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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[A implosão anunciada do Partido Republicano: Populismo americano em tempo de incerteza]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[The 2016 presidential campaign had been analyses as a moment of almost incomprehensible paradox, as an exception in the American political ecosystem, threatening the history and internal coherence of the Republican Party, the relationship between its leadership and supporters, and its very future. This article problematizes this view, discussing the long roots of the American conservative populism, inside and outside the traditional party structures and analyzing moments of similar turbulence in the relationship between candidates not embraced by the party leadership (the two first presidential campaigns of Ronald Reagan), sustaining the view that an analysis of Donald Trump's assault on the Republican Party requires the consideration of elements of continuity and exceptionality.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><b>O IMPACTO DA ELEIÇÃO PRESIDENCIAL NORTE-AMERICANA</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>A implos&atilde;o anunciada do Partido Republicano: Populismo americano em tempo de incerteza</b></p>     <p><b>The announced implosion of the Republican party: American populism in times of uncertainty</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Teresa Botelho</b></p>     <p>Professora associada de Estudos Americanos na FCSH-NOVA, onde ensina cultura norte-americana contempor&acirc;nea, <i>media </i>americanos e hist&oacute;ria pol&iacute;tica dos Estados Unidos no s&eacute;culo XX. Os seus outros interesses e &aacute;reas de investiga&ccedil;&atilde;o e publica&ccedil;&atilde;o incluem, entre outros, literatura e cultura &eacute;tnica americana, colabora&ccedil;&atilde;o entre ci&ecirc;ncia, tecnologia e literatura, e representa&ccedil;&otilde;es intermedi&aacute;ticas do 11 de setembro.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>RESUMO</b></p>     <p>A campanha presidencial de 2016 tem sido analisada como um momento de quase incompreens&iacute;vel paradoxismo, como uma exce&ccedil;&atilde;o no ecossistema pol&iacute;tico americano, amea&ccedil;ando a coer&ecirc;ncia interna e a hist&oacute;ria do Partido Republicano, a rela&ccedil;&atilde;o entre a sua lideran&ccedil;a e as suas bases e pondo em causa o seu futuro. Este artigo problematiza esta vis&atilde;o, discutindo as longas ra&iacute;zes do populismo conservador americano, dentro e fora das tradicionais estruturas partid&aacute;rias e contrastando ao mesmo tempo momentos de semelhante turbul&ecirc;ncia na rela&ccedil;&atilde;o entre candidatos n&atilde;o controlados pela dire&ccedil;&atilde;o partid&aacute;ria (as duas candidaturas presidenciais de Ronald Reagan), sustentando assim a necessidade de uma an&aacute;lise do assalto de Donald Trump ao Partido Republicano que tenha em conta ao mesmo tempo fatores de continuidade e de excecionalidade.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Palavras-chave:</b> Donald Trump, Partido Republicano, populismo conservador, nativismo, realinhamento pol&iacute;tico.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>ABSTRACT</b></p>     <p>The 2016 presidential campaign had been analyses as a moment of almost incomprehensible paradox, as an exception in the American political ecosystem, threatening the history and internal coherence of the Republican Party, the relationship between its leadership and supporters, and its very future. This article problematizes this view, discussing the long roots of the American conservative populism, inside and outside the traditional party structures and analyzing moments of similar turbulence in the relationship between candidates not embraced by the party leadership (the two first presidential campaigns of Ronald Reagan), sustaining the view that an analysis of Donald Trump&rsquo;s assault on the Republican Party requires the consideration of elements of continuity and exceptionality.</p>     <p><b>Keywords</b>: Donald Trump, Republican Party, Conservative Populism; Nativism; Political Realignment.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>A CRISE DE ANSIEDADE REPUBLICANA</b></p>     <p>Procurar compreender o politicamente inesperado &eacute; uma das obriga&ccedil;&otilde;es inerentes ao exerc&iacute;cio de entendimento do presente hist&oacute;rico. Instintivamente, comentadores pol&iacute;ticos, historiadores e polit&oacute;logos, assumem que o que parece improv&aacute;vel e inexplic&aacute;vel &eacute; de facto resultado de fatores ou conjunturas preexistentes que, uma vez desvendadas, revelam a previsibilidade do imprevisto. No entanto, desde o outono de 2015 que os mais avisados analistas das prim&aacute;rias americanas t&ecirc;m prefaciado as suas interpreta&ccedil;&otilde;es com duas confiss&otilde;es &ndash; o reconhecimento da sua pr&oacute;pria perplexidade, e a admiss&atilde;o dos limites de todas as previs&otilde;es sobre as consequ&ecirc;ncias destas bizarras prim&aacute;rias &ndash;, ecoando a mesma estupefa&ccedil;&atilde;o com que cidad&atilde;os de todo o mundo observam a aparente tomada de assalto ao Partido Republicano pelo populismo e nativismo t&oacute;xicos de Donald Trump.</p>     <p>Esta perplexidade &ndash; que leva Rick Perlstein, um dos mais respeitados historiadores do populismo conservador americano, a admitir que o sucesso de Donald Trump nas prim&aacute;rias o obrigar&aacute; a repensar quinze anos de estudo sobre a emerg&ecirc;ncia das estruturas deste movimento dentro do Partido Republicano<sup><a href="#1">1</a></sup><a name="top1"></a> &ndash;, resulta de uma justaposi&ccedil;&atilde;o de improbabilidades. Estas come&ccedil;am nas modestas expetativas iniciais do pr&oacute;prio Donald Trump aquando do lan&ccedil;amento da sua candidatura (de acordo com as revela&ccedil;&otilde;es da sua antiga conselheira Stephanie Gegielski, em carta aberta anunciando as raz&otilde;es da sua cis&atilde;o com o candidato, os objetivos iniciais da campanha eram alcan&ccedil;ar 12 por cento dos votos e garantir um honroso segundo lugar nas prim&aacute;rias<sup><a href="#2">2</a></sup><a name="top2"></a>) e terminam na aparente incapacidade dos respons&aacute;veis pela m&aacute;quina do Partido Republicano em travar o que receiam vir a ser uma derrota eleitoral substancial em novembro, que corre o risco de arrastar consigo outras perdas importantes. Em novembro, a maioria no Senado (54-46) aparece particularmente vulner&aacute;vel, j&aacute; que 24 dos 34 lugares objeto de sufr&aacute;gio este ano s&atilde;o republicanos e sete correspondem a estados que o Presidente Obama venceu nas elei&ccedil;&otilde;es de 2008 e 2012<sup><a href="#3">3</a></sup><a name="top3"></a>. Uma mudan&ccedil;a de maioria na C&acirc;mara dos Representantes, onde a maioria republicana obtida em 2010 pela avalancha do Tea Party &eacute; de 30 lugares, parece bem mais improv&aacute;vel. Perdas dessa dimens&atilde;o s&atilde;o fen&oacute;menos raros (a &uacute;ltima ocorreu em 1980, quando a esmagadora vit&oacute;ria de Ronald Reagan contra Jimmy Carter, com uma vantagem de 10 por cento, foi acompanhada da conquista de 35 lugares detidos pelos democratas, alterando a correla&ccedil;&atilde;o de for&ccedil;as mas mantendo ainda assim a maioria original), mas respons&aacute;veis republicanos admitem agora uma perda de entre 10 a 20 lugares, um n&uacute;mero mais elevado do que calculavam ser poss&iacute;vel antes da vit&oacute;ria de Trump nas prim&aacute;rias (cinco a 15)<sup><a href="#4">4</a></sup><a name="top4"></a>.</p>     <p>Em 2016, a crise de ansiedade do Partido Republicano, sentida por todos os congressistas que veem o seu lugar em risco, bem como por alguns dos doze governadores de estados vacilantes que v&atilde;o a votos e por centenas de candidatos &agrave;s 44 legislaturas estaduais que tamb&eacute;m v&atilde;o ser eleitas, traduz-se num c&aacute;lculo b&aacute;sico &ndash; em que medida lhes &eacute; localmente vantajoso abra&ccedil;ar a liga&ccedil;&atilde;o a Trump, por mais repugnantes que muitas das suas propostas lhes sejam, conquistando assim largas faixas do eleitorado de classe m&eacute;dia baixa branca que os democratas parecem incapazes de reter, e quanto se devem afastar do nomeado oficial do partido sem p&ocirc;r em perigo o apoio dos eventuais &laquo;trumpistas&raquo; dentro de cada eleitorado espec&iacute;fico<sup><a href="#5">5</a></sup><a name="top5"></a>. Para al&eacute;m de dilemas de consci&ecirc;ncia, que o comentador republicano moderado David Brooks descreveu como &laquo;momentos Joe McCarthy&raquo;, em alus&atilde;o &agrave; forma como a hist&oacute;ria recordar&aacute; os que titubearam na defesa da dec&ecirc;ncia moral, e das liberdades constitucionais<sup><a href="#6">6</a></sup><a name="top6"></a>, muita desta pondera&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica, especialmente em distritos menos conservadores, etnicamente mais diversificados ou economicamente mais confort&aacute;veis, resulta em grande medida da leitura do perfil demogr&aacute;fico do eleitorado. Como admitem estrategas republicanos<sup><a href="#7">7</a></sup><a name="top7"></a>, distritos eleitorais em que pelo menos 20 por cento do eleitorado seja hisp&acirc;nico ou 25 por cento tenha cursos superiores s&atilde;o um desafio para candidatos que n&atilde;o se consigam distanciar suficientemente de uma ret&oacute;rica populista racializada que rejeita enfaticamente o eleitorado que o establishment republicano sabe que precisa de conquistar se quer olhar com racionalidade para o seu futuro.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Se o instinto natural de um partido democr&aacute;tico &eacute; a sobreviv&ecirc;ncia e a conquista ou manuten&ccedil;&atilde;o do poder, os republicanos est&atilde;o munidos, desde 2013, de um mapa para o futuro que resultou da frustra&ccedil;&atilde;o da derrota eleitoral das &uacute;ltimas presidenciais. Esse documento, solicitado pelo presidente do Comit&eacute; Nacional Republicano, Reince Priebus, intitulado Crescimento e Oportunidade<sup><a href="#8">8</a></sup><a name="top8"></a>, mais popularmente conhecido como o &laquo;Relat&oacute;rio de Aut&oacute;psia&raquo;, fazia um diagn&oacute;stico franco das fragilidades do partido, expostas pela derrota presidencial de 2012. Recordando que o partido tinha &laquo;perdido o voto popular em 5 das &uacute;ltimas 6 elei&ccedil;&otilde;es presidenciais&raquo;<sup><a href="#9">9</a></sup><a name="top9"></a>, o estudo elencava obst&aacute;culos que urgia confrontar, tais como a excessiva rigidez ideol&oacute;gica, a neglic&ecirc;ncia na abordagem das clivagens econ&oacute;micas no pa&iacute;s e, significativamente, a incapacidade de penetra&ccedil;&atilde;o junto de segmentos do eleitorado sem os quais futuras vit&oacute;rias presidenciais seriam improv&aacute;veis &ndash; as minorias &eacute;tnicas e o eleitorado jovem. O relat&oacute;rio avisava que sem uma altera&ccedil;&atilde;o de pol&iacute;ticas e de discurso nestas &aacute;reas, seria cada vez mais dif&iacute;cil &laquo;modernizar o partido e voltar a ser atrativo para mais pessoas, incluindo os que se reveem nalguns, mas n&atilde;o em todos os nossos princ&iacute;pios conservadores&raquo;<sup><a href="#10">10</a></sup><a name="top10"></a>. Entre este eleitorado divorciado do partido contavam-se os hisp&acirc;nicos, junto dos quais os republicanos tinham tido algum sucesso (em 2004, 40 por cento deste eleitorado tinham em George W. Bush, enquanto que nas elei&ccedil;&otilde;es de 2012 a percentagem que votara em Mitt Romey tinha ca&iacute;do drasticamente para apenas 27 por cento). Para cativar esses segmentos do eleitorado, indispens&aacute;veis num futuro em que a percentagem de votantes brancos diminuir&aacute; progressivamente &ndash; de acordo com o Pew Research Center a sua percentagem relativa caiu nove pontos desde 2000, de 78 para 69 por cento<sup><a href="#11">11</a></sup><a name="top11"></a>, enquanto a percentagem de eleitores n&atilde;o brancos cresceu acentuadamente (entre 2012 e 2016 h&aacute; mais potenciais eleitores afro-americanos &ndash; seis por cento, hisp&acirc;nicos &ndash; 16 por cento, e asi&aacute;ticos &ndash; 17 por cento), a equipa de Priebus recomendava uma s&eacute;rie de medidas que quebravam a ortodoxia do pensamento republicano maiorit&aacute;rio, e que permitissem, pelo menos ao n&iacute;vel discursivo, neutralizar a imagem da inflexibilidade ideol&oacute;gica e extremo conservantismo social que vinha a dominar o partido desde a emerg&ecirc;ncia do Tea Party Movement, em favor de um regresso a uma matriz pragm&aacute;tica mais moderada. Entre estas propostas era sugerido o abandono da ret&oacute;rica anti-imigra&ccedil;&atilde;o acompanhada de uma revis&atilde;o substancial da legisla&ccedil;&atilde;o de forma a abrir caminho a processos de regulariza&ccedil;&atilde;o de milh&otilde;es de imigrantes ilegais, o abandono da inflexibilidade em rela&ccedil;&atilde;o a causas sociais e c&iacute;vicas que tornam o partido intrag&aacute;vel para largas faixas da gera&ccedil;&atilde;o de milenares, nomeadamente a causa dos direitos c&iacute;vicos das minorias sexuais e uma nova aten&ccedil;&atilde;o &agrave;s preocupa&ccedil;&otilde;es da classe m&eacute;dia em dificuldades, que se revia nas promessas de ascens&atilde;o econ&oacute;mica que animavam tradicionalmente o discurso republicano. Num assombro de ousadia, o documento chegava mesmo a criticar a influ&ecirc;ncia dos grupos de financiamento independentes, os chamados super-PAC (<i>Political Action Commitees</i>), que desde 2010 t&ecirc;m uma influ&ecirc;ncia desmedida na sele&ccedil;&atilde;o de candidatos, acusando-os de serem uma fonte de corrup&ccedil;&atilde;o do sistema pol&iacute;tico, uma posi&ccedil;&atilde;o defendida at&eacute; ent&atilde;o quase s&oacute; pelos democratas<sup><a href="#12">12</a></sup><a name="top12"></a>.</p>     <p>Tr&ecirc;s anos depois, o mesmo presidente do Comit&eacute; Nacional Republicano v&ecirc;-se obrigado a navegar uma indisfar&ccedil;ada repugn&acirc;ncia pela candidatura de Trump, e as obriga&ccedil;&otilde;es de organizar uma conven&ccedil;&atilde;o que o vai coroar como o candidato presidencial do partido que tentara modernizar e abrir. Em vez da reforma da imigra&ccedil;&atilde;o, o candidato insulta o eleitorado hisp&acirc;nico e prop&otilde;e a deporta&ccedil;&atilde;o de 12 milh&otilde;es de pessoas; em vez da abertura a novos eleitorados moderados, o candidato afasta-os prometendo violar v&aacute;rias leis nacionais e internacionais no combate ao terrorismo, elogiando a falta de sofistica&ccedil;&atilde;o do eleitorado menos educado, hostilizando o eleitorado feminino, garantindo uma taxa de rejei&ccedil;&atilde;o que afundaria qualquer operador pol&iacute;tico em tempos normais.</p>     <p>A pergunta que este estado de coisas imp&otilde;e aos pr&oacute;prios tal como a todos os observadores &eacute; saber como, depois de t&atilde;o ambiciosas propostas e perspetivas de renova&ccedil;&atilde;o, o Partido Republicano se v&ecirc; na conting&ecirc;ncia de n&atilde;o se conseguir dissociar da farsa pol&iacute;tica trumpiana e de ver o seu eleitorado nas presidenciais reduzido &agrave; classe m&eacute;dia baixa branca masculina, frustrada pela conjuntura econ&oacute;mica e pela desarticula&ccedil;&atilde;o psicol&oacute;gica e cultural num pa&iacute;s que j&aacute; n&atilde;o reconhece?</p>     <p>Dois tipos de l&oacute;gicas narrativas, aparentemente contradit&oacute;rias, mas que deveriam preferencialmente ser vistas como complementares, fornecem ferramentas interpretativas para fazer sentido do mais ins&oacute;lito dos processos eleitorais &ndash; um enfatiza a continuidade hist&oacute;rica, retra&ccedil;ando as origens e persist&ecirc;ncia do populismo na vida pol&iacute;tica americana, enquanto o outro encontra na conjuntura particular do presente as raz&otilde;es mais profundas para compreender a emerg&ecirc;ncia s&uacute;bita de um fen&oacute;meno que se caracteriza pela excecionalidade.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>A LONGA LINHAGEM DO POPULISMO AMERICANO</b></p>     <p>Populismo pol&iacute;tico pode ser entendido como uma ideologia pol&iacute;tica ou vis&atilde;o do mundo que &laquo;oferece solu&ccedil;&otilde;es simples e intuitivas para problemas complexos da sociedade e adota estilos de comunica&ccedil;&atilde;o pouco sofisticados dirigidos ao cidad&atilde;o comum, capazes de galvanizar pelo menos alguns dos que perderam a confian&ccedil;a na pol&iacute;tica tradicional e nos seus representantes&raquo;<sup><a href="#13">13</a></sup><a name="top13"></a>. A oferta de uma pol&iacute;tica demag&oacute;gica de reden&ccedil;&atilde;o em contraste com o pragmatismo do <i>establishment</i><sup><a href="#14">14</a></sup><a name="top14"></a> n&atilde;o &eacute; uma tend&ecirc;ncia exclusiva da vida pol&iacute;tica americana, como a experi&ecirc;ncia europeia contempor&acirc;nea confirma. No entanto, h&aacute; muito que historiadores americanos identificaram um fil&atilde;o persistente deste tipo de pensamento e discurso na vida pol&iacute;tica nacional que emerge tanto em configura&ccedil;&otilde;es conservadoras como progressistas. Estudos cl&aacute;ssicos como os de Richard Hofstadter s&atilde;o particularmente &uacute;teis para compreender os antecedentes e ra&iacute;zes do populismo americano. Em <i>Anti-Intellectualism in American Life</i>, por exemplo, o historiador identifica o que defende serem os fatores end&oacute;genos que explicam a ubiquidade deste tipo de discurso pol&iacute;tico na vida nacional, associando-o a tr&ecirc;s fatores culturais &ndash; nomeadamente, a influ&ecirc;ncia da tradi&ccedil;&atilde;o religiosa evang&eacute;lica herdeira do Grande Despertar do s&eacute;culo XVIII, com a sua rejei&ccedil;&atilde;o das hierarquias e do establishment clerical; o culto do saber intuitivo e emocional, comparado positivamente com a artificialidade do pensamento racional; e o privilegiar das qualidades de a&ccedil;&atilde;o e de decis&atilde;o r&aacute;pida, caracter&iacute;stico do mundo econ&oacute;mico &ndash;, em detrimento da reflex&atilde;o e da precis&atilde;o de pensamento<sup><a href="#15">15</a></sup><a name="top15"></a>. J&aacute; no seu famoso ensaio <i>The Paranoid Style in American Politics</i><i>,</i> escrito em 1964, numa conjuntura n&atilde;o muito diferente da presente, em que as prim&aacute;rias republicanas tinham dado vantagem ao extremismo de Barry Goldwater contra o pragmatismo moderado de Nelson Rockfeller, Hofstadter encontrava no mccartismo, e na influ&ecirc;ncia no movimento conservador de organiza&ccedil;&otilde;es de direita radical como a John Birch Society, uma forma de ver a vida p&uacute;blica e a atividade pol&iacute;tica que encontra resson&acirc;ncia contempor&acirc;nea quer na vis&atilde;o de setores do Tea Party Movement de 2009-2010, quer em muitas das derivas discursivas com que o candidato Trump abra&ccedil;a os piores instintos do seu eleitorado. Tal como ent&atilde;o, este &laquo;sente-se despojado&raquo; e cr&ecirc; que a sua &laquo;Am&eacute;rica lhes foi arrancada, a si e aos seus pares, por cosmopolitas e intelectuais&raquo; que &laquo;destru&iacute;ram tamb&eacute;m as velhas virtudes americanas&raquo;<sup><a href="#16">16</a></sup><a name="top16"></a>. Se a esses destruidores das nostalgicamente imaginadas probidades americanas Trump junta agora imigrantes, hisp&acirc;nicos ou mu&ccedil;ulmanos, e o chamado establishment do seu pr&oacute;prio partido, a vis&atilde;o conspirativa da vida pol&iacute;tica e a cren&ccedil;a na capacidade de fazer parar a hist&oacute;ria para regressar a uma ordem de valores mais reconfortante s&atilde;o as mesmas.</p>     <p>Sendo que estas erup&ccedil;&otilde;es de populismo nost&aacute;lgico tendem a emergir em momentos de acelera&ccedil;&atilde;o de mudan&ccedil;as sociais ou/e de desafios econ&oacute;micos que levam setores da popula&ccedil;&atilde;o a sentir-se inseguros e amea&ccedil;ados por um futuro que receiam, e que a vida pol&iacute;tica convencional n&atilde;o parece capaz de travar, n&atilde;o &eacute; dif&iacute;cil encontrar precedentes hist&oacute;ricos quer da ret&oacute;rica radical anti-imigrante de Trump, quer do nacionalismo isolacionista que invoca deliberadamente ao prometer colocar a Am&eacute;rica primeiro.</p>     <p>A ret&oacute;rica anti-imigrante de Trump recicla as posi&ccedil;&otilde;es e exig&ecirc;ncias do chamado Partido Americano, popularmente conhecido como o partido dos Know-Nothing<sup><a href="#17">17</a></sup><a name="top17"></a> (&laquo;N&atilde;o Sabem Nada&raquo;) que emergiu, na d&eacute;cada de 50 do s&eacute;culo XIX, munido de uma ret&oacute;rica que associava o descontentamento com o fluxo de imigrantes irlandeses e alem&atilde;es com o acentuado preconceito religioso anticat&oacute;lico, agitando o medo da destrui&ccedil;&atilde;o dos valores americanos amea&ccedil;ado por hordas de camponeses ignorantes obedientes ao Papado, incapazes de absorver as regras e o <i>ethos</i> da cidadania republicana americana. Em 1854, ano da sua funda&ccedil;&atilde;o, o partido conta com mais de um milh&atilde;o de membros e, numa conjuntura eleitoral nacional de crise e fragmenta&ccedil;&atilde;o dos dois maiores partidos existentes &agrave; &eacute;poca, soma sucessos eleitorais estaduais, particularmente na Nova Inglaterra, com uma plataforma que afirma a necessidade de proteger a Am&eacute;rica das &laquo;influ&ecirc;ncias papistas&raquo;, de proteger um &laquo;nacionalismo saud&aacute;vel&raquo; anglo-sax&oacute;nico, e exige limites apertados &agrave; imigra&ccedil;&atilde;o e um conjunto substancial de obst&aacute;culos &agrave; naturaliza&ccedil;&atilde;o de novos imigrantes<sup><a href="#18">18</a></sup><a name="top18"></a>. Esta popularidade seria de curta dura&ccedil;&atilde;o e o partido viria a desaparecer em 1860, sendo parcialmente absorvido no recentemente formado Partido Republicano, apesar da repugn&acirc;ncia de Lincoln pelas teses nativistas; em carta privada, que deveria ter especial resson&acirc;ncia para os republicanos contempor&acirc;neos, o fundador do partido comenta que </p>     <p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<blockquote>&laquo;se os &ldquo;<i>Know Nothings</i>&rdquo; ganharem controlo, a constitui&ccedil;&atilde;o passar&aacute; a dizer &ldquo;todos os homens s&atilde;o criados iguais exceto os Negros, e os estrangeiros e os cat&oacute;licos&rdquo;. Se esse tempo chegar, prefiro imigrar para qualquer outro pa&iacute;s onde n&atilde;o finjam que amam a liberdade &ndash; para a R&uacute;ssia, por exemplo, onde o despotismo existe na forma pura e sem disfarces hip&oacute;critas&raquo;<sup><a href="#19">19</a></sup><a name="top19"></a>.</blockquote>     <p></p>     <p>N&atilde;o &eacute; surpreendente portanto, que o descritor <i>know-nothing</i>, que entrou para o vocabul&aacute;rio pol&iacute;tico americano como sin&oacute;nimo do radicalismo populista na variedade mais xen&oacute;foba, esteja a ser aplicado a Donald Trump, n&atilde;o s&oacute; por comentadores mas por membros do seu pr&oacute;prio partido como George Pakati, ex-governador de Nova York, que acusou o candidato de ser &laquo;o candidato &ldquo;Know-Nothing&rdquo; do s&eacute;culo XXI&raquo;<sup><a href="#20">20</a></sup><a name="top20"></a>. Se Trump consideraria essa acusa&ccedil;&atilde;o como o insulto que &eacute; ou a usaria como mais um sinal de que as elites que o rejeitam est&atilde;o divorciadas dos sentimentos do eleitorado popular, &eacute; uma quest&atilde;o em aberto, at&eacute; porque a sua rela&ccedil;&atilde;o com a hist&oacute;ria &eacute;, pelo menos, amb&iacute;gua, como se comprova pelo seu uso do slogan &laquo;America First&raquo; (Am&eacute;rica Primeiro), ignorando toda a carga pol&iacute;tica que o termo denota, associado que est&aacute; ao movimento isolacionista que se opunha &agrave; entrada dos Estados Unidos na Segunda Guerra Mundial, onde pacifistas se misturavam com figuras pr&oacute;-alem&atilde;s como Charles Lindberg, o porta-voz do movimento.</p>     <p>Por outro lado, h&aacute; antecedentes hist&oacute;ricos para figuras populistas e demagogas criadas pelos meios de comunica&ccedil;&atilde;o social. O pioneiro ter&aacute; sido o padre radiof&oacute;nico Charles Caughlin que, nos anos 1930, criou um movimento populista, a Uni&atilde;o Nacional para a Justi&ccedil;a Social, com milh&otilde;es de membros, em grande parte galvanizados pelas suas transmiss&otilde;es de r&aacute;dio semanais com mais de 30 milh&otilde;es de ouvintes. A sua oposi&ccedil;&atilde;o ao <i>New Deal</i> de Roosevelt, moldada por um discurso antielite, anticapitalista e antissocialista intensamente antissemita, pr&oacute;ximo do fascismo italiano e alem&atilde;o, reinventou-se numa postura anti-intervencionista perante o in&iacute;cio da guerra na Europa.</p>     <p>O distanciamento e desconforto da Igreja Cat&oacute;lica e os seus excessos ret&oacute;ricos, conduziram ao cancelamento das suas emiss&otilde;es em 1939, o ano da entrada dos Estados Unidos na guerra, terminando de facto a sua carreira p&uacute;blica, depois de ter tentado influenciar a vida nacional ainda mais diretamente atrav&eacute;s da forma&ccedil;&atilde;o de um partido pol&iacute;tico, o <i>Unity Party</i>, que se dissolveu depois de um fracasso absoluto nas elei&ccedil;&otilde;es de 1936.</p>     <p>Se exemplos como estes podem sugerir uma persist&ecirc;ncia hist&oacute;rica de vagas de populismo conservador, a que se podiam juntar momentos de populismo de sentido contr&aacute;rio igualmente reveladores da atra&ccedil;&atilde;o por discursos redentores <i>antiestablisment</i> em momentos de crise econ&oacute;mica ou cultural, n&atilde;o deixam de ser fen&oacute;menos perif&eacute;ricos, que n&atilde;o afetaram diretamente o centro do ecossistema pol&iacute;tico americano e n&atilde;o explicam necessariamente a possibilidade de cont&aacute;gio direto de um partido mainstream.</p>     <p>Para encontrar alguns precedentes que substanciem a tese da n&atilde;o excecionalidade do momento Trump, devemos recuar pelo menos at&eacute; 1976, o ano em que o Partido Republicano introduz pela primeira vez o sistema de prim&aacute;rias em todos os estados (o Partido Democrata j&aacute; usava esse m&eacute;todo de sele&ccedil;&atilde;o de candidato presidencial desde 1972) e em que chega &agrave; conven&ccedil;&atilde;o nacional sem um candidato j&aacute; decidido. Arrastadas para as confer&ecirc;ncias, duas candidaturas representavam dois impulsos dentro de um partido dizimado por Nixon e pelo esc&acirc;ndalo Watergate. De um lado perfilhava-se o candidato do <i>establishment</i> e da continuidade, Gerald Ford, antigo vice-presidente de Nixon (depois do embara&ccedil;oso esc&acirc;ndalo de corrup&ccedil;&atilde;o de Spiro Agnew), que cumprira o resto do seu mandato; do outro, um relativo outsider, h&aacute;bil na autopromo&ccedil;&atilde;o, munido de uma ret&oacute;rica conversacional capaz de falar aos segmentos mais frustrados do eleitorado e de invetivar com o mesmo tom de desprezo o governo e a m&aacute;quina de Washington, o sistema de seguran&ccedil;a social descrito como um incentivo a parasitas, a pol&iacute;tica externa de desanuviamento que teria enfraquecido a na&ccedil;&atilde;o, ao mesmo tempo que prometia um regresso a uma Am&eacute;rica m&iacute;tica e invocava um nacionalismo jingo&iacute;stico &ndash; Ronald Reagan, o favorito da revigorada ala conservadora do partido.</p>     <p>A mitologia revisionista do Partido Republicano tem-no reinventado como o her&oacute;i consensual, um redentor abra&ccedil;ado por todos os republicanos desde o primeiro momento e apoiado por eles ao longo da sua ascens&atilde;o pol&iacute;tica, mas isso n&atilde;o corresponde &agrave; verdade hist&oacute;rica. Foram as bases radicalizadas do partido que sempre cultivara que imp&otilde;em a sua presen&ccedil;a na conven&ccedil;&atilde;o de 1976 e que mais tarde lhe dar&atilde;o n&atilde;o s&oacute; as prim&aacute;rias de 1980 como a presid&ecirc;ncia. A devo&ccedil;&atilde;o a posteriori &eacute; contrariada pelos testemunhos coevos como o de Craig Shirley, o conselheiro de Reagan que documentou as suas tr&ecirc;s campanhas presidenciais e que confirma que na campanha de 1976 &laquo;os l&iacute;deres do GOP, especialmente as elites da costa leste e os moderados, pensavam que Reagan era um YAHOO certificado&raquo;<sup><a href="#21">21</a></sup><a name="top21"></a>, sem o m&iacute;nimo de qualidades e experi&ecirc;ncia necess&aacute;rias para a fun&ccedil;&atilde;o presidencial.</p>     <p>Nas prim&aacute;rias de 1976, quando aquilo que &eacute; agora a ortodoxia de grande parte do Partido Republicano era ainda considerada uma deriva extremista, Reagan era rejeitado pelas estruturas estaduais do partido e era, como Rick Perslein recorda, considerado pelo seu advers&aacute;rio Gerald Ford como um peso leve a n&atilde;o levar a s&eacute;rio<sup><a href="#22">22</a></sup><a name="top22"></a>. Comentadores pol&iacute;ticos e cr&iacute;ticos culturais n&atilde;o eram menos c&aacute;usticos. Frank Rich recordou recentemente paralelos na forma jocosa como os media respeit&aacute;veis trataram Reagan em 1976 e a incapacidade de levar a s&eacute;rio a candidatura bizarra de Trump<sup><a href="#23">23</a></sup><a name="top23"></a>. Um artigo em particular parece ter sido escrito para os nossos dias &ndash; publicado na <i>Harper&rsquo;s Magazine</i> chamava ao candidato &laquo;Ronald Duck&raquo;, &laquo;o candidato da Disneylandia&raquo;, e acrescentava que &laquo;o facto de Reagan ser um candidato s&eacute;rio &agrave; presid&ecirc;ncia &eacute; um embara&ccedil;o para o pa&iacute;s&raquo;<sup><a href="#24">24</a></sup><a name="top24"></a>. Reagan perder&aacute; o escrut&iacute;nio na conven&ccedil;&atilde;o por apenas 117 votos, Gerald Ford perder&aacute; as elei&ccedil;&otilde;es contra Jimmy Carter, mas em 1980 &laquo;Ronald Duck&raquo; regressar&aacute; para redirecionar o Partido Republicano numa deriva conservadora e populista, que roubar&aacute; ao Partido Democrata, envolvido ele pr&oacute;prio numa luta identit&aacute;ria s&oacute; resolvida pela elei&ccedil;&atilde;o de Bill Clinton, uma parte significativa do seu tradicional eleitorado de trabalhadores brancos. Essa campanha, sob o slogan &laquo;Tornar a Am&eacute;rica Novamente Grande&raquo; conduzir&aacute; diretamente a Donald Trump que lhe coopta o slogan, mas tamb&eacute;m a Ted Cruz, produzido pela ascens&atilde;o ao Tea Party de 2009-2010.</p>     <p>O poder das analogias hist&oacute;ricas e a valoriza&ccedil;&atilde;o das linhas de continuidade nos processos pol&iacute;ticos tendem, no entanto, a obscurecer diferen&ccedil;as. Se h&aacute; muito em comum nas ascens&otilde;es de Reagan e de Trump dentro do Partido Republicano, h&aacute; tamb&eacute;m diferen&ccedil;as relevantes, n&atilde;o s&oacute; de estilo (o otimismo e jovialidade de Reagan n&atilde;o t&ecirc;m equivalente no alarmismo apocal&iacute;ptico de Trump) mas na subst&acirc;ncia e no entendimento das virtudes da experi&ecirc;ncia pol&iacute;tica. Reagan teve pelo menos a consci&ecirc;ncia da import&acirc;ncia da experi&ecirc;ncia pol&iacute;tica, tendo mostrado a disciplina suficiente para se submeter a elei&ccedil;&otilde;es e governar o estado da Calif&oacute;rnia, e o bom senso de ter procurado nesse cargo os consensos poss&iacute;veis com os democratas. Em momentos cruciais mostrou tamb&eacute;m ter alguma capacidade de resistir aos instintos mais extremistas dos seus eleitores, pondo em risco a sua popularidade, como sucedeu quando, num momento em que precisaria de mobilizar os seus apoiantes para a candidatura presidencial de 1980, se op&ocirc;s p&uacute;blica e vigorosamente &agrave; chamada &laquo;iniciativa Briggs&raquo; que propunha proibir professores homossexuais e os seus apoiantes de ensinar nas escolas p&uacute;blicas da Calif&oacute;rnia ajudando a derrotar a proposta apoiada pelo seu eleitorado natural e favorecida inicialmente por 61 por cento dos californianos. E, talvez mais importante, Reagan tinha um plano mais ou menos intelig&iacute;vel para a pol&iacute;tica externa americana e para a agenda dom&eacute;stica, por mais incoerentes que fossem as suas propostas econ&oacute;micas de corte de impostos e aumento de despesas mantendo o or&ccedil;amento equilibrado, um passe de magia que o seu advers&aacute;rio republicano de 1980, George H. Bush, famosamente descreveu como <i>voodoo</i> econ&oacute;mico. Os comentadores mais dedicados que procurem nas diatribes a que Trump chama discursos ou nos seus<i> tweets</i> o vislumbre de um qualquer plano coerente que v&aacute; mais longe do que afirma&ccedil;&otilde;es narcis&iacute;sticas sobre a sua capacidade &uacute;nica de resolver tudo (seja o que for que esse tudo seja) e promessas que violam n&atilde;o s&oacute; as leis nacionais como as leis da l&oacute;gica trabalham em v&atilde;o.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Reconhecer precedentes, estabelecer continuidades e identificar a evolu&ccedil;&atilde;o de tend&ecirc;ncias latentes no conservadorismo americano n&atilde;o parece ser suficiente para compreender um fen&oacute;meno t&atilde;o peculiar como a impot&ecirc;ncia do Partido Republicano nas presidenciais de 2016, incapaz de compreender o seu eleitorado e responder &agrave;s suas ang&uacute;stias, paralisado perante o assalto de um amador &agrave;s suas estruturas, fraturado por escolhas que o senador Lindsey Graham definiu como reduzidas &laquo;a morrer de um tiro ou por envenenamento&raquo;<sup><a href="#25">25</a></sup><a name="top25"></a>. A conjuntura espec&iacute;fica do p&oacute;s-Grande Recess&atilde;o, a capitula&ccedil;&atilde;o do partido ao movimento Tea Party, e a disson&acirc;ncia contempor&acirc;nea entre as bases partid&aacute;rias e as agendas pol&iacute;ticas e econ&oacute;micas dos respons&aacute;veis pol&iacute;ticos podem facilitar uma leitura complementar do paradoxo presente.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>A GUERRA DE CLASSES REPUBLICANA</b></p>     <p>A resson&acirc;ncia do <i>slogan</i> &laquo;Tornar a Am&eacute;rica Novamente Grande&raquo; junto do eleitorado que se agrega &agrave; volta de Trump ser&aacute; um bom ponto de partida para perceber quem &eacute; este eleitorado que n&atilde;o se rev&ecirc; nos agentes pol&iacute;ticos tradicionais. A maioria das sondagens e an&aacute;lises estat&iacute;sticas identifica-o com a classe m&eacute;dia baixa menos educada, de meia-idade, desorientada pelos efeitos da reconfigura&ccedil;&atilde;o demogr&aacute;fica do pa&iacute;s, insegura quanto ao seu presente econ&oacute;mico e receosa do futuro, exasperada pelo desaparecimento da ind&uacute;stria tradicional nas suas comunidades e descrente de que o partido que nas &uacute;ltimas d&eacute;cadas se tem apresentado como o seu protetor d&ecirc; de facto prioridade aos seus interesses. Nas palavras do comentador pol&iacute;tico neoconservador David Frum, s&atilde;o americanos &laquo;nem ricos nem pobres, que se irritam cada vez que lhes pedem para carregar 1 para mensagem em ingl&ecirc;s, e que se perguntam como &eacute; que &ldquo;homem branco&rdquo; deixou de ser uma descri&ccedil;&atilde;o para se tornar numa acusa&ccedil;&atilde;o&raquo;<sup><a href="#26">26</a></sup><a name="top26"></a>. S&atilde;o, de acordo com a narrativa consensualizada, os eleitores que o Partido Democrata perdeu nas guerras culturais dos anos 1960, &agrave; procura de um regresso a valores em que se reconhecem ou, na vis&atilde;o mais c&aacute;ustica do controverso estudo de Charles Murray, um grupo social que j&aacute; n&atilde;o se rev&ecirc; no <i>ethos</i> da chamada maioria silenciosa e que se tornou progressivamente alienado das &laquo;virtudes fundadoras da vida c&iacute;vica&raquo;, uma subclasse que exibe as mesmas patologias sociais que tradicionalmente se atribuem a minorias economicamente oprimidas, que n&atilde;o se rev&ecirc; nos valores &laquo;ecum&eacute;nicos&raquo; e estilo de vida da elite branca, numa sociedade mais dividida por classe do que por etnicidade<sup><a href="#27">27</a></sup><a name="top27"></a>.</p>     <p>O entusiasmo pelas promessas de renascimento de uma Am&eacute;rica que volte a ser &laquo;grande&raquo; para si e os seus, que juntamente com o desd&eacute;m pelas elites de Washington e Wall Street que imaginam como politicamente liberais e culturalmente arrogantes, alimentou o movimento Tea Party que desde 2010 tem escorra&ccedil;ado do Partido Republicano no Congresso muito do que restava da sua ala moderada, anima agora as hostes de apoiantes de Trump. O que estes eleitores n&atilde;o sabem reconhecer &eacute; que por detr&aacute;s do <i>slogan</i> &laquo;Tornar a Am&eacute;rica Novamente Grande&raquo; se esconde n&atilde;o tanto uma vacuidade, como uma contradi&ccedil;&atilde;o insan&aacute;vel.</p>     <p>Como todos os apelos nost&aacute;lgicos, tamb&eacute;m este aponta para um passado que n&atilde;o se conheceu e que se imagina bem melhor do que foi na realidade. Para muitos eleitores de Trump que o invocam, um complexo de imagens constr&oacute;i este desejo: no plano externo, uma Am&eacute;rica respeitada, influente e razoavelmente temida, impondo um tipo de ordem e seguran&ccedil;a est&aacute;vel no mundo; no plano interno, uma Am&eacute;rica pr&oacute;spera, de pleno emprego e sal&aacute;rios altos, onde a mobilidade social n&atilde;o &eacute; uma miragem mas uma realidade palp&aacute;vel. Para muitos essa imagem confunde-se com a paisagem mental da Am&eacute;rica do final dos anos 1940 e in&iacute;cio dos anos 1950, com o expandir dos sub&uacute;rbios onde a classe m&eacute;dia baixa podia adquirir a baixos custos a sua primeira propriedade imobili&aacute;ria, garantida por sal&aacute;rios seguros num setor industrial pujante, pr&eacute;-globaliza&ccedil;&atilde;o e deslocaliza&ccedil;&atilde;o. Em resumo, o que o eleitorado de Trump parece desejar &eacute; o per&iacute;odo do p&oacute;s-guerra, antes das aventuras da contracultura dos anos 1960 e da humilha&ccedil;&atilde;o da Guerra do Vietname, a mesma Am&eacute;rica que Reagan prometera bem mais eloquentemente do que Trump.</p>     <p>O que nem Reagan, nem Trump, nem a ortodoxia do Partido Republicano contempor&acirc;neo podem confessar &eacute; que essa ordem &eacute; incompat&iacute;vel com a sua vis&atilde;o das prioridades nacionais. A abund&acirc;ncia da Grande Am&eacute;rica e a sua posi&ccedil;&atilde;o influente no mundo eram herdeiras do intervencionismo estatal do <i>New Deal</i> e de um consenso pragm&aacute;tico m&iacute;nimo entre democratas e republicanos nos anos que se seguiram &agrave; guerra; sem a &laquo;GI.Bill of Rights&raquo;, por exemplo, que oferecia aos veteranos de guerra generosas condi&ccedil;&otilde;es garantidas pelo governo federal para investirem em novos neg&oacute;cios, adquirirem uma educa&ccedil;&atilde;o superior, comprarem uma casa barata, a classe m&eacute;dia americana n&atilde;o se teria tornado um modelo da capacidade de sociedades capitalistas abertas em assegurar o bem-estar e ascens&atilde;o de milh&otilde;es de trabalhadores; sem o apoio do governo federal, sustentado por robustas taxas m&aacute;ximas de impostos progressivos, a economia de guerra n&atilde;o se teria t&atilde;o rapidamente reconvertido para fins civis, evitando que o regresso de 12 milh&otilde;es de soldados se traduzisse numa nova crise econ&oacute;mica; sem um acordo t&aacute;cito sobre as prioridades da economia, governos democratas e republicanos n&atilde;o teriam sustentado pol&iacute;ticas que sobreviveram &agrave;s mudan&ccedil;as de governo; e sem um envolvimento deliberado e respons&aacute;vel com o resto do mundo, sustentado por ambos os partidos apesar de diferen&ccedil;as naturais, a Am&eacute;rica n&atilde;o teria sido influente no mundo, n&atilde;o teria ajudado a construir institui&ccedil;&otilde;es internacionais e multilaterais, defensoras de valores liberais que ajudaram a expandir a sua influ&ecirc;ncia.</p>     <p>Como Deudney e Ikenberry apontam,</p>     <p>     <blockquote>&laquo;h&aacute; uma inconsist&ecirc;ncia &ndash; mesmo uma contradi&ccedil;&atilde;o &ndash; entre o radicalismo conservador antigoverno e anti-institui&ccedil;&otilde;es internacionais, e o objetivo declarado de restaurar e alargar a influ&ecirc;ncia da Am&eacute;rica no mundo ignorando que a grandeza americana que agora se invoca nostalgicamente foi &ldquo;constru&iacute;da sobre funda&ccedil;&otilde;es liberais tanto dom&eacute;stica como internacionalmente&rdquo; e que estas foram alimentadas pragmaticamente por administra&ccedil;&otilde;es democratas e republicanas essencialmente centristas&raquo;<sup><a href="#28">28</a></sup><a name="top28"></a>,</blockquote>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p></p>     <p>e que presidentes republicanos como &laquo;Einsenhower e Nixon tinham muito mais a ver com os seus hom&oacute;logos democratas do que com os conservadores radicais de hoje.&raquo;<sup><a href="#29">29</a></sup><a name="top29"></a></p>     <p>Isto sugere, como David Frum admite, que a lideran&ccedil;a republicana deixou de ser capaz de interpretar as necessidades dos eleitores do Partido Republicano, que desejam de facto a prote&ccedil;&atilde;o de direitos adquiridos que herdaram do pragmatismo bipartid&aacute;rio. Contra o dogma das virtudes da diminui&ccedil;&atilde;o dr&aacute;stica do papel do Estado, 30 por cento de republicanos apoiam hoje o aumento de impostos para os muito ricos e s&oacute; uma minoria muito reduzida apoia os cortes de despesas p&uacute;blicas propostos pela lideran&ccedil;a (12 por cento defendem os cortes nos programas de sa&uacute;de p&uacute;blicos e s&oacute; 17 por cento apoiam redu&ccedil;&otilde;es na seguran&ccedil;a social)<sup><a href="#30">30</a></sup><a name="top30"></a>, desmontando a ilus&atilde;o de que, como Frum enuncia, o Tea Party e o trumpismo s&atilde;o &laquo;movimentos de massas guiados pelos editoriais do Wall Street Journal&raquo;<sup><a href="#31">31</a></sup><a name="top31"></a>. Se o desejo destes americanos &eacute;, como resumiu o candidato republicano conservador Mike Huckabee num famoso an&uacute;ncio da campanha presidencial de 2008, &laquo;ter um presidente que lhes recorde o homem que trabalha a seu lado e n&atilde;o o homem que o despede&raquo;, os equ&iacute;vocos da sua predile&ccedil;&atilde;o por Trump podem ser vistos como um rep&uacute;dio instintivo n&atilde;o s&oacute; do pretenso intelectualismo do Presidente Obama mas do distanciamento sobranceiro dos seus pr&oacute;prios dirigentes que n&atilde;o sabem, n&atilde;o podem ou n&atilde;o querem compreender e comunicar com as suas bases.</p>     <p>Por isso, comentadores como Frank Rick n&atilde;o est&atilde;o a ser deliberadamente ir&oacute;nicos quando sugerem que, ao inv&eacute;s de caracterizar as prim&aacute;rias de 2016 como uma <i>blitzkrieg</i> de Trump contra o Partido Republicano, &eacute; de facto este que tenta roubar o partido &agrave;s suas bases<sup><a href="#32">32</a></sup><a name="top32"></a>. Por paradoxal que pare&ccedil;a, este diagn&oacute;stico exp&otilde;e os dilemas do que resta do establishment de centro-direita republicano, numa conjuntura em que a sua agenda n&atilde;o promete o al&iacute;vio da situa&ccedil;&atilde;o dos seus eleitores.</p>     <p>&Eacute; &oacute;bvio que a presente rebeli&atilde;o populista conservadora n&atilde;o resulta s&oacute; de frustra&ccedil;&otilde;es econ&oacute;micas e que mudan&ccedil;as aceleradas de valores culturais na esfera dom&eacute;stica e o confronto com as limita&ccedil;&otilde;es do poder internacional americano na esfera externa para ela contribuem. Mas o que nem Trump nem o Partido Republicano parecem ter absorvido &eacute; que o verdadeiro inimigo da classe m&eacute;dia pouco educada n&atilde;o &eacute; nem a globaliza&ccedil;&atilde;o nem a desindustrializa&ccedil;&atilde;o, nem a imigra&ccedil;&atilde;o, nem a incerteza internacional, que, sendo poss&iacute;veis de moderar, s&atilde;o racionalmente imposs&iacute;veis de reverter &ndash; &eacute; o futuro do trabalho, a automatiza&ccedil;&atilde;o e robotiza&ccedil;&atilde;o da produ&ccedil;&atilde;o e de muitos servi&ccedil;os que amea&ccedil;ar&aacute; quase metade dos trabalhos existentes nas pr&oacute;ximas d&eacute;cadas, e a falta de prepara&ccedil;&atilde;o e prote&ccedil;&atilde;o para sobreviver &agrave;s mudan&ccedil;as radicais que se aproximam<sup><a href="#33">33</a></sup><a name="top33"></a>.</p>     <p>Se nenhum partido tem j&aacute; respostas para este futuro &ndash; e provavelmente n&atilde;o as ter&atilde;o at&eacute; que os novos desafios lhes sejam impostos pela dureza da realidade num futuro pr&oacute;ximo &ndash;, parece certo que o n&uacute;mero de eleitores da classe m&eacute;dia que se sentem abandonados pela acelera&ccedil;&atilde;o da hist&oacute;ria n&atilde;o vai desaparecer. Se v&atilde;o continuar a expressar a sua exaspera&ccedil;&atilde;o refugiando-se nas ilus&otilde;es populistas ou se v&atilde;o voltar a confiar na agenda pol&iacute;tica dos partidos tradicionais depende da capacidade de renova&ccedil;&atilde;o de cada um.</p>     <p>No caso do Partido Republicano &eacute; dif&iacute;cil que a guerra de classes entre eleitores e establishment desapare&ccedil;a depois de Trump. Para j&aacute;, o partido parece ter duas alternativas: capitular perante os impulsos fantasistas, xen&oacute;fobos e autorit&aacute;rios de parte do seu eleitorado e abra&ccedil;ar Trump em nome de uma inexistente unidade, ou aproveitar o choque para se reinventar, levando o seu eleitorado para caminhos mais produtivos. N&atilde;o seria a primeira vez que um partido americano mudava de rumo e se realinhava politicamente, nem a primeira vez que um l&iacute;der republicano resiste aos piores instintos do seu eleitorado. Neste caso, o partido poderia receber inspira&ccedil;&atilde;o do ato de coragem pol&iacute;tica de Reagan em 1978. Os meses que nos separam das elei&ccedil;&otilde;es de novembro provar&atilde;o se ainda h&aacute;, no partido fundado por Lincoln, capacidade para proteger legados hist&oacute;ricos respeit&aacute;veis e para isolar o v&iacute;rus que o corr&oacute;i, em nome do seu futuro, do dos seus eleitores e do seu pa&iacute;s.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>BIBLIOGRAFIA</b></p>     <p>ALBERTAZZI, Danielle, e MCDONNELL, Duncan &ndash; <i>Twenty-First Century Populism</i><i>: The Spectre of Western European Democracy</i>. Londres: Palgrave, 2008.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>BROOKS, David &ndash; &laquo;If not Trump, what?&raquo;. In <i>The New York Times</i>. 29 de abril de 2016. (Consultado em: 18 de junho de 2016). Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.nytimes.com/2016/04/29/opinion/if-not-trump-what.html?_r=0" target="_blank">http://www.nytimes.com/2016/04/29/opinion/if-not-trump-what.html?_r=0</a>.</p>     <p>DEUDNEY, Daniel, e IKENBERRY, G. John &ndash; &laquo;Unrevelling America the great&raquo;. In <i>The American Interest</i>. Vol. XI, N.&ordm; 5, 2016, pp. 7-17.</p>     <p>CANOVAN, Margaret &ndash; &laquo;Trust the people! Populism and the two faces of democracy&raquo;. In <i>Political Studies</i>. Vol. 47, N.&ordm; 1, 1999, pp. 2-16.</p>     <p>CEGIEELKI, Stephanie &ndash; &laquo;An open letter to Trump voters from his top strategist-turned defector&raquo;. 28 de mar&ccedil;o de 2016. (Consultado em: 15 de junho de 2016). Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.xojane.com/issues/stephanie-cegielski-donald-trump-campaign-defector" target="_blank">http://www.xojane.com/issues/stephanie-cegielski-donald-trump-campaign-defector</a>.</p>     <p>FARREL, Barry &ndash; &laquo;The candidate from Disneyland&raquo;. In <i>Harper&rsquo;s Magazine</i>. Fevereiro de 1976. (Consultado em: 1 de junho de 2016). Dispon&iacute;vel em:<a href=" http://harpers.org/archive/1976/02/the-candidate-from-disneyland/" target="_blank"> http://harpers.org/archive/1976/02/the-candidate-from-disneyland/</a>.</p>     <p>FRUM, David &ndash; &laquo;The great Republican revolt&raquo;. In <i>The Atlantic</i>. Vol. 317, N.&ordm; 1, janeiro-fevereiro de 2016, pp. 48-59.</p>     <p><i>Growth and Opportunity Project</i>. 2013. (Consultado em: 19 de mar&ccedil;o de 2016). Dispon&iacute;vel em: <a href="http://goproject.gop.com/rnc_growth_opportunity_book_2013.pdf" target="_blank">http://goproject.gop.com/rnc_growth_opportunity_book_2013.pdf</a>.</p>     <p>HARWOOD, John &ndash; &laquo;G.O.P.&rsquo;s grip on house is put at risk&raquo;. In <i>International New York Times</i>. 4 de maio de 2016, p. 2.</p>     <p>HOFSTADTER, Richard &ndash; <i>Anti-Intellectualism in American Life</i>. Nova York: Vintage Books, 1962.</p>     <p>HOFSTADTER, Richard &ndash; &laquo;The paranoid style in American politics&raquo;. In <i>The Paranoid Style in American Politics and Other Essays</i>. Cambridge: Harvard University Press, 1996, pp. 3-40.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>HUETTEMAN, Emmarie &ndash; &laquo;Lindsey Graham says nominating Donald Trump or Ted Cruz would be &ldquo;death&rdquo; of the party&raquo;. In <i>The New York Times</i>. 21 de janeiro de 2016. (Consultado em: 2 de junho de 2016). Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.nytimes.com/politics/first-draft/2016/01/21/lindsey-graham-says-electing-donald-trump-or-ted-cruz-would-be-death-of-the-party/?_r=0" target="_blank">http://www.nytimes.com/politics/first-draft/2016/01/21/lindsey-graham-says-electing-donald-trump-or-ted-cruz-would-be-death-of-the-party/?_r=0</a>.</p>     <p>KAUFMAN, Scott Eric &ndash; &laquo;Former NY governor George Pataki: Donald Trump is the &ldquo;Know-Nothing&rdquo; candidate of the 21st century&raquo;. In <i>Salon</i>. 16 de dezembro de 2015. (Consultado em: 1 de junho de 2016). Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.salon.com/2015/12/16/former_ny_governor_george_pataki_donald_trump_is_the_know_nothing_candidate_of_the_21st_century/" target="_blank">http://www.salon.com/2015/12/16/former_ny_governor_george_pataki_donald_trump_is_the_know_nothing_candidate_of_the_21st_century/</a>.</p>     <p>LINCOLN, Abraham &ndash; &laquo;Letter to Joshua S, Speed 24 August 1855&raquo;. In <i>Abraham Lincoln on line: Speeches and Writings</i>. (Consultado em: 1 de junho de 2016). Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.abrahamlincolnonline.org/lincoln/speeches/speed.htm" target="_blank">http://www.abrahamlincolnonline.org/lincoln/speeches/speed.htm</a>.</p>     <p>MURRAY, Charles &ndash; <i>Coming Apart: The State of White America, 1960-2010</i>. Nova Iork: Crown Forum, 2012.</p>     <p>PERLSTEIN, Rick &ndash; <i>The Invisible Bridge: The Fall of Nixon and the Rise of Reagan</i>. Nova York: Simon and Schuster, 2015.</p>     <p>PERLSTEIN, Rick &ndash; &laquo;Is this the end of the GOP as we know it?&raquo;. In SLATE. 28 de janeiro de 2016. (Consultado em: 24 de junho de 2016). Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.slate.com/articles/news_and_politics/interrogation/2016/01/rick_perlstein_historian_of_conservatism_on_donald_trump_and_the_gop_crack.html" target="_blank">http://www.slate.com/articles/news_and_politics/interrogation/2016/01/rick_perlstein_historian_of_conservatism_on_donald_trump_and_the_gop_crack.html</a>.</p>     <p>RICH, Frank &ndash; &laquo;Ronald Reagan was once Donald Trump&raquo;. In <i>New York Magazine</i>. 1 de junho de 2016. (Consultado em: 1 de junho de 2016). Dispon&iacute;vel em: <a href="http://nymag.com/daily/intelligencer/2016/05/ronald-reagan-was-once-donald-trump.html" target="_blank">http://nymag.com/daily/intelligencer/2016/05/ronald-reagan-was-once-donald-trump.html</a>.</p>     <p>RICH, Frank &ndash; &laquo;There was no Republican establishment after all&raquo;. In <i>The New York Magazine</i>. 20 de mar&ccedil;o de 2016. (Consultado em: 2 de junho de 2016). Dispon&iacute;vel em: <a href="http://nymag.com/daily/intelligencer/2016/03/frank-rich-trump-didnt-hijack-gop.html" target="_blank">http://nymag.com/daily/intelligencer/2016/03/frank-rich-trump-didnt-hijack-gop.html</a>.</p>     <p>SHIRLEY, Craig &ndash; <i>Rendezvous with Destiny: Ronald Reagan and the Campaign that Changed America</i>. 2.&ordf; edi&ccedil;&atilde;o. Willmington: Intercollegiate Studies Institute, 2011.</p>     <p>&laquo;The Know-Nothing Party Platform 1855&raquo;. In <i>The Know Nothings and American Crusader</i>. 15 de julho de 1854. (Consultado em: 1 de junho de 2016). Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.pjpiisoe.org/pamphlets/342US.pdf" target="_blank">http://www.pjpiisoe.org/pamphlets/342US.pdf</a>.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>THOMPSON, Derek &ndash; &laquo;A world without work&raquo;. In <i>The Atlantic</i>. Vol. 316 N.&ordm; 1, julho-agosto de 2015, pp. 51-61.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>Data de rece&ccedil;&atilde;o: 6 de julho de 2016 | Data da aprova&ccedil;&atilde;o: 12 de agosto de 2016</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>NOTAS</b></p>     <p><Sup><a name="1"></a><a href="#top1">1</a></Sup> PERLSTEIN, Rick &ndash; &laquo;Is this the end of the gop as we know it?&raquo;. In <i>Slate</i>. 28 de janeiro de 2016. (Consultado em: 24 de junho de 2016). Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.slate.com/articles/news_and_politics/interrogation/2016/01/rick_perlstein_historian_of_conservatism_on_donald_trump_and_the_gop_crack.html" target="_blank">http://www.slate.com/articles/news_and_politics/interrogation/2016/01/rick_perlstein_historian_of_conservatism_on_donald_trump_and_the_gop_crack.html</a>.</p>     <p><Sup><a name="2"></a><a href="#top2">2</a></Sup> CEGIEELKI, Stephanie &ndash; &laquo;An open letter to Trump voters from his top strategist-turned defector&raquo;. 28 de mar&ccedil;o de 2016. (Consultado em: 15 de junho de 2016). Dispon&iacute;vel online em: <a href="http://www.xojane.com/issues/stephanie-cegielski-donald-trump-campaign-defector" target="_blank">http://www.xojane.com/issues/stephanie-cegielski-donald-trump-campaign-defector</a>.</p>     <p><Sup><a name="3"></a><a href="#top3">3</a></Sup> A Constitui&ccedil;&atilde;o americana estabelece uma elei&ccedil;&atilde;o escalonada do Senado, de forma a que tendo todos os senadores um mandato de seis anos, um ter&ccedil;o v&aacute; a votos de dois em dois anos, ao contr&aacute;rio da C&acirc;mara dos Representantes que &eacute; eleita com mandatos de dois anos.</p>     <p><Sup><a name="4"></a><a href="#top4">4</a></Sup> HARWOOD, John &ndash; &laquo;G.O.P.&rsquo;s grip on house is put at risk&raquo;. In <i>International New York Times</i>, 4 de maio de 2016, p. 2.</p>     <p><Sup><a name="5"></a><a href="#top5">5</a></Sup> Alguns candidatos republicanos &agrave; C&acirc;mara dos Representantes, em elei&ccedil;&otilde;es particularmente dif&iacute;ceis, j&aacute; repudiaram publicamente Donald Trump e anunciaram que n&atilde;o votaram nele; entre estes est&aacute; Robert Dold, do estado do Illinois, que representa um distrito eleitoral de Chicago com uma forte incid&ecirc;ncia de eleitores com cursos superiores, e Carlos Curbelo, do 26.&ordm; distrito do estado da Florida, onde 60 por cento do eleitorado s&atilde;o hisp&acirc;nicos (na Florida a percentagem global &eacute; de 23 por cento).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><Sup><a name="6"></a><a href="#top6">6</a></Sup> BROOKS, David &ndash; &laquo;If not Trump, what?&raquo;. In <i>The New York Times</i>. 29 de abril de 2016. (Consultado em: 18 de junho de 2016). Dispon&iacute;vel online em: <a href="http://www.nytimes.com/2016/04/29/opinion/if-not-trump-what.html?_r=0" target="_blank">http://www.nytimes.com/2016/04/29/opinion/if-not-trump-what.html?_r=0</a>.</p>     <p><Sup><a name="7"></a><a href="#top7">7</a></Sup> Ibidem.</p>     <p><Sup><a name="8"></a><a href="#top8">8</a></Sup> Growth and Opportunity Project. 2013. (Consultado em: 19 de mar&ccedil;o de 2016). Dispon&iacute;vel online em: <a href="http://goproject.gop.com/rnc_growth_opportunity_book_2013.pdf" target="_blank">http://goproject.gop.com/rnc_growth_opportunity_book_2013.pdf</a>.</p>     <p><Sup><a name="9"></a><a href="#top9">9</a></Sup> Ibidem, p. 4. Apesar de ter vencido as elei&ccedil;&otilde;es de 2000 contra Al Gore no col&eacute;gio eleitoral, George W. Bush perdeu o voto popular com uma diferen&ccedil;a de cerca de 500 mil votos.</p>     <p><Sup><a name="10"></a><a href="#top10">10</a></Sup> Ibidem.</p>     <p><Sup><a name="11"></a><a href="#top11">11</a></Sup> PEW RESEARCH CENTER &ndash; &laquo;2016 electorate will be the most diverse in U.S. history&raquo;. 3 de fevereiro de 2016. (Consultado em: 26 de abril de 2016). Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.pewresearch.org/fact-tank/2016/02/03/2016-electorate-will-be-the-most-diverse-in-u-s-history/" target="_blank">http://www.pewresearch.org/fact-tank/2016/02/03/2016-electorate-will-be-the-most-diverse-in-u-s-history/</a>.</p>     <p><Sup><a name="12"></a><a href="#top12">12</a></Sup> Em 2010, a lei &laquo;McCain-Feingold&raquo; de 2002, aprovada com apoio bipartid&aacute;rio, que proibia os partidos de receberem grandes doa&ccedil;&otilde;es de entidades privadas, foi ultrapassada pela decis&atilde;o do Supremo Tribunal &laquo;Citizens United&raquo;, que conclu&iacute;a que o Governo n&atilde;o podia limitar os gastos em campanhas pol&iacute;ticas de corpora&ccedil;&otilde;es, sindicatos ou outros grupos. Esta decis&atilde;o abriu as portas &agrave; organiza&ccedil;&atilde;o de comit&eacute;s de a&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica privados, que apoiam candidatos com doa&ccedil;&otilde;es, por vezes an&oacute;nimas, de companhias, sindicatos ou indiv&iacute;duos. Estima-se que nas elei&ccedil;&otilde;es intercalares de 2014, 1,360 super-PAC tenham gasto cerca de 700 milh&otilde;es de d&oacute;lares em candidatos ao Congresso.</p>     <p><Sup><a name="13"></a><a href="#top13">13</a></Sup> ALBERTAZZI, Danielle, e MCDONNELL, Duncan &ndash; <i>Twenty-First Century Populism</i><i>: The Spectre of Western European Democracy</i>. Londres: Palgrave, 2008, pp. 1-2.</p>     <p><Sup><a name="14"></a><a href="#top14">14</a></Sup> CANOVAN, Margaret &ndash; &laquo;Trust the people! Populism and the two faces of democracy&raquo;. In <i>Political Studies</i>. Vol. 47, N.&ordm; 1, 1999, pp. 2-16.</p>     <p><Sup><a name="15"></a><a href="#top15">15</a></Sup> HOFSTADTER, Richard &ndash; <i>Anti-Intelectualism in American Life</i>. Nova York: Vintage Books 1962, pp. 47-50.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><Sup><a name="16"></a><a href="#top16">16</a></Sup> HOFSTADTER, Richard &ndash; &laquo;The paranoid style in American politics&raquo;. In <i>The Paranoid Style in American Politics and Other Essays</i>. Cambridge: Harvard University Press, 1996, p. 23.</p>     <p><Sup><a name="17"></a><a href="#top17">17</a></Sup> O futuro partido come&ccedil;ou por ter uma estrutura semiclandestina, o que explica o seu nome popular, dado pelos seus cr&iacute;ticos como coment&aacute;rio &agrave; recusa dos seus membros em falar das suas atividades.</p>     <p><Sup><a name="18"></a><a href="#top18">18</a></Sup> &laquo;The Know-Nothing Party Platform 1855&raquo;. In <i>The Know Nothings and American Crusader</i>. 15 de julho de 1854. (Consultado em: 1 de junho de 2016). Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.pjpiisoe.org/pamphlets/342US.pdf" target="_blank">http://www.pjpiisoe.org/pamphlets/342US.pdf</a>.</p>     <p><Sup><a name="19"></a><a href="#top19">19</a></Sup> LINCOLN, Abraham &ndash; &laquo;Letter to Joshua S, Speed 24 August 1855&raquo;. In <i>Abraham Lincoln on line: Speeches and Writings</i>. (Consultado em: 1 de junho de 2016). Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.abrahamlincolnonline.org/lincoln/speeches/speed.htm" target="_blank">http://www.abrahamlincolnonline.org/lincoln/speeches/speed.htm</a>.</p>     <p><Sup><a name="20"></a><a href="#top20">20</a></Sup> KAUFMAN, Scott Eric &ndash; &laquo;Former NY governor George Pataki: Donald Trump is the &ldquo;Know-Nothing&rdquo; candidate of the 21st century&raquo;. In<i> Salon</i>. 16 de dezembro de 2015. (Consultado em: 1 de junho de 2016). Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.salon.com/2015/12/16/former_ny_governor_george_pataki_donald_trump_is_the_know_nothing_candidate_of_the_21st_century/" target="_blank">http://www.salon.com/2015/12/16/former_ny_governor_george_pataki_donald_trump_is_the_know_nothing_candidate_of_the_21st_century/</a>.</p>     <p><Sup><a name="21"></a><a href="#top21">21</a></Sup> SHIRLEY, Craig &ndash; <i>Rendezvous with Destiny: Ronald Reagan and the Campaign that changed America</i>. 2.&ordf; edi&ccedil;&atilde;o). Willmington: Intercollegiate Studies Institute, 2011, p. 181.</p>     <p><Sup><a name="22"></a><a href="#top22">22</a></Sup> PERLSTEIN, Rick &ndash; <i>The Invisible Bridge: The Fall of Nixon and the Rise of Reagan</i>. Nova York: Simon and Schuster, 2015, p. 530.</p>     <p><Sup><a name="23"></a><a href="#top23">23</a></Sup> RICH, Frank &ndash; &laquo;Ronald Reagan was once Donald Trump&raquo;. In <i>New York Magazine</i>. 1 de junho de 2016. (Consultado em: 1 de junho de 2016). Dispon&iacute;vel em: <a href="http://nymag.com/daily/intelligencer/2016/05/ronald-reagan-was-once-donald-trump.html" target="_blank">http://nymag.com/daily/intelligencer/2016/05/ronald-reagan-was-once-donald-trump.html</a>.</p>     <p><Sup><a name="24"></a><a href="#top24">24</a></Sup> FARREL, Barry &ndash; &laquo;The candidate from Disneyland&raquo;. In <i>Harper&rsquo;s Magazine</i>. Fevereiro de 1976. (Consultado em: 1 de junho de 2016). Dispon&iacute;vel em: <a href="http://harpers.org/archive/1976/02/the-candidate-from-disneyland/" target="_blank">http://harpers.org/archive/1976/02/the-candidate-from-disneyland/</a>.</p>     <p><Sup><a name="25"></a><a href="#top25">25</a></Sup> HUETTEMAN, Emmarie &ndash; &laquo;Lindsey Graham says nominating Donald Trump or Ted Cruz would be &ldquo;death&rdquo; of the party&raquo;. In <i>The New York Times</i>. 21 de janeiro de 2016. (Consultado em: 2 de junho de 2016). Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.nytimes.com/politics/first-draft/2016/01/21/lindsey-graham-says-electing-donald-trump-or-ted-cruz-would-be-death-of-the-party/?_r=0" target="_blank">http://www.nytimes.com/politics/first-draft/2016/01/21/lindsey-graham-says-electing-donald-trump-or-ted-cruz-would-be-death-of-the-party/?_r=0</a>.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><Sup><a name="26"></a><a href="#top26">26</a></Sup> FRUM, David &ndash; &laquo;The great Republican revolt&raquo;. In <i>The Atlantic</i>. Vol. 317, N.&ordm; 1, janeiro--fevereiro de 2016.</p>     <p><Sup><a name="27"></a><a href="#top27">27</a></Sup> MURRAY, Charles &ndash; <i>Coming Apart: The State of White America, 1960-2010</i>. Nova York: Crown Forum, 2012.</p>     <p><Sup><a name="28"></a><a href="#top28">28</a></Sup> DEUDNEY, Daniel, e IKENBERRY, G. John &ndash; &laquo;Unrevelling America the great&raquo;. In <i>The American Interest</i>. Vol. XI, N.&ordm; 5, ver&atilde;o de 2016, p. 7.</p>     <p><Sup><a name="29"></a><a href="#top29">29</a></Sup> Ibidem, p. 9.</p>     <p><Sup><a name="30"></a><a href="#top30">30</a></Sup> FRUM, David &ndash; &laquo;The great Republican revolt&raquo;, pp. 52-53.</p>     <p><Sup><a name="31"></a><a href="#top31">31</a></Sup> Ibidem, p. 53.</p>     <p><Sup><a name="32"></a><a href="#top32">32</a></Sup> RICH, Frank &ndash; &laquo;There was no Republican establishment after all&raquo;. In The <i>New York Magazine</i>. 20 de mar&ccedil;o de 2016. (Consultado em: 2 de junho de 2016). Dispon&iacute;vel em: <a href="http://nymag.com/daily/intelligencer/2016/03/frank-rich-trump-didnt-hijack-gop.html" target="_blank">http://nymag.com/daily/intelligencer/2016/03/frank-rich-trump-didnt-hijack-gop.html</a>.</p>     <p><Sup><a name="33"></a><a href="#top33">33</a></Sup> Thompson, Derek &ndash; &laquo;A world without work&raquo;. In <i>The Atlantic</i>. Vol. 316, N.&ordm; 1, julho-agosto de 2015, p. 53.</p>      ]]></body><back>
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