<?xml version="1.0" encoding="ISO-8859-1"?><article xmlns:mml="http://www.w3.org/1998/Math/MathML" xmlns:xlink="http://www.w3.org/1999/xlink" xmlns:xsi="http://www.w3.org/2001/XMLSchema-instance">
<front>
<journal-meta>
<journal-id>1645-9199</journal-id>
<journal-title><![CDATA[Relações Internacionais (R:I)]]></journal-title>
<abbrev-journal-title><![CDATA[Relações Internacionais]]></abbrev-journal-title>
<issn>1645-9199</issn>
<publisher>
<publisher-name><![CDATA[IPRI-UNL]]></publisher-name>
</publisher>
</journal-meta>
<article-meta>
<article-id>S1645-91992017000100007</article-id>
<article-id pub-id-type="doi">10.23906/ri2017.53a07</article-id>
<title-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Normalizando anormais na sociedade internacional: Operações de paz, Foucault e a Escola Inglesa]]></article-title>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Normalizing abnormals in the international society: peace operations, Foucault and the English School]]></article-title>
</title-group>
<contrib-group>
<contrib contrib-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Blanco]]></surname>
<given-names><![CDATA[Ramon]]></given-names>
</name>
</contrib>
</contrib-group>
<aff id="A">
<institution><![CDATA[,  ]]></institution>
<addr-line><![CDATA[ ]]></addr-line>
</aff>
<pub-date pub-type="pub">
<day>00</day>
<month>03</month>
<year>2017</year>
</pub-date>
<pub-date pub-type="epub">
<day>00</day>
<month>03</month>
<year>2017</year>
</pub-date>
<numero>53</numero>
<fpage>83</fpage>
<lpage>107</lpage>
<copyright-statement/>
<copyright-year/>
<self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S1645-91992017000100007&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_abstract&amp;pid=S1645-91992017000100007&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_pdf&amp;pid=S1645-91992017000100007&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><abstract abstract-type="short" xml:lang="pt"><p><![CDATA[Este artigo discute um dos mais importantes elementos da realidade internacional atual - a construção da paz. Mais precisamente, o artigo problematiza o papel que as operações de paz têm na política internacional. Esta problematização é avançada por meio da aproximação de ferramentas analíticas desenvolvidas pelo filósofo francês Michel Foucault e pela Escola Inglesa. O artigo argumenta que as operações de paz devem ser entendidas como um dispositivo normalizador que, ao buscarem normalizar os estados pós-conflito e suas populações, é central para o fomento e manutenção de uma sociedade internacional em particular - uma sociedade internacional (neo) liberal.]]></p></abstract>
<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[This article discusses one of the most important elements of the current international reality - the construction of peace. More precisely, the article problematizes the role that peace operations have in the international politics. This problematization is advanced through the approximation of the analytical tools developed by the French philosopher Michel Foucault and the English School. The article argues that peace operations should be understood as a normalizing dispositif that, by seeking to normalize post&#8209;conflict states and theirs populations, is pivotal to the fostering and the maintenance of an international society in particular - a (neo)liberal international society.]]></p></abstract>
<kwd-group>
<kwd lng="pt"><![CDATA[Operações de paz]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[sociedade internacional]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[Michel Foucault]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[Escola Inglesa]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[Peace operations]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[international society]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[Michel Foucault]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[English School]]></kwd>
</kwd-group>
</article-meta>
</front><body><![CDATA[ <p><b>Normalizando anormais na sociedade internacional.&nbsp;</b><b>Opera&ccedil;&otilde;es de paz, Foucault e a Escola Inglesa</b></p>     <p><b>Normalizing abnormals in the international society: peace operations, Foucault and the English School</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Ramon Blanco</b><sup><a href="#0">*</a></sup><a name="top0"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>RESUMO</b></p>     <p>Este artigo discute um dos mais importantes elementos da realidade internacional atual &ndash; a constru&ccedil;&atilde;o da paz. Mais precisamente, o artigo problematiza o papel que as opera&ccedil;&otilde;es de paz t&ecirc;m na pol&iacute;tica internacional. Esta problematiza&ccedil;&atilde;o &eacute; avan&ccedil;ada por meio da aproxima&ccedil;&atilde;o de ferramentas anal&iacute;ticas desenvolvidas pelo fil&oacute;sofo franc&ecirc;s Michel Foucault e pela Escola Inglesa. O artigo argumenta que as opera&ccedil;&otilde;es de paz devem ser entendidas como um dispositivo normalizador que, ao buscarem normalizar os estados p&oacute;s-conflito e suas popula&ccedil;&otilde;es, &eacute; central para o fomento e manuten&ccedil;&atilde;o de uma sociedade internacional em particular &ndash; uma sociedade internacional (neo) liberal.</p>     <p><b>Palavras-chave:</b> Opera&ccedil;&otilde;es de paz, sociedade internacional, Michel Foucault, Escola Inglesa.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>ABSTRACT</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>This article discusses one of the most important elements of the current international reality &ndash; the construction of peace. More precisely, the article problematizes the role that peace operations have in the international politics. This problematization is advanced through the approximation of the analytical tools developed by the French philosopher Michel Foucault and the English School. The article argues that peace operations should be understood as a normalizing dispositif that, by seeking to normalize post&#8209;conflict states and theirs populations, is pivotal to the fostering and the maintenance of an international society in particular &ndash; a (neo)liberal international society.</p>     <p><b>Keywords:</b> Peace operations, international society, Michel Foucault, English School.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>INTRODU&Ccedil;&Atilde;O</b></p>     <p>H&aacute; poucas d&uacute;vidas de que a supera&ccedil;&atilde;o de conflitos violentos pelo globo &eacute;, atualmente, um dos mais prementes assuntos internacionais. Consequentemente, a paz internacional torna&#8209;se um pilar fundamental das rela&ccedil;&otilde;es internacionais contempor&acirc;neas<sup><a href="#1">1</a></sup><a name="top1"></a>. Assim, neste contexto, as opera&ccedil;&otilde;es de paz<sup>2 </sup>destacadas para cen&aacute;rios p&oacute;s&#8209;conflito tornaram&#8209;se uma crucial pol&iacute;tica internacional. Na realidade, estas s&atilde;o atualmente o epicentro de uma narrativa triangular que funde no&ccedil;&otilde;es, aparentemente distantes, de seguran&ccedil;a, desenvolvimento e paz<sup><a href="#3">3</a></sup><a name="top3"></a>. A l&oacute;gica por detr&aacute;s de tal narrativa &eacute; bastante simples. Segundo esta narrativa triangular, sem seguran&ccedil;a n&atilde;o h&aacute; a possibilidade de existir qualquer forma de desenvolvimento; desenvolvimento, por sua vez, n&atilde;o apenas refor&ccedil;a, como, de fato, &eacute; uma condi&ccedil;&atilde;o indispens&aacute;vel para o incremento da seguran&ccedil;a; ambos, juntos, s&atilde;o os pilares fundamentais para a transforma&ccedil;&atilde;o de conflitos violentos ao redor do globo e para a consolida&ccedil;&atilde;o de uma paz sustent&aacute;vel em estados p&oacute;s&#8209;&#8209;conflito. N&atilde;o por coincid&ecirc;ncia, as opera&ccedil;&otilde;es de paz s&atilde;o frequentemente retratadas como um mero instrumento t&eacute;cnico destacado para cen&aacute;rios p&oacute;s&#8209;conflito buscando superar a viol&ecirc;ncia, direta e estrutural<sup><a href="#4">4</a></sup><a name="top4"></a>, nestes locais, e reconstruir pa&iacute;ses devastados pela guerra. Consequentemente, sob esta narrativa, as opera&ccedil;&otilde;es de paz s&atilde;o meramente um instrumento t&eacute;cnico internacional, projetado para restruturar as esferas pol&iacute;tica, social e econ&ocirc;mica destes pa&iacute;ses, a fim de construir a paz.</p>     <p>Normalmente, as opera&ccedil;&otilde;es de paz s&atilde;o problematizadas tendo o seu registro liberal em primeiro plano. Consequentemente, as mesmas s&atilde;o enquadradas, bastante corretamente, como uma pr&aacute;tica que busca fomentar o liberalismo ao redor do globo. Tanto apoiadores quanto cr&iacute;ticos desta din&acirc;mica compartilham, de certo modo, este registro. Enquanto os primeiros afirmam uma caracter&iacute;stica pacificadora do liberalismo, os &uacute;ltimos evidenciam o tom ideol&oacute;gico por detr&aacute;s de tal pr&aacute;tica. Este quadro est&aacute; longe de ser inadequado. N&atilde;o obstante, o mesmo retrata uma imagem de certa forma incompleta de todo o processo. Uma problematiza&ccedil;&atilde;o deste processo por meio de um ponto de vista diferente oferece a um/a observador/a atento/a um lado diferente de tal pr&aacute;tica internacional. Este &eacute; o cerne deste artigo.</p>     <p>Ao inv&eacute;s de focar&#8209;se em identificar e discutir incoer&ecirc;ncias emp&iacute;ricas ou os fracassos dos esfor&ccedil;os de reconstru&ccedil;&atilde;o p&oacute;s&#8209;b&eacute;lica, o que &eacute; algo certamente ben&eacute;fico<sup><a href="#5">5</a></sup><a name="top5"></a>, este artigo d&aacute; um passo atr&aacute;s e preocupa&#8209;se mais em delinear um enquadramento te&oacute;rico mais adequado para melhor compreender e apreender o papel que as opera&ccedil;&otilde;es de paz t&ecirc;m na pol&iacute;tica internacional. Consequentemente, &eacute; aqui delineado um enquadramento que deve permitir aos/&agrave;s analistas problematizar criticamente diferentes processos de reconstru&ccedil;&atilde;o p&oacute;s&#8209;conflito. Este enquadramento &eacute; delineado percorrendo um caminho de certa forma inexplorado. O mesmo &eacute; operacionalizado por meio da aproxima&ccedil;&atilde;o de duas abordagens te&oacute;ricas que s&atilde;o frequentemente posicionadas em polos epist&ecirc;micos diametralmente opostos &ndash; as ferramentas anal&iacute;ticas desenvolvidas por Michel Foucault e pela Escola Inglesa. Dentro deste enquadramento te&oacute;rico proposto, o artigo argumenta que as opera&ccedil;&otilde;es de paz possuem uma fun&ccedil;&atilde;o muito precisa no atual cen&aacute;rio internacional &ndash; a manuten&ccedil;&atilde;o da ordem internacional. Mais precisamente, o artigo argumenta que as opera&ccedil;&otilde;es de paz devem ser entendidas como um dispositivo<sup><a href="#6">6</a></sup><a name="top6"></a> internacional &ndash; por agora, um conjunto heterog&ecirc;neo de atores, conceitos, institui&ccedil;&otilde;es e pr&aacute;ticas &ndash; que &eacute; central e fundamental para o fomento e para a manuten&ccedil;&atilde;o da ordem dentro de uma sociedade internacional em particular &ndash; uma sociedade (neo)liberal&#8209;democr&aacute;tica.</p>     <p>Conforme prossegue o argumento, esta fun&ccedil;&atilde;o &eacute; tornada operacional por meio da tentativa de normalizar os estados p&oacute;s&#8209;conflito e suas popula&ccedil;&otilde;es. A busca desta normaliza&ccedil;&atilde;o &eacute; operada por meio do governo, a &laquo;conduta das condutas&raquo; no sentido foucaultiano, dos estados p&oacute;s&#8209;conflito e das vidas de suas popula&ccedil;&otilde;es na sociedade internacional. Segundo este argumento, esta tentativa de normaliza&ccedil;&atilde;o ocorre em dois n&iacute;veis. No n&iacute;vel internacional, este governo opera por meio da disciplina, recompensando e punindo os estados p&oacute;s&#8209;conflito, buscando moldar seus comportamentos enquanto indiv&iacute;duos na sociedade internacional. No n&iacute;vel nacional, o governo opera por meio da biopol&iacute;tica, a qual funciona por meio da administra&ccedil;&atilde;o e controle dos processos de apoio e suporte &agrave; vida das grandes massas populacionais nestes estados p&oacute;s&#8209;conflito. Logo, aproximando as ferramentas anal&iacute;ticas desenvolvidas por Michel Foucault e pela Escola Inglesa, pode&#8209;se perceber que as opera&ccedil;&otilde;es de paz s&atilde;o, na verdade, um dispositivo normalizador que busca a manuten&ccedil;&atilde;o de uma ordem (neo)liberal na sociedade internacional.</p>     <p>De modo a tornar a an&aacute;lise operacional, o artigo est&aacute; estruturado em duas se&ccedil;&otilde;es. Na primeira, o artigo delineia as ferramentas conceituais que permitem a an&aacute;lise em quest&atilde;o. A se&ccedil;&atilde;o apresenta as ferramentas anal&iacute;ticas desenvolvidas pela Escola Inglesa e pelo fil&oacute;sofo franc&ecirc;s Michel Foucault. A se&ccedil;&atilde;o conceitualiza no&ccedil;&otilde;es como: sociedade internacional, dispositivo, normaliza&ccedil;&atilde;o, governo, disciplina e biopol&iacute;tica. Na segunda se&ccedil;&atilde;o, o artigo delineia o enquadramento te&oacute;rico que, como argumentado, &eacute; mais adequado para entender e apreender o papel que as opera&ccedil;&otilde;es de paz possuem na pol&iacute;tica internacional. A se&ccedil;&atilde;o discute o fato de que, na sociedade internacional, as opera&ccedil;&otilde;es de paz funcionarem como um dispositivo normalizador. A mesma problematiza o fato de que este processo de normaliza&ccedil;&atilde;o que &eacute; executado na sociedade internacional pressup&otilde;e, subjacente ao mesmo, um entendimento do que deve ser um comportamento &laquo;normal&raquo; e &laquo;anormal&raquo; na sociedade internacional. A se&ccedil;&atilde;o, por um lado, problematiza que o primeiro &eacute; constru&iacute;do enquanto tal, apoiando&#8209;se: (1) em um entendimento que posiciona o processo de forma&ccedil;&atilde;o do Estado que ocorreu na Europa Ocidental enquanto o modo de se organizar entidades pol&iacute;ticas; e (2) no argumento dos efeitos pacificadores do liberalismo. Finalmente, a se&ccedil;&atilde;o tamb&eacute;m discute, por outro lado, o fato de que a constru&ccedil;&atilde;o do que &eacute; entendido enquanto um comportamento &laquo;anormal&raquo; na sociedade internacional &eacute; tornada operacional por meio da no&ccedil;&atilde;o de &laquo;Estado falido&raquo;.</p>     <p>&nbsp;</p> <h4>A SOCIEDADE INTERNACIONAL E AS TECNOLOGIAS DE PODER</h4>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Argumentar que opera&ccedil;&otilde;es de paz possuem uma fun&ccedil;&atilde;o precisa no atual cen&aacute;rio internacional, servindo como um dispositivo que &eacute; fundamental para o fomento e manuten&ccedil;&atilde;o da ordem dentro de uma sociedade internacional em particular &ndash; (neo) liberal&#8209;democr&aacute;tica &ndash; pressup&otilde;e a aproxima&ccedil;&atilde;o de duas problematiza&ccedil;&otilde;es que n&atilde;o s&atilde;o frequentemente operacionalizadas em conjunto &ndash; as ferramentas te&oacute;ricas e conceituais desenvolvidas pela Escola Inglesa e por Michel Foucault<sup><a href="#7">7</a></sup><a name="top7"></a>. Isto certamente pode parecer um movimento, no m&iacute;nimo, exc&ecirc;ntrico. Afinal, ambas as problematiza&ccedil;&otilde;es possuem in&uacute;meras diferen&ccedil;as. A maior delas &eacute; epist&ecirc;mica e algumas destas diferen&ccedil;as talvez sejam inclusive irreconcili&aacute;veis. N&atilde;o por coincid&ecirc;ncia, ambas as problematiza&ccedil;&otilde;es s&atilde;o frequentemente colocadas, bastante corretamente, em diferentes polos dos assim chamados &laquo;Grandes Debates&raquo;<sup>8 </sup>dentro da disciplina de Rela&ccedil;&otilde;es Internacionais.</p>     <p>N&atilde;o obstante, buscando observar para al&eacute;m de suas dist&acirc;ncias, que s&atilde;o reais, certamente &eacute; poss&iacute;vel buscar aproxim&aacute;&#8209;las um pouco e as opera&ccedil;&otilde;es de paz talvez sejam a pr&aacute;tica internacional mais adequada para realizar tal movimento. Ambas as problematiza&ccedil;&otilde;es s&atilde;o aqui entendidas como tendo a capacidade de iluminar diferentes aspectos das opera&ccedil;&otilde;es de paz enquanto uma pr&aacute;tica internacional e do processo de constru&ccedil;&atilde;o da paz ao redor do globo. &Eacute; somente ao trazer as ferramentas conceituais e te&oacute;ricas desenvolvidas pela Escola Inglesa e por Michel Foucault que pode-se adequadamente apreender, por exemplo, o entendimento, embora &agrave;s vezes inconsciente, que sustenta tal processo. O pressuposto subjacente ao mesmo, embora impl&iacute;cito, &eacute; o de que as rela&ccedil;&otilde;es internacionais s&atilde;o constitu&iacute;das por uma sociedade internacional, onde seus membros, neste caso estados, compartilham determinados valores e comportamentos, neste caso (neo)liberais, e que os indiv&iacute;duos desta sociedade que n&atilde;o possuem este tipo de comportamento devem sofrer interven&ccedil;&otilde;es de modo a terem suas condutas moldadas nesta dire&ccedil;&atilde;o. Neste sentido, as ferramentas anal&iacute;ticas da Escola Inglesa fornecem o entendimento acerca do cen&aacute;rio e do ambiente nos quais as opera&ccedil;&otilde;es de paz operam, enquanto que as ferramentas conceituais desenvolvidas por Michel Foucault permitem a percep&ccedil;&atilde;o da fun&ccedil;&atilde;o e do papel que estas possuem neste cen&aacute;rio e ambiente. &Eacute; precisamente &agrave; elucida&ccedil;&atilde;o destes elementos que este artigo agora se dirige.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>SISTEMA INTERNA CIONAL E SOCIED ADE INTERNACIONAL </b></p>     <p>Talvez o primeiro delineamento importante a ser feito ao se trazer as ferramentas anal&iacute;ticas da Escola Inglesa seja a distin&ccedil;&atilde;o que esta faz entre sistema internacional e sociedade internacional. Ambos os termos s&atilde;o parte de uma tr&iacute;ade b&aacute;sica de conceitos, que tamb&eacute;m inclui a no&ccedil;&atilde;o de sociedade mundial, de onde o pensamento da Escola Inglesa &eacute; desenvolvido<sup><a href="#9">9</a></sup><a name="top9"></a>. Enquanto o &uacute;ltimo desempenha um papel mais marginal nas problematiza&ccedil;&otilde;es da Escola Inglesa, a distin&ccedil;&atilde;o entre os dois primeiros, ao contr&aacute;rio, possui um lugar fundamental dentro de tais problematiza&ccedil;&otilde;es<sup><a href="#10">10</a></sup><a name="top10"></a>. Cada uma das tr&ecirc;s no&ccedil;&otilde;es representa um entendimento particular acerca do ambiente internacional e o tipo de relacionamentos que predominar&aacute; entre os atores dentro do mesmo. Estes conceitos derivam&#8209;se de tr&ecirc;s distintas tradi&ccedil;&otilde;es de pensamento<sup><a href="#11">11</a></sup><a name="top11"></a>, respectivamente: (1) a tradi&ccedil;&atilde;o hobbesiana ou realista; (2) a tradi&ccedil;&atilde;o grociana ou internacionalista; e (3) a tradi&ccedil;&atilde;o kantiana ou universalista<sup><a href="#12">12</a></sup><a name="top12"></a>. Para Hedley Bull, &laquo;[c]ada um destes padr&otilde;es tradicionais de pensamento incorpora uma descri&ccedil;&atilde;o da natureza da pol&iacute;tica internacional e um conjunto de prescri&ccedil;&otilde;es acerca da conduta internacional&raquo;<sup><a href="#13">13</a></sup><a name="top13"></a>.</p>     <p>Consequentemente, a distin&ccedil;&atilde;o entre sistema internacional e sociedade internacional<sup><a href="#14">14</a></sup><a name="top14"></a> est&aacute; precisamente em concep&ccedil;&otilde;es de mundo essencialmente diferentes, e em distintos graus de relacionamentos entre os membros do mesmo, que ambos os conceitos preconizam.</p>     <p>Por um lado, na vis&atilde;o de Hedley Bull, o sistema internacional, ou um sistema de estados, parte de uma tradi&ccedil;&atilde;o hobbesiana e emerge n&atilde;o como a mera exist&ecirc;ncia de dois ou mais estados. Para Bull, &laquo;[d]ois ou mais Estados podem com certeza existir sem formar um internacional&raquo;<sup><a href="#15">15</a></sup><a name="top15"></a>. A principal quest&atilde;o referente &agrave; no&ccedil;&atilde;o tem a ver mais com o contato entre as unidades, os estados, do que com a mera exist&ecirc;ncia dos mesmos. Para Bull, o sistema internacional emerge quando &laquo;dois ou mais Estados possuem suficiente contato entre si, e possuem suficiente impacto sobre as decis&otilde;es um do outro, para lev&aacute;&#8209;los a comportarem&#8209;se &ndash; pelo menos em certa medida &ndash; como partes de um todo&raquo;<sup><a href="#16">16</a></sup><a name="top16"></a>. A emerg&ecirc;ncia de um sistema internacional ocorre &laquo;onde os Estados est&atilde;o em contato regular uns com os outros, e onde, al&eacute;m disso, existe uma intera&ccedil;&atilde;o entre eles o suficiente para fazer o comportamento de cada um deles um elemento necess&aacute;rio nos c&aacute;lculos do outro&raquo;<sup><a href="#17">17</a></sup><a name="top17"></a>.</p>     <p>No que toca &agrave;s rela&ccedil;&otilde;es e contatos regulares estabelecidos entre os estados dentro do cen&aacute;rio internacional, quando este &eacute; entendido enquanto um sistema internacional, eles podem variar e tamb&eacute;m ocorrer em diferentes esferas. Bull entende que a rela&ccedil;&atilde;o entre os estados em um sistema internacional &laquo;pode tomar a forma de coopera&ccedil;&atilde;o, mas tamb&eacute;m de conflito, ou mesmo de neutralidade ou indiferen&ccedil;a em rela&ccedil;&atilde;o aos objetivos do outro&raquo;<sup><a href="#18">18</a></sup><a name="top18"></a>. Al&eacute;m disso, para ele, &laquo;[a]s intera&ccedil;&otilde;es podem apresentar&#8209;se sobre um grande espectro de atividades &ndash; pol&iacute;ticas, estrat&eacute;gicas, econ&ocirc;micas, sociais &ndash; como o s&atilde;o hoje, ou apenas em uma ou duas&raquo;<sup><a href="#19">19</a></sup><a name="top19"></a>.</p>     <p>A sociedade internacional, por outro lado, parte de uma tradi&ccedil;&atilde;o grociana e pressup&otilde;e um grau mais denso de relacionamento entre os atores da cena internacional, que continuam sendo essencialmente estados. Na verdade, a exist&ecirc;ncia de uma sociedade internacional pressup&otilde;e a exist&ecirc;ncia de um sistema internacional. No entanto, o oposto n&atilde;o &eacute; verdadeiro. Um sistema internacional pode certamente existir sem a emerg&ecirc;ncia de uma sociedade internacional<sup><a href="#20">20</a></sup><a name="top20"></a>. A no&ccedil;&atilde;o de sociedade internacional est&aacute; no cerne do entendimento da Escola Inglesa acerca das rela&ccedil;&otilde;es internacionais. Uma sociedade internacional, na vis&atilde;o de Hedley Bull, est&aacute; presente no cen&aacute;rio internacional &laquo;quando um grupo de estados, conscientes de certos valores e interesses comuns, formam uma sociedade, no sentido de que se concebem a si mesmos ligados por um conjunto comum de regras nos relacionamentos uns com os outros, e compartilham o funcionamento de institui&ccedil;&otilde;es comuns&raquo;<sup><a href="#21">21</a></sup><a name="top21"></a>. Portanto, a no&ccedil;&atilde;o de sociedade internacional refere&#8209;se &agrave; percep&ccedil;&atilde;o, entre os estados, do compartilhamento de certas normas e tipos de comportamentos e, consequentemente, tamb&eacute;m refere&#8209;se &agrave; manuten&ccedil;&atilde;o destas normas e condutas dentro desta sociedade internacional.</p>     <p>Um paralelo normalmente feito para entender a no&ccedil;&atilde;o de sociedade internacional, uma sociedade de estados nas palavras de Hedley Bull<sup><a href="#22">22</a></sup><a name="top22"></a>, &eacute; observar o que ocorre dentro dos estados. Barry Buzan, por exemplo, faz esta conex&atilde;o quando menciona que &laquo;a ideia b&aacute;sica de sociedade internacional &eacute; bastante simples: assim como os seres humanos enquanto indiv&iacute;duos vivem em sociedades nas quais eles tanto as moldam quanto por elas s&atilde;o moldados, tamb&eacute;m os Estados vivem em uma sociedade internacional na qual a moldam e por ela s&atilde;o moldados&raquo;<sup><a href="#23">23</a></sup><a name="top23"></a>. Neste sentido, enquanto uma sociedade onde seus membros s&atilde;o os seres humanos individuais &eacute; entendida como uma sociedade de primeira ordem, uma sociedade onde seus membros s&atilde;o coletivos de seres humanos individuais, como por exemplo os estados, &eacute; entendida como uma sociedade de segunda ordem<sup><a href="#24">24</a></sup><a name="top24"></a>.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>No entanto, ao fazer este tipo de associa&ccedil;&atilde;o, &eacute; necess&aacute;rio muito cuidado para n&atilde;o cometer o erro de esbarrar no que Bull nomeou como a &laquo;analogia dom&eacute;stica&raquo;<sup><a href="#25">25</a></sup><a name="top25"></a>, e que poderia muito bem ser referida como a fal&aacute;cia dom&eacute;stica. Hedley Bull entendia o racioc&iacute;nio subjacente ao que nomeou de analogia dom&eacute;stica como o cerne do contra&#8209;argumento contr&aacute;rio &agrave; no&ccedil;&atilde;o de sociedade internacional. De acordo com esta analogia, da qual a Escola Inglesa certamente discorda<sup><a href="#26">26</a></sup><a name="top26"></a>, o pr&oacute;prio fato de que as rela&ccedil;&otilde;es internacionais s&atilde;o an&aacute;rquicas, no sentido da aus&ecirc;ncia de uma entidade pol&iacute;tica acima dos estados, impossibilita aos estados de formarem conjuntamente uma sociedade. Seguindo este racioc&iacute;nio, os estados somente formariam uma sociedade se estes abdicassem de suas soberanias e se subordinassem &agrave; uma autoridade pol&iacute;tica comum<sup><a href="#27">27</a></sup><a name="top27"></a>. Contudo, para a Escola Inglesa, ao contr&aacute;rio, os estados &laquo;formam uma sociedade, embora an&aacute;rquica, na qual n&atilde;o t&ecirc;m que submeter&#8209;se &agrave; vontade de um poder superior&raquo;<sup><a href="#28">28</a></sup><a name="top28"></a>. Para a Escola Inglesa, h&aacute; um grande n&iacute;vel de ordem, &laquo;um padr&atilde;o ou disposi&ccedil;&atilde;o de atividade internacional que sustenta os objetivos da sociedade de Estados que s&atilde;o elementares, prim&aacute;rios ou universais&raquo;<sup><a href="#29">29</a></sup><a name="top29"></a>, apesar do cen&aacute;rio internacional ser an&aacute;rquico<sup><a href="#30">30</a></sup><a name="top30"></a>. Por esta raz&atilde;o, Bull argumenta acerca de uma &laquo;sociedade an&aacute;rquica&raquo; na esfera internacional<sup><a href="#31">31</a></sup><a name="top31"></a>.</p>     <p>&Eacute; precisamente o paralelo com a sociedade dom&eacute;stica, certamente sem esbarrar nesta fal&aacute;cia dom&eacute;stica acima mencionada, que permite a aproxima&ccedil;&atilde;o da reflex&atilde;o desenvolvida pela Escola Inglesa com as problematiza&ccedil;&otilde;es desenvolvidas pelo fil&oacute;sofo franc&ecirc;s Michel Foucault. As ferramentas anal&iacute;ticas desenvolvidas por Foucault s&atilde;o instrumentos que possibilitam a reflex&atilde;o acerca de certos mecanismos presentes no cen&aacute;rio internacional, que s&atilde;o fundamentais para a manuten&ccedil;&atilde;o da ordem na sociedade internacional. Como mencionado anteriormente, &eacute; neste artigo argumentado que as opera&ccedil;&otilde;es de paz s&atilde;o um destes instrumentos. Para perceber isto, o artigo agora se direciona ao delineamento de algumas ferramentas anal&iacute;ticas desenvolvidas por Michel Foucault.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>ABRINDO A CAIXA DE FERRAMENTAS DE FOUCAULT </b></p>     <p>O fil&oacute;sofo franc&ecirc;s Michel Foucault &eacute; um importante pensador do s&eacute;culo XX. Devido &agrave; sua maestria ao analisar e desvendar ocultas rela&ccedil;&otilde;es de poder, um elemento&#8209;chave do pensamento de Foucault &eacute; a for&ccedil;a que a sua pesquisa possui em prover ferramentas anal&iacute;ticas e te&oacute;ricas muito &uacute;teis para se investigar e escrutinar uma grande variedade de quest&otilde;es e assuntos em campos muito distintos. De fato, o uso das ferramentas anal&iacute;ticas foucaultianas possu&iacute; um forte impacto e &eacute; transversal &agrave; uma vasta gama de disciplinas das ci&ecirc;ncias sociais em geral. De certo modo, isto pode ser entendido como uma consequ&ecirc;ncia da percep&ccedil;&atilde;o que o pr&oacute;prio Foucault tinha acerca de seu trabalho, enquanto provedor de diferentes ferramentas anal&iacute;ticas. Isto &eacute; muito claro em suas pr&oacute;prias palavras quando Foucault diz: &laquo;eu gostaria que meus livros fossem um tipo de caixa de ferramentas que outros possam buscar para encontrar uma ferramenta que possam utilizar do modo que quiserem em sua pr&oacute;pria &aacute;rea [&hellip;] eu escrevo para usu&aacute;rios, n&atilde;o leitores&raquo;<sup><a href="#32">32</a></sup><a name="top32"></a>.</p>     <p>Dentro da &laquo;caixa de ferramentas&raquo; de Foucault, dispositivo e normaliza&ccedil;&atilde;o est&atilde;o certamente entre estas &uacute;teis ferramentas. Dispositivo &eacute; um termo decisivo no pensamento de Michel Foucault. Contudo, curiosamente, Foucault nunca dedicou um grande trabalho ou mesmo forneceu uma defini&ccedil;&atilde;o concreta acerca do termo<sup><a href="#33">33</a></sup><a name="top33"></a>. Foram outros pensadores, como Gilles Deleuze<sup><a href="#34">34</a></sup><a name="top34"></a>, por exemplo, que tentaram delinear um entendimento mais claro do termo. Embora n&atilde;o oferecendo uma defini&ccedil;&atilde;o completa, Foucault aproxima&#8209;se disto quando delineou o que era um dispositivo durante uma entrevista<sup><a href="#35">35</a></sup><a name="top35"></a>. Ele disse:</p>     <p>     <blockquote>&laquo;O que estou tentando destacar com este termo &eacute;, primeiramente, um conjunto completamente heterog&ecirc;neo consistindo de discursos, institui&ccedil;&otilde;es, formas arquitet&ocirc;nicas, decis&otilde;es regulat&oacute;rias, leis, medidas administrativas, declara&ccedil;&otilde;es cient&iacute;ficas, proposi&ccedil;&otilde;es filos&oacute;ficas, morais e filantr&oacute;picas &ndash; em suma, tanto o dito quanto o n&atilde;o dito. Tais s&atilde;o os elementos do dispositivo. O dispositivo em si mesmo &eacute; o sistema de rela&ccedil;&otilde;es que podem ser estabelecidas entre estes elementos. [&hellip;] Eu entendo pelo termo &ldquo;dispositivo&rdquo; um tipo de &ndash; digamos assim &ndash; forma&ccedil;&atilde;o que possui como sua principal fun&ccedil;&atilde;o em determinado momento hist&oacute;rico a de responder &agrave; uma <i>necessidade urgente</i>.&raquo;<sup><a href="#36">36</a></sup><a name="top36"></a></blockquote>     <p></p>     <p>Alargando ainda mais o j&aacute; pouco preciso entendimento foucaultiano de dispositivo, Giorgio Agamben compreende um dispositivo como &laquo;qualquer coisa que possui de algum modo a capacidade de capturar, orientar, determinar, interceptar, modelar, controlar, ou assegurar os gestos, comportamentos, opini&otilde;es, ou discursos de seres vivos&raquo;<sup><a href="#37">37</a></sup><a name="top37"></a>. Portanto, um dispositivo &eacute; essencialmente um conjunto heterog&ecirc;neo composto por diferentes, e muito frequentemente conflitivas e competitivas, pr&aacute;ticas, institui&ccedil;&otilde;es, medidas administrativas, legisla&ccedil;&otilde;es, atores, conceitos, teorias, tipos de conhecimento e assim por diante, que emerge com a finalidade de lidar com uma determinada quest&atilde;o. Para ser mais preciso, um dispositivo emerge em um determinado momento para lidar com algo que, naquele momento em particular, come&ccedil;a a ser percebido enquanto uma necessidade urgente, buscando moldar, conduzir e orientar esta quest&atilde;o de um modo espec&iacute;fico e particular.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Enquanto, por um lado, o dispositivo pode ser entendido como a lente anal&iacute;tica que aglutina uma vasta gama de elementos que, embora d&iacute;spares, conflitantes, e frequentemente n&atilde;o relacionados, s&atilde;o parte de um mesmo todo abrangente, que emerge a fim de lidar com uma necessidade urgente, a normaliza&ccedil;&atilde;o, por outro lado, pode ser compreendida enquanto o processo de lidar com esta necessidade urgente. A normaliza&ccedil;&atilde;o pode ser entendida enquanto a abordagem pela qual esta necessidade urgente &eacute; moldada e conduzida de um modo espec&iacute;fico. Neste sentido, &eacute; preciso notar que, desde o princ&iacute;pio, a no&ccedil;&atilde;o de normaliza&ccedil;&atilde;o tem inerente e subjacente a si, embora frequentemente silenciada, uma distin&ccedil;&atilde;o entre o que entende por condi&ccedil;&otilde;es &laquo;normais&raquo; e &laquo;anormais&raquo;. No processo de normaliza&ccedil;&atilde;o, a condi&ccedil;&atilde;o &laquo;normal&raquo; &eacute; o elemento prim&aacute;rio e a &laquo;norma&raquo; &eacute; deduzida a partir desta. Logo, aqueles entendidos enquanto &laquo;anormais&raquo; devem sofrer interven&ccedil;&otilde;es, &agrave; luz desta &laquo;norma&raquo; deduzida a partir do que &eacute; entendido enquanto uma condi&ccedil;&atilde;o normal, a fim de tornarem&#8209;se mais parecidos com aqueles que s&atilde;o &laquo;normais&raquo;<sup><a href="#38">38</a></sup><a name="top38"></a>.</p>     <p>Consequentemente, o processo de normaliza&ccedil;&atilde;o busca fazer com que os elementos &laquo;anormais&raquo; assemelhem&#8209;se mais com os elementos &laquo;normais&raquo;. Portanto, os &laquo;anormais&raquo; sofrem interven&ccedil;&otilde;es, por interm&eacute;dio de uma variedade de institui&ccedil;&otilde;es, t&eacute;cnicas e pr&aacute;ticas, a fim de os fazerem comportar&#8209;se como os &laquo;normais&raquo;. Nos estudos de Michel Foucault, os &laquo;anormais&raquo; eram os doentes, os pervertidos, os delinquentes, os loucos, e assim por diante. De variados modos &ndash; como, por exemplo, por meio da hospitaliza&ccedil;&atilde;o, da psican&aacute;lise, da escolariza&ccedil;&atilde;o, do encarceramento, de espancamentos, dentre outros &ndash; aqueles que eram entendidos como sendo &laquo;anormais&raquo; dentro de uma sociedade em particular, tinham os seus comportamentos e a&ccedil;&otilde;es sofrendo constantes interven&ccedil;&otilde;es, objetivando mold&aacute;&#8209;los e condicion&aacute;&#8209;los de tal modo que seus comportamentos come&ccedil;assem a assemelhar&#8209;se mais com o que era percebido enquanto um comportamento &laquo;normal&raquo; dentro daquela sociedade.</p>     <p>Este processo de normaliza&ccedil;&atilde;o &eacute; tornado operacional por uma s&eacute;rie de tecnologias de poder<sup><a href="#39">39</a></sup><a name="top39"></a>. As tecnologias de poder, para Foucault, relacionam&#8209;se &agrave; conduta de indiv&iacute;duos e a sua submiss&atilde;o a certos fins<sup><a href="#40">40</a></sup><a name="top40"></a>. Elas s&atilde;o tecnologias que est&atilde;o &laquo;imbu&iacute;das com aspira&ccedil;&otilde;es para o modelamento da conduta na esperan&ccedil;a de produzir certos efeitos desejados e de evitar certos efeitos indesejados&raquo;<sup><a href="#41">41</a></sup><a name="top41"></a>. Quando Foucault fala sobre &laquo;poder&raquo;, esta &eacute; uma mera abrevia&ccedil;&atilde;o para o que ele realmente tem como o objeto de sua an&aacute;lise &ndash; os &laquo;relacionamentos de poder&raquo;<sup><a href="#42">42</a></sup><a name="top42"></a>. Estes, compreendidos por Foucault &laquo;como os meios pelos quais indiv&iacute;duos tentam conduzir, determinar o comportamento de outros&raquo;, est&atilde;o presentes em qualquer sociedade<sup><a href="#43">43</a></sup><a name="top43"></a>. Logo, Foucault problematiza o poder como um relacionamento onde um tenta produzir, direcionar ou determinar os comportamentos de outros<sup><a href="#44">44</a></sup><a name="top44"></a>. Foucault enxerga que, ao longo do tempo, embora a natureza e a ess&ecirc;ncia do poder n&atilde;o tenham mudado, o seu funcionamento tecnol&oacute;gico sim modi&#8209;ficou&#8209;se<sup><a href="#45">45</a></sup><a name="top45"></a>. Portanto, Foucault percebe que o que realmente muda ao longo do tempo, relativamente ao exerc&iacute;cio do poder, &eacute; seu funcionamento, o modo pelo qual e atrav&eacute;s de quais instrumentos este &eacute; exercido (seus dispositivos &laquo;tecnol&oacute;gicos&raquo;), e n&atilde;o a sua pr&oacute;pria ess&ecirc;ncia &ndash; a busca por moldar comportamentos. &Eacute; aqui que Foucault diferencia as tecnologias de poder tais como governo, disciplina e biopoder<sup><a href="#46">46</a></sup><a name="top46"></a>.</p>     <p>Ao posicionar a no&ccedil;&atilde;o de governo como uma &laquo;diretriz&raquo;<sup>47 </sup>para as suas investiga&ccedil;&otilde;es, Foucault introduziu uma nova dimens&atilde;o para investigar as rela&ccedil;&otilde;es de poder, que agora podem ser problematizadas a partir de um &acirc;ngulo diferente, isto &eacute;, a perspectiva da &laquo;conduta das condutas&raquo;<sup><a href="#48">48</a></sup><a name="top48"></a>. Sucintamente definindo governo enquanto a &laquo;conduta da conduta&raquo;, Foucault notoriamente brinca com o duplo significado da palavra &laquo;conduta&raquo; e conscientemente a v&ecirc; como &laquo;um dos melhores aux&iacute;lios para chegar a um acordo com a especificidade das rela&ccedil;&otilde;es de poder&raquo;<sup><a href="#49">49</a></sup><a name="top49"></a>. Enquanto verbo, &laquo;conduzir&raquo; significa liderar, guiar ou dirigir; como substantivo, &laquo;conduta&raquo; refere&#8209;se &agrave;s a&ccedil;&otilde;es e comportamentos humanos<sup><a href="#50">50</a></sup><a name="top50"></a>. Ao associar estes dois significados, governo enquanto a &laquo;conduta da conduta&raquo; &laquo;implica qualquer tentativa de moldar com certo grau de delibera&ccedil;&atilde;o aspectos de nosso comportamento de acordo com um conjunto particular de normas e para uma variedade de fins&raquo;<sup><a href="#51">51</a></sup><a name="top51"></a>.</p>     <p>Compreender governo como a &laquo;conduta das condutas&raquo; liberta do senso comum a reflex&atilde;o acerca do exerc&iacute;cio de poder. Governo, no sentido foucaultiano, &eacute; muito mais do que a imagem burocr&aacute;tica que pode emergir ao se ler a palavra. Para Foucault, o governo &eacute; &laquo;disposicional&raquo; &ndash; relaciona&#8209;se &agrave; &laquo;disposi&ccedil;&atilde;o das coisas, &eacute; dizer, empregar t&aacute;ticas ao inv&eacute;s de leis, ou, tanto quanto poss&iacute;vel empregar leis como t&aacute;ticas; organizar as coisas para que este ou aquele fim possa ser alcan&ccedil;ado atrav&eacute;s de um certo n&uacute;mero de meios&raquo;<sup><a href="#52">52</a></sup><a name="top52"></a>. Para Foucault, &laquo;governar, ent&atilde;o, significa governar coisas&raquo;<sup><a href="#53">53</a></sup><a name="top53"></a>. Consequentemente, governar torna&#8209;se mais do que o mero gerenciamento de estruturas de Estado. Na verdade, governar, dentro deste enquadramento, significa essencialmente &laquo;estruturar o poss&iacute;vel campo de a&ccedil;&atilde;o de outros&raquo;<sup><a href="#54">54</a></sup><a name="top54"></a>. Portanto, governo n&atilde;o simplesmente se refere &laquo;&agrave;s estruturas pol&iacute;ticas ou ao gerenciamento de Estados; mas designa o modo pelo qual a conduta de indiv&iacute;duos ou de grupos pode ser direcionada &ndash; o governo de crian&ccedil;as, de almas, de comunidades, de fam&iacute;lias, dos doentes&raquo;<sup><a href="#55">55</a></sup><a name="top55"></a>. Assim, o governo torna&#8209;se uma atividade que n&atilde;o opera exclusivamente no n&iacute;vel de Estado e de institui&ccedil;&otilde;es, mas, sim, acaba por estar presente nos aspectos di&aacute;rios de uma vida comum como, por exemplo, nas escolas, f&aacute;bricas, hospitais, empresas, organiza&ccedil;&otilde;es religiosas, fam&iacute;lias e assim por diante.</p>     <p>O processo de normaliza&ccedil;&atilde;o &eacute; tornado operacional por meio do governo, a conduta da conduta. Isto pode ser operacionalizado em duas dimens&otilde;es &ndash; tanto focando em indiv&iacute;duos quanto em popula&ccedil;&otilde;es. &Eacute; aqui onde um delineamento acerca das no&ccedil;&otilde;es da disciplina e do biopoder ajuda. Relativamente &agrave; disciplina e ao biopoder, Foucault observou que estas duas tecnologias de poder emergiram durante o per&iacute;odo moderno e s&atilde;o, respectivamente, micro e macropol&iacute;ticas. Embora estas tecnologias &laquo;possuam as mesmas caracter&iacute;sticas gerais de todo poder, [elas] s&atilde;o mais produtivas, no sentido em que possibilitam a produ&ccedil;&atilde;o de comportamentos em tanto em indiv&iacute;duos quanto em popula&ccedil;&otilde;es inteiras para al&eacute;m do que era anteriormente poss&iacute;vel&raquo;<sup><a href="#56">56</a></sup><a name="top56"></a>. Em adi&ccedil;&atilde;o &agrave; magnitude das possibilidades de suas a&ccedil;&otilde;es, estas tecnologias de poder tamb&eacute;m s&atilde;o diferentes no que toca ao modo pelo qual s&atilde;o exercidas. A disciplina e o biopoder s&atilde;o exercidas por meio da <i>corre&ccedil;&atilde;o</i>dos indiv&iacute;duos e do <i>aprimoramento da vida</i>, respectivamente. Um elemento chave destas tecnologias de poder visualizadas por Foucault, &eacute; que elas operam em diferentes n&iacute;veis, escalas e por meio de diferentes instrumentos. &Eacute; precisamente este fato que possibilita a uma tecnologia existir sem a extin&ccedil;&atilde;o da outra; possibilitando, inclusive, que estas tecnologias funcionem simult&acirc;nea e complementarmente.</p>     <p>Em ess&ecirc;ncia, a disciplina busca corrigir os comportamentos individuais que s&atilde;o considerados inapropriados. Devido &agrave; sua ess&ecirc;ncia de <i>corre&ccedil;&atilde;o</i>e, portanto, de mudan&ccedil;a de comportamentos, a disciplina &eacute; um tipo de poder que est&aacute; muito atrelado &agrave; no&ccedil;&atilde;o, anteriormente delineada, de normaliza&ccedil;&atilde;o. O objetivo final da disciplina &eacute; normalizar. Isto faz a dissocia&ccedil;&atilde;o dos processos de normaliza&ccedil;&atilde;o e de disciplina algo imposs&iacute;vel. De fato, para Foucault &eacute; &laquo;incontest&aacute;vel, ou dificilmente contest&aacute;vel, que a disciplina normaliza&raquo;<sup><a href="#57">57</a></sup><a name="top57"></a>. Um mecanismo disciplinador &eacute;, em ess&ecirc;ncia, um mecanismo de normaliza&ccedil;&atilde;o. Este &eacute; um resultado do fato de que a disciplina &eacute;, ao mesmo tempo, um processo de individualiza&ccedil;&atilde;o e tamb&eacute;m relacional. Isto pode soar paradoxal, mas, na verdade, estas caracter&iacute;sticas s&atilde;o muito complementares. Sendo a ess&ecirc;ncia da disciplina a corre&ccedil;&atilde;o dos comportamentos de indiv&iacute;duos desviantes, a palavra operativa aqui &eacute; certamente o adjetivo <i>desviante</i>. Neste sentido, o mecanismo disciplinar visualiza o que deveria ser o comportamento <i>correto </i>e modela aqueles comportamentos entendidos como incorretos e <i>desviantes </i>em dire&ccedil;&atilde;o a este modelo <i>correto </i>de comportamento. Consequentemente, a disciplina &eacute; uma tecnologia de poder que busca moldar o comportamento individual tanto recompensando o que entende enquanto um comportamento &laquo;correto&raquo;, quanto punindo o que percebe enquanto um comportamento &laquo;desviante&raquo;. Isto n&atilde;o &eacute; sen&atilde;o um processo de normaliza&ccedil;&atilde;o. Portanto, a disciplina pode ser perfeitamente entendida como um dos mecanismos pelos quais o processo de normaliza&ccedil;&atilde;o pode ser tornado operacional, no n&iacute;vel individual. &Eacute; precisamente por meio de t&eacute;cnicas de puni&ccedil;&atilde;o e de recompensa que comportamentos &laquo;anormais&raquo; s&atilde;o moldados e corrigidos, e os comportamentos &laquo;normais&raquo;, investidos e estimulados.</p>     <p>A partir da segunda metade do s&eacute;culo XVIII, Foucault visualiza o aparecimento de uma nova tecnologia de poder que opera no polo oposto da disciplina &ndash; o biopoder<sup><a href="#58">58</a></sup><a name="top58"></a>. O biopoder, em ess&ecirc;ncia, &eacute; um poder macropol&iacute;tico. Enquanto a disciplina &eacute; exercida sobre o indiv&iacute;duo, o biopoder &eacute; exercido sobre a coletividade, tendo a popula&ccedil;&atilde;o como o seu alvo<sup><a href="#59">59</a></sup><a name="top59"></a>. Consequentemente, esta &eacute; uma tecnologia de poder que n&atilde;o tem rela&ccedil;&atilde;o com o/a homem/mulher enquanto indiv&iacute;duo, mas com homens/mulheres enquanto seres vivos<sup><a href="#60">60</a></sup><a name="top60"></a>. Em contraste com a disciplina, o biopoder &eacute; aplicado &laquo;n&atilde;o ao homem&#8209;enquanto&#8209;corpo mas ao homem que vive, ao homem&#8209;enquanto&#8209;ser&#8209;vivo&raquo;<sup><a href="#61">61</a></sup><a name="top61"></a>. Como resultado, enquanto a disciplina &eacute; aplicada &agrave; uma multiplicidade de pessoas justamente porque esta multiplicidade pode ser dividida em indiv&iacute;duos &ndash; que podem ser colocados sob vigil&acirc;ncia, serializa&ccedil;&otilde;es, hierarquiza&ccedil;&atilde;o, e, se necess&aacute;rio, serem punidos &ndash; o biopoder atua exatamente no caminho inverso. Este &eacute; direcionado &agrave; uma multiplicidade de pessoas na medida em que &laquo;formam uma massa global afetada por caracter&iacute;sticas gerais de processos de nascimento, morte, produ&ccedil;&atilde;o, doen&ccedil;a, e assim por diante&raquo;<sup><a href="#62">62</a></sup><a name="top62"></a>. Portanto, o biopoder &eacute; uma tecnologia que &eacute; exercida n&atilde;o sobre o corpo individual, como na disciplina, mas sim sobre a vida das popula&ccedil;&otilde;es. Consequentemente, ao inv&eacute;s de uma &laquo;an&aacute;tomo&#8209;pol&iacute;tica do corpo humano&raquo;, o que &eacute; percebido &eacute; a emerg&ecirc;ncia de uma &laquo;biopol&iacute;tica da ra&ccedil;a humana&raquo;<sup><a href="#63">63</a></sup><a name="top63"></a>.</p>     <p>A biopol&iacute;tica preocupa&#8209;se com &laquo;a gest&atilde;o dos fen&ocirc;menos que caracterizam grupos de seres humanos vivos&raquo;<sup><a href="#64">64</a></sup><a name="top64"></a>. Logo, esta &eacute; &laquo;uma forma de pol&iacute;tica que implica a administra&ccedil;&atilde;o do processo da vida no n&iacute;vel agregado de popula&ccedil;&atilde;o&raquo;<sup><a href="#65">65</a></sup><a name="top65"></a>. Assim, a biopol&iacute;tica come&ccedil;a a problematizar um largo conjunto de fen&ocirc;menos que vincula a popula&ccedil;&atilde;o como um todo e que a faz um mesmo todo coerente. A biopol&iacute;tica problematiza todos &laquo;os mecanismos da vida e que servem como a base dos processos biol&oacute;gicos&raquo;<sup><a href="#66">66</a></sup><a name="top66"></a>. Em ess&ecirc;ncia, a biopol&iacute;tica objetiva a &laquo;gest&atilde;o e a regula&ccedil;&atilde;o da popula&ccedil;&atilde;o, o corpo esp&eacute;cie e suas caracter&iacute;sticas demogr&aacute;ficas&raquo;<sup><a href="#67">67</a></sup><a name="top67"></a>. Consequentemente, este novo poder regulat&oacute;rio preocupa&#8209;se essencialmente com &laquo;o problema de governar grupos de humanos representados na forma de popula&ccedil;&atilde;o&raquo;<sup><a href="#68">68</a></sup><a name="top68"></a>. Como resultado disto, a biopol&iacute;tica problematiza e racionaliza um largo conjunto de processos ao redor da vida das popula&ccedil;&otilde;es, intervindo em fen&ocirc;menos como o nascimento, a morte, a produ&ccedil;&atilde;o, as condi&ccedil;&otilde;es trabalhistas, a nutri&ccedil;&atilde;o, as doen&ccedil;as, a fertilidade, a sa&uacute;de, o emprego, a expectativa de vida, a habita&ccedil;&atilde;o, a educa&ccedil;&atilde;o, padr&otilde;es de vida, e assim por diante, e todas as condi&ccedil;&otilde;es que est&atilde;o em seu entorno e que podem ter uma influ&ecirc;ncia nestes processos<sup><a href="#69">69</a></sup><a name="top69"></a>.</p>     <p>&Eacute; necess&aacute;rio lembrar que estas tecnologias de poder n&atilde;o operam somente individualmente. Na realidade, elas operam simultaneamente e de modo complementar umas &agrave;s outras. Para Foucault, o que liga todos estes diferentes dom&iacute;nios &eacute; o fato de que compartilham um foco comum: &laquo;o governo de todos e de cada um, e as preocupa&ccedil;&otilde;es de ao mesmo tempo totalizar e individualizar&raquo;<sup><a href="#70">70</a></sup><a name="top70"></a>. O elemento comum que permeia estes dom&iacute;nios d&iacute;spares &eacute; a preocupa&ccedil;&atilde;o de como governar indiv&iacute;duos e coletividades. Estas tecnologias, em conjunto, formam uma estrutura de poder que busca conduzir as condutas do outro, individualmente ou em massa, assegurando a corre&ccedil;&atilde;o e otimiza&ccedil;&atilde;o de cada um e de todos, ao mesmo tempo<sup><a href="#71">71</a></sup><a name="top71"></a>. Elas formam uma estrutura de poder que busca o governo, a conduta das condutas, sendo operado em indiv&iacute;duos, por meio do exerc&iacute;cio da disciplina, e em massas populacionais, por meio da biopol&iacute;tica. No cerne desta estrutura de poder, h&aacute; uma &laquo;norma&raquo;. A &laquo;norma possui um papel chave, pois ela circula entre a disciplina e a biopol&iacute;tica&raquo;<sup><a href="#72">72</a></sup><a name="top72"></a>. &Eacute; &agrave; luz desta &laquo;norma&raquo; que a normaliza&ccedil;&atilde;o, tornada operacional atrav&eacute;s da conduta das condutas, operando por meio da disciplina e da biopol&iacute;tica dependendo do n&iacute;vel, funciona. Como menciona Foucault, &laquo;[a] norma &eacute; algo que pode ser aplicado a um corpo que se deseja disciplinar e &agrave; uma popula&ccedil;&atilde;o que se deseja regularizar&raquo;<sup><a href="#73">73</a></sup><a name="top73"></a>. Tendo estes elementos em mente, &eacute; poss&iacute;vel ter uma visualiza&ccedil;&atilde;o mais clara do papel normalizador que as opera&ccedil;&otilde;es de paz t&ecirc;m dentro da sociedade internacional. &Eacute; precisamente o delineamento deste ponto o cerne da se&ccedil;&atilde;o que segue.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>AS OPERA&Ccedil;&Otilde;ES DE PAZ ENQUANTO UM DISPOSITIVO NORMALIZADOR</b></p>     <p>As opera&ccedil;&otilde;es de paz passaram por muitas modifica&ccedil;&otilde;es ao longo do tempo, no que toca &agrave; sua extens&atilde;o, profundidade e variedade de atividades realizadas no terreno<sup><a href="#74">74</a></sup><a name="top74"></a>. Durante a Guerra Fria, as opera&ccedil;&otilde;es de paz eram uma for&ccedil;a levemente armada, composta essencialmente por militares, e entendidas enquanto um instrumento destacado ao terreno a fim de atuar como uma esp&eacute;cie de tamp&atilde;o entre dois estados beligerantes<sup><a href="#75">75</a></sup><a name="top75"></a>. Do fim da Guerra Fria em diante, as opera&ccedil;&otilde;es de paz come&ccedil;aram a ampliar as suas atividades realizadas no terreno. Adicionalmente &agrave; incorpora&ccedil;&atilde;o de civis em suas atividades, elas come&ccedil;aram a realizar pr&aacute;ticas como, por exemplo: a supervis&atilde;o de elei&ccedil;&otilde;es, a elabora&ccedil;&atilde;o de constitui&ccedil;&otilde;es, a reconstru&ccedil;&atilde;o de setores de seguran&ccedil;a, o <i>mainstreaming </i>de quest&otilde;es de g&ecirc;nero, o fomento dos direitos humanos, a atua&ccedil;&atilde;o em setores sociais, pol&iacute;ticos e econ&ocirc;micos de sociedades p&oacute;s&#8209;conflito, para nomear apenas algumas. Mais importante, as opera&ccedil;&otilde;es de paz tornaram&#8209;se intimamente vinculadas &agrave;s pr&aacute;ticas de (re)constru&ccedil;&atilde;o de estados (<i>state-building</i>)<sup><a href="#76">76</a></sup><a name="top76"></a>. Na verdade, o processo de (re)constru&ccedil;&atilde;o de estados &ndash; o processo de n&atilde;o apenas construir e fortalecer as institui&ccedil;&otilde;es estatais mas tamb&eacute;m as pr&aacute;ticas que buscam definir, direcionar e conduzir as rela&ccedil;&otilde;es entre estados p&oacute;s&#8209;conflito e suas pr&oacute;prias popula&ccedil;&otilde;es &ndash; tornou&#8209;se a pr&oacute;pria ess&ecirc;ncia das opera&ccedil;&otilde;es de paz<sup><a href="#77">77</a></sup><a name="top77"></a>.</p>     <p>Com isto em mente, as ferramentas anal&iacute;ticas acima mencionadas possibilitam a (re) problematiza&ccedil;&atilde;o da constru&ccedil;&atilde;o da paz nas rela&ccedil;&otilde;es internacionais. Estas ferramentas possibilitam a problematiza&ccedil;&atilde;o do papel que as opera&ccedil;&otilde;es de paz t&ecirc;m na pol&iacute;tica internacional, operando na sociedade internacional enquanto um dispositivo normalizador, direcionado a estados e popula&ccedil;&otilde;es p&oacute;s&#8209;conflito. Neste sentido, as opera&ccedil;&otilde;es de paz podem ser entendidas enquanto um dispositivo que emerge como uma resposta ao que &eacute; percebido enquanto uma necessidade urgente na sociedade internacional. Portanto, as opera&ccedil;&otilde;es de paz podem ser entendidas como um dispositivo normalizador que busca governar estados e popula&ccedil;&otilde;es p&oacute;s&#8209;conflito, de modo a conduzir suas condutas, tanto por meio da tentativa de disciplinar o Estado p&oacute;s&#8209;conflito enquanto uma entidade pol&iacute;tica individual na sociedade internacional, quanto por meio do exerc&iacute;cio do poder biopol&iacute;tico sobre os processos de apoio e suporte &agrave;s vidas de suas popula&ccedil;&otilde;es. Consequentemente, as opera&ccedil;&otilde;es de paz podem ser problematizadas enquanto um dispositivo normalizador desenhado para atuar em ambas as sociedades problematizadas pela Escola Inglesa &ndash; as de primeira e de segunda ordem.</p>     <p>Os elementos deste dispositivo normalizador s&atilde;o o conjunto de atores, teorias, discursos, conceitos, pr&aacute;ticas, instrumentos, institui&ccedil;&otilde;es, e assim por diante, que s&atilde;o aglutinados por uma opera&ccedil;&atilde;o de paz e destacados ao terreno, buscando moldar e conduzir os comportamentos dos estados p&oacute;s&#8209;conflito e de suas popula&ccedil;&otilde;es. A no&ccedil;&atilde;o de dispositivo aplicada &agrave; compreens&atilde;o das opera&ccedil;&otilde;es de paz enviadas para cen&aacute;rios p&oacute;s&#8209;conflito facilita bastante o entendimento das vastas e distintas s&eacute;ries de a&ccedil;&otilde;es, especialistas, pr&aacute;ticas, procedimentos, conceitos, que fazem parte de um processo de reconstru&ccedil;&atilde;o p&oacute;s&#8209;b&eacute;lica. Estes elementos, na verdade, podem n&atilde;o ser inter&#8209;relacionais e, muito frequentemente, s&atilde;o conflitantes e contradit&oacute;rios entre si. N&atilde;o obstante, eles podem perfeitamente ser compreendidos como parte de um mesmo conjunto coerente. &Eacute; precisamente este sentido que a no&ccedil;&atilde;o de dispositivo busca capturar.</p>     <p>Como mencionado anteriormente, um dispositivo emerge a fim de responder &agrave; uma necessidade urgente. A emerg&ecirc;ncia de uma necessidade urgente na sociedade internacional, e a legitima&ccedil;&atilde;o da operacionaliza&ccedil;&atilde;o do dispositivo normalizador que as opera&ccedil;&otilde;es de paz materializam, s&atilde;o geralmente sustentadas por duas no&ccedil;&otilde;es operativas: a fragilidade do Estado e a transforma&ccedil;&atilde;o do entendimento de soberania em capacidade do Estado. Estas no&ccedil;&otilde;es s&atilde;o intimamente relacionadas, pelo pensamento mais ortodoxo na disciplina, &agrave; viol&ecirc;ncia, inseguran&ccedil;a e pobreza. Sob esta l&oacute;gica, &eacute; a inquieta&ccedil;&atilde;o internacional de um local tornar&#8209;se um Estado fr&aacute;gil ou um Estado com limitada capacidade &ndash; e potencialmente tornar&#8209;se um porto seguro para a viol&ecirc;ncia, inseguran&ccedil;a e pobreza &ndash; e, por sua vez, tornar&#8209;se uma amea&ccedil;a &agrave; estabilidade<sup>78 </sup>da sociedade internacional, que provoca a emerg&ecirc;ncia do dispositivo que as opera&ccedil;&otilde;es de paz materializam.</p>     <p>Conectando ambas as no&ccedil;&otilde;es, por um lado, este dispositivo normalizador &ndash; enquanto projetado para lidar a fragilidade do Estado p&oacute;s&#8209;conflito uma vez que tem na (re)constru&ccedil;&atilde;o dos estados o seu cerne principal &ndash; &eacute; representado internacionalmente como o instrumento mais adequado para lidar com o que &eacute; percebido enquanto uma necessidade urgente, buscando em &uacute;ltima an&aacute;lise aumentar a seguran&ccedil;a e o bem&#8209;estar na sociedade internacional. Por outro lado, uma vez que s&atilde;o retratadas como reduzindo a lacuna de soberania existente nos estados p&oacute;s&#8209;conflito<sup><a href="#79">79</a></sup><a name="top79"></a>&ndash; uma vez que s&atilde;o retratadas como atuando somente na soberania dom&eacute;stica, ou <i>de facto</i>, dos estados p&oacute;s&#8209;conflito, enquanto estes mant&ecirc;m a sua soberania internacional legal, ou <i>de jure </i>intacta &ndash;, as opera&ccedil;&otilde;es de paz n&atilde;o s&atilde;o percebidas enquanto uma problem&aacute;tica interven&ccedil;&atilde;o externa nestes estados. Na verdade, ao contr&aacute;rio, por meio de ambas as no&ccedil;&otilde;es, as opera&ccedil;&otilde;es de paz s&atilde;o retratadas como <i>aumentando </i>a capacidade estatal e independ&ecirc;ncia dos estados p&oacute;s&#8209;conflito. Mais grave, por meio de ambas as no&ccedil;&otilde;es, os processos desenvolvidos pelas opera&ccedil;&otilde;es de paz no terreno s&atilde;o frequentemente retratados enquanto uma rela&ccedil;&atilde;o ben&eacute;fica entre os atores externos e os estados p&oacute;s&#8209;conflito que sofrem a interven&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>Al&eacute;m disto, percebendo que as opera&ccedil;&otilde;es de paz funcionam como um dispositivo normalizador dentro da sociedade internacional, &eacute; poss&iacute;vel observar que, sustentando o funcionamento deste dispositivo, h&aacute; uma compreens&atilde;o subjacente ao mesmo do que se entende enquanto um comportamento &laquo;normal&raquo; e &laquo;anormal&raquo; desta sociedade internacional. Nas reflex&otilde;es de Foucault, aqueles que deveriam ser normalizados &ndash; os &laquo;anormais&raquo; &ndash; eram os doentes, os pervertidos, os delinquentes, os loucos, e assim por diante. Estes eram os que precisavam sofrer uma interven&ccedil;&atilde;o a fim de serem normalizados e tornarem&#8209;se elementos mais &laquo;normais&raquo; dentro da sociedade em geral. Na sociedade internacional, &eacute; mais do que evidente quais s&atilde;o os elementos constru&iacute;dos enquanto &laquo;normais&raquo; e &laquo;anormais&raquo;. Os elementos &laquo;normais&raquo; s&atilde;o os estados liberais&#8209;democr&aacute;ticos ocidentais, enquanto os &laquo;anormais&raquo; s&atilde;o aqueles que n&atilde;o possuem este tipo de comportamento na sociedade internacional. &Eacute; deste pressuposto subjacente &agrave; sociedade internacional que &eacute; deduzida a &laquo;norma&raquo; tornada operacional por meio da disciplina de estados p&oacute;s&#8209;conflito, enquanto indiv&iacute;duos da sociedade internacional, e do exerc&iacute;cio do poder biopol&iacute;tico sobre as popula&ccedil;&otilde;es p&oacute;s&#8209;conflito. A &laquo;norma&raquo; &eacute; que os estados devem assemelhar&#8209;se &agrave;s democracias (neo)liberais. Esta &eacute; a norma &agrave; luz da qual os estados entendidos enquanto &laquo;anormais&raquo; na sociedade internacional sofrem uma interven&ccedil;&atilde;o a fim de os fazerem assemelharem&#8209;se mais com aqueles entendidos enquanto &laquo;normais&raquo;.</p>     <p>Entretanto, &eacute; preciso ter em mente que o &laquo;normal&raquo; e o &laquo;anormal&raquo; n&atilde;o s&atilde;o condi&ccedil;&otilde;es inerentes e naturais &agrave; sociedade internacional. Estas condi&ccedil;&otilde;es precisam ser constru&iacute;das enquanto tais, para que se tornem cristalizadas e constitu&iacute;das enquanto fatos da sociedade internacional. &Eacute; o escritor mo&ccedil;ambicano Mia Couto quem talvez melhor capturou a ess&ecirc;ncia desta constru&ccedil;&atilde;o quando escreve em um de seus romances que &laquo;os factos [sic] s&oacute; s&atilde;o verdadeiros depois de serem inventados&raquo;<sup><a href="#80">80</a></sup><a name="top80"></a>. No que toca ao comportamento entendido enquanto &laquo;normal&raquo; dentro da sociedade internacional, a constru&ccedil;&atilde;o desta condi&ccedil;&atilde;o &eacute; sustentada por uma narrativa dual: (1) que a forma&ccedil;&atilde;o do Estado na Europa Ocidental &eacute; <i>o </i>caminho para se organizar uma entidade pol&iacute;tica e tornar&#8209;se um Estado; e (2) a associa&ccedil;&atilde;o de valores liberais &agrave; paz e &agrave; prosperidade. Isto &eacute; o que &eacute; constru&iacute;do enquanto os valores e comportamentos fundamentais compartilhados e, mais importante, aceit&aacute;veis, que toda a sociedade internacional deve seguir. Neste enquadramento, aqueles que n&atilde;o compartilham, ou s&atilde;o percebidos como n&atilde;o compartilhando, estes valores e comportamentos, sofrem interven&ccedil;&otilde;es em seus comportamentos a fim de passarem a ter o que &eacute; entendido enquanto um comportamento apropriado dentro da sociedade internacional. Essa narrativa dual materializa&#8209;se na sociedade internacional por meio da no&ccedil;&atilde;o da &laquo;boa governan&ccedil;a&raquo;. No caso da condi&ccedil;&atilde;o &laquo;anormal&raquo;, esta &laquo;anormalidade&raquo; &eacute; constru&iacute;da por meio da ideia de fragilidade do Estado e da no&ccedil;&atilde;o de &laquo;Estado falido&raquo; e a associa&ccedil;&atilde;o deste com a viol&ecirc;ncia e pobreza na sociedade internacional.</p>     <p>Considerando a primeira narrativa que sustenta a constru&ccedil;&atilde;o do entendimento do que seria um comportamento &laquo;normal&raquo; na sociedade internacional, ao inv&eacute;s de entender o processo de forma&ccedil;&atilde;o do Estado na Europa Ocidental como um processo que &eacute; localizado tanto no tempo quanto no espa&ccedil;o, e de modo algum replic&aacute;vel, este processo &eacute; entendido, mesmo que &agrave;s vezes inconscientemente, como o caminho hist&oacute;rico &laquo;normal&raquo; da cria&ccedil;&atilde;o e forma&ccedil;&atilde;o de estados. Portanto, o processo de normaliza&ccedil;&atilde;o de estados p&oacute;s&#8209;conflito busca posicionar estes estados neste caminho hist&oacute;rico &laquo;normal&raquo;. Francis Fukuyama &eacute; quem talvez melhor resume esta compreens&atilde;o do que &eacute; este caminho &laquo;normal&raquo; para a cria&ccedil;&atilde;o de um Estado. Para ele, um Estado &laquo;bem&#8209;sucedido&raquo; combinaria um equil&iacute;brio est&aacute;vel entre tr&ecirc;s importantes institui&ccedil;&otilde;es pol&iacute;ticas &ndash; o pr&oacute;prio Estado, o Estado de direito, e um governo respons&aacute;vel &ndash; com o resultado de uma intera&ccedil;&atilde;o dupla &ndash; entre os pr&oacute;prios estados e entre os grupos sociais dentro da sociedade deste Estado. Portanto, aos olhos de Fukuyama, um processo de forma&ccedil;&atilde;o do Estado &laquo;bem-sucedido&raquo; produz um Estado que, por um lado, concentra o poder, faz seus cidad&atilde;os respeitarem as leis, e defende a si mesmo e a sua popula&ccedil;&atilde;o de amea&ccedil;as externas; e, por outro lado, possui um Estado de direito e um governo respons&aacute;vel limitando o poder do Estado, fazendo&#8209;o operar dentro de certas regras, e assegurando que o Estado estaria subordinado &agrave; vontade da popula&ccedil;&atilde;o<sup><a href="#81">81</a></sup><a name="top81"></a>.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>N&atilde;o por acaso, ao observar as pr&aacute;ticas desenvolvidas no terreno em um processo de reconstru&ccedil;&atilde;o p&oacute;s&#8209;b&eacute;lica, s&atilde;o precisamente tais elementos que s&atilde;o operacionalizados. Mais do que isso, fica bastante claro que o processo de normaliza&ccedil;&atilde;o &eacute; muito mais do que a tentativa de &laquo;corrigir&raquo; as institui&ccedil;&otilde;es destes estados p&oacute;s&#8209;conflito, seus comportamentos e suas pr&aacute;ticas; &eacute; quase como se os que atuam em tais processos buscassem &laquo;corrigir&raquo; a pr&oacute;pria hist&oacute;ria destes estados. Apesar daqueles que atuam em processos de reconstru&ccedil;&atilde;o p&oacute;s&#8209;b&eacute;lica retoricamente argumentarem que cada local possui sua especificidade e caracter&iacute;sticas, e como consequ&ecirc;ncia tem seu pr&oacute;prio caminho rumo &agrave; constru&ccedil;&atilde;o da paz, isto n&atilde;o poderia estar mais longe da realidade no terreno. Na verdade, a tentativa de implementa&ccedil;&atilde;o dos elementos resultantes de um longo processo que ocorreu na Europa Ocidental em estados p&oacute;s&#8209;conflito, possui um elemento silenciado. De fato, por meio da busca da inser&ccedil;&atilde;o destes elementos em estados p&oacute;s&#8209;conflito, aqueles que atuam em processos de reconstru&ccedil;&atilde;o p&oacute;s&#8209;b&eacute;lica demonstram um entendimento de que o processo que ocorreu na Europa Ocidental &eacute; o caminho hist&oacute;rico &laquo;normal&raquo; e &laquo;correto&raquo; da forma&ccedil;&atilde;o de estados. Portanto, apesar de muitas vezes isso ser n&atilde;o conscientemente percebido, o que &eacute; buscado &eacute; mais do que uma mera (re)constru&ccedil;&atilde;o de institui&ccedil;&otilde;es. &Eacute; a pr&oacute;pria &laquo;corre&ccedil;&atilde;o&raquo; da hist&oacute;ria destes estados p&oacute;s&#8209;conflito que &eacute; perseguida. Neste sentido, as opera&ccedil;&otilde;es de paz tornam&#8209;se um instrumento atrav&eacute;s do qual busca&#8209;se posicionar os estados p&oacute;s&#8209;conflito dentro do que &eacute; entendido enquanto o caminho hist&oacute;rico &laquo;normal&raquo; e &laquo;correto&raquo; de forma&ccedil;&atilde;o de estados, &laquo;acelerando&raquo; assim suas passagens por esta trajet&oacute;ria hist&oacute;rica.</p>     <p>Relativamente &agrave; segunda narrativa que sustenta o que &eacute; constru&iacute;do enquanto um comportamento &laquo;normal&raquo; na sociedade internacional, esta tem a ver com a associa&ccedil;&atilde;o de valores liberais &agrave; paz e &agrave; prosperidade. Logo, a consequente &laquo;norma&raquo;, tomada a partir desta compreens&atilde;o, assenta&#8209;se fundamentalmente nas no&ccedil;&otilde;es desenvolvidas por pensadores tais como Immanuel Kant<sup><a href="#82">82</a></sup><a name="top82"></a>, Joseph Schumpeter<sup><a href="#83">83</a></sup><a name="top83"></a>, Montesquieu<sup>84 </sup>e outros, que culminam no argumento de que o liberalismo &ndash; em termos pol&iacute;ticos, econ&ocirc;micos e sociais &ndash; possui um efeito pacificador sobre os estados, interna e externamente<sup><a href="#85">85</a></sup><a name="top85"></a>. Consequentemente, de acordo com este argumento, aqueles &laquo;Estados liberalmente constitu&iacute;dos s&atilde;o internamente mais pac&iacute;ficos, pr&oacute;speros e humanos e at&eacute; mesmo melhores gestores ambientais do que as n&atilde;o&#8209;democracias&raquo;<sup><a href="#86">86</a></sup><a name="top86"></a>. Portanto, a ades&atilde;o ao liberalismo &eacute; entendida enquanto o caminho em dire&ccedil;&atilde;o &agrave; paz e &agrave; prosperidade. Esta narrativa &eacute; materializada na sociedade internacional por meio do argumento da &laquo;paz liberal&raquo;<sup><a href="#87">87</a></sup><a name="top87"></a>, que constr&oacute;i o liberalismo como um valor fundamental compartilhado, e consequentemente um comportamento adequado, dentro da sociedade internacional liberal, em rela&ccedil;&atilde;o ao qual seus membros devem aquiescer e seguir.</p>     <p>A narrativa dual que sustenta a constru&ccedil;&atilde;o do que &eacute; entendido enquanto um comportamento &laquo;normal&raquo; na sociedade internacional &eacute; materializada e epitomada pela no&ccedil;&atilde;o de &laquo;boa governan&ccedil;a&raquo;. Desde os anos de 1990, diversas organiza&ccedil;&otilde;es internacionais, especialmente aquelas trabalhando em &laquo;assist&ecirc;ncia&raquo; ao desenvolvimento e no fornecimento de &laquo;apoio&raquo; financeiro, come&ccedil;aram a incluir um novo lema &ndash; a &laquo;boa governan&ccedil;a&raquo;<sup><a href="#88">88</a></sup><a name="top88"></a>. De fato, foi o Banco Mundial que desempenhou um papel fundamental no que toca &agrave; dissemina&ccedil;&atilde;o da no&ccedil;&atilde;o de &laquo;boa governan&ccedil;a&raquo; entre as organiza&ccedil;&otilde;es internacionais<sup><a href="#89">89</a></sup><a name="top89"></a>. Na verdade, a ideia de &laquo;governan&ccedil;a&raquo; &eacute; importante, j&aacute; que a mesma enquadra a &aacute;rea de interven&ccedil;&atilde;o. Para o Banco Mundial, a governan&ccedil;a significa &laquo;o modo pelo qual o poder &eacute; exercido no gerenciamento dos recursos econ&ocirc;micos e sociais de um pa&iacute;s para o desenvolvimento&raquo;<sup><a href="#90">90</a></sup><a name="top90"></a>. Apesar da import&acirc;ncia do termo &laquo;governan&ccedil;a&raquo;, a palavra&#8209;chave e operativa desta no&ccedil;&atilde;o &eacute;, obviamente, o adjetivo &laquo;boa&raquo;. Neste ponto, &eacute; percept&iacute;vel que, enquanto as institui&ccedil;&otilde;es financeiras enfatizam as reformas macroecon&ocirc;micas enquanto condicionantes para os seus financiamentos, as institui&ccedil;&otilde;es pol&iacute;ticas colocam maior aten&ccedil;&atilde;o nos princ&iacute;pios democr&aacute;ticos, direitos humanos e Estado de direito<sup><a href="#91">91</a></sup><a name="top91"></a>. Logo, a fun&ccedil;&atilde;o da no&ccedil;&atilde;o de &laquo;boa governan&ccedil;a&raquo; &eacute; dupla. Primeiramente, por meio da ideia de &laquo;governan&ccedil;a&raquo;, estrutura&#8209;se a &aacute;rea que deve sofrer a interven&ccedil;&atilde;o e, portanto, delineia&#8209;se <i>onde &ndash; </i>nomeadamente as estruturas estatais, seu <i>modus operandi</i>, e suas rela&ccedil;&otilde;es com suas pr&oacute;prias popula&ccedil;&otilde;es &ndash; os internacionais devem focar suas a&ccedil;&otilde;es e influ&ecirc;ncias. Em segundo lugar, por meio da no&ccedil;&atilde;o de &laquo;boa&raquo;, delineia&#8209;se o <i>como </i>aquelas &aacute;reas sob interven&ccedil;&atilde;o devem, de fato, comportar&#8209;se. Assim, enquadra&#8209;se o tipo de resultado esperado pela interven&ccedil;&atilde;o realizada. Relativamente &agrave; constru&ccedil;&atilde;o da paz em cen&aacute;rios &laquo;p&oacute;s&#8209;conflito&raquo;, esta no&ccedil;&atilde;o de &laquo;boa&raquo; refere&#8209;se diretamente &agrave; uma entidade pol&iacute;tica (neo)liberal&#8209;democr&aacute;tica, respeitando&#8209;se os direitos humanos e sustentada pelo Estado de direito. Mais do que isso, h&aacute; uma ideia impl&iacute;cita e subjacente &agrave; no&ccedil;&atilde;o de &laquo;boa governan&ccedil;a&raquo; &ndash; a exist&ecirc;ncia de uma &laquo;<i>m&aacute;</i>&raquo; governan&ccedil;a. Enquanto h&aacute; uma &laquo;boa&raquo; e &laquo;correta&raquo; governan&ccedil;a, que deve ser estimulada e fomentada, o outro lado da moeda &eacute; que h&aacute; uma &laquo;m&aacute;&raquo; e &laquo;inapropriada&raquo; governan&ccedil;a, que deve ser corrigida. Esta corre&ccedil;&atilde;o da &laquo;m&aacute;&raquo; governan&ccedil;a em dire&ccedil;&atilde;o &agrave; &laquo;boa&raquo; governan&ccedil;a &eacute; operacionalizada por meio de reformas econ&ocirc;micas, pol&iacute;ticas e sociais, como por exemplo a redu&ccedil;&atilde;o de barreiras comerciais e tarifas alfandeg&aacute;rias, a privatiza&ccedil;&atilde;o de propriedades pertencentes ao Estado, a desregulamenta&ccedil;&atilde;o e liberaliza&ccedil;&atilde;o da economia, a mercadoriza&ccedil;&atilde;o dos servi&ccedil;os p&uacute;blicos, disciplina or&ccedil;amental, respeito pelos direitos humanos, o engajamento de ONG, o Estado de direito, e assim por diante<sup><a href="#92">92</a></sup><a name="top92"></a>. De modo mais aprofundado, esta corre&ccedil;&atilde;o pode dar&#8209;se por meio do delinear e moldar do pr&oacute;prio <i>modus operandi</i>das institui&ccedil;&otilde;es (re)constru&iacute;das em estados p&oacute;s&#8209;conflito. &Eacute; Laura Zanotti, por exemplo, quem elucida que a &laquo;boa governan&ccedil;a&raquo; &laquo;tornou&#8209;se o conceito organizador das interven&ccedil;&otilde;es das Na&ccedil;&otilde;es Unidas em diversos campos, a chave para alcan&ccedil;ar n&atilde;o apenas a democracia, mas tamb&eacute;m o desenvolvimento e a paz&raquo;<sup><a href="#93">93</a></sup><a name="top93"></a>. Este &eacute; um elemento importante do processo de &laquo;normaliza&ccedil;&atilde;o&raquo; sob o qual passam os estados e popula&ccedil;&otilde;es p&oacute;s&#8209;conflito por meio do dispositivo normalizador que as opera&ccedil;&otilde;es de paz materializam.</p>     <p>Al&eacute;m disto, &eacute; preciso n&atilde;o esquecer que o que se entende enquanto um comportamento &laquo;anormal&raquo; na sociedade internacional tamb&eacute;m precisa ser constru&iacute;do enquanto tal. &Eacute; na constru&ccedil;&atilde;o da &laquo;anormalidade&raquo; e no processo de normaliza&ccedil;&atilde;o que a no&ccedil;&atilde;o de &laquo;Estado falido&raquo; &eacute; operacionalizada. Este &eacute; um conceito ao contr&aacute;rio. Ele incorpora uma dicotomia subliminar, t&aacute;cita, do que &eacute; um Estado &laquo;bem&#8209;sucedido&raquo; ou &laquo;normal&raquo;<sup><a href="#94">94</a></sup><a name="top94"></a>, que, como j&aacute; mencionado, &eacute; o (neo)liberal&#8209;democr&aacute;tico. Este conceito est&aacute; no cora&ccedil;&atilde;o da pr&oacute;pria exist&ecirc;ncia e necessidade de um dispositivo normalizador na sociedade internacional. A no&ccedil;&atilde;o &eacute; um conceito operativo fundamental neste processo. Como j&aacute; discutido, as opera&ccedil;&otilde;es de paz emergem na sociedade internacional a fim de lidar com a quest&atilde;o da &laquo;fragilidade&raquo; estatal, e esta quest&atilde;o torna&#8209;se operacional por meio da no&ccedil;&atilde;o de &laquo;Estado falido&raquo;. Este conceito emerge quando a l&oacute;gica ortodoxa, observando a sociedade internacional, problematiza a &laquo;fragilidade&raquo; e a &laquo;falta de capacidade&raquo; de certas estruturas estatais, ou suas &laquo;m&aacute;s governan&ccedil;as&raquo;<sup><a href="#95">95</a></sup><a name="top95"></a>. Estes estados s&atilde;o entendidos enquanto &laquo;falidos&raquo; porque n&atilde;o realizam, ou n&atilde;o querem realizar<sup><a href="#96">96</a></sup><a name="top96"></a>, ou mesmo n&atilde;o s&atilde;o capazes de realizar<sup>97 </sup>as fun&ccedil;&otilde;es que s&atilde;o entendidas enquanto fun&ccedil;&otilde;es centrais aos estados, como por exemplo a provis&atilde;o de servi&ccedil;os b&aacute;sicos, seguran&ccedil;a, o monop&oacute;lio do uso leg&iacute;timo da viol&ecirc;ncia, controlar suas fronteiras e fazer valer a lei e a ordem<sup><a href="#98">98</a></sup><a name="top98"></a>. Nesta linha de racioc&iacute;nio, os &laquo;estados falidos&raquo; s&atilde;o aqueles estados que &laquo;falharam&raquo; em se comportar como estados &laquo;normais&raquo; na sociedade internacional. Mais do que isso, tais estados s&atilde;o constru&iacute;dos enquanto patologias da sociedade internacional que precisam ser curadas. Eles s&atilde;o retratados enquanto estados &laquo;anormais&raquo; na sociedade internacional por meio de analogias tais como &laquo;doen&ccedil;a degenerativa&raquo;<sup><a href="#99">99</a></sup><a name="top99"></a>, &laquo;grave doen&ccedil;a mental ou f&iacute;sica&raquo;<sup><a href="#100">100</a></sup><a name="top100"></a>, ou mesmo &laquo;folhas mortas que se acumulam em uma floresta&raquo;<sup><a href="#101">101</a></sup><a name="top101"></a>. Portanto, a no&ccedil;&atilde;o de &laquo;Estado falido&raquo; possui uma fun&ccedil;&atilde;o qu&aacute;drupla, embora n&atilde;o sejam, na maioria das vezes, claramente vis&iacute;veis. Estas s&atilde;o: (1) relacional, no sentido em que constr&oacute;i&#8209;se a problematiza&ccedil;&atilde;o destes estados em rela&ccedil;&atilde;o aos outros estados; (2) &laquo;construtiva&raquo;, no sentido em que constr&oacute;i&#8209;se estes estados enquanto &laquo;anormais&raquo;; (3) hier&aacute;rquica, na medida em que, enquanto se problematiza estes estados em rela&ccedil;&atilde;o a outros estados e os constroem enquanto &laquo;anormais&raquo;, claramente se hierarquiza os estados na sociedade internacional; e (4) prescritiva, no sentido em que, enquanto se delineia a realidade a qual se quer descrever, tamb&eacute;m, inerentemente, se enquadra o que deve sofrer uma interven&ccedil;&atilde;o e onde as interven&ccedil;&otilde;es devem focar&#8209;se<sup><a href="#102">102</a></sup><a name="top102"></a>.</p>     <p>Portanto, a no&ccedil;&atilde;o de &laquo;Estado falido&raquo; n&atilde;o apenas funciona como o gatilho que faz com que o dispositivo normalizador emerja enquanto um instrumento adequado da sociedade internacional para lidar com tal quest&atilde;o, mas tamb&eacute;m como uma esp&eacute;cie de par&acirc;metro negativo, essencial no processo de classifica&ccedil;&atilde;o dos estados e indispens&aacute;vel para qualquer processo de normaliza&ccedil;&atilde;o. &Eacute; precisamente ao caracterizar certos estados como &laquo;falidos&raquo; ou &laquo;fr&aacute;geis&raquo; que se est&aacute;, subliminarmente e essencialmente, classificando estes estados em compara&ccedil;&atilde;o a outros estados &ndash; aqueles considerados enquanto &laquo;normais&raquo;. Mais do que isto, este processo de classifica&ccedil;&atilde;o &eacute; feito ao mesmo tempo em que conecta&#8209;se intimamente o &laquo;fracasso&raquo; ou a &laquo;fragilidade&raquo; destes estados &agrave;s inseguran&ccedil;as internacionais e ao subdesenvolvimento em escala global. &Eacute; este mecanismo que cria uma necessidade urgente de se reformar estes estados e corrigir seus comportamentos para que n&atilde;o mais sejam &laquo;falidos&raquo;. Caso contr&aacute;rio, a sociedade internacional, sob a linha de pensamento ortodoxo, torna&#8209;se demasiadamente insegura e seu desenvolvimento &eacute; prejudicado. Al&eacute;m disso, estas corre&ccedil;&otilde;es e interven&ccedil;&otilde;es s&atilde;o retratadas como uma rela&ccedil;&atilde;o ben&eacute;fica, devido &agrave;s possibilidades abertas pelas reinterpreta&ccedil;&otilde;es ocorridas na no&ccedil;&atilde;o de soberania passando esta a ser entendida enquanto capacidades. &Eacute; esta modifica&ccedil;&atilde;o que permite que esse processo de profunda e estrutural reengenharia social seja realizado por meio de no&ccedil;&otilde;es negadoras de poder como por exemplo &laquo;constru&ccedil;&atilde;o de capacidade&raquo; (<i>capacit-building</i>), &laquo;assessoria&raquo; ou &laquo;tutoria&raquo;, t&atilde;o presentes em cen&aacute;rios de reconstru&ccedil;&atilde;o p&oacute;s&#8209;b&eacute;lica, e seja retratado como aumentando o espectro de a&ccedil;&otilde;es dos estados p&oacute;s&#8209;conflito, ao inv&eacute;s de o limitando.</p>     <p>Consequentemente, as opera&ccedil;&otilde;es de paz desenvolvem v&aacute;rias reformas econ&ocirc;micas, pol&iacute;ticas e sociais, &agrave; luz da no&ccedil;&atilde;o de &laquo;boa governan&ccedil;a&raquo;, e sustentadas pelo argumento da paz liberal, precisamente objetivando fazer com que estes estados parem de ser, mesmo que potencialmente, uma amea&ccedil;a &agrave; sociedade internacional, e parem de ter um comportamento &laquo;desviante&raquo; na sociedade internacional. &Eacute; dentro deste enquadramento que, por exemplo, todas as institui&ccedil;&otilde;es que s&atilde;o constru&iacute;das em cen&aacute;rios p&oacute;s&#8209;conflito devem ser percebidas. Portanto, ao inv&eacute;s de um mero exerc&iacute;cio de (re)constru&ccedil;&atilde;o de institui&ccedil;&otilde;es, tais processos de reconstru&ccedil;&atilde;o p&oacute;s&#8209;b&eacute;lica s&atilde;o a pr&oacute;pria operacionaliza&ccedil;&atilde;o do exerc&iacute;cio de um poder disposicional sobre os estados p&oacute;s&#8209;conflito e suas popula&ccedil;&otilde;es, no sentido de &laquo;corrigir&raquo; seus <i>modus operandi</i>, de &laquo;corrigir&raquo; o modo no qual estas esferas devem &laquo;adequadamente&raquo; comportar&#8209;se. Estas pr&aacute;ticas, como j&aacute; deve ser bastante claro neste momento, s&atilde;o essenciais para o processo de normaliza&ccedil;&atilde;o a que os estados p&oacute;s&#8209;conflito e suas popula&ccedil;&otilde;es s&atilde;o sujeitos. Na esfera econ&ocirc;mica, &eacute; dentro deste enquadramento que, por exemplo, os ajustes estruturais, impostos pelo Fundo Monet&aacute;rio Internacional e Banco Mundial, estimulando certos tipos de condutas econ&ocirc;micas, e bloqueando outras, como, por exemplo, a concess&atilde;o (ou recusa) de financiamento e de cr&eacute;ditos aos estados p&oacute;s-conflito, devem ser entendidos. Em ess&ecirc;ncia, objetiva&#8209;se que a economia, em geral, comporte&#8209;se de uma determinada maneira espec&iacute;fica. Na esfera pol&iacute;tica, pode&#8209;se pensar, dentro deste enquadramento, acerca das vastas e profundas reformas desenvolvidas tais como, por exemplo, a cria&ccedil;&atilde;o de todo o sistema jur&iacute;dico, legislativo e executivo (ou, de fato, exercendo tais poderes)<sup><a href="#103">103</a></sup><a name="top103"></a>, a escrita de constitui&ccedil;&otilde;es, a defini&ccedil;&atilde;o de sistemas eleitorais, ou mesmo a elabora&ccedil;&atilde;o de leis. Na esfera social, &eacute; percept&iacute;vel, por exemplo, a gest&atilde;o de uma variedade de &aacute;reas&#8209;chave relativamente &agrave;s vidas das popula&ccedil;&otilde;es em cen&aacute;rios p&oacute;s&#8209;conflito, incluindo a movimenta&ccedil;&atilde;o das mesmas no territ&oacute;rio, educa&ccedil;&atilde;o, sa&uacute;de, programas aliment&iacute;cios, demografia, habita&ccedil;&atilde;o, empregos, para nomear apenas algumas dimens&otilde;es. Sob este enquadramento, todas estas a&ccedil;&otilde;es s&atilde;o essencialmente condu&ccedil;&otilde;es das condutas que possuem o objetivo de estimular, ou desencorajar, determinados tipos de comportamentos, para que o Estado p&oacute;s&#8209;conflito e as suas popula&ccedil;&otilde;es, em geral, comportem&#8209;se &laquo;de acordo&raquo;. Intervindo nos n&iacute;veis do Estado e da popula&ccedil;&atilde;o, o dispositivo normalizador que as opera&ccedil;&otilde;es de paz materializam posiciona ambos os n&iacute;veis em uma complexa rede de poder, cujo o objetivo &eacute; conduzir suas condutas, para que possam assemelhar-se mais a um Estado e uma popula&ccedil;&atilde;o com comportamentos liberais&#8209;democr&aacute;ticos.</p>     <p>Portanto, normalizar estes estados constru&iacute;dos enquanto &laquo;anormais&raquo; e &laquo;falidos&raquo; na sociedade internacional significa encontrar os instrumentos adequados para tornar operacional um tipo &laquo;bom&raquo; de governan&ccedil;a, que &eacute; sustentado pelo enquadramento normativo da &laquo;paz liberal&raquo;, o que, em ess&ecirc;ncia, significa implementar uma &laquo;normalidade&raquo; nestes pa&iacute;ses. Na verdade, isto pode ser buscado por meio de diversos instrumentos, variando desde san&ccedil;&otilde;es at&eacute; mesmo &agrave; guerra. Contudo, em cen&aacute;rios p&oacute;s&#8209;conflito, e dentro da narrativa da constru&ccedil;&atilde;o da paz, &eacute; o dispositivo materializado pelas opera&ccedil;&otilde;es de paz que emerge enquanto o instrumento mais adequado para se intervir em estados p&oacute;s&#8209;conflito e suas popula&ccedil;&otilde;es, a fim de corrigir seus comportamentos, de modo a faz&ecirc;&#8209;los assemelharem&#8209;se mais com democracias (neo)liberais, e, em ess&ecirc;ncia, para normaliz&aacute;&#8209;los. Logo, em um processo de normaliza&ccedil;&atilde;o acontecendo na sociedade internacional por meio das opera&ccedil;&otilde;es de paz, n&atilde;o somente os estados p&oacute;s&#8209;conflito sofrem uma interven&ccedil;&atilde;o visando a sua normaliza&ccedil;&atilde;o, buscando faz&ecirc;-los comportarem-se de acordo com uma &laquo;norma&raquo; internacional estabelecida, e supostamente compartilhada, a &laquo;paz liberal&raquo;; mas tamb&eacute;m a rela&ccedil;&atilde;o dos mesmos com suas pr&oacute;prias popula&ccedil;&otilde;es e o modo no qual estas popula&ccedil;&otilde;es devem comportar&#8209;se tamb&eacute;m s&atilde;o alvos deste processo normalizador. Nesse sentido, as opera&ccedil;&otilde;es de paz funcionam como um dispositivo que busca normalizar as condutas dos estados p&oacute;s&#8209;conflito e de suas popula&ccedil;&otilde;es, para que comecem a comportar&#8209;se &laquo;de acordo&raquo; com as &laquo;normas&raquo; internacionais; de acordo com o que &eacute; constru&iacute;do enquanto um comportamento &laquo;normal&raquo; e esperado dos estados e popula&ccedil;&otilde;es dentro da sociedade internacional atual &ndash; ser um Estado e popula&ccedil;&atilde;o liberal&#8209;democr&aacute;tico, orientado ao mercado.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>CONCLUS&Atilde;O</b></p>     <p>Este artigo problematizou um elemento fundamental do cen&aacute;rio internacional contempor&acirc;neo &ndash; a constru&ccedil;&atilde;o da paz. Mais precisamente, o artigo refletiu acerca do papel que as opera&ccedil;&otilde;es de paz possuem na pol&iacute;tica internacional. Partindo das ferramentas anal&iacute;ticas desenvolvidas pela Escola Inglesa e por Michel Foucault, o artigo argumentou que as opera&ccedil;&otilde;es de paz funcionam como um dispositivo normalizador na sociedade internacional. A fim de executar esta fun&ccedil;&atilde;o, o artigo argumentou que a tentativa normalizadora torna&#8209;se operacional em dois n&iacute;veis. No n&iacute;vel internacional, esta ocorre por meio da tentativa de disciplinar o Estado p&oacute;s&#8209;conflito como um indiv&iacute;duo na sociedade internacional. No n&iacute;vel nacional, a tentativa de normaliza&ccedil;&atilde;o ocorre por meio do exerc&iacute;cio de um poder biopol&iacute;tico sobre as popula&ccedil;&otilde;es destes pa&iacute;ses. O artigo argumentou ainda que este processo de normaliza&ccedil;&atilde;o que opera&ccedil;&otilde;es de paz realizam possui, subjacente ao seu funcionamento, uma compreens&atilde;o acerca do que deveria ser um comportamento &laquo;normal&raquo; e um comportamento &laquo;anormal&raquo; na sociedade internacional. Ambas as condi&ccedil;&otilde;es s&atilde;o constru&iacute;das enquanto tais dentro da sociedade internacional. Desta forma, foi evidenciado que, em rela&ccedil;&atilde;o ao primeiro, a constru&ccedil;&atilde;o do que &eacute; entendido enquanto um comportamento &laquo;normal&raquo;, que os estados devem ser democracias (neo)liberais, na sociedade internacional, se baseia em dois pilares: (1) no entendimento de que o processo de forma&ccedil;&atilde;o de estados que ocorreu na Europa Ocidental &eacute; a mais apropriada rota para se organizar uma entidade pol&iacute;tica; e (2) no argumento da paz liberal, que associa a ado&ccedil;&atilde;o dos valores liberais, em distintas esferas, &agrave; paz e &agrave; prosperidade. Como mencionado anteriormente, ambos os pilares fundem&#8209;se e s&atilde;o tornados operacionais por meio da no&ccedil;&atilde;o de &laquo;boa governan&ccedil;a&raquo;. Em rela&ccedil;&atilde;o ao comportamento &laquo;anormal&raquo; na sociedade internacional, o artigo sustentou que esta condi&ccedil;&atilde;o &eacute; constru&iacute;da como sendo os comportamentos que n&atilde;o assemelham&#8209;se ao comportamento de um Estado (neo)liberal, e esta constru&ccedil;&atilde;o se torna operacional por meio da no&ccedil;&atilde;o de &laquo;estados falidos&raquo;. A problematiza&ccedil;&atilde;o desenvolvida pelo artigo permite uma an&aacute;lise cr&iacute;tica acerca do papel que as opera&ccedil;&otilde;es de paz t&ecirc;m na pol&iacute;tica internacional. A mesma permite a percep&ccedil;&atilde;o de que, ao inv&eacute;s de um instrumento t&eacute;cnico de resolu&ccedil;&atilde;o de conflitos violentos implementado em cen&aacute;rios p&oacute;s&#8209;conflito, como frequentemente s&atilde;o retratadas, as opera&ccedil;&otilde;es de paz, ao tentar moldar e conduzir os comportamentos destes estados e de suas popula&ccedil;&otilde;es, possuem um papel fundamental nas rela&ccedil;&otilde;es internacionais &ndash; a manuten&ccedil;&atilde;o da ordem (neo)liberal na sociedade internacional.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>BIBLIOGRAFIA</b></p>     <p>AGAMBEN, Giorgio &ndash; <i>What is an Apparatus? &ndash; And Other Essays. </i>Stanford: Stanford University Press, 2009.</p>     <p>ASHWORTH, Lucian &ndash; &laquo;Did the Realist--Idealist great debate really happen? A revisionist history of international relations&raquo;. In <i>International Relations.</i> Vol. 16, N.&ordm; 1, 2002, pp. 33-51.</p>     <p>BERNAUER, James, e RASMUSSEN, David (eds.) &ndash; <i>The Final Foucault.</i> Cambridge: MIT Press, 1994.</p>     <p>BLANCO, Ramon &ndash; &laquo;Del mantenimiento de la paz al proceso de formaci&oacute;n del Estado: un esbozo de los esfuerzos de la ONU para la paz internacional&raquo;. In <i>Foro Internacional. </i>Vol. 216, N.&ordm; 2, 2014, pp. 266-318.</p>     <p>BLANCO, Ramon &ndash; &laquo;The un peacebuilding process: an analysis of its shortcomings in Timor-Leste&raquo;. In <i>Revista Brasileira de Pol&iacute;tica Internacional.</i> Vol. 58, N.&ordm; 1, 2015, pp. 42-62.</p>     <p>BRAINARD, Lael, e CHOLLET, Derek (eds.) &ndash; <i>Too Poor for Peace?: Global Poverty, Conflict, and Security in the 21st Century. </i>Washington DC: Brookings Institution Press, 2007.</p>     <p>BR&Ouml;CKLING, Ulrich, KRASMANN, Susanne, e LEMKE, Thomas (eds.) &ndash; <i>Governmentality: Current Issues and Future Challenges</i>, 2011, pp. 1-33.</p>     <p>BULL, Hedley &ndash; <i>The Anarchical Society: A Study of Order in World Politics. </i>Basingstoke: Palgrave, 1977.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>BURCHELL, Graham, GORDON, Colin, e MILLER, Peter (eds.) &ndash; <i>The Foucault Effect: Studies in Governmentality. </i>Chicago: University of Chicago Press, 1991.</p>     <p>BURCHILL, Scott, <i>et al.</i> (eds.) &ndash; <i>Theories of International Relations. </i>Nova York: Palgrave, 2005.</p>     <p>BUZAN, Barry &ndash; <i>An Introduction to the English School of International Relations: The Societal Approach. </i>Cambridge: Polity, 2014.</p>     <p>BUZAN, Barry, e LITTLE, Richard &ndash; <i>International Systems in World History: Remaking the Study of International Relations. </i>Oxford: Oxford University Press, 2000.</p>     <p>COUTO, Mia &ndash; <i>O &Uacute;ltimo Voo do Flamingo. </i>Lisboa: Editorial Caminho, 2002.</p>     <p>CURTIN, Deirdre, e WESSEL, Ramses A. (eds.) &ndash; <i>Good Governance and the European Union &ndash; Reflections on Concepts, Institutions and Substance. </i>Nova York: Intersentia Publishers, 2005.</p>     <p>DEAN, Mitchell &ndash; <i>Governmentality: Power and Rule in Modern Society. </i>Londres: sage Publications, 2010.</p>     <p>DOORNBOS, Martin, WOODWARD, Susan, ROQUE, Silvia (eds.) &ndash; <i>Failing States or Failed States? The Role of Development Models: Collected Works. </i>Madrid: FRIDE Working Paper N.&ordm; 19, 2006.</p>     <p>DUFFIELD, Mark &ndash; <i>Global Governance and the New Wars. </i>Londres: Zed Books. 2001.</p>     <p>DUFFIELD, Mark &ndash; <i>Development, Security and Unending War &ndash; Governing the World of Peoples. </i>Cambridge: Polity Press, 2007.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>DUFFIELD, Mark &ndash; &laquo;The Liberal way of development and the development-security impasse: exploring the global life--chance divide&raquo;. In <i>Security Dialogue. </i>Vol. 41, N.&ordm; 1, 2010, pp. 53-76.</p>     <p>DUNNE, Tim &ndash; <i>Inventing International Society: A History of the English School. </i>Basingstoke: Macmillan, 1998.</p>     <p>FAUBION, James D. (ed.) &ndash; <i>The Essential Works of Foucault 1954-1984</i>, Vol. 3, <i>Power. </i>Nova York: New York Press, [1982] 2000.</p>     <p>FERNANDES, Jos&eacute; Pedro Teixeira &ndash; <i>Teorias das Rela&ccedil;&otilde;es Internacionais: Da Abordagem Cl&aacute;ssica ao Debate P&oacute;s-Positivista. </i>Coimbra: Editora Almedina, 2011.</p>     <p>FOUCAULT, Michel &ndash; &laquo;Prisons et asiles dans le m&eacute;canisme du pouvoir&raquo;. In <i>Dits et Ecrits. </i>Paris: Gallimard, [1974] 1994, t. ii, pp. 521-525.</p>     <p>FOUCAULT, Michel &ndash; <i>The History of Sexuality, </i>Vol. I<i>, An Introduction. </i>Nova York: Pantheon Books, [1976] 1978.</p>     <p>FOUCAULT, Michel &ndash; <i>Society Must Be Defended. </i>Nova York: Picador, [1976] 2003.</p>     <p>FOUCAULT, Michel &ndash; <i>Security, Territor y, Population. </i>Basingstoke: Palgrave Macmillan, [1978] 2007.</p>     <p>FOUCAULT, Michel &ndash; <i>The Birth of Biopolitics &ndash; Lectures at the Coll&egrave;ge de France, 19781979. </i>Basingstoke: Palgrave Macmillan, [1979] 2008.</p>     <p>FUKUYAMA, Francis &ndash; <i>The Origins of Political Order &ndash; From Prehuman Times to the French Revolution. </i>Nova York: Farrar, Straus and Giroux, 2011.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>GALTUNG, Johan &ndash; &laquo;Violence, peace, and peach research&raquo;. In <i>Journal of Peace Research.</i> Vol. 6, N.&ordm; 3, 1969, pp. 167-191.</p>     <p>GHANI, Ashraf, e LOCKHART, Clare &ndash; <i>Fixing Failed States: A Framework for Rebuilding a Fractured World. </i>Oxford: Oxford University Press, 2008.</p>     <p>GHANI, Ashraf, LOCKHART, Clare, e CARNAHAN, Michael &ndash; <i>Closing the Sovereignty Gap: An Approach to State-Building</i>. Overseas Development Institute Working Paper N.&ordm; 253, [15 de dezembro de 2008]. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.odi.org.uk/resources/odi-publications/working--papers/253-sovereignty-gap-state-buil-ding.pdf" target="_blank">http://www.odi.org.uk/resources/odi-publications/working--papers/253-sovereignty-gap-state-buil-ding.pdf</a>.</p>     <p>GORDON, Colin (ed.) &ndash; <i>Power/Knowledge: Selected Inter views and Other Writings, 1972-1977. </i>Nova York: Pantheon Books, 1980.</p>     <p>GROS, Jean-Germain &ndash; &laquo;Towards a taxonomy of failed states in the new world order: decaying Somalia, Liberia, Rwanda and Haiti&raquo;. In <i>Third World Quarterly.</i> Vol. 17, N.&ordm; 3, 1996, pp. 455-471.</p>     <p>HEATHERSHAW, John &ndash; &laquo;Unpacking the Liberal peace: the dividing and merging of peacebuilding discourses&raquo;. In <i>Millennium &ndash; Journal of International Studies. </i>Vol. 36, N.&ordm; 3, 2008, pp. 597-621.</p>     <p>HELMAN, Gerald B., e RATHER, Steven R. &ndash; &laquo;Saving failed states&raquo;. In <i>Foreign Policy</i>. N.&ordm; 89, inverno de 1992, pp. 3-20.</p>     <p>INGRAM, Sue &ndash; <i>Key Concepts and Operational Implications in Two Fragile States: The Case of Sierra Leona and Liberia. </i>The World Bank &ndash; UNDP, 2010.</p>     <p>JACKSON, Robert &ndash; <i>Quasi-States: Sovereignty, International Relations, and the Third World. </i>Cambridge: Cambridge University Press, 1990.</p>     <p>KANT, Immanuel &ndash; <i>Perpetual Peace &ndash; A Philosophical Essay. </i>Londres: George Allen &amp; Unwin Ltd., 1905 [1795].</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>KELLY, Mark G. E. &ndash; <i>The Political Philosophy of Michel Foucault</i>. Nova York: Routledge, 2009.</p>     <p>KEMER, Tha&iacute;se, PEREIRA, Alexsandro Eugenio, e BLANCO, Ramon &ndash; &laquo;A constru&ccedil;&atilde;o da paz em um mundo em transforma&ccedil;&atilde;o: o debate e a cr&iacute;tica sobre o conceito de peacebuilding&raquo;. In <i>Revista de Sociologia e Pol&iacute;tica</i>. Vol. 56, N.&ordm; 2, 2016, pp. 122-143.</p>     <p>KENKEL, Kai Michael &ndash; &laquo;Five generations of peace operations: from the &ldquo;Thin Blue Line&rdquo; to &ldquo;Painting a Country Blue&rdquo;&raquo;. In <i>Revista Brasileira de Pol&iacute;tica Internacional. </i>Vol. 56, N.&ordm; 2, 2013, pp. 122-143.</p>     <p>KRASNER, Stephen D., e PASCUAL, Carlos &ndash; &laquo;Addressing State failure&raquo;. In<i> Foreign Affairs. </i>Vol. 84, N.&ordm; 4, 2005, pp. 153-163.</p>     <p>LAPOUJADE, David (ed.) &ndash; <i>Two Regimes of Madness </i>&ndash; <i>Gilles Deleuze Texts and Interviews 1975-1995. </i>Nova York: Semiotext(e), 2007.</p>     <p>LINKLATER, Andrew, e SUGANAMI, Hidemi &ndash; <i>The English School of International Relations: A Contemporary Reassessment. </i>Cambridge: Cambridge University Press, 2006.</p>     <p>MONTESQUIEU, Charles de Secondat, baron de &ndash; <i>The Spirit of the Laws. </i>Cambridge: Cambridge University Press, 2002 [1748].</p>     <p>NEGRI, Antonio, e HARDT, Michael &ndash; <i>Empire. </i>Cambridge: Harvard University Press, 2000.</p>     <p>NEWMAN, Edward, PARIS, Roland, e RICHMOND, Oliver P. (eds.) &ndash; <i>New Perspectives on Liberal Peacebuilding. </i>T&oacute;quio-Nova York-Paris: United Nations University Press, 2009.</p>     <p>PARIS, Roland &ndash; <i>At War&rsquo;s End: Building Peace after Civil Conflict. </i>Cambridge: Cambridge University Press, 2004.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>PARIS, Roland, e SISK, Timothy (eds.) &ndash; <i>The Dilemmas of Statebuilding: Confronting the Contradictions of Postwar Peace Operations. </i>Nova York: Routledge, 2009.</p>     <p>PROZOROV, Sergei, e RENTEA, Simona (eds.) &ndash; <i>The Routledge Handbook of Biopolitics. </i>Londres: Routledge, 2017.</p>     <p>PUREZA, Jos&eacute; Manuel, <i>et al.</i> &ndash; &laquo;Peacebuilding and failed states: some theoretical notes&raquo;. In <i>Oficina do CES</i>. N.&ordm; 256, julho de 2006, pp. 1-36.</p>     <p>PUREZA, Jos&eacute; Manuel, <i>et al.</i> &ndash; &laquo;Do states fail or are they pushed? Lessons learned from three fomer Portuguese colonies&raquo;. In <i>Oficina do CES</i>. N.&ordm; 273, abril de 2007, pp. 1-24.</p>     <p>RABINOW, Paul (ed.) &ndash; <i>The Foucault Reader. </i>Londres: Penguim Books, 1984.</p>     <p>RABINOW, Paul, e ROSE, Nikolas (eds.) &ndash; <i>The Essential Foucault: Selection from the Essential Works of Foucault, 1954-1984. </i>Nova York: New Press, 2003.</p>     <p>RABINOW, Paul, e ROSE, Nikolas &ndash; &laquo;Biopower today&raquo;. In <i>BioSocieties.</i> Vol. 1, N.&ordm; 2, 2006, pp. 195-217.</p>     <p>RICE, Susan E. &ndash; &laquo;The new national security strategy: focus on failed states&raquo;. In <i>Brookings Policy Brief.</i> N.&ordm; 116, fevereiro de 2003, pp. 1-8.</p>     <p>RICHMOND, Oliver &ndash; &laquo;The problem of peace: under standing the &ldquo;Liber al Peace&rdquo;&raquo;. In <i>Conflict, Security &amp; Development.</i> Vol. 6, N.&ordm; 3, 2006, pp. 291-314.</p>     <p>RICHMOND, Oliver &ndash; <i>Th</i>e <i>Transformation of Peace. </i>Nova York: Palgrave Macmillan. 2007.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>RICHMOND, Oliver &ndash; <i>Peace in International Relations. </i>Abingdon: Routledge, 2008.</p>     <p>Rose, Nikolas &ndash; <i>Powers of Freedom </i>&ndash; <i>Reframing Political Thought. </i>Cambridge: Cambridge University Press, 1999.</p>     <p>ROTBERG, Robert (ed.) &ndash; <i>State Failure and State Weakness in a Time of Terror. </i>Washington DC: Brookings Institution Press, 2003.</p>     <p>ROTBERG, Robert (ed.) &ndash; <i>When States Fail: Causes and Consequences.</i> Princeton: Princeton University Press, 2004.</p>     <p>SCHUMPETER, Joseph (ed.) &ndash; <i>Imperialism and Social Classes: Two Essays by Joseph Schumpeter. </i>Cleaveland: Meridian Books, 1966 [1919].</p>     <p>SMART, Barry &ndash; <i>Key Sociologists &ndash; Michel Foucault. </i>Nova York: Routledge, 2002.</p>     <p>UN, UNITED NATIONS PEACEKEEPING DEPARTMENT &ndash; <i>United Nations Peacekeeping Operations Principles and Guidelines</i>. 4 de maio de 2009. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://pbpu.unlb.org/PBPS/Library/Capstone_Doctrine_ENG.pdf" target="_blank">http://pbpu.unlb.org/PBPS/Library/Capstone_Doctrine_ENG.pdf</a>.</p>     <p>WALKER, R. B. J. &ndash; <i>Inside/outside: International Relations as Political Theory. </i>Cambridge: Cambridge University Press, 1993.</p>     <p>WATSON, Adam &ndash; &laquo;Systems of states&raquo;. In <i>Review of International Studies.</i> Vol. 16, N.&ordm; 2, 1990, pp. 99-109.</p>     <p>WATSON, Adam &ndash; <i>The Evolution of International Societ y: A Comparative Historical Analysis. </i>Londres: Routledge, 1992.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>WB, WORLD BANK &ndash; <i>Governance and Development. </i>Washington, DC: World Bank, 1992.</p>     <p>WIGHT, Gabriele, e PORTER, Brian (eds.) &ndash; <i>International Theory: The Three Traditions &ndash; Martin Wight. </i>Nova York: Holmes &amp; Meier, 1992.</p>     <p>WIGHT, Martin &ndash; <i>System of States. </i>Leicester: Leicester University Press, 1977.</p>     <p>WILSON, Peter &ndash; &laquo;The myth of the &ldquo;the First Great Debate&rdquo;&raquo;. In <i>Review of International Studies.</i> Vol. 24, N.&ordm; 5, 1998, pp. 1-15.</p>     <p>ZANOTTI, Laura &ndash; &laquo;Governmentalizing the post-Cold War international regime: the un debate on democratization and good governance&raquo;. In <i>Alter natives: Global , Local, Political</i>. Vol. 30, N.&ordm; 4, 2005, pp. 461-487.</p>     <p>ZARTMAN, William (ed.) &ndash; <i>Collapsed States: The Disintegration and the Restoration of Legitimate Authorit y. </i>Londres-Boulder: Lynne Rienner, 1995.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><i>Data de recep&ccedil;&atilde;o: 24 de agosto de 2016 | Data de aprova&ccedil;&atilde;o: 11 de novembro de 2016</i></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>NOTAS</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b><Sup><a name="0"></a><a href="#top0">*</a></Sup> </b>O autor agradece todos os coment&aacute;rios e sugest&otilde;es recebidos durante a apresenta&ccedil;&atilde;o deste artigo no Semin&aacute;rio de Pesquisa, na Universidade Federal de Uberl&acirc;ndia (Brasil), e no I Encontro Brasileiro de Estudos para a Paz (EBEP). O autor tamb&eacute;m agradece aos revisores an&ocirc;nimos por suas contribui&ccedil;&otilde;es relevantes e ao Rafael Nascimento pela tradu&ccedil;&atilde;o deste texto a partir do ingl&ecirc;s. No entanto, quaisquer erros ou incoer&ecirc;ncias s&atilde;o da exclusiva responsabilidade do autor.</p>     <p><b><sup><a href="#1">1</a></sup><a name="top1"></a></b>Seguindo uma conven&ccedil;&atilde;o n&atilde;o escrita da literatura aqui em quest&atilde;o, as letras mai&uacute;sculas s&atilde;o empregadas aqui em refer&ecirc;ncia &agrave; disciplina acad&ecirc;mica (Rela&ccedil;&otilde;es Internacionais, RI). Embora o autor reconhe&ccedil;a a eros&atilde;o da divis&atilde;o &laquo;interno/ externo&raquo; (cf. WALKER, R. B. J. &ndash; <i>Inside/outside: International Relations as Political Theory. </i>Cambridge: Cambridge University Press, 1993) ao se problematizar as din&acirc;micas dentro das RI na atualidade, as letras min&uacute;sculas ser&atilde;o usadas em refer&ecirc;ncia &agrave;s din&acirc;micas que acontecem majoritariamente no cen&aacute;rio &laquo;internacional&raquo; e que envolvem majoritariamente atores externos a um determinado Estado.</p>     <p><b><sup><a href="#2">2</a></sup><a name="top2"></a></b>Seguindo a terminologia das Na&ccedil;&otilde;es Unidas (ONU), este trabalho utiliza o termo &laquo;opera&ccedil;&otilde;es de paz&raquo; no sentido de &laquo;opera&ccedil;&otilde;es de campo destacadas para prevenir, gerenciar, e/ou resolver conflitos violentos ou reduzir o risco de suas recorr&ecirc;ncias&raquo; (cf. UN, UNITED NATIONS PEACEKEEPING DEPARTMENT &ndash; <i>United Nations Peacekeeping Operations Principles and Guidelines</i>. 4 de maio de 2009. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://pbpu.unlb.org/PBPS/Library/Capstone_Doctrine_ENG.pdf" target="_blank">http://pbpu.unlb.org/PBPS/Library/Capstone_Doctrine_ENG.pdf</a>., p. 98). Logo, o termo engloba, de acordo com o entendimento da pr&oacute;pria ONU acerca do termo, os instrumentos-chave utilizados pela mesma para lidar com conflitos violentos ao redor do globo, indo desde a preven&ccedil;&atilde;o de conflitos at&eacute; esfor&ccedil;os de constru&ccedil;&atilde;o da paz e (re)constru&ccedil;&atilde;o de estados<i>. </i></p>     <p><b><sup><a href="#3">3</a></sup><a name="top3"></a></b>Esta dist&acirc;ncia foi de algum modo diminu&iacute;da pelas elucida&ccedil;&otilde;es, por exemplo, de Mark Duffield (cf. <i>Development, Security and Unending War &ndash; Governing the World of Peoples. </i>Cambridge: Polity Press, 2007; &laquo;The Liberal way of development and the development-security impasse: exploring the global life-chance divide&raquo;. In <i>Security Dialogue.</i> Vol. 41, N.&ordm; 1, 2010, pp. 53-76).</p>     <p><b><sup><a href="#4">4</a></sup><a name="top4"></a></b>Para mais acerca da viol&ecirc;ncia direta e estrutural ver GALTUNG, Johan &ndash; &laquo;Violence, peace, and peach research&raquo;. In <i>Journal of Peace Research.</i> Vol. 6, N.&ordm; 3, 1969, pp. 167-191.</p>     <p><b><sup><a href="#5">5</a></sup><a name="top5"></a></b>Para uma an&aacute;lise deste tipo relativamente a um dos casos mais paradigm&aacute;ticos, Timor-Leste, ver BLANCO, Ramon &ndash; &laquo;The un peacebuilding process: an analysis of its shortcomings in Timor-Leste&raquo;. In <i>Revista Brasileira de Pol&iacute;tica Internacional.</i> Vol. 58, N.&ordm; 1, 2015, pp. 42-62.</p>     <p><b><sup><a href="#6">6</a></sup><a name="top6"></a></b>A palavra utilizada por Foucault originalmente &eacute; <i>dispositif</i>. Normalmente a mesma &eacute; traduzida para o portugu&ecirc;s como &laquo;dispositivo&raquo; e para o ingl&ecirc;s como <i>apparatus</i>. N&atilde;o obstante, as tradu&ccedil;&otilde;es n&atilde;o ocorrem sem discuss&atilde;o. Ver, por exemplo, KELLY, Mark G. E. &ndash; <i>The Political Philosophy of Michel Foucault</i>. Nova York: Routledge, 2009, p. 174, nota de rodap&eacute; 12. De todo modo, o artigo utilizar&aacute; a palavra &laquo;dispositivo&raquo;.</p>     <p><b><sup><a href="#7">7</a></sup><a name="top7"></a></b>O delineamento da completa extens&atilde;o de ambas as problematiza&ccedil;&otilde;es est&aacute; fora do escopo deste artigo. Para isto, ver, por exemplo: para a Escola Inglesa, BULL, Hedley &ndash; <i>The Anarchical Society: A Study of Order in World Politics. </i>Basingstoke: Palgrave, 1977; WATSON, Adam &ndash; <i>The Evolution of International Society: A Comparative Historical Analysis. </i>Londres: Routledge, 1992; DUNNE, Tim &ndash; <i>Inventing International Society: A History of the English School. </i>Basingstoke: Macmillan, 1998; BURCHILL, Scott, <i>et al. </i>&ndash; <i>Theories of International Relations. </i>Nova York: Palgrave, 2005, cap. 4; LINKLATER, Andrew, e SUGANAMI, Hidemi &ndash; <i>The English School of International Relations: A Contemporary Reassessment. </i>Cambridge: Cambridge University Press, 2006; BUZAN, Barry &ndash; <i>An Introduction to the English School of International Relations: The Societal Approach. </i>Cambridge: Polity, 2014; e para Foucault, RABINOW, Paul (ed.) &ndash; <i>The Foucault Reader. </i>Londres: Penguim Books, 1984; BURCHELL, Graham, GORDON, Colin, MILLER. Peter (eds.) &ndash; <i>The Foucault Effect: Studies in Governmentality. </i>Chicago: University of Chicago Press, 1991; SMART, Barry &ndash; <i>Key Sociologists &ndash; Michel Foucault. </i>Nova York: Routledge, 2002; RABINOW, Paul, e ROSE, Nikolas &ndash; &laquo;Introduction &ndash; Foucault today&raquo;. <i>In</i> RABINOW, Paul, e ROSE, Nikolas (eds.) &ndash; <i>The Essential Foucault: Selection from the Essential Works of Foucault, 1954-1984.</i> Nova York: New Press, 2003, pp. VII-XXXV; KELLY, Mark G. E. &ndash; <i>The Political Philosophy of Michel Foucault</i>; BR&Ouml;CKLING, Ulrich, KRASMANN, Susanne, e LEMKE, Thomas &ndash; &laquo;From Foucault&rsquo;s lectures at the Coll&egrave;ge de France to studies of governmentality: an introduction&raquo;. <i>In </i>BR&Ouml;CKLING, Ulrich, KRASMANN, Susanne, e LEMKE, Thomas (eds.) &ndash; <i>Governmentality: Current Issues and Future Challenges</i>, 2011, pp. 1-33.</p>     <p><b><sup><a href="#8">8</a></sup><a name="top8"></a></b>Para mais acerca dos &laquo;Grandes Debates&raquo; da disciplina ver, por exemplo, FERNANDES, Jos&eacute; Pedro Teixeira &ndash; <i>Teorias das Rela&ccedil;&otilde;es Internacionais: Da Abordagem Cl&aacute;ssica ao Debate P&oacute;s-Positivista. </i>Coimbra: Editora Almedina, 2011. Para uma vis&atilde;o cr&iacute;tica acerca deste modo de organizar a disciplina, ver, por exemplo, WILSON, Peter &ndash; &laquo;The myth of the &ldquo;the First Great Debate&rdquo;&raquo;. In <i>Review of International Studies.</i> Vol. 24, N.&ordm; 5, 1998, pp. 1-15; ASHWORTH, Lucian &ndash; &laquo;Did the Realist-Idealist great debate really happen? A revisionist history of international relations&raquo;. In <i>International Relations.</i> Vol. 16, N.&ordm; 1, 2002, pp. 33-51.</p>     <p><b><sup><a href="#9">9</a></sup><a name="top9"></a></b>BUZAN, Barry &ndash; <i>An Introduction to the English School of International Relations</i>, p. 12.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b><sup><a href="#10">10</a></sup><a name="top10"></a></b><i>Ibidem</i>, p. 15.</p>     <p><b><sup><a href="#11">11</a></sup><a name="top11"></a></b>Esta tr&iacute;ade de tradi&ccedil;&otilde;es adv&eacute;m do trabalho de Martin Wight. Para mais acerca desta tr&iacute;ade e das caracter&iacute;sticas de cada tradi&ccedil;&atilde;o ver, por exemplo, BULL, Hedley &ndash; <i>The Anarchical Society</i>, pp. 23-26; WIGHT, Martin &ndash; <i>System of States. </i>Leicester: Leicester University Press, 1977; BULL, Hedley &ndash; &laquo;Martin Wight and the theory of international relations&raquo;. <i>In </i>WIGHT, Gabriele, PORTER, Brian (eds.) &ndash; <i>Internatinal Theory. The Three Traditions. </i>Nova York: Holmes &amp; Meier, 1992, pp. XI--XXXIII; WIGHT, Gabriele, e PORTER, Brian (eds.) &ndash; <i>International Theory: The Three Traditions &ndash; Martin Wight. </i>Nova York: Holmes &amp; Meier, 1992.</p>     <p><b><sup><a href="#12">12</a></sup><a name="top12"></a></b>BULL, Hedley &ndash; <i>The Anarchical Society</i>, p. 23.</p>     <p><b><sup><a href="#13">13</a></sup><a name="top13"></a></b><i>Ibidem</i>.</p>     <p><b><sup><a href="#14">14</a></sup><a name="top14"></a></b>Para o prop&oacute;sito deste artigo, o mesmo focar-se-&aacute; nestas duas no&ccedil;&otilde;es. Para mais sobre a no&ccedil;&atilde;o de sociedade mundial, ver, por exemplo, BULL, Hedley &ndash; <i>The Anarchical Society</i>, pp. 269-282; BUZAN, Barry &ndash; <i>An Introduction to the English School of International Relations</i>, p. 13.</p>     <p><b><sup><a href="#15">15</a></sup><a name="top15"></a></b>BULL, Hedley &ndash; <i>The Anarchical Society</i>, p. 9.</p>     <p><b><sup><a href="#16">16</a></sup><a name="top16"></a></b><i>Ibidem</i>.</p>     <p><b><sup><a href="#17">17</a></sup><a name="top17"></a></b><i>Ibidem</i>, p. 10. Para um delineamento de diferentes tipos de sistemas internacionais ver, por exemplo, WIGHT, Martin &ndash; <i>System of States</i>; WATSON, Adam &ndash; &laquo;Systems of states&raquo;. In <i>Review of International Studies. </i>Vol. 16, N.&ordm; 2, 1990, pp. 99-109; BUZAN, Barry, e LITTLE, Richard &ndash; <i>International Systems in World History: Remaking the Study of International Relations. </i>Oxford: Oxford University Press, 2000.</p>     <p><b><sup><a href="#18">18</a></sup><a name="top18"></a></b>BULL, Hedley &ndash; <i>The Anarchical Society</i>, p. 10.</p>     <p><b><sup><a href="#19">19</a></sup><a name="top19"></a></b><i>Ibidem</i>.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b><sup><a href="#20">20</a></sup><a name="top20"></a></b><i>Ibidem</i>, p. 13.</p>     <p><b><sup><a href="#21">21</a></sup><a name="top21"></a></b><i>Ibidem</i>.</p>     <p><b><sup><a href="#22">22</a></sup><a name="top22"></a></b><i>Ibidem</i>.</p>     <p><b><sup><a href="#23">23</a></sup><a name="top23"></a></b>BUZAN, Barry &ndash; <i>An Introduction to the English School of International Relations</i>, p. 13.</p>     <p><b><sup><a href="#24">24</a></sup><a name="top24"></a></b><i>Ibidem</i>, p. 15.</p>     <p><b><sup><a href="#25">25</a></sup><a name="top25"></a></b>BULL, Hedley &ndash; <i>The Anarchical Society</i>, p. 44.</p>     <p><b><sup><a href="#26">26</a></sup><a name="top26"></a></b>Para a cr&iacute;tica acerca da mesma desenvolvida por Hedley Bull, ver <i>Ibidem</i>, pp. 44-49.</p>     <p><b><sup><a href="#27">27</a></sup><a name="top27"></a></b><i>Ibidem</i>, p. 44.</p>     <p><b><sup><a href="#28">28</a></sup><a name="top28"></a></b>LINKLATER, Andrew &ndash; &laquo;English School&raquo;. <i>In</i> Burchill, Scott, <i>et al. </i>(eds.) &ndash; <i>Theories of International Relations. </i>Nova York: Palgrave, 2005, p. 84.</p>     <p><b><sup><a href="#29">29</a></sup><a name="top29"></a></b>BULL, Hedley &ndash; <i>The Anarchical Society</i>, p. 16.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b><sup><a href="#30">30</a></sup><a name="top30"></a></b><i>Ibidem</i>.</p>     <p><b><sup><a href="#31">31</a></sup><a name="top31"></a></b><i>Ibidem</i>.</p>     <p><b><sup><a href="#32">32</a></sup><a name="top32"></a></b>FOUCAULT, Michel &ndash; &laquo;Prisons et asiles dans le m&eacute;canisme du pouvoir&raquo;. In <i>Dits et Ecrits. </i>Paris: Gallimard, [1974] 1994, t. II, pp. 523-524.</p>     <p><b><sup><a href="#33">33</a></sup><a name="top33"></a></b>AGAMBEN, Giorgio &ndash; <i>What is an Apparatus? &ndash; And Other Essays. </i>Stanford: Stanford University Press, 2009, p. 2.</p>     <p><b><sup><a href="#34">34</a></sup><a name="top34"></a></b>DELEUZE, Gilles &ndash; &laquo;What is a dispositif&raquo;. <i>In</i> Lapoujade, David (ed.) &ndash; <i>Two Regimes of Madness </i>&ndash; <i>Gilles Deleuze Texts and Interviews 1975-1995. </i>Nova York: Semiotext(e), 2007, pp. 339-348.</p>     <p><b><sup><a href="#35">35</a></sup><a name="top35"></a></b>AGAMBEN, Giorgio &ndash; <i>What is an Apparatus?</i>, p. 2.</p>     <p><b><sup><a href="#36">36</a></sup><a name="top36"></a></b>FOUCAULT, Michel &ndash; <i>In</i> Gordon, Colin (ed.) &ndash; <i>Power/Knowledge: Selected Interviews and Other Writings, 1972-1977. </i>Nova York: Pantheon Books, 1980, pp. 194-196; &ecirc;nfase no original.</p>     <p><b><sup><a href="#37">37</a></sup><a name="top37"></a></b>AGAMBEN, Giorgio &ndash; <i>What is an Apparatus?</i>, p. 14.</p>     <p><b><sup><a href="#38">38</a></sup><a name="top38"></a></b>FOUCAULT, Michel &ndash; <i>Security, Territory, Population. </i>Basingstoke: Palgrave Macmillan, [1978] 2007, p. 63.</p>     <p><b><sup><a href="#39">39</a></sup><a name="top39"></a></b>Para uma descri&ccedil;&atilde;o detalhada da considera&ccedil;&atilde;o foucaultiana do termo &laquo;tecnologia&raquo;, ver ROSE, Nikolas &ndash; <i>Powers of Freedom </i>&ndash; <i>Reframing Political Thought. </i>Cambridge: Cambridge University Press, 1999; KELLY, Mark G. E. &ndash; <i>The Political Philosophy of Michel Foucault</i>.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b><sup><a href="#40">40</a></sup><a name="top40"></a></b>KELLY, Mark G. E. &ndash; <i>The Political Philosophy of Michel Foucault</i>, p. 44.</p>     <p><b><sup><a href="#41">41</a></sup><a name="top41"></a></b>ROSE, Nikolas &ndash; <i>Powers of Freedom</i>, p. 52.</p>     <p><b><sup><a href="#42">42</a></sup><a name="top42"></a></b>FOUCAULT, Michel &ndash; &laquo;The ethics of the self as a practice of freedom&raquo;. <i>In</i> Bernauer, James, e Rasmussen, David (eds.) &ndash; <i>The Final Foucault. </i>Cambridge: mit Press, 1994, p. 11.</p>     <p><b><sup><a href="#43">43</a></sup><a name="top43"></a></b><i>Ibidem</i>, p. 18.</p>     <p><b><sup><a href="#44">44</a></sup><a name="top44"></a></b><i>Ibidem</i>, p. 11.</p>     <p><b><sup><a href="#45">45</a></sup><a name="top45"></a></b>KELLY, Mark G. E. &ndash; <i>The Political Philosophy of Michel Foucault</i>, p. 42.</p>     <p><b><sup><a href="#46">46</a></sup><a name="top46"></a></b>Um delineamento mais denso destas ferramentas conceituais est&aacute; al&eacute;m do escopo deste artigo. Para uma descri&ccedil;&atilde;o completa das mesmas ver FOUCAULT, Michel &ndash; <i>Society Must Be Defended. </i>Nova York: Picador, [1976] 2003; FOUCAULT, Michel &ndash; <i>Security, Territor y, Population</i>; FOUCAULT, Michel &ndash; <i>The Birth of Biopolitics &ndash; Lectures at the Coll&egrave;ge de France, 19781979. </i>Basingstoke: Palgrave Macmillan, [1979] 2008.</p>     <p><b><sup><a href="#47">47</a></sup><a name="top47"></a></b>FOUCAULT, Michel &ndash; <i>The Birth of Bio-politics</i>, p. 363.</p>     <p><b><sup><a href="#48">48</a></sup><a name="top48"></a></b>BR&Ouml;CKLING, Ulrich, KRASMANN, Susanne, e LEMKE, Thomas (eds.) &ndash; <i>Governmentality: Current Issues and Future Challenges</i>, p. 2.</p>     <p><b><sup><a href="#49">49</a></sup><a name="top49"></a></b>FOUCAULT, Michel &ndash; &laquo;The subject and power&raquo;. <i>In</i> FAUBION, James D. (ed.) &ndash; <i>The Essential Works of Foucault 1954-1984</i>, Vol. 3, <i>Power.</i> Nova York: New York Press, [1982] 2000, p. 341.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b><sup><a href="#50">50</a></sup><a name="top50"></a></b>DEAN, Mitchell &ndash; <i>Governmentality: Power and Rule in Modern Society. </i>Londres: SAGE Publications, 2010, p. 17.</p>     <p><b><sup><a href="#51">51</a></sup><a name="top51"></a></b><i>Ibidem</i>, p. 18.</p>     <p><b><sup><a href="#52">52</a></sup><a name="top52"></a></b>FOUCAULT, Michel &ndash; <i>Security, Territory, Population</i>, p. 99.</p>     <p><b><sup><a href="#53">53</a></sup><a name="top53"></a></b>FOUCAULT, Michel &ndash; &laquo;Governmentality&raquo;. <i>In</i> BURCHELL, Graham, GORDON, Colin, e MILLER, Peter (eds.) &ndash; <i>The Foucault Effect: Studies in Governmentality. </i>Chicago: University of Chicago Press, 1991, p. 94.</p>     <p><b><sup><a href="#54">54</a></sup><a name="top54"></a></b>FOUCAULT, Michel &ndash; &laquo;The subject and power&raquo;, p. 342.</p>     <p><b><sup><a href="#55">55</a></sup><a name="top55"></a></b><i>Ibidem</i>, p. 342.</p>     <p><b><sup><a href="#56">56</a></sup><a name="top56"></a></b>KELLY, Mark G. E. &ndash; <i>The Political Philosophy of Michel Foucault</i>, p. 43.</p>     <p><b><sup><a href="#57">57</a></sup><a name="top57"></a></b>FOUCAULT, Michel &ndash; <i>Security, Territory, Population</i>, p. 56.</p>     <p><b><sup><a href="#58">58</a></sup><a name="top58"></a></b>Este conceito foi desenvolvido de modo diferente por fil&oacute;sofos contempor&acirc;neos, como por exemplo Giorgio Agamben (cf. AGAMBEN, Giorgio &ndash; <i>What is an Apparatus?</i>), Antonio Negri e Michel Hardt (cf. NEGRI, Antonio, e HARDT, Michael &ndash; <i>Empire. </i>Cambridge: Harvard University Press, 2000). Para um contraste entre os usos destes do termo e o uso de Foucault, ver RABINOW, Paul, e ROSE, Nikolas &ndash; &laquo;Biopower today&raquo;. In <i>BioSocieties.</i> Vol. 1, N.&ordm; 2, 2006, pp. 195-217; PROZOROV, Sergei, e RENTEA, Simona (eds.) &ndash; <i>The Routledge Handbook of Biopolitics. </i>Londres: Routledge, 2017.</p>     <p><b><sup><a href="#59">59</a></sup><a name="top59"></a></b>KELLY, Mark G. E. &ndash; <i>The Political Philosophy of Michel Foucault</i>, p. 43.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b><sup><a href="#60">60</a></sup><a name="top60"></a></b>FOUCAULT, Michel &ndash; <i>Society Must Be Defended</i>, p. 242.</p>     <p><b><sup><a href="#61">61</a></sup><a name="top61"></a></b><i>Ibidem</i>.</p>     <p><b><sup><a href="#62">62</a></sup><a name="top62"></a></b><i>Ibidem</i>, pp. 242-243.</p>     <p><b><sup><a href="#63">63</a></sup><a name="top63"></a></b><i>Ibidem</i>, p. 243.</p>     <p><b><sup><a href="#64">64</a></sup><a name="top64"></a></b>RABINOW, Paul, e ROSE, Nikolas (eds.) &ndash; <i>The Essential Foucault</i>, p. 6.</p>     <p><b><sup><a href="#65">65</a></sup><a name="top65"></a></b>DUFFIELD, Mark &ndash; <i>Development, Security and Unending War</i>, p. 5.</p>     <p><b><sup><a href="#66">66</a></sup><a name="top66"></a></b>FOUCAULT, Michel &ndash; <i>The Histor y of Sexuality</i>, Vol. I,<i> An Introduction. </i>Nova York: Pantheon Books, [1976] 1978, p. 139.</p>     <p><b><sup><a href="#67">67</a></sup><a name="top67"></a></b>SMART, Barr y &ndash; <i>Key Sociologists &ndash; Michel Foucault</i>, p. 99.</p>     <p><b><sup><a href="#68">68</a></sup><a name="top68"></a></b>DUFFIELD, Mark &ndash; <i>Development, Security and Unending War</i>, p. 6.</p>     <p><b><sup><a href="#69">69</a></sup><a name="top69"></a></b><i>Ibidem</i>; FOUCAULT, Michel &ndash; <i>The History of Sexuality &ndash; Volume I</i>, p. 139.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b><sup><a href="#70">70</a></sup><a name="top70"></a></b>GORDON, Colin &ndash; &laquo;Governmental rationality: an introduction&raquo;. <i>In</i> BURCHELL, Graham, GORDON, Colin, e MILLER, Peter (eds.) &ndash; <i>The Foucault Effect: Studies in Governmentality. </i>Chicago: University of Chicago Press, 1991, p. 3.</p>     <p><b><sup><a href="#71">71</a></sup><a name="top71"></a></b>ROSE, Nikolas &ndash; <i>Powers of Freedom</i>, p. 23.</p>     <p><b><sup><a href="#72">72</a></sup><a name="top72"></a></b>FOUCAULT, Michel &ndash; <i>Society Must Be Defended</i>, p. 253.</p>     <p><b><sup><a href="#73">73</a></sup><a name="top73"></a></b><i>Ibidem</i>.</p>     <p><b><sup><a href="#74">74</a></sup><a name="top74"></a></b>Um vasto e extenso delineamento destas transforma&ccedil;&otilde;es est&aacute; al&eacute;m do escopo deste artigo. Para mais acerca disto, ver, por exemplo, KEMER, Tha&iacute;se, PEREIRA, Alexsandro Eugenio, e BLANCO, Ramon &ndash; &laquo;A constru&ccedil;&atilde;o da paz em um mundo em transforma&ccedil;&atilde;o: o debate e a cr&iacute;tica sobre o conceito de peacebuilding&raquo;. In <i>Revista de Sociologia e Pol&iacute;tica</i>. Vol. 56, N.&ordm; 2, 2016, pp. 122-143; NEWMAN, Edward, PARIS, Roland, e RICHMOND, Oliver P. &ndash; &laquo;Introduction&raquo;. <i>In </i>NEWMAN, Edward, PARIS, Roland, e RICHMOND, Oliver P. (eds.) &ndash; <i>New Perspectives on Liberal Peacebuilding. </i>T&oacute;quio-Nova York-Paris: United Nations University Press, 2009, pp. 3-25; PARIS, Roland, e SISK, Timothy &ndash; &laquo;Introduction: understanding the contradictions of postwar statebuilding&raquo;. <i>In</i> PARIS, Roland, e SISK, Timothy (eds.) &ndash; <i>The Dilemmas of Statebuilding: Confronting the Contradictions of Postwar Peace Operations. </i>Nova York: Routledge, 2009, pp. 1-20; KENKEL, Kai Michael &ndash; &laquo;Five generations of peace operations: from the &ldquo;Thin Blue Line&rdquo; to &ldquo;Painting a Country Blue&rdquo;&raquo;. In <i>Revista Brasileira de Pol&iacute;tica Internacional. </i>Vol. 56, N.&ordm; 2, 2013, pp. 122-143; BLANCO, Ramon &ndash; &laquo;Del mantenimiento de la paz al proceso de formaci&oacute;n del Estado: un esbozo de los esfuerzos de la ONU para la paz internacional&raquo;. In <i>Foro Internacional. </i>Vol. 216, N.&ordm; 2, 2014, pp. 266-318.</p>     <p><b><sup><a href="#75">75</a></sup><a name="top75"></a></b>NEWMAN, Edward, PARIS, Roland, e RICHMOND, Oliver P. &ndash; &laquo;Introduction&raquo;, p. 5; PARIS, Roland, e SISK, Timothy (eds.) &ndash; <i>The Dilemmas of Statebuilding</i>, p. 4.</p>     <p><b>76</b>NEWMAN, Edward, PARIS, Roland, e RICHMOND, Oliver P. &ndash; &laquo;Introduction&raquo;, pp. 8-9.</p>     <p><b><sup><a href="#77">77</a></sup><a name="top77"></a></b>BLANCO, Ramon &ndash; &laquo;Del mantenimiento de la paz al proceso de formaci&oacute;n del Estado&raquo;, pp. 298-308.</p>     <p><b><sup><a href="#78">78</a></sup><a name="top78"></a></b>Para uma compreens&atilde;o abrangente desta l&oacute;gica, ver, por exemplo, RICE, Susan E. &ndash; &laquo;The new national security strategy: focus on failed states&raquo;. In <i>Brookings Policy Brief.</i> N.&ordm; 116, fevereiro de 2003, pp. 1-8; ROTBERG, Robert &ndash; &laquo;Failed states, collapsed states, weak states: causes and indicators&raquo;. <i>In</i> ROTBERG, Robert (ed.) &ndash; <i>State Failure and State Weakness in a Time of Terror. </i>Washington DC: Brookings Institution Press, 2003, pp. 1-28; GHANI, Ashraf, LOCKHART, Clare, e CARNAHAN, Michael &ndash; <i>Closing the Sovereignty Gap: an Approach to State-Building</i>. Overseas Development Institute Working Paper N.&ordm; 253, [15 de dezembro de 2008]. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.odi.org.uk/resources/odi-publications/working--papers/253-sovereignty-gap-state-buil-ding.pdf" target="_blank">http://www.odi.org.uk/resources/odi-publications/working--papers/253-sovereignty-gap-state-buil-ding.pdf</a>; ROTBERG, Robert &ndash; &laquo;The failure and collapse of nation-states: breakdown, prevention and repair&raquo;. <i>In</i> ROTBERG, Robert (ed.) &ndash; <i>When States Fail: Causes and Consequences. </i>Princeton: Princeton University Press, 2004, pp. 1-50; BRAINARD, Lael, CHOLLET, Derek, e LAFLEUR, Vinca &ndash; &laquo;The tangled web: the poverty-insecurity nexus&raquo;. <i>In</i> BRAINARD, Lael, e CHOLLET, Derek (eds.) &ndash; <i>Too Poor for Peace?: Global Poverty, Conflict, and Security in the 21st Century.</i> Washington DC: Brookings Institution Press, 2007, pp. 1-30; RICE, Susan E.&ndash; &laquo;Poverty breeds insecurity&raquo;. <i>In</i> BRAINARD, Lael, e CHOLLET, Derek (eds.) &ndash; <i>Too Poor for Peace?</i>, pp. 31-49; GHANI, Ashraf. e LOCKHART, Clare &ndash; <i>Fixing Failed States: A Framework for Rebuilding a Fractured World. </i>Oxford: Oxford University Press, 2008; INGRAM, Sue &ndash; <i>Key Concepts and Operational Implications in Two Fragile States: The Case of Sierra Leona and Liberia. </i>The World Bank &ndash; UNDP, 2010.</p>     <p><b><sup><a href="#79">79</a></sup><a name="top79"></a></b>Esta seria a &laquo;dist&acirc;ncia&raquo; entre a soberania <i>de jure </i>e a soberania <i>de facto</i>. Para mais acerca desta no&ccedil;&atilde;o, ver GHANI, Ashraf. e LOCKHART, Clare &ndash; <i>Fixing Failed States</i>.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b><sup><a href="#80">80</a></sup><a name="top80"></a></b>COUTO, Mia &ndash; <i>O &Uacute;ltimo Voo do Flamingo. </i>Lisboa: Editorial Caminho, 2002, p. 111.</p>     <p><b><sup><a href="#81">81</a></sup><a name="top81"></a></b>FUKUYAMA, Francis &ndash; <i>The Origins of Political Order &ndash; From Prehuman Times to the French Revolution. </i>Nova York: Farrar, Straus and Giroux, 2011, pp. 15-16.</p>     <p><b><sup><a href="#82">82</a></sup><a name="top82"></a></b>KANT, Immanuel &ndash; <i>Perpetual Peace &ndash; A Philosophical Essay. </i>Londres: George Allen &amp; Unwin Ltd., 1905 [1795].</p>     <p><b><sup><a href="#83">83</a></sup><a name="top83"></a></b>SCHUMPETER, Joseph &ndash; &laquo;The sociology of imperialism&raquo;. In SCHUMPETER, Joseph (ed.) &ndash; <i>Imperialism and Social Classes: Two Essays by Joseph Schumpeter. </i>Cleaveland: Meridian Books, 1966 [1919], pp. 2-98.</p>     <p><b><sup><a href="#84">84</a></sup><a name="top84"></a></b>MONTESQUIEU, Charles de Secondat, baron de &ndash; <i>The Spirit of the Laws. </i>Cambridge: Cambridge University Press, 2002 [1748].</p>     <p><b><sup><a href="#85">85</a></sup><a name="top85"></a></b>RICHMOND, Oliver &ndash; <i>Peace in International Relations. </i>Abingdon: Routledge, 2008, pp. 89-90.</p>     <p><b><sup><a href="#86">86</a></sup><a name="top86"></a></b>NEWMAN, Edward, PARIS, Roland, e RICHMOND, Oliver P. (eds.) &ndash; <i>New Perspectives on Liberal Peacebuilding</i>, p. 11.</p>     <p><b><sup><a href="#87">87</a></sup><a name="top87"></a></b>Para mais a este respeito, ver, por exemplo, HEATHERSHAW, John &ndash; &laquo;Unpacking the Liberal peace: the dividing and merging of peacebuilding discourses&raquo;. In <i>Millennium &ndash; Journal of International Studies. </i>Vol. 36, N.&ordm; 3, 2008, pp. 597-621; DUFFIELD, Mark &ndash; <i>Global Governance and the New Wars. </i>Londres: Zed Books. 2001; PARIS, Roland &ndash; <i>At War&rsquo;s End: Building Peace after Civil Conflict. </i>Cambridge: Cambridge University Press, 2004; RICHMOND, Oliver &ndash; <i>Th</i>e <i>Transformation of Peace. </i>New York: Palgrave Macmillan. 2007; RICHMOND, Oliver &ndash; &laquo;The problem of peace: understanding the &ldquo;Liberal Peace&rdquo;&raquo;. In <i>Conflict, Security &amp; Development.</i> Vol. 6, N.&ordm; 3, 2006, pp. 291-314; RICHMOND, Oliver &ndash; <i>Peace in International Relations</i>, pp. 89-95. Para uma discuss&atilde;o detalhada das diferentes nuances, grada&ccedil;&otilde;es e discursos da paz liberal, ver, por exemplo, RICHMOND, Oliver &ndash; <i>Th</i>e <i>Transformation of Peace</i>; HEATHERSHAW, John &ndash; &laquo;Unpacking the Liberal peace&raquo;; RICHMOND, Oliver &ndash; &laquo;The problem of peace&raquo;.</p>     <p><b><sup><a href="#88">88</a></sup><a name="top88"></a></b>WOUTERS, Jan, e RYNGAERT, Cedric &ndash; &laquo;Good governance: lessons from international organizations&raquo;. <i>In</i> CURTIN, Deirdre, e WESSEL, Ramses A. (eds.) &ndash; <i>Good Governance and the European Union &ndash; Reflections on Concepts, Institutions and Substance. </i>Nova York: Intersentia Publishers, 2005, p. 69.</p>     <p><b><sup><a href="#89">89</a></sup><a name="top89"></a></b>ZANOTTI, Laura &ndash; &laquo;Governmentalizing the post-Cold War international regime: the un debate on democratization and good governance&raquo;. In <i>Alternatives: Global, Local, Political</i>. Vol. 30, N.&ordm; 4, 2005, p. 468.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b><sup><a href="#90">90</a></sup><a name="top90"></a></b>WB, WORLD BANK &ndash; <i>Governance and Development. </i>Washington, DC: World Bank, 1992, p. 92.</p>     <p><b><sup><a href="#91">91</a></sup><a name="top91"></a></b>WOUTERS, Jan, e RYNGAERT, Cedric &ndash; &laquo;Good governance: lessons from international organizations&raquo;, pp. 69-77.</p>     <p><b><sup><a href="#92">92</a></sup><a name="top92"></a></b><i>Ibidem</i>, p. 73; ZANOTTI, Laura &ndash; &laquo;Governmentalizing the post-Cold War international regime&raquo;, p. 468.</p>     <p><b><sup><a href="#93">93</a></sup><a name="top93"></a></b>ZANOTTI, Laura &ndash; &laquo;Governmentalizing the post-Cold War international regime&raquo;,</p> <ol start="9">       <li>469.</li>     </ol>     <p><b><sup><a href="#94">94</a></sup><a name="top94"></a></b>PUREZA, Jos&eacute; Manuel, <i>et al.</i> &ndash; &laquo;Do states fail or are they pushed? Lessons learned from three former Portuguese colonies&raquo;. In <i>Oficina do CES</i>. N.&ordm; 273, abril de 2007, p. 3.</p>     <p><b><sup><a href="#95">95</a></sup><a name="top95"></a></b>DOORNBOS, Martin &ndash; &laquo;Fragile States or failing models? Accounting for the incidence of State collapse&raquo;. <i>In</i> DOORNBOS, Martin, WOODWARD, Susan, e ROQUE, Silvia (eds.) &ndash; <i>Failing States or Failed States? The Role of Development Models: Collected Works. </i>Madrid: FRIDE Working Paper N.&ordm; 19, 2006, p. 2.</p>     <p><b><sup><a href="#96">96</a></sup><a name="top96"></a></b>GROS, Jean-Germain &ndash; &laquo;Towards a taxonomy of failed states in the new world order: decaying Somalia, Liberia, Rwanda and Haiti&raquo;. In <i>Third World Quarterly.</i> Vol. 17, N.&ordm; 3, 1996, pp. 455-471.</p>     <p><b><sup><a href="#97">97</a></sup><a name="top97"></a></b>JACKSON, Robert &ndash; <i>Quasi-States: Sovereignty, International Relations, and the Third World. </i>Cambridge: Cambridge University Press, 1990.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b><sup><a href="#98">98</a></sup><a name="top98"></a></b>DOORNBOS, Martin &ndash; &laquo;Fragile States or failing models?&raquo;, p. 2; ZARTMAN, William &ndash; &laquo;Introduction: posing the problem of State collapse&raquo;. <i>In</i> ZARTMAN, William (ed.) &ndash; <i>Collapsed States: The Disintegration and the Restoration of Legitimate Authority. </i>Londres-Boulder: Lynne Rienner, 1995, p. 5.</p>     <p><b><sup><a href="#99">99</a></sup><a name="top99"></a></b>ZARTMAN, William &ndash; &laquo;Introduction: posing the problem of State collapse&raquo;, p. 8.</p>     <p><b><sup><a href="#100">100</a></sup><a name="top100"></a></b>HELMAN, Gerald B., e RATHER, Steven R. &ndash; &laquo;Saving failed states&raquo;. In <i>Foreign Policy</i>. N.&ordm; 89, inverno de 1992, p. 12.</p>     <p><b><sup>101 </sup></b>KRASNER, Stephen D., e PASCUAL, Carlos &ndash; &laquo;Addressing State failure&raquo;. In <i>Foreign Affairs. </i>Vol. 84, N.&ordm; 4, 2005, p. 155.</p>     <p><b><sup><a href="#102">102</a></sup><a name="top102"></a></b>PUREZA, Jos&eacute; Manuel, <i>et al. </i>&ndash; &laquo;Peacebuilding and failed states: some theoretical notes&raquo;. In <i>Oficina do CES</i>. N.&ordm; 256, julho de 2006, pp. 2-5.</p>     <p><b><sup><a href="#103">103</a></sup><a name="top103"></a></b>Timor-Leste foi um destes casos no qual as Na&ccedil;&otilde;es Unidas exerceram o poder legislativo, executivo e judici&aacute;rio do pa&iacute;s. Para uma leitura cr&iacute;tica do processo de reconstru&ccedil;&atilde;o p&oacute;s-b&eacute;lica levado a cabo pela ONU no pa&iacute;s, ver BLANCO, Ramon &ndash; &laquo;The UN peacebuilding process&raquo;.</p>      ]]></body><back>
<ref-list>
<ref id="B1">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[AGAMBEN]]></surname>
<given-names><![CDATA[Giorgio]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[What is an Apparatus? - And Other Essays]]></source>
<year>2009</year>
<publisher-loc><![CDATA[Stanford ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Stanford University Press]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B2">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[ASHWORTH]]></surname>
<given-names><![CDATA[Lucian]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Did the Realist--Idealist great debate really happen? A revisionist history of international relations]]></article-title>
<source><![CDATA[International Relations]]></source>
<year>2002</year>
<volume>16</volume>
<numero>1</numero>
<issue>1</issue>
<page-range>33-51</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B3">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[BERNAUER]]></surname>
<given-names><![CDATA[James]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[RASMUSSEN]]></surname>
<given-names><![CDATA[David]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[The Final Foucault]]></source>
<year>1994</year>
<publisher-loc><![CDATA[Cambridge ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[MIT Press]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B4">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[BLANCO]]></surname>
<given-names><![CDATA[Ramon]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="es"><![CDATA[Del mantenimiento de la paz al proceso de formación del Estado: un esbozo de los esfuerzos de la ONU para la paz internacional]]></article-title>
<source><![CDATA[Foro Internacional]]></source>
<year>2014</year>
<volume>216</volume>
<numero>2</numero>
<issue>2</issue>
<page-range>266-318</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B5">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[BLANCO]]></surname>
<given-names><![CDATA[Ramon]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[The un peacebuilding process: an analysis of its shortcomings in Timor-Leste]]></article-title>
<source><![CDATA[Revista Brasileira de Política Internacional]]></source>
<year>2015</year>
<volume>58</volume>
<numero>1</numero>
<issue>1</issue>
<page-range>42-62</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B6">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[BRAINARD]]></surname>
<given-names><![CDATA[Lael]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[CHOLLET]]></surname>
<given-names><![CDATA[Derek]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Too Poor for Peace?: Global Poverty, Conflict, and Security in the 21st Century]]></source>
<year>2007</year>
<publisher-loc><![CDATA[Washington DC ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Brookings Institution Press]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B7">
<nlm-citation citation-type="">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[BRÖCKLING]]></surname>
<given-names><![CDATA[Ulrich]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[KRASMANN]]></surname>
<given-names><![CDATA[Susanne]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[LEMKE]]></surname>
<given-names><![CDATA[Thomas]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Governmentality: Current Issues and Future Challenges]]></source>
<year>2011</year>
<page-range>1-33</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B8">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[BULL]]></surname>
<given-names><![CDATA[Hedley]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[The Anarchical Society: A Study of Order in World Politics]]></source>
<year>1977</year>
<publisher-loc><![CDATA[Basingstoke ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Palgrave]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B9">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[BURCHELL]]></surname>
<given-names><![CDATA[Graham]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[GORDON]]></surname>
<given-names><![CDATA[Colin]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[MILLER]]></surname>
<given-names><![CDATA[Peter]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[The Foucault Effect: Studies in Governmentality]]></source>
<year>1991</year>
<publisher-loc><![CDATA[Chicago ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[University of Chicago Press]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B10">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[BURCHILL]]></surname>
<given-names><![CDATA[Scott]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Theories of International Relations]]></source>
<year>2005</year>
<publisher-loc><![CDATA[Nova York ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Palgrave]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B11">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[BUZAN]]></surname>
<given-names><![CDATA[Barry]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[An Introduction to the English School of International Relations: The Societal Approach]]></source>
<year>2014</year>
<publisher-loc><![CDATA[Cambridge ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Polity]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B12">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[BUZAN]]></surname>
<given-names><![CDATA[Barry]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[LITTLE]]></surname>
<given-names><![CDATA[Richard]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[International Systems in World History: Remaking the Study of International Relations]]></source>
<year>2000</year>
<publisher-loc><![CDATA[Oxford ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Oxford University Press]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B13">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[COUTO]]></surname>
<given-names><![CDATA[Mia]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Último Voo do Flamingo]]></source>
<year>2002</year>
<publisher-loc><![CDATA[Lisboa ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Editorial Caminho]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B14">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[CURTIN]]></surname>
<given-names><![CDATA[Deirdre]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[WESSEL]]></surname>
<given-names><![CDATA[Ramses A.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Good Governance and the European Union - Reflections on Concepts, Institutions and Substance]]></source>
<year>2005</year>
<publisher-loc><![CDATA[Nova York ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Intersentia Publishers]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B15">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[DEAN]]></surname>
<given-names><![CDATA[Mitchell]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Governmentality: Power and Rule in Modern Society]]></source>
<year>2010</year>
<publisher-loc><![CDATA[Londres ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[sage Publications]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B16">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[DUFFIELD]]></surname>
<given-names><![CDATA[Mark]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Global Governance and the New Wars]]></source>
<year>2001</year>
<publisher-loc><![CDATA[Londres ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Zed Books]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B17">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[DUFFIELD]]></surname>
<given-names><![CDATA[Mark]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Development, Security and Unending War - Governing the World of Peoples]]></source>
<year>2007</year>
<publisher-loc><![CDATA[Cambridge ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Polity Press]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B18">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[DUFFIELD]]></surname>
<given-names><![CDATA[Mark]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[The Liberal way of development and the development-security impasse: exploring the global life--chance divide]]></article-title>
<source><![CDATA[Security Dialogue]]></source>
<year>2010</year>
<volume>41</volume>
<numero>1</numero>
<issue>1</issue>
<page-range>53-76</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B19">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[DUNNE]]></surname>
<given-names><![CDATA[Tim]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Inventing International Society: A History of the English School]]></source>
<year>1998</year>
<publisher-loc><![CDATA[Basingstoke ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Macmillan]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B20">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[FAUBION]]></surname>
<given-names><![CDATA[James D.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[The Essential Works of Foucault 1954-1984]]></source>
<year>2000</year>
<volume>3</volume>
<publisher-loc><![CDATA[Nova York ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[New York Press]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B21">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[FERNANDES]]></surname>
<given-names><![CDATA[José Pedro Teixeira]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Teorias das Relações Internacionais: Da Abordagem Clássica ao Debate Pós-Positivista]]></source>
<year>2011</year>
<publisher-loc><![CDATA[Coimbra ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Editora Almedina]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B22">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[FOUCAULT]]></surname>
<given-names><![CDATA[Michel]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="fr"><![CDATA[Prisons et asiles dans le mécanisme du pouvoir]]></article-title>
<source><![CDATA[Dits et Ecrits]]></source>
<year></year>
<page-range>521-525</page-range><publisher-loc><![CDATA[Paris ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Gallimard]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B23">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[FOUCAULT]]></surname>
<given-names><![CDATA[Michel]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[The History of SexualityAn Introduction]]></source>
<year>1978</year>
<volume>I</volume>
<publisher-loc><![CDATA[Nova York ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Pantheon Books]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B24">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[FOUCAULT]]></surname>
<given-names><![CDATA[Michel]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Society Must Be Defended]]></source>
<year>2003</year>
<publisher-loc><![CDATA[Nova York ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Picador]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B25">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[FOUCAULT]]></surname>
<given-names><![CDATA[Michel]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Security, Territor y, Population]]></source>
<year>2007</year>
<publisher-loc><![CDATA[Basingstoke ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Palgrave Macmillan]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B26">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[FOUCAULT]]></surname>
<given-names><![CDATA[Michel]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[The Birth of Biopolitics - Lectures at the Collège de France, 19781979]]></source>
<year>2008</year>
<publisher-loc><![CDATA[Basingstoke ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Palgrave Macmillan]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B27">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[FUKUYAMA]]></surname>
<given-names><![CDATA[Francis]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[The Origins of Political Order - From Prehuman Times to the French Revolution]]></source>
<year>2011</year>
<publisher-loc><![CDATA[Nova York ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Farrar, Straus and Giroux]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B28">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[GALTUNG]]></surname>
<given-names><![CDATA[Johan]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Violence, peace, and peach research]]></article-title>
<source><![CDATA[Journal of Peace Research]]></source>
<year>1969</year>
<volume>6</volume>
<numero>3</numero>
<issue>3</issue>
<page-range>167-191</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B29">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[GHANI]]></surname>
<given-names><![CDATA[Ashraf]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[LOCKHART]]></surname>
<given-names><![CDATA[Clare]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Fixing Failed States: A Framework for Rebuilding a Fractured World]]></source>
<year>2008</year>
<publisher-loc><![CDATA[Oxford ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Oxford University Press]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B30">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[GORDON]]></surname>
<given-names><![CDATA[Colin]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Power/Knowledge: Selected Inter views and Other Writings, 1972-1977]]></source>
<year>1980</year>
<publisher-loc><![CDATA[Nova York ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Pantheon Books]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B31">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[GROS]]></surname>
<given-names><![CDATA[Jean-Germain]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Towards a taxonomy of failed states in the new world order: decaying Somalia, Liberia, Rwanda and Haiti]]></article-title>
<source><![CDATA[Third World Quarterly]]></source>
<year>1996</year>
<volume>17</volume>
<numero>3</numero>
<issue>3</issue>
<page-range>455-471</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B32">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[HEATHERSHAW]]></surname>
<given-names><![CDATA[John]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Unpacking the Liberal peace: the dividing and merging of peacebuilding discourses]]></article-title>
<source><![CDATA[Millennium - Journal of International Studies]]></source>
<year>2008</year>
<volume>36</volume>
<numero>3</numero>
<issue>3</issue>
<page-range>597-621</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B33">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[HELMAN]]></surname>
<given-names><![CDATA[Gerald B.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[RATHER]]></surname>
<given-names><![CDATA[Steven R.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Saving failed states]]></article-title>
<source><![CDATA[Foreign Policy.]]></source>
<year></year>
<numero>89</numero>
<issue>89</issue>
<page-range>3-20</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B34">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[INGRAM]]></surname>
<given-names><![CDATA[Sue]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Key Concepts and Operational Implications in Two Fragile States: The Case of Sierra Leona and Liberia]]></source>
<year>2010</year>
<publisher-name><![CDATA[The World Bank - UNDP]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B35">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[JACKSON]]></surname>
<given-names><![CDATA[Robert]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Quasi-States: Sovereignty, International Relations, and the Third World]]></source>
<year>1990</year>
<publisher-loc><![CDATA[Cambridge ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Cambridge University Press]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B36">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[KANT]]></surname>
<given-names><![CDATA[Immanuel]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Perpetual Peace - A Philosophical Essay]]></source>
<year>1905</year>
<publisher-loc><![CDATA[Londres ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[George Allen & Unwin Ltd.]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B37">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[KELLY]]></surname>
<given-names><![CDATA[Mark G. E.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[The Political Philosophy of Michel Foucault]]></source>
<year>2009</year>
<publisher-loc><![CDATA[Nova York ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Routledge]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B38">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[KEMER]]></surname>
<given-names><![CDATA[Thaíse]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[PEREIRA]]></surname>
<given-names><![CDATA[Alexsandro Eugenio]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[BLANCO]]></surname>
<given-names><![CDATA[Ramon]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[A construção da paz em um mundo em transformação: o debate e a crítica sobre o conceito de peacebuilding]]></article-title>
<source><![CDATA[Revista de Sociologia e Política]]></source>
<year>2016</year>
<volume>56</volume>
<numero>2</numero>
<issue>2</issue>
<page-range>122-143</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B39">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[KENKEL]]></surname>
<given-names><![CDATA[Kai Michael]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Five generations of peace operations: from the &#8220;Thin Blue Line&#8221; to &#8220;Painting a Country Blue&#8221;]]></article-title>
<source><![CDATA[Revista Brasileira de Política Internacional]]></source>
<year>2013</year>
<volume>56</volume>
<numero>2</numero>
<issue>2</issue>
<page-range>122-143</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B40">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[KRASNER]]></surname>
<given-names><![CDATA[Stephen D.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[PASCUAL]]></surname>
<given-names><![CDATA[Carlos]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Addressing State failure]]></article-title>
<source><![CDATA[Foreign Affairs]]></source>
<year>2005</year>
<volume>84</volume>
<numero>4</numero>
<issue>4</issue>
<page-range>153-163</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B41">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[LAPOUJADE]]></surname>
<given-names><![CDATA[David]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Two Regimes of Madness - Gilles Deleuze Texts and Interviews 1975-1995]]></source>
<year></year>
<publisher-loc><![CDATA[Nova York ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Semiotext(e)]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B42">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[LINKLATER]]></surname>
<given-names><![CDATA[Andrew]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[SUGANAMI]]></surname>
<given-names><![CDATA[Hidemi]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[The English School of International Relations: A Contemporary Reassessment]]></source>
<year>2006</year>
<publisher-loc><![CDATA[Cambridge ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Cambridge University Press]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B43">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[MONTESQUIEU]]></surname>
<given-names><![CDATA[baron de]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[The Spirit of the Laws]]></source>
<year>2002</year>
<publisher-loc><![CDATA[Cambridge ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Cambridge University Press]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B44">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[NEGRI]]></surname>
<given-names><![CDATA[Antonio]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[HARDT]]></surname>
<given-names><![CDATA[Michael]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Empire]]></source>
<year>2000</year>
<publisher-loc><![CDATA[Cambridge ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Harvard University Press]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B45">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[NEWMAN]]></surname>
<given-names><![CDATA[Edward]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[PARIS]]></surname>
<given-names><![CDATA[Roland]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[RICHMOND]]></surname>
<given-names><![CDATA[Oliver P.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[New Perspectives on Liberal Peacebuilding]]></source>
<year>2009</year>
<publisher-loc><![CDATA[TóquioNova YorkParis ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[United Nations University Press]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B46">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[PARIS]]></surname>
<given-names><![CDATA[Roland]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[At War's EndBuilding Peace after Civil Conflict]]></source>
<year>2004</year>
<publisher-loc><![CDATA[Cambridge ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Cambridge University Press]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B47">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[PARIS]]></surname>
<given-names><![CDATA[Roland]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[SISK]]></surname>
<given-names><![CDATA[Timothy]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[The Dilemmas of Statebuilding: Confronting the Contradictions of Postwar Peace Operations]]></source>
<year>2009</year>
<publisher-loc><![CDATA[Nova York ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Routledge]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B48">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[PROZOROV]]></surname>
<given-names><![CDATA[Sergei]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[RENTEA]]></surname>
<given-names><![CDATA[Simona]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[The Routledge Handbook of Biopolitics]]></source>
<year>2017</year>
<publisher-loc><![CDATA[Londres ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Routledge]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B49">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[RABINOW]]></surname>
<given-names><![CDATA[Paul]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[The Foucault Reader]]></source>
<year>1984</year>
<publisher-loc><![CDATA[Londres ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Penguim Books]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B50">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[RABINOW]]></surname>
<given-names><![CDATA[Paul]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[ROSE]]></surname>
<given-names><![CDATA[Nikolas]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[The Essential Foucault: Selection from the Essential Works of Foucault, 1954-1984]]></source>
<year>2003</year>
<publisher-loc><![CDATA[Nova York ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[New Press]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B51">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[RABINOW]]></surname>
<given-names><![CDATA[Paul]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[ROSE]]></surname>
<given-names><![CDATA[Nikolas]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Biopower today]]></article-title>
<source><![CDATA[BioSocieties]]></source>
<year>2006</year>
<volume>1</volume>
<numero>2</numero>
<issue>2</issue>
<page-range>195-217</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B52">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[RICHMOND]]></surname>
<given-names><![CDATA[Oliver]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[The problem of peace: under standing the &#8220;Liber al Peace&#8221;]]></article-title>
<source><![CDATA[Conflict, Security & Development]]></source>
<year>2006</year>
<volume>6</volume>
<numero>3</numero>
<issue>3</issue>
<page-range>291-314</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B53">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[RICHMOND]]></surname>
<given-names><![CDATA[Oliver]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[The Transformation of Peace]]></source>
<year>2007</year>
<publisher-loc><![CDATA[Nova York ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Palgrave Macmillan]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B54">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[RICHMOND]]></surname>
<given-names><![CDATA[Oliver]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Peace in International Relations]]></source>
<year>2008</year>
<publisher-loc><![CDATA[Abingdon ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Routledge]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B55">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Rose]]></surname>
<given-names><![CDATA[Nikolas]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[wers of Freedom - Reframing Political Thought]]></source>
<year>1999</year>
<publisher-loc><![CDATA[Cambridge ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Cambridge University Press]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B56">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[ROTBERG]]></surname>
<given-names><![CDATA[Robert]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[State Failure and State Weakness in a Time of Terror]]></source>
<year>2003</year>
<publisher-loc><![CDATA[Washington DC ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[ookings Institution Press]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B57">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[ROTBERG]]></surname>
<given-names><![CDATA[Robert]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[When States Fail: Causes and Consequences]]></source>
<year>2004</year>
<publisher-loc><![CDATA[Princeton ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Princeton University Press]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B58">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[SCHUMPETER]]></surname>
<given-names><![CDATA[Joseph]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Imperialism and Social Classes: Two Essays by Joseph Schumpeter]]></source>
<year>1966</year>
<publisher-loc><![CDATA[Cleaveland ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Meridian Books]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B59">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[SMART]]></surname>
<given-names><![CDATA[Barry]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Key Sociologists - Michel Foucault]]></source>
<year>2002</year>
<publisher-loc><![CDATA[Nova York ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Routledge]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B60">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[WALKER]]></surname>
<given-names><![CDATA[R. B. J.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Inside/outside: International Relations as Political Theory]]></source>
<year>1993</year>
<publisher-loc><![CDATA[Cambridge ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Cambridge University Press]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B61">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[WATSON]]></surname>
<given-names><![CDATA[Adam]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Systems of states]]></article-title>
<source><![CDATA[Review of International Studies]]></source>
<year>1990</year>
<volume>16</volume>
<numero>2</numero>
<issue>2</issue>
<page-range>99-109</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B62">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[WATSON]]></surname>
<given-names><![CDATA[Adam]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[The Evolution of International Societ y: A Comparative Historical Analysis]]></source>
<year>1992</year>
<publisher-loc><![CDATA[Londres ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Routledge]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B63">
<nlm-citation citation-type="book">
<collab>WB, WORLD BANK</collab>
<source><![CDATA[Governance and Development]]></source>
<year>1992</year>
<publisher-loc><![CDATA[Washington^eDC DC]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[World Bank]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B64">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[WIGHT]]></surname>
<given-names><![CDATA[Gabriele]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[PORTER]]></surname>
<given-names><![CDATA[Brian]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[International Theory: The Three Traditions - Martin Wight]]></source>
<year>1992</year>
<publisher-loc><![CDATA[Nova York ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Holmes & Meier]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B65">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[WIGHT]]></surname>
<given-names><![CDATA[Martin]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[System of States]]></source>
<year>1977</year>
<publisher-loc><![CDATA[Leicester ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Leicester University Press]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B66">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[WILSON]]></surname>
<given-names><![CDATA[Peter]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[The myth of the &#8220;the First Great Debate&#8221;]]></article-title>
<source><![CDATA[Review of International Studies]]></source>
<year>1998</year>
<volume>24</volume>
<numero>5</numero>
<issue>5</issue>
<page-range>1-15</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B67">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[ZANOTTI]]></surname>
<given-names><![CDATA[Laura]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Governmentalizing the post-Cold War international regime: he un debate on democratization and good governance]]></article-title>
<source><![CDATA[Alter natives: Global , Local, Political]]></source>
<year>2005</year>
<volume>30</volume>
<numero>4</numero>
<issue>4</issue>
<page-range>461-487</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B68">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[ZARTMAN]]></surname>
<given-names><![CDATA[William]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Collapsed States: The Disintegration and the Restoration of Legitimate Authorit y]]></source>
<year>1995</year>
<publisher-loc><![CDATA[LondresBoulder ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Lynne Rienner]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
</ref-list>
</back>
</article>
