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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[O Tribunal Penal Internacional: Desafios atuais]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[The International Criminal Court (ICC) has entered into its second decade of operations and has established itself at the centre of an international criminal justice system and protection of human rights, comprising also domestic jurisdictions and other international courts and tribunals. However, many challenges continue to face the ICC and, indeed, such challenges are part of its own features and stem from the specificities of international law and relations. In this article we shall discuss, in light of recent events, four of such challenges: 1) universality; 2) complementarity; 3) cooperation; and 4) the crime of aggression. These challenges illustrate how the ICC and international criminal justice inhabit both the spheres of justice and politics and how these two aspects have to be taken into account in order for such challenges to be overcome, so that the mission of a permanent and central instrument for the fight against impunity, that historically started in Rome in 1998, becomes an inherent part of today's world.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p style="text-align: right;"><b>O TRIBUNAL PENAL INTERNACIONAL EM ÁFRICA</b></p>     <p><b>O Tribunal Penal Internacional: Desafios atuais<sup><a href="#1">1</a></sup><a name="top1"></a></b></p>     <p><b>The International Criminal Court: current challenges</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Patr&iacute;cia Galv&atilde;o Teles*<sup><a href="#2">2</a></sup><a name="top2"></a> e Daniela Martins**</b></p>     <p>*&nbsp;Professora de Direito Internacional da Universidade Aut&oacute;noma de Lisboa. Consultora Jur&iacute;dica do Departamento de Assuntos Jur&iacute;dicos do Minist&eacute;rio dos Neg&oacute;cios Estrangeiros. Membro da Comiss&atilde;o de Direito Internacional das Na&ccedil;&otilde;es Unidas (2017-2021).</p>     <p>**&nbsp;Finalista do curso de Direito pela Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa. Assistente de Investiga&ccedil;&atilde;o da Professora Doutora Patr&iacute;cia Galv&atilde;o Teles (membro da Comiss&atilde;o de Direito Internacional das Na&ccedil;&otilde;es Unidas)</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>RESUMO</b></p>     <p>O Tribunal Penal Internacional (TPI) entrou na sua segunda d&eacute;cada de funcionamento e estabeleceu-se no centro de um sistema de justi&ccedil;a penal internacional e de prote&ccedil;&atilde;o dos direitos humanos que tamb&eacute;m inclui jurisdi&ccedil;&otilde;es nacionais e outros tribunais internacionais. No entanto, o TPI continua a enfrentar v&aacute;rios desafios que resultam das suas pr&oacute;prias caracter&iacute;sticas e decorrem das especificidades do direito e das rela&ccedil;&otilde;es internacionais. Neste artigo examinamos, &agrave; luz de acontecimentos recentes, quatro desses desafios: 1) universalidade; 2) complementaridade; 3) coopera&ccedil;&atilde;o; e 4) o crime de agress&atilde;o. Esses desafios ilustram a forma como o TPI e a justi&ccedil;a penal internacional habitam tanto nas esferas da justi&ccedil;a como da pol&iacute;tica e como estes dois aspetos devem ser tidos em considera&ccedil;&atilde;o para que esses desafios sejam superados, de modo a que a miss&atilde;o de um instrumento permanente e central para a luta contra a impunidade, que historicamente come&ccedil;ou em Roma em 1998, se torne uma parte inerente do mundo atual.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Palavras-chave:</b> Tribunal Penal Internacional, justi&ccedil;a penal internacional, direitos humanos, crimes internacionais.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>ABSTRACT</b></p>     <p>The International Criminal Court (ICC) has entered into its second decade of operations and has established itself at the centre of an international criminal justice system and protection of human rights, comprising also domestic jurisdictions and other international courts and tribunals. However, many challenges continue to face the ICC and, indeed, such challenges are part of its own features and stem from the specificities of international law and relations. In this article we shall discuss, in light of recent events, four of such challenges: 1) universality; 2) complementarity; 3) cooperation; and 4) the crime of aggression. These challenges illustrate how the ICC and international criminal justice inhabit both the spheres of justice and politics and how these two aspects have to be taken into account in order for such challenges to be overcome, so that the mission of a permanent and central instrument for the fight against impunity, that historically started in Rome in 1998, becomes an inherent part of today&rsquo;s world.</p>     <p><b>Keywords:</b> International Criminal Court, international criminal justice, human rights, international crimes.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>INTRODU&Ccedil;&Atilde;O</b></p>     <p>O Tribunal Penal Internacional (TPI), uma das principais institui&ccedil;&otilde;es internacionais que foram criadas no final do s&eacute;culo XX, &eacute; hoje um dos atores fundamentais na prote&ccedil;&atilde;o dos direitos humanos, em particular quando as viola&ccedil;&otilde;es desses direitos atingem um patamar de gravidade que constituem crimes internacionais.</p>     <p>Nos &uacute;ltimos anos, o TPI assistiu a um n&iacute;vel de atividade judicial sem precedentes. Esta tend&ecirc;ncia dever&aacute; continuar. Est&atilde;o a ser realizados exames preliminares em dez situa&ccedil;&otilde;es distintas em todas as regi&otilde;es do mundo (incluindo no Afeganist&atilde;o, Col&ocirc;mbia, Iraque/Reino Unido, Palestina e Ucr&acirc;nia), existem dez investiga&ccedil;&otilde;es em curso (incluindo na Ge&oacute;rgia) e tr&ecirc;s julgamentos foram conclu&iacute;dos em 2016.</p>     <p>Ao mesmo tempo, como se ver&aacute; infra, o TPI est&aacute; a atravessar momentos delicados do ponto de vista pol&iacute;tico, com a retirada do Estatuto de Roma no final de 2016 de tr&ecirc;s estados africanos (Burundi, &Aacute;frica do Sul e G&acirc;mbia, tendo estes dois &uacute;ltimos subsequentemente &laquo;retirado a sua retirada&raquo; no in&iacute;cio de 2017), posi&ccedil;&otilde;es contradit&oacute;rias de apoio e cr&iacute;tica por parte da Uni&atilde;o Africana (UA) e dos estados africanos e sinais antagonistas provenientes tanto da R&uacute;ssia como da nova Administra&ccedil;&atilde;o americana ap&oacute;s as elei&ccedil;&otilde;es em novembro de 2016.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Simultaneamente, em virtude da falta de universalidade do Estatuto de Roma e do impasse no Conselho de Seguran&ccedil;a das Na&ccedil;&otilde;es Unidas, algumas situa&ccedil;&otilde;es em que crimes internacionais s&eacute;rios est&atilde;o a ser cometidos n&atilde;o podem ser levadas perante o TPI. Por esse motivo, continuar&aacute; a verificar-se a necessidade de criar mecanismos <i>ad hoc</i>, apesar da exist&ecirc;ncia de um tribunal penal permanente. Tal poder&aacute; suceder nos casos do Sud&atilde;o do Sul e possivelmente da S&iacute;ria, como se explicar&aacute; mais adiante.</p>     <p>Quanto &agrave; quest&atilde;o da complementaridade, a conclus&atilde;o do Protocolo de Malabo que altera o Estatuto do Tribunal Africano de Justi&ccedil;a e dos Direitos Humanos no contexto da UA criou a novidade, para al&eacute;m das jurisdi&ccedil;&otilde;es nacionais, de estabelecer uma complementaridade &laquo;regional&raquo; e a quest&atilde;o da sua compatibilidade com o Estatuto de Roma.</p>     <p>No plano da coopera&ccedil;&atilde;o, as dificuldades continuam e afetam a capacidade do Tribunal de cumprir a sua miss&atilde;o, dado o elevado grau de depend&ecirc;ncia na coopera&ccedil;&atilde;o dos estados partes. Isto tornou-se especialmente evidente, como se ver&aacute; mais &agrave; frente, no que diz respeito &agrave; deten&ccedil;&atilde;o e entrega de pessoas acusadas pelo Tribunal, em particular de Omar al-Bashir, do Sud&atilde;o, um chefe de Estado em exerc&iacute;cio, que evidencia a tens&atilde;o entre o direito tradicional sobre imunidades e a justi&ccedil;a penal internacional.</p>     <p>Outro elemento de tens&atilde;o que ressurgir&aacute; prende-se com o crime de agress&atilde;o, j&aacute; que a decis&atilde;o sobre a ativa&ccedil;&atilde;o da jurisdi&ccedil;&atilde;o do Tribunal relativamente a este crime poder&aacute; ser tomada a partir de 1 de janeiro de 2017 &ndash; devendo o assunto ser discutido na Assembleia dos Estados Partes no outono de 2017 &ndash; e o crime de agress&atilde;o tem sido um elemento contencioso do estatuto do TPI, especialmente para os membros permanentes do Conselho de Seguran&ccedil;a.</p>     <p>Estes quatro desafios atuais, que ser&atilde;o abordados nas diferentes sec&ccedil;&otilde;es deste artigo ap&oacute;s se fazer um breve balan&ccedil;o sobre o contributo do TPI para a prote&ccedil;&atilde;o dos direitos humanos, continuam a colocar no centro das aten&ccedil;&otilde;es as dificuldades de funcionamento de um mecanismo judicial num ambiente pol&iacute;tico. Se todo o trabalho judicial &eacute; feito neste contexto, em nenhum tribunal como o TPI essa dicotomia de justi&ccedil;a versus pol&iacute;tica se afigura mais evidente.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>O TPI E O SEU CONTRIBUTO PARA A PROTE&Ccedil;&Atilde;O DOS DIREITOS HUMANOS</b></p>     <p>O fim da Guerra Fria, a globaliza&ccedil;&atilde;o, casos como o do Ruanda e o da B&oacute;snia &ndash; onde foram cometidas grav&iacute;ssimas atrocidades que chocaram a consci&ecirc;ncia humana &ndash; lan&ccedil;aram novo f&ocirc;lego sobre o papel que um tribunal penal internacional poderia desempenhar em pa&iacute;ses devastados por conflitos armados e trag&eacute;dias humanit&aacute;rias<sup><a href="#3">3</a></sup><a name="top3"></a> . Ambos os casos mencionados proporcionaram a cria&ccedil;&atilde;o de tribunais com mandato e compet&ecirc;ncia limitados (tribunais ad hoc), os quais, por sua vez, precipitaram o processo que culminou em Roma.</p>     <p>A aprova&ccedil;&atilde;o do Estatuto de Roma em 1998, que criou o TPI, cuja compet&ecirc;ncia se exerce relativamente a factos ocorridos depois da entrada em vigor do referido estatuto (julho de 2002)<sup><a href="#4">4</a></sup><a name="top4"></a> , &eacute; um marco fundamental no campo do direito internacional e &eacute; resultado de dif&iacute;ceis negocia&ccedil;&otilde;es e compromissos, especialmente no respeitante aos crimes contra a humanidade e ao crime de agress&atilde;o. Fruto de um mundo em transi&ccedil;&atilde;o, o TPI anuncia e &eacute; portador de toda a carga jur&iacute;dica internacional que o antecedeu e, ao mesmo tempo, assenta na novidade<sup><a href="#5">5</a></sup><a name="top5"></a> , desde logo porque, dotado de personalidade e capacidade jur&iacute;dicas distintas dos estados que o comp&otilde;em, materializa a ideia de uma justi&ccedil;a penal internacional permanente<sup><a href="#6">6</a></sup><a name="top6"></a> e independente.</p>     <p>O TPI, que &eacute; estruturalmente composto por quatro &oacute;rg&atilde;os<sup><a href="#7">7</a></sup><a name="top7"></a> , julga apenas pessoas f&iacute;sicas maiores de 18 anos, sem distin&ccedil;&atilde;o da sua qualidade oficial (artigo 27.&ordm;), e tem compet&ecirc;ncia para julgar os crimes de genoc&iacute;dio, crimes contra a humanidade<sup><a href="#8">8</a></sup><a name="top8"></a> , crimes de guerra e crimes de agress&atilde;o (jurisdi&ccedil;&atilde;o ratione materiae: artigo 5.&ordm;), mas n&atilde;o possui um sistema coativo para impor as suas decis&otilde;es.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>O procedimento perante o TPI pode ser iniciado por uma de tr&ecirc;s formas: por um Estado Parte, pelo Conselho de Seguran&ccedil;a das Na&ccedil;&otilde;es Unidas (com base no disposto no cap&iacute;tulo vii da Carta das Na&ccedil;&otilde;es Unidas<sup><a href="#9">9</a></sup><a name="top9"></a> ), ou pelo procurador, desde que com a autoriza&ccedil;&atilde;o da C&acirc;mara de Quest&otilde;es Preliminares. Tal estrutura, que dever&aacute; concretizar o prop&oacute;sito de acabar com a impunidade dos crimes mais graves, n&atilde;o tem sido isenta de d&uacute;vidas<sup><a href="#10">10</a></sup><a name="top10"></a> . A compet&ecirc;ncia do TPI n&atilde;o &eacute; universal, dado que, nos termos do artigo 12&ordm;, restringe-se, em princ&iacute;pio, aos estados que ratificaram o Estatuto ou que mais tarde aceitaram tornar-se partes. Na verdade, &laquo;(e)nquanto o TPI n&atilde;o for um Tribunal verdadeiramente universal (se &eacute; que algum dia o poder&aacute; vir a ser), a sua jurisdi&ccedil;&atilde;o &ldquo;parcial&rdquo; ou &ldquo;incompleta&rdquo; continuar&aacute; a ser um desafio, pois manter-se-&atilde;o abertos os tais &ldquo;loopholes of accountability&rdquo;&raquo;<sup><a href="#11">11</a></sup><a name="top11"></a> , como melhor se ver&aacute; infra.</p>     <p>Com efeito, o Tribunal s&oacute; pode exercer a sua jurisdi&ccedil;&atilde;o se o Estado do territ&oacute;rio em que o crime ocorreu ou o Estado da nacionalidade do acusado forem partes no Estatuto, mas existe outra possibilidade de exerc&iacute;cio da jurisdi&ccedil;&atilde;o: a de estados que n&atilde;o s&atilde;o partes no Estatuto declararem aceitar <i>ad hoc</i> a compet&ecirc;ncia do mesmo. Deste modo, nos temos dos n.os 2 e 3 do artigo 12.&ordm;, um Estado pode n&atilde;o ser parte no Estatuto e os seus nacionais virem a ser julgados, por terem praticado o(s) crime(s) no territ&oacute;rio de um Estado que aceite ad hoc a compet&ecirc;ncia do TPI. Finalmente existe a hip&oacute;tese de a jurisdi&ccedil;&atilde;o do TPI se estender ao territ&oacute;rio e aos nacionais de quaisquer estados, sempre que o Conselho de Seguran&ccedil;a das Na&ccedil;&otilde;es Unidas comunique uma situa&ccedil;&atilde;o junto do procurador (vide al&iacute;nea b) do artigo 13.&ordm; do Estatuto de Roma)<sup><a href="#12">12</a></sup><a name="top12"></a> .</p>     <p>Contrariamente &agrave; solu&ccedil;&atilde;o de concorr&ecirc;ncia de jurisdi&ccedil;&otilde;es adotada nos tribunais ad hoc para a antiga Jugosl&aacute;via e para o Ruanda, a compet&ecirc;ncia do TPI &eacute; complementar da dos estados<sup><a href="#13">13</a></sup><a name="top13"></a> , nos termos do consagrado princ&iacute;pio da complementaridade (Pre&acirc;mbulo e artigos 1.&ordm;, 15.&ordm;, 17.&ordm;, 18.&ordm;, 19.&ordm;)<sup><a href="#14">14</a></sup><a name="top14"></a> , o que significa que apenas julga se os tribunais nacionais n&atilde;o o fizerem. Neste aspeto, &eacute; essencial, por conseguinte, que os estados aperfei&ccedil;oem os seus sistemas punitivos implementando as normas do Estatuto na sua legisla&ccedil;&atilde;o interna, a fim de que possam exercer a sua jurisdi&ccedil;&atilde;o prim&aacute;ria, no caso de cometimento dos crimes previstos nesse mesmo Estatuto.</p>     <p>A coopera&ccedil;&atilde;o interestatal, que &eacute; horizontal, n&atilde;o &eacute; acautelada no Estatuto de Roma, uma vez que este regula t&atilde;o s&oacute; as rela&ccedil;&otilde;es entre os estados partes e o TPI<sup><a href="#15">15</a></sup><a name="top15"></a> : neste aspeto, verificam-se situa&ccedil;&otilde;es como a inexecu&ccedil;&atilde;o de pedidos de entrega de arguidos, o que enfraquece a fun&ccedil;&atilde;o do TPI e &eacute; um problema a aguardar solu&ccedil;&atilde;o. Ainda ao n&iacute;vel dos aspetos menos positivos do Estatuto, como seja a obscuridade de certas no&ccedil;&otilde;es/defini&ccedil;&otilde;es<sup><a href="#16">16</a></sup><a name="top16"></a> , diversos autores t&ecirc;m tecido duras cr&iacute;ticas ao TPI, seja por alegadamente corporizar uma justi&ccedil;a seletiva, seja pela sua pretensa depend&ecirc;ncia do poder pol&iacute;tico<sup><a href="#17">17</a></sup><a name="top17"></a>. E se j&aacute; em 1998 Andreas Zimmermann considerava que a independ&ecirc;ncia e a efic&aacute;cia s&atilde;o meios necess&aacute;rios para a puni&ccedil;&atilde;o efetiva dos crimes sobre os quais o Tribunal viria a exercer a sua jurisdi&ccedil;&atilde;o<sup><a href="#18">18</a></sup><a name="top18"></a> , a verdade &eacute; que a sua cria&ccedil;&atilde;o resultou da circunst&acirc;ncia de a agenda dos direitos humanos ter passado a ocupar um lugar central nas Na&ccedil;&otilde;es Unidas, passo capital num caminho que se abriu cheio de potencialidades.</p>     <p>O TPI n&atilde;o julga todos os crimes internacionais, como decorre dos n.os 1 e 2 do artigo 5.&ordm; do Estatuto de Roma. Com efeito, a sua jurisdi&ccedil;&atilde;o reporta-se ao crime de genoc&iacute;dio, aos crimes contra a humanidade, aos crimes de guerra e ao crime de agress&atilde;o<sup><a href="#19">19</a></sup><a name="top19"></a> . A defini&ccedil;&atilde;o destes crimes mais graves, que interessam &agrave; comunidade internacional no seu todo, n&atilde;o pretende ser exclusiva nem completa e n&atilde;o deve afetar ou &laquo;alterar as caracteriza&ccedil;&otilde;es do Direito Internacional consuetudin&aacute;rio din&acirc;mico&raquo;<sup><a href="#20">20</a></sup><a name="top20"></a> . Tais diferentes caracteriza&ccedil;&otilde;es, como aponta Jordan J. Paust, &laquo;are important for several reasons. For example, if future efforts are made to create a general or regional multilateral treaty proscribing crimes against humanity, the significant limits with respect to crimes against humanity set forth in Article 7 of the Rome Statute should not simply be copied&raquo;<sup><a href="#21">21</a></sup><a name="top21"></a> .</p>     <p>Como afirmou Paula Escarameia, &laquo;a pr&oacute;pria exist&ecirc;ncia do Tribunal corresponde a uma vit&oacute;ria fundamental da prote&ccedil;&atilde;o dos direitos humanos mais b&aacute;sicos relativos a situa&ccedil;&otilde;es extremas de viol&ecirc;ncia e de abuso do poder&raquo;<sup><a href="#22">22</a></sup><a name="top22"></a> , prote&ccedil;&atilde;o que &eacute; redobrada pela &laquo;irrelev&acirc;ncia da qualidade oficial&raquo; (artigo 27.&ordm; do Estatuto de Roma). No entender da autora, este pendor para a prote&ccedil;&atilde;o do indiv&iacute;duo revela-se, ainda, atrav&eacute;s do disposto no artigo 15.&ordm; quanto aos poderes <i>proprio motu</i> do procurador<sup><a href="#23">23</a></sup><a name="top23"></a> . Sendo inquestion&aacute;vel a import&acirc;ncia da cria&ccedil;&atilde;o do TPI, a verdade &eacute; que &laquo;a sua tarefa &eacute; intrinsecamente dif&iacute;cil&raquo;, por diversas raz&otilde;es, como acentuam Hyeran Jo e Beth Simmons, mormente porque n&atilde;o tem a sua pr&oacute;pria for&ccedil;a policial<sup><a href="#24">24</a></sup><a name="top24"></a> .</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>DESAFIOS ATUAIS</b></p>     <p><b>UNIVERSALIDADE</b></p>     <p>A ratifica&ccedil;&atilde;o universal do Estatuto de Roma do TPI tem sido um objetivo constante desde a sua aprova&ccedil;&atilde;o. Em 2016, 124 estados eram partes no Estatuto, incluindo o Estado da Palestina. Destes, 34 s&atilde;o estados africanos, 19 s&atilde;o da &Aacute;sia-Pac&iacute;fico, 18 s&atilde;o da Europa Oriental, 28 s&atilde;o da Am&eacute;rica Latina e das Cara&iacute;bas e 25 s&atilde;o da Europa Ocidental.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Em outubro-novembro de 2016, a &Aacute;frica do Sul, o Burundi e a G&acirc;mbia notificaram o secret&aacute;rio-geral das Na&ccedil;&otilde;es Unidas, que &eacute; o deposit&aacute;rio do Estatuto de Roma, da sua inten&ccedil;&atilde;o de se retirarem do TPI &ndash; uma decis&atilde;o que, de acordo com o Estatuto, produz efeitos jur&iacute;dicos apenas um ano ap&oacute;s a notifica&ccedil;&atilde;o. Estes pa&iacute;ses agiram por raz&otilde;es diferentes, incluindo raz&otilde;es pol&iacute;ticas internas, mas estas decis&otilde;es partilham uma cr&iacute;tica declarada ao funcionamento do Tribunal<sup><a href="#25">25</a></sup><a name="top25"></a> .</p>     <p>Por&eacute;m, tanto a &Aacute;frica do Sul como a G&acirc;mbia notificaram no primeiro trimestre de 2017 a decis&atilde;o de retirarem a sua decis&atilde;o de retirada do TPI, sendo poss&iacute;vel que esta quest&atilde;o volte a colocar-se no caso da &Aacute;frica do Sul, onde a decis&atilde;o de retirada foi declarada inconstitucional por raz&otilde;es formais, por n&atilde;o ter sido precedida de aprova&ccedil;&atilde;o parlamentar.</p>     <p>Nos &uacute;ltimos anos, muitos estados africanos desenvolveram uma perce&ccedil;&atilde;o negativa crescente relativamente ao TPI, especialmente tendo em conta que os primeiros casos apresentados a este tribunal se referiam todos a situa&ccedil;&otilde;es africanas, embora a maioria fosse autorrefer&ecirc;ncia soberana dos pr&oacute;prios estados. Esta perce&ccedil;&atilde;o negativa e as preocupa&ccedil;&otilde;es relativas &agrave; seletividade foram expressas nas reuni&otilde;es da UA, da Assembleia Geral das Na&ccedil;&otilde;es Unidas e do Conselho de Seguran&ccedil;a e tamb&eacute;m na Assembleia dos Estados Partes no TPI<sup><a href="#26">26</a></sup><a name="top26"></a> .</p>     <p>Embora n&atilde;o se espere um &ecirc;xodo em massa do Estatuto e seja ainda poss&iacute;vel que essas decis&otilde;es de retirada sejam revertidas, n&atilde;o obstante elas afetam a credibilidade e a legitimidade do Tribunal.</p>     <p>Outro aspeto que afeta a credibilidade e a legitimidade do TPI e p&otilde;e em perigo a sua ambi&ccedil;&atilde;o de universalidade &eacute; o facto de que dos cinco membros permanentes do Conselho de Seguran&ccedil;a das Na&ccedil;&otilde;es Unidas (p5) apenas dois s&atilde;o partes no Estatuto de Roma: a Fran&ccedil;a e o Reino Unido. Os Estados Unidos, a R&uacute;ssia e a China n&atilde;o s&atilde;o partes e isso torna a capacidade do Tribunal de exercer plenamente as suas fun&ccedil;&otilde;es muito dependente das atitudes tomadas, especialmente pelos Estados Unidos e pela R&uacute;ssia, no contexto do Conselho de Seguran&ccedil;a, atitudes essas que t&ecirc;m variado ao longo do tempo, mas que atualmente correm o risco de entrar numa fase particularmente antag&oacute;nica.</p>     <p>Al&eacute;m disso, ap&oacute;s os anos de George W. Bush, os Estados Unidos podem estar a caminho de um novo confronto com o TPI. O Tribunal est&aacute; a dar in&iacute;cio a uma investiga&ccedil;&atilde;o sobre poss&iacute;veis crimes de guerra no Afeganist&atilde;o que poder&atilde;o incluir atos de tortura cometidos pelos militares dos Estados Unidos entre 2003 e 2014. Mesmo que isso n&atilde;o se concretize, tendo em conta os sinais dados pelo Presidente Donald Trump em quest&otilde;es de pol&iacute;tica externa, Na&ccedil;&otilde;es Unidas e direitos humanos, prev&ecirc;-se uma posi&ccedil;&atilde;o defensiva e hostil em rela&ccedil;&atilde;o ao TPI<sup><a href="#27">27</a></sup><a name="top27"></a> .</p>     <p>A R&uacute;ssia, por sua vez, em novembro de 2016 &laquo;retirou formalmente a sua assinatura&raquo;<sup><a href="#28">28</a></sup><a name="top28"></a> do Estatuto do Tribunal &ndash; como fizeram os Estados Unidos<sup><a href="#29">29</a></sup><a name="top29"></a> alguns anos antes, em 2002<sup><a href="#30">30</a></sup><a name="top30"></a> &ndash; depois de o Tribunal ter publicado um relat&oacute;rio classificando a anexa&ccedil;&atilde;o russa da Crimeia como uma ocupa&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>Al&eacute;m da investiga&ccedil;&atilde;o em curso sobre os crimes cometidos na Ge&oacute;rgia em 2008, a R&uacute;ssia tamb&eacute;m pode estar preocupada com uma poss&iacute;vel investiga&ccedil;&atilde;o criminal na S&iacute;ria, onde as suas for&ccedil;as t&ecirc;m sido repetidamente acusadas de crimes de guerra nos &uacute;ltimos meses. A R&uacute;ssia assinara o Estatuto de Roma em 2000 e tinha cooperado com o Tribunal, mas n&atilde;o tinha ratificado o tratado e, portanto, permaneceu fora da jurisdi&ccedil;&atilde;o do TPI. Isto significa que este movimento, embora altamente simb&oacute;lico, n&atilde;o mudar&aacute; muita coisa na pr&aacute;tica, mas &eacute; um sinal de uma atitude futura mais hostil para com o Tribunal.</p>     <p>Al&eacute;m das retiradas e posi&ccedil;&otilde;es antag&oacute;nicas que amea&ccedil;am a pretens&atilde;o de universalidade do Estatuto de Roma, o facto de o Estatuto n&atilde;o estar universalmente ratificado implica que a necessidade de continuar a criar mecanismos <i>ad hoc</i> &ndash; como foi feito no passado para a ex-Jugosl&aacute;via, Ruanda, Serra Leoa, Camboja ou L&iacute;bano &ndash; continua presente. Embora sejam mais dif&iacute;ceis de implementar, devido a dificuldades pol&iacute;ticas e financeiras, &eacute; poss&iacute;vel que esses mecanismos <i>ad hoc </i>sejam utilizados em pelo menos duas situa&ccedil;&otilde;es prementes: Sud&atilde;o do Sul e S&iacute;ria.</p>     <p>Desde dezembro de 2013 t&ecirc;m sido cometidas viola&ccedil;&otilde;es graves do direito internacional humanit&aacute;rio e dos direitos humanos no Sud&atilde;o do Sul, com crimes que incluem homic&iacute;dios extrajudiciais, viol&ecirc;ncia &eacute;tnica, viola&ccedil;&otilde;es e outras formas de viol&ecirc;ncia sexual, e ataques a escolas, locais de culto, hospitais e a pessoal das Na&ccedil;&otilde;es Unidas e de manuten&ccedil;&atilde;o da paz que lhe est&aacute; associado. Apelos &agrave; assun&ccedil;&atilde;o de responsabilidade t&ecirc;m sido feitos em v&aacute;rios f&oacute;runs, incluindo o Conselho de Seguran&ccedil;a, o Conselho de Direitos Humanos e o Conselho de Paz e Seguran&ccedil;a da UA, bem como a sociedade civil. Em agosto de 2015, as partes no conflito adotaram um Acordo sobre a Resolu&ccedil;&atilde;o do Conflito, no qual acordaram estabelecer um Tribunal H&iacute;brido para o Sud&atilde;o do Sul. O Tribunal H&iacute;brido ser&aacute; &laquo;um tribunal judicial h&iacute;brido independente&raquo; e ser&aacute; &laquo;institu&iacute;do pela Comiss&atilde;o da UA para investigar e julgar os indiv&iacute;duos respons&aacute;veis por viola&ccedil;&otilde;es do direito internacional e/ou leis aplic&aacute;veis ao Sud&atilde;o do Sul&raquo; cometidas ap&oacute;s 15 de dezembro de 2013. Em outubro de 2015, o Conselho de Seguran&ccedil;a solicitou ao secret&aacute;rio-geral que disponibilizasse assist&ecirc;ncia t&eacute;cnica para a cria&ccedil;&atilde;o do Tribunal H&iacute;brido. Esta &eacute; a primeira vez que as Na&ccedil;&otilde;es Unidas t&ecirc;m a tarefa de prestar assist&ecirc;ncia t&eacute;cnica a uma organiza&ccedil;&atilde;o regional para a cria&ccedil;&atilde;o de um tribunal h&iacute;brido. As Na&ccedil;&otilde;es Unidas t&ecirc;m uma vasta experi&ecirc;ncia na cria&ccedil;&atilde;o e funcionamento de tribunais penais internacionais e tribunais apoiados pelas Na&ccedil;&otilde;es Unidas e est&atilde;o em articula&ccedil;&atilde;o com a Comiss&atilde;o da UA para compartilhar as li&ccedil;&otilde;es aprendidas com experi&ecirc;ncias passadas<sup><a href="#31">31</a></sup><a name="top31"></a> .</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Ap&oacute;s a resolu&ccedil;&atilde;o do Conselho de Seguran&ccedil;a de submeter a situa&ccedil;&atilde;o s&iacute;ria ao TPI ter sido vetada pela R&uacute;ssia e pela China em 2014, em 19 de dezembro de 2016 a Assembleia Geral das Na&ccedil;&otilde;es Unidas votou a cria&ccedil;&atilde;o de uma equipa especial para &laquo;recolher, consolidar, preservar e analisar provas&raquo; e preparar casos sobre crimes de guerra e abusos de direitos humanos cometidos durante o conflito na S&iacute;ria. De acordo com a Resolu&ccedil;&atilde;o da Assembleia Geral A/RES/71/248, a equipa trabalhar&aacute; em coordena&ccedil;&atilde;o com a Comiss&atilde;o de Inqu&eacute;rito das Na&ccedil;&otilde;es Unidas na S&iacute;ria, criada pelo Conselho de Direitos Humanos em Genebra em 2011 para investigar eventuais crimes de guerra. A Comiss&atilde;o de Inqu&eacute;rito, que elaborou uma lista confidencial de suspeitos de todas as partes que cometeram crimes de guerra ou crimes contra a humanidade, tem pedido repetidamente ao Conselho de Seguran&ccedil;a que remeta a situa&ccedil;&atilde;o na S&iacute;ria para o TPI. A equipa especial &laquo;preparar&aacute; arquivos para facilitar e acelerar processos judiciais justos e independentes de acordo com as normas de direito internacional, em tribunais nacionais, regionais ou internacionais, ou em tribunais que tenham ou possam ter jurisdi&ccedil;&atilde;o sobre esses crimes&raquo;. A repress&atilde;o de Assad sobre os manifestantes pr&oacute;-democracia em 2011 conduziu &agrave; guerra civil e os militantes do Estado Isl&acirc;mico/Daesh t&ecirc;m usado o caos para conquistar territ&oacute;rio na S&iacute;ria e no Iraque. Metade da popula&ccedil;&atilde;o da S&iacute;ria (cerca de 11 milh&otilde;es de pessoas) foi deslocada e mais de 400 mil pessoas foram mortas<sup><a href="#32">32</a></sup><a name="top32"></a> .</p>     <p>A busca de universalidade dos membros e a tentativa de fazer do TPI o centro efetivo da justi&ccedil;a penal internacional a n&iacute;vel global certamente continuar&aacute; no futuro, apesar dos contratempos recentes. No entanto, n&atilde;o podemos esquecer que o TPI &eacute; apenas um tribunal de &uacute;ltimo recurso para o mais grave dos crimes internacionais mais graves e que nunca ter&aacute; capacidade, nem nunca tal se pretendeu, para substituir a jurisdi&ccedil;&atilde;o nacional e a responsabilidade original dos estados em mat&eacute;ria de responsabiliza&ccedil;&atilde;o por crimes de atrocidade. &Eacute; por isso que a complementaridade &ndash; a n&iacute;vel nacional ou, eventualmente, a n&iacute;vel regional &ndash; continua a ser uma caracter&iacute;stica fundamental da justi&ccedil;a penal internacional, como examinaremos na pr&oacute;xima sec&ccedil;&atilde;o.</p>     <p><b>COMPLEMENTARIDADE</b></p>     <p>O TPI baseia-se no princ&iacute;pio da complementaridade, de acordo com o artigo 17.&ordm; do seu estatuto. Trata-se de um tribunal de &uacute;ltimo recurso<sup><a href="#33">33</a></sup><a name="top33"></a> que interv&eacute;m apenas quando o estado territorial ou de nacionalidade &eacute; &laquo;incapaz de, ou n&atilde;o quer&raquo; instaurar a&ccedil;&otilde;es judiciais contra crimes internacionais graves que possam ter sido cometidos no seu territ&oacute;rio ou pelos seus nacionais.</p>     <p>Para que o sistema de complementaridade funcione, os estados t&ecirc;m de dispor de legisla&ccedil;&atilde;o nacional adequada e de institui&ccedil;&otilde;es judiciais apropriadas. Naturalmente, isto &eacute;, s&oacute; por si, um desafio.</p>     <p>A Rep&uacute;blica Centro-Africana e o Sri Lanka s&atilde;o pa&iacute;ses que est&atilde;o a desenvolver, com a ajuda das Na&ccedil;&otilde;es Unidas e de outras organiza&ccedil;&otilde;es, a capacidade de promover a responsabilidade judicial pelos crimes cometidos durante as suas guerras civis.</p>     <p>Mas enquanto a complementaridade foi inicialmente vista como complementaridade entre o TPI e as jurisdi&ccedil;&otilde;es nacionais, a poss&iacute;vel cria&ccedil;&atilde;o de um tribunal penal regional africano levantou a quest&atilde;o da complementaridade &laquo;regional&raquo;<sup><a href="#34">34</a></sup><a name="top34"></a> .</p>     <p>Em junho de 2014, a Assembleia dos Chefes de Estado e de Governo da UA, reunida em Malabo, Guin&eacute; Equatorial, adotou o Protocolo de Emendas ao Protocolo sobre o Estatuto do Tribunal Africano de Justi&ccedil;a e Direitos Humanos (Protocolo de Malabo) e convidou os estados-membros da UA a assin&aacute;-lo e ratific&aacute;-lo<sup><a href="#35">35</a></sup><a name="top35"></a> .</p>     <p>O Protocolo de Malabo alarga a jurisdi&ccedil;&atilde;o do Tribunal Africano de Justi&ccedil;a e Direitos Humanos (TAJDH) a crimes de direito internacional e crimes transnacionais. O plano original para o TAJDH era que fosse um tribunal com duas sec&ccedil;&otilde;es &ndash; uma sec&ccedil;&atilde;o de assuntos gerais e uma se&ccedil;&atilde;o de direitos humanos. O Protocolo de Malabo introduz uma terceira sec&ccedil;&atilde;o: a sec&ccedil;&atilde;o de direito penal internacional. Assim, se o Protocolo de Malabo entrar em vigor, o TAJDH ter&aacute; jurisdi&ccedil;&atilde;o para julgar os seguintes 14 crimes: genoc&iacute;dio, crimes contra a humanidade, crimes de guerra, crime de mudan&ccedil;a inconstitucional de governo, pirataria, terrorismo, mercenarismo, corrup&ccedil;&atilde;o, lavagem de dinheiro, tr&aacute;fico de pessoas, tr&aacute;fico de droga, tr&aacute;fico de res&iacute;duos perigosos, explora&ccedil;&atilde;o il&iacute;cita de recursos naturais e crime de agress&atilde;o.</p>     <p>Assim, a sec&ccedil;&atilde;o de direito penal internacional do TAJDH poderia servir como um tribunal penal regional africano, com os mesmos objetivos do TPI, mas dentro de um contexto geogr&aacute;fico estritamente definido e sobre uma lista alargada de crimes.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A ado&ccedil;&atilde;o do Protocolo de Malabo &eacute; certamente um passo na dire&ccedil;&atilde;o certa. O tribunal penal regional poder&aacute; desempenhar um papel positivo num continente muitas vezes atingido pelo flagelo do conflito e pela impunidade dos crimes internacionais.</p>     <p>Muitas vezes os governos nacionais n&atilde;o est&atilde;o dispostos ou revelam-se incapazes de conduzir investiga&ccedil;&otilde;es atempadas, independentes, imparciais e eficazes sobre as alega&ccedil;&otilde;es de crimes internacionais e fazer com que todos os suspeitos de responsabilidade criminal respondam perante a justi&ccedil;a em julgamentos justos. Um tribunal penal regional, tal como previsto no Protocolo de Malabo, tem potencial para preencher esta lacuna de responsabiliza&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>No entanto, existem preocupa&ccedil;&otilde;es sobre as motiva&ccedil;&otilde;es por detr&aacute;s da proposta de cria&ccedil;&atilde;o da sec&ccedil;&atilde;o criminal do TAJDH. Alguns analistas<sup><a href="#36">36</a></sup><a name="top36"></a> argumentam que a proposta &eacute; uma tentativa por parte da UA de proteger os chefes de Estado africanos e altos funcion&aacute;rios do Estado de serem responsabilizados quando h&aacute; motivos razo&aacute;veis para acreditar que s&atilde;o criminalmente respons&aacute;veis por crimes de acordo com o direito internacional. Al&eacute;m disso, h&aacute; d&uacute;vidas quanto &agrave; compatibilidade com o Estatuto de Roma sobre a quest&atilde;o da complementaridade, prevista como uma complementaridade nacional, mas tamb&eacute;m dada a disposi&ccedil;&atilde;o expressa sobre a imunidade de processo em rela&ccedil;&atilde;o a chefes de Estado, governamentais ou outros funcion&aacute;rios do Estado.</p>     <p>A disposi&ccedil;&atilde;o do Estatuto emendado do TAJDH considerada como sendo a mais controversa &eacute; de facto uma cl&aacute;usula de imunidade. A disposi&ccedil;&atilde;o pertinente (artigo 46.&ordm;-Abis) tem a seguinte reda&ccedil;&atilde;o: &laquo;N&atilde;o ser&atilde;o iniciadas ou prosseguidas quaisquer acusa&ccedil;&otilde;es no Tribunal contra qualquer chefe de Estado ou de Governo da UA em servi&ccedil;o, ou contra qualquer pessoa que aja ou possa agir nessa qualidade, ou contra outros altos funcion&aacute;rios do Estado com base nas suas fun&ccedil;&otilde;es, durante os seus mandatos.&raquo;</p>     <p>At&eacute; &agrave; data, o Protocolo de Malabo ainda n&atilde;o entrou em vigor, tendo sido assinado apenas por nove estados (Benim, Chade, Congo, Gana, Guin&eacute;-Bissau, Qu&eacute;nia, Maurit&acirc;nia, Serra Leoa e S&atilde;o Tom&eacute; e Pr&iacute;ncipe) sem que tenha sido ratificado por nenhuma das 15 ratifica&ccedil;&otilde;es exigidas. Uma poss&iacute;vel expans&atilde;o do Protocolo de Malabo do Tribunal Africano dos Direitos Humanos e dos Povos poder&aacute; assegurar uma maior responsabiliza&ccedil;&atilde;o, mas n&atilde;o prejudica o contributo do TPI para a justi&ccedil;a penal. Essa extens&atilde;o do Tribunal Africano deve ser desenvolvida com pleno respeito e em conformidade com o Estatuto de Roma, que n&atilde;o prev&ecirc; a imunidade de jurisdi&ccedil;&atilde;o para os chefes de Estado em exerc&iacute;cio. Mas &eacute; justamente a quest&atilde;o da irrelev&acirc;ncia da capacidade oficial de persecu&ccedil;&atilde;o penal que constitui o aspeto mais problem&aacute;tico do Estatuto de Roma para os estados africanos, como ser&aacute; discutido na pr&oacute;xima sec&ccedil;&atilde;o.</p>     <p><b>COOPERA&Ccedil;&Atilde;O</b></p>     <p>Dos 23 pedidos de deten&ccedil;&atilde;o e entrega emitidos pelo TPI, 12 ainda est&atilde;o por executar: a) Costa do Marfim: Simone Gbagbo, desde 2012; b) Rep&uacute;blica Democr&aacute;tica do Congo: Sylvestre Mudacumura, desde 2012; c) Qu&eacute;nia: Walter Barasa, desde 2013; d) L&iacute;bia: Saif Al-Islam Gaddafi, desde 2011; e) Darfur (Sud&atilde;o): Ahmad Harun e Ali Kushayb, desde 2007; Omar al-Bashir, desde 2009; Abdel Raheem Muhammad Hussein, desde 2012; e Bahar Idriss Abu Garda, desde 2014; f) Uganda: Joseph Kony, Vincent Otti e Okot Odhiambo, desde 2005.</p>     <p>A deten&ccedil;&atilde;o e a entrega de pessoas acusadas dependem da coopera&ccedil;&atilde;o dos estados partes no TPI, mas tamb&eacute;m de todos os membros das Na&ccedil;&otilde;es Unidas nos casos submetidos pelo Conselho de Seguran&ccedil;a ao abrigo do cap&iacute;tulo VII da Carta das Na&ccedil;&otilde;es Unidas, como foi o caso do Sud&atilde;o e da L&iacute;bia, que n&atilde;o s&atilde;o estados partes do TPI. O TPI pediu, sem sucesso, ao Conselho de Seguran&ccedil;a que agisse sobre a n&atilde;o coopera&ccedil;&atilde;o em rela&ccedil;&atilde;o a estas duas situa&ccedil;&otilde;es.</p>     <p>Estas deten&ccedil;&otilde;es pendentes tamb&eacute;m afetaram significativamente a credibilidade do Tribunal e do sistema concebido pelo Estatuto de Roma.</p>     <p>O caso Bashir foi aquele em que as tens&otilde;es foram mais evidentes. Em junho de 2015, enquanto participava numa cimeira da UA na &Aacute;frica do Sul, a deten&ccedil;&atilde;o e a entrega do Presidente Bashir foram objeto de um pedido de coopera&ccedil;&atilde;o do TPI &agrave; &Aacute;frica do Sul. O Tribunal Superior da &Aacute;frica do Sul emitiu uma ordem exigindo que ele n&atilde;o fosse autorizado a deixar o pa&iacute;s, mas o Governo sul-africano permitiu que o fizesse antes que o Tribunal Superior pudesse considerar o m&eacute;rito do pedido. O Tribunal Superior viria posteriormente a decidir que isso era ilegal. Nos termos da parte IX do Estatuto de Roma, os estados partes &ndash; incluindo a &Aacute;frica do Sul &ndash; t&ecirc;m a obriga&ccedil;&atilde;o de cooperar com o Tribunal. Isto tamb&eacute;m se aplica &agrave; legisla&ccedil;&atilde;o da na&ccedil;&atilde;o sul-africana que implementa o Estatuto de Roma.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>O Governo da &Aacute;frica do Sul<sup><a href="#37">37</a></sup><a name="top37"></a> argumentou que h&aacute; uma quest&atilde;o jur&iacute;dica n&atilde;o resolvida decorrente do facto de que o direito internacional prev&ecirc; que os chefes de Estado em servi&ccedil;o est&atilde;o imunes &agrave; jurisdi&ccedil;&atilde;o penal de outros estados, incluindo a imunidade de deten&ccedil;&atilde;o e inviolabilidade pessoal. A quest&atilde;o que se levanta &eacute; se esta imunidade se mant&eacute;m nos casos em que as autoridades nacionais s&atilde;o solicitadas a deter um chefe de Estado procurado pelo TPI. A quest&atilde;o torna-se ainda mais complicada quando o chefe de Estado &eacute; de um Estado que n&atilde;o &eacute; parte no Estatuto do TPI, embora o caso tenha sido interposto por uma resolu&ccedil;&atilde;o do cap&iacute;tulo VII do Conselho de Seguran&ccedil;a.</p>     <p>Segundo a &Aacute;frica do Sul, os artigos 27.&ordm;<sup><a href="#38">38</a></sup><a name="top38"></a> e 98.&ordm;<sup><a href="#39">39</a></sup><a name="top39"></a> do Estatuto de Roma representam a interse&ccedil;&atilde;o da lei sobre imunidades aplic&aacute;vel aos chefes de Estado e de governo e a obriga&ccedil;&atilde;o de coopera&ccedil;&atilde;o dos estados partes no Estatuto. A rela&ccedil;&atilde;o entre os estados partes e os partidos n&atilde;o estatais continua a ser regida pelo direito internacional consuetudin&aacute;rio que atribui a um chefe de Estado a imunidade <i>ratione personae</i>. A deten&ccedil;&atilde;o de tal pessoa por um Estado Parte, em conformidade com as suas obriga&ccedil;&otilde;es por for&ccedil;a do Estatuto de Roma, pode, por conseguinte, conduzir a uma viola&ccedil;&atilde;o das suas obriga&ccedil;&otilde;es em mat&eacute;ria de direito consuetudin&aacute;rio.</p>     <p>Este argumento foi rejeitado pelo TPI<sup><a href="#40">40</a></sup><a name="top40"></a> (embora n&atilde;o de uma forma totalmente coerente em termos dos argumentos jur&iacute;dicos), e por muitos estados e doutrina, argumentando, <i>inter alia</i>, que o artigo 27.&ordm; do Estatuto de Roma, seguindo o precedente de Nuremberga, tornou irrelevante a capacidade oficial e as imunidades legais consuetudin&aacute;rias para efeitos de persecu&ccedil;&atilde;o por tribunais penais internacionais para os estados partes do TPI. Al&eacute;m disso, uma vez que a situa&ccedil;&atilde;o do Sud&atilde;o foi levada ao TPI pelo Conselho de Seguran&ccedil;a numa resolu&ccedil;&atilde;o vinculativa ao abrigo do cap&iacute;tulo VII da Carta das Na&ccedil;&otilde;es Unidas, as obriga&ccedil;&otilde;es de coopera&ccedil;&atilde;o decorrentes deste caso tamb&eacute;m seriam vinculativas para todos os estados-membros das Na&ccedil;&otilde;es Unidas e n&atilde;o apenas os estados partes do TPI<sup><a href="#41">41</a></sup><a name="top41"></a> .</p>     <p>Estes distintos pontos de vista jur&iacute;dicos sobre esta quest&atilde;o t&ecirc;m persistido e os analistas e at&eacute; mesmo a UA t&ecirc;m sugerido que esta quest&atilde;o deve ser objeto de um parecer consultivo do Tribunal Internacional de Justi&ccedil;a<sup><a href="#42">42</a></sup><a name="top42"></a> . Mesmo que n&atilde;o seja esse o caso, seria importante, jur&iacute;dica e politicamente, esclarecer essa quest&atilde;o de forma definitiva e consensual, a fim de aliviar algumas das atuais tens&otilde;es relacionadas com o TPI.</p>     <p><b>O CRIME DE AGRESS&Atilde;O</b></p>     <p>Na fase inicial e durante a Confer&ecirc;ncia Diplom&aacute;tica de Plenipotenci&aacute;rios para a Cria&ccedil;&atilde;o do Tribunal Penal Internacional (Roma, 1998), a discuss&atilde;o incidiu sobretudo sobre a inclus&atilde;o ou n&atilde;o do crime de agress&atilde;o no grupo dos outros tr&ecirc;s principais crimes internacionais: genoc&iacute;dio, crimes contra a humanidade e crimes de guerra. A discuss&atilde;o n&atilde;o era tanto sobre a possibilidade de instaurar processos crime contra a agress&atilde;o a n&iacute;vel individual, uma vez que havia precedentes da Segunda Guerra Mundial (nomeadamente Nuremberga e T&oacute;quio) sobre os ent&atilde;o chamados &laquo;crimes contra a paz&raquo;, mas sim se se deveria incluir um crime mais estreito abrangendo apenas &laquo;guerras de agress&atilde;o&raquo; ou um mais amplo relacionado com &laquo;atos de agress&atilde;o&raquo; contidos na resolu&ccedil;&atilde;o da Assembleia Geral de 1974, entretanto aprovada. A outra quest&atilde;o espinhosa era a rela&ccedil;&atilde;o entre o TPI e o Conselho de Seguran&ccedil;a, ou seja, se o TPI deveria apenas instaurar processos contra crimes de agress&atilde;o, uma vez que o Conselho de Seguran&ccedil;a determinara a exist&ecirc;ncia desse ato, ou n&atilde;o<sup><a href="#43">43</a></sup><a name="top43"></a> .</p>     <p>Durante a Confer&ecirc;ncia de Roma, v&aacute;rias delega&ccedil;&otilde;es apresentaram propostas para a inclus&atilde;o do crime de agress&atilde;o. Muitos estados apoiaram a inclus&atilde;o deste crime na jurisdi&ccedil;&atilde;o do Tribunal, desde que fosse poss&iacute;vel chegar a acordo sobre uma defini&ccedil;&atilde;o e as condi&ccedil;&otilde;es para o exerc&iacute;cio dessa jurisdi&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>A fim de n&atilde;o comprometer o resultado global e inviabilizar as negocia&ccedil;&otilde;es, os artigos 5.&ordm;/1 e 2.&ordm; inclu&iacute;ram um compromisso no sentido de incluir o crime de agress&atilde;o, mas deixando a defini&ccedil;&atilde;o e as condi&ccedil;&otilde;es para o exerc&iacute;cio da jurisdi&ccedil;&atilde;o para considera&ccedil;&atilde;o posterior, nomeadamente na primeira confer&ecirc;ncia de revis&atilde;o. Um resultado misto foi assim o compromisso poss&iacute;vel: o crime estava no Estatuto, mas o Tribunal n&atilde;o podia exercer jurisdi&ccedil;&atilde;o at&eacute; novas negocia&ccedil;&otilde;es e acordo sobre as duas vias de defini&ccedil;&atilde;o e condi&ccedil;&otilde;es para o exerc&iacute;cio da jurisdi&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>A Resolu&ccedil;&atilde;o F da Ata Final da Confer&ecirc;ncia Diplom&aacute;tica confirmou que esta era uma quest&atilde;o a ser prosseguida e mandatou a Comiss&atilde;o Preparat&oacute;ria do TPI, ou Comiss&atilde;o Preparat&oacute;ria, para continuar a trabalhar na quest&atilde;o da agress&atilde;o. A Resolu&ccedil;&atilde;o F mandatou a Comiss&atilde;o Preparat&oacute;ria a preparar propostas para uma disposi&ccedil;&atilde;o sobre a agress&atilde;o, incluindo a defini&ccedil;&atilde;o e os elementos dos crimes, e as condi&ccedil;&otilde;es sob as quais o TPI exercer&aacute; sua jurisdi&ccedil;&atilde;o. Indicou tamb&eacute;m que a Comiss&atilde;o deveria apresentar essas propostas &agrave; Assembleia dos Estados Partes numa confer&ecirc;ncia de revis&atilde;o, a fim de chegar a uma disposi&ccedil;&atilde;o aceit&aacute;vel sobre o crime de agress&atilde;o para inclus&atilde;o no Estatuto.</p>     <p>Na sequ&ecirc;ncia da Confer&ecirc;ncia de Roma de 1998, a Comiss&atilde;o Preparat&oacute;ria do TPI (Com Prep, 1999-2002) e posteriormente o Grupo de Trabalho Especial sobre o Crime de Agress&atilde;o (GTECA, 2003-2009) prosseguiram as negocia&ccedil;&otilde;es sobre as quest&otilde;es pendentes relativas ao crime de agress&atilde;o. Em fevereiro de 2009, o GTECA, chegou a consenso sobre a defini&ccedil;&atilde;o do crime de agress&atilde;o.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A Confer&ecirc;ncia de Revis&atilde;o de 2010 em Kampala usou essa defini&ccedil;&atilde;o e p&ocirc;de, assim, concentrar-se noutras quest&otilde;es pendentes, como por exemplo as &laquo;condi&ccedil;&otilde;es para o exerc&iacute;cio da jurisdi&ccedil;&atilde;o&raquo;. Os estados partes aproveitaram a oportunidade hist&oacute;rica e aprovaram a Resolu&ccedil;&atilde;o RC/Res.6 por consenso. A resolu&ccedil;&atilde;o alterou o Estatuto de Roma para incluir, entre outros, o novo artigo 8.&ordm; bis contendo uma defini&ccedil;&atilde;o do crime de agress&atilde;o e os novos artigos 15.&ordm; bis e 15.&ordm; ter, que cont&ecirc;m disposi&ccedil;&otilde;es complexas sobre as condi&ccedil;&otilde;es de exerc&iacute;cio da jurisdi&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>O compromisso incluiu uma cl&aacute;usula que impedia o Tribunal de exercer jurisdi&ccedil;&atilde;o sobre o crime de agress&atilde;o de imediato. Em vez disso, a Assembleia dos Estados Partes teria de tomar mais uma decis&atilde;o &uacute;nica para ativar a jurisdi&ccedil;&atilde;o do Tribunal, n&atilde;o antes de 2017, por uma maioria de dois ter&ccedil;os dos estados partes. Al&eacute;m disso, um ano ter&aacute; de ter decorrido ap&oacute;s a 30.&ordf; ratifica&ccedil;&atilde;o, j&aacute; ocorrida em junho de 2016, antes que o Tribunal possa exercer a sua jurisdi&ccedil;&atilde;o sobre o crime de agress&atilde;o<sup><a href="#44">44</a></sup><a name="top44"></a> .</p>     <p>A Assembleia dos Estados Partes est&aacute; agora em posi&ccedil;&atilde;o de tomar uma decis&atilde;o sobre a ativa&ccedil;&atilde;o do TPI relativamente ao crime de agress&atilde;o. Os membros permanentes do Conselho de Seguran&ccedil;a, incluindo as partes do TPI, Fran&ccedil;a e Reino Unido, sempre questionaram esse crime, especialmente a rela&ccedil;&atilde;o entre o Conselho de Seguran&ccedil;a, que tem a prerrogativa pol&iacute;tica de declarar que um ato de agress&atilde;o foi cometido e o TPI, que ter&aacute; de fazer uma an&aacute;lise judicial, e n&atilde;o pol&iacute;tica.</p>     <p>Embora as emendas de Kampala tenham salvaguardado muitas das preocupa&ccedil;&otilde;es dos P5, prev&ecirc;-se que a ativa&ccedil;&atilde;o da jurisdi&ccedil;&atilde;o sobre o crime de agress&atilde;o possa trazer outro n&iacute;vel de tens&atilde;o no &acirc;mbito do TPI no atual contexto pol&iacute;tico. &Eacute;, portanto, de extrema import&acirc;ncia que este processo continue a ser constru&iacute;do numa base s&oacute;lida na pr&oacute;xima Assembleia dos Estados Partes e que o compromisso de Kampala n&atilde;o seja reaberto.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>ALGUMAS CONCLUS&Otilde;ES: JUSTI&Ccedil;A VS POL&Iacute;TICA</b></p>     <p>O Estatuto de Roma do TPI foi, sem d&uacute;vida, um dos tratados internacionais mais significativos assinados no p&oacute;s-Guerra Fria, num momento em que o direito internacional e as institui&ccedil;&otilde;es internacionais viviam um per&iacute;odo muito positivo. Esteve no centro do discurso pol&iacute;tico na rea&ccedil;&atilde;o contra as atrocidades mais graves cometidas desde a Segunda Guerra Mundial, nomeadamente na antiga Jugosl&aacute;via e no Ruanda, e da promo&ccedil;&atilde;o e prote&ccedil;&atilde;o dos direitos humanos.</p>     <p>Atualmente, provavelmente n&atilde;o seria poss&iacute;vel repetir essa fa&ccedil;anha e criar algo a partir das institui&ccedil;&otilde;es mais inovadoras na arena internacional, rompendo com o modelo vestefaliano de soberania, mas ao mesmo tempo fortemente ancorado nesse modelo, dada a depend&ecirc;ncia na participa&ccedil;&atilde;o volunt&aacute;ria do Estado e na coopera&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>O TPI, em conjunto com os estados, esfor&ccedil;a-se por promover o Estado de direito, o respeito pelos direitos humanos e a paz sustent&aacute;vel, de acordo com o direito internacional e com os prop&oacute;sitos e princ&iacute;pios da Carta das Na&ccedil;&otilde;es Unidas.</p>     <p>Com o crescente volume de trabalho do Tribunal, todos os esfor&ccedil;os de coopera&ccedil;&atilde;o s&atilde;o fundamentais para a credibilidade do Tribunal e para que o TPI desempenhe o papel que lhe foi conferido pelo Estatuto de Roma, n&atilde;o s&oacute; para garantir a responsabiliza&ccedil;&atilde;o dos autores dos crimes mais graves que preocupam a comunidade internacional no seu todo, mas tamb&eacute;m para assegurar que os direitos das v&iacute;timas prevalecem. Deve igualmente salientar-se que o TPI tem um car&aacute;ter complementar e que n&atilde;o foi criado para substituir os estados. Levar os respons&aacute;veis pelos crimes mais graves &agrave; justi&ccedil;a &eacute;, em primeiro lugar e acima de tudo, uma responsabilidade dos estados e o Tribunal deve agir apenas quando as autoridades nacionais falham ou n&atilde;o est&atilde;o em condi&ccedil;&otilde;es de tomar as medidas necess&aacute;rias para garantir a responsabiliza&ccedil;&atilde;o por tais crimes.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>No entanto, n&atilde;o podemos esquecer que o TPI, apesar de ser uma institui&ccedil;&atilde;o judicial, habita no mundo da realpolitik. Tal como foi dito: &laquo;Este &eacute; um ambiente duro para a planta delicada da justi&ccedil;a internacional. Mas tamb&eacute;m &eacute; um mundo onde a procura e a necessidade de responsabiliza&ccedil;&atilde;o nunca foram t&atilde;o grandes.&raquo;<sup><a href="#45">45</a></sup><a name="top45"></a> </p>     <p>Como vimos, os desafios s&atilde;o imensos e o momento pol&iacute;tico &eacute; delicado para a institui&ccedil;&atilde;o. Mas o TPI estar&aacute; para durar, tornando-se num elemento inerente ao mundo de hoje. Ambos os aspetos da justi&ccedil;a e da pol&iacute;tica t&ecirc;m de ser considerados para superar esses desafios, para que a miss&atilde;o de um instrumento permanente e central na luta contra a impunidade e que historicamente come&ccedil;ou em Roma em 1998, se torne parte definitiva do mundo atual.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>BIBLIOGRAFIA</b></p>     <p>AINLEY, Kirsten &ndash; &laquo;The responsibility to protect and the International Criminal Court: counteracting the crisis&raquo;. In <i>International Affairs</i>. Vol. 91, N.&ordm; 1, 2015, pp. 37-54.</p>     <p>AKANDE, Dapo &ndash; &laquo;International law immunities and the International Criminal Court&raquo;. In <i>American Journal of International Law</i>. Vol. 98, N.&ordm; 3, 2004, pp. 407-433.</p>     <p>AMNESTY INTERNATIONAL &ndash; Malabo Protocol &ndash; Legal and institutional implications of the merged and expanded African Court, 2016. Dispon&iacute;vel em: <a href="https://www.amnesty.org/en/documents/afr01/3063/%202016/en/" target="_blank" rel="noopener">https://www.amnesty.org/en/documents/afr01/3063/</a><a href="https://www.amnesty.org/en/documents/afr01/3063/%202016/en/" target="_blank" rel="noopener"> 2016/en/</a>.</p>     <p>ARIEFF, Alexis, MARGESSON, Rhoda, e BROWNE, Marjorie Ann &ndash; <i>International Criminal Court Cases in Africa: Status and Policy Issues</i>. Diane Publishing, 2010.</p>     <p>BARNES, Gwen P. &ndash; &laquo;The International Criminal Court&rsquo;s ineffective enforcement mechanisms: the indictment of President Omar Al Bashir&raquo;. In <i>Fordham International Law Journal.</i> Vol. 34, N.&ordm; 6, 2011, pp. 1584--1619.</p>     <p>BARRIGA, Stefan, e GROVER, Leena &ndash; &laquo;A historic breakthrough on the crime of aggression&raquo;. In <i>American Journal of International Law</i>. Vol. 105, N.&ordm; 3, 2011, pp. 517-533.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>BARRIGA, Stefan, e KRE&szlig;, Claus &ndash; <i>The Travaux Pr&eacute;paratoires of the Crime of Aggression</i>. Cambridge University Press, 2012.</p>     <p>BASSIOUNI, Cherif M. &ndash; &laquo;Crimes against humanity: the case for a specialized convention&raquo;. In <i>Washington University Global Studies Law Review</i>. Vol. 9, N.&ordm; 4, 2010, pp. 575-593.</p>     <p>BEKOU, Olympia, e CRYER, Robert &ndash; &laquo;The International Criminal Court and universal jurisdiction: a close encounter?&raquo;. In <i>The International and Comparative Law Quarterly</i>. Vol. 56, N.&ordm; 1, 2007, pp. 49-68.</p>     <p>BELLELLI, Roberto (ed.) <i>&ndash; International Criminal Justice: Law and Practice from the Rome Statute to Its Review</i>. Ashgate, 2010.</p>     <p>BLAISE, No&eacute;mie &ndash; &laquo;Les interactions entre la Cour P&eacute;nale Internationale et le Conseil de S&eacute;curit&eacute;: justice versus politique?&raquo;. In <i>Revue de la Facult&eacute; de Droit de L&rsquo;Universit&eacute; de Li&eacute;ge.</i> Vol. 57, N.&ordm; 1-2, 2012, pp. 61-98.</p>     <p>BOAS, Gideon, SCHABAS, William, e SHARF, Michael (eds.) &ndash; <i>International Criminal Justice: Legitimacy and Coherence</i>. Elgar, 2012.</p>     <p>CAEIRO, Pedro &ndash; &laquo;Alguns aspetos do Estatuto de Roma e os reflexos da sua ratifica&ccedil;&atilde;o na proibi&ccedil;&atilde;o constitucional de extraditar em caso de pris&atilde;o perp&eacute;tua&raquo;. In <i>Separata &ndash; direito e cidadania</i>. Ano V, N.&ordm; 18, setembro-dezembro de 2003, pp. 41-60.</p>     <p>CARDEN, S. Richard e SADAT, Leila Nadya &ndash; &laquo;The new International Criminal Court: an uneasy revolution&raquo;. In <i>The Georgetown Law Journal</i>. Vol. 88, 2000, pp. 381-474.</p>     <p>CARTER, Linda, ELLIS, Mark S., e JALLOH, Charles Chernor (eds.) &ndash; <i>The International Criminal Court in an Effective Global Justice System</i>. Elgar, 2016.</p>     <p>CASSESE, Antonio &ndash; <i>International Criminal Law</i>. Oxford University Press, 2008.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>CLARK, Phil, e WADDELL, Nicholas &ndash; <i>Courting Conflict? Justice, Peace and the ICC in Africa</i>. The Royal African Society, 2008.</p>     <p>CLARK, Roger S. &ndash; &laquo;Amendments to the Rome Statute of the International Criminal Court considered at the first Review Conference on the Court, Kampala, 31 May-11 June 2010&raquo;. In <i>Goettingen Journal of International Law</i>. Vol. 2, 2010, pp. 690-711.</p>     <p>CRONIN-FURMAN, Kate &ndash; &laquo;Managing expectations: international criminal trials and the prospects for deterrence of mass atrocity&raquo;. In <i>The International Journal of Transitional Justice.</i> Vol. 7, N.&ordm; 3, 2013, pp. 1-21.</p>     <p>CUNLIFFE, Philip (ed.) &ndash; <i>Critical Perspetives on the Responsibility to Protect &ndash; Interrogating Theory and Practice</i>. Londres: Routledge, 2011.</p>     <p>&laquo;Declaratory statement by the Republic of South Africa on the decision to withdraw from the Rome Statute of the International Criminal Court&raquo;. (Consultado em: 31 de mar&ccedil;o de 2017). Dispon&iacute;vel em: <a href="https://treaties.un.org/doc/Publication/CN/2016/CN.786.2016-ENG.PDF" target="_blank" rel="noopener">https://treaties.un.org/doc/Publication/CN/2016/CN.786.2016-ENG.PDF</a>.</p>     <p>EL ZEIDY, Mohamed M. &ndash; &laquo;The principle of complementarity: a new machinery to implement International Criminal Law&raquo;. In <i>Michigan Journal of International Law</i>. Vol. 23, 2002, pp. 870-967.</p>     <p>ESCARAMEIA, Paula &ndash; &laquo;Prel&uacute;dios de uma Nova Ordem Mundial: o Tribunal Penal Internacional&raquo;. In <i>Revista Na&ccedil;&atilde;o e Defesa</i>. N.&ordm; 104, 2.&ordf; s&eacute;rie, 2003, pp. 11-35.</p>     <p>GAETA, Paola &ndash; &laquo;Does President Al Bashir enjoy immunity from arrest?&raquo;. In <i>Journal of International Criminal Justice.</i> Vol. 7, N.&ordm; 2, 2009, pp. 315-332.</p>     <p>GUERREIRO, Alexandre &ndash; <i>A Resist&ecirc;ncia dos Estados Africanos &agrave; Jurisdi&ccedil;&atilde;o do Tribunal Penal Internacional. </i>Coimbra: Almedina, 2012.</p>     <p>FIOTT, Daniele, e KOOPS, J. (eds.) &ndash; <i>The Responsibility to Protect and the Third Pillar</i>. 2015.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>HOOVER, Dalila &ndash; &laquo;Universal jurisdiction not so universal: a time to delegate to the International Criminal Court&raquo;. In <i>Cornell Law School Inter-University Graduate Student Conference Papers. </i>Vol. 52, 2011, pp. 1-31.</p>     <p>JACKSON, Miles &ndash; &laquo;Regional complementarity: the Rome Statute and public international law&raquo;. In <i>Journal of International Criminal Justice.</i> Vol. 14, N.&ordm; 5, 2016-2017, pp. 1061-1072.</p>     <p>JALLOH, Charles Chernor &ndash; &laquo;Reflections on the indictment of sitting Heads of State and government and its consequences for peace and stability and reconciliation in Africa&raquo;. In <i>African Journal of Legal Studies</i>. Vol. 7, N.&ordm; 1, pp. 43-59.</p>     <p>JO, Hyeran, e SIMMONS, Beth A. &ndash; &laquo;Can the International Criminal Court deter atrocity?&raquo;. In <i>Faculty Scholarship</i>, Paper 1686. (Consultado em: 17 de mar&ccedil;o de 2017). Dispon&iacute;vel em: <a href="http://scholarship.law.upenn.edu/faculty_scholarship/1686" target="_blank" rel="noopener">http://scholarship.law.upenn.edu/faculty_scholarship/1686</a>.</p>     <p>KELLER, Linda M. &ndash; &laquo;The false dichotomy of peace versus justice and the International Criminal Court&raquo;. In <i>Hague Justice Journal.</i> Vol. 3, N.&ordm; 1, 2008. pp. 12-47.</p>     <p>KELLER, Linda M. &ndash; &laquo;Achieving peace without justice: the International Criminal Court and Ugandan alternative justice mechanisms&raquo;. In <i>Connecticut Journal of International Law.</i> Vol. 23, 2008, pp. 209-279.</p>     <p>KEPPLER, Elise &ndash; &laquo;Managing setbacks for the International Criminal Court in Africa&raquo;. In <i>Journal of African Law. </i>Vol. 56, N.&ordm; 1, 2012, pp. 1-14.</p>     <p>KLABBERS, Jan, e CREUTZ, Katja (eds.) &ndash; <i>Finnish Yearbook of International Law</i>. Vol. 16, 2005-2008.</p>     <p>KOCHLER, Hans &ndash; &laquo;Global justice or global revenge? The ICC and the politicization of international criminal justice&raquo;. In <i>International Progress Organization Online Papers</i>, 2009. (Consultado em: 17 de mar&ccedil;o de 2017). Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.i-p-o.org/IPO-Koechler-ICC-politicization2009.htm" target="_blank" rel="noopener">http://www.i-p-o.org/IPO-Koechler-ICC-politicization2009.htm</a>.</p>     <p>KRE&szlig;, Claus, e HOLTZENDORFF, Leonie Von &ndash; &laquo;The Kampala compromise on the crime of aggression&raquo;. In <i>Journal of International Criminal Justice.</i> Vol. 8, N.&ordm; 5, 2010, pp. 1179-1217.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>LOBO, Ant&oacute;nio Costa &ndash; &laquo;As Na&ccedil;&otilde;es Unidas e os direitos humanos&raquo;. In <i>Rela&ccedil;&otilde;es Internacionais</i>. Lisboa, N.&ordm; 47, 2015, pp. 75-83.</p>     <p>MENDES, Errol &ndash; <i>Peace and Justice at the International Criminal Court: A Court of Last Resort.</i> Elgar, 2010.</p>     <p>MURPHY, Sean D. &ndash; &laquo;New mechanisms for punishing atrocities committed in non-international armed conflicts&raquo;. In <i>Melbourne Journal of International Law</i>. Vol. 298, 2015, pp. 299-308.</p>     <p>NADYA, Leila Sadat &ndash; &laquo;Crimes against humanity in the modern age&raquo;. In <i>The American Journal of International Law. </i>Vol. 107, 2013, pp. 334-377.</p>     <p>PAUST, Jordan J. &ndash; &laquo;The international criminal court does not have complete jurisdiction over customary crimes against humanity and war crimes&raquo;. In <i>John Marshall Law Review</i>. Vol. 43, 2010, pp. 681-713.</p>     <p>PIRANIO, Christopher &ndash; &laquo;Reflections on the Rome Statute&raquo;. In <i>Cambridge Review of International Affairs. </i>Vol. 24, N.&ordm; 3, 2011, pp. 307-447.</p>     <p>ROACH, Steven C. &ndash; &laquo;Legitimising negotiated justice: the International Criminal Court and flexible governance&raquo;. In <i>International Journal of Human Rights</i>. Vol. 17, N.&ordm; 5-6, 2013, pp. 619-632.</p>     <p>ROBINSON, Darryl &ndash; &laquo;Defining crimes against humanity&raquo;. In <i>The American Journal of International Law. </i>Vol. 93, N.&ordm; 1, janeiro de 1999, pp. 43-57.</p>     <p>ROTHE, Dawn, MEERNIK, James, e INGAD&Oacute;TTIR, Thordis (eds.) &ndash; <i>The Realities of International Criminal Justice</i>. Brill, 2013.</p>     <p>SCHABAS, William &ndash; &laquo;The International Criminal Court: struggling to find its way&raquo;. In Cassesse, Antonio (ed.) &ndash; <i>Realizing Utopia: The Future of International Law</i>. Oxford University Press, 2012.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>SIDIKI, Aboubacar &ndash; &laquo;La Cour P&eacute;nale Internationale: une justice a double vitesse?&raquo;. In <i>Revue du Droit Public et de la Science Politique</i>. Vol. 128, N.&ordm; 4, 2012, pp. 1013-1030.</p>     <p>STAHN, Carsten (ed.) &ndash; <i>The Law and Practice of the International Criminal Court</i>. Oxford University Press, 2015.</p>     <p>STEINBERG, Richard (ed.) &ndash; <i>Contemporary Issues Facing the International Criminal Court</i>. Brill, 2016.</p>     <p>TELES, Patr&iacute;cia Galv&atilde;o &ndash; &laquo;The International Criminal Court and the evolution of the idea of combating impunity: an assessment 15 years after the Rome Conference&raquo;. In <i>Janus.Net.</i> Vol. 5, N.&ordm; 2, 2014-2015.</p>     <p>TELES,, Patr&iacute;cia Galv&atilde;o &ndash; &laquo;The ICC at the centre of an international criminal justice system: current challenges&raquo;. In <i>Janus.Net</i>. Vol. 8, N.&ordm; 1, 2017.</p>     <p>TRAHAN, Jennifer &ndash; &laquo;The relationship between the International Criminal Court and the un Security Council: parameters and best practices&raquo;. In <i>Criminal Law Forum</i>. Vol. 24, N.&ordm; 4, 2013, pp. 417-473.</p>     <p>United Nations University Center for Policy Research &ndash; &laquo;The un in the Era of Trump&raquo;. (Consultado em: 31 de janeiro de 2017). Dispon&iacute;vel em <a href="https://cpr.unu.edu/the-un-in-the-era-of-trump.html" target="_blank" rel="noopener">https://cpr.unu.edu/the-un-in-the-era-of-trump.html</a>.</p>     <p>VINCENT, Julie &ndash; &laquo;Le droit &agrave; la r&eacute;paration des victimes en droit p&eacute;nal international: utopie ou r&eacute;alit&eacute;?&raquo;. In <i>Revue juridique Themis</i>. Vol. 2, 2010, pp. 83-104.</p>     <p>WADDELL, Nicholas, e CLARK, Phil &ndash; <i>Courting Conflict? Justice, Peace and the ICC in Africa</i>. The Royal African Society, 2008.</p>     <p>WET, Erika de &ndash; &laquo;The relationship between the International Criminal Court and ad hoc criminal tribunals: competition or symbiosis?&raquo;. In <i>Die Friedens-Warte</i>. Vol. 83, N.&ordm; 4, 2008, pp. 33-57.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>ZIMMERMANN, Andreas &ndash; &laquo;The creation of a permanent international criminal court&raquo;. In <i>Max Plank Yearbook of United Nations Law</i>. Vol. 2, 1998, pp. 169-237.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>Data de rece&ccedil;&atilde;o: 6 de mar&ccedil;o de 2017 | Data de aprova&ccedil;&atilde;o: 9 de maio de 2017</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>NOTAS</b></p>     <p><Sup><a name="1"></a><a href="#top1">1</a></Sup> O presente artigo inspira-se parcialmente em textos publicados previamente em TELES, Patr&iacute;cia Galv&atilde;o&ndash; &laquo;The International Criminal Court and the evolution of the idea of combating impunity: an assessment 15 years after the Rome Conference&raquo;. <i>In Janus.Net</i>. Vol. 5, N.&ordm; 2, 2014-2015, e TELES, Patr&iacute;cia Galv&atilde;o &ndash; &laquo;The ICC at the centre of an international criminal justice system: current challenges&raquo;. In <i>Janus.Net</i>. Vol. 8, N.&ordm; 1, 2017.</p>     <p><Sup><a name="2"></a><a href="#top2">2</a></Sup> O presente contributo &eacute; escrito numa capacidade meramente pessoal.</p>     <p><Sup><a name="3"></a><a href="#top3">3</a></Sup> J&aacute; anteriormente, em 1948, por altura da Conven&ccedil;&atilde;o para a Preven&ccedil;&atilde;o e Repress&atilde;o do Crime de Genoc&iacute;dio, a Assembleia Geral das Na&ccedil;&otilde;es Unidas tinha reconhecido a necessidade de criar um Tribunal Permanente Internacional.</p>     <p><Sup><a name="4"></a><a href="#top4">4</a></Sup> Jurisdi&ccedil;&atilde;o ratione temporis prospetiva (artigo 11.&ordm;).</p>     <p><Sup><a name="5"></a><a href="#top5">5</a></Sup> A t&iacute;tulo exemplificativo, refira-se a tomada em considera&ccedil;&atilde;o das v&iacute;timas, que n&atilde;o encontra precedentes nesse sentido. As formas de repara&ccedil;&atilde;o das v&iacute;timas est&atilde;o previstas no artigo 75.&ordm; e existem v&aacute;rios mecanismos com vista &agrave; efetiva&ccedil;&atilde;o dessa repara&ccedil;&atilde;o. Como refere Julie Vincent: &laquo;L&rsquo;article 75 du Statut de Rome conc&egrave;de &agrave; la Cour un pouvoir lui permettant d&rsquo;ordonner la r&eacute;paration des pr&eacute;judices caus&eacute;s. Ainsi, une personne condamn&eacute;e pour un crime international pourrait devoir indemniser les victimes de ses d&eacute;lits. Comparativement au mode d&rsquo;attribution des tribunaux ad hoc, il s&rsquo;agit d&rsquo;une v&eacute;ritable restructuration du syst&egrave;me d&rsquo;indemnisation. La CPI prend en charge le registre des r&eacute;parations sans le d&eacute;l&eacute;guer aux juridictions nationales. Il s&rsquo;agit d&rsquo;un changement tr&egrave;s important &agrave; l&rsquo;&eacute;gard des victimes, leur permettant d&rsquo;obtenir une indemnisation d&egrave;s lors que leur est reconnue la qualit&eacute; de victime.&raquo; (VINCENT, Julie &ndash; &laquo;Le droit &agrave; la r&eacute;paration des victimes en droit p&eacute;nal international: utopie ou r&eacute;alit&eacute;?&raquo;. In <i>Revue juridique Themis</i>. Vol. 2, 2010, pp. 84 e segs.).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><Sup><a name="6"></a><a href="#top6">6</a></Sup> &laquo;(&hellip;) the ICC can play an additional important role in preventing international crimes. Contrary to other international(ized) criminal tribunals, the ICC is not an ex post facto judicial institution but a permanent body that can help to prevent future mass atrocities through timely intervention in situations where mass criminality is happening (&hellip;)&raquo; (HOLVOET, Mathias, e MESMA, Medlir &ndash; &laquo;The International Criminal Court and the responsibility to protect&raquo;. In FIOTT, Daniele, e KOOPS, J. (eds.) &ndash; <i>The Responsibility to Protect and the Third Pillar</i>. 2015, p. 22.</p>     <p><Sup><a name="7"></a><a href="#top7">7</a></Sup> O Tribunal &eacute; composto pela Presid&ecirc;ncia, por uma Sec&ccedil;&atilde;o de Recursos, por uma Sec&ccedil;&atilde;o de Julgamento em 1.&ordf; inst&acirc;ncia, e uma Sec&ccedil;&atilde;o de Instru&ccedil;&atilde;o, pelo Gabinete do Procurador e pela Secretaria (artigo 34.&ordm;).</p>     <p><Sup><a name="8"></a><a href="#top8">8</a></Sup> A este respeito enfatiza Darryl Robinson: &laquo;Article 7 of the ICC statute is a significant contribution to the refinement of international criminal law, as it is the first instance of a definition of crimes against humanity developed by multilateral negotiations among 160 states&raquo; (ROBINSON, Darryl &ndash; &laquo;Defining crimes against humanity&raquo;. In <i>The American Journal of International Law. </i>Vol. 93, N.&ordm; 1, janeiro de 1999, p. 56.</p>     <p><Sup><a name="9"></a><a href="#top9">9</a></Sup> Neste caso, se o Conselho de Seguran&ccedil;a remeter o caso ao TPI, a jurisdi&ccedil;&atilde;o deste estende-se ao territ&oacute;rio de qualquer Estado. Na aus&ecirc;ncia de uma remessa do Conselho de Seguran&ccedil;a, o TPI n&atilde;o poder&aacute; investigar crimes cometidos por nacionais de um Estado que n&atilde;o tenha ratificado o Estatuto de Roma, ou no territ&oacute;rio de um Estado que igualmente tamb&eacute;m n&atilde;o tenha ratificado o referido Estatuto.</p>     <p><Sup><a name="10"></a><a href="#top10">10</a></Sup> Tais d&uacute;vidas prendem-se com a capacidade de iniciativa do procurador, no sentido de iniciar uma investiga&ccedil;&atilde;o, por poder potenciar a politiza&ccedil;&atilde;o do TPI. Contudo, a subordina&ccedil;&atilde;o da sua iniciativa ao exame da C&acirc;mara de Quest&otilde;es Preliminares parece tornar n&atilde;o totalmente fundados os ditos receios. Quanto ao Conselho de Seguran&ccedil;a, pode por resolu&ccedil;&atilde;o determinar que um processo a iniciar ou j&aacute; iniciado n&atilde;o prossiga, o que constitui uma limita&ccedil;&atilde;o &agrave; independ&ecirc;ncia do procurador.</p>     <p><Sup><a name="11"></a><a href="#top11">11</a></Sup> Cf. TELES, Patr&iacute;cia Galv&atilde;o &ndash; &laquo;The International Criminal Court and the evolution of the idea of combating impunity&raquo;, p. 4.</p>     <p><Sup><a name="12"></a><a href="#top12">12</a></Sup> Trata-se dos casos em que o Conselho de Seguran&ccedil;a determina que existe um ato de agress&atilde;o concreto, uma viola&ccedil;&atilde;o da paz ou uma amea&ccedil;a para a paz. Nesta situa&ccedil;&atilde;o, o TPI tem jurisdi&ccedil;&atilde;o universal sobre os factos, sendo indiferente a nacionalidade do suspeito/acusado e o territ&oacute;rio onde tenham sido praticados.</p>     <p><Sup><a name="13"></a><a href="#top13">13</a></Sup> Segundo Mohamed M. El Zeidy, &laquo;(t)his principle requires the existence of both national and international criminal justice functioning in a subsidiary manner for the repression of crimes of international law. When the former fails to do so, the latter intervenes and ensures that perpetrators do not go unpunished&raquo; (EL ZEIDY, Mohamed M. &ndash; &laquo;The principle of complementarity: a new machinery to implement International Criminal Law&raquo;. In <i>Michigan Journal of International Law</i>. Vol. 23, 2002, p. 870). Ainda sobre a complementaridade, afirma Cherif M. Bassiouni: &laquo;(t)he statute does not provide for an obligation to prosecute or extradite as between state parties, and thus complementarity as between state parties does not exist. Lastly, complementarity does not exist between the ICC and non-state parties. The future of international criminal justice does not depend on the ICC. Instead, it depends on states to carry out domestically the task of investigating and prosecuting Crimes Against Humanity.&raquo; (BASSIOUNI, Cherif M. &ndash; &laquo;Crimes against humanity: the case for a specialized convention&raquo;. In <i>Washington University Global Studies Law Review</i>. Vol. 9, N.&ordm; 4, 2010, p. 588).</p>     <p><Sup><a name="14"></a><a href="#top14">14</a></Sup> O TPI pauta-se, entre outros, pelos princ&iacute;pios <i>ne bis in idem</i> (artigo 20.&ordm;), <i>nullum crimen sine lege (</i>artigo 22.&ordm;), <i>nulla poena sine lege</i> (artigo 23.&ordm;), n&atilde;o retroatividade (artigo 24.&ordm;), responsabilidade individual criminal (artigo 25.&ordm;).</p>     <p><Sup><a name="15"></a><a href="#top15">15</a></Sup> Como referem Olympia Bekou e Robert Cryer: &laquo;(t)he general obligation to cooperate is found in Article 86 of the Rome Statute. This Article is the first of a total of 17 provisions dealing with cooperation contained in Part 9 of the Statute. The general obligation to cooperate is supplemented by a reminder of this in Articles 89(1) and 93(1), which deal with arrest and surrender and other forms of cooperation respectively&raquo; (BEKOU, Olympia, e CRYER, Robert &ndash; &laquo;The International Criminal Court and universal jurisdiction: a close encounter?&raquo;. In <i>The International and Comparative Law Quarterly</i>. Vol. 56, N.&ordm; 1, 2007, p. 61).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><Sup><a name="16"></a><a href="#top16">16</a></Sup> Refira-se, a t&iacute;tulo exemplificativo, acerca do ne bis in idem: &laquo;a incerteza reinante quanto &agrave; exata conforma&ccedil;&atilde;o deste princ&iacute;pio &ndash; n&atilde;o s&oacute; quanto &agrave; sua defini&ccedil;&atilde;o, mas tamb&eacute;m quanto &agrave; sua efic&aacute;cia puramente intraestadual, ou, diversamente, internacional ou interjurisdicional&raquo; (CAEIRO, Pedro &ndash; &laquo;Alguns aspetos do Estatuto de Roma e os reflexos da sua ratifica&ccedil;&atilde;o na proibi&ccedil;&atilde;o constitucional de extraditar em caso de pris&atilde;o perp&eacute;tua&raquo;. In <i>Separata &ndash; direito e cidadania</i>. Ano V, N.&ordm; 18, setembro-dezembro de 2003, p. 45).</p>     <p><Sup><a name="17"></a><a href="#top17">17</a></Sup> Afirma Hans Kochler: &laquo;the noble idea of international criminal justice, administered by the ICC as a permanent institution, has been compromised from the outset and in two basic respects: Since the Court, per se, can only exercise jurisdiction vis-&agrave;-vis citizens of states that have ratified the Rome statute or persons who are suspected of having committed crimes on the territory of those states, the Court is structurally condemned to practice selective justice (...) This predicament is aggravated even further by two provisions in the Rome Statute that completely undermine the independence of the Court from (power) politics, domestic as well as international. Although the Court is not in any way part of the United Nations system &ndash; it is an independent entity created by intergovernmental treaty &ndash;, Arts. 13(b) and 16 of its Statute tie it to the United Nations Security Council in a manner that renders the fundamental principle of the separation of powers entirely meaningless and makes the Court vulnerable to political interference at any moment. It is to be noted that both provisions require the Council&rsquo;s action under Chapter vii of the un Charter which sets out that body&rsquo;s coercive powers&raquo; (KOCHLER, Hans &ndash; &laquo;Global justice or global revenge? The ICC and the politicization of international criminal justice&raquo;. In <i>International Progress Organization Online Papers</i>. 2009, pp 2-4).</p>     <p><Sup><a name="18"></a><a href="#top18">18</a></Sup> Cf. ZIMMERMANN, Andreas &ndash; &laquo;The creation of a permanent international criminal court&raquo;. In <i>Max Plank Yearbook of United Nations Law</i>. Vol. 2, 1998, p. 231.</p>     <p><Sup><a name="19"></a><a href="#top19">19</a></Sup> O crime de genoc&iacute;dio s&oacute; se tornou independente dos crimes contra a humanidade com a Conven&ccedil;&atilde;o para a Preven&ccedil;&atilde;o e Repress&atilde;o do Crime de Genoc&iacute;dio de 1948; os crimes contra a humanidade foram tipificados pela primeira vez na Carta do Tribunal de Nuremberga e o conceito de crime de guerra surgiu ap&oacute;s o fim da Primeira Guerra Mundial, no Tratado de Versalhes. Estabelece-se no Estatuto de Roma a imprescritibilidade de tais crimes (artigo 29.&ordm;).</p>     <p><Sup><a name="20"></a><a href="#top20">20</a></Sup> &laquo;(t)he recognitions in Articles 5, 10, and 22 are important with respect to the reach of ICC jurisdiction over crimes against humanity and war crimes because the definitions or lists within the Rome Statue concerning such crimes are facially incomplete. Additionally, with respect to crimes against humanity set forth in Article 7, the first paragraph in Article 7 uses the limiting phrase &lsquo;(f)or the purpose of this Statute, &lsquo;crime against humanity&rsquo; means.&rsquo; This phrase necessarily implies recognition of the fact that other definitional orientations under international law exist and that they are not fully reflected in Article 7 of the Statute. The same limiting phrase appears in Article 8, paragraph 2 with respect to an otherwise lengthy list of war crimes covered under the Rome Statute,9 thereby providing the same recognition concerning war crimes reflected in the Statute&raquo; (PAUST, Jordan J. &ndash; &laquo;The international criminal court does not have complete jurisdiction over customary crimes against humanity and war crimes&raquo;. In <i>John Marshall Law Review</i>. Vol. 43, 2010, p. 682).</p>     <p><Sup><a name="21"></a><a href="#top21">21</a></Sup> Ibidem.</p>     <p><Sup><a name="22"></a><a href="#top22">22</a></Sup> Cf. ESCARAMEIA, Paula &ndash; &laquo;Prel&uacute;dios de uma Nova Ordem Mundial: o Tribunal Penal Internacional&raquo;. In <i>Revista Na&ccedil;&atilde;o e Defesa</i>. N.&ordm; 104, 2.&ordf; s&eacute;rie, 2003, p. 25.</p>     <p><Sup><a name="23"></a><a href="#top23">23</a></Sup> Ibidem, pp. 25-26: &laquo;esta prote&ccedil;&atilde;o &eacute; decididamente refor&ccedil;ada pela aus&ecirc;ncia de quaisquer imunidades baseadas na qualidade oficial do autor dos crimes em causa (&hellip;) Este pendor para a prote&ccedil;&atilde;o do indiv&iacute;duo revela-se ainda em campos mais inovadores, como sejam a possibilidade que o Procurador tem, segundo o art.15&ordm; do Estatuto, para <i>motu proprio</i>, intentar uma a&ccedil;&atilde;o junto do Tribunal, tendo recebido informa&ccedil;&otilde;es sobre o caso em quest&atilde;o de qualquer entidade, inclusive uma organiza&ccedil;&atilde;o n&atilde;o governamental.&raquo;</p>     <p><Sup><a name="24"></a><a href="#top24">24</a></Sup> Assim, Hyeran Jo e Beth A. Simmons: &laquo;The International Criminal Court (ICC) provides a challenging opportunity to probe the possibilities for international law to reduce human suffering in inter- and intrasstate conflict. The Court has jurisdiction in a domain where military and strategic logic generally prevails, though it does not have its own police force and must instead rely on domestic law enforcement or third parties to arrest people charged with crimes under its jurisdiction. The ICC&rsquo;s task is inherently difficult: it can prosecute state agents, including heads of state, as well as non-state actors such as rebel group leaders over whom international institutions traditionally have scant authority.&raquo; (JO, Hyeran, e SIMMONS, Beth A. &ndash; &laquo;Can the International Criminal Court deter atrocity?&raquo;. In <i>Faculty Scholarship</i>. Paper 1686, p. 3). No mesmo sentido, Matthias Goldmann afirma que &laquo;the ICC needs to rely on the cooperation of states, in particular its states parties, as it has no police force of its own which could execute its orders, collect evidence, or arrest suspected persons&raquo; (GOLDMANN, Matthias &ndash; &laquo;Implementing the Rome Statute in Europe: from sovereign distinction to convergence in international criminal law?&raquo;. In KLABBERS, Jan, e CREUTZ, Katja (eds.) &ndash; <i>Finnish Yearbook of International Law</i>. Vol. 16, 2005-2008, p. 8).</p>     <p><Sup><a name="25"></a><a href="#top25">25</a></Sup> Para a totalidade dos argumentos avan&ccedil;ados pela &Aacute;frica do Sul, veja-se a &laquo;Declara&ccedil;&atilde;o da Rep&uacute;blica da &Aacute;frica do Sul sobre a decis&atilde;o de se retirar do Estatuto de Roma do Tribunal Penal Internacional&raquo;. (Consultado em: 31 de mar&ccedil;o de 2017). Dispon&iacute;vel em: <a href="https://treaties.un.org/doc/Publication/CN/2016/CN.786.2016-Eng.pdf" target="_blank" rel="noopener">https://treaties.un.org/doc/Publication/CN/2016/CN.786.2016-Eng.pdf</a>.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><Sup><a name="26"></a><a href="#top26">26</a></Sup> Cf. WADDELL, Nicholas, e CLARK, Phil &ndash; <i>Courting Conflict? Justice, Peace and the ICC in Africa.</i> The Royal African Society, 2008; ARIEFF, Alexis, MARGESSON, Rhoda, e BROWNE, Marjorie Ann &ndash; <i>International Criminal Court Cases in Africa: Status and Policy Issues</i>. Diane Publishing, 2010; KEPPLER, Elise &ndash; &laquo;Managing setbacks for the International Criminal Court in Africa&raquo;. In <i>Journal of African Law</i>. Vol. 56, N.&ordm; 1, 2012, pp. 1-14; GUERREIRO, Alexandre &ndash; <i>A Resist&ecirc;ncia dos Estados Africanos &agrave; Jurisdi&ccedil;&atilde;o do Tribunal Penal Internacional.</i> Coimbra: Almedina, 2012; TELES, Patr&iacute;cia Galv&atilde;o &ndash; &laquo;The International Criminal Court and the evolution of the idea of combating impunity&raquo;.</p>     <p><Sup><a name="27"></a><a href="#top27">27</a></Sup> Cf. United Nations University Center for Policy Research &ndash; &laquo;The UN in the Era of Trump&raquo;. (Consultado em: 31 de janeiro de 2017). Dispon&iacute;vel em <a href="https://cpr.unu.edu/the-un-in-the-era-of-trump.html" target="_blank" rel="noopener">https://cpr.unu.edu/the-un-in-the-era-of-trump.html</a>.</p>     <p><Sup><a name="28"></a><a href="#top28">28</a></Sup> Numa comunica&ccedil;&atilde;o recebida em 30 de novembro de 2016, o Governo da Federa&ccedil;&atilde;o Russa informou o secret&aacute;rio-geral do seguinte: &laquo;Tenho a honra de informar Vossa Excel&ecirc;ncia sobre a inten&ccedil;&atilde;o da Federa&ccedil;&atilde;o da R&uacute;ssia de n&atilde;o aderir ao Estatuto de Roma do Tribunal Penal Internacional, adotado em Roma em 17 de julho de 1998 e assinado em nome da Federa&ccedil;&atilde;o da R&uacute;ssia em 13 de setembro de 2000. Gostaria, senhor secret&aacute;rio-geral, que considerasse este instrumento como uma notifica&ccedil;&atilde;o oficial da Federa&ccedil;&atilde;o Russa de acordo com o par&aacute;grafo (a) do artigo 18 da Conven&ccedil;&atilde;o de Viena sobre o Direito dos Tratados de 1969.&raquo; (Cf. <a href="https://treaties.un.org/pages/ViewDetails.aspx?src=%20TREATY&amp;mtdsg_no=XVIII-10&amp;chapter=18&amp;clang=_en" target="_blank" rel="noopener">https://treaties.un.org/pages/ViewDetails.aspx?src=</a><a href="https://treaties.un.org/pages/ViewDetails.aspx?src=%20TREATY&amp;mtdsg_no=XVIII-10&amp;chapter=18&amp;clang=_en" target="_blank" rel="noopener"> TREATY&amp;mtdsg_no=XVIII-10&amp;chapter=18&amp;clang=_en</a>. (Consultado em: 31 de mar&ccedil;o de 2017)).</p>     <p><Sup><a name="29"></a><a href="#top29">29</a></Sup> Numa comunica&ccedil;&atilde;o recebida em 6 de maio de 2002, o Governo dos Estados Unidos informou o secret&aacute;rio-geral do seguinte: &laquo;Informamos, no &acirc;mbito do Estatuto de Roma do Tribunal Penal Internacional adotado em 17 de julho de 1998, que os Estados Unidos n&atilde;o pretendem tornar-se parte do tratado e, portanto, os Estados Unidos n&atilde;o t&ecirc;m obriga&ccedil;&otilde;es legais decorrentes da sua assinatura em 31 de dezembro de 2000. Os Estados Unidos pedem que sua inten&ccedil;&atilde;o de n&atilde;o se tornar parte, como indicado na presente carta, seja refletida nas listas de status de deposit&aacute;rio relativas a este tratado.&raquo; (Cf. <a href="https://treaties.un.org/pages/ViewDetails.aspx?src=TREATY&amp;mtdsg_no=XVIII-10&amp;chapter=18&amp;clang=_en" target="_blank" rel="noopener">https://treaties.un.org/pages/ViewDetails.aspx?src=TREATY&amp;mtdsg_no=XVIII-10&amp;chapter=18&amp;clang=_en</a> (Consultado em: 31 de mar&ccedil;o de 2017)).</p>     <p><Sup><a name="30"></a><a href="#top30">30</a></Sup> Legalmente, o ato de &laquo;retirar a assinatura&raquo; de um tratado n&atilde;o existe. O que a R&uacute;ssia e os Estados Unidos fizeram foi comunicar a sua inten&ccedil;&atilde;o de n&atilde;o se tornarem parte no Estatuto de Roma, a fim de evitar as obriga&ccedil;&otilde;es de boa-f&eacute; decorrentes da assinatura, como previsto no artigo 18 da Conven&ccedil;&atilde;o de Viena sobre o Direito dos Tratados de 1969.</p>     <p><Sup><a name="31"></a><a href="#top31">31</a></Sup> Cf. <a href="http://legal.un.org/ola/media/info_from_lc/mss/speeches/MSS-ILC-statement17-May2016-EN-FR.pdf" target="_blank" rel="noopener">http://legal.un.org/ola/media/info_from_lc/mss/speeches/MSS-ILC-statement17-May2016-EN-FR.pdf</a> (Consultado em: 31 de mar&ccedil;o de 2017).</p>     <p><Sup><a name="32"></a><a href="#top32">32</a></Sup> Cf. <a href="https://www.un.org/press/en/2016/ga11880.doc.htm;%20e http://mobile.reuters.com/article/idUSKBN14A2H7?il=0" target="_blank" rel="noopener">https://www.un.org/press/en/2016/ga11880.doc.htm; e http://mobile.reuters.com/article/idUSKBN14A2H7?il=0</a> (Consultados em: 31 de mar&ccedil;o de 2017).</p>     <p><Sup><a name="33"></a><a href="#top33">33</a></Sup> MENDES, Errol &ndash; <i>Peace and Justice at the International Criminal Court: A Court of last resort.</i> Elgar, 2010.</p>     <p><Sup><a name="34"></a><a href="#top34">34</a></Sup> JACKSON, Miles &ndash; &laquo;Regional complementarity: the Rome Statute and public international law&raquo;. In <i>Journal of International Criminal Justice.</i> Vol. 14, N.&ordm; 5, 2016--2017, pp. 1061-1072.</p>     <p><Sup><a name="35"></a><a href="#top35">35</a></Sup> Relativamente a este assunto, veja-se AMNESTY INTERNATIONAL &ndash; Malabo Protocol &ndash; Legal and institutional implications of the merged and expanded African Court, 2016. Dispon&iacute;vel em: <a href="https://www.amnesty.org/en/documents/afr01/3063/2016/en/" target="_blank" rel="noopener">https://www.amnesty.org/en/documents/afr01/3063/2016/en/</a>.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><Sup><a name="36"></a><a href="#top36">36</a></Sup> Vejam-se, entre outros, <a href="http://kptj.africog.org/wp-content/uploads/2016/11/Malabo-Report.pdf" target="_blank" rel="noopener">http://kptj.africog.org/wp-content/uploads/2016/11/Malabo-Report.pdf</a>; e <a href="http://www.ejiltalk.org/a-case-of-negative-regional-complementarity-giving-the-african-court-of-justice-and-human-rights-jurisdiction-over-international-crimes/" target="_blank" rel="noopener">http://www.ejiltalk.org/a-case-of-negative-regional-complementarity-giving-the-african-court-of-justice-and-human-rights-jurisdiction-over-international-crimes/</a>. (Consultados em: 31 de janeiro de 2017).</p>     <p><Sup><a name="37"></a><a href="#top37">37</a></Sup> Cf., entre outros, &laquo;Declaratory statement by the Republic of South Africa on the decision to withdraw from the Rome Statute of the International Criminal Court&raquo;. (Consultado em: 31 de mar&ccedil;o de 2017). Dispon&iacute;vel em: <a href="https://treaties.un.org/doc/Publication/CN/2016/CN.786.2016-Eng.pdf" target="_blank" rel="noopener">https://treaties.un.org/doc/Publication/CN/2016/CN.786.2016-Eng.pdf</a>.</p>     <p><Sup><a name="38"></a><a href="#top38">38</a></Sup> &laquo;1.&nbsp;O presente Estatuto aplica-se igualmente a todas as pessoas sem qualquer distin&ccedil;&atilde;o baseada na capacidade oficial (&hellip;). 2. As imunidades ou regras processuais especiais que possam ser atribu&iacute;das &agrave; capacidade oficial de uma pessoa, quer por for&ccedil;a do direito nacional ou internacional, n&atilde;o impedem o Tribunal de exercer a sua jurisdi&ccedil;&atilde;o sobre essa pessoa.&raquo;</p>     <p><Sup><a name="39"></a><a href="#top39">39</a></Sup> &laquo;1. O Tribunal n&atilde;o pode fazer um pedido de entrega ou de assist&ecirc;ncia que imponha ao estado requerido uma atua&ccedil;&atilde;o incompat&iacute;vel com as suas obriga&ccedil;&otilde;es por for&ccedil;a do direito internacional em rela&ccedil;&atilde;o ao estado ou &agrave; imunidade diplom&aacute;tica de uma pessoa ou de bens de um estado terceiro, a menos que o Tribunal obtenha primeiro a coopera&ccedil;&atilde;o desse estado terceiro para a ren&uacute;ncia &agrave; imunidade. 2. O Tribunal n&atilde;o pode fazer um pedido de entrega que obrigue o estado requerido a agir de forma incompat&iacute;vel com as suas obriga&ccedil;&otilde;es por for&ccedil;a de acordos internacionais nos termos dos quais o consentimento do estado que envia &eacute; exigido antes de entregar uma pessoa desse estado ao Tribunal, a menos que o Tribunal tenha primeiro obtido a coopera&ccedil;&atilde;o do Estado que envia relativamente ao consentimento sobre a entrega.&raquo;</p>     <p><Sup><a name="40"></a><a href="#top40">40</a></Sup> Cf. Decis&otilde;es sobre o Malawi (ICC-02/05-01/09-139-Corr&nbsp;de 13 de dezembro de 2011), Chade (ICC-02/05-01/09-151&nbsp;de 26 de mar&ccedil;o de 2013) e &Aacute;frica do Sul (ICC-02/05-01/09-242 de 13 de junho de 2015).</p>     <p><Sup><a name="41"></a><a href="#top41">41</a></Sup> Cf., entre outras, as discuss&otilde;es sobre esta mat&eacute;ria em: AKANDE, Dapo &ndash; &laquo;International law immunities and the International Criminal Court&raquo;. In <i>American Journal of International Law. </i>Vol. 98, N.&ordm; 3, 2004, pp. 407-433; GAETA, Paola &ndash; &laquo;Does President Al Bashir enjoy immunity from arrest?&raquo;. In <i>Journal of International Criminal Justice</i>. Vol. 7, N.&ordm; 2, 2009, pp. 315-332; JALLOH, Charles Chernor &ndash; &laquo;Reflections on the indictment of sitting Heads of State and government and its consequences for peace and stability and reconciliation in Africa&raquo;. In <i>African Journal of Legal Studies</i>. Vol. 7, N.&ordm; 1, pp. 43-59.</p>     <p><Sup><a name="42"></a><a href="#top42">42</a></Sup> Cf. <a href="http://www.ejiltalk.org/an-international-court-of-justice-advisory-opinion-on-the-ICC-head-of-state-immunity-issue/" target="_blank" rel="noopener">http://www.ejiltalk.org/an-international-court-of-justice-advisory-opinion-on-the-ICC-head-of-state-immunity-issue/</a>; e <a href="http://au.int/en/sites/default/files/decisions/9651-assembly_au_dec_416-449_xix_e_final.pdf" target="_blank" rel="noopener">http://au.int/en/sites/default/files/decisions/9651-assembly_au_dec_416-449_xix_e_final.pdf</a>. (Consultados em: 31 de mar&ccedil;o de 2017).</p>     <p><Sup><a name="43"></a><a href="#top43">43</a></Sup> Veja-se BARRIGA, Stefan, e KRE&szlig;, Claus &ndash; <i>The Travaux Pr&eacute;paratoires of the Crime of Aggression</i>. Cambridge University Press, 2012.</p>     <p><Sup><a name="44"></a><a href="#top44">44</a></Sup> Veja-se KRE&szlig;, Claus, e HOLTZENDORFF, Leonie Von &ndash; &laquo;The Kampala compromise on the crime of aggression&raquo;. In <i>Journal of International Criminal Justice</i>. Vol. 8, N.&ordm; 5, 2010, pp. 1179-1217, e BARRIGA, Stefan, e GROVER, Leena &ndash; &laquo;A historic breakthrough on the crime of aggression&raquo;. In <i>American Journal of International Law</i>. Vol. 105, N.&ordm; 3, 2011, pp. 517-533.</p>     <p><Sup><a name="45"></a><a href="#top45">45</a></Sup> <a href="http://blog.oup.com/2015/11/three-challenges-international-criminal-court/" target="_blank" rel="noopener">http://blog.oup.com/2015/11/three-challenges-international-criminal-court/</a>. (Consultado em: 31 de mar&ccedil;o de 2017).</p>     ]]></body>
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