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<journal-title><![CDATA[Relações Internacionais (R:I)]]></journal-title>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Repensar a guerra pelas mãos de um polemólogo português]]></article-title>
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<institution><![CDATA[,Universidade Nova de Lisboa Faculdade de Ciências Sociais e Humanas Departamento de Estudos Políticos]]></institution>
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</front><body><![CDATA[ <p style="text-align: right;"><b>RECENS&Atilde;O</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Repensar a guerra pelas m&atilde;os de um polem&oacute;logo portugu&ecirc;s</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Ant&oacute;nio Horta Fernandes</b></p>     <p>FCSH-NOVA, Departamento de Estudos Pol&iacute;ticos | Avenida de Berna, 26-C / 1069-061 Lisboa, Portugal | <a href="mailto:hortafernandes@fcsh.unl.pt">hortafernandes@fcsh.unl.pt</a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>PEDRO PEZARAT&nbsp;CORREIA, <i>Guerra&nbsp;e Sociedade,</i> Lisboa, Edi&ccedil;&otilde;es 70, 2017, 240 p&aacute;ginas. ISBN: 978-972-44-1930-5</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>Pedro Pezarat Correia, general do Ex&eacute;rcito portugu&ecirc;s, professor universit&aacute;rio e intelectual de causas, na qualidade de geopol&iacute;tico (pela qual &eacute; at&eacute; mais conhecido), polem&oacute;logo e estrategista, deu recentemente &agrave; estampa uma estupenda obra sobre a guerra e a sociedade, ou melhor, a guerra enquanto fen&oacute;meno social como instrumento das sociedades pol&iacute;ticas, com um muito sint&eacute;tico mas n&atilde;o menos not&aacute;vel pref&aacute;cio de Viriato Soromenho-Marques.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>A obra em causa est&aacute; dividida em dois grandes cap&iacute;tulos. O primeiro deles disserta sobre o conceito de guerra, para se focar depois na procura das causas e origem das guerras. O segundo cap&iacute;tulo, bem mais extenso, dedica-se &agrave; evolu&ccedil;&atilde;o da guerra, em tr&ecirc;s grandes per&iacute;odos: o primeiro indo da &eacute;poca pr&eacute;-moderna &agrave;quilo que Pezarat Correia denomina de revolu&ccedil;&atilde;o dos assuntos militares (RAM) clausewitziana; o segundo per&iacute;odo vem terminar na Primeira Guerra do Golfo; e o apartado final tem como tema o que o autor designa por per&iacute;odo p&oacute;s-moderno da atual&nbsp;RAM&nbsp;em curso. Era uma das muitas estruturas poss&iacute;veis de acercamento ao fen&oacute;meno, pelo que esta op&ccedil;&atilde;o nos parece bem balizada e fundamentada, n&atilde;o merecendo reparo de maior.</p>     <p>A posi&ccedil;&atilde;o em que o autor se coloca &eacute; muito clara desde a introdu&ccedil;&atilde;o. O conhecimento cr&iacute;tico da guerra &eacute; aqui um aviso, e n&atilde;o uma prepara&ccedil;&atilde;o para qualquer guerra que viesse a armar uma paz hipoteticamente mais s&oacute;lida. De acordo com Pezarat Correia, essa postura denuncia, no m&iacute;nimo, uma ingenuidade, normalmente, prop&oacute;sitos belicistas.&nbsp;&laquo;Se queres a paz, prepara a paz&raquo;&nbsp;(p. 18), defende o autor, numa perspectiva&nbsp;&agrave; la&nbsp;Galtung, consonante com o seu investimento de h&aacute; muito nos estudos para a paz, e, em particular, na defesa de uma geopol&iacute;tica da paz. Trata-se de uma posi&ccedil;&atilde;o de avisador de fogo, como preconizava Benjamin, que nos parece a mais consent&acirc;nea face &agrave;s perversidades da guerra e &agrave; sem-raz&atilde;o do pr&oacute;prio fen&oacute;meno.</p>     <p>Por&eacute;m, nesta sem-raz&atilde;o poderia haver motivo para algumas interroga&ccedil;&otilde;es sobre a perspectiva de Pezarat Correia, expressa logo na introdu&ccedil;&atilde;o, mas desenvolvida mormente no primeiro cap&iacute;tulo. A meu ver, o autor insiste demasiado na racionalidade da guerra, para al&eacute;m, naturalmente, da racionalidade das teses que a procuram acuar segundo uma perspectiva cr&iacute;tica. Como se a n&atilde;o atribui&ccedil;&atilde;o de um esclarecimento cabal aos actores do fen&oacute;meno e aos pr&oacute;prios mecanismos b&eacute;licos, &agrave; sua gram&aacute;tica, pusesse em perigo o ponto de vista cr&iacute;tico sobre a guerra, tornando-nos algo coniventes com os actores pr&eacute;-modernos, ao sacralizar o fen&oacute;meno. Ora, isso n&atilde;o &eacute; verdade. Como bem mostrou Ricoeur relativamente a Auschwitz enquanto&nbsp;s&iacute;mbolo de uma determinada gram&aacute;tica do mal, a indigna&ccedil;&atilde;o &eacute;tica n&atilde;o suspende a compreens&atilde;o, antes a activa. Quanto mais nos indignamos, mais procuramos compreender a coisa rara, e quanto mais cabalmente compreendemos, mais indignados ficamos<sup><a href="#1">1</a></sup><a name="top1"></a>.</p>     <p>Mas n&atilde;o &eacute; s&oacute; em termos epistemol&oacute;gicos que este racionalismo defendido por Pezarat Correia, certamente temperado, acarreta obst&aacute;culos. Uma pequena parte do aparato fenomenol&oacute;gico da guerra e, em menor medida, do seu n&uacute;cleo essencial, parecem poder ser compreendidos de acordo com teorias pol&iacute;tico-racionais mais ou menos ortodoxas; isto &eacute;, modelos de racionalidade fria, n&atilde;o finalista, baseados na rela&ccedil;&atilde;o instrumental entre custo e benef&iacute;cio. Outra fatia significativa tem de ser compreendida &agrave; luz de uma racionalidade inclusiva. Ali&aacute;s, nem se perceberia esta insist&ecirc;ncia na racionalidade custo-benef&iacute;cio, t&atilde;o declaradamente &eacute; fautora de perpetua&ccedil;&atilde;o das guerras, n&atilde;o fosse porque Pezarat Correia &eacute; um herdeiro kantiano das Luzes &ndash; talvez demasiado crente em n&atilde;o haver ambival&ecirc;ncias estruturais dignas de nota no projecto secularista moderno. Por&eacute;m, o n&uacute;cleo &iacute;ntimo da guerra, aquilo que Clausewitz veio a designar por guerra absoluta, e que &eacute; central para a pr&oacute;pria especificidade do fen&oacute;meno, exige uma hermen&ecirc;utica mais fina, em que as teorias pol&iacute;ticas e sociol&oacute;gicas de uso comum n&atilde;o bastam, e que apenas a ponerologia, uma metaf&iacute;sica acutilante, uma boa dose de imagina&ccedil;&atilde;o teopol&iacute;tica, e tamb&eacute;m v&aacute;rias intui&ccedil;&otilde;es liter&aacute;rias, assentes na primazia da &eacute;tica, poder&atilde;o dar resposta. A ca&oacute;tica abissal do n&uacute;cleo irredento da guerra, ultimamente irredim&iacute;vel atrav&eacute;s do exclusivo tratamento pol&iacute;tico-estrat&eacute;gico, est&aacute; a&iacute; para o mostrar. Dir&iacute;amos mesmo ser a aus&ecirc;ncia da guerra absoluta o &uacute;nico grande sen&atilde;o desta obra.</p>     <p>A refer&ecirc;ncia aos pr&eacute;-modernos tamb&eacute;m &eacute; importante, porque se Pezarat Correia faz uma indaga&ccedil;&atilde;o expedita para concluir magistralmente que s&oacute; com Clausewitz o fen&oacute;meno b&eacute;lico &eacute; encarado pela primeira vez em toda a sua inteireza (p. 32) &ndash; talvez a<i>&nbsp;Il&iacute;ada</i>&nbsp;seja um importante proleg&oacute;meno, atendendo ademais ao que ultimamente tem sido a sua exegese &ndash;<sup><a href="#2">2</a></sup><a name="top2"></a> , por for&ccedil;a da dessacraliza&ccedil;&atilde;o da guerra (o termo &eacute; nosso), as raz&otilde;es n&atilde;o ser&atilde;o precisamente aquelas que Pezarat Correia esgrime.&nbsp;</p>     <p>A sacraliza&ccedil;&atilde;o anterior n&atilde;o tornava a guerra mais um fado do que agora &eacute;, nem a normalizava; pelo contr&aacute;rio. At&eacute; &agrave; Idade Moderna, a guerra, exactamente por ser um flagelo dif&iacute;cil de dominar &ndash; da&iacute; talvez a sacraliza&ccedil;&atilde;o &ndash;, &eacute; um fen&oacute;meno completamente dist&oacute;pico, fora da tessitura da pol&iacute;tica e das comunidades. &Eacute; apenas um aparelho ortop&eacute;dico para corrigir no pr&oacute;prio campo da desordem aquilo que se tomava como desordem; e ainda assim, apenas acomet&iacute;vel com regras de conten&ccedil;&atilde;o precisas. Foi com o aparecimento da soberania, e a tentativa de normaliza&ccedil;&atilde;o da guerra levada a cabo pelo soberano para seu uso como instrumento ordin&aacute;rio da pol&iacute;tica que a guerra passou a ser pol&iacute;tica. A meu ver, Clausewitz recolhe essa heran&ccedil;a politizadora da guerra, mas para a contestar. Isto &eacute;, tamb&eacute;m aqui Clausewitz seria um avisador de fogo, precursor de Pezarat Correia<sup><a href="#3">3</a></sup><a name="top3"></a> .</p>     <p>De resto, no primeiro apartado do cap&iacute;tulo primeiro, Pezarat Correia faz inteira justi&ccedil;a aos ganhos te&oacute;ricos da Escola Estrat&eacute;gica Portuguesa no entendimento da guerra. Permitir-me-ia apenas dois reparos. O primeiro diz respeito &agrave; coac&ccedil;&atilde;o. A coac&ccedil;&atilde;o, como &eacute; sempre violenta, &eacute; apenas t&iacute;pica da guerra e de fen&oacute;menos conflituais que a empregam. N&atilde;o de todos os fen&oacute;menos conflituais. H&aacute; agonismo sem coac&ccedil;&atilde;o e sem sequer hostilidade, como acontece, teoricamente, no desporto. Mas tamb&eacute;m nem todas as pr&aacute;ticas de hostilidade entre actores pol&iacute;ticos s&atilde;o j&aacute; de guerra, embora sejam estrat&eacute;gicas. Tanto a guerra fria como a guerra quente s&atilde;o pr&aacute;ticas de coac&ccedil;&atilde;o pura e dura (Pezarat Correia hesita um pouco sobre a guerra fria como tipologia). Simplesmente, no caso da guerra fria trata-se de coac&ccedil;&atilde;o&nbsp;n&atilde;o armada. Outra coisa &eacute; a press&atilde;o indeclin&aacute;vel sobre aliados, hostil, portanto, estrat&eacute;gica, mas n&atilde;o b&eacute;lica, ou as estrat&eacute;gias inversas. N&atilde;o&nbsp;h&aacute; guerra em pot&ecirc;ncia, por assim dizer, a&nbsp;guerra &eacute; sempre em&nbsp;acto, sob pena de deixarmos sem margens temporais o conflito b&eacute;lico. Se a estrat&eacute;gia &eacute; hoje a tempo inteiro, ela n&atilde;o funciona como substituta parab&eacute;lica da guerra, nesse sentido. A estrat&eacute;gia &eacute; antes uma &eacute;tica do conflito.</p>     <p>O segundo reparo diz respeito &agrave; era da estrat&eacute;gia nuclear. Estou de acordo com Pezarat Correia ter sido a partilha das armas a introduzir um novo tipo de conflito (p. 39 &ndash; argumento retomado na p. 150) e n&atilde;o propriamente a arma nuclear em si. Eu teria matizado, porque a cria&ccedil;&atilde;o da arma termonuclear &eacute; tamb&eacute;m aqui fundamental. Provavelmente, a partilha de bombas at&oacute;micas talvez n&atilde;o chegasse para a revolu&ccedil;&atilde;o praxeol&oacute;gica e epistemol&oacute;gica introduzida pelo nuclear.</p>     <p>Ainda no primeiro cap&iacute;tulo, no apartado sobre o conceito de guerra, s&atilde;o muito acertadas as conclus&otilde;es de que a guerra nuclear e a guerra irregular acabam por se inserir no paradigma clausewitziano, por causa da manuten&ccedil;&atilde;o do controlo pol&iacute;tico da guerra. Contudo, j&aacute; n&atilde;o entendo o passo que transforma a guerra de guerrilha de uma forma de guerra, quando n&atilde;o um mero procedimento t&eacute;cnico-t&aacute;ctico, em tipologia de guerra (pp. 44-45, 168 e segs.). Quando o fundamental &eacute; o novo sentido da guerra do fraco contra o forte &ndash; a dita guerra irregular (prefiro o designativo&nbsp;<i>guerra subversiva</i>). Desde logo porque neste tipo de guerra o essencial n&atilde;o reside na luta armada, e Pezarat Correia sabe-o bem, at&eacute; por experi&ecirc;ncia profissional.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Todavia, estranhamente,&nbsp;h&aacute; um ponto em que&nbsp;Pezarat Correia parece ir na onda, de forma um tanto ou quanto acr&iacute;tica, embora se abstenha de extrair uma conclus&atilde;o taxativa. Refiro-me &agrave; ideia de que agora, com as guerras h&iacute;bridas, as novas guerras, as guerras do caos, ou seja o que for, o paradigma clausewitziano, em parte, claudicou (p. 45). Em primeiro lugar, a racionalidade clausewitziana &eacute; integradora, &eacute;tica, isto &eacute;, finalista e n&atilde;o se resume a uma rela&ccedil;&atilde;o de optimiza&ccedil;&atilde;o custo-benef&iacute;cio. Depois, como o mostrou Raymond Aron, n&atilde;o devemos menosprezar o cap&iacute;tulo 26, do livro&nbsp;VI,&nbsp;<i>Da Guerra</i>. Esse cap&iacute;tulo n&atilde;o &eacute; marginal, at&eacute; pela experi&ecirc;ncia conhecida de Clausewitz da Vendeia e da guerra de Espanha<sup><a href="#4">4</a></sup><a name="top4"></a> . Mas mais ou menos inclusivo, o modelo de racionalidade pol&iacute;tica de Clausewitz, atento &agrave; guerra popular, apesar de ter o seu foco no Estado, n&atilde;o se resume ao Estado, antes &agrave; din&acirc;mica pol&iacute;tica enquanto tal, na qual a trindade tem tr&ecirc;s vectores e n&atilde;o s&oacute; um, incluindo, portanto, a passionalidade. Por fim, essa passionalidade &eacute; um ve&iacute;culo importante para compreender um conceito central em Clausewitz: a guerra absoluta. A guerra absoluta corresponde ao valor de utilidade marginal do fen&oacute;meno b&eacute;lico. &Eacute; o extremo que lhe d&aacute; consist&ecirc;ncia interna e que procura sempre materializar-se por completo. Se a tend&ecirc;ncia para o caos prospera neste novo tipo de guerras (e n&atilde;o estou a dizer que concorde com tal hip&oacute;tese, nem que haja verdadeiramente um novo tipo de guerras), &eacute; porque os homens est&atilde;o a induzir guerras tais, que a pr&oacute;pria gram&aacute;tica desta encontra formas mais capazes de iludir o controlo pol&iacute;tico. Ora, tema mais clausewitziano do que este desconhe&ccedil;o. Em s&iacute;ntese, n&atilde;o h&aacute; nada nestas supostas novas guerras de intrinsecamente n&atilde;o clausewitziano, e o que parece haver n&atilde;o ser&aacute; pass&iacute;vel de integrar no conceito de guerra.</p>     <p>No segundo apartado do primeiro cap&iacute;tulo, reconhecendo na guerra um fen&oacute;meno s&oacute;cio-pol&iacute;tico, Pezarat Correia indaga outras causas da guerra, al&eacute;m, obviamente, das causas pol&iacute;ticas. Debru&ccedil;a-se sobre as causas econ&oacute;micas e sobre as causas identit&aacute;rias, incluindo nestas as motiva&ccedil;&otilde;es religiosas.</p>     <p>Neste ponto, conv&eacute;m assinalar que, sem so&ccedil;obrar ao mito da viol&ecirc;ncia religiosa, criado na modernidade, e j&aacute; denunciado por William Cavanaugh<sup><a href="#5">5</a></sup><a name="top5"></a> , segundo o qual a ideia de que a religi&atilde;o &eacute; um rasgo trans-hist&oacute;rico essencialmente distinto dos rasgos supostamente seculares por iner&ecirc;ncia, como a pol&iacute;tica, possuindo uma perigosa inclina&ccedil;&atilde;o para a viol&ecirc;ncia, devendo, portanto, o seu acesso ao poder p&uacute;blico ser fortemente restringido e a influ&ecirc;ncia religiosa combatida, Pezarat Correia n&atilde;o deixa de assumir o conto tradicional sobre a Guerra dos Trinta Anos, como uma guerra de causas essencialmente religiosas, na sequ&ecirc;ncia das guerras de religi&atilde;o, no rescaldo da qual emerge o Estado-Na&ccedil;&atilde;o, presume-se, entre outras raz&otilde;es, tamb&eacute;m para rem&eacute;dio das bravatas religiosas (p. 77 &ndash; volta a insistir, no segundo cap&iacute;tulo, pp. 116-117). Quando as guerras da primeira Idade Moderna s&atilde;o muito mais guerras motivadas pelas dores de parto do nascimento e afirma&ccedil;&atilde;o do novel Estado soberano, da confessionaliza&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica dos estados e do paulatino, especialmente no mundo protestante, acantonamento da cren&ccedil;a religiosa na esfera privada, no cultivo da interioridade, e, em seguida, da intimidade. Segundo o historiador ingl&ecirc;s Mark Greengrass, falar em guerras de religi&atilde;o &eacute; redutor, subestimando muito o polimorfismo da dissid&ecirc;ncia religiosa, a experi&ecirc;ncia de pluralismo religioso e, sobretudo, o grau em que a religi&atilde;o se havia convertido numa cortina de fumo para interesses v&aacute;rios. Na melhor das hip&oacute;teses, os conflitos tornavam a religi&atilde;o professada hipersens&iacute;vel &agrave; esqu&aacute;lida hipocrisia dos oponentes, nas palavras do pr&oacute;prio Greengrass<sup><a href="#6">6</a></sup><a name="top6"></a> .</p>     <p>Nem poderia ser de outra forma, dado estarmos diante de sociedades em que o pol&iacute;tico e o religioso aparecem mesclados, e ser precisamente o processo de soberaniza&ccedil;&atilde;o do Estado a for&ccedil;ar a dissocia&ccedil;&atilde;o factorial pelo lado pol&iacute;tico, fazendo para si o transvase de categorias sacrais (como a omnipot&ecirc;ncia), cooptando as estruturas eclesi&aacute;sticas tanto quanto poss&iacute;vel, para as esvaziar de poder p&uacute;blico interventor (derivado ultimamente da sua&nbsp;<i>auctoritas</i>&nbsp;teol&oacute;gico-moral), pretendendo-as recolocar &agrave; margem das decis&otilde;es, que se v&atilde;o ent&atilde;o querer pol&iacute;ticas&nbsp;<i>qua</i>&nbsp;pol&iacute;ticas, e por isso mesmo seculariz&aacute;veis &ndash; &eacute; neste processo que a guerra como instrumento pol&iacute;tico adquire igualmente ser pol&iacute;tico.</p>     <p>Um apontamento ainda para a sua leitura sint&eacute;tica da guerra justa, tema a que sou particularmente sens&iacute;vel, a qual me parece judiciosa, ao relativizar muit&iacute;ssimo essa categoria, n&atilde;o embarcando de modo algum nas tentativas contempor&acirc;neas realizadas para a recuperar.</p> <ul>       <li>No segundo cap&iacute;tulo, Pezarat Correia faz uma digress&atilde;o pela evolu&ccedil;&atilde;o da guerra, dividindo-a, como atr&aacute;s dissemos, em tr&ecirc;s grandes per&iacute;odos. O primeiro, vai desde o Neol&iacute;tico at&eacute; &agrave; era clausewitziana, centrando-se na Antiguidade, Idade M&eacute;dia e Antigo Regime. O segundo per&iacute;odo inicia-se com aquilo que o autor designa como a revolu&ccedil;&atilde;o moderna dos assuntos militares clausewitziana, indo at&eacute; &agrave; &eacute;poca de transi&ccedil;&atilde;o da Guerra do Golfo, em 1990. O terceiro diz respeito ao per&iacute;odo p&oacute;s-moderno da&nbsp;RAM&nbsp;em curso. Embora assegure que uma&nbsp;RAM&nbsp;n&atilde;o se reduz &agrave; componente tecnol&oacute;gica, porquanto desta se seguem componentes organizacionais, institucionais, conceptuais e doutrin&aacute;rias, incluindo a interroga&ccedil;&atilde;o sobre a natureza da guerra, todas estas parcelas interagindo (p. 102), n&atilde;o estamos certos de que a componente tecnol&oacute;gica esteja sempre na g&eacute;nese de uma revolu&ccedil;&atilde;o militar. A chamada revolu&ccedil;&atilde;o militar da primeira modernidade, a existir, foi um processo longo, onde a introdu&ccedil;&atilde;o das armas de fogo s&oacute; lentamente teve repercuss&otilde;es marcantes, incluindo nos dispositivos no terreno.&nbsp; A mudan&ccedil;a na compreens&atilde;o da natureza da guerra, com a sua dessacraliza&ccedil;&atilde;o e normaliza&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica, bem como a introdu&ccedil;&atilde;o de novos modelos de financiamento e organiza&ccedil;&atilde;o da actividade militar parecem ter sido bem mais dirimentes. Da mesma forma, j&aacute; no s&eacute;culo&nbsp;XIX, moral da tropa e evolu&ccedil;&atilde;o tecnol&oacute;gica parecem equilibrar-se para os decisores militares<sup><a href="#7">7</a></sup><a name="top7"></a> . Como sabemos pelo ponto morto da expans&atilde;o naval chinesa no &Iacute;ndico, no s&eacute;culo&nbsp;XV, a tecnologia sem um prop&oacute;sito que a torne aproveit&aacute;vel e sobretudo agarr&aacute;vel nem sempre &eacute; catalisadora de alguma coisa, por mais promissora que pare&ccedil;a ser.</li>     </ul>     <p>De qualquer forma, estamos mais pr&oacute;ximos de Pezarat Correia, ao pensar que a verdadeira&nbsp;RAM&nbsp;da Idade Moderna foi a iniciada no tempo a que Clausewitz tocou viver, e da qual se fez arauto. Revolu&ccedil;&atilde;o certamente preparada nas cent&uacute;rias anteriores, basta atentar na politiza&ccedil;&atilde;o da guerra, um processo com o seu dealbar na &eacute;poca primomoderna.</p>     <p>Gostaria ainda de salientar que, contra uma certa tend&ecirc;ncia nas rela&ccedil;&otilde;es internacionais em querer tomar literalmente a ret&oacute;rica das estrat&eacute;gias de emprego da arma nuclear na Guerra Fria, Pezarat Correia vem uma vez mais chamar a aten&ccedil;&atilde;o para a arma nuclear como arma de n&atilde;o emprego, assente o seu papel na dissuas&atilde;o (p. 154). Esse foi sempre o seu papel, fazendo as estrat&eacute;gias de emprego parte do plano de credibiliza&ccedil;&atilde;o da dissuas&atilde;o e, claro est&aacute;, do eventual emprego, caso a escalada escapasse ao controlo. N&atilde;o h&aacute; sistemas de armas vigentes e efectivos sem saber como os utilizar. Mas isso n&atilde;o nos deve levar a confundir o seu potencial com a sua utiliza&ccedil;&atilde;o prov&aacute;vel.</p>     <p>A terminar o segundo apartado do terceiro cap&iacute;tulo, escrevendo acerca da guerra irregular, Pezarat Correia esbo&ccedil;a um tra&ccedil;ado que nos pode deixar perplexos. Com muita propriedade, afirma que apenas com a Guerra Fria se pode falar de guerra irregular propriamente dita, porque antes apenas nos deparamos com ac&ccedil;&otilde;es irregulares em apoio &agrave; manobra principal, de natureza convencional (p. 168). Todavia, quando esper&aacute;vamos que a guerra irregular fosse definitivamente um outro termo para guerra subversiva ou insurrecional, um termo, em apar&ecirc;ncia, menos comprometido politicamente, eis que o conceito de guerra irregular aparece como um grande e inexplic&aacute;vel albergue, indo desde a guerrilha, ao terrorismo, &agrave;s sabotagens ou &agrave; resist&ecirc;ncia popular (p. 168). Preferindo depois destacar a guerra de guerrilha como o elemento proeminente durante a Guerra Fria, Pezarat Correia volta a relevar, e de maneira impr&oacute;pria, a guerrilha, a que alude, no in&iacute;cio do livro, como uma mera forma de guerra. Na verdade, aquela que se torna uma nova tipologia de guerra &eacute; sim a guerra subversiva, ou outra designa&ccedil;&atilde;o qualquer que se ache por bem utilizar. N&atilde;o &eacute; a guerra de guerrilha a autonomizar-se, antes &eacute; a guerra subversiva que o faz e tende a tornar t&iacute;pica, corrente, a guerrilha na dimens&atilde;o da luta armada. Caso contr&aacute;rio, corre-se o risco de exorbitar a vertente militar numa luta em que, se bem que os seus gatilhos sejam os da viol&ecirc;ncia armada, o essencial passa pelo uso de estrat&eacute;gias indirectas, na conquista s&oacute;cio-pol&iacute;tica das popula&ccedil;&otilde;es.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Pezarat Correia tende tamb&eacute;m a tergiversar as coisas, quando afirma ter a coliga&ccedil;&atilde;o liderada pelos Estados Unidos na Primeira Guerra do Golfo levado a cabo uma guerra limitada, violando assim os c&acirc;nones das guerras clausewitzianas. N&atilde;o sei se existe aqui alguma influ&ecirc;ncia das interpreta&ccedil;&otilde;es deturpadas de Clausewitz por parte de Liddell Hart ou Keegan, hoje perfeitamente ultrapassadas. Aquilo que caracteriza o pensamento de Clausewitz, como mostra, entre outros, com abundantes exemplos e atendendo ao sentido geral da obra, Francisco Abreu, &eacute; um realismo inteligente. N&atilde;o s&oacute; Clausewitz&nbsp;n&atilde;o nega a import&acirc;ncia da&nbsp;coac&ccedil;&atilde;o diplom&aacute;tica em determinados cen&aacute;rios, se os m&oacute;beis pol&iacute;ticos n&atilde;o forem suficientemente importantes, e tendo em conta a fortuna sempre imprevis&iacute;vel do dar batalha, como a destrui&ccedil;&atilde;o do inimigo n&atilde;o implica necessariamente o seu aniquilamento f&iacute;sico e muito menos uma carnificina intencionada. Bastar&aacute; que o inimigo se aperceba de que o seu centro de gravidade foi mortalmente atingido,&nbsp;&laquo;incutindo-lhe uma convic&ccedil;&atilde;o profunda de derrota e levando-o a aceitar um estatuto de irrevers&iacute;vel inferioridade&raquo;<sup><a href="#8">8</a></sup><a name="top8"></a> . Na perspectiva de Pezarat Correia encontro laivos de guerra absoluta fora do lugar. O que Clausewitz argumenta &eacute; que a ascens&atilde;o aos extremos &eacute; sempre uma possibilidade omnipresente, podendo ser estimulada por uma pol&iacute;tica excitada em demasia. N&atilde;o que os actores pol&iacute;ticos devam, por defini&ccedil;&atilde;o, travar uma guerra sem quartel. Justamente o oposto.</p>     <p>No terceiro e &uacute;ltimo apartado do segundo cap&iacute;tulo, Pezarat Correia &eacute; muito cuidadoso a tratar as supostas novas guerras, e outras derivas doutrin&aacute;rias, n&atilde;o se fazendo cust&oacute;dio puro e simples de um novo paradigma b&eacute;lico p&oacute;s-moderno, que incluiria, o terrorismo, o crime organizado em grande escala, ou o trancarruas de bairro, transformado em comandante de destacamentos informais de uma putativa guerra urbana. Ali&aacute;s, pode colocar-se o mesmo desafio que se colocou em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; economia poder ser vista como enquadrante superior da estrat&eacute;gia e da racionalidade b&eacute;lica em detrimento da pol&iacute;tica. Falso desafio, afinal, resolvido de forma cabal, em seu tempo, pelo estrategista portugu&ecirc;s Ant&oacute;nio Paulo Duarte. A pol&iacute;tica pode bem deformar politicamente o pol&iacute;tico por mor do econ&oacute;mico, mas se entra na li&ccedil;a de corpo inteiro em torno de jogos de poder, o actor econ&oacute;mico passa a ser actor pol&iacute;tico<sup><a href="#9">9</a></sup><a name="top9"></a> . Da mesma forma, e numa escala muito menor, o narcotraficante pode deformar politicamente o jogo b&eacute;lico por mor dos seus interesses privados. Por&eacute;m, no momento em que se transforme de corpo e alma em jogador pol&iacute;tico, passa &agrave; esfera da pol&iacute;tica &ndash; poder&iacute;amos &eacute; n&atilde;o gostar de um colectivo pol&iacute;tico adquirido e por fim por si governado; mas esse &eacute; outro assunto. Em s&iacute;ntese, n&atilde;o h&aacute; em jogo nenhuma racionalidade estrutural n&atilde;o pol&iacute;tica, nem se atenta contra o sentido &uacute;ltimo da obra clausewitziana. Logo, o rufi&atilde;o continua a ser um problema de ordem p&uacute;blica; no essencial, os problemas de pol&iacute;cia perfazem uma linha que se mant&eacute;m est&aacute;vel entre o pilha-galinhas e o narcotraficante; e o terrorismo, esse sim &eacute; um problema subpol&iacute;tico, por consequ&ecirc;ncia, estranho &agrave; guerra.</p>     <p>A heran&ccedil;a das estruturas coloniais, conjuntamente com as fortes assimetrias sociais, criou tremendos problemas de ordem p&uacute;blica na Am&eacute;rica do Sul. Todavia, uma coisa s&atilde;o, por exemplo, as&nbsp;FARC, na Col&ocirc;mbia, outra bem distinta &ndash; por mais que condenemos os excessos na manuten&ccedil;&atilde;o da ordem e possamos achar que apenas uma altera&ccedil;&atilde;o radical do tecido s&oacute;cio-pol&iacute;tico permitir&aacute; uma sa&iacute;da airosa para a situa&ccedil;&atilde;o &ndash; s&atilde;o os chefes de gangue das favelas do Rio de Janeiro. Entre o&nbsp;BOPE&nbsp;e os gangues, o m&iacute;nimo de bom senso imp&otilde;e a op&ccedil;&atilde;o &oacute;bvia. Em rigor, n&atilde;o tivessem os valores t&atilde;o transtornados, e&nbsp;n&atilde;o deveria sequer&nbsp;haver lugar &agrave; possibilidade de escolha. O Estado de direito pode muito bem configurar (e configura de certeza) uma farsa, em termos estruturais, promovida pelos dispositivos soberano-governamentais para nos manter como s&uacute;bditos aquiescentes. Mas na favela nem arremedo de farsa h&aacute;, a n&atilde;o ser a ominosa arbitrariedade do ogre de sarjeta. Por certo, a guerra &eacute; bem pior, mas ela n&atilde;o tem nada a ver com isto, nem em termos conceptuais, nem na pr&aacute;tica, a n&atilde;o ser para os deslumbrados de sempre, os tartufos do costume.</p>     <p>Se as grelhas anal&iacute;ticas n&atilde;o forem robustas, a ac&ccedil;&atilde;o nunca o ser&aacute;. E tanto a estrat&eacute;gia como a polemologia se querem disciplinas praxistas, n&atilde;o meros arranjos pragm&aacute;ticos, caso pretendamos chegar &agrave; paz substantiva. Felizmente, a grelha anal&iacute;tica do general Pezarat Correia &eacute;-o.</p>     <p>Pedro Pezarat Correia afirma ser a obra do general Rupert Smith<i>,&nbsp;A Utilidade da For&ccedil;a</i>, de leitura obrigat&oacute;ria (p. 48). N&atilde;o me parece que tal obra seja obrigat&oacute;ria em quase nada, muito menos na justifica&ccedil;&atilde;o do seu argumento principal, o da guerra no meio do povo. O presente livro do general Pezarat Correia, este sim, &eacute; de leitura obrigat&oacute;ria.&nbsp;</p>     <p>A pedido do autor o texto n&atilde;o adopta as normas do Novo Acordo Ortogr&aacute;fico.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>NOTAS</b></p>     <p><Sup><a name="1"></a><a href="#top1">1</a></Sup> Cf. RICOEUR,&nbsp;Paul &ndash;&nbsp;<i>Temps et R&eacute;cit</i>. 3. Paris: Seuil, 1985, pp. 340-342.</p>     <p><Sup><a name="2"></a><a href="#top2">2</a></Sup> Vejam-se os livros de PAYEN,&nbsp;Pascal &ndash;&nbsp;<i>Les Revers de la Guerre en Gr&egrave;ce Ancienne. Histoire et historiographie</i>.&nbsp;Paris: Belin, 2012; e de ALEXANDER,&nbsp;Caroline &ndash;&nbsp;<i>The War that Killed Achilles. The True Story of Homer&rsquo;s&nbsp;Iliad&nbsp;and the Trojan War</i>.&nbsp;Londres: Viking, 2009.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><Sup><a name="3"></a><a href="#top3">3</a></Sup> Cf. FERNANDES,&nbsp;Ant&oacute;nio Horta <i>&ndash;&nbsp;Livro dos Contrastes. Guerra e Pol&iacute;tica.</i> Porto: Fronteira do Caos, 2017, pp. 170-208.</p>     <p><Sup><a name="4"></a><a href="#top4">4</a></Sup> Cf. ARON,&nbsp;Raymond &ndash;&nbsp;<i>Clausewitz</i>. Lisboa: Esfera do Caos, 2009, pp. 41-49.&nbsp;Obra tamb&eacute;m referenciado por Pezarat Correia.</p>     <p><Sup><a name="5"></a><a href="#top5">5</a></Sup> Cf. CAVANAUGH,&nbsp;William &ndash;&nbsp;<i>The Myth of Religious Violence (Secular Ideology and the Roots of Modern Conflict)</i>. Oxford: Oxforde University Press, 2009.</p>     <p><Sup><a name="6"></a><a href="#top6">6</a></Sup> Cf. GREENGRASS,&nbsp;Mark &ndash;&nbsp;<i>Christendom Destroyed. </i><i>Europe 1517-1648</i>.&nbsp;Londres: Penguin, 2015, pp. 394-396.</p>     <p><Sup><a name="7"></a><a href="#top7">7</a></Sup> Veja-se, a prop&oacute;sito, PHILLIPS,&nbsp;Gervase &ndash; &laquo;La transformaci&oacute;n de la moral militar: armas y soldados en el campo de batalla del siglo XIX&raquo;. In&nbsp;<i>Revista Universitaria de Historia Militar</i>. Vol. 6, N.&ordm; 11, 2017, pp. 278-299. Publicado originalmente no&nbsp;<i>Journal of Interdisciplinary History</i>, 2011.</p>     <p><Sup><a name="8"></a><a href="#top8">8</a></Sup> Cf. ABREU,&nbsp;Francisco&nbsp;&ndash;&nbsp;<i>Estrat&eacute;gia &ndash; O Grande Debate: Sun Tzu e Clausewitz</i>. Lisboa: Esfera do Caos, 2006, p. 182.</p>     <p><Sup><a name="9"></a><a href="#top9">9</a></Sup> Cf. DUARTE, Ant&oacute;nio Paulo&nbsp;&ndash;&nbsp;&laquo;Os (de)limites da estrat&eacute;gia. Assomos reflexivos a prop&oacute;sito de um debate estrat&eacute;gico te&oacute;rico&raquo;.&nbsp;In&nbsp;ABREU,&nbsp;Francisco, e FERNANDES, Ant&oacute;nio Horta&nbsp;&ndash; <i>Pensar a Estrat&eacute;gia. Do Pol&iacute;tico-Militar ao Empresarial</i>. Lisboa:&nbsp;S&iacute;labo, 2004, pp.&nbsp;124-131.</p>      ]]></body>
</article>
