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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Sobre «desconsolidação» e retrocesso democrático]]></article-title>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[On Democratic "deconsolidation" and backlash]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[After decades of democratic optimism, pessimism seems to be installed in the academia concerning the future of democracy around the world. A combination of significant institutional developments in recent democracies and the emergence of anti&#8209;systemic populisms in older ones brought many questions on the stability of contemporaneous democratic regimes. Nevertheless, these efforts have been faulty due to the fragmentation of their analysis - frequently based on case studies - and the theoretical framework on which they relied. This article tries to reevaluate this literature focusing its analysis in the common themes that this decon&#8209;solidation/backlash literature shares with the literature on the third wave of democratization.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><b>A CRISE DA DEMOCRACIA</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Sobre &laquo;desconsolida&ccedil;&atilde;o&raquo; e retrocesso democr&aacute;tico</b></p>     <p><b>On Democratic "deconsolidation" and backlash </b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Ant&oacute;nio Dias</b></p>     <p>Doutorando em Ci&ecirc;ncia Politica na FCSH-NOVA e investigador do IPRI-NOVA.</p>     <p><b>&nbsp;</b></p>     <p><b>RESUMO</b></p>     <p>Ap&oacute;s d&eacute;cadas de otimismo democr&aacute;tico, parece ter-se instalado na academia um pessimismo acerca do futuro da democracia no mundo. A combina&ccedil;&atilde;o de desenvolvimentos institucionais importantes em novas democracias e a emerg&ecirc;ncia de populismos antissist&eacute;micos em democracias mais antigas trouxe v&aacute;rias quest&otilde;es sobre a estabilidade dos regimes democr&aacute;ticos contempor&acirc;neos. No entanto, os esfor&ccedil;os para compreender esta situa&ccedil;&atilde;o t&ecirc;m pecado pela fragmenta&ccedil;&atilde;o da sua an&aacute;lise &ndash; frequentemente baseada em estudos de caso &ndash; e do enquadramento te&oacute;rico que t&ecirc;m utilizado. Este artigo prop&otilde;e&#8209;se reavaliar esta literatura tentando centrar a sua an&aacute;lise nos pontos em comum entre esta literatura sobre desconsolida&ccedil;&atilde;o/retrocesso e a literatura sobre a terceira vaga de democratiza&ccedil;&atilde;o.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Palavras-chave:</b> Democratiza&ccedil;&atilde;o, consolida&ccedil;&atilde;o democr&aacute;tica, terceira vaga de democratiza&ccedil;&atilde;o, retrocesso democr&aacute;tico.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>ABSTRACT</b></p>     <p>After decades of democratic optimism, pessimism seems to be installed in the academia concerning the future of democracy around the world. A combination of significant institutional developments in recent democracies and the emergence of anti&#8209;systemic populisms in older ones brought many questions on the stability of contemporaneous democratic regimes. Nevertheless, these efforts have been faulty due to the fragmentation of their analysis &ndash; frequently based on case studies &ndash; and the theoretical framework on which they relied. This article tries to reevaluate this literature focusing its analysis in the common themes that this decon&#8209;solidation/backlash literature shares with the literature on the third wave of democratization.</p>     <p><b>Keywords:</b> Democratization, democratic consolidation, third wave of democratization, democratic backlash.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>INTRODU&Ccedil;&Atilde;O</b></p>     <p>Em 2010, a Alian&ccedil;a C&iacute;vica H&uacute;ngara (Fidesz), liderada por Viktor Orb&aacute;n, obteve uma supermaioria parlamentar. Esta foi t&atilde;o expressiva que lhe permitiu n&atilde;o s&oacute; diminuir drasticamente o poder do Tribunal Constitucional e nomear membros do partido para v&aacute;rios &oacute;rg&atilde;os importantes do Estado &ndash; incluindo institui&ccedil;&otilde;es que organizam as elei&ccedil;&otilde;es ou supervisionam a comunica&ccedil;&atilde;o social &ndash;, como tamb&eacute;m apresentar e aprovar uma nova Constitui&ccedil;&atilde;o<sup><a href="#1">1</a></sup><a name="top1"></a>. Quatro anos antes, Daniel Ortega e a sua Frente Sandinista de Liberta&ccedil;&atilde;o Nacional (FSLN) venceram as elei&ccedil;&otilde;es presidenciais e parlamentares na Nicar&aacute;gua, aproveitando a fraqueza de uma oposi&ccedil;&atilde;o dividida. Com esta maioria, Ortega conseguiu eliminar os limites ao mandato presidencial definidos pela Constitui&ccedil;&atilde;o<sup><a href="#2">2</a></sup><a name="top2"></a> e politizou a administra&ccedil;&atilde;o eleitoral, n&atilde;o permitindo a presen&ccedil;a de observadores nacionais ou internacionais nas elei&ccedil;&otilde;es municipais de 2008<sup><a href="#3">3</a></sup><a name="top3"></a>. Desde esse momento que a transpar&ecirc;ncia e a equidade das elei&ccedil;&otilde;es foram colocadas em causa.</p>     <p>Exemplos como estes, associados a um crescimento de populismos antissist&eacute;micos em democracias mais antigas, t&ecirc;m vindo a alimentar uma maior preocupa&ccedil;&atilde;o com o estado da democracia no mundo atual<sup><a href="#4">4</a></sup><a name="top4"></a>. Ap&oacute;s duas d&eacute;cadas em que o otimismo democr&aacute;tico levou a que a ci&ecirc;ncia pol&iacute;tica se centrasse nos processos de transi&ccedil;&atilde;o e de consolida&ccedil;&atilde;o democr&aacute;tica, um tom mais c&eacute;tico foi surgindo. Quest&otilde;es relacionadas com as condi&ccedil;&otilde;es prop&iacute;cias &agrave; sobreviv&ecirc;ncia democr&aacute;tica<sup><a href="#5">5</a></sup><a name="top5"></a>, &agrave; identifica&ccedil;&atilde;o de regimes h&iacute;bridos<sup><a href="#6">6</a></sup><a name="top6"></a>, a processos de &laquo;desconsolida&ccedil;&atilde;o&raquo;<sup><a href="#7">7</a></sup><a name="top7"></a> ou de retrocesso democr&aacute;tico<sup><a href="#8">8</a></sup><a name="top8"></a> t&ecirc;m vindo a captar maior interesse na literatura especializada. E se a veracidade da recess&atilde;o democr&aacute;tica ainda &eacute; um tema em aberto<sup><a href="#9">9</a></sup><a name="top9"></a>, a <i>malaise</i> democr&aacute;tica parece ter chegado para ficar.</p>     <p>Infelizmente, o aumento de interesse por estes temas tem sido acompanhado por uma fragmenta&ccedil;&atilde;o te&oacute;rica e conceptual que pode ser fonte tanto de inova&ccedil;&atilde;o como de imprecis&atilde;o e confus&atilde;o. Este processo j&aacute; foi identificado e criticado no que toca a prolifera&ccedil;&atilde;o de defini&ccedil;&otilde;es sobre democracia<sup><a href="#10">10</a></sup><a name="top10"></a>. Argumentamos que um processo an&aacute;logo come&ccedil;a a surgir nas an&aacute;lises de eros&atilde;o de democracias que pareciam estar solidamente estabelecidas. Ou seja, quando evolu&ccedil;&otilde;es similares aos dois exemplos apresentados no in&iacute;cio do estudo s&atilde;o abordadas, termos como &laquo;desconsolida&ccedil;&atilde;o&raquo;, retrocesso democr&aacute;tico (<i>democratic backsliding</i>) ou rutura democr&aacute;tica (<i>democratic breakdown</i>) t&ecirc;m sido empregues. Esta prolifera&ccedil;&atilde;o conceptual n&atilde;o tem sido acompanhada de um processo de sistematiza&ccedil;&atilde;o na defini&ccedil;&atilde;o e diferencia&ccedil;&atilde;o dos v&aacute;rios conceitos, nem na aplica&ccedil;&atilde;o das tipologias criadas aos diferentes casos. Ali&aacute;s, a generalidade dos estudos apenas trata um caso ou casos de uma regi&atilde;o espec&iacute;fica, abdicando de uma vis&atilde;o mais global destes processos de deteriora&ccedil;&atilde;o democr&aacute;tica<sup><a href="#11">11</a></sup><a name="top11"></a>.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Para al&eacute;m da falta de alguma clareza conceptual, este debate tem dado pouca aten&ccedil;&atilde;o a algumas conclus&otilde;es que t&ecirc;m sido avan&ccedil;adas pela literatura sobre a terceira vaga de democratiza&ccedil;&atilde;o. Argumentamos que esta &eacute; uma segunda lacuna importante neste debate. Em primeiro lugar, pela coincid&ecirc;ncia de casos. Os casos mais problem&aacute;ticos de deteriora&ccedil;&atilde;o democr&aacute;tica ocorreram, at&eacute; ao momento, na Am&eacute;rica Latina e na Europa do Centro e do Leste, regi&otilde;es charneira durante a terceira vaga. &Eacute; verdade que a emerg&ecirc;ncia de populismos antissist&eacute;micos e do esvaziamento de democracias mais antigas<sup><a href="#12">12</a></sup><a name="top12"></a> colocam a d&uacute;vida se de facto as democracias da Am&eacute;rica do Norte e da Europa Ocidental est&atilde;o imunes a estes processos<sup><a href="#13">13</a></sup><a name="top13"></a>. Mas em nenhum destes pa&iacute;ses assistimos, por enquanto, a um processo semelhante ao que sucedeu na Hungria ou na Nicar&aacute;gua.</p>     <p>Uma segunda raz&atilde;o para uma nova leitura da literatura sobre a terceira vaga de democratiza&ccedil;&atilde;o prende&#8209;se com os pr&oacute;prios mecanismos e dimens&otilde;es analisados. Uma das inova&ccedil;&otilde;es destes estudos foi apontar a import&acirc;ncia dos atores nos momentos de mudan&ccedil;a institucional<sup><a href="#14">14</a></sup><a name="top14"></a> e da necessidade da institucionaliza&ccedil;&atilde;o da competi&ccedil;&atilde;o como o principal feito destas transi&ccedil;&otilde;es<sup><a href="#15">15</a></sup><a name="top15"></a>. Ali&aacute;s, o pr&oacute;prio termo de &laquo;desconsolida&ccedil;&atilde;o&raquo; deriva do debate sobre consolida&ccedil;&atilde;o democr&aacute;tica da terceira vaga.</p>     <p>Para tentar suprimir estas duas lacunas &ndash; falta de clareza conceptual e de liga&ccedil;&otilde;es com a literatura sobre a terceira vaga de democratiza&ccedil;&atilde;o &ndash;, este artigo ter&aacute; a seguinte estrutura. Ap&oacute;s esta introdu&ccedil;&atilde;o, tentaremos definir e distinguir o que s&atilde;o os processos de &laquo;desconsolida&ccedil;&atilde;o&raquo; democr&aacute;tica e os processos de retrocesso democr&aacute;tico. Posteriormente, tentaremos identificar quais os mecanismos centrais que s&atilde;o apontados pela literatura como respons&aacute;veis por este decl&iacute;nio democr&aacute;tico. Nesta sec&ccedil;&atilde;o, daremos especial aten&ccedil;&atilde;o &agrave; coincid&ecirc;ncia destes mecanismos e aos caminhos de terceira vaga de democratiza&ccedil;&atilde;o que t&ecirc;m sido identificados pela literatura. Finalmente, tentaremos ilustrar brevemente de que forma &eacute; que esta distin&ccedil;&atilde;o conceptual pode ser &uacute;til para futuras investiga&ccedil;&otilde;es sobre este tema.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>EROS&Atilde;O DEMOCR&Aacute;TICA?</b></p>     <p>Um dos principais problemas te&oacute;ricos do debate sobre eros&atilde;o democr&aacute;tica &eacute; que diferentes termos t&ecirc;m sido empregues alternadamente e a defini&ccedil;&atilde;o da fronteira entre eles n&atilde;o tem sido sistem&aacute;tica. Isto faz com que conceitos como &laquo;desconsolida&ccedil;&atilde;o&raquo; democr&aacute;tica ou retrocesso democr&aacute;tico sejam frequentemente utilizados, mas n&atilde;o de forma consistente, entre diferentes estudos. Por exemplo, Greskovits<sup><a href="#16">16</a></sup><a name="top16"></a> caracteriza o retrocesso democr&aacute;tico como um momento relativamente r&aacute;pido, marcante e evidente de destabiliza&ccedil;&atilde;o democr&aacute;tica que resulta na ado&ccedil;&atilde;o de pr&aacute;ticas semiautorit&aacute;rias. Para Bermeo<sup><a href="#17">17</a></sup><a name="top17"></a>, retrocesso democr&aacute;tico envolve todos os processos, tanto r&aacute;pidos e marcantes como lentos e subtis, atrav&eacute;s dos quais uma institui&ccedil;&atilde;o que sust&eacute;m a democracia &eacute; debilitada ou destru&iacute;da. Entre estas duas defini&ccedil;&otilde;es existem diferen&ccedil;as na identifica&ccedil;&atilde;o dos processos a considerar e na descri&ccedil;&atilde;o do resultado destes processos. Enquanto para o primeiro autor o resultado deste processo &eacute; um regime n&atilde;o democr&aacute;tico, tal n&atilde;o &eacute; evidente no entender do segundo.</p>     <p>Parece que a confus&atilde;o conceptual em torno de o que &eacute; a consolida&ccedil;&atilde;o democr&aacute;tica identificada por Schedler<sup><a href="#18">18</a></sup><a name="top18"></a> alastrou para uma confus&atilde;o conceptual sobre estes processos de deteriora&ccedil;&atilde;o democr&aacute;tica. E o mesmo trilho de imprecis&atilde;o prosseguido pelo conceito de consolida&ccedil;&atilde;o democr&aacute;tica, que levou a que v&aacute;rios autores defendessem o abandono do termo, parece estar a ser seguido por este debate. A &uacute;nica forma de contrariar este caminho ser&aacute; o de apostar na precis&atilde;o conceptual e de ter em conta o conselho formulado por Sartori e designar de forma diferente coisas diferentes<sup><a href="#19">19</a></sup><a name="top19"></a>.</p>     <p>Para alcan&ccedil;armos maior rigor conceptual ser&aacute; ent&atilde;o necess&aacute;rio distinguir melhor os conceitos de &laquo;desconsolida&ccedil;&atilde;o&raquo; e de retrocesso democr&aacute;tico. Mas antes de avan&ccedil;armos para esta distin&ccedil;&atilde;o, ser&aacute; importante identificar o que estes dois conceitos t&ecirc;m em comum. At&eacute; porque este &eacute; o ponto que parece estar melhor desenvolvido pela literatura. Mesmo que a utiliza&ccedil;&atilde;o destes conceitos n&atilde;o tenha sido sempre coincidente, existe, de facto, uma defini&ccedil;&atilde;o m&iacute;nima b&aacute;sica que parece poder ser aplic&aacute;vel a todos os casos. Concordamos com Bermeo, quando esta autora refere que ambos os conceitos denotam &laquo;a debilita&ccedil;&atilde;o ou a elimina&ccedil;&atilde;o por parte do Estado de qualquer institui&ccedil;&atilde;o que sust&eacute;m uma democracia existente&raquo;<sup><a href="#20">20</a></sup><a name="top20"></a>. No entanto, discordamos desta autora quando ela afirma que a diversidade que este conceito alberga &ndash; de processos, atores estatais ou institui&ccedil;&otilde;es &ndash; o torna bastante v&aacute;cuo. Pelo contr&aacute;rio, este conceito consegue identificar tr&ecirc;s dimens&otilde;es essenciais que est&atilde;o presentes em todos os processos de &laquo;desconsolida&ccedil;&atilde;o&raquo; e de retrocesso democr&aacute;tico.</p>     <p>A primeira destas dimens&otilde;es, concerne na identifica&ccedil;&atilde;o de que tipo de regimes podem sofrer com estes processos, a saber: democracias existentes. Pode parecer evidente ou tautol&oacute;gico que apenas democracias podem sofrer com estes processos. No entanto, &eacute; exatamente para evitar tautologias que este crit&eacute;rio &eacute; essencial. Como Levitsky e Way nos relembram<sup><a href="#21">21</a></sup><a name="top21"></a>, frequentemente s&atilde;o estudados processos de decl&iacute;nio democr&aacute;tico em regimes que n&atilde;o s&atilde;o claramente democr&aacute;ticos. Ou seja, n&atilde;o existe uma trajet&oacute;ria de um regime democr&aacute;tico que v&ecirc; algumas das suas institui&ccedil;&otilde;es basilares destru&iacute;das ou enfraquecidas, mas antes a manifesta&ccedil;&atilde;o de um regime n&atilde;o democr&aacute;tico. Mesmo que este seja um regime h&iacute;brido, algures na neblina entre a democracia e os regimes autorit&aacute;rios cl&aacute;ssicos.</p>     <p>N&atilde;o significa isto que o resultado de processos de &laquo;desconsolida&ccedil;&atilde;o&raquo; ou de retrocesso n&atilde;o tenha algum ponto em comum com institui&ccedil;&otilde;es em regimes h&iacute;bridos. Ali&aacute;s, os estudos apontam que as institui&ccedil;&otilde;es que sofrem de eros&atilde;o democr&aacute;tica &ndash; por exemplo, institui&ccedil;&otilde;es de administra&ccedil;&atilde;o eleitoral ou de supervis&atilde;o da comunica&ccedil;&atilde;o social &ndash; s&atilde;o frequentemente institui&ccedil;&otilde;es democraticamente amb&iacute;guas em regimes h&iacute;bridos. No entanto, n&atilde;o deve ser descurada a diferen&ccedil;a entre um regime democr&aacute;tico que sofreu com uma trajet&oacute;ria de eros&atilde;o e um regime que nunca chegou a cumprir os requisitos democr&aacute;ticos m&iacute;nimos.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Felizmente, o conceito minimalista, funcional e multidimensional de democracia proposto por Dahl<sup><a href="#22">22</a></sup><a name="top22"></a> parece ser generalizadamente aceite pela ci&ecirc;ncia pol&iacute;tica, nomeadamente pela literatura que se interessa pela pol&iacute;tica comparada. Este conceito tem conseguido reunir o consenso quer de perspetivas mais te&oacute;ricas<sup><a href="#23">23</a></sup><a name="top23"></a>, quer de perspetivas mais pr&aacute;ticas e emp&iacute;ricas<sup><a href="#24">24</a></sup><a name="top24"></a>. Assim sendo, o conceito pode ser utilizado como crit&eacute;rio base para averiguar se de facto estamos perante uma situa&ccedil;&atilde;o de eros&atilde;o. Se o regime, antes de iniciar este processo, for de facto democr&aacute;tico e cumprir os requisitos propostos por Dahl, ser&aacute; apropriado utilizarmos termos como retrocesso ou &laquo;desconsolida&ccedil;&atilde;o&raquo;. Caso contr&aacute;rio, outros conceitos dever&atilde;o ser empregues. &uml;</p>     <p>A segunda dimens&atilde;o subjacente ao conceito avan&ccedil;ado por Bermeo, prende&#8209;se com a multidimensionalidade reconhecida ao conceito de democracia. Quando estes regimes sofrem de eros&atilde;o democr&aacute;tica, n&atilde;o sofrem como um todo. Apenas certas institui&ccedil;&otilde;es e/ou certas dimens&otilde;es s&atilde;o afetadas. Uma das &aacute;reas que tipicamente sofre com estes processos &eacute; a da administra&ccedil;&atilde;o eleitoral, o que coloca em causa a qualidade das elei&ccedil;&otilde;es e, consequentemente, o pr&oacute;prio car&aacute;ter democr&aacute;tico do regime. No entanto, isto n&atilde;o significa que outras institui&ccedil;&otilde;es que defendem outras dimens&otilde;es de democracia, como o poder judicial, sejam igualmente afetadas. Por vezes, as restantes institui&ccedil;&otilde;es at&eacute; ganham relev&acirc;ncia enquanto forma de contrabalancear as degrada&ccedil;&otilde;es institucionais. Esta dimens&atilde;o &eacute; importante pois diferencia os conceitos de &laquo;desconsolida&ccedil;&atilde;o&raquo; e de retrocesso do conceito de rutura democr&aacute;tica (democratic breakdown). Os casos de rutura, na sua generalidade, s&atilde;o casos em que o regime democr&aacute;tico como um todo foi alterado e v&aacute;rias (se n&atilde;o todas) as institui&ccedil;&otilde;es que suportavam o sistema democr&aacute;tico foram destru&iacute;das ou mitigadas. Porventura, os exemplos mais emblem&aacute;ticos de rutura podem ser encontrados na Europa ap&oacute;s a Grande Depress&atilde;o de 1929.</p>     <p>Ora, se voltarmos aos exemplos da Hungria e da Nicar&aacute;gua, notamos que nos casos que interessam a esta nova literatura as mudan&ccedil;as institucionais s&atilde;o mais parciais. Ali&aacute;s, este car&aacute;ter torna estas eros&otilde;es democr&aacute;ticas bastante perniciosas. Frequentemente, o ataque a determinadas dimens&otilde;es de democracia &ndash; por exemplo, a pluralidade dos meios de comunica&ccedil;&atilde;o social &ndash; &eacute; feito em nome de uma outra dimens&atilde;o democr&aacute;tica &ndash; por exemplo, o apoio do governo numa ampla maioria eleitoral. O que dificulta ainda mais a classifica&ccedil;&atilde;o destas trajet&oacute;rias pol&iacute;ticas como claramente antidemocr&aacute;ticas. A &uacute;ltima dimens&atilde;o essencial deste conceito &eacute; a defini&ccedil;&atilde;o dos atores que provocam estes ataques institucionais. S&atilde;o os pr&oacute;prios atores estatais, na generalidade dos casos o pr&oacute;prio poder executivo, que enfraquecem as institui&ccedil;&otilde;es democr&aacute;ticas e n&atilde;o atores externos ao regime, nacionais ou internacionais. Ali&aacute;s, a forma mais frequente deste tipo de eros&atilde;o democr&aacute;tica passa por ataques do governo, normalmente apoiados por maiorias qualificadas no parlamento, a outras institui&ccedil;&otilde;es<sup><a href="#25">25</a></sup><a name="top25"></a>. E de entre estes atores estatais, as for&ccedil;as militares t&ecirc;m vindo a perder protagonismo, sendo substitu&iacute;das por atores pol&iacute;ticos apoiados por partidos fortalecidos nestes processos<sup><a href="#26">26</a></sup><a name="top26"></a>.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>&laquo;DESCONSOLIDA&Ccedil;&Atilde;O&raquo; OU RETROCESSO?</b></p>     <p>Recapitulando, &eacute; poss&iacute;vel ent&atilde;o definir processos de &laquo;desconsolida&ccedil;&atilde;o&raquo; e de retrocesso como processos de debilita&ccedil;&atilde;o ou elimina&ccedil;&atilde;o de uma institui&ccedil;&atilde;o basilar para o regime democr&aacute;tico protagonizados por um ator estatal. Esta defini&ccedil;&atilde;o parece ser &uacute;til, uma vez que consegue englobar os diferentes casos de eros&atilde;o que t&ecirc;m despertado o interesse de v&aacute;rios acad&eacute;micos e distinguir estes de outros processos, como o de rutura democr&aacute;tica. Resta ent&atilde;o saber se nos &eacute; &uacute;til distinguir os casos de &laquo;desconsolida&ccedil;&atilde;o&raquo; dos casos de retrocesso democr&aacute;tico.</p>     <p>Argumentamos que esta distin&ccedil;&atilde;o &eacute; necess&aacute;ria, pois permite&#8209;nos isolar dois fen&oacute;menos diferentes. E esta diferencia&ccedil;&atilde;o assenta no pr&oacute;prio conceito de consolida&ccedil;&atilde;o democr&aacute;tica, a partir do qual o termo &laquo;desconsolida&ccedil;&atilde;o&raquo; foi deselegantemente criado. J&aacute; aludimos ao facto de o conceito de consolida&ccedil;&atilde;o ser bastante poroso<sup><a href="#27">27</a></sup><a name="top27"></a>, com diferentes autores a fazerem depender este conceito da rota&ccedil;&atilde;o pac&iacute;fica do poder no governo<sup><a href="#28">28</a></sup><a name="top28"></a>, da probabilidade de sobreviv&ecirc;ncia do regime democr&aacute;tico<sup><a href="#29">29</a></sup><a name="top29"></a> ou da perman&ecirc;ncia de perversidades autorit&aacute;rias no regime democr&aacute;tico<sup><a href="#30">30</a></sup><a name="top30"></a>. Contudo, em todas estas defini&ccedil;&otilde;es uma democracia n&atilde;o consolidada permanece uma democracia. Pode ser uma democracia mais inst&aacute;vel ou mais suscet&iacute;vel de ser revertida em regime autorit&aacute;rio, mas o seu car&aacute;ter democr&aacute;tico mant&eacute;m&#8209;se.</p>     <p>Seguindo esta l&oacute;gica, uma democracia &laquo;desconsolidada&raquo; ser&aacute; uma democracia na qual, devido a determinados processos de enfraquecimento ou de elimina&ccedil;&atilde;o de institui&ccedil;&otilde;es que suportam uma dimens&atilde;o democr&aacute;tica, existe uma maior propens&atilde;o para a instabilidade e a instaura&ccedil;&atilde;o de um regime autorit&aacute;rio. No entanto, este regime continua a preencher os requisitos necess&aacute;rios para ser considerado uma democracia. Em certo sentido, podemos dizer que &eacute; uma democracia que perdeu alguma da sua qualidade. No entanto, o termo &laquo;desconsolida&ccedil;&atilde;o&raquo; permite&#8209;nos identificar com maior clareza a fonte dos problemas, pois aponta diretamente para um enfraquecimento de pelo menos uma das institui&ccedil;&otilde;es que suportam o regime. Uma democracia pode perder qualidade sem enfraquecer nenhuma institui&ccedil;&atilde;o fundamental quando, por exemplo, perde capacidade de representar adequadamente algum grupo social ou perde algum mecanismo de consulta popular direta.</p>     <p>Por seu lado, o termo retrocesso democr&aacute;tico aponta para a desvirtua&ccedil;&atilde;o da pr&oacute;pria democracia, mesmo n&atilde;o sendo taxativo na defini&ccedil;&atilde;o do regime resultante. Ali&aacute;s, &eacute; interessante notar que as an&aacute;lises que t&ecirc;m aplicado este conceito a uma escala global t&ecirc;m&#8209;se centrado em casos da Am&eacute;rica Latina, nomeadamente Nicar&aacute;gua e Venezuela. E se alguns especialistas sobre a Europa Central e do Leste t&ecirc;m vindo a caracterizar evolu&ccedil;&otilde;es recentes como retrocessos democr&aacute;ticos<sup><a href="#31">31</a></sup><a name="top31"></a>, esta caracteriza&ccedil;&atilde;o n&atilde;o &eacute; un&acirc;nime<sup><a href="#32">32</a></sup><a name="top32"></a>. Podemos ver isto na classifica&ccedil;&atilde;o da Freedom House<sup><a href="#33">33</a></sup><a name="top33"></a> da Nicar&aacute;gua e da Hungria. Enquanto que o primeiro pa&iacute;s &eacute; considerado como parcialmente livre, com um <i>score</i> democr&aacute;tico de 57 em 100, o segundo &eacute; considerado livre, com um <i>score</i> de 79 em 100. Ou seja, se &eacute; verdade que tanto o processo de &laquo;desconsolida&ccedil;&atilde;o&raquo; como o de retrocesso denotam o mesmo processo de enfraquecimento institucional democr&aacute;tico protagonizado por atores estatais, podemos identificar uma diferen&ccedil;a fundamental entre os dois conceitos. Enquanto no primeiro caso os regimes permanecem democr&aacute;ticos, mesmo que mais inst&aacute;veis e com uma maior propens&atilde;o para o fim do regime, no segundo os regimes j&aacute; n&atilde;o s&atilde;o democr&aacute;ticos no final do processo. &Eacute; certo que a hist&oacute;ria nunca tem fim e podemos apenas julgar estes processos como cont&iacute;nuos. O que consideramos hoje como &laquo;desconsolida&ccedil;&atilde;o&raquo; pode agravar&#8209;se e significar um retrocesso mais radical amanh&atilde;. No entanto, n&atilde;o devemos supor que uma democracia &laquo;desconsolidada&raquo; acabar&aacute; sempre num processo de retrocesso democr&aacute;tico. Assim, esta divis&atilde;o &eacute; &uacute;til pois permite-nos distinguir processos que, partilhando v&aacute;rias dimens&otilde;es, podem divergir nesta dimens&atilde;o fundamental que &eacute; o seu resultado.</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>MECANISMOS DA TERCEIRA VAGA</b></p>     <p>Tendo definido estes diferentes processos de eros&atilde;o democr&aacute;tica, propondo uma tipologia para a sua an&aacute;lise, a ancoragem deste debate na discuss&atilde;o mais vasta sobre a terceira vaga de democratiza&ccedil;&atilde;o parece evidente. Em primeiro lugar, estes casos de eros&atilde;o democr&aacute;tica est&atilde;o a suceder em democracias recentes e n&atilde;o nas democracias antigas. As perspetivas que sugerem que nem as democracias mais antigas da Am&eacute;rica do Norte e Europa Ocidental est&atilde;o imunes a estes processos<sup><a href="#34">34</a></sup><a name="top34"></a> parecem, no m&iacute;nimo, precipitadas<sup><a href="#35">35</a></sup><a name="top35"></a>. Por seu turno, as an&aacute;lises mais preocupantes est&atilde;o concentradas na Am&eacute;rica Latina e na Europa do Centro e do Leste.</p>     <p>No entanto, n&atilde;o &eacute; apenas a coincid&ecirc;ncia de casos que liga estes dois debates. Existe igualmente uma comunh&atilde;o de perspetivas e de vari&aacute;veis consideradas relevantes. E talvez essa comunh&atilde;o seja mais evidente no relevo dado aos atores pol&iacute;ticos, tanto na discuss&atilde;o sobre a terceira vaga de democratiza&ccedil;&atilde;o, como na sua eros&atilde;o. Se as decis&otilde;es das elites autorit&aacute;rias est&atilde;o no centro do debate das transi&ccedil;&otilde;es democr&aacute;ticas das &uacute;ltimas d&eacute;cadas<sup><a href="#36">36</a></sup><a name="top36"></a>, as decis&otilde;es de elites eleitas democraticamente s&atilde;o centrais nas an&aacute;lises contempor&acirc;neas dos processos de &laquo;desconsolida&ccedil;&atilde;o&raquo; e de retrocesso democr&aacute;tico.</p>     <p>No mesmo sentido, as vari&aacute;veis apontadas como relevantes para compreender estes processos de eros&atilde;o relacionam&#8209;se mais com fatores pol&iacute;ticos &ndash; como ideologia dos atores ou desenho constitucional &ndash; do que com fatores mais estruturantes &ndash; como economia ou heterogeneidade social. Isto n&atilde;o significa que n&atilde;o seja reconhecido o papel deste tipo de fatores. De facto, o impacto da crise econ&oacute;mica de 2008 e que se alastrou nos anos seguintes &eacute; reconhecido como um fator contextual importante. No entanto, se este fator pode ser importante para compreender o in&iacute;cio destes processos, n&atilde;o parece ser significativo na tentativa de explicar por que determinadas democracias retrocederam/desconsolidaram e outras n&atilde;o.</p>     <p>&Eacute; tamb&eacute;m interessante notar que as trajet&oacute;rias de &laquo;desconsolida&ccedil;&atilde;o&raquo; ou de retrocesso s&atilde;o paralelas, mesmo que em sentido contr&aacute;rio, &agrave;s trajet&oacute;rias da terceira vaga. Se seguirmos o modelo de transi&ccedil;&atilde;o democr&aacute;tica proposto por Dahl<sup><a href="#37">37</a></sup><a name="top37"></a>, existem duas dimens&otilde;es essenciais que t&ecirc;m de ser asseguradas numa democracia: participa&ccedil;&atilde;o e contesta&ccedil;&atilde;o. O caminho cl&aacute;ssico de democratiza&ccedil;&atilde;o parecia ser a abertura &agrave; participa&ccedil;&atilde;o de mais setores da popula&ccedil;&atilde;o num contexto onde j&aacute; existia contesta&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica. A terceira vaga parece distinguir&#8209;se pelo facto de os regimes autorit&aacute;rios que se democratizaram j&aacute; contarem com n&iacute;veis relativamente elevados de participa&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica, sendo o elemento b&aacute;sico da transi&ccedil;&atilde;o a liberaliza&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica, ou seja, a abertura &agrave; contesta&ccedil;&atilde;o<sup><a href="#38">38</a></sup><a name="top38"></a>.</p>     <p>Se utilizarmos esta mesma grelha de an&aacute;lise e a aplicarmos aos casos de eros&atilde;o democr&aacute;tica, a dimens&atilde;o de participa&ccedil;&atilde;o n&atilde;o tem sido afetada na mesma propor&ccedil;&atilde;o que a dimens&atilde;o de contesta&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica. Os ataques institucionais mais comuns visam restringir a pluralidade da comunica&ccedil;&atilde;o social, limitar a atua&ccedil;&atilde;o da oposi&ccedil;&atilde;o no parlamento ou retirar certas a&ccedil;&otilde;es do governo da jurisdi&ccedil;&atilde;o do poder judicial. Mesmo as a&ccedil;&otilde;es que fragilizam as elei&ccedil;&otilde;es n&atilde;o visam diminuir a participa&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica no geral, mas antes garantir a vit&oacute;ria eleitoral. Por isso, tem&#8209;se assistido ao decl&iacute;nio de fraude eleitoral evidente, sendo esta substitu&iacute;da por formas mais subtis e estrat&eacute;gicas de manipula&ccedil;&atilde;o eleitoral<sup><a href="#39">39</a></sup><a name="top39"></a>. Fen&oacute;menos como a utiliza&ccedil;&atilde;o de meios de comunica&ccedil;&atilde;o social controlados pelo Estado para fazer propaganda ao incumbente ou a politiza&ccedil;&atilde;o da administra&ccedil;&atilde;o eleitoral para debilitar a oposi&ccedil;&atilde;o durante o recenseamento t&ecirc;m sido mais recorrentes.</p>     <p>Ao mesmo tempo, as elites que lideram estes ataques a institui&ccedil;&otilde;es que suportam o regime t&ecirc;m tentado assegurar a sua legitimidade &laquo;democr&aacute;tica&raquo;, procurando ativamente o apoio popular. Fazem&#8209;no ganhando elei&ccedil;&otilde;es, referendando as medidas mais problem&aacute;ticas e utilizando os recursos do Estado para institucionalizar partidos dominantes. Claro que ao atacar outras institui&ccedil;&otilde;es que sustentam dimens&otilde;es mais plurais da democracia, a domina&ccedil;&atilde;o da arena eleitoral fica facilitada. Assim sendo, n&atilde;o deve ser ignorada a fraqueza inerente aos partidos nestes regimes. Debilitados (se n&atilde;o eliminados) durante os regimes autorit&aacute;rios precedentes e com poucas liga&ccedil;&otilde;es &agrave; sociedade civil, os partidos pol&iacute;ticos de terceira vaga t&ecirc;m tido grande dificuldade em apresentar&#8209;se como uma oposi&ccedil;&atilde;o cred&iacute;vel quando confrontados com estes movimentos antidemocr&aacute;ticos<sup><a href="#40">40</a></sup><a name="top40"></a>. Ali&aacute;s, em v&aacute;rios casos a pr&oacute;pria divis&atilde;o da oposi&ccedil;&atilde;o parece ser um fator importante para explicar o sucesso de movimentos que procuram a eros&atilde;o democr&aacute;tica<sup><a href="#41">41</a></sup><a name="top41"></a>.</p>     <p>Estes processos de eros&atilde;o democr&aacute;tica, nomeadamente os casos de retrocesso democr&aacute;tico, devem ser tamb&eacute;m refletidos &agrave; luz dos argumentos de Miller sobre os caminhos de terceira vaga de democratiza&ccedil;&atilde;o<sup><a href="#42">42</a></sup><a name="top42"></a>. Segundo este autor, a experi&ecirc;ncia pr&eacute;via de elei&ccedil;&otilde;es durante o per&iacute;odo autorit&aacute;rio, uma experi&ecirc;ncia partilhada pela maioria dos regimes que se democratizaram a partir de diminui as chances de democratiza&ccedil;&atilde;o mas melhora as chances de sobreviv&ecirc;ncia da democracia, na eventualidade de esta se instalar. Assim sendo, estes casos de retrocesso democr&aacute;tico contrariam claramente as expectativas deste autor. N&atilde;o s&oacute; por serem casos em que o regime democr&aacute;tico n&atilde;o sobreviveu, mas tamb&eacute;m por serem casos em que a dimens&atilde;o participativa da democracia foi utilizada para debilitar a dimens&atilde;o de contesta&ccedil;&atilde;o, situa&ccedil;&atilde;o n&atilde;o equacionada pelo autor.</p>     <p>Tamb&eacute;m deve ser notado como um dos atores cuja atua&ccedil;&atilde;o tem sido destacada nos estudos sobre a mais recente vaga de transi&ccedil;&otilde;es democr&aacute;ticas<sup><a href="#43">43</a></sup><a name="top43"></a> parece ter perdido o seu poder transformador. De facto, a sociedade civil &eacute; relegada para um segundo plano na maioria das an&aacute;lises sobre a eros&atilde;o democr&aacute;tica. Quer seja por ser impotente perante os ataques &agrave;s institui&ccedil;&otilde;es democr&aacute;ticas, quer seja pela capacidade de ser cooptada pelos partidos e atores que protagonizam estes ataques, a sociedade civil independente j&aacute; n&atilde;o &eacute; considerada como um entrave a retrocessos democr&aacute;ticos. Estas perspetivas est&atilde;o mais pr&oacute;ximas de estudos recentes sobre o papel das organiza&ccedil;&otilde;es de sociedade civil em regimes autorit&aacute;rios e de que forma estas s&atilde;o utilizadas para legitimar o regime e melhorar a sua performance<sup><a href="#44">44</a></sup><a name="top44"></a>.</p>     <p>No entanto, estudos recentes t&ecirc;m apontado que a sociedade civil teve exatamente este papel em crises democr&aacute;ticas anteriores. Por exemplo, Bernhard e os seus colegas afirmam que uma sociedade civil desenvolvida pode funcionar como uma barreira importante contra a atividade antissist&eacute;mica<sup><a href="#45">45</a></sup><a name="top45"></a>, mesmo que esta fun&ccedil;&atilde;o seja ajudada por um sistema partid&aacute;rio institucionalizado. E conclu&iacute;ram que a presen&ccedil;a de uma sociedade civil forte teve um impacto positivo na sobreviv&ecirc;ncia das democracias ao longo do s&eacute;culo XX. Por seu lado, Cornell e os seus colegas, analisando a crise democr&aacute;tica do per&iacute;odo entre guerras, conclu&iacute;ram que a for&ccedil;a da sociedade civil por si s&oacute; foi um fator que contribuiu para a sobreviv&ecirc;ncia democr&aacute;tica<sup><a href="#46">46</a></sup><a name="top46"></a>, sendo que este efeito n&atilde;o foi mediado pela institucionaliza&ccedil;&atilde;o partid&aacute;ria. Ou seja, a reabilita&ccedil;&atilde;o desta vari&aacute;vel parece importante, uma vez que &eacute; na sociedade civil independente que pode restar capacidade de resist&ecirc;ncia, mesmo que nem sempre mobilizada, face a estes movimentos antidemocr&aacute;ticos.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>A EROS&Atilde;O DEMOCR&Aacute;TICA GLOBAL</b></p>     <p>Para ilustrar de que forma &eacute; que a tipologia atr&aacute;s proposta pode ser &uacute;til para descrever os processos de eros&atilde;o democr&aacute;tica, iremos aplic&aacute;&#8209;la ao mundo real. Para tal, em primeiro lugar, ser&aacute; preciso identificar uma medida de democracia que nos permita distinguir claramente os regimes democr&aacute;ticos dos n&atilde;o democr&aacute;ticos e que tamb&eacute;m nos permita avaliar a performance democr&aacute;tica de diferentes democracias. Felizmente, o Varieties of Democracy Project<sup><a href="#47">47</a></sup><a name="top47"></a> (V&#8209;Dem) disponibiliza uma base de dados consider&aacute;vel que engloba diferentes dimens&otilde;es de democracia e todos os pa&iacute;ses do mundo ao longo do s&eacute;culo XX e in&iacute;cio do s&eacute;culo XXI.</p>     <p>Nesta base de dados existe um &iacute;ndice de poliarquia<sup><a href="#48">48</a></sup><a name="top48"></a>, cuja escala varia entre 0 e 1, que iremos utilizar como a nossa medida de democracia. N&atilde;o existindo um valor determinado pelos autores da base de dados para distinguir as democracias, adot&aacute;mos o 0,7 como valor de refer&ecirc;ncia. Reconhecendo alguma arbitrariedade na sele&ccedil;&atilde;o deste valor, este parece&#8209;nos suficientemente exigente de forma a garantir que um pa&iacute;s com esta classifica&ccedil;&atilde;o possa ser considerado uma democracia. Iremos identificar uma diminui&ccedil;&atilde;o em 0,02 nesta escala como evid&ecirc;ncia de eros&atilde;o democr&aacute;tica. Sendo um valor igualmente arbitr&aacute;rio, argumentamos que uma descida de tal ordem representa uma deteriora&ccedil;&atilde;o significativa de uma das dimens&otilde;es essenciais de democracia.</p>     <p>Uma vez que este &eacute; um exerc&iacute;cio meramente ilustrativo, iremos circunscrever este estudo entre duas balizas temporais: 1995 e 2012. A primeira data justifica&#8209;se pois para v&aacute;rios autores esta parece marcar o fim da terceira vaga de democratiza&ccedil;&atilde;o, que culminou com as transi&ccedil;&otilde;es no antigo espa&ccedil;o sovi&eacute;tico e na &Aacute;frica Subsariana. A segunda foi escolhida por ser a data mais recente e mais completa da base de dados. Para simplificar este exemplo iremos apenas usar as observa&ccedil;&otilde;es relativas a estas duas datas e daremos, inicialmente, pouca aten&ccedil;&atilde;o &agrave; evolu&ccedil;&atilde;o entre as mesmas.</p>     <p>Esta an&aacute;lise superficial permite&#8209;nos algumas conclus&otilde;es. Em primeiro lugar, parece que de facto as &uacute;ltimas d&eacute;cadas n&atilde;o foram de contravaga autorit&aacute;ria. Como est&aacute; presente na <a href="#t1">tabela 1</a>, o n&uacute;mero de pa&iacute;ses democr&aacute;ticos entre 1995 e 2012 permaneceu est&aacute;vel. Se, em 1995, 51 pa&iacute;ses tinham um &iacute;ndice de poliarquia superior a 0,7, em 2012 esse n&uacute;mero foi de 53. Em termos relativos parece que ao longo deste per&iacute;odo cerca de 31 por cento dos pa&iacute;ses &ndash; quase um ter&ccedil;o &ndash; podem ser considerados democr&aacute;ticos. A existir uma recess&atilde;o democr&aacute;tica, esta n&atilde;o passa pelo aumento do n&uacute;mero de regimes autorit&aacute;rios nem por nenhuma contravaga democr&aacute;tica. Deve ser notado, no entanto, que nem todos os regimes democr&aacute;ticos em 1995 sobreviveram at&eacute; 2012. Ali&aacute;s, nove das democracias que existiam em 2012 n&atilde;o o eram em 1995.</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="t1"></a> <img src="/img/revistas/ri/n52/n52a03t1.jpg">     
<p>&nbsp;</p>     <p>A recess&atilde;o democr&aacute;tica parece passar, ent&atilde;o, pela eros&atilde;o democr&aacute;tica e n&atilde;o por uma vaga de ruturas democr&aacute;ticas. Em 2012, 10 pa&iacute;ses considerados democr&aacute;ticos oito anos antes sofriam deste problema, vendo o seu &iacute;ndice democr&aacute;tico diminuir em 0,02, pelo menos. De entre estes 10 pa&iacute;ses, tr&ecirc;s permaneceram democracias. Aplicando a nossa tipologia podemos ent&atilde;o distinguir entre tr&ecirc;s casos de &laquo;desconsolida&ccedil;&atilde;o&raquo; democr&aacute;tica (Argentina, Hungria e Israel) e sete casos de retrocesso democr&aacute;tico (Benim, Bulg&aacute;ria, Bol&iacute;via, Equador, &Iacute;ndia, Nicar&aacute;gua e Venezuela). De notar que em nenhum destes 10 casos existiu uma altera&ccedil;&atilde;o completa de regime. A &uacute;nica incid&ecirc;ncia maior foi a tentativa falhada de golpe de Estado que ocorreu na Venezuela em 2002. Ou seja, em todos estes casos a diminui&ccedil;&atilde;o dos n&iacute;veis de democracia deu&#8209;se por ataques a determinadas institui&ccedil;&otilde;es democr&aacute;ticas e n&atilde;o ao regime como um todo.</p>     <p>&Eacute; igualmente interessante analisar esta evolu&ccedil;&atilde;o de uma perspetiva longitudinal. Os <a href="#g1">gráficos 1</a> e <a href="#g2">2</a> apresentam a evolu&ccedil;&atilde;o do n&iacute;vel de democracia para os casos de retrocesso e de &laquo;desconsolida&ccedil;&atilde;o&raquo; democr&aacute;tica, respetivamente. Isto permite&#8209;nos verificar que a evolu&ccedil;&atilde;o destes dois processos n&atilde;o &eacute; homog&eacute;nea em todos os casos. Entre os casos de retrocesso, Venezuela e Nicar&aacute;gua surgem como dois exemplos mais extremos de retorno ao autoritarismo, sendo que o n&iacute;vel de democracia na Venezuela caiu quase em metade no final do per&iacute;odo. Por outro lado, nos casos de &laquo;desconsolida&ccedil;&atilde;o&raquo;, existem percursos de decl&iacute;nio gradual e cont&iacute;nuo &ndash; caso da Argentina, em que a eros&atilde;o democr&aacute;tica prolonga&#8209;se por uma d&eacute;cada &ndash; e decl&iacute;nio mais repentino &ndash; como no caso h&uacute;ngaro, que teve um per&iacute;odo forte de decl&iacute;nio em 2006 e outro a partir de 2009.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p> <a name="g1"></a> <img src="/img/revistas/ri/n52/n52a03g1.jpg">     
<p>&nbsp;</p> <a name="g2"></a> <img src="/img/revistas/ri/n52/n52a03g2.jpg">     
<p>&nbsp;</p>     <p>Finalmente, uma vez que a base de dados do V&#8209;Dem mede diferentes dimens&otilde;es de democracia, &eacute; poss&iacute;vel analisar quais as dimens&otilde;es mais afetadas por este processo de eros&atilde;o. Como discutimos anteriormente, a dimens&atilde;o de contesta&ccedil;&atilde;o parece ser a mais debilitada nas duas &uacute;ltimas d&eacute;cadas. De forma a medir isto, utilizaremos o componente liberal do V&#8209;Dem, que tenta medir a prote&ccedil;&atilde;o dos direitos dos indiv&iacute;duos e minorias atrav&eacute;s de liberdades civis garantidas pela constitui&ccedil;&atilde;o, o primado da lei, a independ&ecirc;ncia do judici&aacute;rio, entre outros mecanismos que possam limitar o poder executivo.</p>     <p>De notar que este &iacute;ndice &eacute; independente do primeiro na sua constru&ccedil;&atilde;o, mesmo que seja expect&aacute;vel uma corre&ccedil;&atilde;o elevada entre esta componente liberal e o &iacute;ndice de poliarquia. O <a href="#g3">gráfico 3</a> ilustra a rela&ccedil;&atilde;o entre a diferen&ccedil;a nos n&iacute;veis de poliarquia e da componente liberal para todas as democracias e apenas para os casos que sofreram de eros&atilde;o democr&aacute;tica, entre 1995 e 2012. H&aacute; uma correla&ccedil;&atilde;o evidente entre a evolu&ccedil;&atilde;o destes dois indicadores, o que n&atilde;o &eacute; necessariamente surpreendente. O mais interessante &eacute; notar a forte correla&ccedil;&atilde;o nos casos de eros&atilde;o democr&aacute;tica. Se olharmos apenas para estes, &eacute; evidente que os casos de maior perda no n&iacute;vel de democracia s&atilde;o os casos em que a componente liberal da democracia foi mais enfraquecida. E se o <a href="#g3">gráfico 3</a> n&atilde;o demonstra causalidade, ilustra bem a forma como &eacute; nesta dimens&atilde;o da democracia que a eros&atilde;o parece estar a ocorrer.</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="g3"></a> <img src="/img/revistas/ri/n52/n52a03g3.jpg">     
<p>&nbsp;</p>     <p>Mais do que testar de forma s&oacute;lida e rigorosa, este breve exemplo emp&iacute;rico tentou demonstrar como se pode utilizar esta tipologia e como um maior rigor conceptual nos pode ser &uacute;til para estudar estes casos de eros&atilde;o democr&aacute;tica. Esta an&aacute;lise alerta&#8209;nos para o facto de diferentes processos de eros&atilde;o estarem a decorrer e de que essas varia&ccedil;&otilde;es, praticamente ignoradas pela literatura emergente, devem ser incorporadas teoricamente. Estas varia&ccedil;&otilde;es passam, em primeiro lugar, pelo resultado destes processos, mas existem ainda varia&ccedil;&otilde;es no ritmo e no grau. De igual forma, nem todas as dimens&otilde;es democr&aacute;ticas est&atilde;o a ser afetadas na mesma propor&ccedil;&atilde;o, facto que tamb&eacute;m n&atilde;o tem sido abordado pela literatura.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>CONCLUS&Otilde;ES</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Concluindo, o interesse atual pelo estudo dos processos de eros&atilde;o democr&aacute;tica parece pertinente. De facto, n&atilde;o existindo uma evidente contravaga autorit&aacute;ria no in&iacute;cio do s&eacute;culo XXI, em v&aacute;rios casos encontramos a fragiliza&ccedil;&atilde;o de institui&ccedil;&otilde;es democr&aacute;ticas. Ao todo, em 10 pa&iacute;ses da terceira vaga podemos encontrar estes processos de ataque iniciados por atores estatais a certas institui&ccedil;&otilde;es do regime democr&aacute;tico.</p>     <p>Contudo, este interesse sobre os caminhos de eros&atilde;o deve ser acompanhado de um maior rigor te&oacute;rico. Este rigor permite-nos uma maior clareza conceptual e real&ccedil;a diferen&ccedil;as entre os v&aacute;rios processos. Argumentamos que uma diferen&ccedil;a fundamental passa pelo resultado destes processos. Nem todos os processos de eros&atilde;o democr&aacute;tica terminam num regime n&atilde;o democr&aacute;tico. Ter em considera&ccedil;&atilde;o esta varia&ccedil;&atilde;o parece-nos essencial para n&atilde;o cairmos no erro de compararmos o incompar&aacute;vel.</p>     <p>Especial aten&ccedil;&atilde;o deve ser igualmente dada &agrave; ancoragem destas an&aacute;lises na literatura sobre a terceira vaga de democratiza&ccedil;&atilde;o. N&atilde;o obstante o crescimento de populismos antissist&eacute;micos em v&aacute;rias partes do globo, de facto s&atilde;o as democracias mais recentes as que t&ecirc;m sofrido com processos de eros&atilde;o democr&aacute;tica. E nestas democracias, &eacute; a dimens&atilde;o de contesta&ccedil;&atilde;o e capacidade de limitar o executivo que est&aacute; a ser enfraquecida. Ironicamente, foram mudan&ccedil;as nesta dimens&atilde;o que permitiram a democratiza&ccedil;&atilde;o destes pa&iacute;ses durante a terceira vaga. O que significa que futuros estudos t&ecirc;m de ser capazes de distinguir as diferentes dimens&otilde;es do conceito de democracia e de procurar na evolu&ccedil;&atilde;o hist&oacute;rica das diferentes dimens&otilde;es os mecanismos que explicam as tend&ecirc;ncias atuais.</p>     <p>Se de facto a <i>malaise</i> democr&aacute;tica parece estar a vingar na ci&ecirc;ncia pol&iacute;tica, as origens e as formas desta eros&atilde;o democr&aacute;tica ainda est&atilde;o longe de serem claras. Assim sendo, parece&#8209;nos que os futuros estudos sobre este tema devem ter uma maior preocupa&ccedil;&atilde;o com o rigor conceptual e devem procurar expandir o seu universo de an&aacute;lise.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>BIBLIOGRAFIA</b></p>     <p>Anderson, Leslie E., Dodd, Lawrence C., e Park, Won-ho &ndash; &laquo;Electoral competition and democratic decline in Nicaragua: uncovering an electorally viable platform for the right&raquo;. In <i>Democratization</i>. Pr&eacute;-publica&ccedil;&atilde;o <i>online</i>. 2016, pp. 1-17. (Consultado em: 17 de novembro de 2016). Dispon&iacute;vel em: <a href="http://tandfonline.com/doi/full/10.1080/13510347.2016.1256284" target="_blank">http://tandfonline.com/doi/full/10.1080/13510347.2016.1256284</a>.</p>     <p>B&aacute;nkuti, Mikl&oacute;s, Halmai, G&aacute;bor, e Scheppele, Kim Lane &ndash; &laquo;Disabling the Constitution&raquo;. In <i>Journal of Democracy. </i>Vol. 23, N.&ordm; 3, 2012, pp. 138-146.</p>     <p>Bermeo, Nancy &ndash; &laquo;On democratic backsliding&raquo;. In <i>Journal of Democracy</i>. Vol. 27, N.&ordm; 1, 2016, pp. 5-19.</p>     <p>Bernhard, Michael &ndash; &laquo;Civil society and democratic transition in East Central Europe&raquo;. In <i>Political Science Quarterly. </i>Vol. 108, N.&ordm; 2, 1993, pp. 307-326.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Bernhard, Michael, <i>et al.</i> &ndash; &laquo;Institutional subsystems and the survival of democracy: do political and civil society matter?&raquo;. In <i>V-Dem Working Paper</i>. N.&ordm; 4, 2015, pp. 1-34. (Consultado em: 16 de novembro de 2016). Dispon&iacute;vel em: <a href="http://papers.ssrn.com/sol3/papers.cfm?abstract_ id=2613824" target="_blank">http://papers.ssrn.com/sol3/papers.cfm?abstract_ id=2613824</a>.</p>     <p>Collier, David, e Levitsky, Steven &ndash; &laquo;Democracy with adjetives: conceptual innovation in comparative research&raquo;. In <i>World Politics.</i> Vol. 49, N.&ordm; 3, 1997, pp. 430-451.</p>     <p>Cornell, Agnes, <i>et al.</i> &ndash; &laquo;Civil society, party institutionalization, and democratic breakdown in the interwar period&raquo;. In <i>V-Dem Working Paper</i>. N.&ordm; 24, 2016, pp. 1-81. (Consultado em: 17 de novembro de 2016). Dispon&iacute;vel em: <a href="https://gupea.ub.gu.se/handle/2077/41789" target="_blank">https://gupea.ub.gu.se/handle/2077/41789</a>.</p>     <p>Dahl, Robert A. &ndash; <i>Polyarchy; Participation and Opposition</i>. 1.&ordf; edi&ccedil;&atilde;o. New Haven: Yale University Press, 1971.</p>     <p>Diamond, Larry &ndash; &laquo;Facing up to the democratic recession&raquo;. In <i>Journal of Democracy</i>. Vol. 26, N.&ordm; 1, 2015, pp. 141-155.</p>     <p>Foa, Roberto Stefan, e Mounk, Yascha &ndash; &laquo;The democratic disconnect&raquo;. In <i>Journal of Democracy.</i> Vol. 27, N.&ordm; 3, 2016, pp. 5-17.</p>     <p>FreedomHouse&ndash; <i>Freedom in the World 2016, Anxious Dictators, Wavering Democracies: Global Freedom under Pressure</i>. Washington, DC: Freedom House, 2016.</p>     <p>Greskovits, B&eacute;la &ndash; &laquo;The hollowing and backsliding of democracy in East Central Europe&raquo;. In <i>Global Policy.</i> Vol. 6, N.&ordm; 1, 2015, pp. 28-37.</p>     <p>Huntington, Samuel P. &ndash; <i>The Third Wave </i>&ndash;<i> Democratization in the Late Twentieth Century</i>. The Julian J. Rothbaum Distinguished Lecture Series 4. Norman: University of Oklahoma Press, 1991.</p>     <p>Inglehart, Ronald F. &ndash; &laquo;How much should we worry?&raquo;. In <i>Journal of Democracy</i>. Vol. 27, N.&ordm; 3, 2016, pp. 18-23.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Iusmen, Ingi &ndash; &laquo;euleverage and democratic backsliding in Central and Eastern Europe: the case of Romania&raquo;. In <i>jcms: Journal of Common Market Studies.</i> Vol. 53, N.&ordm; 3, 1 de maio de 2015, pp. 593-608, doi:10.1111/jcms.12193.</p>     <p>Karl, Terry, e Schmitter, Phillipe &ndash; &laquo;What democracy is... and is not&raquo;. In <i>Journal of Democracy.</i> Vol. 2, N.&ordm; 3, 1991, pp. 75-88.</p>     <p>Levitsky, Steven, e Way Lucan &ndash; &laquo;The rise of competitive authoritarianism&raquo;. In <i>Journal of Democracy.</i> Vol. 13, N.&ordm; 2, 2002, pp. 51-65.</p>     <p>Levitsky, Steven, e WayLucan &ndash; &laquo;The myth of democratic recession&raquo;. In <i>Journal of Democracy</i>. Vol. 26, N.&ordm; 1, 2015, pp. 45-58.</p>     <p>Levitz, Philip, e Pop-Eleches, Grigore &ndash; &laquo;Why no backsliding? The European Union&rsquo;s impact on democracy and governance before and after accession&raquo;. In <i>Comparative Political Studies.</i> Vol. 43, N.&ordm; 4, 2010, pp. 457-485, doi:10.1177/0010414009355266.</p>     <p>Lorch, Jasmin, e Bunk, Bettina &ndash; &laquo;Using civil society as an authoritarian legitimation strategy: Algeria and Mozambique in comparative perspetive&raquo;. In <i>Democratization</i>. Pr&eacute;-publica&ccedil;&atilde;o <i>online</i>. 2016, pp. 1-19. (Consultado em: 21 de novembro de 2016. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.tandfonline.com/doi/abs/10.1080/13510347.2016.1256285" target="_blank">http://www.tandfonline.com/doi/abs/10.1080/13510347.2016.1256285</a>.</p>     <p>Maeda, Ko &ndash; &laquo;Two modes of democratic breakdown: a competing risks analysis of democratic durability&raquo;. In <i>The Journal of Politics.</i> Vol. 72, N.&ordm; 4, 2010, pp. 1129-1143.</p>     <p>Mair, Peter &ndash; <i>Ruling the Void: The Hollowing of Western Democracy</i>. Londres: Verso, 2013.</p>     <p>Miller, Michael K. &ndash; &laquo;Democratic pieces: autocratic elections and democratic development since 1815&raquo;. In <i>British Journal of Political Science.</i> Vol. 45, N.&ordm; 3, 2015, pp. 501-530.</p>     <p>O&rsquo;Donnel, Guiller mo, Schmitter, Philippe, e Whitehead, Laurence &ndash; <i>Transitions from Authoritarian Rule: Tentative Conclusions about Uncertain Democracies: Prospects for Democracy: Volume 4</i>. Baltimore: The Johns Hopkins University Press, 1986.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Plattner, Marc F. &ndash; &laquo;Is democracy in decline?&raquo;. In <i>Journal of Democracy.</i> Vol. 26, N.&ordm; 1, 2015, pp. 5-10.</p>     <p>Rupnik, Jacques &ndash; &laquo;How things went wrong&raquo;. In <i>Journal of Democracy.</i> Vol. 23, N.&ordm; 3, 2012, pp. 132-137.</p>     <p>Sartori, Giovanni &ndash; &laquo;Guidelines for concept analysis&raquo;. In <i>Social Science Concepts: A Systematic Analysis</i>. Beverly Hills: Sage Publications, 1984, pp. 15-85.</p>     <p>Schedler, Andreas &ndash; &laquo;What is democratic consolidation?&raquo;. In <i>Journal of Democracy.</i> Vol. 9, N.&ordm; 2, 1998, pp. 91-107.</p>     <p>Schneider, Ben Ross &ndash; &laquo;Democratic consolidations: some broad comparisons and sweeping arguments&raquo;. In <i>Latin America Research Review</i>. Vol. 30, N.&ordm; 2, 1995, pp. 215-234.</p>     <p>Serra, Gilles &ndash; &laquo;The risk of partyarchy and democratic backsliding&raquo;. 2012. (Consultado em: 22 de novembro de 2016). Dispon&iacute;vel em: <a href="http://allman.rhon.itam.mx/~emagar/cv/cites/estevezEtalElecStud/serraElecRefMexico2012tjd.pdf" target="_blank">http://allman.rhon.itam.mx/~emagar/cv/cites/estevezEtalElecStud/serraElecRefMexico2012tjd.pdf</a>.</p>     <p>Teorell, Jan, <i>et al.</i> &ndash; &laquo;Measuring electoral democracy with V-Dem data: introducing a new polyarchy index&raquo;. In <i>V-Dem Working Paper</i>. N.&ordm; 25, 2016, pp. 1-57. (Consultado em: 17 de novembro de 2016). Dispon&iacute;vel em <a href="http://papers.ssrn.com/sol3/papers.cfm?abstract_id=2740935" target="_blank">http://papers.ssrn.com/sol3/papers.cfm?abstract_id=2740935</a>.</p>     <p>Tepe, Sultan &ndash; &laquo;Turkey&rsquo;s akp: a model&lsquo; Muslim-democratic&rsquo; party?&raquo;. In <i>Journal of Democracy</i>. Vol. 16, N.&ordm; 3, 2005, pp. 69-82.</p>     <p>Valenzuela, Julio Samuel &ndash; &laquo;Democratic consolidation in post-transitional settings: notion, process, and facilitating conditions&raquo;. In <i>Helen Kellogg Institute for International Studies Working Papers Serias</i>. N.&ordm; 150, 1990, pp. 1-37. (Consultado em: 18 de novembro de 2016). Dispon&iacute;vel em: <a href="https://kellogg.nd.edu/publications/workingpapers/WPS/150.pdf" target="_blank">https://kellogg.nd.edu/publications/workingpapers/WPS/150.pdf</a>.</p>     <p>Van Ham, Carolien &ndash; &laquo;Beyond electoral-ism? Electoral fraud in third wave regimes, 1974-2009&raquo;. 2012. (Consultado em: 16 de novembro de 2016). Dispon&iacute;vel em: <a href="http://diana-n.iue.it:8080/handle/1814/22694" target="_blank">http://diana-n.iue.it:8080/handle/1814/22694</a>.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>White, Gordon &ndash; &laquo;Civil society, democratization and development (i): clearing the analytical ground&raquo;. In <i>Democratization</i>. Vol. 1, N.&ordm; 2, 1 de junho de 1994, pp. 375-390, doi:10.1080/13510349408403399.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>Data de rece&ccedil;&atilde;o: 1 de outubro de 2016 | Data de aprova&ccedil;&atilde;o: 27 de novembro de 2016</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>NOTAS</b></p>     <p><Sup><a name="1"></a><a href="#top1">1</a></Sup>Rupnik, Jacques &ndash; &laquo;How things went wrong&raquo;. In <i>Journal of Democracy. </i>Vol. 23, N.&ordm; 3, 2012, pp. 132-137; B&aacute;nkuti, Mikl&oacute;s, Halmai, G&aacute;bor, e Scheppele, Kim Lane &ndash; &laquo;Disabling the Constitution&raquo;. In <i>Journal of Democracy.</i> Vol. 23, N.&ordm; 3, 2012, pp. 138-146.</p>     <p><Sup><a name="2"></a><a href="#top2">2</a></Sup>Estes limites n&atilde;o permitiriam que Ortega se recandidatasse em 2011.</p>     <p><Sup><a name="3"></a><a href="#top3">3</a></Sup>Anderson, Leslie E., Dodd, Lawrence C., e Park, Won-ho &ndash; &laquo;Electoral competition and democratic decline in Nicaragua: uncovering an electorally viable platform for the right&raquo;. In <i>Democratization</i>. Pr&eacute;-publica&ccedil;&atilde;o <i>online</i>. 2016, pp. 1-17. (Consultado em: 17 de novembro de 2016). Dispon&iacute;vel em: <a href="http://tandfonline.com/doi/full/10.1080/13510347.2016.1256284" target="_blank">http://tandfonline.com/doi/full/10.1080/13510347.2016.1256284</a>.</p>     <p><Sup><a name="4"></a><a href="#top4">4</a></Sup>Diamond, Larry &ndash; &laquo;Facing up to the democratic recession&raquo;. In <i>Journal of Democracy</i>. Vol. 26, N.&ordm; 1, 2015, pp. 141-155.</p>     <p><Sup><a name="5"></a><a href="#top5">5</a></Sup>Maeda, Ko &ndash; &laquo;Two modes of democratic breakdown: a competing risks analysis of democratic durability&raquo;. In <i>The Journal of Politics.</i> Vol. 72 , N.&ordm; 4 , 2010, pp. 1129-1143.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><Sup><a name="6"></a><a href="#top6">6</a></Sup>Levitsky, Steven, e Way Lucan &ndash; &laquo;The rise of competitive authoritarianism&raquo;. In <i>Journal of Democracy.</i> Vol. 13, N.&ordm; 2, 2002, pp. 51-65.</p>     <p><Sup><a name="7"></a><a href="#top7">7</a></Sup>FDA, Roberto Stefan, e Mounk, Yascha &ndash; &laquo;The democratic disconnect&raquo;. In <i>Journal of Democracy.</i> Vol. 27, N.&ordm; 3, 2016, pp. 5-17.</p>     <p><Sup><a name="8"></a><a href="#top8">8</a></Sup>Bermeo, Nancy &ndash; &laquo;On democratic backsliding&raquo;. In <i>Journal of Democracy</i>. Vol. 27, N.&ordm; 1, 2016, pp. 5-19.</p>     <p><Sup><a name="9"></a><a href="#top9">9</a></Sup>Levitsky, Steven, e Way Lucan &ndash; &laquo;The myth of democratic recession&raquo;. In <i>Journal of Democracy</i>. Vol. 26, N.&ordm; 1, 2015 pp. 45-58; Plattner, Marc F. &ndash; &laquo;Is democracy in decline?&raquo;. In <i>Journal of Democracy.</i> Vol. 26, N.&ordm; 1, 2015, pp. 5-10.</p>     <p><Sup><a name="10"></a><a href="#top10">10</a></Sup>Collier, David, e Levitsky, Steven &ndash; &laquo;Democracy with adjetives: conceptual innovation in comparative research&raquo;. In <i>World Politics.</i> Vol. 49, N.&ordm; 3, 1997, pp. 430-451.</p>     <p><Sup><a name="11"></a><a href="#top11">11</a></Sup>Uma exce&ccedil;&atilde;o pode ser encontrada em Bermeo, Nancy &ndash; &laquo;On democratic backsliding&raquo;.</p>     <p><Sup><a name="12"></a><a href="#top12">12</a></Sup>Mair, Peter &ndash; <i>Ruling the Void: The Hollowing of Western Democracy</i>. Londres: Verso, 2013.</p>     <p><Sup><a name="13"></a><a href="#top13">13</a></Sup>Foa, Roberto Stefan, e Mounk, Yascha &ndash; &laquo;The democratic disconnect&raquo;.</p>     <p><Sup><a name="14"></a><a href="#top14">14</a></Sup>O&rsquo;Donnel, Guillermo, Schmitter, Phi-lippe, e Whitehead, Laurence &ndash; <i>Transitions from Authoritarian Rule: Tentative Conclusions about Uncertain Democracies: Prospects for Democracy: Volume 4</i>. Baltimore: The Johns Hopkins University Press, 1986.</p>     <p><Sup><a name="15"></a><a href="#top15">15</a></Sup>Miller, Michael K. &ndash; &laquo;Democratic pieces: autocratic elections and democratic development since 1815&raquo;. In <i>British Journal of Political Science.</i> Vol. 45, N.&ordm; 3, 2015, pp. 501-530.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><Sup><a name="16"></a><a href="#top16">16</a></Sup>Greskovits, B&eacute;la &ndash; &laquo;The hollowing and backsliding of democracy in East Central Europe&raquo;. In <i>Global Policy. </i>Vol. 6, N.&ordm; 1, 2015, pp. 28-37.</p>     <p><b><Sup><a name="17"></a><a href="#top17">17</a></Sup></b>Bermeo, Nancy &ndash; &laquo;On democratic backsliding&raquo;.</p>     <p><Sup><a name="18"></a><a href="#top18">18</a></Sup>Schedler, Andreas. &ndash; &laquo;What is democratic consolidation?&raquo;. In <i>Journal of Democracy. </i>Vol. 9, N.&ordm; 2, 1998, pp. 91-107.</p>     <p><Sup><a name="19"></a><a href="#top19">19</a></Sup>Sartori, Giovanni &ndash; &laquo;Guidelines for concept analysis&raquo;. In <i>Social Science Concepts: A Systematic Analysis</i>. Beverly Hills: Sage Publications, 1984, pp. 15-85.</p>     <p><Sup><a name="20"></a><a href="#top20">20</a></Sup>Bermeo, Nancy &ndash; &laquo;On democratic backsliding&raquo;, p. 5. No original: &laquo;At its most basic, it denotes the state-led debilitation or elimination of any of the political institutions that sustain an existing democracy.&raquo;</p>     <p><Sup><a name="21"></a><a href="#top21">21</a></Sup>Levitsky, Steven, e Way Lucan &ndash; &laquo;The myth of democratic recession&raquo;.</p>     <p><Sup><a name="22"></a><a href="#top22">22</a></Sup>Dahl, Robert A. &ndash; <i>Polyarchy; Participation and Opposition</i>. 1.&ordf; edi&ccedil;&atilde;o. New Haven: Yale University Press, 1971.</p>     <p><Sup><a name="23"></a><a href="#top23">23</a></Sup>Karl, Terry, e Schmitter, Phillipe &ndash; &laquo;What democracy is... and is not&raquo;. In <i>Journal of Democracy.</i> Vol. 2, N.&ordm; 3, 1991, pp. 75-88.</p>     <p><Sup><a name="24"></a><a href="#top24">24</a></Sup>Teorell, Jan, <i>et al.</i> &ndash; &laquo;Measuring electoral democracy with V-Dem data: introducing a new polyarchy index&raquo;. In <i>V-Dem Working Paper</i>. N.&ordm; 25, 2016, pp. 1-57. (Consultado em: 17 de novembro de 2016). Dispon&iacute;vel em <a href="http://papers.ssrn.com/sol3/papers.cfm?abstract_id=2740935" target="_blank">http://papers.ssrn.com/sol3/papers.cfm?abstract_id=2740935</a>.</p>     <p><Sup><a name="25"></a><a href="#top25">25</a></Sup>Para um bom exemplo deste processo na Turquia, ver Tepe, Sultan &ndash; &laquo;Turkey&rsquo;s akp: a model&lsquo; Muslim-democratic&rsquo; party?&raquo;. In <i>Journal of Democracy</i>. Vol. 16, N.&ordm; 3, 2005, pp. 69-82.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><Sup><a name="26"></a><a href="#top26">26</a></Sup>Serra, Gilles &ndash; &laquo;The risk of partyarchy and democratic backsliding&raquo;. 2012. (Consultado em: 22 de novembro de 2016). Dispon&iacute;vel em:<a href="http://allman.rhon.itam.mx/~emagar/cv/cites/estevezEtalElec-Stud/serraElecRefMexico2012tjd.pdf" target="_blank">http://allman.rhon.itam.mx/~emagar/cv/cites/estevezEtalElec-Stud/serraElecRefMexico2012tjd.pdf</a>.</p>     <p><Sup><a name="27"></a><a href="#top27">27</a></Sup>Schneider, Ben Ross &ndash; &laquo;Democratic consolidations: some broad comparisons and sweeping arguments&raquo;. In <i>Latin America Research Review</i>. Vol. 30, N.&ordm; 2, 1995, pp. 215-234.</p>     <p><Sup><a name="28"></a><a href="#top28">28</a></Sup>Huntington, Samuel P. &ndash; <i>The Third Wave </i>&ndash;<i> Democratization in the Late Twentieth Century</i>. The Julian J. Rothbaum Distinguished Lecture Series 4. Norman: University of Oklahoma Press, 1991.</p>     <p><Sup><a name="29"></a><a href="#top29">29</a></Sup>Schedler, Andreas. &ndash; &laquo;What is democratic consolidation?&raquo;.</p>     <p><Sup><a name="30"></a><a href="#top30">30</a></Sup>Valenzuela, Julio Samuel &ndash; &laquo;Democratic consolidation in post-transitional settings: notion, process, and facilitating conditions&raquo;. In <i>Helen Kellogg Institute for International Studies Working Papers Serias</i>. N.&ordm; 150, 1990, pp. 1-37. (Consultado em: 18 de novembro de 2016). Dispon&iacute;vel em: <a href="https://kellogg.nd.edu/publications/workingpapers/WPS/150.pdf" target="_blank">https://kellogg.nd.edu/publications/workingpapers/WPS/150.pdf</a>.</p>     <p><Sup><a name="31"></a><a href="#top31">31</a></Sup>Iusmen, Ingi &ndash; &laquo;eu leverage and democratic backsliding in Central and Eastern Europe: the case of Romania&raquo;. In <i>jcms: Journal of Common Market Studies.</i> Vol. 53, N.&ordm; 3, 1 de maio de 2015, pp. 593-608, doi:10.1111/jcms.12193.</p>     <p><Sup><a name="32"></a><a href="#top32">32</a></Sup>Levitz, Philip, e Pop-Eleches, Grigore &ndash; &laquo;Why no backsliding? The European Union&rsquo;s impact on democracy and governance before and after accession&raquo;. In <i>Comparative Political Studies. </i>Vol. 43, N.&ordm; 4, 2010, pp. 457-485, doi:10.1177/00104140 09355266.</p>     <p><Sup><a name="33"></a><a href="#top33">33</a></Sup>Freedom House&ndash; <i>Freedom in the World 2016, Anxious Dictators, Wavering Democracies: Global Freedom under Pressure</i>. Washington, DC: Freedom House, 2016.</p>     <p><Sup><a name="34"></a><a href="#top34">34</a></Sup>Foa, Roberto Stefan, e Mounk, Yascha &ndash; &laquo;The democratic disconnect&raquo;.</p>     <p><Sup><a name="35"></a><a href="#top35">35</a></Sup>Inglehart, Ronald F. &ndash; &laquo;How much should we worry?&raquo;. In <i>Journal of Democracy</i>. Vol. 27, N.&ordm; 3, 2016, pp. 18-23.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><Sup><a name="36"></a><a href="#top36">36</a></Sup>O&rsquo;Donnel, Guillermo, Schmitter, Philippe, e Whitehead, Laurence &ndash; <i>Transitions from Authoritarian Rule</i>.</p>     <p><Sup><a name="37"></a><a href="#top37">37</a></Sup>Dahl, Robert A. &ndash; <i>Polyarchy; Participation and Opposition</i>.</p>     <p><Sup><a name="38"></a><a href="#top38">38</a></Sup>Miller, Michael K. &ndash; &laquo;Democratic pieces&raquo;.</p>     <p><Sup><a name="39"></a><a href="#top39">39</a></Sup>VanHam, Carolien &ndash; &laquo;Beyond electoralism? Electoral fraud in third wave regimes, 1974-2009&raquo;. 2012. (Consultado em: 16 de novembro de 2016). Dispon&iacute;vel em: <a href="http://diana-n.iue.it:8080/handle/1814/22694" target="_blank">http://diana-n.iue.it:8080/handle/1814/22694</a>.</p>     <p><Sup><a name="40"></a><a href="#top40">40</a></Sup>Rupnik, Jacques &ndash; &laquo;How things went wrong&raquo;.</p>     <p><Sup><a name="41"></a><a href="#top41">41</a></Sup>Anderson, Leslie E., Dodd, Lawrence C., e Park, Won-ho &ndash; &laquo;Electoral competition and democratic decline in Nicaragua&raquo;.</p>     <p><Sup><a name="42"></a><a href="#top42">42</a></Sup>Miller, Michael K. &ndash; &laquo;Democratic pieces&raquo;.</p>     <p><Sup><a name="43"></a><a href="#top43">43</a></Sup>Bernhard, Michael &ndash; &laquo;Civil society and democratic transition in East Central Europe&raquo;. In <i>Political Science Quarterly. </i>Vol. 108, N.&ordm; 2, 1993, pp. 307-326; White, Gordon &ndash; &laquo;Civil society, democratization and development (i): clearing the analytical ground&raquo;. In <i>Democratization</i>. Vol. 1, N.&ordm; 2, 1 de junho de 1994, pp. 375-390, doi:10.1080/13510349408403399.</p>     <p><Sup><a name="44"></a><a href="#top44">44</a></Sup>Lorch, Jasmin, e Bunk, Bettina &ndash; &laquo;Using civil society as an authoritarian legitimation strategy: Algeria and Mozambique in comparative perspetive&raquo;. In <i>Democratization</i>. Pr&eacute;-publica&ccedil;&atilde;o <i>online</i>. 2016, pp. 1-19. (Consultado em: 21 de novembro de 2016. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.tandfonline.com/doi/abs/10.1080/13510347.2016.1256285" target="_blank">http://www.tandfonline.com/doi/abs/10.1080/13510347.2016.1256285</a>.</p>     <p><Sup><a name="45"></a><a href="#top45">45</a></Sup>Bernhard, Michael, <i>et al. </i>&ndash; &laquo;Institutional subsystems and the survival of democracy: do political and civil society matter?&raquo;. In <i>V-Dem Working Paper</i>. N.&ordm; 4. 2015, pp. 1-34. (Consultado em: 16 de novembro de 2016). Dispon&iacute;vel em: <a href="http://papers.ssrn.com/sol3/papers.cfm?abstract_id=2613824" target="_blank">http://papers.ssrn.com/sol3/papers.cfm?abstract_id=2613824</a>.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><Sup><a name="46"></a><a href="#top46">46</a></Sup>Cornell, Agnes, <i>et al. </i>&ndash; &laquo;Civil society, party institutionalization, and democratic breakdown in the interwar period&raquo;. In <i>V-Dem Working Paper</i>. N.&ordm; 24. 2016, pp. 1-81. (Consultado em: 17 de novembro de 2016). Dispon&iacute;vel em: <a href="https://gupea.ub.gu.se/handle/2077/41789" target="_blank">https://gupea.ub.gu.se/handle/2077/41789</a>.</p>     <p><Sup><a name="47"></a><a href="#top47">47</a></Sup>A base de dados pode ser descarregada em <a href="http://www.v-dem.net" target="_blank">www.v-dem.net</a>.</p>     <p><Sup><a name="48"></a><a href="#top48">48</a></Sup>Teorell, Jan, <i>et al.</i> &ndash; &laquo;Measuring electoral democracy with V-Dem data&raquo;.</p>      ]]></body><back>
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