo prazo: a democratiza&ccedil;&atilde;o do ca&oacute;tico M&eacute;dio Oriente.</p>     <p>Se j&aacute; havia autores que proclamavam que o Ocidente declinava<i><sup><a href="#26">26</a></sup><a name="top26"></a></i><sup>, </sup>a interven&ccedil;&atilde;o no Iraque foi a primeira estocada moral na supremacia do Estado ainda visto por muitos como o l&iacute;der do mundo livre. A esta seguiram-se mais tr&ecirc;s: a dificuldade de atuar em dois cen&aacute;rios de guerra simultaneamente, que come&ccedil;ou a ser not&oacute;ria por volta de 2005<sup><a href="#27">27</a></sup><a name="top27"></a>; a emerg&ecirc;ncia econ&oacute;mica da China, que em 2008 fez uma organiza&ccedil;&atilde;o impec&aacute;vel dos Jogos Ol&iacute;mpicos de Ver&atilde;o; e a reemerg&ecirc;ncia militar da R&uacute;ssia, que, enquanto os l&iacute;deres internacionais se juntavam em Pequim para o fecho do evento desportivo, invadiu sem cerim&oacute;nias a Ge&oacute;rgia, antiga prov&iacute;ncia da Uni&atilde;o Sovi&eacute;tica manifestamente pr&oacute;-Ocidental, seguida da proclama&ccedil;&atilde;o da &laquo;doutrina Medvedev&raquo;, que definia unilateralmente o direito russo &agrave; sua esfera de influ&ecirc;ncia e prometia repres&aacute;lias a quem passasse dos limites. O Ocidente n&atilde;o respondeu da forma que se esperava. Pelo contr&aacute;rio: a nova presid&ecirc;ncia (Barack Obama) ofereceu a sua amizade &agrave; R&uacute;ssia, que a declinou<sup><a href="#28">28</a></sup><a name="top28"></a>.</p>     <p>A terceira estocada veio em setembro de 2008, dois meses antes das elei&ccedil;&otilde;es presidenciais, com o colapso da economia americana, que rapidamente se espalhou pelos pa&iacute;ses mais industrializados, poupando os estados em vias de desenvolvimento, que pela primeira vez na hist&oacute;ria se candidatavam, atrav&eacute;s de a&ccedil;&otilde;es e ret&oacute;rica mais ou menos assertiva, a ocupar a posi&ccedil;&atilde;o de grandes pot&ecirc;ncias internacionais. J&aacute; respeitados nas suas regi&otilde;es como estados poderosos ou mesmo hegem&oacute;nicos<sup><a href="#29">29</a></sup><a name="top29"></a>, a China (principalmente), a R&uacute;ssia (com menos margem de manobra econ&oacute;mica, mas uma grande vontade pol&iacute;tica de se tornar uma pot&ecirc;ncia), a &Iacute;ndia (desejosa de se ver livre da omnipresen&ccedil;a americana), e o Brasil (que desde os anos 1960 esperava por uma oportunidade para se impor relativamente ao gigante vizinho) come&ccedil;aram a contestar o poder norte-americano.</p>     <p>Como se afirmou no in&iacute;cio, nem todos os estados (at&eacute; pelo seu poder econ&oacute;mico-militar e as suas potencialidades internacionais) procuram o mesmo. Sabemos hoje que a R&uacute;ssia &eacute; um Estado revisionista, mas podemos calcular que prefere manter-se na sua esfera de influ&ecirc;ncia. A &Iacute;ndia e o Brasil procuram essencialmente tr&ecirc;s coisas: prest&iacute;gio internacional e maior representatividade nas decis&otilde;es transnacionais (de prefer&ecirc;ncia associados a um lugar no Conselho de Seguran&ccedil;a das Na&ccedil;&otilde;es Unidas)<sup><a href="#30">30</a></sup><a name="top30"></a>; menos interven&ccedil;&atilde;o americana nos seus territ&oacute;rios; e uma ordem internacional mais justa, i.e., com maior preponder&acirc;ncia nos valores liberais cl&aacute;ssicos da soberania e do pluralismo, e uma ordem econ&oacute;mica que lhes d&ecirc; mais oportunidades<sup><a href="#31">31</a></sup><a name="top31"></a>.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A China prometeu uma ascend&ecirc;ncia pac&iacute;fica, mas tem feito cada vez mais press&atilde;o nos seus vizinhos para que estes n&atilde;o cedam ao &laquo;piv&ocirc; da &Aacute;sia&raquo;, e tem vindo a desenvolver uma agenda global alternativa &agrave; dos Estados Unidos. Em termos de seguran&ccedil;a, a Organiza&ccedil;&atilde;o de Coopera&ccedil;&atilde;o de Xangai tem-se mantido como um f&oacute;rum em que pot&ecirc;ncias &laquo;insatisfeitas&raquo;<sup><a href="#32">32</a></sup><a name="top32"></a> e a recente iniciativa de revitaliza&ccedil;&atilde;o das Rotas da Seda, bem como da tentativa de dominar o mar do Sul da China t&ecirc;m revelado alguma assertividade que j&aacute; se vinha tornando aparente nos &uacute;ltimos anos. J&aacute; quanto &agrave; ordem econ&oacute;mica, a China projetou o &laquo;capitalismo de Estado&raquo; (inventado em Singapura) e projetou-o internacionalmente, primeiro projetando investimento estrangeiro noutros estados (a maioria esquecidos pelas grandes pot&ecirc;ncias) criando as suas pr&oacute;prias redes de interdepend&ecirc;ncia econ&oacute;mica, depois atrav&eacute;s das ins&iacute;pidas cimeiras dos BRICS, que acabaram por se traduzir na cria&ccedil;&atilde;o de institui&ccedil;&otilde;es internacionais alternativas &agrave;s constitu&iacute;das pelo Ocidente<sup><a href="#33">33</a></sup><a name="top33"></a>. N&atilde;o ser&atilde;o estes desafios suficientes para se pensar numa estrat&eacute;gia para preparar o futuro?</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>RETRAIMENTO, OU A ESTRAT&Eacute;GIA DA PACI&Ecirc;NCIA</b></p>     <p>Apesar do excelente trabalho que tem sido feito acerca das quest&otilde;es do retraimento estrat&eacute;gico, &eacute; necess&aacute;rio come&ccedil;ar com duas advert&ecirc;ncias: a primeira &eacute; que se usa a express&atilde;o &laquo;retraimento&raquo; (<i>retrenchment</i><i>)</i> para designar duas coisas diferentes: por um lado, historiadores como Stephen Sestanovich argumentam que o retraimento faz parte de ciclos hist&oacute;ricos, que surgem depois de grandes pot&ecirc;ncias terem estendido os seus recursos at&eacute; ao limite<sup><a href="#34">34</a></sup><a name="top34"></a>. Neste caso, Obama parece ser um cl&aacute;ssico presidente em retraimento como Dwight Eisenhower e Richard Nixon. Retraimento, neste contexto, &eacute; definido como &laquo;retirar, gastar menos, diminuir os riscos, e passar aos aliados parte do fardo de lideran&ccedil;a&raquo;, segundo Stephen Sestanovich, um especialista em pol&iacute;tica externa presidencial do Council on Foreign Relations. &laquo;Se John McCain tivesse sido eleito em 2008 ainda ter&iacute;amos um certo grau de retraimento&raquo;, disse Sestanovich, &laquo;porque era o que o pa&iacute;s queria.&raquo;<sup><a href="#35">35</a></sup><a name="top35"></a> Ora este conceito &eacute; iminentemente hist&oacute;rico e sist&eacute;mico e est&aacute; completamente desligado do conceito estrat&eacute;gico de que pretendemos falar aqui: uma escolha consciente que um presidente faz, n&atilde;o apenas tendo em conta os fatores nacionais e internacionais, mas as suas pr&oacute;prias prefer&ecirc;ncias na hierarquia de prioridades.</p>     <p>A segunda advert&ecirc;ncia &eacute; tamb&eacute;m uma cr&iacute;tica. Os realistas como Paul K. MacDonald e Joseph M. Parent, que s&atilde;o, como j&aacute; foi referido, os autores que mais se t&ecirc;m debru&ccedil;ado sobre o problema do retraimento estrat&eacute;gico<sup><a href="#36">36</a></sup><a name="top36"></a>, d&atilde;o pouco cr&eacute;dito ao conceito de acomoda&ccedil;&atilde;o, muitas vezes confundindo-o com o de retraimento como sendo uma e a mesma coisa<sup><a href="#37">37</a></sup><a name="top37"></a>. N&atilde;o &eacute;. Teoricamente, o retraimento estrat&eacute;gico est&aacute; em di&aacute;logo com a teoria da transi&ccedil;&atilde;o de poder e a teoria do equil&iacute;brio de poder &ndash; que querem refutar e evidenciar, respetivamente<sup><a href="#38">38</a></sup><a name="top38"></a> &ndash; e as teorias de pol&iacute;tica externa &ndash; para as quais querem contribuir. Estes e outros autores t&ecirc;m vindo a reconhecer que as quatro estrat&eacute;gias tradicionais &ndash; o isolacionismo, a conten&ccedil;&atilde;o, o liberalismo internacionalista e a primazia<sup><a href="#39">39</a></sup><a name="top39"></a> &ndash; com as devidas altera&ccedil;&otilde;es adaptadas ao momento presente, s&atilde;o manifestamente insuficientes para a manuten&ccedil;&atilde;o da lideran&ccedil;a americana no sistema internacional de hoje. Assim, v&ecirc;m acrescentar novos dados emp&iacute;ricos, defendendo a bondade de uma estrat&eacute;gia que j&aacute; existia, mas n&atilde;o tinha sido enunciada, nem suficientemente estudada para atingir esse estatuto. O resultado pr&aacute;tico &eacute; misto. Por um lado, temos uma nova abordagem que pode esclarecer e sugerir novos caminhos quer na pol&iacute;tica, quer na investiga&ccedil;&atilde;o das ci&ecirc;ncias sociais. Por outro, temos o problema cl&aacute;ssico do eurocentrismo (ou atl&acirc;ntico-centrismo, para usar um termo mais adequado ao momento hist&oacute;rico atual). H&aacute; li&ccedil;&otilde;es pol&iacute;ticas para a (ainda) &uacute;nica grande pot&ecirc;ncia (em decl&iacute;nio), mas devota-se pouqu&iacute;ssima aten&ccedil;&atilde;o ao outro lado da equa&ccedil;&atilde;o: as pot&ecirc;ncias emergentes e os seus desejos relativamente &agrave; futura ordem internacional. E a estrat&eacute;gia de acomoda&ccedil;&atilde;o &eacute; praticamente o contr&aacute;rio.</p>     <p>Feitas estas advert&ecirc;ncias, vamos ao &laquo;retraimento estrat&eacute;gico&raquo;. Deve ser entendido como &laquo;uma mudan&ccedil;a sustentada e significativa para uma grande estrat&eacute;gia menos ambiciosa (&hellip;) uma pol&iacute;tica de diminui&ccedil;&atilde;o dos custos totais da pol&iacute;tica externa dos estados em resposta a um agudo decl&iacute;nio relativo&raquo;<sup><a href="#40">40</a></sup><a name="top40"></a>. Para isso, os estados t&ecirc;m ao seu dispor um n&uacute;mero significativo de t&aacute;ticas. Entre elas est&aacute; a redu&ccedil;&atilde;o de gastos na defesa aplicados no fortalecimento econ&oacute;mico interno, o uso de alian&ccedil;as permanentes numa tentativa de <i>burden sharing</i> com estados com os mesmos objetivos estrat&eacute;gicos, ou mesmo a suspens&atilde;o de alian&ccedil;as mais dispendiosas que eficazes. Por outras palavras, trata-se de &laquo;reduzir riscos atrav&eacute;s da supress&atilde;o de fraquezas na pol&iacute;tica externa, ratificando os objetivos de pol&iacute;tica externa em determinadas &aacute;reas geogr&aacute;ficas, ou diminuindo o grau de import&acirc;ncia atribu&iacute;do a algumas quest&otilde;es&raquo;<sup><a href="#41">41</a></sup><a name="top41"></a>.</p>     <p>Ora, esta estrat&eacute;gia tem uma grande desvantagem e uma grande vantagem: a desvantagem &eacute; que comporta um enfraquecimento for&ccedil;ado pela pr&oacute;pria pot&ecirc;ncia ainda dominante, e que tem garantido o <i>statu quo</i> e a ordem internacional. A retirada, ainda que tempor&aacute;ria, pode ter, pelo menos, dois riscos graves: (1) o da cria&ccedil;&atilde;o de um vazio de poder que pode ser ocupado pelo caos (veja-se as consequ&ecirc;ncias da quase-aus&ecirc;ncia americana no p&oacute;s-&laquo;primavera &aacute;rabe&raquo;)<sup><a href="#42">42</a></sup><a name="top42"></a>, ou (2), por pot&ecirc;ncias emergentes, ansiosas por ter um papel mais importante no sistema internacional (veja-se o aproveitamento chin&ecirc;s do decl&iacute;nio americano descrito na sec&ccedil;&atilde;o anterior).</p>     <p>No entanto, apesar dos riscos que esta estrat&eacute;gia comporta, ela pode tamb&eacute;m ser a &uacute;nica solu&ccedil;&atilde;o para dois problemas usualmente associados ao decl&iacute;nio &ndash; sendo esta a sua grande vantagem. Por um lado, Joseph Parent e Paul McDonald desafiam a literatura convencional argumentando que o retraimento estrat&eacute;gico evitou guerras hegem&oacute;nicas<sup><a href="#43">43</a></sup><a name="top43"></a>. A literatura cl&aacute;ssica e os seus seguidores recentes avisam que as guerras hegem&oacute;nicas est&atilde;o associadas a um de dois fatores: ou uma guerra preventiva desencadeada pelos poderes em posi&ccedil;&atilde;o de <i>statu quo</i><i>,</i> para evitar que o seu advers&aacute;rio mais direto chegue a tornar-se uma grande pot&ecirc;ncia; ou, pelo contr&aacute;rio, as pot&ecirc;ncias revisionistas ganham for&ccedil;a e entendem estar em condi&ccedil;&otilde;es de obter, atrav&eacute;s da guerra ou da coer&ccedil;&atilde;o, o estatuto de grande pot&ecirc;ncia que almejam. Uma publica&ccedil;&atilde;o recente enumera todos os casos existentes nos &uacute;ltimos dois s&eacute;culos, reclamando que, por um ou outro motivo, nos casos em que houve transi&ccedil;&atilde;o houve, quase sempre, viol&ecirc;ncia<sup><a href="#44">44</a></sup><a name="top44"></a>. Ora, a retirada do Estado que det&eacute;m o <i>statu quo </i>de muitos assuntos complexos e criadores de potenciais rivalidades locais e regionais pode ter a vantagem de amortecer este perigo.</p>     <p>A estrat&eacute;gia tem estado fora das op&ccedil;&otilde;es do leque americano por tr&ecirc;s raz&otilde;es: nos casos em que a estrat&eacute;gia surtiu efeitos positivos (no tempo de Nixon, por exemplo), esta simplesmente n&atilde;o foi vista como uma estrat&eacute;gia aut&oacute;noma, mas como uma cambiante da conten&ccedil;&atilde;o, a chamada d&eacute;tente; segundo, porque os casos de n&atilde;o conflito s&atilde;o tamb&eacute;m n&atilde;o casos, nas rela&ccedil;&otilde;es internacionais &ndash; da&iacute; serem muito pouco estudados at&eacute; aparecer um paralelismo, como no caso presente; terceiro, os presidentes n&atilde;o anunciam que est&atilde;o em retraimento estrat&eacute;gico. Fazem-no, simplesmente, ensurdecendo-se relativamente &agrave;s previs&otilde;es declinistas acad&eacute;micas e &agrave;s alternativas que, do seu ponto de vista, n&atilde;o t&ecirc;m a possibilidade de aproveitar. Aqui, reconhece-se Obama e as suas tentativas exaustivas de diplomacia acompanhadas pelo discurso de lideran&ccedil;a liberal.</p>     <p>O que nos leva &agrave; segunda solu&ccedil;&atilde;o que Parent e MacDonald consideram a mais eficaz, quer em termos quantitativos (o n&uacute;mero de ocorr&ecirc;ncias), quer em termos de resultados (o n&uacute;mero de ocorr&ecirc;ncias positivas). Segundo os autores, o retraimento &eacute; a estrat&eacute;gia mais comum em casos de decl&iacute;nio, n&atilde;o s&oacute; porque os estados que est&atilde;o a perder poder ainda s&atilde;o mais eficazes que os revisionistas, como porque se as pot&ecirc;ncias de <i>statu quo</i> tiverem uma situa&ccedil;&atilde;o interna funcional (condi&ccedil;&atilde;o necess&aacute;ria para um resultado positivo da estrat&eacute;gia do retraimento), os estados ganham tempo suficiente para se refor&ccedil;arem internamente, reavivarem velhas alian&ccedil;as e constru&iacute;rem novas. Assim, o per&iacute;odo de retraimento permite o restabelecimento das grandes pot&ecirc;ncias, reequilibrando o <i>statu quo ante</i><sup><a href="#45">45</a></sup><a name="top45"></a>.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Os autores avisam que nem sempre &eacute; este o resultado final: os vazios de poder t&ecirc;m riscos e as rela&ccedil;&otilde;es internacionais s&atilde;o terreno f&eacute;rtil para choques end&oacute;genos e ex&oacute;genos nestes momentos de incerteza<sup><a href="#46">46</a></sup><a name="top46"></a>. Especialmente nesta primeira fase de transi&ccedil;&atilde;o de poder, em que muito est&aacute; por decidir, sendo provavelmente o mais importante, uma resposta que s&oacute; o tempo se encarregar&aacute; de dar: a manuten&ccedil;&atilde;o da China numa rota de desenvolvimento suficientemente est&aacute;vel, para que a sua economia ultrapasse a dos Estados Unidos j&aacute; na pr&oacute;xima d&eacute;cada, como est&aacute; previsto<sup><a href="#47">47</a></sup><a name="top47"></a>. No entanto, os autores v&atilde;o argumentando e provando que o resultado menos favor&aacute;vel ser&aacute; a manuten&ccedil;&atilde;o da paz, e que, em condi&ccedil;&otilde;es favor&aacute;veis, os Estados Unidos poder&atilde;o regressar ao seu lugar cimeiro na hierarquia de poder.</p>     <p>Em &uacute;ltima an&aacute;lise, sendo o retraimento estrat&eacute;gico bem-sucedido, este seria a porta que daria continuidade &agrave; ordem liberal americana e &agrave; integra&ccedil;&atilde;o, nuns casos por consentimento, noutros por coa&ccedil;&atilde;o<sup><a href="#48">48</a></sup><a name="top48"></a>, na ordem internacional, a qual os americanos ainda n&atilde;o deram um passo para modificar. Mas &eacute; uma estrat&eacute;gia de riscos, de anseios, e de paci&ecirc;ncia. E, nesse aspeto, Obama parece favorecer um crescimento est&aacute;vel da China, para a poder acomodar<sup><a href="#49">49</a></sup><a name="top49"></a>.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>ACOMODA&Ccedil;&Atilde;O, OU A ESTRAT&Eacute;GIA DA NEGOCIA&Ccedil;&Atilde;O</b></p>     <p>A ideia de estrat&eacute;gia de acomoda&ccedil;&atilde;o arrasta consigo tr&ecirc;s problemas. O primeiro, &eacute; que a sua fonte te&oacute;rica mais importante, E. H. Carr, fez uma brilhante defesa moral e pol&iacute;tica deste posicionamento, no s&iacute;tio errado &agrave; hora errada. Na verdade, Carr usou a palavra <i>appeasement</i>, que pode ter um significado muito mais lato. No entanto, f&ecirc;-lo nas v&eacute;speras da Segunda Guerra Mundial, alegando que n&atilde;o s&oacute; era moralmente justo acomodar a Alemanha, a Uni&atilde;o Sovi&eacute;tica e o Jap&atilde;o no sistema das decis&otilde;es internacionais, uma vez que estes tinham conquistado uma posi&ccedil;&atilde;o internacional de poder e prest&iacute;gio por m&eacute;rito pr&oacute;prio, como n&atilde;o o fazer teria consequ&ecirc;ncias para a estabilidade do sistema internacional<sup><a href="#50">50</a></sup><a name="top50"></a> .</p>     <p>A teimosia ocidental de se lhes opor (ainda que numa estrat&eacute;gia de conten&ccedil;&atilde;o) acabaria por degenerar em conflito, uma vez que nenhum Estado poderoso aceitaria ficar de fora das decis&otilde;es internacionais. N&atilde;o fossem as pot&ecirc;ncias ascendentes a Alemanha nazi, o Jap&atilde;o imperial e a Uni&atilde;o Sovi&eacute;tica de Estaline, talvez o argumento, aparentemente correto em termos te&oacute;ricos realistas, tivesse ganho asas. Esta desaven&ccedil;a entre a teoria e a hist&oacute;ria continua a ter consequ&ecirc;ncias. Como argumenta T. V. Paul, h&aacute; uma <i>realist bias</i> relativamente &agrave; acomoda&ccedil;&atilde;o, seguida por todas as outras escolas racionalistas (neoliberalismo e construtivismo) que se centram demasiado na pot&ecirc;ncia decadente, e acreditam que o equil&iacute;brio de poder &eacute;, por si s&oacute;, uma forma de acomoda&ccedil;&atilde;o<sup><a href="#51">51</a></sup><a name="top51"></a>.</p>     <p>Os segundo e terceiro problemas est&atilde;o interligados. Por um lado, a estrat&eacute;gia de acomoda&ccedil;&atilde;o nunca esteve no leque das op&ccedil;&otilde;es norte-americanas. Desde o princ&iacute;pio da sua hist&oacute;ria a Am&eacute;rica foi uma pot&ecirc;ncia ascendente: ganhou a sua independ&ecirc;ncia da Inglaterra, expandiu o seu territ&oacute;rio, tornou-se a pot&ecirc;ncia regional no hemisf&eacute;rio ocidental, foi acomodada pela Gr&atilde;-Bretanha no final do s&eacute;culo XIX, tentou transformar a ordem internacional no princ&iacute;pio do s&eacute;culo XX, e conseguiu-o a seguir &agrave; Segunda Guerra Mundial, construindo uma ordem liberal internacional t&atilde;o revisionista quanto internacionalista, com aliados, mas sem rival, no mundo livre. Passou quarenta anos em Guerra Fria com o seu rival militar e ideol&oacute;gico e ganhou, tornando-se a &uacute;nica pot&ecirc;ncia global. Adotou uma estrat&eacute;gia de primazia que visava n&atilde;o s&oacute; manter o seu lugar cimeiro no mundo o mais tempo poss&iacute;vel, como expandir a sua agenda liberal e universalista o mais longe poss&iacute;vel<sup><a href="#52">52</a></sup><a name="top52"></a>.</p>     <p>&Eacute; por isso natural que, confrontado pela primeira vez com o decl&iacute;nio, a acomoda&ccedil;&atilde;o n&atilde;o seja a primeira op&ccedil;&atilde;o na lista do (ou da) Presidente americano. Al&eacute;m disso, o tema n&atilde;o tem sido suficientemente estudado por acad&eacute;micos americanos, que t&ecirc;m preferido reter a sua aten&ccedil;&atilde;o nas formas de continuidade de poder e n&atilde;o de decl&iacute;nio &ndash; uma das realidades internacionais mais dif&iacute;ceis de aceitar. Mas, mais importante, a acomoda&ccedil;&atilde;o n&atilde;o depende apenas dos Estados Unidos, mas das pot&ecirc;ncias emergentes e das suas exig&ecirc;ncias. E ainda h&aacute; grande desconhecimento quer lingu&iacute;stico, quer hist&oacute;rico, quer das pol&iacute;ticas externas dos estados que querem concorrer &agrave; ordem global. N&atilde;o &eacute; por acaso que os estudos de &aacute;rea t&ecirc;m perdido interesse. E sem este conhecimento &eacute; muito dif&iacute;cil fazer uma transi&ccedil;&atilde;o pac&iacute;fica, uma vez que o fator &laquo;afinidade&raquo;, crucial na acomoda&ccedil;&atilde;o dos Estados Unidos pela Gr&atilde;-Bretanha<sup><a href="#53">53</a></sup><a name="top53"></a> , n&atilde;o existe nas rela&ccedil;&otilde;es hist&oacute;ricas dos Estados Unidos com os estados emergentes. Autores estrangeiros t&ecirc;m-se dedicado a tentar fazer essa ponte, mas ainda &eacute; claramente insuficiente<sup><a href="#54">54</a></sup><a name="top54"></a> .</p>     <p>Num recente volume organizado por T. V. Paul, a acomoda&ccedil;&atilde;o &ndash; definida como &laquo;a adapta&ccedil;&atilde;o e aceita&ccedil;&atilde;o m&uacute;tua por poderes estabelecidos e emergentes, e a elimina&ccedil;&atilde;o ou redu&ccedil;&atilde;o substancial da hostilidade entre eles&raquo;<sup><a href="#55">55</a></sup><a name="top55"></a> &ndash; &eacute; descrita como um processo verdadeiramente dif&iacute;cil, uma vez que &laquo;envolve um ajuste de estatuto, a partilha de pap&eacute;is de lideran&ccedil;a pelo acordo com a perten&ccedil;a a organiza&ccedil;&otilde;es internacionais e aos seus benef&iacute;cios, e a aceita&ccedil;&atilde;o de esferas de influ&ecirc;ncia: algo que os poderes estabelecidos raramente oferecem aos rec&eacute;m-chegados&raquo;, ainda que n&atilde;o envolva, necessariamente, amizade entre estados ou alian&ccedil;as. Nem &eacute; inibidor de competi&ccedil;&atilde;o entre estados. Mas exige respeito m&uacute;tuo &ndash; da&iacute; a import&acirc;ncia da demarca&ccedil;&atilde;o de esferas de influ&ecirc;ncia &ndash; um m&iacute;nimo denominador comum no que respeita &agrave;s regras da conviv&ecirc;ncia internacional<sup><a href="#56">56</a></sup><a name="top56"></a>, e, tamb&eacute;m muito dif&iacute;cil, a aceita&ccedil;&atilde;o de que &eacute; um processo &laquo;longo&raquo; e &laquo;gradual&raquo;, uma vez que implica que &laquo;os estados em competi&ccedil;&atilde;o aceitem as normas cruciais da ordem existente como leg&iacute;timas e v&aacute;lidas&raquo;<sup><a href="#57">57</a></sup><a name="top57"></a> (torna-se evidente que o retraimento estrat&eacute;gico &eacute; bem mais apetec&iacute;vel para os Estados Unidos).</p>     <p>Mais, uma estrat&eacute;gia de acomoda&ccedil;&atilde;o tem de ter pelo menos quatro vertentes e uma dificuldade &agrave; partida: as quatro vertentes s&atilde;o: (1) ideol&oacute;gico-normativa, (2) territorial, (3) econ&oacute;mica, e (4) institucional; a dificuldade &eacute; que os estados candidatos a grandes pot&ecirc;ncias est&atilde;o em diferentes n&iacute;veis de evolu&ccedil;&atilde;o, procurando vantagens diferentes<sup><a href="#58">58</a></sup><a name="top58"></a>. Seria menos dif&iacute;cil para Obama negociar as quest&otilde;es da territorialidade &ndash; uma vez que o Presidente tem denotado a vontade de deixar esferas de influ&ecirc;ncia entregues aos estados hegem&oacute;nicos regionais<sup><a href="#59">59</a></sup><a name="top59"></a> &ndash;, e da institucionaliza&ccedil;&atilde;o &ndash; desencadeando um processo de ades&atilde;o de novos membros permanentes nas Na&ccedil;&otilde;es Unidas, processo que devido &agrave; sua morosidade n&atilde;o teria de completar, e deixaria de heran&ccedil;a ao seu sucessor. As quest&otilde;es ideol&oacute;gicas e normativas (bem como as econ&oacute;micas que n&atilde;o s&atilde;o mais que uma extens&atilde;o das anteriores)<sup><a href="#60">60</a></sup><a name="top60"></a> seriam muit&iacute;ssimo mais dif&iacute;ceis de negociar. Como referido anteriormente, os Estados Unidos t&ecirc;m um grande apego &agrave; sua ordem internacional universalista e ao seu excecionalismo<sup><a href="#61">61</a></sup><a name="top61"></a>. Desistir da ordem internacional valorativa que criaram para uma menos entrecruzada com a democracia, como as pot&ecirc;ncias ascendentes preferem, ser&aacute; sempre uma dificuldade acrescida relativamente &agrave;s ordens internacionais anteriores<sup><a href="#62">62</a></sup><a name="top62"></a>. Da&iacute; que a forte normatividade e respetiva institucionaliza&ccedil;&atilde;o &ndash; descrita pelos autores liberais como uma das maiores qualidades da ordem internacional americana &ndash; possa vir a tornar-se um impedimento significativo.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>No entanto, Paul, que faz um dos primeiros trabalhos completos, como editor, sobre a quest&atilde;o da acomoda&ccedil;&atilde;o, esquece-se de enumerar duas quest&otilde;es fundamentais. A primeira &eacute; que pelo menos tr&ecirc;s fatores tornam os estados ascendentes muito diferentes: a posi&ccedil;&atilde;o geoestrat&eacute;gica, o est&aacute;dio de desenvolvimento econ&oacute;mico e a hist&oacute;ria de cada um. Estas diferen&ccedil;as desencadeiam n&atilde;o s&oacute; diferentes mundivis&otilde;es, como diferentes formas de encarar o papel internacional que cada Estado quer ter no mundo p&oacute;s-americano.</p>     <p>A China, por exemplo, &eacute; o mais perigoso competidor dos Estados Unidos. No entanto, Washington e Pequim foram os protagonistas no sucesso da Cimeira do Clima em Paris. Mas s&atilde;o assumidamente rivais em muitas outras vertentes. Sendo o Estado mais importante na transi&ccedil;&atilde;o de poder, poderia esperar-se, de uma perspetiva realista, que Obama come&ccedil;asse por acomodar Pequim (o que o Presidente parece querer fazer). Por outro lado, os liberais tenderiam a insistir (e Obama n&atilde;o deixa essa hip&oacute;tese de lado) que uma liberaliza&ccedil;&atilde;o da China &eacute; poss&iacute;vel, mais a mais hoje em que &laquo;o sentimento geral &eacute; que uma mudan&ccedil;a fundamental &eacute; agora necess&aacute;ria, devido &agrave; subida do n&uacute;mero de protestos, corrup&ccedil;&atilde;o, desigualdade e a aus&ecirc;ncia de provid&ecirc;ncia de Estado social&raquo;<sup><a href="#63">63</a></sup><a name="top63"></a>.</p>     <p>Por outro lado, a &Iacute;ndia n&atilde;o parece querer competir por poder militar, mas tem prefer&ecirc;ncias normativas firmes, que a t&ecirc;m impedido de avan&ccedil;ar naquilo que o autor chama &laquo;acomoda&ccedil;&atilde;o simb&oacute;lica&raquo; em que Washington e Nova Deli est&atilde;o envolvidos desde 2005<sup><a href="#64">64</a></sup><a name="top64"></a>. Mas procura transformar a ordem internacional normativa num liberalismo menos internacionalista e mais pluralista, em que a democracia e a sua expans&atilde;o n&atilde;o estejam no centro das regras do jogo, e onde possa representar os interesses do hemisf&eacute;rio sul, papel em que se sente confort&aacute;vel desde o tempo de Jawaharlal Nehru<sup><a href="#65">65</a></sup><a name="top65"></a>. Ora se a &Iacute;ndia n&atilde;o &eacute; um Estado fundamental na transi&ccedil;&atilde;o de poder, porque oferece poucas hip&oacute;teses de conflito, o alinhamento ou neutralidade indianas poder&atilde;o fazer uma profunda diferen&ccedil;a na interrup&ccedil;&atilde;o ou continuidade da ordem vigente, bem como contrabalan&ccedil;ar um poder ou outro proporcionando op&ccedil;&otilde;es de transi&ccedil;&atilde;o mais ou menos violentas. Seria o candidato ideal para os liberais (a par do Brasil), at&eacute; porque apesar das devidas diferen&ccedil;as, &eacute; um Estado democr&aacute;tico. Richard Holbrooke favorecia esta op&ccedil;&atilde;o<sup><a href="#66">66</a></sup><a name="top66"></a>, mas Obama pouca aten&ccedil;&atilde;o tem prestado ao subcontinente &ndash; em parte devido &agrave; import&acirc;ncia estrat&eacute;gica que o Paquist&atilde;o ainda tem para os Estados Unidos. E o mesmo se aplica ao Brasil, principalmente desde o in&iacute;cio do processo de destitui&ccedil;&atilde;o de Dilma Russeff.</p>     <p>O que nos leva &agrave; segunda quest&atilde;o. Ao contr&aacute;rio do retraimento, que &eacute; uma estrat&eacute;gia integrada (at&eacute; porque implica a vontade de apenas um Estado), a acomoda&ccedil;&atilde;o &eacute; uma estrat&eacute;gia pelo menos parcialmente fragmentada. Parcialmente, porque uma transi&ccedil;&atilde;o de poder pac&iacute;fica implica um acordo de todos os atores importantes no que respeita &agrave;s regras da ordem internacional. Fragmentada, porque implica a negocia&ccedil;&atilde;o do papel de cada Estado, caso a caso. As regras que podem deixar a China satisfeita podem n&atilde;o ser as regras que a &Iacute;ndia est&aacute; disposta a aceitar. Ali&aacute;s, a probabilidade deste cen&aacute;rio &eacute; grande, porque Nova Deli e Pequim s&atilde;o rivais &laquo;congelados&raquo;.</p>     <p>A transi&ccedil;&atilde;o pac&iacute;fica entre a Gr&atilde;-Bretanha e os Estados Unidos &eacute; um exemplo concreto desta afirma&ccedil;&atilde;o. Em decl&iacute;nio e rodeada de estados sedentos de encontrar o seu lugar num sistema internacional indefinido, os brit&acirc;nicos tentaram aplicar diferentes estrat&eacute;gias relativamente a todos os emergentes. Aos Estados Unidos propuseram uma acomoda&ccedil;&atilde;o com base na ced&ecirc;ncia de poder<sup><a href="#67">67</a></sup><a name="top67"></a>. No entanto, como &eacute; tamb&eacute;m sabido, a mesma estrat&eacute;gia n&atilde;o foi poss&iacute;vel, ou n&atilde;o resultou, com outros estados. &Eacute; interessante e significativo que a literatura da transi&ccedil;&atilde;o de poder olhe para o caso Reino Unido-Estados Unidos como um sucesso, esquecendo frequentemente que o mesmo n&atilde;o se passou com outros estados exatamente no mesmo cen&aacute;rio internacional<sup><a href="#68">68</a></sup><a name="top68"></a>. O que constitui outra li&ccedil;&atilde;o para Washington: a Gr&atilde;-Bretanha n&atilde;o escolheu os Estados Unidos por acaso. F&ecirc;-lo porque achou que era poss&iacute;vel, que era mais f&aacute;cil de apaziguar que outros rivais. A hist&oacute;ria podia ser diferente; mas a verdade &eacute; que esta acomoda&ccedil;&atilde;o permitiu vit&oacute;rias em guerras, em momentos determinantes onde o rumo do sistema internacional podia ter mudado significativamente.</p>     <p>Assim, esta estrat&eacute;gia implica escolhas estrat&eacute;gicas: com que Estado querer&aacute; Washington negociar em primeiro lugar? Com a China, por ser a mais amea&ccedil;adora pot&ecirc;ncia? Com a &Iacute;ndia e/ou o Brasil, que apesar de ressentimentos pr&oacute;prios da &laquo;psicologia da emerg&ecirc;ncia&raquo;<sup><a href="#69">69</a></sup><a name="top69"></a> poder&atilde;o ser mais f&aacute;ceis de acomodar, devido ao menor poder militar e menor vontade de entrar em conflitos armados? &Eacute; que a escolha da China provocar&aacute; a aliena&ccedil;&atilde;o da &Iacute;ndia; a escolha aberta de Nova Deli poder&aacute; provocar receios chineses, que podem saldar na diminui&ccedil;&atilde;o do registo da amea&ccedil;a, ou uma acelera&ccedil;&atilde;o do revisionismo chin&ecirc;s e o fortalecimento dos la&ccedil;os de Pequim com Moscovo. E a neglig&ecirc;ncia do Brasil aumentar&aacute; um ressentimento alimentado sucessivamente desde os anos 1960, que conheceu um pico com os mandatos de Lula da Silva<sup><a href="#70">70</a></sup><a name="top70"></a>.</p>     <p>O problema da estrat&eacute;gia de acomoda&ccedil;&atilde;o &ndash; aquilo a que podemos chamar o dilema Caar &ndash; &eacute; que n&atilde;o depende apenas do Estado em decl&iacute;nio. Depende tamb&eacute;m de terceiros, neste caso, um conjunto de pot&ecirc;ncias emergentes, que t&ecirc;m sido profundamente amb&iacute;guas nas suas op&ccedil;&otilde;es de pol&iacute;tica externa. Se a China proclama a ascens&atilde;o pac&iacute;fica, as suas a&ccedil;&otilde;es demonstram uma tend&ecirc;ncia cada vez mais assertiva na imposi&ccedil;&atilde;o dos seus projetos, como se tem visto no j&aacute; t&atilde;o famoso <i>one belt, one road</i><sup><a href="#71">71</a></sup><a name="top71"></a>. A R&uacute;ssia tem-se antecipado aos Estados Unidos, criando situa&ccedil;&otilde;es de conflito com pa&iacute;ses terceiros que amea&ccedil;am destabilizar seriamente a j&aacute; debilitada Europa, e o ca&oacute;tico M&eacute;dio Oriente onde, at&eacute; &agrave; data, se encontram os mais f&eacute;is aliados norte-americanos e as mais destabilizadoras amea&ccedil;as, respetivamente<sup><a href="#72">72</a></sup><a name="top72"></a>.</p>     <p>A &Iacute;ndia e o Brasil, menos amea&ccedil;adores, t&ecirc;m desenvolvido uma estrat&eacute;gia de <i>soft-balancing</i> que tem contribu&iacute;do para uma cr&iacute;tica cada vez mais abrangente da ordem liberal americana, refor&ccedil;ada pelo facto de estes estados serem democr&aacute;ticos. Normativamente, se continuarem neste caminho, poder&atilde;o conseguir transformar a perce&ccedil;&atilde;o de outros estados importantes como a Turquia ou mesmo o Jap&atilde;o. Finalmente, em conjunto, estes quatro estados (por vezes coadjuvados pela &Aacute;frica do Sul) t&ecirc;m desenvolvido paulatinamente uma ordem internacional alternativa, que amea&ccedil;a a eros&atilde;o e perda de import&acirc;ncia da ordem liberal internacional<sup><a href="#73">73</a></sup><a name="top73"></a>. Aconte&ccedil;a o que acontecer, j&aacute; existem alternativas, algo impens&aacute;vel h&aacute; uma d&eacute;cada. Por isso, se Barack Obama ainda teve o privil&eacute;gio de n&atilde;o ter de tomar decis&otilde;es precisas, o mesmo poder&aacute; n&atilde;o ser poss&iacute;vel para o pr&oacute;ximo presidente dos Estados Unidos.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>NOTAS FINAIS: RETRAIMENTO OU ACOMODA&Ccedil;&Atilde;O, QUAL O MELHOR CAMINHO?</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Num livro recente, Colin Dueck defende que a grande estrat&eacute;gia de Barack Obama foi uma hibridiza&ccedil;&atilde;o &laquo;de um generalizado retraimento americano e acomoda&ccedil;&atilde;o internacional, em grande parte para permitir que o Presidente se pudesse focar em assegurar heran&ccedil;as liberais internas&raquo;<sup><a href="#74">74</a></sup><a name="top74"></a>. A primeira parte &eacute; verdade: a escassez de meios econ&oacute;micos e o cansa&ccedil;o de guerra levaram os Estados Unidos a prescindir de alguns compromissos internacionais, inclusive em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; Europa, que continua a perder centralidade na hierarquia de alian&ccedil;as, agora centrada no Pac&iacute;fico.</p>     <p>Mas &eacute; preciso apresentar tr&ecirc;s argumentos: o primeiro &eacute; que Obama pode ter apenas feito uso de uma estrat&eacute;gia de conten&ccedil;&atilde;o adequada ao budget do Pent&aacute;gono e falta de vontade pol&iacute;tica da Casa Branca (contrariamente aos departamentos de Estado de Hillary Clinton e John Kerry, muito mais dispostos a intervir internacionalmente).</p>     <p>O segundo &eacute; que num primeiro momento, as estrat&eacute;gias de retraimento e acomoda&ccedil;&atilde;o s&atilde;o muito semelhantes: a grande pot&ecirc;ncia assume um decr&eacute;scimo do seu poder no sistema internacional e retira-se de compromissos anteriormente assumidos, com especial cuidado para n&atilde;o interferir nas esferas de influ&ecirc;ncia alheias. Pelo caminho, encontra-se com chefes de Estado, negoceia, lidera por detr&aacute;s. Assim, as estrat&eacute;gias confundem-se, ainda que os riscos de uma e de outra sejam diferentes &ndash; o retraimento amea&ccedil;a pelo vazio de poder e a acomoda&ccedil;&atilde;o porque acomodar um Estado emergente pode alienar o outro e a taxa de sucesso, sem guerra, &eacute; muito prec&aacute;ria &ndash; e os resultados, caso cada uma tenha sucesso, s&atilde;o marcadamente diferentes. O retraimento tem por objetivo o regresso &agrave; primazia, enquanto a acomoda&ccedil;&atilde;o tem por objetivo &uacute;ltimo a reconstru&ccedil;&atilde;o da ordem internacional.</p>     <p>Em terceiro lugar, e para concluir, se em Barack Obama se verificou um recuo dos Estados Unidos da estrat&eacute;gia de primazia, trata-se apenas de uma heran&ccedil;a e a indefini&ccedil;&atilde;o da estrat&eacute;gia torna-a ainda uma heran&ccedil;a mais d&eacute;bil. Donald Trump n&atilde;o fala de ordem, mas o seu discurso est&aacute; impregnado de uma ret&oacute;rica que tanto pode ser protecionista (pelo menos em termos econ&oacute;micos) como expansionista (pelo menos em termos pol&iacute;ticos). Hillary Clinton tem um registo liberal intervencionista, que a poder&aacute; levar a desistir do retraimento (ou acomoda&ccedil;&atilde;o) para uma esp&eacute;cie de revivalismo internacional dos tempos do marido, ainda que com um or&ccedil;amento mais modesto. O que n&atilde;o se pode ignorar &eacute; que a ordem internacional, porventura um dos mais invis&iacute;veis e cruciais elementos das rela&ccedil;&otilde;es entre estados, est&aacute; amea&ccedil;ada. E diz-nos a hist&oacute;ria que ela tem um momento para ser negociada. Se a janela de oportunidade n&atilde;o for aproveitada, pode ser tarde demais.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>BIBLIOGRAFIA</b></p>     <p>AHRARI, Ehsan M. &ndash; <i>The Great Powers versus the Hegemon</i>. Londres: Palgrave MacMillan, 2011.</p>     <p>ASH, Timothy Garton &ndash; &laquo;We friends of Liberal international order face a new global disorder&raquo;. In <i>The Guardian</i>. 11 de setembro de 2008. Dispon&iacute;vel em: <a href="https://www.theguardian.com/commentisfree/2008/sep/11/1" target="_blank">https://www.theguardian.com/commentisfree/2008/sep/11/1</a>.</p>     <p>BACEVICH, Andrew &ndash; <i>American Empire: The Realities and Consequences of U.S. Democracy</i>. Cambridge: Harvard University Press, 2002.</p>     <p>BOYLE, Michael J &ndash; &laquo;The coming Illiberal order&raquo;. In<i> Survival</i>. Vol. 2, N.&ordm; 58, 2016, <br />   pp. 35-66.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>BRANDS, Hal &ndash; <i>Dilemmas of Brazilian Grand Strategy</i>. Washington DC: Strategic Studies Institute, 2010.</p>     <p>BROOKS, Stephen, IKENBERRY, G. John, e WOHLFORTH, William &ndash; &laquo;Don&rsquo;t came home America: the case against retrenchment&raquo;. In <i>International Security</i>. Vol. 37, N.&ordm; 3, 2012-2013, pp. 7-51.</p>     <p>BURGES, Sean &ndash; &laquo;Mistaken Brazil for a middle power&raquo;. In <i>Journal of Iberian and Latin American Research</i>. Vol. 19, N.&ordm; 2, 2013, pp. 286-302.</p>     <p>CARR, E. H. &ndash; <i>Twenty Years&rsquo; Crisis, 1919-1939: An Introduction to the Study of International Relations</i>. Londres: Palgrave, 2001.</p>     <p>CHITALKAR, Poorvi, e MALONE, David M. &ndash; &laquo;India and global governance&raquo;. In <i>Oxford Handbook of India Foreign Policy</i>. Oxford: Oxford University Press, 2015, pp. 582-595.</p>     <p>COKER, Christopher &ndash; <i>Twilight of the West</i>. Londres: Westview Press, 2008.</p>     <p>DAALDER, Ivo, e LINDSAY, James &ndash; <i>America Unbound: The Bush Revolution in Foreign Policy</i>. Washington DC: The Brookings Institution Press, 2003.</p>     <p>DOYLE, Michael &ndash; <i>Liberal Peace: Selected Essays</i>. Londres: Routledge, 2012.</p>     <p>DUECK, Colin &ndash; <i>The Obama Doctrine: American Grand Strategy Today</i>. Oxford: Oxford University Press, 2015.</p>     <p>FISHLOW, Albert &ndash; <i>Starting Over: Brazil since 1985</i>. Washington DC: The Brookings Institution Press, 2011.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>FOOT, Rosemary, GADDIS, John, e HURRELL, Andrew (eds.) &ndash; <i>Order and Justice in International Relations</i>. Oxford: Oxford University Press, 2003, pp. 1-23.</p>     <p>FUKUYAMA, Francis &ndash; <i>The End of History and the Last Man</i>. Nova York: Free Press, 2006.</p>     <p>GALLEGHER, Kevin P. &ndash; <i>The Clash of Globalizations: Essays on Political Economy of Trade and Development Policy</i>. Londres: Anthen Press, 2014.</p>     <p>GILPIN, Robert &ndash; <i>War and Change in World Politics</i>. Princeton: Princeton University Press, 1981.</p>     <p>GOLDBERG, Jeffrey &ndash; &laquo;The Obama doctrine: the U.S. President talks through his hardest decisions about America role in the world&raquo;. In <i>The Atlantic</i>. Abril de 2016, pp. 2-65.</p>     <p>GOLDGEYER, James, e CHOLLET, David &ndash; <i>America between the Wars: The Misunderstood Years between the Fall of the Berlin War and the Beginning of the War on Terror</i>. Nova York: Public Affairs, 2010.</p>     <p>HURRELL, Andrew &ndash; &laquo;Hegemony, Liberalism, and global order: what space for world be great powers?&raquo;. In <i>International Affairs</i>. Vol. 82, N.&ordm; 1, pp. 1-19.</p>     <p>IKENBERRY, G. John &ndash; <i>After Victory: Institutions, Strategic Restraint, and Rebuilding Order after Major Wars</i>. Princeton: Princeton University Press, 2001.</p>     <p>IKENBERRY, G. John &ndash; <i>The Liberal Leviathan: The Origins, Crisis, and Transformation of the American World Order</i>. Princeton: Princeton University Press, 2011.</p>     <p>JONES, Bruce &ndash; <i>Still Ours to Lead: Rising Powers and Tension between Rivalries and Restraint</i>. Washington DC: Brookings Institution Press, 2014.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>KEOHANE, Robert O. &ndash;<i>After Hegemony: Cooperation and Discord in the World Political Economy</i>. Princeton: Princeton University Press, 1984.</p>     <p>KUPCHAN, Charles (ed.) &ndash; <i>Power Transition: The Peaceful Change of International Order</i>. Nova York: United Nations University Press, 2001.</p>     <p>KUPCHAN, Charles &ndash; <i>How Enemies Become Friends: The Sources of Stable Peace</i>. Princeton: Princeton University Press, 2010.</p>     <p>KUPCHAN, Charles &ndash; <i>No One&rsquo;s World: The West, the Rest and the Coming Global Turn</i>. Nova York: Oxford University Press, 2012, pp. 131-145.</p>     <p>LAYNE, Christopher &ndash; &laquo;This time is real: the end of unipolarity and the Pax Americana&raquo;. In <i>International Studies Quarterly</i>. Vol. 56, N.&ordm; 1, 2012, pp. 203-213.</p>     <p>LEVY, Jack S. &ndash; &laquo;Domestic politics of war&raquo;. In <i>Journal of Interdesciplinary History</i>. Vol. 18, N.&ordm; 4, 1988, pp. 653-673.</p>     <p>MACDONALD, Paul K., e PARENT, Joseph M. &ndash; &laquo;Graceful decline? The surprising success of great power retrenchment&raquo;. In <i>International Security</i>. Vol. 35, N.&ordm; 4, 2011, pp. 7-44.</p>     <p>MEARSHEIMER, John &ndash; <i>The Tragedy of Great Power Politics</i>. Princeton: Princeton University Press, 2001.</p>     <p>MESQUITA, Bruce Bueno de, e LAIMAN, David &ndash; <i>War and Reason: Domestic and International Imperatives</i>. Boston: Yale University Press, 1992.</p>     <p>NYE, Robert &ndash; <i>Soft Power: The Means for Success in World Politics</i>. Nova York: Public Affairs, 2004.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>OWEN, John M. &ndash; <i>Liberal Peace, Liberal War: American Politics and International Security</i>. Ithaca: Cornell University Press, 1997.</p>     <p>OWEN, John M. &ndash; <i>The Clash of Ideas in World Politics: Transnational Networks, States, and Regime Change, 1510-2010</i>. Princeton: Princeton University Press, 2010.</p>     <p>PARENT, Joseph M., e MACDONALD, Paul K. &ndash; &laquo;The wisdom of retrenchment: America must come back to move forward&raquo;. In <i>Foreign Affairs</i>. Novembro-dezembro de 2011. Dispon&iacute;vel em: <a href="https://www.foreignaffairs.com/articles/americas/2011-10-14/wisdom-retrenchment" target="_blank">https://www.foreignaffairs.com/articles/americas/2011-10-14/wisdom-retrenchment</a>.</p>     <p>PARENT, Joseph M., e MACDONALD, Paul K. &ndash; <i>The Twilight of the Titans</i> (no prelo, 2016), cap. 4: &laquo;The hegemon hits snooze: 1872 Great Britain&raquo;.</p>     <p>PARIS, Roland &ndash; <i>At Wars End: Building Peace after Civil Conflict</i>. Cambridge: Cambridge University Press, 2004.</p>     <p>PAUL, T. V. (ed.) &ndash; <i>Accomodating Rising Powers: Past Present and Future</i>. Cambridge: Cambridge University Press, 2016.</p>     <p>RICE, Condoleezza &ndash; &laquo;Campaign 2000: promoting national interest&raquo;. In <i>Foreign Affairs.</i> Janeiro-fevereiro de 2000. Dispon&iacute;vel em: <a href="https://www.foreignaffairs.com/articles/2000-01-01/campaign-2000-promoting-national-interest" target="_blank">https://www.foreignaffairs.com/articles/2000-01-01/campaign-2000-promoting-national-interest</a>.</p>     <p>RIPKIN, David P., e THOMPSON, William R. &ndash; <i>China and the United States in the Twenty First Century</i>. Chicago: The University of Chicago Press, 2013.</p>     <p>RUGGIE&cedil; John Gerard &ndash; &laquo;International regimes, transitions and change: embedded Liberalism in the post war economic order&raquo;. In <i>International Organization</i>. Vol. 36, N.&ordm; 2, 1982, pp. 379-415.</p>     <p>RUSSETT, Bruce &ndash; <i>Gasping the Democratic Peace: Principles for a Post-Cold War World.</i> Princeton: Princeton University Press, 1993.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>SESTANOVICH, Stephen &ndash; <i>Maximalist: America in the World from Truman to Obama.</i> Nova York: Knopf, 2014.</p>     <p>R., e D. H. &ndash; &laquo;China and American forecasts: catching the eagle&raquo;. In <i>The Economist</i>. 22 de agosto de 2014. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.economist.com/blogs/graphicdetail/2014/08/chinese-and-american-gdp-forecasts" target="_blank">http://www.economist.com/blogs/graphicdetail/2014/08/chinese-and-american-gdp-forecasts</a>.</p>     <p>SOLLER, Diana &ndash; &laquo;Liga das democracias: haver&aacute; um modelo vi&aacute;vel para o s&eacute;culo xxi?&raquo;. In <i>Rela&ccedil;&otilde;es Internacionais</i>. N.&ordm; 23, 2009, pp. 105-118.</p>     <p>SOLLER, Diana &ndash; &laquo;A emerg&ecirc;ncia da &Iacute;ndia e a ordem liberal americana: notas sobre desafios futuros&raquo;. In <i>Rela&ccedil;&otilde;es Internacionais</i>. N.&ordm; 44, 2014, pp. 9-24.</p>     <p>YOUNGS, Richard &ndash; <i>The Puzzle of Non-Western Democracy.</i> Nova York: Carneggie Endowment for International Peace, 2015.</p>     <p>WALT, Stephen M. &ndash; &laquo;Obama was not a Realist President: if he had been, he might have avoided some of his biggest mistakes&raquo;. In <i>Foreign Policy Blog</i>. 7 de abril de 2016.</p>     <p>WHITE HOUSE &ndash; &laquo;The National Security Strategy of the United States of America&raquo;. 2002. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.state.gov/documents/organization/63562.pdf" target="_blank">http://www.state.gov/documents/organization/63562.pdf</a>.</p>     <p>WILSON, William T &ndash; &laquo;China&rsquo;s huge initiative one belt, one road is sweeping Central Asia&raquo;. In <i>The National Interest</i>. 27 de julho de 2016. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://nationalinterest.org/feature/chinas-huge-one-belt-one-road-initiative-sweeping-central17150" target="_blank">http://nationalinterest.org/feature/chinas-huge-one-belt-one-road-initiative-sweeping-central17150</a>.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>Data da rece&ccedil;&atilde;o: 14 de setembro de 2016 | Data de aprova&ccedil;&atilde;o: 26 de setembro de 2016</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>NOTAS</b></p>     <p><Sup><a name="1"></a><a href="#top1">1</a></Sup> SESTANOVICH, Stephen &ndash; Maximalist: America in the World from Truman to Obama. Nova York: Knopf, 2014, p. 314.</p>     <p><Sup><a name="2"></a><a href="#top2">2</a></Sup> Os mais importantes trabalhos nesta &eacute;poca s&atilde;o de Robert Gilpin, Robert Keohane e J. G. Ruggie. Todos estes livros/artigos, avan&ccedil;avam solu&ccedil;&otilde;es realistas, liberais e construtivistas, respetivamente, GILPIN, Robert &ndash; <i>War and Change in World Politics</i>. Princeton: Princeton University Press, 1981; KEOHANE, Robert O. &ndash; <i>After Hegemony</i>. Princeton: Princeton University Press, 1984; RUGGIE&cedil; John Gerard &ndash; &laquo;International regimes, transitions and change: embedded Liberalism in the post war economic order&raquo;. In <i>International Organization</i>. Vol 36, N.&ordm; 2, 1982, pp. 379-415.</p>     <p><Sup><a name="3"></a><a href="#top3">3</a></Sup> Existe um n&uacute;mero consider&aacute;vel de trabalhos sobre a tese da paz democr&aacute;tica. &Eacute; importante reconhecer que quem deu o pontap&eacute; de sa&iacute;da para este programa de estudos foi Jack Levy, em 1988 (LEVY, Jack S. &ndash; &laquo;Domestic politics of war&raquo;. In <i>Journal of Interdesciplinary History</i>. Vol. 18, N.&ordm; 4, 1988, pp. 653-673), mas, desde ent&atilde;o, diversos autores t&ecirc;m tentado encontrar justifica&ccedil;&otilde;es filos&oacute;ficas (a mais completa colet&acirc;nea de textos &eacute; DOYLE, Michael &ndash; <i>Liberal Peace: Selected Essays</i>. Londres: Routledge, 2012) e causais (RUSSETT, Bruce &ndash; <i>Gasping the Democratic Peace: Principles for a Post-Cold War World</i>. Princeton: Princeton University Press, 1993; e OWEN, John M. &ndash; <i>Liberal Peace, Liberal War: American Politics and International Security</i>. Ithaca: Cornell University Press, 1997). Owen tamb&eacute;m &eacute; refer&ecirc;ncia bibliogr&aacute;fica para as justifica&ccedil;&otilde;es causais. Mais tarde o programa estendeu&shy;-se aos estudos quantitativos que pretendiam provar que a paz democr&aacute;tica era uma &laquo;lei&raquo; das rela&ccedil;&otilde;es internacionais. Entre outros, MESQUITA, Bruce Bueno de, e LAIMAN, David &ndash; <i>War and Reason: Domestic and International Imperatives</i>. Boston: Yale University Press, 1992, cap. 5.</p>     <p><Sup><a name="4"></a><a href="#top4">4</a></Sup> KEOHANE, Robert O. &ndash; <i>After Hegemony: Cooperation and Discord in the World</i>. Princeton: Princeton University Press, 1984.</p>     <p><Sup><a name="5"></a><a href="#top5">5</a></Sup> Cf. DOYLE, Michael &ndash; <i>Liberal Peace: Selected Essays</i>.</p>     <p><Sup><a name="6"></a><a href="#top6">6</a></Sup> Cf. IKENBERRY, G. John &ndash; <i>After Victory: Institutions, Strategic Restraint, and Rebuilding Order after Major Wars</i>. Princeton: Princeton University Press, 2001; e IKENBERRY, G. John &ndash; <i>The Liberal Leviathan: The Origins, Crisis, and Transformation of the American World Order</i>. Princeton: Princeton University Press, 2011.</p>     <p><Sup><a name="7"></a><a href="#top7">7</a></Sup> Esta posi&ccedil;&atilde;o &eacute; da autora deste artigo e tem um suporte limitado na literatura. No entanto, explica-se os seus motivos na sec&ccedil;&atilde;o seguinte.</p>     <p><Sup><a name="8"></a><a href="#top8">8</a></Sup> Para as v&aacute;rias propostas de projeto democr&aacute;tico ver SOLLER, Diana &ndash; &laquo;Liga das democracias: haver&aacute; um modelo vi&aacute;vel para o s&eacute;culo XXI?&raquo;. In <i>Rela&ccedil;&otilde;es Internacionais</i>. N.&ordm; 23, 2009, pp. 105-118.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><Sup><a name="9"></a><a href="#top9">9</a></Sup> KUPCHAN, Charles &ndash; <i>No One&rsquo;s World: The West, the Rest and the Coming Global Turn</i>. Nova York: Oxford University Press, 2012, pp. 131-145.</p>     <p><Sup><a name="10"></a><a href="#top10">10</a></Sup> Cf. GOLDBERG, Jeffrey &ndash; &laquo;The Obama doctrine: the U.S. President talks through his hardest decisions about America role in the world&raquo;. In <i>The Atlantic</i>. Abril de 2016, pp. 2-65.</p>     <p><Sup><a name="11"></a><a href="#top11">11</a></Sup> Ibidem, p. 7.</p>     <p><Sup><a name="12"></a><a href="#top12">12</a></Sup> BURGES, Sean &ndash; &laquo;Mistaken Brazil for a middle power&raquo;. In <i>Journal of Iberian and Latin American Research</i>. Vol. 19, N.&ordm; 2, 2013, p. 287.</p>     <p><Sup><a name="13"></a><a href="#top13">13</a></Sup> SESTANOVICH, Stephen &ndash; <i>Maximalist: America in the World from Truman to Obama,</i> p. 302.</p>     <p><Sup><a name="14"></a><a href="#top14">14</a></Sup> Os principais respons&aacute;veis por este novo argumento s&atilde;o Paul MacDonald e Joseph Parent, que escreveram uma s&eacute;rie de artigos e est&atilde;o a preparar um livro sobre este tema. Partes do livro ser&atilde;o citadas neste artigo com a devida autoriza&ccedil;&atilde;o dos autores.</p>     <p><Sup><a name="15"></a><a href="#top15">15</a></Sup> WALT, Stephen M. &ndash; &laquo;Obama was not a Realist President: if he had been, he might have avoided some of his biggest mistakes&raquo;. In <i>Foreign Policy Blog</i>. 7 de abril de 2016.</p>     <p><Sup><a name="16"></a><a href="#top16">16</a></Sup> O retraimento estrat&eacute;gico como doutrina ou estrat&eacute;gia de pol&iacute;tica externa n&atilde;o &eacute; uma novidade. Pelo contr&aacute;rio. Diversos autores t&ecirc;m referido o retraimento estrat&eacute;gico como a doutrina usada &ndash; com muito sucesso &ndash; por Richard Nixon e Henry Kissinger, e alguns at&eacute; j&aacute; t&ecirc;m feito a ponte entre as medidas de Nixon e as de Obama (ver, por exemplo, DUECK, Colin &ndash; <i>The Obama Doctrine: American Grand Strategy Today</i>. Oxford: Oxford University Press, 2015, p. 16).</p>     <p><Sup><a name="17"></a><a href="#top17">17</a></Sup> Este assunto tamb&eacute;m ser&aacute; debatido mais pormenorizadamente na terceira sec&ccedil;&atilde;o.</p>     <p><Sup><a name="18"></a><a href="#top18">18</a></Sup><sup>Nye,</sup> Robert &ndash; <i>Soft Power: The Means for Success in World Politics</i>. Nova York: Public Affairs, 2004, p. 26.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><Sup><a name="19"></a><a href="#top19">19</a></Sup> Cf. FUKUYAMA, Francis &ndash; <i>The End of History and the Last Man</i>. Nova York: Free Press, 2006.</p>     <p><Sup><a name="20"></a><a href="#top20">20</a></Sup> GOLDGEYER, James, e CHOLLET, David &ndash; <i>America between the Wars: The Misunderstood Years between the Fall of the Berlin War and the Beginning of the War on Terror</i>. Nova York: Public Affairs, 2010, p. 227; PARIS, Roland &ndash; <i>At Wars End: Building Peace after Civil Conflict</i>. Cambridge: Cambridge University Press, 2004, Introdu&ccedil;&atilde;o, pp. 1-12.</p>     <p><Sup><a name="21"></a><a href="#top21">21</a></Sup> Aqui usa-se uma vers&atilde;o portuguesa da &laquo;logic of appropriatness&raquo; de Stephen Krasner.</p>     <p><Sup><a name="22"></a><a href="#top22">22</a></Sup> Aqui tamb&eacute;m se faz uso do conceito de hegemonia de Antonio Gramsci, adotado e transformado pelos liberais nos anos 1980. KEOHANE, Robert O. &ndash; <i>After Hegemony</i>.</p>     <p><Sup><a name="23"></a><a href="#top23">23</a></Sup> RICE, Condoleezza &ndash; &laquo;Campaign 2000: promoting national interest&raquo;. In <i>Foreign Affairs</i>. Janeiro-fevereiro de 2000. Dispon&iacute;vel em: <a href="https://www.foreignaffairs.com/articles/2000-01-01/campaign-2000-promoting-national-interest" target="_blank">https://www.foreignaffairs.com/articles/2000-01-01/campaign-2000-promoting-national-interest</a>.</p>     <p><Sup><a name="24"></a><a href="#top24">24</a></Sup> WHITE HOUSE &ndash; &laquo;The National Security Strategy of the United States of America&raquo;. 2002. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.state.gov/documents/organization/63562.pdf" target="_blank">http://www.state.gov/documents/organization/63562.pdf</a>.</p>     <p><Sup><a name="25"></a><a href="#top25">25</a></Sup> DAALDER, Ivo, e LINDSAY, James &ndash; <i>America Unbound: The Bush Revolution in Foreign Policy</i>. Washington DC: The Brookings Institution Press, 2003, p. 15.</p>     <p><Sup><a name="26"></a><a href="#top26">26</a></Sup> COKER, Christopher &ndash; <i>Twilight of the West</i>. Londres: Westview Press, 2008.</p>     <p><Sup><a name="27"></a><a href="#top27">27</a></Sup> Curiosamente, o primeiro documento oficial que denota a emerg&ecirc;ncia de novas pot&ecirc;ncias e a necessidade de agir perante o novo cen&aacute;rio internacional &eacute; a &laquo;National Defense Strategy of the United States of America&raquo; de 2005.</p>     <p><Sup><a name="28"></a><a href="#top28">28</a></Sup> ASH, Timothy Garton &ndash; &laquo;We friends of Liberal international order face a new global disorder&raquo;. In <i>The Guardian</i>. 11 de setembro de 2008. Dispon&iacute;vel em: <a href="https://www.theguardian.com/commentisfree/2008/sep/11/1" target="_blank">https://www.theguardian.com/commentisfree/2008/sep/11/1</a>.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><Sup><a name="29"></a><a href="#top29">29</a></Sup> John Marsheimer aponta no seu livro que o estatuto m&aacute;ximo que um Estado pode alcan&ccedil;ar no sistema internacional &eacute; o de hegemonia regional. Apesar de os &uacute;ltimos vinte e cinco anos terem provado que a sua teoria est&aacute; errada, uma vez que os Estados Unidos foram efetivamente uma pot&ecirc;ncia global, a sua tese de que a hegemonia regional &eacute; um dado fundamental faz algum sentido. Se n&atilde;o forem respeitados como pot&ecirc;ncias nas suas pr&oacute;prias &aacute;reas de influ&ecirc;ncia, ser&aacute; muito dif&iacute;cil procurar um lugar de pot&ecirc;ncia internacional. Cf. MEARSHEIMER, John &ndash; <i>The Tragedy of Great Power Politics.</i> Princeton: Princeton University Press, 2001.</p>     <p><Sup><a name="30"></a><a href="#top30">30</a></Sup> CHITALKAR, Poorvi, e MALONE, David M. &ndash; &laquo;India and global governance&raquo;. In <i>Oxford Handbook of India Foreign Policy</i>. Oxford: Oxford University Press, 2015, p. 586.</p>     <p><Sup><a name="31"></a><a href="#top31">31</a></Sup> SOLLER, Diana &ndash; &laquo;A emerg&ecirc;ncia da &Iacute;ndia e a ordem liberal americana: notas sobre desafios futuros&raquo;. In <i>Rela&ccedil;&otilde;es Internacionais</i>. N.&ordm; 44, 2014, p. 22.</p>     <p><Sup><a name="32"></a><a href="#top32">32</a></Sup> Este &eacute; o termo usado na teoria da transi&ccedil;&atilde;o de poder. As pot&ecirc;ncias insatisfeitas caracterizam-se pela sua contesta&ccedil;&atilde;o &agrave; ordem internacional e ao risco de se tornarem revisionistas.</p>     <p><Sup><a name="33"></a><a href="#top33">33</a></Sup> BOYLE, Michael J &ndash; &laquo;The coming Illiberal order&raquo;. In <i>Survival</i>. Vol. 2, N.&ordm; 58, 2016, p. 40.</p>     <p><Sup><a name="34"></a><a href="#top34">34</a></Sup> Este &eacute; o argumento geral de SESTANOVICH, Stephen &ndash; <i>Maximalist: America in the World from Truman to Obama</i>.</p>     <p><Sup><a name="35"></a><a href="#top35">35</a></Sup> GOLDBERG, Jeffrey &ndash; &laquo;The Obama doctrine: the u.s. President talks through his hardest decisions about America role in the world&raquo;. In <i>The Atlantic</i>. Abril de 2016, pp. 23-24.</p>     <p><Sup><a name="36"></a><a href="#top36">36</a></Sup> Como foi referido anteriormente, esta sec&ccedil;&atilde;o tem por base o livro ainda por publicar dos autores supramencionados, citado com autoriza&ccedil;&atilde;o dos mesmos. No entanto, caso haja interesse em consultar artigos mais antigos dos autores sobre o assunto ver: MACDONALD, Paul K., e PARENT, Joseph M. &ndash; &laquo;Graceful decline? The surprising success of great power retrenchment&raquo;. In <i>International Security</i>. Vol. 35, N.&ordm; 4, 2011, pp. 7-44; e PARENT, Joseph M., e MACDONALD, Paul K. &ndash; &laquo;The wisdom of retrenchment: America must come back to move forward&raquo;. In <i>Foreign Affairs</i>. Novembro-dezembro de 2011. Dispon&iacute;vel em: <a href="https://www.foreignaffairs.com/articles/americas/2011-10-14/wisdom-retrenchment" target="_blank">https://www.foreignaffairs.com/articles/americas/2011-10-14/wisdom-retrenchment</a>.</p>     <p><Sup><a name="37"></a><a href="#top37">37</a></Sup> Cf. PARENT, Joseph M., e MACDONALD, Paul K. &ndash; <i>The Twilight of the Titans</i> (no prelo, 2016), cap. 4: &laquo;The hegemon hits snooze: 1872 Great Britain&raquo;.</p>     <p><Sup><a name="38"></a><a href="#top38">38</a></Sup> Sobre este assunto ver LOBELL, Steven E. &ndash; &laquo;Realism, balance of power and power transitions&raquo;. In PAUL, T. V. (ed.) &ndash; <i>Accommodating Rising Powers: Past, Present and Future</i>. Oxford: Oxford University Press, 2016, p. 37.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><Sup><a name="39"></a><a href="#top39">39</a></Sup> H&aacute; v&aacute;rios exemplos da aplica&ccedil;&atilde;o das velhinhas estrat&eacute;gias ao momento atual. Sendo que o isolacionismo e a primazia est&atilde;o praticamente postas de lado, dever&aacute; prestar-se aten&ccedil;&atilde;o a ensaios como LAYNE, Christopher &ndash; &laquo;This time is real: the end of unipolarity and the Pax Americana&raquo;. In <i>International Studies Quarterly</i>. Vol. 56, N.&ordm; 1, 2012, pp. 203-213, que remete para a posi&ccedil;&atilde;o da conten&ccedil;&atilde;o, e BROOKS, Stephen, IKENBERRY, G John, e WOHLFORTH, William &ndash; &laquo;Don&rsquo;t came home America: the case against retrenchment&raquo;. In <i>International Security</i>. Vol. 37, N.&ordm; 3, 2012-2013, pp. 7-51, que fazem um argumento consistente da manuten&ccedil;&atilde;o do liberalismo internacionalista.</p>     <p><Sup><a name="40"></a><a href="#top40">40</a></Sup> PARENT, Joseph M., e MACDONALD, Paul K. &ndash; <i>The Twilight of the Titans</i>, Introduction, p. 10.</p>     <p><Sup><a name="41"></a><a href="#top41">41</a></Sup> Ibidem, p. 11.</p>     <p><Sup><a name="42"></a><a href="#top42">42</a></Sup> Barack Obama considera que o M&eacute;dio Oriente deixou de ter a import&acirc;ncia estrat&eacute;gica que tinha para os Estados Unidos depois da revolu&ccedil;&atilde;o energ&eacute;tica.</p>     <p><Sup><a name="43"></a><a href="#top43">43</a></Sup> PARENT, Joseph M., e MACDONALD, Paul K. &ndash; <i>The Twilight of the Titans</i>&cedil; p. 12.</p>     <p><Sup><a name="44"></a><a href="#top44">44</a></Sup> RIPKIN, David P., e THOMPSON, William R. &ndash; <i>China and the United States in the Twenty First Century</i>. Chicago: The University of Chicago Press, 2013, pp. 4 e segs.</p>     <p><Sup><a name="45"></a><a href="#top45">45</a></Sup> PARENT, Joseph M., e MacDonald, Paul K. &ndash; <i>The Twilight of the Titans,</i> p. 14.</p>     <p><Sup><a name="46"></a><a href="#top46">46</a></Sup> OWEN, John M. &ndash; <i>The Clash of Ideas in World Politics: Transnational Networks, States, and Regime Change, 1510-2010</i>. Princeton: Princeton University Press, 2010, pp. 4, 9, 75.</p>     <p><Sup><a name="47"></a><a href="#top47">47</a></Sup> S. R. e D. H. &ndash; &laquo;China and American forecasts: catching the eagle&raquo;. In <i>The Economist</i>. 22 de agosto de 2014. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.economist.com/blogs/graphicdetail/2014/08/chinese-and-american-gdp-forecasts" target="_blank">http://www.economist.com/blogs/graphicdetail/2014/08/chinese-and-american-gdp-forecasts</a>.</p>     <p><Sup><a name="48"></a><a href="#top48">48</a></Sup> Referimo-nos aqui &agrave; conhecida defini&ccedil;&atilde;o de hegemonia de Ant&oacute;nio Gramsci, adotada quer por neomarxistas, quer por neoliberais institucionalistas. A grande diferen&ccedil;a &eacute; que os primeiros veem a hegemonia americana como forma de repress&atilde;o e os segundos como uma hegemonia benigna que tem de fazer pontual uso da for&ccedil;a para poder continuar a providenciar bens comuns aos estados do sistema internacional.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><Sup><a name="49"></a><a href="#top49">49</a></Sup> De acordo com um jornalista, Barack Obama ter&aacute; dito que &laquo;Se continuarmos no caminho certo e a China continuar numa trajet&oacute;ria de ascens&atilde;o pac&iacute;fica, ent&atilde;o teremos um parceiro que est&aacute; a crescer em capacidade e a partilhar connosco as responsabilidades da manuten&ccedil;&atilde;o da ordem internacional&raquo;. Caso continuemos a ler o texto, compreendemos que Obama acredita, tal como Bill Clinton antes dele, que o crescimento chin&ecirc;s, para ser s&oacute;lido, implica a democratiza&ccedil;&atilde;o de Pequim, a &uacute;nica forma de manter a classe m&eacute;dia satisfeita e apoiante do regime &ndash; ainda que ponha a hip&oacute;tese de a China se tornar &laquo;nacionalista&raquo;, portanto, mais dif&iacute;cil de acomodar. Cf. GOLDBERG, Jeffrey &ndash; &laquo;The Obama doctrine: the U.S. President talks through his hardest decisions about America role in the world&raquo;. In <i>The Atlantic</i>. Abril de 2016, p. 56.</p>     <p><Sup><a name="50"></a><a href="#top50">50</a></Sup> CARR, E. H. &ndash; <i>Twenty Years&rsquo; Crisis, 1919-1939: An Introduction to the Study of International Relations</i>. Londres: Palgrave, 2001, pp. 209-210.</p>     <p><Sup><a name="51"></a><a href="#top51">51</a></Sup> PAUL, T. V. &ndash; &laquo;The accommodation of rising powers in world politics&raquo;. In Paul, T. V. (ed.) &ndash; <i>Accommodating Rising Powers: Past, Present, and Future</i>. Cambridge: Cambridge University Press, 2016, pp. 10-11.</p>     <p><Sup><a name="52"></a><a href="#top52">52</a></Sup> BACEVICH, Andrew &ndash; <i>American Empire: The Realities and Consequences of u.s Democracy</i>. Cambridge: Harvard University Press, 2002, p. 196.</p>     <p><Sup><a name="53"></a><a href="#top53">53</a></Sup> KHONG, Yuen Foong &ndash; &laquo;Negotiating order during power transition&raquo;. In KUPCHAN, Charles (ed.) &ndash; <i>Power Transition: The Peaceful Change of International Order</i>. Nova York: United Nations University Press, 2001, p. 43.</p>     <p><Sup><a name="54"></a><a href="#top54">54</a></Sup> H&aacute; in&uacute;meros exemplos, mas para citar a bibliografia mais recente sobre o assunto ver: PAUL, T. V. (ed.) &ndash; <i>Accomodating Rising Powers: Past Present and Future</i>; BOYLE, Michael J &ndash; &laquo;The coming Illiberal order&raquo;; Youngs, Richard &ndash; <i>The Puzzle of Non-Western Democracy.</i> Nova York: Carneggie Endowment for International Peace, 2015. Estes trabalhos s&atilde;o mais generalistas, mas h&aacute; in&uacute;meros sobre as pretens&otilde;es de cada pot&ecirc;ncia emergente.</p>     <p><Sup><a name="55"></a><a href="#top55">55</a></Sup> PAUL, T. V. &ndash; &laquo;The accommodation of rising powers in world politics&raquo;, p. 4.</p>     <p><Sup><a name="56"></a><a href="#top56">56</a></Sup> Ibidem, pp. 4-5.</p>     <p><Sup><a name="57"></a><a href="#top57">57</a></Sup>Ibidem, p. 17.</p>     <p><Sup><a name="58"></a><a href="#top58">58</a></Sup> Ibidem, p. 20.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><Sup><a name="59"></a><a href="#top59">59</a></Sup> Na sua entrevista &agrave; <i>Atlantic</i>, j&aacute; diversas vezes citada, Obama explicou que os Estados Unidos compreendiam o interesse da R&uacute;ssia na Crimeia, da&iacute; a aus&ecirc;ncia de interfer&ecirc;ncia. Estas declara&ccedil;&otilde;es, associadas ao facto de a Europa (em risco devido aos conflitos na sua vizinhan&ccedil;a) ser ainda um aliado americano, deixam-nos inferir que os Estados Unidos de Obama estavam dispostos a conceder esferas de influ&ecirc;ncia, mesmo a estados que n&atilde;o tenham dado mostras de amizade ou grande coopera&ccedil;&atilde;o.</p>     <p><Sup><a name="60"></a><a href="#top60">60</a></Sup> Este &eacute; o argumento de GALLEGHER, Kevin P. &ndash; <i>The Clash of Globalizations: Essays on Political Economy of Trade and Development Policy</i>. Londres: Anthen Press, 2014. Logo na p&aacute;gina 1, Gallegher explica sem contempla&ccedil;&otilde;es que existem desde o in&iacute;cio de 2000 dois modelos ideol&oacute;gicos de globaliza&ccedil;&atilde;o em disputa. O modelo cl&aacute;ssico neoliberal subscrito pelo Ocidente e o modelo misto de capitalismo com interven&ccedil;&atilde;o do Estado subscrito pelas pot&ecirc;ncias emergentes. Segundo o autor, esta &eacute; uma das vertentes em que tem havido pouca toler&acirc;ncia do Ocidente &ndash; da&iacute; os in&uacute;meros falhan&ccedil;os das Doha Rounds e o impasse que ainda hoje subsiste.</p>     <p><Sup><a name="61"></a><a href="#top61">61</a></Sup> Ver texto referente &agrave; nota 15.</p>     <p><Sup><a name="62"></a><a href="#top62">62</a></Sup> Sobre as diferen&ccedil;as entre a ordem vigente e a ordem imaginada pelas pot&ecirc;ncias emergentes ver FOOT, Rosemary &ndash; &laquo;Introduction&raquo;. In FOOT, Rosemary, GADDIS, John, e HURRELL, Andrew (eds.) &ndash; <i>Order and Justice in International Relations</i>. Oxford: Oxford University Press, 2003, pp. 1-23.</p>     <p><Sup><a name="63"></a><a href="#top63">63</a></Sup> YOUNGS, Richard &ndash; <i>The Puzzle of Non-Western Democracy</i>, p. 63.</p>     <p><Sup><a name="64"></a><a href="#top64">64</a></Sup> Esta acomoda&ccedil;&atilde;o simb&oacute;lica refere-se, obviamente, &agrave; integra&ccedil;&atilde;o indiana como pot&ecirc;ncia nuclear no regime de n&atilde;o prolifera&ccedil;&atilde;o, por a&ccedil;&atilde;o unilateral dos Estados Unidos. No entanto, este gesto, que por si s&oacute; &eacute; um passo em frente na rela&ccedil;&atilde;o dos dois pa&iacute;ses, esconde, pelo menos dois factos: (1) a profunda divis&atilde;o entre a elite e a popula&ccedil;&atilde;o indiana relativamente a este acordo; e (2) a animosidade que a &Iacute;ndia ainda sente relativamente aos Estados Unidos. Apesar do entusiasmo nos meios acad&eacute;micos relativamente a uma poss&iacute;vel concilia&ccedil;&atilde;o/acomoda&ccedil;&atilde;o entre estes dois estados, a verdade &eacute; que o trabalho de campo na &Iacute;ndia, realizado no final de 2014, trouxe-me provas concretas de que as dificuldades de acomoda&ccedil;&atilde;o est&atilde;o latentes e s&atilde;o profundas.</p>     <p><Sup><a name="65"></a><a href="#top65">65</a></Sup>HURRELL, Andrew &ndash; &laquo;Hegemony, Liberalism, and global order: what space for world be great powers?&raquo;. In <i>International Affairs.</i> Vol. 82, N.&ordm; 1, p. 17.</p>     <p><Sup><a name="66"></a><a href="#top66">66</a></Sup> SESTANOVICH, Stephen &ndash; <i>Maximalist: America in the World from Truman to Obama</i>, p. 311.</p>     <p><Sup><a name="67"></a><a href="#top67">67</a></Sup> Como refere Kupchan, os brit&acirc;nicos fizeram uma proposta irrecus&aacute;vel aos Estados Unidos, cedendo em quase tudo, face ao seu decl&iacute;nio naval, que os impedia de abranger o hemisf&eacute;rio ocidental. KUPCHAN, Charles &ndash; <i>How Enemies Become Friends: The Sources of Stable Peace</i>. Princeton: Princeton University Press, 2010, p. 75.</p>     <p><Sup><a name="68"></a><a href="#top68">68</a></Sup> Ibidem, p. 74.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><Sup><a name="69"></a><a href="#top69">69</a></Sup> JONES, Bruce &ndash; <i>Still Ours to Lead: Rising Powers and Tension between Rivalries and Restraint</i>. Washington DC: Brookings Institution Press, 2014, p. 57.</p>     <p><Sup><a name="70"></a><a href="#top70">70</a></Sup> FISHLOW, Albert &ndash; <i>Starting Over: Brazil since 1985</i>. Washington DC: The Brookings Institution Press, 2011, p. 159.</p>     <p><Sup><a name="71"></a><a href="#top71">71</a></Sup> WILSON, William T &ndash; &laquo;China&rsquo;s huge initiative one belt, one road is sweeping Central Asia&raquo;. In <i>The National Interest</i>. 27 de julho de 2016. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://nationalinterest.org/feature/chinas-huge-one-belt-one-road-initiative-sweeping-central17150" target="_blank">http://nationalinterest.org/feature/chinas-huge-one-belt-one-road-initiative-sweeping-central17150</a>.</p>     <p><Sup><a name="72"></a><a href="#top72">72</a></Sup> BRANDS, Hal &ndash; <i>Dilemmas of Brazilian Grand Strategy</i>. Washington DC: Strategic Studies Institute, 2010, p. V; AHRARI, Ehsan M. &ndash; <i>The Great Powers versus the Hegemon</i>. Londres: Palgrave MacMillan, 2011, pp. 114-116.</p>     <p><Sup><a name="73"></a><a href="#top73">73</a></Sup> BOYLE, Michael J &ndash; &laquo;The coming Illiberal order&raquo;, pp. 57-58.</p>     <p><Sup><a name="74"></a><a href="#top74">74</a></Sup>DUECK, Colin &ndash; <i>The Obama Doctrine: American Grand Strategy Today</i>. Oxford: Oxford University Press, 2015, p. 2.</p>      ]]></body><back>
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