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<article-id pub-id-type="doi">10.23906/ri2017.53a03</article-id>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[30 anos de Fundos Estruturais (1986-2015)]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[Since Portugal joined the European Communities in 1986 until today, the country has received around 100 billion financial resources from the Structural Funds. This amount was allocated for investments in infrastructures, business competitiveness and human capital, which aimed to meet the principles of economic and social cohesion. This article will provide a brief overview of the application of these funds and their evolution over the last 30 years, in order to highlight, for each of the five Cohesion Policy programming periods (three Community support frameworks, the NSRF and Portugal 2020), which priorities were established and the most emblematic projects that were funded.]]></p></abstract>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[Fundos Estruturais]]></kwd>
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</front><body><![CDATA[ <p style="text-align: right;"><b>A FACE VIS&Iacute;VEL DA EUROPA. OS FUNDOS EUROPEUS EM PORTUGAL</b></p>     <p><b>30 anos de Fundos Estruturais (1986-2015)</b></p>     <p><b>Thirty years of Structural Funds in Portugal (1986-2015)</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Lu&iacute;s Madureira Pires</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>RESUMO</b></p>     <p>Desde a ades&atilde;o &agrave; Comunidade Europeia em 1986 at&eacute; hoje, Portugal recebeu recursos financeiros dos Fundos Estruturais, na ordem dos 100 mil milh&otilde;es de euros. Estes montantes destinaram&#8209;se a investimento em infraestruturas, competitividade das empresas e capital humano e visavam dar resposta aos princ&iacute;pios da coes&atilde;o econ&oacute;mica e social. O artigo far&aacute; um breve balan&ccedil;o da aplica&ccedil;&atilde;o destes fundos e da sua evolu&ccedil;&atilde;o ao longo de 30 anos, procurando evidenciar para cada um dos cinco per&iacute;odos de programa&ccedil;&atilde;o da Pol&iacute;tica de Coes&atilde;o (tr&ecirc;s quadros comunit&aacute;rios de apoio, o QREN e o Portugal 2020) quais as prioridades adotadas e os projetos mais emblem&aacute;ticos financiados.</p>     <p><b>Palavras-chave</b><i>: </i>Fundos Estruturais, quadros comunit&aacute;rios de apoio, desenvolvimento econ&oacute;mico e integra&ccedil;&atilde;o europeia.</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>ABSTRACT</b></p>     <p>Since Portugal joined the European Communities in 1986 until today, the country has received around 100 billion financial resources from the Structural Funds. This amount was allocated for investments in infrastructures, business competitiveness and human capital, which aimed to meet the principles of economic and social cohesion. This article will provide a brief overview of the application of these funds and their evolution over the last 30 years, in order to highlight, for each of the five Cohesion Policy programming periods (three Community support frameworks, the NSRF and Portugal 2020), which priorities were established and the most emblematic projects that were funded.</p>     <p><b>Keywords</b>: Structural Funds, Community support frameworks, economic development, European integration.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>A EVOLU&Ccedil;&Atilde;O DOS FUNDOS ESTRUTURAIS DESDE 1986</b></p>     <p>Desde a ades&atilde;o &agrave;s Comunidades Europeias, em 1 de janeiro de 1986, Portugal tem tido pleno acesso aos instrumentos financeiros que visam apoiar o desenvolvimento dos pa&iacute;ses e regi&otilde;es mais desfavorecidos do territ&oacute;rio europeu.</p>     <p>Na altura da ades&atilde;o estavam dispon&iacute;veis essencialmente tr&ecirc;s Fundos Estruturais (Fundos): o Fundo Social Europeu (FSE), instrumento da pol&iacute;tica social e de emprego europeia criado em 1957; o Fundo Europeu de Orienta&ccedil;&atilde;o e Garantia Agr&iacute;cola (FEOGA), institu&iacute;do em 1962 e cuja sec&ccedil;&atilde;o Orienta&ccedil;&atilde;o viria a apoiar as transforma&ccedil;&otilde;es estruturais na agricultura europeia; e, finalmente, o Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional (FEDER), estabelecido em 1975 para apoiar o desenvolvimento das regi&otilde;es mais pobres do espa&ccedil;o europeu. Estes tr&ecirc;s fundos funcionavam de forma isolada, no &acirc;mbito das pol&iacute;ticas e preocupa&ccedil;&otilde;es que lhes tinham dado origem, sem articula&ccedil;&atilde;o entre si.</p>     <p>Desde ent&atilde;o, as Comunidades Europeias sofreram muitas modifica&ccedil;&otilde;es, com a passagem de 12 a 28 estados&#8209;membros e a revis&atilde;o e aprofundamento dos tratados constitutivos &ndash; designadamente com a assinatura do Ato &Uacute;nico Europeu, do Tratado de Maastricht e do Tratado de Lisboa &ndash; que lhes atribu&iacute;ram mesmo uma nova designa&ccedil;&atilde;o &ndash; Uni&atilde;o Europeia (UE).</p>     <p>&Eacute; exatamente no Ato &Uacute;nico Europeu assinado em 1986 que surgem as bases da atual Pol&iacute;tica de Coes&atilde;o Europeia, a qual congrega as vontades e os recursos financeiros dos diversos Fundos Estruturais existentes na consecu&ccedil;&atilde;o do objetivo comum de promover uma maior coes&atilde;o econ&oacute;mica e social entre as regi&otilde;es e estados-membros do espa&ccedil;o europeu. A aprova&ccedil;&atilde;o do Pacote Delors que se lhe seguiu permitiu refor&ccedil;ar substancialmente os meios financeiros ao seu dispor, garantir uma interven&ccedil;&atilde;o integrada dos diversos fundos europeus e consagrar os quatro grandes princ&iacute;pios que, at&eacute; hoje, t&ecirc;m norteado o funcionamento desses instrumentos financeiros: concentra&ccedil;&atilde;o, programa&ccedil;&atilde;o, parceria e adicionalidade.</p>     <p>Em termos operacionais, a Pol&iacute;tica de Coes&atilde;o Europeia s&oacute; viria a entrar em vigor em 1989, num modelo de programa&ccedil;&atilde;o plurianual que permitiria a aprova&ccedil;&atilde;o e implementa&ccedil;&atilde;o sucessiva de quadros de apoio estrutural comunit&aacute;rio at&eacute; 2020. Nos primeiros tr&ecirc;s anos de ades&atilde;o (1986-1988), portanto, os apoios foram concedidos a projetos individuais apresentados aos tr&ecirc;s Fundos Estruturais e &agrave; Linha Or&ccedil;amental Espec&iacute;fica do Programa Espec&iacute;fico de Desenvolvimento da Ind&uacute;stria Portuguesa &ndash; LOE-PEDIP (entretanto obtida no Conselho Europeu de Bruxelas de 1988 pelo primeiro&#8209;ministro portugu&ecirc;s), num montante total transferido de cerca de 3580 milh&otilde;es de euros, a pre&ccedil;os de 2014.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Nesse per&iacute;odo, foram sobretudo apoiadas estradas e infraestruturas de capta&ccedil;&atilde;o e distribui&ccedil;&atilde;o de &aacute;gua e saneamento b&aacute;sico, mas igualmente alguns equipamentos educativos, e de apoio &agrave; atividade econ&oacute;mica como a EXPONOR e o Centro de Congressos de Lisboa.</p>     <p>A partir da&iacute; desenrolaram&#8209;se cinco per&iacute;odos de programa&ccedil;&atilde;o plurianual dos Fundos Estruturais: os tr&ecirc;s quadros comunit&aacute;rios de apoio (QCA I &ndash; 1989&#8209;1993; QCA II &ndash; 1994&#8209;&#8209;1999; QCA III &ndash; 2000&#8209;2006), o Quadro de Refer&ecirc;ncia Estrat&eacute;gico Nacional (QREN &ndash; 2007-2013) e o Acordo de Parceria (Portugal 2020 &ndash; 2014-2020). A dura&ccedil;&atilde;o dos ciclos de fundos n&atilde;o foi homog&eacute;nea: cinco anos no QCA I, seis anos no QCA II e sete anos nos restantes.</p>     <p>O <a href="#q1"></a><a href="#q1">quadro 1</a> atravessa estes v&aacute;rios per&iacute;odos e n&atilde;o inclui apenas os Fundos que em cada per&iacute;odo foram integrados nos quadros de apoio estrutural da UE, por determina&ccedil;&atilde;o da regulamenta&ccedil;&atilde;o comunit&aacute;ria aplic&aacute;vel: por raz&otilde;es de comparabilidade, abarca a totalidade dos fundos com finalidade estrutural, independentemente de estes formalmente fazerem ou n&atilde;o parte dos QCA/QREN/Acordo de Parceria. Os Fundos que em cada fase os integraram surgem a cinzento no quadro.</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="q1"></a> <img src="/img/revistas/ri/n53/n53a03q1.jpg">     
<p>&nbsp;</p>     <p>Tal como se v&ecirc;, Portugal recebeu at&eacute; ao final do QREN (que formalmente terminou em 2013 mas cujas transfer&ecirc;ncias se prolongam at&eacute; 2015&#8209;2016) um montante total de 107,7 mil milh&otilde;es de euros, a pre&ccedil;os de 2014, j&aacute; incluindo as verbas dos primeiros tr&ecirc;s anos de ades&atilde;o.</p>     <p>Se a estes montantes juntarmos os relativos ao Portugal 2020, que agora come&ccedil;am a ser despendidos mas que se prolongar&atilde;o at&eacute; 2020, obtemos ent&atilde;o um valor global de 132,3 mil milh&otilde;es de euros num per&iacute;odo total de 35 anos, ou seja, 3780 milh&otilde;es de euros em m&eacute;dia anual. No final desse per&iacute;odo, Portugal ter&aacute; ent&atilde;o beneficiado de apoios estruturais em valor correspondente a cerca de 76 por cento do PIB de 2014; em valores anuais, o peso dos Fundos Estruturais oscilou ao longo do per&iacute;odo, tendo-se situado acima dos tr&ecirc;s por cento em v&aacute;rios daqueles anos, com um contributo not&aacute;vel para o investimento p&uacute;blico e privado realizado.</p>     <p>A compara&ccedil;&atilde;o entre m&eacute;dias anuais dos diferentes quadros de apoio mostra a chamada (quase) duplica&ccedil;&atilde;o dos Fundos Estruturais entre 1989&#8209;1993 e 1994&#8209;1999 (aprovada na Cimeira de Edimburgo em 1992), a qual &eacute; em parte obtida pela cria&ccedil;&atilde;o de um novo Fundo com finalidade estrutural: o Fundo de Coes&atilde;o. Revela tamb&eacute;m que 2000&#8209;2006 foi o per&iacute;odo de programa&ccedil;&atilde;o em que foram atribu&iacute;dos mais recursos a Portugal, em termos reais e anuais &ndash; at&eacute; l&aacute; cresceram todos os anos; a partir de 2007&#8209;2013 (o primeiro per&iacute;odo em que nas negocia&ccedil;&otilde;es dos montantes j&aacute; intervieram os 10 pa&iacute;ses do Centro e Leste europeus que aderiram em 2004 e tamb&eacute;m, de forma indireta, a Rom&eacute;nia e a Bulg&aacute;ria que se juntaram &agrave; Uni&atilde;o em 2007) os apoios iniciaram uma tend&ecirc;ncia de queda.</p>     <p>A an&aacute;lise por Fundos fornece algumas indica&ccedil;&otilde;es interessantes: o FEDER tem uma subida fulgurante at&eacute; 2006 para depois descer para pouco mais de metade em 20142020; o Fundo Social Europeu, o FEADER e o Fundo das Pescas (IFOP/FEP/FEAMP) apresentam ainda em 2014-2020 valores superiores aos de 2000&#8209;2006, significando portanto um refor&ccedil;ado peso relativo no total.</p>     <p>Uma outra dimens&atilde;o de an&aacute;lise que tradicionalmente &eacute; efetuada neste contexto &eacute; o da rela&ccedil;&atilde;o entre FEDER + Fundo de Coes&atilde;o e o Fundo Social Europeu. Trata&#8209;se de um indicador que pretende medir de uma forma relativamente grosseira o chamado &laquo;investimento em bet&atilde;o&raquo; por compara&ccedil;&atilde;o com o &laquo;investimento em capital humano&raquo;. Ou, dito de outra maneira (simplificadora), a rela&ccedil;&atilde;o entre estradas e outras infraestruturas e equipamentos e as despesas em educa&ccedil;&atilde;o e forma&ccedil;&atilde;o. O <a href="#q1"></a><a href="#q1">quadro 1</a> revela que a rela&ccedil;&atilde;o existente em 1989-1993 (65 por cento para o FEDER+FC) s&oacute; viria a ser igualada em 2014&#8209;2020, sendo que nos per&iacute;odos interm&eacute;dios foi sempre superior, com os QCA II e III a atingirem o pico de 78 por cento.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Nas p&aacute;ginas seguintes examinam&#8209;se as prioridades a que obedeceu cada um dos cinco quadros de apoio estrutural da UE at&eacute; ao momento presente, identificando-se igualmente alguns dos projetos mais emblem&aacute;ticos que os marcaram.</p>     <p>Um elemento inovador deste exerc&iacute;cio tem a ver com a reparti&ccedil;&atilde;o percentual dos apoios por &aacute;rea de atua&ccedil;&atilde;o, com &acirc;mbito mais abrangente do que os quadros de apoio formais: os gr&aacute;ficos apresentados incluem a totalidade dos Fundos do <a href="#q1"></a><a href="#q1">quadro 1</a>, ou seja, abrangem, em cada per&iacute;odo, todos os instrumentos financeiros europeus de apoio &agrave;s pol&iacute;ticas regional, social, agr&iacute;cola e de pesca. As seis &aacute;reas de investimento identificadas tentam pois cobrir, de forma integrada, as interven&ccedil;&otilde;es dos cinco fundos (e LOE-PEDIP), embora tenham obrigado a alguma simplifica&ccedil;&atilde;o de conceitos, face &agrave;s distintas tipologias de atua&ccedil;&atilde;o de cada um deles.</p>     <p>Esta an&aacute;lise socorreu&#8209;se, designadamente, de dados do estudo publicado em 2013 com coordena&ccedil;&atilde;o de Augusto Mateus &ndash; <i>25 Anos de Portugal Europeu</i>&raquo; &ndash; e apenas abrange os quatro primeiros per&iacute;odos de programa&ccedil;&atilde;o dos Fundos Estruturais; o Portugal 2020, por ainda se encontrar em in&iacute;cio de implementa&ccedil;&atilde;o, n&atilde;o permite fazer o mesmo tipo de an&aacute;lise, com base em valores efetivamente realizados.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>O QUADRO COMUNIT&Aacute;RIO DE APOIO 1989-1993</b></p>     <p>O QCA I afirmava como grandes objetivos a converg&ecirc;ncia real com a Europa (redu&ccedil;&atilde;o dos desn&iacute;veis de desenvolvimento da economia portuguesa face &agrave; m&eacute;dia comunit&aacute;ria) e a coes&atilde;o econ&oacute;mica e social no plano interno (corre&ccedil;&atilde;o dos desequil&iacute;brios regionais internos).</p>     <p>Este primeiro quadro comunit&aacute;rio foi estruturado em seis eixos priorit&aacute;rios de interven&ccedil;&atilde;o:</p> <ul>       <li>cria&ccedil;&atilde;o de infraestruturas econ&oacute;micas com impacto direto sobre o crescimento econ&oacute;mico equilibrado;</li>       <li>apoio ao investimento produtivo e &agrave;s infraestruturas diretamente ligadas a este investimento;</li>       <li>desenvolvimento dos recursos humanos;</li>       ]]></body>
<body><![CDATA[<li>promo&ccedil;&atilde;o da competitividade da agricultura e desenvolvimento rural;</li>       <li>reconvers&atilde;o e reestrutura&ccedil;&atilde;o industriais;</li>       <li>desenvolvimento das potencialidades de crescimento das regi&otilde;es e desenvolvimento local.</li>     </ul>     <p>No &uacute;ltimo eixo, relativo especificamente ao desenvolvimento regional e local, foram concentrados em programas operacionais regionais todos os financiamentos dirigidos &agrave;s regi&otilde;es aut&oacute;nomas dos A&ccedil;ores e da Madeira e &agrave;s autarquias locais. Este eixo correspondeu a 18 por cento do total, sendo que os restantes eixos concentravam os recursos para as pol&iacute;ticas p&uacute;blicas implementadas diretamente pela Administra&ccedil;&atilde;o Central, a que, no essencial, tinham acesso os departamentos do Estado e as empresas p&uacute;blicas. Ainda que este primeiro Quadro Comunit&aacute;rio de Apoio seja normalmente associado a uma &laquo;chuva de milh&otilde;es&raquo; e &agrave; &laquo;aposta no bet&atilde;o&raquo;, os n&uacute;meros n&atilde;o confirmam tal imagem: tratou&#8209;se do per&iacute;odo de programa&ccedil;&atilde;o em que Portugal recebeu de longe menos dinheiro europeu, mesmo em m&eacute;dia anual, mas em que se assistiu a um surto de obras p&uacute;blicas extraordin&aacute;rio, comparativamente &agrave;s d&eacute;cadas anteriores. Se a isso juntarmos a aten&ccedil;&atilde;o que a comunica&ccedil;&atilde;o social e o p&uacute;blico em geral devotaram a esses investimentos (face ao que se passou posteriormente, em que o assunto se banalizou) temos os ingredientes para a cria&ccedil;&atilde;o de uma imagem pouco rigorosa.</p>     <p>O gr&aacute;fico seguinte revela que embora tenha havido um esfor&ccedil;o significativo na realiza&ccedil;&atilde;o de infraestruturas, sobretudo na &aacute;rea dos transportes e comunica&ccedil;&otilde;es mas igualmente na da distribui&ccedil;&atilde;o de &aacute;gua e saneamento b&aacute;sico (setores em que Portugal apresentava atrasos substanciais face &agrave;s m&eacute;dias europeias), a verdade &eacute; que o equil&iacute;brio entre &aacute;reas s&oacute; encontrar&aacute; paralelo muitos anos mais tarde, no &acirc;mbito do Portugal 2020.</p>     <p>Com efeito, as interven&ccedil;&otilde;es em favor do setor empresarial (incentivos a 7500 projetos de investimento, equipamentos de suporte ao desenvolvimento empresarial, apoios &agrave; ci&ecirc;ncia e tecnologia) no &acirc;mbito do FEDER e PEDIP e as de apoio &agrave;s explora&ccedil;&otilde;es agr&iacute;colas (FEOGA&#8209;Orienta&ccedil;&atilde;o) e &agrave; racionaliza&ccedil;&atilde;o da frota e transforma&ccedil;&atilde;o dos produtos da pesca (IFOP) acabaram por tornar esta &aacute;rea na mais privilegiada do QCA I.</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="g1"></a> <img src="/img/revistas/ri/n53/n53a03g1.jpg">     
<p>&nbsp;</p>     <p>O QCA I consagraria tamb&eacute;m o primeiro Programa de Desenvolvimento Educativo em Portugal (PRODEP), como exce&ccedil;&atilde;o &agrave;s regras comunit&aacute;rias vigentes na altura, com 44 por cento das suas verbas a serem destinadas &agrave; forma&ccedil;&atilde;o de professores e o resto &agrave; constru&ccedil;&atilde;o de novas escolas (nomeadamente para substituir escolas muito degradadas ou que at&eacute; a&iacute; funcionavam em contentores).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A listagem de alguns investimentos emblem&aacute;ticos realizados com apoio comunit&aacute;rio no per&iacute;odo 1989&#8209;1993 (alguns dos quais se prolongaram at&eacute; 1995, ano dos &uacute;ltimos pagamentos do QCA I) ilustra o peso relativo das infraestruturas econ&oacute;micas e sociais mas igualmente o lugar que a educa&ccedil;&atilde;o e a forma&ccedil;&atilde;o tiveram neste primeiro quadro de apoio.</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="i1"></a> <img src="/img/revistas/ri/n53/n53a03i1.jpg">     
<p>&nbsp;</p>     <p><b>O QUADRO COMUNIT&Aacute;RIO DE APOIO 1994-1999</b></p>     <p>O QCA II manteve os dois grandes objetivos do QCA I &ndash; converg&ecirc;ncia real com a Europa e refor&ccedil;o da coes&atilde;o interna &ndash; e foi estruturado em fun&ccedil;&atilde;o de quatro eixos priorit&aacute;rios de interven&ccedil;&atilde;o:</p> <ul>       <li>qualificar os recursos humanos e o emprego;</li>       <li>refor&ccedil;ar os fatores de competitividade da economia;</li>       <li>promover a qualidade de vida e a coes&atilde;o social;</li>       <li>fortalecer a base econ&oacute;mica regional.</li>     </ul>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A l&oacute;gica de organiza&ccedil;&atilde;o das interven&ccedil;&otilde;es p&uacute;blicas financiadas pelos Fundos manteve&#8209;-se &ndash; agora com o IFOP integrado no QCA mas j&aacute; sem a linha espec&iacute;fica do PEDIP, que terminou &ndash; com as interven&ccedil;&otilde;es em favor das administra&ccedil;&otilde;es regionais e locais (programas operacionais regionais) a serem concentradas no &uacute;ltimo eixo e a representarem cerca de 15 por cento do total dos Fundos. A quebra aparente do peso das &laquo;regi&otilde;es&raquo; tem sobretudo a ver com a cria&ccedil;&atilde;o do Fundo de Coes&atilde;o, &laquo;n&atilde;o regionaliz&aacute;vel&raquo;. Com efeito, a principal novidade do QCA II foi a inclus&atilde;o do novo fundo criado pelo Tratado de Maastricht &ndash; o Fundo de Coes&atilde;o (FC), cujos financiamentos se deveriam estatutariamente distribuir de forma equilibrada por dois setores apenas: transportes e ambiente.</p>     <p>O FC &ndash; com uma dota&ccedil;&atilde;o equivalente a cerca de 15 por cento do total dos Fundos &ndash; viria a desequilibrar decisivamente a balan&ccedil;a em favor das infraestruturas territoriais, ainda que numa an&aacute;lise inicial do QCA tal n&atilde;o ficasse patente: o FC foi regulamentarmente integrado no documento em modo &laquo;pr&oacute;&#8209;mem&oacute;ria&raquo; sem integra&ccedil;&atilde;o na estrat&eacute;gia de interven&ccedil;&atilde;o do QCA nem reparti&ccedil;&atilde;o por setores.</p>     <p>Apesar de o primeiro eixo priorit&aacute;rio do QCA II se dirigir &agrave; qualifica&ccedil;&atilde;o e ao emprego dos portugueses e de o novo governo sa&iacute;do das elei&ccedil;&otilde;es de outubro de 1995 eleger a educa&ccedil;&atilde;o como paix&atilde;o, a rela&ccedil;&atilde;o entre infraestruturas e forma&ccedil;&atilde;o nunca foi t&atilde;o desequilibrada como neste per&iacute;odo de programa&ccedil;&atilde;o: o <a href="#g2">gráfico 2</a> revela o crescimento substancial das infraestruturas territoriais face ao per&iacute;odo anterior, bem como a redu&ccedil;&atilde;o do peso da forma&ccedil;&atilde;o no total dos Fundos. Mesmo tendo em considera&ccedil;&atilde;o que todos os valores aumentaram muito (face &agrave; duplica&ccedil;&atilde;o das dota&ccedil;&otilde;es dispon&iacute;veis), n&atilde;o deixa de ser ir&oacute;nico que o peso relativo das interven&ccedil;&otilde;es em favor dos recursos humanos tenha decrescido, e isto em virtude da voca&ccedil;&atilde;o do FC.</p>     <p>Pelas mesmas raz&otilde;es, e porque a linha do PEDIP expressamente dirigida para o efeito n&atilde;o teve continuidade no or&ccedil;amento comunit&aacute;rio, o investimento na competitividade empresarial teve um decr&eacute;scimo relativo manifesto em rela&ccedil;&atilde;o ao QCA I. H&aacute; contudo em paralelo algum refor&ccedil;o das infraestruturas sociais e das a&ccedil;&otilde;es de desenvolvimento rural.</p>     <p>&Eacute;, neste contexto, interessante verificar como uma estrat&eacute;gia que no essencial se mant&eacute;m inalterada, com os mesmos objetivos e um rearranjo formal das prioridades de interven&ccedil;&atilde;o, conduz a resultados de realiza&ccedil;&atilde;o t&atilde;o diferentes: &agrave; medida que os QCA foram sendo implementados foi ficando mais clara a ideia de que &eacute; menos na afirma&ccedil;&atilde;o dos objetivos e prioridades pol&iacute;ticas e mais na sele&ccedil;&atilde;o t&eacute;cnica dos projetos concretos a implementar que se joga a orienta&ccedil;&atilde;o e est&iacute;mulo do processo de desenvolvimento.</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="g2"></a> <img src="/img/revistas/ri/n53/n53a03g2.jpg">     
<p>&nbsp;</p>     <p>As grandes obras de infraestrutura&ccedil;&atilde;o do territ&oacute;rio est&atilde;o bem patentes na listagem de projetos emblem&aacute;ticos do QCA II. Dada a duplica&ccedil;&atilde;o dos Fundos, houve um refor&ccedil;o em termos absolutos da interven&ccedil;&atilde;o em todos os setores, designadamente nas infraestruturas culturais, da educa&ccedil;&atilde;o e da sa&uacute;de. Nas autarquias locais, para al&eacute;m de museus municipais, assiste&#8209;se &agrave; constru&ccedil;&atilde;o de um conjunto alargado de infraestruturas desportivas (pavilh&otilde;es gimnodesportivos e piscinas), que se v&ecirc;m juntar &agrave;s tradicionais prioridades de investimento dos munic&iacute;pios: estradas e &aacute;gua e saneamento.</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="i2"></a> <img src="/img/revistas/ri/n53/n53a03i2.jpg">     
<p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>O QUADRO COMUNIT&Aacute;RIO DE APOIO 2000-2006</b></p>     <p>O QCA III afirmava, como objetivo gen&eacute;rico, superar, no quadro de uma gera&ccedil;&atilde;o, os atrasos estruturais que separam Portugal dos pa&iacute;ses europeus mais desenvolvidos e, no horizonte 2006, foi estruturado em fun&ccedil;&atilde;o de quatro eixos priorit&aacute;rios de interven&ccedil;&atilde;o:</p> <ul>       <li>elevar o n&iacute;vel de qualifica&ccedil;&atilde;o dos portugueses, promover o emprego e a coes&atilde;o social;</li>       <li>alterar o perfil produtivo em dire&ccedil;&atilde;o &agrave;s atividades do futuro;</li>       <li>afirmar a valia do territ&oacute;rio e a posi&ccedil;&atilde;o geoecon&oacute;mica do pa&iacute;s;</li>       <li>promover o desenvolvimento sustent&aacute;vel das regi&otilde;es e a coes&atilde;o nacional.</li>     </ul>     <p>Ao contr&aacute;rio dos anteriores QCA, o QCA III assumiu uma regionaliza&ccedil;&atilde;o expressiva das interven&ccedil;&otilde;es financiadas pelos Fundos: quase 47 por cento dos montantes alocados foram inseridos no &uacute;ltimo eixo priorit&aacute;rio de interven&ccedil;&atilde;o, aquele que se destinava especificamente ao desenvolvimento das regi&otilde;es e que foi implementado atrav&eacute;s de programas operacionais regionais, geridos pelos &oacute;rg&atilde;os das regi&otilde;es aut&oacute;nomas e pelas Comiss&otilde;es de Coordena&ccedil;&atilde;o e Desenvolvimento Regional (CCDR) nas cinco regi&otilde;es do continente. A inten&ccedil;&atilde;o seria de refor&ccedil;ar o peso dos agentes econ&oacute;micos e sociais regionais na escolha de projetos de todos os setores a implementar na sua regi&atilde;o.</p>     <p>Esta descentraliza&ccedil;&atilde;o te&oacute;rica para os programas regionais foi acompanhada de uma nova configura&ccedil;&atilde;o dos programas operacionais regionais do continente: em vez de se limitarem a utilizar recursos do FEDER para financiar projetos de iniciativa local ou intermunicipal, estes programas passaram a incluir investimentos dos v&aacute;rios setores de interven&ccedil;&atilde;o do governo central, a realizar pelos minist&eacute;rios e por empresas p&uacute;blicas. Naturalmente que num pa&iacute;s centralizado como o portugu&ecirc;s, em que o poder de decis&atilde;o continua concentrado em Lisboa, dificilmente tal medida poderia ter os efeitos desejados, sem que simultaneamente se procedesse a uma reforma institucional que permitisse reequilibrar os poderes central e regional. Como tal n&atilde;o aconteceu, a nova estrutura do QCA implicou mais burocracia e maiores prazos e custos de transa&ccedil;&atilde;o dentro da Administra&ccedil;&atilde;o, sem que se observasse uma altera&ccedil;&atilde;o do paradigma de decis&atilde;o nos apoios comunit&aacute;rios.</p>     <p>Uma outra novidade do QCA III foi a consagra&ccedil;&atilde;o de duas reservas de dota&ccedil;&otilde;es financeiras, a afetar apenas a meio do per&iacute;odo de programa&ccedil;&atilde;o, em fun&ccedil;&atilde;o do surgimento de novos problemas ou prioridades e da evolu&ccedil;&atilde;o da implementa&ccedil;&atilde;o dos programas operacionais; foram assim atribu&iacute;dos &agrave; reserva de efici&ecirc;ncia (regulamentar) e &agrave; reserva de programa&ccedil;&atilde;o (de iniciativa do Governo portugu&ecirc;s) um montante global de 6,6 por cento das verbas alocadas a Portugal, para afeta&ccedil;&atilde;o posterior.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Tal obrigou a um exerc&iacute;cio de avalia&ccedil;&atilde;o intercalar e de reprograma&ccedil;&atilde;o do QCA em 2004 para integrar os montantes em reserva mas que em nada mudou a reparti&ccedil;&atilde;o relativa entre Fundos; ajustaram&#8209;se diversos programas e medidas, criou&#8209;se um novo programa direcionado para a moderniza&ccedil;&atilde;o da Administra&ccedil;&atilde;o P&uacute;blica mas, sobretudo, despendeu&#8209;se mais de um ano em negocia&ccedil;&otilde;es com os servi&ccedil;os da Comiss&atilde;o Europeia sobre onde alocar as verbas, tudo isto numa altura em que o foco deveria estar na implementa&ccedil;&atilde;o dos programas e dos projetos neles inseridos.</p>     <p>A reparti&ccedil;&atilde;o por &aacute;reas de atua&ccedil;&atilde;o n&atilde;o se alterou grandemente com este processo e, como se pode observar no <a href="#g3">gráfico 3</a>, o peso relativo das v&aacute;rias &aacute;reas manteve&#8209;se praticamente inalterado relativamente ao QCA II. H&aacute; um pequeno acr&eacute;scimo da fatia afeta a infraestruturas sociais, em detrimento dos apoios &agrave;s empresas e &agrave;s infraestruturas territoriais, que sofrem ambas uma redu&ccedil;&atilde;o relativa marginal.</p>     <p>O aspeto mais saliente do QCA III foi porventura a manuten&ccedil;&atilde;o do n&iacute;vel de esfor&ccedil;o infraestrutural, ap&oacute;s o substancial aumento verificado no per&iacute;odo anterior. E tudo isto acontece quando h&aacute; um novo refor&ccedil;o dos Fundos Estruturais atribu&iacute;dos a Portugal &ndash; o QCA III corresponde ao pico de apoios da UE ao nosso pa&iacute;s &ndash; e quando o Governo decide avan&ccedil;ar para as novas autoestradas sem custos para o utilizador (SCUT), as quais a partir de 1999 passam a ser constru&iacute;das em paralelo e adicionalmente ao esfor&ccedil;o de investimento do QCA, mas sem o seu financiamento.</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="g3"></a> <img src="/img/revistas/ri/n53/n53a03g3.jpg">     
<p>&nbsp;</p>     <p>As infraestruturas de transportes, de energia e de gest&atilde;o do ambiente acabam por ter, mais uma vez, um peso determinante no conjunto das afeta&ccedil;&otilde;es de verbas para investimento. O refor&ccedil;o das despesas em C&amp;T, o acesso da tecnologia aos jovens e &agrave;s escolas e os centros de novas oportunidades acabaram por marcar tamb&eacute;m este novo ciclo, juntamente com o acr&eacute;scimo significativo de formandos dos cursos de forma&ccedil;&atilde;o e dos est&aacute;gios de inser&ccedil;&atilde;o profissional.</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="i3"></a> <img src="/img/revistas/ri/n53/n53a03i3.jpg">     
<p>&nbsp;</p>     <p><b>O QUADRO DE REFER&Ecirc;NCIA ESTRAT&Eacute;GICO NACIONAL 2007-2013</b></p>     <p>O QREN afirmava como objetivo estrat&eacute;gico a qualifica&ccedil;&atilde;o dos portugueses bem como a promo&ccedil;&atilde;o de n&iacute;veis elevados e sustentados de desenvolvimento econ&oacute;mico e sociocultural e de qualifica&ccedil;&atilde;o territorial. O <a href="#q2">quadro 2</a>007&#8209;2013 definiu em seguida cinco prioridades estrat&eacute;gicas, a saber:</p> <ul>       ]]></body>
<body><![CDATA[<li>promover a qualifica&ccedil;&atilde;o dos portugueses e das portuguesas;</li>       <li>promover o crescimento sustentado, atrav&eacute;s do aumento da competitividade;</li>       <li>garantir a coes&atilde;o social;</li>       <li>assegurar a qualifica&ccedil;&atilde;o do territ&oacute;rio e das cidades;</li>       <li>aumentar a efici&ecirc;ncia da governa&ccedil;&atilde;o.</li>     </ul>     <p>A estrutura operacional do quadro de interven&ccedil;&atilde;o, ao inv&eacute;s de acompanhar as prioridades estrat&eacute;gicas (como aconteceu nos tr&ecirc;s QCA), foi antes desenhada em fun&ccedil;&atilde;o de tr&ecirc;s agendas tem&aacute;ticas:</p> <ul>       <li>agenda para o potencial humano;</li>       <li>agenda para os fatores de competitividade;</li>       <li>agenda para a valoriza&ccedil;&atilde;o do territ&oacute;rio.</li>     ]]></body>
<body><![CDATA[</ul>     <p>A op&ccedil;&atilde;o pelas agendas tem&aacute;ticas foi inovadora e visou sobretudo criar novas racionalidades na sele&ccedil;&atilde;o dos projetos a financiar pelos Fundos Estruturais. Pretendeu&#8209;se que todos os programas operacionais &ndash; quer de &acirc;mbito nacional, quer regional &ndash; fossem organizados de acordo com estas tr&ecirc;s agendas que atravessaram todo o QREN.</p>     <p>Dado que complementarmente foi organizado um modelo regulamentar a n&iacute;vel nacional com mais de 100 regulamentos, por tipologias de projetos e a&ccedil;&otilde;es, que regiam o acesso e sele&ccedil;&atilde;o da totalidade das opera&ccedil;&otilde;es financi&aacute;veis pelo QREN, atingiu&#8209;se um n&iacute;vel de uniformiza&ccedil;&atilde;o nunca visto entre programas. Com efeito, tais regulamentos eram transversais aos v&aacute;rios programas operacionais e continham uma limitada capacidade de adapta&ccedil;&atilde;o &agrave;s realidades socioecon&oacute;micas e objetivos de desenvolvimento de cada regi&atilde;o do pa&iacute;s; nesse sentido, os programas operacionais acabaram por constituir sobretudo instrumentos financeiros de uma estrat&eacute;gia definida e conduzida a n&iacute;vel nacional.</p>     <p>O QREN, de acordo com a regulamenta&ccedil;&atilde;o comunit&aacute;ria, integrava formalmente apenas o FEDER, o FSE e o FC, no conceito mais limitado de pol&iacute;tica de coes&atilde;o desde que esta se iniciou em 1989. Tal significa que os programas operacionais, quer tem&aacute;ticos quer regionais, que o compunham apenas eram financiados por aqueles tr&ecirc;s fundos, sendo que tanto o FEADER (pol&iacute;tica agr&iacute;cola) como o FEP (pol&iacute;tica de pescas) financiavam programas pr&oacute;prios, exteriores ao QREN.</p>     <p>Em termos de regionaliza&ccedil;&atilde;o operacional dos recursos postos &agrave; disposi&ccedil;&atilde;o de Portugal, e por forma a manter a comparabilidade dos dados entre per&iacute;odos de programa&ccedil;&atilde;o, o conjunto dos programas operacionais regionais deve ser comparado com a totalidade dos cinco fundos de finalidade estrutural, dado que tanto o FEADER como o FEP t&ecirc;m, no essencial, gest&atilde;o nacional: a parcela dos programas operacionais regionais (continente e regi&otilde;es aut&oacute;nomas) desce assim para 28,7 por cento do total.</p>     <p>Em parte esta redu&ccedil;&atilde;o abrupta tem a ver com o facto de os programas regionais do continente terem voltado ao figurino dos dois primeiros qca: apenas foram financiados pelo FEDER.</p>     <p>Ainda assim, esta percentagem &eacute; superior ao dos dois primeiros QCA mas tal deve ser matizado pelo facto de, ao contr&aacute;rio daqueles, os programas regionais do QREN inclu&iacute;rem tipologias de a&ccedil;&otilde;es viradas para o setor privado (projetos de micro e pequenas empresas) e da iniciativa da Administra&ccedil;&atilde;o Central (designadamente sa&uacute;de e cultura) e de empresas p&uacute;blicas tuteladas pelo Estado.</p>     <p>O QREN adotou pois um modelo de organiza&ccedil;&atilde;o e de regulamenta&ccedil;&atilde;o conducente a n&iacute;veis elevados de centraliza&ccedil;&atilde;o, reduzindo de forma significativa a capacidade de as regi&otilde;es escolherem o caminho do seu desenvolvimento no que toca &agrave; fatia cofinanciada pela UE. Pretendeu&#8209;se com isso, designadamente, refor&ccedil;ar a coer&ecirc;ncia dos projetos apoiados com a estrat&eacute;gia definida a n&iacute;vel nacional.</p>     <p>A estrat&eacute;gia de desenvolvimento posta em pr&aacute;tica no QREN traduziu&#8209;se de facto por altera&ccedil;&otilde;es significativas nas prioridades dos Fundos correspondentes aos dois per&iacute;odos de programa&ccedil;&atilde;o anteriores: o peso da infraestrutura&ccedil;&atilde;o do territ&oacute;rio, por muitos considerado j&aacute; excessivo, esbateu&#8209;se, passando para 25 por cento do total dos Fundos; em compensa&ccedil;&atilde;o, assiste&#8209;se a um forte crescimento do investimento em forma&ccedil;&atilde;o e em infraestruturas sociais. Estes ajustamentos de trajet&oacute;ria t&ecirc;m lugar j&aacute; numa fase descendente dos Fundos (que se inicia no QREN), o que tornou a decis&atilde;o politicamente mais complexa.</p>     <p>De notar que o QREN atravessa o per&iacute;odo agudo da crise econ&oacute;mica e financeira em Portugal, o que n&atilde;o deixou de ter repercuss&otilde;es na programa&ccedil;&atilde;o, obrigando a uma revis&atilde;o interm&eacute;dia conducente ao aumento generalizado das taxas de financiamento dos Fundos (para reduzir a contrapartida necess&aacute;ria dos projetos apoiados) e &agrave; orienta&ccedil;&atilde;o de canalizar recursos comunit&aacute;rios substanciais para o financiamento dos grandes sistemas p&uacute;blicos de educa&ccedil;&atilde;o, ci&ecirc;ncia e forma&ccedil;&atilde;o profissional.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p> <a name="g4"></a> <img src="/img/revistas/ri/n53/n53a03g4.jpg">     
<p>&nbsp;</p>     <p>No conjunto dos projetos mais relevantes financiados pelo QREN destacam&#8209;se as a&ccedil;&otilde;es de forma&ccedil;&atilde;o, que atingem um valor recorde, mas tamb&eacute;m o reduzido n&uacute;mero de estradas com significado nacional. As despesas de I&amp;D no PIB d&atilde;o um novo salto, com forte peso das bolsas da Funda&ccedil;&atilde;o de Ci&ecirc;ncia e Tecnologia, mantendo&#8209;se investimentos elevados em ambiente e em educa&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>&Eacute; nesta fase que se assiste, no n&iacute;vel municipal e local, &agrave; nova aposta nas infraestruturas sociais e, sobretudo, nas a&ccedil;&otilde;es de renova&ccedil;&atilde;o e reabilita&ccedil;&atilde;o de muitos centros urbanos e hist&oacute;ricos do pa&iacute;s.</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="i4"></a> <img src="/img/revistas/ri/n53/n53a03i4.jpg">     
<p>&nbsp;</p>     <p><b>O ACORDO DE PARCERIA 2014-2020 (PORTUGAL 2020)</b></p>     <p>O Acordo de Parceria surge muito condicionado pelo novo alinhamento da Pol&iacute;tica de Coes&atilde;o Europeia com a Estrat&eacute;gia Europa 2020 &ndash; estrat&eacute;gia para um crescimento inteligente, sustent&aacute;vel e inclusivo. O prop&oacute;sito de transformar os Fundos Estruturais nos principais instrumentos financeiros da Europa 2020 e de assegurar o seu contributo para a consecu&ccedil;&atilde;o das metas quantificadas europeias conduziu &agrave; cria&ccedil;&atilde;o de menus de objetivos tem&aacute;ticos e de prioridades de investimento a n&iacute;vel europeu, a partir dos quais cada Estado-Membro teve de selecionar aqueles que melhor se adequavam &agrave;s suas debilidades estruturais e &agrave; sua estrat&eacute;gia de desenvolvimento.</p>     <p>Como resultado, tem&#8209;se um documento estruturado em fun&ccedil;&atilde;o dos objetivos e prioridades escolhidas e onde o objetivo &uacute;ltimo &eacute; contribuir para a estrat&eacute;gia europeia de desenvolvimento.</p>     <p>De qualquer modo, o Acordo de Parceria, designado por Portugal 2020, acabou por adotar quatro prioridades de interven&ccedil;&atilde;o, na base das quais todo o texto est&aacute; organizado, a saber:</p> <ul>       ]]></body>
<body><![CDATA[<li>competitividade e internacionaliza&ccedil;&atilde;o;</li>       <li>inclus&atilde;o social e emprego;</li>       <li>capital humano;</li>       <li>sustentabilidade e efici&ecirc;ncia no uso de recursos.</li>     </ul>     <p>Para cada uma destas prioridades, s&atilde;o definidos objetivos e metas, para os quais todos os programas operacionais devem contribuir. Tal significa que, a exemplo do que j&aacute; tinha sucedido no QREN, cada uma das quatro prioridades &eacute; concretizada atrav&eacute;s de um programa operacional tem&aacute;tico, gerido a n&iacute;vel central, e de componentes dos programas operacionais regionais; cria-se, assim, um modelo bastante centralizado que &eacute; ainda completado pela regulamenta&ccedil;&atilde;o interna, por tipologia de a&ccedil;&otilde;es, transversal aos v&aacute;rios programas.</p>     <p>Os programas operacionais regionais (incluindo o FEADER gerido pelas regi&otilde;es aut&oacute;nomas) representam todavia 37,9 por cento do total dos Fundos, ou seja, registam um crescimento significativo do seu peso face ao QREN. H&aacute;, todavia, que referir que tal peso resulta sobretudo da divis&atilde;o de tipologia de a&ccedil;&otilde;es da Administra&ccedil;&atilde;o Central entre os programas tem&aacute;ticos e os programas regionais, n&atilde;o significando portanto qualquer avan&ccedil;o sens&iacute;vel na descentraliza&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>A programa&ccedil;&atilde;o das a&ccedil;&otilde;es a apoiar pelo Portugal 2020 foi objeto de negocia&ccedil;&otilde;es intensas com a Comiss&atilde;o Europeia, a qual impediu o financiamento de infraestruturas desportivas e reduziu de forma substancial os apoios &agrave;s infraestruturas territoriais, designadamente estradas. O prop&oacute;sito foi de refor&ccedil;ar o apoio ao investimento produtivo e acr&eacute;scimo de produtividade, tornando a economia mais competitiva e mais internacionalizada, para al&eacute;m de atender, de forma mais focada, &agrave;s quest&otilde;es ligadas &agrave;s mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas e &agrave; redu&ccedil;&atilde;o do teor de carbono.</p>     <p>O resultado de tais negocia&ccedil;&otilde;es foi um reequil&iacute;brio significativo entre a componente &laquo;infraestruturas e equipamentos&raquo; e as que mais diretamente relevam da Estrat&eacute;gia Europa 2020: o apoio &agrave;s empresas e &agrave; inova&ccedil;&atilde;o, &agrave; efici&ecirc;ncia energ&eacute;tica e energias renov&aacute;veis e &agrave; preven&ccedil;&atilde;o dos riscos da mudan&ccedil;a clim&aacute;tica. Tamb&eacute;m nas infraestruturas de transportes, a prioridade passou a ser dada aos transportes limpos, com relevo para o modo ferrovi&aacute;rio.</p>     <p>Embora n&atilde;o seja ainda poss&iacute;vel desenhar os gr&aacute;ficos de reparti&ccedil;&atilde;o pelas principais &aacute;reas de atua&ccedil;&atilde;o do Portugal 2020, semelhantes aos dos per&iacute;odos de programa&ccedil;&atilde;o anteriores &ndash; a sua implementa&ccedil;&atilde;o est&aacute; em fase inicial &ndash;, &eacute; &uacute;til, com base nas inten&ccedil;&otilde;es expressas no documento, efetuar uma an&aacute;lise gen&eacute;rica do que &eacute; proposto fazer&#8209;se por dom&iacute;nios ou setores.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>O gr&aacute;fico seguinte pretende, ainda que de forma simplificada, fornecer alguma luz relativamente &agrave;s altera&ccedil;&otilde;es de equil&iacute;brios no Portugal 2020, quando comparado com os per&iacute;odos anteriores.</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="g5"></a> <img src="/img/revistas/ri/n53/n53a03g5.jpg">     
<p>&nbsp;</p>     <p>Se bem que na base de conceitos e conte&uacute;dos n&atilde;o totalmente compar&aacute;veis (por exemplo, na &aacute;rea da educa&ccedil;&atilde;o, forma&ccedil;&atilde;o e emprego est&atilde;o inclu&iacute;das as infraestruturas sociais a elas relativas, ao contr&aacute;rio do que acontecia no QCA I) e num contexto econ&oacute;mico e de desafios societais e ambientais muito diferentes, verifica&#8209;se uma aproxima&ccedil;&atilde;o muito forte dos equil&iacute;brios do Portugal 2020 aos do QCA I: a parcela das empresas, tecnologia e inova&ccedil;&atilde;o atinge os 32 por cento (contra 35 por cento no QCA I) enquanto a valoriza&ccedil;&atilde;o dos recursos humanos e emprego alcan&ccedil;a 24 por cento (contra 25 por cento no QCA I).</p>     <p>O Portugal 2020 surge pois como uma rotura relativamente aos tr&ecirc;s per&iacute;odos anteriores, favorecendo claramente o investimento produtivo, as qualifica&ccedil;&otilde;es e o emprego, em detrimento do chamado &laquo;investimento em bet&atilde;o&raquo; (as infraestruturas territoriais descem pela primeira vez para os 20 por cento).</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>CONCLUS&Otilde;ES</b></p>     <p>Portugal beneficiou, nos &uacute;ltimos 30 anos, de 107,7 mil milh&otilde;es de euros de apoio estrutural comunit&aacute;rio, a pre&ccedil;os de 2014, preparando&#8209;se agora para utilizar mais cerca de 24,6 mil milh&otilde;es de euros at&eacute; 2020, caso o Brexit n&atilde;o venha a impor a revis&atilde;o em baixa das perspetivas financeiras europeias, com repercuss&otilde;es nos Fundos Estruturais. Trata&#8209;se de valores muito substanciais que representaram em regra entre dois e tr&ecirc;s por cento do PIB portugu&ecirc;s ao longo destes anos.</p>     <p>Face ao atraso estrutural do pa&iacute;s na altura da ades&atilde;o &ndash; designadamente em mat&eacute;ria de transportes e comunica&ccedil;&otilde;es, saneamento b&aacute;sico, educa&ccedil;&atilde;o e forma&ccedil;&atilde;o profissional &ndash; e &agrave; debilidade do nosso tecido produtivo, nos primeiros anos houve que atender ao &oacute;bvio: desde a constru&ccedil;&atilde;o da autoestrada Lisboa&#8209;Porto e outros meios de comunica&ccedil;&atilde;o &agrave; liga&ccedil;&atilde;o &agrave; rede de abastecimento de &aacute;gua e de tratamento de esgotos de muitas povoa&ccedil;&otilde;es em todo o pa&iacute;s, passando pela substitui&ccedil;&atilde;o de escolas em condi&ccedil;&otilde;es f&iacute;sicas inaceit&aacute;veis e pela cria&ccedil;&atilde;o de modalidades de apoio ao investimento empresarial atrav&eacute;s dos primeiros sistemas de incentivo a fundo perdido, foram dados os passos iniciais para a cria&ccedil;&atilde;o de condi&ccedil;&otilde;es de aproxima&ccedil;&atilde;o &agrave;s m&eacute;dias europeias, utilizando boas pr&aacute;ticas e t&eacute;cnicas em vigor nos nossos parceiros. A cria&ccedil;&atilde;o do sistema p&uacute;blico de forma&ccedil;&atilde;o profissional data tamb&eacute;m dessa altura, a par de investimentos na sa&uacute;de, em novos hospitais.</p>     <p>Em 1994 ocorrem duas altera&ccedil;&otilde;es significativas nas pol&iacute;ticas estruturais europeias: por um lado, a cria&ccedil;&atilde;o do Fundo de Coes&atilde;o que implicou o acr&eacute;scimo de investimento em infraestruturas de transporte e de ambiente e, por outro, a duplica&ccedil;&atilde;o dos recursos financeiros &agrave; disposi&ccedil;&atilde;o de Portugal que colocou novos desafios, designadamente em termos de absor&ccedil;&atilde;o.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&Eacute; no seguimento destes refor&ccedil;os da Pol&iacute;tica de Coes&atilde;o que se inicia um verdadeiro ciclo de edifica&ccedil;&atilde;o de infraestruturas e equipamentos f&iacute;sicos, em praticamente todas as &aacute;reas das pol&iacute;ticas p&uacute;blicas, com um desenvolvimento in&eacute;dito da constru&ccedil;&atilde;o civil em Portugal e o investimento p&uacute;blico &ndash; da Administra&ccedil;&atilde;o Central, administra&ccedil;&otilde;es regionais, autarquias locais e empresas p&uacute;blicas &ndash; a atingir parcelas muito elevadas do PIB. Ainda que o acr&eacute;scimo da despesa em mat&eacute;ria de apoio ao investimento privado, &agrave; ci&ecirc;ncia ou &agrave; educa&ccedil;&atilde;o/forma&ccedil;&atilde;o tamb&eacute;m se tenha feito sentir, n&atilde;o atingiu a progress&atilde;o verificada nas obras p&uacute;blicas.</p>     <p>Esta explos&atilde;o de investimento infraestrutural acabou por ter continuidade nos per&iacute;odos seguintes, muito em particular no QCA III em que os equil&iacute;brios entre grandes &aacute;reas de atua&ccedil;&atilde;o das pol&iacute;ticas p&uacute;blicas se mantiveram praticamente inalterados. No QREN j&aacute; se assiste contudo a uma quebra substancial do peso das infraestruturas territoriais, ainda que com alguma compensa&ccedil;&atilde;o nas infraestruturas sociais.</p>     <p>&Eacute;, ali&aacute;s, curioso verificar que o investimento f&iacute;sico no sistema educativo, designadamente em escolas, se iniciou em 1989 e atravessou todos os quadros de apoio estrutural com valores significativos, tendo o QREN ainda apoiado mais 724 estabelecimentos do ensino b&aacute;sico e pr&eacute;&#8209;escolar e 26 universidades. E isto tudo num per&iacute;odo de estabiliza&ccedil;&atilde;o da popula&ccedil;&atilde;o escolar.</p>     <p>S&atilde;o vis&iacute;veis os efeitos deste surto de investimento p&uacute;blico por todo o pa&iacute;s: na melhoria das condi&ccedil;&otilde;es de vida das aldeias, vilas e cidades portuguesas, no acesso &agrave; frui&ccedil;&atilde;o de bens e servi&ccedil;os p&uacute;blicos e na mudan&ccedil;a radical do conceito de tempo proporcionada pelos r&aacute;pidos transportes e comunica&ccedil;&otilde;es; h&aacute; no entanto que reconhecer que, na aus&ecirc;ncia de an&aacute;lises rigorosas pr&eacute;vias aos investimentos e beneficiando de cofinanciamentos elevados a fundo perdido, se realizaram investimentos dispens&aacute;veis ou de prioridade duvidosa e se superdimensionaram outros, face &agrave; procura expect&aacute;vel.</p>     <p>A curva descendente inicia&#8209;se no QREN &ndash; em que a Comiss&atilde;o Europeia come&ccedil;a a impor restri&ccedil;&otilde;es a algumas infraestruturas, como, por exemplo, as desportivas &ndash; mas o salto decisivo dever&aacute; ter sido dado no Portugal 2020, com a pr&aacute;tica exclus&atilde;o das estradas e autoestradas da pan&oacute;plia de tipos de projetos eleg&iacute;veis aos Fundos Estruturais em Portugal.</p>     <p>Esta imposi&ccedil;&atilde;o de Bruxelas juntamente com outras limita&ccedil;&otilde;es decorrentes do pr&oacute;prio figurino estrat&eacute;gico desenhado pela Comiss&atilde;o para a Pol&iacute;tica de Coes&atilde;o 2014&#8209;2020, veio conduzir a um reequil&iacute;brio dos financiamentos europeus para as &aacute;reas que de forma mais direta possam contribuir para um crescimento inteligente, sustent&aacute;vel e inclusivo &ndash; com relevo para o apoio &agrave;s pequenas e m&eacute;dias empresas, &agrave; ci&ecirc;ncia e tecnologia, &agrave; inova&ccedil;&atilde;o, a projetos que conduzam a uma economia de baixo teor de carbono, a medidas de melhoria da educa&ccedil;&atilde;o, forma&ccedil;&atilde;o e empregabilidade e a a&ccedil;&otilde;es de inclus&atilde;o social.</p>     <p>&Eacute; reconhecida a press&atilde;o sobre as finan&ccedil;as p&uacute;blicas que os custos de manuten&ccedil;&atilde;o e repara&ccedil;&atilde;o de todas as infraestruturas territoriais e sociais realizadas ao longo dos &uacute;ltimos 30 anos est&atilde;o a ditar. Esses custos v&atilde;o&#8209;se prolongar por gera&ccedil;&otilde;es e ser&aacute; necess&aacute;rio que as finan&ccedil;as p&uacute;blicas as possam acomodar, eventualmente com preju&iacute;zo de outras prioridades de pol&iacute;tica.</p>     <p>Ainda que tarde e largamente em resultado do forte empenho da Comiss&atilde;o Europeia, &eacute; de assinalar a mudan&ccedil;a no sentido de um crescimento mais sustent&aacute;vel e mais orientado para o retorno dos investimentos, mesmo que isso se venha eventualmente a traduzir nalguma degrada&ccedil;&atilde;o das taxas de absor&ccedil;&atilde;o financeira dos Fundos Estruturais, indicador em que Portugal sempre ocupou, desde 1989, um lugar cimeiro entre os parceiros europeus.</p>     <p>A moderniza&ccedil;&atilde;o do pa&iacute;s resultante de 30 anos de apoios estruturais comunit&aacute;rios &ndash; a que se juntam ainda as ajudas de pr&eacute;&#8209;ades&atilde;o na primeira metade dos anos 1980 &ndash; traduziu&#8209;se em progressos econ&oacute;micos e sociais not&aacute;veis. Independentemente das debilidades que o sistema revelou, tal n&atilde;o teria sido poss&iacute;vel sem uma nova cultura e formas de trabalho na Administra&ccedil;&atilde;o P&uacute;blica, centradas numa gest&atilde;o por objetivos, alicer&ccedil;ada em novos processos de coordena&ccedil;&atilde;o intersectorial e de programa&ccedil;&atilde;o, monitoriza&ccedil;&atilde;o e avalia&ccedil;&atilde;o de programas, medidas e projetos.</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>BIBLIOGRAFIA</b></p>     <p>COMISS&Atilde;O EUROPEIA &ndash; Decis&atilde;o da Comiss&atilde;o C(2014)2082 final, de 3 de abril de 2014, que estabelece a reparti&ccedil;&atilde;o por Fundos, anos e estados-membros dos recursos financeiros para 2014-2020. [Consultado em: 7 de julho de 2016]. Dispon&iacute;vel em: <a href="https://www.portugal2020.pt/Portal2020/Media/Default/Docs/Legislacao/Comunitaria/Decis&atilde;o%20de%20Execu&ccedil;&atilde;o%20da%20Comiss&atilde;o%20de%203%20de%20abril%20de%202014.pdf" target="_blank">https://www.portugal2020.pt/Portal2020/Media/Default/Docs/Legislacao/Comunitaria/Decis&atilde;o%20de%20Execu&ccedil;&atilde;o%20da%20Comiss&atilde;o%20de%203%20de%20abril%20de%202014.pdf</a>.</p>     <p>CORDOVIL, Francisca (coord.) &ndash; <i>Fundo de Coes&atilde;o: Relat&oacute;rio 1999: Balan&ccedil;o 1993/99</i>. Lisboa: DGDR, 2000.</p>     <p>CORDOVIL, Francisca (coord.) &ndash; <i>Execu&ccedil;&atilde;o Financeira do Fundo de Coes&atilde;o &ndash; Ponto de Situa&ccedil;&atilde;o Reportado a 31 de Dezembro de 2008</i>. Lisboa: IFDR, 2009.</p>     <p>DGDR &ndash; <i>Quadro Comunit&aacute;rio de Apoio III: Portugal 2000-2006</i>. Lisboa: DGDR, 2000.</p>     <p>DGDR &ndash; <i>Um Olhar sobre o QCA II: Encerramento do Per&iacute;odo de Programa&ccedil;&atilde;o 19941999</i>. Lisboa: DGDR, 2000.</p>     <p>DGDR &ndash; <i>Quadro Comunit&aacute;rio de Apoio III: Portugal 2000-2006 &ndash; Revis&atilde;o Intercalar 2004</i>. Lisboa: DGDR, 2004.</p>     <p>DGDR &ndash; <i>O QCA III e a Reprograma&ccedil;&atilde;o Intercalar</i>. Lisboa: DGDR, 2005.</p>     <p>DGDR &ndash; <i>Atualiza&ccedil;&atilde;o da Avalia&ccedil;&atilde;o Intercalar do Quadro Comunit&aacute;rio de Apoio III</i>. Lisboa: DGDR, 2006.</p>     <p>IFDR &ndash; <i>Relat&oacute;rio Anual 2006: Quadro Comunit&aacute;rio de Apoio III</i>. Lisboa: IFDR, 2007.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>IFDR &ndash; <i>Relat&oacute;rio Anual do QREN V &ndash; 2012</i>. Lisboa: IFDR, 2013.</p>     <p>OBSERVAT&Oacute;RIO DO QCA &ndash; <i>Quadro de Refer&ecirc;ncia Estrat&eacute;gico Nacional, Portugal 2007-13</i>. Lisboa: Observat&oacute;rio do QCA, 2007.</p>     <p>PIRES, Lu&iacute;s Madureira &ndash; <i>A Pol&iacute;tica Regional Europeia e Portugal</i>. Lisboa: Funda&ccedil;&atilde;o Calouste Gulbenkian, 1998.</p>     <p>PORTUGAL &ndash; <i>Portugal 2020 &ndash; Acordo de Parceria 2014-20</i>. [Consultado em: 7 de julho de 2016]. Dispon&iacute;vel <a href="em: https://www.portugal2020.pt/Portal2020/Media/ Default/Docs /1.%20A P_Por tugal%20 2020_28julho.pdf" target="_blank">em: https://www.portugal2020.pt/Portal2020/Media/ Default/Docs /1.%20A P_Por tugal%20 2020_28julho.pdf</a>.</p>     <p>RODRIGUES, Duarte &ndash; <i>A Incid&ecirc;ncia em Portugal da Pol&iacute;tica de Coes&atilde;o da UE: Balan&ccedil;o e Perspetivas</i> [Consultado em: 7 de julho de 2016]. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.observatorio.pt/download.php?id=899" target="_blank">www.observatorio.pt/download.php?id=899</a>.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><i>Data de rece&ccedil;&atilde;o: 22 de setembro de 2016 | Data de aprova&ccedil;&atilde;o: 16 de dezembro de 2016</i></p>      ]]></body><back>
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