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<article-id pub-id-type="doi">10.23906/ri2017.55a05</article-id>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[O poder e as ideias na política externa da Indonésia democrática: Ser ou não ser um ator global?]]></article-title>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Power and ideas in Indonesia's democratic foreign policy: to be or not to be a global player?]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[This article makes an interlinked analysis of the material and ideational factors that constitute the main coordinates of democratic Indonesia's foreign policy. Unlike traditional rationalist analyzes, it proposes a sociocultural approach with the aim of making a sophisticated understanding of the ideas and practices of the international behaviour of the Indonesian State. It develops an analysis of the internal political cycles of democratic Indonesia and synthesizes the main features of its foreign policy. Finally, discusses the reasons and motives for Indonesia to be, not to be, or coming to be, an important international actor.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p style="text-align: right;"><b>AN&Aacute;LISE DE POL&Iacute;TICA EXTERNA: TEND&Ecirc;NCIAS E DIN&Acirc;MICAS</b></p>     <p style="text-align: right;">&nbsp;</p>     <p><b>O&nbsp;poder&nbsp;e as&nbsp;ideias&nbsp;na pol&iacute;tica externa da Indon&eacute;sia democr&aacute;tica: Ser ou n&atilde;o ser um ator global?</b></p>     <p><b>Power&nbsp;and&nbsp;ideas&nbsp;in Indonesia&rsquo;s democratic foreign policy: to be or not to be a global player?</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Pedro Emanuel Mendes</b></p>     <p>Doutor em Rela&ccedil;&otilde;es Internacionais pela FCSH-NOVA, mestre em Sociedades e Pol&iacute;ticas Europeias pelo ISCTE-IUL e licenciado em Rela&ccedil;&otilde;es Internacionais pela Universidade Lus&iacute;ada. &Eacute; investigador do CEPESE da Universidade do Porto, professor auxiliar na Universidade Lus&iacute;ada e professor convidado na Porto Executive Academy (PAE) do Instituto Polit&eacute;cnico do Porto. As suas principais &aacute;reas de interesse, com diversos trabalhos publicados, s&atilde;o a pol&iacute;tica externa portuguesa, as teorias das rela&ccedil;&otilde;es internacionais, a an&aacute;lise da pol&iacute;tica externa dos estados e a teoria pol&iacute;tica.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>RESUMO</b></p>     <p>Este artigo faz uma an&aacute;lise interligada dos fatores de poder e dos fatores ideacionais que constituem as principais coordenadas da pol&iacute;tica externa da Indon&eacute;sia democr&aacute;tica. Ao contr&aacute;rio das an&aacute;lises racionalistas tradicionais, prop&otilde;e uma abordagem sociocultural com o objetivo de introduzir uma compreens&atilde;o sofisticada sobre as ideias e as pr&aacute;ticas do comportamento internacional do Estado indon&eacute;sio. Desenvolve uma an&aacute;lise dos ciclos pol&iacute;ticos internos da Indon&eacute;sia democr&aacute;tica e sintetiza as principais caracter&iacute;sticas da sua pol&iacute;tica externa. Finalmente, discute os motivos e raz&otilde;es para a Indon&eacute;sia ser, n&atilde;o ser, ou vir a ser, um importante ator internacional.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Palavras-chave:&nbsp;</b>Pol&iacute;tica externa indon&eacute;sia, an&aacute;lise da pol&iacute;tica externa, poder material e ideacional, Sudeste Asi&aacute;tico.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>ABSTRACT</b></p>     <p>This article makes an interlinked analysis of the material and ideational factors that constitute the main coordinates of democratic Indonesia&rsquo;s foreign policy. Unlike traditional rationalist analyzes, it proposes a sociocultural approach with the aim of making a sophisticated understanding of the ideas and practices of the international behaviour of the Indonesian State. It develops an analysis of the internal political cycles of democratic Indonesia and synthesizes the main features of its foreign policy. Finally, discusses the reasons and motives for Indonesia to be, not to be, or coming to be, an important international actor.</p>     <p><b>Keywords:</b>&nbsp;Indonesia foreign policy, foreign policy analysis, material and ideational power, Southeast Asia.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>INTRODU&Ccedil;&Atilde;O</b></p>     <p>O que &eacute; que move os estados? Os estados obedecem unicamente a uma l&oacute;gica racional de maximiza&ccedil;&atilde;o de fatores materiais (poder) ou o seu comportamento obedece simult&acirc;nea e interligadamente a l&oacute;gicas ideacionais (ideias), nomeadamente, normativas, ideol&oacute;gicas e identit&aacute;rias?</p>     <p>Por outro lado, na constante dial&eacute;tica entre continuidade e mudan&ccedil;a dos padr&otilde;es hist&oacute;ricos das pol&iacute;ticas externas dos estados, qual a import&acirc;ncia das transi&ccedil;&otilde;es pol&iacute;ticas internas na redefini&ccedil;&atilde;o dos seus interesses?</p>     <p>Partindo desta problem&aacute;tica, este artigo desenvolve uma an&aacute;lise da pol&iacute;tica externa da Indon&eacute;sia democr&aacute;tica. Relaciona a pol&iacute;tica interna com a pol&iacute;tica externa da Indon&eacute;sia, sintetiza as suas principais caracter&iacute;sticas e discute a possibilidade da sua afirma&ccedil;&atilde;o global.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Como os fundadores da an&aacute;lise de pol&iacute;tica externa (APE) constataram<sup><a href="#1">1</a></sup><a name="top1"></a>, e recentemente foi recordado, a pol&iacute;tica externa come&ccedil;a na pol&iacute;tica interna<sup><a href="#2">2</a></sup><a name="top2"></a>. Assim, centramo-nos na an&aacute;lise dos ciclos pol&iacute;ticos internos da institui&ccedil;&atilde;o democr&aacute;tica indon&eacute;sia e na sua influ&ecirc;ncia nas din&acirc;micas de continuidade e mudan&ccedil;a das ideias e interesses da sua pol&iacute;tica externa.</p>     <p>O artigo sublinha que para compreendermos a pol&iacute;tica externa da Indon&eacute;sia democr&aacute;tica devemos ter consci&ecirc;ncia das din&acirc;micas de reconstru&ccedil;&atilde;o dos seus interesses, bem como da import&acirc;ncia dos decisores e dos seus contextos, nomeadamente dos ambientes pol&iacute;ticos e ideacionais que constroem as suas vis&otilde;es do mundo e respetivas ideias e pol&iacute;ticas. O artigo realiza uma identifica&ccedil;&atilde;o compreensiva da evolu&ccedil;&atilde;o dos interesses e das ideias da pol&iacute;tica externa indon&eacute;sia (PEI) desde a transi&ccedil;&atilde;o democr&aacute;tica at&eacute; &agrave; atualidade (1998-2017).</p>     <p>O seu primeiro objetivo &eacute; demonstrar a rela&ccedil;&atilde;o entre estabilidade pol&iacute;tica interna e proje&ccedil;&atilde;o global da Indon&eacute;sia. O seu segundo objetivo &eacute; discutir a emerg&ecirc;ncia do poder e das ideias da&nbsp;PEI&nbsp;e a consequente possibilidade de a Indon&eacute;sia se transformar num Estado com influ&ecirc;ncia global. Neste quadro, tenta responder &agrave;s seguintes quest&otilde;es:</p> <ul>       <li>Qual o impacto da transi&ccedil;&atilde;o democr&aacute;tica na pol&iacute;tica externa indon&eacute;sia?</li>       <li>Quais as possibilidades de a Indon&eacute;sia se tornar um importante ator global?</li>     </ul>     <p>O artigo est&aacute; divido em tr&ecirc;s partes. Na primeira, desenvolvemos argumentos te&oacute;ricos sobre o que os estados querem e como constroem os seus interesses. Apresentamos uma abordagem sociocultural da an&aacute;lise da pol&iacute;tica externa e quatro ideias-chave sobre como contar melhores hist&oacute;rias sobre a pol&iacute;tica externa dos estados. Na segunda parte fazemos uma an&aacute;lise dos contextos, ideias e decisores da pol&iacute;tica interna e da sua influ&ecirc;ncia na evolu&ccedil;&atilde;o adaptativa da&nbsp;PEI. Na terceira parte apresentamos os principais fatores de poder material e ideacional da&nbsp;PEI&nbsp;e discutimos as possibilidades da Indon&eacute;sia se tornar um importante ator global.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>O QUE &Eacute; QUE OS ESTADOS QUEREM&nbsp;E COMO &Eacute; QUE PODEMOS EXPLICAR AS SUAS POL&Iacute;TICAS EXTERNAS?</b></p>     <p>Todos os estados querem poder, seguran&ccedil;a e riqueza (PSR). Os racionalistas, sobretudo realistas, sublinham que o fator preponderante nas rela&ccedil;&otilde;es internacionais &eacute; a&nbsp;busca pelo poder, &eacute; da&nbsp;natureza humana... Todos os l&iacute;deres, de todas as &eacute;pocas, buscam aumentar o poder.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>O neorrealismo estrutural explicitou: para al&eacute;m da natureza humana, o que &eacute; relevante &eacute; a natureza intrinsecamente an&aacute;rquica e competitiva das rela&ccedil;&otilde;es internacionais.&nbsp; A forma como os estados se comportam deriva da aus&ecirc;ncia de governo internacional, do&nbsp;estrutural dilema de seguran&ccedil;a, da desigual distribui&ccedil;&atilde;o de poder no sistema e dos equil&iacute;brios e desequil&iacute;brios estruturais e regionais de poder.</p>     <p>O neoliberalismo institucional acrescentou: sim, os estados s&atilde;o atores racionais, competitivos e ego&iacute;stas em busca de&nbsp;PSR, mas podem cooperar. Atrav&eacute;s das institui&ccedil;&otilde;es, os estados desenvolvem la&ccedil;os multilaterais que minimizam os dilemas de seguran&ccedil;a. Os estados podem criar comunidades de seguran&ccedil;a e desenvolvimento atrav&eacute;s de solu&ccedil;&otilde;es institucionais. O liberalismo sublinhou: sim, &eacute; poss&iacute;vel criar comunidades de seguran&ccedil;a e ilhas de paz, sobretudo se as elites pol&iacute;ticas e econ&oacute;micas o desejarem e se essas comunidades forem constitu&iacute;das por democracias consolidadas<sup><a href="#3">3</a></sup><a name="top3"></a>.</p>     <p>As abordagens sociol&oacute;gicas, designadamente o construtivismo, constataram: sim, todos estes pressupostos te&oacute;ricos podem ser v&aacute;lidos mas, em &uacute;ltima an&aacute;lise, todas as vari&aacute;veis explicativas (poder material, estrutura do sistema, institui&ccedil;&otilde;es, elites e tipo de regimes internos) dependem de interpreta&ccedil;&otilde;es ideacionais, de processos de socializa&ccedil;&atilde;o e de significados coletivos<sup><a href="#4">4</a></sup><a name="top4"></a>. Para compreendermos o que os estados querem, temos de perceber que, para al&eacute;m de atores racionais, os estados s&atilde;o atores sociais que atuam de acordo com normas, contextos e pr&aacute;ticas sociais. Contrariamente &agrave; simplificante vis&atilde;o racionalista, os estados n&atilde;o definem os seus interesses nacionais tendo em conta apenas uma &ndash; objetiva e aritm&eacute;tica &ndash; mec&acirc;nica de maximiza&ccedil;&atilde;o&nbsp;versus&nbsp;minimiza&ccedil;&atilde;o de fatores materiais. Os estados n&atilde;o querem simplesmente&nbsp;poder, tamb&eacute;m querem&nbsp;<i>status</i><sup><a href="#5">5</a></sup><a name="top5"></a>&nbsp;e&nbsp;<i>spirit</i><sup><a href="#6">6</a></sup><a name="top6"></a>.</p>     <p>Os estados atuam de acordo com fatores materiais (poder), mas tamb&eacute;m de acordo com fatores ideacionais (ideias), nomeadamente, percetivos, normativos e identit&aacute;rios. Apesar de todos os estados, em abstrato, quererem&nbsp;PSR, a forma como pensam, definem e constroem as suas pol&iacute;ticas p&uacute;blicas nacionais em busca dos seus interesses varia em fun&ccedil;&atilde;o das ideias dos seus l&iacute;deres, da sua cultura pol&iacute;tica e das din&acirc;micas de constru&ccedil;&atilde;o e reconstru&ccedil;&atilde;o da identidade nacional.</p>     <p>Embora todos os estados tenham uma identidade ontol&oacute;gica corporativa, segunda a qual procuram interesses nacionais b&aacute;sicos ligados ao&nbsp;PSR, na pr&aacute;tica, como a&nbsp;APE&nbsp;demonstra, os estados constroem os seus interesses nacionais em fun&ccedil;&atilde;o das vis&otilde;es ideacionais e dos contextos socioculturais e identit&aacute;rios dos seus decisores.</p>     <p>O que os estados querem e fazem depende dos seus fatores de poder e das suas condicionantes geopol&iacute;ticas, mas n&atilde;o separadamente dos seus contextos socioculturais e identit&aacute;rios e de considera&ccedil;&otilde;es normativas.</p>     <p>Por exemplo, a&nbsp;liberta&ccedil;&atilde;o&nbsp;indon&eacute;sia de Timor obedeceu a um complexo e interligado jogo pol&iacute;tico-diplom&aacute;tico, mas, em &uacute;ltima an&aacute;lise, a l&oacute;gica normativa foi decisiva na decis&atilde;o indon&eacute;sia. Em momentos de decis&atilde;o cr&iacute;ticos, como os das transi&ccedil;&otilde;es pol&iacute;ticas, os decisores t&ecirc;m uma tend&ecirc;ncia particular para procurar caminhos com um significado normativo adequado. Nesses momentos, os decisores t&ecirc;m a oportunidade de repensar o que s&atilde;o, qual a sua rela&ccedil;&atilde;o com os outros, o que podem vir a ser e como &eacute; que o&nbsp;poder&nbsp;deve ser redistribu&iacute;do<sup><a href="#7">7</a></sup><a name="top7"></a>. Como sublinham March e Olson, muitas vezes nestas situa&ccedil;&otilde;es os decisores procuram balizar as suas decis&otilde;es de acordo com modelos leg&iacute;timos e sistemas pol&iacute;ticos normativamente exemplares<sup><a href="#8">8</a></sup><a name="top8"></a>.</p>     <p>Conv&eacute;m, todavia, sublinhar que n&atilde;o menosprezamos a import&acirc;ncia primacial dos fatores materiais na constru&ccedil;&atilde;o dos interesses dos estados e na formula&ccedil;&atilde;o das suas pol&iacute;ticas externas. O que defendemos &eacute; que n&atilde;o podemos compreender a pol&iacute;tica externa dos estados se apenas tivermos em conta os fatores materiais e as l&oacute;gicas racionalistas-consequenciais de obten&ccedil;&atilde;o de&nbsp;PSR. Os fatores materiais n&atilde;o podem ser desligados das interpreta&ccedil;&otilde;es ideacionais dos decisores sobre o que pensam que, em determinado contexto hist&oacute;rico, s&atilde;o os interesses nacionais dos estados.</p>     <p>Neste quadro, temos vindo a consolidar um modelo de an&aacute;lise da pol&iacute;tica externa dos estados que designamos de&nbsp;sociocultural. Este modelo baseia-se nas ideias b&aacute;sicas da abordagem fenomenol&oacute;gica da inven&ccedil;&atilde;o da&nbsp;APE<sup><a href="#9">9</a></sup><a name="top9"></a> , nas cr&iacute;ticas &agrave; vis&atilde;o racionalista, na viragem sociol&oacute;gica e ideacional provocada pela ascens&atilde;o do construtivismo<sup><a href="#10">10</a></sup><a name="top10"></a>, bem como na assun&ccedil;&atilde;o das especificidades hist&oacute;rico-culturais do pensamento e a&ccedil;&atilde;o dos estados<sup><a href="#11">11</a></sup><a name="top11"></a>.</p>     <p>A nossa abordagem sociocultural assume quatro pressupostos te&oacute;ricos b&aacute;sicos.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Primeiro, os agentes fundamentais na pol&iacute;tica externa s&atilde;o os decisores.</p>     <p>Segundo, os interesses e as prefer&ecirc;ncias dos governos t&ecirc;m de ser compreendidos n&atilde;o s&oacute; como resultado de press&otilde;es das estruturas dom&eacute;sticas mas tamb&eacute;m tendo em conta o seu contexto identit&aacute;rio e normativo, interno e internacional.</p>     <p>Terceiro, as ideias s&atilde;o fatores consequenciais na defini&ccedil;&atilde;o dos interesses e escolhas dos estados e est&atilde;o sempre presentes na forma&ccedil;&atilde;o das prefer&ecirc;ncias e interesses dos decisores.</p>     <p>Quarto, a estrutura da ordem internacional &eacute; material mas tamb&eacute;m &eacute; social e, sobretudo, &eacute; intersubjetiva.</p>     <p>A pol&iacute;tica externa dos estados &eacute; sempre o resultado de um complexo processo interativo entre a sociedade internacional (SI) e a sociedade nacional (SN), onde o papel da identidade, das ideias e das normas influencia a conce&ccedil;&atilde;o dos atores sobre os seus interesses, prefer&ecirc;ncias e consequentes decis&otilde;es</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f1"></a> <img src="/img/revistas/ri/n55/n55a05f1.jpg">     
<p>&nbsp;</p>     <p>De um ponto de vista das estrat&eacute;gias operacionais de investiga&ccedil;&atilde;o, importa assumir quatro ideias-chave para explicar a pol&iacute;tica externa dos estados<sup><a href="#12">12</a></sup><a name="top12"></a>. Primeiro, a pol&iacute;tica externa &eacute; o resultado de um constante esfor&ccedil;o de adapta&ccedil;&atilde;o<sup><a href="#13">13</a></sup><a name="top13"></a>. Segundo, a pol&iacute;tica externa tem a sua origem na pol&iacute;tica interna e interliga-se com a pol&iacute;tica internacional numa l&oacute;gica de&nbsp;<i>linkage</i><sup><a href="#14">14</a></sup><a name="top14"></a>&nbsp;e de jogos multin&iacute;vel<sup><a href="#15">15</a></sup><a name="top15"></a>. Terceiro, a pol&iacute;tica externa dos estados baseia-se numa permanente dial&eacute;tica entre continuidade e mudan&ccedil;a dos seus padr&otilde;es hist&oacute;ricos. Por &uacute;ltimo, &eacute; essencial perceber que embora o ponto de partida de toda a an&aacute;lise de pol&iacute;tica externa seja a identifica&ccedil;&atilde;o compreensiva dos contextos internos e externos que condicionam determinada&nbsp;situa&ccedil;&atilde;o, estes contextos s&atilde;o sempre apreendidos em fun&ccedil;&atilde;o das perce&ccedil;&otilde;es e vis&otilde;es do mundo&nbsp;dos decisores. Mais do que os dados objetivos de determinada situa&ccedil;&atilde;o, importa perceber quais as perce&ccedil;&otilde;es dos atores relativamente aos dados da situa&ccedil;&atilde;o, aquilo que designamos de fatores ideol&oacute;gicos e percetivos.</p>     <p>Relativamente ao nosso caso, importa sintetizar as ideias e ciclos tradicionais que comp&otilde;em o padr&atilde;o hist&oacute;rico da&nbsp;PEI.</p>     <p>A ideia matricial da&nbsp;PEI&nbsp;&eacute; o princ&iacute;pio&nbsp;Bebas Aktif&nbsp;(ativa e independente). Depois, existem outras ideias fundamentais para compreendermos o padr&atilde;o hist&oacute;rico da&nbsp;PEI. Ideias importantes como a&nbsp;resili&ecirc;ncia nacional, o sentido de soberania de&nbsp;Estado-Arquip&eacute;lago&nbsp;interoce&acirc;nico e a consequente ideia da&nbsp;unidade na diversidade, bem como a ideia de&nbsp;hegemonia&nbsp;e&nbsp;lideran&ccedil;a regional.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Com Sukarno&nbsp;a&nbsp;PEI&nbsp;ganhou uma importante dimens&atilde;o normativa internacional que se concretizou na cria&ccedil;&atilde;o do Movimento dos N&atilde;o-Alinhados (MNA), na liga&ccedil;&atilde;o ideol&oacute;gica a estados comunistas e em vias de desenvolvimento, e na sua lideran&ccedil;a internacional terceiro-mundista (sul), vanguardista e anti-imperialista.</p>     <p>Com Suharto, outra ideia constitutiva do padr&atilde;o hist&oacute;rico da&nbsp;PEI&nbsp;ganhou relev&acirc;ncia,&nbsp;o desenvolvimento&nbsp;e a sua consequente rela&ccedil;&atilde;o com o mundo capitalista ocidental (Estados Unidos, Uni&atilde;o Europeia). Outra ideia fundamental foi a do institucionalismo regional com a cria&ccedil;&atilde;o da&nbsp;ASEAN. A partir daqui a Indon&eacute;sia autodefiniu-se como l&iacute;der regional do Sudeste Asi&aacute;tico, desenvolvendo uma hegemonia multilateral benigna<sup><a href="#16">16</a></sup><a name="top16"></a>.</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f2"></a> <img src="/img/revistas/ri/n55/n55a05f2.jpg">     
<p>&nbsp;</p>     <p><b>POL&Iacute;TICA INTERNA E POL&Iacute;TICA EXTERNA NA INDON&Eacute;SIA DEMOCR&Aacute;TICA: IDEIAS, CONTEXTOS E DECISORES</b></p>     <p><b>A PRESID&Ecirc;NCIA DE HABIBIE: A&nbsp;REFORMASI&nbsp;E O NOVO PENSAMENTO PARA TIMOR</b></p>     <p>No dia 21 de maio de 1998 Suharto foi for&ccedil;ado a renunciar. Em conformidade com a Constitui&ccedil;&atilde;o indon&eacute;sia, o seu vice-presidente, Habibie, tornou-se o terceiro presidente da Indon&eacute;sia<sup><a href="#17">17</a></sup><a name="top17"></a>.</p>     <p>Habibie abriu um per&iacute;odo de reformas pol&iacute;ticas<sup><a href="#18">18</a></sup><a name="top18"></a>&nbsp;e deu in&iacute;cio ao processo de transi&ccedil;&atilde;o democr&aacute;tica na Indon&eacute;sia. Com a&nbsp;Reforma SI,&nbsp;chegou o fim do sistema partid&aacute;rio controlado<sup><a href="#19">19</a></sup><a name="top19"></a>, o fim da censura, a liberaliza&ccedil;&atilde;o do acesso aos meios de comunica&ccedil;&atilde;o social e a liberta&ccedil;&atilde;o de v&aacute;rios presos pol&iacute;ticos<sup><a href="#20">20</a></sup><a name="top20"></a>.</p>     <p>Mesmo sendo uma&nbsp;transi&ccedil;&atilde;o end&oacute;gena, instaurou-se um ambiente pol&iacute;tico de mudan&ccedil;a na Indon&eacute;sia e foi percet&iacute;vel a tentativa de Habibie come&ccedil;ar a mudar a identidade e cultura pol&iacute;tica do pa&iacute;s. A vis&atilde;o autorit&aacute;ria, burocr&aacute;tica e militar do Estado e da sociedade, predominante no regime da Nova Ordem de Suharto, come&ccedil;ou a tentar ser suplantada por uma vis&atilde;o com um maior peso da sociedade civil e dos partidos pol&iacute;ticos. Isto desencadeou o in&iacute;cio de uma reconstru&ccedil;&atilde;o da cultura pol&iacute;tica indon&eacute;sia, nomeadamente os primeiros esfor&ccedil;os de substitui&ccedil;&atilde;o de uma cultura pol&iacute;tica dominada pela participa&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica controlada e imposta verticalmente, por uma cultura pol&iacute;tica onde existisse espa&ccedil;o para a participa&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica livre e universal.</p>     <p>Como sempre acontece nestes momentos heroicos e cat&aacute;rticos das transi&ccedil;&otilde;es democr&aacute;ticas, a popula&ccedil;&atilde;o estava &aacute;vida de mudan&ccedil;as. A palavra de ordem mais ouvida nas ruas, universidades e movimentos pol&iacute;ticos era &laquo;abaixo o&nbsp;Conluio, a&nbsp;Corrup&ccedil;&atilde;o&nbsp;e o&nbsp;Nepotismo&raquo;&nbsp;(Kolusi, Korupsi, Nepotisme,&nbsp;KKP). Estes eram os tr&ecirc;s maiores pecados percecionados pela sociedade civil relativamente &agrave; Nova Ordem de Suharto. Mas n&atilde;o s&oacute;; os militares e a sua excessiva import&acirc;ncia na sociedade indon&eacute;sia eram tamb&eacute;m um alvo. Paralelamente ao problema militarista, insistia-se na necessidade de mudan&ccedil;a na composi&ccedil;&atilde;o da elite pol&iacute;tica indon&eacute;sia, o que veio a acontecer, ainda que de forma mitigada, pois muitos dos pol&iacute;ticos que serviram no regime de Suharto conseguiram manter-se no poder, nomeadamente v&aacute;rios militares em postos-chave. Esta continuidade na mudan&ccedil;a explica-se devido &agrave; necessidade de Habibie conseguir continuar a governar. O apoio dos militares tinha sido condi&ccedil;&atilde;o&nbsp;sine qua non&nbsp;para a sua sucess&atilde;o. No seu governo manteve o general Wiranto como chefe militar e ministro da Defesa.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Desde o in&iacute;cio, o Presidente Habibie foi visto como um presidente a prazo. A sua qualidade de vice-presidente de Suharto proporcionava-lhe um relacionamento estreito com a antiga elite do regime da Nova Ordem mas, em &uacute;ltima an&aacute;lise, como se veio a demonstrar, ele n&atilde;o tinha uma base eleitoral ou um grande poder dentro do sistema pol&iacute;tico. Habibie teve de fazer um dif&iacute;cil exerc&iacute;cio que consistia em conseguir movimentar-se com efic&aacute;cia entre as press&otilde;es do poder dos militares e as press&otilde;es do poder dos mais importantes grupos isl&acirc;micos, ao mesmo tempo que negociava com os movimentos reformistas.</p>     <p>Embora Habibie esteja ligado a uma grande mudan&ccedil;a na pol&iacute;tica externa indon&eacute;sia &ndash; a independ&ecirc;ncia de Timor &ndash;, originalmente o Presidente indon&eacute;sio n&atilde;o tinha um pensamento aprofundado sobre Timor ou uma agenda sobre aquilo que significaria uma mudan&ccedil;a importante da&nbsp;PEI.</p>     <p>A ideia de uma proposta de autonomia especial defendida por Ali Alatas foi apresentada a Habibie em 1998. Contrariamente a Suharto, Habibie achou que esta era a melhor solu&ccedil;&atilde;o para a quest&atilde;o de Timor-Leste. Apesar de, finalmente, o novo presidente indon&eacute;sio ter aceitado a ideia sugerida pelo seu ministro dos Neg&oacute;cios Estrangeiros, isto n&atilde;o significou uma total sintonia entre a Presid&ecirc;ncia e o Minist&eacute;rio dos Neg&oacute;cios Estrangeiros indon&eacute;sios<sup><a href="#21">21</a></sup><a name="top21"></a>.</p>     <p>Contudo, uma nova abordagem da quest&atilde;o de Timor-Leste passou a fazer parte da lista de reformas de Habibie, que come&ccedil;ou a ponderar os estragos que Timor-Leste produzia na imagem internacional da Indon&eacute;sia. Habibie foi contagiado pelo novo ambiente pol&iacute;tico e por v&aacute;rios atores do seu gabinete governamental que lhe recordavam a vis&atilde;o do pr&oacute;prio Ali Alatas: Timor&nbsp;era uma pedra no sapato da Indon&eacute;sia, um empecilho ao reconhecimento internacional da Indon&eacute;sia como pot&ecirc;ncia econ&oacute;mica e pol&iacute;tica com um comportamento leg&iacute;timo e conforme com as normas internacionais. Habibie reconheceu a oportunidade de resolver um problema que era uma aut&ecirc;ntica nuvem negra sobre&nbsp;a pol&iacute;tica indon&eacute;sia e que sempre causou embara&ccedil;os aos governos anteriores.</p>     <p>Apesar de o processo de autodetermina&ccedil;&atilde;o de Timor ter sido dif&iacute;cil e ter tido um elevado custo em &laquo;sangue, suor e l&aacute;grimas&raquo;<sup><a href="#22">22</a></sup><a name="top22"></a>, no final do dia, a presid&ecirc;ncia de Habibie fica ligada &agrave; decis&atilde;o hist&oacute;rica de ter permitido um referendo e a entrada das Na&ccedil;&otilde;es Unidas no territ&oacute;rio de Timor para ser poss&iacute;vel o patroc&iacute;nio de uma in&eacute;dita constru&ccedil;&atilde;o de Estado que possibilitou inventar Timor-Leste. Finalmente, foi na sua curta presid&ecirc;ncia de 17 meses (21 de maio de 1998 a 20 de outubro de 1999), que o Parlamento indon&eacute;sio assumiu a autodetermina&ccedil;&atilde;o de Timor e se desligou da sua antiga prov&iacute;ncia, num processo, igualmente in&eacute;dito, em que o Estado mais forte cede ao Estado menos forte e abdica da sua imposi&ccedil;&atilde;o de poder.</p>     <p>Por que &eacute; que a Indon&eacute;sia consentiu que isto acontecesse? Ainda hoje a resposta n&atilde;o &eacute; autoevidente, mas podemos avan&ccedil;ar que, em primeiro lugar, Habibie percecionou que era importante livrar-se da espinhosa quest&atilde;o de Timor-Leste, uma vez que, sobretudo desde a d&eacute;cada de 1990, este era um assunto que prejudicava as rela&ccedil;&otilde;es diplom&aacute;ticas da Indon&eacute;sia com o mundo ocidental. Numa clara estrat&eacute;gia de normaliza&ccedil;&atilde;o da sua pol&iacute;tica externa, a Indon&eacute;sia encarou o problema de Timor como uma quest&atilde;o a resolver o mais rapidamente poss&iacute;vel para poder dar um passo em frente e concentrar-se nas quest&otilde;es de futuro.</p>     <p>Em segundo lugar, e interligadamente, a situa&ccedil;&atilde;o de crise pol&iacute;tica, econ&oacute;mica e identit&aacute;ria indon&eacute;sia e as press&otilde;es internacionais exigiam uma reconstru&ccedil;&atilde;o identit&aacute;ria da cultura pol&iacute;tica autorit&aacute;ria que demonstrasse a vontade de normaliza&ccedil;&atilde;o interna e internacional da Indon&eacute;sia.</p>     <p>Finalmente, a exist&ecirc;ncia de condi&ccedil;&otilde;es estruturais e agenciais particulares proporcionou a constru&ccedil;&atilde;o de um&nbsp;interesse internacional&nbsp;em intervir em Timor, nomeadamente ap&oacute;s a crise humanit&aacute;ria que se seguiu ao referendo timorense e &agrave;s press&otilde;es portuguesas, norte-americanas, australianas e da&nbsp;ONU<sup><a href="#23">23</a></sup><a name="top23"></a>. Este caso, ali&aacute;s, &eacute; demostrativo da import&acirc;ncia de percebermos a complexidade da interliga&ccedil;&atilde;o ente a&nbsp;l&oacute;gica normativa&nbsp;e a&nbsp;l&oacute;gica consequencial&nbsp;no comportamento e decis&atilde;o pol&iacute;ticos<sup><a href="#24">24</a></sup><a name="top24"></a>.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>AS PRESID&Ecirc;NCIAS DE ABDURRAHMAN WAHID E MEGAWATI SUKARNOPUTRI: A TRANSI&Ccedil;&Atilde;O EM BUSCA DA NORMALIZA&Ccedil;&Atilde;O E ESTABILIDADE</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>No dia 20 de outubro de 1999, Abdurrahman Wahid torna-se o quarto presidente da Indon&eacute;sia. Apesar de ter sido o primeiro presidente eleito pelo Parlamento<sup><a href="#25">25</a></sup><a name="top25"></a>, a sua presid&ecirc;ncia vai ser marcada por dif&iacute;ceis e prec&aacute;rios equil&iacute;brios pol&iacute;ticos internos, resultantes dos constantes desafios e tens&otilde;es entre os interesses tradicionais das elites indon&eacute;sias e as necess&aacute;rias reformas, pol&iacute;ticas e econ&oacute;micas, instituidoras da democratiza&ccedil;&atilde;o. Ao contr&aacute;rio de Habibie, Wahid n&atilde;o era do partido oficial da Nova Ordem, o Golkar. Wahid era l&iacute;der da maior organiza&ccedil;&atilde;o isl&acirc;mica indon&eacute;sia, Nahdlatul Ulama, e um veterano da pol&iacute;tica indon&eacute;sia, cr&iacute;tico da Nova Ordem, fazia a ponte entre os interesses isl&acirc;micos, nacional-asi&aacute;ticos e os movimentos reformistas demoliberais. Em julho de 1998, Wahid funda um novo partido para concorrer &agrave;s primeiras elei&ccedil;&otilde;es livres na Indon&eacute;sia, o Partai Kebangkitan Bangsa (PKB). Todavia, quem ganha as elei&ccedil;&otilde;es &eacute; o&nbsp;PDI-P&nbsp;liderado por Megawati Sukarnoputri.</p>     <p>Apesar de ter ganho as elei&ccedil;&otilde;es, o&nbsp;PDI-P&nbsp;n&atilde;o obteve maioria absoluta, e como tamb&eacute;m n&atilde;o conseguiu formar qualquer coliga&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica com os outros partidos viu-se ultrapassado pelo complexo jogo pol&iacute;tico indon&eacute;sio, nomeadamente pela cria&ccedil;&atilde;o de uma coliga&ccedil;&atilde;o dos partidos isl&acirc;micos patrocinada pelo presidente do Parlamento (MPR), Amien Rais. Esta coliga&ccedil;&atilde;o, designada Eixo Central, ganhou o apoio do&nbsp;PKBE do Golkar e patrocinou a elei&ccedil;&atilde;o parlamentar de Wahid, que conseguiu ser eleito presidente, com 373 votos, mais 60 do que os 313 votos conseguidos por Megawati<sup><a href="#26">26</a></sup><a name="top26"></a>.</p>     <p>A presid&ecirc;ncia de Wahid teve algumas marcas fundamentais. Em primeiro lugar, importa sublinhar que Wahid tentou ser o primeiro presidente verdadeiramente p&oacute;s-autorit&aacute;rio. Neste quadro, mais do que a gest&atilde;o de uma transi&ccedil;&atilde;o suave que levasse em conta o poder das elites, nomeadamente militares, do regime anterior, Wahid tentou acabar com a doutrina&nbsp;DWIFUNGI&nbsp;e reconstruir uma nova imagem interna e internacional da Indon&eacute;sia. A sua preocupa&ccedil;&atilde;o fundamental foi a de desenvolver o exerc&iacute;cio de normaliza&ccedil;&atilde;o da pol&iacute;tica externa indon&eacute;sia, nomeadamente da reconstru&ccedil;&atilde;o da imagem internacional da Indon&eacute;sia, agora como Estado democr&aacute;tico. Ou seja, um Estado n&atilde;o militarista que, embora com uma identidade asi&aacute;tica, isl&acirc;mica e do Sul, estava apostado em ser uma democracia liberal com um sistema econ&oacute;mico revitalizado, livre do&nbsp;KKP, e um exemplo normativo internacional. Wahid tentou reverter a imagem externa do legado de Suharto, muito ligada ao militarismo, aos abusos dos direitos humanos, ao capitalismo amiguista e &agrave;s rela&ccedil;&otilde;es privilegiadas com o Ocidente.</p>     <p>Neste quadro, tentou mostrar o lado tolerante e dialogante da cultura identit&aacute;ria e religiosa do isl&atilde;o sincr&eacute;tico e moderno indon&eacute;sio. Aboliu todas as discrimina&ccedil;&otilde;es legais ainda presentes na Indon&eacute;sia relativamente aos seus cidad&atilde;os chineses, o que ajudou na aproxima&ccedil;&atilde;o &agrave; China.</p>     <p>Apesar da sua ret&oacute;rica inicial, antiocidental neo-sukurniana, Wahid n&atilde;o produziu nenhum corte com a tradicional liga&ccedil;&atilde;o ao Ocidente. At&eacute; porque n&atilde;o podia devido &agrave; necessidade de continuar a financiar a revitaliza&ccedil;&atilde;o da economia indon&eacute;sia. Wahid teve de gerir a quest&atilde;o traum&aacute;tica de Timor-Leste e, simultaneamente, tentar conseguir obter garantias internacionais da integridade territorial da Indon&eacute;sia. O que, na pr&aacute;tica, significou normalizar as rela&ccedil;&otilde;es com Timor<sup><a href="#27">27</a></sup><a name="top27"></a>, mas tamb&eacute;m assegurar que n&atilde;o aconteceriam mais amputa&ccedil;&otilde;es territoriais, nomeadamente em Ach&eacute;m e Papua.</p>     <p>A quest&atilde;o timorense teve um forte impacto na Indon&eacute;sia e implicou sentimentos ambivalentes. Por um lado, a Indon&eacute;sia normalizou o seu conflito com Portugal, os timorenses e a&nbsp;ONU, demonstrando, em &uacute;ltima an&aacute;lise, um comportamento adequado face &agrave;s normas internacionais. Por outro lado, a quest&atilde;o timorense revelou o lado negro da rela&ccedil;&atilde;o entre as For&ccedil;as Armadas indon&eacute;sias (TNI)&nbsp;e as mil&iacute;cias anti-independentistas, caracter&iacute;stica definidora do regime da Nova Ordem e da sua pol&iacute;tica de controlo autorit&aacute;rio no arquip&eacute;lago. Para al&eacute;m das marcas no orgulho e soberania indon&eacute;sios, a crise humanit&aacute;ria em Timor causou estragos na imagem internacional da Indon&eacute;sia. A quest&atilde;o timorense resultou na deteriora&ccedil;&atilde;o das rela&ccedil;&otilde;es da Indon&eacute;sia com o Ocidente, nomeadamente com a Uni&atilde;o Europeia (UE), os Estados Unidos e com a Austr&aacute;lia. Ainda hoje, largos setores das elites pol&iacute;ticas e militares atribuem a perda de Timor &agrave;&nbsp;trai&ccedil;&atilde;o australiana, nomeadamente &agrave;s suas opera&ccedil;&otilde;es secretas na altura do referendo. Em campanha eleitoral, Wahid declarou a sua amargura face &agrave;s press&otilde;es ocidentais e muitos especularam sobre uma&nbsp;viragem asi&aacute;tica&nbsp;radical&nbsp;da&nbsp;PEI. Na pr&aacute;tica, a Indon&eacute;sia n&atilde;o voltou as costas ao Ocidente, mas tentou renovar o seu ativismo terceiro-mundista e uma maior liga&ccedil;&atilde;o &agrave; Asia, no fundo reequilibrando o peso do Ocidente da era de Suharto.</p>     <p>Na constante dial&eacute;tica entre continuidade do seu padr&atilde;o hist&oacute;rico e mudan&ccedil;a e adapta&ccedil;&atilde;o aos novos desafios, a Indon&eacute;sia renovou a sua aspira&ccedil;&atilde;o de ser um Estado normativamente comprometido, nomeadamente para os estados do Sul, mas tamb&eacute;m para o Ocidente e para a&nbsp;ONU. Neste quadro, readaptou o seu discurso normativo de defesa de uma ordem internacional pac&iacute;fica, est&aacute;vel e de resolu&ccedil;&atilde;o diplom&aacute;tica&nbsp;de conflitos no &acirc;mbito da&nbsp;ONU, bem como da necessidade de desenvolver uma maior e mais justa coopera&ccedil;&atilde;o entre o Norte e o Sul.</p>     <p>Seguindo a tradi&ccedil;&atilde;o de Sukarno, Wahid, tentou atualizar a ambi&ccedil;&atilde;o da Indon&eacute;sia em desempenhar um papel de l&iacute;der internacional<sup><a href="#28">28</a></sup><a name="top28"></a>. Wahid desenvolveu uma forte atividade externa, tendo visitado 26 pa&iacute;ses nos primeiros quatro meses da sua presid&ecirc;ncia. Durante o seu mandato, realizou um total de 90 viagens ao estrangeiro. De acordo com o seu ministro dos Neg&oacute;cios Estrangeiros, Alwi Shihab, estas viagens tinham como objetivo principal &laquo;reconstruir a boa imagem da Indon&eacute;sia aos olhos da comunidade internacional&raquo;<sup><a href="#29">29</a></sup><a name="top29"></a>.</p>     <p>Uma das estrat&eacute;gias diplom&aacute;ticas de Wahid para renovar a imagem internacional da Indon&eacute;sia foi a de enfatizar as v&aacute;rias faces identit&aacute;rias e consequentes pontes culturais que a Indon&eacute;sia consegue realizar. Assim, no Ocidente, Wahid sublinhou a identidade demoliberal da Indon&eacute;sia; na &Aacute;sia, a identidade asi&aacute;tica; e nos pa&iacute;ses isl&acirc;micos, a sua identidade isl&acirc;mica. Na China e na &Iacute;ndia, sublinhou os antigos la&ccedil;os hist&oacute;ricos, culturais e lingu&iacute;sticos que ligam estes estados &agrave; Indon&eacute;sia.</p>     <p>Nas suas ativas&nbsp;tourn&eacute;es, Wahid fez quest&atilde;o de enfatizar a nova imagem indon&eacute;sia: democr&aacute;tica, tolerante, multicultural, multi&eacute;tnica e multirreligiosa. Todavia, o eterno problema da &laquo;unidade na diversidade&raquo; da integridade territorial da Indon&eacute;sia continuava a existir, designadamente em Ach&eacute;m e na Papua. Como tal, uma das preocupa&ccedil;&otilde;es da&nbsp;PEI&nbsp;continuou a ser a elimina&ccedil;&atilde;o da possibilidade de perder partes do seu territ&oacute;rio.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>De um ponto de vista geopol&iacute;tico, apesar de Wahid ter dado mais relev&acirc;ncia pessoal ao Southwest Pacific Dialogue<sup><a href="#30">30</a></sup><a name="top30"></a>, a&nbsp;ASEAN&nbsp;continuou a ser a trave mestra da pol&iacute;tica externa indon&eacute;sia. A Indon&eacute;sia manteve a sua pol&iacute;tica de coopera&ccedil;&atilde;o e integra&ccedil;&atilde;o econ&oacute;mica na regi&atilde;o, desenvolvendo a&nbsp;ASEAN&nbsp;Free Trade &Aacute;rea (AFTA). Para al&eacute;m do Sudeste Asi&aacute;tico, Wahid anunciou uma pol&iacute;tica para a grande &Aacute;sia que pressupunha uma&nbsp;viragem asi&aacute;tica&nbsp;da pol&iacute;tica externa da Indon&eacute;sia<sup><a href="#31">31</a></sup><a name="top31"></a>. Apesar dos discursos, a medida mais vis&iacute;vel foi a aproxima&ccedil;&atilde;o &agrave; China, que foi a sua primeira visita oficial<sup><a href="#32">32</a></sup><a name="top32"></a> </p>     <p>Em s&iacute;ntese, a pol&iacute;tica externa de Wahid, embora muito ativa, n&atilde;o foi muito coerente e objetiva, muitas vezes parecendo err&aacute;tica. Contudo, Wahid desenvolveu o esfor&ccedil;o de normaliza&ccedil;&atilde;o da imagem internacional da Indon&eacute;sia, tentou uma maior diversifica&ccedil;&atilde;o asi&aacute;tica, manteve as boas rela&ccedil;&otilde;es com a&nbsp;ASEAN&nbsp;e com os pa&iacute;ses do Sul e aproximou-se da China.</p>     <p>Na pol&iacute;tica interna, apesar de ter iniciado um conjunto de reformas legislativas para diminuir e controlar o peso excessivo dos militares no sistema pol&iacute;tico indon&eacute;sio, debateu-se com in&uacute;meras crises pol&iacute;ticas, sociais e &eacute;tnicas. Em cima de todas estas crises, a recupera&ccedil;&atilde;o econ&oacute;mica n&atilde;o foi a desej&aacute;vel e detonou uma coliga&ccedil;&atilde;o negativa entre todos os grupos que come&ccedil;aram a perder o seu estatuto de poder. Como &uacute;ltimo recurso da sua luta interna e sobreviv&ecirc;ncia pol&iacute;tica, ainda tentou dissolver o Parlamento, mas, como acontece regularmente, acabou devorado pelas guerras pol&iacute;ticas de transi&ccedil;&atilde;o de regime e foi destitu&iacute;do pelo Parlamento em julho de 2001. A sua presid&ecirc;ncia durou 21 meses.</p>     <p>A sucessora de Wahid foi a sua vice-presidente, Megawati Sukarnoputri, que se tornou o quinto presidente da Indon&eacute;sia e a primeira mulher a ocupar a sua lideran&ccedil;a. Megawati era filha do pai fundador da Indon&eacute;sia, Sukarno, e tinha um longo&nbsp;pedigree&nbsp;pol&iacute;tico de luta contra o regime autorit&aacute;rio da Nova Ordem. Apesar de ter ganho as elei&ccedil;&otilde;es e de ter sido o rosto pol&iacute;tico mais vis&iacute;vel dos reformistas, sobretudo para os ocidentais, Megawati continuava a ter de lidar com os obst&aacute;culos do dif&iacute;cil e complexo sistema pol&iacute;tico indon&eacute;sio. De um ponto de vista externo, as suas qualidades tecnocr&aacute;ticas e carism&aacute;ticas femininas foram altamente apreciadas e ajudaram a extinguir a imagem autorit&aacute;ria e militarista da Indon&eacute;sia. Ao contr&aacute;rio de Wahid, Megawati preocupou-se, acima de tudo, com a resolu&ccedil;&atilde;o das quest&otilde;es econ&oacute;micas e sociais internas. Desenvolveu reformas pol&iacute;ticas e econ&oacute;micas decisivas<sup><a href="#33">33</a></sup><a name="top33"></a>, permitindo &agrave; Indon&eacute;sia sair da crise, retomar o crescimento econ&oacute;mico e consolidar o seu papel de l&iacute;der da regi&atilde;o do Sudeste Asi&aacute;tico.</p>     <p>Paralelamente, conseguiu normalizar a rela&ccedil;&atilde;o com o Ocidente e as institui&ccedil;&otilde;es econ&oacute;micas internacionais (Fundo Monet&aacute;rio Internacional, Banco Mundial), embora a rela&ccedil;&atilde;o com os Estados Unidos tivesse sentido as repercuss&otilde;es da Guerra Global ao Terrorismo de Bush<sup><a href="#34">34</a></sup><a name="top34"></a>.</p>     <p>A ideia principal de Megawati foi a de utilizar a pol&iacute;tica externa como instrumento fundamental para a recupera&ccedil;&atilde;o econ&oacute;mica da Indon&eacute;sia e diminuir a relativa depend&ecirc;ncia do pa&iacute;s face ao&nbsp;FMI. Racionalizou a ambi&ccedil;&atilde;o internacional indon&eacute;sia, centrando-se em solidificar o estatuto de pot&ecirc;ncia regional e em desenvolver especialmente as rela&ccedil;&otilde;es externas que ajudassem a promover o com&eacute;rcio e investimentos internacionais. De um ponto de vista estrat&eacute;gico, retomou a centralidade da&nbsp;ASEAN&nbsp;e definiu prioridades objetivas<sup><a href="#35">35</a></sup><a name="top35"></a>, adaptando os tr&ecirc;s c&iacute;rculos conc&ecirc;ntricos tradicionais da&nbsp;PEI: a&nbsp;ASEAN, o Sul/MNA<sup><a href="#36">36</a></sup><a name="top36"></a>&nbsp;e o Ocidente. Apesar da continuidade dos problemas pol&iacute;ticos, sociais, econ&oacute;micos e &eacute;tnicos, a que se somou o primeiro grande ataque terrorista, em Bali<sup><a href="#37">37</a></sup><a name="top37"></a>, a presid&ecirc;ncia de Megawati foi um importante ponto de viragem. A partir daqui a Indon&eacute;sia come&ccedil;ou a resolver os seus principais problemas e a sair da crise multidimensional em que mergulhara desde 1997. Depois de um per&iacute;odo cr&iacute;tico e inst&aacute;vel, em que a depend&ecirc;ncia financeira internacional beliscou o princ&iacute;pio do&nbsp;Bebas-Actif, o legado de Megawati permitiu reganhar a tradi&ccedil;&atilde;o de uma pol&iacute;tica externa&nbsp;ativa e independente.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>A AFIRMA&Ccedil;&Atilde;O DA &laquo;NOVA&raquo; INDON&Eacute;SIA DEMOCR&Aacute;TICA E GLOBAL COM YUDHOYONO</b></p>     <p>Em 2004, nas primeiras elei&ccedil;&otilde;es diretas, Megawati &eacute; derrotada pelo seu antigo ministro, Susilo Bambang Yudhoyono<sup><a href="#38">38</a></sup><a name="top38"></a>. Com a presid&ecirc;ncia de Yudhoyono os dois principais fatores de mudan&ccedil;a da pol&iacute;tica externa p&oacute;s-Nova Ordem consolidam-se: a democratiza&ccedil;&atilde;o e o crescimento econ&oacute;mico. Nos seus dois mandatos (2004-2009 e 2009-2014), a Indon&eacute;sia completa a sua normaliza&ccedil;&atilde;o externa e reconstr&oacute;i uma nova identidade e imagem internacional: a Indon&eacute;sia Democr&aacute;tica, Desenvolvida e Isl&acirc;mica (IDDI). Esta nova identidade baseia-se em tr&ecirc;s factos: a Indon&eacute;sia &eacute; uma pot&ecirc;ncia econ&oacute;mica (G20), &eacute; a terceira maior democracia mundial e &eacute; o maior pa&iacute;s isl&acirc;mico do mundo.</p>     <p>Esta identidade refletiu uma nova confian&ccedil;a na afirma&ccedil;&atilde;o internacional da Indon&eacute;sia e Yudhoyono come&ccedil;ou a desenvolver uma diversifica&ccedil;&atilde;o global da&nbsp;PEI&nbsp;baseada em tr&ecirc;s dimens&otilde;es: a econ&oacute;mica, a pol&iacute;tico-normativa e a sociocultural.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A dimens&atilde;o sociocultural est&aacute; ligada &agrave; identidade democr&aacute;tica e isl&acirc;mica da Indon&eacute;sia e resulta da crescente influ&ecirc;ncia e permeabilidade de interesses da sociedade civil indon&eacute;sia, com destaque para o islamismo pol&iacute;tico, na decis&atilde;o governamental. Contrariamente aos per&iacute;odos de Sukarno e Suharto, com a transi&ccedil;&atilde;o democr&aacute;tica a formula&ccedil;&atilde;o das pol&iacute;ticas p&uacute;blicas deixou de estar unicamente dominada por l&iacute;deres carism&aacute;ticos e come&ccedil;ou a refletir uma maior transpar&ecirc;ncia e pluralismo. Durante as presid&ecirc;ncias de Sukarno e Suharto, a decis&atilde;o em pol&iacute;tica externa era um dom&iacute;nio exclusivo do Presidente, dos ministros pol&iacute;ticos e de altos funcion&aacute;rios, nomeadamente militares. Com a institui&ccedil;&atilde;o da democracia, a tradicional centraliza&ccedil;&atilde;o governamental foi atenuada, os militares perderam o seu papel pol&iacute;tico formal, enquanto o parlamento assumiu um papel central em todo o processo pol&iacute;tico, inclusivamente na decis&atilde;o de quest&otilde;es de pol&iacute;tica externa.</p>     <p>Por outro lado, atores sociais tradicionalmente ausentes do processo pol&iacute;tico iniciaram uma ativa participa&ccedil;&atilde;o nos processos de decis&atilde;o. Organiza&ccedil;&otilde;es n&atilde;o governamentais (ONG), associa&ccedil;&otilde;es empresariais, &oacute;rg&atilde;os de comunica&ccedil;&atilde;o social,&nbsp;<i>think tanks</i>&nbsp;e organiza&ccedil;&otilde;es isl&acirc;micas come&ccedil;aram a ter a oportunidade de refletir os seus interesses na formula&ccedil;&atilde;o das pol&iacute;ticas p&uacute;blicas. Por exemplo, as ideias relativas &agrave; necessidade de a Indon&eacute;sia desempenhar um papel mais importante no mundo isl&acirc;mico e de promover a democracia n&atilde;o podem ser desligadas da influ&ecirc;ncia dos grupos isl&acirc;micos,&nbsp;<i>think tanks</i>&nbsp;e ativistas das&nbsp;ONG. Finalmente, importa referir as importantes reformas no Minist&eacute;rio dos Neg&oacute;cios Estrangeiros da Indon&eacute;sia. Quer em termos de recursos materiais, quer em recursos humanos, o&nbsp;DEPLU&nbsp;&ndash; que se transformou em&nbsp;KEMPLU&nbsp;&ndash; e a Presid&ecirc;ncia passaram a ter uma rela&ccedil;&atilde;o mais pr&oacute;xima, eficaz e profissional. Em importantes lugares de chefia, e mesmo em embaixadas, os militares deram o seu lugar a diplomatas e as ideias e as p&aacute;ticas da&nbsp;PEI&nbsp;sofisticaram-se<sup><a href="#39">39</a></sup><a name="top39"></a>.</p>     <p>Yudhoyono utilizou este novo contexto sociocultural para afirmar o papel global da Indon&eacute;sia. De acordo com Yudhoyono, a experi&ecirc;ncia adquirida pela Indon&eacute;sia relativamente ao desenvolvimento econ&oacute;mico, democratiza&ccedil;&atilde;o e combate ao terrorismo<sup><a href="#40">40</a></sup><a name="top40"></a>, atribu&iacute;a ao seu pa&iacute;s uma especial autoridade para falar sobre os desafios que se colocavam ao mundo isl&acirc;mico. A sua presid&ecirc;ncia tentou revitalizar a import&acirc;ncia da Organiza&ccedil;&atilde;o para a Coopera&ccedil;&atilde;o Isl&acirc;mica (OCI).&nbsp;Na cimeira de 2008, Yudhoyono prop&ocirc;s uma nova carta para a&nbsp;OCI&nbsp;que inclu&iacute;a os princ&iacute;pios da democracia, do bom governo e dos direitos humanos. Com esta iniciativa, a Indon&eacute;sia pretendeu demonstrar o seu papel de lideran&ccedil;a na constru&ccedil;&atilde;o de pontes entre o mundo ocidental e o isl&acirc;mico<sup><a href="#41">41</a></sup><a name="top41"></a>.</p>     <p>A dimens&atilde;o pol&iacute;tico-normativa resultou, em primeiro lugar, da nova qualidade democr&aacute;tica da Indon&eacute;sia e da sua vontade pol&iacute;tica de promover a democracia internacionalmente<sup><a href="#42">42</a></sup><a name="top42"></a>. Esta pol&iacute;tica de suporte &agrave; expans&atilde;o da democracia reverte a vis&atilde;o de Sukarno e Suharto, que sempre rejeitaram a democratiza&ccedil;&atilde;o e os direitos humanos, por serem normas inventadas e impostas pelo Ocidente. Ao contr&aacute;rio, Yudhoyono defendeu uma pol&iacute;tica de promo&ccedil;&atilde;o da democracia e, em 2008, criou o F&oacute;rum Democr&aacute;tico de Bali (FDB)<sup><a href="#43">43</a></sup><a name="top43"></a>. Interligadamente, nasceu o Instituto para a Paz e Democracia que promove semin&aacute;rios e discuss&otilde;es sobre a organiza&ccedil;&atilde;o de elei&ccedil;&otilde;es e o desenvolvimento de sistemas pol&iacute;ticos pluripartid&aacute;rios<sup><a href="#44">44</a></sup><a name="top44"></a>. Mesmo relativamente &agrave;s quest&otilde;es ligadas &agrave;s contesta&ccedil;&otilde;es separatistas internas, a nova identidade democr&aacute;tica iniciou um novo ciclo<sup><a href="#45">45</a></sup><a name="top45"></a>.</p>     <p>Em segundo lugar, com Yudhoyono a Indon&eacute;sia apostou numa ideia estrat&eacute;gica fundamental: ser uma pot&ecirc;ncia normativa global. Com base na tradi&ccedil;&atilde;o normativa ideacional indon&eacute;sia, iniciada em Bandung, na sua experi&ecirc;ncia multilateral de institucionaliza&ccedil;&atilde;o normativa da&nbsp;ASEAN&nbsp;e na reformula&ccedil;&atilde;o de uma &laquo;diplomacia ecum&eacute;nica&raquo;<sup><a href="#46">46</a></sup><a name="top46"></a>&nbsp;e de &laquo;princ&iacute;pios&raquo;<sup><a href="#47">47</a></sup><a name="top47"></a>, a Indon&eacute;sia prop&ocirc;s um discurso e uma pr&aacute;tica normativa para as rela&ccedil;&otilde;es internacionais no s&eacute;culo&nbsp;XXI&nbsp;baseados no&nbsp;consenso&nbsp;e na&nbsp;coopera&ccedil;&atilde;o<sup><a href="#48">48</a></sup><a name="top48"></a>.</p>     <p>Yudhoyono desenvolveu uma ideia normativamente poderosa: a Indon&eacute;sia &eacute; um Estado democr&aacute;tico, multicultural, normativamente empenhado, confi&aacute;vel, com um papel especial e benigno na constru&ccedil;&atilde;o de pontes pol&iacute;ticas e na promo&ccedil;&atilde;o da estabilidade e desenvolvimento regional e global. Esta vis&atilde;o foi bem expressa na mensagem de Marty Natalegawa nas Na&ccedil;&otilde;es Unidas. Com base na&nbsp;ASEAN,&nbsp;a&nbsp;PEI&nbsp;tem como desafio estrat&eacute;gico &laquo;desenvolver uma maior coes&atilde;o e plataformas comuns sobre as quest&otilde;es globaist&raquo;<sup><a href="#49">49</a></sup><a name="top49"></a>. Neste quadro, tr&ecirc;s ideias-for&ccedil;a sobressaem:</p> <ul>       <li>&laquo;fortalecer o multilateralismo para enfrentar os desafios globais&raquo;;</li>       <li>&laquo;a coopera&ccedil;&atilde;o e parceria entre as Na&ccedil;&otilde;es Unidas e as organiza&ccedil;&otilde;es regionais&raquo;<sup><a href="#50">50</a></sup><a name="top50"></a>;</li>       <li>a constru&ccedil;&atilde;o de um &laquo;equil&iacute;brio din&acirc;mico&raquo;<sup><a href="#51">51</a></sup><a name="top51"></a>.</li>     </ul>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A ideia do &laquo;equil&iacute;brio din&acirc;mico&raquo; foi repetidamente afirmada durante a presid&ecirc;ncia de Yudhoyono e ilustra a sofistica&ccedil;&atilde;o das ideias da&nbsp;PEI&nbsp;e da sua componente normativa. Para Yudhoyono, o equil&iacute;brio din&acirc;mico significa possibilitar uma condi&ccedil;&atilde;o internacional em que institui&ccedil;&otilde;es e mecanismos multilaterais construam rela&ccedil;&otilde;es de coopera&ccedil;&atilde;o e de interdepend&ecirc;ncia entre os estados da&nbsp;ASEAN&nbsp;e outras pot&ecirc;ncias externas de modo a que, apesar das suas diferen&ccedil;as, seja poss&iacute;vel trabalharem em conjunto na seguran&ccedil;a comum da regi&atilde;o da &Aacute;sia-Pac&iacute;fico<sup><a href="#52">52</a></sup><a name="top52"></a>.</p>     <p>Durante a presid&ecirc;ncia de Yudhoyono, a Indon&eacute;sia estabilizou a sua pol&iacute;tica interna, normalizou a pol&iacute;tica externa e consolidou uma nova imagem internacional: a Indon&eacute;sia global de um &laquo;milh&atilde;o de amigos e zero inimigos<sup><a href="#53">53</a></sup><a name="top53"></a> e defensora de uma &laquo;arquitetura para a paz&raquo;<sup><a href="#54">54</a></sup><a name="top54"></a>.</p>     <p>Esta normaliza&ccedil;&atilde;o interna e externa permitiu &agrave; Indon&eacute;sia desenvolver as suas aspira&ccedil;&otilde;es globais e normativas. Em v&aacute;rios f&oacute;runs internacionais &ndash;&nbsp;ONU<sup><a href="#55">55</a></sup><a name="top55"></a>,&nbsp;OIC,&nbsp;ASEAN<sup><a href="#56">56</a></sup><a name="top56"></a>,&nbsp;G20,&nbsp;G33,&nbsp;OMC,&nbsp;MIKTA&nbsp;e&nbsp;BDF&nbsp;&ndash;, a Indon&eacute;sia fez quest&atilde;o de demonstrar a sua particular vis&atilde;o normativo-reformista baseada na coopera&ccedil;&atilde;o e di&aacute;logo e na minimiza&ccedil;&atilde;o da confronta&ccedil;&atilde;o e politiza&ccedil;&atilde;o dos problemas. A Indon&eacute;sia defendeu uma pol&iacute;tica global de combate ao terrorismo que n&atilde;o alienasse o direito internacional, nem estigmatizasse a livre e plural viv&ecirc;ncia religiosa, bem como reformas no sistema econ&oacute;mico internacional que promovessem pol&iacute;ticas mais coerentes com o desenvolvimento justo, inclusivo e sustent&aacute;vel ao n&iacute;vel global.</p>     <p>A dimens&atilde;o econ&oacute;mica da&nbsp;PEI&nbsp;&eacute; uma das suas principais vari&aacute;veis. Fruto das reformas desenvolvidas e da estabilidade pol&iacute;tica, com o Governo de Yudhoyono a Indon&eacute;sia conseguiu ativar de forma r&aacute;pida o seu potencial econ&oacute;mico. O principal marco desta afirma&ccedil;&atilde;o econ&oacute;mica global foi a entrada da Indon&eacute;sia para o&nbsp;G20.</p>     <p>A Indon&eacute;sia tornou-se uma das maiores economias do mundo e tem disparado em todos os&nbsp;rankings&nbsp;de crescimento econ&oacute;mico mundial. De acordo com estudos recentes, a Indon&eacute;sia j&aacute; &eacute; a nona economia mundial em paridade de poder de compra (PPC)<sup><a href="#57">57</a></sup><a name="top57"></a>.&nbsp; &Eacute; reconhecido que a Indon&eacute;sia est&aacute; entre as sete maiores economias emergentes do mundo (E7)<sup><a href="#58">58</a></sup><a name="top58"></a>, mas o mais admir&aacute;vel &eacute; a sua capacidade potencial de crescimento. Em 2030, daqui a 13 anos, a Indon&eacute;sia ultrapassar&aacute; a Fran&ccedil;a, o Brasil, a R&uacute;ssia e a Alemanha, ficando apenas atr&aacute;s do Jap&atilde;o como a quinta maior economia do mundo (PPC). Em 2050, a Indon&eacute;sia ir&aacute; ultrapassar o Jap&atilde;o e ser&aacute; a quarta economia do mundo, apenas atr&aacute;s dos Estados Unidos, da &Iacute;ndia e da China. De acordo com estas estimativas, nesta altura (2050) a economia indon&eacute;sia ser&aacute; 50 por cento maior do que a do Jap&atilde;o e sensivelmente o dobro da Alemanha<sup><a href="#59">59</a></sup><a name="top59"></a>. Claro que todos conhecemos os problemas relacionados com a fiabilidade das proje&ccedil;&otilde;es econ&oacute;micas, mas a tend&ecirc;ncia de crescimento econ&oacute;mico &eacute; vis&iacute;vel<sup><a href="#60">60</a></sup><a name="top60"></a> e insere-se na din&acirc;mica de afirma&ccedil;&atilde;o da &Aacute;sia<sup><a href="#61">61</a></sup><a name="top61"></a>.</p>     <p>Todavia, conv&eacute;m recordar que o tamanho da economia n&atilde;o &eacute; automaticamente conexo com a capacidade de proje&ccedil;&atilde;o de poder, nomeadamente militar. Assim, enquanto uns sublinham que o copo de poder da Indon&eacute;sia est&aacute; meio cheio<sup><a href="#62">62</a></sup><a name="top62"></a>, outros n&atilde;o se cansam de apontar que o copo est&aacute; meio vazio<sup><a href="#63">63</a></sup><a name="top63"></a>, nomeadamente devido &agrave;s dificuldades e limita&ccedil;&otilde;es do poder militar da Indon&eacute;sia.</p>     <p>Estas tr&ecirc;s dimens&otilde;es interligadas corroboram as ideias definidas no plano estrat&eacute;gico do&nbsp;KEMPLU&nbsp;relativamente &agrave;s prioridades da&nbsp;PEI&nbsp;at&eacute; 2024:</p> <ul>       <li>&laquo;(2005-2009) Consolidar e expandir a imagem internacional da Indon&eacute;sia como Estado com uma nova identidade nacional: democr&aacute;tica.</li>       <li>(2010-2014) Revitalizar o papel do sucesso da diplomacia indon&eacute;sia nos f&oacute;runs internacionais como instrumento fundamental para defender a seguran&ccedil;a nacional, a integridade territorial e os seus recursos naturais;</li>       <li>(2015-2019) Aprofundar o papel da Indon&eacute;sia como l&iacute;der e agente da coopera&ccedil;&atilde;o internacional;</li>       ]]></body>
<body><![CDATA[<li>(2020-2024) Afirma&ccedil;&atilde;o da Indon&eacute;sia como um ator independente na sociedade&nbsp; internacional.&raquo;<sup><a href="#64">64</a></sup><a name="top64"></a></li>     </ul>     <p>Em s&iacute;ntese, com Yudhoyono&nbsp;foi poss&iacute;vel &agrave; Indon&eacute;sia aspirar a ter um papel global. As aspira&ccedil;&otilde;es globais e normativas da nova Indon&eacute;sia democr&aacute;tica foram bem expressas na afirma&ccedil;&atilde;o do seu ministro dos Neg&oacute;cios Estrangeiros: &laquo;A Indon&eacute;sia &eacute; um poder regional com interesses globais; um grande pa&iacute;s da regi&atilde;o, mas com interesses e preocupa&ccedil;&otilde;es globais. N&atilde;o h&aacute; problemas globais que passem despercebidos pela Indon&eacute;sia.&raquo;<sup><a href="#65">65</a></sup><a name="top65"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>A PRESID&Ecirc;NCIA DE JOKOWI: O EQUIL&Iacute;BRIO ENTRE AS ASPIRA&Ccedil;&Otilde;ES GLOBAIS E OS DESAFIOS DO REGIONALISMO ASI&Aacute;TICO</b></p>     <p>A elei&ccedil;&atilde;o, em 20 de outubro de 2014, do s&eacute;timo presidente indon&eacute;sio, Joko Widodo (Jokowi), constitui outro marco na consolida&ccedil;&atilde;o democr&aacute;tica indon&eacute;sia. Jokowi &eacute; o primeiro l&iacute;der indon&eacute;sio que n&atilde;o tem origem nas tradicionais redes de poder: as fam&iacute;lias pol&iacute;ticas, os militares, a alta burocracia, e as organiza&ccedil;&otilde;es isl&acirc;micas. Jokowi faz parte de uma nova gera&ccedil;&atilde;o de pol&iacute;ticos que, como l&iacute;deres locais, beneficiaram das reformas de descentraliza&ccedil;&atilde;o desencadeadas pela transi&ccedil;&atilde;o democr&aacute;tica indon&eacute;sia. A ascens&atilde;o de Jokowi &agrave; presid&ecirc;ncia constitui a primeira vez que um l&iacute;der ganha o poder em elei&ccedil;&otilde;es a outro l&iacute;der eleito. Este facto mostra a crescente institucionaliza&ccedil;&atilde;o democr&aacute;tica, nomeadamente a assun&ccedil;&atilde;o das elei&ccedil;&otilde;es como mecanismo&nbsp;normal&nbsp;de transfer&ecirc;ncia de poder<sup><a href="#66">66</a></sup><a name="top66"></a>.</p>     <p>A presid&ecirc;ncia de Jokowi introduziu uma reorienta&ccedil;&atilde;o na pol&iacute;tica externa desenvolvida por Yudhoyono. At&eacute; ao presente, Jokowi tem sido claro nas suas prioridades. Contrariamente ao seu antecessor, Jokowi n&atilde;o tem um conhecimento sofisticado sobre as rela&ccedil;&otilde;es internacionais, e n&atilde;o est&aacute; focado em diversificar e expandir o estatuto internacional da Indon&eacute;sia. Numa vis&atilde;o mais paroquial, com influ&ecirc;ncias nacionalistas e populistas<sup><a href="#67">67</a></sup><a name="top67"></a>, a sua prioridade s&atilde;o os assuntos internos e n&atilde;o as quest&otilde;es de pol&iacute;tica internacional<sup><a href="#68">68</a></sup><a name="top68"></a>. Refletindo a sua origem empresarial, Jokowi olha para a&nbsp;PEI&nbsp;como um instrumento para atingir os objetivos de crescimento econ&oacute;mico. A sua ideia principal, que fez quest&atilde;o de passar aos diplomatas indon&eacute;sios, &eacute; que a&nbsp;PEI&nbsp;deve centrar-se na diplomacia econ&oacute;mica, designadamente, para contribuir para o aumento da qualidade de vida dos cidad&atilde;os indon&eacute;sios<sup><a href="#69">69</a></sup><a name="top69"></a>.</p>     <p>A sua c&eacute;lula de decis&atilde;o em assuntos internacionais tamb&eacute;m n&atilde;o &eacute; particularmente sofisticada. Ao contr&aacute;rio dos seus antecessores, Marty Natalegawa e Hassan Wirajuda, a atual ministra dos Neg&oacute;cios Estrangeiros, Retno Marsudi, n&atilde;o tem um pensamento pr&oacute;prio nem uma grande vis&atilde;o estrat&eacute;gica para a&nbsp;PEI<sup><a href="#70">70</a></sup><a name="top70"></a>.&nbsp;No seu Governo n&atilde;o existem ministros com conhecimentos em rela&ccedil;&otilde;es internacionais, o que significa que, basicamente, Jokowi deixa a gest&atilde;o governamental da&nbsp;PEI&nbsp;entregue aos seus principais conselheiros<sup><a href="#71">71</a></sup><a name="top71"></a>. Esta situa&ccedil;&atilde;o tem originado uma maior competi&ccedil;&atilde;o burocr&aacute;tica e pode dar origem a uma menor prontid&atilde;o e clareza na decis&atilde;o da&nbsp;PEI. Por outro lado, &eacute; vis&iacute;vel que atualmente a constru&ccedil;&atilde;o de interesses da&nbsp;PEI&nbsp;est&aacute; mais ligada a interesses empresariais paroquiais, e a uma vis&atilde;o mais nacionalista e bilateral, em detrimento da vis&atilde;o mais cosmopolita e multilateral de Yudhoyono. Neste quadro, Jokowi tem desenvolvido uma aproxima&ccedil;&atilde;o &agrave; China e &agrave; &Iacute;ndia, procurando desenvolver as suas rela&ccedil;&otilde;es econ&oacute;micas e comerciais<sup><a href="#72">72</a></sup><a name="top72"></a>.</p>     <p>Para al&eacute;m da diplomacia econ&oacute;mica, a outra ideia que se destaca na&nbsp;PEI&nbsp;da presid&ecirc;ncia de Jokowi &eacute; a sua estrat&eacute;gia mar&iacute;tima, designada &laquo;Global Maritime Fulcrum&raquo;<sup><a href="#73">73</a></sup><a name="top73"></a>.&nbsp;Esta ideia consiste em modernizar e fortalecer o conceito de Estado-Arquip&eacute;lago indon&eacute;sio dotando-o de infraestruturas portu&aacute;rias e de liga&ccedil;&atilde;o entre ilhas com o objetivo de potenciar as suas caracter&iacute;sticas &uacute;nicas de Estado mar&iacute;timo que liga dois importantes oceanos. Ademais dos aspetos de poder material, esta estrat&eacute;gia visa construir uma imagem e perce&ccedil;&atilde;o internacional da Indon&eacute;sia como um Estado poderoso na regi&atilde;o da &Aacute;sia-Pac&iacute;fico. Jokowi est&aacute; interessado em afirmar a lideran&ccedil;a da Indon&eacute;sia como pot&ecirc;ncia mar&iacute;tima regional, capaz de fazer frente &agrave; crescente assertividade da China, provavelmente o desafio mais duro no curto prazo da&nbsp;PEI<sup><a href="#74">74</a></sup><a name="top74"></a>.</p>     <p>Isto significa que, atualmente, parece existir uma prefer&ecirc;ncia dos decisores da&nbsp;PEI&nbsp;em se centrarem no regionalismo asi&aacute;tico. O que n&atilde;o &eacute; sin&oacute;nimo de que a&nbsp;PEI&nbsp;atual pretenda retroceder na ambi&ccedil;&atilde;o de afirma&ccedil;&atilde;o do papel global da Indon&eacute;sia<sup><a href="#75">75</a></sup><a name="top75"></a>, como s&atilde;o exemplos a sua candidatura a membro n&atilde;o permanente do Conselho de Seguran&ccedil;a da&nbsp;ONU&nbsp;(2019--2020), a presid&ecirc;ncia do Indian Ocean Rim Association (IORA) entre 2015 e 2017, a ratifica&ccedil;&atilde;o do Acordo de Paris em novembro de 2016, a sua lideran&ccedil;a no in&iacute;cio do di&aacute;logo inter-religioso na Liga &Aacute;rabe e no aprofundamento DO&nbsp;BDF<sup><a href="#76">76</a></sup><a name="top76"></a>, bem como a realiza&ccedil;&atilde;o dos Asian Games em 2018. Por outro lado, n&atilde;o podemos esquecer as iniciativas diplom&aacute;ticas da Indon&eacute;sia na media&ccedil;&atilde;o do conflito entre a Ar&aacute;bia Saudita e o Ir&atilde;o em 2016, a assist&ecirc;ncia humanit&aacute;ria ao povo de Rohingya em Myanmar, a sua lideran&ccedil;a no desenvolvimento do&nbsp;MIKTA<sup><a href="#77">77</a></sup><a name="top77"></a>, ou ainda que a Indon&eacute;sia se tenha tornado num importante colaborador das miss&otilde;es de paz da&nbsp;ONU<sup><a href="#78">78</a></sup><a name="top78"></a>.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Como &eacute; claro no recente discurso de Marsudi, a Indon&eacute;sia n&atilde;o abandonar&aacute; o seu comprometimento global<sup><a href="#79">79</a></sup><a name="top79"></a>. Mesmo na comunica&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica oficial do&nbsp;KEMLU&nbsp;continuam claras as ideias que caracterizam a identidade crescentemente multilateral e global da&nbsp;PEI<sup><a href="#80">80</a></sup><a name="top80"></a>. Contudo, enquanto que com Yudhoyono a Indon&eacute;sia foi imaginada como uma pot&ecirc;ncia regional com interesses e preocupa&ccedil;&otilde;es globais<sup><a href="#81">81</a></sup><a name="top81"></a>, para Jokowi a Indon&eacute;sia passou a preocupar-se, sobretudo, em ser uma pot&ecirc;ncia regional com um envolvimento global mais seletivo.</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f3"></a> <img src="/img/revistas/ri/n55/n55a05f3.jpg">     
<p>&nbsp;</p>     <p><b>POSSIBILIDADES E LIMITA&Ccedil;&Otilde;ES DO PAPEL GLOBAL DA INDON&Eacute;SIA: PODER MATERIAL E PODER IDEACIONAL</b></p>     <p>De um ponto de vista tradicional a Indon&eacute;sia &eacute; considerada uma pot&ecirc;ncia m&eacute;dia<sup><a href="#82">82</a></sup><a name="top82"></a>.&nbsp; De acordo com os cl&aacute;ssicos fatores de poder material e, sobretudo, com a capacidade de projetar poder, a Indon&eacute;sia entra no s&eacute;culo&nbsp;XXI&nbsp;como uma pot&ecirc;ncia liderante ao n&iacute;vel regional, mas ao n&iacute;vel global &eacute; uma pot&ecirc;ncia m&eacute;dia. Claro que importa perceber que a Indon&eacute;sia n&atilde;o &eacute; uma pot&ecirc;ncia m&eacute;dia normal, uma vez que tem um potencial de crescimento material invulgar. Por exemplo, uma coisa &eacute; a Indon&eacute;sia no in&iacute;cio do s&eacute;culo, outra &eacute; atualmente, j&aacute; integrando o&nbsp;G20; outra ainda, como vimos, poder&aacute; ser em 2030, como quinta economia mundial<sup><a href="#83">83</a></sup><a name="top83"></a>.</p>     <p>De um &acirc;ngulo de vis&atilde;o ocidental, a Indon&eacute;sia &eacute; considerada o Estado-pivot&nbsp;do Sudeste Asi&aacute;tico e mais recentemente como um fundamental&nbsp;<i>swing state</i><sup><a href="#84">84</a></sup><a name="top84"></a>&nbsp;na regi&atilde;o asi&aacute;tica. Contudo, mais do que a forma como os analistas ocidentais olham para a Indon&eacute;sia, importa perceber as possibilidades e a vontade pol&iacute;tica da Indon&eacute;sia em poder tornar-se um ator internacional importante, nomeadamente como empreendedor normativo capaz de ter influ&ecirc;ncia global. O nosso argumento &eacute; que, para al&eacute;m dos fatores de poder materiais, a Indon&eacute;sia pode e deve destacar-se ao n&iacute;vel dos fatores de poder ideacionais. Claro que estes s&oacute; ganham preponder&acirc;ncia decisiva quando alicer&ccedil;ados em fatores de poder material. Todavia, mais do que a emerg&ecirc;ncia dos fatores materiais, o que ir&aacute; definir a import&acirc;ncia global da Indon&eacute;sia ser&aacute; a sua capacidade normativa internacional.</p>     <p>Num mundo simultaneamente mais interdependente e assim&eacute;trico, onde paralelamente &agrave; solidifica&ccedil;&atilde;o de regimes internacionais e consequente institucionaliza&ccedil;&atilde;o regional e global, existem irrup&ccedil;&otilde;es de poderes infraestatais e neomedievais, a problem&aacute;tica do poder suave e cultural, da legitimidade e da capacidade de di&aacute;logo intercivilizacional v&atilde;o tornar-se mais importantes. A Indon&eacute;sia est&aacute; particularmente bem posicionada para ocupar um lugar de ator global normativo neste novo mundo.</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f4"></a> <img src="/img/revistas/ri/n55/n55a05f4.jpg">     
<p>&nbsp;</p>     <p>O nosso argumento n&atilde;o nega a possibilidade de a Indon&eacute;sia se tornar o terceiro gigante asi&aacute;tico<sup><a href="#85">85</a></sup><a name="top85"></a> , mas tamb&eacute;m n&atilde;o desvaloriza as an&aacute;lises que demonstram a exist&ecirc;ncia de atrasos estruturais e dificuldades para a Indon&eacute;sia se tornar uma grande pot&ecirc;ncia. De certa forma, o atual Governo indon&eacute;sio assume isso mesmo. A sua vis&atilde;o &eacute; a de que &eacute; necess&aacute;rio, antes de tudo, resolver os problemas internos, solidificar o Estado e a economia, tornar a Indon&eacute;sia uma pot&ecirc;ncia econ&oacute;mica e mar&iacute;tima para, posteriormente, poder pensar em avan&ccedil;ar como pot&ecirc;ncia internacional. Esta &eacute; uma hip&oacute;tese, a mais pragm&aacute;tica e a mais cara ao&nbsp;PDI-P. Outra hip&oacute;tese, mais arrojada e com mais adeptos NO&nbsp;PDI, &eacute; a de conciliar os esfor&ccedil;os internos com uma progressiva afirma&ccedil;&atilde;o global.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A Indon&eacute;sia j&aacute; &eacute; uma pot&ecirc;ncia regional, mas ainda n&atilde;o &eacute; uma pot&ecirc;ncia global. Mais do que&nbsp;<i>wishful thinking,</i> importa discutir a seguinte quest&atilde;o: a Indon&eacute;sia tem condi&ccedil;&otilde;es para ser uma pot&ecirc;ncia global? O nosso argumento &eacute; que as suas possibilidades de se tornar uma pot&ecirc;ncia com influ&ecirc;ncia global depender&atilde;o da sua capacidade de conseguir conjugar de forma virtuosa o&nbsp;poder&nbsp;e as&nbsp;ideias&nbsp;da sua pol&iacute;tica externa.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>FATORES DE PODER MATERIAL (O PODER)</b></p> <ul>       <li>Mais de 264 milh&otilde;es de habitantes. &Eacute; o quarto pa&iacute;s mais populoso do mundo e o primeiro entre os pa&iacute;ses isl&acirc;micos.</li>       <li>O maior arquip&eacute;lago do mundo com mais de 17 mil ilhas, que fazem da Indon&eacute;sia o sexto pa&iacute;s em &aacute;rea de zona econ&oacute;mica exclusiva e o s&eacute;timo em &aacute;rea interna total. Cerca de metade do com&eacute;rcio mundial atravessa a sua zona econ&oacute;mica exclusiva.</li>       <li>Atualmente a nona maior economia do mundo, integra o&nbsp;G20 e o&nbsp;E7. Estima-se que em 2030 ser&aacute; a quinta e em 2050 a quarta maior economia do mundo.</li>       <li>Vastos recursos naturais, de onde se destacam o petr&oacute;leo bruto e o g&aacute;s natural.</li>       <li>Atualmente, ocupa o d&eacute;cimo sexto lugar internacional relativamente &agrave;s for&ccedil;as armadas.</li>       <li>L&iacute;der da&nbsp;ASEAN, a mais sofisticada organiza&ccedil;&atilde;o de integra&ccedil;&atilde;o regional extraocidental e, atualmente, a sexta economia regional do mundo.</li>     </ul>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>FATORES DE PODER IDEACIONAL (AS IDEIAS)</b></p> <ul>       <li>Rica identidade hist&oacute;rica e civilizacional, assente na heran&ccedil;a hindu e budista de Java e Sumatra, com destaque para os reinos de Srivijava (600-1300) e de Majapahit (1293--1520), que dominaram as rotas mar&iacute;timas e grande parte do territ&oacute;rio da atual Indon&eacute;sia. Esta heran&ccedil;a civilizacional faz com que a Indon&eacute;sia seja imaginada como um Estado-Civiliza&ccedil;&atilde;o, mas n&atilde;o monista. Esta vis&atilde;o desempenha um importante papel na constru&ccedil;&atilde;o identit&aacute;ria da Indon&eacute;sia como poder hegem&oacute;nico benigno e plural da regi&atilde;o do Sudeste Asi&aacute;tico.</li>       <li>O maior Estado isl&acirc;mico do mundo, defensor de um isl&atilde;o sincr&eacute;tico, moderno e moderado com capacidade de ser ouvido no M&eacute;dio Oriente e no Ocidente.</li>       <li>Tradi&ccedil;&atilde;o de lideran&ccedil;a do Terceiro Mundo e do Sul contra o imperialismo ocidental. Atualmente, aposta na coopera&ccedil;&atilde;o Sul-Sul.</li>       <li>Tradi&ccedil;&atilde;o de afirma&ccedil;&atilde;o de identidade asi&aacute;tica, mas com capacidade de di&aacute;logo com o Ocidente, com &Aacute;frica e com as outras pot&ecirc;ncias asi&aacute;ticas: China, &Iacute;ndia e Jap&atilde;o.</li>       <li>Estado multicultural e de diversidade &eacute;tnica, cultural e religiosa, com influ&ecirc;ncias hindu, &aacute;rabe, c&iacute;nica e ocidental.</li>       <li>Diplomacia ecum&eacute;nica com uma importante presen&ccedil;a diplom&aacute;tica em todos os continentes, com capacidade para construir pontes com o Sul, com o Ocidente, com a &Aacute;sia e o isl&atilde;o.</li>       <li>Terceira maior democracia do mundo. A Indon&eacute;sia democr&aacute;tica &eacute; l&iacute;der da importante ideia que a democracia liberal n&atilde;o &eacute; um fen&oacute;meno apenas ocidental.</li>     </ul>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Tendo em considera&ccedil;&atilde;o as din&acirc;micas de mudan&ccedil;a global, nomeadamente a reorienta&ccedil;&atilde;o asi&aacute;tica dos centros de decis&atilde;o, a crescente inclus&atilde;o do Sul e dos pa&iacute;ses emergentes, a ascens&atilde;o de uma vis&atilde;o do poder mais multidimensional e interdependente, em que para liderar globalmente ser&aacute; necess&aacute;rio mais do que apenas poder material, ent&atilde;o, a Indon&eacute;sia est&aacute; bem posicionada para poder desempenhar um papel global.</p>     <p>Apesar dos inevit&aacute;veis obst&aacute;culos e da imprevisibilidade dos v&aacute;rios tipos de&nbsp;choques pol&iacute;ticos<sup><a href="#86">86</a></sup><a name="top86"></a> , que sempre escapam aos futur&oacute;logos &ndash; otimistas e Cassandras &ndash;, num mundo tendencialmente mais complexo e multipolar as lideran&ccedil;as internacionais continuar&atilde;o a basear-se em poder material mas, provavelmente, os estados que ter&atilde;o mais sucesso ser&atilde;o os que conseguirem desenvolver simultaneamente um grande poder ideacional e normativo. Ideias e princ&iacute;pios normativos como a legitimidade, o di&aacute;logo intercultural entre religi&otilde;es e civiliza&ccedil;&otilde;es, a sofistica&ccedil;&atilde;o multilateral e a capacidade de construir coliga&ccedil;&otilde;es de vontade, tornar-se-&atilde;o gradualmente mais decisivos no futuro.</p>     <p>Exemplo deste potencial normativo da&nbsp;PEI&nbsp;tem sido a sua crescente multilateriza&ccedil;&atilde;o institucional. Esta caracter&iacute;stica, conjugada com a sua tradicional vis&atilde;o de construir alian&ccedil;as com estados com pensamento semelhante, pode abrir uma terceira hip&oacute;tese para a afirma&ccedil;&atilde;o global da Indon&eacute;sia. Em vez de&nbsp;dividir para reinar, a Indon&eacute;sia pode apostar em&nbsp;juntar para influenciar. A Indon&eacute;sia pode conseguir afirmar-se globalmente n&atilde;o s&oacute; com o seu peso espec&iacute;fico regional, mas atrav&eacute;s de coliga&ccedil;&otilde;es institucionais trans-regionais, nomeadamente de pot&ecirc;ncias m&eacute;dias. O melhor exemplo desta ideia &eacute; a cria&ccedil;&atilde;o do&nbsp;MIKTA.</p> <sup><a href="#87">87</a></sup><a name="top87"></a>     <p>&nbsp;</p> <a name="f5"></a> <img src="/img/revistas/ri/n55/n55a05f5.jpg">     
<p>&nbsp;</p>     <p>Ao contr&aacute;rio das vis&otilde;es tradicionais, relativamente paroquiais, a Indon&eacute;sia n&atilde;o &eacute; um &laquo;gigante relutante&raquo;<sup><a href="#88">88</a></sup><a name="top88"></a>, incapaz de definir uma grande estrat&eacute;gia para as rela&ccedil;&otilde;es internacionais globalmente. &Eacute; certo que, numa primeira an&aacute;lise, e no curto prazo, a sua lideran&ccedil;a hegem&oacute;nica benigna &eacute; sobretudo regional. Todavia, a Indon&eacute;sia tem um pensamento pr&oacute;prio e interessante sobre as rela&ccedil;&otilde;es internacionais<sup><a href="#89">89</a></sup><a name="top89"></a>.</p>     <p>Mais do que a aus&ecirc;ncia de uma estrat&eacute;gia de afirma&ccedil;&atilde;o inequ&iacute;voca de lideran&ccedil;a internacional, o que limita o papel global da Indon&eacute;sia s&atilde;o, sobretudo, os fatores internos. Estes fatores resultam das dificuldades ainda existentes na sociedade indon&eacute;sia para a podermos considerar uma democracia completamente consolidada, com uma economia desenvolvida sustent&aacute;vel. Apesar dos progressos vis&iacute;veis, quer ao n&iacute;vel do sistema pol&iacute;tico quer ao n&iacute;vel do sistema econ&oacute;mico, existem ainda importantes atrasos estruturais relativos para que o Estado indon&eacute;sio possa ser considerado um pa&iacute;s altamente desenvolvido como, por exemplo, o Jap&atilde;o. &Eacute; verdade que a Indon&eacute;sia &eacute; a terceira maior democracia do mundo e a sua economia cresce a um ritmo espetacular, mas as quest&otilde;es fulcrais da distribui&ccedil;&atilde;o da riqueza e das desigualdades econ&oacute;micas e sociais da sua popula&ccedil;&atilde;o e das diferentes regi&otilde;es indon&eacute;sias s&atilde;o ainda um problema no curto e m&eacute;dio prazo. Este &eacute;, ali&aacute;s, um dos maiores desafios da emerg&ecirc;ncia asi&aacute;tica<sup><a href="#90">90</a></sup><a name="top90"></a>. Outro ser&aacute; lidar com a rea&ccedil;&atilde;o defensiva dos atores hegem&oacute;nicos ocidentais face &agrave; sua afirma&ccedil;&atilde;o<sup><a href="#91">91</a></sup><a name="top91"></a>.</p>     <p>Deste modo, ao n&iacute;vel dos fatores internacionais limitadores da ascens&atilde;o da Indon&eacute;sia importa, em primeiro lugar, apontar a natural postura defensiva das pot&ecirc;ncias ocidentais, apostadas na manuten&ccedil;&atilde;o da sua hegemonia, normativa e hier&aacute;rquica, no sistema internacional<sup><a href="#92">92</a></sup><a name="top92"></a>. Em segundo lugar, a ascens&atilde;o da &Aacute;sia conta com dois gigantes principais, a China e a &Iacute;ndia, que, numa l&oacute;gica tradicionalmente competitiva, poder&atilde;o tentar limitar a afirma&ccedil;&atilde;o de um terceiro polo de poder na lideran&ccedil;a asi&aacute;tica. Por outro lado, a Indon&eacute;sia, como parece estar a acontecer com o&nbsp;IORA, pode jogar com o seu importante apoio para definitivamente balan&ccedil;ar a lideran&ccedil;a de poder para um dos gigantes asi&aacute;ticos. Todavia, n&atilde;o devemos esquecer o padr&atilde;o hist&oacute;rico da&nbsp;PEI&nbsp;e das suas ideias b&aacute;sicas, de onde sobressai o princ&iacute;pio de uma pol&iacute;tica externa&nbsp;ativa e independente.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>CONCLUS&Atilde;O</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Como vimos, a democratiza&ccedil;&atilde;o da Indon&eacute;sia significou uma importante redefini&ccedil;&atilde;o na sua imagem internacional e introduziu mudan&ccedil;as nas ideias e interesses da sua pol&iacute;tica externa. A Indon&eacute;sia democr&aacute;tica operou uma normaliza&ccedil;&atilde;o legitimadora que lhe permitiu redefinir-se, agora n&atilde;o apenas como pot&ecirc;ncia econ&oacute;mica emergente, mas igualmente como pot&ecirc;ncia normativa. A constru&ccedil;&atilde;o da sua nova identidade, Democr&aacute;tica, Desenvolvida e Isl&acirc;mica (IDDI), potenciou a emerg&ecirc;ncia dos seus fatores de poder material, consolidou o seu papel de l&iacute;der benigno da&nbsp;ASEAN&nbsp;e projetou globalmente a Indon&eacute;sia. Apesar de terem ocorrido mudan&ccedil;as incrementais, adaptativas e ideol&oacute;gicas na pol&iacute;tica externa indon&eacute;sia ao longo dos v&aacute;rios ciclos das lideran&ccedil;as internas, h&aacute; duas ideias-chave que importa destacar.</p>     <p>Primeiro, existe uma rela&ccedil;&atilde;o decisiva entre a estabilidade interna (pol&iacute;tica, social e econ&oacute;mica) e a capacidade e vontade da Indon&eacute;sia em diversificar e expandir globalmente os interesses da sua pol&iacute;tica externa. Quanto mais est&aacute;vel se torna internamente, mais sofisticada e global se torna a sua pol&iacute;tica externa.</p>     <p>Segundo, o caso indon&eacute;sio demonstra que os estados n&atilde;o querem s&oacute; poder material, os estados tamb&eacute;m buscam legitimidade normativa. Mais, as duas coisas n&atilde;o s&atilde;o incompat&iacute;veis e podem ser complementares, como se observa no caso indon&eacute;sio. Para al&eacute;m de se afirmar como poder econ&oacute;mico emergente, a Indon&eacute;sia procurou afirmar-se como uma pot&ecirc;ncia normativa com ideias importantes para a regi&atilde;o, para o isl&atilde;o e para o mundo.</p>     <p>Quanto &agrave; possibilidade de a Indon&eacute;sia se tornar um importante ator global, existem potencialidades e limita&ccedil;&otilde;es. Contudo, como argument&aacute;mos, a Indon&eacute;sia re&uacute;ne um conjunto de fatores de poder material e ideacional que a colocam numa posi&ccedil;&atilde;o privilegiada para desempenhar um papel global. Este papel pode n&atilde;o ser, no curto prazo, o de uma grande pot&ecirc;ncia no sentido tradicional, mas a sua influ&ecirc;ncia global ser&aacute; crescente.</p>     <p>Os avan&ccedil;os globais do&nbsp;poder&nbsp;e das&nbsp;ideias&nbsp;da Indon&eacute;sia s&atilde;o relativamente impar&aacute;veis. Todavia, como vimos, n&atilde;o &eacute; irrelevante a&nbsp;PEI&nbsp;ser conduzida por uma vis&atilde;o sofisticada e estrat&eacute;gica de afirma&ccedil;&atilde;o global, ou por uma vis&atilde;o mais paroquial e&nbsp;<i>ad hoc</i>. As ideias e as suas lideran&ccedil;as contam na afirma&ccedil;&atilde;o global da&nbsp;PEI. Designadamente, se a Indon&eacute;sia continuar a liderar com sucesso o aprofundamento da&nbsp;ASEAN&nbsp;como plataforma coerente de afirma&ccedil;&atilde;o do Sudeste Asi&aacute;tico.</p>     <p>Mas, sobretudo, a forma como os contextos pol&iacute;ticos internos se desenvolverem, de forma est&aacute;vel ou inst&aacute;vel, ir&aacute; determinar a ascens&atilde;o global da Indon&eacute;sia. Se a estabilidade pol&iacute;tica e democr&aacute;tica se consolidar, a economia seguir&aacute; a tend&ecirc;ncia de crescimento que permitir&aacute; ultrapassar os atrasos estruturais e a Indon&eacute;sia n&atilde;o poder&aacute; deixar de ser uma pot&ecirc;ncia global no futuro pr&oacute;ximo.</p>     <p>Nesse momento, ser&aacute; interessante verificar se uma Indon&eacute;sia com muito poder material se transformar&aacute; numa pot&ecirc;ncia realista ofensiva tradicional, ou se continuar&aacute; a sua tradi&ccedil;&atilde;o normativa de hegemonia benigna com base na institucionaliza&ccedil;&atilde;o de la&ccedil;os multilaterais. Esta quest&atilde;o, para al&eacute;m de importante para solidificar a hip&oacute;tese construtivista &ndash; segundo a qual &eacute; a assun&ccedil;&atilde;o de uma determinada cultura ideacional que define o tipo de rela&ccedil;&otilde;es internacionais no sistema e n&atilde;o apenas a distribui&ccedil;&atilde;o de poder material &ndash;, ser&aacute; decisiva para percebermos se o s&eacute;culo do Indo-Pac&iacute;fico ir&aacute; ser constru&iacute;do com base numa ordem asi&aacute;tica pac&iacute;fica e institucionalizada, ou numa ordem competitiva e potencialmente conflitual entre os seus tr&ecirc;s maiores polos de poder: a China,&nbsp;a &Iacute;ndia e a Indon&eacute;sia.&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>BIBLIOGRAFIA</b></p>     <p>ACHARYA, Amitav &ndash; &laquo;Global international relations (IR) and regional worlds&raquo;. In&nbsp;<i>International Studies Quarterly</i>. Vol. 58, 2014, pp. 647-659.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>ACHARYA, A. &ndash;&nbsp;<i>Indonesia Matters: Asia&rsquo;s Emerging Democratic Power</i>. Singapura: World Scientific, 2015.</p>     <p>ACHARYA, Amitav &ndash; &laquo;&ldquo;Theorising the international relations of Asia: necessity or indulgence?&rdquo; Some reflections&raquo;. (Em linha). In&nbsp;<i>The Pacific Review</i>.&nbsp;1-13. 25 de abril de 2017.</p>     <p>ACHARYA, Amitav, e BUZAN, Barry (eds.) &ndash;&nbsp;<i>Non-Western International Relations Theory: Perspetives on and Beyond Asia</i>. Londres: Routledge, 2009.</p>     <p>ALATAS, A. &ndash;&nbsp;<i>Challenges in Indonesian Foreign Policy</i>. Jacarta: Aksara Foundation, 2000.</p>     <p>ANWAR, D. Fortuna &ndash; &laquo;Indonesia: building norms and consensus on the world stage&raquo;. In&nbsp;<i>Global Asia</i>.&nbsp;Vol. 8, N.&ordm; 4, 2013, pp. 8-12.</p>     <p>BAGUS, Saragih, e PARLINA, Ina &ndash; &laquo;Jokowi lays out his &ldquo;propeople&rdquo; diplomacy&raquo;.&nbsp;In&nbsp;<i>The Jakarta Post</i>. 3 de fevereiro de 2015. (Consultado em: 4 de julho de 2017). Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.thejakartapost.com/news/2015/02/03/jokowi-lays-out-his-pro-people-diplomacy.html" target="_blank">http://www.thejakartapost.com/news/2015/02/03/jokowi-lays-out-his-pro-people-diplomacy.html</a>.</p>     <p>CONNELLY, Aaron &ndash; &laquo;Sovereignty and the sea: President Joko Widodo&rsquo;s foreign policy challenges&raquo;. In&nbsp;<i>Contemporary Southeast Asia.</i> Vol. 37, N.&ordm; 1, 2015, pp. 1-28.</p>     <p>DAVIES, M., e HARRIS-RIMMER, S. &ndash; &laquo;Assessing Indonesia&rsquo;s normative influence: wishful thinking or hidden strength&raquo;. In&nbsp;<i>Asia &amp; the Pacific Policy Studies</i>. Vol. 3, 2016, pp. 83-91.</p>     <p>EMMERS, Ralf &ndash; &laquo;Indonesia&rsquo;s role in&nbsp;ASEAN: a case of incomplete and sectorial leadership&raquo;. In&nbsp;<i>The Pacific Review.</i> Vol. 27, N.&ordm; 4, 2014, pp. 543-562.</p>     <p>FEALY, G., e White, H. &ndash; &laquo;Indonesia&rsquo;s &ldquo;Great Power&rdquo; aspirations: a critical view&raquo;. In<i>&nbsp;Asia &amp; the Pacific Policy Studies</i>. Vol. 3, 2016, pp. 92-100.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>HAASS, R. &ndash;&nbsp;<i>Foreign Policy Begins at Home: The Case for Putting America&rsquo;s House in Order</i>. Nova York: Basic Books, 2013.</p>     <p>HUDSON, Valerie M. &ndash;&nbsp;<i>Foreign Policy Analysis: Classic and Contemporary Theory.</i> 2.&ordf; edi&ccedil;&atilde;o. Lanham, Maryland: Rowman &amp; Littlefield Publishers, 2013.</p>     <p>KAARBO, Juliet &ndash; &laquo;A foreign policy analysis perspetive on the domestic politics turn in&nbsp;ir&nbsp;Theory&raquo;. In<i>&nbsp;International Studies Review</i>.&nbsp;Vol. 17, 2015, pp. 189-216.</p>     <p>KARIM, Moch Faisal &ndash; &laquo;Role conflict and the limits of state identity: the case of Indonesia in democracy promotion&raquo;.&nbsp;In&nbsp;<i>The Pacific Review</i>. Vol. 30, N.&ordm; 3, 2017,&nbsp; pp. 385-404.</p>     <p>KEMLU.&nbsp;(Consultado em: 12 de julho de 2017). Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.kemlu.go.id/en/kebijakan/landasan-visi-misi-polugri/Pages/Direction-of-Indonesian-Foreign-Policy.aspx" target="_blank">http://www.kemlu.go.id/en/kebijakan/landasan-visi-misi-polugri/Pages/Direction-of-Indonesian-Foreign-Policy.aspx</a>.</p>     <p>KUBALKOVA, Vendulka (ed.) &ndash;&nbsp;<i>Foreign Policy in a Constructed World</i>. Armonk, NY: M.E. Sharpe, 2001.</p>     <p>LAKSMANA, Evan A. &ndash; &laquo;insight: how do we engage a hegemonic China?&raquo;.&nbsp;In&nbsp;<i>The Jakarta Post</i>. 12 de outubro de 2015.</p>     <p>LARA, S., e DIZ, J. Mata &ndash;&nbsp;<i>Paz &amp; Guerra: Contributo para o Di&aacute;logo entre Direito Internacional e Rela&ccedil;&otilde;es Internacionais</i>.&nbsp;ISCSP-UL, 2017.</p>     <p>LEBOW, N. &ndash;&nbsp;<i>A Cultural Theory of International Relations</i>. Cambridge:&nbsp;CUP, 2008.</p>     <p>LOPES, Julyssa &ndash; &laquo;Indonesian President urges major powers to resolve differences amicably&raquo;.&nbsp;In&nbsp;<i>GW Today</i>. 26 de setembro de 2014. (Consultado em: 8 de julho de 2017). Dispon&iacute;vel em: <a href="https://gwtoday.gwu.edu/indonesian-president-urges-major-powers-resolve-differences-amicably" target="_blank">https://gwtoday.gwu.edu/indonesian-president-urges-major-powers-resolve-differences-amicably</a>.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>MARCH, James G., e OLSEN, Johan P. &ndash; &laquo;The logic of appropriateness&raquo;. In&nbsp;arena&nbsp;Working Papers&nbsp;WP&nbsp;04/09. 2004.</p>     <p>MARSUDI, Retno &ndash;&nbsp;<i>Annual press statement minister for Foreign Affairs of the Republic of Indonesia Retno L.P. Marsudi 2017</i>.&nbsp;Jacarta, 10 de janeiro de 2017. (Consultado em: 5 de julho de 2017). Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.kemlu.go.id/id/pidato/menlu/Documents/PPTM-2017-EN.pdf" target="_blank">http://www.kemlu.go.id/id/pidato/menlu/Documents/PPTM-2017-EN.pdf</a>.</p>     <p>MENDES, Pedro Emanuel &ndash; &laquo;A raiz e o fruto na an&aacute;lise da pol&iacute;tica externa dos estados: uma perspetiva ecl&eacute;tica&raquo;.&nbsp;In&nbsp;<i>Rela&ccedil;&otilde;es Internacionais</i>. N.&ordm; 16, 2007, pp. 129-144.</p>     <p>MENDES, Pedro Emanuel &ndash; &laquo;A (re) inven&ccedil;&atilde;o das rela&ccedil;&otilde;es internacionais na viragem do s&eacute;culo: o desafio do construtivismo&raquo;. In&nbsp;<i>Rela&ccedil;&otilde;es Internacionais</i>. N.&ordm; 36, 2012, pp. 105-118.</p>     <p>MENDES, Pedro Emanuel &ndash; &laquo;Identidade e poder na pol&iacute;tica externa da Indon&eacute;sia: de Sukarno a Suharto&raquo;. In&nbsp;<i>Rela&ccedil;&otilde;es Internacionais</i>. N.&ordm; 52, 2016, pp. 67-82.</p>     <p>MENDES, Pedro Emanuel &ndash; &laquo;Mudan&ccedil;a, contexto e lideran&ccedil;a na pol&iacute;tica externa dos&nbsp;EUA: de Bush a Obama&raquo;. In&nbsp;<i>Popula&ccedil;&atilde;o e Sociedade.</i> N.&ordm; 26, 2016, pp. 170-187.</p>     <p>MENDES, Pedro Emanuel &ndash; &laquo;Como compreender e estudar a decis&atilde;o em pol&iacute;tica externa: reinterpretando os cl&aacute;ssicos&raquo;.&nbsp;In&nbsp;<i>Brazilian Journal of International Relations</i>. Vol. 6, N.&ordm; 1, 2017, pp. 8-36.</p>     <p>MENDES, Pedro Emanuel&nbsp;&ndash;&nbsp;<i>O Poder e as Ideias na Pol&iacute;tica Externa do Portugal Democr&aacute;tico</i>. Porto: Afrontamento, 2017.</p>     <p>MIETZNER, Marcus <i>&ndash;&nbsp;Reinventing Asian Populism Jokowi&rsquo;s Rise, Democracy, and Political Contestation in Indonesia</i>. Policy Studies 72. Institute of Southeast Asian Studies, 2105.</p>     <p>MOERTONO, Soemarsaid &ndash;&nbsp;<i>State and Statecraft in Old Java: A Study of the Later Mataram Period, 16th&nbsp;to 19th&nbsp;Century.</i> Jacarta: Equinox Publishing. 2009 (1968).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>MURPHY, Ann Marie &ndash; &laquo;Democratization and Indonesian foreign policy: implications for the United States&raquo;. In&nbsp;<i>Asia Policy</i>. Vol. 13, 2012, pp. 85-111.</p>     <p>NABBS-KELLER, Greta &ndash; &laquo;Reforming Indonesia&rsquo;s Foreign ministry: ideas, organization, and leadership&raquo;. In&nbsp;<i>Contemporary Southeast Asia</i>.&nbsp;Vol. 35, N.&ordm; 1, 2013,&nbsp;pp. 56-32.</p>     <p>NATALEGAWA, Marty &ndash; &laquo;Statement by H.E. Dr. R. M. Marty M. Natalegawa Minister for Foreign Affairs Republic of Indonesia at the General Debate of the 66th Session of the United Nations General Assembly&raquo;.&nbsp;Nova York. 26 de setembro de 2011. (Consultado em: 3 de julho de 2017). Dispon&iacute;vel em: <a href="https://gadebate.un.org/sites/default/files/gastatements/66/ID_en.pdf" target="_blank">https://gadebate.un.org/sites/default/files/gastatements/66/ID_en.pdf</a>.</p>     <p>NEHRU, V. &ndash; &laquo;Indonesia: the reluctant giant&raquo;.&nbsp;In&nbsp;<i>The National Interest.</i> 11 de fevereiro de 2016. (Consultado em: 6 de julho de 2017). Dispon&iacute;vel em: <a href="http://nationalinterest.org/feature/indonesia-the-reluctant-giant15178" target="_blank">http://nationalinterest.org/feature/indonesia-the-reluctant-giant15178</a>.</p>     <p>OSIUS, Ted &ndash; &laquo;Global swing states: deepening dartnerships with India and Indonesia&raquo;. In&nbsp;<i>Asia Policy.</i> Vol. 17, 2014, pp. 1-24.</p>     <p>PARAMESWARAN, Prashanth &ndash; &laquo;Yudhoyono&rsquo;s checkered legacy in Indonesia&raquo;.&nbsp;In&nbsp;<i>The Diplomat</i>.&nbsp;18 de outubro de 2014. (Consultado em: 7 de julho de 2017). Dispon&iacute;vel em: <a href="http://thediplomat.com/2014/10/yudhoyonos-checkered-legacy-in-indonesia/" target="_blank">http://thediplomat.com/2014/10/yudhoyonos-checkered-legacy-in-indonesia/</a>.</p>     <p>PATTIRADJAWANE, Ren&eacute; L. &ndash; &laquo;The Indonesian perspetive toward rising China&raquo;.&nbsp;In&nbsp;<i>Asian Journal of Comparative Politics</i>. Vol. 1,&nbsp;N.&ordm; 3, 2016, pp. 260-282.</p>     <p>PAUL, T. V., LARSON, D. W., e WOHLFORTH,&nbsp;W. C. (eds.) &ndash;&nbsp;<i>Status in World Politics</i>. Cambridge:&nbsp;CUP, 2014.</p>     <p>PICCONE, Ted, e YUSMAN, Bimo &ndash; &laquo;Indonesian foreign policy: &ldquo;a million friends and zero enemies&rdquo;&raquo;.&nbsp;In&nbsp;<i>The Diplomat</i>.&nbsp;14 de fevereiro de 2014. (Consultado em: 8 de julho de 2017). Dispon&iacute;vel em: <a href="http://thediplomat.com/2014/02/indonesian-foreign-policy-a-million-friends-and-zero-enemies/" target="_blank">http://thediplomat.com/2014/02/indonesian-foreign-policy-a-million-friends-and-zero-enemies/</a>.</p>     <p>PING, Jonathan H. &ndash;&nbsp;<i>Middle Power Statecraft: Indonesia, Malaysia and the Asia Pacific</i>. Aldershot UK: Ashgate, 2005.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>PUTNAM, Robert &ndash; &laquo;Diplomacy and domestic politics: the logic of two-level games&raquo;. In&nbsp;<i>International Organization</i>.&nbsp;Vol. 43, N.&ordm; 3, 1998, pp. 427-460.</p>     <p>PwC &ndash;&nbsp;<i>The World in 2050: Will the Shift in Global Economic Power Continue?</i>. 2015.&nbsp;(Consultado em: 3 de julho de 2017). Dispon&iacute;vel em: <a href="https://www.pwc.com/gx/en/issues/the-economy/assets/world-in2050-february2015.pdf" target="_blank">https://www.pwc.com/gx/en/issues/the-economy/assets/world-in2050-february2015.pdf</a>.</p>     <p>REID, Anthony (ed.) &ndash;&nbsp;<i>Indonesia Rising: The Repositioning of Asia&rsquo;s Third Giant</i>. Singapura: Institute of Southeast Asian Studies, 2012.</p>     <p>ROBISON, Richard, e HADIZ, Vedi R. &ndash; &laquo;Indonesia: a tale of misplaced expectations&raquo;.&nbsp;In&nbsp;<i>The Pacific Review</i>. (Em linha).&nbsp;10 de abril de 2017, pp. 1-15.</p>     <p>ROSENAU, James &ndash;&nbsp;<i>The Scientific Study of Foreign Policy</i>. Revised and Enlarged edition. Nova York: Nichols Publishing, 1980.</p>     <p>ROSYIDIN, Mohamad &ndash; &laquo;Foreign policy in changing global politics&raquo;. In&nbsp;<i>South East Asia Research</i>. Vol. 25, N.&ordm; 2, 2017, pp. 175-191.</p>     <p>SAIKAL, Amin, e ACHARYA, Amitav (eds.) &ndash;&nbsp;<i>Democracy and Reform in the Middle East and Asia: Social Protest and Authoritarian Rule after the Arab Spring</i>. Londres: I.B. Taurus, 2014.</p>     <p>SMITH, Anthony &ndash; &laquo;Foreign policy under Abdurrahman Wahid: radical or status quo state?&raquo;.&nbsp;In&nbsp;<i>Contemporary Southeast Asia.</i> Vol. 22, N.&ordm; 3, 2000, pp. 498-526.</p>     <p>SOUSA, Fernando, e&nbsp;MENDES, Pedro &ndash;&nbsp;<i>Dicion&aacute;rio das Rela&ccedil;&otilde;es Internacionais</i>.&nbsp;Porto: Afrontamento, 2014.</p>     <p>WEATHERBEE, Donald E. &ndash; &laquo;Indonesia&rsquo;s foreign policy in 2016: Garuda hovering&raquo;. In&nbsp;<i>Southeast Asian Affairs</i>, 2017, pp. 163-176.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>WENDT, Alexander &ndash;&nbsp;<i>Social Theory of International Politics</i>. Cambridge:&nbsp;CUP, 1999.</p>     <p>WICAKSANA, I Gede Wahyu &ndash; &laquo;International society: the social dimensions of Indonesia&rsquo;s foreign policy&raquo;. In&nbsp;<i>The Pacific Review</i>. Vol. 29, N.&ordm; 5, 2016, pp. 741-759.</p>     <p>WITULAR, Rendi A. &ndash; &laquo;Jokowi launches maritime doctrine to the world&raquo;.&nbsp;In&nbsp;<i>The Jakarta Post</i>. 13 de novembro de 2011. (Consultado em: 10 de julho de 2017). Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.thejakartapost.com/news/2014/11/13/jokowi-launches-maritime-doctrine-world.html" target="_blank">http://www.thejakartapost.com/news/2014/11/13/jokowi-launches-maritime-doctrine-world.html</a>.</p>     <p>YUSUF, Arief, e SUMNER, Andy &ndash; &laquo;Growth, poverty, and inequality under Jokowi&raquo;. In&nbsp;<i>Bulletin of Indonesian Economic Studies</i>. Vol. 51, N.&ordm; 3, 2015, pp. 323-348.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>Data de rece&ccedil;&atilde;o: 1 de junho de 2017 | Data de aprova&ccedil;&atilde;o: 31 de julho de 2017</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>NOTAS</b></p>     <p><Sup><a name="1"></a><a href="#top1">1</a></Sup> MENDES, Pedro Emanuel &ndash; &laquo;A raiz e o fruto na an&aacute;lise da pol&iacute;tica externa dos estados: uma perspetiva ecl&eacute;tica&raquo;. In&nbsp;<i>Rela&ccedil;&otilde;es Internacionais</i>. N.&ordm; 16, 2007,&nbsp;pp. 129-144; MENDES, Pedro Emanuel &ndash; &laquo;Como compreender e estudar a decis&atilde;o em pol&iacute;tica externa: reinterpretando os cl&aacute;ssicos&raquo;.&nbsp;In&nbsp;<i>Brazilian Journal of International Relations</i>. Vol. 6, N.&ordm; 1, 2017, pp. 8-36.</p>     <p><Sup><a name="2"></a><a href="#top2">2</a></Sup> HAASS, R. &ndash;&nbsp;<i>Foreign Policy Begins at Home: The Case for Putting America&rsquo;s House in Order</i>. Nova York: Basic Books, 2013;&nbsp;KAARBO, Juliet &ndash; &laquo;A foreign policy analysis perspetive on the domestic politics turn in&nbsp;IR&nbsp;Theory&raquo;.&nbsp;In&nbsp;<i>International Studies Review</i>.&nbsp;Vol. 17, 2015, pp. 189-216.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><Sup><a name="3"></a><a href="#top3">3</a></Sup> MENDES, Pedro Emanuel &ndash; &laquo;As rela&ccedil;&otilde;es internacionais como ci&ecirc;ncia social: dial&eacute;tica entre hist&oacute;ria e teoria&raquo;.&nbsp;In&nbsp;SOUSA, Fernando, e&nbsp;MENDES, Pedro &ndash;&nbsp;<i>Dicion&aacute;rio das Rela&ccedil;&otilde;es Internacionais</i>. Porto: Afrontamento, 2014, pp. xi-xxvi;&nbsp;MENDES, Pedro Emanuel &ndash; &laquo;Teoria das rela&ccedil;&otilde;es internacionais no p&oacute;s-Guerra Fria: import&acirc;ncia, progressos e debates&raquo;.&nbsp;In&nbsp;LARA, S., e DIZ, J. Mata &ndash;&nbsp;<i>Paz &amp; Guerra: Contributo para o Di&aacute;logo entre Direito Internacional e Rela&ccedil;&otilde;es Internacionais</i>.&nbsp;ISCSP-UL, 2017, pp. 92-122.</p>     <p><Sup><a name="4"></a><a href="#top4">4</a></Sup> WENDT, Alexander &ndash;&nbsp;<i>Social Theory of International Politics</i>.&nbsp;Cambridge:&nbsp;CUP, 1999; MENDES, Pedro Emanuel&nbsp;<i>&ndash;&nbsp;O Poder e as Ideias na Pol&iacute;tica Externa do Portugal Democr&aacute;tico</i>.&nbsp;Porto: Afrontamento, 2017.</p>     <p><Sup><a name="5"></a><a href="#top5">5</a></Sup> LARSON, D. W., PAUL, T. V., e WOHLFORTH,&nbsp;W. C. &ndash; &laquo;Status and world order&raquo;.&nbsp;In&nbsp;PAUL, T. V., LARSON, D. W., e WOHLFORTH,&nbsp;W. C. (eds.) &ndash;&nbsp;<i>Status in World Politics</i>.&nbsp;Cambridge:&nbsp;CUP, 2014, pp. 3-32.</p>     <p><Sup><a name="6"></a><a href="#top6">6</a></Sup> O&nbsp;Spirit&nbsp;diz respeito &agrave; universal busca humana por autoestima. Os estados n&atilde;o t&ecirc;m emo&ccedil;&otilde;es, mas os decisores sim. Os decisores e l&iacute;deres pol&iacute;ticos tendem a projetar as suas necessidades psicol&oacute;gicas de autoestima, honra e reconhecimento nas suas pol&iacute;ticas governativas.&nbsp;LEBOW, N. &ndash;&nbsp;<i>A Cultural Theory of International Relations</i>. Cambridge:&nbsp;cup, 2008.</p>     <p><Sup><a name="7"></a><a href="#top7">7</a></Sup> Este argumento aplica-se no caso timorense, no caso da inven&ccedil;&atilde;o da&nbsp;ASEAN&nbsp;e, como aqui defendemos, na democratiza&ccedil;&atilde;o e consequente normaliza&ccedil;&atilde;o normativa da&nbsp;PEI.</p>     <p><Sup><a name="8"></a><a href="#top8">8</a></Sup> MARCH e OLSEN, J. P. &ndash;&nbsp;&laquo;The logic of appropriateness&raquo;. In&nbsp;<i>ARENA Working Papers</i> WP 04/09&nbsp;2004, p. 16.</p>     <p><Sup><a name="9"></a><a href="#top9">9</a></Sup> KUBALKOVA, Vendulka (ed.) &ndash;&nbsp;<i>Foreign Policy in a Constructed World</i>. Armonk, NY: M.E. Sharpe, 2001;&nbsp;HUDSON, Valerie M. &ndash;&nbsp;<i>Foreign Policy Analysis: Classic and Contemporary Theory</i>.&nbsp;2.&ordf; edi&ccedil;&atilde;o. Lanham, Maryland: Rowman &amp; Littlefield Publishers, 2013.</p>     <p><Sup><a name="10"></a><a href="#top10">10</a></Sup> MENDES, Pedro Emanuel &ndash; &laquo;A (re) inven&ccedil;&atilde;o das rela&ccedil;&otilde;es internacionais na viragem do s&eacute;culo: o desafio do construtivismo&raquo;. In&nbsp;<i>Rela&ccedil;&otilde;es Internacionais</i>. N.&ordm; 36, 2012, pp. 105-118.</p>     <p><Sup><a name="11"></a><a href="#top11">11</a></Sup> Ideia atualmente sublinhada pelos movimentos multiculturais nas rela&ccedil;&otilde;es internacionais&nbsp;e na&nbsp;APE. Os movimentos multiculturais chamam a aten&ccedil;&atilde;o para as limita&ccedil;&otilde;es da hegemonia ocidental da inven&ccedil;&atilde;o e desenvolvimento da teoria e pr&aacute;tica acad&eacute;mica das rela&ccedil;&otilde;es internacionais. Tamb&eacute;m conhecido como&nbsp;<i>global turn,</i> &eacute; um movimento te&oacute;rico que procura integrar outras tradi&ccedil;&otilde;es te&oacute;ricas n&atilde;o dominantes, leia-se anglo-sax&oacute;nicas ocidentais. Como sempre, a nossa abordagem n&atilde;o &eacute; monista. Importa reconhecer, simult&acirc;nea e complementarmente, a import&acirc;ncia universal e comparada das ci&ecirc;ncias sociais, mas tamb&eacute;m a hegemonia limitadora do mercado das ideias das pot&ecirc;ncias ocidentais, nomeadamente em rela&ccedil;&otilde;es internacionais, uma inven&ccedil;&atilde;o norte-americana. MENDES, Pedro Emanuel &ndash; &laquo;Teoria das rela&ccedil;&otilde;es internacionais no p&oacute;s-Guerra Fria&raquo;, pp. 117-118; ACHARYA, Amitav, e BUZAN, Barry &ndash; &laquo;Why is there no non-Western international relations theory: an introduction&raquo;.&nbsp;In&nbsp;ACHARYA, Amitav, e BUZAN, Barry (eds.)&nbsp;&ndash;&nbsp;<i>Non-Western International Relations Theory: Reflections on and Beyond Asia</i>.&nbsp;Londres: Routledge, 2009;&nbsp;ACHARYA, Amitav &ndash; &laquo;Global international relations (ir) and regional worlds&raquo;. In&nbsp;<i>International Studies Quarterly</i>. Vol. 58, 2014, pp. 647-659;&nbsp;Acharya, Amitav &ndash; &laquo;&ldquo;Theorising the international relations of Asia: necessity or indulgence?&rdquo;&nbsp;Some reflections&raquo;. (Em linha). In&nbsp;<i>The Pacific Review</i>.&nbsp;1-13. 25 de abril de 2017.</p>     <p><Sup><a name="12"></a><a href="#top12">12</a></Sup>MENDES, Pedro Emanuel &ndash; &laquo;Como compreender e estudar a decis&atilde;o em pol&iacute;tica externa&raquo;, pp. 12-14.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><Sup><a name="13"></a><a href="#top13">13</a></Sup> ROSENAU, James &ndash;&nbsp;<i>The Scientific Study of Foreign Policy</i>. Revised and Enlarged Edition. Nova York: Nichols Publishing, 1980.</p>     <p><Sup><a name="14"></a><a href="#top14">14</a></Sup> Ibidem.</p>     <p><Sup><a name="15"></a><a href="#top15">15</a></Sup> PUTNAM, Robert &ndash; &laquo;Diplomacy and domestic politics: the logic of two-level&nbsp;games&raquo;.&nbsp;In&nbsp;<i>International Organization</i>.&nbsp;Vol. 43, N.&ordm; 3, 1998, pp. 427-460.</p>     <p><Sup><a name="16"></a><a href="#top16">16</a></Sup> MENDES, Pedro Emanuel &ndash; &laquo;Identidade e poder na pol&iacute;tica externa da Indon&eacute;sia: de Sukarno a Suharto&raquo;. In&nbsp;<i>Rela&ccedil;&otilde;es Internacionais</i>. N.&ordm; 52, 2016, pp. 67-82.</p>     <p><Sup><a name="17"></a><a href="#top17">17</a></Sup> Habibie era engenheiro aeron&aacute;utico formado na Alemanha e estava no Governo de Suharto desde 1978, como ministro da Investiga&ccedil;&atilde;o e Tecnologia. Foi considerado uma m&aacute; escolha pela maioria dos indon&eacute;sios, que exigiam maior abertura pol&iacute;tica. Tamb&eacute;m as elites pol&iacute;ticas n&atilde;o o consideravam o mais qualificado, quer do ponto de vista t&eacute;cnico quer, sobretudo, do ponto de vista da sua experi&ecirc;ncia pol&iacute;tica. Todavia, em circunst&acirc;ncias particularmente dif&iacute;ceis, Habibie foi consideravelmente melhor do que as expectativas e os vatic&iacute;nios iniciais fariam supor.</p>     <p><Sup><a name="18"></a><a href="#top18">18</a></Sup> Por exemplo, as regras internas da Assembleia Parlamentar (MPR) foram alteradas de modo a permitir que os representantes eleitos dos novos partidos pudessem fazer parte do Parlamento, bem como a separa&ccedil;&atilde;o da lideran&ccedil;a das duas c&acirc;maras parlamentares. Habibie limitou a Presid&ecirc;ncia e Vice-Presid&ecirc;ncia indon&eacute;sia a um m&aacute;ximo de dois mandatos de cinco anos. Decretou que as elei&ccedil;&otilde;es parlamentares deveriam ser realizadas em maio ou junho de 1999, e que todos os movimentos pol&iacute;ticos que cumprissem os requisitos legais poderiam livremente apresentar-se e competir nas elei&ccedil;&otilde;es. Decretou, ainda, que a representa&ccedil;&atilde;o dos militares designados para os &oacute;rg&atilde;os legislativos deveria ser gradualmente reduzida, em conformidade com uma lei a ser aprovada posteriormente, e criou uma comiss&atilde;o eleitoral geral independente (Komisi Pemilihan Umum,&nbsp;KPU) para supervisionar as elei&ccedil;&otilde;es.</p>     <p><Sup><a name="19"></a><a href="#top19">19</a></Sup> O sistema controlado de tr&ecirc;s partidos da Nova Ordem acabou e passou a ser legal constituir partidos pol&iacute;ticos. Rapidamente surgiram anunciados cerca de 150 partidos. Este n&uacute;mero foi, finalmente, reduzido para 48 partidos reconhecidos pelo Governo.</p>     <p><Sup><a name="20"></a><a href="#top20">20</a></Sup> De onde se destacam Sri Bintang Pamungkas, Pakpahan Muchtar e Xanana Gusm&atilde;o. Embora numerosos prisioneiros timorenses e indon&eacute;sios tivessem permanecido detidos em toda a Indon&eacute;sia, os presos pol&iacute;ticos mais influentes foram alvo de mudan&ccedil;as importantes, como foi o caso de Xanana Gusm&atilde;o, transferido da pris&atilde;o de seguran&ccedil;a m&aacute;xima de Cipinang para pris&atilde;o domicili&aacute;ria em Salemba, Jacarta, a 10 de fevereiro de 1999.</p>     <p><Sup><a name="21"></a><a href="#top21">21</a></Sup> MENDES, Pedro Emanuel&nbsp;&ndash;&nbsp;<i>O Poder e as Ideias na Pol&iacute;tica Externa do Portugal Democr&aacute;tico</i>.</p>     <p><Sup><a name="22"></a><a href="#top22">22</a></Sup> Adaptado da ideia original do discurso de Winston Churchill: &laquo;Blood, Toil, Tears and Sweat&raquo;, 13 de maio de 1940.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><Sup><a name="23"></a><a href="#top23">23</a></Sup> Apesar de v&aacute;rias explica&ccedil;&otilde;es interessantes, que seja do nosso conhecimento a mais sofisticada &eacute; a que apela a uma explica&ccedil;&atilde;o ecl&eacute;tica e interligada entre a l&oacute;gica consequencial e a l&oacute;gica normativa relativa &agrave; constru&ccedil;&atilde;o de um&nbsp;interesse internacional.&nbsp;MENDES, Pedro Emanuel&nbsp;&ndash;&nbsp;<i>O Poder e as Ideias na Pol&iacute;tica Externa do Portugal Democr&aacute;tico</i>.</p>     <p><Sup><a name="24"></a><a href="#top24">24</a></Sup> Na situa&ccedil;&atilde;o de crise em que se encontrava a Indon&eacute;sia, n&atilde;o &eacute; de menosprezar a necessidade de o Presidente Habibie ter l&oacute;gicas de decis&atilde;o que n&atilde;o se esgotavam na l&oacute;gica material-consequencialista e de tamb&eacute;m procurar agir de acordo com uma l&oacute;gica normativa apropriada.</p>     <p><Sup><a name="25"></a><a href="#top25">25</a></Sup> Apesar do fim da Nova Ordem e do surgimento do per&iacute;odo de transi&ccedil;&atilde;o democr&aacute;tica, o processo pol&iacute;tico indon&eacute;sio ainda mantinha algumas incongru&ecirc;ncias democr&aacute;ticas. N&atilde;o obstante as elei&ccedil;&otilde;es legislativas livres de 1999, a elei&ccedil;&atilde;o e nomea&ccedil;&atilde;o da Presid&ecirc;ncia e Vice-Presid&ecirc;ncia indon&eacute;sia sa&iacute;am de uma elei&ccedil;&atilde;o indireta da sess&atilde;o geral do Parlamento indon&eacute;sio (MPR).</p>     <p><Sup><a name="26"></a><a href="#top26">26</a></Sup> Os adeptos do&nbsp;PDI-P&nbsp;ficaram indignados e assistiu-se a manifesta&ccedil;&otilde;es de revolta nas ruas. Wahid percebeu que havia a necessidade de reconhecer o&nbsp;status&nbsp;do&nbsp;PDI-P&nbsp;como vencedor das elei&ccedil;&otilde;es legislativas e encorajou Megawati a concorrer &agrave; Vice-Presid&ecirc;ncia, ordenando que o&nbsp;PKB&nbsp;jogasse todo o seu peso atr&aacute;s de Megawati, que foi eleita como Vice-Presidente, com 396 votos a favor, contra os 284 de Hamzah.</p>     <p><Sup><a name="27"></a><a href="#top27">27</a></Sup> Em mar&ccedil;o de 2000, Wahid visitou Timor e foram estabelecidas oficialmente as rela&ccedil;&otilde;es bilaterais. No Cemit&eacute;rio de Santa Cruz pediu desculpa pelos abusos dos militares.</p>     <p><Sup><a name="28"></a><a href="#top28">28</a></Sup> Nomeou Megawati para ministra do Gabinete, para gerir os assuntos internos e t&eacute;cnicos do Governo indon&eacute;sio, libertando-o para os assuntos de pol&iacute;tica externa e para a miss&atilde;o de representa&ccedil;&atilde;o internacional da Indon&eacute;sia.</p>     <p><Sup><a name="29"></a><a href="#top29">29</a></Sup> <i>Apud</i>&nbsp;SMITH, Anthony &ndash; &laquo;Foreign policy under Abdurrahman Wahid: radical or status quo state?&raquo;.&nbsp;In&nbsp;<i>Contemporary Southeast Asia</i>. Vol. 22, N.&ordm; 3, 2000, p. 500.</p>     <p><Sup><a name="30"></a><a href="#top30">30</a></Sup> Este f&oacute;rum foi iniciado em 2000 e &eacute; composto por seis estados: Austr&aacute;lia, Indon&eacute;sia, Nova Zel&acirc;ndia, Papua-Nova Guin&eacute;, Filipinas e Timor-Leste.</p>     <p><Sup><a name="31"></a><a href="#top31">31</a></Sup> Wahid iniciou o desenvolvimento de uma rela&ccedil;&atilde;o triangular entre a Indon&eacute;sia, a China e a &Iacute;ndia.</p>     <p><Sup><a name="32"></a><a href="#top32">32</a></Sup> Em maio de 2000, a Indon&eacute;sia e a China assinaram um acordo de coopera&ccedil;&atilde;o (pol&iacute;tico, econ&oacute;mico e cient&iacute;fico) que celebrava os 50 anos de rela&ccedil;&otilde;es entre os dois estados asi&aacute;ticos, ainda que as suas rela&ccedil;&otilde;es oficiais tivessem sido suspensas entre 1965 e 1990. De l&aacute; para c&aacute;, as rela&ccedil;&otilde;es com a China tornaram-se mais vol&aacute;teis, nomeadamente no Mar do Sul da China.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><Sup><a name="33"></a><a href="#top33">33</a></Sup> Como, por exemplo: uma decisiva reforma descentralizadora do sistema de governo, devolvendo poder a cerca de 400 lideran&ccedil;as locais; a introdu&ccedil;&atilde;o de emendas constitucionais que adotaram o sistema de elei&ccedil;&atilde;o presidencial direta (2004) e a aboli&ccedil;&atilde;o dos 38 lugares reservados a militares no Parlamento, bem como reformas de liberaliza&ccedil;&atilde;o econ&oacute;mica.</p>     <p><Sup><a name="34"></a><a href="#top34">34</a></Sup> Com as invas&otilde;es do Afeganist&atilde;o e do Iraque, a&nbsp;coopera&ccedil;&atilde;o com os Estados Unidos foi congelada.&nbsp;Esta rea&ccedil;&atilde;o indon&eacute;sia refletiu a emerg&ecirc;ncia dos grupos de interesses isl&acirc;micos na defini&ccedil;&atilde;o da pol&iacute;tica externa, bem como a democratiza&ccedil;&atilde;o e o maior pluralismo dos atores que passaram a influenciar as decis&otilde;es governamentais.</p>     <p><Sup><a name="35"></a><a href="#top35">35</a></Sup> Designadamente, a afirma&ccedil;&atilde;o da sua hegemonia benigna regional, a defesa intransigente da sua integridade territorial e o desenvolvimento do com&eacute;rcio e investimentos internacionais com os pa&iacute;ses desenvolvidos.</p>     <p><Sup><a name="36"></a><a href="#top36">36</a></Sup> O Movimento dos Pa&iacute;ses N&atilde;o-Alinhados (MNA) re&uacute;ne atualmente 115 pa&iacute;ses, que representam 55 por cento da popula&ccedil;&atilde;o do planeta, quase dois ter&ccedil;os dos pa&iacute;ses-membros da&nbsp;ONU. Originalmente ligado &agrave; possibilidade de criar um bloco neutral face &agrave; pol&iacute;tica de blocos da Guerra Fria, a sua matriz ideol&oacute;gica original de combate ao colonialismo e imperialismo ocidental foi reformulada e atualmente os seus objetivos centram-se no combate &agrave; pobreza e na promo&ccedil;&atilde;o do desenvolvimento. Para al&eacute;m da sua funda&ccedil;&atilde;o, a Indon&eacute;sia teve um papel importante na sua reformula&ccedil;&atilde;o atual, ligada ao desenvolvimento e ao aumento da coopera&ccedil;&atilde;o Sul-Sul.</p>     <p><Sup><a name="37"></a><a href="#top37">37</a></Sup> No dia 12 de outubro de 2002, na zona tur&iacute;stica de Kuta, em Bali, o grupo terrorista isl&acirc;mico Jemaah Islamiyah perpetrou um ataque terrorista onde 202 pessoas foram assassinadas, 164 estrangeiros e 38 indon&eacute;sios.</p>     <p><Sup><a name="38"></a><a href="#top38">38</a></Sup> Ap&oacute;s chegar a general, Yudhoyono tornou-se pol&iacute;tico, tendo sido ministro nos governos de Wahid e de Megawati.&nbsp;Apesar de, como ministro de Wahid, ter tido a fun&ccedil;&atilde;o de eliminar militares de cargos pol&iacute;ticos,&nbsp;o sexto l&iacute;der indon&eacute;sio &eacute; o exemplo perfeito da doutrina&nbsp;DWIFUNGI: um militar pol&iacute;tico. Dono de uma forte personalidade pol&iacute;tica, n&atilde;o obedeceu a Wahid e foi demitido quando este lhe solicitou que declarasse o estado de emerg&ecirc;ncia no pico da crise da sua presid&ecirc;ncia, o que contribuiu para a sua queda. Com Megawati, foi ministro da Seguran&ccedil;a e Assuntos Pol&iacute;ticos, tradicionalmente um dos lugares-chave do Governo indon&eacute;sio. Em mar&ccedil;o de 2004, demitiu-se do Governo, passados oito meses derrotou Megawati.</p>     <p><Sup><a name="39"></a><a href="#top39">39</a></Sup> NABBS-KELLER, Greta &ndash; &laquo;Reforming Indonesia&rsquo;s Foreign ministry: ideas, organization, and leadership&raquo;.&nbsp;In&nbsp;<i>Contemporary Southeast Asia</i>.&nbsp;Vol. 35, N.&ordm; 1, 2013, pp. 56-32.</p>     <p><Sup><a name="40"></a><a href="#top40">40</a></Sup> Ap&oacute;s o ataque de Bali, a Indon&eacute;sia, em coopera&ccedil;&atilde;o com a Austr&aacute;lia, criou uma ag&ecirc;ncia nacional contra o terrorismo e levou a cabo uma dura e eficaz pol&iacute;tica antiterrorista, que conseguiu neutralizar o papel do terrorismo isl&acirc;mico.</p>     <p><Sup><a name="41"></a><a href="#top41">41</a></Sup> MURPHY, Ann Marie &ndash; &laquo;Democratization and Indonesian foreign policy: implications for the United States&raquo;.&nbsp;In&nbsp;<i>Asia Policy</i>. Vol. 13, 2012, pp. 85-111.</p>     <p><Sup><a name="42"></a><a href="#top42">42</a></Sup> Apesar de ser considerada uma&nbsp;full democracy&nbsp;(Freedom House), importa sublinhar que, como &eacute; natural, ainda n&atilde;o existe na Indon&eacute;sia uma cultura pol&iacute;tica democr&aacute;tica completamente coerente e enraizada a ponto de a democracia ser uma caracter&iacute;stica ontol&oacute;gica da cultura pol&iacute;tica da popula&ccedil;&atilde;o e do Estado em geral. Devemos compreender esta nova identidade democr&aacute;tica, sobretudo ao n&iacute;vel dos atores que constroem a imagem internacional da Indon&eacute;sia, nomeadamente as elites pol&iacute;ticas e diplom&aacute;ticas. Para uma vis&atilde;o cr&iacute;tica dos resultados do papel de promotor da democracia veja-se Karim, Moch Faisal &ndash; &laquo;Role conflict and the limits of state identity: the case of Indonesia in democracy promotion&raquo;. In&nbsp;<i>The Pacific Review</i>. Vol. 30, N.&ordm; 3, 2017,&nbsp;pp. 385-404.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><Sup><a name="43"></a><a href="#top43">43</a></Sup> O&nbsp;FDB&nbsp;tem como objetivo expandir a discuss&atilde;o dos princ&iacute;pios democr&aacute;ticos entre os seus membros e proporcionar o desenvolvimento de reformas pol&iacute;ticas.</p>     <p><Sup><a name="44"></a><a href="#top44">44</a></Sup> Estas iniciativas tiveram reflexos na influ&ecirc;ncia da Indon&eacute;sia na tentativa de constru&ccedil;&atilde;o de uma ordem p&oacute;s-autorit&aacute;ria ap&oacute;s a Primavera &Aacute;rabe, nomeadamente no Egito, Tun&iacute;sia e L&iacute;bia, e demonstram a expans&atilde;o extrarregional das ideias da&nbsp;PEI, nomeadamente no Norte de &Aacute;frica e M&eacute;dio Oriente. FEALY, G. &ndash; &laquo;&ldquo;Look over here!&raquo;: Indonesian responses to the Arab Spring&raquo;.&nbsp;In&nbsp;SAIKAL, Amin, e ACHARYA, Amitav (eds.) &ndash;&nbsp;<i>Democracy and Reform in the Middle East and Asia: Social Protest and Authoritarian Rule after the Arab Spring</i>. Londres: I.B. Taurus, 2014, pp. 233-247.</p>     <p><Sup><a name="45"></a><a href="#top45">45</a></Sup> Em 2005, a Indon&eacute;sia negociou e assinou um acordo de paz com os movimentos separatistas de Ach&eacute;m, encerrando um conflito interno com mais de tr&ecirc;s d&eacute;cadas.</p>     <p><Sup><a name="46"></a><a href="#top46">46</a></Sup> SHIHAB&nbsp;<i>apud</i>&nbsp;WICAKSANA, I Gede Wahyu &ndash; &laquo;International society: the social dimensions of Indonesia&rsquo;s foreign policy&raquo;. In&nbsp;<i>The Pacific Review</i>. Vol. 29, N.&ordm; 5, 2016,&nbsp;p. 743.</p>     <p><Sup><a name="47"></a><a href="#top47">47</a></Sup> ALATAS, A. &ndash;&nbsp;<i>Challenges in Indonesian Foreign Policy</i>. Jacarta: Aksara Foundation, 2000.</p>     <p><Sup><a name="48"></a><a href="#top48">48</a></Sup> ANWAR, D. Fortuna &ndash; &laquo;Indonesia: building norms and consensus on the world stage&raquo;. In&nbsp;<i>Global Asia</i>.&nbsp;Vol. 8, N.&ordm; 4, 2013, pp. 8-12.</p>     <p><Sup><a name="49"></a><a href="#top49">49</a></Sup> NATALEGAWA, Marty &ndash; &laquo;Statement by H.E. Dr. R. M. Marty M. Natalegawa Minister for Foreign Affairs Republic of Indonesia at the General Debate of the 66th Session of the United Nations General Assembly&raquo;.&nbsp;Nova York. 26 de setembro de 2011. (Consultado em: 3 de julho de 2017). Dispon&iacute;vel em: <a href="https://gadebate.un.org/sites/default/files/gastatements/66/ID_en.pdf" target="_blank">https://gadebate.un.org/sites/default/files/gastatements/66/ID_en.pdf</a> .</p>     <p><Sup><a name="50"></a><a href="#top50">50</a></Sup> Ibidem.</p>     <p><Sup><a name="51"></a><a href="#top51">51</a></Sup> Nas suas palavras: &laquo;Where preponderant power is absent not by the promotion of bloc politics and often self-fulfilling geopolitical fault lines; rather, a new kind of international relations with its emphasis on common security, common prosperity and common stability.&raquo; (Ibidem).</p>     <p><Sup><a name="52"></a><a href="#top52">52</a></Sup> PARAMESWARAN, Prashanth &ndash; &laquo;Yudhoyono&rsquo;s checkered legacy in Indonesia&raquo;. In&nbsp;<i>The Diplomat</i>.&nbsp;18 de outubro de 2014.&nbsp;(Consultado em: 7 de julho de 2017). Dispon&iacute;vel em: <a href="http://thediplomat.com/2014/10/yudhoyonos-checkered-legacy-in-indonesia/" target="_blank">http://thediplomat.com/2014/10/yudhoyonos-checkered-legacy-in-indonesia/</a>.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><Sup><a name="53"></a><a href="#top53">53</a></Sup> PICCONE, Ted, e YUSMAN, Bimo &ndash; &laquo;Indonesian foreign policy: &ldquo;a million friends and zero enemies&rdquo;&raquo;.&nbsp;In&nbsp;<i>The Diplomat</i>.&nbsp;14 de fevereiro de 2014.&nbsp;(Consultado em: 8 de julho de 2017). Dispon&iacute;vel em: <a href="http://thediplomat.com/2014/02/indonesian-foreign-policy-a-million-friends-and-zero-enemies/" target="_blank">http://thediplomat.com/2014/02/indonesian-foreign-policy-a-million-friends-and-zero-enemies/</a>.</p>     <p><Sup><a name="54"></a><a href="#top54">54</a></Sup> LOPES, Julyssa &ndash; &laquo;Indonesian President urges major powers to resolve differences amicably&raquo;.&nbsp;In&nbsp;<i>GW Today</i>. 26 de setembro de 2014. (Consultado em: 8 de julho de 2017). Dispon&iacute;vel em: <a href="https:%20//gwtoday.gwu.edu/indonesian-president-urges-major-powers-resolve-differences-amicably" target="_blank">https: //gwtoday.gwu.edu/indonesian-president-urges-major-powers-resolve-differences-amicably</a>.</p>     <p><Sup><a name="55"></a><a href="#top55">55</a></Sup> A Indon&eacute;sia copresidiu ao Painel de Alto N&iacute;vel de 27 membros do secret&aacute;rio-geral da&nbsp;ONU&nbsp;sobre a Agenda de Desenvolvimento p&oacute;s-2015 (Objetivos de Desenvolvimento do Mil&eacute;nio).</p>     <p><Sup><a name="56"></a><a href="#top56">56</a></Sup> Yudhoyono defendeu a promo&ccedil;&atilde;o da Comunidade de Pol&iacute;tica e de Seguran&ccedil;a da&nbsp;ASEAN&nbsp;como um dos tr&ecirc;s pilares da Carta da&nbsp;ASEAN&nbsp;de 2008 (os outros dois pilares foram o econ&oacute;mico e o sociocultural). Foi durante a sua presid&ecirc;ncia que se estabeleceu o objetivo de criar a Comunidade&nbsp;ASEAN&nbsp;2015.</p>     <p><Sup><a name="57"></a><a href="#top57">57</a></Sup> Com base em dados do&nbsp;FMI&nbsp;(2014) citados em PwC &ndash;&nbsp;<i>The World in 2050: Will the Shift in Global Economic Power Continue?</i>. 2015. (Consultado em: 3 de julho de 2017). Dispon&iacute;vel em: <a href="https://www.pwc.com/gx/en/issues/the-economy/assets/world-in2050-february2015.pdf" target="_blank">https://www.pwc.com/gx/en/issues/the-economy/assets/world-in2050-february2015.pdf</a>.</p>     <p><Sup><a name="58"></a><a href="#top58">58</a></Sup> O&nbsp;E7 &eacute; composto pela China, &Iacute;ndia, Brasil, R&uacute;ssia, Indon&eacute;sia, M&eacute;xico e Turquia (PwC &ndash;&nbsp;<i>The World in 2050</i>).</p>     <p><Sup><a name="59"></a><a href="#top59">59</a></Sup> Mesmo se considerarmos outro indicador que n&atilde;o o&nbsp;PPC&nbsp;&ndash; trocas comerciais e n&iacute;vel de&nbsp;PIB&nbsp;&ndash;, a PwC projeta que em 2050 a Indon&eacute;sia continuar&aacute; a ser a quarta maior economia mundial (PwC &ndash;&nbsp;The<i> World in 2050</i>).</p>     <p><Sup><a name="60"></a><a href="#top60">60</a></Sup> Isto n&atilde;o significa, como o&nbsp;FMI&nbsp;sublinha, que n&atilde;o continuem a existir problemas estruturais que condicionam as suas potencialidades econ&oacute;micas.&nbsp;Designadamente, defici&ecirc;ncias nas suas infraestruturas, institui&ccedil;&otilde;es reguladoras fr&aacute;geis e a continuidade de sistemas de corrup&ccedil;&atilde;o.</p>     <p><Sup><a name="61"></a><a href="#top61">61</a></Sup> Conv&eacute;m, todavia, sublinhar que esta afirma&ccedil;&atilde;o da &Aacute;sia assenta, sobretudo, na economia. N&atilde;o existe, verdadeiramente, uma vis&atilde;o de ordem internacional alternativa &agrave; atual. Ou seja, a ordem internacional liberal constru&iacute;da pelo Ocidente e liderada pelos Estados Unidos e arquitetada com base na&nbsp;ONU, FMI&nbsp;e&nbsp;NATO. Sobretudo a&nbsp;nato&nbsp;e a sua parceria transatl&acirc;ntica s&atilde;o institui&ccedil;&otilde;es dificilmente replic&aacute;veis na &Aacute;sia no curto e m&eacute;dio prazo. Contudo, a iniciativa chinesa de cria&ccedil;&atilde;o do Banco Asi&aacute;tico pode perspetivar outras cria&ccedil;&otilde;es. O futuro &eacute; imprevis&iacute;vel mas tamb&eacute;m nenhum l&iacute;der ou diplomata franc&ecirc;s ou brit&acirc;nico, no in&iacute;cio do s&eacute;culo&nbsp;XIX, acreditaria convictamente que o s&eacute;culo&nbsp;XX&nbsp;seria norte-americano.</p>     <p><Sup><a name="62"></a><a href="#top62">62</a></Sup> ACHARYA, A. &ndash;&nbsp;<i>Indonesia Matters: Asia&rsquo;s Emerging Democratic Power</i>. Singapura: World Scientific, 2015.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><Sup><a name="63"></a><a href="#top63">63</a></Sup> ROBISON, Richard, e HADIZ, Vedi R. &ndash; &laquo;Indonesia: a tale of misplaced expectations&raquo;. In&nbsp;<i>The Pacific Review</i>. (Em linha). 10 de abril de 2017, pp. 1-15;&nbsp;FEALY, G., e WHITE, H. &ndash; &laquo;Indonesia&rsquo;s &ldquo;Great Power&rdquo; aspirations: a critical view&raquo;. In&nbsp;<i>Asia &amp; the Pacific Policy Studies</i>. Vol. 3, 2016,&nbsp; pp. 92-100;&nbsp;DAVIES, M., e HARRIS-RIMMER, S. &ndash; &laquo;Assessing Indonesia&rsquo;s normative influence: wishful thinking or hidden strength&raquo;. In&nbsp;<i>Asia &amp; the Pacific Policy Studies</i>. Vol. 3, 2016, pp. 83-91;&nbsp;EMMERS, Ralf &ndash; &laquo;Indonesia&rsquo;s role in&nbsp;ASEAN: a case of incomplete and sectorial leadership&raquo;.&nbsp;In&nbsp;<i>The Pacific Review</i>. Vol. 27, N.&ordm; 4, 2014, pp. 543-562.</p>     <p><Sup><a name="64"></a><a href="#top64">64</a></Sup> Tradu&ccedil;&atilde;o livre e sint&eacute;tica do plano estrat&eacute;gico do Minist&eacute;rio dos Neg&oacute;cios Estrangeiros (Rencana Strategis Kementerian Luar Negeri, Jacarta: Kementerian Luar Negeri, 2013.&nbsp;<i>Apud&nbsp;</i>ACHARYA, A. &ndash;&nbsp;<i>Indonesia Matters</i>,&nbsp;p. 16.</p>     <p><Sup><a name="65"></a><a href="#top65">65</a></Sup> Marty Natalegawa (Indonesian Ministry of Foreign Affairs, 2013).</p>     <p><Sup><a name="66"></a><a href="#top66">66</a></Sup> Contrariamente ao hist&oacute;rico indon&eacute;sio. Desde a funda&ccedil;&atilde;o da Indon&eacute;sia at&eacute; ao in&iacute;cio do s&eacute;culo&nbsp;XXI, os presidentes indon&eacute;sios receberam o poder por diversas formas: consenso das elites (Sukarno); interven&ccedil;&atilde;o militar (Suharto); resigna&ccedil;&atilde;o do incumbente (Habibie); elei&ccedil;&otilde;es indiretas (Abdurrahman Wahid); processo controverso de impugna&ccedil;&atilde;o (Megawati Sukarnoputri).&nbsp;CONNELLY, Aaron &ndash; &laquo;Sovereignty and the sea: President Joko Widodo&rsquo;s foreign policy challenges&raquo;. In&nbsp;<i>Contemporary Southeast Asia</i>. Vol 37, N.&ordm; 1, 2015, pp. 1-28.</p>     <p><Sup><a name="67"></a><a href="#top67">67</a></Sup> MIETZNER, Marcus &ndash;&nbsp;<i>Reinventing Asian Populism Jokowi&rsquo;s Rise, Democracy, and Political Contestation in Indonesia</i>. Policy Studies 72. Institute of Southeast Asian Studies, 2105.</p>     <p><Sup><a name="68"></a><a href="#top68">68</a></Sup> ROSYIDIN, Mohamad &ndash; &laquo;Foreign policy in changing global politics&raquo;.&nbsp;In<i>&nbsp;South East Asia Research</i>. Vol. 25, N.&ordm; 2, 2017, pp. 175-191.</p>     <p><Sup><a name="69"></a><a href="#top69">69</a></Sup> O que designou de &laquo;diplomacia para o povo&raquo;.&nbsp;BAGUS, Saragih, e PARLINA, Ina &ndash; &laquo;Jokowi lays out his &ldquo;propeople&rdquo; diplomacy&raquo;.&nbsp;In&nbsp;<i>The Jakarta Post</i>. 3 de fevereiro de 2015. (Consultado em: 4 de julho de 2017). Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.thejakartapost.com/news/2015/02/03/jokowi-lays-out-his-pro-people-diplomacy.html" target="_blank">http://www.thejakartapost.com/news/2015/02/03/jokowi-lays-out-his-pro-people-diplomacy.html</a>.</p>     <p><Sup><a name="70"></a><a href="#top70">70</a></Sup> Reno Matsui &eacute; conhecida por ser uma ministra pragm&aacute;tica, que queria &laquo;fazer retornar &agrave; terra a&nbsp;PEI&raquo;.</p>     <p><Sup><a name="71"></a><a href="#top71">71</a></Sup> Nomeadamente o seu conselheiro para as rela&ccedil;&otilde;es internacionais, o acad&eacute;mico e ex-diretor do mais importante&nbsp;think thank&nbsp;indon&eacute;sio, Centre for Strategic and International Studies (CSIS),&nbsp;Rizal Sukma, atualmente embaixador no Reino Unido, e o seu chefe de gabinete, ex-general e ex-embaixador em Singapura,&nbsp;Luhut Panjaitan. Apesar de serem especialistas em rela&ccedil;&otilde;es internacionais, estes conselheiros t&ecirc;m de se confrontar com um governo e uma maioria parlamentar que apostaram em reverter a pol&iacute;tica de afirma&ccedil;&atilde;o global da&nbsp;PEI&nbsp;defendida pelo&nbsp;pdi&nbsp;de Yahaono.&nbsp;CONNELLY, Aaron &ndash; &laquo;Sovereignty and the sea&raquo;.</p>     <p><Sup><a name="72"></a><a href="#top72">72</a></Sup> WEATHERBEE, Donald E. &ndash; &laquo;Indonesia&rsquo;s foreign policy in 2016: Garuda hovering&raquo;. In&nbsp;<i>Southeast Asian Affairs</i>, 2017, pp. 163- -176; PATTIRADJAWANE, Ren&eacute; L. &ndash; &laquo;The Indonesian perspetive toward rising China&raquo;. In&nbsp;<i>Asian Journal of Comparative Politics</i>. Vol. 1, N.&ordm; 3, 2016, pp. 260-282.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><Sup><a name="73"></a><a href="#top73">73</a></Sup> WITULAR, Rendi A. &ndash; &laquo;Jokowi launches maritime doctrine to the world&raquo;.&nbsp;In&nbsp;<i>The Jakarta Post</i>. 13 de novembro de 2011. (Consultado em: 10 de julho de 2017). Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.thejakartapost.com/news/2014/11/13/jokowi-launches-maritime-doctrine-world.html" target="_blank">http://www.thejakartapost.com/news/2014/11/13/jokowi-launches-maritime-doctrine-world.html</a>.</p>     <p><Sup><a name="74"></a><a href="#top74">74</a></Sup> LAKSMANA, Evan A. &ndash;&nbsp;&laquo;INSIGHT: How do we engage a hegemonic China?&raquo;.&nbsp;In&nbsp;<i>The Jakarta Post</i>. 12-10-2015. (Consultado em: 5 de julho de 2017). Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.thejakartapost.com/academia/2016/10/12/insight-how-do-we-engage-a-hegemonic-china.html" target="_blank">http://www.thejakartapost.com/academia/2016/10/12/insight-how-do-we-engage-a-hegemonic-china.html</a>. Desde 2012 que a Indon&eacute;sia tem vindo a estabelecer no quadro da&nbsp;ASEAN&nbsp;um c&oacute;digo de conduta mar&iacute;timo que visa definir as complexas rela&ccedil;&otilde;es mar&iacute;timas regionais, nomeadamente com a China.</p>     <p><Sup><a name="75"></a><a href="#top75">75</a></Sup> A Indon&eacute;sia sempre defendeu uma reforma da&nbsp;ONU&nbsp;que refletisse melhor os interesses extraocidentais e do Sul. Por isso reivindica o alargamento dos membros permanentes do Conselho de Seguran&ccedil;a para poder incluir a Indon&eacute;sia, a &Iacute;ndia, o Jap&atilde;o e um representante da Am&eacute;rica do Sul e de &Aacute;frica.</p>     <p><Sup><a name="76"></a><a href="#top76">76</a></Sup> A nona reuni&atilde;o do&nbsp;BDF, subordinada ao tema &laquo;Religion, Democracy, and Tolerance&raquo;, realizou-se em dezembro de 2016. Contou com 237 delegados de 95 pa&iacute;ses e seis organiza&ccedil;&otilde;es internacionais, a maior participa&ccedil;&atilde;o de sempre.</p>     <p><Sup><a name="77"></a><a href="#top77">77</a></Sup> Associa&ccedil;&atilde;o de M&eacute;xico, Indon&eacute;sia, Coreia do Sul, Turquia e Austr&aacute;lia.</p>     <p><Sup><a name="78"></a><a href="#top78">78</a></Sup> A Indon&eacute;sia contribuiu com 2731 indon&eacute;sios em nove miss&otilde;es da&nbsp;ONU.</p>     <p><Sup><a name="79"></a><a href="#top79">79</a></Sup> Todavia, na enumera&ccedil;&atilde;o das principais prioridades imediatas da&nbsp;PEI, as tr&ecirc;s primeiras s&atilde;o regionais.&nbsp;MARSUDI, Retno &ndash;&nbsp;<i>Annual press statement minister for Foreign Affairs of the Republic of Indonesia Retno L.P. Marsudi 2017</i>.&nbsp;Jacarta, 10 de janeiro de 2017. (Consultado em: 5 de julho de 2017). Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.kemlu.go.id/id/pidato/menlu/Documents/PPTM-2017-EN.pdf" target="_blank">http://www.kemlu.go.id/id/pidato/menlu/Documents/PPTM-2017-EN.pdf</a>.</p>     <p><Sup><a name="80"></a><a href="#top80">80</a></Sup> Atualmente, o&nbsp;KEMLU&nbsp;define oito estrat&eacute;gias principais para a&nbsp;PEI: &laquo;1. To take on a more significant role and leadership in ASEAN and in the establishment of&nbsp;ASEAN&nbsp;Community 2015; 2. To take on a more significant role in preserving national security and creating world peace; 3. To improve the performance of border diplomacy; 4. To improve the quality of services for and protection of Indonesian citizens and Indonesian legal entities overseas; 5. To create a more positive image of Indonesia through advancement of democracy and human rights, and protection of culture heritage; 6. To strengthen strategic partnerships in the regions of Asia Pacific and America-Europe; 7. To improve the quality of economic diplomacy in multilateral forums; 8. To increase the South-South cooperation, through the development of the South-South cooperation.&raquo;&nbsp;KEMLU.&nbsp;(Consultado em: 12 de julho de 2017). Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.kemlu.go.id/en/kebijakan/landasan-visi-misi-polugri/Pages/Direction-of-Indonesian-Foreign-Policy.aspx" target="_blank">http://www.kemlu.go.id/en/kebijakan/landasan-visi-misi-polugri/Pages/Direction-of-Indonesian-Foreign-Policy.aspx</a>.</p>     <p><Sup><a name="81"></a><a href="#top81">81</a></Sup> ACHARYA, A. &ndash;&nbsp;<i>Indonesia Matters</i>, p. 2.</p>     <p><Sup><a name="82"></a><a href="#top82">82</a></Sup> PING, Jonathan H. &ndash;&nbsp;<i>Middle Power Statecraft: Indonesia, Malaysia and the Asia Pacific</i>.&nbsp;Aldershot UK: Ashgate, 2005.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><Sup><a name="83"></a><a href="#top83">83</a></Sup> Isto remete-nos, novamente, para as dificuldades que por vezes existem nas abordagens tradicionais e nos seus conceitos culturalmente marcados (euro-ocidentais) para explicar fen&oacute;menos novos e relativamente n&atilde;o compar&aacute;veis com a hist&oacute;ria dos estados ocidentais.</p>     <p><Sup><a name="84"></a><a href="#top84">84</a></Sup> OSIUS, Ted &ndash; &laquo;Global swing states: deepening dartnerships with India and Indonesia&raquo;. In&nbsp;<i>Asia Policy</i>. Vol. 17, 2014, pp. 1-24.</p>     <p><Sup><a name="85"></a><a href="#top85">85</a></Sup> REID, Anthony (ed.) &ndash;&nbsp;<i>Indonesia Rising: The Repositioning of Asia&rsquo;s Third Giant</i>.&nbsp;Singapura: Institute of Southeast Asian Studies, 2012.</p>     <p><Sup><a name="86"></a><a href="#top86">86</a></Sup> MENDES, Pedro Emanuel &ndash; &laquo;Mudan&ccedil;a, contexto e lideran&ccedil;a na pol&iacute;tica externa dos&nbsp;EUA: de Bush a Obama&raquo;.&nbsp;In&nbsp;<i>Popula&ccedil;&atilde;o e Sociedade</i>. N.&ordm; 26, 2016, pp. 170-187.</p>     <p><Sup><a name="87"></a><a href="#top87">87</a></Sup> Rede multilateral da PEI:&nbsp;ASEAN&nbsp;Regional Forum (ARF), 1994; Brunei&ndash;Indonesia-Malaysia-Philipina East Asia Growth Area (BIMP-EAGA), 1994; Forum for East Asia and Latin America Cooperation (FEALAC), 2001; Melanesian Spearhead Group (MSG) 1988, 2005; Asia-Europe Meeting (ASEM), 1996; Conference on Interaction and Confidence Building Measures in Asia (CICA), 2007; Pacific Island Forum (PIF), 2001; Asia-Middle East Dialogue (AMED), 2004; Coral Triangle Initiative (CTI), 2009; Indonesia-Asia Cooperation Dialogue (ACD), 2002; Southwest Pacific Dialogue (SWPD), 2002; Asia-Pacific Economic Cooperation (APEC), 1989; Partnership and Cooperation Agreement (PCA), European Union 1967, 2009; Indonesia-Malaysia-Thailand Growth Triangle (IMT-GT), 1993; The New Asian-African Strategic Partnership (NAASP), 2005; Indian Ocean Rim Association for Regional Cooperation (IORARC), 1997. (Consultado em: 10 de julho de 2017). Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.kemlu.go.id/en/kebijakan/kerjasama-regional/default.aspx" target="_blank">http://www.kemlu.go.id/en/kebijakan/kerjasama-regional/default.aspx</a>.</p>     <p><Sup><a name="88"></a><a href="#top88">88</a></Sup> NEHRU, V. &ndash; &laquo;Indonesia: the reluctant giant&raquo;.&nbsp;In&nbsp;<i>The National Interest</i>. 11 de fevereiro de 2016. (Consultado em: 6 de julho de 2017). Dispon&iacute;vel em: <a href="http://nationalinterest.org/feature/indonesia-the-reluctant-giant15178" target="_blank">http://nationalinterest.org/feature/indonesia-the-reluctant-giant15178</a>.</p>     <p><Sup><a name="89"></a><a href="#top89">89</a></Sup> MOERTONO, Soemarsaid &ndash;&nbsp;<i>State and Statecraft in Old Java: A Study of the Later Mataram Period, 16th&nbsp;to 19th&nbsp;Century</i>. Jacarta: Equinox Publishing. 2009 (1968);&nbsp;SEBASTIAN, Leonard, e LANTI, Irman &ndash; &laquo;Perceiving Indonesian approaches to international relations theory&raquo;.&nbsp;In&nbsp;ACHARYA, Amitav, e BUZAN, Barry (eds.) &ndash;&nbsp;<i>Non-Western International Relations Theory</i>, pp. 148-173.</p>     <p><Sup><a name="90"></a><a href="#top90">90</a></Sup>Apesar das dificuldades, designadamente das quest&otilde;es da desigualdade relativa atuais, nos pa&iacute;ses do Ocidente o crescimento da riqueza originou a constru&ccedil;&atilde;o de um modelo de desenvolvimento que conseguiu um razo&aacute;vel equil&iacute;brio entre a produ&ccedil;&atilde;o e distribui&ccedil;&atilde;o da riqueza, acomodando as tens&otilde;es entre os mais pobres e os mais ricos. No fundo, idealmente, o modelo ocidental dos pa&iacute;ses desenvolvidos &eacute; aquele que concilia virtuosamente uma economia de mercado livre com uma eficaz regula&ccedil;&atilde;o do Estado, nomeadamente com pol&iacute;ticas p&uacute;blicas e sociais de inclus&atilde;o e prote&ccedil;&atilde;o dos mais desfavorecidos. Numa met&aacute;fora, a cria&ccedil;&atilde;o de riqueza n&atilde;o deve ser feita &agrave; custa da manuten&ccedil;&atilde;o das desigualdades. &Eacute; o oposto. Um pa&iacute;s desenvolvido n&atilde;o &eacute; aquele que consegue apenas criar multimilion&aacute;rios &eacute;, sobretudo, aquele que consegue eliminar os pobres atrav&eacute;s da cria&ccedil;&atilde;o de condi&ccedil;&otilde;es que possibilitem criar o maior n&uacute;mero de pessoas razoavelmente ricas. Na Indon&eacute;sia, como na China e na &Iacute;ndia, existem muitos e importantes multimilion&aacute;rios. O problema &eacute; que paralelamente tamb&eacute;m existem muitas e importantes bolsas de pobreza estrutural. No fundo, &eacute; esta a diferen&ccedil;a entre crescimento e desenvolvimento. Claro que nos pa&iacute;ses do Sul o desenvolvimento s&oacute; pode ser atingido com altas taxas de crescimento. Mas continua a existir um problema importante relativo &agrave; forma de distribuir a riqueza produzida pelo crescimento e &agrave; capacidade de a direcionar para reformas, econ&oacute;micas, pol&iacute;ticas e sociais que implementem sistemas de governa&ccedil;&atilde;o equitativos e com base no desenvolvimento sustent&aacute;vel. Para uma vis&atilde;o recente dos desafios indon&eacute;sios para vencer a desigualdade veja-se YUSUF, Arief, e SUMNER, Andy &ndash; &laquo;Growth, poverty, and inequality under Jokowi&raquo;.&nbsp;In&nbsp;<i>Bulletin of Indonesian Economic Studies</i>. Vol. 51,&nbsp;N.&ordm; 3, 2015, pp. 323-348.</p>     <p><Sup><a name="91"></a><a href="#top91">91</a></Sup> Mais que uma grande estrat&eacute;gia concertada, esta rea&ccedil;&atilde;o poder&aacute; ser despoletada por crises internas provocadas pela eventual degrada&ccedil;&atilde;o socioecon&oacute;mica e crescente desigualdade relativa entre ricos e pobres, que &eacute; tamb&eacute;m reflexo da n&atilde;o resolu&ccedil;&atilde;o dos crescentes desequil&iacute;brios na produ&ccedil;&atilde;o e com&eacute;rcio do capitalismo global. Este neonacionalismo protecionista e populista contra as economias emergentes j&aacute; deu sinais com a elei&ccedil;&atilde;o de Trump.</p>     <p><Sup><a name="92"></a><a href="#top92">92</a></Sup> O exemplo mais &oacute;bvio &eacute; a constante resist&ecirc;ncia em reformar a estrutura da&nbsp;ONU, nomeadamente dos membros permanentes do seu Conselho de Seguran&ccedil;a.</p>     ]]></body>
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