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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[A crise política brasileira de 2015-2016: Diagnóstico, sequelas e profilaxia]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[This article analyzes the necessary and sufficient conditions of the profound political and economic crisis that Brazil experienced in 2015-2016. The possible consequences of the crisis for democracy, the system of government and the party system are also discussed. The conclusion proposes reforms that can minimize the main problems arising from the country's institutional structure.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><b>A CRISE DA DEMOCRACIA</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>A crise pol&iacute;tica brasileira de 2015-2016 Diagn&oacute;stico, sequelas e profilaxia</b></p>     <p><b>The 2015-2016 Brazilian political crisis: diagnostic, lesions and prophylaxis</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Octavio Amorim Neto*</b></p>     <p>Professor associado da Escola Brasileira de Administra&ccedil;&atilde;o P&uacute;blica e de Empresas (EBAPE), da Funda&ccedil;&atilde;o Get&uacute;lio Vargas (FGV), no Rio de Janeiro. E autor de <i>De Dutra a Lula: A Condu&ccedil;&atilde;o e os Determinantes da Pol&iacute;tica Externa Brasileira</i> (Rio de Janeiro: Campus, 2011) e de <i>Presidencialismo e Governabilidade nas Am&eacute;ricas</i> (Rio de Janeiro: FGV Editora, 2006), e coorganizador, juntamente com Marina Costa Lobo, de <i>O Semipresidencialismo nos Pa&iacute;ses de L&iacute;ngua Portuguesa</i> (Lisboa: ICS, 2009).</p>     <p><b>&nbsp;</b></p>     <p><b>RESUMO</b></p>     <p>Neste artigo, analisam&#8209;se as condi&ccedil;&otilde;es necess&aacute;rias e suficientes da profunda crise pol&iacute;tica e econ&ocirc;mica pela qual passou o Brasil em 2015&#8209;2016. Discutem&#8209;se tamb&eacute;m as poss&iacute;veis consequ&ecirc;ncias da crise para a democracia, o sistema de governo e o sistema partid&aacute;rio brasileiros, al&eacute;m de se proporem reformas que possam minimizar os principais problemas decorrentes do ordenamento institucional do pa&iacute;s.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Palavras-chave</b><i>:</i> Dilma Rousseff, destitui&ccedil;&atilde;o presidencial, an&aacute;lise hist&oacute;rico-comparativa, presidencialismo.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>ABSTRACT</b></p>     <p>This article analyzes the necessary and sufficient conditions of the profound political and economic crisis that Brazil experienced in 2015-2016. The possible consequences of the crisis for democracy, the system of government and the party system are also discussed. The conclusion proposes reforms that can minimize the main problems arising from the country&rsquo;s institutional structure.</p>     <p><b>Keywords:</b> Dilma Rousseff, presidential impeachment, historical&#8209;comparative analysis, presidentialism.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>No dia 12 de maio de 2016, a ent&atilde;o Presidente Dilma Rousseff, filiada ao Partido dos Trabalhadores (PT), foi afastada da chefia do Estado brasileiro pelo Senado Federal para ser julgada, por esta mesma casa legislativa, por um crime de responsabilidade, a fraude fiscal. No dia 31 de agosto, Dilma viria a ser definitivamente destitu&iacute;da da Presid&ecirc;ncia, passando Michel Temer a ser o chefe de governo efetivo do pa&iacute;s.</p>     <p>Dilma havia sido reeleita para a Presid&ecirc;ncia em outubro de 2014, em disputa na segunda volta contra A&eacute;cio Neves, o candidato do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), por uma estreita diferen&ccedil;a de 3,6 por cento dos votos. Entretanto, a ampla coliga&ccedil;&atilde;o eleitoral que a havia apoiado obtivera 59 por cento e 65,9 por cento dos assentos da C&acirc;mara dos Deputados e do Senado, respetivamente. Tratava&#8209;se, portanto, de um governo com uma clara maioria no Congresso. Por&eacute;m, no dia 2 de dezembro de 2015, o presidente da C&acirc;mara dos Deputados, Eduardo Cunha &ndash; filiado ao Partido do Movimento Democr&aacute;tico Brasileiro (PMDB), principal aliado do PT &ndash;, valendo-se dos seus poderes constitucionais, aceitou um pedido de destitui&ccedil;&atilde;o da ent&atilde;o Presidente. Na primeira vota&ccedil;&atilde;o em plen&aacute;rio relativa ao pedido, realizada naquela casa legislativa no dia 17 de abril de 2016, 71,5 por cento dos deputados optaram pelo envio do processo por crime de responsabilidade ao Senado, 26,7 por cento opuseram&#8209;se a tal decis&atilde;o. Na vota&ccedil;&atilde;o derradeira no Senado ao final de agosto, 75,3 por cento dos seus membros sufragaram a suspens&atilde;o definitiva de Dilma; 27,7 por cento mantiveram&#8209;se ao lado da l&iacute;der do PT.</p>     <p>Ao longo de todo o segundo mandato de Dilma, iniciado no dia 1 de janeiro de 2015, o Brasil atravessou crises que h&aacute; muito n&atilde;o experimentara. Nesse ano, a economia sofreu uma retra&ccedil;&atilde;o de nada menos que 3,8 por cento, uma das mais profundas de sua hist&oacute;ria. O d&eacute;fice p&uacute;blico nominal passou de 2,97 por cento do PIB em 2013 para 10,38 por cento em 2015, uma enorme deteriora&ccedil;&atilde;o fiscal<sup><a href="#1">1</a></sup><a name="top1"></a>. A taxa de desemprego pulou de 6,2 por cento no &uacute;ltimo trimestre de 2013 para 11,3 por cento no segundo trimestre de 2016!<sup><a href="#2">2</a></sup><a name="top2"></a> Massivos protestos tomaram as ruas do pa&iacute;s, sobretudo em mar&ccedil;o de 2015 e mar&ccedil;o de 2016. Geralmente considerados politicamente passivos e desinteressados, os brasileiros passaram a viver num ambiente de crescente polariza&ccedil;&atilde;o ideol&oacute;gica que costumavam associar aos vizinhos argentinos e venezuelanos.</p>     <p>Como o Brasil chegou &agrave;quela estupeficante crise depois de duas d&eacute;cadas sem precedentes em sua hist&oacute;ria? Este artigo prop&otilde;e&#8209;se a responder a essa pergunta. Para tanto, na pr&oacute;xima se&ccedil;&atilde;o, ser&atilde;o apresentadas as principais explica&ccedil;&otilde;es que t&ecirc;m sido oferecidas e, com base nos preceitos da an&aacute;lise hist&oacute;rico&#8209;comparativa propostos por James Mahoney e seus colaboradores, se tentar&aacute; uma integra&ccedil;&atilde;o de argumentos at&eacute; o momento considerados d&iacute;spares. Na terceira e &uacute;ltima se&ccedil;&atilde;o, se discutir&atilde;o poss&iacute;veis consequ&ecirc;ncias da crise de 2015&#8209;2016 para a democracia, o sistema de governo e o sistema partid&aacute;rio brasileiros, al&eacute;m de se proporem reformas que possam minimizar os principais problemas decorrentes do ordenamento institucional do pa&iacute;s.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>DIAGN&Oacute;STICO</b></p>     <p>Para que se tenha uma devida no&ccedil;&atilde;o do recente decl&iacute;nio do Brasil, conv&eacute;m destacar que, entre 1994 &ndash; ano do lan&ccedil;amento do Plano Real, o qual poria fim &agrave; hiperinfla&ccedil;&atilde;o que caracterizara a economia do pa&iacute;s desde 1980 &ndash; e 2013, ano da queda repentina da popularidade da Presidente Dilma e das inusitadas jornadas de junho (uma s&eacute;rie de imensos protestos de rua por todo o pa&iacute;s), o gigante sul&#8209;americano combinou cinco elementos que antes nunca lograra mesclar: um regime pol&iacute;tico democr&aacute;tico, relativa estabilidade pol&iacute;tica, crescimento econ&ocirc;mico, consider&aacute;vel redu&ccedil;&atilde;o da pobreza e da desigualdade social e grande prest&iacute;gio internacional<sup><a href="#3">3</a></sup><a name="top3"></a>. Hoje, o Brasil continua sendo uma democracia, mas sua estabilidade pol&iacute;tica tem sido posta em xeque; um crescimento econ&ocirc;mico robusto dever&aacute; levar alguns anos para ser retomado; os indicadores de desenvolvimento social tendem &agrave; estagna&ccedil;&atilde;o ou &agrave; retra&ccedil;&atilde;o; e a influ&ecirc;ncia diplom&aacute;tica regional e global do pa&iacute;s tem sido severamente reduzida. Como foi poss&iacute;vel tal revers&atilde;o?</p>     <p>H&aacute; dois diagn&oacute;sticos da crise de 2015&#8209;2016. O primeiro assevera ter tido esta como principal causa problemas de origem externa: a queda dos pre&ccedil;os dos bens prim&aacute;rios nos &uacute;ltimos anos e o in&iacute;cio do fim, em maio de 2013, dos est&iacute;mulos monet&aacute;rios oferecidos pelo Banco Central dos Estados Unidos desde o in&iacute;cio da crise financeira de 2008, ambos levando &agrave; desvaloriza&ccedil;&atilde;o da moeda brasileira, um ineg&aacute;vel choque para a economia do pa&iacute;s. Essa foi a posi&ccedil;&atilde;o do governo Dilma e da maioria dos economistas heterodoxos. V&aacute;rios polit&oacute;logos simp&aacute;ticos ao PT reconheceram alguns erros de condu&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica e econ&ocirc;mica por parte da ex&#8209;presidente, mas atribuem a crispa&ccedil;&atilde;o do ambiente pol&iacute;tico &agrave; parcialidade da Opera&ccedil;&atilde;o Lava Jato<sup><a href="#4">4</a></sup><a name="top4"></a> e da imprensa conservadora contra o PT.</p>     <p>A segunda posi&ccedil;&atilde;o &ndash; defendida pelos partidos que faziam oposi&ccedil;&atilde;o &agrave; Dilma e por economistas ortodoxos e analistas pol&iacute;ticos de diversos matizes &ndash; afirma ser a crise, resultado direto de erros dom&eacute;sticos cometidos sobretudo durante os cinco anos e pouco mais de quatro meses de Dilma Rousseff no Pal&aacute;cio do Planalto: as excessivas e voluntariosas interven&ccedil;&otilde;es em v&aacute;rios mercados e setores produtivos, as oscila&ccedil;&otilde;es bruscas na pol&iacute;tica econ&oacute;mica, o vai e v&eacute;m permanente entre a rigidez ideol&oacute;gica e o pragmatismo de curto prazo. Sim, dizem os proponentes dessa posi&ccedil;&atilde;o, h&aacute; problemas decorrentes da economia internacional, mas estes t&ecirc;m um peso muito menor do que os referidos erros. N&atilde;o &agrave; toa, outros pa&iacute;ses exportadores de bens prim&aacute;rios t&ecirc;m tido um crescimento superior ao do Brasil, apesar de terem tamb&eacute;m sido atingidos pelos mesmos ventos de proa que sopram da economia global.</p>     <p>De acordo com a segunda posi&ccedil;&atilde;o, o auge dos equ&iacute;vocos teria acontecido em 2014, quando a ent&atilde;o presidente comprometeu seriamente as contas p&uacute;blicas para lograr a reelei&ccedil;&atilde;o, al&eacute;m de n&atilde;o ter reconhecido, durante o pleito, os enormes problemas que j&aacute; grassavam na economia. Logo ap&oacute;s o sucesso nas urnas, Dilma nomeou Joaquim Levy, um economista ortodoxo, para chefiar o Minist&eacute;rio das Finan&ccedil;as, numa radical revers&atilde;o program&aacute;tica. Joaquim Levy foi encarregado de implementar um ajuste fiscal, ou seja, a proposta que fora advogada pelo principal candidato da oposi&ccedil;&atilde;o, o senador A&eacute;cio Neves, do PSDB. De maneira complementar, a polariza&ccedil;&atilde;o ideol&oacute;gica seria consequ&ecirc;ncia direta da revers&atilde;o program&aacute;tica, da recess&atilde;o econ&ocirc;mica e das revela&ccedil;&otilde;es da Lava Jato.</p>     <p>Outra explica&ccedil;&atilde;o &ndash; praticamente un&acirc;nime, conquanto n&atilde;o explicitada publicamente pelos simpatizantes do PT &ndash; reside na personalidade da ex&#8209;presidente: ela &eacute; uma l&iacute;der de esquerda com fortes cren&ccedil;as ideol&oacute;gicas, pouco afeita ao toma&#8209;l&aacute;&#8209;d&aacute;&#8209;c&aacute; da pol&iacute;tica e que gostava de usar seus amplos poderes constitucionais para dirigir a economia. Esses atributos, por sua vez, interagiram com uma caracter&iacute;stica&#8209;chave das coliga&ccedil;&otilde;es partid&aacute;rias que sustentaram as administra&ccedil;&otilde;es do PT desde 2003: a alta fragmenta&ccedil;&atilde;o e a ampla heterogeneidade ideol&oacute;gica, o que significava a presen&ccedil;a de grupos pol&iacute;ticos com vis&otilde;es e interesses radicalmente distintos dos de Dilma e do PT. De uma combina&ccedil;&atilde;o t&atilde;o complicada, era de se esperar que a incoer&ecirc;ncia decis&oacute;ria e sucessivos equ&iacute;vocos emergissem como tra&ccedil;os tragicamente marcantes do &uacute;ltimo quinqu&ecirc;nio.</p>     <p>As duas posi&ccedil;&otilde;es parecem ser irreconcili&aacute;veis. Todavia, &eacute; poss&iacute;vel conjug&aacute;&#8209;las numa mesma an&aacute;lise das causas da aguda crise pol&iacute;tica e econ&ocirc;mica de 2015&#8209;2016, caso se saiba identificar a natureza dos fatores explicativos trazidos &agrave; baila. Al&eacute;m disso, &eacute; preciso incluir alguns novos fatores. Para tanto, aqui se adotar&aacute; os preceitos do novo m&eacute;todo hist&oacute;rico&#8209;comparativo, mormente os propostos por James Mahoney em suas v&aacute;rias publica&ccedil;&otilde;es<sup><a href="#5">5</a></sup><a name="top5"></a>.</p>     <p>Em primeiro lugar, h&aacute; que se dar o devido destaque aos problemas decorrentes da economia internacional. O governo Dilma n&atilde;o estava errado ao destacar esse fator. Todavia, trata&#8209;se de uma condi&ccedil;&atilde;o necess&aacute;ria, mas n&atilde;o suficiente, da crise. Condi&ccedil;&otilde;es necess&aacute;rias se fazem sentir mais por sua aus&ecirc;ncia do que pela presen&ccedil;a. Se os pre&ccedil;os dos bens prim&aacute;rios n&atilde;o tivessem ca&iacute;do e os est&iacute;mulos outrora dados pelo Banco Central dos Estados Unidos n&atilde;o tivessem sido reduzidos, dificilmente o Brasil estaria na atual situa&ccedil;&atilde;o de pen&uacute;ria. Mesmo com todos os crassos erros de Dilma, a economia n&atilde;o teria experimentado o colapso que teve em 2015. Nesse caso, a popularidade da ex-presidente n&atilde;o teria desabado tanto, minimizando a crise pol&iacute;tica. Como mostram Daniela Campello e Cesar Zucco Jr.<sup><a href="#6">6</a></sup><a name="top6"></a>, o principal determinante da popularidade presidencial na Am&eacute;rica Latina s&atilde;o as condi&ccedil;&otilde;es da economia internacional.</p>     <p>H&aacute; mais dois fatores explicativos da crise de 2015&#8209;2016 suscitados por analistas dos mais diversos matizes e que tamb&eacute;m podem ser arrolados como condi&ccedil;&otilde;es necess&aacute;rias: a alta fragmenta&ccedil;&atilde;o partid&aacute;ria e a rigidez or&ccedil;ament&aacute;ria. Desde 1994, o Brasil vem elegendo as legislaturas mais fragmentadas da hist&oacute;ria da democracia desde o fim da Segunda Guerra Mundial, como mostram os dados de Michael Gallagher<sup><a href="#7">7</a></sup><a name="top7"></a>. Hoje, h&aacute; 29 partidos com representantes na C&acirc;mara dos Deputados. O maior deles, o PMDB, tem apenas 13 por cento dos assentos. A alta fragmenta&ccedil;&atilde;o legislativa &eacute; condi&ccedil;&atilde;o necess&aacute;ria para a forma&ccedil;&atilde;o de coliga&ccedil;&otilde;es governativas fragmentadas e heterog&eacute;neas, como as de Dilma. Al&eacute;m disso, alta fragmenta&ccedil;&atilde;o implica tamb&eacute;m que o tamanho legislativo do partido do presidente tender&aacute; a ser pequeno, o que, segundo a literatura acad&ecirc;mica, aumenta a instabilidade pol&iacute;tica em geral e, o que &eacute; mais importante, torna o encerramento prematuro de mandatos presidenciais na Am&eacute;rica Latina consideravelmente mais prov&aacute;vel<sup><a href="#8">8</a></sup><a name="top8"></a>.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>No tocante &agrave; rigidez or&ccedil;ament&aacute;ria, o Brasil tamb&eacute;m se destaca nesse quesito. Por conta de uma s&eacute;rie de despesas obrigat&oacute;rias, a fatia do Or&ccedil;amento Federal efetivamente controlada pelo governo &eacute; relativamente pequena, o que priva o executivo de margem de manobra quando a economia sofre um choque. Dados oficiais mostram que, entre 2000 e 2015, a m&eacute;dia das despesas obrigat&oacute;rias como percentagem do Or&ccedil;amento Federal foi de nada menos do que 77 por cento<sup><a href="#9">9</a></sup><a name="top9"></a>. Para se ter refer&ecirc;ncias comparativas, esse mesmo valor para os Estados Unidos, em 2014, foi de 60 por cento<sup><a href="#10">10</a></sup><a name="top10"></a>; na Argentina e no M&eacute;xico, em 2002, foi de 50 por cento e 57 por cento, respectivamente<sup><a href="#11">11</a></sup><a name="top11"></a>. Ou seja, no contexto de um abrupto aumento do d&eacute;fice fiscal e da d&iacute;vida p&uacute;blica, tal qual verificado no Brasil em 2015 e 2016, a rigidez or&ccedil;ament&aacute;ria tornou&#8209;se um ingrediente necess&aacute;rio da crise.</p>     <p>Qual &eacute; o peso relativo de cada condi&ccedil;&atilde;o necess&aacute;ria? James Mahoney sugere que se verifique a raridade de cada uma. Quanto mais rara, mais possante. Das tr&ecirc;s condi&ccedil;&otilde;es necess&aacute;rias referidas acima, a mais potente s&atilde;o as condi&ccedil;&otilde;es da economia internacional, por ser a mais rara. A fragmenta&ccedil;&atilde;o partid&aacute;ria e a rigidez or&ccedil;ament&aacute;ria j&aacute; se encontram em a&ccedil;&atilde;o desde o come&ccedil;o da d&eacute;cada de 1990.</p>     <p>Os outros fatores supramencionados constituem condi&ccedil;&otilde;es h&iacute;bridas, pois n&atilde;o s&atilde;o necess&aacute;rias nem suficientes. Trata&#8209;se de condi&ccedil;&otilde;es que atendem pela estranha sigla INUS. As condi&ccedil;&otilde;es INUS s&atilde;o &laquo;componentes insuficientes, mas n&atilde;o redundantes, de uma combina&ccedil;&atilde;o de condi&ccedil;&otilde;es que &eacute; desnecess&aacute;ria, mas suficiente (&hellip;) Em outras palavras, as condi&ccedil;&otilde;es INUS s&atilde;o componentes individuais essenciais de um pacote de fatores que &eacute; suficiente (mas n&atilde;o necess&aacute;rio)&raquo;<sup><a href="#12">12</a></sup><a name="top12"></a>. Uma condi&ccedil;&atilde;o do tipo INUS jamais consegue, sozinha, explicar um determinado resultado. Ela precisa sempre da presen&ccedil;a de, pelo menos, dois outros fatores INUS para que aquele se produza.</p>     <p>A fragmenta&ccedil;&atilde;o e a heterogeneidade da coliga&ccedil;&atilde;o governativa de Dilma, a personalidade da ex&#8209;presidente, a Opera&ccedil;&atilde;o Lava Jato e o presidencialismo s&atilde;o condi&ccedil;&otilde;es do tipo INUS da crise pol&iacute;tica e econ&ocirc;mica que corroeram o Brasil em 2015 e 2016. &Eacute; o que se tenta mostrar a seguir.</p>     <p>Para se entender o impacto da fragmenta&ccedil;&atilde;o e da heterogeneidade da coliga&ccedil;&atilde;o governativa de Dilma sobre a crise, h&aacute; que se levar em conta a pol&iacute;tica partid&aacute;ria do ajuste fiscal. Segundo um trabalho de Nouriel Roubini e Jeffrey Sachs, os partidos que integram um governo de coliga&ccedil;&atilde;o preferem alguma redu&ccedil;&atilde;o no or&ccedil;amento a continuar com grandes d&eacute;fices, mas cada um procura defender a parte do gasto p&uacute;blico que interessa &agrave; sua clientela eleitoral<sup><a href="#13">13</a></sup><a name="top13"></a>. Trata&#8209;se de um jogo de passar a batata quente de um partido para o outro. Quanto mais fragmentada e heterog&eacute;nea a coliga&ccedil;&atilde;o, mais duro e inst&aacute;vel o jogo. Entre fevereiro de 2015 e a queda de Dilma em maio de 2016, assistiu&#8209;se a essa angustiante disputa entre os v&aacute;rios e d&iacute;spares partidos que integravam a base do governo, mas sobretudo entre o PT e o PMDB, os principais esteios pol&iacute;ticos do executivo. Essa &eacute; a primeira condi&ccedil;&atilde;o INUS.</p>     <p>Por&eacute;m, a fragmenta&ccedil;&atilde;o e a heterogeneidade da coliga&ccedil;&atilde;o governativa n&atilde;o explicam tudo. Um l&iacute;der h&aacute;bil que soubesse convencer seus aliados da necessidade imperativa da coopera&ccedil;&atilde;o para enfrentar a crise econ&ocirc;mica poderia implementar um ajuste fiscal. Mas aqui entra em cena a personalidade da ex&#8209;presidente Dilma. Uma de suas marcas foi jamais se comprometer, de maneira digna de cr&eacute;dito, com os arranjos pol&iacute;ticos que se via premida a aceitar e lhe subtra&iacute;am autonomia. Exemplo: em janeiro de 2015, Dilma nomeou um gabinete multipartid&aacute;rio, mas seu conselho pol&iacute;tico (o que, em ingl&ecirc;s, se chama de <i>inner cabinet</i>) s&oacute; tinha pol&iacute;ticos do PT at&eacute; &agrave; primeira quinzena de mar&ccedil;o. Ou seja, na forma, o governo era de coliga&ccedil;&atilde;o, mas, na pr&aacute;tica, a presidente o conduzia como se fosse monopartid&aacute;rio. Al&eacute;m disso, houve a tentativa de enfraquecer o PMDB ao dar&#8209;lhe minist&eacute;rios de escasso valor pol&iacute;tico e estimular a cria&ccedil;&atilde;o de um partido aliado maior do que aquela sigla. Nesse sentido, a atua&ccedil;&atilde;o de Eduardo Cunha &agrave; frente da presid&ecirc;ncia da C&acirc;mara dos Deputados n&atilde;o pode ser considerada um fator explicativo da crise. Esse deputado foi apenas mais uma express&atilde;o do conflito entre Dilma e o PMDB.</p>     <p>O melhor exemplo de como o estilo da ent&atilde;o presidente foi desastroso para o funcionamento de uma coliga&ccedil;&atilde;o encontra&#8209;se na decis&atilde;o de transformar o ent&atilde;o vice&#8209;presidente Michel Temer no principal coordenador pol&iacute;tico do governo em abril de 2015. &Agrave; &eacute;poca, falou&#8209;se muito que Dilma abdicara do poder, que Temer se tornara um primeiro&#8209;ministro. Pois bem, o que Dilma deu com uma m&atilde;o tirou com a outra, uma vez que, rapidamente, enveredou a minar as a&ccedil;&otilde;es do seu novo coordenador. No final de agosto, Temer renunciou ao posto sob a justificativa de que seu esfor&ccedil;o fora solapado pelo Pal&aacute;cio do Planalto. A partir de ent&atilde;o, a situa&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica de Dilma tornou&#8209;se permanentemente periclitante. Com a ren&uacute;ncia de Temer do posto de coordenador pol&iacute;tico, a probabilidade de destitui&ccedil;&atilde;o da chefe do executivo aumentou consideravelmente, uma vez que o div&oacute;rcio entre ela e o PMDB se tornara patente. O &laquo;escudo legislativo&raquo; de Dilma &ndash; tal escudo &eacute; o ativo fundamental com que contam os presidentes latino&#8209;americanos para enfrentar processos de destitui&ccedil;&atilde;o, como mostra An&iacute;bal P&eacute;rez&#8209;Li&ntilde;&aacute;n &ndash; quebrou&#8209;se de vez naquele momento<sup><a href="#14">14</a></sup><a name="top14"></a>.</p>     <p>A Opera&ccedil;&atilde;o Lava Jato foi obviamente um fator na crise. Por&eacute;m, trata&#8209;se de mais uma condi&ccedil;&atilde;o do tipo INUS, uma vez que, sozinha, n&atilde;o d&aacute; conta do fen&ocirc;meno que se deseja explicar. A Lava Jato, ao amea&ccedil;ar uma grande fatia da classe pol&iacute;tica, levou deputados e senadores a adotar uma postura extremamente defensiva em rela&ccedil;&atilde;o a qualquer medida mais ousada para debelar a crise econ&ocirc;mica, intensificando mais ainda o jogo de passar a batata quente descrito acima. &Eacute; apenas no contexto de um governo com uma base pol&iacute;tica em frangalhos que se pode entender o efeito da Lava Jato na crise pol&iacute;tica e econ&ocirc;mica que se abateu sobre o Brasil.</p>     <p>A &uacute;ltima condi&ccedil;&atilde;o INUS &eacute; um velho conhecido dos polit&oacute;logos latino&#8209;americanos: o sistema de governo presidencial. Como mostrou sobejamente Juan Linz, uma caracter&iacute;stica essencial do presidencialismo &eacute; a aus&ecirc;ncia de um eficaz mecanismo institucional para a solu&ccedil;&atilde;o de conflitos entre o executivo e o legislativo, mormente quando o chefe de governo se encontra em uma posi&ccedil;&atilde;o minorit&aacute;ria diante de uma assembleia recalcitrante<sup><a href="#15">15</a></sup><a name="top15"></a>. A rigidez do presidencialismo acaba resultando em prolongadas pugnas entre os poderes. N&atilde;o &eacute; este o filme em <i>slow motion</i> que o Brasil viu entre janeiro de 2015 e maio de 2016? J&aacute; sabemos que o presidencialismo &ndash; sozinho &ndash; n&atilde;o explica a crise brasileira, mas trata&#8209;se de um elemento n&atilde;o redundante do pacote de fatores que &eacute; suficiente para explic&aacute;&#8209;la.</p>     <p>O diagrama a seguir representa a an&aacute;lise feita acima.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p> <a name="f1"></a> <img src="/img/revistas/ri/n52/n52a04f1.jpg">     
<p>&nbsp;</p>     <p>Qual &eacute; o valor relativo de cada condi&ccedil;&atilde;o do tipo INUS? Conv&eacute;m notar que a natureza da coliga&ccedil;&atilde;o governativa de Dilma e o presidencialismo s&atilde;o fatores comuns &agrave; pol&iacute;tica brasileira h&aacute; d&eacute;cadas. J&aacute; uma personalidade presidencial marcada pela falta de destreza pol&iacute;tica n&atilde;o &eacute; algo infrequente. Basta lembrar os nomes de J&acirc;nio Quadros (1961), Jo&atilde;o Goulart (1961&#8209;1964), Jo&atilde;o Figueiredo (1979&#8209;1985) e Fernando Collor (1990&#8209;1992). Todavia, a Lava Jato &eacute; um evento &uacute;nico na hist&oacute;ria brasileira, pois nunca uma opera&ccedil;&atilde;o judicial investigou tantos membros da elite pol&iacute;tica e da classe empresarial e levou tantos deles &agrave; cadeia. Por esse crit&eacute;rio, a Lava Jato &eacute; o mais possante componente do pacote de fatores suficiente para produzir a crise de 2015&#8209;2016.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>SEQUELAS</b></p>     <p>Para se identificarem as sequelas da crise de 2015&#8209;2016, uma compara&ccedil;&atilde;o entre a queda de Dilma Rousseff em 2016 e a de Fernando Collor em 1992 &eacute; digna de registo. O processo de destitui&ccedil;&atilde;o do presidente eleito em 1989 durou aproximadamente sete meses; o de Dilma, quase nove meses. Na vota&ccedil;&atilde;o realizada na C&acirc;mara dos Deputados no dia 29 de setembro de 1992, 87,7 por cento dos legisladores ficaram contra Collor e 6,6 por cento a favor; na vota&ccedil;&atilde;o final no Senado, a 30 de dezembro daquele ano, 93,8 por cento dos representantes posicionaram&#8209;se pela condena&ccedil;&atilde;o do presidente; 3,7 por cento contra. As maiorias parlamentares que destitu&iacute;ram Collor foram consideravelmente maiores do que as que fizeram Dilma naufragar.</p>     <p>Ou seja, derrubar Dilma foi bem mais dif&iacute;cil do que apear Collor do Pal&aacute;cio do Planalto. No Brasil, cassar uma presidente de esquerda jamais seria t&atilde;o f&aacute;cil quanto cassar um de direita. A raz&atilde;o estrutural &eacute; muito simples: os partidos de esquerda, o principal esteio de Dilma na fat&iacute;dica reta final, s&atilde;o as mais fortes organiza&ccedil;&otilde;es pol&iacute;ticas do pa&iacute;s. Por&eacute;m, a queda de Dilma significa uma profunda derrota para a esquerda, sobretudo para o PT. Essa derrota foi sacramentada no dia 2 de outubro de 2016, quando se realizou a primeira volta das elei&ccedil;&otilde;es municipais no Brasil. O PT foi o grande perdedor, tendo sofrido a maior derrocada eleitoral de sua hist&oacute;ria<sup><a href="#16">16</a></sup><a name="top16"></a>.</p>     <p>Se o PT continuar a sangrar e, porventura, o governo Temer fracassar em termos econ&ocirc;micos ou vier a cair em virtude de esc&acirc;ndalos de corrup&ccedil;&atilde;o, levando junto consigo os dois outros grandes partidos que o apoiam, o PSDB e o PMDB, ent&atilde;o o Brasil corre um risco consider&aacute;vel de, em pouco tempo, observar a desagrega&ccedil;&atilde;o do sistema partid&aacute;rio que lhe deu vinte anos &ndash; de 1994 a de estabilidade pol&iacute;tica e econ&ocirc;mica &iacute;mpar sob regime democr&aacute;tico, como destacado na introdu&ccedil;&atilde;o do artigo.</p>     <p>Desde o come&ccedil;o da d&eacute;cada de 1990, o Brasil tem tido o sistema partid&aacute;rio mais fragmentado do mundo e a maioria das siglas que o comp&otilde;em s&atilde;o d&eacute;beis como organiza&ccedil;&otilde;es coletivas e instrumentos de representa&ccedil;&atilde;o da sociedade. Ainda assim, com todas essas mazelas, formou&#8209;se um n&uacute;cleo relativamente s&oacute;lido em torno do PT e do PSDB, as agremia&ccedil;&otilde;es que lograram cartelizar as disputas pelo Pal&aacute;cio do Planalto, e tamb&eacute;m do PMDB, o partido decisivo para que os presidentes tenham maiorias legislativas. Esses tr&ecirc;s agrupamentos pol&iacute;ticos conseguiram agregar prefer&ecirc;ncias e formar coliga&ccedil;&otilde;es que sustentaram governos razoavelmente efetivos. Essa constru&ccedil;&atilde;o est&aacute; sob risco de desabar com o decl&iacute;nio do PT e um eventual mau desempenho do presidente Temer.</p>     <p>Pode-se redarguir que, se o PT, o PSDB e o PMDB so&ccedil;obrarem, outros partidos, qui&ccedil;&aacute; melhores, os substituir&atilde;o. Sim, mas aqui chega&#8209;se ao ponto fundamental: um sistema partid&aacute;rio n&atilde;o se recomp&otilde;e em uma elei&ccedil;&atilde;o. Isso se dar&aacute; em dois ou tr&ecirc;s pleitos, ou seja, uma d&eacute;cada. Mesmo que, em 2018, quando haver&aacute; elei&ccedil;&otilde;es gerais, se alce &agrave; presid&ecirc;ncia um bom l&iacute;der que n&atilde;o perten&ccedil;a &agrave;quelas tr&ecirc;s siglas, se cumprir&aacute; apenas uma condi&ccedil;&atilde;o necess&aacute;ria, conquanto jamais suficiente, para que o pa&iacute;s possa encaminhar solu&ccedil;&otilde;es para a grave crise econ&ocirc;mica que ainda o aflige. Sem um sistema partid&aacute;rio minimamente est&aacute;vel, a tarefa de tal l&iacute;der ser&aacute; mais herc&uacute;lea ainda. E cumpre lembrar que o colapso de sistemas partid&aacute;rios costuma vir acompanhado de um convidado indesejado: a ascens&atilde;o de forasteiros ou salvadores da p&aacute;tria que, ao fim e ao cabo, n&atilde;o salvam nada, como mostram eloquentemente os exemplos de Fernando Collor no Brasil, Silvio Berlusconi na It&aacute;lia e Hugo Ch&aacute;vez na Venezuela.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Enquanto n&atilde;o houvesse a reconfigura&ccedil;&atilde;o de um novo conjunto de partidos com rela&ccedil;&otilde;es est&aacute;veis entre si e com o eleitorado, o Brasil teria tudo para atravessar um per&iacute;odo parecido, em aspectos cruciais, ao das presid&ecirc;ncias de Jos&eacute; Sarney (1985&#8209;1990), Fernando Collor (1990&#8209;1992) e Itamar Franco (1992&#8209;1994): uma profunda crise econ&ocirc;mica mesclada &agrave; aus&ecirc;ncia de um sistema partid&aacute;rio funcional.</p>     <p>Al&eacute;m disso, conv&eacute;m notar que, ainda que a destitui&ccedil;&atilde;o definitiva de Dilma fosse por todos esperada, o dia 31 de agosto de 2016 registou uma surpresa: a decis&atilde;o do Senado de n&atilde;o punir a mandat&aacute;ria com a suspens&atilde;o dos seus direitos pol&iacute;ticos por oito anos, ao contr&aacute;rio do que acontecera com a destitui&ccedil;&atilde;o de Fernando Collor em 1992. 51,9 por cento dos senadores manifestaram&#8209;se pela perda dos direitos pol&iacute;ticos da ex&#8209;presidente; 44,4 por cento deliberaram pela manuten&ccedil;&atilde;o destes (eram necess&aacute;rios dois ter&ccedil;os dos votos para que os direitos fossem revogados). Essa vota&ccedil;&atilde;o &eacute; prenhe de importantes li&ccedil;&otilde;es. Por qu&ecirc;?</p>     <p>A queda de Dilma sem perda de direitos pol&iacute;ticos denota o enfraquecimento da institui&ccedil;&atilde;o presidencial no Brasil. O presidencialismo sup&otilde;e a exist&ecirc;ncia de uma coura&ccedil;a constitucional que proteja o mandato do chefe de governo diretamente eleito ou o puna duramente caso viole a lei. Essa coura&ccedil;a &eacute; um dos elementos distintivos do presidencialismo vis&#8209;&agrave;&#8209;vis o parlamentarismo. Por isso, a destitui&ccedil;&atilde;o legal de um presidente implica: (1) a abertura de um processo por crime de responsabilidade &ndash; e n&atilde;o uma simples mo&ccedil;&atilde;o de desconfian&ccedil;a pol&iacute;tica, como acontece sob o parlamentarismo; (2) a exig&ecirc;ncia de maioria qualificada para a aprova&ccedil;&atilde;o da admissibilidade do processo pela C&acirc;mara dos Deputados e da condena&ccedil;&atilde;o do presidente pelo Senado &ndash; e n&atilde;o uma maioria absoluta, tal qual demandam os regimes parlamentaristas para que o primeiro&#8209;&#8209;ministro seja removido antes do fim da legislatura; e (3) em caso de condena&ccedil;&atilde;o e suspens&atilde;o definitiva do presidente, alguma puni&ccedil;&atilde;o legal &ndash; e n&atilde;o a simples perda do cargo, como se d&aacute; sob o parlamentarismo quando o premier &eacute; derrubado pela maioria parlamentar. Ou seja, a segunda vota&ccedil;&atilde;o do dia 31 de agosto de 2016 quebrou o terceiro pilar da coura&ccedil;a constitucional do sistema de governo vigente no Brasil. Os historiadores do futuro talvez venham a dizer que o referido dia foi o in&iacute;cio do fim do presidencialismo tal qual tem sido praticado desde a promulga&ccedil;&atilde;o da Carta de 1988. Mas ainda &eacute; cedo para afirm&aacute;&#8209;lo. Se o presidente a ser eleito em 2018 lograr ser bem&#8209;sucedido desde o come&ccedil;o do seu quadri&ecirc;nio, o presidencialismo viver&aacute; um novo ciclo de reafirma&ccedil;&atilde;o, como se viu a partir de 1994 com a elei&ccedil;&atilde;o de Fernando Henrique Cardoso. De qualquer modo, a maneira pela qual Dilma caiu significa que, hoje, o Brasil tem um novo presidente, Michel Temer, que exerce o poder executivo de um regime presidencial enfraquecido.</p>     <p>Por &uacute;ltimo, quais s&atilde;o as consequ&ecirc;ncias da destitui&ccedil;&atilde;o de Dilma para o regime democr&aacute;tico brasileiro? N&atilde;o se tratou de um golpe porque o processo foi todo supervisionado pelo Supremo Tribunal Federal, a autoridade constitucional m&aacute;xima do pa&iacute;s. A maioria dos onze ju&iacute;zes que hoje o comp&otilde;em foram nomeados por Lula e Dilma. Ainda que a motiva&ccedil;&atilde;o principal dos parlamentares para remover a ent&atilde;o presidente tenha sido pol&iacute;tica, isso n&atilde;o implica viola&ccedil;&atilde;o da Carta de 1988. Afinal, como se diz no jarg&atilde;o jur&iacute;dico dos pa&iacute;ses hisp&acirc;nicos, o impedimento de um chefe de governo &eacute; um <i>juicio pol&iacute;tico</i>. Dito isso, o regime democr&aacute;tico n&atilde;o passou ileso pela queda de Dilma. Como bem afirma Celso Rocha de Barros:</p>     <p>     <blockquote>&laquo;Desde 2014, houve um estelionato eleitoral e uma troca de presidente por manobra parlamentar, com a ascens&atilde;o ao poder do grupo derrotado na elei&ccedil;&atilde;o anterior. Isso n&atilde;o foi ilegal, mas est&aacute; longe de ser o &ldquo;business as usual&rdquo; da democracia. Constitui, ali&aacute;s, a diferen&ccedil;a mais gritante do impeachment de 2016 com o de 1992: Itamar n&atilde;o aplicou uma vers&atilde;o radical do programa com que Lula perdeu em 1989. (&hellip;) Voc&ecirc; tem todo direito de achar o processo em curso bom ou, ao menos, necess&aacute;rio, mas, mesmo se for o caso, &eacute; preciso reconhecer que um pre&ccedil;o est&aacute; sendo pago em democracia. N&atilde;o conseguimos negociar um ajuste fiscal eleitoralmente aceit&aacute;vel: isto foi, indiscutivelmente, um fracasso.&raquo;<sup><a href="#17">17</a></sup><a name="top17"></a></blockquote>     <p></p>     <p>Ou seja, pelo car&aacute;ter indireto da ascens&atilde;o de Temer &agrave; presid&ecirc;ncia e por estar ele agora a implementar um programa que n&atilde;o foi ratificado pelo eleitorado, o atual governo padece de um d&eacute;fice de legitimidade. Isso, por sua vez, significa que a legitimidade do regime democr&aacute;tico brasileiro entre hoje e 2018 (ano de uma nova elei&ccedil;&atilde;o presidencial) vai depender muito do desempenho econ&ocirc;mico de Temer. Se ele fracassar nesse quesito, somando&#8209;se a isto a radical desmoraliza&ccedil;&atilde;o da classe pol&iacute;tica por conta dos cicl&oacute;picos esc&acirc;ndalos de corrup&ccedil;&atilde;o, as pr&oacute;ximas elei&ccedil;&otilde;es poder&atilde;o pavimentar o caminho para l&iacute;deres populistas ou radicais que invistam contra as institui&ccedil;&otilde;es democr&aacute;ticas. Esse &eacute; o grave risco que o Brasil pode vir a enfrentar. Nesse sentido, o pa&iacute;s, &agrave; sua maneira, est&aacute; a juntar&#8209;se &agrave; grande crise dos regimes de representativos que se observa em v&aacute;rios rinc&otilde;es da Am&eacute;rica Latina, da Europa e nos Estados Unidos.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>PROFILAXIA</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>O que fazer para evitar a reitera&ccedil;&atilde;o das condi&ccedil;&otilde;es pol&iacute;ticas e institucionais que explicam a crise de 2015&#8209;2016? Isso &eacute; obra para reformas pol&iacute;ticas.</p>     <p>No que diz respeito &agrave; Opera&ccedil;&atilde;o Lava Jato, cumpre apenas esperar que seja levada a cabo da melhor maneira poss&iacute;vel. &Eacute; o que manda a lei e o que deseja a popula&ccedil;&atilde;o brasileira. Espera&#8209;se tamb&eacute;m que a Lava Jato tenha um efeito de longo prazo no sentido de reduzir a impunidade e a corrup&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>No tocante &agrave; rigidez or&ccedil;ament&aacute;ria, cabe reduzir as despesas obrigat&oacute;rias sem que isso afete os gastos em educa&ccedil;&atilde;o e sa&uacute;de, fundamentais para um pa&iacute;s com imensos problemas sociais como &eacute; o Brasil.</p>     <p>Quanto &agrave; personalidade presidencial, o presidencialismo e a fragmenta&ccedil;&atilde;o partid&aacute;ria, merecem um tratamento conjunto. A crise de 2015&#8209;2016 e a queda de Dilma sem perda de direitos pol&iacute;ticos colocam em causa o modelo de presidencialismo brasileiro, caracterizado pela rela&ccedil;&atilde;o simbi&oacute;tica entre as extensas prerrogativas legislativas e administrativas da presid&ecirc;ncia<sup><a href="#18">18</a></sup><a name="top18"></a> e o sistema partid&aacute;rio mais fragmentado do mundo. Conquanto esse modelo tenha funcionado sob alguns presidentes (Fernando Henrique Cardoso e Lula), fracassou rotundamente sob Fernando Collor e Dilma Rousseff. Ou seja, o modelo funciona se liderado por presidentes mais moderados e h&aacute;beis e que contam com uma base partid&aacute;ria relativamente s&oacute;lida e minimamente numerosa. Presidentes que n&atilde;o cumprem tais requisitos t&ecirc;m incentivos para abusar dos seus poderes constitucionais e, consequentemente, fracassar. A alta fragmenta&ccedil;&atilde;o partid&aacute;ria, ao reduzir o tamanho de todos os partidos, gera enormes problemas de a&ccedil;&atilde;o coletiva dentro do Congresso, levando o chefe do executivo a abusar de suas prerrogativas em nome da governabilidade. &Eacute; fundamental que o Brasil escape desse modelo inst&aacute;vel por meio tanto da redu&ccedil;&atilde;o dos poderes presidenciais quanto da fragmenta&ccedil;&atilde;o partid&aacute;ria. H&aacute; v&aacute;rias solu&ccedil;&otilde;es poss&iacute;veis, desde as mais dr&aacute;sticas, como a ado&ccedil;&atilde;o de um sistema de governo semipresidencial e a mudan&ccedil;a do sistema eleitoral, at&eacute; as mais suaves, como a limita&ccedil;&atilde;o dos poderes de decreto do chefe do executivo e a imposi&ccedil;&atilde;o de crit&eacute;rios de desempenho eleitoral m&iacute;nimo para que um partido possa ter representa&ccedil;&atilde;o parlamentar. A &uacute;nica coisa inaceit&aacute;vel &eacute; a manuten&ccedil;&atilde;o do atual statu quo institucional.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>BIBLIOGRAFIA</b></p>     <p>Barros, Celso Rocha de &ndash; &laquo;Pre&ccedil;o do impeachment &eacute; pago em democracia&raquo;. (Consultado em: 10 de novembro de 2016). Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www1.folha.uol.com.br/colunas/celso-rocha-de-barros/2016/10/1825559-preco-do-impeachment-e-pago-em-democracia.shtml" target="_blank">http://www1.folha.uol.com.br/colunas/celso-rocha-de-barros/2016/10/1825559-preco-do-impeachment-e-pago-em-democracia.shtml</a>.</p>     <p>Campello, Daniela, e Zuccojr., Cesar &ndash; &laquo;Presidential success and the world economy&raquo;. In <i>Journal of Politics</i>. Vol. 78, N.&ordm; 2, 2016, pp. 589-602.</p>     <p>Gallagher, Michael, e Mitchell, Paul &ndash; &laquo;Election indices&raquo;. (Consultado em: 10 de novembro de 2016). Dispon&iacute;vel em: <a href="https://www.tcd.ie/Political_Science/ staff/michael_gallagher/ElSystems/ Docts/ElectionIndices.pdf" target="_blank">https://www.tcd.ie/Political_Science/ staff/michael_gallagher/ElSystems/ Docts/ElectionIndices.pdf</a>.</p>     <p>Hochstetler, Kathryn &ndash; &laquo;Rethinking presidentialism: challenges and presidential falls in South America&raquo;. In <i>Comparative Politics</i>. Vol. 38, N.&ordm; 4, 2006, pp. 401-418.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Hochstetler, Kathryn &ndash; &laquo;The fates of presidents in post-transition Latin America: from Democratic breakdown to impeachment to presidential breakdown&raquo;. In <i>Journal of Politics in Latin America</i>. Vol. 3, N.&ordm; 1, 2011, pp. 125-141.</p>     <p>Hochstetler, Kathryn, e Edwards, Margaret E. &ndash; &laquo;Failed presidencies: identifying and explaining a South American anomaly&raquo;. In <i>Journal of Politics in Latin America</i>. Vol. 1, N.&ordm; 2, 2009, pp. 31-57.</p>     <p>Levit, Mindy R., Stupak, Jeffrey M., e Austin, Andrew &ndash; <i>Mandatory Spending Since 1962</i>. Washington: Congressional Research Service, 2015. Dispon&iacute;vel em: <a href="https://fas.org/sgp/crs/misc/RL33074.pdf" target="_blank">https://fas.org/sgp/crs/misc/RL33074.pdf</a>.</p>     <p>Llanos, Mariana, e Marsteintredet, Leiv &ndash; <i>Presidential Breakdowns in Latin America: Causes and Outcomes of Executive Instability in Developing Democracies</i>. Nova York: Palgrave Macmillan, 2010.</p>     <p>Linz, Juan J. &ndash; &laquo;Presidential or parliamentary democracy: does it make a difference?&raquo;. In <i>The Failure of Presidential Democracy</i>. Baltimore: Johns Hopkins University Press, 1994, pp. 3-87.</p>     <p>Mahoney, James, Kimball, Erin, e Koivu, Kendra L. &ndash; &laquo;The logic of historical explanation in the social sciences&raquo;. In <i>Comparative Political Studies</i>. Vol. 42, N.&ordm; 1, 2009, pp. 114-146.</p>     <p>Mahoney, James, e Thelen, Kathleen &ndash; <i>Advances in Comparative-Historical Analysis</i>. Cambridge: Cambridge University Press, 2015.</p>     <p>Mahoney, James, e Vanderpoel, Rachel Sweet &ndash; &laquo;Set diagrams and qualitative research&raquo;. In <i>Comparative Political Studies</i>. Vol. 48, N.&ordm; 1, 2015, pp. 65-100.</p>     <p>Montero, Alfred &ndash; <i>Brazil: Reversal of Fortune</i>. 1.&ordf; edi&ccedil;&atilde;o. Malden, ma: Polity Press, 2014.</p>     <p>P&eacute;rez-Li&ntilde;&aacute;n, An&iacute;bal &ndash; <i>Presidential Impeachment and the New Political Instability in Latin America</i> Cambridge: Cambridge University Press, 2007.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>P&eacute;rez-Li&ntilde;&aacute;n, An&iacute;bal &ndash; &laquo;A two-level theory of presidential instability&raquo;. In <i>Latin American Politics and Society</i>. Vol. 56, N.&ordm; 1, 2014, pp. 34-54.</p>     <p>Roubini, Nouriel, e Sachs, Jeffrey &ndash; &laquo;Political and economic determinants of budget deficits in the industrial democracies&raquo;. In <i>Euro pean Economic Review</i>. Vol. 33, 1989, pp. 903-938.</p>     <p>Shugart, Matthew S., e Carey, John M. &ndash; <i>Presidents and Assemblies: Constitutional Design and Electoral Dynamics</i>. Cambridge: Cambridge University Press, 1992.</p>     <p>Valenzuela, Arturo &ndash; &laquo;Latin American presidencies interrupted&raquo;. In <i>Journal of Democracy</i>. Vol. 15, N.&ordm; 4, 2004, pp. 5-19.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>Data de recep&ccedil;&atilde;o: 14 de outubro de 2016 | Data de aprova&ccedil;&atilde;o: 11 de novembro de 2016</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>NOTAS</b></p>     <p>*O autor agradece os coment&aacute;rios de Mariana Borges, Andr&eacute;s Malamud e J&uacute;lio C&eacute;sar Cossio Rodriguez a vers&otilde;es pr&eacute;vias deste texto e a assist&ecirc;ncia de investiga&ccedil;&atilde;o de Andr&eacute; Luiz Anselmo.</p>     <p><Sup><a name="1"></a><a href="#top1">1</a></Sup>Dados fornecidos por Fabio Giambiagi, especialista em finan&ccedil;as p&uacute;blicas do Banco Nacional de Desenvolvimento Econ&ocirc;mico e Social (BNDES).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><Sup><a name="2"></a><a href="#top2">2</a></Sup>Fonte: Instituto Brasileiro de Geografia e Estat&iacute;stica (IBGE), Diretoria de Pesquisas, Coordena&ccedil;&atilde;o de Trabalho e Rendimento, Pesquisa Nacional por Amostra de Domic&iacute;lios Cont&iacute;nua.</p>     <p><Sup><a name="3"></a><a href="#top3">3</a></Sup>Alfred Montero sustenta ter sido esse virtuoso per&iacute;odo consequ&ecirc;ncia da melhoria dos padr&otilde;es de governabilidade, da ado&ccedil;&atilde;o de boas pol&iacute;ticas macroecon&ocirc;micas e sociais e da redu&ccedil;&atilde;o da polariza&ccedil;&atilde;o ideol&oacute;gica. Para mais detalhes, ver Montero, Alfred &ndash; <i>Brazil: Reversal of Fortune</i>. 1.&ordf; edi&ccedil;&atilde;o. Malden, ma: Polity Press, 2014.</p>     <p><Sup><a name="4"></a><a href="#top4">4</a></Sup>Trata-se de uma ampla opera&ccedil;&atilde;o de investiga&ccedil;&atilde;o que tem sido empreendida pela Pol&iacute;cia Federal desde mar&ccedil;o de 2014, cujo alvo &eacute; um gigante esquema de lavagem de dinheiro e subornos cujo epicentro s&atilde;o contratos da Petrobras &ndash; a maior empresa brasileira, de capital aberto, cujo maior acionista &eacute; o governo do Brasil &ndash; negociados por pol&iacute;ticos, t&eacute;cnicos da empresa e empresas privadas de constru&ccedil;&atilde;o civil. Para muitos, &eacute; a maior investiga&ccedil;&atilde;o de corrup&ccedil;&atilde;o da hist&oacute;ria brasileira.</p>     <p><Sup><a name="5"></a><a href="#top5">5</a></Sup>Por exemplo: Mahoney, James, e Thelen, Kathleen &ndash; <i>Advances in Comparative-Historical Analysis</i>. Cambridge: Cambridge University Press, 2015; Mahoney, James, e Vanderpoel, Rachel Sweet &ndash; &laquo;Set diagrams and qualitative research&raquo;. In <i>Comparative Political Studies</i>. Vol. 48, N.&ordm; 1, 2015, pp. 65-100; Mahoney, James, Kimball, Erin, e Koivu, Kendra L. &ndash; &laquo;The logic of historical explanation in the social sciences&raquo;. In <i>Comparative Political Studies</i>. Vol. 42, N.&ordm; 1, 2009, pp. 114-146.</p>     <p><Sup><a name="6"></a><a href="#top6">6</a></Sup>Campello, Daniela, e Zuccojr., Cesar &ndash; &laquo;Presidential success and the world economy&raquo;. In <i>Journal of Politics</i>. Vol. 78, N.&ordm; 2, 2016, pp. 589-602.</p>     <p><Sup><a name="7"></a><a href="#top7">7</a></Sup>Gallagher, Michael, e Mitchell, Paul &ndash; &laquo;Election indices&raquo;. (Consultado em: 10 de novembro de 2016). Dispon&iacute;vel em: <a href="https://www.tcd.ie/Political_Science/ staff/michael_gallagher/El Systems/ Docts/ElectionIndices.pdf" target="_blank">https://www.tcd.ie/Political_Science/ staff/michael_gallagher/El Systems/ Docts/ElectionIndices.pdf</a>.</p>     <!-- ref --><p><Sup><a name="8"></a><a href="#top8">8</a></Sup>Entre outros: P&eacute;rez-Li&ntilde;&aacute;n, An&iacute;bal &ndash; <i>Presidential Impeachment and the New Political Instability in Latin America</i>. Cambridge: Cambridge University Press, 2007; P&eacute;rez-Li&ntilde;&aacute;n, An&iacute;bal &ndash; &laquo;A two-level theory of presidential instability&raquo;. In <i>Latin American Politics and Society</i>. Vol. 56, N.&ordm; 1, 2014, pp. 34-54; Hochstetler, Kathryn &laquo;Rethinking presidentialism: challenges and presidential falls in South America&raquo;. In <i>Comparative Politics</i>. Vol. 38, N.&ordm; 4, 2006, pp. 401-418;    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=606092&pid=S1645-9199201600040000400002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> Hochstetler, Kathryn &ndash; &laquo;The fates of presidents in post-transition Latin America: from Democratic breakdown to impeachment to presidential breakdown&raquo;. In <i>Journal of Politics in Latin America</i>. Vol. 3, N.&ordm; 1, 2011, pp. 125-141; Hochstetler, Kathryn, e Edwards, Margaret E. &ndash; &laquo;Failed presidencies: identifying and explaining a South American anomaly&raquo;. In <i>Journal of Politics in Latin America</i>. Vol. 1, N.&ordm; 2, 2009, pp. 31-57; Llanos, Mariana, e Marsteintredet, Leiv &ndash; <i>Presidential Breakdowns in Latin America: Causes and Outcomes of Executive Instability in Developing Democracies</i>. Nova York: Palgrave Macmillan, 2010; Valenzuela, Arturo &ndash; &laquo;Latin American presidencies interrupted&raquo;. <i>In Journal of Democracy</i>. Vol. 15, N.&ordm; 4, 2004, pp. 5-19.</p>     <p><Sup><a name="9"></a><a href="#top9">9</a></Sup>Dados do Or&ccedil;amento Federal brasileiro, dispon&iacute;veis em: <a href="http://www.orca-mentofederal.gov.br/" target="_blank">http://www.orca-mentofederal.gov.br/</a>.</p>     <p><Sup><a name="10"></a><a href="#top10">10</a></Sup>Levit, Mindy R., Stupak, Jeffrey M., e Austin, Andrew &ndash; Mandator y Spending Since 1962.  Washington: Congressional Research Service, 2015. Dispon&iacute;vel em:  <a href="https://fas.org/sgp/crs/misc/RL33074.pdf" target="_blank">https://fas.org/sgp/crs/misc/RL33074.pdf</a>.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><Sup><a name="11"></a><a href="#top11">11</a></Sup>Dados do Banco Mundial, dispon&iacute;veis em:  <a href="http://documents.worldbank.org/curated/pt/751261468049745533/pdf/MXPER0Main0Report.pdf" target="_blank">http://documents.worldbank.org/curated/pt/751261468049745533/pdf/MXPER0Main0Report.pdf</a>.</p>     <p><Sup><a name="12"></a><a href="#top12">12</a></Sup>Mahoney, James, e Vanderpoel, Rachel Sweet &ndash; &laquo;Set diagrams and qualitative research&raquo;, p. 15.</p>     <p><Sup><a name="13"></a><a href="#top13">13</a></Sup>Roubini, Nouriel, e Sachs, Jeffrey &ndash; &laquo;Political and economic determinants of budget deficits in the industrial democracies&raquo;. In <i>European Economic Review</i>. Vol. 33, 1989, pp. 903-938.</p>     <p><Sup><a name="14"></a><a href="#top14">14</a></Sup>P&eacute;rez-Li&ntilde;&aacute;n, An&iacute;bal &ndash; &laquo;A two-level theory of presidential instability&raquo;, pp. 34&ndash;54.</p>     <p><Sup><a name="15"></a><a href="#top15">15</a></Sup>Linz, Juan J. &ndash; &laquo;Presidential or parliamentary democracy: does it make a difference?&raquo;. In <i>The Failure of Presidential Democracy</i>. Baltimore: Johns Hopkins University Press, 1994, pp. 3-87.</p>     <p><Sup><a name="16"></a><a href="#top16">16</a></Sup>As elei&ccedil;&otilde;es municipais de outubro de 2016 foram desastrosas para o PT. Em 2012, a sigla obtivera 17,4 milh&otilde;es de votos para prefeito; em 2016, apenas 6,8 milh&otilde;es &ndash; menos votos que em 2004. Isso significa uma perda de cerca de 60 por cento do eleitorado. O PMDB tamb&eacute;m perdeu votos, de 17 milh&otilde;es em 2012 para 14,8 milh&otilde;es em 2016. O PSDB, por outro lado, foi o grande vencedor em 2016. Com 13,95 milh&otilde;es de votos em 2012, o partido obteve, em 2016, 17,6 milh&otilde;es de sufr&aacute;gios, um aumento de cerca de 25 por cento.</p>     <p><Sup><a name="17"></a><a href="#top17">17</a></Sup>Passagem extra&iacute;da de Barros, Celso Rocha de &ndash; &laquo;Pre&ccedil;o do impeachment &eacute; pago em democracia&raquo;. (Consultado em: 10 de novembro de 2016). Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www1.folha.uol.com.br/colunas/celso-rocha-de-barros/2016/10/1825559-preco-do-impeachment-e-pago-em-democracia.shtml" target="_blank">http://www1.folha.uol.com.br/colunas/celso-rocha-de-barros/2016/10/1825559-preco-do-impeachment-e-pago-em-democracia.shtml</a>.</p>     <p><Sup><a name="18"></a><a href="#top18">18</a></Sup>O chefe do executivo brasileiro &eacute; um dos mais fortes do mundo em termos de prerrogativas legislativas. Cf. Shugart, Matthew S., e Carey, John M. &ndash; <i>Presidents and Assemblies: Constitutional Design and Electoral Dynamics</i>. Cambridge: Cambridge University Press, 1992. O presidente brasileiro tamb&eacute;m comanda um amplo aparato administrativo, o qual inclui dezenas de minist&eacute;rios, mais de 20 mil cargos de confian&ccedil;a, o Banco Central, o Banco do Brasil, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econ&ocirc;mico e Social (o maior banco de investimento p&uacute;blico do mundo), a Petrobras (a maior empresa nacional) e in&uacute;meras outras ag&ecirc;ncias estatais.</p>      ]]></body><back>
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