<?xml version="1.0" encoding="ISO-8859-1"?><article xmlns:mml="http://www.w3.org/1998/Math/MathML" xmlns:xlink="http://www.w3.org/1999/xlink" xmlns:xsi="http://www.w3.org/2001/XMLSchema-instance">
<front>
<journal-meta>
<journal-id>1645-9199</journal-id>
<journal-title><![CDATA[Relações Internacionais (R:I)]]></journal-title>
<abbrev-journal-title><![CDATA[Relações Internacionais]]></abbrev-journal-title>
<issn>1645-9199</issn>
<publisher>
<publisher-name><![CDATA[IPRI-UNL]]></publisher-name>
</publisher>
</journal-meta>
<article-meta>
<article-id>S1645-91992016000300012</article-id>
<title-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[O mundo da cibernética letal: Novas ameaças e segurança internacional]]></article-title>
</title-group>
<contrib-group>
<contrib contrib-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Lobo-Fernandes]]></surname>
<given-names><![CDATA[Luís]]></given-names>
</name>
<xref ref-type="aff" rid="A01"/>
</contrib>
</contrib-group>
<aff id="A01">
<institution><![CDATA[,Universidade do Minho  ]]></institution>
<addr-line><![CDATA[ ]]></addr-line>
</aff>
<pub-date pub-type="pub">
<day>00</day>
<month>09</month>
<year>2016</year>
</pub-date>
<pub-date pub-type="epub">
<day>00</day>
<month>09</month>
<year>2016</year>
</pub-date>
<numero>51</numero>
<fpage>147</fpage>
<lpage>151</lpage>
<copyright-statement/>
<copyright-year/>
<self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S1645-91992016000300012&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_abstract&amp;pid=S1645-91992016000300012&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_pdf&amp;pid=S1645-91992016000300012&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri></article-meta>
</front><body><![CDATA[ <p align="right"><b>RECENSÃO</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>O mundo&nbsp;da cibern&eacute;tica letal: Novas amea&ccedil;as&nbsp;e seguran&ccedil;a internacional</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Lu&iacute;s Lobo-Fernandes</b></p>     <p>Professor catedr&aacute;tico de Ci&ecirc;ncia Pol&iacute;tica e Rela&ccedil;&otilde;es Internacionais na Universidade do Minho.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>V&Iacute;TOR J&Uacute;LIO&nbsp;DA SILVA E S&Aacute; E S&Eacute;RGIO TENREIRO&nbsp;DE MAGALH&Atilde;ES</b></p>     <p><b><i>Tecnologias&nbsp;Biom&eacute;tricas&nbsp;por Din&acirc;mica&nbsp;Gestual:&nbsp;Viabilidade,&nbsp;Requisitos&nbsp;e Implementa&ccedil;&otilde;es,&nbsp;</i>Braga, Editora Univ. Cat&oacute;lica Portuguesa &ndash; Societas, Cole&ccedil;&atilde;o de Estudos Sociais, 2014, 255 p&aacute;ginas.</b></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Podemos dizer que o inovador trabalho de V&iacute;tor J&uacute;lio da Silva e S&aacute; e S&eacute;rgio Tenreiro de Magalh&atilde;es em torno da seguran&ccedil;a dos sistemas de informa&ccedil;&atilde;o surge no momento azado, pois desponta no horizonte editorial portugu&ecirc;s numa altura em que a reflex&atilde;o sobre o ciberterrorismo e a ciberguerra exige maior aten&ccedil;&atilde;o e aprofundamento no nosso pa&iacute;s. A obra incide com especial &ecirc;nfase no reconhecimento e na autentica&ccedil;&atilde;o de quem acede aos sistemas de informa&ccedil;&atilde;o, atendendo mais especificamente ao modo como &eacute; realizada a intera&ccedil;&atilde;o com o computador. Segundo os autores, esta intera&ccedil;&atilde;o induz um cruzamento de &aacute;reas distintas mas n&atilde;o necessariamente divergentes, tais como a computa&ccedil;&atilde;o gr&aacute;fica, a intera&ccedil;&atilde;o humano-computador (IHC), a fisiologia e a eletrofisiologia humana. Um dos m&eacute;ritos assinal&aacute;veis da investiga&ccedil;&atilde;o &eacute; justamente transportar o leitor para o centro da complexidade do novo cibermundo. Do mesmo modo que, como h&aacute; setenta e um anos, a inven&ccedil;&atilde;o da bomba at&oacute;mica mudou as formas de fazer a guerra e os mecanismos de dissuas&atilde;o, deparamo-nos hoje com uma nova corrida para desenvolver ciberarmas e sistemas de prote&ccedil;&atilde;o contra elas. Uma ciberguerra generalizada n&atilde;o pode ser equiparada a um holocausto nuclear, mas constituiria uma amea&ccedil;a com impacto global grav&iacute;ssimo. Hodiernamente, assistimos a um n&uacute;mero consider&aacute;vel de ataques di&aacute;rios a sistemas inform&aacute;ticos com origem em estados como a China e a R&uacute;ssia, mas tamb&eacute;m dos Estados Unidos, que desenvolvem, igualmente, a&ccedil;&otilde;es de sabotagem inform&aacute;tica, protagonizando eles pr&oacute;prios r&eacute;plicas da internet do futuro, como &eacute; o caso do Pent&aacute;gono que tem desenvolvido e testado v&aacute;rios cen&aacute;rios; o objetivo &eacute; simular, por exemplo, o que seria necess&aacute;rio para os contendores sabotarem ou encerrarem as centrais el&eacute;tricas do pa&iacute;s, as redes de telecomunica&ccedil;&otilde;es ou os sistemas de avia&ccedil;&atilde;o. O esfor&ccedil;o visa construir melhores escudos contra esses ataques, aperfei&ccedil;oando a resist&ecirc;ncia das chamadas&nbsp;<i>firewall </i>inform&aacute;ticas norte-americanas e criar uma nova gera&ccedil;&atilde;o de armas&nbsp;<i>online</i>.</p>     <p>Num relance breve sobre o problema geral da ciberguerra conv&eacute;m relembrar que o ataque &agrave;s torres g&eacute;meas de Nova York em setembro de 2001 abriu um ciclo de maior incerteza no sistema internacional, marcado pela emerg&ecirc;ncia de novos padr&otilde;es de terrorismo transnacional, onde se insere precisamente o amplo espectro dos ciberconflitos. Estas manifesta&ccedil;&otilde;es de neoterrorismo que aqui elencamos na categoria de conflitos de baixa intensidade, n&atilde;o sendo na ess&ecirc;ncia muito diferentes de outras pr&aacute;ticas terroristas do passado, configuram uma sofistica&ccedil;&atilde;o acrescida, com recurso a expedientes especialmente ousados, como seja a intrus&atilde;o nos sistemas de informa&ccedil;&atilde;o dos estados. As a&ccedil;&otilde;es de viol&ecirc;ncia inusitada resultaram em grande medida dos mais avan&ccedil;ados aparatos tecnol&oacute;gicos para produzir danos consider&aacute;veis e dor. Este &eacute; um mundo incerto, mais desterritorializado, e com maiores vulnerabilidades, pelo que continua a ser um sistema fundamentalmente an&aacute;rquico, ou seja, de paz insegura. Por&eacute;m, a quest&atilde;o porventura mais pertinente prende-se com a necessidade de avaliar em que medida os eventos de 11 de setembro de 2001 acarretaram mudan&ccedil;as nos padr&otilde;es convencionais de conflitualidade no sistema internacional, confrontando o dom&iacute;nio te&oacute;rico das rela&ccedil;&otilde;es internacionais com acrescida incerteza e perda de clareza conceptual, ou at&eacute; mesmo com o que chegou a ser enunciado como uma &laquo;crise de paradigmas&raquo;. Tal incerteza era adensada ainda por uma insufici&ecirc;ncia do modelo te&oacute;rico centrado exclusivamente no Estado soberano, isto &eacute;, pela metamorfose do pr&oacute;prio sistema vestefaliano, resultante do crescimento exponencial de atores&nbsp;n&atilde;o&nbsp;governamentais, e da utiliza&ccedil;&atilde;o por parte de outros grupos n&atilde;o estaduais da pan&oacute;plia de recursos provenientes das novas tecnologias inform&aacute;ticas. O principal desafio metodol&oacute;gico apontava j&aacute; ent&atilde;o para a exig&ecirc;ncia de integrar o papel dos chamados&nbsp;<i>mixed actors</i>&nbsp;(atores transnacionais) na explica&ccedil;&atilde;o dos fatores de mudan&ccedil;a, e de, concomitantemente, garantir ciber-seguran&ccedil;a nas novas circunst&acirc;ncias internacionais. Por outro lado, &eacute; fundamental compreender que os ataques de Nova York e, refira-se, igualmente, os atentados de Madrid em 11 de mar&ccedil;o de 2004, revelaram um arrojo e uma espetacularidade assinal&aacute;veis com recurso &agrave;s tecnologias globais, visando atingir grandes concentra&ccedil;&otilde;es de pessoas. &Eacute; certo que de um ponto de vista estrito das leis da guerra, apesar da sua brutalidade, o ataque &agrave;s torres do World Trade Center pode ser considerado um dano &laquo;colateral&raquo;, mas do ponto de vista dos terroristas foi uma a&ccedil;&atilde;o de sucesso integral, fosse por gerar medo no maior centro financeiro e de neg&oacute;cios do mundo &ndash; verdadeiro s&iacute;mbolo da prosperidade ocidental &ndash;, fosse pela demonstra&ccedil;&atilde;o de insufici&ecirc;ncias significativas em mat&eacute;ria de&nbsp;<i>intelligence</i>&nbsp;dentro da organiza&ccedil;&atilde;o de seguran&ccedil;a dos Estados Unidos.</p>     <p>Os atentados suscitaram diferentes &acirc;ngulos de an&aacute;lise e debate. Na dimens&atilde;o medi&aacute;tica do puro terror, Nova York fica sobretudo marcada pela transmiss&atilde;o em direto dos ataques, uma inova&ccedil;&atilde;o patente. A calendariza&ccedil;&atilde;o para o in&iacute;cio da manh&atilde; dos atentados com avi&otilde;es comerciais pirateados, e a programa&ccedil;&atilde;o do ataque &agrave; segunda torre cerca de vinte minutos depois do ataque &agrave; primeira visou, objetivamente, permitir a difus&atilde;o ao vivo das a&ccedil;&otilde;es&nbsp;<i>kamikazes</i>, levando o hiperterrorismo a uma escala sem precedentes: a humilha&ccedil;&atilde;o dos Estados Unidos televisionada em direto. Em contrapartida, em Madrid, o uso dos telem&oacute;veis, transformados em aut&ecirc;nticos instrumentos letais para desencadear as explos&otilde;es em comboios suburbanos, definiria o verdadeiro esp&iacute;rito do tempo: a reconceptualiza&ccedil;&atilde;o do terror pelo lado da cibern&eacute;tica. Em rigor, como observou com not&aacute;vel acuidade e intelig&ecirc;ncia Miguel Gaspar, aquilo que ocorreu em Madrid foi um &laquo;confronto entre uma velha tecnologia &ndash; a televis&atilde;o &ndash;, e uma nova tecnologia &ndash; os telem&oacute;veis com liga&ccedil;&atilde;o &agrave; internet &ndash; usados para desencadear as explos&otilde;es&raquo;<sup>1</sup>. A viol&ecirc;ncia projetada contra civis indefesos na capital espanhola &ndash; tal como ocorrera em Nova York a 11 de setembro de 2001 &ndash; foi de excecional gravidade, evidenciando que as amea&ccedil;as protagonizadas por um leque alargado de atores com&nbsp;<i>expertise</i>&nbsp;inform&aacute;tica, representam o reverso &laquo;negro&raquo; do cibermundo.&nbsp;</p>     <p>O terror, que &eacute; fundamentalmente concebido para ser medi&aacute;tico, encontraria, assim, nas novas potencialidades inform&aacute;ticas um terreno ideal e f&eacute;rtil, na exata medida em que &eacute; planeado de modo a obrigar os pr&oacute;prios&nbsp;<i>media</i>&nbsp;a referi-lo e a amplific&aacute;-lo exaustivamente.</p>     <p>&Eacute; justamente neste esfor&ccedil;o cr&iacute;tico de dilucida&ccedil;&atilde;o das novas amea&ccedil;as associadas ao ciberterrorismo e &agrave; (in)seguran&ccedil;a dos sistemas de informa&ccedil;&atilde;o que este oportuno livro dos professores V&iacute;tor S&aacute; e Tenreiro de Magalh&atilde;es, sugestivamente intitulado&nbsp;<i>Tecnologias Biom&eacute;tricas por Din&acirc;mica Gestual &ndash; Viabilidade, Requisitos e Implementa&ccedil;&otilde;es,&nbsp;</i>se apresenta ao leitor. A obra tem o m&eacute;rito suplementar de apontar para uma das dimens&otilde;es insuficientemente analisadas nos atentados de 11 de setembro de 2001 em Nova York, e de 11 de mar&ccedil;o de 2004 em Madrid, ou seja, o seu enquadramento numa escala de conflitos algo mais ambiciosa. Como estipulara Carl von Clausewitz, o mais decisivo ato de julgamento que o estadista e o general exercem &eacute; compreender a guerra em que se empenham, e n&atilde;o tom&aacute;-la por algo, ou desejar torn&aacute;-la em algo que, pela sua natureza, n&atilde;o &eacute;. Este &eacute;, pois, segundo Clausewitz, o primeiro, o mais compreensivo de todos os problemas estrat&eacute;gicos. Os conflitos de baixa intensidade que incluem tipologicamente um amplo espetro de categorias que v&atilde;o do terrorismo e insurg&ecirc;ncia at&eacute; &agrave;s a&ccedil;&otilde;es antiterroristas, de contrainsurg&ecirc;ncia, opera&ccedil;&otilde;es especiais, e, mais recentemente, terrorismo inform&aacute;tico e cibern&eacute;tico, est&atilde;o normalmente associados a uma desloca&ccedil;&atilde;o do foco vertical das batalhas cl&aacute;ssicas entre pa&iacute;ses &ndash; travadas fundamentalmente pelos respetivos bra&ccedil;os militares &ndash; para um plano horizontal envolvendo mais diretamente a procura de efeitos profundamente desestabilizadores nos planos civil, psicol&oacute;gico, social, econ&oacute;mico e ideol&oacute;gico. Conceptualmente, estamos perante uma tipologia de hostilidades localizada num dos extremos da escala, ou seja, de formas que temos denominado de&nbsp;<i>viol&ecirc;ncia sem combate</i>&nbsp;e de&nbsp;<i>guerra n&atilde;o declarada</i>, constituindo os ataques inform&aacute;ticos uma das suas express&otilde;es contempor&acirc;neas mais pungentes. Estas modalidades de viol&ecirc;ncia informal t&ecirc;m um car&aacute;ter acentuadamente err&aacute;tico, difuso e transnacional. A dimens&atilde;o talvez politicamente mais substantiva dos conflitos de baixa intensidade como o ciberterrorismo e a ciber-seguran&ccedil;a, envolve uma l&oacute;gica assente no desgaste sociopsicol&oacute;gico das popula&ccedil;&otilde;es e dos sistemas pol&iacute;ticos nacionais, enfim, na disrup&ccedil;&atilde;o social, cujo objeto &eacute; a destabiliza&ccedil;&atilde;o dos sistemas de poderes prevalecentes.</p>     <p>&Eacute; imperioso, pois, considerar o ponto de viragem que marcam os atentados do 11 de setembro e do 11 de mar&ccedil;o, que tornaram especialmente viva a natureza das novas amea&ccedil;as transnacionais. Temos sustentado que o impacte psicol&oacute;gico daqueles eventos n&atilde;o pode, nem deve, ser minimizado. Tal circunst&acirc;ncia implicou, por exemplo, que os Estados Unidos deixassem de basear o seu pensamento estrat&eacute;gico numa l&oacute;gica reativa, dada a impossibilidade manifesta de dissuadir ataques irracionais, tal como as ainda fortes limita&ccedil;&otilde;es em travar os cada vez mais frequentes ataques de cariz inform&aacute;tico. Na leitura da&nbsp;Administra&ccedil;&atilde;o norte-americana, o &laquo;esgotamento&raquo; da dissuas&atilde;o &ndash; fundada, como se sabe, no argumento da retalia&ccedil;&atilde;o &ndash; em rela&ccedil;&atilde;o a grupos que atuam irracionalmente e de forma imprevis&iacute;vel, com recurso frequente a pr&aacute;ticas suicidas, tornou necess&aacute;ria, na &oacute;tica de Washington, uma altera&ccedil;&atilde;o qualitativa da doutrina estrat&eacute;gica&nbsp;&laquo;for&ccedil;ando&raquo;&nbsp;a ado&ccedil;&atilde;o de medidas proativas de defesa. Como sempre acontece quando a dissuas&atilde;o falha, a alternativa &eacute; a defesa&nbsp;<i>ativa</i>. Ora, a internet tornou-se, j&aacute;, um dos palcos centrais das rebeli&otilde;es contra os estados, e das consequentes tentativas apertadas de controlo por parte das autoridades estaduais. A ciberguerra envolve, pois, limites &agrave; informa&ccedil;&atilde;o e aos expedientes para contornar este tipo de ataques. Como escrevia o di&aacute;rio&nbsp;<i>The New York Times</i>&nbsp;em 2009, um ataque inform&aacute;tico a um grande banco pode ter um impacto maior na economia do que o 11 de Setembro, e uma amea&ccedil;a inform&aacute;tica aos sistemas e redes de transa&ccedil;&otilde;es monet&aacute;rias seria o equivalente atual de um ataque armado em grande escala. Mas, um dos problemas aparentes &eacute; que as leis e as regras dos conflitos armados convencionais n&atilde;o s&atilde;o &laquo;respeitados&raquo; no cibermundo.</p>     <p>Afigura-se-nos, assim, imprescind&iacute;vel que o especialista atento do fen&oacute;meno internacional nas suas m&uacute;ltiplas vertentes conhe&ccedil;a quais s&atilde;o, na &oacute;tica da inform&aacute;tica, os desafios que colocam estes novos atores n&atilde;o estaduais bem como os novos padr&otilde;es de conflito transnacional, cada vez mais desterritorializado. Este livro &eacute; o ep&iacute;tome de como o cruzamento de &aacute;reas cient&iacute;ficas t&atilde;o distintas &eacute; crucial para interpretar o cibermundo do presente. A discuss&atilde;o&nbsp;<i>t&eacute;cnica</i>&nbsp;das tecnologias biom&eacute;tricas pode ajudar o estudioso dos conflitos internacionais a melhor dilucidar as amea&ccedil;as e os perigos da cibern&eacute;tica letal para a seguran&ccedil;a internacional num quadro de interdepend&ecirc;ncias complexas, possibilitando aos estados melhor desenhar as suas pr&oacute;prias estrat&eacute;gias de controlo e combate desta tipologia de amea&ccedil;as. Por seu turno, a intele&ccedil;&atilde;o politol&oacute;gica do ciberconflito e do ciberterrorismo permite ao&nbsp;<i>inform&aacute;tico</i>&nbsp;o quadro de interpreta&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica e de mudan&ccedil;a do sistema internacional em que o uso e o &laquo;abuso&raquo; dos novos recursos tecnol&oacute;gicos toma lugar. Pode, em suma, o leitor atento encontrar nesta obra um dos contributos anal&iacute;ticos mais interessantes sobre algumas das dimens&otilde;es emergentes no cibermundo.</p>      ]]></body>
</article>
