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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[O sistema normativo africano de direitos humanos]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[The present analysis addresses the inefficiency and inefficacy of African national and regional jurisdictions in the promotion and protection of human rights, both in national constitutions and in regional documents and jurisdictions, such as the African Charter on Human and Peoples' Rights and the African Court on Human and Peoples' Rights. The result of the above-mentioned inefficiency is the overall disrespect for human rights in Africa and the growth of a culture of impunity and silence. The ensuing action of the International Criminal Court (ICC) in the continent has led to a confrontation with some African governments which, within the framework of the African Union, challenge the autonomy and universality of the ICC.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p style="text-align: right;"><b>O TRIBUNAL PENAL INTERNACIONAL EM ÁFRICA</b></p>     <p><strong>O sistema normativo africano de direitos humanos</strong></p>     <p><strong>The African normative system of human rights</strong></p>     <p><strong>&nbsp;</strong></p>     <p><strong>Mbuyi Kabunda</strong></p>     <p>Professor de Rela&ccedil;&otilde;es Internacionais e Direitos Humanos na Universidade Aut&oacute;noma de Madrid. Doutorado em Ci&ecirc;ncia Pol&iacute;tica pela Universidade Complutense de Madrid. Atualmente dirige o Observat&oacute;rio de Estudos sobre a Realidade Social Africana da Universidade Aut&oacute;noma de Madrid. &Eacute; especialista em quest&otilde;es de integra&ccedil;&atilde;o regional, desenvolvimento, direitos humanos e conflitos em &Aacute;frica.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><strong>RESUMO</strong></p>     <p>Esta an&aacute;lise debru&ccedil;a-se sobre a inefici&ecirc;ncia e a inefic&aacute;cia das jurisdi&ccedil;&otilde;es nacionais e regionais de &Aacute;frica na promo&ccedil;&atilde;o e na prote&ccedil;&atilde;o dos direitos humanos, reveladas nas constitui&ccedil;&otilde;es nacionais e nos documentos e jurisdi&ccedil;&otilde;es regionais, como a Carta Africana dos Direitos Humanos e dos Povos e o Tribunal Africano dos Direitos Humanos e dos Povos. Daqui resulta a aus&ecirc;ncia generalizada de respeito pelos direitos humanos, e a extens&atilde;o da cultura da impunidade e do sil&ecirc;ncio no continente. A consequente atua&ccedil;&atilde;o do Tribunal Penal Internacional em &Aacute;frica provoca um confronto com alguns governos que, no seio da Uni&atilde;o Africana, questionam a sua autonomia e universalidade.</p>     <p><strong>Palavras-chave:</strong> Direitos humanos, desenvolvimento, justi&ccedil;a dos vencedores, solu&ccedil;&otilde;es africanas.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><strong>ABSTRACT</strong></p>     <p>The present analysis addresses the inefficiency and inefficacy of African national and regional jurisdictions in the promotion and protection of human rights, both in national constitutions and in regional documents and jurisdictions, such as the African Charter on Human and Peoples&rsquo; Rights and the African Court on Human and Peoples&rsquo; Rights. The result of the above-mentioned inefficiency is the overall disrespect for human rights in Africa and the growth of a culture of impunity and silence. The ensuing action of the International Criminal Court (ICC) in the continent has led to a confrontation with some African governments which, within the framework of the African Union, challenge the autonomy and universality of the ICC.</p>     <p><strong>Keywords:</strong> Human rights, development, justice of the victors, African solutions.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><strong>INTRODU&Ccedil;&Atilde;O</strong></p>     <p>Os direitos humanos est&atilde;o definidos nas constitui&ccedil;&otilde;es africanas e na Carta Africana dos Direitos Humanos e dos Povos (a partir daqui a Carta Africana ou a Carta). De igual modo, os tribunais penais das associa&ccedil;&otilde;es regionais africanas (a Comunidade Econ&oacute;mica de Estados da &Aacute;frica Ocidental &ndash; CEDEAO/ECOWAS, a Comunidade de Estados da &Aacute;frica Central &ndash; CEEAC, a Comunidade para o Desenvolvimento da &Aacute;frica Austral &ndash; SADC, e a Comunidade Econ&oacute;mica da &Aacute;frica Oriental &ndash; EAC) adotaram as suas defini&ccedil;&otilde;es de direitos humanos. Apesar disso, os direitos humanos s&atilde;o muito pouco observados e escassamente respeitados pelos governos africanos. A ades&atilde;o a protocolos e declara&ccedil;&otilde;es para a preven&ccedil;&atilde;o e repress&atilde;o dos crimes contra a humanidade, de guerra, de genoc&iacute;dio e de toda a forma de discrimina&ccedil;&atilde;o, como o pacto assinado em 2006 entre os pa&iacute;ses da regi&atilde;o dos Grandes Lagos, revela-se, assim, inoperante.</p>     <p>O continente caracteriza-se pelas graves e repetidas viola&ccedil;&otilde;es de direitos humanos. O pr&oacute;prio per&iacute;odo atual de democratiza&ccedil;&atilde;o continua a registar viola&ccedil;&otilde;es. Os mecanismos e documentos acima mencionados, apesar de significarem passos importantes na promo&ccedil;&atilde;o e prote&ccedil;&atilde;o dos direitos humanos, enfermam de imperfei&ccedil;&otilde;es e inefici&ecirc;ncias relevantes e enfrentam a renit&ecirc;ncia, e at&eacute; a resist&ecirc;ncia, dos estados, agarrados &agrave; soberania nacional (e ao princ&iacute;pio da supremacia da soberania) e opostos &agrave; institui&ccedil;&atilde;o de mecanismos legais intergovernamentais. Esta esp&eacute;cie de paralisia jur&iacute;dica tem uma influ&ecirc;ncia negativa no respeito pelos direitos humanos dos indiv&iacute;duos e dos povos. Aos demandantes exige-se o esgotamento pr&eacute;vio de todas as inst&acirc;ncias internas ou nacionais antes do recurso para o tribunal regional inoperante; o mesmo &eacute; dizer que se consagra a impunidade.</p>     <p>Afigura-se imprescind&iacute;vel, portanto, destacar as principais caracter&iacute;sticas dos sistemas normativos africanos de direitos humanos para compreender o presente conflito entre o Tribunal Penal Internacional (TPI) e a Uni&atilde;o Africana (UA), ou alguns governos africanos, com o objetivo de apurar at&eacute; onde chega a verdade e a partir de onde come&ccedil;a a intoxica&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><strong>AS CONSTITUI&Ccedil;&Otilde;ES AFRICANAS E OS DIREITOS HUMANOS</strong></p>     <p>De modo global, as constitui&ccedil;&otilde;es africanas s&atilde;o meramente decorativas. Nelas, os direitos s&atilde;o mais formais que reais, e s&atilde;o sistematicamente ignorados nos seus pontos essenciais &ndash; em particular os que se referem aos direitos humanos<sup><a href="#1">1</a></sup><a name="top1"></a>. Estas leis fundamentais sofrem da falta de separa&ccedil;&atilde;o de poderes e dos frequentes golpes de Estado constitucionais (atrav&eacute;s das emendas) e institucionais desferidos pelos poderes estabelecidos.</p>     <p>Importa notar que as constitui&ccedil;&otilde;es africanas incorporaram relevantes disposi&ccedil;&otilde;es acerca dos direitos humanos; s&oacute; n&atilde;o s&atilde;o aplicadas. Neste per&iacute;odo de democratiza&ccedil;&atilde;o iniciado nos finais da d&eacute;cada de 1980 e princ&iacute;pios da d&eacute;cada de 1990, apesar de enunciarem e consagrarem direitos individuais e coletivos, assinalando uma ades&atilde;o &agrave;s declara&ccedil;&otilde;es de 1789 e/ou de 1948, as leis fundamentais nacionais t&ecirc;m sido repetidamente violadas ou ignoradas, como continuam a denunciar as ONG de direitos humanos (Amnistia Internacional, Human Rights Watch, Ligue pour la Promotion des Droits de l&rsquo;Homme, International Crisis Group&hellip;). A situa&ccedil;&atilde;o prevalece neste per&iacute;odo de liberalismo e de pluralismo pol&iacute;tico, marcado por um regresso ao &laquo;mimetismo constitucional&raquo;<sup><a href="#2">2</a></sup><a name="top2"></a> com a reprodu&ccedil;&atilde;o dos modelos constitucionais das metr&oacute;poles (Gr&atilde;-Bretanha, Fran&ccedil;a e Estados Unidos), e em particular do modelo franc&ecirc;s de 1958 e suas posteriores adapta&ccedil;&otilde;es<sup><a href="#3">3</a></sup><a name="top3"></a>.</p>     <p>Neste contexto nasceu a Carta Africana, tamb&eacute;m chamada Carta de Banjul, adotada pela cimeira de chefes de Estado e de governo da Organiza&ccedil;&atilde;o da Unidade Africana (OUA) em 1981, em Nairobi, e que entrou em vigor em 1986, ap&oacute;s ratifica&ccedil;&atilde;o por mais de metade dos estados do continente. Perante a deficiente ou a completa falta de prote&ccedil;&atilde;o dos direitos humanos a n&iacute;vel nacional, a Carta Africana encarregou-se da prote&ccedil;&atilde;o a n&iacute;vel interafricano.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><strong>A CARTA AFRICANA E OS DIREITOS HUMANOS EM &Aacute;FRICA</strong></p>     <p>A Carta Africana &eacute; uma adapta&ccedil;&atilde;o dos textos internacionais de direitos humanos e dos povos a realidades e tradi&ccedil;&otilde;es africanas, insistindo no grupo e no social. N&atilde;o dissocia os direitos humanos dos direitos dos povos<sup><a href="#4">4</a></sup><a name="top4"></a>. Protege a pessoa, simultaneamente, como indiv&iacute;duo e como integrante de um povo ou grupo determinados.</p>     <p>Mas a Carta Africana, que reconhece ao indiv&iacute;duo e aos povos importantes direitos (direitos civis, pol&iacute;ticos, econ&oacute;micos, sociais e culturais &ndash; artigos 3.&ordm; a 17.&ordm; &ndash; ao primeiro; direitos &agrave; igualdade, &agrave; exist&ecirc;ncia, a receber ajuda na sua luta pela liberta&ccedil;&atilde;o da domina&ccedil;&atilde;o estrangeira, &agrave; livre disposi&ccedil;&atilde;o das suas riquezas e recursos naturais, &agrave; paz e &agrave; seguran&ccedil;a, e ao desenvolvimento ou aos chamados &laquo;direitos de terceira gera&ccedil;&atilde;o&raquo; &ndash; artigos 19.&ordm; a 24.&ordm; &ndash; aos segundos), imp&otilde;em-lhes tamb&eacute;m um certo n&uacute;mero de deveres.</p>     <p>Recomenda ao Estado, em nome dos povos, o dever de assegurar, &laquo;separadamente ou em coopera&ccedil;&atilde;o, o exerc&iacute;cio do direito ao desenvolvimento&raquo; (artigo 22.&ordm;, al. 2), de promover e assegurar, atrav&eacute;s do ensino, da educa&ccedil;&atilde;o e da difus&atilde;o, o respeito pelos direitos e liberdades contidos na Carta (artigo 25.&ordm;), e o dever de garantir a independ&ecirc;ncia dos tribunais (artigo 26.&ordm;).</p>     <p>O indiv&iacute;duo tem deveres para com a fam&iacute;lia e a sociedade, para com o Estado e as coletividades legalmente reconhecidas e para com a comunidade internacional (artigo 27.&ordm;). O indiv&iacute;duo tem o dever de n&atilde;o comprometer a seguran&ccedil;a do Estado de que &eacute; natural ou residente (artigo 29.&ordm;). E, por &uacute;ltimo, tem o dever de contribuir para a promo&ccedil;&atilde;o e a realiza&ccedil;&atilde;o da unidade africana (artigo 30.&ordm;).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Com o objetivo de assegurar a prote&ccedil;&atilde;o e a promo&ccedil;&atilde;o dos direitos e liberdades nela contidos, assim como o respeito pelos seus deveres, a Carta criou no seio da OUA/UA uma Comiss&atilde;o dos Direitos Humanos e dos Povos (a partir daqui Comiss&atilde;o Africana ou a Comiss&atilde;o), definida no artigo 30.&ordm; como o &oacute;rg&atilde;o &laquo;encarregado de promover os direitos humanos e dos povos e de assegurar a sua prote&ccedil;&atilde;o em &Aacute;frica&raquo;.</p>     <p>Ao mesmo tempo, o artigo 45.&ordm; d&aacute; &agrave; Comiss&atilde;o outras miss&otilde;es importantes, convertendo-a num &oacute;rg&atilde;o de controlo, investiga&ccedil;&atilde;o e concilia&ccedil;&atilde;o, dotado de tr&ecirc;s tipos de compet&ecirc;ncias<sup><a href="#5">5</a></sup><a name="top5"></a>: 1) a compet&ecirc;ncia <em>ratione personae</em> &ndash; um Estado-Membro pode apelar diretamente para a Comiss&atilde;o. O artigo 49.&ordm; estipula que quando um &laquo;Estado-Membro&hellip; estima que outro Estado&hellip; violou a Carta, pode apelar diretamente &agrave; Comiss&atilde;o&raquo;, estabelecendo deste modo uma garantia coletiva dos direitos humanos em &Aacute;frica; 2) a compet&ecirc;ncia <em>ratione materiae</em> &ndash; a Comiss&atilde;o pode ter conhecimento de uma viola&ccedil;&atilde;o das disposi&ccedil;&otilde;es da Carta, no caso em que um Estado-Membro estima que outro Estado igualmente membro seja seu autor; e 3) a compet&ecirc;ncia <em>ratione temporis</em> &ndash; a Comiss&atilde;o &eacute; s&oacute; competente para os factos posteriores &agrave; entrada em vigor da Carta (1986). Ou seja, tudo o que foi feito por um Estado-Membro antes da data de entrada em vigor da Carta escapa &agrave; sua al&ccedil;ada.</p>     <p>Na Carta existe um sil&ecirc;ncio total sobre a compet&ecirc;ncia <em>ratione loci</em> da Comiss&atilde;o. Ignora-se se &eacute; competente para conhecer oficialmente os acontecimentos que se desenrolam em todo ou em parte do territ&oacute;rio nacional dos estados-membros.</p>     <p>As comunica&ccedil;&otilde;es ou peti&ccedil;&otilde;es &agrave; Comiss&atilde;o procedentes dos estados-membros (depois de esgotados previamente os recursos internos) ou dos estados n&atilde;o membros (depois de uma s&eacute;rie de condi&ccedil;&otilde;es de dif&iacute;cil satisfa&ccedil;&atilde;o), s&atilde;o examinadas minuciosamente ap&oacute;s o cumprimento das condi&ccedil;&otilde;es de admissibilidade fixadas pelos artigos 51.&ordm; e 56.&ordm; da Carta. A Comiss&atilde;o procede ent&atilde;o &agrave; instru&ccedil;&atilde;o (fun&ccedil;&atilde;o judicial &ndash; artigos 46.&ordm; e 51.&ordm;), &agrave; busca de um acordo amig&aacute;vel (fun&ccedil;&atilde;o de concilia&ccedil;&atilde;o &ndash; artigo 48.&ordm;) ou &agrave; reda&ccedil;&atilde;o de um relat&oacute;rio (fun&ccedil;&atilde;o quasi-judicial &ndash; artigo 52.&ordm;), que pode ser publicado pelo presidente da Comiss&atilde;o, com a pr&eacute;via decis&atilde;o da Confer&ecirc;ncia de Chefes de Estado e de Governo da OUA (atualmente a Confer&ecirc;ncia da Uni&atilde;o).</p>     <p>Na Carta destacam-se grandes debilidades e car&ecirc;ncias. Em primeiro lugar est&aacute; a dificuldade de interpreta&ccedil;&atilde;o e defini&ccedil;&atilde;o de numerosos deveres e direitos, enumerados frequentemente numa total imprecis&atilde;o de linguagem (povo, etnia, valores tradicionais positivos&hellip;). Depois, h&aacute; a grave limita&ccedil;&atilde;o de direitos sob a desculpa de circunst&acirc;ncias excecionais. Al&eacute;m disso, a Comiss&atilde;o Africana, institui&ccedil;&atilde;o mais pol&iacute;tica que jur&iacute;dica, torna a prote&ccedil;&atilde;o de direitos humanos ilus&oacute;ria, por estar submetida &agrave; vontade dos chefes de Estado e de governo, e por consagrar as media&ccedil;&otilde;es e concilia&ccedil;&otilde;es em detrimento da aplica&ccedil;&atilde;o da lei. H&aacute; ainda a men&ccedil;&atilde;o de &laquo;direitos de terceira gera&ccedil;&atilde;o&raquo;, ou seja, a submiss&atilde;o dos direitos humanos aos problemas econ&oacute;micos e pol&iacute;ticos. (Diga-se, de passagem, que os &laquo;direitos de terceira gera&ccedil;&atilde;o&raquo;, aos quais se d&aacute; a m&aacute;xima prioridade, s&atilde;o dificilmente realiz&aacute;veis, por o Estado africano n&atilde;o dispor de capacidades institucionais e tecnol&oacute;gicas, al&eacute;m do subdesenvolvimento e da instabilidade pol&iacute;tica cr&oacute;nicos). Por &uacute;ltimo, e como lamentam alguns autores<sup><a href="#6">6</a></sup><a name="top6"></a>, a Carta n&atilde;o menciona um direito fundamental &ndash; o direito sindical e &agrave; greve.</p>     <p>A Carta em si &eacute; uma concilia&ccedil;&atilde;o, ou um compromisso, entre duas conce&ccedil;&otilde;es: o individualismo da Declara&ccedil;&atilde;o de 1948, que liberta o indiv&iacute;duo da exclusiva domina&ccedil;&atilde;o do grupo, liberta&ccedil;&atilde;o considerada a chave do crescimento e desenvolvimento &laquo;&oacute;timo&raquo; da sociedade<sup><a href="#7">7</a></sup><a name="top7"></a>, e o comunitarismo africano, ou os valores socialistas e humanistas das sociedades africanas. Dito de outra maneira, &eacute; uma esp&eacute;cie de &laquo;socialismo individualista&raquo;<sup><a href="#8">8</a></sup><a name="top8"></a>, segundo a express&atilde;o do Professor Pougou&eacute;<sup><a href="#9">9</a></sup><a name="top9"></a>, com uma clara preemin&ecirc;ncia da comunidade sobre as liberdades individuais ou a primazia dos deveres sobre os direitos: deveres em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; fam&iacute;lia, aos estados, e &agrave; comunidade internacional. Ou seja, a submiss&atilde;o dos indiv&iacute;duos aos fins coletivos. Por um lado, as liberdades individuais desaparecem frente ao dever geral de sujei&ccedil;&atilde;o ao Estado e, por outro, a insist&ecirc;ncia nos deveres surge como uma nega&ccedil;&atilde;o do universalismo<sup><a href="#10">10</a></sup><a name="top10"></a>. Em definitivo, a conce&ccedil;&atilde;o africana de direitos humanos estrutura-se em torno de tr&ecirc;s eixos: a primazia do grupo ou da comunidade sobre o indiv&iacute;duo, o equil&iacute;brio entre os direitos e os deveres, e, na atualidade, o direito ao desenvolvimento.</p>     <p>Os princ&iacute;pios do respeito da soberania e da n&atilde;o inger&ecirc;ncia nos assuntos internos de cada Estado, consagrados na Carta da OUA e na da sua sucessora, a UA, enfraquecem significativamente a Carta Africana. V&ecirc;m acrescentar-se ao car&aacute;ter autorit&aacute;rio de muitos regimes destes pa&iacute;ses, j&aacute; confrontados com os eternos problemas de desenvolvimento econ&oacute;mico e de constru&ccedil;&atilde;o nacional.</p>     <p>Por compara&ccedil;&atilde;o com o sistema europeu e americano, a Carta Africana n&atilde;o disp&otilde;e de um mecanismo de coa&ccedil;&atilde;o. Para proteger os direitos humanos, a Carta prev&ecirc; a mencionada Comiss&atilde;o (artigo 30.&ordm;) como &uacute;nico mecanismo de controlo. Por&eacute;m, a Comiss&atilde;o n&atilde;o &eacute; um tribunal ou uma jurisdi&ccedil;&atilde;o, e n&atilde;o disp&otilde;e de liberdade de funcionamento porque depende dos estados e o seu pessoal &eacute; nomeado pelos chefes de Estado. &Eacute; um simples &laquo;centro de estudos e investiga&ccedil;&otilde;es sobre os direitos humanos&raquo;<sup><a href="#11">11</a></sup><a name="top11"></a>, que pode intervir apenas a pedido da maioria absoluta dos estados-membros, e n&atilde;o dos indiv&iacute;duos, e cujos relat&oacute;rios s&atilde;o somente publicados mediante a decis&atilde;o da Confer&ecirc;ncia de Chefes de Estado e de Governo, sempre solid&aacute;rios nas suas viola&ccedil;&otilde;es de direitos humanos.</p>     <p>Tudo isto explica a incapacidade da Carta Africana, como mecanismo jur&iacute;dico da prote&ccedil;&atilde;o africana dos direitos humanos, para impedir viola&ccedil;&otilde;es em grande escala destes direitos, como os genoc&iacute;dios, o &uacute;ltimo do s&eacute;culo XX no Ruanda e o primeiro do s&eacute;culo XXI no Darfur. As suas lacunas e desadequa&ccedil;&otilde;es constituem importantes obst&aacute;culos &agrave; promo&ccedil;&atilde;o e prote&ccedil;&atilde;o dos direitos humanos em &Aacute;frica. Na realidade, est&aacute; completamente impreparada para julgar os crimes internacionais.</p>     <p>De igual modo, quando os governos africanos adotaram, desde a d&eacute;cada de 1980, os programas de ajustamento estrutural do Banco Mundial e do Fundo Monet&aacute;rio Internacional, que retiraram ao Estado as suas fun&ccedil;&otilde;es econ&oacute;micas e sociais e favoreceram as privatiza&ccedil;&otilde;es, descuidando os aspetos de justi&ccedil;a social ou de desenvolvimento humano, os direitos humanos sa&iacute;ram ainda mais vulnerabilizados. Ao Estado foi confiado o papel de &laquo;pol&iacute;cia&raquo;, para impor a austeridade e a disciplina interna a povos j&aacute; muito empobrecidos.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><strong>O TRIBUNAL AFRICANO DOS DIREITOS HUMANOS E DOS POVOS E OS DIREITOS HUMANOS EM &Aacute;FRICA</strong></p>     <p>Elaborado em 9 de junho de 1998, o Protocolo do Tribunal Africano dos Direitos Humanos e dos Povos, adotado em Uagadugu em junho de 1998 pela Confer&ecirc;ncia de Chefes de Estado da OUA, entrou em vigor a 25 de janeiro de 2004, ap&oacute;s ratifica&ccedil;&atilde;o por 15 dos ent&atilde;o 53 estados-membros da UA. O Tribunal &eacute; complementar da Comiss&atilde;o na promo&ccedil;&atilde;o e prote&ccedil;&atilde;o dos direitos humanos (artigo 8.&ordm;). Apresenta algumas inova&ccedil;&otilde;es em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; Carta Africana, como a paridade absoluta de ambos os sexos na apresenta&ccedil;&atilde;o das candidaturas aos lugares de ju&iacute;zes pelos estados-membros (artigo 12.&ordm;), e a independ&ecirc;ncia e a imparcialidade destes &eacute; plenamente assegurada pelas disposi&ccedil;&otilde;es do direito internacional; as suas decis&otilde;es s&atilde;o definitivas ou vinculativas, salvo aviso contr&aacute;rio da Confer&ecirc;ncia de Chefes de Estado e de Governo (artigo 19.&ordm;, par&aacute;grafo 2, e artigo 28.&ordm;, par&aacute;grafo 2); e tem a possibilidade de proceder &agrave; investiga&ccedil;&atilde;o no caso de viola&ccedil;&otilde;es em massa dos direitos humanos e dos povos (artigo 26.&ordm;); e a faculdade de receber as comunica&ccedil;&otilde;es procedentes dos estados, das organiza&ccedil;&otilde;es n&atilde;o governamentais e dos indiv&iacute;duos. O acesso dos indiv&iacute;duos, precisamente, determinar&aacute; a credibilidade do Tribunal Africano.</p>     <p>Nas palavras de Mutoy Mubiala, o Tribunal resolver&aacute; uma importante lacuna na Carta Africana mediante a cria&ccedil;&atilde;o de um &oacute;rg&atilde;o com car&aacute;ter jurisdicional, pois &laquo;a pr&oacute;pria natureza do Tribunal e o car&aacute;ter vinculativo das suas decis&otilde;es colmatar&atilde;o as debilidades do processo de tomada de decis&otilde;es da Comiss&atilde;o. Este projeto de reforma constitui, por isso, um passo decisivo na prote&ccedil;&atilde;o internacional dos direitos humanos em &Aacute;frica&raquo;<sup><a href="#12">12</a></sup><a name="top12"></a>. O Tribunal vem fortalecer a Carta Africana, que continua a ser a pedra angular de todo o sistema normativo africano de direitos humanos. Todavia, na opini&atilde;o de Heyns<sup><a href="#13">13</a></sup><a name="top13"></a>, em vez de se proceder &agrave; prolifera&ccedil;&atilde;o de mecanismos (Carta Africana, Tribunal Africano, Tribunal de Justi&ccedil;a da UA) e tendo em conta a escassez de recursos e a dispers&atilde;o de esfor&ccedil;os, deveria fortalecer-se, em primeiro lugar, as disposi&ccedil;&otilde;es e o funcionamento da Carta Africana, e depois do Tribunal Africano, e n&atilde;o de ambos ao mesmo tempo. Corre-se o risco de que nenhum deles funcione com efic&aacute;cia.</p>     <p>De todas as formas, estamos longe do fim da cultura de impunidade e do nascimento de estados de direito em &Aacute;frica. O Tribunal tem importantes limita&ccedil;&otilde;es: compet&ecirc;ncias <em>ratione loci</em> (n&atilde;o pode julgar os crimes cometidos nos territ&oacute;rios dos estados n&atilde;o membros) e <em>ratione temporis</em> (n&atilde;o pode julgar os crimes sucedidos antes da sua entrada em vigor, janeiro de 2004).</p>     <p>No entanto, h&aacute; que real&ccedil;ar como positivo encontrarmo-nos perante um tribunal &agrave; escala regional para proteger direitos e liberdades das popula&ccedil;&otilde;es. Como afirma corretamente Badara Fall<sup><a href="#14">14</a></sup><a name="top14"></a>, a sua curta vida ainda n&atilde;o nos permite avaliar, de uma maneira objetiva, a capacidade para cumprir satisfatoriamente as fun&ccedil;&otilde;es de que o incumbem. Entretanto, os autores de crimes contra a humanidade, de guerra, de genoc&iacute;dio e de agress&atilde;o s&atilde;o julgados nos tribunais internacionais, fora do continente.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><strong>O CONFLITO ENTRE O TRIBUNAL PENAL INTERNACIONAL E A UNI&Atilde;O AFRICANA: &laquo;SOLU&Ccedil;&Otilde;ES AFRICANAS PARA OS PROBLEMAS AFRICANOS?&raquo;</strong></p>     <p>Perante a incapacidade das institui&ccedil;&otilde;es africanas para a luta contra a impunidade e para a prote&ccedil;&atilde;o &agrave;s v&iacute;timas, entregou-se &agrave; justi&ccedil;a penal internacional, inspirada nas leis de compet&ecirc;ncia universal, o julgamento e puni&ccedil;&atilde;o dos autores dos crimes mais graves do direito internacional, como o Tribunal Penal Internacional sobre o Ruanda &ndash; TPIR<sup><a href="#15">15</a></sup><a name="top15"></a> &ndash; ou o TPI &ndash;, adotado em Roma em 17 de julho de 1998 e em vigor desde 1 de julho de 2002. O TPI est&aacute; neste momento a instruir ou a julgar os crimes contra a humanidade, de genoc&iacute;dio, de guerra e de agress&atilde;o cometidos na Lib&eacute;ria-Serra Leoa, no Uganda, na parte oriental da Rep&uacute;blica Democr&aacute;tica do Congo, no Darfur, na Costa do Marfim e no Qu&eacute;nia, precisamente devido ao abandono ou &agrave; aus&ecirc;ncia de instrumentos e inst&acirc;ncias de controlo e garantia dos direitos humanos em &Aacute;frica.</p>     <p>Esta realidade desencadeou uma preocupante disputa entre o TPI e alguns estados da UA<sup><a href="#16">16</a></sup><a name="top16"></a>, que questionam a universalidade, a legitimidade e a imparcialidade deste. A verdade, todavia, &eacute; que desde que entrou em vigor, em 2004, o Tribunal Africano (Protocolo de Uagadugu) n&atilde;o julgou nenhum crime cometido no continente. E o mesmo pode dizer-se das jurisdi&ccedil;&otilde;es nacionais.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>O TPI, pelo contr&aacute;rio, atua mediante a deten&ccedil;&atilde;o de alguns ex-chefes de Estado e senhores da guerra (Charles Taylor, Laurent Gbagbo, Jean-Pierre Bemba, Thomas Lubanga, Germain Katanga, Bosco Ntaganda, etc.), a emiss&atilde;o de dois mandatos de deten&ccedil;&atilde;o contra o Presidente do Sud&atilde;o, Omar al-Bashir &ndash; pelos crimes de guerra e contra a humanidade cometidos no Darfur &ndash;, e a abertura de investiga&ccedil;&otilde;es ao Presidente e ao Vice-Presidente do Qu&eacute;nia, Uhuru Muigai Kenyatta e William Samoei Ruto (e meia d&uacute;zia de altos dirigentes), pela viol&ecirc;ncia p&oacute;s-eleitoral vivida no pa&iacute;s em janeiro de 2008, que causou 1300 mortos e 300 mil deslocados. Neste contexto, &eacute; impressionante a declara&ccedil;&atilde;o do Presidente ugand&ecirc;s, Yoweri Museveni, para quem os governos ocidentais est&atilde;o a utilizar o TPI para &laquo;instalar l&iacute;deres do seu agrado em &Aacute;frica e eliminar os que n&atilde;o o s&atilde;o&raquo;<sup><a href="#17">17</a></sup><a name="top17"></a>. No mesmo sentido, o juiz do TPI para a antiga Jugosl&aacute;via, o dinamarqu&ecirc;s Frederik Harhoff, afirmou a 12 de junho de 2013 que os tribunais internacionais n&atilde;o s&atilde;o neutros e obedecem aos interesses das grandes pot&ecirc;ncias. A opini&atilde;o mais partilhada &eacute; que o TPI persegue apenas os respons&aacute;veis africanos ou pratica &laquo;a justi&ccedil;a dos vencedores&raquo;, partindo das leis elaboradas pelos cinco membros do Conselho de Seguran&ccedil;a, em especial os tr&ecirc;s permanentes ocidentais (e seus aliados), que as imp&otilde;em ao resto do mundo, sem sequer, eles mesmos, as respeitarem<sup><a href="#18">18</a></sup><a name="top18"></a>. Ou seja, recrimina-se o TPI por &laquo;uma esp&eacute;cie de racismo de funcionamento&raquo; e por ser um &laquo;Tribunal Penal Africano&raquo;, ao concentrar nove dos dez casos de investiga&ccedil;&atilde;o abertos em pa&iacute;ses africanos (Rep&uacute;blica Democr&aacute;tica do Congo, Uganda, Rep&uacute;blica Centro-Africana &ndash; dois casos &ndash;, Sud&atilde;o, Qu&eacute;nia, L&iacute;bia, Costa do Marfim, Mali), muitos deles a pedido dos governos destes pa&iacute;ses ou do Conselho de Seguran&ccedil;a das Na&ccedil;&otilde;es Unidas.</p>     <p>Todavia, n&atilde;o se pode ignorar o facto de os estados africanos terem sido os maiores entusiastas da ideia do TPI e os primeiros a ratificar o seu estatuto. Quarenta e sete estados do continente estiveram presentes na Confer&ecirc;ncia de Roma e 43 assinaram o Estatuto. Ou seja, a n&iacute;vel mundial, 34 dos 123 estados que ratificaram o Estatuto s&atilde;o africanos &ndash; cinco dos 18 ju&iacute;zes atuais do TPI s&atilde;o africanos, al&eacute;m de Fatou Bensouda, da G&acirc;mbia, a fiscal-chefe: Fatouma Dembele Diarra, do Mali, AkUA Kuenyehia, do Gana, Daniel David Ntanda Nsereko, do Uganda, e Joyce Aluoch, do Qu&eacute;nia. A &Aacute;frica converteu-se na regi&atilde;o que mais contribuiu para a conce&ccedil;&atilde;o e a concretiza&ccedil;&atilde;o do TPI.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><strong>CONCLUS&Atilde;O</strong></p>     <p>Os direitos humanos s&atilde;o cada vez mais universais e aplicam-se &agrave; esp&eacute;cie humana muito para al&eacute;m das especificidades regionais. Perante a debilidade de prote&ccedil;&atilde;o do sistema africano, a amea&ccedil;a aos ditadores e senhores da guerra do continente continuar&aacute; a vir d&rsquo;A Haia ou do TPI<sup><a href="#19">19</a><a name="19"></a></sup>. Consequentemente, e como bem sugere Heyns<sup><a href="#20">20</a><a name="top20"></a></sup>, &eacute; necess&aacute;ria a instaura&ccedil;&atilde;o de um sistema legal nacional em cada pa&iacute;s africano &laquo;que proteja (adequadamente) os direitos humanos&raquo;. Em poucas palavras, &eacute; imprescind&iacute;vel a cria&ccedil;&atilde;o de estados de direito no continente e de um genu&iacute;no tribunal penal africano, para se conseguir dar &laquo;solu&ccedil;&otilde;es africanas aos problemas africanos&raquo;.</p>     <p>Apesar das cr&iacute;ticas generalizadas contra o TPI, vindas, em particular, de alguns estados que o apelidam de instrumento do neocolonialismo, n&atilde;o existe uma posi&ccedil;&atilde;o comum africana, mas v&aacute;rias posturas. H&aacute; estados que continuam a manifestar hostilidade para com o Tribunal, n&atilde;o cumprindo as suas obriga&ccedil;&otilde;es como membros ou signat&aacute;rios do Estatuto de Roma, quando, por exemplo, recebem no seu territ&oacute;rio Omar al-Bashir, em vez de o deter. Outros adotam uma atitude contr&aacute;ria, apoiando os esfor&ccedil;os do Tribunal Internacional, como a sociedade civil e as ONG africanas que exigem globalmente a implementa&ccedil;&atilde;o do Estatuto de Roma a n&iacute;vel nacional e regional.</p>     <p>A verdade &eacute; que os governos ditatoriais, que acumulam agress&otilde;es a partes da sua popula&ccedil;&atilde;o para fins pol&iacute;ticos ou eleitorais, sabem que os crimes ou viola&ccedil;&otilde;es maci&ccedil;as de direitos humanos n&atilde;o poder&atilde;o continuar impunes. A hostilidade &agrave; jurisdi&ccedil;&atilde;o penal internacional, que querem substituir por um &laquo;Tribunal Penal Africano&raquo; controlado por eles, nasce dessa certeza.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><strong>BIBLIOGRAFIA</strong></p>     <p>BA, Abdoul, KOFFI, Bruno, e SALHI, Fethi &ndash; <em>L&rsquo;Organisation de l&rsquo;Unit&eacute; Africaine. </em><em>De la Charte d&rsquo;Addis Ab&eacute;ba &agrave; la Convention des Droits de l&rsquo;Homme et des peuples.</em> Paris: Silex Editions, 1984.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>BADARA FALL, Alioune &ndash; &laquo;La Charte Africaine des Droits de l&rsquo;Homme et des Peuples: entre universalisme et r&eacute;gionalisme&raquo;. In <em>Pouvoirs.</em> Vol. 129, N.&ordm; 2, 2009, pp. 77-100.</p>     <p>BOISBOUVIER, Christophe &ndash; &laquo;Cour P&eacute;nale Internationale: Lubanga, coupable pour l&rsquo;exemple&raquo;. In <em>Jeune Afrique</em>. 18-24 de mar&ccedil;o de 2012.</p>     <p>CRUVELLIER, Thierry &ndash; <em>Le tribunal des vaincus. Un Nuremberg pour le Rwanda?</em>. Paris: Calmann-L&eacute;vy, 2006.</p>     <p>GONIDEC, Pierre-Fran&ccedil;ois &ndash; &laquo;Constitutionnalismes africains&raquo;. In <em>Revue juridique et politique: ind&eacute;pendance et coop&eacute;ration. </em>Paris. N.&ordm; 1, janeiro-abril de 1996.</p>     <p>HEYNS, Cristof &ndash; &laquo;La Carta Africana de Derechos Humanos y de los Pueblos&raquo;. In <em>La protecci&oacute;n internacional de los derechos humanos en los albores del siglo XXI</em>. Bilbau: Universidad de Deusto, 2003.</p>     <p>HOFFMANN, Stanley &ndash; &laquo;The crisis of Liberal internationalism&raquo;. In <em>Foreign Policy</em>. N.&ordm; 98, 1995.</p>     <p>JOUVE, Edmond &ndash; &laquo;La protection des droits de l&rsquo;homme et des peuples en Afrique&raquo;. In <em>Afrique contemporaine</em>. Paris. N.&ordm; 131, julho-agosto-setembro de 1984.</p>     <p>KABUNDA BADI, Mbuyi &ndash; <em>Derechos humanos en &Aacute;frica. Teor&iacute;as y pr&aacute;cticas</em>. Bilbau: Universidad de Deusto, 2000.</p>     <p>MADI DJABAKATE, Mohamed &ndash; <em>Le r&ocirc;le de la cour p&eacute;nale internationale en Afrique</em>. Paris: L&rsquo;Harmattan, 2014.</p>     <p>MAMDANI, Mahmood &ndash; &laquo;You cannot solve political problems through the courts&raquo;. In <em>The Africa Report</em>. Paris. N.&ordm; &#1637;&#1633;, junho de 2013.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>MAUGENEST, Denis, e POUGOUE, Paul- -G&eacute;rard (dir.) &ndash; <em>Droits de l&rsquo;homme en Afrique centrale.</em> Col&oacute;quio de Yaund&eacute; de 9-11 de novembro. Paris: ucac&ndash;Karthala, 1996.</p>     <p>Mbaye, K&eacute;ba &ndash; <em>Les droits de l&acute;homme en Afrique.</em> Paris: Editions A. Pedone-Commission Internationale de Juristes, 1992.</p>     <p>MUBIALA, Mutoy &ndash; &laquo;Vers la cr&eacute;ation d&rsquo;une Cour Africaine des Droits de l&rsquo;Homme et des Peuples&raquo;. In Congo-Afrique. Kinshasa. N.&ordm; 322, fevereiro de 1998.</p>     <p>OLOKA-ONYANGO, Joe &ndash; &laquo;Some reflections on the framework of economic, social and cultural rights in Africa&raquo;. In <em>The Review of International Commission of Jurists</em>. Genebra. N.&ordm; 55, dezembro de 1995.</p>     <p>SMITH, Patrick &ndash; &laquo;Slow progress for African cases&raquo;. In <em>The African Report</em>. Paris. N.&ordm; 51, junho de 2013.</p>     <p>VILLAREAL, Ren&eacute; &ndash; <em>La contrarrevoluci&oacute;n monetarista. Teor&iacute;a, pol&iacute;tica econ&oacute;mica e ideolog&iacute;a del neoliberalismo</em>. Cidade do M&eacute;xico: Editorial Oc&eacute;ano, 1984.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>Data de rece&ccedil;&atilde;o: 6 de mar&ccedil;o de 2017 | Data de aprova&ccedil;&atilde;o: 18 de maio de 2017</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>NOTAS</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><Sup><a name="1"></a><a href="#top1">1</a></Sup> KABUNDA BADI, Mbuyi &ndash; <i>Derechos humanos en &Aacute;frica. Teor&iacute;as y pr&aacute;cticas</i>. Bilbau: Universidad de Deusto, 2000.</p>     <p><Sup><a name="2"></a><a href="#top2">2</a></Sup> Quase todos os pa&iacute;ses africanos dotaram-se, desde o come&ccedil;o da d&eacute;cada de 1990, de novas constitui&ccedil;&otilde;es baseadas na separa&ccedil;&atilde;o de poderes, e as suas disposi&ccedil;&otilde;es referem-se tanto &agrave; Declara&ccedil;&atilde;o Universal dos Direitos Humanos como &agrave; Carta Africana dos Direitos Humanos e dos Povos.</p>     <p><Sup><a name="3"></a><a href="#top3">3</a></Sup> GONIDEC, Pierre-Fran&ccedil;ois &ndash; &laquo;Constitutionnalismes africains&raquo;. In <i>Revue juridique et politique: ind&eacute;pendance et coop&eacute;ration.</i> Paris. N.&ordm; 1, janeiro-abril de 1996, p. 49.</p>     <p><Sup><a name="4"></a><a href="#top4">4</a></Sup> JOUVE, Edmond &ndash; &laquo;La protection des droits de l&rsquo;homme et des peuples en Afrique&raquo;. In <i>Afrique contemporaine.</i> Paris. N.&ordm; 131, julho-agosto-setembro de 1984, p. 19.</p>     <p><Sup><a name="5"></a><a href="#top5">5</a></Sup> BA, Abdoul, KOFFI, Bruno, e SALHI, Fethi &ndash; <i>L&rsquo;Organisation de l&rsquo;Unit&eacute; Africaine. De la Charte d&rsquo;Addis Ab&eacute;ba &agrave; la Convention des Droits de l&rsquo;Homme et des peuples</i>. Paris: Silex Editions, 1984, pp. 414-417; MBAYE, K&eacute;ba &ndash; <i>Les droits de l&acute;homme en Afrique</i>. Paris: Editions A. Pedone-Commission Internationale de Juristes, 1992, pp. 233-234.</p>     <p><Sup><a name="6"></a><a href="#top6">6</a></Sup> JOUVE, Edmond &ndash; &laquo;La protection des droits de l&rsquo;homme&raquo;, p. 19; OLOKA-ONYANGO, Joe &ndash; &laquo;Some reflections on the framework of economic, social and cultural rights in Africa&raquo;. In <i>The Review of International Commission of Jurists</i>. Genebra. N.&ordm; 55, dezembro de 1995, p. 174.</p>     <p><Sup><a name="7"></a><a href="#top7">7</a></Sup> Cf. HOFFMANN, Stanley &ndash; &laquo;The crisis of Liberal internationalism&raquo;. In <i>Foreign Policy</i>. N.&ordm; 98, 1995, p. 160; VILLAREAL, Ren&eacute; &ndash; <i>La contrarrevoluci&oacute;n monetarista. Teor&iacute;a, pol&iacute;tica econ&oacute;mica e ideolog&iacute;a del neoliberalismo</i>. Cidade do M&eacute;xico: Editorial Oc&eacute;ano, 1984.</p>     <p><Sup><a name="8"></a><a href="#top8">8</a></Sup> Refere-se &agrave; Carta das Na&ccedil;&otilde;es Unidas e &agrave; Declara&ccedil;&atilde;o Universal dos Direitos Humanos e tem em conta &laquo;as tradi&ccedil;&otilde;es hist&oacute;ricas e os valores da civiliza&ccedil;&atilde;o africana&raquo; (pre&acirc;mbulo).</p>     <p><Sup><a name="9"></a><a href="#top9">9</a></Sup> POUGOUE, Paul-G&eacute;rard &ndash; &laquo;Lecture de la Carte Africaine des Droits de l&acute;Homme et des Peuples&raquo;. In MAUGENEST, Denis, e POUGOUE, Paul-G&eacute;rard (dir.) &ndash; <i>Droits de l&rsquo;homme en Afrique centrale.</i> Col&oacute;quio de Yaund&eacute; de 9-11 de novembro. Paris: UCAC &ndash;Karthala, 1996.</p>     <p><Sup><a name="10"></a><a href="#top10">10</a></Sup> POUGOUE, Paul-G&eacute;rard &ndash; &laquo;Lecture de la Carte Africaine des Droits de l&acute;Homme et des Peuples&raquo;, pp. 64 e segs.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><Sup><a name="11"></a><a href="#top11">11</a></Sup> MAVILA, Jean-Claude &ndash; &laquo;Plaidoyer pour le respect des droits de l&rsquo;Homme et des peuples pour l&rsquo;Afrique de l&rsquo;an 2000&raquo;. In MAUGENEST, Denis, e POUGOUE, Paul- -G&eacute;rard (dir.) &ndash; <i>Droits de l&rsquo;homme en Afrique centrale</i>. Col&oacute;quio de Yaund&eacute; de 9-11 de novembro. Paris: ucac&ndash;Karthala, 1996, p. 119.</p>     <p><Sup><a name="12"></a><a href="#top12">12</a></Sup> MUBIALA, Mutoy &ndash; &laquo;Vers la cr&eacute;ation d&rsquo;une Cour Africaine des Droits de l&rsquo;Homme et des Peuples&raquo;. In <i>Congo-Afrique. Kinshasa.</i> N.&ordm; 322, fevereiro de 1998, p. 92.</p>     <p><Sup><a name="13"></a><a href="#top13">13</a></Sup> HEYNS, Cristof &ndash; &laquo;La Carta Africana de Derechos Humanos y de los Pueblos&raquo;. In <i>La protecci&oacute;n internacional de los derechos humanos en los albores del siglo XXI.</i> Bilbau: Universidad de Deusto, 2003, p. 620.</p>     <p><Sup><a name="14"></a><a href="#top14">14</a></Sup> BADARA FALL, Alioune &ndash; &laquo;La Charte Africaine des Droits de l&rsquo;Homme et des Peuples: entre universalisme et r&eacute;gionalisme&raquo;. In <i>Pouvoirs</i>. Vol. 129, N.&ordm; 2, 2009, p. 99.</p>     <p><Sup><a name="15"></a><a href="#top15">15</a></Sup> O TPIR, com sede em Arusha (Tanz&acirc;nia) e criado pela Resolu&ccedil;&atilde;o 955 de 8 de novembro de 1994, encarregou-se de julgar as pessoas supostamente respons&aacute;veis por atos de genoc&iacute;dio ou outras graves viola&ccedil;&otilde;es do direito humanit&aacute;rio internacional cometidas no territ&oacute;rio ruand&ecirc;s e pelos cidad&atilde;os ruandeses nos territ&oacute;rios de pa&iacute;ses vizinhos. Foi considerado o &laquo;tribunal dos vencidos&raquo;, por julgar s&oacute; os crimes cometidos pelas for&ccedil;as do Hutu Power (as ex-For&ccedil;as Armadas Ruandesa &ndash; FAR &ndash; e as mil&iacute;cias Interahamwes, derrotadas), e n&atilde;o pela Frente Patri&oacute;tica Ruandesa &ndash; FPR (de lideran&ccedil;a tutsi e integrada pelos vencedores no poder depois do genoc&iacute;dio), tanto no Ruanda como no territ&oacute;rio da Rep&uacute;blica Democr&aacute;tica do Congo. CRUVELLIER, Thierry &ndash; <i>Le tribunal des vaincus. Un Nuremberg pour le Rwanda?</i>. Paris: Calmann-L&eacute;vy, 2006.</p>     <p><Sup><a name="16"></a><a href="#top16">16</a></Sup> Cf. cimeira extraordin&aacute;ria da UA em Adis Abeba, em outubro de 2013, onde os estados africanos decidiram n&atilde;o cooperar com o TPI manifestando, deste modo, de uma maneira clara, a sua hostilidade para com a jurisdi&ccedil;&atilde;o penal internacional.</p>     <p><Sup><a name="17"></a><a href="#top17">17</a></Sup> Questiona-se a universalidade do Tribunal por se considerar, por exemplo, que s&oacute; julga crimes cometidos em &Aacute;frica, e em particular pelos &laquo;vencidos&raquo;, e n&atilde;o noutras regi&otilde;es do mundo.</p>     <p><Sup><a name="18"></a><a href="#top18">18</a></Sup> MAMDANI, Mahmood &ndash; &laquo;You cannot solve political problems through the courts&raquo;. <i>In The Africa Report.</i> Paris. N.&ordm; 51, junho de 2013, p. 25; BOISBOUVIER, Christophe &ndash; &laquo;Cour P&eacute;nale Internationale: Lubanga, coupable pour l&rsquo;exemple&raquo;. In <i>Jeune Afrique</i>. 18-24 de mar&ccedil;o de 2012, p. 12.</p>     <p><Sup><a name="19"></a><a href="#top19">19</a></Sup> O TPI, criado para julgar os crimes mais graves que afetam o conjunto da humanidade, atua s&oacute; nos casos em que as jurisdi&ccedil;&otilde;es nacionais n&atilde;o podem (ou se recusam) a julgar os graves crimes internacionais definidos em Roma. SMITH, Patrick &ndash; &laquo;Slow progress for African cases&raquo;. In <i>The African Report</i>. Paris. N.&ordm; 51, junho de 2013, p. 27; MADI DJABAKATE, Mohamed &ndash; <i>Le r&ocirc;le de la cour p&eacute;nale internationale en Afrique.</i> Paris: L&rsquo;Harmattan, 2014.</p>     <p><Sup><a name="20"></a><a href="#top20">20</a></Sup> HEYNS, Cristof &ndash; &laquo;La Carta Africana de Derechos Humanos y de los Pueblos&raquo;. In <i>La protecci&oacute;n internacional de los derechos humanos en los albores del siglo XXI.</i> Bilbau: Universidad de Deusto, 2003, p. 596.</p>     ]]></body>
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