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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><b>RECENSÃO</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>A impoliticidade,&nbsp;</b><b>forma alternativa de ler a pol&iacute;tica ou de fazer (a) pol&iacute;tica?</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Ant&oacute;nio Horta Fernandes</b></p>     <p>Docente do Departamento de Estudos Pol&iacute;ticos da FCSH-NOVA. Estrategista.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>Alfonso Galindo Herv&aacute;s &eacute; um fil&oacute;sofo murciano, com forma&ccedil;&atilde;o teol&oacute;gica de base, que nem sempre salienta, e influenciado pela hist&oacute;ria conceptual da escola alem&atilde; de Bielefeld (onde pontuaram Reinhart Koselleck, e mais tarde J&ouml;rn R&uuml;sen, que lhe sucedeu), h&aacute; muito dedicado a refletir sobre os pensadores impol&iacute;ticos, nomeadamente Agamben, a quem dedicou uma obra intitulada <i>Pol&iacute;tica y Mesianismo </i>(2005). Escreveu ainda, entre outros, <i>La Soberan&iacute;a</i>. <i>De la teologia pol&iacute;tica al comunitarismo impol&iacute;tico</i> (2003), e, mais recentemente, <i>La Cultura Pol&iacute;tica Liberal </i>(2014).</p>     <p>Na presente obra, Galindo Herv&aacute;s procura fazer um levantamento cr&iacute;tico de importantes pensadores impol&iacute;ticos contempor&acirc;neos, o j&aacute; citado Giorgio Agamben, mas tamb&eacute;m Roberto Esposito, Jean&#8209;Luc Nancy e Alain Badiou. Como refere, o pensamento impol&iacute;tico parece apresentar tra&ccedil;os comuns, permitindo ao autor integr&aacute;-los numa determinada constela&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica, distinguindo&#8209;os de outros, pr&oacute;ximos, antifundacionalistas pol&iacute;ticos, como o neopragmatista Richard Rorty, glosado na obra, na medida em que a defesa da conting&ecirc;ncia contra todos os pretensos fundacionalismos pol&iacute;ticos acaba por ser mais radical.</p>     <p>Na realidade, a proposta dos pensadores impol&iacute;ticos &eacute; marcadamente ontol&oacute;gica. Ao conceb&ecirc;&#8209;la dessa forma, e servindo&#8209;se do jarg&atilde;o ontol&oacute;gico para moldar as suas teses, para exprimir as condi&ccedil;&otilde;es de possibilidade de toda a pol&iacute;tica, os impol&iacute;ticos acabam por se afastar de fil&oacute;sofos como Rorty, que encaram a utiliza&ccedil;&atilde;o desse jarg&atilde;o, mesmo que se trate de uma ontologia aberta, definido pelo &laquo;excesso do acontecimento frente ao poss&iacute;vel e ao previs&iacute;vel&raquo; (p. 21), como uma ced&ecirc;ncia &uacute;ltima ao pensamento representacionista; e pior, no caso da pol&iacute;tica, dando prioridade ao discurso filos&oacute;fico sobre as pr&aacute;ticas concretas e hist&oacute;ricas de ensaio e erro com que se teceriam as viv&ecirc;ncias pol&iacute;ticas, ainda que o objetivo de antifundacionalistas e impol&iacute;ticos, seja o mesmo: a den&uacute;ncia da injusti&ccedil;a e a promo&ccedil;&atilde;o de uma l&oacute;gica pol&iacute;tica emancipat&oacute;ria.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Certamente Agamben ou Esposito objetariam a Rorty que este estaria ainda preso, apesar da sua boa vontade, aos ditames do pensamento liberal, considerado por eles paradigmaticamente como precipitado &uacute;ltimo (aqui com influ&ecirc;ncia de Heidegger, t&atilde;o bem rastreada por Galindo Herv&aacute;s) de uma metaf&iacute;sica fundacionalista e, portanto, opressiva. O pragmatismo como mera gest&atilde;o sem compromisso ontol&oacute;gico das pr&aacute;ticas discursivas, logo &uacute;ltimo avatar da era da t&eacute;cnica, do decl&iacute;nio da metaf&iacute;sica.</p>     <p>O que defendem ent&atilde;o estes pensadores impol&iacute;ticos e o que &eacute; a impoliticidade? O conceito de impol&iacute;tico refere n&atilde;o uma exterioridade pol&iacute;tica, ou uma emancipa&ccedil;&atilde;o p&oacute;s&#8209;pol&iacute;tica por fim alcan&ccedil;ada, mas a reivindica&ccedil;&atilde;o da especificidade &uacute;ltima do pol&iacute;tico, colonizada a sua esfera por outros &acirc;mbitos, sejam o econ&oacute;mico, o &eacute;tico, ou o jur&iacute;dico (p. 39). E o que &eacute; ser impol&iacute;tico? O impol&iacute;tico &eacute; o lado negativo do pol&iacute;tico, o resto inapropri&aacute;vel, excedente, n&atilde;o pass&iacute;vel de produ&ccedil;&atilde;o, que caracteriza por dentro a esfera pol&iacute;tica. Distinguindo entre o pol&iacute;tico e a pol&iacute;tica, o impol&iacute;tico &eacute; a desconstru&ccedil;&atilde;o cr&iacute;tica radical de todas as media&ccedil;&otilde;es pol&iacute;ticas, institui&ccedil;&otilde;es concretas, assentes sobre uma impropriedade constitutiva, sobre uma conting&ecirc;ncia decisionista (influ&ecirc;ncia de Carl Schmitt) que pretendem respaldar como universal. Toda a pol&iacute;tica assenta numa l&oacute;gica de poder a que h&aacute; que contrapor exemplos contraf&aacute;cticos, eles mesmos irrepresent&aacute;veis, imposs&iacute;veis de materializar sob pena de se transformarem em novos fundamentos infundados e opressivos.</p>     <p>Sintetizando, e de acordo com o fil&oacute;sofo espanhol, pensamento impol&iacute;tico &eacute; aquele que para se subtrair ao terror produzido pela pol&iacute;tica do Estado soberano ou &agrave; l&oacute;gica capitalista, sugere a experi&ecirc;ncia comunit&aacute;ria, cujos crit&eacute;rios de aproxima&ccedil;&atilde;o ser&atilde;o basicamente a irrepresentabilidade e a passividade, n&atilde;o deixando assim espa&ccedil;o &agrave; figura de um representante soberano nem &agrave; de um <i>chefe-de-obra</i>, porquanto a comunidade assim experienciada n&atilde;o pretende nenhuma afirmatividade no concerto das na&ccedil;&otilde;es, nem sequer face aos seus membros, aos quais expurgaria a sua vitalidade. O simples ser ou p&ocirc;r em comum as singularidades que caracterizam uma tal comunidade &eacute; sempre ferido de morte por uma tal identidade ostensiva e superveniente; identidade essa que teria definido toda a pol&iacute;tica moderna sen&atilde;o mesmo todo o exerc&iacute;cio hist&oacute;rico da pol&iacute;tica. Da&iacute; que, n&atilde;o obstante os pensadores impol&iacute;ticos fazerem uma an&aacute;lise cr&iacute;tica radical do universo pol&iacute;tico moderno, os seus pressupostos e as suas conclus&otilde;es de natureza ontol&oacute;gica ou metaf&iacute;sica, digamo&#8209;lo, transbordam desse mesmo universo, ou reduzem&#8209;no, como unilateral, quando n&atilde;o perigoso, quando se trata de compreender mat&eacute;rias, &agrave; primeira vista, em grande parte pol&iacute;ticas, como &eacute; o caso da estrutura&ccedil;&atilde;o de uma comunidade. A express&atilde;o (espositiana) <i>impol&iacute;tico</i>, glosada por Alfonso Galindo, pretende jogar tanto com o dentro do pol&iacute;tico como com a impossibilidade do pol&iacute;tico que se infere da sua cr&iacute;tica radical.</p>     <p>Desse modo, o impol&iacute;tico n&atilde;o pode deixar de ser &iacute;ndice e fator de um resto refrat&aacute;rio &agrave; representa&ccedil;&atilde;o e &agrave; ordem pol&iacute;tica que a esfera pol&iacute;tica acarreta consigo (p. 19). O impol&iacute;tico &eacute;, pois, refere, Galindo Herv&aacute;s citando Esposito, &laquo;a margem impensada, o cora&ccedil;&atilde;o silencioso, o ponto vazio da pol&iacute;tica&raquo; (p. 35). A impossibilidade de a pol&iacute;tica e de o pol&iacute;tico coincidirem, de o seu ser coincidir consigo mesmo, a n&atilde;o ser no puro dom&iacute;nio do acontecimento, do humilde deixar ser da pot&ecirc;ncia, do que por fim h&aacute; de chegar, do tempo messi&acirc;nico, em inst&acirc;ncia agambeniana, completamente exterior a qualquer media&ccedil;&atilde;o hist&oacute;rica.</p>     <p>&Eacute; justamente por a&iacute; que Galindo Herv&aacute;s distende os seus racionais cr&iacute;ticos, ao revelar certa impot&ecirc;ncia constitutiva do pensamento impol&iacute;tico, certa incapacidade, n&atilde;o para denunciar as l&oacute;gicas de poder, fazem-na os pensadores impol&iacute;ticos com grande profundidade, mas para apresentar solu&ccedil;&otilde;es em torno da facticidade do poss&iacute;vel, para al&eacute;m da nega&ccedil;&atilde;o total do que h&aacute;.</p>     <p>Em tra&ccedil;os gerais, &eacute; este o quadro em que Galindo Herv&aacute;s apresenta a din&acirc;mica do pensamento impol&iacute;tico, sempre ressalvando que os quatro pensadores avaliados s&atilde;o bastante distintos, exigindo a sua converg&ecirc;ncia um grau de abstra&ccedil;&atilde;o que nem sempre faz justi&ccedil;a a todos os matizes, embora permita encontrar tra&ccedil;os comuns. Cremos que, desse ponto de vista, o ensaio &eacute; inteiramente conseguido.</p>     <p>O excurso de Galindo Herv&aacute;s est&aacute; ent&atilde;o estruturado em tr&ecirc;s blocos. No primeiro deles faz a disseca&ccedil;&atilde;o do conceito de impol&iacute;tico, inserindo&#8209;o no contexto franc&ecirc;s e italiano em que nasceu, bem como a apresenta&ccedil;&atilde;o das diferen&ccedil;as entre a impoliticidade, o p&oacute;s&#8209;fundacionalismo e o afirmacionismo, correntes que lhe s&atilde;o pr&oacute;ximas, e das quais partilha alguns dos argumentos, como j&aacute; vimos no caso de Rorty. Ainda neste primeiro bloco, analisa-se a distin&ccedil;&atilde;o entre o pol&iacute;tico e a pol&iacute;tica, referida &agrave; diferen&ccedil;a ontol&oacute;gica de matriz heideggeriana; chama&#8209;se a aten&ccedil;&atilde;o para a import&acirc;ncia dada pelos impol&iacute;ticos a uma comunidade n&atilde;o figur&aacute;vel numa democracia a haver &ndash; exprimindo quase uma ideia reguladora kantiana, n&atilde;o fosse tamb&eacute;m Kant devedor do que podemos esperar, a um outro n&iacute;vel, o da hist&oacute;ria sagrada, mas que no seu caso dificilmente se imiscuiria com a hist&oacute;ria profana (da&iacute; a dificuldade da sistem&aacute;tica hist&oacute;rica e da concretiza&ccedil;&atilde;o de um <i>Endezweck</i>, de um fim final em Kant); esquadrinha&#8209;se a relev&acirc;ncia que para o pensamento impol&iacute;tico tem o teorema da seculariza&ccedil;&atilde;o, da teologia pol&iacute;tica e do seu contraf&aacute;ctico, outra vez infigur&aacute;vel, o do messianismo impol&iacute;tico; e por fim, estabelece&#8209;se a rela&ccedil;&atilde;o do pensamento impol&iacute;tico com a hist&oacute;rica conceptual.</p>     <p>O segundo bloco rastreia algumas das principais fontes concretas e respetivas problem&aacute;ticas, de que o pensamento impol&iacute;tico &eacute; herdeiro. Referimo&#8209;nos a Heidegger, Carl Schmitt, Benjamin e Foucault. Salientando que no caso de Schmitt a influ&ecirc;ncia surge por oposi&ccedil;&atilde;o. Fazer do decisionismo e da representa&ccedil;&atilde;o soberana ponto de ordem numa modernidade que perdeu as suas fontes leg&iacute;timas de autoridade, n&atilde;o obstante o reconhecimento da conting&ecirc;ncia desse ponto de ordem, &eacute; precisamente a opera&ccedil;&atilde;o liminarmente rejeitada pelos impol&iacute;ticos. Schmitt teria feito a genealogia da impropriedade de todo o poder instaurado, por isso n&atilde;o parece haver forma de procurar resolver favoravelmente essa impropriedade radical de todas as institui&ccedil;&otilde;es pol&iacute;tico&#8209;jur&iacute;dicas, as quais bloqueiam o puro ser&#8209;com, o ser&#8209;em&#8209;rela&ccedil;&atilde;o, a vivibilidade sem mais, a comunh&atilde;o de iguais que seria o fator pr&oacute;pria e acabadamente pol&iacute;tico.</p>     <p>O terceiro bloco &eacute; dedicado a cada um dos pensadores em particular. &Agrave; tentativa de desativar os mecanismos soberano&#8209;governamentais em Agamben, expondo a sua inaceitabilidade, no fundo, expondo as feridas abertas e nunca cicatrizadas das suas v&iacute;timas. &Agrave; oposi&ccedil;&atilde;o entre imunidade e comunidade em Esposito, quer dizer, &agrave; diferen&ccedil;a entre o ser como encapsulamento em si dos <i>indiv&iacute;duos </i>e o ser como pot&ecirc;ncia inclinativa, impessoal, expansiva de vida. Ao transbordamento ontol&oacute;gico da pol&iacute;tica em Nancy numa comunidade estranha a toda representa&ccedil;&atilde;o, a qualquer identidade, a qualquer ideologia operativa, em que se d&aacute; a pura facticidade de cada um de n&oacute;s &laquo;enquanto existentes singulares cujo ser n&atilde;o &eacute; sen&atilde;o ser&#8209;juntos, pura exposi&ccedil;&atilde;o, aberta disposi&ccedil;&atilde;o&raquo; (p. 198). Ao puro acontecimento da pol&iacute;tica, com base na hip&oacute;tese comunista renovada, frente ao Estado de ordem em Badiou, tendo como ponto culminante o capital&#8209;parlamentarismo, no qual o sistema parlamentar, apenas gerindo interesses particulares est&aacute; ao servi&ccedil;o do capital que o reconhece como &uacute;nico racional pol&iacute;tico v&aacute;lido.</p>     <p>Pensamos que a leitura de Galindo Herv&aacute;s &eacute; certeira, desde logo quando aponta a falta de historicidade de algumas grandes narrativas de ontologia pol&iacute;tica do pensamento impol&iacute;tico, embora n&atilde;o se perca nada em tentar a an&aacute;lise subterr&acirc;nea, detetar os &iacute;ndices secretos da a&ccedil;&atilde;o hist&oacute;rica. Seja como for, &eacute; vis&iacute;vel a displic&ecirc;ncia dos impol&iacute;ticos no forjar de alguns anacronismos &ndash; como, por exemplo (n&atilde;o mencionado por Galindo Herv&aacute;s), quando Agamben, ao retroprojetar a soberania aos antecedentes romanos, menospreza a perpetuidade, acabando por retirar carga de absoluto ao absoluto da soberania, passe a express&atilde;o, s&oacute; para n&atilde;o conceder que se trata de uma figura da Idade Moderna, ainda que com antecedentes arcaicos. Galindo Herv&aacute;s n&atilde;o o diz tamb&eacute;m, mas julgamos que esteja de acordo, que o messianismo impol&iacute;tico apenas faz sentido dada a transfigura&ccedil;&atilde;o interna ao homem, que torna &laquo;ocioso&raquo; o messias, e que, portanto, a n&atilde;o ser que os pensadores pol&iacute;ticos reativem uma teologia milagreira, n&atilde;o lhes resta outro rem&eacute;dio, se querem pensar um contraf&aacute;ctico que o seja verdadeiramente (a pura pot&ecirc;ncia que nunca se atualiza, distinto da pot&ecirc;ncia que se esgota em ato, n&atilde;o s&oacute; reduz a sua potencialidade, como se torna mal&eacute;fica no sentido pr&oacute;prio de <i>impossibilitar</i>) que aceitar a constru&ccedil;&atilde;o do poss&iacute;vel.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Todavia, e esta &eacute; agora uma cr&iacute;tica a Galindo Herv&aacute;s, que julgamos cada vez mais pr&oacute;ximo de um liberalismo rortiano, a constru&ccedil;&atilde;o do poss&iacute;vel pode muito bem ser uma constru&ccedil;&atilde;o de grandes miras, o ativar daquilo que &eacute; um inaparente deixar ser do nosso ser mais pr&oacute;prio, da <i>metanoia</i>. A constru&ccedil;&atilde;o como um cair em conta, um cair em si daquilo que nos espera, com a consequente desarticula&ccedil;&atilde;o messi&acirc;nica do tempo ordin&aacute;rio. O que diriam os impol&iacute;ticos, passe os seus exageros e &agrave;s vezes a sobreposi&ccedil;&atilde;o cega entre regimes totalit&aacute;rios e outros que o n&atilde;o s&atilde;o (embora retratando&#8209;se, mas s&oacute; muito tempo depois, Badiou chegou a defender os khmers vermelhos no auge da sua orgia sanguin&aacute;ria), &eacute; que se o poss&iacute;vel quer dizer por entre a ordem institu&iacute;da ent&atilde;o j&aacute; est&aacute; sempre corrompido. Na realidade, o liberalismo, na sua conforma&ccedil;&atilde;o capitalista, atingiu um tal esmero e sofistica&ccedil;&atilde;o nos modos de sujei&ccedil;&atilde;o, fazendo&#8209;o passar por emancipa&ccedil;&atilde;o e por vida em liberdade, supostamente a pura nega&ccedil;&atilde;o da barb&aacute;rie totalit&aacute;ria, e isso &eacute; talvez o mais inquietante, que a sua pompa glorificante, a sua aclama&ccedil;&atilde;o un&iacute;ssona feita espet&aacute;culo, n&atilde;o pode deixar de ser denunciada, apontando a nudez da realeza, o oco da sua majestade.</p>     <p>A necessidade de um verdadeiro <i>novum </i>parece ser o repto. Mas o verdadeiro <i>novum </i>s&oacute; surgir&aacute; quando ca&iacute;rem as m&aacute;scaras e a salva&ccedil;&atilde;o que precede a cria&ccedil;&atilde;o a redimir. Acreditamos ser a demanda desse <i>novum</i>, particularmente em Agamben, que, de resto, &eacute;, talvez a par de Nancy, o menos &laquo;reformista&raquo;, a mov&ecirc;&#8209;los e n&atilde;o um quietismo qualquer. Embora, para sermos justos, a impress&atilde;o desse quietismo s&oacute; transpare&ccedil;a da leitura que Galindo Herv&aacute;s faz dos pensadores impol&iacute;ticos na medida em que os compara com pensadores mais ativistas, digamos assim, nunca defendendo (nem podia) estar a tratar de fil&oacute;sofos quietistas. A nosso ver, aquilo que os pensadores impol&iacute;ticos verdadeiramente se esquecem &eacute; de dar substantividade ao messianismo, qui&ccedil;&aacute; por pudor teol&oacute;gico, ou melhor, irreligioso, quando esse messianismo n&atilde;o pode irromper sem a quota&#8209;parte da criatura, mas tamb&eacute;m, sejamos claros, sem o amparo da gra&ccedil;a divina. Sem este sintagma &eacute; que nos parece que a justa demanda final dos impol&iacute;ticos, &agrave; parte outros erros processuais, se torna impotente.</p>     <p>Em suma, o presente ensaio &eacute; um levantamento cr&iacute;tico judicioso sobre o pensamento impol&iacute;tico, uma verdadeira obra de refer&ecirc;ncia sobre o mesmo, mas tamb&eacute;m um precioso legado da forma como autores liberais, apesar de tudo afins &agrave; cr&iacute;tica impol&iacute;tica, leem a esfera pol&iacute;tica.</p>      ]]></body>
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