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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Portugal face ao Brexit: um europeísmo perseverante, mas sob pressão acrescida]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[The prospect of a Brexit is an unprecedented development for European integration, which is likely to have deep implications at European and global level. Portugal will obviously not be spared from those possible effects, taking into account the EU's central importance for the country, as well as the relevant Luso-British ties. The article offers a detailed analysis of Portuguese reactions to the initial stages of the United Kingdom's exit from the EU, concluding that Portugal's stance in general was cautious and conciliatory. Such stance is demonstrative of an enduring Europeanism, yet more prudent and balanced by the Atlanticist traits that are also constitutive of Portugal's identity and international relations]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p><b>Portugal face ao Brexit: um europe&iacute;smo perseverante,&nbsp;mas sob press&atilde;o acrescida<sup><a href="#1">1</a></sup><a name="top1"></a></b></p>     <p><b>Portugal and Brexit.&nbsp;A persevering Europeanism,&nbsp;but under pressure</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Ant&oacute;nio Raimundo</b></p>     <p>Centro de Investiga&ccedil;&atilde;o em Ci&ecirc;ncia Pol&iacute;tica (CICP) | Escola de Economia e Gest&atilde;o, Universidade do Minho, Campus de Gualtar, 4710-057 Braga, Portugal | <a href="mailto:ajraimundo@gmail.com">ajraimundo@gmail.com</a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>RESUMO</b></p>     <p>A&nbsp;possibilidade de um Brexit &eacute; um&nbsp;desenvolvimento sem precedentes na hist&oacute;ria da integra&ccedil;&atilde;o europeia, suscet&iacute;vel de ter implica&ccedil;&otilde;es profundas no continente e &agrave; escala global. Portugal n&atilde;o escapar&aacute; naturalmente a tais poss&iacute;veis efeitos tendo em conta a import&acirc;ncia central que a&nbsp;UE&nbsp;tem tido para o pa&iacute;s, bem como os relevantes la&ccedil;os luso-brit&acirc;nicos. O artigo oferece uma an&aacute;lise detalhada das rea&ccedil;&otilde;es portuguesas ao processo inicial de sa&iacute;da do Reino Unido da&nbsp;UE, concluindo que a postura portuguesa em geral foi cautelosa e conciliadora. Tal posicionamento &eacute; demonstrativo de um persistente europe&iacute;smo, embora mais prudente e temperado pelos tra&ccedil;os atl&acirc;nticos que tamb&eacute;m formam parte da identidade e posicionamento internacional do pa&iacute;s.</p>     <p><b>Palavras-chave</b>:&nbsp;Portugal, Reino Unido, Uni&atilde;o Europeia, Brexit.</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>ABSTRACT</b></p>     <p>The prospect of a Brexit is an unprecedented development for European integration, which is likely to have deep implications at European and global level. Portugal will obviously not be spared from those possible effects, taking into account the&nbsp;EU&rsquo;s central importance for the country, as well as the relevant Luso-British ties. The article offers a detailed analysis of Portuguese reactions to the initial stages of the United Kingdom&rsquo;s exit from the&nbsp;EU, concluding that Portugal&rsquo;s stance in general was cautious and conciliatory. Such stance is demonstrative of an enduring Europeanism, yet more prudent and balanced by the Atlanticist traits that are also constitutive of Portugal&rsquo;s identity and international relations.</p>     <p><b>Keywords:</b>&nbsp;Portugal, United Kingdom, European Union, Brexit.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>A&nbsp;decis&atilde;o do Reino Unido de desencadear um processo&nbsp;podendo em breve levar &agrave; sua sa&iacute;da da Uni&atilde;o Europeia (UE) representou um passo sem precedentes e suscet&iacute;vel de implica&ccedil;&otilde;es profundas, quer a n&iacute;vel europeu quer mesmo global. Nunca na hist&oacute;ria da&nbsp;UE&nbsp;um Estado-Membro tinha ido t&atilde;o longe quanto &agrave; possibilidade de abandonar um projeto cuja din&acirc;mica principal tem sido at&eacute; hoje essencialmente de integra&ccedil;&atilde;o acrescida. Al&eacute;m disso, tratando-se de um Estado-Membro com a import&acirc;ncia do Reino Unido e tendo ocorrido num contexto de crises sucessivas na&nbsp;UE, tal desenvolvimento trouxe um risco s&eacute;rio adicional de fragilizar ou mesmo destabilizar a Europa, num cen&aacute;rio internacional de grande volatilidade. Ao inv&eacute;s, h&aacute; quem veja no Brexit uma oportunidade para que sejam dados passos adicionais na integra&ccedil;&atilde;o da&nbsp;UE, visto que os brit&acirc;nicos t&ecirc;m tradicionalmente sido encarados como um dos estados-membros mais relutantes ou problem&aacute;ticos. O que n&atilde;o parece suscitar controv&eacute;rsia, todavia, &eacute; o n&iacute;vel de incerteza suplementar trazido pela iniciativa brit&acirc;nica.</p>     <p>Tais riscos e incertezas s&atilde;o particularmente prementes para um pa&iacute;s como Portugal, que nas &uacute;ltimas d&eacute;cadas tem apostado muito no processo de integra&ccedil;&atilde;o europeia e possui la&ccedil;os pr&oacute;ximos com o Reino Unido a v&aacute;rios n&iacute;veis. A&nbsp;UE&nbsp;tem representado uma refer&ecirc;ncia central para a democracia portuguesa, tanto de um ponto de vista econ&oacute;mico e social, como pol&iacute;tico e diplom&aacute;tico. Simultaneamente, Portugal e o Reino Unido s&atilde;o velhos aliados, que partilham uma afinidade Atl&acirc;ntica e importantes n&iacute;veis de interdepend&ecirc;ncia socioecon&oacute;mica. Assim, tal como para os demais estados-membros, os receios portugueses t&ecirc;m-se prendido com o impacto negativo do Brexit sobre a&nbsp;UE&nbsp;(designadamente no seu peso e prest&iacute;gio) e com os riscos de cont&aacute;gio, suscet&iacute;veis de agravar din&acirc;micas de desintegra&ccedil;&atilde;o. Mas da perspetiva portuguesa teme-se ainda a emerg&ecirc;ncia de uma&nbsp;UE&nbsp;mais desigual e menos atl&acirc;ntica, bem como a perturba&ccedil;&atilde;o dos la&ccedil;os bilaterais com o Reino Unido, atualmente regulados em grande medida no quadro da&nbsp;UE. Tal situa&ccedil;&atilde;o ajuda a explicar a postura cautelosa e equilibrada que Portugal tem assumido at&eacute; ao momento no processo do Brexit.</p>     <p>O presente artigo visa providenciar um mapeamento sistem&aacute;tico das rea&ccedil;&otilde;es portuguesas ao processo de sa&iacute;da do Reino Unido da&nbsp;UE. O foco incide nas atitudes e posicionamentos do Governo, elites e opini&atilde;o p&uacute;blica nacionais, analisados sobretudo com base em declara&ccedil;&otilde;es e documentos oficiais, imprensa escrita e dados do Eurobar&oacute;metro. S&atilde;o ainda derivadas implica&ccedil;&otilde;es para o relacionamento entre Portugal e a&nbsp;UE, considerando especificamente se as rea&ccedil;&otilde;es nacionais ao Brexit apontam num sentido favor&aacute;vel a mais integra&ccedil;&atilde;o ou, pelo contr&aacute;rio, sugerem uma din&acirc;mica de desintegra&ccedil;&atilde;o ou deseuropeiza&ccedil;&atilde;o. O artigo come&ccedil;a por oferecer algum contexto, sintetizando caracter&iacute;sticas centrais do relacionamento portugu&ecirc;s com o Reino Unido e a&nbsp;UE, no longo prazo. De seguida, apresenta a an&aacute;lise das rea&ccedil;&otilde;es portuguesas &agrave; fase inicial do Brexit, centrando-se no per&iacute;odo entre meados de 2015 e a primavera de 2017. O artigo conclui resumindo os resultados da an&aacute;lise e inferindo implica&ccedil;&otilde;es mais amplas.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>PORTUGAL, O REINO UNIDO E A UNI&Atilde;O EUROPEIA</b></p>     <p>As rela&ccedil;&otilde;es de Portugal com o Reino Unido t&ecirc;m uma hist&oacute;ria longa e complexa, refletindo tra&ccedil;os geopol&iacute;ticos coincidentes e importantes la&ccedil;os socioecon&oacute;micos rec&iacute;procos, forjados ao longo do tempo. Apesar dos seus altos e baixos, a Alian&ccedil;a Luso-Brit&acirc;nica, formalizada em plena Idade M&eacute;dia, &eacute; comummente descrita como tendo representado durante s&eacute;culos o principal ponto de refer&ecirc;ncia das rela&ccedil;&otilde;es externas portuguesas. A manuten&ccedil;&atilde;o de rela&ccedil;&otilde;es pr&oacute;ximas com uma grande pot&ecirc;ncia europeia e mar&iacute;tima como a Inglaterra era entendida em Portugal como uma garantia para a independ&ecirc;ncia e integridade do pa&iacute;s e seus territ&oacute;rios ultramarinos. Por seu turno, os ingleses viam na alian&ccedil;a uma forma de poder utilizar, ou neutralizar, o espa&ccedil;o geogr&aacute;fico portugu&ecirc;s, considerado de grande relev&acirc;ncia devido &agrave; sua localiza&ccedil;&atilde;o no extremo ocidental da Pen&iacute;nsula Ib&eacute;rica e na encruzilhada de importantes rotas mar&iacute;timas. Em estreita conex&atilde;o com esta significativa componente diplom&aacute;tica e estrat&eacute;gica, a&nbsp;&laquo;velha alian&ccedil;a&raquo; tamb&eacute;m se traduziu num relacionamento econ&oacute;mico intenso, com a Inglaterra a representar durante muito tempo o principal parceiro comercial e financeiro de Portugal.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Se esta converg&ecirc;ncia de interesses serviu para alimentar uma estreita rela&ccedil;&atilde;o bilateral ao longo de s&eacute;culos, n&atilde;o a livrou de tens&otilde;es e outras dificuldades, que no fundo espelhavam as diferen&ccedil;as e assimetrias entre os dois lados. Tal foi especialmente o caso no s&eacute;culo&nbsp;XIX&nbsp;quando, num contexto de grande vulnerabilidade portuguesa devido &agrave;s invas&otilde;es francesas, a Inglaterra veio a exercer um grande dom&iacute;nio pol&iacute;tico-diplom&aacute;tico, militar e econ&oacute;mico sobre Portugal, dando azo a um nacionalismo angl&oacute;fobo. No mesmo sentido, o Ultimato Ingl&ecirc;s de 1890, ao frustrar as ambi&ccedil;&otilde;es portuguesas em &Aacute;frica, foi percecionado como uma humilha&ccedil;&atilde;o nacional, refor&ccedil;ando um sentimento antibrit&acirc;nico em vastos setores da sociedade portuguesa. Tais desencontros e o enfoque na &laquo;alta pol&iacute;tica&raquo; ajudariam, segundo alguns, a explicar o limitado impacto da &laquo;alian&ccedil;a secular&raquo; na cultura e institui&ccedil;&otilde;es portuguesas, em compara&ccedil;&atilde;o com outras fontes de influ&ecirc;ncia como a Fran&ccedil;a<sup><a href="#2">2</a></sup><a name="top2"></a>. Outros autores apontam ainda para um desfasamento entre um suposto car&aacute;ter individualista e inovador brit&acirc;nico e os tra&ccedil;os coletivistas e conservadores da sociedade portuguesa<sup><a href="#3">3</a></sup><a name="top3"></a>.</p>     <p>A partir da Segunda Guerra Mundial, com as mudan&ccedil;as no sistema internacional e o relativo decl&iacute;nio brit&acirc;nico, a Alian&ccedil;a Inglesa perdeu grande parte da sua import&acirc;ncia tradicional. Gradualmente, os Estados Unidos e a&nbsp;NATO&nbsp;passam a ser os parceiros determinantes para Portugal no dom&iacute;nio da seguran&ccedil;a e defesa<sup><a href="#4">4</a></sup><a name="top4"></a>. Tal evolu&ccedil;&atilde;o n&atilde;o significou, todavia, um completo desvanecimento da influ&ecirc;ncia brit&acirc;nica em terras lusas. No plano pol&iacute;tico-diplom&aacute;tico, os contactos entre os dois aliados mantiveram-se relativamente intensos durante o Estado Novo, apesar de algum distanciamento provocado pelas diverg&ecirc;ncias em mat&eacute;ria de descoloniza&ccedil;&atilde;o<sup><a href="#5">5</a></sup><a name="top5"></a>. Al&eacute;m disso, Portugal alinhou com a vis&atilde;o brit&acirc;nica em mat&eacute;ria de coopera&ccedil;&atilde;o econ&oacute;mica europeia, ao juntar-se &agrave;&nbsp;EFTA&nbsp;e ao aproximar-se comercialmente da&nbsp;CEE&nbsp;apenas depois de a sua velha aliada ter aderido a tal bloco. Mas, se a Gr&atilde;-Bretanha se vai manter como um dos mais importantes parceiros econ&oacute;micos de Portugal, o que se verifica a partir da d&eacute;cada de 1960 &eacute; uma progressiva reorienta&ccedil;&atilde;o do pa&iacute;s, tanto econ&oacute;mica como social, para a Europa comunit&aacute;ria (nomeadamente para pa&iacute;ses como a Alemanha e a Fran&ccedil;a), que passa a ser a sua principal refer&ecirc;ncia em termos de fluxos comerciais, financeiros, tecnol&oacute;gicos e humanos<sup><a href="#6">6</a></sup><a name="top6"></a>.</p>     <p>A democratiza&ccedil;&atilde;o e descoloniza&ccedil;&atilde;o portuguesas refor&ccedil;aram tal tend&ecirc;ncia ao abrir a possibilidade de uma ades&atilde;o plena &agrave;s Comunidades Europeias. Embora preservando uma importante dimens&atilde;o atl&acirc;ntica, o principal foco da pol&iacute;tica externa portuguesa passou ent&atilde;o a ser o projeto de integra&ccedil;&atilde;o europeia, que tende a ser visto como uma garantia para o regime democr&aacute;tico, um fator chave para a moderniza&ccedil;&atilde;o e desenvolvimento socioecon&oacute;mico do pa&iacute;s, bem como para o seu reconhecimento e influ&ecirc;ncia internacional<sup><a href="#7">7</a></sup><a name="top7"></a>. Sustentada desde cedo num amplo consenso entre as elites nacionais, tal prioridade veio mais tarde a reunir igualmente um forte apoio por parte da opini&atilde;o p&uacute;blica<sup><a href="#8">8</a></sup><a name="top8"></a>. Estas mudan&ccedil;as de fundo, num sentido mais marcadamente ocidental e europeu, foram apoiadas pelo Reino Unido. Mas os la&ccedil;os bilaterais entre os dois velhos aliados aparecem agora mais acompanhados e dilu&iacute;dos em quadros multilaterais, comportando intervenientes m&uacute;ltiplos e diversificados, numa tend&ecirc;ncia j&aacute; vis&iacute;vel em alguma medida desde o p&oacute;s-guerra<sup><a href="#9">9</a></sup><a name="top9"></a>.</p>     <p>No plano europeu, em particular, ap&oacute;s uma fase inicial p&oacute;s-ades&atilde;o de grande proximidade com a postura pragm&aacute;tica e &laquo;atlantista&raquo; brit&acirc;nica, Portugal, a partir do in&iacute;cio dos anos 1990, evoluiu para uma posi&ccedil;&atilde;o mais integracionista ou &laquo;europe&iacute;sta&raquo;, aderindo ao Espa&ccedil;o Schengen e ao euro, ao contr&aacute;rio do Reino Unido. Nessa evolu&ccedil;&atilde;o contou como principais parceiros o eixo franco-alem&atilde;o, a Espanha e a Comiss&atilde;o Europeia. Tamb&eacute;m no dom&iacute;nio da pol&iacute;tica externa a posi&ccedil;&atilde;o portuguesa se europeizou em certo grau nesta fase, mas mantendo em quest&otilde;es de seguran&ccedil;a e defesa um enfoque atl&acirc;ntico mais pr&oacute;ximo da vis&atilde;o brit&acirc;nica do que de outras perspetivas de pendor mais continentalista<sup><a href="#10">10</a></sup><a name="top10"></a>.</p>     <p>A viragem do mil&eacute;nio inaugurou uma nova etapa na rela&ccedil;&atilde;o entre Portugal e a&nbsp;UE, marcada por um arrefecimento do entusiasmo europeu por parte das elites e da opini&atilde;o p&uacute;blica nacionais<sup><a href="#11">11</a></sup><a name="top11"></a>. Motivado inicialmente sobretudo por uma perce&ccedil;&atilde;o negativa em rela&ccedil;&atilde;o ao Tratado de Nice e ao alargamento a Leste, bem como pela invers&atilde;o da tend&ecirc;ncia de converg&ecirc;ncia com o resto da Europa at&eacute; ent&atilde;o verificada, este maior euroceticismo ou realismo nacional refor&ccedil;ou-se com a crise econ&oacute;mico-financeira que levou &agrave; interven&ccedil;&atilde;o da&nbsp;troika&nbsp;em 2011. O debate sobre a austeridade enfraqueceu o consenso europeu das elites pol&iacute;ticas nacionais, embora sem o quebrar. Simultaneamente, a associa&ccedil;&atilde;o da&nbsp;UE&nbsp;&agrave;s medidas de austeridade levou a uma forte degrada&ccedil;&atilde;o da imagem da Europa junto da opini&atilde;o p&uacute;blica portuguesa, que apenas come&ccedil;ou a melhorar a partir de finais de 2013 (ver&nbsp;<a href="#f1">Figura 1</a>). Al&eacute;m disso, o forte alinhamento com a Alemanha e a prioriza&ccedil;&atilde;o de relacionamentos extraeuropeus durante a crise traduziram-se, no fundo, numa deseuropeiza&ccedil;&atilde;o da pol&iacute;tica externa portuguesa. Muito embora o primado da dimens&atilde;o europeia na a&ccedil;&atilde;o externa portuguesa tenha acabado por permanecer, passou a verificar-se uma nova dist&acirc;ncia em rela&ccedil;&atilde;o&nbsp;&agrave;&nbsp;integra&ccedil;&atilde;o&nbsp;europeia, a par de uma revaloriza&ccedil;&atilde;o da dimens&atilde;o atl&acirc;ntica e da dimens&atilde;o lus&oacute;fona.</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f1"></a> <img src="/img/revistas/ri/n56/n56a07f1.jpg">     
<p>&nbsp;</p>     <p>Face a este contexto, a alian&ccedil;a hist&oacute;rica com a Gr&atilde;-Bretanha ganhou uma import&acirc;ncia renovada na &oacute;tica de Lisboa, enquanto parte de uma l&oacute;gica mais ampla de adapta&ccedil;&atilde;o ou compensa&ccedil;&atilde;o nas suas rela&ccedil;&otilde;es externas. Al&eacute;m de permanecer importante em mat&eacute;ria de seguran&ccedil;a e defesa, designadamente no quadro da&nbsp;nato, no plano europeu, em particular, a alian&ccedil;a bilateral com o Reino Unido aparece valorizada de um ponto de vista estrat&eacute;gico como forma de compensar a excessiva depend&ecirc;ncia dos &uacute;ltimos anos em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; Alemanha e de contribuir para a abertura da&nbsp;UE, especialmente face ao Atl&acirc;ntico<sup><a href="#12">12</a></sup><a name="top12"></a>. No dom&iacute;nio econ&oacute;mico, as atuais rela&ccedil;&otilde;es entre os dois pa&iacute;ses tamb&eacute;m s&atilde;o significativas, embora menos importantes comparativamente com outros parceiros europeus de Portugal como &eacute; o caso da Espanha, da Alemanha ou da Fran&ccedil;a<sup><a href="#13">13</a></sup><a name="top13"></a>. Al&eacute;m disso, nos &uacute;ltimos anos o Reino Unido tornou-se o principal porto de abrigo da emigra&ccedil;&atilde;o portuguesa, atra&iacute;da pelo dinamismo da economia brit&acirc;nica e (sobretudo entre os mais jovens ou escolarizados) por uma certa afinidade cultural que uma maior anglofilia e os ecos de uma &laquo;Cool Britannia&raquo;&nbsp;ter&atilde;o porventura propiciado<sup><a href="#14">14</a></sup><a name="top14"></a>. Por seu turno, cerca de dois milh&otilde;es de turistas brit&acirc;nicos visitam Portugal todos os anos e mais de 17 mil residem oficialmente em terras portuguesas. Ainda que longe de ser das rela&ccedil;&otilde;es mais intensas ou importantes para Portugal, tal era o emaranhado de relevantes la&ccedil;os (hist&oacute;ricos, pol&iacute;tico-estrat&eacute;gicos e socioecon&oacute;micos), a v&aacute;rios n&iacute;veis, entre os dois pa&iacute;ses quando se iniciou o processo do Brexit, que de seguida &eacute; considerado de forma mais direta.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>AS REA&Ccedil;&Otilde;ES PORTUGUESAS AO BREXIT</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Esta sec&ccedil;&atilde;o analisa as rea&ccedil;&otilde;es portuguesas ao processo de sa&iacute;da do Reino Unido da&nbsp;UE, focando tr&ecirc;s fases do seu percurso inicial. Primeiro &eacute; considerado o processo de renegocia&ccedil;&atilde;o da posi&ccedil;&atilde;o do Reino Unido como membro da&nbsp;UE, que incidiu sobre quatro tem&aacute;ticas principais: competitividade, soberania, governa&ccedil;&atilde;o econ&oacute;mica e imigra&ccedil;&atilde;o. A an&aacute;lise desta fase vai entre junho de 2015, quando Londres informou Bruxelas da sua inten&ccedil;&atilde;o de renegocia&ccedil;&atilde;o, e fevereiro de 2016, quando o acordo de renegocia&ccedil;&atilde;o foi alcan&ccedil;ado. A fase seguinte corresponde &agrave; campanha para o referendo sobre a perman&ecirc;ncia do Reino Unido na UE, sendo considerado o per&iacute;odo entre fevereiro e junho de 2016. Finalmente, s&atilde;o abordadas as rea&ccedil;&otilde;es portuguesas ao resultado do referendo brit&acirc;nico, cobrindo sensivelmente o per&iacute;odo entre finais de junho de 2016, quando tais resultados foram conhecidos, e mar&ccedil;o de 2017, quando Londres acionou o artigo 50&ordm;&nbsp;do Tratado de Lisboa dando in&iacute;cio ao processo oficial de sa&iacute;da da&nbsp;UE.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>A RENEGOCIA&Ccedil;&Atilde;O: GARANTIR A PERMAN&Ecirc;NCIA DO REINO UNIDO,&nbsp;SEM P&Ocirc;R EM CAUSA A UE</b></p>     <p>A posi&ccedil;&atilde;o portuguesa face &agrave; renegocia&ccedil;&atilde;o entre o Reino Unido e a&nbsp;UE&nbsp;foi de maneira geral positiva e relativamente aberta. Sendo claramente a favor da perman&ecirc;ncia brit&acirc;nica na&nbsp;UE, Lisboa demonstrou desde o in&iacute;cio disponibilidade para acomodar a posi&ccedil;&atilde;o de Londres. Por&eacute;m, tal flexibilidade foi acompanhada de importantes limites, refletindo o continuado empenhamento portugu&ecirc;s no projeto europeu, bem como a necessidade de proteger alguns interesses nacionais espec&iacute;ficos. Entre os limites avan&ccedil;ados pelas autoridades portuguesas contaram-se, desde logo, a rejei&ccedil;&atilde;o de uma revis&atilde;o dos tratados e a necessidade de preservar princ&iacute;pios fundamentais da&nbsp;UE, especialmente a liberdade de circula&ccedil;&atilde;o e a n&atilde;o discrimina&ccedil;&atilde;o<sup><a href="#15">15</a></sup><a name="top15"></a>. Embora a iniciativa brit&acirc;nica tenha sido recebida com grande apreens&atilde;o entre as elites portuguesas em geral, Lisboa fez quest&atilde;o de apresentar a renegocia&ccedil;&atilde;o como n&atilde;o sendo uma quest&atilde;o priorit&aacute;ria. Al&eacute;m do desconforto que tal desenvolvimento acarretava e que nesse sentido era importante tentar menorizar, a aten&ccedil;&atilde;o do pa&iacute;s estava na altura muito disputada por uma s&eacute;rie de outros assuntos prementes, tais como a crise da zona euro, o crescimento de partidos euroc&eacute;ticos e nacionalistas no continente, a situa&ccedil;&atilde;o na Ucr&acirc;nia, as vagas sucessivas de refugiados e migrantes, ataques terroristas, j&aacute; para n&atilde;o falar das pr&oacute;prias dificuldades socioecon&oacute;micas do pa&iacute;s e as elei&ccedil;&otilde;es legislativas de outubro de 2015. Como resultado destas elei&ccedil;&otilde;es, a substitui&ccedil;&atilde;o da coliga&ccedil;&atilde;o de centro-direita, pr&oacute;-europeia, de Passos Coelho pelo governo minorit&aacute;rio de centro-esquerda de Ant&oacute;nio Costa, tamb&eacute;m pr&oacute;-europeu mas &laquo;antiausteridade&raquo;, n&atilde;o produziu mudan&ccedil;as de maior na abordagem portuguesa, al&eacute;m da atribui&ccedil;&atilde;o de maior visibilidade &agrave;s dimens&otilde;es sociais da renegocia&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>Quanto &agrave;s propostas concretas de reforma avan&ccedil;adas por Londres, em geral Portugal encarou as negocia&ccedil;&otilde;es com um esp&iacute;rito de compromisso, mas mostrou mais firmeza em rela&ccedil;&atilde;o aos direitos dos imigrantes. Tal como para muitos outros estados-membros, os cap&iacute;tulos sobre competitividade e soberania n&atilde;o levantaram grandes dificuldades. Durante as negocia&ccedil;&otilde;es Lisboa revelou grande converg&ecirc;ncia com a perspetiva brit&acirc;nica no sentido de promover uma economia europeia mais din&acirc;mica e voltada para o exterior. Embora tal agenda tenha passado a receber menos visibilidade sob o Governo de Ant&oacute;nio Costa, a verdade &eacute; que o papel central do mercado europeu para a economia portuguesa n&atilde;o se alterou. Al&eacute;m disso, os interesses de longo prazo dos dois pa&iacute;ses t&ecirc;m estado bastante alinhados no sentido de limitar excessiva regulamenta&ccedil;&atilde;o europeia, aprofundar o mercado &uacute;nico em setores tais como os servi&ccedil;os, energia e tecnologias digitais, bem como na persecu&ccedil;&atilde;o de uma agenda comercial ambiciosa com outras regi&otilde;es do mundo tais como a Am&eacute;rica do Norte e a &Aacute;sia. No que se refere &agrave; soberania, a proposta brit&acirc;nica de se autoexcluir da ideia de uma &laquo;uni&atilde;o cada vez mais estreita&raquo;&nbsp;foi recebida com alguma perplexidade e displic&ecirc;ncia em Lisboa, por ser encarada como essencialmente simb&oacute;lica e intr&iacute;nseca ao debate interno brit&acirc;nico. Relativamente ao pedido de refor&ccedil;o do papel dos parlamentos nacionais, Portugal mostrou-se desde o in&iacute;cio favor&aacute;vel a isso, mas condicionando a sua posi&ccedil;&atilde;o aos detalhes da implementa&ccedil;&atilde;o de tal medida. Semelhante reserva foi manifestada quanto &agrave; quest&atilde;o da subsidiariedade, tendo Lisboa considerado uma maior devolu&ccedil;&atilde;o de compet&ecirc;ncias como em princ&iacute;pio aceit&aacute;vel, desde que o processo de integra&ccedil;&atilde;o n&atilde;o sa&iacute;sse afetado na pr&aacute;tica<sup><a href="#16">16</a></sup><a name="top16"></a>.</p>     <p>O tema da governa&ccedil;&atilde;o econ&oacute;mica mereceu mais aten&ccedil;&atilde;o por parte das autoridades portuguesas, cuja posi&ccedil;&atilde;o se revelou bastante cautelosa e matizada. Ao mesmo tempo que demonstrou alguma compreens&atilde;o quanto &agrave; necessidade de salvaguardar os interesses dos estados-membros fora do euro, tamb&eacute;m procurou assegurar que tais garantias n&atilde;o poriam em causa uma maior integra&ccedil;&atilde;o na zona euro. A contribui&ccedil;&atilde;o portuguesa para a discuss&atilde;o do Conselho Europeu de junho de 2015 sobre esta tem&aacute;tica afirmava expressamente que&nbsp;&laquo;(a) reforma da arquitetura da &aacute;rea do euro deve suprir a fratura institucional entre a zona euro e o resto da Uni&atilde;o&raquo;<sup><a href="#17">17</a></sup><a name="top17"></a>. Por&eacute;m, durante um encontro bilateral antes da referida reuni&atilde;o do Conselho, o ent&atilde;o primeiro-ministro portugu&ecirc;s, Pedro Passos Coelho, tamb&eacute;m informou o seu cong&eacute;nere brit&acirc;nico de que a necessidade de uma maior integra&ccedil;&atilde;o na zona euro era uma das &laquo;linhas vermelhas&raquo; de Portugal para a renegocia&ccedil;&atilde;o entre o Reino Unido e a&nbsp;UE. Tal posicionamento n&atilde;o foi alterado pelo Governo de Ant&oacute;nio Costa que, durante o debate preparat&oacute;rio do Conselho Europeu de fevereiro de 2016, real&ccedil;ou ser &laquo;fundamental&raquo; para Portugal &laquo;assegurar um modo de conviv&ecirc;ncia sustent&aacute;vel entre as zonas euro e n&atilde;o euro que n&atilde;o ponha em risco a solidez e a viabilidade do euro&raquo;, evitando conferir aos pa&iacute;ses que n&atilde;o participam na moeda &uacute;nica um direito de veto sobre as decis&otilde;es tomadas no &acirc;mbito da Uni&atilde;o Econ&oacute;mica e Monet&aacute;ria. Nessa ocasi&atilde;o tamb&eacute;m mencionou que &laquo;as regras diferenciadas em mat&eacute;ria de legisla&ccedil;&atilde;o financeira s&oacute; poder&atilde;o ter lugar quando estritamente necess&aacute;rio, evitando-se comprometer a integridade do mercado interno&raquo;<sup><a href="#18">18</a></sup><a name="top18"></a>. Portugal parece ter ficado pr&oacute;ximo de outros estados-membros, como a Fran&ccedil;a, na oposi&ccedil;&atilde;o a um direito de veto brit&acirc;nico sobre as decis&otilde;es da moeda &uacute;nica.</p>     <p>A proposta de restringir os direitos dos imigrantes comunit&aacute;rios no Reino Unido foi a que Portugal apresentou como sendo mais problem&aacute;tica. Na verdade, o pa&iacute;s tem sido dos estados-membros com maior n&uacute;mero de emigrantes residentes noutros pa&iacute;ses da&nbsp;UE<sup><a href="#19">19</a></sup><a name="top19"></a> .&nbsp;Al&eacute;m disso, como &eacute; sabido, nos &uacute;ltimos anos o Reino Unido tornou-se o principal destino para os largos fluxos de emigra&ccedil;&atilde;o portuguesa, incluindo jovens altamente qualificados. Paralelamente a estes interesses em jogo, que receberam grande destaque na comunica&ccedil;&atilde;o social, Portugal fundamentou a sua posi&ccedil;&atilde;o na salvaguarda de princ&iacute;pios fundamentais da&nbsp;UE. Com efeito, embora demonstrando alguma compreens&atilde;o em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; proposta brit&acirc;nica de reforma nesta &aacute;rea, desde a fase inicial do processo de renegocia&ccedil;&atilde;o, Lisboa afirmou que a livre circula&ccedil;&atilde;o de pessoas no espa&ccedil;o comunit&aacute;rio era uma das suas &laquo;linhas vermelhas&raquo;. Mais tarde, &agrave; medida que os detalhes das propostas de David Cameron foram sendo conhecidos, a posi&ccedil;&atilde;o portuguesa come&ccedil;ou a basear-se tamb&eacute;m no princ&iacute;pio da n&atilde;o discrimina&ccedil;&atilde;o. No contexto do Conselho Europeu de dezembro de 2015, o primeiro-ministro Ant&oacute;nio Costa referiu que &laquo;seria absolutamente inaceit&aacute;vel que trabalhadores tivessem um tratamento discriminat&oacute;rio por serem estrangeiros ou residirem h&aacute; menos tempo&raquo;<sup><a href="#20">20</a></sup><a name="top20"></a>. Subsequentemente, Portugal ter-se-&aacute; juntado a outros estados-membros, tais como a Pol&oacute;nia (ainda que mais discretamente), para diluir o &laquo;trav&atilde;o de emerg&ecirc;ncia&raquo; sobre os benef&iacute;cios sociais dos emigrantes.</p>     <p>O processo de renegocia&ccedil;&atilde;o em geral parece ter sido encarado em Portugal sobretudo como um desenvolvimento negativo. O Governo reagiu &agrave;s conclus&otilde;es do processo tentando prudentemente desvalorizar o alcance do acordo final, sublinhando a sua import&acirc;ncia secund&aacute;ria face &agrave; prioridade em manter o Reino Unido na&nbsp;UE&nbsp;e o facto de tal desenvolvimento alegadamente n&atilde;o impedir o aprofundamento da integra&ccedil;&atilde;o europeia<sup><a href="#21">21</a></sup><a name="top21"></a>. As rea&ccedil;&otilde;es entre as elites pol&iacute;ticas e l&iacute;deres de opini&atilde;o refletiram as diferentes sensibilidades nacionais, com o vasto setor pr&oacute;-europeu a dividir-se entre vis&otilde;es mais ben&eacute;volas e mais cr&iacute;ticas. Quanto &agrave;s primeiras, &eacute; poss&iacute;vel discernir pelo menos uma subdivis&atilde;o entre uma posi&ccedil;&atilde;o, minorit&aacute;ria, de laivos mais assumidamente liberais e soberanistas (ainda que seletivos) que viu com bons olhos as &laquo;ced&ecirc;ncias&raquo; ao Reino Unido, e uma outra linha mais acompanhada, de cariz pragm&aacute;tico, que apresentou a renegocia&ccedil;&atilde;o como um mal necess&aacute;rio a fim de tentar evitar o Brexit, o que no fundo a aproximou da posi&ccedil;&atilde;o oficialmente expressa pelo Governo<sup><a href="#22">22</a></sup><a name="top22"></a>. No polo das vis&otilde;es europe&iacute;stas cr&iacute;ticas, de fei&ccedil;&atilde;o mais federalista ou idealista, censurou-se abertamente os l&iacute;deres europeus por porem em risco a&nbsp;UE&nbsp;e os direitos dos seus cidad&atilde;os<sup><a href="#23">23</a></sup><a name="top23"></a>.</p>     <p>Por seu lado, os setores mais euroc&eacute;ticos real&ccedil;aram as contradi&ccedil;&otilde;es da&nbsp;UE&nbsp;pela &laquo;flexibilidade&raquo; demonstrada em rela&ccedil;&atilde;o a Londres em contraste com a &laquo;rigidez&raquo; das regras econ&oacute;micas aplicadas a pa&iacute;ses como Portugal. Al&eacute;m disso, mostraram-se altamente cr&iacute;ticos em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s decis&otilde;es do acordo por eles interpretadas como um forte ataque aos direitos sociais dos emigrantes e uma forma de discrimina&ccedil;&atilde;o xen&oacute;foba<sup><a href="#24">24</a></sup><a name="top24"></a>. O tom real&ccedil;ado por dois dos mais influentes jornais nacionais foi tamb&eacute;m largamente negativo, implicitamente censurando a&nbsp;&laquo;jogada perigosa&raquo;&nbsp;de Cameron e sublinhando a incerteza acrescentada ao projeto europeu por deixar a impress&atilde;o de uma&nbsp;UE&nbsp;desigual e&nbsp;&agrave; la carte<sup><a href="#25">25</a></sup><a name="top25"></a>.&nbsp;Ao n&iacute;vel da opini&atilde;o p&uacute;blica, o principal sentimento relativamente ao acordo parece ter sido de preocupa&ccedil;&atilde;o devido &agrave;s suas poss&iacute;veis implica&ccedil;&otilde;es para a&nbsp;UE&nbsp;e, especialmente, para os direitos dos emigrantes portugueses. A perce&ccedil;&atilde;o de um&nbsp;&laquo;estatuto especial&raquo;&nbsp;atribu&iacute;do ao Reino Unido parece ter produzido tamb&eacute;m algum ressentimento, sobretudo em setores mais cr&iacute;ticos, em rela&ccedil;&atilde;o ao &laquo;ego&iacute;smo&raquo; brit&acirc;nico e aos &laquo;crit&eacute;rios duplos&raquo; de Bruxelas.</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>A CAMPANHA DO REFERENDO: UMA PREOCUPA&Ccedil;&Atilde;O SECUND&Aacute;RIA&nbsp;FACE A OUTRAS PREM&Ecirc;NCIAS INTERNAS</b></p>     <p>A campanha para o referendo brit&acirc;nico recebeu pouca aten&ccedil;&atilde;o no debate pol&iacute;tico portugu&ecirc;s. Durante esse per&iacute;odo, o debate nacional esteve altamente centrado nas dificuldades econ&oacute;micas do pa&iacute;s e na viabilidade pol&iacute;tica do seu novo governo, formado com base numa alian&ccedil;a parlamentar sem precedentes entre partidos de esquerda. A elei&ccedil;&atilde;o de um Presidente carism&aacute;tico e popular provindo da &aacute;rea de centro-direita, em janeiro de 2016, contribuiu para adensar as incertezas pol&iacute;ticas no pa&iacute;s, especialmente numa fase inicial. De acordo com dados do Eurobar&oacute;metro, ao longo do per&iacute;odo em que decorreu a campanha o desemprego e tem&aacute;ticas econ&oacute;micas em geral continuaram a ser de longe os temas nacionais de maior preocupa&ccedil;&atilde;o para a opini&atilde;o p&uacute;blica portuguesa, muito acima da m&eacute;dia dos 28 estados-membros26. Tamb&eacute;m o debate nacional sobre a UE durante esta fase esteve muito focado em tem&aacute;ticas econ&oacute;micas e na relativa reorienta&ccedil;&atilde;o da pol&iacute;tica europeia do pa&iacute;s que o ent&atilde;o rec&eacute;m-eleito Governo tentava executar. Desde o in&iacute;cio do seu mandato, o Governo de Ant&oacute;nio Costa afirmou querer adotar uma postura mais ativa no plano europeu, dando maior aten&ccedil;&atilde;o ao crescimento econ&oacute;mico e ao emprego, sem desrespeitar as regras e compromissos internacionais anteriormente assumidos. A possibilidade de virem a ser aplicadas san&ccedil;&otilde;es a Portugal devido ao incumprimento de metas europeias para o d&eacute;fice come&ccedil;ou igualmente a saturar o debate interno sobre a&nbsp;UE&nbsp;por esta altura.</p>     <p>O acima descrito n&atilde;o significa que houvesse um completo desinteresse nacional pelo referendo brit&acirc;nico, especialmente entre as elites e decisores portugueses. Mas a quest&atilde;o foi pouco discutida publicamente em Portugal. As escassas refer&ecirc;ncias tenderam a estar ligadas &agrave; situa&ccedil;&atilde;o da&nbsp;UE&nbsp;em geral, apresentando a quest&atilde;o brit&acirc;nica como um desafio adicional. Al&eacute;m disso, o Governo portugu&ecirc;s come&ccedil;ou a utilizar a possibilidade do Brexit como um argumento para as mudan&ccedil;as que queria ver implementadas ao n&iacute;vel da&nbsp;UE<sup><a href="#27">27</a></sup><a name="top27"></a>.&nbsp;Nesse sentido, a rea&ccedil;&atilde;o oficial durante esta fase n&atilde;o deixou de se manter pr&oacute;-europeia, ainda que mais cr&iacute;tica e reformista. Os apelos para um maior debate interno sobre a pol&iacute;tica europeia e externa de Portugal feitos por l&iacute;deres de opini&atilde;o nacionais durante este per&iacute;odo tamb&eacute;m tenderam a descrever o Brexit como um motivo entre outros, tais como desenvolvimentos mais amplos na Europa e nos Estados Unidos, ent&atilde;o em fase de prepara&ccedil;&atilde;o para um novo ciclo eleitoral<sup><a href="#28">28</a></sup><a name="top28"></a>. Ao longo desta fase a opini&atilde;o p&uacute;blica portuguesa continuou a mostrar-se maioritariamente pr&oacute;-europeia (ver <a href="#f1">Figura 1</a>). Curiosamente, os dados do Eurobar&oacute;metro para o primeiro semestre de 2016 registam um pequeno aumento da percentagem de portugueses com uma imagem negativa da&nbsp;UE, bem como daqueles favorecendo uma sa&iacute;da de Portugal da Uni&atilde;o, mantendo-se no entanto ambas tend&ecirc;ncias largamente minorit&aacute;rias (ver <a href="#f1">Figuras 1</a> e <a href="#f2">2</a>). Mais do que um poss&iacute;vel efeito do referendo brit&acirc;nico, parece mais prov&aacute;vel que esta ligeira oscila&ccedil;&atilde;o tenha sido provocada pela possibilidade de san&ccedil;&otilde;es europeias, mencionadas anteriormente.</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f2"></a> <img src="/img/revistas/ri/n56/n56a07f2.jpg">     
<p>&nbsp;</p>     <p><b>OS RESULTADOS DO REFERENDO: MOSTRANDO UNIDADE&nbsp;FACE &Agrave; ADVERSIDADE</b></p>     <p>Os resultados do referendo brit&acirc;nico foram recebidos pelo Governo portugu&ecirc;s com desapontamento e preocupa&ccedil;&atilde;o, mas tamb&eacute;m com uma renovada express&atilde;o de empenhamento pr&oacute;-europeu, misturando prud&ecirc;ncia e algum otimismo. Com efeito, ao mesmo tempo que a perenidade dos la&ccedil;os hist&oacute;ricos de amizade entre Portugal e o Reino Unido eram enfatizados, o Governo de Ant&oacute;nio Costa referiu-se ao resultado como &laquo;um dia triste para a&nbsp;UE&raquo;&nbsp;e sublinhou que a &laquo;unidade europeia&raquo; deveria ser a atual prioridade. Ao inv&eacute;s de mais (ou menos) integra&ccedil;&atilde;o, o resultado do referendo brit&acirc;nico foi descrito como uma &laquo;oportunidade&raquo; para uma &laquo;melhor e mais &uacute;til&raquo;&nbsp;UE, mais atenta &agrave;s necessidades e aspira&ccedil;&otilde;es dos seus cidad&atilde;os<sup><a href="#29">29</a></sup><a name="top29"></a> . Desde o in&iacute;cio, as autoridades portuguesas mostraram-se a favor de uma abordagem amig&aacute;vel para as discuss&otilde;es entre os 27 e o Reino Unido, rejeitando qualquer tipo de &laquo;puni&ccedil;&atilde;o&raquo;. Os objetivos portugueses para tais negocia&ccedil;&otilde;es foram oficialmente apresentados como consistindo em &laquo;assegurar a continuidade e vitalidade do projeto europeu (&hellip;) e a manuten&ccedil;&atilde;o de uma parceria estrat&eacute;gica com o Reino Unido, quer por parte da nova Uni&atilde;o Europeia, quer a n&iacute;vel bilateral&raquo;<sup><a href="#30">30</a></sup><a name="top30"></a>. Na verdade, Portugal tem um interesse profundo em evitar qualquer instabilidade que possa afetar a sua fr&aacute;gil situa&ccedil;&atilde;o socioecon&oacute;mica, bem como propiciar maior euroceticismo ou din&acirc;micas de desintegra&ccedil;&atilde;o no continente. Al&eacute;m disso, tem interesse em preservar la&ccedil;os estreitos com o seu &laquo;velho aliado&raquo;, especialmente nos dom&iacute;nios econ&oacute;mico e da defesa, a n&iacute;vel bilateral e europeu. Tais motiva&ccedil;&otilde;es ajudam a explicar a atitude construtiva e conciliadora adotada pelas autoridades portuguesas at&eacute; ao momento. Um papel de &laquo;facilitador&raquo; para Portugal nas negocia&ccedil;&otilde;es chegou mesmo a ser publicamente sugerido pelo ministro dos Neg&oacute;cios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, depois de o Governo brit&acirc;nico ter invocado o artigo 50&ordm;<sup><a href="#31">31</a></sup><a name="top31"></a>.</p>     <p>Durante o per&iacute;odo que se seguiu ao voto brit&acirc;nico, Lisboa tamb&eacute;m defendeu de forma muito ativa a sua pr&oacute;pria posi&ccedil;&atilde;o nacional. Na continua&ccedil;&atilde;o daquilo que j&aacute; fizera aquando da campanha para o referendo acima abordada, o Governo associou a press&atilde;o resultante do resultado do voto aos seus pr&oacute;prios prop&oacute;sitos no sentido de a&nbsp;UE&nbsp;repensar e mudar o seu rumo. F&ecirc;-lo em particular para ajudar a fazer frente &agrave; amea&ccedil;a de san&ccedil;&otilde;es europeias por d&eacute;fice excessivo, especialmente premente durante meados de 2016. Al&eacute;m disso, ao mesmo tempo que adotou uma postura construtiva, Lisboa n&atilde;o se coibiu de pressionar abertamente o Reino Unido no sentido de clarificar a sua posi&ccedil;&atilde;o, especialmente em rela&ccedil;&atilde;o aos direitos dos migrantes. Outros exemplos s&atilde;o as iniciativas que Portugal promoveu no sentido de estar preparado para a notifica&ccedil;&atilde;o formal de sa&iacute;da do Reino Unido da&nbsp;UE. A t&iacute;tulo ilustrativo, em finais de 2016 o Governo portugu&ecirc;s criou uma comiss&atilde;o interministerial, coordenada pelo Minist&eacute;rio dos Neg&oacute;cios Estrangeiros, com o prop&oacute;sito de avaliar o impacto do Brexit em diferentes setores nacionais. Com base no contributo de 16 minist&eacute;rios sectoriais e dos parceiros sociais, a comiss&atilde;o produziu um relat&oacute;rio identificando riscos e oportunidades para o pa&iacute;s<sup><a href="#32">32</a></sup><a name="top32"></a>. Mesmo se passos mais concretos nesse sentido apenas foram tomados depois do artigo 50&ordm;&nbsp;ter sido invocado, conv&eacute;m notar ainda que imediatamente ap&oacute;s o voto brit&acirc;nico as autoridades portuguesas foram lestas em demonstrar a sua abertura para acolher em Portugal investimentos brit&acirc;nicos e outras val&ecirc;ncias desejando permanecer na&nbsp;UE&nbsp;depois do Brexit<sup><a href="#33">33</a></sup><a name="top33"></a>.</p>     <p>Alargando a an&aacute;lise para al&eacute;m do Governo, as rea&ccedil;&otilde;es pol&iacute;ticas ao voto brit&acirc;nico em Portugal mostraram converg&ecirc;ncia quanto &agrave; ado&ccedil;&atilde;o de uma posi&ccedil;&atilde;o construtiva nas negocia&ccedil;&otilde;es com o &laquo;velho aliado&raquo;, bem como quanto &agrave; necessidade de reavivar o debate nacional sobre o futuro da&nbsp;UE<sup><a href="#34">34</a></sup><a name="top34"></a>. Al&eacute;m do consenso em torno destas ideias gerais, tamb&eacute;m foram vis&iacute;veis algumas diverg&ecirc;ncias expect&aacute;veis. Os partidos pr&oacute;-europeus do chamado &laquo;centr&atilde;o&raquo;&nbsp;(PS, PSD&nbsp;e&nbsp;CDS-PP) reafirmaram de forma clara o seu compromisso com a&nbsp;UE&nbsp;face a este novo desafio, agora mais tang&iacute;vel. Por&eacute;m, &agrave; direita do espetro pol&iacute;tico houve manifestamente menos vontade em usar tal press&atilde;o para promover mudan&ccedil;as nas pol&iacute;ticas europeias, particularmente no dom&iacute;nio socioecon&oacute;mico, ao mesmo tempo que era aparentemente dada maior visibilidade &agrave;s poss&iacute;veis implica&ccedil;&otilde;es geoestrat&eacute;gicas do Brexit<sup><a href="#35">35</a></sup><a name="top35"></a>. Por seu turno, os pequenos partidos mais &agrave; esquerda (BE&nbsp;e&nbsp;PCP), que nas elei&ccedil;&otilde;es legislativas de 2015 somaram apenas 18 por cento dos votos mas formam parte da alian&ccedil;a parlamentar que apoia o Governo, refor&ccedil;aram as suas cr&iacute;ticas &agrave; UE. Sem direta ou expressamente p&ocirc;r em causa a participa&ccedil;&atilde;o de Portugal na&nbsp;UE, na sequ&ecirc;ncia do voto brit&acirc;nico os dois partidos pediram a revoga&ccedil;&atilde;o do Tratado Or&ccedil;amental e do Tratado de Lisboa atrav&eacute;s de um referendo ou de uma confer&ecirc;ncia intergovernamental<sup><a href="#36">36</a></sup><a name="top36"></a>.&nbsp;Embora tal posicionamento n&atilde;o fosse na sua totalidade propriamente novo, e tenha sido sobretudo motivado pela amea&ccedil;a de san&ccedil;&otilde;es europeias que pairavam sobre Portugal numa altura em que se negociava o Or&ccedil;amento de Estado para 2017, pelo menos o seu&nbsp;timing&nbsp;e tom parecem ter sido em parte inspirados pelo referendo brit&acirc;nico. Entretanto, a imagem da&nbsp;UE&nbsp;junto da opini&atilde;o p&uacute;blica portuguesa permaneceu maioritariamente positiva, com os dados do Eurobar&oacute;metro a indicar mesmo um aumento dessa atitude favor&aacute;vel durante este per&iacute;odo, bem como uma ligeira diminui&ccedil;&atilde;o da opini&atilde;o favorecendo uma sa&iacute;da de Portugal da Uni&atilde;o, que se manteve &agrave; volta de 30 por cento apenas (ver <a href="#f1">Figuras 1</a> e <a href="#f2">2</a>).</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>CONCLUS&Otilde;ES</b></p>     <p>Reflexo da import&acirc;ncia central do projeto de integra&ccedil;&atilde;o europeia para Portugal e dos significativos la&ccedil;os luso-brit&acirc;nicos existentes a diferentes n&iacute;veis, a possibilidade de o Reino Unido sair da&nbsp;UE foi recebida com apreens&atilde;o e desconforto em Lisboa. As autoridades portuguesas reagiram a tal desenvolvimento adotando em geral uma postura cautelosa e construtiva, no sentido de contribuir para a preserva&ccedil;&atilde;o do projeto europeu e, simultaneamente, evitar perturbar os v&iacute;nculos de interdepend&ecirc;ncia e coopera&ccedil;&atilde;o existentes com o Reino Unido, tanto a n&iacute;vel bilateral como a n&iacute;vel da&nbsp;UE.</p>     <p>Tal procura de equil&iacute;brio foi vis&iacute;vel desde a fase da renegocia&ccedil;&atilde;o, com a posi&ccedil;&atilde;o portuguesa a demonstrar alguma flexibilidade mas a ser, ao mesmo tempo, claramente pr&oacute;-europeia. Se, por um lado, Lisboa mostrou abertura para acomodar a posi&ccedil;&atilde;o de Londres, especialmente em mat&eacute;rias entendidas como menos controversas tais como competitividade, por outro, tal flexibilidade encontrou importantes limites em rela&ccedil;&atilde;o a todos os aspetos da negocia&ccedil;&atilde;o entendidos como suscet&iacute;veis de p&ocirc;r em causa a natureza e o funcionamento da&nbsp;UE. Tal explica que uma reforma dos tratados e a preserva&ccedil;&atilde;o de princ&iacute;pios fundamentais da&nbsp;UE&nbsp;tenham sido apresentados como fora de discuss&atilde;o. Em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; liberdade de circula&ccedil;&atilde;o, em particular, Portugal tinha importantes interesses nacionais em jogo, mas a grande visibilidade dada a tal mat&eacute;ria parece tamb&eacute;m ter sido uma forma de Lisboa refor&ccedil;ar a sua posi&ccedil;&atilde;o negocial geral em Bruxelas. No final, as conclus&otilde;es da renegocia&ccedil;&atilde;o foram percecionadas sobretudo de forma negativa (devido nomeadamente aos riscos de uma Europa&nbsp;&agrave; la carte), mas acabaram por ser aceites enquanto mal menor.</p>     <p>Quanto &agrave; fase da campanha para o referendo brit&acirc;nico, outras prioridades acabaram por fazer com que recebesse pouca aten&ccedil;&atilde;o a n&iacute;vel do debate pol&iacute;tico nacional. As incertezas internas da altura, tanto econ&oacute;micas como pol&iacute;ticas, representaram preocupa&ccedil;&otilde;es mais prementes para pol&iacute;ticos e opini&atilde;o p&uacute;blica em geral. Em todo o caso, em termos do debate sobre a&nbsp;UE, as atitudes portuguesas n&atilde;o estiveram totalmente viradas para dentro, visto que a partir desta fase o Governo portugu&ecirc;s come&ccedil;ou a utilizar de forma muito expl&iacute;cita a perspetiva de um Brexit como argumento, ou forma de press&atilde;o adicional, para as mudan&ccedil;as que queria implementar a n&iacute;vel das pol&iacute;ticas europeias. Ou seja, ao inv&eacute;s de um efeito de cont&aacute;gio significativo ou claro, por exemplo, no sentido de dar azo a reivindica&ccedil;&otilde;es referend&aacute;rias sobre a participa&ccedil;&atilde;o de Portugal na&nbsp;UE, a campanha brit&acirc;nica acabou por passar algo ao lado do debate p&uacute;blico nacional e por provocar uma rea&ccedil;&atilde;o oficial num sentido pr&oacute;-europeu, ainda que mais cr&iacute;tico.</p>     <p>Com a chegada dos resultados do referendo brit&acirc;nico, as raz&otilde;es de apreens&atilde;o em Portugal sobre os poss&iacute;veis efeitos negativos do Brexit tornaram-se mais tang&iacute;veis. Tal desenlace foi recebido em Lisboa com desapontamento e preocupa&ccedil;&atilde;o. A rea&ccedil;&atilde;o do Governo portugu&ecirc;s foi, por um lado, no sentido de reiterar o seu empenhamento pr&oacute;-europeu, embora de forma mais prudente. Ao contr&aacute;rio de outros estados-membros como a vizinha Espanha, que de forma clara defendeu de imediato &laquo;mais Europa&raquo;, o Governo de Ant&oacute;nio Costa preferiu enfatizar como priorit&aacute;rio a unidade da&nbsp;UE&nbsp;e reivindicar &laquo;melhor Europa&raquo;<sup><a href="#37">37</a></sup><a name="top37"></a>. Por outro lado, Lisboa reafirmou igualmente os la&ccedil;os hist&oacute;ricos de amizade luso-brit&acirc;nicos e pugnou por uma negocia&ccedil;&atilde;o amig&aacute;vel entre Bruxelas e Londres, com vista a manter rela&ccedil;&otilde;es o mais estreitas poss&iacute;vel no futuro. Ao exibir tal postura conciliadora, o Governo portugu&ecirc;s estava, designadamente, a tentar valorizar a posi&ccedil;&atilde;o nacional enquanto poss&iacute;vel &laquo;ponte&raquo; entre os dois lados. Quanto ao impacto do voto brit&acirc;nico no debate interno portugu&ecirc;s, parece ter sido pequeno &ndash; desde logo inferior ao efeito que a crise do euro, mencionada acima, teve. O consenso pol&iacute;tico europeu manteve-se, embora sob um tom mais cr&iacute;tico e com alguns matizes. Tal press&atilde;o cr&iacute;tica foi mais forte apenas em setores minorit&aacute;rios e com pouco reflexo ao n&iacute;vel da opini&atilde;o p&uacute;blica.</p>     <p>Durante o per&iacute;odo analisado, o processo do Brexit&nbsp;n&atilde;o produziu efeitos significativos vis&iacute;veis de&nbsp;deseuropeiza&ccedil;&atilde;o ou desintegra&ccedil;&atilde;o em Portugal. Por&eacute;m, a rea&ccedil;&atilde;o a n&iacute;vel oficial tamb&eacute;m n&atilde;o consubstanciou claramente a situa&ccedil;&atilde;o oposta de pugnar imediata e declaradamente por mais integra&ccedil;&atilde;o europeia. Representou antes uma postura interm&eacute;dia: pr&oacute;-europeia, mas gradualista e criteriosa. Tal posicionamento cauteloso ecoa o tom geral mais cr&iacute;tico ou realista dos &uacute;ltimos anos em Portugal relativamente &agrave;&nbsp;UE. Reflete tamb&eacute;m a orienta&ccedil;&atilde;o euro-atl&acirc;ntica da pol&iacute;tica externa de um pequeno Estado, que tem a necessidade de prosseguir uma diplomacia flex&iacute;vel e &aacute;gil, capaz de conciliar de maneira positiva as diferentes dimens&otilde;es da sua a&ccedil;&atilde;o externa e valorizar a sua posi&ccedil;&atilde;o no sistema internacional.&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>BIBLIOGRAFIA</b></p>     <p>&laquo;BE: referendo pode ir do Tratado Or&ccedil;amental &agrave; sa&iacute;da da&nbsp;UE&raquo;. In&nbsp;<i>P&uacute;blico</i>. 26 de junho de 2016.</p>     <p>&laquo;Brexit: os danos colaterais em Portugal minist&eacute;rio a minist&eacute;rio&raquo;. In<i>&nbsp;Vis&atilde;o</i>. 13 de abril de 2017.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&laquo;Cavaco estraga unanimidade do Conselho de Estado sobre san&ccedil;&otilde;es&raquo;. In&nbsp;<i>P&uacute;blico</i>. 13 de julho de 2016.</p>     <p>&laquo;Comunicado sobre a decis&atilde;o do Reino Unido em sair da Uni&atilde;o Europeia&raquo;. In&nbsp;<i>Portal do Governo</i>. 24 de junho de 2016.</p>     <p>COSTA, Ricardo &ndash; &laquo;O novo precip&iacute;cio europeu&raquo;. In&nbsp;<i>Expresso.</i> 20 de fevereiro de 2016.</p>     <p>&laquo;Declara&ccedil;&atilde;o do&nbsp;primeiro-ministro sobre a sa&iacute;da do Reino Unido da Uni&atilde;o Europeia&raquo;. In&nbsp;<i>Portal do Governo</i>. 24 de junho de 2016.</p>     <p>DI&Aacute;RIO DA&nbsp;ASSEMBLEIA DA&nbsp;REP&Uacute;BLICA. I S&eacute;rie, N.&ordm; 38, 13 de fevereiro de 2016.</p>     <p>DI&Aacute;RIO DA&nbsp;ASSEMBLEIA DA&nbsp;REP&Uacute;BLICA. I S&eacute;rie, N.&ordm; 55, 16 de abril de 2016, p. 17</p>     <p>DIRE&Ccedil;&Atilde;O&nbsp;EDITORIAL&nbsp;&ndash; &laquo;A Europa sem sinais de futuro&raquo;. In&nbsp;<i>P&uacute;blico</i>. 21 de fevereiro de 2016.</p>     <p>FERNANDES, Jos&eacute; Manuel &ndash; &laquo;Que&nbsp;bom que era termos&nbsp;uma Europa mais &agrave;&nbsp;inglesa&raquo;.&nbsp;In<i>&nbsp;Observador</i>. 28 de fevereiro de 2016.</p>     <p>FERREIRA-PEREIRA, Laura C. &ndash; &laquo;Between Scylla and Charybdis: assessing Portugal&rsquo;s approach to the Common Foreign and Security Policy&raquo;. In&nbsp;<i>Journal of European Integration</i>. Vol. 29, N.&ordm; 2, 2007, pp. 209-228. DOI: 10.1080/07036330701252144.</p>     <p>FRANCO, L&iacute;via &ndash;&nbsp;<i>Portugal and Brexit: Old Alliance, New Government</i>.&nbsp;Londres: European Council of Foreign Relations, 2015.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>GALLAGHER, Tom &ndash; &laquo;Anglo-Portuguese relations since 1900&raquo;. In&nbsp;<i>History Today.</i>&nbsp;Vol. 36, N.&ordm; 6, 1986, pp. 39-45.</p>     <p>GASPAR, Carlos &ndash; &laquo;Portugal, a Espanha e a crise europeia&raquo;. In&nbsp;<i>Na&ccedil;&atilde;o e Defesa</i>. Vol. 115, N.&ordm; 3, 2006, pp. 129-142.</p>     <p>GOUCHA&nbsp;SOARES, Ant&oacute;nio &ndash; &laquo;Portugal and the European Union: the ups and downs in 20 years of membership&raquo;. In&nbsp;<i>Perspetives&nbsp;on European Politics and Society</i>. Vol. 8, N.&ordm; 4,&nbsp;2007, pp. 460-475.&nbsp;DOI: 10.1080/15705850701640835.</p>     <p>GOVERNO DE&nbsp;PORTUGAL&nbsp;&ndash;&nbsp;<i>Rumo a Uma Arquitetura Refor&ccedil;ada para a &Aacute;rea do Euro</i>. Lisboa: Gabinete do Primeiro-Ministro, 2015.</p>     <p>&laquo;Governo portugu&ecirc;s d&aacute; ordem&nbsp;para... preparar o Brexit&raquo;. In&nbsp;<i>Vis&atilde;o</i>. 27 de novembro de 2016.</p>     <p>LUSA&nbsp;&ndash; &laquo;Boris Johnson conta &ldquo;com a participa&ccedil;&atilde;o de Portugal&rdquo; nas negocia&ccedil;&otilde;es do Brexit&raquo;. In&nbsp;<i>Di&aacute;rio de Not&iacute;cias</i>. 30 de mar&ccedil;o de 2017.</p>     <p>LUSA&nbsp;&ndash;&nbsp;&laquo;Portugal vai candidatar-se &agrave;&nbsp;sede da Ag&ecirc;ncia Europeia do Medicamento&raquo;. In&nbsp;<i>Di&aacute;rio de Not&iacute;cias</i>, 27 de abril de 2017.</p>     <p>MARQUES, Duarte &ndash; &laquo;Realismo europeu evitar&aacute; o Brexit?&raquo;. In<i>&nbsp;Expresso</i>. 23 de fevereiro de 2016.</p>     <p>MONJARDINO, Miguel &ndash; &laquo;O dia seguinte&raquo;. In<i>&nbsp;Expresso</i>. 18 de junho de 2016.</p>     <p>&laquo;Novo estatuto do Reino Unido n&atilde;o impede aprofundamento da Uni&atilde;o Europeia&raquo;. In&nbsp;<i>Portal do Governo</i>.&nbsp;19 de fevereiro de 2016.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&laquo;&ldquo;O Conselho Europeu foi vergonhoso&rdquo;&raquo;. In&nbsp;<i>Expresso.</i> 23 de fevereiro de 2016.</p>     <p>OLIVEIRA, Pedro Aires &ndash;&nbsp;<i>Os Despojos da Alian&ccedil;a: A Gr&atilde;-Bretanha e a Quest&atilde;o Colonial Portuguesa, 1945-1975</i>. Lisboa: Tinta-da-China, 2007.</p>     <p>PARTIDO&nbsp;COMUNISTA&nbsp;PORTUGU&Ecirc;S&nbsp;&ndash; &laquo;Sobre as conclus&otilde;es do Conselho Europeu de 18 e 19 de fevereiro&raquo;. 22 de fevereiro de 2016.</p>     <p>PARTIDO&nbsp;SOCIAL&nbsp;DEMOCRATA&nbsp;&ndash; &laquo;Confian&ccedil;a no projeto europeu&raquo;. In&nbsp;<i>Povo Livre</i>. N.&ordm; 1929, 2016.</p>     <p>&laquo;Partidos portugueses contra &ldquo;puni&ccedil;&otilde;es&rdquo;&nbsp;ao Reino Unido&raquo;. In&nbsp;<i>P&uacute;blico</i>. 26 de junho de 2016.</p>     <p>&laquo;PCP&nbsp;e&nbsp;BE&nbsp;aproveitam e pedem revoga&ccedil;&atilde;o do Tratado Or&ccedil;amental&raquo;. In&nbsp;<i>P&uacute;blico</i>. 24 de junho de 2016.</p>     <p>&laquo;PCP&nbsp;e&nbsp;BE&nbsp;prop&otilde;em cimeira para reverter tratados europeus&raquo;. In&nbsp;<i>P&uacute;blico</i>. 2 de julho de 2016.</p>     <p><i>Portugal na Uni&atilde;o Europeia: 2015</i>. Lisboa: Minist&eacute;rio dos Neg&oacute;cios Estrangeiros, 2016.</p>     <p>RAIMUNDO, Ant&oacute;nio &ndash;&nbsp;<i>Portugal: Lisbon&rsquo;s General Attitude Has Been Fairly Positive to the Renegotiation, but without Support for Treaty Changes</i>.&nbsp;Londres:&nbsp;lse europp&nbsp;Blog, 2015.</p>     <p>RAIMUNDO, Ant&oacute;nio,&nbsp;e Mestres, Laia &ndash; &laquo;Iberia: Portugal and Spain&raquo;.&nbsp;In&nbsp;<i>Europe&rsquo;s Brexit:&nbsp;eu&nbsp;Perspetives on Britain&rsquo;s Vote to Leave.</i>&nbsp;Newcastle upon Tyne: Agenda Publishing (no prelo).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>S&Aacute;, Tiago Moreira de &ndash;&nbsp;<i>Pol&iacute;tica Externa Portuguesa</i>. Lisboa: Funda&ccedil;&atilde;o Francisco Manuel dos Santos, 2015.</p>     <p>&laquo;Sa&iacute;da do Reino Unido ter&aacute; impacto mas abrir&aacute; novas perspetivas&raquo;. In&nbsp;<i>Portal do Governo</i>. 29 de junho de 2016.</p>     <p>SANTOS&nbsp;SILVA, Augusto &ndash;&nbsp;&laquo;&Eacute; tempo de unidade e cabe&ccedil;a fria&raquo;. In&nbsp;<i>Expresso.</i> 25 de junho de 2016.</p>     <p>SEIXAS DA&nbsp;COSTA, Francisco,&nbsp;et al.&nbsp;&ndash; &laquo;Portugal no mundo: um debate inadi&aacute;vel&raquo;. In&nbsp;P&uacute;blico. 18 de mar&ccedil;o de 2016.</p>     <p>SOUSA, Teresa de &ndash; &laquo;O que &eacute; ser pr&oacute;-europeu? &Eacute; discutir a Europa&raquo;. In&nbsp;<i>P&uacute;blico.</i> 12 de junho de 2016.</p>     <p>SOUSA, Teresa de, e GASPAR, Carlos &ndash; &laquo;Portugal, a Uni&atilde;o Europeia e a crise&raquo;. In&nbsp;<i>Rela&ccedil;&otilde;es Internacionais</i>. N.&ordm; 48, 2015, pp. 99-114.</p>     <p>TAVARES, Rui &ndash; &laquo;A charada dos chefes&raquo;. In<i>&nbsp;P&uacute;blico</i>. 22 de fevereiro de 2016.</p>     <p>TELO, Ant&oacute;nio Jos&eacute; &ndash;&nbsp;&laquo;Alian&ccedil;a Luso-Brit&acirc;nica&raquo;. In&nbsp;<i>Dicion&aacute;rio de Hist&oacute;ria de Portugal</i>.&nbsp;Vol. VII (Suplemento A/E). Porto: Figueirinhas, 1999, pp. 85-87.</p>     <p>TELO, Ant&oacute;nio Jos&eacute; &ndash;&nbsp;<i>Hist&oacute;ria Contempor&acirc;nea de Portugal: do 25 de Abril &agrave; Atualidade</i>,&nbsp;Vol. I. Lisboa: Editorial Presen&ccedil;a, 2007.</p>     <p>TELO, Ant&oacute;nio Jos&eacute; &ndash;&nbsp;<i>Hist&oacute;ria Contempor&acirc;nea de Portugal: do 25 de Abril &agrave; Atualidade</i>,&nbsp;Vol. II. Lisboa: Editorial Presen&ccedil;a, 2008.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>TEIXEIRA, Nuno Severiano &ndash; &laquo;O 25 de abril e a pol&iacute;tica externa portuguesa&raquo;. In&nbsp;<i>Rela&ccedil;&otilde;es Internacionais</i>. N.&ordm; 1, 2004, pp. 5-12.</p>     <p>TEIXEIRA, Nuno Severiano &ndash; &laquo;Portugal e a integra&ccedil;&atilde;o europeia, 1974-2015: uma introdu&ccedil;&atilde;o hist&oacute;rica&raquo;. In&nbsp;<i>A Europeiza&ccedil;&atilde;o da Democracia Portuguesa</i>. Lisboa: Imprensa de Ci&ecirc;ncias Sociais, 2017, pp. 19-34.</p>     <p>&laquo;UE&nbsp;recusa ceder em &ldquo;princ&iacute;pios fundamentais&rdquo; para manter Londres&raquo;. In&nbsp;<i>P&uacute;blico</i>.&nbsp;17&nbsp;de dezembro de 2015.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>Data de rece&ccedil;&atilde;o: 23 de outubro de 2017 | Data de aprova&ccedil;&atilde;o: 4 de dezembro de 2017.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>NOTAS</b></p>     <p><Sup><a name="1"></a><a href="#top1">1</a></Sup>&nbsp;A prepara&ccedil;&atilde;o deste texto beneficiou do apoio propiciado por uma bolsa da Funda&ccedil;&atilde;o para a Ci&ecirc;ncia e&nbsp;Tecnologia&nbsp;(SFRH/BPD/99579/2014). O autor agradece em especial a Carlos Gaspar pela troca de impress&otilde;es sobre a tem&aacute;tica do artigo, durante uma fase inicial da sua prepara&ccedil;&atilde;o. Parte deste texto baseia-se em: RAIMUNDO, Ant&oacute;nio,&nbsp;e MESTRES, Laia &ndash; &laquo;Iberia: Portugal and Spain&raquo;.&nbsp;In&nbsp;<i>Europe&rsquo;s Brexit:&nbsp;</i><i>E</i><i>U Perspetives on Britain&rsquo;s Vote to Leave</i>.&nbsp;Newcastle upon Tyne: Agenda Publishing&nbsp;(no prelo).</p>     <p><Sup><a name="2"></a><a href="#top2">2</a></Sup> GALLAGHER, Tom &ndash; &laquo;Anglo-Portuguese relations since 1900&raquo;. In&nbsp;<i>History Today</i>. Vol. 36, N.&ordm; 6, 1986, p. 39.</p>     <p><Sup><a name="3"></a><a href="#top3">3</a></Sup> TELO, Ant&oacute;nio Jos&eacute; &ndash;&nbsp;<i>Hist&oacute;ria Contempor&acirc;nea de Portugal: do 25 de Abril &agrave; Atualidade</i>,&nbsp;Vol. II. Lisboa: Editorial Presen&ccedil;a, 2008, p. 242.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><Sup><a name="4"></a><a href="#top4">4</a></Sup> Cf. TELO, Ant&oacute;nio Jos&eacute; &ndash;&nbsp;&laquo;Alian&ccedil;a Luso-Brit&acirc;nica&raquo;. In&nbsp;<i>Dicion&aacute;rio de Hist&oacute;ria de Portugal</i>.&nbsp;Vol. VII (Suplemento A/E). Porto: Figueirinhas, 1999, pp. 85-87.</p>     <p><Sup><a name="5"></a><a href="#top5">5</a></Sup> Cf. OLIVEIRA, Pedro Aires &ndash;&nbsp;<i>Os Despojos da Alian&ccedil;a: A Gr&atilde;-Bretanha e a Quest&atilde;o Colonial Portuguesa, 1945-1975</i>. Lisboa: Tinta-da-China, 2007.</p>     <p><Sup><a name="6"></a><a href="#top6">6</a></Sup> TELO, Ant&oacute;nio Jos&eacute; &ndash;&nbsp;<i>Hist&oacute;ria Contempor&acirc;nea de Portugal: do 25 de Abril &agrave; Atualidade</i>,&nbsp;Vol. I. Lisboa: Editorial Presen&ccedil;a, 2007, pp. 254-262.</p>     <p><Sup><a name="7"></a><a href="#top7">7</a></Sup> Cf. TEIXEIRA, Nuno Severiano &ndash; &laquo;O 25 de abril e a pol&iacute;tica externa portuguesa&raquo;.&nbsp;In&nbsp;<i>Rela&ccedil;&otilde;es Internacionais</i>. N.&ordm; 1, 2004, pp. 5-12.</p>     <p><Sup><a name="8"></a><a href="#top8">8</a></Sup> Cf. GOUCHA&nbsp;SOARES, Ant&oacute;nio &ndash; &laquo;Portugal and the European Union: the ups and downs in 20 years of membership&raquo;. In&nbsp;<i>Perspetives on European Politics and Society</i>. Vol. 8, N.&ordm; 4, 2007, pp. 460-475.</p>     <p><Sup><a name="9"></a><a href="#top9">9</a></Sup> Oliveira, Pedro Aires &ndash;&nbsp;<i>Os Despojos da Alian&ccedil;a</i>, pp. 486-489.</p>     <p><Sup><a name="10"></a><a href="#top10">10</a></Sup> Cf. FERREIRA-PEREIRA, Laura C. &ndash; &laquo;Between Scylla and Charybdis: assessing Portugal&rsquo;s approach to the Common Foreign and Security Policy&raquo;.&nbsp;In&nbsp;<i>Journal of European Integration</i>. Vol. 29, N.&ordm; 2, 2007, pp. 209-228; GASPAR, Carlos &ndash; &laquo;Portugal, a Espanha e a crise europeia&raquo;. In&nbsp;<i>Na&ccedil;&atilde;o e Defesa</i>. Vol. 115, N.&ordm; 3, 2006, pp. 129-142.</p>     <p><Sup><a name="11"></a><a href="#top11">11</a></Sup> Sobre esta fase ver SOUSA, Teresa de, e GASPAR, Carlos &ndash; &laquo;Portugal, a Uni&atilde;o Europeia e a crise&raquo;. In&nbsp;<i>Rela&ccedil;&otilde;es Internacionais</i>. N.&ordm; 48, 2015, pp. 99-114; TEIXEIRA, Nuno Severiano &ndash; &laquo;Portugal e a integra&ccedil;&atilde;o europeia, 1974-2015: uma introdu&ccedil;&atilde;o hist&oacute;rica&raquo;. In&nbsp;<i>A Europeiza&ccedil;&atilde;o da Democracia Portuguesa</i>. Lisboa: Imprensa de Ci&ecirc;ncias Sociais, 2017, pp. 19-34.</p>     <p><Sup><a name="12"></a><a href="#top12">12</a></Sup> S&Aacute;, Tiago Moreira de &ndash;&nbsp;<i>Pol&iacute;tica Externa Portuguesa</i>. Lisboa: Funda&ccedil;&atilde;o Francisco Manuel dos Santos, 2015, pp. 74-5.</p>     <p><Sup><a name="13"></a><a href="#top13">13</a></Sup> De acordo com dados da&nbsp;AICEP, o Reino Unido tem sido o principal mercado para Portugal em termos de receitas geradas pelo turismo, representando cerca de dois mil milh&otilde;es de euros em 2015. Al&eacute;m disso, Portugal tem tido uma balan&ccedil;a comercial favor&aacute;vel com o Reino Unido, cujo mercado em 2015 representava cerca de dez por cento das suas exporta&ccedil;&otilde;es (quarto cliente) e perto de cinco por cento das suas importa&ccedil;&otilde;es (quinto fornecedor) de bens e servi&ccedil;os. Nesse mesmo ano, mais de 2600 empresas portuguesas operavam no mercado brit&acirc;nico.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><Sup><a name="14"></a><a href="#top14">14</a></Sup> Os n&uacute;meros oficiais apontam para cerca de 235 mil portugueses a viver presentemente no Reino Unido, mas existem estimativas que sobem tal valor para os 500 mil.</p>     <p><Sup><a name="15"></a><a href="#top15">15</a></Sup> Portugal na Uni&atilde;o Europeia: 2015. Lisboa: Minist&eacute;rio dos Neg&oacute;cios Estrangeiros, 2016, p. 14.</p>     <p><Sup><a name="16"></a><a href="#top16">16</a></Sup> Cf. FRANCO, L&iacute;via &ndash;&nbsp;<i>Portugal and Brexit: Old Alliance, New Government</i>.&nbsp;Londres: European Council of Foreign Relations, 2015;&nbsp;RAIMUNDO, Ant&oacute;nio &ndash;&nbsp;<i>Portugal: Lisbon&rsquo;s General Attitude Has Been Fairly Positive to the Renegotiation, but without Support for Treaty Changes</i>.&nbsp;Londres:&nbsp;lse europp&nbsp;Blog, 2015.</p>     <p><Sup><a name="17"></a><a href="#top17">17</a></Sup> GOVERNO DE&nbsp;PORTUGAL&nbsp;&ndash;&nbsp;<i>Rumo a Uma Arquitetura Refor&ccedil;ada para a &Aacute;rea do Euro</i>. Lisboa: Gabinete do Primeiro-Ministro, 2015, p. 2.</p>     <p><Sup><a name="18"></a><a href="#top18">18</a></Sup> Cf. DI&Aacute;RIO DA&nbsp;ASSEMBLEIA DA&nbsp;REP&Uacute;BLICA. I S&eacute;rie, N.&ordm; 38, 13 de fevereiro de 2016, p. 34.</p>     <p><Sup><a name="19"></a><a href="#top19">19</a></Sup> De acordo com dados do Eurostat, em janeiro de 2016 Portugal era o quarto Estado-Membro (depois da Rom&eacute;nia, Pol&oacute;nia e It&aacute;lia) com o maior n&uacute;mero de cidad&atilde;os a viver noutros pa&iacute;ses da&nbsp;UE.</p>     <p><Sup><a name="20"></a><a href="#top20">20</a></Sup> &laquo;UE&nbsp;recusa ceder em &ldquo;princ&iacute;pios fundamentais&rdquo; para manter Londres&raquo;. In&nbsp;P&uacute;blico. 17 de dezembro de 2015.</p>     <p><Sup><a name="21"></a><a href="#top21">21</a></Sup> &laquo;Novo estatuto do Reino Unido n&atilde;o impede aprofundamento da Uni&atilde;o Europeia&raquo;. In&nbsp;<i>Portal do Governo</i>.&nbsp;19 de fevereiro de 2016.</p>     <p><Sup><a name="22"></a><a href="#top22">22</a></Sup> Quanto &agrave; primeira posi&ccedil;&atilde;o, ver, por exemplo, FERNANDES, Jos&eacute; Manuel &ndash; &laquo;Que&nbsp;bom que era termos&nbsp;uma Europa mais &agrave;&nbsp;inglesa&raquo;. In&nbsp;Observador. 28 de fevereiro de 2016. Quanto &agrave; segunda, ver MARQUES, Duarte &ndash; &laquo;Realismo europeu evitar&aacute; o Brexit?&raquo;. In&nbsp;<i>Expresso.</i> 23 de fevereiro de 2016.</p>     <p><Sup><a name="23"></a><a href="#top23">23</a></Sup> Ver, por exemplo,&nbsp;&laquo;&ldquo;O Conselho Europeu foi vergonhoso&rdquo;&raquo;. In&nbsp;<i>Expresso.</i> 23 de fevereiro de 2016; TAVARES, Rui &ndash; &laquo;A charada dos chefes&raquo;. In&nbsp;<i>P&uacute;blico</i>. 22 de fevereiro de 2016.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><Sup><a name="24"></a><a href="#top24">24</a></Sup> Ver as posi&ccedil;&otilde;es do&nbsp;BE&nbsp;e do&nbsp;PCP&nbsp;sobre o Conselho Europeu de fevereiro de 2016: Di&aacute;rio da&nbsp;Assembleia da&nbsp;Rep&uacute;blica. I S&eacute;rie, N.&ordm; 38, 13 de fevereiro de 2016, pp. 37-38, 41. Ver tamb&eacute;m PARTIDO&nbsp;COMUNISTA PORTUGU&Ecirc;S&nbsp;&ndash; &laquo;Sobre as conclus&otilde;es do Conselho Europeu de 18 e 19 de fevereiro&raquo;. 22 de fevereiro de 2016.</p>     <p><Sup><a name="25"></a><a href="#top25">25</a></Sup> DIRE&Ccedil;&Atilde;O&nbsp;EDITORIAL&nbsp;&ndash; &laquo;A Europa sem sinais de futuro&raquo;. In&nbsp;<i>P&uacute;blico</i>. 21 de fevereiro de 2016; Costa, Ricardo &ndash; &laquo;O novo precip&iacute;cio europeu&raquo;. In&nbsp;Expresso. 20 de fevereiro de 2016.</p>     <p><Sup><a name="26"></a><a href="#top26">26</a></Sup> Cf.&nbsp;Eurobar&oacute;metro&nbsp;Standard n.&ordm; 85.</p>     <p><Sup><a name="27"></a><a href="#top27">27</a></Sup> Ver a interven&ccedil;&atilde;o do primeiro-ministro Ant&oacute;nio Costa na Assembleia da Rep&uacute;blica (<i>Di&aacute;rio da&nbsp;Assembleia da&nbsp;Rep&uacute;blica</i>. I S&eacute;rie, N.&ordm; 55, 16 de abril de 2016, p. 17).</p>     <p><Sup><a name="28"></a><a href="#top28">28</a></Sup> Ver, por exemplo, SEIXAS DA&nbsp;COSTA, Francisco,&nbsp;et al.&nbsp;&ndash; &laquo;Portugal no mundo: um debate inadi&aacute;vel&raquo;. In&nbsp;<i>P&uacute;blico</i>. 18 de mar&ccedil;o de 2016; SOUSA, Teresa de &ndash; &laquo;O que &eacute; ser pr&oacute;-europeu? &Eacute; discutir a Europa&raquo;. In&nbsp;<i>P&uacute;blico</i>. 12 de junho de 2016; MONJARDINO, Miguel &ndash; &laquo;O dia seguinte&raquo;. In&nbsp;<i>Expresso</i>. 18 de junho de 2016.</p>     <p><Sup><a name="29"></a><a href="#top29">29</a></Sup> &laquo;Declara&ccedil;&atilde;o do&nbsp;primeiro-ministro sobre a sa&iacute;da do Reino Unido da Uni&atilde;o Europeia&raquo;. In&nbsp;<i>Portal do Governo</i>. 24 de junho de 2016; SANTOS&nbsp;SILVA, Augusto &ndash;&nbsp;&laquo;&Eacute; tempo de unidade e cabe&ccedil;a fria&raquo;. In&nbsp;<i>Expresso</i>. 25 de junho de 2016.</p>     <p><Sup><a name="30"></a><a href="#top30">30</a></Sup> &laquo;Comunicado sobre a decis&atilde;o do Reino Unido em sair da Uni&atilde;o Europeia&raquo;. In&nbsp;<i>Portal do Governo</i>. 24 de junho de 2016.</p>     <p><Sup><a name="31"></a><a href="#top31">31</a></Sup> LUSA&nbsp;&ndash; &laquo;Boris Johnson conta &ldquo;com a participa&ccedil;&atilde;o de Portugal&rdquo; nas negocia&ccedil;&otilde;es do Brexit&raquo;. In&nbsp;<i>Di&aacute;rio de Not&iacute;cias</i>. 30 de mar&ccedil;o de 2017.</p>     <p><Sup><a name="32"></a><a href="#top32">32</a></Sup> &laquo;Governo portugu&ecirc;s d&aacute; ordem&nbsp;para... preparar o Brexit&raquo;. In<i>&nbsp;Vis&atilde;o</i>. 27 de novembro de 2016;&nbsp;&laquo;Brexit: os danos colaterais em Portugal minist&eacute;rio a minist&eacute;rio&raquo;. In<i>&nbsp;Vis&atilde;o</i>. 13 de abril de 2017.</p>     <p><Sup><a name="33"></a><a href="#top33">33</a></Sup> &laquo;Sa&iacute;da do Reino Unido ter&aacute; impacto mas abrir&aacute; novas perspetivas&raquo;. In&nbsp;<i>Portal do Governo</i>. 29 de junho de 2016; LUSA&nbsp;&ndash;&nbsp;&laquo;Portugal vai candidatar-se &agrave;&nbsp;sede da Ag&ecirc;ncia Europeia do Medicamento&raquo;. In&nbsp;<i>Di&aacute;rio de Not&iacute;cias</i>, 27 de abril de 2017.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><Sup><a name="34"></a><a href="#top34">34</a></Sup> &laquo;Partidos portugueses contra &ldquo;puni&ccedil;&otilde;es&rdquo;&nbsp;ao Reino Unido&raquo;. In&nbsp;<i>P&uacute;blico</i>. 26 de junho de 2016;&nbsp;&laquo;Cavaco estraga unanimidade do Conselho de Estado sobre san&ccedil;&otilde;es&raquo;. In&nbsp;<i>P&uacute;blico.</i> 13 de julho de 2016.</p>     <p><Sup><a name="35"></a><a href="#top35">35</a></Sup> &laquo;PCP&nbsp;e&nbsp;BE&nbsp;aproveitam e pedem revoga&ccedil;&atilde;o do Tratado Or&ccedil;amental&raquo;. In&nbsp;<i>P&uacute;blico</i>. 24 de junho de 2016; Partido&nbsp;Social&nbsp;Democrata&nbsp;&ndash; &laquo;Confian&ccedil;a no projeto europeu&raquo;. In&nbsp;<i>Povo Livre</i>. N.&ordm; 1929, 2016, pp. 7-9.</p>     <p><Sup><a name="36"></a><a href="#top36">36</a></Sup> &laquo;BE: referendo pode ir do Tratado Or&ccedil;amental &agrave; sa&iacute;da da&nbsp;UE&raquo;. In&nbsp;<i>P&uacute;blico</i>. 26 de junho de 2016;&nbsp;&laquo;PCP&nbsp;e&nbsp;BE&nbsp;prop&otilde;em cimeira para reverter tratados europeus&raquo;. In&nbsp;<i>P&uacute;blico.</i> 2 de julho de 2016.</p>     <p><Sup><a name="37"></a><a href="#top37">37</a></Sup> Cf. RAIMUNDO, Ant&oacute;nio,&nbsp;e MESTRES, Laia &ndash; &laquo;Iberia: Portugal and Spain&raquo;.</p>      ]]></body><back>
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