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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><b>RECENSÃO</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Uma biografia&nbsp;dos &laquo;guerristas&raquo;: A grande guerra&nbsp;de Afonso Costa</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Ant&oacute;nio Paulo Duarte</b></p>     <p>Assessor e investigador do quadro do Instituto da Defesa Nacional (IDN). Investigador integrado do Instituto de Hist&oacute;ria Contempor&acirc;nea (IHC) da FCSH-NOVA. Doutor em Hist&oacute;ria Institucional e Pol&iacute;tica Contempor&acirc;nea pela FCSH-NOVA (2005) e mestre em Estrat&eacute;gia pelo ISCSP da Universidade T&eacute;cnica de Lisboa (1997). Coordenador do projeto de investiga&ccedil;&atilde;o &laquo;Pensar Estrategicamente Portugal: A Inser&ccedil;&atilde;o Internacional das Pequenas e M&eacute;dias Pot&ecirc;ncias e a Primeira Guerra Mundial&raquo;, promovido pelo IDN, em parceria com o IHC da FCSH-UNL e com o ICS da Universidade de Lisboa e apoiado pela Comiss&atilde;o Coordenadora das Evoca&ccedil;&otilde;es do Centen&aacute;rio da Primeira Guerra Mundial do Minist&eacute;rio da Defesa Nacional, para o quinqu&eacute;nio de 2014-2018.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>FILIPE RIBEIRO&nbsp;DE MENESES</b></p>     <p><b><i>A Grande Guerra&nbsp;de Afonso Costa&nbsp;</i>Lisboa,&nbsp;Dom Quixote, 2015, 244 p&aacute;ginas.</b></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>INTRODU&Ccedil;&Atilde;O</b></p>     <p>A evoca&ccedil;&atilde;o do centen&aacute;rio da Primeira Guerra Mundial por toda a Europa avigorou a j&aacute; ampla investiga&ccedil;&atilde;o historiogr&aacute;fica sobre este acontecimento, visto como catacl&iacute;smico pelas gera&ccedil;&otilde;es que o viveram e as posteriores,&nbsp;e que desde o seu in&iacute;cio foi objeto de intensos estudos de diverso cariz disciplinar.</p>     <p>Em Portugal, desde a d&eacute;cada de 90 do s&eacute;culo&nbsp;XX, que os estudos historiogr&aacute;ficos sobre a posi&ccedil;&atilde;o do pa&iacute;s no quadro da Primeira Guerra Mundial se reavivaram de forma acentuada, ap&oacute;s cerca de meio s&eacute;culo de um quase absoluto sil&ecirc;ncio, impulsionados por uma nova gera&ccedil;&atilde;o de historiadores, suportados em novas metodologias de an&aacute;lise e em uma vis&atilde;o tamb&eacute;m distinta do modo como habitualmente se observara a Primeira Rep&uacute;blica, quer pelos descendentes pol&iacute;ticos dos velhos republicanos, quer durante o Estado Novo. A evoca&ccedil;&atilde;o do centen&aacute;rio da Primeira Guerra Mundial s&oacute; refor&ccedil;ou a tend&ecirc;ncia para aprofundar ainda mais os estudos sobre a participa&ccedil;&atilde;o de Portugal no conflito mundial.</p>     <p>Estes estudos, de certo modo, j&aacute; tinham recebido um primeiro est&iacute;mulo, dada a proximidade entre o centen&aacute;rio de comemora&ccedil;&atilde;o da implanta&ccedil;&atilde;o da Rep&uacute;blica em Portugal e o de evoca&ccedil;&atilde;o da participa&ccedil;&atilde;o portuguesa na Primeira Guerra Mundial. Mas esta proximidade entre os dois centen&aacute;rios tamb&eacute;m acabou por configurar e enfocar a &aacute;rea principal de interesse dos estudos mais recentes sobre a participa&ccedil;&atilde;o de Portugal na grande conflagra&ccedil;&atilde;o, distinguindo-se assim dos t&oacute;picos que na &uacute;ltima d&eacute;cada do s&eacute;culo&nbsp;xx&nbsp;e ainda na primeira do s&eacute;culo&nbsp;xxi&nbsp;tinham entusiasmado a historiografia portuguesa: com efeito, nessas d&eacute;cadas, o foco centrara-se, por um lado, na realidade social, fosse no quotidiano da vida dos soldados portugueses na Europa<sup><a href="#1">1</a></sup><a name="top1"></a>&nbsp;ou na &Aacute;frica<sup><a href="#2">2</a></sup><a name="top2"></a>, fosse nas m&uacute;ltiplas tens&otilde;es sociais que aconteciam em Portugal e que, em geral, a guerra aprofundara<sup><a href="#3">3</a></sup><a name="top3"></a>, e, por outro, em monografias sobre determinadas personalidades ou situa&ccedil;&otilde;es espec&iacute;ficas<sup><a href="#4">4</a></sup><a name="top4"></a>.</p>     <p>Com o aproximar do centen&aacute;rio da implanta&ccedil;&atilde;o da Rep&uacute;blica, primeiro, e depois com o centen&aacute;rio da evoca&ccedil;&atilde;o da participa&ccedil;&atilde;o portuguesa na Primeira Guerra Mundial, o foco de estudo virou-se para as quest&otilde;es pol&iacute;ticas intr&iacute;nsecas &agrave; Primeira Rep&uacute;blica e sua rela&ccedil;&atilde;o com as causas da interven&ccedil;&atilde;o bel&iacute;gera de Portugal na grande conflagra&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>UM HISTORIADOR NO LABIRINTO&nbsp;DA INTERVEN&Ccedil;&Atilde;O PORTUGUESA&nbsp;NA PRIMEIRA GUERRA MUNDIAL</b></p>     <p>Filipe Ribeiro de Meneses &eacute; um veterano dos estudos sobre a participa&ccedil;&atilde;o de Portugal na Primeira Guerra Mundial. A tese com que se doutorou no Trinity College de Dublin, na Irlanda, nos idos anos 90 do s&eacute;culo&nbsp;XX, versava precisamente a&nbsp;<i>Uni&atilde;o Sagrada e o Sidonismo, Portugal na Grande Guerra (1916-1918)</i><sup><a href="#5">5</a></sup><a name="top5"></a>: uma monografia que estudava a situa&ccedil;&atilde;o de Portugal durante o per&iacute;odo dos governos da Uni&atilde;o Sagrada e de Sid&oacute;nio Pais. Muito mais recentemente, e no &acirc;mbito de uma cole&ccedil;&atilde;o de monografias sobre os l&iacute;deres pol&iacute;ticos de cada um dos pa&iacute;ses que participaram, como ex-beligerantes, nas confer&ecirc;ncias de paz de Paris em 1919, publicou uma curta biografia de Afonso Costa<sup><a href="#6">6</a></sup><a name="top6"></a>. Al&eacute;m destes textos mais longos, Filipe Ribeiro de Meneses tem vindo a publicar igualmente numerosos artigos sobre a participa&ccedil;&atilde;o de Portugal na Grande Guerra<sup><a href="#7">7</a></sup><a name="top7"></a>. O conhecimento que tem desta &eacute;poca e das condi&ccedil;&otilde;es que levaram Portugal &agrave; beliger&acirc;ncia na Primeira Guerra Mundial &eacute; por isso, pode-se dizer, muito profundo.</p>     <p>A sua mais recente obra,&nbsp;<i>A Grande Guerra de Afonso Costa</i><sup><a href="#8">8</a></sup><a name="top8"></a>, &eacute; todavia um objeto estranho do ponto de vista das categorias com que se costumam catalogar os livros nas bibliotecas. N&atilde;o &eacute; uma biografia propriamente dita, mas tamb&eacute;m n&atilde;o &eacute; uma monografia sobre os pol&iacute;ticos &laquo;guerristas&raquo;.&nbsp;</p>     <p>&Eacute; que, n&atilde;o sendo a obra, por um lado, uma pura biografia, nem, por outro, um estudo sobre uma fa&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica ou um projeto pol&iacute;tico, ela faz confluir a a&ccedil;&atilde;o individual de Afonso Costa com a din&acirc;mica do &laquo;partido guerrista&raquo;, situa&ccedil;&atilde;o imprescind&iacute;vel para que Portugal se tornasse uma na&ccedil;&atilde;o beligerante na Primeira Guerra Mundial. Esta muito peculiar caracter&iacute;stica da obra espelha a muito particular posi&ccedil;&atilde;o que Afonso Costa teve no desenrolar dos eventos que encaminharam Portugal para a beliger&acirc;ncia na grande conflagra&ccedil;&atilde;o e &eacute; uma das grandes mais-valias deste livro.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Na realidade, se, por um lado, Afonso Costa, por si pr&oacute;prio, jamais teria conseguido impor a Portugal uma beliger&acirc;ncia na contenda mundial, para muitos dos seus concidad&atilde;os n&atilde;o desejada ou querida, por outro, a &laquo;fa&ccedil;&atilde;o guerrista&raquo; dificilmente, sem a capacidade de agrega&ccedil;&atilde;o e de mobiliza&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica de Afonso Costa, asseguraria a entrada do pa&iacute;s na conflagra&ccedil;&atilde;o. O foco de&nbsp;<i>A Grande Guerra de Afonso Costa</i>&nbsp;&eacute; precisamente o de compreender a postura do l&iacute;der pol&iacute;tico republicano radical durante a Primeira Guerra Mundial e entender o que o levou, progressivamente, a assumir a beliger&acirc;ncia de Portugal, e a considerar como grande des&iacute;gnio nacional a presen&ccedil;a de um corpo de ex&eacute;rcito portugu&ecirc;s na mais tormentosa de todas as frentes de batalha, a francesa.</p>     <p>Filipe Ribeiro de Meneses n&atilde;o &eacute; o &uacute;nico historiador que mais recentemente se debru&ccedil;ou sobre a vida pol&iacute;tica de Afonso Costa. Paulo Guinote &eacute; autor de uma outra biografia pol&iacute;tica de Afonso Costa, focada na sua vida parlamentar, essencialmente. Todavia, o per&iacute;odo em causa &eacute; tratado muito sumariamente nesta obra, e nada acresce ao que j&aacute; se sabia sobre a a&ccedil;&atilde;o de Afonso Costa durante a Primeira Guerra Mundial<sup><a href="#9">9</a></sup><a name="top9"></a>. Pelo contr&aacute;rio,&nbsp;<i>A Grande Guerra de Afonso Costa</i>&nbsp;lida muito mais proficuamente com a a&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica de Afonso Costa durante a grande conflagra&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>A&nbsp;&laquo;GRANDE GUERRA&raquo;&nbsp;DE AFONSO COSTA</b></p>     <p>Como demonstra Filipe Ribeiro de Meneses, ao contr&aacute;rio de Jo&atilde;o Chagas, desde o tonitruar dos primeiros canh&otilde;es, um pleno, puro e duro &laquo;guerrista&raquo; (como evidenciam os seus di&aacute;rios), Afonso Costa mant&eacute;m em 1914 uma posi&ccedil;&atilde;o bem mais circunspecta em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; posi&ccedil;&atilde;o de Portugal no conflito. &Eacute; certo que ele est&aacute; com os seus camaradas &laquo;democr&aacute;ticos&raquo; no apoio dado &agrave; Gr&atilde;-Bretanha desde o in&iacute;cio da Grande Guerra e manifesta-se muito favor&aacute;vel ao envio para Fran&ccedil;a, em setembro de 1914, de uma divis&atilde;o do Ex&eacute;rcito portugu&ecirc;s e n&atilde;o s&oacute; da artilharia requerida, com ou sem artilheiros, mas f&aacute;-lo sempre a partir de uma posi&ccedil;&atilde;o reservada, de quem segue a vontade do partido, n&atilde;o de quem tem um papel liderante no mesmo. Esta reserva e esta circunspe&ccedil;&atilde;o &eacute;-lhe atribu&iacute;da por, julga Filipe Ribeiro de Meneses, estar Afonso Costa muito mais preocupado com a conjuntura pol&iacute;tica interna, e com a efetiva conquista do poder que poderia advir das elei&ccedil;&otilde;es que fatalmente teriam de ocorrer no ano de 1915, com a m&aacute;quina eleitoral &laquo;democr&aacute;tica&raquo; a augurar um pleno sucesso do partido, mas tamb&eacute;m por n&atilde;o confiar plenamente na postura da Gr&atilde;-Bretanha para com Portugal e o que poderia em consequ&ecirc;ncia ocorrer (pp. 56-58).</p>     <p>A assun&ccedil;&atilde;o por parte de Afonso Costa da lideran&ccedil;a do programa &laquo;guerrista&raquo;, ao longo de 1915 e 1916, deriva da conflu&ecirc;ncia da crise interna e da crise externa. De um lado, e antes de mais, a quest&atilde;o das rela&ccedil;&otilde;es civis-militares ou mais propriamente da rela&ccedil;&atilde;o entre a Rep&uacute;blica e o Ex&eacute;rcito, que do golpe das espadas leva &agrave; denominada &laquo;ditadura&raquo; do general Pimenta de Castro e &agrave; revolta do 14 de maio de 1915, que assegura a hegemonia do Partido Republicano Portugu&ecirc;s (PRP), dito &laquo;democr&aacute;tico&raquo;, e o triunfo em simult&acirc;neo do programa &laquo;guerrista&raquo;. O autor, todavia, reconhece que o triunfo simult&acirc;neo dos &laquo;democr&aacute;ticos&raquo; e do programa &laquo;guerrista&raquo; n&atilde;o parece libertar Afonso Costa da sua reserva.</p>     <p>De facto, Afonso Costa n&atilde;o s&oacute; n&atilde;o assume qualquer pasta nos primeiros governos do&nbsp;PRP&nbsp;depois do 14 de maio de 1915, quer antes, quer imediatamente ap&oacute;s as elei&ccedil;&otilde;es que confirmam a sua hegemonia pol&iacute;tica nacional, como durante grande parte do ano se mant&eacute;m alheio e ausente da pol&iacute;tica &ndash; quer porque uma queda em que fratura o cr&acirc;nio o mant&eacute;m inicialmente hospitalizado e o obriga depois a repouso prolongado, quer por via de uma viagem que efetuou no final do ano &agrave; Su&iacute;&ccedil;a. Esta aus&ecirc;ncia de Afonso Costa acaba por tornar ensurdecedor o apelo que das hostes &laquo;democr&aacute;ticas&raquo; vinha para que ele tomasse as r&eacute;deas da governa&ccedil;&atilde;o. Filipe Ribeiro de Meneses n&atilde;o consegue objetivar as causas pol&iacute;ticas para este afastamento, limitando-se a propor algumas hip&oacute;teses: a de que teria preferido n&atilde;o deixar o seu nome inscrito no saneamento do Ex&eacute;rcito e da fun&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica posterior &agrave; vit&oacute;ria &laquo;democr&aacute;tica&raquo; em 14 de maio de 1915, e que preferia deixar arrefecer os &acirc;nimos ap&oacute;s este sucesso b&eacute;lico das armas &laquo;democr&aacute;ticas&raquo;. Ou que para consolidar o novo estado pol&iacute;tico preferia que, numa primeira fase, a lideran&ccedil;a da governa&ccedil;&atilde;o coubesse a uma figura pol&iacute;tica mais consensual. Serviria talvez tamb&eacute;m para evidenciar o desapego de Afonso Costa ao poder (pp. 120-121).</p>     <p>Seja como for, quando assume a governa&ccedil;&atilde;o a 30 de novembro de 1915, diz o autor, os embaixadores brit&acirc;nico e franc&ecirc;s em Lisboa veem-no como um l&iacute;der prudente e realista que trazia alguma pondera&ccedil;&atilde;o ao intervencionismo &laquo;democr&aacute;tico&raquo; (p. 140). N&atilde;o foi assim, porque, de outro lado, a crise econ&oacute;mica e social por que passava o pa&iacute;s teria sido um incentivo adicional para os &laquo;guerristas&raquo;. O intervencionismo foi igualmente motivado em 1916 pelas press&otilde;es econ&oacute;micas que de fora e de dentro se faziam sentir em Lisboa. N&atilde;o &eacute; por acaso que na barganha que Afonso Costa conduz com o Governo de Londres, a respeito da requisi&ccedil;&atilde;o dos navios da Tr&iacute;plice (alem&atilde;es e austr&iacute;acos), est&aacute; presente desde logo a garantia de um empr&eacute;stimo para sustentar as finan&ccedil;as nacionais e o abastecimento do pa&iacute;s, que passava por dolorosas dificuldades (p. 151). Filipe Ribeiro de Meneses n&atilde;o &eacute; o &uacute;nico autor a salientar a (nova) dimens&atilde;o econ&oacute;mico-financeira do programa &laquo;guerrista&raquo;. Igualmente, e ao mesmo tempo, Jos&eacute; Medeiros Ferreira acentuou a relev&acirc;ncia na causa da beliger&acirc;ncia da dimens&atilde;o financeira, fundamento da sustentabilidade do pa&iacute;s na guerra e sustent&aacute;culo da sua futura regenera&ccedil;&atilde;o na paz subsequente<sup><a href="#10">10</a></sup><a name="top10"></a>.</p>     <p>O impulso de Afonso Costa de um reservado pol&iacute;tico &laquo;guerrista&raquo; a verdadeiramente o l&iacute;der dos &laquo;guerristas&raquo; deriva, na &oacute;tica do autor, da progressiva mudan&ccedil;a dos contextos nacional e internacional, e o seu impacto em Portugal, e da forma como estes combinando-se poderiam influenciar para o bem e para o mal o futuro de Portugal e da Rep&uacute;blica. Como concluiria Afonso Costa num dos conselhos de ministros em que se discutia a crise em redor da requisi&ccedil;&atilde;o dos navios da Tr&iacute;plice, tudo dependia das finan&ccedil;as, do fomento e da prepara&ccedil;&atilde;o para a guerra (p. 158).</p>     <p>Com a beliger&acirc;ncia nacional, Afonso Costa optou ent&atilde;o por radicalizar a interven&ccedil;&atilde;o. Consumara-se a passagem de prudente e reservado l&iacute;der pol&iacute;tico circunspeto da beliger&acirc;ncia a radical chefe da fa&ccedil;&atilde;o &laquo;guerrista&raquo;. Aqui, Filipe Ribeiro de Meneses ancora a postura de Afonso Costa no mais amplo espectro dos projetos de cunho revolucion&aacute;rio de transforma&ccedil;&atilde;o do pa&iacute;s do radicalismo republicano. Tamb&eacute;m aqui se d&aacute; uma diferen&ccedil;a entre o que se passara em 1914-1916 e o que se passar&aacute; em 1916-1918. At&eacute; ent&atilde;o, a mobiliza&ccedil;&atilde;o nacional para a guerra fora afetada por um cont&iacute;nuo protelamento, as decis&otilde;es pol&iacute;ticas s&oacute; muito tardiamente, e quando tardiamente, eram acatadas na pr&aacute;tica por uma sociedade e um Ex&eacute;rcito que iam arrastando a sua assun&ccedil;&atilde;o. Com Afonso Costa tudo vai mudar, e muito mais rapidamente. A mobiliza&ccedil;&atilde;o para a Flandres ser&aacute; efetuada com uma grande determina&ccedil;&atilde;o contra as resist&ecirc;ncias que a Gr&atilde;-Bretanha e a sociedade portuguesa lhe v&atilde;o opondo, num processo que acabar&aacute; por esvaziar o poder do pr&oacute;prio Afonso Costa.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>O autor reconhece que a 9 de mar&ccedil;o de 1916 Afonso Costa &eacute; um l&iacute;der triunfante: imp&ocirc;s a beliger&acirc;ncia assegurando a posse de 72 navios da Tr&iacute;plice que mais do que duplicavam a tonelagem da frota da marinha mercante nacional, e com muitos navios modernos, e assegurara ainda um robusto empr&eacute;stimo da Gr&atilde;-Bretanha. Os sucessos ir&atilde;o continuar com a conquista de um lugar para um corpo de ex&eacute;rcito nacional na mais relevante frente da Primeira Guerra Mundial, a frente ocidental em Fran&ccedil;a, com vista a garantir uma presen&ccedil;a, crismada pelo sangue dos portugueses, na futura confer&ecirc;ncia de paz. E para os republicanos radicais &laquo;guerristas&raquo;, nos quais se inclu&iacute;a agora Afonso Costa, o Corpo Expedicion&aacute;rio Portugu&ecirc;s poderia aportar uma revolu&ccedil;&atilde;o na mente militar, transformando o Ex&eacute;rcito conservador e inoperacional numa moderna for&ccedil;a de combate, em termos t&eacute;cnicos mas tamb&eacute;m ideol&oacute;gicos, com uma nova leitura do mundo mais pr&oacute;xima da pr&oacute;pria vis&atilde;o dos democr&aacute;ticos.</p>     <p>Mas descreve subsequentemente o autor, se 1916 foi o ano dos sucessos, 1917 ser&aacute; o ano da multiplica&ccedil;&atilde;o das dificuldades, que se consumar&aacute; com o triunfo da contrarrevolu&ccedil;&atilde;o dezembrista de 1917. Neste ano de todas as dificuldades, o poder pol&iacute;tico de Afonso Costa ir-se-&aacute; progressiva e paulatinamente esvaziar. Filipe Ribeiro de Meneses faz uma muito bem consumada narrativa do avolumar das dificuldades com que o poder &laquo;democr&aacute;tico&raquo; se vai confrontando, come&ccedil;ando pela resist&ecirc;ncia &agrave; mobiliza&ccedil;&atilde;o militar da sociedade portuguesa &ndash; foi, sem d&uacute;vida, um milagre Afonso Costa e Norton de Matos terem conseguido enviar para Fran&ccedil;a cerca de 56 mil militares &ndash; que tem nos fins de 1916 um dos seus momentos altos com a tentativa de golpe civil-militar capitaneado por Machado dos Santos, passando pelos motins que a partir da primavera de 1917 submergem o pa&iacute;s e que t&ecirc;m como um dos eventos mais dram&aacute;ticos a denominada Revolta da Batata em maio desse ano em Lisboa, tocando na renova&ccedil;&atilde;o maci&ccedil;a do esp&iacute;rito cat&oacute;lico que as apari&ccedil;&otilde;es de F&aacute;tima representam, e que termina no cada vez maior isolamento que cada um dos governos bel&iacute;geros republicanos vai sentindo conforme se encaminha para o fim desse ano e que tem um primeiro grave momento de crise na implos&atilde;o da Uni&atilde;o Sagrada. No outono de 1917, a pr&oacute;pria coes&atilde;o dos &laquo;democr&aacute;ticos&raquo; &laquo;guerristas&raquo;, o &uacute;ltimo basti&atilde;o deste programa e deste projeto pol&iacute;tico, colapsara. O autor d&aacute; a entender que o terceiro governo de Afonso Costa seria o &uacute;ltimo que o parlamento eleito em 1915 aceitaria e que se estaria a desenvolver, entre a elite pol&iacute;tica e alguma elite social do regime, um grande movimento de&nbsp;<i>aggiornamento&nbsp;</i>republicano com vista &agrave; forma&ccedil;&atilde;o de um governo nacional, quando se d&aacute; o golpe sidonista. Assim, segundo o autor, em finais de 1917 todos no pa&iacute;s achavam que Afonso Costa era um pol&iacute;tico acabado.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>A QUEST&Atilde;O &laquo;GUERRISTA&raquo;: L&Ecirc;-LA&nbsp;NUM CONTEXTO HIST&Oacute;RICO AMPLIADO</b></p>     <p>Mas se o autor narra todo este processo, n&atilde;o explica t&atilde;o bem como os sucessos de 1916 foram sugados por uma espiral de crise em 1917. A quest&atilde;o central desta obra de Filipe Ribeiro de Meneses &eacute; implicitamente a das causas da beliger&acirc;ncia nacional na Primeira Guerra Mundial. A r&eacute;plica a esta quest&atilde;o, de certo modo, cont&eacute;m a resposta &agrave; primeira interroga&ccedil;&atilde;o. Por que &eacute; que Afonso Costa e quase todos os &laquo;guerristas&raquo; em geral se empenharam, contra uma cada vez maior parte do pa&iacute;s, em sustentar uma interven&ccedil;&atilde;o na grande conflagra&ccedil;&atilde;o?</p>     <p>A resposta que tenta dar Filipe Ribeiro de Meneses encaixa-se numa das leituras historiogr&aacute;ficas contempor&acirc;neas da Primeira Rep&uacute;blica. A natureza revolucion&aacute;ria e em consequ&ecirc;ncia radical de uma grande parte do&nbsp;PRP&nbsp;foi vendo paulatinamente o intervencionismo como o catalisador decisivo da transforma&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tico-social por que ansiava e assim o programa &laquo;guerrista&raquo; visava instrumentalizar a beliger&acirc;ncia nacional e a mobiliza&ccedil;&atilde;o b&eacute;lico-militar do pa&iacute;s como uma ferramenta definitiva da moderniza&ccedil;&atilde;o ps&iacute;quico-mental que, criando um soldado-cidad&atilde;o, espalhasse rapidamente por toda a na&ccedil;&atilde;o uma nova mentalidade c&iacute;vica consent&acirc;nea com os ideais patri&oacute;ticos e nacionalistas. O processo, que come&ccedil;ara com as leis da separa&ccedil;&atilde;o, consumar-se-ia com a mobiliza&ccedil;&atilde;o c&iacute;vica e patri&oacute;tica engendrada pela beliger&acirc;ncia de Portugal na Primeira Guerra Mundial.</p>     <p>Dito isto, Filipe Ribeiro de Meneses n&atilde;o avan&ccedil;a com mais nenhuma resposta, como se o radicalismo pol&iacute;tico tornasse impens&aacute;vel uma mudan&ccedil;a de rumo de Afonso Costa, paradoxalmente, desconsiderando o autor na sua an&aacute;lise um dos maiores ativos que se atribu&iacute;a a este pol&iacute;tico, a oportunidade pol&iacute;tica. O autor mant&eacute;m-se prudentemente no quadro das fontes de que disp&otilde;e.</p>     <p>Mas a insist&ecirc;ncia de Afonso Costa e dos seus apoiantes, cada vez mais reduzidos, em nutrirem de todas as maneiras poss&iacute;veis o esfor&ccedil;o de guerra nacional, poder-se-&aacute; explicar igualmente pela esperan&ccedil;a de que, de algum modo, o prolongamento do conflito produzisse esse clique mental que transformasse uma sociedade rural e estratificada numa comunidade igualit&aacute;ria, patri&oacute;tica e c&iacute;vica. Tal n&atilde;o aconteceu, como o livro o demonstra e como toda a historiografia o reconhece. A beliger&acirc;ncia &laquo;guerrista&raquo; fez o contr&aacute;rio, renovando e robustecendo em simult&acirc;neo as for&ccedil;as cat&oacute;licas e as for&ccedil;as conservadoras.</p>     <p>Mas tamb&eacute;m &eacute; preciso dizer, numa historiografia &agrave;s vezes pouco atenta &agrave;s din&acirc;micas comparativas &ndash; e o livro, pese o esfor&ccedil;o do autor de ir observando a pr&oacute;pria evolu&ccedil;&atilde;o geral da conflagra&ccedil;&atilde;o, carrega esta vulnerabilidade &ndash;, que 1917 n&atilde;o foi um ano excecional s&oacute; em Portugal. Para alguma da historiografia da Primeira Guerra Mundial, 1917 foi um ano charneira, o ano de todas as decis&otilde;es e de todos os perigos, da revolu&ccedil;&atilde;o russa aos diversos motins militares que afetaram as for&ccedil;as militares de quase todos os ex&eacute;rcitos, o ano em que de algum modo se delinearam os caminhos para a vit&oacute;ria ou para a derrota, o ano em que a moral alem&atilde; come&ccedil;ou a desistir da luta e em que as pot&ecirc;ncias aliadas mobilizaram os resqu&iacute;cios de &acirc;nimo de que ainda dispunham para enfrentar os combates decisivos que se avizinhavam e garantir a sua vit&oacute;ria<sup><a href="#11">11</a></sup><a name="top11"></a>. A crise de guerra que Afonso Costa defrontava n&atilde;o era &uacute;nica, nem sequer espetacularmente extraordin&aacute;ria. Esta parte da hist&oacute;ria est&aacute; ainda por fazer em Portugal, uma hist&oacute;ria comparativa do ano charneira de 1917 em que a hist&oacute;ria da crise por que passava o pa&iacute;s seja comparada com todos os outros transes que afetavam os beligerantes nesse terr&iacute;vel ano, observando o que &eacute; comum &agrave; maioria e o que &eacute; espec&iacute;fico de cada um.</p>     <p>Mas Filipe Ribeiro de Meneses d&aacute;-nos um bel&iacute;ssimo livro sobre Afonso Costa, os seus aliados &laquo;democr&aacute;ticos&raquo; e sobre Portugal na Primeira Guerra Mundial, um livro profundo na an&aacute;lise da &eacute;poca, no manancial de informa&ccedil;&atilde;o que aporta e na leitura anal&iacute;tica da interven&ccedil;&atilde;o portuguesa, enriquecendo o nosso conhecimento e adicionando achegas relevantes para o debate em curso sobre o nosso intervencionismo na guerra que deveria ter acabado com todas as guerras.&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>NOTAS</b></p>     <p><Sup><a name="1"></a><a href="#top1">1</a></Sup> Cf. MARQUES, Isabel Pestana &ndash;&nbsp;<i>Das Trincheiras, com Saudade. A Vida Quotidiana dos Militares Portugueses na Primeira Guerra Mundial</i>. Lisboa: Esfera dos Livros, 2008.</p>     <p><Sup><a name="2"></a><a href="#top2">2</a></Sup> Cf. ARRIFES, Marco Fortunato &ndash;&nbsp;<i>A Primeira Guerra Mundial na &Aacute;frica Portuguesa, Angola e Mo&ccedil;ambique (1914-1918)</i>. Lisboa: Edi&ccedil;&otilde;es Cosmos/idn, 2004.</p>     <p><Sup><a name="3"></a><a href="#top3">3</a></Sup> Cf. SAMARA, Maria Alice &ndash;&nbsp;<i>Verdes e Vermelhos. Portugal e a Guerra no Ano de Sid&oacute;nio Pais</i>. Lisboa: Editorial Not&iacute;cias, 2002.</p>     <p><Sup><a name="4"></a><a href="#top4">4</a></Sup> Para uma s&iacute;ntese sobre a historiografia da Primeira Guerra Mundial, quer internacional, quer em Portugal, ver DUARTE, Ant&oacute;nio Paulo, e REIS, Bruno Cardoso &ndash; &laquo;O debate historiogr&aacute;fico sobre a Grande Guerra de 1914-1918&raquo;. In&nbsp;<i>Na&ccedil;&atilde;o e Defesa</i>. N.&ordm; 139, 5.&ordf; S&eacute;rie, 2014, pp. 100-122.</p>     <p><Sup><a name="5"></a><a href="#top5">5</a></Sup> Cf. MENESES, Filipe Ribeiro de &ndash;&nbsp;<i>Uni&atilde;o Sagrada</i>&nbsp;e&nbsp;<i>Sidonismo&nbsp;</i>&ndash;<i>&nbsp;Portugal em Guerra (1916-18)</i>. Lisboa: Edi&ccedil;&otilde;es Cosmos, 2000.</p>     <p><Sup><a name="6"></a><a href="#top6">6</a></Sup> O texto publicado em ingl&ecirc;s, fazia parte da cole&ccedil;&atilde;o referida:&nbsp;<i>Makers of the Modern World &ndash; The Peace Conferences of 1919-1913 and Their Aftermanh</i>. Cf. MENESES, Filipe Ribeiro de &ndash;&nbsp;<i>Afonso Costa, Portugal</i>. Londres: Haus Publishing, 2010. Em Portugal, esta curta biografia foi publicada isoladamente.</p>     <p><Sup><a name="7"></a><a href="#top7">7</a></Sup> Destaque-se por exemplo, MENESES, Filipe Ribeiro de &ndash; &laquo;O Imp&eacute;rio Portugu&ecirc;s&raquo;.&nbsp;<i>In</i>&nbsp;GERWARTH, Robert, e MENELA, Erez (org.) &ndash;&nbsp;<i>Imp&eacute;rios em Guerra &ndash; 1911-1923</i>. Lisboa: Dom Quixote, 2014, pp. 331-360.</p>     <p><Sup><a name="8"></a><a href="#top8">8</a></Sup> Cf. MENESES, Filipe Ribeiro de &ndash;&nbsp;<i>A Grande&nbsp;Guerra de Afonso Costa</i>. Lisboa: Dom Quixote, 2015.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><Sup><a name="9"></a><a href="#top9">9</a></Sup> Cf. GUINOTE, Paulo &ndash;&nbsp;<i>Afonso Costa, O&nbsp;Orador Parlamentar</i>. Lisboa: Assembleia da Rep&uacute;blica, 2014.</p>     <p><Sup><a name="10"></a><a href="#top10">10</a></Sup> Cf. FERREIRA, Jos&eacute; Medeiros &ndash;&nbsp;<i>A Rep&uacute;blica Corrigida e Aumentada</i>. Lisboa: Edi&ccedil;&otilde;es 70, 2015, pp. 135-136.</p>     <p><Sup><a name="11"></a><a href="#top11">11</a></Sup> Cf. PHILPOTT, William &ndash;&nbsp;<i>Atrition. Fighting the First World War</i>. Londres: Little, Brown, 2014, pp. 255-299. Veja-se tamb&eacute;m VEIGA, Francisco, e MART&Iacute;N, Pablo &ndash;&nbsp;<i>Las Guerras de la Gran Guerra (1914-1923)</i>.Madrid: Los Libros de la Catarata, 2014, pp. 188-192.</p>      ]]></body>
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