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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Jean-Pierre Bemba Gombo vs o procurador: Jogo de espelhos no TPI]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[This article seeks to present the case of Jean-Pierre Bemba &#8211; the charismatic leader of the Movement for the Liberation of the Congo (MLC), who has been convicted by the International Criminal Court (ICC) to 18 years in prison for the involvement of his army in the Central African Republican conflict president &#8211; as it has been built by the ICC, confronting this narrative with other perspetives that sustain the process had essentially political motivations. In addition, it will also contextualize the leader of the MLC's role in the recurrent conflicts in the Great Lakes region and follow some of the connexions that preceded this process but may help to understand some of the positions adopted by the parties.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p style="text-align: right;"><b>O TRIBUNAL PENAL INTERNACIONAL EM ÁFRICA</b></p>     <p><b>Jean-Pierre Bemba Gombo vs o procurador: Jogo de espelhos no TPI</b></p>     <p><b>Jean-Pierre Bemba Gombo vs the prosecutor: mirror game in the International Criminal Court</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Filomena Capela</b></p>     <p>Doutoranda em Estudos Africanos no ISCTE-IUL. Anteriormente trabalhou como especialista em floresta tropical, sustentabilidade e responsabilidade social na Rep&uacute;blica Democr&aacute;tica do Congo.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>RESUMO</b></p>     <p>Este artigo procura apresentar o caso Jean-Pierre Bemba &ndash; l&iacute;der do Movimento de Liberta&ccedil;&atilde;o do Congo (MLC), condenado pelo Tribunal Penal Internacional (TPI) a 18 anos de pris&atilde;o pelo envolvimento do seu ex&eacute;rcito no conflito na Rep&uacute;blica Centro-Africana &ndash; na forma como foi constru&iacute;do pelo TPI, confrontando esta narrativa com outras vis&otilde;es que sustentam que o processo teve essencialmente motiva&ccedil;&otilde;es pol&iacute;ticas. Procuraremos, ainda, contextualizar a a&ccedil;&atilde;o do l&iacute;der do MLC nos conflitos recorrentes na regi&atilde;o dos Grandes Lagos e seguir algumas das liga&ccedil;&otilde;es que precederam este processo mas que podem ajudar a compreender as posi&ccedil;&otilde;es assumidas pelos diferentes intervenientes.</p>     <p><b>Palavras-chave:</b> Tribunal Penal Internacional, Jean-Pierre Bemba, Rep&uacute;blica Centro-Africana, Rep&uacute;blica Democr&aacute;tica do Congo.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>ABSTRACT</b></p>     <p>This article seeks to present the case of Jean-Pierre Bemba &ndash; the charismatic leader of the Movement for the Liberation of the Congo (MLC), who has been convicted by the International Criminal Court (ICC) to 18 years in prison for the involvement of his army in the Central African Republican conflict president &ndash; as it has been built by the ICC, confronting this narrative with other perspetives that sustain the process had essentially political motivations. In addition, it will also contextualize the leader of the MLC&rsquo;s role in the recurrent conflicts in the Great Lakes region and follow some of the connexions that preceded this process but may help to understand some of the positions adopted by the parties.</p>     <p><b>Keywords:</b> International Criminal Court, Jean-Pierre Bemba, Central African Republic, Democratic Republic of Congo.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>Jean-Pierre Bemba Gombo, l&iacute;der do Movimento de Liber-ta&ccedil;&atilde;o do Congo (MLC), foi condenado pelo Tribunal Penal Internacional (TPI), em 2016, a 18 anos de pris&atilde;o pelo envolvimento do Ex&eacute;rcito de Liberta&ccedil;&atilde;o do Congo (ELC) &ndash; o bra&ccedil;o armado do MLC &ndash; no conflito que op&ocirc;s o ent&atilde;o Presidente da Rep&uacute;blica Centro-Africana (RCA), Ange-F&eacute;lix Patass&eacute;, e Fran&ccedil;ois Boziz&eacute;, antigo chefe das For&ccedil;as Armadas e l&iacute;der do golpe de Estado que em 2003 dep&ocirc;s Patass&eacute;.</p>     <p>Em 2008, o TPI considerou que os combatentes do MLC envolvidos no conflito centro-africano perpetraram crimes de guerra e contra a humanidade e que Bemba, enquanto l&iacute;der do movimento, era penalmente respons&aacute;vel destas a&ccedil;&otilde;es.</p>     <p>O presente artigo apresenta o &laquo;caso Bemba&raquo; na forma como foi constru&iacute;do pelo TPI, enquanto processo exemplar de responsabiliza&ccedil;&atilde;o de um l&iacute;der poderoso pelas a&ccedil;&otilde;es dos seus subordinados e de condena&ccedil;&atilde;o da utiliza&ccedil;&atilde;o de crimes sexuais enquanto armas de guerra. Procura, ainda, apresentar outras narrativas que sugerem que o processo teve essencialmente motiva&ccedil;&otilde;es pol&iacute;ticas, visando dois objetivos poss&iacute;veis: a legitima&ccedil;&atilde;o do afastamento de Patass&eacute; da RCA e/ou o afastamento de Bemba da RDC, com vista &agrave; consequente perman&ecirc;ncia de Joseph Kabila no poder. Por fim, o artigo visa contextualizar a a&ccedil;&atilde;o do l&iacute;der do MLC nos conflitos recorrentes na regi&atilde;o dos Grandes Lagos e seguir algumas das liga&ccedil;&otilde;es que precederam este processo e que ajudam a compreender as posi&ccedil;&otilde;es assumidas pelos diferentes intervenientes no decorrer do conflito e do julgamento.</p>     <p>O caso Bemba levanta um conjunto de quest&otilde;es que se associam a tantas outras que recentemente os estados africanos t&ecirc;m colocado relativamente ao funcionamento do TPI, nomeadamente a predomin&acirc;ncia do continente nos processos em curso, a inger&ecirc;ncia em assuntos de pol&iacute;tica interna e os crit&eacute;rios de escolha dos casos a investigar.</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>BEMBA E AS DUAS GRANDES GUERRAS DO CONGO</b></p>     <p>Nascido em 1962 em Bokada, na prov&iacute;ncia do Equador, RDC, Jean-Pierre Bemba Gombo estudou em Kinshasa, num col&eacute;gio cat&oacute;lico, antes de partir para Bruxelas, onde se licenciou em Ci&ecirc;ncias Comerciais e Consulares, tendo, portanto, recebido uma educa&ccedil;&atilde;o formal de matriz ocidental. Regressa ao pa&iacute;s natal para trabalhar nos neg&oacute;cios da fam&iacute;lia<sup><a href="#1">1</a></sup><a name="top1"></a>.</p>     <p>Na sequ&ecirc;ncia do genoc&iacute;dio, no Ruanda, em 1994, durante o qual 800 mil pessoas de etnia tutsi foram massacradas pela maioria h&uacute;tu, e de o Governo de Kigali, de maioria h&uacute;tu, ter sido deposto pela Frente Patri&oacute;tica Ruandesa (FPR), quase dois milh&otilde;es de pessoas fugiram do pa&iacute;s, muitas das quais se refugiaram na zona leste do ent&atilde;o Zaire, atual RDC. Estes rec&eacute;m-chegados refugiados, conhecidos como interahamwe &ndash; aqueles que matam em conjunto &ndash; pertencem &agrave; etnia h&uacute;tu e incluem cidad&atilde;os comuns mas tamb&eacute;m militares do governo deposto e autores do massacre, muitos dos quais chegaram armados; v&ecirc;m encontrar do outro lado da fronteira popula&ccedil;&otilde;es congolesas de etnia tutsi, os banyamulenge, marginalizados pelo poder central e aspirando a ver reconhecidos os seus direitos de cidadania, o que deu origem a conflitos recorrentes<sup><a href="#2">2</a></sup><a name="top2"></a>. Al&eacute;m disso, a porosidade das fronteiras no Leste do pa&iacute;s permitiu que os grupos armados ruandeses continuassem a utilizar territ&oacute;rio congol&ecirc;s para lan&ccedil;ar ataques transfronteiri&ccedil;os contra o Ruanda, mas tamb&eacute;m contra o Uganda e o Burundi, o que aumentou a tens&atilde;o j&aacute; existente na regi&atilde;o<sup><a href="#3">3</a></sup><a name="top3"></a>.</p>     <p>A primeira grande guerra do Congo tem in&iacute;cio em 1996<sup><a href="#4">4</a></sup><a name="top4"></a>, quando as tropas insurgentes da Alian&ccedil;a das For&ccedil;as Democr&aacute;ticas de Liberta&ccedil;&atilde;o (AFDL) avan&ccedil;am para Kinshasa, sob o comando de Laurent D&eacute;sir&eacute; Kabila, visando depor a ditadura corrupta do general Mobutu, no poder desde 1965. Estas tropas s&atilde;o apoiadas por Angola, pelo Ruanda e pelo Uganda, que pretendem ver refor&ccedil;adas as suas fronteiras com o ainda Zaire, por forma a protegerem os seus territ&oacute;rios respetivos das incurs&otilde;es acima referidas.</p>     <p>Laurent-D&eacute;sir&eacute; Kabila, chamado Mz&eacute;, chega a Kinshasa a 17 de maio de 1997, derruba o regime mobutista, assume a presid&ecirc;ncia e altera a denomina&ccedil;&atilde;o Zaire para Rep&uacute;blica Democr&aacute;tica do Congo. &Eacute; nesta altura que Jean-Pierre Bemba, pessoal e familiarmente muito pr&oacute;ximo do governo deposto, parte para o ex&iacute;lio.</p>     <p>No entanto, as medidas ansiadas pelos pa&iacute;ses que haviam apoiado Mz&eacute; durante a guerra n&atilde;o s&atilde;o implementadas e, pelo contr&aacute;rio, o Governo concede apoio pol&iacute;tico &agrave;s mil&iacute;cias ruandesas. Em 1998, inicia-se a segunda guerra do Congo: os dois pa&iacute;ses (Ruanda e Uganda), querendo refor&ccedil;ar as fronteiras e a consequente seguran&ccedil;a interna e, muito provavelmente, controlar as riquezas minerais da regi&atilde;o, apoiam a ofensiva contra o Governo kabilista, que s&oacute; &eacute; travada gra&ccedil;as ao apoio de Angola, do Zimbabu&eacute;, da Nam&iacute;bia e do Chade &agrave;s for&ccedil;as no poder: &laquo;&eacute; intrigante, at&eacute; espantoso, que estes pa&iacute;ses estejam todos envolvidos na guerra do Congo, parcialmente como resultado e como extens&atilde;o das suas tens&otilde;es internas entre Estado e sociedade e das suas clivagens &eacute;tnico-regionais&raquo;<sup><a href="#5">5</a></sup><a name="top5"></a>. Kigali, num r&aacute;pido volte-face, decide apoiar o movimento rebelde dos banyamulenge &ndash; a Reuni&atilde;o Congolesa para a Democracia (RCD-Goma). Por seu lado, o Uganda investe-se na cria&ccedil;&atilde;o de um outro movimento revoltoso e &eacute; assim que, em 1999, surge, em Gbadolite, terra natal de Mobutu, o MLC, liderado por Jean-Pierre Bemba<sup><a href="#6">6</a></sup><a name="top6"></a>. O Presidente Kabila recorre ao argumento &eacute;tnico, afirmando que os revoltosos pretendem apenas estabelecer uma hegemonia tutsi na regi&atilde;o dos Grandes Lagos.</p>     <p>Ao contr&aacute;rio do RCD, origin&aacute;rio de uma regi&atilde;o extraordinariamente rica em min&eacute;rios, o MLC, origin&aacute;rio do Equador,</p>     <p>     <blockquote>&laquo;n&atilde;o beneficiou da economia de Guerra na mesma medida (&hellip;) na verdade, a &aacute;rea controlada pelo MLC era pequena em tamanho e, principalmente, n&atilde;o continha grandes reservas minerais, for&ccedil;ando o MLC a confiar-se &agrave; explora&ccedil;&atilde;o de madeira, ao com&eacute;rcio de caf&eacute; e &agrave; cobran&ccedil;a de pequenas taxas como as suas principais fontes de receita&raquo;<sup><a href="#7">7</a></sup><a name="top7"></a>.</blockquote>     <p></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>De facto, a grande concentra&ccedil;&atilde;o de min&eacute;rios de elevado valor comercial situa-se essencialmente na zona leste do pa&iacute;s, com especial incid&ecirc;ncia nas regi&otilde;es dos Kivu Norte e Sul e do Katanga. A prov&iacute;ncia do Equador est&aacute; fora desta regi&atilde;o mineira e &eacute;, at&eacute; hoje, de acordo com o PNUD, uma das mais pobres da RDC. A explora&ccedil;&atilde;o e comercializa&ccedil;&atilde;o de madeira tem sido bastante dificultada pela quase inexist&ecirc;ncia de infraestruturas de comunica&ccedil;&atilde;o e pelo ambiente de inseguran&ccedil;a, resultante dos anos de conflito, enquanto que a agricultura &eacute; essencialmente de subsist&ecirc;ncia. Por outro lado, o facto de o movimento se ter estabelecido e baseado na prov&iacute;ncia do Equador, de onde Bemba &eacute; origin&aacute;rio, &agrave; semelhan&ccedil;a de grande parte dos elementos do grupo, fez com que o MLC fosse facilmente aceite pela popula&ccedil;&atilde;o local, que lhe reconheceu legitimidade e autenticidade, e por uma grande parte daqueles que n&atilde;o se reviam na governa&ccedil;&atilde;o kabilista. A fronteira que a prov&iacute;ncia estabelece com a RCA permitiu ao MLC utilizar Bangui como base comercial.</p>     <p>Jean-Pierre Bemba trouxe, ainda, outras vantagens ao movimento, visto que as suas liga&ccedil;&otilde;es ao general Mobutu &ndash; a rela&ccedil;&atilde;o de proximidade com o seu pai e o facto de a sua irm&atilde; ser casada com Nzanga Mobutu, filho do &laquo;Rei Leopardo&raquo; &ndash; lhe permitiram angariar o apoio dos antigos partid&aacute;rios do presidente deposto. O movimento n&atilde;o conheceu qualquer cis&atilde;o sob a sua lideran&ccedil;a.</p>     <p>Em 2002, as mil&iacute;cias do MLC foram acusadas de canibalismo por organiza&ccedil;&otilde;es n&atilde;o governamentais da regi&atilde;o do Ituri, acusa&ccedil;&otilde;es essas confirmadas pelas Na&ccedil;&otilde;es Unidas no que ficou conhecido como caso Mambasa, de grande repercuss&atilde;o medi&aacute;tica nacional e internacional e que viria a dar origem a uma miss&atilde;o de paz da Uni&atilde;o Europeia na regi&atilde;o, liderada pela Fran&ccedil;a. Os homens de Bemba teriam esquartejado, cozinhado e comido pessoas da comunidade pigmeia de Mambasa, obrigando, inclusivamente, os familiares dos mortos a participarem na refei&ccedil;&atilde;o. Estas acusa&ccedil;&otilde;es foram, no entanto, desmentidas mais tarde pela pr&oacute;pria comunidade numa confer&ecirc;ncia de imprensa amplamente divulgada pelo MLC<sup><a href="#8">8</a></sup><a name="top8"></a>. Bemba, numa clara refer&ecirc;ncia &agrave; Fran&ccedil;a, afirmar&aacute; que a campanha medi&aacute;tica relativa ao caso Mambasa constituiu</p>     <p>     <blockquote>&laquo;uma campanha de destabiliza&ccedil;&atilde;o conduzida por um certo Estado que det&eacute;m uma r&aacute;dio internacional, que pretende fazer-me pagar pela minha interven&ccedil;&atilde;o na Rep&uacute;blica Centro-Africana, onde esse mesmo Estado tamb&eacute;m estava presente, e a trabalhar ativamente &ndash; tenho provas &ndash; para destabilizar o Presidente Patass&eacute;, eleito em 1999, com 53% dos votos&raquo;<sup><a href="#9">9</a></sup><a name="top9"></a>.</blockquote>     <p></p>     <p>Estas acusa&ccedil;&otilde;es coincidem temporalmente com as negocia&ccedil;&otilde;es de paz entre as v&aacute;rias for&ccedil;as beligerantes na RDC. A segunda guerra do Congo &eacute; descrita como o conflito mais violento desde a Segunda Guerra Mundial e chega ao fim atrav&eacute;s de um longo processo negocial, durante o qual os dois movimentos rebeldes alcan&ccedil;am o estatuto de atores pol&iacute;ticos a parte inteira, &laquo;tanto no processo de negocia&ccedil;&atilde;o da paz como no processo de transi&ccedil;&atilde;o que forneceram o enquadramento para a sua transforma&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica&raquo;<sup><a href="#10">10</a></sup><a name="top10"></a>. As negocia&ccedil;&otilde;es culminam com a assinatura de um acordo global e inclusivo<sup><a href="#11">11</a></sup><a name="top11"></a>. Jean-Pierre Bemba, pelo MLC, e Azarias Ruberwa, pelo RCD-Goma, viriam a exercer fun&ccedil;&otilde;es de vice-presidentes, respetivamente nas &aacute;reas de Economia e Finan&ccedil;as e de Pol&iacute;tica Interior, Defesa e Seguran&ccedil;a, na f&oacute;rmula que ficou conhecida como 1+4 (um presidente e quatro vice-presidentes) do Governo de Transi&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>No dia da tomada de posse, Bemba fez uma declara&ccedil;&atilde;o de for&ccedil;a, ao entrar de forma apote&oacute;tica no Pal&aacute;cio do Povo, em Kinshasa, como relatou, &agrave; &eacute;poca, a enviada especial da BBC:</p>     <p>     <blockquote>&laquo;Os apoiantes dos principais grupos rebeldes e do governo de Kabila enchiam o varandim. Celebravam, cantavam e agitavam faixas. Em termos de apoio organizado, o Movimento para a Liberta&ccedil;&atilde;o do Congo ganhou claramente. O seu l&iacute;der, Jean-Pierre Bemba, que s&oacute; regressou a Kinshasa na quinta-feira, foi saudado em &ecirc;xtase quando entrou na sala. Foi uma declara&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica calculada.&raquo;<sup><a href="#12">12</a></sup><a name="top12"></a></blockquote>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p></p>     <p>Esta manifesta&ccedil;&atilde;o foi ilustrativa da intensa proximidade existente entre Jean-Pierre Bemba e a sua base de apoio que, em Kinshasa, viria a conceder-lhe um resultado superior a 70 por cento na segunda volta das elei&ccedil;&otilde;es presidenciais. Apesar das descri&ccedil;&otilde;es de irascibilidade, das acusa&ccedil;&otilde;es de canibalismo e dos relatos da viol&ecirc;ncia exercida pelo ELC, sob o seu comando, na RDC e na RCA, uma parte consider&aacute;vel da popula&ccedil;&atilde;o confiou no bem-sucedido homem de neg&oacute;cios para liderar a economia do pa&iacute;s, e demonstrou-o de forma efusiva nesta ocasi&atilde;o. O Governo de Transi&ccedil;&atilde;o manteve-se em fun&ccedil;&otilde;es at&eacute; &agrave; realiza&ccedil;&atilde;o de elei&ccedil;&otilde;es em 2006.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>O PROCESSO ELEITORAL</b></p>     <p>As elei&ccedil;&otilde;es de 2006 puseram fim a um longo per&iacute;odo de ditadura mas constitu&iacute;ram apenas o in&iacute;cio da transi&ccedil;&atilde;o democr&aacute;tica, assente na nova Constitui&ccedil;&atilde;o, aprovada um ano antes. O processo, que incluiu elei&ccedil;&otilde;es para a presid&ecirc;ncia da rep&uacute;blica, para o parlamento, para o senado e para as diferentes prov&iacute;ncias foi muito bem acolhido pela popula&ccedil;&atilde;o, que considerou a realiza&ccedil;&atilde;o de elei&ccedil;&otilde;es multipartid&aacute;rias uma oportunidade real de mudan&ccedil;a.</p>     <p>Durante os tr&ecirc;s anos em que governou a f&oacute;rmula 1+4, as diferentes fa&ccedil;&otilde;es foram-se posicionando no aparelho de Estado, procurando seguran&ccedil;a e benef&iacute;cio pr&oacute;prio e, em consequ&ecirc;ncia, minando o sistema com redes de interesses que passaram a funcionar a partir do seu interior. Como explica Koko:</p>     <p>     <blockquote>&laquo;De facto, em vez de se comprometerem com a paz, os beligerantes congoleses usaram a sua inclus&atilde;o nas institui&ccedil;&otilde;es tradicionais como uma oportunidade para &ldquo;normalizar&rdquo; as suas atividades e pr&aacute;ticas ilegais, desenvolvidas durante a guerra. Ao faz&ecirc;-lo, contribu&iacute;ram para a institucionaliza&ccedil;&atilde;o de uma pol&iacute;tica criminalizada e para a incorpora&ccedil;&atilde;o da economia pol&iacute;tica da guerra nos sistemas de estado e de governo.&raquo;<sup><a href="#13">13</a></sup><a name="top13"></a></blockquote>     <p></p>     <p>Embora tenha constitu&iacute;do um passo importante no caminho para a democracia e para a paz, o ato eleitoral assumiu, para os diferentes partidos, um car&aacute;ter utilit&aacute;rio, com vista &agrave; manuten&ccedil;&atilde;o ou conquista de posi&ccedil;&otilde;es de seguran&ccedil;a, poder e acesso aos recursos.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>     <blockquote>&laquo;As fr&aacute;geis funda&ccedil;&otilde;es das elei&ccedil;&otilde;es de 2006 na RDC s&atilde;o evidenciadas na cont&iacute;nua coexist&ecirc;ncia contempor&acirc;nea &ndash; numa forma de a&ccedil;&otilde;es-concorrentes sobrepostas &ndash; de processos eleitorais, posicionamentos estrat&eacute;gicos para a eventualidade da reemerg&ecirc;ncia da guerra para agita&ccedil;&atilde;o civil, e o uso das elei&ccedil;&otilde;es para posicionamento no acesso &agrave;s riquezas minerais.&raquo;<sup><a href="#14">14</a></sup><a name="top14"></a></blockquote>     <p></p>     <p>No que respeita exclusivamente &agrave;s elei&ccedil;&otilde;es presidenciais, submeteram-se &agrave; vota&ccedil;&atilde;o 33 candidatos, dos quais passaram &agrave; segunda volta Joseph Kabila e Jean-Pierre Bemba. Durante a campanha eleitoral, o Presidente em exerc&iacute;cio apresentou-se como o &laquo;artes&atilde;o da paz&raquo; enquanto que Bemba apelou ao nacionalismo, atrav&eacute;s do slogan &laquo;mwana mboka&raquo; &ndash; filho da terra &ndash;, numa clara alus&atilde;o aos rumores que apontam a Joseph Kabila uma ascend&ecirc;ncia ruandesa. Apesar de derrotado, com 42 por cento dos votos, Bemba venceu em seis das 11 prov&iacute;ncias em que o pa&iacute;s se encontrava, &agrave; &eacute;poca, dividido, tendo ganho em todas as que s&atilde;o tradicionalmente contr&aacute;rias a Kabila (Kinshasa, Equador, Bandundo, Kasai Oriental e Ocidental e Baixo Congo) e provando, assim, ser capaz de unir a oposi&ccedil;&atilde;o ao regime<sup><a href="#15">15</a></sup><a name="top15"></a>.</p>     <p>Na sequ&ecirc;ncia da derrota, depois de contestar os resultados junto da Corte Suprema e de aceitar a recusa desta contesta&ccedil;&atilde;o, assumindo o cargo de senador para o qual havia sido eleito, Bemba afirmar&aacute;:</p>     <p>     <blockquote>&laquo;usaremos, sempre que necess&aacute;rio, toda a nossa influ&ecirc;ncia e todos os meios ao nosso dispor no &acirc;mbito da Constitui&ccedil;&atilde;o, nomeadamente protestos, greves, e outros caminhos de resist&ecirc;ncia e protesto, para demonstrar a nossa desaprova&ccedil;&atilde;o, e, se o caso se apresentar, para bloquear o desenvolvimento de um regime ditatorial por detr&aacute;s de uma fachada democr&aacute;tica.&raquo;<sup><a href="#16">16</a></sup><a name="top16"></a></blockquote>     <p></p>     <p>O seu peso eleitoral foi demonstrado e o seu posicionamento pol&iacute;tico claramente afirmado. Apesar dos acordos assinados, Bemba manteve uma guarda pessoal de cerca de 600 homens, alegando n&atilde;o confiar nas for&ccedil;as regulares para o protegerem. Em 2007, recebeu um ultimato para que os militares ao seu servi&ccedil;o reintegrassem o ex&eacute;rcito nacional unificado, que n&atilde;o respeitou, o que deu origem a violentos confrontos em Kinshasa e a que fosse acusado de alta trai&ccedil;&atilde;o. Refugiou-se na Embaixada da &Aacute;frica do Sul, de onde viajou para Portugal e da&iacute; para a B&eacute;lgica, onde viria a ser detido. Continua a ser l&iacute;der do MLC, mantendo uma forte base eleitoral no Norte e no Leste do pa&iacute;s, e tamb&eacute;m em Kinshasa<sup><a href="#17">17</a></sup><a name="top17"></a>, mas o partido perdeu express&atilde;o nas &uacute;ltimas elei&ccedil;&otilde;es, abrindo caminho &agrave; manifesta&ccedil;&atilde;o de novas for&ccedil;as pol&iacute;ticas e &agrave; pol&eacute;mica vit&oacute;ria de Joseph Kabila nas presidenciais de 2011:</p>     <p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<blockquote>&laquo;as elei&ccedil;&otilde;es foram, elas pr&oacute;prias, profundamente fraudulentas. A Uni&atilde;o Europeia e o Carter Center conclu&iacute;ram que lhes faltava credibilidade: mais de 850 mil votos, cinco por cento do total, foram perdidos. O processo de apuramento foi extremamente ca&oacute;tico; em v&aacute;rios lugares ocorreu que o apuramento excedeu o n&uacute;mero de votantes registados. Apesar de Kabila ter sido proclamado vencedor, o consenso entre os grupos da sociedade civil e a maioria das embaixadas foi que as elei&ccedil;&otilde;es haviam sido geridas de um modo t&atilde;o fraudulento que o verdadeiro vencedor nunca seria conhecido.&raquo;<sup><a href="#18">18</a></sup><a name="top18"></a></blockquote>     <p></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>BEMBA E O TPI</b></p>     <p>A luta armada pelo poder na RCA tem sido uma constante desde a instaura&ccedil;&atilde;o da independ&ecirc;ncia em 1960. O pa&iacute;s passou por sete golpes de Estado, acontecimentos que refor&ccedil;aram uma cultura de viol&ecirc;ncia, de impunidade pol&iacute;tica e de personaliza&ccedil;&atilde;o do poder, num estado de rebeli&atilde;o permanente a que se associa a m&aacute; governan&ccedil;a<sup><a href="#19">19</a></sup><a name="top19"></a>. Ao contr&aacute;rio de outros pa&iacute;ses da regi&atilde;o, ali&aacute;s fortemente inst&aacute;vel, que s&atilde;o vulgarmente classificados como estados falhados, a RCA ter-se-&aacute; tornado num verdadeiro Estado-fantasma, numa aus&ecirc;ncia absoluta de qualquer tipo de funcionamento estatal e institucional<sup><a href="#20">20</a></sup><a name="top20"></a>.</p>     <p>Ange-Felix Patass&eacute;, chefe do Movimento para a Liberta&ccedil;&atilde;o do Povo Centro-Africano, presidente do pa&iacute;s &agrave; &eacute;poca dos acontecimentos que conduzir&atilde;o &agrave; condena&ccedil;&atilde;o de Bemba, &eacute; o primeiro chefe de Estado a ser eleito em elei&ccedil;&otilde;es consideradas livres, em 1993, ao mesmo tempo que o seu partido vence as elei&ccedil;&otilde;es para a Assembleia Nacional, pondo fim a uma longa ditadura militar<sup><a href="#21">21</a></sup><a name="top21"></a>.</p>     <p>Durante a sua perman&ecirc;ncia no poder (ser&aacute; reeleito em 1999), acentuam-se as diverg&ecirc;ncias entre o Norte, de onde &eacute; origin&aacute;rio e cujas popula&ccedil;&otilde;es se consideram desfavorecidas e sistematicamente marginalizadas, e o Sul, mais desenvolvido. Em maio de 2001, o antigo Presidente Kolingba, sulista, tenta depor Patass&eacute;, que solicita o aux&iacute;lio da L&iacute;bia e do MLC, conseguindo manter-se no poder. Na sequ&ecirc;ncia destes acontecimentos, o Presidente demite o comandante das For&ccedil;as Armadas Centro-Africanas, Fran&ccedil;ois Boziz&eacute;, acusando-o de cumplicidade na tentativa de golpe de Estado orquestrada por Kolingba.</p>     <p>Boziz&eacute; refugia-se no Chade, que recusa a sua extradi&ccedil;&atilde;o, exacerbando as tens&otilde;es j&aacute; existentes entre os dois pa&iacute;ses. Em agosto de 2002, a guarda presidencial, apoiada por uma mil&iacute;cia comandada pelo coronel Abdoulaye Miskine, atravessa a fronteira e ataca Boziz&eacute; que, em resposta, avan&ccedil;a para a RCA, estabelecendo uma base militar no Norte do pa&iacute;s. Da&iacute;, inicia a investida em dire&ccedil;&atilde;o a Bangui, que conseguir&aacute; controlar, depois de avan&ccedil;os e recuos, a 15 de mar&ccedil;o de 2003.</p>     <p>Na tentativa de reprimir o ataque de Boziz&eacute;, Patass&eacute; recorre a uma mil&iacute;cia pessoal que havia criado, e solicita a ajuda da L&iacute;bia e do MLC, cujas tropas atravessam rapidamente a fronteira, dando in&iacute;cio aos cinco meses de viol&ecirc;ncia que estar&atilde;o na origem do processo n&rsquo;A Haia.</p>     <p>A 23 de maio de 2008, &eacute; emitido um mandato de captura contra Jean-Pierre Bemba Gombo, que ser&aacute; executado no dia seguinte pelas autoridades belgas e tornado p&uacute;blico no dia 10 de Junho do mesmo ano. Bemba &eacute; transferido para A Haia a 3 de julho, sendo ouvido pela primeira vez no dia 4. O mandato incide sobre acontecimentos que ocorreram na RCA entre 25 de outubro de 2002 e 15 de mar&ccedil;o de 2003. Inicialmente, o TPI considera que h&aacute; motivos plaus&iacute;veis para responsabilizar criminalmente Bemba, conjuntamente ou por interm&eacute;dio de terceiros, de assassinatos, viola&ccedil;&otilde;es e torturas constitutivos de crime de guerra e contra a humanidade e de atentados contra a dignidade e de pilhagens, constitutivos de crimes de guerra<sup><a href="#22">22</a></sup><a name="top22"></a>.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A viol&ecirc;ncia manteve-se no Norte, onde grupos rebeldes nacionais, alimentados, nomeadamente, por conflitos &eacute;tnicos, mas tamb&eacute;m do Chade e do Darfur continuaram a semear o terror. O Lord Resistance Army (LRA), grupo extremamente violento origin&aacute;rio do Uganda, ter&aacute; tamb&eacute;m realizado ataques em territ&oacute;rio centro-africano.</p>     <p>A presid&ecirc;ncia de Boziz&eacute; n&atilde;o trouxe paz &agrave; RCA e este viria tamb&eacute;m a ser deposto atrav&eacute;s de um violento golpe de Estado em mar&ccedil;o de 2013, dez anos depois de ter conquistado o poder. A coliga&ccedil;&atilde;o rebelde, a S&eacute;l&eacute;ka, ter&aacute; cometido crimes graves durante o golpe, nomeadamente assassinatos, viola&ccedil;&otilde;es, tortura e pilhagem. As Na&ccedil;&otilde;es Unidas alertaram para o risco de genoc&iacute;dio por causas &eacute;tnicas e religiosas. Os conflitos entre 2012 e 2015 ter&atilde;o causado milhares de mortos e conduzido a cerca de um milh&atilde;o de deslocados<sup><a href="#23">23</a></sup><a name="top23"></a>.</p>     <p>A 24 de setembro de 2014, o TPI anuncia, a pedido do governo nacional, a abertura de um segundo inqu&eacute;rito na RCA<sup><a href="#24">24</a></sup><a name="top24"></a>, relativo aos crimes cometidos desde agosto de 2012, tanto pela S&eacute;l&eacute;ka, de composi&ccedil;&atilde;o mu&ccedil;ulmana, como pelos grupos anti-Balaka, de origem crist&atilde;. O procurador considera existirem motivos de convic&ccedil;&atilde;o de que os crimes de assassinato, viola&ccedil;&atilde;o, pilhagem, ataque contra miss&otilde;es humanit&aacute;rias, recurso a crian&ccedil;as-soldado, desloca&ccedil;&atilde;o for&ccedil;ada e persegui&ccedil;&atilde;o ter&atilde;o sido cometidos durante o per&iacute;odo em an&aacute;lise. O processo n&atilde;o conheceu, ainda, outros desenvolvimentos.</p>     <p>No caso Bemba, a argumenta&ccedil;&atilde;o do julgamento refere que este sabia que as for&ccedil;as sob o seu comando cometiam ou cometeriam crimes contra a humanidade e crimes de guerra e que, apesar disso, n&atilde;o tomou todas as medidas necess&aacute;rias para impedir a realiza&ccedil;&atilde;o desses crimes, nem atrav&eacute;s do exerc&iacute;cio do seu efetivo poder pessoal, nem atrav&eacute;s do recurso &agrave;s autoridades competentes. Foi condenado em 2016 pelo TPI a 18 anos de pris&atilde;o por crimes de guerra (assass&iacute;nio, viola&ccedil;&atilde;o, pilhagem) e contra a humanidade (assass&iacute;nio e viola&ccedil;&atilde;o), cometidos pelos homens sob o seu comando na RCA, em 2002. Tanto a defesa como a acusa&ccedil;&atilde;o recorreram da senten&ccedil;a por a considerarem, respetivamente, excessiva e insuficiente.</p>     <p>O processo, que ouviu 77 testemunhas, alcan&ccedil;a grande mediatismo, desde logo por se tratar do julgamento de um antigo vice-presidente mas tamb&eacute;m porque a senten&ccedil;a introduz algumas inova&ccedil;&otilde;es de import&acirc;ncia maior, nomeadamente em termos de jurisprud&ecirc;ncia, &agrave;s quais a imprensa d&aacute; o devido destaque. Como refere um artigo do jornal brit&acirc;nico The Guardian: &laquo;&Eacute; o primeiro veredicto a reconhecer a viola&ccedil;&atilde;o como arma de guerra e a empregar a doutrina da responsabilidade de comando: os l&iacute;deres s&atilde;o responsabiliz&aacute;veis pelos crimes dos seus subordinados.&raquo;<sup><a href="#25">25</a></sup><a name="top25"></a> A procuradora-geral do TPI tamb&eacute;m se pronuncia entusiasticamente sobre a senten&ccedil;a, sem preju&iacute;zo de a considerar, ainda, insuficiente face &agrave; gravidade dos crimes: &laquo;Acredito que este &eacute; um dia muito importante para a justi&ccedil;a penal internacional, especialmente no que diz respeito aos crimes sexuais e de g&eacute;nero.&raquo;<sup><a href="#26">26</a></sup><a name="top26"></a></p>     <p>Ao processo descrito, chamado &laquo;caso principal&raquo;, vem juntar-se um segundo, chamado &laquo;caso conexo&raquo;, no qual Bemba e quatro dos seus colaboradores (Aim&eacute; Kilolo Musamba, Jean-Jacques Mangenda Kabongo, Fid&egrave;le Babala Wando e Narcisse Harido) foram condenados, em 22 de mar&ccedil;o de 2017, cada um na medida das suas responsabilidades provadas, por corrup&ccedil;&atilde;o ativa de 14 testemunhas de defesa e por apresenta&ccedil;&atilde;o de falsos testemunhos ao Tribunal. Jean-Pierre Bemba dever&aacute; passar mais um ano n&rsquo;A Haia e pagar uma multa de 300 mil euros<sup><a href="#27">27</a></sup><a name="top27"></a>.</p>     <p>A atua&ccedil;&atilde;o do TPI come&ccedil;ou por ser bem recebida em &Aacute;frica, aquando das deten&ccedil;&otilde;es de criminosos como Lubanga, na RDC, em 2009, que h&aacute; v&aacute;rios anos exercia uma viol&ecirc;ncia brutal no Leste do pa&iacute;s (regi&atilde;o do Ituri), assente em assassinatos, viola&ccedil;&otilde;es e raptos. No entanto, o n&uacute;mero muito reduzido de a&ccedil;&otilde;es e a inconsequ&ecirc;ncia dos processos judiciais, acabaram por associar a institui&ccedil;&atilde;o a uma imagem de fraqueza e irrelev&acirc;ncia, num contexto de <i>business as usual</i>:</p>     <p>     <blockquote>&laquo;H&aacute; uma sensa&ccedil;&atilde;o cada vez mais acentuada entre as organiza&ccedil;&otilde;es locais e internacionais de que as investiga&ccedil;&otilde;es n&atilde;o chegam suficientemente alto na cadeia de comando (&hellip;) Os Iturianos parecem perfeitamente conscientes de que o conflito est&aacute; relacionado com os recursos da regi&atilde;o e que as tens&otilde;es &eacute;tnicas locais foram alimentadas deliberadamente pelos l&iacute;deres pol&iacute;ticos em Kampala, Kgali e Kinshasa.&raquo;<sup><a href="#28">28</a></sup><a name="top28"></a></blockquote>     <p></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Assim, embora reconhecendo a pertin&ecirc;ncia das deten&ccedil;&otilde;es efetuadas, o que se questiona &eacute; a relev&acirc;ncia dessas deten&ccedil;&otilde;es, a prioridade que lhes foi concedida, os meios que foram colocados &agrave; disposi&ccedil;&atilde;o da investiga&ccedil;&atilde;o dos casos e as acusa&ccedil;&otilde;es e repara&ccedil;&otilde;es que da&iacute; resultaram: &laquo;de facto, s&oacute; as v&iacute;timas das acusa&ccedil;&otilde;es escolhidas pelo Procurador e tendo sido objeto de condena&ccedil;&atilde;o podem participar nos procedimentos junto do TPI e receber uma repara&ccedil;&atilde;o&raquo;<sup><a href="#29">29</a></sup><a name="top29"></a>. Lubanga, por exemplo, foi unicamente acusado de fazer recurso a crian&ccedil;as-soldado. Sem diminuir a gravidade desta acusa&ccedil;&atilde;o, ela torna-se dif&iacute;cil de compreender quando ocorre associada a um contexto onde decorriam crimes de limpeza &eacute;tnica: &laquo;O povo congol&ecirc;s deve maravilhar-se com as aparentes prioridades da justi&ccedil;a internacional, que coloca o recurso a crian&ccedil;as-soldado &agrave; frente de assass&iacute;nio em massa, tortura e viola&ccedil;&atilde;o no que respeita &agrave; necessidade de acusa&ccedil;&atilde;o imediata.&raquo;<sup><a href="#30">30</a></sup><a name="top30"></a></p>     <p>Como referimos inicialmente, n&atilde;o est&aacute; em causa a gravidade dos crimes cometidos pelo MLC nem a legitimidade da condena&ccedil;&atilde;o de Jean-Pierre Bemba Gombo pelo TPI. No entanto, embora v&aacute;lida, esta a&ccedil;&atilde;o parece ter ficado aqu&eacute;m das expectativas em termos das consequ&ecirc;ncias positivas que produziu, relativamente &agrave; redu&ccedil;&atilde;o da viol&ecirc;ncia na RCA, &agrave; repara&ccedil;&atilde;o concedida &agrave;s v&iacute;timas, e &agrave; preven&ccedil;&atilde;o da ocorr&ecirc;ncia de situa&ccedil;&otilde;es id&ecirc;nticas no futuro: &laquo;N&atilde;o &eacute; certo, na verdade, que um julgamento, t&atilde;o justo quanto poss&iacute;vel, conclu&iacute;do anos depois, a milhares de quil&oacute;metros, ou mesmo no pr&oacute;prio pa&iacute;s (n&atilde;o esque&ccedil;amos que Bokassa foi julgado em Bangui) chegue para satisfazer a necessidade de justi&ccedil;a do povo centro-africano.&raquo;<sup><a href="#31">31</a></sup><a name="top31"></a></p>     <p>A acusa&ccedil;&atilde;o inicialmente formulada contra Bemba colocava-o como respons&aacute;vel conjuntamente ou por interm&eacute;dio de terceiros, de crimes ocorridos na RCA durante o per&iacute;odo espec&iacute;fico em que a sua mil&iacute;cia permaneceu no pa&iacute;s.</p>     <p>A defesa do ex-Vice-Presidente recorreu da senten&ccedil;a pronunciada pelo TPI, afirmando que Bemba n&atilde;o foi respons&aacute;vel pela atua&ccedil;&atilde;o individual dos homens do ELC no terreno, j&aacute; que estes acederam ao territ&oacute;rio a pedido do ent&atilde;o chefe de Estado leg&iacute;timo e que agiram sob as suas ordens, uma vez que era ao Presidente que competia combater o golpe de Estado em curso, que visava a sua deposi&ccedil;&atilde;o, o que, ali&aacute;s, viria a acontecer.</p>     <p>A argumenta&ccedil;&atilde;o do julgamento refere que:</p>     <p>     <blockquote>&laquo;427. Ainda que tenha existido coopera&ccedil;&atilde;o e coordena&ccedil;&atilde;o entre os comandantes do MLC e as autoridades centro-africanas, um n&uacute;mero de testemunhas afirmou que a hierarquia do MLC conservou o comando ao longo de toda a Opera&ccedil;&atilde;o de 2002-2003 na RCA. Um outro grupo de testemunhas declarou que as tropas do MLC estavam sob o comando das autoridades centro-africanas mas o tribunal considerou os seus testemunhos duvidosos.&raquo;<sup><a href="#32">32</a></sup><a name="top32"></a></blockquote>     <p></p>     <p>O facto de o Presidente Patass&eacute; nunca ter sido ouvido pelo Tribunal constitui, por isso, um dos elementos que levam a questionar a qualidade e as motiva&ccedil;&otilde;es da atua&ccedil;&atilde;o da acusa&ccedil;&atilde;o neste julgamento: &laquo;A aus&ecirc;ncia do antigo presidente Ange-Felix Patass&eacute; na barra do tribunal ter&aacute; sido a trapalhada que manchar&aacute; definitivamente este processo.&raquo;<sup><a href="#33">33</a></sup><a name="top33"></a> Al&eacute;m de Bemba e Patass&eacute;, outros atores foram respons&aacute;veis por a&ccedil;&otilde;es violentas durante o mesmo per&iacute;odo, a&ccedil;&otilde;es essas que, em parte, viriam a persistir ap&oacute;s a sa&iacute;da do ELC do territ&oacute;rio centro-africano.</p>     <p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<blockquote>&laquo;Na situa&ccedil;&atilde;o da RCA (&hellip;) outros indiciados prov&aacute;veis incluem o pr&oacute;prio Patass&eacute;, o comandante da sua Guarda Presidencial, Abdoulaye Miskine, e o mercen&aacute;rio franc&ecirc;s Paul Barril. Se os procuradores pararem aqui, parecer&aacute; outro caso de acusa&ccedil;&atilde;o dos vencidos, n&atilde;o dos governos no poder (&hellip;) (nos conflitos entre 2005 e 2008) o fardo das viola&ccedil;&otilde;es parece pesar esmagadoramente sobre o ex&eacute;rcito, pelo qual o governo de Boziz&eacute; &eacute; em &uacute;ltima an&aacute;lise respons&aacute;vel.&raquo;<sup><a href="#34">34</a></sup><a name="top34"></a> </blockquote>     <p></p>     <p>Contrariamente ao esperado, a investiga&ccedil;&atilde;o acabou por centrar-se exclusivamente em Jean-Pierre Bemba, limitando o exerc&iacute;cio da justi&ccedil;a &agrave; condena&ccedil;&atilde;o de um dos intervenientes e levantando, mais uma vez, suspeitas quanto ao posicionamento do TPI, que alguns entenderam como protetor de Fran&ccedil;ois Boziz&eacute;, no poder aquando do in&iacute;cio do processo. O TPI tem, ali&aacute;s, vindo a ser acusado de se limitar &agrave; condena&ccedil;&atilde;o dos derrotados, sem atentar &agrave;s responsabilidades dos que est&atilde;o no poder, como referiu o juiz Claude Jorda:</p>     <p>     <blockquote>&laquo;Para aonde vai a Procuradoria? Pergunta sem disfar&ccedil;ar a sua impaci&ecirc;ncia. Estamos no in&iacute;cio deste tribunal. &Eacute; uma quest&atilde;o que me preocupa, que nos preocupa. T&ecirc;m inten&ccedil;&atilde;o de investigar pessoas que t&ecirc;m responsabilidades nacionais ou v&atilde;o limitar-se a pessoas que desempenham o papel de chefes de mil&iacute;cia?&raquo;<sup><a href="#35">35</a></sup><a name="top35"></a></blockquote>     <p></p>     <p>Por outro lado, v&aacute;rias fontes referiram o cansa&ccedil;o da Fran&ccedil;a relativo &agrave; governa&ccedil;&atilde;o de Patass&eacute; e o apoio log&iacute;stico e b&eacute;lico que teria fornecido &agrave;s for&ccedil;as rebeldes, afirma&ccedil;&otilde;es sempre desmentidas pela diplomacia francesa. O pa&iacute;s tem vindo a ser sistematicamente acusado de inger&ecirc;ncias na governa&ccedil;&atilde;o da RCA, com vista &agrave; defesa dos seus interesses financeiros e comerciais na regi&atilde;o<sup><a href="#36">36</a></sup><a name="top36"></a>.</p>     <p>No que respeita &agrave;s v&iacute;timas, se parte da popula&ccedil;&atilde;o considera que o importante &eacute; proceder ao julgamento dos senhores da guerra, outra parte gostaria de ver responsabilizados e castigados os executantes, afirmando que esta seria a melhor forma de repara&ccedil;&atilde;o, uma vez que o conv&iacute;vio di&aacute;rio com os perpetuadores dos crimes e a permanente sensa&ccedil;&atilde;o de impunidade constituem uma nova forma de puni&ccedil;&atilde;o:</p>     <p>     <blockquote>&laquo;em primeiro lugar, a vida ao lado dos carrascos surge como um duplo castigo para as v&iacute;timas. A simples presen&ccedil;a dos autores dos crimes &ndash; viol&ecirc;ncias f&iacute;sicas ou morais, pilhagens &ndash; &eacute; uma nova viol&ecirc;ncia que as toca e as interpela acerca da incapacidade do Estado.&raquo;<sup><a href="#37">37</a></sup><a name="top37"></a></blockquote>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p></p>     <p>No quadro da necessidade de repara&ccedil;&atilde;o, levantaram-se vozes na sociedade civil africana, que consideram que os casos da RDC e da RCA deviam dar origem &agrave; cria&ccedil;&atilde;o de tribunais penais internacionais espec&iacute;ficos, como o que se constituiu no Ruanda, com vista &agrave; investiga&ccedil;&atilde;o do genoc&iacute;dio de 1994.</p>     <p>No caso da RCA, em junho de 2015 Catherine Samba-Panza, chefe de Estado durante o Governo de Transi&ccedil;&atilde;o, promulgou a lei relativa &agrave; cria&ccedil;&atilde;o do Tribunal Criminal Especial (TCE), destinado a julgar crimes graves como genoc&iacute;dio, crimes de guerra e contra a humanidade. Sendo uma estrutura nacional, completamente integrada no sistema judicial do pa&iacute;s, a institui&ccedil;&atilde;o adquire um car&aacute;ter h&iacute;brido por incorporar funcion&aacute;rios nacionais e internacionais.</p>     <p>A decis&atilde;o de estabelecer este tribunal s&oacute; pode ser compreendida no quadro dos esfor&ccedil;os que as Na&ccedil;&otilde;es Unidas t&ecirc;m desenvolvido para restaurar a paz e a seguran&ccedil;a na RCA. O Conselho de Seguran&ccedil;a concedeu, paralelamente, &agrave; miss&atilde;o de paz no pa&iacute;s Medidas Tempor&aacute;rias Urgentes (UTM), que lhe permitem executar deten&ccedil;&otilde;es, o que se coordena com a cria&ccedil;&atilde;o do tribunal especial<sup><a href="#38">38</a></sup><a name="top38"></a>.</p>     <p>O Estatuto de Roma assenta na regra da complementaridade, que concede prioridade aos estados partes para investigarem os crimes graves ocorridos nos seus territ&oacute;rios, reservando para o TPI o estatuto de tribunal de &uacute;ltimo recurso. A cria&ccedil;&atilde;o de uma estrutura judicial interm&eacute;dia como o TCE levanta algumas quest&otilde;es quanto a esta regra mas tamb&eacute;m quanto ao funcionamento regular das institui&ccedil;&otilde;es num momento em que parece existir sobreposi&ccedil;&atilde;o entre a investiga&ccedil;&atilde;o aberta no TPI (CAR II) e a inten&ccedil;&atilde;o de investigar e julgar os crimes graves atrav&eacute;s do TCE. Por outro lado, apesar das enunciadas inten&ccedil;&otilde;es de criar e refor&ccedil;ar institui&ccedil;&otilde;es africanas em &Aacute;frica, esta volta a ser uma estrutura sujeita a influ&ecirc;ncias externas e dependente de financiamento exterior para o seu funcionamento. Acresce que o TCE n&atilde;o tem legitimidade para atuar relativamente a eventuais crimes cometidos por elementos da Miss&atilde;o de Paz, que t&ecirc;m vindo a ser acusados de transgress&otilde;es v&aacute;rias durante a sua perman&ecirc;ncia na RCA. Apesar da promulga&ccedil;&atilde;o da lei relativa &agrave; sua cria&ccedil;&atilde;o, os atrasos na sua implementa&ccedil;&atilde;o, parcialmente justificados com a realiza&ccedil;&atilde;o de elei&ccedil;&otilde;es, parecem levantar quest&otilde;es quanto &agrave; real vontade pol&iacute;tica dos dirigentes centro-africanos para p&ocirc;r efetivamente o TCE em a&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>Por fim, no que respeita ao caso Bemba, outras quest&otilde;es processuais foram levantadas pela defesa, nomeadamente a utiliza&ccedil;&atilde;o imprecisa do termo banyamulenge, desde o mandato de captura, que referia: &laquo;o mandato incide sobre os acontecimentos que decorreram na RCA de 25.10.2002 a 15.03.2003 (&hellip;) Conflito armado entre uma parte das for&ccedil;as armadas centro-africanas (&hellip;) aliada a combatentes do MLC, dirigidos por Jean-Pierre Bemba, vulgarmente chamados &ldquo;Banyamulenge&rdquo;&raquo;. Esta refer&ecirc;ncia foi considerada demonstrativa do desconhecimento da realidade local, uma vez que os banyamulenge s&atilde;o, como vimos, uma parte da popula&ccedil;&atilde;o congolesa de etnia tutsi, que deu origem ao RCD-Goma, apoiado pelo Ruanda, mas que n&atilde;o t&ecirc;m uma correspond&ecirc;ncia direta com o ELC de Jean-Pierre Bemba.</p>     <p>A abertura de um segundo processo contra Bemba e consortes por corrup&ccedil;&atilde;o ativa de testemunhas e apresenta&ccedil;&atilde;o de falsos testemunhos ao Tribunal impediu a utiliza&ccedil;&atilde;o de um conjunto importante de elementos da defesa que foram relacionados com esta segunda linha de investiga&ccedil;&atilde;o: &laquo;O facto de a C&acirc;mara n&atilde;o ter ordenado a jun&ccedil;&atilde;o do caso conexo ao caso principal teve como consequ&ecirc;ncia obrigar a defesa a abandonar os elementos de prova relativos aos 14 testemunhos litigiosos.&raquo;<sup><a href="#39">39</a></sup><a name="top39"></a> Tamb&eacute;m este processo deu origem a condena&ccedil;&otilde;es, lidas no dia 22 de mar&ccedil;o de 2017, que foram, mais uma vez, contestadas pela defesa, visto que grande parte dos elementos de prova ter&aacute; sido obtida atrav&eacute;s de escutas telef&oacute;nicas n&atilde;o autorizadas judicialmente.</p>     <p>Sendo o TPI uma institui&ccedil;&atilde;o de &uacute;ltimo recurso, destinada a suprir as necessidades de investiga&ccedil;&atilde;o e julgamento que os pa&iacute;ses n&atilde;o s&atilde;o capazes de assegurar aos seus pr&oacute;prios cidad&atilde;os, ser&aacute; necess&aacute;rio, para que a sua legitimidade n&atilde;o seja questionada, que assegure o respeito dos procedimentos processuais e que corresponda na medida dos objetivos que lhe foram confiados, aos anseios dos cidad&atilde;os que dele esperam justi&ccedil;a.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>CONCLUS&Otilde;ES</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Aquando da cria&ccedil;&atilde;o do TPI, o ent&atilde;o secret&aacute;rio-geral das Na&ccedil;&otilde;es Unidas, Kofi Annan, chamou-lhe &laquo;d&aacute;diva de esperan&ccedil;a para as gera&ccedil;&otilde;es futuras, e um passo de gigante na caminhada em dire&ccedil;&atilde;o aos direitos humanos e &agrave; justi&ccedil;a&raquo;<sup><a href="#40">40</a></sup><a name="top40"></a>. Quase vinte anos depois da sua cria&ccedil;&atilde;o, esta declara&ccedil;&atilde;o parece fazer-nos olhar para as realiza&ccedil;&otilde;es do TPI como tendo ficado muito aqu&eacute;m dos objetivos a que inicialmente estava votado. De facto, a morosidade dos processos, associada &agrave; dist&acirc;ncia f&iacute;sica entre a institui&ccedil;&atilde;o e o terreno de investiga&ccedil;&atilde;o e ao facto de a grande maioria dos casos atualmente em curso serem relativos a personalidades africanas, tem suscitado discuss&otilde;es relativamente &agrave; validade da institui&ccedil;&atilde;o e ao seu posicionamento no quadro pol&iacute;tico internacional.</p>     <p>V&aacute;rios estados africanos t&ecirc;m manifestado o seu desacordo relativamente &agrave; atua&ccedil;&atilde;o do TPI, sendo que alguns, de entre os quais se destaca a &Aacute;frica do Sul, deram in&iacute;cio aos procedimentos necess&aacute;rios para o abandono e outros j&aacute; manifestaram a inten&ccedil;&atilde;o de sair, considerando que o comportamento da institui&ccedil;&atilde;o assume laivos p&oacute;s-coloniais, ao focar-se quase exclusivamente em &Aacute;frica. A atual dissens&atilde;o tem tamb&eacute;m origem no mandato de captura que o TPI lan&ccedil;ou contra Omar al-Bashir, Presidente do Sud&atilde;o, por alegados crimes de guerra relacionados com o conflito na regi&atilde;o sudanesa do Darfur, no qual morreram 300 mil pessoas e que deu origem a dois milh&otilde;es de deslocados. A &Aacute;frica do Sul autorizou posteriormente uma visita de Bashir ao pa&iacute;s, no quadro da realiza&ccedil;&atilde;o de uma cimeira da Uni&atilde;o Africana alegando que este tinha imunidade, enquanto presidente de um Estado-Membro. A ministra dos Neg&oacute;cios Estrangeiros sul-africana, Maite NKoama-Mashabane, afirma, no texto em que anuncia &agrave;s Na&ccedil;&otilde;es Unidas a sa&iacute;da da &Aacute;frica do Sul do TPI, que o pa&iacute;s &laquo;considera que as suas obriga&ccedil;&otilde;es relativamente &agrave; resolu&ccedil;&atilde;o pac&iacute;fica de conflitos s&atilde;o por vezes incompat&iacute;veis com a interpreta&ccedil;&atilde;o dada pelo Tribunal Penal Internacional&raquo;<sup>41.</sup></p>     <p>Num artigo publicado no Le Monde Afrique, Vilmer<sup><a href="#42">42</a></sup><a name="top42"></a> apresenta uma perspetiva oposta &agrave; dos estados africanos que acusam o TPI de perseguir e condenar apenas pessoas origin&aacute;rias do continente, considerando que o afro-centrismo do TPI n&atilde;o constitui um preconceito contra os africanos mas a favor das v&iacute;timas africanas. O autor refere que um grande n&uacute;mero de estados africanos aderiu ao Estatuto de Roma e que &eacute; l&aacute; que tem ocorrido, desde 2002, o maior n&uacute;mero de crimes pass&iacute;veis de serem julgados pelo TPI por se enquadrarem no n&iacute;vel de gravidade que justificou a sua cria&ccedil;&atilde;o. Sublinha, ainda, que dos nove casos africanos atualmente em curso, seis tiveram origem em solicita&ccedil;&otilde;es diretas de interven&ccedil;&atilde;o por parte dos governos nacionais. Num tom bastante cr&iacute;tico, Vilmer considera &laquo;que se o Tribunal se interessasse apenas por africanos n&atilde;o incomodaria minimamente os chefes de Estado do continente porquanto este se limitasse a agir pela sua iniciativa e contra os seus inimigos&raquo;<sup><a href="#43">43</a></sup><a name="top43"></a>. A tens&atilde;o mant&eacute;m-se e uma eventual rutura massiva dos estados africanos em rela&ccedil;&atilde;o ao Estatuto de Roma j&aacute; constituiu objeto de discuss&atilde;o ao n&iacute;vel da Uni&atilde;o Africana.</p>     <p>A condena&ccedil;&atilde;o de Jean-Pierre Bemba pelo TPI constitui um facto relevante por ter permitido que um ex-vice-presidente se sentasse no banco dos r&eacute;us, por ter criado jurisprud&ecirc;ncia relativamente &agrave; possibilidade de condenar um respons&aacute;vel pelas a&ccedil;&otilde;es dos seus subordinados e, sobretudo, por ter reconhecido o recurso &agrave; viola&ccedil;&atilde;o como arma de guerra. O processo levanta, no entanto, d&uacute;vidas relativamente ao contexto geral de perpetra&ccedil;&atilde;o dos crimes, permitindo questionar a atua&ccedil;&atilde;o do TPI no que respeita &agrave; sele&ccedil;&atilde;o dos acusados, &agrave; condu&ccedil;&atilde;o do processo e aos objetivos que pretende atingir, nomeadamente em termos de respeito dos direitos humanos, n&atilde;o permitindo a perpetua&ccedil;&atilde;o da viol&ecirc;ncia e proporcionando &agrave;s v&iacute;timas a repara&ccedil;&atilde;o que lhes &eacute; devida. Ao centrar-se exclusivamente em Jean-Pierre Bemba, o TPI parece limitar o exerc&iacute;cio da justi&ccedil;a &agrave; condena&ccedil;&atilde;o de um dos intervenientes, o que suscita reflex&atilde;o quanto ao seu posicionamento relativamente aos detentores do poder, designadamente a Fran&ccedil;ois Boziz&eacute;, na RCA, e a Joseph Kabila, na RDC. Apesar de derrotado nas elei&ccedil;&otilde;es presidenciais de 2006, Jean-Pierre Bemba provou ser capaz de unir a oposi&ccedil;&atilde;o congolesa em seu redor, sendo que o caso no TPI o manteve afastado da luta pela presid&ecirc;ncia na RDC, facilitando a manuten&ccedil;&atilde;o do chefe de Estado em fun&ccedil;&otilde;es.</p>     <p>A tens&atilde;o atual entre o TPI e boa parte dos estados africanos parece ter origem em responsabilidades partilhadas no que respeita &agrave; falta de colabora&ccedil;&atilde;o e transpar&ecirc;ncia. A atua&ccedil;&atilde;o da institui&ccedil;&atilde;o tem estado bastante aqu&eacute;m dos objetivos que lhe foram confiados, pelo que parece estar ainda longe de constituir a prometida d&aacute;diva de esperan&ccedil;a &agrave;s gera&ccedil;&otilde;es futuras quanto ao respeito internacional dos direitos humanos.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>BIBLIOGRAFIA</b></p>     <p>AYAD, C. &ndash; &laquo;Des Pygm&eacute;es d&eacute;vor&eacute;s au Congo toujours en vie&raquo;. (Consultado em: 16 de maio de 2017). Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.liberation.fr/planete/2004/09/24/des-pygmees-devores-au-congo-toujours-en-vie_493536" target="_blank" rel="noopener">http://www.liberation.fr/planete/2004/09/24/des-pygmees-devores-au-congo-toujours-en-vie_493536</a>.</p>     <p>BOOYSEN, S. &ndash; &laquo;&ldquo;Choice between malaria and cholera&rdquo; or &ldquo;Democratic fa&ccedil;ade&rdquo;: the 2006 elections in the Democratic Republic of the Congo&raquo;. In <i>Politikon</i>. Vol. 34, N.&ordm; 1, 2007, pp. 1-18.</p>     <p>BREYTENBACH, W., et al. &ndash; &laquo;Conflicts in the Congo: from Kivu to Kabila&raquo;. In <i>African Security Review</i>. Vol. 8, N.&ordm; 5, 1999, pp. 33-42.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>BURKE, J. &ndash; &laquo;Jean-Pierre Bemba sentenced to 18 years in prison by ICC&raquo;. (Consultado em: 20 de mar&ccedil;o de 2017). Dispon&iacute;vel em: <a href="https://www.theguardian.com/law/2016/jun/21/jean-pierre-bemba-sentenced-to18-years-in-prison-by-international-criminal-court" target="_blank" rel="noopener">https://www.theguardian.com/law/2016/jun/21/jean-pierre-bemba-sentenced-to18-years-in-prison-by-international-criminal-court</a>.</p>     <p>ESCOFFIER, S., et al. &ndash; &laquo;Nature et formes de la violence, causes do conflit en RCA&raquo;. (Consultado em: 24 de mar&ccedil;o de 2017). Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.irenees.net/index_fr.html" target="_blank" rel="noopener">http://www.irenees.net/index_fr.html</a>.</p>     <p>GLASIUS, M. &ndash; &laquo;What is global justice and who decides? Civil society and victim responses to the International Criminal Court&rsquo;s first investigations&raquo;. In <i>Human Rights Quarterly</i>. Vol. 31, N.&ordm; 2, 2009, pp. 496-520.</p>     <p>KOKO, S. &ndash; &laquo;From rebels to politicians: explaining the transformation of the rcd-Goma and the MLC in the Democratic Republic of Congo&raquo;. <i>In South African Journal of International Affairs. </i>Vol. 23, N.&ordm; 4, 2016, pp. 521-540.</p>     <p>LA CHAMBRE DE PREMI&Egrave;RE INSTANCE III &ndash; &laquo;Situation em R&eacute;publique Centrafricaine. Affaire Le Procureur c. Jean-Pierre Bemba Gombo&raquo;. ICC-01/05-01/08, 21 de mar&ccedil;o de 2016. (Consultado em: 17 de maio de 2017). Dispon&iacute;vel em: <a href="https://www.ICC-cpi.int/CourtRecords/CR2016_%2008547.PDF" target="_blank" rel="noopener">https://www.ICC-cpi.int/CourtRecords/CR2016_</a><a href="https://www.ICC-cpi.int/CourtRecords/CR2016_%2008547.PDF" target="_blank" rel="noopener"> 08547.PDF</a>.</p>     <p>LABUDA, P. &ndash; &laquo;The special criminal court in car: failure or vindication of complementarity?&raquo; (draft). In <i>Journal of International Criminal Justice</i> (forthcoming). N. 1, 2017.</p>     <p>MABANGA, G. &ndash; &laquo;Affaire Bemba: la cpi fixe les crit&egrave;res d&rsquo;appr&eacute;ciation de la responsabilit&eacute; p&eacute;nale du chef militaire et du sup&eacute;rieur hi&eacute;rarchique&raquo;. In <i>Revue des Droits de l&rsquo;Homme,</i> 2016.</p>     <p>MAKAYA, S. &ndash; &laquo;Quelques consid&eacute;rations critiques sur les r&eacute;parations au profit des victimes dans l&rsquo;affaire contre Thomas Lubanga &agrave; la CPI&raquo;. (Consultado em: 16 de maio de 2017). Dispon&iacute;vel em: <a href="https://www.ijmonitor.org/2016/09/quelques-considerations-critiques-sur-les-reparations-au-profit-des-victimes-dans-laffaire-contre-thomas-lubanga-a-la-cpi/" target="_blank" rel="noopener">https://www.ijmonitor.org/2016/09/quelques-considerations-critiques-sur-les-reparations-au-profit-des-victimes-dans-laffaire-contre-thomas-lubanga-a-la-cpi/</a>.</p>     <p>MATHESON, I. &ndash; &laquo;DR Congo&rsquo;s curious new line-up&raquo;. (Consultado em: 17 de mar&ccedil;o de 2017). Dispon&iacute;vel em: <a href="http://news.bbc.co.uk/2/hi/africa/3076279.stm" target="_blank" rel="noopener">http://news.bbc.co.uk/2/hi/africa/3076279.stm</a>.</p>     <p>MAUPAS, S. <i>&ndash;</i><i> Le Joker des Puissants.</i> Paris: Ed. Don Quichotte, 2016.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Observatoire Pharos; Institut Univiersitaire Varenne, Universite de Bangui &ndash; &laquo;Victimes, impunit&eacute;, justice et reconciliation&raquo;. (Consultado em: 17 de maio de 2017). Dispon&iacute;vel em: <a href="https://www.observatoirepharos.com/wp-content/uploads/2016/09/20161031-Rapport-Pharos-Justice-ok.pdf" target="_blank" rel="noopener">https://www.observatoirepharos.com/wp-content/uploads/2016/09/20161031-Rapport-Pharos-Justice-ok.pdf</a>.</p>     <p>OROGUN, P. &ndash; &laquo;Crisis of government, ethnic schisms, civil war and regional destabilization of the Democratic Republic of Congo&raquo;. (Em linha). In World Affairs. Sage, 2002.</p>     <p>POTTIER, J. &ndash; &laquo;Rights violations, rumour and rhetoric: making sense of cannibalism in Mabasa, Ituri (Democratic Republic of Congo)&raquo;. In <i>Journal of the Royal Anthropological Institute.</i> Vol. 13, N.&ordm; 4, 2007, pp. 825-843.</p>     <p>PNUD &ndash; <i>Rapport Objectifs de D&eacute;veloppement du Mill&eacute;naire 2000-2015 &ndash; Evaluation des progr&egrave;s accomplis par la R&eacute;publique D&eacute;mocratique du Congo dans la r&eacute;alisation des ODM pour le D&eacute;veloppement</i>. Pays, Nations Unies, PNUD, 2016.</p>     <p>PRUNIER, G. &ndash; &laquo;L&rsquo;Ouganda et les guerres congolaises&raquo;. (Em linha). In <i>Politique Africaine</i>. Vol. 3, N.&ordm; 65, 1999, pp. 43-59.</p>     <p>STEARNS, J.K. &ndash; &laquo;Helping Congo help itself &ndash; what it will take to end Africa&rsquo;s worst war&raquo;. In <i>Foreign Affairs</i>. Vol. 92, N.&ordm; 5, 2013, pp. 99-112.</p>     <p>VILMER, J.-B. J. &ndash; &laquo;L&rsquo;Afrique et la Cour P&eacute;nale Internationale: une justice de &ldquo;blancs&rdquo;?&raquo;. In <i>Le Monde.</i> (Consultado em: 25 de mar&ccedil;o de 2017). Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.lemonde.fr/afrique/article/2016/10/31/l-afrique-et-la-cour-penale-internationale1-2-une-justice-de-blancs_5023431_3212.html">http://www.lemonde.fr/afrique/article/2016/10/31/l-afrique-et-la-cour-penale-internationale1-2-une-justice-de-blancs_5023431_3212.html</a>.</p>     <p>VINES, A. &ndash; &laquo;Rhetoric from Brussels and reality on the ground: the eu and security in Africa&raquo;. In <i>International Affairs.</i> Vol. 86, N.&ordm; 5, Oxford, Blackwell, 2010, pp. 1091--1108.</p>     <p>VLAVONOU, G. &ndash; &laquo;Understanding the &ldquo;failure&rdquo; of the Se&#769;le&#769;ka rebellion&raquo;. In <i>African Security Review.</i> Vol 23, N.&ordm; 3, 2014, pp. 318-326.</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Data de rece&ccedil;&atilde;o: 10 de mar&ccedil;o de 2017 | Data de aprova&ccedil;&atilde;o: 22 de maio de 2017</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>NOTAS</b></p>     <p><Sup><a name="1"></a><a href="#top1">1</a></Sup> Os artigos apresentados nas liga&ccedil;&otilde;es seguintes s&atilde;o fontes poss&iacute;veis, entre muitas, de consulta mais aprofundada acerca da biografia de Jean-Pierre Bemba: <a href="https://trialinternational.org/latest-post/jean-pierre-bemba-gombo/" target="_blank" rel="noopener">https://trialinternational.org/latest-post/jean-pierre-bemba-gombo/</a>. (Consultado em: 29 de mar&ccedil;o de 2017); <a href="http://www.bbc.com/news/world-africa35845556" target="_blank" rel="noopener">http://www.bbc.com/news/world-africa35845556</a>. (Consultado em: 29 de mar&ccedil;o de 2017); <a href="http://www.lemonde.fr/m-moyen-format/article/2016/03/28/qui-est-vraiment-jean-pierre-bemba-condamne-pour-crimes-contre-l-humanite_4891285_4497271.html" target="_blank" rel="noopener">http://www.lemonde.fr/m-moyen-format/article/2016/03/28/qui-est-vraiment-jean-pierre-bemba-condamne-pour-crimes-contre-l-humanite_4891285_4497271.html</a>. (Consultado em: 29 de mar&ccedil;o de 2017).</p>     <p><Sup><a name="2"></a><a href="#top2">2</a></Sup> BREYTENBACH, W., et al. &ndash; &laquo;Conflicts in the Congo: from Kivu to Kabila&raquo;. In <i>African Security Review</i>. Vol. 8, N.&ordm; 5, 1999, pp. 33-42; VINES, A. &ndash; &laquo;Rhetoric from Brussels and reality on the ground: the eu and security in Africa&raquo;. In <i>International Affairs</i>. Vol. 86, N.&ordm; 5, Oxford, Blackwell, 2010, pp. 1091-1108.</p>     <p><Sup><a name="3"></a><a href="#top3">3</a></Sup> OROGUN, P. &ndash; &laquo;Crisis of government, ethnic schisms, civil war and regional destabilization of the Democratic Republic of Congo&raquo;. (Em linha). In <i>World Affairs.</i> Sage, 2002.</p>     <p><Sup><a name="4"></a><a href="#top4">4</a></Sup> Para informa&ccedil;&otilde;es complementares acerca da hist&oacute;ria recente da RDC, consultar: <a href="http://perspetive.usherbrooke.ca/bilan/pays/COD/fr.html" target="_blank" rel="noopener">http://perspetive.usherbrooke.ca/bilan/pays/COD/fr.html</a>.</p>     <p><Sup><a name="5"></a><a href="#top5">5</a></Sup> Todas as tradu&ccedil;&otilde;es s&atilde;o tradu&ccedil;&otilde;es livres da autora. OROGUN, P. &ndash; &laquo;Crisis of government&raquo;, pp. 34-35.</p>     <p><Sup><a name="6"></a><a href="#top6">6</a></Sup> PRUNIER, G. &ndash; &laquo;L&rsquo;Ouganda et les guerres congolaises&raquo;. (Em linha). In <i>Politique Africaine</i>. Vol. 3, N.&ordm; 65, 1999, pp. 43-59.</p>     <p><Sup><a name="7"></a><a href="#top7">7</a></Sup> KOKO, S. &ndash; &laquo;From rebels to politicians: explaining the transformation of the RCD-Goma and the MLC in the Democratic Republic of Congo&raquo;. In South African Journal of International Affairs. Vol. 23, N.&ordm; 4, 2016, p. 525.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><Sup><a name="8"></a><a href="#top8">8</a></Sup> AYAD, C. &ndash; &laquo;Des Pygm&eacute;es d&eacute;vor&eacute;s au Congo toujours en vie&raquo;. (Consultado em&nbsp;: 16 de maio de 2017). Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.liberation.fr/planete/2004/09/24/des-pygmees-devores-au-congo-toujours-en-vie_493536" target="_blank" rel="noopener">http://www.liberation.fr/planete/2004/09/24/des-pygmees-devores-au-congo-toujours-en-vie_493536</a>.</p>     <p><Sup><a name="9"></a><a href="#top9">9</a></Sup> Bemba citado por Libre Belgique citado por Pottier, J. &ndash; &laquo;Rights violations, rumour and rhetoric: making sense of cannibalism in MABASA, Ituri (Democratic Republic of Congo)&raquo;. In <i>Journal of the Royal Anthropological Institute</i>. Vol. 13, N.&ordm; 4, 2007, p. 834.</p>     <p><Sup><a name="10"></a><a href="#top10">10</a></Sup> Koko, S. &ndash; &laquo;From rebels to politicians&raquo;, p. 531.</p>     <p><Sup><a name="11"></a><a href="#top11">11</a></Sup> Sun City, 17 de dezembro de 2002.</p>     <p><Sup><a name="12"></a><a href="#top12">12</a></Sup> MATHESON, I. &ndash; &laquo;DR Congo&rsquo;s curious new line-up&raquo;. (Consultado em: 17 de mar&ccedil;o de 2017). Dispon&iacute;vel em: <a href="http://news.bbc.co.uk/2/hi/africa/3076279.stm" target="_blank" rel="noopener">http://news.bbc.co.uk/2/hi/africa/3076279.stm</a>.</p>     <p><Sup><a name="13"></a><a href="#top13">13</a></Sup> KOKO, S. &ndash; &laquo;From rebels to politicians&raquo;, p. 526.</p>     <p><Sup><a name="14"></a><a href="#top14">14</a></Sup> BOOYSEN, S. &ndash; &laquo;&ldquo;Choice between malaria and cholera&rdquo; or &ldquo;Democratic fa&ccedil;ade&rdquo;: the 2006 elections in the Democratic Republic of the Congo&raquo;. In <i>Politikon</i>. Vol. 34, N.&ordm; 1, 2007, p. 3.</p>     <p><Sup><a name="15"></a><a href="#top15">15</a></Sup> Para mais informa&ccedil;&atilde;o aceRCA do processo eleitoral, consultar <a href="http://africanelections.tripod.com/cd.html" target="_blank" rel="noopener">http://africanelections.tripod.com/cd.html</a>.</p>     <p><Sup><a name="16"></a><a href="#top16">16</a></Sup> Bemba, 2006, citado por BOOYSEN, S. &ndash; &laquo;&ldquo;Choice between malaria and cholera&rdquo;&raquo;, p. 15.</p>     <p><Sup><a name="17"></a><a href="#top17">17</a></Sup> Acerca da atual for&ccedil;a eleitoral de Jean-Pierre Bemba, in&uacute;meros artigos de imprensa fizeram refer&ecirc;ncia &agrave; oposi&ccedil;&atilde;o real que este poderia constituir caso se apresentasse como advers&aacute;rio de Joseph Kabila; os artigos aqui referidos s&atilde;o disso exemplo: <a href="http://afrique.kongotimes.info/RDC/justice/10363-RDC-jean-pierre-bemba-pese-lourd-conjungo-ancien-chef-guerre-peut-changer-donne.html" target="_blank" rel="noopener">http://afrique.kongotimes.info/RDC/justice/10363-RDC-jean-pierre-bemba-pese-lourd-conjungo-ancien-chef-guerre-peut-changer-donne.html</a>; <a href="http://www.justiceinfo.net/fr/component/k2/26445-jean-pierre-bemba,-de-la-r&eacute;bellion-&agrave;-la-cpi-en-passant-par-la-vice-pr&eacute;sidence-congolaise.html" target="_blank" rel="noopener">http://www.justiceinfo.net/fr/component/k2/26445-jean-pierre-bemba,-de-la-r&eacute;bellion-&agrave;-la-cpi-en-passant-par-la-vice-pr&eacute;sidence-congolaise.html</a>; <a href="http://africanarguments.org/2014/06/24/drc-elections-will-kabila-stay-or-go-and-many-other-questions-on-the-road-to2016-by-manya-riche-and-kris-berwouts/" target="_blank" rel="noopener">http://africanarguments.org/2014/06/24/drc-elections-will-kabila-stay-or-go-and-many-other-questions-on-the-road-to2016-by-manya-riche-and-kris-berwouts/</a>.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><Sup><a name="18"></a><a href="#top18">18</a></Sup> STEARNS, J.K. &ndash; &laquo;Helping Congo help itself &ndash; what it will take to end Africa&rsquo;s worst war&raquo;. In <i>Foreign Affairs</i>. Vol. 92,N.&ordm; 5, 2013, p. 105.</p>     <p><Sup><a name="19"></a><a href="#top19">19</a></Sup> ESCOFFIER, S., et al. &ndash; &laquo;Nature et formes de la violence, causes do conflit en RCA&raquo;. (Consultado em: 24 de mar&ccedil;o de 2017). Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.irenees.net/index_fr.html" target="_blank" rel="noopener">http://www.irenees.net/index_fr.html</a>; e Vlavonou, G. &ndash; &laquo;Understanding the &ldquo;failure&rdquo; of the Se&#769;le&#769;ka rebellion&raquo;. In African Security Review. Vol. 23, N.&ordm; 3, 2014, pp. 318-326.</p>     <p><Sup><a name="20"></a><a href="#top20">20</a></Sup> ESCOFFIER, S., et al. &ndash; &laquo;Nature et formes de la violence&raquo;.</p>     <p><Sup><a name="21"></a><a href="#top21">21</a></Sup> Para informa&ccedil;&otilde;es detalhadas acerca do per&iacute;odo p&oacute;s-independ&ecirc;ncia na RCA, consultar: <a href="http://perspetive.usherbrooke.ca/bilan/pays/CAF/fr.html" target="_blank" rel="noopener">http://perspetive.usherbrooke.ca/bilan/pays/CAF/fr.html</a>.</p>     <p><Sup><a name="22"></a><a href="#top22">22</a></Sup> Toda a informa&ccedil;&atilde;o relativa aos casos Bemba, principal e conexo, e aos casos CAR I e II foi recolhida atrav&eacute;s da an&aacute;lise dos elementos processuais, dispon&iacute;veis para consulta no s&iacute;tio do Tribunal Penal Internacional (<a href="https://www.ICC-cpi.int/Pages/Home.aspx" target="_blank" rel="noopener">https://www.ICC-cpi.int/Pages/Home.aspx</a>), consultado em 20 de fevereiro de 2017.</p>     <p><Sup><a name="23"></a><a href="#top23">23</a></Sup> LABUDA, P. &ndash; &laquo;The special criminal court in car: failure or vindication of complementarity?&raquo; (draft). In <i>Journal of International Criminal Justice</i> (forthcoming). N. 1, 2017.</p>     <p><Sup><a name="24"></a><a href="#top24">24</a></Sup> CAR II &eacute; o nome sob o qual o processo pode ser consultado na documenta&ccedil;&atilde;o do TPI.</p>     <p><Sup><a name="25"></a><a href="#top25">25</a></Sup> BURKE, J. &ndash; &laquo;Jean-Pierre Bemba sentenced to 18 years in prison by ICC&raquo;. (Consultado em: 20 de mar&ccedil;o de 2017). Dispon&iacute;vel em: <a href="https://www.theguardian.com/law/2016/jun/21/jean-pierre-bemba-sentenced-to18-years-in-prison-by-international-criminal-court" target="_blank" rel="noopener">https://www.theguardian.com/law/2016/jun/21/jean-pierre-bemba-sentenced-to18-years-in-prison-by-international-criminal-court</a>.</p>     <p><Sup><a name="26"></a><a href="#top26">26</a></Sup> BENSOUDA, 2016, citada por BURKE, J. &ndash; &laquo;Jean-Pierre Bemba sentenced to 18 years in prison by ICC&raquo;.</p>     <p><Sup><a name="27"></a><a href="#top27">27</a></Sup> Para acompanhar a evolu&ccedil;&atilde;o dos casos Bemba, principal e conexo, est&aacute; dispon&iacute;vel em linha um projeto da Open Society Justice Initiative, intitulado &laquo;Le Proc&egrave;s Jean-Pierre Bemba Gombo, l&rsquo;accus&eacute;&raquo; (cf. <a href="http://french.bembatrial.org" target="_blank" rel="noopener">http://french.bembatrial.org</a>).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><Sup><a name="28"></a><a href="#top28">28</a></Sup> GLASIUS, M. &ndash; &laquo;What is global justice and who decides? Civil society and victim responses to the International Criminal Court&rsquo;s first investigations&raquo;. In <i>Human Rights Quarterly. </i>Vol. 31, N.&ordm; 2, 2009, p. 503.</p>     <p><Sup><a name="29"></a><a href="#top29">29</a></Sup> MAKAYA, S. &ndash; &laquo;Quelques consid&eacute;rations critiques sur les r&eacute;parations au profit des victimes dans l&rsquo;affaire contre Thomas Lubanga &agrave; la CPI&raquo;. (Consultado em: 16 de maio de 2017). Dispon&iacute;vel em: <a href="https://www.ijmonitor.org/2016/09/quelques-considerations-critiques-sur-les-reparations-au-profit-des-victimes-dans-laffaire-contre-thomas-lubanga-a-la-cpi/" target="_blank" rel="noopener">https://www.ijmonitor.org/2016/09/quelques-considerations-critiques-sur-les-reparations-au-profit-des-victimes-dans-laffaire-contre-thomas-lubanga-a-la-cpi/</a>.</p>     <p><Sup><a name="30"></a><a href="#top30">30</a></Sup> GLASIUS, M. &ndash; &laquo;What is global justice and who decides?&raquo;, p. 507.</p>     <p><Sup><a name="31"></a><a href="#top31">31</a></Sup> Observatoire Pharos; Institut Univiersitaire Varenne, Universite de Bangui &ndash; &laquo;Victimes, impunit&eacute;, justice et reconciliation&raquo;. (Consultado em: 17 de maio de 2017). Dispon&iacute;vel em: <a href="https://www.observatoirepharos.com/wp-content/uploads/2016/09/20161031-Rapport-Pharos-Justice-ok.pdf" target="_blank" rel="noopener">https://www.observatoirepharos.com/wp-content/uploads/2016/09/20161031-Rapport-Pharos-Justice-ok.pdf</a>.</p>     <p><Sup><a name="32"></a><a href="#top32">32</a></Sup> LA CHAMBRE DE PREMI&Egrave;RE INSTANCE III &ndash; &laquo;Situation em R&eacute;publique Centrafricaine. Affaire Le Procureur c. Jean-Pierre Bemba Gombo&raquo;, ICC-01/05-01/08, 21 de mar&ccedil;o de 2016. (Consultado em: 17 de maio de 2017). Dispon&iacute;vel em: <a href="https://www.icc-cpi.int/CourtRecords/CR2016_08547.PDF" target="_blank" rel="noopener">https://www.ICC-cpi.int/CourtRecords/CR2016_08547.PDF</a>.</p>     <p><Sup><a name="33"></a><a href="#top33">33</a></Sup> MABANGA, G. &ndash; &laquo;Affaire Bemba: la cpi fixe les crit&egrave;res d&rsquo;appr&eacute;ciation de la responsabilit&eacute; p&eacute;nale du chef militaire et du sup&eacute;rieur hi&eacute;rarchique&raquo;. In <i>Revue des Droits de l&rsquo;Homme</i>, 2016, p. 7.</p>     <p><Sup><a name="34"></a><a href="#top34">34</a></Sup> GLASIUS, M. &ndash; &laquo;What is global justice and who decides?&raquo;, p. 504.</p>     <p><Sup><a name="35"></a><a href="#top35">35</a></Sup> JORDA, citado por Maupas, S. &ndash; <i>Le Joker des Puissants</i>. Paris: Ed. Don Quichotte, 2016.</p>     <p><Sup><a name="36"></a><a href="#top36">36</a></Sup> Relativamente &agrave; presen&ccedil;a e interven&ccedil;&atilde;o francesas na RCA, circulam desde h&aacute; muito informa&ccedil;&otilde;es apresentadas por fontes mais ou menos cred&iacute;veis quanto aos interesses econ&oacute;micos que justificam a liga&ccedil;&atilde;o do antigo colonizador com o territ&oacute;rio centro-africano desde a sua independ&ecirc;ncia. Apresentamos, por exemplo, <a href="http://www.une-autre-histoire.org/la-france-et-la-centrafrique/" target="_blank" rel="noopener">http://www.une-autre-histoire.org/la-france-et-la-centrafrique/</a> ; <a href="http://www1.rfi.fr/actufr/articles/018/article_8994.asp" target="_blank" rel="noopener">http://www1.rfi.fr/actufr/articles/018/article_8994.asp</a> ; <a href="http://www.investigaction.net/Centrafrique-les-raisons-cachees/" target="_blank" rel="noopener">http://www.investigaction.net/Centrafrique-les-raisons-cachees/</a> ; <a href="http://www.alwihdainfo.com/Centrafrique-Declaration-historique-sur-la-guerre-du-petrole_a10085.html" target="_blank" rel="noopener">http://www.alwihdainfo.com/Centrafrique-Declaration-historique-sur-la-guerre-du-petrole_a10085.html</a>.</p>     <p><Sup><a name="37"></a><a href="#top37">37</a></Sup> Observatoire Pharos; Institut Univiersitaire Varenne, Universite de Bangui &ndash; &laquo;Victimes&raquo;, p. 13.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><Sup><a name="38"></a><a href="#top38">38</a></Sup> LABUDA, P. &ndash; &laquo;The special criminal court in car&raquo;.</p>     <p><Sup><a name="39"></a><a href="#top39">39</a></Sup> MABANGA, G. &ndash; &laquo;Affaire Bemba&raquo;, p. 7.</p>     <p><Sup><a name="40"></a><a href="#top40">40</a></Sup> ANNAN, 1998, citado por GLASIUS, M. &ndash; &laquo;What is global justice and who decides?&raquo;.</p>     <p><Sup><a name="41"></a><a href="#top41">41</a></Sup> Declara&ccedil;&atilde;o recolhida no Expresso online, de 21 de outubro de 2016. (Consultado em: 30 de abril de 2017). Dispon&iacute;vel em: <a href="http://expresso.sapo.pt/internacional/2016-10-21-Africa-do-Sul-abandona-Tribunal-Penal-Internacional" target="_blank" rel="noopener">http://expresso.sapo.pt/internacional/2016-10-21-Africa-do-Sul-abandona-Tribunal-Penal-Internacional</a>.</p>     <p><Sup><a name="42"></a><a href="#top42">42</a></Sup> VILMER, J.-B. J. &ndash; &laquo;L&rsquo;Afrique et la Cour P&eacute;nale Internationale: une justice de &ldquo;blancs&rdquo;?&raquo;. In <i>Le Monde.</i> (Consultado em: 25 de mar&ccedil;o de 2017). Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.lemonde.fr/afrique/article/%202016/10/31/l-afrique-et-la-cour-penale-internationale1-2-une-justice-de-blancs_5023431_3212.html" target="_blank" rel="noopener">http://www.lemonde.fr/afrique/article/</a><a href="http://www.lemonde.fr/afrique/article/%202016/10/31/l-afrique-et-la-cour-penale-internationale1-2-une-justice-de-blancs_5023431_3212.html" target="_blank" rel="noopener"> 2016/10/31/l-afrique-et-la-cour-penale-internationale1-2-une-justice-de-blancs_5023431_3212.html</a>.</p>     <p><Sup><a name="43"></a><a href="#top43">43</a></Sup> Ibidem.</p>      ]]></body><back>
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