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</front><body><![CDATA[ <p style="text-align: right;"><b>RECENSÃO</b></p>     <p><b>Democracia&nbsp;fora da Europa</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Ant&oacute;nio Dias</b></p>     <p>Doutorando em Ci&ecirc;ncia Pol&iacute;tica na FCSH-NOVA e investigador do IPRI-NOVA.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Nancy Bermeo&nbsp;e Deborah J. Yashar (Eds.), <i>Parties,&nbsp;Movements,&nbsp;and Democracy&nbsp;in the Developing World, </i>Nova York:&nbsp;Cambridge University Press, 2016, 227 p&aacute;ginas.</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>Esta obra editada por Nancy Bermeo e Deborah Yashar tem como principal objetivo o de tentar resolver um&nbsp;puzzle: como podemos compreender os processos de democratiza&ccedil;&atilde;o, alguns deles criando regimes duradouros, que ocorreram em pa&iacute;ses em desenvolvimento? A import&acirc;ncia deste&nbsp;puzzle&nbsp;surge pela eros&atilde;o, documentada na introdu&ccedil;&atilde;o pelas autoras, de uma das teses centrais da ci&ecirc;ncia pol&iacute;tica &ndash; que fazia depender a democracia do desenvolvimento econ&oacute;mico do pa&iacute;s &ndash; e tamb&eacute;m pela multiplica&ccedil;&atilde;o de exemplos de pa&iacute;ses nos quais os processos de transi&ccedil;&atilde;o democr&aacute;tica n&atilde;o surgiram como corol&aacute;rio da luta e de configura&ccedil;&otilde;es de classes definidas pela sua posi&ccedil;&atilde;o econ&oacute;mica.</p>     <p>Um dos pontos mais interessantes desta obra &eacute; precisamente a escolha de casos de estudo, que engloba a Am&eacute;rica Latina, o Sul e Sudeste Asi&aacute;tico, a &Aacute;frica e o M&eacute;dio Oriente. Uma escolha justificada, n&atilde;o apenas pela menor aten&ccedil;&atilde;o dada a exemplos de sucesso democr&aacute;tico nestas latitudes (entre os quais apenas os pa&iacute;ses latino-americanos t&ecirc;m sido frequentemente estudados), mas sobretudo pela import&acirc;ncia te&oacute;rica destes casos. Ou seja, &eacute; precisamente nestes casos de &laquo;democracias improv&aacute;veis&raquo;<sup><a href="#1">1</a></sup><a name="top1"></a>&nbsp;que podemos encontrar os fatores que explicam o sucesso de transi&ccedil;&otilde;es democr&aacute;ticas.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>PARA AL&Eacute;M DE CLASSES SOCIAIS</b></p>     <p>Bermeo e Yashar identificam no cap&iacute;tulo inicial a pe&ccedil;a essencial deste&nbsp;puzzle: os partidos e movimentos sociais, atores centrais nas transi&ccedil;&otilde;es pol&iacute;ticas em espa&ccedil;o n&atilde;o europeu. A exist&ecirc;ncia, ainda em per&iacute;odo autorit&aacute;rio, de diferentes tipos de grupos sociais organizados &ndash; estudantes,&nbsp;ONG, desempregados, religiosos, de g&eacute;nero, bem como de partidos e sindicatos &ndash; surge como um fator central para a queda de regimes autorit&aacute;rios. S&atilde;o estes que frequentemente protestam e manifestam-se, desvendando o lado repressivo do regime mas tamb&eacute;m as suas falibilidades. Se o &iacute;mpeto para a queda da ordem autorit&aacute;ria est&aacute; do lado destes movimentos, estes depois necessitam dos partidos pol&iacute;ticos para coordenar, negociar e desenhar as transi&ccedil;&otilde;es de regime; para participar nas elei&ccedil;&otilde;es inaugurais e garantirem um terreno de jogo competitivo; bem como para fomentarem o apoio das diferentes institui&ccedil;&otilde;es democr&aacute;ticas entre os cidad&atilde;os. Assim, segunda as autoras, movimentos sociais e partidos pol&iacute;ticos desempenham pap&eacute;is que se complementam nas transi&ccedil;&otilde;es bem-sucedidas.</p>     <p>A novidade deste argumento reside na distin&ccedil;&atilde;o entre movimentos sociais e classes sociais. Se na Europa Ocidental foram os atores de classe, aliados a partidos que os representavam, os promotores da democracia, fora deste contexto as identidades de classe n&atilde;o surgem necessariamente como as mais relevantes no campo pol&iacute;tico. As clivagens salientes nos pa&iacute;ses em desenvolvimento n&atilde;o foram tanto determinadas pela divis&atilde;o entre trabalho e capital, mas antes por uma mir&iacute;ade de fatores, incluindo o legado colonial, o regime autorit&aacute;rio. Assim sendo, as clivagens nas quais os movimentos sociais assentam e que os partidos pretendem representar, devem ser compreendidas como produto de uma intera&ccedil;&atilde;o hist&oacute;rica espec&iacute;fica &ndash; seguindo a &laquo;viragem hist&oacute;rica&raquo; proposta por Cappocia e Zibblatt<sup><a href="#2">2</a></sup><a name="top2"></a>&nbsp;&ndash; e n&atilde;o produto de um determinismo material. Os pr&oacute;prios processos de mobiliza&ccedil;&atilde;o e competi&ccedil;&atilde;o entre diferentes grupos determinam que clivagens s&atilde;o salientes e ativadas politicamente.</p>     <p>Este olhar para as democracias improv&aacute;veis permite tamb&eacute;m identificar um outro fator importante a ter em conta: a influ&ecirc;ncia internacional. A experi&ecirc;ncia colonial e a posi&ccedil;&atilde;o economicamente dependente destes pa&iacute;ses, faz com que o contexto internacional assuma uma maior import&acirc;ncia nestes casos. Mas este fator n&atilde;o se resume a uma quest&atilde;o de seguran&ccedil;a entre diferentes pot&ecirc;ncias globais, ou a capacidade de estas pot&ecirc;ncias pressionarem politicamente estes regimes para a mudan&ccedil;a. Inclui tamb&eacute;m um outro n&iacute;vel de jogo no qual os movimentos sociais e partidos pol&iacute;ticos podem atuar e procurar recursos. Ou seja, estes processos de transi&ccedil;&atilde;o s&atilde;o afetados tanto pelos antecedentes pol&iacute;ticos como pelo contexto internacional.</p>     <p>Partindo deste enquadramento te&oacute;rico, cinco cap&iacute;tulos escritos por diversos autores apresentam os diferentes casos de estudo, regionalmente organizados. No primeiro destes cap&iacute;tulos, Maya Tudor e Dan Slater olham para as democracias atuais da Indon&eacute;sia e da &Iacute;ndia e tentam explicar as diferen&ccedil;as nas trajet&oacute;rias pol&iacute;ticas destes pa&iacute;ses. Os autores argumentam que a diferente for&ccedil;a dos partidos independentistas, que surgiram ainda antes da descoloniza&ccedil;&atilde;o, explica a maior durabilidade da democracia indiana quando comparada com o percurso mais acidentado e autorit&aacute;rio indon&eacute;sio. Al&eacute;m disso, responsabilizam o sucesso de uma ideologia mais inclusiva no caso indiano, pela capacidade de as for&ccedil;as democr&aacute;ticas terem conseguido forjar maiorias nos momentos de maior crise do regime. No caso indon&eacute;sio, a fal&ecirc;ncia de uma ideologia deste tipo abriu espa&ccedil;o para uma persegui&ccedil;&atilde;o anticomunista alimentada pelo contexto internacional de Guerra Fria, o que facilitaria a sobreviv&ecirc;ncia do regime autorit&aacute;rio.</p>     <p>No segundo cap&iacute;tulo, Erik Kuhonta argumenta que as diferen&ccedil;as entre os casos de Singapura (regime autorit&aacute;rio com um sistema de partidos forte), Filipinas (democracia com um sistema partid&aacute;rio fraco) e Tail&acirc;ndia (autoritarismo com uma fraca institucionaliza&ccedil;&atilde;o partid&aacute;ria) podem ser explicadas pelos processos de ativa&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica das clivagens sociais existentes. Nomeadamente, a maior institucionaliza&ccedil;&atilde;o partid&aacute;ria deriva de uma disputa pol&iacute;tica mais acentuada e baseada em clivagens sociais existentes, como no caso de Singapura. Esta maior institucionaliza&ccedil;&atilde;o &eacute; respons&aacute;vel por uma maior capacidade de representa&ccedil;&atilde;o e legitimidade pol&iacute;tica, o que explica o sucesso do regime autorit&aacute;rio neste pa&iacute;s. Por outro lado, casos onde a disputa pol&iacute;tica n&atilde;o foi baseada em clivagens sociais, ir&atilde;o desenvolver partidos menos institucionalizados, que ir&atilde;o ser menos eficientes na resposta &agrave;s popula&ccedil;&otilde;es, quer sejam democracias ou ditaduras.</p>     <p>No cap&iacute;tulo seguinte, Kenneth Roberts avalia o desempenho dos regimes democr&aacute;ticos da Am&eacute;rica Latina<sup><a href="#3">3</a></sup><a name="top3"></a>&nbsp;e discute como as trajet&oacute;rias do desenvolvimento dos partidos, movimentos e clivagens sociais explicam este desempenho. Nomeadamente, as condi&ccedil;&otilde;es em que se deram as duas liberaliza&ccedil;&otilde;es &ndash; primeiro pol&iacute;tica na d&eacute;cada de 1980 e econ&oacute;mica na d&eacute;cada seguinte &ndash; determinam o caminho destes pa&iacute;ses. Quando estas liberaliza&ccedil;&otilde;es criaram uma competi&ccedil;&atilde;o forte entre um partido sucessor do autoritarismo e partidos de esquerda &ndash; competi&ccedil;&atilde;o baseada numa clara clivagem entre esquerda e direita &ndash; os regimes resultantes ser&atilde;o de pluralismo institucionalizado (e.g., Brasil). Por outro lado, quando a competi&ccedil;&atilde;o entre o partido sucessor forte e a oposi&ccedil;&atilde;o n&atilde;o se faz baseada nesta clivagem esquerda-direita, os regimes tendem para um restauro da oligarquia, com golpes para remover executivos indesejados (e.g., Paraguai). No caso em que o partido sucessor for fraco, encontramos um desalinhamento partid&aacute;rio em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s clivagens sociais, fortes protestos e uma tend&ecirc;ncia para movimentos de soberania popular (e.g., Bol&iacute;via).</p>     <p>Rachel Riedl analisa a democratiza&ccedil;&atilde;o na &Aacute;frica Subsariana e argumenta que o que determina o sucesso das transi&ccedil;&otilde;es democr&aacute;ticas nesta regi&atilde;o &eacute; uma combina&ccedil;&atilde;o entre os legados partid&aacute;rios autorit&aacute;rios e as amea&ccedil;as &agrave; seguran&ccedil;a desses regimes. Assim, existem duas trajet&oacute;rias para a democracia, ambas definidas pela aus&ecirc;ncia de amea&ccedil;as &agrave; seguran&ccedil;a das elites incumbentes: ou uma liberaliza&ccedil;&atilde;o pautada por um partido sucessor autorit&aacute;rio mais forte, que origina uma democracia eleitoral est&aacute;vel (e.g., Gana); ou uma democratiza&ccedil;&atilde;o mais r&aacute;pida precipitada pela implos&atilde;o do partido autorit&aacute;rio que origina uma democracia mais vol&aacute;til (e.g., Z&acirc;mbia). Nos casos em que no momento de transi&ccedil;&atilde;o exista uma amea&ccedil;a clara &agrave;s elites no poder, dois cen&aacute;rios s&atilde;o poss&iacute;veis: ou um regime autorit&aacute;rio est&aacute;vel (e.g.,&nbsp;Uganda) com um partido autorit&aacute;rio forte; ou instabilidade no regime nos casos em que o partido autorit&aacute;rio for mais fraco (e.g., Mali).</p>     <p>O &uacute;ltimo dos estudos de caso, da autoria de Ellen Lust e David Waldner, olha para os desafios pol&iacute;ticos do Norte de &Aacute;frica e M&eacute;dio Oriente e a varia&ccedil;&atilde;o dos resultados das transi&ccedil;&otilde;es nessa regi&atilde;o. Os autores argumentam que esta varia&ccedil;&atilde;o &eacute; explicada pela forma como os regimes autorit&aacute;rios anteriores lidaram com partidos de oposi&ccedil;&atilde;o e movimentos sociais. Nos casos em que o regime autorit&aacute;rio tentou incluir a oposi&ccedil;&atilde;o, permitindo partidos leais de oposi&ccedil;&atilde;o, mas foi intolerante em rela&ccedil;&atilde;o a movimentos sociais, o sistema partid&aacute;rio que resultou na transi&ccedil;&atilde;o foi heterog&eacute;neo mas equilibrado, combina&ccedil;&atilde;o que permite uma transi&ccedil;&atilde;o bem-sucedida (e.g., Tun&iacute;sia). Um regime autorit&aacute;rio inclusivo em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; oposi&ccedil;&atilde;o e tolerante com os movimentos sociais, originaria um sistema partid&aacute;rio heterog&eacute;neo mas desequilibrado e pouco prop&iacute;cio ao sucesso democr&aacute;tico (e.g., Egito). Finalmente, regimes autorit&aacute;rios intolerantes com os movimentos sociais e que tentavam ser hegem&oacute;nicos em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; oposi&ccedil;&atilde;o ou exclu&iacute;-la, originaram sistemas partid&aacute;rios homog&eacute;neos &eacute;tnicos (e.g., Iraque) ou tribais (e.g., L&iacute;bia).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>No conjunto, os estudos apresentados est&atilde;o bem documentados e oferecem argumentos pertinentes para os interessados nos casos em particular. Infelizmente, como &eacute; comum neste tipo de obras compiladas, nem todas as pistas que apresentam s&atilde;o congruentes entre si ou muito ilustrativas de aspetos do argumento central do livro. Por exemplo, enquanto que partidos autorit&aacute;rios fortes s&atilde;o um fator positivo para a estabilidade democr&aacute;tica na &Aacute;frica Subsariana e na Am&eacute;rica Latina, n&atilde;o o s&atilde;o na &Aacute;frica do Norte e no M&eacute;dio Oriente. Por outro lado, o caso tunisino &eacute; dif&iacute;cil de enquadrar nas expectativas gerais do livro, pois aqui a repress&atilde;o dos movimentos sociais &eacute; vista como positiva para o sucesso democr&aacute;tico. Fora estes casos pontuais, no geral, todos os estudos corroboram o argumento principal do livro.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>REGRESSO AOS CL&Aacute;SSICOS</b></p>     <p>Na conclus&atilde;o, e baseando-se nos estudos de caso, Bermeo e Yanshar revalidam a sua tese central: partidos e movimentos sociais s&atilde;o atores essenciais para democratizar um pa&iacute;s e sustentar uma democracia. Mais importante ainda, s&oacute; poderemos compreender a sua atua&ccedil;&atilde;o, for&ccedil;a e capacidade organizativa se tivermos em considera&ccedil;&atilde;o o contexto hist&oacute;rico no qual estes atores se foram desenvolvendo &ndash; o legado autorit&aacute;rio &eacute; diretamente abordado na maioria dos casos de estudo &ndash; e o processo hist&oacute;rico de constru&ccedil;&atilde;o e ativa&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica de clivagens sociais.</p>     <p>Ao faz&ecirc;-lo, as editoras desafiam-nos a reavaliar a import&acirc;ncia das classes sociais nos processos de democratiza&ccedil;&atilde;o na Europa Ocidental. Nunca negando a import&acirc;ncia dos atores e organiza&ccedil;&otilde;es de classe neste processo, duvidam que seja a clivagem que estes representam que seja o principal fator explicativo. Devemos ent&atilde;o reavaliar este argumento cl&aacute;ssico, olhando para estes atores enquanto movimentos sociais e partidos que representam uma determinada clivagem social, relevante devido &agrave; conjuntura hist&oacute;rica contextual. Nesta perspetiva, mais do que o desenvolvimento econ&oacute;mico em si, o que explica o sucesso democr&aacute;tico s&atilde;o constela&ccedil;&otilde;es de clivagens sociais, partidos e movimentos, determinadas pelo ritmo e por processos hist&oacute;ricos. E como Bemeo e Yashar apontam, talvez esta seja uma leitura mais pr&oacute;xima daquela que nos seus textos fundamentais Lipset<sup><a href="#4">4</a></sup><a name="top4"></a>, Rokkan<sup><a href="#5">5</a></sup><a name="top5"></a>&nbsp;e Michels<sup><a href="#6">6</a></sup><a name="top6"></a>&nbsp;nos deixaram. No final, fica uma afirma&ccedil;&atilde;o clara: os mecanismos s&atilde;o importantes.&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>NOTAS</b></p>     <p><Sup><a name="1"></a><a href="#top1">1</a></Sup> &laquo;Democracies against the odds&raquo;,&nbsp;no original.</p>     <p><Sup><a name="2"></a><a href="#top2">2</a></Sup> CAPOCCIA, Giovanni, e ZIBLATT, Daniel &ndash; &laquo;The historical turn in democratization studies: a new research agenda for Europe and beyond&raquo;. In&nbsp;<i>Comparative Political Studies</i>.&nbsp;Vol. 43, N.&ordm; 8-9, 2010, pp. 931-968, DOI:10.1177/0010414010370431.</p>     <p><Sup><a name="3"></a><a href="#top3">3</a></Sup> Uma vez que, como o autor admite, &laquo;Democracy is the only game in town&raquo;.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><Sup><a name="4"></a><a href="#top4">4</a></Sup> LIPSET, Martin Seymour &ndash;&nbsp;<i>Political Man</i>.&nbsp;Londres: Mercury Books, 1963.</p>     <p><Sup><a name="5"></a><a href="#top5">5</a></Sup> LIPSET, Martin Seymour, e ROKKAN, Stein &ndash; &laquo;Estruturas de clivagem, sistemas partid&aacute;rios e alinhamentos de eleitores&raquo;. In&nbsp;<i>Consenso e Conflito</i>.&nbsp;Lisboa: Gradiva, 1992, pp. 161-259.</p>     <p><Sup><a name="6"></a><a href="#top6">6</a></Sup> MICHELS, Robert &ndash;&nbsp;<i>Para uma Sociologia dos Partidos Pol&iacute;ticos na Democracia Moderna</i>.&nbsp;Lisboa: Ant&iacute;gona, 2001.</p>      ]]></body>
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